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<journal-title><![CDATA[Análise Psicológica]]></journal-title>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A importância do livro Psicologia Pedagógica para a teoria histórico-cultural de Vigotski]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This work aims to present an analysis on book&#8217;s Lev S. Vigotski entitled Educational Psychology published in 1926, with the objective of identifying some elements that it allows us to characterize your scientific project for the psychology. Like this, along the analysis, we established an approach of Vigotski with the Marxism and with the dialetic, indicating the intention of Vigotski in building a psychology taken root in the historical materialism and dialetic and that such proposition was already idealized in the beginning of your career, among 1917-1923. We located the book Educational Psychology while a paradoxical work because to the same in time that throws the bases for a new psychology, it doesn&#8217;t stop pointing your transitory character.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>A import&acirc;ncia do livro <i>Psicologia Pedag&oacute;gica</i> para a    teoria hist&oacute;rico-cultural de Vigotski <a name="topc1" id="topc1"></a>(<a href="#c1">*</a>)    </b></p>      <p >&nbsp;</p>      <p >Jo&atilde;o Batista Martins <sup><a name="topc2" id="topc2"></a>(<a href="#c2">**</a>)</sup></p>      <p >&nbsp;</p>      <p >RESUMO </p>      <p >Este trabalho objetiva apresentar uma an&aacute;lise sobre o livro de Lev S. Vigotski intitulado <i>Psicologia Pedag&oacute;gica </i>publicado em 1926, com o objetivo de identificar alguns elementos que nos permita caracterizar o seu projeto cient&iacute;fico para a psicologia. Assim, ao longo da an&aacute;lise, estabelecemos uma aproxima&ccedil;&atilde;o de Vigotski com o marxismo e com a dial&eacute;tica, indicando a inten&ccedil;&atilde;o de Vigotski em construir uma psicologia enraizada no materialismo hist&oacute;rico e dial&eacute;tico e que tal proposi&ccedil;&atilde;o j&aacute; estava idealizada no in&iacute;cio de sua carreira, entre 1917-1923. Localizamos o livro <i>Psicologia Pedag&oacute;gica </i>enquanto uma obra paradoxal pois ao mesmo em tempo que lan&ccedil;a as bases para uma nova psicologia, n&atilde;o deixa de apontar o seu car&aacute;ter transit&oacute;rio. </p>      <p ><i>Palavras-chave: </i>Psicologia e dial&eacute;tica, Psicologia e marxismo, Psicologia Pedag&oacute;gica, Teoria hist&oacute;rico-cultural, Vigotski. </p>      <p >&nbsp;</p>      <p >ABSTRACT </p>      <p >This work aims to present an analysis on book&#8217;s Lev S. Vigotski entitled <i>Educational Psychology </i>published in 1926, with the objective of identifying some elements that it allows us to characterize your scientific project for the psychology. Like this, along the analysis, we established an approach of Vigotski with the Marxism and with the dialetic, indicating the intention of Vigotski in building a psychology taken root in the historical materialism and dialetic and that such proposition was already idealized in the beginning of your career, among 1917-1923. We located the book <i>Educational Psychology </i>while a paradoxical work because to the same in time that throws the bases for a new psychology, it doesn&#8217;t stop pointing your transitory character. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p ><i>Key-words: </i>Educational Psychology, Historical-cultural theory, Psychology and dialetic, Psychology and marxism, Vigotski. </p>      <p >&nbsp;</p>      <p >INTRODU&Ccedil;&Atilde;O </p>        <p >Este texto se inscreve num projeto mais amplo que tem como perspectiva identificar    as unidades de an&aacute;lise que Vigotski<a name="top1"></a><sup><a href="#1">1</a></sup></a> </sup>    estabeleceu para estudar o comportamento humano. Como ponto de partida deste    projeto, e inscrevendo nosso olhar sobre a obra de Vigotski numa perspectiva    hist&oacute;rica, tomamos a obra <i>Psicologia Pedag&oacute;gica</i><sup><a name="top2"></a><a href="#2">2</a></sup>    para an&aacute;lise, tendo como perspectiva identificar pistas, indica&ccedil;&otilde;es    do projeto que o autor estabeleceu para a Psicologia. </p>      <p >De um modo geral, e em fun&ccedil;&atilde;o de sua morte prematura, a obra desse psic&oacute;logo russo foi considerada uma obra aberta, uma obra inacabada, pois ele n&atilde;o teve tempo de termin&aacute;-la. Sob essa perspectiva concordamos com a avalia&ccedil;&atilde;o de Oliveira (1993), que caracteriza a obra Vigotski como &#8220;textos &#8216;jovens&#8217;, escritos com entusiasmo e pressa, repletos de ideias fecundas que precisariam ser canalizadas num programa de trabalho a longo prazo para que pudessem ser explorados em toda a sua riqueza&#8221; (Oliveira, 1993: 21). Nessa condi&ccedil;&atilde;o, a de &#8220;textos jovens&#8221;, a obra de Vigotski se inscreve na ordem da inacabamento, &#8220;algo&#8221; a ser &#8220;preenchido, pois incompleto&#8221;. Devido a essa caracteriza&ccedil;&atilde;o, o sistema de ideias esbo&ccedil;ado por ele no in&iacute;cio do S&eacute;culo XX continua sendo f&eacute;rtil, pois em devir, pois dial&eacute;tico. </p>      <p >Entretanto, n&atilde;o podemos perder de vista que, apesar da obra de Vigotski    se inscrever na ordem do inacabamento, ele teve uma inten&ccedil;&atilde;o bastante    clara, qual seja, a de construir uma psicologia enraizada no materialismo dial&eacute;tico    e no materialismo hist&oacute;rico<sup><a name="top3"></a><a href="#3">3</a></sup>.    Assim, a ideia principal deste texto &#8211; que tem como mote a an&aacute;lise    do livro <i>Psicologia Pedag&oacute;gica &#8211; </i>&eacute; a de elencar elementos    a partir dos quais podemos caracterizar o seu projeto cient&iacute;fico, o projeto    que ele esbo&ccedil;ou para a psicologia. Nossa hip&oacute;tese &eacute; a de    que podemos encontrar em textos anteriores ao manuscrito <i>O significado hist&oacute;rico    da crise da psicologia &#8211; uma investiga&ccedil;&atilde;o metodol&oacute;gica</i>,    de 1927, os fundamentos do projeto que Vigotski vislumbrou para a psicologia.    Sob tal perspectiva o livro <i>Psicologia Pedag&oacute;gica </i>&eacute; extremamente    importante pois ele recolhe as confer&ecirc;ncias proferidas por Vigotski no    per&iacute;odo em que trabalhou em Gomel &#8211; <st1:metricconverter ProductID="1917 a" w:st="on">1917    a 1923 &#8211; como professor, numa escola de forma&ccedil;&atilde;o de professores.  </p>        <p >Na an&aacute;lise iremos considerar tamb&eacute;m as contribui&ccedil;&otilde;es    do autor publicadas no per&iacute;odo de 1924 e 1926 &#8211; uma s&eacute;rie    de artigos que aborda v&aacute;rios temas relativos &agrave; psicologia<sup><a name="top4"></a><a href="#4">4</a></sup>.    Textos decorrentes de suas atividades de pesquisa junto ao Instituto de Psicologia    de Moscou, ent&atilde;o dirigido por Kornilov, e que tinha como membros de seu    quadro de profissionais Luria e Leontiev &#8211; com os quais Vigotski implementou    os princ&iacute;pios b&aacute;sicos da escola hist&oacute;rico-cultural. </p>      <p >Para o encaminhamento de nossa an&aacute;lise, seguiremos uma recomenda&ccedil;&atilde;o do pr&oacute;prio Vigotski. Segundo ele, ao buscarmos as explica&ccedil;&otilde;es sobre as mudan&ccedil;as e o desenvolvimento de novas ideias num determinado campo cient&iacute;fico, devemos recorrer ao &#8220;(1) ... substrato s&oacute;cio-cultural da &eacute;poca, (2) com as leis e condi&ccedil;&otilde;es gerais do conhecimento cient&iacute;fico, (3) com as exig&ecirc;ncias objetivas que a natureza dos fen&ocirc;menos objetos de estudo coloca para o conhecimento cient&iacute;fico no est&aacute;gio atual da investiga&ccedil;&atilde;o. Ou seja, em &uacute;ltima inst&acirc;ncia, com as exig&ecirc;ncias da realidade objetiva que a ci&ecirc;ncia em quest&atilde;o estuda&#8221; (Vigotski, 2004b: 219). Entendemos que tal encaminhamento nos permitir&aacute; vislumbrar a emerg&ecirc;ncia da nova psicologia que ele e seu grupo se propuseram construir. </p>      <p >&nbsp;</p>      <p >DA <i>PSICOLOGIA PEDAG&Oacute;GICA </i></p>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p >Segundo van der Veer (2007), as mudan&ccedil;as ocorridas na R&uacute;ssia, em fun&ccedil;&atilde;o dos desdobramentos da Revolu&ccedil;&atilde;o de Outubro 1917, impuseram novas perspectivas educacionais para a sociedade que se pretendia construir. Nesse sentido, as escolas czaristas foram vistas como prejudiciais e obsoletas, uma vez que difundiam valores burgueses e ideias religiosas. Assim, os professores destes estabelecimentos (em todos os n&iacute;veis do sistema educacional) foram despedidos e curr&iacute;culos novos foram desenvolvidos. </p>      <p >Naturalmente, um papel fundamental na transi&ccedil;&atilde;o para um sistema novo de educa&ccedil;&atilde;o foi feito pelas escolas normais ou pelas faculdades que treinam professores. Afinal de contas, era l&aacute; que os professores novos estavam sendo treinados. Uma destas faculdades estava situada em Gomel e um dos professores que trabalhavam no Gomel Teacher Training College era Lev Vygotsky (van der Veer, 2007: 42). </p>      <p >Ainda segundo esse autor<sup><a name="top5"></a><a href="#5">5</a></sup>,    foi nesta institui&ccedil;&atilde;o que Vigotski fez suas primeiras investiga&ccedil;&otilde;es    psicol&oacute;gicas, em um laborat&oacute;rio que ele ali tinha instalado. E    foi ali que ele escreveu um livro texto sobre psicologia para seus estudantes.    