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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Aprender ortografia: O caso das regras contextuais]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article addresses the issue of evaluating the effects of several intervention programs for teaching orthographic contextual rules. On study 1 the participants were 50 poor spellers of 2nd grade that were divided on 5 groups. It was dictated a list of 20 words with a contextual rule at pre-test and post-test. Exp. Group 1 performed a complete sequence of tasks (DR - discovering the contextual rule through the analyse of a set of words and writing it down + CW - completing words from a text that include the rule and revising them consulting the rule + WT - writing down a text based on a set images where must be used words related to the rule). Other experimental groups performed partial sequences: Exp. Group 2 - DR+CW; Exp. Group3 - DR+WT; Exp. Group 4 - CW+WT. Fifth group was a control group. Our results show that experimental group 1, 2 evolved significantly more than experimental group 4 and control group on orthographic performance at post-test. There were no differences between experimental group 3, 4 and control group. On study 2 we reply this study with other 2 contextual rules, repeating the procedure with first 3 experimental groups and add another experimental group that only discover the rule. All groups evolve significantly and there were no differences between the groups.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Dificuldades de aprendizagem]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Ortografia]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Métodos pedagógicos]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><b>Aprender ortografia: O caso das regras contextuais</b></p>     <P align="right"   >Cristina Silva <a name="top7"></a><a href="#7">(*)</a>  </P >     <P align="center"    >RESUMO </P >     <P    >Este artigo procura avaliar o efeito de diversos programas de interven&ccedil;&atilde;o que incidiram sobre a apreens&atilde;o de v&aacute;rias regras ortogr&aacute;ficas contextuais. No Estudo 1 participaram 50 crian&ccedil;as com dificuldades de aprendizagem do 2&ordm; ano de escolaridade que foram divididas em 5 grupos. Para avaliar-se a evolu&ccedil;&atilde;o pr&eacute; e p&oacute;s-teste efectuou-se um ditado nos dois momentos avaliativos que inclu&iacute;a 20 palavras cuja grafia integrava a regra contextual que foi objecto de interven&ccedil;&atilde;o. A interven&ccedil;&atilde;o no Grupo Experimental 1 inclu&iacute;a uma sequ&ecirc;ncia completa de tarefas de aprendizagem, nomeadamente Descobrir a Regra (DR); Completar Lacunas em palavras (CL); Produ&ccedil;&atilde;o Textual (PT) com revis&atilde;o de palavras alvo relacionadas com a regra contextual que foi objecto de interven&ccedil;&atilde;o. Os restantes grupos experimentais efectuaram apenas sequ&ecirc;ncias parciais, nomeadamente: Grupo Experimental 2 &ndash; DR+CL; Grupo Experimental 3 &ndash; DR+PT; Grupo Experimental 4 &ndash; CL+PT. O quinto grupo era o Grupo de Controlo. </P >    <P    >Os resultados indicaram que os Grupos Experimentais 1 e 2 evolu&iacute;ram significativamente mais do que o Grupo Experimental 4 e o Grupo de Controlo. N&atilde;o se registaram diferen&ccedil;as significativas entre os Grupos Experimentais 3 e 4 e o Grupo de Controlo. </P >    <P    >No Estudo 2 foi utilizado o mesmo paradigma de interven&ccedil;&atilde;o com duas regras contextuais diferentes das do anterior estudo. O procedimento implementado com os Grupos Experimentais 1, 2 e 3 foi an&aacute;logo ao dos correspondentes grupos do estudo anterior, mas o Grupo Experimental 4 apenas efectuou a descoberta da regra. Todos os grupos experimentais registaram uma evolu&ccedil;&atilde;o significativa entre o pr&eacute; o p&oacute;s-teste, n&atilde;o se verificando diferen&ccedil;as entre os grupos. </P >     <P    ><i>Palavras chave</i>: Dificuldades de aprendizagem, Ortografia, M&eacute;todos    pedag&oacute;gicos. </P >     <P    >&nbsp;</P >     <P align="center"    >ABSTRACT </P >     <P    >This article addresses the issue of evaluating the effects of several intervention programs for teaching orthographic contextual rules. On study 1 the participants were 50 poor spellers of 2nd grade that were divided on 5 groups. It was dictated a list of 20 words with a contextual rule at pre-test and post-test. Exp. Group 1 performed a complete sequence of tasks (DR &ndash; discovering the contextual rule through the analyse of a set of words and writing it down + CW &ndash; completing words from a text that include the rule and revising them consulting the rule + WT &ndash; writing down a text based on a set images where must be used words related to the rule). Other experimental groups performed partial sequences: Exp. Group 2 &ndash; DR+CW; Exp. Group3 &ndash; DR+WT; Exp. Group 4 &ndash; CW+WT. Fifth group was a control group. Our results show that experimental group 1, 2 evolved significantly more than experimental group 4 and control group on orthographic performance at post-test. There were no differences between experimental group 3, 4 and control group. On study 2 we reply this study with other 2 contextual rules, repeating the procedure with first 3 experimental groups and add another experimental group that only discover the rule. All groups evolve significantly and there were no differences between the groups. </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P    ><i>Key words</i>: Learning difficulties, Orthography, Pedagogical methods. </P >     <P    >&nbsp;</P >     <P    >&nbsp;</P >     <P align="center"    >INTRODU&Ccedil;&Atilde;O </P >     <P    >Consci&ecirc;ncia expl&iacute;cita das regras ortogr&aacute;ficas contextuais:    A sua import&acirc;ncia no desempenho ortogr&aacute;fico.