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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Sugestionabilidade interrogativa em crianças de 8 e 9 anos de idade]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[To study the influence of the variables age, intelligence, memory, general anxiety and social desirability in suggestibility, 8 and 9-year-old children were assessed using the Bonn Test of Statement Suggestibility (BTSS). The effect of the variables memory and non-verbal intelligence was studied in 145 children while, in a subsample of 74 children, the variables verbal intelligence, general anxiety and social desirability were also taken into account besides the ones previously referred to. Eight-year-old children are more suggestible than older children. In the eight-year-old group, those with better performances in non-verbal intelligence (measured by Raven&#8217;s Coloured Progressive Matrices - RCPM), and in the BTSS story recall are less suggestible compared to the children with worse performances in these tests. Similarly, the worse the performance achieved by nine-year-old children in RCPM, in the BTSS story recall and in the subtests of information, vocabulary and arithmetic of WISC-III are, the more suggestible they are. The children belonging to this age group who show high social desirability (evaluated by RCMAS) are also more suggestible. These results are discussed according to its relevance in the scope of the forensic field.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Ansiedade geral]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>Sugestionabilidade interrogativa em crian&ccedil;as de 8 e 9 anos de idade    </b>     <p><b>Andr&eacute; Costa (*), Maria Salom&eacute; Pinho (*) </b>      <p>&nbsp;     <p>(*) Faculdade de Psicologia e de Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o,    Universidade de Coimbra     <p>&nbsp;     <P   align="left" ><b>RESUMO </b></P >     <p>Para estudar a influ&ecirc;ncia das vari&aacute;veis idade, intelig&ecirc;ncia,    mem&oacute;ria, ansiedade geral e desejabilidade social na sugestionabilidade    avaliaram-se crian&ccedil;as de 8 e 9 anos de idade com o <I>Bonn Test of Statement    Suggestibility </I>(BTSS). Em 145 crian&ccedil;as averiguou-se o efeito das    vari&aacute;veis mem&oacute;ria e intelig&ecirc;ncia n&atilde;o verbal e, numa    subamostra de 74 crian&ccedil;as, para al&eacute;m das vari&aacute;veis referidas,    considerou-se tamb&eacute;m a intelig&ecirc;ncia verbal, ansiedade geral e desejabilidade    social. As crian&ccedil;as de 8 anos s&atilde;o mais sugestion&aacute;veis do    que as crian&ccedil;as mais velhas. No grupo dos 8 anos, aquelas com melhores    desempenhos ao n&iacute;vel da intelig&ecirc;ncia n&atilde;o verbal (medida    pelas Matrizes Progressivas Coloridas de Raven &ndash; MPCR), e na evoca&ccedil;&atilde;o    da hist&oacute;ria do BTSS s&atilde;o menos sugestion&aacute;veis comparativamente    &agrave;s crian&ccedil;as com piores desempenhos nestas provas. De modo an&aacute;logo,    as crian&ccedil;as com 9 anos s&atilde;o tanto mais sugestion&aacute;veis quanto    piores os desempenhos nas MPCR, evoca&ccedil;&atilde;o da hist&oacute;ria do    BTSS e subtestes informa&ccedil;&atilde;o, vocabul&aacute;rio e aritm&eacute;tica    da WISC&ndash;III. As crian&ccedil;as deste grupo et&aacute;rio que apresentam    desejabilidade social elevada (avaliada pela RCMAS) s&atilde;o tamb&eacute;m    mais sugestion&aacute;veis. Estes resultados s&atilde;o discutidos considerando    a sua relev&acirc;ncia para o &acirc;mbito forense. </P >     <p><I>Palavras-chave: </I>Ansiedade geral, Desejabilidade social, Intelig&ecirc;ncia,    Mem&oacute;ria, Sugestionabilidade. </P >     <p>&nbsp;</P >     <P   align="left" ><b>ABSTRACT </b></P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>To study the influence of the variables age, intelligence, memory, general    anxiety and social desirability in suggestibility, 8 and 9-year-old children    were assessed using the <I>Bonn Test of Statement Suggestibility </I>(BTSS).    The effect of the variables memory and non-verbal intelligence was studied in    145 children while, in a subsample of 74 children, the variables verbal intelligence,    general anxiety and social desirability were also taken into account besides    the ones previously referred to. Eight-year-old children are more suggestible    than older children. In the eight-year-old group, those with better performances    in non-verbal intelligence (measured by Raven&rsquo;s Coloured Progressive Matrices    &ndash; RCPM), and in the BTSS story recall are less suggestible compared to    the children with worse performances in these tests. Similarly, the worse the    performance achieved by nine-year-old children in RCPM, in the BTSS story recall    and in the subtests of information, vocabulary and arithmetic of WISC-III are,    the more suggestible they are. The children belonging to this age group who    show high social desirability (evaluated by RCMAS) are also more suggestible.    These results are discussed according to its relevance in the scope of the forensic    field. </P >     <p><I>Key-words: </I>General anxiety, Intelligence, Memory, Social desirability,    Suggestibility. </P >     <p>&nbsp;      <p>&nbsp;     <P   align="center" >INTRODU&Ccedil;&Atilde;O </P >     <p>O estudo aprofundado da sugestionabilidade, que remonta a Binet (e.g., Melnyk,    Crossman, &amp; Scullin, 2007), reveste-se de grande preponder&acirc;ncia no    contexto forense, uma vez que neste a exactid&atilde;o e a integridade dos depoimentos    das testemunhas det&ecirc;m, em muitos casos, uma import&acirc;ncia crucial    para o apuramento do sucedido. Deste modo, considera-se necess&aacute;rio perceber    quais os efeitos que uma quest&atilde;o sugestiva pode surtir nas respostas    das pessoas quando interrogadas sobre um acontecimento (Ceci, Bruck, &amp; Battin,    2000). No que concerne &agrave;s crian&ccedil;as, este tema &eacute; especialmente    relevante, uma vez que sempre que estas s&atilde;o chamadas a participar em    contexto judicial &eacute;, frequentemente, colocada em causa a precis&atilde;o    e fidedignidade do seu testemunho. &Eacute; tamb&eacute;m de sublinhar que    decorrem consequ&ecirc;ncias importantes, nomeadamente para as crian&ccedil;as    e para os suspeitos de transgress&atilde;o, dos conhecimentos que possu&iacute;mos    acerca da capacidade das crian&ccedil;as para contar, em contexto forense, o    que aconteceu (Pipe &amp; Salmon, 2009). </P >     <p>A sugestionabilidade infantil refere-se &agrave; fidedignidade e precis&atilde;o dos relatos das crian&ccedil;as face a acontecimentos experienciados ou por si testemunhados (Ceci &amp; Friedman, 2000; Lyon, 1999; Newcombe &amp; Siegal, 1996). Especificamente, Gudjonsson e Clark (1986, citado em Gudjonsson, 1997) definem a sugestionabilidade interrogativa nos seguintes termos: &ldquo;at&eacute; que ponto, numa interac&ccedil;&atilde;o social fechada, as pessoas tendem a aceitar mensagens difundidas durante um interrogat&oacute;rio formal que afectam, consequentemente, a sua resposta comportamental&rdquo; (p. 1). Nesta defini&ccedil;&atilde;o existem algumas caracter&iacute;sticas fundamentais que devem ser observadas, designadamente: (i) a exist&ecirc;ncia de uma interac&ccedil;&atilde;o social pr&oacute;xima entre o entrevistador e o entrevistado, (ii) um processo de coloca&ccedil;&atilde;o de perguntas, (iii) est&iacute;mulos sugestivos, (iv) aquiesc&ecirc;ncia &agrave; sugest&atilde;o e (v) uma resposta comportamental face &agrave; sugest&atilde;o. </P >    <p>Este modelo de sugestionabilidade interrogativa constitui uma abordagem psicossocial. Assim, os referidos autores partem da ideia segundo a qual este tipo de sugestionabilidade resulta da constru&ccedil;&atilde;o decorrente da rela&ccedil;&atilde;o estabelecida entre o sujeito, o meio e outros sujeitos significativos que pertencem ao mesmo meio (Gudjonsson, 1997). &Eacute; defendida a exist&ecirc;ncia de tr&ecirc;s pr&eacute;-requisitos essenciais para a aquiesc&ecirc;ncia &agrave; sugest&atilde;o, nomeadamente, a incerteza, as expectativas e a confian&ccedil;a interpessoal (Conti, 1999; Gudjonsson, 1997; Schooler &amp; Loftus, 1986). Desta forma, a sugestionabilidade est&aacute; relaciononada com as estrat&eacute;gias de <I>coping </I>a que os sujeitos recorrem perante situa&ccedil;&otilde;es de incerteza e nas quais se confrontam com expectativas relativamente &agrave; situa&ccedil;&atilde;o de