<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0870-8231</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Análise Psicológica]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Aná. Psicológica]]></abbrev-journal-title>
<issn>0870-8231</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[ISPA-Instituto Universitário]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0870-82312011000200005</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Fatores de risco e mecanismos de proteção nas narrativas das famílias em situação de violência conjugal]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Seidl]]></surname>
<given-names><![CDATA[Marisol de Andrade]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Benetti]]></surname>
<given-names><![CDATA[Silvia Pereira da Cruz]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A02"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,Horta Comunitária Joanna de Ângelis  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[Novo Hamburgo RS]]></addr-line>
</aff>
<aff id="A02">
<institution><![CDATA[,Universidade do Vale do Rio dos Sinos  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[São Leopoldo RS]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>04</month>
<year>2011</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>04</month>
<year>2011</year>
</pub-date>
<volume>29</volume>
<numero>2</numero>
<fpage>247</fpage>
<lpage>257</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0870-82312011000200005&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0870-82312011000200005&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0870-82312011000200005&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[Tomando como referência a noção de resiliência familiar como um processo interativo e dinâmico, este artigo está voltado para a identificação dos processos de resiliência em famílias com história de violência conjugal. Para tanto, utilizando-se da técnica da narrativa, através do estudo de dois casos de famílias foram identificadas tanto as crenças familiares, os padrões organizacionais e as formas de comunicação em relação aos eventos violentos, como os mecanismos de proteção e as situações de risco nas famílias nos diferentes contextos. Os fatores de proteção não se apresentaram da mesma forma para todas as famílias. Embora se mostrassem semelhantes tinham um sentido diferente, pois cada família manteve suas próprias características de identidade diante da violência respondendo a sua maneira e de acordo com seus valores e crenças. Conclui-se que a presença dos mecanismos de proteção foi fundamental para a construção dos processos de resiliência para as famílias da pesquisa.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Taking as a reference the notion of resilience in families as an interactive and dynamic process this article on identifying the resilience processes of families with a history of marital violence. In order to accomplish that goal, narrative technique was used and forms of communication related to violent events were identified, such as protective mechanisms and risk situations of the families in different contexts. Protective factors were not the same for both families. Although similar, they had different meanings, since each family kept its own identity characteristics when faced with violence, each responding in their own manner and according to their values and beliefs. If was possible to conclude that the presence of protective mechanisms was fundamental for the building of resilience processes in the participating families.]]></p></abstract>
<kwd-group>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Fatores de proteção e risco]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Família]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Resiliência familiar]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Violência conjugal]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Family]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Family resilience]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Marital violence]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Risk and protective factors]]></kwd>
</kwd-group>
</article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p><B>Fatores de risco e mecanismos de prote&ccedil;&atilde;o nas narrativas das fam&iacute;lias em situa&ccedil;&atilde;o de viol&ecirc;ncia conjugal </B></P >      <p><b>Marisol de Andrade Seidl<Sup>*</Sup>; Silvia Pereira da Cruz Benetti<Sup>* </Sup></b></P >     <p>* Horta Comunit&aacute;ria Joanna de &Acirc;ngelis, Novo Hamburgo, RS; </P >     <p><Sup>** </Sup>Universidade do Vale do Rio dos Sinos, UNISINOS, S&atilde;o Leopoldo, RS </P >     <p><a name="top0"></a><a href="#0">Correspond&ecirc;ncia</a></P >     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Tomando como refer&ecirc;ncia a no&ccedil;&atilde;o de resili&ecirc;ncia familiar como um processo interativo e din&acirc;mico, este artigo est&aacute; voltado para a identifica&ccedil;&atilde;o dos processos de resili&ecirc;ncia em fam&iacute;lias com hist&oacute;ria de viol&ecirc;ncia conjugal. Para tanto, utilizando-se da t&eacute;cnica da narrativa, atrav&eacute;s do estudo de dois casos de fam&iacute;lias foram identificadas tanto as cren&ccedil;as familiares, os padr&otilde;es organizacionais e as formas de comunica&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o aos eventos violentos, como os mecanismos de prote&ccedil;&atilde;o e as situa&ccedil;&otilde;es de risco nas fam&iacute;lias nos diferentes contextos. Os fatores de prote&ccedil;&atilde;o n&atilde;o se apresentaram da mesma forma para todas as fam&iacute;lias. Embora se mostrassem semelhantes tinham um sentido diferente, pois cada fam&iacute;lia manteve suas pr&oacute;prias caracter&iacute;sticas de identidade diante da viol&ecirc;ncia respondendo a sua maneira e de acordo com seus valores e cren&ccedil;as. Conclui-se que a presen&ccedil;a dos mecanismos de prote&ccedil;&atilde;o foi fundamental para a constru&ccedil;&atilde;o dos processos de resili&ecirc;ncia para as fam&iacute;lias da pesquisa. </P >    <p><B>Palavras-chave: </B>Fatores de prote&ccedil;&atilde;o e risco, Fam&iacute;lia, Resili&ecirc;ncia familiar, Viol&ecirc;ncia conjugal. </P >     <p>&nbsp;</P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>ABSTRACT</b></P >     <p>Taking as a reference the notion of resilience in families as an interactive and dynamic process this article on identifying the resilience processes of families with a history of marital violence. In order to accomplish that goal, narrative technique was used and forms of communication related to violent events were identified, such as protective mechanisms and risk situations of the families in different contexts. Protective factors were not the same for both families. Although similar, they had different meanings, since each family kept its own identity characteristics when faced with violence, each responding in their own manner and according to their values and beliefs. If was possible to conclude that the presence of protective mechanisms was fundamental for the building of resilience processes in the participating families. </P >     <p><B>Key-words: </B>Family, Family resilience, Marital violence, Risk and protective factors. </P >     <p>&nbsp;</P >     <p>As pesquisas baseadas no construto da resili&ecirc;ncia familiar ainda s&atilde;o pouco exploradas (Hawley &amp; DeHann, 1996; Yunes, 2003), sendo escassos os estudos que investigam o sistema familiar na promo&ccedil;&atilde;o dos processos de resili&ecirc;ncia individual. A maioria dos trabalhos est&aacute; centrada no clima emocional ou na din&acirc;mica de fam&iacute;lias disfuncionais, portanto, baseada no paradigma do d&eacute;ficit (Lietz, 2006). Segundo Ravazzola (2005) o desafio atual &eacute; estudar as intera&ccedil;&otilde;es familiares para se conhecer as