</P >     <P    >A correc&ccedil;&atilde;o e acuidade da ortografia depende n&atilde;o apenas    do conhecimento das rela&ccedil;&otilde;es grafo-fon&eacute;ticas, mas tamb&eacute;m    da compreens&atilde;o das restri&ccedil;&otilde;es contextuais (por exemplo:    &ldquo;m apenas se escreve antes de b e p&rdquo;) e morfo-sint&aacute;cticas,    j&aacute; que essas restri&ccedil;&otilde;es t&ecirc;m implica&ccedil;&otilde;es    no valor fon&eacute;tico dos grafemas. Morais e Tebersosky (1994) demonstraram    que, para o caso da l&iacute;ngua portuguesa, as restri&ccedil;&otilde;es contextuais    e morfo-sint&aacute;cticas diferem no grau de dificuldade, sendo mais f&aacute;cil    para as crian&ccedil;as explicitar as primeiras do que as segundas. Consequentemente    as crian&ccedil;as apresentam mais erros ortogr&aacute;ficos em palavras associadas    ao segundo tipo de restri&ccedil;&atilde;o. </P >     <P    >A tomada de consci&ecirc;ncia e a capacidade de explicita&ccedil;&atilde;o das    restri&ccedil;&otilde;es ortogr&aacute;ficas parece ser um factor cr&iacute;tico    para o desenvolvimento de compet&ecirc;ncias ortogr&aacute;ficas, nomeadamente    em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; escrita de palavras com uma ortografia inconsistente    ou irregular (Morais &amp; Tebersosky, 1994). Este ponto de vista parece ser    consistente com o modelo te&oacute;rico de Karmiloff-Smith (1992), no qual a    autora defende que o desenvolvimento de qualquer conhecimento implica uma &ldquo;redescri&ccedil;&atilde;o&rdquo;    das representa&ccedil;&otilde;es. Os n&iacute;veis inferiores de &ldquo;redescri&ccedil;&atilde;o&rdquo;    seriam meras c&oacute;pias das representa&ccedil;&otilde;es do conhecimento.    Os n&iacute;veis superiores n&atilde;o reflectiriam uma mera duplica&ccedil;&atilde;o    dos n&iacute;veis inferiores, antes implicariam uma crescente explicita&ccedil;&atilde;o    e acessibilidade de informa&ccedil;&otilde;es mais detalhadas. O modelo defende    que &ldquo;Aqueles aspectos de desenvolvimento abertos a uma &lsquo;redescri&ccedil;&atilde;o&rsquo;    das representa&ccedil;&otilde;es est&atilde;o submetidos parcialmente, num primeiro    momento, a restri&ccedil;&otilde;es sequenciais. Posteriormente o conhecimento    passa a ser representado sob uma forma flex&iacute;vel o que permite rela&ccedil;&otilde;es    entre as representa&ccedil;&otilde;es&rdquo; (op. cit., p. 193). </P >     <P    >A aplica&ccedil;&atilde;o deste modelo &agrave; aprendizagem da ortografia sugere    a necessidade de se desenvolverem actividades metalingu&iacute;sticas nas situa&ccedil;&otilde;es    de ensino de forma a que as crian&ccedil;as tomem consci&ecirc;ncia das restri&ccedil;&otilde;es    contextuais e morfo-sint&aacute;cicas associadas a uma correcta ortografia das    palavras. Este ponto de vista traduz a ideia de que no decurso da aprendizagem    as crian&ccedil;as n&atilde;o deveriam limitar-se a reproduzir regras ortogr&aacute;ficas,    antes deveriam compreender o modo como as regras funcionam atrav&eacute;s da    an&aacute;lise da sua fun&ccedil;&atilde;o no c&oacute;digo, tornando aos poucos    as restri&ccedil;&otilde;es impostas pelo c&oacute;digo mais expl&iacute;citas    (Bousquet, Cogis, Ducard, Massonet, &amp; Jaffr&eacute;, 1999). Um estudo de    Morais e Tebersosky (1994) realizado no quadro da l&iacute;ngua portuguesa confirma    esta perspectiva. Neste estudo era pedido a crian&ccedil;as do 3&ordm; ano de    escolaridade que cometessem deliberadamente erros na ortografia de um certo    n&uacute;mero de palavras. Os autores verificarem que as crian&ccedil;as que    mais transgrediam e que eram capazes de explicitar o modo como haviam quebrado    a regra, eram aquelas que apresentaram um melhor desempenho ortogr&aacute;fico    numa tarefa de ditado. </P >     <P    >Na mesma linha, neste caso para a l&iacute;ngua inglesa, Treiman e Kessler (2002) demonstraram a import&acirc;ncia da sensibilidade ao contexto fonol&oacute;gico para uma ortografia correcta, encontrando uma rela&ccedil;&atilde;o entre medidas de sensibilidade ao contexto e o desempenho ortogr&aacute;fico. Esta conclus&atilde;o estendeu-se a crian&ccedil;as e a adultos. Por outro lado, Treiman, Kessler, e Bick (2003) confirmaram que as crian&ccedil;as que apresentam melhor desempenho ortogr&aacute;fico s&atilde;o mais sens&iacute;veis &agrave;s restri&ccedil;&otilde;es contextuais do que as crian&ccedil;as com pior desempenho. </P >    <P    >A ideia de que a aquisi&ccedil;&atilde;o das regras ortogr&aacute;ficas contextuais pode implicar um processo de reorganiza&ccedil;&atilde;o das representa&ccedil;&otilde;es ortogr&aacute;ficas onde especifica&ccedil;&otilde;es expl&iacute;citas s&atilde;o acrescentadas fundamenta, do ponto de vista do ensino, a necessidade de actividades de instru&ccedil;&atilde;o que incidam sobre a tomada de consci&ecirc;ncia das restri&ccedil;&otilde;es contextuais, as quais podem ser uma importante ajuda para as crian&ccedil;as com dificuldades de aprendizagem Juul (2005). Como referem Bousquet et al. (1999, p. 34) &ldquo;Devem ser desenvolvidas actividades metalingu&iacute;sticas que melhorem a explicita&ccedil;&atilde;o das regras e que conduzam &agrave; tomada de consci&ecirc;ncia das formas ortogr&aacute;ficas das palavras&rdquo;. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P    >Seguindo este ponto de vista Silva (2004) submeteu um grupo de crian&ccedil;as com dificuldades de aprendizagem a um programa de interven&ccedil;&atilde;o que inclu&iacute;a a descoberta de regras contextuais, exerc&iacute;cios de consolida&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s de completamento de lacunas e produ&ccedil;&atilde;o textual com revis&atilde;o de palavras-alvo relacionadas com as regras trabalhadas. As crian&ccedil;as deste grupo melhoraram significativamente o seu desempenho ortogr&aacute;fico quando comparadas a um outro grupo a quem foi ensinada a regra, tendo realizado posteriormente exerc&iacute;cios de consolida&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s de c&oacute;pias. Por outro lado, o desempenho ortogr&aacute;fico deste &uacute;ltimo grupo de crian&ccedil;as n&atilde;o diferiu significativamente do desempenho das crian&ccedil;as de um grupo de controlo que apenas efectuaram desenhos. </P >    <P    >Os resultados foram particularmente surpreendentes na medida em que as crian&ccedil;as do primeiro grupo experimental, trabalhando apenas duas sess&otilde;es por cada uma das regras ortogr&aacute;ficas contextuais sobre as quais o estudo incidiu, evolu&iacute;ram para um desempenho quase correcto, o que foi confirmado numa prova ditado efectuada um m&ecirc;s depois da interven&ccedil;&atilde;o experimental ter terminado. O programa de treino aplicado &agrave;s crian&ccedil;as do primeiro grupo experimental envolvia, contudo, tarefas de natureza diferente: descoberta e explicita&ccedil;&atilde;o da regra ortogr&aacute;fica com registo escrito da mesma por parte das crian&ccedil;as, exerc&iacute;cios de consolida&ccedil;&atilde;o com preenchimento de lacunas e produ&ccedil;&atilde;o de um texto a partir de imagens, implicando a mobiliza&ccedil;&atilde;o de palavras relacionadas com a regra ortogr&aacute;fica trabalhada. Tendo em conta a diversidade das tarefas pareceu-nos importante explorar em mais detalhe o impacto relativo de cada uma das actividades para a constru&ccedil;&atilde;o do conhecimento ortogr&aacute;fico e a sua influ&ecirc;ncia na subsequente evolu&ccedil;&atilde;o do desempenho. Por outro lado, e tendo em conta o trabalho de Morais e Teberosky (1994) anteriormente referido, consider&aacute;mos ainda importante analisar o efeito espec&iacute;fico da tarefa &ldquo;descobrir a regra&rdquo; assumindo a hip&oacute;tese de que essa actividade seria a mais relevante para a tomada de consci&ecirc;ncia das regras e consequentemente para a evolu&ccedil;&atilde;o do desempenho ortogr&aacute;fico. </P >     <P align="center"    >ESTUDO 1 </P >     <P    >Este estudo tem como objectivo analisar o impacto das v&aacute;rias actividades de aprendizagem (descoberta e explicita&ccedil;&atilde;o da regra ortogr&aacute;fica; exerc&iacute;cios de consolida&ccedil;&atilde;o com preenchimento de lacunas e produ&ccedil;&atilde;o textual) na evolu&ccedil;&atilde;o do desempenho ortogr&aacute;fico em palavras relacionadas com uma regra ortogr&aacute;fica contextual. </P >     <P align="center"    >DESENHO EXPERIMENTAL </P >     <P    >Trata-se de um estudo experimental onde as crian&ccedil;as foram submetidas a    um pr&eacute; e a um p&oacute;s-teste com o objectivo de avaliar o desempenho    ortogr&aacute;fico em rela&ccedil;&atilde;o a uma regra ortogr&aacute;fica espec&iacute;fica    (&ldquo;m antes de b e p&rdquo;). Foi escolhida esta regra por se tratar de    uma regra contextual universal, sem excep&ccedil;&otilde;es na l&iacute;ngua    portuguesa. </P >     <P    >Foram criados 4 grupos experimentais e 1 de controlo, homog&eacute;neos em rela&ccedil;&atilde;o ao desempenho ortogr&aacute;fico e &agrave; intelig&ecirc;ncia. O G. Experimental 1 foi objecto de uma interven&ccedil;&atilde;o que inclu&iacute;a a descoberta e explicita&ccedil;&atilde;o da regra ortogr&aacute;fica; exerc&iacute;cios de consolida&ccedil;&atilde;o com preenchimento de lacunas e produ&ccedil;&atilde;o de um texto com base numa sequ&ecirc;ncia de imagens. O </P >    <P    >G. Experimental 2 foi submetido &agrave;s primeiras duas tarefas enunciadas e o G. Experimental 3 foi submetido &agrave; primeira e &agrave; &uacute;ltima tarefa enunciada. Ao G. Experimental 4 foi apresentada a regra verbalmente e depois realizou as duas &uacute;ltimas tarefas. O G. de Controlo realizou desenhos. Os programas de interven&ccedil;&atilde;o experimental foram iniciados uma semana ap&oacute;s o pr&eacute;-teste e o p&oacute;s-teste foi realizado tr&ecirc;s semanas ap&oacute;s fim da interven&ccedil;&atilde;o experimental. Nestes dois momentos avaliativos foi utilizado o mesmo instrumento. </P >    <P    ><I>Participantes </I></P >    <P    >Neste estudo participaram 50 crian&ccedil;as do 2&ordm; ano de escolaridade. A m&eacute;dia de idades das crian&ccedil;as era de 7 anos e 6 meses com um desvio padr&atilde;o de 3 meses. </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P    >As crian&ccedil;as j&aacute; haviam recebido instru&ccedil;&atilde;o formal    sobre as regras ortogr&aacute;ficas contextuais Todas as crian&ccedil;as seleccionadas    apresentavam pelo menos 50% de erros numa lista de palavras relacionadas com    a regra a ser trabalhada (&ldquo;m antes de b e p&rdquo;) e tinham sido classificadas    pelos respectivos professores como crian&ccedil;as com dificuldades na ortografia.    