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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The &#8220;new fatherhood&#8221; is one of the themes in studies about men&#8217;s condition and it is characterized by the improvement of the father&#8217;s participation in children&#8217;s daily care and the expression of affection in fathers&#8217; relationship with their children. This study aimed to investigate social representations of fatherhood and motherhood of fathers who have children&#8217;s custody and live alone with them at least for one year. Eleven men separated were interviewed about the following topics: personal data, social representations of fatherhood and motherhood, marital relationship, children&#8217;s custody, daily activities and evaluation. Alceste software and Content Analysis were used to analyze the data. Social representations elements of fatherhood were: Responsibility and Accompaniment, Affectivity and Friendship, Orientations and Correction, Material Provider, Equilibrium and The Same as Materhood. Materhood&#8217;s elements involves: Biological Aspects, Being Present, Affectivity and Friendship, The Same as Fatherhood, Superior to Fatherhood, Not Leaving Children and Equilibrium. In these representations it is possible to identify traditional elements of fatherhood (authority and provider) and materhood (biological aspects, affectivity and superiority). At the same time, these indicates the emergence of elements related to New Fatherhood (involved and caretaker father and the materhood being the same as fatherhood).]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Guarda paterna]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>Guarda paterna e representa&ccedil;&otilde;es sociais de paternidade e maternidade </b></p>      <p>&nbsp;</p>      <p>Elaine Novaes Vieira (*), L&iacute;dio de Souza (**)</p>      <p>&nbsp;</p>      <p>(*) Centro de Atendimento e Estudos Psicol&oacute;gicos    (CAEP), Universidade de Bras&iacute;lia, Campus Universit&aacute;rio Darcy Ribeiro,    Bras&iacute;lia, DF, CEP 70910-900, Brasil; E-mail: <a href="mailto:enovaesvieira@gmail.com">enovaesvieira@gmail.com</a>  </p>      <p>(**) Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o    em Psicologia da Universidade Federal do Esp&iacute;rito Santo, Av. Fernando    Ferrari, n&ordm; 514, Vit&oacute;ria, ES, CEP 29075-910, Brasil; E-mail: <a href="mailto:lidio.souza@uol.com.br">lidio.souza@uol.com.br</a>  </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>RESUMO</p>      <p>Dentre as reflex&otilde;es sobre a condi&ccedil;&atilde;o masculina observa-se a demanda por uma &#8216;nova paternidade&#8217;, baseada numa maior aproxima&ccedil;&atilde;o afectiva entre pai e filho, bem como no seu envolvimento nos cuidados di&aacute;rios com os filhos. Neste estudo objetivou-se investigar as representa&ccedil;&otilde;es sociais de paternidade e maternidade de homens separados, com a guarda dos filhos h&aacute; pelo menos um ano e que constitu&iacute;am fam&iacute;lias monoparentais. Foram entrevistados 11 homens com a utiliza&ccedil;&atilde;o de um roteiro semi-estruturado abordando: dados pessoais, RS de paternidade e maternidade, relacionamento conjugal, guarda, quotidiano e avalia&ccedil;&otilde;es. Os dados foram analisados atrav&eacute;s do software Alceste e da An&aacute;lise de Conte&uacute;do. Os elementos das RS de paternidade encontrados foram: Responsabilidade e Acompanhamento, Afectividade e Companheirismo, Orienta&ccedil;&atilde;o e Corre&ccedil;&atilde;o, Respons&aacute;vel pela Manuten&ccedil;&atilde;o da Fam&iacute;lia, Equil&iacute;brio e Igual &agrave; Maternidade. J&aacute; a maternidade &eacute; constitu&iacute;da pelos elementos Aspectos Biol&oacute;gicos, Estar Presente, Afectividade e Companheirismo, Igual &agrave; Paternidade, Superior &agrave; Paternidade, N&atilde;o Abandonar os Filhos e Equil&iacute;brio. Os dados apresentam RS tradicionais de paternidade (autoridade moral e financeira) e maternidade (aspectos biol&oacute;gicos, afectivos e superioridade materna) e, ao mesmo tempo, indicam a emerg&ecirc;ncia de elementos que remetem &agrave; &#8216;nova paternidade&#8217;, como o pai envolvido afectivamente e cuidador e a maternidade como igual &agrave; paternidade. </p>      <p><i>Palavras chave: </i>Guarda paterna, Maternidade, Paternidade, Representa&ccedil;&atilde;o social. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p>ABSTRACT</p>      <p>The &#8220;new fatherhood&#8221; is one of the themes in studies about men&#8217;s condition and it is characterized by the improvement of the father&#8217;s participation in children&#8217;s daily care and the expression of affection in fathers&#8217; relationship with their children. This study aimed to investigate social representations of fatherhood and motherhood of fathers who have children&#8217;s custody and live alone with them at least for one year. Eleven men separated were interviewed about the following topics: personal data, social representations of fatherhood and motherhood, marital relationship, children&#8217;s custody, daily activities and evaluation. Alceste software and Content Analysis were used to analyze the data. Social representations elements of fatherhood were: Responsibility and Accompaniment, Affectivity and Friendship, Orientations and Correction, Material Provider, Equilibrium and The Same as Materhood. Materhood&#8217;s elements involves: Biological Aspects, Being Present, Affectivity and Friendship, The Same as Fatherhood, Superior to Fatherhood, Not Leaving Children and Equilibrium. In these representations it is possible to identify traditional elements of fatherhood (authority and provider) and materhood (biological aspects, affectivity and superiority). At the same time, these indicates the emergence of elements related to New Fatherhood (involved and caretaker father and the materhood being the same as fatherhood). </p>      <p><i>Key words: </i>Father&#8217;s custody, Fatherhood, Motherhood, Social representations. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&iacute;stica (2003), 17,7% das fam&iacute;lias brasileiras s&atilde;o constitu&iacute;das por homens ou mulheres com filhos que vivem sem a presen&ccedil;a do c&ocirc;njuge/companheiro. Na literatura, tais fam&iacute;lias s&atilde;o chamadas de monoparentais e decorrem do aumento do n&uacute;mero de div&oacute;rcios e separa&ccedil;&otilde;es e das mulheres e homens solteiros ou vi&uacute;vos que cada vez mais criam seus filhos (biol&oacute;gicos ou adoptivos) sem necessariamente constituir ou manter um relacionamento conjugal. </p>      <p>Esses dados confirmam que as institui&ccedil;&otilde;es familiares, ao longo da hist&oacute;ria, est&atilde;o sujeitas a transforma&ccedil;&otilde;es, pois as formas de se conceber a fam&iacute;lia s&atilde;o socialmente constru&iacute;das (Santos &amp; Oliveira, 2005). Historicamente, o patriarcado e os modelos tradicionais de masculinidade propiciaram a desvaloriza&ccedil;&atilde;o do feminino, estabelecendo diferentes fun&ccedil;&otilde;es para homens e mulheres dentro da sociedade. Assim, no &acirc;mbito da fam&iacute;lia, ao homem foram delegadas as responsabilidades pelo sustento da fam&iacute;lia e exemplo moral e &agrave; mulher as responsabilidades de educa&ccedil;&atilde;o e cuidados com os filhos. </p>      <p>A inser&ccedil;&atilde;o maci&ccedil;a das mulheres no mercado de trabalho e sua (ainda em andamento) busca por igualdade de direitos e deveres com os homens possibilitaram o questionamento dessas posi&ccedil;&otilde;es e fun&ccedil;&otilde;es sociais. Nesse contexto, os estudos sobre a masculinidade ganharam espa&ccedil;o e possibilitaram a reflex&atilde;o sobre a condi&ccedil;&atilde;o masculina, questionando as imposi&ccedil;&otilde;es do modelo hegem&ocirc;nico e procurando outras formas de os homens se relacionarem com o sexo oposto e com outros homens. No bojo desses estudos e reflex&otilde;es observa-se o surgimento de uma &#8216;nova paternidade&#8217;, baseada numa maior aproxima&ccedil;&atilde;o afectiva entre pai e filho, com uma rela&ccedil;&atilde;o afectiva exteriorizada e o envolvimento do pai nos cuidados di&aacute;rios com a sa&uacute;de, a higiene e a alimenta&ccedil;&atilde;o dos filhos. Essa nova paternidade n&atilde;o surge sem conflitos, &eacute; cheia de avan&ccedil;os e retrocessos, mas est&aacute; a constituir-se num modelo de paternidade poss&iacute;vel aos homens. </p>      <p>Navarro (2007) relata que, por muito tempo, os estudos e investiga&ccedil;&otilde;es sobre relacionamento parental se centravam principalmente na rela&ccedil;&atilde;o m&atilde;e-filho, com pouca &ecirc;nfase na paternidade, contribuindo para que a maternidade ocupasse um lugar central no desenvolvimento dos filhos e at&eacute; mesmo promovendo a culpabiliza&ccedil;&atilde;o materna quando havia alguma dificuldade nesse processo. Ao mesmo tempo, a paternidade foi considerada como secund&aacute;ria no desenvolvimento psicol&oacute;gico dos filhos, sendo as conseq&uuml;&ecirc;ncias da aus&ecirc;ncia paterna os aspectos mais enfatizados pelas pesquisas (Giffin, 2005; Rodrigues, 2000;  Rodrigues &amp; Trindade, 1999). </p>      <p>Recentemente, outros aspectos da paternidade passaram a ser estudados. Podemos destacar temas como o envolvimento paterno durante a gesta&ccedil;&atilde;o, parto e nascimento, a participa&ccedil;&atilde;o masculina nos cuidados com os filhos, as expectativas e sentimentos relacionados com a paternidade, o relacionamento pai e filho durante a conjugalidade, as representa&ccedil;&otilde;es sociais de paternidade e maternidade, entre outros. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Nos resultados desses estudos, verifica-se que a paternidade &eacute; vista como um projecto de vida, uma escolha (Bustamante, 2005; Vel&aacute;squez, 2006), sendo que o envolvimento paterno com o filho pode iniciar-se na gesta&ccedil;&atilde;o e preparativos para o nascimento do beb&ecirc; (Motta &amp; Crepaldi, 2005; Piccinini, Silva, Gon&ccedil;alves, Lopes, &amp; Tudge, 2004). Em diversas pesquisas, a satisfa&ccedil;&atilde;o no relacionamento com os filhos &eacute; ressaltada (Silva &amp; Piccinini, 2007), sendo a paternidade considerada uma realiza&ccedil;&atilde;o pessoal que possibilita rela&ccedil;&otilde;es afectivas mais enriquecedoras (Rezende &amp; Alonso, 1995). Mas a paternidade tamb&eacute;m &eacute; considerada uma tarefa &aacute;rdua, que exige dedica&ccedil;&atilde;o, ren&uacute;ncia ou readequa&ccedil;&atilde;o de projetos e compromissos sociais (Unbehaum, 2000) e exige sacrif&iacute;cios para sustentar, educar e formar os filhos (Fuller, 2000). </p>      <p>As pesquisas tamb&eacute;m indicam que os homens est&atilde;o a aumentar sua participa&ccedil;&atilde;o nas tarefas dom&eacute;sticas e no cuidado com os filhos, embora eles mesmos reconhe&ccedil;am que isso ainda ocorra de forma irregular, volunt&aacute;ria e vista muitas vezes como um aux&iacute;lio &agrave; esposa (Devreux, 2006; Maridaki-Kassotaki, 2000; Perlin &amp; Diniz, 2005; Silva &amp; Piccinini, 2007; Unbehaum, 2000). Assim, a participa&ccedil;&atilde;o masculina &eacute; colocada numa uma posi&ccedil;&atilde;o secund&aacute;ria (tanto pelos homens quanto pelas mulheres), como se a responsabilidade pela casa e filhos devesse ser exclusivamente feminina (Bustamante, 2005; Resende &amp; Alonso, 1995; Toneli, Beiras, Lodetti, Lucca, Gomes, &amp; Ara&uacute;jo, 2006). Por outro lado, alguns homens queixam-se da inferioriza&ccedil;&atilde;o de sua participa&ccedil;&atilde;o nos cuidados parentais, tanto por parte das companheiras quanto por outros profissionais, reivindicando a valoriza&ccedil;&atilde;o de sua pr&oacute;pria maneira de cuidar dos filhos (Sutter &amp; Bucher-Maluschke, 2008). Diversos autores retratam tamb&eacute;m as a&ccedil;&otilde;es masculinas que visam aumentar sua participa&ccedil;&atilde;o no quotidiano dos filhos, se relacionando de maneira mais pr&oacute;xima e afectuosa com eles e diferenciando-se da rela&ccedil;&atilde;o, muitas vezes distante, que tiveram com seus pr&oacute;prios pais (Balancho, 2004; Balzano, 2003; Gomes &amp; Resende, 2004). </p>      <p>Quando ocorre a separa&ccedil;&atilde;o conjugal, algumas modifica&ccedil;&otilde;es no relacionamento pai-filho podem ocorrer. Numa revis&atilde;o dos estudos sobre esse tema, Dantas, Jablonski, e Feres-Carneiro (2004) verificaram que, na maioria das situa&ccedil;&otilde;es, ocorria um distanciamento entre pais e filhos algum tempo ap&oacute;s a separa&ccedil;&atilde;o. Por outro lado, no estudo de Ramires (1997), a separa&ccedil;&atilde;o aproximou pai e filhos, aumentando o v&iacute;nculo afectivo entre eles. </p>      <p>Pesquisas sobre as representa&ccedil;&otilde;es sociais de paternidade tamb&eacute;m podem ser destacadas. Villamizar e Rosero-Labb&eacute; (2005) entrevistaram homens na Col&ocirc;mbia e classificaram os resultados em tr&ecirc;s grandes grupos: tend&ecirc;ncia tradicional, que refor&ccedil;a a responsabilidade paterna em sustentar a fam&iacute;lia; grupo de transi&ccedil;&atilde;o, para o qual existia uma maior aproxima&ccedil;&atilde;o dos homens em rela&ccedil;&atilde;o aos seus filhos, destacando os sentimentos positivos associados &agrave; paternidade e n&atilde;o somente seu papel de respons&aacute;vel pela fam&iacute;lia; e grupo de ruptura, com a participa&ccedil;&atilde;o masculina no quotidiano dom&eacute;stico antes mesmo da paternidade e relatos de aproxima&ccedil;&atilde;o afectiva com os filhos e envolvimento nos cuidados parentais. No estudo de Hegg (2004), realizado na Am&eacute;rica Central, as representa&ccedil;&otilde;es de paternidade tamb&eacute;m podem ser classificadas em tr&ecirc;s grupos que, em certa medida, se assemelham aos acima citados: paternidade tradicional, que se refere &agrave; provis&atilde;o material e autoridade moral sobre a fam&iacute;lia; paternidade moderna, que valoriza as fun&ccedil;&otilde;es de afecto e cuidado com os filhos; e a paternidade em transi&ccedil;&atilde;o, que mescla aspectos da paternidade tradicional e moderna. </p>      <p>No Brasil, Trindade, Andrade, e Souza (1997) encontraram os seguintes elementos das representa&ccedil;&otilde;es de paternidade: Afecto, Relacionamento Positivo, Atributo, Orienta&ccedil;&atilde;o e Provedor. Apesar de identificarem elementos mais ligados &agrave; afectividade entre pais e filhos, os autores ressaltam que, no cuidado com os filhos, a divis&atilde;o de actividades entre pais e m&atilde;es ainda permanece arraigada &agrave;s concep&ccedil;&otilde;es tradicionais. J&aacute; entre os adolescentes entrevistados por Trindade e Menandro (2002) as concep&ccedil;&otilde;es de paternidade englobavam elementos como satisfazer as necessidades dos filhos, educar, dar carinho e aten&ccedil;&atilde;o. J&aacute; a maternidade envolvia cuidar, dar carinho e sacrificar-se pelo filho, al&eacute;m de a m&atilde;e ser considerada a figura mais importante para o filho. </p>      <p>De forma geral, verifica-se que os modelos de paternidade ilustrados pelas pesquisas englobam aspectos tidos como tradicionais na paternidade, tais como o pai respons&aacute;vel pela manuten&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia e educador moral, ao mesmo tempo em que emergem discursos e pr&aacute;ticas valorizando o cuidado e a afectividade com os filhos. Segundo Mora (2005) os estudos sobre paternidade indicam que est&aacute; em andamento um processo de transforma&ccedil;&atilde;o do modelo patriarcal, baseado no homem provedor, respons&aacute;vel e dominante na fam&iacute;lia. Esse modelo em transforma&ccedil;&atilde;o possibilita uma maior proximidade emocional dos homens nas rela&ccedil;&otilde;es com os filhos, al&eacute;m do compartilhamento das responsabilidades e maior envolvimento nos cuidados parentais, o que provoca novas defini&ccedil;&otilde;es na constitui&ccedil;&atilde;o familiar. Assim, tal como ressaltado por Hegg (2004), podemos falar em paternidades, no plural, pois h&aacute; diferentes formas de represent&aacute;-las e exerc&ecirc;-las. </p>      <p>Na revis&atilde;o da literatura verificamos que a guarda paterna n&atilde;o tem sido um tema focalizado pelas pesquisas. Esta constata&ccedil;&atilde;o talvez decorra do facto de, no Brasil, apenas 5% das separa&ccedil;&otilde;es e 6% dos div&oacute;rcios resultarem em guarda paterna (IBGE, 2006), muitas vezes em comum acordo com o pai e incentivada por familiares e profissionais eventualmente consultados. </p>      <p>Nesta pesquisa elegemos como objecto de estudo a guarda paterna, visando compreender como &eacute; vivenciada a paternidade nesse tipo espec&iacute;fico de guarda, atrav&eacute;s dos relatos de homens separados que, por algum motivo ao longo de sua trajet&oacute;ria, assumiram a cria&ccedil;&atilde;o dos filhos menores de idade por pelo menos um ano. O interesse foi verificar como esses homens que constituem fam&iacute;lias monoparentais (residem com seus filhos sem a presen&ccedil;a da esposa ou m&atilde;e da crian&ccedil;a) representam a paternidade e a maternidade. </p>      <p>Utilizou-se como referencial a Teoria das Representa&ccedil;&otilde;es Sociais, proposta por Moscovici em 1961. As representa&ccedil;&otilde;es sociais s&atilde;o &#8220;<i>uma forma de conhecimento, socialmente elaborada e partilhada, com um objetivo pr&aacute;tico, e que contribui para a constru&ccedil;&atilde;o de uma realidade comum a um conjunto social</i>&#8221; (Jodelet, 2001, p. 22). S&atilde;o modalidades de pensamento pr&aacute;tico, orientadas para a compreens&atilde;o e dom&iacute;nio do ambiente social, sendo consideradas &#8220;verdadeiras&#8221; teorias do senso comum, pelas quais ocorre a interpreta&ccedil;&atilde;o e constru&ccedil;&atilde;o das realidades sociais. Consideramos que essa teoria e os recursos metodol&oacute;gicos de an&aacute;lise a ela associados, nos possibilitam captar os conte&uacute;dos est&aacute;veis e centrais nas representa&ccedil;&otilde;es sociais, bem como a sua mobilidade e articula&ccedil;&atilde;o com as pr&aacute;ticas sociais. </p>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>M&Eacute;TODO</p>      <p><i>Participantes</i></p>      <p>Foram entrevistados 11 homens que moraram sozinhos com seus filhos durante pelo menos um ano. O crit&eacute;rio para inclus&atilde;o foi n&atilde;o viver com esposas, m&atilde;es ou outras mulheres adultas. No momento da entrevista, suas idades variavam entre 36 e 56 anos, com m&eacute;dia de 44 anos, possu&iacute;am escolaridade entre Ensino M&eacute;dio Completo e P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o Completa e exerciam profiss&otilde;es que exigiam qualifica&ccedil;&atilde;o formal, tais como professor, advogado, t&eacute;cnico em inform&aacute;tica, banc&aacute;rio, fot&oacute;grafo, entre outros. Apenas dois dos participantes n&atilde;o residiam mais com os filhos (as filhas de um deles foram morar com a m&atilde;e e a filha de outro com a av&oacute; materna). Na Tabela 1 est&atilde;o organizadas as informa&ccedil;&otilde;es referentes &agrave; guarda paterna, sendo que todos os nomes utilizados s&atilde;o fict&iacute;cios, para preservar o anonimato dos participantes. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p><a href="/img/revistas/aps/v28n4/28n4a03t1.gif">TABELA 1</a></p>      
<p><i>Informa&ccedil;&otilde;es relativas &agrave; guarda paterna</i></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><i>Instrumento</i></p>      <p>Foi utilizado um roteiro de entrevista semi-estruturado abordando os seguintes t&oacute;picos de informa&ccedil;&atilde;o: dados pessoais, representa&ccedil;&atilde;o social de paternidade e maternidade, hist&oacute;ria do relacionamento conjugal e da obten&ccedil;&atilde;o da guarda, quotidiano com os filhos e avalia&ccedil;&otilde;es. </p>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Procedimentos</i></p>      <p>Os participantes foram entrevistados individualmente, em locais de conveni&ecirc;ncia para eles, e autorizaram a sua participa&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s do Termo de Consentimento para Participa&ccedil;&atilde;o em Pesquisa, ap&oacute;s receberem informa&ccedil;&otilde;es sobre os prop&oacute;sitos da investiga&ccedil;&atilde;o. </p>      <p>As entrevistas foram transcritas na &iacute;ntegra e foram analisadas atrav&eacute;s do software Alceste e An&aacute;lise de Conte&uacute;do. O Alceste (An&aacute;lise Lexical por Contexto de um Conjunto de Segmentos de Texto) &eacute; um m&eacute;todo informatizado para an&aacute;lise de textos, que procura apreender a estrutura e a organiza&ccedil;&atilde;o do discurso, de forma a descobrir rela&ccedil;&otilde;es entre os mundos lexicais mais freq&uuml;entemente enunciados pelo sujeito (IMAGE, 2002). O programa agrupa o material analisado em classes em fun&ccedil;&atilde;o de suas rela&ccedil;&otilde;es de proximidade e oposi&ccedil;&atilde;o. A An&aacute;lise de Conte&uacute;do, na metodologia proposta por Bardin (1977), tamb&eacute;m foi utilizada de modo a complementar a descri&ccedil;&atilde;o das classes propostas pelo Alceste, com o cuidado de n&atilde;o alterar os conte&uacute;dos destacados pelo programa. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>RESULTADOS</p>      <p>A an&aacute;lise do Alceste resultou num dendrograma composto por 02 Eixos e 06 classes. Na Figura 1 s&atilde;o apresentados os eixos, classes e principais formas reduzidas indicando os conte&uacute;dos relacionados a cada classe. Nesse artigo priorizaremos a discuss&atilde;o dos dados referentes ao Eixo 1, que cont&eacute;m as representa&ccedil;&otilde;es sociais de paternidade e maternidade. Mas, para melhor contextualiza&ccedil;&atilde;o, o Eixo 2 ser&aacute; exposto resumidamente a seguir. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p><a href="#f1">FIGURA 1</a><a name="topf1"></a></p>      <p><i>Dendrograma do discurso dos participantes</i></p> <img src="/img/revistas/aps/v28n4/28n4a03f1.gif">      
<p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Eixo 2 &#8211; Din&acirc;mica familiar: Conflitos e solu&ccedil;&otilde;es </i></p>      <p>Com 57,32% do material analisado, este eixo apresenta os conte&uacute;dos relativos &agrave; hist&oacute;ria dos participantes desde o relacionamento conjugal at&eacute; a separa&ccedil;&atilde;o e obten&ccedil;&atilde;o da guarda, descrevendo o quotidiano dessas fam&iacute;lias e algumas preocupa&ccedil;&otilde;es paternas em rela&ccedil;&atilde;o aos filhos. Nesse Eixo foram obtidas as seguintes classes: </p>      <p><i>Classe 05 &#8211; Uni&atilde;o, Separa&ccedil;&atilde;o e Guarda: </i>Relata o namoro e decis&atilde;o para o casamento, gravidez e nascimento dos filhos, al&eacute;m do processo de separa&ccedil;&atilde;o e os factores que influenciaram a decis&atilde;o pela guarda dos filhos. </p>      <p><i>Classe 04 &#8211; Cuidados Instrumentais: </i>Nessa classe encontram-se os conte&uacute;dos relativos ao cuidado di&aacute;rio dos filhos, ressaltando como os pais organizam o quotidiano familiar e cumprem as tarefas relativas a sono, alimenta&ccedil;&atilde;o, higiene e lazer. </p>      <p><i>Classe 02 &#8211; Conflitos e Preocupa&ccedil;&otilde;es: </i>Indica as principais preocupa&ccedil;&otilde;es vivenciadas pelos pais em fun&ccedil;&atilde;o de um contexto familiar com conflitos e brigas constantes, principalmente com a ex-esposa o que, em alguns casos, permaneceu ap&oacute;s assumirem a guarda dos filhos. </p>      <p>Atrav&eacute;s dos dados constantes na Classe 05 (Uni&atilde;o, Separa&ccedil;&atilde;o e Guarda), verifica-se que, para a maioria dos participantes, os seus relacionamentos conjugais iniciaram-se de maneira positiva, mas diversos conflitos surgiram at&eacute; culminar na separa&ccedil;&atilde;o. Em 06 situa&ccedil;&otilde;es, o t&eacute;rmino do relacionamento ocorreu de forma amig&aacute;vel. Em 03 casos foi preciso a interfer&ecirc;ncia da justi&ccedil;a, principalmente em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; guarda dos filhos, todos menores de idade na &eacute;poca. </p>      <p>Quando se separou, em seis situa&ccedil;&otilde;es o casal definiu primeiramente pela guarda materna, principalmente porque ambos concordavam que uma crian&ccedil;a pequena deveria ser cuidada pela m&atilde;e. Nos casos em que a primeira guarda foi paterna, os principais motivos alegados foram a mudan&ccedil;a da m&atilde;e para outra cidade/pa&iacute;s, melhores condi&ccedil;&otilde;es materiais e financeiras do pai para cuidar dos filhos e melhor relacionamento entre pai e filhos do que com a m&atilde;e. Quando a guarda foi posteriormente assumida pelo pai, em tr&ecirc;s situa&ccedil;&otilde;es os principais fatores que  influenciaram a decis&atilde;o diziam respeito &agrave;s melhores condi&ccedil;&otilde;es materiais, financeiras e o acesso a determinados servi&ccedil;os que o pai possu&iacute;a. Dessa forma, verifica-se que as condi&ccedil;&otilde;es financeiras foram determinantes para que os pais do nosso estudo assumissem a guarda dos filhos. Mas mesmo nos casos em que isso ocorreu, a boa rela&ccedil;&atilde;o entre pai e filho tamb&eacute;m foi ressaltada como importante para a decis&atilde;o. </p>      <p>Ao serem questionados sobre a participa&ccedil;&atilde;o nos cuidados com os filhos, 07 pais relataram que, mesmo antes da separa&ccedil;&atilde;o, j&aacute; procuravam envolver-se nessas atividades, o que, de certa forma, influenciou na decis&atilde;o pela guarda. J&aacute; outros pais mencionaram que sua participa&ccedil;&atilde;o nesses cuidados era restrita a aspectos tidos como necess&aacute;rios (levar ao m&eacute;dico) ou tarefas que tradicionalmente s&atilde;o esperadas de um pai, realizadas fora do ambiente dom&eacute;stico (lazer e transporte foram as mais citadas). Por outro lado, as queixas em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s atitudes maternas s&atilde;o freq&uuml;entes. Quatro pais consideravam que as m&atilde;es n&atilde;o se preocupavam com os filhos, n&atilde;o se esfor&ccedil;avam para estar pr&oacute;ximas e, algumas vezes, negligenciavam as necessidades das crian&ccedil;as, colocando em risco a pr&oacute;pria sa&uacute;de delas. Nesse sentido, os pais se consideravam mais preocupados com os filhos do que as m&atilde;es, assumindo a guarda tamb&eacute;m com o objetivo de cuidar melhor deles. </p>      <p>Relatando o quotidiano com os filhos, na Classe 04 (Cuidados Instrumentais),    os pais revelaram acompanhar suas diversas actividades. As formas reduzidas    mostradas na <a href="#topf1">Figura 01</a><a name="f1"></a>, fazem refer&ecirc;ncia    aos hor&aacute;rios, orienta&ccedil;&atilde;o, transporte dos filhos (que muitas    vezes &eacute; realizado pelos pr&oacute;prios pais), alimenta&ccedil;&atilde;o,    higiene e vestu&aacute;rio, tarefas dom&eacute;sticas, atividades de lazer e    &agrave; concilia&ccedil;&atilde;o do trabalho com todas essas atividades. Nesse    aspecto, os pais tamb&eacute;m se queixaram da pouca disponibilidade das m&atilde;es    para auxiliar no cuidado com os filhos e at&eacute; mesmo do pouco contato que    elas mant&ecirc;m com eles. </p>      <p>J&aacute; as preocupa&ccedil;&otilde;es paternas e os conflitos vivenciados est&atilde;o presentes na Classe 02 (Conflitos e Preocupa&ccedil;&otilde;es). Os pais relataram as dificuldades com a ex-esposa, principalmente no in&iacute;cio da guarda dos filhos, como os conflitos de relacionamento e as solu&ccedil;&otilde;es que conseguiram para melhorar o conv&iacute;vio familiar. Al&eacute;m disso, revelaram algumas preocupa&ccedil;&otilde;es em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; sa&uacute;de f&iacute;sica e emocional de seus filhos, principalmente relativas &agrave; separa&ccedil;&atilde;o e ao distanciamento materno. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p><i>Eixo 1 &#8211; A nova paternidade: Escolha e responsabilidade </i></p>      <p>O Eixo 1 contempla 43,23% do material analisado e cont&eacute;m duas classes: </p>      <p><i>Classe 01 &#8211; Paternidade e maternidade: </i>Nessa classe s&atilde;o relatadas as representa&ccedil;&otilde;es de maternidade e paternidade dos participantes, inclusive ressaltando as expectativas e julgamentos sociais em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; guarda materna ou paterna. </p>      <p><i>Classe 03 &#8211; Avalia&ccedil;&otilde;es: </i>Contempla as avalia&ccedil;&otilde;es e dificuldades no exerc&iacute;cio dessa paternidade. </p>      <p>A seguir, discutiremos as representa&ccedil;&otilde;es sociais identificadas a partir do material desse eixo e ilustraremos cada t&oacute;pico com alguns extratos das entrevistas realizadas. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>SER PAI</p>      <p>As representa&ccedil;&otilde;es sociais de paternidade envolvem os seguintes elementos: Responsabilidade e Acompanhamento, Afectividade e Companheirismo, Orienta&ccedil;&atilde;o e Corre&ccedil;&atilde;o, Respons&aacute;vel pela Manuten&ccedil;&atilde;o da Fam&iacute;lia, Igual &agrave; Maternidade e Equil&iacute;brio. </p>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Responsabilidade e acompanhamento </i></p>      <p>Ser pai &eacute; considerado uma grande responsabilidade, que s&oacute; &eacute; sentida por quem assume realmente o filho. Para isso, n&atilde;o basta ter gerado o filho, &eacute; preciso estabelecer um compromisso com ele, ser respons&aacute;vel por atender &agrave;s suas necessidades. &Eacute; importante &#8216;estar presente&#8217; e acompanhar o desenvolvimento do filho, participando do seu quotidiano e nos cuidados di&aacute;rios, como escola, sa&uacute;de, lazer, entre outros. E isso exige certo sacrif&iacute;cio por parte dos pais pois &eacute; necess&aacute;rio reorganizar sua rotina, diminuindo o tempo de trabalho ou os momentos de lazer e, algumas vezes, at&eacute; mesmo alterando planos de vida em fun&ccedil;&atilde;o dos filhos. </p>      <blockquote>     <p>&#8220;&Eacute; quando a crian&ccedil;a nasce ou quando voc&ecirc; tem um filho, voc&ecirc; sentir um v&iacute;nculo, um apego, um cuidado, uma responsabilidade muito grande em rela&ccedil;&atilde;o a aquela pessoinha ali, entendeu? Ent&atilde;o quando voc&ecirc; sente que voc&ecirc; tem esse compromisso, voc&ecirc; &eacute; pai. Se voc&ecirc; n&atilde;o tem esse compromisso voc&ecirc; n&atilde;o &eacute; pai. Ent&atilde;o ser pai &eacute; s&oacute; isso: &eacute; compromisso com, com essa crian&ccedil;a.&#8221; (S&aacute;vio) </p>      <p>&#8220;E pra isso, exige muito sacrif&iacute;cio, n&eacute;. E eu, com toda a exig&ecirc;ncia de filho, as coisas que voc&ecirc; tem que abrir m&atilde;o, a privacidade e tudo mais, &agrave;s vezes voc&ecirc; sonha com uma coisa pra eles e acontece outro. Mesmo assim, eu gosto, eu gosto de ser pai.&#8221; (Sidney) </p> </blockquote>      <p>&nbsp;</p>      <p><i>Afectividade e companheirismo </i></p>      <p>Os aspectos afectivos tamb&eacute;m s&atilde;o elementos fortes na representa&ccedil;&atilde;o de paternidade. Os pais enfatizam os sentimentos positivos que a paternidade traz, como amor, carinho e satisfa&ccedil;&atilde;o, e consideram os filhos como centrais em suas vidas. Nesse contexto, a paternidade provocou mudan&ccedil;as na vida dos participantes e uma nova dimens&atilde;o afectiva nos seus relacionamentos. Apesar de considerarem-se sobrecarregados com essa escolha, ressaltam que o conv&iacute;vio e a rela&ccedil;&atilde;o afectiva entre pai e filhos &eacute; uma forma de  retribui&ccedil;&atilde;o desse sacrif&iacute;cio. </p>      <blockquote>     <p>&#8220;Ser pai &eacute; maravilhoso. &Eacute; um sentimento de responsabilidade, de carinho, uma afei&ccedil;&atilde;o enorme. Eu hoje n&atilde;o me imagino sem ser pai. Todo mundo sabe que eu sou pai. Todos os meus amigos, namoradas, eu j&aacute; me apresento e apresento que sou pai. J&aacute; faz parte de mim.&#8221; (Saul) </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&#8220;Ser pai &eacute; muito bom, &eacute;, &oacute;, n&atilde;o tenho nem assim o que falar, mas voc&ecirc; ouvir o seu filho te chamar de pai &eacute; muito bom. &Eacute; muito, ele fala: pai. Nossa, sem explica&ccedil;&atilde;o. &Eacute; tudo, &eacute; muito bom ser pai.&#8221; (Samuel) </p> </blockquote>      <p>O companheirismo tamb&eacute;m &eacute; citado como um aspecto importante. Ser pai &eacute; tamb&eacute;m ser amigo, estabelecendo uma rela&ccedil;&atilde;o de confian&ccedil;a com os filhos. A partir do di&aacute;logo e da orienta&ccedil;&atilde;o, os pais se aproximam dos filhos e conseguem auxili&aacute;-los. </p>      <blockquote>     <p>&#8220;Pai tem que ser amigo, principalmente, se quiser ter aten&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o &eacute; aten&ccedil;&atilde;o dele, de querer ter a aten&ccedil;&atilde;o do filho, mas aten&ccedil;&atilde;o de voc&ecirc; ter uma proximidade maior e ganhar a confian&ccedil;a do filho. Se voc&ecirc; for aquele pai carrancudo, chato, que s&oacute; d&aacute; castigo e s&oacute; fala n&atilde;o, seu filho ao inv&eacute;s de vir te procurar pra falar quando ele mais precisa de voc&ecirc;, ele n&atilde;o vai te procurar.&#8221; (Silas) </p> </blockquote>      <p>Alguns pais avaliam que poderiam ser mais carinhosos com os filhos. Ressaltam sua dificuldade nessa &aacute;rea e gostariam de melhorar, apesar de justificarem que a mulher possui maior facilidade para expressar seus sentimentos do que o homem. Por isso, tendem a se relacionar melhor com os filhos do que com as filhas. </p>      <blockquote>     <p>&#8220;A &uacute;nica coisa &eacute; que eu acho que eu poderia ter dado um pouco mais de aten&ccedil;&atilde;o, mas &eacute; aquela est&oacute;ria: a mulher &eacute; mais afetiva do que o homem.&#8221; (Silas) </p> </blockquote>      <p>&nbsp;</p>      <p><i>Orienta&ccedil;&atilde;o e corre&ccedil;&atilde;o </i></p>      <p>Nas representa&ccedil;&otilde;es de paternidade tamb&eacute;m aparecem elementos referentes &agrave;s ac&ccedil;&otilde;es de orienta&ccedil;&atilde;o e corre&ccedil;&atilde;o praticadas  pelos pais no processo educativo dos filhos. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>     <p>&#8220;Ah, isso eu fa&ccedil;o. N&atilde;o tenho problema nenhum em fazer. Se precisar, eu falo, oriento, coloco de castigo. N&atilde;o tenho nenhum problema com isso. Pra mim, isso &eacute; uma responsabilidade inerente a situa&ccedil;&atilde;o de ser pai. Se eu tenho de corrigir, eu fa&ccedil;o.&#8221; (Saul) </p> </blockquote>      <p>O di&aacute;logo &eacute; considerado uma primeira estrat&eacute;gia para corrigir erros dos filhos. Nesse ponto, os pais enfatizam que &eacute; preciso saber negociar algumas coisas, n&atilde;o sendo autorit&aacute;rio, mas tamb&eacute;m &eacute; preciso saber dizer &#8216;n&atilde;o&#8217; quando necess&aacute;rio. As puni&ccedil;&otilde;es tamb&eacute;m s&atilde;o utilizadas, sendo que as principais ac&ccedil;&otilde;es mencionadas s&atilde;o a puni&ccedil;&atilde;o verbal e a imposi&ccedil;&atilde;o de algumas restri&ccedil;&otilde;es &agrave;s actividades dos filhos, como restringir o tempo para ver televis&atilde;o, brincar ou permiss&atilde;o para sair de casa. Algumas vezes, os pais recorrem &agrave;s puni&ccedil;&otilde;es corporais, enfatizando que isso ocorre quando o filho passa dos limites e as outras ac&ccedil;&otilde;es n&atilde;o surtem efeito. </p>      <blockquote>     <p>&#8220;Pego pesado. N&atilde;o dou mole n&atilde;o. Pego pesado mesmo. E, igual eu te falei, mostro pra ele que ele t&aacute; errado, mostro pra ele que eu sou amigo dele, eu t&ocirc; falando aquilo ali n&atilde;o &eacute; pra brigar. N&atilde;o bato. N&atilde;o adianta bater. Mas eu acho que um preg&atilde;o bem dado, um esporro bem dado &eacute; melhor do que bater. Dou esporro, boto de castigo.