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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The aim of this article is to enhance the understanding of the major contributes of supported employment for the integration of people with mental illness. To explore these contributes was used a review of literature. We intend to explore the evolution of the supported employment model, the evidence based practice, and two additional concepts. The first one is the establishment of a carrier in specialized employment, increasing access to and success in university through supported education. The second one is the development of natural support networks to empower individuals&#8217; roles in the workforce and decrease their reliance on professional support. This literature outlines the potential of supported education and natural supports for the future of supported employment.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>Os contributos do emprego apoiado para a integra&ccedil;&atilde;o das pessoas    com doen&ccedil;a mental</b></p>      <p>&nbsp;</p>      <p>Vera Pires Coelho <sup>(*)</sup>, Jos&eacute; Ornelas <sup>(**)</sup> </p>     <p>&nbsp;</p>      <p><sup>(*)</sup>&nbsp; Mestre em Psicologia Cl&iacute;nica. </p>     <p><sup>(**)</sup> ISPA &#8211; Instituto Universit&aacute;rio, Rua Jardim do    Tabaco, 34, 1149-041 Lisboa; E-mail: <a href="mailto:jornelas@ispa.pt">jornelas@ispa.pt</a> </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>RESUMO</p>      <p>O objectivo deste artigo &eacute; possibilitar uma reflex&atilde;o sobre os principais contributos do emprego apoiado para a integra&ccedil;&atilde;o das pessoas com doen&ccedil;a mental grave. Recorreu-se a uma revis&atilde;o da literatura com o intuito de explorar os contributos deste modelo. Neste &acirc;mbito, analis&aacute;mos a evolu&ccedil;&atilde;o do modelo de emprego apoiado, as principais evid&ecirc;ncias cient&iacute;ficas e dois conceitos adicionais. O primeiro, a educa&ccedil;&atilde;o apoiada que facilita o acesso e o sucesso do regresso &agrave; universidade, fortalecendo o emprego mais qualificado e a progress&atilde;o na carreira. E o segundo, o desenvolvimento de suportes naturais que fortale&ccedil;am o papel social e o valor para o mercado de trabalho, diminuindo a depend&ecirc;ncia de suportes profissionais. Este artigo sublinha o potencial contributo da educa&ccedil;&atilde;o apoiada e dos suportes naturais para o futuro do emprego apoiado. </p>      <p><i>Palavras chave: </i>Doen&ccedil;a mental, Educa&ccedil;&atilde;o apoiada, Emprego apoiado, Suportes naturais. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p>ABSTRACT</p>      <p>The aim of this article is to enhance the understanding of the major contributes of supported employment for the integration of people with mental illness. To explore these contributes was used a review of literature. We intend to explore the evolution of the supported employment model, the evidence based practice, and two additional concepts. The first one is the establishment of a carrier in specialized employment, increasing access to and success in university through supported education. The second one is the development of natural support networks to empower individuals&#8217; roles in the workforce and decrease their reliance on professional support. This literature outlines the potential of supported education and natural supports for the future of supported employment. </p>      <p><i>Key words: </i>Mental illness, Natural supports, Supported education, Supported employment. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>PANORAMA HIST&Oacute;RICO E CONCEPTUAL</p>      <p>O acesso ao emprego no mercado normal de trabalho &eacute; um meio por excel&ecirc;ncia, para aceder a uma participa&ccedil;&atilde;o activa na comunidade e uma garantia de igualdade de direitos e oportunidades fundamentais. Mas as organiza&ccedil;&otilde;es socioecon&oacute;micas e a crescente competitividade e globaliza&ccedil;&atilde;o dos mercados potenciam a perman&ecirc;ncia de din&acirc;micas geradoras de situa&ccedil;&otilde;es marginalizantes e de exclus&atilde;o social, que tendencialmente recaem sobre grupos que devido a situa&ccedil;&otilde;es adversas ou restritivas, de car&aacute;cter socio-&eacute;tnico-cultural, ou outras, se apresentam mais vulner&aacute;veis (Coelho, 2009). </p>      <p>A ideia central do emprego apoiado &eacute; a de apoiar as pessoas com problem&aacute;ticas graves a escolher, obter e manter um emprego competitivo e integrado na comunidade (Ornelas, 2008). Este conceito implica que os trabalhadores com defici&ecirc;ncia ou doen&ccedil;a mental tenham sal&aacute;rios, deveres, benef&iacute;cios e resultados de integra&ccedil;&atilde;o id&ecirc;nticos no maior grau poss&iacute;vel igual &agrave; de qualquer outro trabalhador (Mank, Cioffi, &amp; Yovanoff, 1998), pelo que os indicadores de qualidade do emprego apoiado incluem a obten&ccedil;&atilde;o destes resultados, e n&atilde;o apenas a presta&ccedil;&atilde;o do trabalho (Ford, 1995; Mank, O&#8217;Neill, &amp; Jensen, 2000). </p>      <p>Para uma melhor compreens&atilde;o, situamos a origem do emprego apoiado nos E.U.A., no final da d&eacute;cada de 70, quando os defensores dos direitos civis e os t&eacute;cnicos dos servi&ccedil;os na &aacute;rea dos deficientes mentais tomaram uma crescente consci&ecirc;ncia de que os estudantes do ensino especial n&atilde;o faziam a transi&ccedil;&atilde;o para o mundo competitivo de trabalho. Nesta &eacute;poca, surgem os primeiros projectos-piloto de emprego apoiado para deficientes, desenvolvidos em parceria com algumas universidades, como a Virg&iacute;nia Commonwealth University, nos quais foram testadas, com sucesso, novas metodologias de integra&ccedil;&atilde;o profissional em contexto de trabalho, incluindo 3 servi&ccedil;os b&aacute;sicos: a coloca&ccedil;&atilde;o directa no mercado de trabalho, a forma&ccedil;&atilde;o em posto de trabalho e o suporte continuado dentro e fora da empresa (Ornelas, 2008). </p>      <p>Estes projectos-piloto e outros acontecimentos seminais nos EUA conduziram &agrave; legisla&ccedil;&atilde;o do emprego apoiado, em 1984, possibilitando a elegibilidade dos estados federais para receber fundos para o <i>advocacy</i>, planeamento