interrogat&oacute;rio (Conti, 1999; Trowbridge, 2003). &Agrave; confian&ccedil;a interpessoal est&aacute; subjacente a credibilidade da informa&ccedil;&atilde;o fornecida por outrem e que poder&aacute; levar &agrave; integra&ccedil;&atilde;o dessa informa&ccedil;&atilde;o p&oacute;s-acontecimento na mem&oacute;ria (Scullin &amp; Ceci, 2001). Pelo exposto, de acordo com este referencial te&oacute;rico, a sugestionabilidade ser&aacute; tanto mais elevada quanto maior for o grau de incerteza, a confian&ccedil;a inter-pessoal e as expectativas face &agrave; situa&ccedil;&atilde;o de interrogat&oacute;rio. </P >    <p>Um outro aspecto a ter em considera&ccedil;&atilde;o no modelo de sugestionabilidade interrogativa remete para o <I>feedback </I>fornecido pelos entrevistadores (Gudjonsson, 1997; Nurmoja, 2005), ou seja, para a informa&ccedil;&atilde;o veiculada acerca das respostas do sujeito. Esta assume-se como um elemento crucial, na medida em que refor&ccedil;a ou conduz &agrave; modifica&ccedil;&atilde;o das respostas do entrevistado, podendo apresentar duas val&ecirc;ncias distintas: <I>feedback </I>positivo e <I>feedback </I>negativo. Gudjonsson (1989, 1997) e Nurmoja (2005) destacam a influ&ecirc;ncia do <I>feedback </I>negativo que, tendencialmente, se encontra associado a um aumento da aquiesc&ecirc;ncia &agrave; sugest&atilde;o. Por exemplo, no <I>Bonn Test Statement Suggestibility </I>(BTSS) o <I>feedback </I>negativo est&aacute; patente na repeti&ccedil;&atilde;o das quest&otilde;es j&aacute; colocadas em que se recorre a express&otilde;es como &lsquo;Ouve a pergunta com aten&ccedil;&atilde;o&rsquo; ou &lsquo;Tens a certeza?&rsquo;. </P >    <p>H&aacute; ainda a acrescentar mais duas vertentes da sugestionabilidade relevantes no contexto forense e contempladas nas <I>Gudjonsson Suggestibility Scales </I>(GSS) (Gudjonsson, 1997), assim como no BTSS (Endres, 1997). A primeira remete para o impacto que uma quest&atilde;o sugestiva pode ter sobre a testemunha e, por seu turno, a segunda diz respeito ao limiar a partir do qual o <I>feedback </I>negativo ou a press&atilde;o social leva &agrave; mudan&ccedil;a de uma resposta dada anteriormente (Gudjonsson, 1997). </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><I>Diferen&ccedil;as individuais na sugestionabilidade </I></P >    <p>As diferen&ccedil;as individuais das crian&ccedil;as relativamente &agrave; sugestionabilidade assumem especial relev&acirc;ncia no contexto forense, conforme referido por Ornstein (citado em Chae &amp; Ceci, 2006). Este autor afirma que a compreens&atilde;o de tais diferen&ccedil;as &eacute; uma pedra basilar na estrutura&ccedil;&atilde;o de entrevistas. Assim, estas &uacute;ltimas devem contemplar a variabilidade das capacidades de cada crian&ccedil;a, procurando favorecer a recupera&ccedil;&atilde;o mn&eacute;sica e minimizar o impacto negativo de perguntas sugestivas que possam conduzir a distor&ccedil;&otilde;es da mem&oacute;ria. </P >    <p>Em diversos estudos procurou-se compreender a preponder&acirc;ncia de determinadas vari&aacute;veis no que diz respeito aos testemunhos oculares infantis. Por&eacute;m, os resultados obtidos t&ecirc;m sido frequentemente incongruentes, o que denuncia tamb&eacute;m o largo espectro de tem&aacute;ticas a explorar (Chae &amp; Ceci, 2006; Cunha, Albuquerque, &amp; Freire, 2007). No presente trabalho, ser&aacute; dado destaque &agrave; influ&ecirc;ncia das vari&aacute;veis g&eacute;nero, idade, intelig&ecirc;ncia, mem&oacute;ria, ansiedade geral e desejabilidade social na sugestionabilidade infantil. </P >    <p>Os investigadores t&ecirc;m averiguado as rela&ccedil;&otilde;es entre sugestionabilidade e idade existindo, a este n&iacute;vel, duas posi&ccedil;&otilde;es antag&oacute;nicas. Alguns observaram que os n&iacute;veis de sugestionabilidade s&atilde;o mais elevados em crian&ccedil;as de idade pr&eacute;-escolar tendendo a diminuir com o avan&ccedil;o da idade. Deste modo, os adultos seriam menos sugestion&aacute;veis do que os adolescentes e estes menos sugestion&aacute;veis do que as crian&ccedil;as (Bruck &amp; Ceci, 1999; Nurmoja, 2005). Por&eacute;m, outros investigadores verificaram o oposto (e.g., Duncan, Whitney, &amp; Kunen, 1982). </P >    <p>Descrevem-se, seguidamente, ainda que de uma forma breve, alguns destes estudos tornando patente diferen&ccedil;as entre eles, no que diz respeito &agrave;s amostras e aos procedimentos. </P >    <p>Clarke-Stewart, Malloy, e Allhusen (2004) apontam a vari&aacute;vel idade como um preditor fi&aacute;vel da sugestionabilidade, pelo menos no que concerne a crian&ccedil;as com idades compreendidas entre os tr&ecirc;s e os oito anos, no sentido em que maiores n&iacute;veis de sugestionabilidade estariam associados &agrave;s crian&ccedil;as mais novas. Resultados concordantes com estes foram encontrados nos estudos de Burgwyn-Bailes, Baker-Ward, Gordon, e Ornstein (2001) e Geddie, Fradin, e Beer (2000) tamb&eacute;m com crian&ccedil;as pertencentes &agrave; mesma faixa et&aacute;ria. Em crian&ccedil;as cujas idades se situavam entre os seis e os dezasseis anos (Ceci &amp; Bruck, 1993) e entre os quatro e os doze anos (Bruck, Ceci, &amp; Hembrooke, 1998) os resultados obtidos v&atilde;o tamb&eacute;m no sentido de que a sugestionabilidade seria maior nas crian&ccedil;as mais novas. No estudo de Bruck, Ceci, e Hembrooke (1998) &eacute; sublinhado que o desempenho mn&eacute;sico mais baixo nas crian&ccedil;as mais novas estaria associado &agrave; maior sugestionabilidade destas. </P >    <p>Resultados n&atilde;o concordantes com o acima descrito podem ser encontrados em estudos realizados por Duncan, Whitney, e Kunen (1982), Flin, Boon, Knox, e Bull (1992, citado em Baddeley, 1999) ou Finnila, Mahlberg, Santilla, Sandnabba, e Niemi (2003), entre outros. Nestes estudos, as faixas et&aacute;rias abrangidas diferem, pois incluem a compara&ccedil;&atilde;o com adultos (Duncan et al., 1982; Flin et al.<I>, </I>1992, citado em Baddeley, 1999) e apresentam descontinuidades et&aacute;rias (compara&ccedil;&atilde;o entre sete, nove, onze anos e adultos; seis, nove anos e adultos; quatro-cinco e sete-oito anos, respectivamente). Al&eacute;m disso, o intervalo de reten&ccedil;&atilde;o varia (mais longo no caso do estudo de Flin et al., 1992, citado em Baddeley, 1999) e a avalia&ccedil;&atilde;o da sugestionabilidade n&atilde;o se baseia nas mesmas medidas. Por exemplo, Finnila et al. (2003) usaram o BTSS tendo verificado que o grupo de crian&ccedil;as mais novas respondeu mais vezes &ldquo;sim&rdquo; nas quest&otilde;es Sim/N&atilde;o, sendo, por isso, mais sugestion&aacute;veis nestas quest&otilde;es. Por&eacute;m, nas quest&otilde;es repetidas verificou-se o inverso, ou seja, foram as crian&ccedil;as mais velhas que modificaram mais vezes as suas respostas. </P >    <p>Portanto, o potencial explicativo desta vari&aacute;vel, quando considerada de modo isolado, &eacute; claramente insuficiente sempre que se procura estudar a vulnerabilidade das crian&ccedil;as a sugest&otilde;es falaciosas (Crossman, Scullin, &amp; Melnyk, 2004). As diferen&ccedil;as ao n&iacute;vel da sugestionabilidade n&atilde;o se cingem apenas a grupos et&aacute;rios diferentes, pois, mesmo em crian&ccedil;as com idade semelhante, o grau de precis&atilde;o dos testemunhos acerca de um determinado acontecimento &eacute; bastante d&iacute;spar, o que parece sugerir a import&acirc;ncia das idiossincrasias de cada crian&ccedil;a (Chae &amp; Ceci, 2006; Nurmoja, 2005). </P >     <p>Uma outra vari&aacute;vel que tem suscitado igualmente algumas diverg&ecirc;ncias    quanto ao seu impacto refere-se ao g&eacute;nero (Clarke-Stewart et al., 2004).    Alguns investigadores defendem que as raparigas s&atilde;o mais sugestion&aacute;veis    do que os rapazes (McFarlane, Powell, &amp; Dudgeon, 2002; Ordi &amp; Miguel-Tobal,    1999). Por&eacute;m, Gudjonsson (1997) e Rudy e Goodman (1991) verificaram a    aus&ecirc;ncia de diferen&ccedil;as estatisticamente significativas na sugestionabilidade    relativamente ao g&eacute;nero. Young, Powell, e Dudgeon (2003) consideram    que a discrep&acirc;ncia destes resultados pode radicar no uso de diferentes    medidas de sugestionabilidade e numa maior heterogeneidade das amostras utilizadas.    