&#8221; (Samuel) </p>      <p>&#8220;Porque eu n&atilde;o tenho esse neg&oacute;cio de n&atilde;o bater, n&atilde;o punir. Eu coloco sempre pra eles: a vida tem puni&ccedil;&atilde;o, a vida tem toda a&ccedil;&atilde;o tem conseq&uuml;&ecirc;ncia. Tem que aprender isso desde agora. Ent&atilde;o converso uma, converso duas, converso tr&ecirc;s. Numa quarta vez eu jogo duro. E eles sabem disso.&#8221; (S&iacute;lvio) </p> </blockquote>      <p>Alguns pais queixam-se da participa&ccedil;&atilde;o das m&atilde;es na orienta&ccedil;&atilde;o aos filhos, real&ccedil;ando que elas n&atilde;o partilham essa responsabilidade ou, quando participam, agem de forma equivocada. Consideram tamb&eacute;m que, em certos assuntos como sexualidade, a orienta&ccedil;&atilde;o &agrave;s filhas deveria ser feita pela m&atilde;e e n&atilde;o pelo pai. </p>      <blockquote>     <p>&#8220;Igual a m&atilde;e, mesmo, j&aacute;, &agrave;s vezes atrapalhou muito eu cuidar deles, porque eu cortava algumas coisas pra educar, ela, por sentimento de culpa por estar longe, mandava, at&eacute; mandava escondido dinheiro pra eles pelas m&atilde;os de colegas dele, n&eacute;. E me atrapalhava em algumas coisas. Ent&atilde;o eu cortava algumas coisas no sentido de educar e ensinar a buscar e ela atrapalhava assim, n&eacute;.&#8221; (Sidney) </p> </blockquote>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Respons&aacute;vel pela manuten&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia </i></p>      <p>Apenas Santiago se refere diretamente &agrave; fun&ccedil;&atilde;o de respons&aacute;vel material quando fala sobre a paternidade: &#8220;cara, de pai &eacute; prover, &eacute; ser exemplo, &eacute; ser espelho&#8221;. Tamb&eacute;m apenas tr&ecirc;s pais se referiram aos aspectos financeiros durante outros momentos da entrevista: Um deles menciona a impossibilidade em oferecer bens materiais aos filhos quando estava desempregado e outro relembra o momento em que sua filha ficou doente e ele n&atilde;o mediu esfor&ccedil;os para custear o tratamento. Para outro, ensinar os filhos a lidar com o dinheiro &eacute; uma forma de educ&aacute;-los para a vida. </p>     <blockquote>     <p>&#8220;Mas o m&eacute;dico falou: olha, eu n&atilde;o vou enganar voc&ecirc;s, o caso dela &eacute; um em um milh&atilde;o. Ela pode voltar, se ela voltar vai ter seq&uuml;elas, como pode nunca mais voltar. Ent&atilde;o &eacute;... Eu n&atilde;o ia desistir nunca. (...) Eu n&atilde;o tive, pra mim n&atilde;o existia obst&aacute;culo. Eu lutei muito, da&iacute; eu levei ela pro melhor hospital, paguei, fiz empr&eacute;stimo, gastei o dinheiro que eu n&atilde;o tinha pra ver ela bem. Da&iacute; ela ficou bem.&#8221; (Silas) </p>      <p>&#8220;Ent&atilde;o eu, eu, at&eacute; hoje, &agrave;s vezes eles ficam com raiva de mim, hoje tem demais. Ficam querendo que eu d&ecirc; uma coisa pra eles: &#8216;mas o senhor pode, fica fazendo mis&eacute;ria&#8217;. Eu disse assim: &#8216;eu posso, mas eu n&atilde;o estou te educando se eu tiver, se eu te der isso a&iacute;. Ent&atilde;o eu quero que voc&ecirc; aprenda&#8217;.&#8221; (Sidney) </p> </blockquote>      <p>A quest&atilde;o do trabalho externo &eacute; enfatizada quando os pais relatam as dificuldades e solu&ccedil;&otilde;es encontradas para conciliar seu tempo livre com a paternidade, j&aacute; que a maioria trabalha em actividades externas e em jornadas integrais. Alguns n&atilde;o v&ecirc;em dificuldade em conciliar os cuidados com os filhos e o trabalho, considerando que o mesmo acontece quando as m&atilde;es est&atilde;o em situa&ccedil;&atilde;o semelhante. Para outros, essa concilia&ccedil;&atilde;o exige um certo esfor&ccedil;o e, em algumas situa&ccedil;&otilde;es, falta tempo para cuidar de suas pr&oacute;prias necessidades ou do seu lazer. </p>      <blockquote>     <p>&#8220;As coisas rolaram, n&eacute;. As solu&ccedil;&otilde;es foram aparecendo, &agrave; medida que os problemas foram surgindo, a solu&ccedil;&otilde;es iam aparecendo. Ent&atilde;o, deu pra levar, ent&atilde;o at&eacute; hoje d&aacute;. (...) n&atilde;o &eacute; dif&iacute;cil n&atilde;o voc&ecirc; conciliar a paternidade, o exerc&iacute;cio da paternidade com o trabalho n&atilde;o &eacute; uma coisa t&atilde;o complicada assim n&atilde;o. Ela &eacute; mais complicada no discurso, n&eacute;, de tanto dizerem pros homens que &eacute; dif&iacute;cil eles acabam acreditando e acabam realmente achando que n&atilde;o podem fazer isso.&#8221; (Saulo) </p>      <p>&#8220;Em algumas horas voc&ecirc; at&eacute; reclama, porque voc&ecirc; fica saturado tamb&eacute;m. Mas &eacute;, mas &eacute; muito bom, pelo outro lado, n&eacute;, de eles estarem ali, de voc&ecirc; ver t&aacute; vendo que t&aacute; fazendo um sacrif&iacute;cio por eles. Voc&ecirc; deixar de fazer, igual eu, vamos supor, me considero bastante jovem ainda, saio, tenho amigos, viajo, e a&iacute; voc&ecirc; tem que deixar de fazer um monte de coisas, porque tem que fazer pra eles.&#8221; (Samuel) </p> </blockquote>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Paternidade &eacute; igual &agrave; maternidade </i></p>      <p>Nessa categoria est&atilde;o presentes os relatos que igualam a paternidade &agrave; maternidade, sendo que somente dois pais a representaram dessa forma. </p>      <blockquote>     <p>&#8220;Olha, paternidade pra mim &eacute; a mesma coisa que maternidade. Pra mim n&atilde;o existe diferen&ccedil;a n&atilde;o. Assim, &eacute; aquela pessoa que... eu acho que se a gente for pegar os cuidados maternos e os cuidados paternos, eu acho que a fun&ccedil;&atilde;o paterna e a fun&ccedil;&atilde;o materna n&atilde;o se colam a homem e a mulher.&#8221; (Saulo)</p> </blockquote>      <p>&nbsp;</p>      <p><i>Equil&iacute;brio</i></p>      <p>O equil&iacute;brio aparece como um elemento importante na paternidade. Para ser um bom pai &eacute; preciso ter equil&iacute;brio entre todos os elementos j&aacute; apresentados: responsabilidade, cuidado, carinho, compreens&atilde;o, orienta&ccedil;&atilde;o, educador financeiro. </p>      <blockquote>     <p>&#8220;Um bom pai... &eacute; aquele que consegue equilibrar o carinho, a aten&ccedil;&atilde;o com a dureza, com a orienta&ccedil;&atilde;o.&#8221; (S&iacute;lvio) </p>      <p>&#8220;Ah, eu acho que &eacute; como eu falei, bom pai seria um pai que sabe ser amigo e falar n&atilde;o tamb&eacute;m. Isso &eacute; ser um bom pai.&#8221; (Silas) </p> </blockquote>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p>SER M&Atilde;E</p>      <p>Nas RS de maternidade podem ser identificados elementos como Estar Presente, Afectividade e Companheirismo, Aspectos Biol&oacute;gicos, Superior &agrave; Paternidade, Igual &agrave; Paternidade, N&atilde;o Abandonar os Filhos e Equil&iacute;brio. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p><i>Estar presente </i></p>      <p>Para os participantes, a m&atilde;e deve estar presente no quotidiano dos filhos, preocupando-se com eles e participando dos seus cuidados di&aacute;rios. </p>      <blockquote>     <p>&#8220;&Eacute; estar presente, estar junto do filho, n&eacute;. Nas dificuldades, nas alegrias, no sucesso, nas tristezas, isso &eacute; o papel da m&atilde;e. Estar sempre junto.&#8221; (S&eacute;rgio)</p>      <p>&#8220;Ent&atilde;o eu acho que uma boa m&atilde;e tem que querer estar perto, acompanhar os filhos, ver como eles est&atilde;o.&#8221; (Saul) </p> </blockquote>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Afectividade e companheirismo </i></p>      <p>A m&atilde;e deve ser afectuosa com os filhos, demonstrando aten&ccedil;&atilde;o e companheirismo, relacionando-se bem com eles. Para alguns pais, a afectividade j&aacute; nasce com a mulher. </p>      <blockquote>     <p>&#8220;Acho que ser m&atilde;e tamb&eacute;m &eacute; isso, &eacute; esse sentimento de carinho, cuidado. Querer ver o filho bem, fazer por onde, isso a&iacute;.&#8221; (Saul) </p>      <p>&#8220;&Eacute;, uma boa m&atilde;e... eu acho que assim, toda m&atilde;e j&aacute; &eacute; uma boa m&atilde;e.&#8221; (Silas)</p> </blockquote>      <p>&nbsp;</p>      <p><i>Aspectos biol&oacute;gicos </i></p>      <p>A maternidade tamb&eacute;m &eacute; representada a partir das quest&otilde;es biol&oacute;gicas relacionadas &agrave; gravidez e ao parto. Assim, a liga&ccedil;&atilde;o entre m&atilde;e e filho se inicia na gesta&ccedil;&atilde;o, de uma forma bem mais &iacute;ntima do que a liga&ccedil;&atilde;o que ser&aacute; estabelecida com o pai. Silas, por exemplo, ressalta que uma mulher, pelo facto de gerar uma crian&ccedil;a, j&aacute; pode ser considerada uma boa m&atilde;e. O instinto materno tamb&eacute;m &eacute; apontado como um factor importante na maternidade, apesar de que, em algumas m&atilde;es, ele &#8216;n&atilde;o aparece&#8217;. </p>      <blockquote>     <p>&#8220;E, m&atilde;e &eacute; uma coisa que &eacute; muito mais &iacute;ntima do que o pai. Eu acho que m&atilde;e, &eacute;, come&ccedil;a desde o encontro do esperma do homem com o &oacute;vulo da mulher. A partir da&iacute; a m&atilde;e j&aacute; sabe que &eacute; m&atilde;e.