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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The purpose of this study was to investigate changes in sexual function across the life span in a sample of Portuguese women, and the prevalence of sexual problems. The study consisted of a sample of 154 Portuguese women (range 26 to 70 years), divided into three groups according to their ages: 26-35 years (n=66), 40-49 years (n=45), and 54-70 years (n=43). The evaluation was carried out with two self-report questionnaires: the Female Sexual Function Index (FSFI; Rosen et al., 2000), with it&#8217;s domains of desire, arousal, lubrication, orgasm, satisfaction, and pain, and with the Index of Sexual Satisfaction (ISS; Hudson et al., 1981), that measures couple sexual satisfaction. No differences were found between the 26-35 years group and the 40-49 years group regarding the FSFI and it&#8217;s domains, and the ISS. When comparing the first two groups with the 54-70 years group statistically significant differences were found in the FSFI total score and in it&#8217;s domains of desire, arousal, lubrication, orgasm, and satisfaction; no differences were found in the pain domain. Statistically significant differences were also found in the ISS total score. There is a significant decline in female sexual function and in sexual satisfaction associated with older age and menopause.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>Funcionamento sexual e ciclo-de-vida em mulheres portuguesas</b></p>      <p>&nbsp;</p>      <p>Pedro Pechorro (*), Ant&oacute;nio Diniz (**), Rui Vieira (*) </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>(*) Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa; E-mail: <a href="mailto:pechorro@portugalmail.pt">pechorro@portugalmail.pt</a>  </p>      <p>(**) ISPA-IU, Rua Jardim do Tabaco, 34, 1149-041 Lisboa. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>RESUMO</p>      <p>O objectivo da presente investiga&ccedil;&atilde;o foi a avalia&ccedil;&atilde;o do funcionamento sexual, da satisfa&ccedil;&atilde;o sexual, dos comportamentos sexuais em mulheres portuguesas numa perspectiva de ciclo-de-vida recorrendo-se ao &Iacute;ndice de Funcionamento Sexual Feminino (FSFI; Rosen et al., 2000) e ao &Iacute;ndice de Satisfa&ccedil;&atilde;o Sexual (ISS; Hudson, Harrison, &amp; Crosscup, 1981). Utilizou-se uma amostra de conveni&ecirc;ncia recrutada da popula&ccedil;&atilde;o geral com <i>N</i>=152 (leque et&aacute;rio=26-70 anos; <i>M</i>=41 anos), subdividida em tr&ecirc;s grupos et&aacute;rios: o Grupo 1 ficou com <i>n</i>=66 (leque et&aacute;rio=26-35 anos; <i>M</i>=29 anos), o Grupo 2 ficou com <i>n</i>=44 (leque et&aacute;rio=40-49 anos; <i>M</i>=43 anos), e o Grupo 3 ficou com <i>n</i>=42 (leque et&aacute;rio=54-70 anos; <i>M</i>=58 anos). Os comportamentos sexuais na sua generalidade revelaram um decl&iacute;nio abrupto no grupo das mulheres mais velhas (grupo 3), enquanto que o decl&iacute;nio  progressivo ao longo dos tr&ecirc;s grupos et&aacute;rios s&oacute; se verificou para o Sexo vaginal; a Masturba&ccedil;&atilde;o sozinha, por sua vez, aumentou na meia-idade (grupo 2). O funcionamento sexual revelou na sua generalidade um decl&iacute;nio abrupto no grupo das mulheres mais velhas (grupo 3), enquanto que um decl&iacute;nio progressivo s&oacute; se verificou para a dimens&atilde;o mista Desejo-Excita&ccedil;&atilde;o; a satisfa&ccedil;&atilde;o sexual evidenciou declinar progressivamente. </p>      <p><i>Palavras chave:</i> Ciclo-de-vida, Funcionamento sexual, Satisfa&ccedil;&atilde;o sexual, Sexualidade feminina. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p>ABSTRACT</p>      <p>The purpose of this study was to investigate changes in sexual function across the life span in a sample of Portuguese women, and the prevalence of sexual problems.  The study consisted of a sample of 154 Portuguese women (range 26 to 70 years), divided into three groups  according to their ages: 26-35 years (<i>n</i>=66), 40-49 years (<i>n</i>=45), and 54-70 years (<i>n</i>=43). The evaluation was carried out with two self-report questionnaires: the Female Sexual Function Index (FSFI; Rosen et al., 2000), with it&#8217;s domains of desire, arousal, lubrication, orgasm, satisfaction, and pain, and with the Index of Sexual Satisfaction (ISS; Hudson et al., 1981), that measures couple sexual satisfaction. No differences were found between the 26-35 years group and the 40-49 years group regarding the FSFI and it&#8217;s domains, and the ISS. When comparing the first two groups with the 54-70 years group statistically significant differences were found in the FSFI total score and in it&#8217;s domains of desire, arousal, lubrication, orgasm, and satisfaction; no differences were found in the pain domain. Statistically significant differences were also found in the ISS total score. There is a significant decline in female sexual function and in sexual satisfaction associated with older age and menopause. </p>      <p><i>Key words: </i>Female sexuality, Life span, Sexual function, Sexual satisfaction. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>Ao longo da vida cada mulher passa potencialmente por um conjunto de processos que afectam o funcionamento sexual, nomeadamente as mudan&ccedil;as hormonais e fisiol&oacute;gicas da puberdade, dos ciclos menstruais, da gravidez, do p&oacute;s-parto, e da menopausa. A exist&ecirc;ncia de um companheiro, a idade do companheiro e o seu funcionamento sexual, a dura&ccedil;&atilde;o do relacionamento, e os sentimentos da mulher pelo companheiro s&atilde;o factores de relacionamento que afectam o funcionamento sexual da mulher. A import&acirc;ncia que a mulher d&aacute; &agrave; sexualidade e o n&iacute;vel de mal-estar no caso da ocorr&ecirc;ncia de disfun&ccedil;&atilde;o sexual podem tamb&eacute;m ser diferentes em fun&ccedil;&atilde;o da idade da mulher (Bancroft, Loftus, &amp; Long, 2003). </p>      <p>Dado que tantas mudan&ccedil;as podem ter lugar na vida da mulher como consequ&ecirc;ncia do processo de envelhecimento, torna-se bastante dif&iacute;cil saber que factores afectam que aspectos da fun&ccedil;&atilde;o sexual e em que grau. As caracter&iacute;sticas de <i>design </i>do estudo, a diversidade das popula&ccedil;&otilde;es estudadas, as estrat&eacute;gias de amostragem, o intervalo de idade estudado, e os crit&eacute;rios de inclus&atilde;o s&atilde;o exemplos de quest&otilde;es metodol&oacute;gicas que afectam os resultados finais dos estudos e contribuem para os tornar pelo menos parcialmente inconclusivos quando s&atilde;o feitas compara&ccedil;&otilde;es inter-estudos (Hayes &amp; Dennerstein, 2005). </p>      <p>Relativamente ao funcionamento sexual, Laumann, Paik e Rosen (1999), atrav&eacute;s de uma amostra probabil&iacute;stica de 1749 mulheres norte-americanas dos 18 aos 59 anos, entrevistaram, com recurso a uma entrevista especialmente elaborada, as mulheres sexualmente activas nos &uacute;ltimos 12 meses. Os dados obtidos demonstraram que o interesse sexual e a capacidade de atingir orgasmo se mantiveram est&aacute;veis, enquanto que a dor coital, a aus&ecirc;ncia de prazer no sexo, e a ansiedade de desempenho sexual diminu&iacute;ram com a idade. Os autores conclu&iacute;ram que nas mulheres a preval&ecirc;ncia de problemas sexuais tende a diminuir &agrave; medida que a idade aumenta, excepto no caso da lubrifica&ccedil;&atilde;o. Tamb&eacute;m o n&iacute;vel educacional se evidenciou como vari&aacute;vel influente no funcionamento sexual, com as mulheres de mais alto n&iacute;vel educacional a funcionarem sexualmente melhor. A frequ&ecirc;ncia de masturba&ccedil;&atilde;o foi mais baixa nas <i>cohorts</i> mais nova e mais velha,  e mais alta na <i>cohort</i> de meia-idade. O n&uacute;mero de mulheres a terem actividade sexual com um companheiro atingiu um pico dos 25 aos 29 anos, declinando gradualmente at&eacute; aos 54 anos e depois declinando abruptamente at&eacute; aos 59 anos. </p>      <p>Fugl-Meyer e Fugl-Meyer (2002) recorreram a uma amostra representativa de 1335 mulheres suecas entre os 18 e os 74 anos. O m&eacute;todo de avalia&ccedil;&atilde;o foi um question&aacute;rio desenvolvido pelos autores preenchido durante a entrevista, referindo-se as perguntas ao funcionamento durante o &uacute;ltimo ano. Os dados obtidos indicaram que o desejo sexual reduzido, as dificuldades de lubrifica&ccedil;&atilde;o, a dispareunia e a  insatisfa&ccedil;&atilde;o sexual aumentaram com a idade, enquanto o orgasmo e o vaginismo n&atilde;o apresentaram qualquer rela&ccedil;&atilde;o com a idade. Encontrou-se uma rela&ccedil;&atilde;o directa entre a diminui&ccedil;&atilde;o do desejo e a maior dura&ccedil;&atilde;o do relacionamento. </p>      <p>Avis, Stellato, Crawford, Johannes e Longcope (2002) utilizaram uma amostra de 427 mulheres norte-americanas pertencentes ao Massachusetts Women&#8217;s Health Study II, as quais foram avaliadas atrav&eacute;s de question&aacute;rio constru&iacute;do pelos autores. Os dados revelaram que a frequ&ecirc;ncia de sexo, a dispareunia, e a satisfa&ccedil;&atilde;o sexual n&atilde;o estavam correlacionadas com a menopausa, apesar de as mulheres menopausicas relatarem ter mais problemas de desejo sexual hipoactivo e de perturba&ccedil;&atilde;o de excita&ccedil;&atilde;o. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Kadri, Alami e Tahiri (2000) utilizaram uma amostra estratificada e aleat&oacute;ria de 728 mulheres marroquinas de Casablanca dos 20 aos 80 anos, as quais foram avaliadas relativamente ao funcionamento sexual nos &uacute;ltimos 6 meses por entrevista segundo os crit&eacute;rios DSM-IV. Os resultados indicaram que a preval&ecirc;ncia de desejo sexual hipoactivo diminuiu com a idade, enquanto a avers&atilde;o sexual, as dificuldades de orgasmo, as dificuldades de excita&ccedil;&atilde;o sexual, e a dispareunia n&atilde;o se alteraram com a idade. </p>      <p>Dennerstein, Randolph, Taffe, Dudley e Burguer (2002) elaboraram um estudo longitudinal baseado numa amostra aleat&oacute;ria de 438 mulheres australianas dos 45 aos 55 anos avaliadas anualmente ao longo de 8 anos. Este estudo procurou superar as limita&ccedil;&otilde;es dos estudos transversais por ser longitudinal prospectivo baseado na popula&ccedil;&atilde;o geral, e ao utilizar o <i>McCoy Female Sexuality Questionnaire </i>com an&aacute;lises hormonais simult&acirc;neas. Este <i>design </i>de estudo, em conjun&ccedil;&atilde;o com o tamanho grande da amostra que potencia a an&aacute;lise estat&iacute;stica, permitiu controlar o n&iacute;vel de funcionamento sexual anterior e a idade, separando claramente os seus efeitos dos efeitos da menopausa. Os resultados evidenciaram que a percentagem de mulheres com disfun&ccedil;&atilde;o sexual aumentou de 42% para 88% na &uacute;ltima avalia&ccedil;&atilde;o. Na fase menop&aacute;usica houve um decl&iacute;nio significativo na excita&ccedil;&atilde;o sexual, no interesse sexual, e na frequ&ecirc;ncia de actividades sexuais, enquanto que houve um aumento significativo na secura vaginal, na dispareunia, e no aumento dos problemas sexuais do companheiro. O decl&iacute;nio do funcionamento sexual estava correlacionado com a diminui&ccedil;&atilde;o do estradiol, mas n&atilde;o dos androg&eacute;nios. As autoras conclu&iacute;ram que se d&aacute; um decl&iacute;nio dram&aacute;tico no funcionamento sexual feminino com a transi&ccedil;&atilde;o menop&aacute;usica natural. </p>      <p>Bancroft, Loftus e Scott Long (2003) recolheram uma amostra aleat&oacute;ria estratificada de 987 mulheres norte-americanas dos 20 aos 65 anos, que foram avaliadas por entrevista telef&oacute;nica assistida por computador quanto ao seu funcionamento sexual nas &uacute;ltimas 4 semanas. Cerca de 25% das mulheres relataram ter mal-estar acentuado relativamente ao seu relacionamento sexual e/ou a pr&oacute;pria sexualidade. Apesar de os problemas sexuais tenderem a ser mais comuns nas mulheres mais velhas, eram as mulheres mais novas que tinham mais probabilidade de se sentirem incomodadas com a ocorr&ecirc;ncia desses problemas. A falta de bem-estar emocional e os sentimentos negativos durante a actividade sexual com o companheiro seriam determinantes mais importantes do mal-estar sexual do que os aspectos mais fisiol&oacute;gicos da resposta sexual feminina. </p>      <p>Najman, Dunne, Boyle, Cook e Purdie (2003) fizeram um estudo com uma amostra estratificada de 908 mulheres australianas dos 18 aos 59 anos atrav&eacute;s de entrevista telef&oacute;nica baseada na de Laumann, Paik e Rosen (1999) em que se focou o funcionamento sexual nos &uacute;ltimos 12 meses. Os resultados indicaram que a dor coital diminuiu com a idade, enquanto que os problemas de lubrifica&ccedil;&atilde;o e a aus&ecirc;ncia de prazer sexual aumentaram com a idade. A capacidade de atingir o orgasmo n&atilde;o se alterou com a idade. </p>      <p>Richters, Grulich, Visser, Smith e Rissel (2003) utilizaram numa amostra aleat&oacute;ria de 9134 mulheres australianas dos 16 aos 59 anos, as quais foram avaliadas por entrevista assistida por computador baseada na de Laumann et al. (1999). Os dados obtidos relativos aos &uacute;ltimos 12 meses indicaram que a falta de interesse sexual, a incapacidade de atingir o orgasmo, e a secura vaginal aumentaram com a idade, enquanto a dor coital diminuiu com a idade. A falta de prazer sexual, a ansiedade durante o sexo, e a rapidez em atingir o orgasmo n&atilde;o se alteraram com a idade. A frequ&ecirc;ncia de actividade sexual com um parceiro sexual regular diminuiu a partir dos 30 anos, enquanto que a masturba&ccedil;&atilde;o aumentou e estabilizou entre os 20 e os 39 anos, declinando a partir da&iacute;. As mulheres com um parceiro sexual regular tinham menos probabilidade de se masturbar que as mulheres sem parceiro regular. </p>      <p>Nobre (2003) utilizou uma amostra de conveni&ecirc;ncia de 188 mulheres portuguesas dos 18 aos 79 anos com uma idade m&eacute;dia de 31 anos, avaliadas atrav&eacute;s de uma vers&atilde;o parcialmente validada do &Iacute;ndice de Funcionamento Sexual Feminino. A sua amostra era desproporcionadamente constitu&iacute;da por mulheres jovens (s&oacute; 16 mulheres tinham mais de 50 anos) e por mulheres com escolaridade elevada (s&oacute; 13 tinham habilita&ccedil;&otilde;es inferiores ao 12&ordm; ano). Os dados permitiram evidenciar que apenas a idade (e n&atilde;o o n&iacute;vel educacional) influenciou o funcionamento sexual, nomeadamente a lubrifica&ccedil;&atilde;o, a satisfa&ccedil;&atilde;o sexual, a dor, e o pr&oacute;prio funcionamento sexual geral. </p>      <p>Johnson, Phelps e Cottler (2004) utilizaram uma amostra aleat&oacute;ria de 1801 mulheres norte-americanas provenientes da &aacute;rea de St. Louis, as quais foram entrevistadas quanto ao seu funcionamento sexual nos &uacute;ltimos meses usando a <i>Diagnostic Interview Schedule</i>. Os resultados indicaram que o desejo sexual inibido aumentou com a idade, enquanto que a dispareunia diminuiu com a idade. O orgasmo inibido, o desejo sexual inibido e &#8220;outras disfun&ccedil;&otilde;es&#8221; n&atilde;o se alteraram com a idade. </p>      <p>&Ccedil;ayan, Akbay, Bozlu, Canpolat, Acar e Ulusoy (2004) utilizaram uma amostra de conveni&ecirc;ncia de 179 mulheres turcas dos 18 aos 66 anos da &aacute;rea de Mersin, as quais foram avaliadas atrav&eacute;s do &Iacute;ndice de Funcionamento Sexual Feminino. Os dados, relativos ao funcionamento sexual nas &uacute;ltimas quatro semanas, evidenciaram que a preval&ecirc;ncia de disfun&ccedil;&otilde;es sexuais femininas aumentou com a idade, sendo que o baixo n&iacute;vel educacional, o desemprego, as doen&ccedil;as cr&oacute;nicas, a multiparidade, e a menopausa foram considerados factores de risco importantes na sua etiologia. </p>      <p>Abdo, Oliveira, Moreira e Fittipaldi (2004) utilizaram uma amostra de conveni&ecirc;ncia de 1219 mulheres brasileiras com mais de 18 anos, tendo estas sido avaliadas atrav&eacute;s de um question&aacute;rio adaptado de Laumann et al. (1999). Os resultados indicaram que a preval&ecirc;ncia de disfun&ccedil;&atilde;o sexual aumentou significativamente com a idade e com o baixo n&iacute;vel educacional.</p>      <p>Ponholzer, Roehlich, Racz, Temml e Madersbacher (2005) utilizaram uma amostra de conveni&ecirc;ncia de 703 mulheres austr&iacute;acas dos 20 aos 80 anos que foram avaliadas por question&aacute;rio constru&iacute;do pelos autores. Os dados obtidos relativos &agrave;s &uacute;ltimas 4 semanas, revelaram que 22% queixaram-se de perturba&ccedil;&atilde;o do desejo, 35% de perturba&ccedil;&atilde;o da excita&ccedil;&atilde;o, e 39% de perturba&ccedil;&atilde;o do orgasmo, sendo que todas estas perturba&ccedil;&otilde;es estavam significativamente relacionadas com o aumento da idade, o mesmo se passando com o decl&iacute;nio da frequ&ecirc;ncia coital. Os resultados indicaram tamb&eacute;m que a dor sexual era significativamente mais comum em mulheres mais novas. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Relativamente &agrave; satisfa&ccedil;&atilde;o sexual, Hawton, Gath e Day (1994), numa amostra aleat&oacute;ria retirada da popula&ccedil;&atilde;o geral constitu&iacute;da por 436 mulheres dos 35 aos 59 anos, analisaram diversas vari&aacute;veis relativas &agrave; sexualidade entre as quais a satisfa&ccedil;&atilde;o sexual. N&atilde;o foi encontrada qualquer correla&ccedil;&atilde;o entre a satisfa&ccedil;&atilde;o sexual e a idade, ou entre a satisfa&ccedil;&atilde;o sexual e a classe social, mas foi encontrada uma forte correla&ccedil;&atilde;o entre o ajustamento marital e a satisfa&ccedil;&atilde;o sexual. </p>      <p>Spira e Bajos (1994) utilizaram uma amostra de 11104 mulheres francesas dos 18 aos 69 anos, as quais entrevistaram atrav&eacute;s do telefone com uma entrevista elaborada pelos autores, para avaliar a satisfa&ccedil;&atilde;o sexual. Os dados demonstraram que a satisfa&ccedil;&atilde;o sexual diminu&iacute;a com a idade. </p>      <p>Ventegodt (1998) a partir de uma amostra representativa de 2460 cidad&atilde;os finlandeses dos 18 aos 88 anos dos quais 753 eram mulheres n&atilde;o encontrou qualquer correla&ccedil;&atilde;o entre a satisfa&ccedil;&atilde;o sexual e a idade. </p>      <p>Dunn, Croft e Hackett (2000), utilizando uma amostra aleat&oacute;ria de 1768 homens e mulheres ingleses dos 18 aos 75 anos dos quais 782 eram mulheres, n&atilde;o encontraram uma correla&ccedil;&atilde;o significativa entre a idade e a satisfa&ccedil;&atilde;o sexual. Foi encontrada uma forte correla&ccedil;&atilde;o entre a satisfa&ccedil;&atilde;o e a maior frequ&ecirc;ncia de sexo, tendo sido tamb&eacute;m demonstrado que a insatisfa&ccedil;&atilde;o sexual tendia a ser mais alta quando os sujeitos consideravam ter eles pr&oacute;prios problemas sexuais e a ser ainda mais alta quando pensavam que o companheiro tinha um problema sexual. </p>      <p>Deeks e McCabe (2001), utilizando uma amostra de 304 mulheres entre os 35 e os 65 anos retirada da popula&ccedil;&atilde;o geral, investigaram os efeitos da idade, da menopausa, e do funcionamento sexual do companheiro no funcionamento sexual dessas mulheres. Os resultados demonstraram que a satisfa&ccedil;&atilde;o sexual era melhor prevista pela idade e pela menopausa. As mulheres mais novas tinham maior probabilidade de estarem satisfeitas com o seu relacionamento sexual e tinham tamb&eacute;m uma maior frequ&ecirc;ncia de coito. As mulheres menop&aacute;usicas tinham mais probabilidade de sofrerem de um problema sexual. A idade tamb&eacute;m era melhor preditora de o companheiro sofrer de uma disfun&ccedil;&atilde;o sexual, que por sua vez teria efeito no funcionamento sexual da mulher menop&aacute;usica. </p>      <p>Hisasue et al. (2005), numa investiga&ccedil;&atilde;o efectuado com uma amostra de 5042 mulheres japonesas dos 17 aos 88 anos avaliadas atrav&eacute;s de um question&aacute;rio postal constru&iacute;do pelos autores, n&atilde;o encontraram qualquer correla&ccedil;&atilde;o entre a satisfa&ccedil;&atilde;o sexual e a idade, mas encontraram correla&ccedil;&otilde;es estat&iacute;sticas significativas entre a satisfa&ccedil;&atilde;o sexual e preliminares, orgasmo, e frequ&ecirc;ncia de actividade sexual. Estes autores evidenciaram que, paradoxalmente, a capacidade er&eacute;ctil do companheiro n&atilde;o contribu&iacute;a para a satisfa&ccedil;&atilde;o sexual da mulher, apesar de contribuir para a frequ&ecirc;ncia sexual. </p>      <p>Haavio-Manilla e Kontula (1997) procuraram preditores da satisfa&ccedil;&atilde;o sexual numa amostra de 1718 mulheres e homens finlandeses dos 18 aos 74 anos. Recorrendo-se &agrave; t&eacute;cnica estat&iacute;stica de <i>path analysis </i>os resultados demonstraram que nas mulheres a satisfa&ccedil;&atilde;o sexual se correlacionava directamente com a idade jovem e com o in&iacute;cio precoce da vida sexual; indirectamente a satisfa&ccedil;&atilde;o sexual correlacionava-se com uma educa&ccedil;&atilde;o liberal e n&atilde;o religiosa, escolaridade de n&iacute;vel superior, assertividade sexual, sentimentos rec&iacute;procos de amor, atribui&ccedil;&atilde;o de import&acirc;ncia &agrave; sexualidade, utiliza&ccedil;&atilde;o de materiais sexuais, coito frequente, t&eacute;cnicas sexuais vers&aacute;teis, e obten&ccedil;&atilde;o frequente de orgasmo. Os autores provaram ainda que a satisfa&ccedil;&atilde;o sexual global estava relacionada, em n&iacute;veis id&ecirc;nticos, quer com a satisfa&ccedil;&atilde;o sexual f&iacute;sica quer com a emocional. Este estudo finland&ecirc;s demonstrou que a satisfa&ccedil;&atilde;o sexual aumentou grandemente nos &uacute;ltimos vinte anos, principalmente entre as mulheres, apesar destas ainda revelarem maior insatisfa&ccedil;&atilde;o sexual que os homens, argumentando os autores que tal se deve ao come&ccedil;o tardio da vida sexual, a atitudes sexuais conservadoras, &agrave; atribui&ccedil;&atilde;o de menor import&acirc;ncia &agrave; esfera sexual, &agrave; falta de assertividade sexual e ao facto de n&atilde;o utilizarem t&eacute;cnicas sexuais dotadas de maior plasticidade, aspectos que no seu conjunto as tornam mais inibidas sexualmente que os homens. </p>      <p>Pechorro, Diniz e Vieira (2009) investigaram a rela&ccedil;&atilde;o da satisfa&ccedil;&atilde;o sexual com o funcionamento sexual e com os comportamentos sexuais numa amostra de conveni&ecirc;ncia de mulheres portuguesas. Os resultados obtidos demonstraram n&atilde;o existir rela&ccedil;&atilde;o significativa entre a satisfa&ccedil;&atilde;o sexual e as fases do ciclo de resposta sexual, mas demonstraram a exist&ecirc;ncia duma rela&ccedil;&atilde;o significativa entre a satisfa&ccedil;&atilde;o sexual e o comportamento sexual car&iacute;cias e preliminares. </p>      <p>Da revis&atilde;o de literatura dos estudos emp&iacute;ricos transversais sobre mulheres podemos concluir que a maioria dos resultados destes evidencia um decl&iacute;nio no funcionamento sexual e na frequ&ecirc;ncia de actividades sexuais &agrave; medida que a idade aumenta, sendo que tal decl&iacute;nio parece come&ccedil;ar algures entre o final da segunda e o final da terceira d&eacute;cadas de vida (e.g., Bancroft et al., 2003; Kinsey, Pomeroy, Martin, &amp; Gebhard, 1953; Rissel, Richters, Grulich, Visser, &amp; Smith, 2003). Os dados indicam que a frequ&ecirc;ncia de coito diminui progressivamente, enquanto que a masturba&ccedil;&atilde;o aumenta e estabiliza durante a meia-idade (e.g., Laumann et al., 1999). Existe uma tend&ecirc;ncia maiorit&aacute;ria na literatura que vai no sentido de que acontece um decl&iacute;nio progressivo no desejo, na excita&ccedil;&atilde;o, na lubrifica&ccedil;&atilde;o e no orgasmo (e.g., Richters et al., 2003); relativamente &agrave; dor coital os resultados dos estudos n&atilde;o t&ecirc;m sido consistentes (e.g., Kadri et al., 2000; Richters et al., 2003). Os estudos transversais n&atilde;o est&atilde;o isentos de cr&iacute;ticas metodol&oacute;gicas, das quais salientamos a dificuldade em separar o efeito geracional (ou de <i>cohort</i>) do efeito de idade (e.g., Edwards &amp; Booth, 1994; McCoy, 1998). </p>      <p>Os estudos longitudinais s&atilde;o escassos e t&ecirc;m focado principalmente o desejo, a frequ&ecirc;ncia de actividades sexuais, e a menopausa. Os dados evidenciam que na generalidade das mulheres verifica-se a tend&ecirc;ncia para haver ou uma estabiliza&ccedil;&atilde;o ou um decl&iacute;nio do desejo (e.g., Hallstrom &amp; Samuelsson, 1990), que no caso da frequ&ecirc;ncia de actividades sexuais se verifica um inequ&iacute;voco decl&iacute;nio (e.g., Dennerstein, Randolph, Taffe, Dudley, &amp; Burguer, 2002), e que a menopausa &eacute; um factor significativo no decl&iacute;nio do funcionamento sexual (e.g., Dennerstein, Alexander, &amp; Kotz, 2003). Estes estudos tamb&eacute;m demonstraram a import&acirc;ncia que os factores relacionados com o companheiro t&ecirc;m relativamente &agrave;s actividades sexuais e ao desejo (e.g., Hallstrom &amp; Samuelsson, 1990). Tamb&eacute;m os estudos longitudinais n&atilde;o est&atilde;o isentos de cr&iacute;ticas metodol&oacute;gicas, das quais salientamos o facto de que as investiga&ccedil;&otilde;es efectuadas muito raramente ultrapassam os dez anos, o que &eacute; pouco para detectar grandes varia&ccedil;&otilde;es na sexualidade considerando o ciclo-de-vida humano. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Podemos concluir que a generalidade das recentes investiga&ccedil;&otilde;es e revis&otilde;es de literatura a n&iacute;vel internacional, salvo excep&ccedil;&otilde;es pontuais, aponta para um decl&iacute;nio geral do funcionamento sexual em fun&ccedil;&atilde;o da idade e da menopausa, e para uma elevada preval&ecirc;ncia de problemas sexuais na popula&ccedil;&atilde;o feminina. Relativamente &agrave; investiga&ccedil;&atilde;o feita com mulheres portuguesas provenientes da popula&ccedil;&atilde;o geral (i.e., com amostra n&atilde;o-cl&iacute;nica),  salientamos as efectuadas por Nobre (2003) e por Monteiro Pereira et al. (2006). </p>      <p>Relativamente &agrave; satisfa&ccedil;&atilde;o sexual os resultados dos diversos estudos efectuados variam dependendo da amostra estudada, do tipo de <i>design </i>do estudo, e da defini&ccedil;&atilde;o operacional de satisfa&ccedil;&atilde;o utilizada (Davis &amp; Petretic-Jackson, 2000; Hayes &amp; Dennerstein, 2005). Os estudos sobre satisfa&ccedil;&atilde;o sexual n&atilde;o esclarecem de forma consistente a rela&ccedil;&atilde;o entre satisfa&ccedil;&atilde;o sexual e a idade, dado que tanto existem evid&ecirc;ncias que apontam no sentido de que esta n&atilde;o se altera com a idade (e.g., Dunn et al., 2000) como evid&ecirc;ncias de que esta diminui com a idade (e.g., Deeks &amp; McCabe, 2001). </p>      <p>A presente investiga&ccedil;&atilde;o tem diversos objectivos que assentam na pretens&atilde;o de, com recurso ao que &eacute; a realidade nacional das mulheres portuguesas, esclarecer v&aacute;rias quest&otilde;es gerais de investiga&ccedil;&atilde;o relacionadas com o t&oacute;pico da sexualidade e ciclo-de-vida.  Ser&aacute; que os comportamentos sexuais declinam uniformemente com a idade? Ser&aacute; que o funcionamento sexual em geral e as v&aacute;rias dimens&otilde;es que o comp&otilde;em declinam uniformemente com a idade? Ser&aacute; que a satisfa&ccedil;&atilde;o sexual declina com a idade? </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>M&Eacute;TODO</p>      <p><i>Participantes</i></p>      <p>Na amostra comunit&aacute;ria obteve-se um total de 152 mulheres (<i>N</i>=152; leque et&aacute;rio=26-70 anos; <i>M</i>=41 anos; desvio-padr&atilde;o=12 anos) subdividido em v&aacute;rios grupos. O Grupo 1 ficou com 66 mulheres (<i>N</i>=66; leque et&aacute;rio=26-35 anos; <i>M</i>=29 anos; desvio-padr&atilde;o=3 anos), o Grupo 2 ficou com 44 mulheres (<i>N</i>=44; leque et&aacute;rio=40-49 anos; <i>M</i>=43 anos; desvio-padr&atilde;o=3 anos), e o Grupo 3 ficou com 42 mulheres (<i>N</i>=42; leque et&aacute;rio=54-70 anos; <i>M</i>=58 anos; desvio-padr&atilde;o=4 anos). Todas as mulheres eram caucasianas e residiam em meio urbano (distrito de Lisboa), tendo sido seleccionadas atrav&eacute;s de um processo de amostragem por conveni&ecirc;ncia. </p>      <p>Procedeu-se &agrave; an&aacute;lise descritiva de algumas vari&aacute;veis descritas como influenciando a sexualidade feminina (e.g., Laumann et al., 1999), nomeadamente Posi&ccedil;&atilde;o Social, Religiosidade, Toma de anti-depressivos e presen&ccedil;a de Menopausa. </p>      <p>Relativamente &agrave; posi&ccedil;&atilde;o social (De Castro &amp; Lima, citados por Diniz, 2001) 63.8% das mulheres ficaram colocadas na Posi&ccedil;&atilde;o Social II (classe m&eacute;dia mais instru&iacute;da), seguidas de 20.4% colocadas na Posi&ccedil;&atilde;o Social III (classe m&eacute;dia menos instru&iacute;da), de 11.9% colocadas na Posi&ccedil;&atilde;o Social IV (estrato oper&aacute;rio e rural), e de 3.9% colocadas na Posi&ccedil;&atilde;o Social I (classe superior). Quanto &agrave; religiosidade, analisando a amostra total, registou-se uma maioria de 55.3% das mulheres a considerarem-se religiosas n&atilde;o-praticantes,  27.6% religiosas praticantes, e 17.1% das mulheres declararam n&atilde;o ser religiosas. No que diz respeito &agrave; toma de anti-depressivos contabilizaram-se 12.5% das mulheres a tomar anti-depressivos, e quanto &agrave; presen&ccedil;a de Menopausa identificaram-se 28% de mulheres em estado de menopausa ou peri-menopausa. </p>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Instrumentos</i></p>      <p>Optou-se pelo &Iacute;ndice de Funcionamento Sexual Feminino (FSFI; Meston, 2003; Pechorro, Diniz, Almeida, &amp; Vieira, 2009a; Rosen et al., 2000) e pelo &Iacute;ndice de Satisfa&ccedil;&atilde;o Sexual (ISS; Hudson, 1998, 2000; Hudson, Harrison, &amp; Crosscup, 1981; Pechorro, Diniz, Almeida, &amp; Vieira, 2009b), devido a terem sido validados em Portugal, &agrave;s boas propriedades psicom&eacute;tricas que  demonstram possuir e &agrave; sua adequa&ccedil;&atilde;o aos prop&oacute;sitos da investiga&ccedil;&atilde;o. Foram adicionalmente constru&iacute;dos um Question&aacute;rio Demogr&aacute;fico, para descrever as caracter&iacute;sticas s&oacute;cio-demogr&aacute;ficas da amostra, e um Question&aacute;rio de Comportamentos Sexuais e de Sa&uacute;de em que se questionava se a participante era sexualmente activa, quais os comportamentos sexuais praticados, a frequ&ecirc;ncia com que esses comportamentos eram praticados (escala Likert de 7 pontos) e o seu estado relativamente &agrave; menopausa. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p><i>Procedimentos</i></p>      <p>Recrutaram-se os sujeitos constituintes da nossa amostra comunit&aacute;ria de valida&ccedil;&atilde;o em institui&ccedil;&otilde;es de ensino superior (alunas do Instituto Superior de Psicologia Aplicada, Universidade Internacional da Terceira Idade, e Universidade de Lisboa para a Terceira Idade) e em hospitais (funcion&aacute;rias do Hospital de Santa Maria e Hospital Pulido Valente). Sempre que poss&iacute;vel utilizou-se preferencialmente o m&eacute;todo de aplica&ccedil;&atilde;o em grupo com recurso a urna para manter a confidencialidade. Adicionalmente foram utilizados Informantes Privilegiados (IP), geralmente psic&oacute;logas &agrave;s quais foram previamente explicados os procedimentos de aplica&ccedil;&atilde;o, que nos seus contextos profissionais aplicaram os question&aacute;rios com recurso &agrave; metodologia preferencial acima referida. </p>      <p>Foram disponibilizados 368 question&aacute;rios, dos quais foram devolvidos 276 question&aacute;rios (incluindo bem preenchidos e mal preenchidos), tendo sido obtida uma taxa de resposta de 75%. O n&uacute;mero de question&aacute;rios bem preenchidos foi de 244 (incluindo mulheres sexualmente inactivas e mulheres sexualmente activas), 186 dos quais foram considerados como potencialmente utiliz&aacute;veis por as mulheres relatarem terem sido sexualmente activas com os seus companheiros. </p>      <p>Ap&oacute;s a recolha procedeu-se &agrave; selec&ccedil;&atilde;o dos question&aacute;rios que cumpriam os crit&eacute;rios mais espec&iacute;ficos desta investiga&ccedil;&atilde;o, nomeadamente estar inclu&iacute;da num dos grupos et&aacute;rios pr&eacute;-definidos (Grupo 1=26-35 anos, Grupo 2=40-49 anos, Grupo 3=54-70 anos), ser casada/viver em uni&atilde;o de facto e ser caucasiana. Foi intencionalmente deixado um hiato de 4 anos entre os intervalos dos grupos et&aacute;rios de forma a que os efeitos da idade pudessem ser mais fortemente evidenciados; optou-se por fixar o crit&eacute;rio de estar casada/viver em uni&atilde;o de facto dado que algumas mulheres referirem ser sexualmente inactivas devido a falta de companheiro (n&atilde;o por op&ccedil;&atilde;o pessoal), e fixar o crit&eacute;rio de ser caucasiana dada a esmagadora maioria das mulheres constituintes da amostra pertencerem a esse grupo (98.7%). </p>      <p>No Grupo 1 e no Grupo 2 foram inclu&iacute;das somente mulheres pr&eacute;-menopausicas (algumas mulheres  precocemente menopausicas devido a causas m&eacute;dicas foram exclu&iacute;das do Grupo 2), enquanto que no Grupo 3 foram inclu&iacute;das somente mulheres peri-menopausicas e p&oacute;s-menopausicas, das quais 38.1% (<i>n</i>=16) faziam terapia de substitui&ccedil;&atilde;o hormonal. </p>      <p>Os dados foram inseridos e tratados no <i>SPSS 14.0 for Windows. N&atilde;o houve necessidade de tratar valores omissos dado que apenas foram seleccionados os sujeitos que responderam totalmente &agrave;s escalas. Para as escalas, multipli</i>c&aacute;mos os resultados obtidos nos itens (os negativamente conotados foram inversamente cotados) pela carga factorial na respectiva dimens&atilde;o e calcul&aacute;mos a m&eacute;dia destas notas para cada dimens&atilde;o. As hip&oacute;teses foram testadas depois de tratados os <i>outliers</i>  por grupo, conforme o m&eacute;todo sugerido por Tabachnick e Fidell (2000). </p>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>RESULTADOS</p>      <p>Relativamente aos comportamentos sexuais podemos observar na Tabela 1 a frequ&ecirc;ncia dos diversos comportamentos por amostra total. De salientar que os 0% de mulheres que indicaram ter tido Sexo vaginal nenhuma vez s&atilde;o devidos a um dos crit&eacute;rios de inclus&atilde;o nesta investiga&ccedil;&atilde;o ser precisamente a obrigatoriedade de o terem tido. De salientar tamb&eacute;m que o comportamento Sexo anal &eacute; o menos frequentemente assinalado (nenhuma mulher o assinalou de Uma vez por Semana a Mais de uma vez por dia). </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>TABELA 1</p>      <p><i>Frequ&ecirc;ncia de comportamentos sexuais por amostra total</i></p> <img src="/img/revistas/aps/v28n4/28n4a09t1.gif">      
<p>&nbsp;</p>      <p>Na Tabela 2 podemos observar a frequ&ecirc;ncia dos diversos comportamentos sexuais por grupos et&aacute;rios. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>TABELA 2</p>      <p><i>Frequ&ecirc;ncia de comportamentos sexuais por grupos et&aacute;rios</i></p> <img src="/img/revistas/aps/v28n4/28n4a09t2.gif">      
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p>Seguidamente foi utilizado o teste de <i>U</i>-Mann-Whitney para fazer compara&ccedil;&otilde;es entre os grupos quanto aos comportamentos sexuais. N&atilde;o se analisou o comportamento sexual Sexo anal por se considerar n&atilde;o haver variabilidade suficiente nos grupos para o fazer. A an&aacute;lise estat&iacute;stica com <i>U</i>-Mann-Whitney para os grupos 1 e 2 (vd. Tabela 3) indicou n&atilde;o haver efeitos estatisticamente significativos para os comportamentos sexuais Beijar, Fantasia, Masturba&ccedil;&atilde;o m&uacute;tua, Car&iacute;cias e preliminares, e Sexo oral. Apenas para o comportamento sexual Masturba&ccedil;&atilde;o sozinha se verificou um resultado estatisticamente significativo relativo ao efeito do grupo sobre essa vari&aacute;vel (<i>U</i>=1090; <i>p</i>&lt;.05) favor&aacute;vel ao grupo 2, e para o comportamento sexual Sexo vaginal se verificou um resultado marginalmente significativo relativo ao efeito do grupo sobre essa vari&aacute;vel (<i>U</i>=1079; <i>p</i>=.072) favor&aacute;vel ao grupo 1. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>TABELA 3</p>      <p><i>Comportamentos sexuais: </i>U<i>-Mann-Whitney</i><i> para compara&ccedil;&otilde;es entre os grupos 1 e 2</i></p> <img src="/img/revistas/aps/v28n4/28n4a09t3.gif">      
<p>&nbsp;</p>      <p>A an&aacute;lise estat&iacute;stica para os grupos 1 e 3 (vd. Tabela 4) indicou haverem efeitos estatisticamente significativos para os comportamentos sexuais Beijar (<i>U</i>=646.5; <i>p</i>&lt;.001) favor&aacute;vel ao grupo 1, Fantasia (<i>U</i>=342; <i>p</i>&lt;.001) favor&aacute;vel ao grupo 1, Masturba&ccedil;&atilde;o m&uacute;tua (<i>U</i>=677; <i>p</i>&lt;.01) favor&aacute;vel ao grupo 1, Car&iacute;cias e preliminares (<i>U</i>=423.5; <i>p</i>&lt;.001) favor&aacute;vel ao grupo 1, Sexo oral (<i>U</i>=685.5; <i>p</i>&lt;.01) favor&aacute;vel ao grupo 1, e Sexo vaginal (<i>U</i>=362.5; <i>p</i>&lt;.001) favor&aacute;vel ao grupo 1. Apenas para o comportamento sexual Masturba&ccedil;&atilde;o sozinha se verificou n&atilde;o haver efeitos estatisticamente significativos relativo ao efeito do grupo sobre essa vari&aacute;vel. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>TABELA 4</p>      <p><i>Comportamentos sexuais: </i>U<i>-Mann-Whitney</i><i> para compara&ccedil;&otilde;es entre os grupos 1 e 3</i></p> <img src="/img/revistas/aps/v28n4/28n4a09t4.gif">      
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p>A an&aacute;lise estat&iacute;stica para os grupos 2 e 3 (vd. Tabela 5) indicou haverem efeitos estatisticamente significativos para os comportamentos sexuais Beijar (<i>U</i>=478.5; <i>p</i>&lt;.05) favor&aacute;vel ao grupo 2, Fantasia (<i>U</i>=299; <i>p</i>&lt;.001) favor&aacute;vel ao grupo 2, Car&iacute;cias e preliminares (<i>U</i>=328.5; <i>p</i>&lt;.001) favor&aacute;vel ao grupo 2, e Sexo vaginal (<i>U</i>=284.5; <i>p</i>&lt;.001) favor&aacute;vel ao grupo 2, e efeitos marginalmente significativos para os comportamentos sexuais Masturba&ccedil;&atilde;o m&uacute;tua (<i>U</i>=477; <i>p</i>=.052) favor&aacute;vel ao grupo 2 e Sexo oral (<i>U</i>=499; <i>p</i>=.094) favor&aacute;vel ao grupo 2. Apenas para o comportamento sexual Masturba&ccedil;&atilde;o sozinha se verificou n&atilde;o haver efeitos estatisticamente significativos relativo ao efeito do grupo sobre essa vari&aacute;vel. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>TABELA 5</p>     <p><i>Comportamentos sexuais: </i>U<i>-Mann-Whitney</i><i> para compara&ccedil;&otilde;es entre os grupos 2 e 3</i></p> <img src="/img/revistas/aps/v28n4/28n4a09t5.gif">      
<p>&nbsp;</p>      <p>Como se pode verificar na Figura 1, &eacute; patente que um decl&iacute;nio acentuado da maioria dos comportamentos sexuais acontece no grupo 3. De salientar que o comportamento sexual masturba&ccedil;&atilde;o sozinha teve o valor de mediana igual a zero em todos os grupos, apesar de se terem encontrado diferen&ccedil;as estatisticamente significativas entre os grupos (como foi referido acima). </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>FIGURA 1</p>      <p><i>Comportamentos sexuais medianos por grupo et&aacute;rio</i></p> <img src="/img/revistas/aps/v28n4/28n4a05f1.gif">      
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p>Para analisar o funcionamento sexual pretendeu-se utilizar a estat&iacute;stica MANOVA. Todavia, o teste de Levene de igualdade de vari&acirc;ncias de erro indicou valores inaceit&aacute;veis para as vari&aacute;veis Desejo-Excita&ccedil;&atilde;o [<i>F</i>(2,149)=12.72; <i>p</i>&lt;.001], Lubrifica&ccedil;&atilde;o [<i>F</i>(2,149)=28.25; <i>p</i>&lt;.001], Dor [<i>F</i>(2,149)=89.65; <i>p</i>&lt;.001], e FSFI total [<i>F</i>(2,149)=10.60; <i>p</i>&lt;.001]; indicou tamb&eacute;m valores aceit&aacute;veis para as vari&aacute;veis Orgasmo [<i>F</i>(2,149)=2.85; <i>p</i>=.061] e Satisfa&ccedil;&atilde;o [<i>F</i>(2,149)= .01; <i>p</i>=.989]. Devido a tal optou-se por utilizar nas vari&aacute;veis Orgasmo e Satisfa&ccedil;&atilde;o a MANOVA. Nas vari&aacute;veis Desejo-Excita&ccedil;&atilde;o, Lubrifica&ccedil;&atilde;o, Dor, e FSFI total optou-se pelo teste de <i>U</i>-Mann-Whitney. </p>      <p>A an&aacute;lise estat&iacute;stica com MANOVA (vd. Tabela 6) indicou existirem efeitos estatisticamente significativos entre os grupos nas vari&aacute;veis Orgasmo [<i>F</i>(2,152)=3.47; <i>p</i>&lt;.05; eta<sup>2</sup>=.05; poder=.64] e Satisfa&ccedil;&atilde;o [<i>F</i>(2,152)=6.77; <i>p</i>&lt;.01; eta<sup>2</sup>=.08; poder=.91]. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>TABELA 6</p>      <p><i>Orgasmo e Satisfa&ccedil;&atilde;o: Manova para compara&ccedil;&otilde;es entre o grupo 1, o grupo 2 e o grupo 3</i></p> <img src="/img/revistas/aps/v28n4/28n4a09t6.gif">      
<p>&nbsp;</p>      <p>Seguidamente fizeram-se as compara&ccedil;&otilde;es <i>post-hoc</i> por Bonferroni (vd. Tabela 7). Nas compara&ccedil;&otilde;es entre os grupos 1 e 2 n&atilde;o se encontraram efeitos estatisticamente significativos na vari&aacute;vel Orgasmo nem na vari&aacute;vel Satisfa&ccedil;&atilde;o. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>TABELA 7</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Orgasmo e Satisfa&ccedil;&atilde;o: Bonferroni para compara&ccedil;&otilde;es entre o grupo 1 e o grupo 2</i></p> <img src="/img/revistas/aps/v28n4/28n4a09t7.gif">      
