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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Within the mental model theory (Johnson-Laird, 1983, 2006; Johnson-Laird & Byrne, 1991), there has been an effort to account for the modulation processes (semantic and pragmatic) involved in conditional reasoning (Johnson-Laird & Byrne, 2002; Quelhas & Byrne, 2003; Quelhas & Johnson-Laird, 2004, 2005; Quelhas, Johnson-Laird, & Juhos, 2010). The present study explores these same processes, envisaging the role of pragmatic modulation as a result of knowledge associated with certain life experiences. A sample of individuals sentenced to imprisonment were selected, and asked to evaluate and reason from a set of deontic conditional sentences (e.g., If a young man can vote, then he has to be at least 18 years old). For the control group, individuals with no previous contact with the legal system were selected. Results corroborate the effects of semantic modulation, i.e., conditional sentences of the same form (if p, then q) but of different content are differently interpreted. This means that a set of different possibilities are considered congruent by our participants according to the conditional sentences that were presented. Furthermore, individuals seemed to represent different mental models depending on the content of the conditional sentence and, therefore, show distinct inferential patterns in a conditional reasoning task. However, as far as pragmatic modulation is concerned, no differences were detected. Inmates interpret deontic sentences similarly to the control group, and also show the same inferential patterns, with no differences in a moral reasoning task.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>Racioc&iacute;nio de&ocirc;ntico em reclusos</b></p>      <p>&nbsp;</p>      <p>Ana Cristina Quelhas (*), Jo&atilde;o Guerreiro (**) </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>(*) ISPA-IU, Rua Jardim do Tabaco, 34, 1149-041 Lisboa; E-mail: <a href="mailto:cquelhas@ispa.pt">cquelhas@ispa.pt</a>  </p>      <p>(**) Doutorando em Criminologia na Universidade de Montreal, Canad&aacute;;    E-mail: <a href="mailto:joao.da.silva.guerreiro@umontreal.ca">joao.da.silva.guerreiro@umontreal.ca</a>.  </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>RESUMO </p>      <p>A teoria dos modelos mentais (Johnson-Laird, 1983, 2006; Johnson-Laird &amp; Byrne, 1991) tem, recentemente, investido na compreens&atilde;o do processo de modula&ccedil;&atilde;o (sem&acirc;ntica e pragm&aacute;tica) do racioc&iacute;nio condicional (Johnson-Laird &amp; Byrne, 2002; Quelhas &amp; Byrne, 2003; Quelhas &amp; Johnson-Laird, 2004, 2005; Quelhas, Johnson-Laird, &amp; Juhos, 2010). O presente estudo insere-se nesse &acirc;mbito, nomeadamente na compreens&atilde;o da modula&ccedil;&atilde;o pragm&aacute;tica que deriva de conhecimentos relacionados com o modo de vida das pessoas. Para esse efeito seleccionamos uma amostra de participantes que cumpriam pena num estabelecimento prisional (reclusos), e fomos avaliar o seu modo de compreender frases condicionais de&ocirc;nticas (e.g., &#8220;Se o jovem votar, ent&atilde;o tem de ter completado 18 anos&#8221;), e de raciocinar com esse tipo de frases. Como grupo de controlo usamos uma amostra sem qualquer contacto com o sistema judicial, e avali&aacute;mos o ju&iacute;zo moral em ambas as amostras. </p>      <p>Os resultados replicam efeitos de modula&ccedil;&atilde;o sem&acirc;ntica, i.e., frases condicionais id&ecirc;nticas na forma (Se p, ent&atilde;o q), mas de diferentes conte&uacute;dos, s&atilde;o interpretadas de modo diferente. Como consequ&ecirc;ncia de as pessoas considerarem diferentes possibilidades, congruentes com cada frase, ir&atilde;o tamb&eacute;m representar diferentes modelos mentais e assim ter diferentes padr&otilde;es nas infer&ecirc;ncias condicionais. Mas, no que respeita &agrave; modula&ccedil;&atilde;o pragm&aacute;tica, que nos fazia esperar diferen&ccedil;as no grupo de reclusos, nenhum resultado vai nesse sentido, i.e., os reclusos interpretam as frases de&ocirc;nticas do mesmo modo, fazem os mesmos padr&otilde;es inferenciais, e tamb&eacute;m n&atilde;o se diferenciam pelo n&iacute;vel de ju&iacute;zo moral do grupo de controle. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Palavras chave: </i>Condicionais de&ocirc;nticas, Ju&iacute;zo moral, Modelos mentais, Racioc&iacute;nio. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>ABSTRACT </p>      <p>Within the mental model theory (Johnson-Laird, 1983, 2006; Johnson-Laird &amp; Byrne, 1991), there has been an effort to account for the modulation processes (semantic and pragmatic) involved in conditional reasoning (Johnson-Laird &amp; Byrne, 2002; Quelhas &amp; Byrne, 2003; Quelhas &amp; Johnson-Laird, 2004, 2005; Quelhas, Johnson-Laird, &amp; Juhos, 2010). The present study explores these same processes, envisaging the role of pragmatic modulation as a result of knowledge associated with certain life experiences. A sample of individuals sentenced to imprisonment were selected, and asked to evaluate and reason from a set of deontic conditional sentences (e.g., If a young man can vote, then he has to be at least 18 years old). For the control group, individuals with no previous contact with the legal system were selected. </p>      <p>Results corroborate the effects of semantic modulation, i.e., conditional sentences of the same form (if p, then q) but of different content are differently interpreted. This means that a set of different possibilities are considered congruent by our participants according to the conditional sentences that were presented. Furthermore, individuals seemed to represent different mental models depending on the content of the conditional sentence and, therefore, show distinct inferential patterns in a conditional reasoning task. However, as far as pragmatic modulation is concerned, no differences were detected. Inmates interpret deontic sentences similarly to the control group, and also show the same inferential patterns, with no differences in a moral reasoning task. </p>      <p><i>Key words: </i>Deontic conditionals, Mental models, Moral judgement, Reasoning. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>O racioc&iacute;nio com frases condicionais do tipo &#8220;Se p, ent&atilde;o q&#8221; tornou-se claramente o modo de investiga&ccedil;&atilde;o privilegiado para a compreens&atilde;o do racioc&iacute;nio dedutivo. Tal deve-se tamb&eacute;m ao facto deste tipo de frase ser comum no discurso do quotidiano (sendo tamb&eacute;m familiar para as crian&ccedil;as), bem como o de poderem ter diferentes interpreta&ccedil;&otilde;es e expressarem conte&uacute;dos de natureza diferente. Mas n&atilde;o &eacute; apenas &agrave; psicologia que esta pequena palavra (o &#8220;se&#8221;) tem interessado, j&aacute; antes tinha despertado o interesse dos l&oacute;gicos, e tamb&eacute;m dos linguistas, pelo que se compreende a afirma&ccedil;&atilde;o de Johnson-Laird (2006, p. 296), acerca do &#8220;if&#8221;, de que &#8220;Nenhuma outra palavra t&atilde;o pequena gerou tantos livros&#8221;. </p>      <p>A presente investiga&ccedil;&atilde;o sobre racioc&iacute;nio tamb&eacute;m ir&aacute; recorrer a frases condicionais, com particular interesse pelo conte&uacute;do de&ocirc;ntico, para expressar permiss&otilde;es e obriga&ccedil;&otilde;es. Neste dom&iacute;nio, iremos distinguir ainda obriga&ccedil;&otilde;es de dois tipos, consoante sejam facilmente viol&aacute;veis (e.g., &#8220;Se o jovem comprar bebidas alco&oacute;licas, ent&atilde;o tem de ter completado 16 anos&#8221;), ou praticamente imposs&iacute;veis de violar (e.g., &#8220;Se o jovem votar, ent&atilde;o tem de ter completado 18 anos&#8221;), na expectativa de que possam gerar diferentes interpreta&ccedil;&otilde;es por parte dos participantes reclusos. Ser&atilde;o as pr&aacute;ticas de viola&ccedil;&atilde;o da lei, que levam &agrave; reclus&atilde;o, fonte de conhecimentos capaz de modular ou de moderar o racioc&iacute;nio com condicionais de&ocirc;nticas?</p>      <p>Iremos tamb&eacute;m utilizar frases condicionais que geram diferentes interpreta&ccedil;&otilde;es (condicional e capacitante), independentemente de serem de conte&uacute;do de&ocirc;ntico ou epist&eacute;mico, e que s&atilde;o explicadas pela teoria dos modelos mentais como resultado da modula&ccedil;&atilde;o sem&acirc;ntica (Johnson-Laird &amp; Byrne, 2002; Quelhas &amp; Johnson-Laird, 2005; Quelhas, Johnson-Laird, &amp; Juhos, 2010). Finalmente, ser&aacute; tamb&eacute;m avaliado o n&iacute;vel de desenvolvimento moral (na amostra de reclusos e na de n&atilde;o-reclusos), na expectativa de que esta medida possa distinguir os dois grupos em estudo. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Assim, e para uma melhor compreens&atilde;o do enquadramento te&oacute;rico desta investiga&ccedil;&atilde;o, iremos nesta introdu&ccedil;&atilde;o posicionar o estudo do racioc&iacute;nio condicional, de acordo com a teoria dos modelos mentais, bem como do racioc&iacute;nio de&ocirc;ntico, e finalmente o modo de avaliar o desenvolvimento do ju&iacute;zo moral. Antes da descri&ccedil;&atilde;o do m&eacute;todo iremos ainda clarificar os objectivos e as hip&oacute;teses em estudo. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p><i>Racioc&iacute;nio condicional e modelos mentais </i></p>      <p>De acordo com a teoria dos modelos mentais (e.g., Johnson-Laird, 2006; Johnson-Laird &amp; Byrne, 2002), as frases condicionais b&aacute;sicas, i.e., o mais poss&iacute;vel independentes de pistas sem&acirc;nticas ou pragm&aacute;ticas, e.g., &#8220;Se h&aacute; um tri&acirc;ngulo, ent&atilde;o h&aacute; um quadrado&#8221;, tem um significado nuclear que admite tr&ecirc;s possibilidades: </p>  <img src="/img/revistas/aps/v28n4/28n4a04f1.gif">       
<p>Cada linha representa uma possibilidade em que o antecedente (o tri&acirc;ngulo) se verifica ou n&atilde;o (quando n&atilde;o se verifica &eacute; precedido pelo sinal &#8220;&not;&#8221;), bem como o consequente (o quadrado). O que estas tr&ecirc;s possibilidades representam &eacute; a ideia de que se h&aacute; um tri&acirc;ngulo h&aacute; um quadrado, e se n&atilde;o h&aacute; um tri&acirc;ngulo pode ou n&atilde;o haver um quadrado. </p>      <p>Mas, as condicionais do tipo &#8220;Se p, ent&atilde;o q&#8221;, quando usadas no quotidiano, raramente s&atilde;o neutras ou descontextualizadas, pelo que o significado das suas ora&ccedil;&otilde;es, as suas liga&ccedil;&otilde;es co-referenciais, e os conhecimentos sobre o contexto, ir&atilde;o modular o significado nuclear das condicionais b&aacute;sicas (Johnson-Laird &amp; Byrne, 2002). Assim, prev&ecirc;-se que haja diferentes conjuntos de possibilidades consideradas congruentes com as diferentes frases condicionais (embora id&ecirc;nticas do ponto de vista formal). Por exemplo, a frase &#8220;Se o animal &eacute; um cavalo, ent&atilde;o a f&ecirc;mea &eacute; uma &eacute;gua&#8221;, dever&aacute; ser interpretada como sendo congruente com duas possibilidades apenas: </p>      <p>&nbsp; cavalo &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&eacute;gua</p>      <p>&not;cavalo &nbsp;&nbsp;&not;&eacute;gua</p>      <p>uma que corresponde &agrave; situa&ccedil;&atilde;o em que se trata de um cavalo e a f&ecirc;mea uma &eacute;gua, e outra possibilidade em que o animal n&atilde;o &eacute; um cavalo e a f&ecirc;mea n&atilde;o &eacute; uma &eacute;gua. </p>      <p>Note-se que a segunda possibilidade da interpreta&ccedil;&atilde;o da condicional    b&aacute;sica anteriormente descrita <img src="/img/revistas/aps/v28n4/28n4a04f2.gif">    corresponderia, no presente exemplo, &agrave; situa&ccedil;&atilde;o: (&not;cavalo    &eacute;gua), quer dizer, ter&iacute;amos um animal que n&atilde;o &eacute;    um cavalo e cuja f&ecirc;mea &eacute; uma &eacute;gua, situa&ccedil;&atilde;o    que n&atilde;o &eacute; considerada poss&iacute;vel dados os nossos conhecimentos.    Este &eacute; um dos efeitos da modula&ccedil;&atilde;o, que consiste justamente    em bloquear a constru&ccedil;&atilde;o de certas possibilidades que fazem parte    do significado nuclear, dado que essas possibilidades v&atilde;o contra os nossos    conhecimentos. Outro efeito da modula&ccedil;&atilde;o &eacute; o de enriquecer    os modelos com informa&ccedil;&atilde;o sobre rela&ccedil;&otilde;es temporais,    espaciais ou de causalidade. Por exemplo a frase &#8220;Se a Teresa cair da    bicicleta, ent&atilde;o esfola o joelho&#8221;, a congru&ecirc;ncia da possibilidade    em que a Teresa cai e tem o joelho esfolado obriga a uma ordem temporal (primeiro    cai e depois esfola o joelho). </p>      