&#8221; (Silas) </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&#8220;Ent&atilde;o eu acho que ela n&atilde;o, n&atilde;o floresceu esse instinto materno, de querer cuidar dos filhos. Eu acho que ela n&atilde;o floresceu isso. Porque mesmo quando a gente tava junto, quem cuidava mais do meu filho era eu. Dava mamadeira, dava banho, acordava de noite, trocava fralda.&#8221; (Saul) </p> </blockquote>      <p>&nbsp;</p>      <p><i>Maternidade &eacute; superior &agrave; paternidade </i></p>      <p>Justamente por estarem presentes na maternidade os aspectos biol&oacute;gicos relacionados &agrave; gesta&ccedil;&atilde;o, alguns participantes a consideram superior &agrave; paternidade. </p>      <blockquote>     <p>&#8220;Ent&atilde;o m&atilde;e &eacute; tudo, para mim eu acho que ser </p>      <p>m&atilde;e &eacute; muito mais do que ser pai.&#8221; (Silas) &#8220;Eu acho que m&atilde;e, m&atilde;e acho que &eacute; tudo, m&atilde;e acho que &eacute; tudo na vida da crian&ccedil;a, porque na verdade saiu de dentro dela, n&eacute;. M&atilde;e eu acho que &eacute; superior a pai, n&atilde;o tem jeito. Saiu de dentro dela, n&eacute;.&#8221; (Samuel) </p> </blockquote>      <p>&nbsp;</p>      <p><i>Maternidade &eacute; igual &agrave; paternidade </i></p>      <p>Tr&ecirc;s pais tamb&eacute;m julgam que a maternidade &eacute; igual &agrave; paternidade, sendo que as mesmas caracter&iacute;sticas e responsabilidades que a m&atilde;e possui tamb&eacute;m podem ser paternas. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>     <p>&#8220;Ah, a diferen&ccedil;a, eu acho que nesse aspecto n&atilde;o tem diferen&ccedil;a de pai para uma m&atilde;e.&#8221; (Sandro) </p>      <p>&#8220;Olha, eu acho que &eacute; a mesma coisa.&#8221; (S&aacute;vio)</p> </blockquote>      <p>&nbsp;</p>      <p><i>N&atilde;o abandonar os filhos </i></p>      <p>Na opini&atilde;o de seis pais, a m&atilde;e n&atilde;o deve deixar seus filhos para outras pessoas cuidarem, devendo ser capaz de sacrif&iacute;cios para ficar com eles. Afirmam que, se fossem m&atilde;es, jamais deixariam de ficar com a guarda dos filhos. Nos relatos desses pais aparece uma avalia&ccedil;&atilde;o negativa em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s m&atilde;es que &#8216;permitiram&#8217; que os filhos fossem criados por eles, numa clara refer&ecirc;ncia &agrave; maternidade como algo central na vida de uma mulher e da qual ela n&atilde;o deve abdicar, ainda que passe por dificuldades. </p>      <blockquote>     <p>&#8220;Eu acho que no lugar dela eu n&atilde;o deixaria acontecer isso. Nunca. Tem m&atilde;e que acho que n&atilde;o exerce aquele papel intenso de m&atilde;e. Enquanto t&ecirc;m outras que n&atilde;o, t&ecirc;m outras que...&#8221; (Samuel) </p>      <p>&#8220;[Boa m&atilde;e] &eacute; aquela que n&atilde;o deixa o filho. Acho que, apesar dos problemas, voc&ecirc; tem ex-mulher, ex-marido, mas n&atilde;o tem ex-filho. Voc&ecirc; se separa, mas n&atilde;o dos filhos. Ent&atilde;o eu acho que uma boa m&atilde;e tem que querer estar perto, acompanhar os filhos, ver como eles est&atilde;o.&#8221; (Saul) </p> </blockquote>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Equil&iacute;brio</i></p>      <p>Para ser uma boa m&atilde;e, tamb&eacute;m &eacute; preciso equil&iacute;brio. Ela deve estar atenta, acompanhar e facilitar o desenvolvimento do filho, mas ao mesmo tempo deve incentivar a sua autonomia; deve oferecer as coisas aos filhos e colocar limites quando necess&aacute;rio. </p>      <blockquote>     <p>&#8220;Ent&atilde;o boa m&atilde;e &eacute; aquela que sabe acolher, cuidar do filho, mas deixar ele andar com as pr&oacute;prias pernas. Isso a&iacute; &eacute; uma boa m&atilde;e.&#8221; (Silas) </p>      <p>&#8220;Ah, uma boa m&atilde;e tem que, ela tem que t&aacute; em sintonia com o que t&aacute; acontecendo com o filho e com a comunidade, com tudo em geral, pra poder fazer o papel dela, n&atilde;o deixar, n&atilde;o deixar que a coisa desande, n&eacute;.&#8221; (Sidney) </p> </blockquote>      <p>&nbsp;</p>      <p>SER PAI E M&Atilde;E</p>      <p>Em certo momento da entrevista, caso o participante n&atilde;o mencionasse a sua opini&atilde;o sobre a express&atilde;o &#8216;eu sou pai e m&atilde;e&#8217;, o assunto era provocado. Dois pais n&atilde;o se consideram &#8216;pai e m&atilde;e&#8217; e avaliam que os filhos precisam de cuidado e aten&ccedil;&atilde;o, que podem ser dispensados tanto pelo pai quanto pela m&atilde;e, ou ainda por alguma outra pessoa que se disponha a isso. Dessa forma, cuidar dos filhos passa a ser uma fun&ccedil;&atilde;o parental e n&atilde;o paterna ou materna, que pode ser exercida por qualquer pessoa que assuma essa responsabilidade. </p>      <blockquote>     <p>&#8220;Independente se voc&ecirc; &eacute; pai ou se voc&ecirc; &eacute; m&atilde;e. Porque a dificuldade que eu tenho para educar ela tamb&eacute;m teria se tivesse fazendo esse papel. Ent&atilde;o esse papo de pai e m&atilde;e, a palavra em si n&atilde;o quer dizer nada. Eu n&atilde;o vejo diferen&ccedil;a nisso.&#8221; (Sandro) </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&#8220;Eu acho que tanto um homem como uma mulher pode cuidar de seus filhos, tanto dos deles quanto dos filhos dos outros. Isso. Se a pessoa se dispuser a cuidar, pode cuidar do seu filho leg&iacute;timo, dos seus filhos n&atilde;o leg&iacute;timos, dos filhos dos outros.&#8221; (Saulo)</p> </blockquote>      <p>Outros tr&ecirc;s pais, apesar de tamb&eacute;m n&atilde;o se considerarem &#8216;pai e m&atilde;e&#8217;, enfatizam que h&aacute; uma divis&atilde;o de tarefas entre homens e mulheres e que, no caso deles, realizam ambas as fun&ccedil;&otilde;es por considerar que os filhos precisam de cuidados, independente de quem cuida: </p>      <blockquote>     <p>&#8220;Tudo que a crian&ccedil;a precisa &eacute; de quem cumpra os pap&eacute;is. Crian&ccedil;a quer sabe o seguinte: quem vai atender a minha demanda? Ok? Se &eacute; o papel, se &eacute; o pai que faz o papel do pai ou faz o papel da m&atilde;e, isso n&atilde;o importa. Pra ela, ela precisa de cuidado, de carinho, prote&ccedil;&atilde;o e tudo. E precisa de quem fa&ccedil;a esse papel.&#8221; (S&aacute;vio)</p> </blockquote>      <p>J&aacute; um segundo grupo, composto por seis pais, se assume explicitamente como &#8216;pai e m&atilde;e&#8217;: </p>      <blockquote>     <p>&#8220;No meu caso eu fui pai e m&atilde;e, n&eacute;?&#8221; (Silas)</p>      <p>&#8220;Ser m&atilde;e... N&atilde;o sei. Porque eu n&atilde;o sou m&atilde;e. Eu sou pai. Mas &agrave;s vezes eu fa&ccedil;o as duas coisas... Sei l&aacute;. (...) &Eacute;. Eu sou pai e m&atilde;e. Eu tenho sempre que estar atento, vendo tudo, corrigindo, dando carinho, me vigiando pra n&atilde;o ficar muito tempo longe de casa, porque eu sou a maior refer&ecirc;ncia dele, eu sei que ele precisa de mim por perto. Ent&atilde;o eu acho que eu sou pai e m&atilde;e.&#8221; (Saul) </p> </blockquote>     <p>Nos relatos desses pais pode-se novamente identificar a exist&ecirc;ncia de uma divis&atilde;o entre tarefas maternas e paternas. Nessa divis&atilde;o, a m&atilde;e cuida dos aspectos instrumentais e afectivos da rela&ccedil;&atilde;o com os filhos e os pais s&atilde;o os respons&aacute;veis pelas quest&otilde;es financeiras e de educa&ccedil;&atilde;o, principalmente quando a m&atilde;e n&atilde;o consegue mais corrigi-los. Nesse caso, quando um dos pais n&atilde;o assume sua parte no cuidado com os filhos, o outro deve faz&ecirc;-lo, o que muitas vezes gera sobrecarga para quem cuida. Sendo assim, eles cumprem ambas as tarefas devido &agrave; aus&ecirc;ncia da m&atilde;e e n&atilde;o por considerarem que isso &eacute; uma fun&ccedil;&atilde;o parental, que poderia ser cumprida por qualquer pessoa. </p>      <blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&#8220;Eu tento fazer o que eu posso. Ou mais. O que eu acho que ela n&atilde;o &eacute;, eu tento fazer um peda&ccedil;o da parte dela.&#8221; (Samuel) </p>      <p>&#8220;Ent&atilde;o mostrar pra eles que falta a m&atilde;e e eu tenho que fazer o papel dos dois. E pra fazer n&atilde;o &eacute; f&aacute;cil, n&atilde;o &eacute; mole.&#8221; (S&iacute;lvio) </p> </blockquote>      <p>&nbsp;</p>      <p>APOIO SOCIAL E AVALIA&Ccedil;&Otilde;ES</p>      <p>A rea&ccedil;&atilde;o de familiares e amigos em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; guarda paterna foi bastante heterog&ecirc;nea, variando da reprova&ccedil;&atilde;o inicial &agrave; aceita&ccedil;&atilde;o da nova situa&ccedil;&atilde;o. Em dois casos, eles desaprovaram a decis&atilde;o, alegando que uma m&atilde;e n&atilde;o deveria deixar os filhos, independentemente das raz&otilde;es. Em outras duas situa&ccedil;&otilde;es, os pais procuraram se manter neutros nessa avalia&ccedil;&atilde;o, como se pode observar abaixo: </p>      <blockquote>     <p>&#8220;E tem muita gente que acha isso absurdo at&eacute;. Cai no campo do absurdo, certo. A m&atilde;e n&atilde;o poderia ter deixado um dia, tem que gente que acha isso. Eu, particularmente n&atilde;o acho n&atilde;o. Acho que tudo bem. Ela optou por isso.