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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Reacções à injustiça no trabalho: Impacto da crença no mundo justo, dajustiça procedimental e da justiça distributiva]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Previous research indicates the belief in a just world (BJW) is a resource which helps people assimilate injustice and therefore to react less negatively when they face it. The present study examined the impact of personal BJW on the relation between procedural and distributive (in) justice and the reactions to problematic events in the work context. Specifically, we tested whether BJW moderates this relation. Eighty-four teachers of various levels of education, aged between 24 and 56 years, answered to a questionnaire which asked them to imagine themselves in a situation of procedural and distributive (in)justice. Overall, the results showed that when facing procedural injustice, the participants with high BJW reacted more positively (with more patience) comparatively with those with low BJW. However, the participants with high BJW reacted to procedural injustice more negatively (neglect and aggressive voice) when compared with low BJW participants. Theoretical and practical implications of these findings are discussed.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Crença no mundo justo]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Justiça procedimental]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Justiça distributiva]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Reacções às injustiças]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Belief in a just world]]></kwd>
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<kwd lng="en"><![CDATA[Reactions to injustice]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <P><b>Reac&ccedil;&otilde;es &agrave; injusti&ccedil;a no trabalho:Impacto da    cren&ccedil;a no mundo justo, dajusti&ccedil;a procedimental e da justi&ccedil;a    distributiva (<a href="#1">*</a>)<a name="top1"></a></b></P >     <P><b>Ana Rita Gago (<a href="#2">**</a>), <a name="top2"></a>Isabel Correia (<a href="#2">**</a>)    </b></P >     <P>CIS &ndash; Centro de Investiga&ccedil;&atilde;o e Interven&ccedil;&atilde;o    Social / ISCTE &ndash; Instituto Universit&aacute;rio de Lisboa</P >     <P>&nbsp;</P >     <P   align="left" ><b>RESUMO </b></P >     <p>As pesquisas anteriores apontam a cren&ccedil;a pessoal no mundo justo (CMJ)    como um recurso que ajuda as pessoas a assimilarem as injusti&ccedil;as da sua    vida e portanto, a reagirem menos negativamente face a estas. O presente estudo    examinou o impacto da cren&ccedil;a pessoal no mundo justo na rela&ccedil;&atilde;o    entre a (in) justi&ccedil;a procedimental e distributiva e as reac&ccedil;&otilde;es    a acontecimentos problem&aacute;ticos no contexto de trabalho. Concretamente,    pretendeu-se avaliar se a CMJ moderava essa rela&ccedil;&atilde;o. Foi aplicado    um question&aacute;rio a 84 professores de v&aacute;rios n&iacute;veis de ensino,    com idades entre os 24 e os 56 anos em que se lhes pedia que se imaginassem    numa situa&ccedil;&atilde;o de (in)justi&ccedil;a procedimental e distributiva.    No geral, os resultados mostraram que perante a injusti&ccedil;a procedimental    os participantes que t&ecirc;m alta CMJ reagem mais positivamente (com mais    paci&ecirc;ncia) comparativamente com os que t&ecirc;m baixa CMJ. Contudo, os    participantes com CMJ alta reagiram &agrave; injusti&ccedil;a procedimental    mais negativamente (neglig&ecirc;ncia e voz agressiva) comparativamente com    aqueles que tinham baixa CMJ. As implica&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas e    pr&aacute;ticas desta pesquisa s&atilde;o discutidas. </P >     <p><I>Palavras-chave: </I>Cren&ccedil;a no mundo justo, Justi&ccedil;a procedimental,    Justi&ccedil;a distributiva, Reac&ccedil;&otilde;es &agrave;s injusti&ccedil;as.  </P >     <p>&nbsp; </P >     <P><b>ABSTRACT </b></P >     <p>Previous research indicates the belief in a just world (BJW) is a resource    which helps people assimilate injustice and therefore to react less negatively    when they face it. The present study examined the impact of personal BJW on    the relation between procedural and distributive (in) justice and the reactions    to problematic events in the work context. Specifically, we tested whether BJW    moderates this relation. Eighty-four teachers of various levels of education,    aged between 24 and 56 years, answered to a questionnaire which asked them to    imagine themselves in a situation of procedural and distributive (in)justice.    Overall, the results showed that when facing procedural injustice, the participants    with high BJW reacted more positively (with more patience) comparatively with    those with low BJW. However, the participants with high BJW reacted to procedural    injustice more negatively (neglect and aggressive voice) when compared with    low BJW participants. Theoretical and practical implications of these findings    are discussed. </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><I>Key-words: </I>Belief in a just world, Distributive justice, Procedural    justice, Reactions to injustice. </P >     <P>&nbsp;</P >     <p>Todos j&aacute; constat&aacute;mos que nem sempre somos tratados de uma forma    justa, o que sucede nos mais variados contextos, incluindo o do trabalho. Neste    contexto espec&iacute;fico, os te&oacute;ricos chamam a aten&ccedil;&atilde;o    para a import&acirc;ncia que as reac&ccedil;&otilde;es a estas situa&ccedil;&otilde;es    t&ecirc;m ao n&iacute;vel do funcionamento organizacional (Folger &amp; Cropanzano,    1998). </P >     <p>A teoria da cren&ccedil;a no mundo justo refere-se &agrave; cren&ccedil;a de    que &ldquo;cada pessoa tem aquilo que merece&rdquo; (Lerner, 1980). Esta cren&ccedil;a    revela um car&aacute;cter funcional e adaptativo, na medida em que fomenta o    bem-estar e a sa&uacute;de mental, ajudando as pessoas a assimilar as injusti&ccedil;as    das quais s&atilde;o alvo (Hafer &amp; Olson, 1989) e a gerir acontecimentos    stressantes da sua vida (Dalbert, 2001, 2002). Os indiv&iacute;duos com uma    forte cren&ccedil;a no mundo justo manifestam uma maior motiva&ccedil;&atilde;o    para percepcionar as situa&ccedil;&otilde;es de injusti&ccedil;a como mais justas    (Hafer &amp; Olson, 1989; Hagedoorn, Buunk, &amp; Van de Vliert, 2002), dando    mais relev&acirc;ncia &agrave; informa&ccedil;&atilde;o congruente com a justi&ccedil;a    de uma situa&ccedil;&atilde;o do que &agrave; informa&ccedil;&atilde;o incongruente,    percepcionando menos injusti&ccedil;a nos resultados negativos e experienciando    menos emo&ccedil;&otilde;es negativas e mais emo&ccedil;&otilde;es positivas    face a estes (Hafer &amp; Correy, 1999). Este estudo procura perceber se a cren&ccedil;a    no mundo justo modera a rela&ccedil;&atilde;o entre a (in)justi&ccedil;a procedimental    e distributiva vivenciadas pelos indiv&iacute;duos e as suas reac&ccedil;&otilde;es,    sendo que n&oacute;s propomos que a CMJ tenha um efeito protector nas v&aacute;rias    reac&ccedil;&otilde;es &agrave;s injusti&ccedil;as no local de trabalho, algo    que a literatura ainda n&atilde;o abordou. </P >     <p>Recentemente a literatura tem apontado para a necessidade de diferencia&ccedil;&atilde;o    entre a cren&ccedil;a no mundo justo pessoal e a cren&ccedil;a no mundo justo    geral (Dalbert, 1999). A primeira refere-se &agrave; cren&ccedil;a de que, no    global, os acontecimentos da nossa vida s&atilde;o justos, por sua vez, a CMJ    geral reflecte a cren&ccedil;a de que, basicamente o mundo &eacute; um lugar    justo. Para Dalbert, (1999) &ldquo;the more just world research concentrates    on mental health area, the more differentiation between a general and a personal    belief in a just world may become important (p. 81)&rdquo;. De facto, a CMJ    pessoal aparece mais relacionada com benef&iacute;cios psicol&oacute;gicos para    o pr&oacute;prio de acreditar que vai ter o que merece, enquanto a CMJ geral    