]]></body>
<body><![CDATA[<p>Johnson-Laird e Byrne (2002) distinguem dez tipos de interpreta&ccedil;&atilde;o das frases condicionais, como resultado da modula&ccedil;&atilde;o sem&acirc;ntica e pragm&aacute;tica sobre o significado b&aacute;sico, desde a interpreta&ccedil;&atilde;o condicional (equivalente ao que vimos na condicional b&aacute;sica), passando pela interpreta&ccedil;&atilde;o bicondicional, como no exemplo do cavalo, e outras interpreta&ccedil;&otilde;es que n&atilde;o s&atilde;o previstas nem explicadas por nenhuma outra teoria, como &eacute; o caso da interpreta&ccedil;&atilde;o de relev&acirc;ncia. Por outro lado, Quelhas e Johnson-Laird (2005), e Quelhas Johnson-Laird e Juhos (2010), t&ecirc;m fornecido evid&ecirc;ncia emp&iacute;rica sobre as consequ&ecirc;ncias destas diferentes interpreta&ccedil;&otilde;es no racioc&iacute;nio condicional, mostrando que &eacute; poss&iacute;vel prever os padr&otilde;es inferenciais com base nas diferentes interpreta&ccedil;&otilde;es. J&aacute; vimos como a interpreta&ccedil;&atilde;o de uma frase condicional pode levar a considerar um conjunto de possibilidades que &eacute; diferente consoante a interpreta&ccedil;&atilde;o. Vejamos agora o que acontece no racioc&iacute;nio, por exemplo, na infer&ecirc;ncia denominada Nega&ccedil;&atilde;o do Antecedente, onde a premissa menor (a premissa maior &eacute; a pr&oacute;pria frase condicional) nega o antecedente da frase condicional, como por exemplo: </p>      <p>Se h&aacute; um tri&acirc;ngulo, ent&atilde;o h&aacute; um quadrado </p>     <p>N&atilde;o h&aacute; um tri&acirc;ngulo </p>     <p>Portanto &#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.</p>      <p>Neste caso, &eacute; poss&iacute;vel concluir que pode ou n&atilde;o haver um quadrado, dado que a interpreta&ccedil;&atilde;o desta frase comporta duas possibilidades em que n&atilde;o h&aacute; um tri&acirc;ngulo (ver acima), sendo que numa tem associado o quadrado e na outra n&atilde;o. No entanto, para o exemplo &#8220;Se o animal &eacute; um cavalo ent&atilde;o a f&ecirc;mea &eacute; uma &eacute;gua&#8221; a interpreta&ccedil;&atilde;o s&oacute; contempla uma possibilidade em que o animal n&atilde;o &eacute; um cavalo (&not;cavalo &not;&eacute;gua). Deste modo prev&ecirc;-se que haja um maior n&uacute;mero de infer&ecirc;ncias Nega&ccedil;&atilde;o do Antecedente (onde a conclus&atilde;o &eacute; a nega&ccedil;&atilde;o do consequente da frase condicional, i.e., o que vem depois do &#8220;ent&atilde;o&#8221;) no segundo caso do que no primeiro. </p>      <p>At&eacute; agora temos referido o conjunto completo de possibilidades congruentes com determinada interpreta&ccedil;&atilde;o de uma frase condicional, mas ser&aacute; que o sujeito, quando raciocina, considera todas essas possibilidades? Ou melhor, ser&aacute; que essas possibilidades ser&atilde;o todas representadas mentalmente, constituindo os modelos mentais que s&atilde;o o alicerce para o racioc&iacute;nio? M&uacute;ltiplas investiga&ccedil;&otilde;es no &acirc;mbito da teoria dos modelos mentais t&ecirc;m apoiado a ideia de que os sujeitos tendem a construir um modelo inicial de representa&ccedil;&atilde;o de uma frase, e s&oacute; mediante certas circunst&acirc;ncias desenvolvem essa representa&ccedil;&atilde;o inicial (o que &eacute; congruente com o princ&iacute;pio geral de economia cognitiva). Um corol&aacute;rio da teoria dos modelos &eacute; que quanto mais modelos uma infer&ecirc;ncia requer, maior a sua dificuldade, demora mais tempo e est&aacute; mais sujeita a erros, podendo mesmo ultrapassar a capacidade da mem&oacute;ria de trabalho dos sujeitos (Guerreiro, Quelhas, &amp; Garc&iacute;a-Madruga, 2006). </p>      <p>Mas ent&atilde;o qual &eacute; a representa&ccedil;&atilde;o/modelo inicial    de uma frase condicional? De acordo com a teoria dos modelos ser&aacute; o modelo    em que o antecedente e o consequente se verificam, e s&atilde;o alguns princ&iacute;pios    que conduzem a esta representa&ccedil;&atilde;o inicial. Um deles &eacute; o    princ&iacute;pio de verdade, de acordo com o qual n&oacute;s representamos o    que &eacute; verdadeiro e n&atilde;o o que &eacute; falso (a n&atilde;o ser    que alguma pista pragm&aacute;tica fa&ccedil;a real&ccedil;ar a impossibilidade,    o que &eacute; falso, ou, no dom&iacute;nio de&ocirc;ntico, o que &eacute; n&atilde;o    permiss&iacute;vel). Por exemplo, para a frase &#8220;Se h&aacute; um tri&acirc;ngulo,    ent&atilde;o h&aacute; um quadrado&#8221;, a possibilidade falsa (ou impossibilidade),    seria o caso em que h&aacute; um tri&acirc;ngulo e n&atilde;o h&aacute; um quadrado    <img src="/img/revistas/aps/v28n4/28n4a04f3.gif">, pelo que esta conting&ecirc;ncia    n&atilde;o far&aacute; parte da representa&ccedil;&atilde;o mental. Restam ent&atilde;o    tr&ecirc;s possibilidades (ver acima), mas a teoria dos modelos assume que a    representa&ccedil;&atilde;o inicial assenta nos modelos em que o antecedente    &eacute; satisfeito, pelo que, e no caso da interpreta&ccedil;&atilde;o condicional    acima referida, resta apenas um modelo em que h&aacute; um tri&acirc;ngulo e    um quadrado <img src="/img/revistas/aps/v28n4/28n4a04f4.gif">, ou, como    referimos, em que o antecedente e o consequente se verificam (para uma revis&atilde;o    da teoria dos modelos ver Johnson-Laird, 2006). Uma quest&atilde;o que podemos    colocar &eacute; a seguinte: ser&aacute; que tudo isto se passa do mesmo modo    quando o conte&uacute;do das condicionais &eacute; do dom&iacute;nio do de&ocirc;ntico?  </p>      
<p>&nbsp;</p>      <p><i>Racioc&iacute;nio de&ocirc;ntico</i></p>      <p>Uma frase de&ocirc;ntica pode ser formulada na forma condicional ou categ&oacute;rica, e o seu conte&uacute;do remete para os conceitos de permiss&atilde;o, obriga&ccedil;&atilde;o, ou proibi&ccedil;&atilde;o, referindo-se normalmente a regras sobre o que podemos, devemos ou n&atilde;o devemos fazer. Em Psicologia, a maior parte da investiga&ccedil;&atilde;o sobre o racioc&iacute;nio de&ocirc;ntico foi feita em redor da tarefa de selec&ccedil;&atilde;o de Wason (1966, ver e.g., Cheng &amp; Holyoak, 1985; Cosmides, 1989; e para uma  revis&atilde;o ver, e.g., Evans, Newstead, &amp; Byrne, 1993). </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Fiddick (2004) tenta unir dois dom&iacute;nios de investiga&ccedil;&atilde;o, no que diz respeito ao racioc&iacute;nio de&ocirc;ntico: o do racioc&iacute;nio cognitivo e o do racioc&iacute;nio moral. Aponta tamb&eacute;m algumas diverg&ecirc;ncias, como o facto de a literatura no dom&iacute;nio do racioc&iacute;nio moral considerar a exist&ecirc;ncia de diferentes dom&iacute;nios de regras: regras morais, regras convencionais sociais, regras de prud&ecirc;ncia e regras pessoais, e advogar que as pessoas pensam de diferente modo as diferentes regras. Por outro lado, a literatura do racioc&iacute;nio cognitivo considera que, e apesar das diversas teorias existentes, as pessoas pensam do mesmo modo as obriga&ccedil;&otilde;es, permiss&otilde;es e proibi&ccedil;&otilde;es. Note-se que o autor se baseia, neste &uacute;ltimo caso, na investiga&ccedil;&atilde;o dominante, que, como referimos, gira em redor da tarefa de selec&ccedil;&atilde;o. No entanto, &eacute; de assinalar uma excep&ccedil;&atilde;o, no que respeita a trabalhos mais recentes no &acirc;mbito da teoria dos modelos mentais (e.g., Bucciarelli &amp; Johnson-Laird, 2005; Johnson-Laird &amp; Byrne, 2002; Quelhas &amp; Byrne, 2003), que iremos aqui descrever um pouco, dada a import&acirc;ncia das condicionais de&ocirc;nticas no presente trabalho. </p>      <p>O antecedente de uma condicional de&ocirc;ntica refere-se a uma possibilidade factual, enquanto que o consequente se refere a uma possibilidade de&ocirc;ntica (Johnson-Laird &amp; Byrne, 2002). A condicional &#8220;Se a enfermeira limpou o sangue ent&atilde;o teve de usar luvas de borracha&#8221; tem como modelos expl&iacute;citos as seguintes possibilidades verdadeiras: </p>      <p>Possibilidades factuais: &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Possibilidades de&ocirc;nticas: </p>      <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; sangue &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;luvas</p>      <p>n&atilde;o-sangue &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;luvas</p>      <p>n&atilde;o-sangue &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;n&atilde;o-luvas</p>      <p>mas, a praxis da boa gest&atilde;o das regras passa por saber n&atilde;o s&oacute; o que &eacute; permitido como tamb&eacute;m por saber o que n&atilde;o &eacute; permitido, pelo que este tipo de conhecimentos dever&atilde;o tamb&eacute;m fornecer o complemento dos modelos acima: </p>       <p>Possibilidades factuais: &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Possibilidades de&ocirc;nticas: </p>      <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; sangue &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;n&atilde;o-luvas</p>      <p>Vemos assim uma das excep&ccedil;&otilde;es ao princ&iacute;pio de verdade (segundo o qual representamos o que &eacute; verdadeiro), dada a relev&acirc;ncia pragm&aacute;tica da situa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o permiss&iacute;vel. Segundo Quelhas e Byrne (2003), os sujeitos dever&atilde;o ter como modelos iniciais, os seguintes: </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Possibilidades factuais: &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Possibilidades de&ocirc;nticas: </p>      <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; sangue &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;luvas</p>      <p>Possibilidades factuais: &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Possibilidades de&ocirc;nticas: </p>      <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; sangue &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;n&atilde;o-luvas</p>      <p>Com base nestes modelos as autoras prop&otilde;em duas vias para a infer&ecirc;ncia MT, o que faz prever uma superioridade destas infer&ecirc;ncias no dom&iacute;nio de&ocirc;ntico <i>versus </i>o dom&iacute;nio epist&eacute;mico, que &eacute; conforme os resultados encontrados. No caso das condicionais no modo conjuntivo, como &#8220;Se a enfermeira tivesse limpo o sangue ent&atilde;o teria de ter usado luvas de borracha&#8221;, n&atilde;o &eacute; esperada a interpreta&ccedil;&atilde;o contrafactual (o antecedente e o consequente s&atilde;o falsos) que habitualmente o modo conjuntivo evoca, i.e., embora as pessoas possam pensar que o antecedente &eacute; falso, n&atilde;o se det&ecirc;m a pensar no consequente, pelo que as condicionais de&ocirc;nticas dever&atilde;o ter a mesma interpreta&ccedil;&atilde;o, independentemente de serem no modo conjuntivo ou indicativo, ao contr&aacute;rio do que acontece com as condicionais epist&eacute;micas, o que tamb&eacute;m &eacute; concordante com os resultados encontrados por Quelhas e Byrne (2003, para uma revis&atilde;o em particular do pensamento contrafactual ver Byrne, 2005).  