<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0870-8231</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Análise Psicológica]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Aná. Psicológica]]></abbrev-journal-title>
<issn>0870-8231</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[ISPA-Instituto Universitário]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0870-82312010000300006</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Sentimento de comunidade, qualidade e satisfação de vida]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Elvas]]></surname>
<given-names><![CDATA[Susana]]></given-names>
</name>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Moniz]]></surname>
<given-names><![CDATA[Maria João Vargas]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
<xref ref-type="aff" rid="A02"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,ISPA - Instituto Superior de Psicologia Aplicada  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[Lisboa ]]></addr-line>
</aff>
<aff id="A02">
<institution><![CDATA[,Associação para o Estudo e Integração Psicossocial  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>09</month>
<year>2010</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>09</month>
<year>2010</year>
</pub-date>
<volume>28</volume>
<numero>3</numero>
<fpage>451</fpage>
<lpage>464</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0870-82312010000300006&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0870-82312010000300006&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0870-82312010000300006&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[O sentimento de comunidade percebido numa localidade específica, como num bairro residencial, providencia vários benefícios, quer a nível individual, quer a nível comunitário. A nível individual, quanto maior for o sentimento de comunidade, maior será a participação nos processos da comunidade, maior será o capital e suporte social percebido através das relações em vizinhança e maior será a satisfação e qualidade de vida. A nível comunitário, quanto maior for o sentimento de identidade e de pertença, maior será a capacitação comunitária, promovendo comunidades saudáveis e sustentáveis. Em termos práticos, foi realizada uma investigação com 15 participantes no Bairro do Armador e 15 no Bairro de Alfama, dos 7 aos 15 anos de idade, destinatários de projectos intervenção comunitária nos respectivos bairros. Com este estudo aferimos a relação encontrada e a importância de um forte sentimento de pertença e de identidade lugar, para a satisfação e qualidade de vida, como sendo uma estratégia eficaz para a promoção do desenvolvimento comunitário.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The perceived sense of community in a specific location, as in a residential neighbourhood, provides several benefits, both individual and community level. At the individual level, the greater the sense of community, greater participation in the community, the higher capital and social support received by the neighbourly relations and greater satisfaction and quality of life. At community level, the higher for the sense of identity and belonging, the greater community empowerment, promoting healthy and sustainable communities. In our study, the participants were children and adolescents, 15 from Armador Neighbourhood and 15 from Alfama Neighbourhood, with ages ranging from 7 to 15 that were making part in local projects of communitarian intervention. With this study, we evaluate this relation and the importance of a strong sense of belonging, identity with the place, to life satisfaction and quality of life, considering it as a efficacious strategy to promote Community Development.]]></p></abstract>
<kwd-group>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Comunidade]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Desenvolvimento comunitário]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Satisfação e qualidade de vida]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Sentimento de comunidade]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Community]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Community development]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Life satisfaction and quality of life]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Sense of community]]></kwd>
</kwd-group>
</article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p><b>Sentimento de comunidade, qualidade e satisfa&ccedil;&atilde;o de vida</b></p>      <p>&nbsp;</p>      <p>Susana Elvas (*), Maria Jo&atilde;o Vargas Moniz (**)</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><sup>(*)</sup>&nbsp; Licenciada em Desenvolvimento Comunit&aacute;rio e Sa&uacute;de    Mental pelo ISPA-IU; Mestre em Psicologia Comunit&aacute;ria pelo ISPA-IU.</p>     <p> E-mail: <a href="mailto:elvas.susana@gmail.com">elvas.susana@gmail.com</a>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><sup>(**)</sup> ISPA-IU, Rua Jardim do Tabaco, 34, 1149-041 Lisboa / Associa&ccedil;&atilde;o    para o Estudo e Integra&ccedil;&atilde;o Psicossocial. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>RESUMO</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O sentimento de comunidade percebido numa localidade espec&iacute;fica, como num bairro residencial, providencia v&aacute;rios benef&iacute;cios, quer a n&iacute;vel individual, quer a n&iacute;vel comunit&aacute;rio. A n&iacute;vel individual, quanto maior for o sentimento de comunidade, maior ser&aacute; a participa&ccedil;&atilde;o nos processos da comunidade, maior ser&aacute; o capital e suporte social percebido atrav&eacute;s das rela&ccedil;&otilde;es em vizinhan&ccedil;a e maior ser&aacute; a satisfa&ccedil;&atilde;o e qualidade de vida. A n&iacute;vel comunit&aacute;rio, quanto maior for o sentimento de identidade e de perten&ccedil;a, maior ser&aacute; a capacita&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;ria, promovendo comunidades saud&aacute;veis e sustent&aacute;veis. </p>      <p>Em termos pr&aacute;ticos, foi realizada uma investiga&ccedil;&atilde;o com 15 participantes no Bairro do Armador e 15 no Bairro de Alfama, dos 7 aos 15 anos de idade, destinat&aacute;rios de projectos interven&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;ria nos respectivos bairros. </p>      <p>Com este estudo aferimos a rela&ccedil;&atilde;o encontrada e a import&acirc;ncia de um forte sentimento de perten&ccedil;a e de identidade lugar, para a satisfa&ccedil;&atilde;o e qualidade de vida, como sendo uma estrat&eacute;gia eficaz para a promo&ccedil;&atilde;o do desenvolvimento comunit&aacute;rio. </p>      <p><i>Palavras chave: </i>Comunidade, Desenvolvimento comunit&aacute;rio, Satisfa&ccedil;&atilde;o e qualidade de vida, Sentimento de comunidade. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>ABSTRACT</p>      <p>The perceived sense of community in a specific location, as in a residential neighbourhood, provides several benefits, both individual and community level. At the individual level, the greater the sense of community, greater participation in the community, the higher capital and social support received by the neighbourly relations and greater satisfaction and quality of life. At community level, the higher for the sense of identity and belonging, the greater community empowerment, promoting healthy and sustainable communities. </p>      <p>In our study, the participants were children and adolescents, 15 from Armador Neighbourhood and 15 from Alfama Neighbourhood, with ages ranging from 7 to 15 that were making part in local projects of communitarian intervention. </p>      <p>With this study, we evaluate this relation and the importance of a strong sense of belonging, identity with the place, to life satisfaction and quality of life, considering it as a efficacious strategy to promote Community Development. </p>      <p><i>Key words: </i>Community, Community development, Life satisfaction and quality of life, Sense of community. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O </p>      <p>Com este artigo aprofundamos aspectos gerais, relacionados com as quest&otilde;es do sentimento de comunidade e os seus principais contributos, nomeadamente a qualidade e satisfa&ccedil;&atilde;o de vida, associados a contextos comunit&aacute;rios de vizinhan&ccedil;a, como um bairro residencial. Frequentemente &eacute; poss&iacute;vel observar comunidades cada vez mais coesas e organizadas para a resolu&ccedil;&atilde;o dos seus pr&oacute;prios problemas. Esta mobiliza&ccedil;&atilde;o dos cidad&atilde;os, nos processos de decis&atilde;o a favor da comunidade, contribui significativamente para o aumento do sentimento de comunidade. Assim, quanto maior a integra&ccedil;&atilde;o e satisfa&ccedil;&atilde;o perante uma comunidade, maiores ser&atilde;o os benef&iacute;cios individuais e comunit&aacute;rios. A n&iacute;vel individual, um maior sentimento de comunidade traduz-se em n&iacute;veis mais elevados de bem-estar, qualidade e satisfa&ccedil;&atilde;o de vida; sentido de justi&ccedil;a e capital social; menor solid&atilde;o e isolamento. A n&iacute;vel comunit&aacute;rio, identifica-se uma maior colabora&ccedil;&atilde;o e for&ccedil;a comunit&aacute;ria, mobiliza&ccedil;&atilde;o e participa&ccedil;&atilde;o em torno da mudan&ccedil;a social. </p>      <p>No nosso estudo procur&aacute;mos perceber a rela&ccedil;&atilde;o existente entre o sentimento de perten&ccedil;a e a satisfa&ccedil;&atilde;o e qualidade de vida, num grupo de jovens, de dois bairros residenciais da cidade de Lisboa. Em termos pr&aacute;ticos, foi realizada uma investiga&ccedil;&atilde;o de car&aacute;cter explorat&oacute;rio, com 15 participantes do Bairro do Armador e 15 do Bairro de Alfama, dos 7 aos 15 anos de idade, todos eles, destinat&aacute;rios de projectos locais de interven&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;ria. Os resultados do estudo corroboram a import&acirc;ncia de um forte sentimento de perten&ccedil;a e de identidade em rela&ccedil;&atilde;o ao bairro de resid&ecirc;ncia para a satisfa&ccedil;&atilde;o e qualidade de vida dos jovens. Deste modo, consideramos que o sentimento de comunidade contribui positivamente para a promo&ccedil;&atilde;o de programas comunit&aacute;rios essenciais ao desenvolvimento de comunidades sustent&aacute;veis e saud&aacute;veis. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p><i>Do envolvimento comunit&aacute;rio ao sentimento de comunidade e &agrave; satisfa&ccedil;&atilde;o de vida </i></p>      <p>Segundo Ornelas &#8220;recentemente &eacute; poss&iacute;vel observar em Portugal que as comunidades est&atilde;o cada vez mais a organizar-se para resolver os seus pr&oacute;prios problemas, s&atilde;o disso exemplo, as mobiliza&ccedil;&otilde;es a que temos assistido em &aacute;reas como: o ambiente, a seguran&ccedil;a ou a vontade expressa de influenciar o planeamento dos seus pr&oacute;prios bairros&#8221; (Ornelas, 1998, p. 5). </p>      <p>Esta mobiliza&ccedil;&atilde;o e envolvimento em torno dos problemas comunit&aacute;rios numa localidade espec&iacute;fica contribuem, significativamente para o aumento do sentimento de comunidade e identidade lugar. Falar em sentimento de comunidade est&aacute; &#8220;relacionado com o facto de se pertencer a um grupo ou comunidade, no qual as pessoas se consideram elas pr&oacute;prias como similares, agindo de forma interdependente para a satisfa&ccedil;&atilde;o das suas necessidades&#8221; (Prezza &amp; Constantini, 1998, p. 181). </p>      <p>A esta mobiliza&ccedil;&atilde;o e envolvimento dos cidad&atilde;os nos processos de decis&atilde;o a favor da comunidade denominamos por participa&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;ria. A participa&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;ria n&atilde;o se resume apenas a um suporte ou ajuda entre membros de um determinado grupo, envolve tamb&eacute;m o seu contributo efectivo nas decis&otilde;es com impacto na mudan&ccedil;a social. Este tipo de participa&ccedil;&atilde;o pode acontecer atrav&eacute;s de formas muito diversificadas e incidir em &aacute;reas como a qualidade de vida nos bairros, as quest&otilde;es ambientais, as quest&otilde;es de seguran&ccedil;a e a preven&ccedil;&atilde;o da viol&ecirc;ncia interpessoal (Dalton, Elias, &amp; Wandersman, 2001). </p>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Comunidade e sentimento de comunidade </i></p>      <p>A maior parte das pessoas compreende intuitivamente o significado de sentimento de comunidade. No entanto, esta &eacute; uma ideia complexa, composta por v&aacute;rios elementos e, longe de ser um conceito ultrapassado, o sentimento psicol&oacute;gico de comunidade ou simplesmente sentimento de comunidade, &eacute; um conceito s&oacute;cio-psicol&oacute;gico que d&aacute; &ecirc;nfase &agrave; experi&ecirc;ncia da comunidade, ou seja, percepciona e compreende atitudes e sentimentos de uma comunidade, bem como, o relacionamento e interac&ccedil;&otilde;es entre pessoas desse mesmo contexto. </p>      <p>Sarason (o pai do sentimento de comunidade), em 1974, descreveu o sentimento psicol&oacute;gico de comunidade como, &#8220;o sentimento de que fazemos parte de uma rede de relacionamento de suporte m&uacute;tuo, sempre dispon&iacute;vel e da qual podemos depender&#8221; (Sarason, 1974, p. 1). O sentimento de comunidade transcende o individualismo e mant&eacute;m-se na interdepend&ecirc;ncia do relacionamento com os outros e nas expectativas que temos deles&#8221; (Pretty, Andrewes, &amp; Collet, 1994, p. 347). </p>      <p>Para McMillan e Chavis, o sentimento de comunidade baseia-se em quatro elementos essenciais que definem as qualidades espec&iacute;ficas do conceito. Estes elementos s&atilde;o: <i>fazer parte de</i>; <i>influ&ecirc;ncia</i>; <i>integra&ccedil;&atilde;o e satisfa&ccedil;&atilde;o das necessidades </i>e <i>partilha de liga&ccedil;&otilde;es emocionais, </i>que s&atilde;o definidos como sendo &#8220;o sentimento que os membros t&ecirc;m de perten&ccedil;a, o sentimento que os membros importam para um outro membro e para o grupo, e a convic&ccedil;&atilde;o de que as necessidades dos membros ser&atilde;o alcan&ccedil;adas atrav&eacute;s de um compromisso de uni&atilde;o&#8221; (McMillan &amp; Chavis, 1986, p. 9). </p>      <p>Segundo Gusfield (1975), as comunidades das sociedades modernas desenvolvem-se positivamente pelos interesses e pelos territ&oacute;rios partilhados. Se existir um elevado sentimento de comunidade &eacute; mais prov&aacute;vel que as pessoas se mobilizem, no sentido de participarem nas solu&ccedil;&otilde;es dos seus pr&oacute;prios problemas. O sentimento de comunidade promove para um maior sentimento de identifica&ccedil;&atilde;o e uma maior autoconfian&ccedil;a, facilita as rela&ccedil;&otilde;es sociais, combate a solid&atilde;o e o anonimato (Prezza &amp; Constantini, 1998), contribuindo para o aumento da qualidade de vida e bem-estar individual. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p><i>Sentimento de comunidade, qualidade e satisfa&ccedil;&atilde;o de vida </i></p>      <p>As investiga&ccedil;&otilde;es realizadas mostram que um forte sentimento de comunidade reflecte um maior sentimento de protec&ccedil;&atilde;o e seguran&ccedil;a nos bairros ou grupos, atrav&eacute;s de uma maior ades&atilde;o a actos eleitorais, uma maior preocupa&ccedil;&atilde;o nas quest&otilde;es ambientais, mais colabora&ccedil;&atilde;o e inter-ajuda e mais voluntariado (Cantillon, Davidson, &amp; Schweitzer, 2003; Chavis &amp; Wandersman, 1990; Davidson &amp; Cotter, 1989; Zani, Cicognani, &amp; Albanesi, 2001, citados por Pretty, Conroy, Dugay, Fowler, &amp; Williams, 1996, p. 368). A academia tamb&eacute;m deu a conhecer, que um forte sentimento de comunidade est&aacute; associado a um baixo &iacute;ndice de doen&ccedil;as mentais, suic&iacute;dios, abusos sexuais de crian&ccedil;as, diminui&ccedil;&atilde;o da criminalidade, melhor qualidade ambiental nos bairros e fortalecimento das pessoas (Chipuer &amp; Pretty, 1999; Glynn, 1981; Pretty, Andrews, &amp; Collett, 1994; Prezza &amp; Constantini, 1998; Roach &amp; O&#8217;Brien, 1982, citados por Pretty, Conroy, Dugay, Fowler, &amp; Williams, 1996, p. 368). </p>      <p>Segundo Amaro (2007), o sentimento de comunidade ajuda as organiza&ccedil;&otilde;es e institui&ccedil;&otilde;es a identificar as necessidades e a estabelecer prioridades nas comunidades; avaliar a sa&uacute;de global das comunidades; valorizar os bairros individualmente e a cidade como um todo; desenhar e avaliar interven&ccedil;&otilde;es sociais, econ&oacute;micas e de promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de; planear novas comunidades e fortalecer as existentes. O sentimento de comunidade est&aacute; no centro de todos os esfor&ccedil;os para fortalecer e construir uma comunidade, nascendo de um prop&oacute;sito colectivo que valoriza a diversidade cultural, bem como a singularidade (Sarason, 1974). </p>      <p>O relat&oacute;rio Europeu da Funda&ccedil;&atilde;o para Melhorar a Vida e as Condi&ccedil;&otilde;es de Trabalho de 2006 contribui para a compreens&atilde;o, entre outros aspectos, de como a satisfa&ccedil;&atilde;o de vida e o sentimento de perten&ccedil;a e identifica&ccedil;&atilde;o s&atilde;o conceitos e realidades que se interligam e que s&atilde;o imprescind&iacute;veis para um entendimento de um bem-estar subjectivo inerente &agrave; satisfa&ccedil;&atilde;o e qualidade de vida. O bem-estar subjectivo engloba tr&ecirc;s dimens&otilde;es importantes: a satisfa&ccedil;&atilde;o global de vida; a felicidade e o sentimento de perten&ccedil;a. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O modelo geralmente aceite do subjectivo bem-estar refere que a sua conceptualiza&ccedil;&atilde;o diz respeito a uma componente afectiva (isto &eacute;, emo&ccedil;&otilde;es positivas e negativas) e a uma componente cognitiva com a satisfa&ccedil;&atilde;o de vida (Diener, Emmons, Larsen, &amp; Griffin, 1985). A satisfa&ccedil;&atilde;o de vida &eacute; directamente influenciada pelas suas componentes e largamente definida por refer&ecirc;ncias espec&iacute;ficas e dominantes da vida, como a fam&iacute;lia, os amigos, o pr&oacute;prio, os vizinhos, o trabalho, a escola e o ambiente envolvente (Diener et al., 1985). </p>      <p>O modelo multidimensional de satisfa&ccedil;&atilde;o de vida n&atilde;o se foca apenas numa avalia&ccedil;&atilde;o global ou geral da satisfa&ccedil;&atilde;o de vida, mas na deriva&ccedil;&atilde;o de perfis de satisfa&ccedil;&atilde;o de vida, julgados em dom&iacute;nios chave da vida. Por exemplo, Huebner (2004) prop&ocirc;s uma hierarquia no modelo de satisfa&ccedil;&atilde;o vida com cinco dom&iacute;nios espec&iacute;ficos, tais como: escola, fam&iacute;lia, amigos, pr&oacute;prio e ambiente envolvente, que incluem um factor geral da satisfa&ccedil;&atilde;o de vida. </p>      <p>S&atilde;o poucos os estudos que averiguam a rela&ccedil;&atilde;o existente entre o sentimento de comunidade e a qualidade e satisfa&ccedil;&atilde;o de vida percebida de forma subjectiva. Contudo, Pretty, Andrews, e Collet (1994) realizaram uma investiga&ccedil;&atilde;o com um grupo de adolescentes, demonstrando que a aus&ecirc;ncia do sentimento de comunidade num bairro leva &agrave; solid&atilde;o e ao isolamento, quando retirada a influ&ecirc;ncia da comunidade gerada pela escola e pela vizinhan&ccedil;a (Prezza &amp; Constantini, 1998). </p>      <p>Os estudos de Prezza e Constantini (1998) indicaram que o sentimento de comunidade era maior numa pequena localidade comparativamente com uma grande cidade, onde o sentimento de perten&ccedil;a era sentido de forma menos intensa, verificando-se assim que o sentimento de comunidade est&aacute; relacionado com a qualidade das rela&ccedil;&otilde;es sociais e com a percep&ccedil;&atilde;o do suporte social recebido (Prezza &amp; Constantini, 1998). Deste modo, quanto maior o suporte social recebido, maior &eacute; a qualidade das rela&ccedil;&otilde;es sociais, a auto-estima, a satisfa&ccedil;&atilde;o de vida e, consequentemente, maior &eacute; o sentimento de comunidade. </p>      <p>Mais tarde, Prezza, Amici, Roberti, e Tedeschi (2001) desenvolveram estudos onde &eacute; poss&iacute;vel verificar a rela&ccedil;&atilde;o entre o sentimento de comunidade quer com as rela&ccedil;&otilde;es de vizinhan&ccedil;a, quer com a satisfa&ccedil;&atilde;o de vida, bem como a rela&ccedil;&atilde;o existente entre a aus&ecirc;ncia do sentimento de comunidade e a solid&atilde;o e o isolamento. Contudo, as liga&ccedil;&otilde;es encontradas entre o sentimento de comunidade e a satisfa&ccedil;&atilde;o de vida s&atilde;o mais evidentes em pequenos contextos territoriais e comunit&aacute;rios. Em contextos de maiores dimens&otilde;es, esta rela&ccedil;&atilde;o n&atilde;o se confirma. Ao contr&aacute;rio das expectativas dos autores, em contextos territoriais e comunit&aacute;rios de maiores dimens&otilde;es, o sentimento de comunidade est&aacute; mais relacionado com as rela&ccedil;&otilde;es de vizinhan&ccedil;a do que com a satisfa&ccedil;&atilde;o de vida e inversamente com o isolamento e a solid&atilde;o. No entanto, os autores defendem que na medida em que as rela&ccedil;&otilde;es sociais de vizinhan&ccedil;a contribuem para um maior sentimento de comunidade e para prevenir a solid&atilde;o e o isolamento, podem promover, desta forma, a satisfa&ccedil;&atilde;o de vida (Prezza, Amici, Roberti, &amp; Tesdeschi, 2001). Deste modo, em contextos de maiores dimens&otilde;es, o sentimento de comunidade pode ser controlado por outras e var&aacute;veis, como o suporte social e as redes de suporte social (Prezza, Amici, Roberti, &amp; Tesdeschi, 2001). </p>      <p>Outros estudos, desenvolvidas por v&aacute;rios autores, demonstram que o sentimento de comunidade pode revelar-se de v&aacute;rias formas, seja atrav&eacute;s da participa&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;ria activa (Davidson &amp; Cotter, 1991), seja atrav&eacute;s do bem-estar e da qualidade de vida subjectivos (Davidson &amp; Cotter, 1991; Pretty, Andrewes, &amp; Collett, 1994; Pretty, Conroy, Dugay, Fowler, &amp; Williams, 1996; Prezza &amp; Constantini, 1998). Contudo, qualquer um destes estudos suporta a possibilidade, de considerar que o sentimento de comunidade funciona como um indicador subjectivo de qualidade de vida. </p>      <p>No nosso estudo foi pertinente averiguar a rela&ccedil;&atilde;o existente entre a percep&ccedil;&atilde;o do sentimento de comunidade numa determinada comunidade de resid&ecirc;ncia e o n&iacute;vel percebido de satisfa&ccedil;&atilde;o global de vida em crian&ccedil;as e jovens, nos mais diversos dom&iacute;nios, tais como: amigos; fam&iacute;lia; vizinhos; pr&oacute;prio e escola. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>METODOLOGIA</p>      <p>Foi seleccionada para o estudo uma amostragem por conveni&ecirc;ncia com 30 participantes dos 7 aos 15 anos de idade, sendo 16 pertencentes ao sexo feminino e 14 ao sexo masculino. Do total da amostra, 15 dos participantes residem no Bairro do Armador e participam no <i>Projecto de Inclus&atilde;o Social de Crian&ccedil;as e Jovens do Armador </i>(PISCJA), do Bairro do Armador. Os outros 15 participantes residem no Bairro de Alfama e integram o <i>Projecto Recrear, Olhar, Descobrir e Acolher </i>(RODA), da Associa&ccedil;&atilde;o de Tempos Livres de Alfama (ATLA).</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os Bairros do Armador e de Alfama, situados nas freguesias de Marvila e de Santo Est&ecirc;v&atilde;o respectivamente, est&atilde;o ambos localizados na cidade de Lisboa, o primeiro na zona central de Lisboa, em Chelas e o segundo, no sudeste da capital. </p>      <p>O instrumento adoptado para a recolha de dados resultou de uma compila&ccedil;&atilde;o de duas escalas. Uma, tendo por base a Escala Multidimensional de Satisfa&ccedil;&atilde;o de Vida das Crian&ccedil;as (MSLSS) (Huebner, 2004), que permite avaliar o n&iacute;vel de percep&ccedil;&atilde;o de satisfa&ccedil;&atilde;o de vida nas crian&ccedil;as e jovens atrav&eacute;s de cinco dom&iacute;nios importantes da vida das crian&ccedil;as e jovens: <i>fam&iacute;lia</i>; <i>amigos</i>; <i>pr&oacute;prio</i>; <i>escola </i>e <i>ambiente envolvente </i>(subescalas de an&aacute;lise). A conceptualiza&ccedil;&atilde;o desta escala providencia uma an&aacute;lise multidimensional das crian&ccedil;as e jovens no que diz respeito &agrave; satisfa&ccedil;&atilde;o de vida, contribuindo para interven&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas que promovam o bem-estar positivo dos participantes. Este instrumento &eacute; constitu&iacute;do por 40 itens ou afirma&ccedil;&otilde;es referentes &agrave; percep&ccedil;&atilde;o global de satisfa&ccedil;&atilde;o de vida. As quarenta afirma&ccedil;&otilde;es encontram-se aleatoriamente distribu&iacute;das pelos cinco dom&iacute;nios j&aacute; referidos da percep&ccedil;&atilde;o de satisfa&ccedil;&atilde;o de vida. </p>      <p>A outra escala que comp&otilde;em o nosso instrumento de investiga&ccedil;&atilde;o &eacute; o &Iacute;ndice de Sentimento de Comunidade (SCI), desenvolvido por McMillan e Chavis (1986). Esta escala tem como objectivo a medi&ccedil;&atilde;o e avalia&ccedil;&atilde;o do sentimento de comunidade atrav&eacute;s dos seguintes elementos: <i>fazer parte de</i>; <i>influ&ecirc;ncia</i>; <i>integra&ccedil;&atilde;o </i>e <i>satisfa&ccedil;&atilde;o das necessidades</i>; e <i>partilha de liga&ccedil;&otilde;es emocionais</i>. A escala &eacute; composta por 12 itens ou afirma&ccedil;&otilde;es, referentes ao sentimento de comunidade de um bairro de resid&ecirc;ncia ou de um grupo comunit&aacute;rio. As doze afirma&ccedil;&otilde;es encontram-se subdivididas em quatro subescalas que integram os quatros elementos integrantes do sentimento de comunidade. </p>      <p>O resultado final foi um instrumento de avalia&ccedil;&atilde;o com 52 itens, as primeiras 40 quest&otilde;es sobre a satisfa&ccedil;&atilde;o e qualidade de vida e as &uacute;ltimas 12 sobre o sentimento de comunidade percepcionado pelos nossos participantes, que responderam de acordo com uma escala de <i>likert </i>com cinco op&ccedil;&otilde;es de resposta fechada. Referimos, ainda, que o instrumento de investiga&ccedil;&atilde;o sofreu algumas altera&ccedil;&otilde;es ap&oacute;s a realiza&ccedil;&atilde;o de um pr&eacute;-teste num grupo de crian&ccedil;as de <i>N</i>=5 dos 7 aos 12 anos de idade. Com este pr&eacute;-teste foi poss&iacute;vel verificar que nas quest&otilde;es com a mesma cor, de acordo com as categorias em an&aacute;lise, os participantes tendiam a responder de forma igual, copiando o resultado da quest&atilde;o anterior da mesma cor. Deste modo, o instrumento adoptado para a investiga&ccedil;&atilde;o foi administrado nos tons neutros de preto e branco e tamb&eacute;m sofreu algumas correc&ccedil;&otilde;es ao n&iacute;vel do vocabul&aacute;rio, tornando-se num texto de f&aacute;cil compreens&atilde;o para o escal&atilde;o et&aacute;rio dos participantes, crian&ccedil;as e adolescentes, dos 7 aos 15 anos de idade. Opt&aacute;mos tamb&eacute;m pela substitui&ccedil;&atilde;o da escala de <i>likert </i>tradicional, com op&ccedil;&otilde;es entre o 1 (n&atilde;o concordo totalmente) e o 5 (concordo totalmente), por <i>smiles </i>totalmente fechados, fechados, sem express&atilde;o, abertos e totalmente abertos, com a possibilidade para pintar a op&ccedil;&atilde;o desejada. </p>      <p>O modo de administra&ccedil;&atilde;o do question&aacute;rio foi vari&aacute;vel, consoante a idade do participante e, consequentemente, a sua capacidade para ler e compreender cada quest&atilde;o, e responder o mais perto da realidade vivenciada, atrav&eacute;s do preenchimento individualizado do mesmo, com ou sem ajuda da facilitadora. Assim, quando o participante sabia ler e escrever, a forma utilizada foi o auto-preenchimento do question&aacute;rio fechado, sem a interven&ccedil;&atilde;o da investigadora, embora pudesse recorrer &agrave; sua ajuda caso necessitasse de algum tipo de esclarecimentos. Este tipo de procedimento implicava que a aplica&ccedil;&atilde;o do question&aacute;rio fosse operacionalizada num grupo pequeno, com os participantes ligeiramente afastados entre si. Por outro lado, caso a crian&ccedil;a ou jovem n&atilde;o soubesse ler, escrever e/ou entender as quest&otilde;es, a forma de inquirir era a entrevista semi-directiva, onde a facilitadora lia as quest&otilde;es ao participante e este pintava a op&ccedil;&atilde;o para a resposta desejada. Para este tipo de procedimento a aplica&ccedil;&atilde;o do question&aacute;rio foi realizada individualmente. </p>      <p>Nesta fase de recolha e levantamento de dados, os t&eacute;cnicos respons&aacute;veis pelos projectos <i>PISCJA </i>e <i>RODA </i>facilitaram o processo, aplicando eles pr&oacute;prios os question&aacute;rios &agrave;s crian&ccedil;as e jovens com quem est&atilde;o diariamente. Nestes casos, a recolha e levantamento de informa&ccedil;&atilde;o correspondem a uma metodologia n&atilde;o-directiva. A administra&ccedil;&atilde;o do instrumento, no caso das crian&ccedil;as e jovens do Bairro do Armador, foi realizada numa sala da Biblioteca Sophia de Mello Breyner Andersen e, no caso das crian&ccedil;as e jovens do Bairro de Alfama, foi realizada nas instala&ccedil;&otilde;es da Associa&ccedil;&atilde;o de Tempos Livres de Alfama. </p>      <p>Relativamente ao modo de administra&ccedil;&atilde;o do nosso instrumento de estudo, foi evidente ao longo de toda a investiga&ccedil;&atilde;o, a exist&ecirc;ncia de uma boa rela&ccedil;&atilde;o pessoal entre a investigadora e os participantes, acreditando firmemente nos benef&iacute;cios de uma investiga&ccedil;&atilde;o participativa e colaborativa, sem barreiras institucionais entre a facilitadora e os colaboradores do estudo. A investiga&ccedil;&atilde;o e a metodologia utilizada, para al&eacute;m de permitir o conhecimento te&oacute;rico nesta &aacute;rea com esta popula&ccedil;&atilde;o, transmitiu &agrave;s crian&ccedil;as e jovens envolvidos a adequa&ccedil;&atilde;o poss&iacute;vel entre a pedagogia e o l&uacute;dico e a import&acirc;ncia de abordar aspectos relevantes para os pr&oacute;prios. A grande maioria dos nossos participantes nunca tinha participado num estudo ou investiga&ccedil;&atilde;o, onde fossem eles os agentes primordiais e centrais de uma investiga&ccedil;&atilde;o colaborativa e onde lhes fosse permitido expressar livremente as opini&otilde;es e vontades, sem press&otilde;es e julgamentos. Para os resultados encontrados tamb&eacute;m foi importante, a empatia da investigadora com os participantes, na medida em que o instrumento era demasiado longo, o que dificultava a concentra&ccedil;&atilde;o at&eacute; ao fim. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>RESULTADOS</p>      <p>Exp&otilde;e-se, em seguida, uma s&iacute;ntese dos resultados. Come&ccedil;amos por apresentar a an&aacute;lise descritiva dos dados demogr&aacute;ficos dos participantes por bairro, para ter em considera&ccedil;&atilde;o as caracter&iacute;sticas da amostra em estudo. Seguidamente, apresentamos a an&aacute;lise inferencial da principal quest&atilde;o de investiga&ccedil;&atilde;o. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Como j&aacute; foi referido, 15 dos participantes da nossa amostra pertencem ao Bairro do Armador e outros 15 ao Bairro de Alfama, perfazendo um total de 30 crian&ccedil;as e jovens, dos 7 aos 15 anos de idade. No que diz respeito ao g&eacute;nero dos 30 participantes, as frequ&ecirc;ncias est&atilde;o mais ou menos equilibradas, sendo que 53.3% (16) pertencem ao sexo feminino e os restantes 46.7% (14) pertencem ao sexo masculino. No Bairro do Armador (<i>N</i>=15) a maioria dos participantes, cerca de 73.3% (11) pertencem ao sexo feminino e os outros 26.7% (4) s&atilde;o do sexo masculino. No Bairro de Alfama cerca de 66.7% (10) s&atilde;o do sexo masculino e os restantes 33.3% (5) pertencem ao sexo feminino. </p>      <p>Relativamente ao escal&atilde;o et&aacute;rio dos 30 participantes, a grande maioria, cerca de 40% (12), situa-se entre os 10 e aos 12 anos de idade, cerca de 36.7% (11) representam os participantes entre os 7 e os 9 anos, sendo que os restantes 23.3% (7) representam o escal&atilde;o et&aacute;rio dos mais velhos, dos 13 aos 15 anos de idade. No Bairro do Armador a maioria das idades dos participantes, cerca de 46.7% (7), situa-se entre os 10 e os 12 anos de idade. No Bairro de Alfama, a maioria das idades dos participantes, 60% (9), situa-se no escal&atilde;o et&aacute;rio dos mais novos, entre os 7 e os 9 anos de idade (ver Gr&aacute;fico 1). </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>GR&Aacute;FICO 1</p>      <p><i>Dados demogr&aacute;ficos relativos ao escal&atilde;o et&aacute;rio da amostra</i></p> <img src="/img/revistas/aps/v28n3/28n3a06g1.jpg">      
