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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The present paper reflects on the development of culturally-sensitive mental health services and training of mental health professionals. National and international ethnic diversity is a growing reality, which demands different resources from health services toward the promotion of individuals&#8217; global well-being. The specificities of these populations have led to an underutilization rate of counselling services, which are not adjusted in terms of their intercultural competence. We report an action-research project on access of child mental health care by immigrants, developed in Switzerland, as well as the primary goals of a research project toward the development of culturally-sensitive mental health services in Portugal. We discuss the importance of participative research, which involves and gives voice to ethnic minority groups and to their experiences, needs and perceived barriers in the access to support to their psychological well-being. Finally, we defend the importance of intercultural competence training of clinicians, not as a need of the minorities, but of all individuals in an intercultural society.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>Sa&uacute;de na diversidade: Desenvolvimento de servi&ccedil;os de sa&uacute;de    mental sens&iacute;veis &agrave; cultura</b></p>      <p>&nbsp;</p>      <p>Carla Moleiro <sup>(*)</sup>, Marta Gon&ccedil;alves <sup>(*)</sup></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><sup>(*)</sup>&nbsp; ISCTE&#8211; Instituto Universit&aacute;rio de Lisboa,    Av. das For&ccedil;as Armadas, 1649-026 Lisboa, Portugal; </p>     <p>E-mail: <a href="mailto:carla.moleiro@iscte.pt">carla.moleiro@iscte.pt</a>    / <a href="mailto:marta.goncalves@iscte.pt">marta.goncalves@iscte.pt</a>. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>RESUMO</p>      <p>O presente artigo reflecte sobre o desenvolvimento de servi&ccedil;os e de profissionais de sa&uacute;de mental sens&iacute;veis &agrave; cultura. A diversidade &eacute;tnica da popula&ccedil;&atilde;o nacional e internacional &eacute; uma realidade crescente, a qual exige uma resposta do ponto de vista dos servi&ccedil;os de sa&uacute;de e promo&ccedil;&atilde;o de bem-estar global dos indiv&iacute;duos. A especificidade destas popula&ccedil;&otilde;es tem conduzido a uma subutiliza&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os de apoio existentes, que n&atilde;o se encontram ajustados ao n&iacute;vel da sua compet&ecirc;ncia intercultural. Apresentamos um projecto de investiga&ccedil;&atilde;o-ac&ccedil;&atilde;o sobre acesso dos imigrantes aos cuidados de sa&uacute;de mental na inf&acirc;ncia desenvolvido na Su&iacute;&ccedil;a, bem como os principais objectivos de um projecto de investiga&ccedil;&atilde;o para o desenvolvimento de servi&ccedil;os sens&iacute;veis &agrave; cultura em Portugal. Discutimos a import&acirc;ncia da investiga&ccedil;&atilde;o participada, que envolve e d&aacute; voz aos grupos &eacute;tnicos minorit&aacute;rios e &agrave;s suas experi&ecirc;ncias, necessidades e obst&aacute;culos no acesso e recurso &agrave; sa&uacute;de psicol&oacute;gica. Finalmente, defendemos a import&acirc;ncia de forma&ccedil;&atilde;o de profissionais, n&atilde;o como uma necessidade das minorias, mas de todos os indiv&iacute;duos numa sociedade intercultural. </p>      <p><i>Palavras chave: </i>Compet&ecirc;ncia, Cultura, Interculturalidade, Sa&uacute;de mental. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p>ABSTRACT</p>      <p>The present paper reflects on the development of culturally-sensitive mental health services and training of mental health professionals. National and international ethnic diversity is a growing reality, which demands different resources from health services toward the promotion of individuals&#8217; global well-being. The specificities of these populations have led to an underutilization rate of counselling services, which are not adjusted in terms of their intercultural competence. We report an action-research project on access of child mental health care by immigrants, developed in Switzerland, as well as the primary goals of a research project toward the development of culturally-sensitive mental health services in Portugal. We discuss the importance of participative research, which involves and gives voice to ethnic minority groups and to their experiences, needs and perceived barriers in the access to support to their psychological well-being. Finally, we defend the importance of intercultural competence training of clinicians, not as a need of the minorities, but of all individuals in an intercultural society. </p>      <p><i>Key words: </i>Competencies, Culture, Intercultural, Mental health. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</p>      <p>A crescente mobilidade de pessoas dentro da Uni&atilde;o Europeia tem acompanhado a tend&ecirc;ncia migrat&oacute;ria mundial, onde presentemente 3% da popula&ccedil;&atilde;o &eacute; migrante. Com efeito, desde 1975 o n&uacute;mero de imigrantes em todo o mundo duplicou, sendo que mais de 30% vivem na Europa (de acordo com dados das Na&ccedil;&otilde;es Unidas). Apesar desta tend&ecirc;ncia, o F&oacute;rum Europeu de Sa&uacute;de (European Commission, 2004) revelou que as pessoas de grupos &eacute;tnicos minorit&aacute;rios experienciam maiores dificuldades no acesso &agrave; sa&uacute;de e na adequa&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os prestados no sistema de sa&uacute;de, e que tendem a subutiliz&aacute;-los. Estes dados contrastam com a maior experi&ecirc;ncia de factores de risco para a sa&uacute;de f&iacute;sica e psicol&oacute;gica, decorrentes do processo migrat&oacute;rio, muitas vezes associado a perdas, mudan&ccedil;as e stress, barreiras culturais e lingu&iacute;sticas, bem como experi&ecirc;ncias de discrimina&ccedil;&atilde;o e preconceito (Zane, Hall, Sue, Young, &amp; Nunez, 2004). </p>      <p>Os clientes de grupos minorit&aacute;rios est&atilde;o subrepresentados na utiliza&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os de sa&uacute;de mental (Moodley, 1999; Sue, 1977). A literatura tem indicado claramente que estes clientes n&atilde;o t&ecirc;m igual acesso a oportunidades e recursos (Lago &amp; Thompson, 2002), e a sa&uacute;de mental n&atilde;o &eacute; excep&ccedil;&atilde;o. Ainda, as pessoas de minorias &eacute;tnicas subutilizam os servi&ccedil;os de psicoterapia (e.g., Moodley, 1999; Palmer, 2002) e t&ecirc;m taxas mais elevadas de abandono precoce nos processos terap&ecirc;uticos (e.g., Casas, Vasquez, &amp; Ruiz de Esparza, 2002). Os factores respons&aacute;veis por estes dados incluem as dificuldades de comunica&ccedil;&atilde;o entre terapeutas e clientes devidas &agrave; cultura (e n&atilde;o s&oacute; lingu&iacute;sticas), num encontro que &eacute; intercultural (APA, 2003). Alguns estudos t&ecirc;m reportado a insatisfa&ccedil;&atilde;o