Para proceder a esta selec&ccedil;&atilde;o foram testadas 177 crian&ccedil;as    de forma a identificar apenas crian&ccedil;as com fraco desempenho ortogr&aacute;fico.  </P >     <P    >As crian&ccedil;as seleccionadas foram divididas em cinco grupos emparelhados pelo n&iacute;vel da intelig&ecirc;ncia e do desempenho ortogr&aacute;fica. Os resultados da ANOVA confirmam a equival&ecirc;ncia dos grupos experimentais e de controlo quanto ao n&iacute;vel intelectual [<I>F</I>(4,45)=.0951, <I>p</I>&gt;=.05] e desempenho ortogr&aacute;fico [<I>F</I>(4,45)=.0726, <I>p</I>&gt;.05]. </P >    <P    >As crian&ccedil;as frequentavam duas escolas diferentes de Lisboa, mas antes da respectiva selec&ccedil;&atilde;o foram entrevistados os professores no sentido de assegurar uma relativa uniformidade dos m&eacute;todos de ensino na ortografia. </P >    <P    ><I>Procedimentos </I></P >    <P    ><I>Avalia&ccedil;&atilde;o do desempenho ortogr&aacute;fico </I></P >    <P    >Para a avalia&ccedil;&atilde;o do desempenho ortogr&aacute;fico pediu-se &agrave;s crian&ccedil;as para escreverem uma lista de 20 palavras que inclu&iacute;am a regra &ldquo;m antes de p e b&rdquo;. S&oacute; foram contabilizados os erros que incidiam especificamente nesta regra. A mesma lista de palavras foi utilizada nos momentos do pr&eacute; e p&oacute;s-teste. Nenhuma palavra desta listagem foi apresentada durante o treino. </P >    <P    ><I>Avalia&ccedil;&atilde;o do n&iacute;vel intelectual </I></P >    <P    >O n&iacute;vel intelectual foi avaliado atrav&eacute;s das Matrizes Progressivas de Raven (Raven, Raven, &amp; Court, 1998), seguindo-se os procedimentos estandardizados. </P >    <P    ><I>Programas de interven&ccedil;&atilde;o </I></P >    <P    ><I>Tarefas e procedimentos </I></P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P    >Tarefa 1 &ndash; Descoberta da regra (DR): Nesta tarefa as crian&ccedil;as analisavam uma listagem de palavras que implicavam a regra ortogr&aacute;fica &ldquo;m antes de p e b&rdquo;, sendo discutida a ortografia das palavras. O experimentador colocava v&aacute;rias quest&otilde;es sobre a rela&ccedil;&atilde;o entre a posi&ccedil;&atilde;o das letras e o respectivo valor fon&eacute;tico com o objectivo de induzir a descoberta da restri&ccedil;&atilde;o ortogr&aacute;fica. A tarefa terminava quando a crian&ccedil;a verbalizava a regra e a escrevia pelas suas pr&oacute;prias palavras. </P >     <P    >Tarefa 2 &ndash; Completamento de lacunas (CL): Nesta tarefa as crian&ccedil;as    exercitavam a regra atrav&eacute;s do completamento de palavras apresentadas    num texto. No exerc&iacute;cio as crian&ccedil;as eram encorajadas a rever as    palavras de acordo com a regra escrita pelas suas pr&oacute;prias palavras.  </P >     <P    >Tarefa 3 &ndash; Produ&ccedil;&atilde;o de um texto com base em imagens, implicando a mobiliza&ccedil;&atilde;o de palavras alvo relacionadas com a regra (PT): Nesta tarefa as crian&ccedil;as escreviam um texto a partir de uma sequ&ecirc;ncia de imagens. Ap&oacute;s a produ&ccedil;&atilde;o do texto as crian&ccedil;as eram incentivadas a rever a ortografia das palavras com a consulta da regra que haviam escrito com as suas pr&oacute;prias palavras. </P >    <P    ><I>Sequ&ecirc;ncia de aplica&ccedil;&atilde;o das tarefas em cada grupo </I></P >    <P    >De seguida descreve-se a sequ&ecirc;ncia de aplica&ccedil;&atilde;o das tarefas nos diferentes grupos experimentais: </P > &ndash; G. Experimental 1: Realizou as tarefas DR, CL e PT &ndash; G. Experimental  2: Realizou as tarefas DR e CL (com 2 exerc&iacute;cios CL) &ndash; G. Experimental  3: Realizou as tarefas DR e PT (com 2 exerc&iacute;cios PT) &ndash; G. Experimental  4: Foi lido um cart&atilde;o com a regra e realizou as tarefas CL e PT.      <P    >Cada sujeito esteve presente em duas sess&otilde;es de cerca de 30 minutos onde interagiu individualmente com o experimentador. Por outro lado, nos Grupos Experimentais 2 e 3 procedeu-se a uma duplica&ccedil;&atilde;o, respectivamente das tarefas CL e PT de forma a que os tempos de trabalho de exercita&ccedil;&atilde;o da regra fossem id&ecirc;nticos em todos os grupos. </P >    <P    >O Grupo de Controlo realizou desenhos, tendo estado com o experimentador igualmente em duas sess&otilde;es. </P >     <P align="center"    >RESULTADOS </P >     <P    >As estat&iacute;sticas descritivas apontam para ganhos importantes no desempenho    ortogr&aacute;fico nos Grupos Experimentais 1, 2 e 3 (Quadro 1). Os resultados    do teste <I>t </I>para amostras emparelhadas confirma que os Grupos Experimentais    1, 2 e 3 apresentaram ganhos significativos entre o pr&eacute; e o p&oacute;s-teste    no desempenho ortogr&aacute;fico [G. Experimental 1 (<I>t</I>(8)=9,160; <I>p</I>&lt;.001);    G. Experimental 2 (<I>t</I>(8)=11,353; <I>p</I>&lt;.001); G. Experimental 3    (<I>t</I>(8)=3,773; <I>p</I>&lt;.001)]. N&atilde;o se registam diferen&ccedil;as    entre o pr&eacute; e p&oacute;s-teste para o G. Experimental 4 (<I>t</I>(8)=1,510;    <I>p</I>&gt;.05) e para o Grupo de Controlo (<I>t</I>(8)=4,012; <I>p</I>&gt;.05).  </P >     <P    >&nbsp; </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P align="center"    >QUADRO 1</P >     <P align="center"    ><i>M&eacute;dias e desvios padr&otilde;es do desempenho ortogr&aacute;fico para    a regra </i><i>&quot;m antes de p e b&quot; no pr&eacute; e p&oacute;s-teste    e dos ganhos no p&oacute;s-teste em fun&ccedil;&atilde;o dos grupos</i></P >     <P align="center"    ><img src="/img/revistas/aps/v27n4/27n4a09q1.jpg" width="656" height="167"> </P >     
