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<journal-title><![CDATA[Análise Psicológica]]></journal-title>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Programa de intervenção nas interacções pais-filhos &#8220;Desenvolver a Sorrir&#8221; - Estudo exploratório]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,ISCTE - Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa Centro de Investigação e Intervenção Social ]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article describes a Program for intervention in parent-child interactions, in playful learning contexts, aimed at &#8220;at-risk&#8221; families, with children up to age 3. An exploratory study is also presented, wherein the efficiency of the program is evaluated. The Program, whose activities aim to develop parental competencies, through modeling and experimentation of positive interactions in seven sessions, was applied to 19 parent (Age M=28.5; S.D.=9.48) child (Age M=21 months; S.D.=0.99) dyads, in the home environment. The pre-post test design evaluated the interactions of 19 parent-child dyads, using the NCATS Teaching Scale and HOME. Significant differences were found in all the areas of the child&#8217;s environment (daily stimulation, play material, physical and temporal environment, emotional and verbal responsiveness of the parents) and in the quality of the dyad&#8217;s interaction (sensitivity to signs, response to distress, promoting development, clarity of child&#8217;s signs and responsiveness to adult). Even though this is an exploratory study, the parent adherence and satisfaction, as well as the positive effects of the program on the dyads interactions suggest the importance of continuing studies to validate the Program, in order to generalize it&#8217;s application.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Desenvolvimento infantil]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>Programa de interven&ccedil;&atilde;o nas interac&ccedil;&otilde;es pais-filhos    &#8220;Desenvolver a Sorrir&#8221; &#8211; Estudo explorat&oacute;rio </b></p>      <p>&nbsp;</p>      <p>M. Zuzarte <sup>(*)</sup>, M. Calheiros<sup>(**)</sup></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><sup>(*)</sup> Mestre em Psicologia Comunit&aacute;ria    e Protec&ccedil;&atilde;o de menores; E-mail: <a href="mailto:michellezuzarte@gmail.com">michellezuzarte@gmail.com</a>.</p>     <p><sup>(**)</sup> Centro de Investiga&ccedil;&atilde;o    e Interven&ccedil;&atilde;o Social/ Instituto Superior de Ci&ecirc;ncias do    Trabalho e da Empresa. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>RESUMO</p>      <p>Este artigo descreve um Programa de interven&ccedil;&atilde;o nas interac&ccedil;&otilde;es pais-filhos, em contextos l&uacute;dicos de aprendizagem, o qual &eacute; direccionado para fam&iacute;lias &#8220;de risco&#8221; com crian&ccedil;as at&eacute; aos 3 anos. Apresenta ainda, um estudo de car&aacute;cter explorat&oacute;rio onde se avalia a efic&aacute;cia do programa. </p>      <p>O Programa, que tem por objectivo desenvolver compet&ecirc;ncias parentais atrav&eacute;s da modelagem e experimenta&ccedil;&atilde;o de interac&ccedil;&otilde;es positivas em sete sess&otilde;es, foi aplicado a 19 d&iacute;ades pais (Idade <i>M</i>=28.5; DP=9.48) crian&ccedil;a (Idade <i>M</i>=21 meses; <i>DP</i>=0.99) em contexto domicili&aacute;rio. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As interac&ccedil;&otilde;es das 19 d&iacute;ades foram avaliadas com o NCATS &#8211; Teaching Scale e o HOME utilizando-se um desenho de avalia&ccedil;&atilde;o pr&eacute;-p&oacute;s teste. </p>      <p>Os resultados indicam diferen&ccedil;as significativas em todas as &aacute;reas do meio da crian&ccedil;a (estimula&ccedil;&atilde;o di&aacute;ria, materiais l&uacute;dicos, ambiente, envolvimento e responsividade emocional e verbal dos pais) e da qualidade da interac&ccedil;&atilde;o das d&iacute;ades (sensibilidade aos sinais, resposta ao descontentamento, promo&ccedil;&atilde;o do desenvolvimento, clareza dos sinais e responsividade ao adulto). N&atilde;o obstante o car&aacute;cter explorat&oacute;rio do estudo, considera-se que quer a ades&atilde;o e satisfa&ccedil;&atilde;o dos pais, quer os efeitos positivos do programa nas interac&ccedil;&otilde;es das d&iacute;ades apontam para a pertin&ecirc;ncia da prossecu&ccedil;&atilde;o do seu estudo de valida&ccedil;&atilde;o com vista &agrave; sua generaliza&ccedil;&atilde;o. </p>      <p><i>Palavras chave: </i>Desenvolvimento infantil, Fam&iacute;lias de risco, Interac&ccedil;&atilde;o, Pais-filhos, Programa de interven&ccedil;&atilde;o. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>ABSTRACT</p>      <p>This article describes a Program for intervention in parent-child interactions, in playful learning contexts, aimed at &#8220;at-risk&#8221; families, with children up to age 3. An exploratory study is also presented, wherein the efficiency of the program is evaluated. </p>      <p>The Program, whose activities aim to develop parental competencies, through modeling and experimentation of positive interactions in seven sessions, was applied to 19 parent (Age <i>M</i>=28.5; <i>S.D.=</i>9.48) child (Age <i>M</i>=21 months; <i>S.D.</i>=0.99) dyads, in the home environment. </p>      <p>The pre-post test design evaluated the interactions of 19 parent-child dyads, using the NCATS Teaching Scale and HOME. </p>      <p>Significant differences were found in all the areas of the child&#8217;s environment (daily stimulation, play material, physical and temporal environment, emotional and verbal responsiveness of the parents) and in the quality of the dyad&#8217;s interaction (sensitivity to signs, response to distress, promoting development, clarity of child&#8217;s signs and responsiveness to adult). Even though this is an exploratory study, the parent adherence and satisfaction, as well as the positive effects of the program on the dyads interactions suggest the importance of continuing studies to validate the Program, in order to generalize it&#8217;s application. </p>      <p><i>Key words: </i>At risk families; Child development, Intervention program, Parent-child interactions. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</p>      <p>Os cuidados parentais e a interac&ccedil;&atilde;o pais-filhos nos primeiros meses de vida da crian&ccedil;a, especialmente no que se refere ao grau de sensibilidade e de responsividade dos pais para com o beb&eacute;, s&atilde;o determinantes no processo de vincula&ccedil;&atilde;o e na promo&ccedil;&atilde;o de um bom desenvolvimento emocional, intelectual e comportamental da crian&ccedil;a (Ainsworth, Blehar, Waters, &amp; Wall, 1978; Jenning &amp; Connors, 1989). </p>      <p>Assim, se a interven&ccedil;&atilde;o na interac&ccedil;&atilde;o precoce se constitui como pertinente ao n&iacute;vel universal, a sua relev&acirc;ncia da interven&ccedil;&atilde;o nesta fase, afigura-se como urgente e essencial no que concerne &agrave;s fam&iacute;lias consideradas &#8220;de risco&#8221;, dados os factores de disfuncionalidade que as caracterizam. A este respeito refira-se que a revis&atilde;o de literatura aponta para que muitas crian&ccedil;as inseridas em fam&iacute;lias de risco ficam sem qualquer estimula&ccedil;&atilde;o/interac&ccedil;&atilde;o durante longos per&iacute;odos de tempo, estando sujeitas a um n&iacute;vel de neglig&ecirc;ncia f&iacute;sica grave (Brophy-Herb, Gibbons, Omar, &amp; Schiffman, 1999), que frequentemente se deve a desconhecimento dos adultos no que respeita &agrave;s necessidades da crian&ccedil;a, ou, em alternativa, por indisponibilidade emocional dos mesmos (Sydsjo, Wadsby, &amp; Svedin, 2001). </p>      <p>Tendo em conta a necessidade de uma interven&ccedil;&atilde;o precoce, o Despacho Conjunto n&ordm;891/99, de 19 de Outubro, que foi aprovado em Portugal, pelos Minist&eacute;rios da Educa&ccedil;&atilde;o, da Sa&uacute;de, do Trabalho e da Solidariedade com o objectivo de regulamentar este tipo de interven&ccedil;&atilde;o, assume uma import&acirc;ncia indiscut&iacute;vel, constituindo-se como um primeiro passo para uma interven&ccedil;&atilde;o mais eficaz a este n&iacute;vel. No entanto, ainda que de acordo com o referido despacho, a interven&ccedil;&atilde;o precoce tenha como destinat&aacute;rios &#8220;crian&ccedil;as at&eacute; aos 6 anos de idade, especialmente dos 0 aos 3, que apresentem defici&ecirc;ncia ou risco de atraso grave do desenvolvimento&#8221;, apenas 25% das crian&ccedil;as com dificuldades s&atilde;o referenciadas para interven&ccedil;&atilde;o antes dos 3 anos de idade (Almeida, 2004). </p>      <p>Esta situa&ccedil;&atilde;o traduz o facto da interven&ccedil;&atilde;o precoce &#8220;de natureza preventiva e habilitativa, no &acirc;mbito da educa&ccedil;&atilde;o, da sa&uacute;de e da ac&ccedil;&atilde;o social&#8221;, conforme descrita no Despacho Conjunto n&ordm;891/99, nem sempre se afigurar como uma realidade, sendo um recurso apenas em situa&ccedil;&otilde;es de atraso de desenvolvimento com n&iacute;veis de