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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Estudo exploratório sobre burnout numa amostra portuguesa: O narcisismo como variável preditora da síndrome de burnout]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This research, aimed at studying the relationship between narcissistic personality characteristics and burnout, tests a central hypothesis that narcissistic personality traits are a burnout facilitating factor. Following a correlacional design, the Maslach Burnout Inventory and the Crochick&#8217;s Scale of Narcissistic Personality Factors were given to a sample of 68 workers of two multinational advertising agencies. Results were compatible, at least partially, with the proposed hypothesis. When narcissism levels were low or average the relationship between narcissism and burnout followed what was predicted by the model: higher narcissistic personality characteristics led to higher scores in the different burnout factors, particularly exhaustion. When narcissism levels were high, the relationship seemed to follow a contingent relationship with Professional Efficiency. If the subject felt professionally successful, narcissism worked as a protective variable against burnout and job stress. If feelings of professional failure were predominant the highly narcissistic subject developed high levels of burnout. However, the overall explanatory power of the narcissist personality factor was lower than organisational factors.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><b >Estudo explorat&oacute;rio sobre burnout numa amostra portuguesa: O narcisismo    como vari&aacute;vel preditora da s&iacute;ndrome de burnout</b></p>           <p >&nbsp;</p>      <p >Miguel Tecedeiro <sup><a name="topc1" id="topc1"></a>(<a href="#c1">*</a>)</sup></p>      <p >&nbsp;</p>      <p >RESUMO</p>      <p >Este estudo teve como objectivo testar a hip&oacute;tese de que tra&ccedil;os narc&iacute;sicos de personalidade s&atilde;o um factor facilitador de <i>burnout</i>, uma s&iacute;ndrome psicol&oacute;gica de exaust&atilde;o emocional associada ao <i>stress </i>profissional cr&oacute;nico. Seguindo um delineamento correlacional, aplicou-se a uma amostra de 68 colaboradores de duas ag&ecirc;ncias multinacionais de publicidade a escala Maslach Burnout Inventory e a Escala de Caracter&iacute;sticas Narc&iacute;sicas de Personalidade de Leon Crochick. Os resultados suportaram, pelo menos parcialmente, a hip&oacute;tese proposta. Quando os n&iacute;veis de narcisismo s&atilde;o baixos ou m&eacute;dios a rela&ccedil;&atilde;o entre narcisismo e burnout segue linearmente o previsto no modelo: quanto mais fortes as caracter&iacute;sticas de personalidade narc&iacute;sica do sujeito, maiores s&atilde;o os scores nos diversos factores de burnout, com uma incid&ecirc;ncia particularmente significativa na exaust&atilde;o. Quando os n&iacute;veis de narcisismo s&atilde;o elevados a rela&ccedil;&atilde;o parece estabelecer-se de forma contingente com a vari&aacute;vel realiza&ccedil;&atilde;o profissional. Enquanto o sujeito se sente profissionalmente realizado, o narcisismo funciona como uma vari&aacute;vel protectora contra o burnout e o stress profissional. Quando o sentimento de insucesso profissional se torna imposs&iacute;vel de negar, o sujeito fortemente narc&iacute;sico desenvolve n&iacute;veis elevados de burnout. Contudo o valor explicativo desta dimens&atilde;o da personalidade foi menor do que outras dimens&otilde;es de cariz organizacional. </p>      <p><i>Palavras-chave: </i>Burnout, MBI, Narcisismo, Personalidade narc&iacute;sica, Publicidade, Stress laboral. </p>      <p >&nbsp;</p>      <p >ABSTRACT </p>      <p >This research, aimed at studying the relationship between narcissistic personality characteristics and burnout, tests a central hypothesis that narcissistic personality traits are a burnout facilitating factor. Following a correlacional design, the Maslach Burnout Inventory and the Crochick&#8217;s Scale of Narcissistic Personality Factors were given to a sample of 68 workers of two multinational advertising agencies. Results were compatible, at least partially, with the proposed hypothesis. When narcissism levels were low or average the relationship between narcissism and burnout followed what was predicted by the model: higher narcissistic personality characteristics led to higher scores in the different burnout factors, particularly exhaustion. When narcissism levels were high, the relationship seemed to follow a contingent relationship with Professional Efficiency. If the subject felt professionally successful, narcissism worked as a protective variable against burnout and job stress. If feelings of professional failure were predominant the highly narcissistic subject developed high levels of burnout. However, the overall explanatory power of the narcissist personality factor was lower than organisational factors. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Key-words: </i>Advertising, Burnout, Job Stress, MBI, Narcissism, Narcissistic personality. </p>      <p >&nbsp;</p>      <p >INTRODU&Ccedil;&Atilde;O </p>        <p >A primeira defini&ccedil;&atilde;o de <i>burnout </i>foi proposta por Freudenberger (1974, citado por Freudenberger &amp; Richelson, 1985), para quem este &eacute; um estado de fadiga ou frustra&ccedil;&atilde;o provocado pela devo&ccedil;&atilde;o a uma causa, modo de vida ou rela&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o produziu as recompensas desejadas. A este sentimento central de fadiga ou exaust&atilde;o podem associar-se outros sintomas: sentimento de conflito entre um <i>self </i>verdadeiro e um self de fachada, cinismo, irritabilidade e impaci&ecirc;ncia, distancia&ccedil;&atilde;o emocional, aborrecimento, sentimentos de omnipot&ecirc;ncia, de n&atilde;o ser apreciado, viv&ecirc;ncias paran&oacute;ides, depress&atilde;o e m&uacute;ltiplas queixas psicossom&aacute;ticas. O desajustamento entre expectativas e realidade, quando a pessoa mant&eacute;m os seus esfor&ccedil;os para alcan&ccedil;ar essas expectativas, cria um conflito interno que desgasta as energias e reduz a vitalidade e a capacidade de funcionar.</p>      <p >Maslach (1993, 1998) prop&ocirc;s aquela que &eacute; hoje a mais comummente aceite defini&ccedil;&atilde;o de burnout, uma resposta prolongada a stressores interpessoais cr&oacute;nicos no trabalho, composta por tr&ecirc;s dimens&otilde;es-chave: exaust&atilde;o emocional, definida como uma sobre-solicita&ccedil;&atilde;o ou esgotamento dos recursos emocionais da pessoa; despersonaliza&ccedil;&atilde;o, entendida como uma distancia&ccedil;&atilde;o afectiva, indiferen&ccedil;a emocional ou insensibilidade para com os outros, nomeadamente aqueles que s&atilde;o muitas vezes a raz&atilde;o de ser da actividade profissional (pacientes, clientes, colegas, etc.); e redu&ccedil;&atilde;o da realiza&ccedil;&atilde;o pessoal, vista como a diminui&ccedil;&atilde;o dos sentimentos de compet&ecirc;ncia e de prazer associados ao desempenho de uma actividade profissional. O burnout resultaria de um desajustamento entre necessidades individuais e exig&ecirc;ncias profissionais em seis &aacute;reas distintas (Maslach, 1998; Maslach &amp; Leiter, 1997): excesso de trabalho, falta de controlo sobre os factores que influenciam o desempenho profissional individual, recompensas insuficientes, quebra da comunidade, falta de justi&ccedil;a<i>, </i>conflitos de valores. </p>      <p >Do ponto de vista organizacional t&ecirc;m sido identificados in&uacute;meros factores de risco para o burnout, cobrindo praticamente todo o tipo de aspectos negativos do ambiente de trabalho ou da cultura organizacional (Demerouti, Bakker, Nachreiner, &amp; Schaufeli, 2001; Lloyd, King &amp; Chenoweth<i>, </i>2002; Shirom, 1989; Winnubst, 1993). </p>        <p >A procura de vari&aacute;veis relacionadas com o sujeito que representem factores de risco para o burnout tem-se revelado de um modo geral pouco promissora, encontrando-se rela&ccedil;&otilde;es pouco significativas ou por vezes contradit&oacute;rias. A motiva&ccedil;&atilde;o com que o sujeito inicia a tarefa ou actividade profissional apresenta-se como a mais relevante, sendo todos os autores un&acirc;nimes em reconhecer o seu valor preditor em rela&ccedil;&atilde;o ao burnout: quanto maior a motiva&ccedil;&atilde;o com que se inicia uma actividade, maior o risco de este se desenvolver (Pines, 1993, 2002; Schaufeli, Enzmann, &amp; Girault, 1993). A idade tem apresentado rela&ccedil;&otilde;es contradit&oacute;rias com o burnout; alguns autores concluem que pessoas mais velhas s&atilde;o menos suscept&iacute;veis de burnout (Maslach, Jackson, &amp; Leiter, 1996), enquanto outros encontram um aumento do burnout com a idade (Bakker, Demerouti, &amp; Schaufeli, 2002). Este estudo encontrou tamb&eacute;m uma associa&ccedil;&atilde;o entre g&eacute;nero e burnout, com as mulheres a apresentarem n&iacute;veis mais elevados. Contudo, quando se controla a influ&ecirc;ncia de outras vari&aacute;veis tais como a experi&ecirc;ncia profissional ou o estatuto laboral, as diferen&ccedil;as devido ao sexo ou &agrave; idade tendem a desaparecer (Bakker et al., op. cit; Maslach, 1998). Usando como refer&ecirc;ncia o modelo de cinco factores de personalidade de Costa e McRae, Piedmont (1993) constatou que o neuroticismo e a agradabilidade estavam associados a n&iacute;veis elevados de exaust&atilde;o e despersonaliza&ccedil;&atilde;o, enquanto a conscienciosidade se associava &agrave; dimens&atilde;o da realiza&ccedil;&atilde;o pessoal. </p>      <p class=MsoNormal style='mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-align:justify'>No presente estudo pretendeu-se determinar se os n&iacute;veis de burnout podem ser determinados por caracter&iacute;sticas narc&iacute;sicas da personalidade, um conjunto de tra&ccedil;os e atitudes relacionais que incluem auto-admira&ccedil;&atilde;o e auto-import&acirc;ncia excessivas, medos de perda de amor ou de falhar, exibicionismo, sentimentos de omnipot&ecirc;ncia, intoler&acirc;ncia &agrave; cr&iacute;tica, fantasias de sucesso ilimitado ou grandioso, e uma certa cren&ccedil;a em se ser especial ou &uacute;nico (Raskin &amp; Terry, 1988). Se o burnout est&aacute; associado a um n&iacute;vel elevado de motiva&ccedil;&atilde;o inicial, ser&aacute; de esperar que sujeitos com caracter&iacute;sticas narc&iacute;sicas de personalidade, que abordam cada tarefa com expectativas grandiosas de sucesso que pouco ou nada t&ecirc;m a ver com a realidade da situa&ccedil;&atilde;o, apresentem n&iacute;veis mais elevados de exaust&atilde;o emocional e de despersonaliza&ccedil;&atilde;o e mais baixos de realiza&ccedil;&atilde;o pessoal. </p>      <p >&nbsp;</p>      <p >M&Eacute;TODO </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Participantes </i></p>      <p >Constituiu-se por conveni&ecirc;ncia uma amostra de 68 sujeitos, 52 mulheres e 16 homens, de idades compreendidas entre os 23 e os 60 