<P    >&nbsp;</P >     <P    >Procedeu-se ainda ao c&aacute;lculo dos ganhos entre o pr&eacute; e o p&oacute;s-teste.    Sobre esses ganhos efectu&aacute;mos uma ANOVA. Os resultados corroboram a ideia    que existem diferen&ccedil;as significativas nos ganhos obtidos nos diferentes    grupos [<I>F</I>(4,45)=7.133; <I>p</I>&lt;.001]. A an&aacute;lise Post-hoc dos    ganhos evidencia a exist&ecirc;ncia de diferen&ccedil;as significativas, por    um lado entre o G. Experimental 1 (que realizou a sequ&ecirc;ncia completa de    tarefas) e o G. Experimental 4 (que realizou apenas a tarefa de Preenchimento    de Lacunas e de Produ&ccedil;&atilde;o Textual). Por outro lado, foram ainda    encontradas diferen&ccedil;as entre o G. Experimental 1 e o G. de controlo.    O mesmo padr&atilde;o de diferen&ccedil;as se regista para o G. Experimental    2 (que realizou a tarefa Descoberta da Regra e a tarefa de Preenchimento de    Lacunas), ou seja encontraram-se diferen&ccedil;as significativas nos ganhos    em rela&ccedil;&atilde;o ao G. Experimental 4 e ao Grupo de Controlo. N&atilde;o    foram encontradas diferen&ccedil;as entre o G Experimental 3 (que realizou as    tarefas de Descoberta da Regra e de Produ&ccedil;&atilde;o Textual) os Grupos    Experimentais 1, 2 e 4, assim como entre o G. Experimental 3 e o Grupo de Controlo.    Tamb&eacute;m n&atilde;o foram encontradas diferen&ccedil;as entre o G. Experimental    4 e o G. de controlo.</P > </P >     <p align="center">DISCUSS&Atilde;O </p>     <P    >O conjunto dos resultados sugere que os Grupos Experimentais 1, 2 e 3 apresentaram uma evolu&ccedil;&atilde;o significativa entre o pr&eacute; e o p&oacute;s-teste, mas os programas de interven&ccedil;&atilde;o com os dois primeiros grupos revelaram-se mais eficazes, tendo as crian&ccedil;as apresentado poucos erros no ditado do p&oacute;s-teste. Apesar dos progressos registados pelo Grupo Experimental 3 serem significativos, n&atilde;o foram encontradas diferen&ccedil;as em rela&ccedil;&atilde;o ao Grupo de Controlo nos ganhos obtidos. A interven&ccedil;&atilde;o efectuada com o G. Experimental 4 (que n&atilde;o trabalhou a tarefa Descoberta da Regra, apenas fez as tarefas de Preenchimento de Lacunas e Produ&ccedil;&atilde;o Textual) n&atilde;o se revelou eficaz j&aacute; que n&atilde;o se registou uma evolu&ccedil;&atilde;o significativa no G. Experimental 4 entre o pr&eacute; e o p&oacute;s-teste e os ganhos obtidos n&atilde;o diferem dos do Grupo de Controlo. </P >     <P    >Estes resultados dever&atilde;o ser analisados atendendo &agrave; natureza das    actividades efectuadas. Assim descobrir a regra e exercit&aacute;-la com o preenchimento    de lacunas e posterior produ&ccedil;&atilde;o de texto e revis&atilde;o ou descobrir    a regra e exercit&aacute;-la apenas com o preenchimento de lacunas &eacute;    igualmente eficaz. Descobrir a regra e proceder de imediato &agrave; produ&ccedil;&atilde;o    textual parece ser menos eficaz. Isso dever-se-&aacute; provavelmente ao facto    da produ&ccedil;&atilde;o textual implicar a articula&ccedil;&atilde;o de conhecimentos    ortogr&aacute;ficos com a estrutura das frases, aumentando a sobrecarga da mem&oacute;ria    de trabalho (Bourdin &amp; Fayol, 1994), e consequentemente diminuindo o espa&ccedil;o    de aten&ccedil;&atilde;o dedicado &agrave; dimens&atilde;o ortogr&aacute;fica.    No entanto, essa sobrecarga poder&aacute; ser ultrapassada se, numa primeira    fase, a aten&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as incidir em palavras isoladas    como aconteceu com as crian&ccedil;as do G. Experimental 1 ao realizarem a tarefa    de lacunas. Por outro lado a aus&ecirc;ncia de progressos significativos no    G. Experimental 4 (que trabalhou a sequ&ecirc;ncia completa sem a descoberta    da regra) e a compara&ccedil;&atilde;o deste grupo com G. Experimental 1 faz    real&ccedil;ar a import&acirc;ncia da actividade &ldquo;descoberta da regra&rdquo;,    refor&ccedil;ando o ponto de vista dos v&aacute;rios autores (Bousquet, Cogis,    Ducard, Massonet, &amp; Jaffr&eacute;, 1999; Morais &amp; Tebersosky, 1994)    que defendem a import&acirc;ncia da tomada de consci&ecirc;ncia expl&iacute;cita    das regras ortogr&aacute;ficas no desempenho ortogr&aacute;fico. Assim estes    dados sugerem a necessidade das crian&ccedil;as desenvolverem uma reflex&atilde;o    metalingu&iacute;stica sobre o car&aacute;cter contextual da rela&ccedil;&atilde;o    grafo-fon&eacute;tica subjacente &agrave; regra como pr&eacute;-condi&ccedil;&atilde;o    para a evolu&ccedil;&atilde;o dos conhecimentos ortogr&aacute;ficos. </P >     <P align="center"    >ESTUDO 2 </P >     <P    >Este estudo tem como objectivo analisar o impacto espec&iacute;fico da tarefa    &ldquo;descobrir a regra&rdquo;, comparando o efeito isolado desta tarefa com    os programas de interven&ccedil;&atilde;o desenvolvidos no estudo anterior.    