Por outro lado, Tredoux, Meissner, Malpass, e Zimmerman (2004) apontam que as    diferen&ccedil;as obtidas no que respeita ao g&eacute;nero podem dever-se ao    tipo de informa&ccedil;&atilde;o envolvida (e.g., descrever o vestu&aacute;rio,    mais frequente entre o g&eacute;nero feminino; descrever o tipo de arma, mais    comum entre o g&eacute;nero masculino). Ainda Young, Powell, e Dudgeon (2003)    asseveraram que o g&eacute;nero n&atilde;o se encontra correlacionado com a    sugestionabilidade, pelo que, n&atilde;o constitui um bom preditor da aquiesc&ecirc;ncia    &agrave; sugest&atilde;o. </P >     <p>Uma outra vari&aacute;vel referida na literatura, como estando relacionada com a sugestionabilidade, &eacute; a intelig&ecirc;ncia. Esta tem sido indicada como um poss&iacute;vel preditor da sugestionabilidade infantil considerando-se que as crian&ccedil;as tidas como mais inteligentes seriam mais resistentes &agrave; sugest&atilde;o (Clarke-Stewart et al., 2004; Melnick, Crossman, &amp; Scullin, 2007). </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>V&aacute;rios resultados t&ecirc;m apontado a exist&ecirc;ncia de uma rela&ccedil;&atilde;o negativa entre estas duas vari&aacute;veis (Bruck, Ceci, &amp; Melnyk, 1997; Chae &amp; Ceci, 2005). Gudjonsson (2002) indica duas raz&otilde;es que justificam a natureza desta rela&ccedil;&atilde;o. Por um lado, considera-se que a sugestionabilidade se encontra associada &agrave; incerteza que, por sua vez, se encontra tamb&eacute;m relacionada com a mem&oacute;ria (maior incerteza quando o tra&ccedil;o mn&eacute;sico se encontra enfraquecido), a qual se espera que se correlacione positiva e significativamente com a intelig&ecirc;ncia. Por outro lado, o modelo de sugestionabilidade interrogativa baseia-se na ideia de que as estrat&eacute;gias de <I>coping </I>para lidar com as expectativas e a incerteza s&atilde;o elementos fundamentais para a aquiesc&ecirc;ncia/ /resist&ecirc;ncia &agrave; sugest&atilde;o, da&iacute; que as crian&ccedil;as com n&iacute;veis inferiores de intelig&ecirc;ncia possam recorrer a estrat&eacute;gias de <I>coping </I>mais rudimentares numa situa&ccedil;&atilde;o de interrogat&oacute;rio (situa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o familiar), pelo que seriam mais sugestion&aacute;veis. </P >    <p>Neste contexto alguns autores recorrem a medidas verbais, enquanto outros utilizam medidas n&atilde;o verbais para avaliar a intelig&ecirc;ncia (Chae &amp; Ceci, 2005, 2006). Relativamente &agrave; rela&ccedil;&atilde;o entre medidas de intelig&ecirc;ncia n&atilde;o verbal e sugestionabilidade, os resultados dos estudos tamb&eacute;m t&ecirc;m primado pela inconsist&ecirc;ncia (Chae &amp; Ceci, 2005). No que concerne &agrave; intelig&ecirc;ncia verbal, alguns investigadores observaram que &agrave; medida que se assiste a uma diminui&ccedil;&atilde;o das pontua&ccedil;&otilde;es obtidas na escala total de QI, ou somente no QI verbal, maior ser&aacute; a aquiesc&ecirc;ncia face a informa&ccedil;&otilde;es sugestivas (Geddie, Fradin, &amp; Beer, 2000; Young, Powell, &amp; Dudgeon, 2003). Eisen, Qin, Goodman, e Davies (2002) defendem que a intelig&ecirc;ncia verbal &eacute;, provavelmente, um melhor preditor da sugestionabilidade do que a intelig&ecirc;ncia n&atilde;o verbal. Esta ideia foi apoiada por Clarke-Stewart et al. (2004). Sublinhe-se ainda que uma maior heterogeneidade numa vari&aacute;vel permite destacar o seu valor explicativo. Nos estudos em que foram encontradas diferen&ccedil;as estatisticamente significativas entre a sugestionabilidade e a intelig&ecirc;ncia, existe uma grande varia&ccedil;&atilde;o no n&iacute;vel intelectual dos sujeitos inclu&iacute;dos nas amostras (Burgwyn-Bailes et al., 2001). </P >    <p>Existem ainda outras vari&aacute;veis relacionadas com as diferen&ccedil;as individuais que poder&atilde;o influenciar a sugestionabilidade (Geddie, Fradin, &amp; Beer, 2000). Uma delas &eacute; justamente a mem&oacute;ria. </P >    <p>Foram estudadas modifica&ccedil;&otilde;es importantes no desenvolvimento que se repercutem na capacidade das crian&ccedil;as para recordar (Ornstein &amp; Haden, 2001). Partindo da abordagem da sugestionabilidade baseada na robustez do tra&ccedil;o mn&eacute;sico, considera-se que as recorda&ccedil;&otilde;es mais robustas seriam resistentes perante informa&ccedil;&atilde;o falaciosa oriunda de fontes exteriores, informa&ccedil;&atilde;o essa proferida ap&oacute;s a ocorr&ecirc;ncia de um dado acontecimento (Quas &amp; Schaaf, 2002). Marche e Howe (1995), assim como Liebman, McKinley-Pace, Leonard, Sheesley, Gallant, Renkey, e Lehman (2002), partilham esta ideia ao defenderem a exist&ecirc;ncia de uma correla&ccedil;&atilde;o negativa entre a mem&oacute;ria das crian&ccedil;as e a sugestionabilidade, isto &eacute;, as crian&ccedil;as que tendem a ter dificuldade em recordar com precis&atilde;o um acontecimento s&atilde;o mais facilmente sugestion&aacute;veis. Acresce ainda que se a codifica&ccedil;&atilde;o mn&eacute;sica de um dado acontecimento come&ccedil;ar a sofrer um processo de desagrega&ccedil;&atilde;o e, por este motivo, se a sua reten&ccedil;&atilde;o n&atilde;o for suficientemente preservada, a informa&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do sugestion&aacute;vel pode concorrer com a representa&ccedil;&atilde;o da informa&ccedil;&atilde;o original, sendo favorecida a sua recupera&ccedil;&atilde;o mn&eacute;sica em detrimento desta &uacute;ltima (Ceci &amp; Bruck, 1993; Roebers &amp; Schneider, 2005). </P >    <p>Sup&otilde;e-se que a sugestionabilidade interrogativa seja significativamente mediada pelos processos de ansiedade (Gudjonsson, 2002). Assim, tendo em considera&ccedil;&atilde;o os dois tipos de ansiedade &ndash; tra&ccedil;o e estado &ndash; diversos investigadores observaram correla&ccedil;&otilde;es mais elevadas entre a ansiedade-estado e a sugestionabilidade (Gudjonsson, 2002). Estes resultados s&atilde;o consonantes com um dos pressupostos da psicologia cognitiva, o qual refere que a ansiedade-estado afecta os processos cognitivos (Ridley &amp; Clifford, 2004). Assim, indiv&iacute;duos com n&iacute;veis superiores de ansiedade-estado t&ecirc;m um desempenho mn&eacute;sico inferior, uma vez que a preocupa&ccedil;&atilde;o com a possibilidade de falhar e com a apresenta&ccedil;&atilde;o de uma auto-imagem negativa consome alguns recursos cognitivos (e.g., aten&ccedil;&atilde;o), comprometendo, deste modo, a codifica&ccedil;&atilde;o e a recupera&ccedil;&atilde;o mn&eacute;sicas (Eysenck, 2002). </P >    <p>Mas, Gudjonsson, Rutter, e Clare (1995 citados em Wolfradt &amp; Meyer, 1998) encontraram correla&ccedil;&otilde;es mais consistentes entre sugestionabilidade e ansiedade-tra&ccedil;o do que entre sugestionabilidade e ansiedade-estado. Por seu turno, Wolfradt e Meyer (1998) e Ordi e Miguel-Tobal (1999) observaram correla&ccedil;&otilde;es positivas e significativas com ambos os tipos de ansiedade. Sabe-se que os sujeitos mais sugestion&aacute;veis tendem a apresentar n&iacute;veis superiores de ansiedade, percebendo, assim, as situa&ccedil;&otilde;es quotidianas como mais amea&ccedil;adoras, quando comparados com sujeitos classificados como menos sugestion&aacute;veis. </P >    <p>Tamb&eacute;m a desejabilidade social tem sido uma vari&aacute;vel estudada como podendo estar relacionada com a sugestionabilidade. A desejabilidade social refere-se &agrave; tend&ecirc;ncia para as pessoas fornecerem respostas falaciosas com o intuito de darem uma imagem positiva e culturalmente aceite, evitando a cr&iacute;tica em situa&ccedil;&atilde;o de teste (Richman, Kiesler, Weisband, &amp; Drasgow, 1999). </P >    <p>Warren, Hulse-Trotter, e Tubbles (1991) sublinharam a import&acirc;ncia dos factores sociais na sugestionabilidade, referindo que a sua influ&ecirc;ncia &eacute; mais premente na inf&acirc;ncia do que na adultez. Partindo deste pressuposto, Ceci e Bruck (1993) referem que as crian&ccedil;as, muitas vezes, tendem a emitir respostas concordantes com as expectativas que t&ecirc;m relativamente ao entrevistador. Assim, emitem a resposta que pensam que este espera e n&atilde;o aquela que &eacute; consistente com o seu conhecimento acerca de um dado acontecimento. Esta situa&ccedil;&atilde;o ocorre tanto em interrogat&oacute;rios com quest&otilde;es indutoras, como em entrevistas repetidas (Bruck &amp; Ceci, 1999). Quas, Goodman, Ghetti, Redlich, Edelstein, Alexander, et al<I>. </I>(2005, citados em Goodman &amp; Quas, 2008) sublinham que, sob press&atilde;o social, as idiossincrasias de cada crian&ccedil;a podem conduzir &agrave; modifica&ccedil;&atilde;o das suas respostas face a quest&otilde;es repetidas. </P >     <p>Com o presente estudo pretendeu-se analisar a influ&ecirc;ncia das vari&aacute;veis,    idade, mem&oacute;ria, ansiedade