compet&ecirc;ncias e potencialidades humanas que ficaram postergadas pelas tradicionais pesquisas e tinham foco nos d&eacute;ficits familiares e nas fun&ccedil;&otilde;es maternas e paternas. A partir deste enfoque, a resili&ecirc;ncia em fam&iacute;lias passa a ser compreendida como um conjunto de caracter&iacute;sticas baseadas na capacidade da fam&iacute;lia em ter um funcionamento flex&iacute;vel e de conten&ccedil;&atilde;o dos problemas, n&atilde;o deixando outros dom&iacute;nios do funcionamento familiar interferir no funcionamento de seus membros (Hawley &amp; DeHann, 1996; Walsh, 2005; Yunes, 2003). </P >     <p>As pesquisas sobre resili&ecirc;ncia t&ecirc;m abordado diferentes situa&ccedil;&otilde;es de estresse no desenvolvi </B>mento humano, como traumas, viol&ecirc;ncia, doen&ccedil;as e perdas (Garcia &amp; Yunes, 2006; Lietz, 2006; Yunes, 2001; Yunes, Mendes, &amp; Albuquerque, 2004). Para Walsh (2005), a resili&ecirc;ncia em fam&iacute;lias &eacute; tecida por uma rede de relacionamentos e experi&ecirc;ncias que v&atilde;o se desenrolando durantes os ciclos de vida e entre as gera&ccedil;&otilde;es, considerando a resili&ecirc;ncia como resultado de diferentes rela&ccedil;&otilde;es interpessoais nos diversos contextos sociais e ao longo do tempo. Neste sentido, Walsh (2005) desenvolveu uma abordagem compreensiva da resili&ecirc;ncia familiar a partir de uma &oacute;tica sist&ecirc;mica e ecol&oacute;gica do desenvolvimento. &ldquo;O contexto relacional da resili&ecirc;ncia dentro de uma &oacute;tica sist&ecirc;mica expande a nossa vis&atilde;o da adapta&ccedil;&atilde;o individual para processos transacionais mais amplos nos sistemas familiares e sociais e trata da mutualidade das influ&ecirc;ncias atrav&eacute;s destes processos&rdquo; (p. 11). A autora considera que alguns processos-chave no funcionamento familiar s&atilde;o fundamen tais para a promo&ccedil;&atilde;o de resili&ecirc;ncia. Estes seriam baseados em tr&ecirc;s dom&iacute;nios familiares que incluem o sistema de cren&ccedil;as da fam&iacute;lia, os padr&otilde;es organizacionais e os processos de comunica&ccedil;&atilde;o. </P >     <p>Os sistemas de cren&ccedil;as est&atilde;o na base do funcionamento familiar. As principais cren&ccedil;as associadas &agrave; resili&ecirc;ncia incluem a capacidade familiar de atribuir sentido &agrave; adversidade, a perspectiva positiva no enfrentamento das crises e a transcend&ecirc;ncia e espiritualidade. Outro dom&iacute;nio s&atilde;o os padr&otilde;es organizacionais considerados amortecedores dos choques familiares, incluindo flexibilidade para mudan&ccedil;as e reorganiza&ccedil;&atilde;o, conex&atilde;o e apoio m&uacute;tuo entre os membros e os recursos sociais e econ&ocirc;micos. Finalmente, os processos de comunica&ccedil;&atilde;o familiar que se caracterizam por clareza nas mensagens, express&atilde;o emocional aberta, empatia nas rela&ccedil;&otilde;es e resolu&ccedil;&atilde;o colaborativa dos problemas, focalizando nos objetivos a serem alcan&ccedil;ados. </P >    <p>Tomando como refer&ecirc;ncia a no&ccedil;&atilde;o de resili&ecirc;ncia em fam&iacute;lias como um conjunto de processos interativos e din&acirc;micos, em uma abordagem ecol&oacute;gica das rela&ccedil;&otilde;es humanas (Bronfenbrenner, 2002), este artigo est&aacute; voltado para a identifica&ccedil;&atilde;o dos processos de resili&ecirc;ncia em fam&iacute;lias com hist&oacute;ria de viol&ecirc;ncia conjugal atrav&eacute;s da t&eacute;cnica da narrativa. Os fatores de prote&ccedil;&atilde;o e de risco foram investigados a partir do significado atribu&iacute;do nas narrativas familiares &agrave; viol&ecirc;ncia. Dessa forma, foram identificadas tanto as cren&ccedil;as familiares, os padr&otilde;es organizacionais e as formas de comunica&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o aos eventos violentos (Walsh, 2005), como os mecanismos de prote&ccedil;&atilde;o e as situa&ccedil;&otilde;es de risco nas fam&iacute;lias nos diferentes contextos bioecol&oacute;gicos. Este referencial privilegia a compreens&atilde;o do desenvolvimento humano no contexto, levando em conta os aspectos relativos &agrave; pessoa (caracter&iacute;sticas f&iacute;sicas, biol&oacute;gicas e emocionais), ao processo (como a experi&ecirc;ncia &eacute; vivenciada) e o tempo (meio-ambiente). </P >    <p>O contexto &eacute; analisado atrav&eacute;s de quatro sistemas que se interconectam: (a) Microssistema: &eacute; um padr&atilde;o de atividade, pap&eacute;is e rela&ccedil;&otilde;es interpessoais, num ambiente espec&iacute;fico (fam&iacute;lia); (b) Mesossistema: inclui as inter-rela&ccedil;&otilde;es entre dois ou mais ambientes no qual a pessoa em desenvolvimento participa ativamente (escola, amigos, trabalho e vida social); (c) Exossistema: refere-se a um ou mais ambientes que n&atilde;o envolve a pessoa em desenvolvimento como um participante ativo (trabalho dos pais, amigos dos pais); e (d) Macrossistema: compreender a cultura, cren&ccedil;as e ideologias (Bronfenbrenner, 2002). </P >    <p>Assim, neste estudo, considerando os processos-chave de resili&ecirc;ncia familiar propostos por Walsh com base em uma &oacute;tica sist&ecirc;mica e ecol&oacute;gica do desenvolvimento, incluindo tanto o sistema familiar como o contexto bioecol&oacute;gico, procurou-se identificar os fatores de risco e mecanismos de prote&ccedil;&atilde;o compreendidos nas narrativas familiares. Para tal, realizou-se o estudo de caso de fam&iacute;lias com hist&oacute;rias de viol&ecirc;ncia conjugal, que foram compreendidas a partir do significado atribu&iacute;do nas narrativas familiares &agrave; viol&ecirc;ncia. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>M&Eacute;TODO </P >    <p><I>Delineamento </I></P >    <p>Neste estudo, utilizou-se a abordagem descritiva qualitativa baseada no modelo narrativo (Murray, 2004; Walsh, 2005; White &amp; Epston 1990), o qual permite a compreens&atilde;o dos significados espec&iacute;ficos de constru&ccedil;&atilde;o e constitui&ccedil;&atilde;o da realidade (Bruner, 1991), identificando como as pessoas d&atilde;o sentido &agrave;s suas experi&ecirc;ncias a partir de refer&ecirc;ncia pessoais, familiares, sociais, culturais e incluindo tamb&eacute;m os aspectos transgeracionais. O modelo sist&ecirc;mico interacional atrav&eacute;s da abordagem da Terapia Narrativa de Michael White e David Epston (1990) foi utilizado para conhecer e compreender as distintas significa&ccedil;&otilde;es de cren&ccedil;as e valores dos dois casos de fam&iacute;lias atendidas na pesquisa. Especificamente, no campo da terapia familiar a t&eacute;cnica da narrativa tem sido utilizada como par&acirc;metro terap&ecirc;utico (White &amp; Epston, 1990) e tamb&eacute;m investigativo (Rober, Eesbeek, &amp; Elliot, 2006). </P >    <p><I>Participantes </I></P >     <p>A partir do contato estabelecido na Delegacia para a Mulher, foram escolhidas duas fam&iacute;lias com configura&ccedil;&atilde;o monoparental em fun&ccedil;&atilde;o da separa&ccedil;&atilde;o conjugal decorrente da Viol&ecirc;ncia Dom&eacute;stica. Al&eacute;m disso, as fam&iacute;lias correspondiam aos crit&eacute;rios adotados para a sele&ccedil;&atilde;o, os quais foram, a faixa et&aacute;ria dos filhos de at&eacute; 12 anos, a situa&ccedil;&atilde;o familiar de viol&ecirc;ncia conjugal e finalmente os aceites na participa&ccedil;&atilde;o do processo terap&ecirc;utico. A primeira fam&iacute;lia foi L&iacute;lian (m&atilde;e &ndash; 29 anos) e Beatriz (filha &ndash; 9 anos). A segunda fam&iacute;lia foi constitu&iacute;da da m&atilde;e, Ros&acirc;ngela (28 anos) e filhos, Rodolfo (11), Elvis (10) e Elisa (6). Foram realizadas seis sess&otilde;es psicoterap&ecirc;uticas com a primeira fam&iacute;lia e sete sess&otilde;es com a segunda. Os dois casos eram de mulheres que haviam solicitado atendimento para tratar de quest&otilde;es relativas &agrave;s agress&otilde;es do c&ocirc;njuge