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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Quid Vincit: O impacto da liderança feminina na implicação organizacional]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,IUL - Instituto Universitário do Lisboa ISCTE - Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa ]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The current study explores the effects of feminine leadership practices on organizational commitment in the workplace. The study is correlational, since it analyses the relationship between leadership, measured with the LBDQ, and organizational commitment, measured with the OCQ. The questionnaires were distributed to 52 workers (47 women and 5 men) of a school in Lisbon. No significant differences were found in the organizational commitment of the participants that responded more favourably to the female leader and those that responded more favourably to the male leader.]]></p></abstract>
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<kwd lng="en"><![CDATA[Organizational Commitment]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>Quid Vincit? O impacto da lideran&ccedil;a feminina na implica&ccedil;&atilde;o organizacional</b></p>      <p>&nbsp;</p>      <p>Maria Al&ccedil;ada Baptista Moller (*), Jorge Filipe da Silva Gomes (**) </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>(*) Licenciada e Mestre em Psicologia Social e das Organiza&ccedil;&otilde;es    e Mestre em Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o; E-mail: <a href="mailto:mariamoller@escola-avemaria.com">mariamoller@escola-avemaria.com</a>  </p>      <p>(**) ISCTE-IUL, Departamento de Psicologia Social e das Organiza&ccedil;&otilde;es,    Av. das For&ccedil;as Armadas, 1649-026, Lisboa; E-mail: <a href="mailto:jorge.gomes@iscte.pt">jorge.gomes@iscte.pt</a>  </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>RESUMO</p>      <p>Este estudo explora, atrav&eacute;s da compara&ccedil;&atilde;o entre um l&iacute;der feminino e um masculino, o efeito das pr&aacute;ticas de lideran&ccedil;a feminina na implica&ccedil;&atilde;o organizacional, tendo em conta a crescente presen&ccedil;a das mulheres, tidas como inclusivas, em lugares de chefia das organiza&ccedil;&otilde;es. </p>      <p>O estudo &eacute; de car&aacute;cter correlacional, na medida em que se analisou a associa&ccedil;&atilde;o entre as pr&aacute;ticas de lideran&ccedil;a, medidas atrav&eacute;s do <i>LBDQ</i>, e a implica&ccedil;&atilde;o organizacional, medida com o <i>OCQ. </i>Os question&aacute;rios foram aplicados a 52 trabalhadores (47 do sexo feminino e 5 do masculino) de uma escola em Lisboa. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>N&atilde;o foram verificadas diferen&ccedil;as significativas na implica&ccedil;&atilde;o organizacional dos participantes que responderam mais favoravelmente ao l&iacute;der feminino e dos que responderam mais favoravelmente ao l&iacute;der masculino. </p>      <p><i>Palavras chave: </i>G&eacute;nero, Implica&ccedil;&atilde;o organizacional, Lideran&ccedil;a. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>ABSTRACT</p>      <p>The current study explores the effects of feminine leadership practices on organizational commitment in the workplace. </p>      <p>The study is correlational, since it analyses the relationship between leadership, measured with the <i>LBDQ</i>, and organizational commitment, measured with the <i>OCQ. </i>The questionnaires were distributed to 52 workers (47 women and 5 men) of a school in Lisbon. </p>      <p>No significant differences were found in the organizational commitment of the participants that responded more favourably to the female leader and those that responded more favourably to the male leader. </p>      <p><i>Key words: </i>Gender, Leadership, Organizational Commitment. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>INTR&Oacute;ITO</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Imagine-se um local onde s&atilde;o as mulheres a mandar. O dinheiro, as propriedades e a riqueza pertencem &agrave;s mulheres e &agrave;s suas filhas herdeiras. N&atilde;o existem maridos, porque n&atilde;o existe matrim&oacute;nio. As mulheres podem escolher quantos parceiros desejarem e s&atilde;o elas a impor quando, onde e em que condi&ccedil;&otilde;es se d&atilde;o as rela&ccedil;&otilde;es sexuais. Os filhos s&atilde;o criados pelas mulheres. S&atilde;o estas que trabalham arduamente, muito mais do que os homens, os quais assumem um papel secund&aacute;rio, para tratar de algumas quest&otilde;es pol&iacute;ticas da comunidade. O nome da mulher &eacute; que se perpetua, n&atilde;o o do homem. N&atilde;o existe viol&ecirc;ncia ou guerra, pois as mulheres n&atilde;o lhe conferem qualquer valor. O desapego material &eacute;, ali&aacute;s, um predicado deste povo, que prefere viver em harmonia com a Natureza. </p>      <p>Com tal descri&ccedil;&atilde;o, poderia o leitor pensar estar a falar-se das Amazonas ou das Valqu&iacute;rias, se  bem que a nota pacifista do texto se op&otilde;e ao car&aacute;cter guerreiro destes povos das mitologias grega e n&oacute;rdica, respectivamente. De facto, trata-se dos Mosuo, uma comunidade de 25 mil  pessoas da cidade de Loshui, na prov&iacute;ncia do Yunnan, na China. Os relatos prov&ecirc;m de uma obra n&atilde;o cient&iacute;fica, editada em 2008 por um jornalista e m&eacute;dico (Coler, 2008), que viveu alguns meses entre este que &eacute; um dos &uacute;ltimos matriarcados do mundo. </p>      <p>Arriscando alguma acusa&ccedil;&atilde;o de machismo <i>d&eacute;mod&eacute;</i> ou mesmo de misoginia  insolente, parece relativamente factual afirmar que, no resto do planeta, as mulheres est&atilde;o muito aqu&eacute;m da for&ccedil;a e estatuto detido pelas suas cong&eacute;neres Mosuo. Continua a ser raro encontrar mulheres em altos cargos associados, por exemplo, ao poder pol&iacute;tico ou econ&oacute;mico. Aceder a altos postos &eacute; muito mais f&aacute;cil para os homens, mesmo quando estes est&atilde;o menos preparados a n&iacute;vel de habilita&ccedil;&otilde;es. Os dados confirmam que o n&uacute;mero de mulheres decresce na raz&atilde;o inversa em que se ascende aos mais altos n&iacute;veis de hierarquia (Nogueira, 2006). </p>      <p>Enquanto que a n&iacute;vel de mercado laboral no s&eacute;culo XX, a quantidade de mulheres cresceu de forma acentuada, a n&iacute;vel de cargos de gest&atilde;o e de pol&iacute;tica, essa evolu&ccedil;&atilde;o tem sido modesta. Os exemplos s&atilde;o relativamente poucos e conhecidos: Margaret Thatcher (primeira mulher brit&acirc;nica a ocupar o cargo de primeiro-ministro), &Acirc;ngela Merkel (primeira mulher a  presidir um governo da Alemanha), Michelle Bachelet e Cristina F&eacute;rnandez de Kirchner (presidentes do Chile e da Argentina, respectivamente), ou Hillary Clinton. Esta &uacute;ltima, embora n&atilde;o tenha ganho as elei&ccedil;&otilde;es americanas em 2008, simboliza uma l&iacute;der que, segundo Turner (2008), precisou adoptar um estilo de lideran&ccedil;a equilibrado, com caracter&iacute;sticas masculinas e femininas, para poder vingar no mundo da pol&iacute;tica. Para esta autora, o verdadeiro l&iacute;der &eacute; aquele que tem a sabedoria para saber quais s&atilde;o os atributos masculinos e femininos que funcionam em determinada situa&ccedil;&atilde;o. </p>      <p>O objectivo deste estudo &eacute; explorar