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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Stresse ocupacional em forças de segurança: Um estudo comparativo]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This work analyzes occupational stress in two groups of security officers, one working in a public context (n=95) and the other one working in a prison context (n=237). We applied an evaluation protocol with measures of global stress, burnout, organizational commitment, satisfaction with life, professional satisfaction and desire to leave the profession. The fidelity and validity of the instruments were very acceptable. The results of burnout pointed out a remarkable frequency of emotional exhaustion (values between 12% and 26%) followed by cynicism (values between 8% and 21%) and low professional effectiveness (values between 8% and 21%) (only one participant showed burnout values in the three dimensions simultaneously). Comparative analysis between groups showed that correctional officers had more negative working experiences (e.g., higher levels of burnout and desire to leave the profession and lower levels of organizational commitment, satisfaction with life, and professional satisfaction). The possible factors that contribute to these results are discussed as well as the implications to future research.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Burnout]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Comprometimento organizacional]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Satisfação]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Stresse ocupacional]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>Stresse ocupacional em for&ccedil;as de seguran&ccedil;a: Um estudo comparativo    </b></P >     <p><b>Helena Gon&ccedil;alo (<a href="#1">*</a>)<a name="top1"></a>, A. Rui Gomes    (<a href="#2">**</a>), Fernando Barbosa (<a href="#1">*</a>), Jorge Afonso (<a href="#2">**</a>)    <a name="top2"></a> </b></P >     <p>&nbsp;</P >     <p>(*) Faculdade de Psicologia e de Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o,    Universidade do Porto</P >     <p>(**) Escola de Psicologia, Universidade do Minho</P >     <p>&nbsp;</P >     <P   align="left" ><b>RESUMO</b> </P >     <p>Este trabalho compara a experi&ecirc;ncia de stresse ocupacional em dois grupos    de seguran&ccedil;a portugueses, um a exercer em contexto p&uacute;blico (<I>n</I>=95)    e outro em contexto prisional (<I>n</I>=237). Para tal, utiliz&aacute;mos um    protocolo de avalia&ccedil;&atilde;o com medidas do stresse global, &ldquo;burnout&rdquo;,    comprometimento organizacional, satisfa&ccedil;&atilde;o com a vida, satisfa&ccedil;&atilde;o    profissional e desejo de abandonar a profiss&atilde;o. Os indicadores de fidelidade    e validade dos instrumentos foram muito aceit&aacute;veis. Os resultados de    &ldquo;burnout&rdquo; por dimens&atilde;o apontaram n&iacute;veis apreci&aacute;veis    de exaust&atilde;o emocional (valores a oscilar entre os 12% e os 26%), seguidos    do cinismo (valores entre 8% e 21%) e do baixo sentimento de efic&aacute;cia    profissional (valores entre 3% e 8%) (apenas um participante registou valores    de &ldquo;burnout&rdquo; nas tr&ecirc;s dimens&otilde;es, em simult&acirc;neo).    A an&aacute;lise comparativa entre os grupos demonstrou que os profissionais    de seguran&ccedil;a prisional evidenciaram experi&ecirc;ncias profissionais    mais negativas (e.g., maiores n&iacute;veis de &ldquo;burnout&rdquo; e desejo    de abandonar a profiss&atilde;o e menores n&iacute;veis de comprometimento organizacional,    satisfa&ccedil;&atilde;o com a vida e satisfa&ccedil;&atilde;o profissional).    No final, os autores discutem os factores que podem ajudar a perceber estas    diferen&ccedil;as e poss&iacute;veis implica&ccedil;&otilde;es para a investiga&ccedil;&atilde;o    futura. </P >     <p><I>Palavras-chave: </I>&ldquo;Burnout&rdquo;, Comprometimento organizacional,    Satisfa&ccedil;&atilde;o, Stresse ocupacional. </P >     <p>&nbsp;</P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="left" ><b>ABSTRACT </b></P >     <p>This work analyzes occupational stress in two groups of security officers,    one working in a public context (<I>n</I>=95) and the other one working in a    prison context (<I>n</I>=237). We applied an evaluation protocol with measures    of global stress, burnout, organizational commitment, satisfaction with life,    professional satisfaction and desire to leave the profession. The fidelity and    validity of the instruments were very acceptable. The results of burnout pointed    out a remarkable frequency of emotional exhaustion (values between 12% and 26%)    followed by cynicism (values between 8% and 21%) and low professional effectiveness    (values between 8% and 21%) (only one participant showed burnout values in the    three dimensions simultaneously). Comparative analysis between groups showed    that correctional officers had more negative working experiences (e.g., higher    levels of burnout and desire to leave the profession and lower levels of organizational    commitment, satisfaction with life, and professional satisfaction). The possible    factors that contribute to these results are discussed as well as the implications    to future research. </P >     <p><I>Key-words: </I>Burnout, Occupational stress, Organizational commitment,    Satisfaction. </P >     <p>&nbsp;</P >     <p>O dom&iacute;nio do stresse tem vindo a receber cada vez maior import&acirc;ncia,    n&atilde;o apenas junto do p&uacute;blico em geral, mas tamb&eacute;m da comunidade    cient&iacute;fica (Cooper, Dewe, &amp; O&rsquo;Driscoll, 2001). Muito embora    este fen&oacute;meno possa surgir a partir de situa&ccedil;&otilde;es vulgares    do quotidiano, &eacute; cada vez mais aceite a ideia de que o stresse tende    a tornar-se mais significativo quando associado ao trabalho (Gomes, 2006a).    