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<journal-title><![CDATA[Análise Psicológica]]></journal-title>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Discurso das mães e participação das crianças na resolução de tarefas de seriação: Impacto do desenvolvimento cognitivo e da linguagem das crianças e escolaridade das mães]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="fr"><p><![CDATA[Cinquante dyades mère-enfant ont été filmées lors de deux tâches de résolution conjointe de problèmes. L&#8217;âge des enfants se situait entre 3 et 5 ans. Ces tâches ont été conçues pour permettre l&#8217;émergence d&#8217;un cadre didactique (la construction d&#8217;une série de pièces de différentes longueurs, avec et sans modèle). Le discours des mères a été analysé quant à son contenu, selon la conception de Wertsch des dispositifs sémiotiques que les adultes utilisent pour établir le fonctionnement interpsychologique (abréviation et perspective référentielle), et en tenant compte de la médiation métacognitive et cognitive. La participation des enfants a été évaluée compte tenu de leur part de responsabilité dans la résolution de la tâche et corrélée avec le discours d&#8217;étayage de la mère, en considérant les variables &#8220;niveau d&#8217;étude de la mère&#8221; et &#8220;développement cognitif et langagier de l&#8217;enfant&#8221;. Les résultats ont révélé que les mères ont adopté un script général d&#8217;interaction de tutelle, mais que dans la sériation avec modèle les défis métacognitifs sont plus fréquents, alors que dans la sériation sans modèle, la médiation cognitive est plus impliquée. Aucun rapport significatif n&#8217;a toutefois été constaté entre le discours des mères, qui comporte des défis de niveau supérieur aussi bien métacognitifs que cognitifs, et le niveau de participation des enfants aux tâches. Ces résultats sont analysés en tenant compte des variables considérées pour les enfants et les mères, selon une perspective socio-constructiviste du modèle de redescription représentationnelle proposé par Karmiloff-Smith (1992).]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The purpose of this research was to assess the relation between mothers&#8217; guidance speech and children&#8217;s participation in the problem-solving tasks. Fifty mother-child dyads were videotaped during two joint problem-solving tasks. The children were aged between 3 and 5. The tasks were designed to elicit a didactic setting (the construction of a series of pieces of different lengths, with and without a model). The mothers&#8217; speech was analysed according to its content, as per Wertsch&#8217;s (1985) view of the semiotic devices that adults use to establish inter-psychological functioning (abbreviation and referential perspective), and considering metacognitive and cognitive mediation. The children&#8217;s participation was assessed on the basis of the extent to which they were responsible for solving the problem and was related to the mothers&#8217; scaffolding speech, with consideration given to the variables mother&#8217;s formal schooling and the children&#8217;s cognitive and language development. The results reveal that the mothers adopted a general guidance speech script, but in the seriation with a model the metacognitive challenges were more frequent, while in the series without a model it was the cognitive mediation that was used relatively more often. However, there was no significant relationship between the discourse of the mothers who employed higher level metacognitive or cognitive challenges and the children&#8217;s participation in the tasks. These results are discussed in terms of the child and mother variables on the basis of the socio-constructivist perspective taken by Karmiloff Smith&#8217;s Representational Redescription Model (1992).]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Modelo de (re)descrição representacional]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Resolução conjunta de problemas mãe-criança]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Scaffolding]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Zona de desenvolvimento potencial]]></kwd>
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<kwd lng="en"><![CDATA[Mother-child joint problem-solving]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Representational redescription model]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>Discurso das m&atilde;es e participa&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as na resolu&ccedil;&atilde;o de tarefas de seria&ccedil;&atilde;o: Impacto do desenvolvimento cognitivo e da linguagem das crian&ccedil;as e escolaridade das m&atilde;es </b></p>      <p>&nbsp;</p>      <p>Zilda Fidalgo (*) </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>(*)&nbsp;&nbsp; ISPA-IU, Rua Jardim do    Tabaco, 34, 1149-041 Lisboa; E-mail: <a href="mailto:zfidalgo@ispa.pt">zfidalgo@ispa.pt</a></p>      <p>&nbsp;</p>      <p>RESUMO</p>      <p>Neste estudo foram observadas 50 d&iacute;ades m&atilde;e-crian&ccedil;a durante a realiza&ccedil;&atilde;o conjunta de duas tarefas de resolu&ccedil;&atilde;o de problemas. As idades das crian&ccedil;as situavam-se entre os 3 e os 5 anos. As d&iacute;ades m&atilde;e-crian&ccedil;a foram observadas durante a realiza&ccedil;&atilde;o conjunta de duas tarefas de resolu&ccedil;&atilde;o de problemas. As idades das crian&ccedil;as situavam-se entre os 3 e os 5 anos. As tarefas pretendiam evocar nas m&atilde;es situa&ccedil;&otilde;es did&aacute;ticas (constru&ccedil;&atilde;o de uma s&eacute;rie de comprimento de dez r&eacute;guas, com e sem modelo). O conte&uacute;do do discurso das m&atilde;es foi analisado, de acordo com as propostas de Wertsch (1985), considerando os mecanismos semi&oacute;ticos que estabelecem o funcionamento inter-psicol&oacute;gico (a abrevia&ccedil;&atilde;o e a perspectiva referencial), que permitem a media&ccedil;&atilde;o metacognitiva e cognitiva. </p>      <p>A participa&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as foi avaliada a partir da sua responsabilidade pela resolu&ccedil;&atilde;o da tarefa e relacionada com o discurso de scaffolding (apoio) das m&atilde;es, considerando as vari&aacute;veis escolaridade formal das m&atilde;es e desenvolvimento cognitivo e da linguagem dos filhos. </p>      <p>Os resultados revelam que as m&atilde;es adoptaram um script geral de uma interac&ccedil;&atilde;o de tutela, mas na seria&ccedil;&atilde;o com modelo os desafios metacognitivos foram mais frequentes e na s&eacute;rie sem modelo &eacute; a media&ccedil;&atilde;o cognitiva que &eacute; proporcionalmente mais elevada. Contudo, n&atilde;o se verifica qualquer rela&ccedil;&atilde;o significativa entre o discurso das m&atilde;es que incluem desafios de n&iacute;vel superior, quer metacognitivos quer cognitivos, e o n&iacute;vel de participa&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as nas tarefas. Estes resultados s&atilde;o discutidos em termos das vari&aacute;veis das crian&ccedil;as e das m&atilde;es, numa perspectiva s&oacute;cio-construtivista do Representional Redescription Model de Karmiloff Smith (1992). </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Palavras chave: </i>Modelo de (re)descri&ccedil;&atilde;o representacional, Resolu&ccedil;&atilde;o conjunta de problemas m&atilde;e-crian&ccedil;a, Scaffolding, Zona de desenvolvimento potencial. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>RESUME</p>      <p>Cinquante dyades m&egrave;re-enfant ont &eacute;t&eacute; film&eacute;es lors de deux t&acirc;ches de r&eacute;solution conjointe de probl&egrave;mes. L&#8217;&acirc;ge des enfants se situait entre 3 et 5 ans. Ces t&acirc;ches ont &eacute;t&eacute; con&ccedil;ues pour permettre l&#8217;&eacute;mergence d&#8217;un cadre didactique (la construction d&#8217;une s&eacute;rie de pi&egrave;ces de diff&eacute;rentes longueurs, avec et sans mod&egrave;le). Le discours des m&egrave;res a &eacute;t&eacute; analys&eacute; quant &agrave; son contenu, selon la conception de Wertsch des dispositifs s&eacute;miotiques que les adultes utilisent pour &eacute;tablir le fonctionnement interpsychologique (abr&eacute;viation et perspective r&eacute;f&eacute;rentielle), et en tenant compte de la m&eacute;diation m&eacute;tacognitive et cognitive. </p>      <p>La participation des enfants a &eacute;t&eacute; &eacute;valu&eacute;e compte tenu de leur part de responsabilit&eacute; dans la r&eacute;solution de la t&acirc;che et corr&eacute;l&eacute;e avec le discours d&#8217;&eacute;tayage de la m&egrave;re, en consid&eacute;rant les variables &#8220;niveau d&#8217;&eacute;tude de la m&egrave;re&#8221; et &#8220;d&eacute;veloppement cognitif et langagier de l&#8217;enfant&#8221;. </p>      <p>Les r&eacute;sultats ont r&eacute;v&eacute;l&eacute; que les m&egrave;res ont adopt&eacute; un script g&eacute;n&eacute;ral d&#8217;interaction de tutelle, mais que dans la s&eacute;riation avec mod&egrave;le les d&eacute;fis m&eacute;tacognitifs sont plus fr&eacute;quents, alors que dans la s&eacute;riation sans mod&egrave;le, la m&eacute;diation cognitive est plus impliqu&eacute;e. Aucun rapport significatif n&#8217;a toutefois &eacute;t&eacute; constat&eacute; entre le discours des m&egrave;res, qui comporte des d&eacute;fis de niveau sup&eacute;rieur aussi bien m&eacute;tacognitifs que cognitifs, et le niveau de participation des enfants aux t&acirc;ches. Ces r&eacute;sultats sont analys&eacute;s en tenant compte des variables consid&eacute;r&eacute;es pour les enfants et les m&egrave;res, selon une perspective socio-constructiviste du mod&egrave;le de redescription repr&eacute;sentationnelle propos&eacute; par Karmiloff-Smith (1992). </p>      <p><i>Mots cl&eacute;: </i>Mod&egrave;le de redescription representationel, Resolution conjointe de probl&egrave;mes m&egrave;re-enfant, Scaffolding, Zone proximale de developement. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>ABSTRACT</p>      <p>The purpose of this research was to assess the relation between mothers&#8217; guidance speech and children&#8217;s participation in the problem-solving tasks. Fifty mother-child dyads were videotaped during two joint problem-solving tasks. The children were aged between 3 and 5. The tasks were designed to elicit a didactic setting (the construction of a series of pieces of different lengths, with and without a model). The mothers&#8217; speech was analysed according to its content, as per Wertsch&#8217;s (1985) view of the semiotic devices that adults use to establish inter-psychological functioning (abbreviation and referential perspective), and considering metacognitive and cognitive mediation. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>The children&#8217;s participation was assessed on the basis of the extent to which they were responsible for solving the problem and was related to the mothers&#8217; scaffolding speech, with consideration given to the variables mother&#8217;s formal schooling and the children&#8217;s cognitive and language development. The results reveal that the mothers adopted a general guidance speech script, but in the seriation with a model the metacognitive challenges were more frequent, while in the series without a model it was the cognitive mediation that was used relatively more often. However, there was no significant relationship between the discourse of the mothers who employed higher level metacognitive or cognitive challenges and the children&#8217;s participation in the tasks. These results are discussed in terms of the child and mother variables on the basis of the socio-constructivist perspective taken by Karmiloff Smith&#8217;s Representational Redescription Model (1992).</p>      <p><i>Key words: </i>Mother-child joint problem-solving, Representational redescription model, Scaffolding, Zone of proximal development. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</p>      <p>Nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, os psic&oacute;logos do desenvolvimento t&ecirc;m vindo a agrupar-se em duas grandes correntes. Os neo-nativistas que defendem que a evolu&ccedil;&atilde;o dotou a esp&eacute;cie humana de aptid&otilde;es espec&iacute;ficas para o conhecimento em &aacute;reas espec&iacute;ficas, incluindo a matem&aacute;tica, a linguagem, a biologia e a psicologia (Fodor, 1992; Leslie, 2000). Noutra corrente situam-se aqueles que se centram nos aspectos culturais do desenvolvimento, em que o contexto cultural &eacute; considerado como a &uacute;nica condi&ccedil;&atilde;o que permite o desenvolvimento das estruturas cognitivas do ser humano. </p>      <p>Por&eacute;m, no quadro te&oacute;rico que adopt&aacute;mos n&atilde;o encaramos o desenvolvimento como uma dicotomia entre individual e social, mas antes como a diferencia&ccedil;&atilde;o Vygotskiana entre duas linhas de desenvolvimento, a individual (natural) e a cultural. Tal como &eacute; definida por Vygotsky (1934/1985), a linha individual de desenvolvimento diz respeito &agrave;quilo que o organismo consegue fazer sem a interfer&ecirc;ncia directa do outro, enquanto a linha cultural de desenvolvimento consiste naquilo que o organismo conhece mas que tem origem nas ac&ccedil;&otilde;es em que tenta ver as coisas pela perspectiva do outro (Tomasello 1999, 2000), incluindo o uso de objectos, que se tornam s&iacute;mbolos. </p>      <p>Mas &agrave; medida que o desenvolvimento vai decorrendo estas duas linhas ficam interligadas de tal forma, que &eacute; dif&iacute;cil distinguir o que provem de uma ou de outra. Por exemplo, a primeira vez que um beb&eacute; de 6 meses tiver contacto com uma colher us&aacute;-la-&aacute; para bater ou qualquer outra actividade, que Piaget (1967) designa como reac&ccedil;&atilde;o circular secund&aacute;ria, adquirindo um conhecimento individual sobre as suas propriedades, construindo classifica&ccedil;&otilde;es pr&aacute;ticas. Usar a colher para comer, isto &eacute;, na perspectiva do outro, s&oacute; &eacute; poss&iacute;vel na rela&ccedil;&atilde;o com outros mais competentes do seu grupo cultural, atrav&eacute;s da comunica&ccedil;&atilde;o, em que a imita&ccedil;&atilde;o tem um papel relevante. </p>      <p>O desenvolvimento da linguagem na crian&ccedil;a estaria igualmente relacionado com o tipo de apoio (<i>scaffolding</i>) verbal e n&atilde;o verbal proporcionado pelas m&atilde;es durante os jogos nos dois primeiros anos de vida (Bruner, 1983; Snow, 1972; Rome-Flanders, Cronk, &amp; Gourde, 1995), nomeadamente quanto &agrave; capacidade da crian&ccedil;a em inferir as regras da comunica&ccedil;&atilde;o. O momento de transi&ccedil;&atilde;o para a adapta&ccedil;&atilde;o cultural humana dar-se-ia cerca dos 9/12 meses (Tomasello, 2000), quando a crian&ccedil;a come&ccedil;a a envolver-se em jogos que implicam tamb&eacute;m um adulto e um objecto ou acontecimento externo, ao qual est&atilde;o os dois intencionalmente atentos (aten&ccedil;&atilde;o conjunta), estabelecendo n&iacute;veis de &#8220;intersubjectividade&#8221; ou compreens&atilde;o partilhada sobre a actividade (Rommetveit, 1971/1974). Mas nem todos os estudos demonstram a exist&ecirc;ncia de uma rela&ccedil;&atilde;o significativa entre apoio materno e o n&iacute;vel de aquisi&ccedil;&atilde;o da linguagem nas crian&ccedil;as (Rome-Flanders et al., 1995), fazendo-nos crer que essa rela&ccedil;&atilde;o &eacute; apenas significativa entre os 12 e os 15 meses. Mais tarde os benef&iacute;cios do apoio materno estendem-se a diferentes aspectos do desenvolvimento, que n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel desligar da linguagem. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p><i>Conceito de media&ccedil;&atilde;o cognitiva e metacognitiva </i></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O conceito de media&ccedil;&atilde;o &eacute; usado por Vygotsky (1934/1985) para explicar que todos os processos especificamente humanos seriam realizados atrav&eacute;s de instrumentos psicol&oacute;gicos, como a linguagem, os sinais e os s&iacute;mbolos, usados pelo adulto para atingir a aten&ccedil;&atilde;o conjunta (simult&acirc;nea), apropriados pela crian&ccedil;a durante a actividade conjunta, posteriormente internalizados e usados autonomamente. </p>      <p>Karpov e Haywood (1998) distinguem em Vygotsky, dois tipos de media&ccedil;&atilde;o: a media&ccedil;&atilde;o cognitiva e a media&ccedil;&atilde;o metacognitiva. A media&ccedil;&atilde;o metacognitva inclui a facilita&ccedil;&atilde;o de determinados processos de auto-regula&ccedil;&atilde;o, utilizando instrumentos semi&oacute;ticos, nomeadamente a linguagem, que permitem o auto-planeamento, auto-controlo e auto-avalia&ccedil;&atilde;o das ac&ccedil;&otilde;es em fun&ccedil;&atilde;o do objectivo. A media&ccedil;&atilde;o metacognitiva dos processos psicol&oacute;gicos tem origem na comunica&ccedil;&atilde;o interpessoal. O uso do discurso egoc&ecirc;ntrico, ou privado, segundo Vygotsky (1934/1985), teria essa fun&ccedil;&atilde;o a n&iacute;vel individual, traduzindo a internaliza&ccedil;&atilde;o da fun&ccedil;&atilde;o reguladora da linguagem, no in&iacute;cio exercida pelo outro (Bruner, 1983; Cole, 1985; Rogoff, 1990; Wertsch, 1985; Wood &amp; Middleton, 1975; Wood, Bruner, &amp; Ross, 1976). </p>      <p>O segundo tipo de media&ccedil;&atilde;o, a media&ccedil;&atilde;o cognitiva, referir-se-ia &agrave; aquisi&ccedil;&atilde;o de instrumentos espec&iacute;ficos necess&aacute;rios &agrave; resolu&ccedil;&atilde;o de problemas num determinado dom&iacute;nio e est&aacute; mais relacionada com o conhecimento declarativo, verbalista, em que se incluem os conceitos definidos (Vygotsky 1934/1985). </p>      <p>Se o desenvolvimento de um conceito se inicia quando a crian&ccedil;a aprende o termo ou significado da palavra que designa esse mesmo conceito (Vygotsky, 1934/1997), a aquisi&ccedil;&atilde;o de instrumentos psicol&oacute;gicos, incluindo os conceitos constru&iacute;dos ao longo da hist&oacute;ria do homem, implica n&atilde;o s&oacute; a aquisi&ccedil;&atilde;o de algum conhecimento verbal, mas tamb&eacute;m de procedimentos e estrat&eacute;gias relacionados com esses conceitos, isto &eacute;, de media&ccedil;&atilde;o cognitiva e metacognitiva. </p>      <p>Bronckart (1992, 1995) considera, por seu lado, que a fun&ccedil;&atilde;o ilocut&oacute;ria do discurso &eacute; a primeira significa&ccedil;&atilde;o que podemos atribuir &agrave; no&ccedil;&atilde;o de media&ccedil;&atilde;o semi&oacute;tica no sentido em que falar &eacute; agir no mundo externo e sobre o outro, para obter resultados determinados, ou seja, a media&ccedil;&atilde;o metacognitva exerce-se atrav&eacute;s de actos de linguagem. A media&ccedil;&atilde;o cognitiva teria que ver com o conte&uacute;do proposicional, ou t&oacute;picos dos enunciados, que podem diferir, para um mesmo dom&iacute;nio de resolu&ccedil;&atilde;o de problemas, em fun&ccedil;&atilde;o do conhecimento dos conceitos e significado das tarefas. Esta seria a segunda significa&ccedil;&atilde;o da no&ccedil;&atilde;o de fun&ccedil;&atilde;o semi&oacute;tica, de acordo com o mesmo autor. </p>      <p>As express&otilde;es referenciais (Wertsch, 1985) utilizadas pelas m&atilde;es para fazer convergir a aten&ccedil;&atilde;o conjunta sobre um determinado objecto, constituem um indicador das caracter&iacute;sticas dos objectos consideradas cognitivamente pertinentes para a resolu&ccedil;&atilde;o da tarefa, impondo uma perspectiva e uma atitude sobre como as coisas devem ser vistas, constituindo oportunidades para a introdu&ccedil;&atilde;o de conceitos. Mas a crian&ccedil;a s&oacute; consegue compreender completamente a tarefa quando &eacute; capaz de ver o objecto pela perspectiva do adulto, sendo essa partilha de significados igualmente conseguida atrav&eacute;s da linguagem (Callaghan &amp; Rankin, 2002; Tomasello 1999; Wertsch, 1985). </p>      <p>&nbsp;</p>      <p><i>Resolu&ccedil;&atilde;o conjunta de problemas entre pais e crian&ccedil;as e &aacute;rea de desenvolvimento potencial (ou proximal) </i></p>      <p>Nos anos que precedem a entrada para o ensino pr&eacute;-escolar, e poucos meses ap&oacute;s o nascimento, a resolu&ccedil;&atilde;o conjunta de problemas, no contexto de situa&ccedil;&otilde;es experimentais, ou quase experimentais, tem sido cada vez mais utilizada com o objectivo de identificar a natureza dos processos instrucionais dos pais, em particular da m&atilde;e, e, por outro lado, para explorar a rela&ccedil;&atilde;o entre esses comportamentos e a participa&ccedil;&atilde;o e/ou desempenho das crian&ccedil;as, na aquisi&ccedil;&atilde;o de novas estrat&eacute;gias e significados. </p>      <p>Entende-se por resolu&ccedil;&atilde;o de problemas a necessidade de atingir um objectivo (<i>goal</i>). Uma defini&ccedil;&atilde;o restrita de objectivo pode ser um estado mental que representa uma situa&ccedil;&atilde;o desejada no estado do mundo. Para compreender e representar a estrutura de &#8220;um comportamento dirigido a um objectivo&#8221; &eacute; necess&aacute;rio que a crian&ccedil;a seja capaz de compreender as rela&ccedil;&otilde;es causais entre pares de ac&ccedil;&otilde;es, ligar m&uacute;ltiplas ac&ccedil;&otilde;es numa estrutura coerente e organizada, e finalmente atribuir um estatuto particular a um elemento espec&iacute;fico, que ser&aacute; usado como foco da representa&ccedil;&atilde;o (Travis, 1997). Para isso &eacute; necess&aacute;rio ultrapassar v&aacute;rios obst&aacute;culos, o que pode ser dificultado pelas estrat&eacute;gias adoptadas e/ou falta de conhecimento, que impedem igualmente a avalia&ccedil;&atilde;o do resultado do processo de resolu&ccedil;&atilde;o (DeLoache, Miller, &amp; Pierroutsakos, 1998). Assim, a resolu&ccedil;&atilde;o de problemas inclui uma actividade, uma tarefa concreta, e uma actividade cognitiva espec&iacute;fica. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A apropria&ccedil;&atilde;o de novas estrat&eacute;gias e significados, dar-se-ia na zona de desenvolvimento proximal, constructo definido como a diferen&ccedil;a entre o que a crian&ccedil;a &eacute; capaz de fazer sozinha e o que faz sob a orienta&ccedil;&atilde;o ou ajuda de um adulto (Vygotsky, 1934/1985). Esta &aacute;rea de desenvolvimento proximal seria constru&iacute;da na din&acirc;mica da pr&oacute;pria interac&ccedil;&atilde;o, orientada para um objectivo determinado, normalmente estabelecido pelo adulto, e negociado com a crian&ccedil;a no processo interactivo. A <i>performance </i>independente da crian&ccedil;a dependeria largamente do tipo de orienta&ccedil;&atilde;o oferecida pelo adulto. </p>      <p>V&aacute;rios estudos p&otilde;em em evid&ecirc;ncia que os objectivos e estrat&eacute;gias de <i>scaffolding</i>desencadeados pelos adultos, qualquer que seja a idade das crian&ccedil;as, consistem essencialmente em aumentar o seu conhecimento, facilitar a execu&ccedil;&atilde;o de uma tarefa dif&iacute;cil e manter a aten&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a, em fun&ccedil;&atilde;o da percep&ccedil;&atilde;o que t&ecirc;m das suas compet&ecirc;ncias (Wood &amp; Midddleton, 1975; Wood, Bruner, &amp; Ross, 1976). Contudo o tipo e quantidade de <i>scaffolding</i><i> </i>podem variar em fun&ccedil;&atilde;o da actividade em causa e da cultura (Martin &amp; Reutzel, 1996). Os resultados da ajuda dada pelas m&atilde;es tamb&eacute;m n&atilde;o t&ecirc;m sempre o mesmo efeito, dependendo tamb&eacute;m das compet&ecirc;ncias das crian&ccedil;as em determinados dom&iacute;nios, e o seu efeito pode n&atilde;o ser imediato. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p><i>Scaffolding</i><i> e conhecimento impl&iacute;cito </i></p>      <p>Karmiloff-Smith (1992) prop&otilde;e um modelo de desenvolvimento, que contribuiria para explicar os efeitos n&atilde;o imediatos da ajuda do adulto ou de outros mais competentes, o <i>Representational</i><i> Redescription Model (RR)</i>, ou Modelo Redescritivo Representacional, em que o processo de passagem do conhecimento impl&iacute;cito para conhecimento verbalmente expl&iacute;cito, na sua forma declarativa, consiste num processo de auto-organiza&ccedil;&atilde;o end&oacute;geno que envolve uma tend&ecirc;ncia interna (<i>internal</i><i> drive</i>) para uma melhor compreens&atilde;o e controle. </p>      <p>O modelo RR pretende explicar como as representa&ccedil;&otilde;es das crian&ccedil;as se tornam progressivamente mais flex&iacute;veis. Este modelo envolve um processo c&iacute;clico em que a informa&ccedil;&atilde;o existente com uma finalidade <i>(purpose</i>) espec&iacute;fica, se torna progressivamente dispon&iacute;vel, &#8220;atrav&eacute;s de processos redescritivos&#8221; (Karmiloff-Smith, 1992, p. 25), para outros dom&iacute;nios do sistema cognitivo. Karmiloff-Smith distingue o conceito de dom&iacute;nio do conceito de modularidade (Fodor, 1992), considerando como dom&iacute;nios a linguagem, a f&iacute;sica, a matem&aacute;tica e ainda micro dom&iacute;nios, enquanto subconjuntos dos grandes dom&iacute;nios do conhecimento. O RR considera tr&ecirc;s fases em que o conhecimento pode ser re-representado, ou recodificado: o conhecimento Impl&iacute;cito (1) e o conhecimento Expl&iacute;cito (2) e (3). A fase de conhecimento expl&iacute;cito 3 envolve o relato verbal dos processos cognitivos e entra, portanto, no dom&iacute;nio da metacogni&ccedil;&atilde;o. Na fase 2 as crian&ccedil;as t&ecirc;m acesso consciente &agrave;s representa&ccedil;&otilde;es, mas ainda n&atilde;o fazem o relato verbal. A passagem de uma fase para outra implica uma recodifica&ccedil;&atilde;o da informa&ccedil;&atilde;o, que &eacute; essencialmente um processo end&oacute;geno. </p>      <p>No conhecimento impl&iacute;cito as representa&ccedil;&otilde;es t&ecirc;m a forma de procedimentos para analisar e responder a est&iacute;mulos externos, s&atilde;o informa&ccedil;&atilde;o codificada sob a forma procedimental, s&atilde;o &#8220;aglutinadas&#8221; e por isso n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel estabelecer liga&ccedil;&otilde;es dentro do mesmo dom&iacute;nio ou entre dom&iacute;nios do conhecimento. Este conhecimento &eacute; dif&iacute;cil de transferir para tarefas semelhantes, e &eacute; pouco ou nada afectado pela informa&ccedil;&atilde;o externa. Pine e Messer (1998) afirmam que, de facto, quando as crian&ccedil;as est&atilde;o ainda ao n&iacute;vel do conhecimento impl&iacute;cito, t&ecirc;m dificuldade em usar a informa&ccedil;&atilde;o e a ajuda externa. </p>      <p>Trata-se de um processo por fases (e n&atilde;o por est&aacute;dios) que ocorrem num ciclo repetitivo (Karmiloff-Smith, 1992) em diferentes dom&iacute;nios, sendo poss&iacute;vel passar directamente da fase 1 para a fase 3. Por outro lado, os comportamentos da fase 1 e 3 podem ser semelhantes, sendo necess&aacute;rio distinguir a mudan&ccedil;a comportamental da mudan&ccedil;a representacional. </p>      <p>Aparentemente este modelo opor-se-ia &agrave; perspectiva s&oacute;cio-constructivista, derivada das teses de Vygotsky, e explicaria, pelo menos em parte, os resultados obtidos por Kontos (1983). Com efeito, Kontos (1983) e Kontos e Nicholas (1986), sugerem igualmente que a auto-directividade e as tentativas solit&aacute;rias e repetidas para resolver um problema, teriam, pelo menos, tanta import&acirc;ncia como o apoio em coopera&ccedil;&atilde;o. </p>      <p>Na perspectiva s&oacute;cio-construtivista Rogoff e Gardner (1984), Freund (1990), Gauvain (1995), Elllis e Gauvain (1992), Delgado-Gaitan (1993), por exemplo, p&otilde;em em evid&ecirc;ncia o papel do adulto na efic&aacute;cia do ensino em coopera&ccedil;&atilde;o na posterior realiza&ccedil;&atilde;o aut&oacute;noma. Estes resultados s&atilde;o tamb&eacute;m confirmados por Doise e Mugny (1997), que mostram que a interac&ccedil;&atilde;o entre pares, tal como o <i>scaffolding</i> do adulto, facilitam o desenvolvimento. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Tamb&eacute;m Murphy e Messer (2000), seguindo o modelo RR, mostraram que a maioria (76%) das crian&ccedil;as envolvidas numa situa&ccedil;&atilde;o de <i>scaffolding</i> com adultos obtiveram ganhos numa tarefa que n&atilde;o lhes era familiar, de equil&iacute;brio/ /flexibilidade de pequenas varas de madeira, em particular as crian&ccedil;as que se encontravam no n&iacute;vel de conhecimento impl&iacute;cito, em compara&ccedil;&atilde;o com as que trabalharam sozinhas ou com pares. O que &eacute; igualmente consistente com a abordagem s&oacute;cio-construtivista.  No entanto, no mesmo estudo, 100% das crian&ccedil;as que trabalharam sozinhas e se encontravam no n&iacute;vel 2 de Abstrac&ccedil;&atilde;o progrediram. Estes resultados implicam que haver&aacute; momentos e dom&iacute;nios do desenvolvimento em que trabalhar sozinho ser&aacute; tanto, ou mesmo mais eficaz do que com a ajuda de um tutor. </p>      <p>Tolmie, Thomson, Foot, Whelan, Morrison e McLaren (2005) confirmam estes resultados. Constatando que a aprendizagem de cor das regras de tr&acirc;nsito n&atilde;o contribu&iacute;a para alterar os comportamentos das crian&ccedil;as (5 a 8 anos), verificaram que sob a orienta&ccedil;&atilde;o do adulto, melhoraram bastante o seu comportamento, e que este progresso ainda foi superior quando a interac&ccedil;&atilde;o com o adulto foi complementada com a discuss&atilde;o entre pares. Al&eacute;m disso, constataram que esta melhoria era mediada pelo n&iacute;vel de representa&ccedil;&atilde;o (verbalmente expl&iacute;cito ou metacognivo), demonstrado pelas justifica&ccedil;&otilde;es das crian&ccedil;as para as tomadas de decis&atilde;o. Este facto &eacute; atribu&iacute;do ao tipo de <i>scaffolding</i> dado pelo adulto: os adultos, &agrave; medida que as crian&ccedil;as iam dando mais respostas correctas, aumentavam o n&uacute;mero de explica&ccedil;&otilde;es, aumentando assim o <i>input </i>conceptual. A discuss&atilde;o entre pares teria a fun&ccedil;&atilde;o de desenvolver as representa&ccedil;&otilde;es expl&iacute;citas adquiridas na interac&ccedil;&atilde;o com o adulto, isto &eacute;, o efeito tutor. </p>      <p>Como j&aacute; foi afirmado, os efeitos da media&ccedil;&atilde;o do adulto podem n&atilde;o ser imediatos (Connor &amp; Cross, 2003). Tenebaum, Snow, Roach e Kurland (2005) verificaram apenas uma rela&ccedil;&atilde;o entre as conversas das m&atilde;es com os filhos acerca de ci&ecirc;ncia e a compreens&atilde;o de textos sobre ci&ecirc;ncia quando as crian&ccedil;as tinham 9, n&atilde;o se verificando esta rela&ccedil;&atilde;o com crian&ccedil;as de 5 anos. Estes resultados parecem confirmar que as crian&ccedil;as precisam, de facto, de avan&ccedil;ar cognitivamente num dom&iacute;nio de conhecimento espec&iacute;fico, para poderem beneficiar do <i>input </i>conceptual. </p>      <p>Na mesma linha de investiga&ccedil;&atilde;o, Philips e Tolmie (2007) verificaram tamb&eacute;m o impacto do <i>scaffolding</i> parental, em fun&ccedil;&atilde;o do n&iacute;vel de explicita&ccedil;&atilde;o (completamente, parcialmente ou minimamente expl&iacute;cito e impl&iacute;cito) do uso estrat&eacute;gias e explica&ccedil;&atilde;o dos princ&iacute;pios, na <i>performance </i>e compreens&atilde;o do equil&iacute;brio da balan&ccedil;a, em crian&ccedil;as de 6 a 8 anos. Neste estudo, n&atilde;o &eacute; s&oacute; a linguagem enquanto reguladora da ac&ccedil;&atilde;o, mas tamb&eacute;m o seu conte&uacute;do proposicional/referencial que est&aacute; em causa, considerando que as explica&ccedil;&otilde;es e <i>input </i>conceptual podem, pelo menos, acelerar e facilitar a aprendizagem e o desenvolvimento. Conclui-se que um apoio eficaz para que as crian&ccedil;as atinjam o n&iacute;vel superior da Redescri&ccedil;&atilde;o Representacional (RR) exige a combina&ccedil;&atilde;o de operacionaliza&ccedil;&otilde;es expl&iacute;citas e explica&ccedil;&otilde;es de n&iacute;vel conceptual superior. Por outro lado, a media&ccedil;&atilde;o lingu&iacute;stica tem efeitos diferentes em fun&ccedil;&atilde;o do n&iacute;vel de <i>performance </i>anterior da crian&ccedil;a na tarefa (Conner &amp; Cross, 2003). </p>      <p>Se a interpreta&ccedil;&atilde;o dos diferentes estudos tem sido objecto de controv&eacute;rsia, a partir dos resultados obtidos podemos afirmar que tamb&eacute;m o modelo de Redescri&ccedil;&atilde;o Representacional &eacute; mediado pela linguagem, implicando igualmente a capacidade de ter em conta a perspectiva do outro no seu pr&oacute;prio comportamento, capacidade esta que &eacute; desenvolvida no di&aacute;logo entre a crian&ccedil;a e o adulto e que &eacute; provavelmente implicitamente continuado internamente nas tentativas e treinos solit&aacute;rios da crian&ccedil;a. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p><i>Scaffolding e diferen&ccedil;as individuais </i></p>      <p>A import&acirc;ncia dos contextos de educa&ccedil;&atilde;o informal, como o contexto familiar, tem sido cada vez mais posta em evid&ecirc;ncia enquanto promotora do desenvolvimento cognitivo e metacognitivo da crian&ccedil;a, preparando-a simultaneamente para a colabora&ccedil;&atilde;o e auto-regula&ccedil;&atilde;o na educa&ccedil;&atilde;o formal. Mas os pais diferem na quantidade e tipo de <i>scaffolding</i>  que d&atilde;o aos seus filhos (Grusec &amp; Goodnow, 1994; Rogoff, 1990). O apoio que permite a passagem para n&iacute;veis superiores de autonomia, atrav&eacute;s da transfer&ecirc;ncia da regula&ccedil;&atilde;o pelo outro para a auto-regula&ccedil;&atilde;o, seria o resultado de diferentes vari&aacute;veis da fam&iacute;lia, reflectindo as caracter&iacute;sticas pessoais dos seus membros, objectivos e valores, partindo do princ&iacute;pio de que todas as m&atilde;es/pais ajustam constantemente o seu pr&oacute;prio comportamento &agrave;s compet&ecirc;ncias dos filhos e &agrave; interpreta&ccedil;&atilde;o que fazem das suas respostas, e das suas pr&oacute;prias atitudes em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; tarefa (Fidalgo &amp; Pereira, 2005; Freund, 1990; Gauvain, 1995; Gauvain, de la Ossa, &amp; Hurtado-Ortiz, 2001; Ossa &amp; Gauvain, 2001; Rogoff, 1990; St-Laurent &amp; Moss, 2002; Wertsch, 1985; Wertsch &amp; Sammarco, 1985). </p>      <p>Por seu lado, Tolmie et al. (2005), consideram que o tipo de <i>scaffolding</i> exercido pelos pais depende mais das expectativas que t&ecirc;m em rela&ccedil;&atilde;o aos filhos e, por isso, &eacute; consistente ao longo do tempo, e pouco contingente em rela&ccedil;&atilde;o ao comportamento da crian&ccedil;a durante a tarefa, contrariamente ao afirmado por Wood (1990), Heckhausen (1987), Connor e Cross (2003), entre outros. Com efeito, o <i>scaffolding</i> e as quest&otilde;es metacognitivas postas pelas m&atilde;es s&atilde;o o resultado de um conjunto complexo de interac&ccedil;&otilde;es de ordem social e individual, incluindo os estados emocionais (Thompson &amp; Williams, 2006). </p>      <p>Outra quest&atilde;o em aberto, consiste ainda em perceber se o conceito de <i>scaffolding</i> se aplica apenas quando as crian&ccedil;as j&aacute; t&ecirc;m algum conhecimento no dom&iacute;nio da tarefa. O pr&oacute;prio Wood (1990) defende que o conceito de &aacute;rea de desenvolvimento <i>proximal</i> &eacute; o mais adequado para explicar a media&ccedil;&atilde;o do adulto (ou de outro que saiba mais), quando o conhecimento e a compet&ecirc;ncia da crian&ccedil;a est&atilde;o mais afastados das exig&ecirc;ncias actuais, tendo este apoio que assumir formas diferentes das inicialmente identificadas como as mais eficazes no <i>scaffolding</i> (Wood, Bruner, &amp; Ross, 1976). </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O estudo de Mulvaney, McCartney, Bub e Marshall (2006), mostra tamb&eacute;m que as caracter&iacute;sticas individuais da crian&ccedil;a e das m&atilde;es interferem no tipo de interac&ccedil;&atilde;o. Dentre as vari&aacute;veis da m&atilde;e destacam a intrusividade, que dever&aacute; ser distinguida de directividade, o conhecimento que a m&atilde;e tem do desenvolvimento do seu/sua filho(a), anos de escolaridade da m&atilde;e, sentimentos de afecto em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; crian&ccedil;a, o grau de estilo democr&aacute;tico e disponibilidade, e do modelo interno da rela&ccedil;&atilde;o (Moss 1992). Al&eacute;m disso, Neitzel e Stright (2003) encontraram igualmente correla&ccedil;&otilde;es positivas e significativas entre os anos de escolaridade da m&atilde;e e o tipo de regula&ccedil;&atilde;o da dificuldade da tarefa, disponibilidade de informa&ccedil;&atilde;o metacognitiva, encorajamento ou <i>feedback </i>positivo, enquanto a rejei&ccedil;&atilde;o dos comportamentos da crian&ccedil;a (intrusividade) apresenta uma correla&ccedil;&atilde;o negativa. </p>      <p>No que respeita &agrave;s vari&aacute;veis das crian&ccedil;as, destacam-se o temperamento e o g&eacute;nero. Por seu lado as m&atilde;es com baixa escolaridade tendem a percepcionar os filhos como mais dif&iacute;ceis. A educa&ccedil;&atilde;o das m&atilde;es aparece tamb&eacute;m com um efeito moderador das rela&ccedil;&otilde;es entre toler&acirc;ncia das m&atilde;es e o temperamento da crian&ccedil;a, e o regulamento da dificuldade da tarefa, e entre o temperamento das crian&ccedil;as e o encorajamento para que estas se envolvam activamente na tarefa. Quando as crian&ccedil;as s&atilde;o percepcionadas com temperamento dif&iacute;cil, os pais com n&iacute;veis educativos superiores usam um repert&oacute;rio mais alargado de estrat&eacute;gias, acomodando-se com mais facilidade &agrave;s dificuldades dos filhos. </p>      <p>No estudo de Mulvaney et al. (2006), quer a intelig&ecirc;ncia verbal das m&atilde;es quer dos filhos aparecem como preditores do tipo de apoio fornecido. Al&eacute;m disso, a ajuda proporcionada pelas m&atilde;es, conjuntamente com o desenvolvimento cognitivo anterior dos filhos, aparecem como preditores da sua adapta&ccedil;&atilde;o no primeiro ano escolar, aumentando a receptividade das crian&ccedil;as &agrave; instru&ccedil;&atilde;o formal. </p>      <p>No estudo de Wertsch, Minick e Arns (1984), foram observadas d&iacute;ades m&atilde;e-crian&ccedil;a (as m&atilde;es s&oacute; tinham 4 anos de escolaridade formal) e d&iacute;ades educadora-crian&ccedil;a. Os resultados mostraram que as m&atilde;es usam mais a regula&ccedil;&atilde;o directa e executam mais frequentemente as ac&ccedil;&otilde;es do que as educadoras. Este facto seria devido a uma orienta&ccedil;&atilde;o para a tarefa <i>versus </i>orienta&ccedil;&atilde;o para processo. Moss e Blicharski (1986) e Renshaw (1992) mostraram que as m&atilde;es orientadas para o processo tamb&eacute;m s&atilde;o mais elaboradas e estruturantes, dando mais <i>feedback </i>metacognitivo. </p>      <p>Estes resultados aparecem confirmados por outros posteriores. Sigel (1997), Pal&aacute;cios, Gonzalez e Moreno (1992), Mendonza (1995), Sorsby e Martlew (1991), Deleau, Gandon e Taburet (1993), que analisaram o discurso regulador das m&atilde;es em termos de estrat&eacute;gias de <i>distancing</i> (Sigel, 1997), constatando que quanto mais baixo era o n&iacute;vel de escolaridade das m&atilde;es, mais baixos eram os n&iacute;veis de <i>distancing</i> utilizados. Verificaram tamb&eacute;m que os n&iacute;veis de <i>distancing</i>  variavam em fun&ccedil;&atilde;o da natureza da tarefa. Estes dados questionam a consist&ecirc;ncia das estrat&eacute;gias dos pais, ao longo do tempo, quando analisadas independentemente das tarefas, e contrariam a persist&ecirc;ncia de um mesmo tipo de <i>scaffolding, </i>como afirmam Tolmie et al. (2005). </p>      <p>Outros autores argumentam que estes resultados seriam tamb&eacute;m explicados pelo facto de as fam&iacute;lias de classe m&eacute;dia inclu&iacute;rem no seu curriculum familiar mais tarefas e estilos de comunica&ccedil;&atilde;o pr&oacute;ximos dos usados na educa&ccedil;&atilde;o formal (Guberman &amp; Greenfiel, 1991; Heath, 1986a,b; Rogoff, Mistry, &amp; G&ouml;nc&uuml;., 1993; Tudge, Putman, &amp; Sidden, 1994). </p>      <p>No entanto, um envolvimento social <i>responsivo</i> e sens&iacute;vel entre os pais menos escolarizados e os seus filhos, funciona como um bom progn&oacute;stico para o desenvolvimento, atenuando os efeitos de uma experi&ecirc;ncia escolar menos vasta, podendo ser t&atilde;o eficazes como os de classe m&eacute;dia, em fun&ccedil;&atilde;o da natureza das tarefas (Haden &amp; Fivush, 1996), da dificuldade que apresentam para as crian&ccedil;as e do objectivo das mesmas (Delgado-Gaitan, 1993; Elllis &amp; Gauvain, 1992; Gauvain, 1995). Por sua vez, o <i>scaffolding</i> das m&atilde;es de n&iacute;vel de escolaridade superior tamb&eacute;m varia em fun&ccedil;&atilde;o de se tratar uma tarefa dom&eacute;stica ou de uma tarefa escolar. Nas tarefas dom&eacute;sticas (por exemplo, na cozinha a fazer bolos) o apoio &eacute; mais variado, predominando a modelagem sem palavras, sorrisos, tocar, enquanto nas tarefas escolares as m&atilde;es usam estrat&eacute;gias mais activas, como a redu&ccedil;&atilde;o de passos estrat&eacute;gicos, <i>feedback </i>acompanhado de coment&aacute;rios e correc&ccedil;&otilde;es expl&iacute;citas. Por sua vez, as crian&ccedil;as (3/4 anos), nas tarefas dom&eacute;sticas respondem proporcionalmente com um n&iacute;vel superior de linguagem (Kermani &amp; Janes, 1999). </p>      <p>Quanto ao uso de quest&otilde;es metacognitivas na interac&ccedil;&atilde;o com os filhos, Neitzel e Stright (2003) encontraram igualmente uma correla&ccedil;&atilde;o positiva entre o n&iacute;vel de escolaridade das m&atilde;es, a transfer&ecirc;ncia de responsabilidade pela tarefa para os filhos, o conte&uacute;do metacognitivo dos seus enunciados e o suporte emocional. Contudo, Tenenbaum et al. (2005) constataram que as m&atilde;es de n&iacute;veis mais baixos de escolaridade formal s&atilde;o igualmente eficazes quando se envolvem em conversas sobre quest&otilde;es cient&iacute;ficas com os filhos. </p>      <p>Concluindo, entre as fam&iacute;lias de baixo n&iacute;vel s&oacute;cio-econ&oacute;mico e baixa escolaridade podemos encontrar uma grande diversidade de t&eacute;cnicas de <i>scaffolding</i> que, sendo mal conhecida, conduziu a considerar-se que estas crian&ccedil;as est&atilde;o menos expostas a desafios conceptuais atrav&eacute;s da linguagem, desafios esses que precedem a consci&ecirc;ncia metacognitiva, tal como auto-monitoriza&ccedil;&atilde;o, planeamento e auto-avalia&ccedil;&atilde;o. Esta diferencia&ccedil;&atilde;o nos resultados varia em fun&ccedil;&atilde;o das culturas. Kermani e Brenner (2000), por exemplo, mostraram que m&atilde;es iranianas de classe m&eacute;dia alta, vivendo nos Estados Unidos, foram t&atilde;o directivas como as m&atilde;es de n&iacute;veis sociais mais baixos, mas americanas. Contudo, quando as crian&ccedil;as realizaram as tarefas de forma independente n&atilde;o mostraram diferen&ccedil;as significativas. J&aacute; Huntsinger e Jos&eacute; (1995) tinham encontrado uma rela&ccedil;&atilde;o positiva entre o estilo directivo dos pais chino americanos e a aptid&atilde;o das filhas para a matem&aacute;tica. </p>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>O discurso de scaffolding das m&atilde;es </i></p>      <p>Sendo a media&ccedil;&atilde;o verbal a principal componente do <i>scaffolding</i> das m&atilde;es na resolu&ccedil;&atilde;o conjunta de problemas com os filhos em idade pr&eacute;-escolar, o discurso nem sempre &eacute; a estrat&eacute;gia mais eficaz, podendo os comportamentos n&atilde;o verbais, e em particular a execu&ccedil;&atilde;o da tarefa pela m&atilde;e, funcionar como comportamento a imitar. </p>      <p>O <i>scaffolding</i> implica sempre da parte do tutor o envolvimento numa