e encontravam-se em processo de separa&ccedil;&atilde;o conjugal. Os procedimentos da pesquisa com as fam&iacute;lias estudadas estavam de acordo com as resolu&ccedil;&otilde;es 196 do Conselho Nacional de sa&uacute;de, tendo sido o projeto aprovado pelo Comit&ecirc; de &Eacute;tica da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS) comunica&ccedil;&atilde;o n&uacute;mero 14. </P >     <p><I>An&aacute;lises de dados </I></P >    <p>As entrevistas focalizaram as narrativas das fam&iacute;lias quanto ao funcionamento familiar, &agrave; situa&ccedil;&atilde;o de viol&ecirc;ncia e aos processos relacionais de seus membros nos contextos de vida, bem como a hist&oacute;ria de vida familiar. Ap&oacute;s a transcri&ccedil;&atilde;o do relato das entrevistas foi realizada a an&aacute;lise das narrativas familiares atrav&eacute;s do roteiro interpretativo de Flick (2004). Este roteiro organiza-se em etapas de an&aacute;lise que incluem a obten&ccedil;&atilde;o da narrativa, a exposi&ccedil;&atilde;o do texto como unidade, a subdivis&atilde;o do texto em unidades experimentais ou fun&ccedil;&atilde;o-chave, a an&aacute;lise ling&uuml;&iacute;stica interpretativa de cada unidade, desdobramento em s&eacute;rie, interpreta&ccedil;&atilde;o dos significados e desenvolvimento de interpreta&ccedil;&otilde;es funcionais do texto. Finalmente, as &uacute;ltimas etapas abrangem a compreens&atilde;o do texto em sua totalidade e a exposi&ccedil;&atilde;o das m&uacute;ltiplas interpreta&ccedil;&otilde;es. Para a interpreta&ccedil;&atilde;o funcional do texto foram utilizados os processos de resili&ecirc;ncia em fam&iacute;lias de Walsh (2005) na compreens&atilde;o dos processos individuais, relacionais e os recursos dispon&iacute;veis e a interpreta&ccedil;&atilde;o subjetiva que cada fam&iacute;lia atribui aos eventos adversos e o reflexo deles em suas vidas. Estes elementos de an&aacute;lise foram contextualizados numa compreens&atilde;o ecol&oacute;gica das rela&ccedil;&otilde;es familiares, ambientais e individuais, conforme modelo ecol&oacute;gico proposto por Bronfenbrenner (2002). </P >    <p>RESULTADOS </P >    <p>A partir da an&aacute;lise dos dom&iacute;nios de Walsh nas trajet&oacute;rias de L&iacute;lian (Caso 1) e Ros&acirc;ngela (Caso 2) foram identificados nas entrevistas os fatores de prote&ccedil;&atilde;o e de risco nas narrativas familiares, conforme os diferentes sistemas ecol&oacute;gicos (eu ecol&oacute;gico), microssistema, mesossistema, exossistema e macrossistema. </P >    <p><I>Fam&iacute;lia 1 &ndash; L&iacute;lian </I></P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A primeira fam&iacute;lia pesquisada foi a de L&iacute;lian (29) e Beatriz (9). L&iacute;lian estava na Delegacia fazendo uma ocorr&ecirc;ncia contra o sogro por amea&ccedil;a de agress&atilde;o f&iacute;sica, epis&oacute;dio relacionado ao fato de L&iacute;lian ter encaminhado ao judici&aacute;rio queixa quanto ao n&atilde;o pagamento da pens&atilde;o aliment&iacute;cia da filha, o que resultou na pris&atilde;o do ex-marido. A repres&aacute;lia da fam&iacute;lia de origem do ex-marido era resultado desta a&ccedil;&atilde;o que causou impacto e gerou mudan&ccedil;as na vida de L&iacute;lian e Beatriz, at&eacute; ent&atilde;o sob o controle autorit&aacute;rio desta fam&iacute;lia. Isto porque L&iacute;lian ainda morava nos fundos da casa dos sogros, apesar da separa&ccedil;&atilde;o conjugal ter completado tr&ecirc;s anos. Entretanto, o processo judicial de separa&ccedil;&atilde;o ainda estava tramitando na justi&ccedil;a, impedindo a resolu&ccedil;&atilde;o da quest&atilde;o da moradia e da divis&atilde;o dos bens do casal. </P >    <p><I>Sistema de cren&ccedil;as da fam&iacute;lia </I></P >    <p>L&iacute;lian relata nas entrevistas que durante o conv&iacute;vio com o marido mostrava-se obediente e passiva diante da viol&ecirc;ncia a qual era submetida e n&atilde;o via as necessidades da filha. &ldquo;S&oacute; que eu era muito imatura, acho que era muito burra naquela &eacute;poca, sabe&rdquo;. &ldquo;Tudo eu aceitava, tudo eu dizia sim, tudo eu dizia am&eacute;m, pra mim tudo estava bom, eu n&atilde;o sabia qual eram as minhas vontades&rdquo;. N&atilde;o enxergar o sofrimento da filha e o que a viol&ecirc;ncia causava para ambas permitiu que o processo se mantivesse por mais tempo. &ldquo;Eu te confesso que naquele momento eu n&atilde;o falava nada para ela, porque eu s&oacute; pensava em mim. Minha vida era s&oacute; chorar... e nesse momento eu n&atilde;o enxergava nada, s&oacute; eu..., s&oacute; depois eu percebi que ela precisava de ajuda&rdquo;. </P >    <p>Gradualmente, L&iacute;lian reconheceu a situa&ccedil;&atilde;o de viol&ecirc;ncia em que vivia, atribuindo sentido &agrave; vida de forma a fazer novas escolhas, baseadas em responsabilidade e a lealdade para com a filha, &ldquo;que a vida &eacute; uma escola e eu aprendi muito, claro que n&atilde;o foi na base do amor. Foi na base digamos, assim, da pancada mesmo que eu amadureci&rdquo;. Admitiu o impacto da viol&ecirc;ncia, &ldquo;minha m&atilde;e sempre falava, que &ldquo;a gente &eacute; o espelho dos filhos da gente&rdquo; e se a minha filha crescesse vendo o pai dela sempre me agredindo, qual era o futuro da minha filha, eu pensava&rdquo;. Como eu vou mostrar tudo de bom para ela, se eu vivo num relacionamento onde meu marido me espanca dia e noite... ou eu me amava, ou n&atilde;o me amava&rdquo;. Esta reflex&atilde;o melhora seu senso de coer&ecirc;ncia e prop&oacute;sito de vida, al&eacute;m de aumentar sua responsabilidade no cuidado com a filha. Identifica tamb&eacute;m a religiosidade e f&eacute;, &ldquo;Quando eu comecei a freq&uuml;entar a igreja, eu fui procurar uma coisa que me preenchia, sabe, aquele vazio que eu tava sentindo&rdquo;. </P >    <p>O apoio da irm&atilde; e do pai foi um fator de prote&ccedil;&atilde;o muito relevante para a sa&iacute;da da hist&oacute;ria de viol&ecirc;ncia, promovendo uma estabilidade emocional tanto para L&iacute;lian quanto para Beatriz. &ldquo;Irm&atilde; assim que s&oacute; no olhar j&aacute; sente o que a outra est&aacute; pensando... Se ela me olha ela sabe se eu estou bem ou se estou mal e foi ela que me ajudou bastante&rdquo;. A valoriza&ccedil;&atilde;o da institui&ccedil;&atilde;o familiar relacionou-se &agrave;s cren&ccedil;as, a cultura e aos valores da fam&iacute;lia de origem de L&iacute;lian de n&atilde;o aceitar a viol&ecirc;ncia: &ldquo;aprendi que por mais que doa tem que dizer a verdade; se minha m&atilde;e estivesse viva, ela veria isso e ela n&atilde;o teria nada de orgulho de mim&rdquo;. Ao contr&aacute;rio, o modelo interacional da fam&iacute;lia do ex-marido sustentava-se em cren&ccedil;as que favoreciam o aparecimento e perpetua&ccedil;&atilde;o da viol&ecirc;ncia. Por exemplo, o lugar da mulher na rela&ccedil;&atilde;o era de uma posi&ccedil;&atilde;o passiva e inferior ao homem, o qual &eacute; percebido como tendo controle e autoridade sobre a esposa e filhos, &ldquo;ele vinha e pedia perd&atilde;o e dizia que n&atilde;o ia mais fazer, que sabia que estava errado e quando via estava me agredindo de novo&rdquo;. </P >    <p><I>Padr&atilde;o de organiza&ccedil;&atilde;o </I></P >    <p>A coes&atilde;o da fam&iacute;lia de origem de L&iacute;lian e o compartilhar dos problemas mostraram-se grandes suportes para L&iacute;lian e Beatriz conseguirem enfrentar as dificuldades. &ldquo;Meus irm&atilde;os todos me ap&oacute;iam, j&aacute; sa&iacute; de sacola de roupa, sempre me ampararam, sempre disseram que era pra eu largar essa vida. O meu pai e minha m&atilde;e j&aacute; morreram, mas n&atilde;o era esse tipo de vida que eles queriam para mim&rdquo;. Na fam&iacute;lia do marido, por&eacute;m, n&atilde;o havia respeito pelas diferen&ccedil;as e as regras eram r&iacute;gidas, punitivas e coercitivas. Durante o casamento e ap&oacute;s a separa&ccedil;&atilde;o a fam&iacute;lia de origem do