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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The purpose of this study is to understand the parental behavior towards to congenital heart disease. The participants of this study are 14 mothers e 2 dads (both parents were present in 2 interviews) of children diagnosed with congenital heart disease, with ages between 21 days and 13 years. Based on Grounded Theory, fourteen semi-structured interviews were analyzed, which five of them belongs to a previous study (Barroca, 2003). Since diagnose is communicated, the parents and family life is altered, becoming their primary worry the fear of children&#8217;s death related to the uncertainty of diagnose. Being surgery incident at this study, the possibility of persistent symptoms or the necessity of new surgery, promotes a felling of threat to the parental confidence, conducing to a suspended parenthood, centered at the children&#8217;s disease.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Cardiopatia congénita]]></kwd>
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<kwd lng="en"><![CDATA[Parental behavior]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>Comportamento parental face &agrave; cardiopatia cong&eacute;nita</b></p>      <p>&nbsp;</p>      <p>Sandra Sim&otilde;es (*), Ant&oacute;nio Pires (*), Ana Barroca (*)</p>      <p>&nbsp;</p>      <p>(*) ISPA-IU, Rua Jardim do Tabaco, 34, 1149-041 Lisboa; E-mail: <a href="mailto:simoes.sc@gmail.com">simoes.sc@gmail.com</a>  </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>RESUMO</p>      <p>O objectivo deste estudo &eacute; compreender o comportamento parental face &agrave; cardiopatia cong&eacute;nita. Os participantes deste estudo s&atilde;o 14 m&atilde;es e 2 pais (em duas entrevistas estavam presentes pai e m&atilde;e) de crian&ccedil;as com diagn&oacute;stico de cardiopatia cong&eacute;nita, com idades compreendidas entre os 21 dias e os 13 anos. Baseado no m&eacute;todo <i>Grounded Theory, </i>analisaram-se catorze entrevistas semi-estruturadas, sendo cinco entrevistas pertencentes a um estudo anterior (Barroca, 2003). Desde que &eacute; comunicado o diagn&oacute;stico de cardiopatia cong&eacute;nita num filho, a vida destes pais e de quem os rodeia, altera-se, tornando-se a sua preocupa&ccedil;&atilde;o principal o medo da morte da crian&ccedil;a pela incerteza do diagn&oacute;stico. Uma vez que a interven&ccedil;&atilde;o cir&uacute;rgica &eacute; incidente neste estudo, a possibilidade de persist&ecirc;ncia de sintomas ou a necessidade de nova interven&ccedil;&atilde;o cir&uacute;rgica, promove um sentimento de amea&ccedil;a &agrave; confian&ccedil;a parental, que conduz a uma parentalidade suspensa,  centrada na doen&ccedil;a da crian&ccedil;a. </p>      <p><i>Palavras chave: </i>Cardiopatia cong&eacute;nita, Comportamento parental, Doen&ccedil;a cr&oacute;nica, <i>Grounded theory. </i></p>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>ABSTRACT</p>      <p>The purpose of this study is to understand the parental behavior towards to congenital heart disease. The participants of this study are 14 mothers e 2 dads (both parents were present in 2 interviews) of children diagnosed with congenital heart disease, with ages between 21 days and 13 years. Based on <i>Grounded Theory</i>, fourteen semi-structured interviews were analyzed, which five of them belongs to a previous study (Barroca, 2003). Since diagnose is communicated, the parents and family life is altered, becoming their primary worry the fear of children&#8217;s death related to the uncertainty of diagnose. Being surgery incident at this study, the possibility of persistent symptoms or the necessity of new surgery, promotes a felling of threat to the parental confidence, conducing to a suspended parenthood, centered at the children&#8217;s disease. </p>      <p><i>Key words: </i>Chronic disease, Congenital heart disease, <i>Grounded theory, </i>Parental behavior. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>Cardiopatias cong&eacute;nitas s&atilde;o defeitos estruturais do cora&ccedil;&atilde;o (Santos, 1997), e representam as malforma&ccedil;&otilde;es graves mais frequentes que se manifestam no rec&eacute;m-nascido contribuindo, significativamente, para a mortalidade perinatal  (Magalh&atilde;es &amp; Nunes, 2000). A incid&ecirc;ncia de cardiopatia cong&eacute;nita na popula&ccedil;&atilde;o &eacute; de 5  a 12 por mil nados vivos, sendo que, em Portugal, esta patologia &eacute; a mais frequente entre as malforma&ccedil;&otilde;es cong&eacute;nitas, tendo-se verificado nos &uacute;ltimos anos uma diminui&ccedil;&atilde;o de &oacute;bitos no 1&ordm; ano de vida, de 11,5% em 2000 para 8,7% em 2004, face &agrave; melhoria dos cuidados de sa&uacute;de e diagn&oacute;stico precoce, bem como, nos resultados da cirurgia card&iacute;aca neonatal (Direc&ccedil;&atilde;o-Geral de Sa&uacute;de, 2006), o que permite que um n&uacute;mero cada vez mais elevado de crian&ccedil;as nascidas com cardiopatia cong&eacute;nita possa viver com condi&ccedil;&otilde;es f&iacute;sicas que tornam poss&iacute;vel uma boa qualidade de vida. </p>      <p>Quanto &agrave; sua severidade, podem progredir favoravelmente com o crescimento f&iacute;sico da crian&ccedil;a, ou podem obrigar a tratamento cl&iacute;nico e/ou cir&uacute;rgico sem os quais a crian&ccedil;a morrer&aacute; nos primeiros anos de vida. As cardiopatias cong&eacute;nitas podem ser relativamente assintom&aacute;ticas, o que permite &agrave; crian&ccedil;a um bom n&iacute;vel de desenvolvimento e um estilo de vida normal ou, sintom&aacute;ticas, envolvendo perdas de funcionalidade da crian&ccedil;a e atrasos no desenvolvimento f&iacute;sico, psicomotor (Dittrich, Buhrer,  Grimmer, Dittrich, Abdul-Khaliq, &amp; Lange, 2003) e cognitivo (Wray &amp; Sensky, 2001), salientando-se um maior ou menor grau de cianose, a baixa resist&ecirc;ncia f&iacute;sica e crises de dispneia (Santos, 1997). </p>      <p>A &#8220;repara&ccedil;&atilde;o&#8221; do defeito card&iacute;aco realizada o mais cedo poss&iacute;vel e, consequentemente, a restaura&ccedil;&atilde;o do funcionamento fisiol&oacute;gico normal, n&atilde;o s&oacute; torna poss&iacute;vel uma maior oxigena&ccedil;&atilde;o sangu&iacute;nea, como permite &agrave; crian&ccedil;a interagir com o meio sem os condicionalismos da doen&ccedil;a e, aos pais a possibilidade de mais rapidamente assistirem ao desenvolvimento f&iacute;sico normal dos seus filhos, o que serve de contraposi&ccedil;&atilde;o &agrave; significa&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a como &#8220;doente&#8221; ou &#8220;defeituosa&#8221; (Cohen, 1992; Heineman de Boer,  1980; Newburger et al., 1984, cit. por Santos, 1997). Contudo, a maioria dos pais mant&eacute;m a imagem da crian&ccedil;a doente e fr&aacute;gil que a qualquer momento pode ter uma crise e morrer (Finkel, 2000). </p>      <p>Monteiro (2003) observou casos em que se percebia uma incompatibilidade entre a situa&ccedil;&atilde;o real da crian&ccedil;a (condi&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica e f&iacute;sica) e os sentimentos e atitudes da m&atilde;e. Quando a cardiopatia cong&eacute;nita era corrigida, por exemplo, era comum observar a dificuldade das m&atilde;es em se libertarem da imagem estigmatizada de que os seus filhos continuavam doentes e que, por isso, ainda precisavam de limites e cuidados especiais. Segundo o autor, esta rela&ccedil;&atilde;o repercutia-se negativamente no desenvolvimento da crian&ccedil;a. Por outro lado havia m&atilde;es que, a despeito da gravidade da doen&ccedil;a do filho, eram capazes de propiciar um ambiente acolhedor e facilitador para que as potencialidades da crian&ccedil;a se pudessem desenvolver. Estudos anteriores por Aguiar, Lauritzen, Melo, Azevedo e Assun&ccedil;&atilde;o (2003) salientam que os principais sentimentos despertados nas m&atilde;es de crian&ccedil;as com doen&ccedil;a card&iacute;aca cong&eacute;nita eram o medo, a tristeza e a ansiedade, tendo Giannotti (1996, cit. por Aguiar et al., 2003) observado que o diagn&oacute;stico significava a senten&ccedil;a irrevog&aacute;vel da morte dos seus filhos e esta fantasia se sobrepunha &agrave; realidade da informa&ccedil;&atilde;o m&eacute;dica sobre a cardiopatia, de que ela poderia ser  tratada e curada pela cirurgia. Finkel (2000), sugere a exist&ecirc;ncia de um sentimento de culpa na m&atilde;e por ter gerado uma crian&ccedil;a com &#8220;defeito&#8221; no cora&ccedil;&atilde;o, o que poderia ferir o narcisismo da m&atilde;e. Uma vez que muitas destas crian&ccedil;as, mesmo ap&oacute;s cirurgia, continuam a necessitar por tempo prolongado de assist&ecirc;ncia m&eacute;dica de tratamento qu&iacute;mico de apoio e muitas vezes de novas interven&ccedil;&otilde;es cir&uacute;rgicas, o diagn&oacute;stico de &#8220;crian&ccedil;a normal&#8221; mas que mant&eacute;m prova da doen&ccedil;a na cicatriz, e que necessita de acompanhamento m&eacute;dico regular, &eacute; para a maioria dos pais muito dif&iacute;cil de entender, levantando d&uacute;vidas acerca das limita&ccedil;&otilde;es e possibilidades de autonomia do seu filho (Santos, 2000). </p>      <p>Para Davis (1992, cit. por Santos, 2000) os pais constroem cren&ccedil;as ou interpreta&ccedil;&otilde;es acerca da crian&ccedil;a e do seu processo de desenvolvimento da sua doen&ccedil;a e sa&uacute;de, e mesmo de si pr&oacute;prios como educadores, ou como capazes de confrontar situa&ccedil;&otilde;es problem&aacute;ticas. Estas cren&ccedil;as determinam as atitudes educativas e a pr&oacute;pria reac&ccedil;&atilde;o parental &agrave; doen&ccedil;a e tratamento do seu filho, condicionando a adapta&ccedil;&atilde;o mais ou menos positiva da crian&ccedil;a &agrave; sua situa&ccedil;&atilde;o. Segundo os estudos de Stephen Lawoko (2007), se os pais percepcionarem a doen&ccedil;a como severa, independentemente do diagn&oacute;stico ou traject&oacute;ria da doen&ccedil;a, ent&atilde;o &eacute; suscept&iacute;vel de afectar o seu bem-estar negativamente. Menahem, Poulakis e Prior (2008), referem que crian&ccedil;as de pais com uma percep&ccedil;&atilde;o mais optimista do seu funcionamento parecem obter melhores resultados e viver melhor com as expectativas parentais.</p>      <p>O comportamento da crian&ccedil;a com cardiopatia cong&eacute;nita depende, n&atilde;o tanto do tipo de cardiopatia ou da severidade da doen&ccedil;a, mas da forma como a crian&ccedil;a reage e se adapta &agrave; sua situa&ccedil;&atilde;o (Casey et al., 1996; Hamlett, 1992; Perrin et al.,  1993; Utens et al., 1993, cit. por Santos, 1997). Esta adapta&ccedil;&atilde;o depende do est&aacute;dio de desenvolvimento da crian&ccedil;a, e especialmente, das estrat&eacute;gias de &#8220;coping&#8221; dos pais e das suas atitudes educativas (DeMaso et al., 1991; Shapiro, 1983; Spurkland et al., 1993, cit. por Santos, 1997). Tak e McCubbin (2002) postulam que as caracter&iacute;sticas da crian&ccedil;a e da fam&iacute;lia surgem como preditores importantes da percep&ccedil;&atilde;o de suporte social e da adapta&ccedil;&atilde;o parental &agrave; doen&ccedil;a. A percep&ccedil;&atilde;o de baixo apoio social e a hospitaliza&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a constituem melhores preditores dos n&iacute;veis de sintomas depressivos das m&atilde;es (Mulherm, Fairclough, Smith, &amp; Douglas, 1992, cit. por Santos, 1998) enquanto o funcionamento familiar, o apoio social materno, a presen&ccedil;a de doen&ccedil;a cr&oacute;nica e as caracter&iacute;sticas individuais dos pais (Wray &amp; Sensky, 2004) se relacionam com o ajustamento psicol&oacute;gico da crian&ccedil;a (Hamlett, Pellegrini, &amp; Katz,  1992, cit. por Santos, 1998). </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Davis, Brown, Bakeman e Campbell (1998) referem que o ajustamento maternal est&aacute; associado com altos n&iacute;veis de stress di&aacute;rio e t&eacute;cnicas de &#8220;coping&#8221; e n&atilde;o com a severidade da malforma&ccedil;&atilde;o card&iacute;aca. Outros estudos constatam que as crian&ccedil;as com doen&ccedil;a card&iacute;aca cong&eacute;nita apresentavam uma rela&ccedil;&atilde;o de vincula&ccedil;&atilde;o insegura com as m&atilde;es (Goldberg et al., 1995, cit. por Santos, 1997) e n&iacute;veis mais baixos de afecto positivo (Gardner, Freeman, Black, &amp; Angelini, 1996). Segundo Lawoko e Soares (2002), Wray e Sensky (2004), os pais de crian&ccedil;as com doen&ccedil;a card&iacute;aca cong&eacute;nita tendem a experienciar um maior n&iacute;vel de stress e desespero do que pais de outros grupos, com n&iacute;veis mais elevados nas m&atilde;es. Contrariamente, Spijkerboer, Helbing,  Bogers, Domburg, Verhulst e Utens (2007), referem baixos n&iacute;veis de stress (sintomas som&aacute;ticos, ansiedade, dificuldades em dormir e depress&atilde;o) em pais de crian&ccedil;as com doen&ccedil;a card&iacute;aca cong&eacute;nita comparativamente com outros grupos. </p>      <p>No que respeita &agrave; interven&ccedil;&atilde;o psicol&oacute;gica, Finkel (2000) refere que &eacute; preciso ajudar a m&atilde;e e a fam&iacute;lia a elaborar esta dif&iacute;cil realidade, e ajudar a crian&ccedil;a a enfrentar as situa&ccedil;&otilde;es de internamento, procedimentos, exames e cirurgias a que dever&aacute; ser submetida, atrav&eacute;s de prepara&ccedil;&atilde;o psicol&oacute;gica, sempre incluindo a fam&iacute;lia, incentivando a participa&ccedil;&atilde;o do pai e oferecendo apoio durante o internamento, promovendo a ades&atilde;o ao tratamento cardiol&oacute;gico. </p>      <p>Torna-se, ent&atilde;o, pertinente reflectir acerca do impacto e repercuss&otilde;es de ter uma crian&ccedil;a diagnosticada com cardiopatia cong&eacute;nita, dado esta se revelar uma situa&ccedil;&atilde;o de risco para a crian&ccedil;a, os pais e toda a fam&iacute;lia. Tendo em conta os escassos estudos e literatura acerca desta realidade, e principalmente, das viv&ecirc;ncias particulares destes pais, procura-se construir um modelo explicativo emergente da realidade encontrada, baseado no m&eacute;todo da <i>Grounded Theory, </i>constituindo-se como uma reflex&atilde;o para a interven&ccedil;&atilde;o com estas fam&iacute;lias, e contribuir para um melhor ajustamento e adapta&ccedil;&atilde;o dos pais e da crian&ccedil;a &agrave; doen&ccedil;a card&iacute;aca cong&eacute;nita. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>M&Eacute;TODO</p>      <p><i>Participantes</i></p>      <p>Os participantes deste estudo com idades compreendidas entre os 23 e os 47 anos, s&atilde;o 14 m&atilde;es e 2 pais  (num total de 14 entrevistas, sendo que, em 2 entrevistas, estavam presentes pai e m&atilde;e) de crian&ccedil;as com cardiopatia cong&eacute;nita, sendo cinco das entrevistas pertencentes a um estudo realizado por Barroca (2003). As crian&ccedil;as tinham, no momento da entrevista, idades compreendidas entre os 21 dias e os 13 anos. Havia dois pais com antecedentes de doen&ccedil;a card&iacute;aca. Quanto ao momento em que os pais receberam o diagn&oacute;stico de cardiopatia cong&eacute;nita no beb&eacute; verificam-se tr&ecirc;s situa&ccedil;&otilde;es: (a) durante a gravidez (3 m&atilde;es); (b) nas primeiras 48 horas de vida do beb&eacute; (6 m&atilde;es); (c) nos primeiros meses de vida (5 m&atilde;es), quando o beb&eacute; come&ccedil;ou a apresentar sinais e sintomas da doen&ccedil;a. Relativamente &agrave; cirurgia card&iacute;aca, todas as crian&ccedil;as foram submetidas a cirurgia, excepto uma. Quanto ao tempo de cirurgia e internamento verificou-se: Entrevista 1, submetida a 1&ordf; cirurgia nas primeiras semanas de vida, e a 2&ordf; e 3&ordf; cirurgias, por volta dos 12 meses; entrevista 2, operada com 15 dias de vida; entrevista 3, operada pela 1&ordf; vez durante as primeiras 48 horas de vida e aos 7 meses; entrevista 4, operada aos 7 anos; entrevista 5, operada aos 9 meses; entrevista 6, operada com 3 anos; entrevista 7, operada aos 2 meses e posteriormente, com 11 anos; entrevista 8, operada aos 3 e aos 6 meses; entrevista 9, operada pela 1&ordf; vez durante os primeiros dias de vida e posteriormente submetida a mais duas cirurgias, tendo a &uacute;ltima, ocorrido aos 3 anos; entrevista 10, submetida a 2 cateterismos, n&atilde;o tendo  sido necess&aacute;rio ser submetida a cirurgia; entrevista 11, operada por volta dos 4 meses; entrevista 12, operada com 21 dias de vida; entrevista 13, operada com 7 dias de vida; entrevista 14, internada com 12 dias de vida, no entanto, somente mais tarde, &eacute; submetida a duas cirurgias, por volta dos 7 meses. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p><i>Procedimento</i></p>      <p>As entrevistas foram realizadas nos Servi&ccedil;os de Cardiologia Pedi&aacute;trica do Hospital da Cruz Vermelha e do Hospital de Santa Marta. Os participantes foram informados acerca dos objectivos do estudo, bem como da import&acirc;ncia da sua colabora&ccedil;&atilde;o, sendo assegurada a confidencialidade e o anonimato, obteve-se o seu consentimento informado e as entrevistas foram gravadas. O tipo de entrevista utilizado foi semi-estruturada, com quest&otilde;es abertas, permitindo uma recolha de dados qualitativos necess&aacute;rios &agrave; constru&ccedil;&atilde;o do modelo. As quest&otilde;es eram elaboradas conforme o discurso dos pais, existindo apenas uma quest&atilde;o base, incentivando o m&aacute;ximo de liberdade para falar acerca desta tem&aacute;tica: &#8220;Como tem sido ser m&atilde;e/pai do(a) (nome da crian&ccedil;a)?&#8221;. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p><i>An&aacute;lise de dados </i></p>      <p>As entrevistas foram recolhidas na sua totalidade, por constrangimentos de tempo, e posteriormente procedeu-se &agrave; sua transcri&ccedil;&atilde;o e an&aacute;lise de acordo com o m&eacute;todo qualitativo <i>Grounded Theory </i>(Glaser &amp; Strauss, 1967; Pires, 2001; Strauss &amp; Corbin, 1998). Os dados foram codificados, categorizados e comparados entre si, estabelecendo-se rela&ccedil;&otilde;es entre as categorias emergentes da sua an&aacute;lise. O processo de an&aacute;lise iniciou-se com a codifica&ccedil;&atilde;o aberta, denominando-se cada incidente, na margem da frase ou par&aacute;grafo correspondente, atribuindo-se uma categoria conceptual. A compara&ccedil;&atilde;o dos incidentes respeitantes a uma mesma categoria, permitiu perceber as suas propriedades, surgindo algumas das rela&ccedil;&otilde;es existentes entre as diferentes categorias (codifica&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica), pelo que se procedeu &agrave; escrita de memorandos, que as definem e relacionam. Desta forma, assistiu-se &agrave; emerg&ecirc;ncia do processo social b&aacute;sico ou categoria central, revelando-se esta como forma de resolu&ccedil;&atilde;o da sua preocupa&ccedil;&atilde;o principal. A codifica&ccedil;&atilde;o selectiva ocorre, ent&atilde;o, pela selec&ccedil;&atilde;o e integra&ccedil;&atilde;o de categorias e propriedades relacionadas com a categoria central, colocando-se de parte a informa&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o apresentasse esta rela&ccedil;&atilde;o. Finalmente, juntaram-se todos os memorandos, de forma a serem analisados, procedendo-se &agrave; constru&ccedil;&atilde;o de um modelo explicativo do comportamento parental face &agrave; cardiopatia cong&eacute;nita, constru&iacute;do a partir dos dados na rela&ccedil;&atilde;o com a categoria central. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>RESULTADOS</p>      <p>Da an&aacute;lise dos dados recolhidos atrav&eacute;s de entrevistas, construiu-se um modelo te&oacute;rico explicativo do Comportamento Parental face &agrave; Cardiopatia Cong&eacute;nita,  que se encontra esquematizado na Figura 1. Para a constru&ccedil;&atilde;o deste modelo encontrou-se uma categoria central ou processo social b&aacute;sico &#8211; <i>Centrada na Doen&ccedil;a </i>&#8211;, estrat&eacute;gia utilizada pelos pais da crian&ccedil;a com cardiopatia cong&eacute;nita, como forma de resolu&ccedil;&atilde;o da sua preocupa&ccedil;&atilde;o principal, o <i>medo da morte da crian&ccedil;a </i>associado &agrave; <i>incerteza </i>do diagn&oacute;stico. A parentalidade centrada na doen&ccedil;a, mais do que na crian&ccedil;a, parece melhor explicar o comportamento dos pais de crian&ccedil;as diagnosticadas com cardiopatia cong&eacute;nita. Para uma melhor compreens&atilde;o, estruturou-se o modelo em tr&ecirc;s fases: diagn&oacute;stico, internamento e vida p&oacute;s-operat&oacute;ria. N&atilde;o obstante, a possibilidade do reviver da situa&ccedil;&atilde;o face a novas interven&ccedil;&otilde;es cir&uacute;rgicas.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p>FIGURA 1</p>      <p><i>Esquema do modelo te&oacute;rico acerca do comportamento parental face &agrave; cardiopatia cong&eacute;nita</i></p> <img src="/img/revistas/aps/v28n4/28n4a05f1.gif">      
