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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The decrease of birth rates and the postponement of the first child have emphasized the importance of a better understanding of parenthood motivations. Given their sociocultural variability, this qualitative study aimed to explore positive and negative parenthood motivations among a Portuguese sample. The sample was constituted by 24 participants, who were recruited among the professionals and patients of the Maternidade Doutor Daniel de Matos dos Hospitais da Universidade de Coimbra and among participants of general population. Three focus groups with patients/participants of general population and one focus group with professionals were conducted. The content analysis revealed a vast constellation of positive and negative parenthood motivations; these were expressed in emotional/ psychological, social/normative, economical/utilitarian and biological/physical dimensions. Positive motivations were the most frequently reported; however, they were less reported than negative motivations in the emotional/psychological dimension. These exploratory results tend to be consistent with existing research; nevertheless, they tend to show some particularities that need to be explored in future researches. Furthermore they emphasize the importance of assessing parenthood motivations, especially among women who reveal emotional difficulties.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><B>Uma abordagem qualitativa &agrave;s motiva&ccedil;&otilde;es positivas e negativas para a parentalidade </B></p>    <p><b>Maryse Guedes<Sup>*</Sup>; Paula Saraiva Carvalho<Sup>**</Sup>; Raquel Pires<Sup>***</Sup> e Maria Cristina Canavarro<Sup>**** </Sup></b></P >     <p><Sup>* </Sup>Aluna do Programa Interuniversit&aacute;rio de Doutoramento em Psicologia Cl&iacute;nica &ndash; Tem&aacute;tica Psicologia da Fam&iacute;lia e Interven&ccedil;&atilde;o Familiar da Faculdade de Psicologia e de Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o da Universidade de Coimbra e da Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa; Bolseira da Funda&ccedil;&atilde;o para a Ci&ecirc;ncia e Tecnologia (SFRH/BD/68912/2010); </P >     <p><Sup>** </Sup>Departamento de Psicologia e Educa&ccedil;&atilde;o da Universidade da Beira Interior; Bolseira da Funda&ccedil;&atilde;o para a Ci&ecirc;ncia e Tecnologia (SFRH/BD/37685/2007); </P >     <p><Sup>*** </Sup>Aluna de Doutoramento da Faculdade de Psicologia e de Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o da Universidade de Coimbra; Bolseira da Funda&ccedil;&atilde;o para a Ci&ecirc;ncia e Tecnologia (SFRH/BD/63949/2009); </P >     <p><Sup>**** </Sup>Professora Catedr&aacute;tica da Faculdade de Psicologia e de Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o da Universidade de Coimbra; Coordenadora da Unidade de Interven&ccedil;&atilde;o Psicol&oacute;gica da Maternidade Doutor Daniel de Matos dos Hospitais da Universidade de Coimbra </P >     <p><a name="top0"></a><a href="#0">Correspond&ecirc;ncia</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>A diminui&ccedil;&atilde;o da natalidade e o adiamento do nascimento do primeiro filho t&ecirc;m evidenciado a import&acirc;ncia de melhor compreender as motiva&ccedil;&otilde;es para a parentalidade. Atendendo &agrave; sua variabilidade sociocultural, este estudo qualitativo teve como principal objectivo conhecer as motiva&ccedil;&otilde;es positivas e negativas para a parentalidade numa amostra da popula&ccedil;&atilde;o portuguesa. A amostra foi constitu&iacute;da por 24 participantes, recrutados entre os profissionais e utentes da Maternidade Doutor Daniel de Matos dos Hospitais da Universidade de Coimbra e por convite a participantes da popula&ccedil;&atilde;o em geral. Foram realizados tr&ecirc;s grupos focais com utentes/participantes da popula&ccedil;&atilde;o em geral e um grupo focal com profissionais. A an&aacute;lise de conte&uacute;do revelou uma vasta constela&ccedil;&atilde;o de motiva&ccedil;&otilde;es positivas e negativas; estas expressaram-se em dimens&otilde;es emocionais/psicol&oacute;gicas, sociais/normativas, econ&oacute;micas/utilit&aacute;rias e biol&oacute;gicas/f&iacute;sicas. As motiva&ccedil;&otilde;es positivas foram as mais frequentemente referidas; no entanto, foram menos referidas que as negativas na dimens&atilde;o emocional/psicol&oacute;gica. Embora explorat&oacute;rios, estes resultados tendem a apoiar a investiga&ccedil;&atilde;o existente, apontando, contudo, para algumas especificidades que importa aprofundar em investiga&ccedil;&otilde;es futuras. Evidenciam ainda a import&acirc;ncia de avaliar as motiva&ccedil;&otilde;es para a parentalidade, especialmente entre as mulheres que revelem dificuldades emocionais. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><B>Palavras-chave: </B>Motiva&ccedil;&otilde;es negativas, Motiva&ccedil;&otilde;es positivas, Parentalidade. </P >     <p>&nbsp;</P >     <p><b>ABSTRACT</b></P >     <p>The decrease of birth rates and the postponement of the first child have emphasized the importance of a better understanding of parenthood motivations. Given their sociocultural variability, this qualitative study aimed to explore positive and negative parenthood motivations among a Portuguese sample. The sample was constituted by 24 participants, who were recruited among the professionals and patients of the Maternidade Doutor Daniel de Matos dos Hospitais da Universidade de Coimbra and among participants of general population. Three focus groups with patients/participants of general population and one focus group with professionals were conducted. The content analysis revealed a vast constellation of positive and negative parenthood motivations; these were expressed in emotional/ psychological, social/normative, economical/utilitarian and biological/physical dimensions. Positive motivations were the most frequently reported; however, they were less reported than negative motivations in the emotional/psychological dimension. These exploratory results tend to be consistent with existing research; nevertheless, they tend to show some particularities that need to be explored in future researches. Furthermore they emphasize the importance of assessing parenthood motivations, especially among women who reveal emotional difficulties. </P >    <p><B>Key-words: </B>Negative motivations, Parenthood, Positive motivations. </P >     <p>&nbsp;</P >     <p>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O </P >     <p>A diminui&ccedil;&atilde;o da natalidade e o adiamento do nascimento do primeiro filho t&ecirc;m sido tend&ecirc;ncias cada vez mais prevalentes nos pa&iacute;ses economicamente desenvolvidos, incluindo Portugal (OCDE, 2011). O seu impacto na sustentabilidade social e financeira e na capacidade reprodutiva dos casais (Wijsen, 2002) t&ecirc;m evidenciado a import&acirc;ncia de melhor compreender as decis&otilde;es reprodutivas contempor&acirc;neas. Estas t&ecirc;m sido essencialmente atribu&iacute;das &agrave;s mudan&ccedil;as sociais, econ&oacute;micas e culturais que se t&ecirc;m verificado nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas (OCDE, 2011). No entanto, esta abordagem tem apenas oferecido uma compreens&atilde;o parcelar (Langdridge, Sheeran, &amp; Connolly, 2005), negligenciando uma importante componente individual dos processos de tomada de decis&atilde;o reprodutiva (Wijsen, 2002). </P >     <p>Os modelos de decis&atilde;o reprodutiva t&ecirc;m valorizado as percep&ccedil;&otilde;es acerca dos benef&iacute;cios e custos de ter filhos (Fawcett, 1983; Hoffman &amp; Hoffman, 1973), designados de motiva&ccedil;&otilde;es positivas e negativas para a parentalidade (Miller, 1994). Estas disposi&ccedil;&otilde;es para percepcionar favor&aacute;vel e desfavoravelmente a parentalidade e as suas consequ&ecirc;ncias t&ecirc;m sido descritas como determinantes dos desejos, inten&ccedil;&otilde;es e comportamentos reprodutivos (Miller, 1995). T&ecirc;m, contudo, sido reconhecidas como complexas e sujeitas a varia&ccedil;&otilde;es socioculturais (Dyer, 2007). Em Portugal, s&atilde;o poucos os estudos acerca das motiva&ccedil;&otilde;es para a parentalidade; somente algumas investiga&ccedil;&otilde;es se t&ecirc;m interessado pelos significados (Martins, 2010) ou fun&ccedil;&otilde;es (Cunha, 2008) de um filho. Torna-se, por isso, importante clarificar a forma como estas motiva&ccedil;&otilde;es se expressam no contexto portugu&ecirc;s actual. O seu conhecimento reveste-se de relev&acirc;ncia cl&iacute;nica, dada a sua influ&ecirc;ncia nas traject&oacute;rias de (in)adapta&ccedil;&atilde;o dos casais &agrave; gravidez e parentalidade (Canavarro, 2001) ou a outros percursos reprodutivos, como a infertilidade (Cassidy &amp; Sintrovani, 2008). </P >    <p><I>Compreens&atilde;o das motiva&ccedil;&otilde;es para a parentalidade </I></P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A compreens&atilde;o das motiva&ccedil;&otilde;es para a parentalidade tem-se baseado em investiga&ccedil;&otilde;es conduzidas em variados contextos, com recurso a