<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0870-8231</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Análise Psicológica]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Aná. Psicológica]]></abbrev-journal-title>
<issn>0870-8231</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[ISPA-Instituto Universitário]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0870-82312012000100005</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Criminalidade feminina e construção do género: Emergência e consolidação das perspectivas feministas na Criminologia]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Matos]]></surname>
<given-names><![CDATA[Raquel]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Machado]]></surname>
<given-names><![CDATA[Carla]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A02"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,Universidade Católica Faculdade de Educação e Psicologia ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<aff id="A02">
<institution><![CDATA[,Universidade do Minho Escola de Psicologia ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>01</month>
<year>2012</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>01</month>
<year>2012</year>
</pub-date>
<volume>30</volume>
<numero>1-2</numero>
<fpage>33</fpage>
<lpage>47</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0870-82312012000100005&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0870-82312012000100005&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0870-82312012000100005&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[Neste artigo, são analisadas as perspectivas feministas na criminologia, em particular, os discursos sobre criminalidade feminina e construção do género. Parte-se de uma visão ampla sobre feminismos e construção de conhecimento e apresenta-se uma revisão histórica da emergência e da consolidação das perspectivas feministas na criminologia. Discute-se em particular o argumento feminista de que a construção social do género pauta os percursos de vida das mulheres que transgridem, e se reflecte na resposta formal e informal a essas transgressões. São analisadas as principais críticas tecidas pelas autoras feministas ao que designam de &#8216;discursos tradicionais&#8217; sobre mulher e crime e as propostas que apresentam de reconstrução desses discursos.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[In this paper, we analyze the feminist perspectives in criminology, particularly, the discourses on women, crime and gender. It starts with a broad view of the feminist contributes to the construction of knowledge and then a historical review of the emergence and consolidation of feminist perspectives in criminology is presented. It discusses in particular the feminist argument that the social construction of gender has an impact on the life trajectories of women who commit crimes, and is reflected in the formal and informal response to such transgressions. Finally, it analyzes the main criticisms of feminist authors towards the traditional criminology discourses about women and crime as well as the feminist proposals for the reconstruction of such discourses.]]></p></abstract>
<kwd-group>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Criminalidade feminina]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Género]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Perspectivas feministas]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Feminist perspectives]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Gender]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Women and crime]]></kwd>
</kwd-group>
</article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p><B>Criminalidade feminina e constru&ccedil;&atilde;o do g&eacute;nero: Emerg&ecirc;ncia e consolida&ccedil;&atilde;o das perspectivas feministas na Criminologia <sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a></B></p>      <p><b>Raquel Matos* e Carla Machado** </b></P >      <p>*Faculdade de Educa&ccedil;&atilde;o e Psicologia da Universidade Cat&oacute;lica; </P >     <p>**Escola de Psicologia, Universidade do Minho </P >     <p><a name="top0"></a><a href="#0">Correspond&ecirc;ncia</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Neste artigo, s&atilde;o analisadas as perspectivas feministas na criminologia, em particular, os discursos sobre criminalidade feminina e constru&ccedil;&atilde;o do g&eacute;nero. Parte-se de uma vis&atilde;o ampla sobre feminismos e constru&ccedil;&atilde;o de conhecimento e apresenta-se uma revis&atilde;o hist&oacute;rica da emerg&ecirc;ncia e da consolida&ccedil;&atilde;o das perspectivas feministas na criminologia. Discute-se em particular o argumento feminista de que a constru&ccedil;&atilde;o social do g&eacute;nero pauta os percursos de vida das mulheres que transgridem, e se reflecte na resposta formal e informal a essas transgress&otilde;es. S&atilde;o analisadas as principais cr&iacute;ticas tecidas pelas autoras feministas ao que designam de &lsquo;discursos tradicionais&rsquo; sobre mulher e crime e as propostas que apresentam de reconstru&ccedil;&atilde;o desses discursos. </P >    <p><B>Palavras-chave: </B>Criminalidade feminina, G&eacute;nero, Perspectivas feministas. </P >    <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>In this paper, we analyze the feminist perspectives in criminology, particularly, the discourses on women, crime and gender. It starts with a broad view of the feminist contributes to the construction of knowledge and then a historical review of the emergence and consolidation of feminist perspectives in criminology is presented. It discusses in particular the feminist argument that the social construction of gender has an impact on the life trajectories of women who commit crimes, and is reflected in the formal and informal response to such transgressions. Finally, it analyzes the main criticisms of feminist authors towards the traditional criminology discourses about women and crime as well as the feminist proposals for the reconstruction of such discourses. </P >    <p><B>Key-words</B>: Feminist perspectives, Gender, Women and crime. </P >     <p>&nbsp;</P >     <p>FEMINISMO(S) E CONSTRU&Ccedil;&Atilde;O DE CONHECIMENTO </P >     <p>A emerg&ecirc;ncia de estudos cient&iacute;ficos que conceptualizam a vari&aacute;vel g&eacute;nero e lhe conferem um papel de destaque, quer na criminologia quer noutras &aacute;reas de conhecimento, &eacute; indissoci&aacute;vel do movimento feminista. Ap&oacute;s uma primeira vaga, cujo in&iacute;cio &eacute; geralmente situado na segunda d&eacute;cada do s&eacute;culo XX, o feminismo ressurge nos anos sessenta associado a movimentos sociopol&iacute;ticos de liberta&ccedil;&atilde;o (Messerschmidt, 1995)<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a>. &Eacute; nesse contexto que jovens mulheres se indignam ao perceber que os seus companheiros de &lsquo;luta libert&aacute;ria&rsquo; as v&ecirc;m apenas como assessoras, quer de trabalho quer de prazer sexual. Essa indigna&ccedil;&atilde;o, associada &agrave;s ideias de Simone de Beauvoir, que analisa no seu livro <I>Le Deuxi&egrave;me Sexe </I>(1952) o tratamento generalizado da Mulher como sendo o Outro, servem de inspira&ccedil;&atilde;o para o (re)florescer do movimento feminista (Rafter &amp; Heidensohn, 1995). </P >     <p>Perante a opress&atilde;o exercida sobre a mulher na sociedade e a neglig&ecirc;ncia das quest&otilde;es de g&eacute;nero nas mais diversas &aacute;reas de conhecimento, o feminismo rapidamente se torna um movimento com fortes preocupa&ccedil;&otilde;es epistemol&oacute;gicas e pol&iacute;ticas que se prop&otilde;e, de forma gen&eacute;rica, terminar com a hegemonia masculina. Progressivamente, o significado de &lsquo;feminismo&rsquo; come&ccedil;a a expandir-se, deixando de corresponder apenas &agrave; luta das mulheres pela igualdade. Como explicam Rafter e Heidensohn, &ldquo;aquilo que come&ccedil;ou por ser um movimento igualit&aacute;rio de &lsquo;liberta&ccedil;&atilde;o da mulher&rsquo; expandiu para a inclus&atilde;o do reconhecimento do g&eacute;nero como elemento b&aacute;sico das estruturas sociais por todo o mundo&rdquo; (1995, p. 4). </P >    <p>O movimento com preocupa&ccedil;&otilde;es epistemol&oacute;gicas e pol&iacute;ticas acaba por dar lugar a uma multiplicidade de perspectivas que, se por um lado apresentam ideias centrais comuns, cujo exemplo fulcral &eacute; a postura cr&iacute;tica, de marcada oposi&ccedil;&atilde;o &agrave; subjuga&ccedil;&atilde;o das mulheres e outros menos poderosos nas sociedades patriarcais, por outro lado se posicionam de forma divergente relativamente a quest&otilde;es particulares, como a pr&oacute;pria conceptualiza&ccedil;&atilde;o da opress&atilde;o da mulher ou a posi&ccedil;&atilde;o epistemol&oacute;gica assumida. N&atilde;o ser&aacute; por acaso que nas in&uacute;meras refer&ecirc;ncias da literatura ao feminismo predominam designa&ccedil;&otilde;es como <I>perspectivas feministas </I>ou <I>feminismos </I>em detrimento do termo <I>feminismo</I>. </P >    <p>PERSPECTIVAS FEMINISTAS NA CRIMINOLOGIA </P >    <p>As perspectivas feministas na criminologia emergem da contesta&ccedil;&atilde;o face &agrave; aus&ecirc;ncia da mulher nos estudos da <I>linha tradicional </I>e face ao claro reducionismo biol&oacute;gico e psicol&oacute;gico patente nas primeiras tentativas de estudar a mulher que comete crimes. Ainda numa fase em que o termo &lsquo;feminismo&rsquo; est&aacute; ausente dos textos da criminologia, diversas autoras (e.g., Heidensohn, 1968, Klein, 1976, citados por Heidensohn, 1985) tocam j&aacute; os pontos-chave da cr&iacute;tica feminista &agrave; disciplina, tecendo duras cr&iacute;ticas aos erros fundamentais cometidos em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; mulher. Por um lado, a sua quase aus&ecirc;ncia dos estudos criminol&oacute;gicos, onde &eacute; praticamente invis&iacute;vel como agressora, como v&iacute;tima ou em qualquer outro tipo de rela&ccedil;&atilde;o com o sistema de justi&ccedil;a criminal. Por outro lado, a sua presen&ccedil;a desajustada nos estudos da criminologia, atrav&eacute;s da distor&ccedil;&atilde;o das suas experi&ecirc;ncias transgressivas de modo a enquadr&aacute;-la nos estere&oacute;tipos dominantes. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&Eacute; na segunda metade da d&eacute;cada de setenta do s&eacute;culo XX que, partindo das duas cr&iacute;ticas fundamentais anteriormente descritas, se assiste a uma emerg&ecirc;ncia gradual das abordagens feministas na criminologia. Progressivamente, cria-se na disciplina espa&ccedil;o para a realiza&ccedil;&atilde;o de estudos que n&atilde;o s&oacute; consideram a vari&aacute;vel g&eacute;nero como a conceptualizam, na perspectiva feminista, de forma mais adequada. </P >    <p>EMERG&Ecirc;NCIA E CONSOLIDA&Ccedil;&Atilde;O DAS ABORDAGENS FEMINISTAS  NA CRIMINOLOGIA  </P >    <p>Segundo Heidensohn (1997), a abordagem &agrave; emerg&ecirc;ncia dos estudos de g&eacute;nero na criminologia implica recuar na hist&oacute;ria da disciplina at&eacute; ao per&iacute;odo da &ldquo;pr&eacute;-hist&oacute;ria do g&eacute;nero e crime&rdquo; (p. 762). Este per&iacute;odo corresponde aos momentos em que se realizaram por um lado &ldquo;ensaios vitorianos sobre a vulnerabilidade da mulher para cometer crimes face &agrave; sua posi&ccedil;&atilde;o social e moral&rdquo; (idem) e, por outro lado, ensaios te&oacute;ricos marcados pelo reducionismo psicol&oacute;gico e biol&oacute;gico, bem ilustrado nos trabalhos positivistas de Lombroso e Ferrero. </P >    <p>Ap&oacute;s o per&iacute;odo <I>pr&eacute;-hist&oacute;rico </I>dos estudos de g&eacute;nero na criminologia, o seu desenvolvimento <I>moderno </I>tem in&iacute;cio nos anos sessenta do s&eacute;culo XX como um dos produtos da segunda vaga feminista. &Eacute; nessa altura que surgem os estudos feministas que Heidensohn (1997) designa por iniciais ou pioneiros e que consistem essencialmente na cr&iacute;tica aos objectos e m&eacute;todos da criminologia tradicional ou &lsquo;<I>malestream</I>&rsquo;<sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a> e na defini&ccedil;&atilde;o de um programa de trabalhos para os estudos de g&eacute;nero na disciplina. </P >    <p>As incurs&otilde;es feministas s&atilde;o facilitadas por mudan&ccedil;as fundamentais na criminologia, correspondentes &agrave; emerg&ecirc;ncia do que podemos designar de &lsquo;discursos de transi&ccedil;&atilde;o&rsquo; (Matos, 2008). Se a criminologia designada de tradicional, muito centrada na etiologia do crime e nos mecanismos de controlo, sempre marginalizou a teoria e a investiga&ccedil;&atilde;o feministas, assiste-se, a partir dos anos sessenta, a mudan&ccedil;as paradigm&aacute;ticas correspondentes &agrave; emerg&ecirc;ncia de novas perspectivas criminol&oacute;gicas, mais receptivas aos trabalhos feministas e suas influ&ecirc;ncias. Trata-se de um &ldquo;conjunto de movimentos te&oacute;ricos cr&iacute;ticos em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; criminologia positivista&rdquo;, inclu&iacute;dos na designa&ccedil;&atilde;o lata de criminologia cr&iacute;tica (Machado, 2000, p. 121). Cria-se assim um cen&aacute;rio mais favor&aacute;vel &agrave;s incurs&otilde;es feministas na criminologia, apesar de, segundo Gelsthorpe (1997), s&oacute; no contexto da criminologia dos anos noventa, mais aberto e diversificado do que o contexto dos anos setenta, se tornarem poss&iacute;veis liga&ccedil;&otilde;es mais s&eacute;rias da criminologia ao feminismo. </P >    <p>Criado um contexto mais favor&aacute;vel para a emerg&ecirc;ncia das perspectivas feministas no &acirc;mbito da criminologia, as suas contesta&ccedil;&otilde;es, interesses e movimentos iniciais acontecem sobretudo relativamente &agrave; vitima&ccedil;&atilde;o, em particular sexual, da mulher<sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a>. E &eacute; na &aacute;rea da vitima&ccedil;&atilde;o que as abordagens feministas alcan&ccedil;am os maiores feitos na criminologia, com um reconhecimento das necessidades das v&iacute;timas (ou dos menos poderosos), impens&aacute;vel na criminologia tradicional. </P >     <p>Importa, contudo, referir que na fase pioneira dos estudos feministas sobre o crime, algumas abordagens se centram j&aacute; na mulher transgressora, na tentativa de desconstruir o argumento prevalecente na criminologia tradicional de que as mulheres, absoluta e incontestavelmente, cometem menos crimes do que os homens. A preocupa&ccedil;&atilde;o feminista de desconstru&ccedil;&atilde;o deste argumento deve-se ao facto de se considerar que ele est&aacute; na base da neglig&ecirc;ncia em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s mulheres na criminologia, um dos aspectos mais criticados pelas feministas nos estudos convencionais sobre o crime. Surgem assim diversas formas de chamada de aten&ccedil;&atilde;o para os crimes cometidos pelas mulheres, com base no argumento de que a criminalidade feminina estaria a aumentar muito mais rapidamente do que a masculina. Nos anos setenta do s&eacute;culo XX, os meios de comunica&ccedil;&atilde;o social apresentam in&uacute;meras hist&oacute;rias sobre uma nova realidade social, a &lsquo;new female criminal&rsquo;, associando a criminalidade feminina aos esfor&ccedil;os para melhorar a posi&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e econ&oacute;mica da mulher. Presumivelmente inspirada pelo movimento feminista, a ofensora feminina procuraria igualdade (social, econ&oacute;mica e pol&iacute;tica) no &lsquo;submundo do crime&rsquo;, tal como as mulheres mais convencionais perseguiriam os seus direitos em campos mais aceit&aacute;veis (Chesney-Lind, 1997)<sup><a href="#5">5</a></sup><a name="top5"></a>. Ao longo da d&eacute;cada de setenta, figuras associadas &agrave;s inst&acirc;ncias formais de controlo refor&ccedil;am a ideia de que o movimento de emancipa&ccedil;&atilde;o da mulher teria provocado uma onda de criminalidade feminina nunca antes vista e que, ao pretender emergir em campos dominados anteriormente pelo g&eacute;nero masculino, as mulheres tamb&eacute;m se aproximariam dos homens na &aacute;rea da criminalidade. A rela&ccedil;&atilde;o estabelecida entre os movimentos de liberta&ccedil;&atilde;o da mulher e o aumento da criminalidade feminina &eacute; igualmente explorada por acad&eacute;micos, incluindo autoras feministas. Exemplos incontorn&aacute;veis s&atilde;o os trabalhos de Freda Adler e Rita Simon, publicados em 1975, que exploram, numa perspectiva feminista, a ideia do efeito crimin&oacute;geno da liberta&ccedil;&atilde;o da mulher. Ao relan&ccedil;arem este debate controverso, ambas Adler e Simon acabam por ser contestadas pelas pr&oacute;prias feministas, pelo risco que as suas ideias constitu&iacute;am para o compromisso pol&iacute;tico do movimento. </P >     <p>As contribui&ccedil;&otilde;es iniciais do feminismo na criminologia abrem caminho para uma explos&atilde;o de estudos posteriores, numa fase que Heidensohn refere ser &ldquo;de consolida&ccedil;&atilde;o&rdquo; (1997, p. 774). Ap&oacute;s a publica&ccedil;&atilde;o, em 1976, da obra de Carol Smart &ldquo;Women, crime and criminology: A feminist critique&rdquo;<sup><a href="#6">6</a></sup><a name="top6"></a>, ao longo de vinte e cinco anos s&atilde;o realizadas in&uacute;meras investiga&ccedil;&otilde;es em diversas &aacute;reas de intersec&ccedil;&atilde;o entre g&eacute;nero e crime, alargando o foco da mulher v&iacute;tima para a inclus&atilde;o da mulher que comete crimes, e tamb&eacute;m com a realiza&ccedil;&atilde;o de estudos sobre a participa&ccedil;&atilde;o da mulher &ndash; como agente activo &ndash; nas inst&acirc;ncias formais de controlo. Estes novos estudos sobre a mulher na criminologia, realizados nas d&eacute;cadas de oitenta e noventa do s&eacute;culo XX, podem ser categorizados em dois grandes t&oacute;picos: estudos sobre mulher e crime e estudos sobre mulher e justi&ccedil;a (Heidensohn, 1997). Os primeiros dizem respeito &agrave; investiga&ccedil;&atilde;o realizada sobre o g&eacute;nero e a actividade criminal apresentando a perspectiva das mulheres sobre o seu envolvimento, quer no crime de um modo geral<sup><a href="#7">7</a></sup><a name="top7"></a> (e.g, Carlen, 1988), quer em formas espec&iacute;ficas de desvi&acirc;ncia<sup><a href="#8">8</a></sup><a name="top8"></a>: no tr&aacute;fico e consumos de drogas (e.g., Mahler, 1997), na pr&aacute;tica de viol&ecirc;ncia em <I>gangs </I>(e.g., Campbell, 1984, Chesney-Lind, 1993, citados por Miller, 2001), ou na prostitui&ccedil;&atilde;o (e.g., Phoenix, 2000). Surgem tamb&eacute;m, nesta fase, estudos sobre criminalidade mais violenta por parte das mulheres, particularmente sobre terrorismo (e.g., MacDonald, 1998) ou sobre homic&iacute;dio (e.g., Wilczynski, 1997). O outro t&oacute;pico de investiga&ccedil;&atilde;o &ndash; mulher e justi&ccedil;a &ndash; refere-se &agrave; experi&ecirc;ncia da mulher nos sistemas de justi&ccedil;a criminal e penal. Estes estudos incidem sobretudo no modo como a mulher que comete crimes &eacute; percepcionada e tratada pelos agentes da justi&ccedil;a (e.g., Horn &amp; Hollin, 1997), na experi&ecirc;ncia feminina no sistema prisional (e.g., Carlen, 1983, 1987) e, embora de forma menos