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<journal-title><![CDATA[Análise Psicológica]]></journal-title>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Entrevista com o Professor Irving Kirsch - Uma conversa acerca da hipnose clínica e experimental]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article presents a transcript of an interview with the psychologist, researcher and reference author in the field of hypnosis Irving Kirsch, PhD. The interview took place in one of his visits to Portugal, and covers the main topics for a basic introduction to the theme of clinical and experimental hypnosis, allowing both professionals and public to better understand what is hypnosis, its applications in clinical and health contexts, and the state of the art of the research in the field. Professional issues such as the decision about using hypnosis in health care as well as how to choose legitimate opportunities of training are also addressed.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><b >Entrevista com o Professor Irving Kirsch &#8211; Uma conversa acerca da    hipnose cl&iacute;nica e experimental </b></p>      <p>&nbsp;</p>      <p >Cl&aacute;udia Carvalho <sup><a name="topc1"></a>(<a href="#c1">*</a>)</sup></p>      <p>&nbsp;</p>      <p >RESUMO </p>      <p >O artigo apresenta uma entrevista com o psic&oacute;logo, investigador e autor de refer&ecirc;ncia na &aacute;rea da hipnose cl&iacute;nica e experimental Irving Kirsch. Esta entrevista foi realizada aquando de uma das visitas de Irving Kirsch a Portugal, e cobre os t&oacute;picos essenciais para uma introdu&ccedil;&atilde;o ao tema da hipnose cl&iacute;nica e experimental, permitindo a profissionais e p&uacute;blico uma melhor compreens&atilde;o do que &eacute; a hipnose cl&iacute;nica, quais as suas aplica&ccedil;&otilde;es, particularmente em contextos de sa&uacute;de e qual o estado da arte da investiga&ccedil;&atilde;o em hipnose experimental. S&atilde;o ainda abordados os cuidados a ter na decis&atilde;o de usar a hipnose em sa&uacute;de e na selec&ccedil;&atilde;o de entidades leg&iacute;timas de forma&ccedil;&atilde;o em hipnose </p>      <p ><i>Palavras-chave: </i>Forma&ccedil;&atilde;o, Hipnose, Hipnoterapia, Utiliza&ccedil;&atilde;o em sa&uacute;de. </p>      <p >&nbsp;</p>      <p >ABSTRACT </p>      <p >This article presents a transcript of an interview with the psychologist, researcher and reference author in the field of hypnosis Irving Kirsch, PhD. The interview took place in one of his visits to Portugal, and covers the main topics for a basic introduction to the theme of clinical and experimental hypnosis, allowing both professionals and public to better understand what is hypnosis, its applications in clinical and health contexts, and the state of the art of the research in the field. Professional issues such as the decision about using hypnosis in health care as well as how to choose legitimate opportunities of training are also addressed. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p ><i>Key-words: </i>Health care utilization, Hypnosis, Hypnotherapy, Training. </p>      <p >&nbsp;</p>      <p >De origem norte-americana, Irving Kirsch, doutorado em Psicologia e investigador,    &eacute; um autor de refer&ecirc;ncia na &aacute;rea da hipnose cl&iacute;nica    e experimental. Foi presidente da Divis&atilde;o 30 (<i>Society for Psychological    Hypnosis</i><sup><a name="top1"></a><a href="#1">1</a></sup>) da <i>American    Psychological Association </i>no per&iacute;odo de 1993-94, e faz parte da sua    comiss&atilde;o executiva desde 1983, onde para al&eacute;m da posi&ccedil;&atilde;o    de Presidente, j&aacute; assumiu os cargos de <i>Membership Chair, Nominations    Chair, and Awards Chair</i>. &Eacute; autor de 9 livros, de onde se destacam    <i>Handbook of Clinical Hypnosis </i>(1993) e <i>Essentials of Clinical Hypnosis:    An Evidence-based Approach (Dissociation, Trauma, Memory, and Hypnosis Book    Series)</i>, ambos em co-autoria com S.J.Lynn (2006), <i>How Expectancies Shape    Experience </i>(1999), <i>Hypnosis: Theory, Research And Application </i>(2006)    e <i>The Emperor&#8217;s New Drugs: Exploding the Antidepressant Myth </i>(2009):    &Eacute; ainda autor de 40 cap&iacute;tulos de livros e mais de 180 artigos    cient&iacute;ficos que versam, entre outros temas, sobre hipnose, sugest&atilde;o    e efeito placebo. O seu trabalho tem sido publicado em revistas como <i>PLoS    Medicine, American Psychologist, Psychological Bulletin, Psychological Science,    Journal of Consulting and Clinical Psychology, Journal of Neuroscience, Journal    of Personality and Social Psychology, Journal of Abnormal Psychology, Pain,    Journal of Experimental Psychology: Applied, British Medical Journal, Annals    of Behavioral Medicine, Psychopharmacology, Biological Psychiatry, Behavioral    Neuroscience, Archives of General Psychiatry, e Journal of Neuroscience, </i>bem    como em revistas especializadas no tema da hipnose, como o <i>International    Hournal of Clinical and Experimental Hypnosis </i>(do qual &eacute; consultor    editorial) e do <i>Contemporary Hypnosis </i>(do qual &eacute; editor associado).    