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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The aim of this article is to make an analysis of the concept of psychopathy, bearing in mind the implication of the concept in the study of criminal behaviour. We analyze the most important factors that characterize the several perspectives related with the conceptualization of psychopathy: the clinical, categorical, typological and dimensional perspectives of the concept. Is also discussed the impact, both theoretical and empirical, of the aspects that are defined as essential in the definition of psychopathy, for each of the approaches presented.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Comportamento criminal]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>O <I>estado de arte </I>do conceito de psicopatia </b></p>     <p><b>Cristina Soeiro (*), Rui Abrunhosa Gon&ccedil;alves (**) </b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>(*) Escola de Pol&iacute;cia Judici&aacute;ria; Instituto Superior de Ci&ecirc;ncias    da Sa&uacute;de Egas Moniz; e-mail: <a href="mailto:cristina.soeiro@pj.pt">cristina.soeiro@pj.pt</a>.  </p>     <p>(**) Escola de Psicologia, Universidade do Minho, Braga, Portugal; e-mail:    <a href="mailto:rabrunhosa@psi.uminho.pt">rabrunhosa@psi.uminho.pt</a>. </P >     <p>&nbsp;</P >     <P   align="left" ><b>RESUMO </b></P >     <p>Este artigo tem como objectivo efectuar uma an&aacute;lise do conceito de psicopatia,    tendo presente a sua evolu&ccedil;&atilde;o e as principais quest&otilde;es    que se colocam na sua rela&ccedil;&atilde;o com o estudo do comportamento criminal.    S&atilde;o analisados os principais indicadores que caracterizam as perspectivas    cl&iacute;nica, categorial, tipol&oacute;gica e dimensional do conceito de psicopatia,    assim como os principais aspectos que as diferenciam. No final do artigo &eacute;    discutido o impacto, quer em termos te&oacute;ricos quer emp&iacute;ricos, dos    aspectos que s&atilde;o defendidos como centrais, na defini&ccedil;&atilde;o    de psicopatia, para cada uma das abordagens apresentadas. </P >     <p><I>Palavras-chave: </I>Comportamento criminal, Personalidade anti-social, Psicopatia.  </P >     <p>&nbsp; </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="left" ><b>ABSTRACT </b></P >     <p>The aim of this article is to make an analysis of the concept of psychopathy,    bearing in mind the implication of the concept in the study of criminal behaviour.    We analyze the most important factors that characterize the several perspectives    related with the conceptualization of psychopathy: the clinical, categorical,    typological and dimensional perspectives of the concept. Is also discussed the    impact, both theoretical and empirical, of the aspects that are defined as essential    in the definition of psychopathy, for each of the approaches presented. </P >     <p><I>Key-words: </I>Anti-social personality, Criminal behavior, Psychopathy.  </P >     <p>&nbsp;</P >     <p>A psicopatia &eacute; uma das perturba&ccedil;&otilde;es da personalidade mais    estudada, atendendo ao impacto negativo que os comportamentos associados a esta    perturba&ccedil;&atilde;o possuem na comunidade onde o psicopata vive, nomeadamente    a forte rela&ccedil;&atilde;o com o cometimento de comportamentos criminais.    Nos estudos criminol&oacute;gicos aparecem referidos, desde de sempre, determinados    indiv&iacute;duos que disp&otilde;em, de forma continuada, de uma grande capacidade    de agress&atilde;o, tanto no sentido f&iacute;sico como no psicol&oacute;gico,    e que englobam comportamentos de hostilidade e manipula&ccedil;&atilde;o. Na    verdade, a identifica&ccedil;&atilde;o de indiv&iacute;duos que s&atilde;o respons&aacute;veis    por agress&otilde;es sistem&aacute;ticas, em muitas ocasi&otilde;es com grave    dano para as suas v&iacute;timas, e que se caracterizam por serem cru&eacute;is,    irrespons&aacute;veis e por n&atilde;o terem vida emocional real, nem sintomas    caracter&iacute;sticos de enfermidade mental, possuem todos os indicadores para    se inserirem num diagn&oacute;stico de psicopatia. </p>     <p>De um modo geral, os estudos indicam que a psicopatia se manifesta numa s&eacute;rie    de condutas que s&atilde;o resultado de factores biol&oacute;gicos e da personalidade,    relacionados com uma s&eacute;rie de antecedentes familiares e outros factores    ambientais. No entanto, a defini&ccedil;&atilde;o do conceito de psicopatia,    e o impacto que esta perturba&ccedil;&atilde;o apresenta nos contextos forense    e cl&iacute;nico, implicam o desenvolvimento de mais investiga&ccedil;&otilde;es.  </P >     <p>    <BR>   No sentido de enquadrar a import&acirc;ncia deste conceito e definir o seu &ldquo;estado    de arte&rdquo;, ser&atilde;o apresentados neste artigo os aspectos que definem    o conceito de psicopatia e a sua evolu&ccedil;&atilde;o. Procura-se assim, contribuir    para uma sistematiza&ccedil;&atilde;o deste conceito t&atilde;o importante para    a compreens&atilde;o do fen&oacute;meno da criminaidade, e para a preven&ccedil;&atilde;o    e interven&ccedil;&atilde;o nos contextos da criminalidade com contornos de    maiores &iacute;ndices de reincid&ecirc;ncia e viol&ecirc;ncia. </P >     <P   align="center" >O CONCEITO DE PSICOPATIA </P >    <p>Definir psicopatia, reveste-se de grande complexidade. Na verdade, a defini&ccedil;&atilde;o deste conceito foi alvo de v&aacute;rias influ&ecirc;ncias, quer em termos da sua evolu&ccedil;&atilde;o na vertente cient&iacute;fica, quer em termos da sua utiliza&ccedil;&atilde;o ao n&iacute;vel da linguagem de senso comum, onde este conceito surgiu como sin&oacute;nimo de &ldquo;louco&rdquo; ou &ldquo;criminoso&rdquo; (Gon&ccedil;alves, 1999b). </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A evolu&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica do conceito apresentou v&aacute;rios percursos determinados por aspectos sociais, morais e estere&oacute;tipos associados &agrave; comunidade cient&iacute;fica (Gon&ccedil;alves, 1999a). A falta de consenso relativamente &agrave; designa&ccedil;&atilde;o atribu&iacute;da &agrave; perturba&ccedil;&atilde;o em an&aacute;lise e aos indicadores que a caracterizam s&atilde;o os aspectos que marcaram esta fase de defini&ccedil;&atilde;o do conceito. Na verdade, como alternativa ao termo de psicopatia, surgiram designa&ccedil;&otilde;es como perturba&ccedil;&atilde;o de car&aacute;cter (Millon, 1981), perturba&ccedil;&atilde;o da personalidade anti-social (American Psychiatric Association &ndash; APA, 1980), perturba&ccedil;&atilde;o da personalidade dissocial (World Health Organization &ndash; WHO, 1965, citado por Gon&ccedil;alves, 1999b) e sociopatia (Partridge, 1930) diversidade que introduziu limita&ccedil;&otilde;es no enquadramento conceptual e avaliativo desta perturba&ccedil;&atilde;o grave da personalidade. </P >    <p>Estas defini&ccedil;&otilde;es integravam indicadores diversos da perturba&ccedil;&atilde;o, sendo, por exemplo, o conceito de perturba&ccedil;&atilde;o de car&aacute;cter muito abrangente, enquanto os conceitos de perturba&ccedil;&atilde;o da personalidade anti-social e de personalidade dissocial e sociopatia se referiam principalmente aos indicadores comportamentais associados a esta perturba&ccedil;&atilde;o. </P >    <p>A defini&ccedil;&atilde;o clara de psicopatia &eacute; algo fundamental, devido &agrave;s suas implica&ccedil;&otilde;es na investiga&ccedil;&atilde;o, diagn&oacute;stico, avalia&ccedil;&atilde;o, interven&ccedil;&atilde;o e replicabilidade de resultados na &aacute;rea de estudo referente &agrave;s perturba&ccedil;&otilde;es da personalidade (Gon&ccedil;alves, 1999b). Atendendo &agrave; import&acirc;ncia de uma clara defini&ccedil;&atilde;o deste conceito, ser&atilde;o analisados, no presente artigo, os aspectos mais relevantes que surgem associados a esta problem&aacute;tica. </P >    <p>A evolu&ccedil;&atilde;o da defini&ccedil;&atilde;o do conceito de psicopatia pode ser dividida em dois grandes momentos que s&atilde;o marcados pelo trabalho efectuado por Cleckley (1941/1976) e pelo desenvolvimento, a partir