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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Risco psicossocial e psicopatologia em adolescentes com percurso delinquente]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade do Algarve Faculdade de Ciências Humanas e Sociais Departamento de Psicologia]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Several investigations on juvenile delinquency sustain a socio-ecological conceptualization of juvenile delinquency, which suggests that this trend is determined by a reciprocal and dynamic inter-relation of the individuals&#8217; characteristics and their key social systems (Agnew, 2003). In this paper, we present the results of a study aimed at identifying retrospectively, in a group of juvenile delinquents, a set of psychosocial risk factors, patterns of anti-social behavior and previous events of risk or psychosocial adversity during infancy. The research has also focused on understanding the relationship between these factors and self-reported psychopathological symptoms. The study comprised a sample of 63 adolescents in the Portuguese Justice System for minors in judicial custody, and data were collected in the south of the country. To collect the required information we used the General Symptom Index (GSI) of the Brief Symptom Inventory, as well as a questionnaire designed for this study, based on literature review on psychosocial risk factors for antisocial behavior in adolescence, particularly, the typology of psychosocial risk established by Born, Chevalier, and Humblet (1997) and Moffit&#8217;s developmental taxonomy on adolescents&#8217; anti-social behaviour (1993). The results suggest that adolescents whose parents have a clearly conflictual relationship tend to have an index of psychopathological symptoms significantly higher than those whose parents did not present apparent conflicts. However, the report of psychopathology is not significantly higher in people with indicators of negative events in childhood (separation from a parent, absence of a father figure, institutionalization, child abuse, conflict between parents).]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Comportamento anti-social]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Delinquência juvenil]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Factores de risco psicossocial]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>Risco psicossocial e psicopatologia em adolescentes com percurso delinquente    </b></p>     <p><b>Ida Tim&oacute;teo Lemos (<a href="#n1">*</a>) <a name="topn1"></a></b></p>     <p>Universidade do Algarve, Faculdade de Ci&ecirc;ncias Humanas e Sociais, Departamento    de Psicologia</p>     <p>&nbsp;</p>     <P   align="left" ><b>RESUMO </b></P >     <p>Muitos dos estudos realizados no &acirc;mbito da delinqu&ecirc;ncia juvenil    tendem a dar suporte a uma conceptualiza&ccedil;&atilde;o socio-ecol&oacute;gica    da delinqu&ecirc;ncia juvenil, a qual sugere que esta &eacute; multideterminada    pela inter-rela&ccedil;&atilde;o rec&iacute;proca e din&acirc;mica das caracter&iacute;sticas    do indiv&iacute;duo e dos sistemas sociais chave (Agnew, 2003). </P >     <p>Neste artigo, apresentamos os resultados de um estudo conduzido com o objectivo    de identificar retrospectivamente, num grupo de adolescentes delinquentes,    um conjunto de factores de risco psicossocial, tipologia do comportamento delinquente    e hist&oacute;ria de risco ou adversidade psicossocial na inf&acirc;ncia. A    investiga&ccedil;&atilde;o centrou-se ainda na compreens&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o    entre estes factores e indicadores de sintomatologia psicopatol&oacute;gica.  </P >     <p>O estudo integrou um total de 63 adolescentes abrangidos pela Lei Tutelar Educativa    e os dados foram recolhidos na regi&atilde;o sul do pa&iacute;s. </P >     <p>Como instrumentos de recolha de dados, foram utilizados o &Iacute;ndice Geral    de Sintomas (IGS) do <I>Brief Symptom Inventory </I>e um question&aacute;rio    de caracteriza&ccedil;&atilde;o constru&iacute;do com base na revis&atilde;o    da literatura sobre os indicadores de risco psicossocial para comportamento    anti-social na adolesc&ecirc;ncia, destacando-se a tipologia de risco psicossocial    estabelecida por Born, Chevalier e Humblet (1997) e a taxonomia desenvolvimental    do comportamento anti-social de Moffit (1993). </P >     <p>Os resultados obtidos sugerem que os adolescentes cujos pais apresentam uma    rela&ccedil;&atilde;o conflituosa tendem a apresentar um &iacute;ndice de sintomas    psicopatol&oacute;gicos significativamente superior ao dos adolescentes cujos    pais n&atilde;o revelam conflitos aparentes. No entanto, o relato de psicopatologia    n&atilde;o parece ser significativamente superior nos jovens com indicadores    de acontecimentos negativos na inf&acirc;ncia (separa&ccedil;&otilde;es de pais,    aus&ecirc;ncia de figura paterna, institucionaliza&ccedil;&otilde;es, maus-tratos    na inf&acirc;ncia, conflitos entre os pais). </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No presente artigo s&atilde;o discutidos os resultados obtidos, consideradas    algumas limita&ccedil;&otilde;es do estudo e efectuadas propostas de investiga&ccedil;&otilde;es    futuras. </P >     <p><I>Palavras-chave: </I>Comportamento anti-social, Delinqu&ecirc;ncia juvenil,    Factores de risco psicossocial, Lei tutelar educativa, Psicopatologia. </P >     <p>&nbsp;</P >     <P   align="left" ><b>ABSTRACT </b></P >     <p>Several investigations on juvenile delinquency sustain a socio-ecological conceptualization    of juvenile delinquency, which suggests that this trend is determined by a reciprocal    and dynamic inter-relation of the individuals&rsquo; characteristics and their    key social systems (Agnew, 2003). </P >     <p>In this paper, we present the results of a study aimed at identifying retrospectively,    in a group of juvenile delinquents, a set of psychosocial risk factors, patterns    of anti-social behavior and previous events of risk or psychosocial adversity    during infancy. </P >     <p>The research has also focused on understanding the relationship between these    factors and self-reported psychopathological symptoms. </P >     <p>The study comprised a sample of 63 adolescents in the Portuguese Justice System    for minors in judicial custody, and data were collected in the south of the    country. </P >     <p>To collect the required information we used the General Symptom Index (GSI)    of the <I>Brief Symptom Inventory</I>, as well as a questionnaire designed for    this study, based on literature review on psychosocial risk factors for antisocial    behavior in adolescence, particularly, the typology of psychosocial risk established    by Born, Chevalier, and Humblet (1997) and Moffit&rsquo;s developmental taxonomy    on adolescents&rsquo; anti-social behaviour (1993). The results suggest that    adolescents whose parents have a clearly conflictual relationship tend to have    an index of psychopathological symptoms significantly higher than those whose    parents did not present apparent conflicts. However, the report of psychopathology    is not significantly higher in people with indicators of negative events in    childhood (separation from a parent, absence of a father figure, institutionalization,    child abuse, conflict between parents). </P >     <p>Results are discussed, limitations of the study are considered and proposals    for future research are made. </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><I>Key-words: </I>Anti-social behaviour, Juvenile delinquency, Portuguese juvenile    justice system, Psychosocial risk factors; Psychopathology. </P >     <p>&nbsp;</p>     <P   align="center" >INTRODU&Ccedil;&Atilde;O </P >     <p>A crescente sensibiliza&ccedil;&atilde;o da opini&atilde;o p&uacute;blica relativamente    aos problemas sociais e aos direitos das crian&ccedil;as, a par com a necessidade    de controlo social por parte dos Estados, tem conduzido a um aumento na regulamenta&ccedil;&atilde;o    internacional sobre o tratamento das crian&ccedil;as e &agrave; cria&ccedil;&atilde;o    de regulamenta&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica face &agrave; preven&ccedil;&atilde;o    e ao tratamento da delinqu&ecirc;ncia juvenil. &Eacute; disso exemplo a Conven&ccedil;&atilde;o    das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre os Direitos da Crian&ccedil;a que atrav&eacute;s    do documento &ldquo;Regras de Beijing&rdquo; (ONU, 1985), estabelece as Regras    M&iacute;nimas para a Administra&ccedil;&atilde;o de Justi&ccedil;a Juvenil,    de cujos princ&iacute;pios gerais salientamos: a necessidade de &ldquo;(...)    