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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Motivação para a leitura ao longo da escolaridade]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,ISPA - Instituto Superior de Psicologia Aplicada UIPCDE  - Unidade de Investigação em Psicologia Cognitiva do Desenvolvimento e da Educação ]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This main goal of this research is to characterize reading motivation in students of the three compulsory basic cycles of education in Portugal. Participants were 1405 Portuguese students of the 3rd grade to the 9th grade. They completed a reading motivation measuring scale. This instrument considers five reading motivational domains: Enjoyment, Importance/Curiosity, Social Reasons, Social Recognition and Self-perception of Competence. Results show an inverse effect of grade level in reading motivation, with students of ealier grades being more motivated than students of later grades in almost all of the dimensions of the reading motivation scale, except for the Self-perception of Competence, where scores increased from the 1st to the 2nd cycle. Significant differences were also found between boys and girls in reading motivation, with girls expressing more positive motivational characteristics than boys.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><b>Motiva&ccedil;&atilde;o para a leitura ao longo da escolaridade    <a name="top1"></a><a href="#1">(*)</a> </b></p>     <P align="right"    >Lourdes Mata <a name="top2"></a><a href="#2">(**)</a>  </P >     <P align="right"    >Vera Monteiro <a name="top2"></a><a href="#2">(**)</a> </P >     <P align="right"    >Francisco Peixoto <a name="top2"></a><a href="#2">(**)</a>  </P >      <P align="center"    >RESUMO </P >     <P    >Este trabalho teve como principal objectivo a caracteriza&ccedil;&atilde;o da motiva&ccedil;&atilde;o para a leitura em alunos dos diferentes ciclos da escolaridade obrigat&oacute;ria. </P >    <P    >Participaram no estudo 1405 alunos do 3&ordm; ao 9&ordm; ano de escolaridade, que responderam a uma escala de motiva&ccedil;&atilde;o para a leitura, na qual eram contemplados cinco dom&iacute;nios motivacionais distintos: Prazer, Import&acirc;ncia e Curiosidade, Raz&otilde;es Sociais, Reconhecimento Social e Autopercep&ccedil;&atilde;o de Compet&ecirc;ncia. </P >    <P    >Os resultados evidenciaram um efeito significativo do ano de escolaridade que se traduziu em n&iacute;veis motivacionais mais elevados, por parte dos alunos mais novos, em todos os dom&iacute;nios, com excep&ccedil;&atilde;o da Autopercep&ccedil;&atilde;o de Compet&ecirc;ncia a qual sofre um acr&eacute;scimo entre o 1&ordm; e o 2&ordm; Ciclo. Constatou-se, igualmente, a exist&ecirc;ncia de um efeito devido ao g&eacute;nero, traduzindo-se na exist&ecirc;ncia de valores motivacionais mais elevados por parte das raparigas. </P >     <P    ><i>Palavras chave</i>: G&eacute;nero, Leitura, Motiva&ccedil;&atilde;o, Motiva&ccedil;&atilde;o    para a leitura. </P >     <P    >&nbsp;</P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P align="center"    >ABSTRACT </P >     <P    >This main goal of this research is to characterize reading motivation in students of the three compulsory basic cycles of education in Portugal. </P >    <P    >Participants were 1405 Portuguese students of the 3rd grade to the 9th grade. They completed a reading motivation measuring scale. This instrument considers five reading motivational domains: Enjoyment, Importance/Curiosity, Social Reasons, Social Recognition and Self-perception of Competence. </P >    <P    >Results show an inverse effect of grade level in reading motivation, with students of ealier grades being more motivated than students of later grades in almost all of the dimensions of the reading motivation scale, except for the Self-perception of Competence, where scores increased from the 1st to the 2nd cycle. Significant differences were also found between boys and girls in reading motivation, with girls expressing more positive motivational characteristics than boys. </P >     <P    ><i>Key words</i>: Gender, Motivation, Reading, Reading motivation. </P >     <P    >&nbsp;</P >     <P    >&nbsp;</P >     <P align="center"    >INTRODU&Ccedil;&Atilde;O </P >     <P    >Frequentemente se ouve falar da necessidade e da import&acirc;ncia de, desde    cedo, os alunos se envolverem em actividades de leitura. Este envolvimento,    segundo v&aacute;rios autores &eacute; concebido como resultante da conjuga&ccedil;&atilde;o    de processos motivacionais e a mobiliza&ccedil;&atilde;o de estrat&eacute;gias    cognitivas diferenciadas (Baker, Afflerbach, &amp; Reinking, 1996; Wigfield,    Guthrie, Perencevich, et al., 2008). Nesta perspectiva os leitores com elevado    envolvimento s&atilde;o mais motivados e estrat&eacute;gicos enquanto que os    menos envolvidos se mostram menos motivados e usam menos estrat&eacute;gias    para acederem &agrave; compreens&atilde;o do que l&ecirc;em. Complementando    esta ideia, Baker, Afflerbach, e Reinking (1996) consideram que os leitores    envolvidos s&atilde;o &ldquo;motivados, estrat&eacute;gicos, conhecedores e    socialmente interactivos&rdquo; (Baker, Afflerbach, &amp; Reinking, 1996, p.    xv). Concebido desta forma, o envolvimento com a leitura deve ser considerado    como multidimensional envolvendo aspectos comportamentais, cognitivos, emocionais    e tamb&eacute;m sociais (Baker, Afflerbach, &amp; Reinking, 1996; Guthrie &amp;    Anderson, 1999; Guthrie &amp; Knowels, 2001; Wigfield, Guthrie, Perencevich,    et al., 2008). Neste sentido, o estudo e a compreens&atilde;o dos processos    motivacionais subjacentes &agrave; leitura, poder&atilde;o dar um contributo    importante para a compreens&atilde;o do envolvimento com a leitura. </P >     <P><I>Motiva&ccedil;&atilde;o para a leitura </I></P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P    >Wigfield, Guthrie, Tonks, e Perencevich (2004) consideram que, quando se pretende estudar a motiva&ccedil;&atilde;o tem que se considerar a especificidade de cada dom&iacute;nio (e.g., leitura, matem&aacute;tica, ci&ecirc;ncias). &Eacute; evidente que, desde muito cedo, as crian&ccedil;as come&ccedil;am a diferenciar as suas percep&ccedil;&otilde;es de compet&ecirc;ncia, o seu interesse e motiva&ccedil;&atilde;o intr&iacute;nseca em diferentes &aacute;reas. A investiga&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m tem evidenciado que, consoante os dom&iacute;nios, a