<p>&nbsp;</p>      <p>Em rela&ccedil;&atilde;o ao n&iacute;vel de escolaridade dos participantes dos dois bairros, cerca de 56.7% (17) das crian&ccedil;as frequentam o 1&ordm; ciclo, 36.7% (11) dos jovens est&atilde;o matriculados no 2&ordm; ciclo e s&oacute; apenas 6.7% (2) frequentam o 3&ordm; ciclo. No Bairro do Armador, por ser uma amostra composta por participantes mais velhos, 47% dos participantes frequentam o 2&ordm; ciclo, 40% o 1&ordm; ciclo e os restante 13% o 3&ordm; ciclo. No Bairro de Alfama, por ser uma amostra mais jovem, a maioria dos participantes, cerca de 73% andam no 1&ordm; ciclo e os outros restantes 27% no 2&ordm; ciclo. </p>      <p>A constitui&ccedil;&atilde;o do agregado familiar dos 30 participantes &eacute; vari&aacute;vel. A grande maioria das crian&ccedil;as e jovens, 33.3% (10), residem com os pais e irm&atilde;os, 23.3% (7) est&atilde;o inseridos em fam&iacute;lias monoparentais, residindo apenas com a m&atilde;e e irm&atilde;os, e cerca de 16.7% (5) residem apenas com os pais, sendo filhos &uacute;nicos. Em rela&ccedil;&atilde;o ao Bairro do Armador, cerca de 26.7% (4) residem s&oacute; com os pais, outros 26.7% (4) residem em fam&iacute;lias monoparentais, s&oacute; com a m&atilde;e e irm&atilde;os. No que diz respeito ao Bairro de Alfama, a maioria dos participantes, 53.3% (8), residem com os pais e os irm&atilde;os, cerca de 20% (3) residem apenas com a m&atilde;e e os irm&atilde;os. Os restantes participantes, em ambos os bairros, residem com os pais, irm&atilde;os e av&oacute;s ou s&oacute; com os pais ou s&oacute; com os av&oacute;s (ver Gr&aacute;fico 2). </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>GR&Aacute;FICO 2</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Dados demogr&aacute;ficos relativamente ao agregado familiar da amostra</i></p>  <img src="/img/revistas/aps/v28n3/28n3a06g2.jpg">      
<p>&nbsp;</p>      <p>Feita a caracteriza&ccedil;&atilde;o da nossa amostra, iremos proceder &agrave; an&aacute;lise descritiva das categorias que comp&otilde;em a escala de satisfa&ccedil;&atilde;o de vida (<i>fam&iacute;lia; amigos; pr&oacute;prio; escola e ambiente envolvente</i>) e das categorias da escala de sentimento de comunidade (<i>fazer parte de; influ&ecirc;ncia; integra&ccedil;&atilde;o e satisfa&ccedil;&atilde;o das necessidades e partilha de liga&ccedil;&otilde;es emocionais</i>), em separado por categorias e por bairro, identificando desta forma caracter&iacute;sticas importantes para o nosso estudo. </p>      <p>Importa referir que designaremos por B1 o Bairro do Armador e por B2 o Bairro de Alfama. Relativamente &agrave;s quest&otilde;es que comp&otilde;em o question&aacute;rio, algumas assumem uma conota&ccedil;&atilde;o positiva e outras uma compreens&atilde;o negativa para a vida do sujeito, as quais designaremos por quest&otilde;es positivas e negativas. </p>      <p>A categoria <i>Amigos </i>&eacute; composta pelas quest&otilde;es &#8220;os meus amigos s&atilde;o simp&aacute;ticos comigo&#8221;, &#8220;os meus amigos s&atilde;o bons&#8221;, &#8220;os meus amigos ajudam-me quando preciso&#8221;, &#8220;os meus amigos tratam-me bem&#8221; e os &#8220;meus amigos significam muito para mim&#8221;. Em rela&ccedil;&atilde;o a esta categoria, o Bairro do Armador apresenta homogeneidade nas respostas para a maioria das quest&otilde;es. A grande maioria dos participantes responderam entre as op&ccedil;&otilde;es mais cotadas que, neste caso, s&atilde;o representadas pelas op&ccedil;&otilde;es &#8220;concordo&#8221; e &#8220;concordo muito&#8221;. Ainda nesta categoria, existem perguntas com alguns <i>outliers</i>, ou seja, que respondem &agrave; pergunta n&atilde;o de acordo com o padr&atilde;o de resposta verificado (ver Gr&aacute;fico 3). No Bairro de Alfama esta categoria apresenta uma grande satisfa&ccedil;&atilde;o ao n&iacute;vel dos amigos, pois os participantes respondem sempre positivamente &agrave;s afirma&ccedil;&otilde;es. Relativamente &agrave; qualidade do tempo que passam com os seus amigos, as opini&otilde;es divergem entre o &#8220;concordo&#8221; e o &#8220;discordo&#8221;, o que demonstra uma grande percep&ccedil;&atilde;o da realidade do contexto que vivem com os seus amigos. Mas no que se refere &agrave; divers&atilde;o com os amigos e &agrave; quantidade dos amigos, quase todos os participantes concordam totalmente que se divertem muito com os seus amigos e que t&ecirc;m bastantes amigos (ver Gr&aacute;fico 4). </p>      <p>&nbsp;</p>      <p><a href="/img/revistas/aps/v28n3/28n3a06g3.jpg" target="_blank">GR&Aacute;FICO 3</a></p>      
<p><i>Categoria Amigos do Bairro do Armador</i></p>     <p>&nbsp;</p>      <p><a href="/img/revistas/aps/v28n3/28n3a06g4.jpg" target="_blank">GR&Aacute;FICO 4</a></p>      
]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Categoria Amigos, do Bairro de Alfama</i></p>     <p>&nbsp;</p>      <p>A categoria <i>Fam&iacute;lia</i>, no Bairro do Armador, &eacute; a que apresenta mais homogeneidade de respostas para todas as quest&otilde;es, ou seja, para todas as perguntas relativas &agrave; fam&iacute;lia a grande maioria dos participantes respondeu entre as op&ccedil;&otilde;es &#8220;concordo&#8221; e &#8220;concordo muito&#8221;. Para os jovens dos 10 aos 15 anos de idade, que representam a grande maioria dos participantes neste bairro, esta homogeneidade de resposta parece-nos uma realidade positiva, numa fase em que os jovens querem conquistar a sua independ&ecirc;ncia em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s suas pr&oacute;prias fam&iacute;lias. Em rela&ccedil;&atilde;o ao Bairro de Alfama, a categoria <i>Fam&iacute;lia </i>tamb&eacute;m apresenta um grande n&iacute;vel de satisfa&ccedil;&atilde;o por parte deste grupo, o que seria de esperar num grupo maioritariamente constitu&iacute;do por crian&ccedil;as at&eacute; aos 9 anos de idade, onde se verifica ainda uma grande liga&ccedil;&atilde;o emocional &agrave; fam&iacute;lia. Assim, nas quest&otilde;es &#8220;eu gosto de passar tempo com os meus pais&#8221;, &#8220;eu gosto de estar em casa com a minha fam&iacute;lia&#8221;, &#8220;os meus pais tratam-me bem&#8221; e &#8220;os meus pais eu fazemos coisas divertidas em conjunto&#8221; todos os inquiridos concordam totalmente com as afirma&ccedil;&otilde;es apresentadas. Importa ainda referir que para a quest&atilde;o &#8220;a minha fam&iacute;lia &eacute; a melhor de todas&#8221; os sujeitos na sua maioria concordam favoravelmente com a afirma&ccedil;&atilde;o, excepto o sujeito n&uacute;mero 12 que discorda totalmente. </p>      <p>A categoria <i>Escola, </i>no Bairro do Armador, n&atilde;o apresenta grandes irregularidades nas respostas apresentadas. Os participantes concordam e concordam muito que a escola &eacute; interessante, que aprendem muito na escola e que, inclusivamente, gostam das actividades escolares, algo bastante positivo de verificar em crian&ccedil;as/jovens dos 10 aos 15 anos de idade. No Bairro de Alfama, na categoria <i>Escola</i>, verificamos que as quest&otilde;es elaboradas numa perspectiva positiva, como &#8220;eu aprendo muito na escola&#8221;, &#8220;eu olho &agrave; volta quando vou para a escola&#8221;, &#8220;eu gosto de estar na escola&#8221;, &#8220;a escola &eacute; interessante&#8221; e &#8220;eu gosto das actividades escolares&#8221;, apresentam como tend&ecirc;ncia de resposta uma grande satisfa&ccedil;&atilde;o ao n&iacute;vel da escola. No que diz respeito &agrave;s quest&otilde;es formuladas numa perspectiva negativa, analisaremos em separado. Assim, para as quest&otilde;es &#8220;eu sinto-me mal na escola&#8221; e &#8220;existem muitas coisas na escola que eu n&atilde;o gosto&#8221; as respostas divergem entre o &#8220;concordo&#8221; e o &#8220;discordo&#8221;, ou seja, nem todos os participantes entrevistados se sentem bem na escola e nem todos gostam das coisas que existem na escola. Finalmente, para a &uacute;ltima quest&atilde;o formulada na negativa (&#8220;eu desejo n&atilde;o ir &agrave; escola&#8221;), a grande maioria dos participantes discordam, o que quer dizer que quase todos os participantes desejam frequentar a escola, o que seria de esperar, uma vez que &eacute; na escola que as crian&ccedil;as e jovens t&ecirc;m os seus amigos para conviverem, mesmo que n&atilde;o gostem da componente pedag&oacute;gica da escola, gostam do lado mais l&uacute;dico e relacional da escola. </p>        <p>No Bairro do Armador, a categoria <i>Ambiente Envolvente</i>, surge com uma grande percentagem de participantes que concordam e concordam muito, quando questionados se gostam de viver no bairro, tanto pelas coisas interessantes que podem fazer como tamb&eacute;m pelas pessoas importantes que l&aacute; residem. Relativamente, as quest&otilde;es de refor&ccedil;o, ou seja, que questionam o mesmo, mas de forma diferente, estas deveriam apresentar semelhante tipologia gr&aacute;fica. No entanto, nas quest&otilde;es &#8220;eu gosto da minha vizinhan&ccedil;a&#8221; e &#8220;eu gosto dos meus vizinhos&#8221; as respostas n&atilde;o apresentam grande