<p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A not&iacute;cia de que o seu filho tem uma cardiopatia cong&eacute;nita (<i>diagn&oacute;stico</i>) &eacute; totalmente inesperada e assustadora, sentida como uma &#8220;queda&#8221; pois o mundo &#8220;desaba&#8221;, originando um estado de medo e p&acirc;nico nos pais e em toda a fam&iacute;lia. Esse estado que parece nunca passar totalmente, reveste-se de um enorme desespero, ang&uacute;stia, sofrimento, e por vezes, revolta e culpa (<i>sentimentos face ao diagn&oacute;stico</i>), principalmente, quando existem antecedentes de doen&ccedil;a card&iacute;aca num dos pais. Nos casos em que se conhece o <i>diagn&oacute;stico durante a gravidez, nas primeiras horas ou dias de vida do beb&eacute;</i>, este &eacute; encaminhado de imediato para a especialidade de cardiologia, sendo internado, e eventualmente, submetido a interven&ccedil;&atilde;o cir&uacute;rgica nas primeiras 48 horas de vida, ou durante as primeiras semanas subsequentes. Nesta fase inicial, em que as m&atilde;es mergulhadas num estado psicol&oacute;gico que as torna mais sens&iacute;veis a experi&ecirc;ncias emocionais, e neste sentido, mais fr&aacute;geis (<i>fragilidade p&oacute;s-parto</i>), sentem-se abatidas, com pouca for&ccedil;a e coragem para enfrentar a situa&ccedil;&atilde;o, vivem momentos de dor e tristeza e passam a temer constantemente pela vida dos seus filhos, ainda muito fr&aacute;geis, numa permanente incerteza do que poder&aacute; suceder. Por outro lado, encontram-se as m&atilde;es que souberam do <i>diagn&oacute;stico nos primeiros meses </i>de vida do beb&eacute;, quando este come&ccedil;ou a apresentar sinais e <i>sintomas da doen&ccedil;a</i>, como por exemplo, cansa&ccedil;o, dificuldades na suc&ccedil;&atilde;o, baixo peso, dificuldades respirat&oacute;rias, &#8220;apar&ecirc;ncia roxa&#8221; (cianose), principalmente nas m&atilde;os e nos l&aacute;bios, e uma maior facilidade para contrair infec&ccedil;&otilde;es, como otites, constipa&ccedil;&otilde;es, alergias. Apesar de um diagn&oacute;stico tardio, estas m&atilde;es enfrentam os mesmos problemas e receios das m&atilde;es que souberam precocemente do diagn&oacute;stico, verificando-se, no entanto, um aumento do medo da separa&ccedil;&atilde;o e da <i>reac&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a &agrave; doen&ccedil;a</i>, pelo facto de ter mais idade, tornando-se mais dif&iacute;cil a sua adapta&ccedil;&atilde;o &agrave; hospitaliza&ccedil;&atilde;o e suas condicionantes. Em alguns casos, dado o diagn&oacute;stico tardio, os pais sentem-se revoltados e desconfiados, culpabilizando os t&eacute;cnicos de sa&uacute;de que <i>n&atilde;o tendo detectado o diagn&oacute;stico </i>precocemente, possam ter colocado a vida do seu beb&eacute; em maior risco, agravando o choque e o medo destes pais. </p>      <p>O <i>internamento </i>implica, na maior parte das situa&ccedil;&otilde;es, momentos de separa&ccedil;&atilde;o entre a m&atilde;e e o beb&eacute; (<i>separa&ccedil;&atilde;o m&atilde;e-beb&eacute;</i>) o que acarreta uma enorme ang&uacute;stia para estas m&atilde;es, gerando o p&acirc;nico e um enorme sentimento de perda, num vazio que lhes &eacute; intoler&aacute;vel. Sentem-se impotentes e culpadas, por n&atilde;o conseguirem proteger o seu beb&eacute; de t&atilde;o dura realidade. Este vazio intensifica-se, quando uma m&atilde;e n&atilde;o pode acompanhar o seu beb&eacute;, que lhe &eacute; retirado ainda na maternidade, dada a severidade do quadro cl&iacute;nico da crian&ccedil;a, podendo conduzir a sentimentos de nega&ccedil;&atilde;o e rejei&ccedil;&atilde;o do seu papel de m&atilde;e, perante a vis&atilde;o de um ber&ccedil;o vazio. Percebe-se, desta forma, que o internamento gera um enorme sofrimento e ansiedade para os pais, pela permanente incerteza do que poder&aacute; suceder. Indubitavelmente, a <i>cirurgia </i>&eacute; um dos piores momentos para os pais, envoltos na expectativa de que o beb&eacute; possa n&atilde;o resistir, desconfiam e revelam dificuldade em acreditar no sucesso da interven&ccedil;&atilde;o cir&uacute;rgica e nas melhoras da condi&ccedil;&atilde;o de sa&uacute;de da crian&ccedil;a. O internamento &eacute; sentido como asfixiante, impressiona, sensibiliza e intimida os pais, confrontando-os com a vis&atilde;o de uma realidade t&atilde;o dolorosa, leva-os a ganhar consci&ecirc;ncia (<i>consciencializa&ccedil;&atilde;o</i>), ao verem n&atilde;o s&oacute; a situa&ccedil;&atilde;o e sofrimento do seu filho, mas tamb&eacute;m de outras crian&ccedil;as com doen&ccedil;a card&iacute;aca cong&eacute;nita. Por vezes, podem assistir &agrave; morte de outras crian&ccedil;as, efectuando <i>compara&ccedil;&otilde;es </i>que podem agravar o seu sofrimento e aumentar a sua preocupa&ccedil;&atilde;o, ansiedade e receio pelo estado de sa&uacute;de do seu beb&eacute;, por outro lado, poder&aacute; promover uma desdramatiza&ccedil;&atilde;o e <i>minimiza&ccedil;&atilde;o do seu problema</i>, perante situa&ccedil;&otilde;es de maior gravidade que a sua. Ap&oacute;s uma fase inicial de choque e desorienta&ccedil;&atilde;o, onde muitas vezes o conhecimento da doen&ccedil;a &eacute; escasso, os pais tendem a <i>procurar informa&ccedil;&otilde;es e apoio junto dos t&eacute;cnicos de sa&uacute;de</i>, para uma maior compreens&atilde;o e adequa&ccedil;&atilde;o &agrave; situa&ccedil;&atilde;o actual. Os t&eacute;cnicos de sa&uacute;de auxiliam e promovem a consciencializa&ccedil;&atilde;o dos pais acerca do diagn&oacute;stico, progn&oacute;stico e tratamento, desmistificam e esclarecem d&uacute;vidas, tranquilizam, minimizando o problema, desdramatizam-no e devolvem aos pais a sua compet&ecirc;ncia parental, securizando-os quanto a um progn&oacute;stico favor&aacute;vel dos seus filhos. Desta forma, os pais, esclarecidos acerca de todo o procedimento cir&uacute;rgico, sentem-se mais confiantes e o choque do p&oacute;s-operat&oacute;rio, ao verem a crian&ccedil;a, envolta em tubos e m&aacute;quinas pode ser minimizado. Ainda assim, enquanto n&atilde;o perceberem melhoras da condi&ccedil;&atilde;o de sa&uacute;de da crian&ccedil;a (<i>percep&ccedil;&atilde;o de melhoras</i>), a sua ang&uacute;stia e sofrimento n&atilde;o s&atilde;o atenuados, sentindo-se desamparados, desconfiados e incr&eacute;dulos. </p>      <p>Pela necessidade de uma <i>presen&ccedil;a constante </i>junto da crian&ccedil;a com doen&ccedil;a card&iacute;aca cong&eacute;nita, estando o <i>pai mais ausente </i>da implica&ccedil;&atilde;o de cuidados e acompanhamento da mesma, de forma a garantir a subsist&ecirc;ncia econ&oacute;mica do casal, a m&atilde;e <i>sacrifica, por vezes, a sua vida profissional, </i>conduzindo