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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O papel dos pais na execução de planos de carreira no Ensino Secundário: Perspectivas de pais e de estudantes]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade do Minho Campus de Gualtar Escola de Psicologia]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The goals of this study are to assess parents&#8217; role in the career choice implementation of children in high school, in the perspective of children and parents, and to conceptualize the vocational counselling in high school. This study continues a previous investigation on models of vocational interventions in Portuguese Secondary Schools (Pinto, Taveira, & Fernandes, 2003). Through the method of grounded theory (cf. Strauss & Corbin, 1994, 1998) were investigated the perspectives of a total of 62 participants, by using a open question questionnaire (Pinto, 2000). The results evidenced that parents may influence their children&#8217;s vocational development by the direct relation with them and by the indirect relation with others in the context. The participants recognize the parents&#8217; role on their children career decision making and development through parental attitudes more or less directed, specific and intentional and concreteness of activities. The results show the need of expanding vocational interventions, taking into consideration the contexts of life and its role in the decision making and career development.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Carreira]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p><b >O papel dos pais na execu&ccedil;&atilde;o de planos de carreira no Ensino    Secund&aacute;rio: Perspectivas de pais e de estudantes </b></p>      <p>&nbsp;</p>      <p >Marisa Carvalho <sup><a name="top1"></a>(<a href="#1">*</a>)</sup>, Maria C&eacute;u    Taveira <sup><a name="top2"></a>(<a href="#2">**</a>)</sup></p>      <p>&nbsp;</p>      <p >RESUMO </p>      <p >O presente estudo tem como objectivos analisar perspectivas de pais e alunos acerca do papel dos pais na execu&ccedil;&atilde;o de planos de carreira dos seus filhos e retirar implica&ccedil;&otilde;es para a conceptualiza&ccedil;&atilde;o da interven&ccedil;&atilde;o vocacional no Ensino Secund&aacute;rio, prosseguindo investiga&ccedil;&atilde;o anterior (Pinto, Taveira, &amp; Fernandes, 2003). Atrav&eacute;s do m&eacute;todo de <i>grounded theory </i>(cf. Strauss &amp; Corbin, 1994, 1998) foram investigadas as perspectivas de um total de 62 participantes, atrav&eacute;s de question&aacute;rio de resposta aberta (Pinto, 2000). Na perspectiva dos participantes, os pais podem contribuir para o desenvolvimento de carreira atrav&eacute;s da rela&ccedil;&atilde;o com os filhos e atrav&eacute;s da rela&ccedil;&atilde;o com o meio. Os participantes evidenciam o reconhecimento do papel dos pais no desenvolvimento vocacional dos filhos, atrav&eacute;s de atitudes parentais mais ou menos directivas, espec&iacute;ficas e intencionais, e da participa&ccedil;&atilde;o e promo&ccedil;&atilde;o de actividades. Isto traduz a necessidade da interven&ccedil;&atilde;o vocacional contemplar os contextos de vida e o seu papel no desenvolvimento da carreira. </p>      <p ><i>Palavras-chave: </i>Carreira, <i>Grounded theory</i>, Influ&ecirc;ncia parental, Interven&ccedil;&atilde;o vocacional. </p>      <p >&nbsp;</p>      <p >ABSTRACT </p>      <p >The goals of this study are to assess parents&#8217; role in the career choice implementation of children in high school, in the perspective of children and parents, and to conceptualize the vocational counselling in high school. This study continues a previous investigation on models of vocational interventions in Portuguese Secondary Schools (Pinto, Taveira, &amp; Fernandes, 2003). Through the method of <i>grounded theory </i>(cf. Strauss &amp; Corbin, 1994, 1998) were investigated the perspectives of a total of 62 participants, by using a open question questionnaire (Pinto, 2000). The results evidenced that parents may influence their children&#8217;s vocational development by the direct relation with them and by the indirect relation with others in the context. The participants recognize the parents&#8217; role on their children career decision making and development through parental attitudes more or less directed, specific and intentional and concreteness of activities. The results show the need of expanding vocational interventions, taking into consideration the contexts of life and its role in the decision making and career development. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p ><i>Key-words: </i>Career, Career counselling, Grounded theory, Parental influence. </p>      <p >&nbsp;</p>      <p >A influ&ecirc;ncia da fam&iacute;lia no desenvolvimento de carreira e, especificamente, nos processos de tomada de decis&atilde;o tem sido um t&oacute;pico amplamente considerado na investiga&ccedil;&atilde;o em Psicologia Vocacional (Schulenberg, Vondracek, &amp; Crouter, 1984; Whiston &amp; Keller, 2004). Os diversos estudos t&ecirc;m destacado a import&acirc;ncia de vari&aacute;veis estruturais (e.g., estatuto s&oacute;cio-econ&oacute;mico, meio &eacute;tnico de origem e configura&ccedil;&atilde;o familiar) e processuais (e.g., encorajamento parental, interac&ccedil;&atilde;o pais/filhos, comportamento intencional) da fam&iacute;lia no processo de tomada de decis&atilde;o (Schulenberg, Vondracek, &amp; Crouter, 1984; Whiston &amp; Keller, 2004). Al&eacute;m disso, a literatura tem incidido sobre os processos atrav&eacute;s dos quais a influ&ecirc;ncia parental ocorre e sobre os resultados desta mesma influ&ecirc;ncia na carreira (Pinto &amp; Soares, 2001; Young, Friesen, &amp; Pearson, 