rotina de instru&ccedil;&atilde;o, em termos de inten&ccedil;&otilde;es comunicativas. As m&atilde;es usam actos de linguagem (Searle, 1972/1996)  para Iniciar a interac&ccedil;&atilde;o, como as directivas, e obter uma Resposta. Sempre que os pressupostos da directiva s&atilde;o conseguidos, esta &eacute; seguida de uma Avalia&ccedil;&atilde;o (Mehan, 1998), ou de um Coment&aacute;rio, que podem tomar a forma de acto de linguagem expressivo ou assertivo, ou dos dois. Se o acto de Inicia&ccedil;&atilde;o n&atilde;o obt&eacute;m a resposta esperada, a m&atilde;e pode simplesmente fazer uma avalia&ccedil;&atilde;o negativa, executar ela pr&oacute;pria a ac&ccedil;&atilde;o acompanhada ou n&atilde;o de explica&ccedil;&otilde;es, ou ainda simplificar e explicitar o conte&uacute;do da directiva (Fidalgo &amp; Pereira, 2005; Wertsch, 1985), at&eacute; a crian&ccedil;a ser capaz de lhe dar cumprimento. </p>      <p>Esta fun&ccedil;&atilde;o ilocut&oacute;ria do discurso (Searle, 1972/1996) constitui o primeiro significado de media&ccedil;&atilde;o referido por Bronckart (1992, 1995), e estaria ligada &agrave; media&ccedil;&atilde;o metacognitiva (Karpov &amp; Haywood, 1998), e, portanto ao fornecimento de estrat&eacute;gias de resolu&ccedil;&atilde;o e controle. </p>      <p>O conhecimento declarativo, ou informa&ccedil;&atilde;o conceptual, constitui a media&ccedil;&atilde;o cognitiva, segundo Karpov e Haywood (1998). Este dom&iacute;nio da media&ccedil;&atilde;o teria que ver com o conte&uacute;do proposicional dos enunciados e &eacute; o segundo significado de media&ccedil;&atilde;o para Bronckart (1992, 1995), sendo certo que estes dois aspectos da media&ccedil;&atilde;o est&atilde;o sempre presentes no <i>scaffolding</i>: o primeiro nas inten&ccedil;&otilde;es comunicativas, e o segundo no conte&uacute;do dos actos de linguagem, mais ou menos expl&iacute;citos e sob a forma como s&atilde;o referidos ou descritos os objectos sobre os quais as ac&ccedil;&otilde;es incidem, ou perspectiva referencial (Fidalgo &amp; Pereira, 2005; Wertsch, 1985). </p>      <p>&nbsp;</p>      <p><i>Objectivos e hip&oacute;teses </i></p>      <p>O presente estudo tem como objectivo aprofundar a rela&ccedil;&atilde;o entre o <i>scaffolding</i> das m&atilde;es e a transfer&ecirc;ncia de responsabilidade para os filhos em duas tarefas do dom&iacute;nio da seria&ccedil;&atilde;o. A utiliza&ccedil;&atilde;o de duas apresenta&ccedil;&otilde;es diferentes no mesmo dom&iacute;nio, a constru&ccedil;&atilde;o de uma seria&ccedil;&atilde;o de comprimentos, justifica-se pela necessidade de p&ocirc;r em evid&ecirc;ncia a media&ccedil;&atilde;o metacognitiva e a media&ccedil;&atilde;o cognitiva. </p>      <p>De acordo com a revis&atilde;o da literatura as diferen&ccedil;as nos discursos das m&atilde;es, nomeadamente quanto ao uso da linguagem na actividade conjunta e suas consequ&ecirc;ncias no desempenho dos filhos, t&ecirc;m sido muitas vezes atribu&iacute;das a vari&aacute;veis sociais das m&atilde;es e das fam&iacute;lias (n&iacute;vel de escolaridade, por exemplo), sem ter em conta o conhecimento pr&eacute;vio do dom&iacute;nio da tarefa pelas crian&ccedil;as e o seu n&iacute;vel de desenvolvimento. </p>      <p>O nosso objectivo consiste em mostrar a rela&ccedil;&atilde;o entre o n&iacute;vel de escolaridade e o discurso regulador das m&atilde;es e a <i>performance </i>dos filhos em tarefas de seria&ccedil;&atilde;o, mas considerando simultaneamente as vari&aacute;veis das crian&ccedil;as, nomeadamente idade, desenvolvimento cognitivo e da linguagem. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Come&ccedil;&aacute;mos por verificar se as caracter&iacute;sticas do discurso das m&atilde;es variam, quer na media&ccedil;&atilde;o metacognitiva, na fun&ccedil;&atilde;o ilocut&oacute;ria, quer na media&ccedil;&atilde;o cognitiva, parcialmente operacionalizada na perspectiva referencial, em fun&ccedil;&atilde;o das caracter&iacute;sticas das tarefas e num dom&iacute;nio do conhecimento que est&aacute; fora das compet&ecirc;ncias das crian&ccedil;as entre os 3 e os 5 anos. Sendo o discurso das m&atilde;es diferente em fun&ccedil;&atilde;o da tarefa, analis&aacute;mos, para cada uma delas, a rela&ccedil;&atilde;o entre as vari&aacute;veis do discurso, o tipo de regula&ccedil;&atilde;o, a escolaridade das m&atilde;es, as caracter&iacute;sticas das crian&ccedil;as e a transfer&ecirc;ncia de responsabilidade. </p>      <p>A nossa hip&oacute;tese geral &eacute; que a escolaridade das m&atilde;es estaria correlacionada com a transfer&ecirc;ncia de responsabilidade, mas seria mediada pela sua idade e n&iacute;vel de desenvolvimento dos filhos, e que uma vez controladas as vari&aacute;veis de desenvolvimento das crian&ccedil;as, n&atilde;o se verificar&aacute; qualquer rela&ccedil;&atilde;o significativa entre o n&iacute;vel de escolaridade das m&atilde;es e a participa&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as na realiza&ccedil;&atilde;o de cada uma destas tarefas espec&iacute;ficas. Contudo, quando controlamos a escolaridade das m&atilde;es, verificar-se-&aacute; uma rela&ccedil;&atilde;o significativa entre as vari&aacute;veis de desenvolvimento e a participa&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as na tarefa. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>M&Eacute;TODO</p>      <p><i>Participantes</i></p>      <p>Participaram neste estudo 50 d&iacute;ades m&atilde;e-crian&ccedil;a. O n&uacute;mero de anos de escolaridade das m&atilde;es era, em m&eacute;dia, de 11 anos (de 4 a 19 anos, <i>d.p</i>. 5,6), sendo a sua m&eacute;dia et&aacute;ria de 33 anos (de 23  a 44 anos, <i>d.p</i><i>. </i>5,05), a m&eacute;dia do n&uacute;mero de filhos &eacute; de 1,64 (de 1 a 3, <i>d.p</i><i>. </i>0,66). A m&eacute;dia de idades das crian&ccedil;as era de 53,16 meses (de 36 a 71 meses, <i>d.p</i><i>. </i>10,29),  sendo igualmente distribu&iacute;das pelos dois g&eacute;neros. A origem s&oacute;cio-econ&oacute;mica das fam&iacute;lias era de n&iacute;vel baixo a n&iacute;vel m&eacute;dio alto. As crian&ccedil;as frequentavam Jardins-de-inf&acirc;ncia privados e/ou subsidiados pelo Estado, na zona central de Lisboa. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p><i>Procedimento e descri&ccedil;&atilde;o das tarefas </i></p>      <p>Cada d&iacute;ade m&atilde;e-crian&ccedil;a foi observada enquanto realizavam tr&ecirc;s tarefas que exigiam diferentes estrat&eacute;gias de resolu&ccedil;&atilde;o, embora fossem todas tarefas de seria&ccedil;&atilde;o. </p>      <p><i>A primeira tarefa </i>serviu como introdu&ccedil;&atilde;o e treino. Consistiu na introdu&ccedil;&atilde;o de cinco c&iacute;rculos da mesma cor num encaixe, por ordem de dimens&otilde;es. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>A segunda (ou terceira tarefa</i>) consistiu na constru&ccedil;&atilde;o de uma s&eacute;rie de comprimentos de 10 r&eacute;guas de madeira com duas cores alternados, com dimens&otilde;es entre 20 e 1,2cm. Para a constru&ccedil;&atilde;o desta s&eacute;rie, foi fornecido um modelo com uma s&eacute;rie j&aacute; constru&iacute;da. A instru&ccedil;&atilde;o foi dirigida &agrave; crian&ccedil;a, pedindo-lhe para fazer igual ao modelo com a ajuda da m&atilde;e. A constru&ccedil;&atilde;o da s&eacute;rie com modelo teve por objectivo p&ocirc;r em evid&ecirc;ncia o uso dos aspectos metacognitivos do discurso que integram a fun&ccedil;&atilde;o do modelo enquanto mediador semi&oacute;tico no processo de resolu&ccedil;&atilde;o. </p>      <p><i>A terceira tarefa </i>tamb&eacute;m implicou a constru&ccedil;&atilde;o de uma s&eacute;rie de comprimentos com r&eacute;guas de madeira, com as mesmas dimens&otilde;es que a anterior, mas cada r&eacute;gua com uma cor diferente e sem qualquer modelo. A instru&ccedil;&atilde;o foi mais uma vez dirigida &agrave; crian&ccedil;a: <i>&#8220;Tens aqui um montinho de r&eacute;guas, e eu gostava que as arrumasses da maior para a mais pequena ou da mais pequena para a maior, de modo a fazer uma escadinha, e a tua m&atilde;e vai ajudar-te&#8221;. </i>O objectivo desta tarefa era provocar uma situa&ccedil;&atilde;o did&aacute;ctica, em que as m&atilde;es, devido &agrave; instru&ccedil;&atilde;o dada pelo observador, fossem induzidas a fazer refer&ecirc;ncia &agrave;s dimens&otilde;es das r&eacute;guas e rela&ccedil;&otilde;es transitivas, e n&atilde;o &agrave;s cores, isto &eacute;, p&ocirc;r em evid&ecirc;ncia os aspectos do discurso ligados &agrave; media&ccedil;&atilde;o cognitiva, com a introdu&ccedil;&atilde;o de novos conceitos. N&atilde;o &eacute; de esperar que as crian&ccedil;as nas idades observadas dominem, ou mesmo compreendam, essas refer&ecirc;ncias. Contudo, o nosso objectivo &eacute; observar como as m&atilde;es introduzem novos conceitos nas estrat&eacute;gias de resolu&ccedil;&atilde;o. </p>      <p>Estas duas tarefas de seria&ccedil;&atilde;o foram experimentadas previamente em crian&ccedil;as de 5 anos que n&atilde;o participaram este estudo. A ordem de apresenta&ccedil;&atilde;o das s&eacute;ries foi balanceada. </p>      <p>Estas tarefas foram realizadas numa &uacute;nica sess&atilde;o, que durou entre 6 a 8 minutos, e foi gravada em v&iacute;deo. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p><i>Codifica&ccedil;&atilde;o</i></p>      <p>Os enunciados das m&atilde;es e das crian&ccedil;as foram transcritos dos v&iacute;deos, acompanhados com a descri&ccedil;&atilde;o dos comportamentos n&atilde;o verbais relevantes, tais como apontar ou a execu&ccedil;&atilde;o da ac&ccedil;&atilde;o pela m&atilde;e ou pela crian&ccedil;a. No entanto, apenas o discurso da m&atilde;es foi codificado, verificando-se tamb&eacute;m que as crian&ccedil;as pouco falaram. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p><i>Discurso regulador das m&atilde;es (scaffolding) </i></p>      <p><i>Media&ccedil;&atilde;o metacognitiva e fun&ccedil;&atilde;o ilocut&oacute;ria do discurso </i></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O discurso das m&atilde;es foi segmentado em enunciados, tendo em conta os seguintes crit&eacute;rios: (1) mudan&ccedil;a de conte&uacute;do espec&iacute;fico e/ou (2) pausa de, pelo menos, 2 segundos. </p>      <p>Seguidamente cada um enunciados foi codificado em fun&ccedil;&atilde;o das suas inten&ccedil;&otilde;es comunicativas em (Searle, 1972/1996): </p>      <p><i>Directivas</i>: s&atilde;o enunciados que induzem a crian&ccedil;a a executar uma ac&ccedil;&atilde;o. Consider&aacute;mos directivas de regula&ccedil;&atilde;o geral do comportamento da crian&ccedil;a, de encorajamento e de interdi&ccedil;&atilde;o. As primeiras solicitavam a participa&ccedil;&atilde;o activa (&#8220;<i>V&aacute;, come&ccedil;a l&aacute;</i>!&#8221;) enquanto as de interdi&ccedil;&atilde;o impedem a crian&ccedil;a de prosseguir uma ac&ccedil;&atilde;o (&#8220;<i>P&aacute;ra de brincar com isso</i>!