Detentor de v&aacute;rios pr&eacute;mios de m&eacute;rito, entre os quais se    salienta o <i>Ernest R. Hilgard Award for Scientific Excellence da International    Society of Hypnosis </i>(2003), o <i>Scientific Contributions in Hypnosis Award    da American Psychological Association Division 30 </i>(2003), e o <i>Presidential    Award da Society for Clinical &amp; Experimental Hypnosis </i>(1999). </p>      <p >Desde 2005 esteve j&aacute; quatro vezes em Portugal a convite do ISPA para ministrar confer&ecirc;ncias e pequenos cursos, bem como arguir a disserta&ccedil;&atilde;o de doutoramento da autora destas linhas. O texto que aqui se transcreve resulta de uma conversa gravada aquando de uma dessas visitas, onde Irving Kirsch explica de forma acess&iacute;vel a todos os p&uacute;blicos o que &eacute; a hipnose, quais as suas aplica&ccedil;&otilde;es cl&iacute;nicas, particularmente em contextos de sa&uacute;de, e quais os cuidados a ter na decis&atilde;o de usar a hipnose em sa&uacute;de e na selec&ccedil;&atilde;o de entidades leg&iacute;timas de forma&ccedil;&atilde;o em hipnose. Actualmente  Irving Kirsch &eacute; professor na Universidade de Hull no Reino Unido. </p>      <p >&nbsp;</p>        <p><b>Cl&aacute;udia Carvalho</b> </p>      <p ><b>(CC)</b> De que falamos quando falamos de hipnose? </p>          <p><b>Irving Kirsch </b></p>      <p ><b>(IK)</b> Em primeiro lugar deixe-me deixar claro que o que vamos falar    &eacute; de hipnose cl&iacute;nica e n&atilde;o de hipnose de palco, que &eacute;    uma coisa muito diferente. A hipnose cl&iacute;nica consiste numa situa&ccedil;&atilde;o    em que uma pessoa, um hipnotizador ou um terapeuta, faz sugest&otilde;es de    mudan&ccedil;as espec&iacute;ficas na experi&ecirc;ncia de um sujeito ou paciente.    Estas sugest&otilde;es poder&atilde;o ser por exemplo, a sugest&atilde;o de    que vai sentir menos dor, ou menos ansiedade numa situa&ccedil;&atilde;o particular.    Trata-se de uma ferramenta terap&ecirc;utica que pode ser usada em conjunto    com qualquer terapia em que o terapeuta tenha compet&ecirc;ncia. Assim poderemos    usar a hipnose num quadro de refer&ecirc;ncia cognitivo-comportamental, psicanal&iacute;tico,    ou qualquer outro. Qualquer abordagem terap&ecirc;utica pode ser incrementada    com a adi&ccedil;&atilde;o da hipnose. </p>      <p ><b>CC</b> &Eacute; do conhecimento geral que a hipnose foi utilizada e posteriormente    abandonada por Freud, o que levou &agrave; no&ccedil;&atilde;o generalizada    de que esta n&atilde;o &eacute; uma boa ferramenta terap&ecirc;utica... </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p ><b>IK</b> Sabemos actualmente que a hipnose &eacute; uma ferramenta terap&ecirc;utica    &uacute;til, e possu&iacute;mos este conhecimento a partir dos estudos emp&iacute;ricos    acerca da efic&aacute;cia da psicoterapia. T&ecirc;m sido publicadas v&aacute;rias    meta-an&aacute;lises<sup><a name="top2"></a><a href="#2">2</a></sup>e estudos    emp&iacute;ricos que demonstram que a hipnose aumenta a efic&aacute;cia da terapia    psicanal&iacute;tica e da terapia cognitivo-comportamental, e o efeito do ponto    de vista estat&iacute;stico &eacute; bastante grande. </p>      <p ><b>CC</b> Mas Freud abandonou a hipnose... </p>        <p ><b>IK</b> Freud estava consciente do facto de que as pessoas n&atilde;o s&atilde;o    todas sugestion&aacute;veis da mesma forma, i.e., h&aacute; pessoas mais sugestion&aacute;veis    do que outras. Freud abandonou a hipnose em favor da associa&ccedil;&atilde;o    livre, que &eacute; uma situa&ccedil;&atilde;o onde n&atilde;o &eacute; necess&aacute;rio    possuir nenhum grau particular de sugestionabilidade. Freud estava tamb&eacute;m    preocupado com a possibilidade de sugestionar demasiado os seus pacientes. No    seu esfor&ccedil;o para descobrir experi&ecirc;ncias, ideias e desejos provenientes    do passado, ele come&ccedil;ou a ficar preocupado com a possibilidade de algumas    das mem&oacute;rias que ele estava a ajudar a revelar nos seus pacientes poderiam    ter sido sugeridas no processo terap&ecirc;utico, o que o levou a preocupar-se    com a utiliza&ccedil;&atilde;o de procedimentos sugestivos. N&atilde;o sabemos    com exactid&atilde;o, mas &eacute; bastante poss&iacute;vel. E certamente se    ele tinha esta preocupa&ccedil;&atilde;o, ela era leg&iacute;tima porque se    h&aacute; uma situa&ccedil;&atilde;o onde a hipnose n&atilde;o &eacute; uma    boa ferramenta &eacute; na recupera&ccedil;&atilde;o de mem&oacute;rias, uma    vez que h&aacute; o enorme perigo de que aquilo que se recupere seja uma falsa    mem&oacute;ria. A quest&atilde;o &eacute; que a hipnose envolve largamente a    imagina&ccedil;&atilde;o e a fantasia, pelo que quando se pede a algu&eacute;m    para fazer alguma coisa sob hipnose, inclusive quando se pede para recordar    alguma coisa, &eacute; muito prov&aacute;vel que a pessoa fantasie e imagine    coisas que podem ter ou n&atilde;o acontecido. As pessoas acreditam incorrectamente    que a hipnose &eacute; uma forma de aceder &agrave;s mem&oacute;rias inconscientes    e consequentemente acreditam erradamente que algo que imaginaram realmente aconteceu.    Esse n&atilde;o &eacute; de todo a utiliza&ccedil;&atilde;o apropriada da hipnose<sup><a name="top3"></a><a href="#3">3</a></sup>.  </p>        <p ><b>CC</b> Quais as aplica&ccedil;&otilde;es cl&iacute;nicas da hipnose? </p>        <p ><b>IK</b> Tudo o que se pode fazer num contexto cl&iacute;nico pode fazer-se    utilizando a hipnose. Por exemplo, se se vai utilizar t&eacute;cnicas de relaxamento    num contexto de interven&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica, por exemplo para tratar    um dist&uacute;rbio do sono (de origem psicol&oacute;gica) ou de ansiedade,    o procedimento de relaxamento pode utilizar a hipnose e pode-se ensinar aos    pacientes auto-hipnose, i.e, a administrar hipnose a si mesmos e us&aacute;-la    como uma forma de relaxamento. Sabemos a partir dos estudos emp&iacute;ricos    que a hipnose aumenta a efic&aacute;cia das interven&ccedil;&otilde;es, ou seja    as pessoas experimentam ainda menos ansiedade do que se lhes apresentarmos o    procedimento apenas como relaxamento. Do mesmo modo pode-se explorar temas pessoais    no contexto da hipnose, situa&ccedil;&atilde;o em que a hipnose fornece uma    atmosfera relaxada e facilitadora da introspec&ccedil;&atilde;o pessoal onde    o paciente se poder&aacute; sentir mais confort&aacute;vel ou compreender melhor    qual o seu papel no contexto da psicoterapia. </p>        <p ><b>CC</b> E no &acirc;mbito da Psicologia da Sa&uacute;de? </p>        <p ><b>IK</b> Um dos mais estudados, melhor avaliados e mais &uacute;teis aspectos    da hipnose no campo da Psicologia da Sa&uacute;de &eacute; a sua capacidade    para reduzir a dor. Isto &eacute; algo que &eacute; conhecido e estudado h&aacute;    mais de 150 anos. Sabemos que quanto mais sugestion&aacute;vel a pessoa for,    mais benef&iacute;cio poder&aacute; retirar de uma redu&ccedil;&atilde;o de    dor atrav&eacute;s da hipnose. Sabemos tamb&eacute;m que cerca de 75% da popula&ccedil;&atilde;o    pode alcan&ccedil;ar uma redu&ccedil;&atilde;o da dor significativa atrav&eacute;s    da utiliza&ccedil;&atilde;o da hipnose e da sugest&atilde;o auto hipn&oacute;tica.    A hipnose tem sido estudada em muitos contextos de doen&ccedil;as que envolvem    dor, como a doen&ccedil;a oncol&oacute;gica, queimaduras e dor p&oacute;s-operat&oacute;ria    e em todos estes contextos tem-se conseguido obter uma redu&ccedil;&atilde;o    substancial da dor, que iguala ou ultrapassa qualquer outro procedimento psicol&oacute;gico    conhecido para controlo da dor. As pessoas, depois de aprender hipnose e auto-hipnose,    n&atilde;o s&oacute; referem sentir menos dor, como tamb&eacute;m consomem menos    medica&ccedil;&atilde;o para redu&ccedil;&atilde;o da dor. Uma outra aplica&ccedil;&atilde;o    bastante bem documentada &eacute; a do tratamento da obesidade. Coadjuvar hipnose    com tratamentos para perder peso, aumenta a efic&aacute;cia destes, quer a curto    quer a longo prazo. Sabemos que um dos principais problemas no controlo do peso    reside no facto de que as pessoas que perdem peso tornam a recuper&aacute;-lo    rapidamente. De acordo com a investiga&ccedil;&atilde;o realizada at&eacute;    &agrave; data em programas de controlo do peso coadjuvados com hipnose, esta    parece prevenir a recupera&ccedil;&atilde;o do peso, tendo-se verificado a manuten&ccedil;&atilde;o    do peso desejado ao fim de dois anos<a name="top4"></a><sup><a href="#4">4</a></sup>.  </p>        <p ><b>CC</b> &Eacute; necess&aacute;rio que uma pessoa seja muito sugestion&aacute;vel    para beneficiar dos efeitos da hipnose? </p>        <p ><b>IK</b> N&atilde;o necessariamente. De uma forma geral as pessoas mais sugestion&aacute;veis    t&ecirc;m maior probabilidade de obter mais benef&iacute;cios da adi&ccedil;&atilde;o    da hipnose a um tratamento, mas esta correla&ccedil;&atilde;o apesar de estatisticamente    significativa &eacute; relativamente baixa. Por outro lado, existem muitas pessoas    que s&atilde;o pouco sugestion&aacute;veis mas que retiram benef&iacute;cios    da utiliza&ccedil;&atilde;o da hipnose. Claro que h&aacute; algumas sugest&otilde;es    hipn&oacute;ticas que requerem mais compet&ecirc;ncias hipn&oacute;ticas por    parte do sujeito. Por exemplo, uma alucina&ccedil;&atilde;o visual negativa    (n&atilde;o ver algo que est&aacute; presente &agrave; vista do sujeito) n&atilde;o    &eacute; pass&iacute;vel de ser experimentado por pessoas n&atilde;o sugestion&aacute;veis.    