Este livro, <i>Psicologia Pedag&oacute;gica</i>, foi publicado em 1926, depois    de alguns anos que ele se mudou para Moscou. </p>      <p >De certa forma, <i>Psicologia Pedag&oacute;gica </i>testemunha as enormes mudan&ccedil;as que a psicologia russa sofreu depois da Revolu&ccedil;&atilde;o de Outubro. Do ponto de vista formal, o autor seguiu um formato comum entre os livros textos introdut&oacute;rios de psicologia tratando de t&oacute;picos habituais como mem&oacute;ria, percep&ccedil;&atilde;o, pensamento, emo&ccedil;&atilde;o, e assim por diante. A novidade foi a introdu&ccedil;&atilde;o de uma nova perspectiva anal&iacute;tica para o comportamento humano, que se subsidiava tanto nos estudos que asseguravam a base material de todo o comportamento humano como nas ideias progressistas presentes numa prosa militante (van der Veer, 2007). </p>      <p >Como assinalamos anteriormente, o livro <i>Psicologia Pedag&oacute;gica </i>re&uacute;ne a s&eacute;rie de confer&ecirc;ncias que Vigotski pronunciou para professores quando trabalhou em Gomel &#8211; per&iacute;odo de <st1:metricconverter ProductID="1917 a" w:st="on">1917 a 1923. No pref&aacute;cio do livro Vigotski deixa claro suas inten&ccedil;&otilde;es com esta obra, quais sejam: </p>      <p >Este livro se prop&otilde;e uma quest&atilde;o de natureza principalmente pr&aacute;tica. Ele gostaria de ajudar a nossa escola e o mestre e contribuir para uma elabora&ccedil;&atilde;o de uma concep&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica do processo pedag&oacute;gico em face dos nossos dados da ci&ecirc;ncia psicol&oacute;gica (Vigotski, 2004a: XI). </p>      <p >Cabe lembrar que no per&iacute;odo em que ele publicou este livro, quando estava j&aacute; trabalhando no Instituto de Psicologia de Moscou, ele e seu grupo j&aacute; estavam elaborando novas perspectivas para a psicologia. Neste volume, como em outros trabalhos que publicou nessa mesma &eacute;poca (ver Vygotski, 1990b,d), ele anuncia a crise na psicologia, uma vez que com novas perspectivas te&oacute;ricas que se subsidiavam no materialismo hist&oacute;rico e no materialismo dial&eacute;tico &#8220;[s]olapou-se a confian&ccedil;a nos sistemas anteriores e os novos ainda n&atilde;o se constitu&iacute;ram a ponto de ousarem destacar de si mesmo uma ci&ecirc;ncia aplicada&#8221; (Vigotski, 2004a: XI). Esta crise por sua vez, tamb&eacute;m afeta o sistema de psicologia pedag&oacute;gica pois, em fun&ccedil;&atilde;o do movimento revolucion&aacute;rio, estava se organizando uma revis&atilde;o dos principais fundamentos da psicologia, &#8220;raz&atilde;o por que na ci&ecirc;ncia e na escola reina a mais completa confus&atilde;o de ideias&#8221; (Vigotski, 2004a: XI). </p>      <p >Quando Vigotski escreveu esta obra, o sistema psicol&oacute;gico predominante    (talvez hegem&ocirc;nico?) era o da reflexologia<a name="top6"></a><sup><a href="#6">6</a></sup>.    Para ele a teoria dos reflexos condicionados apresentava um conjunto de conceitos    que serviriam de ponto de partida para a reconstru&ccedil;&atilde;o da psicologia:    o &#8220;reflexo condicionado &eacute; o nome daquele mecanismo que nos <i>transfere    da biologia para a sociologia </i>e permite elucidar a ess&ecirc;ncia mesma    e a natureza do processo educacional&#8221; (Vigotski, 2004a: XI &#8211; assinalamentos    nossos). </p>      <p >Na primeira metade do s&eacute;culo passado a teoria dos reflexos condicionados e incondicionados &#8211; cujos proponentes foram Wladimir Bechterev e Ivan Pavlov &#8211; predominava como recurso explicativo do comportamento humano tanto no campo da biologia como no da psicologia. </p>        <p >O conceito de &#8220;reflexo&#8221; (e os conceitos an&aacute;logos de &#8220;rea&ccedil;&atilde;o&#8221; ou &#8220;resposta&#8221;) foi pensado pela maioria dos psic&oacute;logos mais materialistas como a pedra de funda&ccedil;&atilde;o da psicologia objetiva e cient&iacute;fica, e n&atilde;o havia nenhuma maneira de o jovem Vygotsky poder evitar esta tend&ecirc;ncia poderosa na ci&ecirc;ncia (Davidov, 1997: XXX). </p>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p >Sob tal predom&iacute;nio a psicologia pedag&oacute;gica para Vigotski s&oacute; se torna poss&iacute;vel &#8211; enquanto um campo cient&iacute;fico &#8211; ap&oacute;s o aparecimento desta concep&ccedil;&atilde;o. Entretanto, ele estava bastante consciente de que o conceito de reflexo referia-se a alguma coisa de natureza biol&oacute;gica ou fisiol&oacute;gica. Mas, desde seu ponto de vista, os reflexos condicionados no homem podem ser educados atrav&eacute;s do meio social. Nesse sentido ele adverte: </p>        <p >Entretanto seria incorreto ver nesse princ&iacute;pio um meio que tudo abrangesse e tudo salvasse (...). Ocorre que a psicologia pedag&oacute;gica, pela ess&ecirc;ncia mesma da sua tarefa, opera com fatos e categorias psicol&oacute;gicas de natureza e ordem mais complexas do que algumas respostas isoladas ou reflexo e, em linhas gerais, do que aqueles a cujo estudo chegou a atual ci&ecirc;ncia da atividade nervosa superior do homem (Vigotski, 2004a: XII). </p>        <p >Considerando a complexidade do comportamento humano e os limites da reflexologia,    Vigotski pretende com o livro <i>Psicologia Pedag&oacute;gica </i>criar um curso<a name="top7"></a><sup><a href="#7">7</a></sup>    com &#8220;[...] o objetivo de p&ocirc;r em pr&aacute;tica, de modo rigoroso    e coerente, o ponto de vista central do processo educacional como processo de    reconstru&ccedil;&atilde;o social das formas biol&oacute;gicas do comportamento.    Por isso sua inten&ccedil;&atilde;o principal [do autor do livro] era criar    este curso de psicologia pedag&oacute;gica em base biossocial&#8221; (Vigotski,    2004a: XIV). </p>        <p >Esta passagem nos mostra a dimens&atilde;o do problema que Vigotski procura superar e que ele enfrentar&aacute; ao longo de sua obra. Por um lado, reconhece a import&acirc;ncia da reflexologia, entendendo o reflexo como a base a partir da qual a nova psicologia se estruturar&aacute;; e por outro sabe que tal perspectiva te&oacute;rica &eacute; limitada, uma vez que n&atilde;o disp&otilde;e de um conjunto de premissas que explicite as formas de comportamento mais complexas. Nesse sentido ele afirma: &#8220;Por isso a teoria dos reflexos condicionados <i>pode, naturalmente, constituir apenas o fundamento para o presente curso</i>. Na descri&ccedil;&atilde;o e an&aacute;lise de formas de comportamento mais complexas tem-se de empregar plenamente todo o material cientificamente fidedigno da velha psicologia, traduzindo conceitos velhos para uma linguagem nova&#8221; (Vigotski, 2004a: XI &#8211; assinalamentos nossos). </p>      <p ><i>&nbsp;</i></p>      <p ><i>Os reflexos condicionados; a consci&ecirc;ncia e a quest&atilde;o da subjetividade </i></p>      <p >Nos cap&iacute;tulos iniciais do livro <i>Psicologia Pedag&oacute;gica </i>Vigotski busca subs&iacute;dios para a constru&ccedil;&atilde;o de uma nova psicologia apresentando sua compreens&atilde;o te&oacute;rica das formas biol&oacute;gica e fisiol&oacute;gica do comportamento nos homens e nos animais, bem como os fundamentos s&oacute;cio-biol&oacute;gicos da educa&ccedil;&atilde;o do homem. </p>      <p >[...] em muitos outros cap&iacute;tulos, recorre rotineiramente a termos como &#8220;reflexo incondicionado&#8221;, &#8220;reflexo condicionado&#8221;, &#8220;rea&ccedil;&atilde;o&#8221;, &#8220;instinto&#8221;, e, naturalmente, a descri&ccedil;&atilde;o do processo de educa&ccedil;&atilde;o na crian&ccedil;a e das novas formas do comportamento que &eacute; conduzida em conformidade com o que sup&otilde;e ser a estrutura do mecanismo do comportamento humano, que &eacute; as rea&ccedil;&otilde;es e os reflexos humanos (Davidov, 1997: XXXI). </p>      <p >Seguindo essa dire&ccedil;&atilde;o, Vigotski faz um grande esfor&ccedil;o para identificar e descrever as caracter&iacute;sticas distintivas peculiares ao comportamento humano, diferenciando-as do comportamento animal. Paulatinamente, ele vai estabelecendo tais diferen&ccedil;as &#8211; tendo como ponto de partida a teoria dos reflexos condicionados &#8211; culminando com a interpreta&ccedil;&atilde;o do comportamento humano enquanto consci&ecirc;ncia. Para ele, &#8220;devemos interpretar a consci&ecirc;ncia como as formas mais complexas de organiza&ccedil;&atilde;o do nosso comportamento, particularmente como certo desdobramento da experi&ecirc;ncia que permite prever por antecipa&ccedil;&atilde;o os resultados do trabalho e encaminhar as nossas pr&oacute;prias respostas no sentido desse resultado. &Eacute; essa experi&ecirc;ncia desdobrada que constitui o terceiro e &uacute;ltimo tra&ccedil;o distintivo do comportamento humano&#8221; (Vigotski, 2004a: 44). </p>        <p >A partir de tal considera&ccedil;&atilde;o, ele estabelece que: </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p >[...] toda f&oacute;rmula do comportamento do homem, em cuja base estar&aacute; a f&oacute;rmula do comportamento do animal completada por novos membros, ter&aacute; o seguinte aspecto: (1) rea&ccedil;&otilde;es heredit&aacute;rias + (2) rea&ccedil;&otilde;es heredit&aacute;rias x experi&ecirc;ncia individual (reflexos condicionados) + (3) experi&ecirc;ncia hist&oacute;rica + (4) experi&ecirc;ncia social + (5) experi&ecirc;ncia desdobrada (consci&ecirc;ncia) (Vigotski, 2004a: 44). </p>      <p >van der Veer (2007: 44), levando em considera&ccedil;&atilde;o a afirma&ccedil;&atilde;o acima, afirma que para Vigotski o ser humano n&atilde;o &eacute; dependente exclusivamente de seu pr&oacute;prio equipamento inato, biol&oacute;gico ou de sua experi&ecirc;ncia individual circunscrita pela rela&ccedil;&atilde;o que estabelece com o meio ambiente. Com o termo &#8220;experi&ecirc;ncia hist&oacute;rica&#8221; Vigotski se refere ao fato de que os seres humanos se apropriam das experi&ecirc;ncias acumuladas em seu passado coletivo &#8211; a cultura, e com elas podem aprender. N&oacute;s aprendemos com a hist&oacute;ria. Com o termo &#8220;experi&ecirc;ncia social&#8221; Vigotski se refere ao fato de que n&oacute;s sabemos muitas coisas, muito fatos, n&atilde;o a partir de nossa experi&ecirc;ncia, mas atrav&eacute;s da experi&ecirc;ncia dos outros. Assim, os termos experi&ecirc;ncia hist&oacute;rica e experi&ecirc;ncia social nos levam a perceber a experi&ecirc;ncia humana a partir de duas dimens&otilde;es: a do tempo e a do espa&ccedil;o &#8211; pela experi&ecirc;ncia hist&oacute;rica podemos superar o tempo e aprender com o passado; pela experi&ecirc;ncia social podemos superar a dist&acirc;ncia e aprender com as experi&ecirc;ncias acumuladas em outro lugar. A partir do termo &#8220;experi&ecirc;ncia duplicada&#8221; ou consci&ecirc;ncia Vigotski estabelece a diferen&ccedil;a entre os animais e seres humanos. </p>      <p >Esta formula&ccedil;&atilde;o vigotskiana, apresentada <st1:PersonName ProductID="em Psicologia Pedag&#243;gica" w:st="on">em <i>Psicologia  Pedag&oacute;gica</i><i>, </i>resgata algumas ideias j&aacute; apresentadas no texto <i>&#8220;A consci&ecirc;ncia como problema da psicologia do comportamento&#8221;</i>, onde o autor situa a consci&ecirc;ncia como o principal objeto de estudo da psicologia. </p>      <p >Nesse artigo ele estabelece os limites do conceito de reflexo. Para ele, apesar do reflexo ser um conceito abstrato, ele tem um grande valor