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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O envolvimento paterno de crianças a frequentar o jardim-de-infância]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,ISPA-IU - Instituto Superior de Psicologia Aplicada - Instituto Universitário UIPCDE - Unidade de Investigação em Psicologia Cognitiva do Desenvolvimento e da Educação ]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The aim of the study was to understand fathers&#8217; participation in different types of activities: Direct and Indirect Care; Teaching/Discipline; Play; and Outside Leisure. 338 bi-parental families from Lisbon/Portugal, participated in the study. Associations between fathers/mothers individual characteristics (e.g., age and educational level) as well as children&#8217;s (e.g., age, gender, order of birth and number of brothers), as well as context/social support variables (e.g., working schedule, number of hours children spend at pre-school) and father&#8217;s type and amount of involvement were analyzed. The study also sought to find the possibility of the existence of different groups of involvement. The results indicate that a father&#8217;s involvement usually fluctuates depending on the activity, however also decreasing in fields such as care, where mothers assume more responsibility but increase in other fields where there is a shared involvement. The input of paternal responsibility has also been noted to increase based on several differences such as the number of hours the mother spends at work, the maternal qualifications and child&#8217;s age. Results also showed the existence of different groups of involvement (paternal and maternal), particularly those such as the Active, Intermediate and the Traditional where characteristics were studied as well as agreements between both parents.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Concordância e discordância parental]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Envolvimento parental]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Father and mother agreement]]></kwd>
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<kwd lng="en"><![CDATA[Types of involvement]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>O envolvimento paterno de crian&ccedil;as a frequentar o jardim-de-inf&acirc;ncia </b></p>      <p>&nbsp;</p>      <p>Mauro Pimenta (*), Manuela Ver&iacute;ssimo(**), L&iacute;gia Monteiro (**),    In&ecirc;s Pessoa E Costa (**)</p>      <p>&nbsp;</p>      <p>(*) FCT-SFRH/BD/24348/2005; UIPCDE, ISPA-IU,    Rua Jardim do Tabaco, 34, 1149-041 Lisboa; E-mail: <a href="mailto:mauropimenta@sapo.pt">mauropimenta@sapo.pt</a>.  </p>      <p>(**) UIPCDE, ISPA-IU, Rua Jardim do Tabaco,    34, 1149-041 Lisboa. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>RESUMO</p>      <p>A presente investiga&ccedil;&atilde;o teve como objectivo analisar se a participa&ccedil;&atilde;o do pai, relativamente &agrave; da m&atilde;e, varia consoante o tipo de actividade analisada, nomeadamente os Cuidados Directos e Indirectos; Ensino/Disciplina; Brincadeira; e Lazer no Exterior. 338 fam&iacute;lias bi-parentais, a viver na regi&atilde;o de Lisboa, participaram no estudo. As caracter&iacute;sticas individuais dos pais (idade e habilita&ccedil;&otilde;es liter&aacute;rias), da crian&ccedil;a (idade, g&eacute;nero, se &eacute; primog&eacute;nito, exist&ecirc;ncia de irm&atilde;os), e vari&aacute;veis de contexto/suporte social (n&uacute;mero de horas que os pais passam no emprego, n&uacute;mero de horas que as crian&ccedil;as passam no Jardim de Inf&acirc;ncia e idade em que a crian&ccedil;a come&ccedil;ou a frequentar o estabelecimento de ensino), foram analisadas como poss&iacute;veis factores explicativos do n&iacute;vel e tipo de envolvimento do pai. O estudo procurou ainda verificar a possibilidade de exist&ecirc;ncia de diferentes grupos de envolvimento. Os resultados apontam no sentido de um envolvimento paterno que flutua de acordo com a actividade em causa, sendo que a participa&ccedil;&atilde;o paterna tende a diminuir nos dom&iacute;nios dos Cuidados, onde as m&atilde;es assumem maior responsabilidade, e a aumentar nos restantes, onde se regista um envolvimento partilhado. Existem associa&ccedil;&otilde;es entre o envolvimento paterno e o n&uacute;mero de horas que a m&atilde;e despende no emprego, as habilita&ccedil;&otilde;es liter&aacute;rias maternas e a idade da crian&ccedil;a. Dado que o aumento destas tende a potenciar a participa&ccedil;&atilde;o paterna. Com base em An&aacute;lises de Clusters obtiveram-se 3 tipos de grupos consoante o tipo e n&iacute;vel de envolvimento: o Activo, o Interm&eacute;dio e o Tradicional Analisou-se ainda a concord&acirc;ncia parental tendo em conta os tr&ecirc;s grupos referidos ao n&iacute;vel do envolvimento, discutindo-se as poss&iacute;veis consequ&ecirc;ncias no funcionamento do sistema familiar. </p>      <p><i>Palavras chave: </i>Concord&acirc;ncia e discord&acirc;ncia parental, Envolvimento parental. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p>ABSTRACT</p>      <p>The aim of the study was to understand fathers&#8217; participation in different types of activities: Direct and Indirect Care; Teaching/Discipline; Play; and Outside Leisure. 338 bi-parental families from Lisbon/Portugal, participated in the study. Associations between fathers/mothers individual characteristics (e.g., age and educational level) as well as children&#8217;s (e.g., age, gender, order of birth and number of brothers), as well as context/social support variables (e.g., working schedule, number of hours children spend at pre-school) and father&#8217;s type and amount of involvement were analyzed. The study also sought to find the possibility of the existence of different groups of involvement. The results indicate that a father&#8217;s involvement usually fluctuates depending on the activity, however also decreasing in fields such as care, where mothers assume more responsibility but increase in other fields where there is a shared involvement. The input of paternal responsibility has also been noted to increase based on several differences such as the number of hours the mother spends at work, the maternal qualifications and child&#8217;s age. Results also showed the existence of different groups of involvement (paternal and maternal), particularly those such as the Active, Intermediate and the Traditional where characteristics were studied as well as agreements between both parents. </p>      <p><i>Key words: </i>Father and mother agreement, Father&#8217;s Involvement, Types of involvement. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>O ENVOLVIMENTO PATERNO</p>      <p>O interesse pelo envolvimento paterno no desenvolvimento da crian&ccedil;a, tal como a sua influ&ecirc;ncia no contexto familiar, tem aumentado de forma sustentada nas &uacute;ltimas tr&ecirc;s d&eacute;cadas (Monteiro, Fernandes, Ver&iacute;ssimo, Pessoa e Costa, Torres, &amp; Vaughn, 2010). As profundas altera&ccedil;&otilde;es, entretanto sofridas na economia, na pol&iacute;tica, na cultura e no dom&iacute;nio s&oacute;cio-demogr&aacute;fico acarretaram mudan&ccedil;as na estrutura tradicional da fam&iacute;lia e nas expectativas acerca dos pap&eacute;is a desempenhar pelas figuras parentais (Cabrera,  Tamis-LeMonda, Bradley, Hofferth, &amp; Lamb, 2000; Lamb, 2004; Parke, 1996; Torres, 2004). </p>      <p>A entrada massiva da mulher no mercado de trabalho &eacute; um exemplo disso. De acordo com o Instituto Nacional de Estat&iacute;stica (2007), em 2006, a taxa de actividade feminina em Portugal foi de 55.8% face a 69% dos homens. Um incremento substancial do n&uacute;mero de crian&ccedil;as em cuidados n&atilde;o maternos n&atilde;o &eacute; alheio a este aumento. Na educa&ccedil;&atilde;o pr&eacute;-escolar a frequ&ecirc;ncia subiu de 12,6% no final da d&eacute;cada de 70 para 77% em 2004/05, segundo o Gabinete de Estat&iacute;stica e Planeamento da Educa&ccedil;&atilde;o (2007). </p>      <p>O progenitor, providenciador de outrora, vai-se diluindo num pai mais presente e afectuoso, que pode combinar caracter&iacute;sticas t&iacute;pica e tradicionalmente masculinas, como a disciplina e a autoridade com especificidades usualmente atribu&iacute;das ao g&eacute;nero feminino, tais como a demonstra&ccedil;&atilde;o de afectos ou a presta&ccedil;&atilde;o de cuidados (Cabrera, Tamis-LeMonda, Lamb, &amp; Boller, 1999; Cabrera,  Tamis-LeMonda, Bradley, Hofferth, &amp; Lamb, 2000; Deutsch, 2001). </p>      <p>N&atilde;o &eacute; s&oacute; a mulher quem cada vez mais tem de se adaptar a m&uacute;ltiplas fun&ccedil;&otilde;es, tamb&eacute;m o homem se v&ecirc; for&ccedil;ado a faz&ecirc;-lo, aproximando-se de um dom&iacute;nio que &agrave; partida se poderia julgar, lhe seria desconcertantemente estranho, assim como aconteceu com a mulher relativamente ao dom&iacute;nio profissional, com os resultados que t&atilde;o bem conhecemos (Brazelton, 2005). Emerge assim um novo ideal de &#8220;partilha parental&#8221;, onde a divis&atilde;o de tarefas centrada no g&eacute;nero se tornou obsoleta (Cabrera et al., 1999, 2000; Deutsch, 2001). </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Neste sentido, Balancho (2004) comparou as representa&ccedil;&otilde;es acerca da paternidade entre duas diferentes gera&ccedil;&otilde;es, referentes a pais e av&oacute;s, constatando que as representa&ccedil;&otilde;es destes &uacute;ltimos correspondem a uma imagem de um pai mais tradicional, que se afigura atrav&eacute;s da autoridade e da disciplina ao mesmo tempo que se distancia emocionalmente da crian&ccedil;a. Pelo contr&aacute;rio, a gera&ccedil;&atilde;o actual &#8211; encarnada pelos pais &#8211; real&ccedil;a a capacidade de ser sens&iacute;vel, compreensivo e dialogante, de se envolver afectivamente com a crian&ccedil;a, partilhando a autoridade, emergindo assim de modo descontra&iacute;do e l&uacute;dico. Neste sentido, numa amostra de pais portugueses, Gouveia et al. (1991) observaram um elevado grau de participa&ccedil;&atilde;o nos cuidados prestados aos filhos no 1&ordm; ano de vida. </p>      <p>Por&eacute;m, nem sempre estas representa&ccedil;&otilde;es correspondem a uma realidade livre de ideias agrilhoadas a representa&ccedil;&otilde;es mais tradicionalistas, como comprovou Wall (2005). De acordo com o inqu&eacute;rito internacional &#8220;Fam&iacute;lias e pap&eacute;is de g&eacute;nero&#8221;, de 2002, coordenado pela autora, apesar de 93% dos portugueses considerarem que tanto a mulher como o homem devem contribuir para o rendimento familiar, 78% acredita que as crian&ccedil;as sofrem quando a m&atilde;e trabalha e 43% da popula&ccedil;&atilde;o defende que as m&atilde;es deveriam ficar em casa at&eacute; os filhos terem 6 anos de idade, percepcionando o trabalho materno como tendo um impacte negativo no estabelecimento das rela&ccedil;&otilde;es afectivas com a crian&ccedil;a. </p>      <p>Na perspectiva de m&atilde;es e pais portugueses, com crian&ccedil;as entre 1 e 6 anos de idade, Monteiro, Ver&iacute;ssimo, Castro e Oliveira (2006) constataram que &eacute; quase sempre a m&atilde;e a respons&aacute;vel pelas actividades relacionadas com as rotinas de cuidados prestados &agrave; crian&ccedil;a, assumindo o pai um papel de suporte, quando tal &eacute; necess&aacute;rio. </p>      <p>Na sociedade Ocidental, a mulher continua a assumir maiores responsabilidades nas &aacute;reas dos cuidados, relegando o pai, nesses dom&iacute;nios, para uma posi&ccedil;&atilde;o subalterna de onde apenas sai quando &eacute; necess&aacute;rio (Deutsch, 2001; Rohner &amp; Veneziano, 2001). Associada a esta imagem paterna surge a representa&ccedil;&atilde;o de companheiro de brincadeira (Monteiro et al., 2006; Monteiro, Ver&iacute;ssimo,  Santos, &amp; Vaughn, 2008), aproximando o pai de actividades l&uacute;dicas, enquanto o afasta de tarefas do foro dos cuidados (Rohner &amp; Veneziano, 2001). </p>      <p>Como se a cren&ccedil;a na exist&ecirc;ncia de uma predisposi&ccedil;&atilde;o materna desequilibrasse a balan&ccedil;a em desfavor do desejado envolvimento paterno (Craig, 2003), no que &agrave; presta&ccedil;&atilde;o de cuidados concerne, apontando-lhe defeitos e incapacidades relativamente a uma figura materna que se arvora, de acordo com essa cren&ccedil;a, de modo inato e evidente como mais competente. </p>      <p>Tamb&eacute;m convir&aacute; n&atilde;o reduzir a participa&ccedil;&atilde;o do pai, ou mesmo o cuidar partilhado, a benef&iacute;cios constantes para a crian&ccedil;a (Lamb, 1987), registando-se  estudos onde n&atilde;o se verificou qualquer associa&ccedil;&atilde;o ou relatou-se mesmo uma interac&ccedil;&atilde;o negativa entre as vari&aacute;veis em causa (e.g., Brown, McBride, Shin, &amp; Bost,  2007; Cox, Owen, Henderson, &amp; Margand., 1992; Easterbrooks &amp; Goldberg, 1984). H&aacute; pais que s&atilde;o for&ccedil;ados a assumir a responsabilidade pelos cuidados dos filhos (e.g., quando o pai perde o emprego e a m&atilde;e o mant&eacute;m), embora tal n&atilde;o seja reflexo do seu desejo ou do da m&atilde;e. Por isso apesar das actividades/contextos de participa&ccedil;&atilde;o do pai apontarem no sentido da promo&ccedil;&atilde;o do desenvolvimento da crian&ccedil;a, como o demonstram diversos estudos (Brown, McBride, Shin, &amp; Bost, 2007; Pleck &amp; Masciadrelli, 2004),  mais do que a quantidade de envolvimento, &eacute; a qualidade ou a rela&ccedil;&atilde;o entre quantidade e qualidade que parece ter maior impacte no desenvolvimento da crian&ccedil;a. </p>      <p>Emerge, assim, uma imagem da paternidade algo confusa, dada a flutua&ccedil;&atilde;o entre uma perspectiva modernista e tradicionalista, sendo que esta &uacute;ltima n&atilde;o parece desvanecer-se mesmo quando ambos os pais trabalham (Bailey, 1994; Craig, 2003; Peitz, Fthenakis, &amp; Kalicki, 2001). Talvez por isso Arendell (1996) constate, que embora alguns homens se evidenciem como mais participativos nas actividades com os filhos, relativamente aos seus pr&oacute;prios pais, no c&ocirc;mputo geral poucas s&atilde;o as mudan&ccedil;as que se concretizam, afirmando-se, assim, como mais modestas do que as cren&ccedil;as populares poderiam eventualmente aludir (Lamb &amp; Tamis-LeMonda, 2004; Parke, 1996; Pleck &amp; Masciadrelli, 2004). </p>      <p>Para Parke (1996) &eacute; importante efectuar duas distin&ccedil;&otilde;es. A primeira, de alguma forma j&aacute; abordada, contingente aos contextos e tipos de interac&ccedil;&atilde;o, designadamente ao n&iacute;vel do envolvimento nas tarefas de cuidados prestados &agrave; crian&ccedil;a e nas actividades de brincadeira/lazer. O que possibilita analisar de forma mais particular os pap&eacute;is parentais e a sua rela&ccedil;&atilde;o com o desenvolvimento da crian&ccedil;a. E a segunda, respeitante ao n&iacute;vel de envolvimento absoluto e relativo, defendendo que as fam&iacute;lias cujo envolvimento relativo das m&atilde;es &eacute; semelhante ao dos pais, originam ambientes claramente distintos para as crian&ccedil;as, comparativamente com aquelas em que o n&iacute;vel relativo de envolvimento &eacute; francamente d&iacute;spar. </p>      <p>Diversas investiga&ccedil;&otilde;es (e.g., Bailey, 1994; Deutsch, 2001; Levy-Shiff &amp; Israelashvili, 1988; Monteiro et al., 2006; Monteiro, Ver&iacute;ssimo, Santos, &amp; Vaughn, 2008) identificam a exist&ecirc;ncia de diferentes padr&otilde;es de responsabilidade e participa&ccedil;&atilde;o paterna em fun&ccedil;&atilde;o do tipo de actividade, dado que, como referido, as tarefas de organiza&ccedil;&atilde;o/cuidados (Pr&aacute;ticas) eram normalmente desempenhadas pelas m&atilde;es, enquanto as actividades de brincadeira/lazer (L&uacute;dicas) eram partilhadas de modo igualit&aacute;rio por ambos os pais (e.g., Bailey, 1994; Beitel &amp; Parke, 1998; Monteiro, Ver&iacute;ssimo, Santos, &amp; Vaughn, 2008; Pleck &amp; Masciadrelli, 2004), o que ali&aacute;s vem ao encontro de outros trabalhos desenvolvidos com crian&ccedil;as em idade pr&eacute;-escolar (e.g., Peitz et al., 2001). </p>      <p>Todavia, de acordo com alguns autores (e.g., Monteiro et al., 2010; Parke, 1996; Tamis-LeMonda, 2004) se dentro dos cuidados prestados &agrave; crian&ccedil;a, considerarmos os Cuidados Directos e Indirectos, tamb&eacute;m poderemos encontrar diferen&ccedil;as quanto &agrave; participa&ccedil;&atilde;o paterna. Nos Cuidados Directos, respeitantes &agrave;s interac&ccedil;&otilde;es quotidianas directas, a autora verificou uma partilha igualit&aacute;ria, ao contr&aacute;rio do observado em diferentes trabalhos (e.g., Monteiro et al., 2006; Monteiro,  Ver&iacute;ssimo, Santos, &amp; Vaughn, 2008; Tamis-LeMonda, 2004; Torres, 2004), onde o pai se limitava a assumir um papel de suporte ou de ajuda quando necess&aacute;rio. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No que aos Cuidados Indirectos concerne, relacionados com a organiza&ccedil;&atilde;o/planeamento de actividades respeitantes &agrave; crian&ccedil;a, mas que podem prescindir da sua presen&ccedil;a ou se demarcam das suas necessidades imediatas, a autora confirmou uma vez mais uma divis&atilde;o tradicional, voltando a m&atilde;e a assumir-se como principal respons&aacute;vel. </p>      <p>O envolvimento parental pode relacionar-se com algumas caracter&iacute;sticas dos pais, das pr&oacute;prias crian&ccedil;as, assim como, com vari&aacute;veis de contexto, que tanto podem exercer constrangimento de modo isolado como podem agir em conluio (Arendell, 1996). O grau de envolvimento paterno, em fam&iacute;lias onde o pai e a m&atilde;e est&atilde;o presentes, depende do facto da m&atilde;e estar ou n&atilde;o a trabalhar (Lamb, Plack, Charnov, &amp; Levine, 1987). Conv&eacute;m sublinhar tamb&eacute;m, que a maior discrep&acirc;ncia n&atilde;o diz respeito nem &agrave; interac&ccedil;&atilde;o directa com as crian&ccedil;as, nem ao tempo em que se encontram dispon&iacute;veis para as mesmas, mas sim na responsabilidade, frequentemente associada ao dom&iacute;nio materno. No caso da m&atilde;e trabalhar, tal como o pai, a participa&ccedil;&atilde;o deste, relativamente &agrave; m&atilde;e, nas actividades das crian&ccedil;as, &eacute; significativamente maior, pelo menos se comparada com fam&iacute;lias onde a m&atilde;e est&aacute; em casa (Bailey, 1994). Assim,  o aumento do n&uacute;mero de horas passadas pela m&atilde;e no trabalho parece promover a participa&ccedil;&atilde;o paterna, embora esta tamb&eacute;m seja condicionada pelo n&uacute;mero de horas de trabalho do pai. </p>      <p>No entanto, neste dom&iacute;nio, os resultados n&atilde;o deixam de ser contradit&oacute;rios, uma vez que de acordo com Laflamme, Pomerleau e Malciut (2002), o emprego materno parece ter pouco impacte na percep&ccedil;&atilde;o que pai e m&atilde;e t&ecirc;m sobre a partilha da responsabilidade parental. Desta forma, embora se registe um aumento do envolvimento paterno, relativamente &agrave; m&atilde;e, n&atilde;o se comprovam as suas raz&otilde;es ou qualidade, podendo tal justificar-se muito simplesmente atrav&eacute;s de um decr&eacute;scimo (quantitativo) do tempo materno dedicado aos filhos (Bailey, 1994; Cabrera et al.,  2000; Lamb, 1987). </p>      <p>Al&eacute;m disso, segundo Lewis e Lamb (2003), no caso de as m&atilde;es trabalharem tendem a estimular mais os filhos, se comparadas com as m&atilde;es que n&atilde;o trabalham, assim como parecem ser mais activas do que os pais. </p>      <p>O emprego por si s&oacute; poder&aacute; n&atilde;o ser uma justifica&ccedil;&atilde;o suficiente para o tipo de envolvimento paterno, pois de acordo com Levy-Schiff e Israelashvili (1988) as atitudes do pai e a percep&ccedil;&atilde;o que este tem do seu papel s&atilde;o factores incontorn&aacute;veis na medida do envolvimento paterno. </p>      <p>Para McBride e colaboradores (2005), os pais com mais idade tendem a envolver-se menos nos cuidados prestados &agrave; crian&ccedil;a, o que talvez se possa ficar a dever ao aspecto geracional e a uma perspectiva mais tradicional do seu papel, relegando para a mulher a responsabilidade da gest&atilde;o da vida familiar (Balancho, 2004). Pelo contr&aacute;rio, Lima (2005) verificou que eram os pais mais velhos os que assumiam maiores responsabilidades. Enquanto noutras amostras portuguesas (e.g., Monteiro et al., 2006) n&atilde;o se descortinaram quaisquer associa&ccedil;&otilde;es entre o envolvimento paterno nestas tarefas e a idade do pai. </p>      <p>Paquette (2004), associou a partilha de responsabilidade parental &agrave;s classes m&eacute;dia e m&eacute;dia alta. Por seu lado Gouveia et al. (1991) observaram, numa amostra portuguesa, uma menor participa&ccedil;&atilde;o paterna nas classes sociais mais extremadas, ou seja, nas mais baixas e nas mais altas. Grossman, Pollack e Golding (1988) salientam que o constructo de classe social &eacute; complexo e por vezes vago, aglutinando diferen&ccedil;as relevantes em dimens&otilde;es econ&oacute;micas e psicol&oacute;gicas. </p>      <p>O acesso a informa&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m poder&aacute; intervir no envolvimento parental, uma vez que &eacute; poss&iacute;vel encontrar diferen&ccedil;as significativas entre os n&iacute;veis de escolaridade dos pais (aspecto preponderante na defini&ccedil;&atilde;o do estatuto s&oacute;cio-econ&oacute;mico),  ao n&iacute;vel das Actividades Pr&aacute;ticas e L&uacute;dicas. O facto dos pais com habilita&ccedil;&otilde;es superiores associarem as actividades de brincadeira a uma estimula&ccedil;&atilde;o &agrave;s aprendizagens cognitivas e sociais dos filhos pode ajudar a compreender o seu maior envolvimento nesta &aacute;rea (Monteiro et al., 2006). </p>      <p>Neste sentido, a estes pais, que podem aceder com maior facilidade &agrave; informa&ccedil;&atilde;o existente, tamb&eacute;m poder&atilde;o corresponder representa&ccedil;&otilde;es dos pap&eacute;is dos g&eacute;neros mais flex&iacute;veis, que permitem uma postura mais participativa nas Actividades Pr&aacute;ticas (Levy-Shiff &amp; Israelashvilli, 1988). </p>      <p>Por outro lado, &agrave;s habilita&ccedil;&otilde;es liter&aacute;rias superiores poder&atilde;o associar-se mais frequentemente profiss&otilde;es mais liberais, que poder&atilde;o caracterizar-se por uma maior flexibilidade de hor&aacute;rios, o que poder&aacute; contribuir para uma mais f&aacute;cil concilia&ccedil;&atilde;o entre o trabalho e as actividades familiares (Monteiro et al., 2006). Para al&eacute;m disso, as mulheres com habilita&ccedil;&otilde;es liter&aacute;rias superiores tendem a investir mais nas suas carreiras profissionais, permitindo e desejando que os pais se envolvam mais na organiza&ccedil;&atilde;o e presta&ccedil;&atilde;o de cuidados (Monteiro et al., 2006). </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>De acordo com Pleck (1982) n&atilde;o s&oacute; as atitudes dos pais face ao envolvimento paterno sofreram altera&ccedil;&otilde;es, tamb&eacute;m as m&atilde;es, embora lentamente, parecem caminhar nesse sentido, ostentando, cada vez mais, um agrado crescente com a extens&atilde;o e o tipo de actividades em que o pai se encontra implicado. Estas altera&ccedil;&otilde;es poder&atilde;o relacionar-se com as cren&ccedil;as, atitudes e expectativas das m&atilde;es face &agrave; maternidade e ao papel e compet&ecirc;ncias dos pais. Alguns autores (e.g., Allen &amp; Hawkins, 1999; Fagan &amp; Barnett, 2003; McBride, Brown, Bost, Shin, Vaughn, &amp; Korth, 2005; Schoppe-Sullivan, Brown, Cannon, Mangelsdorf, &amp; Sokolowski, 2008) referem o conceito de <i>gatekeepers</i>, insinuando que as m&atilde;es atrav&eacute;s da sua ac&ccedil;&atilde;o podem definir e restringir os pap&eacute;is e responsabilidades desempenhados pelos pais no contexto familiar. </p>      <p>Outro elemento a ter em considera&ccedil;&atilde;o no tipo de envolvimento paterno ser&aacute; naturalmente a crian&ccedil;a, as suas caracter&iacute;sticas tamb&eacute;m afectam a forma como o pai interage, o que poder&aacute; auxiliar a compreender a variabilidade desse envolvimento no contexto familiar. Levy-Shiff e Israelashvili (1988) constataram um tratamento diferencial mais acentuado por parte dos pais nas Actividades L&uacute;dicas, do que nas de presta&ccedil;&atilde;o de Cuidados. No entanto, Bailey (1994) n&atilde;o observou qualquer tratamento diferencial dos pais durante o per&iacute;odo pr&eacute;-escolar, o que se encontra em sintonia com Pleck e Masciadrelli (2004), que vincam uma menor influ&ecirc;ncia do g&eacute;nero sobre o envolvimento paterno relativamente a d&eacute;cadas anteriores. </p>      <p>No que respeita &agrave; idade e de acordo com Lamb (1987), os pais, tal como as m&atilde;es, despendem mais tempo nas tarefas de Cuidados com as crian&ccedil;as mais novas. Pelo contr&aacute;rio, Bailey (1994) apurou um aumento do envolvimento paterno na &aacute;rea da presta&ccedil;&atilde;o de Cuidados entre o primeiro e o quinto anivers&aacute;rio das crian&ccedil;as. Por sua vez, o envolvimento do pai nas actividades de brincadeira e no exterior de casa mant&eacute;m-se est&aacute;vel entre os 9 e os 15 meses (Laflamme, Pomerleau, &amp; Malciut, 2002). </p>      <p>De acordo com Monteiro et al. (2006) n&atilde;o parece haver qualquer rela&ccedil;&atilde;o entre a idade de entrada na creche/jardim-de-inf&acirc;ncia e a partilha parental nos dois tipos de actividades, n&atilde;o acontecendo o mesmo relativamente ao n&uacute;mero de horas que a crian&ccedil;a passa na institui&ccedil;&atilde;o. Quanto maior &eacute; o n&uacute;mero de horas passadas no estabelecimento de ensino, maior &eacute; a partilha parental nas Actividades Pr&aacute;ticas (na perspectiva de ambos os pais) e L&uacute;dicas (embora aqui apenas na perspectiva do pai). </p>      <p>Tendo em conta os diferentes estudos tratados, assim como as respectivas contradi&ccedil;&otilde;es, respons&aacute;veis por alguma aus&ecirc;ncia de consenso em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; forma como as caracter&iacute;sticas dos pais, das crian&ccedil;as e do pr&oacute;prio contexto social podem estar associadas a partilha de responsabilidade parental &eacute; pertinente voltar a averiguar se no quadro dos diferentes tipos de actividades ponderadas (cuidados e socializa&ccedil;&atilde;o) a exist&ecirc;ncia de uma participa&ccedil;&atilde;o tradicional ou igualit&aacute;ria (Monteiro et al., 2010).  