1988). Tem, ainda, considerado o modo como a fam&iacute;lia se pode constituir como fonte de apoio/suporte ou como barreira &agrave; tomada de decis&atilde;o (Lent, Brown, Talleyrand, McPartland, Davis, Chopra, et al., 2002; Schultheiss, Kress, Manzi, &amp; Glasscock, 2001). O apoio parental, por exemplo, tem sido identificado como uma vari&aacute;vel processual determinante da tomada de decis&atilde;o, desde a fase de planeamento &agrave; fase de execu&ccedil;&atilde;o (Schultheiss, Kress, Manzi, &amp; Glasscock, 2001; Whiston &amp; Keller, 2004; Young, Marshall, Domene, Arato-Bolivar, Hayoun, Marshall, et al., 2005). </p>      <p >Al&eacute;m da fam&iacute;lia, outros significativos t&ecirc;m sido considerados na literatura como exercendo influ&ecirc;ncia na tomada de decis&atilde;o. Os professores, por exemplo, desempenham um papel determinante nas escolhas de carreira, quer directamente na rela&ccedil;&atilde;o que estabelecem com os alunos, quer indirectamente na articula&ccedil;&atilde;o com outros agentes educativos tais como a fam&iacute;lia (Carvalho &amp; Taveira, 2009; Pinto, Taveira, &amp; Fernandes, 2003). </p>      <p >Deste modo, a literatura p&otilde;e em evid&ecirc;ncia a complexidade contextual e relacional inerente aos processos de tomada de decis&atilde;o (Blustein, 2004; Fouad &amp; Katamneni, 2008; Phillips, Christopher-Sisk, &amp; Gravino, 2001; Schultheiss, 2003). O enfoque &eacute; colocado numa perspectiva multidimensional da tomada de decis&atilde;o, que contempla, entre outros, os determinantes contextuais das escolhas (Carvalho, 2007; Guindon &amp; Richmond, 2005; Harrington &amp; Harrigan, 2006; Phillips, 1997; Whiston &amp; Keller, 2004). </p>      <p >No que diz respeito &agrave; tomada de decis&atilde;o, a investiga&ccedil;&atilde;o tende a centrar-se em momentos espec&iacute;ficos do desenvolvimento, tais como as fases de planeamento das decis&otilde;es vocacionais &#8211; ou de antecipa&ccedil;&atilde;o da ac&ccedil;&atilde;o &#8211; dedicando menos aten&ccedil;&atilde;o &agrave;s fases de execu&ccedil;&atilde;o das escolhas &#8211; ou de ac&ccedil;&atilde;o, no &acirc;mbito da carreira (Fouad &amp; Katamneni, 2008; Jome &amp; Phillips, 2005; Mortimer, Zimmer-Gembeck, Holmes &amp; Shanahan, 2002). Contudo, de acordo com diversos autores, a fase executiva do processo de decis&atilde;o &eacute; fundamental na medida em pode, quando bem sucedida, contribuir para o ajustamento e adaptabilidade vocacionais (Jome &amp; Phillips, 2005; Mortimer, Zimmer-Gembeck, Holmes, &amp; Shanahan, 2002; Phillips, 1997). No caso do Sistema Educativo Portugu&ecirc;s, por exemplo, o 10&ordm; ano de escolaridade corresponde ao in&iacute;cio do Ensino Secund&aacute;rio e, por conseguinte, &agrave; execu&ccedil;&atilde;o de uma escolha em termos de &aacute;rea escolar e profissional. Por conseguinte, &eacute; fundamental o desenho de interven&ccedil;&otilde;es vocacionais focadas, n&atilde;o s&oacute; no planeamento da decis&atilde;o, mas tamb&eacute;m na execu&ccedil;&atilde;o da mesma (Jome &amp; Phillips, 2005). </p>      <p >Assim, urgem novas leituras do processo de tomada de decis&atilde;o, que contemplem a sua complexidade e diversidade. Mant&eacute;m-se a necessidade de construir modelos te&oacute;rico-pr&aacute;ticos que evidenciem, de modo mais adequado, a natureza din&acirc;mica, complexa e interactiva dos factores contextuais no processo de decis&atilde;o, considerando-o nas suas m&uacute;ltiplas dimens&otilde;es e fases (Blustein, 2004; Carvalho, 2007; Fouad &amp; Katamneni, 2008; Jome &amp; Phillips, 2005; Phillips et al., 2001; Schultheiss, 2003). </p>      <p >&Eacute; fundamental aprofundar o papel de pessoas significativas, n&atilde;o s&oacute; no processo de planeamento, como tamb&eacute;m, no processo de execu&ccedil;&atilde;o das decis&otilde;es vocacionais, e desenvolver um modelo conceptual integrado e multidimensional, que suporte as interven&ccedil;&otilde;es vocacionais nas diferentes fases do processo de decis&atilde;o. </p>      <p >Neste sentido, o presente estudo procura explorar as perspectivas de pais e alunos sobre o papel dos primeiros na execu&ccedil;&atilde;o dos planos de carreira dos seus filhos, no 10&ordm; ano de escolaridade &#8211; uma fase de implementa&ccedil;&atilde;o ou execu&ccedil;&atilde;o de decis&otilde;es de carreira. Pretende-se, deste modo, contribuir para a constru&ccedil;&atilde;o de um modelo conceptual integrado de interven&ccedil;&atilde;o vocacional no Ensino Secund&aacute;rio (Pinto, Taveira, &amp; Fernandes, 2003). Al&eacute;m disso, oferecem-se contributos &agrave; linha de estudo da influ&ecirc;ncia parental na carreira (Borges, 2001; Gon&ccedil;alves, 1997, 2006; Pinto &amp; Soares, 2001, 2002; Soares, 1998; Whiston &amp; Keller, 2004; Young, 1994; Young, Friesen, &amp; Pearson, 1988; Young, Valach, &amp; Collin, 2002; Young, Marshall, Domene, Arato-Bolivar, Hayoun, Marshall, et al., 2005), a partir de m&uacute;ltiplas perspectivas. </p>        <p >&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p >M&Eacute;TODO </p>      <p >Neste estudo, privilegia-se uma metodologia de investiga&ccedil;&atilde;o qualitativa baseada nos procedimentos da <i>grounded theory </i>(cf. Strauss &amp; Corbin, 1994, 1998). Esta op&ccedil;&atilde;o metodol&oacute;gica resulta do interesse, j&aacute; referido, em contribuir para a constru&ccedil;&atilde;o de um modelo conceptual que sustente a interven&ccedil;&atilde;o vocacional no in&iacute;cio do Ensino Secund&aacute;rio (Pinto, Taveira, &amp; Fernandes, 2003), atrav&eacute;s do estudo de m&uacute;ltiplas concep&ccedil;&otilde;es acerca do papel dos pais naquela fase do desenvolvimento vocacional. Trata-se de uma op&ccedil;&atilde;o congruente com o crescente reconhecimento da complexidade inerente &agrave;s influ&ecirc;ncias contextuais, em particular da fam&iacute;lia, no desenvolvimento vocacional (Schultheiss, 2003; Whiston &amp; Keller, 2004). </p>      <p ><i>&nbsp;</i></p>      <p ><i>Participantes </i></p>      <p >Os participantes totalizam 62 sujeitos &#8211; 46 alunos e 16 pais. O grupo de alunos &eacute; constitu&iacute;do por sujeitos de ambos os sexos (40% de mulheres; 60% de homens), com idades compreendidas entre os 15 e os 20 anos (<i>M</i>=16,60; <i>DP</i>=1,54), a frequentar diferentes cursos do ensino secund&aacute;rio (62,9% no Agrupamento 1; 2,9% no Agrupamento 2; 5,7% no Agrupamento 3; 2,9% no Agrupamento 4; 25,6% <st1:PersonName ProductID="em Curso Profissional" w:st="on">em  Curso Profissional) e com projectos vocacionais diversificados. O grupo de pais &eacute; constitu&iacute;do por um total de 16 sujeitos de ambos os sexos (62,5% de mulheres; 37,5% de homens), com idades compreendidas entre os 35 e os 54 anos (<i>M</i>=43,62; <i>DP</i>=4,95) e com profiss&otilde;es diversificadas. </p>          <p ><i>&nbsp;</i></p>      <p ><i>Procedimentos </i></p>        <p >O objectivo deste estudo &eacute; explorar as perspectivas dos pais e dos alunos sobre o papel dos pais na execu&ccedil;&atilde;o de planos de carreira no 10&ordm; ano de escolaridade. Este estudo enquadra-se numa investiga&ccedil;&atilde;o de maior amplitude, dando seguimento aos procedimentos iniciados previamente (Carvalho, 2007; Pinto, Taveira, &amp; Fernandes, 2003). Foi usado um question&aacute;rio de resposta aberta (Pinto, 2000), constitu&iacute;do por tr&ecirc;s blocos de quest&otilde;es, a saber: (i) objectivos da Orienta&ccedil;&atilde;o para o 10&ordm; ano de escolaridade; (ii) contributos dos intervenientes no processo (estudantes, professores e directores de turma, encarregados de educa&ccedil;&atilde;o e t&eacute;cnicos dos Servi&ccedil;os de Psicologia e Orienta&ccedil;&atilde;o); (iii) propostas espec&iacute;ficas de interven&ccedil;&atilde;o (Pinto, Taveira, &amp; Fernandes, 2003). </p>      <p >Tendo em conta o objectivo deste trabalho, consideraram-se apenas as respostas sobre os contributos dos pais e encarregados de educa&ccedil;&atilde;o ao desenvolvimento e execu&ccedil;&atilde;o de planos de carreira dos seus filhos ou educandos. </p>        <p ><i>&nbsp;</i></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p ><i>An&aacute;lise dos dados </i></p>        <p >A op&ccedil;&atilde;o pela metodologia de <i>grounded analysis</i>, levou &agrave; adop&ccedil;&atilde;o dos procedimentos propostos na literatura sobre o m&eacute;todo (Fernandes &amp; Maia, 2002; Pires, 2002; Strauss &amp; Corbin, 1994, 1998). Partindo das respostas transcritas dos participantes, a an&aacute;lise dos dados seguiu v&aacute;rias fases conforme descrito em seguida. </p>      <p >Inicialmente foram definidas as unidades de an&aacute;lise, tendo-se tomado como crit&eacute;rio, o facto de definirem uma ideia &uacute;nica (Strauss &amp; Corbin, 1998). O exame das unidades de an&aacute;lise conduziu &agrave; identifica&ccedil;&atilde;o e enumera&ccedil;&atilde;o de conceitos. A progressiva especifica&ccedil;&atilde;o dos conceitos contribuiu para a reformula&ccedil;&atilde;o e renomea&ccedil;&atilde;o das categorias. Simultaneamente, os procedimentos de compara&ccedil;&atilde;o fizeram emergir rela&ccedil;&otilde;es entre os conceitos convergindo em categorias conceptuais de maior abstrac&ccedil;&atilde;o. Para assegurar a credibilidade do processo de codifica&ccedil;&atilde;o e de verifica&ccedil;&atilde;o, recorreu-se constantemente ao discurso dos participantes. </p>      <p >Depois de analisadas as respostas, reviu-se todo o trabalho de categoriza&ccedil;&atilde;o por refer&ecirc;ncia &agrave;s unidades de an&aacute;lise e &agrave; resposta global dos participantes. Isto conduziu a uma primeira reorganiza&ccedil;&atilde;o dos dados, consubstanciados em categorias, propriedades e dimens&otilde;es. Em seguida, a partir de um processo de questionamento indutivo, identificaram-se propriedades no discurso dos participantes, o que permitiu especificar as diferentes categorias. Posteriormente, atrav&eacute;s de um processo de questionamento dedutivo, confrontaram-se as categorias e as respectivas propriedades com os dados do fen&oacute;meno <st1:PersonName ProductID="em estudo. Os" w:st="on">em estudo. Os procedimentos de questionamento e compara&ccedil;&atilde;o constante permitiram identificar um conjunto de categorias centrais hier&aacute;rquicas comuns aos v&aacute;rios protocolos. Definimos depois a categoria central e constru&iacute;mos a narrativa descritiva do fen&oacute;meno em estudo, sempre com recurso ao questionamento e compara&ccedil;&atilde;o constantes e por refer&ecirc;ncia ao discurso dos participantes. Fizemos, tamb&eacute;m, uso de memorandos e diagramas. </p>      <p >Ao longo da an&aacute;lise, foi efectuado um registo de procedimentos, que se consubstanciou numa ficha de an&aacute;lise das respostas e que inclui: (i) a resposta global dos participantes, organizada em unidades de an&aacute;lise, (ii) os c&oacute;digos atribu&iacute;dos &agrave;s unidades de an&aacute;lise, (iii) as categorias descritivas, (iv) as categorias conceptuais e (v) coment&aacute;rios/memorandos. Foram desenvolvidos, ainda, diagramas expressivos da rela&ccedil;&atilde;o hier&aacute;rquica entre as categorias. </p>        <p >&nbsp;</p>      <p >RESULTADOS </p>        <p >A an&aacute;lise das respostas dos pais e dos estudantes evidenciaram tipicidade    inter-grupo nas categorias. Pais e filhos parecem estar de acordo quanto &agrave;    import&acirc;ncia dos pais na execu&ccedil;&atilde;o de planos de carreira e    quanto ao modo como podem contribuir para facilitar este processo. Assim, a    apresenta&ccedil;&atilde;o dos resultados que se segue resulta da an&aacute;lise    das respostas dos pais e dos estudantes, sendo cada resposta identificada pelo    respectivo c&oacute;digo (P ou EST, conforme o participante &eacute; pai/encarregado    de educa&ccedil;&atilde;o ou estudante, o n&uacute;mero do sujeito e o n&uacute;mero    de ordem na sequ&ecirc;ncia de texto). A Figura 1 representa o modelo resultante    das respostas dos participantes relativamente ao papel dos pais na execu&ccedil;&atilde;o    de planos de carreira no 10&ordm; ano de escolaridade. </p>     <p >&nbsp;</p>     <p ><b>FIGURA 1</b> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p ><i>Esquema representativo do papel dos pais na execu&ccedil;&atilde;o de planos    de carreira </i></p>     <p ><i><img src="/img/revistas/aps/v28n2/28n2a08f1.jpg" width="643" height="304"></i></p>     