ex-marido continuou a exercer influ&ecirc;ncia dominadora e manipulativa sobre L&iacute;lian e Alan, indicando dificuldades com limites e fronteiras do casal e gerando um problema no processo de separa&ccedil;&atilde;o/individua&ccedil;&atilde;o. O marido se envolveu com uma menina de treze anos que engravidou o que denota um padr&atilde;o familiar de promiscuidade sem compromisso com v&iacute;nculo afetivo em que as mulheres s&atilde;o desvalorizadas e exploradas sexualmente como objetos de prazer descart&aacute;vel. </P >    <p>O apoio da escola e da igreja, que desempenharam um papel refor&ccedil;ador da necessidade de buscar outros prop&oacute;sitos e sentido para a vida. A escola apontando o sofrimento da Beatriz bem como seu potencial e capacidade de se manter bem na aprendizagem. A igreja possibilitando sua re-conex&atilde;o com a f&eacute;. Foram fatores positivos para o enfrentamento da viol&ecirc;ncia. A terapia tamb&eacute;m proporcionou reflex&atilde;o e reconhecimento de suas habilidades, capacidades e valores, bem como seus direitos como cidad&atilde; aliada ao papel da Delegacia para a Mulher. Esta &uacute;ltima, promovendo suporte judicial e emocional ao propiciar a den&uacute;ncia da viol&ecirc;ncia e garantias quanto a sua seguran&ccedil;a. </P >    <p>Entretanto, L&iacute;lian enfrenta dificuldades na esfera do judici&aacute;rio, pois este se mostra lento e pouco resolutivo. J&aacute; se passaram tr&ecirc;s anos da separa&ccedil;&atilde;o e sua situa&ccedil;&atilde;o continua a mesma, ou seja, morando no mesmo p&aacute;tio que os sogros e tendo que engolir desaforos e ofensas, al&eacute;m da aus&ecirc;ncia de apoio financeiro. </P >    <p><I>Processos de comunica&ccedil;&atilde;o </I></P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A resolu&ccedil;&atilde;o dos problemas, a comunica&ccedil;&atilde;o clara e a express&atilde;o emocional aberta na rela&ccedil;&atilde;o entre m&atilde;e e filha facilitaram e promoveram a recupera&ccedil;&atilde;o da auto-estima e autoconfian&ccedil;a de ambas. &ldquo;Eu n&atilde;o preciso disso, eu tenho que me dar valor, como eu vou ficar com um homem que n&atilde;o me d&aacute; valor&rdquo;. </P >    <p>A amizade e comunica&ccedil;&atilde;o aberta entre os membros da fam&iacute;lia, sem vergonha de expor sua situa&ccedil;&atilde;o e seus sentimentos, geraram confian&ccedil;a e um sentimento de n&atilde;o ser sozinha no mundo (prote&ccedil;&atilde;o) e tamb&eacute;m perceber como ela e a filha s&atilde;o importantes para a fam&iacute;lia. &Eacute; poss&iacute;vel se identificar que a empatia &eacute; um modelo relacional entre as irm&atilde;s da fam&iacute;lia, que facilita a organiza&ccedil;&atilde;o e a manuten&ccedil;&atilde;o dos relacionamentos baseados na confian&ccedil;a, prote&ccedil;&atilde;o e afeto positivo. </P >    <p>Durante o casamento, L&iacute;lian n&atilde;o conversava com a filha porque n&atilde;o via o alcance da viol&ecirc;ncia para a menina, &ldquo;&Eacute; que na &eacute;poca do conflito eu n&atilde;o enxergava nada e o que tava em volta de mim era a Beatriz... e eu n&atilde;o prestava aten&ccedil;&atilde;o nela antes&rdquo;. Na rela&ccedil;&atilde;o de L&iacute;lian com a fam&iacute;lia de origem do ex-marido a comunica&ccedil;&atilde;o &eacute; distorcida e ela n&atilde;o &eacute; ouvida em suas necessidades nem da filha e acaba guardando suas ang&uacute;stias e se sentindo acuada. H&aacute; pobreza no compartilhamento das emo&ccedil;&otilde;es e a comunica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; aberta a negocia&ccedil;&otilde;es na rela&ccedil;&atilde;o do casal. &ldquo;porque ele n&atilde;o pode conversar comigo?&rdquo;. L&iacute;lian se queixa que a sogra &eacute; sua intermedi&aacute;ria junto ao ex-marido, &ldquo;ela &eacute; quem fala por mim, e n&atilde;o eu, isso me incomoda muito&rdquo;. Observa-se que a fam&iacute;lia do ex-marido funciona de forma a dificultar as coisas para ela, mantendo um controle coercitivo e vingativo. Eles n&atilde;o aceitam o fato dela ter deixado o filho e ainda t&ecirc;-lo denunciado &agrave; pol&iacute;cia, gerando sua pris&atilde;o. </P >    <p><I>Fam&iacute;lia 2 &ndash; Ros&acirc;ngela </I></P >    <p>A segunda fam&iacute;lia pesquisada foi de Ros&acirc;ngela (28) e seus tr&ecirc;s filhos, Rodolfo (11), Elvis (10) e Elisa (6). Ros&acirc;ngela estava vivendo sob forte impacto emocional, pois a separa&ccedil;&atilde;o do marido Hamilton (35) era recente e ele a amea&ccedil;ava de morte. O marido tinha sido preso em flagrante pela pol&iacute;cia que fora acionada pela vizinha que denunciara o espancamento que Ros&acirc;ngela estava sendo v&iacute;tima. A a&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;cia promoveu seguran&ccedil;a e prote&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria para que Ros&acirc;ngela pudesse se separar do marido. Dias antes da separa&ccedil;&atilde;o, Ros&acirc;ngela telefonara para o pai de quem estava afastada h&aacute; muito tempo. O pai a ap&oacute;ia e ela consegue manter a decis&atilde;o de separar-se do marido. Ela e os filhos moravam em uma casa de aluguel e permaneceram ali ap&oacute;s a separa&ccedil;&atilde;o. Ros&acirc;ngela estava procurando emprego e contava com a ajuda de seu pai para as despesas da casa. A sogra e os cunhados, com exce&ccedil;&atilde;o de uma cunhada, estavam todos contra ela e n&atilde;o acreditavam na hist&oacute;ria de viol&ecirc;ncia. </P >    <p><I>Sistema de cren&ccedil;as da fam&iacute;lia </I></P >    <p>A hist&oacute;ria pessoal de Ros&acirc;ngela indica que o relacionamento conjugal foi motivado por uma tentativa de sair de uma situa&ccedil;&atilde;o problem&aacute;tica, tanto a n&iacute;vel financeiro como emocional e familiar. Rosangela inicia um relacionamento com uma posi&ccedil;&atilde;o de depend&ecirc;ncia e imaturidade que vai se refletir ao longo dos anos que se manteve casada. Esta depend&ecirc;ncia emocional e a viol&ecirc;ncia, somente s&atilde;o encaradas e enfrentadas ap&oacute;s a den&uacute;ncia da vizinha. Durante o casamento, o senso de coer&ecirc;ncia de Ros&acirc;ngela estava alienado e paralisado, e ela n&atilde;o tinha controle sobre os eventos estressantes como a viol&ecirc;ncia vivenciada no casamento. O medo lhe limitava emocionalmente para cuidar de si mesma, &ldquo;... me limitava a n&atilde;o comer, a cuidar dos filhos, tomar um banho&rdquo;. </P >    <p>Todavia, atribuir significado a sua vida como algu&eacute;m capaz de cuidar e amar os filhos &eacute; seu grande protetor diante das adversidades e sofrimentos, &ldquo;eles s&atilde;o a minha fam&iacute;lia, s&atilde;o tudo para mim e eu vivo por eles e por mim, tanto que eu suportei tudo por eles&rdquo;. Demonstrou perseveran&ccedil;a, coragem e enfrentamento dos desafios, &ldquo;eu quero ser feliz de novo, eu queria que as crian&ccedil;as entrassem em casa sem medo, sem pensar que o pai vai chegar, poder ligar o r&aacute;dio e ouvir m&uacute;sica&rdquo;. </P >    <p>Quando os filhos de Ros&acirc;ngela tentavam proteg&ecirc;-la do ataque do pai demonstravam uma grande lealdade para com ela, motivando-a superar as dificuldades. &ldquo;A m&atilde;e n&atilde;o queria ver voc&ecirc;s chorando, a Elisa via o pai me bater, come&ccedil;ava a chorar e querer secar as minhas l&aacute;grimas e ficar cuidando de mim, o Rodolfo ficava na dele e o Elvis me defendia. A m&atilde;e n&atilde;o queria que voc&ecirc;s vissem isso&rdquo;. Portanto, ela constr&oacute;i sua hist&oacute;ria com os filhos tendo em sua base valores como o afeto e a prote&ccedil;&atilde;o. </P >    <p>A decis&atilde;o de rompimento de um modelo relacional cerceador da autonomia, opressor e dominador da figura feminina causou estranheza e revolta em ambas as fam&iacute;lias, o que confirma a for&ccedil;a do modelo relacional e a dificuldade de sair dele. &ldquo;Ela disse: ah coitadinho - da&iacute; eu olhei pra ela e disse, como assim coitadinho, tia? Tanto na fam&iacute;lia de origem do marido como da de Ros&acirc;ngela, o modelo relacional &eacute; de viol&ecirc;ncia &agrave; mulher. Na fam&iacute;lia de Ros&acirc;ngela as mulheres casam com homens opressores e violentos. &ldquo;Todas as minhas tias s&atilde;o assim, eu tenho uma tia que ela &eacute; casada e o marido fez e aconteceu, a tia &eacute; daquelas que casou &eacute; pra sempre&rdquo;. Fecha-se, portanto, um c&iacute;rculo de viol&ecirc;ncia que se perpetua nas gera&ccedil;&otilde;es, confirmando-se como um modelo transgeracional, baseado em cren&ccedil;as de que o casamento &eacute; solu&ccedil;&atilde;o para os problemas, o casal deve renunciar &agrave; felicidade pelos filhos, as mulheres devem ser as cuidadoras da fam&iacute;lia e ceder &agrave; vontade do marido. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><I>Padr&atilde;o de organiza&ccedil;&atilde;o </I></P >    <p>O apoio do pai com o qual Rosangela estivera distante por muito tempo foi uma quest&atilde;o importante para o resgate de um v&iacute;nculo familiar amoroso, &ldquo;meu pai disse que eu tinha que fazer alguma coisa por mim, se eu amo meus filhos, ... ele dizia faz por ti que vai refletir neles, arruma um emprego bom, trabalha, cuida de ti...&rdquo; Ros&acirc;ngela consegue se reorganizar para trabalhar e cuidar dos filhos, as crian&ccedil;as aceitam com tranq&uuml;ilidade a nova forma familiar e se adaptam rapidamente, para surpresa dos familiares. &ldquo;At&eacute; o irm&atilde;o dele falou, como pode as crian&ccedil;as v&atilde;o &agrave; casa da m&atilde;e e parece que n&atilde;o aconteceu nada, ta tudo normal&rdquo;. </P >     <p>Ao contr&aacute;rio, o isolamento em que Ros&acirc;ngela vivia propiciava a manuten&ccedil;&atilde;o da viol&ecirc;ncia e a falta de autonomia e flexibilidade na rela&ccedil;&atilde;o homem x mulher. Os limites no casamento eram r&iacute;gidos, coercitivos e punitivos. O marido n&atilde;o a deixava trabalhar e decidia sobre suas amizades, mantendo o controle total sobre ela. Ao desafiar sua autoridade Ros&acirc;ngela enfrenta a vingan&ccedil;a e o desejo de retalia&ccedil;&atilde;o de parte do ex-marido, como amea&ccedil;as de morte e de perda da guarda dos filhos. O fator que mantinha sua perman&ecirc;ncia na hist&oacute;ria de viol&ecirc;ncia foi a falta de apoio da sua fam&iacute;lia de origem, &ldquo;me senti arrasada, n&atilde;o diria sem apoio, eu me senti exclu&iacute;da, e eu fiquei sem alternativas e n&atilde;o tinha amiga e n&atilde;o tive cabe&ccedil;a pra pensar em algum outro parente&rdquo;. </P >     <p>A den&uacute;ncia da vizinha chamando a pol&iacute;cia, portanto, foi fundamental para fornecer &agrave; Ros&acirc;ngela uma alternativa para sair da hist&oacute;ria de viol&ecirc;ncia. No momento atual, Ros&acirc;ngela permite a entrada de outras pessoas em sua vida, como visinhos, terapeuta e judici&aacute;rio e confia nesta ajuda. </P >    <p><I>Processos de comunica&ccedil;&atilde;o </I></P >    <p>Durante o casamento, a comunica&ccedil;&atilde;o no casal era distorcida e marcada por mentiras e omiss&otilde;es por parte do marido, que passava dias fora de casa em noitadas de boemia e tinha v&aacute;rios envolvimentos extraconjugais, n&atilde;o respeitando a esposa e t&atilde;o pouco os filhos.&ldquo;Porque sempre depois que ele me batia, ele fazia o que fazia, ele ficava dentro de casa uns quantos dias, ele n&atilde;o saia, da&iacute; sa&iacute;a o roxo eu ficava melhor e n&atilde;o dava pra fazer o exame de corpo delito&rdquo;. </P >    <p>Ap&oacute;s a separa&ccedil;&atilde;o, Rosangela passa a compartilhar os sentimentos com os filhos, tenta confort&aacute;los e proteg&ecirc;-los com acolhimento e respeito. Ela transmite seguran&ccedil;a aos filhos que unidos se reorganizaram emocionalmente, &ldquo;eu acredito que &eacute; porque eu t&ocirc; sempre com eles, eu s&oacute; trabalho e t&ocirc; com eles&rdquo;. Ros&acirc;ngela tem compartilhado com seu pai as dificuldades e resgatou a amizade com sua av&oacute;, dessa forma a comunica&ccedil;&atilde;o est&aacute; mais aberta e clara. Neste sentido, a fam&iacute;lia de origem ressurge quando ela precisa e com isso resgata o que faltou no passado. </P >    <p>DISCUSS&Atilde;O </P >    <p>A partir da an&aacute;lise dos dom&iacute;nios de Walsh nas trajet&oacute;rias de L&iacute;lian (Caso 1) e Ros&acirc;ngela (Caso 2) foram identificados os diferentes processos de resili&ecirc;ncia familiar e de risco e vulnerabilidade nos contextos ecol&oacute;gicos das fam&iacute;lias da pesquisa. Destacaram-se as situa&ccedil;&otilde;es imediatas (eu ecol&oacute;gico), seguidas dos n&iacute;veis do microssistema, mesossistema, exossistema e macrossistema, possibilitando uma interpreta&ccedil;&atilde;o ampla dos indicativos que foram considerados relevantes, tanto para a sa&iacute;da da hist&oacute;ria de viol&ecirc;ncia quanto para potencializ&aacute;-la. Na <a href="#t1">Tabela 1</a>, s&atilde;o apresentados os processos de resili&ecirc;ncia para ambas as fam&iacute;lias da pesquisa e na <a href="#t2">Tabela 2</a>, os fatores de risco. </P >     <p>&nbsp;</P ><a name="t1">     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><img src="/img/revistas/aps/v29n2/29n2a05t1.jpg" width="556" height="386"></P >     
<p>&nbsp;</P ><a name="t2">     <p><img src="/img/revistas/aps/v29n2/29n2a05t2.jpg" width="554" height="398"></P >     
<p>&nbsp;</P >     <p>Atrav&eacute;s das narrativas, foram identificados os processos-chave de resili&ecirc;ncia, os mecanismos de prote&ccedil;&atilde;o e as situa&ccedil;&otilde;es de risco nas fam&iacute;lias nos diferentes contextos. Ao n&iacute;vel do Eu Ecol&oacute;gico, no Sistema de Cren&ccedil;as da fam&iacute;lia, observa-se que a perseveran&ccedil;a e a coragem no enfrentamento dos desafios foram um grande protetor individual, promovendo a auto-estima das mulheres, pois se viram capazes de lutar por elas mesmas e pelos filhos. Outro aspecto protetor estava ligado &agrave; constru&ccedil;&atilde;o da maternagem como sentido de vida, quando o cuidado e a prote&ccedil;&atilde;o aos filhos tornam-se os valores afiliativos de maior sustenta&ccedil;&atilde;o emocional destas mulheres dentro da hist&oacute;ria de viol&ecirc;ncia e sofrimento (Beavers &amp; Hampson, 1990, 1993). Por &uacute;ltimo, atribuir sentido &agrave; adversidade, atrav&eacute;s da cren&ccedil;a de que o sofrimento auxilia a pessoa a se fortalecer, favoreceu o reconhecimento do alcance da viol&ecirc;ncia e a discrimina&ccedil;&atilde;o da situa&ccedil;&atilde;o que estavam vivendo e promoveu a&ccedil;&otilde;es para a sa&iacute;da da hist&oacute;ria de viol&ecirc;ncia. </P >    <p>Ao n&iacute;vel da Microssistema Familiar, outro fator tamb&eacute;m essencial para a sa&iacute;da da hist&oacute;ria de viol&ecirc;ncia foi a afetividade nos v&iacute;nculos familiares, que acompanhava as fam&iacute;lias atrav&eacute;s de v&aacute;rias gera&ccedil;&otilde;es e constituindo-se como um modelo do sistema de cren&ccedil;as da fam&iacute;lia voltado para a prote&ccedil;&atilde;o, uni&atilde;o e afeto entre seus membros. Este modelo favoreceu o compartilhamento das dificuldades e confirmaram os pais como os principais formadores da personalidade dos filhos. Desta maneira, gradualmente, ocorreu uma transforma&ccedil;&atilde;o do Padr&atilde;o de Organiza&ccedil;&atilde;o familiar, incluindo uma maior percep&ccedil;&atilde;o das necessidades dos filhos e uma orienta&ccedil;&atilde;o positiva frente &agrave; vida. </P >     <p>No Microssistema familiar, o apoio e a colabora&ccedil;&atilde;o entre m&atilde;e e filhos no enfrentamento dos problemas facilitaram a adapta&ccedil;&atilde;o &agrave; nova forma familiar No Mesossistema e Exossistema, verificouse a import&acirc;ncia do suporte social na promo&ccedil;&atilde;o de novas respostas &agrave; viol&ecirc;ncia conjugal, entre eles o apoio dos vizinhos, escola, igreja, terapia, Delegacia para a