geral, intelig&ecirc;ncia e desejabilidade    social na sugestionabilidade interrogativa avaliada com o BTSS. Foram colocadas    as seguintes hip&oacute;teses: (i) observa&ccedil;&atilde;o de diferen&ccedil;as    estatisticamente significativas relativamente &agrave; sugestionabilidade    total em fun&ccedil;&atilde;o da idade, sendo que as crian&ccedil;as mais novas    seriam mais sugestion&aacute;veis quando comparadas com as crian&ccedil;as mais    velhas; (ii) exist&ecirc;ncia de uma rela&ccedil;&atilde;o positiva e significativa    entre o valor da sugestionabilidade total e a vari&aacute;vel ansiedade geral    em ambas as idades, i.e., crian&ccedil;as mais ansiosas apresentariam valores    mais elevados de sugestionabilidade total; (iii) observa&ccedil;&atilde;o de    uma rela&ccedil;&atilde;o positiva e significativa entre o valor da sugestionabilidade    total e a vari&aacute;vel desejabilidade social em ambas as idades, i.e., crian&ccedil;as    com maior desejabilidade social teriam valores mais elevados de sugestionabilidade    total; e (iv) manifesta&ccedil;&atilde;o de uma rela&ccedil;&atilde;o negativa    e significativa entre o valor da sugestionabilidade total e as vari&aacute;veis    intelig&ecirc;ncia e mem&oacute;ria em ambas as idades, i.e., crian&ccedil;as    com desempenhos mais baixos nestes dom&iacute;nios cognitivos apresentariam    valores mais elevados de sugestionabilidade total. </P >     <P   align="center" >M&Eacute;TODO </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><I>Participantes </I></P >    <p>O estudo da influ&ecirc;ncia das vari&aacute;veis mem&oacute;ria e intelig&ecirc;ncia n&atilde;o verbal incidiu sobre 145 crian&ccedil;as, 74 do g&eacute;nero masculino (51.0%) e 71 do g&eacute;nero feminino (49.0%). Destas crian&ccedil;as, 68 tinham 8 anos e as restantes 77 tinham 9 anos. O estudo da influ&ecirc;ncia das vari&aacute;veis intelig&ecirc;ncia verbal, ansiedade geral e desejabilidade social na sugestionabilidade incluiu apenas 74 crian&ccedil;as das 145 j&aacute; referidas, das quais 36 do sexo masculino (48.6%) e 38 do sexo feminino (51.4%). Nesta subamostra, 35 crian&ccedil;as tinham 8 anos e 39 crian&ccedil;as 9 anos. </P >    <p><I>Instrumentos </I></P >    <p>A recolha de dados foi efectuada com os instrumentos a seguir descritos. </P >    <p>O <I>Bonn Test of Statement Suggestibility </I>(BTSS; Endres, 1997; tradu&ccedil;&atilde;o, adapta&ccedil;&atilde;o e valida&ccedil;&atilde;o de Costa, 2008) &eacute; um instrumento destinado a medir a sugestionabilidade interrogativa em crian&ccedil;as. Consta de uma hist&oacute;ria, dividida em cinquenta unidades de cota&ccedil;&atilde;o, e de trinta e uma quest&otilde;es definidas de acordo com quatro classes: distractivas, sim/n&atilde;o, alternativas e repetidas. As quest&otilde;es distractivas n&atilde;o s&atilde;o contempladas na an&aacute;lise dos resultados, uma vez que servem, apenas, para que as crian&ccedil;as acreditem tratar-se de um teste de mem&oacute;ria relativo &agrave; hist&oacute;ria apresentada. As quest&otilde;es sim/n&atilde;o apresentam factos err&oacute;neos podendo sugerir uma resposta afirmativa, quando na verdade a resposta correcta &eacute; negativa. As quest&otilde;es alternativas apresentam duas possibilidades de resposta, ambas erradas enquanto as quest&otilde;es repetidas, tal como o pr&oacute;prio nome indica, consistem na repeti&ccedil;&atilde;o de perguntas anteriormente formuladas (sim/n&atilde;o ou alternativas), mas a sua formula&ccedil;&atilde;o inclui elementos que levam a sugerir que a resposta dada anteriormente estava errada. Inicialmente &eacute; dito &agrave; crian&ccedil;a que lhe vai ser contada uma hist&oacute;ria e simultaneamente s&atilde;o-lhe mostradas figuras que surgem no momento adequado. Segue-se um intervalo de cerca de quinze minutos ocupado com outras tarefas n&atilde;o interferentes e, por &uacute;ltimo, s&atilde;o colocadas as trinta e uma quest&otilde;es sobre a hist&oacute;ria. </P >    <p>Este instrumento permite ent&atilde;o avaliar a mem&oacute;ria (evoca&ccedil;&atilde;o imediata da hist&oacute;ria cujo resultado m&aacute;ximo s&atilde;o cinquenta pontos) e a sugestionabilidade total (resultado que varia entre zero e vinte e cinco pontos). S&atilde;o ainda consideradas as pontua&ccedil;&otilde;es nos componentes &ldquo;Alternativas&rdquo; (quest&otilde;es 6, 7, 13, 17, 20, 24 e 26; pontua&ccedil;&atilde;o que varia entre zero e sete pontos), &ldquo;Sim/N&atilde;o&rdquo; (quest&otilde;es 3, 9, 14, 19, 27, 29 e 30; resultado que varia entre zero e sete pontos) e &ldquo;Repetidas&rdquo; (quest&otilde;es 10, 12, 15, 18, 21 e 28; valor que varia entre zero e seis pontos). Os cinco itens que n&atilde;o saturam em nenhum dos componentes s&atilde;o inclu&iacute;dos no c&aacute;lculo da sugestionabilidade total, dado serem considerados relevantes para avaliar a sugestionabilidade interrogativa em crian&ccedil;as. </P >    <p>As Matrizes Progressivas Coloridas de Raven (MPCR; aferi&ccedil;&atilde;o portuguesa de Sim&otilde;es, 1994/2000) permitem avaliar a intelig&ecirc;ncia n&atilde;o verbal. Neste instrumento, constitu&iacute;do por tr&ecirc;s s&eacute;ries (A, AB e B), as crian&ccedil;as t&ecirc;m de seleccionar uma resposta, entre v&aacute;rias op&ccedil;&otilde;es, de modo a completarem a sequ&ecirc;ncia l&oacute;gica dos padr&otilde;es apresentados. </P >    <p>Para analisar a intelig&ecirc;ncia verbal, recorreu-se a quatro subtestes verbais da Escala de Intelig&ecirc;ncia de Wechsler para Crian&ccedil;as &ndash; 3&ordf; edi&ccedil;&atilde;o (WISC-III; Wechsler, 1991/2003): informa&ccedil;&atilde;o, semelhan&ccedil;as, vocabul&aacute;rio e aritm&eacute;tica. Os tr&ecirc;s primeiros subtestes saturam no factor &ldquo;Compreens&atilde;o verbal&rdquo;. A escolha do subteste Aritm&eacute;tica em detrimento da Compreens&atilde;o radica no facto de ser considerado melhor indicador da intelig&ecirc;ncia. </P >    <p>A avalia&ccedil;&atilde;o das vari&aacute;veis ansiedade geral e desejabilidade social foi feita com a administra&ccedil;&atilde;o da Escala Revista de Ansiedade Manifesta para Crian&ccedil;as (RCMAS; Reynolds &amp; Richmond, 1978; tradu&ccedil;&atilde;o e adapta&ccedil;&atilde;o de Fonseca, 1992). Trata-se de um instrumento que visa avaliar a presen&ccedil;a ou aus&ecirc;ncia de sintomatologia ansiosa. Contrariamente ao que acontece com a vers&atilde;o original, na qual foram identificadas tr&ecirc;s sub-escalas, no estudo efectuado por Fonseca (1992), a an&aacute;lise factorial revelou apenas dois factores: ansiedade global e mentira ou desejabilidade social. A RCMAS &eacute; constitu&iacute;da por trinta e sete itens e admite apenas duas possibilidades de resposta: sim e n&atilde;o. </P >    <p><I>Procedimento </I></P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Ap&oacute;s o consentimento dos presidentes dos Conselhos Executivos dos Agrupamentos de Escolas onde se efectuou este estudo, foi explicado &agrave;s professoras o procedimento e, posteriormente, foram solicitadas autoriza&ccedil;&otilde;es aos encarregados de educa&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as para que estas integrassem a amostra. Todas as crian&ccedil;as foram avaliadas individualmente pelo primeiro autor. </P >    <p>Na amostra de 145 crian&ccedil;as em que apenas foi estudada a influ&ecirc;ncia da mem&oacute;ria e da intelig&ecirc;ncia n&atilde;o verbal na sugestionabilidade, administrou-se o BTSS e as MPCR de acordo com a seguinte sequ&ecirc;ncia: apresenta&ccedil;&atilde;o da hist&oacute;ria do BTSS seguida imediatamente da sua evoca&ccedil;&atilde;o, MPCR e quest&otilde;es do BTSS. Aplicou-se ainda, no final, o subteste vocabul&aacute;rio da WISC-III. A 74 crian&ccedil;as desse grupo aplicaram-se tamb&eacute;m outros subtestes da WISC-III (vocabul&aacute;rio, aritm&eacute;tica, semelhan&ccedil;as e informa&ccedil;&atilde;o) e a RCMAS. A ordem de administra&ccedil;&atilde;o foi a seguinte: apresenta&ccedil;&atilde;o da hist&oacute;ria do BTSS seguida imediatamente da sua evoca&ccedil;&atilde;o, MPCR, quest&otilde;es do BTSS, vocabul&aacute;rio, aritm&eacute;tica, semelhan&ccedil;as, informa&ccedil;&atilde;o e RCMAS. No final, houve um espa&ccedil;o de di&aacute;logo com todas as crian&ccedil;as, a fim de se responder &agrave;s perguntas por estas colocadas. </P >    <P   align="center" >RESULTADOS </P >    <p>Apresentam-se, em seguida, os resultados das an&aacute;lises relativas ao g&eacute;nero, idade, ansiedade geral, desejabilidade social, mem&oacute;ria e intelig&ecirc;ncia no que