<p >&nbsp;</p>      <p >Na perspectiva dos participantes, o papel dos pais na execu&ccedil;&atilde;o    de planos de carreira concretiza-se directamente, atrav&eacute;s da rela&ccedil;&atilde;o    que os pais estabelecem com os filhos, e, indirectamente, atrav&eacute;s das    actividades que promovem e em que participam na sua rela&ccedil;&atilde;o com    o meio. </p>      <p >Os participantes referem que <i>rela&ccedil;&atilde;o dos pais com os filhos </i>deve ser positiva, pautada por atitudes de apoio e confian&ccedil;a, devendo aqueles assumir as suas fun&ccedil;&otilde;es enquanto pais e educadores. Os pais devem &#8220;estabelecer uma rela&ccedil;&atilde;o de apoio e confian&ccedil;a com os seus educandos&#8221; (EST19-1)<i>. </i>A rela&ccedil;&atilde;o com os filhos concretiza-se na interac&ccedil;&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o que estabelecem. A comunica&ccedil;&atilde;o assume, sobretudo, um objectivo de esclarecimento do aluno relativamente &agrave;s quest&otilde;es profissionais, em fun&ccedil;&atilde;o da informa&ccedil;&atilde;o que prestam ou do relato da sua experi&ecirc;ncia pessoal. Os pais podem &#8220;explicar-lhes o que &eacute; a profiss&atilde;o deles, como &eacute; a vida no mundo do trabalho&#8221; (EST22-2), &#8220;falar da sua experi&ecirc;ncia de vida&#8221; (EST24-2) e &#8220;conversar com os seus educandos sobre os cursos que pretende frequentar no futuro&#8221; (P6-1). Os pais podem <i>aconselhar </i>os filhos, especificamente, quanto &agrave; carreira, sempre que se justifique, mas respeitando e n&atilde;o influenciando as suas escolhas. Os pais podem prestar &#8220;alguma orienta&ccedil;&atilde;o, conselhos para o desenvolvimento da nossa carreira&#8221; (EST11-3) e &#8220;esclarec&ecirc;-los sobre as sa&iacute;das profissionais e escolares&#8221; (P8-2). Os pais devem, tamb&eacute;m, <i>acompanhar </i>os filhos no dia-a-dia, nas decis&otilde;es de carreira, na vida escolar e face a situa&ccedil;&otilde;es-problema. </p>        <p >A necessidade do acompanhamento tende a ser mais vincada relativamente &agrave;    vida escolar dos filhos, conforme evidenciam as seguintes respostas: &#8220;&Eacute;    tamb&eacute;m muito importante a preocupa&ccedil;&atilde;o por parte dos encarregados    de educa&ccedil;&atilde;o na vida escolar (notas, responsabilidade, assiduidade)&#8221;    (EST36-4), &#8220;Os pais devem interessar-se pelos estudos dos seus filhos&#8221;    (EST11-1), &#8220;estarem atentos ao resultado dos testes, &agrave;s faltas    e &agrave;s notas&#8221; (P12-3).</p>     <p >Os pais devem, ainda, <i>apoiar </i>os filhos, entendendo-se este apoio na    dupla vertente afectiva e instrumental. Assim, os alunos consideram que os pais    devem apoiar os filhos, independentemente das suas escolhas, respeitando e n&atilde;o    influenciando. O apoio pode caracterizar-se pela aprova&ccedil;&atilde;o, incentivo    e compreens&atilde;o das escolhas dos filhos conforme se percebe nas seguintes    respostas: &#8220;Incentiv&aacute;-los&#8221; (P13-2), &#8220;Podiam apoiar-nos    nas nossas decis&otilde;es e compreender aquilo que queremos&#8221; (EST13-2),    &#8220;Darem apoio ao aluno seja qual for a escolha do aluno&#8221; (EST23-1).    O apoio pode tamb&eacute;m definir-se pela ajuda instrumental &agrave; resolu&ccedil;&atilde;o    de problemas e concretiza&ccedil;&atilde;o de op&ccedil;&otilde;es, tal como    enunciam as seguintes respostas: &#8220;ajud&aacute;-lo sempre que ele necessita&#8221;    (EST2-2), &#8220;ajudar os filhos a se esclarecerem&#8221; (EST24-1), &#8220;apoi&aacute;-los    em tudo o que se possa fazer com os alunos&#8221; (P2-1). Os alunos referem,    ainda, as expectativas dos pais como potenciais barreiras &agrave;s decis&otilde;es    dos filhos, pelo que devem ser ajustadas (&#8220;n&atilde;o criar grandes expectativas&#8221;    EST28-2). Assim, as atitudes e comportamentos anteriormente descritos contribuem    para a experi&ecirc;ncia de <i>autonomia/responsabilidade</i>, sentimentos de    <i>aprova&ccedil;&atilde;o e incentivo</i>, <i>prazer pelo estudo </i>dos filhos    e constituem <i>condi&ccedil;&otilde;es para o desenvolvimento da carreira</i>.    