promo&ccedil;&atilde;o do bem-estar do jovem e da sua fam&iacute;lia&rdquo;    (ponto 1.1.) e ainda, a aten&ccedil;&atilde;o correspondente que dever&aacute;    ser dada a &ldquo;(...) medidas positivas que envolvam a mobiliza&ccedil;&atilde;o    total de todos os recursos poss&iacute;veis, incluindo a fam&iacute;lia, volunt&aacute;rios    e outros grupos comunit&aacute;rios, assim como escolas e outras institui&ccedil;&otilde;es    comunit&aacute;rias (ponto 1.3.). Neste contexto, as quest&otilde;es de &acirc;mbito    social devem certamente conduzir ao incremento da investiga&ccedil;&atilde;o    na delinqu&ecirc;ncia juvenil, a qual, por sua vez, contribua para o delineamento    de programas de interven&ccedil;&atilde;o que se adeq&uacute;em &agrave;s caracter&iacute;sticas    e &agrave;s necessidades das popula&ccedil;&otilde;es de risco. </P >     <p>De facto, de acordo com Rutter, Giller, e Hagell (1998) e S&aacute; (2002), uma quest&atilde;o frequentemente ignorada &eacute; a de que as tomadas de decis&atilde;o sobre a responsabilidade social e legal das crian&ccedil;as n&atilde;o s&atilde;o suficientemente fundamentadas, quer no conhecimento cient&iacute;fico sobre o desenvolvimento infantil, quer no conhecimento dos seus contextos sociais e culturais. De notar, por exemplo, a significativa variabilidade entre pa&iacute;ses relativamente, quer &agrave; idade de responsabilidade criminal, quer &agrave;s pol&iacute;ticas e aos mecanismos de interven&ccedil;&atilde;o junto dos jovens que cometem delitos criminais (Negreiros, 2001). </P >     <p>No nosso pa&iacute;s, no ano de 1999, por decis&atilde;o conjunta do Minist&eacute;rio    da Justi&ccedil;a e do Minist&eacute;rio do Trabalho e Solidariedade Social,    foi aprovada a Reforma do Direito de Menores (Proposta de Lei N&ordm; 266/VII    de 17 de Abril de 1999, lei n&ordm; 133/99, de 28 de Agosto), at&eacute; ent&atilde;o    Organiza&ccedil;&atilde;o Tutelar de Menores (OTM). Desta forma, procurou-se    definir um conjunto de tarefas mais objectivas e precisas para os t&eacute;cnicos    na interven&ccedil;&atilde;o junto de menores agentes de actos criminais (Reforma    do Direito de Menores, 1999, p. 300)<Sup><a href="#1">1</a></Sup>. <a name="top1"></a></P >     <p>Importa referir que na literatura os termos delinqu&ecirc;ncia e comportamento anti-social s&atilde;o frequentemente utilizados como sin&oacute;nimos, o primeiro sendo aplicado na investiga&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica e criminol&oacute;gica como se de um diagn&oacute;stico cl&iacute;nico se tratasse. De facto, o termo delinqu&ecirc;ncia &eacute; uma designa&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica, referindo-se &agrave; transgress&atilde;o das leis, enquanto o termo comportamento anti-social &eacute; mais abrangente, referindo-se a actos transgressivos ou a viola&ccedil;&otilde;es de normas ou de expectativas sociais que s&atilde;o considerados inapropriados porque danificam outros e a sociedade (Matos, 2002; Rutter, Giller, &amp; Hagell, 1998; S&aacute;, 2002; Vermeiren, 2003). </P >    <p>Rutter e colaboradores (1998) definem o conceito de comportamento anti-social como uma caracter&iacute;stica dimensional que as pessoas podem manifestar num grau maior ou menor e que diz respeito a um vasto espectro de comportamentos que violam as normas sociais e/ou as leis. Nesta ordem de ideias, utilizamos o termo delinqu&ecirc;ncia especificamente para melhor definirmos comportamentos anti-sociais cometidos pelos indiv&iacute;duos que impliquem a infrac&ccedil;&atilde;o da Lei em vigor, podendo resultar em acusa&ccedil;&atilde;o e/ou condena&ccedil;&atilde;o pelo Sistema de Justi&ccedil;a. </P >     <p>Nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas do s&eacute;culo XX, o aumento de estudos    sobre os factores associados &agrave; delinqu&ecirc;ncia juvenil gerou um incremento    na quantidade e qualidade de informa&ccedil;&atilde;o, relativamente ao tipo    e &agrave; incid&ecirc;ncia de infrac&ccedil;&otilde;es cometidas por adolescentes.    Tais investiga&ccedil;&otilde;es tiveram na base estat&iacute;sticas oficiais    sobre delinqu&ecirc;ncia juvenil (e.g., Bender &amp; Losel, 1997; Jonson-Reid    &amp; Barth, 2000; Loeber et al., 2001; Mulvey, Arthur, &amp; Reppucci, 1993)    e estudos epidemiol&oacute;gicos, quer transversais, quer longitudinais (e.g.,    Crosnoe, Erickson, &amp; Dornbusch, 2002; Espiritu, Huizinga, Crawford, &amp;    Loeber, 2001; Fergusson, Wanner, Vitaro, Horwood, &amp; Swain-Campbel, 2004;    Jessor, Vandenbos, Vanderryn, Costa, &amp; Turbin, 1995; Peiser &amp; Heaven,    1996) contribuindo para um aumento substancial no conhecimento das causas e    dos factores que influenciam a perpetua&ccedil;&atilde;o da delinqu&ecirc;ncia    na vida adulta. </P >     <p>Mais recentemente, observou-se tamb&eacute;m um interesse crescente pelo estudo    das diferen&ccedil;as individuais e dos factores contextuais, enquanto determinantes    do desenvolvimento de comportamento anti-social ao longo do tempo (Caspi, 2000;    Loeber &amp; Farrington, 2001; Rutter et al., 1998; White, Bates, &amp; Buyske,    2001). Os resultados destes estudos, ao destacarem a versatilidade e o polimorfismo    do comportamento delinquente, contribu&iacute;ram para que as teorias sobre    o desenvolvimento de um percurso de vida delinquente baseadas numa &uacute;nica    dimens&atilde;o de factores causais tenham vindo a perder consist&ecirc;ncia<Sup><a href="#2">2</a></Sup>.<a name="top2"></a>    Nesta linha de pensamento, de acordo com Mulvey, Arthur, e Reppucci (1993) e    Negreiros (2001), uma tal versatilidade da traject&oacute;ria delinquencial    tem tornado dif&iacute;cil a identifica&ccedil;&atilde;o clara dos mecanismos    subjacentes ao seu desenvolvimento. </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Se os resultados dos estudos criminol&oacute;gicos t&ecirc;m, de uma forma bastante consistente, identificado vari&aacute;veis individuais que caracterizam no global o comportamento delinquente, como sejam, a preponder&acirc;ncia de jovens do sexo masculino, comparativamente com o sexo feminino, a tend&ecirc;ncia para in&iacute;cio da actividade delituosa se situar por volta dos 14 anos e ainda, a propens&atilde;o para o pico da actividade delinquente se situar por volta dos 17-18 anos (Caspi, 2000; Loeber, &amp; Farrington, &amp; Waschbusch, 1998; Moffit, 1993; Patterson &amp; Yoerger, 2002), estas vari&aacute;veis parecem ser, no entanto, insuficientes para explicar o comportamento anti-social na inf&acirc;ncia e adolesc&ecirc;ncia. </P >     <p>Outros factores de risco individuais e psicossociais para o desenvolvimento    de comportamento anti-social na adolesc&ecirc;ncia t&ecirc;m sido identificados,    nomeadamente, o uso de drogas, uma hist&oacute;ria familiar de comportamentos    de alto-risco, a fal&ecirc;ncia da supervis&atilde;o parental, expectativas    parentais negativas em rela&ccedil;&atilde;o ao adolescente, castigos inconsistentes    ou excessivamente severos, conflitos familiares, viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica,    a falta de investimento escolar, o insucesso escolar, a imaturidade emocional    (baixo auto-controlo, agressividade e impulsividade), os pares anti-sociais    e os comportamentos disruptivos com in&iacute;cio na inf&acirc;ncia (e.g., Bender    &amp; Losel, 1997; Born, Chevalier, &amp; Humblet, 1997; Lane, Beebe-Frankenberger,    Lambros, &amp; Pierson, 2001). </P >     <p>Por sua vez, Wasserman e Seracini (2001) referem como factores associados ao desenvolvimento de comportamento anti-social a criminalidade paterna, o tamanho da fam&iacute;lia, os problemas mentais maternos, a crian&ccedil;a ter sido sujeita a coloca&ccedil;&atilde;o numa fam&iacute;lia de acolhimento tempor&aacute;rio, compet&ecirc;ncias parentais pobres e a viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica, destacando-se como factor de risco elevado a fal&ecirc;ncia parental (isto &eacute;, supervis&atilde;o ou controlo parental inconsistente ou inexistente). </P >    <p>Assim, muitos dos estudos realizados tendem a suportar uma conceptualiza&ccedil;&atilde;o socio-ecol&oacute;gica da delinqu&ecirc;ncia juvenil, a qual sugere que esta &eacute; multideterminada pela inter-rela&ccedil;&atilde;o rec&iacute;proca e din&acirc;mica das caracter&iacute;sticas do indiv&iacute;duo e dos sistemas sociais chave (a fam&iacute;lia, o grupo de pares, o contexto escolar e o contexto comunit&aacute;rio mais vasto) (Agnew, 2003; Bender &amp; Losel, 1997; MacCrystal, Higgins, &amp; Percy, 2006; Tarolla, Wagner, Rabinowtz, &amp; Tubman, 2002). De entre estes, diversos investigadores t&ecirc;m utilizado abordagens longitudinais com a finalidade de identificar perfis de delinquentes juvenis atrav&eacute;s do recurso a v&aacute;rios crit&eacute;rios como, o n&uacute;mero ou a natureza das ofensas, as caracter&iacute;sticas de personalidade (por exemplo, a personalidade anti-social ou psicop&aacute;tica), um baixo auto-controle e ainda, as suas experi&ecirc;ncias sociais (tais como, a desestrutura&ccedil;&atilde;o ou instabilidade familiar, o n&iacute;vel socioecon&oacute;mico, os pares delinquentes e ainda o insucesso escolar) (Bender &amp; Losel, 1997; LeBlanc, 1998; Lipsey &amp; Derzon, 1998; Loeber et al., 2001; Mullis, Cornille, Mullis, &amp; Hubber, 2004; Poppel &amp; Born, 1994; White, Bates, &amp; Buyske, 2001). S&atilde;o objectivos primordiais destes estudos, n&atilde;o s&oacute; a identifica&ccedil;&atilde;o de factores de risco associados ao envolvimento e actividade anti-social durante a adolesc&ecirc;ncia, mas tamb&eacute;m, a identifica&ccedil;&atilde;o de vari&aacute;veis que possam contribuir para o estabelecimento de predi&ccedil;&otilde;es sobre a persist&ecirc;ncia <I>versus </I>desist&ecirc;ncia face a um percurso delinquente. </P >    <p>De acordo com Lipsey e Derzon (1998), as vari&aacute;veis de risco que identificam adolescentes entre os 12 e os 14 anos, como apresentando uma probabilidade acrescida de se tornarem futuramente delinquentes graves e violentos s&atilde;o, primeiramente, a falta