est&aacute; associada as atitudes sociais negativas face a indiv&iacute;duos    e grupos desfavorecidos (e.g., Sutton &amp; Douglas, 2005). Por esta raz&atilde;o,    neste estudo foc&aacute;mo-nos na CMJ pessoal. </P >     <p>Relativamente &agrave;s formas de justi&ccedil;a, existem duas dimens&otilde;es    que t&ecirc;m sido amplamente estudadas na literatura no campo social e organizacional:    a justi&ccedil;a distributiva e a justi&ccedil;a procedimental (e.g., Folger    &amp; Knovsky, 1989). </P >     <p>De acordo com a teoria da equidade, a justi&ccedil;a distributiva &eacute;    definida como a percep&ccedil;&atilde;o da proporcionalidade entre as contribui&ccedil;&otilde;es    e os resultados individuais em compara&ccedil;&atilde;o com as contribui&ccedil;&otilde;es    e resultados de um outro relevante (ex. co-trabalhador) (Adams, 1965). Se isto    n&atilde;o se verificar, ou seja, se os indiv&iacute;duos se depararem com situa&ccedil;&otilde;es    de inequidade, os sentimentos de injusti&ccedil;a aumentam (Grienberger, Rutte,    &amp; Van Knippenberg, 1997). Apesar da teoria da equidade se revelar bastante    pertinente na elucida&ccedil;&atilde;o das reac&ccedil;&otilde;es &agrave; distribui&ccedil;&atilde;o    de resultados justos e injustos, &eacute; pouco esclarecedora acerca dos poss&iacute;veis    efeitos causados pela forma como s&atilde;o estabelecidas essas recompensas    (Greenberg, 1987b). Como resultado, os te&oacute;ricos &ldquo;deslocam-se&rdquo;    de uma abordagem centrada no conte&uacute;do das recompensas para uma abordagem    mais focada nos processos (Greenberg, 1987a, 1990a), ou seja, a forma como as    recompensas s&atilde;o estabelecidas. Nesta abordagem, as pol&iacute;ticas e    processos utilizados na tomada de decis&atilde;o passam a ganhar destaque &ndash;    teoria da justi&ccedil;a procedimental (Thibaut &amp; Walker, 1975). </P >     <p>A justi&ccedil;a procedimental &eacute; ainda definida como incorporando dois    tipos de <I>inputs </I>das decis&otilde;es: o <I>controlo do processo </I>e    o <I>controlo da decis&atilde;o </I>(Thibaut &amp; Walker, 1975)<I>. </I>O primeiro,    tamb&eacute;m mencionado na literatura por &ldquo;voz&rdquo;, diz respeito &agrave;    oportunidade dada &agrave;s pessoas para exprimirem os seus pontos de vista    antes de as decis&otilde;es serem tomadas. Bies e Shapiro (1988) verificaram    que num contexto de recrutamento e de tomada de decis&atilde;o desfavor&aacute;veis,    quando foi dada a &ldquo;voz&rdquo; &agrave;s pessoas, estas revelaram uma maior    percep&ccedil;&atilde;o de justi&ccedil;a procedimental do que quando n&atilde;o    lhe foi dada essa possibilidade (para outras dimens&otilde;es da justi&ccedil;a    procedimental, como a interaccional, ver Folger &amp; Cropanzano, 1998; Rego,    2000). </P >     <p>V&aacute;rios autores t&ecirc;m vindo a demonstrar que a percep&ccedil;&atilde;o    de justi&ccedil;a no local de trabalho tem consequ&ecirc;ncias bastante positivas    para a organiza&ccedil;&atilde;o, nomeadamente para a efic&aacute;cia organizacional.    Os dados emp&iacute;ricos sugerem, por exemplo, que a percep&ccedil;&atilde;o    desta vari&aacute;vel faz com que as pessoas se sintam mais satisfeitas, mais    implicadas na organiza&ccedil;&atilde;o, confiem mais no seu supervisor (Folger    &amp; Knovsky, 1989) e fiquem mais dispostas a envolver-se em comportamentos    de cidadania organizacional (Moorman, 1991; Platow, Filardo, Troselj, Grace,    &amp; Ryan, 2006). Pelo contr&aacute;rio, verifica-se que as percep&ccedil;&otilde;es    de injusti&ccedil;a impactam negativamente nas reac&ccedil;&otilde;es e comportamentos    dos indiv&iacute;duos (e.g., maiores taxas de furto em situa&ccedil;&atilde;o    de percep&ccedil;&atilde;o de injusti&ccedil;a, Greenberg, 1990b). Do mesmo    modo, Van Yperen (1998) constatou que as enfermeiras que percepcionam inequidade    ficam mais sens&iacute;veis ao <I>burnout</I>. Baron, Neuman, e Geddes (1999)    identificam a injusti&ccedil;a como uma das principais causas da agress&atilde;o    e sabotagem no local de trabalho (Ambrose, Seabright, &amp; Schminke, 2002).    Est&aacute; tamb&eacute;m documentado que, estas percep&ccedil;&otilde;es de    injusti&ccedil;a conduzem a sentimentos de raiva e ressentimento (Dalbert, 2002).    Tais sentimentos, por sua vez, conduzem a reac&ccedil;&otilde;es como protesto    &agrave;s decis&otilde;es, doen&ccedil;a, diminui&ccedil;&atilde;o de esfor&ccedil;os    no trabalho e at&eacute; abandono da organiza&ccedil;&atilde;o (Van Yperen,    Hagedoorn, &amp; Geurts, 1996; Van Yperen, Hagedoorn, Zweers, &amp; Postma,    2000). Por&eacute;m, este tipo de sentimentos pode ser &ldquo;minimizado&rdquo;    quando se acredita num mundo justo, tendo em conta o efeito amortecedor da CMJ    nos mesmos (Dalbert, 2002). </P >     <p>Ao n&iacute;vel do impacto da justi&ccedil;a nas reac&ccedil;&otilde;es das    pessoas, a pesquisa focou-se no efeito separado da justi&ccedil;a distributiva    e da justi&ccedil;a procedimental (e.g., Folger &amp; Knovsky, 1989; Van den    Bos, Vermunt, &amp; Wilke, 1997). Todavia, Brockner e Wiesenfeld (1996) v&ecirc;m    chamar a aten&ccedil;&atilde;o de que os efeitos destes dois tipos de justi&ccedil;a    n&atilde;o podem ser estudados isoladamente. De facto, as explica&ccedil;&otilde;es    s&atilde;o importantes para o aumento das percep&ccedil;&otilde;es da justi&ccedil;a    distributiva, particularmente quando as decis&otilde;es s&atilde;o negativas,    pois essas explica&ccedil;&otilde;es fornecem informa&ccedil;&atilde;o comparativa    com a qual se interpretam os resultados negativos (Gilliland &amp; Beckstein,    1996). </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Na nossa pesquisa, para al&eacute;m de incluirmos ambos os tipos de (in)justi&ccedil;a,    tom&aacute;mos como refer&ecirc;ncia uma tipologia que tem vindo a ser utilizada    por v&aacute;rios autores, no &acirc;mbito da (in)satisfa&ccedil;&atilde;o (Farrell,    1983; Hagedoorn, Buunk, &amp; Van de Vliert, 1998; Hagedoorn, Van Yperen, Van    de Vliert, &amp; Buunk, 1999; Rusbult, Farrell, Rogers, &amp; Mainous, 1988),    na qual as reac&ccedil;&otilde;es s&atilde;o caracterizadas em duas dimens&otilde;es:    construtivas/destrutivas e activas/passivas (Farrell, 1983; Hagedoorn et al.,    1999; Rusbult et al., 1988). As reac&ccedil;&otilde;es construtivas s&atilde;o    aquelas que &ldquo;se destinam a manter e reavivar a rela&ccedil;&atilde;o com    a organiza&ccedil;&atilde;o&rdquo; (Hagedoorn et al., 1999, p. 310), por exemplo,    tentar melhorar as condi&ccedil;&otilde;es de trabalho, fornecer sugest&otilde;es    ao supervisor e alert&aacute;-lo para os problemas existentes (Leck &amp; Saunders,    1992). Fazem parte destas, a voz com considera&ccedil;&atilde;o que se caracteriza    pelas tentativas da pessoa para resolver os problemas, tendo em conta os seus    interesses e os da organiza&ccedil;&atilde;o, e a paci&ecirc;ncia, que consiste    em esperar pacientemente pela melhoria das situa&ccedil;&otilde;es, confiando    na organiza&ccedil;&atilde;o para tomar as decis&otilde;es certas. </P >     <p>As reac&ccedil;&otilde;es destrutivas estudadas, que podem ter efeitos negativos    ao n&iacute;vel da rentabilidade e capacidade de sobreviv&ecirc;ncia da organiza&ccedil;&atilde;o    (Leck &amp; Saunders, 1992), s&atilde;o: a voz agressiva, em que os indiv&iacute;duos    menosprezam os interesses da organiza&ccedil;&atilde;o e d&atilde;o &ecirc;nfase    exclusivamente aos seus, ou ainda, espalham boatos, queixas; a sa&iacute;da,    que inclui reac&ccedil;&otilde;es como deixar a organiza&ccedil;&atilde;o, pensar    sair desta ou procurar outro trabalho; e a neglig&ecirc;ncia que engloba reac&ccedil;&otilde;es    do tipo, dizer que se est&aacute; doente, chegar atrasado ou mesmo faltar ao    trabalho e ainda, utilizar o tempo de expediente em prol de assuntos pessoais    (Farrell, 1983; Hagedoorn et al., 1998; Rusbult et al., 1988). No que concerne    ao seu car&aacute;cter, podemos ainda classificar estas reac&ccedil;&otilde;es    em activas ou passivas. Nas primeiras os indiv&iacute;duos optam por se adaptar    e lidar com as situa&ccedil;&otilde;es negativas (vozes agressiva e com considera&ccedil;&atilde;o),    ou &ldquo;fogem&rdquo; delas (a sa&iacute;da) (Hagedoorn et al., 1999, p. 310).    