anos (m&eacute;dia 35,6 anos), trabalhadores de duas ag&ecirc;ncias multinacionais de publicidade com escrit&oacute;rios na zona da Grande Lisboa. Nove destes sujeitos exerciam fun&ccedil;&otilde;es de chefia, com um n&uacute;mero de subordinados que variou entre um e cinco. </p>      <p><i>&nbsp;</i></p>      <p><i>Instrumentos </i></p>        <p >Para medir o burnout escolheu-se o <i>Maslach Burnout Inventory </i>na vers&atilde;o    <i>General Survey </i>(MBI-GS)<sup><a name="top1"></a><a href="#1">1</a></sup>,    escala que &eacute; o instrumento mais utilizado na investiga&ccedil;&atilde;o    sobre burnout, e com qualidades psicom&eacute;tricas bastante investigadas e    confirmadas (Gil-Monte, 2002; Maslach, Jackson, &amp; Leiter, 1996; Schaufeli,    Bakker, Hoogdoin, Schaap, &amp; Kladler<i>, </i>2001; Schutte, Toppinen, Kalim,    &amp; Schaufeli, 2000; Taris, Scheurs, &amp; Schaufeli, 1999). Esta vers&atilde;o    &eacute; composta por 16 quest&otilde;es seguindo a forma de uma escala de auto-administra&ccedil;&atilde;o    de Likert, com sete possibilidades de frequ&ecirc;ncia, de <i>nunca </i>a <i>todos    os dias</i>, pertencentes a tr&ecirc;s sub-escalas, de acordo com o modelo dos    seus criadores (Maslach, Jackson, &amp; Leiter, 1996): exaust&atilde;o (Ex),    com cinco itens que exploram sentimentos de exaust&atilde;o e fadiga, sem referenciar    as pessoas como sendo as causadoras desses sentimentos e com menos &ecirc;nfase    nas emo&ccedil;&otilde;es; cinismo (Cy), sentimentos de indiferen&ccedil;a ou    distanciamento em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; actividade profissional, com    cinco itens que abordam a distancia&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o    ao trabalho mas n&atilde;o os relacionamentos pessoais no trabalho; efic&aacute;cia    profissional (PE ou <i>professional efficiency</i>), explorando, em seis itens,    opini&otilde;es de realiza&ccedil;&atilde;o profissional, sentimentos de auto-efic&aacute;cia    e expectativas para com a efic&aacute;cia profissional. Esta escala n&atilde;o    permite calcular uma pontua&ccedil;&atilde;o global de burnout, preconizando    os autores que a distribui&ccedil;&atilde;o de cada sub-escala seja dividida    em tr&ecirc;s ter&ccedil;os, e considerando-se existir burnout quando um sujeito    obt&eacute;m pontua&ccedil;&otilde;es no ter&ccedil;o superior das escalas de    exaust&atilde;o e cinismo e no ter&ccedil;o inferior da escala de efic&aacute;cia    profissional (Maslach, Jackson, &amp; Leiter, 1996). </p>      <p >Para avaliar a vari&aacute;vel narcisismo escolheu-se a Escala de Caracter&iacute;sticas Narcisistas da Personalidade de Jos&eacute; Leon Croch&iacute;k e Maria de F&aacute;tima Severiano (Croch&iacute;k, 2000). Trata-se de uma escala de auto-administra&ccedil;&atilde;o tipo Likert em l&iacute;ngua portuguesa, com 42 itens que s&atilde;o avaliados em seis alternativas de resposta, da concord&acirc;ncia total &agrave; discord&acirc;ncia total, incluindo dois pares de itens id&ecirc;nticos como forma de controlar a aten&ccedil;&atilde;o do inquirido. No estudo de valida&ccedil;&atilde;o citado, os autores encontraram elevadas consist&ecirc;ncia interna (alpha=0,91) e estabilidade temporal (teste-reteste com tr&ecirc;s semanas de intervalo=0,94). A escala &eacute; composta por seis sub-escalas: prest&iacute;gio, imagem, auto-preserva&ccedil;&atilde;o, individualismo, inadequa&ccedil;&atilde;o, aus&ecirc;ncia de projectos. Os alphas das sub-escalas variam entre 0,49 e 0,58 (Croch&iacute;k, 2000). Esta escala foi aplicada a uma popula&ccedil;&atilde;o portuguesa, no quadro de um estudo sobre comportamentos de risco na condu&ccedil;&atilde;o (Baltazar, 2002), tendo sido feitas ligeiras adapta&ccedil;&otilde;es &agrave; formula&ccedil;&atilde;o dos itens para os adequar aos h&aacute;bitos lingu&iacute;sticos de Portugal. No presente estudo usou-se essa adapta&ccedil;&atilde;o. </p>        <p><i>&nbsp;</i></p>      <p><i>Procedimento </i></p>        <p >Foi pedido a cada participante que preenchesse um protocolo de investiga&ccedil;&atilde;o composto por um inqu&eacute;rito s&oacute;cio-demogr&aacute;fico e laboral e pelas duas escalas. N&atilde;o foram comunicados dados sobre a natureza do trabalho ou das hip&oacute;teses, explicando-se tratar-se de um estudo universit&aacute;rio sobre satisfa&ccedil;&atilde;o profissional, de participa&ccedil;&atilde;o volunt&aacute;ria e com anonimato assegurado. </p>      <p >Os dados recolhidos foram tratados com recurso ao <i>software </i>de tratamento de dados SPSS 13.0. Os testes estat&iacute;sticos utilizados foram sempre sujeitos &agrave; verifica&ccedil;&atilde;o pr&eacute;via dos seus pressupostos. No estudo usou-se como crit&eacute;rio de signific&acirc;ncia um &#945;<u>&lt;</u>0,05. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p >Para testar a estrutura factorial das escalas optou-se por um m&eacute;todo explorat&oacute;rio, uma vez que a dimens&atilde;o da amostra impediu o uso de m&eacute;todos confirmat&oacute;rios. Recorreu-se a um m&eacute;todo de componentes principais com rota&ccedil;&atilde;o Varimax, usando-se como crit&eacute;rio de adequa&ccedil;&atilde;o do m&eacute;todo factorial &agrave; amostra usada um valor de Kayser-Mayer-Olkin (KMO)<u>&gt;</u>0,7 (Maroco, 2003). </p>      <p >Como indicador de consist&ecirc;ncia interna usouse o alpha de Cronbach, considerando-se aceit&aacute;veis valores superiores ou iguais a 0,7 (Anastasi &amp; Urbina, 1997). </p>      <p >Face aos baixos valores de consist&ecirc;ncia interna das sub-escalas encontrados pelos seus autores (Croch&iacute;k, 2000), optou-se por tratar a Escala de Caracter&iacute;sticas Narcisistas da Personalidade como unidimensional. </p>      <p >Foi feita uma an&aacute;lise de <i>clusters </i>pelo m&eacute;todo de Ward com recurso ao quadrado das dist&acirc;ncias euclidianas e estandardiza&ccedil;&atilde;o das vari&aacute;veis, para determinar um n&uacute;mero ideal de clusters, seguido de um procedimento n&atilde;o-hier&aacute;rquico <i>k-means </i>usando esse n&uacute;mero de clusters para melhorar a solu&ccedil;&atilde;o classificat&oacute;ria; esta sequ&ecirc;ncia de procedimentos &eacute; considerada a mais adequada (G&oacute;mez-Suar&eacute;z, 1999, citado por D&#8217;Ancona, 2002). </p>      <p >A associa&ccedil;&atilde;o entre dimens&otilde;es foi feita atrav&eacute;s da correla&ccedil;&atilde;o de Pearson. O teste da diferen&ccedil;a de m&eacute;dias entre grupos foi feito com recurso aos m&eacute;todos param&eacute;tricos T de Student e ANOVA Oneway. A influ&ecirc;ncia de vari&aacute;veis independentes intervalares sobre as vari&aacute;veis dependentes do estudo foi determinada com recurso a testes de regress&atilde;o linear (Maroco, 2003). Em todas as utiliza&ccedil;&otilde;es verificaram-se previamente os pressupostos estat&iacute;sticos de normalidade das distribui&ccedil;&otilde;es e homogeneidade das vari&acirc;ncias. </p>        <p >&nbsp;</p>      <p >RESULTADOS </p>        <p >A estrutura factorial do MBI-GS foi previamente testada com recurso a uma an&aacute;lise factorial explorat&oacute;ria pelo m&eacute;todo de componentes principais com rota&ccedil;&atilde;o Varimax, for&ccedil;ada a tr&ecirc;s factores (KMO=0,725), tendo-se encontrado uma solu&ccedil;&atilde;o factorial pr&oacute;xima da proposta pelos autores, com as seguintes altera&ccedil;&otilde;es (para mais detalhes ver Tecedeiro, 2004): um factor constitu&iacute;do por 6 itens relativos &agrave; exaust&atilde;o emocional (itens: 1, 2, 3, 4, 6 e 9) com um alpha de 0, 87, um segundo factor constitu&iacute;do por 5 itens referentes &agrave; efic&aacute;cia profissional (itens: 7, 10, 11, 12 e 16), possuidor de um alpha de 0,79 e um factor constitu&iacute;do por 4 itens relativos a cinismo (itens: 8, 13, 14 e 15) e com um alpha de 0,67. As poucas altera&ccedil;&otilde;es encontradas prenderam-se com a elimina&ccedil;&atilde;o do item 5 (por n&atilde;o saturar em nenhum factor acima de 0,40) e com a passagem do item 9 do factor cinismo para o factor da exaust&atilde;o emocional. Esta solu&ccedil;&atilde;o factorial explica 64,1% da vari&acirc;ncia total dos dados. N&atilde;o foi efectuado um estudo semelhante para a escala de narcisismo dado que a amostra se revelou de dimens&atilde;o inadequada face ao n&uacute;mero de itens (KMO=0,462). Tratada como unidimensional, a escala apresentou um alpha de Cronbach de 0,875. </p>        <p >Em seguida procedeu-se a uma an&aacute;lise de clusters tendo como vari&aacute;veis    os tr&ecirc;s factores de burnout e o narcisismo, como forma de determinar se    existiam na amostra grupos de sujeitos que se caracterizassem por um &#8220;comportamento&#8221;    comum nestas quadro dimens&otilde;es. Dada a natureza <i>adhoc </i>da an&aacute;lise    de clusters, testaram-se solu&ccedil;&otilde;es com diferentes n&uacute;meros    de clusters, acabando por se reter uma solu&ccedil;&atilde;o com 4 clusters    (Tabela 1), por ser aquela que apresentou melhor potencial heur&iacute;stico.  </p>     <p >&nbsp; </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p ><b>TABELA 1</b> </p>     <p ><i>Estat&iacute;stica descritiva: Caracteriza&ccedil;&atilde;o dos clusters</i><i>&nbsp;</i></p>     <p ><img src="/img/revistas/aps/v28n2/28n2a06t1.jpg" width="719" height="269"></p>     
<p >&nbsp;</p>      <p >Dos quatro clusters, dois s&atilde;o compostos por sujeitos com score de narcisismo superior &agrave; m&eacute;dia (clusters 2 e 4) e dois por sujeitos abaixo da m&eacute;dia (clusters 1 e 3). Os sujeitos do cluster 4 possuem n&iacute;veis de Efic&aacute;cia Profissional superiores &agrave; m&eacute;dia e n&iacute;veis de exaust&atilde;o e de cinismo inferiores &agrave; m&eacute;dia. Os sujeitos do cluster 2 possuem tamb&eacute;m scores de narcisismo superiores &agrave; m&eacute;dia (embora n&atilde;o t&atilde;o elevados quanto os do cluster 4) e apresentam n&iacute;veis de efic&aacute;cia profissional abaixo da m&eacute;dia e n&iacute;veis de exaust&atilde;o e cinismo superiores &agrave; m&eacute;dia. Este cluster &eacute; o &uacute;nico dos quatro clusters que apresenta n&iacute;veis de efic&aacute;cia profissional abaixo da m&eacute;dia e, por isso, &eacute; o &uacute;nico cujo perfil se aproxima da caracteriza&ccedil;&atilde;o da s&iacute;ndrome de burnout. </p>      <p >O passo seguinte consistiu na realiza&ccedil;&atilde;o de uma an&aacute;lise    de clusters para quatro clusters recorrendo a m&eacute;todos n&atilde;o hier&aacute;rquicos    (K-means), cujos resultados se encontram na Tabela 2. </p>     <p >&nbsp;</p>     <p ><b>TABELA 2</b> </p>     <p ><i>K-Means: Centros dos clusters finais </i></p>     <p ><i><img src="/img/revistas/aps/v28n2/28n2a06t2.jpg" width="719" height="151"></i></p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p >&nbsp;</p>        <p >S&oacute; um cluster (cluster 4) apresenta valores de narcisismo inferiores &agrave; m&eacute;dia, e &eacute; o que apresenta valores de exaust&atilde;o e