metodologias qualitativas e quantitativas diversificadas (Dyer, Mokoena, Maritz, &amp; Van der Spuy, 2008). Face &agrave; sua complexidade e &agrave; dificuldade em avaliar este dom&iacute;nio (Dyer, 2007), poucos t&ecirc;m sido os estudos junto da popula&ccedil;&atilde;o em geral (e.g., Arnold et al., 1975; Langdridge et al., 2005; Miller, 1995). Grande parte das investi ga&ccedil;&otilde;es tem envolvido amostras de conveni&ecirc;ncia, especialmente estudantes universit&aacute;rios (e.g., Gormly, Gormly, &amp; Weiss, 1987; O&rsquo;Laughlin &amp; Anderson, 2001). Por&eacute;m, a inconsist&ecirc;ncia dos seus resultados tem conduzido os investigadores a privilegiar grupos cl&iacute;nicos que enfrentam experi&ecirc;ncias reprodutivas espec&iacute;ficas, como sobreviventes de cancro (e.g., Shover, 2005) e casais inf&eacute;rteis (e.g., Cassidy &amp; Sintrovani, 2008) ou indiv&iacute;duos que decidem voluntariamente n&atilde;o ter filhos (e.g., Park, 2005). A natureza destas experi&ecirc;ncias tem facilitado a express&atilde;o das motiva&ccedil;&otilde;es para a parentalidade que permanecem, muitas vezes, latentes na popula&ccedil;&atilde;o em geral (Dyer et al., 2008). No entanto, tem-se evidenciado a import&acirc;ncia de uma abordagem compreensiva das motiva&ccedil;&otilde;es positivas e negativas na popula&ccedil;&atilde;o em geral (Purewal &amp; Van der Akker, 2007). Nesse sentido, a literatura tem recomendado o recurso a outros informadores, que possibilitem um conhecimento mais vasto destas motiva&ccedil;&otilde;es. Investiga&ccedil;&otilde;es recentes t&ecirc;m-se interessado pelas percep&ccedil;&otilde;es que os estudantes da &aacute;rea da sa&uacute;de desenvolvem no contexto das suas pr&aacute;ticas profissionais; contudo, t&ecirc;m negligenciado a perspectiva dos profissionais especializados na &aacute;rea da gravidez e da parentalidade (Fraser &amp; Hughes, 2009). </P >    <p>N&atilde;o obstante a sua heterogeneidade e as suas limita&ccedil;&otilde;es, as investiga&ccedil;&otilde;es referidas t&ecirc;m apontado para uma vasta constela&ccedil;&atilde;o de motiva&ccedil;&otilde;es positivas e negativas. Globalmente, estas t&ecirc;m-se expresso em dimens&otilde;es emocionais/psicol&oacute;gicas, sociais/normativas, econ&oacute;micas/utilit&aacute;rias e biol&oacute;gicas/f&iacute;sicas, consistentes com as descri&ccedil;&otilde;es dos modelos cl&aacute;ssicos de decis&atilde;o reprodutiva (Fawcett, 1983). </P >    <p><I>Motiva&ccedil;&otilde;es positivas para a parentalidade </I></P >    <p>No que diz respeito &agrave;s motiva&ccedil;&otilde;es positivas para a parentalidade, as dimens&otilde;es emocionais/ /psicol&oacute;gicas t&ecirc;m contemplado a rela&ccedil;&atilde;o de amor rec&iacute;proco, &uacute;nica e especial com a crian&ccedil;a (Langdridge et al., 2005). Outros aspectos desta rela&ccedil;&atilde;o, como a alegria e a felicidade (Cassidy &amp; Sintrovani, 2008), o orgulho e estimula&ccedil;&atilde;o (Arnold et al., 1975), a possibilidade de cuidar, ensinar (Miller, 1995) e reparar experi&ecirc;ncias com filhos anteriores (Siegel &amp; Schrimshaw, 2001) t&ecirc;m sido descritos. Estas dimens&otilde;es t&ecirc;m ainda sido relacionadas com o fortalecimento ou manuten&ccedil;&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o conjugal e a realiza&ccedil;&atilde;o pessoal (Van Balen &amp; Trimbos-Kemper, 1995). Os la&ccedil;os familiares, como a companhia para outro filho (Bulatao, 1981), t&ecirc;m sido menos valorizados. </P >    <p>As dimens&otilde;es sociais/normativas t&ecirc;m sido relacionadas com o cumprimento de expectativas sociais e familiares ou de preceitos morais e religiosos (Pezeshki, Zeighami, &amp; Miller, 2005); t&ecirc;m ainda contemplado a afirma&ccedil;&atilde;o do estatuto social/identidade de adulto, a continuidade familiar, imortalidade e preserva&ccedil;&atilde;o da esp&eacute;cie (Cassidy &amp; Sintrovani, 2008; Van Balen &amp; Trimbos-Kemper, 1995). A for&ccedil;a de trabalho como forma de ajuda ao sustento econ&oacute;mico da fam&iacute;lia e o apoio na velhice t&ecirc;m caracterizado as dimens&otilde;es econ&oacute;micas/utilit&aacute;rias (Miller, 1995). </P >    <p>As dimens&otilde;es biol&oacute;gicas/f&iacute;sicas t&ecirc;m sido relacionadas com a concretiza&ccedil;&atilde;o de um instinto ou &ldquo;apelo&rdquo; do rel&oacute;gio biol&oacute;gico (Inborn &amp; Van Balen, 2002) e a afirma&ccedil;&atilde;o da sua fertilidade (Shover 2005) ou masculinidade/feminilidade (Newton, Hearn, Yuzpe, &amp; Houle, 1992). O desejo de viver a gravidez e o parto (Miller, 1995) e os la&ccedil;os biol&oacute;gicos (Miller, Millstein, &amp; Pasta, 2008) t&ecirc;m sido igualmente contemplados. </P >    <p><I>Motiva&ccedil;&otilde;es negativas para a parentalidade </I></P >    <p>No que refere &agrave;s motiva&ccedil;&otilde;es negativas, as dimens&otilde;es emocionais/psicol&oacute;gicas t&ecirc;m sido associadas aos constrangimentos para a autonomia pessoal e conjugal, estilos de vida e carreira profissional (Carmichael &amp; Whittaker, 2007; Langdridge et al., 2005; O&rsquo;Laughlin &amp; Anderson, 2001). As exig&ecirc;ncias dos cuidados parentais, as responsabilidades e preocupa&ccedil;&otilde;es com a crian&ccedil;a (Arnold et al., 1975; Langdridge et al., 2005; Miller, 1995), a imaturidade (Gerson, Berman, &amp; Morris, 1991) ou a inexist&ecirc;ncia de qualidades adequadas ser pai/m&atilde;e (Carmichael &amp; Whittaker, 2007) t&ecirc;m ainda sido contempladas. Problem&aacute;ticas familiares, como o desgaste com o papel de cuidador assumido com outros familiares, o receio da transgeracionalidade de problemas de sa&uacute;de familiares ou de perpetuar experi&ecirc;ncias relacionais vividas com os pais, t&ecirc;m sido menos descritas (Connidis &amp; McMullin, 1996; Shover, 2005). </P >    <p>As dimens&otilde;es sociais/normativas t&ecirc;m contemplado preocupa&ccedil;&otilde;es demogr&aacute;ficas (sobrepopu </B>la&ccedil;&atilde;o) e a responsabilidade social face ao estado actual do mundo (Pezeshki, Zeighami, &amp; Miller, 2005). As restri&ccedil;&otilde;es e despesas financeiras com a crian&ccedil;a t&ecirc;m caracterizado as dimens&otilde;es econ&oacute;micas/utilit&aacute;rias (Arnold et al., 1975; Park, 2005). </P >    <p>Por fim, as dimens&otilde;es biol&oacute;gicas/f&iacute;sicas t&ecirc;m sido relacionadas com as altera&ccedil;&otilde;es negativas na imagem corporal feminina (Arnold et al., 1975), os desconfortos f&iacute;sicos da gravidez e do parto (Miller, 1995) e a inexist&ecirc;ncia de instinto parental (Park, 2005). </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><I>Variabilidade na frequ&ecirc;ncia das motiva&ccedil;&otilde;es para a parentalidade </I></P >    <p>Esta constela&ccedil;&atilde;o de motiva&ccedil;&otilde;es positivas e negativas tem sido descrita com mais ou menos frequ&ecirc;ncia, em fun&ccedil;&atilde;o do contexto socioecon&oacute;mico e cultural (Arnold et al., 1975; Inborn &amp; Van Balen, 2002), do g&eacute;nero, da idade e da paridade (Gerson et al., 1991; Gormly et al., 1987; O&rsquo;Laughlin &amp; Anderson, 2001). </P >    <p>As motiva&ccedil;&otilde;es positivas t&ecirc;m sido mais valorizadas (Arnold et al., 1975; Bell, Bancroft, &amp; Phillip, 1985), especialmente nas suas dimens&otilde;es emocionais/psicol&oacute;gicas. Estas dimens&otilde;es t&ecirc;m sido descritas de forma universal, independentemente do g&eacute;nero e da paridade (Inborn &amp; Van Balen, 2002); exceptuam-se a repara&ccedil;&atilde;o de experi&ecirc;ncias (Siegel &amp; Schrimshaw, 2001) e a com panhia para outro filho (Bulatao, 1981) que t&ecirc;m sido referidas pelos casais que j&aacute; t&ecirc;m filhos. As dimens&otilde;es sociais/normativas e econ&oacute;micas/utilit&aacute;rias t&ecirc;m sido valorizadas nos pa&iacute;ses em desenvolvimento (Arnold et al., 1975; Inborn &amp; Van Balen, 2002). A afirma&ccedil;&atilde;o do estatuto social/identidade de adulto tem assumido especial express&atilde;o entre os mais jovens que ainda n&atilde;o foram pais, especialmente as mulheres (Gormly et al., 1987; Van Balen, 2005). As expectativas sociais e os preceitos religiosos, a ajuda ao sustento e o apoio na velhice t&ecirc;m sido valorizados nos meios desfavorecidos e com forte orienta&ccedil;&atilde;o religiosa (Van Rooij, Van Balen, &amp; Hermanns, 2007). As dimens&otilde;es biol&oacute;gicas/f&iacute;sicas t&ecirc;m sido destacadas pelos indiv&iacute;duos que enfrentam desafios reprodutivos (Miller et al., 2008; Shover, 2005). </P >    <p>Ao n&iacute;vel das motiva&ccedil;&otilde;es negativas, as dimens&otilde;es emocionais/psicol&oacute;gicas t&ecirc;m sido valorizadas nos pa&iacute;ses economicamente desenvolvidos (Arnold et al., 1975; Miller, 1995). Os constrangi mentos pessoais e conjugais, a imaturidade e a inexist&ecirc;ncia de qualidades adequadas para ser pai/m&atilde;e t&ecirc;m-se evidenciado entre os mais jovens, especialmente nas mulheres que ainda n&atilde;o foram m&atilde;e e que, frequentemente, n&atilde;o tencionam ter filhos no futuro (Carmichael &amp; Whittaker, 2007; Langdridge et al., 2005; O&rsquo;Laughlin &amp; Anderson, 2001). As