de la&ccedil;os sociais e a presen&ccedil;a de pares anti-sociais, em segundo lugar, o envolvimento em actividade criminal e em terceiro lugar, a manifesta&ccedil;&atilde;o de comportamento agressivo, pobre desempenho escolar, apresentar um diagn&oacute;stico psicopatol&oacute;gico, rela&ccedil;&otilde;es pais-filhos pobres e ainda, ser v&iacute;tima continuada de viol&ecirc;ncia f&iacute;sica. Tamb&eacute;m Barnowski (2004) referiu que o abuso e a neglig&ecirc;ncia s&atilde;o preditores significativos de actividade delinquente persistente. De referir que os estudos efectuados sobre a rela&ccedil;&atilde;o entre os factores familiares e a criminalidade refor&ccedil;am a ideia de que a criminalidade parental prediz significativamente a delinqu&ecirc;ncia na gera&ccedil;&atilde;o seguinte (Farrington &amp; West, 1989; Farrington, Morley, Leger, &amp; West, 1988; Smith &amp; Farrington, 2004). Segundo estes autores, quase todos estes comportamentos anti-sociais em adolescentes s&atilde;o pass&iacute;veis de modifica&ccedil;&atilde;o ou remetem para problem&aacute;ticas emocionais que podem ser sujeitas a programas de interven&ccedil;&atilde;o espec&iacute;ficos se forem identificados no in&iacute;cio da adolesc&ecirc;ncia. </P >    <p>Se concebemos o desenvolvimento e a manifesta&ccedil;&atilde;o de comportamento anti-social na adolesc&ecirc;ncia como consequ&ecirc;ncia da presen&ccedil;a elevada de factores de risco ou adversidade psicossocial continuada e tamb&eacute;m de baixa frequ&ecirc;ncia de factores protectores, a preven&ccedil;&atilde;o do comportamento anti-social e especificamente, da delinqu&ecirc;ncia juvenil, dever&aacute; merecer igualmente o estudo dos recursos individuais e contextuais destes jovens. Por factores ou recursos protectores entendemos, de acordo com Olsson, Bonda, Burnsb, Vella-Brodrickc, e Sawyerd (2003), as caracter&iacute;sticas ou qualidades resilientes do indiv&iacute;duo (temperamento positivo, compet&ecirc;ncias comunicacionais, atitudes pro-sociais, etc.), ou do seu ambiente (o afecto, a supervis&atilde;o e o encorajamento parentais, a coes&atilde;o familiar, etc.) agem de forma a atenuar uma resposta desadaptativa do indiv&iacute;duo na presen&ccedil;a de adversidade (isto &eacute;, que agem de forma a torn&aacute;-lo mais resiliente). </P >    <p>A interven&ccedil;&atilde;o, quer prim&aacute;ria quer secund&aacute;ria, na delinqu&ecirc;ncia juvenil baseia-se na premissa de que para que se possa remover os factores de risco para o comportamento anti-social ou incrementar a resist&ecirc;ncia a estes atrav&eacute;s de factores protectores, &eacute; necess&aacute;ria a adequada identifica&ccedil;&atilde;o dos indiv&iacute;duos e dos contextos de risco. A preven&ccedil;&atilde;o de comportamento anti-social em crian&ccedil;as e jovens e especificamente, de envolvimento num percurso delinquencial, est&aacute; assim dependente do processo de identifica&ccedil;&atilde;o de factores de risco e da op&ccedil;&atilde;o de quando e como intervir (Mulvey et al., 1993). Como referiu Yaqub (2002), as decis&otilde;es sobre quando e como intervir s&atilde;o priorit&aacute;rias, uma vez que o per&iacute;odo de desenvolvimento em que a crian&ccedil;a se encontra e o tipo de suporte psicossocial de que a fam&iacute;lia necessita, determinam a forma como possam beneficiar atempadamente dos recursos a incrementar. </P >    <p>Nesta linha de pensamento, o presente estudo tem como primeiro objectivo a caracteriza&ccedil;&atilde;o de uma amostra de adolescentes em contacto oficial com o sistema de Justi&ccedil;a por cometimento de actos considerados crime &agrave; luz da Lei no que diz respeito a indicadores de risco psicossocial actual, a tipologia do comportamento delinquente e a hist&oacute;ria de risco psicossocial ou adversidade na inf&acirc;ncia. </P >     <p>Para a defini&ccedil;&atilde;o dos crit&eacute;rios de risco psicossocial,    base&aacute;mo-nos no trabalho de Born, Chevalier, e Humblet (1997), tendo sido    considerados os seguintes: (1) o indiv&iacute;duo viveu no contexto de uma    fam&iacute;lia inst&aacute;vel (div&oacute;rcio, separa&ccedil;&atilde;o dos    pais, morte de um ou ambos os pais); (2) o adolescente &eacute; oriundo de um    meio socio-econ&oacute;mico baixo; (3) hist&oacute;ria de maus-tratos (neglig&ecirc;ncia    e/ou abusos parentais); (4) o jovem viveu num ambiente que favoreceu a delinqu&ecirc;ncia    e o comportamento desviante (isto &eacute;, meio urbano ou condi&ccedil;&otilde;es    habitacionais nas quais a intimidade n&atilde;o &eacute; frequente, ou ainda,    contexto em que existe propens&atilde;o para comportamento violento ou delinquente);    (5) hist&oacute;ria criminal de pais ou irm&atilde;os e/ou comportamento desviante    dos pais &ndash; alcoolismo, toxicodepend&ecirc;ncia ou prostitui&ccedil;&atilde;o.  </P >     <p>No que se refere &agrave; tipologia do percurso delinquente, e de acordo com    a perspectiva de Moffit (1993), foi considerada relevante informa&ccedil;&atilde;o    relativamente a: (a) idade de in&iacute;cio (precocidade) do comportamento delinquente;    (b) persist&ecirc;ncia e circunst&acirc;ncias dos actos delinquentes e (c) tipo    e diversidade dos delitos. </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Para procurarmos responder ao primeiro objectivo, foram formulados os seguintes    objectivos espec&iacute;ficos: (a) caracterizar os adolescentes no que se diz    respeito a indicadores sobre o contexto familiar actual (envolvimento das figuras    parentais e disciplina parental na educa&ccedil;&atilde;o do adolescente, hist&oacute;ria    de psicopatologia e/ou comportamento desviante familiar); (b) perceber se existe    envolvimento social e escolar/profissional do adolescente; (c) estabelecer a    tipologia do comportamento delinquente &ndash; precocidade, tipo, persist&ecirc;ncia    e circunst&acirc;ncias do delito (individual, em grupo de pares, em associa&ccedil;&atilde;o    com adultos) e (d) identificar e comparar os sujeitos relativamente a uma eventual    hist&oacute;ria de maus-tratos familiares na inf&acirc;ncia, em fun&ccedil;&atilde;o    da presen&ccedil;a de sintomatologia. </P >     <p>Num segundo momento foi nossa inten&ccedil;&atilde;o avaliar a exist&ecirc;ncia (ou n&atilde;o) de diferen&ccedil;as entre os grupos em fun&ccedil;&atilde;o do relato de sintomas psicopatol&oacute;gicos (medido atrav&eacute;s do IGS), a tipologia de comportamento delinquente nos jovens e ainda factores de risco psicossocial. </P >    <P   align="center" >M&Eacute;TODO </P >    <p><I>Participantes </I></P >     <p>A amostra deste estudo integra um total de 63 adolescentes abrangidos pela    Lei Tutelar Educativa (LTE)<Sup><a href="#3">3</a><a name="top3"></a></Sup>,    em processo de avalia&ccedil;&atilde;o ou seguimento em Equipa Tutelar Educativa    (isto &eacute;, cumprimento de medidas diversas de acompanhamento educativo),    ou em cumprimento de medida de internamento. </P >     <p>No que diz respeito &agrave; caracteriza&ccedil;&atilde;o da amostra final, consider&aacute;mos as vari&aacute;veis sexo, idade, n&iacute;vel de escolaridade, n&iacute;vel socioecon&oacute;mico (NSE), zona e distrito de resid&ecirc;ncia, nacionalidade e etnia. </P >    <p>No total, a amostra seleccionada &eacute; constitu&iacute;da por 50 adolescentes do sexo masculino (79.4%) e 13 adolescentes do sexo feminino (20.6%). No que diz respeito &agrave; vari&aacute;vel idade, os participantes apresentavam uma m&eacute;dia et&aacute;ria de 15.70 (<I>DP</I>=1.08), situando-se entre os 13 e os 18 anos. A generalidade dos inquiridos frequentava o ensino b&aacute;sico (98.4%) e apenas um sujeito se encontrava no ensino secund&aacute;rio (1.6%). Relativamente ao n&iacute;vel socioecon&oacute;mico (NSE), opt&aacute;mos pelo agrupamento cl&aacute;ssico em tr&ecirc;s n&iacute;veis (baixo, m&eacute;dio e elevado). No total, 54 adolescentes (85.7%) pertenciam a fam&iacute;lias com um NSE baixo, seis (9.5%) a fam&iacute;lias com NSE m&eacute;dio e apenas dois (3.2%) a fam&iacute;lias de NSE elevado. Quanto &agrave; zona de resid&ecirc;ncia, categorizada em urbana e rural, os adolescentes inquiridos pertenciam maioritariamente a zonas urbanas (87.3%), sendo que oito viviam em zonas rurais (12.7%). A maioria dos adolescentes da amostra possu&iacute;a nacionalidade portuguesa (85.7%) e 14.2% eram estrangeiros (europeus, Cabo-verdianos e Angolanos). </P >    <p>Dos 63 sujeitos que integraram a nossa amostra, 20 residiam no distrito de Faro, 18 no distrito de Lisboa, distribuindo-se os restantes respectivamente pelo distrito de Set&uacute;bal, Portalegre, Beja e &Eacute;vora. A maioria dos jovens era de etnia caucasiana (71.4%), e os restantes de etnia africana (19%) e cigana (9.4%). </P >    <p><I>Instrumentos </I></P >    <p><I>Question&aacute;rio de caracteriza&ccedil;&atilde;o </I></P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Este instrumento foi constru&iacute;do com base na revis&atilde;o da literatura sobre os indicadores de risco psicossocial para comportamento anti-social na adolesc&ecirc;ncia, destacando-se a tipologia de risco psicossocial estabelecida por Born, Chevalier, e Humblet (1997) e a tipologia do percurso delinquente de Moffit (1993), j&aacute; referenciados neste artigo. </P >    <p>O question&aacute;rio &eacute; constitu&iacute;do por 11 grupos de quest&otilde;es de resposta fechada e um de resposta aberta, agrupadas em fun&ccedil;&atilde;o