cinismo mais distantes da m&eacute;dia e valores de efic&aacute;cia profissional mais acima da m&eacute;dia; ou seja, &eacute; aquele que mais se situa no p&oacute;lo oposto ao perfil da s&iacute;ndrome de burnout. Um perfil que se aproxima do da s&iacute;ndrome de burnout s&oacute; &eacute; encontrado num &uacute;nico grupo (cluster 3), que tem um resultado interm&eacute;dio na escala de narcisismo e um n&iacute;vel fort&iacute;ssimo de exaust&atilde;o emocional. </p>      <p >O teste &agrave; associa&ccedil;&atilde;o entre a escala de narcisismo e as    tr&ecirc;s dimens&otilde;es do MBI-SS revela uma correla&ccedil;&atilde;o positiva    significativa embora fraca entre narcisismo e exaust&atilde;o emocional (Tabela    3). </p>     <p >&nbsp;</p>     <p ><b>TABELA 3</b> </p>     <p ><i>Correla&ccedil;&atilde;o de Pearson: Rela&ccedil;&atilde;o entre narcisismo    e os factores do burnout </i></p>     <p ><i><img src="/img/revistas/aps/v28n2/28n2a06t3.jpg" width="720" height="210"></i></p>     
<p >&nbsp;</p>       <p >Seguindo um crit&eacute;rio id&ecirc;ntico ao proposto por Maslach, Jackson,    e Leiter (1996), as distribui&ccedil;&otilde;es da escala de narcisismo foram    divididas nos percentis 33 e 66, dando origem a tr&ecirc;s grupos: baixo, m&eacute;dio    e alto narcisismo. As diferen&ccedil;as de pontua&ccedil;&atilde;o entre grupos    em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s sub-escalas do MBI-GS foram testadas com    recurso a uma ANOVA One Way (Tabela 4). </p>     <p >&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p ><b>TABELA 4</b> </p>     <p ><i>ANOVA: Compara&ccedil;&atilde;o do resultado dos factores do MBI-GS em    cada n&iacute;vel de narcisismo </i></p>     <p ><i><img src="/img/revistas/aps/v28n2/28n2a06t4.jpg" width="716" height="202"></i></p>     
<p >&nbsp;</p>        <p >Constata-se que o grupo de alto narcisismo tem resultados mais baixos que o grupo interm&eacute;dio nos factores de exaust&atilde;o emocional e queixas som&aacute;ticas e sensivelmente id&ecirc;nticos a esse grupo nos factores efic&aacute;cia profissional e cinismo. As diferen&ccedil;as entre grupos s&oacute; s&atilde;o significativas no factor cinismo, embora n&atilde;o seja poss&iacute;vel determinar quais os pares de grupos que s&atilde;o estatisticamente distintos (Scheff&eacute;, <i>p</i>&gt;0,08). </p>      <p >Testou-se em seguida a exist&ecirc;ncia de diferen&ccedil;as de narcisismo    (escala integral) entre os grupos com resultados baixos, m&eacute;dios e altos    em cada factor do MBI-GS separadamente (Tabela 5). </p>     <p >&nbsp;</p>     <p >TABELA 5 </p>     <p ><i>ANOVA: Compara&ccedil;&atilde;o do resultado de narcisismo em cada factor    do MBI-GS </i></p>     <p ><img src="/img/revistas/aps/v28n2/28n2a06t5.jpg" width="724" height="203"></p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p >&nbsp;</p>        <p >N&atilde;o foram encontradas diferen&ccedil;as no resultado do narcisismo entre os diversos grupos dos factores exaust&atilde;o emocional e efic&aacute;cia profissional. Foi encontrada uma diferen&ccedil;a significativa entre os grupos do factor cinismo, verificando-se que o grupo de baixo cinismo tem um resultado m&eacute;dio (129,61) significativamente mais baixo que os grupos de cinismo m&eacute;dio ou alto (Scheff&eacute;, <i>p</i>=0,02 e 0,03 respectivamente). </p>        <p >Procurou-se determinar se existiam diferen&ccedil;as de narcisismo entre o grupo de burnout (cinismo e exaust&atilde;o elevadas, realiza&ccedil;&atilde;o baixa) e o grupo do p&oacute;lo oposto (realiza&ccedil;&atilde;o elevada, cinismo e exaust&atilde;o baixas), pelo que se realizou uma compara&ccedil;&atilde;o de m&eacute;dias entre grupos, constatando-se que o grupo de burnout apresenta um resultado m&eacute;dio de narcisismo significativamente mais elevado do que o outro grupo (Tabela 6).</p>      <p >&nbsp;</p>      <p ><b>TABELA 6</b> </p>     <p ><i>T de Student: Compara&ccedil;&atilde;o entre grupo com burnout e grupo    oposto nos resultados do narcisismo</i></p>     <p ><i><img src="/img/revistas/aps/v28n2/28n2a06t6.jpg" width="721" height="64"></i></p>        
<p >&nbsp;</p>     <p >Finalmente procurou-se averiguar, de um an&aacute;lises de regress&atilde;o    m&uacute;ltipla. O narcisismo s&oacute; conjunto de vari&aacute;veis independentes,    quais eram surgiu como vari&aacute;vel preditora em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;    preditivas dos resultados dos tr&ecirc;s factores do exaust&atilde;o emocional    (Tabela 7), embora a burnout. Para esse efeito, foram efectuadas vari&acirc;ncia    explicada seja bastante baixa. </p>      <p >&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p ><b>TABELA 7</b></p>      <p ><i>Regress&atilde;o m&uacute;ltipla &#8211; vari&aacute;vel dependente: Exaust&atilde;o emocional</i></p>        <p ><img src="/img/revistas/aps/v28n2/28n2a06t7.jpg" width="720" height="136"></p>        