Desta forma, tem-se procurado investigar as principais causas e consequ&ecirc;ncias    do stresse ocupacional bem como as rela&ccedil;&otilde;es estabelecidas com    vari&aacute;veis individuais (ex.: personalidade, estilos de &ldquo;coping&rdquo;,    etc.) e laborais (ex.: satisfa&ccedil;&atilde;o, comprometimento e efic&aacute;cia    organizacional, etc.). Com efeito, o stresse profissional pode levar a s&eacute;rios    custos no plano pessoal, familiar, social e organizacional, representado exemplos    deste &uacute;ltimo caso o absentismo, a produtividade reduzida, os acidentes    de trabalho e as despesas m&eacute;dicas (Cartwright &amp; Cooper, 1997). Adicionalmente,    um aspecto preocupante relaciona-se com o facto das mudan&ccedil;as verificadas    no mercado de trabalho apontarem para um progressivo crescimento das fontes    de tens&atilde;o profissionais, manifestadas pela crescente sobrecarga de trabalho    associada &agrave; precariedade das contrata&ccedil;&otilde;es e &agrave; redu&ccedil;&atilde;o    das regalias dos trabalhadores (Maslach &amp; Leiter, 1997; Serra, 1999). </P >     <p>No caso das for&ccedil;as de seguran&ccedil;a, existem indica&ccedil;&otilde;es sobre a rela&ccedil;&atilde;o entre os sintomas de stresse e o contexto profissional fazendo, por isso, sentido avaliar a sua preval&ecirc;ncia e caracter&iacute;sticas espec&iacute;ficas (Jex &amp; Crossley, 2005; Malach-Pines &amp; Keinan, 2006; Moon &amp; Maxwell, 2004). Alguns autores v&atilde;o ainda mais longe, ao apontarem a actividade destes profissionais como uma das mais stressantes do mundo (Dantzer, 1987; Selye, 1984). Para tal, contribui o facto das suas fun&ccedil;&otilde;es inclu&iacute;rem, para al&eacute;m das fontes de press&atilde;o de outras ocupa&ccedil;&otilde;es (e.g., trabalho por turnos, o excesso de horas de trabalho, etc.), uma &aacute;rea de tens&atilde;o espec&iacute;fica &agrave; sua actividade: o risco de vida para o pr&oacute;prio e para os outros. Com efeito, a literatura tem referenciado, como um dos principais factores de stresse associados &agrave; natureza das tarefas das for&ccedil;as de seguran&ccedil;a p&uacute;blica, a exposi&ccedil;&atilde;o a situa&ccedil;&otilde;es potencialmente traum&aacute;ticas e emocionalmente exigentes como, por exemplo, os casos de viol&ecirc;ncia e confronto f&iacute;sico, o testemunho de acidentes, os incidentes com armas, a presen&ccedil;a em tribunais e o contacto di&aacute;rio com os cidad&atilde;os (Afonso &amp; Gomes, 2009; Burke &amp; Mikkelsen, 2006; Kohan &amp; Mazmanian, 2003; Kop, Euwema, &amp; Schaufeli, 1999). </P >    <p>Ainda assim, de acordo com Malach-Pines e Keinan (2006), s&atilde;o os factores organizacionais que os profissionais das for&ccedil;as de seguran&ccedil;a p&uacute;blica mais referem como indutores de press&atilde;o. Entre eles, podemos destacar a estrutura organizacional militarista, hier&aacute;rquica e altamente burocr&aacute;tica da for&ccedil;a policial, a falta de apoio por parte das chefias e da administra&ccedil;&atilde;o e as poucas oportunidades de progress&atilde;o na carreira. </P >     <p>Para al&eacute;m destes stressores intr&iacute;nsecos &agrave; profiss&atilde;o    e organizacionais, existem ainda alguns factores externos que tornam o trabalho    das for&ccedil;as de seguran&ccedil;a p&uacute;blica especialmente exigente,    como sejam, os conflitos entre as exig&ecirc;ncias laborais e familiares, a    atitude negativa e de desconfian&ccedil;a da comunidade e dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o    social e um sistema judicial punitivo perspectivado como tolerante para com    os criminosos (Malach-Pines &amp; Keinan, 2006; Thompson, Kirk, &amp; Brown,    2005). </P >     <p>Ao n&iacute;vel do contexto prisional, tamb&eacute;m existem indica&ccedil;&otilde;es sobre o facto de representar um local onde os factores geradores de stresse e &ldquo;burnout&rdquo; (esgotamento) abundam (Garland, 2004; Gon&ccedil;alves &amp; Neves, 2005; Gon&ccedil;alves &amp; Vieira, 2005; Moon &amp; Maxwell, 2004; Morgan, Van Haveren, &amp; Pearson, 2002; Schaufeli &amp; Peeters, 2000; Shelby, Stoddart, &amp; Taylor, 2001). </P >    <p>Mais concretamente, a literatura tem vindo a real&ccedil;ar pelo menos quatro dom&iacute;nios de press&atilde;o laboral. Desde logo, o pr&oacute;prio clima de trabalho, uma vez que este assume caracter&iacute;sticas &uacute;nicas, combinando a necessidade de rotina e &ldquo;monotonia&rdquo; nas actividades di&aacute;rias com a possibilidade de hostilidade e viol&ecirc;ncia por parte dos reclusos (Hern&aacute;ndez-Mart&iacute;n, Fern&aacute;ndez-Calvo, Ramos, &amp; Contador, 2006). Por outro lado, estes profissionais v&ecirc;em-se confrontados com conflitos entre os seus pap&eacute;is laborais, j&aacute; que devem ocupar-se de tarefas de cust&oacute;dia, vigil&acirc;ncia e reten&ccedil;&atilde;o, em simult&acirc;neo com a sua fun&ccedil;&atilde;o de educa&ccedil;&atilde;o e socializa&ccedil;&atilde;o dos reclusos (Cantissano &amp; Dominguez, 2005; Lopez-Coira, 1992; Schaufeli &amp; Peeters, 2000). Num outro sentido, as caracter&iacute;sticas ambientais dos locais de trabalho (e.g., sobrelota&ccedil;&atilde;o, ru&iacute;do, ambiente pouco arejado, etc.) tamb&eacute;m contribuem para a sensa&ccedil;&atilde;o de se estar num local pouco apraz&iacute;vel e desumanizado (Silva &amp; Gon&ccedil;alves, 1999). Finalmente, as atitudes negativas da comunidade e da comunica&ccedil;&atilde;o social face ao estatuto do profissional de guarda prisional parecem constituir um factor importante na viv&ecirc;ncia laboral negativa destes trabalhadores (Keinan &amp; Malach-Pines, 2007). </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Como resultado da exposi&ccedil;&atilde;o a estas potenciais &aacute;reas de    stresse, tanto por parte dos profissionais de seguran&ccedil;a p&uacute;blica    como do sistema prisional, podem ser identificadas reac&ccedil;&otilde;es de    &iacute;ndole f&iacute;sica (e.g., doen&ccedil;as cardio-vasculares, problemas    de est&ocirc;mago, doen&ccedil;as psicossom&aacute;ticas, n&iacute;veis elevados    de cortisol, colesterol e press&atilde;o sangu&iacute;nea), psicol&oacute;gica    (e.g., cinismo, raiva, indiferen&ccedil;a, baixa satisfa&ccedil;&atilde;o laboral,    desordens de ajustamento e de stresse p&oacute;s-traum&aacute;tico) e comportamental    (e.g., decl&iacute;nio da qualidade no desempenho profissional, agressividade,    absentismo, abuso de drogas e, mesmo, tentativas de suic&iacute;dio) (Abdollahi,    2002; Carlier, Lamberts, &amp; Gersons, 2000; Keinan &amp; Malach-Pines, 2007;    Pines &amp; Keinan, 2005; Stephens, Long, &amp; Flett, 1999; Violanti et al.,    2006). A t&iacute;tulo ilustrativo, Chambel e Oliveira-Cruz (2008), num estudo    com militares portugueses inseridos numa miss&atilde;o de paz, observaram que    a aus&ecirc;ncia de reciprocidade entre aquilo que estes profissionais esperam    do seu trabalho e aquilo que lhes &eacute; fornecido pela organiza&ccedil;&atilde;o    militar tem efeitos negativos a v&aacute;rios n&iacute;veis, desde o bem-estar    pessoal, o desenvolvimento do &ldquo;burnout&rdquo; e a diminui&ccedil;&atilde;o    dos sentimentos de &ldquo;engagement&rdquo; (comprometimento). Na pr&aacute;tica,    estes dados alertam-nos para a import&acirc;ncia da manuten&ccedil;&atilde;o    dos &ldquo;contratos psicol&oacute;gicos&rdquo; estabelecidos entre o indiv&iacute;duo    