&#8221; (S&eacute;rgio) </p> </blockquote>      <p>De forma geral, os familiares e amigos aprovaram a guarda paterna, mas alertaram que o cuidado com os filhos era uma tarefa muito dif&iacute;cil para ser realizada sem a presen&ccedil;a de outras pessoas, principalmente do sexo feminino, incentivando os pais a encontrarem namoradas ou companheiras que auxiliariam nesse cuidado. Isso acontecia, principalmente, quando eles tinham a guarda de filhas. Nessa situa&ccedil;&atilde;o, a companhia materna era ainda mais enfatizada, pois o grupo familiar refor&ccedil;ava as dificuldades que um pai poderia ter na educa&ccedil;&atilde;o da filha quando ela chegasse &agrave; adolesc&ecirc;ncia. </p>      <blockquote>     <p>&#8220;No in&iacute;cio, meus amigos achavam que eu tinha que arrumar uma m&atilde;e pra ele. Eu tinha que arrumar uma companheira, porque ele era muito pequeno, tinha que ter uma mulher perto. E eu falava que n&atilde;o. Ele tinha m&atilde;e. Essas outras coisas eu podia me virar.&#8221; (Saul) </p> </blockquote>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Alguns pais ressaltaram que as dificuldades para criar filhos poderiam surgir tanto na guarda paterna quanto na materna, independente de quem assumisse o cuidado. </p>      <blockquote>     <p>&#8220;Ent&atilde;o todo mundo achava: &#8216;Mas voc&ecirc; vai ter muito trabalho.&#8217; E eu dizia: &#8216;olha, o trabalho que eu vou ter &eacute; o mesmo que uma m&atilde;e tem. Qual &eacute; a diferen&ccedil;a? Do mesmo jeito que ela vai criar, ela iria cuidar, eu tamb&eacute;m vou cuidar do mesmo jeito, vou me preocupar com as mesmas coisas, quando tiver doente levar pro m&eacute;dico, as mesmas coisas, n&atilde;o vejo&#8217;...&#8221; (Saulo) </p> </blockquote>      <p>Apesar disso, n&atilde;o descartam que, em alguns momentos, foi desconfort&aacute;vel enfrentar essa avalia&ccedil;&atilde;o de que um pai n&atilde;o tem condi&ccedil;&otilde;es de criar suas filhas e identificam at&eacute; mesmo preconceito em v&aacute;rias situa&ccedil;&otilde;es. </p>      <blockquote>     <p>&#8220;Mas eu acho que a sociedade imp&otilde;e muito, muita, muita restri&ccedil;&atilde;o. Eu tive muita dificuldade de ser pai de duas meninas. Sabe por qu&ecirc;? Por causa do preconceito. Grande, em grande parte das mulheres. Primeiro: as mulheres olhavam pra minha cara, a maioria das namoradas queria intervir no meu quotidiano. Definir a minha maneira de lidar com minhas crian&ccedil;as. E era um transtorno.&#8221; (S&aacute;vio)</p> </blockquote>      <p>Os pais avaliam que, actualmente, amigos e familiares v&ecirc;em de forma positiva a rela&ccedil;&atilde;o entre pais e filhos, mesmo n&atilde;o tendo incentivado essa situa&ccedil;&atilde;o desde o in&iacute;cio. Apesar de n&atilde;o se considerarem &#8216;pais especiais&#8217; por cuidar sozinhos dos filhos, sabem que fazem parte de um pequeno grupo que assume a guarda. Por isso, s&atilde;o constantemente elogiados pelo exerc&iacute;cio de sua paternidade: </p>      <blockquote>     <p>&#8220;E a&iacute;, com pouco tempo tudo se reverteu. Porque a&iacute; todos os nossos amigos: &#8216;&eacute;, realmente os meninos est&atilde;o melhor com o pai do que com a m&atilde;e&#8217;.&#8221; (S&aacute;vio) </p>      <p>&#8220;Eu fa&ccedil;o o que posso, as pessoas elogiam, acham que eu sou um &oacute;timo pai. Eu realmente fa&ccedil;o o que posso, mas acho que &eacute; minha obriga&ccedil;&atilde;o. &Eacute; meu filho, eu tenho que cuidar, ficar junto. &Eacute; minha obriga&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o &eacute; nada de mais.&#8221; (Saul) </p> </blockquote>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Eles tamb&eacute;m se avaliam de maneira positiva, ressaltando que est&atilde;o conseguindo criar seus filhos com sucesso, oferecendo-lhes uma forma&ccedil;&atilde;o adequada. </p>      <blockquote>     <p>&#8220;Mas eu acho que eu consegui alcan&ccedil;ar meu objetivo, que eu criei um ser humano que pelo menos n&atilde;o &eacute; revoltado, tem base, sabe o que quer da vida, sabe escolher as coisas. (...) A base eu dei. Isso eu n&atilde;o me cobro, que eu sei que a base eu dei. Eu preparei ela pra vida. Isso eu sei, eu t&ocirc; tranq&uuml;ilo nessa parte.&#8221; (Silas) </p> </blockquote>      <p>Como ser um pai presente exige &#8216;desprendimento&#8217; e tempo dedicado aos filhos, quando eles crescem surge um sentimento de &#8216;tarefa cumprida&#8217;. Por isso os pais ressaltam que o compromisso e o sacrif&iacute;cio s&atilde;o recompensados pelos sentimentos positivos associados &agrave; paternidade. </p>      <blockquote>     <p>&#8220;Porque criar filho n&atilde;o &eacute; f&aacute;cil. Tem hora que a gente... nossa, d&aacute; trabalho, tem hora que voc&ecirc; tem que abrir m&atilde;o de um monte de coisa mesmo. Em algumas horas voc&ecirc; at&eacute; reclama, porque voc&ecirc; fica saturado tamb&eacute;m. Mas &eacute;, mas &eacute; muito bom, pelo outro lado, n&eacute;, de eles estarem ali, de voc&ecirc; ver, t&aacute; vendo que t&aacute; fazendo um sacrif&iacute;cio por eles.&#8221; (Samuel) </p> </blockquote>      <p>&nbsp;</p>      <p>DISCUSS&Atilde;O</p>      <p>A responsabilidade masculina pelos cuidados com os filhos tem sido tema freq&uuml;ente de pesquisas, uma vez  que a quest&atilde;o financeira e autoridade moral parecem j&aacute; ser aspectos assumidos tradicionalmente pelo homem no seu exerc&iacute;cio de ser pai, como discute Vel&aacute;squez (2006): </p>      <blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>La paternidad es una relaci&oacute;n social compleja, que va m&aacute;s all&aacute; del hecho de engendrar un ser humano y que generalmente comprende otras dimensiones, como las de proveer econ&oacute;micamente, ejercer autoridad, proteger, formar y transmitir valores y saberes de padres a hijos e hijas. Asimismo, la participaci&oacute;n masculina en la crianza y cuidado de sus peque&ntilde;os es un aspecto que tambi&eacute;n se considera central en el ejerc&iacute;cio de la paternidad cuando se extienden los valores democr&aacute;ticos en la familia y se busca el logro de una mayor equidad de g&eacute;nero. (p. 168). </p> </blockquote>      <p>Segundo a autora, h&aacute; uma forte rela&ccedil;&atilde;o entre a masculinidade e a paternidade, j&aacute; que &#8220;una forma de ser padre tiene que ver con una forma de ser hombre&#8221; (p. 155). Assim, se na masculinidade hegem&ocirc;nica n&atilde;o se incentiva a express&atilde;o dos sentimentos e a responsabilidade masculina est&aacute; baseada no trabalho remunerado e externo ao ambiente dom&eacute;stico, pode-se compreender porque a paternidade tradicional est&aacute; baseada na responsabilidade econ&ocirc;mica e na autoridade moral sobre a fam&iacute;lia. </p>      <p>Por outro lado, aspectos como a express&atilde;o da afectividade e o companheirismo j&aacute; se configuram como dimens&otilde;es bastante citadas nas pesquisas recentes, principalmente nos resultados obtidos com as novas gera&ccedil;&otilde;es. Alguns autores t&ecirc;m destacado que muitas vezes os sujeitos mais jovens tendem a assumir pr&aacute;ticas de paternidade n&atilde;o-tradicionais ou &#8216;em transi&ccedil;&atilde;o&#8217;, em conson&acirc;ncia com a &#8216;nova paternidade&#8217; (Gallardo, Gomez, Mu&ntilde;oz, &amp; Su&aacute;rez, 2006; Hegg, 2004; Martinez, 2006; Villamizar &amp; Rosero-Labb&eacute;, 2005). </p>      <p>Apesar dessas mudan&ccedil;as, de forma geral, a responsabilidade pelo cuidado com os filhos ainda &eacute; pouco compartilhada entre pais e m&atilde;es. A participa&ccedil;&atilde;o masculina ainda &eacute; parcial e descont&iacute;nua quando comparada &agrave;s mulheres, mesmo quando elas tamb&eacute;m possuem atividade profissional externa ao lar. Nesta pesquisa grande parte dos participantes reconhecia que durante o relacionamento conjugal a sua esposa era mais respons&aacute;vel pelos cuidados parentais. Por outro lado, tamb&eacute;m encontramos homens que, durante o casamento, se consideravam mais participativos que as pr&oacute;prias esposas, situa&ccedil;&atilde;o que se manteve ap&oacute;s a separa&ccedil;&atilde;o. V&aacute;rios pais tamb&eacute;m se queixam da pequena participa&ccedil;&atilde;o materna e criticam a ex-esposas por n&atilde;o terem assumido a guarda dos filhos. </p>      <p>Quando analisamos as representa&ccedil;&otilde;es sociais identificadas, verificamos v&aacute;rios aspectos tradicionais, como a responsabilidade, a orienta&ccedil;&atilde;o e corre&ccedil;&atilde;o e o pai respons&aacute;vel pela manuten&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia. Ao mesmo tempo, identificamos a presen&ccedil;a de discursos e pr&aacute;ticas que indicam o companheirismo e a express&atilde;o da afectividade como aspectos importantes. Assim, a &ecirc;nfase dada ao relacionamento afectivo, aos cuidados parentais e &agrave; amplia&ccedil;&atilde;o