motiva&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as pode variar na sua intensidade &ldquo;<I>as crian&ccedil;as podem estar mais fortemente motivadas numa &aacute;rea espec&iacute;fica </I>(e.g., matem&aacute;tica) <I>do que noutra </I>(e.g., leitura) (Wigfield et al., 2004, p. 300). Para al&eacute;m disso, segundo os autores, existem certos dom&iacute;nios da motiva&ccedil;&atilde;o para a leitura que s&atilde;o espec&iacute;ficos desta &aacute;rea, tais como os aspectos sociais associados &agrave; partilha de livros e de leituras com outros. Deste modo, para se estudar a motiva&ccedil;&atilde;o para a leitura, &eacute; necess&aacute;rio considerar a sua especificidade, para al&eacute;m dos contributos de diferentes quadros te&oacute;ricos da motiva&ccedil;&atilde;o. Wigfield (1997), na caracteriza&ccedil;&atilde;o da motiva&ccedil;&atilde;o para a leitura, refere que devem ser tidas em conta diferentes dimens&otilde;es como: as autopercep&ccedil;&otilde;es de leitor e sentimentos de efic&aacute;cia que influenciam as expectativas de sucesso; os afectos associados &agrave; leitura, nomeadamente a satisfa&ccedil;&atilde;o e prazer, os quais, por sua vez, ir&atilde;o influenciar dimens&otilde;es como o valor e interesse atribu&iacute;dos &agrave; leitura. Complementando esta ideia, mais tarde, explora este tema apresentando 3 grandes eixos, que seriam centrais, no estudo da motiva&ccedil;&atilde;o para a leitura (Wigfield, 2000): (1) motiva&ccedil;&atilde;o intr&iacute;nseca e extr&iacute;nseca, (2) percep&ccedil;&otilde;es de compet&ecirc;ncia e de efic&aacute;cia, e (3) motiva&ccedil;&atilde;o social. Segundo o autor, a an&aacute;lise de aspectos extr&iacute;nsecos e intr&iacute;nsecos permite uma melhor compreens&atilde;o das raz&otilde;es subjacentes ao desenvolvimento de actividades de leitura, podendo estas estar relacionadas mais com o prazer e interesse resultante da leitura, ou com o receber alguma gratifica&ccedil;&atilde;o externa (e.g., notas, reconhecimento dos outros). As percep&ccedil;&otilde;es de compet&ecirc;ncia e efic&aacute;cia referem-se &agrave;s avalia&ccedil;&otilde;es que os sujeitos fazem da sua capacidade para desenvolverem determinadas actividades, podendo estas facilitar ou inibir um maior envolvimento nas mesmas. Quanto &agrave; motiva&ccedil;&atilde;o social, o autor considera-a central no que se refere &agrave; leitura, pois a leitura &eacute; frequentemente uma actividade social em que a sua utiliza&ccedil;&atilde;o com fins sociais pode envolver a partilha de ideias e leituras. </P >    <P    >Esta vis&atilde;o multidimensional da motiva&ccedil;&atilde;o para a leitura tem vindo a ser partilhada por diferentes autores, embora por vezes se verifiquem algumas diferen&ccedil;as na sua operacionaliza&ccedil;&atilde;o, resultando em caracteriza&ccedil;&otilde;es com uma maior ou menor diversidade nas facetas consideradas (e.g., Gambrell, Palmer, Codling, &amp; Mazzoni, 1996; Scher &amp; Baker, 1997; Wigfield, Guthrie, &amp; McGough, 1996). </P >    <P    >Segundo Wigfield (2000) o facto de se considerar a motiva&ccedil;&atilde;o como multifacetada implica que n&atilde;o se encararem as crian&ccedil;as como motivadas ou desmotivadas, mas sim como podendo estar motivadas por diferentes raz&otilde;es. </P >    <P    >Para al&eacute;m disso, alguns aspectos da motiva&ccedil;&atilde;o poder&atilde;o ser mais ben&eacute;ficos para a aprendizagem do que outros. Sendo assim, as crian&ccedil;as que est&atilde;o intrinsecamente motivadas, que t&ecirc;m concep&ccedil;&otilde;es de compet&ecirc;ncia positivas e gostam de partilhar com os outros as suas actividades de leitura, tornar-se-&atilde;o provavelmente leitores mais envolvidos. </P >     <P><I>Desenvolvimento da motiva&ccedil;&atilde;o para a leitura </I></P >     <P    >O conhecimento das caracter&iacute;sticas motivacionais ao longo da escolaridade    poder&aacute; levar a uma melhor compreens&atilde;o das particularidades inerentes    &agrave; motiva&ccedil;&atilde;o para a leitura e consequentemente a uma interven&ccedil;&atilde;o    mais apropriada para a sua promo&ccedil;&atilde;o. </P >     <P    >A investiga&ccedil;&atilde;o sobre o desenvolvimento da motiva&ccedil;&atilde;o para a aprendizagem em geral e para &aacute;reas espec&iacute;ficas do saber, tem mostrado que, de um modo geral, h&aacute; uma tend&ecirc;ncia para que aspectos ligados &agrave;s percep&ccedil;&otilde;es de compet&ecirc;ncia e motiva&ccedil;&atilde;o intr&iacute;nseca sofram um decr&eacute;scimo enquanto a motiva&ccedil;&atilde;o extr&iacute;nseca parece aumentar ao longo da escolaridade (Eccles, O&rsquo;Neill, &amp; Wigfield, 2005; Harter, Whitesell, &amp; Kowalksi, 1992; Lepper, Corpus, &amp; Iyengar, 2005). </P >    <P    >Esta tend&ecirc;ncia, para um decr&eacute;scimo dos indicadores motivacionais, tamb&eacute;m tem sido verificada quando se estuda a motiva&ccedil;&atilde;o para a leitura. &Agrave; medida que as crian&ccedil;as progridem na sua escolaridade parece que, em v&aacute;rios aspectos, as suas motiva&ccedil;&otilde;es para a leitura tendem a diminuir (Baker &amp; Wigfield, 1999; Gambrell, Palmer, Codling, &amp; Mazzoni, 1996; Monteiro &amp; Mata, 2001; Wigfield &amp; Guthrie, 1997). Wigfield e Guthrie (1997) verificaram este decr&eacute;scimo quando compararam alunos do 4&ordm; e 5&ordm; anos em dimens&otilde;es como a Percep&ccedil;&atilde;o de Efic&aacute;cia, Reconhecimento Social e Raz&otilde;es Sociais. Resultados semelhantes foram encontrados por Baker e Wigfield (1999) ao compararem as caracter&iacute;sticas motivacionais de alunos do 5&ordm; e 6&ordm; anos de escolaridade, onde uma descida dos valores motivacionais foi evidente tanto para a dimens&atilde;o Reconhecimento Social, como para as Raz&otilde;es Sociais. Tamb&eacute;m estudando estas faixas et&aacute;rias, mas procurando caracterizar as motiva&ccedil;&otilde;es para a leitura de alunos do 3&ordm; e do 5&ordm; anos de escolaridade, Gambrell, Palmer, Codling e Mazzoni (1996) verificaram igualmente que os alunos mais novos apresentaram n&iacute;veis de motiva&ccedil;&atilde;o mais elevados na dimens&atilde;o Valor atribu&iacute;do &agrave; leitura. </P >    <P    >No que se refere &agrave; realidade Portuguesa, Monteiro e Mata (2001) ao tra&ccedil;arem os perfis motivacionais para a leitura de alunos do 1&ordm; ciclo de escolaridade (1&ordm; ao 4&ordm; ano) obtiveram resultados n&atilde;o totalmente consonantes com os das investiga&ccedil;&otilde;es anteriores. Assim, enquanto nas