concord&acirc;ncia como podemos verificar, o que nos leva a concluir que os participantes tiveram alguma dificuldade em compreender, por exemplo, o significado de vizinhan&ccedil;a, o que foi demonstrado verbalmente por alguns dos sujeitos. Outro aspecto interessante de registar &eacute; o facto da maioria dos participantes afirmarem que gostam da sua vizinhan&ccedil;a, mas tamb&eacute;m gostariam de morar noutro lugar, o que nos leva a concluir que, apesar das rela&ccedil;&otilde;es entre vizinhos serem boas, gostariam de habitar noutro espa&ccedil;o f&iacute;sico. No entanto, a grande maioria dos sujeitos na quest&atilde;o &#8220;a casa da minha fam&iacute;lia &eacute; agrad&aacute;vel&#8221; respondem que concordam com a afirma&ccedil;&atilde;o, registando-se apenas alguns <i>outliers </i>que discordam totalmente. Analisando esta mesma categoria, <i>Ambiente Envolvente</i>, no Bairro de Alfama, verificamos que existe muita concord&acirc;ncia em quest&otilde;es similares, como &#8220;eu gosto da minha vizinhan&ccedil;a&#8221; e &#8220;eu gosto dos meus vizinhos&#8221;, onde os participantes concordam totalmente com a afirma&ccedil;&atilde;o. Para as quest&otilde;es &#8220;existem muitas coisas interessantes para fazer onde eu moro&#8221;, &#8220;neste bairro existem pessoas importantes&#8221; e &#8220;a casa da minha fam&iacute;lia &eacute; agrad&aacute;vel&#8221; os resultados s&atilde;o id&ecirc;nticos, estando os sujeitos tendencialmente satisfeitos nestes itens. Para terminar, na quest&atilde;o que avalia no geral o gostar de viver no bairro, quase todas as crian&ccedil;as e jovens que comp&otilde;em a amostra concordam totalmente que gostam de viver no bairro em quest&atilde;o. </p>      <p>A categoria <i>Pr&oacute;prio</i>, para o Bairro do Armador, &eacute; a &uacute;nica categoria formada apenas por quest&otilde;es na positiva e com uma conota&ccedil;&atilde;o favor&aacute;vel, sendo a que apresenta mais homogeneidade nas respostas. No <i>Bairro </i>de Alfama, nesta categoria verificamos que praticamente todos os sujeitos concordam com as afirma&ccedil;&otilde;es a este n&iacute;vel, o que nos leva a concluir uma elevada satisfa&ccedil;&atilde;o na componente que diz respeito ao foro &iacute;ntimo e pr&oacute;prio de cada participante. </p>      <p>Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; categoria <i>fazer parte de</i>, da escala de Sentimento de Comunidade, o Bairro do Armador n&atilde;o evidencia grandes oscila&ccedil;&otilde;es de resposta para a primeira e segunda pergunta que comp&otilde;em a categoria. Relativamente &agrave; quest&atilde;o &#8220;s&atilde;o poucos os meus vizinhos que me conhecem&#8221; os participantes dividem-se entre a op&ccedil;&atilde;o &#8220;concordo&#8221; e &#8220;discordo&#8221;. Nesta categoria, no Bairro de Alfama, os participantes consideram que conhecem a maioria das pessoas que vivem no bairro mas, por outro lado, afirmam que s&atilde;o poucos os vizinhos que os conhecem a eles. Na quest&atilde;o &#8220;eu sinto-me em casa neste bairro&#8221; quase todos os sujeitos afirmam que concordam totalmente. </p>      <p>No Bairro do Armador, na categoria de <i>influ&ecirc;ncia</i>, os participantes n&atilde;o consideram-se grandes agentes com influ&ecirc;ncia no bairro, nunca demonstrando uma concord&acirc;ncia total nas quest&otilde;es elaboradas para avaliar o grau de influ&ecirc;ncia. Desta forma, analisa-se que a grande maioria dos sujeitos &#8220;discordam&#8221; e &#8220;discordam totalmente&#8221; em rela&ccedil;&atilde;o ao poder e influ&ecirc;ncia que os participantes sentem sobre a realidade do bairro. J&aacute; em rela&ccedil;&atilde;o ao Bairro de Alfama, nesta componente de influ&ecirc;ncia sobre o bairro as opini&otilde;es dividem-se, com metade dos participantes a concordar totalmente com as afirma&ccedil;&otilde;es e a outra metade a discordar. A &uacute;ltima afirma&ccedil;&atilde;o que refere &#8220;eu preocupo-me com o que os meus vizinhos pensam acerca das minhas atitudes&#8221;, constatamos que as opini&otilde;es divergem entre o &#8220;concordo totalmente&#8221; ao &#8220;discordo totalmente&#8221;, o que seria de esperar neste grupo et&aacute;rio t&atilde;o novo, onde as crian&ccedil;as e os jovens que ainda n&atilde;o se preocupam com o que os outros pensam acerca do que fazem. </p>      <p>Para a categoria <i>integra&ccedil;&atilde;o e satisfa&ccedil;&atilde;o das necessidades</i>, no Bairro do Armador, verificamos uma diverg&ecirc;ncia significativa nas quest&otilde;es apresentadas. A grande maioria dos participantes para a quest&atilde;o &#8220;eu penso que o meu bairro &eacute; um bom s&iacute;tio para viver&#8221; afirmam que &#8220;concordam&#8221; e &#8220;concordam muito&#8221;, no entanto para a pergunta &#8220;as pessoas neste bairro n&atilde;o t&ecirc;m as mesmas atitudes&#8221; grande parte dos sujeitos referem que &#8220;concordam&#8221; e &#8220;concordam totalmente&#8221; com a afirma&ccedil;&atilde;o. Relativamente, &#8220;aos meus vizinhos e eu queremos as mesmas coisas do bairro&#8221; os inquiridos dividem-se entre o &#8220;concordo&#8221; e o &#8220;discordo&#8221;. Para esta mesma categoria no Bairro de Alfama, temos grande parte dos sujeitos que concordam que &#8220;o bairro &eacute; um bom s&iacute;tio para viver&#8221; o que demonstra uma grande satisfa&ccedil;&atilde;o e integra&ccedil;&atilde;o no bairro de resid&ecirc;ncia. Para a quest&atilde;o &#8220;os meus vizinhos e eu queremos as mesmas coisas do bairro&#8221;, tamb&eacute;m temos que a grande maioria dos participantes a concordarem com a afirma&ccedil;&atilde;o. Para finalizar e em rela&ccedil;&atilde;o ao item &#8220;as pessoas neste bairro n&atilde;o t&ecirc;m as mesmas atitudes&#8221; verificamos tamb&eacute;m que as respostas divergem entre a op&ccedil;&atilde;o &#8220;concordo&#8221; e a op&ccedil;&atilde;o &#8220;discordo&#8221;, o que demonstra que nem todos os sujeitos consideram que as pessoas no bairro tenham as mesmas atitudes. </p>      <p>A &uacute;ltima categoria em an&aacute;lise da escala Sentimento de Comunidade diz respeito &agrave; <i>partilha de liga&ccedil;&otilde;es emocionais</i>. No Bairro do Armador verificamos concord&acirc;ncia em duas das quest&otilde;es que caracterizam a categoria e que se cruzam no seu significado. Assim, em rela&ccedil;&atilde;o aos items &#8220;&eacute; muito importante viver neste bairro&#8221; e &#8220;espero viver neste bairro por muito tempo&#8221; os sujeitos, na sua maioria, afirmam que &#8220;concordam&#8221; e &#8220;concordam totalmente&#8221; com as afirma&ccedil;&otilde;es. Contudo, apesar de sentirem uma liga&ccedil;&atilde;o emocional muito forte em rela&ccedil;&atilde;o ao bairro, todos os sujeitos do grupo afirmam que, por vezes, as pessoas no bairro n&atilde;o se d&atilde;o umas com as outras, ou seja, ocasionalmente t&ecirc;m algumas diverg&ecirc;ncias entre si, mas que isso n&atilde;o impede a forte liga&ccedil;&atilde;o emocional por parte das crian&ccedil;as e jovens entrevistados no que diz respeito ao bairro onde vivem. No Bairro de Alfama, nesta categoria, registamos que a grande maioria dos participantes concorda com as afirma&ccedil;&otilde;es, o que demonstra uma forte liga&ccedil;&atilde;o emocional ao bairro. Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; afirma&ccedil;&atilde;o &#8220;as pessoas neste bairro, &agrave;s vezes n&atilde;o se d&atilde;o umas com as outras&#8221; as op&ccedil;&otilde;es dividem-se, ou seja, metade dos participantes considera que as pessoas do bairro por vezes n&atilde;o se relacionam bem umas com as outras e outros sujeitos pensam que n&atilde;o, todos os residentes no bairro se relacionam bem. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Para terminar a nossa apresenta&ccedil;&atilde;o dos resultados e respondendo &agrave; nossa quest&atilde;o principal de investiga&ccedil;&atilde;o, onde pretend&iacute;amos verificar a rela&ccedil;&atilde;o positiva e direccional entre o sentimento de comunidade e a satisfa&ccedil;&atilde;o de vida, comprov&aacute;mos, atrav&eacute;s do coeficiente de correla&ccedil;&atilde;o de <i>Pearson</i>, que o n&iacute;vel de correla&ccedil;&atilde;o entre as duas vari&aacute;veis em estudo &eacute; relativamente forte (ver Quadro 1). </p>      <p>&nbsp;</p>      <p><a href="/img/revistas/aps/v28n3/28n3a06q1.jpg" target="_blank">QUADRO 1</a></p>      