J&aacute; outras sugest&otilde;es, como por exemplo a sugest&atilde;o para relaxar,    pode ser experimentada por praticamente toda a gente. Por exemplo a sugest&atilde;o    utilizada para demonstra&ccedil;&atilde;o da hipnose e avalia&ccedil;&atilde;o    da sugestionabilidade em que se sugere ao indiv&iacute;duo que as suas m&atilde;os    est&atilde;o a ser atra&iacute;das uma para a outra por uma for&ccedil;a irresist&iacute;vel,    pode ser experimentada por 80% da popula&ccedil;&atilde;o. Assim h&aacute; muitas    coisas que n&atilde;o requerem sugestionabilidade por parte do sujeito, outras    que sim. Por exemplo num trabalho realizado por Cl&aacute;udia Carvalho, Giuliana    Mazzoni e eu pr&oacute;prio acerca da ades&atilde;o a prescri&ccedil;&otilde;es    de sa&uacute;de<sup><a name="top5"></a><a href="#5">5</a></sup>, a sugestionabilidade    hipn&oacute;tica parece influenciar negativamente a ades&atilde;o: a utiliza&ccedil;&atilde;o    de hipnose com indiv&iacute;duos pouco sugestion&aacute;veis levou a uma redu&ccedil;&atilde;o    na efic&aacute;cia de uma interven&ccedil;&atilde;o que visava aumentar a ades&atilde;o    a uma prescri&ccedil;&atilde;o de exerc&iacute;cio f&iacute;sico. Contudo em    muitas outras situa&ccedil;&otilde;es n&atilde;o existe esta associa&ccedil;&atilde;o.  </p>        <p ><b>CC</b> A investiga&ccedil;&atilde;o emp&iacute;rica em hipnose tem j&aacute;    uma longa hist&oacute;ria de cerca de 75 anos. Quais as quest&otilde;es de investiga&ccedil;&atilde;o    que j&aacute; est&atilde;o respondidas, e quais as que permanecem por responder?  </p>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p ><b>IK</b> Os efeitos da hipnose na mem&oacute;ria foram j&aacute; bem estabelecidos.    N&oacute;s sabemos que a hipnose aumenta os relatos mn&eacute;sicos, mas metade    dessas novas mem&oacute;rias n&atilde;o s&atilde;o precisas, ou seja a hipnose    n&atilde;o aumenta a precis&atilde;o com que nos recordamos das coisas. Sabemos    tamb&eacute;m que h&aacute; fortes diferen&ccedil;as individuais na responsividade    &agrave; hipnose: a maior parte das pessoas &eacute; capaz de responder a algumas    sugest&otilde;es hipn&oacute;ticas mas n&atilde;o a outras, h&aacute; algumas    pessoas que s&atilde;o capazes de responder a praticamente qualquer sugest&atilde;o,    e algumas pessoas n&atilde;o respondem a nenhuma (n&atilde;o s&atilde;o pass&iacute;veis    de ser hipnotizadas), e esta caracter&iacute;stica tem uma distribui&ccedil;&atilde;o    normal, como a maioria das caracter&iacute;sticas pessoais. Sabemos que a responsividade    &agrave; hipnose &eacute; bastante est&aacute;vel, tem uma correla&ccedil;&atilde;o    teste-reteste de cerca de .75 num per&iacute;odo de 25 anos<sup><a name="top6"></a><a href="#6">6</a></sup>,    o que &eacute; bastante impressionante. Por outro lado, ainda n&atilde;o fomos    capazes de encontrar correlatos fi&aacute;veis da sugestionabilidade ou hipnotizabilidade    (i.e., tra&ccedil;os que estejam correlacionados com esta caracter&iacute;stica),    apesar de 15 anos de investiga&ccedil;&atilde;o sobre este tema. O melhor correlato    da hipnotizabilidade &eacute; a expectativa<a name="top7"></a><sup><a href="#7">7</a></sup>.    A cren&ccedil;a da pessoa de que vai ser capaz de experimentar a hipnose &eacute;    um bom predictor da extens&atilde;o com que ela a experimenta. N&atilde;o &eacute;    uma correla&ccedil;&atilde;o muito alta, mas &eacute; a mais alta correla&ccedil;&atilde;o    encontrada para um predictor da resposta hipn&oacute;tica. O segundo melhor    predictor &eacute; a motiva&ccedil;&atilde;o, que adiciona um pouco de poder    predictivo. Em terceiro lugar temos um conjunto de vari&aacute;veis que est&atilde;o    altamente correlacionadas entre si e que medem coisas como a tend&ecirc;ncia    &agrave; fantasia, isto &eacute; a capacidade para se deixar envolver em actividades    imaginativas, como por exemplo, deixar-se envolver a ver o p&ocirc;r do sol.    Esta capacidade est&aacute; correlacionada com a hipnotizabilidade, mas esta    correla&ccedil;&atilde;o, apesar de significativa, &eacute; muito baixa. Quando    se controla v&aacute;rios artefactos consegue-se uma correla&ccedil;&atilde;o    de cerca de .15. Ent&atilde;o estamos a falar de 1%, 2% da vari&acirc;ncia,    o que &eacute; uma associa&ccedil;&atilde;o muito baixa. Mesmo assim, tendo    em conta que a hipnotizabilidade em si mesma parece ser um tra&ccedil;o est&aacute;vel,    deve estar associada a alguma coisa, pelo que os investigadores continuam a    procurar encontrar correla&ccedil;&otilde;es. Sabemos tamb&eacute;m alguma coisa    acerca dos determinantes sociais da resposta hipn&oacute;tica. Estes factores    sociais s&atilde;o as expectativas, as cren&ccedil;as e a motiva&ccedil;&atilde;o.    