de clientes de minorias &eacute;tnicas em psicoterapia devido a dificuldades relativas a uma gest&atilde;o adequada e sens&iacute;vel das diferen&ccedil;as entre terapeuta e cliente (e.g., Sue &amp; Sue, 1999). Tais diferen&ccedil;as incluem aspectos como vis&otilde;es distintas do mundo e do que diz respeito &agrave; espiritualidade (Koltko, 1990), bem como representa&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de e doen&ccedil;a, f&iacute;sica e psicol&oacute;gica (Gervais &amp; Jovchelovitch, 1998; Gurung, 2006). </p>      <p>Entendemos que o nosso objectivo de promover a discuss&atilde;o sobre o desenvolvimento de servi&ccedil;os de sa&uacute;de mental sens&iacute;veis &agrave; cultura requer, inicialmente, que especifiquemos brevemente o que entendemos por cultura, etnia e identidade &eacute;tnica, grupos minorit&aacute;rios e imigrantes. Sabemos que existe alguma controv&eacute;rsia e alguma sobreposi&ccedil;&atilde;o entre estes conceitos, necessariamente traduzindo perspectivas diferentes mas n&atilde;o exclusivas. Deste modo, consideramos que a cultura envolve uma vis&atilde;o do mundo, sistema de cren&ccedil;as, valores e pr&aacute;ticas, transmitidos e aprendidos num determinado contexto, e que s&atilde;o caracter&iacute;sticos de um indiv&iacute;duo, grupo/comunidade ou organiza&ccedil;&atilde;o. &Eacute;, portanto, din&acirc;mica, reconhecendo igualmente que todos n&oacute;s somos indiv&iacute;duos com cultura, que envolve a nossa nacionalidade, etnia, g&eacute;nero, idade, meio socioecon&oacute;mico e educacional, orienta&ccedil;&atilde;o sexual, religi&atilde;o, l&iacute;ngua, (in)capacidade, entre outros atributos. Entendemos por etnia e identidade &eacute;tnica a perten&ccedil;a a um grupo caracterizado por pr&aacute;ticas e valores espec&iacute;ficos, que se prendem com a sua origem. N&atilde;o se limita, assim, &agrave; cor da pele, nem exige que uma pessoa se identifique apenas com uma identidade &eacute;tnica (que poder&aacute; ser m&uacute;ltipla). Referimo-nos a grupos &eacute;tnicos minorit&aacute;rios quando designamos pessoas que se identificam com um grupo &eacute;tnico, que n&atilde;o &eacute; o grupo maiorit&aacute;rio no contexto onde vive. Assim, a no&ccedil;&atilde;o de grupo minorit&aacute;rio n&atilde;o constitui uma subvaloriza&ccedil;&atilde;o, nem um conceito absoluto &#8211; antes, refere-se ao facto de um determinado grupo &eacute;tnico constituir uma minoria no pa&iacute;s ou contexto em an&aacute;lise. Deste modo, os imigrantes constituem um subgrupo dos grupos &eacute;tnicos minorit&aacute;rios de um pa&iacute;s, podendo ser de 1&ordf; ou 2&ordf; gera&ccedil;&atilde;o. Contudo, a t&iacute;tulo de exemplo, pessoas de etnia Cigana em Portugal n&atilde;o s&atilde;o imigrantes, mas constituem um grupo &eacute;tnico minorit&aacute;rio. </p>      <p>Cada vez mais tem sido reconhecida a necessidade das interven&ccedil;&otilde;es serem culturalmente sens&iacute;veis e responsivas &agrave;s necessidades espec&iacute;ficas dos clientes, apesar do aceso debate sobre a sua relev&acirc;ncia e a sua natureza. Acreditamos que a diversidade crescente da popula&ccedil;&atilde;o, cl&iacute;nica e n&atilde;o-cl&iacute;nica, quer a n&iacute;vel mundial quer a n&iacute;vel nacional, refor&ccedil;a a relev&acirc;ncia desta quest&atilde;o, j&aacute; patente em boas pr&aacute;ticas e c&oacute;digos deontol&oacute;gicos de profissionais de sa&uacute;de de todo o mundo (APA, 2003). A forma como se adequam interven&ccedil;&otilde;es e como se formam profissionais para serem culturalmente sens&iacute;veis nas suas interven&ccedil;&otilde;es, essas sim, continuam a ser tarefas desafiantes &#8211; principalmente quando falamos de sa&uacute;de mental e bem-estar psicol&oacute;gico, conceitos pouco usuais em algumas culturas ou revestidos de forte estigma (e.g., culturas Asi&aacute;ticas em Sue &amp; Sue, 1999; comunidades Africanas em Moleiro, Silva, Rodrigues, &amp; Borges, 2009). V&aacute;rios autores t&ecirc;m discutido a forma&ccedil;&atilde;o de compet&ecirc;ncias multiculturais em psicoterapia e aconselhamento, e a forma como essa forma&ccedil;&atilde;o &eacute; traduzida em conceptualiza&ccedil;&otilde;es de casos cl&iacute;nicos e/ou planeamento de interven&ccedil;&otilde;es individuais ou grupais (e.g., Neufeldt et al., 2006). Apesar de alguns avan&ccedil;os, muito se encontra por desenvolver em termos de investimento em servi&ccedil;os e profissionais mais sens&iacute;veis &agrave; cultura. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As representa&ccedil;&otilde;es sobre sa&uacute;de e doen&ccedil;a s&atilde;o constru&iacute;das culturalmente e t&ecirc;m-se revelado respons&aacute;veis por um conjunto de comportamentos de risco e de sa&uacute;de, incluindo o pr&oacute;prio processo de pedido de ajuda e ades&atilde;o &agrave; medica&ccedil;&atilde;o. Em particular, as expectativas dos clientes e a credibilidade percebida do/a psicoterapeuta demonstraram constituir moderadores importantes da motiva&ccedil;&atilde;o para iniciar ou manter uma interven&ccedil;&atilde;o psicoterap&ecirc;utica, nomeadamente entre clientes de grupos minorit&aacute;rios (ver Wong, Beutler, &amp; Zane, 2007). Com efeito, da investiga&ccedil;&atilde;o em psicoterapia sabemos que os resultados s&atilde;o mais positivos quando existe um acordo entre psicoterapeuta e cliente relativamente &agrave;s expectativas do papel de cada um no processo psicoterap&ecirc;utico (Arnkoff, Glass, &amp; Shapiro, 2002) e que os clientes tendem a abandonar precocemente a terapia quando t&ecirc;m expectativas desadequadas sobre o papel do/a psicoterapeuta (Garfield, 1986). Num artigo recente, Wong et al. (2007) verificaram que clientes Americanos de descend&ecirc;ncia Asi&aacute;tica classificavam a terapia como menos &uacute;til do que os Americanos de descend&ecirc;ncia Europeia, e que esse efeito era parcialmente explicado pela capacidade do cliente compreender (ou n&atilde;o) o/a psicoterapeuta. Ainda, os mesmos autores verificaram que os clientes de descend&ecirc;ncia Asi&aacute;tica tinham maior expectativa de directividade do/a psicoterapeuta, avaliando a terapia como mais ou menos cred&iacute;vel consoante o/a terapeuta era mais ou menos directivo. Estes resultados salientam a import&acirc;ncia da percep&ccedil;&atilde;o da credibilidade do tratamento e do/a psicoterapeuta no trabalho com comunidades &eacute;tnicas minorit&aacute;rias: ser&aacute; que esta interven&ccedil;&atilde;o e este/a terapeuta s&atilde;o percebidos como cred&iacute;veis dentro da vis&atilde;o de sa&uacute;de e doen&ccedil;a daquele cliente particular, no seu contexto cultural? </p>      <p>Nas &uacute;ltimas duas d&eacute;cadas tem-se debatido a efic&aacute;cia dos servi&ccedil;os psicoterap&ecirc;uticos com grupos &eacute;tnicos minorit&aacute;rios (Bernal &amp; Sharr&oacute;n-del-Rio, 2001; Sue, 1988). Na nossa opini&atilde;o, esta discuss&atilde;o resulta de um conjunto de factores: </p>      <p>1)&nbsp; A compreens&atilde;o de