Note-se que tamb&eacute;m Bucciarelli e Johnson-Laird (2005) se interessaram em investigar o significado das frases de&ocirc;nticas, o modo como esses significados s&atilde;o representados, e suas consequ&ecirc;ncias para o racioc&iacute;nio, tendo tamb&eacute;m verificado que no caso das proibi&ccedil;&otilde;es (mas n&atilde;o nas permiss&otilde;es e obriga&ccedil;&otilde;es) os sujeitos tendem a pensar primeiro sobre o que &eacute; n&atilde;o permiss&iacute;vel. </p>      <p>Relativamente ao presente estudo, t&iacute;nhamos como objectivo saber at&eacute; que ponto diferen&ccedil;as individuais poderiam moderar ou modular o racioc&iacute;nio com condicionais de&ocirc;nticas, para o que recorremos a uma amostra de sujeitos reclusos, dado serem aqueles que reconhecidamente infringiram regras sociais importantes, e que iremos comparar com uma amostra de n&atilde;o reclusos o mais equivalente poss&iacute;vel em termos de instru&ccedil;&atilde;o, idade e g&eacute;nero. Note-se que a natureza pragm&aacute;tica do racioc&iacute;nio tem sido mostrada sobretudo no dom&iacute;nio do racioc&iacute;nio de&ocirc;ntico, mas quase invariavelmente o faz recorrendo a manipula&ccedil;&atilde;o do material que &eacute; apresentado aos sujeitos. Por exemplo, Kilpatrick, Manketelow e Over (2007),  manipulando o poder inerente do agente que refere a regra, verificam que quanto maior &eacute; o poder da fonte (e.g., regra enunciada pelo pai <i>vs. </i>pelo irm&atilde;o) maior a confian&ccedil;a dos sujeitos na ocorr&ecirc;ncia do consequente (dado o antecedente). Por outro lado, Over, Manktelow e Hadjichristidis (2004) estabelecem uma ponte com a literatura sobre julgamento e tomada de decis&atilde;o, para melhor compreender o discurso de&ocirc;ntico. Recorrem nomeadamente ao julgamento que as pessoas fazem sobre os esperados custos e benef&iacute;cios de poss&iacute;veis ac&ccedil;&otilde;es, mostrando que as prefer&ecirc;ncias das pessoas t&ecirc;m um efeito correspondente no julgamento que fazem sobre condicionais de&ocirc;nticas. Outro trabalho recente, de Beller (2008), vem chamar a aten&ccedil;&atilde;o para a necessidade de distinguir entre a formula&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica de uma regra de&ocirc;ntica (e.g., sobre a forma de uma frase condicional), e a representa&ccedil;&atilde;o mental da norma de&ocirc;ntica a que a formula&ccedil;&atilde;o se refere, argumentando que o racioc&iacute;nio de&ocirc;ntico opera essencialmente sobre a representa&ccedil;&atilde;o das normas sociais. </p>      <p>No presente estudo tamb&eacute;m se faz variar o material apresentado, nomeadamente recorrendo a regras de&ocirc;nticas que s&atilde;o f&aacute;cil e frequentemente violadas <i>versus </i>outras que dificilmente o s&atilde;o, e recorrendo a regras de permiss&atilde;o e de obriga&ccedil;&atilde;o, mas o interesse central est&aacute; na explora&ccedil;&atilde;o de diferen&ccedil;as individuais (decorrentes de diferentes pr&aacute;ticas no cumprimento de regras sociais/ legais) no modo como os sujeitos raciocinam com condicionais de&ocirc;nticas. Essas diferen&ccedil;as individuais dever&atilde;o ter express&atilde;o no n&iacute;vel de desenvolvimento de ju&iacute;zo moral, pelo que foi feita uma avalia&ccedil;&atilde;o de todos os participantes nesse dom&iacute;nio. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p><i>A avalia&ccedil;&atilde;o do ju&iacute;zo moral </i></p>      <p>A avalia&ccedil;&atilde;o da maturidade moral das pessoas depende sobretudo da perspectiva te&oacute;rica que a fundamenta. O ju&iacute;zo moral tem vindo a ser estudado pela psicologia sobretudo a partir de uma perspectiva desenvolvimentista. A revis&atilde;o do modelo de racioc&iacute;nio moral publicado por Piaget em 1932 (Piaget, 1978) foi o ponto de partida das investiga&ccedil;&otilde;es de Kohlberg (1981, 1984). Piaget utilizou a observa&ccedil;&atilde;o naturalista enquanto as crian&ccedil;as jogavam ao t&iacute;pico &#8220;jeu des billes&#8221;, e alguns dos seus colaboradores replicaram os seus estudos atrav&eacute;s da apresenta&ccedil;&atilde;o de cen&aacute;rios hipot&eacute;ticos a crian&ccedil;as de diferentes idades, sobre a obedi&ecirc;ncia, a mentira, a responsabilidade ou o castigo. Kohlberg substituiu-os por nove dilemas morais. Depois da apresenta&ccedil;&atilde;o dos dilemas era pedido aos participantes que tomassem uma posi&ccedil;&atilde;o e justificassem os seus argumentos com vista a esclarecer que tipo de racioc&iacute;nios estariam na base das suas decis&otilde;es, i.e., as estruturas do racioc&iacute;nio moral envolvidas no racioc&iacute;nio, mais do que os conte&uacute;dos do racioc&iacute;nio <i>per se</i>. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Colby e Kohlberg (1987) seguiram longitudinalmente cerca de tr&ecirc;s quartos dos rapazes inicialmente estudados, e depois de m&uacute;ltiplas revis&otilde;es introduzidas aos dilemas e ao protocolo da entrevista de ju&iacute;zo moral, revolucionaram a literatura neste dom&iacute;nio. Por um lado, verificaram que as crian&ccedil;as raciocinam de um modo consistente de acordo com determinadas estruturas de racioc&iacute;nio, independentemente dos conte&uacute;dos poderem ser diferentes, e por outro lado, identificaram seis est&aacute;dios de desenvolvimento moral que ocorreriam de acordo com uma sequ&ecirc;ncia invari&aacute;vel (Kohlberg, 1984).  O racioc&iacute;nio moral &eacute; para este autor construtivista, resultado do desenvolvimento (cognitivo) do ju&iacute;zo moral. Estes seis est&aacute;dios organizar-se-iam como partes de um todo que se vai transformado ao longo do desenvolvimento, tornando-se obsoletos &agrave; medida que as novas estruturas v&atilde;o tomando o seu lugar. Na Tabela 1, vemos uma breve descri&ccedil;&atilde;o de cada um dos est&aacute;dios definidos por Kohlberg, depois das reformula&ccedil;&otilde;es de que a sua teoria foi alvo, nomeadamente no que se refere &agrave; elimina&ccedil;&atilde;o do est&aacute;dio 6 (cf. Colby &amp; Kohlberg, 1987). </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>TABELA 1</p>      <p><i>N&iacute;veis e est&aacute;dios de racioc&iacute;nio moral segundo Kohlberg (1984)</i></p> <img src="/img/revistas/aps/v28n4/28n4a04t1.gif">      
<p>&nbsp;</p>      <p>Um dos aspectos que marcou a popularidade desta abordagem cognitiva do ju&iacute;zo moral deveu-se &agrave; exist&ecirc;ncia de metodologias de avalia&ccedil;&atilde;o que, depois de sucessivas reformula&ccedil;&otilde;es, t&ecirc;m permitido uma operacionaliza&ccedil;&atilde;o deste conceito (Palmer, 2003).  Existem fundamentalmente dois tipos de medida do ju&iacute;zo moral: os instrumentos de produ&ccedil;&atilde;o e os de reconhecimento. No primeiro caso s&atilde;o usados dilemas morais que servem de ponto de partida para a produ&ccedil;&atilde;o de justifica&ccedil;&otilde;es morais que representam processos de racioc&iacute;nio de acordo com as hip&oacute;teses kohlberguianas. No caso das medidas de reconhecimento, os mesmos dilemas morais s&atilde;o apresentados, mas desta vez &eacute; pedido &agrave;s pessoas que avaliem a import&acirc;ncia de uma lista de afirma&ccedil;&otilde;es padronizadas para cada est&aacute;dio de racioc&iacute;nio moral. No que se refere &agrave;s medidas de produ&ccedil;&atilde;o s&atilde;o de referir a entrevista de ju&iacute;zo moral (Colby &amp; Kohlberg, 1987), a medida de reflex&atilde;o s&oacute;cio-moral (Gibbs, Widaman, &amp; Colby, 1982) e a vers&atilde;o simplificada do mesmo instrumento: &#8220;Sociomoral Reflection Measure-Short Form&#8221; (v. Gibbs, Basinger, &amp; Fuller, 1992). No que se refere &agrave;s medidas de reconhecimento, o instrumento mais estudado &eacute; o Teste de Definir Valores Morais (DIT). </p>      <p>O teste de definir valores morais de Rest (1979; Rest, Thoma, &amp; Edwards, 1997; Rest, Narvaez,  Bebeau, &amp; Thoma 1999) foi desenvolvido em resposta &agrave; complexidade do &#8220;teste de Harvard&#8221;, como tamb&eacute;m &eacute; conhecida a entrevista de ju&iacute;zo moral. Ambos pressup&otilde;em que o ju&iacute;zo moral evolui de acordo com crit&eacute;rios desenvolvimentistas (Louren&ccedil;o &amp; C&eacute;sar, 1991), mas, e apesar de as duas se destinarem &agrave; avalia&ccedil;&atilde;o do racioc&iacute;nio moral, fazem-no sob pontos de vista diferentes. Em primeiro lugar, trata-se de metodologias com um formato diferente. Ao contr&aacute;rio do que se passa com a metodologia de Kohlberg, em que existe uma tarefa de produ&ccedil;&atilde;o verbal e espont&acirc;nea, o DIT &eacute; uma tarefa de reconhecimento, compreens&atilde;o e prefer&ecirc;ncia (Louren&ccedil;o, 2002). Come&ccedil;a por se apresentar &agrave;s pessoas um dilema moral, num total de seis. Tr&ecirc;s desses dilemas s&atilde;o directamente importados de Kohlberg: Dilema de Henrique e da mulher doente; do m&eacute;dico e a morte misericordiosa e o do criminoso evadido da pris&atilde;o. Em termos de conte&uacute;do, os outros tr&ecirc;s referem-se a temas t&atilde;o diversos como a ocupa&ccedil;&atilde;o de instala&ccedil;&otilde;es por estudantes que lutam por uma causa &#8220;justa&#8221;; quest&otilde;es ligadas ao racismo, retratando a situa&ccedil;&atilde;o de um patr&atilde;o que se recusa a dar trabalho a um empregado competente, mas de etnia diferente da sua; e um &uacute;ltimo que aborda a quest&atilde;o da liberdade de imprensa reivindicada por estudantes universit&aacute;rios ap&oacute;s a publica&ccedil;&atilde;o de um artigo. </p>      <p>Depois de ser pedido aos indiv&iacute;duos para se posicionarem relativamente &agrave; quest&atilde;o fundamental abordada no dilema, i.e., se deveria ou n&atilde;o assaltar a farm&aacute;cia para salvar a mulher, no caso do dilema de Henrique; denunciar ou n&atilde;o um prisioneiro evadido depois de anos de socializa&ccedil;&atilde;o, ou dar uma dose letal a uma doente em estado terminal, etc., segue-se a tarefa de avalia&ccedil;&atilde;o, em que &eacute; pedido aos indiv&iacute;duos que avaliem um conjunto de doze afirma&ccedil;&otilde;es morais. Os participantes dever&atilde;o avaliar cada uma das afirma&ccedil;&otilde;es de acordo com a import&acirc;ncia que lhe atribuem: Muita, Bastante, Alguma, Pouca ou Nenhuma, em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; tomada de posi&ccedil;&atilde;o que para si lhes pare&ccedil;a mais justa. </p>      <p>Cada afirma&ccedil;&atilde;o corresponde a tomadas de posi&ccedil;&atilde;o frequentes de um determinado est&aacute;dio de desenvolvimento moral (i.e., 2, 3, 4, 5 ou 6), havendo por vezes frases sem sentido, ou sem grande rela&ccedil;&atilde;o com o problema em causa cujo papel discutiremos no cap&iacute;tulo do M&eacute;todo. Em seguida transcrevemos as doze afirma&ccedil;&otilde;es para o dilema de Henrique que apresent&aacute;mos atr&aacute;s na descri&ccedil;&atilde;o dos est&aacute;dios de racioc&iacute;nio moral (adaptado do original portugu&ecirc;s por Louren&ccedil;o &amp; C&eacute;sar, 1991): </p>     <blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp; 1)&nbsp; Deve-se ter em conta se as leis devem ou n&atilde;o ser cumpridas (afirma&ccedil;&atilde;o de est&aacute;dio 4). </p>      <p>&nbsp; 2)&nbsp; Deve-se ter em conta se n&atilde;o &eacute; natural que um marido se preocupe com a sua mulher, a ponto de roubar (est&aacute;dio 3). </p>      <p>&nbsp; 3)&nbsp; Deve-se ter em conta se o Henrique est&aacute; disposto a roubar para ajudar a sua mulher, correndo o risco de ser atingido a tiro, ou ir para a cadeia (est&aacute;dio 2). </p>      <p>&nbsp; 4)&nbsp; Deve-se ter em conta se o Henrique &eacute; um profissional de luta livre, ou tem contactos com profissionais da luta livre (afirma&ccedil;&atilde;o sem rela&ccedil;&atilde;o ao problema em causa). </p>      <p>&nbsp; 5)&nbsp; Deve-se ter em conta se o Henrique est&aacute; a roubar para si ou para ajudar outra pessoa (est&aacute;dio 4). </p>      <p>&nbsp; 6)&nbsp; Deve-se ter em conta se os direitos do farmac&ecirc;utico em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; sua inven&ccedil;&atilde;o devem ser respeitados (est&aacute;dio 4). </p>      <p>&nbsp; 7)&nbsp; Deve-se ter em conta se a ess&ecirc;ncia de viver &eacute; mais abarcante que a termina&ccedil;&atilde;o de morrer, social ou individualmente (afirma&ccedil;&atilde;o sem sentido). </p>      <p>&nbsp; 8)&nbsp; Deve-se ter em contar quais os valores que devem estar na base da conduta das pessoas na sua rela&ccedil;&atilde;o com os outros (est&aacute;dio 6). </p>      <p>&nbsp; 9)&nbsp; Deve-se ter em conta se vai ser permitido ao farmac&ecirc;utico ficar protegido por uma lei indigna que apenas defende os ricos (frase orientada para a ordem estabelecida na hist&oacute;ria). </p>      <p>10)&nbsp; Deve-se ter em conta se neste caso a lei est&aacute; a impedir o direito mais elementar de qualquer cidad&atilde;o (est&aacute;dio 5). </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>11)&nbsp; Deve-se ter em conta se o farmac&ecirc;utico merece ser roubado por ser t&atilde;o avarento e cruel (est&aacute;dio 3). </p>      <p>12)&nbsp; Deve-se ter em conta se o roubo, neste caso, traria ou n&atilde;o um bem maior para toda a sociedade (est&aacute;dio 5). </p> </blockquote>     <p>Terminada a avalia&ccedil;&atilde;o nos termos em que a descrevemos, &eacute; pedido aos participantes que seleccionem as quatro afirma&ccedil;&otilde;es que considerem mais importantes. A partir desta descri&ccedil;&atilde;o torna-se portanto evidente que o DIT &eacute; uma tarefa de reconhecimento, compreens&atilde;o e prefer&ecirc;ncia. </p>      <p>O DIT permite o c&aacute;lculo de diversos &iacute;ndices quantitativos relacionados com o racioc&iacute;nio moral. De todos, aquele que, de acordo com Louren&ccedil;o (2002), se tem relevado a medida de racioc&iacute;nio moral empiricamente mais v&aacute;lida &eacute; o <i>&Iacute;ndice