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<journal-title><![CDATA[Análise Psicológica]]></journal-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[In the present paper, the authors propose to reflect on the concepts of counter-transference and transference, thinking about luggage (continents of contents) that immigrants carried to a foreign country, enhancing what each one, therapist and patient carry in/to/from the relation, having the Psychoanalytic idea as the model, the cornerstone in the practice of Psychoanalytic Psychotherapy. A historical perspective of the comprehension of these transfer phenomena is presented initially. Then, some theories and perspectives are presented which, in the understanding of the authors, describe, more completely and closer to reality, the way the phenomena (counter) transfer appear in the psychotherapeutic setting. The clarification of the counter-transference and transference, demonstrates its relevancy for practical clinic, in direct articulation with the psychopathology as can be understood in classical terms, through the concepts of Neurosis, Borderline and Psychosis. Given the necessity of looking at these concepts through the prism of institutional care, the authors searched for a (re)meaning of the therapeutic meeting, reflecting on the relevancy of transference and of counter-transference, both in Psycho analysis, and in Psychoanalytic Psychotherapy.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>Sobre o que se transporta: (Contra)Transfer&ecirc;ncia(s) </b></p>     <p><b>Ana Paula Nascimento<Sup>*</Sup>, Catarina Bray Pinheiro<Sup>* </Sup>, Isabel Duarte Cunha<Sup>* </Sup>, Maria Coelho Rosa<Sup>* </Sup>e Rita Pimenta Machado<Sup>* </Sup></b></P >     <P   ><Sup>* </Sup>Membros candidatos da APPSI &ndash; Associa&ccedil;&atilde;o Portuguesa de Psicoterapia Psicanal&iacute;tica </P >     <p><a name="top0"></a><a href="#0">Correspond&ecirc;ncia</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <P   >No presente trabalho, as autoras prop&otilde;em-se pensar as no&ccedil;&otilde;es de transfer&ecirc;ncia e de contratransfer&ecirc;ncia, pensando em malas (continentes de conte&uacute;dos) que imigrantes transportavam para um pa&iacute;s estrangeiro, real&ccedil;ando o que cada um, terapeuta e paciente transportam na/para/da rela&ccedil;&atilde;o, tendo por base o modelo psicanal&iacute;tico, pedra basilar na pr&aacute;tica da Psicoterapia de Inspira&ccedil;&atilde;o Psicanal&iacute;tica. Inicialmente &eacute; apresentada uma perspectiva hist&oacute;rica da leitura destes fen&oacute;menos transferenciais. Posteriormente, s&atilde;o expostas algumas teorias e perspectivas que, no entender das autoras, descrevem de forma mais completa e mais pr&oacute;xima da realidade o modo como os fen&oacute;menos (contra) transferenciais surgem no setting psicoterap&ecirc;utico. A clarifica&ccedil;&atilde;o das no&ccedil;&otilde;es de transfer&ecirc;ncia e de contratransfer&ecirc;ncia, explicitam a sua pertin&ecirc;ncia para a pr&aacute;tica cl&iacute;nica, numa articula&ccedil;&atilde;o directa com a psicopatologia tal como a podemos entender em termos cl&aacute;ssicos, atrav&eacute;s das no&ccedil;&otilde;es de Neurose, Patologia Limite e Psicose. Dada a necessidade de olhar para estes conceitos sob um outro prisma quando se trabalha em institui&ccedil;&otilde;es, as autoras procuraram um (re)significar do encontro terap&ecirc;utico, reflectindo-se sobre a pertin&ecirc;ncia da transfer&ecirc;ncia e de contratransfer&ecirc;ncia, quer para a Psican&aacute;lise, como para a Psicoterapia de Inspira&ccedil;&atilde;o Psicanal&iacute;tica. </P >    <P   ><B>Palavras-chave: </B>Contratransfer&ecirc;ncia, Psican&aacute;lise e psicopatologia, Psicoterapia psicanal&iacute;tica, Transfer&ecirc;ncia. </P >     <P   >&nbsp;</P >     <P   ><b>ABSTRACT</b></P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P   >In the present paper, the authors propose to reflect on the concepts of counter-transference and transference, thinking about luggage (continents of contents) that immigrants carried to a foreign country, enhancing what each one, therapist and patient carry in/to/from the relation, having the Psychoanalytic idea as the model, the cornerstone in the practice of Psychoanalytic Psychotherapy. A historical perspective of the comprehension of these transfer phenomena is presented initially. Then, some theories and perspectives are presented which, in the understanding of the authors, describe, more completely and closer to reality, the way the phenomena (counter) transfer appear in the psychotherapeutic setting. The clarification of the counter-transference and transference, demonstrates its relevancy for practical clinic, in direct articulation with the psychopathology as can be understood in classical terms, through the concepts of Neurosis, Borderline and Psychosis. Given the necessity of looking at these concepts through the prism of institutional care, the authors searched for a (re)meaning of the therapeutic meeting, reflecting on the relevancy of transference and of counter-transference, both in Psycho analysis, and in Psychoanalytic Psychotherapy. </P >    <p><B>Key-words: </B>Counter-transference, Psychoanalysis and psychopathology, Psychoanalytic psycho therapy, Transference. </P >     <p>&nbsp;</P >     <P   >A porta que se abre mesmo depois do pior ataque. A sala que n&atilde;o muda apesar de tudo estar por dentro desarrumado. O olhar que permanece, apesar das feridas que pensam infligir, mas agora &eacute; diferente. Agora tudo pode ser diferente. </P >    <P   >Diferente como igual &eacute; sempre a manh&atilde;, mas nunca &eacute; a mesma, tal como sempre anoitece, mas anoitecemos sempre diferentes. </P >    <P   >A ideia da transfer&ecirc;ncia cont&eacute;m a ideia de transportar de um tempo a um outro, de um ontem num hoje, de um passado presente, de um outro, a um mesmo de sempre igual, que foi mais de menos, menos de mais. O processo psicanal&iacute;tico tem por base o princ&iacute;pio socr&aacute;tico &ldquo;conhece-te a ti mesmo&rdquo;, o que implica a capacidade do sujeito de se conhecer a si pr&oacute;prio, mas tamb&eacute;m a capacidade de, na rela&ccedil;&atilde;o com o Outro, descobrir novos conhecimentos, novos sentidos e novos significados. </P >    <p>ATENTOS &Agrave; ESPERA. PARA ONDE? PARTIDA  </P >    <p>Procuramos apresentar uma reflex&atilde;o sobre a transfer&ecirc;ncia e a contratransfer&ecirc;ncia. Num primeiro momento ser&atilde;o apresentados alguns autores e modelos que consideramos especialmente relevantes para a compreens&atilde;o desta tem&aacute;tica. Num segundo momento, propomo-nos realizar uma articula&ccedil;&atilde;o destes conceitos te&oacute;ricos com a psicopatologia e com a pr&aacute;tica cl&iacute;nica. </P >     <p>A Transfer&ecirc;ncia e a Contratransfer&ecirc;ncia foram conceitos que estiveram presentes como m&uacute;sica de fundo nos v&aacute;rios semin&aacute;rios da nossa forma&ccedil;&atilde;o em Psicoterapias Psicanal&iacute;ticas. S&atilde;o fen&oacute;menos cl&iacute;nicos de enorme relevo e que nos permitem escutar determinadas comunica&ccedil;&otilde;es, atender a din&acirc;micas vivas que poderiam ser, de outra forma, apagadas, ficar fora de campo, fora de jogo. Pro curamos desta forma perceber a apresenta&ccedil;&atilde;o destes movimentos nos v&aacute;rios registos psicopatol&oacute;gicos &ndash; neuroses, patologias limite e psicoses. S&atilde;o diferentes registos que implicam varia&ccedil;&otilde;es fundamentais nas express&otilde;es cl&iacute;nicas e nas possibilidades simb&oacute;licas, de transforma&ccedil;&atilde;o e de mudan&ccedil;a. </P >    <p>Sendo dado que todos estes conceitos adv&ecirc;m da pr&aacute;tica e teoria psicanal&iacute;tica, pensar a sua leitura e a medida do seu manejo em Psicoterapia Psicanal&iacute;tica, &eacute; outra quest&atilde;o que nos interessa aqui colocar. A Transfer&ecirc;ncia e a Contratransfer&ecirc;ncia aparecem da mesma forma num processo psica nal&iacute;tico como numa psicoterapia, num contexto institucional ou fora dele? As respostas desenvolvidas para estes fen&oacute;menos convergem e divergem dependendo da forma e consoante estejamos a falar de uma Psican&aacute;lise ou de uma Psicoterapia Psicanal&iacute;tica? N&atilde;o nos interessando estabelecer uma separa&ccedil;&atilde;o estanque e fixa entre Psican&aacute;lise e Psicoterapia Psicanal&iacute;tica (trata-se de um debate antigo, longo e muitas vezes pouco esclarecedor), importa-nos antes encontrar algumas linhas definidoras que facilitem a clarifica&ccedil;&atilde;o da identidade das Psicoterapias Psicanal&iacute;ticas. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Pensamos o modelo de Transfer&ecirc;ncia/Contratransfer&ecirc;ncia pensando nos imigrantes e nas malas (continentes de conte&uacute;dos) que transportavam para um pa&iacute;s estrangeiro, longe da p&aacute;tria m&atilde;e, na esperan&ccedil;a de poder ter melhores malas assim como conte&uacute;dos diferentes para malas necessaria mente transformadas. Pensamos, pensando-nos como as malas que transportamos, contendo roupas de rela&ccedil;&atilde;o, que o sujeito que sofre e nos procura repete sempre, transportando e colocando as roupas de sempre na rela&ccedil;&atilde;o nova que estabelece &ndash; Transfer&ecirc;ncia. Numa rela&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica, colocar-se-&aacute; tamb&eacute;m a quest&atilde;o da mala do terapeuta, do que ele pr&oacute;prio transporta na mala, como apresenta ou esconde a mala, e os seus conte&uacute;dos e como poder&aacute; a sua mala, e o que transporta, facilitar, impedir, ganhar espa&ccedil;o para novos elementos de transforma&ccedil;&atilde;o. </P >    <p>Parece-nos ser fundamental nesta coexist&ecirc;ncia de malas que o psicoterapeuta conhe&ccedil;a e reconhe&ccedil;a a sua mala, que saiba confortavelmente o que transporta na sua mala de rela&ccedil;&atilde;o. J&aacute; que as roupas, os conte&uacute;dos mais ou menos contidos, v&atilde;o movimentar-se na rela&ccedil;&atilde;o entre os dois, j&aacute; que &eacute; este movimento que permitir&aacute; um pensar transformador sobre a mala e os seus