que as ra&iacute;zes hist&oacute;ricas da psicoterapia (dirigidas &agrave; classe m&eacute;dia-alta, Europeia) n&atilde;o s&atilde;o neutras do ponto de vista cultural; </p>      <p>2)&nbsp; O reconhecimento de alguns processos (reac&ccedil;&otilde;es, comportamentos ou atitudes) dos clientes poderem estar relacionados com aspectos contextuais e culturais (e.g., discrimina&ccedil;&atilde;o), n&atilde;o podendo ser compreendidos apenas enquanto processos intraps&iacute;quicos;</p>      <p>3)&nbsp; A exist&ecirc;ncia de uma vasta literatura sobre &#8220;pr&aacute;tica baseada na evid&ecirc;ncia&#8221;, que enfatiza a utiliza&ccedil;&atilde;o de ensaios cl&iacute;nicos para a demonstra&ccedil;&atilde;o de efic&aacute;cia das interven&ccedil;&otilde;es (privilegiando a validade interna) e que tem negligenciado a sua aplicabilidade a ajustamento a clientes de grupos minorit&aacute;rios (&agrave; custa da validade externa) (Hall, 2001); </p>      <p>4)&nbsp; E a constata&ccedil;&atilde;o de que os pr&oacute;prios profissionais de sa&uacute;de n&atilde;o s&atilde;o imunes a enviesamentos e pr&eacute;-conceitos, que influenciam o diagn&oacute;stico, a avalia&ccedil;&atilde;o e a interven&ccedil;&atilde;o (Beutler et al., 2004). </p>      <p>O papel do/a psicoterapeuta, e em particular da sua forma&ccedil;&atilde;o em compet&ecirc;ncias multiculturais, tornou-se essencial na literatura sobre interven&ccedil;&atilde;o com clientes de grupos minorit&aacute;rios. A compet&ecirc;ncia multicultural prende-se com um processo ou uma abordagem (Sue, 1998), mais do que uma t&eacute;cnica ou conjunto de t&eacute;cnicas. Refere-se a uma forma de constru&ccedil;&atilde;o do encontro psicoterap&ecirc;utico que envolve cliente, psicoterapeuta e contexto (Sue, 2003). Na psicoterapia e aconselhamento, a compet&ecirc;ncia multicultural (Sue, Arredondo, &amp; McDavis, 1992) tem sido definida em tr&ecirc;s dimens&otilde;es: (1) consci&ecirc;ncia, (2) conhecimento, e (3) compet&ecirc;ncias pr&aacute;ticas necess&aacute;rias para trabalhar de forma eficiente e &eacute;tica com clientes culturalmente diversos (Arredondo et al., 1996). Em particular, a (1) consci&ecirc;ncia multicultural refere-se ao auto-conhecimento do/a psicoterapeuta sobre as suas pr&oacute;prias atitudes, valores e pressupostos, e &agrave; consci&ecirc;ncia de como essas vari&aacute;veis podem influenciar a interac&ccedil;&atilde;o com o outro, culturalmente diferente de si. (2) O conhecimento multicultural prende-se com a informa&ccedil;&atilde;o e compreens&atilde;o de outras culturas, incluindo a sua hist&oacute;ria, tradi&ccedil;&otilde;es, valores e pr&aacute;ticas; sobre os processos de migra&ccedil;&atilde;o e acultura&ccedil;&atilde;o, a discrimina&ccedil;&atilde;o, e modelos de desenvolvimento de identidade cultural. Finalmente, (3) entendem-se por compet&ecirc;ncias pr&aacute;ticas multiculturais aquelas que reflectem a capacidade de p&ocirc;r em pr&aacute;tica a consci&ecirc;ncia e conhecimento multicultural, nas interac&ccedil;&otilde;es com indiv&iacute;duos culturalmente diversos (e.g., t&eacute;cnicas de avalia&ccedil;&atilde;o culturalmente sens&iacute;veis; comportamento n&atilde;o-verbal adequado; etc...). </p>      <p>Desde j&aacute; sublinhamos que, ao contr&aacute;rio da maior parte da literatura, consideramos mais significativo o termo compet&ecirc;ncia intercultural (em substitui&ccedil;&atilde;o do constructo compet&ecirc;ncia multicultural) e que, por isso, o utilizaremos com mais frequ&ecirc;ncia ao longo do presente artigo. O prefixo &#8220;inter&#8221; refor&ccedil;a a exist&ecirc;ncia de um processo de interac&ccedil;&atilde;o, transac&ccedil;&atilde;o, comunica&ccedil;&atilde;o, influ&ecirc;ncia m&uacute;tua entre dois ou mais indiv&iacute;duos, duas ou mais culturas. Compet&ecirc;ncia intercultural pressup&otilde;e, portanto, que num contexto multicultural &#8211; de co-exist&ecirc;ncia de mais do que uma cultura &#8211; o indiv&iacute;duo tenha consci&ecirc;ncia, conhecimento e compet&ecirc;ncias t&eacute;cnicas que lhe permitam compreender o outro e fazer-se compreender em termos comunicacionais e relacionais, numa situa&ccedil;&atilde;o interactiva de influ&ecirc;ncia m&uacute;tua. </p>      <p>Sabendo que as diferen&ccedil;as culturais influenciam a forma como pensamos, sentimos e agimos, numa sociedade cada vez mais diversa, as compet&ecirc;ncias interculturais dos profissionais de sa&uacute;de e de interven&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;ria t&ecirc;m sido alvo de aten&ccedil;&atilde;o nos E.U.A., Canad&aacute; e Reino Unido (Palmer, 2002; Pedersen, 1991; Ponterotto, Casas, Suzuki, &amp; Alexander, 1995). Mais recentemente, a &#8220;EuroMed Network on Migration and Mental Health&#8221; foi desenvolvida na Europa, criando-se um pequeno conjunto de programas de forma&ccedil;&atilde;o transcultural, por exemplo, em Fran&ccedil;a (Fran&ccedil;oise Minkowska Center, Paris), na Holanda (Department of Transcultural Psychiatry, Riagg Rijnmond, Rotterdam) e em Espanha (Transcultural Psychiatry Program, Vall d&#8217;Hebron University Hospital, Barcelona). </p>      <p>Este esfor&ccedil;o ainda n&atilde;o foi igualado em Portugal. Apesar de ser indiscut&iacute;vel que os profissionais que trabalham com popula&ccedil;&otilde;es culturalmente diversas t&ecirc;m de ser competentes para o fazer, a forma&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica nesta &aacute;rea &eacute; escassa em Portugal, embora seja cada vez mais prov&aacute;vel que um t&eacute;cnico de sa&uacute;de ou de interven&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;ria encontre clientes de uma variedade de contextos culturais e origens &eacute;tnicas. Na realidade, pouca aten&ccedil;&atilde;o tem sido dispensada na forma&ccedil;&atilde;o e desenvolvimento de compet&ecirc;ncias interculturais sistem&aacute;ticas entre profissionais de sa&uacute;de Portugueses, e na compreens&atilde;o cultural e psicol&oacute;gica de vis&otilde;es do mundo de clientes diversos. Em particular, o estudo das pr&oacute;prias vis&otilde;es ou representa&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de e doen&ccedil;a, e das experi&ecirc;ncias (positivas e negativas) dos servi&ccedil;os ou das interven&ccedil;&otilde;es pelos pr&oacute;prios clientes de grupos &eacute;tnicos minorit&aacute;rios reveste-se de uma import&acirc;ncia fundamental. &Eacute; vasta a literatura sobre as necessidades espec&iacute;ficas de outros grupos &eacute;tnicos e em outros contextos (e.g., Afro-Americanos; imigrantes Marroquinos em Espanha; etc...). Contudo, pouco sabemos sobre os grupos &eacute;tnicos minorit&aacute;rios em Portugal e as suas necessidades de bem-estar f&iacute;sico e psicol&oacute;gico. Uma forma de atingir esse objectivo ser&aacute; dando voz aos seus discursos na pr&oacute;pria investiga&ccedil;&atilde;o. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p>INVESTIGA&Ccedil;&Atilde;O PARTICIPATIVA, CENTRADA NO CLIENTE</p>      <p>At&eacute; h&aacute; uns anos, quando se tentava perceber o comportamento de procura de ajuda profissional na &aacute;rea da sa&uacute;de por parte da popula&ccedil;&atilde;o, tendia-se a concentrar a aten&ccedil;&atilde;o nas institui&ccedil;&otilde;es e nos profissionais. Quest&otilde;es como os hor&aacute;rios de funcionamento, o <i>networking </i>entre os servi&ccedil;os e a dist&acirc;ncia das institui&ccedil;&otilde;es eram estudadas a fundo no sentido de explicar a respectiva influ&ecirc;ncia no comportamento de procura de ajuda do utente/cliente. </p>      <p>Hoje, numa perspectiva da Ci&ecirc;ncia e Psicologia Comunit&aacute;ria, cada vez mais se realizam estudos tendo em conta a perspectiva do cliente, do paciente, do indiv&iacute;duo, da comunidade &#8211; actor ou actores da procura dessa ajuda. Estes estudos s&atilde;o baseados numa investiga&ccedil;&atilde;o/ metodologia participativa, colaborativa, de investiga&ccedil;&atilde;o-ac&ccedil;&atilde;o, que valoriza o conhecimento leigo, popular, para al&eacute;m do acad&eacute;mico. Este tipo de investiga&ccedil;&atilde;o procura proporcionar espa&ccedil;os e momentos privilegiados de reflex&atilde;o e auto-an&aacute;lise, atrav&eacute;s dos quais os respectivos intervenientes possam identificar e questionar problemas inerentes ao contexto em que est&atilde;o inseridos, em que participam (Ornelas, 2008). </p>      <p>No sentido de contribuir para um conhecimento mais profundo dos problemas das comunidades &#8211; em termos hist&oacute;ricos especialmente daquelas mais desfavorecidas &#8211; e de capacit&aacute;-las para a sua resolu&ccedil;&atilde;o, no sentido de empowerment (Ornelas, 2008), vari&aacute;veis como os conceitos de sa&uacute;de e doen&ccedil;a da popula&ccedil;&atilde;o, o respectivo conhecimento sobre o sistema de sa&uacute;de, bem como as suas experi&ecirc;ncias com o mesmo, s&atilde;o colocadas em primeiro plano na investiga&ccedil;&atilde;o sobre o comportamento de procura de ajuda profissional na &aacute;rea da sa&uacute;de. </p>      <p>A perspectiva do indiv&iacute;duo &#8211; paciente ou cliente &#8211; numa linha de base participativa como a fonte de informa&ccedil;&atilde;o mais significativa para a melhoria do acesso e qualidade do sistema de sa&uacute;de, tem sido cada vez mais enfatizada. Quer no sentido de converter a comunidade no principal agente de mudan&ccedil;a/transforma&ccedil;&atilde;o da sua realidade, quer de ajustar o desenho de campanhas de preven&ccedil;&atilde;o, quer na pr&oacute;pria pr&aacute;tica cl&iacute;nica, a perspectiva do paciente/cliente &#8211; as suas representa&ccedil;&otilde;es sociais, o seu conhecimento, a sua experi&ecirc;ncia &#8211; &eacute; valorizada. </p>      <p>J&aacute; h&aacute; mais de dez anos atr&aacute;s, notava, por exemplo, o autor alem&atilde;o Flick (1998) que os conceitos de sa&uacute;de e doen&ccedil;a estavam a ganhar cada vez mais import&acirc;ncia na investiga&ccedil;&atilde;o e na ci&ecirc;ncia na &aacute;rea da sa&uacute;de, como tamb&eacute;m na pr&aacute;tica cl&iacute;nica. Defendia ele que principalmente disciplinas como a Psicologia da Sa&uacute;de e a Psicologia Social estavam interessadas em diferen&ccedil;as presentes nos conceitos, diferen&ccedil;as estas de car&aacute;cter social e cultural, entre outras. Foi com autores como Flick que lentamente se come&ccedil;ou a perceber que o conhecimento profissional sobre sa&uacute;de e doen&ccedil;a corresponde apenas a uma parte do conhecimento da sociedade. A outra parte &eacute; o conhecimento dos leigos, confrontados com o reconhecimento e a regula&ccedil;&atilde;o ou gest&atilde;o da doen&ccedil;a. </p>      <p>A investiga&ccedil;&atilde;o participativa na &aacute;rea da sa&uacute;de proporciona, assim, um melhor ajustamento de ofertas preventivas e terap&ecirc;uticas a grupos alvo, como &eacute; o caso de popula&ccedil;&otilde;es imigrantes (Rogler &amp; Cort&eacute;s, 1993). </p>      <p>Mesmo temas complexos e delicados como a &#8220;sa&uacute;de mental&#8221;, algo com que o indiv&iacute;duo normalmente s&oacute; se ocupa quando se encontra perante a aus&ecirc;ncia da mesma &#8211; quer esta seja directa ou indirecta, s&atilde;o objecto de questionamento junto da popula&ccedil;&atilde;o. Entende-se o pr&oacute;prio processo de investiga&ccedil;&atilde;o como uma realidade participada e partilhada. </p>      <p>A sa&uacute;de mental p&uacute;blica tem-se tornado num passado recente um foco de pesquisa internacional devido ao seu crescente risco (por exemplo, Twenge, 2000). Shatkin e Belfer (2004) conclu&iacute;ram, contudo, que a n&iacute;vel da pol&iacute;tica internacional existem muito poucas linhas orientadoras que t&ecirc;m em conta a sa&uacute;de mental da popula&ccedil;&atilde;o, nomeadamente a sa&uacute;de mental de crian&ccedil;as e jovens. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Tanto nos <i>media</i>, como entre especialistas e l&iacute;deres pol&iacute;ticos, tem sido discutida uma amplia&ccedil;&atilde;o e melhoria da concep&ccedil;&atilde;o do sistema de sa&uacute;de mental. Na Europa, foi inclusivamente assinada, em Janeiro de 2005 aquando da Confer&ecirc;ncia de Hels&iacute;nquia, uma declara&ccedil;&atilde;o e um plano de ac&ccedil;&atilde;o para a sa&uacute;de mental por 52 pa&iacute;ses Europeus. Cada pa&iacute;s fazia assim um compromisso pol&iacute;tico que passava a ter em conta a sa&uacute;de mental (com especial incid&ecirc;ncia sobre a sa&uacute;de mental de crian&ccedil;as e jovens) como uma prioridade no respectivo pa&iacute;s. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>UM EXEMPLO DE BOAS PR&Aacute;TICAS NO DESENVOLVIMENTO DE SERVI&Ccedil;OS DE SA&Uacute;DE MENTAL SENS&Iacute;VEIS  A IMIGRANTES &#8211; ESTUDO NA SU&Iacute;&Ccedil;A</p>      <p>A situa&ccedil;&atilde;o internacional confirma que cerca de um quinto (20%) das crian&ccedil;as e adolescentes nos pa&iacute;ses industrializados sofre de stress psicol&oacute;gico (Steinhausen &amp; Winkler-Metzke, 2002). Em aproximadamente um quarto destas crian&ccedil;as e jovens e respectivas fam&iacute;lias existem perturba&ccedil;&otilde;es que comprometem o desenvolvimento individual de tal forma, tornando-se necess&aacute;rio um tratamento psiqui&aacute;trico/ psicoterap&ecirc;utico espec&iacute;fico (Stephenson, 2000). Al&eacute;m disso, os estudos mostram que, tanto na Europa como nos E.U.A, a maioria dessas crian&ccedil;as n&atilde;o &eacute; diagnosticada ou tratada adequada ou atempadamente (Burns et al., 1995; John, Offord, Boyle, &amp; Racine, 1995; Wittchen, 2000). A partir de estudos epidemiol&oacute;gicos, sabe-se que mesmo em pa&iacute;ses com uma boa oferta a n&iacute;vel do sistema de sa&uacute;de, como &eacute; o caso da Su&iacute;&ccedil;a, apenas algumas das crian&ccedil;as e jovens vulner&aacute;veis utilizam atempadamente o sistema nacional de cuidados de sa&uacute;de. Isto pode ter um impacto negativo sobre o respectivo desenvolvimento e, assim, na consequente idade adulta (Jones et al., 1993). </p>      <p>Embora, na &aacute;rea cl&iacute;nica, o pr&oacute;prio DSM-IVTR (APA, 2000/2002) recomende a avalia&ccedil;&atilde;o dos problemas relativos ao acesso aos cuidados de sa&uacute;de, a investiga&ccedil;&atilde;o sistem&aacute;tica dos factores que influenciam o acesso &agrave; preven&ccedil;&atilde;o e ao tratamento da sa&uacute;de mental de crian&ccedil;as e jovens &eacute; rara (Flick, 1998). Mesmo na Su&iacute;&ccedil;a, tem havido pouca pesquisa sobre este tema.