metodol&oacute;gico, mas n&atilde;o pode se converter no conceito principal da psicologia como ci&ecirc;ncia do comportamento do homem, &#8220;porque esse comportamento n&atilde;o constitui de forma alguma um saco de couro cheio de reflexos, nem seu c&eacute;rebro &eacute; um hotel para os reflexos condicionados que casualmente se alojam nele&#8221; (Vygotski, 1990c: 42-43). </p>      <p >Para o autor, o avan&ccedil;o da psicologia est&aacute; vinculado &agrave; supera&ccedil;&atilde;o das teorias que abordavam o comportamento humano sob o prisma do reflexo condicionado. Assim ele explicita: </p>      <p >[...] temos que deixar de considerar o comportamento humano como um mecanismo que conseguimos desvendar totalmente gra&ccedil;as a chave do reflexo condicionado. Sem uma hip&oacute;tese de trabalho pr&eacute;via sobre a natureza psicol&oacute;gica da consci&ecirc;ncia &eacute; imposs&iacute;vel revisar criticamente todo o capital cient&iacute;fico nesse campo, selecion&aacute;-lo e peneir&aacute;-lo, transcrev&ecirc;-lo para um <i>novo idioma, elaborar novos conceitos e criar uma nova &aacute;rea de problemas </i>(Vygotski, 1990c: 44 &#8211; assinalamentos nossos). </p>      <p >O comportamento humano compreendido como express&atilde;o experi&ecirc;ncia hist&oacute;rica + experi&ecirc;ncia social + experi&ecirc;ncia desdobrada (consci&ecirc;ncia) leva Vigotski a enfatizar a import&acirc;ncia da experi&ecirc;ncia social para a compreens&atilde;o da constru&ccedil;&atilde;o e desenvolvimento da consci&ecirc;ncia. Segundo ele, atrav&eacute;s desta no&ccedil;&atilde;o, podemos explicar o desenvolvimento da consci&ecirc;ncia &#8220;[...] desde o momento em que se nasce, sua proced&ecirc;ncia da experi&ecirc;ncia, seu car&aacute;ter secund&aacute;rio e, por conseguinte, sua depend&ecirc;ncia psicol&oacute;gica em rela&ccedil;&atilde;o ao meio. A experi&ecirc;ncia determina a consci&ecirc;ncia: esta lei pode obter pela primeira vez [...] um significado psicol&oacute;gico exato e descobrir o pr&oacute;prio mecanismo de tal determinabilidade&#8221; (Vygotski, 1990c: 56). </p>      <p >Apesar da cr&iacute;tica, ser&aacute; no &acirc;mbito da teoria dos reflexos que Vigotski consolidar&aacute; suas ideias sobre a import&acirc;ncia do meio social para o desenvolvimento da consci&ecirc;ncia. Para tanto, em 1924, ao discutir a import&acirc;ncia do interrogat&oacute;rio no experimento psicol&oacute;gico, onde a palavra e a fala eram vistas como reflexos revers&iacute;veis, ele afirma: </p>      <p >A palavra escutada &eacute; um excitante, a pronunciada, um reflexo que cria    esse mesmo excitante. Esses reflexos revers&iacute;veis, que originam uma base    para a consci&ecirc;ncia (entrela&ccedil;amento de reflexos), servem de fundamento    &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o social e &agrave; coordena&ccedil;&atilde;o    coletiva do comportamento, o que &iacute;ndica, entre outras coisas, a origem    social da consci&ecirc;ncia (Vygotski, 1990a: 12)<sup><a name="top8"></a><a href="#8">8</a></sup>.  </p>      <p >Entre os est&iacute;mulos excitantes, Vigotski destaca aqueles que prov&ecirc;em das pessoas, os excitantes sociais: </p>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p >[...] que procedem das pessoas; eles se destacam porque eu mesmo posso reproduzir esses excitantes, porque para mim se convertem prontamente em revers&iacute;veis e, por conseguinte, em compara&ccedil;&atilde;o com os restantes, determinam meu comportamento de forma distinta. Eles fazem com que eu me pare&ccedil;a comigo mesmo, me identificam a mim mesmo. No sentido amplo da palavra, &eacute; na fala que reside a fonte do comportamento e da palavra (Vygotski, 1990a: 12). </p>        <p >Tal considera&ccedil;&atilde;o al&eacute;m de nos indicar o car&aacute;ter    social do desenvolvimento da consci&ecirc;ncia, localizando a linguagem como    um elemento extremamente importante para a consolida&ccedil;&atilde;o do comportamento    social e da consci&ecirc;ncia<sup><a name="top9"></a><a href="#9">9</a></sup>,    tamb&eacute;m nos possibilita fazer uma aproxima&ccedil;&atilde;o com quest&otilde;es    relativas &agrave; subjetividade humana, uma vez que Vigotski considera que    comportamento social e a consci&ecirc;ncia s&atilde;o desdobramentos que se    efetivam a partir de uma rela&ccedil;&atilde;o intersubjetiva, uma rela&ccedil;&atilde;o    onde podemos identificar uma m&uacute;tua altera&ccedil;&atilde;o<a name="top10"></a><sup><a href="#10">10</a></sup>.  </p>      <p >Tal aproxima&ccedil;&atilde;o pode ser realizada a partir da afirma&ccedil;&atilde;o do car&aacute;ter dial&eacute;tico da forma&ccedil;&atilde;o da consci&ecirc;ncia: </p>        <p >Temos consci&ecirc;ncia de n&oacute;s mesmos porque a temos dos demais e pelo mesmo procedimento atrav&eacute;s do qual conhecemos os demais, porque n&oacute;s mesmos em rela&ccedil;&atilde;o a n&oacute;s mesmos somos o mesmo que os demais em rela&ccedil;&atilde;o a n&oacute;s. Tenho consci&ecirc;ncia de mim mesmo somente na medida em que para mim sou outro, ou seja, porque posso perceber outra vez os reflexos pr&oacute;prios como novos excitantes (Vygotski, 1990c: 57). </p>      <p >Em seguida ele apresenta as consequ&ecirc;ncias de sua hip&oacute;tese: </p>      <p >Por isso, como consequ&ecirc;ncia da ado&ccedil;&atilde;o da hip&oacute;tese proposta, decorre diretamente a socializa&ccedil;&atilde;o de toda a consci&ecirc;ncia. Disso se conclui que o reconhecimento, a prioridade temporal e efetiva pertencem &agrave; vertente social e &agrave; consci&ecirc;ncia. A vertente individual se constr&oacute;i como derivada e secund&aacute;ria sobre a base do social e segundo seu exato modelo. Da&iacute; a dualidade da consci&ecirc;ncia: a ideia do duplo &eacute; a mais pr&oacute;xima da ideia real da consci&ecirc;ncia (Vygotski, 1990c: 57). </p>      <p >Apesar de Vigotski aqui estar compreendendo o comportamento social e a consci&ecirc;ncia como reflexos revers&iacute;veis, sua hip&oacute;tese de trabalho &eacute; bastante prof&iacute;cua pois o desenvolvimento da consci&ecirc;ncia implica necessariamente a inser&ccedil;&atilde;o dos sujeitos em rela&ccedil;&otilde;es sociais. O sujeito se torna consciente na medida em que estabelece rela&ccedil;&otilde;es com a experi&ecirc;ncia de outras pessoas (inscrevendo-se assim em uma dimens&atilde;o temporal e em uma dimens&atilde;o espacial) e pelo fato de participar, tamb&eacute;m, da experi&ecirc;ncia com outros sujeitos, via intersubjetividade. </p>      <p >Queremos dizer com isso que a subjetividade pode ser constru&iacute;da uma    vez que os sujeitos se apropriam da experi&ecirc;ncia dos outros, alterando-se    e, consequentemente, alterando tamb&eacute;m este outro, ou seja, as pessoas    quando em rela&ccedil;&atilde;o (com um outro ou consigo mesmas) se alteram,    elas se modificam, mudan&ccedil;as estas circunscritas pela complexidade do    mundo social (tanto em seus aspectos socioecon&ocirc;micos como culturais),    pela historicidade das rela&ccedil;&otilde;es, pela experi&ecirc;ncia social    de cada um. S&atilde;o as rela&ccedil;&otilde;es (com um outro ou com n&oacute;s    mesmos) que nos permitem construirmos e modificarmos nossa consci&ecirc;ncia    (acerca de n&oacute;s mesmos e do mundo) pois elas colocam em movimento uma    s&eacute;rie de sentidos e significados que medeiam o nosso estar no mundo (nossas    interpreta&ccedil;&otilde;es da realidade), e maneiras para nele nos objetivarmos<a name="top11"></a><sup><a href="#11">11</a></sup>.  </p>        <p ><i>&nbsp;</i></p>      <p ><i>As determina&ccedil;&otilde;es do comportamento humano: Um marco marxista </i></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p >Apoiando-se na teoria dos reflexos condicionados, Vigotski vai se aproximar das ideias marxistas que s&atilde;o amplamente divulgadas no per&iacute;odo em que escreveu <i>Psicologia Pedag&oacute;gica </i>(entre 1917-1926, per&iacute;odo em que esteve em Gomel at&eacute; o momento em que o livro foi publicado). </p>      <p >&Eacute; neste contexto que ele incorpora em seu livro as ideias desenvolvidas por Marx e Engels, de modo a justificar a determina&ccedil;&atilde;o do meio social sobre o processo de desenvolvimento humano. Para tanto ele destaca o conceito modo de produ&ccedil;&atilde;o para explicitar os fundamentos da sua teoria. Ele, citando Engels e Marx, afirma que, do ponto de vista do materialismo hist&oacute;rico </p>      <p >[...] as causas finais de todas as mudan&ccedil;as sociais, e transforma&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas n&atilde;o devem ser procuradas nas cabe&ccedil;as das pessoas [...] nem na crescente compreens&atilde;o que elas t&ecirc;m da verdade eterna e da justi&ccedil;a, mas nas mudan&ccedil;as no modo de produ&ccedil;&atilde;o e de troca (...) </p>      <p >O processo de produ&ccedil;&atilde;o assume na sociedade humana um car&aacute;ter social extremamente amplo, que atualmente abrange o mundo inteiro. Em fun&ccedil;&atilde;o disso surgem formas sumamente complexas de organiza&ccedil;&atilde;o do comportamento social das pessoas (Vigotski, 2004a: 285). </p>      <p >Ainda sob esta perspectiva, Vigotski reconhece a determina&ccedil;&atilde;o do meio social sobre o car&aacute;ter da educa&ccedil;&atilde;o do homem, ou seja, este &eacute; totalmente determinado pelo meio social em que cresce e se desenvolve. Cabe ressaltar no entanto que para ele o meio nem sempre influencia o homem de uma maneira direta e imediatamente, mas de forma indireta, atrav&eacute;s da sua ideologia. </p>      <p >Chamamos de ideologia todos os <i>est&iacute;mulos </i>sociais que se estabeleceram    no processo de desenvolvimento hist&oacute;rico e se consolidaram na forma de    normas jur&iacute;dicas, regras morais, gostos est&eacute;ticos, etc. As normas    s&atilde;o perpassadas inteiramente pela estrutura de classe da sociedade que    as gerou e servem &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o de classe da produ&ccedil;&atilde;o<sup><a name="top12"></a><a href="#12">12</a></sup>.    