dimens&otilde;es Prazer associado &agrave; leitura e Reconhecimento Social se replicaram os resultados dos referidos estudos, diminuindo ao longo da escolaridade, na dimens&atilde;o Auto-conceito de Leitor verificou-se uma tend&ecirc;ncia inversa, com os alunos mais velhos a apresentarem autopercep&ccedil;&otilde;es mais elevadas. Este aumento no Autoconceito de Leitor pode ser explicado pelo facto de, neste estudo, se terem inclu&iacute;do alunos muito contrastados em termos das suas compet&ecirc;ncias em leitura. Entre os participantes nesta investiga&ccedil;&atilde;o estavam alunos no in&iacute;cio da aprendizagem formal da leitura e, em termos de performance em leitura existe uma diferen&ccedil;a real e evidente entre os alunos do 1&ordm; ano, que est&atilde;o numa fase muito inicial da aprendizagem da leitura e os alunos do 3&ordm; ou 4&ordm; ano, que j&aacute; dominam razoavelmente esta compet&ecirc;ncia e s&atilde;o na maior parte dos casos, leitores fluentes. </P >    <P    >Apesar de na maior parte dos estudos apresentados serem referidos dados relativos a anos de escolaridade bastante pr&oacute;ximos, parece existir bastante concord&acirc;ncia entre os seus resultados. De um modo geral quando s&atilde;o encontradas diferen&ccedil;as nas motiva&ccedil;&otilde;es para a leitura, entre os anos de escolaridade, estas v&atilde;o no sentido de serem os alunos mais novos a evidenciarem valores motivacionais mais elevados. </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><I>Motiva&ccedil;&atilde;o para a leitura e g&eacute;nero </I></P >     <P    >O g&eacute;nero tem-se mostrado como uma vari&aacute;vel a considerar quando se procura compreender e caracterizar a motiva&ccedil;&atilde;o para a leitura. Os resultados das investiga&ccedil;&otilde;es nesta &aacute;rea t&ecirc;m evidenciado algumas diferen&ccedil;as consoante o g&eacute;nero. </P >     <P    >Ao estudarem o efeito do g&eacute;nero em alunos do 4&ordm; e 5&ordm; anos de    escolaridade, Wigfield e Guthrie (1997) encontraram diferen&ccedil;as nos perfis    motivacionais em fun&ccedil;&atilde;o do g&eacute;nero, nos dom&iacute;nios    Efic&aacute;cia, Import&acirc;ncia, Raz&otilde;es Sociais e Competi&ccedil;&atilde;o    com as raparigas a apresentarem n&iacute;veis mais elevados nos tr&ecirc;s primeiros    e os rapazes a superiorizarem-se na dimens&atilde;o Competi&ccedil;&atilde;o.    Tamb&eacute;m Baker e Wigfield (1999), na investiga&ccedil;&atilde;o que desenvolveram    com alunos do 5&ordm; e 6&ordm; anos, real&ccedil;am um efeito do g&eacute;nero    em nove dimens&otilde;es da motiva&ccedil;&atilde;o para a leitura (Auto-efic&aacute;cia,    Desafio, Curiosidade, Envolvimento, Import&acirc;ncia, Reconhecimento, Notas,    Raz&otilde;es Sociais e Complac&ecirc;ncia), apresentando-se sempre as raparigas    mais motivadas do que os rapazes, quer se tratassem de motivos mais extr&iacute;nsecos,    intr&iacute;nsecos ou com um car&aacute;cter mais social. Para crian&ccedil;as    no in&iacute;cio de escolaridade, Mazzoni, Gambrell, e Korkeamaki (1999) verificaram    igualmente este efeito do g&eacute;nero. De real&ccedil;ar que os resultados    de algumas investiga&ccedil;&otilde;es desenvolvidas sobre as atitudes face    &agrave; leitura s&atilde;o consistentes com os anteriormente apresentados,    verificando-se uma tend&ecirc;ncia para as raparigas desenvolverem atitudes    mais positivas do que os rapazes (McKenna, 2001). </P >     <P    >Em Portugal, Monteiro e Mata (2001) no seu estudo com crian&ccedil;as do 1&ordm;    ao 4&ordm; ano de escolaridade obtiveram resultados semelhantes. O efeito do    g&eacute;nero mostrou-se significativo tanto para o Autoconceito de Leitor como    para o Reconhecimento Social, apresentando as raparigas, valores mais elevados.</P >     <P align="center"    >OBJECTIVOS </P >     <P    >Com base na revis&atilde;o da literatura efectuada, com este trabalho procuraremos aprofundar o estudo da motiva&ccedil;&atilde;o para a leitura. A maior parte dos resultados apresentados referem-se a anos de escolaridade muito pr&oacute;ximos e a alunos em fases iniciais de aprendizagem (Baker &amp; Wigfield, 1999; Mazzoni, Gambrell, &amp; Korkeamaki, 1999; Monteiro &amp; Mata, 2001; Wigfield &amp; Guthrie, 1997). Por outro lado, n&atilde;o sabemos se as caracter&iacute;sticas motivacionais encontradas noutras realidades culturais se confirmam para os estudantes Portugueses. Os dados relativos ao 1&ordm; ciclo parecem apontar nesse sentido (Monteiro &amp; Mata, 2001) mas &eacute; necess&aacute;rio um maior aprofundamento no estudo desta tem&aacute;tica, nomeadamente com outros anos de escolaridade </P >    <P    >Teremos assim como principal objectivo, caracterizar a motiva&ccedil;&atilde;o para a leitura de alunos do 3&ordm; ao 9&ordm; ano de escolaridade, procurando analis&aacute;-la em fun&ccedil;&atilde;o da etapa de escolaridade e do g&eacute;nero. </P >     <P align="center"    >M&Eacute;TODO </P >     <P    ><I>Participantes </I></P >    <P    >Participaram neste estudo 1405 estudantes dos tr&ecirc;s ciclos de escolaridade, que frequentavam escolas na regi&atilde;o de Lisboa. Os alunos do 1&ordm; ciclo que integraram a nossa investiga&ccedil;&atilde;o frequentavam o 3&ordm; e o 4&ordm; anos de escolaridade pois o question&aacute;rio utilizado n&atilde;o se adequava a crian&ccedil;as mais novas devido &agrave; sua dimens&atilde;o e ao modo de administra&ccedil;&atilde;o. </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P    >Pela an&aacute;lise dos dados da Tabela 1 podemos verificar que os participantes    deste estudo se distribuem de forma equilibrada tanto pelos tr&ecirc;s ciclos    de escolaridade como consoante o g&eacute;nero. </P >     <P    >&nbsp;</P >     <P align="center">TABELA 1</P>     <P align="center"><i>Distribuição dos participantes </i><i>por género e ciclo    de escolaridade</i></P>     <P align="center"    ><img src="/img/revistas/aps/v27n4/27n4a10t1.jpg" width="395" height="146"></P >     