Um outro objectivo &eacute; analisar os diferentes factores associados ao envolvimento parental: vari&aacute;veis dos pais (idade e habilita&ccedil;&otilde;es liter&aacute;rias) da crian&ccedil;a (idade, g&eacute;nero, se &eacute; primog&eacute;nito, exist&ecirc;ncia de irm&atilde;os) e do contexto/suporte social (n&uacute;mero de horas que os pais passam no emprego, n&uacute;mero de horas que as crian&ccedil;as passam no Jardim de Inf&acirc;ncia e idade em que a crian&ccedil;a come&ccedil;ou a frequentar o estabelecimento de ensino). </p>      <p>Tendo em conta a literatura existente que coincide na diverg&ecirc;ncia face &agrave; concep&ccedil;&atilde;o unidimensional e do papel do pai (Lamb, 1987, 2004; Parke, 1996) pretendemos, ainda, identificar e descrever poss&iacute;veis modelos/tipos de envolvimento parental, assim como compreender a rela&ccedil;&atilde;o de concord&acirc;ncia entre esses diferentes grupos paternos e maternos. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>M&Eacute;TODO</p>      <p><i>Participantes</i></p>      <p>Neste estudo participaram 338 fam&iacute;lias biparentais, casados ou em uni&atilde;o de facto. As crian&ccedil;as tinham idades compreendidas entre 31 e 78 meses (<i>M</i>=56.21, <i>DP</i>=10.32), sendo 169 do sexo feminino e 160 do sexo masculino. 210 eram filhos primog&eacute;nitos e 123 tinham pelo menos um irm&atilde;o. O in&iacute;cio de frequ&ecirc;ncia da creche oscilou entre os 3 e os 63 meses (<i>M</i>=22.76, <i>DP</i>=14.29) e as crian&ccedil;as passavam entre 3 e 12 horas por dia (<i>M</i>=8.36, <i>DP</i>=1.29) em contexto escolar. As m&atilde;es tinham idades compreendidas entre os 23 e 48 anos (<i>M</i>=34.66, <i>DP</i>=4.43) e os pais entre os 23 e os 62 (<i>M</i>=36.99, <i>DP</i>=5.88). As habilita&ccedil;&otilde;es liter&aacute;rias das m&atilde;es variavam entre os 4 e os 22 anos de escolaridade (<i>M</i>=13.31, <i>DP</i>=3.76) e a dos pais entre 4 e 19 anos de escolaridade (<i>M</i>=12.34, <i>DP</i>=3.81). Em m&eacute;dia, as m&atilde;es passavam 7.89 horas di&aacute;rias no local de trabalho, enquanto os pais despendiam diariamente 8.64 horas. As crian&ccedil;as frequentavam Jardins-de-Inf&acirc;ncia do Distrito de Lisboa, tendo as fam&iacute;lias sido recrutadas para o estudo atrav&eacute;s dos mesmos. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p><i>Escala de envolvimento parental: Actividades de cuidados e de socializa&ccedil;&atilde;o (Monteiro, Ver&iacute;ssimo, &amp; Pessoa e Costa, 2008) </i></p>      <p>A Escala de Envolvimento Parental: Actividades de Cuidados e de Socializa&ccedil;&atilde;o (Monteiro, Ver&iacute;ssimo, &amp; Pessoa e Costa, 2008) &eacute; uma reformula&ccedil;&atilde;o do question&aacute;rio de Monteiro, Ver&iacute;ssimo, Santos e Vaughn (2008), Crouter, Perry-Jenkins, Huston e McHale (1987),  Hawng e Lamb (1997), na qual se procurou avaliar a participa&ccedil;&atilde;o de pais e m&atilde;es em diferentes tarefas relacionadas com a crian&ccedil;a, quer no dom&iacute;nio dos cuidados, quer da socializa&ccedil;&atilde;o.</p>      <p>O question&aacute;rio &eacute; composto por 26 itens, que remetem, essencialmente, para cinco dimens&otilde;es: <i>cuidados directos </i>&#8211; itens 1, 2, 3, 4 e 6 (e.g., &#8220;quem d&aacute; banho ao seu filho&#8221; e &#8220;quem vai deitar o seu filho&#8221;); <i>cuidados indirectos </i>&#8211; itens 5, 7, 8, 23, 24, 25 e 26 (e.g., &#8220;quem &eacute; respons&aacute;vel pela ida ao m&eacute;dico do seu filho&#8221; e &#8220;quem leva e traz o seu filho &agrave;  escola&#8221;); <i>ensino e disciplina </i>&#8211; itens 15, 16, 17, 18 e 19 (e.g., &#8220;quem ensina ao seu filho novas compet&ecirc;ncias&#8221; e &#8220;quem faz cumprir as regras&#8221;); <i>brincadeira </i>&#8211; itens 11, 12, 13, 14 e 22 (e.g., &#8220;quem brinca com o seu filho&#8221; e &#8220;quem l&ecirc; hist&oacute;rias ao seu filho&#8221;); <i>actividades de lazer no exterior </i>&#8211; itens 9, 10, 20 e 21 (e.g., &#8220;quem leva o seu filho &agrave;s festas de anos&#8221; e &#8220;quem leva o seu filho ao parque infantil&#8221;). As respostas deveriam ser dadas numa escala de cinco pontos &#8211; (1) sempre a m&atilde;e, (2) mais frequentemente a m&atilde;e, (3) tanto a m&atilde;e como o pai, (4) mais frequentemente o pai, (5) sempre o pai &#8211; e avaliadas numa perspectiva relativa, ou seja, a participa&ccedil;&atilde;o &eacute; analisada por compara&ccedil;&atilde;o com a outra figura parental. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>RESULTADOS</p>      <p>Os Alfas de Cronbach para as cinco dimens&otilde;es apresentam valores aceit&aacute;veis de fiabilidade para ambos os pais como ilustra a Tabela 1. Como se pode observar na mesma tabela, as M&eacute;dias das dimens&otilde;es relativas aos Cuidados Directos e Indirectos s&atilde;o mais frequentemente responsabilidade da m&atilde;e. Enquanto se verifica uma partilha das actividades expostas nas restantes dimens&otilde;es: Ensino/Disciplina, Brincadeira e Actividades de Lazer no Exterior. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>TABELA 1</p>      <p><i>M&eacute;dia, desvio-padr&atilde;o e alfa de Cronbach das respostas maternas e paternas quanto ao envolvimento parental</i></p> <img src="/img/revistas/aps/v28n4/28n4a02t1.gif">      
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p><i>Vari&aacute;veis s&oacute;cio-demogr&aacute;ficas </i></p>      <p>Atrav&eacute;s do Coeficiente de Correla&ccedil;&atilde;o de <i>Pearson</i><i> </i>verificou-se que n&atilde;o existem correla&ccedil;&otilde;es significativas entre a idade da m&atilde;e e as diferentes dimens&otilde;es do envolvimento, o mesmo se verificando em rela&ccedil;&atilde;o ao pai. N&atilde;o existem correla&ccedil;&otilde;es significativas entre as habilita&ccedil;&otilde;es liter&aacute;rias da m&atilde;e e do pai e as dimens&otilde;es do envolvimento. Finalmente, encontramos uma correla&ccedil;&atilde;o significativa e positiva entre o n&uacute;mero de horas de trabalho da m&atilde;e e o envolvimento parental (na opini&atilde;o da m&atilde;e) para os cuidados indirectos (<i>r</i>=0.23; <i>p</i>&lt;0.01), para o ensino/disciplina (<i>r</i>=0.16; <i>p</i>&lt;0.05) e para o Lazer (<i>r</i>=0.18; <i>p</i>&lt;0.05). Estes resultados indicam que quanto mais horas a m&atilde;e despende no trabalho mais o pai colabora nos diferentes cuidados &agrave; crian&ccedil;a. Analisando a perspectiva do pai, encontramos uma correla&ccedil;&atilde;o positiva e significativa entre a idade da crian&ccedil;a e o envolvimento do pai, nas actividades relativas &agrave; Brincadeira (<i>r</i>=0.12, <i>p</i>&lt;0.05). </p>      <p>&nbsp;</p>      <p><i>Concord&acirc;ncia entre as representa&ccedil;&otilde;es parentais </i></p>      <p>Utilizando o Coeficiente de Correla&ccedil;&atilde;o de Pearson, obtiveram-se os seguintes valores de concord&acirc;ncia entre as respostas maternas e paternas para as cinco dimens&otilde;es do question&aacute;rio: Cuidados Directos (<i>r</i>=0.78, <i>p</i>&lt;0.0.001), Cuidados Indirectos (<i>r</i>=0.73 <i>p</i>&lt;0.0.001), Disciplina (<i>r</i>=0.59 <i>p</i>&lt;0.0.001), Brincadeira (<i>r</i>=0.68 <i>p</i>&lt;0.0.001) e Actividades de Lazer no Exterior (<i>r</i>=0.73 <i>p</i>&lt;0.001). Regista-se assim concord&acirc;ncia entre as respostas de ambos os pais, embora com valores mais discretos na &aacute;rea da Disciplina. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p><i>Tipos de envolvimento materno </i></p>      <p>De seguida realiz&aacute;mos uma an&aacute;lise de cluster (m&eacute;todo de Ward) para classificar as m&atilde;es de acordo com as dimens&otilde;es contempladas no question&aacute;rio de envolvimento. A an&aacute;lise hier&aacute;rquica de clusters permitiu, assim, dividir a amostra em grupos, fornecendo uma an&aacute;lise detalhada dos mesmos nas dimens&otilde;es reflectidas nos itens do question&aacute;rio. O dendograma permitiu identificar 3 grupos distintos. Uma an&aacute;lise de vari&acirc;ncia distinguiu os 3 grupos ao n&iacute;vel dos cuidados directos [<i>F</i>(3,325)=53.18, <i>p</i>&lt;0.01], cuidados indirectos [<i>F</i>(2,326)=44.96, <i>p</i>&lt;0.01], Disciplina [<i>F</i>(2,326)=10.91, <i>p</i>&lt;0.01], Brincadeira [<i>F</i>(2,326)=24.71, <i>p</i>&lt;0.01], e Actividades de Lazer no Exterior [<i>F</i>(2,326)= 51.71, <i>p</i>&lt;0.01]. An&aacute;lises <i>post</i><i> hoc </i>utilizando o teste de Scheff&eacute; demonstraram diferen&ccedil;as significativas entre todos os grupos para todas as dimens&otilde;es. </p>      <p>No primeiro grupo (<i>interm&eacute;dio</i>) constitu&iacute;do por 219 sujeitos, e segundo a opini&atilde;o das m&atilde;es, estas parecem assumir de modo inequ&iacute;voco maior participa&ccedil;&atilde;o nas tarefas relacionadas com os Cuidados directos e indirectos, n&atilde;o se verificando o mesmo com a Disciplina, onde esse predom&iacute;nio se esbate claramente, e nos dois dom&iacute;nios restantes (Brincadeira e Lazer), onde se regista uma partilha das tarefas entre ambos os pais. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No segundo grupo (<i>activo</i>) constitu&iacute;do por 89 sujeitos, sob o ponto de vista das m&atilde;es, os pais assumem um papel mais activo, adoptando mesmo maior responsabilidade nas tarefas relativas ao dom&iacute;nio da Brincadeira, registando-se uma partilha das actividades realizadas no &acirc;mbito dos Cuidados Directos, do Lazer, e embora de modo mais discreto no dom&iacute;nio da Disciplina, onde as m&atilde;es assumem maior responsabilidade, que se acentua claramente no dom&iacute;nio dos Cuidados Indirectos. </p>      <p>No terceiro grupo (<i>Tradicional</i>) constitu&iacute;do por 21 sujeitos, e de acordo com as m&atilde;es, estas assumem um papel francamente mais presente face aos pais, algo claramente avocado nas tarefas desenvolvidas no &acirc;mbito dos Cuidados, onde a presen&ccedil;a paterna &eacute; praticamente residual. Esta maior responsabilidade materna tem continuidade nas tr&ecirc;s restantes &aacute;reas, embora de forma atenuada, especialmente no dom&iacute;nio da Brincadeira, &aacute;rea onde os pais mais parecem colaborar do ponto de vista materno. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>FIGURA 1</p>      <p><i>Classifica&ccedil;&atilde;o dos grupos de m&atilde;es em fun&ccedil;&atilde;o das dimens&otilde;es consideradas no question&aacute;rio de envolvimento</i></p> <img src="/img/revistas/aps/v28n4/28n4a02f1.gif">      
<p>&nbsp;</p>      <p><i>Tipos de envolvimento materno e vari&aacute;veis s&oacute;cio-demogr&aacute;ficas </i></p>      <p>Uma an&aacute;lise de vari&acirc;ncia demonstrou a exist&ecirc;ncia de diferen&ccedil;as significativas entre os tr&ecirc;s tipos de envolvimento na perspectiva da m&atilde;e e as habilita&ccedil;&otilde;es liter&aacute;rias da m&atilde;e [<i>F</i>(2,335)=3.47, <i>p</i>&lt;0.05] e o n&uacute;mero de horas que passam no emprego [<i>F</i>(2,335)=3.56, <i>p</i>&lt;0.05]. No entanto, uma an&aacute;lise <i>Post</i><i> hoc </i>com o teste de Scheff&eacute;, demonstrou a inexist&ecirc;ncia de diferen&ccedil;as entre o grupo <i>Activo </i>e o grupo <i>Interm&eacute;dio</i>. As m&atilde;es do grupo <i>Tradicional </i>apresentam menos habilita&ccedil;&otilde;es liter&aacute;rias e passam menos horas no trabalho do que as m&atilde;es dos outros dois grupos. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p><i>Tipos de envolvimento paterno </i></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Realizou-se o mesmo procedimento relativamente aos pais. Uma an&aacute;lise de vari&acirc;ncia permitiu distinguir os 3 grupos ao n&iacute;vel dos Cuidados Directos [<i>F</i>(3,325)=117.01, <i>p</i>&lt;0.01], Cuidados Indirectos [<i>F</i>(2,326)=75.15, <i>p</i>&lt;0.01], Disciplina [<i>F</i>(2,326)=19.51, <i>p</i>&lt;0.01], Brincadeira [<i>F</i>(2,326)=66.02, <i>p</i>&lt;0.01] e Actividades de Lazer no Exterior [<i>F</i>(2,326)=103.25, <i>p</i>&lt;0.01]. An&aacute;lises <i>post</i><i> hoc </i>utilizando o teste de Scheff&eacute; demonstraram diferen&ccedil;as significativas entre todos os grupos, excepto para as dimens&otilde;es cuidados indirectos e Lazer entre os grupos Interm&eacute;dio e Activo. </p>      <p>No Grupo <i>Interm&eacute;dio</i>, o primeiro, constitu&iacute;do por 239 sujeitos, tendo em conta a perspectiva dos pais, estes parecem assumir menor responsabilidade ao n&iacute;vel dos Cuidados, quer Directos, quer Indirectos. Em rela&ccedil;&atilde;o aos restantes dom&iacute;nios, o equil&iacute;brio parece ser dominante, registando-se um envolvimento de ambos os pais. </p>      <p>No Grupo <i>Activo</i>, o segundo, composto por 26 sujeitos, os pais parecem estar mais presentes, assumindo maior envolvimento nos dom&iacute;nios da Brincadeira e dos Cuidados Directos. Assinalando-se uma partilha das tarefas entre ambos os pais nas &aacute;reas da Disciplina e do Lazer, do ponto de vista paterno. Por&eacute;m, no que diz respeito aos Cuidados Indirectos o menor envolvimento paterno parece ser a nota dominante. </p>      <p>No Grupo <i>Tradicional</i>, o terceiro, constitu&iacute;do por 64 sujeitos, o menor envolvimento paterno parece caracterizar transversalmente as &aacute;reas consideradas. Todavia, esse dom&iacute;nio torna-se mais discreto, do ponto de vista paterno, na &aacute;rea do Lazer e em ambas as &aacute;reas dos Cuidados, onde se parece agravar. Neste grupo, o menor envolvimento paterno, de acordo com os pais, atenua-se apenas nos dom&iacute;nios da Disciplina e da Brincadeira, onde se aproxima da partilha de tarefas. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>FIGURA 2</p>      <p><i>Classifica&ccedil;&atilde;o dos grupos de pais em fun&ccedil;&atilde;o das dimens&otilde;es consideradas no question&aacute;rio de envolvimento</i></p> <img src="/img/revistas/aps/v28n4/28n4a02f2.gif">      
<p>&nbsp;</p>      <p><i>Tipos de envolvimento paterno e vari&aacute;veis s&oacute;cio-demogr&aacute;ficas </i></p>      <p>Uma an&aacute;lise de vari&acirc;ncia demonstrou que, contrariamente aos dados maternos n&atilde;o existem diferen&ccedil;as significativas entre os tr&ecirc;s tipos de envolvimento na perspectiva do pai e as habilita&ccedil;&otilde;es liter&aacute;rias paternas [<i>F</i>(2,335)=2.17, <i>p</i>&lt;0.05], o n&uacute;mero de horas que passam no emprego [<i>F</i>(2,335)=1.6, <i>p</i>&lt;0.05] e a idade do pai [<i>F</i>(2,335)=1,97, <i>p</i>&lt;0.05]. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>defendem uma partilha onde o pai parece estar menos presente. Por&eacute;m, em cinco dos casos onde a m&atilde;e adopta uma postura coerente com as caracter&iacute;sticas do Grupo Tradicional, o pai discorda, julgando-se mais envolvido (Grupo Interm&eacute;dio). N&atilde;o se verifica nenhum caso de disc&oacute;rdia mais extremado, onde a m&atilde;e defenderia um menor envolvimento do pai (Grupo Tradicional), enquanto segundo a opini&atilde;o paterna, o pai estivesse francamente mais presente (Grupo Activo). </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>TABELA 2</p>      <p><i>Concord&acirc;ncia entre os grupos Interm&eacute;dio, Activo e Tradicional de ambos os pais</i></p> <img src="/img/revistas/aps/v28n4/28n4a02t2.gif">      