Elas <i>condicionam </i>todo comportamento do homem e, neste sentido, &eacute;    leg&iacute;timo falar do comportamento de classe do homem (Vigotski, 2004a:    286 &#8211; assinalamentos nossos). </p>      <p >Podemos dizer, a partir destas coloca&ccedil;&otilde;es, que a teoria marxista da organiza&ccedil;&atilde;o social do trabalho e suas concep&ccedil;&otilde;es acerca da constitui&ccedil;&atilde;o do sujeito ecoa na publica&ccedil;&atilde;o vigotskiana, encontrando nela sua fundamenta&ccedil;&atilde;o psicol&oacute;gica. Tal perspectiva fica explicita uma vez que Vigotski afirma que todos os reflexos condicionados do homem s&atilde;o determinados por aquelas interfer&ecirc;ncias do meio que a ele s&atilde;o enviadas de fora. Uma vez que o meio social &eacute; marcado por uma estrutura de classe, naturalmente, todos os nossos v&iacute;nculos sociais trazem a marca desse colorido de classe, ou seja, na medida em que se considera que a experi&ecirc;ncia individual &eacute; circunscrita pela rela&ccedil;&atilde;o que cada pessoa estabelece com o meio, sendo por ele condicionada, a perten&ccedil;a das pessoas a uma classe &eacute; o que determina esse papel. Assim, fica claro que a pertin&ecirc;ncia de classe determina a psicologia e o comportamento do homem. &#8220;Assim, queiramos n&oacute;s ou n&atilde;o, consciente ou inconscientemente, a educa&ccedil;&atilde;o sempre se orienta por uma linha de classe (Vigotski, 2004a: 287). </p>      <p >Al&eacute;m de incorporar a no&ccedil;&atilde;o de classe social em sua discuss&atilde;o sobre as determina&ccedil;&otilde;es do comportamento humano, podemos identificar que, ao longo do livro <i>Psicologia Pedag&oacute;gica, </i>Vigotski faz uma s&eacute;rie de observa&ccedil;&otilde;es que s&atilde;o consoantes com as ideias apresentadas por Marx e Engels <st1:PersonName ProductID="em Ideologia Alem&#227;. Aqui" w:st="on">em <i>Ideologia  Alem&atilde;. </i>Aqui, estes autores assinalam o car&aacute;ter idealista da filosofia e, com a perspectiva de reconhecerem a vida humana em sua realidade, eles apontam para a necessidade de concebermos a hist&oacute;ria humana no contexto de uma filosofia materialista, ou seja, a partir de &#8220;pressupostos reais de que n&atilde;o se pode fazer abstra&ccedil;&atilde;o a n&atilde;o ser na imagina&ccedil;&atilde;o. S&atilde;o os indiv&iacute;duos reais, sua a&ccedil;&atilde;o e suas condi&ccedil;&otilde;es materiais de vida, tanto aquelas por elas j&aacute; encontradas, como as produzidas por sua pr&oacute;pria a&ccedil;&atilde;o. Estes pressupostos s&atilde;o pois verific&aacute;veis por via puramente emp&iacute;rica&#8221; (Marx &amp; Engels, 1984: 26-27). </p>      <p >Com a perspectiva de caracterizar as fontes da historiografia humana, Marx e Engels estabelecem que o trabalho e os modos de produ&ccedil;&atilde;o como aqueles elementos que v&atilde;o diferenciar os homens dos animais. Nesse sentido, eles conjecturam: </p>        <p >O modo pelo qual os homens produzem seus meios de vida depende, antes de tudo, da natureza dos meios de vida j&aacute; encontrados e que t&ecirc;m de reproduzir. N&atilde;o se deve considerar tal modo de produ&ccedil;&atilde;o de um &uacute;nico ponto de vista, a saber: a reprodu&ccedil;&atilde;o da exist&ecirc;ncia f&iacute;sica dos homens. Trata-se, muito mais, de uma determinada forma de atividade dos indiv&iacute;duos, determinada forma de manifestar sua vida, determinado <i>modo de vida </i>dos mesmos. Tal como os indiv&iacute;duos manifestam sua vida, assim, s&atilde;o eles. O que s&atilde;o coincide, portanto, com sua produ&ccedil;&atilde;o, tanto com <i>o que </i>produzem como com o mofo <i>como </i>produzem. O que os indiv&iacute;duos s&atilde;o, portanto, depende das condi&ccedil;&otilde;es materiais de sua produ&ccedil;&atilde;o (Marx &amp; Engels, 1984: 27-28). </p>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p >No que tange aos atributos humanos relacionados &agrave;s fun&ccedil;&otilde;es psicol&oacute;gicas, os autores afirmam que a produ&ccedil;&atilde;o de ideias, de representa&ccedil;&otilde;es, da consci&ecirc;ncia est&aacute; entrela&ccedil;ada com a atividade material e com o interc&acirc;mbio material dos homens. </p>        <p >O representar, o pensar, o interc&acirc;mbio espiritual dos homens, aparecem aqui como emana&ccedil;&atilde;o direta de seu comportamento material. O mesmo ocorre com a produ&ccedil;&atilde;o espiritual, tal como aparece na linguagem da pol&iacute;tica, das leis, da moral, da religi&atilde;o, da metaf&iacute;sica, etc. de um povo. Os homens s&atilde;o produtores de suas representa&ccedil;&otilde;es, de suas ideias, etc., mas os homens reais e ativos, tal como se acham condicionados por um determinado desenvolvimento de suas for&ccedil;as produtivas e pelo interc&acirc;mbio que a ele corresponde at&eacute; chegar &agrave;s suas forma&ccedil;&otilde;es mais amplas. A consci&ecirc;ncia jamais pode ser outra coisa do que o ser consciente, e o ser dos homens &eacute; o seu processo de vida real (Marx &amp; Engels, 1984: 36-37). </p>      <p >Inscrevendo o homem em sua realidade &#8211; especialmente no universo do    trabalho &#8211; Marx e Engels reafirmam a influ&ecirc;ncia da vida material    no desenvolvimento da consci&ecirc;ncia humana uma vez que &#8220;os homens,    ao desenvolverem sua produ&ccedil;&atilde;o material e seu interc&acirc;mbio    material, transformam tamb&eacute;m, com esta sua realidade, seu pensar e os    produtos de seu pensar. N&atilde;o &eacute; a consci&ecirc;ncia que determina    a vida, mas a vida que determina a consci&ecirc;ncia&#8221; (Marx &amp; Engels,    1984: 37)<sup><a name="top13"></a><a href="#13">13</a></sup>. </p>      <p >Tal ide&aacute;rio est&aacute; presente na obra de Vigotski sob as mais diversas    formas, e ele se evidencia quando o autor incorpora em seus textos a met&aacute;fora    da aranha e da abelha desenvolvida por Marx para explicitar as diferen&ccedil;as    entre o trabalho desenvolvido pelos homens e o trabalho dos animais<sup><a name="top14"></a><a href="#14">14</a></sup>,    bem como o papel da linguagem e da consci&ecirc;ncia no processo transforma&ccedil;&atilde;o    da realidade atrav&eacute;s do trabalho. Nesse sentido ele afirma: </p>        <p >Ao estabelecer as peculiaridades do trabalho humano, Marx apontou a diferen&ccedil;a    psicol&oacute;gica extremamente importante que difere o trabalho do homem do    trabalho do animal. &Eacute; bem mais c&ocirc;modo partir dessa concep&ccedil;&atilde;o    na an&aacute;lise do comportamento consciente ou racional. A constru&ccedil;&atilde;o    de teia de aranha ou c&eacute;lulas ainda pertence integralmente a formas de    comportamento instintivo, ou seja, de adapta&ccedil;&atilde;o passiva do organismo    ao meio, a qual em nada difere do mesmo mecanismo de digest&atilde;o no est&ocirc;mago    e nos intestinos do homem. O comportamento humano efetivamente incorpora um    momento basicamente novo: a exist&ecirc;ncia pr&eacute;via dos resultados do    trabalho da cabe&ccedil;a do homem como <i>est&iacute;mulo orientador de todas    as rea&ccedil;&otilde;es</i>. &Eacute; f&aacute;cil perceber que aqui n&atilde;o    se trata de outra coisa sen&atilde;o de certa duplicidade da nossa experi&ecirc;ncia<a name="top15"></a><sup><a href="#15">15</a></sup>(Vigotski,    2004a: 226-227 &#8211; assinalamentos nossos). </p>      <p >Como podemos ver a compreens&atilde;o das fun&ccedil;&otilde;es psicol&oacute;gicas superiores estabelecida por Vigotski, se enra&iacute;za profundamente no ide&aacute;rio marxista. Se por um lado, ele se apoiou na sociologia marxista para compreender e estabelecer sua concep&ccedil;&atilde;o de homem, por outro, ser&aacute; sob uma perspectiva filos&oacute;fica &#8211; atrav&eacute;s da dial&eacute;tica &#8211; que ele vai implementar uma metodologia para compreens&atilde;o dos fen&ocirc;menos psicol&oacute;gicos. </p>      <p ><i>&nbsp;</i></p>      <p ><i>A an&aacute;lise dos fen&ocirc;menos psicol&oacute;gicos sob a &oacute;tica da dial&eacute;tica </i></p>      <p >Em 1926, quando da publica&ccedil;&atilde;o do livro <i>Psicologia Pedag&oacute;gica, </i>a ideia de construir uma psicologia com uma perspectiva marxista, era uma proposta que se colocava no horizonte de Vigotski. Tal perspectiva j&aacute; &eacute; assinalada em textos como &#8220;Sobre el art&iacute;culo de K. Koffka &#8216;La introspecci&oacute;n y el m&eacute;todo de psicolog&iacute;a&#8217; &#8211; a modo de introducci&oacute;n&#8221; (Vygotski, 1990d); &#8220;Pr&oacute;logo al libro de A. F. Lazurski &#8216;Psicolog&iacute;a general y experimental&#8217;&#8221; (Vygotski, 1990b). No <i>Psicologia Pedag&oacute;gica, </i>tal perspectiva se apresenta nos seguintes termos: </p>      <p >O primeiro tra&ccedil;o distintivo da nova psicologia &eacute; o seu materialismo, uma vez que ela considera todo o comportamento do homem constitu&iacute;do de uma s&eacute;rie de movimentos e rea&ccedil;&otilde;es e dotado de todas as propriedades da exist&ecirc;ncia material. O segundo tra&ccedil;o &eacute; o seu objetivismo, uma vez que ela coloca como condi&ccedil;&atilde;o <i>sine qua non </i>das investiga&ccedil;&otilde;es a exig&ecirc;ncia de que estas tenham por base a verifica&ccedil;&atilde;o objetiva do material. O terceiro tra&ccedil;o &eacute; o seu m&eacute;todo dial&eacute;tico, que reconhece que os processos ps&iacute;quicos se desenvolvem em indissol&uacute;vel liga&ccedil;&atilde;o com todos os outros processos no organismo e est&atilde;o sujeitos exatamente &agrave;s mesmas leis a que est&aacute; todo o restante na natureza. O quarto e &uacute;ltimo tra&ccedil;o &eacute; o seu fundamento biossocial... (Vigotski, 2004a: 8). </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p >Esta formula&ccedil;&atilde;o de Vigotski est&aacute; em conson&acirc;ncia com o pensamento filos&oacute;fico de sua &eacute;poca. Segundo Bakhurst (1991) uma caracter&iacute;stica deste momento hist&oacute;rico na R&uacute;ssia era a presen&ccedil;a marcante da doutrina filos&oacute;fica oficial &#8211; a marxista leninista &#8211; que era compartilhada por todos os fil&oacute;sofos sovi&eacute;ticos. </p>      <p >De acordo com a doutrina em vigor, a quest&atilde;o b&aacute;sica da filosofia &#8211; a rela&ccedil;&atilde;o entre o ser e o pensamento, a quest&atilde;o da consci&ecirc;ncia &#8211; era respondida a partir de duas formas: a idealista e a materialista. Enquanto o materialismo afirma que o ser &eacute; anterior para e prim&aacute;rio em rela&ccedil;&atilde;o ao pensar, idealismo assegura o oposto e argumenta que o mundo &eacute; (em algum sentido) id&ecirc;ntico para, ou uma consequ&ecirc;ncia do, pensamento, consci&ecirc;ncia, ou ideia. Os fil&oacute;sofos sovi&eacute;ticos s&atilde;o un&acirc;nimes ao endossar o ponto de vista materialista. </p>      <p >Sob essa perspectiva, a prioridade do ser sobre o pensamento se desdobra em