Os alunos falam da necessidade dos pais promoverem a &#8220;cria&ccedil;&atilde;o    de uma autonomia e independ&ecirc;ncia mais definidas, e da consciencializa&ccedil;&atilde;o    do consequente aumento de responsabilidade que essa maior liberdade e independ&ecirc;ncia    implicam&#8221; (EST20-1), de fazerem o &#8220;aluno se sentir aprovado&#8221;    (EST16-2), de incutirem &#8220;o prazer de estudar&#8221; (EST45-3) e de &#8220;permitir    que tenham as melhores condi&ccedil;&otilde;es para desenvolver a sua carreira&#8221;    (EST46-1). Os pais destacam a necessidade de &#8220;responsabilizar os educandos&#8221;    (P3-2), especificamente &#8220;pelo ensino/aprendizagem&#8221; (P3-2) e pelo    &#8220;futuro deles&#8221; (P2-3). </p>        <p >Para al&eacute;m das rela&ccedil;&otilde;es dos pais com os filhos, os participantes identificaram aspectos da <i>rela&ccedil;&atilde;o dos pais com o meio </i>como determinantes do desenvolvimento e execu&ccedil;&atilde;o de planos de carreira. Assim, os pais podem contribuir, atrav&eacute;s da promo&ccedil;&atilde;o de actividades que constituam <i>oportunidades </i>para os estudantes explorarem e conhecerem o meio, nomeadamente quando afirmam que &#8220;se houver algu&eacute;m na fam&iacute;lia com a profiss&atilde;o que queremos seguir dar-nos oportunidades de conhecer o que eles fazem e como &eacute; que l&aacute; chegaram&#8221; (EST13-3) e &#8220;promover contactos com profissionais dessas &aacute;reas para mais esclarecimentos quanto a cursos e vida profissional&#8221; (P1-2). Podem, ainda, <i>colaborar com a escola ou outros</i>, no sentido de conhecerem melhor o aluno, recolherem informa&ccedil;&atilde;o, ajudarem o filho e contribu&iacute;rem para a resolu&ccedil;&atilde;o de problemas. Assim, os pais deveriam &#8220;ser informados pelo servi&ccedil;o de psicologia ou pelos directores de turma para poder ajudar os filhos a escolher o que &eacute; melhor para eles&#8221; (EST17-1), &#8220;vir &agrave; escola falar com os professores de maneira a que os filhos tenham sucesso na &aacute;rea que escolheram&#8221; (EST30-2) e &#8220;manterem-se informados acerca do percurso escolar do educando, em caso de insucesso, detectar as raz&otilde;es e procurar solu&ccedil;&otilde;es com a coopera&ccedil;&atilde;o dos professores&#8221; (EST39-3). Deveriam, ainda, ser &#8220;mais participativos na escola&#8221; (P4-1) e &#8220;periodicamente falarem com os professores e SPO de modo a ajuizarem das dificuldades que o aluno pode atravessar&#8221; (P5-2). As oportunidades/experi&ecirc;ncias oferecidas assim como a colabora&ccedil;&atilde;o dos pais com outros contribuir&aacute; para que o aluno se sinta <i>aprovado/ /apoiado</i>, e para que os pais possam <i>ajudar o filho a realizar escolhas </i>e empreender os esfor&ccedil;os necess&aacute;rios no sentido do <i>sucesso do aluno na escolha realizada</i>. Os alunos consideram que, atrav&eacute;s da rela&ccedil;&atilde;o com o meio, os pais podem &#8220;ajudar os filhos a se esclarecerem&#8221; (EST24-1) e contribuir para que &#8220;tenham sucesso na &aacute;rea que escolheram&#8221; (EST30-2). </p>        <p >&nbsp;</p>      <p >CONCLUS&Otilde;ES </p>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p >As respostas apresentadas indicam que pais e alunos reconhecem o papel daqueles no desenvolvimento e execu&ccedil;&atilde;o de planos de carreira no 10&ordm; ano de escolaridade. Podemos afirmar que as perspectivas dos participantes se rev&ecirc;em nas formula&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas que real&ccedil;am o papel dos contextos no desenvolvimento da carreira (Blustein, 2004; Fouad &amp; Katamneni, 2008; Phillips, Christopher-Sisk, &amp; Gravino, 2001; Schultheiss, 2003; Vondracek, Lerner, &amp; Schulenberg, 1986; Whiston &amp; Keller, 2004). Assim, de um modo geral, os participantes evidenciam o reconhecimento do papel dos pais no desenvolvimento vocacional dos filhos, atrav&eacute;s da rela&ccedil;&atilde;o que estabelecem, vari&aacute;vel em fun&ccedil;&atilde;o de padr&otilde;es comunicacionais e atitudes parentais mais ou menos directivas, espec&iacute;ficas e intencionais, e da rela&ccedil;&atilde;o com meio na promo&ccedil;&atilde;o de oportunidades e experi&ecirc;ncias e na colabora&ccedil;&atilde;o com outros tais como a escola. </p>      <p >A rela&ccedil;&atilde;o pais-filhos emerge nas respostas dos participantes como um elemento central no desenvolvimento da carreira, o que &eacute; tamb&eacute;m coerente com as investiga&ccedil;&otilde;es no dom&iacute;nio (Borges, 2001; Gon&ccedil;alves, 1997, 2006; Pinto &amp; Soares, 2001, 2002). Ali&aacute;s, a interac&ccedil;&atilde;o pais-filhos tem sido descrita na literatura como uma vari&aacute;vel processual de import&acirc;ncia no desenvolvimento da carreira (cf. Schulenberg et al., 1984). Destaca-se a import&acirc;ncia dos padr&otilde;es de funcionamento familiar, nomeadamente, em termos de vincula&ccedil;&atilde;o, nas escolhas vocacionais (Berr&iacute;os-Allison, 2005; Penick &amp; Jepsen, 1992), evidente nas respostas dos participantes quando afirmam a necessidade do estabelecimento de rela&ccedil;&otilde;es positivas entre pais e filhos e do desenvolvimento de uma comunica&ccedil;&atilde;o efectiva. As respostas evidenciam, al&eacute;m disso, a import&acirc;ncia dos pais assumirem o papel e fun&ccedil;&otilde;es parentais, nomeadamente em termos de educa&ccedil;&atilde;o e socializa&ccedil;&atilde;o, de facilitarem o crescimento dos filhos, autonomizando-os e responsabilizando-os, de regularem expectativas e de comunicarem com os filhos, sem contudo se situarem, especificamente, no dom&iacute;nio vocacional. A rela&ccedil;&atilde;o pais-filhos concretiza-se nas atitudes que os pais apresentam em rela&ccedil;&atilde;o aos filhos, n&atilde;o s&oacute; no que diz respeito &agrave; formula&ccedil;&atilde;o e execu&ccedil;&atilde;o do projecto vocacional, mas tamb&eacute;m em outras &aacute;reas de vida. </p>      <p >Neste estudo, os participantes referem-se &agrave; necessidade de apoio no    sentido da aceita&ccedil;&atilde;o das ac&ccedil;&otilde;es e escolhas dos filhos,    no que diz respeito ao projecto vocacional, &agrave; vida escolar e pessoal,    e da disponibilidade afectiva e instrumental para suportar essas mesmas op&ccedil;&otilde;es.    