diz respeito &agrave; sugestionabilidade. </P >    <p><I>Diferen&ccedil;as de g&eacute;nero </I></P >    <p>Come&ccedil;ou-se por analisar as diferen&ccedil;as relativamente &agrave; sugestionabilidade total tendo em conta o g&eacute;nero (<I>M</I>=13.85, <I>DP</I>=3.92 e <I>M</I>=13.92, <I>DP</I>=3.97, raparigas e rapazes, respectivamente) tendo-se verificado que estas n&atilde;o eram significativas, <I>t</I>(143)=-.11, <I>p</I>=.91. O mesmo sucedeu considerando os tr&ecirc;s componentes do BTSS (componentes &lsquo;Repetidas&rsquo;, &lsquo;Alternativas&rsquo; e &lsquo;Sim/N&atilde;o&rsquo;). </P >    <p><I>Diferen&ccedil;as de idade </I></P >    <p>Os resultados obtidos com a sugestionabilidade total revelaram que, em compara&ccedil;&atilde;o com as crian&ccedil;as de 8 anos de idade (<I>M</I>=14.99, <I>DP</I>=3.14), as com 9 anos (<I>M</I>=12.91, <I>DP</I>=4.31) obtiveram pontua&ccedil;&otilde;es menos elevadas, <I>t</I>(143)=3.34, <I>p=</I>.001. Foram ainda encontradas diferen&ccedil;as de idade no que diz respeito aos componentes &ldquo;Alternativas&rdquo;, <I>t</I>(143)=2.20, <I>p</I>=.030 com <I>M</I>=5.37, <I>DP</I>=1.43 e <I>M</I>=4.79 e <I>DP</I>=1.69, respectivamente 8 e 9 anos, e &ldquo;Sim/N&atilde;o&rdquo;, <I>t</I>(143)=3.63, <I>p</I>&lt;.001 com <I>M</I>=4.38, <I>DP</I>=1.62 e <I>M</I>=3.31 e <I>DP</I>=1.90, respectivamente 8 e 9 anos. </P >     <p>A respeito de outras vari&aacute;veis estudadas, verificou-se que as crian&ccedil;as    com 9 anos obtiveram pontua&ccedil;&otilde;es mais elevadas, sendo estas estatisticamente    significativas, nas vari&aacute;veis mem&oacute;ria, <I>t</I>(143)=-3.08, <I>p</I>=.002    com <I>M</I>=19.93, <I>DP</I>=6.12 e <I>M</I>=23.04 e <I>DP</I>=6.03, respectivamente    8 e 9 anos, vocabul&aacute;rio <I>t</I>(143)=-4.45, <I>p</I>&lt;.001 com <I>M</I>=13.46,    <I>DP</I>=4.05 e <I>M</I>=16.81 e <I>DP</I>=4.90, respectivamente 8 e 9 anos,    QI verbal <I>t</I>(72)=-3.07, <I>p</I>=.003 com <I>M</I>=85.66, <I>DP</I>=14.20    e <I>M</I>=96.03 e <I>DP</I>=14.80, respectivamente 8 e 9 anos, aritm&eacute;tica    <I>t</I>(72)=-5.29, <I>p</I>&lt;.001 com <I>M</I>=9.74, <I>DP</I>=2.63 e <I>M</I>=13.03    e <I>DP</I>=2.70, respectivamente, 8 e 9 anos, informa&ccedil;&atilde;o, <I>t</I>(72)=-4.52,    <I>p</I>&lt;.001 com <I>M</I>=8.86, <I>DP</I>=2.75 e <I>M</I>=11.82 e <I>DP</I>=2.87,    respectivamente 8 e 9 anos, semelhan&ccedil;as <I>t</I>(72)=-6.27, <I>p</I>&lt;.001    com <I>M</I>=5.37, <I>DP</I>=2.62 e <I>M</I>=9.95 e <I>DP</I>=3.53, respectivamente,    8 e 9 anos, e pontua&ccedil;&otilde;es mais baixas na desejabilidade social    <I>t</I>(72)=2.37, <I>p=</I>.021 com <I>M</I>=4.83, <I>DP</I>=1.44 e <I>M</I>=3.79    e <I>DP</I>=2.26, respectivamente 8 e 9 anos. </P >     <p>Com o intuito de se averiguar a exist&ecirc;ncia de efeitos de interac&ccedil;&atilde;o entre a idade e cada uma das vari&aacute;veis em estudo (mem&oacute;ria, intelig&ecirc;ncia, ansiedade geral e desejabilidade social) relativamente &agrave; sugestionabilidade, tamb&eacute;m se recorreu a MANOVAs, n&atilde;o se tendo obtido nenhum efeito de interac&ccedil;&atilde;o significativo. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><I>Diferen&ccedil;as de ansiedade geral e de desejabilidade social </I></P >     <p>Para analisar os resultados respeitantes &agrave; ansiedade gerale &agrave;    desejabilidade social, cada grupo et&aacute;rio foi subdividido tomando-se como    refer&ecirc;ncia o valor da mediana. Passou-se ent&atilde;o a considerar dois    subgrupos participantes com ansiedade geral superior e inferior &agrave; mediana    e participantes com desejabilidade social superior e inferior &agrave; mediana.    Os desempenhos destes subgrupos s&atilde;o apresentados nos Quadros 1 e 2. </P >     <p>&nbsp;</P >     <p align="center">QUADRO 1</P >     <p align="center"><I>Diferen&ccedil;as relativas &agrave; sugestionabilidade total    em fun&ccedil;&atilde;o do n&iacute;vel de ansiedade geral de cada grupo et&aacute;rio    </I></P >     <p align="center"><img src="/img/revistas/aps/v28n1/28n1a14q1.jpg" width="696" height="124"></P >     
<p align="center">&nbsp;</P >     <p align="center">QUADRO 2</P >     <p align="center"><i>Diferen&ccedil;as relativas &agrave; sugestionabilidade total    em fun&ccedil;&atilde;o do n&iacute;vel de desejabilidade social de cada grupo    et&aacute;rio</i></P >     <p align="center"><i><img src="/img/revistas/aps/v28n1/28n1a14q2.jpg" width="694" height="123"></i></P >     
]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center">&nbsp;</P >     <p>Conforme se pode verificar no Quadro 1, no que concerne aos resultados obtidos    na sugestionabilidade total, estes n&atilde;o foram estatisticamente significativos    (embora as crian&ccedil;as de 8 anos mais ansiosas tenham alcan&ccedil;ado resultados    superiores). </P >     <p>Pela an&aacute;lise do Quadro 2 constata-se que, contrariamente ao que aconteceu    com as crian&ccedil;as de 8 anos, obtiveram-se diferen&ccedil;as estatisticamente    significativas entre o n&iacute;vel de desejabilidade social na sugestionabilidade    total nas crian&ccedil;as mais velhas. Assim, as crian&ccedil;as de 9 anos que    apresentaram valores mais elevados de desejabilidade social foram tamb&eacute;m    as mais sugestion&aacute;veis. Quanto aos componentes que constituem a escala    total do BTSS, concluiu-se que apenas foram encontradas diferen&ccedil;as estatisticamente    significativas entre os n&iacute;veis de desejabilidade social para &ldquo;Alternativas&rdquo;,    <I>t</I>(37)=2.04, <I>p=</I>.048 com <I>M</I>=4.95, <I>DP</I>=1.69 e <I>M</I>=3.83    e <I>DP</I>=1.72, respectivamente, grupos desejabilidade social superior e inferior    &agrave; mediana da amostra e para &ldquo;Sim/N&atilde;o&rdquo;, <I>t</I>(28.881)=2.70,    <I>p=</I>.012 com <I>M</I>=3.67, <I>DP</I>=2.29 e <I>M</I>=2.17 e <I>DP</I>=1.04,    respectivamente, grupo de desejabilidade social superior e inferior &agrave;    mediana. </P >     <p><I>Diferen&ccedil;as de mem&oacute;ria e intelig&ecirc;ncia </I></P >     <p>&Agrave; semelhan&ccedil;a do referido para a an&aacute;lise da ansiedade e    desejabilidade social, os resultados obtidos, por ambos os grupos et&aacute;rios,    no que diz respeito &agrave; mem&oacute;ria e &agrave; intelig&ecirc;ncia foram    subdivididos considerando o valor da mediana. Exceptuou-se o caso da intelig&ecirc;ncia    n&atilde;o verbal, em que foi considerado o valor do percentil 50, uma vez que    as normas das MPCR s&atilde;o apresentadas em percentis. Nos Quadros 3 e 4 encontram-se    os valores da sugestionabilidade total considerando a mem&oacute;ria e a intelig&ecirc;ncia,    respectivamente. </P >     <p>&nbsp;</P >     <p align="center">QUADRO 3 </P >     <p align="center"><I>Diferen&ccedil;as relativas &agrave; sugestionabilidade total    em fun&ccedil;&atilde;o do n&iacute;vel de desempenho mn&eacute;sico alcan&ccedil;ado    por grupo et&aacute;rio </I></P >     <p align="center"><img src="/img/revistas/aps/v28n1/28n1a14q3.jpg" width="698" height="133"></P >     
<p align="center">&nbsp;</P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center">QUADRO 4 </P >     <p align="center"><I>Diferen&ccedil;as relativas &agrave; sugestionabilidade total    em fun&ccedil;&atilde;o do n&iacute;vel de desempenho obtido nos testes de intelig&ecirc;ncia    por grupo et&aacute;rio </I></P >     <p align="center"><img src="/img/revistas/aps/v28n1/28n1a14q4.jpg" width="698" height="205"></P >     