<p><i>Coeficiente correla&ccedil;&atilde;o Pearson para as vari&aacute;veis Satisfa&ccedil;&atilde;o    de Vida e Sentimento de Comunidade</i></p>      <p>&nbsp;</p>      <p>Este coeficiente de correla&ccedil;&atilde;o permite avaliar a magnitude ou direc&ccedil;&atilde;o da associa&ccedil;&atilde;o existente entre duas vari&aacute;veis em estudo, quando estas assumem um n&iacute;vel de mensura&ccedil;&atilde;o pelo menos ordinal. Isto significa que um aumento de magnitude, de uma das vari&aacute;veis est&aacute; directamente associado a um aumento linear da outra vari&aacute;vel, ou seja, o aumento significativo da vari&aacute;vel independente sentimento de comunidade pressup&otilde;e tamb&eacute;m um aumento do n&iacute;vel da vari&aacute;vel dependente satisfa&ccedil;&atilde;o de vida. </p>      <p>Visto o quadro em cima, verificamos que o n&iacute;vel de correla&ccedil;&atilde;o entre as duas vari&aacute;veis em estudo, &eacute; relativamente forte, uma vez que, &eacute; superior ao valor zero e ligeiramente superior a 0.5. Isto significa que um aumento de magnitude de uma das vari&aacute;veis tem associado um aumento linear da outra vari&aacute;vel, ou seja, o aumento significativo da vari&aacute;vel sentimento de comunidade pressup&otilde;e tamb&eacute;m um aumento do n&iacute;vel da vari&aacute;vel satisfa&ccedil;&atilde;o de vida, o vice-versa tamb&eacute;m &eacute; v&aacute;lido. </p>      <p>Tamb&eacute;m verificamos que existem diferen&ccedil;as relevantes entre estas vari&aacute;veis nos dois grupos. Ou seja, no bairro considerado mais hist&oacute;rico, antigo e t&iacute;pico de Lisboa, como o Bairro de Alfama, onde est&atilde;o presentes liga&ccedil;&otilde;es mais fortes de vizinhan&ccedil;a e liga&ccedil;&otilde;es de identifica&ccedil;&atilde;o com a comunidade de resid&ecirc;ncia, existe um maior grau de sentimento de perten&ccedil;a e de identidade com o bairro e, consequentemente, visto ser proporcional, um maior n&iacute;vel de satisfa&ccedil;&atilde;o e qualidade de vida. No Bairro do Armador, um bairro de realojamento social relativamente recente, ainda se encontram em fase de constru&ccedil;&atilde;o e intensifica&ccedil;&atilde;o as rela&ccedil;&otilde;es socais de vizinhan&ccedil;a e a identifica&ccedil;&atilde;o ao lugar de resid&ecirc;ncia. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>REFLEX&Otilde;ES E CONCLUS&Otilde;ES</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Para a presente investiga&ccedil;&atilde;o, opt&aacute;mos por escolher como objecto de an&aacute;lise o sentimento de comunidade, um dos valores da Psicologia Comunit&aacute;ria, porque este conceito tem assumido um papel central no campo da Psicologia Comunit&aacute;ria, nos &uacute;ltimos anos. Este refere-se &agrave; qualidade do interc&acirc;mbio pessoal (relacionamento interpessoal) em prol de contextos saud&aacute;veis e sustent&aacute;veis a n&iacute;veis pessoais e comunit&aacute;rios (Davidson &amp; Cotter, 1991). Contudo, a rela&ccedil;&atilde;o existente entre o sentimento de comunidade e a satisfa&ccedil;&atilde;o e qualidade de vida &eacute; pouco explorada teoricamente e poucos estudos publicados existem nesta &aacute;rea. Com este estudo pretendemos dar resposta &agrave; quest&atilde;o principal de investiga&ccedil;&atilde;o, relacionada com a exist&ecirc;ncia de uma liga&ccedil;&atilde;o forte e direccional entre o sentimento de comunidade e a satisfa&ccedil;&atilde;o e qualidade de vida. </p>      <p>No grupo de jovens participantes, residentes de dois bairros da cidade de Lisboa (Armador e Alfama), foi poss&iacute;vel encontrar uma correla&ccedil;&atilde;o significativa entre o sentimento de comunidade e a satisfa&ccedil;&atilde;o e qualidade de vida, garantindo, desta forma, a consist&ecirc;ncia interna da experi&ecirc;ncia do terreno e da teoria da academia. </p>      <p>Quanto maior for a intensidade dos elementos que identificam e definem as qualidades espec&iacute;ficas do sentimento de comunidade, como: <i>fazer parte de, influ&ecirc;ncia, integra&ccedil;&atilde;o e satisfa&ccedil;&atilde;o das necessidades </i>e <i>partilha de liga&ccedil;&otilde;es emocionais </i>em rela&ccedil;&atilde;o a uma comunidade de resid&ecirc;ncia, maior ser&atilde;o os benef&iacute;cios quer a n&iacute;vel individual, quer a n&iacute;vel comunit&aacute;rio. Para os indiv&iacute;duos, o benef&iacute;cio resultante do sentimento de comunidade providencia &iacute;ndices subjectivos de qualidade e satisfa&ccedil;&atilde;o de vida, como podemos verificar com </p>      <p>o nosso grupo de participantes. O facto de as pessoas apresentarem maior sentimento comunidade para com um grupo e/ou um bairro, reflecte-se num maior sentimento de perten&ccedil;a, num maior sentimento de controlo e influ&ecirc;ncia sobre o grupo, possibilitando, deste modo, uma satisfa&ccedil;&atilde;o real das necessidades tendo em conta as capacidades do grupo e a hist&oacute;ria em comum, possibilitando tamb&eacute;m uma liga&ccedil;&atilde;o emocional e um investimento face ao grupo (Davidson &amp; Cotter, 1991). </p>      <p>A investiga&ccedil;&atilde;o realizada nesta &aacute;rea tem evidenciado que quanto maior for a intensidade do sentimento de comunidade, maior ser&atilde;o os benef&iacute;cios a n&iacute;vel individual e a n&iacute;vel comunit&aacute;rio. A n&iacute;vel individual, um maior sentimento de comunidade reflecte-se no aumento do bem-estar individual (Dalton &amp; Elias, 2001), da qualidade e satisfa&ccedil;&atilde;o de vida individual (Dalton &amp; Elias, 2001), do sentido de justi&ccedil;a social (Dalton &amp; Elias, 2001), da sa&uacute;de mental (Davidson &amp; Cotter, 1991), do capital social (Tennent, Farrell, &amp; Tayler, 2005), num maior sentimento de identifica&ccedil;&atilde;o e de autoconfian&ccedil;a (Prezza &amp; Constantini, 1998), maiores n&iacute;veis de participa&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;ria (Dalton &amp; Elias, 2001) e menor sentimento de solid&atilde;o (Prezza, Amici, Roberti, &amp; Tesdeschi, 2001). A n&iacute;vel colectivo, os resultados da investiga&ccedil;&atilde;o apontam para que a rela&ccedil;&atilde;o entre o sentimento de comunidade e uma: maior colabora&ccedil;&atilde;o e for&ccedil;a comunit&aacute;ria (Dalton &amp; Elias, 2001); maior mobiliza&ccedil;&atilde;o da comunidade para as solu&ccedil;&otilde;es dos seus problemas comuns (Prezza &amp; Constantini, 1998) e maior constru&ccedil;&atilde;o do sentido de comunidade. </p>        <p>A melhoria da qualidade e satisfa&ccedil;&atilde;o de vida percepcionada atrav&eacute;s do sentimento de perten&ccedil;a a uma comunidade &eacute; directamente influenciada, por componentes espec&iacute;ficas e dominantes da vida, como a <i>fam&iacute;lia</i>, os <i>amigos</i>, a <i>escola</i>, o <i>pr&oacute;prio</i>, os <i>vizinhos </i>e o <i>bairro</i>. No Bairro de Alfama, onde verificamos um maior sentimento de perten&ccedil;a ao bairro, tamb&eacute;m constatamos um maior n&iacute;vel de qualidade e satisfa&ccedil;&atilde;o de vida, comparativamente com o Bairro do Armador, o que demonstra a import&acirc;ncia do ambiente envolvente na vida das pessoas. </p>      <p>Para os indiv&iacute;duos, numa primeira inst&acirc;ncia, e para a comunidade, os n&iacute;veis de qualidade e satisfa&ccedil;&atilde;o de vida funcionam como experi&ecirc;ncias e recursos positivos para proteger a sa&uacute;de biopsicossocial. A participa&ccedil;&atilde;o activa na comunidade, o envolvimento efectivo em organiza&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas e a mobiliza&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;ria em torno dos problemas sociais, afastam por completo n&iacute;veis baixos de satisfa&ccedil;&atilde;o de vida, os quais est&atilde;o mais relacionados com situa&ccedil;&otilde;es de depress&atilde;o, rejei&ccedil;&atilde;o pessoal, solid&atilde;o, comportamentos agressivos, consumo de &aacute;lcool e abuso de subst&acirc;ncias qu&iacute;micas. </p>      <p>Os fen&oacute;menos resultantes do envolvimento c&iacute;vico e da participa&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;ria na comunidade de resid&ecirc;ncia, para al&eacute;m de permitirem um real entendimento da no&ccedil;&atilde;o de comunidade, resultam num excelente mecanismo para a resolu&ccedil;&atilde;o dos problemas comunit&aacute;rios, para a emerg&ecirc;ncia do sentimento de perten&ccedil;a e para o desenvolvimento de um maior n&iacute;vel de coes&atilde;o e bem-estar dos