P</i>. Nas palavras dos seus autores, este &iacute;ndice (em que &#8220;P&#8221; est&aacute; para princ&iacute;pios) representa &#8220;a import&acirc;ncia relativa que um indiv&iacute;duo confere &agrave;s considera&ccedil;&otilde;es morais orientadas por princ&iacute;pios, na tomada de decis&otilde;es acerca de dilemas morais (Rest, 1979, p. 5.2. do manual). Numa revis&atilde;o mais recente, Rest, Narvaez, Bebeau e Thoma (1999) prop&otilde;em uma nova &#8220;significa&ccedil;&atilde;o&#8221; para o &Iacute;ndice P, ao n&iacute;vel da moralidade p&oacute;s-convencional. De acordo com Louren&ccedil;o (2002), esta diferen&ccedil;a n&atilde;o encontra grande tradu&ccedil;&atilde;o em termos pr&aacute;ticos uma vez que o &iacute;ndice &eacute; calculado da mesma forma, i.e., reflecte o n&uacute;mero de vezes que o indiv&iacute;duo ordena como mais importantes afirma&ccedil;&otilde;es de est&aacute;dio 5 e 6. Quanto maior for o n&uacute;mero de vezes que isso acontecer, maior &eacute; o &iacute;ndice P &#8211; que pode variar entre 0-57 (em termos de pontua&ccedil;&otilde;es brutas) e entre 0-95 em termos de percentagem, sendo raras as pontua&ccedil;&otilde;es acima de 60. Louren&ccedil;o e C&eacute;sar (1991) testaram uma adapta&ccedil;&atilde;o portuguesa do DIT, tendo obtido resultados consistentes com os de Rest (1979, 1986a,b), o que, de acordo com os autores deste estudo, apesar da amostra utilizada n&atilde;o ser representativa, torna-se vi&aacute;vel utiliz&aacute;-la para fins de investiga&ccedil;&atilde;o. </p>      <p>Outro &iacute;ndice introduzido mais tardiamente foi o &Iacute;ndice U (em que &#8220;U&#8221; est&aacute; para &#8216;<i>utilizer&#8217;</i>) e refere-se ao &#8220;grau de correspond&ecirc;ncia entre a ordena&ccedil;&atilde;o das afirma&ccedil;&otilde;es tidas como mais importantes, e a ac&ccedil;&atilde;o advogada no dilema&#8221; (Rest et al., 1999, p. 105), i.e., a correspond&ecirc;ncia entre a tomada de posi&ccedil;&atilde;o do participante relativamente &agrave;quilo que deveria ser o comportamento do protagonista, e a classifica&ccedil;&atilde;o que faz de cada uma das doze afirma&ccedil;&otilde;es. O c&aacute;lculo deste &iacute;ndice vai ao encontro de uma discuss&atilde;o pol&eacute;mica na literatura do racioc&iacute;nio moral &#8211; a rela&ccedil;&atilde;o entre a ac&ccedil;&atilde;o moral e o racioc&iacute;nio moral, que j&aacute; tivemos oportunidade de abordar anteriormente. </p>      <p>Acentuamos a terminar a descri&ccedil;&atilde;o desta metodologia, as diferen&ccedil;as entre o DIT e a Entrevista de Ju&iacute;zo Moral. Ao contr&aacute;rio do que se passa com o sistema de Kohlberg, em que o resultado da avalia&ccedil;&atilde;o do ju&iacute;zo moral &eacute; dado em termos de um est&aacute;dio dominante ou de dois est&aacute;dios de desenvolvimento adjacentes, a partir da descri&ccedil;&atilde;o que apresent&aacute;mos, o &iacute;ndice P &eacute; uma vari&aacute;vel cont&iacute;nua (de &#8220;maturidade&#8221; moral como refere Louren&ccedil;o, em 2002) e o que est&aacute; fundamentalmente em causa &eacute; saber em que medida uma pessoa manifesta determinados tipos de organiza&ccedil;&atilde;o de pensamento moral (Rest, 1979). </p>      <p>As diferen&ccedil;as que descrevemos em termos de formato t&ecirc;m ainda reflexos nos n&iacute;veis de ju&iacute;zo moral obtidos. Nesse sentido, pelo facto de n&atilde;o ser pedido no DIT que as pessoas produzam ou justifiquem as suas respostas aos dilemas morais, e apesar de haver uma correla&ccedil;&atilde;o de .5 entre as duas metodologias (Rest, 1986a), os resultados neste teste s&atilde;o inflacionados relativamente &agrave; Entrevista de Ju&iacute;zo Moral &#8211; raz&atilde;o pela qual, ao n&iacute;vel da metodologia de Harvard (v. Colby &amp; Kohlberg, 1987), se renunciou ao est&aacute;dio 6. O mesmo n&atilde;o acontece com o DIT, onde afirma&ccedil;&otilde;es deste est&aacute;dio poder&atilde;o contribuir para o c&aacute;lculo do &iacute;ndice P. Ser&aacute; com base neste instrumento que avaliaremos o ju&iacute;zo moral dos participantes na parte emp&iacute;rica do nosso estudo. No cap&iacute;tulo que se segue apresentaremos os seus objectivos e hip&oacute;teses, com base no enquadramento te&oacute;rico que aqui termina. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p><i>Objectivos e hip&oacute;teses em estudo </i></p>      <p>A nossa investiga&ccedil;&atilde;o tem um duplo objectivo, que &eacute; o de mostrar os efeitos de modula&ccedil;&atilde;o sem&acirc;ntica e efeitos de modula&ccedil;&atilde;o pragm&aacute;tica na interpreta&ccedil;&atilde;o de frases condicionais de&ocirc;nticas, e suas consequ&ecirc;ncias no racioc&iacute;nio condicional. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No que diz respeito &agrave; modula&ccedil;&atilde;o sem&acirc;ntica, a nossa hip&oacute;tese &eacute; de que o conjunto de possibilidades que os sujeitos avaliam como poss&iacute;veis/permiss&iacute;veis ir&aacute; ser diferente de acordo com o tipo de interpreta&ccedil;&atilde;o (Condicional ou Capacitante) que as frases  induzem, e conforme se pode observar na Tabela 2. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p><a href="#t2">TABELA 2</a><a name="topt2"></a></p>      <p><i>Possibilidades compat&iacute;veis com os tr&ecirc;s tipos de interpreta&ccedil;&otilde;es das frases condicionais utilizadas com a forma gramatical: Se A ent&atilde;o C</i></p> <img src="/img/revistas/aps/v28n4/28n4a04t2.gif">      
<p>&nbsp;</p>      <p>Dado o conjunto diferente de possibilidades nas duas interpreta&ccedil;&otilde;es, uma das consequ&ecirc;ncias esperadas &eacute; de que os padr&otilde;es inferenciais tamb&eacute;m ser&atilde;o diferentes. Concretamente, &eacute; de esperar um maior n&uacute;mero de infer&ecirc;ncias Modus Ponens (MP) e Modus Tollens (MT) na interpreta&ccedil;&atilde;o Condicional, e um maior n&uacute;mero de infer&ecirc;ncias Nega&ccedil;&atilde;o do Antecedente (NA) e Afirma&ccedil;&atilde;o do Consequente (AC) na interpreta&ccedil;&atilde;o Capacitante. </p>      <p>Note-se que este tipo de efeitos de modula&ccedil;&atilde;o sem&acirc;ntica tem sido j&aacute; demonstrados noutros estudos (Johnson-Laird &amp; Byrne, 2002; Quelhas &amp; Johnson-Laird, 2005; Quelhas, Johnson-Laird, &amp; Juhos, 2010), ao contr&aacute;rio dos efeitos de modula&ccedil;&atilde;o pragm&aacute;tica que iremos explorar no presente estudo. </p>      <p>Ser&aacute; que, o facto de se estar privado da liberdade por se ter infringido um preceito de&ocirc;ntico produz algum efeito em termos de modelos mentais salientes, acerca do que &eacute; permiss&iacute;vel ou n&atilde;o permiss&iacute;vel? E, ser&aacute; que o facto de se estar privado da liberdade por se ter infringido um preceito de&ocirc;ntico se traduz numa diferen&ccedil;a em termos de n&iacute;vel de ju&iacute;zo moral? </p>      <p>Ao n&iacute;vel da tarefa de ju&iacute;zo moral, esperam-se diferen&ccedil;as entre indiv&iacute;duos reclusos e n&atilde;o reclusos relativamente ao &iacute;ndice P, i.e., diferen&ccedil;as em termos da import&acirc;ncia relativa que as pessoas conferem &agrave;s considera&ccedil;&otilde;es morais orientadas por princ&iacute;pios, na tomada de decis&atilde;o acerca de dilemas morais. Assim, esperamos que os indiv&iacute;duos reclusos obtenham pontua&ccedil;&otilde;es no &Iacute;ndice P mais baixas, que os participantes que n&atilde;o tenham tido qualquer experi&ecirc;ncia de reclus&atilde;o prisional. </p>      <p>Outra quest&atilde;o que iremos explorar, e que tanto quanto sabemos n&atilde;o foi at&eacute; ao presente investigada, &eacute; se perante condicionais de&ocirc;nticas que remetem  para obriga&ccedil;&otilde;es, o facto de se tratar de obriga&ccedil;&otilde;es que no quotidiano s&atilde;o facilmente viol&aacute;veis (e.g., &#8220;Se o jovem comprar bebidas alco&oacute;licas, ent&atilde;o tem de ter completado 16 anos&#8221;), ou, se tratar de obriga&ccedil;&otilde;es dificilmente viol&aacute;veis (v. &#8220;Se o jovem votar, ent&atilde;o tem de ter completado 18 anos&#8221;), ir&aacute; influenciar o conjunto de possibilidades consideradas como permiss&iacute;veis e n&atilde;o permiss&iacute;veis. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Assim, esperamos que a forma como os indiv&iacute;duos avaliam determinadas possibilidades das frases de conte&uacute;do de&ocirc;ntico, seja moderada pelo seu n&iacute;vel de ju&iacute;zo moral. Concretamente, os indiv&iacute;duos com pontua&ccedil;&otilde;es inferiores no &iacute;ndice P, aceitar&atilde;o a viola&ccedil;&atilde;o das permiss&otilde;es, bem como das obriga&ccedil;&otilde;es, em maior frequ&ecirc;ncia, do que os participantes com pontua&ccedil;&otilde;es mais elevadas em termos de ju&iacute;zo moral. Esperamos ainda que a associa&ccedil;&atilde;o entre a medida de ju&iacute;zo moral e a aceita&ccedil;&atilde;o da possibilidade correspondente &agrave; viola&ccedil;&atilde;o da condicional de&ocirc;ntica, ser&aacute; mais evidente no caso das obriga&ccedil;&otilde;es inviol&aacute;veis, do que nas obriga&ccedil;&otilde;es viol&aacute;veis. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>M&Eacute;TODO</p>      <p><i>Participantes</i></p>      <p>Seleccion&aacute;mos uma amostra composta por 60 indiv&iacute;duos adultos de ambos os sexos. Para facilitar o emparelhamento, i.e., a fim de homogeneizar caracter&iacute;sticas como sexo, idade e habilita&ccedil;&otilde;es liter&aacute;rias, seleccion&aacute;mos os indiv&iacute;duos da popula&ccedil;&atilde;o n&atilde;o reclusa a partir das caracter&iacute;sticas dos indiv&iacute;duos reclusos. Os indiv&iacute;duos n&atilde;o reclusos eram, na sua totalidade, alunos de um estabelecimento de ensino do Ensino Recorrente do centro de Lisboa em regime p&oacute;s-laboral: 15 homens com uma idade m&eacute;dia de 25,9 anos e desvio-padr&atilde;o de 5,9 anos, e 15 mulheres, com uma m&eacute;dia de 24,6 anos de idade e um desvio-padr&atilde;o de 5,5 anos. Os participantes reclu&iacute;dos num estabelecimento prisional feminino da regi&atilde;o de Lisboa tinham uma m&eacute;dia de 31,4 anos de idade e um desvio-padr&atilde;o 8,3 anos. Os indiv&iacute;duos detidos num estabelecimento prisional masculino tinham, em m&eacute;dia, 29,9 anos de idade e um desvio-padr&atilde;o 5,5 anos. Nenhum dos participantes foi treinado em l&oacute;gica formal e todos participaram de forma volunt&aacute;ria. Os participantes n&atilde;o reclusos n&atilde;o tinham tido at&eacute; &agrave; data da recolha de dados qualquer experi&ecirc;ncia de reclus&atilde;o prisional. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p><i>Tarefas</i></p>      <p><i>Tarefa de aferi&ccedil;&atilde;o de interpreta&ccedil;&atilde;o </i></p>      <p>Utilizou-se uma tarefa de aferi&ccedil;&atilde;o de interpreta&ccedil;&atilde;o com o objectivo de se estudar o modo como as pessoas interpretam determinado tipo de frases condicionais. Esta consistia em apresentar aos participantes frases condicionais de&ocirc;nticas do tipo: &#8220;Se o jovem conduzir, ent&atilde;o tem de ter carta de condu&ccedil;&atilde;o&#8221;, pedindo-se aos indiv&iacute;duos em seguida para, a partir dessas frases, avaliarem como &#8220;permiss&iacute;vel&#8221; ou &#8220;n&atilde;o permiss&iacute;vel&#8221; cada uma das quatro conting&ecirc;ncias de uma frase condicional, isto &eacute;, as possibilidades de combinar o antecedente com o consequente. </p>      <p>Frase-exemplo: </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Leia com aten&ccedil;&atilde;o a frase seguinte: </p>     <blockquote>     <p><b>Se o estafeta viajou de mota, ent&atilde;o usou um capacete. </b></p> </blockquote>     <p>A partir desta frase &eacute; poss&iacute;vel imaginar quatro situa&ccedil;&otilde;es, tal como encontra mais abaixo. O que lhe pedimos &eacute; que avalie cada uma dessas situa&ccedil;&otilde;es, indicando se se trata de uma  situa&ccedil;&atilde;o Permiss&iacute;vel ou N&atilde;o permiss&iacute;vel, ou seja, se &eacute; uma situa&ccedil;&atilde;o permitida, ou n&atilde;o, pela frase que leu em cima. </p>      <p>O estafeta n&atilde;o viajou de mota e usou um capacete.