As cren&ccedil;as das pessoas determinam como &eacute; que elas v&atilde;o responder    &agrave; hipnose, se v&atilde;o ou n&atilde;o ficar relaxadas, e o que &eacute;    que vai acontecer quando elas est&atilde;o hipnotizadas. As cren&ccedil;as parecem    ser o maior determinante do que acontece quando se est&aacute; hipnotizado.    Este tema est&aacute; bastante estudado e &eacute; bem conhecido. O que &eacute;    menos bem conhecido, e eu penso que esta &eacute; talvez a &aacute;rea mais    importante na investiga&ccedil;&atilde;o de base em hipnose &eacute;, quais    s&atilde;o os processos cognitivos pelos quais as pessoas s&atilde;o capazes    de ter as experi&ecirc;ncias alteradas que t&ecirc;m quando respondem a uma    sugest&atilde;o hipn&oacute;tica. Por exemplo, sabemos que se dermos uma sugest&atilde;o    a uma pessoa para olhar para algo e n&atilde;o ver esse algo (talvez ter tr&ecirc;s    bolas em cima de uma mesa e dizemos-lhe que s&oacute; est&atilde;o duas), as    pessoas muito sugestion&aacute;veis ver&atilde;o apenas duas bolas, n&atilde;o    ver&atilde;o a terceira bola, e n&oacute;s podemos verificar que elas n&atilde;o    est&atilde;o a mentir por meio de estudos em que se utiliza imagiologia cerebral,    que &eacute; uma &aacute;rea em franco crescimento e de grande utilidade quer    em si mesma quer na hipnose. N&oacute;s sabemos que as pessoas s&atilde;o capazes    disto, mas n&atilde;o sabemos como o fazem. Provavelmente est&aacute; relacionado    com um fen&oacute;meno similar que tem lugar fora da hipnose e que &eacute;    a cegueira n&atilde;o intencional, i.e., um fen&oacute;meno no qual a pessoa    n&atilde;o v&ecirc; algo que &eacute; claramente vis&iacute;vel porque a sua    aten&ccedil;&atilde;o est&aacute; dirigida para outro lado. A cegueira n&atilde;o    intencional &eacute; muito similar ao que os hipnotizadores chamam de alucina&ccedil;&atilde;o    negativa, i.e., uma sugest&atilde;o para n&atilde;o ver algo que est&aacute;    l&aacute;. &Eacute; prov&aacute;vel que os dois processos estejam ligados, mas    n&atilde;o sabemos como &eacute; que este fen&oacute;meno, ou outros como a    redu&ccedil;&atilde;o da dor, ou a alucina&ccedil;&atilde;o positiva, s&atilde;o    produzidos. Esta &eacute; a tarefa actual para a investiga&ccedil;&atilde;o    de base em hipnose e &eacute; muito importante. </p>        <p ><b>CC</b> H&aacute; alguma situa&ccedil;&atilde;o em que n&atilde;o devemos    considerar a utiliza&ccedil;&atilde;o da hipnose? </p>      <p ><b>IK</b> Sim. Certamente n&atilde;o deveremos utilizar a hipnose para recuperar    mem&oacute;rias, particularmente mem&oacute;rias reprimidas, devido ao grande    perigo de confabula&ccedil;&atilde;o e desenvolvimento de falsas mem&oacute;rias    que hipnose pode exacerbar. Do mesmo modo que a hipnose aumenta o benef&iacute;cio    terap&ecirc;utico de praticas cl&iacute;nicas adequadas, pode tamb&eacute;m    aumentar o dano de pr&aacute;ticas terap&ecirc;uticas perigosas, e a recupera&ccedil;&atilde;o    de mem&oacute;rias, parece ser uma dessas pr&aacute;ticas. Em alguns casos,    essas pr&aacute;ticas t&ecirc;m sido levadas a extremos, como a pr&aacute;tica    terap&ecirc;utica de recupera&ccedil;&atilde;o de mem&oacute;rias de vidas passadas,    o que sabemos ser uma impossibilidade fisiol&oacute;gica. Evidentemente que    as fantasias n&atilde;o s&atilde;o perigosas em si mesmas, mas a cren&ccedil;a    nessas fantasia significa que se perde contacto com a realidade e isso pode    ser perigoso. </p>      <p ><b>CC</b> A hipnose deve ser evitada em determinadas patologias ou personalidades?  </p>      <p ><b>IK</b> N&atilde;o. Contudo eu evitaria usar a hipnose em qualquer pessoa    que tenha medo ou atitudes negativas face &agrave; hipnose. Teria tamb&eacute;m    precau&ccedil;&otilde;es relativamente ao seu uso em pessoas que t&ecirc;m a    expectativa de uma cura m&aacute;gica, ou que acham que a hipnose vai fazer    o trabalho todo por elas, porque como sabemos, a terapia significa trabalho    n&atilde;o apenas para o terapeuta, mas tamb&eacute;m para o paciente. Nesta    situa&ccedil;&atilde;o podemos obter o efeito contr&aacute;rio, ou seja, a pessoa    como espera que a hipnose resolva tudo sozinha n&atilde;o faz o trabalho terap&ecirc;utico    necess&aacute;rio. Nestas situa&ccedil;&otilde;es &eacute; necess&aacute;rio    uma educa&ccedil;&atilde;o e