seus membros no decurso dos processos de mudan&ccedil;a (Ornelas, 1998). </p>      <p>&#8220;O Sentimento de comunidade e de perten&ccedil;a em rela&ccedil;&atilde;o a uma vizinhan&ccedil;a, a preocupa&ccedil;&atilde;o demonstrada pelos outros e o acreditar que algu&eacute;m se preocupa com o(a) pr&oacute;prio(a) s&atilde;o atitudes cruciais que podem apoiar ou desencorajar a participa&ccedil;&atilde;o&#8221; (Ornelas, 2002, p. 11). Se o nosso objectivo for a compreens&atilde;o do envolvimento c&iacute;vico e da participa&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;ria, as associa&ccedil;&otilde;es de vizinhan&ccedil;a devem ser vistas como foco ideal para a interven&ccedil;&atilde;o, pois oferecem aos cidad&atilde;os a oportunidade de discutir os problemas da comunidade com os vizinhos. </p>      <p>Cada vez mais verificamos uma maior organiza&ccedil;&atilde;o e mobiliza&ccedil;&atilde;o das comunidades em tornos dos seus pr&oacute;prios problemas e necessidades, com base nas suas potencialidades e recursos: Este envolvimento e participa&ccedil;&atilde;o dos cidad&atilde;os, numa localidade espec&iacute;fica e nos processos de decis&atilde;o a favor da comunidade, contribui significativamente para o aumento do sentimento de perten&ccedil;a e identidade de comunidade e promove um maior &iacute;ndice de satisfa&ccedil;&atilde;o e qualidade de vida dos indiv&iacute;duos. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Como o objectivo da presente investiga&ccedil;&atilde;o foi a an&aacute;lise do sentimento de comunidade em crian&ccedil;as e jovens de dois bairros residenciais diferentes e a rela&ccedil;&atilde;o encontrada entre a satisfa&ccedil;&atilde;o e qualidade de vida, opt&aacute;mos por entrevistar os nossos participantes sobre aspectos como o bairro (ambiente envolvente) e os vizinhos para aferir o n&iacute;vel percepcionado de sentimento de comunidade e os aspectos relacionados com o pr&oacute;prio, a fam&iacute;lia, a escola e os amigos, para investigar o &iacute;ndice de satisfa&ccedil;&atilde;o e qualidade de vida percepcionada. No nosso estudo conclu&iacute;mos que as crian&ccedil;as e jovens com maiores &iacute;ndices de qualidade e satisfa&ccedil;&atilde;o de vida s&atilde;o as mesmas que apresentam maior envolvimento c&iacute;vico no bairro de resid&ecirc;ncia e, consequentemente, maior sentimento de comunidade. </p>        <p>Desta forma e de um modo geral, os resultados obtidos demonstram uma rela&ccedil;&atilde;o significativa existente entre as duas vari&aacute;veis em estudo, ou seja, o sentimento de comunidade e a satisfa&ccedil;&atilde;o de vida. Assim, o aumento da magnitude do sentimento de perten&ccedil;a e de identifica&ccedil;&atilde;o a uma comunidade est&aacute; associado a um aumento linear do n&iacute;vel de satisfa&ccedil;&atilde;o e qualidade de vida individual, como podemos verificar mais significativamente com o grupo de crian&ccedil;as e jovens residentes do Bairro de Alfama. </p>      <p>Para finalizar, gostar&iacute;amos ainda de incluir algumas pistas e indica&ccedil;&otilde;es para futuras e novas investiga&ccedil;&otilde;es. Seria interessante utilizar o mesmo instrumento de investiga&ccedil;&atilde;o em outros estudos te&oacute;ricos, uma vez que o instrumento que avalia a satisfa&ccedil;&atilde;o de vida &eacute; bastante rico, no que diz respeito &agrave; an&aacute;lise e compara&ccedil;&atilde;o entre as diversas categorias. Futuramente, poder-se-ia tamb&eacute;m realizar um estudo de triangula&ccedil;&atilde;o com outros actores chaves para estes participantes, como pais, vizinhos, amigos e/ou professores e fazer um estudo etnogr&aacute;fico para an&aacute;lise e cruzamento de dados destes mesmos participantes nos seus contextos reais de integra&ccedil;&atilde;o e interven&ccedil;&atilde;o. Por outro lado, o alargamento desta investiga&ccedil;&atilde;o aos adultos permitiria verificar se existem diferen&ccedil;as significativas comparativamente com os jovens. &Agrave; semelhan&ccedil;a da investiga&ccedil;&atilde;o realizada por Prezza, Amici, Roberti, e Tesdeschi, em 2001, em tr&ecirc;s diferentes regi&otilde;es, seria tamb&eacute;m interessante aplicar este estudo em comunidades de diferentes dimens&otilde;es e caracter&iacute;sticas, para analisar as poss&iacute;veis diferen&ccedil;as entre o ambiente urbano e o rural. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>REFER&Ecirc;NCIAS</p>      <!-- ref --><p>Amaro, J. P. (2007). Sentimento psicol&oacute;gico de comunidade: Uma revis&atilde;o. <i>An&aacute;lise Psicol&oacute;gica, XXV(</i>1), 25-33. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000118&pid=S0870-8231201000030000600001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Dalton, J., &amp; Elias, M. (2001).What is community psychology. <i>Community psychology linking individual and communities </i>(pp. 3-25). Wadwarth: Thomson Learning. </p>      <p>Dalton, J., Elias, M., &amp; Wandersaman (2001). Understanding sense of community. <i>Community psychology linking individual and communities </i>(pp. 186-217). Wadwarth: Thomson Learning. </p>      <p>Davidson, W. B., &amp; Cotter, P. R. (1991). The relationship between sense of community and subjective well being: A first look. <i>Journal of Community Psychology, 19</i>(3), 246-253. </p>      <p>Diener, E., Emmons, R., Larsen, R., &amp; Griffin, S. (1985). The satisfaction with life scale. <i>Journal of Personality Assessment, 49</i>(1), 71-75. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Gusfield, J. R. (1975). <i>The community: A critical response</i>. New York: Harper Colophon. </p>      <p>Huebner, E. S. (2004). Research on assessment of life satisfaction of children and adolescents. <i>Social Indicators Research, 66</i>, 3-33. </p>      <p>McMillan, D. W. (1996). Sense of community. <i>Journal of Community Psychology, 24</i>(4), 315-325. </p>      <p>McMillan, D., &amp; Chavis, D. (1986). Sense of community: A definition and theory. <i>American Journal of Community Psychology, 14(1</i>), 6-23. </p>      <p>Ornelas, J. (1998). <i>II Congresso Europeu de Psicologia Comunit&aacute;ria: Sess&atilde;o de abertura. </i>Comunica&ccedil;&atilde;o apresentada no II Congresso Europeu de Psicologia Comunit&aacute;ria (pp. 3-7). Instituto Superior de Psicologia Aplicada: Lisboa. </p>      <p>Ornelas, J. (2002). <i>Participa&ccedil;&atilde;o, empowerment e lideran&ccedil;a comunit&aacute;ria</i>. Comunica&ccedil;&atilde;o apresentada na III Confer&ecirc;ncia Desenvolvimento Comunit&aacute;rio e Sa&uacute;de Mental (pp. 5-13). Instituto Superior de Psicologia Aplicada: Lisboa. </p>      <p>Pretty, G., Andrewes, L., &amp; Collet, C. (1994). Exploring adolescents&#8217; sense of community and its relationship to loneliness. <i>Journal of Community Psychology, 22</i>(4), 346-358. </p>      <p>Pretty, G., Conroy, C., Dugay, J., Fowler, K., &amp; Williams, D. (1996). Sense of community and its relevance to adolescents of all ages. <i>Journal of Community Psychology, 24</i>(4), 365-379. </p>      <p>Prezza, M., &amp; Constantini, S. (1998). Sense of community and live satisfaction: Investigation in three different territorial contexts. <i>Journal of Community &amp; Applied Social Psychology</i>, <i>8, </i>181-194. </p>      <p>Prezza, M., Amici, M., Roberti, T., &amp; Tedeschi, G. (2001). Sense of community referred to the whole town: Its relations with loneliness, life satisfaction and area of residence. <i>Journal of Community Psychology, 29</i>(1), 29-52. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Sarason, S. (1974). The perception and conception of a community. <i>The psychological sense of community: Prospects for a community psychology </i>(pp. 130-160). San Francisco: Jossey-Bass. </p>      <p>Tennent, L., Farrell, A., &amp; Tayler, C. (2005). <i>Social capital and sense    of community: What do they mean for young children&#8217;s success at school?    </i>(pp. 1-13). Queensland University of Techonology, Brisbone Australia.</p>       ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Amaro]]></surname>
<given-names><![CDATA[J. P.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Sentimento psicológico de comunidade: Uma revisão]]></article-title>
<source><![CDATA[Análise Psicológica]]></source>
<year>2007</year>
<volume>XXV</volume>
<numero>1</numero>
<issue>1</issue>
<page-range>25-33</page-range></nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