das seguintes dimens&otilde;es: </P >    <p><I>Contexto Familiar: </I>tamanho da fam&iacute;lia, tipo de estrutura familiar, n&iacute;vel socioecon&oacute;mico dos pais, n&iacute;vel educacional e situa&ccedil;&atilde;o profissional dos pais; separa&ccedil;&otilde;es significativas das figuras parentais na inf&acirc;ncia; conflitos entre os pais; rela&ccedil;&otilde;es familiares; aus&ecirc;ncia de figura paterna; hist&oacute;ria de comportamento desviante na fam&iacute;lia; e maus-tratos ao adolescente. </P >    <p><I>Contexto escolar: </I>n&iacute;vel de escolaridade, progresso escolar, motiva&ccedil;&atilde;o face &agrave; escola, rendimento escolar, interesses vocacionais ou inser&ccedil;&atilde;o profissional. </P >    <p><I>Problemas de comportamento: </I>vadiagem, fugas &agrave; escola, fugas de casa, consumo de subst&acirc;ncias, hist&oacute;ria de problemas de comportamento na inf&acirc;ncia. </P >    <p><I>Comportamento delinquente do adolescente: </I>n&uacute;mero e tipo de actos delinquentes (diversidade de delitos), persist&ecirc;ncia, gravidade, precocidade e circunst&acirc;ncias do delito (cometido individualmente, em grupo de pares ou com adultos). </P >    <p><I>Invent&aacute;rio de Sintomas Psicopatol&oacute;gicos &ndash; BSI </I></P >    <p>O Invent&aacute;rio de Sintomas Psicopatol&oacute;gicos (<I>Brief Symptom Inventory</I>, adiante designado BSI) &eacute; uma vers&atilde;o abreviada do SCL-90 de Derogatis (1977), constru&iacute;do pelo autor em 1982. O BSI foi originalmente validado para aplica&ccedil;&atilde;o a sujeitos adultos, embora possa ser utilizado com sujeitos adolescentes, desde que respeitado o requisito da presen&ccedil;a de um t&eacute;cnico durante a sua administra&ccedil;&atilde;o (Canavarro, 1999; Lemos, 2007). </P >     <p>O BSI<Sup><a href="#4">4</a><a name="top4"></a> </Sup>pretende avaliar sintomas    psicopatol&oacute;gicos em termos de nove dimens&otilde;es de sintomatologia    e tr&ecirc;s &iacute;ndices globais. Estes &uacute;ltimos consistem em avalia&ccedil;&otilde;es    sum&aacute;rias de perturba&ccedil;&atilde;o emocional e representam aspectos    diferentes da psicopatologia. As nove dimens&otilde;es prim&aacute;rias s&atilde;o    a Somatiza&ccedil;&atilde;o, as Obsess&otilde;es-Compuls&otilde;es, a Sensibilidade    Interpessoal, a Depress&atilde;o, a Ansiedade, a Hostilidade, a Ansiedade F&oacute;bica,    a Idea&ccedil;&atilde;o Paran&oacute;ide e o Psicoticismo (Lemos, 2007). </P >     <p>Para a realiza&ccedil;&atilde;o da investiga&ccedil;&atilde;o que agora apresentamos, efectu&aacute;mos o estudo pr&eacute;vio das caracter&iacute;sticas psicom&eacute;tricas do BSI junto da popula&ccedil;&atilde;o adolescente, numa amostra de 656 adolescentes escolarizados (<I>M</I>=298; <I>F</I>=358), com idades compreendidas entre os 12 e os 19 anos (<I>M</I>=14.97; <I>DP</I>=2.05), tendo sido obtidos n&iacute;veis satisfat&oacute;rios de consist&ecirc;ncia interna (coeficiente Alfa de Cronbach entre .70 e .84) (Lemos, 2007). </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No que diz respeito &agrave; validade de constructo, a an&aacute;lise factorial explorat&oacute;ria das dimens&otilde;es que integram o instrumento confirmou a sua validade enquanto indicador global de avalia&ccedil;&atilde;o de psicopatologia. A solu&ccedil;&atilde;o encontrada revelou que se trata de um instrumento unifactorial, que explica cerca de 67% da vari&acirc;ncia total das dimens&otilde;es do BSI indicando, por isso, uma solu&ccedil;&atilde;o unidimensional. Em termos de resultados, obtivemos satura&ccedil;&otilde;es bastante elevadas nas diversas escalas, variando entre .74 e .88. </P >    <p>Neste estudo, opt&aacute;mos pela utiliza&ccedil;&atilde;o da medida de avalia&ccedil;&atilde;o sum&aacute;ria de perturba&ccedil;&atilde;o emocional &ndash; &Iacute;ndice Geral de Sintomas (IGS), que combina o n&uacute;mero de sintomas psicopatol&oacute;gicos e a sua intensidade. Esta op&ccedil;&atilde;o encontra justifica&ccedil;&atilde;o no facto de se tratar de um &iacute;ndice sum&aacute;rio que permite avaliar de forma geral os sintomas apresentados pelos sujeitos, sendo composto pelo conjunto de itens do BSI que apresentam satura&ccedil;&otilde;es elevadas nas dimens&otilde;es em avalia&ccedil;&atilde;o. O IGS &eacute; calculado atrav&eacute;s da soma das pontua&ccedil;&otilde;es de todos os &iacute;ndices, divididos pelo n&uacute;mero total de respostas (isto &eacute;, 53, se n&atilde;o existirem respostas em branco) (Canavarro, 1999). </P >    <p><I>Procedimento de recolha de dados </I></P >    <p>Inclu&iacute;mos no nosso estudo todos os adolescentes que na altura da recolha de dados estavam em contacto com o Sistema de Justi&ccedil;a por cometimento de delitos criminais (indiciados ou provados judicialmente). Entre os delitos, consider&aacute;mos os seguintes: (a) contra as pessoas, (b) contra o patrim&oacute;nio, (c) contra a sociedade, (d) delitos relacionados com o C&oacute;digo de Estrada e, ainda, (e) por tr&aacute;fico e consumo de drogas. </P >    <p>Para a caracteriza&ccedil;&atilde;o socio-demogr&aacute;fica dos adolescentes, opt&aacute;mos pela recolha de informa&ccedil;&atilde;o junto dos T&eacute;cnicos do Instituto de Reinser&ccedil;&atilde;o Social respons&aacute;veis pela avalia&ccedil;&atilde;o ou acompanhamento educativo dos menores. </P >    <p>No que se refere &agrave;s vari&aacute;veis psicopatol&oacute;gicas em estudo, os dados foram recolhidos junto do menor pelo t&eacute;cnico respons&aacute;vel pela medida de acompanhamento, bem como pela investigadora. Todos os dados foram recolhidos entre Mar&ccedil;o de 2005 e Junho de 2006, tendo sido inclu&iacute;dos adolescentes em todas as situa&ccedil;&otilde;es jur&iacute;dicas oficiais (fase pr&eacute;-sentencial, jurisdicional e fase de cumprimento de medida) e em cumprimento de medida de internamento em Centro Educativo do Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a. </P >    <p>No total, foram entregues 100 question&aacute;rios e recolhidos 76, tendo sido exclu&iacute;dos 12 por apresentarem um elevado n&uacute;mero de itens por responder, ou por invalidade das respostas. A amostra final ficou composta por 42 adolescentes acompanhados nas Equipas de Fam&iacute;lia e Menores (FM) do IRS-Sul e 21 residentes em Centros Educativos. </P >    <P   align="center" >RESULTADOS </P >    <p>Apresentamos, de seguida, os resultados em fun&ccedil;&atilde;o dos indicadores de risco psicossocial, da tipologia do comportamento delinquente e da sintomatologia psicopatol&oacute;gica. </P >    <p>Segue-se a an&aacute;lise das pontua&ccedil;&otilde;es reportadas no IGS de acordo com as vari&aacute;veis que design&aacute;mos por indicadores de risco psicossocial<I>. </I>Note-se que estas vari&aacute;veis foram operacionalizadas em fun&ccedil;&atilde;o das informa&ccedil;&otilde;es anamn&eacute;sicas obtidas junto dos t&eacute;cnicos do IRS sobre a exist&ecirc;ncia de problemas de comportamento na inf&acirc;ncia, consumo de &aacute;lcool e drogas e dos seguintes acontecimentos negativos na inf&acirc;ncia: conflitos entre os pais, rela&ccedil;&otilde;es pais-filho, separa&ccedil;&otilde;es significativas face aos pais durante a inf&acirc;ncia, maus-tratos e institucionaliza&ccedil;&otilde;es na inf&acirc;ncia e ainda, aus&ecirc;ncia de uma figura paterna no agregado familiar. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><I>Risco psicossocial actual, a tipologia do comportamento delinquente e a hist&oacute;ria de risco psicossocial ou adversidade na inf&acirc;ncia </I></P >    <p>Neste primeiro conjunto de resultados, foi nossa inten&ccedil;&atilde;o, tal como referimos quando da formula&ccedil;&atilde;o dos objectivos do estudo, caracterizar os adolescentes no que diz respeito a indicadores sobre o contexto familiar actual, em particular quanto ao envolvimento das figuras parentais e disciplina parental na educa&ccedil;&atilde;o do adolescente, hist&oacute;ria de psicopatologia e/ou comportamento desviante familiar. </P >    <p>Relativamente &agrave;s vari&aacute;veis familiares em estudo, 38% dos adolescentes s&atilde;o oriundos de uma fam&iacute;lia biparental intacta, enquanto 31.7% prov&ecirc;m de uma fam&iacute;lia com uma estrutura monoparental, 13% vive numa fam&iacute;lia de recasamento, 11% da amostra vive com av&oacute;s ou tios e os restantes 6.3% vivem numa institui&ccedil;&atilde;o de acolhimento. </P >    <p>Quanto &agrave; dimens&atilde;o da fam&iacute;lia dos participantes, 52.4% &eacute; oriundo de uma fam&iacute;lia de dimens&otilde;es m&eacute;dias (quatro a cinco elementos), 38% dos sujeitos prov&eacute;m de uma fam&iacute;lia numerosa (&ge;6 elementos) e apenas quatro sujeitos (6.3%) est&atilde;o inseridos numa fam&iacute;lia com menos de quatro elementos. Relativamente ao n&uacute;mero de irm&atilde;os, quatro sujeitos s&atilde;o filhos &uacute;nicos, 33 sujeitos (52.4%) t&ecirc;m um a dois irm&atilde;os e 24 sujeitos (38.1%) t&ecirc;m tr&ecirc;s ou mais irm&atilde;os. </P >    <p>No que se refere &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es familiares dos adolescentes, verific&aacute;mos que 34.9% dos adolescentes mant&ecirc;m contacto regular apenas com a m&atilde;e e que somente 22.2% mant&ecirc;m contacto com ambos os pais biol&oacute;gicos. &Eacute; de real&ccedil;ar as informa&ccedil;&otilde;es relativas &agrave; aus&ecirc;ncia de envolvimento de qualquer dos pais incide sobre 15.9% dos sujeitos da amostra em estudo. As informa&ccedil;&otilde;es recolhidas junto dos t&eacute;cnicos indicam ainda que uma elevada percentagem dos adolescentes carece de disciplina parental (46.0%). </P >     <p>Os resultados apresentados na Tabela 1 permitem-nos observar que os pais de    22.2% dos sujeitos da amostra parecem ter conflitos conjugais manifestos (do    conhecimento dos t&eacute;cnicos de reinser&ccedil;&atilde;o social) e que 14.3%    dos adolescentes t&ecirc;m uma rela&ccedil;&atilde;o com a m&atilde;e pautada    por conflito, observando-se, de igual modo, em 25.4% dos casos, conflitos na    rela&ccedil;&atilde;o com o pai. </P >     <p>&nbsp;</P >     <P   align="center" >TABELA 1 </P >    <P   align="center" ><I>Indicadores de risco psicossocial</I><I>: </I><I>Rela&ccedil;&otilde;es familiare</I><I>s</I></P >     <P   align="center" ><img src="/img/revistas/aps/v28n1/28n1a09q1.jpg" width="339" height="497"></P >     