conte&uacute;dos, j&aacute; que ser&aacute; esse mesmo movimento o respons&aacute;vel por momentos e movimentos de paralisia, confus&atilde;o, como uma roupa que n&atilde;o serve os conte&uacute;dos perdidos/achados, n&atilde;o reconhec&iacute;veis, mas confort&aacute;veis porque escondem. </P >    <p>CADA UM, CADA M&Atilde;O, CADA MALA, MOVIMENTOS:  CONCEP&Ccedil;&Otilde;ES TE&Oacute;RICAS DE (CONTRA)TRANSFER&Ecirc;NCIA(S)  </P >    <p>As no&ccedil;&otilde;es de transfer&ecirc;ncia e contratransfer&ecirc;ncia nem sempre foram entendidas e pensadas da forma como hoje s&atilde;o conceptualizadas. De acordo com os diferentes modelos te&oacute;ricos, estas no&ccedil;&otilde;es v&atilde;o-se alterando, sendo alguns dos movimentos deste longo e diverso caminho que nos propomos agora trilhar, no sentido de destacar alguns aspectos que consideramos fundamentais para a compreens&atilde;o da din&acirc;mica presente na rela&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica de uma Psicoterapia Psicanal&iacute;tica. </P >    <p>Em &ldquo;Estudos Sobre a Histeria&rdquo; e em &ldquo;A Interpreta&ccedil;&atilde;o dos Sonhos&rdquo; Freud, apreende a trans fer&ecirc;ncia sob o prisma de um deslocamento do investimento ao n&iacute;vel das representa&ccedil;&otilde;es ps&iacute;quicas, mais do que como uma componente da rela&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica. &Eacute; com a an&aacute;lise de Dora que Freud teve a sua primeira experi&ecirc;ncia negativa com a transfer&ecirc;ncia, verificando que, de facto, o analista desempenha um papel na transfer&ecirc;ncia do analisando. Recusando-se a ser objecto de transporte amoroso da paciente, Freud op&otilde;e uma resist&ecirc;ncia que desencadeia uma transfer&ecirc;ncia negativa o que mais tarde vem a designar de contratransfer&ecirc;ncia. </P >    <p>&Eacute; na altura que Freud exp&otilde;e o seu caso de neurose obsessiva, que come&ccedil;a a distinguir o facto dos sentimentos inconscientes do paciente para com o analista serem manifesta&ccedil;&otilde;es de uma rela&ccedil;&atilde;o recalcada com os imagos parentais. Em &ldquo;A Din&acirc;mica da Transfer&ecirc;ncia&rdquo; (1912) come&ccedil;a por falar de transfer&ecirc;ncia como sendo a arma mais forte da resist&ecirc;ncia e conclui que a intensidade e persist&ecirc;ncia da transfer&ecirc;ncia constituem efeito e express&atilde;o da resist&ecirc;ncia. Distingue ent&atilde;o a transfer&ecirc;ncia positiva, feita de sentimentos afectuosos, da transfer&ecirc;ncia negativa, portadora de sentimentos hostis e agressivos. Acrescenta ainda as transfer&ecirc;ncias mistas, que reproduzem os sentimentos ambivalentes da crian&ccedil;a em rela&ccedil;&atilde;o aos pais. Em &ldquo;Para Al&eacute;m do Princ&iacute;pio do Prazer&rdquo;, Freud (1920) surpreende-se com o car&aacute;cter repetitivo da transfer&ecirc;ncia. Constata que esta repeti&ccedil;&atilde;o se referia sempre a fragmentos da vida sexual infantil, relaciona a transfer&ecirc;ncia com o complexo de &Eacute;dipo e conclui que a neurose original era substitu&iacute;da, na an&aacute;lise, por uma neurose artificial ou &ldquo;neurose de transfer&ecirc;ncia&rdquo;, que no processo anal&iacute;tico devia conduzir o paciente a um reconhecimento da neurose infantil. </P >    <p>Nos seus trabalhos posteriores, a transfer&ecirc;ncia foi considerada por Freud como um obst&aacute;culo &agrave; rememora&ccedil;&atilde;o e uma forma de resist&ecirc;ncia, sinal da proximidade do retorno dos elementos recalcados mais cruciais. &Eacute; com o desenvolvimento da teoria da fantasia que Freud se afasta da ideia de rememora&ccedil;&atilde;o e, embora continuasse a ligar a resist&ecirc;ncia &agrave; transfer&ecirc;ncia, coloca a &ecirc;nfase na import&acirc;ncia da sua utiliza&ccedil;&atilde;o como via de acesso ao desejo inconsciente. &Eacute; em 1923, que a transfer&ecirc;ncia &eacute; concebida como um terreno no qual &eacute; preciso conseguir uma vit&oacute;ria. A transfer&ecirc;ncia utilizada pelo analista &eacute; &ldquo;o mais poderoso auxiliar do tratamento&rdquo;. A partir daqui, &eacute; o amor transferencial que passa a despertar toda a aten&ccedil;&atilde;o de Freud. </P >    <p>Ao questionar-se sobre o sentido da resist&ecirc;ncia na transfer&ecirc;ncia, Freud (1926) liga-a &agrave;s resist&ecirc;ncias do ego, na medida em que, opondo-se &agrave; rememora&ccedil;&atilde;o, renova no actual a ac&ccedil;&atilde;o do recalcamento, passando a ser a compuls&atilde;o &agrave; repeti&ccedil;&atilde;o designada como resist&ecirc;ncia do id. </P >    <p>Pela primeira vez nota-se como o psicoterapeuta pode ser investido e vestido de roupas, antigas, que nada mais fazem que repetir modos de rela&ccedil;&atilde;o. As malas o que cont&ecirc;m, e o que sempre se transporta, entram em cena, ganham lugar. </P >    <p>Bem mais tarde e dando um salto por entre malas, chegamos ao modelo kleineano onde a no&ccedil;&atilde;o de transfer&ecirc;ncia surge associada ao conceito de <I>identifica&ccedil;&atilde;o projectiva</I>. Klein, em 1952, no seu trabalho sobre &ldquo;As origens da transfer&ecirc;ncia&rdquo; descreve, por um lado, a import&acirc;ncia dos processos prim&aacute;rios de projec&ccedil;&atilde;o e de introjec&ccedil;&atilde;o, essenciais para a estrutura&ccedil;&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o de objecto da crian&ccedil;a, que envolvem as emo&ccedil;&otilde;es, fantasias, ansiedades e defesas, sustentando por outro lado, que a transfer&ecirc;ncia tem origem nos mesmos processos que d&atilde;o origem &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es de objecto. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No decurso de uma Psican&aacute;lise, o analista pode desempenhar em diferentes momentos, e muitas vezes numa mesma sess&atilde;o, v&aacute;rios objectos internos, todos eles de forma total ou parcial, mesmo sem que o psicoterapeuta tenha activamente alguma coisa a ver com o que &eacute; projectado. Esta reprodu&ccedil;&atilde;o de objectos da inf&acirc;ncia acontece tal como eles foram vividos no momento: distorcidos pelas fantasias que foram projectadas na figura do terapeuta, cindidos e expelidos por mecanismos de dissocia&ccedil;&atilde;o e, consequentemente, introjectados como objectos parciais. Neste posicionamento podemos pensar o psicoterapeuta como algu&eacute;m sem mala, ou sem pensar como a sua mala, as suas roupas podem facilitar, ou n&atilde;o, as projec&ccedil;&otilde;es do paciente. O psicoterapeuta apresentar-se-&aacute; como um &ldquo;manequim&rdquo; forte e robusto, necessariamente idealizado, que se despe de tudo, e tudo o que sente &eacute; da responsabilidade do paciente, que est&aacute; permanentemente a (in)vestir o psicoterapeuta com roupas distorcidas por fantasmas inconscientes. </P >    <p>Racker e Heimann, de forma paralela e separada, foram aqueles que, depois de Freud, mais aprofundaram a no&ccedil;&atilde;o de contratransfer&ecirc;ncia e a sua import&acirc;ncia no desenvolvimento do processo anal&iacute;tico. Heimann (1950) defende que a contratransfer&ecirc;ncia constitui uma ajuda fundamental para a Psican&aacute;lise, n&atilde;o sendo vista como um empecilho para o analista. Este trabalho assume assim um papel de ruptura com as teorias, pr&aacute;ticas e mesmo embara&ccedil;os que os movimentos contratransferenciais provocavam. A resposta emocional do analista ao seu paciente, no interior da situa&ccedil;&atilde;o anal&iacute;tica, constitui a principal ferramenta de trabalho do analista. A contratransfer&ecirc;ncia &eacute; vista como o conjunto de sentimentos que o analista sente para com o seu paciente, que n&atilde;o devem ser recusados, mas sim suportados e pensados analiticamente. Estas emo&ccedil;&otilde;es suscitadas no analista est&atilde;o muitas vezes, mais pr&oacute;ximas do real problema, do que o racioc&iacute;nio sobre o problema. A contratransfer&ecirc;ncia &eacute; uma cria&ccedil;&atilde;o do paciente, e a viv&ecirc;ncia contratransferencial faz parte da personalidade do paciente. Esta abordagem da contratransfer&ecirc;ncia &eacute; vulner&aacute;vel aos perigos da confus&atilde;o ou da projec&ccedil;&atilde;o, mas o que preserva o analista deste perigo &eacute; a sua pr&oacute;pria an&aacute;lise &ndash; o conhecimento e o conforto no manusear da sua mala, bem como os seus conte&uacute;dos. </P >    <p>Para Racker (1969), a contratransfer&ecirc;ncia apresenta m&uacute;ltiplos aspectos que podem ser relevantes para o processo psicoterap&ecirc;utico, nomeadamente a resposta contratransferencial, que pode estar ligada &agrave; transfer&ecirc;ncia manifesta ou latente. &Agrave; identifica&ccedil;&atilde;o do analista com o Eu do analisando designa por identifica&ccedil;&atilde;o concordante, &ldquo;sim, eu gosto de usar o que tu trazes na mala&rdquo;, sendo a identifica&ccedil;&atilde;o complementar aquela que ocorre quando o analista se identifica com os objectos internos do analisado, podendo o impacto da transfer&ecirc;ncia do analisando suscitar uma contratransfer&ecirc;ncia negativa por parte do analista. </P >    <p>Ao longo de um processo psicanal&iacute;tico decorre uma transforma&ccedil;&atilde;o interna, variando a import&acirc;ncia da contratransfer&ecirc;ncia de acordo com o significado que &eacute; dado &agrave; fun&ccedil;&atilde;o do analista, que poder&aacute; ser a de interpretar os acontecimentos inconscientes, podendo, ao mesmo tempo, ser objecto desses mesmos acontecimentos. Deste modo, a contratransfer&ecirc;ncia apresenta uma dupla fun&ccedil;&atilde;o: quando o analista &eacute; int&eacute;rprete ou quando o analista &eacute; objecto dos impulsos. Ela pode ajudar ou dificultar a percep&ccedil;&atilde;o dos processos inconscientes. A <I>neurose de contratransfer&ecirc;ncia </I>&eacute; a express&atilde;o patol&oacute;gica da contratransfer&ecirc;ncia, e deve ser tida em conta durante um processo anal&iacute;tico. </P >    <p>Face &agrave; defini&ccedil;&atilde;o inicial de contratransfer&ecirc;ncia, Racker prop&otilde;e que esta passe a incluir o conjunto de imagens, sentimentos e impulsos do analista face ao analisado. Neste sentido, ressalta a import&acirc;ncia das identifica&ccedil;&otilde;es concordantes, uma