exig&ecirc;ncias dos cuidados parentais t&ecirc;m assumido especial express&atilde;o nas mulheres, tornando-se mais significativas &agrave; medida que aumenta o n&uacute;mero de filhos (Bulatao, 1981). As dimens&otilde;es sociais/normativas, econ&oacute;micas/ /utilit&aacute;rias e biol&oacute;gicas/f&iacute;sicas t&ecirc;m assumido maior express&atilde;o nos pa&iacute;ses em vias de desenvolvi mento e nos meios economicamente desfavorecidos (Arnold et al. 1975; Pezeshki et al., 2005); as restri&ccedil;&otilde;es financeiras t&ecirc;m igualmente sido mais valorizadas pelos homens (Arnold et al., 1975; O&rsquo;Laughlin &amp; Anderson, 2001). </P >    <p><I>Objectivos </I></P >    <p>Face &agrave;s limita&ccedil;&otilde;es da investiga&ccedil;&atilde;o existente e &agrave; escassez de investiga&ccedil;&otilde;es nacionais, torna-se importante desenvolver estudos que proporcionem uma abordagem compreensiva &agrave;s motiva&ccedil;&otilde;es positivas e negativas para a parentalidade (Purewal &amp; Van den Akker, 2007), no contexto sociocultural portugu&ecirc;s actual. A dificuldade em avaliar este dom&iacute;nio na popula&ccedil;&atilde;o em geral (Dyer, 2007) tem evidenciado a necessidade de considerar outros informadores que possibilitem melhor compreender as motiva&ccedil;&otilde;es para a parentalidade. Investiga&ccedil;&otilde;es mais recentes t&ecirc;m apontado o potencial contributo dos profissionais especializados (Fraser &amp; Hughes, 2009), na medida em que interagem com casais oriundos de diversos contextos socioecon&oacute;micos e culturais. </P >    <p>Neste contexto, o presente estudo explorat&oacute;rio teve como principal objectivo conhecer as motiva&ccedil;&otilde;es para a parentalidade numa amostra portuguesa de profissionais e participantes da popula&ccedil;&atilde;o em geral. De forma espec&iacute;fica, este estudo procurou (1) descrever as motiva&ccedil;&otilde;es positivas e negativas para a parentalidade, nas suas diferentes dimens&otilde;es e (2) identificar a frequ&ecirc;ncia com que estas motiva&ccedil;&otilde;es s&atilde;o expressas. </P >    <p>M&Eacute;TODO </P >    <p><I>Participantes </I></P >    <p>A amostra foi constitu&iacute;da por 24 participantes, com idades compreendidas entre os 22 e os 62 anos (<I>M</I>=34.74, <I>DP</I>=10.09), na sua maioria do sexo feminino (75%), casados/unidos de facto (75%), com forma&ccedil;&atilde;o superior (95.8%) e n&iacute;vel socioecon&oacute;mico m&eacute;dio (66.7%) (de acordo com a classifica&ccedil;&atilde;o de Sim&otilde;es, 1994). Os participantes foram recrutados entre os profissionais e utentes da Maternidade Doutor Daniel de Matos dos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC) e por convite a participantes da popula&ccedil;&atilde;o em geral. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os utentes/participantes da popula&ccedil;&atilde;o em geral foram divididos em tr&ecirc;s grupos focais, em fun&ccedil;&atilde;o do seu g&eacute;nero e paridade (G1, G2 e G3). Com efeito, a literatura tem evidenciado que as motiva&ccedil;&otilde;es para a parentalidade variam em fun&ccedil;&atilde;o do g&eacute;nero e da paridade (Gormly et al., 1987; O&rsquo;Laughlin &amp; Anderson, 2001), especialmente as motiva&ccedil;&otilde;es negativas que t&ecirc;m sido descritas como mais dif&iacute;ceis de avaliar (Purewal &amp; Van den Akker, 2007). A homogeneidade dos grupos nestas vari&aacute;veis foi, assim, considerada uma condi&ccedil;&atilde;o facilitadora da interac&ccedil;&atilde;o dos participantes (Morgan, 1996). Foi ainda constitu&iacute;do um grupo focal de profissionais (G4), de modo a possibilitar uma compreens&atilde;o mais vasta das motiva&ccedil;&otilde;es para a parentalidade (Fraser &amp; Hughes, 2009). </P >    <p>O G1 (<I>n</I>=5) foi composto por duas mulheres gr&aacute;vidas, uma mulher com uma filha rec&eacute;m-nascida e duas mulheres sem filhos que n&atilde;o tencionavam ser m&atilde;es no momento; com idades compreendidas entre os 22 e os 35 anos (<I>M</I>=28.20, <I>DP</I>=2.13), todas as participantes tinham forma&ccedil;&atilde;o superior e apresentavam um n&iacute;vel socioecon&oacute;mico m&eacute;dio, sendo, na sua maioria, solteiras (60%). O G2 (<I>n</I>=6) incluiu dois homens &agrave; espera do primeiro filho, dois homens com filhos rec&eacute;m-nascidos e dois homens sem filhos que n&atilde;o tencionavam ser pais no momento; com idades compreendidas entre os 28 e os 35 anos (<I>M=</I>30.60, <I>DP</I>=2.97), a maioria dos participantes era casado/unido de facto (83.3%), tinha forma&ccedil;&atilde;o superior (83.3%) e apresentava um n&iacute;vel socioecon&oacute;mico m&eacute;dio (50%). O G3 (<I>n</I>=5) foi constitu&iacute;do por cinco mulheres com filhos em idade pr&eacute;-escolar e escolar; com idades compreendidas entre os 30 e os 41 anos (<I>M=</I>35, <I>DP</I>=4.53), todas as participantes eram casadas/unidas de facto e tinham forma&ccedil;&atilde;o superior, apresentando, na sua maioria, um n&iacute;vel socioecon&oacute;mico elevado (80%). O G4 (<I>n</I>=8) incluiu tr&ecirc;s psic&oacute;logas, duas enfermeiras, uma assistente social, uma m&eacute;dica obstetra e uma educadora de inf&acirc;ncia; com idades compreendidas entre os 22 e os 62 anos (<I>M</I>=41.25, <I>DP</I>=14.11), todas as participantes tinham forma&ccedil;&atilde;o superior, sendo, na sua maioria, casadas/unidas de facto (75%) e apresentando um n&iacute;vel socioecon&oacute;mico m&eacute;dio (87.5%). </P >    <p><I>Procedimentos </I></P >    <p>O presente estudo enquadra-se num projecto de investiga&ccedil;&atilde;o mais vasto, intitulado &ldquo;Transi&ccedil;&atilde;o para a parentalidade em idade materna avan&ccedil;ada: Adapta&ccedil;&atilde;o individual, conjugal e cuidados parentais&rdquo;, aprovado pela Comiss&atilde;o de &Eacute;tica dos HUC. </P >    <p>A recolha de dados foi realizada atrav&eacute;s de quatro grupos focais. O recurso a grupos focais tem-se afirmado como uma metodologia privilegiada para a investiga&ccedil;&atilde;o aprofundada das motiva&ccedil;&otilde;es dos grupos (Krueger &amp; Casey, 2009), coadunando-se com os objectivos deste estudo explorat&oacute;rio. O seu ambiente de interac&ccedil;&atilde;o prop&iacute;cio &agrave; discuss&atilde;o e reflex&atilde;o tem sido considerado especialmente vantajoso para a explora&ccedil;&atilde;o de tem&aacute;ticas complexas (Morgan, 1996), como as motiva&ccedil;&otilde;es para a parentalidade. </P >    <p>Com uma dura&ccedil;&atilde;o de cerca de uma hora e meia, os quatro grupos focais foram conduzidos na biblioteca da Maternidade Doutor Daniel de Matos dos HUC, uma sala livre de interfer&ecirc;ncias sonoras, com condi&ccedil;&otilde;es prop&iacute;cias &agrave; interac&ccedil;&atilde;o dos participantes. Foram moderados por um psic&oacute;logo cl&iacute;nico especializado na &aacute;rea da gravidez e parentalidade, com o apoio de um assistente, com a mesma forma&ccedil;&atilde;o, respons&aacute;vel pela grava&ccedil;&atilde;o &aacute;udio e pelo registo de aspectos n&atilde;o-verbais, no decorrer da discuss&atilde;o. </P >    <p>Os participantes foram recebidos &agrave; entrada da maternidade, pelo moderador e encaminhados para a biblioteca da maternidade. Ap&oacute;s a apresenta&ccedil;&atilde;o dos respons&aacute;veis pela condu&ccedil;&atilde;o dos grupos focais, o moderador procedeu a uma breve introdu&ccedil;&atilde;o acerca do tema em discuss&atilde;o, explicitando a natureza e os objectivos do estudo. Antes de iniciar a discuss&atilde;o, foram garantidos a confiden cialidade das respostas e obtido o consentimento informado dos participantes. Clarificados os aspectos &eacute;ticos, o moderador solicitou aos participantes se apresentassem, indicando o seu nome, de modo a criar um ambiente favor&aacute;vel &agrave; interac&ccedil;&atilde;o. De seguida, o moderador iniciou a discuss&atilde;o, com base no gui&atilde;o de entrevista semi-estruturada, desenvolvido para o efeito (cf. Instrumentos). No final da discuss&atilde;o, o moderador solicitou o preenchimento de uma ficha de dados sociodemogr&aacute;ficos aos participantes. </P >    <p><I>Instrumentos </I></P >    <p>Al&eacute;m da ficha de dados sociodemogr&aacute;ficos, foi desenvolvido um gui&atilde;o de entrevista semi-estruturada, que foi discutido por seis psic&oacute;logos especializados na &aacute;rea da gravidez e parentalidade. Este gui&atilde;o iniciou-se com uma quest&atilde;o geral acerca das motiva&ccedil;&otilde;es positivas para a parentalidade (&ldquo;O que pensam que leva as pessoas a desejarem ter filhos?&rdquo;). Foram subse quentemente formuladas quest&otilde;es espec&iacute;ficas de modo a explorar cada uma das dimens&otilde;es emocionais/psicol&oacute;gicas, sociais/normativas, econ&oacute;micas/utilit&aacute;rias e biol&oacute;gicas/f&iacute;sicas (&ldquo;Pensam que as pessoas podem desejar ter filhos por quest&otilde;es afectivas ou psicol&oacute;gicas/sociais/econ&oacute;micas/biol&oacute;gicas?&rdquo;) das motiva&ccedil;&otilde;es positivas para a parentalidade. Uma estrutura&ccedil;&atilde;o semelhante foi utilizada para examinar as motiva&ccedil;&otilde;es negativas para a parentalidade (&ldquo;O que pensam que leva as pessoas a n&atilde;o desejarem ter filhos?