prepara&ccedil;&atilde;o do paciente durante o    processo de tomada de decis&atilde;o relativamente &agrave; utiliza&ccedil;&atilde;o    da hipnose. &Eacute; importante salientar que a hipnose n&atilde;o &eacute;    algo que &eacute; feito pelo terapeuta. O terapeuta assume um papel de professor    onde ensina ao paciente como se hipnotizar a si pr&oacute;prio. Nesse sentido,    toda a hipnose &eacute; efectivamente auto-hipnose, e o terapeuta &eacute; apenas    um guia, um facilitador, que ensina auto-hipnose ao paciente. </p>      <p ><b>CC</b> Quais dever&atilde;o ser os cuidados a ter por parte de uma pessoa    que esteja interessada em utilizar a hipnose para tratar uma determinada condi&ccedil;&atilde;o    cl&iacute;nica? </p>      <p ><b>IK</b> Em primeiro lugar dever&aacute; procurar um terapeuta que dever&aacute;    estar qualificado para fazer o tratamento que a pessoa procura, e n&atilde;o    possuir apenas forma&ccedil;&atilde;o em hipnose. Ter uma pessoa que apenas    sabe hipnose mas que n&atilde;o est&aacute; qualificada para uma interven&ccedil;&atilde;o    cl&iacute;nica, &eacute; como ter algu&eacute;m que apenas sabe dar uma injec&ccedil;&atilde;o    de novoca&iacute;na e a seguir faz um tratamento dent&aacute;rio, o que &eacute;    evidentemente insuficiente, pois &eacute; preciso ter estudado medicina dent&aacute;ria    para se poder praticar interven&ccedil;&otilde;es dent&aacute;rias. J&aacute;    agora &eacute; &uacute;til referir que muitos dentistas utilizam a hipnose para    controlar a ansiedade e a dor que algumas pessoas sentem durante os tratamentos    dent&aacute;rios. &Eacute; importante compreender que a hipnose n&atilde;o &eacute;    uma terapia, &eacute; uma ferramenta que se usa no contexto de uma terapia.    Por essa raz&atilde;o n&atilde;o existe hipnoterapia isoladamente. Um psic&oacute;logo    cl&iacute;nico ou da sa&uacute;de pode usar a hipnose, tal como um m&eacute;dico    ou um enfermeiro ou outro profissional de sa&uacute;de qualificado pode considerar    a utiliza&ccedil;&atilde;o da hipnose &uacute;til para incrementar um tratamento.    A chave para saber se algu&eacute;m est&aacute; a usar a hipnose de forma leg&iacute;tima    &eacute; perguntar &#8220;est&aacute; esta pessoa a fazer um tratamento para    o qual estaria qualificada se n&atilde;o estivesse a usar hipnose?&#8221; Se    a resposta for sim, trata-se de um uso leg&iacute;timo e a hipnose &eacute;    potencialmente muito &uacute;til. Se a resposta for n&atilde;o, ent&atilde;o    est&aacute; perante uma pessoa que est&aacute; a praticar a psicologia ou a    medicina (ou outra profiss&atilde;o no &acirc;mbito sa&uacute;de) sem possuir    as credenciais para tal. </p>      <p ><b>CC</b> &Eacute; pois imprescind&iacute;vel que se trate de um profissional    de sa&uacute;de devidamente credenciado e habilitado para exercer numa determinada    &aacute;rea da medicina ou da psicologia. E onde pode um profissional de sa&uacute;de    aprender hipnose cl&iacute;nica? </p>      <p ><b>IK</b> Um profissional de sa&uacute;de interessado em aprender hipnose    dever&aacute; procurar entidades que sejam perten&ccedil;a de universidades    ou entidades afiliadas em sociedades internacionais de hipnose devidamente acreditadas,    como a <i>International Society of Hypnosis </i>(ISH), que tem dispon&iacute;vel    (no seu web site<sup><a name="top8"></a><a href="#8">8</a></sup>) uma lista    das associa&ccedil;&otilde;es afiliadas nos v&aacute;rios pa&iacute;ses, que    promovem cursos de forma&ccedil;&atilde;o e outras actividades devidamente acreditadas    pela ISH. No website da Divis&atilde;o 30 da American Psychological Association    tamb&eacute;m &eacute; poss&iacute;vel encontrar liga&ccedil;&otilde;es para    as associa&ccedil;&otilde;es profissionais de hipnose que promovem ac&ccedil;&otilde;es    de forma&ccedil;&atilde;o em hipnose cl&iacute;nica em territ&oacute;rio Norte-Americano.    &Eacute; necess&aacute;rio ser cauteloso porque h&aacute; v&aacute;rias organiza&ccedil;&otilde;es    de hipnotizadores leigos que oferecem forma&ccedil;&atilde;o em hipnose e credenciam    pessoas como hipnoterapeutas, sem que estas possuam qualquer forma&ccedil;&atilde;o    cl&iacute;nica. Sabemos que existem as mais variadas situa&ccedil;&otilde;es,    desde a possibilidade de mandar algum dinheiro pelo correio e receber um &#8220;diploma&#8221;    de hipnotizador, at&eacute; forma&ccedil;&otilde;es leigas bastante longas,    mas que carecem de fundamenta&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica e de conhecimentos    espec&iacute;ficos para a &aacute;rea da sa&uacute;de. </p>      <p ><b>CC</b> E o profissional de sa&uacute;de interessado em ler acerca da hipnose    cl&iacute;nica onde poder&aacute; encontrar informa&ccedil;&atilde;o leg&iacute;tima?  </p>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p ><b>IK</b> Em primeiro lugar dever&aacute; procurar ler autores que tenham    publicado em revistas cient&iacute;ficas de boa reputa&ccedil;&atilde;o, o que    inclui as principais revistas cient&iacute;ficas da &aacute;rea da psicologia    e da medicina, mesmo que estes n&atilde;o sejam particularmente orientados para    a hipnose. Revistas cient&iacute;ficas como o <i>Journal of Abnormal Psychology    </i>e o <i>Journal of Personality and Social Psychology</i>, ambos publicados    pela <i>American Psychological Association</i>. Revistas cient&iacute;ficas    publicadas pela <i>American Medical Association</i>, pela <i>American Psychiatric    Association</i>, todas essas revistas cient&iacute;ficas publicaram artigos    acerca da hipnose cujos autores s&atilde;o cientistas da psicologia e da psiquiatria    que se envolveram na investiga&ccedil;&atilde;o acerca da hipnose. Cientistas    de relevo que estudaram a hipnose sob o ponto de vista cient&iacute;fico podemos    citar Clark Hull, Ernest Hilgard, Theodore Sarbin, T. X. Barber, John Kihlstrom,    s&atilde;o tantos que tenho receio de deixar algu&eacute;m de fora... Andre    Weitzenhoffer, Charles Tart, Joseph F. Hilgard, que tamb&eacute;m escreveu acerca    da hipnose, Martin Orne, que fez um excelente trabalho te&oacute;rico e de investiga&ccedil;&atilde;o    na &aacute;rea da hipnose, William Coe, Nicholas Spanos, que fazia investiga&ccedil;&atilde;o    de uma forma espantosa, publicando 14, 15 estudos por ano sobre hipnose (eu    sempre pensei que ele escrevia mais depressa do que eu conseguia ler!) Steven    Jay Lynn... </p>        <p ><b>CC</b> E cientistas contempor&acirc;neos? </p>      <p ><b>IK</b> Cientistas contempor&acirc;neos para al&eacute;m do Steven Jay Lynn,    Michael Nash, Antonio Capafons, James Council, David Patterson, que fez um excelente    trabalho acerca da utiliza&ccedil;&atilde;o da hipnose para a redu&ccedil;&atilde;o    da dor, Guy Montgomery, Amanda Barnier, Kevin McConkey, Leonard Milling, David    Oakley, Richard Brown, Erik Woody... </p>      <p ><b>CC</b> Que passos t&ecirc;m ainda de ser dados em Portugal para promover    a utiliza&ccedil;&atilde;o adequada da hipnose por parte dos profissionais de    sa&uacute;de contribuindo assim para um reconhecimento inter pares e por parte    do p&uacute;blico desta t&eacute;cnica terap&ecirc;utica? </p>      <p ><b>IK</b> Dever&aacute; ser facilitado o reconhecimento da hipnose nos departamentos    das universidades, atrav&eacute;s nomeadamente do ensino da hipnose nos departamentos    universit&aacute;rios, particularmente de psicologia cl&iacute;nica, psicologia    da sa&uacute;de e medicina. Dever-se-&aacute; promover tamb&eacute;m o desenvolvimento    a n&iacute;vel nacional de organiza&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas de    hipnose, o que implica que as pessoas que queiram fazer parte dela dever&atilde;o    possuir uma afilia&ccedil;&atilde;o a uma unidade de investiga&ccedil;&atilde;o    ou uma acredita&ccedil;&atilde;o como terapeutas. Finalmente conseguir que as    sociedades profissionais existentes (ordem dos m&eacute;dicos e dos psic&oacute;logos)    reconhe&ccedil;am a hipnose e criem uma subdivis&atilde;o que agrupe as pessoas    que utilizam a hipnose no contexto da sua profiss&atilde;o no &acirc;mbito da    sa&uacute;de. </p>        <p >&nbsp;</p>      <p >REFER&Ecirc;NCIAS </p>        <p >Braffman, W., &amp; Kirsch, I. (1999). Imaginative suggestibility and hypnotizability an empirical analysis. <i>Journal of Personality and Social Psychology, 77</i>, 578-587. </p>      <p >Braffman, W., &amp; Kirsch, I. (2001). Reaction time as a predictor of imaginative suggestibility and hypnotizability. <i>Contemporary Hypnosis, 18</i>, 107-119. </p>      <p >Carvalho, C. (2008). <i>Adherence to health-related behaviors: Efectiveness of implementation intentions and posthypnotic suggestion in college students</i>. Disserta&ccedil;&atilde;o de Doutoramento em Psicologia da Sa&uacute;de, n&atilde;o publicada, Instituto Superior de Psicologia Aplicada / Universidade Nova de Lisboa. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p >Carvalho, C., Kirsch, I., Mazzoni, G., Meo, M., &amp; Santandrea, M. (2008). The effect of posthypnotic suggestion, hypnotic suggestibility, and goal intentions on adherence to medical instructions. <i>The International Journal of Clinical and Experimental Hypnosis, 56</i>, 143-155. </p>      <p >Heap, M., &amp; Kirsch, I. (2006). <i>Hypnosis: Theory, research and application. </i>Aldershot, UK and Burlington, VT: Ashgate Publishing. </p>      <p >Kirsch, I. (1996). Hypnotic enhancement of cognitive-behavioral weigh loss treatments &#8211; Another meta-analysis. <i>Journal of Consulting and Clinical Psychology, 64</i>, 517-519. </p>      <p >Kirsch, I. (1999). <i>How expectancies shape experience</i>. Washington, DC: American Psychological Association. </p>      <!