vez que s&atilde;o uma forma de reprodu&ccedil;&atilde;o dos processos passados do analista, em especial da sua inf&acirc;ncia, que, ao serem revividos, surgem como resposta aos est&iacute;mulos do paciente. Estas identifica&ccedil;&otilde;es v&atilde;o surgir na contratransfer&ecirc;ncia positiva sublimada, o que suscita a necessidade de se ter em aten&ccedil;&atilde;o a contratransfer&ecirc;ncia na sua totalidade, ou seja, ter em conta as respostas psicol&oacute;gicas do analista face ao analisado, uma vez que o analista aparece como sujeito e o analisado como objecto do conhecimento. Este movimento parece anular a rela&ccedil;&atilde;o de objecto, levando &agrave; constitui&ccedil;&atilde;o de uma identidade aproximada entre as partes do sujeito e as partes do objecto. </P >    <p>Referindo-se ao trabalho de Heimann, Bollas (1983) faz uma reflex&atilde;o sobre a transfer&ecirc;ncia do &ldquo;<I>aqui e do agora</I>&rdquo;, alertando para a necessidade de cada analista se questionar sobre o que ele repre senta para o paciente, a cada momento particular da an&aacute;lise. &Eacute; na experi&ecirc;ncia anal&iacute;tica &ndash; o aqui e agora &ndash; que &eacute; poss&iacute;vel descobrir, atrav&eacute;s da transfer&ecirc;ncia do sujeito, o seu mundo infantil precoce. </P >    <p>Para Meltzer (1967/1990) &eacute; a transfer&ecirc;ncia que permite avaliar o estado mental de uma forma mais rigorosa durante um processo anal&iacute;tico. Trata-se de um processo que n&atilde;o se prende tanto com o reviver o passado, mas com um desdobrar do mundo interno de cada sujeito, revelando a realidade ps&iacute;quica. Aquilo que fundamenta o processo anal&iacute;tico &eacute; a evolu&ccedil;&atilde;o da transfer&ecirc;nciacontratransfer&ecirc;ncia, na medida em que o analista cria, com a sua atitude, as bases necess&aacute;rias para que o processo se desenvolva, o que vai implicar, a recep&ccedil;&atilde;o do material do sujeito, uma conten&ccedil;&atilde;o da projec&ccedil;&atilde;o da dor mental, um pensamento sobre a situa&ccedil;&atilde;o transferencial e, por fim, a comunica&ccedil;&atilde;o da compreens&atilde;o do analista. </P >    <p>Segundo Winnicott (1947), &eacute; poss&iacute;vel classificar os fen&oacute;menos contratransferenciais pela anormalidade nos sentimentos, relacionamentos e identifica&ccedil;&otilde;es padronizados e reprimidos do analista, atrav&eacute;s das identifica&ccedil;&otilde;es e tend&ecirc;ncias provenientes da experi&ecirc;ncia e do desenvolvimento pessoal do analista. Entre estes dois tipos de fen&oacute;menos, distingue a contratransfer&ecirc;ncia verda deiramente objectiva ou, se tal for dif&iacute;cil, o amor e o &oacute;dio do analista reactivo &agrave; personalidade e ao comportamento reais do paciente. </P >     <p>Dentro dos modelos de pensamento, e nomeadamente com os trabalhos de Bion, o conceito de identifica&ccedil;&atilde;o projectiva sofreu consider&aacute;veis desenvolvimentos, dada a introdu&ccedil;&atilde;o de tr&ecirc;s concep &ccedil;&otilde;es: A primeira prende-se com a aceita&ccedil;&atilde;o da abordagem quantitativa feita por Klein, que valorizou sobretudo a patologia das identifica&ccedil;&otilde;es projectivas e o facto da mesma se dever quase unicamente ao seu uso excessivo, como um mecanismo de defesa primitivo, valorizando o aspecto qualitativo, ou seja, o car&aacute;cter estruturante das identifica&ccedil;&otilde;es projectivas, presente na empatia da m&atilde;e (analista) com o seu beb&eacute; (analisando). A segunda concep&ccedil;&atilde;o diz respeito &agrave; finalidade das identifica&ccedil;&otilde;es projectivas, dada a sua import&acirc;ncia ao n&iacute;vel da comunica&ccedil;&atilde;o primitiva, pr&eacute;-verbal, que produz um importante efeito afectivo no Outro. Por fim, a terceira concep&ccedil;&atilde;o prende-se com o facto das identifica&ccedil;&otilde;es projectivas n&atilde;o se constitu&iacute;rem apenas de objectos ou das puls&otilde;es clivadas, mas tamb&eacute;m das fun&ccedil;&otilde;es eg&oacute;icas do psiquismo. N&atilde;o devemos esquecer que Bion utilizou   o conceito de identifica&ccedil;&atilde;o projectiva dentro do modelo continente-conte&uacute;do, no qual existe um conte&uacute;do que &eacute; projectado num continente, tal como acontece na situa&ccedil;&atilde;o transferencial. </P ></P > </P >     <p>A formula&ccedil;&atilde;o de Bion (1962) de continente-conte&uacute;do liga a identifica&ccedil;&atilde;o projectiva a processos do desenvolvimento, relacionando-a igualmente com a ideia de contratransfer&ecirc;ncia normal, na qual a din&acirc;mica transfer&ecirc;ncia-contratransfer&ecirc;ncia progride construtivamente na rela&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica. Neste modelo, o paciente comunica os seus sentimentos ao analista que, depois de digeri-los, os restitui ao projector de forma modificada e aceit&aacute;vel. Quando o processo &eacute; interrompido, devido a dificuldades de compreens&atilde;o do analista, ou pela sua dificuldade em comunicar, poder&aacute; emergir a identifica&ccedil;&atilde;o projectiva patol&oacute;gica. O paciente procura encontrar uma maior compreens&atilde;o aumentando as suas projec&ccedil;&otilde;es, fazendo o analista sentir aquilo que ele pr&oacute;prio foi obrigado a sentir pelos seus objectos do passado. Muitas vezes o analista s&oacute; o notar&aacute; depois de reagir v&aacute;rias vezes de forma desadequada. Desta forma a met&aacute;fora do espelho reflector frio j&aacute; n&atilde;o se adequa ao processo anal&iacute;tico. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Meltzer descreve desta forma a rela&ccedil;&atilde;o continente-conte&uacute;do: <I>&ldquo;Sempre que o beb&eacute; &ndash; ou o </I><I>paciente em an&aacute;lise &ndash; se encontra num estado de confus&atilde;o (&hellip;) projecta uma parte dele que se encontra num estado ca&oacute;tico ou confuso. Ao receber esta parte da personalidade do beb&eacute; &ndash; ou do paciente &ndash; que se encontra num estado de ang&uacute;stia ou de caos, a m&atilde;e &ndash; ou o analista &ndash; cont&eacute;m esta parte (&hellip;). A determinada altura deste processo, o beb&eacute; &ndash; ou o paciente &ndash; torna-se capaz de reintegrar esta parte dele mesmo e de prosseguir o processo de pensamento&rdquo; </I>(cit. D. Houzel, 1991, p. 58) O beb&eacute; ou o paciente introjectam a fun&ccedil;&atilde;o alfa; quando esta falha ficam os elementos beta: objectos reais e pensamentos primitivos confundem-se, s&atilde;o impress&otilde;es n&atilde;o transformadas, coisas-em-si evacuadas via identifica&ccedil;&atilde;o projectiva patol&oacute;gica, aumentando a ansiedade persecut&oacute;ria. Ser&aacute; desta forma que o psicoterapeuta sente a press&atilde;o de roupas desconfort&aacute;veis em si, colocadas na sua mala/continente pela ac&ccedil;&atilde;o da projec&ccedil;&atilde;o/evacua&ccedil;&atilde;o de roupagens velhas de que o paciente se quer livrar. </P >    <p>Winnicott e Bion passam a dar menos relevo &agrave; puls&atilde;o e &agrave; express&atilde;o do desejo, acentuando os la&ccedil;os precoces assim como o seu impacto sobre o desenvolvimento do pensamento. Passa-se para um dom&iacute;nio onde a simboliza&ccedil;&atilde;o ganha novos sentidos e significados. A import&acirc;ncia do objecto-m&atilde;e-analista toma relevo central nos seus trabalhos, conferindo um papel essencial &agrave; contra transfer&ecirc;ncia, j&aacute; que a posi&ccedil;&atilde;o metaf&oacute;rica do enquadramento anal&iacute;tico, e seu <I>efeito continente</I>, associados &agrave;s <I>capacidades transformacionais </I>do analista, evocam os cuidados maternos. </P >    <p>Quando pensamos num trabalho de an&aacute;lise, no qual a re-significa&ccedil;&atilde;o constitui um dos objectivos, encontramos presente um importante jogo transfero-contratransferencial. No encontro anal&iacute;tico, que decorre entre dois espa&ccedil;os ps&iacute;quicos, o do analista/psicoterapeuta e o do paciente, encontramos presente um processo de transforma&ccedil;&atilde;o na din&acirc;mica transfero-contratransferencial, que n&atilde;o &eacute; apenas a repeti&ccedil;&atilde;o da hist&oacute;ria do sujeito, mas sim a hist&oacute;ria da cura que permite guardar as suas transforma&ccedil;&otilde;es (Guignard &amp; Houzel, 1989). </P >     <p>De facto, em muitas situa&ccedil;&otilde;es cl&iacute;nicas, n&atilde;o &eacute; a partir do conhecimento que se chega a uma interpreta&ccedil;&atilde;o da&iacute; a import&acirc;ncia da concep&ccedil;&atilde;o bioniana sem mem&oacute;ria, sem desejo e sem compre ens&atilde;o, mas sim atrav&eacute;s das viv&ecirc;ncias contratransferenciais que tornam poss&iacute;vel a formula&ccedil;&atilde;o de uma interpreta&ccedil;&atilde;o, depois de se terem tornado conscientes as suas dimens&otilde;es inconscientes (Heenen-Wolff, 2006). Neste sentido, estabelece-se uma rela&ccedil;&atilde;o rec&iacute;proca entre psicoterapeuta e paciente, na qual passa a ser poss&iacute;vel a exist&ecirc;ncia de uma comunica&ccedil;&atilde;o intersubjectiva. O psicoterapeuta coloca a sua mala/continente, as roupas/conte&uacute;dos, coloca-se, portanto, &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o num espa&ccedil;o/tempo de rela&ccedil;&atilde;o, permitindo movimentos, sabendo que a sua mala est&aacute; &agrave; vista e &eacute; uma parte fundamental do processo, e t&atilde;o importante ser&aacute; observ&aacute;-la como observar os movimentos do Outro. T&atilde;o importante que a forma de ver deixa de ser tanto o psicoterapeuta e o seu paciente, mas o campo criado entre/pelos dois. </P >    <p>Ferro (1999) notou que &agrave; medida que aumentava o seu interesse nas teorias de campo, ia diminuindo o interesse anteriormente elevado pela contratransfer&ecirc;ncia. Na teoria de campo, o analista e paciente formam uma gestalt independente de ambos, levando a uma co-determina&ccedil;&atilde;o do campo. &Agrave; medida que o processo vai avan&ccedil;ando, v&atilde;o sendo criadas &aacute;reas de resist&ecirc;ncia da dupla &ndash; baluartes, cabendo ao analista tomar dist&acirc;ncia do baluarte criado no campo, e &eacute; este segundo olhar, que vai interpretar e dissolver