de 1952, da classifica&ccedil;&atilde;o das perturba&ccedil;&otilde;es mentais realizada pela Associa&ccedil;&atilde;o Americana de Psiquiatria (American Psychiatric Association) (cf. DSM-I; American Psychiatric Association, 1952, citado por Soeiro, 2006), trabalhos que marcaram as defini&ccedil;&otilde;es mais recentes. </P >     <p align="center">AS PRIMEIRAS ABORDAGENS DO CONCEITO DE PSICOPATIA </P >     <p>&Eacute; pac&iacute;fico que o conceito de psicopatia surgiu do trabalho desenvolvido por Pinel em 1809, que de forma mais espec&iacute;fica introduziu o conceito de &ldquo;mania sem del&iacute;rio&rdquo; para designar aqueles indiv&iacute;duos que mostravam ac&ccedil;&otilde;es at&iacute;picas e agressivas. Em 1812 o americano Rush nos seus trabalhos atribuiu a insensibilidade dos psicopatas a um defeito cong&eacute;nito que, no entanto, n&atilde;o identificou (Cantero, 1993). </P >    <p>Pritchard, um psiquiatra ingl&ecirc;s, introduziu em 1835, o termo de insanidade moral para se referir aos sujeitos cuja moral ou princ&iacute;pios de conduta eram fortemente pervertidos e indicadores de comportamento anti-social. Prichard, seguidor da escola ambientalista, foi o primeiro a atribuir a esta perturba&ccedil;&atilde;o a influ&ecirc;ncia do meio, propondo como meio de interven&ccedil;&atilde;o, na psicopatia, o recurso a medidas ambientais que possibilitassem a estes indiv&iacute;duos integrar-se num meio adequado e ultrapassar assim o problema (Cantero, 1993). </P >    <p>Esta concep&ccedil;&atilde;o contribuiu para o desenvolvimento de escolas educativas para jovens com comportamento desviante. A designa&ccedil;&atilde;o de insanidade moral, apresentada por Pritchard, foi posteriormente colocada em causa, j&aacute; que este termo surgia associado, igualmente, a outras anomalias ps&iacute;quicas que n&atilde;o integravam a psicopatia e porque o termo moral foi questionado por v&aacute;rios actores sociais, desde a &aacute;rea jur&iacute;dica at&eacute; &agrave; religiosa. </P >    <p>Koch, psiquiatra alem&atilde;o, como resposta &agrave; problem&aacute;tica introduzida por Pritchard, apresentou em 1888 uma outra proposta de conceito para esta perturba&ccedil;&atilde;o da personalidade. Assim, este autor apresentou o conceito de &ldquo;inferioridade psicop&aacute;tica&rdquo;, que definiu como uma anomalia de car&aacute;cter, em grande parte devido a aspectos cong&eacute;nitos ou ainda a aspectos resultantes de enfermidade ps&iacute;quica (Gon&ccedil;alves, 1999a). </P >    <p>Mas &eacute; Kraepelin entre 1896 e 1915, que introduziu o termo de &ldquo;personalidade psico-p&aacute;tica&rdquo;, conceito utilizado at&eacute; aos dias de hoje. Esta designa&ccedil;&atilde;o surgiu integrada numa tipologia mais vasta de treze categorias base, elaborada por este autor, e que procurava descrever um tipo de indiv&iacute;duos com indicadores de comportamento criminal anormal ou imoral (Lykken, 1995). </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O in&iacute;cio do s&eacute;culo XX &eacute; marcado por um conjunto importante de desenvolvimentos relativamente ao estudo da psicopatia, identificando-se uma maior orienta&ccedil;&atilde;o para o estudo dos indicadores comportamentais desta perturba&ccedil;&atilde;o (Cantero, 1993). </P >     <p>Entre 1923 e 1955 Schneider realizou importantes contribui&ccedil;&otilde;es    no campo da psicopatia. Este autor utilizou o termo &ldquo;personalidade psicop&aacute;tica&rdquo;    como uma entidade integradora de certas patologias, apresentando uma clara distin&ccedil;&atilde;o    entre os conceitos de doen&ccedil;a mental e de psicopatia. O autor considerou    ser errado definir como doen&ccedil;a mental uma perturba&ccedil;&atilde;o que    tem por base tra&ccedil;os ps&iacute;quicos (Cantero, 1993). A sua classifica&ccedil;&atilde;o    baseava-se, ent&atilde;o, nos tra&ccedil;os disposicionais associados ao estudo    da personalidade e das viv&ecirc;ncias que determinavam o desenvolvimento da    mesma. Nesta perspectiva, a psicopatia est&aacute; relacionada com desvios quantitativos    das caracter&iacute;sticas normais da personalidade, salientando-se, desta forma,    a import&acirc;ncia dos aspectos predisposicionais (Gon&ccedil;alves, 1999a).    Este conjunto de indicadores est&aacute; na base da sua tipologia das personalidades    psicop&aacute;ticas. </P ></P >     <p>Schneider (1923/1955), classificou as personalidades psicop&aacute;ticas em    10 categorias distintas: (1) Hipert&iacute;micos; (2) Depressivos; (3) Inseguros;    (4) Fan&aacute;ticos; (5) Carentes de valor; (6) L&aacute;beis de humor; (7)    Explosivos; (8) Ap&aacute;ticos; (9) Ab&uacute;licos; (10) Ast&eacute;nicos.    Apesar desta tipologia, o autor chamou ainda a aten&ccedil;&atilde;o para a    identifica&ccedil;&atilde;o de diversas combina&ccedil;&otilde;es com grada&ccedil;&otilde;es    diferentes. Segundo Gon&ccedil;alves (1999a), este trabalho corresponde a uma    tentativa de precis&atilde;o do diagn&oacute;stico da psicopatia, que teve    j&aacute; o contributo de outros autores como Koch e Kraepelin. </P ></P >     <p>As defini&ccedil;&otilde;es at&eacute; aqui apresentadas podem ser consideradas como as primeiras tentativas de definir este conceito. Segue-se uma an&aacute;lise das defini&ccedil;&otilde;es mais actuais do conceito. </P >     <p align="center">AS ABORDAGENS CONTEMPOR&Acirc;NEAS DO CONCEITO DE PSICOPATIA  </P >     <p><I>A perspectiva cl&iacute;nica do conceito </I></P >     <p>Uma das contribui&ccedil;&otilde;es mais importantes na defini&ccedil;&atilde;o    actual de psicopatia deve-se ao trabalho de Cleckley, que proporcionou uma descri&ccedil;&atilde;o    cl&iacute;nica mais detalhada da psicopatia e suas diversas manifesta&ccedil;&otilde;es.    S&atilde;o os crit&eacute;rios cl&iacute;nicos a base da investiga&ccedil;&atilde;o    desenvolvida por este autor. No seu livro &ldquo;<I>The Mask of Sanity</I>&rdquo;    (1941/1976) apresentou um perfil da psicopatia, indicando os tra&ccedil;os mais    significativos da perturba&ccedil;&atilde;o: (1) Encanto superficial e boa intelig&ecirc;ncia;    (2) Inexist&ecirc;ncia de alucina&ccedil;&otilde;es ou de outras manifesta&ccedil;&otilde;es    de pensamento irracional; (3) Aus&ecirc;ncia de nervosismo ou de manifesta&ccedil;&otilde;es    neur&oacute;ticas; (4) Ser indigno de confian&ccedil;a; (5) Ser mentiroso e    insincero; (6) Egocentrismo patol&oacute;gico e incapacidade para amar; (7)    Pobreza geral nas principais rela&ccedil;&otilde;es afectivas; (8) Vida sexual    impessoal, trivial e pouco integrada; (9) Aus&ecirc;ncia de sentimentos de culpa    ou de vergonha; (10) Perda espec&iacute;fica da intui&ccedil;&atilde;o; (11)    Incapacidade para seguir qualquer plano de vida; (12) Amea&ccedil;as de suic&iacute;dio    raramente cumpridas; (13) Racioc&iacute;nio pobre e incapacidade para aprender    com a experi&ecirc;ncia; (14) Comportamento fantasioso e pouco recomend&aacute;vel    com ou sem ingest&atilde;o de bebidas alco&oacute;licas; (15) Incapacidade para    responder na generalidade das rela&ccedil;&otilde;es interpessoais; (16) Exibi&ccedil;&atilde;o    de comportamentos anti-sociais sem escr&uacute;pulos aparentes. Para este autor    a principal caracter&iacute;stica do psicopata &eacute; a deficiente resposta    afectiva face aos outros, o que explicaria a forte rela&ccedil;&atilde;o com    condutas anti-sociais. </P >     <p>&Eacute; no trabalho de Cleckley (1941/1976) que se baseiam as defini&ccedil;&otilde;es mais recentes de psicopatia, principalmente as que se inserem numa vertente cl&iacute;nica do conceito. S&atilde;o os crit&eacute;rios cl&iacute;nicos definidos por este autor que est&atilde;o na base das investiga&ccedil;&otilde;es desenvolvidas, e que assentam sobretudo no recurso a question&aacute;rios de personalidade, entre os quais se destacam o Minnesota Multiphasic Personality Inventory &ndash; MMPI (Hare, 1996; Hare &amp; Cox, 1978). </P >    <p>Buss (1966) descreveu a psicopatia de acordo com dois componentes distintos: sintomas e tra&ccedil;os da personalidade. Os sintomas consistiam em comportamentos centrados na busca de estimula&ccedil;&atilde;o, desrespeito pelas conven&ccedil;&otilde;es, incapacidade para controlar impulsos ou adiar gratifica&ccedil;&otilde;es, rejei&ccedil;&atilde;o da autoridade e disciplina, racioc&iacute;nio pobre na avalia&ccedil;&atilde;o de comportamentos mas bom em situa&ccedil;&otilde;es e comportamentos associais e anti-sociais. Os tra&ccedil;os de personalidade referem-se a rela&ccedil;&otilde;es interpessoais defeituosas ou uma incapacidade fundamental para amar ou para estabelecer amizades verdadeiras, inexist&ecirc;ncia de intui&ccedil;&atilde;o pr&oacute;pria, aus&ecirc;ncia de culpa ou vergonha e, por &uacute;ltimo, uma fachada de compet&ecirc;ncia e maturidade que mascaram uma inconsist&ecirc;ncia geral e a incapacidade para ser digno de confian&ccedil;a. </P >    <p>Buss (1966) prop&ocirc;s ainda um padr&atilde;o tridimensional de caracter&iacute;sticas manifestas da psicopatia. Assim o psicopata &eacute;: (a) uma pessoa vazia e isolada; (b) n&atilde;o tem uma identidade basilar e (c) n&atilde;o tem perspectiva de controlo do tempo. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>McCord e McCord (1964) efectuaram uma extensa revis&atilde;o de literatura relativa ao conceito de psicopatia, de onde resultou a identifica&ccedil;&atilde;o de um conjunto de caracter&iacute;sticas que melhor define esta perturba&ccedil;&atilde;o. Segundo estes autores a psicopatia estaria relacionada com a &ldquo;incapacidade para amar&rdquo; e a &ldquo;aus&ecirc;ncia de sentimentos de culpa&rdquo;. Estas caracter&iacute;sticas estariam na base dos comportamentos anti-sociais apresentados pelos indiv&iacute;duos com este tipo de perturba&ccedil;&atilde;o. </P >    <p>McCord e McCord (1964) caracterizaram os psicopatas como pessoas associais, agressivas, altamente impulsivas, egoc&ecirc;ntricas, com baixo limiar de toler&acirc;ncia &agrave; frustra&ccedil;&atilde;o e incapazes de manter la&ccedil;os afectivos com outros humanos. O psicopata &eacute; assim descrito como possuindo uma personalidade desajustada e regulada por desejos primitivos e por uma busca exagerada de sensa&ccedil;&otilde;es. </P >    <p>Perante este conjunto vasto de altera&ccedil;&otilde;es da personalidade que surgem associadas ao conceito de psicopatia, na sua vertente mais cl&iacute;nica, muitas &aacute;reas de investiga&ccedil;&atilde;o deste tipo de perturba&ccedil;&atilde;o abandonam a utiliza&ccedil;&atilde;o do mesmo, considerando-o como inoperante e moralista (Doren, 1987). Este contexto levou ao desenvolvimento de outras perspectivas de investiga&ccedil;&atilde;o com impacto na defini&ccedil;&atilde;o do conceito de psicopatia. </P >    <p><I>As classifica&ccedil;&otilde;es nosol&oacute;gicas e a perspectiva categorial de psicopatia </I></P >    <p>Pichot (1978, citado por Soeiro, 2006) ao procurar fazer um ponto de situa&ccedil;&atilde;o relativamente &agrave; defini&ccedil;&atilde;o de psicopatia, identificou a influ&ecirc;ncia de duas posi&ccedil;&otilde;es distintas na sua caracteriza&ccedil;&atilde;o: uma das posi&ccedil;&otilde;es baseava-se no trabalho de Pritchard (1985, citado por Gon&ccedil;alves 1999a) e do seu conceito de insanidade moral, e a outra no trabalho de Schneider (1923/1955), relativo ao termo de &ldquo;personalidade psicop&aacute;tica&rdquo; (Gon&ccedil;alves, 1999b). Para Pichot a confus&atilde;o surgiu quando a perspectiva inglesa recorreu ao termo germ&acirc;nico e lhe atribui um significado que nem sempre lhe era aplicado, j&aacute; que para Schneider a psicopatia n&atilde;o resultava for&ccedil;osamente de uma inadequa&ccedil;&atilde;o social. Segundo Pichot, esta confus&atilde;o no uso dos termos acabou por influenciar a elabora&ccedil;&atilde;o das classifica&ccedil;&otilde;es nosol&oacute;gicas das doen&ccedil;as mentais. </P >    <p>As classifica&ccedil;&otilde;es nosol&oacute;gicas das doen&ccedil;as mentais permitiram o desenvolvimento de uma abordagem categorial no que se refere &agrave; defini&ccedil;&atilde;o de psicopatia. Assim, nesta vertente de estudo da perturba&ccedil;&atilde;o salientou-se, em primeiro lugar, a influ&ecirc;ncia do conceito de personalidade sociop&aacute;tica de Partridge (1930, citado por Gon&ccedil;alves, 1999a), que foi adoptado pela <I>American Pychiatric Association, </I>na 1&ordf; edi&ccedil;&atilde;o do Manual de Diagn&oacute;stico e Estat&iacute;stica dos Transtornos Mentais (DSM-I; APA, 1952, citado por Cantero, 1993). </P >    <p>Partridge (1930) referiu-se ao conceito de personalidade sociop&aacute;tica para designar a incapacidade ou falta de vontade de alguns sujeitos para se sujeitarem &agrave;s leis da sociedade. O uso deste conceito perdurou at&eacute; &agrave; edi&ccedil;&atilde;o de 1980, ano em que a DSM-III passou a utilizar o termo de &ldquo;perturba&ccedil;&atilde;o da personalidade antisocial&rdquo;, recorrendo ao conceito originalmente empregue por Prichard e aos trabalhos desenvolvidos por Robins (1966, 1978). </P >    <p>Robins (1966) desenvolveu uma descri&ccedil;&atilde;o comportamental da psicopatia focalizada nos comportamentos observ&aacute;veis, e, por consequ&ecirc;ncia, mensur&aacute;veis, n&atilde;o sendo necess&aacute;rio para definir a perturba&ccedil;&atilde;o, inferir sobre os processos psicol&oacute;gicos subjacentes. Atrav&eacute;s desta abordagem a autora procurou clarificar o diagn&oacute;stico de psicopatia, excluindo os indicadores que poderiam remeter para o diagn&oacute;stico de esquizofrenia, atraso mental, les&atilde;o org&acirc;nica ou comportamentos anti-sociais relacionados com os consumos de subst&acirc;ncias. </P >    <p>Segundo Robins (1966) esta op&ccedil;&atilde;o visava responder &agrave; necessidade de se estabelecerem crit&eacute;rios psicol&oacute;gicos para um diagn&oacute;stico mais objectivo desta perturba&ccedil;&atilde;o. Deste trabalho resultou um diagn&oacute;stico de psicopatia baseado em aspectos comportamentais, que podem ser observados e medidos, n&atilde;o considerando os factores de natureza cl&iacute;nica que definem esta perturba&ccedil;&atilde;o da personalidade. </P >    <p>Deste modo, na vers&atilde;o da DSM-III-R (American Psychiatric Association, 1987) foram apresentados os indicadores fundamentais para a defini&ccedil;&atilde;o desta perturba&ccedil;&atilde;o. Assim, o conceito apresentado definiu a perturba&ccedil;&atilde;o a partir de um conjunto de comportamentos anti-sociais, j&aacute; identificados antes dos 15 anos de idade, mas que persistiam ou se alteravam para outro tipo de comportamentos anti-sociais. Os comportamentos que definiam a perturba&ccedil;&atilde;o englobavam: a mentira frequente, roubo, absentismo escolar, vandalismo, fugas de casa e crueldade para com os animais e as pessoas. Estes comportamentos evolu&iacute;am para outro tipo de problemas mais complexos como a aus&ecirc;ncia de responsabilidade financeira e familiar, incapacidade para efectuar projectos futuros e manter um posto de trabalho de forma cont&iacute;nua, envolvimento em actos anti-sociais e criminais que poderiam culminar na pris&atilde;o. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Do ponto de vista comportamental eram ainda referidos como indicadores importantes a agressividade e impulsividade e o envolvimento em experi&ecirc;ncias de risco, como condu&ccedil;&atilde;o veloz sob a influ&ecirc;ncia do consumo de subst&acirc;ncias como &aacute;lcool ou drogas. No que se refere aos aspectos emocionais, foram definidos como centrais a aus&ecirc;ncia de sentimentos de culpa e a dificuldade em estabelecer rela&ccedil;&otilde;es afectivas est&aacute;veis. </P >    <p>As edi&ccedil;&otilde;es posteriores desta classifica&ccedil;&atilde;o das perturba&ccedil;&otilde;es psicopatol&oacute;gicas, a DSM-III-R (APA, 1987) e a DSM-IV (American Psychiatric Association, 2002) mantiveram a no&ccedil;&atilde;o de &ldquo;perturba&ccedil;&atilde;o da personalidade anti-social&rdquo;, se bem que a &uacute;ltima edi&ccedil;&atilde;o inclu&iacute;a j&aacute; caracter&iacute;sticas da psicopatia definidas por Cleckley (1976) e apresentadas no trabalho de Hare (1991). </P >    <p>As vers&otilde;es mais recentes, DSM-IV (APA, 1994, citado por Soeiro, 2006) apresentam, assim, algumas altera&ccedil;&otilde;es que correspondem a uma agrega&ccedil;&atilde;o, simplifica&ccedil;&atilde;o e altera&ccedil;&atilde;o dos crit&eacute;rios que definem a perturba&ccedil;&atilde;o. Os indicadores que s&atilde;o considerados nestas vers&otilde;es centram-se claramente em aspectos relativos ao estilo de vida anti-social, e n&atilde;o em indicadores cl&iacute;nicos (sintomas interpessoais e afectivos) (Hart, Cox, &amp; Hare, 1995). Na verdade, estes aspectos t&ecirc;m sido alvo de pol&eacute;mica j&aacute; que, segundo esta no&ccedil;&atilde;o, se por um lado se reduz o grupo de indiv&iacute;duos que podem ser classificados com esta perturba&ccedil;&atilde;o, a verdade &eacute; que os indicadores integram mais facilmente indiv&iacute;duos que apresentam comportamentos criminais (Hart, Cox, &amp; Hare, 1995; Hare, Hart, &amp; Harpur, 1991). Tal como o refere Gon&ccedil;alves (1999a,b), cerca de &frac34; dos indiv&iacute;duos presos em Portugal apresentam comportamentos que permitem que sejam classificados como possuindo uma perturba&ccedil;&atilde;o da personalidade de cariz anti-social. Assim, na pr&aacute;tica o que acontece, &eacute; incluir os delinquentes comuns reincidentes, com um alargado historial delituoso, nessa classifica&ccedil;&atilde;o, mas excluir muitos sujeitos realmente psicopatas que n&atilde;o mostraram essa actividade t&atilde;o marcadamente anti-social. </P >     <p>Apesar de a DSM-IV (APA, 1994, citado por Soeiro, 2006) considerar importante    os sintomas interpessoais e afectivos, na pr&aacute;tica n&atilde;o apresenta    uma orienta&ccedil;&atilde;o no modo como podem ser avaliadas (Hart, Cox, &amp;    Hare, 1995)<Sup><a href="#1">1</a></Sup>.<a name="top1"></a> Esta limita&ccedil;&atilde;o    mant&eacute;m-se na vers&atilde;o mais recente desta classifica&ccedil;&atilde;o    a DSM-IV-TR (APA, 2002). </P >     <p>A DSM n&atilde;o constituiu a &uacute;nica classifica&ccedil;&atilde;o das    perturba&ccedil;&otilde;es psicopatol&oacute;gicas com impacto na defini&ccedil;&atilde;o    da psicopatia. Na verdade, a <I>International Classification of Diseases </I>(ICD-8,    World Health Organization, 1965; ICD-10, World Health Organization, 1987, citado    por Gon&ccedil;alves, 1999b), baseando-se na terminologia de Schneider, coloca    o conceito de psicopatia como termo gen&eacute;rico para este grupo de perturba&ccedil;&otilde;es.    O conceito de perturba&ccedil;&atilde;o de personalidade dissocial, surge como    uma designa&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica, que em &uacute;ltima an&aacute;lise    passou a ser considerado como sin&oacute;nimo do conceito de personalidade anti-social    apresentada pela classifica&ccedil;&atilde;o da <I>American Psychiatric Association.    </I>Atendendo ao maior impacto do trabalho desenvolvido pela <I>American Psychiatric    Association, </I>e considerando que no contexto dos EUA o termo dissocial possu&iacute;a    um enquadramento diferente de anti-social<Sup><a href="#2">2</a></Sup>, <a name="top2"></a>o    &uacute;ltimo termo passou a ser mais utilizado nos trabalhos de natureza cient&iacute;fica    sobre as tem&aacute;ticas da antisocialidade (Gon&ccedil;alves, 1999b). </P >     <p><I>O impacto da perspectiva tipol&oacute;gica </I></P >    <p>Para al&eacute;m das concep&ccedil;&otilde;es que se inserem numa vertente cl&iacute;nica e categorial, pode ainda ser identificado um conjunto de defini&ccedil;&otilde;es que se inserem numa abordagem tipol&oacute;gica. </P >    <p>Nos anos sessenta surgiram as defini&ccedil;&otilde;es e classifica&ccedil;&otilde;es de psicopatia que procuravam articular os indicadores da realidade com a defini&ccedil;&atilde;o do conceito. Inserido principalmente numa abordagem cl&iacute;nica de psicopatia, cada autor tendia a descrever esta perturba&ccedil;&atilde;o em fun&ccedil;&atilde;o da import&acirc;ncia que dada a uma ou v&aacute;rias caracter&iacute;sticas a ela associadas (Cantero, 1993). A maior parte das defini&ccedil;&otilde;es eram centradas nos tra&ccedil;os cl&iacute;nicos relativos ao egocentrismo, aus&ecirc;ncia de empatia e sentimentos de culpa e de estabelecimento de rela&ccedil;&otilde;es afectivas com os outros (Hare, 1970). </P >     <p>Nesta linha de investiga&ccedil;&atilde;o, Karpman (1961, citado por Gon&ccedil;alves,    2000) definiu o psicopata como uma pessoa inst&aacute;vel e emocionalmente imatura.    As suas reac&ccedil;&otilde;es surgem simples e provocadas por situa&ccedil;&otilde;es    de frustra&ccedil;&atilde;o ou de algo que incomoda o psicopata. N&atilde;o    experimentam ansiedade nem medo, as suas rela&ccedil;&otilde;es sociais e sexuais    s&atilde;o superficiais, as recompensas/castigos n&atilde;o t&ecirc;m qualquer    efeito sobre o seu comportamento imediato. Este autor refere, no entanto, que    estes indiv&iacute;duos, apesar de serem simples nas suas reac&ccedil;&otilde;es    emocionais, s&atilde;o capazes de simular estados emocionais e afectos para    com os outros sempre que isso lhes permita atingir os objectivos que pretendem.  </P >     <p>Karpman (1941, citado por Gon&ccedil;alves, 2000) distinguiu dois tipos de psicopatas: o sintom&aacute;tico e o ideop&aacute;tico. Posteriormente, este autor apresentou uma outra tipologia que definiu por tipo agressivo-predador e tipo passivo-parasita (Karpman, 1955, citado por Gon&ccedil;alves, 1999b). Procurando definir, de um modo geral, cada um dos tipos apresentados por este autor, verifica-se que o primeiro corresponde a indiv&iacute;duos com um comportamento frio, agressivo e insens&iacute;vel e com o objectivo de se apropriarem de tudo o que desejam, enquanto no segundo possuem uma aparente necessidade de ajuda e simpatia, alcan&ccedil;ando os seus prop&oacute;sitos de forma parasita. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Nesta linha de investiga&ccedil;&atilde;o podem ser igualmente consideradas as concep&ccedil;&otilde;es de psicopatia que possuem por base os estudos efectuados a partir de tratamentos estat&iacute;sticos, principalmente com recurso &agrave; an&aacute;lise factorial. Estes estudos procuraram identificar grupos (<I>clusters</I>) de tra&ccedil;os de personalidade que permitissem definir os v&aacute;rios tipos de personalidades psicop&aacute;ticas. Os trabalhos desenvolvidos nesta linha de investiga&ccedil;&atilde;o tiveram por base an&aacute;lise da hist&oacute;ria de vida dos indiv&iacute;duos, <I>rating scales</I>, question&aacute;rios de auto-relato e invent&aacute;rios de personalidade (Gon&ccedil;alves, 1999a). Importa considerar aqui os trabalhos desenvolvidos por Jenkins (1960, citado por Gon&ccedil;alves, 2000), Quay e colaboradores (Quay, 1965; Quay &amp; Parsons, 1971) e Blackburn (1971, 1978, 1986). </P >     <p>Considerando o trabalho desenvolvido por Jenkins (1960, citado por Gon&ccedil;alves,    2000), este tinha por base a an&aacute;lise de grupos de crian&ccedil;as com    hist&oacute;ria de comportamento delinquente. Da an&aacute;lise dos resultados    do estudo, o autor obteve tr&ecirc;s tipos distintos de psicopatas: o primeiro    grupo, que definiu como &ldquo;n&atilde;o socializado-agressivo&rdquo; era definido    por tend&ecirc;ncias agressivas, crueldade, desafio &agrave; autoridade e sentimentos    inadequados de culpa; </P >o segundo grupo, definido por &ldquo;sobre-ansioso&rdquo;, caracterizava-se por    timidez, apatia, sensibilidade e submiss&atilde;o; o terceiro grupo, designado    por &ldquo;socializado&rdquo;, surge associado a grupos anti-sociais, com envolvimento    em grupos com hist&oacute;ria de roubo e aus&ecirc;ncias da escola e de casa    (Gon&ccedil;alves, 1999a). </P > </P >     <p>Quanto ao trabalho de Quay e colaboradores (Quay, 1965; Quay &amp; Parsons, 1971), este permitiu a identifica&ccedil;&atilde;o de dois factores que permitiram definir a psicopatia: a delinqu&ecirc;ncia psicop&aacute;tica, que integrava aspectos como fraca moralidade, rebeldia, impulsividade, e aus&ecirc;ncia de la&ccedil;os familiares; e a delinqu&ecirc;ncia neur&oacute;tica, que correspondia a tend&ecirc;ncias agressivas e impulsivas, sentimentos de culpa, remorsos, tens&atilde;o e depress&atilde;o. Posteriormente foi identifi-cado por Quay (1977, citado por