Mulher, pol&iacute;cia e a&ccedil;&atilde;o do judici&aacute;rio. Estas modifica&ccedil;&otilde;es refletem-se nos Processos de comunica&ccedil;&atilde;o das duas fam&iacute;lias estudadas. </P >     <p>Al&eacute;m do compartilhamento dos sentimentos entre m&atilde;e e filhos, h&aacute; maior acolhimento e prote&ccedil;&atilde;o. A comunica&ccedil;&atilde;o ao n&iacute;vel do Microssistema Familiar tamb&eacute;m foi um dispositivo de mudan&ccedil;a, principalmente a import&acirc;ncia da rela&ccedil;&atilde;o de amizade entre os membros da fam&iacute;lia, em especial, a fam&iacute;lia de origem que funciona como um suporte no enfrentamento dos problemas. Outro fator importante que tamb&eacute;m promoveu a sa&iacute;da da hist&oacute;ria de viol&ecirc;ncia foi a empatia nas rela&ccedil;&otilde;es familiares, como no caso de L&iacute;lian, em que o relacionamento entre as irm&atilde;s era muito protetor. No Mesossistema e Exossistema, acesso aos servi&ccedil;os de ajuda e acolhimento por parte dos profissionais, se tornaram poss&iacute;veis a partir da cria&ccedil;&atilde;o da Delegacia para Mulher. </P >    <p>Em rela&ccedil;&atilde;o aos fatores de risco e vulnerabilidade, fazendo-se um paralelo entre as hist&oacute;rias das duas fam&iacute;lias, identifica-se que o Sistema de cren&ccedil;as familiares que mant&eacute;m as hist&oacute;rias de viol&ecirc;ncia no Microssistema familiar &eacute; extremamente semelhante nos dois casos. Pode-se citar o papel da mulher como mantenedora da fam&iacute;lia, passiva diante do marido e a fun&ccedil;&atilde;o de principal educadora e protetora dos filhos. Ao contr&aacute;rio, os homens s&atilde;o dominadores e opressores, n&atilde;o valorizando a esposa e demonstrando pouco envolvimento emocional, caracter&iacute;sticas masculinas oriundas de um modelo relacional de viol&ecirc;ncia &agrave; mulher vivenciado em suas fam&iacute;lias de origem e perpetuado atrav&eacute;s da heran&ccedil;a transgeracional. </P >     <p>Ambas as mulheres apresentaram um senso de coer&ecirc;ncia interno paralisado e alienado frente &agrave; viol&ecirc;ncia vivenciada, limitando suas a&ccedil;&otilde;es e tentativas de mudan&ccedil;a. Na Fam&iacute;lia de L&iacute;lian, a parali sa&ccedil;&atilde;o interna desenvolveu um processo emocional de cegueira da m&atilde;e frente &agrave;s conseq&uuml;&ecirc;ncias da viol&ecirc;ncia para a filha, que acabou gerando depress&atilde;o e ansiedade para ambas. Al&eacute;m disto, o Padr&atilde;o de Organiza&ccedil;&atilde;o familiar foi caracterizado pelo distanciamento afetivo, envolvimento em relacionamentos extraconjugais e aus&ecirc;ncias do lar. As regras eram r&iacute;gidas, coercitivas e punitivas e o homem mantinha o poder e o controle sobre a fam&iacute;lia, caracterizando um sistema familiar autorit&aacute;rio. </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Assim, houve uma significativa pobreza na diferencia&ccedil;&atilde;o dos parceiros no sistema conjugal, onde a falta de respeito pelos limites geracionais e pelas fronteiras do casal levaram a um padr&atilde;o de promiscuidade sem compromisso com os v&iacute;nculos. Verifica-se, tamb&eacute;m, que alguns aspectos foram fundamentais para gerar vulnerabilidade diante da viol&ecirc;ncia como o isolamento social, a falta de profiss&atilde;o e emprego, a depend&ecirc;ncia financeira do marido e a falta de apoio de alguns familiares, elementos do Mesossistema e Exossistema caracter&iacute;sticos na viol&ecirc;ncia conjugal </P >    <p>Finalmente, o &uacute;ltimo pilar de resili&ecirc;ncia familiar destacado por Walsh refere-se ao dom&iacute;nio Processos de Comunica&ccedil;&atilde;o. O isolamento familiar foi, sem d&uacute;vida, o elemento que tornou a comunica&ccedil;&atilde;o entre os membros, tanto no microssistema familiar como em rela&ccedil;&atilde;o aos processos interativos com os demais sistemas extremamente inoperantes. A resolu&ccedil;&atilde;o de conflitos era alcan&ccedil;ada atrav&eacute;s da viol&ecirc;ncia, indicando a dificuldade de intera&ccedil;&atilde;o e di&aacute;logo na constru&ccedil;&atilde;o de solu&ccedil;&otilde;es na fam&iacute;lia e a total aus&ecirc;ncia de processos comunicativos entre os demais sistemas de apoio. </P >    <p>CONSIDERA&Ccedil;&Otilde;ES FINAIS </P >    <p>Nesta pesquisa verificou-se que o processo de resili&ecirc;ncia familiar foi constru&iacute;do tendo como fatores principais os aspectos marcantes da fam&iacute;lia como uma unidade funcional frente &agrave; supera&ccedil;&atilde;o das dificuldades, em que habilidades e compet&ecirc;ncias de seus membros foram elementos muito valorizados, favorecendo a sa&iacute;da da hist&oacute;ria de viol&ecirc;ncia. Um aspecto muito marcante na promo&ccedil;&atilde;o do processo de resili&ecirc;ncia para estas duas fam&iacute;lias se relaciona &agrave; forma como as m&atilde;es constru&iacute;ram suas hist&oacute;rias de afeto, cuidado e prote&ccedil;&atilde;o aos filhos. Esse fator de prote&ccedil;&atilde;o familiar diminuiu os preju&iacute;zos da exposi&ccedil;&atilde;o &agrave; viol&ecirc;ncia para as crian&ccedil;as e tamb&eacute;m propiciou &agrave;s m&atilde;es se manterem mais inteiras emocionalmente apesar do sofrimento, confirmando as pesquisas de Beavers e Hampson (1990, 1993), sobre o valor do cuidado e da prote&ccedil;&atilde;o no desenvolvimento emocional dos membros da fam&iacute;lia. Portanto, pode-se dizer que, em geral, nos n&uacute;cleos familiares a manuten&ccedil;&atilde;o de sa&uacute;de mental e resili&ecirc;ncia ocorrem quando pelo menos uma rela&ccedil;&atilde;o significativa de prote&ccedil;&atilde;o e afeto entre os membros se desenvolve como de m&atilde;e para com os filhos, ou entre os irm&atilde;os. </P >    <p>Da mesma forma, o reconhecimento do apoio familiar e fortalecimento do v&iacute;nculo com figuras importantes da hist&oacute;ria passada das mulheres foi um elemento decisivo na manuten&ccedil;&atilde;o da den&uacute;ncia na Delegacia da Mulher e enfrentamento de todas as etapas judiciais que envolvem um processo. Mais especificamente, L&iacute;lian resgata a imagem materna como cuidadora e idealizadora de uma vida melhor para a filha. Rosangela, dias antes de assumir a den&uacute;ncia contra o marido, resgatou a rela&ccedil;&atilde;o com o pai, o qual, igualmente, expressa um desejo de que a filha se cuidasse e amparasse aos filhos. </P >    <p>Assim, considera-se que os profissionais que trabalham com v&iacute;timas de viol&ecirc;ncia familiar devem estar atentos para a presen&ccedil;a nos relatos das v&iacute;timas de rela&ccedil;&otilde;es interpessoais que sirvam de apoio n&atilde;o somente financeiro, mas, sim, de suporte afetivo e validador das experi&ecirc;ncias das mulheres. E, aqueles casos onde houvesse menor disponibilidade de apoio, deveriam seguir um atendimento psicoter&aacute;pico mais espec&iacute;fico, dirigido &agrave;s quest&otilde;es particulares de cada hist&oacute;ria, a fim de que possam identificar suas fragilidades e evitar o retorno para padr&otilde;es familiares violentos. </P >    <p>Desta maneira, verifica-se que os fatores de prote&ccedil;&atilde;o n&atilde;o se apresentam da mesma forma para cada fam&iacute;lia, de forma que n&atilde;o se pode generalizar e categorizar as fam&iacute;lias em modelos estanques de resili&ecirc;ncia. Pelo contr&aacute;rio, cada fam&iacute;lia manteve suas pr&oacute;prias caracter&iacute;sticas de identidade diante da viol&ecirc;ncia respondendo a sua maneira e de acordo com seus valores e cren&ccedil;as familiares. Alguns protetores embora se mostrassem semelhantes para cada fam&iacute;lia tinham um peso diferente. Na fam&iacute;lia de Ros&acirc;ngela, os maiores fatores de prote&ccedil;&atilde;o estavam relacionados &agrave; constru&ccedil;&atilde;o do sentido de vida da m&atilde;e atrav&eacute;s da rela&ccedil;&atilde;o com os filhos e suas caracter&iacute;sticas individuais de temperamento, al&eacute;m do fator