<P    >&nbsp;</P >     <P    ><I>Instrumento e procedimentos </I></P >     <P    >No presente estudo foi utilizada uma escala constru&iacute;da a partir de duas    vers&otilde;es anteriores, uma destinada a alunos do 1&ordm; ao 4&ordm; ano    de escolaridade, que contemplava somente 3 dimens&otilde;es e outra para alunos    do 5&ordm; ao 9&ordm; ano com seis dimens&otilde;es (Monteiro &amp; Mata, 2001,    2002). A presente vers&atilde;o ficou constitu&iacute;da por 34 itens distribu&iacute;dos    por cinco dimens&otilde;es distintas: <I>Import&acirc;ncia e Curiosidade </I>&ndash;    oito itens que caracterizam a import&acirc;ncia atribu&iacute;da &agrave; leitura    e a curiosidade para ler sobre novos assuntos (e.g., &ldquo;Ler &eacute; importante    porque aprendo coisas novas&rdquo;); <I>Reconhecimento Social </I>&ndash; sete    itens que se referem &agrave; import&acirc;ncia e gratifica&ccedil;&atilde;o    sentidas quando os outros (pais, professor e colegas) reconhecem os seus resultados    e performance em leitura (e.g., &ldquo;Gosto que os meus pais reconhe&ccedil;am    os meus esfor&ccedil;os para ler&rdquo;); <I>Raz&otilde;es Sociais </I>&ndash;    seis itens que reenviam para a partilha de livros e de ideias sobre os livros    (e.g., &ldquo;Converso com os meus amigos sobre o que leio&rdquo;); <I>Prazer    </I>&ndash; oito itens que caracterizam a satisfa&ccedil;&atilde;o e prazer    retirados dos momentos de leitura (e.g., &ldquo;Quando leio fico distra&iacute;do    e n&atilde;o dou pelo tempo passar&rdquo;); <I>Autopercep&ccedil;&atilde;o de    Compet&ecirc;ncia </I>&ndash; sete itens que procuram identificar a confian&ccedil;a    e as dificuldades sentidas enquanto leitor (e.g., &ldquo;Quando estou a ler    tenho que voltar atr&aacute;s v&aacute;rias vezes, para compreender o que li&rdquo;).  </P >     <P    >Cada item &eacute; apresentado sob a forma de uma afirma&ccedil;&atilde;o sobre a qual os alunos t&ecirc;m que analisar o seu grau de identifica&ccedil;&atilde;o. As respostas s&atilde;o dadas numa escala tipo Likert de quatro pontos, podendo estas variar entre &ldquo;Muito diferente de mim&rdquo;, &ldquo;Diferente de mim&rdquo;, Parecido comigo&rdquo; ou ent&atilde;o &ldquo;Muito parecido comigo&rdquo;. A cota&ccedil;&atilde;o &eacute; feita de 1 a 4 pontos de modo a que 4 pontos reenviem sempre uma motiva&ccedil;&atilde;o mais elevada no dom&iacute;nio considerado. No final s&atilde;o calculadas as m&eacute;dias das pontua&ccedil;&otilde;es dos itens de cada dimens&atilde;o, obtendo-se assim cinco valores diferentes para tra&ccedil;ar os perfis motivacionais. </P >    <P    >Uma an&aacute;lise factorial explorat&oacute;ria, usando a extrac&ccedil;&atilde;o de componentes principais, seguida de uma rota&ccedil;&atilde;o Varimax, permitiu analisar o padr&atilde;o factorial da escala. Este mostrou-se bem definido, distribuindo-se os itens pelas cinco dimens&otilde;es de acordo com a sua concep&ccedil;&atilde;o. Resultou, ent&atilde;o, uma solu&ccedil;&atilde;o factorial com cinco factores, onde o grau de satura&ccedil;&atilde;o de cada item com o respectivo factor se mostrou adequado, sendo a m&eacute;dia de satura&ccedil;&atilde;o para todos os itens de .65 e a percentagem de vari&acirc;ncia explicada de 55,5%. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P    >No presente estudo a consist&ecirc;ncia interna das diferentes dimens&otilde;es, avaliada atrav&eacute;s do Alfa de Cronbach, revelou-se adequada. O valor mais baixo foi obtido na dimens&atilde;o Autopercep&ccedil;&atilde;o de Compet&ecirc;ncia (.69) o qual est&aacute; muito pr&oacute;ximo do limiar da aceitabilidade (.70) (Nunnaly, 1978). Nas restantes dimens&otilde;es o valor do Alfa de Cronbach variou entre .84 e .89. </P >     <P    >A escala foi administrada colectivamente, mas com os alunos mais novos, sempre    que se verificou essa necessidade, os itens foram lidos em voz alta. Os alunos    foram informados de que n&atilde;o existiam respostas certas nem erradas e que    o que interessava era a sua opini&atilde;o. Ap&oacute;s a administra&ccedil;&atilde;o    dos itens exemplo, e a certeza de que todos tinham compreendido passou-se &agrave;    aplica&ccedil;&atilde;o dos restantes itens. </P >     <P align="center"    >RESULTADOS </P >     <P    >Estabelecemos como objectivo deste estudo a caracteriza&ccedil;&atilde;o da motiva&ccedil;&atilde;o para a leitura do 3&ordm; ao 9&ordm; ano de escolaridade, procurando analis&aacute;-la em fun&ccedil;&atilde;o da etapa de escolaridade e do g&eacute;nero. Para esse efeito, realiz&aacute;mos uma an&aacute;lise de vari&acirc;ncia multivariada considerando como vari&aacute;veis independentes o ciclo de escolaridade e o g&eacute;nero e como vari&aacute;veis dependentes as diferentes dimens&otilde;es da motiva&ccedil;&atilde;o para a leitura. Os resultados desta an&aacute;lise evidenciaram a exist&ecirc;ncia de efeitos principais do g&eacute;nero [<I>Pillai&rsquo;s Trace</I>=0.011, <I>F</I>(5,1395)=3.14 <I>p</I>=0.008, &eta;<Sup>2</Sup>=.01] e do ano de escolaridade [<I>Pillai&rsquo;s Trace</I>=0.281, <I>F</I>(10,2792)=45.60, <I>p</I>&lt;0.001, &eta;<Sup>2</Sup>=.14], n&atilde;o se verificando efeitos de interac&ccedil;&atilde;o [<I>Pillai&rsquo;s Trace</I>=0.01, <I>F</I>(10,2792)=1.37, <I>p</I>=0.186, &eta;<Sup>2</Sup>=.005]. </P >     <P    >Os resultados das an&aacute;lises univariadas, no que se refere aos efeitos do    ano de escolaridade, permitiram constatar que estes ocorrem em todas as dimens&otilde;es    da motiva&ccedil;&atilde;o &ndash; Prazer [<I>F</I>(2,1399)= 132.2 <I>p</I>&lt;0.001,    &eta;<Sup>2</Sup>=.16], Import&acirc;ncia/Curiosidade [<I>F</I>(2,1399)=130.1    <I>p</I>&lt;0.001, &eta;<Sup>2</Sup>=.16], Reconhecimento Social (<I>F</I>(2,1399)=192.6    <I>p</I>&lt;0.001, &eta;<Sup>2</Sup>=.22]; Raz&otilde;es Sociais [<I>F</I>(2,1399)=107,8    <I>p</I>&lt;0.001, &eta;<Sup>2</Sup>=.13] e Autopercep&ccedil;&atilde;o de Compet&ecirc;ncia    [<I>F</I>(2,1399)=24,687 <I>p</I>&lt;0.001, &eta;<Sup>2</Sup>=.03)]. A an&aacute;lise    da Figura 1 permitenos constatar que &agrave; excep&ccedil;&atilde;o da dimens&atilde;o    da Autopercep&ccedil;&atilde;o de Compet&ecirc;ncia, os valores de motiva&ccedil;&atilde;o    para a leitura v&atilde;o baixando &agrave; medida que o ano de escolaridade    aumenta. Uma an&aacute;lise <I>post-hoc </I>utilizando o teste de Tukey permite    evidenciar que estas diferen&ccedil;as s&atilde;o significativas entre todos    os ciclos de ensino, exceptuando para a dimens&atilde;o Autopercep&ccedil;&atilde;o    de Compet&ecirc;ncia. Neste caso, os alunos do 1&ordm; Ciclo apresentam valores    significativamente mais baixos que os dos 2&ordm; e 3&ordm; Ciclos, n&atilde;o    se verificando diferen&ccedil;as entre os alunos destes dois ciclos de estudos.  </P >     <P    >&nbsp;</P >     <P align="center"><a name="f1"></a><a href="#topf1">FIGURA 1</a></P >     <P align="center"><i>Média das diferentes dimensões da motivação para a leitura,    por ciclo de escolaridade</i> </P>     <P align="center"    ><img src="/img/revistas/aps/v27n4/27n4a10f1.jpg" width="528" height="204"></P >     