gravidade bastante acentuados e enquadr&aacute;veis somente nas &aacute;reas da sa&uacute;de e/ou da educa&ccedil;&atilde;o. De facto, ainda que um dos objectivos gerais do Despacho referente &agrave; interven&ccedil;&atilde;o precoce seja o de &#8220;potenciar a melhoria das interac&ccedil;&otilde;es familiares&#8221;, estando este princ&iacute;pio tamb&eacute;m previsto na legisla&ccedil;&atilde;o da protec&ccedil;&atilde;o de menores (Decreto-Lei n&ordm; 12/2008), constata-se a inexist&ecirc;ncia de programas estruturados e direccionados para a interven&ccedil;&atilde;o precoce ao n&iacute;vel das interac&ccedil;&otilde;es nas situa&ccedil;&otilde;es de mau trato e neglig&ecirc;ncia em meio natural de vida com crian&ccedil;as sinalizadas no Sistema de Protec&ccedil;&atilde;o de Crian&ccedil;as. O trabalho das institui&ccedil;&otilde;es que interv&ecirc;m em situa&ccedil;&otilde;es de mau trato e neglig&ecirc;ncia de crian&ccedil;as no Sistema de Protec&ccedil;&atilde;o de Menores em Portugal &eacute;, na generalidade, efectuado com recurso a estrat&eacute;gias de sensibiliza&ccedil;&atilde;o dos pais, utilizadas de forma n&atilde;o estruturada, sem suporte te&oacute;rico ou emp&iacute;rico quanto &agrave; sua especificidade e pertin&ecirc;ncia. As dificuldades de articula&ccedil;&atilde;o entre os diferentes Minist&eacute;rios e a falta de um investimento pol&iacute;tico claro nesta &aacute;rea dificultam a evolu&ccedil;&atilde;o na resposta dada pelos t&eacute;cnicos, verificando-se, como j&aacute; antes se referiu, a inexist&ecirc;ncia de programas de interven&ccedil;&atilde;o estruturados, assim como a falta de forma&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica dos t&eacute;cnicos para o efeito pretendido em termos da referida legisla&ccedil;&atilde;o. </p>      <p>A n&iacute;vel internacional j&aacute; se identificam v&aacute;rios programas de interven&ccedil;&atilde;o com pais (e.g., Healthy Families Am&eacute;rica; Parents as Teachers; Comprehensive Child Development Program; Early Head Start), salientando-se na an&aacute;lise efectuada por Olds, Sadler, e Kitzman (2007) que os programas implementados em domic&iacute;lio numa fase precoce da interac&ccedil;&atilde;o em fam&iacute;lias de risco, com o objectivo de intervir na &aacute;rea da sa&uacute;de, do desenvolvimento da crian&ccedil;a e na auto-sufici&ecirc;ncia econ&oacute;mica dos pais da crian&ccedil;a evidenciaram bons resultados. </p>      <p>No entanto, a mesma revis&atilde;o de literatura refere algumas limita&ccedil;&otilde;es, as quais importa ter em conta na elabora&ccedil;&atilde;o de novos programas. Entre as mais importantes destacam-se as dificuldades em manter o envolvimento dos progenitores nos programas (especialmente quando as mudan&ccedil;as pretendidas n&atilde;o s&atilde;o sentidas como necessidades dos pais); dificuldades em alterar o padr&atilde;o de vincula&ccedil;&atilde;o nas crian&ccedil;as; e poucas ou nenhumas altera&ccedil;&otilde;es no meio ambiente que os progenitores providenciavam &agrave; crian&ccedil;a (Olds et al., 2007). </p>      <p>Tendo em conta a inexist&ecirc;ncia desta natureza a n&iacute;vel nacional, e considerada a import&acirc;ncia das interac&ccedil;&otilde;es positivas na rela&ccedil;&atilde;o precoce pais-filhos para o desenvolvimento da crian&ccedil;a em contextos de risco, o trabalho desenvolvido teve por objectivo desenvolver um programa de interven&ccedil;&atilde;o, nas interac&ccedil;&otilde;es pais-filhos com crian&ccedil;as entre os 0 e os 3 anos, teoricamente fundamentado que contribua para a redu&ccedil;&atilde;o das limita&ccedil;&otilde;es identificadas nos programas a n&iacute;vel internacional, assim como iniciar o estudo da sua valida&ccedil;&atilde;o. O Programa, aplicado no domic&iacute;lio, &eacute; direccionado para fam&iacute;lias &#8220;de risco&#8221; sinalizadas no Sistema de Protec&ccedil;&atilde;o de Crian&ccedil;as e Jovens em Portugal, nas quais sistematicamente se verifiquem acentuadas dificuldades ao n&iacute;vel das interac&ccedil;&otilde;es precoces (Calheiros, 2006; Louren&ccedil;o, Ros&aacute;rio, &amp; Zuzarte, 2006). </p>      <p>Apesar de n&atilde;o se considerar o programa de interven&ccedil;&atilde;o proposto de car&aacute;cter intensivo, os estudos que analisam os efeitos de Programas de interac&ccedil;&atilde;o precoce j&aacute; existentes a n&iacute;vel Internacional, destacam os seus efeitos positivos mesmo nas interven&ccedil;&otilde;es de car&aacute;cter pontual (e.g., interven&ccedil;&atilde;o precoce com beb&eacute;s e fam&iacute;lias &#8211; Neonatal Behavioural Assessment Scale &#8211; NBAS (Eshel, Daelmans, Cabral de Mello, &amp; Martines, 2006). Estas interven&ccedil;&otilde;es revelam-se &uacute;teis na demonstra&ccedil;&atilde;o das caracter&iacute;sticas dos rec&eacute;m-nascidos, assim como do comportamento dos pais e/ou da crian&ccedil;a, permitindo que os pais fiquem a conhecer melhor as capacidades dos seus filhos, os percepcionem como capazes de interac&ccedil;&atilde;o e, subsequentemente, interajam com eles em conformidade (Britt &amp; Myers, 1994). </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p>A INTERAC&Ccedil;&Atilde;O PRECOCE E O DESENVOLVIMENTO DA CRIAN&Ccedil;A</p>      <p>A fam&iacute;lia &eacute; o principal contexto no qual as crian&ccedil;as exercitam compet&ecirc;ncias que v&atilde;o adquirindo com o apoio dos adultos de refer&ecirc;ncia, pelo que o desenvolvimento da crian&ccedil;a &eacute; influenciado por factores individuais da crian&ccedil;a, factores familiares e outros aspectos do meio (Belsky, 1980; Bronfenbrenner, 1977). Neste contexto, a rela&ccedil;&atilde;o pais-filhos constitui-se como o recurso emocional e cognitivo que permite que a crian&ccedil;a explore os ambientes sociais e f&iacute;sicos, assumindo-se a interac&ccedil;&atilde;o precoce como o ve&iacute;culo de satisfa&ccedil;&atilde;o das necessidades dos rec&eacute;m-nascidos, sendo este processo bidireccional, pois &eacute; constru&iacute;do com base nas necessidades b&aacute;sicas das crian&ccedil;as e nas respostas dos pais &agrave;s mesmas. </p>      <p>No entanto, importa ressaltar que, para que as interac&ccedil;&otilde;es pais-filhos possam ser bem sucedidas e englobem os contributos individuais de ambos os intervenientes, algumas caracter&iacute;sticas s&atilde;o imprescind&iacute;veis, incluindo: (a) um elevado grau de sintonia, em que o comportamento individual de ambos os parceiros na d&iacute;ade &eacute; mutuamente interdependente; (b) o envolvimento m&uacute;tuo, no qual cada parceiro est&aacute; dispon&iacute;vel para, e responde ao outro. (c) as caracter&iacute;sticas do parceiro adulto, incluindo a sua disponibilidade emocional; a sensibilidade aos sinais emocionais do beb&eacute; e as respostas contingentes &agrave;s emo&ccedil;&otilde;es e &agrave;s cogni&ccedil;&otilde;es emergentes atrav&eacute;s da vocaliza&ccedil;&atilde;o, do olhar e das ac&ccedil;&otilde;es (McCollum, Ree, &amp; Chen, 2000). </p>      <p>Relativamente ao contributo do adulto, s&atilde;o v&aacute;rias as propostas apresentadas na literatura relativamente &agrave;s dimens&otilde;es a ter em conta no estabelecimento de uma interac&ccedil;&atilde;o pais-filhos de qualidade (Anders, Halpern, &amp; Hua, 1992; Birch, 1990; Oppenheim, Nir, Warren, &amp; Emde, 1997; Rozin, 1990), dando-se destaque aqui somente &agrave;quelas que sustentam a constru&ccedil;&atilde;o do programa apresentado. </p>      <p>Solomon e George (1999) referem quatro vari&aacute;veis de interac&ccedil;&atilde;o interdependentes, que promovem uma vincula&ccedil;&atilde;o segura na crian&ccedil;a: a sensibilidade (definida como a reac&ccedil;&atilde;o imediata e apropriada aos sinais do beb&eacute;), a aceita&ccedil;&atilde;o, a coopera&ccedil;&atilde;o e a disponibilidade psicol&oacute;gica. </p>      <p>A responsividade do adulto &eacute; outro conceito importante para um &#8220;cuidar saud&aacute;vel&#8221;, sendo conceptualizada atrav&eacute;s de tr&ecirc;s passos processuais, nomeadamente: (a) a observa&ccedil;&atilde;o &#8211; o adulto observa os sinais da crian&ccedil;a, incluindo os movimentos e as vocaliza&ccedil;&otilde;es; (b) a interpreta&ccedil;&atilde;o &#8211; interpreta esses sinais de forma correcta (e.g., percebe que um beb&eacute; irritado, est&aacute; cansado) e (c) a ac&ccedil;&atilde;o &#8211; reage de forma r&aacute;pida, consistente e eficaz para responder &agrave; necessidade da crian&ccedil;a (Eshel et al., 2006). </p>      <p>Para al&eacute;m da responsividade, as estrat&eacute;gias de restri&ccedil;&atilde;o e/ou castigo utilizadas pelo adulto tamb&eacute;m influenciam a qualidade da interac&ccedil;&atilde;o e determinam os estilos parentais. A este respeito importa salientar que em fam&iacute;lias identificadas como multiproblem&aacute;ticas, os pais controlam os comportamentos dos seus filhos beb&eacute;s, revelando menor tend&ecirc;ncia para recorrer a estrat&eacute;gias de gest&atilde;o de comportamento caracterizadas como &#8220;controlo-e-orienta&ccedil;&atilde;o&#8221; (Belsky, Woodworth, &amp; Crnic, 