Isto &eacute; coerente com os estudos emp&iacute;ricos que apontam o apoio e    o encorajamento como uma vari&aacute;vel de processo com impacto significativo    na tomada de decis&atilde;o vocacional (Berr&iacute;os-Alison, 2005; Gon&ccedil;alves,    2006; Pinto &amp; Soares, 2002; Schultheiss &amp; Blustein, 1994; Young et al.,    2005). O apoio parece assumir particular import&acirc;ncia no que diz respeito    &agrave; vida em geral e ao projecto vocacional quando comparados com as &aacute;reas    escolar, pessoal e de resolu&ccedil;&atilde;o de problemas. Isto poder&aacute;    significar que o apoio &agrave; carreira se traduz na percep&ccedil;&atilde;o    de transversalidade do apoio &agrave;s restantes &aacute;reas de vida, remetendo-nos    para a no&ccedil;&atilde;o de carreira como o itiner&aacute;rio que cada indiv&iacute;duo    faz pelos m&uacute;ltiplos pap&eacute;is de vida (Super, 1990; Taveira, 2005).    Nesta mesma linha, podemos lembrar uma das tarefas desenvolvimentais que caracterizam    a adolesc&ecirc;ncia e que &eacute; o desenvolvimento da autonomia necess&aacute;ria    &agrave; constru&ccedil;&atilde;o da identidade. Na adolesc&ecirc;ncia, embora    se verifique a manuten&ccedil;&atilde;o do papel dos pais enquanto figuras de    autoridade, h&aacute; um crescente reconhecimento da igualdade entre indiv&iacute;duos.    Isto &eacute;, por um lado, os adolescentes reconhecem e respeitam o conhecimento    e opini&otilde;es dos pais, mas tamb&eacute;m as suas pr&oacute;prias ideias;    por outro lado, os pais reconhecem a maior capacidade do adolescente para ser    respons&aacute;vel por si pr&oacute;prio e revelam um crescente respeito pelas    suas opini&otilde;es e ideias (Schultheiss &amp; Blustein, 1994; Sprinthall    &amp; Collins, 1994). O redireccionamento da rela&ccedil;&atilde;o pais-filhos,    no sentido de uma maior reciprocidade, parece emergir nas respostas de pais    e filhos quando se referem ao papel dos pais na &aacute;rea e fase de vida em    an&aacute;lise, assim como quando reflectem sobre as consequ&ecirc;ncias desta    interac&ccedil;&atilde;o, nomeadamente, em termos de autonomia. Isto leva-nos    a supor que a atitude de apoio poder&aacute; contribuir para um sentimento de    autonomia protegida, suscept&iacute;vel de viabilizar a concretiza&ccedil;&atilde;o    das escolhas com algum n&iacute;vel de seguran&ccedil;a e num equil&iacute;brio    entre separa&ccedil;&atilde;o/independ&ecirc;ncia dos filhos em rela&ccedil;&atilde;o    aos pais. </p>        <p >O acompanhamento e aconselhamento dos filhos s&atilde;o, tamb&eacute;m, atitudes valorizadas pelos participantes. Estas traduzem um maior n&iacute;vel de envolvimento dos pais nas tarefas vocacionais dos filhos, na medida em que implicam comportamentos de monitoriza&ccedil;&atilde;o e de orienta&ccedil;&atilde;o. O referido coincide com investiga&ccedil;&otilde;es que apontam que o papel dos pais no desenvolvimento vocacional pode envolver ac&ccedil;&otilde;es como aconselhar, apoiar e motivar (Gon&ccedil;alves, 2006; Pinto &amp; Soares, 2002; Young et al., 1988) assim como refor&ccedil;a modelos sist&eacute;micos da carreira (Penick &amp; Jepsen, 1992). </p>        <p >Para al&eacute;m da rela&ccedil;&atilde;o dos pais com os filhos, a rela&ccedil;&atilde;o daqueles com o meio, nomeadamente, atrav&eacute;s da participa&ccedil;&atilde;o ou de promo&ccedil;&atilde;o de actividades parece constituir uma ac&ccedil;&atilde;o significativa dos pais no sentido do desenvolvimento da carreira dos filhos. As oportunidades e experi&ecirc;ncias, ao contr&aacute;rio das restantes categorias, assumem o protagonismo do dom&iacute;nio vocacional. Esta categoria traduz as respostas dos participantes que enunciam um conjunto de ac&ccedil;&otilde;es, com objectivos de desenvolvimento da carreira, realizadas ou a realizar, quer pelos pais, quer pelos alunos, mas sempre promovidas pelos pais. De algum modo, corresponde &agrave; import&acirc;ncia atribu&iacute;da na literatura, ao comportamento explorat&oacute;rio no desenvolvimento vocacional (Taveira, 2000) e aos pais enquanto promotores potenciais de oportunidades, recursos e experi&ecirc;ncias (Soares, 1998). </p>      <p >Destaca-se, ainda, a colabora&ccedil;&atilde;o fam&iacute;lia-escola. Os dados apresentados por Pinto, Taveira, e Fernandes (2003) revelam a import&acirc;ncia que os professores atribuem &agrave; coopera&ccedil;&atilde;o com outros agentes educativos, nomeadamente com os encarregados de educa&ccedil;&atilde;o. No mesmo sentido, as respostas de pais e alunos revelam a import&acirc;ncia daqueles colaborarem com a escola. A import&acirc;ncia atribu&iacute;da &agrave; colabora&ccedil;&atilde;o fam&iacute;lia-escola suporta o argumento de que as vari&aacute;veis familiares n&atilde;o podem ser vistas isoladamente quando estudamos a influ&ecirc;ncia dos contextos no desenvolvimento vocacional (Phillips et al., 2001; Whiston &amp; Keller, 2004). </p>      <p >Os participantes evidenciam, ainda, os efeitos desej&aacute;veis esperados da influ&ecirc;ncia parental. Discriminam aspectos como a autonomia, o prazer pelo estudo e o sucesso na &aacute;rea escolhida, o que &eacute; concordante com a literatura (Pinto &amp; Soares, 2001). O presente trabalho p&otilde;e, assim, em destaque a distin&ccedil;&atilde;o na literatura entre o reconhecimento dos resultados e dos processos da influ&ecirc;ncia parental na carreira (Pinto &amp; Soares, 2001). </p>      <p >No seguimento do referido, podemos afirmar que as perspectivas dos pais e dos alunos acerca do papel dos pais no desenvolvimento vocacional parecem aproximar-se das formula&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas que real&ccedil;am o papel dos contextos no desenvolvimento e, especificamente, no desenvolvimento da carreira. Constata-se, tamb&eacute;m, a aproxima&ccedil;&atilde;o aos resultados de investiga&ccedil;&atilde;o que enunciam a rela&ccedil;&atilde;o entre vari&aacute;veis familiares e