<P    >&nbsp;</P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P    >A an&aacute;lise da Figura 1 permite-nos ainda constatar que os valores mais    elevados se encontram nas dimens&otilde;es Import&acirc;ncia/ /Curiosidade,    Reconhecimento Social e Prazer, para todos os ciclos de escolaridade. Na dimens&atilde;o    Autopercep&ccedil;&atilde;o de Compet&ecirc;ncia encontramos os valores mais    baixos, situando-se estes abaixo do valor m&eacute;dio da escala (2,5). Assim,    os nossos alunos atribuem import&acirc;ncia &agrave;s actividades de leitura,    gostam de ver os seus progressos reconhecidos pelos outros significativos mas    n&atilde;o se consideram bons leitores. </P >     <P    >No que se refere ao g&eacute;nero, os resultados da an&aacute;lise de vari&acirc;ncia    demonstraram a exist&ecirc;ncia de diferen&ccedil;as significativas em todas    as dimens&otilde;es com excep&ccedil;&atilde;o da Autopercep&ccedil;&atilde;o    de Compet&ecirc;ncia [Prazer [<I>F</I>(1,1399)=11,834 <I>p</I>=0.001, &eta;<Sup>2</Sup>=.008],    Import&acirc;ncia/Curiosidade [<I>F</I>(1,1399)=7,602 <I>p</I>=0.006, &eta;<Sup>2</Sup>=.005],    Raz&otilde;es Sociais [<I>F</I>(1,1399)=10,411 <I>p</I>=0.001, &eta;<Sup>2</Sup>=.007]    e Reconhecimento Social [<I>F</I>(1,1399)=5,539 <I>p</I>=0.019, &eta;<Sup>2</Sup>=.004)].    Em todas as dimens&otilde;es nas quais se verificou a exist&ecirc;ncia de diferen&ccedil;as    significativas as raparigas apresentaram valores mais elevados que os rapazes    (Figura 2). </P >     <P    >&nbsp;</P >     <P align="center"    >FIGURA 2</P >     <P align="center"><i>Média das diferentes dimensões da motivação para a leitura,    por ciclo de escolaridade</i> </P>     <P align="center"    ><img src="/img/revistas/aps/v27n4/27n4a10f2.jpg" width="457" height="209"></P >     
<P align="center"    >&nbsp;</P >     <P>A an&aacute;lise do eta quadrado parcial permite evidenciar que os efeitos do    ciclo de escolaridade s&atilde;o mais fortes que os do g&eacute;nero (.14 <I>vs</I>.    .01) e afectam predominantemente a dimens&atilde;o Reconhecimento Social, a    qual apresenta um forte decl&iacute;nio com o avan&ccedil;ar da escolaridade.  </P >     <P align="center"    >DISCUSS&Atilde;O </P >     <P    >Este estudo teve como prop&oacute;sitos caracterizar os perfis motivacionais para a leitura de crian&ccedil;as do 3&ordm; ao 9&ordm; ano de escolaridade, em fun&ccedil;&atilde;o do ano de escolaridade e do g&eacute;nero. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P    >Os resultados aqui apresentados revelam um efeito do ano de escolaridade na motiva&ccedil;&atilde;o para a leitura, em particular nas dimens&otilde;es do Prazer, Import&acirc;ncia e Curiosidade (dimens&otilde;es associadas &agrave; motiva&ccedil;&atilde;o intr&iacute;nseca), no Reconhecimento Social (motiva&ccedil;&atilde;o extr&iacute;nseca) e na Autopercep&ccedil;&atilde;o de Compet&ecirc;ncia. Para estas dimens&otilde;es, com excep&ccedil;&atilde;o da Autopercep&ccedil;&atilde;o de Compet&ecirc;ncia, os valores motivacionais decresceram com o aumento do ano de escolaridade. </P >     <P    >&Eacute; por todos sabido que as crian&ccedil;as quando entram para a escola    sentem uma vontade muito grande em aprender e revelam muita curiosidade em rela&ccedil;&atilde;o    &agrave;s actividades escolares em geral e, para a leitura, em particular. Em    estudos anteriores, autores como Eccles, O&rsquo;Neill, e Wigfield (2005), Harter    et al. (1992) e Lepper et al. (2005) tinham constatado que a motiva&ccedil;&atilde;o    intr&iacute;nseca para a aprendizagem decrescia ao longo da escolaridade. No    campo da motiva&ccedil;&atilde;o para a leitura estes dados foram confirmados    por Baker e Wigfield (1999), Gambrell et al. (1996), Monteiro e Mata (2001)    e Wigfield e Guthrie (1997). </P >     <P    >Esta tend&ecirc;ncia para uma descida global dos valores motivacionais tem sido    frequentemente explicada tendo em conta dois aspectos: as caracter&iacute;sticas    de desenvolvimento das crian&ccedil;as e a diversifica&ccedil;&atilde;o de &aacute;reas    de interesse e de compet&ecirc;ncia. No que se refere &agrave;s caracter&iacute;sticas    de desenvolvimento, as crian&ccedil;as mais novas t&ecirc;m capacidades mais    limitadas para perceber as situa&ccedil;&otilde;es e para se compararem com    os outros (Harter, 1990, 1999; Wigfield, 2000). Este facto conduz, muitas vezes    a avalia&ccedil;&otilde;es das situa&ccedil;&otilde;es e opini&otilde;es muito    mais positivas, por serem menos rigorosas e objectivas. Por outro lado, a diversifica&ccedil;&atilde;o    de &aacute;reas de interesse, &agrave; medida que v&atilde;o crescendo e contactando    com novas actividades e mat&eacute;rias pode levar a que uns alunos se dediquem    mais a um tipo de actividade e outros a outro, provocando um decr&eacute;scimo    em alguns aspectos das suas motiva&ccedil;&otilde;es. Neste sentido, a simples    an&aacute;lise da subida e descida dos n&iacute;veis motivacionais parece insuficiente    para uma compreens&atilde;o clara dos processos motivacionais. Desta forma,    &eacute; necess&aacute;rio compreender se esses valores se mant&ecirc;m ainda    em n&iacute;veis positivos, ou se a sua descida &eacute; t&atilde;o acentuada    que se possa efectivamente tornar um problema, por inibir o envolvimento dos    sujeitos nas actividades. A an&aacute;lise dos dados da <a name="topf1"></a><a href="#f1">Figura    1</a> permite-nos observar alguns indicadores preocupantes. A descida &eacute;    tal forma acentuada que, para os alunos do 3&ordm; ciclo, n&atilde;o h&aacute;    qualquer indicador motivacional francamente positivo, pois nenhum apresenta    valores iguais ou superiores a 3. De real&ccedil;ar que o Prazer se apresenta    no ponto m&eacute;dio, enquanto que nas Raz&otilde;es Sociais para a leitura    e Autopercep&ccedil;&atilde;o de Compet&ecirc;ncia os n&iacute;veis motivacionais    s&atilde;o bastante baixos. </P >     <P    >Esta descida dos valores motivacionais para a leitura, nomeadamente nos indicadores    que aparecem associados &agrave; motiva&ccedil;&atilde;o intr&iacute;nseca (e.g.,    Prazer, Import&acirc;ncia e Curiosidade) pode tamb&eacute;m ser explicada pelas    pr&aacute;ticas pedag&oacute;gicas utilizadas pelos professores nas actividades    de leitura. Quando as pr&aacute;ticas de avalia&ccedil;&atilde;o pedag&oacute;gica    dos professores