1996). As referidas estrat&eacute;gias afiguram-se assim como um aspecto essencial a ser trabalhado dado que as crian&ccedil;as destas fam&iacute;lias, por sua vez, desafiam mais frequentemente os pais e &eacute; experienciada uma maior escalada de afectos negativos nestas situa&ccedil;&otilde;es de controlo parental. </p>      <p>A experi&ecirc;ncia precoce de interac&ccedil;&atilde;o social, na presen&ccedil;a de um adulto sintonizado com a crian&ccedil;a e sens&iacute;vel &agrave;s micro-altera&ccedil;&otilde;es das emo&ccedil;&otilde;es e dos comportamentos, &eacute; imprescind&iacute;vel para o desenvolvimento da capacidade simb&oacute;lica, da empatia, da resson&acirc;ncia emocional e da auto regula&ccedil;&atilde;o (Dekovic &amp; Janssens, 1992; Dishion, 1990; Feldman, 2007; Hart, DeWolfe, Wozniak, &amp; Burts, 1992; Mize &amp; Pettit, 1997). Os par&acirc;metros da sintonia criam um processo de liga&ccedil;&atilde;o inter-pessoal e familiar especifico a cada d&iacute;ade, mas permitem, em simult&acirc;neo, uma margem de imprevisibilidade onde a criatividade e a variabilidade possibilitam o desenvolvimento aut&oacute;nomo do relacionamento social (Feldman, 2007) preparando as bases para a posterior capacidade da crian&ccedil;a para estabelecer rela&ccedil;&otilde;es gratificantes com os pares e rela&ccedil;&otilde;es de intimidade ao longo da sua vida. </p>      <p>No entanto, a interac&ccedil;&atilde;o n&atilde;o influencia apenas o desenvolvimento s&oacute;cio-emocional da crian&ccedil;a, constituindo-se como importante para outras &aacute;reas de desenvolvimento, como a &aacute;rea de desenvolvimento cognitivo. A este respeito, importa referir que, segundo Vygotsky (1978), o desenvolvimento das crian&ccedil;as ocorre na &#8220;zona de desenvolvimento proximal&#8221;, que representa a diferen&ccedil;a entre o n&iacute;vel de desenvolvimento actual da crian&ccedil;a (capacidade de resolver problemas sozinha) e o n&iacute;vel de potencial de desenvolvimento (capacidade de resolver problemas com a orienta&ccedil;&atilde;o do adulto, visto serem capacidades que est&atilde;o na fase de matura&ccedil;&atilde;o mas que ainda n&atilde;o est&atilde;o na fase de serem utilizadas pela crian&ccedil;a sem o apoio do meio). Para al&eacute;m disso, as crian&ccedil;as s&atilde;o participantes activas do ponto de vista social atrav&eacute;s da observa&ccedil;&atilde;o, da pr&aacute;tica, do apoio do adulto e da viv&ecirc;ncia de actividades partilhadas (Rogoff, 1990), aspectos integrantes da interac&ccedil;&atilde;o, sendo os progenitores as figuras mais importantes nesta interac&ccedil;&atilde;o e na sua vida. Eles servem de modelo e de &#8220;guias&#8221; na selec&ccedil;&atilde;o das estrat&eacute;gias eficazes para a resolu&ccedil;&atilde;o de problemas (Rogoff, 1990). Assim, os pais (e as m&atilde;es em particular) trabalham dentro da &#8220;zona de desenvolvimento proximal&#8221;, ajustando a informa&ccedil;&atilde;o que d&atilde;o &agrave; crian&ccedil;a para que esta consiga resolver tarefas simples, em fun&ccedil;&atilde;o do seu n&iacute;vel de desenvolvimento e do grau de apoio que necessita. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Visto que a crian&ccedil;a s&oacute; beneficia de actividades cognitivas conjuntas quando essas actividades s&atilde;o dirigidas para o seu &#8220;n&iacute;vel de potencial de desenvolvimento&#8221;, de forma a avan&ccedil;ar o seu &#8220;n&iacute;vel de desenvolvimento actual&#8221;, a natureza interactiva da instru&ccedil;&atilde;o que ocorre dentro da &#8220;zona de proximidade&#8221; constitui-se como essencial. Este conceito &eacute; conhecido como &#8220;<i>scaffolding</i>&#8221; (Rogoff, 2003) e inclui a provis&atilde;o de regula&ccedil;&atilde;o, orienta&ccedil;&atilde;o e <i>feedback </i>por parte do adulto durante a tarefa que a crian&ccedil;a tenta executar. Uma vez que em idades precoces quer o conte&uacute;do, quer a estrutura da tarefa s&atilde;o essencialmente fornecidos pelos adultos, a compet&ecirc;ncia da crian&ccedil;a, apesar de ser influenciada pela sua capacidade inicial, &eacute; sobretudo resultado das pr&aacute;ticas, instru&ccedil;&otilde;es e comportamentos instrutivos dos cuidadores principais. Assim, as mudan&ccedil;as progressivas no &#8220;<i>scaffolding</i>&#8221;, s&atilde;o utilizadas pelos adultos na interac&ccedil;&atilde;o com os filhos para desenvolver uma variedade de capacidades das crian&ccedil;as, incluindo as capacidades de resolu&ccedil;&atilde;o de problemas, o desenvolvimento da mem&oacute;ria, as refer&ecirc;ncias discursivas e as capacidades de comunica&ccedil;&atilde;o, inerentes ao processo de desenvolvimento (Peterson &amp; McCabe, 1994). </p>      <p>No entanto, n&atilde;o s&atilde;o somente as dimens&otilde;es de uma interac&ccedil;&atilde;o de qualidade que devem ser analisadas nos programas de interven&ccedil;&atilde;o parental. Com efeito, tendo em conta a dificuldade da ades&atilde;o dos pais aos programas de interven&ccedil;&atilde;o, referida repetidamente na literatura (e.g., McCollum et al., 2000; Olds, 1997) afigura-se como pertinente analisar factores que t&ecirc;m sido descritos como importantes para uma interven&ccedil;&atilde;o que pretenda melhorar a qualidade da interac&ccedil;&atilde;o pais-filhos. Destacam-se os seguintes objectivos, referidos por Bromwich (1990) dado que podem diminuir a resist&ecirc;ncia dos pais: (a) apoiar a autoconfian&ccedil;a parental, identificando e reconhecendo as potencialidades e capacidades dos mesmos, numa abordagem de resolu&ccedil;&atilde;o de problemas, (b) avaliar a percep&ccedil;&atilde;o que o adulto tem de si e da crian&ccedil;a, (c) promover a sensibilidade dos pais nas suas observa&ccedil;&otilde;es da crian&ccedil;a, (d) estimular o interesse por actividades l&uacute;dicas com a crian&ccedil;a atrav&eacute;s de estrat&eacute;gias como a modelagem e a experimenta&ccedil;&atilde;o, (e) apoiar a comunica&ccedil;&atilde;o rec&iacute;proca pais-filhos, (f) identificar fontes de apoio e de stress, (g) desenvolver uma rela&ccedil;&atilde;o com ambos os progenitores, se tal for poss&iacute;vel, (h) apoiar a interac&ccedil;&atilde;o positiva da crian&ccedil;a ou do adulto com outros elementos da fratria, visto que a interven&ccedil;&atilde;o poder&aacute; ter um impacto negativo na rela&ccedil;&atilde;o do cuidador com as outras crian&ccedil;as (i) e aliviar a sobrecarga do adulto de refer&ecirc;ncia, com sugest&otilde;es e estrat&eacute;gias que facilitem as rotinas familiares. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>PROGRAMA &#8220;DESENVOLVER A SORRIR&#8221;</p>      <p>&nbsp;</p>     <p>OBJECTIVOS E ESTRAT&Eacute;GIAS DO PROGRAMA</p>      <p>Foi com base nos aspectos referidos como essenciais nos modelos te&oacute;ricos de interven&ccedil;&atilde;o precoce &#8211; a sensibilidade, a responsividade, a proximidade afectiva e o conhecimento parental, que o Programa &#8220;Desenvolver a Sorrir&#8221; foi constru&iacute;do, organizando-se em tr&ecirc;s vectores: </p>      <p>1)&nbsp; Uma vez que as interven&ccedil;&otilde;es direccionadas para os pais e crian&ccedil;a em simult&acirc;neo parecerem ser mais eficazes do que aquelas que focam apenas um dos elementos da d&iacute;ade, e que os &#8220;participantes&#8221; se mant&ecirc;m juntos para al&eacute;m do tempo da interven&ccedil;&atilde;o (Bromwich, 1990), podendo continuar a influenciar-se mutuamente e a dar sequ&ecirc;ncia &agrave; interven&ccedil;&atilde;o j&aacute; efectuada, o Programa &#8220;Desenvolver a Sorrir&#8221; foi sistematizado de forma a possibilitar: (1) o aumento de tempo de interac&ccedil;&atilde;o estimulante entre pais e filhos; e, (2) a promo&ccedil;&atilde;o da aproxima&ccedil;&atilde;o na d&iacute;ade, atrav&eacute;s de interac&ccedil;&otilde;es pais-filhos de qualidade. </p>      <p>2)&nbsp; Tendo em conta a bidireccionalidade do processo de interac&ccedil;&atilde;o, o Programa centrou-se, por um lado, na promo&ccedil;&atilde;o da resposta da crian&ccedil;a aos comportamentos dos pais e na estimula&ccedil;&atilde;o de uma maior clareza dos sinais enviados pelo beb&eacute; e, por outro, no aumento da aten&ccedil;&atilde;o e na interpreta&ccedil;&atilde;o dos sinais do beb&eacute; por parte dos pais e na promo&ccedil;&atilde;o da qualidade das respostas dos mesmos &agrave;s solicita&ccedil;&otilde;es da crian&ccedil;a, tanto nas verbaliza&ccedil;&otilde;es como na demonstra&ccedil;&atilde;o de afectos. </p>      <p>3)&nbsp; Finalmente, dada a import&acirc;ncia da &#8220;aproxima&ccedil;&atilde;o&#8221; dos pais ao n&iacute;vel de desenvolvimento actual da crian&ccedil;a, este programa n&atilde;o s&oacute; utiliza estrat&eacute;gias de modelagem e estrat&eacute;gias educativas activas para a promo&ccedil;&atilde;o do conhecimento parental sobre os comportamentos normais e adaptativos da faixa et&aacute;ria na qual o(a) filho(a) se encontra, como a sensibiliza&ccedil;&atilde;o destes para a implementa&ccedil;&atilde;o de estrat&eacute;gias de promo&ccedil;&atilde;o do desenvolvimento cognitivo da crian&ccedil;a atrav&eacute;s da diversifica&ccedil;&atilde;o das experi&ecirc;ncias de estimula&ccedil;&atilde;o di&aacute;ria da crian&ccedil;a (variedade de est&iacute;mulos e de materiais l&uacute;dicos adequados para o desenvolvimento dos filhos), e ainda da organiza&ccedil;&atilde;o do meio f&iacute;sico e da implementa&ccedil;&atilde;o de rotinas do beb&eacute;. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Acrescenta-se que, para al&eacute;m dos 3 vectores acima referidos, o Programa &#8220;Desenvolver a Sorrir&#8221; foi constru&iacute;do com o objectivo de facilitar o envolvimento dos pais e, consequentemente, diminuir as resist&ecirc;ncias que s&atilde;o referidas de forma sistem&aacute;tica no que concerne &agrave; ades&atilde;o aos programas de interven&ccedil;&atilde;o precoce j&aacute; existentes a n&iacute;vel internacional (Olds et al., 2007). Para este efeito, na elabora&ccedil;&atilde;o das sess&otilde;es recorreu-se &agrave; personifica&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a, como estrat&eacute;gia de recurso para promover e manter a motiva&ccedil;&atilde;o e o envolvimento dos pais relativamente &agrave; interven&ccedil;&atilde;o. Para al&eacute;m disso, a valoriza&ccedil;&atilde;o do papel parental e a auto estima dos pais foram aspectos priorizados tanto na constru&ccedil;&atilde;o do programa como na aplica&ccedil;&atilde;o do mesmo. </p>      <p>O Programa, aplicado em contexto de domic&iacute;lio, &eacute; composto por sete sess&otilde;es (uma sess&atilde;o introdut&oacute;ria e seis sess&otilde;es espec&iacute;ficas), as quais transmitem aos pais &#8220;segredos&#8221; na &#8220;voz&#8221; da crian&ccedil;a, relativamente ao desenvolvimento e &agrave; interac&ccedil;&atilde;o positiva, de acordo com a estrutura descrita no Quadro 1. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p><a href="/img/revistas/aps/v28n3/28n3a09q1.jpg" target="_blank">QUADRO 1</a></p>      
<p><i>Planeamento e objectivos espec&iacute;ficos das sess&otilde;es do programa</i></p>     <p>&nbsp;</p>       <p>A sess&atilde;o introdut&oacute;ria do programa serve para apresentar os objectivos do programa aos pais e para se combinarem aspectos funcionais da sua aplica&ccedil;&atilde;o. Nesta sess&atilde;o s&atilde;o ainda abordadas quest&otilde;es de desenvolvimento geral da crian&ccedil;a, tendo em conta a sua faixa et&aacute;ria. Cada uma das restantes seis sess&otilde;es aborda dois segredos com aspectos relacionados e interdependentes, sendo atrav&eacute;s destas sess&otilde;es que a crian&ccedil;a &#8220;diz&#8221; aos pais o que lhe est&aacute; a acontecer em termos do seu desenvolvimento, fornecendo-lhes estrat&eacute;gias sobre a forma mais adequada de interagir com ela. Os 12 segredos que constituem o conte&uacute;do das sess&otilde;es abordam aspectos considerados relevantes na literatura para a promo&ccedil;&atilde;o de uma interac&ccedil;&atilde;o precoce de qualidade, incluindo as estrat&eacute;gias de uma interac&ccedil;&atilde;o positiva, a comunica&ccedil;&atilde;o bidireccional entre a d&iacute;ade, aspectos valorizados num meio estimulante e organizado, a import&acirc;ncia do envolvimento e das regras para a crian&ccedil;a, bem como estrat&eacute;gias para a promo&ccedil;&atilde;o do seu desenvolvimento cognitivo e s&oacute;cio-emocional. Cada uma das seis sess&otilde;es &eacute; apresentada, por um t&eacute;cnico, em 3 fases: (1) In&iacute;cio &#8211; reflex&atilde;o sobre as actividades da sess&atilde;o anterior; (2) Corpo da sess&atilde;o &#8211; s&atilde;o apresentados e discutidos os conte&uacute;dos da sess&atilde;o, em forma de leitura, como se fosse a pr&oacute;pria crian&ccedil;a a partilhar os seus pensamentos e sentimentos com o cuidador; (3) Experimenta&ccedil;&atilde;o &#8211; s&atilde;o apresentadas actividades para serem executadas com a crian&ccedil;a, de modo a colocar em pr&aacute;tica as estrat&eacute;gias de interac&ccedil;&atilde;o positiva abordadas no momento anterior da sess&atilde;o, constituindo-se como um ve&iacute;culo de experimenta&ccedil;&atilde;o dos aspectos abordados. Estas actividades, propostas pela crian&ccedil;a, atrav&eacute;s da voz do adulto que aplica o Programa, s&atilde;o efectuadas ainda na presen&ccedil;a do t&eacute;cnico, de forma a possibilitar a modelagem ou a sensibiliza&ccedil;&atilde;o dos adultos relativamente &agrave;s reac&ccedil;&otilde;es e comportamentos da crian&ccedil;a. As propostas de actividades a desenvolver em cada faixa et&aacute;ria est&atilde;o organizadas em fun&ccedil;&atilde;o dos seguintes nove grupos et&aacute;rios: 0-3 meses, 3-6 meses, 6-9 meses, 9-12 meses, 12-15 meses, 1518 meses, 18-21 meses, 21-24 meses e 2-3 anos. </p>      <p>As sess&otilde;es, com uma dura&ccedil;&atilde;o prevista de 45 minutos, dever&atilde;o ser realizadas no domic&iacute;lio, num local da casa escolhido pelos pais, no qual haja condi&ccedil;&otilde;es (ex.: sem distrac&ccedil;&otilde;es, como televis&atilde;o ou animais dom&eacute;sticos) para efectuar actividades com a crian&ccedil;a. Um vez que um dos objectivos da interven&ccedil;&atilde;o &eacute; trabalhar no meio ambiente natural da crian&ccedil;a, nas sess&otilde;es em que h&aacute; irm&atilde;os mais velhos em casa, estes dever&atilde;o ser envolvidos nas actividades efectuadas com a crian&ccedil;a. </p>      <p>No final de cada sess&atilde;o &eacute; fornecido aos pais o material escrito da sess&atilde;o (protocolo da sess&atilde;o), as actividades referentes &agrave; faixa et&aacute;ria da crian&ccedil;a a que diz respeito a interven&ccedil;&atilde;o da semana, bem como todo o material l&uacute;dico necess&aacute;rio para executar as actividades propostas. Na parte final do protocolo de cada sess&atilde;o existe um espa&ccedil;o em branco para que os pais registem opini&otilde;es e sentimentos relativamente aos conte&uacute;dos das sess&otilde;es, bem como todos os registos relativos &agrave; execu&ccedil;&atilde;o dos trabalhos de casa (actividades sugeridas para aplica&ccedil;&atilde;o durante a semana) e ainda registos relativos &agrave;s observa&ccedil;&otilde;es/avalia&ccedil;&otilde;es. </p>      <p>Foi ainda constru&iacute;do um certificado de participa&ccedil;&atilde;o, para ser entregue no final da aplica&ccedil;&atilde;o do Programa, como uma estrat&eacute;gia para valorizar os pais e a sua rela&ccedil;&atilde;o com os filhos, pretendendo-se assim contribuir para o aumento dos sentimentos de compet&ecirc;ncia parental dos participantes e aumentar a probabilidade dos mesmos darem continuidade &agrave;s actividades l&uacute;dicas iniciadas durante o programa. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p>AVALIA&Ccedil;&Atilde;O DO PROGRAMA</p>      <p>&nbsp;</p>      <p>M&Eacute;TODO</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><i>Participantes</i></p>      <p>Para a avalia&ccedil;&atilde;o do Programa foram utilizadas 19 d&iacute;ades (m&atilde;e/pai-filho) que participaram no programa e cujas caracter&iacute;sticas se encontram abaixo descritas. </p>      <p>Os participantes foram recrutados e seleccionados atrav&eacute;s das equipas de interven&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;ria das institui&ccedil;&otilde;es locais que acompanham fam&iacute;lias sinalizadas como de risco e nas Comiss&otilde;es de Protec&ccedil;&atilde;o de Crian&ccedil;as e Jovens na zona da Grande Lisboa, tendo sido respeitados os seguintes crit&eacute;rios de inclus&atilde;o: (a) a crian&ccedil;a ter at&eacute; 3 anos de idade; (b) a crian&ccedil;a/fam&iacute;lia estar sinalizada e em processo de acompanhamento numa equipa de interven&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;ria de &#8220;risco&#8221; ou numa Comiss&atilde;o de Protec&ccedil;&atilde;o de Crian&ccedil;as e Jovens; (c) a crian&ccedil;a ser vitima de mau trato e/ou de neglig&ecirc;ncia parental. A avalia&ccedil;&atilde;o do mau trato e da neglig&ecirc;ncia foi efectuada atrav&eacute;s do Question&aacute;rio de Avalia&ccedil;&atilde;o do Mau Trato, Neglig&ecirc;ncia e Abuso Sexual (Calheiros, 2006), o qual foi preenchido pelos t&eacute;cnicos que acompanham a situa&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia na qual a crian&ccedil;a se encontra inserida. Foram ainda recolhidos pelos t&eacute;cnicos os dados s&oacute;cio-demogr&aacute;ficos da crian&ccedil;a e do seu agregado familiar. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p><i>Caracter&iacute;sticas das crian&ccedil;as e fam&iacute;lias </i></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Participaram no Programa 19 d&iacute;ades pais-filhos, 36,9% em acompanhamento nas equipas de interven&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;ria com fam&iacute;lias de risco e 63,1% acompanhadas nos Servi&ccedil;os da Comiss&atilde;o de Protec&ccedil;&atilde;o de Crian&ccedil;as e Jovens. Da totalidade das fam&iacute;lias sinalizadas 42,1% j&aacute; estavam referenciadas como uma situa&ccedil;&atilde;o de risco e/ou perigo h&aacute; mais de um ano<a href="#1"><sup>1</sup></a><a name="top1"></a>, sendo que apenas 63% dos beb&eacute;s inclu&iacute;dos no programa estavam integrados em equipamentos de inf&acirc;ncia. </p>      <p>As idades das crian&ccedil;as situavam-se entre os 3 meses e os 3 anos de idade (<i>M</i>=21 meses; <i>DP</i>=0,99), sendo 58% do sexo masculino e 42% do sexo feminino; mais de metade das crian&ccedil;as ocupavam o 1&ordm; ou o 2&ordm; lugar na fratria. </p>      <p>As fam&iacute;lias nucleares (42,1%) e monoparentais femininas alargadas (35,8%) eram as mais representadas, sendo 79% das d&iacute;ades de descend&ecirc;ncia lusa e as restantes (21%) de descend&ecirc;ncia africana. As idades dos pais variavam entre os 14 e os 48 anos de idade (<i>M</i>=28,5; <i>DP</i>=9,48), sendo 89,5% da amostra m&atilde;es. A escolaridade dos pais &eacute; baixa e mais de metade encontravam-se desempregados, subsistindo com rendimentos irregulares e ajudas p&uacute;blicas ou privadas, e cerca de metade residem em casas mal conservadas com condi&ccedil;&otilde;es impr&oacute;prias em bairros sociais degrados ou de lata (47,4%). </p>      <p>No que concerne ao n&iacute;vel de mau trato e/ou neglig&ecirc;ncia da crian&ccedil;a, as m&eacute;dias e os desvios padr&atilde;o verificados nas dimens&otilde;es<a href="#2"><sup>2</sup></a><a name="top2"></a>do instrumento foram as seguintes: <i>Neglig&ecirc;ncia ao N&iacute;vel dos Cuidados B&aacute;sicos </i>(<i>M=</i>1.16; <i>DP</i>=0.77); <i>Neglig&ecirc;ncia Educacional ou de Estimula&ccedil;&atilde;o </i>(<i>M</i>=0.67; <i>DP</i>=0.90); <i>Mau trato </i>(<i>M=</i>0.22; <i>DP</i>=0.40). As m&eacute;dias mais elevadas foram verificadas em itens da primeira dimens&atilde;o, destacando-se que a mais elevada foi observada no item <i>rela&ccedil;&otilde;es com as figuras de vincula&ccedil;&atilde;o </i>(2.39 com <i>DP</i>=1.13). </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>PROCEDIMENTO DA APLICA&Ccedil;&Atilde;O DO PROGRAMA</p>      <p>Ap&oacute;s selec&ccedil;&atilde;o dos participantes, foi explicado aos pais o objectivo do Programa e o facto de este estar integrado num estudo de avalia&ccedil;&atilde;o para valida&ccedil;&atilde;o do Programa, tendo-lhes sido solicitado que assinassem um documento de consentimento de participa&ccedil;&atilde;o. As seis sess&otilde;es, realizadas semanalmente ap&oacute;s a sess&atilde;o introdut&oacute;ria e com dura&ccedil;&atilde;o m&eacute;dia de 45 minutos, foram efectuadas no espa&ccedil;o do domic&iacute;lio, em datas e hor&aacute;rios combinados previamente com os pais, respeitando cada sess&atilde;o os 3 momentos j&aacute; descritos. </p>      <p>Com os pais sem escolaridade ou com maior dificuldade de compreens&atilde;o e escrita, o terceiro momento, para al&eacute;m de ser utilizado para desenvolver as actividades propostas, foi tamb&eacute;m utilizado para o t&eacute;cnico anotar os coment&aacute;rios dos pais sobre a sess&atilde;o e as actividades apresentadas, sempre com o seu consentimento, dado n&atilde;o lhes ser poss&iacute;vel realizar o trabalho de casa escrito de forma aut&oacute;noma. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>AVALIA&Ccedil;&Atilde;O DO PROGRAMA</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p>M&Eacute;TODO</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><i>Participantes</i></p>      <p>Para a avalia&ccedil;&atilde;o do Programa foram utilizadas as 19 d&iacute;ades (m&atilde;e/pai-filho) que participaram no programa e cujas caracter&iacute;sticas se encontram acima descritas. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p><i>Desenho da avalia&ccedil;&atilde;o e instrumentos </i></p>      <p>O Programa &#8220;Desenvolver a Sorrir&#8221; foi avaliado com um desenho pr&eacute;, p&oacute;s-teste de avalia&ccedil;&atilde;o da qualidade das interac&ccedil;&otilde;es no grupo de d&iacute;ades (<i>N</i>=19) que foi sujeito &agrave; interven&ccedil;&atilde;o. </p>      <p>Foram utilizados dois instrumentos de avalia&ccedil;&atilde;o. </p>      <p>O <i>Home Observation for Measurement of the Environment (HOME) </i>(Sumner &amp; Spietz, 1994) foi utilizado para avaliar o meio da crian&ccedil;a, atrav&eacute;s das seguintes sub-escalas: responsividade emocional e verbal do cuidador; evitamento de restri&ccedil;&atilde;o e castigo; organiza&ccedil;&atilde;o do ambiente f&iacute;sico e temporal da crian&ccedil;a; provis&atilde;o de materiais l&uacute;dicos apropriados; envolvimento materno com a crian&ccedil;a; oportunidades para estimular diariamente a crian&ccedil;a de forma variada. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>O NCATS &#8211; Teaching Scale </i>(Sumner &amp; Spietz, 1994) foi utilizado para avaliar a qualidade da interac&ccedil;&atilde;o da d&iacute;ade cuidador-crian&ccedil;a<i>. A</i>s quatro sub-escalas do instrumento que avaliam o comportamento parental incluem: sensibilidade aos sinais; estimula&ccedil;&atilde;o do desenvolvimento cognitivo; estimula&ccedil;&atilde;o do desenvolvimento s&oacute;cio-emocional; e resposta ao descontentamento. As duas sub-escalas que avaliam o comportamento da crian&ccedil;a s&atilde;o: clareza dos sinais; e responsividade ao cuidador. </p>      <p>Foi ainda elaborado um gui&atilde;o de entrevista para os pais responderem no final do Programa, com o objectivo de recolher a sua opini&atilde;o relativamente &agrave;s sess&otilde;es e ao programa em geral (aspectos positivos e negativos, conforto/desconforto nas sess&otilde;es; benef&iacute;cios para os pr&oacute;prios e para os filhos na participa&ccedil;&atilde;o no programa, bem como os aspectos que os levariam a aconselhar/desaconselhar a participa&ccedil;&atilde;o de outros pais no programa). </p>      <p>&nbsp;</p>      <p><i>Procedimento de avalia&ccedil;&atilde;o </i></p>      <p>A avalia&ccedil;&atilde;o inicial do ambiente familiar da crian&ccedil;a e da interac&ccedil;&atilde;o da d&iacute;ade, foi efectuada numa visita domicili&aacute;ria antes da aplica&ccedil;&atilde;o do programa. Esta sess&atilde;o foi combinada com os pais com anteced&ecirc;ncia, por via telef&oacute;nica, tendo-lhes sido solicitado que a crian&ccedil;a estivesse presente visto que iria ser pedido que fizessem uma pequena tarefa com o filho(a). Ap&oacute;s ter sido explicado aos pais que a sua participa&ccedil;&atilde;o no estudo seria completamente an&oacute;nima e todos os dados fornecidos seriam confidenciais, a avalia&ccedil;&atilde;o iniciou-se com a aplica&ccedil;&atilde;o do HOME, que remete para a recolha directa de informa&ccedil;&atilde;o junto dos pais e para a observa&ccedil;&atilde;o da din&acirc;mica espont&acirc;nea entre a d&iacute;ade. De seguida foi observada a interac&ccedil;&atilde;o da d&iacute;ade num contexto l&uacute;dico de aprendizagem, atrav&eacute;s do NCAST. Desta forma foi solicitado ao adulto que ensinasse a crian&ccedil;a a efectuar uma tarefa nova, adequada &agrave; sua faixa et&aacute;ria, tendo-lhe sido fornecido o material necess&aacute;rio &agrave; sua execu&ccedil;&atilde;o (e.g., ensinar a crian&ccedil;a a procurar um objecto que o adulto esconde debaixo de um pano enquanto ela est&aacute; a observar, a rabiscar de forma horizontal, ou a empilhar cubos de madeira, etc.). </p>      <p>Ap&oacute;s a realiza&ccedil;&atilde;o da sexta sess&atilde;o do programa, foi realizada uma sess&atilde;o para efectuar a avalia&ccedil;&atilde;o p&oacute;s interven&ccedil;&atilde;o, cujo procedimento foi igual ao da avalia&ccedil;&atilde;o inicial. Nesta sess&atilde;o foi ainda realizada a entrevista, com o objectivo de obter a opini&atilde;o dos pais relativamente aos conte&uacute;dos e &agrave;s actividades do programa. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>RESULTADOS</p>      <p><i>O meio da crian&ccedil;a </i></p>      <p>Para comparar os dados recolhidos na amostra em estudo, antes e ap&oacute;s a implementa&ccedil;&atilde;o do programa, e com a inten&ccedil;&atilde;o de avaliar o seu impacto na qualidade das interac&ccedil;&otilde;es pais-filhos recorreu-se ao teste n&atilde;o param&eacute;trico Wilcoxon. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os resultados obtidos no HOME apontam para diferen&ccedil;as significativas nas m&eacute;dias em todas as dimens&otilde;es da qualidade do meio ambiente da crian&ccedil;a avaliadas (Quadro 2). Em termos globais, verificou-se um aumento significativo (<i>z</i>=-3.71; <i>p</i>=.000) entre os resultados m&eacute;dios do pr&eacute;-teste (<i>M</i>=21.11; <i>DP</i>=5.84) e os resultados m&eacute;dios do p&oacute;s-teste (<i>M</i>=33.32; <i>DP</i>=4.84) num total poss&iacute;vel de 45 pontos. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p><a href="/img/revistas/aps/v28n3/28n3a09q2.jpg" target="_blank">QUADRO 2</a></p>      