&rdquo;) e cada uma das suas dimens&otilde;es (&ldquo;Pensam que as pessoas podem n&atilde;o desejar ter filhos por quest&otilde;es afectivas ou psicol&oacute;gicas/sociais/econ&oacute;micas/f&iacute;sicas?&rdquo;). Por fim, foi dada aos participantes a possibilidade de fazerem coment&aacute;rios finais a respeito das quest&otilde;es debatidas, caso n&atilde;o tivessem tido essa oportunidade no decorrer da sess&atilde;o. </P >    <p><I>An&aacute;lise de dados </I></P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A an&aacute;lise de dados fundamentou-se num processo cont&iacute;nuo de recolha, redu&ccedil;&atilde;o, apresenta&ccedil;&atilde;o e verifica&ccedil;&atilde;o de dados (Huberman &amp; Miles, 1994). Num primeiro momento, transcrevemos textual e integralmente (verbatim) os registos &aacute;udio dos grupos focais; as transcri&ccedil;&otilde;es foram verificadas quanto &agrave; sua adequa&ccedil;&atilde;o para o tratamento de dados (Bloomberg &amp; Volpe, 2008). Com aux&iacute;lio do software QSR NVivo 8, procedemos &agrave; an&aacute;lise de conte&uacute;do das transcri&ccedil;&otilde;es, assumindo o tema como unidade de codifica&ccedil;&atilde;o (Bardin, 2004). De facto, a an&aacute;lise de conte&uacute;do tem sido recomen dada para a an&aacute;lise de dados provenientes de grupos focais (Krueger &amp; Casey, 2009), coadunando-se com os objectivos do presente estudo explorat&oacute;rio. Num primeiro momento, cri&aacute;mos as categorias superiores relativas &agrave;s motiva&ccedil;&otilde;es positivas e negativas para a parentalidade e &agrave;s suas dimens&otilde;es emocionais/psicol&oacute;gicas, sociais/normativas, econ&oacute;micas/utilit&aacute;rias e biol&oacute;gicas/f&iacute;sicas, com base no gui&atilde;o de entrevista semi-estruturada. De seguida, foram codifi cadas todas as unidades de sentido, de modo a identificar subcategorias emergentes (e.g., rela&ccedil;&atilde;o com a crian&ccedil;a; expectativas sociais; apoio ao sustento; instinto biol&oacute;gico; exig&ecirc;ncias da parentali dade; altera&ccedil;&otilde;es corporais negativas) que foram posteriormente analisadas e relacionadas. Os princ&iacute;pios da m&uacute;tua exclusi vidade, exaustividade, relev&acirc;ncia e objectividade das categorias foram considerados (Bardin, 2004). Ap&oacute;s uma primeira codifica&ccedil;&atilde;o, os dados foram sistematicamente revistos e discutidos com outro codificador independente; com aux&iacute;lio do software QSR NVivo 8, calcul&aacute;mos as percentagens de acordo inter-observador e os coeficientes Kappa de Cohen, de modo a avaliar o acordo entre os codificadores (Bloomberg &amp; Volpe, 2008). Averigu&aacute;mos ainda a frequ&ecirc;ncia e extens&atilde;o das respostas dos participantes, em conformidade com as recomenda&ccedil;&otilde;es de Krueger e Casey (2009); com aux&iacute;lio do software QSR NVivo 8, calcul&aacute;mos o n&uacute;mero total de refer&ecirc;ncias, o n&uacute;mero de refer&ecirc;ncias por cada categoria/subcategoria e o n&uacute;mero de participantes que mencionou cada categoria/subcategoria, em cada grupo e no conjunto dos grupos. </P >     <p>RESULTADOS </P >    <p><I>Descri&ccedil;&atilde;o das motiva&ccedil;&otilde;es para a parentalidade</I><sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a></P >    <p>A <a href ="/img/revistas/aps/v29n4/29n4a04f1.jpg">Figura 1</a> sumaria as motiva&ccedil;&otilde;es positivas e negativas para a parentalidade, descritas pelos participantes da amostra. </P >       
<p><I>Motiva&ccedil;&otilde;es positivas para a parentalidade </I></P >    <p><I>Dimens&otilde;es emocionais/psicol&oacute;gicas </I></P >    <p>A <I>rela&ccedil;&atilde;o com a crian&ccedil;a </I>foi especialmente valorizada pelo G3, que a descreveu como uma rela&ccedil;&atilde;o rec&iacute;proca de amor, &uacute;nica e especial: </P >     <blockquote>       <p>Nas motiva&ccedil;&otilde;es para ter filhos, a parte afectiva &eacute; importante. &Eacute; a possibilidade de gostar muito de algu&eacute;m e ser rec&iacute;proco, receber tamb&eacute;m. N&atilde;o pode haver nada superior a isto, nem o &ldquo;Amo-te&rdquo; do marido. &Eacute; um amor incondicional (Laura, 36 anos, m&atilde;e de dois filhos). </p> </blockquote>     <p>Al&eacute;m disso, os v&aacute;rios grupos referiram a repara&ccedil;&atilde;o de experi&ecirc;ncias vividas com filhos anteriores, em casos de doen&ccedil;a cr&oacute;nica ou morte. Valorizaram ainda a constru&ccedil;&atilde;o de um v&iacute;nculo afectivo, que se distingue de outras rela&ccedil;&otilde;es afectivas: </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>       <p>Outra motiva&ccedil;&atilde;o para ter filhos &eacute; ter uma companhia, ter algu&eacute;m que faz parte da nossa vida para sempre, que n&atilde;o est&aacute; sujeito a la&ccedil;os que se desfazem como os de outras rela&ccedil;&otilde;es (Alice, 35 anos, gr&aacute;vida do primeiro filho). </p> </blockquote>     <p>Os G1 e G3 descreveram tamb&eacute;m a possibilidade de cuidar, educar e ensinar uma crian&ccedil;a, orientando o seu percurso desenvolvimental e ajudando-a a crescer. </P >     <p>A <I>rela&ccedil;&atilde;o conjugal </I>foi especialmente valorizada pelo G4. A parentalidade foi descrita como uma forma de fortalecimento conjugal, de ter um fruto do amor e da uni&atilde;o do casal, um projecto comum e um elo de liga&ccedil;&atilde;o/proximidade: </P >     <blockquote>       <p>Para os casais, ter um filho &eacute; uma forma de proximidade. &Eacute; uma forma de os unir, de os tornar mais &iacute;ntimos e pr&oacute;ximos. Quase como que um fruto do seu casamento e da sua uni&atilde;o (Sandra, 26 anos, psic&oacute;loga). </p> </blockquote>     <p>Este fortalecimento conjugal foi igualmente entendido como uma oportunidade de crescimento conjugal, um salto desenvolvimental que possibilita a evolu&ccedil;&atilde;o do casal para um patamar superior de maturidade. A parentalidade foi ainda considerada como uma forma de manter a rela&ccedil;&atilde;o conjugal e evitar a desagrega&ccedil;&atilde;o do casal; os v&aacute;rios grupos evidenciaram, contudo, o seu cepti cismo em rela&ccedil;&atilde;o aos benef&iacute;cios desta motiva&ccedil;&atilde;o para a parentalidade para a d&iacute;ade conjugal. </P >    <p>Os <I>la&ccedil;os familiares </I>foram especialmente descritos pelo G3, como uma forma de fortalecer o esp&iacute;rito familiar e de unir as v&aacute;rias gera&ccedil;&otilde;es da fam&iacute;lia alargada: </P >     <blockquote>       <p>N&atilde;o &eacute; s&oacute; propriamente ter um filho ou ter um neto, &eacute; o tipo de coes&atilde;o em termos de fam&iacute;lia, as pessoas estarem juntas. Pode ser um factor de coes&atilde;o e aproxima&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia alargada (Carlos, 35 anos, &agrave; espera do primeiro filho). </p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os participantes apontaram ainda a possibilidade de proporcionar uma companhia a outro(s) filho(s), promovendo o seu desenvolvimento psicossocial. </P >    <p>A <I>realiza&ccedil;&atilde;o pessoal </I>foi descrita como a consecu&ccedil;&atilde;o de um projecto de vida ou objectivo pessoal ou o preenchimento de um papel desejado; poucos participantes referiram a afirma&ccedil;&atilde;o pessoal em rela&ccedil;&atilde;o aos seus pais ou a repara&ccedil;&atilde;o de experi&ecirc;ncias negativas vividas na sua inf&acirc;ncia. </P >    <p><I>Dimens&otilde;es sociais/normativas </I></P >    <p>O cumprimento de <I>expectativas sociais </I>foi especialmente valorizado pelo G2 e G4. Descre veram as normas socioculturais que enquadram a parentalidade como uma fase normativa do ciclo de vida e a press&atilde;o familiar expl&iacute;cita ou impl&iacute;cita: </P >     <blockquote>       <p>Acho que ser pai &eacute; uma coisa normal, natural. Faz parte do ciclo de vida. E depois, eu noto, que os meus pais e os meus sogros est&atilde;o constantemente a dizer que j&aacute; est&aacute; na altura. Acho que a&iacute;, h&aacute; tamb&eacute;m um pouco a expectativa, ou a press&atilde;o (Tom&aacute;s, 28 anos, sem filhos). </p> </blockquote>     <p>O cumprimento de <I>preceitos religiosos </I>foi um tema gerador de opini&otilde;es divergentes, especialmente debatido pelo G2 e G4. Foi descrito como uma motiva&ccedil;&atilde;o cada vez menos frequente, com express&atilde;o numa minoria de casais, oriundos de contextos socioculturais mais tradicionais. O seu valor enquanto motiva&ccedil;&atilde;o genu&iacute;na foi, contudo, questionado no contexto actual; o G4 real&ccedil;ou a instrumentaliza&ccedil;&atilde;o da religi&atilde;o como forma de justificar a desresponsabiliza&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o ao planeamento familiar. </P > </P >     <p> A afirma&ccedil;&atilde;o do <I>estatuto social/identidade de adulto </I>foi especialmente discutida pelo G4. A parentalidade foi, assim, caracterizada como uma consecu&ccedil;&atilde;o socialmente valorizada que facilita o reconhecimento do casal enquanto fam&iacute;lia, a afirma&ccedil;&atilde;o da identidade de adulto e a independ&ecirc;ncia