<p>&nbsp;</P >     <p>A partir do Quadro 3 conclui-se que as crian&ccedil;as de 8 e 9 anos com melhores desempenhos mn&eacute;sicos foram significativamente menos sugestionadas quando comparadas com as crian&ccedil;as com desempenhos mn&eacute;sicos inferiores. Fazendo uma an&aacute;lise por componentes do BTSS, verificou-se que nas crian&ccedil;as de 8 anos, apenas para o componente &ldquo;Alternativas&rdquo; foram encontradas diferen&ccedil;as com signific&acirc;ncia estat&iacute;stica entre os grupos [<I>t</I>(58.472)=-2.46, <I>p</I>=.017 com <I>M</I>=4.97, <I>DP</I>=1.64 e <I>M</I>=5.79, <I>DP</I>=1.05, respectivamente, grupos mem&oacute;ria superior e inferior &agrave; mediana da amostra]. No que diz respeito &agrave;s crian&ccedil;as com 9 anos, constatou-se a exist&ecirc;ncia de diferen&ccedil;as estatisticamente significativas entre a mem&oacute;ria e todos os componentes: &ldquo;Repetidas&rdquo; [<I>t</I>(75)=-3.23, <I>p</I>=.002 com <I>M</I>=2.74, <I>DP</I>=1.73 e <I>M</I>=4.03, <I>DP</I>=1.76, respectivamente, grupos mem&oacute;ria superior e inferior &agrave; mediana da amostra], &ldquo;Alternativas&rdquo; [<I>t</I>(75)=-2.65, <I>p</I>=.010 com <I>M</I>=4.31, <I>DP</I>=1.67 e <I>M</I>=5.29, <I>DP</I>=1.58, respectivamente, grupos mem&oacute;ria superior e inferior &agrave; mediana da amostra] e &ldquo;Sim/N&atilde;o&rdquo; [<I>t</I>(75)=-4.44, <I>p</I>&lt;.001 com <I>M</I>=2.46, <I>DP</I>=1.73 e <I>M</I>=4.18, <I>DP</I>=1.67, respectivamente, grupos mem&oacute;ria superior e inferior &agrave; mediana da amostra]. </P >    <p>Da an&aacute;lise do Quadro 4 verifica-se que as crian&ccedil;as de 8 anos com melhores desempenhos na prova de intelig&ecirc;ncia n&atilde;o verbal (MPCR), diferentemente do que sucedeu nos subtestes associados ao QI verbal, foram menos sugestionadas quando comparadas com as crian&ccedil;as com desempenhos inferiores. Quanto aos resultados obtidos para os diferentes componentes do BTSS, apenas para a intelig&ecirc;ncia n&atilde;o verbal e o componente &ldquo;Alternativas&rdquo; foi encontrada signific&acirc;ncia estat&iacute;stica: <I>t</I>(66)=-2.09, <I>p=</I>.041 (com <I>M</I>=5.05, <I>DP</I>=1.58 e <I>M</I>=5.77, <I>DP</I>=1.14, respectivamente grupo situado no percentil superior e grupo correspondente ao percentil inferior). </P >    <p>Ainda atendendo ao Quadro 4, as crian&ccedil;as de 9 anos de idade que obtiveram resultados mais elevados ao n&iacute;vel da sugestionabilidade foram aquelas com desempenhos inferiores relativamente &agrave; intelig&ecirc;ncia verbal e intelig&ecirc;ncia n&atilde;o verbal. No que concerne aos componentes do BTSS, verificou-se que para a intelig&ecirc;ncia n&atilde;o verbal apenas se encontrou signific&acirc;ncia estat&iacute;stica nos componentes &ldquo;Repetidas&rdquo; [<I>t</I>(75)=-2.60, <I>p</I>=.011 com <I>M</I>=2.91, <I>DP</I>=1.93 e <I>M</I>=3.97, <I>DP</I>=1.59, respectivamente, grupo situado no percentil superior e grupo correspondente ao percentil inferior] e &ldquo;Sim/N&atilde;o&rdquo; [<I>t</I>(75)=-2.69, <I>p</I>=.009 com <I>M</I>=2.81, <I>DP</I>=1.68 e <I>M</I>=3.94, <I>DP</I>=2.00, respectivamente, grupo situado no percentil superior e grupo correspondente ao percentil inferior]. Por sua vez, diferen&ccedil;as no QI verbal manifestaram-se estatisticamente significativas somente para o componente &ldquo;Repetidas&rdquo; [<I>t</I>(37)=-2.99, <I>p</I>=.005 com <I>M</I>=3.95, <I>DP</I>=1.72 e <I>M</I>=2.30, <I>DP</I>=1.72, grupos QI verbal inferior e QI verbal superior, respectivamente]. </P >    <p><I>Correla&ccedil;&otilde;es entre as vari&aacute;veis em estudo </I></P >    <p>Nos Quadros 5 (para os 8 anos) e 6 (para os 9 anos) apresentam-se apenas os valores de correla&ccedil;&atilde;o estatisticamente significativos observados entre as medidas de sugestionabilidade entre si e destas com as restantes vari&aacute;veis estudadas. </P >    <p>Conforme se pode verificar no Quadro 5, respeitante aos resultados das crian&ccedil;as com 8 anos de idade, foram encontrados valores de correla&ccedil;&atilde;o negativos significativos e baixos da mem&oacute;ria (evoca&ccedil;&atilde;o imediata da hist&oacute;ria do BTSS) com a sugestionabilidade total e com os componentes &ldquo;Alternativas&rdquo; e &ldquo;Sim/N&atilde;o&rdquo; do BTSS. Relativamente &agrave; intelig&ecirc;ncia, os resultados obtidos nos subtestes verbais (vocabul&aacute;rio e arim&eacute;tica) e nas MPCR e o resultado sugestionabilidade total apresentaram-se correlacionados negativamente de forma significativa variando entre valores baixos a moderado. No que diz respeito aos componentes do BTSS, o mesmo tipo de rela&ccedil;&atilde;o foi observado entre os seguintes resultados: MPCR e componente &ldquo;Repetidas&rdquo;, vocabul&aacute;rio e componente &ldquo;Alternativas&rdquo;, QI verbal, vocabul&aacute;rio e informa&ccedil;&atilde;o e componente &ldquo;Sim/N&atilde;o&rdquo; tendo os valores de correla&ccedil;&atilde;o variado entre baixo e moderado. </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A inspec&ccedil;&atilde;o do Quadro 6, relativo aos resultados das crian&ccedil;as    com 9 anos, confirma a exist&ecirc;ncia de correla&ccedil;&otilde;es positivas    significativas e moderadas entre a desejabilidade social e a sugestionabilidade    total e o componente &ldquo;Sim/N&atilde;o&rdquo;. No que diz respeito &agrave;    rela&ccedil;&atilde;o entre a sugestionabilidade total e os componentes do    BTSS e a evoca&ccedil;&atilde;o da hist&oacute;ria, salienta-se que estas foram    negativas e estatisticamente significativas, sendo moderada quando nos referimos    ao total da sugestionabilidade e baixas no que diz respeito aos tr&ecirc;s componentes    do BTSS. </P >     <p>&nbsp;</P >     <p align="center">QUADRO 5 </P >     <p align="center"><I>Matriz de correla&ccedil;&otilde;es para as crian&ccedil;as    de oito anos </I></P >     <p align="center"><i><img src="/img/revistas/aps/v28n1/28n1a14q5.jpg" width="694" height="283"></i></P >     
<p align="center">&nbsp;</P >     <p align="center">QUADRO 6 </P >     <p align="center"><I>Matriz de correla&ccedil;&otilde;es para as crian&ccedil;as    de nove anos </I></P >     <p align="center"><i><img src="/img/revistas/aps/v28n1/28n1a14q6.jpg" width="694" height="284"></i></P >     
<p>&nbsp;</P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No que concerne &agrave;s crian&ccedil;as com 9 anos de idade, verificou-se que as correla&ccedil;&otilde;es encontradas entre as vari&aacute;veis QI verbal, subtestes vocabul&aacute;rio, aritm&eacute;tica, informa&ccedil;&atilde;o, intelig&ecirc;ncia n&atilde;o verbal e sugestionabilidade total foram todas negativas e significativas com valores classificados entre baixo e moderado. Revelou-se estatisticamente significativa a correla&ccedil;&atilde;o da vari&aacute;vel QI verbal, vocabul&aacute;rio e intelig&ecirc;ncia n&atilde;o verbal com o componente &ldquo;Repetidas&rdquo;; aritm&eacute;tica com o componente &ldquo;Alternativas&rdquo;; e vocabul&aacute;rio, aritm&eacute;tica e intelig&ecirc;ncia n&atilde;o verbal com o componente &ldquo;Sim/N&atilde;o&rdquo;. </P >    <P   align="center" >DISCUSS&Atilde;O </P >    <p>No presente estudo n&atilde;o foi encontrada signific&acirc;ncia estat&iacute;stica relativamente ao g&eacute;nero no que diz respeito &agrave; sugestionabilidade avaliada pelo BTSS (quer no resultado total quer nos componentes desta prova). </P >    <p>No que se refere &agrave; idade das crian&ccedil;as, foi encontrada signific&acirc;ncia estat&iacute;stica na vari&aacute;vel sugestionabilidade total (e componentes &ldquo;Alternativas&rdquo; e &ldquo;Sim/N&atilde;o&rdquo;), corroborando-se, assim, a primeira hip&oacute;tese de que a sugestionabilidade varia com a idade, i.e., as crian&ccedil;as mais novas (8 anos de idade) revelaram-se mais sugestion&aacute;veis. Este resultado &eacute; concordante com os estudos desenvolvidos por Bruck e Ceci (1999) Candel, Merckelbach, Jelicic, Limpeus, e Widdershoven (2004) e Nurmoja (2005). As diferen&ccedil;as encontradas podem ser devidas a aspectos desenvolvimentais. O facto das crian&ccedil;as de 9 anos apresentarem resultados inferiores nos componentes Sim/N&atilde;o&rdquo; e &ldquo;Alternativas&rdquo; e na sugestionabilidade total pode ser devido a um maior grau de desenvolvimento cognitivo, o qual aparece associado a um aumento da velocidade de processamento e a uma maior capacidade mn&eacute;sica. Os resultados do presente estudo revelaram que as crian&ccedil;as mais velhas tinham pontua&ccedil;&otilde;es superiores na mem&oacute;ria e QI verbal. O aumento gradual da velocidade de processamento ao longo da idade possibilita a exist&ecirc;ncia de mecanismos elaborados e complexos de cogni&ccedil;&atilde;o, bem como uma maior capacidade de reter, processar e recordar a informa&ccedil;&atilde;o (Flavell, Miller, &amp; Miller, 1993; Papalia, Olds, &amp; Feldman, 2001). </P >    <p>A n&atilde;o observa&ccedil;&atilde;o de diferen&ccedil;as estatisticamente significativas entre os dois grupos et&aacute;rios no componente &ldquo;Repetidas&rdquo; poder&aacute; ser devida a uma conjuga&ccedil;&atilde;o de factores, conforme preconizado pelo modelo proposto por Gudjonsson e Clark, em 1986. O efeito do processo de <I>feedback </I>negativo (Gudjonsson, 1989, 1997; Nurmoja, 2005) e factores como a incerteza, as expectativas e a confian&ccedil;a interpessoal (Conti, 1999; Gudjonsson, 1997; Schooler &amp; Loftus, 1986) poder&atilde;o ter levado as crian&ccedil;as de ambos os n&iacute;veis et&aacute;rios a interpretar a coloca&ccedil;&atilde;o de quest&otilde;es repetidas como indica&ccedil;&atilde;o de