<p >&nbsp;</p>      <p >DISCUSS&Atilde;O </p>        <p >O burnout &eacute; uma resposta prolongada a stressores interpessoais cr&oacute;nicos no trabalho, composta por tr&ecirc;s dimens&otilde;es-chave: exaust&atilde;o emocional, despersonaliza&ccedil;&atilde;o e redu&ccedil;&atilde;o da realiza&ccedil;&atilde;o pessoal (Maslach, 1993, 1998). Na sua origem est&atilde;o factores de ordem tanto pessoal como organizacional, embora pare&ccedil;a ser claro que os factores organizacionais s&atilde;o preponderantes (Maslach &amp; Leiter, 1997). </p>      <p >O presente estudo teve como objectivo testar a hip&oacute;tese de o narcisismo ser uma caracter&iacute;stica de personalidade que representa uma vulnerabilidade para o burnout. Os resultados encontrados v&atilde;o no sentido confirmat&oacute;rio desta hip&oacute;tese, mas apenas de forma parcial e com alguns elementos contradit&oacute;rios. </p>      <p >O narcisismo correlacionou de forma positiva e significativa com um dos factores da escala de burnout, a exaust&atilde;o emocional, mas n&atilde;o com os outros. Teve um valor preditor deste factor, mas numa percentagem reduzida e s&oacute; ap&oacute;s serem exclu&iacute;dos factores organizacionais, n&atilde;o relacionados com as dimens&otilde;es em estudo. </p>      <p >Numa an&aacute;lise entre grupos, verificou-se que os grupos de burnout diferem significativamente no seu grau de narcisismo, mas os grupos de narcisismo s&oacute; diferiram significativamente na dimens&atilde;o cinismo, n&atilde;o divergindo o grupo de elevado narcisismo do grupo de narcisismo m&eacute;dio. </p>      <p >A an&aacute;lise hier&aacute;rquica de clusters encontrou uma configura&ccedil;&atilde;o compat&iacute;vel com a hip&oacute;tese proposta, acrescida do valor mediador da efic&aacute;cia profissional &#8211; os sujeitos s&oacute; se aproximaram do perfil de burnout quando possu&iacute;am resultados superiores &agrave; m&eacute;dia na escala de narcisismo e se reduziu o seu sentimento de efic&aacute;cia profissional. A an&aacute;lise de clusters por m&eacute;todo n&atilde;o-hier&aacute;rquico encontrou uma configura&ccedil;&atilde;o sensivelmente diferente mas, de certo modo, <st1:PersonName ProductID="em espelho. Se" w:st="on">em espelho. Se na an&aacute;lise hier&aacute;rquica surgiu com alguma pregn&acirc;ncia um grupo de narcisismo alto pr&oacute;ximo do burnout, no m&eacute;todo n&atilde;o-hier&aacute;rquico destacou-se um grupo com baixo narcisismo e que se afasta do burnout. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p >Do ponto de vista te&oacute;rico, estes resultados parecem apontar para duas realidades distintas: n&iacute;veis baixos ou m&eacute;dios de narcisismo, n&iacute;veis elevados de narcisismo. </p>      <p >Quando os n&iacute;veis de narcisismo s&atilde;o baixos ou m&eacute;dios, a rela&ccedil;&atilde;o entre narcisismo e burnout parece seguir linearmente o previsto. Quanto mais fortes as caracter&iacute;sticas de personalidade narc&iacute;sica do sujeito, maiores os scores nos diversos factores de burnout, com uma incid&ecirc;ncia particularmente significativa na exaust&atilde;o. Correlativamente, e no p&oacute;lo oposto, os sujeitos com poucos tra&ccedil;os narc&iacute;sicos parecem pouco atreitos a desenvolver um processo de burnout, ou pelo menos a manter-se nele durante muito tempo. </p>      <p >Quando os n&iacute;veis de narcisismo s&atilde;o elevados, o processo segue aparentemente um caminho diverso. Neste caso a rela&ccedil;&atilde;o j&aacute; n&atilde;o &eacute; directa e linear, parecendo estabelecer uma rela&ccedil;&atilde;o contingente com a vari&aacute;vel realiza&ccedil;&atilde;o profissional. Nesta situa&ccedil;&atilde;o, e enquanto o sujeito se sente profissionalmente realizado, o narcisismo funciona como uma vari&aacute;vel protectora contra o burnout e o <i>stress </i>profissional. Qual super-homem protegido por um escudo invis&iacute;vel, o narcisista vence obst&aacute;culos, ultrapassa barreiras, vence desafios, sem aparente cansa&ccedil;o ou sofrimento ps&iacute;quico. O narcisismo cumpre assim a sua fun&ccedil;&atilde;o defensiva e adaptativa. O problema surge quando a dist&acirc;ncia entre a realidade e a auto-imagem inflacionada se torna t&atilde;o grande que a atitude denegativa se torna imposs&iacute;vel de manter. Quando o sentimento de insucesso profissional se torna imposs&iacute;vel de negar, o sujeito fortemente narc&iacute;sico desenvolve n&iacute;veis elevados de burnout, qual guerreiro desamparado que subitamente perdeu a coura&ccedil;a. Um narcisismo forte revela-se uma boa protec&ccedil;&atilde;o, aparentemente tempor&aacute;ria, &eacute; certo, contra o stress profissional e os sentimentos de exaust&atilde;o profissional. No entanto, quando o sujeito entra em crise a rela&ccedil;&atilde;o volta a ser a prevista &#8211; n&iacute;veis elevados de narcisismo v&atilde;o de par com n&iacute;veis elevados de burnout. N&atilde;o deixa de ser tentador fazer a aproxima&ccedil;&atilde;o entre este processo e a no&ccedil;&atilde;o de depress&atilde;o narc&iacute;sica proposta por Coimbra de Matos (Matos, 2001). Sendo o reinvestimento narc&iacute;sico um dos movimentos defensivos contra a depress&atilde;o, os resultados encontrados espelhariam os diversos avatares dessa equil&iacute;brio inst&aacute;vel. </p>        <p >Assim, o narcisismo surge como uma caracter&iacute;stica de personalidade com impacto no processo de burnout, &agrave; semelhan&ccedil;a do que sucede com outros tra&ccedil;os de personalidade como o Neuroticismo ou a Agradabilidade (Maslach, Schaufeli, &amp; Leiter, 2001; Piedmont, 1997). </p>      <p >No entanto, parece-nos que devem ser assinalados algumas reservas e cuidados, que significam, de alguma forma, uma limita&ccedil;&atilde;o &agrave; generabilidade das respostas &agrave;s hip&oacute;teses apresentadas. </p>      <p >O primeiro tipo de reservas prende-se com a dimens&atilde;o realtivamente reduzida da amostra, que impediu o teste da estrutura factorial da escala de narcisismo bem como o uso de An&aacute;lise Factorial Confirmat&oacute;ria