essa &aacute;rea de resist&ecirc;ncia cruzada. Esta dissolu&ccedil;&atilde;o do baluarte permite que o campo evolua, formando-se novos baluartes, dando in&iacute;cio de novo ao processo. O que era a aten&ccedil;&atilde;o &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o do paciente, e a aten&ccedil;&atilde;o &agrave; contratransfer&ecirc;ncia, &eacute; deslocada para uma aten&ccedil;&atilde;o &agrave;s figuras que ganham vida, que constituem um sinalizador da vida do campo. Todos os acontecimentos emocionais que permaneciam no escuro, e eram recolhidos pela contratransfer&ecirc;ncia, antes de serem agidos dessa forma, podem ser observados em sinaliza&ccedil;&otilde;es no/do campo. </P >    <p>Mais do que o que se passa com uma mala e outra mala, que roupas temos, que roupas nos s&atilde;o colocadas, o modelo ser&aacute; o da cria&ccedil;&atilde;o de uma grande mala &ndash; o campo &ndash; e &eacute; nesse campo que os movimentos de paciente e analista ser&atilde;o observados. </P >    <p>Langs (1978) prop&otilde;e o conceito de <I>campo bipessoal</I>, localizando a contratransfer&ecirc;ncia como fen&oacute;meno interaccional: campo temporal f&iacute;sico, cujos limites s&atilde;o definidos pela estrutura anal&iacute;tica na qual paciente e analista interagem, ambos com contribui&ccedil;&otilde;es do seu mundo interno. A d&iacute;ade anal&iacute;tica compreende dois sistemas psicol&oacute;gicos que se influenciam mutuamente, pelo que a interliga&ccedil;&atilde;o transfer&ecirc;ncia e contratransfer&ecirc;ncia se torna numa subtil interac&ccedil;&atilde;o destes sistemas num meio afectivo altamente carregado &ndash; uma matriz de quatro entradas entre os sistemas consciente e inconsciente de paciente e analista. </P >     <p>Para Louppe (2006), o conceito de identifica&ccedil;&atilde;o projectiva surge como fundamental para a compreens&atilde;o da contratransfer&ecirc;ncia, a partir do qual se pode ter em conta a regress&atilde;o formal do pensamento e a <I>figurabilidade </I>do analista. O trabalho de figurabilidade, que se efectua segundo o modelo do trabalho do sonho, consiste numa regress&atilde;o quase alucinat&oacute;ria &agrave; origem da representa&ccedil;&atilde;o da coisa que funciona sobre o processo prim&aacute;rio, mas que &eacute; re-ligada atrav&eacute;s de processos secund&aacute;rios (Kaswin-Bonnefond, 2000). Quando numa sess&atilde;o surge ao psicoterapeuta uma falha ao n&iacute;vel da simboliza&ccedil;&atilde;o, ele mobiliza um trabalho de figurabilidade tendo em conta os seus fantasmas origin&aacute;rios. Trata-se de um processo semelhante ao dos sonhos, onde a representa&ccedil;&atilde;o &eacute; apenas algo que est&aacute; l&aacute; em potencial. </P >    <p>C. Botella e S. Botella (1983) trabalharam o <I>problema da figurabilidade </I>a partir da regress&atilde;o formal, que diz respeito ao paciente mas tamb&eacute;m ao analista. N&atilde;o se trata apenas de tornar consciente material recalcado num modelo da primeira t&oacute;pica, da liga&ccedil;&atilde;o de representa&ccedil;&atilde;o de coisa com a representa&ccedil;&atilde;o de palavra, mas de criar um novo sentido, a partir de interpreta&ccedil;&otilde;es formuladas em identidade de percep&ccedil;&atilde;o. O trabalho de figurabilidade &eacute; formulado pelo analista/psicoterapeuta que, <I>sob a amea&ccedil;a da n&atilde;o representa&ccedil;&atilde;o</I>, reage pela mobiliza&ccedil;&atilde;o representativa, que se origina nos seus pr&oacute;prios fantasmas origin&aacute;rios. Assim, a <I>amea&ccedil;a de perda de representa&ccedil;&atilde;o </I>caracteriza um momento traum&aacute;tico no analista. O trabalho de figurabilidade consiste numa <I>regress&atilde;o quase alucinat&oacute;ria &agrave; origem das representa&ccedil;&otilde;es de coisas, </I>que funciona sobre o modo de processo prim&aacute;rio, sendo estas representa&ccedil;&otilde;es religadas pelos processos secund&aacute;rios. N&atilde;o se trata de uma transfer&ecirc;ncia cl&aacute;ssica, mesmo negativa, mas de uma <I>neo</I><I></I><I>transforma&ccedil;&atilde;o potencial</I>, de uma forma particular de pensamento que pode gerar uma nova l&oacute;gica a partir de novas liga&ccedil;&otilde;es (Kaswin-Bonnefond, 2000). </P >    <p>Saber como e quando usar a contratransfer&ecirc;ncia ser&atilde;o os talentos do analista. Como diz T. Ogden (1992), a hist&oacute;ria do analisando n&atilde;o &eacute; descoberta, ela &eacute; criada na transfer&ecirc;nciacontratransfer&ecirc;ncia. A subjectividade de um sujeito pressup&otilde;e a exist&ecirc;ncia de dois sujeitos que juntos criem uma <I>intersubjectividade</I>. Cria-se um espa&ccedil;o potencial entre o Eu e o Outro, entre o objectivo e o subjectivo, entre analista e paciente. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Todos os desenvolvimentos te&oacute;ricos apresentados e as diferen&ccedil;as nas express&otilde;es na cl&iacute;nica actual. As expans&otilde;es em torno do conceito de contratransfer&ecirc;ncia implicam modifica&ccedil;&otilde;es no paradigma psicanal&iacute;tico, colocando a an&aacute;lise fora dos lugares tradicionais e fora dos quadros psicopatol&oacute;gicos habituais que produzem actualiza&ccedil;&otilde;es transferenciais ins&oacute;litas, mobilizando movimentos contratransferenciais originais. N&atilde;o se trata tanto de interpretar as representa&ccedil;&otilde;es inconscientes, mas de as tornar poss&iacute;veis, ou seja, constituir o ps&iacute;quico onde ele n&atilde;o est&aacute;. Trata-se de aceder &aacute; comunica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o verbal, deixar vir o desconhecido, o ins&oacute;lito, desenvolvendo a capacidade negativa, permitindo a toler&acirc;ncia ao que &eacute; incerto e desconhecido (Korff-Sausse, 2006). </P >    <p>Podemos estabelecer uma analogia entre o trabalho ps&iacute;quico do psicanalista e o funcionamento ps&iacute;quico do espectador. Trata-se de duas modalidades de conhecimento, que conjugam arte e ci&ecirc;ncia. Ambas prov&ecirc;m da mesma fonte, que diz respeito &agrave;s primeiras simboliza&ccedil;&otilde;es emergentes da experi&ecirc;ncia emocional prim&aacute;ria, a partir da sensorialidade. Na contratransfer&ecirc;ncia h&aacute; um v&iacute;nculo est&eacute;tico, algo da ordem do impacto, do infraverbal, do sensorial, de uma atmosfera que passa, envolve e comunica. </P >    <p>CADA UM, CADA M&Atilde;O, CADA MALA, OLHAR: (CONTRA)TRANSFER&Ecirc;NCIA(S) E PSICOPATOLOGIA(S) </P >    <p>A partir dos modelos te&oacute;ricos explicitados &eacute; poss&iacute;vel sustentar, do ponto de vista conceptual, as no&ccedil;&otilde;es de transfer&ecirc;ncia e de contratransfer&ecirc;ncia, propomo-nos agora pens&aacute;-los na rela&ccedil;&atilde;o com a cl&iacute;nica, tendo por base a divis&atilde;o cl&aacute;ssica em estruturas psicopatol&oacute;gicas: neurose, limite e psicose. Apesar de nesta leitura abordarmos as especificidades dos diferentes registos, n&atilde;o os consideramos de uma forma estanque; de facto pensamo-los num cont&iacute;nuo: da mala constitu&iacute;da, que efectivamente transporta, &agrave; mala que, inexistente, &eacute; transportada pelos conte&uacute;dos que se dispersam, passando pelas malas compartimentadas, porosas e descont&iacute;nuas, que pouco cont&ecirc;m, mas muito (des)carregam. </P >    <p>Racker (1969) defende que a transfer&ecirc;ncia no neur&oacute;tico se deve &agrave; &ldquo;necessidade de amor&rdquo;, uma vez que ocorre uma transfer&ecirc;ncia de objectos rejeitantes, que mais n&atilde;o s&atilde;o do que os objectos necessitados, ou seja, &agrave; medida que o analista pode ser sentido como objecto rejeitante, mais o analisado vai ter a necessidade de ser aceite e amado por ele, deste modo, a pr&oacute;pria an&aacute;lise vai intensificar a &ldquo;necessidade de amor&rdquo;, o que mais n&atilde;o &eacute; do que a intensifica&ccedil;&atilde;o da transfer&ecirc;ncia. </P >    <p>Na neurose, devemos ter em conta as suas duas grandes dimens&otilde;es: a neurose hist&eacute;rica e a neurose obsessiva, j&aacute; que cada uma delas apresenta contornos diferentes quando pensamos nas quest&otilde;es da transfer&ecirc;ncia e da contratransfer&ecirc;ncia. </P >     <p>A neurose hist&eacute;rica encontra-se ligada a uma fixa&ccedil;&atilde;o mais oral, estando presente ou uma forte retirada e um forte isolamento, ou uma forte excita&ccedil;&atilde;o, normalmente associada &agrave; sexualidade. Aqui, a transfer&ecirc;ncia tem lugar sobre o cen&aacute;rio, &eacute; colocada sobre o Outro, sendo sobre este que o pr&oacute;prio procura obter a resolu&ccedil;&atilde;o dos seus conflitos. Malas vistosas, pequenas, j&aacute; que os conte&uacute;dos se espalham por v&aacute;rios Outros. Gutti&egrave;res-Green (2003), considera que a histeria &eacute; um modelo para o estudo da transfer&ecirc;ncia, porque esta se realiza sobre o corpo e sobre o Outro. Assim, a transfer&ecirc;ncia n&atilde;o &eacute; apenas um obst&aacute;culo, uma resist&ecirc;ncia que resguarda o paciente, mas uma condi&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria para a mudan&ccedil;a, sendo necess&aacute;rio analisar e n&atilde;o agir no seu lugar. </P >    <p>Na neurose obsessiva, a fixa&ccedil;&atilde;o dominante &eacute; mais de tipo anal, o que leva a um aprisionamento do pensamento, o que significa que existe um Superego muito s&aacute;dico e um Ideal do Eu feito de uma extrema exig&ecirc;ncia. A transfer&ecirc;ncia que aqui tem lugar opera muito mais sobre o controle, sendo fundamental que se estabele&ccedil;a uma rela&ccedil;&atilde;o de confian&ccedil;a entre Um e Outro, para que aquilo que n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel ser pensado e transformado o possa vir a ser, numa rela&ccedil;&atilde;o que suscite a constitui&ccedil;&atilde;o de novos sentidos e de novos significados. Uma mala retida, fechada a cadeado, compartimentada, pesada e defendida com a sobranceria desconfiada de quem n&atilde;o pode perder o controlo do acesso ao dentro. </P >    <p>Atrav&eacute;s da an&aacute;lise do caso de Dora, Freud deu-se conta de que a contratransfer&ecirc;ncia mais n&atilde;o era do que um impedimento. Alguns autores p&oacute;s-freudianos defendem