e desenvolvimento de projectos de emprego apoiado para as pessoas com defici&ecirc;ncia (Will, 1986). </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No entanto, embora a sua origem se encontre na &aacute;rea da defici&ecirc;ncia, n&atilde;o podemos deixar de referir o contributo da desinstitucionaliza&ccedil;&atilde;o psiqui&aacute;trica e as experi&ecirc;ncias pioneiras da reabilita&ccedil;&atilde;o psicossocial das pessoas com doen&ccedil;a mental que, segundo a nossa leitura, tiveram um papel mobilizador dos profissionais e do poder pol&iacute;tico, no &acirc;mbito da compreens&atilde;o de que a utopia da integra&ccedil;&atilde;o era poss&iacute;vel e n&atilde;o quim&eacute;rica. Em primeiro lugar, os problemas espec&iacute;ficos da transi&ccedil;&atilde;o, de um sistema de educa&ccedil;&atilde;o especial para uma integra&ccedil;&atilde;o na vida adulta, n&atilde;o se colocaram do mesmo modo para as pessoas com doen&ccedil;a mental. Apesar das pessoas com doen&ccedil;a mental estarem abrangidas pela Lei dos servi&ccedil;os de reabilita&ccedil;&atilde;o vocacional desde 1943 (Skelley, 1980) n&atilde;o existiam servi&ccedil;os educacionais e vocacionais para os jovens adultos com doen&ccedil;a mental (Anthony &amp; Blanch, 1987), o que poderia explicar o seu reduzido acesso aos recursos profissionais. Em segundo lugar, embora dentro de um quadro normativo de desinstitucionaliza&ccedil;&atilde;o psiqui&aacute;trica, a legisla&ccedil;&atilde;o e os servi&ccedil;os na &aacute;rea da sa&uacute;de mental prestaram pouca aten&ccedil;&atilde;o &agrave;s quest&otilde;es profissionais (Anthony &amp; Blanch, 1987). </p>      <p>Contudo, durante os anos 60 e 70, foram desenvolvidos com sucesso uma s&eacute;rie de programas de emprego transit&oacute;rio, baseados nos modelos pioneiros da Fountain House em Nova York, da Thresholds em Chicago, do modelo Fairweather Lodge e outros similares (Anthony &amp; Blanch, 1987). Outros precursores importantes do emprego apoiado para pessoas com doen&ccedil;a mental foram alguns programas de emprego para desempregados, tais como o Jewish Vocational Services, o Job Club e o Supported Work Model (e.g., Jacobs, 1991). Embora estes programas fossem originalmente criados para dar apoio a desempregados sem defici&ecirc;ncia, &agrave; medida que a desinstitucionaliza&ccedil;&atilde;o psiqui&aacute;trica progredia, tiveram de come&ccedil;ar a dar apoio a um largo n&uacute;mero de pessoas com doen&ccedil;a mental que passaram a residir nas suas comunidades (MacDonald-Wilson, Mancuso, Danley, &amp; Anthony, 1989). </p>      <p>Este movimento dos Centros de Reabilita&ccedil;&atilde;o Psicossocial e outras organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil americana incorporaram muitos dos princ&iacute;pios do movimento humanista que esteve na g&eacute;nese da desinstitucionaliza&ccedil;&atilde;o psiqui&aacute;trica e que foram considerados como importantes na perspectiva do emprego apoiado &#8211; a integra&ccedil;&atilde;o em espa&ccedil;os na comunidade fora dos hospitais psiqui&aacute;tricos, bem como a aceita&ccedil;&atilde;o de que as pessoas com doen&ccedil;a mental tinham os mesmos direitos e deveres que os demais cidad&atilde;os. </p>      <p>Deste modo, em 1986, uma alian&ccedil;a da IAPSRS (Internacional Association of Psychosocial Rehabilitation Services) com outras organiza&ccedil;&otilde;es, conseguiu a aprova&ccedil;&atilde;o de uma s&eacute;rie de altera&ccedil;&otilde;es legislativas, que inclu&iacute;ssem especificamente as pessoas com doen&ccedil;a mental, redefinindo a empregabilidade desta popula&ccedil;&atilde;o, incluindo o trabalho em part-time; a utiliza&ccedil;&atilde;o de fundos estatais espec&iacute;ficos da reabilita&ccedil;&atilde;o, bem como a cria&ccedil;&atilde;o de um programa de fundos espec&iacute;fico para os servi&ccedil;os de emprego transit&oacute;rio e apoiado, tornando assim poss&iacute;vel a melhoria dos servi&ccedil;os vocacionais e de reabilita&ccedil;&atilde;o, e respectiva acessibilidade das pessoas com doen&ccedil;a mental. (Anthony &amp; Blanch, 1987). </p>      <p>Um ano mais tarde, em 1987, o Centro de Reabilita&ccedil;&atilde;o Psiqui&aacute;trica, da Boston University, desenvolveu o Modelo Choose-Get-Keep (escolha, coloca&ccedil;&atilde;o e manuten&ccedil;&atilde;o), adicionando a componente da escolha individual do projecto de emprego, como uma dimens&atilde;o essencial do sucesso na integra&ccedil;&atilde;o profissional (cf. Ornelas, 2008). </p>      <p>Ao longo dos anos 90, pensamos ter ocorrido mais um desenvolvimento no modelo de emprego apoiado, na medida em que o suporte passou a incluir o contexto ecol&oacute;gico (cf. Kelly, 2006) refor&ccedil;ando o papel dos suportes naturais (Nisbet &amp; Hagner, 1988), que nos EUA foram reconhecidos legalmente. Desse modo, o suporte exclusivamente profissional (job coach) passou progressivamente a ser desempenhado pelos recursos humanos das empresas e tutores (supervisor ou colega de trabalho respons&aacute;vel pela forma&ccedil;&atilde;o), tendo-se descoberto que esse processo, que &eacute; natural, produz resultados mais eficazes n&atilde;o s&oacute; para o trabalhador (Mank et al., 2000), como para as pr&oacute;prias empresas (e.g., Graffam, Shinkfield, Smith, &amp; Polzin, 2002). </p>      <p>Por todas estas raz&otilde;es, e muitas outras, o emprego apoiado tem possibilitado a entrada no mercado de trabalho de milhares de pessoas. Por exemplo nos EUA, 42 estados indicaram que, durante o ano fiscal de 1992, estiveram envolvidos em programas de emprego apoiado 90.000 indiv&iacute;duos (Revell, Wehman, Kregel, &amp; West, 1994), e que no final da d&eacute;cada de 90 este n&uacute;mero atingiu os 150.000 (West, Kregel, Hernandez, &amp; Hock, 1997). </p>      <p>Similarmente, a um n&iacute;vel internacional v&aacute;rias organiza&ccedil;&otilde;es come&ccedil;aram progressivamente a promover esta op&ccedil;&atilde;o para as pessoas com defici&ecirc;ncia no geral, real&ccedil;ando o princ&iacute;pio dos empregos reais e das oportunidades de emprego inclusivas. Por exemplo, em 1993, a Assembleia-geral das Na&ccedil;&otilde;es Unidas incluiu na norma da igualdade de oportunidades, as pessoas com defici&ecirc;ncia. A regra 7, sobre o emprego, declarou que a pessoa com