representativa, na mulher enquanto agente de controlo social (e.g., Holdaway &amp; Parker, 1998). </P >     <p>Os estudos feministas marcam tamb&eacute;m a criminologia a n&iacute;vel metodol&oacute;gico. Apesar de, no seu &acirc;mbito, se utilizarem m&uacute;ltiplas metodologias de investiga&ccedil;&atilde;o, privilegiam-se aquelas que possibilitam &agrave;s participantes <I>dar voz </I>&agrave;s suas experi&ecirc;ncias, sem determinar <I>a priori </I>o significado dessas experi&ecirc;ncias ou a forma de as categorizar para posterior an&aacute;lise (McDermott, 2002). Nesse sentido, nos estudos enquadrados pelas perspectivas feministas utilizam-se sobretudo as etnometodologias, com destaque para a observa&ccedil;&atilde;o e para as entrevistas em profundidade enquanto estrat&eacute;gias de recolha de dados. Exemplos incontorn&aacute;veis s&atilde;o os trabalhos de Pat Carlen, em que n&atilde;o s&oacute; &eacute; dada voz a mulheres que cometem crimes, como &eacute; estabelecida uma rela&ccedil;&atilde;o n&atilde;o hier&aacute;rquica entre elas e a investigadora, por vezes co-autoras de trabalhos cient&iacute;ficos (e.g., Carlen, Hicks, O&rsquo;Dwyer, Christina, &amp; Tchaikovsky, 1985). A quest&atilde;o central reclamada pelas feministas relativamente aos m&eacute;todos da criminologia consiste na focaliza&ccedil;&atilde;o nas experi&ecirc;ncias das mulheres, permitindo a sua visibilidade. As feministas prop&otilde;em ainda que, no &acirc;mbito da criminologia, os investigadores sejam mais reflexivos e questionem mais as bases epistemol&oacute;gicas do conhecimento (Cain, 1990/1996). </P >     <p>DISCURSOS FEMINISTAS SOBRE CRIMINALIDADE FEMININA </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>FEMINISMOS E DESCONSTRU&Ccedil;&Atilde;O DOS DISCURSOS SOBRE A MULHER E O CRIME </P >    <p>Nos discursos tradicionais da criminologia, a mulher foi genericamente ignorada ou analisada com base nos estere&oacute;tipos de g&eacute;nero inerentes ao discurso social dominante. Especificamente no caso da mulher ofensora, as feministas t&ecirc;m criticado a conceptualiza&ccedil;&atilde;o da criminalidade feminina com base, por exemplo, em factores biol&oacute;gicos ou em estere&oacute;tipos de g&eacute;nero (Brown, 1998). Diversas caracter&iacute;sticas que nos discursos convencionais s&atilde;o atribu&iacute;das &agrave; mulher que transgride (e.g., irracionalidade) e aos seus crimes (e.g., especificidade) t&ecirc;m sido criticadas pelas feministas, que prop&otilde;em a desconstru&ccedil;&atilde;o e reconstru&ccedil;&atilde;o desses discursos. Analisemos algumas dessas caracter&iacute;sticas. </P >    <p>DUPLA DESVI&Acirc;NCIA </P >     <p>A mulher que comete crimes tem sido considerada duplamente desviante, por transgredir simultaneamente a lei e os pap&eacute;is de g&eacute;nero convencionais. Como refere Cunha (1994), a dupla desvi&acirc;ncia atribu&iacute;da &agrave;s mulheres deve-se ao facto de &ldquo;a transgress&atilde;o da legalidade que as conduziu &agrave; pris&atilde;o ser de uma forma ou de outra concomitante com a nega&ccedil;&atilde;o das normas que definem a conduta feminina apropriada&rdquo; (p. 24). Tamb&eacute;m Chesney-Lind (1997), numa revis&atilde;o hist&oacute;rica sobre a mulher ofensora e o sistema de justi&ccedil;a norte-americano, revela que inicialmente as mulheres detidas eram consideradas mais &lsquo;perversas&rsquo; do que os homens, por agirem em contradi&ccedil;&atilde;o com as expectativas sociais de g&eacute;nero. A essas deten&ccedil;&otilde;es estaria subjacente o princ&iacute;pio de que a mulher que transgride deve ser detida mais por necessitar de forma&ccedil;&atilde;o moral e protec&ccedil;&atilde;o do que por constituir risco p&uacute;blico (Rafter, 1990, citado por Chesney-Lind, 1997). Associadas a pap&eacute;is dom&eacute;sticos e constru&iacute;das simult&acirc;nea e paradoxalmente como dependentes e respons&aacute;veis pelo seu ambiente familiar, as mulheres que cometem crimes tendem por um lado a ser protegidas mas, por outro lado, a ser mais punidas pelo sistema legal (Heidensohn, 1997). Subjacente &agrave; constru&ccedil;&atilde;o dupla da mulher desviante estar&aacute; uma &ldquo;vis&atilde;o dicot&oacute;mica do feminino&rdquo;, constitu&iacute;da por dois p&oacute;los: o da mulher &ldquo;recatada, casta, dom&eacute;stica e maternal&rdquo; e o da mulher &ldquo;frequentadora da esfera p&uacute;blica, devassa, descurando as responsabilidades familiares e dom&eacute;sticas&rdquo; (Cunha, 1994, p. 24). Esta concep&ccedil;&atilde;o dualista do g&eacute;nero feminino &eacute; ilustrada pela descri&ccedil;&atilde;o que Manuela Ivone Cunha faz do contexto da reclus&atilde;o feminina no Estado Novo: &ldquo;se por um lado as exig&ecirc;ncias que regulam a sua conduta o configuram moralmente superior ao [g&eacute;nero] masculino, as mulheres tornam-se, uma vez ca&iacute;das no mundo desviante, quase irredim&iacute;veis&rdquo; (idem). </P >     <p>As autoras feministas s&atilde;o particularmente cr&iacute;ticas face &agrave; constru&ccedil;&atilde;o de uma mulher duplamente desviante, chamando a aten&ccedil;&atilde;o para as suas implica&ccedil;&otilde;es na experi&ecirc;ncia feminina no sistema de justi&ccedil;a criminal. Ao serem consideradas e tratadas como duplamente desviantes, as mulheres acabam por ser tamb&eacute;m duplamente punidas e por sofrer particularmente pelo estigma associado &agrave; desvi&acirc;ncia (Heidensohn, 1985). As implica&ccedil;&otilde;es da concep&ccedil;&atilde;o de mulher duplamente desviante devem ser consideradas em duas vertentes fundamentais: por um lado, &eacute; socialmente menos esperado que uma mulher cometa crimes, o que poder&aacute; ter como consequ&ecirc;ncia a maior puni&ccedil;&atilde;o de uma mulher que comete o mesmo tipo de crime que um homem. Por outro lado, se uma mulher transgride a lei, mas assegura os pap&eacute;is de g&eacute;nero que lhe s&atilde;o convencionalmente exigidos, como a maternidade, pode ser menos punida do que uma mulher que n&atilde;o o fa&ccedil;a. Os estudos da linha feminista t&ecirc;m confirmado estas implica&ccedil;&otilde;es dos estere&oacute;tipos de g&eacute;nero no tratamento da mulher pelo sistema legal, mostrando que a ades&atilde;o das mulheres aos pap&eacute;is familiares convencionais &eacute; crucial na sua experi&ecirc;ncia no sistema judicial (e.g., Carlen, 1983). Especificamente em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; maternidade, um dos pap&eacute;is fundamentais exigidos socialmente &agrave; mulher, estudos feministas mostram que a puni&ccedil;&atilde;o tende a ser maior quando a mulher que transgride a lei &eacute; percebida como m&aacute; m&atilde;e (e.g., Carlen, 1983). Como argumenta Heidensohn, as mulheres podem ser tratadas pelo sistema de justi&ccedil;a criminal de forma mais dura por serem &ldquo;mulheres desviantes que s&atilde;o desviantes como mulheres&rdquo; (1987, p. 20). </P >    <p>ESPECIFICIDADES DOS &lsquo;CRIMES FEMININOS&rsquo; </P >    <p>Nas abordagens da criminologia tradicional, a criminalidade feminina tem sido reduzida a tipos espec&iacute;ficos de crime, com base em estere&oacute;tipos dominantes. A caracteriza&ccedil;&atilde;o estereotipada dos crimes cometidos pelas mulheres contrasta assim com uma criminalidade masculina considerada n&atilde;o apenas mais frequente e violenta mas tamb&eacute;m muito mais diversificada. Este pressuposto tem levado a que os estudos tradicionais sobre a mulher foquem apenas determinados tipos de crime, cujas especificidades s&atilde;o associadas &agrave; figura feminina. Por exemplo Pollak, argumentando sobre uma significativa criminalidade feminina escondida, atribui &agrave; mulher sobretudo crimes como o aborto ilegal, os furtos em lojas, os furtos no domic&iacute;lio por empregadas dom&eacute;sticas ou a prostitui&ccedil;&atilde;o (1961, citado por Heidensohn, 1985). Subjacentes a esta ideia da especificidade dos crimes cometidos pelas mulheres est&atilde;o os argumentos das teorias positivistas da criminologia, que enfatizam os determinantes biol&oacute;gicos do comportamento feminino e os estere&oacute;tipos associados ao g&eacute;nero. A associa&ccedil;&atilde;o da mulher a tipos espec&iacute;ficos de crimes contribui para a manuten&ccedil;&atilde;o dos discursos sobre o car&aacute;cter individual da transgress&atilde;o feminina, negando a sua envolvente social. </P >    <p>Este argumento favor&aacute;vel &agrave; exist&ecirc;ncia de uma &lsquo;criminalidade tipicamente feminina&rsquo;, delimitada de forma clara nos tipos de crime e motiva&ccedil;&otilde;es para a sua ocorr&ecirc;ncia, tem sido criticado pelas autoras feministas. Podemos referir, por exemplo, Carol Smart, que destaca a distor&ccedil;&atilde;o no estudo da criminalidade feminina desde que lan&ccedil;ou a primeira cr&iacute;tica &agrave; criminologia. Na sua opini&atilde;o, essa distor&ccedil;&atilde;o resulta da vis&atilde;o estereotipada da mulher e da rejei&ccedil;&atilde;o de factores como a exclus&atilde;o socioecon&oacute;mica na an&aacute;lise do desvio feminino, que tende a ser atribu&iacute;do a factores de ordem individual e n&atilde;o social (Smart, 1990/1996). A perspectiva distorcida sobre a suposta criminalidade &lsquo;tipicamente feminina&rsquo; acarreta implica&ccedil;&otilde;es negativas para a mulher, nomeadamente na forma como esta &eacute; tratada nas diversas inst&acirc;ncias formais de controlo quando comete crimes. As autoras feministas descrevem com preocupa&ccedil;&atilde;o a forma como a vis&atilde;o estereotipada da mulher desviante conduz a pr&aacute;ticas de tratamento inadequadas no sistema de justi&ccedil;a criminal, refor&ccedil;adoras