em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; fam&iacute;lia de origem. Esta motiva&ccedil;&atilde;o foi descrita como espec&iacute;fica dos casais mais jovens e oriundos de meios socioecon&oacute;micos mais desfavorecidos, associando-se frequentemente a dificuldades de adapta&ccedil;&atilde;o &agrave; transi&ccedil;&atilde;o para a parentalidade:</P >     <blockquote>       <p>No caso da afirma&ccedil;&atilde;o da identidade de adulto, estamos a falar de m&atilde;es novas, de crian&ccedil;as que t&ecirc;m outras crian&ccedil;as e, muitas vezes, t&ecirc;m um relacionamento com outra pessoa que tamb&eacute;m &eacute; uma crian&ccedil;a. Inicialmente a maternidade &eacute; uma forma de sair de casa, dos pais aceitarem a rela&ccedil;&atilde;o. E depois, quando chegam a casa com o beb&eacute;, a realidade instala-se. H&aacute; uma s&eacute;rie de responsabi lidades que t&ecirc;m de assumir e para as quais n&atilde;o est&atilde;o preparadas (Andreia, 52 anos, enfermeira). </p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A <I>continuidade </I>foi especialmente valorizada pelo G4, que a descreveu como uma forma de preserva&ccedil;&atilde;o da esp&eacute;cie, de assegurar a descend&ecirc;ncia da fam&iacute;lia e a transmiss&atilde;o das heran&ccedil;as familiares. Os restantes grupos valorizaram essencialmente a continuidade dos valores, afectos e interac&ccedil;&otilde;es familiares: </P >     <blockquote>       <p>Ter um filho &eacute; a possibilidade de dar continua&ccedil;&atilde;o a um padr&atilde;o de rela&ccedil;&otilde;es familiares, um ciclo de interac&ccedil;&otilde;es nos quais crescemos e que achamos que &eacute; um bom modelo para poder passar a outra pessoa que esperamos poder ajudar a crescer bem. Mas n&atilde;o tanto no sentido de preser va&ccedil;&atilde;o da esp&eacute;cie ou de dar continuidade ao nome, eu acho que &eacute; dar continuidade &agrave;s emo&ccedil;&otilde;es e aos valores que nos unem enquanto fam&iacute;lia (Alice, 35 anos, gr&aacute;vida do primeiro filho). </p> </blockquote>     <p><I>Dimens&otilde;es econ&oacute;micas/utilit&aacute;rias </I></P >    <p>No que se refere &agrave; ajuda ao <I>sustento econ&oacute;mico da fam&iacute;lia</I>, a percep&ccedil;&atilde;o dos filhos como for&ccedil;a de trabalho foi relegada para o passado. Contudo, uma nova forma de ajuda foi geradora de posi&ccedil;&otilde;es marcadamente divergentes. O G4 descreveu a obten&ccedil;&atilde;o de subs&iacute;dios sociais como uma motiva&ccedil;&atilde;o cada vez mais presente no discurso dos casais mais carenciados: </P >     <blockquote>       <p>A obten&ccedil;&atilde;o de subs&iacute;dios at&eacute; &eacute; verbalizada pelas pessoas. Quer em termos de subs&iacute;dios decorrentes da maternidade, como outros subs&iacute;dios eventuais, a que as pessoas t&ecirc;m direito e t&ecirc;m por base o agregado familiar (In&ecirc;s, 49 anos, assistente social). </p> </blockquote>     <p>No entanto, os restantes grupos consideraram os apoios do sistema social portugu&ecirc;s como insuficientes para se constitu&iacute;rem como uma motiva&ccedil;&atilde;o para ter filhos. </P >    <p>O <I>apoio futuro </I>na velhice e para outro filho doente foi um tema pouco consensual, especial mente debatido pelo G2. Foi, por um lado, descrito como uma motiva&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica de determi nadas configura&ccedil;&otilde;es familiares (por exemplo, fam&iacute;lias monoparentais). A sua pertin&ecirc;ncia foi, por outro lado, desvalorizada no contexto social actual e a sua discuss&atilde;o foi caracterizada por um marcado conflito de valores: </P >     <blockquote>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>At&eacute; chegar a esse, h&aacute; tantos pensamentos ego&iacute;stas que se t&ecirc;m primeiro. Pensar na crian&ccedil;a como um apoio futuro &eacute; uma forma cruel de condicionar uma pessoa passados uns anos (Jos&eacute;, 30 anos, &agrave; espera do primeiro filho). </p> </blockquote>     <p><I>Dimens&otilde;es biol&oacute;gicas/f&iacute;sicas </I></P >    <p>A concretiza&ccedil;&atilde;o de um <I>instinto biol&oacute;gico </I>foi descrita por todos os grupos como uma necessidade b&aacute;sica, n&atilde;o racional e essencialmente feminina: </P >     <blockquote>       <p>Por enquanto n&atilde;o sinto necessidade de ter filhos, ao contr&aacute;rio da minha mulher, que quase todos os dias me diz que quer ter um filho. Penso que, da parte das mulheres, deve haver ali um instinto, ou qualquer coisa em termos biol&oacute;gicos, para a maternidade que pode criar mais motiva&ccedil;&atilde;o nas mulheres do que nos homens (Tom&aacute;s, 28 anos, sem filhos). </p> </blockquote>     <p>A afirma&ccedil;&atilde;o da <I>fertilidade </I>e <I>feminilidade/masculinidade </I>foi referida pelos v&aacute;rios grupos, &agrave; excep&ccedil;&atilde;o do G2. Esta motiva&ccedil;&atilde;o foi, contudo, descrita como especialmente relevante para os casais que enfrentam dificuldades reprodutivas. </P >    <p>A press&atilde;o do <I>rel&oacute;gio biol&oacute;gico </I>na capacidade reprodutiva feminina foi descrita pelos v&aacute;rios grupos, &agrave; excep&ccedil;&atilde;o do G2. Foi considerada especialmente importante para as mulheres com forte investimento na carreira profissional: </P >     <blockquote>       <p>Existem motiva&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas para as mulheres que t&ecirc;m uma vida profissional muito activa. Quando come&ccedil;am a chegar a um determinado patamar de idade, come&ccedil;am a pensar que t&ecirc;m uma data marcada para ter filhos: &ldquo;Eu quero ter filhos porque sei que o meu prazo de validade est&aacute; a terminar&rdquo; (Sandra, 26 anos, psic&oacute;loga). </p> </blockquote>     <p><I>Motiva&ccedil;&otilde;es negativas para a parentalidade </I></P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><I>Dimens&otilde;es emocionais/psicol&oacute;gicas </I></P >    <p>As <I>exig&ecirc;ncias da parentalidade </I>foram valorizadas pelo G3, que as relacionou com o cansa&ccedil;o f&iacute;sico e emocional decorrente dos cuidados a uma crian&ccedil;a pequena: </P >     <blockquote>       <p>O meu primeiro filho deixava-me louca: n&atilde;o conseguia dormir, mamava de hora e meia em hora em meia, passava a vida com c&oacute;licas. Foi horr&iacute;vel. Noites e noites sem dormir, &eacute; extenuante. Estas exig&ecirc;ncias podem ser um motivo para n&atilde;o ter filhos para alguns casais (Margarida, 42 anos, m&atilde;e de cinco filhos). </p> </blockquote>     <p>O G3 valorizou ainda as responsabilidades e preocupa&ccedil;&otilde;es constantes com a crian&ccedil;a. Consi derou, contudo, que a consci&ecirc;ncia destas exig&ecirc;ncias se desenvolve com a experi&ecirc;ncia de parenta lidade, sendo essencialmente femininas. Consequentemente descreveram-nas como determinantes do momento do nascimento do primeiro filho e do n&uacute;mero de filhos que os casais decidem ter mais do que da decis&atilde;o de ter ou n&atilde;o filhos. </P >    <p>Os <I>constrangimentos conjugais </I>foram menos valorizados pelos v&aacute;rios grupos. Foram relacio nados com a perda de autonomia para o casal e com o desgaste relacional decorrente das exig&ecirc;ncias da parentalidade: </P >     <blockquote>       <p>Existem muitas pessoas que n&atilde;o querem ter filhos porque pensam que v&atilde;o perder tempo e autonomia enquanto casal e at&eacute; mesmo que o casal se pode desagregar (Alice, 35 anos, gr&aacute;vida do primeiro filho). </p> </blockquote>     <p>Ao n&iacute;vel dos <I>problemas familiares</I>, os v&aacute;rios grupos valorizaram os receios de transgeracio nalidade de problemas de sa&uacute;de familiares ou de ter outro filho doente/portador de defici&ecirc;ncia. O G3 descreveu ainda quest&otilde;es relacionais, como o desgaste com o papel de cuidador assumido com outros familiares (e.g., pais, irm&atilde;os ou sobrinhos) ou o receio de reproduzir modelos parentais negativos vividos na inf&acirc;ncia. </P >    <p>Os <I>constrangimentos pessoais </I>foram descritos pelos v&aacute;rios grupos. Evidenciaram as restri&ccedil;&otilde;es para a autonomia pessoal, estilos de vida (viagens, lazer, vida social) e carreira profissional, especialmente no caso feminino: </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>       <p>Existem muitas motiva&ccedil;&otilde;es para n&atilde;o se ter um filho, por exemplo, a dificuldade em se abdicar de uma s&eacute;rie de coisas que j&aacute; se conquistaram. A possibilidade de viajar ou de ter um determinado estilo de vida, que, com uma crian&ccedil;a muda (Alice, 35 anos, gr&aacute;vida do primeiro filho). </p> </blockquote>     <P   >A <I>prepara&ccedil;&atilde;o emocional </I>e a imaturidade foram valorizadas pelos G1 e G2: Eu penso que uma outra motiva&ccedil;&atilde;o para n&atilde;o ter filhos pode estar associada ao facto de n&atilde;o se sentir preparado para a parentalidade. Eu tenho 28 anos e ainda n&atilde;o me sinto preparado. Quer em termos psicol&oacute;gicos, ao n&iacute;vel da maturidade, quer em termos das tarefas que vou ter de desempenhar (Tom&aacute;s, 28 anos, sem filhos). </P >    <p><I>Dimens&otilde;es sociais/normativas </I></P >    <p>Os v&aacute;rios grupos debateram apenas a <I>responsabilidade social </I>de ter um filho face aos problemas sociais (e.g., viol&ecirc;ncia, traject&oacute;rias desviantes) e ambientais (e.g., polui&ccedil;&atilde;o, cat&aacute;strofes naturais) actuais. Todavia, este tema n&atilde;o reuniu consenso; a maioria dos participantes dos v&aacute;rios grupos considerou-o uma justifica&ccedil;&atilde;o socialmente aceit&aacute;vel para a decis&atilde;o de n&atilde;o ter filhos, ao inv&eacute;s de uma motiva&ccedil;&atilde;o genu&iacute;na. </P >    <p><I>Dimens&otilde;es econ&oacute;micas/utilit&aacute;rias </I></P >    <p>Os v&aacute;rios grupos, especialmente o G2, mencionaram as <I>restri&ccedil;&otilde;es e despesas financeiras </I>decorrentes da educa&ccedil;&atilde;o e presta&ccedil;&atilde;o de cuidados a uma crian&ccedil;a. No entanto, os participantes consideraram que estas restri&ccedil;&otilde;es n&atilde;o determinam a decis&atilde;o de ter ou n&atilde;o filhos mas o n&uacute;mero de filhos que os casais decidem ter. </P >    <p><I>Dimens&otilde;es biol&oacute;gicas/f&iacute;sicas </I></P >    <p>O <I>medo de sofrer complica&ccedil;&otilde;es f&iacute;sicas </I>na gravidez e no parto foi exclusivamente descrito pelo G4. </P >    <p>Um dos motivos pelos quais as pessoas podem decidir n&atilde;o engravidar tem a ver com o medo da gravidez e do parto, que se relaciona com quest&otilde;es estruturais da personalidade, com a necessidade de controlo (Maria, 30 anos, psic&oacute;loga). </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As <I>altera&ccedil;&otilde;es negativas no peso, forma e imagem corporal feminina </I>foram referidas pelos v&aacute;rios grupos, &agrave; excep&ccedil;&atilde;o do G2: </P >     <blockquote>       <p>H&aacute; outras motiva&ccedil;&otilde;es que j&aacute; n&atilde;o s&atilde;o t&atilde;o frequentes, mas que ainda existem, como o medo das altera&ccedil;&otilde;es corporais que a gravidez vai trazer &agrave; mulher, o medo de desfiguramento (Sandra, 26 anos, psic&oacute;loga). </p> </blockquote>     <p><I>Frequ&ecirc;ncia das motiva&ccedil;&otilde;es para a parentalidade </I></P >    <p>O <a href ="/img/revistas/aps/v29n4/29n4a04q1.jpg">Quadro 1</a> sumaria a frequ&ecirc;ncia e a extens&atilde;o das categorias e subcategorias de motiva&ccedil;&otilde;es para a parentalidade, em cada grupo e no conjunto dos grupos, as suas respectivas percentagens de acordo inter-observadores e coeficientes Kappa de Cohen. </P >      
<p>DISCUSS&Atilde;O </P >     <p>O presente estudo teve como objectivo conhecer as motiva&ccedil;&otilde;es para a parentalidade numa amostra portuguesa. De modo geral, os nossos resultados foram consistentes com a investiga&ccedil;&atilde;o existente, quanto ao seu conte&uacute;do e frequ&ecirc;ncia. No entanto, parecem apontar para algumas especi ficidades merecedoras de reflex&atilde;o. </P >    <p>Ao n&iacute;vel do conte&uacute;do, os profissionais contribu&iacute;ram para uma compreens&atilde;o mais vasta das motiva&ccedil;&otilde;es para a parentalidade. Neste grupo, a afirma&ccedil;&atilde;o do estatuto social/identidade de adulto foi considerada espec&iacute;fica da gravidez na adolesc&ecirc;ncia, associando-se frequentemente a dificuldades de adapta&ccedil;&atilde;o. A instrumentaliza&ccedil;&atilde;o da religi&atilde;o foi apontada como uma forma de desresponsabiliza&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o ao planeamento familiar, nos contextos culturais tradicionais. O medo da gravidez/parto foi descrito com uma motiva&ccedil;&atilde;o caracter&iacute;stica de mulheres com padr&otilde;es de funcionamento psicol&oacute; gico espec&iacute;ficos. Por fim, o apoio ao sustento da fam&iacute;lia foi relacionado com a obten&ccedil;&atilde;o de subs&iacute;dios sociais nos casais oriundos de meios economicamente desfavorecidos, enquanto a for&ccedil;a de trabalho foi relegada para o passado. Esta nova forma de apoio n&atilde;o tem sido descrita na literatura, podendo reflectir as altera&ccedil;&otilde;es na legisla&ccedil;&atilde;o nacional que tem favorecido as fam&iacute;lias numerosas e com baixos rendimentos na atribui&ccedil;&atilde;o de subs&iacute;dios sociais (Instituto de Seguran&ccedil;a Social, 2008). </P >    <p>A descri&ccedil;&atilde;o dos la&ccedil;os familiares e do apoio futuro foi igualmente caracterizada por algumas especificidades, que n&atilde;o t&ecirc;m sido mencionadas na literatura. Os la&ccedil;os familiares n&atilde;o se relacionaram apenas com a companhia para outro filho; contemplaram ainda a coes&atilde;o geracional e a gratifica&ccedil;&atilde;o que a crian&ccedil;a proporciona &agrave; fam&iacute;lia alargada, consistentemente com os estudos nacionais acerca dos significados (Martins, 2010) e fun&ccedil;&otilde;es (Cunha, 2008) de um filho. Do mesmo modo, o apoio futuro n&atilde;o se restringiu ao apoio na velhice, tendo-se igualmente relacionado com o apoio futuro para um filho doente. A ambival&ecirc;ncia expressa pelos participantes em rela&ccedil;&atilde;o a esta forma de apoio futuro tem igualmente sido igualmente observada em amostras de pais de crian&ccedil;as portadoras de defici&ecirc;ncia (Kimura, Yamasaki, Mochikozi, &amp; Omiya, 2010). </P >     <p>Ao n&iacute;vel da frequ&ecirc;ncia, as motiva&ccedil;&otilde;es negativas foram mais referidas que as positivas nas dimen s&otilde;es emocionais/psicol&oacute;gicas e foram mencionadas por um n&uacute;mero aproximadamente equivalente de participantes. Estes resultados n&atilde;o s&atilde;o consistentes com a literatura, que tem apontado para um padr&atilde;o inverso (Arnold et al., 1975; Bell et al., 1985). A compreens&atilde;o das decis&otilde;es reprodutivas contempor&acirc;neas parece, assim, exigir uma abordagem compreensiva que n&atilde;o se restrinja aos condicionantes contextuais e contemple um n&iacute;vel de an&aacute;lise individual (Wijsen, 2002). Com efeito, o crescente investimento das mulheres portuguesas na carreira profissional e a sua forte respon sabilidade nos cuidados parentais (OCDE, 2011) parece traduzir-se ao n&iacute;vel dos constrangimentos pessoais e das exig&ecirc;ncias parentais que estas percepcionam. Os constrangimentos conjugais assumiram-se como uma excep&ccedil;&atilde;o a este padr&atilde;o inverso. A frequ&ecirc;ncia e extens&atilde;o desta sub categoria n&atilde;o s&atilde;o consistentes com a literatura (Carmichael &amp; Whittaker, 2007). Sugerimos que a sua consci&ecirc;ncia pode desenvolver-se com a experi&ecirc;ncia de parentalidade, atendendo &agrave; reorgani za&ccedil;&atilde;o que esta implica na &aacute;rea conjugal (Cowan &amp; Cowan, 1988) e &agrave; frequ&ecirc;ncia e extens&atilde;o desta subcategoria no grupo de m&atilde;es. Todavia, a proemin&ecirc;ncia de partici pantes de sexo feminino, com forma&ccedil;&atilde;o superior e n&iacute;vel socioecon&oacute;mico m&eacute;dio/elevado e o contributo do grupo de m&atilde;es ao n&iacute;vel do n&uacute;mero de unidades analisadas podem ter condicionado os resultados obtidos nas dimens&otilde;es emocionais/psicol&oacute;gicas das motiva&ccedil;&otilde;es negativas. </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As dimens&otilde;es emocionais/psicol&oacute;gicas e sociais/normativas das motiva&ccedil;&otilde;es positivas n&atilde;o se diferenciaram, de forma clara, quanto &agrave; sua frequ&ecirc;ncia e extens&atilde;o. Estes resultados n&atilde;o s&atilde;o consistentes com a literatura, que tem evidenciado a preponder&acirc;ncia das dimens&otilde;es emocionais/ /psicol&oacute;gicas (Inborn &amp; Van Balen, 2002). Estes resultados podem eventualmente reflectir a persist&ecirc;ncia de valores tradicionais em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; parentalidade no contexto sociocultural portugu&ecirc;s; todavia, a diverg&ecirc;ncia de perspectivas que caracterizou a discuss&atilde;o das dimens&otilde;es sociais/norma tivas (e.g., preceitos religiosos) pode ter influenciado a frequ&ecirc;ncia e extens&atilde;o desta categoria. </P >    <p>As diferen&ccedil;as de g&eacute;nero n&atilde;o se expressaram somente ao n&iacute;vel das motiva&ccedil;&otilde;es negativas (Arnold et al., 1975; Bulatao, 1981) mas igualmente das positivas. A rela&ccedil;&atilde;o com a crian&ccedil;a e a realiza&ccedil;&atilde;o pessoal afirmaram-se como motiva&ccedil;&otilde;es essencialmente femininas, que parecem desenvolver-se com a maternidade, atendendo &agrave; sua frequ&ecirc;ncia e extens&atilde;o no grupo de m&atilde;es. As expectativas sociais foram especialmente valorizadas pelos homens que descreveram o instinto biol&oacute;gico como fundamentalmente feminino. Estes resultados parecem evidenciar um maior desejo e centralidade da maternidade para a identidade/realiza&ccedil;&atilde;o feminina (Dyer et al., 2008); podem, contudo, ter sido influenciados pelas din&acirc;micas do grupo de m&atilde;es e pela inexist&ecirc;ncia de um grupo de pais com filhos em idade pr&eacute;-escolar e escolar na nossa amostra. </P >    <p>N&atilde;o obstante o seu contributo para a compreens&atilde;o das motiva&ccedil;&otilde;es