</p>      <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Permiss&iacute;vel &lang;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;N&atilde;o Permiss&iacute;vel &lang;</p>      <p>O estafeta n&atilde;o viajou de mota e n&atilde;o usou um capacete. </p>      <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Permiss&iacute;vel &lang; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;N&atilde;o Permiss&iacute;vel &lang; </p>      <p>O estafeta viajou de mota e usou um capacete. </p>      <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Permiss&iacute;vel &lang; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;N&atilde;o Permiss&iacute;vel &lang;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O estafeta viajou de mota e n&atilde;o usou um capacete. </p>      <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Permiss&iacute;vel &lang; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;N&atilde;o Permiss&iacute;vel &lang;</p>      <p>Indique a sua resposta com uma cruz no quadrado correspondente. </p>      <p>Ao virar esta p&aacute;gina, vai come&ccedil;ar realmente a sua tarefa. Verifique sempre que respondeu &agrave;s quatro situa&ccedil;&otilde;es antes de passar &agrave; p&aacute;gina seguinte. </p>      <p>A tarefa era composta por 8 frases (v. <a href="#a1">Anexo A</a><a name="topa1"></a>),    apresentadas em folhas separadas. Utiliz&aacute;mos frases com quatro conte&uacute;dos    diferentes (v. duas frases para cada tipo de conte&uacute;do): Duas obriga&ccedil;&otilde;es    viol&aacute;veis (cf. defini&ccedil;&atilde;o proposta no cap&iacute;tulo dos    Objectivos e Hip&oacute;teses de Investiga&ccedil;&atilde;o); duas obriga&ccedil;&otilde;es    n&atilde;o-viol&aacute;veis e duas permiss&otilde;es. A fim de criarmos um termo    de compara&ccedil;&atilde;o entre condicionais de&ocirc;nticas e condicionais    n&atilde;o de&ocirc;nticas, recorremos a duas frases de tipo epist&eacute;mico.    No caso das frases epist&eacute;micas, foi pedido aos participantes para avaliar    as conting&ecirc;ncias das frases condicionais como &#8220;poss&iacute;veis&#8221;    ou &#8220;imposs&iacute;veis&#8221;. No que se refere aos tipos de interpreta&ccedil;&atilde;o,    utiliz&aacute;mos duas, de acordo com os 10 tipos de interpreta&ccedil;&atilde;o    sistematizados por Johnson-Laird e Byrne (2002): as <i>frases epist&eacute;micas    </i>e as <i>obriga&ccedil;&otilde;es (viol&aacute;veis e inviol&aacute;veis)    </i>correspondiam &agrave; <i>interpreta&ccedil;&atilde;o Condicional </i>(congruente    com as possibilidades: a c; &not;a c; &not;a &not;c, cf. <a href="#topt2">Tabela    2</a><a name="t2"></a>), ou seja, frases em que o antecedente &eacute; suficiente    para o consequente, e o consequente necess&aacute;rio para o antecedente. J&aacute;    para as <i>permiss&otilde;es</i>, utiliz&aacute;mos frases correspondentes ao    tipo de <i>interpreta&ccedil;&atilde;o Capacitante </i>(a c; a &not;c; &not;a    &not;c), onde o antecedente &eacute; necess&aacute;rio para o consequente. </p>      <p>Para evitar um eventual enviesamento provocado pela ordem de apresenta&ccedil;&atilde;o das quatro possibilidades, recorremos a duas ordens diferentes: Contrabalance&aacute;mos a ordem de apresenta&ccedil;&atilde;o das formas de combinar o antecedente com o consequente (i.e., ora: a c; a &not;c; &not;a c; &not;a &not;c, ora: &not;a c; &not;a &not;c; a c; a &not;c). </p>      <p>Os diferentes tipos de frase foram apresentados aos participantes de forma aleat&oacute;ria. Para isso, utiliz&aacute;mos um programa de computador que, atrav&eacute;s do algoritmo &#8220;simple random sample&#8221;, nos permitiu efectuar uma apresenta&ccedil;&atilde;o aleat&oacute;ria das oito frases. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p><i>Tarefa de infer&ecirc;ncia </i></p>      <p>Utiliz&aacute;mos uma tarefa de racioc&iacute;nio condicional com as quatro infer&ecirc;ncias: Modus Tollens (MT); Modus Ponens (MP); Afirma&ccedil;&atilde;o do Consequente (AC); e Nega&ccedil;&atilde;o do Antecedente (NA). Esta consistiu na apresenta&ccedil;&atilde;o de um enunciado condicional, por exemplo: &#8220;se o estafeta viajou de mota, ent&atilde;o usou um capacete&#8221;, seguido de uma premissa categ&oacute;rica que nega ou afirma o antecedente (v. Nega&ccedil;&atilde;o do Antecedente e Modus Ponens, respectivamente), ou, por uma premissa que nega ou afirma o consequente (v. Nega&ccedil;&atilde;o do Consequente e Modus Tollens, respectivamente). Em seguida vemos a frase-exemplo apresentada aos participantes (exemplo retirado de um estudo de Quelhas &amp; Byrne, 2003). </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Leia com aten&ccedil;&atilde;o as duas frases seguintes: </p>     <blockquote>     <p><b>Se o estafeta viajou de mota, ent&atilde;o usou um capacete. </b></p>      <p><b>O estafeta viajou de mota. </b></p> </blockquote>     <p><b>Portanto... </b></p>      <p>A partir destas duas frases pedimos que escolha uma conclus&atilde;o. O que &eacute; que se pode concluir em sua opini&atilde;o? D&ecirc; a sua resposta assinalando com uma cruz a frase que considera a op&ccedil;&atilde;o correcta. </p>  <table class=MsoNormalTable border=0 cellspacing=0 cellpadding=0  style='mso-cellspacing:0cm;margin-left:81.0pt;mso-padding-alt:1.5pt 1.5pt 1.5pt 1.5pt'>  <tr style='mso-yfti-irow:0;mso-yfti-firstrow:yes;height:9.0pt'>   <td width=302 valign=top style='width:226.3pt;border:none;border-top:solid windowtext 1.0pt;   mso-border-top-alt:solid windowtext .5pt;padding:1.5pt 1.5pt 1.5pt 1.5pt;   height:9.0pt'>       <p>Usou um capacete. </p>   </td>   <td width=57 valign=top style='width:42.9pt;border:none;border-top:solid windowtext 1.0pt;   mso-border-top-alt:solid windowtext .5pt;padding:1.5pt 1.5pt 1.5pt 1.5pt;   height:9.0pt'>       <p>&lang;</p>   </td>  </tr>  <tr style='mso-yfti-irow:1;height:15.0pt'>   <td width=302 style='width:226.3pt;border:none;border-top:solid windowtext 1.0pt;   mso-border-top-alt:solid windowtext .5pt;padding:1.5pt 1.5pt 1.5pt 1.5pt;   height:15.0pt'>       <p>N&atilde;o usou um capacete. </p>   </td>   <td width=57 valign=bottom style='width:42.9pt;border:none;border-top:solid windowtext 1.0pt;   mso-border-top-alt:solid windowtext .5pt;padding:1.5pt 1.5pt 1.5pt 1.5pt;   height:15.0pt'>       <p>&lang;</p>   </td>  </tr>  <tr style='mso-yfti-irow:2;mso-yfti-lastrow:yes;height:13.5pt'>   <td width=302 valign=bottom style='width:226.3pt;border-top:solid windowtext 1.0pt;   border-left:none;border-bottom:solid windowtext 1.0pt;border-right:none;   mso-border-top-alt:solid windowtext .5pt;mso-border-bottom-alt:solid windowtext .5pt;   padding:1.5pt 1.5pt 1.5pt 1.5pt;height:13.5pt'>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>N&atilde;o posso concluir nada. </p>   </td>   <td width=57 valign=bottom style='width:42.9pt;border-top:solid windowtext 1.0pt;   border-left:none;border-bottom:solid windowtext 1.0pt;border-right:none;   mso-border-top-alt:solid windowtext .5pt;mso-border-bottom-alt:solid windowtext .5pt;   padding:1.5pt 1.5pt 1.5pt 1.5pt;height:13.5pt'>       <p>&lang;</p>   </td>  </tr> </table>      <p>Quando virar a p&aacute;gina vai come&ccedil;ar realmente a sua tarefa. Se tiver alguma d&uacute;vida, por favor coloque-a ao experimentador. </p>      <p>Dado que, para cada uma das oito frases (v. anexo A), havia quatro problemas (i.e., MP, MT, NA, e AC), apresent&aacute;mos um total de 32 problemas. A apresenta&ccedil;&atilde;o dos quatro problemas dentro de cada frase foi feita de forma aleat&oacute;ria, bem como a disposi&ccedil;&atilde;o das frases dos quatro conte&uacute;dos diferentes (v. obriga&ccedil;&otilde;es viol&aacute;veis, obriga&ccedil;&otilde;es n&atilde;o-viol&aacute;veis, permiss&otilde;es e epist&eacute;micas). No que se refere &agrave; ordem de apresenta&ccedil;&atilde;o das op&ccedil;&otilde;es dadas ao participante, esta foi parcialmente contrabalanceda. Em todas as frases apresentadas, a &uacute;ltima op&ccedil;&atilde;o que era dada a escolher era &#8220;n&atilde;o posso concluir nada&#8221;, optando n&oacute;s por contrabalancear as  duas outras op&ccedil;&otilde;es (i.e., nega&ccedil;&atilde;o ou afirma&ccedil;&atilde;o do antecedente ou, por outro lado, nega&ccedil;&atilde;o ou afirma&ccedil;&atilde;o do consequente). Conclu&iacute;da esta segunda tarefa, era apresentada a tarefa de ju&iacute;zo moral. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p><i>Teste de definir valores morais (DIT) </i></p>      <p>No que se refere <i>grosso modo </i>&agrave; avalia&ccedil;&atilde;o do ju&iacute;zo moral, a tarefa desenvolvida por Kohlberg (1981, 1984) tornou-se um ponto de refer&ecirc;ncia nesta &aacute;rea de investiga&ccedil;&atilde;o. Consiste na apresenta&ccedil;&atilde;o de um conjunto de nove dilemas hipot&eacute;ticos, seguidos de uma s&eacute;rie de quest&otilde;es a que o participante dever&aacute; responder. Contudo, devido &agrave; complexidade desta metodologia, quer em termos de codifica&ccedil;&atilde;o, quer em termos da sua aplica&ccedil;&atilde;o, James Rest e seus  colaboradores (Rest, 1979, 1986a,b; Rest, Thoma, &amp; Edwards, 1997) desenvolveram uma  alternativa que viesse dar conta destas limita&ccedil;&otilde;es (Louren&ccedil;o, 2002). O <i>Teste de Definir Valores Morais </i>foi a resposta encontrada (que, abreviado do seu t&iacute;tulo em ingl&ecirc;s, <i>Defining Issues Test</i>, &eacute; vulgarmente designado por DIT). O DIT possui uma codifica&ccedil;&atilde;o previamente programada e foi adaptado para a l&iacute;ngua portuguesa por Louren&ccedil;o e C&eacute;sar (1991). &Agrave; semelhan&ccedil;a da metodologia proposta por Kohlberg, o DIT foi concebido para estudar o n&iacute;vel de desenvolvimento moral dos indiv&iacute;duos, por&eacute;m, este instrumento avalia-o sob uma perspectiva diferente. </p>      <p>O participante no DIT &eacute; confrontado com um exerc&iacute;cio de reconhecimento, compreens&atilde;o e prefer&ecirc;ncia, em rela&ccedil;&atilde;o a determinadas considera&ccedil;&otilde;es morais (Louren&ccedil;o, 2002). </p>      <p>A metodologia de Rest comporta tr&ecirc;s partes. Depois de serem confrontadas    com um de seis dilemas morais, como apresentamos em anexo (cf. <a href="#a2">Anexo    B</a><a name="topa2"></a></a>), &eacute; pedido &agrave;s pessoas para se posicionarem    relativamente ao dilema, de uma forma mais geral, e para avaliarem a import&acirc;ncia    de determinadas frases de conte&uacute;do moral. Depois de avaliar o grau de    import&acirc;ncia para cada uma das doze afirma&ccedil;&otilde;es, associadas    por sua vez a cada um dos seis dilemas, &eacute; pedido ao participante que    seleccione as quatro mais importantes, ordenando-as de forma decrescente segundo    a sua import&acirc;ncia. </p>      <p>No que se refere &agrave; cota&ccedil;&atilde;o, o avaliador atribui-lhes um determinado &iacute;ndice de desenvolvimento moral, designado por <i>&Iacute;ndice P</i>. Trata-se no fundo de um &iacute;ndice num&eacute;rico relacionado com a import&acirc;ncia que se atribui &agrave; moralidade orientada por princ&iacute;pios (i.e., ao n&iacute;vel de desenvolvimento moral mais evolu&iacute;do de acordo com o teste de definir valores morais). </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p><i>Procedimento</i></p>      <p>Todos os participantes realizaram as tarefas em sess&otilde;es individuais. A recolha foi feita pelo mesmo investigador numa sala fornecida pela direc&ccedil;&atilde;o do estabelecimento prisional com o conhecimento e autoriza&ccedil;&atilde;o pr&eacute;via da Direc&ccedil;&atilde;o Geral dos Servi&ccedil;os Prisionais. No caso da amostra de indiv&iacute;duos n&atilde;o reclusos, a recolha foi feita numa sala calma no interior das instala&ccedil;&otilde;es do estabelecimento de ensino que manteve as suas caracter&iacute;sticas &#8211; tal como se passou nos dois estabelecimentos prisionais. Todas as tarefas foram precedidas de instru&ccedil;&otilde;es-chave &agrave;s quais nos referimos anteriormente. O anonimato e a confidencialidade dos dados recolhidos foram igualmente assegurados aos participantes atrav&eacute;s de indica&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas para esse efeito.</p>      <p>O experimentador questionou o participante sobre eventuais d&uacute;vidas, e uma vez esclarecidas as instru&ccedil;&otilde;es gerais, deu-se in&iacute;cio &agrave; recolha dos dados. A tarefa foi apresentada em cadernos A<sub>5</sub>, no caso das  duas primeiras tarefas, e num caderno A<sub>4</sub>, para o teste de definir valores morais. Nesses cadernos repetiam-se as instru&ccedil;&otilde;es dadas oralmente pelo investigador e as instru&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas para cada tarefa. Com base no manual do teste de definir valores morais, elimin&aacute;mos os protolocos que n&atilde;o observavam os requisitos de fidelidade que teremos oportunidade de apresentar no cap&iacute;tulo seguinte. Em primeiro lugar, foi apresentada a tarefa de aferi&ccedil;&atilde;o de interpreta&ccedil;&atilde;o das frases condicionais, seguida da tarefa com infer&ecirc;ncias condicionais e, a terminar, a tarefa de ju&iacute;zo moral. Cada participante demorou aproximadamente uma hora para completar as tr&ecirc;s tarefas. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>RESULTADOS</p>      <p>No que se refere &agrave; forma como organiz&aacute;mos o presente cap&iacute;tulo, opt&aacute;mos por apresentar os resultados com base nos objectivos e hip&oacute;teses definidas anteriormente. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p><i>Tarefa de aferi&ccedil;&atilde;o da interpreta&ccedil;&atilde;o: Condicional e capacitante </i></p>      <p>A primeira hip&oacute;tese em estudo referia-se, como vimos, &agrave; forma como os indiv&iacute;duos interpretam as possibilidades congruentes com cada tipo de frases condicionais (do tipo &#8220;Se a, ent&atilde;o c&#8221;) utilizadas: interpreta&ccedil;&atilde;o Condicional (&#8220;a c&#8221;; &#8220;&not;a c&#8221; e &#8220;&not;a &not;c&#8221;)  e interpreta&ccedil;&atilde;o Capacitante (&#8220;a c&#8221;, &#8220;a &not;c&#8221; e &#8220;&not;a &not;c), sendo  a possibilidade que n&atilde;o seria congruente na interpreta&ccedil;&atilde;o Condicional: &#8220;a &not;c&#8221;; e na Capacitante: &#8220;&not;a c&#8221;. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Nas tabelas que se seguem<sup><a href="#1">1</a><a name="top1"></a></sup>,    vemos a percentagem de aceita&ccedil;&atilde;o das quatro conting&ecirc;ncias    (&#8220;a c&#8221;; &#8220;&not;a c&#8221;; &#8220;a &not;c&#8221; e &#8220;&not;a    &not;c&#8221;) para cada uma das frases estudadas nos participantes reclusos    (Tabela 3) e n&atilde;o reclusos (Tabela 4). Recordamos que as frases de conte&uacute;do    epist&eacute;mico e as obriga&ccedil;&otilde;es viol&aacute;veis e n&atilde;o    viol&aacute;veis correspondem ao tipo de interpreta&ccedil;&atilde;o Condicional,    e as permiss&otilde;es ao tipo de interpreta&ccedil;&atilde;o Capacitante. </p>     <p>&nbsp;</p>      <p>TABELA 3</p>      <p><i>Percentagem de aceita&ccedil;&atilde;o das quatro possibilidades como permiss&iacute;veis/poss&iacute;veis, e respectivo tipo de interpreta&ccedil;&atilde;o: Condicional e Capacitante, nos participantes reclusos</i></p> <img src="/img/revistas/aps/v28n4/28n4a04t3.gif">      
<p>&nbsp;</p>      <p>TABELA 4</p>      <p><i>Percentagem de aceita&ccedil;&atilde;o das quatro possibilidades como permiss&iacute;veis/poss&iacute;veis e respectivo tipo de interpreta&ccedil;&atilde;o: Condicional e Capacitante, nos participantes n&atilde;o reclusos</i></p> <img src="/img/revistas/aps/v28n4/28n4a04t4.gif">      
<p>&nbsp;</p>     <p>A partir das Tabelas 3 e 4 apercebemo-nos que, de um modo geral, se registam diferen&ccedil;as na forma como os participantes avaliam algumas das conting&ecirc;ncias, com excep&ccedil;&atilde;o para as conting&ecirc;ncias &#8220;a c&#8221; e &#8220;&not;a &not;c&#8221;, registando-se, na maior parte das frases estudadas, valores na ordem dos 100%, que &eacute; de resto, congruente com as hip&oacute;teses que avan&ccedil;&aacute;mos. A conting&ecirc;ncia &#8220;a c&#8221; &eacute; congruente com os dois tipos de interpreta&ccedil;&atilde;o, e de acordo com os nossos resultados n&atilde;o existem diferen&ccedil;as (&#967;<i><sup>2</sup>F</i>=11,103; <i>p</i>=.134, <i>n</i>=60) na forma como esta conting&ecirc;ncia &eacute; aceite pelos participantes nos dois tipos de interpreta&ccedil;&atilde;o. Resultados semelhantes obtivemos na conting&ecirc;ncia &#8220;&not;a &not; c&#8221; (&#967;<i><sup>2</sup>F</i>=6,364; <i>p</i>=.498, <i>n</i>=60). </p>      <p>No que se refere &agrave;s duas outras possibilidades, i.e., &#8220;a &not;c&#8221; e &#8220;&not;a c&#8221;, n&atilde;o esper&aacute;vamos o mesmo padr&atilde;o de resultados para as frases do tipo de interpreta&ccedil;&atilde;o Capacitante e Condicional. As percentagens de aceita&ccedil;&atilde;o mais elevadas na conting&ecirc;ncia &#8220;a &not;c&#8221; foram registadas nas frases de interpreta&ccedil;&atilde;o Capacitante. Tamb&eacute;m congruente com as nossas hip&oacute;teses foi o padr&atilde;o de resultados, no caso da conting&ecirc;ncia &#8220;&not;a c&#8221;, onde encontr&aacute;mos diferen&ccedil;as altamente significativas  (&#967;<i><sup>2</sup>F</i>=281,644; <i>p</i>&lt;.001, <i>n</i>=60) na superioridade de aceita&ccedil;&atilde;o desta possibilidade na interpreta&ccedil;&atilde;o Condicional <i>vs. </i>na interpreta&ccedil;&atilde;o Capacitante. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Relativamente &agrave; conting&ecirc;ncia &#8220;&not;a c&#8221; verific&aacute;mos que existem diferen&ccedil;as altamente significativas (&#967;<i><sup>2</sup>F</i>=146,342; <i>p</i>=.001, <i>n</i>=60) entre a aceita&ccedil;&atilde;o desta conting&ecirc;ncia como poss&iacute;vel ou permiss&iacute;vel. Registam-se ainda diferen&ccedil;as (&#967;<i><sup>2</sup>F</i>=208,115; <i>p</i>=.001, <i>n</i>=60) entre a aceita&ccedil;&atilde;o desta conting&ecirc;ncia como permiss&iacute;vel, quando est&atilde;o em causa obriga&ccedil;&otilde;es (interpreta&ccedil;&atilde;o Condicional) e permiss&otilde;es (interpreta&ccedil;&atilde;o Capacitante). Por fim, no que se refere &agrave; conting&ecirc;ncia &#8220;a &not;c&#8221;, verific&aacute;mos que, de uma forma mais geral, existem diferen&ccedil;as significativas (&#967;<i><sup>2</sup>F</i>=177,235; <i>p</i>=.001, <i>n</i>=60) na forma como esta &eacute; avaliada pelos indiv&iacute;duos, quando est&atilde;o em causa frases de interpreta&ccedil;&atilde;o Condicional (i.e., obriga&ccedil;&otilde;es e epist&eacute;micas) e de interpreta&ccedil;&atilde;o Capacitante (i.e., permiss&otilde;es). &Agrave; semelhan&ccedil;a do que se passou na conting&ecirc;ncia anterior, explorando estes resultados novamente atrav&eacute;s do teste de Friedman, verific&aacute;mos que existem diferen&ccedil;as (&#967;<i><sup>2</sup>F</i>=78,349; <i>p</i>=.001, <i>n</i>=60) quanto &agrave; forma como esta conting&ecirc;ncia &eacute; aceite, quando est&atilde;o em causa frases epist&eacute;micas (interpreta&ccedil;&atilde;o Condicional) e permiss&otilde;es (v. interpreta&ccedil;&atilde;o Capacitante) e, no mesmo sentido, verificou-se a exist&ecirc;ncia de diferen&ccedil;as altamente significativas (&#967;<i><sup>2</sup></i>F=137,832; <i>p</i>&lt;.001, <i>n</i>=60) entre a aceita&ccedil;&atilde;o desta conting&ecirc;ncia, no caso das obriga&ccedil;&otilde;es (i.e., interpreta&ccedil;&atilde;o Condicional) <i>vs</i>. permiss&otilde;es (i.e., interpreta&ccedil;&atilde;o Capacitante). </p>      <p>Em resumo, a partir dos resultados, registaram-se os efeitos de modula&ccedil;&atilde;o sem&acirc;ntica previstos pela teoria dos modelos mentais para as frases de tipo condicional e capacitante, i.e., os participantes avaliam como poss&iacute;veis (no caso das epist&eacute;micas) e permiss&iacute;veis (no caso das de&ocirc;nticas) as possibilidades congruentes para cada tipo de interpreta&ccedil;&atilde;o.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><i>Tarefa de infer&ecirc;ncia </i></p>      <p>Tal como se passou na tarefa anterior, levant&aacute;mos hip&oacute;teses espec&iacute;ficas    relativamente ao padr&atilde;o inferencial dos participantes nas quatro infer&ecirc;ncias    (v. Modus Ponens, Modus Tollens, Afirma&ccedil;&atilde;o do Consequente, Nega&ccedil;&atilde;o    do Antecedente). Come&ccedil;aremos a nossa an&aacute;lise pelos desempenhos    dos participantes na tarefa de racioc&iacute;nio a partir das percentagens com    que cada infer&ecirc;ncia foi aceite nos dois tipos de interpreta&ccedil;&atilde;o,    conforme pode ser visto nas Tabelas 5 e 6<sup><a href="#2">2</a><a name="top2"></a></sup>.  </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>TABELA 5</p>      <p><i>Percentagem de aceita&ccedil;&atilde;o das quatro infer&ecirc;ncias e respectivos tipos de interpreta&ccedil;&atilde;o: Condicional e Capacitante, nos participantes reclusos</i></p> <img src="/img/revistas/aps/v28n4/28n4a04t5.gif">      
<p>&nbsp;</p>      <p>TABELA 6</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Percentagem de aceita&ccedil;&atilde;o das quatro infer&ecirc;ncias e respectivos tipos de interpreta&ccedil;&atilde;o: Condicional e Capacitante, nos participantes n&atilde;o reclusos</i></p> <img src="/img/revistas/aps/v28n4/28n4a04t6.gif">      
<p>&nbsp;</p>      <p>A partir das Tabelas 5 e 6, evidenciam-se diferen&ccedil;as ao n&iacute;vel da aceita&ccedil;&atilde;o das quatro infer&ecirc;ncias, de acordo com o tipo de interpreta&ccedil;&atilde;o. Tendo em conta os resultados dos 60 participantes (i.e., sem analisar os resultados de cada sub-amostra individualmente) e recorrendo ao teste de Wilcoxon, estud&aacute;mos a forma como cada tipo de infer&ecirc;ncia foi aceite nos dois tipos de frases estudadas (i.e., Condicional e Capacitante). A escolha deste teste n&atilde;o param&eacute;trico ficou a dever-se ao n&iacute;vel de mensura&ccedil;&atilde;o ordinal das vari&aacute;veis em estudo (Bryman &amp; Cramer, 2003; Maroco &amp; Bispo, 2003; Siegel, 1956).</p>       <p>No que se refere &agrave; infer&ecirc;ncia <i>Modus Tollens </i>podemos, a partir dos nossos resultados afirmar que, tal como previmos, esta ocorre com mais frequ&ecirc;ncia quando estamos perante frases de tipo de interpreta&ccedil;&atilde;o Condicional, do que quando a frase corresponde ao tipo de interpreta&ccedil;&atilde;o Capacitante. No que se refere  &agrave; infer&ecirc;ncia <i>Modus Ponens</i>, encontr&aacute;mos diferen&ccedil;as significativas entre a aceita&ccedil;&atilde;o desta infer&ecirc;ncia, quando est&atilde;o em causa frases de tipo de interpreta&ccedil;&atilde;o Condicional, comparativamente a frases de tipo de interpreta&ccedil;&atilde;o Capacitante. No que se refere &agrave; infer&ecirc;ncia <i>Afirma&ccedil;&atilde;o do Consequente</i>, encontr&aacute;mos em regra geral, um padr&atilde;o de resultados congruentes com as nossas hip&oacute;teses. Esper&aacute;vamos n&iacute;veis de aceita&ccedil;&atilde;o desta frequ&ecirc;ncia superiores em frases de tipo de interpreta&ccedil;&atilde;o Capacitante e  corrobor&aacute;mos parcialmente essa hip&oacute;tese. </p>      <p>Na infer&ecirc;ncia <i>Nega&ccedil;&atilde;o do Antecedente </i>(NA), obtivemos uma diferen&ccedil;a altamente significativa entre a aceita&ccedil;&atilde;o desta infer&ecirc;ncia nas frases de tipo de interpreta&ccedil;&atilde;o Capacitante,  comparativa mente &agrave;s frases de interpreta&ccedil;&atilde;o Condicional (independentemente de se tratarem de frases de conte&uacute;do epist&eacute;mico ou de conte&uacute;do ligado a obriga&ccedil;&otilde;es viol&aacute;veis e inviol&aacute;veis) &#8211; com estat&iacute;sticas de teste a variarem entre <i>U</i>=-3.225; <i>p</i>=.001, <i>n</i>=60 e <i>U</i>=-5.085; <i>p</i>&lt;.001, <i>n</i>=60. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p><i>Modula&ccedil;&atilde;o pragm&aacute;tica e a tarefa de ju&iacute;zo moral </i></p>      <p>Uma das hip&oacute;teses nucleares da presente investiga&ccedil;&atilde;o relaciona-se com o estudo do n&iacute;vel de ju&iacute;zo moral dos participantes, com o objectivo de perceber se os resultados das duas tarefas a que nos referimos at&eacute; agora (i.e., tarefa de aferi&ccedil;&atilde;o de interpreta&ccedil;&atilde;o e tarefa de racioc&iacute;nio) s&atilde;o moderados por esta vari&aacute;vel (nos termos em que nos referimos no cap&iacute;tulo das hip&oacute;teses). Em seguida apresentamos os principais resultados obtidos neste &acirc;mbito. </p>      <p>Com base na nossa amostra, e tendo em conta os crit&eacute;rios de fidelidade que descrevemos atr&aacute;s, a percentagem de protocolos eliminados foi de 18%, valor que, em nosso entender, est&aacute; de acordo com os valores de 15% referidos pelo autor do instrumento (Rest, 1986a,b), e pelo estudo que serviu de adapta&ccedil;&atilde;o do DIT &agrave; popula&ccedil;&atilde;o portuguesa (Louren&ccedil;o &amp; C&eacute;sar, 1991) &#8211; com &iacute;ndices tamb&eacute;m na ordem de 15%. Na Tabela 7 vemos os resultados obtidos na tarefa de ju&iacute;zo moral, para os dois grupos de participantes. </p>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>TABELA 7</p>      <p><i>Resultados dos dois grupos de participantes na tarefa de ju&iacute;zo moral</i></p> <img src="/img/revistas/aps/v28n4/28n4a04t7.gif">      