e a sua organiza&ccedil;&atilde;o, sob pena de comprometer os sentimentos de    reciprocidade entre as duas partes. </P >     <p>Apesar da import&acirc;ncia que o tema do stresse ocupacional assume nas for&ccedil;as de seguran&ccedil;a, tanto para o indiv&iacute;duo em particular como para a sociedade em geral, verifica-se ainda uma significativa insufici&ecirc;ncia de trabalhos centrados nesta popula&ccedil;&atilde;o (Neveu, 2007). A t&iacute;tulo de exemplo, Shaufeli e Enzemann (1998) encaram com surpresa o reduzido n&uacute;mero de investiga&ccedil;&otilde;es sobre o &ldquo;burnout&rdquo; em for&ccedil;as policiais, j&aacute; que esta s&iacute;ndrome se assume como uma das vari&aacute;veis psicol&oacute;gicas mais associadas aos problemas no trabalho. </P >    <p>Neste sentido, este trabalho analisa a problem&aacute;tica do stresse ocupacional em duas for&ccedil;as de seguran&ccedil;a (prisional e p&uacute;blica) procurando oferecer algumas indica&ccedil;&otilde;es sobre as diferen&ccedil;as no exerc&iacute;cio destas actividades do ponto de vista do stresse ocupacional. Tal como refere Brough (2004), assiste-se a uma escassez de investiga&ccedil;&otilde;es que comparem o bem-estar de profissionais de diferentes ocupa&ccedil;&otilde;es altamente stressantes (como as for&ccedil;as policiais). A maior utilidade deste tipo de trabalhos residir&aacute; na an&aacute;lise do efeito do stresse de acordo com o contexto espec&iacute;fico de exerc&iacute;cio laboral. </P >     <p>Apesar de podermos encontrar algumas indica&ccedil;&otilde;es acerca das diferen&ccedil;as    nos n&iacute;veis de stresse em ambas as profiss&otilde;es (Keinan &amp; Maslach-Pines,    2007), n&atilde;o existem dados suficientes na literatura que nos permitam formular    hip&oacute;teses que sustentem adequadamente estas diferen&ccedil;as e que esclare&ccedil;am    a import&acirc;ncia dos aspectos pessoais e profissionais na experi&ecirc;ncia    de stresse. Neste sentido, opt&aacute;mos neste estudo por analisar de um modo    descritivo, correlacional e comparativo a natureza das fun&ccedil;&otilde;es    exercidas pelos profissionais de seguran&ccedil;a p&uacute;blica e prisional.  </P >     <p>Os trabalhos de campo foram realizados separadamente nas duas amostras de participantes, em per&iacute;odos temporais semelhantes (mesmo ano civil), efectuando-se a jun&ccedil;&atilde;o dos dados de ambos os estudos para efeitos deste trabalho. </P >     <p>Ambos os estudos procuraram seguir, do ponto de vista conceptual e metodol&oacute;gico,    as indica&ccedil;&otilde;es de Hart, Wearing, e Headey (1995) ao sugerirem que    o problema do stresse ocupacional nas for&ccedil;as de seguran&ccedil;a ser&aacute;    melhor compreendido se forem tidas em considera&ccedil;&atilde;o vari&aacute;veis    de cariz individual, laboral e organizacional. Desta forma, procur&aacute;mos    abordar o tema do stresse ocupacional de uma forma abrangente, incluindo a rela&ccedil;&atilde;o    com vari&aacute;veis psicol&oacute;gicas (e.g., &ldquo;burnout&rdquo;, satisfa&ccedil;&atilde;o    com a vida), ocupacionais (e.g., satisfa&ccedil;&atilde;o profissional) e organizacionais    (e.g., comprometimento relativamente ao local de trabalho). Assim sendo, o trabalho    levado a cabo pretendeu atingir os seguintes objectivos: </P >     <p>a) Examinar a frequ&ecirc;ncia e preval&ecirc;ncia de vari&aacute;veis psicol&oacute;gicas, ocupacionais e organizacionais associadas ao exerc&iacute;cio profissional dos participantes (e.g., n&iacute;vel global de stresse, &ldquo;burnout&rdquo;, satisfa&ccedil;&atilde;o profissional e desejo de abandonar a profiss&atilde;o); </P >    <p>b) Analisar as associa&ccedil;&otilde;es entre as vari&aacute;veis em estudo; </P >    <p>c) Observar as diferen&ccedil;as entre os grupos de profissionais a exercerem em contexto prisional e p&uacute;blico em termos das vari&aacute;veis psicol&oacute;gicas avaliadas; e </P >    <p>d) Identificar a import&acirc;ncia de vari&aacute;veis pessoais e profissionais na distin&ccedil;&atilde;o da experi&ecirc;ncia profissional em ambas as for&ccedil;as de seguran&ccedil;a. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="center" >M&Eacute;TODO </P >    <p><I>Amostra </I></P >    <p>Nas for&ccedil;as de seguran&ccedil;a p&uacute;blica participaram 95 profissionais, enquanto que nas for&ccedil;as de seguran&ccedil;a prisional foram inclu&iacute;dos 237 profissionais. Todos os participantes exerciam as suas fun&ccedil;&otilde;es na zona Norte do pa&iacute;s. As principais caracter&iacute;sticas pessoais e profissionais de ambas as amostras s&atilde;o descritas no Quadro 1. </P >    <p><I>Instrumentos e medidas </I></P >    <p>Foi administrado a todos os profissionais um conjunto de instrumentos destinados a obter informa&ccedil;&otilde;es acerca das vari&aacute;veis em an&aacute;lise neste estudo. </P >     <p><I>Question&aacute;rio demogr&aacute;fico. </I>Este instrumento, para al&eacute;m    de obter informa&ccedil;&otilde;es acerca do sexo, idade, estado civil e n&uacute;mero    de filhos, recolheu dados relativamente &agrave; forma&ccedil;&atilde;o acad&eacute;mica,    bem como &agrave;s caracter&iacute;sticas e condi&ccedil;&otilde;es gerais de    trabalho (e.g., contexto de ac&ccedil;&atilde;o, categoria profissional, fun&ccedil;&otilde;es    desempenhadas, experi&ecirc;ncia profissional e horas de trabalho por semana);  </P >     <p>&nbsp;</P >     <P   align="center" >QUADRO 1 </P >     <p align="center"><I>Caracter&iacute;sticas pessoais e profissionais da amostra    (N=332) </I></P >     <p align="center"><img src="/img/revistas/aps/v28n1/28n1a12q1.jpg" width="693" height="244"></P >     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</P >     <p><I>N&iacute;vel Global de Stresse </I>(NGS). Trata-se de uma medida desenvolvida a partir dos trabalhos originais de Kyriacou e Sutcliffe (1978). O instrumento &eacute; representado por um &uacute;nico item, avaliando a percep&ccedil;&atilde;o dos participantes face ao n&iacute;vel geral de stresse que sentem na sua actividade profissional (Gomes, Melo, &amp; Cruz, 2000). A escala de resposta &eacute; de cinco pontos, desde o zero (Nenhum stresse) at&eacute; ao quatro (Elevado stresse), dando-nos indica&ccedil;&otilde;es acerca do modo como cada profissional percepciona a sua actividade laboral; </P >    <p><I>Invent&aacute;rio de &ldquo;Burnout&rdquo; de Maslach &ndash; Vers&atilde;o Geral </I>(IBM-VG). Trata-se da vers&atilde;o traduzida e adaptada por Gomes (2007) a partir dos trabalhos originais de Maslach, Jackson, e Leiter (1996) e Schaufeli, Leiter, Maslach, e Jackson (1996). Este instrumento foi desenvolvido com o objectivo