&#8221;). </p>      <p>Para codificar as directivas dirigidas especificamente &agrave; execu&ccedil;&atilde;o das opera&ccedil;&otilde;es inerentes &agrave; tarefa adopt&aacute;mos o conceito de abrevia&ccedil;&atilde;o de Wertsch (1985), por sua vez inspirado na an&aacute;lise do discurso interno feita por Vygotsky.  A abrevia&ccedil;&atilde;o, neste contexto, &eacute; uma redu&ccedil;&atilde;o de uma representa&ccedil;&atilde;o lingu&iacute;stica completa e expl&iacute;cita de uma situa&ccedil;&atilde;o determinada, em que todos os aspectos da situa&ccedil;&atilde;o podem ser integralmente ou explicitamente representados no discurso, ou ent&atilde;o s&atilde;o apenas representados apenas alguns. Codificadas (Fidalgo &amp; Pereira, 2005; Wertsch, 1985). Codific&aacute;mos assim as directivas da m&atilde;e em directivas abreviadas (DA) e n&atilde;o abreviadas (DNA), em fun&ccedil;&atilde;o do n&iacute;vel de implicatura das estrat&eacute;gias de resolu&ccedil;&atilde;o contidas nas directivas, sendo o n&iacute;vel de concord&acirc;ncia entre dois codificadores independentes de K=.82 (Cohen). </p>      <p>Segundo Wertsch, a abrevia&ccedil;&atilde;o &eacute; um dos mecanismos semi&oacute;ticos usados pelo adultos para dar ordens de car&aacute;cter metacognitivo de modo a estabelecer n&iacute;veis de intersubjectividade entre os adultos e as crian&ccedil;as, e assim favorecer a transi&ccedil;&atilde;o do funcionamento inter-individual para o intra-individual. </p>      <p>Quando a crian&ccedil;a consegue responder adequadamente a uma directiva abreviada da m&atilde;e, quer dizer que partilha com esta o mesmo n&iacute;vel de intersubjectividade (Rommetveit, 1971/1974; Wertsch, 1985) sobre as estrat&eacute;gias de resolu&ccedil;&atilde;o, visto n&atilde;o precisar que estas sejam verbal e completamente explicitadas. </p>      <p><i>Expressivos</i>: enunciados que comunicam o estado afectivo ou cognitivo (positivo ou negativo) das m&atilde;es sobre a ac&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as (&#8220;<i>Muito bem&#8221;; &#8220;Conseguiste&#8221;; &#8220;N&atilde;o &eacute; assim!&#8221;). </i></p>      <p><i>Assertivos</i>: enunciados que representam o estado do mundo, dando explica&ccedil;&otilde;es ou descrevendo o resultado da ac&ccedil;&atilde;o (&#8220;<i>Est&atilde;o os dois iguais&#8221; </i>&#8211; apontando para a c&oacute;pia e o modelo, na seria&ccedil;&atilde;o com modelo; &#8220;<i>Est&aacute;s a ver, &eacute; uma grande e depois a mais pequena a seguir&#8221; </i>&#8211; apontando a s&eacute;rie sem modelo j&aacute; constru&iacute;da. </p>      <p>A combina&ccedil;&atilde;o de dois actos de linguagem foi considerada quando o t&oacute;pico era o mesmo e os enunciados estavam separados por menos de dois segundos. </p>      <p>Doze transcri&ccedil;&otilde;es foram codificadas de forma independente e os n&iacute;veis de acordo situaram-se entre .71 e .80 (K de Cohen). </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p><i>Media&ccedil;&atilde;o cognitiva e perspectiva referencial </i></p>      <p>A forma como o locutor identifica o referente tem que ver com a perspectiva conceptual que pretende introduzir na execu&ccedil;&atilde;o da tarefa. As express&otilde;es referenciais utilizadas podem minimizar ou maximizar a informa&ccedil;&atilde;o sobre o referente. Seleccion&aacute;mos express&otilde;es que apresentam tr&ecirc;s n&iacute;veis diferentes de informa&ccedil;&atilde;o, que podem ser usadas isoladamente ou agregadas (Fidalgo &amp; Pereira, 2005; Wertsch, 1985): (1) <i>de&iacute;cticos, </i>sinais indexicais verbais ou n&atilde;o verbais, tais como <i>apontar, &#8220;esta&#8221;, &#8220;aquela&#8221;, &#8220;aqui&#8221;, &#8220;ali&#8221;, </i>que introduzem a informa&ccedil;&atilde;o m&iacute;nima para identificar o referente tal como deve ser percepcionada na situa&ccedil;&atilde;o discursiva<i>; </i>(2) <i>express&otilde;es comuns de refer&ecirc;ncia, </i>o nome ou categoriza&ccedil;&atilde;o mais comum para o objecto em quest&atilde;o, mas que pode ser usado noutros contextos e n&atilde;o apenas no contexto espec&iacute;fico da tarefa (Ex.: a express&atilde;o &#8220;a verde&#8221;, pode ser usada para referir a r&eacute;gua que da dimens&atilde;o seguinte na s&eacute;rie, mas n&atilde;o &eacute; espec&iacute;fico da tarefa); e (3) <i>as express&otilde;es espec&iacute;ficas do contexto</i>, que introduzem mais informa&ccedil;&atilde;o na situa&ccedil;&atilde;o discursiva que as duas anteriores, isto &eacute;, categoriza o referente na perspectiva em que o adulto considera que deve ser considerado na situa&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica (Ex.: a express&atilde;o &#8220;o mais pequeno a seguir&#8221;), em que os de&iacute;cticos e as express&otilde;es comuns de refer&ecirc;ncia n&atilde;o d&atilde;o indica&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas sobre a tarefa, a n&atilde;o ser que a crian&ccedil;a j&aacute; a domine cognitivamente, o que n&atilde;o &eacute; manifestamente o caso. </p>      <p>Estes tr&ecirc;s tipos de express&otilde;es podem ser usados isoladamente ou agregados, e a partir dessa agrega&ccedil;&atilde;o estabelecemos tr&ecirc;s n&iacute;veis hier&aacute;rquicos, de acordo com a preval&ecirc;ncia de uma fun&ccedil;&atilde;o meramente instrumental para atingir a aten&ccedil;&atilde;o conjunta ou, se al&eacute;m disso, introduzem mais informa&ccedil;&atilde;o conceptual directamente com o problema espec&iacute;fico (Deleau, 1989, 1990; Fidalgo &amp; Pereira, 2005; Wertsch, 1985): </p>      <p><i>N&iacute;vel 1: </i>sinais indexicais verbais e n&atilde;o verbais (apontar, dar); express&otilde;es comuns de refer&ecirc;ncia acompanhadas de sinais indexicais verbais ou n&atilde;o verbais. </p>      <p><i>N&iacute;vel 2: Express&otilde;es comuns de refer&ecirc;ncia</i>: express&otilde;es comuns de refer&ecirc;ncia ou sinais indexais n&atilde;o verbais acompanhados de express&otilde;es informativas do contexto. </p>      <p><i>N&iacute;vel 3</i>: Express&otilde;es informativas do contexto sem qualquer outra express&atilde;o referencial. </p>      <p>Os n&iacute;veis de concord&acirc;ncia (K de Cohen) obtidos por duas codifica&ccedil;&otilde;es independentes foram os seguintes; sinais indexicais .98; express&otilde;es comuns de refer&ecirc;ncia .87; express&otilde;es informativas do contexto .88. Para os 3 n&iacute;veis de agrega&ccedil;&atilde;o os n&iacute;veis de concord&acirc;ncia foram os seguintes: n&iacute;vel 1: .90; n&iacute;vel 2: .79, n&iacute;vel 3: .86. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p><i>Regula&ccedil;&atilde;o directa e ac&ccedil;&otilde;es executadas pelas m&atilde;es </i></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As tarefas foram divididas em epis&oacute;dios, considerando-se um epis&oacute;dio, o conjunto de todas as ac&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias para colocar correctamente cada uma das r&eacute;guas no local adequado. Foram identificadas, para cada tarefa, as ac&ccedil;&otilde;es executadas pela m&atilde;e, sem qualquer interfer&ecirc;ncia f&iacute;sica da crian&ccedil;a, mas em que esta mantinha a aten&ccedil;&atilde;o focada na ac&ccedil;&atilde;o. </p>      <p>As ac&ccedil;&otilde;es realizadas pelas crian&ccedil;as, mas precedidas por directivas n&atilde;o abreviadas (DNA), ou qualquer outra indica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o verbal, s&atilde;o consideradas sob regula&ccedil;&atilde;o directa. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p><i>Transfer&ecirc;ncia de responsabilidade para a crian&ccedil;a </i></p>      <p>Para a avaliar o n&iacute;vel de participa&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a durante a resolu&ccedil;&atilde;o das tarefas foram consideradas todas as ac&ccedil;&otilde;es da crian&ccedil;a realizadas sem qualquer interfer&ecirc;ncia da m&atilde;e, isto &eacute;, autonomamente, ou sob regula&ccedil;&atilde;o indirecta. Considera-se que uma ac&ccedil;&atilde;o &eacute; executada sob regula&ccedil;&atilde;o indirecta quando &eacute; precedida por uma directiva abreviada (DA). O somat&oacute;rio destas ac&ccedil;&otilde;es traduz o n&iacute;vel de transfer&ecirc;ncia de responsabilidade da tarefa para a crian&ccedil;a. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p><i>Avalia&ccedil;&atilde;o do desenvolvimento cognitivo e da linguagem das crian&ccedil;as </i></p>      <p>A fim de controlar a rela&ccedil;&atilde;o entre o desenvolvimento das crian&ccedil;as e o apoio prestado pelas m&atilde;es, na semana seguinte &agrave; observa&ccedil;&atilde;o foram aplicados &agrave;s crian&ccedil;as participantes as Matrizes Progressivas de Raven (vers&atilde;o caderno colorido) e a Escala de Compreens&atilde;o do teste de linguagem de Reynell. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>RESULTADOS</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>O discurso das m&atilde;es </i></p>      <p>Para que as crian&ccedil;as participem activamente na resolu&ccedil;&atilde;o da tarefa t&ecirc;m que representar previamente o seu objectivo. Enquanto representa&ccedil;&otilde;es mentais os objectivos das tarefas n&atilde;o s&atilde;o estritamente observ&aacute;veis, tendo que ser inferidos (Gattis, Beering, &amp; Wohlschlager, 2002),  no caso presente, atrav&eacute;s do modelo, ou outro mecanismo semi&oacute;tico como a observa&ccedil;&atilde;o do comportamento da m&atilde;e. Na seria&ccedil;&atilde;o sem modelo o objectivo da tarefa &eacute; inferido a partir das ac&ccedil;&otilde;es executadas pela m&atilde;e e pela crian&ccedil;a sob regula&ccedil;&atilde;o directa, o que lhe permite construir/ /antecipar a configura&ccedil;&atilde;o da s&eacute;rie: as m&atilde;es ordenam as primeiras r&eacute;guas e a crian&ccedil;a continua. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p><i>Media&ccedil;&atilde;o metacognitiva e fun&ccedil;&atilde;o ilocut&oacute;ria do discurso </i></p>      <p>Foram aplicados testes n&atilde;o param&eacute;tricos, tendo sido utilizadas propor&ccedil;&otilde;es, para controlar o efeito quantidade de fala em fun&ccedil;&atilde;o do modo de apresenta&ccedil;&atilde;o da tarefa. </p>      <p>Com efeito os actos de linguagem (Searle, 1972/1996) emitidos pelas m&atilde;es, em particular o tipo de directivas dirigidas &agrave; execu&ccedil;&atilde;o da tarefa variam em fun&ccedil;&atilde;o da exist&ecirc;ncia ou n&atilde;o de modelo. </p>      <p>Pudemos constatar, pelo teste de Wilcoxon (Tabela 1), que se verificam diferen&ccedil;as significativas entre as duas seria&ccedil;&otilde;es nas directivas abreviadas (<i>N</i>=50, <i>Z</i>=-1,984<i>, p=0,026</i>), sendo estas mais frequentes na s&eacute;rie com modelo (<i>N</i>=50, <i>Z</i>=-2,731, <i>p</i>=0,005), enquanto as directivas n&atilde;o abreviadas s&atilde;o mais frequentes na s&eacute;rie sem modelo. Os actos expressivos positivos associados a assertivos (<i>N</i>=50, <i>Z</i>=-1,965, <i>p</i>=0,027) e a directivas abreviadas (<i>N</i>=50, <i>Z</i>=-1,804, <i>p</i>=0,042) s&atilde;o  proporcionalmente mais frequentes na s&eacute;rie com modelo. Por&eacute;m, considerando que as frequ&ecirc;ncias observadas nestas categorias s&atilde;o marginais, dada a sua dispers&atilde;o, o resultado mais saliente consiste na invers&atilde;o das propor&ccedil;&otilde;es de directivas abreviadas e n&atilde;o abreviadas nas s&eacute;ries com e sem modelo (41% dos actos de linguagem proferidos pelas m&atilde;es). </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>TABELA 1</p>      <p><i>Actos de linguagem por tarefa (propor&ccedil;&otilde;es m&eacute;dias)</i></p> <img src="/img/revistas/aps/v28n4/28n4a01t1.gif">      