as diferen&ccedil;as entre g&eacute;neros no que diz respeito aos processos de lideran&ccedil;a nas organiza&ccedil;&otilde;es. Em concreto, o trabalho intenta analisar os impactos da lideran&ccedil;a exercida por mulheres na implica&ccedil;&atilde;o organizacional dos trabalhadores. </p>      <p>Pesquisas conduzidas nos &uacute;ltimos anos apontam para que a lideran&ccedil;a, quando participativa, &eacute; um dos antecedentes da liga&ccedil;&atilde;o psicol&oacute;gica &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o, &agrave; implica&ccedil;&atilde;o organizacional (e.g., Gunter, 1997). Outros trabalhos demonstram que as mulheres s&atilde;o por natureza mais participativas e transformacionais (Carvalho, 2000). Tendo em conta a evolu&ccedil;&atilde;o e progressiva vis&atilde;o da mulher como potencial l&iacute;der eficaz, e sendo um tema que continua actual e em constante progress&atilde;o, o presente estudo contribui para explorar a rela&ccedil;&atilde;o entre g&eacute;nero e efic&aacute;cia na lideran&ccedil;a. </p>      <p>Este texto come&ccedil;a por analisar a quest&atilde;o da lideran&ccedil;a, sobretudo em rela&ccedil;&atilde;o com o g&eacute;nero, para depois abordar a tem&aacute;tica da implica&ccedil;&atilde;o organizacional. Segue-se a descri&ccedil;&atilde;o do estudo emp&iacute;rico, os resultados, e por fim a discuss&atilde;o e as pistas para investiga&ccedil;&otilde;es futuras. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>DA LIDERAN&Ccedil;A &Agrave; IMPLICA&Ccedil;&Atilde;O ORGANIZACIONAL</p>      <p><i>Lideran&ccedil;a</i></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A lideran&ccedil;a &eacute; um tema que tem apaixonado, e provavelmente continuar&aacute; a arrebatar em anos vindouros, os interesses de legi&otilde;es de acad&eacute;micos, gestores e pol&iacute;ticos. O tema &eacute; ainda mais pertinente em contextos turbulentos (Ceitil, 2006), como os que t&ecirc;m vindo a observar-se em anos recentes. </p>      <p>Sendo a lideran&ccedil;a um tema copiosamente estudado, &eacute; natural que se observem variadas formas de abordar o conceito. Ao longo do tempo, real&ccedil;ou-se um ou outro aspecto dentro da tem&aacute;tica da lideran&ccedil;a, com o intuito de procurar definir os aspectos essenciais para uma lideran&ccedil;a mais produtiva e eficaz. Como Napole&atilde;o Bonaparte afirmou certa vez &#8220;nada &eacute; mais dif&iacute;cil, logo mais precioso, do que ser capaz de decidir&#8221; (Roberto, 2008). </p>      <p>Apresentamos como exemplo pertinente para o presente artigo os estudos da Universidade de Michigan dos finais dos anos 40 do s&eacute;culo XX, que se centraram nos comportamentos dos l&iacute;deres formais e compararam os estilos democr&aacute;tico e autocr&aacute;tico. O estilo democr&aacute;tico foi equiparado a l&iacute;deres mais orientados para os problemas dos subordinados e s&atilde;o considerados l&iacute;deres mais produtivos e eficazes. O estilo autocr&aacute;tico foi equiparado a l&iacute;deres mais orientados para as tarefas e para a organiza&ccedil;&atilde;o (Jesu&iacute;no, 1999). </p>      <p>Existem in&uacute;meras defini&ccedil;&otilde;es de lideran&ccedil;a. Yukl (1998), por exemplo, refere que a lideran&ccedil;a &eacute; um processo de influ&ecirc;ncia intencional de uma pessoa sobre outras para &#8220;guiar, estruturar e facilitar actividades e rela&ccedil;&otilde;es dentro de um grupo ou organiza&ccedil;&atilde;o&#8221; (p. 3). O autor questiona tamb&eacute;m se a lideran&ccedil;a n&atilde;o deve ser encarada como um processo de influ&ecirc;ncia social, em vez de ser vista como um papel desempenhado por um indiv&iacute;duo. Desta forma, liderar torna-se um processo de interac&ccedil;&atilde;o em que uns poucos influenciam muitos outros, seja para tomar decis&otilde;es, para motivar pessoas, ou para outro prop&oacute;sito. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p><i>Lideran&ccedil;a transformacional </i>versus <i>transaccional </i></p>      <p>A conceptualiza&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica sobre lideran&ccedil;a tem evolu&iacute;do marcadamente nos &uacute;ltimos cem anos, desde os primeiros estudos que associavam o l&iacute;der a algu&eacute;m com tra&ccedil;os e atributos especiais, at&eacute; &agrave;s mais recentes perspectivas sobre lideran&ccedil;a carism&aacute;tica ou lideran&ccedil;a espiritual. Para duas excelentes sinopses sobre a evolu&ccedil;&atilde;o destas concep&ccedil;&otilde;es, o leitor interessado pode consultar Jesu&iacute;no (1999) e Rego e Cunha (2003). </p>      <p>No vasto horizonte conceptual destaca-se, para o presente exerc&iacute;cio, as no&ccedil;&otilde;es de lideran&ccedil;a transformacional e transaccional. No seguimento dos trabalhos de Burns e House, Bass e colegas delimitam o conceito de lideran&ccedil;a transformacional (e.g., Bass, 1999), a qual pode ser definida como a lideran&ccedil;a exercida por pessoas que introduzem mudan&ccedil;as na sociedade e nas organiza&ccedil;&otilde;es, deixando marcas permanentes. Caracteriza-se pela cria&ccedil;&atilde;o de uma mais valia resultante  das sinergias do grupo, traduzindo-se em modelar e elevar os motivos e valores do grupo e a sua transforma&ccedil;&atilde;o como um todo, em termos de novos objectivos, ambi&ccedil;&atilde;o mais elevada e novas modalidades de actua&ccedil;&atilde;o conjunta (Neves, 2001). Por contraste, a lideran&ccedil;a transaccional caracteriza-se por apenas compatibilizar e harmonizar os objectivos dos liderados, atrav&eacute;s da simples troca e na base da coordena&ccedil;&atilde;o de interesses e negocia&ccedil;&atilde;o de conflitos (Neves, 2001). Ambos os processos s&atilde;o necess&aacute;rios, dependendo do contexto: a lideran&ccedil;a transformacional &eacute; mais adaptada a tempos de mudan&ccedil;a ou funda&ccedil;&atilde;o, enquanto a lideran&ccedil;a transaccional &eacute; mais indicada para per&iacute;odos de evolu&ccedil;&atilde;o lenta e ambiente est&aacute;veis. </p>      <p>No estudo de Eagly, Johannesen-Schmidt e Van Engen (2003), os resultados sugerem que o l&iacute;der feminino adopta predominantemente um estilo transformacional, e o masculino um estilo marcadamente transaccional. </p>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>A ascens&atilde;o das mulheres ao poder </i></p>      <p>A partir da d&eacute;cada de 50, at&eacute; meados dos anos 70 do s&eacute;culo XX, assistiu-se a um surgir gradual da mulher em actividades empresariais e cargos de gest&atilde;o. Os tempos tornaram-se mais competitivos e din&acirc;micos, e impunha-se mudar, adaptar, inovar e flexibilizar a forma de gerir as organiza&ccedil;&otilde;es (Dias, 2002). Esta entrada das mulheres em cargos de gest&atilde;o n&atilde;o foi pac&iacute;fica: na d&eacute;cada de 70 ainda havia autores a defender que os bons chefes s&atilde;o descritos em termos masculinos (Powell &amp; Butterfield, 1979, cit. por Ottaway &amp; Bhatnagar, 1988). </p>      <p>Rego e Cunha (2004) prop&otilde;em como debate para o s&eacute;culo XXI o papel da mulher na vida organizacional e na gest&atilde;o, porque &#8220;... embora seja comum a queixa (...)  