de avaliar os n&iacute;veis de &ldquo;burnout&rdquo; evidenciados por trabalhadores n&atilde;o inclu&iacute;dos nas tradicionais profiss&otilde;es de ajuda da &aacute;rea da sa&uacute;de. Assim sendo, o IBM-VG &eacute; um instrumento de auto-registo acerca dos sentimentos relacionados com o trabalho, distribuindo-se por tr&ecirc;s dimens&otilde;es: (i) exaust&atilde;o emocional: analisa os sentimentos de sobrecarga e exaust&atilde;o emocional devido &agrave;s exig&ecirc;ncias do trabalho (e.g., sensa&ccedil;&atilde;o de esgotamento com o trabalho); </P >    <p>(ii) cinismo: pretende medir as respostas de indiferen&ccedil;a e as atitudes de distanciamento relativamente ao trabalho (e.g., d&uacute;vidas acerca da import&acirc;ncia e interesse da profiss&atilde;o) e (iii) efic&aacute;cia profissional: usada para avaliar as expectativas de efic&aacute;cia dos profissionais relativamente ao trabalho (e.g., sentimentos positivos acerca da capacidade pessoal para resolver os problemas). O invent&aacute;rio &eacute; constitu&iacute;do por 16 afirma&ccedil;&otilde;es, distribu&iacute;das pelas tr&ecirc;s subescalas referidas, sendo os itens respondidos numa escala tipo &ldquo;Likert&rdquo; de sete pontos (0=Nunca; 6=Todos os dias). A pontua&ccedil;&atilde;o &eacute; obtida atrav&eacute;s da soma dos itens de cada dimens&atilde;o, dividindo-se depois o valor encontrado pelo n&uacute;mero de itens que constituem cada subescala. Assim, os resultados totais podem variar entre um m&iacute;nimo de zero e um m&aacute;ximo de seis. O valor m&aacute;ximo reflecte elevados &iacute;ndices de exaust&atilde;o emocional, cinismo e efic&aacute;cia profissional. A interpreta&ccedil;&atilde;o dos resultados deve ser efectuada de um modo parcial, em cada subescala, sendo estas consideradas isoladamente e n&atilde;o atrav&eacute;s de uma combina&ccedil;&atilde;o dos valores num &uacute;nico valor/factor global (Maslach, Jackson, &amp; Leiter, 1996). Neste sentido, elevados n&iacute;veis de &ldquo;burnout&rdquo; est&atilde;o associados a maiores &ldquo;scores&rdquo; de exaust&atilde;o emocional e cinismo, mas tamb&eacute;m a baixos &ldquo;scores&rdquo; de efic&aacute;cia profissional. Mais &agrave; frente neste trabalho, apresentamos os crit&eacute;rios de c&aacute;lculo dos valores de &ldquo;burnout&rdquo; em cada uma das tr&ecirc;s dimens&otilde;es; </P >    <p><I>Escala de Comprometimento Organizacional </I>(ECO). Este instrumento foi traduzido e adaptado por Gomes (2006b) a partir dos trabalhos originais de Mowday, Steers, e Porter (1979). A escala visa avaliar os sentimentos, atitudes e valores positivos assumidos pelos profissionais relativamente ao seu local de trabalho (e.g., sentimento de orgulho por fazer parte da organiza&ccedil;&atilde;o em causa, disponibilidade para fazer sacrif&iacute;cios pessoais em nome da organiza&ccedil;&atilde;o, etc.). A vers&atilde;o original &eacute; constitu&iacute;da por quinze itens sendo, no entanto, poss&iacute;vel utilizar apenas nove itens de modo a extrair o factor original avaliado pelo instrumento (ver Mowday, Porter, &amp; Steers, 1982). Os itens s&atilde;o respondidos numa escala tipo &ldquo;Likert&rdquo; de cinco pontos (1=Discordo totalmente; 5=Concordo totalmente), extraindo-se um &ldquo;score&rdquo; total resultante da soma das pontua&ccedil;&otilde;es obtidas, dividindo-se depois o valor encontrado pelo n&uacute;mero de itens da escala; </P >    <p><I>Escala de Satisfa&ccedil;&atilde;o com a Vida </I>(ESV). Este instrumento foi traduzido e adaptado por Neto (1993, 1999) a partir dos trabalhos originais de Diener, Emmons, Larsen, e Griffin (1985). A escala tem por objectivo avaliar a satisfa&ccedil;&atilde;o com a vida enquanto processo cognitivo (julgamento pessoal acerca da vida), assumindo-se que &eacute; mais relevante solicitar &agrave; pessoa uma an&aacute;lise global da sua vida do que efectuar uma avalia&ccedil;&atilde;o da satisfa&ccedil;&atilde;o em dom&iacute;nios espec&iacute;ficos da vida. O instrumento &eacute; constitu&iacute;do por cinco itens, apresentados num formato tipo &ldquo;Likert&rdquo; de cinco pontos (1=Discordo muito; 5=Concordo muito), solicitando-se aos indiv&iacute;duos que avaliem a sua vida em geral (ex.: &ldquo;as minhas condi&ccedil;&otilde;es de vida s&atilde;o excelentes&rdquo;). A pontua&ccedil;&atilde;o final &eacute; calculada atrav&eacute;s da soma dos valores obtidos em cada um dos cinco itens; </P >    <p><I>Escala de Satisfa&ccedil;&atilde;o e Realiza&ccedil;&atilde;o </I>(ESR): Este instrumento foi desenvolvido com o objectivo de avaliar os n&iacute;veis de satisfa&ccedil;&atilde;o e realiza&ccedil;&atilde;o profissional (Gomes, Melo, &amp; Cruz, 2000) e teve por base instrumentos similares utilizados por Boice e Myers (1987), Rodolfa e Kraft (1988) e Thoresen, Miller, e Krauskopf (1989). Para este estudo, foram utilizadas tr&ecirc;s quest&otilde;es acerca da carreira e satisfa&ccedil;&atilde;o profissional, nomeadamente: (i) a vontade em optar pelo mesmo trabalho se os indiv&iacute;duos tivessem uma nova oportunidade de escolher uma sa&iacute;da profissional (respostas numa escala dicot&oacute;mica de &ldquo;sim&rdquo; e &ldquo;n&atilde;o&rdquo;); (ii) o n&iacute;vel de satisfa&ccedil;&atilde;o profissional actual; e (iii) o desejo de abandonar a profiss&atilde;o durante os pr&oacute;ximos cinco anos. Estas &uacute;ltimas duas quest&otilde;es foram apresentadas numa escala tipo &ldquo;Likert&rdquo; de seis pontos (1=Muito Baixo; 6=Muito Alto), significando os valores mais elevados nos diferentes itens maior satisfa&ccedil;&atilde;o profissional bem como um maior desejo de abandonar a profiss&atilde;o. </P >    <p><I>Procedimento </I></P >    <p>As investiga&ccedil;&otilde;es iniciaram-se com o pedido de autoriza&ccedil;&atilde;o aos servi&ccedil;os respons&aacute;veis por ambas as for&ccedil;as de seguran&ccedil;a, explicando-se os objectivos do estudo e os procedimentos a implementar na recolha, tratamento e divulga&ccedil;&atilde;o dos dados. Ap&oacute;s a anu&ecirc;ncia daquelas entidades, iniciou-se o trabalho de campo propriamente dito, contactando-se os respons&aacute;veis directos em cada local de trabalho. </P >     <p>No que diz respeito ao recrutamento dos participantes, o m&eacute;todo de recolha    de dados diferiu nos dois estudos de campo. Assim, no caso das for&ccedil;as    de seguran&ccedil;a p&uacute;blica a entrega e recolha dos dados foram efectuadas    num &uacute;nico momento (em dia de instru&ccedil;&atilde;o de modo a n&atilde;o    interferir com o desenrolar normal do servi&ccedil;o), enquanto que no caso    das for&ccedil;as de seguran&ccedil;a prisional tivemos de adoptar mais um m&eacute;todo    de