de comportamentos estereotipados, principalmente nas jovens reclusas (e.g., Carlen, 1983, 1987). </P >    <p>O argumento da especificidade da criminalidade feminina tem sido desconstru&iacute;do com base em estudos que permitem concluir acerca da heterogeneidade nas formas de transgress&atilde;o da lei por parte da mulher (e.g., Matos, 2008) e estudos que mostram o envolvimento das mulheres em actividades desviantes tradicionalmente associadas aos homens, como por exemplo actos terroristas (e.g., Iles, 1985) ou viol&ecirc;ncia em <I>gangs </I>(e.g., Campbell, 1984, citado por Heidensohn, 1987). Sugere-se, nestas abordagens, que as diferen&ccedil;as entre homens e mulheres residem essencialmente na frequ&ecirc;ncia e severidade e n&atilde;o tanto no tipo de crimes cometidos. Autoras feministas t&ecirc;m tamb&eacute;m argumentado que, se as estat&iacute;sticas mostram que as mulheres tendem menos a reincidir e a cometer crimes considerados graves ou violentos, &eacute; mais correcto atribuir essas diferen&ccedil;as a uma estrutura diferencial de oportunidades (com a restri&ccedil;&atilde;o no acesso da mulher a patamares hier&aacute;rquicos superiores), a diferentes formas de socializa&ccedil;&atilde;o e a um controlo social genderizado, do que a caracter&iacute;sticas inatas do(a) ofensor(a) (Heidensohn, 1987). </P >    <p>IRRACIONALIDADE E HETERODETERMINA&Ccedil;&Atilde;O </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A constru&ccedil;&atilde;o de uma mulher transgressora que n&atilde;o escolhe racionalmente cometer crimes surge nos discursos tradicionais da criminologia assente em duas ideias fundamentais: a irracionalidade da mulher que comete crimes, inerente &agrave;s suas caracter&iacute;sticas bio-psicol&oacute;gicas, e a aus&ecirc;ncia de autodetermina&ccedil;&atilde;o na criminalidade feminina, associada a uma suposta coac&ccedil;&atilde;o sobre a mulher para a desvi&acirc;ncia. </P >    <p>Segundo as autoras feministas, a mulher que comete crimes tem sido representada e tratada como &ldquo;inst&aacute;vel e irracional&rdquo; nas diversas abordagens da criminologia tradicional, que justificam a criminalidade feminina pela pr&oacute;pria natureza biol&oacute;gica da mulher (Heidensohn, 1987). Relembremos as primeiras abordagens positivistas, com a proposta da mulher criminal at&aacute;vica cuja natureza biol&oacute;gica justifica por si s&oacute; os crimes cometidos (e.g., Lombroso &amp; Ferrero, 1895/1996), e abordagens mais recentes, igualmente justificativas do crime das mulheres com base em argumentos biol&oacute;gicos, como por exemplo os efeitos da menstrua&ccedil;&atilde;o (e.g., Dalton, 1980, citado por Heidensohn, 1997). Estas tentativas de explica&ccedil;&atilde;o da desvi&acirc;ncia feminina t&ecirc;m em comum a ideia da irracionalidade, excluindo qualquer hip&oacute;tese de escolha racional pelo desvio por parte da mulher. Frequentemente, estas abordagens resultam num paradoxo, evidente quando, por um lado se justifica o desvio na mulher com base em caracter&iacute;sticas biol&oacute;gicas ou psicol&oacute;gicas que lhe s&atilde;o intr&iacute;nsecas, mas, por outro lado, se considera pouco feminina a mulher que comete crimes. As abordagens centradas na patologiza&ccedil;&atilde;o da criminalidade feminina, que excluem o desvio na mulher na aus&ecirc;ncia de patologia, escapam a este paradoxo mas n&atilde;o deixam de ser um exemplo de discurso constitutivo da mulher que n&atilde;o comete crimes de forma racional. </P >    <p>O argumento da heterodetermina&ccedil;&atilde;o do comportamento criminal feminino tem tamb&eacute;m sido central nos discursos convencionais sobre a mulher ofensora. Considera-se nesta perspectiva que a mulher comete crimes n&atilde;o por escolha sua, mas coagida por outras figuras, sobretudo masculinas, que exercem poder sobre si. Este discurso tem emergido particularmente em rela&ccedil;&atilde;o aos crimes sexuais, atrav&eacute;s do argumento de que a mulher tende a comet&ecirc;-los com um parceiro e por influ&ecirc;ncia dele (cf., Motz, 2001); relativamente ao tr&aacute;fico e consumos de drogas, atrav&eacute;s da nega&ccedil;&atilde;o de qualquer agencialidade das mulheres (cf., Maher, 1997); e tamb&eacute;m no caso da prostitui&ccedil;&atilde;o, atrav&eacute;s do argumento de que as mulheres s&atilde;o coagidas por figuras masculinas que exercem viol&ecirc;ncia sobre elas (cf., Phoenix, 2000). </P >    <p>Face aos discursos sobre a mulher que comete crimes de forma irracional e heterodeterminada, as autoras feministas t&ecirc;m sido particularmente cr&iacute;ticas, insistindo na import&acirc;ncia de entender a desvi&acirc;ncia feminina como um fen&oacute;meno social e n&atilde;o individual. A sua preocupa&ccedil;&atilde;o estende-se at&eacute; &agrave;s implica&ccedil;&otilde;es que esta concep&ccedil;&atilde;o de desvio feminino tem no modo como a mulher que transgride a lei tende a ser tratada no sistema de justi&ccedil;a. A postura de Smart a este respeito &eacute; evidente, quando refere que os respons&aacute;veis pelas pol&iacute;ticas criminais, &ldquo;tal como muitos criminologistas, percebem a criminalidade feminina como um comportamento irracional, irrespons&aacute;vel e n&atilde;o intencional, como um desajustamento individual a uma sociedade consensual e bem-ordenada&rdquo; (1977, citado por Heidensohn, 1985, p. 151). Outras autoras criticam tamb&eacute;m as teorias tradicionais por restringirem a compreens&atilde;o da criminalidade feminina a aspectos biol&oacute;gicos e psicol&oacute;gicos, ignorando a realidade econ&oacute;mica, social e pol&iacute;tica das mulheres que cometem crimes (e.g., Barcinsky, 2005). As feministas procuram ent&atilde;o desconstruir os discursos da irracionalidade da desvi&acirc;ncia feminina atrav&eacute;s da explora&ccedil;&atilde;o de factores de ordem social, como por exemplo a marginaliza&ccedil;&atilde;o social e econ&oacute;mica das mulheres, o poder patriarcal e os dispositivos informais de controlo do comportamento feminino. </P >    <p>FEMINISMOS E RECONSTRU&Ccedil;&Atilde;O DOS DISCURSOS SOBRE A MULHER E O CRIME </P >    <p>Para al&eacute;m da cr&iacute;tica e desconstru&ccedil;&atilde;o dos discursos tradicionais sobre a criminalidade feminina, as abordagens feministas na criminologia prop&otilde;em a sua reconstru&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s de discursos que t&ecirc;m origem em pr&aacute;ticas metodol&oacute;gicas e posi&ccedil;&otilde;es epistemol&oacute;gicas distintas. Os novos discursos emergem a partir de estudos em que &ldquo;as mulheres encontraram a sua pr&oacute;pria voz, ou observadores apresentaram as perspectivas de mulheres que assassinaram os maridos, que se prostituem, que s&atilde;o membros de <I>gangs </I>violentos, que consomem coca&iacute;na ou que se envolvem em formas graves de criminalidade&rdquo; (Heidensohn, 1997, p. 776). Trata-se de abordagens emp&iacute;ricas que, como referimos anteriormente, conferem &agrave; vari&aacute;vel g&eacute;nero um estatuto nuclear, e procuram dar &agrave; mulher que comete crimes um protagonismo impens&aacute;vel nos estudos da linha tradicional da criminologia. Para al&eacute;m das quest&otilde;es de g&eacute;nero serem nucleares, outras vari&aacute;veis como a classe ou a etnia s&atilde;o tamb&eacute;m consideradas neste tipo de abordagem (e.g., Mack &amp; Leiber, 2005; Worcester, 2002). </P >    <p>Quanto &agrave;s metodologias, tendo por objecto os processos de constru&ccedil;&atilde;o de identidades de g&eacute;nero, nestes estudos assume um papel relevante a an&aacute;lise dos discursos constru&iacute;dos pelas mulheres transgressoras, olhando para o modo como os discursos dominantes s&atilde;o utilizados por elas para se auto-identificarem. Para tal, recorre-se com frequ&ecirc;ncia &agrave;s entrevistas em profundidade, e realizam-se observa&ccedil;&otilde;es participantes. Por vezes os trabalhos desenvolvidos combinam as observa&ccedil;&otilde;es e as entrevistas em profundidade com a an&aacute;lise de dados provenientes de outras fontes (e.g., documentos jur&iacute;dicos). Importa ainda ressalvar que tamb&eacute;m se recorre &agrave; complementaridade entre dados recolhidos na comunidade e dados recolhidos em meio institucional. Alguns estudos, por exemplo sobre tr&aacute;fico e consumos de drogas, incluem simultaneamente amostras de mulheres que est&atilde;o na comunidade e institucionalizadas (e.g., Sommers &amp; Baskin, 1997). Outra quest&atilde;o pertinente diz respeito ao facto de a esmagadora maioria das abordagens sobre criminalidade feminina e constru&ccedil;&atilde;o da identidade se centrarem em amostras reduzidas. Em s&iacute;ntese, embora as metodologias utilizadas sejam diversas, a maioria dos estudos mant&eacute;m caracter&iacute;sticas essenciais comuns, das quais destacamos a &ecirc;nfase nos discursos constru&iacute;dos, sobretudo pelas mulheres que transgridem, a componente etnogr&aacute;fica e a utiliza&ccedil;&atilde;o de amostras pequenas. </P >    <p>(RE)CONTEXTUALIZA&Ccedil;&Atilde;O DA CRIMINALIDADE FEMININA </P >    <p>Os diversos estudos enquadrados pelas perspectivas feministas possibilitam a recontextuali za&ccedil;&atilde;o da criminalidade feminina nos discursos da criminologia. Percebe-se, desde logo, que os crimes cometidos por mulheres se relacionam na maioria das vezes com tr&aacute;fico ou consumos de drogas (e.g., Almeda, 2003), e que estas mulheres, independentemente da idade, tendem a apresentar traject&oacute;rias de vida marcadas pela reclus&atilde;o ou por outro tipo de institucionaliza&ccedil;&otilde;es (e.g., Carlen, 1987; Maher, 1997). Os contextos de origem das mulheres estudadas tendem