<p><i>M&eacute;dias e desvio padr&atilde;o da qualidade do meio ambiente obtidas pr&eacute; e p&oacute;s a aplica&ccedil;&atilde;o do programa</i></p>        <p>&nbsp;</p>     <p>Mais especificamente, na sub-escala referente aos materiais l&uacute;dicos    dispon&iacute;veis, verificou-se o aumento mais acentuado entre o pr&eacute;-teste    (<i>M</i>=2.74; <i>DP</i>=2.21) e o p&oacute;s-teste (<i>M</i>=6.47; <i>DP</i>=1.26)    (<i>z</i>=-3.84; <i>p</i>=.000). Salienta-se no entanto que, para al&eacute;m    desta sub-escala, as sub-escalas de responsividade emocional e verbal do adulto    (pr&eacute;-teste <i>M</i>=7.00; <i>DP</i>=2.26; p&oacute;s-teste=9.16; <i>DP</i>=1.38)    (<i>z</i>=-3.42; <i>p</i>=.001), envolvimento materno (pr&eacute;-teste <i>M</i>=1.58;    <i>DP</i>=1.26; p&oacute;s-teste <i>M</i>=3.89; <i>DP</i>=1.05) (<i>z</i>=-3.61;    <i>p</i>=.000), estrat&eacute;gias de restri&ccedil;&atilde;o e castigo (pr&eacute;-teste    <i>M</i>=4.26; <i>DP</i>=1.85; p&oacute;s-teste <i>M</i>=5.95; <i>DP</i>=1.31)    (<i>z</i>=-3.45; <i>p</i>=.001) e organiza&ccedil;&atilde;o do ambiente f&iacute;sico    e temporal (pr&eacute;-teste <i>M</i>=3.47; <i>DP</i>=1.12; p&oacute;s-teste=4.89;    <i>DP</i>=1.20) (<i>z</i>=-3.02; <i>p</i>=.003) apresentaram tamb&eacute;m altera&ccedil;&otilde;es    significativas. Refira-se ainda os resultados na dimens&atilde;o &#8220;variedade    na estimula&ccedil;&atilde;o di&aacute;ria&#8221;, onde ainda que ligeiramente    inferiores aos das restantes sub-escalas (pr&eacute;-teste <i>M</i>=2.05; <i>DP</i>=1.18;    p&oacute;s-teste <i>M</i>=2.95; <i>DP</i>=1.13) continuam a evidenciar-se como    significativos <i>(z=-2.50</i>; <i>p=</i>.013). </p>      <p>&nbsp;</p>      <p><i>A interac&ccedil;&atilde;o da d&iacute;ade </i></p>      <p>&Agrave; semelhan&ccedil;a do que ocorreu na avalia&ccedil;&atilde;o do meio ambiente da crian&ccedil;a, tamb&eacute;m foi utilizado o teste n&atilde;o param&eacute;trico Wilcoxon com o objectivo de comparar os dados recolhidos antes e ap&oacute;s a aplica&ccedil;&atilde;o do programa. </p>      <p>Verificaram-se diferen&ccedil;as significativas (<i>p</i>&#8804;.05) entre as m&eacute;dias das avalia&ccedil;&otilde;es pr&eacute; e p&oacute;s-teste, em todas as &aacute;reas de interac&ccedil;&atilde;o observadas. Verificou-se um aumento global significativo (<i>z</i>=-3.62, <i>p</i>=.001) nos comportamentos de interac&ccedil;&atilde;o positiva do adulto (pr&eacute;-teste <i>M</i>=23.58; <i>DP</i>=7.90; p&oacute;s-teste <i>M</i>=38.95; <i>DP</i>=5.03), tendo todas as sub-escalas revelado altera&ccedil;&otilde;es significativas, nomeadamente a sensibilidade (pr&eacute;-teste <i>M</i>=4.84; <i>DP</i>=1.98; p&oacute;s-teste <i>M</i>=8.79; <i>DP</i>=1.62) (<i>z</i>=-3.47; <i>p</i>=.001), respostas ao descontentamento da crian&ccedil;a (pr&eacute;-teste <i>M</i>=5.79; <i>DP</i>=2.68; p&oacute;s-teste <i>M</i>=9.63; <i>DP</i>=1.89) (<i>z</i>=-3.27; <i>p</i>=.001) e estrat&eacute;gias de promo&ccedil;&atilde;o do desenvolvimento cognitivo (pr&eacute;-teste <i>M</i>=7.21; <i>DP</i>=2.92; p&oacute;s-teste <i>M</i>=12.00; <i>DP</i>=1.67) (<i>z</i>=-3.63; <i>p</i>=.000) e s&oacute;cio-emocional (pr&eacute;-teste <i>M</i>=5.74; <i>DP</i>=2.13; p&oacute;s-teste <i>M</i>=8.53; <i>DP</i>=1.58) (<i>z</i>=-3.30; <i>p</i>=.001). Relativamente &agrave;s ac&ccedil;&otilde;es da crian&ccedil;a, tamb&eacute;m se verificou um aumento global significativo (<i>z</i>=-3.39; <i>p</i>=.001) entre a m&eacute;dia das sub-escalas no pr&eacute;-teste (<i>M</i>=12.11; <i>DP</i>=3.28) e no p&oacute;s-teste (<i>M</i>=16.79; <i>DP</i>=2.76), mais especificamente na clareza dos seus sinais (<i>z</i>=-3.14; <i>p</i>=.002) e na sua responsividade ao adulto (<i>z</i>=-3.41; <i>p</i>=.001). Globalmente verificou-se um aumento significativo (<i>z</i>=-3.62; <i>p</i>=.000) entre a m&eacute;dia da qualidade da interac&ccedil;&atilde;o no pr&eacute;-teste (<i>M</i>=35.68; <i>DP</i>=9.75) e no p&oacute;s-teste (<i>M</i>=55.74; <i>DP</i>=7.18). </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p><a href="/img/revistas/aps/v28n3/28n3a09q3.jpg" target="_blank">QUADRO 3</a></p>      
<p><i>M&eacute;dias e desvio padr&atilde;o de qualidade de interac&ccedil;&atilde;o obtidas pr&eacute; e p&oacute;s a aplica&ccedil;&atilde;o do programa</i></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><i>A avalia&ccedil;&atilde;o do programa pelos pais </i></p>      <p>Da an&aacute;lise efectuada &agrave;s entrevistas aos pais ap&oacute;s a conclus&atilde;o do programa, salienta-se que foram un&acirc;nimes a responder que gostaram de ter participado no programa e que aconselhariam a participa&ccedil;&atilde;o no programa a amigos ou familiares com crian&ccedil;as nesta faixa et&aacute;ria. </p>      <p>Analisando os aspectos positivos referidos, ressalta-se que quando os pais foram questionados relativamente ao que mais gostaram no programa, o aspecto que foi mais referido foi o facto de verem o filho a divertir-se enquanto fazia actividades que promovem o seu desenvolvimento (26%), seguido pela avalia&ccedil;&atilde;o positiva que fazem das interac&ccedil;&otilde;es que tiveram com os filhos, pois &#8220;faziam coisas que estes mostravam gostar&#8221; (26%) e o facto dos filhos terem partilhado &#8220;segredos&#8221; com eles (21%). No que concerne aos aspectos do programa que mais os motivaram, ressaltaram a reac&ccedil;&atilde;o dos filhos face &agrave;s actividades que para eles eram novidade (42%), os momentos de partilha com os filhos (26%) e terem tido a oportunidade de perceber capacidades nos filhos que ainda lhes eram desconhecidas (21%). </p>      <p>No que diz respeito aos benef&iacute;cios que percepcionaram devido &agrave; sua participa&ccedil;&atilde;o no programa, os pais referiram ter aprendido a brincar com os filhos, utilizando actividades que os ajudavam a desenvolver, redu&ccedil;&atilde;o na agita&ccedil;&atilde;o que caracteriza os comportamentos de algumas das crian&ccedil;as na amostra (42%), o terem ficado a perceber melhor os comportamentos dos filhos e a influ&ecirc;ncia que t&ecirc;m sobre os mesmos (37%), bem como o aumento no tempo de qualidade que passaram com os filhos (32%). </p>      <p>Relativamente aos benef&iacute;cios do programa para os filhos, os pais consideraram que estes tiveram novas experi&ecirc;ncias/sensa&ccedil;&otilde;es (47%), se divertiram (37%) e tiveram uma maior aten&ccedil;&atilde;o da m&atilde;e/do pai como resultado do programa (32%). Os motivos pelos quais referiram que aconselhariam outras pessoas a participar no programa englobaram aspectos associados, na sua maioria, ao conhecimento que ganhariam relativamente &agrave;s necessidades e aos pensamentos dos filhos (68%), sendo ainda destacada a &#8220;divers&atilde;o&#8221; e consequente aumento na disponibilidade para brincarem com os filhos (42%) e o apoio no que se refere &agrave; interpreta&ccedil;&atilde;o dos comportamentos dos filhos e &agrave;s estrat&eacute;gias para lidar com /gerir os mesmos (42%). </p>      <p>Passando aos aspectos mais negativos referidos pelos pais na avalia&ccedil;&atilde;o do Programa, uma percentagem importante n&atilde;o referiu nenhum aspecto que tivesse gostado menos no programa (47%). Houve, no entanto, alguns pais que referiram n&atilde;o terem gostado &#8220;das actividades nas quais as crian&ccedil;as se sujavam&#8221;, como foi o caso das actividades que envolveram a utiliza&ccedil;&atilde;o de tintas ou de plasticina (21%), tendo tamb&eacute;m havido a mesma percentagem de pais que referiram n&atilde;o ter gostado &#8220;da parte do registo escrito&#8221; que lhe foi solicitada no programa (21%). </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Mais de metade dos pais referiram nunca se terem sentido desconfort&aacute;veis durante a aplica&ccedil;&atilde;o do programa (53%). No entanto, nos que referiram desconforto, o mesmo prendeu-se essencialmente com a primeira sess&atilde;o, altura em que se sentiram t&iacute;midos e inseguros por n&atilde;o saberem o que poderiam esperar do Programa no qual iriam participar (37%). Nenhum dos pais referiu motivos pelos quais pudesse desaconselhar a participa&ccedil;&atilde;o no programa a um amigo ou familiar com filhos pequenos. Quando questionados relativamente aos aspectos que alterariam no programa de forma a melhor&aacute;-lo, alguns referiram que fariam com que as sess&otilde;es tivessem continuidade durante mais tempo (32%), outros alterariam a parte que envolveu o registo escrito (16%), ainda que uma grande parte tivesse respondido que n&atilde;o alterava nada (47%). </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>CONCLUS&Otilde;ES E DISCUSS&Atilde;O</p>      <p>Ainda que as interven&ccedil;&otilde;es pontuais iniciem um processo positivo entre o adulto e a crian&ccedil;a, o facto de n&atilde;o resultarem em efeitos a longo prazo (Britt &amp; Myers, 1994), sup&otilde;e uma utiliza&ccedil;&atilde;o continuada e uma interven&ccedil;&atilde;o mais intensiva e n&atilde;o isolada. </p>      <p>Ap&oacute;s an&aacute;lise inicial da situa&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as da amostra, mais especificamente no que se refere ao n&iacute;vel de neglig&ecirc;ncia e de mau trato, conclui-se que as mesmas se encontravam sobretudo sujeitas a um contexto de neglig&ecirc;ncia ao n&iacute;vel dos cuidados b&aacute;sicos, tanto ao n&iacute;vel f&iacute;sico como