recolha, para al&eacute;m do directo. Assim, alguns participantes n&atilde;o    puderam preencher o question&aacute;rio no local de trabalho, devido a especificidades    de servi&ccedil;o, levando o protocolo para casa. Ap&oacute;s o preenchimento,    foi disponibilizado um local pr&oacute;prio, com uma urna devidamente fechada,    para o dep&oacute;sito do envelope. De qualquer modo, em ambos os casos foram    apresentados os objectivos e implica&ccedil;&otilde;es dos estudos, assegurando-se    a participa&ccedil;&atilde;o volunt&aacute;ria, o anonimato e a confidencialidade    das respostas. Apenas os participantes que anu&iacute;ram a estas condi&ccedil;&otilde;es    integraram as amostras. Assim sendo, o protocolo que englobava os instrumentos    atr&aacute;s referidos foi distribu&iacute;do junto de 95 profissionais de seguran&ccedil;a    p&uacute;blica, tendo sido recebidos e considerados v&aacute;lidos para efeitos    do presente estudo todos os question&aacute;rios entregues (retorno de 100%).    No caso, das for&ccedil;as de seguran&ccedil;a prisional, foram distribu&iacute;dos    380 protocolos e recolhidos 238, o que perfaz uma taxa de retorno de 62.6%.  </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="center" >RESULTADOS </P >    <p>Antes de realizarmos as an&aacute;lises comparativas entre os grupos profissionais, test&aacute;mos a estrutura factorial dos instrumentos, recorrendo a an&aacute;lises de componentes principais, sem pr&eacute;-defini&ccedil;&atilde;o do n&uacute;mero de factores, atrav&eacute;s da rota&ccedil;&atilde;o ortogonal. De igual modo, observ&aacute;mos os &iacute;ndices de consist&ecirc;ncia interna das subescalas (&ldquo;alpha&rdquo; de Cronbach). As an&aacute;lises foram efectuadas separadamente nas duas amostras, testando-se cada um dos instrumentos nos dois grupos profissionais. De um modo geral, os resultados encontrados reflectiram as estruturas originais dos instrumentos e os valores de consist&ecirc;ncia interna foram muito aceit&aacute;veis, situando-se acima do valor de .70 (ver Quadro 2). No entanto, dois aspectos merecem ser real&ccedil;ados pela negativa. Em primeiro lugar, a dimens&atilde;o do cinismo da IBM-VG teve um valor de &ldquo;alpha&rdquo; relativamente baixo na amostra das for&ccedil;as de seguran&ccedil;a p&uacute;blica (&alpha;=.64) e perdeu um item em ambas as amostras. De facto, apesar do valor de &ldquo;alpha&rdquo; se encontrar abaixo do valor de.70 recomendado por Nunnally (1978), este resultado reflecte as mesmas dificuldades enunciadas pelos autores do instrumento (Maslach, Jackson, &amp; Leiter, 1996) bem como noutros estudos (ver Leiter &amp; Durup, 1996). Neste sentido, opt&aacute;mos por manter a subescala nas an&aacute;lises subsequentes deste estudo alertando-se, no entanto, para o valor verificado. Em segundo lugar, a escala de comprometimento organizacional tamb&eacute;m ficou melhor organizada sem um dos itens na amostra de seguran&ccedil;a p&uacute;blica. Dado o facto do valor de &ldquo;alpha&rdquo; ser muito aceit&aacute;vel, tamb&eacute;m opt&aacute;mos por manter a escala nas an&aacute;lises subsequentes. </P >    <p><I>Estat&iacute;sticas descritivas e associa&ccedil;&otilde;es entre as vari&aacute;veis </I></P >    <p>Come&ccedil;ando pelo &ldquo;n&iacute;vel global de stresse&rdquo;, encontr&aacute;mos valores relativamente pr&oacute;ximos entre ambas as amostras quando efectu&aacute;mos uma jun&ccedil;&atilde;o dos valores &ldquo;bastante&rdquo; e &ldquo;elevado&rdquo; da escala &ldquo;Likert&rdquo;. Assim, 50% dos profissionais de seguran&ccedil;a p&uacute;blica e 59% dos profissionais de seguran&ccedil;a prisional percepcionaram a sua profiss&atilde;o como muito stressante. </P >    <p>Relativamente aos n&iacute;veis de esgotamento, utiliz&aacute;mos as indica&ccedil;&otilde;es sugeridas por Shirom (1989) para calcular os valores problem&aacute;ticos em cada uma das tr&ecirc;s facetas do &ldquo;burnout&rdquo;. Neste caso, o autor prop&otilde;e a utiliza&ccedil;&atilde;o dos valores da escala &ldquo;Likert&rdquo; como refer&ecirc;ncia para estabelecer os &ldquo;pontos&rdquo; de corte das tr&ecirc;s escalas, sugerindo dois crit&eacute;rios de c&aacute;lculo alternativos, um menos restritivo (valor igual ou superior &agrave; frequ&ecirc;ncia &ldquo;algumas vezes por m&ecirc;s&rdquo; na escala &ldquo;Likert&rdquo;) e outro mais conservador (valor igual ou superior &agrave; frequ&ecirc;ncia &ldquo;algumas vezes por semana&rdquo; na escala &ldquo;Likert&rdquo;). No nosso caso, procur&aacute;mos adoptar um crit&eacute;rio interm&eacute;dio que conciliasse estes dois, assumindo-se como valor de corte a frequ&ecirc;ncia &ldquo;uma vez por semana&rdquo; da escala &ldquo;Likert&rdquo; para as dimens&otilde;es de exaust&atilde;o emocional e cinismo e &ldquo;uma vez por m&ecirc;s&rdquo; para a dimens&atilde;o efic&aacute;cia profissional (recordamos que nesta &uacute;ltima dimens&atilde;o a leitura dos resultados deve ser efectuada em sentido inverso, ou seja, valores menos elevados na escala significam menor sentimento de efic&aacute;cia profissional). Come&ccedil;ando pelos valores encontrados na dimens&atilde;o de exaust&atilde;o emocional, 25.5% (<I>n</I>=60) das for&ccedil;as de seguran&ccedil;a prisional e 11.8% das for&ccedil;as de seguran&ccedil;a p&uacute;blica (<I>n</I>=11) apresentaram problemas nesta dimens&atilde;o. Por outro lado, 20.9% das for&ccedil;as de seguran&ccedil;a prisional (n=49) e 6.5% das for&ccedil;as de seguran&ccedil;a p&uacute;blica (n=6) evidenciaram dificuldades ao n&iacute;vel do cinismo. Na terceira faceta deste instrumento, 3.4% das for&ccedil;as de seguran&ccedil;a prisional (<I>n</I>=8) e 7.6% das for&ccedil;as de seguran&ccedil;a p&uacute;blica (<I>n</I>=7) assumiram baixa percep&ccedil;&atilde;o de efic&aacute;cia profissional. Numa an&aacute;lise conjunta da ocorr&ecirc;ncia de &ldquo;burnout&rdquo; nas tr&ecirc;s dimens&otilde;es avaliadas pelo instrumento, nenhum dos profissionais a exercer em contextos p&uacute;blicos demonstrou concomitantemente &iacute;ndices problem&aacute;ticos nas tr&ecirc;s facetas, enquanto na amostra dos profissionais em contextos prisionais apenas um dos participantes reuniu as condi&ccedil;&otilde;es para &ldquo;burnout&rdquo; pleno. </P >    <p>Quanto aos indicadores de satisfa&ccedil;&atilde;o profissional, alguns dados merecem ser destacados. Em primeiro lugar, registe-se o facto de 47.7% dos profissionais de seguran&ccedil;a prisional e 24.2% dos profissionais de seguran&ccedil;a p&uacute;blica afirmarem que n&atilde;o voltariam a escolher a mesma sa&iacute;da profissional se tivessem uma nova oportunidade de optar por uma actividade laboral. No