que anteriormente teriam dado respostas incorrectas. Se, por um lado, o processo de <I>feedback </I>negativo pode gerar incerteza que surge associada &agrave;s expectativas e &agrave; confian&ccedil;a interpessoal, conduzindo, deste modo, &agrave; aquiesc&ecirc;ncia face a sugest&otilde;es, por outro, de acordo com as regras da conversa&ccedil;&atilde;o, a repeti&ccedil;&atilde;o de perguntas poder&aacute; sobretudo querer dizer, para estas crian&ccedil;as, que antes n&atilde;o tinham respondido correctamente. </P >    <p>N&atilde;o se encontraram diferen&ccedil;as na sugestionabilidade total (nem em qualquer dos componentes do BTSS) que alcan&ccedil;assem signific&acirc;ncia estat&iacute;stica no que respeita ao n&iacute;vel de ansiedade geral, tanto para as crian&ccedil;as de 8 como de 9 anos de idade. Apesar de terem sido obtidas correla&ccedil;&otilde;es positivas entre estas duas vari&aacute;veis, tal como no estudo de Ordi e Miguel-Tobal (1999), os seus valores n&atilde;o se revelaram estatisticamente significativos. Os resultados da investiga&ccedil;&atilde;o de Gudjonsson, Rutter, e Clare (1995, citados em Wolfradt &amp; Meyer, 1998) divergiram dos resultados obtidos no presente estudo. Uma poss&iacute;vel explica&ccedil;&atilde;o para esta discrep&acirc;ncia poder&aacute; estar relacionada, por um lado, com o facto dos itens que comp&otilde;em a RCMAS, dada a sua formula&ccedil;&atilde;o, poderem afectar a sua compreens&atilde;o pelas crian&ccedil;as e, por outro, com a natureza dicot&oacute;mica da escala de resposta (sim e n&atilde;o), que impele as crian&ccedil;as a optar por uma alternativa em situa&ccedil;&otilde;es de eventual indecis&atilde;o. Assim, a segunda hip&oacute;tese colocada sobre a influ&ecirc;ncia da ansiedade geral no grau de sugestionabilidade n&atilde;o foi corroborada neste estudo. </P >    <p>Da an&aacute;lise da influ&ecirc;ncia do n&iacute;vel de desejabilidade social sobre a sugestionabilidade (valor total e nos tr&ecirc;s componentes do BTSS), averiguou-se que n&atilde;o foram encontradas quaisquer diferen&ccedil;as estatisticamente significativas nas crian&ccedil;as com 8 anos de idade. Para as crian&ccedil;as com 9 anos de idade, relativamente &agrave; desejabilidade social, depar&aacute;mo-nos com diferen&ccedil;as significativas estatisticamente para a escala total, &ldquo;Alternativas&rdquo; e &ldquo;Sim/N&atilde;o&rdquo;. Observaram-se ainda, com estas crian&ccedil;as, valores de correla&ccedil;&atilde;o estatisticamente significativos entre desejabilidade social e sugestionabilidade (escala total e componente &ldquo;Sim/N&atilde;o&rdquo;), indo ao encontro dos resultados obtidos por Warren, Hulse-Trotter, e Tubbles (1991). Uma vez que a terceira hip&oacute;tese deste estudo se refere a ambas as idades, conclui-se que tal hip&oacute;tese n&atilde;o foi corroborada. Se as quest&otilde;es do BTSS geram incerteza e os entrevistadores s&atilde;o vistos como fontes cred&iacute;veis, as crian&ccedil;as de 9 anos poder&atilde;o ter incorporado a sugest&atilde;o contida nas quest&otilde;es se consideraram que &eacute; essa a resposta correcta perante as op&ccedil;&otilde;es avan&ccedil;adas pelas quest&otilde;es &ldquo;Alternativas&rdquo; ou que a resposta perante as quest&otilde;es &ldquo;Sim/N&atilde;o&rdquo; deveria ser afirmativa. Al&eacute;m disso, dado que a dimens&atilde;o desejabilidade social foi avaliada a partir da RCMAS, reiteram-se as limita&ccedil;&otilde;es j&aacute; referidas acerca das op&ccedil;&otilde;es de resposta e da complexidade da linguagem utilizada em alguns dos itens, podendo existir algum grau de inadapta&ccedil;&atilde;o face a especificidades desenvolvimentais das crian&ccedil;as que participaram neste estudo. H&aacute; ainda a considerar o n&uacute;mero reduzido de itens destinados a avaliar este construto, quando comparado com o n&uacute;mero de itens que avaliam a ansiedade geral. Dever-se-&aacute; tamb&eacute;m ter em conta a possibilidade de ocorrerem enviesamentos nas respostas das crian&ccedil;as resultantes do modo de aplica&ccedil;&atilde;o deste teste (Richman, Kiesler, Weisband, &amp; Drasgow, 1999). A RCMAS &eacute; um instrumento de auto-resposta e no presente estudo n&atilde;o foi administrado como tal, uma vez que se detectou a exist&ecirc;ncia de v&aacute;rios itens que as crian&ccedil;as n&atilde;o compreendiam sem ajuda. </P >    <p>Constatou-se a exist&ecirc;ncia de diferen&ccedil;as significativas para a escala total do BTSS (e o seu componente &ldquo;Alternativas&rdquo;) quando se considerou, nas crian&ccedil;as de 8 anos, o seu desempenho mn&eacute;sico. No que diz respeito &agrave;s crian&ccedil;as com 9 anos, observou-se a exist&ecirc;ncia de diferen&ccedil;as estatisticamente significativas entre a mem&oacute;ria e a escala total (e todos os componentes) do BTSS. Estes resultados est&atilde;o de acordo com o que era esperado a partir da quarta e &uacute;ltima hip&oacute;tese formulada: crian&ccedil;as com melhores desempenhos mn&eacute;sicos foram significativamente menos sugestionadas quando comparadas com as crian&ccedil;as com desempenhos mn&eacute;sicos inferiores. Verificou-se tamb&eacute;m a exist&ecirc;ncia de correla&ccedil;&otilde;es negativas e significativas entre a mem&oacute;ria e a sugestionabilidade total para as crian&ccedil;as de ambas as idades. Estes resultados convergem com os do estudo de Candel, Merckelbach, e Muris (2004) e com algumas conclus&otilde;es de Endres (1997) e de Finnila et al<I>. </I>(2003), designadamente no que se refere &agrave;s correla&ccedil;&otilde;es negativas encontradas entre a escala total e o desempenho mn&eacute;sico. De modo an&aacute;logo, foram encontrados coeficientes de correla&ccedil;&atilde;o significativos para a escala total e todos os componentes do BTSS com a mem&oacute;ria, nas crian&ccedil;as com 9 anos de idade, podendo afirmar-se que as crian&ccedil;as com melhores desempenhos mn&eacute;sicos s&atilde;o mais resistentes &agrave; sugest&atilde;o quando comparadas com as crian&ccedil;as com desempenhos mais fracos. Este resultado &eacute; apoiado pelo estudo de Marche e Howe (1995). </P >    <p>Reportando-nos &agrave; vari&aacute;vel intelig&ecirc;ncia e ainda &agrave; quarta hip&oacute;tese formulada, somente as crian&ccedil;as de 8 anos com melhores desempenhos na prova de intelig&ecirc;ncia n&atilde;o verbal (MPCR), diferentemente do que sucedeu nos subtestes associados ao QI verbal, foram menos sugestionadas quando comparadas com as crian&ccedil;as com desempenhos inferiores. Quanto aos resultados obtidos para os diferentes componentes do BTSS, unicamente para a intelig&ecirc;ncia n&atilde;o verbal e o componente &ldquo;Alternativas&rdquo; foi encontrada signific&acirc;ncia estat&iacute;stica. A preponder&acirc;ncia da influ&ecirc;ncia de diferen&ccedil;as na intelig&ecirc;ncia n&atilde;o verbal sobre a sugestionabilidade, em detrimento do QI verbal, &eacute; compat&iacute;vel com os resultados de Burgwyn-Bailes et al<I>. </I>(2001). J&aacute; as crian&ccedil;as de 9 anos de idade, que obtiveram resultados mais elevados ao n&iacute;vel da sugestionabilidade foram aquelas com desempenhos inferiores relativamente &agrave; intelig&ecirc;ncia verbal e intelig&ecirc;ncia n&atilde;o verbal. No que concerne aos componentes do BTSS, verificou-se que para a intelig&ecirc;ncia n&atilde;o verbal apenas se encontraram diferen&ccedil;as com signific&acirc;ncia estat&iacute;stica nos componentes &ldquo;Repetidas&rdquo; e &ldquo;Sim/N&atilde;o&rdquo;. Obtiveram-se correla&ccedil;&otilde;es negativas estatisticamente significativas entre o QI verbal e intelig&ecirc;ncia n&atilde;o verbal com a escala total do BTSS (e com o componente &ldquo;Repetidas&rdquo;) nas crian&ccedil;as com 9 anos. Por seu turno, para as crian&ccedil;as com 8 anos de idade foram observadas correla&ccedil;&otilde;es semelhantes, mas apenas entre a intelig&ecirc;ncia n&atilde;o verbal e a referida escala (total e componente &ldquo;Repetidas&rdquo;), dado este que vai ao encontro dos resultados do estudo de Candel et al<I>. </I>(2000). Neste grupo et&aacute;rio, o QI verbal apresentou um valor de correla&ccedil;&atilde;o estatisticamente significativo apenas com o componente &ldquo;Sim/N&atilde;o&rdquo; do BTSS. Desta forma, os resultados obtidos v&ecirc;m refor&ccedil;ar a dificuldade em se encontrar consenso relativamente &agrave; influ&ecirc;ncia que as medidas intelig&ecirc;ncia poder&atilde;o ter sobre a sugestionabilidade. Em suma, a quarta hip&oacute;tese formulada neste estudo relativamente &agrave; influ&ecirc;ncia