relacional, situa&ccedil;&atilde;o tanto mais grave tendo em conta a idade precoce das crian&ccedil;as e a elevada depend&ecirc;ncia que a mesma pressup&otilde;e. Esta neglig&ecirc;ncia, mais acentuada no que se refere &agrave; rela&ccedil;&atilde;o com as figuras de vincula&ccedil;&atilde;o, j&aacute; era esperada, tendo em conta tratar-se de uma amostra recolhida no Sistema de Protec&ccedil;&atilde;o de Crian&ccedil;as e Jovens, precisamente a popula&ccedil;&atilde;o para a qual o Programa &#8220;Desenvolver a Sorrir&#8221; foi elaborado. </p>      <p>Este trabalho pretende descrever e contribuir para a valida&ccedil;&atilde;o do Programa &#8220;Desenvolver a Sorrir&#8221; enquanto uma interven&ccedil;&atilde;o que seja eficaz nas interac&ccedil;&otilde;es precoces pais/filhos. Os resultados indicam melhorias em todos os aspectos que influenciam o meio no qual as crian&ccedil;as se encontravam inseridas, mais especificamente, na variedade da estimula&ccedil;&atilde;o di&aacute;ria e nos materiais l&uacute;dicos adequados e dispon&iacute;veis para a crian&ccedil;a, nos aspectos associados &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o do ambiente f&iacute;sico e temporal da crian&ccedil;a, bem como nos indicadores de maior envolvimento e responsividade emocional e verbal dos pais para com os seus filhos. A este respeito importa referir que todo o material b&aacute;sico &agrave; execu&ccedil;&atilde;o das actividades propostas foi providenciado aos pais que participaram no estudo, aspecto que possibilitou a evolu&ccedil;&atilde;o verificada em alguns dos n&iacute;veis referidos. No que concerne &agrave; interac&ccedil;&atilde;o da d&iacute;ade, tamb&eacute;m se registaram altera&ccedil;&otilde;es significativas em todas as &aacute;reas observadas, tanto no comportamento dos pais (sensibilidade aos sinais, resposta ao descontentamento e estrat&eacute;gias para promover o desenvolvimento cognitivo e s&oacute;cio-emocional), como na clareza dos sinais da crian&ccedil;a e na responsividade da mesma ao adulto. </p>      <p>Para al&eacute;m dos resultados j&aacute; mencionados, importa ainda destacar as opini&otilde;es verbalizadas pelos pais relativamente ao Programa. Este foi avaliado de forma muito positiva por todos os pais que participaram. Os aspectos negativos referidos parecem estar associados a algumas limita&ccedil;&otilde;es do estudo e que importa descrever, com vista a serem ultrapassadas em futuros estudos de valida&ccedil;&atilde;o do Programa. </p>      <p>Todos os resultados obtidos na avalia&ccedil;&atilde;o do programa &#8220;Desenvolver a Sorrir&#8221; parecem encorajadores, apoiando a pertin&ecirc;ncia da implementa&ccedil;&atilde;o desta interven&ccedil;&atilde;o junto da popula&ccedil;&atilde;o para a qual foi concebida. Contudo, importa reflectir sobre algumas quest&otilde;es, quer de car&aacute;cter metodol&oacute;gico que possam ter interferido com os resultados encontrados no estudo, quer relativas a aspectos que sobressa&iacute;ram no processo de avalia&ccedil;&atilde;o de monitoriza&ccedil;&atilde;o do programa. </p>      <p>A n&iacute;vel metodol&oacute;gico n&atilde;o foi poss&iacute;vel constituir um grupo de controlo para analisar os efeitos espec&iacute;ficos do programa de interven&ccedil;&atilde;o em estudo, eliminando a possibilidade dos resultados obtidos poderem estar a ser influenciados por outros factores. Uma outra quest&atilde;o prende-se com o facto de a observa&ccedil;&atilde;o da interac&ccedil;&atilde;o das d&iacute;ades, efectuada com o NCAST Teaching Scale, n&atilde;o ter sido realizada por dois observadores para garantir a validade das mesmas. Para al&eacute;m disso, seria importante efectuar uma avalia&ccedil;&atilde;o de <i>follow-up</i> ap&oacute;s alguns meses, para avaliar os efeitos do programa a longo prazo. Esta necessidade prende-se n&atilde;o s&oacute; com o facto de se prever, pela experi&ecirc;ncia adquirida no trabalho em meio natural de vida, que os resultados obtidos possam n&atilde;o ser mantidos no tempo, mas tamb&eacute;m porque a revis&atilde;o de literatura que analisa o impacto de programas de interven&ccedil;&atilde;o deste tipo, indica que as interven&ccedil;&otilde;es pontuais iniciam um processo positivo entre o adulto e a crian&ccedil;a mas que poder&atilde;o n&atilde;o resultar em efeitos a longo prazo (Britt &amp; Myers, 1994). </p>      <p>Tendo isto em conta, e com base na avalia&ccedil;&atilde;o de processo (monitoriza&ccedil;&atilde;o do programa), considera-se que a interven&ccedil;&atilde;o poder&aacute; ser mais eficaz, sobretudo para facilitar a manuten&ccedil;&atilde;o dos resultados obtidos a longo prazo, se a aplica&ccedil;&atilde;o do programa for prolongada no tempo, com as sess&otilde;es organizadas de forma a permitirem uma maior integra&ccedil;&atilde;o das experi&ecirc;ncias de interac&ccedil;&atilde;o possibilitadas pela interven&ccedil;&atilde;o. Assim, consideramos que cada sess&atilde;o deveria abordar apenas um dos doze segredos, resultando a organiza&ccedil;&atilde;o do programa em 12 sess&otilde;es de interven&ccedil;&atilde;o, em vez das seis que foram aplicadas no presente estudo. Al&eacute;m disso, sugere-se a aplica&ccedil;&atilde;o quinzenal de cada uma destas 12 sess&otilde;es de trabalho, sendo que as semanas alternadas seriam utilizadas para a experimenta&ccedil;&atilde;o das actividades com a crian&ccedil;a, garantindo a supervis&atilde;o do t&eacute;cnico para a adequa&ccedil;&atilde;o de expectativas e a identifica&ccedil;&atilde;o de resist&ecirc;ncias. O programa teria a dura&ccedil;&atilde;o de cerca de 6 meses (24 semanas), per&iacute;odo que possibilitaria trabalhar e adequar aspectos nos quais surgiram resist&ecirc;ncias por parte dos pais (actividades que provocam sujidade como as tintas, a plasticina, o creme de barbear), assim como outros aspectos da din&acirc;mica familiar, igualmente importantes neste tipo de situa&ccedil;&otilde;es (e.g., circunst&acirc;ncias sociais desfavor&aacute;veis, rela&ccedil;&otilde;es conflituosas entre os pais, parentalidade precoce e rejei&ccedil;&atilde;o da gravidez (Sydsjo et al., 2001). </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Relativamente &agrave; componente de registo escrito, que encontrou resist&ecirc;ncia por parte da maioria dos pais, a organiza&ccedil;&atilde;o acima proposta facilitaria este aspecto visto que o aumento do tempo de proximidade permitiria trabalhar as situa&ccedil;&otilde;es enquanto elas ocorriam em vez de tal ser feito atrav&eacute;s dos registos elaborados. </p>      <p>Em conclus&atilde;o, considera-se que as mudan&ccedil;as encontradas atrav&eacute;s da aplica&ccedil;&atilde;o do programa apresentado no estudo s&atilde;o bastante significativas. As limita&ccedil;&otilde;es encontradas no programa parecem estar sobretudo associadas ao per&iacute;odo de tempo planeado para o desenvolver. Neste sentido &eacute; desej&aacute;vel que estudos futuros possam colmatar as fragilidades metodol&oacute;gicas do Programa e contribuir para avaliar de forma consolidada as mudan&ccedil;as encontradas na qualidade das d&iacute;ades. Desta forma poder-se-&aacute; generalizar a sua aplica&ccedil;&atilde;o a popula&ccedil;&otilde;es de risco, pelos t&eacute;cnicos que trabalham na comunidade, com o objectivo n&atilde;o s&oacute; de contribuir para a diminui&ccedil;&atilde;o da lacuna que se verifica no acompanhamento efectuado em meio natural de vida ao n&iacute;vel das interac&ccedil;&otilde;es pais-filhos, mas sobretudo para diminuir o potencial de neglig&ecirc;ncia e/ou de mau trato dos pais para com a crian&ccedil;a. N&atilde;o obstante o estudo desenvolvido apresentar um car&aacute;cter explorat&oacute;rio, o Programa &#8220;Desenvolver a Sorrir&#8221; parece revelar-se um importante recurso na interven&ccedil;&atilde;o com fam&iacute;lias de risco sinalizadas no Sistema de Protec&ccedil;&atilde;o de Crian&ccedil;as, constituindo-se como um instrumento pertinente de interven&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;ria, podendo ser um instrumento de interven&ccedil;&atilde;o ao n&iacute;vel da preven&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria e secund&aacute;ria no que diz respeito ao desenvolvimento de d&iacute;ades pais-filhos de qualidade. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>REFER&Ecirc;NCIAS</p>      <p>Ainsworth, M. D. S., Blehar, M., Waters, E., &amp; Wall, S. (1978). <i>Patterns of attachment: A psychological study of the strange situation. </i>Hillsdale, NJ: Erlbaum. </p>      <!-- ref --><p>Almeida, I. C. (2004). Interven&ccedil;&atilde;o precoce: Focada na crian&ccedil;a ou centrada na fam&iacute;lia e na comunidade? <i>An&aacute;lise Psicol&oacute;gica, XXII</i>(1), 65-72. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000138&pid=S0870-8231201000030000900001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Anders, T. F., Halpern, L. F., &amp; Hua, J. (1992). Sleeping through the night: A developmental perspective.  <i>Pediatrics, 90</i>(4), 554-560. </p>      <p>Belsky, J. (1980). Child maltreatment: An ecological integration. <i>American Psychology, 35</i>, 320-335. </p>      <p>Belsky, J., Woodworth, S., &amp; Crnic, K. (1996). Trouble in the second year: Three questions about family interaction. <i>Child Development, 67</i>, 556-578. </p>      <p>Birch, L. L. (1990). Development of food acceptance patterns. <i>Developmental Psychology, 26</i>(4), 515-519.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Britt, G. C., &amp; Myers, B. J. (1994). The effects of Brazelton intervention: A review. <i>Infant Mental Health Journal, 15</i>(3), 278-292. </p>      <p>Bromwich, R. M. (1990). The interaction approach to early intervention. <i>Infant Mental Health Journal, 11</i>(1), 66-79. </p>      <p>Bronfenbrenner, U. (1977). Toward an experimental ecology of human development. <i>American Psychologist, 32</i>, 513-531. </p>      <p>Brophy-Herb, H. E., Gibbons, C., Omar, M. A., &amp; Schiffman, R. F. (1999). Low-income fathers and their infants: Interactions during teaching episodes. <i>Infant Mental Health Journal 20(3</i>), 305-321. </p>      <p>Calheiros, M. (2006). <i>A constru&ccedil;&atilde;o social do mau trato e neglig&ecirc;ncia parental: Do senso comum ao conhecimento cient&iacute;fico. </i>Departamento de Psicologia Social e das Organiza&ccedil;&otilde;es. Lisboa, ISCTE.</p>      <p>Decreto Lei n&ordm; 12/2008 de 17 de Janeiro. <i>Di&aacute;rio da Rep&uacute;blica n&ordm; 12, 1&ordf; s&eacute;rie</i>. Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a. Lisboa. </p>      <p>Dekovic, M., &amp; Janssens, J. M. A. M. (1992). Parents&#8217; child-rearing style and child&#8217;s sociometric status. <i>Developmental Psychology, 28</i>, 925-932. </p>      <p>Despacho Conjunto n.&ordm; 891/99 de 19 de Outubro. <i>Di&aacute;rio da Rep&uacute;blica, n.&ordm; 244, 2&ordf; s&eacute;rie</i>. Minist&eacute;rio do Trabalho e da Solidariedade Social, Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o e Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. </p>      <p>Dishion, T. J. (1990). The family ecology of boys&#8217; peer relations in middle childhood. <i>Child Development, 61, </i>874-892. </p>      <p>Eshel, N., Daelmans, B., Cabral de Mello, M., &amp; Martines, J. (2006). Public health reviews: Responsive parenting interventions and outcomes. <i>Bulletin of the World Health Organization, 84</i>(12), 991-998. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Feldman, R. (2007). Parent-infant synchrony and the construction of shared timing, physiological precursors, developmental outcomes, and risk conditions. <i>Journal of Child Psychology and Psychiatry, 48</i>(3/4), 329-354. </p>      <p>Hart, C. H., DeWolfe, D. M., Wozniak, P., &amp; Burts, D. C. (1992). Maternal and paternal disciplinary styles: Relations with preschoolers&#8217; playground behavioral orientations and peer status. <i>Child Development, 63</i>, 879-892. </p>      <p>Jennings, K., &amp; Connors, R. (1989). Mothers&#8217; interactional style and children&#8217;s competence at 3 years. <i>International Journal of Behavioural Development, 12</i>, 155-175. </p>      <p>Louren&ccedil;o, A., Ros&aacute;rio, M., &amp; Zuzarte, M. (2006). Abuso de menores e pr&aacute;ticas parentais. <i>Trabalho de investiga&ccedil;&atilde;o para cadeira do Curso P&oacute;s-Graduado de Especializa&ccedil;&atilde;o em Protec&ccedil;&atilde;o de Menores do Departamento de Psicologia Social e das Organiza&ccedil;&otilde;es no Instituto Superior de Ci&ecirc;ncias do Trabalho e da Empresa e da Faculdade de Psicologia e Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o da Universidade de Lisboa. </i></p>      <p>McCollum, J. A., Ree, Y., &amp; Chen, Y. (2000). Interpreting parent-infant interactions: Cross-cultural lessons. <i>Infants and Young Children, 12</i>(4), 22-33. </p>      <p>, J., &amp; Pettit, G. S. (1997). Mothers&#8217; social coaching, mother-child relationship style and children&#8217;s peer competence: Is the medium the message? <i>Child Development, 68</i>, 312-332. </p>      <p>Olds, D. (1997). The pre-natal/early infancy project: Fifteen years later. In G. W. Albee &amp; T. P. Gullotta (Eds.), <i>Primary prevention works </i>(pp. 41-67). Thousand Oaks, CA: Sage. </p>      <p>Olds, D. L., Sadler, L., &amp; Kitzman, H. (2007). Programs for parents of infants and toddlers: Recent evidence from randomized trials. <i>Journal of Child Psychology and Psychiatry, 48</i>(3), 355-391. </p>      <p>Oppenheim, D., Nir, A., Warren, S., &amp; Emde, R. N. (1997). Emotion regulation in mother-child narrative co-construction: Associations with children&#8217;s narratives and adaptation. <i>Developmental Psychology, 33</i>, 284-294. </p>      <p>Peterson, C., &amp; McCabe, A. (1994). A Social interactionist account of developing decontextualized narrative skill. <i>Developmental Psychology, 30</i>(6), 937-948. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Rogoff, B. (1990). <i>Apprenticeship in thinking: Cognitive development in social context. </i>New York: Oxford University Press. </p>      <p>Rogoff, B. (2003). <i>The cultural nature of human development</i>. Oxford University Press. </p>      <p>Rozin, P. (1990). Development in the food domain. <i>Developmental Psychology, 26</i>, 355-362. </p>      <p>Solomon, J., &amp; George, C. (1999). The measurement of attachment security in infancy and childhood. In J. Cassidy &amp; P. R. Shaver (Eds.), <i>Handbook of attachment: Theory, research and clinical applications </i>(pp. 287-316). New  York, London: Guilford Press. </p>      <p>Sumner, G., &amp; Spietz, A. (Eds.). (1994). <i>NCATS caregiver/parent-child interaction teaching manual. </i>Seattle, WA: NCATS Publications. University of Washington School of Nursing. </p>      <p>Sydsjo, G., Wadsby, M., &amp; Svedin, C. G. (2001). Psychosocial risk mothers: Early mother-child interaction and behavioural disturbances in children at 8 years of age. <i>Journal of Reproductive and Infant Psychology, 19</i>(2), 135-145. </p>      <p>Vygotsky, L. (1978). <i>Mind in society. The development of higher psychological processes. </i>Cambridge, MA: Harvard. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>NOTAS</p>      <p><sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></sup>Em Portugal,  o Sistema de Protec&ccedil;&atilde;o de Crian&ccedil;as e Jovens encontra-se organizado em tr&ecirc;s n&iacute;veis de interven&ccedil;&atilde;o: 1&ordm; n&iacute;vel &#8211; a crian&ccedil;a encontra-se numa situa&ccedil;&atilde;o de risco e a fam&iacute;lia &eacute; acompanhada por institui&ccedil;&otilde;es da comunidade; 2&ordm; n&iacute;vel &#8211; a crian&ccedil;a encontra-se numa situa&ccedil;&atilde;o de perigo e &eacute; aberto processo na Comiss&atilde;o de Protec&ccedil;&atilde;o de Crian&ccedil;as e Jovens da zona de resid&ecirc;ncia, ainda que a situa&ccedil;&atilde;o familiar n&atilde;o deixe de ter o acompanhamento ao 1&ordm; n&iacute;vel de interven&ccedil;&atilde;o; 3&ordm; n&iacute;vel &#8211; a crian&ccedil;a encontra-se numa situa&ccedil;&atilde;o de perigo que n&atilde;o foi poss&iacute;vel diminuir ao 2&ordm; n&iacute;vel por falta de consentimento dos progenitores ou por inefic&aacute;cia da interven&ccedil;&atilde;o, sendo o processo da crian&ccedil;a remetido para o Tribunal de Fam&iacute;lia e de Menores. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></sup>Foram alteradas as dimens&otilde;es definidas por Calheiros (2006) tendo em conta a especificidade das caracter&iacute;sticas das crian&ccedil;as na faixa et&aacute;ria inclu&iacute;da no presente programa. Assim, o total dos itens do question&aacute;rio foram reagrupadas em 3 dimens&otilde;es: <i>Neglig&ecirc;ncia ao N&iacute;vel dos Cuidados B&aacute;sicos </i>(&#945;<i>=0,81) &#8211; </i>higiene pessoal, alimenta&ccedil;&atilde;o, higiene &#8211; espa&ccedil;o habitacional, acompanhamento sa&uacute;de f&iacute;sica, acompanhamento sa&uacute;de mental, rela&ccedil;&atilde;o com as figuras de vincula&ccedil;&atilde;o, acompanhamento alternativo suplementar e seguran&ccedil;a do meio; <i>Neglig&ecirc;ncia Educacional ou de Estimula&ccedil;&atilde;o </i>(&#945;<i>=0,86) </i>&#8211; necessidades de desenvolvimento e acompanhamento escolar, supervis&atilde;o, autonomia apropriada &agrave; idade, m&eacute;todos disciplinares coercivos e padr&otilde;es de avalia&ccedil;&atilde;o; <i>Mau trato </i>(&#945;<i>=</i>0,78) &#8211; m&eacute;todos viol&ecirc;ncia f&iacute;sica e interac&ccedil;&otilde;es f&iacute;sicas/verbais agressivas, abuso sexual e desenvolvimento s&oacute;cio-moral. </p>      ]]></body><back>
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<surname><![CDATA[Almeida]]></surname>
<given-names><![CDATA[I. C.]]></given-names>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Intervenção precoce: Focada na criança ou centrada na família e na comunidade?]]></article-title>
<source><![CDATA[Análise Psicológica]]></source>
<year>2004</year>
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<page-range>65-72</page-range></nlm-citation>
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