<p>&nbsp;</p>      <p>Num total de 329 casais, 219 m&atilde;es fazem parte do Grupo Interm&eacute;dio, verificando-se que 185 destas m&atilde;es est&atilde;o de acordo com o pai quanto ao envolvimento de ambos. No entanto, em 34 dos casos considerados os pais n&atilde;o se encontram de acordo, pois enquanto as m&atilde;es assumem uma partilha cujas caracter&iacute;sticas se enquadram no Grupo Interm&eacute;dio, 23 pais julgam-se claramente mais envolvidos (Grupo Activo), enquanto 11 parecem adoptar uma atitude mais tradicional. </p>      <p>Das 89 m&atilde;es conotadas com uma partilha onde o pai est&aacute; mais presente (Grupo Activo), apenas 3 encontram eco na opini&atilde;o dos pais, Nos restantes casos, os pais assumem uma posi&ccedil;&atilde;o de evidente disc&oacute;rdia, uma vez que de acordo com 49 pais, a partilha n&atilde;o se afirma de modo t&atilde;o evidente, estando assim integrados no Grupo Interm&eacute;dio, desfasagem que &eacute; potenciada nos 37 pais, cuja opini&atilde;o os inclui no Grupo Tradicional, correspondente a um menor envolvimento paterno. </p>      <p>As opini&otilde;es dos pais voltam a convergir no terceiro grupo, o Tradicional, onde 16 casais </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>DISCUSS&Atilde;O</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As diversas transforma&ccedil;&otilde;es ocorridas, especialmente na segunda metade do &uacute;ltimo s&eacute;culo, n&atilde;o puderam deixar de interferir na ecologia familiar, alertando para uma aproxima&ccedil;&atilde;o dos pap&eacute;is paterno e materno, face &agrave; presta&ccedil;&atilde;o dos cuidados di&aacute;rios e ao estabelecimento de interac&ccedil;&otilde;es sociais com os filhos. </p>      <p>Procurando responder ao primeiro objectivo gizado, aquilatar a exist&ecirc;ncia de uma participa&ccedil;&atilde;o igualit&aacute;ria ou tradicional nos diferentes tipos de actividades, ao mesmo tempo que se pretende compreender como essas transforma&ccedil;&otilde;es se concretizaram no contexto familiar, verificou-se que o envolvimento dos pais oscila consoante as actividades ponderadas. </p>      <p>Das cinco dimens&otilde;es consideradas, e de acordo com a opini&atilde;o geral dos casais estudados, as m&atilde;es assumem mais frequentemente responsabilidades nas &aacute;reas dos Cuidados Directos e Indirectos. Algo que n&atilde;o se verifica nos restantes tr&ecirc;s dom&iacute;nios, designadamente na Disciplina, na Brincadeira e no Lazer no Exterior, onde os pais assumem um envolvimento mais activo, partilhando com a m&atilde;e as respectivas responsabilidades. </p>      <p>Estes resultados corroboram as conclus&otilde;es de Monteiro et al. (2006), que identificam a exist&ecirc;ncia de diferentes padr&otilde;es de participa&ccedil;&atilde;o paterna em fun&ccedil;&atilde;o do tipo de actividade, dado que, como referido, as tarefas de organiza&ccedil;&atilde;o/ cuidados (Pr&aacute;ticas) eram normalmente desempenhadas pelas m&atilde;es, enquanto as actividades de brincadeira/lazer (L&uacute;dicas) eram partilhadas de modo igualit&aacute;rio por ambos os pais, o que ali&aacute;s vem ao encontro de outros trabalhos desenvolvidos com crian&ccedil;as em idade pr&eacute;-escolar (e.g., Bailey, 1994; Peitz et al., 2001). </p>      <p>A imagem cultural da mulher como primeira prestadora de cuidados e o pai como figura substituta, que interv&eacute;m apenas quando necess&aacute;rio, ou apenas como companheiro de brincadeira, &eacute; ainda uma convic&ccedil;&atilde;o enraizada na sociedade Ocidental (Deutsch, 2001; Rohner &amp; Veneziano, 2001). N&atilde;o h&aacute; muito tempo (uma d&eacute;cada) parecia mais f&aacute;cil tolerar a colagem do pai a actividades l&uacute;dicas (Monteiro et al., 2006; Monteiro, Ver&iacute;ssimo, Santos, &amp; Vaughn, 2008) que a actividades relacionadas com a presta&ccedil;&atilde;o de cuidados, consideradas pouco masculinas (Rohner &amp; Veneziano, 2001). Aspecto ao qual n&atilde;o ser&aacute; alheia a cren&ccedil;a de que as crian&ccedil;as mant&ecirc;m com as m&atilde;es um la&ccedil;o afectivo especial, o que poder&aacute; levar alguns pais a acreditar que n&atilde;o podem cuidar delas do mesmo modo (Beitel &amp; Parke, 1998; Russel, 1983). </p>      <p>Outro aspecto relevante poder&aacute; ser as press&otilde;es sociais exercidas, que oscilam consoante o alvo &eacute; o pai ou a m&atilde;e, pois parece haver uma tend&ecirc;ncia social para aliviar o homem em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s exig&ecirc;ncias referentes aos cuidados prestados aos filhos, esperando-se deste um maior investimento ao n&iacute;vel profissional, enquanto, para a mulher as expectativas de desempenho profissional s&atilde;o menores, dado que, socialmente, &eacute; aceite ser ela a respons&aacute;vel directa pela fam&iacute;lia (Torres, 2004). </p>      <p>Tamb&eacute;m &eacute; certo que &agrave;s actividades l&uacute;dicas surgem mais frequentemente associados hor&aacute;rios (mais) flex&iacute;veis, que por isso se moldam mais facilmente &agrave; disponibilidade dos pais, para al&eacute;m de poderem ser intervaladas com outras actividades, ao contr&aacute;rio do que acontece com os cuidados, orientados pelas necessidades imediatas da crian&ccedil;a. Assim sendo, s&atilde;o as m&atilde;es quem tem de gerir a sua disponibilidade, vendo-se frequentemente for&ccedil;adas a realizar tarefas em simult&acirc;neo, procurando desta forma, n&atilde;o penalizar o tempo dispendido em actividades mais valorizadas, como conversar, brincar ou ler. Por seu lado os pais gastam mais tempo a realizar estas actividades em exclusivo (Craig, 2003, 2006). </p>      <p>Bem entendido, estes resultados parecem apontar para uma altern&acirc;ncia entre uma participa&ccedil;&atilde;o tradicional ao n&iacute;vel dos cuidados e uma participa&ccedil;&atilde;o partilhada nas actividades de socializa&ccedil;&atilde;o, isto &eacute;, na pr&aacute;tica, e apesar das cren&ccedil;as de que os pap&eacute;is parentais devem ser partilhados, as altera&ccedil;&otilde;es afiguram-se mais morosas, persistindo ainda um padr&atilde;o espec&iacute;fico, assente no g&eacute;nero (Lamb &amp; Tamis-LeMonda, 2004; Monteiro, Ver&iacute;ssimo, Santos, &amp; Vaughn, 2008; Pleck &amp; Masciadrelli, 2004). </p>      <p>Por&eacute;m estes primeiros resultados, n&atilde;o convergem apenas no sentido de uma imagem paterna mais tradicionalista, que at&eacute; poderia sair refor&ccedil;ada caso nos debru&ccedil;&aacute;ssemos sobre o dom&iacute;nio da Disciplina, cuja partilha e consequente maior envolvimento paterno poderiam facilmente associar-se a uma representa&ccedil;&atilde;o do pai que se impunha atrav&eacute;s da autoridade e da disciplina ao mesmo tempo que se distanciava emocionalmente da crian&ccedil;a (Balancho, 2004). </p>      <p>Por&eacute;m, h&aacute; que considerar que esta interpreta&ccedil;&atilde;o revelar-se-ia algo redutora, dado o vincado envolvimento paterno nas &aacute;reas da Brincadeira e do Lazer no Exterior, que com certeza n&atilde;o corresponder&atilde;o a um distanciamento emocional face &agrave; crian&ccedil;a. Esta maior actividade paterna n&atilde;o ter&aacute; for&ccedil;osamente de colidir com a constatada menor partilha da parte do pai no que &agrave;s &aacute;reas dos Cuidados concerne, uma vez que de um modo geral esta tamb&eacute;m n&atilde;o ser&aacute; inexistente, embora se manifeste de modo francamente mais discreto. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Outra poss&iacute;vel explica&ccedil;&atilde;o para o assim&eacute;trico envolvimento paterno, em fun&ccedil;&atilde;o das diferentes actividades, passar&aacute; pelo peso hist&oacute;rico-cultural que cada uma carrega, travando ou acelerando din&acirc;micas ou altera&ccedil;&otilde;es, que tamb&eacute;m por esse motivo poder&atilde;o ocorrer a velocidades distintas, refreando, sem estancar, o movimento de aproxima&ccedil;&atilde;o do pai aos dom&iacute;nios dos Cuidados, e impelindo-o mais vigorosamente para qualquer uma das restantes &aacute;reas (e.g., Rohner &amp; Veneziano, 2001; Torres, 2004). </p>      <p>As diferentes velocidades com que os pais v&atilde;o aderindo aos dom&iacute;nios considerados poder&atilde;o ajudar a justificar porque grande parte da amostra encaixou nas caracter&iacute;sticas do Grupo Interm&eacute;dio, n&atilde;o cabendo nem no Grupo Tradicional, onde o pai se demite inequivocamente das tarefas relacionadas com as &aacute;reas dos Cuidados, nem no Grupo Activo, onde este se revela mais participativo. Talvez esta caracteriza&ccedil;&atilde;o possa traduzir um movimento, pouco ou nada complacente face a designa&ccedil;&otilde;es mais est&aacute;ticas ou justifica&ccedil;&otilde;es mais simplistas e que por isso se poderia aproximar de uma representa&ccedil;&atilde;o mais confusa da paternidade, que oscilaria entre duas perspectivas