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>       <p><i>Media&ccedil;&atilde;o cognitiva &#8211; Perspectiva referencial </i></p>      <p>Quanto ao conte&uacute;do proposicional, apresentamos a seguir as propor&ccedil;&otilde;es m&eacute;dias dos diferentes n&iacute;veis da perspectiva referencial em por cada uma das tarefas.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p>TABELA 2</p>      <p><i>Perspectiva Referencial &#8211; Propor&ccedil;&otilde;es m&eacute;dias por tarefa</i></p> <img src="/img/revistas/aps/v28n4/28n4a01t2.gif">      
<p>&nbsp;</p>      <p>Verific&aacute;mos, utilizando o teste de Wilcoxon, a exist&ecirc;ncia de diferen&ccedil;as significativas nas express&otilde;es referenciais de n&iacute;vel 2 (<i>N</i>=46, <i>Z</i>=-4,745, <i>p</i>&lt;0,001) e n&iacute;vel 3 (<i>N</i>=46, <i>Z</i>=-3,422, <i>p</i>&lt;0,001), sendo a s&eacute;rie sem modelo que suscita o uso mais frequente de palavras que referem as rela&ccedil;&otilde;es assim&eacute;tricas (&#8220;mais pequeno do que...&#8221;, &#8220;maior do que...&#8221;, &#8220;maior a seguir...&#8221;), sem qualquer outra express&atilde;o referencial, enquanto na s&eacute;rie com modelo s&atilde;o proporcionalmente mais referidas a cor e a dimens&atilde;o. </p>      <p>Em resumo, e a partir dos dados acima referidos, podemos dizer que a seria&ccedil;&atilde;o com modelo mobiliza mais desafios metacognitivos, acentuando os procedimentos (directivas abreviadas), enquanto a seria&ccedil;&atilde;o sem modelo evoca com mais frequ&ecirc;ncia a media&ccedil;&atilde;o cognitiva atrav&eacute;s da utiliza&ccedil;&atilde;o do n&iacute;vel superior de express&otilde;es referenciais (rela&ccedil;&otilde;es assim&eacute;tricas). </p>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Discurso, tipo de regula&ccedil;&atilde;o, escolaridade das m&atilde;es, vari&aacute;veis nas crian&ccedil;as e transfer&ecirc;ncia de responsabilidade </i></p>      <p>Uma vez que a transfer&ecirc;ncia de responsabilidade da tarefa para a crian&ccedil;a, e o tipo de regula&ccedil;&atilde;o exercido pela m&atilde;e, decorrem dos mecanismos semi&oacute;ticos utilizados durante a actividade conjunta, apresentamos a seguir as correla&ccedil;&otilde;es entre as categorias do discurso que variam em fun&ccedil;&atilde;o das tarefas, a transfer&ecirc;ncia de responsabilidade e a regula&ccedil;&atilde;o directa, considerando os actos de linguagem directivos e os n&iacute;veis 2 e 3 da perspectiva referencial. Acrescent&aacute;mos ainda as ac&ccedil;&otilde;es executadas pela m&atilde;e, pass&iacute;veis de serem imitadas, enquanto mecanismo semi&oacute;tico. </p>      <p>O n&iacute;vel de escolaridade das m&atilde;es est&aacute; positiva e significativamente correlacionado com o desenvolvimento cognitivo e da linguagem das crian&ccedil;as (<i>r</i>=0,308 <i>p</i>&lt;0,05 e <i>r</i>=0,447 <i>p</i>&lt;0,01, respectivamente), mas apenas apresenta uma correla&ccedil;&atilde;o positiva com a transfer&ecirc;ncia de responsabilidade para a crian&ccedil;a, na seria&ccedil;&atilde;o com modelo (<i>r</i>=0,323 <i>p</i>&lt;0,05). A transfer&ecirc;ncia de responsabilidade pela tarefa para a crian&ccedil;a &eacute; tamb&eacute;m superior na s&eacute;rie com modelo (<i>N</i>=50, <i>Z</i>=-3,045, <i>p</i>&lt;0,00). </p>      <p>Para separarmos os resultados derivados da escolaridade das m&atilde;es e do desenvolvimento e idade dos filhos, pass&aacute;mos &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o de correla&ccedil;&otilde;es parciais, para cada tarefa. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p><i>Seria&ccedil;&atilde;o com modelo </i></p>      <p>Na primeira correla&ccedil;&atilde;o parcial control&aacute;mos as vari&aacute;veis relativas &agrave;s crian&ccedil;as, idade, desenvolvimento cognitivo e da linguagem (Tabela 3). </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>TABELA 3</p>      <p><i>S&eacute;rie com modelo &#8211; Correla&ccedil;&otilde;es parciais, controlando as vari&aacute;veis idade, scores na Raven e Reynell das crian&ccedil;as,  entre o discurso das m&atilde;es, regula&ccedil;&atilde;o directa,escolaridade das m&atilde;es e transfer&ecirc;ncia de responsabilidade para a crian&ccedil;a</i></p> <img src="/img/revistas/aps/v28n4/28n4a01t3.gif">      
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p>Quanto &agrave;s vari&aacute;veis de discurso das m&atilde;es e o seu n&iacute;vel de escolaridade apenas se constata que quanto mais elevado o n&iacute;vel de escolaridade das m&atilde;es maior a tend&ecirc;ncia para utilizar o n&iacute;vel 3 da perspectiva referencial (<i>r</i>=0,458, <i>p</i>&lt;0,01), o que n&atilde;o interfere significativamente na transfer&ecirc;ncia de responsabilidade para a crian&ccedil;a (<i>r</i>=-,20).</p>      <p>A transfer&ecirc;ncia de responsabilidade para a crian&ccedil;a n&atilde;o apresenta correla&ccedil;&otilde;es significativas com a escolaridade da m&atilde;e (<i>r</i>=0,179<i>, p=0,228</i>), mas apenas uma correla&ccedil;&atilde;o negativa e significativa com as ac&ccedil;&otilde;es realizadas pelas m&atilde;es (<i>r</i>=-,668, <i>p</i>&lt;0,01), como seria de esperar. Verifica-se uma tend&ecirc;ncia n&atilde;o significativa para as m&atilde;es com mais baixo n&iacute;vel de escolaridade usarem com mais frequ&ecirc;ncia as ac&ccedil;&otilde;es para imitar. </p>      <p>Na segunda correla&ccedil;&atilde;o parcial control&aacute;mos a vari&aacute;vel escolaridade da m&atilde;e, e os resultados est&atilde;o igualmente de acordo com a hip&oacute;tese inicialmente colocada. Assim, as vari&aacute;veis do discurso e regula&ccedil;&atilde;o das m&atilde;es (Tabela 4) aparecem negativa e significativamente correlacionadas com as transfer&ecirc;ncia de responsabilidade para a crian&ccedil;a, enquanto a idade (<i>r</i>=0,646, <i>p</i>&lt;0,01), os scores da Raven (<i>r</i>=0,621<i>, p&lt;0,01</i>) e Reynell <i>(r=0,621, p&lt;0,01</i>) mostram correla&ccedil;&otilde;es positivas e elevadas com a transfer&ecirc;ncia de responsabilidade para a crian&ccedil;a. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>TABELA 4</p>      <p><i>S&eacute;rie com modelo &#8211; Ccorrela&ccedil;&otilde;es parciais, controlando a escolaridade das m&atilde;es, entre discurso das m&atilde;es,  regula&ccedil;&atilde;o directa, idade, scores de Raven e Reynell nas crian&ccedil;as e transfer&ecirc;ncia de responsabilidade</i></p>  <img src="/img/revistas/aps/v28n4/28n4a01t4.gif">      
<p>&nbsp;</p>      <p>A regula&ccedil;&atilde;o directa apresenta uma correla&ccedil;&atilde;o positiva e significativa com as directivas abreviadas e n&atilde;o abreviadas (<i>r=0,</i>499, <i>p</i>&lt;0,01 e <i>r=0,</i>757, <i>p</i>&lt;0,01 respectivamente), e os n&iacute;veis 2 e 3 da perspectiva referencial presentes no discurso materno (<i>r=0,</i>590, <i>p</i>&lt;0,01 e <i>r=0,</i>578, <i>p</i>&lt;0,01, respectivamente), o que mostra que a exposi&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a a directivas abreviadas, que depois s&atilde;o desdobradas em directivas n&atilde;o abreviadas contendo express&otilde;es referenciais de n&iacute;vel 3 (<i>r=</i>0,524 <i>p</i>&lt;0,01) tem pouco impacto na transfer&ecirc;ncia de responsabilidade para a crian&ccedil;a, visto n&atilde;o se verificar qualquer correla&ccedil;&atilde;o significativa. Por outro lado, a crian&ccedil;a &eacute; confrontada com o <i>input </i>conceptual que acompanha os procedimentos. </p>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Seria&ccedil;&atilde;o sem modelo </i></p>      <p>Na correla&ccedil;&atilde;o parcial com controlo das vari&aacute;veis das crian&ccedil;as (idade, scores de Raven e Reynell, Tabela 5), tal como na seria&ccedil;&atilde;o com modelo, a transfer&ecirc;ncia de responsabilidade para as crian&ccedil;as n&atilde;o apresenta uma correla&ccedil;&atilde;o significativa com a escolaridade das m&atilde;es (<i>r</i>=0,119<i>, p&gt;0</i>,05). </p>     <p>&nbsp;</p>      <p>TABELA 5</p>      <p><i>S&eacute;rie sem modelo &#8211; Correla&ccedil;&otilde;es parciais, controlando os scores Raven e Reynell nas crian&ccedil;a, entre a escolaridade das m&atilde;es,  discurso das m&atilde;es, regula&ccedil;&atilde;o directa, idade e transfer&ecirc;ncia de responsabilidade pela tarefa para a crian&ccedil;a</i></p> <img src="/img/revistas/aps/v28n4/28n4a01t5.gif">      
<p>&nbsp;</p>      <p>A escolaridade das m&atilde;es apenas apresenta uma correla&ccedil;&atilde;o positiva e significativa com a utiliza&ccedil;&atilde;o de express&otilde;es referenciais de n&iacute;vel 3 (<i>r=</i>0,289, <i>p</i>&lt;0,05: quanto mais elevada a escolaridade das m&atilde;es mais utilizam a linguagem das rela&ccedil;&otilde;es assim&eacute;tricas, em particular no contexto das directivas n&atilde;o abreviadas (<i>r</i>=0,364, <i>p</i>&lt;0,05). Constata-se igualmente uma correla&ccedil;&atilde;o positiva e significativa entre a regula&ccedil;&atilde;o directa e o uso de express&otilde;es de n&iacute;vel superior (<i>r</i>=0,415, <i>p</i>&lt;0,01), independentemente do n&iacute;vel de escolaridade das m&atilde;es. Constata-se uma correla&ccedil;&atilde;o significativa entre a regula&ccedil;&atilde;o directa e a inclus&atilde;o nas directivas n&atilde;o abreviadas de express&otilde;es referenciais de n&iacute;vel superior (<i>r=</i>0,415, <i>p</i>&lt;0,01). </p>      <p>Na segunda correla&ccedil;&atilde;o parcial, quando controlamos a escolaridade das m&atilde;es (Tabela 6), verificam-se correla&ccedil;&otilde;es positivas e bastante significativas entre as vari&aacute;veis idade (<i>r=</i>0,493, <i>p</i>&lt;0,01), score da Raven (<i>r=</i>0,459, <i>p</i>&lt;0,01) e da Reynell (<i>r=</i>0,397, <i>p</i>&lt;0,01), e transfer&ecirc;ncia de responsabilidade para as crian&ccedil;as. </p>      <p>&nbsp;</p>     <p>TABELA 6</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>S&eacute;rie sem modelo &#8211; Correla&ccedil;&otilde;es parciais, controlando a escolaridade das m&atilde;es, entre discurso das m&atilde;es, regula&ccedil;&atilde;o directa,  idade, scores de Raven e Reynell nas crian&ccedil;as e transfer&ecirc;ncia de responsabilidade</i></p>  <img src="/img/revistas/aps/v28n4/28n4a01t6.gif">      