O desenho experimental utilizado foi semelhante, tendo, neste caso, sido organizados    apenas 4 grupos experimentais e nenhum de controlo, uma vez que se pretendeu    comparar o efeito da tarefa &ldquo;descobrir a regra&rdquo; com o efeito dos    programas de interven&ccedil;&atilde;o referidos para os tr&ecirc;s primeiros    grupos do estudo anterior. </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P    ><I>Participantes </I></P >    <P    >Neste estudo participaram 44 crian&ccedil;as do 2&ordm; ano de escolaridade. A m&eacute;dia de idades das crian&ccedil;as era de 7 anos e 6 meses com um desvio padr&atilde;o de 4 meses. </P >    <P    >As crian&ccedil;as j&aacute; haviam recebido instru&ccedil;&atilde;o formal sobre as regras ortogr&aacute;ficas contextuais Todas as crian&ccedil;as seleccionadas apresentavam pelo menos 50% de erros numa lista de palavras relacionadas com as regras a serem trabalhadas (&ldquo;C or Qu para representar o fonema /k/&rdquo; e &ldquo;S com valor de /s/ e /z/ e S e ss para representar /s/&rdquo;) e tinham sido classificadas pelos respectivos professores como crian&ccedil;as com dificuldades na ortografia. Para proceder a esta selec&ccedil;&atilde;o foram testadas 347 crian&ccedil;as de forma a identificar apenas crian&ccedil;as com fraco desempenho ortogr&aacute;fico. </P >    <P    >As crian&ccedil;as seleccionadas foram divididas em quatro grupos emparelhados pelo n&iacute;vel da intelig&ecirc;ncia e do desempenho ortogr&aacute;fica. Os resultados da ANOVA confirmam a equival&ecirc;ncia dos grupos experimentais e de controlo quanto ao n&iacute;vel intelectual [<I>F</I>(3,42)=.069, <I>p</I>&gt;.0.5] e desempenho ortogr&aacute;fico em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s duas regras ortogr&aacute;ficas, respectivamente [<I>F</I>(3,42)=.373, <I>p</I>&gt;.05] e [<I>F</I>(3,42)=.726, <I>p</I>&gt;.05]. </P >    <P    ><I>Procedimentos </I></P >    <P    ><I>Avalia&ccedil;&atilde;o do desempenho ortogr&aacute;fico </I></P >    <P    >Para a avalia&ccedil;&atilde;o do desempenho ortogr&aacute;fico pediu-se &agrave;s crian&ccedil;as para escreverem uma lista de 20 palavras que inclu&iacute;am a regra (&ldquo;C ou Qu para representar o fonema /k/&rdquo; e 15 palavras que inclu&iacute;am a regra &ldquo;S com valor de /s/ e /z/ e S e ss para representar /s/&rdquo;. S&oacute; foram contabilizados os erros que incidiam especificamente nas regras. A mesma lista de palavras foi utilizada nos momentos do pr&eacute; e p&oacute;s-teste, o qual foi realizado tr&ecirc;s semanas ap&oacute;s o fim da interven&ccedil;&atilde;o experimental. Nenhuma palavra desta listagem foi apresentadas durante os treinos. </P >    <P    ><I>Avalia&ccedil;&atilde;o do n&iacute;vel intelectual </I></P >    <P    >O n&iacute;vel intelectual foi avaliado atrav&eacute;s das Matrizes Progressivas de Raven (Raven, Raven, &amp; Court, 1998), seguindo-se os procedimentos estandardizados. </P >    <P    ><I>Tarefas e procedimentos </I></P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P    >As tarefas de instru&ccedil;&atilde;o foram as mesmas utilizadas no Estudo 1. Para descrever a sequ&ecirc;ncia a que cada grupo foi submetido ser&atilde;o usadas as iniciais com que cada tarefa foi anteriormente nomeada. </P >     &ndash; G. Experimental 1: Realizou as tarefas DR, CL e PT. &ndash; G. Experimental  2: Realizou as tarefas DR e CL. &ndash; G. Experimental 3: Realizou as tarefas  DR e PT &ndash; G. Experimental 4: Realizou a tarefa DR.      <P    >Cada sujeito esteve presente em duas sess&otilde;es de cerca de 20 minutos para    cada uma das regras trabalhadas onde interagiu individualmente com o experimentador.    No Grupo Experimental 4 dividiu-se a lista de palavras a analisar de forma a    corresponder sensivelmente ao mesmo tempo de interac&ccedil;&atilde;o. </P >     <P align="center"    >RESULTADOS </P >     <P    >Comecemos por analisar os resultados para a regra ortogr&aacute;fico &ldquo;C    or Qu para representar o fonema /k/&rdquo;. As estat&iacute;sticas descritivas    apontam para ganhos importantes sobretudo nos Grupos Experimentais 1 e 2 (Quadro    2). Os resultados do teste <I>t </I>para amostras emparelhadas demonstram, contudo,    que todos os grupos experimentais apresentaram ganhos significativos entre o    pr&eacute; e o p&oacute;s-teste no desempenho ortogr&aacute;fico de palavras    que implicavam esta regra [Exp.G.1 (<I>t</I>(9)=5,590; <I>p</I>&lt;.001); Exp.G.2    (<I>t</I>(9)=6,708; <I>p</I>&lt;.001); Exp.G.3 (<I>t </I>(9)=3,3634; <I>p </I>&lt;.005);    Exp.G.4 (<I>t</I>(9)=3,530; <I>p</I>&lt;.005]. Procedeu-se ainda ao c&aacute;lculo    dos ganhos entre o pr&eacute; e o p&oacute;s-teste e sobre os ganhos efectu&aacute;mos    uma ANOVA. Os resultados corroboram a ideia de que n&atilde;o existem diferen&ccedil;as    significativas nos ganhos obtidos nos diferentes grupos [<I>F</I>(3,42)=1.040;    <I>p</I>&gt;.05]. </P >     <P align="center"    >&nbsp;</P >     <P align="center"    >QUADRO 2</P >     <P align="center"    ><i>M&eacute;dias e desvios padr&otilde;es do desempenho ortogr&aacute;fico para    a regra</i><i>&quot;m antes de p e b&quot; no pr&eacute; e p&oacute;s-teste    e dos ganhos no p&oacute;s-teste em fun&ccedil;&atilde;o dos grupos</i></P >     <P align="center"    ><img src="/img/revistas/aps/v27n4/27n4a09q2.jpg" width="656" height="153"></P >     