<p>&nbsp;</p>      <p>A partir de uma abordagem descritiva dos nossos resultados vemos que os indiv&iacute;duos n&atilde;o reclusos apresentam um &Iacute;ndice P ligeiramente superior (31.9) ao dos indiv&iacute;duos reclusos (29.9). Isto significa que, para as amostras estudadas, os indiv&iacute;duos n&atilde;o reclusos orientam a avalia&ccedil;&atilde;o de cada uma das afirma&ccedil;&otilde;es que lhe s&atilde;o dadas a avaliar, de forma mais pr&oacute;xima a princ&iacute;pios &eacute;ticos universais, comparativamente ao grupo de reclusos. </p>      <p>A fim de se estudar at&eacute; que ponto esta diferen&ccedil;a &eacute; ou n&atilde;o significativa, e depois de verificarmos os pressupostos da normalidade da distribui&ccedil;&atilde;o da vari&aacute;vel (K-S=.092 <i>p</i>&gt;.200) e a respectiva homogeneidade das vari&acirc;ncias (<i>F</i>=.015 <i>p</i>=.903), recorremos ao teste T-student. Os resultados mostram-nos que n&atilde;o existem diferen&ccedil;as significativas entre os resultados obtidos por estes dois grupos de participantes [<i>t</i>(60)=-.578; <i>p</i>=.566], ou seja, as duas amostras recolhidas pertencem, estatisticamente, a uma s&oacute; popula&ccedil;&atilde;o. </p>      <p>N&atilde;o sendo poss&iacute;vel distinguir os dois grupos de indiv&iacute;duos em termos do n&iacute;vel de ju&iacute;zo moral, n&atilde;o deix&aacute;mos de testar as hip&oacute;teses aventadas especificamente para cada grupo de participantes, ou seja, fomos ao encontro dos nossos objectivos de investiga&ccedil;&atilde;o no sentido de perceber de que forma os indiv&iacute;duos avaliavam, ao n&iacute;vel da tarefa da interpreta&ccedil;&atilde;o das frases, a viola&ccedil;&atilde;o das frases condicionais de conte&uacute;do de&ocirc;ntico (i.e., as obriga&ccedil;&otilde;es viol&aacute;veis e inviol&aacute;veis, e as permiss&otilde;es). </p>      <p>Para o efeito recorremos ao teste de Cochran para explorar os dados de acordo com os objectivos que definimos inicialmente. Trata-se de uma extens&atilde;o do teste de Friedman, mais indicado para vari&aacute;veis com n&iacute;vel de mensura&ccedil;&atilde;o nominal, como era o caso da tarefa de interpreta&ccedil;&atilde;o, e sobretudo para compara&ccedil;&otilde;es em que existem menos vari&aacute;veis em an&aacute;lise (cf. Bryman &amp; Cramer, 2003; Maroco &amp; Bispo, 2003; Siegel, 1956). </p>      <p>Uma das hip&oacute;teses que avan&ccedil;&aacute;mos especificamente para os grupo de indiv&iacute;duos reclusos (os participantes que, segundo avan&ccedil;&aacute;mos nas nossas hip&oacute;teses, obteriam pontua&ccedil;&otilde;es mais baixas no &Iacute;ndice P), relaciona-se com a forma como esper&aacute;vamos que este grupo avaliasse a viola&ccedil;&atilde;o das obriga&ccedil;&otilde;es, i.e., a conting&ecirc;ncia &#8220;a &not;c&#8221; (e.g., &#8220;O jovem  conduz e n&atilde;o tem carta de condu&ccedil;&atilde;o). Esper&aacute;mos que esta conting&ecirc;ncia fosse aceite com maior frequ&ecirc;ncia pelos participantes reclusos do que pelos n&atilde;o reclusos. Relativamente &agrave;s obriga&ccedil;&otilde;es viol&aacute;veis, n&atilde;o encontr&aacute;mos diferen&ccedil;as nos dois grupos estudados, quanto &agrave; forma como aceitavam esta conting&ecirc;ncia (<i>Q</i>=1.000; <i>p</i>=.317, <i>n</i>=30). O mesmo se pode dizer para as obriga&ccedil;&otilde;es inviol&aacute;veis, em que n&atilde;o se registaram igualmente quaisquer diferen&ccedil;as entre os participantes reclusos e os n&atilde;o reclusos (<i>Q</i>=1.000;  <i>p</i>=.317, <i>n</i>=30). </p>      <p>Tal como se passava nas obriga&ccedil;&otilde;es, avan&ccedil;&aacute;mos igualmente com previs&otilde;es em rela&ccedil;&atilde;o ao modo como os dois grupos de indiv&iacute;duos avaliavam a viola&ccedil;&atilde;o da permiss&atilde;o, i.e., a conting&ecirc;ncia &#8220;&not;a c&#8221; (e.g., O senhor n&atilde;o &eacute; m&eacute;dico e passa receitas). Assim como se passou nas obriga&ccedil;&otilde;es, esper&aacute;mos que os participantes reclusos avaliassem como poss&iacute;vel a possibilidade correspondente &agrave; viola&ccedil;&atilde;o da permiss&atilde;o com maior express&atilde;o do que os indiv&iacute;duos n&atilde;o reclusos. </p>      <p>A partir dos resultados obtidos podemos dizer que existem diferen&ccedil;as relativamente &agrave; forma como os indiv&iacute;duos reclusos avaliam a viola&ccedil;&atilde;o da permiss&atilde;o: &#8220;Se a senhora est&aacute; gr&aacute;vida, ent&atilde;o pode pagar na caixa exclusiva para gr&aacute;vidas&#8221;, quando comparados com os participantes n&atilde;o reclusos (<i>Q</i>=4.555; <i>p</i>=.035, <i>n</i>=30). Por&eacute;m, n&atilde;o podemos dizer o mesmo em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; outra permiss&atilde;o estudada: &#8220;Se o senhor for m&eacute;dico, ent&atilde;o pode passar receitas&#8221;, em que se registaram diferen&ccedil;as, relativamente &agrave; forma como os indiv&iacute;duos aceitam a possibilidade correspondente &agrave; viola&ccedil;&atilde;o (<i>Q</i>=.067; <i>p</i>=.796, <i>n</i>=30). </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p>DISCUSS&Atilde;O GERAL</p>      <p>De um modo geral podemos dizer que os resultados deste estudo corroboram os efeitos da modula&ccedil;&atilde;o sem&acirc;ntica j&aacute; anteriormente encontrados (Quelhas &amp; Johnson-Laird, 2005; Quelhas, Johnson-Laird, &amp; Juhos, 2010) ao n&iacute;vel da interpreta&ccedil;&atilde;o das frases condicionais e subsequente racioc&iacute;nio com as mesmas frases. Como se pode verificar, o significado b&aacute;sico de uma frase condicional (que corresponde &agrave; interpreta&ccedil;&atilde;o aqui designada como Condicional) sofre altera&ccedil;&otilde;es mediante frases de diferentes conte&uacute;dos, o que leva a que o conjunto das possibilidades consideradas congruentes com a frase condicional apresentada seja diferente. Tal facto, observado na tarefa de aferi&ccedil;&atilde;o da interpreta&ccedil;&atilde;o das frases, permite prever diferentes padr&otilde;es inferenciais, dado que o conjunto de representa&ccedil;&otilde;es mentais (modelos mentais) n&atilde;o &eacute; o mesmo para as diferentes frases condicionais, e dado que, de acordo com a teoria dos modelos mentais, as infer&ecirc;ncias s&atilde;o feitas com base nos modelos mentais que os sujeitos representam sobre o significado da informa&ccedil;&atilde;o fornecida. </p>      <p>Por outro lado, n&atilde;o foi poss&iacute;vel distinguir os participantes (i.e., reclusos e n&atilde;o reclusos) em termos do seu n&iacute;vel de ju&iacute;zo moral. O que motivou a utiliza&ccedil;&atilde;o desta medida foi a sua explora&ccedil;&atilde;o como forma de operacionalizar os conhecimentos espec&iacute;ficos acerca daquilo que &eacute; permitido e proibido, e o ju&iacute;zo que se opera acerca de determinados preceitos de&ocirc;nticos &#8211; a &#8220;meta-&eacute;tica&#8221;, na express&atilde;o de Louren&ccedil;o (2002). Vimos que, em termos estat&iacute;sticos, o grupo de indiv&iacute;duos reclusos e n&atilde;o reclusos pertencem a uma s&oacute; popula&ccedil;&atilde;o. </p>      <p>Uma das cr&iacute;ticas recorrentes dos estudos do ju&iacute;zo moral de acordo com o modelo de Lawrence Kohlberg (Colby &amp; Kohlberg, 1987; Kohlberg, 1984), e segundo Heidbrink (1991), refere-se &agrave; validade do instrumento. A entrevista de ju&iacute;zo moral foi desenvolvida com o objectivo de operacionalizar o modelo kohlberguiano do desenvolvimento do ju&iacute;zo moral. Emler, Renwick e Malone (1983), por exemplo consideram que este instrumento serve apenas para aferir a atitude social relativamente a determinados assuntos, ou a sua ideologia pol&iacute;tica &#8211; ambas com a fun&ccedil;&atilde;o de facilitar o processo de adapta&ccedil;&atilde;o social. Para Emler et al<i>. </i>(1983), se o racioc&iacute;nio moral fosse uma compet&ecirc;ncia, nesse caso n&atilde;o seria poss&iacute;vel simular um n&iacute;vel de ju&iacute;zo moral superior ao que as pessoas efectivamente possuem. </p>      <p>Nesta linha da correspond&ecirc;ncia entre o racioc&iacute;nio moral e a ac&ccedil;&atilde;o moral t&ecirc;m sido conduzidos dezenas de estudos que procuram associa&ccedil;&otilde;es entre o n&iacute;vel de ju&iacute;zo moral e a delinqu&ecirc;ncia. Na meta-an&aacute;lise conduzida por Stams, Brugman, Dekovic, Rosmalen, van der Laan e Gibbs (2006), pontua&ccedil;&otilde;es mais baixas em tarefas de ju&iacute;zo moral (entre as quais na tarefa que utiliz&aacute;mos), est&atilde;o associadas &agrave; delinqu&ecirc;ncia juvenil. No entanto, antes disso, Valliant, Gauthier, Pottier e Kosmyna (2000) n&atilde;o puderam concluir o mesmo. Dividiram um conjunto de 54 pessoas reclusas em quatro sub-grupos, de acordo com o crime cometido (esses sub-grupos inclu&iacute;am desde violadores, pessoas envolvidas em crimes de incesto, ped&oacute;filos e indiv&iacute;duos que participaram em crimes de delito comum). Constitu&iacute;ram um grupo de controlo, e aplicaram aos participantes um conjunto de testes psicom&eacute;tricos que inclu&iacute;am um teste de intelig&ecirc;ncia n&atilde;o-verbal, o teste  de definir valores morais, entre outros. Os resultados evidenciaram que os violadores e os abusadores de crian&ccedil;as atingiram pontua&ccedil;&otilde;es elevadas no teste definir valores morais. De acordo com os referidos autores, os seus resultados reenviam-nos para a ideia de que as pessoas que cometem estes crimes conservam &#8220;intactas&#8221; as suas capacidades de entender quest&otilde;es de natureza moral, ainda que na sua pr&aacute;tica, ignorem determinados valores sociais. Este estudo, como outros de resto o t&ecirc;m feito (e.g., O&#8217;Kane, Fawcett, &amp;  Blackburn, 1996), questiona no fundo a validade do instrumento que utiliz&aacute;mos para medir o n&iacute;vel de desenvolvimento moral dos participantes, e pode ajudar-nos a perceber os motivos pelos quais n&atilde;o encontr&aacute;mos diferen&ccedil;as entre os nossos grupos de participantes. </p>      <p>No entanto, o que nos parece importante reter &eacute; que, no caso do nosso estudo, al&eacute;m de termos verificado que os nossos participantes constitu&iacute;am apenas um grupo, no que se refere ao n&iacute;vel de ju&iacute;zo moral, os resultados na tarefa de aferi&ccedil;&atilde;o da interpreta&ccedil;&atilde;o das frases condicionais mostram-nos que os indiv&iacute;duos tamb&eacute;m n&atilde;o se distinguem no que se refere &agrave; forma como avaliam as viola&ccedil;&otilde;es das condicionais ligadas a permiss&otilde;es e obriga&ccedil;&otilde;es. Dito de outro modo, independentemente da tarefa de ju&iacute;zo moral ter ou n&atilde;o sido uma alternativa vi&aacute;vel &agrave; operacionaliza&ccedil;&atilde;o das diferentes experi&ecirc;ncias de vida dos nossos participantes, os indiv&iacute;duos reclusos e n&atilde;o reclusos avaliam as frases condicionais de&ocirc;nticas de forma semelhante. </p>      <p>A somar a estes argumentos da literatura mais recente sobre o teste de definir valores morais, que v&atilde;o no sentido de p&ocirc;r em causa a validade da pr&oacute;pria metodologia, n&atilde;o nos parece ainda de ignorar ocorr&ecirc;ncia de um poss&iacute;vel efeito de desejabilidade social. Este fen&oacute;meno, amplamente discutido na psicologia social, consiste basicamente no vi&eacute;s que tem lugar quando os participantes de um determinado estudo respondem, n&atilde;o de acordo com o seu verdadeiro entendimento acerca do que lhes &eacute; perguntado, mas sim de acordo com aquilo que esperam que o experimentador pretende ouvir (e.g., Vala &amp; Monteiro, 2002). O teste de definir valores morais prev&ecirc;, pela forma como est&aacute; constru&iacute;do, que este efeito ocorra, definindo para isso crit&eacute;rios de controlo interno. No entanto, ainda que apenas tenhamos inclu&iacute;do na nossa amostra os indiv&iacute;duos que reuniam estes crit&eacute;rios, como outros testes de fidelidade interna, e que ainda assim tenhamos assegurado o anonimato, o facto da recolha dos dados ter sido feita de forma individual, poder&aacute; n&atilde;o ter impedido que o vi&eacute;s da desejabilidade social estivesse presente. Hains (1984) corroborou esta dimens&atilde;o, ao pedir a dois grupos de participantes (delinquentes e n&atilde;o-delinquentes)  que primeiro respondessem &agrave; tarefa de ju&iacute;zo moral no seu papel e depois, imaginando-se como pol&iacute;cias. Neste &uacute;ltimo cen&aacute;rio obtiveram pontua&ccedil;&otilde;es superiores. Isto levou Krebs e Denton (2005) a referir-se &agrave; componente utilit&aacute;ria associada ao ju&iacute;zo moral. De acordo com estes autores, o racioc&iacute;nio moral assume