-- ref --><p >Kirsch, I. (2009). <i>The emperor&#8217;s new drugs: Exploding the antidepressant myth</i>. London: The Bodley Head. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000057&pid=S0870-8231201000020001100001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p >Kirsch, I., Montgomery, G. H., &amp; Sapirstein, G. (1995). Hypnosis as an adjunct to cognitive-behavioral psychotherapy: A meta-analysis. <i>Journal of Consulting and Clinical Psychology</i>, <i>63</i>, 214-220. </p>      <p >Lynn, S. J., &amp; Kirsch, I. (2006). <i>Essentials of clinical hypnosis. An evidence-based approach</i>. Washington, DC: American Psychological Association. </p>      <p >Mazzoni, G., &amp; Lynn, S.J. (2007). Using hypnosis in eyewitness memory:    Past and current issues. In M. P. Toglia, J. D. Read, D. F. Ross, &amp; R. C.    L. Lindsay (Eds.), <i>The handbook of eyewitness psychology</i>. <i>Vol. I:    Memory for events </i>(pp. 321-338). Mahwah, NJ, US: Lawrence Erlbaum Associates    Publishers. </p>      <p >Mazzoni, G., Loftus, E. F., &amp; Kirsch, I. (2001). Changing beliefs about implausible auto-biographical events: A little plausibility goes a long way. <i>Journal of Experimental Psychology Applied, 7</i>, 51-59. </p>      <p >Mendoza, M. E., &amp; Capafons, A. (2009). Efficacy of clinical hypnosis: A summary of its empirical evidence. <i>Papeles del Psicologo, 30</i>, 98-116. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p >Piccione, C., Hilgard, E. R., &amp; Zimbardo, P. G. (1989). On the degree of stability and measured hypnotizability over a 25-year period. <i>Journal of Personality and Social Psychology, 56</i>, 289-295. </p>      <p >Rhue, J., Lynn, S. J., &amp; Kirsch, I. (1993). <i>Handbook of clinical hypnosis</i>. Washington, DC: American Psychological Association. </p>      <p >Scoboria, A., Mazzoni, G., Kirsch, I., &amp; Milling, L. S. (2002). Immediate and persisting effects of misleading questions and hypnosis on memory reports. <i>Journal of Experimental Psychology Applied, 8</i>, 26-32. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p >NOTAS</p>      <p >A autora agradece &agrave; Dr&ordf; Filipa Pimenta, o trabalho de transcri&ccedil;&atilde;o desta entrevista. </p>      <p ><sup><a name="c1"></a>(<a href="#topc1">*</a>)</sup>&nbsp; Unidade de Investiga&ccedil;&atilde;o    em Psicologia e Sa&uacute;de, ISPA &#8211; Instituto Universit&aacute;rio. Rua    Jardim do Tabaco, 34, 1149-041 Lisboa, Portugal. E-mail: <a href="mailto:claudia.carvalho@ispa.pt">claudia.carvalho@ispa.pt</a>  </p>      <p ><sup><a href="#top1">1</a><a name="1"></a> </sup>Para mais informa&ccedil;&otilde;es    sobre a Divis&atilde;o 30 da APA, visitar <a href="http://www.apa.org/divisions/div30/homepage.html" target="_blank">http://www.apa.org/divisions/div30/homepage.html</a>  </p>      <p ><sup><a href="#top2">2</a><a name="2"></a> </sup>Ver as meta-an&aacute;lises    em Kirsch (1996) e Kirsch, Montgomery, e Sapirstein (1995). </p>      <p ><sup><a href="#top3">3</a><a name="3"></a> </sup>Para mais informa&ccedil;&atilde;o    acerca de hipnose e falsas mem&oacute;rias ver Mazzoni e Lynn (2007), Mazzoni,    Loftus, e Kirsch (2001) e Scoboria, Mazzoni, Kirsch, e Milling (2002). </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p ><sup><a href="#top4">4</a><a name="4"></a> </sup>Para uma revis&atilde;o da    literatura recente acerca da efic&aacute;cia da hipnose ver Mendoza e Capafons    (2009). Ver tamb&eacute;m os n&uacute;meros especiais do <i>International Journal    of Clinical and Experimental Hypnosis</i>, vol. 48(2), 2000, vol. 55(2 e 3),    2007. </p>      <p ><sup><a href="#top5">5</a><a name="5"></a> </sup>Ver Carvalho, Kirsch, Mazzoni,    Meo &amp; Santandrea (2008) e tamb&eacute;m Carvalho (2008). </p>      <p ><sup><a href="#top6">6</a><a name="6"></a> </sup>Ver Piccione, Hilgard, e    Zimbardo (1989). </p>      <p ><sup><a href="#top7">7</a><a name="7"></a> </sup>Ver Braffman e Kirsch (1999,    2001). </p>      <p ><sup><a href="#top8">8</a><a name="8"></a> </sup>S&iacute;tio da International    Society of Hypnosis: <a href="http://www.ish-web.org/" target="_blank">http://www.ish-web.org/</a>  </p>      <p >&nbsp;</p>             ]]></body><back>
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<surname><![CDATA[Kirsch]]></surname>
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<source><![CDATA[The emperor&#8217;s new drugs: Exploding the antidepressant myth]]></source>
<year>2009</year>
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<publisher-name><![CDATA[The Bodley Head]]></publisher-name>
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