a caracterizar-se por um n&iacute;vel socioecon&oacute;mico desfavorecido e elas tendem a apresentar um n&iacute;vel reduzido de escolaridade (e.g., Maher, 1997). Outro dado emergente neste tipo de estudos diz respeito &agrave;s diversas mudan&ccedil;as que, com frequ&ecirc;ncia, ocorrem na estrutura familiar das mulheres transgressoras. Estas mudan&ccedil;as resultam, por exemplo, de sa&iacute;das de casa por parte de prestadores de cuidados, ou de outro tipo de perdas de figuras significativas (e.g., Batchelor, 2005). Nestas abordagens constatam-se com frequ&ecirc;ncia padr&otilde;es de viol&ecirc;ncia nos contextos familiares de onde as mulheres prov&ecirc;m, sendo comuns as hist&oacute;rias pr&eacute;vias de abuso, directo ou indirecto (e.g., Batchelor, 2005; Maher, 1997). Finalmente, os estudos revelam o frequente envolvimento criminal de familiares das mulheres desviantes, que apresentam tamb&eacute;m diversas ocorr&ecirc;ncias jur&iacute;dicas e penais (e.g., Cunha, 2002; Maher, 1997; Matos, 2008; Matos &amp; Machado, 2007). </P >    <p>(RE)SIGNIFICA&Ccedil;&Otilde;ES DA CRIMINALIDADE FEMININA </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>N&atilde;o obstante a pertin&ecirc;ncia da caracteriza&ccedil;&atilde;o anterior, as asser&ccedil;&otilde;es sobre transgress&atilde;o feminina e constru&ccedil;&atilde;o de identidades de g&eacute;nero, emergentes da an&aacute;lise de discursos de mulheres que cometem crimes, constituem o grande contributo dos estudos de inspira&ccedil;&atilde;o feminista para a reconstru&ccedil;&atilde;o dos discursos sobre trangsress&atilde;o feminina. Estas asser&ccedil;&otilde;es emergem das significa&ccedil;&otilde;es que as protagonistas do crime lhes atribuem quando constroem discursivamente o seu pr&oacute;prio desvio. </P >    <p><I>Constrangimentos de g&eacute;nero na transgress&atilde;o feminina </I></P >    <p>Quando as mulheres d&atilde;o significado &agrave;s suas experi&ecirc;ncias transgressivas, emerge um significado comum que diz respeito a constrangimentos associados ao g&eacute;nero feminino (e.g., Burman, Brown, &amp; Batchelor, 2003). As circunst&acirc;ncias genderizadas, que na perspectiva destas mulheres constrangem os seus percursos, actuam em diferentes contextos de vida. Dificuldades a n&iacute;vel laboral, de concilia&ccedil;&atilde;o entre vida familiar e laboral, ou diversas formas de vitima&ccedil;&atilde;o no &acirc;mbito de rela&ccedil;&otilde;es desiguais em termos de poder, s&atilde;o exemplos de circunst&acirc;ncias que as mulheres associam simultaneamente &agrave; sua condi&ccedil;&atilde;o feminina e ao seu envolvimento no crime (e.g., Almeda, 2003; Burman, Brown, &amp; Batchelor, 2003; Carlen, 1987). Estudos recentes realizados em contexto portugu&ecirc;s revelam que h&aacute; constrangimentos de g&eacute;nero ligados &agrave; criminalidade feminina, mas na perspectiva de apenas algumas mulheres. Por exemplo, um estudo sobre traject&oacute;rias de jovens reclusas revela que, de entre quatro significa&ccedil;&otilde;es do crime distintas, em apenas uma delas as jovens associam os crimes que cometem ao facto de serem mulheres (Matos, 2008). </P >    <p><I>Racionalidade na op&ccedil;&atilde;o pelo crime </I></P >    <p>Contrastando com as teses da irracionalidade, estudos com o novo enquadramento reclamado pelas feministas v&ecirc;m chamar a aten&ccedil;&atilde;o para o facto de, as mulheres poderem cometer crimes intencional e racionalmente. Na base das escolhas racionais da mulher pela desvi&acirc;ncia estar&atilde;o constrangimentos quer a n&iacute;vel econ&oacute;mico, quer a n&iacute;vel da complexa interac&ccedil;&atilde;o entre padr&otilde;es de din&acirc;mica familiar, estruturas sociais patriarcais e factores culturais. Como exemplo podemos referir os estudos de Pat Carlen, no Reino Unido, que apontam no sentido de as mulheres, independentemente dos v&aacute;rios constrangimentos com que se deparam nos seus percursos de vida, optarem racionalmente e ap&oacute;s pondera&ccedil;&atilde;o pela via do crime (e.g., Carlen, 1983, 1987; Carlen et al., 1985). A escolha racional da mulher transgressora tem tamb&eacute;m sido evidenciada em estudos que se centram em tipos espec&iacute;ficos de desvi&acirc;ncia, como tr&aacute;fico e consumos de drogas (e.g., Maher, 1997), prostitui&ccedil;&atilde;o (e.g., Oliveira, 2002; Phoenix, 2001) e crimes violentos (e.g., Batchelor, 2005), ou em estudos sobre jovens reclusas (e.g., Matos, 2008). A racionalidade da criminalidade feminina assentar&aacute; na ideia de que a mulher escolhe a via do crime de entre outras op&ccedil;&otilde;es que se lhe afiguram menos razo&aacute;veis. </P >     <p>Em termos de perspectiva&ccedil;&atilde;o moral sobre o crime e o desvio e de auto-apresenta&ccedil;&atilde;o das mulheres, os discursos dividem-se entre o das mulheres que referem estar comprometidas com actividades desviantes, assumindo uma identidade criminal (e.g., Batchelor, 2005; Carlen et al., 1985) e o discurso da condena&ccedil;&atilde;o moral do crime, que as mulheres asseguram cometer apenas por n&atilde;o haver outras op&ccedil;&otilde;es poss&iacute;veis (e.g., Almeda, 2003; Carlen, 1987, 1988). De assinalar que, situa&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas estar&atilde;o na base da emerg&ecirc;ncia de discursos particulares sobre o crime. Por exemplo, quando os crimes que as mulheres cometem t&ecirc;m como v&iacute;tima um perpetrador de abuso, o significado associado ao crime &eacute; de justi&ccedil;a e de n&atilde;o arrependimento. Do ponto de vista das mulheres, atrav&eacute;s desse tipo de actos criminais adquirem o respeito e o controlo de que foram at&eacute; a&iacute; privadas (e.g., Batchelor, 2005). </P >     <p>Globalmente, podemos considerar que os discursos emergentes em abordagens recentes &agrave; transgress&atilde;o feminina, de enquadramento feminista, revelam racionalidade das mulheres que cometem crimes. Os seus discursos contrastam, contudo, com as narrativas tradicionais que ainda prevalecem sobre o fen&oacute;meno e tamb&eacute;m com a resposta t&iacute;pica ao desvio feminino. Como sugere Pat Carlen (2002), a resposta &agrave; transgress&atilde;o feminina parece continuar a situar o fen&oacute;meno na irracionalidade da mulher, mais do que nas circunst&acirc;ncias sociais que a rodeiam, n&atilde;o considerando que a mulher pode actuar de forma racional e activa face ao enquadramento social do seu percurso de vida, que lhe &eacute; desfavor&aacute;vel. </P >    <p><I>Entre a vitima&ccedil;&atilde;o e o &lsquo;empreendedorismo&rsquo; </I></P >    <p>Finalmente, um outro argumento das abordagens feministas que contribui para a reconstru&ccedil;&atilde;o dos discursos sobre a criminalidade feminina, diz respeito &agrave; apresenta&ccedil;&atilde;o das mulheres como empreendedoras ou como v&iacute;timas no desempenho de actividades criminais. </P >    <p>Comecemos pela <I>vitima&ccedil;&atilde;o</I>, que tem sido um conceito fulcral nos discursos feministas sobre a mulher transgressora, muitas vezes constru&iacute;da como uma v&iacute;tima que necessita de apoio e protec&ccedil;&atilde;o. O discurso da vitima&ccedil;&atilde;o acaba por ser amplamente utilizado nas perspectivas feministas, atrav&eacute;s da conceptualiza&ccedil;&atilde;o do desvio da mulher como, pelo menos em parte, resultado de experi&ecirc;ncias pr&eacute;vias de vitima&ccedil;&atilde;o (e.g., Carlen, 1983; Chesney-Lind, 1997), e dos sentimentos negativos que delas resultam (e.g., Batchelor, 2005). Nas perspectivas feministas, a constru&ccedil;&atilde;o discursiva da &lsquo;mulher ofensora v&iacute;tima&rsquo; &eacute; tamb&eacute;m sustentada por dados emp&iacute;ricos que sugerem que a maioria das mulheres a cumprir san&ccedil;&otilde;es penais, sobretudo por crimes cometidos na esfera dom&eacute;stica, s&atilde;o, tamb&eacute;m elas, v&iacute;timas de abuso (e.g., Henning, Jones &amp; Holdford, 2003; Swan &amp; Snow, 2002). Estes argumentos s&atilde;o, no entanto, alvo de cr&iacute;ticas e objecto de debate dentro do pr&oacute;prio movimento feminista. Snider (2003), ao estabelecer uma rela&ccedil;&atilde;o entre a conceptualiza&ccedil;&atilde;o da desvi&acirc;ncia feminina e o contexto da puni&ccedil;&atilde;o da mulher desviante, conclui que o discurso da vitima&ccedil;&atilde;o pr&eacute;via tem um efeito triplo: patologiza, individualiza e retira poder &agrave; mulher. Tamb&eacute;m outras autoras criticam o discurso da transgressora v&iacute;tima por este contribuir para a ideia, pr&oacute;xima das perspectivas positivistas, de que as mulheres que cometem crimes s&atilde;o de algum modo bizarras ou &lsquo;anormais&rsquo; (e.g., Batchelor, 2005). Atrav&eacute;s desse discurso nega-se qualquer tipo de iniciativa e escolha por parte das mulheres que cometem crimes. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No que respeita a conceptualiza&ccedil;&atilde;o da mulher como <I>empreendedora </I>na actividade criminal, ap&oacute;s as primeiras propostas de Freda Adler e Rita Simon, em 1975, e de um renascido interesse pela &lsquo;new female criminal&rsquo; nos anos noventa do s&eacute;culo XX, surge posteriormente, entre as propostas feministas, um novo olhar para a mulher, que passa a ter mais poder e capacidade para autonomamente escolher a via do crime entre outras alternativas poss&iacute;veis. Esta &eacute; uma mulher resistente, com capacidade para contornar, particularmente atrav&eacute;s do crime as adversidades com que se depara. Segundo Chesney-Lind (1997) estamos perante uma nova vers&atilde;o da &lsquo;hip&oacute;tese da emancipa&ccedil;&atilde;o da mulher&rsquo;, espec&iacute;fica dos &ldquo;guetos desindustrializados dos anos 90&rdquo;, em que n&atilde;o &eacute; a etnia ou o g&eacute;nero mas sim a posi&ccedil;&atilde;o socioecon&oacute;mica que conduz a mulher a alternativas que passam pelo crime. Na sua opini&atilde;o, a desindustrializa&ccedil;&atilde;o contribui para a &lsquo;desgenderiza&ccedil;&atilde;o&rsquo; das rela&ccedil;&otilde;es e torna as mulheres mais capazes de cometer crimes violentos, tradicionalmente associados aos homens (Chesney-Lind, 1997). Tamb&eacute;m para outros autores, s&atilde;o mudan&ccedil;as sociais que permitem que as mulheres tenham oportunidades semelhantes &agrave;s dos seus pares masculinos para se envolverem em determinados tipos de crime (e.g., Baskin et al., 1993, citado por Chesney-Lind, 1997). Ainda em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; tese do empreendedorismo, a transgress&atilde;o feminina &eacute; por vezes constru&iacute;da pela mulher como um desafio aos pap&eacute;is de g&eacute;nero tradicionais, atrav&eacute;s da procura de poder, viol&ecirc;ncia e transgress&atilde;o, normalmente considerados desajustados &agrave; viv&ecirc;ncia feminina (e.g., Carlen et al., 1985). </P >    <p>Considerando tipos espec&iacute;ficos de crime, e come&ccedil;ando pelo tr&aacute;fico de droga, que representa uma grande fatia dos crimes que conduzem as mulheres &agrave;s pris&otilde;es portuguesas, sugere-se que mudan&ccedil;as na pr&oacute;pria din&acirc;mica do crime facilitam a maior abertura &agrave; participa&ccedil;&atilde;o das mulheres (e.g., Maher, 1997). Para al&eacute;m do tr&aacute;fico, abordagens a outros crimes espec&iacute;ficos sustentam a ideia do empreendedorismo da mulher na actividade criminal. Sobre o envolvimento em <I>gangs </I>tem sido referida a inadequa&ccedil;&atilde;o da representa&ccedil;&atilde;o t&iacute;pica da mulher que se envolve em actos de viol&ecirc;ncia como inadaptada ou maltratada. Efectivamente, dados recentes refor&ccedil;am a ideia da racionalidade e da iniciativa subjacente ao envolvimento das mulheres em <I>gangs</I>, que &ldquo;constroem e negoceiam a sua vida di&aacute;ria&rdquo; (Miller, 2001, p. 2). Estudos sobre transgressoras mais jovens, t&ecirc;m revelado que estas rejeitam o r&oacute;tulo de v&iacute;timas, representando-se como pessoas que se apropriam das normas e valores sub-culturais para, atrav&eacute;s da viol&ecirc;ncia, adquirirem respeito (e.g., Batchelor, 2005). </P >    <p>Apesar da aparente incompatibilidade de conceitos, alguns autores prop&otilde;em a concilia&ccedil;&atilde;o da vitima&ccedil;&atilde;o e do empreendedorismo na an&aacute;lise da transgress&atilde;o feminina, sugerindo que o envolvimento da mulher na delinqu&ecirc;ncia constitui em si mesmo uma estrat&eacute;gia para lidar com a viol&ecirc;ncia de que &eacute; v&iacute;tima. Batchelor (2005), partindo de narrativas constru&iacute;das por jovens que cometem crimes violentos, refere que estas podem ser simultaneamente consideradas v&iacute;timas, na medida em que o seu percurso &eacute; contextualizado por circunst&acirc;ncias sociais adversas, e empreendedoras, pois a sua viol&ecirc;ncia emerge como uma resposta racional a essas circunst&acirc;ncias. </P >    <p>A par dos discursos constitutivos da mulher transgressora surgem discursos constitutivos da sua puni&ccedil;&atilde;o, ou seja, o modo como a mulher que transgride a lei &eacute; constru&iacute;da discursivamente tem implica&ccedil;&otilde;es no modo como se pensa que ela deve ser punida (Snider, 2003). Nos discursos feministas, a constru&ccedil;&atilde;o da mulher que comete crimes de forma empreendedora revela-se paradoxal face aos objectivos das perspectivas feministas na criminologia. Ao contribu&iacute;rem para a constru&ccedil;&atilde;o de uma mulher forte, resistente, consciente de si mesma e auto determinada, as perspectivas feministas parecem contribuir para a cria&ccedil;&atilde;o de regimes mais punitivos. Mas esta n&atilde;o &eacute; uma quest&atilde;o pac&iacute;fica para as suas autoras, que pretendem ter um papel activo ao n&iacute;vel das pol&iacute;ticas de justi&ccedil;a criminal em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; mulher. Por outro lado, construir a mulher transgressora como v&iacute;tima &eacute; represent&aacute;-la e trat&aacute;-la como necessitando mais de protec&ccedil;&atilde;o do que de puni&ccedil;&atilde;o. E podemos considerar que reclamar como principal benef&iacute;cio para as mulheres protec&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o tanto justi&ccedil;a se afasta dos discursos e ideologias feministas. </P >    <p>Entre as tentativas de dar resposta a este paradoxo, surgem propostas que apelam &agrave; rejei&ccedil;&atilde;o de uma no&ccedil;&atilde;o &uacute;nica da mulher que comete crimes, ultrapassando a dicotomia v&iacute;tima inocente/ /criminosa resistente (Britton, 2000). Os diferentes estudos emp&iacute;ricos realizados junto de mulheres que transgridem a lei t&ecirc;m mostrado que os contextos dessa transgress&atilde;o tendem a ser complexos. Por exemplo, a mulher que comete crimes pode apresentar uma traject&oacute;ria de vida marcada por diversas formas de discrimina&ccedil;&atilde;o de g&eacute;nero, e nesse sentido enquadrar-se no conceito de &lsquo;mulher v&iacute;tima&rsquo;, mas optar com auto-determina&ccedil;&atilde;o pela via do crime correspondendo &agrave; representa&ccedil;&atilde;o da &lsquo;mulher empreendedora&rsquo;. Como refere Britton (2000), ambos os conceitos est&atilde;o interligados, pelo que s&oacute; rompendo com a dicotomia v&iacute;tima/resistente se poder&aacute; compreender a forma dessa interliga&ccedil;&atilde;o. </P >    <p>CONSIDERA&Ccedil;&Otilde;ES FINAIS </P >     <p>Ap&oacute;s as primeiras abordagens sobre criminalidade feminina, no contexto da criminologia &lsquo;tradicional&rsquo;, e ap&oacute;s um longo percurso de transi&ccedil;&otilde;es epistemol&oacute;gicas e metodol&oacute;gicas no estudo do crime e das suas protagonistas, surgem na criminologia os discursos cient&iacute;ficos sobre a trans gress&atilde;o feminina que atendem ao g&eacute;nero e que o conceptualizam como fundamental na abordagem a este fen&oacute;meno. A emerg&ecirc;ncia desta nova conceptualiza&ccedil;&atilde;o da criminalidade feminina coincide com as perspectivas feministas sobre a transgress&atilde;o da mulher, sendo indissoci&aacute;vel do movimento feminista em sentido lato. Como vimos, estas abordagens permitem a desconstru&ccedil;&atilde;o dos discursos tradicionais sobre feminilidade e transgress&atilde;o, nomeadamente do modo estereotipado como a mulher e o seu desvio t&ecirc;m vindo a ser representados. Possibilitam tamb&eacute;m a reconstru&ccedil;&atilde;o desses discursos, abrindo caminho para que a mulher que transgride a lei deixe de ser considerada duplamente desviante e associada a crimes &lsquo;tipicamente femininos&rsquo;, resultantes da heterodetermi na&ccedil;&atilde;o e irracionalidade da mulher. Do ponto de vista metodol&oacute;gico, h&aacute; tamb&eacute;m um contributo fundamental das perspectivas feministas, na medida em que se d&aacute; voz (e poder) &agrave;s mulheres na reconstru&ccedil;&atilde;o dos discursos sobre a sua transgress&atilde;o. N&atilde;o podemos, contudo, terminar sem olhar de forma cr&iacute;tica para alguns aspectos das abordagens feministas, nomeadamente a por vezes excessiva centra&ccedil;&atilde;o no g&eacute;nero, em detrimento de outras dimens&otilde;es, como a etnia ou a classe social, que poder&atilde;o ser igualmente importantes na compreens&atilde;o da transgress&atilde;o feminina. Ou o facto de se dirigir o foco apenas para as mulheres, excluindo as experi&ecirc;ncias masculinas do mesmo modo que s&atilde;o exclu&iacute;das as femininas nas abordagens tradicionais da criminologia. Finalmente, pensamos que o compromisso pol&iacute;tico subjacente &agrave;s abordagens feministas, quando excessivo, pode conduzir a uma compreens&atilde;o enviesada da transgress&atilde;o da mulher. Paralelamente &agrave;s cr&iacute;ticas &agrave;s perspectivas feministas, salientamos a fun&ccedil;&atilde;o dos outros discursos cient&iacute;ficos constru&iacute;dos sobre a mulher e o crime, criticados pelas autoras feministas. Mesmo os &lsquo;tradicionais&rsquo; ou positivistas, que assumimos como os discursos que mais se afastam da nossa pr&oacute;pria leitura do fen&oacute;meno, s&atilde;o fundamentais no percurso at&eacute; aos discursos feministas, que se afirmam e desenvolvem atrav&eacute;s das cr&iacute;ticas que dirigem aos primeiros. Entre ambos, h&aacute; &ldquo;discursos de transi&ccedil;&atilde;o&rdquo; (Matos, 2008), que constituem uma importante contribui&ccedil;&atilde;o na abordagem cient&iacute;fica da transgress&atilde;o da mulher, pois &eacute; atrav&eacute;s das suas propostas de novas leituras do crime e dos seus actores (nomeadamente a passagem para uma vis&atilde;o do crime como normal ou ideal, ou a mudan&ccedil;a de enfoque do crime para a reac&ccedil;&atilde;o social) que se cria espa&ccedil;o na criminologia para a emerg&ecirc;ncia das perspectivas mais cr&iacute;ticas, em particular as feministas. Estas perspectivas de transi&ccedil;&atilde;o contribuem tamb&eacute;m com novas propostas metodol&oacute;gicas, nomeadamente as de cariz mais qualitativo e naturalista, que se desenvolvem e v&ecirc;m a revelar fundamentais nas abordagens mais cr&iacute;ticas da criminalidade da mulher. </P >     <p>Apesar do significativo percurso das perspectivas feministas na criminologia, ainda hoje, alguns olhares sobre a transgress&atilde;o, feminina e masculina, a associam a factores individuais, de ordem biol&oacute;gica ou psicol&oacute;gica, insistindo numa leitura determinista do comportamento criminal. No caso feminino, esses olhares s&atilde;o ainda refor&ccedil;adores dos estere&oacute;tipos de g&eacute;nero, raz&atilde;o pela qual a hist&oacute;ria das perspectivas feministas na criminologia se continua a escrever. </P >     <p>&nbsp;</P >     <p>REFER&Ecirc;NCIAS  </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><P   >Adler, F. (1975). <I>Sisters in crime. The rise of the new female criminal</I>. New York: McGraw-Hill Book Company.