a <i>dificuldades econ&oacute;micas </i>para o casal. Em alguns casos, as m&atilde;es afirmam viver um <i>sentimento de desamparo</i>, durante o internamento, o que n&atilde;o acontece quando o pai est&aacute; presente, uma vez que, o seu apoio &eacute; fundamental para a m&atilde;e, tranquilizando-a, pois o pai, por norma, &eacute; mais calmo e optimista (<i>apoio do marido</i>). No caso de haverem irm&atilde;os da crian&ccedil;a com doen&ccedil;a card&iacute;aca cong&eacute;nita, esta presen&ccedil;a constante da m&atilde;e, gera outra situa&ccedil;&atilde;o de separa&ccedil;&atilde;o e a <i>diminui&ccedil;&atilde;o da aten&ccedil;&atilde;o dada aos outros filhos, </i>conduzindo ao sofrimento e comportamentos regressivos destes, e em alguns casos, sentimentos de culpa na m&atilde;e. Para ajudar a tolerar estes sentimentos dos pais, essencialmente, da m&atilde;e, torna-se fundamental a <i>partilha da dor</i>, atrav&eacute;s do apoio da fam&iacute;lia, dos t&eacute;cnicos de sa&uacute;de e de troca de experi&ecirc;ncias entre as m&atilde;es, durante a hospitaliza&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a. Neste sentido, algumas m&atilde;es referem a <i>necessidade de apoio psicol&oacute;gico</i>, no entanto, na maioria das entrevistas efectuadas, esta necessidade n&atilde;o &eacute; sentida. A partir de ent&atilde;o, os pais afirmam viver uma experi&ecirc;ncia que os traumatiza, marcando-os para toda a vida (<i>experi&ecirc;ncia traumatizante</i>). </p>      <p>O regresso a casa, ap&oacute;s a primeira hospitaliza&ccedil;&atilde;o (<i>vida p&oacute;s-operat&oacute;ria</i>), coloca frequentemente os pais, abalados pelo choque do diagn&oacute;stico e de irem viver com uma crian&ccedil;a doente, perante a quest&atilde;o dos limites a estabelecer ao filho (<i>superprotec&ccedil;&atilde;o</i>). Dominados pela incerteza, o medo de perder o seu filho, que desde o conhecimento do diagn&oacute;stico se instala nas suas vidas, na perspectiva de terem que submeter os seus filhos a uma nova cirurgia e consequentemente, a uma nova situa&ccedil;&atilde;o de risco (<i>reviver a situa&ccedil;&atilde;o</i>), atravessa o comportamento e a vida destes pais. Os pais sentem-se amea&ccedil;ados, conduzindo a sentimentos de inseguran&ccedil;a, impot&ecirc;ncia e incompet&ecirc;ncia enquanto pais (<i>amea&ccedil;a &agrave; confian&ccedil;a parental</i>), levando-os a recear os cuidados que a crian&ccedil;a possa requerer, podem, em alguns casos, delegar a sua responsabilidade nos t&eacute;cnicos de sa&uacute;de ou na fam&iacute;lia. </p>      <p>A crian&ccedil;a com doen&ccedil;a card&iacute;aca cong&eacute;nita requer alguns <i>cuidados especiais</i>, essencialmente, durante o internamento e na fase p&oacute;s-operat&oacute;ria, sendo os pais aconselhados a evitar que a crian&ccedil;a se canse e chore em demasia. No entanto, na maior parte dos casos, a crian&ccedil;a poder&aacute; ter uma vida normal, igual &agrave; das outras crian&ccedil;as. Apesar dos t&eacute;cnicos de sa&uacute;de reunirem esfor&ccedil;os neste sentido, normalizando a situa&ccedil;&atilde;o, os pais redobram a sua aten&ccedil;&atilde;o e vigil&acirc;ncia sobre a crian&ccedil;a, sobreprotegendo-a, numa constante preocupa&ccedil;&atilde;o com a sua condi&ccedil;&atilde;o de sa&uacute;de, revelam alguma dificuldade em se libertarem da imagem estigmatizada da crian&ccedil;a doente, e como tal, necessitada de cuidados especiais, mesmo ap&oacute;s o sucesso da correc&ccedil;&atilde;o cir&uacute;rgica. Efectivamente, as constantes hospitaliza&ccedil;&otilde;es e a incerteza do desenvolvimento da doen&ccedil;a, aumentam a preocupa&ccedil;&atilde;o parental, tendo os pais alguma dificuldade em distinguir quando respondem &agrave;s necessidades especiais da crian&ccedil;a ou se tornam superprotectores.  Num estado de alerta e <i>aten&ccedil;&atilde;o permanente </i>sobre a crian&ccedil;a, os pais verificam constantemente se esta respira sem dificuldade, se dorme e come bem, chegando a confundir os sintomas de uma doen&ccedil;a de desenvolvimento normal com os da doen&ccedil;a card&iacute;aca. Mesmo quando os outros filhos apresentam problem&aacute;ticas como, por exemplo, prematuridade ou asma, os pais n&atilde;o sentem a vida destes filhos amea&ccedil;ada, como sentem a da crian&ccedil;a com doen&ccedil;a card&iacute;aca. Apesar do desejo de poderem ser pais iguais aos outros, sentem que a doen&ccedil;a os impede de viverem a sua parentalidade de forma plena (<i>n&atilde;o ser m&atilde;e/pai</i>), evitando brincadeiras que possam cansar a crian&ccedil;a, chegam a limitar a sua actividade f&iacute;sica e mesmo a imporem regras ou limites, tornando-se mais permissivos, pelo receio de que a crian&ccedil;a possa chorar e sufocar, agravando o seu quadro cl&iacute;nico. A maioria dos pais mant&eacute;m a imagem da crian&ccedil;a doente e fr&aacute;gil, que a qualquer momento pode ter uma crise e morrer. Numa promo&ccedil;&atilde;o de depend&ecirc;ncia absoluta dos pais, impedem a necess&aacute;ria autonomia e individua&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a com doen&ccedil;a card&iacute;aca. Como repercuss&atilde;o desta depend&ecirc;ncia, poder&aacute; surgir, em alguns casos, um comprometimento da realiza&ccedil;&atilde;o intelectual da crian&ccedil;a. Alguns pais afirmam denotar algum <i>atraso no seu desenvolvimento</i>, que se traduz em dificuldades de aprendizagem, comunica&ccedil;&atilde;o e desenvolvimento psicomotor, que os pais atribuem &agrave; doen&ccedil;a card&iacute;aca e &agrave;s hospitaliza&ccedil;&otilde;es da&iacute; decorrentes. No mesmo sentido, os irm&atilde;os e toda a fam&iacute;lia, protegem esta crian&ccedil;a de forma aumentada e particular. </p>      <p>Desde o momento que o diagn&oacute;stico &eacute; comunicado &agrave; fam&iacute;lia, profundas altera&ccedil;&otilde;es nela ocorrem, experimentando fortes sentimentos de medo e p&acirc;nico, uma enorme ang&uacute;stia diante da possibilidade de morte da crian&ccedil;a. N&atilde;o obstante, o <i>apoio da fam&iacute;lia </i>&eacute; fundamental para a crian&ccedil;a e seus pais, pela constante partilha de dor e de responsabilidades, transmitindo for&ccedil;a e esperan&ccedil;a, atenuam o sofrimento dos pais. Para alguns pais, os cuidados especiais com a crian&ccedil;a e o receio de se afastarem do hospital, na possibilidade da crian&ccedil;a ter alguma crise e n&atilde;o ser socorrida atempadamente, promove um afastamento e consequente <i>isolamento</i>, dos outros familiares e amigos, reduzindo a sua rede de suporte social. </p>      <p>Na realidade, a vida destes pais altera-se (<i>altera&ccedil;&atilde;o do quotidiano</i>), obrigando a novas exig&ecirc;ncias, como a hospitaliza&ccedil;&atilde;o e as constantes idas ao hospital para exames peri&oacute;dicos (<i>vigil&acirc;ncia m&eacute;dica</i>), podendo da&iacute; decorrer dificuldades econ&oacute;micas, agravando-se