</p>      <p>Tamb&eacute;m a n&iacute;vel internacional, pouco tem sido investigado sobre como crian&ccedil;as, jovens e respectivos pais percepcionam a sua sa&uacute;de mental, ou em que medida e a partir de que limiar classificam dificuldades pessoais e/ou familiares como problemas psicol&oacute;gicos. </p>      <p>Crian&ccedil;as e jovens oriundos de fam&iacute;lias imigrantes &#8211; simultaneamente agentes e express&atilde;o de mudan&ccedil;as sociais, intergeracionais e culturais &#8211; s&atilde;o normalmente mais vulner&aacute;veis em termos de problemas de sa&uacute;de mental. Tal vulnerabilidade deve-se em grande parte aos desafios associados ao <i>coping </i>simult&acirc;neo com duas culturas distintas &#8211; a de origem e a do pa&iacute;s anfitri&atilde;o &#8211; nem sempre com objectivos coincidentes. Se, por um lado, estas crian&ccedil;as e jovens est&atilde;o mergulhados atrav&eacute;s do sistema educativo na cultura do pa&iacute;s anfitri&atilde;o, por outro convivem diariamente no seio familiar com a cultura de origem. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>OBJECTIVOS</p>      <p>Dada a falta de investiga&ccedil;&atilde;o acima referida, o objectivo geral do projecto Su&iacute;&ccedil;o AMHC<a href="#1"><sup>1</sup></a><a name="top1"></a>(Acesso aos Cuidados de Sa&uacute;de Mental na Inf&acirc;ncia) era investigar os factores associados &agrave; (n&atilde;o) utiliza&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os preventivos e de tratamento na &aacute;rea da sa&uacute;de mental infantil e juvenil. O estudo pretendeu assim examinar a n&iacute;vel individual, familiar e social poss&iacute;veis influ&ecirc;ncias transgeracionais na repercuss&atilde;o de conceitos de sa&uacute;de mental, bem como limiares para a aceita&ccedil;&atilde;o efectiva de ajuda profissional especializada. Conhecimentos pr&aacute;ticos e concretos eram assim esperados por parte do estudo AMHC: </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&#8211;&nbsp;&nbsp; Como &eacute; conceptualizada a sa&uacute;de mental por parte de crian&ccedil;as, jovens e respectivos pais? </p>      <p>&#8211;&nbsp;&nbsp; Que tipo de stress psicol&oacute;gico &eacute; detectado por parte de crian&ccedil;as, jovens e respectivos pais e quando &eacute; que s&atilde;o tomadas medidas consequentes? </p>      <p>&#8211;&nbsp;&nbsp; Que explica&ccedil;&atilde;o encontram crian&ccedil;as, jovens e respectivos pais para problemas psicol&oacute;gicos? </p>      <p>&#8211;&nbsp;&nbsp; Em que medida recursos individuais e familiares influenciam a forma de lidar com a doen&ccedil;a mental? </p>      <p>&#8211;&nbsp;&nbsp; Que barreiras e facilitadores perspectivam crian&ccedil;as, jovens e respectivos pais no acesso &agrave; sa&uacute;de mental? </p>      <p>O principal objectivo deste estudo em concreto foi avaliar, a partir da perspectiva das fam&iacute;lias imigrantes, o modo como o acesso aos cuidados de sa&uacute;de mental infantil e juvenil se torna mais problem&aacute;tico para fam&iacute;lias imigrantes em compara&ccedil;&atilde;o com as n&atilde;o imigrantes. Um objectivo complementar era perceber at&eacute; que ponto pessoas-chave da comunidade como m&eacute;dicos de fam&iacute;lia, pediatras, professores, entre outros, poder&atilde;o servir de facilitadores, auxiliando as fam&iacute;lias imigrantes a aceder ao servi&ccedil;o de sa&uacute;de mental. Devido ao elevado n&uacute;mero de imigrantes Portugueses na Su&iacute;&ccedil;a, uma outra quest&atilde;o envolvia em que medida imigrantes Portugueses e Brasileiros na Su&iacute;&ccedil;a experienciam o acesso &agrave; sa&uacute;de mental de forma diferente? </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>M&Eacute;TODO</p>      <p>A amostra do estudo contemplou crian&ccedil;as e jovens com idade compreendida entre os 12 e os 16 anos de idade, imigrantes e n&atilde;o imigrantes, os respectivos pais e profissionais de sa&uacute;de e educa&ccedil;&atilde;o com experi&ecirc;ncia profissional quotidiana com a comunidade imigrante. As crian&ccedil;as e os jovens estavam divididos em quatro grupos: popula&ccedil;&atilde;o geral sem experi&ecirc;ncia com o sistema de sa&uacute;de mental infantil e juvenil, popula&ccedil;&atilde;o geral com experi&ecirc;ncia com o sistema de sa&uacute;de mental infantil e juvenil; popula&ccedil;&atilde;o de risco (especificamente recrutada atrav&eacute;s de lares de acolhimento), popula&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica (especificamente recrutada atrav&eacute;s de centros de psiquiatria infantil e juvenil). </p>      <p>O estudo incluiu uma metodologia qualitativa e uma metodologia quantitativa. Na fase qualitativa, foram realizadas 170 entrevistas individuais semi-estruturadas sobre conceitos de sa&uacute;de e estrat&eacute;gias de ac&ccedil;&atilde;o com as crian&ccedil;as e jovens (32 imigrantes Portugueses e Brasileiros, 51 Su&iacute;&ccedil;os) e respectivos pais, separadamente (39 imigrantes Portugueses e Brasileiros e 48 Su&iacute;&ccedil;os). Para complementar o material das entrevistas com as fam&iacute;lias foram tamb&eacute;m conduzidos grupos focais sobre os mesmos temas com profissionais de educa&ccedil;&atilde;o e sa&uacute;de, incluindo um grupo espec&iacute;fico de profissionais com experi&ecirc;ncia quotidiana com fam&iacute;lias imigrantes. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A experi&ecirc;ncia e tend&ecirc;ncias conclu&iacute;das atrav&eacute;s da an&aacute;lise de conte&uacute;do exaustiva da primeira fase qualitativa reca&iacute;ram, numa segunda fase, na elabora&ccedil;&atilde;o de um question&aacute;rio sobre os mesmos temas, o qual foi administrado a uma popula&ccedil;&atilde;o mais vasta (887 crian&ccedil;as e jovens; 292 pais &#8211; m&atilde;e e pai, 18 pais homens e 125 m&atilde;es). </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>RESULTADOS</p>      <p>Os resultados do estudo mostraram que os conceitos e estrat&eacute;gias de ac&ccedil;&atilde;o dos pais diferem, de forma geral, consideravelmente mais em rela&ccedil;&atilde;o aos conceitos dos filhos do que entre si (pai e m&atilde;e). A diferen&ccedil;a mais significativa prendeu-se com o facto de ambos os pais considerarem que, em caso de stress psicol&oacute;gico, os filhos se dirigem em primeiro lugar &agrave; m&atilde;e, sendo que os jovens referem os amigos como a primeira fonte de suporte social. Uma outra diferen&ccedil;a importante entre a perspectivas dos adultos e das crian&ccedil;as e jovens foi o facto de os pais mencionarem que, quando os