Gon&ccedil;alves, 1999a) mais dois grupos de indiv&iacute;duos, levando ao desenvolvimento de uma tipologia definida por quatro factores: &ldquo;sub-socializa&ccedil;&atilde;o&rdquo; e &ldquo;socializa&ccedil;&atilde;o&rdquo;, &ldquo;d&eacute;fice de aten&ccedil;&atilde;o&rdquo; e &ldquo;ansiedade-retraimento-disforia&rdquo;. Estes trabalhos deram suporte aos estudos da perspectiva cl&iacute;nica, desenvolvidos por Karpman (1955, citado por Gon&ccedil;alves, 1999b) e de Lykken (1957), j&aacute; que replicaram uma divis&atilde;o factorial para definir psicopatia semelhante &agrave; apresentada pelos autores da vertente cl&iacute;nica. Assim, o psicopata agressivo corresponde &agrave; designa&ccedil;&atilde;o de psicopata prim&aacute;rio, enquanto o psicopata neur&oacute;tico corresponde &agrave; caracteriza&ccedil;&atilde;o do psicopata secund&aacute;rio. </P >     <p>Os trabalhos desenvolvidos por Blackburn (1971, 1975, 1986), com base em amostras    de agressores violentos e com recurso ao MMPI, confirmaram igualmente os dados    anteriores. Nos seus estudos Blackburn conseguiu obter duas dimens&otilde;es    distintas em que os agressores podeiam ser diferenciados: os sub-controlados    e os sobre-controlados. Destes trabalhos resultou uma tipologia que subdividia    os psicopatas em quatro subgrupos: (1) psicopatas prim&aacute;rios; (2) psicopatas    secund&aacute;rios; (3) psicopatas inibidos; (4) psicopatas conformados (Blackburn,    1984). </P >     <p>Howells e Hollin (1988, citado por Gon&ccedil;alves, 2000) afirmaram que estes quatro subgrupos podiam ser encontrados na popula&ccedil;&atilde;o prisional e que existiam diferen&ccedil;as na personalidade e no comportamento entre os subgrupos. Assim, os psicopatas prim&aacute;rios apresentavam baixa ansiedade e elevada extrovers&atilde;o, ao contr&aacute;rio dos psicopatas secund&aacute;rios que eram definidos como introvertidos e com elevada ansiedade. Blackburn (1984) verificou que 52% de psicopatas prim&aacute;rios e 8% de psicopatas inibidos tinham hist&oacute;ria de reincid&ecirc;ncia de actos violentos. </P >    <p>Estes dados foram igualmente confirmados por trabalhos desenvolvidos posteriormente por Lykken (1995), Levenson, Kiehl, e Fitzpatrick (1995) e Ross, Lutz, e Bailley (2004). Destes estudos resultou uma tipologia que define os psicopatas prim&aacute;rios como indiv&iacute;duos insens&iacute;veis, pouco ansiosos, calculistas, manipulativos e mentirosos, e os psicopatas secund&aacute;rios, que genericamente se considera que sofrem de uma desordem neur&oacute;tica, que estimula o comportamento impulsivo por eles apresentado. </P >     <p>Estes trabalhos envolveram uma abordagem do conceito de psicopatia, que desencadeou    o desenvolvimento de uma tipologia que dicotomiza o comportamento destes indiv&iacute;duos    em psicopatas prim&aacute;rios e secund&aacute;rios, e que ainda hoje &eacute;    alvo de discuss&atilde;o e controv&eacute;rsia (Blackburn, 1993; Blackburn &amp;    Coid, 1998; Ross, Lutz, &amp; Bailley, 2004), j&aacute; que autores como Hare    (1991, 2003) defendem uma defini&ccedil;&atilde;o do conceito unidimensional    (Soeiro, 2006). </P >     <p><I>A abordagem dimensional do conceito de psicopatia </I></P >    <p>Enquadrando uma abordagem unidimensional do estudo do conceito de psicopatia, surgem os trabalhos desenvolvidos por Robert Hare. Este autor &eacute; um dos investigadores que mais contribuiu para o estudo do conceito de psicopatia e para a sua avalia&ccedil;&atilde;o. </P >    <p>A no&ccedil;&atilde;o de psicopatia que Hare (1991, 2003) apresenta op&otilde;e-se a uma abordagem tipol&oacute;gica do conceito, tal como &eacute; apresentado pelos trabalhos de Levenson, Kiehl, e Fitzpatrick (1995) e Ross, Lutz, e Bailley (2004). Na verdade, estes autores referem que a sua tipologia, associada &agrave; defini&ccedil;&atilde;o da psicopatia, corresponde ao mesmo tipo de dados obtidos por Hare (1991), apesar de n&atilde;o considerarem o conceito de psicopatia como unidimensional. Contudo, Hare (1980, 1991) n&atilde;o aceita esta divis&atilde;o dos psicopatas em dois tipos de indiv&iacute;duos, j&aacute; que os seus estudos s&atilde;o reveladores dos v&aacute;rios crit&eacute;rios/dimens&otilde;es que definem a desordem e n&atilde;o de tipos diferentes de perfis a ela associados. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Hare (1970) caracterizou o psicopata como algu&eacute;m incapaz de mostrar empatia ou preocupa&ccedil;&atilde;o genu&iacute;na por outrem, que manipula e usa os outros para satisfazer os seus pr&oacute;prios desejos. Estes indiv&iacute;duos, segundo este autor, apresentam ainda uma sinceridade superficial, que os torna capazes de convencer aqueles que usou e a quem prejudicou, da sua inoc&ecirc;ncia ou da sua motiva&ccedil;&atilde;o para mudar. </P >    <p>O trabalho desenvolvido por Hare (1991) apresenta claramente a influ&ecirc;ncia dos estudos de Cleckley (1941/1976) e de McCord e McCord (1964). Assim, para este autor, a psicopatia &eacute; definida como um constructo unidimensional composto por dois factores correlacionados (Hare, 1980, 1991; Harpur, Hasktian, &amp; Hare, 1988; Hart, Hare, &amp; Harpur, 1992): um dos factores est&aacute; associado aos aspectos cl&iacute;nicos (interpessoais e afectivos) que definem esta perturba&ccedil;&atilde;o da personalidade e o outro mais associado aos aspectos comportamentais que definem o termo de estilo de vida anti-social. Hare apresenta uma defini&ccedil;&atilde;o de psicopatia que engloba um conjunto de tra&ccedil;os de personalidade e comportamentos socialmente desviantes, devendo os indiv&iacute;duos apresentar caracter&iacute;sticas dos dois tipos de indicadores para serem classificados como psicopatas. Este modelo de dois factores torna-se, na &uacute;ltima d&eacute;cada, o dominante no que se refere &agrave; defini&ccedil;&atilde;o de psicopatia (Skeem, Mulvey, &amp; Grisso, 2003). </P >    <p>Na sequ&ecirc;ncia do trabalho desenvolvido por Hare (1980, 1991) e Hart, Cox, e Hare (1995), e numa tentativa de estudar a replica&ccedil;&atilde;o deste constructo de dois factores em termos transculturais, foram desenvolvidas investiga&ccedil;&otilde;es que defendem que o conceito de psicopatia deve ser definido n&atilde;o por dois mas por tr&ecirc;s factores (cf. Cooke, 1997, 1998; Cooke &amp; Michie, 2001): o primeiro factor foi definido por estilo interpessoal arrogante e dissimulado; o segundo factor corresponde a uma deficiente experiencia&ccedil;&atilde;o dos afectos; e o terceiro factor foi definido por estilo de comportamento impulsivo e irrespons&aacute;vel. Nesta perspectiva, a defini&ccedil;&atilde;o de psicopatia integra tr&ecirc;s facetas distintas, uma relativa a aspectos de natureza interpessoal, outra relativa a aspectos afectivos e outra que considera indicadores de natureza comportamental (Cleckley, 1941/1976; Cooke &amp; Michie, 2001; Hare, 1991). Tal como &eacute; referido por Cooke e Michie (2001), para definir psicopatia &eacute; importante considerar o contributo dos tr&ecirc;s indicadores, que possuem igual peso na caracteriza&ccedil;&atilde;o do constructo. </P >    <p>A proposta de defini&ccedil;&atilde;o do conceito de psicopatia a partir de um modelo de tr&ecirc;s factores, em substitui&ccedil;&atilde;o do modelo de dois factores de Hare (1991), introduz um debate em torno do papel do comportamento anti-social na caracteriza&ccedil;&atilde;o do constructo psicopatia. Na verdade, o papel do comportamento anti-social, definido como um sintoma no modelo bi-factorial de Hare (1991), &eacute; apresentado como uma consequ&ecirc;ncia da psicopatia nos resultados obtidos pelos trabalhos de Cooke e Michie (2001) e Cooke, Michie, Hart, e Clark (2004). A forte rela&ccedil;&atilde;o estabelecida entre psicopatia e a vari&aacute;vel comportamento anti-social surgiu da associa&ccedil;&atilde;o que existe entre esta perturba&ccedil;&atilde;o da personalidade e a criminalidade e a viol&ecirc;ncia t&iacute;pica das amostras estudadas (Hare, Cooke, &amp; Hart, 1999, citados por Cooke, Michie, Hart, &amp; Clark, 2004; Hart &amp; Hare, 1997, citados por Cooke, Michie, Hart, &amp; Clark, 2004). Esta rela&ccedil;&atilde;o, tal