para a parentalidade, este estudo n&atilde;o se encontra isento de limita&ccedil;&otilde;es. Al&eacute;m de reduzida, a amostra de conveni&ecirc;ncia foi maioritariamente constitu&iacute;da por mulheres casadas/unidas de facto, com forma&ccedil;&atilde;o superior e n&iacute;vel socioecon&oacute;mico m&eacute;dio/elevado. Estas caracter&iacute;sticas sociodemogr&aacute;ficas podem ter condicionado os resultados obtidos. Os profissionais contribu&iacute;ram para uma compreens&atilde;o mais vasta das motiva &ccedil;&otilde;es para a parentalidade. No entanto, as limita&ccedil;&otilde;es da amostra n&atilde;o possibilitam a generaliza&ccedil;&atilde;o dos resultados a outras amostras e contextos. Em termos metodol&oacute;gicos, a dimens&atilde;o dos Grupos 1 e 3 (<I>n</I>=5) foi restringida pela disponibilidade dos participantes, tendo-se revelado inferior ao recomendado &ndash; 6 a 10 participantes (Krueger &amp; Casey, 2009). A familiaridade do moderador com parte dos participantes e de alguns participantes entre si pode ter influenciado as din&acirc;micas de grupo, no sentido da inibi&ccedil;&atilde;o ou desejabilidade das respostas (Morgan, 1996). Do mesmo modo, a modera&ccedil;&atilde;o da discuss&atilde;o (i.e., explora&ccedil;&atilde;o de cada uma das dimens&otilde;es das motiva &ccedil;&otilde;es positivas e negativas) e o contexto em que esta decorreu podem ter influenciado os resultados obtidos. A an&aacute;lise de conte&uacute;do com indica&ccedil;&atilde;o da frequ&ecirc;ncia e extens&atilde;o de respostas (Krueger &amp; Casey, 2009) n&atilde;o possibilitou uma aprecia&ccedil;&atilde;o aprofundada das din&acirc;micas e interac&ccedil;&otilde;es de grupos, cuja relev&acirc;ncia tem sido evidenciada na an&aacute;lise de dados provenientes de grupos focais (Kitzinger, 1994); os resultados relativos &agrave; frequ&ecirc;ncia e extens&atilde;o das categorias/subcategorias devem, por isso, ser cautelosamente interpretados. Por &uacute;ltimo, n&atilde;o foi considerada a triangula&ccedil;&atilde;o com outros m&eacute;todos (e.g., instrumentos de avalia&ccedil;&atilde;o), que possibilitaria averiguar a converg&ecirc;ncia dos resul tados (Bloomberg &amp; Volpe, 2008). </P >    <p>Torna-se importante desenvolver estudos qualitativos que ultrapassem estas limita&ccedil;&otilde;es amostrais e metodol&oacute;gicas. Estes estudos poder&atilde;o contribuir para o desenvolvimento de instrumentos de auto-resposta que permitam avaliar as motiva&ccedil;&otilde;es para a parentalidade. Com efeito, a sua avalia&ccedil;&atilde;o assume especial relev&acirc;ncia, no sentido de melhor compreender as decis&otilde;es reprodutivas contempor&acirc;neas e de promover decis&otilde;es reprodutivas informadas (Langdridge et al., 2005). A sua influ&ecirc;ncia nas traject&oacute;rias de (in)adapta&ccedil;&atilde;o a diferentes percursos reprodutivos (Canavarro, 2001; Cassidy &amp; Sintrovani, 2008) parece refor&ccedil;ar a import&acirc;ncia da sua avalia&ccedil;&atilde;o, com vista &agrave; optimiza&ccedil;&atilde;o das pr&aacute;ticas cl&iacute;nicas. Embora explorat&oacute;rios, os nossos resultados parecem sensibilizar os profissionais de sa&uacute;de para a relev&acirc;ncia de atender &agrave;s motiva&ccedil;&otilde;es femininas, especialmente na presen&ccedil;a de dificuldades emocionais. </P >     <p>&nbsp;</P >     <p>REFER&Ecirc;NCIAS </P >    <!-- ref --><p>Arnold, F., Bulatao, R. A., Buripakdi, C., Chung, B. J., Fawcett, J. T., Iritani, T., ..., &amp; Wu, T. S. (1975). <I>The value of children: A cross-national study</I>. Honolulu, HI: East-West Population Center.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000139&pid=S0870-8231201100040000400001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Bardin, L. (2004). <I>An&aacute;lise de conte&uacute;do</I>. Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es 70.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000141&pid=S0870-8231201100040000400002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Bell, J. F., Bancroft, J., &amp; Phillip, A. (1985). Motivation for parenthood: A factor analytic study of attitudes towards having children <I>Journal of Comparative Family Studies, 16</I>(1), 111-119.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000143&pid=S0870-8231201100040000400003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Bloomberg, L. D., &amp; Volpe, M. (2008). <I>Completing your qualitative dissertation: A roadmap from beginning to end. </I>Thousand Oaks, California: Sage Publications.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000145&pid=S0870-8231201100040000400004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Bulatao, R. A. (1981). Values and disvalues of children in successive childbearing decisions. <I>Demography, 18</I>, 1-26.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000147&pid=S0870-8231201100040000400005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Canavarro, M. C. (2001). Gravidez e maternidade: Representa&ccedil;&otilde;es e tarefas de desenvolvimento. In M. C. Canavarro (Ed.), <I>Psicologia da gravidez e da maternidade </I>(pp. 18-49). Coimbra: Quarteto Editora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000149&pid=S0870-8231201100040000400006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Carmichael, G., &amp; Whittaker, A. (2007). Choice and circumstance: Qualitative insights into contemporary childlessness in Australia. <I>European Population Journal, 23</I>, 111-143.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000151&pid=S0870-8231201100040000400007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Cassidy, T., &amp; Sintrovani, P. (2008). Motives for parenthood, psychosocial factors and health in women undergoing IVF. <I>Journal of Infant and Reproductive Psychology, 26</I>(1), 4-17.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000153&pid=S0870-8231201100040000400008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Connidis, I. A., &amp; McMullin, J. A. (1996). Reasons for and perceptions of childlessness among older persons: Exploring the impact of marital status and gender. <I>Journal of Ageing Studies, 10</I>(3), 205-222.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000155&pid=S0870-8231201100040000400009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <!-- ref --><p>Cowan, P. A., &amp; Cowan, C. P. (1988). Changes in marriage during the transition to parenthood: Must we blame the baby? In G. Y. Michaels &amp; W. A. Goldberg (Eds.), <I>The transition to parenthood: Current theory and </I><I>research </I>(pp. 114-154). New York: Cambridge University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000157&pid=S0870-8231201100040000400010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <!-- ref --><p>Cunha, V. (2008). <I>Fam&iacute;lias, fecundidades e fun&ccedil;&otilde;es dos filhos: O impacto do tempo e dos contextos sociais </I>(Disserta&ccedil;&atilde;o de Doutoramento n&atilde;o publicada). Instituto Superior de Ci&ecirc;ncias do Trabalho e da Empresa do Instituto Universit&aacute;rio de Lisboa, Lisboa.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000159&pid=S0870-8231201100040000400011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <p>Dyer, S. (2007). The value of children in African countries &ndash; Insights from studies on infertility. <I>Journal of Psychosomatic Obstetrics &amp; Gynecology, 28</I>(2), 69-77. </P >    <!-- ref --><p>Dyer, S., Mokoena, N., Maritz, J., &amp; Van der Spuy, Z. (2008). Motives for parenthood among couples attending a level 3 infertility clinic in the public health sector in South Africa. <I>Human Reproduction, 23</I>(2), 352-357.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000162&pid=S0870-8231201100040000400013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Fawcett, J. T. (1983). Perceptions of the value of children: Satisfactions and costs. In A. Bulatao &amp; R. D. Lee (Eds.), <I>Determinants of fertility in developing countries </I>(vol. 1, pp. 429-457). New York: Academic Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000164&pid=S0870-8231201100040000400014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Fraser, D. M., &amp; Hughes, A. J. (2009). Perceptions of motherhood: The effect of experience and knowledge on midwifery students. <I>Midwifery, 25</I>(3), 307-316.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000166&pid=S0870-8231201100040000400015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Gerson, M.-J., Berman, L. S., &amp; Morris, A. M. (1991). The value of having children as an aspect of adult development. <I>The Journal of Genetic Psychology, 152</I>(3), 327-339.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000168&pid=S0870-8231201100040000400016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Gormly, A. V., Gormly, J. B., &amp; Weiss, H. (1987). Motivations for parenthood among young adult college students. <I>Sex Roles, 16</I>(1/2), 31-39.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000170&pid=S0870-8231201100040000400017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Hoffman, L. W., &amp; Hoffman, M. L. (1973). The value of children to parents. In J. T. Fawcett (Ed.), <I>Psychological perspectives on population </I>(pp. 19-76). New York: Basic Books.