feminina de que os lugares de chefia ainda s&atilde;o maioritariamente preenchidos pelos homens, &eacute; indubit&aacute;vel o crescendo feminino nessa mat&eacute;ria&#8221; (p. 27). Este aspecto &eacute; refor&ccedil;ado pelos dados do Eurostat, que referem que o n&uacute;mero de portuguesas em lugares de topo nas empresas continua a ser menor do que a m&eacute;dia da Uni&atilde;o Europeia &#8211; 31,8% em 2007 &#8211; mas &eacute; um n&uacute;mero que, lentamente, vai aumentando. </p>      <p>A verdade &eacute; que as mulheres ganham mais experi&ecirc;ncia de trabalho e instru&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria para se qualificarem, investindo cada vez mais na forma&ccedil;&atilde;o universit&aacute;ria (Andrew, Coderre, &amp; Denis, 1991). Assim, as organiza&ccedil;&otilde;es t&ecirc;m vindo a ser obrigadas a restabelecer e expandir no&ccedil;&otilde;es daquilo que constitui a lideran&ccedil;a eficaz, relacionada com o g&eacute;nero, os estere&oacute;tipos e as expectativas de papel. As organiza&ccedil;&otilde;es t&ecirc;m vindo a ser obrigadas, nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, a acompanhar esta mudan&ccedil;a cultural (DesRosiers &amp; L&eacute;pine, 1991). </p>      <p>Mas quais as caracter&iacute;sticas da mulher enquanto l&iacute;der? Teixeira (2001) chama a aten&ccedil;&atilde;o para o facto de as mulheres possu&iacute;rem atributos essenciais para uma boa lideran&ccedil;a: generosidade, harmonia, capacidade de comunica&ccedil;&atilde;o com o grupo, capacidade de liderar de forma mais participativa e cooperativa e menos centrada no l&iacute;der, capacidade de negocia&ccedil;&atilde;o e resolu&ccedil;&atilde;o de problemas baseada na empatia e racionalidade. </p>      <p>J&aacute; os homens t&ecirc;m um modo de chefia caracterizado pela competitividade, autoridade, alto controlo para o l&iacute;der, e resolu&ccedil;&atilde;o de problemas de forma anal&iacute;tica e sem emo&ccedil;&otilde;es. Para Carless (1998, cit. por Stelter, 2002), as mulheres l&iacute;deres s&atilde;o descritas como mais inclusivas, relacionais, e os homens l&iacute;deres como directivos, controladores e orientados para as tarefas. </p>      <p>Eagly e Carli (2003) sugerem que existe uma vantagem feminina na lideran&ccedil;a, assumindo o l&iacute;der feminino um estilo que &eacute; mais eficaz do que o masculino, considerando as condi&ccedil;&otilde;es contempor&acirc;neas da vida organizacional. Torna-se cada vez mais evidente que as qualidades femininas de coopera&ccedil;&atilde;o, mentoria e colabora&ccedil;&atilde;o s&atilde;o importantes em variados contextos. Os autores afirmam que o homem, actualmente, aparece associado a um estilo de lideran&ccedil;a antiquado, que n&atilde;o se encaixa nas necessidades de muitas organiza&ccedil;&otilde;es hodiernas. </p>      <p>No entanto, n&atilde;o haver&aacute; tamb&eacute;m semelhan&ccedil;as entre os estilos do homem e da mulher? A verdade &eacute; que os comportamentos dos l&iacute;deres s&atilde;o baseados em expectativas inerentes ao papel de gestores e n&atilde;o de homens ou mulheres. Sup&otilde;e-se que os sujeitos s&atilde;o seleccionados para cargos de chefia em fun&ccedil;&atilde;o de potencial e efic&aacute;cia. No entanto, a verdade &eacute; que as mulheres podem necessitar de adoptar o estilo masculino que os homens tradicionalmente imprimem aos lugares de gest&atilde;o (Cunha, Rego, Cunha, &amp; Cardoso, 2003). </p>      <p>Ao mesmo tempo que existem semelhan&ccedil;as, podem existir factores para al&eacute;m do g&eacute;nero que explicam a diferen&ccedil;a entre lideran&ccedil;a feminina e masculina, nomeadamente o tamanho da organiza&ccedil;&atilde;o, o ambiente, o g&eacute;nero maiorit&aacute;rio, a composi&ccedil;&atilde;o do grupo, a estrat&eacute;gia, a tecnologia, e a forma da organiza&ccedil;&atilde;o (Cunha et al., 2003; Teixeira, 2001). </p>      <p>A lideran&ccedil;a feminina &eacute; um tema que tem vindo a evoluir, embora ainda vigorem uma s&eacute;rie de estere&oacute;tipos e uma vis&atilde;o da lideran&ccedil;a ligada a caracter&iacute;sticas masculinas. A Tabela 1 sintetiza alguns estudos efectuados. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p>TABELA 1</p>      <p><i>Estudo e principais conclus&otilde;es sobre lideran&ccedil;a feminina</i></p> <img src="/img/revistas/aps/v28n4/28n4a10t1.gif">      
<p>&nbsp;</p>      <p>&Eacute; importante referir as conclus&otilde;es de Yoder (2001), que defende a exist&ecirc;ncia de dois pontos pertinentes relativos &agrave; efic&aacute;cia da lideran&ccedil;a: primeiro, o que &eacute; eficaz para o homem n&atilde;o o &eacute; necessariamente para a mulher; depois, o que &eacute; eficaz para a mulher depende do contexto em que a lideran&ccedil;a &eacute; estabelecida. </p>      <p>Hoje &eacute; geralmente aceite que existe uma forma de comportamento e de lideran&ccedil;a &#8220;feminina&#8221;, distinta da &#8220;masculina&#8221;. O verdadeiro l&iacute;der &eacute; aquele que sabe quais as caracter&iacute;sticas associadas a um g&eacute;nero ou a outro, que melhor funcionam numa certa situa&ccedil;&atilde;o (Turner, 2008). Nos tempos turbulentos em que se vive, de mudan&ccedil;a acelerada, s&atilde;o permanentemente testadas as liga&ccedil;&otilde;es entre os indiv&iacute;duos e as organiza&ccedil;&otilde;es, pelo que a lideran&ccedil;a se imp&otilde;e como factor chave no desenvolvimento e sustenta&ccedil;&atilde;o de tais liga&ccedil;&otilde;es. A sec&ccedil;&atilde;o seguinte aborda a quest&atilde;o da implica&ccedil;&atilde;o organizacional. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p><i>Implica&ccedil;&atilde;o organizacional </i></p>      <p>O tema da implica&ccedil;&atilde;o organizacional tem sido amplamente explorado, a fim de compreender a dedica&ccedil;&atilde;o do indiv&iacute;duo &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o. Alguns autores defendem que altos n&iacute;veis de implica&ccedil;&atilde;o organizacional s&atilde;o positivos (Randall, 1989), pelo que este tema tem  sido associado a importantes resultados organizacionais, tais como o desempenho, o <i>turnover</i>, o absentismo, a pontualidade e os comportamentos de cidadania organizacional. </p>      <p>Tamb&eacute;m &eacute; importante referir que, muitas vezes, a implica&ccedil;&atilde;o organizacional aparece associada ao conceito de satisfa&ccedil;&atilde;o, embora a implica&ccedil;&atilde;o possua uma maior estabilidade temporal. A implica&ccedil;&atilde;o reflecte uma resposta afectiva para com a organiza&ccedil;&atilde;o como um todo, uma liga&ccedil;&atilde;o que passa tamb&eacute;m pela ades&atilde;o aos seus valores e objectivos. Assim, define-se implica&ccedil;&atilde;o como a medida da for&ccedil;a da identifica&ccedil;&atilde;o dos empregados com os objectivos e valores da organiza&ccedil;&atilde;o (McNeese-Smith, 1996),  a for&ccedil;a com que cada pessoa se envolve com o local de trabalho (Kacmar, Carlson, &amp; Brymer, 1999; Randall, 1989). </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Outros sugerem que a implica&ccedil;&atilde;o organizacional &eacute; uma medida de congru&ecirc;ncia entre objectivos e valores, individuais e organizacionais (Buchanan, 1974, cit.  por Kacmar et al., 1999). Carochinho, Neves e Jesu&iacute;no (1998) referem que, em todas as defini&ccedil;&otilde;es do construto, se encontra um aspecto consensual: a vincula&ccedil;&atilde;o do indiv&iacute;duo &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o. Para Meyer e Allen (1998) &#8220;a implica&ccedil;&atilde;o organizacional &eacute; um estado psicol&oacute;gico que caracteriza a rela&ccedil;&atilde;o do trabalhador com a organiza&ccedil;&atilde;o&#8221; (p. 