duas dimens&otilde;es. Primeiro, o ser &eacute; prim&aacute;rio em rela&ccedil;&atilde;o ao pensamento no sentido de que enquanto o mundo material existe anterior e independentemente do pensamento, o pensamento n&atilde;o pode existir independentemente da mat&eacute;ria. Consci&ecirc;ncia, e realmente todas as propriedades n&atilde;o materiais, s&atilde;o consideradas para emanar os estados do mundo material. Segundo, o materialista argumenta que a consci&ecirc;ncia &eacute; determinada pelas condi&ccedil;&otilde;es materiais em que o pensamento dos sujeitos vivem. Isto &eacute;, os conte&uacute;dos de cada mente dos sujeitos s&atilde;o formados no processo do seu ou sua intera&ccedil;&atilde;o com o mundo material, e s&oacute; &eacute; explic&aacute;vel na luz daquela intera&ccedil;&atilde;o (Bakhurst, 1991). </p>      <p >Ao aproximar esta discuss&atilde;o &agrave; abordagem materialista do comportamento humano, Vigotski vislumbra uma novas perspectiva do seu estudo uma vez que ele &#8211; o comportamento &#8211; se expressa enquanto uma realidade objetiva &#8211; tendo o c&eacute;rebro como seu elemento material. Assim, nos lembra van der Veer: </p>      <p >[...] Vygotsky enfatizava que os seres humanos s&atilde;o feitos por subst&acirc;ncia material de tecido nervoso, gl&acirc;ndulas end&oacute;crinas, m&uacute;sculos, etc. Estas subst&acirc;ncias materiais funcionam de modo determinado pela hereditariedade, mas o ambiente &eacute; muito poderoso ao moldar este funcionamento conforme metas pr&eacute;-estabelecidas (van der Veer, 2007: 43). </p>      <p >Cabe registrar que os materialistas sovi&eacute;ticos, ainda segundo Bakhurst (1991), ap&oacute;iam sua concep&ccedil;&atilde;o de mat&eacute;ria em L&ecirc;nin &#8211; a partir de seu livro <i>Materialismo e empiriocriticismo </i>&#8211; para quem a mat&eacute;ria se caracteriza enquanto uma realidade objetiva que existe independente do pensamento dos homens e &eacute; a eles apresentada atrav&eacute;s da sensa&ccedil;&atilde;o. Assim, a realidade objetiva &#8211; no caso do objeto da psicologia, o comportamento humano &#8211; est&aacute;, em princ&iacute;pio, completamente sujeita a nossa cogni&ccedil;&atilde;o &#8211; a nossa investiga&ccedil;&atilde;o emp&iacute;rica, isto &eacute;, o mundo psicol&oacute;gico n&atilde;o &eacute; um reino de coisas fechado em si mesmo: o comportamento humano n&atilde;o est&aacute; fechado em si mesmo, pois ele se objetiva na realidade &#8211; atrav&eacute;s de um sistema de rea&ccedil;&otilde;es &#8211; a partir do qual ele pode ser estudado empiricamente. </p>      <p class=MsoNormal style='mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-align:justify'>Al&eacute;m disso, os fil&oacute;sofos sovi&eacute;ticos afirmavam que seu materialismo era <i>dial&eacute;tico </i>e que o car&aacute;ter dial&eacute;tico desta filosofia se expressava a partir de certas leis e princ&iacute;pios, tais como: (1) os fen&ocirc;menos da realidade s&atilde;o interconectados; (2) o mundo est&aacute; em um estado constante de mudan&ccedil;a e desenvolvimento; (3) este desenvolvimento procede pela resolu&ccedil;&atilde;o de contradi&ccedil;&otilde;es. Segundo Bakhurst (1991), estes princ&iacute;pios se desdobram em tr&ecirc;s leis dial&eacute;ticas que determinam o desenvolvimento da natureza, da sociedade ou do pensamento, quais sejam: (1) a lei da transforma&ccedil;&atilde;o da quantidade em qualidade; a lei da unidade e luta dos opostos; (3) a lei da nega&ccedil;&atilde;o da nega&ccedil;&atilde;o (Bakhurst, 1991: 13). </p>      <p >Bakhurst nos informa ainda que o estudo da dial&eacute;tica se desdobra em duas subdisciplinas: a dial&eacute;tica objetiva &#8211; onde se efetiva a aplica&ccedil;&atilde;o dos princ&iacute;pios e leis da dial&eacute;tica para compreender o desenvolvimento da realidade objetiva; e a dial&eacute;tica subjetiva, que se refere &agrave; dial&eacute;tica da cogni&ccedil;&atilde;o ou &#8220;gnosiologia&#8221; (epistemologia). </p>      <p ><st1:PersonName ProductID="em Psicologia Pedag&#243;gica" w:st="on">Em <i>Psicologia Pedag&oacute;gica</i><i>, </i>Vigotski operacionaliza os princ&iacute;pios e as leis da dial&eacute;tica para compreender o comportamento humano estabelecendo uma nova formula&ccedil;&atilde;o para este objeto. Conforme apontamos anteriormente, o comportamento humano &eacute; considerado neste livro a partir de uma unidade que contempla as rea&ccedil;&otilde;es heredit&aacute;rias, a experi&ecirc;ncia individual (reflexos condicionados), a experi&ecirc;ncia hist&oacute;rica, a experi&ecirc;ncia social e a experi&ecirc;ncia desdobrada (consci&ecirc;ncia). Ou seja, sua abordagem assegura um olhar mais hol&iacute;stico para o comportamento humano. </p>        <p >Al&eacute;m disso, o autor analisa o processo de desenvolvimento sob o prisma da dial&eacute;tica. Nesse sentido ele afirma: </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p >O desenvolvimento da crian&ccedil;a &eacute; o princ&iacute;pio fundamental    da psicologia. A crian&ccedil;a n&atilde;o &eacute; um ser acabado mas um organismo    em desenvolvimento, e consequentemente o seu comportamento se forma n&atilde;o    s&oacute; sobre a influ&ecirc;ncia excepcional da interfer&ecirc;ncia sistem&aacute;tica    no meio, mas ainda em fun&ccedil;&atilde;o de certos ciclos ou per&iacute;odos    do desenvolvimento do pr&oacute;prio organismo infantil, que determinam, por    sua vez, a rela&ccedil;&atilde;o do homem com o meio. A crian&ccedil;a se desenvolve    de maneira irregular, constante, atrav&eacute;s da acumula&ccedil;&atilde;o    de pequenas mudan&ccedil;as por impulsos, aos saltos, de forma ondulat&oacute;ria,    de sorte que os per&iacute;odos de ascens&atilde;o do crescimento infantil s&atilde;o    seguidos de per&iacute;odos de estagna&ccedil;&atilde;o e inibi&ccedil;&atilde;o    (Vigotski, 2004a: 289)<a name="top16"></a><sup><a href="#16">16</a></sup>. </p>      <p >Mais a frente ele conclui sua concep&ccedil;&atilde;o de desenvolvimento: </p>      <p >Essa intermit&ecirc;ncia de oscila&ccedil;&otilde;es r&iacute;tmicas constitui a lei b&aacute;sica do comportamento da crian&ccedil;a e se reflete inclusive nas oscila&ccedil;&otilde;es di&aacute;rias e anuais. [...] </p>        <p >Aplicado ao desenvolvimento da crian&ccedil;a, esse princ&iacute;pio da periodicidade pode ser denominado princ&iacute;pio dial&eacute;tico do desenvolvimento da crian&ccedil;a, uma vez que ele n&atilde;o se realiza atrav&eacute;s de mudan&ccedil;as lentas e graduais mas por saltos em certos entroncamentos, nos quais a quantidade de repente se transforma em qualidade;&eacute; leg&iacute;timo distinguir as fases qualitativas do desenvolvimento da crian&ccedil;a. [...] Em outros termos, o processo de desenvolvimento da crian&ccedil;a, como tudo o demais na natureza, tamb&eacute;m se realiza pela via dial&eacute;tica do desenvolvimento a partir das contradi&ccedil;&otilde;es e da transforma&ccedil;&atilde;o da quantidade em qualidade (Vigotski, 2004a: 289/290). </p>      <p >Apesar de Vigotski nos informar que sua aproxima&ccedil;&atilde;o com a dial&eacute;tica tem uma perspectiva metodol&oacute;gica vislumbra-se em seu trabalho outra dimens&atilde;o que diz respeito ao processo de constru&ccedil;&atilde;o de conhecimento. Queremos dizer com isso que Vigotski, ao considerar o comportamento humano como uma unidade, superando os olhares fragmentados das correntes psicol&oacute;gicas que circulavam no campo da psicologia no in&iacute;cio do Sec. XX estabelece um novo <i>objeto de estudo </i>para a psicologia. A busca da unidade do comportamento instaura um novo objeto pois: </p>      <p >[...] o f&iacute;sico e o ps&iacute;quico, o esp&iacute;rito e a mat&eacute;ria,    a constitui&ccedil;&atilde;o do corpo e o car&aacute;ter s&atilde;o, em ess&ecirc;ncia,    processos profundamente id&ecirc;nticos, estreitamente entrela&ccedil;ados,    e a divis&atilde;o desse ou daquele n&atilde;o encontra justificativa em nenhuma    raz&atilde;o real. Ao contr&aacute;rio, em psicologia a premissa b&aacute;sica    passa a ser a hip&oacute;tese da unidade de todos os processos que ocorrem no    organismo, da identidade entre o ps&iacute;quico e o f&iacute;sico e de que    &eacute; falso e imposs&iacute;vel delimit&aacute;-los (Vigotski, 2004a: 60-61)<sup><a name="top17"></a><a href="#17">17</a></sup>.  </p>      <p >Considerando o novo objeto de estudo, Vigotski v&ecirc; a necessidade da cria&ccedil;&atilde;o de um novo m&eacute;todo, um m&eacute;todo mais adequado &agrave;s novas maneiras de se colocar os problemas relativos ao comportamento humano. A abordagem materialista dial&eacute;tica da an&aacute;lise da hist&oacute;ria humana vai orientar a sua escolha para os novos m&eacute;todos de investiga&ccedil;&atilde;o, bem como seu desenho experimental (m&eacute;todo da dupla estimula&ccedil;&atilde;o, por exemplo), de tal forma que os estudos psicol&oacute;gicos tenham acesso a complexidade do comportamento humano. </p>      <p >Ao trazer essa discuss&atilde;o no &acirc;mbito do livro <i>Psicologia Pedag&oacute;gica</i>, podemos dizer que essa obra consolida os fundamentos de um novo projeto para a psicologia, uma vez que prop&otilde;e um novo objeto de pesquisa &#8211; a unidade dos processos psicol&oacute;gicos superiores &#8211; e uma nova perspectiva metodol&oacute;gica para estud&aacute;-lo &#8211; inspirada na abordagem materialista dial&eacute;tica. </p>      <p ><i>&nbsp;</i></p>      <p ><i>Quest&otilde;es educacionais </i></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p >Vigotski ao longo do livro assinala v&aacute;rios problemas no que tange &aacute;s quest&otilde;es colocadas pela Revolu&ccedil;&atilde;o para os campos da psicologia e da educa&ccedil;&atilde;o. Dentre eles vale destaca-se sua preocupa&ccedil;&atilde;o para a necessidade da cria&ccedil;&atilde;o de novas formas para o estudo da personalidade da crian&ccedil;a, uma vez que aquelas presentes no campo da psicologia e da pedagogia, n&atilde;o davam conta de assegurar o estudo do comportamento humano em sua complexidade. Nesse sentido ele afirma: </p>      <p >[...] cabe dizer que todos os tr&ecirc;s m&eacute;todos<sup><a name="top18"></a><a href="#18">18</a></sup>de    estudo psicol&oacute;gico da crian&ccedil;a at&eacute; hoje est&atilde;o em    estado embrion&aacute;rio, e se podemos lan&ccedil;ar m&atilde;o deles n&atilde;o    ser&aacute; sen&atilde;o como medida provis&oacute;ria. Mas &eacute; inevit&aacute;vel    a tarefa de