social (vizinha e pol&iacute;cia). Na fam&iacute;lia de L&iacute;lian, os fatores de prote&ccedil;&atilde;o que tiveram maior impacto foram o apoio da fam&iacute;lia de origem, em especial a amizade entre as irm&atilde;s e as caracter&iacute;sticas individuais, como a religiosidade. </P >    <p>Concluindo, &eacute; necess&aacute;rio ampliar o olhar das redes sociais de suporte e amparo &agrave;s fam&iacute;lias em situa&ccedil;&atilde;o de viol&ecirc;ncia conjugal, no sentido de buscar um entendimento destes processos violentos n&atilde;o a partir de uma &oacute;tica da doen&ccedil;a ou de uma falha familiar, mas como um fen&ocirc;meno muito maior que se constitui e se mant&eacute;m na sociedade. Para tanto, seria necess&aacute;rio ampliar as redes de atendimento em sa&uacute;de coletiva, atrav&eacute;s da capacita&ccedil;&atilde;o de agentes de sa&uacute;de, aperfei&ccedil;oamento do policial e a cria&ccedil;&atilde;o de casas abrigo com oficinas que favorecessem o ingresso das mulheres v&iacute;timas de viol&ecirc;ncia conjugal no mercado de trabalho. </P >     <p>&nbsp;</P >     <p>REFER&Ecirc;NCIAS </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Beavers, W. R., &amp; Hampson, R. B. (1990). <I>Successful families: Assessment and intervention</I>. New York: Norton.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000083&pid=S0870-8231201100020000500001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <!-- ref --><p>Beavers, W. R., &amp; Hampson, R. B. (1993). Measuring family competence: The Beavers systems model. In F. Walsh (Ed). <I>Normal family processes </I>(2nd ed.). New York: Guilford Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000085&pid=S0870-8231201100020000500002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <!-- ref --><p>Bronfenbrenner, U. (2002). <I>A ecologia do desenvolvimento humano: Experimentos naturais e planejados</I>. Porto Alegre: Artmed.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000087&pid=S0870-8231201100020000500003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Bruner, J. S. (1991). The narrative construction of reality. <I>Critical Inquiry, 18(1)</I>, 1-21.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000089&pid=S0870-8231201100020000500004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Flick, U. (2004). <I>Uma introdu&ccedil;&atilde;o &agrave; pesquisa qualitativa</I>. Porto Alegre: Bookman.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000091&pid=S0870-8231201100020000500005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Garcia, N. M., &amp; Yunes, M. A. M. (2006). Resili&ecirc;ncia familiar: baixa renda e monoparentalidade. In D&eacute;bora D. Dell&rsquo;Aglio, S&iacute;lvia H. Koller, &amp; Maria A. M. Yunes (Eds.), <I>Resili&ecirc;ncia e Psicologia Positiva: Interfaces do risco &agrave; prote&ccedil;&atilde;o. </I>S&atilde;o Paulo: Casa do Psic&oacute;logo. </P >    <!-- ref --><p>Hawley, D. R., &amp; DeHann, L. (1996). Toward a definition of family resilience: Integrating life span and family perspectives. <I>Family Process, 35</I>(3), 283-298.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000094&pid=S0870-8231201100020000500007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Koller, S. H., &amp; De Antoni, C. (2004). Viol&ecirc;ncia intrafamiliar: Uma vis&atilde;o ecol&oacute;gica. In S. H. Koller (Ed.), <I>Ecologia do desenvolvimento humano: Pesquisa e interven&ccedil;&atilde;o no Brasil </I>(pp. 293-310). S&atilde;o Paulo: Casa do Psic&oacute;logo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000096&pid=S0870-8231201100020000500008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Lietz, C. A. (2006).Covering stories of family resilience: A mixed methods study of resilient families. <I>Families in Society: The Journal of Contemporary Social Services, 87</I>(4), <I>575-582.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000098&pid=S0870-8231201100020000500009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </I></P >    <!-- ref --><p>Murray, M. (2004). Narrative Psychology. In J. A. Smith (Org.), <I>Qualitative psychology. </I>London: Sage Publications.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000100&pid=S0870-8231201100020000500010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Rober, P., Eesbeek, D. V., &amp; Elliot, R. (2006). Talking about violence: A microanalysis of narrative process in a family therapy session. <I>Journal of Marital and Family Therapy, 32</I>(3), 313-328.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000102&pid=S0870-8231201100020000500011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Ravazzola, M. C. (2005). Resili&ecirc;ncias familiares. In Aldo Melillo, Elbio N. S. Ojeda, &amp; cols. (Eds.), <I>Resili&ecirc;ncia: Descobrindo as pr&oacute;prias fortalezas. </I>Porto Alegre: Artmed.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000104&pid=S0870-8231201100020000500012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Walsh, F. (2005). <I>Fortalecendo a resili&ecirc;ncia familiar</I>. S&atilde;o Paulo: Roca.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000106&pid=S0870-8231201100020000500013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>White, M., &amp; Epston, D. (1990) <I>Narrative, means to therapeutic ends</I>. New York: Norton.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000108&pid=S0870-8231201100020000500014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Yunes, M. A. M. (2001). <I>A quest&atilde;o triplamente controvertida da resili&ecirc;ncia em fam&iacute;lias de baixa renda</I>. Tese de doutorado n&atilde;o publicada, Pontif&iacute;cia Universidade Cat&oacute;lica de S&atilde;o Paulo, S&atilde;o Paulo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000110&pid=S0870-8231201100020000500015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Yunes, M. A. M. (2003). Psicologia positiva e resili&ecirc;ncia: O foco no indiv&iacute;duo e na fam&iacute;lia. <I>Psicologia em Estudo, 8, </I>1-15.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000112&pid=S0870-8231201100020000500016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Yunes, M. A. M., Mendes, N. F., &amp; Albuquerque, B. M. (2004). As intera&ccedil;&otilde;es entre os agentes comunit&aacute;rios de sa&uacute;de e fam&iacute;lias monoparentais pobres: Percep&ccedil;&otilde;es e cren&ccedil;as sobre resili&ecirc;ncia. <I>Revista Ci&ecirc;ncia, Cuidado e Sa&uacute;de, 3, </I>12-15.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000114&pid=S0870-8231201100020000500017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <p>&nbsp;</P >     <p><a name="0"></a><a href="#top0">Correspond&ecirc;ncia</a></P >     <p>A correspond&ecirc;ncia relativa a este artigo dever&aacute; ser enviada para: Silvia Pereira da Cruz Benetti, Rua Riveira, 150/301, 90670-160 Porto Alegre, RS. E-mail: <a href="mailto:sbenetti@unisinos.br">sbenetti@unisinos.br</a> </P >      ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Beavers]]></surname>
<given-names><![CDATA[W. R.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Hampson]]></surname>
<given-names><![CDATA[R. B.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Successful families: Assessment and intervention]]></source>
<year>1990</year>
<publisher-loc><![CDATA[New York ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Norton]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Beavers]]></surname>
<given-names><![CDATA[W. R.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Hampson]]></surname>
<given-names><![CDATA[R. B.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Measuring family competence: The Beavers systems model]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Walsh]]></surname>
<given-names><![CDATA[F.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Normal family processes]]></source>
<year>1993</year>
<edition>2nd</edition>