que diz respeito &agrave; satisfa&ccedil;&atilde;o profissional, verificou-se que 18.5% dos profissionais de seguran&ccedil;a prisional e 7.4% dos profissionais de seguran&ccedil;a p&uacute;blica se mostraram bastante insatisfeitos com a profiss&atilde;o, enquanto 22.8% dos profissionais de seguran&ccedil;a prisional e 36.9% dos profissionais de seguran&ccedil;a p&uacute;blica est&atilde;o bastante satisfeitos com a sua actividade (a satisfa&ccedil;&atilde;o moderada &eacute; a caracter&iacute;stica mais comum dos participantes de ambas as amostras). No caso do desejo de abandonar a profiss&atilde;o, os valores s&atilde;o muito baixos para a maioria dos indiv&iacute;duos (54.8% dos profissionais de seguran&ccedil;a prisional e 70.5% dos profissionais de seguran&ccedil;a p&uacute;blica) e muito altos para um menor n&uacute;mero de participantes (19.4% dos profissionais de seguran&ccedil;a prisional e 8.5% dos profissionais de seguran&ccedil;a p&uacute;blica). </P >    <p>Os valores m&eacute;dios e desvio-padr&atilde;o de todas estas vari&aacute;veis podem ser encontrados no Quadro 2. </P >     <p>Por &uacute;ltimo, as an&aacute;lises das associa&ccedil;&otilde;es existentes    entre as vari&aacute;veis em estudo foram realizadas atrav&eacute;s do c&aacute;lculo    dos coeficientes de correla&ccedil;&atilde;o de Pearson, descrevendo-se os valores    encontrados no Quadro 2. Numa an&aacute;lise global dos resultados, pode verificar-se    uma correspond&ecirc;ncia entre a &ldquo;direc&ccedil;&atilde;o&rdquo; das rela&ccedil;&otilde;es    obtidas nas vari&aacute;veis avaliadas em ambas as amostras. No entanto, a &ldquo;for&ccedil;a&rdquo;    das rela&ccedil;&otilde;es observadas &eacute;, em v&aacute;rios casos, mais    evidente na amostra das for&ccedil;as de seguran&ccedil;a prisional. De qualquer    modo, as rela&ccedil;&otilde;es entre as vari&aacute;veis foram no sentido esperado,    uma vez que as facetas mais &ldquo;indesej&aacute;veis&rdquo; (e.g., n&iacute;vel    global de stresse, exaust&atilde;o emocional, cinismo e desejo de abandonar    a profiss&atilde;o) associaram-se negativamente &agrave;s &aacute;reas mais    &ldquo;desej&aacute;veis&rdquo; (e.g., expectativas de efic&aacute;cia profissional,    comprometimento organizacional, satisfa&ccedil;&atilde;o com a vida e satisfa&ccedil;&atilde;o    profissional). Algumas excep&ccedil;&otilde;es a este padr&atilde;o de resultados    foram encontradas na amostra das for&ccedil;as de seguran&ccedil;a p&uacute;blica,    devido ao facto de n&atilde;o se terem registado valores significativos em algumas    das associa&ccedil;&otilde;es. Um dos casos mais interessantes prende-se com    o facto do n&iacute;vel global de stresse, exaust&atilde;o emocional, cinismo,    satisfa&ccedil;&atilde;o com a vida e satisfa&ccedil;&atilde;o profissional    n&atilde;o terem assumido qualquer rela&ccedil;&atilde;o com a percep&ccedil;&atilde;o    de efic&aacute;cia profissional, sugerindo-se, assim, que esta dimens&atilde;o    foi mais &ldquo;sens&iacute;vel&rdquo; aos aspectos organizacionais do trabalho    do que aos individuais, uma vez que a efic&aacute;cia se correlacionou positivamente    com o comprometimento organizacional e negativamente com o desejo de abandonar    a profiss&atilde;o. </P >     <p>&nbsp;</P >     <P   align="center" >QUADRO 2 </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="center" ><I>M&eacute;dia, desvio-padr&atilde;o e correla&ccedil;&otilde;es entre as vari&aacute;veis    em estudo </I></P >     <P align="center"   ><img src="/img/revistas/aps/v28n1/28n1a12q2.jpg" width="696" height="335"></P >     
<p>&nbsp;</P >     <p><I>Diferen&ccedil;as entre os grupos profissionais nas dimens&otilde;es avaliadas </I></P >     <p>Nesta etapa do estudo, efectu&aacute;mos dois tipos de an&aacute;lises principais.    Por um lado, analis&aacute;mos a exist&ecirc;ncia de diferen&ccedil;as entre    os grupos profissionais nas vari&aacute;veis psicol&oacute;gicas avaliadas,    utilizando-se an&aacute;lises de vari&acirc;ncia univariadas (nos instrumentos    unidimensionais) e multivariadas (nos instrumentos multidimensionais). Por outro    lado, dividimos as amostras em fun&ccedil;&atilde;o de algumas caracter&iacute;sticas    pessoais e profissionais e test&aacute;mos separadamente a exist&ecirc;ncia    de diferen&ccedil;as entre ambos os grupos, usando-se an&aacute;lises de vari&acirc;ncia    univariadas. Neste &uacute;ltimo caso, procur&aacute;mos sempre obter o m&aacute;ximo    de equival&ecirc;ncia nos participantes inclu&iacute;dos nos subgrupos, garantindo-se    valores m&iacute;nimos aproximados de 30 pessoas em cada compara&ccedil;&atilde;o    realizada. Foi esta raz&atilde;o que justificou o facto de algumas dimens&otilde;es,    como as diferen&ccedil;as de sexo, n&atilde;o terem sido objecto de aprecia&ccedil;&atilde;o    nas an&aacute;lises que se seguem. </P >     <p>Come&ccedil;ando pela compara&ccedil;&atilde;o entre os dois grupos profissionais em fun&ccedil;&atilde;o das pontua&ccedil;&otilde;es nos instrumentos de avalia&ccedil;&atilde;o psicol&oacute;gica, verificou-se a exist&ecirc;ncia de diferen&ccedil;as significativas em praticamente todas as vari&aacute;veis (exceptuando o n&iacute;vel global de stresse) (ver Quadro 3). Assim, no que respeita ao Invent&aacute;rio de &ldquo;Burnout&rdquo; de Maslach, foram encontradas diferen&ccedil;as significativas entre os grupos [Wilks&rsquo; Lambda=.94, <I>F</I>(3,324)=7.24, <I>p</I>&lt;.001], tendo os testes univariados demonstrado que os profissionais em contexto prisional assumiram maiores n&iacute;veis de exaust&atilde;o emocional e cinismo. Para o comprometimento organizacional e satisfa&ccedil;&atilde;o com a vida, tamb&eacute;m foram verificadas diferen&ccedil;as significativas entre os grupos, tendo os testes univariados evidenciado menores valores nestas duas dimens&otilde;es nas for&ccedil;as de seguran&ccedil;a prisional. Relativamente &agrave;s subescalas da ESR, as diferen&ccedil;as foram significativas entre os grupos [Wilks&rsquo; Lambda=.95, <I>F</I>(2,322)=8.50, <I>p</I>&lt;.001]. Os testes univariados apontaram menor satisfa&ccedil;&atilde;o profissional e maior desejo de abandonar a profiss&atilde;o nas for&ccedil;as de seguran&ccedil;a prisional. </P >     <P   align="center" >&nbsp;</P >     <P   align="center" >QUADRO 3 </P >    <P   align="center" ><I>M&eacute;dia, desvio padr&atilde;o e valores dos testes univariados nas dimens&otilde;es em estudo</I><I>: </I><I>Diferen&ccedil;as em fun&ccedil;&atilde;o do grupo profissiona</I><I>l</I></P >     <p align="center"><img src="/img/revistas/aps/v28n1/28n1a12q3.jpg" width="691" height="276"></P >     