]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="center" >&nbsp;</P >     <P>Baseando-nos em diversos estudos que indicam que o <I>comportamento desviante    familiar </I>est&aacute; significativamente associado ao comportamento anti-social    na adolesc&ecirc;ncia (e.g., Farrington, Jolliffe, Loeber, Stouthamer-Loeber,    &amp; Kalb, 2001; Wasserman &amp; Seracini, 2001), foi nossa inten&ccedil;&atilde;o    avaliar a incid&ecirc;ncia deste factor de risco nos adolescentes em estudo.    Ao contr&aacute;rio do que esper&aacute;vamos, a ocorr&ecirc;ncia das diversas    vari&aacute;veis que utiliz&aacute;mos para descrever o comportamento desviante    familiar &eacute; baixa, conforme podemos observar na Tabela 2. </P >     <P align="center">TABELA 2</P >     <P align="center"><I>Indicadores de risco psicossocial: Comportamento desviante    familiar </I></P >     <P align="center"><img src="/img/revistas/aps/v28n1/28n1a09q2.jpg" width="338" height="394"></P >     
<P align="center">&nbsp;</P >     <p>Tent&aacute;mos ainda perceber se existe envolvimento social e escolar/profissional    do adolescente, tendo sido considerados como indicadores de risco para comportamento    delinquente, o n&uacute;mero de reten&ccedil;&otilde;es escolares, a exist&ecirc;ncia    de dificuldades de aprendizagem, a absten&ccedil;&atilde;o escolar e o abandono    escolar. Como factores protectores de comportamento delinquente atendemos &agrave;    exist&ecirc;ncia de motiva&ccedil;&atilde;o para a escola. No que diz respeito    aos indicadores do desempenho acad&eacute;mico, os resultados obtidos apontam    para problemas acad&eacute;micos numa percentagem relevante de sujeitos: 55.9%    reprovou entre tr&ecirc;s a seis vezes e 54.0% n&atilde;o se encontrava motivado    para a escola. Do mesmo modo, a absten&ccedil;&atilde;o escolar era elevada    (63.7%), 52.9% dos adolescentes tinham abandonado os estudos e apenas uma percentagem    relativamente baixa de adolescentes (23.5%) se encontrava a frequentar cursos    de forma&ccedil;&atilde;o profissional (Tabela 3). </P >     <p>&nbsp;</P >     <P   align="center" >TABELA 3 </P >     <P   align="center" ><I>Indicadores de risco psicossocial</I><I>: </I><I>Factores acad&eacute;mico</I><I>s</I></P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="center" ><i><img src="/img/revistas/aps/v28n1/28n1a09q3.jpg" width="335" height="513"></i></P >     
<P   >&nbsp;</P >     <p>Apresentamos de seguida os resultados relativamente &agrave; <I>tipologia do comportamento delinquente </I>(precocidade, tipo, persist&ecirc;ncia e circunst&acirc;ncias do delito (individual, em grupo de pares, em associa&ccedil;&atilde;o com adultos). </P >    <p>No que se refere &agrave; situa&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica dos menores, observ&aacute;mos que 27.0% dos sujeitos se encontravam sem aplica&ccedil;&atilde;o de medida (fase de inqu&eacute;rito) e que 68.3% dos adolescentes se encontravam em fase de cumprimento de Medida Tutelar Educativa. No que diz respeito &agrave; distribui&ccedil;&atilde;o dos sujeitos de acordo com o tipo de Medida Tutelar Educativa aplicada, 28.6% encontravam-se sob medida de acompanhamento educativo, 33.3% cumpriam medida de internamento em centro educativo, cumprindo, os restantes, outro tipo de medidas comunit&aacute;rias ou formativas. Encontr&aacute;mos ainda registo processual de processos tutelares anteriores em 36.5% dos adolescentes inquiridos, alguns dos quais se referiam a processos de tutela parental ou a situa&ccedil;&otilde;es de risco do menor por neglig&ecirc;ncia ou maus-tratos parentais. </P >     <P>Quanto &agrave; persist&ecirc;ncia e in&iacute;cio de comportamento delinquente,    verific&aacute;mos que 46.0% dos adolescentes j&aacute; tinham sido anteriormente    sinalizados por comportamentos delinquentes, tendo estado em contacto com a    Equipa de Menores e Fam&iacute;lia da sua &aacute;rea de resid&ecirc;ncia, o    que contribuiu para caracterizar os sujeitos relativamente a persist&ecirc;ncia    do comportamento delinquente. A persist&ecirc;ncia e/ou o aumento de gravidade    no cometimento de delitos pelo menor, tendencialmente, d&atilde;o origem a    novos processos jur&iacute;dicos. </P>     <p>No que se refere ao tipo, diversidade e aumento da gravidade de delitos, &eacute; de assinalar que a maioria dos adolescentes cometeu o primeiro delito por volta dos 14 anos (38.1%), embora encontremos uma grande amplitude de idades (entre os 5 e os 16 anos). Relativamente a outras informa&ccedil;&otilde;es recolhidas junto dos t&eacute;cnicos do IRS, observ&aacute;mos que se verificou um aumento da gravidade dos delitos praticados em 30% dos adolescentes, o que, associado &agrave; persist&ecirc;ncia do comportamento delinquente (46%), sugere que estes adolescentes podem estar em maior risco para delinqu&ecirc;ncia cr&oacute;nica e grave. </P >    <p>No que diz respeito ao tipo de delitos praticados, verificamos que a maioria est&aacute; qualificada como infrac&ccedil;&otilde;es contra o patrim&oacute;nio ou contra a sociedade (60%) e que 33.3% dos delitos representam agress&otilde;es contra pessoas. Observ&aacute;mos ainda que a maioria dos adolescentes da amostra foi notificado pela pr&aacute;tica de &uacute;nico tipo de delito (67.6%), 23.5% indica ter praticado dois a tr&ecirc;s tipos de delitos e apenas 1.5% cometeu mais do que tr&ecirc;s tipos diferentes de infrac&ccedil;&otilde;es &agrave; lei. Por &uacute;ltimo, apur&aacute;mos que a maior parte dos comportamentos delinquentes ocorreu em contexto de grupo de pares (79.4%). </P >    <p>De acordo com as informa&ccedil;&otilde;es recolhidas, somente uma percentagem muito baixa dos sujeitos tem hist&oacute;ria anterior de consumo de subst&acirc;ncias (menos de 8%). As informa&ccedil;&otilde;es sobre maus-tratos sofridos e institucionaliza&ccedil;&otilde;es na inf&acirc;ncia recaem, respectivamente, sobre 22% e 16% da amostra. </P >    <p>Ainda de referir que os resultados do coeficiente de correla&ccedil;&atilde;o de Spearman sugerem a exist&ecirc;ncia de uma associa&ccedil;&atilde;o baixa mas estatisticamente significativa entre a idade do primeiro delito e os valores obtidos no IGS (<I>p</I>=.255, <I>p</I>=.049), podendo sugerir que o relato de sintomas psicopatol&oacute;gicos tende a ser mais intenso, quanto mais elevada for a idade em que foi cometido o primeiro delito. </P >    <p>No que se refere &agrave; <I>hist&oacute;ria de risco psicossocial ou adversidade na inf&acirc;ncia</I>, observ&aacute;mos que uma </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>percentagem relativa dos sujeitos que comp&otilde;em a amostra apresenta uma hist&oacute;ria de problemas de comportamento durante a inf&acirc;ncia (38%). A este prop&oacute;sito, foram assinalados pelos t&eacute;cnicos os seguintes problemas de comportamento: agress&otilde;es a pares, fugas de casa, comportamento de oposi&ccedil;&atilde;o face a adultos, hiperactividade, furtos, associa&ccedil;&atilde;o a pares anti-sociais, fugas &agrave; escola e problemas de integra&ccedil;&atilde;o escolar. Note-se que estes resultados s&atilde;o consistentes com os estudos de diversos autores sobre a presen&ccedil;a destes problemas de comportamento concomitantemente ao percurso delinquente (e.g., Born et al., 1997; Carr &amp; Vandiver, 2001; Tarolla et al., 2002). </P >     <p>Para analisarmos eventuais diferen&ccedil;as entre os grupos em fun&ccedil;&atilde;o    da exist&ecirc;ncia de acontecimentos negativos na inf&acirc;ncia, utiliz&aacute;mos    o teste de Mann-Whitney. Foram considerados como indicadores de acontecimentos    negativos na inf&acirc;ncia: separa&ccedil;&otilde;es das figuras parentais,    hist&oacute;ria de maus-tratos, institucionaliza&ccedil;&otilde;es, conflitos    entre os pais e aus&ecirc;ncia de figura paterna no agregado familiar (Tabela    4). </P >     <p>&nbsp;</P >     <P   align="center" >TABELA 4 </P >     <P   align="center" ><I>M&eacute;dias, desvios-padr&atilde;o do IGS e teste Mann-Whitney em fun&ccedil;&atilde;o    dos acontecimentos negativos na inf&acirc;ncia (n=63) </I></P >     <p align="center"><img src="/img/revistas/aps/v28n1/28n1a09q4.jpg" width="337" height="498"></P >     