como j&aacute; foi referido, surge relacionada com a psicopatia, n&atilde;o apenas no modelo de Hare (1991), mas tamb&eacute;m nos crit&eacute;rios de diagn&oacute;stico apresentados pelos diferentes sistemas nosol&oacute;gicos. Contudo, a natureza da associa&ccedil;&atilde;o entre psicopatia e comportamento anti-social n&atilde;o &eacute; clara (Cooke, Michie, Hart, &amp; Clark, 2004; Cooke, Michie, &amp; Hart, 2006). </P >    <p>Assim, a diferen&ccedil;a apresentada pelo modelo dos tr&ecirc;s factores de Cooke e Michie (2001), n&atilde;o est&aacute; relacionada apenas com a subdivis&atilde;o em duas partes do Factor 1 do modelo de Hare (1991), que integra os aspectos cl&iacute;nicos da perturba&ccedil;&atilde;o e que separa os indicadores inter-pessoais dos afectivos. A principal discuss&atilde;o centra-se na elimina&ccedil;&atilde;o dos indicadores relativos aos comportamentos anti-sociais, mantendo apenas os aspectos comportamentais relativos &agrave; impulsividade e irresponsabilidade. Esta posi&ccedil;&atilde;o &eacute; igualmente defendida por autores como Lilienfeld, Purcell, e Jones-Alexander (1997, citado por Soeiro, 2006), que partindo dos aspectos definidos por Cleckley (1941/1976), consideram que o comportamento antisocial n&atilde;o &eacute; necess&aacute;rio nem suficiente para o diagn&oacute;stico da psicopatia. Deste modo, estes autores consideram que esta defini&ccedil;&atilde;o, centrada nos dois factores de Hare (1991), se encontra contaminada por factores n&atilde;o espec&iacute;ficos relativos ao comportamento desviante e anti-social. </P >    <p>Como resposta a esta posi&ccedil;&atilde;o apresentada por Cooke e Michie (2001) e ao modelo de tr&ecirc;s factores para definir o conceito de psicopatia, Hare (2003) apresenta um novo modelo de quatro factores com a mesma finalidade de caracteriza&ccedil;&atilde;o da psicopatia. Assim, Hare (2003) apresenta uma nova proposta relativamente aos sintomas de psicopatia e que engloba os tr&ecirc;s factores apresentados por Cooke e Michie (2001) e um quarto factor que considera os indicadores relativos ao comportamento anti-social. A an&aacute;lise dos indicadores que definem o conceito de psicopatia segundo esta estrutura de quatro factores &eacute; aprofundada e confirmada em Hare e Neuman (2006), ao serem comparados os indicadores que caracterizam os instrumentos criados para a avalia&ccedil;&atilde;o da psicopatia a partir da Psychopathy Checklist-Revised (PCL-R &ndash; Hare, 1991). </P >    <p>Cooke, Michie, Hart, e Clark (2004) estudam a adequa&ccedil;&atilde;o de cada um dos modelos referidos anteriormente e defendem que os indicadores relativos ao comportamento anti-social n&atilde;o podem ser considerados como uma manifesta&ccedil;&atilde;o directa da perturba&ccedil;&atilde;o psicopatia, para amostras com caracter&iacute;sticas culturais distintas. Na verdade, n&atilde;o confirmam a adequa&ccedil;&atilde;o do modelo de Hare (2003) relativamente &agrave; introdu&ccedil;&atilde;o de um quarto factor que integra os indicadores relativos ao comportamento anti-social e desviante. </P >    <p>Considerar o comportamento anti-social como um sintoma, implica integr&aacute;-lo como um indicador importante para a avalia&ccedil;&atilde;o e diagn&oacute;stico da psicopatia. Os dados emp&iacute;ricos obtidos por Cooke e Michie (2001) e Cooke, Michie, Hart, e Clark (2004) na an&aacute;lise das qualidades psico-m&eacute;tricas de um dos instrumentos mais utilizados para a avalia&ccedil;&atilde;o da psicopatia, a PCL-R (Hare, 1991, 2003) e a sua vers&atilde;o reduzida PCL:SV (Hart, Cox, &amp; Hare, 1995) permitem, contudo, aceitar a possibilidade do comportamento anti-social ser considerado como uma consequ&ecirc;ncia da psicopatia. </P >    <p>Mas, para al&eacute;m dos indicadores emp&iacute;ricos, Cooke, Michie, Hart, e Clark (2004) referem ainda quatro argumentos de natureza te&oacute;rica na defesa da &ldquo;hip&oacute;tese de consequ&ecirc;ncia&rdquo;, quando se considera o papel dos indicadores relativos ao comportamento anti-social, na defini&ccedil;&atilde;o do conceito de psicopatia. </P >    <p>Em primeiro lugar, estes autores defendem que as defini&ccedil;&otilde;es cl&iacute;nicas mais cl&aacute;ssicas de psicopatia (Cleckley, 1941/1976; Karpman, 1961, citado por Gon&ccedil;alves, 2000; McCord &amp; McCord, 1964) n&atilde;o definem o comportamento anti-social como um sintoma central na caracteriza&ccedil;&atilde;o da perturba&ccedil;&atilde;o. Este aspecto &eacute; refor&ccedil;ado por Schneider (1950/1958, citado por Gon&ccedil;alves, 1999b) e por Cleckely (1941/1976) que consideraram a possibilidade de que muitos indiv&iacute;duos com psicopatia n&atilde;o apresentam hist&oacute;ria de comportamento anti-social, tendo Scnheider afirmado que o comportamento anti-social deve ser considerado como secund&aacute;rio para a defini&ccedil;&atilde;o desta perturba&ccedil;&atilde;o da personalidade. Esta mesma posi&ccedil;&atilde;o foi apresentada por Lykken (1995) ao considerar que, apesar dos psicopatas apresentarem risco elevado para se envolver em actos criminosos, nem todos sucumbem a este risco. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em segundo lugar, Cooke, Michie, Hart, e Clark (2004) defendem que existem indicadores de que determinados sintomas da psicopatia s&atilde;o a causa da exibi&ccedil;&atilde;o de condutas anti-sociais: os sintomas interpessoais como <I>grandiosidade</I>, implicam os psicopatas em actos criminosos s&aacute;dicos, motivados por desejos de controlo; limita&ccedil;&otilde;es afectivas como a <I>aus&ecirc;ncia de empatia </I>e a <I>ansiedade </I>resultam numa dificuldade em inibir os pensamentos violentos; a <I>impulsividade, </I>por sua vez, surge associada ao cometimento de actos criminosos sem que o sujeito tenha presente a consequ&ecirc;ncias associadas a este tipo de actos (e.g., Blackburn, 1993; Blackburn &amp; Coid, 1998) </P >    <p>Cooke, Michie, Hart, e Clark (2004) referem como terceiro ponto fundamental a an&aacute;lise dos aspectos qualitativos que definem o comportamento anti-social, e que se distinguem dos sintomas da psicopatia. Na verdade, enquanto o comportamento anti-social est&aacute; relacionado com actos, os restantes sintomas da psicopatia relacionamse com tra&ccedil;os de personalidade. Blackburn (1987) defendeu que um diagn&oacute;stico baseado em actos e tra&ccedil;os da personalidade &eacute; feito recorrendo a crit&eacute;rios que integram dom&iacute;nios conceptuais distintos. A mesma posi&ccedil;&atilde;o &eacute; apresentada por Widiger e Lynam (1998) e Lilienfeld (1994). </P >    <p>O quarto aspecto de natureza conceptual sugere que o comportamento anti-social resulta da influ&ecirc;ncia de um conjunto variado de factores de natureza biol&oacute;gica, psicol&oacute;gica e social. Na verdade, no estudo do comportamento criminal, indica que a psicopatia &eacute; apenas uma das causas, podendo encontrar-se igualmente como fonte de causalidade as desordens psic&oacute;ticas, o atraso mental, uso e depend&ecirc;ncia de subst&acirc;ncias ou outras perturba&ccedil;&otilde;es da personalidade (Cooke, Michie, Hart, &amp; Clark, 2004). </P >    <p>Perante este conjunto de dados conceptuais e emp&iacute;ricos, a defini&ccedil;&atilde;o do conceito de psicopatia necessita, segundo a perspectiva de Cooke et al. (2004) e Cooke, Michie, e Hart (2006) de uma redefini&ccedil;&atilde;o que deve considerar os factores do comportamento desviante e anti-social como consequ&ecirc;ncia da psicopatia e n&atilde;o como um sintoma desta desordem da personalidade. A defini&ccedil;&atilde;o de psicopatia deve, segundo esta perspectiva, eliminar os crit&eacute;rios que se encontram relacionados com o comportamento desviante e anti-social. </P >    <p>Nesta perspectiva Cook, Hart, Logan, e Michie (2004) apresentam uma nova proposta no que se refere &agrave; identifica&ccedil;&atilde;o de dom&iacute;nios que definem e permitem avaliar a psicopatia. A avalia&ccedil;&atilde;o compreensiva da personalidade psicop&aacute;tica (Comprehensive Assessment of Psychopathic Personality &ndash; CAPP) corresponde a um modelo que define a psicopatia em cinco dom&iacute;nios: (1) Dom&iacute;nio