rever todas as formas. Nesse caso, a reforma deve basear-se no conceito    de rea&ccedil;&atilde;o, ou seja, na caracteriza&ccedil;&atilde;o da personalidade    da crian&ccedil;a em sua intera&ccedil;&atilde;o com o meio (Vigotski, 2004a:    444). </p>      <p >Al&eacute;m dessa quest&atilde;o metodol&oacute;gica, o autor tamb&eacute;m lan&ccedil;a um olhar sobre a natureza psicol&oacute;gica do trabalho do professor. Considerando que toda concep&ccedil;&atilde;o sobre o processo pedag&oacute;gico se relaciona com uma vis&atilde;o espec&iacute;fica da natureza do trabalho do professor e, considerando o novo sistema de psicologia pedag&oacute;gica que se instalava, Vigotski aponta para a necessidade de se estabelecer qual, pelos menos em suas linhas gerais, as novas atribui&ccedil;&otilde;es deste profissional. </p>      <p >Considerando as novas perspectivas da educa&ccedil;&atilde;o que se desenhavam, e inspirando-se nas teorias psicol&oacute;gicas presentes em sua &eacute;poca, Vigotski afirma que o professor deve assumir um novo papel, o de organizador do meio social para que a crian&ccedil;a aprenda, o qual, segundo ele, &eacute; o &uacute;nico fator educativo. </p>        <p >Sobre o professor recai um novo papel importante. Cabe-lhe tornar-se o organizador do meio social, que &eacute; o &uacute;nico fator educativo. Onde ele desempenha o papel de simples bomba que inunda os alunos com conhecimento pode ser substitu&iacute;do com &ecirc;xito por um manual, um dicion&aacute;rio, um mapa, uma excurs&atilde;o. Quando professor faz uma confer&ecirc;ncia ou explica uma aula, apenas em parte est&aacute; no papel de professor, exatamente naquele que estabelece a rela&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a com os elementos do meio que agem sobre ela. Onde ele exp&otilde;e o que j&aacute; est&aacute; pronto (Vigotski, 2004a: 448). </p>        <p >Tendo em vista estas considera&ccedil;&otilde;es, Vigotski defende a ideia de que o professor ajude o aluno a caminhar pelas pr&oacute;prias pernas, &#8220;[...] faz&ecirc;-lo andar e cair, sofrer dor e contus&otilde;es e escolher a dire&ccedil;&atilde;o. E o que &eacute; verdadeiro para a marcha &#8211; que s&oacute; se pode aprend&ecirc;-la com as pr&oacute;prias pernas e com as pr&oacute;prias quedas &#8211; se aplica igualmente a todos os aspectos da educa&ccedil;&atilde;o&#8221; (Vigotski, 2004a: 452). </p>      <p >Cabe registrar que Vigotski compreende que o processo educativo desenvolvido pelas institui&ccedil;&otilde;es escolares deve estar estreitamente vinculado a vida em sociedade, pois para ele &#8220;[...] s&oacute; a vida educa, e quanto mais amplamente ela irromper na escola, mais din&acirc;mico e rico ser&aacute; o processo educativo. [...] A educa&ccedil;&atilde;o &eacute; t&atilde;o inadmiss&iacute;vel fora da vida quanto a combust&atilde;o sem oxig&ecirc;nio [...] Por isso o trabalho educativo do pedagogo deve estar necessariamente vinculado ao seu trabalho criador, social e vital (Vigotski, 2004a: 456). </p>      <p >Mas o qual &eacute; o trabalho criador, social e vital do professor? Tal perspectiva representa uma nova dire&ccedil;&atilde;o para a pr&aacute;tica pedag&oacute;gica que expressa uma amplia&ccedil;&atilde;o do conceito de educa&ccedil;&atilde;o: &#8220;N&atilde;o se trata simplesmente de educa&ccedil;&atilde;o, mas de refundi&ccedil;&atilde;o do homem. Como se tem ressaltado reiteradamente, essa refundi&ccedil;&atilde;o precisa antes de mais nada utilizar ao m&aacute;ximo o material cong&ecirc;nito do comportamento&#8221; (Vigotski, 2004a: 458). </p>      <p >Isso significa compreender que a &#8220;crian&ccedil;a rec&eacute;m nascida    &eacute; um condensamento da experi&ecirc;ncia anterior, &eacute; pura biologia,    e que em alguns anos do seu desenvolvimento ela deve efetivamente superar todo    o caminho percorrido pela humanidade, do macaco ao aeroplano&#8221; (Vigotski,    2004a: 458). Tal perspectiva, por sua vez, vincula nosso autor ao ide&aacute;rio    revolucion&aacute;rio de seu tempo, uma vez que ele compreende que o processo    educativo traz em si mesmo uma dimens&atilde;o pol&iacute;tica e que &#8220;os    limites da revolu&ccedil;&atilde;o nunca se ampliaram tanto [...] quando a revolu&ccedil;&atilde;o    empreende a reeduca&ccedil;&atilde;o de toda a humanidade e cria na pr&oacute;pria    vida uma n&iacute;tida orienta&ccedil;&atilde;o para a educa&ccedil;&atilde;o.&#8221;    (Vigotski, 2004a: 460), qual seja, a educa&ccedil;&atilde;o se desdobra como    um problema mais amplo, o problema da vida como cria&ccedil;&atilde;o, na vida.    E a vida &#8211; sob uma perspectiva dial&eacute;tica &#8211; se revela como    um sistema de permanente tens&atilde;o e supera&ccedil;&atilde;o, de constante    cria&ccedil;&atilde;o e combina&ccedil;&atilde;o de novas formas de comportamento.    Assim, &#8220;a vida s&oacute; se tornar&aacute; cria&ccedil;&atilde;o quando    libertar-se definitivamente das formas sociais que a mutilam e deformam. Os    problemas da educa&ccedil;&atilde;o ser&atilde;o resolvidos quando forem resolvidas    as quest&otilde;es da vida&#8221; (Vigotski, 2004a: 462)<sup><a name="top19"></a><a href="#19">19</a></sup>.  </p>        <p >&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p >CONSIDERA&Ccedil;&Otilde;ES FINAIS </p>        <p >A leitura do livro <i>Psicologia Pedag&oacute;gica</i>, nos revela v&aacute;rias facetas da teoria vigotskiana. Uma delas diz respeito ao fato desta obra estar em conson&acirc;ncia com um projeto transforma&ccedil;&atilde;o social vinculado ao ide&aacute;rio revolucion&aacute;rio. Esta articula&ccedil;&atilde;o fica bastante evidente ao longo da leitura do livro. Evid&ecirc;ncia tamb&eacute;m foi indicada por Stetsenko e Arievitch que, ao investigar a situa&ccedil;&atilde;o das ideias de Vigotski no contexto pol&iacute;tico revolucion&aacute;rio e p&oacute;s-revolucion&aacute;rio da URSS, mostram que o projeto do autor est&aacute; estreitamente relacionado tanto com os compromissos pr&aacute;tico, pol&iacute;tico e c&iacute;vico decorrentes do processo revolucion&aacute;rio como com aqueles vinculados aos ideais de justi&ccedil;a social, igualdade e mudan&ccedil;a social (Stetsenko &amp; Arievitch, 2004). Para estes autores, a abordagem de Vigotski incorpora de fato, em sua hist&oacute;ria de vida, os princ&iacute;pios te&oacute;ricos centrais que utiliza para a constru&ccedil;&atilde;o de sua teoria, tais como a unidade do conhecimento e bem como a unidade da a&ccedil;&atilde;o, teoria e pr&aacute;tica. </p>      <p >Atrav&eacute;s da leitura do livro podemos entrever que Vigotski esbo&ccedil;a um projeto para a psicologia que implica (1) a reconstru&ccedil;&atilde;o de certo n&uacute;mero de conceitos, uma vez que ele afirma que os conceitos presentes no campo da psicologia (como por exemplo, a no&ccedil;&atilde;o de reflexo condicionado) n&atilde;o d&atilde;o conta de explicitar a complexidade do objeto da psicologia; (2) a constru&ccedil;&atilde;o de um novo objeto para a psicologia &#8211; o comportamento humano &#8211; entendendo-o a partir de uma unidade que contemple v&aacute;rias dimens&otilde;es (rea&ccedil;&otilde;es heredit&aacute;rias + rea&ccedil;&otilde;es heredit&aacute;rias x experi&ecirc;ncia individual os reflexos condicionados &#8211; + experi&ecirc;ncia hist&oacute;rica + experi&ecirc;ncia social + experi&ecirc;ncia desdobrada &#8211; consci&ecirc;ncia), comportamento esse circunscrito pelas rela&ccedil;&otilde;es sociais; (3) um m&eacute;todo de pesquisa que se inspira, do ponto de vista filos&oacute;fico, no materialismo dial&eacute;tico e, do ponto de vista sociol&oacute;gico, no materialismo hist&oacute;rico; a fim de extrair um conjunto princ&iacute;pios gerais para explicar o comportamento humano. </p>      <p >Cabe ressaltar ainda que neste livro Vigotski se aproxima da dial&eacute;tica muito mais como uma ferramenta para compreender os fen&ocirc;menos psicol&oacute;gicos, do que uma metodologia para a formula&ccedil;&atilde;o de suas hip&oacute;teses e para o ordenamento de suas ideias. Ou seja, ele se v&ecirc; as voltas com a dial&eacute;tica para explicar, por exemplo, o processo de desenvolvimento o qual, segundo ele, se d&aacute; por ac&uacute;mulos e saltos qualitativos &#8211; evidenciando-se assim numa clara aplica&ccedil;&atilde;o de uma das leis da dial&eacute;tica. </p>      <p >Enfim, trata-se de um livro paradoxal<sup><a name="top20"></a><a href="#20">20</a></sup>,    pois ao mesmo tempo em que lan&ccedil;a as bases para uma nova psicologia, n&atilde;o    deixa de apontar &#8211; enquanto uma obra &#8211; o seu pr&oacute;prio car&aacute;ter    transit&oacute;rio. Isto fica evidente na maneira como ele compreende a no&ccedil;&atilde;o    de reflexo condicionado, por exemplo. Por um lado, reconhece a import&acirc;ncia    de tal no&ccedil;&atilde;o uma vez que ela vai permitir a transi&ccedil;&atilde;o    de uma psicologia que se orienta atrav&eacute;s da teoria dos reflexos para    uma teoria biosocial; por outro, aponta as limita&ccedil;&otilde;es de tal conceito    para a compreens&atilde;o dos fen&ocirc;menos psicol&oacute;gicos. </p>      <p >A obra de Vigotski, por sua vez, &eacute; marcada por uma s&eacute;rie de paradoxos, dentre os quais podemos destacar: (1) seus textos n&atilde;o ilustram ou prop&otilde;em seu m&eacute;todo e teoria: eles s&atilde;o seu m&eacute;todo e sua teoria, na medida em que eles s&atilde;o o ve&iacute;culo para seu engajamento com uma s&eacute;rie de quest&otilde;es que foram identificadas por ele como, simultaneamente, uma &#8216;crise&#8217; da psicologia e um imperativo para a&ccedil;&atilde;o social (conforme ele indica nos par&aacute;grafos iniciais do texto <i>O significado hist&oacute;rico da crise da psicologia</i>); (2) seus textos s&atilde;o amplamente compreendidos por serem muito mais program&aacute;ticos, em vez de sistem&aacute;ticos. Entretanto, a gama de quest&otilde;es que eles abordam lhes garantem sua natureza fundante: como a base da &#8216;abordagem hist&oacute;rico cultural&#8217; para a psicologia; (3) eles tamb&eacute;m s&atilde;o marxistas no m&eacute;todo, bem como na inspira&ccedil;&atilde;o, ainda que temas como luta de classe e o modo de produ&ccedil;&atilde;o estejam quase totalmente ausentes de suas argumenta&ccedil;&otilde;es. </p>      <p >Em suma, os textos do Vygotsky n&atilde;o expressam uma unidade, &eacute; com dificuldade e distor&ccedil;&atilde;o que eles podem ser lidos como uma teoria no sentido