defici&ecirc;ncia deve ser empowered para exercer o direito a obter um emprego pago, sendo responsabilidade dos estados membros remover as barreiras ao emprego. De acordo com esta regra, o objectivo dever&aacute; ser sempre a obten&ccedil;&atilde;o dum emprego competitivo. </p>      <p>Do mesmo modo, a Declara&ccedil;&atilde;o de Viena e o programa de ac&ccedil;&atilde;o adoptado na Conferencia Mundial sobre os Direitos do Homem em 25 de Junho de 1993, conteve um cap&iacute;tulo espec&iacute;fico sobre a igualdade, dignidade e toler&acirc;ncia, com uma sec&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica para os direitos das pessoas com defici&ecirc;ncia. </p>      <p>Tamb&eacute;m em Copenhaga, em 1997, a Declara&ccedil;&atilde;o de Desenvolvimento Social e o Programa de Ac&ccedil;&atilde;o da Cimeira Mundial sobre o Desenvolvimento Social enfatizou a necessidade de expandir o emprego produtivo, a integra&ccedil;&atilde;o social e a redu&ccedil;&atilde;o do desemprego. No Programa Mundial de Ac&ccedil;&atilde;o, o emprego, foi considerado como fundamental para a igualdade de oportunidades das pessoas com defici&ecirc;ncia. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O emprego apoiado tornou-se assim uma realidade para pa&iacute;ses com diferentes situa&ccedil;&otilde;es sociais, econ&oacute;micas, pol&iacute;ticas e culturais, tais como o Peru, Z&acirc;mbia, Espanha, Portugal, Alemanha, Austr&aacute;lia, e muitos outros (Jenaro, Mank, Bottomley, Doose, &amp; Tuckerman, 2002). Estes esfor&ccedil;os resultaram num aumento dos trabalhadores com defici&ecirc;ncia que obtiveram empregos reais em empresas do mercado competitivo de trabalho. Por exemplo, segundo Jenaro et al. (2002), no Reino Unido, mais de 158 ag&ecirc;ncias de emprego apoiado prestaram suporte a cerca de 5000 pessoas. Em Espanha em 1996, pelo menos 35 programas de emprego apoiado abrangeram 1385 trabalhadores (Verdugo, Urr&iacute;es, &amp; Bellver, 1998). Na Alemanha, servi&ccedil;os especializados de integra&ccedil;&atilde;o (integrationsfachdieenste) ofereceram servi&ccedil;os de coloca&ccedil;&atilde;o e suporte intensivo, para facilitar a transi&ccedil;&atilde;o das firmas sociais ou do desemprego, para o mercado competitivo de trabalho (Doose, 1996). </p>      <p>Contudo, existem ainda muitos desafios. Por exemplo, na Alemanha apesar das iniciativas referidas, na d&eacute;cada de 90, existiam cerca de 620 firmas sociais com mais de 175.000 pessoas em compara&ccedil;&atilde;o com 180 servi&ccedil;os integrados de emprego, para um valor estimado de 4.000 pessoas que eram apoiadas em locais de trabalho t&iacute;picos (Doose, 1996). Do mesmo modo, nos E.U.A., existiam muito mais pessoas em empregos segregados e n&atilde;o inclusivos, do que programas inclusivos (Albin &amp; Rhodes, 1993; Murphy &amp; Rogan, 1995). </p>      <p>Por outro lado, segundo Jenaro (1998) e com algumas excep&ccedil;&otilde;es como os EUA, Holanda, Noruega, &Aacute;ustria e Austr&aacute;lia, a maioria dos pa&iacute;ses n&atilde;o tem legisla&ccedil;&atilde;o a n&iacute;vel nacional sobre o emprego apoiado, embora alguns pa&iacute;ses tenham legisla&ccedil;&atilde;o sobre os apoios &agrave; contrata&ccedil;&atilde;o das pessoas com defici&ecirc;ncia (e.g., Espanha, Portugal, Alemanha e Gr&atilde; Bretanha). Acresce que ao n&iacute;vel da Uni&atilde;o Europeia, foram desenvolvidos v&aacute;rios projectos integrados de forma&ccedil;&atilde;o e emprego, com o suporte financeiro do Fundo Social Europeu atrav&eacute;s de diversas iniciativas como o Horizonte 1 e 2 (Jenaro, 1998; Verdugo et al., 1998) e de outros programas, tornando-se esta a principal fonte financeira do emprego apoiado, com as consequentes desvantagens ao n&iacute;vel da continuidade dos financiamentos dos suportes &agrave; manuten&ccedil;&atilde;o do emprego. </p>      <p>Esta r&aacute;pida dispers&atilde;o de programas levou &agrave; necessidade de ader&ecirc;ncia a um conjunto de procedimentos de implementa&ccedil;&atilde;o e avalia&ccedil;&atilde;o estandardizados a n&iacute;vel internacional (Mank et al., 2000). Nesse &acirc;mbito, de h&aacute; uns anos a esta parte, foi criada a Rede Europeia de Emprego Apoiado (EUSE, European Union of Supported Employment) contando com a presen&ccedil;a de programas na Noruega, Su&eacute;cia, Finl&acirc;ndia, Isl&acirc;ndia, Alemanha, B&eacute;lgica, Holanda, Inglaterra, Pa&iacute;s de Gales, Esc&oacute;cia, Irlanda do Norte, Irlanda, &Aacute;ustria, Hungria, Rep&uacute;blica Checa, Espanha, Portugal, It&aacute;lia, Gr&eacute;cia, Chipre e Malta (Doose, 1996) e os n&uacute;meros e as mudan&ccedil;as continuam a evoluir. </p>      <p>Nesse sentido, e em particular, nos anos mais recentes de globaliza&ccedil;&atilde;o, pensamos estar em curso mais uma evolu&ccedil;&atilde;o do emprego apoiado, no sentido do seu alargamento a p&uacute;blicos diversificados em situa&ccedil;&otilde;es de desvantagem (como o desemprego de longa dura&ccedil;&atilde;o, a viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica, etnia, migra&ccedil;&otilde;es, entre outros) perspectivando-se o emprego apoiado como parceiro na gest&atilde;o da diversidade do capital humano das empresas e respectivas pol&iacute;ticas de responsabilidade social (cf. Benites, Correia, Duarte, Marques, &amp; Mendon&ccedil;a, 2008). </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>EMPREGO APOIADO &#8211; UMA PR&Aacute;TICA BASEADA NA EVID&Ecirc;NCIA</p>      <p>Na &aacute;rea espec&iacute;fica da sa&uacute;de mental, o emprego apoiado foi considerado como umas das 6 pr&aacute;ticas baseadas em evid&ecirc;ncias (evidence based practices), que teve impactos positivos para as  pessoas com doen&ccedil;a mental grave (Bond, Drake, &amp; Becker, 2008). </p>      <p>As principais linhas de investiga&ccedil;&atilde;o do emprego apoiado, baseadas em evid&ecirc;ncias cient&iacute;ficas, podem ser esquematizadas segundo dois n&iacute;veis de an&aacute;lise: o primeiro prov&eacute;m de 2 fontes prim&aacute;rias, os estudos sobre a convers&atilde;o dos centros de dia em programas de emprego apoiado e os estudos experimentais (ou quase-experimentais) que comparam o emprego apoiado com outros modelos distintos; e o segundo, relativo &agrave; evid&ecirc;ncia dos princ&iacute;pios-base do emprego apoiado. </p>      <p>Os resultados de v&aacute;rios estudos sobre a convers&atilde;o de programas, revistos por Bond (2004), indicaram que 40-60% dos indiv&iacute;duos com doen&ccedil;a mental obtiveram emprego, em compara&ccedil;&atilde;o com menos de 20% das pessoas dos grupos de controle; e que as interven&ccedil;&otilde;es de suporte poderiam triplicar a taxa base de emprego de 15% para 45%. A revis&atilde;o de Bond et al. (2008) dos estudos experimentais indicou que a maioria dos participantes em emprego apoiado obteve emprego competitivo com maior rapidez, nos primeiros 6 meses, com taxas de contrata&ccedil;&atilde;o tr&ecirc;s vezes superiores aos outros modelos, embora em regime de part-time. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O segundo n&iacute;vel de evid&ecirc;ncias reporta-se aos estudos relativos aos 4 princ&iacute;pios centrais do emprego apoiado (emprego competitivo, r&aacute;pida coloca&ccedil;&atilde;o no mercado de trabalho, escolha vocacional de acordo com o candidato e manuten&ccedil;&atilde;o do emprego) que poderemos sintetizar do seguinte modo: </p>      <p>&nbsp;</p>      <p><i>Servi&ccedil;os focalizados no emprego competitivo </i></p>      <p>O primeiro aspecto deste princ&iacute;pio parte do pressuposto de que a melhor forma de encontrar um emprego passa por ajudar o candidato a encontrar e manter esse emprego. O ponto de vista alternativo passa pelas estrat&eacute;gias indirectas de melhoramento da doen&ccedil;a (e.g., Gunderson, Frank, Katz, Vannicelli, Frosh, &amp; Knapp, 1984), que teriam um efeito &#8220;spread&#8221; no dom&iacute;nio do funcionamento vocacional. Segundo Bond et al. (2008), a evid&ecirc;ncia preponderante sugere que estas interven&ccedil;&otilde;es n&atilde;o directamente relacionadas com o trabalho (como a psicoterapia, medica&ccedil;&atilde;o, psicoeduca&ccedil;&atilde;o) apresentam um impacto baixo ou nulo nos resultados do emprego competitivo. </p>      <p>O segundo aspecto, relaciona-se com a ideia de que o emprego protegido, e outras vias que n&atilde;o t&ecirc;m uma focaliza&ccedil;&atilde;o no emprego competitivo, n&atilde;o contribuem e podem mesmo interferir com este objectivo. Neste dom&iacute;nio, a baixa efic&aacute;cia do emprego protegido progredir para o emprego competitivo foi estabelecida nos estudos revistos por Bond et al. (2008). N&atilde;o obstante a qualidade e quantidade de recursos alocada ao emprego protegido nos &uacute;ltimos 40 anos, os resultados n&atilde;o t&ecirc;m sido muito animadores, dado que as compet&ecirc;ncias aprendidas nestes contextos n&atilde;o s&atilde;o generaliz&aacute;veis &agrave;s situa&ccedil;&otilde;es de emprego (Bond, Dietzen, McGrew, &amp; Miller, 1995). Segundo estes autores, &eacute; como se a pr&oacute;pria possibilidade de uma alternativa gradual, baixe &agrave; partida as expectativas e o grau de exig&ecirc;ncia e responsabiliza&ccedil;&atilde;o. Al&eacute;m disso, estes contextos, independentemente da sua forma e qualidade, criam n&atilde;o s&oacute; uma percep&ccedil;&atilde;o de que a pessoa &eacute; menos capaz, como uma depend&ecirc;ncia das equipas de reabilita&ccedil;&atilde;o que diminui a iniciativa e vontade de entrar no mercado de trabalho (Bond, 2004). Do mesmo modo, os programas de reabilita&ccedil;&atilde;o psicossocial apresentam uma fraca enf&acirc;se vocacional e baixas taxas de emprego competitivo (Bond et al., 1995; Mueser, Clark, Haines, Drake, McHugo, et al., 2004). Um indicador indirecto poder&aacute; ser encontrado no &#8220;tempo que o t&eacute;cnico de emprego passa na comunidade&#8221; e que permite avaliar se um programa tem de facto uma vis&atilde;o do emprego competitivo (Becker, Smith, Tanzman, Drake, &amp; Tremblay, 2001). </p>      <p>O terceiro aspecto diz respeito aos diferentes objectivos do emprego, subjacentes &agrave;s diferentes correntes da sa&uacute;de mental e reabilita&ccedil;&atilde;o. A corrente do emprego apoiado refere impl&iacute;cita ou explicitamente o objectivo da remunera&ccedil;&atilde;o, da integra&ccedil;&atilde;o e do recovery. Para outras abordagens, nem todas as pessoas com doen&ccedil;a mental s&atilde;o capazes de obter e /ou manter um emprego competitivo, sendo o emprego protegido a melhor op&ccedil;&atilde;o (Black, 1992). Outras ainda indicam que o emprego transit&oacute;rio &eacute; um meio para construir confian&ccedil;a, compet&ecirc;ncias laborais e uma hist&oacute;ria de trabalho que facilite o potencial emprego competitivo, mas que, entretanto, o emprego transit&oacute;rio constitui um resultado com valor pr&oacute;prio (Bilby, 1992). E, por fim, outras correntes referem que uma ag&ecirc;ncia com uma vasta op&ccedil;&atilde;o de diferentes modelos de emprego seria a melhor estrat&eacute;gia para garantir coloca&ccedil;&otilde;es para a maioria dos consumidores (Shimon &amp; Forman, 1991; Starks, Zahniser, Maas, &amp; McGuirk, 2000), e especialmente em economias que tivessem um alto desemprego (Krupa, 1998). </p>      <p>Ao n&iacute;vel duma perspectiva econ&oacute;mica, os programas de emprego apoiado, ao promoveram a integra&ccedil;&atilde;o profissional das pessoas em situa&ccedil;&atilde;o de desvantagem e a sua mudan&ccedil;a para um estatuto de contribuintes, com rendimentos substancialmente maiores aos do emprego protegido, contribu&iacute;ram tamb&eacute;m para a redu&ccedil;&atilde;o de despesa com as pens&otilde;es e subs&iacute;dios sociais (Kregel, Wheman, Revell, Hill, &amp; Cimera, 2000). No mesmo sentido, a investiga&ccedil;&atilde;o tem vindo a demonstrar que os programas de emprego apoiado possibilitaram a redu&ccedil;&atilde;o de despesa com outros servi&ccedil;os, nomeadamente com a sa&uacute;de mental (Bond et al., 1995) e com programas ocupacionais (Revell, Kregel, Wehman, &amp; Bond, 2000). </p>      <p>Por outro lado, quando comparado com o emprego protegido, o emprego apoiado apresentou uma melhor rela&ccedil;&atilde;o custo &#8211; benef&iacute;cio, geralmente na ordem dos 40 a 60% dos custos associados aos programas de dia ou de emprego protegido (Kregel et al., 2000). Segundo Cimera (2006), mesmo os programas  de emprego apoiado para pessoas defici&ecirc;ncias graves e m&uacute;ltiplas, apresentaram uma rela&ccedil;&atilde;o custo-benef&iacute;cio positiva. Os estudos cient&iacute;ficos parecem