por modeliza&ccedil;&atilde;o com recurso a equa&ccedil;&otilde;es estruturais, que requer amostras de uma dimens&atilde;o incompat&iacute;vel com o quadro temporal do projecto. Esta reserva associada &agrave; dimens&atilde;o da amostra aplica-se tamb&eacute;m aos resultados da escala de burnout. Dado o efectivo relativamente reduzido desta, pode-se pensar n&atilde;o existirem casos suficientemente afastados das tend&ecirc;ncias centrais em quantidade suficiente para validar graus de signific&acirc;ncia relevantes. Dito por outras palavras, as rela&ccedil;&otilde;es est&atilde;o presentes mas a amostra n&atilde;o possui capacidade discriminativa suficiente. Este aspecto &eacute; particularmente significativo para o factor Efic&aacute;cia Pessoal, que tem um desvio padr&atilde;o mais reduzido e que surge como vari&aacute;vel mediadora nos casos de narcisismo elevado. Uma amostra maior que mantivesse id&ecirc;nticos os indicadores centrais possuiria provavelmente mais casos nos extremos (aus&ecirc;ncia total de burnout, graus muito elevados de burnout), permitindo assim tornar mais claras as rela&ccedil;&otilde;es entre vari&aacute;veis (o mesmo coment&aacute;rio poderia ser feito em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; escala de narcisismo, embora com menos relev&acirc;ncia, porque esta escala apresenta um grau maior de dispers&atilde;o). Por outro lado, a escala de cinismo apresentou valores de consist&ecirc;ncia interna no limite do aceit&aacute;vel (0,67&#8773;0,7), o que sublinha a necessidade de tomar estes resultados com alguma precau&ccedil;&atilde;o. </p>      <p >Um segundo tipo de limita&ccedil;&otilde;es prende-se com a natureza do instrumento usado para medir o narcisismo. Trata-se de uma escala pouco estudada e pouco utilizada, pelo que n&atilde;o se pode deixar de levantar alguma reserva em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s suas qualidades m&eacute;tricas, n&atilde;o obstante a elevada consist&ecirc;ncia interna apresentada nesta amostra. A inexist&ecirc;ncia de uma estrutura factorial impede uma compreens&atilde;o mais aprofundada e discriminante da realidade do narcisismo, que fica assim reduzido a uma mera aprecia&ccedil;&atilde;o quantitativa unidimensional. O mesmo lamento se aplica &agrave; inexist&ecirc;ncia de pontos que diferenciem quantitativamente graus de narcisismo, e nomeadamente em rela&ccedil;&atilde;o ao seu extremo nosogr&aacute;fico &#8211; a perturba&ccedil;&atilde;o narc&iacute;sica de personalidade (APA, 1996). Nunca &eacute; demais lembrar que o resultado paradoxal dos indiv&iacute;duos com narcisismo elevado foi obtido gra&ccedil;as a uma manipula&ccedil;&atilde;o adhoc da escala, n&atilde;o prevista pelos seus autores, e cuja &uacute;nica justifica&ccedil;&atilde;o &eacute; o facto da outra escala utilizada seguir um procedimento semelhante. </p>      <p >Apesar de tudo, os resultados s&atilde;o suficientemente animadores para sugerir a relev&acirc;ncia da replica&ccedil;&atilde;o do estudo numa amostra de maior dimens&atilde;o e com maior diversidade de actividades profissionais, utilizando uma escala de narcisismo cujas qualidades m&eacute;tricas tenham sido previamente estudadas. </p>      <p >&nbsp;</p>      <p >REFER&Ecirc;NCIAS </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p >American Psychiatric Association (1996). <i>DSM-IV Manual de diagn&oacute;stico e estat&iacute;stica das perturba&ccedil;&otilde;es mentais </i>(4&ordf; ed.). Lisboa: Climepsi. </p>      <p >Anastasi, A., &amp; Urbina, S. (1997). <i>Psychological testing </i>(international edition). Upper Saddle, NJ: Prentice Hall International. </p>      <p >Bakker, A. B., Demerouti, E., &amp; Schaufeli, W. B. (2002). Validation of the Maslach Burnout Inventory &#8211; General survey: An internet study. <i>Anxiety, Stress and Coping, 15</i>(3), 245-260. </p>      <p >Baltazar, L. L. (2002). <i>As dimens&otilde;es narc&iacute;sicas e os comportamentos de risco na tarefa de condu&ccedil;&atilde;o: Estudo explorat&oacute;rio. </i>Monografia de licenciatura n&atilde;o publicada, Instituto Superior de Psicologia Aplicada. </p>      <!-- ref --><p >Croch&iacute;k, J. L. (2000). Tecnologia e individualismo: Um estudo de uma das rela&ccedil;&otilde;es contempor&acirc;neas entre ideologia e personalidade. <i>An&aacute;lise  Psicol&oacute;gica</i><i>, XVIII</i>(4), 529-543. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000107&pid=S0870-8231201000020000600001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p >D&#8217;Ancona, M. A. C. (2002). <i>An&aacute;lisis multivariable. Teor&iacute;a y pr&aacute;ctica en la investigaci&oacute;n social. </i>Madrid: Editorial S&iacute;ntesis. </p>        <p >Demerouti, E., Bakker, A. B., Nashreiner, F., &amp; Schaufeli, A. (2001). The job demands-resources model of burnout. <i>Journal of Applied Psychology, 86</i>(3), 499-512. </p>      <p >Freudenberger, H. J., &amp; Richelson, G. (1985). <i>Burn-out, the high cost of high achievement. </i><st1:City w:st="on"><st1:place w:st="on">London</st1:place></st1:City>: Arrow Books. </p>      <p >Gil-Monte, P. R. (2002). The factorial validity of the Maslach Burnout Inventory-General Survey (MBI-GS) Spanish Version. <i>Salud P&uacute;blica M&eacute;xico</i>, <i>44</i>(1), 33-40. </p>      <p >Lloyd, C., King, R., &amp; Chenoweth, L. (2002) Social work, stress and burnout: A Review. <i>Journal of Mental Health, 11</i>(3), 255-265. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p >Maslach, C. (1993). Burnout: A multidimensional perspective. In W. B. Schaufeli, C. Maslach, &amp; T. Marek (Eds.), <i>Professional burnout, recent developments in theory and research. </i><st1:place w:st="on"><st1:City w:st="on">Philadelphia</st1:City>,  <st1:State w:st="on">PA</st1:State></st1:place>: Taylor &amp; Francis. </p>      <p >Maslach, C. (1998). A multidimensional theory of burnout. In C. L. Cooper (Ed.), <i>Theories of organizational stress. </i><st1:City w:st="on">Oxford</st1:City>: <st1:place w:st="on"><st1:PlaceName w:st="on">Oxford</st1:PlaceName> <st1:PlaceType w:st="on">University</st1:PlaceType></st1:place> Press. </p>      <p >Maslach, C., &amp; Leiter, M. P. (1997). <i>The truth about burnout</i>. <st1:place w:st="on"><st1:City w:st="on">San Francisco</st1:City>, <st1:State w:st="on">CA</st1:State></st1:place>: Jossey Bass. </p>      <p >Maslach, C., Jackson, S. E., &amp; Leiter, M. P. (1996). <i>Maslach Burnout Inventory Manual </i>(3<sup>rd </sup>ed.). <st1:place w:st="on"><st1:City w:st="on">Palo   Alto</st1:City>, <st1:State w:st="on">CA</st1:State></st1:place>: Consulting Psychology Press </p>      <p >Maslach, C., Schaufeli, W. B., &amp; Leiter, M. P. (2001). Job burnout. <i>Annual Review of Psychology, 52, </i>397-422. </p>      <p >Matos, A. C. (2001). <i>A depress&atilde;o. </i>Lisboa: Climepsi. </p>      <p >Maroco, J. (2003). <i>An&aacute;lise estat&iacute;stica com utiliza&ccedil;&atilde;o do SPSS. </i>Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es Silabo. </p>      <p >Piedmont, R. L. (1993). A longitudinal analysis of burnout in the health care setting: The role of personal dispositions. <i>Journal of Personality Assessment, 61</i>(3), 457-473. </p>      <p >Pines, A. M. (1993). Burnout: an Existential Perspective In W. B. Schaufeli, C. Maslach, &amp; T. Marek (Eds.), <i>Professional burnout, recent developments in theory and research. </i><st1:place w:st="on"><st1:City w:st="on">Philadelphia</st1:City>,  <st1:State w:st="on">PA</st1:State></st1:place>: Taylor &amp; Francis. </p>      <p >Pines, A. M. (2002). Teacher burnout: A psychodynamic existencial perspective. <i>Teacher and Teaching, 8</i>(2), 121-140. </p>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p >Raskin, R., &amp; Terry, H. (1988). A principal analysis of the Narcissistic Personality Inventory and further evidence of its construct validity. <i>Journal of Personality and Social Psychology, 54</i>(5), 890-902. </p>        <p >Schaufeli, W. B., Bakker, A. B., Hoogduin, K., Schaap, C., &amp; Kladler, A. (2001). On the clinical validity of the Maslach Burnout Inventory and the Burnout Measure. <i>Psychology and Health</i>, <i>16</i>(5), 565-582. </p>        <p >Schaufeli, W. B., Enzmann, D., &amp; Girault, N. (1993). Measurement of burnout: A review. In W. B. Schaufeli, C. Maslach, &amp; T. Marek (Eds.), <i>Professional burnout, recent developments in theory and research</i>. <st1:place w:st="on"><st1:City  w:st="on">Philadelphia</st1:City>, <st1:State w:st="on">PA</st1:State></st1:place>: Taylor &amp; Francis. </p>          <p >Schutte, N., Toppinen, S., Kalimo, R., &amp; Schaufeli, W. B. (2000). The factorial validity of the Maslach Burnout Inventory &#8211; General Survey (MBI-GS) across occupational groups and nations. <i>Journal of Occupational and Organizational Psychology, 73</i>(1), pp. 53-66. </p>          <p >Shirom, A. (1989). Burnout in work organizations. In C. L. Cooper &amp; I. Robertson (Eds.), <i>International Review of Industrial and Organizational Psychology. </i><st1:place w:st="on">Chichester</st1:place>: John Wiley &amp; Sons. </p>        <p >Taris, T. W., Schreurs, P. J. G., &amp; Schaufeli, W. B. (1999). Construct validity of the Maslach Burnout Inventory &#8211; General Survey: A two sample examination of its factor structure and correlates. <i>Work &amp; Stress, 13</i>(3), 223-237. </p>      <p >Tecedeiro, M. (2004). <i>Factores psicol&oacute;gicos na sindrome de burnout: O narcisismo como vari&aacute;vel preditora da sindrome</i>. Disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado n&atilde;o publicada. Instituto Superior de Psicologia Aplicada, Lisboa, Portugal. </p>        <p >Winnubst, J. (1993). Organizational structure, social support, and burnout. In W. B. Schaufeli, C. Maslach, &amp; T. Marek (Eds.), <i>Professional burnout, recent developments in theory and research. </i>Philadelphia, PA: Taylor &amp; Francis. </p>          <p>&nbsp;</p>      <p >NOTAS</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p ><sup><a name="c1"></a>(<a href="#topc1">*</a>)</sup>&nbsp; ISPA &#8211; Instituto    Universit&aacute;rio, Rua Jardim do Tabaco, 34, 1149-041 Lisboa, Portugal; E-mail:    <a href="mailto:miguel.tecedeiro@ispa.pt">miguel.tecedeiro@ispa.pt</a> </p>      <p ><sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a> </sup>Autoriza&ccedil;&atilde;o    de tradu&ccedil;&atilde;o para investiga&ccedil;&atilde;o n&ordm; 13819, Consulting    Psychology Press, Palo Alto CA 94303. </p>     <p >&nbsp;</p>             ]]></body><back>
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<surname><![CDATA[Crochík]]></surname>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Tecnologia e individualismo: Um estudo de uma das relações contemporâneas entre ideologia e personalidade]]></article-title>
<source><![CDATA[Análise Psicológica]]></source>
<year>2000</year>
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<page-range>529-543</page-range></nlm-citation>
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