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000073&pid=S0870-8231201200010000500001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P >     <!-- ref --><P   >Almeda, E. (2003). <I>Mujeres encar</I><I>celadas. </I>Barcelona: Editorial Ariel.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000075&pid=S0870-8231201200010000500002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P >     <!-- ref --><P   >Barcinsky, M. (2005). The identity construction process of a woman involved in drug trafficking: A systemic    approach. <I>International Journal of Ideographic Science, Article 3</I>. [Consultado em 1 de Fevereiro de 2006, em <a href="http://www.valsiner.com/articles/barcinski.htm" target="_blank">http://www.valsiner.com/articles/barcinski.htm</a>].    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000077&pid=S0870-8231201200010000500003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <p>Batchelor, S. (2005). &lsquo;Prove Me the Bam!&rsquo; Victimisation and agency in the lives of young women who commit violent offences&rsquo;. <I>Probation Journal, 52</I>(4). </P >    <!-- ref --><p>Britton, D. (2000). Feminism in criminology: Engendering the outlaw. <I>Annals of the American Academy of Political and Social Science, 571</I>, 57-76.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000080&pid=S0870-8231201200010000500005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Brown, S. (1998). <I>Understanding youth and crime. Listening to youth? </I>Buckingham: Open University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000082&pid=S0870-8231201200010000500006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <p>Burman, M., Brown, J., &amp; Batchelor, S. (2003). &ldquo;Taking it to heart.&rdquo; The meanings of violence in girls&rsquo; lives. In E. Stanko (Ed.), <I>The meaning of violence </I>(pp. 72-89)<I>. </I>London: Routledge. </P >    <!-- ref --><p>Cain, M. (1990/1996). Towards transgression: New directions in feminist criminology. In J. Muncie, E. McLaughlin, &amp; M. Langlan (Eds.), <I>Criminological perspectives. A reader </I>(pp. 466-474). London: Sage Publications.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000085&pid=S0870-8231201200010000500008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <p>Carlen, P. (1983). <I>Women&rsquo;s imprisonment. A study in social control. </I>London: Routledge &amp; Kegan Paul. </P >     <p>Carlen, P. (1987). Out of care, into custody: Dimensions and deconstructions of the state&rsquo;s regulation of twenty-two young working-class women. In P. Carlen &amp; A. Worrall (Eds.), <I>Gender, crime and justice </I>(pp. 126-160). Buckingham: Open University Press. </P >     <!-- ref --><p>Carlen, P. (1988). <I>Women, crime and poverty. </I>Milton Keynes: Open University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000089&pid=S0870-8231201200010000500011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Carlen, P. (2002). Introduction: Women and punishment. In P. Carlen (Ed.), <I>Women and punishment: The struggle </I><I>for justice </I>(pp. 3-20). Devon: Willan Publishing.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000091&pid=S0870-8231201200010000500012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Carlen, P., Hicks, J., O&rsquo;Dwyer, J., Christina, D., &amp; Tchaikovsky, C. (1985). <I>Criminal women. Autobiographical </I><I>accounts. </I>Cambridge: Polity Press. </P >     <!-- ref --><p>Chesney-Lind, M. (1997). <I>The female offender</I>. Girls, women and crime. Thousand Oaks: Sage Publications.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000094&pid=S0870-8231201200010000500014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <!-- ref --><p>Cunha, M. I. (1994). <I>Malhas que a reclus&atilde;o tece: Quest&otilde;es de identidade numa pris&atilde;o feminina. </I>Lisboa: Gabinete de Estudos Jur&iacute;dico-Sociais do Centro de Estudos Judici&aacute;rios.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000096&pid=S0870-8231201200010000500015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <!-- ref --><p>Cunha, M. I. (2002). <I>Entre o bairro e a pris&atilde;o: Tr&aacute;fico e trajectos. </I>Lisboa: Fim de S&eacute;culo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000098&pid=S0870-8231201200010000500016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Gelsthorpe, L. (1997). Feminism and criminology. In M. Maguire, R. Morgan, &amp; R. Reiner (Eds.), <I>The Oxford </I><I>handbook of criminology </I>(pp. 511-534). Oxford: Clarendon Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000100&pid=S0870-8231201200010000500017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <!-- ref --><p>Heidensohn, F. (1985). <I>Women and crime</I>. London: Macmillan Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000102&pid=S0870-8231201200010000500018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Heidensohn, F. (1987). Women and crime: Questions for criminology. In P. Carlen &amp; A. Worrall (Eds.), <I>Gender, </I><I>crime and justice </I>(pp. 16-27). Buckingham: Open University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000104&pid=S0870-8231201200010000500019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <!-- ref --><p>Heidensohn, F. (1997). Gender and crime. In M. Maguire, R. Morgan, &amp; R. Reiner (Eds.), <I>The Oxford handbook </I><I>of criminology </I>(pp. 761-796). Oxford: Clarendon Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000106&pid=S0870-8231201200010000500020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Henning, K., Jones, A., &amp; Holdford, R. (2003). Treatment needs of women arrested for domestic violence. A comparison with male offenders. <I>Journal of Interpersonal Violence, 18</I>(8), 839-856.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000108&pid=S0870-8231201200010000500021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Holdaway, S., &amp; Parker, S. (1998). Policing women police. Uniform patrol, promotion and representation in the CID. <I>The British Journal of Criminology, 38</I>, 40-60.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000110&pid=S0870-8231201200010000500022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Horn, R., &amp; Hollin, C. (1997). Police beliefs about women who offend. <I>Legal and Criminological Psychology, 2</I>, 193-204.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000112&pid=S0870-8231201200010000500023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Lombroso, C., &amp; Ferrero, G. (1895/1996). The criminal type in women and its atavistic origin. In J. Muncie, E. McLaughlin, &amp; M. Langlan (Eds.), <I>Criminological perspectives. A reader </I>(pp. 29-33). London: Sage Publications.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000114&pid=S0870-8231201200010000500024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>MacDonald, E. (1998). <I>Matem as mulheres primeiro</I>. Lisboa: Fenda Edi&ccedil;&otilde;es.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000116&pid=S0870-8231201200010000500025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Machado, C. (2000). <I>Discursos do medo, imagens do outro. Estudo sobre a inseguran&ccedil;a urbana na cidade do Porto. </I>Disserta&ccedil;&atilde;o de doutoramento, Instituto de Educa&ccedil;&atilde;o e Psicologia da Universidade do Minho, Braga.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000118&pid=S0870-8231201200010000500026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Mack, K., &amp; Leiber, M. (2005). Race, gender, single-mother households, and delinquency. A further test of power-control theory. <I>Youth and Society, 37</I>(2), 115-144.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000120&pid=S0870-8231201200010000500027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Maher, L. (1997). <I>Sexed work. Gender, race and resistance in a Brooklyn drug market. </I>New York: Oxford University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000122&pid=S0870-8231201200010000500028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Matos, R. (2008). Vidas raras de mulheres comuns: Percursos de vida, significa&ccedil;&otilde;es do crime e constru&ccedil;&atilde;o da identidade em jovens reclusas. Coimbra: Almedina Editora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000124&pid=S0870-8231201200010000500029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>McDermott, M. J. (2002). On moral enterprises, pragmatism and feminist criminology. <I>Crime and Delinquency, 48</I>(2), 283-299.