da vincula&ccedil;&atilde;o, que avalia as dificuldades do psicopata em estabelecer rela&ccedil;&otilde;es interpessoais; (2) Dom&iacute;nio comportamental, que analisa os problemas relativos ao planeamento e cumprimento das tarefas e responsabilidades; (3) Dom&iacute;nio cognitivo, que reflecte os problemas com a adaptabilidade e flexibilidade mentais; (4) Dom&iacute;nio da domin&acirc;ncia, relacionado com quest&otilde;es de gest&atilde;o do poder e controlo; (5) Dom&iacute;nio do Self, que define problemas relacionados com a identidade e individualidade do psicopata. </P >    <p>O CAPP pretende diferenciar os dom&iacute;nios ou &aacute;reas da psicopatia dos seus sintomas, procurando elaborar um instrumento de avalia&ccedil;&atilde;o que seja discriminat&oacute;rio em termos de diagn&oacute;stico da psicopatia. </P >    <p>Esta separa&ccedil;&atilde;o entre os aspectos da personalidade e os crit&eacute;rios relativos ao comportamento anti-social podem facilitar, em termos te&oacute;ricos, o estudo da rela&ccedil;&atilde;o entre a psicopatia e o comportamento desviante e, em termos pr&aacute;ticos, a clarifica&ccedil;&atilde;o dos crit&eacute;rios de avalia&ccedil;&atilde;o facilitam a decis&atilde;o a ser tomada relativamente &agrave; classifica&ccedil;&atilde;o, avalia&ccedil;&atilde;o de risco de viol&ecirc;ncia e tratamento dos indiv&iacute;duos em contexto cl&iacute;nico/ /forense (Soeiro, 2006). </P >     <p align="center">O &ldquo;ESTADO DE ARTE&rdquo; DO CONCEITO DE PSICOPATIA </p>     <p>Ap&oacute;s a an&aacute;lise dos aspectos relacionados com a defini&ccedil;&atilde;o de psicopatia, verifica-se que s&atilde;o diversas as influ&ecirc;ncias que se encontram associadas &agrave; sua caracteriza&ccedil;&atilde;o e que, por isso, originaram v&aacute;rias defini&ccedil;&otilde;es do constructo. Apesar desta diversidade, observa-se, no entanto, uma evolu&ccedil;&atilde;o relativamente ao consenso sobre os indicadores deste constructo (Gon&ccedil;alves, 2000; Soeiro, 2006). </P >    <p>Como forma de sistematiza&ccedil;&atilde;o, Blackburn (1992) identifica tr&ecirc;s formas distintas de utiliza&ccedil;&atilde;o do conceito de psicopatia, na literatura. Uma que se relaciona com a ideia de desvio/deteriora&ccedil;&atilde;o, pessoal ou psicol&oacute;gica, em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; normalidade, baseada na tradi&ccedil;&atilde;o de Schneider e reconhecida na ICD-10 (World Health Organization, 1987, citado por Gon&ccedil;alves, 1999b). A segunda define o conceito como um desvio/deteriora&ccedil;&atilde;o social, apresentando o comportamento desviante e anti-social um lugar de destaque na explica&ccedil;&atilde;o da perturba&ccedil;&atilde;o. Esta influ&ecirc;ncia est&aacute; presente na DSM-IV-TR (American Psychiatric Association, 2002). A terceira perspectiva de psicopatia &eacute; definida por Blackburn como h&iacute;brida, j&aacute; que conjuga os aspectos da deteriora&ccedil;&atilde;o da personalidade, enquanto desvio social, com os crit&eacute;rios cl&iacute;nicos associados &agrave; perturba&ccedil;&atilde;o. Os autores que melhor exemplificam esta concep&ccedil;&atilde;o s&atilde;o Cleckley (1951/1976) e mais recentemente Hare (1991, 2003). </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Segundo Gon&ccedil;alves (1999a) as defini&ccedil;&otilde;es de psicopatia podem ser agrupadas em quatro abordagens distintas: as concep&ccedil;&otilde;es tipol&oacute;gicas, dimensionais, categoriais e cl&iacute;nicas. Para este autor, os trabalhos desenvolvidos por Hare inserem-se na abordagem dimensional, apesar de salientar a forte influ&ecirc;ncia de autores oriundos da vertente cl&iacute;nica. </P >     <p>De uma forma geral, e como resultado do que at&eacute; aqui foi exposto, pode    considerar-se que o conceito de psicopatia pode ser definido por um conjunto    de caracter&iacute;sticas ou tra&ccedil;os de personalidade (Cleckley, 1951/1976;    Hare, 1991, 2003) que podem estar presentes em indiv&iacute;duos com ou sem    hist&oacute;ria de anti-socialidade e que surgem desde a inf&acirc;ncia, piorando    na adolesc&ecirc;ncia e persistindo na fase da adultez (Gon&ccedil;alves, 2000).    Deste modo, define-se aqui o contorno de uma perturba&ccedil;&atilde;o da personalidade,    salvaguardando-se os aspectos relacionados com o papel do comportamento anti-social    como sintoma ou como consequ&ecirc;ncia desta perturba&ccedil;&atilde;o (Soeiro,    2006). </P >     <p>Quanto &agrave; articula&ccedil;&atilde;o, quando se considera o conceito de psicopatia, entre uma abordagem dimensional (e.g., Hare, 1991, 2003) e uma abordagem tipol&oacute;gica (e.g., Blackburn, 1971, 1984, 1986) os dados relativos aos estudos sobre a psicopatia prim&aacute;ria e secund&aacute;ria parecem indicar que esta abordagem apresenta um contributo importante para a compreens&atilde;o do fen&oacute;meno. Para alguns autores (cf. Gon&ccedil;alves, 1999a,b), estas duas abordagens podem mesmo ser vistas como concili&aacute;veis, principalmente quando se considera o estudo de popula&ccedil;&otilde;es com hist&oacute;ria criminal. </P >    <P   align="center" >DISCUSS&Atilde;O </P >    <p>De um modo geral, pode considerar-se que existem v&aacute;rias defini&ccedil;&otilde;es de psicopatia. A sua utiliza&ccedil;&atilde;o &eacute; influenciada por v&aacute;rios aspectos como sejam, o pa&iacute;s, a legisla&ccedil;&atilde;o e a tradi&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica. </P >    <p>Um dos aspectos interessantes que ressaltam da an&aacute;lise da &aacute;rea de estudo da psicopatia, quer em termos te&oacute;ricos, quer pr&aacute;ticos, &eacute; o grande impacto, nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, que o trabalho desenvolvido por Hare (1991) possibilitou na realiza&ccedil;&atilde;o concertada de investiga&ccedil;&otilde;es em diferentes contextos (forense, cl&iacute;nico-forense e cl&iacute;nico) e em diferentes realidades culturais. </P >    <p>Esta diversidade de estudos permitiu analisar quais os indicadores que melhor definem esta perturba&ccedil;&atilde;o da personalidade, possibilitando o desenvolvimento de uma forte rela&ccedil;&atilde;o entre os aspectos emp&iacute;ricos relacionados com a avalia&ccedil;&atilde;o dos indicadores de psicopatia e os aspectos conceptuais, relacionados com a defini&ccedil;&atilde;o do constructo. A revis&atilde;o do modelo e do respectivo instrumento que o originou, pode ent&atilde;o levar a altera&ccedil;&otilde;es na vertente te&oacute;rica do constructo, demonstrando a import&acirc;ncia da articula&ccedil;&atilde;o que pode ser estabelecida entre a pr&aacute;tica e a teoria. </P >    <p>Do ponto de vista te&oacute;rico, considerando os aspectos referidos ao longo deste artigo, ficam por analisar dois problemas fundamentais no estudo da psicopatia: um, &eacute; se o conceito de psicopatia deve ser definido de uma forma categorial ou dimensional; e outro &eacute; se existem dois tipos de psicopatas &ndash; prim&aacute;rios e secund&aacute;rios. </P >    <p>Quanto ao estudo da rela&ccedil;&atilde;o entre uma abordagem categorial, centrada num conjunto de crit&eacute;rios que definem a desordem (e.g., DSM-IV-TR; APA, 2002) e a dimensional, que considera os atributos cl&iacute;nicos espec&iacute;ficos da psicopatia, os resultados das investiga&ccedil;&otilde;es, parecem mostrar que n&atilde;o faz sentido reduzir esta perturba&ccedil;&atilde;o a aspectos relativos ao estilo comportamental, tal como &eacute; apresentado pela abordagem categorial. </P >    <p>No contexto da discuss&atilde;o relativa &agrave; exist&ecirc;ncia de uma divis&atilde;o entre psicopatas prim&aacute;rios e secund&aacute;rios, autores como Hare n&atilde;o consideram os segundos como psicopatas verdadeiros. No entanto, alguns dos estudos mencionados (e.g., Lykken 1995; Blackburn &amp; Coid, 1998) mostram que esta distin&ccedil;&atilde;o faz sentido (cf. Soeiro, 2006). </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Cook, Hart, Logan, e Michie (2004) defendem que um modelo de 5 factores se    encontra mais pr&oacute;ximo do trabalho desenvolvido por Cleckley (1941/1976)    e por McCord e McCord (1964), j&aacute; que ao