<publisher-loc><![CDATA[New York ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Guilford Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Bronfenbrenner]]></surname>
<given-names><![CDATA[U.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[A ecologia do desenvolvimento humano: Experimentos naturais e planejados]]></source>
<year>2002</year>
<publisher-loc><![CDATA[Porto Alegre ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Artmed]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B4">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Bruner]]></surname>
<given-names><![CDATA[J. S.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The narrative construction of reality]]></article-title>
<source><![CDATA[Critical Inquiry]]></source>
<year>1991</year>
<volume>18</volume>
<numero>1</numero>
<issue>1</issue>
<page-range>1-21</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B5">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Flick]]></surname>
<given-names><![CDATA[U.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Uma introdução à pesquisa qualitativa]]></source>
<year>2004</year>
<publisher-loc><![CDATA[Porto Alegre ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Bookman]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B6">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Garcia]]></surname>
<given-names><![CDATA[N. M.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Yunes]]></surname>
<given-names><![CDATA[M. A. M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Resiliência familiar: baixa renda e monoparentalidade]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Dell&#8217;Aglio]]></surname>
<given-names><![CDATA[Débora D.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Koller]]></surname>
<given-names><![CDATA[Sílvia H.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Yunes]]></surname>
<given-names><![CDATA[Maria A. M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Resiliência e Psicologia Positiva: Interfaces do risco à proteção]]></source>
<year>2006</year>
<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Casa do Psicólogo]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B7">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Hawley]]></surname>
<given-names><![CDATA[D. R.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[DeHann]]></surname>
<given-names><![CDATA[L.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Toward a definition of family resilience: Integrating life span and family perspectives]]></article-title>
<source><![CDATA[Family Process]]></source>
<year>1996</year>
<volume>35</volume>
<numero>3</numero>
<issue>3</issue>
<page-range>283-298</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B8">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Koller]]></surname>
<given-names><![CDATA[S. H.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[De Antoni]]></surname>
<given-names><![CDATA[C.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Violência intrafamiliar: Uma visão ecológica]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Koller]]></surname>
<given-names><![CDATA[S. H.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Ecologia do desenvolvimento humano: Pesquisa e intervenção no Brasil]]></source>
<year>2004</year>
<page-range>293-310</page-range><publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Casa do Psicólogo]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B9">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Lietz]]></surname>
<given-names><![CDATA[C. A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Covering stories of family resilience: A mixed methods study of resilient families]]></article-title>
<source><![CDATA[Families in Society: The Journal of Contemporary Social Services]]></source>
<year>2006</year>
<volume>87</volume>
<numero>4</numero>
<issue>4</issue>
<page-range>575-582</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B10">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Murray]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Narrative Psychology]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Smith]]></surname>
<given-names><![CDATA[J. A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Qualitative psychology]]></source>
<year>2004</year>
<publisher-loc><![CDATA[London ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Sage Publications]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B11">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Rober]]></surname>
<given-names><![CDATA[P.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Eesbeek]]></surname>
<given-names><![CDATA[D. V.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Elliot]]></surname>
<given-names><![CDATA[R.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Talking about violence: A microanalysis of narrative process in a family therapy session]]></article-title>
<source><![CDATA[Journal of Marital and Family Therapy]]></source>
<year>2006</year>
<volume>32</volume>
<numero>3</numero>
<issue>3</issue>
<page-range>313-328</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B12">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Ravazzola]]></surname>
<given-names><![CDATA[M. C.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Resiliências familiares]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Melillo]]></surname>
<given-names><![CDATA[Aldo]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Ojeda]]></surname>
<given-names><![CDATA[Elbio N. S.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Resiliência: Descobrindo as próprias fortalezas]]></source>
<year>2005</year>
<publisher-loc><![CDATA[Porto Alegre ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Artmed]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B13">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Walsh]]></surname>
<given-names><![CDATA[F.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Fortalecendo a resiliência familiar]]></source>
<year>2005</year>
<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Roca]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B14">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[White]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Epston]]></surname>
<given-names><![CDATA[D.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Narrative, means to therapeutic ends]]></source>
<year>1990</year>
<publisher-loc><![CDATA[New York ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Norton]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B15">
<nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Yunes]]></surname>
<given-names><![CDATA[M. A. M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[A questão triplamente controvertida da resiliência em famílias de baixa renda]]></source>
<year>2001</year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B16">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Yunes]]></surname>
<given-names><![CDATA[M. A. M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Psicologia positiva e resiliência: O foco no indivíduo e na família]]></article-title>
<source><![CDATA[Psicologia em Estudo]]></source>
<year>2003</year>
<volume>8</volume>
<page-range>1-15</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B17">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Yunes]]></surname>
<given-names><![CDATA[M. A. M.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Mendes]]></surname>
<given-names><![CDATA[N. F.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Albuquerque]]></surname>
<given-names><![CDATA[B. M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[As interações entre os agentes comunitários de saúde e famílias monoparentais pobres: Percepções e crenças sobre resiliência]]></article-title>
<source><![CDATA[Revista Ciência, Cuidado e Saúde]]></source>
<year>2004</year>
<volume>3</volume>
<page-range>12-15</page-range></nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