Entre as as passivas contam-se a neglig&ecirc;ncia e a paci&ecirc;ncia. </P >     <p>Hagedoorn e colaboradores (1999), ao analisarem a rela&ccedil;&atilde;o entre    esta tipologia de reac&ccedil;&otilde;es e a satisfa&ccedil;&atilde;o verificaram    que esta se relaciona positivamente com a voz com considera&ccedil;&atilde;o,    a paci&ecirc;ncia e, negativamente, com a voz agressiva e a neglig&ecirc;ncia.    Al&eacute;m disso, a confian&ccedil;a dos participantes na melhoria da sua situa&ccedil;&atilde;o    foi maior num n&iacute;vel de satisfa&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fico (satisfa&ccedil;&atilde;o    com o supervisor). Saunders, Sheppard, Knight, e Roth (1992) verificaram que    quanto mais os empregados avaliam os seus supervisores como receptivos aos <I>inputs    </I>dos empregados, maior a probabilidade destes &uacute;ltimos emitirem essas    opini&otilde;es, discutirem os problemas, reagindo com voz com considera&ccedil;&atilde;o.    Estes autores sugerem que a percep&ccedil;&atilde;o de justi&ccedil;a, especialmente    da justi&ccedil;a procedimental &eacute; respons&aacute;vel pela rela&ccedil;&atilde;o    entre a satisfa&ccedil;&atilde;o e as reac&ccedil;&otilde;es dos indiv&iacute;duos    aos acontecimentos negativos. De facto, Parker (1993) mostrou que os trabalhadores    que acreditam n&atilde;o controlar as decis&otilde;es manifestam uma maior inten&ccedil;&atilde;o    de abandonar os seus trabalhos ao inv&eacute;s de tentarem resolver as situa&ccedil;&otilde;es    de injusti&ccedil;a. Posteriormente, Van Yperen, Hagedoorn, Zweers, e Postma    (2000) averiguam precisamente que quanto mais injusti&ccedil;a as enfermeiras    percepcionam maior &eacute; a probabilidade de recorrerem a reac&ccedil;&otilde;es    negativas. Hagedoorn e colaboradores (1998) tamb&eacute;m procuraram examinar    de que forma a justi&ccedil;a social suprime as reac&ccedil;&otilde;es negativas    e estimula as reac&ccedil;&otilde;es positivas. Os resultados do seu estudo    indicam que a presen&ccedil;a da justi&ccedil;a inibe as reac&ccedil;&otilde;es    negativas face a um resultado desfavor&aacute;vel e estimula as reac&ccedil;&otilde;es    positivas. Concretamente, os participantes na condi&ccedil;&atilde;o de justi&ccedil;a    procedimental alta estavam mais aptos a reagir com voz com considera&ccedil;&atilde;o    e com paci&ecirc;ncia e menos aptos a reagirem com neglig&ecirc;ncia, sa&iacute;da    e voz agressiva. Quanto &agrave; justi&ccedil;a distributiva, quando esta era    alta os participantes relataram mais paci&ecirc;ncia e menos neglig&ecirc;ncia    comparativamente com aqueles que estavam na condi&ccedil;&atilde;o baixa. </P >     <p>Relativamente ao impacto da CMJ nessas reac&ccedil;&otilde;es &agrave; (in)    justi&ccedil;a procedimental e distributiva, Hagedoorn et al. (2002) conduziram    um estudo com o objectivo de perceber o efeito de interac&ccedil;&atilde;o entre    a CMJ, a favorabilidade e justi&ccedil;a de um resultado e a justi&ccedil;a    de um procedimento nas percep&ccedil;&otilde;es de justi&ccedil;a, na voz agressiva    e sentimentos de raiva das pessoas face &agrave;s decis&otilde;es da autoridade.    Conclu&iacute;ram ent&atilde;o que, as pessoas com CMJ alta, ou seja as mais    motivadas para percepcionar justi&ccedil;a e seleccionar informa&ccedil;&atilde;o    congruente com justi&ccedil;a, percepcionam uma decis&atilde;o da autoridade    como justa, mesmo se ou o resultado ou o procedimento n&atilde;o tenha sido    justo. Por outras palavras, numa situa&ccedil;&atilde;o amb&iacute;gua em termos    de justi&ccedil;a, em que um dos factores (e.g., o resultado) &eacute; justo    e favor&aacute;vel mas o outro (e.g., o procedimento) &eacute; injusto e desfavor&aacute;vel,    os indiv&iacute;duos com CMJ alta, mas n&atilde;o os indiv&iacute;duos com CMJ    baixa, percepcionam a situa&ccedil;&atilde;o como justa. J&aacute; em situa&ccedil;&otilde;es    de aus&ecirc;ncia de ambiguidade (ambos os factores justos e favor&aacute;veis    ou ambos injustos e desfavor&aacute;veis) n&atilde;o se verificam diferen&ccedil;as.    No que concerne &agrave; voz agressiva, embora n&atilde;o tenha sido encontrado    um efeito de interac&ccedil;&atilde;o significativo, os participantes manifestaram    mais este tipo de reac&ccedil;&atilde;o quando o resultado era desfavor&aacute;vel    e injusto e o procedimento era enviesado e quando menos acreditavam que o mundo    &eacute; justo. </P >     <P   align="center" >O PRESENTE ESTUDO </P >     <p>O nosso estudo &eacute; uma extens&atilde;o do estudo de Hagedoorn et al. (2002)    com as diferen&ccedil;as de ter sido realizado com outra classe profissional,    com outra operacionaliza&ccedil;&atilde;o de justi&ccedil;a procedimental e    distributiva e examinar um maior n&uacute;mero de reac&ccedil;&otilde;es dos    indiv&iacute;duos (a sa&iacute;da, a voz com considera&ccedil;&atilde;o, a paci&ecirc;ncia,    a voz agressiva e a neglig&ecirc;ncia). </P >     <p>De acordo com o exposto no enquadramento te&oacute;rico, as pessoas com uma    forte CMJ quando experienciam situa&ccedil;&otilde;es injustas tendem a percepcionar    essas situa&ccedil;&otilde;es como mais justas comparativamente com os que tem    uma fraca cren&ccedil;a (Dalbert, 2001; Hafer &amp; Olson, 1989). Por&eacute;m,    essas diferen&ccedil;as n&atilde;o se reduzem apenas ao n&iacute;vel perceptivo,    tendo tamb&eacute;m um impacto ao n&iacute;vel das reac&ccedil;&otilde;es das    pessoas, inclusive em situa&ccedil;&otilde;es do contexto de trabalho (Hagedoorn    et al., 2002), as quais ser&atilde;o alvo de aten&ccedil;&atilde;o neste estudo.  </P >     <p>Esperamos, ent&atilde;o, que a cren&ccedil;a no mundo justo seja uma vari&aacute;vel    moderadora na rela&ccedil;&atilde;o entre a justi&ccedil;a procedimental e distributiva    e as reac&ccedil;&otilde;es das pessoas. Especificamente, esperamos que: </P >     <p><I>H1: </I>Na condi&ccedil;&atilde;o de justi&ccedil;a procedimental alta ou    de justi&ccedil;a distributiva alta os participantes reagir&atilde;o de forma    menos negativa, ou seja com menos sa&iacute;da, voz agressiva e neglig&ecirc;ncia,    comparativamente com aqueles que est&atilde;o na condi&ccedil;&atilde;o de justi&ccedil;a    procedimental baixa ou de justi&ccedil;a distributiva baixa. </P >     <p><I>H2: </I>Os participantes com alta cren&ccedil;a no mundo justo reagir&atilde;o    menos negativamente comparativamente com aqueles que t&ecirc;m uma baixa cren&ccedil;a.  </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><I>H3: </I>Espera-se que haja um efeito de interac&ccedil;&atilde;o triplo    entre a justi&ccedil;a procedimental, a justi&ccedil;a distributiva e a cren&ccedil;a    no mundo justo nas reac&ccedil;&otilde;es das pessoas. Assim, nas condi&ccedil;&otilde;es    com ambiguidade (justi&ccedil;a procedimental alta e justi&ccedil;a distributiva    baixa, ou justi&ccedil;a procedimental baixa e justi&ccedil;a distributiva alta)    ir&atilde;o reagir menos negativamente quando t&ecirc;m uma alta CMJ do que    quando t&ecirc;m uma baixa CMJ, enquanto que nas restantes condi&ccedil;&otilde;es    de justi&ccedil;a procedimental e justi&ccedil;a distributiva n&atilde;o se    verificar&atilde;o essas diferen&ccedil;as. </P >     <P   align="center" >M&Eacute;TODO </P >     <p><I>Participantes </I></P >     <p>Participaram no estudo 84 professores de v&aacute;rios n&iacute;veis de ensino    pertencentes a 24 escolas. As idades dos participantes variavam entre 24 e 56    anos (<I>M=</I>37.6; <I>DP</I>=7.9), sendo 16 (19.0%) homens e 68 (81.0%) mulheres.    A grande maioria dos professores possu&iacute;a como habilita&ccedil;&otilde;es    licenciatura (86.9 %), alguns possu&iacute;am mestrado (10.7%) e os restantes    bacharelato (2.4%). </P >     <p><I>Plano experimental e vari&aacute;veis </I></P >     <p>Neste estudo o plano factorial foi um 2 (CMJ: alta/baixa) x 2 (justi&ccedil;a    procedimental: alta/baixa) x 2 (justi&ccedil;a distributiva: alta/baixa) inter-sujeitos.  </P >     <p>As respostas aos sete itens (e.g., &ldquo;Na minha vida a injusti&ccedil;a    &eacute; a excep&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o a regra&rdquo;) da escala da    Cren&ccedil;a Pessoal no Mundo Justo (Dalbert, 1999; alfa de Cronbach=.87) determinaram    a divis&atilde;o dos participantes em CMJ alta (valores iguais ou superiores    &agrave; mediana ou baixa (valores inferiores &agrave; mediana). A escala das    respostas &eacute; do tipo Likert com seis pontos, variando entre 1 (Discordo    Completamente) a 6 (Concordo Completamente) (<I>M</I>=3.99; <I>DP</I>=0.85;    <I>Md</I>=4.00). </P >     <p>As manipula&ccedil;&otilde;es das justi&ccedil;as procedimental e distributiva    foram baseadas nas de Hagedoorn et al. (1998), consistindo na apresenta&ccedil;&atilde;o    de cen&aacute;rios que continham uma &ldquo;hist&oacute;ria&rdquo; que narrava    situa&ccedil;&otilde;es de (in)justi&ccedil;a vivenciadas por um/a professor/a    numa determinada escola. </P >     <p>A justi&ccedil;a procedimental foi manipulada pela descri&ccedil;&atilde;o    de diferentes aspectos do processo da tomada de decis&atilde;o. Os participantes    na condi&ccedil;&atilde;o de justi&ccedil;a procedimental alta [baixa] liam    que &ldquo;A administra&ccedil;&atilde;o da escola [n&atilde;o] deixa os seus    funcion&aacute;rios participarem no processo de tomada de decis&atilde;o e usa    procedimentos n&atilde;o enviesados [enviesados] na tomada de decis&atilde;o.    A administra&ccedil;&atilde;o [n&atilde;o] &eacute; sincera acerca dos procedimentos,    e quando a decis&atilde;o tomada afecta o trabalho dos professores, eles [n&atilde;o]    d&atilde;o uma explica&ccedil;&atilde;o minuciosa da decis&atilde;o e das suas    consequ&ecirc;ncias. A manipula&ccedil;&atilde;o da justi&ccedil;a distributiva    foi operacionalizada atrav&eacute;s da compara&ccedil;&atilde;o entre as contribui&ccedil;&otilde;es    feitas pelo professor e os benef&iacute;cios obtidos por este, tendo em conta    essas contribui&ccedil;&otilde;es. Os participantes na condi&ccedil;&atilde;o    de justi&ccedil;a distributiva alta [baixa] liam que &ldquo;Os professores que    colocam uma grande quantidade de energia em tarefas extras, tais como organizar    as actividades escolares e que participam em diferentes comiss&otilde;es, [n&atilde;o]    s&atilde;o adequadamente reconhecidos por parte da administra&ccedil;&atilde;o    pelo seu esfor&ccedil;o. Por exemplo, no decorrer de encontros, agradece-se    regularmente [raramente] aos professores. Al&eacute;m disso, os seus pedidos    s&atilde;o frequentemente [quase nunca] concedidos e eles [raramente] recebem    tratamento preferencial no que diz respeito &agrave;s tarefas interessantes    e [n&atilde;o] s&atilde;o dispensados das tarefas desagrad&aacute;veis&rdquo;.    As reac&ccedil;&otilde;es dos participantes face &agrave; situa&ccedil;&atilde;o    que lhe foi apresentada no cen&aacute;rio de justi&ccedil;a foram avaliadas    pela Escala de respostas a acontecimentos problem&aacute;ticos (Hagedoorn et    al. 1999). Os participantes responderam numa escala do tipo Likert de sete pontos    (1=Com certeza que n&atilde;o; 7=Com certeza que sim). Esta medida foi introduzida    da seguinte forma: &ldquo;Com base naquilo que sabe sobre esta escola e continuando    a colocar-se no lugar deste/a professor/a, solicitamos-lhe que nos diga muito    sinceramente, at&eacute; que ponto estaria predisposto/a a: (...)&rdquo;. </P >     <p>As alternativas de reac&ccedil;&atilde;o foram avaliadas atrav&eacute;s das    categorias de respostas compostas por: <I>Sa&iacute;da</I>, constitu&iacute;da    por seis itens: &ldquo;Considerar a possibilidade de mudar de trabalho&rdquo;,    &ldquo;Procurar activamente um trabalho fora do campo da educa&ccedil;&atilde;o&rdquo;,    &ldquo;Tencionar trabalhar para outras pessoas&rdquo;, &ldquo;Procurar trabalho    noutro lado dentro do campo da educa&ccedil;&atilde;o&rdquo;, &ldquo;Procurar    an&uacute;ncios de emprego em jornais adequados &agrave; sua profiss&atilde;o&rdquo;,    &ldquo;Tencionar mudar o seu campo de trabalho&rdquo;. </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A <I>Voz com Considera&ccedil;&atilde;o </I>foi avaliada atrav&eacute;s de    onze itens: &ldquo;Tentar chegar a um consentimento com os &oacute;rg&atilde;os    de gest&atilde;o&rdquo;, &ldquo;Em colabora&ccedil;&atilde;o com os &oacute;rg&atilde;os    de gest&atilde;o, tentar encontrar uma solu&ccedil;&atilde;o que seja satisfat&oacute;ria    para todos&rdquo;, &ldquo;Tentar encontrar uma solu&ccedil;&atilde;o ideal em    colabora&ccedil;&atilde;o com os &oacute;rg&atilde;os de gest&atilde;o&rdquo;,    &ldquo;Juntamente com os &oacute;rg&atilde;os de gest&atilde;o, explorar as    opini&otilde;es de cada um at&eacute; os problemas estarem resolvidos&rdquo;,    &ldquo;Tentar chegar a um acordo com os &oacute;rg&atilde;os de gest&atilde;o&rdquo;,    &ldquo;Falar com os &oacute;rg&atilde;os de gest&atilde;o sobre o problema at&eacute;    conseguirem um acordo total&rdquo;, &ldquo;Sugerir solu&ccedil;&otilde;es aos    &oacute;rg&atilde;os de gest&atilde;o&rdquo;, &ldquo;Reportar o problema aos    &oacute;rg&atilde;os de gest&atilde;o, imediatamente&rdquo;, &ldquo;Tentar encontrar    uma solu&ccedil;&atilde;o, imediatamente&rdquo;, &ldquo;Tentar pensar em diferentes    solu&ccedil;&otilde;es para o problema&rdquo;, &ldquo;Pedir aos &oacute;rg&atilde;os    de gest&atilde;o para chegarem a um compromisso&rdquo;. </P >     <p>A <I>Paci&ecirc;ncia </I>foi medida atrav&eacute;s de cinco itens: &ldquo;Confiar    no processo de tomada de decis&atilde;o da organiza&ccedil;&atilde;o sem a sua    interfer&ecirc;ncia&rdquo;, &ldquo;Confiar que a organiza&ccedil;&atilde;o pode    resolver o problema sem a sua ajuda&rdquo;, &ldquo;Acreditar que os problemas    ir&atilde;o ser resolvidos sem a sua contribui&ccedil;&atilde;o no processo    de resolu&ccedil;&atilde;o&rdquo;, &ldquo;Assumir que no fim tudo correr&aacute;    bem&rdquo;, &ldquo;Esperar que as coisas se resolvam&rdquo;. </P >     <p>A <I>Voz Agressiva </I>foi medida atrav&eacute;s de sete itens: &ldquo;Descrever    o problema da forma mais negativa poss&iacute;vel aos &oacute;rg&atilde;os de    gest&atilde;o&rdquo;, &ldquo;Tentar &ldquo;ganhar&rdquo; a discuss&atilde;o&rdquo;,    &ldquo;Deliberadamente fazer &ldquo;soar&rdquo; o problema mais problem&aacute;tico    do que realmente &eacute;&rdquo;, &ldquo;Ser persistente com os &oacute;rg&atilde;os    de gest&atilde;o, de forma a obter o que voc&ecirc; quer&rdquo;, &ldquo;Come&ccedil;ar    uma &ldquo;guerra&rdquo; com os &oacute;rg&atilde;os de gest&atilde;o&rdquo;,    &ldquo;Tentar prova de todas as maneiras poss&iacute;veis que voc&ecirc; est&aacute;    certo&rdquo;, &ldquo;Culpar a organiza&ccedil;&atilde;o pelo problema&rdquo;.  </P >     <p>Por fim, a <I>Neglig&ecirc;ncia </I>foi avaliada atrav&eacute;s dos seguintes    itens: &ldquo;Dizer que est&aacute; doente porque n&atilde;o lhe apetece trabalhar&rdquo;,    &ldquo;Chegar atrasado porque n&atilde;o lhe apetece trabalhar&rdquo;, &ldquo;Empenhar-se    menos no seu trabalho do que aquilo que &eacute; esperado de si&rdquo;, &ldquo;De    vez em quando, n&atilde;o se esfor&ccedil;ar no trabalho&rdquo;, &ldquo;Faltar    &agrave;s reuni&otilde;es/encontros porque n&atilde;o lhe apetece ir&rdquo;.  </P >     <p>Finalmente, os participantes respondiam a duas quest&otilde;es de verifica&ccedil;&atilde;o    da manipula&ccedil;&atilde;o em escalas do tipo Likert de oito pontos: &ldquo;na    sua opini&atilde;o, qu&atilde;o justos ou injustos s&atilde;o os processos de    tomada de decis&atilde;o na escola descrita?&rdquo; (&ldquo;justi&ccedil;a procedimental&rdquo;;    1=muito justos; 8=muito injustos), e &ldquo;Na sua opini&atilde;o, os professores    que se esfor&ccedil;am no seu trabalho s&atilde;o justamente ou injustamente    recompensados?