da intelig&ecirc;ncia &eacute; genericamente corroborada, na medida em que os resultados revelaram que as crian&ccedil;as de 9 anos que apresentaram melhor desempenho nos testes de intelig&ecirc;ncia verbal e n&atilde;o verbal e de mem&oacute;ria foram menos sugestion&aacute;veis, considerando a escala total do BTSS. Estes resultados n&atilde;o foram observados, na globalidade, para as crian&ccedil;as de 8 anos. </P >    <P   align="center" >CONCLUS&Otilde;ES </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O estudo da tem&aacute;tica da sugestionabilidade infantil revela-se valioso no &acirc;mbito da psicologia forense, nomeadamente para o treino de profissionais que t&ecirc;m com tarefa interrogar as crian&ccedil;as sobre a ocorr&ecirc;ncia de um acontecimento passado. Na literatura pode-se verificar uma pan&oacute;plia de resultados relativos &agrave; influ&ecirc;ncia de vari&aacute;veis cognitivas e/ou psicossociais sobre a sugestionabilidade (e.g., Chae &amp; Ceci, 2006; Cunha, Albuquerque, &amp; Freire, 2007). </P >    <p>O presente estudo teve como principais objectivos averiguar a influ&ecirc;ncia das vari&aacute;veis, idade, mem&oacute;ria, ansiedade geral, intelig&ecirc;ncia e desejabilidade social na sugestionabilidade interrogativa. As crian&ccedil;as mais novas (8 anos de idade) revelaram-se mais sugestion&aacute;veis no BTSS. Constatou-se a exist&ecirc;ncia de rela&ccedil;&otilde;es negativas e significativas entre a sugestionabilidade e as vari&aacute;veis intelig&ecirc;ncia n&atilde;o verbal e mem&oacute;ria para as crian&ccedil;as de 8 anos. Neste grupo et&aacute;rio, as crian&ccedil;as com melhores desempenhos nas MPCR e na evoca&ccedil;&atilde;o da hist&oacute;ria do BTSS foram menos sugestion&aacute;veis do que as crian&ccedil;as com desempenhos inferiores nestas provas. No que diz respeito &agrave;s crian&ccedil;as com 9 anos de idade, encontrou-se signific&acirc;ncia estat&iacute;stica entre a sugestionabilidade e as vari&aacute;veis desejabilidade social (correla&ccedil;&otilde;es positivas), intelig&ecirc;ncia verbal e n&atilde;o verbal e mem&oacute;ria (correla&ccedil;&otilde;es negativas). De modo an&aacute;logo &agrave;s crian&ccedil;as mais novas, as com 9 anos podiam ser consideradas tanto mais sugestion&aacute;veis quanto mais fracos fossem os seus desempenhos nas MPCR e na evoca&ccedil;&atilde;o da hist&oacute;ria do BTSS e ainda nos subtestes verbais da WISC-III (excepto no subteste semelhan&ccedil;as). Por seu turno, nas crian&ccedil;as mais velhas, acresce ainda referir que se apurou que aquelas que pontuaram mais na escala de mentira da RCMAS foram mais sugestion&aacute;veis em compara&ccedil;&atilde;o com as que obtiveram inferiores pontua&ccedil;&otilde;es nesta escala. </P >    <p>Em suma, neste estudo observou-se que as crian&ccedil;as de 8 anos s&atilde;o mais sugestion&aacute;veis do que as crian&ccedil;as com 9 anos. As diferen&ccedil;as na mem&oacute;ria e na intelig&ecirc;ncia em crian&ccedil;as de 8 e 9 anos de idade s&atilde;o relevantes e, por isso, devem ser tidas em considera&ccedil;&atilde;o, quando &eacute; avaliada a sua vulnerabilidade &agrave; sugestionabilidade interrogativa. Paralelamente, importa referir que a vari&aacute;vel desejabilidade social deve ser igualmente tida em conta neste contexto, particularmente no que diz respeito a crian&ccedil;as de 9 anos. Assim, com crian&ccedil;as deste grupo et&aacute;rio que apresentem n&iacute;veis de pontua&ccedil;&atilde;o inferiores em termos de intelig&ecirc;ncia e mem&oacute;ria e superiores no que se refere &agrave; desejabilidade social dever&atilde;o ser tidos cuidados especiais ao interrog&aacute;-las sobre um acontecimento decorrido. </P >     <p>Em futuras investiga&ccedil;&otilde;es sobre a sugestionabilidade interrogativa    em crian&ccedil;as, seria importante contemplar amostras mais vastas e representativas,    bem como o uso de outros instrumentos de avalia&ccedil;&atilde;o. Refira-se    tamb&eacute;m a relev&acirc;ncia do estudo de outras vari&aacute;veis psicossociais,    especificamente o tipo de vincula&ccedil;&atilde;o e as auto-percep&ccedil;&otilde;es.    No que diz respeito ao BTSS, sugere-se a possibilidade de admiss&atilde;o da    resposta &ldquo;n&atilde;o sei&rdquo; &agrave;s quest&otilde;es colocadas, na    eventualidade das crian&ccedil;as n&atilde;o terem a certeza da resposta correcta.    Assim, poder-se-ia averiguar a exist&ecirc;ncia de diferen&ccedil;as no que    diz respeito &agrave; sugestionabilidade manifestada, n&atilde;o decorrentes    de uma limita&ccedil;&atilde;o inerente &agrave; forma como as quest&otilde;es    s&atilde;o colocadas. </P >     <p>&nbsp;</P >     <P   align="center" ><b>REFER&Ecirc;NCIAS</b> </P >     <p>Baddeley, A. D. (1999). <I>Essentials of human memory</I>. Hove: Psychology Press. </P >    <p>Bruck, M., &amp; Ceci, S. J. (1999). The suggestibility of children&rsquo;s memory. <I>Annual Review of Psychology, 50</I>, 419-439. </P >    <p>Bruck, M., Ceci, S. J., &amp; Hembrooke, H. (1998). Reliability and credibility of young children&rsquo;s reports: From research to policy and practice. <I>American Psychologist, 53</I>(2), 136-151. </P >    <p>Bruck, M., Ceci, S. J., &amp; Melnyk, L. (1997). External and internal sources of variation in the creation of false reports in children. <I>Learning and Individual Differences, 9</I>, 289-316. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Burgwyn-Bailes, E., Baker-Ward, L., Gordon, B. N., &amp; Ornstein, P. A. (2001). Children&rsquo;s memory for emergency medical treatment after one year: The impact of individual difference variables on recall and suggestibility. <I>Applied Cognitive Psychology, 15</I>(7), 25-48. </P >    <p>Candel, I., Merckelbach, H., &amp; Muris, P. (2000). Measuring interrogative suggestibility in children: Reliability and validity of the Bonn Test of Statement Suggestibility. <I>Psychology, Crime &amp; Law, 6</I>, 61-70. </P >    <p>Candel, I., Merckelbach, H., Jelicic, M., Limpens, M., &amp; Widdershoven, K. (2004). Children&rsquo;s suggestibility for peripheral and central details. <I>The Journal of Credibility Assessment and Witness Psychology, 1</I>(5), 9-18. </P >    <p>Ceci, S. J., &amp; Bruck, M. (1993). Suggestibility of the child witness: A historical review and synthesis. <I>Psychological Bulletin, 113</I>(3), 403-439. </P >    <p>Ceci, S. J., &amp; Friedman, R. (2000). The suggestibility of children: Scientific research and legal implications. <I>Cornell Law Review, 86, </I>34-108. </P >    <p>Ceci, S. J.; Bruck, M., &amp; Battin, D. B. (2000). The suggestibility of children&rsquo;s testimony. In D. F. Bjorklund (Ed.), False-Memory creation in children and adults: Theory, research and implications (pp. 169-201). New Jersey: Lawrence Erlbaum Associates. </P >    <p>Chae, Y., &amp; Ceci, S. J. (2005). Individual differences in children&rsquo;s recall and suggestibility: The effect of intelligence, temperament, and self-perceptions. <I>Applied Cognitive Psychology, 19</I>, 383-407. </P >     <p>Chae, Y., &amp; Ceci, S. J. (2006). Diferen&ccedil;as individuais na sugestionabilidade    das crian&ccedil;as. In A. Castro Fonseca, M. R. Sim&otilde;es, M. C. Taborda    Sim&otilde;es, &amp; M. S. Pinho (Eds.), <I>Psicologia Forense </I>(pp. 471-496).    Coimbra: Almedina </P >     <p>Clarke-Stewart, K. A., Malloy, L. C., &amp; Allhusen, V. D. (2004). Verbal    ability, self-control, and close relationships with parents protect children    against misleading questions. <I>Applied Cognitive Psycho</I><I>logy, 18</I>,    1037-1058. </P >     <p>Conti, R. P. (1999). The psychology of false confessions. <I>The Journal of Credibility Assessment and Witness Psychology, 2</I>(1), 14-36. </P >     ]]></body>
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<surname><![CDATA[Cunha]]></surname>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Sugestionabilidade em crianças: Definição de conceitos e análises de variáveis cognitivas]]></article-title>
<source><![CDATA[Psychologica]]></source>
<year>2007</year>
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<surname><![CDATA[Fonseca]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Uma escala de ansiedade para crianças e adolescentes: &#8220;O que eu penso e o que eu sinto&#8221;]]></article-title>
<source><![CDATA[Revista Portuguesa de Pedagogia]]></source>
<year>1992</year>
<volume>XXVI</volume>
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<page-range>141-155</page-range></nlm-citation>
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