que Freud n&atilde;o foi capaz de entender os jogos de identifica&ccedil;&atilde;o do feminino ao materno porque, caso isso tivesse acontecido, a sua escuta poderia ter sido mais passiva e receptiva (Llopis-Salvan, 2006). Coloca-se ent&atilde;o a quest&atilde;o de como trabalhar a contratransfer&ecirc;ncia, do que dever&aacute; ser devolvido ao paciente e do como &eacute; que dever&aacute; ser feito. Talvez a quest&atilde;o possa ser colocada de outro modo, ou seja, tendo em conta a forma como se diz, mais do que o que se diz, surge como fundamental a inscri&ccedil;&atilde;o numa din&acirc;mica onde o que o Outro nos revela produz um sentido em n&oacute;s que depois de transformado dever&aacute; ser comunicado. Assumindo que a mala do psicoterapeuta tem presen&ccedil;a, e que ser&aacute; aberta, mexida, transformada, como devolver estes elementos e movimentos de transforma&ccedil;&atilde;o, para que se possa produzir conhecimento/crescimento na e da dupla. Na histeria, este conhecimento surge meio nublado, &eacute; visto mas n&atilde;o pode ser visto, tendo que permanecer meio obscuro. Na neurose obsessiva, o desejo de saber suscita um controle, um bater na mesma tecla, os cadeados do fechamento, que um corpo fique sempre limitado &agrave; mesma roupa, porque a mudan&ccedil;a e a liberdade para algo novo e desconhecido poder&aacute; ser sentida como muito amea&ccedil;adora e perigosa. </P >    <p>Se Freud considerava que pacientes com grandes lacunas no desenvolvimento (psic&oacute;ticos e estruturas limite) n&atilde;o seriam analis&aacute;veis, devido ao risco de desenvolverem intensas regress&otilde;es e reac&ccedil;&otilde;es terap&ecirc;uticas negativas, outros autores defendem a vantagem de uma Psicoterapia Psicanal&iacute;tica que use essencialmente a transfer&ecirc;ncia positiva nestes casos, havendo ainda &ndash; e na pr&aacute;tica e publica&ccedil;&otilde;es mais recentes &ndash; autores que defendem e descrevem a interven&ccedil;&atilde;o psicana l&iacute;tica com pacientes psic&oacute;ticos e borderline. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Winnicott (1945) refere como no in&iacute;cio da hist&oacute;ria da Psican&aacute;lise se escolhiam pacientes com estruturas neur&oacute;ticas, pacientes que j&aacute; teriam tido um alimento materno suficientemente subjectivante. O conceito de transfer&ecirc;ncia alarga-se aqui, j&aacute; que, nestas fases, o ego n&atilde;o &eacute; ainda uma entidade diferenciada, n&atilde;o havendo uma neurose de transfer&ecirc;ncia. Malas inexistentes, o sujeito &eacute; transportado pelos conte&uacute;dos que se dispersam, malas compartimentadas, porosas e descont&iacute;nuas, malas que escondem compartimentos estanques, seguros, que n&atilde;o podem ser descobertos. </P >    <p>Face a condi&ccedil;&otilde;es ambientais desfavor&aacute;veis, estes pacientes desenvolveram um falso <I>self </I>que aparece no lugar do verdadeiro <I>self</I>, numa falsa integra&ccedil;&atilde;o. Nestes casos, o <I>setting </I>anal&iacute;tico teria uma import&acirc;ncia acrescida &ndash; a atitude suficientemente boa do analista seria vivida pelo paciente como uma esperan&ccedil;a no ambiente onde o verdadeiro <I>self </I>poder&aacute; emergir sem riscos. Os processos prim&aacute;rios surgem mais frequentemente no trabalho com estes pacientes, na transfer&ecirc;ncia o presente &eacute; o passado, diferente daquilo que acontece na neurose de transfer&ecirc;ncia, onde o passado &eacute; reencenado no aqui e agora do <I>setting </I>anal&iacute;tico. </P >     <p>Winnicott refere que os erros do analista constituem uma oportunidade para o analisando se zangar com os erros do passado. Outros autores como  Rosenfeld e Kernberg, ao trabalharem com pacientes borderline, sublinharam a import&acirc;ncia dos fen&oacute;menos contratransferenciais.  Winnicott (1947) referia-se ao &ldquo;&oacute;dio objectivo&rdquo; descrevendo a resposta natural do analista a um comportamento provocador e  intoler&aacute;vel (reac&ccedil;&atilde;o sensata n&atilde;o inscrita em dificuldades pessoais do analista). Racker (1969) refere que &eacute;  frequente nas patologias borderline, que o analista possa ter o impulso de desempenhar um papel que o analisado, numa parte da sua personalidade,  deseja que o analista realize. </P>      <p>No trabalho com funcionamentos narc&iacute;sicos A. Green (1983) destaca o predom&iacute;nio de uma contratransfer&ecirc;ncia onde o objecto &eacute; exclu&iacute;do do discurso do paciente, deixando no analista um sentimento de isolamento, o que pode levar a reac&ccedil;&otilde;es por parte do analista de agressividade, raiva, aborrecimento, sono, sendo fundamental analisar os sentimentos predominantes do paciente: orgulho, honra, desonra, megalomania. Aqui, o analista ser&aacute; um espectador, ausente do sonho n&atilde;o lhe resta outra fun&ccedil;&atilde;o que ser o sono do sonhador. </P >    <p>Nos funcionamentos pr&eacute;-genitais desenvolve-se predominantemente uma transfer&ecirc;ncia negativa, na qual as puls&otilde;es se processam num &ldquo;para al&eacute;m do princ&iacute;pio do prazer&rdquo;, o que remete para a compuls&atilde;o &agrave; repeti&ccedil;&atilde;o. A experi&ecirc;ncia de dor suscita o <I>desinvestimento </I>&ldquo;<I>desobjectalizante</I>&rdquo; (Green, 1983), manifestando-se o <I>desligamento</I>, a ang&uacute;stia de desmoronamento. Bion (1959) em &ldquo;Ataque aos V&iacute;nculos&rdquo;, fala de um desastre primitivo e de uma cat&aacute;strofe permanente que n&atilde;o podem ser resolvidos. Quando as experi&ecirc;ncias com o objecto materno s&atilde;o m&aacute;s, um violento desinvestimento pode varrer a mem&oacute;ria da experi&ecirc;ncia e, no lugar da satisfa&ccedil;&atilde;o alucinat&oacute;ria do desejo, emergir uma <I>realiza&ccedil;&atilde;o alucinat&oacute;ria da dor </I>(Kaswin-Bonnefond, 2000)<I>. </I></P >    <p>No <I>registo neur&oacute;tico </I>temperado, a transfer&ecirc;ncia negativa resulta na neurose de transfer&ecirc;ncia. A interpreta&ccedil;&atilde;o d&aacute; acesso ao conte&uacute;do latente recalcado, numa &ldquo;<I>interpreta&ccedil;&atilde;o da primeira t&oacute;pica</I>&rdquo; (Botella &amp; Botella, 1983). A frustra&ccedil;&atilde;o pulsional e narc&iacute;sica do quadro anal&iacute;tico provoca um desligamento e liberta uma quantidade de energia pulsional necess&aacute;ria para o trabalho elaborativo. Mas, este desligamento e frustra&ccedil;&atilde;o podem transbordar o registo econ&oacute;mico e provocar um momento traum&aacute;tico que necessite de um outro tipo de interven&ccedil;&atilde;o para a sua elabora&ccedil;&atilde;o (Kaswin-Bonnefond, 2000). As quest&otilde;es que as patologias mais arcaicas colocam na cl&iacute;nica, resultam em diferen&ccedil;as na abordagem cl&iacute;nica das neuroses e numa maior aten&ccedil;&atilde;o &agrave;s dimens&otilde;es precoces do funcionamento. </P >     <p>Na <I>cl&iacute;nica dos casos limite </I>a transfer&ecirc;ncia negativa exprime estados de n&atilde;o-representa&ccedil;&atilde;o, onde a <I>destrutividade </I>comporta o pr&oacute;prio aparelho ps&iacute;quico. Surgem mecanismos defensivos como a clivagem, o desmentido, a nega&ccedil;&atilde;o, a desintrinca&ccedil;&atilde;o pulsional; domina a fragilidade das fronteiras mantendo-se um la&ccedil;o negativo ao objecto. Para que o sujeito possa utilizar o objecto, ele tem de o criar; se ele ataca o objecto no fantasma, este n&atilde;o pode ser destru&iacute;do na realidade, devendo manter a qualidade das suas respostas &ndash; <I>dimens&atilde;o fundamental na posi&ccedil;&atilde;o do analista dos casos limite</I>. O predom&iacute;nio das for&ccedil;as destrutivas fragiliza o aparelho ps&iacute;quico, que fica menos capaz de reinvestimento narc&iacute;sico e objectal, ficando favorecido o desligamento. A pr&oacute;pria capacidade de pensar e de simbolizar &eacute; atacada. Projec&ccedil;&otilde;es destrutivas deixam instalar uma transfer&ecirc;ncia do mesmo tipo, que se dirige ao objecto, ficando uma potencialidade de intrinca&ccedil;&atilde;o pulsional intraps&iacute;quica e uma capacidade de diferencia&ccedil;&atilde;o sujeito-objecto. Em certos momentos de indistin&ccedil;&atilde;o sujeito-objecto, a irrup&ccedil;&atilde;o pulsional e afectiva transborda as capacidades de representa&ccedil;&atilde;o do sujeito, solicitando contratransferencialmente as capacidades de simboliza&ccedil;&atilde;o do analista, de forma a que seja poss&iacute;vel a cria&ccedil;&atilde;o de um novo sentido. Este processo de integra&ccedil;&atilde;o m&uacute;tua de material inconsciente, que conduz ao superar das resist&ecirc;ncias a que est&aacute; associado, est&aacute; estreitamente relacionado e, n&atilde;o raras vezes, dependente do trabalho de figurabilidade descrito anteriormente. Nos casos extremos de desinvestimento, a transfer&ecirc;ncia negativa percorre um longo e doloroso caminho para a constitui&ccedil;&atilde;o de uma outra orienta&ccedil;&atilde;o dos processos a partir de novos tra&ccedil;os, permitindo o reinvestimento de um trabalho de representa&ccedil;&atilde;o, de novas capacidades de intrinca&ccedil;&atilde;o pulsional, temperando o desligamento e abrindo novas perspectivas (Kaswin-Bonnefond, 2000). </P >    <p>&Eacute; no intervalo entre o analista-sujeito e o analista fun&ccedil;&atilde;o que se encontra a condi&ccedil;&atilde;o <I>sine qua non </I>para que n&atilde;o apenas a transfer&ecirc;ncia se possa desenvolver, mas uma <I>neurose transfer&ecirc;ncia</I>, ou mesmo, nos casos limite, uma <I>agonia de transfer&ecirc;ncia. </I>A contratransfer&ecirc;ncia, e principalmente aquela que &eacute; acompanhada de movimentos violentos, est&aacute; frequentemente em contacto com as partes mais arcaicas do analisando (Heenen-Wolff, 2006). </P >    <p>Na cl&iacute;nica actual d&aacute;-se um <I>&ldquo;corpo-a-corpo&rdquo; ps&iacute;quico</I>, surgindo os agires, as identifica&ccedil;&otilde;es projectivas, os movimentos paradoxais. Pacientes limite, ou momentos limite de uma cura, abrem tantas ocasi&otilde;es de contacto directo com o inconsciente do analista, que o conduz a aperceber-se do seu vivido interno, que potenciam modifica&ccedil;&otilde;es na sua escuta, e