antag&oacute;nicas, uma mais tradicionalista e outra mais moderna (e.g., Bailey, 1994; Craig, 2003). </p>      <p>A &ecirc;nfase na morosidade e timidez ou, pelo contr&aacute;rio, no movimento ou dinamismo com que os pais se parecem aproximar dos dom&iacute;nios dos cuidados poder&aacute; ser objecto de estudo em trabalhos futuros. </p>      <p>Tendo em conta o segundo objectivo delineado, respeitante &agrave; rela&ccedil;&atilde;o entre as vari&aacute;veis s&oacute;cio-demogr&aacute;ficas ponderadas e o envolvimento parental, do ponto de vista da m&atilde;e os pais parecem mais envolvidos quando estas despendem um maior n&uacute;mero de horas no emprego, no que diz respeito &agrave;s actividades relacionadas com os cuidados indirectos, ensino/disciplina e lazer. Segundo Peitz et al. (2001), as horas de trabalho da m&atilde;e relacionam-se com a propor&ccedil;&atilde;o de envolvimento paterno, pois &eacute; bem prov&aacute;vel que o maior n&uacute;mero de horas de trabalho da m&atilde;e se associe a uma crescente necessidade de participa&ccedil;&atilde;o do pai. Por&eacute;m, tamb&eacute;m poder&aacute; ser poss&iacute;vel que tal correla&ccedil;&atilde;o se possa justificar pela redu&ccedil;&atilde;o do tempo absoluto que as m&atilde;es passam com os filhos (Bailey, 1994; Cabrera et al., 2000; Lamb, 1987), potenciando a participa&ccedil;&atilde;o paterna, uma vez que os dados s&atilde;o considerados em compara&ccedil;&atilde;o com a outra figura parental, assumindo a escala uma perspectiva relativa. </p>      <p>Seria por isso interessante aquilatar no futuro se esta correla&ccedil;&atilde;o positiva se fica de facto a dever a um aumento qualitativo da participa&ccedil;&atilde;o paterna, ou se pura e simplesmente se reduz a um crescimento meramente quantitativo. </p>      <p>De acordo com os pais, tamb&eacute;m se observa uma correla&ccedil;&atilde;o positiva, neste caso entre a idade das crian&ccedil;as e a participa&ccedil;&atilde;o paterna, uma vez que esta parece aumentar &agrave; medida que as crian&ccedil;as crescem, designadamente no dom&iacute;nio da brincadeira. A etapa de desenvolvimento das crian&ccedil;as &eacute; um aspecto terminante, dado que no per&iacute;odo pr&eacute;-escolar as crian&ccedil;as adquirem novas compet&ecirc;ncias lingu&iacute;sticas, cognitivas e de socializa&ccedil;&atilde;o, assumindo um papel progressivamente mais activo na regula&ccedil;&atilde;o das interac&ccedil;&otilde;es. Nestas idades, a brincadeira e o l&uacute;dico al&eacute;m de preponderantes, s&atilde;o actividades cada vez mais complexas, que colocam novos desafios aos pais (Monteiro et al., 2010). </p>      <p>O desenvolvimento entretanto ocorrido talvez possa aproximar os pais, cuja percep&ccedil;&atilde;o dos filhos deixa de ser t&atilde;o fr&aacute;gil, permitindo-lhes outra confian&ccedil;a na rela&ccedil;&atilde;o, que &eacute; mais dif&iacute;cil de estabelecer de inicio, onde social e culturalmente a m&atilde;e &eacute; frequentemente percepcionada como mais capaz de cuidar e de estabelecer la&ccedil;os afectivos com o beb&eacute; (Beitel &amp; Parke, 1998; Russel, 1983). </p>      <p>A referida aus&ecirc;ncia uma concep&ccedil;&atilde;o unidimensional e do papel do pai (Lamb, 1987, 2004; Parke, 1996) &eacute; de certa forma refor&ccedil;ado se atendermos aos tr&ecirc;s grupos formados: Activo, Interm&eacute;dio e Tradicional. Estes diferentes grupos, aos quais correspondem caracter&iacute;sticas individuais e formas de participar distintas, sob o ponto de vista materno e paterno, apresentam diferen&ccedil;as significativas entre si, com excep&ccedil;&atilde;o da perspectiva paterna, nas &aacute;reas dos cuidados indirectos e do lazer entre os grupos Interm&eacute;dio e Activo. </p>      <p>O grupo Tradicional materno &eacute; caracterizado por m&atilde;es que passam menos horas no local de trabalho e que possuem menos habilita&ccedil;&otilde;es liter&aacute;rias, caracter&iacute;sticas que surgem relacionadas com a percep&ccedil;&atilde;o materna de um menor envolvimento do pai. Como j&aacute; tivemos oportunidade de referir, as horas de trabalho da m&atilde;e relacionam-se com a propor&ccedil;&atilde;o de envolvimento paterno (Peitz et al., 2001), neste caso o facto das m&atilde;es poderem estar mais dispon&iacute;veis pode aliviar a necessidade de participa&ccedil;&atilde;o do pai, explicando o menor envolvimento paterno e refor&ccedil;ando a ideia de que o pai avan&ccedil;a essencialmente quando a m&atilde;e n&atilde;o pode faz&ecirc;-lo, emergindo assim como uma figura de recurso (e.g., Deutsch, 2001; Rohner &amp; Veneziano, 2001). </p>      <p>Quanto &agrave;s habilita&ccedil;&otilde;es liter&aacute;rias, a percep&ccedil;&atilde;o de um menor envolvimento paterno pode ficar a dever-se a in&uacute;meros aspectos. Os pais com habilita&ccedil;&otilde;es superiores envolvem-se mais nas actividades de brincadeira, o que se pode dever ao facto destes as percepcionarem como um meio, n&atilde;o s&oacute; de interac&ccedil;&atilde;o, mas tamb&eacute;m de estimula&ccedil;&atilde;o &agrave;s aprendizagens cognitivas e sociais dos filhos (Monteiro et al., 2006). Estes pais tamb&eacute;m poder&atilde;o construir concep&ccedil;&otilde;es menos r&iacute;gidas acerca dos pap&eacute;is dos g&eacute;neros, o que os leva a n&atilde;o ponderarem as Actividades Pr&aacute;ticas (cuidados) como pouco masculinas, mostrando-se mesmo mais abertos e flex&iacute;veis face a novas experi&ecirc;ncias (Levy-Shiff &amp; Israelashvilli, 1988). O n&iacute;vel de participa&ccedil;&atilde;o nas Actividades Indirectas tamb&eacute;m tende a aumentar com o grau de escolaridade dos pais (Monteiro et al., 2006; Torres, 2004). </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Por outro lado, quanto menor o n&iacute;vel de escolaridade das m&atilde;es (poss&iacute;vel indicador de trabalho menos bem renumerado), menor a participa&ccedil;&atilde;o dos pais nas Actividades Indirectas. O facto de, profissionalmente, muitas mulheres ocuparem lugares de menor prest&iacute;gio e menos bem remunerados do que os homens (Torres, 2004), poder&aacute; lev&aacute;-las a preferir manter o equil&iacute;brio tradicional familiar, mesmo tal significando maior exaust&atilde;o f&iacute;sica e mental (Lamb &amp; Tamis-LeMonda, 2004). Ao contr&aacute;rio do que se verifica nas m&atilde;es com habilita&ccedil;&otilde;es liter&aacute;rias superiores, que talvez por apostarem mais ao n&iacute;vel profissional, n&atilde;o s&oacute; facilitam como desejam um maior envolvimento paterno nas &aacute;reas relativas aos cuidados (Monteiro et al., 2006). Tal pondera&ccedil;&atilde;o poder&aacute; ser um indicador da representa&ccedil;&atilde;o da m&atilde;e como <i>gatekeeper</i>(e.g., Allen &amp; Hawkins, 1999; Fagan &amp; Barnett, 2003; McBride, Brown, Bost, Shin, Vaughn, &amp; Korth, 2005; Schoppe-Sullivan, Brown, Cannon, Mangelsdorf, &amp; Sokolowski, 2008). </p>      <p>Ao contr&aacute;rio do que se verificou nas m&atilde;es, n&atilde;o se observaram diferen&ccedil;as significativas entre os tr&ecirc;s tipos de envolvimento paterno e as vari&aacute;veis s&oacute;cio-demogr&aacute;ficas, o que poder&aacute; alertar para outras raz&otilde;es que justifiquem as diferen&ccedil;as entre os tr&ecirc;s grupos, pois s&atilde;o v&aacute;rios os factores que podem condicionar o envolvimento parental, podendo actuar de modo isolado ou correlacionado (Arendell, 1996; Pleck &amp; Masciadrelli, 2004), dado que a variabilidade da participa&ccedil;&atilde;o paterna nas rotinas familiares e consequentemente no dia-a-dia dos filhos &eacute; produto de um sistema complexo de influ&ecirc;ncias (Belsky, 1984; Lamb, 2004; Parke, 1996). Referimo-nos, por exemplo, &agrave;s caracter&iacute;sticas das m&atilde;es, cujo impacte j&aacute; trat&aacute;mos, assim como &agrave;s caracter&iacute;sticas das pr&oacute;prias crian&ccedil;as, como a idade e o g&eacute;nero, ou &agrave;s vari&aacute;veis de contexto, ilustradas, por exemplo, pelo n&uacute;mero de horas que as crian&ccedil;as passam na Creche/Jardim de Inf&acirc;ncia, e o pr&oacute;prio temperamento, cuja influ&ecirc;ncia j&aacute; foi confirmada noutros estudos (e.g., Manlove &amp; Vernon-Feagans, 2002). </p>      <p>Regista-se ainda uma concord&acirc;ncia entre as perspectivas de partilha de ambos os pais nos grupos Interm&eacute;dios e Tradicionais, o que significa que, nestes casos, a opini&atilde;o das m&atilde;es parece coincidir