&rdquo; (&ldquo;justi&ccedil;a distributiva&rdquo;; 1=muito justamente    recompensados; 8=muito injustamente recompensados). </P >     <p><I>An&aacute;lise factorial/An&aacute;lise de consist&ecirc;ncia interna </I></P >     <p>Foi feita uma an&aacute;lise factorial aos 34 itens das reac&ccedil;&otilde;es    onde se solicitou a extrac&ccedil;&atilde;o de cinco componentes. A solu&ccedil;&atilde;o    rodada foi ao encontro do que era expect&aacute;vel, excepto, para o item &ldquo;Come&ccedil;ar    uma &ldquo;guerra&rdquo; com os &oacute;rg&atilde;os de gest&atilde;o&rdquo;    que, revelou uma satura&ccedil;&atilde;o mais elevada no factor 5 (<I>neglig&ecirc;ncia</I>)    apesar de, na escala original fazer parte do factor 4 (<I>voz agressiva</I>).    Contudo, fomos analisar os alfas das duas escalas em quest&atilde;o, para averiguarmos    a possibilidade de inclus&atilde;o deste item na escala original. E, como os    alfas n&atilde;o diminu&iacute;am de forma significativa se o item fosse colocado    na <I>voz agressiva</I>, nem se fosse retirado do factor <I>neglig&ecirc;ncia</I>,    opt&aacute;mos por coloc&aacute;-lo na <I>voz agressiva</I>. A solu&ccedil;&atilde;o    factorial revelou os cinco <I>eingenvalues&gt;</I>1. Os cinco factores explicam    66.7% da vari&acirc;ncia total. O primeiro foi melhor descrito por seis itens    apresentando <I>loadings </I>a variarem entre .65 e .87, correspondendo &agrave;    vari&aacute;vel <I>sa&iacute;da </I>(alfa de Cronbach=.88). O segundo factor    foi descrito por onze itens, cujos <I>loadings </I>variaram entre .70 e .87,    correspondendo &agrave; vari&aacute;vel <I>voz com considera&ccedil;&atilde;o    </I>(alfa de Cronbach=.95)<I>. </I>Quanto ao terceiro factor foi descrito por    cinco itens, com <I>loadings </I>entre .68 e .88, e diziam respeito &agrave;    vari&aacute;vel <I>paci&ecirc;ncia </I>(alfa de Cronbach=.84). No que se refere    &agrave; vari&aacute;vel <I>voz agressiva</I>, aparece descrita no quarto factor,    sendo composta por seis itens, com <I>loadings </I>a variarem entre .38 e .81    (alfa de Cronbach=.80). Por fim, o quinto factor, a <I>neglig&ecirc;ncia</I>,    cont&eacute;m seis itens e apresenta loadings entre .66 e .90 (alfa de Cronbach=.89).  </P >     <p><I>Procedimento </I></P >     <p>Os participantes foram convidados a participar em dois estudos, foi-lhes dito    que o primeiro consistia na valida&ccedil;&atilde;o de uma escala para a popula&ccedil;&atilde;o    portuguesa e que o segundo, era o estudo principal, no qual se pretendia compreender    as reac&ccedil;&otilde;es das pessoas face ao seu contexto de trabalho. </P >     <p>Inicialmente os participantes responderam a uma escala de Cren&ccedil;a Pessoal    no Mundo Justo (Dalbert, 1999). De seguida, foram-lhe apresentados cen&aacute;rios    nos quais a justi&ccedil;a procedimental (baixa <I>vs. </I>alta) e a justi&ccedil;a    distributiva (baixa <I>vs. </I>alta) foram manipuladas (Hagedoorn et al., 1998).    Antes de lerem o cen&aacute;rio, foi solicitado aos participantes que se colocassem    no lugar daquele/a professor/a, abstraindo-se da sua situa&ccedil;&atilde;o    pessoal. As quatro condi&ccedil;&otilde;es existentes foram distribu&iacute;das    aleatoriamente pelos participantes. </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Foi pedido aos participantes que tivessem em conta o cen&aacute;rio que acabaram    de ler e respondessem o quanto estariam dispostos a reagir de determinadas formas    (Hagedoorn et al., 1999), sendo-lhes solicitado que respondessem de forma sincera.    Por fim, respondiam &agrave;s medidas de verifica&ccedil;&atilde;o da manipula&ccedil;&atilde;o    da justi&ccedil;a procedimental e distributiva. Foi garantido o anonimato das    respostas. O tempo para completar o question&aacute;rio foi de sensivelmente    dez minutos. </P >     <P   align="center" >RESULTADOS </P >     <p><I>Verifica&ccedil;&atilde;o das manipula&ccedil;&otilde;es </I></P >     <p>Para cada verifica&ccedil;&atilde;o da manipula&ccedil;&atilde;o realiz&aacute;mos    uma an&aacute;lise de vari&acirc;ncia (ANOVA) 2 (CMJ) x 2 (Justi&ccedil;a procedimental)    x 2 (Justi&ccedil;a distributiva). Relativamente &agrave; verifica&ccedil;&atilde;o    da manipula&ccedil;&atilde;o da justi&ccedil;a procedimental, obtivemos um efeito    significativo desta, <I>F</I>(1,81)=19.00, <I>p&lt;</I>.001, indicando que os    participantes na condi&ccedil;&atilde;o de justi&ccedil;a procedimental alta    percepcionaram mais justi&ccedil;a nos procedimentos (<I>M=</I>4.22; <I>DP=</I>0.32)    comparativamente com os da condi&ccedil;&atilde;o justi&ccedil;a procedimental    baixa (<I>M=</I>6.14; <I>DP=</I>0.30). Houve ainda um efeito principal da justi&ccedil;a    distributiva, <I>F</I>(1,81)=19.00, <I>p</I>&lt;.05, indicando que na condi&ccedil;&atilde;o    de justi&ccedil;a distributiva alta os participantes percepcionam mais justi&ccedil;a    procedimental (<I>M=</I>4.73; <I>DP</I>=0.30) do que na condi&ccedil;&atilde;o    justi&ccedil;a distributiva baixa (<I>M</I>=5.64; <I>DP</I>=0.32). Todos os    restantes efeitos foram n&atilde;o significativos. </P >     <p>Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; verifica&ccedil;&atilde;o da manipula&ccedil;&atilde;o    da justi&ccedil;a distributiva uma segunda ANOVA com os mesmos tr&ecirc;s factores    mostrou que manipula&ccedil;&atilde;o da justi&ccedil;a distributiva teve, de    igual modo, um efeito significativo na sua percep&ccedil;&atilde;o, <I>F</I>(1,81)=    28.78, <I>p</I>&lt;.001. Os participantes na condi&ccedil;&atilde;o justi&ccedil;a    distributiva alta concordaram mais que os professores s&atilde;o justamente    recompensados (<I>M=</I>3.99; <I>DP=</I>0.29) comparativamente com os da condi&ccedil;&atilde;o    &ldquo;justi&ccedil;a distributiva baixa&rdquo; (<I>M=</I>6.26; <I>DP=</I>0.31).    Todos os restantes efeitos foram n&atilde;o significativos. Pode ent&atilde;o    concluir-se que ambas as manipula&ccedil;&otilde;es tiveram sucesso. </P >     <p><I>An&aacute;lises principais </I></P >     <p>Realiz&aacute;mos correla&ccedil;&otilde;es bivariadas entre todas as vari&aacute;veis    dependentes (Quadro 1). </P >     <p>Portanto, atrav&eacute;s desta an&aacute;lise podemos inferir que, quando os    professores esperam de forma optimista e paciente pela resolu&ccedil;&atilde;o    dos assuntos da escola, revelando confian&ccedil;a na organiza&ccedil;&atilde;o,    maior &eacute; a probabilidade destes tentarem chegar a um compromisso com os    &oacute;rg&atilde;os de gest&atilde;o da escola, tomando em considera&ccedil;&atilde;o    os pontos de vista de toda a organiza&ccedil;&atilde;o. </P >     <p>Para a an&aacute;lise dos efeitos das vari&aacute;veis independentes opt&aacute;mos    por realizar ANOVAs 2 (CMJ pessoal: Alta/baixa) x 2 (Justi&ccedil;a procedimental:    Alta/baixa) x 2 (Justi&ccedil;a distributiva: Alta/baixa) para cada uma das    vari&aacute;veis dependentes em separado (sa&iacute;da, voz com considera&ccedil;&atilde;o,    paci&ecirc;ncia, voz agressiva e neglig&ecirc;ncia), em vez de optarmos pela    an&aacute;lise multivariada (MANOVA), dado que as matrizes de covari&acirc;ncia    das vari&aacute;veis dependentes n&atilde;o s&atilde;o equivalentes para os    diferentes grupos, <I>Box M=</I>193.96, <I>F</I>(105, 4993<I>E </I>3)=1.38,    <I>p&lt;.</I>05. As ANOVAs revelaram quer efeitos principais, quer efeitos de    interac&ccedil;&atilde;o significativos da CMJ pessoal, da justi&ccedil;a procedimental    e da justi&ccedil;a distributiva. Para comparar as condi&ccedil;&otilde;es realiz&aacute;mos    testes <I>post-hoc </I>de Tukey, sendo as diferen&ccedil;as significativas a    <I>p</I>&lt;.05. </P >     <p>Relativamente &agrave; paci&ecirc;ncia os resultados mostraram o efeito principal    da vari&aacute;vel CMJ, <I>F</I>(1,81)=5.42, <I>p&lt;</I>.05, com os participantes    a revelarem-se mais pacientes quando t&ecirc;m uma alta cren&ccedil;a (<I>M=</I>3.78;    <I>DP=</I>1.32), do que quando t&ecirc;m uma cren&ccedil;a baixa (<I>M=</I>3.16;    <I>DP=</I>1.08). Al&eacute;m disso, encontr&aacute;mos um efeito de interac&ccedil;&atilde;o    da justi&ccedil;a procedimental com a CMJ, (1,81)=8.09, <I>p&lt;</I>.05, &eta;<Sub><I>p    </I></Sub><Sup>2</Sup>=0.14. Em situa&ccedil;&otilde;es de justi&ccedil;a procedimental    baixa os participantes com CMJ alta t&ecirc;m mais paci&ecirc;ncia (<I>M=</I>4.14;    <I>DP=</I>1.32) do que os participantes com CMJ baixa (<I>M=</I>2.87; <I>DP=</I>0.92).    