se regem por interpreta&ccedil;&otilde;es normativas, em que    comparam os alunos uns com os outros, em que estimulam a competi&ccedil;&atilde;o,    podem levar a que estes d&ecirc;em mais import&acirc;ncia &agrave;s notas e    &agrave; compara&ccedil;&atilde;o social, conduzindo a um decr&eacute;scimo    progressivo da motiva&ccedil;&atilde;o intr&iacute;nseca pela leitura (Baker,    Dreher, &amp; Guthrie, 2000; Wigfield, 2000). Por outro lado, a utiliza&ccedil;&atilde;o    de pr&aacute;ticas de ensino muito tradicionais, assentes quase exclusivamente    na utiliza&ccedil;&atilde;o do manual, de fichas e composi&ccedil;&otilde;es,    tal como refere Sim-Sim (2001), pode ter um impacto negativo tanto ao n&iacute;vel    das aquisi&ccedil;&otilde;es como do envolvimento das crian&ccedil;as em situa&ccedil;&otilde;es    de leitura De resto, esta ideia tem sido profundamente explorada nos &uacute;ltimos    anos por uma equipa de investigadores da Universidade de Maryland, que desenvolveram    e implementaram um programa de trabalho sobre a leitura denominado CORI (Concept-Oriented    Reading Instruction) (Guthrie, McRae, &amp; Klauda, 2007; Wigfield, Guthrie,    &amp; Von Secker, 2000; Wigfield, Guthrie, Perencevich, et al., 2008). Este    programa procura integrar o ensino das ci&ecirc;ncias e da leitura, usando materiais,    actividades e pr&aacute;ticas diversificadas, estrat&eacute;gias de leitura    variadas, e valorizando a leitura partilhada. Os resultados de diversas investiga&ccedil;&otilde;es    sobre os efeitos deste programa evidenciam diferen&ccedil;as, n&atilde;o apenas    no desempenho em leitura, mas tamb&eacute;m ao n&iacute;vel das motiva&ccedil;&otilde;es    (e.g., curiosidade, envolvimento, desafio), concluindo pela exist&ecirc;ncia    de um efeito positivo, com uma magnitude moderada a forte (Guthrie, McKae, &amp;    Klauda, 2007). Assim, mostra-se que as pr&aacute;ticas de abordagem &agrave;    leitura e &agrave; escrita, podem ser determinantes no tipo e n&iacute;vel de    motiva&ccedil;&atilde;o, factor este que poder&aacute; justificar o decr&eacute;scimo    verificado ao longo dos tr&ecirc;s ciclos de escolaridade, nos indicadores motivacionais    dos alunos participantes neste nosso estudo. </P >     <P    >No que se refere &agrave; motiva&ccedil;&atilde;o extr&iacute;nseca, a literatura    normalmente refere um aumento ao longo da escolaridade, no que respeita a aprendizagem    em geral (Eccles, O&rsquo;Neill, &amp; Wigfield, 2005; Harter, Whitesell, &amp;    Kowalksi, 1992). Contudo, os dados da investiga&ccedil;&atilde;o sobre motiva&ccedil;&atilde;o    para a leitura, n&atilde;o t&ecirc;m mostrado ind&iacute;cios deste aumento    da motiva&ccedil;&atilde;o extr&iacute;nseca. Usualmente os indicadores de motiva&ccedil;&atilde;o    extr&iacute;nseca utilizados, no estudo da motiva&ccedil;&atilde;o para a leitura,    s&atilde;o os incentivos, quer em termos de Notas quer em termos de Reconhecimento    Social (Baker &amp; Wigfield, 1999; Gambrell, Palmer, Codling, &amp; Mezzoni,    1996; Monteiro &amp; Mata, 2001; Wigfield &amp; Guthrie, 1997; Wigfield, Guthrie,    &amp; McGough, 1996). O que se tem verificado &eacute; que em rela&ccedil;&atilde;o    &agrave;s Notas n&atilde;o h&aacute; qualquer efeito significativo do ano de    escolaridade, mas no que se refere ao Reconhecimento Social, este normalmente    decresce. Esta descida do Reconhecimento Social faz sentido se pensarmos que    &agrave; medida que a crian&ccedil;a vai conseguindo fazer avalia&ccedil;&otilde;es    do seu desempenho de forma mais aut&oacute;noma necessita cada vez menos dos    refor&ccedil;os extr&iacute;nsecos que os outros significativos (pais, colegas    e professores) possam fazer relativamente &agrave; sua <I>performance </I>em    leitura. Na presente investiga&ccedil;&atilde;o estes valores s&atilde;o bastante    positivos durante o 1&ordm; ciclo e ainda durante o 2&ordm; ciclo, notando-se    um decr&eacute;scimo bastante acentuado no que se refere ao 3&ordm; ciclo. Nestes    alunos mais velhos, &eacute; muito menor a sua necessidade de confirma&ccedil;&atilde;o    de compet&ecirc;ncia, ou reconhecimento do seu esfor&ccedil;o por parte dos    outros que lhes s&atilde;o pr&oacute;ximos, da&iacute; o Reconhecimento Social    j&aacute; n&atilde;o ser um motivo essencial para se dedicarem &agrave; leitura.  </P >     <P    >Quanto &agrave;s Raz&otilde;es Sociais o que se verifica &eacute; que estas, em etapa nenhuma da escolaridade, surgiram como raz&otilde;es importantes para o envolvimento com a leitura. Para al&eacute;m disso, essa import&acirc;ncia vai decaindo significativamente ao longo da escolaridade. A explica&ccedil;&atilde;o que apresent&aacute;mos anteriormente no que se refere &agrave; influ&ecirc;ncia das pr&aacute;ticas pedag&oacute;gicas de abordagem &agrave; leitura no decr&eacute;scimo da motiva&ccedil;&atilde;o intr&iacute;nseca pode novamente ser mobilizada. Uma vez que as pr&aacute;ticas tradicionais n&atilde;o promovem, usualmente, nem a partilha nem a coopera&ccedil;&atilde;o entre os alunos, isso tamb&eacute;m n&atilde;o &eacute; transposto para as suas caracter&iacute;sticas motivacionais nem para as utiliza&ccedil;&otilde;es da leitra. </P >     <P    >Os resultados apresentados permitiram tamb&eacute;m evidenciar que os efeitos    do ciclo de escolaridade eram mais fortes que os do g&eacute;nero. De qualquer    modo, apesar de o ano de escolaridade introduzir altera&ccedil;&otilde;es mais    significativas nas caracter&iacute;sticas motivacionais, parece-nos importante    tamb&eacute;m reflectir sobre algumas altera&ccedil;&otilde;es encontradas em    fun&ccedil;&atilde;o do g&eacute;nero. Os estudos t&ecirc;m demonstrado que    as raparigas s&atilde;o, em muitos aspectos mais motivadas para a leitura do    que os rapazes (Baker &amp; Wigfield, 1999; Monteiro &amp; Mata, 2001; Wigfield    &amp; Guthrie, 1997) desenvolvendo, tamb&eacute;m, atitudes mais positivas    face &agrave; leitura (McKenna, 2001; McKenna, Kear, &amp; Ellsworth, 1995).    