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</P >     <p>Quanto &agrave;s diferen&ccedil;as em fun&ccedil;&atilde;o das caracter&iacute;sticas demogr&aacute;ficas, foram definidos os seguintes agrupamentos de compara&ccedil;&atilde;o: solteiros, casados, at&eacute; cinco anos de experi&ecirc;ncia, mais de cinco anos de experi&ecirc;ncia, at&eacute; 45 horas de trabalho semanais e mais de 45 horas de trabalho semanais. O Quadro 4 indica as diferen&ccedil;as significativas encontradas em cada um dos grupos de compara&ccedil;&atilde;o. </P >     <p>Assim, come&ccedil;ando pelas diferen&ccedil;as entre solteiros, verificou-se    que nas for&ccedil;as de seguran&ccedil;a prisional existe maior exaust&atilde;o,    cinismo e desejo de abandonar a profiss&atilde;o e, inversamente, menor comprometimento    e satisfa&ccedil;&atilde;o profissional do que nos profissionais de seguran&ccedil;a    p&uacute;blica solteiros. Quanto aos casados, temos um padr&atilde;o semelhante    de resultados, uma vez que no contexto prisional existe maior exaust&atilde;o    e cinismo e, pelo contr&aacute;rio, menor comprometimento organizacional, satisfa&ccedil;&atilde;o    com a vida e satisfa&ccedil;&atilde;o profissional. </P >     <p>&nbsp;</P >     <P   align="center" >QUADRO 4 </P >    <P   align="center" ><I>M&eacute;dia, desvio padr&atilde;o e valores dos testes univariados nas dimens&otilde;es em estudo</I><I>: </I><I>Diferen&ccedil;as entre subgrupos em fun&ccedil;&atilde;o das vari&aacute;veis demogr&aacute;fica</I><I>s</I></P >     <P align="center"   ><img src="/img/revistas/aps/v28n1/28n1a12q4.jpg" width="697" height="510"></P >     
<p>&nbsp;</p>     <p>No que diz respeito &agrave;s diferen&ccedil;as entre os profissionais que    t&ecirc;m at&eacute; cinco anos de experi&ecirc;ncia, observouse que a exaust&atilde;o,    o cinismo e o desejo de abandonar o emprego &eacute; maior nos profissionais    de seguran&ccedil;a prisional, enquanto que o comprometimento organizacional    &eacute; maior nos profissionais de seguran&ccedil;a p&uacute;blica. Para aqueles    que t&ecirc;m mais de cinco anos de experi&ecirc;ncia, verificou-se igualmente    o facto da exaust&atilde;o emocional ser maior nos profissionais em contexto    prisional bem como o facto destes evidenciarem menor comprometimento, satisfa&ccedil;&atilde;o    com a vida e satisfa&ccedil;&atilde;o profissional. </p>     <p>Por fim, quando se dividiram as amostras de acordo com o n&uacute;mero de horas de trabalho, n&atilde;o se observaram diferen&ccedil;as significativas entre os grupos que trabalhavam at&eacute; 45 horas por semana. No entanto, a distin&ccedil;&atilde;o entre os profissionais com mais de 45 horas de trabalho j&aacute; revelou v&aacute;rias diferen&ccedil;as significativas. Assim, os profissionais de seguran&ccedil;a prisional manifestaram valores mais elevados de exaust&atilde;o, cinismo e desejo de abandonar a profiss&atilde;o e valores mais reduzidos de comprometimento organizacional, satisfa&ccedil;&atilde;o com a vida e satisfa&ccedil;&atilde;o profissional. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="center" >DISCUSS&Atilde;O </P >    <p>Um dos principais dados a reter nos resultados apresentados prende-se com o facto dos profissionais das for&ccedil;as de seguran&ccedil;a prisional relatarem uma experiencia profissional mais negativa relativamente aos seus colegas das for&ccedil;as de seguran&ccedil;a p&uacute;blica. De facto, e exceptuando o n&iacute;vel global de stresse e a dimens&atilde;o da efic&aacute;cia profissional do IBM-VG, onde n&atilde;o se registaram diferen&ccedil;as entre os grupos, verificaram-se, nos restantes dom&iacute;nios em an&aacute;lise, valores menos positivos nos guardas prisionais, nomeadamente, maior exaust&atilde;o emocional, cinismo e desejo de abandonar a profiss&atilde;o e, inversamente, menor comprometimento organizacional, satisfa&ccedil;&atilde;o com a vida e satisfa&ccedil;&atilde;o profissional. </P >    <p>Analisando em maior detalhe os resultados, alguns aspectos merecem ser destacados. Desde logo, a experi&ecirc;ncia de stresse sugere que a maioria dos participantes sente n&iacute;veis muito significativos de press&atilde;o e tens&atilde;o, comprovando-se assim a relev&acirc;ncia de estudar este tema nestas classes profissionais (frequ&ecirc;ncias a oscilar entre os 50 e os 60%). Estes valores est&atilde;o de acordo com os obtidos noutros estudos (Malach-Pines &amp; Keinan, 2006; Moon &amp; Maxwell, 2004), sendo apenas de destacar o facto de n&atilde;o termos encontrado diferen&ccedil;as nesta dimens&atilde;o entre os dois grupos em an&aacute;lise, isto apesar de os profissionais em contexto prisional percepcionarem n&iacute;veis mais acentuados de stresse ocupacional. De facto, Keinan e Malach-Pines (2007) compararam o n&iacute;vel de stresse em duas amostras de profissionais de seguran&ccedil;a e constataram que os funcion&aacute;rios que trabalhavam em contexto prisional apresentavam valores significativamente mais elevados de stresse do que os que exerciam em contexto de seguran&ccedil;a p&uacute;blica. No que concerne ao &ldquo;burnout&rdquo;, o aspecto mais saliente prende-se com o facto de ser a dimens&atilde;o de exaust&atilde;o emocional a mais elevada em ambas as amostras, seguida do cinismo com valores muito consider&aacute;veis na amostra de profissionais de seguran&ccedil;a prisional. Curiosamente, a faceta da percep&ccedil;&atilde;o de efic&aacute;cia profissional parece n&atilde;o acompanhar os resultados das outras dimens&otilde;es da escala de &ldquo;burnout&rdquo;. Este padr&atilde;o de resultados foi igualmente relatado por Lee e Ashforth (1993), tendo sido avan&ccedil;ada como hip&oacute;tese explicadora o facto do trabalho das for&ccedil;as de seguran&ccedil;a ser realizado num clima laboral altamente burocr&aacute;tico, hier&aacute;rquico e com normas r&iacute;gidas, acabando por evitar os sentimentos de inefic&aacute;cia, devido &agrave; diminui&ccedil;&atilde;o de expectativas positivas de mudan&ccedil;a por parte dos profissionais e &agrave; falta de autonomia e controlo que, apesar de reduzirem os sentimentos de gratifica&ccedil;&atilde;o e realiza&ccedil;&atilde;o pessoal, n&atilde;o parecem implicar uma diminui&ccedil;&atilde;o no sentimento de efic&aacute;cia profissional. Neste sentido, os dados do nosso estudo encontram maior conformidade na posi&ccedil;&atilde;o que tem vindo a ser assumida por alguns autores sobre o facto do &ldquo;burnout&rdquo; parecer ser melhor entendido pelas dimens&otilde;es de exaust&atilde;o emocional e cinismo (ou despersonaliza&ccedil;&atilde;o, consoante as escalas utilizadas), assumindo as expectativas de efic&aacute;cia