<p>&nbsp;</P >     <p>Na an&aacute;lise das diferen&ccedil;as nas pontua&ccedil;&otilde;es do IGS    de acordo com as vari&aacute;veis denominadas acontecimentos negativos na inf&acirc;ncia,    podemos afirmar que n&atilde;o foram encontrados valores com signific&acirc;ncia    estat&iacute;stica para as vari&aacute;veis separa&ccedil;&otilde;es significativas,    institucionaliza&ccedil;&otilde;es e maus-tratos na inf&acirc;ncia. No entanto,    os adolescentes cujos pais t&ecirc;m uma rela&ccedil;&atilde;o conflituosa parecem    apresentar um &iacute;ndice de sintomas psicopatol&oacute;gicos significativamente    superior ao dos adolescentes cujos pais n&atilde;o apresentam conflitos aparentes.    Compar&aacute;mos os adolescentes relativamente aos valores m&eacute;dios das    pontua&ccedil;&otilde;es obtidas no IGS, segundo a presen&ccedil;a <I>versus    </I>a aus&ecirc;ncia de uma figura paterna no agregado familiar. Embora se observe    uma tend&ecirc;ncia para os indiv&iacute;duos do grupo com aus&ecirc;ncia de    figura paterna apresentarem, em m&eacute;dia, valores superiores no IGS, as    diferen&ccedil;as n&atilde;o se revelaram estatisticamente significativas. De    referir ainda que relativamente &agrave; vari&aacute;vel problemas de comportamento    na inf&acirc;ncia, constat&aacute;mos que os resultados obtidos n&atilde;o sugerem    diferen&ccedil;as com relev&acirc;ncia estat&iacute;stica entre grupos nas pontua&ccedil;&otilde;es    m&eacute;dias do IGS (M-W=396.00, Z=-.701, <I>p</I>=.483). </P >     <p><I>Diferen&ccedil;as entre os grupos em fun&ccedil;&atilde;o do relato de sintomas psicopatol&oacute;gicos e a tipologia de comportamento delinquente nos jovens </I></P >    <p>De seguida, apresentamos os resultados das an&aacute;lises efectuadas com vista a estudar a exist&ecirc;ncia de diferen&ccedil;as nos resultados obtidos no IGS entre grupos, em fun&ccedil;&atilde;o da tipologia do comportamento delinquente (operacionalizado em termos de precocidade, diversidade, gravidade e persist&ecirc;ncia de delitos). </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>De referir que foram considerados dois grupos de adolescentes, de acordo com a sua situa&ccedil;&atilde;o tutelar &ndash; institucionalizado em Centro Educativo do Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a ou em acompanhamento por uma Equipa de Fam&iacute;lia e Menores do Instituto de Reinser&ccedil;&atilde;o Social. Os resultados do teste de Mann-Whitney sugerem a n&atilde;o exist&ecirc;ncia de diferen&ccedil;as significativas na resposta ao IGS em fun&ccedil;&atilde;o destas duas situa&ccedil;&otilde;es (M-W=354.00, Z=-1.269, <I>p</I>=.205). </P >    <p>Relativamente &agrave; tipologia do comportamento delinquente, n&atilde;o encontr&aacute;mos diferen&ccedil;as significativas nas pontua&ccedil;&otilde;es no IGS com o teste n&atilde;o param&eacute;trico de Kruskal-Wallis, segundo as vari&aacute;veis tipo de delito cometido (K-W=.011, g.l.=2, <I>p</I>=.995) e diversidade de delitos (K-W=.246, g.l.=2, <I>p</I>=.884). </P >    <p>N&atilde;o foram igualmente encontrados valores estatisticamente significativos de acordo com as circunst&acirc;ncias em que os delitos foram cometidos &ndash; indiv&iacute;duos que praticaram os actos solitariamente, em grupo de pares ou com adultos (K-W=.686, g.l.=2, <I>p</I>=.710), o uso ou n&atilde;o de viol&ecirc;ncia no acto delituoso (M-W=345.50, Z=-.962, <I>p</I>=.336) e ainda, relativamente &agrave; persist&ecirc;ncia, ou n&atilde;o, do comportamento delinquente (M-W=433.50, Z=-.821, <I>p</I>=.412). </P >    <P   align="center" >DISCUSS&Atilde;O </P >    <p>A investiga&ccedil;&atilde;o realizada permitiu-nos encontrar alguns resultados que consideramos pertinentes. N&atilde;o obstante, observ&aacute;mos outros inconclusivos face aos objectivos que nos propusemos atingir neste estudo. </P >    <p>Retomemos o primeiro objectivo, relativo &agrave; caracteriza&ccedil;&atilde;o de uma amostra de adolescentes em contacto oficial com o sistema de Justi&ccedil;a por cometimento de actos considerados crime &agrave; luz da Lei, relativo a indicadores de risco psicossocial actual, &agrave; tipologia do comportamento delinquente e ainda, &agrave; hist&oacute;ria de risco psicossocial ou adversidade na inf&acirc;ncia. </P >    <p>No que diz respeito &agrave;s <I>rela&ccedil;&otilde;es familiares</I>, tem sido referido invariavelmente que, quer a falta de envolvimento parental (isto &eacute;, participa&ccedil;&atilde;o das figuras parentais em quest&otilde;es que dizem respeito &agrave; educa&ccedil;&atilde;o do adolescente), quer a fal&ecirc;ncia da supervis&atilde;o e disciplina parental (especificamente do comportamento e actividades quotidianas dos filhos), assim como rela&ccedil;&otilde;es pais-filhos pautadas por conflitos, est&atilde;o entre os factores de risco que, de forma cumulativa, actuam no desenvolvimento de comportamento anti-social nos adolescentes (e.g., Farrington &amp; West, 1989; Farrington et al., 1988; Loeber et al., 2001; Rutter et al., 1998; Wolf, 1995). Na nossa amostra, um subgrupo de adolescentes parece n&atilde;o beneficiar quer de envolvimento parental, quer de supervis&atilde;o e disciplina parental, factores estes que, como anteriormente referimos, se preconizam como sendo protectores face a envolvimento em comportamento anti-social e a reincid&ecirc;ncia num percurso desviante. No sentido do que preconizam Knutsonn, DeCarmo, e Reid (2004) a vulnerabilidade familiar tende a comprometer a qualidade da parentalidade. Por sua vez, um comportamento parental pautado por neglig&ecirc;ncia, uma pobre supervis&atilde;o parental, ou a falta de envolvimento parental s&atilde;o factores a tomar em considera&ccedil;&atilde;o na etiologia do comportamento anti-social nas crian&ccedil;as e adolescentes. </P >    <p>Relativamente aos indicadores de risco psicossocial e, em particular, no que se refere ao <I>desempenho acad&eacute;mico</I>, os resultados apontam para problemas acad&eacute;micos numa percentagem significativa de sujeitos. Por exemplo, constat&aacute;mos que 55.9% reprovou entre tr&ecirc;s a seis vezes e que 54.0% n&atilde;o se encontrava motivado para a escola. Do mesmo modo, a absten&ccedil;&atilde;o escolar &eacute; elevada e apenas 23.5% dos sujeitos da amostra se encontrava a frequentar um curso de forma&ccedil;&atilde;o profissional. Com base na revis&atilde;o da literatura, sabemos que o envolvimento na forma&ccedil;&atilde;o acad&eacute;mica ou profissionalizante surgem entre as vari&aacute;veis protectoras de um percurso delinquente (Carr &amp; Vandiver, 2001; McCluskey, Bynum, &amp; Patchin, 2004; Moffit, 1993, Moffit, Caspi, Belsky, &amp; Silva, 1996). Assim sendo, estes adolescentes parecem estar desprotegidos ao n&iacute;vel da inser&ccedil;&atilde;o escolar/profissional quando entram em contacto com o sistema de justi&ccedil;a. </P >    <p>As informa&ccedil;&otilde;es oficiais recolhidas junto dos t&eacute;cnicos de reinser&ccedil;&atilde;o social face a comportamentos delinquenciais dos jovens quando do primeiro contacto com a Equipa de Fam&iacute;lia e Menores, permitiram caracterizar os sujeitos relativamente &agrave;s vari&aacute;veis <I>persist&ecirc;ncia de comportamento </I>delinquente (46%) e ao aumento da gravidade dos delitos praticados (30%), o que nos parece apontar para risco de envolvimento em comportamento criminal futuro, persistente ou cr&oacute;nico, antes da interven&ccedil;&atilde;o pelo Sistema de Justi&ccedil;a. Observ&aacute;mos ainda uma baixa diversidade de delitos cometidos e a incid&ecirc;ncia do cometimento do primeiro delito na idade de 14 anos, embora a amplitude de idades diste entre os 5 e os 16 anos. Ainda de acordo com as informa&ccedil;&otilde;es oficiais, a ocorr&ecirc;ncia de comportamento anti-social, ocorreu maioritariamente, em contexto de grupo de pares. De acordo com a literatura, estes resultados sugerem um maior risco para reincid&ecirc;ncia num percurso delinquente no subgrupo de adolescentes com comportamento anti-social persistente, com in&iacute;cio precoce e com aumento de gravidade dos delitos, se n&atilde;o houver interven&ccedil;&atilde;o de cariz psicossocial (Barnoski, 2004; LeBlanc, 1998; Lipsey &amp; Derzon, 1998; Tarolla et al., 2002). Especificamente, defendemos que uma tal interven&ccedil;&atilde;o ser&aacute; mais eficaz ao n&iacute;vel na preven&ccedil;&atilde;o de reincid&ecirc;ncia quanto mais dom&iacute;nios incluir (familiar, escolar, pares, e comunit&aacute;rio mais vasto). Esta quest&atilde;o remete-nos para a relev&acirc;ncia do estudo de vari&aacute;veis psicossociais, a qual retomaremos adiante. </P >    <p>Um outro resultado sobre o qual nos parece importante reflectir, embora n&atilde;o for&ccedil;osamente associado a comportamento anti-social, diz respeito ao consumo de subst&acirc;ncias. As informa&ccedil;&otilde;es recolhidas junto das fontes oficiais sugerem que somente uma pequena percentagem dos adolescentes parece apresentar, associado ao comportamento delinquente, um comportamento de <I>abuso de subst&acirc;ncias</I>. Vimos na revis&atilde;o da literatura que os estudos criminol&oacute;gicos apontam para uma associa&ccedil;&atilde;o entre o consumo de subst&acirc;ncias e a delinqu&ecirc;ncia juvenil (Office of Juvenile Justice and Delinquency Prevention, 1995). Esta associa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute;, contudo, linear, sendo poss&iacute;vel que as informa&ccedil;&otilde;es sobre o abuso de subst&acirc;ncias nestes adolescentes n&atilde;o fa&ccedil;am necessariamente parte dos dados oficiais, a n&atilde;o ser que o adolescente, de forma evidente, apresente uma perturba&ccedil;&atilde;o de depend&ecirc;ncia de drogas. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Relativamente &agrave; an&aacute;lise retrospectiva da <I>tipologia do comportamento delinquente</I>, pensamos que a sua persist&ecirc;ncia (em 46% dos sujeitos), o aumento da gravidade (em cerca de 30% dos indiv&iacute;duos), a diversidade dos delitos relativamente baixa (25.0% dos sujeitos praticaram mais do que um tipo de delitos), a idade em que prevalece a informa&ccedil;&atilde;o oficial sobre o primeiro delito cometido (13 e 14 anos) e, ainda, as circunst&acirc;ncias dos delitos (79.4% em grupo de pares) s&atilde;o resultados que carecem de an&aacute;lises posteriores, de forma a perceber se, na popula&ccedil;&atilde;o portuguesa, estes podem contribuir para predizer, no sentido em que atestam diversos autores (e.g., Moffit, 1993; Moffit et al., 1996; Tarolla et al., 2002), a persist&ecirc;ncia futura ou recorr&ecirc;ncia de delinqu&ecirc;ncia. A investiga&ccedil;&atilde;o sobre as vari&aacute;veis eventualmente preditivas de um percurso delinquente continuado exigir&aacute; o desenvolvimento de um estudo com um desenho longitudinal prospectivo. </P >    <p>No global, a descri&ccedil;&atilde;o da amostra de acordo com as <I>vari&aacute;veis de risco psicossocial </I>seleccionadas permitiu-nos observar a presen&ccedil;a de um conjunto de indicadores de risco individuais e familiares para a continuidade de um percurso delinquente. </P >    <p>No que se refere &agrave; presen&ccedil;a de <I>conflito conjugal e de rela&ccedil;&otilde;es pais-filhos </I>conflituosas, n&atilde;o sabemos se estes riscos s&atilde;o directamente psicopatog&eacute;nicos, mas podemos afirmar, de acordo com Balbernie (2002), que representam no m&iacute;nimo uma probabilidade de se tornarem patog&eacute;nicos, conduzindo a um resultado desenvolvimental desfavor&aacute;vel. </P >    <p>Num segundo momento, analis&aacute;mos poss&iacute;veis diferen&ccedil;as nos resultados obtidos na escala de avalia&ccedil;&atilde;o de psicopatologia (IGS) em fun&ccedil;&atilde;o das caracter&iacute;sticas do comportamento delinquente e, ainda, das vari&aacute;veis contextuais ou s&oacute;cio-familiares (n&iacute;vel socioecon&oacute;mico, estrutura e a escolaridade dos pais, estrutura e dimens&atilde;o do agregado familiar). Analis&aacute;mos tamb&eacute;m o relato de problemas psicopatol&oacute;gicos pelos adolescentes abrangidos pela LTE em fun&ccedil;&atilde;o dos diversos indicadores de risco psicossocial (institucionaliza&ccedil;&otilde;es, separa&ccedil;&otilde;es significativas de figura parental, motivos atribu&iacute;dos para as separa&ccedil;&otilde;es, problemas de comportamento na inf&acirc;ncia e desempenho acad&eacute;mico). </P >    <p>Os resultados comparativos por grupos na maioria destas vari&aacute;veis n&atilde;o demonstraram diferen&ccedil;as significativas ao n&iacute;vel dos indicadores de perturba&ccedil;&otilde;es psicopatol&oacute;gicas expressos pelo &Iacute;ndice Geral de Sintomas, com excep&ccedil;&atilde;o das vari&aacute;veis definidas com base nos registos oficiais: a idade do primeiro delito &ndash; sugerindo que o relato de sintomas psicopatol&oacute;gicos pode ser mais elevado com o aumento da idade em que &eacute; cometido o primeiro delito; e, ainda, os conflitos conjugais manifestos. </P >    <p>No que diz respeito ao primeiro destes resultados (e n&atilde;o deixando de considerar a baixa magnitude da signific&acirc;ncia encontrada), estes podem sugerir, ao contr&aacute;rio do que descreve a literatura (e.g., Vermeiren, 2003; White et al., 2001), que um envolvimento precoce em comportamento anti-social n&atilde;o estaria, de algum modo, associado a mais sintomas psicopatol&oacute;gicos. No entanto, diferentes limita&ccedil;&otilde;es nos imp&otilde;em cautela: n&atilde;o sabemos se este resultado se devem a uma falta de sensibilidade do IGS como indicador de sintomatologia nestes adolescentes, ou se, na verdade, n&atilde;o existe qualquer associa&ccedil;&atilde;o entre a tipologia do comportamento delinquente e a presen&ccedil;a de psicopatologia. Importa investigar esta quest&atilde;o futuramente, atrav&eacute;s de medidas mais exaustivas de avalia&ccedil;&atilde;o de psicopatologia. </P >    <p>Ainda relativamente s&atilde;os resultados obtidos no &Iacute;ndice Geral de Sintomas, podemos sugerir que os adolescentes cujos pais t&ecirc;m uma rela&ccedil;&atilde;o conflituosa expressa parecem apresentar um &iacute;ndice de sintomas psicopatol&oacute;gicos significativamente superior ao dos adolescentes cujos pais n&atilde;o apresentam conflitos aparentes. Ainda no que diz respeito &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es familiares, os pais de 22.2% dos participantes manifestam conflitos conjugais e 14.3% dos adolescentes t&ecirc;m uma rela&ccedil;&atilde;o com a m&atilde;e pautada por conflito, observando-se, de igual modo, em 25.4% dos casos, conflitos na rela&ccedil;&atilde;o com o pai. </P >    <p>Relativamente aos resultados inconclusivos obtidos no indicador de psicopatologia, em nosso entender somente o estudo mais exaustivo das propriedades psicom&eacute;tricas do <I>Brief Symptom Inventory </I>nos permitir&aacute; afirmar se estes se devem a uma falta de sensibilidade da escala na triagem de sintomatologia nestes adolescentes, ou se, na verdade, n&atilde;o existe qualquer associa&ccedil;&atilde;o entre o tipo, a persist&ecirc;ncia e as circunst&acirc;ncias do delito e a presen&ccedil;a de problemas psicopatol&oacute;gicos. Devemos real&ccedil;ar que, devido &agrave; dimens&atilde;o dos grupos, e tendo em considera&ccedil;&atilde;o as limita&ccedil;&otilde;es do instrumento na triagem de problemas emocionais (pelo facto de ser pouco exaustivo), no futuro, devemos prosseguir a confirma&ccedil;&atilde;o destas an&aacute;lises com um instrumento de avalia&ccedil;&atilde;o de psicopatologia mais abrangente, de forma a percebermos se estes resultados reflectem dificuldades inerentes &agrave; avalia&ccedil;&atilde;o de indicadores de psicopatologia e se, de facto, a presen&ccedil;a destes factores, considerados de risco na literatura (e.g., Barnoski, 2004), est&aacute; associada &agrave; manifesta&ccedil;&atilde;o de psicopatologia nestes adolescentes. </P >    <p>Em rela&ccedil;&atilde;o ao estudo do comportamento desviante ao n&iacute;vel do contexto familiar, ficamos por saber se esta caracter&iacute;stica da amostra reflecte, de algum modo a &ldquo;realidade&rdquo; destas fam&iacute;lias, o que, se assim for, contraria os resultados dos estudos que apontaram para uma elevada incid&ecirc;ncia de comportamento desviante familiar na problem&aacute;tica da delinqu&ecirc;ncia juvenil (e.g., Farrington, 2004; Farrington et al., 2001; Lipsey &amp; Derzon, 1998), ou se uma falta de informa&ccedil;&otilde;es sobre as circunst&acirc;ncias familiares, por parte dos t&eacute;cnicos, poder&aacute; ter influenciado os resultados obtidos, o que, a ter acontecido, se alega como uma limita&ccedil;&atilde;o ao estudo. </P >    <p>Investiga&ccedil;&otilde;es futuras dever&atilde;o centrar-se na avalia&ccedil;&atilde;o do impacto dos diferentes tipos de interven&ccedil;&atilde;o previstos pela Lei Tutelar Educativa sobre a integra&ccedil;&atilde;o social dos jovens. Na nossa opini&atilde;o, esta quest&atilde;o merece ser aprofundada atrav&eacute;s de um estudo longitudinal que compreenda o seguimento dos sujeitos da adolesc&ecirc;ncia at&eacute; &agrave; adultez, de forma a avaliar a efic&aacute;cia das interven&ccedil;&otilde;es em termos da sua reinser&ccedil;&atilde;o s&oacute;cio-profissional. Parece-nos ainda relevante estudar as caracter&iacute;sticas psicopatol&oacute;gicas dos adolescentes institucionalizados, comparativamente com os adolescentes seguidos em ambulat&oacute;rio pelas equipas de reinser&ccedil;&atilde;o social. Sabemos que os jovens delinquentes em regime de institucionaliza&ccedil;&atilde;o tendem a experienciar mais problemas de sa&uacute;de mental comparativamente aos n&atilde;o institucionalizados (Robertson, Dill, &amp; Husain, 2004; Vermeiren, 2003). </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Importa ainda referir que a presente investiga&ccedil;&atilde;o apresenta limita&ccedil;&otilde;es, quer ao n&iacute;vel do seu desenho transversal, quer relativas &agrave; dimens&atilde;o da amostra. Um outro aspecto que nos parece relevante diz respeito &agrave; necessidade de leituras cuidadas de alguns resultados, considerando eventuais problemas de validade e fidelidade dos instrumentos utilizados. N&atilde;o obstante, os resultados obtidos permitem-nos sugerir alguns factores como protectores face a persist&ecirc;ncia de comportamento anti-social. Em particular, referimo-nos ao envolvimento escolar dos adolescentes (ou uma alternativa profissionalizante). </P >    <p>Por sua vez, os resultados da compara&ccedil;&atilde;o dos grupos em fun&ccedil;&atilde;o da exist&ecirc;ncia de conflitos entre os pais sugerem que os adolescentes cujos pais apresentam uma rela&ccedil;&atilde;o conflituosa, tendem a reportar n&iacute;veis significativamente mais elevados de sintomatologia psicopatol&oacute;gica. Assim, reportando-nos ao trabalho de Rutter e Smith (1995), se o conflito no seio da fam&iacute;lia &eacute; um factor de risco para o desenvolvimento de perturba&ccedil;&otilde;es psicopatol&oacute;gicas e de problemas de adapta&ccedil;&atilde;o psicossocial na crian&ccedil;a e no adolescente, a sua aus&ecirc;ncia (ou baixa preval&ecirc;ncia) deveria, a par com outros factores protectores (e.g., atitudes parentais pautadas por afecto e por supervis&atilde;o ou controlo parental), estar associada a um melhor ajustamento psicossocial (Fleming, 1997). Tamb&eacute;m neste sentido, Lerner, Lerner, Almerigi, e Theokas (2005) preconizam que os conflitos conjugais se encontram entre os factores de vulnerabilidade familiar, pela probabilidade acrescida de interferirem nas compet&ecirc;ncias parentais. </P >     <p>No nosso entender, os conflitos conjugais podem influir na disponibilidade    emocional dos pais, reduzindo a sua capacidade de resposta &agrave;s necessidades    emocionais do adolescente. Fica no entanto por responder a quest&atilde;o levantada    por Balbernie (2002) e por Strand (2000) de percebermos se os conflitos parentais    ter&atilde;o um impacto imediato na crian&ccedil;a, ou se este factor ser&aacute;    de risco por afectar a qualidade da parentalidade. Resta-nos adiantar que embora    n&atilde;o saibamos o seu peso relativo, provavelmente, os dois factores s&atilde;o    relevantes para o bem-estar dos adolescentes. </P >     <p>&nbsp;</P >     <P   align="center" ><b>REFER&Ecirc;NCIAS </b></P >     <!