Enquanto que nas situa&ccedil;&otilde;es de justi&ccedil;a procedimental alta    n&atilde;o houve diferen&ccedil;as na paci&ecirc;ncia dos participantes com    CMJ alta (<I>M</I>=3.42; <I>DP</I>=1.25) e CMJ baixa (<I>M</I>=3.54; <I>DP</I>=1.17).    Os restantes efeitos foram n&atilde;o significativos, <I>F</I>(1,81)&lt;1. </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; voz agressiva foi encontrado um efeito de    interac&ccedil;&atilde;o da CMJ pessoal e da justi&ccedil;a procedimental, <I>F</I>(1,81)=4.66    <I>p&lt;</I>.05, &eta;<Sub><I>p </I></Sub><Sup>2</Sup>=0.87. Especificamente,    os testes post-hoc de Tukey revelam que quem tem uma alta CMJ manifesta menos    voz agressiva na condi&ccedil;&atilde;o justi&ccedil;a procedimental alta (<I>M=</I>2.56;    <I>DP=</I>0.94) do que na condi&ccedil;&atilde;o justi&ccedil;a procedimental    baixa (<I>M=</I>3.44; <I>DP=</I>1.27), enquanto que n&atilde;o houve diferen&ccedil;as    entre a justi&ccedil;a procedimental alta (<I>M=</I>2.98; <I>DP=</I>0.81) e    a justi&ccedil;a procedimental baixa (<I>M=</I>2.81; <I>DP=</I>1.08) nos participantes    com CMJ baixa. Os restantes efeitos foram n&atilde;o significativos, <I>F</I>(1,81)&lt;1.  </P >     <p>&nbsp; </P >     <p align="center">QUADRO 1 </P >     <p align="center"><I>Correla&ccedil;&otilde;es entre as vari&aacute;veis dependentes    </I></P >     <p align="center"><i><img src="/img/revistas/aps/v28n1/28n1a05q1.jpg" width="694" height="154"></i></P >     
<p>&nbsp;</P >     <p>No que diz respeito &agrave; neglig&ecirc;ncia, os resultados evidenciam tamb&eacute;m    um efeito de interac&ccedil;&atilde;o entre a CMJ e a justi&ccedil;a procedimental    nesta vari&aacute;vel, <I>F</I>(1,81)=4.73 <I>p &lt;</I>0.05, &eta;<Sub><I>p    </I></Sub><Sup>2</Sup>=0.07. Quando os participantes se encontram numa situa&ccedil;&atilde;o    de justi&ccedil;a procedimental alta revelam uma maior disposi&ccedil;&atilde;o    para serem negligentes quando t&ecirc;m uma CMJ baixa (<I>M=</I>1.75; <I>DP</I>=1.20)    do que quando t&ecirc;m uma CMJ alta (<I>M=</I>1.18; <I>DP</I>=0.23). Todos    os restantes efeitos foram n&atilde;o significativos, <I>F</I>(1,81)&lt;1. </P >     <p>Para a vari&aacute;vel voz com considera&ccedil;&atilde;o foi obtido apenas    um efeito principal da CMJ, <I>F</I>(1,81)=6.37 <I>p&lt;</I>0.05, o que significa    que os participantes tendem a manifestar mais voz com considera&ccedil;&atilde;o    quando tem uma CMJ alta (<I>M=</I>5.70; <I>DP=</I>0.95), do que quando essa    cren&ccedil;a &eacute; baixa (<I>M=</I>5.09; <I>DP=</I>1.17). Os restantes efeitos    foram n&atilde;o significativos, <I>F</I>(1,81)&lt;1. </P >     <p>Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; sa&iacute;da, os resultados tamb&eacute;m    mostram um efeito principal da justi&ccedil;a distributiva, <I>F</I>(1,81)=8.18    <I>p&lt;</I>.05, revelando que na condi&ccedil;&atilde;o em que a justi&ccedil;a    distributiva &eacute; alta os participantes mostram-se menos dispostos a sair    da escola (<I>M=</I>3.29; <I>DP=</I>1.47) comparativamente com a condi&ccedil;&atilde;o    em que a justi&ccedil;a distributiva &eacute; baixa, onde existe uma maior vontade    para abandonar a institui&ccedil;&atilde;o de ensino (<I>M=</I>4.04; <I>DP=</I>1.33).    Os restantes efeitos foram n&atilde;o significativos, <I>F</I>(1,81)&lt;1. </P >     <P   align="center" >DISCUSS&Atilde;O </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A presente investiga&ccedil;&atilde;o teve como objectivo prim&aacute;rio a    compreens&atilde;o do papel que a CMJ pessoal tem na rela&ccedil;&atilde;o entre    a (in)justi&ccedil;a, quer procedimental, quer distributiva e as reac&ccedil;&otilde;es    que os indiv&iacute;duos dizem ter perante situa&ccedil;&otilde;es justas/injustas.    Especificamente, foi sugerido que o facto de as pessoas acreditarem fortemente    num mundo justo iria ter um efeito protector na rela&ccedil;&atilde;o descrita.    Ou seja, quanto maior a CMJ, menor seriam as reac&ccedil;&otilde;es negativas    dos indiv&iacute;duos face &agrave; injusti&ccedil;a no seu contexto de trabalho,    o que era expect&aacute;vel, dada a especial necessidade que as pessoas com    alta CMJ t&ecirc;m para acreditar no mundo justo (Lerner, 1980). Esperava-se,    ent&atilde;o, a exist&ecirc;ncia de um efeito de interac&ccedil;&atilde;o entre    a justi&ccedil;a procedimental, a justi&ccedil;a distributiva e a cren&ccedil;a    no mundo justo. Contudo, a interac&ccedil;&atilde;o entre estas tr&ecirc;s vari&aacute;veis    n&atilde;o se verificou, tendo a dimens&atilde;o justi&ccedil;a procedimental    surgido mais aliada &agrave; cren&ccedil;a no mundo justo do que a justi&ccedil;a    distributiva. Assim, os resultados evidenciam uma maior sensibilidade da CMJ    aos aspectos procedimentais. </P >     <p>Os resultados mostram um efeito de interac&ccedil;&atilde;o esperado entre    a justi&ccedil;a procedimental e a cren&ccedil;a no mundo justo na reac&ccedil;&atilde;o    dos professores, nas vari&aacute;veis paci&ecirc;ncia, voz agressiva e neglig&ecirc;ncia.    Esperava-se que na condi&ccedil;&atilde;o justi&ccedil;a procedimental baixa    quem tivesse uma alta cren&ccedil;a no mundo justo revelaria uma menor inten&ccedil;&atilde;o    de reagir de forma negativa. Esta hip&oacute;tese foi parcialmente comprovada.    Os resultados evidenciam que na condi&ccedil;&atilde;o justi&ccedil;a procedimental    baixa os professores com uma CMJ alta revelam-se mais pacientes comparativamente    com os que t&ecirc;m uma CMJ baixa. Tal como refere Hagedoorn et al. (2002),    quando as pessoas com CMJ alta est&atilde;o perante situa&ccedil;&otilde;es    injustas acreditam que no fim ser&aacute; a justi&ccedil;a a prevalecer, o que    explica a paci&ecirc;ncia no sentido de esperar que as coisas melhorem pois,    mais tarde ou mais cedo, &eacute; a justi&ccedil;a que vence. </P >     <p>J&aacute; na voz agressiva e na neglig&ecirc;ncia, os resultados revelaram-se    surpreendentes para n&oacute;s, pois n&atilde;o foram ao encontro do que era    expect&aacute;vel, surgindo o efeito oposto. Na condi&ccedil;&atilde;o de justi&ccedil;a    procedimental baixa os participantes com alta CMJ recorreram mais &agrave; voz    agressiva comparativamente com os participantes com baixa CMJ. Tamb&eacute;m    na neglig&ecirc;ncia, &eacute; na condi&ccedil;&atilde;o de justi&ccedil;a procedimental    baixa que a reac&ccedil;&atilde;o negativa por parte dos indiv&iacute;duos com    CMJ alta &eacute; maior. Deste modo, apenas na condi&ccedil;&atilde;o de justi&ccedil;a,    os participantes com CMJ alta revelam uma menor tend&ecirc;ncia para serem negligentes.    Curiosamente, na condi&ccedil;&atilde;o justi&ccedil;a procedimental baixa s&atilde;o    os professores com uma alta CMJ que reagem com mais neglig&ecirc;ncia. Provavelmente,    a insatisfa&ccedil;&atilde;o que era vivida pelos professores no momento da    recolha dos dados devido &agrave; contesta&ccedil;&atilde;o sobre a implementa&ccedil;&atilde;o    de um sistema de avalia&ccedil;&atilde;o &eacute; respons&aacute;vel por estes    resultados. Pois, a injusti&ccedil;a percepcionada por parte destes relativamente    ao Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o pode ser t&atilde;o grande ao    ponto de j&aacute; n&atilde;o conseguirem minimiz&aacute;-la. De facto, a motiva&ccedil;&atilde;o    das pessoas para proteger a sua cren&ccedil;a pode diminuir se estas forem confrontadas    frequentemente com situa&ccedil;&otilde;es de injusti&ccedil;a (Lerner, 1980).    