na sua forma de interpretar. &Eacute; com os pacientes com quem a cura pela palavra se revela insuficiente que a contratransfer&ecirc;ncia &eacute; mais solicitada, numa comunica&ccedil;&atilde;o que se situa para al&eacute;m das palavras. </P >    <p>A contratransfer&ecirc;ncia pode abrir-se sobre um campo desconhecido. A express&atilde;o mais &iacute;ntima de subjectividade encontra sentido atrav&eacute;s do ressentido que provoca no outro, inscrevendo o andamento processual do infraverbal ao verbal, do intersubjectivo ao intrasubjectivo, da simboliza&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria &agrave; simboliza&ccedil;&atilde;o secund&aacute;ria (Llopis-Salvan, 2006). </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A tarefa do analista, que assume a an&aacute;lise de um psic&oacute;tico, &eacute; intensamente afectada pela contratransfer&ecirc;ncia e pode revelar-se imposs&iacute;vel, se as roupas de cor de &oacute;dio do pr&oacute;prio analista n&atilde;o forem discern&iacute;veis e conscientes. A simultaneidade de amor e &oacute;dio aparece na an&aacute;lise de psic&oacute;ticos, o que pode exigir do analista mais do que ele pode dar. Pode ser inevit&aacute;vel que sejam atribu&iacute;dos sentimentos brutais ao analista, sendo necess&aacute;rio que ele esteja consciente e prevenido, pois ter&aacute; que tolerar que o coloquem nesse lugar. Mais do que em qualquer outra situa&ccedil;&atilde;o, o analista deve saber reconhecer na sua mala as roupas de &oacute;dio, e poder pensando, vesti-las, j&aacute; que esse &oacute;dio n&atilde;o deve ser negado. O &oacute;dio que &eacute; leg&iacute;timo nesse contexto, deve ser percebido e mantido num lugar &agrave; parte, para ser utilizado numa futura interpreta&ccedil;&atilde;o. O analista deve estar preparado para suportar a tens&atilde;o, sem esperar que o paciente saiba alguma coisa sobre o que ele est&aacute; a fazer. Para o conseguir fazer, deve ter facilidade em reconhecer o seu medo e o seu &oacute;dio. Encontrando-se na mesma posi&ccedil;&atilde;o da m&atilde;e de um beb&eacute; rec&eacute;m-nascido ou ainda n&atilde;o nascido. O &oacute;dio do analista fica geralmente latente, podendo continuar assim. Mas na an&aacute;lise de psic&oacute;ticos o analista encontrase numa press&atilde;o muito maior para manter este &oacute;dio latente, e s&oacute; o pode fazer se tiver plena consci&ecirc;ncia do mesmo (Winnicott, 1947). </P >    <p>No trabalho com psic&oacute;ticos &eacute; raro as interpreta&ccedil;&otilde;es serem ouvidas enquanto tal, como elementos simb&oacute;licos e n&atilde;o como coisas reais, pois nestes funcionamentos o acesso &agrave; posi&ccedil;&atilde;o depressiva &eacute; dif&iacute;cil. No predom&iacute;nio de mecanismos defensivos como a clivagem, a identifica&ccedil;&atilde;o projectiva, as interpreta&ccedil;&otilde;es facilmente s&atilde;o escutadas de uma forma persecut&oacute;ria. </P >    <p>UMA OUTRA MALA, UM OUTRO PRISMA PARA OLHAR:  (CONTRA)TRANSFER&Ecirc;NCIA(S) NAS INSTITUI&Ccedil;&Otilde;ES  </P >    <p>J&aacute; a problem&aacute;tica narc&iacute;sica e de identidade dos utentes em institui&ccedil;&otilde;es, levanta caracter&iacute;sticas particulares do funcionamento ps&iacute;quico, que passa pela n&atilde;o integra&ccedil;&atilde;o de elementos ps&iacute;quicos que deixam os sujeitos na <I>compuls&atilde;o &agrave; repeti&ccedil;&atilde;o </I>sob a amea&ccedil;a de um retorno, desorganizando na mente aquilo que esta n&atilde;o consegue simbolizar e desta forma integrar nas cadeias de representa&ccedil;&atilde;o. Uma das reac&ccedil;&otilde;es da mente &eacute; evacuar aquilo que n&atilde;o consegue suportar. A pessoa que recebe estas evacua&ccedil;&otilde;es/projec&ccedil;&otilde;es patol&oacute;gicas, experimenta esses aspectos do pr&oacute;prio que n&atilde;o s&atilde;o represent&aacute;veis. Aquilo que o paciente n&atilde;o &eacute; capaz de sentir ou ver nele pr&oacute;prio faz os outros sentir ou ver. O que n&atilde;o pode ser representado e possu&iacute;do na mente vai ser agido fora, nas e atrav&eacute;s das rela&ccedil;&otilde;es com os outros, na esperan&ccedil;a de que venha a ser ligado e posteriormente simbolizado. Os outros v&atilde;o reagir, por vezes numa reac&ccedil;&atilde;o sim&eacute;trica de viol&ecirc;ncia, de retirada, de exclus&atilde;o. S&oacute; se os outros <I>reflectirem </I>&eacute; que o sujeito se dar&aacute; conta da sua ac&ccedil;&atilde;o (Pestalozzi, Frisch, Hinshelwood, &amp; Houzel, 1998). </P >    <p>S&atilde;o estas patologias que, pela sua especificidade, colocam grandes quest&otilde;es ao terapeuta num contexto institucional. O trabalho com estes pacientes n&atilde;o se restringe ao <I>setting </I>terap&ecirc;utico, espalhando-se/expandindo-se no espa&ccedil;o da institui&ccedil;&atilde;o. Numa rela&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica, tal como em institui&ccedil;&otilde;es de cuidados, a fun&ccedil;&atilde;o de ecoar ou de reflectir &eacute; um ponto salientado por diferentes autores. A transfer&ecirc;ncia n&atilde;o pode ser vista como um modo simples de deslocamento ps&iacute;quico que deixa os protagonistas nos seus lugares, tratando-se de algo mais disruptivo, que inverte identi dades e fun&ccedil;&otilde;es nas interac&ccedil;&otilde;es ps&iacute;quicas. Aquilo que &eacute; transferido foi activamente evacuado, o que reverte a passividade do trauma num processo activo, atrav&eacute;s do qual o sujeito procura lidar com algo que n&atilde;o encontrou uma forma simb&oacute;lica na mente, e assim permaneceu traum&aacute;tico. Aquilo que &eacute; transferido n&atilde;o &eacute;, nem representado, nem reprimido, <I>&eacute; agido nas rela&ccedil;&otilde;es</I>. Receber sem retaliar, sobreviver &agrave;s evacua&ccedil;&otilde;es sem retiradas ou rupturas nas rela&ccedil;&otilde;es, &eacute; a <I>fun&ccedil;&atilde;o da equipa</I>, procurando transformar afectos e experi&ecirc;ncias insuport&aacute;veis para o paciente em boas oportuni dades, para os pacientes representarem para eles pr&oacute;prios o que foi sofrido por eles e originou a clivagem. Usando a sua contratransfer&ecirc;ncia, a equipa pode perceber o valor subjectivo da experi &ecirc;ncia e promover um re-experimentar criativo. <I>O setting compreende toda a institui&ccedil;&atilde;o</I>. O <I>&ldquo;thirdness&rdquo; </I>(rela&ccedil;&atilde;o tri&aacute;dica entre o s&iacute;mbolo, o objecto e a interpreta&ccedil;&atilde;o deste) emerge no espa&ccedil;o do grupo e da institui&ccedil;&atilde;o. </P >    <p>Em pacientes com perturba&ccedil;&otilde;es psic&oacute;ticas e limite as particularidades do enquadramento da cl&iacute;nica oferecem vantagens: ficam mais protegidos pelas condi&ccedil;&otilde;es da cl&iacute;nica; podem procurar novas solu&ccedil;&otilde;es, lidando simultaneamente com a sua perturba&ccedil;&atilde;o na rela&ccedil;&atilde;o transfer&ecirc;ncial (Streeck, 1998). O tratamento destes pacientes &eacute; mais dif&iacute;cil, tendo em conta que apresentam um tipo de comunica&ccedil;&atilde;o predominantemente n&atilde;o verbal e inter relacional da sua doen&ccedil;a. A din&acirc;mica da sua perturba&ccedil;&atilde;o n&atilde;o emerge nas fantasias, associa&ccedil;&otilde;es ou sonhos, n&atilde;o &eacute; expressa simbolicamente. Na express&atilde;o de uma transfer&ecirc;ncia primitiva, estes pacientes procuram for&ccedil;ar o outro a assumir um papel particular, tendo a realidade ps&iacute;quica um lugar fora do <I>self</I>. A equipa tem frequentemente dificuldade em manter a sua neutralidade e dist&acirc;ncia. Desenvolvem uma linguagem da manipula &ccedil;&atilde;o e do <I>acting out</I>. </P >    <p>Uma quest&atilde;o cl&iacute;nica igualmente fundamental, e com a qual nos deparamos nos v&aacute;rios contextos institucionais em que desenvolvemos a nossa pr&aacute;tica cl&iacute;nica, &eacute; a dos processos transferenciais, nomeadamente a no&ccedil;&atilde;o de <I>transfer&ecirc;ncia para o setting ou institui&ccedil;&atilde;o</I>, levantando-se a quest&atilde;o da <I>contratransfer&ecirc;ncia institucional </I>para com os seus utentes com perturba&ccedil;&otilde;es de identidade e do narcisismo. A fun&ccedil;&atilde;o de ecoar, espelhar e reflectir da institui&ccedil;&atilde;o nos cuidados ps&iacute;quicos coloca-se, bem como a sua fun&ccedil;&atilde;o em &ldquo;gerar-s&iacute;mbolos&rdquo;. <I>O que quer que seja transferido para o setting institu </I><I></I><I>cional pertence &agrave; hist&oacute;ria da rela&ccedil;&atilde;o do sujeito com a simboliza&ccedil;&atilde;o</I>, dos seus sucessos e vicissitudes, das particularidades de constru&ccedil;&atilde;o e de desconstru&ccedil;&atilde;o e traumas (J. Pestalozzi e col., 1998). </P >    <p>A institui&ccedil;&atilde;o aparece igualmente enquanto produto da <I>contratransfer&ecirc;ncia da equipa t&eacute;cnica</I>. As suas reac&ccedil;&otilde;es s&atilde;o respostas &agrave; repeti&ccedil;&atilde;o destes materiais n&atilde;o simbolizados. A <I>fun&ccedil;&atilde;o contratransferencial da institui&ccedil;&atilde;o </I>compreende a transforma&ccedil;&atilde;o do que se passa na transfer&ecirc;ncia dos utentes, procurando tratar o que procura ser novamente jogado ali, extraindo o seu significado, permitindo a sua integra&ccedil;&atilde;o. <I>Um modelo para simbolizar </I>&eacute; o &ldquo;<I>continente geral</I>&rdquo;, que respeita o todo da estrutura da institui&ccedil;&atilde;o. </P >    <p><I>Uma quest&atilde;o a atender &eacute; o tipo de liga&ccedil;&atilde;o estabelecida entre a terapia e a institui&ccedil;&atilde;o e como esta liga&ccedil;&atilde;o &eacute; trabalhada. </I>A divis&atilde;o/clivagem da transfer&ecirc;ncia &eacute; uma caracter&iacute;stica destas psico terapias institucionais, tornando-se necess&aacute;rio considerar estes diferentes n&iacute;veis e compo nentes ao tentar compreender o processo terap&ecirc;utico, requerendo igualmente um trabalho colectivo e cont&iacute;nuo daquilo que &eacute; actuado em diferentes pontos da vida institucional. </P >    <p>ARRUMAR E PARTIR DE NOVO. REFLEX&Otilde;ES... </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Com este trabalho procur&aacute;mos levantar algumas quest&otilde;es associadas &agrave; pr&aacute;tica cl&iacute;nica em Psicoterapia Psicanal&iacute;tica, salientando fen&oacute;menos comuns ao estabelecimento de qualquer rela&ccedil;&atilde;o e como tal, paradigm&aacute;ticos na rela&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica. Referimo-nos &agrave;s (Contra)Transfer&ecirc;ncia(s). </P >     <p>Principi&aacute;mos por apresentar uma perspectiva hist&oacute;rica da leitura destes fen&oacute;menos que, come &ccedil;aram por ser encarados como obst&aacute;culos num processo terap&ecirc;utico e progressivamente foram sendo considerados como instrumentos fundamentais para a compreens&atilde;o do indiv&iacute;duo em psicoterapia. Posteriormente, expusemos algumas teorias e perspectivas que, no nosso entender, descrevem de forma mais completa e mais pr&oacute;xima da realidade o modo como os fen&oacute;menos (contra)transfer&ecirc;nciais surgem no <I>setting </I>psicoterap&ecirc;utico. De facto, a transfer&ecirc;ncia e a contratransfer&ecirc;ncia n&atilde;o s&atilde;o fen&oacute; menos que ocorrem &agrave; vez, pertencentes ao paciente e ao psicoterapeuta respectivamente. Antes surgem continuamente, em simult&acirc;neo, podendo ser compreendidos enquanto elementos de uma matriz de quatro entradas, entre os sistemas consciente e inconsciente de paciente e terapeuta. &Eacute; atrav&eacute;s desta matriz que &eacute; poss&iacute;vel a compreens&atilde;o do indiv&iacute;duo. Esta afirma&ccedil;&atilde;o &eacute; tanto mais verda deira quanto mais precoce &eacute; a perturba&ccedil;&atilde;o no desenvolvimento. Afirma&ccedil;&atilde;o igualmente verdadeira na neurose, onde a transfer&ecirc;ncia serve de cen&aacute;rio para a dramatiza&ccedil;&atilde;o do conflito, &eacute; na rela&ccedil;&atilde;o com o psicoterapeuta que se ensaia a din&acirc;mica relacional do conflito ps&iacute;quico que n&atilde;o tendo sido resolvido no passado, pode agora no presente ser reescrito. Para que tal aconte&ccedil;a a contratrans fer&ecirc;ncia &eacute; uma pe&ccedil;a fundamental, uma vez que &eacute; atrav&eacute;s do que &eacute; colocado no psicoterapeuta que este cen&aacute;rio pode ser lido, no sentido do sujeito poder ter acesso ao que at&eacute; ai n&atilde;o tinha sido poss&iacute;vel. </P >    <p>&Eacute; aqui que terminam as possibilidades de um trabalho conjunto, e come&ccedil;am as infinitas desco bertas de um trabalho individual, sempre novo, sempre de novo a cada Outro com que nos deparamos. </P >    <p>DESARRUMAR DE NOVO&hellip; PONTOS DE PARTIDA PARA NOVAS REFLEX&Otilde;ES </P >    <p>Segundo Pontalis (1999) n&atilde;o se pode falar em verdade da contratransfer&ecirc;ncia. Coisa obscura, esta colocada aqui na conclus&atilde;o deste trabalho. Voltamos no final a outro princ&iacute;pio socr&aacute;tico: &ldquo;s&oacute; sei que nada sei&rdquo;. Apesar de n&atilde;o podermos falar da contratransfer&ecirc;ncia, &ldquo;... Podemos com tacto torn&aacute;-la sens&iacute;vel. O termo de tacto evocar&aacute; aqui menos uma discreta circunspec&ccedil;&atilde;o que a sensibi lidade a uma superf&iacute;cie, lisa ou rugosa, porosa ou blindada, ao gr&atilde;o de uma pele que se acaricia ou arrepia. Indicar&aacute; a biparti&ccedil;&atilde;o do fora e do dentro, em meu entender determinante naquilo de que nos podemos aperceber de uma <I>posi&ccedil;&atilde;o </I>contratransfer&ecirc;ncial&rdquo; (p. 245). Tacto que poder&aacute; encontrar malas blindadas ou porosas, lisas ou rugosas, abertas ou estanques. </P >    <p>Quanto &agrave;s diferen&ccedil;as entre uma Psicoterapia Psicanal&iacute;tica e uma Psican&aacute;lise, a quest&atilde;o tamb&eacute;m se mant&eacute;m. Certamente que a transfer&ecirc;ncia e a contratransfer&ecirc;ncia n&atilde;o s&atilde;o exclusivas da Psica n&aacute;lise. As Psicoterapias Psicanal&iacute;ticas captam esses fen&oacute;menos colocando-os num outro campo feito de um outro tempo e espa&ccedil;o, no qual estes conceitos se apresentam no face a face, ou no corpo a corpo da rela&ccedil;&atilde;o Eu-Outro, da rela&ccedil;&atilde;o a estabelecer e da rela&ccedil;&atilde;o estabelecida em cada elemento da d&iacute;ade. Altera&ccedil;&otilde;es no <I>setting </I>trazem mudan&ccedil;as na express&atilde;o e manejo destes fen&oacute;menos como pensamos ter ficado bem descrito no aporte dado pelos autores que referem os trabalhos em institui&ccedil;&otilde;es, onde patologias com caracter&iacute;sticas particulares, espalham e espelham na rela&ccedil;&atilde;o alargada com diferentes t&eacute;cnicos e em diferentes <I>settings</I>, as suas modalidades relacionais espec&iacute;ficas, na esperan&ccedil;a de que uma s&iacute;ntese/integra&ccedil;&atilde;o possa acontecer. </P >    <p>As discuss&otilde;es em torno das diferen&ccedil;as entre Psican&aacute;lise e Psicoterapia Psicanal&iacute;tica s&atilde;o antigas e controversas, sen&atilde;o vejamos. Desde logo fica claro, e aqui parece ser consensual, que os factores extr&iacute;nsecos, o <I>setting</I>, n&atilde;o s&atilde;o suficientes para a distin&ccedil;&atilde;o entre uma e outra mas, s&atilde;o de certa forma factores extr&iacute;nsecos que provocaram o debate. </P >    <p>Wallerstein (2001) refere que se vive &ldquo;num cont&iacute;nuo de abordagens t&eacute;cnicas&rdquo;, com interven&ccedil;&otilde;es diferentes, com interpreta&ccedil;&otilde;es que v&atilde;o at&eacute; &agrave;s mais abertamente centradas no apoio e propostas com a maior flexibilidade, levando em conta as exig&ecirc;ncias cl&iacute;nicas momentaneamente inst&aacute;veis do paciente&rdquo; (p. 109). </P >    <p>Segundo Kernberg (2001, pp. 28-29) os objectivos e as modalidades de tratamento variam: &ldquo;o objectivo da psican&aacute;lise &eacute; uma mudan&ccedil;a estrutural fundamental, a integra&ccedil;&atilde;o do conflito inconsciente reprimido ou dissociado do ego consciente. Na psicoterapia psicanal&iacute;tica ou expressiva, o objectivo &eacute; uma reorganiza&ccedil;&atilde;o parcial da estrutura ps&iacute;quica no contexto de uma mudan&ccedil;a sintom&aacute;tica significativa&rdquo;, a diferen&ccedil;a est&aacute; portanto mais situada na t&eacute;cnica. A inter preta&ccedil;&atilde;o &eacute; usada, mas a clarifica&ccedil;&atilde;o e a confronta&ccedil;&atilde;o t&ecirc;m um espa&ccedil;o mais amplo do que na Psican&aacute;lise, bem como as interpreta&ccedil;&otilde;es no &ldquo;aqui e agora&rdquo; mais do que no &ldquo;l&aacute; e ent&atilde;o&rdquo;. Mas esta diferencia&ccedil;&atilde;o, &ldquo;n&atilde;o pode ser estabelecida por uma &uacute;nica sess&atilde;o particular, mas somente atrav&eacute;s da avalia&ccedil;&atilde;o do tratamento no transcorrer do tempo&rdquo; (2001, p. 37). </P >    <p>Se a Transfer&ecirc;ncia e a Contra-Transfer&ecirc;ncia s&atilde;o movimentos, (re)sentidos a que estamos submetidos no encontro anal&iacute;tico/psicoterap&ecirc;utico, de que forma &eacute; que o tacto a estes movimentos se altera quando estamos face-a-face com o Outro uma, duas vezes por semana, ou quando a poltrona &eacute; substitu&iacute;da pelo div&atilde; num encontro a um ritmo de tr&ecirc;s, quatro vezes por semana? De que forma as malas se abrem ou fecham num e noutro contexto? Como respira a d&iacute;ade quando a percep&ccedil;&atilde;o visual se imp&otilde;e ou se obscurece? O que ser&aacute; que muda? Que diferen&ccedil;as naquilo que descobrimos quando nos vemos olhos nos olhos, ou quando Um se estende sobre a escuta do Outro? </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Mais pol&eacute;mico, Bollas (2001) pergunta se &ldquo;podemos falar seriamente das diferen&ccedil;as entre psicoterapia e psican&aacute;lise (&hellip;) A maioria das forma&ccedil;&otilde;es em psicoterapia psicanal&iacute;tica, nos diferentes pa&iacute;ses, s&atilde;o de facto forma&ccedil;&otilde;es psicanal&iacute;ticas (p. 285). J&aacute; Pontalis diz ser &ldquo;radicalmente contra o projecto de dar uma forma&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica &agrave;queles que se encaminham &agrave; psicoterapia dita de inspira&ccedil;&atilde;o psicanal&iacute;tica, como se fosse uma coisa mais simples&rdquo;. Pensa mesmo que &ldquo;s&oacute; a psican&aacute;lise pode &ldquo;inspirar&rdquo; tratamentos que a reivindicam. Onde podemos encontr&aacute;-la, essa psican&aacute;lise, em sua efic&aacute;cia e em seus limites? No pr&oacute;prio processo de an&aacute;lise e nas supervis&otilde;es. &Eacute; a&iacute; o &ldquo;<I>laborat&oacute;rio central&rdquo; </I>(1999, pp. 376-375). </P >     <p>No nosso entender, a interven&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica de inspira&ccedil;&atilde;o psicanal&iacute;tica (Psican&aacute;lise, Psico terapia Psicanal&iacute;tica ou mesmo Apoios psicoterap&ecirc;uticos de inspira&ccedil;&atilde;o psicanal&iacute;tica) deve ser vista num cont&iacute;nuo, na medida em que o terapeuta, em qualquer das modalidades que utiliza tem em considera&ccedil;&atilde;o os modelos psicanal&iacute;ticos que o enquadram na sua interven&ccedil;&atilde;o. As diferen&ccedil;as que se verificam est&atilde;o de facto nas condi&ccedil;&otilde;es existentes que obrigam a altera&ccedil;&otilde;es e adapta&ccedil;&otilde;es da t&eacute;cnica psicanal&iacute;tica conforme o contexto em que se desenvolvem. O tempo e espa&ccedil;o que o terapeuta disp&otilde;e, a frequ&ecirc;ncia com que est&aacute; com o paciente, a capacidade de <I>insight </I>do paciente, o tipo de estrutura psicopatol&oacute;gica que o domina, o que o leva a procurar ajuda, a resolu&ccedil;&atilde;o de um conflito espec&iacute;fico ou um conhecimento mais aprofundado sobre si pr&oacute;prio, s&atilde;o vari&aacute;veis que consideramos que marcam a op&ccedil;&atilde;o de escolha de um processo terap&ecirc;utico. Esta escolha n&atilde;o nos parece que deva ser vista segundo uma hierarquia de processo, mas antes como correspondendo a uma riqueza de possibilidades de interven&ccedil;&otilde;es em que uma se adequa melhor &agrave; situa&ccedil;&atilde;o em causa do que as outras. Parece-nos que para os processos terap&ecirc;uticos psicanal&iacute;ticos puderem ser aplic&aacute;veis na sociedade actual, e tendo em considera&ccedil;&atilde;o os desafios que ela levanta, torna-se fundamental uma flexibiliza&ccedil;&atilde;o nas abordagens t&eacute;cnicas de inspira&ccedil;&atilde;o psicanal&iacute;tica e, nesse sentido, as Psicoterapias Psicanal&iacute;ticas porque n&atilde;o est&atilde;o rigidamente definidas poder&atilde;o com mais facilidade possibilitar a evolu&ccedil;&atilde;o das t&eacute;cnicas actuais para o desenvolvimento ou a cria&ccedil;&atilde;o de novas pr&aacute;ticas, mais adapt&aacute;veis e eficazes &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es do mundo contempor&acirc;neo. </P >    <p>Pensamos ser poss&iacute;vel afirmar que ficamos depois deste trabalho a cinco, no cruzamento de diferentes malas e tralhas, mais sens&iacute;veis a estes fen&oacute;menos, que apur&aacute;mos o tacto, de forma a que nos seja poss&iacute;vel ressentir e significar o encontro terap&ecirc;utico: a procura de um sentido, de uma voz, a descoberta da nossa mala. <I>Cada um, cada m&atilde;o, cada mala. O que transportamos&hellip; </I></P >     <p>&nbsp;</P >     <p>REFER&Ecirc;NCIAS </P >    <!