-- ref --><p>Agnew, R. (2003). An integrated theory of the adolescent peak in offending.    <I>Youth &amp; </I>Society<I>, </I><I>34</I>(3), 263-299. </P >     &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000138&pid=S0870-8231201000010000900001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Balbernie, R. (2002). An infant in context: Multiple risks, and a relationship.    <i>Infant Mental Health Journal, 23</i>(3), 329-341. </P >     <p>Barnoski, R. (2004). <I>Assessing Risk for Re-ofense: Validating the Washington    State Juvenile Court Assessment</I>. Olympia, WA: Washington State Institute    for Public Policy. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.wsipp.wa.gov" target="_blank">www.wsipp.wa.gov</a>.  </P >     <p>Bender, D., &amp; Losel, F. (1997). Protective and risk effects of peer relations and social support on anti-social behaviour in adolescents from multi-problem milieus. <I>Journal of Adolescence</I>, <I>20</I>, 661-678. </P >    <p>Born, M., Chevalier, V., &amp; Humblet, I. (1997). Resilience, desistance and delinquent career of adolescent offenders. <I>Journal of Adolescence</I>, <I>20</I>(6), 679-694. </P >    ]]></body>
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<body><![CDATA[<p>Loeber, R., &amp; Farrington, D. P. (2001). The Significance of Child Delinquency.    In R. Loeber &amp; D. P. Farrington (Eds.), <I>Child delinquents: Development,    intervention, and service needs </I>(pp. 1-24). London: Sage Publications. </P >     <p>Loeber, R., Farrington, D. P., &amp; Waschbusch, D. A. (1998). Serious and    violent juvenile offenders. In R. Loeber &amp; D. P. Farrington (Eds.), <I>Serious    &amp; violent juvenile offenders: Risk factors and successful interventions    </I>(pp. 13-29). London: Sage Publications. </P >     <p>Loeber, R., Farrington, D. P., Stouthamer-Loeber, M., Moffitt, T. E., Caspi, A., &amp; Lynam, D. (2001). Male mental health problems, psychopathy, and personality traits: Key findings from the first 14 years of the Pittsburgh youth study. <I>Clinical Child and Family Psychology Review</I>, <I>4</I>(4), 273-297. </P >    <p>Matos, A. C. (2002). <I>Adolesc&ecirc;ncia. </I>Lisboa: Climepsi. </P >    <p>MacCrystal, P., Higgins, K., &amp; Percy, A. (2006). Brief report: School exclusion drug use and delinquency in adolescence. <I>Journal of Adolescence</I>, <I>29</I>(5), 829-836. </P >    <p>McCluskey, C. P., Bynum, T. S., &amp; Patchin, J. W. (2004). Reducing chronic absenteeism: An assessment of an early truancy initiative. <I>Crime &amp; Delinquency</I>, <I>50</I>(2), 214-234. </P >    <p>Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a, &amp; Minist&eacute;rio do Trabalho e da Solidariedade. (1999). <I>Reforma do direito de menores</I>. Lisboa: M.J. &amp; M.T.S (Editores). </P >    <p>Moffit, T. E. (1993). Adolescent-limited and life-course-persistent antisocial behavior: A developmental taxonomy. <I>Psychological Review</I>, <I>100</I>(4), 674-701. </P >    <p>Moffit, T. E., Caspi, A., Belsky, J., &amp; Silva, P. A. (1996). Childhood-onset <I>versus </I>adolescent-onset anti-social conduct problems in males: Natural history from ages 3 to 18 years. <I>Development and Psychopathology</I>, <I>8</I>, 399-424. </P >    <p>Mullis, R. L., Cornille, T. A., Mullis, A. K., &amp; Huber, J. (2004). Female juvenile offending: A review of characteristics and contexts. <I>Journal of Child and Family Studies</I>, <I>13</I>(2), 205-218. </P >    ]]></body>
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<body><![CDATA[<p>Rutter, M., Giller, H., &amp; Hagell, A. (1998). <I>Antisocial behavior by young people</I>. Cambridge: Cambridge University Press. </P >    <p>S&aacute;, E. (2002). <I>Adolescentes somos n&oacute;s</I>. Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es Fim de S&eacute;culo. </P >    <p>Smith, C. A., &amp; Farrington, D. P. (2004). Continuities in antisocial behavior and parenting across three generations. <I>Journal of Child Psychology and Psychiatry</I>, <I>45</I>(2), 230-247. </P >    <p>Strand, P. S. (2000). A modern behavioral perspective on child conduct disorder: Integrating behavioral momentum and matching theory. <I>Clinical Psychology Review</I>, <I>20</I>(5), 593-615. </P >    <p>Tarolla, S. M., Wagner, E. F., Rabinowitz, J., &amp; Tubman, J. G. (2002). Understanding and treating juvenile offenders: A review of current knowledge and future directions. <I>Aggression and Violent Behavior</I>, <I>7</I>, 125-143. </P >    <p>Vermeiren, R. (2003). Psychopathology and delinquency in adolescents: A descriptive and developmental perspective. <I>Clinical Psychology Review</I>, <I>23</I>, 277-318. </P >    <p>Wasserman, G. A., &amp; Seracini, A. M. (2001). Family risk factors and interventions. In R. Loeber &amp; D. P. Farrington (Eds.), <I>Child delinquents: Development, intervention and service needs </I>(pp. 165-190). Thousand Oaks, CA: Sage Publications. </P >    <p>White, H. R., Bates, M. B., &amp; Buyske, S. (2001). Adolescence-limited <I>versus </I>persistent delinquency: Extending moffitt&rsquo;s hypothesis into adulthood. <I>Journal of Abnormal Psychology</I>, <I>110</I>(4), 600-609. </P >    <p>Wolff, S. (1995). The concept of resilience. <I>Australian and New Zealand Journal of Psychiatry</I>, <I>29</I>(4), 565-574. </P >    <p>Yaqub, S. (2002). Poor children grow into poor adults: Harmful mechanisms or over-deterministic theory. <I>Journal of International Development</I>, <I>14</I>, 1081-1093. </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="center" >&nbsp;</P >     <p>&nbsp;</P >     <p><Sup><a href="#top1">1</a> </Sup><a name="1"></a>&ldquo;A raz&atilde;o de ser    da interven&ccedil;&atilde;o tutelar educativa, a cargo do sistema de justi&ccedil;a:    Quando &eacute; o pr&oacute;prio menor a p&ocirc;r em causa, atrav&eacute;s    do seu comportamento, os valores jur&iacute;dicos essenciais da comunidade traduzidos    nas normas penais, justifica-se a interven&ccedil;&atilde;o do Estado com a    finalidade de o educar para o direito e para os valores fundamentais da vida    em sociedade, por forma a que ele interiorize aqueles valores e normas b&aacute;sicas    essenciais &agrave; vida em comunidade. (...)&rdquo; (Reforma do Direito de    Menores, 1999, pp. 300-305). </P >     <p><Sup><a href="#top2">2</a> </Sup><a name="2"></a>Por exemplo, factores intr&iacute;nsecos    tais como um temperamento dif&iacute;cil, baixa auto-estima, vari&aacute;veis    gen&eacute;ticas, ou ainda, factores extr&iacute;nsecos, tais como viver num    meio com &iacute;ndices elevados de delinqu&ecirc;ncia. </P >     <p><Sup><a href="#top3">3</a> </Sup><a name="3"></a>A Lei Tutelar Educativa abrange    menores com idades compreendidas entre os 12 e os 16 anos, prevendo no entanto    que os adolescentes possam ser abrangidos pelas medidas tutelares educativas    at&eacute; aos 19 anos de idade. </P >     <p><Sup><a href="#top4">4</a><a name="4"></a> </Sup>Neste invent&aacute;rio de    auto-resposta, o indiv&iacute;duo dever&aacute; classificar o grau em que cada    problema o afectou na &uacute;ltima semana, numa escala tipo <I>likert </I>de    cinco pontos (de &ldquo;nunca&rdquo; &ndash; 0 a &ldquo;muit&iacute;ssimas vezes&rdquo;    &ndash; 4). A administra&ccedil;&atilde;o do invent&aacute;rio demora em m&eacute;dia    10 minutos. </P >     <p>&nbsp;</P >     <p>(<a href="#topn1">*</a>) <a name="n1" id="n1"></a>Professora Auxiliar, Universidade    do Algarve, Faculdade de Ci&ecirc;ncias Humanas e Sociais, Departamento de Psicologia,    Campus de Gambelas, 8005-139 Faro; Investigadora no Instituto de Psicologia    Cognitiva, Desenvolvimento Vocacional e Social, Universidade de Coimbra, Portugal;    e-mail: <a href="mailto:ilemos@ualg.pt">ilemos@ualg.pt</a></P >      ]]></body><back>
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<surname><![CDATA[Agnew]]></surname>
<given-names><![CDATA[R.]]></given-names>
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<article-title xml:lang="en"><![CDATA[An integrated theory of the adolescent peak in offending.]]></article-title>
<source><![CDATA[Youth & Society]]></source>
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<page-range>263-299</page-range></nlm-citation>
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