67). </p>      <p>A implica&ccedil;&atilde;o organizacional &eacute; pois tida como uma atitude do sujeito para com a organiza&ccedil;&atilde;o, sendo que a sua estrutura vai ao encontro das tr&ecirc;s componentes das atitudes (Mowday et al., 1979, cit. por Carochinho et al., 1998): (a) acreditar e aceitar os valores e objectivos da organiza&ccedil;&atilde;o (componente afectiva); (b) desejo de manuten&ccedil;&atilde;o continuada e perten&ccedil;a &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o (componente comportamental); (c) aceita&ccedil;&atilde;o dos esfor&ccedil;os e sacrif&iacute;cios em prol da organiza&ccedil;&atilde;o ou ainda motiva&ccedil;&atilde;o para a performance (componente cognitiva). </p>      <p>O que difere nestas defini&ccedil;&otilde;es &eacute; a natureza do estado psicol&oacute;gico que est&aacute; a ser descrito. Para estabelecer estas diferen&ccedil;as, Meyer e Allen (1998) distinguem tr&ecirc;s componentes da implica&ccedil;&atilde;o: (a) implica&ccedil;&atilde;o organizacional afectiva &#8211; liga&ccedil;&atilde;o emocional dos empregados, identifica&ccedil;&atilde;o e envolvimento com a organiza&ccedil;&atilde;o; (b) implica&ccedil;&atilde;o organizacional cont&iacute;nua &#8211; percep&ccedil;&atilde;o dos custos de deixar a organiza&ccedil;&atilde;o; (c) implica&ccedil;&atilde;o organizacional normativa &#8211; obriga&ccedil;&atilde;o de continuar empregado. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p><i>Lideran&ccedil;a e implica&ccedil;&atilde;o organizacional </i></p>      <p>Mathieu e Zajac (1990, cit. por Meyer, 1997) defendem que a lideran&ccedil;a participativa &eacute; um factor antecedente da implica&ccedil;&atilde;o organizacional. De modo an&aacute;logo, Cunha e Rego (2005) referem que a lideran&ccedil;a participativa contribui para aumentar a satisfa&ccedil;&atilde;o dos colaboradores. </p>      <p>Gunter (1997) examina a rela&ccedil;&atilde;o entre a implica&ccedil;&atilde;o organizacional e as pr&aacute;ticas de lideran&ccedil;a como vari&aacute;vel antecedente. Este autor descobriu uma rela&ccedil;&atilde;o positiva entre as diferentes pr&aacute;ticas de lideran&ccedil;a estudadas (e.g., inspirar uma vis&atilde;o partilhada, permitir a ac&ccedil;&atilde;o dos outros, modelar o caminho a seguir, encorajar) e a implica&ccedil;&atilde;o organizacional. </p>      <p>Ao n&iacute;vel da troca l&iacute;der-membro, v&aacute;rios estudos examinaram o impacto que a rela&ccedil;&atilde;o entre supervisor e subordinado tem na implica&ccedil;&atilde;o organizacional (e.g., Kinicki &amp; Vecchio, 1994). Todos os estudos efectuados sobre estes aspectos registaram uma rela&ccedil;&atilde;o estatisticamente positiva entre a troca l&iacute;der-membro e a implica&ccedil;&atilde;o organizacional (Kacmar et al., 1999). </p>      <p>Em suma, os estudos parecem indiciar uma rela&ccedil;&atilde;o positiva entre lideran&ccedil;a e implica&ccedil;&atilde;o organizacional, nomeadamente quando os l&iacute;deres permitem aos subordinados alguma liberdade de ac&ccedil;&atilde;o e participa&ccedil;&atilde;o nas ac&ccedil;&otilde;es referentes ao alcance dos objectivos comuns. </p>      <p>Os l&iacute;deres n&atilde;o devem ser s&oacute; profissionais tecnicamente competentes mas tamb&eacute;m n&oacute;s centrais em redes sociais cuidadas e &#8220;multifuncionais&#8221;. A qualidade de um l&iacute;der pode, em &uacute;ltima inst&acirc;ncia, ser medida pela qualidade das redes que for capaz de construir &#8211;, assim como pelas pr&aacute;ticas de lideran&ccedil;a que permitem aos seus colaboradores e equipas criar e desenvolver redes sociais interna e externamente vigorosas (Rego &amp; Cunha, 2009). </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No seguimento do apresentado, resta sintetizar a problem&aacute;tica que envolve o presente estudo. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>OBJECTIVOS E HIP&Oacute;TESES</p>      <p>O objectivo deste estudo &eacute; explorar o impacto da lideran&ccedil;a feminina sobre a implica&ccedil;&atilde;o organizacional dos trabalhadores, tendo em conta terceiros factores que podem influenciar esta rela&ccedil;&atilde;o: o estilo de lideran&ccedil;a, o tempo de servi&ccedil;o, a idade e o g&eacute;nero do trabalhador. </p>      <p>De acordo com um estudo efectuado por Eagly e Johnson (1991), as mulheres t&ecirc;m tend&ecirc;ncia a adoptar um estilo de lideran&ccedil;a mais participativo. J&aacute; Mathieu e Zajac (1990, cit. por Meyer, 1997) defendem que a lideran&ccedil;a participativa &eacute; um factor antecedente com forte rela&ccedil;&atilde;o com a implica&ccedil;&atilde;o organizacional. Avan&ccedil;a-se ent&atilde;o a hip&oacute;tese: </p>     <blockquote>     <p><i>H1:&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Os n&iacute;veis de implica&ccedil;&atilde;o organizacional s&atilde;o maiores quando o trabalhador responde mais favoravelmente ao l&iacute;der feminino do que ao l&iacute;der masculino. </i></p> </blockquote>     <p>Nos estudos de Michigan, os estilos democr&aacute;tico e autocr&aacute;tico de lideran&ccedil;a foram equiparados, respectivamente, a l&iacute;deres mais orientados para os problemas, inclusivamente pessoais, dos subordinados e que s&atilde;o l&iacute;deres considerados mais produtivos, e l&iacute;deres mais orientados para as tarefas e para a organiza&ccedil;&atilde;o (Jesu&iacute;no, 1999). Yukl (1998) concluiu que os comportamentos de considera&ccedil;&atilde;o (mais orientado para as pessoas) tendem a relacionar-se positivamente com a satisfa&ccedil;&atilde;o dos colaboradores. Deste modo, espera-se que: </p>     <blockquote>     <p><i>H2:&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Os n&iacute;veis de implica&ccedil;&atilde;o organizacional s&atilde;o maiores quando o trabalhador considera o l&iacute;der masculino mais orientado para as pessoas, comparativamente ao l&iacute;der feminino, considerado pelo trabalhador mais orientado para as tarefas. </i></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Por outro lado, espera-se igualmente que: </p>      <p><i>H3:&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A implica&ccedil;&atilde;o organizacional &eacute; maior quando se considera o l&iacute;der feminino mais orientado para as pessoas, comparativamente a quando se considera o l&iacute;der feminino mais orientado para as tarefas. </i></p> </blockquote>     <p>Esta terceira hip&oacute;tese parte da refer&ecirc;ncia de Stelter (2002), que conclui que os homens l&iacute;deres s&atilde;o descritos como directivos, orientados para as tarefas e controladores, e as mulheres l&iacute;deres s&atilde;o descritas como participativas e inclusivas, que tendem a adoptar um estilo mais democr&aacute;tico e encorajam a participa&ccedil;&atilde;o e o desenvolvimento dos subordinados. </p>      <p>Caracter&iacute;sticas essenciais para uma boa lideran&ccedil;a como a capacidade de comunica&ccedil;&atilde;o com o grupo ou a capacidade de liderar de forma mais participativa e menos centrada no l&iacute;der, encontram-se, por vezes, mais facilmente nas mulheres do que nos homens (Teixeira, 2001). </p>      <p>As hip&oacute;teses seguintes focam o g&eacute;nero tanto do l&iacute;der como do subordinado e a idade e tempo de servi&ccedil;o do subordinado. Relativamente ao g&eacute;nero, os sujeitos do sexo feminino que ocupam posi&ccedil;&otilde;es mais altas n&atilde;o demonstram desejo em ajudar as