tamb&eacute;m confirmar uma tend&ecirc;ncia positiva ao longo do tempo, geralmente a partir do 4&ordm; ano de implementa&ccedil;&atilde;o do emprego apoiado (Cimera, 2006). Alguns autores t&ecirc;m contudo argumentado que a compara&ccedil;&atilde;o dos custos-benef&iacute;cios segundo um ponto de vista estritamente econ&oacute;mico n&atilde;o faz muito sentido, porque este tipo de an&aacute;lise deveria ser utilizada entre programas que pretendessem atingir o mesmo resultado, o que n&atilde;o foi o caso. Em concreto, o emprego protegido tinha como resultado o desempenho de actividades e tarefas em contextos segregados ao passo que o emprego apoiado integrava indicadores claros de empregos integrados na comunidade (Cimera, 2006). Por outro lado, se a remunera&ccedil;&atilde;o for o objectivo, alguns estudos indicam que os programas de emprego protegido atingem, por vezes, remunera&ccedil;&otilde;es significativamente maiores que o emprego apoiado (e.g., Drake, Becker, Biesanz, Wyzik, &amp; Torrey, 1996), embora n&atilde;o seja sempre assim (Macias, 2001), o que poder&aacute; dever-se aos designs dos estudos (e.g., comparam indicadores salariais de emprego protegido a tempo inteiro com emprego apoiado em part-time). </p>      <p>Outra quest&atilde;o, a um n&iacute;vel completamente diferente, passaria por perceber se os empregos competitivos seriam intrinsecamente melhores (evid&ecirc;ncia atrav&eacute;s de resultados n&atilde;o-vocacionais), ou mais satisfat&oacute;rios (estudos de satisfa&ccedil;&atilde;o), que o emprego protegido/outros, existindo uma vasta evid&ecirc;ncia que tem contribu&iacute;do para essa compreens&atilde;o. </p>      <p>Segundo Ornelas (2008), &#8220;Para as pessoas com doen&ccedil;a mental, o emprego tem sido perspectivado como um factor facilitador n&atilde;o apenas da sua integra&ccedil;&atilde;o na comunidade, mas tamb&eacute;m do seu processo de recovery&#8221; (cit. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Ornelas, 2008, p. 129). Deste modo, e em primeiro lugar, a literatura indica que um emprego significativo &eacute; essencial para o recovery dum sentido pessoal de esperan&ccedil;a e valor, sendo descrito como um dos indicadores funcionais do healing e crescimento al&eacute;m da incapacidade (Deegan, 2007; Spaniol, Gagne, &amp; Koehler, 1997). </p>      <p>Em segundo lugar, o emprego tem sido associado &agrave; redu&ccedil;&atilde;o de sintomatologia psiqui&aacute;trica (Bell, Lysaker, &amp; Milstein, 1996; Mauser, Becker, Torrey, Xie, Bond, Drake, &amp; Dain, 1997, cit. Ornelas, 2008); &agrave; redu&ccedil;&atilde;o de situa&ccedil;&otilde;es de isolamento e exclus&atilde;o, proporcionando oportunidades de fortalecimento individual e social (cf. Wehman, 2001); e ao aumento do empowerment pessoal (Rogers, Chamberlin, Ellisin, &amp; Crean, 1997, cit. Ornelas, 2008). Outros estudos, tamb&eacute;m t&ecirc;m associado o emprego a um sentimento de bem-estar (Laird &amp; Krown, 1991, cit. Ornelas, 2008); a um aumento na melhoria na qualidade de vida dos trabalhadores em emprego apoiado (Verdugo, Urr&iacute;es, &amp; Bellver, 1998); e a aumento de autodetermina&ccedil;&atilde;o (Kober, 1999). V&aacute;rios estudos referiram ainda que o emprego apoiado contribuiu para o estabelecimento de novas rela&ccedil;&otilde;es interpessoais e fortalecimento das redes de suporte social, bem como a um maior envolvimento e participa&ccedil;&atilde;o noutras actividades da comunidade (Bond et al., 1995; Torrey, Becker, &amp; Mombray, 1995, citados por Ornelas, 2008), contribuindo nesse sentido, para o aumento dos n&iacute;veis de autonomia e independ&ecirc;ncia (Revell, Inge, Mank, &amp; Wehman, 1999). </p>      <p>Por outro lado, os trabalhadores em emprego apoiado t&ecirc;m expressado o grau de satisfa&ccedil;&atilde;o com os seus empregos e com os servi&ccedil;os de suporte (cf. Sousa et al., 2008). Um estudo de refer&ecirc;ncia realizado pelo Centro de Forma&ccedil;&atilde;o e Investiga&ccedil;&atilde;o em Reabilita&ccedil;&atilde;o, da Universidade da Virg&iacute;nia, a esmagadora maioria (90%) dos participantes referiu que gostava dos seus empregos (Parent, 1996). Relativamente ao impacto que o emprego teve nas suas vidas, a maioria dos participantes identificou melhorias muito significativas na sua vida, nomeadamente, um maior poder de compra, ser mais produtivo/a, estar mais confiante, sentir-se mais realizado, estar mais independente e ter mais amigos (Parent, 1996). </p>      <p>&nbsp;</p>      <p><i>R&aacute;pida pesquisa de emprego </i></p>      <p>O suporte para uma r&aacute;pida pesquisa e coloca&ccedil;&atilde;o no mercado de trabalho foi bem documentada pelos estudos revistos por Bond et al. (2008) e este princ&iacute;pio tem sido vastamente aceite pela maioria da comunidade da reabilita&ccedil;&atilde;o (e.g., Cook, Razzano, Burke-Miller, Blyer, Leff, &amp; Mueser, 2007; Crowther, Marshall, Bond, &amp; Huxley, 2001). </p>      <p>No entanto, ao longo de v&aacute;rios estudos tem decorrido uma enorme varia&ccedil;&atilde;o entre as compet&ecirc;ncias dos t&eacute;cnicos e os resultados de emprego (e.g., Drake, Bond, &amp; Rapp, 2006; Swanson, Becker, Drake, &amp; Merrens, 2008). Do mesmo modo, a literatura indica algumas das estrat&eacute;gias para melhorar esta &aacute;rea, nomeadamente, a adequa&ccedil;&atilde;o do <i>job match </i>&agrave;s necessidades dos locais de trabalho; o empowerment dos t&eacute;cnicos de emprego apoiado e uma cultura de negocia&ccedil;&atilde;o e desenvolvimento de parcerias com as empresas e associa&ccedil;&otilde;es empresariais activas na responsabilidade social (e.g., Duarte &amp; Coelho, 2000). </p>      <p>&nbsp;</p>      <p><i>Escolha do projecto profissional de acordo com as prefer&ecirc;ncias do candidato </i></p>      <p>Este princ&iacute;pio, introduzido pela Escola de B&oacute;ston, &eacute; uma componente central do sucesso do emprego apoiado. No entanto, segundo a revis&atilde;o de Bond et al. (2008), a maior parte dos estudos n&atilde;o analisou esta quest&atilde;o de forma isolada, apresentando resultados que poder&atilde;o ter sido enviesados pelos diferentes per&iacute;odos de follow up. No entanto, as evid&ecirc;ncias indirectas que foram analisadas em revis&otilde;es anteriores (com cerca de 10 anos), referiram existir uma maior manuten&ccedil;&atilde;o laboral para os consumidores que obtiveram empregos de acordo com as suas prefer&ecirc;ncias (e.g., Becker, Bebout, &amp; Drake, 1998). A revis&atilde;o de Bond, em 2004, confirmou este aspecto, indicando que a escolha do emprego foi adaptada &agrave;s for&ccedil;as e prefer&ecirc;ncias dos consumidores, incluindo posi&ccedil;&otilde;es laborais n&atilde;o convencionais e n&atilde;o facilmente categorizadas. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Outros aspectos indirectos relacionados com a orienta&ccedil;&atilde;o vocacional foram indicados numa publica&ccedil;&atilde;o de Bissonnete (1994) sobre a arte de criar oportunidades, em que foi indicado como factor essencial, a energia e criatividade dos profissionais. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p><i>Manuten&ccedil;&atilde;o do emprego: Suportes de longo termo </i></p>      <p>O mais casual observador poder&aacute; constatar que a manuten&ccedil;&atilde;o do emprego tem sido um des&iacute;gnio comum da popula&ccedil;&atilde;o trabalhadora. No entanto, segundo a revis&atilde;o de Bond et al. (2008) existem poucos estudos que investiguem esta quest&atilde;o, na medida em que &eacute; <i>per si </i>de uma grande complexidade conceptual e emp&iacute;rica. Por outro lado, e tendo em conta que os empregos das pessoas com doen&ccedil;a mental muitas vezes terminam de forma negativa ou prematura (Mueser et al., 2004), o melhoramento da performance laboral tem sido uma &aacute;rea essencial do emprego apoiado, dirigindo suportes gerais &agrave;s quest&otilde;es relacionados com o trabalho &#8211; pelo que a n&iacute;vel indirecto, s&atilde;o in&uacute;meros os estudos que avaliaram os suportes ao emprego. Neste dom&iacute;nio, a estrat&eacute;gia standard passou por providenciar qualquer tipo de suporte que o trabalhador sentisse que seria &uacute;til. No entanto, para al&eacute;m destes passos b&aacute;sicos, existem v&aacute;rias linhas de investiga&ccedil;&atilde;o que t&ecirc;m vindo a estudar outras estrat&eacute;gias que possam aumentar as hip&oacute;teses de sucesso laboral, surgindo-nos como a mais promissora, o aumento dos suportes naturais (e.g., Mank et al., 2000). </p>      <p>No entanto, sobre a import&acirc;ncia dos servi&ccedil;os de suporte de longo termo de manuten&ccedil;&atilde;o do emprego, encontramos apenas 2 estudos, o estudo de Salyers, Becker, Drake, Torrey, e Wyzik (2004) e o de Becker, Whitley, Bailey, e Drake (2007). O primeiro estudo, foi constitu&iacute;do por uma amostra de 36 indiv&iacute;duos com doen&ccedil;a mental que participaram num programa de emprego apoiado entre 1990 e 1992, e aos quais foram realizadas entrevistas de follow up 10 anos ap&oacute;s a ades&atilde;o ao programa. Os resultados indicaram que 75% trabalharam no per&iacute;odo inicial, 33% trabalharam pelo menos durante 5 anos, e 47% (17 de 36) estavam ainda a trabalhar. Embora 33% tenham pelo menos trabalhado durante 5 dos 10 anos, o emprego apoiado n&atilde;o foi apropriado para todos: 14% n&atilde;o tiveram remunera&ccedil;&atilde;o ao longo do follow up e 11% trabalharam apenas no in&iacute;cio. No segundo estudo de longo-termo, de Becker et al. (2007), foram entrevistados indiv&iacute;duos com doen&ccedil;a mental, 8 a 12 anos ap&oacute;s a ades&atilde;o ao programa, e os resultados indicaram que 71% da amostra estava a trabalhar, e id&ecirc;ntica percentagem tinha trabalhado durante mais de metade do per&iacute;odo de folow up. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>DESAFIOS PARA O FUTURO DO EMPREGO APOIADO: OS CONTRIBUTOS DA EDUCA&Ccedil;&Atilde;O APOIADA E DOS SUPORTES NATURAIS</p>      <p>Tendo como pano de fundo as origens e evolu&ccedil;&atilde;o do emprego apoiado, bem como os seus contributos, importa reflectir sobre os desafios para o futuro, nomeadamente sobre o modelo de emprego apoiado ou, mais propriamente, sobre alguns dos princ&iacute;pios que lhe s&atilde;o inerentes. </p>      <p>Em primeiro lugar, um dos princ&iacute;pios mais diferenciadores do emprego apoiado talvez seja a r&aacute;pida coloca&ccedil;&atilde;o no mercado de trabalho (Bond, 2004, 2008; Crowther et al., 2001) &#8211; o que pressup&otilde;e uma forte estrat&eacute;gia de negocia&ccedil;&atilde;o com os principais stakeholders da comunidade empresarial. No entanto, segundo Drake e Bond (2008), apesar dos resultados encorajadores que sugerem uma evid&ecirc;ncia forte deste princ&iacute;pio relativamente a outros modelos de emprego, esta &aacute;rea da negocia&ccedil;&atilde;o r&aacute;pida dos contratos de trabalho poderia ainda ser mais potenciada. </p>      <p>Segundo Baron e Salzer (2002), embora a contrata&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o com doen&ccedil;a mental fa&ccedil;a parte das pol&iacute;ticas de responsabilidade social de muitas empresas, a complexidade da problem&aacute;tica conduziu a outros desafios relacionados com o emprego, nomeadamente, a hist&oacute;ria profissional intermitente, baixa ou incompleta escolaridade, aus&ecirc;ncia de redes sociais e a idade do indiv&iacute;duo ao regressar ap&oacute;s prolongadas aus&ecirc;ncias. Deste modo, estas desvantagens podem dificultar o acesso ao mercado de trabalho prim&aacute;rio (emprego especializado), onde o sal&aacute;rio, e outros benef&iacute;cios e seguran&ccedil;a, est&atilde;o ligados a uma educa&ccedil;&atilde;o superior (Baron &amp; Salzer, 2002). Como consequ&ecirc;ncia destas desvantagens no seu conjunto, a sua empregabilidade centrou-se no mercado de trabalho secund&aacute;rio (geralmente refere-se a posi&ccedil;&otilde;es laborais de n&iacute;vel de entrada b&aacute;sico, n&atilde;o especializadas que n&atilde;o requerem compet&ecirc;ncias profissionais ou conhecimentos pr&eacute;vios). </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Poderemos pensar que uma r&aacute;pida coloca&ccedil;&atilde;o no mercado de trabalho, em muitos casos, pode resultar em oportunidades de emprego que est&atilde;o dispon&iacute;veis em vez das desejadas. Nesse sentido, seriam necess&aacute;rias melhores estrat&eacute;gias de forma&ccedil;&atilde;o (Carlson &amp; Rapp, 2007) e de educa&ccedil;&atilde;o p&oacute;s-secund&aacute;ria e universit&aacute;ria (Baron &amp; Salzer, 2002; Stodden &amp; Dowrick, 