maioritariamente com a opini&atilde;o dos pais. Mesmo quando estes n&atilde;o se encontram em sintonia, o que foi mais invulgar, as opini&otilde;es nunca atingem um ponto de ruptura m&aacute;ximo, onde a perspectiva do casal se repartisse entre o ponto de vista tradicional e o activo. Ao contr&aacute;rio do que se regista no grupo Activo, tendo em conta a perspectiva de ambos os pais. Neste caso, a oposi&ccedil;&atilde;o &eacute; mesmo o ponto dominante, uma vez que o n&uacute;mero de casais onde as opini&otilde;es convergiram &eacute; residual. Deste modo, num casal podem coincidir opini&otilde;es totalmente divergentes, convivendo, assim, perspectivas tipicamente tradicionais (grupo Tradicional paterno) e perspectivas tipicamente modernas (grupo Activo materno). Registe-se que o inverso n&atilde;o acontece, isto &eacute;, n&atilde;o se observou nenhum casal onde a m&atilde;e perspectivasse o envolvimento paterno de modo tradicional, enquanto a opini&atilde;o do pai assumisse caracter&iacute;sticas do grupo Activo. Por&eacute;m, na maior parte dos casos a disc&oacute;rdia n&atilde;o traduz uma dist&acirc;ncia de opini&otilde;es t&atilde;o acentuada, uma vez que nestes casos, onde a m&atilde;e tende a perspectivar o envolvimento paterno de modo activo, a opini&atilde;o do pai enquadra-se no grupo Interm&eacute;dio. </p>      <p>A quest&atilde;o da concord&acirc;ncia &eacute; pertinente, uma vez que a dist&acirc;ncia entre os pais pode dificultar a rela&ccedil;&atilde;o que estes estabelecem com a crian&ccedil;a, assim como pode dificultar a interioriza&ccedil;&atilde;o desta face a um modelo que lhe sirva de refer&ecirc;ncia durante o seu desenvolvimento. A pr&oacute;pria imagem dos pais pode sofrer algum desgaste, caso a diverg&ecirc;ncia se acentue, traduzindo formas de estar incompat&iacute;veis, que evoluem no sentido da desvaloriza&ccedil;&atilde;o do papel do outro. De acordo com Hetherington (1988) falta refer&ecirc;ncia, quando a rela&ccedil;&atilde;o dos pais sofre uma clivagem, o desenvolvimento dos filhos pode ser afectado, registando-se, por exemplo, maior ocorr&ecirc;ncia de conflitos entre irm&atilde;os. Algo mais dif&iacute;cil de acontecer, num contexto de converg&ecirc;ncia, onde o papel dos progenitores tende a sair refor&ccedil;ado face aos olhos da crian&ccedil;a. </p>      <p>Podemos assim pressupor que em casais onde se regista uma diverg&ecirc;ncia significativa na percep&ccedil;&atilde;o que t&ecirc;m da forma como o seu dia-a-dia &eacute; gerido, nomeadamente, em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s crian&ccedil;as, isso acarrete tens&otilde;es e conflitos entre os pais, que poder&atilde;o ter consequ&ecirc;ncias no funcionamento do sistema familiar, assim como no desenvolvimento s&oacute;cio-emocional da crian&ccedil;a. Para mais facilmente compreender o conceito de partilha parental &eacute; importante assumir uma perspectiva ecol&oacute;gica da fam&iacute;lia, considerando-o como um processo complexo e din&acirc;mico. N&atilde;o s&oacute; devemos ponderar a percep&ccedil;&atilde;o materna sobre o valor e import&acirc;ncia do envolvimento paterno e atender as bases motivacionais do pai (e.g., Cabrera et al., 2000; Levy-Shiff &amp; Israelashvili, 1988; McHale &amp; Huston, 1984), como tamb&eacute;m os poss&iacute;veis constrangimentos sociais e institucionais (e.g., Lamb, 1987). Tamb&eacute;m n&atilde;o poderemos negligenciar o estudo do modo como a partilha parental &eacute; constantemente mantida e negociada pelos pais (Arendell, 1996; Deutsch, 2001; Tamis-Lemonda LeMonda, 2004), atrav&eacute;s de decis&otilde;es quotidianas sobre a fam&iacute;lia e o trabalho. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>REFER&Ecirc;NCIAS</p>      <p>Allen, S. M., &amp; Hawkins, A. S. (1999). 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<body><![CDATA[<p>Manlove, E. E., &amp; Vernon-Feagans, L. (2002). Caring for infant daughters and sons in dual-earner households: Maternal reports of father involvement in weekday time and tasks. <i>Infant and Child Development, 11</i>, 305-320. </p>      <p>McBride, B. A., Brown, G. L., Bost, K. K., Shin, N., Vaughn, B., &amp; Korth, B. (2005). Paternal identity, maternal gate keeping, and father involvement. <i>Family Relations</i>, <i>54</i>, 360-372. </p>      <p>McHale, S. M., &amp; Huston, T. L. (1984). Men and women as parents: Sex role, orientations, employment, and parental roles with infants. <i>Child Development, 55</i>, 1349-1361. </p>      <p>Monteiro, L., Ver&iacute;ssimo, M., &amp; Pessoa e Costa, I. (2008). <i>Escala Envolvimento Parental: Actividades de Cuidados e de Socializa&ccedil;&atilde;o</i>. Manual n&atilde;o publicado, ISPA. </p>      <p>Monteiro, L., Ver&iacute;ssimo, M., Castro, R., &amp; Oliveira, C. (2006). Partilha da responsabilidade parental. Realidade ou expectativa? <i>Psychologica, 42</i>, 213-229. </p>      <!-- ref --><p>Monteiro, L., Ver&iacute;ssimo, M., Santos, A. J., &amp; Vaughn, B. (2008). Envolvimento paterno e organiza&ccedil;&atilde;o dos comportamentos de base segura das crian&ccedil;as em fam&iacute;lias portuguesas. <i>An&aacute;lise Psicol&oacute;gica</i><i>, 26(3</i>), 395-409. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000168&pid=S0870-8231201000040000200003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Monteiro, L., Fernandes, M., Ver&iacute;ssimo, M., Pessoa e Costa, I., Torres, N., &amp; Vaughn, B.-E. (2010). Perspectiva do pai acerca do seu envolvimento em fam&iacute;lias bi-parentais. Associa&ccedil;&otilde;es com o que &eacute; desejado pela m&atilde;e e com as caracter&iacute;sticas da crian&ccedil;a. <i>Interamerican Journal of Psychology, 44</i>(1), 1-11. </p>      <p>Paquette, D. (2004). Theorizing the father-child relationship: Mechanisms and developmental outcomes. <i>Human Development, 47</i>, 193-219. </p>      <p>Parke, R. D. (1996). <i>Fatherhood. The developing child Harvard University Press.</i></p>      <p>Peitz, G., Fthenakis, W. E., &amp; Kalicki, B. (2001). <i>Determinants of paternal involvement during the child&#8217;s third year of life: Child-care tasks </i>versus <i>pleasure activities</i>. Poster presented at the Society for Research in Child Development. Minneapolis. USA.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Pleck, J. H. (1982). <i>Husbands&#8217; and wives&#8217; paid work, family work and adjustment.</i> Wellesley, MA: Wellesley College Center for Research on Women. </p>      <p>Pleck, J. H., &amp; Masciadrelli, B. P. (2004). Paternal involvement by U.S. residential fathers. Levels,  sources and consequences. In M. E. Lamb (Ed.) <i>The role of the Father in Child Development </i>(pp. 222-306). Hoboken. N.S: John Wiley and Sons. </p>      <p>Rohner, R. P., &amp; Veneziano, R. A. (2001). The importance of father love: History and contemporary evidence. <i>Review of General Psychology, 5</i>(4), 382-405. </p>      <p>Russel, G. (1983). <i>The changing role of fathers?</i> St. Lucia, Queensland: University of Queensland Press. </p>      <p>Schoppe-Sullivan, S. J., Brown, G. L., Cannon, E. A., Mongelsdorf, S. C., &amp; Szewczyk Sokolowski, M. (2008). Maternal gate keeping, coparenting quality and fathering behavior in families with infants. <i>Journal of Family Psychology, 22</i>, 389-398. </p>      <p>Tamis-LeMonda, C. S. (2004). Conceptualizing father&#8217;s role: Playmates and more. <i>Human Development, 47</i>, 220-227. </p>      <p>Torres, A. (2004). <i>A Vida conjugal e o trabalho. Uma perspectiva sociol&oacute;gica</i>. Oeiras: Celta. </p>      <p>Wall, K. (2005, Janeiro). <i>Atitudes face aos pap&eacute;is de g&eacute;nero e &agrave; dimens&atilde;o familiar do trabalho em Portugal e na Europa</i>. Comunica&ccedil;&atilde;o apresentada no semin&aacute;rio Fam&iacute;lia e Papeis de G&eacute;nero, Instituto de Ci&ecirc;ncias Sociais, Lisboa. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>NOTAS</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Agradecimentos: Os autores gostariam de agradecer a todas as m&atilde;es e pais que aceitaram participar neste estudo, financiado em parte pela F.C.T (PIHM/GC/0008/2008) e e pela Comiss&atilde;o para a Cidadania e Igualdade do G&eacute;nero. Os autores gostariam ainda de agradecer a todos os colegas da linha 1, Psicologia do Desenvolvimento, da UIPCDE pelos seus coment&aacute;rios valiosos. </p>       ]]></body><back>
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