esta situa&ccedil;&atilde;o quando os pais n&atilde;o vivem geograficamente perto do hospital. Ap&oacute;s a interven&ccedil;&atilde;o cir&uacute;rgica a crian&ccedil;a com doen&ccedil;a card&iacute;aca &eacute; vigiada periodicamente, atrav&eacute;s de consultas na especialidade de cardiologia, primeiro de m&ecirc;s a m&ecirc;s, depois 3 em 3 meses, 6 em 6 meses e posteriormente de ano a ano, confirmando o <i>car&aacute;cter intermin&aacute;vel </i>da doen&ccedil;a. Cada consulta &eacute; vivida pelos pais, com bastante ansiedade pelo receio da necessidade de nova cirurgia e por outro lado, como securizante, pela  vigil&acirc;ncia de que a crian&ccedil;a &eacute; alvo. Este receio &eacute; minimizado pelos pais que tendem a normalizar a situa&ccedil;&atilde;o e por vezes a ocult&aacute;-la diante terceiros, quando n&atilde;o existem sintomas de cianose traduzindo a n&atilde;o visibilidade da doen&ccedil;a (<i>doen&ccedil;a n&atilde;o vis&iacute;vel</i>). Contudo, a <i>imagem da cicatriz </i>intimida os pais e a crian&ccedil;a, permanecendo nas suas mentes mesmo com correc&ccedil;&atilde;o est&eacute;tica. </p>      <p>Os pais tendem a n&atilde;o antecipar o futuro, pela constante incerteza e ansiedade que este transporta, numa preocupa&ccedil;&atilde;o constante com o que poder&aacute; acontecer e com que dificuldades o seu filho se ir&aacute; deparar dada a sua condi&ccedil;&atilde;o de sa&uacute;de. No entanto, eles olham para o futuro com <i>esperan&ccedil;a </i>e <i>optimismo</i>, e para alguns, a <i>f&eacute; </i>religiosa torna-se um ref&uacute;gio/apoio, <i>vivendo um dia de cada vez</i>, esperam que o seu filho possa ter uma vida normal, igual &agrave; das outras crian&ccedil;as. Contudo, ainda que com a cirurgia a condi&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a se verifique organicamente normal, a possibilidade de reviver a situa&ccedil;&atilde;o descrita, mant&eacute;m-se na mente destes pais, independentemente da idade do indiv&iacute;duo. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>DISCUSS&Atilde;O</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O cora&ccedil;&atilde;o simboliza a vida, os afectos, o am&acirc;go da vida e do ser humano, representa uma centralidade que tem uma conota&ccedil;&atilde;o fatal quando associado a doen&ccedil;a. A cardiopatia cong&eacute;nita numa  crian&ccedil;a gera na parentalidade uma incerteza associada ao medo da morte da crian&ccedil;a, preocupa&ccedil;&atilde;o que perdura no pensamento e na vida dos pais, conduzindo-os a uma rela&ccedil;&atilde;o pais-crian&ccedil;a centrada no desenvolvimento da doen&ccedil;a. A amea&ccedil;a &agrave; confian&ccedil;a parental revela sentimentos de impot&ecirc;ncia e inseguran&ccedil;a, podendo conduzir os pais a uma sobreprotec&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a, pela possibilidade de reviver da situa&ccedil;&atilde;o. </p>      <p>Winnicott (2000) refere o momento do nascimento de um beb&eacute; como um estado de &#8220;quase doen&ccedil;a&#8221; na m&atilde;e. Numa condi&ccedil;&atilde;o essencial que lhe possibilita a adapta&ccedil;&atilde;o sens&iacute;vel &agrave;s necessidades do beb&eacute; nos primeiros momentos, identifica-se a este, num estado que denomina de preocupa&ccedil;&atilde;o materna prim&aacute;ria. Por&eacute;m, segundo o autor, a m&atilde;e deve ter sa&uacute;de suficiente tanto para desenvolver esse estado de sensibilidade exacerbada como para se recuperar dele. </p>      <p>Para Monteiro (2003) com a not&iacute;cia da doen&ccedil;a do beb&eacute;, este estado &eacute; interrompido, pois face ao diagn&oacute;stico as m&atilde;es n&atilde;o se conseguiriam identificar a um beb&eacute; doente, vivenciando a possibilidade de morte n&atilde;o s&oacute; do beb&eacute;, mas a delas. Por outro lado, na m&atilde;e s&atilde;o delegadas outras fun&ccedil;&otilde;es que n&atilde;o lhe permitem esta identifica&ccedil;&atilde;o, ficando ligada ao desenvolvimento da doen&ccedil;a e n&atilde;o da crian&ccedil;a. Os estudos de Maia, Cep&ecirc;da, Paix&atilde;o, Gil, Lobo, Sampayo e Matos (1992) sugerem a possibilidade de perturba&ccedil;&atilde;o da vincula&ccedil;&atilde;o m&atilde;e-crian&ccedil;a apontando como aspectos psicopatol&oacute;gicos mais relevantes tanto nas crian&ccedil;as como nos pais a ang&uacute;stia de morte e o deficit narc&iacute;sico. </p>      <p>Nos casos em que se conhece o diagn&oacute;stico durante a gravidez, nas primeiras horas ou dias de vida do beb&eacute;, este invade a rela&ccedil;&atilde;o m&atilde;e-beb&eacute;.  Observam-se situa&ccedil;&otilde;es de separa&ccedil;&atilde;o m&atilde;e-beb&eacute; pela necessidade de hospitaliza&ccedil;&atilde;o ou da interven&ccedil;&atilde;o cir&uacute;rgica. As m&atilde;es referem uma maior fragilidade com sentimentos de tristeza, abatimento, ansiedade, revolta e culpa, como tamb&eacute;m referem os estudos de Aguiar, Lauritzen, Melo, Azevedo e Assun&ccedil;&atilde;o (2003) e Finkel (2000). Considera-se que algumas m&atilde;es se identificam a um beb&eacute; doente, podendo conduzir a um sentimento de incompet&ecirc;ncia no seu papel de m&atilde;e. Por outro lado, outras m&atilde;es assumem o papel do adulto cuidador, conforme refere Monteiro (2003). George e Solomon (1999, cit. por Rabouam &amp; Moral&egrave;s-Huet, 2004) retratam os pais como &#8220;caregivers&#8221; sendo a sua principal fun&ccedil;&atilde;o a protec&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as, activando esta conforme sentem os sinais internos e externos associados &agrave;s situa&ccedil;&otilde;es como perigosas ou stressantes para a crian&ccedil;a, sendo desactivada quando o beb&eacute; &eacute; reconfortado. Por&eacute;m, a ang&uacute;stia de morte &eacute; incidente na maioria dos pais do nosso estudo, o que se poder&aacute; encontrar relacionado com uma vincula&ccedil;&atilde;o insegura, uma vez que os pais sentem a situa&ccedil;&atilde;o de doen&ccedil;a do filho como perigosa, mesmo ap&oacute;s a correc&ccedil;&atilde;o cir&uacute;rgica. </p>      <p>No que se refere ao diagn&oacute;stico ap&oacute;s o primeiro m&ecirc;s de vida do beb&eacute;, quando este come&ccedil;a a apresentar sinais e sintomas da doen&ccedil;a, as m&atilde;es referem viv&ecirc;ncias similares &agrave;s anteriores. Contudo, aumenta o medo da separa&ccedil;&atilde;o, como tamb&eacute;m refere Monteiro (2003), associado a um vazio insuport&aacute;vel, e o medo da reac&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a &agrave; doen&ccedil;a. Alguns dados sugerem o maior tempo de conviv&ecirc;ncia com a crian&ccedil;a, sugerindo uma rela&ccedil;&atilde;o de maior proximidade e depend&ecirc;ncia da m&atilde;e e do beb&eacute;, aumentando o medo da perda da crian&ccedil;a. Quanto &agrave; reac&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a, considera-se que os pais sentem a crian&ccedil;a mais aut&oacute;noma, havendo a possibilidade