<p>&nbsp;</p>      <p>Nas compara&ccedil;&otilde;es entre os grupos 1 e 3 (vd. Tabela 8) encontraram-se efeitos estatisticamente significativos para a vari&aacute;vel Satisfa&ccedil;&atilde;o (<i>p</i>&lt;.01) e efeitos marginalmente significativos para a vari&aacute;vel Orgasmo (<i>p</i>=.064), ambos favor&aacute;veis ao grupo 1. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>TABELA 8</p>      <p><i>Orgasmo e Satisfa&ccedil;&atilde;o: Bonferroni para compara&ccedil;&otilde;es entre o grupo 1 e o grupo 3</i></p> <img src="/img/revistas/aps/v28n4/28n4a09t8.gif">      
<p>&nbsp;</p>      <p>Nas compara&ccedil;&otilde;es entre os grupos 2 e 3 (vd. Tabela 9) encontraram-se efeitos estatisticamente significativos para a vari&aacute;vel Satisfa&ccedil;&atilde;o (<i>p&lt;</i>.05) e efeitos marginalmente significativos para a vari&aacute;vel Orgasmo (<i>p=</i>.064), ambos favor&aacute;veis ao grupo 2. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>TABELA 9</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Orgasmo e Satisfa&ccedil;&atilde;o: Bonferroni para compara&ccedil;&otilde;es entre o grupo 2 e o grupo 3</i></p> <img src="/img/revistas/aps/v28n4/28n4a09t9.gif">      
<p>&nbsp;</p>      <p>A an&aacute;lise estat&iacute;stica com <i>U</i>-Mann-Whitney para os grupos 1 e 2 (vd. Tabela 10) indicou haver um efeito estatisticamente significativo para a vari&aacute;vel Desejo-Excita&ccedil;&atilde;o (<i>U</i>=1082; <i>p</i>&lt;.05), favor&aacute;vel ao grupo 1, e n&atilde;o haverem efeitos estatisticamente significativos para as vari&aacute;veis Lubrifica&ccedil;&atilde;o, Dor e FSFI total. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>TABELA 10</p>      <p><i>FSFI e suas dimens&otilde;es: Teste de U-Mann-Whitney para compara&ccedil;&otilde;es entre o grupo 1 e o grupo 2 </i></p> <img src="/img/revistas/aps/v28n4/28n4a09t10.gif">      
<p>&nbsp;</p>      <p>Para os grupos 1 e 3 (vd. Tabela 11) indicou haverem efeitos estatisticamente significativos para as vari&aacute;veis Desejo-Excita&ccedil;&atilde;o (<i>U</i>=667.5; <i>p</i>&lt;.001), Lubrifica&ccedil;&atilde;o (<i>U</i>=851; <i>p</i>&lt;.001), Dor (<i>U</i>=966; <i>p</i>&lt;.01) e FSFI total (<i>U</i>=780.5; <i>p</i>&lt;.001), todas favor&aacute;veis ao grupo 1. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>TABELA 11</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>FSFI e suas dimens&otilde;es: Teste de U-Mann-Whitney para compara&ccedil;&otilde;es entre o grupo 1 e o grupo 3 </i></p> <img src="/img/revistas/aps/v28n4/28n4a09t11.gif">      
<p>&nbsp;</p>      <p>Para os grupos 2 e 3 (vd. Tabela 12) indicou haverem efeitos estatisticamente significativos para as vari&aacute;veis Desejo-Excita&ccedil;&atilde;o (<i>U</i>=617; <i>p</i>&lt;.01), Lubrifica&ccedil;&atilde;o (<i>U</i>=594; <i>p</i>&lt;.01), Dor (<i>U</i>=701; <i>p</i>&lt;.05) e FSFI total (<i>U</i>=563.5; <i>p</i>&lt;.01), todas favor&aacute;veis ao grupo 2. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>TABELA 12</p>      <p><i>FSFI e suas dimens&otilde;es: Teste de U-Mann-Whitney para compara&ccedil;&otilde;es entre o grupo 2 e o grupo 3 </i></p> <img src="/img/revistas/aps/v28n4/28n4a09t12.gif">      
<p>&nbsp;</p>      <p>Como se pode verificar na Figura 2, acontece um decl&iacute;nio acentuado do funcionamento sexual no grupo 3 (o que foi estatisticamente comprovado acima). </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>FIGURA 2</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Funcionamento sexual m&eacute;dio por grupo et&aacute;rio</i></p> <img src="/img/revistas/aps/v28n4/28n4a09f2.gif">      
<p>&nbsp;</p>      <p>Para a satisfa&ccedil;&atilde;o sexual pretendeu-se utilizar a MANOVA, sendo a vari&aacute;vel antecedente o grupo. Todavia, o teste de Levene de igualdade de vari&acirc;ncias de erro (vd. Tabela 29) indicou valores inaceit&aacute;veis para a vari&aacute;vel ISS [<i>F</i>(2,149)=10.24; <i>p</i>&lt;.001]. Devido a tal, optou-se por utilizar na vari&aacute;vel ISS o teste de <i>U</i>-Mann-Whitney.</p>      <p>A an&aacute;lise estat&iacute;stica com <i>U</i>-Mann-Whitney (vd. Tabela 13) para os grupos 1 e 2 indicou haver um efeito marginalmente significativo para a vari&aacute;vel ISS (<i>U</i>=1138; <i>p</i>=.055), favor&aacute;vel ao grupo 2. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>TABELA 13</p>      <p><i>ISS: Teste de U-Mann-Whitney para compara&ccedil;&otilde;es entre o grupo 1 e o grupo 2</i></p> <img src="/img/revistas/aps/v28n4/28n4a09t13.gif">      
<p>&nbsp;</p>      <p>Para os grupos 1 e 3 (vd. Tabela 14) indicou haver um efeito estatisticamente significativo para a vari&aacute;vel ISS (<i>U</i>=686.5; <i>p</i>&lt;.001), favor&aacute;vel ao grupo 3. </p>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>TABELA 14</p>      <p><i>ISS: Teste de U-Mann-Whitney para compara&ccedil;&otilde;es entre o grupo 1 e o grupo 3</i></p> <img src="/img/revistas/aps/v28n4/28n4a09t14.gif">      
<p>&nbsp;</p>      <p>Para os grupos 2 e 3 (vd. Tabela 15) indicou haver um efeito estatisticamente significativo para a vari&aacute;vel ISS (<i>U</i>=662; <i>p</i>&lt;.05), favor&aacute;vel ao grupo 3. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>TABELA 15</p>      <p><i>ISS: Teste de U-Mann-Whitney para compara&ccedil;&otilde;es entre o grupo 2 e o grupo 3</i></p> <img src="/img/revistas/aps/v28n4/28n4a09t15.gif">      
<p>&nbsp;</p>      <p>Como se pode verificar na Figura 3, aconteceu um aumento progressivo da insatisfa&ccedil;&atilde;o sexual (no ISS o aumento da pontua&ccedil;&atilde;o &eacute; indicador de aumento da insatisfa&ccedil;&atilde;o sexual) com a idade, sendo mais acentuada no grupo 3. </p>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>FIGURA 3</p>      <p><i>Satisfa&ccedil;&atilde;o sexual m&eacute;dia por grupo et&aacute;rio</i></p> <img src="/img/revistas/aps/v28n4/28n4a09f3.gif">      
<p>&nbsp;</p>      <p>DISCUSS&Atilde;O</p>      <p>Relativamente aos comportamentos sexuais e &agrave; influ&ecirc;ncia da vari&aacute;vel idade nestes, estudos pr&eacute;vios (e.g., James, citado por Edwards &amp; Booth, 1994; Kinsey, Pomeroy, Martin, &amp; Gebhard, 1953) deixaram antever um decl&iacute;nio progressivo do coito e da generalidade dos comportamentos sexuais &agrave; medida que a idade vai avan&ccedil;ando (excepto para o comportamento Masturba&ccedil;&atilde;o sozinha que se constata aumentar na meia-idade; Laumann et al., 1999). </p>      <p>Os resultados por n&oacute;s obtidos para os grupos 1 e 2 evidenciaram uma aus&ecirc;ncia de diferen&ccedil;as entre os dois grupos para a generalidade dos comportamentos sexuais (nomeadamente Beijar, Fantasia, Masturba&ccedil;&atilde;o m&uacute;tua, Car&iacute;cias e preliminares, Sexo oral), dado que apenas na Masturba&ccedil;&atilde;o sozinha se obteve um resultado estatisticamente significativo, favor&aacute;vel ao grupo 2, e que no Sexo vaginal se obteve um resultado marginalmente significativo, favor&aacute;vel ao grupo 1. Os resultados obtidos para os grupos 2 e 3 evidenciaram a exist&ecirc;ncia de diferen&ccedil;as entre os dois grupos para a generalidade dos comportamentos sexuais (excepto Masturba&ccedil;&atilde;o sozinha), dado que para os comportamentos Beijar, Fantasia, Car&iacute;cias e preliminares, e Sexo vaginal se obtiveram resultados estatisticamente significativos, favor&aacute;veis ao grupo 2, e que para os comportamentos Masturba&ccedil;&atilde;o m&uacute;tua e Sexo oral obtiveram-se resultados marginalmente significativos, favor&aacute;veis ao grupo 2. Os resultados obtidos para os grupos 1 e 3 confirmaram a exist&ecirc;ncia de diferen&ccedil;as estatisticamente significativas entre os dois grupos para todos os comportamentos sexuais (excepto para a Masturba&ccedil;&atilde;o sozinha). </p>      <p>A an&aacute;lise dos resultados levou-nos &agrave; rejei&ccedil;&atilde;o da hip&oacute;tese nula de que n&atilde;o existem diferen&ccedil;as estatisticamente significativas relativamente a todos os comportamentos sexuais analisados, nomeadamente Beijar, Fantasia sexual, Masturba&ccedil;&atilde;o sozinha, Masturba&ccedil;&atilde;o m&uacute;tua, Car&iacute;cias e preliminares, Sexo oral e Sexo vaginal. </p>      <p>Podemos concluir que para a generalidade dos comportamentos sexuais (nomeadamente Beijar, Fantasia, Masturba&ccedil;&atilde;o m&uacute;tua, Car&iacute;cias e preliminares, Sexo oral) ocorreu um decl&iacute;nio apenas na transi&ccedil;&atilde;o da meia-idade (grupo 2) para a velhice (grupo 3). No caso do comportamento Sexo vaginal verificou-se a tend&ecirc;ncia a haver uma diminui&ccedil;&atilde;o subtil (marginalmente significativa) da juventude (grupo 1) para a meia-idade (grupo 2), e uma diminui&ccedil;&atilde;o mais evidente da meia-idade (grupo 2) para a velhice (grupo 3). No caso do comportamento Masturba&ccedil;&atilde;o sozinha, pelo contr&aacute;rio, aconteceu um aumento evidente da juventude (grupo 1) para a meia-idade (grupo 2), seguido de uma estabiliza&ccedil;&atilde;o da meia-idade (grupo 2) para a velhice (grupo 3). Os resultados obtidos relativos a estes dois &uacute;ltimos comportamentos sexuais parecem pois confirmar os dados de Kinsey et al. (1953) e parcialmente os de Laumann et al. (1999). </p>      <p>Devemos salientar que os comportamentos sexuais Car&iacute;cias e preliminares, Sexo oral e Sexo vaginal s&atilde;o os que demonstraram possuir maior variabilidade de frequ&ecirc;ncia e import&acirc;ncia te&oacute;rica, pelos que os resultados obtidos para os restantes devem ser interpretados com a devida precau&ccedil;&atilde;o. </p>      <p>Relativamente &agrave; influ&ecirc;ncia da vari&aacute;vel idade no funcionamento sexual os estudos pr&eacute;vios indicaram maioritariamente uma tend&ecirc;ncia para um decl&iacute;nio progressivo no desejo, na excita&ccedil;&atilde;o, na lubrifica&ccedil;&atilde;o, e no orgasmo (e.g., Kadri et al., 2000; Richters et al., 2003). Previamente procedeu-se ao teste de homogeneidade das vari&aacute;veis antecedentes consideradas importantes, nomeadamente Posi&ccedil;&atilde;o social, Religiosidade, e Toma de anti-depressivos. Os dados revelaram a inexist&ecirc;ncia de homogeneidade quanto a essas vari&aacute;veis ao longo dos tr&ecirc;s grupos, que t&ecirc;m sido teoricamente e empiricamente associadas a um pior funcionamento sexual (e.g., Kaplan, 1974; Laumann et al., 1999;  Masters &amp; Johnson, 1966). </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Relativamente ao funcionamento sexual, os resultados obtidos para os grupos 1 e 2 evidenciaram uma aus&ecirc;ncia de diferen&ccedil;as para a generalidade das dimens&otilde;es e para a escala total, excepto para a dimens&atilde;o mista Desejo-Excita&ccedil;&atilde;o  relativamente &agrave; qual se encontraram diferen&ccedil;as estatisticamente significativas favor&aacute;veis &agrave;s mulheres jovens (grupo 1). Os resultados obtidos para os grupos 2 e 3 evidenciaram a exist&ecirc;ncia de diferen&ccedil;as estatisticamente significativas para generalidade das dimens&otilde;es e da escala total, devendo-se salientar que para a dimens&atilde;o Orgasmo foi marginalmente significativa. As diferen&ccedil;as encontradas foram favor&aacute;veis &agrave;s mulheres de meia-idade (grupo 2). Os resultados obtidos para os grupos 1 e 3 confirmaram a exist&ecirc;ncia de diferen&ccedil;as estatisticamente significativas para generalidade das dimens&otilde;es e da escala total, devendo-se salientar que para a dimens&atilde;o Orgasmo foi marginalmente significativa. As diferen&ccedil;as encontradas foram favor&aacute;veis &agrave;s mulheres jovens (grupo 1). </p>      <p>A interpreta&ccedil;&atilde;o dos resultados considerando os tr&ecirc;s grupos levou-nos &agrave; rejei&ccedil;&atilde;o da hip&oacute;tese nula de que n&atilde;o existiriam diferen&ccedil;as estatisticamente significativas quanto aos grupos para as vari&aacute;veis Desejo-Excita&ccedil;&atilde;o, Lubrifica&ccedil;&atilde;o, Orgasmo, Satisfa&ccedil;&atilde;o, Dor, e FSFI total.</p>      <p>Podemos concluir que para o funcionamento sexual geral (escala total) e para a generalidade das dimens&otilde;es (nomeadamente Lubrifica&ccedil;&atilde;o, Orgasmo, Satisfa&ccedil;&atilde;o, e Dor) ocorreu um decl&iacute;nio apenas na transi&ccedil;&atilde;o da meia-idade (grupo 2) para a velhice (grupo 3), embora na dimens&atilde;o Orgasmo esse decl&iacute;nio seja subtil (marginalmente significativo) indicando que poder&aacute; ser a dimens&atilde;o melhor preservada. No caso da dimens&atilde;o mista Desejo-Excita&ccedil;&atilde;o verificou-se a tend&ecirc;ncia a haver uma diminui&ccedil;&atilde;o progressiva da juventude (grupo 1) para a meia-idade (grupo 2) e desta &uacute;ltima para a velhice (grupo 3). N&atilde;o se verificou a tend&ecirc;ncia para a dispareunia diminuir com a idade  (e.g., Avis, Stellato, Crawford, Johannes, &amp; Longcope, 2002; Laumann et al., 1999), encontrando-se pelo contr&aacute;rio um aumento. De salientar que o decl&iacute;nio coincidente com o grupo 3 afectou o funcionamento sexual como um todo. </p>      <p>Os resultados obtidos confirmaram a tend&ecirc;ncia para que haja um decl&iacute;nio do funcionamento sexual em geral relacionado com a idade. Todavia esse decl&iacute;nio n&atilde;o ocorreu maioritariamente da forma progressiva e uniforme que era esperada. Em vez disso encontr&aacute;mos um decl&iacute;nio abrupto que coincidiu com a conjuga&ccedil;&atilde;o de um conjunto de vari&aacute;veis associadas &agrave; disfuncionalidade sexual, nomeadamente: velhice, baixa posi&ccedil;&atilde;o social, maior religiosidade, maior toma de anti-depressivos, e menopausa (o grupo 3 inclui apenas mulheres peri-menopausicas e p&oacute;s-menopausicas).</p>      <p>Apesar do nosso estudo ser transversal e n&atilde;o ter sido projectado para separar inequivocamente o efeito da idade do efeito da menopausa, o que &eacute; facto &eacute; que uma recente revis&atilde;o de literatura efectuada tendo por base a popula&ccedil;&atilde;o geral (Dennerstein, Alexander, &amp; Kotz, 2003)  concluiu que a menopausa est&aacute; associada a um decl&iacute;nio dram&aacute;tico no funcionamento sexual feminino, e que a sua import&acirc;ncia n&atilde;o dever&aacute; de forma alguma ser minimizada. </p>      <p>Relativamente &agrave; influ&ecirc;ncia na satisfa&ccedil;&atilde;o sexual da vari&aacute;vel idade os estudos pr&eacute;vios n&atilde;o esclarecem de forma consistente a rela&ccedil;&atilde;o entre satisfa&ccedil;&atilde;o sexual e a idade, dado que tanto existem evid&ecirc;ncias que apontam no sentido de que esta n&atilde;o se altera com a idade (e.g., Dunn et al., 2000) como evid&ecirc;ncias de que esta diminui com a idade (e.g., Deeks &amp; McCabe, 2001). </p>      <p>Os resultados obtidos para os grupos 1 e 2 indicaram a exist&ecirc;ncia de diferen&ccedil;as marginalmente significativas favor&aacute;veis ao grupo 2. Os resultados para os grupos 2 e 3 indicaram a exist&ecirc;ncia de diferen&ccedil;as significativas favor&aacute;veis ao grupo 3. Os resultados para os grupos 1 e 3 confirmaram a exist&ecirc;ncia de diferen&ccedil;as significativas favor&aacute;veis ao grupo 3. </p>      <p>A interpreta&ccedil;&atilde;o dos resultados considerando os tr&ecirc;s grupos levou-nos a concluir pela rejei&ccedil;&atilde;o da hip&oacute;tese nula de n&atilde;o existiriam diferen&ccedil;as estatisticamente significativas quanto aos grupos relativamente &agrave; insatisfa&ccedil;&atilde;o sexual. Verificou-se pois no caso da satisfa&ccedil;&atilde;o sexual haver uma diminui&ccedil;&atilde;o subtil (marginalmente significativa) da juventude (grupo 1) para a meia-idade (grupo 2) e uma diminui&ccedil;&atilde;o mais evidente da meia-idade (grupo 2) para a velhice (grupo 3). O decl&iacute;nio foi, portanto, progressivamente aumentando &agrave; medida que a idade aumentava, embora tenha declinado mais acentuadamente da meia-idade (grupo 2) para a velhice (grupo 3). Provavelmente tal estar&aacute; relacionado com vari&aacute;veis da rela&ccedil;&atilde;o com o companheiro que n&atilde;o foram controladas neste estudo, mas s&atilde;o j&aacute; relativamente conhecidas (e.g., Bancroft et al., 2003; Jayne, citada por Davis &amp; Petretic-Jackson, 2000), e parcialmente com o pr&oacute;prio decl&iacute;nio do funcionamento sexual. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>REFER&Ecirc;NCIAS</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Abdo, C., Oliveira, W., Jr., Moreira, E., Jr., &amp; Fittipaldi, J. (2004). Prevalence of sexual dysfunctions and correlated conditions in a sample of Brazilian women: Results of the brasilian study on sexual behaviour (BSSB). <i>International Journal  of Impotence Research, 16</i>, 160-166. </p>      <p>Avis, N., Stellato, R., Crawford, S., Johannes, C., &amp; Longcope, C. (2002). Is there an association between menopause status and sexual functioning? <i>Menopause, 7</i>, 297-309. </p>      <p>Bancroft, J., Loftus, J., &amp; Long, J. (2003). Distress about sex: A national survey of women  in heterosexual relationships. <i>Archives of Sexual Behavior, 32</i>, 193-208. </p>      <p>&Ccedil;ayan, S., Akbay, E., Bozlu, M., Canpolat, B., Acar, D., &amp; Ulusoy, E. (2004). The prevalence of female sexual dysfunction and potential risk factors that may impair sexual function in Turkish women. <i>Urologia Internationalis, 72</i>, 52-57. </p>      <p>Davis, J., &amp; Petretic-Jackson, P. (2000). The impact of childhood sexual abuse on adult interpersonal  functioning: A review and synthesis of the empirical literature. <i>Aggression and Violent Behavior,  5</i>, 291-328. </p>      <p>Deeks, A., &amp; McCabe, M. (2001). Sexual function and the menopausal woman: The importance of age and partner&#8217;s sexual functioning. <i>The Journal of Sex Research, 38</i>, 219-225. </p>      <p>Dennerstein, L., Alexander, J., &amp; Kotz, K. (2003). The menopause and sexual functioning. <i>Annual Review of Sex Research, 14</i>, 64-82. </p>      <p>Dennerstein, L., Randolph, J., Taffe, J., Dudley, E., &amp; Burguer, H. (2002). Hormones, mood, sexuality,  and the menopausal transition. <i>Fertil Steril, 77</i>, S42-48. </p>      <p>Diniz, A. (2001). <i>Cren&ccedil;as, escolha de carreira e integra&ccedil;&atilde;o universit&aacute;ria</i>. Disserta&ccedil;&atilde;o de Doutoramento n&atilde;o publicada, Instituto de Educa&ccedil;&atilde;o e Psicologia da Universidade do Minho, Braga. </p>      <p>Dunn, K., Croft, P., &amp; Hackett, G. (2000). Satisfaction in the sex life of a general population sample. <i>Journal of Sex and Marital Therapy, 26</i>, 141-151. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Edwards, J., &amp; Booth, A. (1994). Sexuality, marriage, and well-being: The middle years. In A. Rossi (Ed.), <i>Sexuality across the life course </i>(pp. 233-260). Chicago: University of Chicago Press. </p>      <p>Fugl-Meyer, A., &amp; Fugl-Meyer, K. (2002). Sexual disabilities are not singularities. <i>International Journal of Impotence Research, 14</i>, 487-493. </p>      <p>Haavio-Mannila, E., &amp; Kontula, O. (1997). Correlates of increased sexual satisfaction. <i>Arquives of Sexual Behavior, 26</i>(4), 399-419. </p>      <p>Hallstrom, T., &amp; Samuelsson, S. (1990). Changes in women&#8217;s sexual desire in middle life:  The longitudinal study of women in Gothenburg. <i>Archives of Sexual Behavior, 19</i>, 259-268. </p>      <p>Hawton, K., Gath, D., &amp; Day, A. (1994). Sexual function in a community sample of middle-aged women with partners: Effects of age, marital, socioeconomic, psychiatric, gynaecological,  and menopausal factors. <i>Archives of Sexual Behavior, 23</i>, 375-395. </p>      <p>Hayes, R., &amp; Dennerstein, L. (2005). The impact of aging on sexual function and sexual dysfunction in women.  <i>Journal of Sexual Medicine, 2</i>, 317-330. </p>      <p>Hisasue, S., Kumamoto, Y., Sato, Y., Masumori, N., Horita, H., Kato, R., et al. (2005). Prevalence of female sexual dysfunction symptoms and its relationship to quality of life: A japanese female cohort study. <i>Urology, 65</i>, 143-148. </p>      <p>Hudson, W. (1998). Index of Sexual Satisfaction. In C. Davis, W. Yarber, R. Bauserman, G. Schreer, &amp; S. Davis (Eds.), <i>Handbook of sexuality-related measures </i>(pp. 512-513). Thousand Oaks, California: Sage Publications. </p>      <p>Hudson, W. (2000). Index of Sexual Satisfaction. In K. Corcoran &amp; J. Fischer (Eds.), <i>Measures for clinical practice: A sourcebook </i>(3rd ed., vol. 2). New York: The Free Press. </p>      <p>Hudson, W., Harrison, D., &amp; Crosscup, P. (1981). A short-form scale to measure sexual discord in dyadic relationships. <i>The Journal of Sex Research, 17</i>(2), 157-174. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Johnson, S., Phelps, D., &amp; Cottler, L. (2004). The association of sexual dysfunction and substance use among a community epidemiological sample. <i>Archives of Sexual Behavior, 33</i>, 55-63. </p>      <p>Kadri, N., Alami, K., &amp; Tahiri, S. (2000). Sexual dysfunction in women: Population based epidemiological study. <i>Archives of Women Mental Health, 5</i>, 59-63. </p>      <p>Kaplan, H. (1974). <i>The new sex therapy: Active treatment of sexual dysfunctions</i>. New York: Brunner Mazel.</p>      <p>Kinsey, A., Pomeroy, W., Martin, C., &amp; Gebhard, P. (1953). <i>Sexual behavior in the human female</i>. Philadelphia: Saunders. </p>      <p>Laumann, E., Paik, A., &amp; Rosen, R. (1999). Sexual dysfunction in the United Sates: Prevalence and predictors. <i>Journal of the American Medical Association, 281</i>, 537-544. </p>      <p>Masters, W., &amp; Johnson, V. (1966). <i>Human</i><i> sexual response</i>. Boston: Little Brown. </p>      <p>McCoy, N. (1998). Methodological problems in the study of sexuality and the menopause.  <i>Maturitas, 29</i>, 51-60. </p>      <p>Meston, C. (2003). Validation of the Female Sexual Function Index (FSFI) in women with Female Orgasmic Disorder and in women with Hipoactive Sexual Desire Disorder. <i>Journal of Sex and Marital Therapy</i>, <i>29</i>, 39-46. </p>      <!-- ref --><p>Monteiro Pereira, N., et al. (2006). Estudo Episex-pt. <i>M&eacute;dico de Fam&iacute;lia</i>, N&ordm; 98F, Fevereiro, 96-97. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000201&pid=S0870-8231201000040000900001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Najman, J., Dunne, M., Boyle, F., Cook, M., &amp; Purdie, D. (2003). Sexual dysfunction in the Australian population. <i>Australian Family Physician, 32</i>, 951-954. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Nobre, P. (2003). <i>Disfun&ccedil;&otilde;es sexuais: Contributos para a constru&ccedil;&atilde;o de um modelo baseado na teoria cognitiva</i>. Disserta&ccedil;&atilde;o de Doutoramento n&atilde;o publicada, Faculdade de Psicologia e de Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o da Universidade de Coimbra, Coimbra. </p>      <!-- ref --><p>Pechorro, P., Diniz, A., &amp; Vieira, R. (2009). Satisfa&ccedil;&atilde;o sexual feminina: Rela&ccedil;&atilde;o com funcionamento sexual e comportamentos sexuais. <i>An&aacute;lise Psicol&oacute;gica, XXVII(1</i>), 99-108. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000204&pid=S0870-8231201000040000900002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Pechorro, P., Diniz, A., Almeida, S., &amp; Vieira, R. (2009a). Valida&ccedil;&atilde;o portuguesa do &Iacute;ndice de Funcionamento Sexual Feminino (FSFI). <i>Laborat&oacute;rio de Psicologia</i>, <i>7</i>(1), Setembro, 33-44. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000205&pid=S0870-8231201000040000900003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Pechorro, P., Diniz, A., Almeida, S., &amp; Vieira, R. (2009b). Valida&ccedil;&atilde;o portuguesa de uma vers&atilde;o feminina do &Iacute;ndice de Satisfa&ccedil;&atilde;o Sexual (ISS). <i>Laborat&oacute;rio de Psicologia</i>, <i>7</i>(1), Setembro, 45-56. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000206&pid=S0870-8231201000040000900004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Ponholzer, A., Roehlich, M., Racz, U., Temml, C., &amp; Madersbacher, S. (2005). Female sexual dysfunction in a healthy Austrian cohort: Prevalence and risk factors. <i>European Urology, 47</i>, 366-375. </p>      <p>Richters, J., Grulich, A., Visser, R., Smith, A., &amp; Rissel, C. (2003). Sex in Australia: Sexual difficulties in a representative sample of adults.  <i>Aust NZ J Public Health, 27</i>, 164-170. </p>      <p>Rissel, C., Richters, J., Grulich, A., Visser, R., &amp; Smith, A. (2003). Sex in Australia: Selected  characteristics of regular sexual relationships. <i>Aust. NZ J. Public Health, 27</i>, 180-190. </p>      <p>Rosen, R., Brown, C., Heiman, J., Leiblum, S., Meston, C., Shabsigh, R., et al. (2000). The Female Sexual Function Index (FSFI): A multidimensional self-report instrument for the assessment of female sexual function. <i>Journal of Sex and Marital Therapy, 26</i>, 191-208. </p>      <p>Tabachnick, B., &amp; Fidell, L. (2000). <i>Using multivariate statistics </i>(4th ed.). Boston, MA: Allyn and Bacon. </p>      <p>Ventegodt, S. (1998). Sex and the quality of life in Denmark. <i>Archives of Sexual Behavior,  27(3</i>), 295-307, 309-314. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[ ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
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