trabalhadoras mais novas a avan&ccedil;ar. Kottis (1993, cit. por Mann, 1995) sugere algumas raz&otilde;es para este fen&oacute;meno: em alguns casos, as mulheres que ultrapassaram os patamares das outras mulheres nas organiza&ccedil;&otilde;es conseguiram-no porque adoptaram atitudes, linguagem e comportamentos masculinos. Noutros casos, as mulheres que atingiram escal&otilde;es mais altos, depois de muitos anos de duro trabalho e paci&ecirc;ncia, podem ressentir-se das mulheres mais novas que querem r&aacute;pido avan&ccedil;o para grandes lugares, sem trabalharem tanto. Estas asser&ccedil;&otilde;es conduzem &agrave;: </p>     <blockquote>     <p><i>H4:&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Uma trabalhadora do sexo feminino apresenta n&iacute;veis de implica&ccedil;&atilde;o organizacional mais baixos quando o l&iacute;der &eacute; tamb&eacute;m do sexo feminino, comparativamente aos n&iacute;veis de implica&ccedil;&atilde;o organizacional de um trabalhador do sexo masculino. </i></p> </blockquote>     <p>Indiv&iacute;duos mais velhos podem ter maiores n&iacute;veis de implica&ccedil;&atilde;o com a organiza&ccedil;&atilde;o devido a uma maior hist&oacute;ria com a organiza&ccedil;&atilde;o e um maior investimento em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; mesma (Dunham et al., 1994, cit. por Kacmar et al., 1999). Por outras palavras: </p>     <blockquote>     <p><i>H5a): Os trabalhadores com uma idade acima da m&eacute;dia de todos os trabalhadores apresentam n&iacute;veis de implica&ccedil;&atilde;o organizacional mais elevados, em compara&ccedil;&atilde;o com os trabalhadores mais jovens. </i></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>H5b):&nbsp;&nbsp; Os trabalhadores com mais anos de servi&ccedil;o do que a m&eacute;dia de todos os trabalhadores apresentam n&iacute;veis de implica&ccedil;&atilde;o organizacional mais elevados, comparativamente aos trabalhadores com menos anos de servi&ccedil;o. </i></p> </blockquote>     <p>Por &uacute;ltimo, segundo Powell e Butterfield (1979, cit. por Ottaway &amp; Bhatnagar, 1988), os bons chefes s&atilde;o descritos em termos masculinos. Deste modo, espera-se que: </p>     <blockquote>     <p><i>H6:&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Os trabalhadores, quando questionados acerca de determinados comportamentos do l&iacute;der, respondem de forma mais favor&aacute;vel ao l&iacute;der masculino do que ao l&iacute;der feminino. </i></p> </blockquote>     <p>&nbsp;</p>      <p>M&Eacute;TODO</p>      <p><i>Participantes</i></p>      <p>Participaram no estudo 52 sujeitos de uma escola privada, na &aacute;rea de Lisboa, distribu&iacute;dos da seguinte forma: 47 mulheres (90,4%) e 5 homens (9,6%); 30 docentes (57,7%) e 22 n&atilde;o docentes (42,3%). </p>      <p>A taxa de retorno dos question&aacute;rios distribu&iacute;dos foi de 100%, sendo que dois destes n&atilde;o foram considerados para an&aacute;lise, visto estarem insatisfatoriamente preenchidos. </p>      <p>Trata-se de uma amostra de conveni&ecirc;ncia pois procurou-se um s&oacute; local onde se pudesse comparar a lideran&ccedil;a feminina e masculina. Embora n&atilde;o se respeite aleatoriedade e seja uma amostra mais reduzida do que o desejado, foi a amostra que se traduziu mais adequada. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p><i>Instrumentos</i></p>      <p>Os instrumentos utilizados foram o <i>Leader Behavior Description Questionnaire </i>(LBDQ &#8211; Form XII) (Stogdill, 1963, cit. por Jesu&iacute;no, 1999) e o <i>Organizational Commitment Questionnaire </i>(OCQ, Mowday, Steers &amp; Porter, 1979, cit. por Carochinho et al., 1998). </p>      <p>A forma XII do LBDQ &eacute; uma escala tipo Likert constitu&iacute;da por 20 itens, em que cada item descreve um comportamento espec&iacute;fico. Cada item abarca cinco pontos, em que o n&uacute;mero um corresponde a &#8220;sempre&#8221; e o n&uacute;mero cinco a &#8220;nunca&#8221;. Dez dos itens correspondem ao factor &#8220;Estrutura&ccedil;&atilde;o&#8221; (&#8220;defini&ccedil;&atilde;o da estrutura tanto no papel do l&iacute;der como no dos subordinados para a realiza&ccedil;&atilde;o de um objectivo&#8221;) e outros dez ao factor &#8220;Considera&ccedil;&atilde;o&#8221; (&#8220;manuten&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es de trabalho baseadas na confian&ccedil;a, respeito m&uacute;tuo e considera&ccedil;&atilde;o pelos subordinados&#8221;). </p>      <p>Holdnak, Harsh e Bushardt (1993), num estudo realizado para examinar o estilo de lideran&ccedil;a, debru&ccedil;aram-se sobre os dois factores (&#8220;Estrutura&ccedil;&atilde;o&#8221; e &#8220;Considera&ccedil;&atilde;o&#8221;) e chegaram a uma confian&ccedil;a interna de Kuder-Richardson que se situa entre 0,75 e 0,79 para a &#8220;Estrutura&ccedil;&atilde;o&#8221; e entre 0,76 e 0,87 para a &#8220;Considera&ccedil;&atilde;o&#8221;. </p>      <p>No presente estudo, os valores de fidelidade encontrados (alpha de Cronbach) foram de 0,66 e 0,81, respectivamente para o grupo em que o LBDQ diz respeito ao l&iacute;der feminino ou ao masculino (ver em baixo sub-sec&ccedil;&atilde;o &#8220;procedimento&#8221;). </p>      <p>O OCQ &eacute; um question&aacute;rio que, na sua vers&atilde;o original, &eacute; constitu&iacute;do por 15 itens. Cada item &eacute; respondido numa escala tipo Likert de 7 pontos (1 corresponde a &#8220;discordo totalmente&#8221; e 7 a &#8220;concordo totalmente&#8221;). As quest&otilde;es 3, 7, 9, 11, 12 e 15 s&atilde;o cotadas inversamente, visto serem afirma&ccedil;&otilde;es elaboradas na forma negativa. Neste estudo, foi considerado que o n&iacute;vel de implica&ccedil;&atilde;o organizacional se referia ao valor m&eacute;dio, sendo o mais alto 7 e o mais baixo 1. </p>      <p>Na aplica&ccedil;&atilde;o e valida&ccedil;&atilde;o do OCQ &agrave; cultura organizacional portuguesa, Carochinho e colaboradores (1998) encontraram um valor de alpha de Cronbach de 0,85. Na aplica&ccedil;&atilde;o teste-reteste com  uma amostra mais restrita, o valor &#8220;r&#8221; obtido situou-se entre 0,92 e 0,89 para um intervalo de 2 e 3 meses respectivamente. No presente estudo, o alpha de Cronbach encontrado foi de 0,63. </p>      <p>Dado que a amostra considerada no presente estudo &eacute; pequena para se efectuar estudos de valida&ccedil;&atilde;o por an&aacute;lise factorial, optou-se por se seguir as dimens&otilde;es aconselhadas na literatura anteriormente anotada. Deste modo, assumiram-se as sub-dimens&otilde;es de estrutura&ccedil;&atilde;o e considera&ccedil;&atilde;o, no caso do LBDQ, e as sub-dimens&otilde;es afectiva,  cognitiva, e comportamental, no caso do OCQ. </p>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Procedimento</i></p>      <p>Ambas as escalas, j&aacute; traduzidas e validades para o contexto portugu&ecirc;s pelos autores atr&aacute;s mencionados, foram compostas num &uacute;nico question&aacute;rio, e verificadas por respons&aacute;veis da escala e pelos investigadores autores deste trabalho. Procurou-se, deste modo, assegurar a validade facial do instrumento &agrave; amostra em causa. </p>      <p>O LBDQ foi ainda adaptado para estudo das hip&oacute;teses de investiga&ccedil;&atilde;o, permitindo que, numa mesma folha, o trabalhador pudesse dar as suas respostas relativamente ao l&iacute;der masculino e ao l&iacute;der feminino. Deste modo, cada participante emitia um julgamento relativamente a l&iacute;deres de g&eacute;neros diferentes. Quanto ao OCQ, solicitava-se aos participantes para emitirem um julgamento relativamente ao seu grau de envolvimento com a organiza&ccedil;&atilde;o. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>RESULTADOS</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><i>Caracteriza&ccedil;&atilde;o da amostra </i></p>      <p>A Tabela 2 caracteriza a amostra relativamente &agrave;s vari&aacute;veis s&oacute;cio-demogr&aacute;ficas. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>TABELA 2</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Caracteriza&ccedil;&atilde;o s&oacute;cio-demogr&aacute;fica dos participantes no estudo</i></p> <img src="/img/revistas/aps/v28n4/28n4a10t2.gif">      