profissional um car&aacute;cter independente no entendimento deste fen&oacute;meno (Cordes &amp; Dougherty, 1993; Demerouti, Bakker, Nachreiner, &amp; Schaufeli, 2001). Seja como for, os valores elevados encontrados nas dimens&otilde;es de exaust&atilde;o emocional (ambas as amostras) e cinismo (no caso dos profissionais de seguran&ccedil;a prisional) confirmam parcialmente outros estudos onde se observaram valores problem&aacute;ticos nas tr&ecirc;s &aacute;reas do &ldquo;burnout&rdquo; (Cantisano &amp; Dom&iacute;nguez, 2005; Hern&aacute;ndez-Mart&iacute;n et al., 2006; Keinan &amp; Malach-Pines, 2007; Neveu, 2007; Sotomayor &amp; Pombar, 2005). J&aacute; no que diz respeito aos indicadores de satisfa&ccedil;&atilde;o profissional, um dos aspectos mais significativos prende-se com o facto de quase metade dos profissionais de seguran&ccedil;a prisional manifestarem que n&atilde;o voltariam a escolher a mesma ocupa&ccedil;&atilde;o se tivessem uma nova oportunidade de escolher uma sa&iacute;da profissional, existindo tamb&eacute;m uma percentagem assinal&aacute;vel de profissionais bastante insatisfeitos com o seu trabalho. Curiosamente, este padr&atilde;o de resultados foi tamb&eacute;m observado noutros estudos realizados com guardas prisionais (Cantisano &amp; Dom&iacute;nguez, 2005), enquanto que os valores encontrados nas for&ccedil;as de seguran&ccedil;a p&uacute;blica (com maior satisfa&ccedil;&atilde;o profissional e menor desejo de abandonar a profiss&atilde;o) tamb&eacute;m foram relatados noutros trabalhos (ver Maslach-Pines &amp; Keinan, 2006). </P >    <p>Quanto &agrave;s diferen&ccedil;as entre os subgrupos das duas amostras, constatou-se que as for&ccedil;as de seguran&ccedil;a prisional assumiram, em praticamente todos os casos analisados, viv&ecirc;ncias laborais mais negativas. N&atilde;o deixa de ser significativo que, independentemente do estado civil, experi&ecirc;ncia profissional e hor&aacute;rio de trabalho, sejam sempre os guardas prisionais a evidenciarem maior &ldquo;burnout&rdquo; e desejo de abandonar a profiss&atilde;o, em paralelo com menor comprometimento organizacional, satisfa&ccedil;&atilde;o com a vida e satisfa&ccedil;&atilde;o profissional. A &uacute;nica excep&ccedil;&atilde;o a estes resultados prendeu-se com a compara&ccedil;&atilde;o entre profissionais a trabalharem at&eacute; 45 horas semanais, sugerindo, assim, a import&acirc;ncia que esta medida de organiza&ccedil;&atilde;o laboral poder&aacute; ter no amenizar destas diferen&ccedil;as t&atilde;o indesej&aacute;veis. </P >    <p>As an&aacute;lises das correla&ccedil;&otilde;es entre as vari&aacute;veis em estudo ajudam a explicar estes resultados. De facto, constatou-se que, no caso dos participantes a exercerem em contexto prisional, todas as vari&aacute;veis se correlacionam significativamente entre si e no sentido esperado, isto &eacute;, quanto mais stresse, exaust&atilde;o emocional, cinismo e desejo de abandonar o trabalho, menor sentimento de efic&aacute;cia profissional, comprometimento organizacional e satisfa&ccedil;&atilde;o com a vida e com o trabalho. J&aacute; no caso das for&ccedil;as de seguran&ccedil;a p&uacute;blica, apesar das associa&ccedil;&otilde;es assumirem este mesmo sentido, verificou-se que nem todas elas apresentaram valores de relevo estat&iacute;stico. </P >    <p>A raz&atilde;o de ser do facto das for&ccedil;as de seguran&ccedil;a prisional assumirem viv&ecirc;ncias pessoais e profissionais mais desfavor&aacute;veis tem vindo a ser explorada na investiga&ccedil;&atilde;o nacional e internacional. De facto, para al&eacute;m dos factores de risco que tornam estas profiss&otilde;es especialmente suscept&iacute;veis ao stresse, &ldquo;burnout&rdquo; e fen&oacute;menos associados, Morgan e colaboradores (2002) afirmam que os funcion&aacute;rios das pris&otilde;es n&atilde;o t&ecirc;m a prepara&ccedil;&atilde;o adequada ao n&iacute;vel das estrat&eacute;gias de confronto para lidar com a press&atilde;o inerente ao ambiente prisional e essa pode ser uma das principais raz&otilde;es pelas quais acabam por lidar pior com este fen&oacute;meno. </P >    <p>Em s&iacute;ntese, os resultados deste trabalho apontam claramente a relev&acirc;ncia do stresse profissional nas for&ccedil;as de seguran&ccedil;a, sejam elas de car&aacute;cter p&uacute;blico ou prisional. Fica tamb&eacute;m evidente que a compreens&atilde;o deste problema n&atilde;o se deve focalizar apenas no plano individual, sendo fundamental incluir vari&aacute;veis sociais e organizacionais que ajudem a contextualizar as problem&aacute;ticas inerentes a estas ocupa&ccedil;&otilde;es. Note-se que uma das implica&ccedil;&otilde;es pr&aacute;ticas deste estudo &eacute; a de que eventuais planos de interven&ccedil;&atilde;o destinados &agrave; preven&ccedil;&atilde;o e/ou redu&ccedil;&atilde;o do stresse ter&atilde;o que ter em conta o contexto laboral em que esta actividade se desenvolve e as vari&aacute;veis pessoais e profissionais dos indiv&iacute;duos inseridos em cada uma das for&ccedil;as de seguran&ccedil;a. </P >     <p>Relativamente &agrave;s limita&ccedil;&otilde;es deste estudo, a generaliza&ccedil;&atilde;o    dos resultados deve ser cuidadosa, uma vez que todos os participantes exerciam    as suas fun&ccedil;&otilde;es numa &uacute;nica regi&atilde;o do pa&iacute;s.    Por outro lado, torna-se importante desenvolver investiga&ccedil;&otilde;es    de natureza qualitativa que nos permitam compreender com maior profundidade    as complexidades pr&oacute;prias destas profiss&otilde;es. Finalmente, o car&aacute;cter    transversal do trabalho realizado n&atilde;o possibilita o estabelecimento de    rela&ccedil;&otilde;es causais entre as vari&aacute;veis, fazendo, por isso,    sentido implementar estudos de natureza longitudinal. Seja como for, e apesar    das limita&ccedil;&otilde;es referidas, julgamos que este estudo veio promover    um melhor conhecimento sobre esta realidade, respondendo ao apelo de alguns    autores sobre a necessidade de maior investiga&ccedil;&atilde;o em popula&ccedil;&otilde;es    de risco, como &eacute; o caso dos profissionais de seguran&ccedil;a (Cooper    et al., 2001). </P >     <p>&nbsp;</P >     <P   align="center" ><b>REFER&Ecirc;NCIAS </b></P >     ]]></body>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Stresse ocupacional em profissionais de segurança pública: Um estudo com militares da Guarda Nacional Republicana]]></article-title>
<source><![CDATA[Psicologia: Reflexão e Crítica]]></source>
<year>2009</year>
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<issue>2</issue>
<page-range>294-303</page-range></nlm-citation>
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