Hagedoorn et al., (2002) argumentam &ldquo;the belief in a just world may only    stimulate optimistic reactions as long as people are not confronted with unfairness    too often&rdquo; (p. 142). </P >     <p>Por outro lado, ser&aacute; que este resultado se deve &agrave; tentativa dos    professores na reposi&ccedil;&atilde;o da justi&ccedil;a? Se, de acordo com    a teoria da CMJ, cada um tem aquilo que merece e se os professores consideram    que s&atilde;o tratados de forma injusta, poder&atilde;o retribuir na &ldquo;mesma    moeda&rdquo;, ou seja, com voz agressiva e com atitudes negligentes que possam    comprometer o desempenho da escola, de modo a repor a percep&ccedil;&atilde;o    de justi&ccedil;a. Tal facto, sugere-nos a exist&ecirc;ncia de sentimentos de    raiva e de ressentimento que conduzem a comportamentos de vingan&ccedil;a, os    quais, tal como aponta a literatura s&atilde;o frequentemente um resultado das    percep&ccedil;&otilde;es e avalia&ccedil;&otilde;es de injusti&ccedil;a (Dalbert,    2002; Sharlicki &amp; Folger, 1997; Van Yperen et al., 2000). </P >     <p>&Eacute; de salientar tamb&eacute;m que as m&eacute;dias das respostas dos    participantes na neglig&ecirc;ncia foram das mais baixas comparativamente com    as restantes reac&ccedil;&otilde;es. Talvez o seu car&aacute;cter expl&iacute;cito    e negativo tenha conduzido ao fen&oacute;meno de desejabilidade social e tal    tenha influenciado a sinceridade das respostas. De facto, os itens que avaliavam    a neglig&ecirc;ncia (e.g., esfor&ccedil;ar-se menos no seu trabalho, dizer que    est&aacute; doente porque n&atilde;o lhe apetece trabalhar) podem soar a um    certo grau de irresponsabilidade e pregui&ccedil;a. Assim, os participantes    podem ter entendido esta medida como algo que p&otilde;e em causa o seu profissionalismo    e at&eacute; o seu car&aacute;cter. </P >     <p>Ao n&iacute;vel dos efeitos principais, os resultados foram ao encontro das    hip&oacute;teses, mas apenas para algumas vari&aacute;veis. Na vari&aacute;vel    voz com considera&ccedil;&atilde;o os participantes com alta CMJ revelaram-se    mais dispostos do que os de CMJ baixa a tentar resolver os problemas e darem    solu&ccedil;&otilde;es aos &Oacute;rg&atilde;os de Gest&atilde;o tendo sempre    em conta os interesses dos outros. Portanto, as pessoas com CMJ alta preocupam-se    mais com a componente de justi&ccedil;a procedimental apontada por Leventhal    (1980) respeitante &agrave; necessidade dos procedimentos serem representativos    dos interesses de todos os envolvidos. Al&eacute;m disso, este resultado pode    tamb&eacute;m estar associado a uma das fun&ccedil;&otilde;es da cren&ccedil;a    no mundo justo que passa precisamente por &ldquo;obrigar&rdquo; os indiv&iacute;duos    a comportarem-se de uma forma justa (Dalbert, 2001). </P >     <p>Por fim, a justi&ccedil;a distributiva teve impacto apenas na sa&iacute;da,    sendo que aqueles que consideraram ser injustamente recompensados revelaram    uma maior inten&ccedil;&atilde;o de sair da organiza&ccedil;&atilde;o comparativamente    com aqueles que avaliaram as suas recompensas como justas. Tal como as pesquisas    anteriores sugerem (e.g., Van Yperen et al., 2000), quanto mais os trabalhadores    se sentem privados maior a probabilidade de abandonarem a organiza&ccedil;&atilde;o.    Talvez, outras vari&aacute;veis como a avalia&ccedil;&atilde;o das oportunidades    de trabalho, a percep&ccedil;&atilde;o da facilidade em arranjar outro trabalho    tamb&eacute;m possam ter influenciado as respostas dos participantes (Parker,    1993) e futuros estudos dever&atilde;o inclu&iacute;-las. </P >     <p>Tamb&eacute;m, o facto de os professores terem estado envolvidos em muitas    ac&ccedil;&otilde;es de protesto como greves, abaixo-assinados e manifesta&ccedil;&otilde;es,    no ano lectivo em que este estudo foi realizado &eacute; revelador de uma luta    constante pela justi&ccedil;a dos procedimentos. Tal como referem Hagedoorn    e colaboradores (1998) as pessoas acreditam que quando lhes &eacute; dada a    oportunidade de se exprimirem, haver&aacute; uma maior possibilidade de corrigirem    aquilo que consideram estar mal (vertente instrumental da &ldquo;voz&rdquo;).    Os autores constataram tamb&eacute;m que os indiv&iacute;duos com alta CMJ tendem    a reagir de forma mais positiva &agrave;s situa&ccedil;&otilde;es, revelando    maior disposi&ccedil;&atilde;o para falar com o seu supervisor e tentarem resolver    os problemas da organiza&ccedil;&atilde;o tendo em conta a perspectiva dos restantes    membros da organiza&ccedil;&atilde;o. </P >     <p>Relativamente &agrave;s limita&ccedil;&otilde;es do estudo, o tamanho da amostra    &eacute; um aspecto a ser apontado. Possivelmente, se a nossa amostra comportasse    um maior n&uacute;mero de participantes, teria havido mais resultados significativos    derivado de um maior poder de teste. No futuro, dever-se-ia tentar realizar    o estudo a n&iacute;vel nacional, junto de uma amostra geograficamente mais    heterog&eacute;nea. </P >     <p>Tamb&eacute;m o facto de a justi&ccedil;a ter sido manipulada pode ter tido    implica&ccedil;&otilde;es nos resultados, uma vez que a situa&ccedil;&atilde;o    apresentada aos professores era hipot&eacute;tica. Desta forma se, o cen&aacute;rio    apresentado n&atilde;o correspondesse ao que era vivido na realidade pelo/a    professor/a em quest&atilde;o, talvez este/a n&atilde;o se tenha conseguido    abstrair da sua situa&ccedil;&atilde;o real. Tamb&eacute;m seria interessante    tentar perceber se a experi&ecirc;ncia de ensino dos professores pode influenciar    a rela&ccedil;&atilde;o entre a injusti&ccedil;a e as reac&ccedil;&otilde;es    dos professores face a esta, pois, talvez o facto de se estar no final da carreira,    numa situa&ccedil;&atilde;o mais est&aacute;vel possa levar os professores a    manifestarem reac&ccedil;&otilde;es mais arriscadas comparativamente com aqueles    que se encontram em in&iacute;cio de carreira. Al&eacute;m disto, a identifica&ccedil;&atilde;o    com a categoria profissional &ldquo;professores&rdquo; e com a situa&ccedil;&atilde;o    apresentada podem constituir vari&aacute;veis com impacto nas reac&ccedil;&otilde;es    dos professores &agrave; injusti&ccedil;a e por isso, merecem aten&ccedil;&atilde;o    futura. </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Apesar destas limita&ccedil;&otilde;es, consideramos que o nosso estudo &eacute;    relevante porque testou pela primeira vez a influ&ecirc;ncia da CMJ e das (in)    justi&ccedil;as procedimental e distributiva em toda a tipologia de reac&ccedil;&otilde;es    descrita em contexto organizacional, as quais t&ecirc;m um papel central na    efic&aacute;cia organizacional (Folger &amp; Cropanzano, 1998). Esta constata&ccedil;&atilde;o    &eacute; uma chamada de aten&ccedil;&atilde;o aos profissionais das organiza&ccedil;&otilde;es    para a necessidade de estarem atentos &agrave;s quest&otilde;es de justi&ccedil;a,    fomentando-a no seio das empresas, quer dando possibilidade aos trabalhadores    de participarem em parte nas decis&otilde;es, quer tratando-os com respeito,    quer ainda oferecendo-lhe recompensas que sejam proporcionais &agrave;s suas    contribui&ccedil;&otilde;es. Este estudo tem relevo pois, ao conhecermos uma    vari&aacute;vel, a CMJ, que faz diferen&ccedil;a na rela&ccedil;&atilde;o descrita    podemos prever essas mesmas reac&ccedil;&otilde;es. </P >     <p>&nbsp;</P >     <P   align="center" ><b>REFER&Ecirc;NCIAS </b></P >     <p>Adams, J. S. (1965). Toward an understanding of inequity. <I>Journal of Abnormal    and Social Psychology, 67</I>, 422-436. </P >     <p>Ambrose, M. L., Seabright, M. A., &amp; Schminke, M. (2002). Sabotage in the    workplace: The role of organizational injustice. <I>Organizational Behavior    and Human Decision Processes, 89</I>, 947-965. </P >     <p>Baron, R. A., Neuman, J. H., &amp; Geddes, D. (1999). Social and personal determinants    of workplace aggression: Evidence for the impact of perceived injustice and    the type A behavior pattern. <I>Aggressive Behavior, 25, </I>281-296. </P >     <p>Bies, R. J., &amp; Shapiro, D. (1988). Voice and justification. Their influence    on procedural fairness judgments. <I>Academy of Management Journal, 31, </I>676-685.  </P >     <p>Brockner, J., &amp; Wiesenfeld, B. M. (1996). An integrative framework for    explaining reactions to decisions: Interactive effects of outcomes and procedures.    <I>Psychological Bulletin, 20, </I>189-208. </P >     <p>Dalbert, C. (1999). The world is more just for me than for generally: About    the personal belief in a just world scale&rsquo;s validity. <I>Social Justice    Research, 12, </I>79-98. </P >     <p>Dalbert, C. (2001). <I>The justice motive as a personal resource: Dealing with    challenges and critical life events. </I>New York: Plenum Press. </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Dalbert, C. (2002). Beliefs in a just world as a buffer against anger. <I>Social    Justice Research, 15, </I>123-145. </P >     <p>Farrell, D. (1983). Exit, voice, loyalty and neglect to job dissatisfaction:    A multidimensional scaling study. <I>Academy of Management Journal, 26, </I>596-607.  </P >     <p>Folger, R., &amp; Cropanzano, R. (1998). <I>Organizational justice and human    management. </I>Thousand Oaks: Sage Publications. </P >     <p>Folger, R., &amp; Knovsky, M. A. (1989). Effects of procedural and distributive    justice on reactions to pay raise decisions. <I>Academy of Management Journal,    32, </I>115-130. </P >     <p>Gilliland, S. W., &amp; Beckstein, B. A. (1996). Procedural and distributive    justice in the editorial review process. <I>Personnel Psychology, 49, </I>669-691.  </P >     <p>Greenberg, J. (1987a). A taxonomy of organizational justice theories. <I>The    Academy of Management Review, 12, </I>9-22. </P >     <p>Greenberg, J. (1987b). Reactions to procedural injustice in payment distributions:    Do the means justify the ends? <I>Journal of Applied Psychology, 72, </I>55-61.  </P >     <p>Greenberg, J. (1990a). Organizational justice. Yesterday<I>, </I>today and    tomorrow<I>. Journal of Management, 16</I>, 399-432. </P >     <p>Greenberg, J. (1990b). Employee theft as a reaction to underpayment inequity:    The hidden cost of pay cuts. <I>Journal of Applied Psychology, 75, </I>561-    568. </P >     <p>Grienberger, I. V, Rutte, C. G., &amp; Van Knippenberg, A. F. M. (1997). Influence    of social comparisons of outcomes and procedures on fairness judgements. <I>Journal    of Applied Psychology, 82, </I>913-919. </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Hafer, C., &amp; Correy, B. L. (1999). Mediators of the relation between beliefs    in a just world and emotional responses to negative outcomes. <I>Social Justice    Research, 12, </I>189-204. </P >     <p>Hafer, C., &amp; Olson, J. M. (1989). Beliefs in a just world and reactions    to personal deprivation. <I>Journal of Personality, 57, </I>799-823. </P >     <p>Hagedoorn, M., Buunk, B., &amp; Van de Vliert, E. (1998). Opening the black    box between justice and reactions to unfavorable outcomes in the workplace.    <I>Social Justice Research, 11, </I>41-57. </P >     <p>Hagedoorn, M., Buunk, B. O., &amp; Van de Vliert, E. (2002). Do just believers    process unfair authoritative decisions differently. <I>Applied Psychology: An    International Review, 51, </I>126-145<I>. </I></P >     <p>Hagedoorn, M., Van Yperen, N. W., Van de Vliert, E., &amp; Buunk, M. (1999).    Employee&rsquo;s reactions to problematic events: a circumplex structure of    five categories of responses, and the role of job satisfaction. <I>Journal of    Organizational Behavior, 20, </I>309-321. </P >     <p>Leck, J. D., &amp; Saunders, D. M. (1992). Hirschman&rsquo;s loyalty: Attitude    or behavior? <I>Employee Responsibilities and Rights Journal, 5, </I>219-230.  </P >     <p>Lerner, M. J. (1980). <I>The belief in a just world: A fundamental delusion.    </I>New York: Plenum Press. </P >     <p>Leventhal, G. (1980). What should be done with equity theory? New approaches    to the study of fairness in social relationships. In K. Gergen, M. Greenberg,    &amp; R. Willis (Eds.), <I>Social Exchange: Advances in Theory and Research    </I>(pp. 27-55). New York: Plenum Press. </P >     <p>Moorman, R. H. (1991). Relationships between organizational justice and organizational    citizenship behaviors: Do fairness perceptions influence employee citizenship?    <I>Journal of Applied Psychology, 76, </I>845-855. </P >     <p>Parker, L. E. (1993). When to fix or when to leave: Relationships among perceived    control, self-efficacy, dissent and exit. <I>Journal of Applied Psychology,    78, </I>949-959. </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Platow, M. J., Filardo, F., Troselj, L., Grace, D. M., &amp; Ryan, M. K. (2006).    Non-instrumental voice and extra-role behaviors. <I>European Journal of Social    Psychology, 36, </I>135-146. </P >     <!-- ref --><p>Rego, A. (2000). Justi&ccedil;a organizacional: Desenvolvimento e valida&ccedil;&atilde;o    de um instrumento de medida. <I>Psicologia, 14, </I>285-387. </P >     &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000114&pid=S0870-8231201000010000500001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Rusbult, C. E., Farrell, D., Rogers, G., &amp; Mainous, A. G. (1988). Impact    of exchanges variables on exit, voice, loyalt and neglect: An integrative model    of responses to declining job satisfaction. <I>Academy of Management Journal,    31</I>, 599-627. </P >     <p>Saunders, D. M., Sheppard, B. H., Knight, V., &amp; Roth, J. (1992). Employee    voice to supervisors. <I>Employee Responsabilities and Rights Journal, 5, </I>241-259.  </P >     <p>Sharlicki, D. P., &amp; Folger, R. (1997). Retaliation in the workplace: The    roles of distributive, procedural and interactional justice. <I>Journal of Applied    Psychology, 82</I>, 434 - 443. </P >     <p>Sutton, R. M., &amp; Douglas, K. M. (2005). Justice for all or justice for    me? More evidence of the importance of self-others distinction in just-world    beliefs. <I>Personality and Individual Differences, 39, </I>637-645. </P >     <p>Thibaut, J., &amp; Walker, L. (1975). <I>Procedural justice: A Psychological    Analysis</I>. Hillsdale, NJ: Erlbaum. </P >     <p>Van den Bos, K., Vermunt, R., &amp; Wilke, H. A. (1997). Procedural and distributive    justice: What is fair depends more on what comes first than on what comes next.    <I>Journal of Personality and Social Psychology, 72, </I>95-104. </P >     <p>Van Yperen, N. W. (1998). Informational support, equity and burnout: The moderating    effect of self-efficacy. <I>Journal of Occupational and Organizational Psychology</I>,    <I>71, </I>29-33. </P >     <p>Van Yperen, N. W., Hagedoorn, M., &amp; Geurts, S. A. (1996). Intent to leave    and absenteeism as reactions to perceived inequity: The role of psychological    and social constraints. <I>Journal of Occupational and Organizational Psychology,    69</I>, 367-372. </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Van Yperen, N. W., Hagedoorn, M., Zweers, M., &amp; Postma, S. (2000). Injustice    and employee&rsquo;s destrutive responses: The mediating role of state negative    affect. <I>Social Justice Issue, 13, </I>291-311. </P >     <P   align="center" >&nbsp;</P >     <p>(<a href="#top1">*</a>)<a name="1"></a> Este artigo teve por base a Disserta&ccedil;&atilde;o    de Mestrado em Psicologia Social e das Organiza&ccedil;&otilde;es elaborada    por Ana Rita Gago sob a orienta&ccedil;&atilde;o de Isabel Correia. </P >     <p>(<a href="#top2">**</a>)<a name="2"></a> CIS &ndash; Centro de Investiga&ccedil;&atilde;o    e Interven&ccedil;&atilde;o Social / ISCTE &ndash; Instituto Universit&aacute;rio    de Lisboa, Av das For&ccedil;as Armadas, 1649-026 Lisboa, Portugal; tel.: +351-217903001;    fax: +351-217903002; e-mail: <a href="mailto:Isabel.Correia@iscte.pt">Isabel.Correia@iscte.pt</a>.  </P >      ]]></body><back>
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<surname><![CDATA[Rego]]></surname>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Justiça organizacional: Desenvolvimento e validação de um instrumento de medida]]></article-title>
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<page-range>285-387</page-range></nlm-citation>
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