vari&aacute;veis vocacionais, nomeadamente, aqueles que contemplam factores de ordem diversa na explica&ccedil;&atilde;o da complexidade do fen&oacute;meno das influ&ecirc;ncias e rela&ccedil;&otilde;es humanas (Gon&ccedil;alves, 2006; Pinto &amp; Soares, 2002; Schulenberg et al., 1984; Soares, 1998; Whiston &amp; Keller, 2004). </p>      <p >Os dados apontam a necessidade da interven&ccedil;&atilde;o vocacional contemplar os contextos de vida e o seu papel no desenvolvimento da carreira, constituindo-se como objectivo da pr&aacute;tica vocacional a sensibiliza&ccedil;&atilde;o dos agentes educativos e, em particular dos pais, para as quest&otilde;es associadas ao desenvolvimento e execu&ccedil;&atilde;o de planos de carreira e para o seu papel na qualidade do processo de decis&atilde;o. Importa, por isso, desenvolver modelos conceptuais que suportem a interven&ccedil;&atilde;o vocacional nas diferentes fases do processo de tomada de decis&atilde;o vocacional. </p>      <p >Parece, tamb&eacute;m, necess&aacute;rio continuar a aprofundar o estudo sobre o papel dos pais no desenvolvimento e execu&ccedil;&atilde;o de planos de carreira, nomeadamente quanto ao comportamento intencional dos pais, prosseguindo os estudos de Young e colaboradores (Young, 1994; Young et al., 2005), assim como do papel dos pr&oacute;prios alunos e de outros significativos (Lent et al., 2002). Neste enquadramento, refor&ccedil;a-se a necessidade de se desenvolverem modelos conceptuais integrados de interven&ccedil;&atilde;o em Orienta&ccedil;&atilde;o no Ensino Secund&aacute;rio. </p>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p >&nbsp;</p>      <p >REFER&Ecirc;NCIAS </p>          <p >Berr&iacute;os-Allison, A. C. (2005). Family influences on college students&#8217; occupational identity. <i>Journal of Career Assessment, 13</i>(2), 233-247. </p>        <p >Blustein, D. L. (2004). Moving from the inside out: Further explorations of the family of origin/career development linkage. <i>The Counseling Psychologist, 32</i>(4), 603-611. </p>      <p >Borges, M. G. (2001). <i>Estilos de interac&ccedil;&atilde;o familiar e projectos de vida dos adolescentes</i>. Disserta&ccedil;&atilde;o de doutoramento n&atilde;o publicada. Universidade de Coimbra, Coimbra. </p>      <p >Carvalho, M. (2007). <i>Perspectivas sobre a influ&ecirc;ncia parental na execu&ccedil;&atilde;o de planos de carreira no Ensino Secund&aacute;rio</i>. Disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado n&atilde;o publicada. Universidade do Minho, Braga. </p>      <p >Carvalho, M., &amp; Taveira, M. C. (2009). Concep&ccedil;&otilde;es acerca do papel dos professores na implementa&ccedil;&atilde;o de escolhas de carreira. <i>X Congresso Internacional Galego-Portugu&ecirc;s de Psicopedagogia. </i>Universidade do Minho. Braga. </p>      <p >Fernandes, E., &amp; Maia, A. (2002). Grounded theory. In E. Fernandes &amp; L. Almeida (Eds.), <i>Modelos e t&eacute;cnicas de avalia&ccedil;&atilde;o: Novos contributos para a pr&aacute;tica e investiga&ccedil;&atilde;o psicol&oacute;gicas </i>(pp. 49-75). Braga: CEEP Edi&ccedil;&otilde;es. </p>      <p >Fouad, N., &amp; Katamneni, N. (2008). Contextual factors in vocational psychology: intersections of individual, group, and societal dimensions. In S. D. Brown &amp; R. W. Lent (Eds.), <i>Handbook of counseling psychology </i>(pp. 408-425). New Jersey: Willey &amp; Sons. </p>      <p >Gon&ccedil;alves, C. M. (1997). A influ&ecirc;ncia da fam&iacute;lia no desenvolvimento vocacional de adolescentes e jovens. Disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado n&atilde;o publicada. Universidade do Porto, Porto. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p >Gon&ccedil;alves, C. M. (2006). <i>A fam&iacute;lia e a constru&ccedil;&atilde;o de projectos vocacionais de adolescentes e jovens</i>. Disserta&ccedil;&atilde;o de doutoramento n&atilde;o publicada. Universidade do Porto, Porto. </p>      <p >Guindon, M. H., &amp; Richmond, L. J. (2005). Annual review. Practice and research in career counseling and development &#8211; 2004. <i>The Career Development Quarterly, 54</i>, 90-130. </p>        <p >Harrington, T., &amp; Harrigan, T. (2006). Practice and research in career counseling and development &#8211; 2005. <i>The Career Development Quarterly, 55</i>, 98-167. </p>        <p >Jome, L., &amp; Phillips, S. (2005). Counseling for choice implementation. In S. Brown &amp; R. Lent (Eds.), <i>Career development and counseling: Putting theory and research to work </i>(pp. 466-481). London: Jonh Wiley and Sons. </p>      <p >Lent, R. W., Brown, S. D., Talleyrand, R., McPartland, E. B., Davis, T., Chopra, S., Alexander, M., Suthakaran, V., &amp; Chai, C. (2002). Career choice barriers, supports, and coping strategies: College students&#8217; experiences. <i>Journal of Vocational Behavior, 60</i>, 61-72. </p>      <p >Mortimer, J., Zimmer-Gembeck, M. J., Holmes, M., &amp; Shanahan, M. (2002). The process of occupational decision making: Patterns during the transition to adulthood. <i>Journal of Vocational Behavior, 61, </i>439-465. </p>        <p >Penick, N., &amp; Jepsen, D. (1992). Family functioning and adolescent career development. <i>The Career Development Quarterly, 40</i>, 208-222. </p>      <p >Phillips, S. (1997). Toward an expanded definition of adaptative decision-making. <i>The Career Development Quarterly, 45</i>, 275-287. </p>      <p >Phillips, S. D., Christopher-Sisk, E. K., &amp; Gravino, K. L. (2001). Making career decisions in a relational context. <i>The Counseling Psychologist, 29</i>(2), 193-213. </p>      <p >Pinto, H. R. (2000). <i>Orienta&ccedil;&atilde;o escolar e profissional no 10&ordm; ano de escolaridade. Inqu&eacute;rito preliminar </i>(vers&atilde;o para investiga&ccedil;&atilde;o). </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p >Pinto, H. R., &amp; Soares, M. C. (2001). Influ&ecirc;ncia parental na carreira: Evolu&ccedil;&atilde;o de perspectivas na teoria, na investiga&ccedil;&atilde;o e na pr&aacute;tica. <i>Psychologica, 26</i>, 135-149. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000083&pid=S0870-8231201000020000800001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p >Pinto, H. R., &amp; Soares, M. C. (2002). Influ&ecirc;ncia parental no desenvolvimento vocacional dos adolescentes. <i>Revista Portuguesa de Psicologia, 36</i>, 111-137. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000084&pid=S0870-8231201000020000800002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p >Pinto, H. R., Taveira, M. C., &amp; Fernandes, M. E. (2003). Professores e desenvolvimento vocacional dos estudantes. <i>Revista Portuguesa de Educa&ccedil;&atilde;o, 16</i>(1), 37-58. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000085&pid=S0870-8231201000020000800003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p >Pires, A. (2002). Introdu&ccedil;&atilde;o &agrave; grounded theory. In A. Pires (Ed.), <i>Crian&ccedil;as (e pais) em risco. Lisboa: ISPA. </i></p>      <p >Schulenberg, J. E., Vondracek, F. W., &amp; Crouter, A. C. (1984). The influence of the family on vocational development. <i>Journal of Marriage and the Family, 46</i>(1), 129-143. </p>      <p >Schultheiss, D. E. (2003). A relational approach to career counseling: Theoretical integration and practical application. <i>Journal of Counseling and Development, 81</i>, 301-310. </p>      <p >Schultheiss, D., &amp; Blustein, D. (1994). Contributions of family relationship factors to the identity formation process. <i>Journal of Counseling and Development, 73</i>(2), 159-166. </p>      <p >Schultheiss, D. E., Kress, H. M., Manzi, A. J., &amp; Glasscock, J. M. (2001). Relational influences in career development: A qualitative inquiry. <i>The Counseling Psychologist, 29</i>(2), 214-239. </p>      <p >Soares, M. C. (1998). <i>A influ&ecirc;ncia parental no desenvolvimento da carreira. Estudo piloto sobre necessidades de forma&ccedil;&atilde;o de pais</i>. Disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado n&atilde;o publicada. Universidade de Lisboa, Lisboa. </p>      <p >Sprinthall, N. A., &amp; Collins, W. A. (1994). <i>Psicologia do adolescente. Uma abordagem desenvolvimentista</i>. Lisboa: Funda&ccedil;&atilde;o Calouste Gulbenkian. </p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p >Strauss, A. &amp; Corbin, J. (1994). Grounded theory methodology: An overview. In N. K. Denzin &amp; Y. S. Lincoln (Eds.), <i>Handbook of qualitative research </i>(pp. 273-285). London: Sage Publications. </p>        <p >Strauss, A., &amp; Corbin, J. (1998). <i>Basics of qualitative research. Techniques and procedures for developing grounded theory</i>. London: Sage Publications. </p>      <p >Super, D. (1990). A life-span, life-space approach to career development. In D. Brown &amp; L. Brooks (Eds.), <i>Career choice and development</i>. Oxford: Jossey-Boss Publishers. </p>      <p >Taveira, M. C. (2000). <i>Explora&ccedil;&atilde;o e desenvolvimento vocacional de jovens: Estudo sobre as rela&ccedil;&otilde;es entre a explora&ccedil;&atilde;o, a identidade e a indecis&atilde;o vocacional. </i>Disserta&ccedil;&atilde;o de doutoramento publicada. Universidade do Minho, Braga. </p>      <p >Taveira, M. C. (2005). Comportamento e desenvolvimento vocacional na adolesc&ecirc;ncia. (pp. 143-176). In M. C. Taveira (Coord.), <i>Psicologia escolar. Uma proposta cient&iacute;fico-pedag&oacute;gica. </i>Coimbra: Quarteto. </p>      <p >Vondracek, F. W., Lerner, R. M., &amp; Schulenberg, J. E. (1986). <i>Career development: A life-span developmental approac</i>h. Hillsdale, <st1:State w:st="on">N.J.: Lawrence Erlbaum Associates. </p>      <p >Whiston, S. C., &amp; Keller, B. K. (2004). The influences of the family of origin on career development: A review and analysis. <i>The Counseling Psychologist, 32</i>(4), 493-568. </p>      <p >Young, R. A. (1994). Helping adolescents with career development: The active role of parents. <i>The Career Development Quarterly, 42</i>(3), 195-203. </p>      <p >Young, R. A., Friesen, J. D., &amp; Pearson, H. M. (1988). Activities and interpersonal relations as dimensions of parental behavior in the career development of adolescents. <i>Youth and Society, 20</i>(1), 29-45. </p>      <p >Young, R. A., Valach, L., &amp; Collin, A. (2002). A contextualist explanation of career. In D. Brown &amp; Associates (Eds.), <i>Career choice and development </i>(4th ed., pp. 206-254). San Francisco: Jossey-Bass. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Young, R. A., Marshall, S., Domene, J. F., Arato-Bolivar, J., Hayoun, R., Marshall, E., Zaidman-Zait, A., &amp; Valach, L. (2005). Relationships, communication, and career in the parent-adolescent projects of families with and without challenges. <i>Journal of Vocational Behaviour, 68</i>, 1-23. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>NOTAS</p>      <p ><sup><a name="1"></a>(<a href="#top1">*</a>)</sup>&nbsp; Doutoranda em Psicologia    Vocacional, Escola de Psicologia, Universidade do Minho, Campus de Gualtar,    4700 Braga, Portugal; Psic&oacute;loga escolar, Agrupamento de Escolas de Toutosa;    E-mail: <a href="mailto:marisacarvalho@sapo.pt">marisacarvalho@sapo.pt</a>.  </p>      <p ><sup><a name="2"></a>(<a href="#top2">**</a>)</sup> Professora Auxiliar, Escola    de Psicologia, Universidade do Minho, Campus de Gualtar, 4700 Braga, Portugal;    E-mail: <a href="mailto:ceuta@iep.uminho.pt">ceuta@iep.uminho.pt</a>. </p>      <p>&nbsp;</p>           ]]></body><back>
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