acima de tudo um valor situacional, havendo nesse sentido contextos que em &eacute; esperado que as pessoas se comportem de acordo com mais ou menos avan&ccedil;ados relativamente ao modelo de Kohlberg, i.e., se ser  bem sucedido no mundo dos neg&oacute;cios &eacute; guiado pelo est&aacute;dio 2 (orienta&ccedil;&atilde;o para a recompensa), n&atilde;o se podendo dizer o mesmo de um casamento, por exemplo, cuja orienta&ccedil;&atilde;o &eacute; claramente baseado na reciprocidade (est&aacute;dio 3). </p>      <p>Outro aspecto que merece ser levado em considera&ccedil;&atilde;o em futuras investiga&ccedil;&otilde;es, prende-se com o desfasamento que pode ter havido entre a abordagem aos conhecimentos envolvidos na avalia&ccedil;&atilde;o que se pedia aos indiv&iacute;duos acerca do que &eacute; permitido ou proibido na tarefa de aferi&ccedil;&atilde;o da interpreta&ccedil;&atilde;o, e as solicita&ccedil;&otilde;es da tarefa de ju&iacute;zo moral. No primeiro caso, tratava-se de uma avalia&ccedil;&atilde;o simples acerca do que &eacute; permiss&iacute;vel ou n&atilde;o permiss&iacute;vel, em determinadas circunst&acirc;ncias mais quotidianas (i.e., regras que regulam a entrada num casino, o consumo de bebidas alco&oacute;licas, etc.), enquanto no segundo se pedia aos indiv&iacute;duos para se posicionarem diante de situa&ccedil;&otilde;es sociais que os obrigavam a reflectir sobre uma tomada de posi&ccedil;&atilde;o justa, de acordo com o seu sistema de valores. Talvez fosse pertinente explorar-se futuramente outras metodologias que se centrem mais sobre os conhecimentos envolvidos nos materiais verbais utilizados de forma mais concreta, na tarefa de aferi&ccedil;&atilde;o da interpreta&ccedil;&atilde;o, e n&atilde;o sobre aspectos metacognitivos para os quais esses conhecimentos reenviam. </p>      <p>No que se refere a outro objectivo explorat&oacute;rio do nosso estudo &#8211; a procura de diferen&ccedil;as entre dois tipos de obriga&ccedil;&otilde;es (viol&aacute;veis e n&atilde;o viol&aacute;veis), os resultados que obtivemos n&atilde;o foram conclusivos. Partindo do corol&aacute;rio da teoria dos modelos mentais, de acordo com o qual, as pessoas representam os seus conhecimentos sob a forma de modelos expl&iacute;citos, o objectivo consistia em perceber se as pessoas, nas condicionais viol&aacute;veis representavam o que era proibido com maior &#8220;sali&ecirc;ncia&#8221;. Esper&aacute;vamos que, a partir das experi&ecirc;ncias de vida de cada grupo de participantes, houvesse diferen&ccedil;as na avalia&ccedil;&atilde;o destes dois tipos de obriga&ccedil;&otilde;es. De facto, tamb&eacute;m aqui n&atilde;o obtivemos diferen&ccedil;as. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Estes resultados obrigam-nos a levantar um determinado conjunto de hip&oacute;teses alternativas. Em primeiro lugar, somos levados a repensar os crit&eacute;rios que nos levaram &agrave; escolha das frases. Em investiga&ccedil;&otilde;es futuras, parece-nos pertinente que a escolha de frases de cada uma das categorias (v. viol&aacute;veis e n&atilde;o viol&aacute;veis), tenha em conta crit&eacute;rios como o da &#8220;violabilidade&#8221;. As frases que utiliz&aacute;mos dentro de cada categoria, i.e., obriga&ccedil;&otilde;es viol&aacute;veis e obriga&ccedil;&otilde;es n&atilde;o viol&aacute;veis, talvez n&atilde;o fossem equivalentes sob ponto de vista da &#8220;violabilidade&#8221;, a saber: com que seguran&ccedil;a se pode afirmar que a regra viol&aacute;vel de conduzir com menos de 18 anos &eacute; mais f&aacute;cil de violar do que comprar bebidas com menos de 16 anos? Ou, dentro das condicionais inviol&aacute;veis, jogar no casino com menos de 18 anos &eacute; mais facilmente viol&aacute;vel que votar com menos de 18 anos? Nesse sentido, propomos que, em estudos futuros, a escolha das obriga&ccedil;&otilde;es tenha em conta este aspecto, pedindo-se, por exemplo, ao n&iacute;vel de um pr&eacute;-teste, que as pessoas que avaliem o &iacute;ndice de violabilidade das frases, para depois se operar uma triagem pr&eacute;via. </p>      <p>Por outro lado, consideramos igualmente importante, que as condicionais de&ocirc;nticas se inscrevam de uma forma mais representativa naquilo que s&atilde;o as representa&ccedil;&otilde;es da generalidade dos indiv&iacute;duos estudados. Uma pessoa condenada por mais de cinco anos, por ter cometido um homic&iacute;dio involunt&aacute;rio n&atilde;o ter&aacute; seguramente a mesma representa&ccedil;&atilde;o da viola&ccedil;&atilde;o de determinados preceitos de&ocirc;nticos que outra pessoa que se encontra a aguardar julgamento em pris&atilde;o preventiva por furto agravado ou tr&aacute;fico de estupefacientes. No futuro, talvez fosse pertinente efectuar um levantamento daquilo que, para cada grupo de participantes, representa efectivamente, a viola&ccedil;&atilde;o de um preceito de&ocirc;ntico. Consideramos importante acrescentar que, tendo em conta esta fonte de variabilidade, numa fase preliminar da prepara&ccedil;&atilde;o deste estudo, conjectur&aacute;mos a possibilidade de escolher os indiv&iacute;duos reclusos, de acordo com o tipo de il&iacute;cito cometido, mas isso veio a revelar-se insustent&aacute;vel em termos log&iacute;sticos. Com o objectivo de controlarmos os n&iacute;veis de escolaridade dos participantes reclusos, tivemos de nos circunscrever aos indiv&iacute;duos volunt&aacute;rios com o n&iacute;vel igual ou superior ao 9.&ordm; ano de escolaridade. Ora, dada a escassez de pessoas que reunissem estes pr&eacute;-requisitos, nos dois estabelecimentos prisionais em que tivemos autoriza&ccedil;&atilde;o para trabalhar, tivemos que nos sujeitar ao baixo n&uacute;mero de pessoas que reuniam tais condi&ccedil;&otilde;es, independentemente do motivo que as tinha conduzido ao sistema prisional. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>REFER&Ecirc;NCIAS</p>      <p>Beller, S. (2008). Deontic norms, deontic reasoning, and deontic conditionals. <i>Thinking &amp; Reasoning, 14(4</i>), 305-341. </p>      <p>Bryman, A., &amp; Cramer, D. (2003). <i>An&aacute;lise de dados em ci&ecirc;ncias sociais: Introdu&ccedil;&atilde;o &agrave;s t&eacute;cnicas utilizando o SPSS para o Windows </i>(3&ordf; ed.).  (Original publicado em 2001) </p>      <p>Bucciarelli, M., &amp; Johnson-Laird, P. N. (2005). Na&iuml;ve deontics: A theory of meaning, representation and reasoning. <i>Cognitive Psychology, 50</i>, 159-193. </p>      <p>Byrne, R. M. J. (2005). <i>The rational imagination: How people create alternatives to reality</i>. Cambridge: MIT Press. </p>      <p>Cheng, P. W., &amp; Holyoak, K. J. (1985). Pragmatic reasoning schemas. <i>Cognitive Psychology, 17</i>, 391-416. </p>      <p>Colby, A., &amp; Kohlberg, L. (1987). <i>The measurement of moral judgment</i>. Cambridge [Cambridgeshire]: Cambridge  University Press. </p>      ]]></body>
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<body><![CDATA[<p><i>Conte&uacute;dos e Tipos de Interpreta&ccedil;&atilde;o das Frases Condicionais</i></p>      <p><b>1 &#8211; Interpreta&ccedil;&atilde;o Condicional (<i>a c; &not;a c; &not;a &not;c</i>) </b></p>      <p><i>&nbsp; &nbsp;&nbsp;Condicionais epist&eacute;micas </i></p>      <p>&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;1 &#8211; Se o animal for um urso, ent&atilde;o tem p&ecirc;lo.</p>      <p>&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;2 &#8211; Se o animal for um melro, ent&atilde;o tem penas. </p>      <p><i>&nbsp; &nbsp;&nbsp;Obriga&ccedil;&otilde;es Viol&aacute;veis </i></p>      <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;1 &#8211; Se o jovem conduzir, ent&atilde;o tem de ter carta de condu&ccedil;&atilde;o.</p>      <p>&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;2 &#8211; Se o jovem comprar bebidas alco&oacute;licas, ent&atilde;o tem de ter completado 16 anos.</p>      <p><i>&nbsp;&nbsp; &nbsp;Obriga&ccedil;&otilde;es Inviol&aacute;veis </i></p>      <p>&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;1 &#8211; Se o jovem votar, ent&atilde;o tem de ter completado 18 anos.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;2 &#8211; Se o jovem jogar no casino, ent&atilde;o tem de ter completado 18 anos.</p>      <p><b>2 &#8211; Interpreta&ccedil;&atilde;o Capacitante (<i>a c; a &not;c; &not;a &not;c</i>) </b></p>      <p><i>&nbsp;&nbsp; &nbsp;Permiss&otilde;es </i></p>      <p>&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;1 &#8211; Se o senhor for m&eacute;dico, ent&atilde;o pode passar receitas.</p>      <p>&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;2 &#8211; Se a senhora est&aacute; gr&aacute;vida, ent&atilde;o pode pagar na caixa exclusiva para gr&aacute;vidas.</p>      <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>      <p><a href="#topa2">ANEXO B</a><a name="a2"></a></p>      <p><i>Teste de Definir Valores Morais (Rest, 1986a,b) adaptado para a l&iacute;ngua portuguesa por Louren&ccedil;o e C&eacute;sar (1991)</i></p>      <p align="center">HENRIQUE E O MEDICAMENTO</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Num pa&iacute;s da Europa, uma mulher estava a morrer de cancro. Havia, por&eacute;m, um medicamento que, segundo os m&eacute;dicos, podia salv&aacute;-la. Era um medicamento inventado recentemente por um farmac&ecirc;utico da cidade onde residia essa mulher. Ficou muito caro produzir o medicamento, mas o farmac&ecirc;utico levava dez vezes mais do que lhe tinha custado a sua produ&ccedil;&atilde;o. Custou-lhe 250 Euros e ele pedia 2500 Euros por uma pequena dose de medicamento. Henrique, o marido da mulher doente, foi ter com as pessoas que conhecia para lhe emprestarem dinheiro, mas apenas conseguiu juntar 1250 Euros, metade do dinheiro que o farmac&ecirc;utico pedia. Disse ent&atilde;o ao farmac&ecirc;utico que a sua mulher estava a morrer e pediu-lhe que vendesse o medicamento mais barato, ou que o deixasse pagar mais tarde. Mas o farmac&ecirc;utico disse: &#8216;N&atilde;o! Inventei o medicamento e quero ganhar dinheiro com ele&#8221;. O Henrique ficou desesperado e come&ccedil;ou a pensar assaltar a farm&aacute;cia para roubar o medicamento para a sua mulher. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p><i>Deveria o Henrique roubar o medicamento? </i></p>      <p>Assinale com uma cruz a sua escolha </p> <img src="/img/revistas/aps/v28n4/28n4a04q1.gif">      
<p>&nbsp;</p>      <p>NOTAS</p>      <p>Agradecimentos: &Agrave; Funda&ccedil;&atilde;o para a Ci&ecirc;ncia e Tecnologia &#8211; FCT, por ter parcialmente subsidiado esta investiga&ccedil;&atilde;o. </p>      <p><sup><a href="#top1">1</a><a name="1"></a>&nbsp; </sup>Apesar do primeiro conjunto    de hip&oacute;teses em estudo resultar do tipo de interpreta&ccedil;&atilde;o    das frases condicionais (i.e., Capacitante e Condicional) na amostra total,    e por esse motivo n&atilde;o tomar em considera&ccedil;&atilde;o, por agora,    o facto dos indiv&iacute;duos serem ou n&atilde;o reclusos, opt&aacute;mos ainda    assim por apresentar, em separado, os resultados dos dois grupos de participantes.    Pretendemos com esta op&ccedil;&atilde;o, proporcionar uma vis&atilde;o de conjunto    dos resultados da nossa amostra. No entanto, as an&aacute;lises inferenciais    que apresentaremos em seguida incidir&atilde;o sobre a amostra total (i.e.,    <i>n</i>=60). </p>      <p><sup><a href="#top2">2</a><a name="2"></a></sup> Tal como aconteceu para a    tarefa da aferi&ccedil;&atilde;o da interpreta&ccedil;&atilde;o, opt&aacute;mos    por apresentar em separado os resultados dos dois grupos que participaram no    nosso estudo para uma vis&atilde;o mais abrangente. No entanto, as an&aacute;lises    inferenciais que apresentaremos nesta sec&ccedil;&atilde;o ter&atilde;o em conta    a dimens&atilde;o total da amostra (<i>n</i>=60).</p>       ]]></body><back>
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<surname><![CDATA[Guerreiro]]></surname>
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<surname><![CDATA[Quelhas]]></surname>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Memória do trabalho e raciocínio silogístico: Estudo exploratório de novas medidas.]]></article-title>
<source><![CDATA[Análise Psicológica]]></source>
<year>2006</year>
<volume>XXIV</volume>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Teste de definir valores morais de James Rest: Pode ser usado na investigação moral portuguesa?]]></article-title>
<source><![CDATA[Análise Psicológica]]></source>
<year>1991</year>
<volume>IX</volume>
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