convencional da palavra. O car&aacute;ter &#8216;desarrumado&#8217; de seus textos em parte pode ser atribu&iacute;do &agrave; sua situa&ccedil;&atilde;o pessoal, uma vez que ele sempre esteve as voltas com o tratamento de sua tuberculose. Mas sob um olhar mais atento, somos capazes de apreciar melhor seu dialogismo (cf. Lee, 1985), que consistiu muito mais do que uma dial&eacute;tica argumentativa: seus encontros intertextuais se desdobraram em um projeto de uma psicologia informada pelo materialismo dial&eacute;tico e pelo materialismo hist&oacute;rico (Sinha, 1989). </p>      <p >Sob esta perspectiva, a obra de Vigotski ret&ecirc;m, para os nossos dias, uma novidade impressionante na formula&ccedil;&atilde;o dos problemas b&aacute;sicos da psicologia; assim como nos aspectos metodol&oacute;gicos e epistemol&oacute;gicos implicados na compreens&atilde;o dos mesmos. Seus textos se apresentam como um circuito centr&iacute;peto e fragment&aacute;rio, no curso dos quais Vygotsky se esfor&ccedil;a para transformar dialeticamente a polaridade das abordagens &#8216;naturalista&#8217; e &#8216;idealista&#8217; e com a inten&ccedil;&atilde;o de formular uma alternativa gen&eacute;tica, materialista dial&eacute;tica e hist&oacute;rica para o estudo dos fen&ocirc;menos psicol&oacute;gicos. </p>      <p >Se por um lado, a abertura proporcionada pelos textos de Vygotsky; a ambiguidade    de algumas das suas formula&ccedil;&otilde;es; a natureza n&atilde;o finalizada    de seus di&aacute;logos com rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s teorias de outros    autores, eram sinais, para os estalinistas dogm&aacute;ticos de seu &#8216;ecletismo&#8217;    (cf. Sinha, 1989) &#8211; o que contribuiu para que sua obra fosse banida da    URSS<sup><a name="top21"></a><a href="#21">21</a></sup>; por outro, seu projeto    ainda se faz presente, uma vez que vemos nele, uma possibilidade de compreendermos    os fen&ocirc;menos psicol&oacute;gicos de forma integrada, n&atilde;o fragmentada    (cf. Bozhovich, 2004), projeto este que ainda est&aacute; para ser consolidado    em nossos dias. </p>        <p >&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p >REFER&Ecirc;NCIAS </p>        <p >Ardoino, J. (2000). <i>Les avatars de l&#8217;&eacute;ducation: Probl&eacute;matiques et notions em devenir.  Paris: Presses Universitaires de France. </i></p>      <p >Bakhurst, D. (1991). <i>Consciousness and revolution in soviet philosophy: From the bolsheviks to Evald Ilyenkov</i>. Cambridge: Cambridge University Press. </p>      <p >Blanck, G. (2003). Pref&aacute;cio. In L. S. Vygotsky (Ed.), <i>Psicologia pedag&oacute;gica: Edi&ccedil;&atilde;o comentad</i>a (pp. 15-32). Porto   Alegre: Artmed </p>      <p >Bozhovich, L. I. (2004). L. S. Vygotsky&#8217;s historical and cultural theory and its significance for contemporary studies of the psychology of personality. <i>Journal of Russian and East European Psychology, 42</i>(4), 20-34. </p>      <p >Davidov, V. V. (1997). Introduction: Lev Vygotsky and educational psychology. In L. S. Vygotsky (Ed.), <i>Educational Psychology </i>(pp. xxi-xxxix). Boca Raton: St. Lucie Press. </p>      <!-- ref --><p >Deleuze, G. (1974). <i>L&oacute;gica do sentido </i>(3&ordf; ed.). S&atilde;o Paulo: Perspectiva. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000129&pid=S0870-8231201000020000900001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p >Duarte, N. (2000). <i>Vigotski e o &#8220;aprender a aprender&#8221;: Cr&iacute;tica &agrave;s apropria&ccedil;&otilde;es neoliberais e p&oacute;s-modernas da teoria vigotskiana</i>. S&atilde;o Paulo: Autores Associados. </p>        <p >Elhammoumi, M. (2002). To create psychology&#8217;s own capital. <i>Journal for the Theory of Social Behaviour</i>, <i>32</i>(1), 89-104. </p>      <p >Lee, B. (1985). Intellectual origins of Vygotsky&#8217;s semiotic analysis. In James V. Wertsch (Ed.). <i>Culture communication and cognition: Vygotskian perspectives </i>(pp. 66-93). Cambridge: Cambridge University Press. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p >Luria, A. R. (1979). A atividade consciente do homem e suas ra&iacute;zes hist&oacute;rico-sociais. In <i>Curso de psicologia geral I: Introdu&ccedil;&atilde;o evolucionista &agrave; psicologia </i>(pp. 71-84). Rio de Janeiro: Civiliza&ccedil;&atilde;o Brasileira. </p>      <p >Luria, A. R. (1992). <i>A constru&ccedil;&atilde;o da mente</i>. S&atilde;o Paulo: &Iacute;cone. </p>      <p >Markus, G. (1975). The marxian concept of consciousness. <i>Philosophy &amp; Social Criticism, 3</i>(1), 19-28. </p>      <p >Marx, K., &amp; Engels, F. (1984). <i>Ideologia alem&atilde;</i>. S&atilde;o Paulo: Moraes. </p>      <p >Oliveira, M. K. (1993). <i>Vygotsky: Aprendizado e desenvolvimento um processo hist&oacute;rico. </i>S&atilde;o Paulo: Scipione. </p>      <p >Rey, F. L. G. (2003). <i>Sujeito e subjetividade: Uma aproxima&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rico-cultural. </i>S&atilde;o Paulo: Pioneira Thomson Learning. </p>      <p >Sinha, C. (1989). Reading Vygotsky. <i>History of the Human Sciences, 2</i>(3), 309-331. </p>      <p >Stetsenko, A., &amp; Arievitch, I. M. (2004). Vygotskian collaborative project of social transformation: History, politics, and practice in knowledge construction. <i>Critical Psychology</i>, <i>12</i>(4), 58-80. </p>      <p >van der Veer, R. (1985). In defense of Vygotskij an analysis of the arguments    that led to the condemnation of the cultural-historical theory. <i>Leiden University    &#8211; Repository</i>. Dispon&iacute;vel em <a href="https://openaccess.leidenuniv.nl/dspace/bitstream/1%20887/10211/1/7_703_046.pdf">https://openaccess.leidenuniv.nl/dspace/bitstream/1    887/10211/1/7_703_046.pdf</a>, Acessado em 29.09.2009. </p>      <p >van der Veer, R. (1991). The reception of Vygotsky&#8217;s ideas in the nineteen thirties. In Henderikus J. Stam et al. (Eds.), <i>Recent trends in theoretical psychology </i>(vol. III, pp. 419-423). New   York: Springer-Verlag. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p >van der Veer, R. (2007). <i>Lev Vygotsky</i>. London: Continuum. </p>      <p >van der Veer, R., &amp; Valsiner, J. (1991). <i>Understanding Vygotsky: A quest for synthesis</i>. Oxford: Blackwell. </p>        <p >Vygotski, L. S. (1990a). Los m&eacute;todos de investigaci&oacute;n en reflexol&oacute;gicos y psicol&oacute;gicos. In L. S. Vygotski (Ed.), <i>Obras Escogidas, I &#8211; Problemas te&oacute;ricos y metodol&oacute;gicos de la psicolog&iacute;a </i>(pp. 3-22). Madrid: Visor. </p>      <p >Vygotski, L. S. (1990b). Pr&oacute;logo al libro de A. F. Lazurski &#8220;Psicolog&iacute;a general y experimental&#8221;. In L. S. Vygotski (Ed.), <i>Obras Escogidas, I &#8211; Problemas te&oacute;ricos y metodol&oacute;gicos de la psicolog&iacute;a </i>(pp. 23-37). Madrid: Visor. </p>      <p >Vygotski, L. S. (1990c). La consciencia como problema de la psicolog&iacute;a del comportamiento. In L. S. Vygotski (Ed.), <i>Obras Escogidas, I &#8211; Problemas te&oacute;ricos y metodol&oacute;gicos de la psicolog&iacute;a </i>(pp. 39-60). Madrid: Visor. </p>      <p >Vygotski, L. S. (1990d). Sobre el art&iacute;culo de K. Koffka &#8220;La introspecci&oacute;n y el m&eacute;todo de psicolog&iacute;a&#8221; &#8211; a modo de introducci&oacute;n. In L. S. Vygotski (Ed.), <i>Obras Escogidas, I &#8211; Problemas te&oacute;ricos y metodol&oacute;gicos de la psicolog&iacute;a </i>(pp. 61-64). Madrid: Visor. </p>      <p >Vygotski, L. S. (1990e). Pr&oacute;logo a la versi&oacute;n rusa del libro de E. Thorndike &#8220;Principios de ense&ntilde;anza basados en la ps&iacute;cologia. In L. S. Vygotski (Ed.), <i>Obras Escogidas, I &#8211; Problemas te&oacute;ricos y metodol&oacute;gicos de la psicolog&iacute;a </i>(pp. 163-176). Madrid: Visor. </p>      <p >Vygotski, L. S. (1993). Pensamiento e lenguaje. In L. S. Vygotski (Ed.), <i>Obras Escogidas, II &#8211; Conferencias sobre psicolog&iacute;a </i>(pp. 9-348). Madrid: Visor. </p>      <p >Vygotski, L. S. (1995). Historia del desarrollo de las funciones ps&iacute;quicas superiores. In L. S. Vygotski (Ed.), <i>Obras Escogidas, III &#8211; Problemas del desarrollo de la psique </i>(pp. 10-340). Madrid: Visor. </p>      <p >Vygotski, L. S. (1997a). El defecto y la compensaci&oacute;n. In L. S. Vygotski (Ed.), <i>Obras Escogidas, V &#8211; Fundamientos de defectolog&iacute;a </i>(pp. 41-58). Madrid: Visor. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p >Vygotski, L. S. (1997b). Principios de la educaci&oacute;n de los ni&ntilde;os f&iacute;sicamente deficientes. In L. S. Vygotski (Ed.), <i>Obras Escogidas, V &#8211; Fundamientos de defectolog&iacute;a </i>(pp. 59-72). Madrid: Visor. </p>      <p >Vygotski, L. S. (1997c). Acerca de la psicolog&iacute;a y la pedagog&iacute;a de la defectividad infantil. In L. S. Vygotski (Ed.), <i>Obras Escogidas, V &#8211; Fundamientos de defectolog&iacute;a </i>(pp. 73-95). Madrid: Visor. </p>      <p >Vygotski, L. S. (1997d). Principios de la educaci&oacute;n social de los ni&ntilde;os sordomudos. In L. S. Vygotski (Ed.), <i>Obras Escogidas, V &#8211; Fundamientos de defectolog&iacute;a </i>(pp. 115-129). Madrid: Visor. </p>      <p >Vigotski, L. S. (2004a). <i>Psicologia pedag&oacute;gica</i>. S&atilde;o Paulo: Martins Fontes. </p>      <p >Vigotski, L. S. (2004b). O significado hist&oacute;rico da crise da psicologia. Uma investiga&ccedil;&atilde;o metodol&oacute;gica. In L. S. Vigotski (Ed.), <i>Teoria e m&eacute;todo em psicologia </i>(3&ordf; ed., pp. 201-417). S&atilde;o Paulo: Martins Fontes. </p>        <p >&nbsp;</p>        <p >NOTAS</p>      <p ><sup><a name="c1" id="c1"></a>(<a href="#topc1">*</a>)</sup>&nbsp; Este texto    foi produzido sob o ausp&iacute;cio do Conselho Nacional de Desenvolvimento    Cient&iacute;fico e Tecnol&oacute;gico &#8211; CNPq, atrav&eacute;s de cess&atilde;o    de Bolsa para P&oacute;s-Doutorado (Proc. 150224/2007-9), e teve a orienta&ccedil;&atilde;o    do Prof. Fernando Luis Gonz&aacute;lez Rey, para quem deixo aqui meus agradecimentos.  </p>      <p ><sup><a name="c2" id="c2"></a>(<a href="#topc2">**</a>)</sup> Dep. Psicologia    Social e Institucional/Mestrado em Educa&ccedil;&atilde;o, Universidade Estadual    de Londrina, C.P. 6001, Campus Universit&aacute;rio, Londrina, Paran&aacute;,    CEP; 86000-000, Brasil; E-mail: <a href="mailto:jbmartin@sercomtel.com.br">jbmartin@sercomtel.com.br</a>  </p>      <p ><sup><a href="#top1">1</a><a name="1"></a> </sup>Vamos encontrar v&aacute;rias    formas de nota&ccedil;&atilde;o para o nome de Vigotski. Optamos por empregar    a grafia Vigotski pois ela representa uma translitera&ccedil;&atilde;o mais    pr&oacute;xima ao portugu&ecirc;s. Manteremos nas indica&ccedil;&otilde;es bibliogr&aacute;ficas    a grafia adotada em cada uma delas. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p ><sup><a href="#top2">2</a><a name="2"></a> </sup>Ao longo do processo de elabora&ccedil;&atilde;o    deste texto tivemos informa&ccedil;&otilde;es sobre tr&ecirc;s vers&otilde;es    da obra Pedagogicheskaya Psihologiya (Psicologia Pedag&oacute;gica) de Vigotski.    A primeira vers&atilde;o intitula-se Educational Psychology, publicada pela    editora St. Lucie Press, no ano de 1997, traduzida por Robert Silverman, com    Introdu&ccedil;&atilde;o de V. V. Davidov. A segunda vers&atilde;o intitulada    Psicologia Pedag&oacute;gica, publicada pela editora Martins Fontes, em 2001    (primeira edi&ccedil;&atilde;o), traduzida por Paulo Bezerra. Nas refer&ecirc;ncias    catalogr&aacute;ficas desta vers&atilde;o somos informados que a tradu&ccedil;&atilde;o    foi realizada a partir da edi&ccedil;&atilde;o russa intitulada Pedagoguitcheskaya    Psikhol&oacute;guiya. Tendo em vista esta informa&ccedil;&atilde;o, utilizamos    este texto para referenciar nosso trabalho. Tivemos acesso ainda a uma terceira    vers&atilde;o, por&eacute;m j&aacute; esgotada. Trata-se da obra intitulada    Psicologia Pedag&oacute;gica &#8211; edi&ccedil;&atilde;o comentada, publicada    pela Artmed, em 2003, traduzida por Claudia Schilling. Trata-se de uma tradu&ccedil;&atilde;o    de uma tradu&ccedil;&atilde;o. O livro a partir do qual foi realizada a vers&atilde;o    em portugu&ecirc;s &eacute; uma edi&ccedil;&atilde;o espanhola intitulada Psicolog&iacute;a    Pedag&oacute;gica: un curso breve, publicado pela editora Aique, em 2001 que    teve como tradutor, organizador, prefaciador Guillermo Blanck. Ao compararmos    as tr&ecirc;s vers&otilde;es ficamos surpreendidos. Tanto a tradu&ccedil;&atilde;o    de Guillermo Blanck (que se subsidiou no original de 1926) como a tradu&ccedil;&atilde;o    de Robert Silverman (que se subsidiou na edi&ccedil;&atilde;o publicada pela    editora Pedagogika em 1991, e que traz a introdu&ccedil;&atilde;o de Davidov)    apresentam al&eacute;m de uma pequena introdu&ccedil;&atilde;o de Vigotski,    19 cap&iacute;tulos. J&aacute; a tradu&ccedil;&atilde;o realizada por Paulo    Bezerra &#8211; publicada pela Martins Fontes &#8211; &eacute; diferente: o    texto &eacute; apresentado com 21 cap&iacute;tulos. Sem algum tipo de explica&ccedil;&atilde;o,    o tradutor incluiu dois cap&iacute;tulos a mais no livro: o Cap. XX &#8211;    O problema do ensino e ao desenvolvimento mental na idade escolar e o Cap. XXI    &#8211; A din&acirc;mica do desenvolvimento mental do aluno escolar em fun&ccedil;&atilde;o    da aprendizagem. Nestes dois cap&iacute;tulos s&atilde;o apresentadas (1) a    discuss&atilde;o que Vigotski realiza em torno da no&ccedil;&atilde;o de zona    de desenvolvimento proximal e (2) a rela&ccedil;&atilde;o entre conceito cotidiano    e conceito cient&iacute;fico. A inser&ccedil;&atilde;o da discuss&atilde;o acerca    da rela&ccedil;&atilde;o entre conceito cient&iacute;fico e conceito cotidiano    e a introdu&ccedil;&atilde;o do conceito de ZDP nesta obra de Vigotski &eacute;    no m&iacute;nimo inconceb&iacute;vel, para n&atilde;o dizer irrespons&aacute;vel,    uma vez que ambas as quest&otilde;es s&atilde;o desenvolvidas por Vigotski na    d&eacute;cada de <st1:metricconverter ProductID="1930, a" w:st="on">1930, a no&ccedil;&atilde;o de ZDP foi introduzida    no contexto pedag&oacute;gico e psicol&oacute;gico pelo autor russo em 1933    (cf. van der Veer, 2007: 78 e van der Veer &amp; Valsiner, 1991: 329), e a discuss&atilde;o    sobre a rela&ccedil;&atilde;o entre conceito cient&iacute;fico e conceito cotidiano    foi iniciada em 1930 (cf. van der Veer &amp; Valsiner, 1991: 256-257). Entendemos    que tal situa&ccedil;&atilde;o nos leva ao erro, pois o tradutor ao proceder    tal inser&ccedil;&atilde;o, al&eacute;m de modificar um objeto hist&oacute;rico,    distorce a evolu&ccedil;&atilde;o do pensamento de Vigotski. </p>      <p ><sup><a href="#top3">3</a><a name="3"></a> </sup>O que nem sempre &eacute;    lembrado ou reconhecido nas interpreta&ccedil;&otilde;es e apropria&ccedil;&otilde;es    de sua obra (conforme Duarte, 2000; Elhammoumi, 2002). </p>      <p ><sup><a href="#top4">4</a><a name="4"></a> </sup>Ver Vygotski, 1990a,b,c,d,e,    1997a,b,c,d. </p>      <p ><sup><a href="#top5">5</a><a name="5"></a> </sup>Ver tamb&eacute;m Blanck,    2003. </p>      <p ><sup><a href="#top6">6</a><a name="6"></a> </sup>Kornilov, um defensor da    reactologia, assumiu a dire&ccedil;&atilde;o do Instituto de Psicologia de Moscou    em 1923. A influ&ecirc;ncia desta corrente de pensamento &#8211; a reactologia    &#8211; &eacute; muito grande nesse momento da psicologia russa. Luria assim    se refere a essa situa&ccedil;&atilde;o: &#8220;Quando cheguei, a situa&ccedil;&atilde;o    do Instituto era de fato muito peculiar. Os nomes de todos os laborat&oacute;rios    haviam mudado, de modo a inclu&iacute;rem o termo &#8216;rea&ccedil;&otilde;es&#8217;:    havia um laborat&oacute;rio de rea&ccedil;&otilde;es visuais (percep&ccedil;&atilde;o),    um de rea&ccedil;&otilde;es mnem&ocirc;nicas (mem&oacute;ria), um de rea&ccedil;&otilde;es    emocionais, e assim por diante. O objetivo de tudo isto era eliminar quaisquer    tra&ccedil;os de psicologia subjetiva, e substitu&iacute;-la por um tipo de    behaviorismo&#8221; (Luria, 1992: 36). </p>      <p ><sup><a href="#top7">7</a><a name="7"></a> </sup>N&atilde;o podemos perder    de vista que o livro era destinado &agrave; forma&ccedil;&atilde;o de professores.  </p>      <p ><sup><a href="#top8">8</a><a name="8"></a> </sup>Esta mesma ideia ser&aacute;    apresentada em texto posterior onde Vigotski discute especificamente a quest&atilde;o    da consci&ecirc;ncia como objeto da psicologia do comportamento (Vygotski,1990c).  </p>      <p ><sup><a href="#top9">9</a><a name="9"></a> </sup>Tem&aacute;tica que ser&aacute;    amplamente discutida em seu livro &#8220;Pensamiento e Linguagem&#8221; (1993).  </p>      <p ><sup><a href="#top10">10</a><a name="10"></a> </sup>Entendemos por altera&ccedil;&atilde;o    o processo a partir do qual o sujeito se transforma (se converte em outro) sem    perder sua identidade, em fun&ccedil;&atilde;o de influ&ecirc;ncias (que podem    ser positivas ou negativas) exercidas pelo outro (ou outros). De um modo geral,    a altera&ccedil;&atilde;o implica efeitos mais ou menos rec&iacute;procos entre    pessoas, portanto, modifica&ccedil;&otilde;es (cf. Ardoino, 2000: 195-196).  </p>      <p ><sup><a href="#top11">11</a><a name="11"></a> </sup>Para uma discuss&atilde;o    contempor&acirc;nea acerca da quest&atilde;o da subjetividade no &acirc;mbito    da teoria hist&oacute;ricocultural, ver Rey (2003). </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p ><sup><a href="#top12">12</a><a name="12"></a> </sup>Tendo em vista esta concep&ccedil;&atilde;o    de ideologia, temos aqui uma compreens&atilde;o do fen&ocirc;meno que se ap&oacute;ia    numa determina&ccedil;&atilde;o mec&acirc;nica, cuja inspira&ccedil;&atilde;o    pode esta subsidiada numa vers&atilde;o objetivista do marxismo. </p>      <p ><sup><a href="#top13">13</a><a name="13"></a> </sup>Para uma discuss&atilde;o    mais ampliada sobre o conceito de consci&ecirc;ncia nas obras marxistas, ver    Markus (1975). </p>      <p ><sup><a href="#top14">14</a><a name="14"></a> </sup>Tal cita&ccedil;&atilde;o    foi utilizada por Vigotski como ep&iacute;grafe para seu texto &#8220;A consci&ecirc;ncia    como problema da psicologia do comportamento&#8221; (Vygotski, 1990c). </p>      <p ><sup><a href="#top15">15</a><a name="15"></a> </sup>Duplicidade esta vinculada    ao processo de desenvolvimento da linguagem. Segundo Luria (1979), a linguagem    propicia ao homem duplicar sua experi&ecirc;ncia cognitiva, caracterizando n&atilde;o    mais um comportamento imediato, mas um comportamento mediado. </p>      <p ><sup><a href="#top16">16</a><a name="16"></a> </sup>No livro Psicologia Pedag&oacute;gica,    Vigotski apresenta algumas explica&ccedil;&otilde;es sobre o desenvolvimento    infantil, o que ser&aacute; consolidado em 1931, em seu livro &#8220;Historia    del desarrollo de las funciones ps&iacute;quicas superiores&#8221; (Vygotski,    1995). </p>      <p ><sup><a href="#top17">17</a><a name="17"></a> </sup>Tal quest&atilde;o foi    exaustivamente discutida no texto &#8220;O significado hist&oacute;rico da crise    da psicologia. Uma investiga&ccedil;&atilde;o metodol&oacute;gica&#8221;, de    1927 (Vigotski, 2004b). </p>      <p ><sup><a href="#top18">18</a><a name="18"></a> </sup>Vigotski se refere aqui    a tr&ecirc;s formas b&aacute;sicas de estudo da personalidade da crian&ccedil;a,    quais sejam: a observa&ccedil;&atilde;o cientificamente ordenada; o estudo psicoexperimental    da personalidade da crian&ccedil;a e o experimento natural. </p>      <p ><sup><a href="#top19">19</a><a name="19"></a> </sup>Tal afirma&ccedil;&atilde;o    nos leva a pensar que Vigotski pressup&otilde;e &#8211; implicitamente &#8211;    a supera&ccedil;&atilde;o das contradi&ccedil;&otilde;es inerentes ao processo    revolucion&aacute;rio, bem como o modelo capitalista e burgu&ecirc;s de educa&ccedil;&atilde;o    vigente at&eacute; ent&atilde;o. </p>      <p ><sup><a href="#top20">20</a><a name="20"></a> </sup>O sentido que atribu&iacute;mos    a esse termo &eacute; o mesmo do de Deleuze (1974), qual seja, o paradoxo &eacute;    uma afirma&ccedil;&atilde;o que comporta, ao mesmo tempo, dois sentidos opostos.  </p>      <p ><sup><a href="#top21">21</a><a name="21"></a> </sup>Mais detalhes sobre essa    quest&atilde;o, ver van der Veer (1991, 1985). </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>           ]]></body><back>
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<ref id="B1">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Deleuze]]></surname>
<given-names><![CDATA[G.]]></given-names>
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<source><![CDATA[Lógica do sentido]]></source>
<year>1974</year>
<edition>3</edition>
<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Perspectiva]]></publisher-name>
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