centrar a defini&ccedil;&atilde;o    de psicopatia em indicadores espec&iacute;ficos relativos &agrave; personalidade,    permite afastar o impacto de &iacute;ndices n&atilde;o espec&iacute;ficos relativos    ao comportamento anti-social e colocar de forma mais firme o conceito de psicopatia,    no dom&iacute;nio das perturba&ccedil;&otilde;es da personalidade. A contra    proposta de Hare (2003) e Hare e Neumann (2006), com a apresenta&ccedil;&atilde;o    de uma estrutura de quatro factores, insere-se claramente na problem&aacute;tica    da defini&ccedil;&atilde;o de qual o papel do comportamento anti-social na explica&ccedil;&atilde;o    do conceito de psicopatia, definindo esta vari&aacute;vel como um sintoma de    psicopatia. Assim, a quest&atilde;o persiste: o seu papel ser&aacute; de sintoma    ou de consequ&ecirc;ncia da perturba&ccedil;&atilde;o? Esta &eacute; uma quest&atilde;o    importante, para esta &aacute;rea de estudo e para a compreens&atilde;o do comportamento    criminal, que merece uma an&aacute;lise mais detalhada em investiga&ccedil;&otilde;es    futuras. </P >     <p>&nbsp;</P >     <P   align="center" ><b>REFER&Ecirc;NCIAS </b></P >     <p>American Psychiatric Association. (1980). <I>Diagnostic and statistical manual of mental disorders (DSM</I><I>-</I><I>III</I>) (3rd ed). Washington. DC: American Psychiatric Association. </P >    <p>American Psychiatric Association. (1987). <I>Diagnostic and statistical manual of mental disorders (DSM</I><I>-</I><I>III-R) </I>(3rd ed. revised). Washington. DC: American Psychiatric Association. </P >    <p>American Psychiatric Association. (2002). <I>Manual de diagn&oacute;stico e estat&iacute;stica das perturba&ccedil;&otilde;es mentais (DSM-IV-TR) </I>(4th ed. revista). Lisboa: Climepsi Editores. </P >    <p>Blackburn, R. (1971). Personality types among abnormal homicides. <I>British Journal of Criminology, II</I>(2), 14-31. </P >    <p>Blackburn, R. (1975). An empirical classification of psychopatic personality. B<I>ritish Journal of Psychiatry, 127</I>, 456-460. </P >    <p>Blackburn, R. (1978). Psychopathy, arousal and the need for stimulation. In R. D. Hare &amp; D. Schaling (Eds.), <I>Psychopathic Behavior: Approaches to Research </I>(pp. 157-164). New York: Wiley. </P >     <p>Blackburn, R. (1984). The person and dangerousness. In D. J. Muller, D. E.    Blackman, &amp; A. J. Chapman (Eds.), <I>Psychology and Law </I>(pp. 101-111).    New York: Wiley. </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Blackburn, R. (1986). Two scales for the assessment of personality disorder in antisocial population. Personality <I>and Individual Differences, 8</I>, 81-93. </P >    <p>Blackburn, R. (1987). Patterns of personality deviation among violent offenders. <I>British Journal of Criminology, 26</I>, 14-31. </P >    <p>Blackburn, R. (1992). Criminal behaviour, personality disorder and mental illness: The origins of confusion. <I>Criminal Behaviour and Mental Health</I>, <I>2</I>, 66-77. </P >    <p>Blackburn, R. (1993). <I>The psychology of criminal conduct: Theory, research and practice. </I>New York: Wiley. </P >    <p>Blackburn, R., &amp; Coid, J. W. (1998). Psychopathy and the dimensions of personality disorder in violent offenders. <I>Personality and Individual Differences, 25</I>, 129-145. </P >    <p>Buss, A. (1966). <I>Psychopathology. </I>New York: Wiley. </P >    <p>Cantero, F. (1993). ?Qui&eacute;n es el psic&oacute;pata? In V. Garrido Genov&eacute;s (Org.), <I>Psic&oacute;pata: Perfil psicol&oacute;gico y reeducaci&oacute;n del delicuente m&aacute;s peligroso </I>(pp. 16-46) Val&ecirc;ncia: Tirant lo Blanch. </P >    <p>Cleckley, H. (1941/1976). <I>The mask of sanity </I>(5th ed.). St. Louis: Mosby. </P >    <p>Cooke, D. J. (1997). Psychopaths: Oversexed, overplayed but not hover here? <I>Criminal Behaviour and Mental Health, 7</I>, 3-11. </P >    <p>Cooke, D. J. (1998). Psychopathy across cultures. In David J. Cook, Adele E. Forth, &amp; Robert D. Hare (Eds.), <I>Psychopathy: Theory, research and implications for society </I>(pp. 13-45). Dordrecht: Kluwer. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Cooke, D. J., &amp; Michie, C. (2001). Refining the construct of psychopathy: Towards a hierarchical model. <I>Psychological Assessment, 13</I>, 171-188. </P >    <p>Cooke, D. J., Michie, C., &amp; Hart, S. D. (2006). Facets of clinical psychopathy: Toward clear measurement. In C.J. Patrick (Ed.) <I>Handbook of Psychopthy </I>(pp. 91-106). New York: The Guilford Press. </P >    <p>Cook, D. J., Hart, S. D., Logan, C., &amp; Michie, C. (2004). <I>Comprehensive Assessment of psicopathic Personality &ndash; Institutional Rating Scale (CAPP</I><I>-</I><I>IRS). </I>Unpublished manuscript. </P >    <p>Cooke, D. J., Michie, C., Hart, S. D., &amp; Clark, D. A (2004). Reconstructing psychopathy: clarifying the significance of antisocial and socially deviant behavior in the diagnosis of psychopathic personality disorder. <I>Journal of Personality Disorders, 18</I>, 337-357. </P >    <p>Doren, D. M. (1987). <I>Understanding and treating the psychopath. </I>New York: Wiley. </P >    <p>Gon&ccedil;alves, R. A. (1999a). <I>Psicopatia e processos adaptativos &agrave; pris&atilde;o: Da interven&ccedil;&atilde;o para a preven&ccedil;&atilde;o</I>. Colect&acirc;nea Monografias em Educa&ccedil;&atilde;o e Psicologia, Braga: Instituto de Educa&ccedil;&atilde;o e Psicologia &ndash; Centro de estudos em Educa&ccedil;&atilde;o e Psicologia, Universidade do Minho. </P >    <!-- ref --><p>Gon&ccedil;alves, R. A. (1999b). Personalidade: O lado anti-social. <I>Psychologica</I>, <I>22</I>, 83-101. </P >    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000129&pid=S0870-8231201000010001600001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Gon&ccedil;alves, R. A. (2000). <I>Delinqu&ecirc;ncia, crime e adapta&ccedil;&atilde;o &agrave; pris&atilde;o</I>. Lisboa: Quarteto. </P >    <p>Hare, R. D. (1970). <I>Psychopathy:Theory and research. </I>New York: Wiley. </P >    <p>Hare, R. D. (1980). A research scale for the assessment of psychopathy in criminal populations. <I>Personality and Individual Differences</I>, <I>1</I>, 11-119. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Hare, R. D. (1991). <I>The Hare Psychopathy Checklist-Revised</I>. Toronto: Multi Health Systems. </P >    <p>Hare, R. D. (1996). Psychopathy: A clinical construct whose time has come. <I>Criminal Justice and Behavior, 23</I>, 25-54. </P >    <p>Hare, R. D. (2003). <I>The Hare Psychopathy Checklist-Revised </I>(2nd ed.). Toronto. ON, Canada: Multi Health Systems. </P >    <p>Hare, R. D., &amp; Cox, D. N. (1978). Clinical and empirical conceptions of psychopathy and selection of subjects for research. In R. D. Hare &amp; D. Schaling (Eds.), <I>Psychopathic Behavior: Approaches to Research </I>(pp. 1-21). New York: Wiley. </P >    <p>Hare, R. D., &amp; Neumann, C. S. (2006). The PCL-R assessment of psychopathy: development, structural properties and new directions. In C. J. Patrick (Ed.), <I>Handbook of psychopthy </I>(pp. 58-88). New York: The Guilford Pres. </P >    <p>Hare, R. D., Hart, S. D., &amp; Harpur, T.J. (1991). Psychopathy and the DSM-IV criteria for antisocial personality disorder. <I>Journal of Abnormal Psychology</I>, <I>100</I>, 391-398. </P >    <p>Harpur, T. J., Hasktian, R., &amp; Hare, R. D. (1988). Factor structure of the psychopathy checklist. <I>Journal of Consulting and Clinical Psychology, 56</I>, 741-747. </P >    <p>Hart, R. D., Cox, D. N., &amp; Hare, R.D. (1995). <I>Hare Psychopathy Ckecklist: Screening Version (PCL:SV)</I>. Toronto, ON, Canada: Multi-Health Systems. </P >    <p>Hart, S. D., Hare, R. D., &amp; Harpur, T. J. (1992). The Psychopathy Checklist: OVerview for researchers and clinicians. In J. Rosen &amp; P. McReynolds (Eds.), <I>Advances in psychological assessment </I>(vol. 8, pp. 103-130). New York, NY: Plenum Press. </P >    <p>Lilienfeld, S. (1994). Conceptual problems in the assessment of psychopathy. <I>Clinical Psychology Review, 14</I>, 17-38. </P >    ]]></body>
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<surname><![CDATA[Gonçalves]]></surname>
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