<P   >&nbsp;</P >     <P   >Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; regra ortogr&aacute;fica &ldquo;S com valor    de /s/ e /z/ e S e ss para representar /s/&rdquo; as estat&iacute;sticas descritivas    sugerem mais uma vez que os ganhos mais importantes foram nos Grupos Experimentais    1 e 2 (Quadro 3). Os resultados do teste <I>t </I>para amostras emparelhadas    demonstraram, contudo, que todos os grupos experimentais apresentaram ganhos    significativos entre o pr&eacute; e o p&oacute;s-teste no desempenho ortogr&aacute;fico    em palavras que implicavam esta regra [Exp.G.1 (<I>t</I>=7,507; <I>p</I>&lt;.001);    Exp.G.2 (<I>t</I>=6,083; <I>p</I>&lt;.001); Exp.G.3 (<I>t</I>=2,197; <I>p</I>&lt;.005);    Exp.G.4 (<I>t</I>=3,675; <I>p</I>&lt;.005]. Tamb&eacute;m neste caso se procedeu    ao c&aacute;lculo dos ganhos entre o pr&eacute; e o p&oacute;s-teste e sobre    os ganhos efectu&aacute;mos uma ANOVA. Os resultados corroboram a ideia de que    n&atilde;o existem diferen&ccedil;as significativas nos ganhos obtidos nos diferentes    grupos [<I>F</I>(3,42)=.975; <I>p</I>&gt;.05]. </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P   >&nbsp;</P >     <P align="center"    >QUADRO 3</P >     <P align="center"    ><I>M&eacute;dias e desvios padr&otilde;es do desempenho ortogr&aacute;fico para    a regra &ldquo;S com valor de /s/ e /z/ e S e ss para representar /s/&rdquo;    no pr&eacute; e p&oacute;s-teste e dos ganhos no p&oacute;s-teste em fun&ccedil;&atilde;o    dos grupos </I></P >     <P align="center"    ><i><img src="/img/revistas/aps/v27n4/27n4a09q3.jpg" width="655" height="156"></i></P >     
<P   >&nbsp;</P >     <P align="center"    >DISCUSS&Atilde;O </P >     <P    >Tal como no estudo anterior foram encontrados ganhos significativos com a implementa&ccedil;&atilde;o    dos programas de interven&ccedil;&atilde;o experimental no desempenho ortogr&aacute;fico.    Contudo, os ganhos n&atilde;o foram t&atilde;o impressionantes como em rela&ccedil;&atilde;o    aos obtidos no Estudo 1, provavelmente, devido ao facto de se tratar de regras    mais complexas e tamb&eacute;m pelo facto de as crian&ccedil;as terem realizado    menos exerc&iacute;cios de consolida&ccedil;&atilde;o que no estudo anterior.  </P >     <P    >O aspecto mais relevante deste estudo decorre do facto de n&atilde;o se terem    encontrado diferen&ccedil;as significativas entre os ganhos obtidos no desempenho    ortogr&aacute;fico em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s duas regras trabalhadas.    Estes resultados fundamentam a import&acirc;ncia da tarefa de aprendizagem &ldquo;Descobrir    a Regra&rdquo;. A actividade metalingu&iacute;stica desencadeada pelas perguntas    do experimentador poder&aacute; ter ajudado na constru&ccedil;&atilde;o de no&ccedil;&otilde;es    mais expl&iacute;citas sobre as regras e esse procedimento parece ser particularmente    relevante para o processo de aprendizagem. Os dados obtidos parecem consistentes    com o ponto de vista de Morais e Teberosky (1994) sobre a rela&ccedil;&atilde;o    entre consci&ecirc;ncia expl&iacute;cita das regras ortogr&aacute;ficas e desempenho    ortogr&aacute;fico. Os exerc&iacute;cios proporcionados aos Grupos Experimentais    1, 2 e 3 ap&oacute;s a descoberta da regra parecem ajudar as crian&ccedil;as    a consolidar a fun&ccedil;&atilde;o das regras no c&oacute;digo escrito (portanto,    os ganhos nestes grupos foram ligeiramente superiores), mas o ponto de partida    do processo de aprendizagem parece ser a tomada de consci&ecirc;ncia da regra.  </P >     <P align="center"    >DISCUSS&Atilde;O GERAL </P >     <P    >Os resultados dos dois estudos apresentados proporcionam importantes pistas para a interven&ccedil;&atilde;o pedag&oacute;gica em crian&ccedil;as com dificuldades de aprendizagem da ortografia. Foram apresentados alguns programas de treino que, em apenas duas sess&otilde;es, melhoraram significativamente o desempenho infantil na escrita de palavras cuja ortografia correcta implicava o conhecimento de algumas regras ortogr&aacute;ficas contextuais. </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P    >Os resultados do Estudo 1 permitem-nos apontar para algumas diferen&ccedil;as    nos ganhos obtidos atrav&eacute;s dos v&aacute;rios programas de interven&ccedil;&atilde;o    uma vez que os Grupos Experimentais 1 e 2 (que realizaram, respectivamente,    a sequ&ecirc;ncia completa de tarefas e a &ldquo;Descoberta da Regra&rdquo;    seguida da tarefa Preenchimento de Lacunas) e registaram ganhos significativos    em rela&ccedil;&atilde;o ao grupo de controlo. No Grupo Experimental 3 (que    efectuou a Descoberta da Regra seguida de tarefas de Produ&ccedil;&atilde;o    Textual) n&atilde;o se verificarem diferen&ccedil;as significativas nos ganhos    em rela&ccedil;&atilde;o aos anteriores grupos experimentais, mas, por outro    lado, n&atilde;o se registaram diferen&ccedil;as significativas nos seus ganhos    em rela&ccedil;&atilde;o ao Grupo de Controlo. Este padr&atilde;o de resultados    proporciona-nos algumas pistas sobre a sequ&ecirc;ncia das tarefas de ensino    para uma melhor efici&ecirc;ncia na aprendizagem da ortografia. Assim, ap&oacute;s    &ldquo;a descoberta da regra&rdquo;, a consolida&ccedil;&atilde;o dos conhecimentos    ortogr&aacute;ficos parece realizar-se mais facilmente, se forem efectuados    primeiro, exerc&iacute;cios com palavras isoladas do que se passar de imediato    &agrave; produ&ccedil;&atilde;o de textos. Estes resultados revelam-se plaus&iacute;veis    tendo em conta que a produ&ccedil;&atilde;o de textos implica uma maior sobrecarga    na mem&oacute;ria de trabalho. Contudo, os resultados obtidos no Grupo Experimental    1 do estudo sugerem que ambos os exerc&iacute;cios s&atilde;o &uacute;teis do    ponto de vista da consolida&ccedil;&atilde;o do conhecimento, respeitando a    sequ&ecirc;ncia &ldquo;exerc&iacute;cios com palavras isoladas&rdquo; e &ldquo;produ&ccedil;&atilde;o    de textos&rdquo;. &Eacute; importante