<p>&nbsp;</p>      <p><i>Estudo das hip&oacute;teses </i></p>      <p>Propunha a H1 que <i>os n&iacute;veis de implica&ccedil;&atilde;o organizacional s&atilde;o maiores quando o trabalhador responde mais favoravelmente ao l&iacute;der feminino do que ao l&iacute;der masculino. </i>Para o estudo desta hip&oacute;tese, recorreu-se primeiro &agrave; m&eacute;dia das respostas dos sujeitos em rela&ccedil;&atilde;o ao l&iacute;deres e foi inserida em nova vari&aacute;vel na base de dados, por forma a verificar se as m&eacute;dias eram mais altas relativamente ao l&iacute;der feminino ou ao l&iacute;der masculino. Treze dos 52 indiv&iacute;duos responderam mais favoravelmente ao l&iacute;der feminino (25%), enquanto que 29 participantes (55,8%)  responderam mais favoravelmente ao l&iacute;der masculino. Os restantes dez sujeitos apresentam m&eacute;dias iguais relativamente aos dois l&iacute;deres. </p>      <p>Foi ent&atilde;o efectuado o teste <i>t </i>para duas amostras independentes (Tabela 3), por forma a comparar os sujeitos que responderam mais favoravelmente ao l&iacute;der feminino e os que responderam mais favoravelmente ao l&iacute;der masculino. O objectivo foi verificar se existiam diferen&ccedil;as significativas entre os dois grupos e se os n&iacute;veis de implica&ccedil;&atilde;o organizacional eram mais elevados nas 13 pessoas que responderam mais favoravelmente ao l&iacute;der feminino. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>TABELA 3</p>      <p><i>Estudo da H1</i></p> <img src="/img/revistas/aps/v28n4/28n4a10t3.gif">      
<p>&nbsp;</p>      <p>Em rela&ccedil;&atilde;o aos dois grupos, para &#945;=0,05 conclui-se que n&atilde;o existem diferen&ccedil;as significativas entre os dois grupos no que diz respeito aos n&iacute;veis de implica&ccedil;&atilde;o organizacional. Assim, a hip&oacute;tese 1 n&atilde;o se confirmou. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No que respeita &agrave; H2, espera-se que <i>os n&iacute;veis de implica&ccedil;&atilde;o organizacional s&atilde;o maiores quando o trabalhador considera o l&iacute;der masculino mais orientado para as pessoas, comparativamente ao l&iacute;der feminino, considerado pelo trabalhador mais orientado para as tarefas</i>. Para o estudo desta hip&oacute;tese, foi inserida uma nova vari&aacute;vel na base de dados, para verificar quais os sujeitos que consideravam o l&iacute;der feminino e o l&iacute;der masculino mais orientado para as pessoas (considera&ccedil;&atilde;o) ou mais orientado para as tarefas (estrutura&ccedil;&atilde;o). </p>      <p>Verificou-se que 34 dos participantes consideram o l&iacute;der feminino mais orientado para as pessoas, ao mesmo tempo que consideram igualmente o l&iacute;der masculino mais orientado para as pessoas. Apenas um participante considera o l&iacute;der masculino mais orientado para as pessoas ao mesmo tempo que considera o l&iacute;der feminino mais orientado para as tarefas, pelo que n&atilde;o seria correcto concluir algo apenas a partir de um sujeito. </p>      <p>Foram efectuados ent&atilde;o dois testes <i>t </i>para duas amostras independentes: um compara os sujeitos que consideram o l&iacute;der masculino mais orientado para as tarefas com os que consideram o l&iacute;der masculino mais orientado para as pessoas; o outro teste compara os sujeitos que consideram o l&iacute;der feminino mais orientado para as tarefas com os que consideram o l&iacute;der feminino mais orientado para as pessoas. </p>      <p>O objectivo foi verificar se existem diferen&ccedil;as significativas entre os dois grupos relativamente aos n&iacute;veis de implica&ccedil;&atilde;o organizacional. A Tabela 4 mostra os resultados. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>TABELA 4</p>      <p><i>Estudo da H2 </i></p> <img src="/img/revistas/aps/v28n4/28n4a10t4.gif">      
<p>&nbsp;</p>      <p>Em rela&ccedil;&atilde;o aos grupos dos dois testes, para &#945;=0,05 conclui-se que n&atilde;o existem diferen&ccedil;as significativas entre os grupos no que diz respeito &agrave; implica&ccedil;&atilde;o organizacional. A t&iacute;tulo de curiosidade, pode observar-se que, em ambos os testes, as m&eacute;dias nos valores de implica&ccedil;&atilde;o s&atilde;o maiores quando se considera o l&iacute;der mais orientado para as pessoas. No entanto, as diferen&ccedil;as n&atilde;o s&atilde;o significativas e n&atilde;o se pode concluir que os n&iacute;veis de implica&ccedil;&atilde;o organizacional s&atilde;o superiores quando se considera o l&iacute;der mais orientado para as pessoas. </p>      <p>Realizou-se tamb&eacute;m uma ANOVA tipo I (factores fixos) para verificar se haveria diferen&ccedil;as significativas entre grupos. Tomando a implica&ccedil;&atilde;o organizacional como vari&aacute;vel dependente, verificou-se que a m&eacute;dia &eacute; superior quando se considera o l&iacute;der masculino mais orientado para as pessoas. Todavia, o valor do teste demonstra que n&atilde;o h&aacute; diferen&ccedil;as significativas na interac&ccedil;&atilde;o entre todas as vari&aacute;veis: l&iacute;der masculino mais orientado para pessoas ou tarefas e/ou l&iacute;der feminino mais orientado para pessoas ou tarefas (<i>p</i>=0,38). Em suma, a hip&oacute;tese 2 n&atilde;o se confirmou. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No que concerne a H3, estabeleceu-se que a implica&ccedil;&atilde;o organizacional &eacute; maior quando se considera o l&iacute;der feminino mais orientado para as pessoas comparativamente a quando se considera o l&iacute;der feminino mais orientado para as tarefas. Para analisar esta hip&oacute;tese foi primeiro verificada a correla&ccedil;&atilde;o entre grupos. O n&iacute;vel de signific&acirc;ncia associado ao teste sobre as correla&ccedil;&otilde;es &eacute; 0,44, mostrando que a correla&ccedil;&atilde;o 0,11 n&atilde;o &eacute; significativa. </p>      <p>Posteriormente, foi feito um teste <i>t </i>para amostras emparelhadas, para verificar a exist&ecirc;ncia ou n&atilde;o de diferen&ccedil;as significativas entre o grupo que considera o l&iacute;der feminino mais orientado para as pessoas e o grupo que considera o l&iacute;der feminino mais orientado para as tarefas. A Tabela 5a exp&otilde;e os resultados. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>TABELA 5a</p>      <p><i>Estudo da H3</i></p> <img src="/img/revistas/aps/v28n4/28n4a10t5.gif">      