-- ref --><p>Bion, W. (1959). Attacks on linking. <I>International Journal of Psychoanalysis</I>, <I>40</I>, 308-15.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000098&pid=S0870-8231201100030000700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Bion, W. (1962). <I>Learning from experience</I>. London: Karnac Books.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000100&pid=S0870-8231201100030000700002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <p>Bollas, C. (1983). La r&eacute;v&eacute;lation de l&rsquo;ici et maintenant. <I>Nouvelle Revue de Psychanalyse</I>, <I>27</I>, 262-272. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Bollas, C. (2001). Abandonar o habitual: A derrota da psican&aacute;lise freudiana. <I>Revista Francesa de Psican&aacute;lise, Psican&aacute;lise Contempor&acirc;nea </I>(pp. 275-289). S. Paulo: Imago Editora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000103&pid=S0870-8231201100030000700004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <p>Botella, C., &amp; Botella, S. (1983). Notes cliniques sur la figurabilit&eacute; et l&rsquo;interpr&eacute;tation. <I>Revue Fran&ccedil;aise de Psychanalyse</I>, <I>LXV</I>(4), 11-49/12-39. </P >    <!-- ref --><p>Ferro, A. (1999). A psican&aacute;lise como literatura e terapia. S. Paulo: Imago.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000106&pid=S0870-8231201100030000700006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Freud, S. (1912/1996). Din&acirc;mica da transfer&ecirc;ncia. <I>Edi&ccedil;&atilde;o Standart Brasileira das Obras Psicol&oacute;gicas Completas </I><I>de Sigmund Freud </I>(vol. XII). Rio de Janeiro: Imago Editora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000108&pid=S0870-8231201100030000700007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Freud, S. (1920/1996). Al&eacute;m do princ&iacute;pio do prazer<I>. Edi&ccedil;&atilde;o Standart Brasileira das Obras Psicol&oacute;gicas Completas de Sigmund Freud </I>(vol. XVIII). Rio de Janeiro: Imago Editora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000110&pid=S0870-8231201100030000700008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Freud, S. (1926/1996). Inibi&ccedil;&atilde;o, sintomas e ansiedade. <I>Edi&ccedil;&atilde;o Standart Brasileira das Obras Psicol&oacute;gicas Completas de Sigmund Freud </I>(vol. XX). Rio de Janeiro: Imago Editora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000112&pid=S0870-8231201100030000700009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Green, A. (1983). <I>Narcissisme de vie, narcissisme de mort</I>. Paris: Minuit.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000114&pid=S0870-8231201100030000700010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <p>Guignard, F., &amp; Houzel, D. (1989). Transfert et contre-transfert dans la psychanalyse d&rsquo;enfants. <I>Journal de la Psychanalyse de l&rsquo;Enfant, 6</I>, 19-46. </P >     <!-- ref --><p>Gutti&egrave;res-Green, L. (2003). Hyst&eacute;rie &eacute;ternelle, encore et toujours. <I>Revue Fran&ccedil;aise de Psychanalyse, 4</I>, 1139-1158.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000117&pid=S0870-8231201100030000700012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <!-- ref --><p>Heenen-Wolff, S. (2006). Le contre-transfert en travail. <I>Revue Fran&ccedil;aise de Psychanalyse, 2</I>, 477-491.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000119&pid=S0870-8231201100030000700013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><P   >Heimann, P. (1950). On counter-transference. <I>Int. J. Psycho-Anal.</I>, <I>31</I>, 81-88.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000121&pid=S0870-8231201100030000700014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P   >Houzel, D. (1991). Identification introjective, r&eacute;paration, formation du symbol. <I>Journal de la Psychanalyse de l&rsquo;Enfant, 10</I>, 46-73. </P >    <P   >Kaswin-Bonnefond, D. (2000). Le transfert n&eacute;gatif: Un paradigme de l&rsquo;analyse. <I>Revue Fran&ccedil;aise de Psychanalyse, 2</I>, 459-470. </P >    <!-- ref --><P   >Kernberg, O. (2001). Psican&aacute;lise, Psicoterapia Psicanal&iacute;tica e Psicoterapia de Apoio: Controv&eacute;rsias contempor&acirc;neas. <I>Revista Francesa de Psican&aacute;lise, Psican&aacute;lise Contempor&acirc;nea </I>(pp. 23-49). S. Paulo: Imago Editora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000125&pid=S0870-8231201100030000700017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><P   >Klein, M. (1952/1991). As origens da transfer&ecirc;ncia<I>. Inveja e gratid&atilde;o e outros trabalhos 1946-1963 </I>(vol. III). Rio de Janeiro: Imago.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000127&pid=S0870-8231201100030000700018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><P   >Korff-Sausse, S. (2006). Contre-transfert, cliniques de l&acute;extr&ecirc;me et esth&eacute;tique. <I>Revue Fran&ccedil;aise de Psychanalyse, 2</I>, 507-520.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000129&pid=S0870-8231201100030000700019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><P   >Langs, R. (1978). The adaptational-interactional dimension of countertransference. <I>Contemp. Psychoanal., 14</I>, 502-533.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000131&pid=S0870-8231201100030000700020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><P   >Llopis-Salvan, N. (2006). Un contre-transfert au travail. <I>Revue Fran&ccedil;aise de Psychanalyse, 2</I>, 489-506.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000133&pid=S0870-8231201100030000700021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><P   >Louppe, A. (2006). Transformations et dynamique transf&eacute;ro-contre-transf&eacute;rentielle. <I>Revue Fran&ccedil;aise de Psychanalyse, 2</I>, 463-475.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000135&pid=S0870-8231201100030000700022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><P   >Meltzer, D. (1967/1990). <I>The psycho-analytic process. </I>Scotland: Clunie Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000137&pid=S0870-8231201100030000700023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><P   >Ogden, T. H. (1992). <I>The matriz of the mind. Object Relations and the Psychoanalytic dialogue. </I>London: Maresfield Library.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000139&pid=S0870-8231201100030000700024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><P   >Pestalozzi, S. J., Frisch, R. D., Hinshelwood, &amp; Houzel, D. (1998). <I>Psychoanalytic psychotherapy in institutional settings. </I>London: Karnac.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000141&pid=S0870-8231201100030000700025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><P   >Pontalis, J. B. (1999). <I>Entre o sonho e a dor</I>. Lisboa: FENDA.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000143&pid=S0870-8231201100030000700026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><P   >Racker, H. (1969). <I>Estudios sobre t&eacute;cnica psicoanalitica</I>. Buenos Aires: Editorial Paid&oacute;s.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000145&pid=S0870-8231201100030000700027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><P   >Streeck, U. (1998). Psychoanalytic oriented in-patient treatment. <I>Psychoanalytic psychoterapy in institutional setting</I>s (pp. 161-173). London: Karnac.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000147&pid=S0870-8231201100030000700028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><P   >Wallerstein, R. (2001). A traject&oacute;ria da psican&aacute;lise: Onde estamos hoje? <I>Revista Francesa de Psican&aacute;lise, Psican&aacute;lise Contempor&acirc;nea </I>(pp. 111-114). S. Paulo: Imago Editora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000149&pid=S0870-8231201100030000700029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><P   >Winnicott, D. (1945). Desenvolvimento emocional primitivo. <I>Da pediatria &agrave; psican&aacute;lise </I>(pp. 218-232). Rio de Janeiro: Imago.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000151&pid=S0870-8231201100030000700030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><P   >Winnicott, D. (1947). &Oacute;dio na contratransfer&ecirc;ncia. <I>Da pediatria &agrave; psican&aacute;lise </I>(pp. 277-287). Rio de Janeiro: Imago.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000153&pid=S0870-8231201100030000700031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <P   >&nbsp;</P >     <P   >&nbsp;</P >     <P   >Trabalho realizado em 2008, no &acirc;mbito do 3&ordm; ano de forma&ccedil;&atilde;o da APPSI &ndash; Associa&ccedil;&atilde;o Portuguesa de Psicoterapia Psicanal&iacute;tica.  </P >     <P   ><a name="0"></a><a href="#top0">Correspond&ecirc;ncia</a></P >     <P   >A correspond&ecirc;ncia relativa a este artigo dever&aacute; ser enviada para: Ana Paula Nascimento, Av. Jo&atilde;o Cris&oacute;stomo,    69, r/c esq., 1050-126 Lisboa. E-mail: <a href="mailto:anapaulanascimento@sapo.pt">anapaulanascimento@sapo.pt</a> </P >      ]]></body><back>
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