que, do ponto de vista pedag&oacute;gico,    se retenha esta conclus&atilde;o j&aacute; que a produ&ccedil;&atilde;o de textos    pode ser integrada em actividades de escrita com fun&ccedil;&otilde;es comunicativas,    as quais s&atilde;o mais motivantes para as crian&ccedil;as do que tarefas descontextualizadas    de aprendizagem da ortografia (Mata, 2003). Por outro a efic&aacute;cia dos    exerc&iacute;cios de consolida&ccedil;&atilde;o propostos estar&aacute; sem    d&uacute;vida associada aos procedimentos de revis&atilde;o induzidos atrav&eacute;s    da consulta da regra e com a actividade de reflex&atilde;o metalingu&iacute;stica    que lhe est&aacute; inerente (Allal, 1997). </P >     <P    >Uma an&aacute;lise mais centrada sobre as especificidades dos processos de aquisi&ccedil;&atilde;o    de conhecimentos ortogr&aacute;ficos relativos &agrave;s regras contextuais    estudos permite concluir que a apropria&ccedil;&atilde;o infantil de regras    contextuais parece implicar processos de reflex&atilde;o metalingu&iacute;stica,    os quais se revelam necess&aacute;rios &agrave; constru&ccedil;&atilde;o de    no&ccedil;&otilde;es mais expl&iacute;citas sobre as regras. Esta conclus&atilde;o    pode ser sustentada pela conjuga&ccedil;&atilde;o de alguns resultados obtidos    no Estudo 1 e 2. Assim se atendermos a aus&ecirc;ncia de ganhos significativos    obtidos pelo Grupo Experimental 4 do Estudo 1 (onde a regra foi apresentada,    mas n&atilde;o descoberta pelas crian&ccedil;as) com os ganhos obtidos pelo    Grupo Experimental 4 do Estudo 2 (onde apenas foi implementada a actividade    &ldquo;descobrir a regra&rdquo;), mesmo tendo em conta que a compara&ccedil;&atilde;o    n&atilde;o pode ser efectuada em termos absolutos j&aacute; que forem trabalhadas    regras diferentes nos dois estudos, podemos de facto confirmar a import&acirc;ncia    da tomada de consci&ecirc;ncia expl&iacute;cita das regras contextuais para    os progressos no desempenho ortogr&aacute;fico (Morais &amp; Teberosky, 1994;    Treiman, Kessler, &amp; Bick, 2002). Por outro lado, estes dados confirmam a    necessidade de desenvolver actividades que implicam reflex&atilde;o metalingu&iacute;stica    durante o processo de aprendizagem. Esta conclus&atilde;o &eacute; ainda concordante    com os dados obtidos por Silva (2004) onde se fez a compara&ccedil;&atilde;o    de dois programas de interven&ccedil;&atilde;o experimental, em que num caso    se ensinava a regra atrav&eacute;s de um m&eacute;todo expositivo e no outro    se induzia a descoberta da regra, e que indicou claramente a superioridade do    segundo m&eacute;todo para os progressos no desempenho ortogr&aacute;fico. </P >     <P    >Estes estudos t&ecirc;m claras implica&ccedil;&otilde;es do ponto de vista educacional    uma vez que as tarefas de aprendizagem utilizadas podem ser transpostas com    relativa facilidade para contextos de sala de aula. </P >     <P    >&nbsp;</P >     <P align="center"    >REFER&Ecirc;NCIAS </P >     <P    >Allal, L. (1997). Acquisition de l&acute;orthographe en situation de classe. In L. Rieben, M. Fayol, &amp; C. Perfetti (Eds.), <I>Des orthographes et leur acquisition </I>(pp.181-206). Paris: Delachaux et Niestl&eacute;. </P >    <P    >Bourdin, B., &amp; Fayol, M. (1994). Is written language production more difficult than oral language production? A working memory approach. <I>International Journal of Psychology</I>, <I>29</I>, 591-620. </P >    <P    >Bousquet, S., Cogis, D., Ducard, D., Massonnet, J., &amp; Jaffr&eacute;, J.-P. (1999). Acquisition de l&rsquo;orthographe et mondes cognitifs. <I>Revue Fran&ccedil;aise de P&eacute;dagogie</I>, <I>126, </I>23-37. </P >    <P    >Juul, H. (2005). Knowledge of context sensitive spelling as a component of spelling competence: Evidence from Danish. <I>Applied Psycholinguistic</I>, <I>26</I>, 249-266. </P >     <P    >Karmiloff-Smith, A. (1992). <I>Beyond modularity: A developmental perspective    on cognitive science. </I>MA: MIT Press. </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P    >Mata, M. L. (2003). <I>Literacia familiar. </I>Disserta&ccedil;&atilde;o de doutoramento. Universidade do Minho. </P >    <!-- ref --><P    >Morais, A., &amp; Teberosky, A. (1994). Erros e transgress&otilde;es infantis na ortografia do Portugu&ecirc;s. <I>Discursos, 8</I>, 15-51. </P >    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000104&pid=S0870-8231200900040000900001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><P    >Raven, J., Raven, J. C., &amp; Court, J.H. (1998). <I>Manual for Raven&rsquo;s progressive matrices and vocabulary scale. Section I. General overview. </I>Oxford: Oxford Psychologists Press. </P >    <P    >Treiman, R., Kessler, B., &amp; Bick, S. (2002). Context sensitivity in the spelling of English vowels. <I>Journal of Memory and Lan</I>guage, <I>47</I>, 448-468. </P >     <P    >Treiman, R., Kessler, B., &amp; Bick, S. (2003). Influence of consonantal context    on pronunciation of vowels: A comparison of human readers and computational    models, <I>Cognition, 88</I>, 48-78. </P >     <P    >&nbsp;</P >      <P    ><a name="7"></a><Sup><a href="#top7">(*)</a></Sup>  Instituto Superior de Psicologia Aplicada, Lisboa.</P >      ]]></body><back>
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<surname><![CDATA[Morais]]></surname>
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<surname><![CDATA[Teberosky]]></surname>
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