<p>&nbsp;</p>      <p>Verificam-se correla&ccedil;&otilde;es elevadas entre a utiliza&ccedil;&atilde;o de express&otilde;es referenciais de n&iacute;vel 2 e 3 (<i>r=</i>0,413, <i>p</i>&lt;0,01 e <i>r=</i>0,402, <i>p</i>&lt;0,01, respectivamente) no contexto das directivas n&atilde;o abreviadas que constituem grande parte da regula&ccedil;&atilde;o directa exercida pelas m&atilde;es (<i>r=</i>0,640, <i>p</i>&lt;0,01), mas sem impacto na transfer&ecirc;ncia de responsabilidade para a crian&ccedil;a: mais uma vez n&atilde;o se verifica qualquer correla&ccedil;&atilde;o significativa entre as directivas abreviadas e transfer&ecirc;ncia de responsabilidade para as crian&ccedil;as. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>DISCUSS&Atilde;O</p>      <p>Os resultados globais da an&aacute;lise do discurso das m&atilde;es mostram que estas modificaram os seus comportamentos ao longo da resolu&ccedil;&atilde;o de duas tarefas do mesmo dom&iacute;nio do conhecimento, mas apresentadas de forma diferente: a constru&ccedil;&atilde;o de uma s&eacute;rie de comprimentos, com e sem modelo. Verific&aacute;mos que, apesar das altera&ccedil;&otilde;es na media&ccedil;&atilde;o metacognitiva e cognitiva, as m&atilde;es mant&ecirc;m o <i>script </i>geral (Inicia&ccedil;&atilde;o, Resposta Avalia&ccedil;&atilde;o) de uma interac&ccedil;&atilde;o de resolu&ccedil;&atilde;o conjunta entre um que sabe mais e outro que sabe menos, isto &eacute;, come&ccedil;a pelo uso de actos de linguagem de inicia&ccedil;&atilde;o e encorajamento, seguido de directivas para obter uma Resposta, seguida de uma Avalia&ccedil;&atilde;o, sob a forma de um acto expressivo, com ou sem assertivo (Mehan, 1998). </p>      <p>No que respeita &agrave; fun&ccedil;&atilde;o ilocut&oacute;ria do discurso, e &agrave; media&ccedil;&atilde;o metacognitiva, podemos constatar que existe um efeito da tarefa, o que contraria alguns estudos que defendem que a regula&ccedil;&atilde;o exercida pelos pais &eacute; pouco contingente ao comportamento da crian&ccedil;a durante a interac&ccedil;&atilde;o e &eacute; consistente ao longo do tempo (Tolmie et al., 2005). Os nossos resultados v&atilde;o no sentido de confirmar os resultados e afirma&ccedil;&otilde;es de Wood (1990), Heckhausen (1987), Connor e Cross (2003) e Tenebaum et al. (2005). </p>      <p>Por outro lado, e dado que as tarefas propostas est&atilde;o afastadas do conhecimento e compet&ecirc;ncias actuais da maioria das crian&ccedil;as, a media&ccedil;&atilde;o do adulto assume formas diferentes, e nem sempre as mais indicadas para o que Wood, Bruner e Ross (1976), consideram <i>scaffolding</i> eficaz, mas que s&atilde;o adequadas ao n&iacute;vel de  <i>performance </i>das crian&ccedil;as, como por exemplo usar directivas abreviadas na seria&ccedil;&atilde;o com modelo, e as express&otilde;es que cont&ecirc;m apenas refer&ecirc;ncias &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es assim&eacute;tricas mas a que as crian&ccedil;as n&atilde;o respondem, criando uma nova &aacute;rea de desenvolvimento proximal, funcionando como est&iacute;mulos externos. A exist&ecirc;ncia do modelo na s&eacute;rie exige da parte da m&atilde;e o uso mais frequente de directivas abreviadas, a partir das quais a crian&ccedil;a tem que inferir qual a import&acirc;ncia deste, enquanto mecanismo semi&oacute;tico, no desempenho da tarefa. Com efeito, para que a crian&ccedil;a compreenda a imagem ou o objecto prot&oacute;tipo enquanto dispositivo semi&oacute;tico espec&iacute;fico, &eacute; necess&aacute;rio efectuar uma s&eacute;rie de rela&ccedil;&otilde;es e infer&ecirc;ncias, cuja natureza e ordem n&atilde;o est&atilde;o indicadas, n&atilde;o bastando o processo de percep&ccedil;&atilde;o das semelhan&ccedil;as. Estas opera&ccedil;&otilde;es podem ser expressas de forma figurativa, mas s&atilde;o necess&aacute;rios sinais indexicais e o estabelecimento de rela&ccedil;&otilde;es verbais (de&iacute;cticos) que permitam a semiotiza&ccedil;&atilde;o do &iacute;cone a n&iacute;vel pragm&aacute;tico. </p>      <p>No que diz respeito &agrave; media&ccedil;&atilde;o cognitiva (perspectiva referencial) &eacute; na s&eacute;rie sem modelo que se regista uma propor&ccedil;&atilde;o significativamente mais elevada de express&otilde;es de n&iacute;vel 3, isto &eacute;, express&otilde;es que referem as rela&ccedil;&otilde;es assim&eacute;tricas sem qualquer outra express&atilde;o referencial menos espec&iacute;fica no contexto da tarefa, como a cor. As m&atilde;es interpretaram esta tarefa como did&aacute;ctica, e embora os filhos n&atilde;o respondessem &agrave;s directivas que continham apenas estas express&otilde;es de n&iacute;vel superior, as m&atilde;es inclu&iacute;ram-nas directivas n&atilde;o abreviadas, nos actos expressivos negativos acompanhados de directivas abreviadas, e utilizaram as express&otilde;es referenciais de n&iacute;vel 2, express&otilde;es que inclu&iacute;am simultaneamente a cor e a rela&ccedil;&otilde;es assim&eacute;tricas. </p>      <p>Quando relacionamos as vari&aacute;veis de suporte das m&atilde;es, incluindo as ac&ccedil;&otilde;es executadas por estas, a regula&ccedil;&atilde;o directa, as directivas n&atilde;o abreviadas e a utiliza&ccedil;&atilde;o de express&otilde;es referenciais, verificam-se correla&ccedil;&otilde;es negativas com a transfer&ecirc;ncia de responsabilidade, o que quer dizer que as crian&ccedil;as realizam as tarefas sem interven&ccedil;&atilde;o das m&atilde;es, o que n&atilde;o implica necessariamente a compreens&atilde;o da opera&ccedil;&atilde;o em curso. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Assim, a transfer&ecirc;ncia de responsabilidade para a crian&ccedil;a n&atilde;o se apresenta correlacionada com as directivas abreviadas e as express&otilde;es referenciais de n&iacute;vel superior nas duas seria&ccedil;&otilde;es. Esta constata&ccedil;&atilde;o parece indicar que os desafios semi&oacute;ticos contidos nas directivas abreviadas e o <i>input </i>conceptual das express&otilde;es referenciais, n&atilde;o tiveram impacto no processo de resolu&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as. Consideramos que tal se deve ao facto de ser a primeira (ou das primeiras vezes) vez que as crian&ccedil;as mais novas entram em contacto com os procedimentos e a linguagem pr&oacute;pria das rela&ccedil;&otilde;es assim&eacute;tricas em simult&acirc;neo, o que constituiria uma inicia&ccedil;&atilde;o ao conhecimento impl&iacute;cito, em que a ajuda do adulto tem pouco ou nenhum impacto. </p>      <p>Os resultados obtidos apontam igualmente para a confirma&ccedil;&atilde;o da nossa hip&oacute;tese inicial, segundo a qual a transfer&ecirc;ncia de responsabilidade para a crian&ccedil;a &eacute; mediada pelo seu n&iacute;vel de conhecimento nestas tarefas espec&iacute;ficas, podendo a escolaridade das m&atilde;es funcionar como vari&aacute;vel moderadora. Com efeito, as m&atilde;es de n&iacute;vel superior de escolaridade mostram uma tend&ecirc;ncia para utilizar mais vezes express&otilde;es referenciais de n&iacute;vel superior, podendo pr&oacute;-activar mais facilmente a articula&ccedil;&atilde;o entre o procedimento da ordena&ccedil;&atilde;o de comprimentos e o conceito de rela&ccedil;&otilde;es assim&eacute;tricas. </p>      <p>Os comportamentos observados podem igualmente ser interpretados segundo o modelo de desenvolvimento proposto por Karmiloff-Smith (1992), o Modelo de Redescri&ccedil;&atilde;o Representacional (MRR). Em qualquer uma das tarefas as crian&ccedil;as necessitam de construir um conhecimento impl&iacute;cito do que &eacute; uma seria&ccedil;&atilde;o e dos procedimentos para chegar &agrave; configura&ccedil;&atilde;o (fornecida pelo modelo ou pela ordena&ccedil;&atilde;o das primeiras r&eacute;guas pela m&atilde;e ou sob regula&ccedil;&atilde;o directa). </p>      <p>Por outro lado, se a crian&ccedil;a inicia a aprendizagem de um conceito a partir do momento em que entra em contacto com a palavra que refere esse conceito (maior do que e menor ou pequeno do que), o efeito do <i>input </i>conceptual n&atilde;o &eacute; imediato, como afirmam Connor e Cross (1983), al&eacute;m de que a media&ccedil;&atilde;o lingu&iacute;stica tem efeitos diferentes consoante o conhecimento anterior no dom&iacute;nio em causa. </p>      <p>Outro pressuposto do MRR, segundo o qual a passagem do conhecimento impl&iacute;cito, de algum modo iniciado na interac&ccedil;&atilde;o com as m&atilde;es, precisa de um processo de auto-organiza&ccedil;&atilde;o interna, que articule procedimentos e conhecimento conceptual, at&eacute; chegar a um conhecimento verbal expl&iacute;cito (fase 3) n&atilde;o se verificou, o que na situa&ccedil;&atilde;o apresentada seria fazer intercala&ccedil;&otilde;es de r&eacute;guas e/ou explicar porqu&ecirc;, o que n&atilde;o aconteceu em qualquer das 50 d&iacute;ades observadas </p>      <p>Pelos dados obtidos neste estudo &eacute; poss&iacute;vel afirmar que a rela&ccedil;&atilde;o entre o n&iacute;vel de escolaridade das m&atilde;es e os desafios metacognitivos, e o <i>input </i>conceptual por elas fornecido na resolu&ccedil;&atilde;o conjunta de um problema, tem que ter em conta uma s&eacute;rie de vari&aacute;veis contextuais, que incluem os participantes e as caracter&iacute;sticas das tarefas. Por outro lado, o facto de a transfer&ecirc;ncia de responsabilidade para as crian&ccedil;as n&atilde;o aparecer correlacionada com os mecanismos semi&oacute;ticos mais desafiantes, p&otilde;e em evid&ecirc;ncia a import&acirc;ncia do Modelo de Redescri&ccedil;&atilde;o Representacional, em dois aspectos fundamentais, como j&aacute; referimos, o desencadear de um conhecimento impl&iacute;cito num dom&iacute;nio determinado durante a actividade conjunta, em que a media&ccedil;&atilde;o combine simultaneamente operacionaliza&ccedil;&otilde;es expl&iacute;citas e <i>input </i>conceptual, tendo em conta o n&iacute;vel de conhecimento da crian&ccedil;a. A este processo segue-se a necessidade de um processo de auto-organiza&ccedil;&atilde;o individual que radica na comunica&ccedil;&atilde;o estabelecida durante a resolu&ccedil;&atilde;o conjunta, em que procedimentos e conceitos s&atilde;o indissoci&aacute;veis e tornam poss&iacute;vel que a crian&ccedil;a codifique linguisticamente as representa&ccedil;&otilde;es das rela&ccedil;&otilde;es espaciais. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>REFER&Ecirc;NCIAS</p>      <!-- ref --><p>Bronckart, J. P. (1992). El discurso como acci&oacute;n. Por un nuevo paradigme psicolinguistico. <i>Anu&aacute;rio de Psicologia, 54</i>, 3-48. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000201&pid=S0870-8231201000040000100001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Bronckart, P. P. (1995). 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<article-title xml:lang="es"><![CDATA[El discurso como acción.: Por un nuevo paradigme psicolinguistico.]]></article-title>
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<year>1992</year>
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