2000) que aumentassem as qualifica&ccedil;&otilde;es dos candidatos e a utiliza&ccedil;&atilde;o do perfil vocacional para ajudar a identificar tipos e locais de trabalho/escola que se adaptem &agrave; escolha individual (job match). Por outro lado, o mercado de trabalho &eacute; cada mais competitivo, sendo que um dos in&uacute;meros benef&iacute;cios da educa&ccedil;&atilde;o universit&aacute;ria &eacute; a capacidade de valorizar e realizar um melhor marketing do nosso Curricula (Baron &amp; Salzer, 2002). Deste modo, a educa&ccedil;&atilde;o universit&aacute;ria pode conduzir a empregos especializados e a posi&ccedil;&otilde;es laborais que oferecem mais benef&iacute;cios e que contribuem para o bem-estar das pessoas, tais como uma melhor cobertura dos planos de sa&uacute;de, hor&aacute;rios flex&iacute;veis, e subs&iacute;dio de f&eacute;rias e de doen&ccedil;a (Baron &amp; Salzer, 2002). Adicionalmente, as universidades e outros institutos polit&eacute;cnicos oferecem aos estudantes a oportunidade de construir redes sociais. N&atilde;o s&oacute; estas redes sociais s&atilde;o importantes para a socializa&ccedil;&atilde;o, como tamb&eacute;m aumentam o conhecimento e o n&uacute;mero de suportes sociais (cf. Mitchell &amp; Tricket, 1980; Wellman, 1981; Wellman &amp; Berkowitz, 1988). </p>      <p>No entanto, segundo Kessler, Foster, Sauders, e Stang (1995) estima-se que 7.2 milh&otilde;es de estudantes universit&aacute;rios nos E.U.A. desistiram da universidade devido ao in&iacute;cio duma doen&ccedil;a mental. Do mesmo modo, a educa&ccedil;&atilde;o &eacute; ainda mais importante para as pessoas com defici&ecirc;ncia no geral (Stodden &amp; Dowrick, 2000), evidenciada por uma alta taxa de correla&ccedil;&atilde;o entre a educa&ccedil;&atilde;o e o emprego (significativamente maior para as pessoas com defici&ecirc;ncia/doen&ccedil;a mental comparativamente &agrave; popula&ccedil;&atilde;o em geral). Por outro lado, segundo Unger (1994), embora as pessoas com doen&ccedil;a mental experenciem a maioria das barreiras dos outros estudantes, quando em contexto acad&eacute;mico alguns poder&atilde;o ter de enfrentar e ultrapassar barreiras e necessidades adicionais. </p>      <p>Neste &acirc;mbito, os estudos sobre a educa&ccedil;&atilde;o apoiada s&atilde;o promissores (Collins, Bybee, &amp; Mowbray, 1998; Hoffman &amp; Mastrianni, 1993; Isenwater, Lanhan, &amp; Thornhill, 2002; Unger, 1990; Wolf &amp; Dipietro, 1992), nomeadamente para o sucesso do regresso &agrave; universidade (Unger &amp; Anthony, 1984) e continuidade do projecto vocacional (Nuechterlein, Subotnik, Turner, Ventura, Becker, &amp; Drake, 2008). A investiga&ccedil;&atilde;o-ac&ccedil;&atilde;o de Nuechtterleinel et al. (2008), em jovens com doen&ccedil;a mental pareceu-nos de especial interesse, na medida, em que confirmou a efic&aacute;cia da extens&atilde;o dos servi&ccedil;os de emprego apoiado &agrave; educa&ccedil;&atilde;o apoiada, bem como pela especial aten&ccedil;&atilde;o dedicada &agrave;s quest&otilde;es da revela&ccedil;&atilde;o e do suporte t&eacute;cnico indirecto (&#8220;off the scene&#8221;), que &eacute; at&iacute;pica no emprego apoiado. Do mesmo modo, a educa&ccedil;&atilde;o apoiada pareceu-nos tamb&eacute;m relevante pela inova&ccedil;&atilde;o da continuidade vocacional em jovens adultos, em que n&atilde;o se interrompe uma experi&ecirc;ncia educacional de longo tempo e tamb&eacute;m porque alguns estudos indicam que a boa recupera&ccedil;&atilde;o sintom&aacute;tica, no per&iacute;odo inicial da esquizofrenia, poder&aacute; oferecer uma oportunidade de prevenir o desenvolvimento da problem&aacute;tica, e/ou de outras associadas (e.g., Lieberman, Alvir, &amp; Woerner, 1992). Outros resultados interessantes do estudo de Nuechtterleinel et al. (2008), prendem-se com a escolha vocacional (escola 36%, emprego 31%, escola e trabalho 33%) diversa da estrat&eacute;gia de r&aacute;pida coloca&ccedil;&atilde;o apenas em emprego, sendo que, a maioria iniciou a escola e depois come&ccedil;ou a trabalhar em part-time, enquanto come&ccedil;ar por um emprego e depois adicionar a escola foi residual. Este aspecto foi confirmado nos estudos sobre a educa&ccedil;&atilde;o especial (Wittenburg &amp; Maag, 2002). Por &uacute;ltimo, a selec&ccedil;&atilde;o dos programas educacionais e emprego foi consistente com a diversidade individual, incluindo 80% de estudos superiores &#8211; n&iacute;vel secund&aacute;rio ou semelhante (20%), col&eacute;gios universit&aacute;rios (60%) licenciaturas (20%) e uma variedade de empregos em diferentes contextos (Nuechtterleinel et al., 2008), que j&aacute; denotou uma diferencia&ccedil;&atilde;o e especializa&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s actividades profissionais tradicionalmente mais representativas, os <i>3 </i>C (cooking, cleaning and clerical). Outros estudos sugerem que, ao adicionar servi&ccedil;os de educa&ccedil;&atilde;o apoiada aos servi&ccedil;os de emprego apoiado, poder&iacute;amos aumentar a probabilidade de alguns indiv&iacute;duos aumentarem a sua reten&ccedil;&atilde;o laboral (Bond et al., 2004), na medida em que melhorariam o estatuto laboral e a qualidade de vida (Bellamy &amp; Mowbray, 1998) e alcan&ccedil;ariam n&iacute;veis mais elevados de satisfa&ccedil;&atilde;o e empowerment &#8211; duas componentes essenciais do processo de recovery (Bellamy &amp; Mowbray, 1998; Mowbray, Bybee, &amp; Collins, 2001). </p>      <p>Em segundo lugar, um outro princ&iacute;pio central do emprego apoiado &eacute; a manuten&ccedil;&atilde;o do emprego. Neste dom&iacute;nio, v&aacute;rios estudos investigaram as raz&otilde;es que levaram ao fim do contrato entre as pessoas com doen&ccedil;a mental, identificando como causas mais frequentes: as dificuldades nas rela&ccedil;&otilde;es interpessoais (Becker &amp; Drake, 2003), a manuten&ccedil;&atilde;o dos n&iacute;veis de satisfa&ccedil;&atilde;o laboral versus baixas compet&ecirc;ncias sociais (Wallace &amp; Tauber, 2004), o stress interpessoal e a falta de suporte familiar (Becker et al., 1998). </p>      <p>Em geral as pessoas utilizam os suportes naturais das suas redes sociais como uma estrat&eacute;gia para reduzir o stress, procurar apoio e, sentirem-se ligados aos outros (Mitchel &amp; Tricket, 1980). No