<p>&nbsp;</p>      <p>Relativamente &agrave;s m&eacute;dias, podemos verificar que a m&eacute;dia de 2,62 quando o l&iacute;der feminino &eacute; mais orientado para as pessoas, &eacute; bastante superior. No teste <i>t </i>verificamos que existem diferen&ccedil;as significativas entre os grupos quando se considera o l&iacute;der feminino mais orientado para as pessoas ou para as tarefas. Em suma, estes resultados confirmam a hip&oacute;tese 3. </p>      <p>No que diz respeito ao l&iacute;der masculino, a Tabela 5b ilustra os resultados obtidos. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>TABELA 5b</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Estudo da H3</i></p> <img src="/img/revistas/aps/v28n4/28n4a10t6.gif">      
<p>&nbsp;</p>      <p>O n&iacute;vel de signific&acirc;ncia associado ao teste sobre as correla&ccedil;&otilde;es &eacute; 0,06, mostrando que a correla&ccedil;&atilde;o 0,26 n&atilde;o &eacute; significativa. Em rela&ccedil;&atilde;o ao teste <i>t</i>, o valor demonstra que n&atilde;o existem diferen&ccedil;as significativas entre grupos, relativamente ao l&iacute;der masculino. Conforme os resultados obtidos no teste <i>t </i>relativamente ao l&iacute;der feminino, comparando com os resultados obtidos para o l&iacute;der masculino, confirma-se a hip&oacute;tese 3. </p>      <p>Na H4, afirmava-se que <i>uma trabalhadora do sexo feminino apresenta n&iacute;veis de implica&ccedil;&atilde;o organizacional mais baixos quando o l&iacute;der &eacute; tamb&eacute;m do sexo feminino, comparativamente aos n&iacute;veis de implica&ccedil;&atilde;o organizacional de um trabalhador do sexo masculino. </i></p>      <p>Para estudar esta hip&oacute;tese, come&ccedil;ou-se por retirar os empates, ou seja, retiraram-se os sujeitos que n&atilde;o respondiam mais favoravelmente nem ao l&iacute;der masculino nem ao l&iacute;der feminino. </p>      <p>Em seguida, foi efectuada uma ANOVA tipo I (factores fixos) para verificar se havia diferen&ccedil;as significativas entre grupos (sexo masculino e sexo feminino) nos n&iacute;veis de implica&ccedil;&atilde;o organizacional que respondem mais favoravelmente ao l&iacute;der feminino. Com os n&iacute;veis de implica&ccedil;&atilde;o organizacional como vari&aacute;vel dependente, a an&aacute;lise de vari&acirc;ncia multivariada demonstrou que os n&iacute;veis de implica&ccedil;&atilde;o organizacional n&atilde;o variavam consoante o sexo (<i>p</i>=0,06), embora s&oacute; existam tr&ecirc;s casos de participantes do sexo masculino (depois de retirados os empates). A interac&ccedil;&atilde;o entre os factores sexo e respostas mais favor&aacute;veis ao l&iacute;der feminino tamb&eacute;m n&atilde;o se revelou significativa (<i>p</i>=0,45). No entanto, por haver apenas tr&ecirc;s participantes do sexo masculino, n&atilde;o houve confian&ccedil;a suficiente na conclus&atilde;o desta hip&oacute;tese 4, pois teria de se ampliar muito a amostra para se obter uma resposta generaliz&aacute;vel. </p>      <p>Na H5a, os trabalhadores com uma idade acima da m&eacute;dia de todos os trabalhadores apresentam n&iacute;veis de implica&ccedil;&atilde;o organizacional mais elevados, em compara&ccedil;&atilde;o com os trabalhadores mais jovens. Para a an&aacute;lise desta hip&oacute;tese foi criada uma vari&aacute;vel dicot&oacute;mica com o Grupo 1, correspondente aos indiv&iacute;duos situados num intervalo maior ou igual ao intervalo m&eacute;dio (40-44 anos) e o Grupo 2, referente aos sujeitos situados num intervalo abaixo do intervalo m&eacute;dio. A escolha deste tipo de an&aacute;lise deve-se ao facto de, no question&aacute;rio, os indiv&iacute;duos terem preenchido a quest&atilde;o referente &agrave; idade, assinalando o intervalo em que se situavam. Por esta raz&atilde;o, foi verificado qual o intervalo m&eacute;dio e, posteriormente, criou-se uma nova vari&aacute;vel que diferenciasse os indiv&iacute;duos que se situavam num intervalo superior ao m&eacute;dio e os participantes que se situavam num intervalo inferior ao intervalo dos 40-44 anos. </p>      <p>Foi tamb&eacute;m calculado o <i>r </i>de Pearson. Com um coeficiente de 0,176, verificou-se que a associa&ccedil;&atilde;o entre as vari&aacute;veis implica&ccedil;&atilde;o organizacional e idade dos participantes, &eacute; muito baixa. De seguida, foi realizado um teste <i>t </i>para amostras independentes, cujos resultados podem ser consultados na Tabela 6a. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>TABELA 6a</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Estudo da H5</i></p> <img src="/img/revistas/aps/v28n4/28n4a10t7.gif">      
<p>&nbsp;</p>      <p>O valor de <i>t </i>encontra-se dentro da regi&atilde;o de aceita&ccedil;&atilde;o, pelo que se considerou a igualdade das m&eacute;dias, n&atilde;o se considerando diferen&ccedil;as significativas entre os dois grupos. Assim, n&atilde;o foi confirmada a hip&oacute;tese 5a. </p>      <p>A H5b referia que os trabalhadores com mais anos de servi&ccedil;o do que a m&eacute;dia de todos os trabalhadores apresentam n&iacute;veis de implica&ccedil;&atilde;o organizacional mais elevados, comparativamente aos trabalhadores com menos anos de servi&ccedil;o. Para examinar esta hip&oacute;tese, foi concebida uma vari&aacute;vel dicot&oacute;mica com o Grupo 1, que corresponde aos indiv&iacute;duos com menos de 15,06 anos de servi&ccedil;o (a m&eacute;dia dos anos de servi&ccedil;o de todos os trabalhadores) e o Grupo 2, que se refere aos participantes com 15,06 ou mais anos de servi&ccedil;o. Foi tamb&eacute;m calculado o <i>r </i>de Pearson. Com um coeficiente de  0,138, verificou-se que a associa&ccedil;&atilde;o entre as vari&aacute;veis n&iacute;veis de implica&ccedil;&atilde;o organizacional e tempo de servi&ccedil;o dos participantes, &eacute; muito baixa. De seguida, foi realizado o teste <i>t </i>para duas amostras independentes (Tabela 6b). </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>TABELA 6b</p>      <p><i>Estudo da H5</i></p> <img src="/img/revistas/aps/v28n4/28n4a10t8.gif">      
<p>&nbsp;</p>      <p>Sendo que o valor de <i>t </i>se situa dentro da regi&atilde;o de aceita&ccedil;&atilde;o, conclui-se que os dois grupos n&atilde;o apresentam diferen&ccedil;as significativas. Assim, a hip&oacute;tese 5b n&atilde;o foi confirmada. </p>      <p>Por fim, avan&ccedil;ou-se que H6 os trabalhadores, quando questionados acerca de determinados comportamentos do l&iacute;der, respondem de forma mais favor&aacute;vel ao l&iacute;der masculino do que ao l&iacute;der feminino. Para a an&aacute;lise desta hip&oacute;tese, foi feito um teste <i>t </i>para amostras emparelhadas (Tabela 7), de maneira a verificar se os participantes respondiam mais favoravelmente ao l&iacute;der masculino ou ao l&iacute;der feminino. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p>TABELA 7</p>      <p><i>Estudo da H6</i></p> <img src="/img/revistas/aps/v28n4/28n4a10t9.gif">      