de uma menor ades&atilde;o ao tratamento. </p>      <p>Na fase de internamento &eacute; exigida &agrave; m&atilde;e uma presen&ccedil;a constante, tornando-se a principal cuidadora do seu filho doente, sofrendo por isso pesadas cargas psicol&oacute;gicas e sociais, como tamb&eacute;m referem Pelletier et al. (1994, cit. por Jer&oacute;nimo, 2000), podendo conduzir a sentimentos de desamparo e desespero. Deste modo, as m&atilde;es apresentam mais stress do que os pais, corroborando os estudos de Lawoko e Soares (2002), Wray e Sensky (2004), revelando maior dificuldade em aceitar e se adaptarem &agrave; doen&ccedil;a, contrariamente ao que se observa em estudos anteriores (M&ouml;relius, Lundh, &amp; Nelson, 2002). As m&atilde;es aparentam ter uma atitude mais negativa e fatalista perante a doen&ccedil;a da crian&ccedil;a, mostrando-se os pais mais optimistas, inversamente ao que Copeland e Clements (1993, cit. por Katz, 2002) constataram. Salienta-se, contudo, que estes dados se poder&atilde;o relacionar com uma maior fragilidade de pr&eacute; e p&oacute;s-parto, uma vez que o conhecimento do diagn&oacute;stico remete para estas fases da rela&ccedil;&atilde;o di&aacute;dica m&atilde;e-beb&eacute;. </p>      <p>Durante esta fase, a partilha da dor &eacute; uma ajuda fundamental para estes pais, principalmente, para as m&atilde;es. Percebe-se, no entanto, um fechamento na doen&ccedil;a, procurando apoio relativamente a esclarecimentos da doen&ccedil;a e n&atilde;o um apoio psicol&oacute;gico que as ajude a ultrapassar esta dura realidade. Considera-se esta necessidade se encontrar correlacionada com a incerteza pelo medo da morte da crian&ccedil;a, sendo que, os pais se centram na doen&ccedil;a e nos cuidados especiais que a crian&ccedil;a requeira. </p>      <p>Os pais procuram informa&ccedil;&otilde;es e apoio junto dos t&eacute;cnicos de sa&uacute;de, e conversam com outros pais comparando doen&ccedil;as, mas n&atilde;o viv&ecirc;ncias subjectivas. A cirurgia &eacute; vivida como um dos piores momentos para estes pais pelo medo da morte da crian&ccedil;a, sendo que, os pais experienciam n&iacute;veis mais elevados de stress no per&iacute;odo imediatamente antes &agrave; cirurgia, conforme tamb&eacute;m sugerem alguns estudos (Lawoko &amp; Soares, 2002; Menahem et al., 2008; Wray &amp; Sensky, 2004). Envoltos na expectativa de que o beb&eacute; possa n&atilde;o resistir, desconfiam e revelam dificuldade em acreditar no sucesso da interven&ccedil;&atilde;o cir&uacute;rgica e nas melhoras da condi&ccedil;&atilde;o de sa&uacute;de da crian&ccedil;a, uma vez que, a hospitaliza&ccedil;&atilde;o e a cirurgia que trazem a esperan&ccedil;a de cura, trazem tamb&eacute;m a possibilidade de concretiza&ccedil;&atilde;o da morte que amea&ccedil;a desde o nascimento, como tamb&eacute;m sugere Finkel (2000). No mesmo sentido de Giannotti (1996, cit. por Aguiar et al., 2003) observou-se que a fantasia de morte se sobrepunha &agrave; realidade da informa&ccedil;&atilde;o m&eacute;dica sobre a cardiopatia, de que ela poderia ser tratada e curada pela cirurgia. </p>      <p>Deste modo, os pais mudam o seu comportamento para com este filho, aumentam a sua aten&ccedil;&atilde;o e cuidado para com ele, podendo at&eacute; vir a sobreproteg&ecirc;-lo  impossibilitando assim que a crian&ccedil;a tenha uma vida saud&aacute;vel, levando em considera&ccedil;&atilde;o que muitos dos casos de cardiopatia cong&eacute;nita t&ecirc;m progn&oacute;stico favor&aacute;vel, como tamb&eacute;m referem Wray e Maynard (2005). Os pais continuam a percepcionar a sua crian&ccedil;a como vulner&aacute;vel, no mesmo sentido dos estudos de Uzark, Jones, Slusher, Limbers, Burwinkle e Varni (2008). Contudo, alguns pais tendem a percepcionar a crian&ccedil;a como normal, permitindo a sua autonomia, apesar de uma constante vigil&acirc;ncia, podendo pensar-se nas capacidades adaptativas dos pais &agrave; doen&ccedil;a. </p>      <p>O regresso a casa, ap&oacute;s a primeira hospitaliza&ccedil;&atilde;o, coloca frequentemente os pais, abalados pelo choque do diagn&oacute;stico e de irem viver com uma crian&ccedil;a doente, perante o dilema do amor e dos limites a estabelecer ao filho, corroborando os estudos de Almeida e Viana (1990). Pelo receio de terem que reviver a situa&ccedil;&atilde;o, os pais sentem-se amea&ccedil;ados na sua parentalidade, receando os cuidados que a crian&ccedil;a possa requerer, e deste modo, de exercerem a sua parentalidade,  conceito que nos parece n&atilde;o ser referenciado por outros autores. A compet&ecirc;ncia percebida pela maior parte dos pais, revela-se baixa e desajustada, amea&ccedil;ando a sua confian&ccedil;a enquanto pais, havendo mesmo, algumas m&atilde;es, que receiam ficar sozinhas com o seu beb&eacute;, recorrendo ao apoio da fam&iacute;lia. Devido a este receio de ter que recorrer ao hospital, os pais evitam, geralmente, desloca&ccedil;&otilde;es e viagens, sentindo-se mais privados e isolados de uma vida social. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os pais revelam dificuldade em se libertarem da imagem estigmatizada de que os seus filhos continuam doentes e que, por isso, ainda precisam de limites e cuidados especiais, como tamb&eacute;m salienta Monteiro (2003). Na maioria das entrevistas, assinala-se uma persist&ecirc;ncia da rela&ccedil;&atilde;o simbi&oacute;tica, chegando, em alguns casos, a supor-se um comprometimento intelectual e estado regredido da crian&ccedil;a com doen&ccedil;a card&iacute;aca, com consequ&ecirc;ncias na aprendizagem escolar e toler&acirc;ncia &agrave; frustra&ccedil;&atilde;o, no mesmo sentido de Finkel (2000), Goldberg e Rinaldi  (1972, in Ruschel, 1994, cit. por Monteiro, 2003) e Steele, Dreyer e Phipps (2004). </p>      <p>Os pais tendem a atribuir uma grande centralidade ao problema card&iacute;aco, chegando a confundir sintomas de doen&ccedil;as do desenvolvimento normal das crian&ccedil;as, valorizando-o como causa de uma grande variedade de problemas educacionais e comportamentais, mesmo v&aacute;rios anos ap&oacute;s a cirurgia remediativa ter sido realizada com &ecirc;xito (Santos, 1997). Sendo que, na maioria dos casos apresentados, a possibilidade de persist&ecirc;ncia, ainda que transit&oacute;ria, de alguns problemas ou sintomas, ou mesmo de nova correc&ccedil;&atilde;o cir&uacute;rgica, conduz os pais a permanecer centrados na doen&ccedil;a da crian&ccedil;a, como tamb&eacute;m referem Glaser e Bentovim (1986, cit. por Santos, 1997), uma vez que, existe a necessidade de acompanhamento peri&oacute;dico e frequentemente de medica&ccedil;&atilde;o permanente, embora a crian&ccedil;a possa ter uma vida normal ap&oacute;s cirurgia curativa (Santos, 1997). Assim, os pais parecem preocupar-se constantemente com o desenvolvimento da doen&ccedil;a, tendem a n&atilde;o antecipar o futuro, vivem um dia de cada vez e esperam que o seu filho possa ter uma vida normal, igual &agrave; das outras crian&ccedil;as. </p>      <p>A partir deste estudo pode-se, ainda, reflectir acerca da interven&ccedil;&atilde;o na doen&ccedil;a card&iacute;aca cong&eacute;nita, nomeadamente, a necessidade destes pais serem escutados e acolhidos, possibilitando um maior bem-estar frente a uma situa&ccedil;&atilde;o t&atilde;o delicada, sendo fundamental o apoio ao n&iacute;vel psicol&oacute;gico, para uma maior descentra&ccedil;&atilde;o e adapta&ccedil;&atilde;o &agrave; doen&ccedil;a. A possibilidade de grupos de entreajuda poder&aacute; sugerir uma resposta centrada nas viv&ecirc;ncias subjectivas dos pais, tendo em conta os aspectos afectivos e emocionais, para al&eacute;m dos aspectos biol&oacute;gicos e funcionais da parentalidade face &agrave; cardiopatia cong&eacute;nita. </p>      <p>Considera-se importante acrescentar que sendo esta investiga&ccedil;&atilde;o focalizada nas viv&ecirc;ncias particulares destes pais, o modelo te&oacute;rico emergente &eacute; sens&iacute;vel aos pais entrevistados, bem como ao entrevistador. </p>      <p>As implica&ccedil;&otilde;es para a investiga&ccedil;&atilde;o, que n&atilde;o se esgotam s&oacute; por si, sugere-se a continuidade do modelo te&oacute;rico observado de forma longitudinal. O comprometimento da vincula&ccedil;&atilde;o m&atilde;e-beb&eacute;,  dado na maioria dos casos, esta ser uma situa&ccedil;&atilde;o pr&eacute; e p&oacute;s-parto, bem como, as consequ&ecirc;ncias nos pais pela exist&ecirc;ncia de antecedentes card&iacute;acos. Outra quest&atilde;o, resulta da escassez de dados acerca das viv&ecirc;ncias do pai, uma vez que os dados apresentados reflectiam, essencialmente, as viv&ecirc;ncias maternas. Ainda, as implica&ccedil;&otilde;es psicol&oacute;gicas e relacionais para o casal, e as consequ&ecirc;ncias da doen&ccedil;a para os irm&atilde;os da crian&ccedil;a com doen&ccedil;a card&iacute;aca cong&eacute;nita. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>REFER&Ecirc;NCIAS</p>      <p>Aguiar, F., Lauritzen, M., Melo, R., Azevedo, R., &amp; Assun&ccedil;&atilde;o,    T. (2003). <i>Os sentimentos das genitoras diante do diagn&oacute;stico de cardiopatia    cong&ecirc;nita de um filho. </i>CPHD &#8211; Centro de Psicologia Hospitalar    e Domiciliar do Nordeste Ltda. Consultado em 29 de Novembro de 2005 atrav&eacute;s    de <a href="http://www.cphd.com.br/trabalhos/cphd_24072005114755.doc" target="_blank">http://www.cphd.com.br/trabalhos/cphd_24072005114755.doc</a></p>      <p>Almeida, J., &amp; Viana, V. (1990). O desenvolvimento psicol&oacute;gico da crian&ccedil;a com doen&ccedil;a cr&oacute;nica. In I. Botelho, J. Almeida, M. Geada, &amp; J. Justo (Eds.), <i>A Psicologia nos servi&ccedil;os de sa&uacute;de </i>(pp. 75-85). Colec&ccedil;&atilde;o Temas de Psicologia. Apport.</p>      <p>Barroca, A. (2003). <i>Comportamento parental em m&atilde;es de crian&ccedil;as com cardiopatia cong&eacute;nita </i>(Monografia de Licenciatura em Psicologia Aplicada). Lisboa: Instituto Superior de Psicologia Aplicada. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Davis, C., Brown, R., Bakeman, R., &amp; Campbell, R. (1998). Psychological adaptation and adjustment of mothers of children with congenital heart disease: Stress, coping, and family functioning. <i>Journal of Pediatric Psychology, 23 (4</i>), 219-228. </p>      <p>Direc&ccedil;&atilde;o-Geral da Sa&uacute;de (2006). Circular Normativa n&ordm;    11/DSMIA (datado 26.09.2006). Consultado em 30 de Abril de 2010 atrav&eacute;s    de <a href="http://www.srsdocs.com/parcerias/normas/circulares/dgs/2006/diagnostico_cardiopatias.pdf" target="_blank">http://www.srsdocs.com/parcerias/normas/circulares/dgs/2006/diagnostico_cardiopatias.pdf</a></p>      <p>Dittrich, H., Buhrer, C., Grimmer, I., Dittrich, S., Abdul-Khaliq, H., &amp; Lange, P. (2003). Neuro development at 1 year of age in infants with congenital heart disease. <i>Heart, 89</i>, 436-441. </p>      <p>Finkel, L. A. (2000). A ausculta e a escuta: Reflex&otilde;es sobre a psicodin&acirc;mica da crian&ccedil;a cardiopata. <i>Revista SOCERJ, XIII(</i>1), 30-33. </p>      <p>Gardner, F., Freeman, N., Black, A., &amp; Angelini, G. (1996). Disturbed mother-infant interaction in association with congenital heart disease. <i>Heart, 76</i>, 56-59. </p>      <p>Glaser, B., &amp; Strauss, A. (1967). <i>The discovery of Grounded Theory: Strategies for qualitative research</i>. New York: Aldine de Gruyter. </p>      <p>Jer&oacute;nimo, M. (2000). <i>A crian&ccedil;a com doen&ccedil;a card&iacute;aca &#8211; Contributos para compreender as repercuss&otilde;es da doen&ccedil;a ao n&iacute;vel familiar e social. </i>Disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado, Universidade de Coimbra, Coimbra. </p>      <p>Katz, S. (2002). When the child&#8217;s illness is life threatening: impact on the parents. <i>Pediatric Nursing</i>, <i>28</i>(5), 453-463. </p>      <p>Lawoko, S. (2007). Factors influencing satisfaction and well-being among parents of congenital heart disease children: Development of a conceptual model based on the literature review. <i>Scandinavian Journal of Caring Sciences, 21</i>, 106-117. </p>      <p>Lawoko, S., &amp; Soares, J. (2002). Distress and hopelessness among parents of children with congenital heart disease, parents of children with other diseases, and parents of healthy children. <i>Journal</i><i> of Psychosomatic Research, 52, </i>193-208. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Magalh&atilde;es, M., &amp; Nunes, M. (2000). Cardiopatias cong&eacute;nitas cr&iacute;ticas no rec&eacute;m-nascido. In L. M. Gra&ccedil;a (Ed.), <i>Medicina Materno-Fetal, II </i>(pp. 853-865). Lisboa: Lidell Edi&ccedil;&otilde;es T&eacute;cnicas. </p>      <!-- ref --><p>Maia, G., Cep&ecirc;da, T., Paix&atilde;o, A., Gil, G., Lobo, I., Sampayo, F., &amp; Matos, A. (1922). Aspectos psicopatol&oacute;gicos de crian&ccedil;as com cardiopatia. <i>Revista Portuguesa de Pedopsiquiatria, 3, </i>149-157. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000084&pid=S0870-8231201000040000500001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Menahem, S., Poulakis, Z., &amp; Prior, M. (2008). Children subjected to cardiac surgery for congenital heart disease. 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<body><![CDATA[<p>NOTAS</p>      <p>Agradecimentos ao Hospital da Cruz Vermelha, em especial &agrave; Doutora Maria Ana Sampaio Nunes e ao Hospital de Santa Marta, em especial ao Professor Doutor Sashicanta Kaku e &agrave; Dra. N&eacute;lia Silva. </p>       ]]></body><back>
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<year>1922</year>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A família da criança com doença crónica: Abordagem de algumas características.]]></article-title>
<source><![CDATA[Análise Psicológica]]></source>
<year>1998</year>
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