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000172&pid=S0870-8231201100040000400018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Huberman, A. M., &amp; Miles, M. B. (1994). Data management and analysis method. In N. Denzin &amp; Y. Lincoln (Eds.), <I>Handbook of qualitative research </I>(pp. 428-444). Thousand Oaks, California: Sage Publications.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000174&pid=S0870-8231201100040000400019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <!-- ref --><p>Inborn, M. C., &amp; Van Balen, F. (2002). Interpreting infertility: A view from social sciences. In M. C. Inborn &amp; F. Van Balen (Eds.), <I>Infertility around the globe: New thinking on childlessness, gender and reproductive technologies </I>(pp. 3-32). Los Angeles: California University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000176&pid=S0870-8231201100040000400020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <p>Instituto de Seguran&ccedil;a Social. (2008). Novos apoios sociais &agrave;s fam&iacute;lias. <I>Pretextos &ndash; Revista do Instituto de Seguran&ccedil;a Social, 30</I>, 5-6. </P >     <!-- ref --><p>Kimura, M., Yamasaki, Y., Mochizoki, M., &amp; Omiya, T. (2010). Can I have a second child? Dilemmas of mothers of children with pervasive developmental disorder: A qualitative study. <I>BMC Pregnancy and Childbirth, </I><I>10</I>(69), 1-12.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000179&pid=S0870-8231201100040000400022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <!-- ref --><p>Kitzinger, J. (1994). The methodology of focus groups: The importance of interaction between research and participants. <I>Sociology of Health and Illness, 16</I>(1), 103-121.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000181&pid=S0870-8231201100040000400023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Krueger, R. A., &amp; Casey, M. A. (2009). <I>Focus groups: A practical guide for applied research </I>(4th ed.). New York: Sage Publishers.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000183&pid=S0870-8231201100040000400024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Langdridge, D., Sheeran, P., &amp; Connolly, K. (2005). Understanding the reasons for parenthood. <I>Journal of Reproductive and Infant Psychology, 23</I>(2), 121-133.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000185&pid=S0870-8231201100040000400025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <!-- ref --><p>Martins, M. F. (2010). Imagens constru&iacute;das em torno da gravidez. <I>Ci&ecirc;ncia &amp; Sa&uacute;de Coletiva, 15</I>(Supl. 1), 1369-1375.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000187&pid=S0870-8231201100040000400026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <!-- ref --><p>Miller, W. B. (1994). Childbearing motivations, desires and intentions: A theoretical framework. <I>Genetic, Social &amp; Social Psychology, 120</I>(2), 223-253.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000189&pid=S0870-8231201100040000400027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Miller, W. B. (1995). Childbearing motivation and its measurement. <I>Journal of Biosocial Science, 27</I>, 473-485.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000191&pid=S0870-8231201100040000400028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Miller, W. B., Millstein, S. G., &amp; Pasta, D. J. (2008). Measurement of childbearing motivation in couples considering the use of assisted reproductive technology. <I>Social Biology, 54</I>(1), 8-32.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000193&pid=S0870-8231201100040000400029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><P   >Morgan, D. L. (1996). Focus group. <I>Annual Review Sociological, 22</I>, 129-152.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000195&pid=S0870-8231201100040000400030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <!-- ref --><p>Newton, C. R., Hearn, M. T., Yuzpe, A. A., &amp; Houle, M. (1992). Motives for parenthood and responses to failed in vitro fertilization: Implications for counseling. <I>Journal of Assisted Reproduction and Genetics, 9</I>(1), 24-31.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000197&pid=S0870-8231201100040000400031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <!-- ref --><p>OCDE. (2011). <I>Doing better families</I>. Paris: OCDE.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000199&pid=S0870-8231201100040000400032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <!-- ref --><p>O&rsquo;Laughlin, E. M., &amp; Anderson, V. N. (2001). Perceptions of parenthood among young adults: Implications for career and family planning. <I>The American Journal of Family Therapy</I><I>, 29</I>(2), 95-108.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000201&pid=S0870-8231201100040000400033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Park, K. (2005). Choosing childlessness: Weber&rsquo;s typology of action and motives of the voluntarily childless. <I>Sociological Inquiry, 75</I>(3), 372-402. </P >     <!-- ref --><p>Pezeshki, M. Z., Zeighami, B., &amp; Miller, W. B. (2005). Measuring the childbearing motivation of couples referred to the Shiraz Health Center for premarital examinations. <I>Journal of Biosocial Science, 37</I>, 37-53.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000204&pid=S0870-8231201100040000400035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <!-- ref --><p>Purewal, S., &amp; Van der Akker, O. (2007). The socio-cultural and biological meaning of parenthood. <I>Journal of Psychosomatic Obstetrics &amp; Gynecology, 28</I>(2), 79-86.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000206&pid=S0870-8231201100040000400036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <!-- ref --><p>Shover, L. R. (2005). Motivation for parenthood after cancer: A review. <I>Journal of the National Cancer Institute Monographs, 34</I>, 2-5.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000208&pid=S0870-8231201100040000400037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <!-- ref --><p>Siegel, K., &amp; Schrimshaw, E. W. (2001). Reasons and justifications for considering pregnancy among women living with HIV/AIDS. <I>Psychology of Women Quarterly, 25</I>, 112-123.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000210&pid=S0870-8231201100040000400038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <!-- ref --><p>Sim&otilde;es, M. (1994). <I>Investiga&ccedil;&atilde;o no &acirc;mbito da aferi&ccedil;&atilde;o nacional do teste das matrizes progressivas coloridas de Raven (M.P.R.C.) </I>(Disserta&ccedil;&atilde;o de doutoramento n&atilde;o publicada). Faculdade de Psicologia e de Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o da Universidade de Coimbra, Coimbra.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000212&pid=S0870-8231201100040000400039&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <!-- ref --><p>Van Balen, F. (2005). Late parenthood among subfertile and fertile couples: Motivations and educational goals. <I>Patient Education and Counselling, 59</I>, 276-282.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000214&pid=S0870-8231201100040000400040&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <!-- ref --><p>Van Balen, F., &amp; Trimbos-Kemper, T. C. (1995). Involuntary childless couples: Their desire to have children and their motives. <I>Journal of Psychosomatic Obstetrics &amp; Gynecology, 16</I>(3), 137-144.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000216&pid=S0870-8231201100040000400041&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <!-- ref --><p>Van Rooij, F. B., Van Balen, F., &amp; Hermanns, J. M. A. (2007). Migrants and the meaning of parenthood: Involuntary childless Turkish migrants in The Netherlands. <I>Human Reproduction, 21</I>(7), 1832-1838.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000218&pid=S0870-8231201100040000400042&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <!-- ref --><p>Wijsen, C. (2002). <I>Timing children at a later age</I>. Amsterdam: Rozenberg Publishers.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000220&pid=S0870-8231201100040000400043&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <p>&nbsp;</P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="0"></a><a href="#top0">Correspond&ecirc;ncia</a></P >     <p>A correspond&ecirc;ncia relativa a este artigo dever&aacute; ser enviada para: Maryse Guedes, Faculdade de Psicologia e de Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o da Universidade de Coimbra, Rua do Col&eacute;gio Novo, Apartado 6143, 3001-082 Coimbra. E-mail: <a href="mailto:maryseguedes@gmail.com">maryseguedes@gmail.com</a> </P >     <p>&nbsp;</P >     <p>NOTAS</P >     <p><Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup> Os nomes apresentados ao longo desta sec&ccedil;&atilde;o s&atilde;o nomes fict&iacute;cios. </P >      ]]></body><back>
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