Tamb&eacute;m alguma investiga&ccedil;&atilde;o incidindo sobre os h&aacute;bitos    e gosto pela leitura evidencia diferen&ccedil;as atribu&iacute;veis ao g&eacute;nero,    que se revelam desde o in&iacute;cio da escolaridade (Lages, Liz, Ant&oacute;nio,    &amp; Correia, 2007; Santos, Neves, Lima, &amp; Carvalho, 2007). No nosso estudo    verificou-se, igualmente, que as raparigas apresentavam valores mais elevados    de motiva&ccedil;&atilde;o para a leitura do que os rapazes nas dimens&otilde;es:    Prazer, Import&acirc;ncia/Curiosidade, Reconhecimento Social e Raz&otilde;es    Sociais. Neste sentido apontam tamb&eacute;m resultados do Pisa 2000 (Ramalho,    2001) e do PISA 2003 (Ramalho, 2004) que vieram demonstrar que as raparigas    portuguesas revelaram melhores desempenhos em leitura do que os rapazes. Estes    resultados podem ser explicados pelo desenvolvimento de expectativas sociais    mais positivas, criadas a partir de categoriza&ccedil;&otilde;es feitas em rela&ccedil;&atilde;o    ao desempenho de rapazes e raparigas em leitura (Baker &amp; Wigfield, 1999;    McKenna et al., 1995). As expectativas em rela&ccedil;&atilde;o ao desempenho    nas actividades de leitura, levam a que os professores estimulem, encorajem    e tenham um tratamento diferenciado para com os seus alunos, consoante o g&eacute;nero,    dando mais aten&ccedil;&atilde;o, interagindo mais e colocando quest&otilde;es    sobre a leitura mais frequentemente e com maior complexidade para as raparigas    (Good, 1987; MyHill &amp; Jones, 2006; Rubie-Davies, 2006). Este tratamento    diferenciado pode levar a que os alunos se envolvam com a leitura de forma distinta    e, consequentemente, pode conduzir a n&iacute;veis de motiva&ccedil;&atilde;o    para a leitura desiguais. Estas diferen&ccedil;as devem ser levadas em considera&ccedil;&atilde;o    em contexto de sala de aula pelos professores, em particular quando querem envolver    os seus alunos e motiv&aacute;-los para a leitura. </P >     <P    >Este estudo, permitiu-nos conhecer melhor as caracter&iacute;sticas motivacionais    dos alunos ao longo da escolaridade e, deste modo, retirar algumas pistas para    o desenvolvimento de estrat&eacute;gias pedag&oacute;gicas que possam promover    aspectos espec&iacute;ficos da motiva&ccedil;&atilde;o e, assim conduzir a um    maior envolvimento com a leitura. Fica evidenciada a necessidade de se mobilizarem,    nas nossas escolas, estrat&eacute;gias que promovam o prazer e o gosto pela    leitura, uma vez que os alunos chegam ao 3&ordm; ciclo retirando pouca satisfa&ccedil;&atilde;o    dos momentos de leitura. Certamente que o Plano Nacional de Leitura (Al&ccedil;ada,    Cal&ccedil;ada, Martins, et al., 2006), com as estrat&eacute;gias e actividades    em implementa&ccedil;&atilde;o, poder&aacute; introduzir algumas mudan&ccedil;as    neste panorama, contribuindo para altera&ccedil;&otilde;es na forma de envolvimento    com a leitura, atrav&eacute;s de ac&ccedil;&otilde;es direccionadas para as    crian&ccedil;as, as fam&iacute;lias e a escola. Poder&aacute; tamb&eacute;m    contribuir para uma diversifica&ccedil;&atilde;o e adequa&ccedil;&atilde;o das    pr&aacute;ticas pedag&oacute;gicas, o que &eacute; essencial, tal como se verificou    nos estudos com o programa CORI (Guthrie, McRae, &amp; Klauda, 2007; Guthrie,    Wigfield, &amp; Von Secker, 2000; Wigfield, Guthrie, Perencevich, et al., 2008).  </P >     <P    >Por outro lado, embora a leitura seja uma pr&aacute;tica que deveria ter uma    componente social muito enraizada, devido &agrave; sua pr&oacute;pria natureza    (Wigfield, 2000), isso n&atilde;o transparece nos perfis motivacionais destes    alunos. As Raz&otilde;es Sociais associadas &agrave; leitura, como a partilha,    as trocas os confrontos de opini&otilde;es, n&atilde;o s&atilde;o motivos importantes    para estes alunos lerem. Mais preocupante &eacute; ainda a situa&ccedil;&atilde;o    quando constatamos que as motiva&ccedil;&otilde;es associadas &agrave;s Raz&otilde;es    Sociais decrescem significativamente com a escolaridade, assumindo valores muito    baixos entre os alunos do 3&ordm; ciclo. Uma mudan&ccedil;a nas abordagens &agrave;    leitura, na escola e em casa, poder&aacute; contribuir para altera&ccedil;&otilde;es    significativas de atitudes e h&aacute;bitos de leitura e torn&aacute;-la uma    pr&aacute;tica mais rica e partilhada socialmente. </P >     <P align="center"    >&nbsp;</P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P align="center"    >REFER&Ecirc;NCIAS </P >     <P    >Al&ccedil;ada, I., Cal&ccedil;ada, T., Martins, J., Madureira, A., &amp; Lorena,    A. (2006). <I>Plano nacional de leitura &ndash; Relat&oacute;rio s&iacute;ntese.    </I>Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.planonacionaldeleitura.gov.pt/pnltv/uploads/relatoriosintese.pdf" target=" blank">http://www.planonacionaldeleitura.gov.pt/pnltv/uploads/relatoriosintese.pdf</a></P >     <P    >Baker, L., &amp; Wigfield, A. (1999). Dimensions of children&rsquo;s motivation for reading and their relations to reading activity and reading achievement. <I>Reading Research Quarterly</I>, <I>34</I>, 452-477. </P >    <P    >Baker, L., Dreher, M., &amp; Guthrie, J. (2000). Why teachers should promote reading engagement. In L. Baker, M. Dreher, &amp; J. Guthrie (Eds), Engaging young readers &ndash; Promoting achievement and motivation (pp. 1-16). New York: Guilford Press. </P >     <P    >Baker, L., Afflerbach, P., &amp; Reinking, D. (1996). Developing engaged readers    in school and home communities: An overview. In L. Baker, P. Afflerbach, &amp;    D. Reinking<I>. </I>(Eds), <I>Developing engaged readers in school and home    communities </I>(pp. xiii-xxvii). Mahwah, New Jersey: Lawrence Erlbaum Associates    Publishers. </P >     <P    >Eccles, J., O&rsquo;Neill, S., &amp; Wigfield, A. (2005). Ability self-perception and subjective task values in adolescents and children. In K. Moore &amp; L. Lipman (Eds.), <I>What do children need to flourish? Conceptualizing and measuring indicators of positive development </I>(pp. 237-249). New York: Springer. </P >    <P    >Gambrell, L., Palmer, B., Codling, R., &amp; Mazzoni, S. (1996). Assessing motivation to read. <I>The Reading Teacher</I>, <I>49</I>, 518-533<I>. </I></P >    <P    >Good, T. (1987). Two decades of research on teacher expectations: Findings and future directions. <I>Journal of Teacher Education, 38, </I>32-47. </P >     <P    >Guthrie, J., &amp; Anderson, E. (1999). Engagement in reading: Processes of motivated,    strategic, knowledgeable, social readers. In J. T. Guthrie &amp; D. Alvermann    (Eds.), <I>Engaged reading: Processes, practices, and policy implications </I>(pp.    17-45). New York: Teachers College Press. </P >     <P    >Guthrie, J., &amp; Knowles, K. (2001). Promoting reading motivation. In L. Verhoven &amp; C. Snow (Eds.), <I>Literacy and motivation. Reading engagement in individuals and groups </I>(pp. 159-176). New Jersey: Lawrence Erlbaum Associates. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P    >Guthrie, J., McRae, A., &amp; Klauda, S. (2007). Contributions of concept-oriented reading instruction to knowledge about interventions for motivations in reading. <I>Educational Psychologist, 42</I>, 237-250. </P >    <P    >Guthrie, J., Wigfield, A., &amp; VonSecker, T. (2000). Effects of integrated instruction on motivation and strategy use in reading. <I>Journal of Educational Psychology, 92, </I>331-341. </P >    <P    >Harter, S. (1990). Causes, correlates and functional role of global self-worth: A life-span perspective. In J. Kolligian &amp; R. Sternberg (Eds.), <I>Perceptions of competence and incompetence across life-span </I>(pp. 67-97). New Haven: Yale University Press. </P >    <P    >Harter, S. (1999). <I>The construction of the self: A developmental perspective</I>. New York: The Guilford Press. </P >    <P    >Harter, S., Whitesell, N. R., &amp; Kowalksi, P. (1992). Individual differences in the effects of educational transitions on young adolescents&rsquo; perceptions of competence and motivational orientation. <I>American Educational Research Journal, 29, </I>777-808. </P >    <P    >Lages, M., Liz, C., Ant&oacute;nio, J., &amp; Correia, T. (2007). <I>Os estudantes e a leitura</I>. Lisboa: GEPE &ndash; Gabinete de Estat&iacute;stica e Planeamento da Educa&ccedil;&atilde;o. </P >    <P    >Lepper, M., Corpus, J., &amp; Iyengar, S. (2005). Intrinsic and extrinsic motivational orientations in the classroom: Age differences and academic correlates. <I>Journal of Educational Psychology, 97</I>, 184-196. </P >    <P    >Mazzoni, S., Gambrell, L., &amp; Korkeamaki, R. (1999). A cross-cultural perspective of early literacy motivation. <I>Journal of Reading Psychology, 20</I>, 237-253. </P >    <P    >McKenna, M. (2001). Development of reading attitudes. In L. Verhoeven &amp; C. Snow (Eds.), <I>Literacy and motivation. Reading engagement in individuals and groups </I>(pp. 135-158). New Jersey: Lawrence Erlbaum Associates. </P >    <P    >McKenna, M., Kear, D., &amp; Ellsworth, R. (1995). Children&rsquo;s attitudes toward reading: A national survey. <I>Reading Research Quarterly, 30</I>, 934-955. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><P    >Monteiro, V., &amp; Mata, L. (2001). Motiva&ccedil;&atilde;o para a leitura em crian&ccedil;as do 1&ordm;, 2&ordm;, 3&ordm; e 4&ordm; ano de escolaridade. <I>Inf&acirc;ncia e Educa&ccedil;&atilde;o. Investiga&ccedil;&atilde;o e Pr&aacute;ticas, 3</I>, 49-68. </P >    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000103&pid=S0870-8231200900040001000001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><P    >Monteiro, V., &amp; Mata, L. (2002, Maio). <I>Motivation for reading questionnaire</I>. Comunica&ccedil;&atilde;o apresentada na 8th International Conference of Motivation, EARLI, Moscovo. </P >    <P    >MyHill, D., &amp; Jones, S. (2006). &lsquo;She doesn&rsquo;t shout at no girls&rsquo;: Pupils&rsquo; perceptions of gender equity in the classroom. <I>Cambridge Journal of Education, 36</I>, 99-113. </P >    <P    >Nunnaly, J. C. (1978). <I>Psychometric theory</I>. New York: McGraw-Hill. </P >    <P    >Ramalho, G. (Coord.). (2001). <I>Resultados do estudo internacional Pisa 2000</I>. Lisboa: Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o, GAVE. </P >    <P    >Ramalho, G. (Coord.). (2004). <I>Resultados do estudo internacional Pisa 2003</I>. Lisboa: Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o, GAVE. </P >    <P    >Rubie-Davis, C. (2006). Teacher expectations and student self-perceptions: Exploring relationships. <I>Psychology in the Schools, 43</I>, 537-552. </P >    <P    >Santos, M. L., Neves, J., Lima, M. J., &amp; Carvalho, M. (2007). <I>A leitura em Portugal</I>. Lisboa: GEPE &ndash; Gabinete de Estat&iacute;stica e Planeamento da Educa&ccedil;&atilde;o. </P >    <P    >Scher, D., &amp; Baker, L. (1997). <I>Children&rsquo;s conceptions and motivations regarding reading and their relations to parental ideas and home experiences. </I>Poster symposium, Society for Research in Child Development, Washington. </P >    <P    >Sim-Sim, I. (2001). Um retrato da situa&ccedil;&atilde;o. Os dados e os factos. In I. Sim-Sim (Ed.), <I>A forma&ccedil;&atilde;o para o ensino da L&iacute;ngua Portuguesa na educa&ccedil;&atilde;o pr&eacute;</I><I>-</I><I>escolar e no 1&ordm; ciclo do ensino b&aacute;sico. </I>Cadernos de Forma&ccedil;&atilde;o de professores. Porto: Porto Editora. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P    >Wigfield, A. (1997). Reading motivation: A domain-specific approach to motivation. <I>Educational Psychologist</I>, <I>32</I>, 59-68. </P >    <P    >Wigfield, A. (2000). Facilitating children&rsquo;s reading motivation. In L. Baker, M. Dreher, &amp; J. Guthrie (Eds.), <I>Engaging young readers &ndash; Promoting achievement and motivation </I>(pp. 140-158). New York: Guilford Press. </P >    <P    >Wigfield, A., &amp; Guthrie, J. (1997). Relations of children&rsquo;s motivation for reading to the amount and breadth of their reading. <I>Journal of Educational Psychology</I>, <I>89</I>, 420-432. </P >    <P    >Wigfield, A., Guthrie, J., &amp; McGough, K. (1996). <I>A questionnaire measure of children&rsquo;s motivations for reading. </I>Instructional Resource n&ordm; 22. Maryland: National Reading Research Centre </P >    <P    >Wigfield, A., Guthrie, J., Tonks, S., &amp; Perencevich, K. (2004). Children&rsquo;s motivation for reading: Domain specificity and instructional influences. <I>The Journal of Educational Research, 97, </I>299-309. </P >     <P    >Wigfield, A., Guthrie, J., Perencevich, K., Taboada, A., Klauda, S., Mcrae, A.,    &amp; Barbosa, P. (2008). Role of reading engagement in mediating effects of    reading comprehension instruction on reading outcomes. <I>Psychology in Schools,    45, </I>432-445. </P >     <P    >&nbsp;</P >      <P    ><a name="1"></a><Sup><a href="#top1">(*)</a></Sup>Esta investiga&ccedil;&atilde;o    contou com o apoio da F.C.T. (POCI 2010). </P >     <P    ><a name="2"></a><Sup><a href="#top2">(**)</a></Sup> UIPCDE &ndash; Instituto    Superior de Psicologia Aplicada, Lisboa. </P >      ]]></body><back>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Motivação para a leitura em crianças do 1º, 2º, 3º e 4º ano de escolaridade]]></article-title>
<source><![CDATA[Infância e Educação. Investigação e Práticas]]></source>
<year>2001</year>
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