<p>&nbsp;</p>      <p>Os resultados do teste <i>t </i>demonstram que os participantes respondem mais favoravelmente ao l&iacute;der masculino, pelo que a hip&oacute;tese se confirma. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>DISCUSS&Atilde;O E CONCLUS&Otilde;ES</p>      <p>Como exposto no in&iacute;cio do artigo, os Mosuo s&atilde;o uma excep&ccedil;&atilde;o num mundo dominado, durante muito tempo, pelo sexo masculino e que, cada vez mais se torna um mundo onde as compet&ecirc;ncias de cada um se sobrep&otilde;em ao seu g&eacute;nero. Cada vez mais se caminha para uma sociedade em que os g&eacute;neros coabitam e trabalham de forma equiparada, nomeadamente em quest&otilde;es de lideran&ccedil;a e chefia. Este estudo pretendeu contribuir para a compreens&atilde;o da influ&ecirc;ncia da lideran&ccedil;a feminina, ou mesmo do g&eacute;nero do l&iacute;der, na implica&ccedil;&atilde;o organizacional. </p>      <p>Na primeira hip&oacute;tese prop&ocirc;s-se que, com um l&iacute;der feminino, os trabalhadores sentem-se mais ligados &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o para a qual trabalham. Tal n&atilde;o se verificou. Os resultados obtidos revelam n&atilde;o haver diferen&ccedil;as significativas nos n&iacute;veis de implica&ccedil;&atilde;o organizacional entre o grupo que respondeu de forma mais favor&aacute;vel ao l&iacute;der feminino e o grupo cujas respostas eram mais favor&aacute;veis ao l&iacute;der masculino. Aprofundando um pouco mais, not&aacute;mos at&eacute; que a amostra responde mais favoravelmente ao l&iacute;der masculino e que toda a amostra apresenta n&iacute;veis de implica&ccedil;&atilde;o organizacional bastante elevados. </p>      <p>Existe uma s&eacute;rie de vari&aacute;veis que influenciam a implica&ccedil;&atilde;o organizacional, muito al&eacute;m do g&eacute;nero do l&iacute;der. Por exemplo, Kacmar e colaboradores (1999) viram a idade como factor preditivo dos n&iacute;veis de implica&ccedil;&atilde;o organizacional. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Relativamente a outros resultados pertinentes relativamente &agrave;s hip&oacute;teses, na H3 verificou-se que, se se comparar o grupo que considera o l&iacute;der feminino mais orientado para as pessoas com o grupo que considera este l&iacute;der mais orientado para as tarefas, os n&iacute;veis de implica&ccedil;&atilde;o organizacional s&atilde;o superiores quando o l&iacute;der feminino apresenta maiores n&iacute;veis de Considera&ccedil;&atilde;o do que de Estrutura&ccedil;&atilde;o (pessoas e tarefas, respectivamente). O que faz diferir os n&iacute;veis de implica&ccedil;&atilde;o organizacional &eacute; a tend&ecirc;ncia do l&iacute;der para ser mais orientado para as pessoas e n&atilde;o o seu g&eacute;nero. </p>      <p>A H6 confirma-se pois os participantes, quando questionados acerca de determinados comportamentos do l&iacute;der, respondem mais favoravelmente ao l&iacute;der masculino do que ao l&iacute;der feminino. Aqui, verifica-se que as vis&otilde;es estereotipadas existentes acerca dos comportamentos que se esperam e se aceitam de um homem que &eacute; gestor e de uma mulher que &eacute; gestora, continuam a conceber as posi&ccedil;&otilde;es de gest&atilde;o mais como caracter&iacute;sticas do papel dos homens (Cunha et al., 2003). Tamb&eacute;m Stelter (2002) referiu um estudo que aponta que os homens, quando lideres em ambientes maioritariamente femininos, n&atilde;o demonstram tanto stress e press&atilde;o como as mulheres. </p>      <p>O estudo aqui apresentado tem v&aacute;rias limita&ccedil;&otilde;es que devem ser anotadas. A natureza da organiza&ccedil;&atilde;o e a g&eacute;nese do posto de lideran&ccedil;a dos dois l&iacute;deres podem ser considerados factores que levam a que existam, neste estudo, t&atilde;o poucas hip&oacute;teses confirmadas. House e Aditya (1997, cit. por Stelter, 2002) referiram que, al&eacute;m dos tra&ccedil;os e capacidades de um l&iacute;der, o tamanho da organiza&ccedil;&atilde;o, o ambiente, a estrat&eacute;gia, a tecnologia e a forma da organiza&ccedil;&atilde;o s&atilde;o factores que podem impor diferentes exig&ecirc;ncias aos l&iacute;deres. </p>      <p>A dimens&atilde;o da amostra, bem como as suas caracter&iacute;sticas demogr&aacute;ficas (ex.: sexo) constitui-se como uma limita&ccedil;&atilde;o metodol&oacute;gica. Deve-se por isso compreender as conclus&otilde;es obtidas dentro de limites e numa perspectiva cr&iacute;tica e explorat&oacute;ria. A amostra &eacute; reduzida pelo que tanto os resultados respeitantes &agrave;s caracter&iacute;sticas psicom&eacute;tricas dos instrumentos utilizados, como os concernentes &agrave;s hip&oacute;teses analisadas, devem ser lidos com precau&ccedil;&atilde;o. </p>      <p>Em segundo lugar, a amostra consistiu de um ambiente maioritariamente feminino, ou seja, os trabalhadores desta escola s&atilde;o maioritariamente mulheres. J&aacute; outrora Kottis (1993, cit. por Mann, 1995) referira que a rela&ccedil;&atilde;o das mulheres dentro de uma organiza&ccedil;&atilde;o pode n&atilde;o ser pac&iacute;fica, ou seja, uma mulher numa posi&ccedil;&atilde;o mais elevada pode n&atilde;o querer ajudar as mais novas a avan&ccedil;ar. Ao mesmo tempo, estas podem nutrir sentimentos como a inveja por uma mulher que alcan&ccedil;ou o papel de l&iacute;der. </p>      <p>Deve tamb&eacute;m ter-se em aten&ccedil;&atilde;o que se trata de uma escola, em que a m&eacute;dia de anos de servi&ccedil;o ronda os 15 anos e em que a maioria dos sujeitos tem entre 50 e 54 anos, sendo que 10 deles t&ecirc;m mais de 30 anos de servi&ccedil;o. Tudo isto deixa adivinhar uma forte liga&ccedil;&atilde;o &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o (mais de metade dos trabalhadores est&atilde;o situados no n&iacute;vel 5, sendo o m&aacute;ximo 7). </p>      <p>Para a organiza&ccedil;&atilde;o em estudo, o estudo pode ter diversos contributos. Primeiro, nota-se que a amostra &eacute; bastante mais idosa do que aquilo que talvez se desejasse de uma organiza&ccedil;&atilde;o deste tipo. Seguidamente, nota-se que seria favor&aacute;vel a admiss&atilde;o de mais trabalhadores do sexo masculino. Em rela&ccedil;&atilde;o aos l&iacute;deres, considera-se pertinente referir que a estabilidade e orienta&ccedil;&atilde;o para as tarefas de um l&iacute;der conjuntamente com a orienta&ccedil;&atilde;o para as pessoas de outro l&iacute;der, pode resultar numa lideran&ccedil;a mais eficaz e, consequentemente, numa maior satisfa&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores e uma maior qualidade de servi&ccedil;os. </p>      <p>No futuro, haveria uma s&eacute;rie de estudos interessantes a elaborar com base nas ideias aqui apresentadas. Poderiam comparar-se dois l&iacute;deres noutras situa&ccedil;&otilde;es como em ambiente empresarial ou num ambiente mais formal. Um estudo elaborado num ambiente maioritariamente masculino tamb&eacute;m seria interessante embora se saiba que, no ambiente educativo, as mulheres est&atilde;o em maioria. Assim, outro ambiente dominado por homens e com um l&iacute;der masculino e outro feminino, seria um estudo interessante a ser conduzido. Tamb&eacute;m o estudo do comportamento de indiv&iacute;duos do sexo masculino em ambientes dominados pelo sexo feminino poderia ser explorado. </p>      <p>A percentagem de mulheres em cargos de chefia continua a aumentar. Girion (2001, cit. por Stelter, 2002) refere: em 2030, as mulheres ir&atilde;o ultrapassar largamente os homens em pap&eacute;is de lideran&ccedil;a. Esta realidade pr&oacute;xima refor&ccedil;a a necessidade de continuar a explorar o tema da lideran&ccedil;a e g&eacute;nero. </p>      <p>Em jeito de conclus&atilde;o, real&ccedil;a-se a necessidade de compreender as diferen&ccedil;as entre a lideran&ccedil;a feminina e masculina, em termos dos desafios actualmente apresentados pela sociedade. Apenas desta forma se poder&atilde;o ultrapassar os estere&oacute;tipos adstritos a cada g&eacute;nero, deste modo real&ccedil;ando as mais valias que, em termos de lideran&ccedil;a, homens ou mulheres conseguem trazer para as organiza&ccedil;&otilde;es hodiernas. </p>      ]]></body>
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