filhos se sentem psicologicamente em baixo, eles pr&oacute;prios aconselham a falar do assunto com algu&eacute;m, sendo que os filhos preferem recorrer a estrat&eacute;gias de distrac&ccedil;&atilde;o, como ler um livro ou ouvir m&uacute;sica. </p>      <p>A maioria das diferen&ccedil;as entre imigrantes e n&atilde;o imigrantes foram encontradas nas fontes de informa&ccedil;&atilde;o sobre sa&uacute;de e doen&ccedil;a mental, e nos iniciadores do comportamento de procura de ajuda. No caso dos n&atilde;o imigrantes, a fam&iacute;lia foi referenciada mais frequentemente como fonte de informa&ccedil;&atilde;o e iniciador do comportamento de procura de ajuda, ao passo que, nos imigrantes, profissionais de sa&uacute;de e educa&ccedil;&atilde;o, por exemplo, obt&ecirc;m mais realce relativamente a estes dois comportamentos de acesso &agrave; sa&uacute;de. </p>      <p>Quando se subdividiu o grupo de imigrantes em diferentes grupos, verificaram-se diferen&ccedil;as espec&iacute;ficas. Por exemplo, para os imigrantes Portugueses destacou-se a quest&atilde;o da &#8220;normalidade&#8221;: sa&uacute;de mental &#8220;&eacute; ser normal, &eacute; ser igual aos outros, &eacute; passar despercebido&#8221;. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>DISCUSS&Atilde;O</p>      <p>Os resultados do estudo indicam o envolvimento da perspectiva do paciente &#8211; no sentido da ideia de participa&ccedil;&atilde;o &#8211; at&eacute; mesmo de crian&ccedil;as e jovens, como uma valiosa fonte de informa&ccedil;&atilde;o para o desenho de medidas com vista a melhorar o acesso e a qualidade dos cuidados de sa&uacute;de. De uma forma geral, os resultados do estudo apontam a cont&iacute;nua necessidade de interven&ccedil;&atilde;o na sociedade, independentemente da cultura, no sentido da preven&ccedil;&atilde;o do estigma associado &agrave; doen&ccedil;a mental. Para al&eacute;m disso, o estudo real&ccedil;a ideias chave para a elabora&ccedil;&atilde;o de medidas interventivas no sentido de uma colabora&ccedil;&atilde;o tri&aacute;dica entre os sistemas Sa&uacute;de, Escola e Fam&iacute;lia. Urge capacitar os agentes destes tr&ecirc;s sistemas de informa&ccedil;&atilde;o e conhecimento sobre sa&uacute;de/doen&ccedil;a mental no sentido de uma melhor e maior intra- e intercomunica&ccedil;&atilde;o e rela&ccedil;&atilde;o. </p>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>DESENVOLVIMENTO DE SERVI&Ccedil;OS DE SA&Uacute;DE MENTAL  CULTURALMENTE SENS&Iacute;VEIS EM PORTUGAL &#8211; UM PROJECTO</p>      <p>O projecto &#8220;Sa&uacute;de Mental, Multiculturalismo e Diversidade&#8221;    &eacute; um projecto de investiga&ccedil;&atilde;o<a href="#2"><sup>2</sup></a><a name="top2"></a>    que foi desenvolvido em 2006, tendo tido in&iacute;cio em 2008. O interesse    e relev&acirc;ncia do estudo das compet&ecirc;ncias interculturais dos profissionais    de sa&uacute;de em Portugal e do desenvolvimento de servi&ccedil;os comunit&aacute;rios    sens&iacute;veis &agrave; cultura ficaram claros a partir de um estudo anterior    (Moleiro et al., 2009). Nesse trabalho explorat&oacute;rio, 21 pessoas de grupos    &eacute;tnicos minorit&aacute;rios em Portugal foram entrevistadas individualmente    sobre (1) as caracter&iacute;sticas da sua comunidade; (2) as suas representa&ccedil;&otilde;es    de sa&uacute;de e doen&ccedil;a; (3) as suas experi&ecirc;ncias no acesso a    servi&ccedil;os de sa&uacute;de psicol&oacute;gica; e (4) barreiras e facilitadores    do acesso a t&eacute;cnicos e servi&ccedil;os de sa&uacute;de psicol&oacute;gica.    Nesse estudo piloto, verificamos que as experi&ecirc;ncias de discrimina&ccedil;&atilde;o    e preconceito relatadas pelos participantes inclu&iacute;am as suas interac&ccedil;&otilde;es    com o sistema de cuidados de sa&uacute;de. Encontramos, ainda, diferen&ccedil;as    nas representa&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de entre grupos &eacute;tnicos    minorit&aacute;rios na nossa popula&ccedil;&atilde;o (e.g., entre Caboverdianos    e Brasileiros), incluindo vis&otilde;es muito distintas do apoio psicol&oacute;gico.    Nomeadamente, os imigrantes Brasileiros relataram que o estigma associado &agrave;    procura de ajuda psicol&oacute;gica &eacute; maior em Portugal que no Brasil,    enquanto que os participantes Africanos referiram que a rede de suporte familiar    &eacute; privilegiada quando existem problemas, sendo o estigma associado aos    servi&ccedil;os formais de apoio bastante grande. Finalmente, identificamos    que as expectativas dos participantes em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; prepara&ccedil;&atilde;o    dos profissionais de sa&uacute;de psicol&oacute;gica (em oposi&ccedil;&atilde;o    aos m&eacute;dicos) eram bastante elevadas. Por outras palavras, quando recorrem    ou pensam recorrer a apoio psicol&oacute;gico, as minorias &eacute;tnicas em    Portugal esperam que os psicoterapeutas tenham sensibilidade &agrave; cultura,    n&atilde;o s&oacute; atrav&eacute;s de pr&aacute;ticas n&atilde;o discriminat&oacute;rias,    mas tamb&eacute;m com conhecimento e capacidade para trabalhar com pessoas de    valores e culturas diferentes da sua. Este &uacute;ltimo resultado pode constituir    um factor de risco para abandono precoce dos servi&ccedil;os, na medida em que    as expectativas podem n&atilde;o ser correspondidas (Garfield, 1986). </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>OBJECTIVOS E METODOLOGIA</p>      <p>O projecto &#8220;Sa&uacute;de Mental, Diversidade Multiculturalismo&#8221; pretende explorar as pr&aacute;ticas e experi&ecirc;ncias dos profissionais de sa&uacute;de mental (em particular, dos psic&oacute;logos) ao n&iacute;vel do seu trabalho com clientes de grupos minorit&aacute;rios, identificando o que s&atilde;o as compet&ecirc;ncias interculturais necess&aacute;rias para trabalhar com popula&ccedil;&otilde;es minorit&aacute;rias em Portugal e avaliando a compet&ecirc;ncia percebida dos referidos profissionais para trabalhar com clientes culturalmente diferentes de si. Para isso, pretende-se trabalhar em duas vertentes. Numa primeira vertente (1) propusemo-nos construir um instrumento de avalia&ccedil;&atilde;o de compet&ecirc;ncias interculturais, baseado no modelo tridimensional de Compet&ecirc;ncias Multiculturais de Sue, Arredondo, e McDavis (1992). O desenvolvimento deste instrumento poder&aacute; vir a ser futuramente utilizado na avalia&ccedil;&atilde;o de compet&ecirc;ncias interculturais antes e ap&oacute;s programas de forma&ccedil;&atilde;o dirigidos &agrave; promo&ccedil;&atilde;o das referidas compet&ecirc;ncias, bem como para adapta&ccedil;&atilde;o a outros grupos profissionais de sa&uacute;de, educa&ccedil;&atilde;o, interven&ccedil;&atilde;o social e comunit&aacute;ria. Paralelamente, e numa segunda vertente, (2) o projecto pretende ainda contribuir para a melhor compreens&atilde;o das experi&ecirc;ncias e representa&ccedil;&otilde;es das minorias sobre sa&uacute;de mental, preocupa&ccedil;&otilde;es e obst&aacute;culos experienciados no acesso a servi&ccedil;os, e as suas necessidades espec&iacute;ficas. Nesse sentido, encontram-se a decorrer um conjunto de estudos qualitativos com base em entrevistas individuais e grupos focais com pessoas de grupos &eacute;tnicos minorit&aacute;rios em Portugal. Considera-se que esta linha de investiga&ccedil;&atilde;o qualitativa e centrada no cliente &eacute; essencial para a integra&ccedil;&atilde;o das necessidades psicol&oacute;gicas espec&iacute;ficas dos grupos minorit&aacute;rios e as compet&ecirc;ncias interculturais dos t&eacute;cnicos. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>DISCUSS&Atilde;O</p>      <p>Os servi&ccedil;os de apoio e interven&ccedil;&atilde;o devem reflectir uma compreens&atilde;o ecol&oacute;gica e as necessidades individuais e familiares das pessoas a que se destinam. Os servi&ccedil;os de sa&uacute;de mental n&atilde;o s&atilde;o excep&ccedil;&atilde;o. V&aacute;rios autores (e.g., Lynch &amp; Hanson, 2004) t&ecirc;m defendido que as interven&ccedil;&otilde;es multiculturais mais eficazes s&atilde;o aquelas que s&atilde;o desenvolvidas a partir das caracter&iacute;sticas positivas ou adaptativas das popula&ccedil;&otilde;es minorit&aacute;rias e que, muitas vezes, constituem as estrat&eacute;gias naturais de apoio da pr&oacute;pria comunidade. As sugest&otilde;es dos pr&oacute;prios participantes ser&atilde;o igualmente elementos &uacute;teis no desenvolvimento de servi&ccedil;os culturalmente competentes. </p>      <p>Construir uma base de informa&ccedil;&atilde;o participativa acerca de conceitos e estrat&eacute;gias de ac&ccedil;&atilde;o no acesso &agrave; sa&uacute;de mental assume-se como parte constituinte da investiga&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria para o desenho de uma forma&ccedil;&atilde;o em compet&ecirc;ncias interculturais. O envolvimento da perspectiva do paciente &#8211; no sentido da ideia de participa&ccedil;&atilde;o &#8211; at&eacute; mesmo de crian&ccedil;as e jovens, constitui uma valiosa (e insubstitu&iacute;vel) fonte de informa&ccedil;&atilde;o para o desenho de medidas com vista a melhorar o acesso e a qualidade dos cuidados de sa&uacute;de. </p>      <p>N&atilde;o se pretende a expans&atilde;o dos servi&ccedil;os de sa&uacute;de mental, mas um melhor ajustamento dos mesmos &agrave;s necessidades da popula&ccedil;&atilde;o. A participa&ccedil;&atilde;o de jovens e fam&iacute;lias imigrantes, bem como de profissionais que trabalham diariamente com estas, seja na &aacute;rea da educa&ccedil;&atilde;o seja na &aacute;rea da sa&uacute;de, deve ser perspectivada como uma mais-valia no desenvolvimento das pol&iacute;ticas de sa&uacute;de e, desta forma, melhorar a sa&uacute;de mental das gera&ccedil;&otilde;es futuras. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A necessidade e procura de servi&ccedil;os de apoio psicol&oacute;gico a indiv&iacute;duos de grupos &eacute;tnicos minorit&aacute;rios continuar&aacute; a crescer em todo o mundo, e Portugal n&atilde;o ser&aacute; excep&ccedil;&atilde;o. A responsabilidade &eacute;tica e cient&iacute;fica de desenvolver servi&ccedil;os e formar profissionais sens&iacute;veis &agrave; cultura &eacute; uma exig&ecirc;ncia de todos os profissionais de sa&uacute;de, n&atilde;o &eacute; um assunto reservado apenas &agrave;s pr&oacute;prias minorias. Defendemos, como outros autores (Hall, 2001), que a compet&ecirc;ncia intercultural em psicoterapia e promo&ccedil;&atilde;o de bem-estar psicol&oacute;gico &eacute; importante para todos os que vivem em sociedades multiculturais. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>REFER&Ecirc;NCIAS</p>      <p>American Psychological Association (2000/2002). <i>DSM-IV-TR Manual de diagn&oacute;stico e estat&iacute;stica das perturba&ccedil;&otilde;es mentais </i>(4&ordf; ed., texto revisto). Lisboa: Climepsi. </p>      <p>American Psychological Association (2003). Guidelines on multicultural education, training, research, practice and organizational change for psychologists. <i>American Psychologist, 58, </i>377-402. </p>      <p>Arnkoff, D. B., Glass, C. R., &amp; Shapiro, S. J. (2002). Expectations and preferences. In J. C. Norcross (Ed.), <i>Psychotherapy relationships that work: Therapist contributions and responsiveness to patients </i>(pp. 335-356). London: Oxford University Press. </p>      <p>Arredondo, P., Toporak, R., Brown, S. P., Jones, J., Locke, D. C., Sanchez, J., &amp; Stadler, H. (1996). Operationalization of the multicultural counseling competencies. <i>Journal of Multicultural Counseling and Development, 24, </i>42-78. </p>      <p>Bernal, G., &amp; Scharr&oacute;n-del-Rio, M. R. (2001). Are empirically supported treatments valid for ethnic minorities? Toward an alternative approach for treatment research. <i>Cultural Diversity and Ethnic Minority Psychology, 7</i>, 328-342. </p>      <p>Beutler, L. E., Malik, M., Alimohamed, S., Harwood, T. M., Talebi, H., Noble, S., &amp; Wong, E. (2004). Therapist variables. In M. Lambert (Ed.), <i>Bergin and Garfield&#8217;s handbook of psychotherapy and behavior change (pp. 227-306). </i>New York, NY: John Wiley Sons. </p>      <p>Burns, B. J., Costello, E. J., Angold, A., Tweed, D., Stangl, D., Farmer, E. M., &amp; Erkanli, A. (1995). Data Watch. Children&#8217;s mental health service use across service sectors. <i>Health Affairs, 14</i>(3), 147-159. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Casas, J. M., Vasquez, M. J. T., &amp; Ruiz de Esparza, C. A. (2002). Counseling the Latina/o: A guiding framework for a diverse population. In P. B. Pederson, J. G. Draguns, W. J. Lonner, &amp; J. E. Trimble (Eds.), <i>Counseling across cultures </i>(5th ed., pp. 133-160). Thousand Oaks, CA: Sage. </p>      <p>European Commission (2004). <i>The State of Mental Health in the European Union</i>. European Communities: European Commission, Health &amp; Consumer Protection. </p>      <p>Flick, U. (1998). Subjektive Vorstellungen von Gesundheit und Krankheit. &Uuml;berblick und Einleitung. In Uwe Flick (Hrsg.), <i>Wann f&uuml;hlen wir uns gesund? Subjektive Vorstellungen von Gesundheit und Krankheit. </i>M&uuml;nchen: Juventa Verlag. </p>      <p>Garfield, S. L. (1986). Research on client variables in psychotherapy. In S. L. Garfield &amp; A. E. Bergin (Eds.), <i>Handbook of psychotherapy and behavior change </i>(3rd ed., pp. 213-256). New York: Wiley. </p>      <p>Gervais, M., &amp; Jovchelovitch, S. (1998). <i>The health beliefs of the Chinese community in England: A qualitative research study</i>. London: Health Education Authority. </p>      <p>Gurung, R. A. R. (2006). <i>Health psychology: A cultural approach. </i>Belmont, CA: Thompson Wadsworth.