do tempo que passam com os filhos s&atilde;o representativos de uma viv&ecirc;ncia paterna diferenciada da tradicional. Essa representa&ccedil;&atilde;o &eacute; refor&ccedil;ada pela presen&ccedil;a do elemento &#8216;Igual &agrave; Maternidade&#8217; e pelo facto do elemento &#8216;Respons&aacute;vel pela Manuten&ccedil;&atilde;o da Fam&iacute;lia&#8217; n&atilde;o ter sido preponderante. </p>      <p>A partir da teoria, podemos identificar os elementos est&aacute;veis e &#8216;duros&#8217; da representa&ccedil;&atilde;o &#8211; autoridade moral e financeira da fam&iacute;lia &#8211; mas tamb&eacute;m verificar a emerg&ecirc;ncia de conte&uacute;dos que s&atilde;o flex&iacute;veis e indicativos de mudan&ccedil;as na representa&ccedil;&atilde;o &#8211; a afectividade e, principalmente, </p>      <p>o elemento Igual &agrave; Maternidade &#8211; que ainda est&atilde;o mais perif&eacute;ricos. Nesse caso podemos considerar que a afectividade &eacute; indicativa de mudan&ccedil;a porque, na maioria das vezes, a viv&ecirc;ncia da paternidade com seu pr&oacute;prio pai era mais r&iacute;gida e menos afectiva. Al&eacute;m disso, diversos pais relataram suas dificuldades e esfor&ccedil;os para melhorar seu relacionamento com suas filhas, indicando suas dificuldades nesse processo. </p>      <p>As RS de maternidade tamb&eacute;m indicam esse movimento: os conte&uacute;dos mais est&aacute;veis dizem respeito aos aspectos biol&oacute;gicos e superioridade da m&atilde;e, al&eacute;m da maternidade n&atilde;o ser vista como op&ccedil;&atilde;o feminina, mas como um imperativo. Por outro lado, elementos que indicam mudan&ccedil;as perif&eacute;ricas s&atilde;o aqueles que igualam a maternidade &agrave; paternidade. </p>      <p>O conv&iacute;vio de diferentes elementos, indicando inclusive contradi&ccedil;&otilde;es dentro das mesmas representa&ccedil;&otilde;es tamb&eacute;m foi encontrado quando os sujeitos representaram o que &eacute; ser &#8216;pai e m&atilde;e&#8217;. Nesse ponto, tamb&eacute;m aparecem conte&uacute;dos tradicionais da divis&atilde;o de g&eacute;nero, quando os homens relatam haver actividades espec&iacute;ficas ou mais prop&iacute;cias de serem realizadas pelo pai e outras cuja responsabilidade deve ser materna. Por outro lado, elementos de transi&ccedil;&atilde;o podem ser observados nos discursos de que tanto o pai quanto a m&atilde;e podem ser respons&aacute;veis, da mesma forma, pelos filhos. </p>      <p>Apesar de demonstrarem satisfa&ccedil;&atilde;o, os pais relatam dificuldades vivenciadas nesse processo. Ressaltam que, muitas vezes, os profissionais envolvidos na separa&ccedil;&atilde;o e seus pr&oacute;prios familiares priorizavam a m&atilde;e na  hora de definir a guarda. Assim, o imagin&aacute;rio social ainda refor&ccedil;a que o cuidado com os filhos deve ser responsabilidade materna, aspecto tamb&eacute;m presente no discurso masculino, como encontrado por Ridenti (1998). A autora questionou se, em caso de separa&ccedil;&atilde;o, os homens entrevistados solicitariam a cust&oacute;dia de seus filhos: apenas dois responderam afirmativamente e os demais ponderaram que a idade dos filhos influenciaria a sua decis&atilde;o. Em nossa pesquisa tamb&eacute;m pudemos constatar essa valoriza&ccedil;&atilde;o materna em dois momentos: quando o casal optou pela primeira guarda ser materna, justificada pela idade dos filhos e, ao assumirem a guarda, quando os pais foram questionados por amigos e familiares sobre sua capacidade de cuidar dos filhos. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Assim, os dados apresentam representa&ccedil;&otilde;es tradicionais ao mesmo tempo em que indicam a emerg&ecirc;ncia de elementos novos que remetem &agrave; quest&atilde;o da &#8216;nova paternidade&#8217;. A pr&oacute;pria viv&ecirc;ncia desses homens, enfrentando dificuldades e preconceitos sociais ao assumir a monoparentalidade j&aacute; apresenta uma forma n&atilde;o tradicional de exercer a paternidade. Para romper esses obst&aacute;culos, &eacute; importante que a fam&iacute;lia monoparental masculina seja vista como mais uma forma de organiza&ccedil;&atilde;o familiar que, dentro das cont&iacute;nuas transforma&ccedil;&otilde;es nos valores e modos de vida contempor&acirc;neos, pode ser uma viv&ecirc;ncia satisfat&oacute;ria para os homens e seus filhos. </p>      <p>Embora o n&uacute;mero de participantes do estudo seja reduzido, facto que limita qualquer pretens&atilde;o de generaliza&ccedil;&atilde;o dos resultados, &eacute; imperioso reconhecer a import&acirc;ncia dos dados obtidos. Eles revelam as novas configura&ccedil;&otilde;es das masculinidades contempor&acirc;neas que se refletem n&atilde;o s&oacute; em novos arranjos conjugais, mas tamb&eacute;m em novas rela&ccedil;&otilde;es afectivas com os filhos e o compromisso com o cuidado necess&aacute;rio para o seu bom desenvolvimento. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>REFER&Ecirc;NCIAS</p>      <!-- ref --><p>Balancho, L. S. F. (2004). Ser pai: Transforma&ccedil;&otilde;es intergeracionais na paternidade. <i>An&aacute;lise Psicol&oacute;gica, 22(2</i>), 377-386.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000227&pid=S0870-8231201000040000300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Balzano, S. (2003). No todo tiempo pasado fue mejor... Percepciones de las diferencias generacionales en la crianza y educaci&oacute;n de los hijos. <i>Estudios Sobre las Culturas Contemporaneas, IX</i>(18), 103-126. </p>      <p>Bardin, L. (1977). <i>An&aacute;lise de conte&uacute;do</i>. S&atilde;o Paulo: Edi&ccedil;&otilde;es 70. </p>      <p>Bustamante, V. (2005). Ser pai no sub&uacute;rbio ferrovi&aacute;rio de Salvador: Um estudo de caso com homens de camadas populares. <i>Psicologia em Estudo, 10(3</i>), 393-402, Maring&aacute;.</p>      <p>Dantas, C., Jablonski, B., &amp; F&eacute;res-Carneiro, T. (2004). Paternidade:    Considera&ccedil;&otilde;es sobre a rela&ccedil;&atilde;o pais-filhos ap&oacute;s    separa&ccedil;&atilde;o conjugal. <i>Paid&eacute;ia: Cadernos de Psicologia    e Educa&ccedil;&atilde;o, 14(29</i>), dispon&iacute;vel em <a href="http://sites.ffclrp.usp.br/paideia" target="_blank">http://sites.ffclrp.usp.br/paideia</a>,    acessado em 30/05/2008. </p>      <p>Devreux, A. (2006). A paternidade na Fran&ccedil;a: Entre igualiza&ccedil;&atilde;o dos direitos parentais e lutas ligadas &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es sociais de sexo. <i>Sociedade e Estado</i>, Bras&iacute;lia<i>, 21(3</i>), 607-624. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Fuller, N. (2000). Significados y pr&aacute;ticas de paternidad entre varones urbanos del Per&uacute;. In N. Fuller (Ed.),  <i>Paternidades en Am&eacute;rica Latina </i>(pp. 35-89). Lima: Pontificia Universidad Cat&oacute;lica del Per&uacute;/Fondo Editorial. </p>      <p>Gallardo, G., Gomez, E., Mu&ntilde;oz, M., &amp; Su&aacute;rez, N. (2006). Paternidad: Representaciones sociales en j&oacute;venes varones heterosexuales universit&aacute;rios sin hijos. <i>Psykhe (Santiago), 15(2</i>), 105-116. </p>      <p>Gomes, A. J. S., &amp; Resende, V. R. (2004). O pai presente: O desvelar da paternidade em uma fam&iacute;lia contempor&acirc;nea. <i>Psicologia: Teoria e Pesquisa, 20(2</i>), 119-125. </p>      <p>Giffin, K. (2005). A inser&ccedil;&atilde;o dos homens nos estudos de g&ecirc;nero: Contribui&ccedil;&otilde;es de um sujeito hist&oacute;ric<i>o</i>. <i>Ci&ecirc;ncia e Sa&uacute;de Coletiva, 10(1</i>), 47-57. </p>      <p>Hegg, M. O. (2004). Masculinidad y paternidad en Centroam&eacute;rica. <i>Revista Centroamericana de Ciencias Sociales, 2(I</i>), 59-74. </p>      <p>IBGE. (2003). <i>Censo demogr&aacute;fico 2000: Fam&iacute;lia e domic&iacute;lios    &#8211; Resultados da amostra</i>. Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.ibge.gov.br" target="_blank">http://www.ibge.gov.br</a>,    acessado em 07/12/2006. </p>      <p>IBGE. (2006). <i>S&iacute;ntese dos indicadores sociais</i>. Dispon&iacute;vel    em <a href="http://www.ibge.gov.br" target="_blank">http://www.ibge.gov.br</a>, acessado em    07/12/2006. </p>      <p>IMAGE. (2002). <i>Alceste </i>&#8211; <i>Manuel d&#8217;utilisation</i>. Toulouse, France: Image. </p>      <p>Jodelet, D. (2001). Representa&ccedil;&otilde;es sociais: Um dom&iacute;nio em expans&atilde;o. In D. Jodelet (Org.), <i>As  representa&ccedil;&otilde;es sociais </i>(pp. 17-44). Rio de Janeiro: EdUERJ. </p>      <p>Maridaki-Kassotaki, K. (2000). Understanding father-hood in Greece: Father&#8217;s involvement in child care. <i>Psicologia: Teoria e Pesquisa, 16(3</i>), 213-219. </p>      ]]></body>
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<surname><![CDATA[Balancho]]></surname>
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<source><![CDATA[Análise Psicológica]]></source>
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<page-range>377-386</page-range></nlm-citation>
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