entanto, apesar dos benef&iacute;cios identificados para o emprego apoiado que ajudam a amortecer estes problemas, ainda existem muitos desafios relacionados com a integra&ccedil;&atilde;o, na medida em que na maioria dos programas, os t&eacute;cnicos ainda fornecem apoio directo ao trabalhador na empresa (Hagner, Butterworth, &amp; Keith, 1995) e a investiga&ccedil;&atilde;o indica que esse suporte n&atilde;o &eacute; facilitador da integra&ccedil;&atilde;o (Jenaro et al., 2002) e pode mesmo contribuir para o isolamento do trabalhador (Hughes, Rush, Wilson, &amp; Heal 1995; Nisbet &amp; Hagner, 1988; Rogan, Hagner, &amp; Murphy, 1993; Sylvestre &amp; Gottlieb, 1992; Yan, Mank, Sandow, Rhodes, &amp; Olson, 1993). Segundo Mank, Cioffi, e Yovanoff (1999, 2000), quanto mais comum e natural for o processo de obten&ccedil;&atilde;o do emprego o hor&aacute;rio de trabalho e outras condi&ccedil;&otilde;es laborais, melhor ser&aacute; o ajustamento profissional e integra&ccedil;&atilde;o na empresa. </p>      <p>Nesse sentido, a literatura indica que os t&eacute;cnicos deveriam assumir um papel de facilitadores do crescimento e consolida&ccedil;&atilde;o das redes sociais (cf. Mitchell &amp; Tricket, 1980) e estabelecer as liga&ccedil;&otilde;es com os suportes naturais dentro das empresas (natural support) constitu&iacute;dos pelos suportes formais e informais dos indiv&iacute;duos, organiza&ccedil;&otilde;es e respectivas interdepend&ecirc;ncias (cf. Kelly, 2006), e n&atilde;o ser prestador de todos os servi&ccedil;os (cf. Carling, 1995). A empresa, por seu turno, deve apoiar a adapta&ccedil;&atilde;o inicial, aquisi&ccedil;&atilde;o das compet&ecirc;ncias para o exerc&iacute;cio da actividade laboral e o desenvolvimento da carreira (Jenaro al., 2002). Neste contexto, o emprego apoiado pode ser um facilitador para que o ambiente e a cultura da empresa funcionem de tal forma, que os eventuais suportes e adapta&ccedil;&otilde;es n&atilde;o limitem nem o desenvolvimento da carreira nem as interac&ccedil;&otilde;es sociais (Coelho, 2009). </p>      <p>Os estudos sobre o suporte natural na empresa, nas suas dimens&otilde;es de suporte social e tut&oacute;ria (forma&ccedil;&atilde;o e apoio no contexto da empresa) traduziram-se em melhores resultados em termos do desempenho, integra&ccedil;&atilde;o e satisfa&ccedil;&atilde;o profissional (Banks, Charleston, Grossi, &amp; Mank, 2001; Inge &amp; Wilson, 1999; Mank et al., 1999; Rogan, Banks, &amp; Howard, 2000; Storey, 2003; Verdugo &amp; Ramis, 2004; Wehman 2001). Por &uacute;ltimo, uma investiga&ccedil;&atilde;o a n&iacute;vel internacional confirmou os resultados anteriores, evidenciando a import&acirc;ncia dos suportes naturais das empresas (Jenaro et al., 2002). </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>CONCLUS&Atilde;O</p>      <p>A investiga&ccedil;&atilde;o no emprego apoiado foi acompanhada por um desenvolvimento da praxis. Neste sentido, o emprego apoiado possibilitou, a um n&iacute;vel global, a milhares de pessoas alcan&ccedil;ar o emprego competitivo; permitiu que os profissionais participassem activamente na mudan&ccedil;a e diversidade social; energ&eacute;tizou o campo da reabilita&ccedil;&atilde;o com uma interven&ccedil;&atilde;o baseada na evid&ecirc;ncia, e possibilitou o optimismo da &aacute;rea da sa&uacute;de mental em rela&ccedil;&atilde;o ao recovery. No entanto, apesar dos contributos &uacute;nicos e significativos do emprego apoiado, a literatura indicou limites ao n&iacute;vel da reten&ccedil;&atilde;o e integra&ccedil;&atilde;o laboral. Algumas linhas de investiga&ccedil;&atilde;o recentes permitem-nos pensar que a educa&ccedil;&atilde;o apoiada e os suportes naturais s&atilde;o factores que influenciam positivamente os resultados de qualidade do emprego e abrem novas janelas de oportunidade para o futuro do emprego apoiado. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Por &uacute;ltimo, deixamos um desafio para as pr&oacute;prias universidades, no sentido de criarem uma cultura de diversidade atrav&eacute;s de suportes informais e formais (gabinetes de educa&ccedil;&atilde;o/ emprego apoiado dirigidos &agrave;s necessidades dos estudantes em desvantagem) e desenvolverem linhas de investiga&ccedil;&atilde;o e consultoria neste dom&iacute;nio, &agrave; semelhan&ccedil;a de prestigiadas universidades que potenciaram a evolu&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica e conceptual do emprego apoiado, e de outros projectos de interven&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;ria. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>REFER&Ecirc;NCIAS</p>      <p>Albin, J., &amp; Rhodes, L. (1993). <i>Changeover to community employment: The problem of realigning organizational culture, resources, and community role</i>, Eugene: University of Oregon, Specialised Training Program. </p>      <p>Anthony, W. A., &amp; Blanch, A. (1987). Supported employment for persons who are psychiatric disabled: An historical and conceptual perspective. <i>Psychosocial Rehabilitation Journal, 11</i>(2), 5-23. </p>      <p>Banks, B., Charleston, S. Grossi, T., &amp; Mank, D. (2001). Workplace supports, job performance, and integration outcomes. <i>Psychiatric Rehabilitation Journal, 24</i>(4), 389-396. </p>      <p>Baron, R. C., &amp; Salzer, M. S. (2002). Accountings for unemployment among people with severe mental illness, <i>Behavioural Sciences and the Law, 20</i>, 585-599. </p>      <p>Becker, D. R., &amp; Drake, R. E. (2003). <i>A working life for people with severe mental illness. </i>New York: Oxford Press. </p>      <p>Becker, D. R., Bebout, R. R., &amp; Drake, R. E. (1998). Job preferences of people with severe mental illness: A replication. <i>Psychiatric Rehabilitation Journal, 22</i>(1), 46-50. </p>      <p>Becker, D. R., Whitley, R., Bailey, E., &amp; Drake, R. E. (2007). A long-term follow-up of adults with psychiatric disabilities who receive supported employment. <i>Psychiatric Services, 58</i>, 922-928. </p>      ]]></body>
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<surname><![CDATA[Urríes]]></surname>
<given-names><![CDATA[Jordán de]]></given-names>
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<source><![CDATA[Siglo Cero]]></source>
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