</p>      <p>Hall, G. C. N. (2001). Psychotherapy research with ethnic minorities: Empirical, ethical and conceptual issues. <i>Journal of Consulting and Clinical Psychology, 69</i>(3), 502-510. </p>      <p>John, L. H., Offord, D. R., Boyle, M. H., &amp; Racine, Y. A. (1995). Factors predicting use of mental health and social services by children 6-16 years old: Findings from the Ontario Health Study. <i>American Journal of Orthopsychiatry, 65</i>, 76-86. </p>      <p>Jones, P. B., Bebbington, P., Foerster, A., Lewis, S. W., Murray, R. N., Russek, A., Sham, P. C., Toone, B. K., &amp; Wilkins, S. (1993). Premorbid social underachievement in schizophrenia: Results from the Camberwell collaborative psychosis study. <i>British Journal of Psychiatry, 162</i>, 65-71. </p>      <p>Koltko, M. E. (1990). How religious beliefs affect psychotherapy: The example of Mormonism. <i>Psychotherapy, 27</i>(1), 132-141. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Lago, C. O., &amp; Thompson, J. (2002). Counselling and race. In S. Palmer (Ed.), <i>Multicultural counselling</i>. London: Sage Publications. </p>      <p>Lynch, E. W., &amp; Hanson, M. J. (2004). <i>Developing cross-cultural competence: A guide for working with children and their families. </i>Baltimore: Brookes. </p>      <p>Moleiro, C., Silva, A., Rodrigues, R., &amp; Borges, V. (2009). Health and mental health needs and experiences of minority clients in Portugal. <i>International Journal of Migration, Health and Social Care, 5</i>(1), 15-24<i>. </i></p>      <p>Moodley, R. (1999). Psychotherapy with ethnic minorities: A critical review. <i>International Journal of Psychology and Psychotherapy, 17</i>(2), 109-125. </p>      <p>Neufeldt, S. A., Pinteris, E. J., Moleiro, C., Lee, T. E., Yang, P. H., Brodie, R. E., &amp; Orliss, M. J. (2006). How do graduate student therapists incorporate diversity factors in case conceptualization? <i>Psychotherapy: Theory, Research, Practice, Training (Special issue: Culture, Race, and Ethnicity in Psychotherapy), 43</i>(4), 464-479. </p>      <p>Ornelas, J. (2008). <i>Psicologia comunit&aacute;ria. </i>Lisboa: Fim do S&eacute;culo. </p>      <p>Palmer, S. (Ed.). (2002). <i>Multicultural counseling</i>: A reader. Thousand Oaks, CA: Sage. </p>      <p>Pedersen, P. B. (1991). Multiculturalism as a generic approach to psychotherapy. <i>Journal of Psychotherapy and Development, 70, </i>6-12.</p>      <p>Ponterotto, J. G., Casas, J. M., Suzuki, L. A., &amp; Alexander, C. M. (Eds.). (1995). <i>Handbook of multicultural counselling</i>. Thousand Oaks, CA: Sage Publications. </p>      <p>Rogler, L. H., &amp; Cort&eacute;s, D. E. (1993). Help seeking pathways: A unifying concept in mental health care. <i>American Journal of Psychiatry, 150</i>(4), 554-561. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Shatkin, J. P., &amp; Belfer, M. L. (2004). The global absence of child and adolescent mental health policy. <i>Child &amp; Adolescent Mental Health, 9</i>(3), 104-108. </p>      <p>Steinhausen, H.-C., &amp; Winkler-Metzke, C. (2002). Seelische Gesundheit und psychische Probleme im Jugendalter: Verbreitung und Bedingungs-faktoren. In: Institut f&uuml;r Sozial- und Pr&auml;ventiv-medizin der Universit&auml;t Z&uuml;rich (Hrsg.), <i>Die Gesundheit Jugendlicher im Kanton Z&uuml;rich </i>(pp. 51-60). Serie Gesundheit, Gesundheitsf&ouml;rderung und Gesundheitswesen im Kanton Z&uuml;rich, im Auftrag der Gesundheitsdirektion Z&uuml;rich. </p>      <!-- ref --><p>Stephenson, J. (2000). Children with mental problems not getting the care they need. <i>JAMA, 284</i>(16), 2043-2044. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000115&pid=S0870-8231201000030001000001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Sue, S. (1977). Community mental health service to minority groups: Some optimism, some pessimism. <i>American Psychologist, 32</i>, 616-624. </p>      <p>Sue, S. (1988). Psychotherapeutic services for ethnic minorities: Two decades of research findings. <i>American Psychologist, 43</i>(4), 301-308. </p>      <p>Sue, S. (1998). In search of cultural competence in psychotherapy and counseling. <i>American Psychologist, 53</i>(4), 440-448. </p>      <p>Sue, S. (2003). In defense of cultural competency in psychotherapy and treatment. <i>American Psychologist, 58</i>, 964-970. </p>      <p>Sue, D. W., &amp; Sue, D. (1999). <i>Counseling the culturally different: Theory and practice</i>. New York: Wiley. </p>      <p>Sue, D. W., Arredondo, P., &amp; McDavis, R. J. (1992). Multicultural counselling competencies: A call to the profession. <i>Journal of Multicultural Counselling and Development, 20</i>, 64-88. </p>      <p>Twenge, J. M. (2000). The age of anxiety? The birth cohort change in anxiety and neuroticism, 1952-1993. <i>Journal of Personality and Social Psychology, 79</i>(6), 1007-1021. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Wittchen, H.-U. (2000). Epidemiological research in mental disorders: Lessons for the next decade of research &#8211; The NAPE Lecture 1999. <i>Acta Psychiatrica Scandinavica, 101</i>(1), 2-10. </p>      <p>Wong, E. C., Beutler, L. E., Zane, N. W. (2007). Using mediators and moderators to test assumptions underlying culturally sensitive therapies: An exploratory example. <i>Cultural Diversity and Ethnic Minority Psychology, 13</i>(2), 169-177. </p>      <p>Zane, N., Hall, G. N., Sue, S., Young, K., &amp; Nunez, J. (2004). Research on psychotherapy with culturally diverse populations. In M. Lambert (Ed.), <i>Bergin and Garfield&#8217;s handbook of psychotherapy and behavior change </i>(5th ed., pp. 767-804). New York, NY: Wiley &amp; Sons.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p>NOTAS</p>      <p><sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></sup>Estudo onde a autora Marta Gon&ccedil;alves realizou o seu Doutoramento na Su&iacute;&ccedil;a, sedeado na Universidade de Zurique, mas abrangendo todas as regi&otilde;es lingu&iacute;sticas da Su&iacute;&ccedil;a, incluindo a popula&ccedil;&atilde;o imigrante. Estudo parte integrante do Programa de Investiga&ccedil;&atilde;o Nacional Su&iacute;&ccedil;o 52. <i>Equipa do estudo Sui&ccedil;o AMHC: </i>Prof. Dr. Christoph K&auml;ppler, Dr. M.P.H. Beat Mohler &#8224;, Post Doc Dr. Meichun Mohler-Kuo, Dr. Marta Gon&ccedil;alves, Dr. Daria Gianella, Stefanie H&ouml;fler, Aristide Peng, Sabine Zehnder, Barbara Anastasi, Susanne Inglin, Daniela Nussbaumer, Marcela Borges, Margarida Pacheco; <i>Partners: </i>Prof. Dr. Pierre-Andr&eacute; Michaud (Universidade de Lausanne), Dr. Patrick Haemmerle (Servi&ccedil;o de Psiquiatria Infantil e Juvenil de Fribourg); <i>Expert pannel: </i>Prof. Dr. Myron Belfer (Harvard Medical School), Prof. Dr. Mitchell Weiss (Instituto Tr&oacute;pico Sui&ccedil;o), Prof. Dr. Luis Augusto Rohde (Universidade do Rio Grande do Sul), Prof. Dr. Meinrad Perrez (Universidade de Fribourg), Prof. Dr. Peter Schulz (Universidade de Lugano). </p>      <p><sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></sup>Projecto financiado pela Funda&ccedil;&atilde;o    para a Ci&ecirc;ncia e Tecnologia (PTDC/PSI/71893/2006).</p>       ]]></body><back>
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<surname><![CDATA[Stephenson]]></surname>
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