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000126&pid=S0870-8231201200010000500030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Messerschmidt, J. (1995). From patriarchy to gender: Feminist theory, criminology and the challenge of diversity. In N. Rafter &amp; F. Heidensohn (Eds.), <I>International feminist perspectives in criminology. Engendering a discipline </I>(pp. 167-188)<I>. </I>Buckingham: Open University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000128&pid=S0870-8231201200010000500031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Miller, J. (2001). <I>One of the guys. Girls, gangs and gender. </I>New York: Oxford University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000130&pid=S0870-8231201200010000500032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Motz, A. (2001). <I>The psychology of female violence. Crimes against the body</I>. Hove: Brunner-Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000132&pid=S0870-8231201200010000500033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Oliveira, A. (2002). <I>Da prostitui&ccedil;&atilde;o ao trabalho sexual: Actrizes, pr&aacute;ticas e contextos. </I>Disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado, Faculdade de Psicologia da Universidade do Porto.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000134&pid=S0870-8231201200010000500034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Phoenix, J. (2000). Prostitute identities. Men, money and violence. <I>British Journal of Criminology, 40, </I>37-55.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000136&pid=S0870-8231201200010000500035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Phoenix, J. (2001). Paradoxical stories of prostitution. In K. Backett-Milburn &amp; L. McKie (Eds.), <I>Constructing gendered bodies </I>(pp. 56-79). London: Palgrave.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000138&pid=S0870-8231201200010000500036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Rafter, N., &amp; Heidensohn, F. (Eds.). (1995). <I>International feminist perspectives in criminology. Engendering a discipline. </I>Buckingham: Open University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000140&pid=S0870-8231201200010000500037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <!-- ref --><p>Smart, C. (1990/1996). Feminist approaches to criminology or postmodern woman meets atavistic man. In J. Muncie, E. McLaughlin, &amp; M. Langlan (Eds.), <I>Criminological perspectives. A reader </I>(pp. 453-465). London: Sage Publications.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000142&pid=S0870-8231201200010000500038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <!-- ref --><p>Snider, L. (2003). Constituting the punishable woman. Atavistic man incarcerates postmodern woman. <I>British Journal of Criminology, 43, </I>354-378.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000144&pid=S0870-8231201200010000500039&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Sommers, I., &amp; Baskin, D. (1997). Situational or generalized violence in drug dealing networks. <I>Journal of Drug Issues, 27</I>(4), 833-851.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000146&pid=S0870-8231201200010000500040&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <p>Swan, S., &amp; Snow, D. (2002). A typology of women&rsquo;s use of violence in intimate relationships. <I>Violence Against Women, 8</I>(3), 286-319. </P >    <!-- ref --><p>Wilczynski, A. (1997). Mad or bad? Child-killers, gender and the courts. <I>British Journal of Criminology, 37</I>(3), 419-436.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000149&pid=S0870-8231201200010000500042&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <p>Worcester, N. (2002). Women&rsquo;s use of force. <I>Violence Against Women, 8</I>(11), 1390-1415. </P >     <p>&nbsp;</P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="0"></a><a href="#top0">Correspond&ecirc;ncia</a></P >     <p>A correspond&ecirc;ncia relativa a este artigo dever&aacute; ser enviada para: Raquel Matos, Professora Auxiliar, Faculdade de Educa&ccedil;&atilde;o e Psicologia da Universidade Cat&oacute;lica Portuguesa, Rua Diogo Botelho, 1327, 4169-005 Porto. E-mail: <a href="mailto:rmatos@porto.ucp.pt">rmatos@porto.ucp.pt</a> </P >     <p>&nbsp;</P >     <p>NOTAS</P >     <p><Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup> Este texto resulta da adapta&ccedil;&atilde;o de um cap&iacute;tulo de uma obra j&aacute; publicada [Matos, R. (2008), <I>Vidas Raras de Mulheres Comuns. Percursos de vida, significa&ccedil;&otilde;es do crime e constru&ccedil;&atilde;o da identidade em jovens reclusas</I>. Coimbra: Editora Almedina]. A cria&ccedil;&atilde;o do texto original enquadra-se no desenvolvimento de uma tese de doutoramento (com apoio da Funda&ccedil;&atilde;o para a Ci&ecirc;ncia e a Tecnologia &ndash; SFRH/BD/8664/2002). Para prestar homenagem &agrave; Doutora Carla Machado n&atilde;o poderia deixar de seleccionar um texto constru&iacute;do em estreita colabora&ccedil;&atilde;o entre n&oacute;s, naquela que foi a sua primeira orienta&ccedil;&atilde;o de doutoramento. Ao recordar a sua orienta&ccedil;&atilde;o, deixo o testemunho de uma grande li&ccedil;&atilde;o e de um exemplo a seguir. </P >     <p><sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></sup> Embora a segunda d&eacute;cada do s&eacute;culo XX re&uacute;na maior consenso enquanto data da primeira vaga do movimento feminista, sugere-se que esta vaga tem in&iacute;cio na d&eacute;cada de trinta do s&eacute;culo XIX com o movimento abolicionista no contexto norte-americano (Messerschmidt, 1995). </P >     <p><sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></sup> Designa&ccedil;&atilde;o proposta por autoras feministas para enfatizar o car&aacute;cter masculino da criminologia tradicional (<I>mainstream)</I>. </P >     <p><Sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></Sup> Tal deve-se, em parte, ao facto de o desenvolvimento das perspectivas feministas na criminologia incluir, para al&eacute;m dos contributos de acad&eacute;micos, contributos de n&atilde;o acad&eacute;micos, em particular grupos de combate &agrave; viol&ecirc;ncia contra as mulheres, exemplo importante do activismo impulsionador do movimento feminista (Rafter &amp; Heidensohn, 1995). </P >     <p><Sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></Sup> Estas ideias n&atilde;o constituiriam uma novidade ap&oacute;s a primeira tentativa de relacionar a emancipa&ccedil;&atilde;o da mulher com a criminalidade feminina, j&aacute; na primeira vaga do movimento feminista, na segunda d&eacute;cada do s&eacute;culo XX. </P >     <p><Sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></Sup> A publica&ccedil;&atilde;o desta obra de Carol Smart &eacute; considerada um marco fundamental no reconhecimento dos desafios feministas &agrave; criminologia.</P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> <Sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></Sup> Estes estudos decorrem frequentemente no contexto prisional, ou quando h&aacute; j&aacute; um contacto das mulheres com o sistema de justi&ccedil;a criminal. </P >     <p><Sup><a name="8"></a><a href="#top8">8</a></Sup> Os estudos focalizados em formas espec&iacute;ficas de desvi&acirc;ncia tendem a decorrer nos contextos espacio-temporais da pr&oacute;pria actividade criminal.</P >      ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Adler]]></surname>
<given-names><![CDATA[F.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Sisters in crime: The rise of the new female criminal]]></source>
<year>1975</year>
<publisher-loc><![CDATA[New York ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[McGraw-Hill Book Company]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Almeda]]></surname>
<given-names><![CDATA[E.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Mujeres encarceladas]]></source>
<year>2003</year>
<publisher-loc><![CDATA[Barcelona ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Editorial Ariel]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Barcinsky]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The identity construction process of a woman involved in drug trafficking: A systemic approach]]></article-title>
<source><![CDATA[International Journal of Ideographic Science]]></source>
<year>2005</year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B4">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Batchelor]]></surname>
<given-names><![CDATA[S.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[&#8216;Prove Me the Bam!&#8217; Victimisation and agency in the lives of young women who commit violent offences&#8217;]]></article-title>
<source><![CDATA[Probation Journal]]></source>
<year>2005</year>
<volume>52</volume>
<numero>4</numero>
<issue>4</issue>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B5">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Britton]]></surname>
<given-names><![CDATA[D.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Feminism in criminology: Engendering the outlaw]]></article-title>
<source><![CDATA[Annals of the American Academy of Political and Social Science]]></source>
<year>2000</year>
<volume>571</volume>
<page-range>57-76</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B6">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Brown]]></surname>
<given-names><![CDATA[S.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Understanding youth and crime: Listening to youth?]]></source>
<year>1998</year>
<publisher-loc><![CDATA[Buckingham ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Open University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B7">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Burman]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Brown]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Batchelor]]></surname>
<given-names><![CDATA[S.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[&#8220;Taking it to heart.&#8221; The meanings of violence in girls&#8217; lives]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Stanko]]></surname>
<given-names><![CDATA[E.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[The meaning of violence]]></source>
<year>2003</year>
<page-range>72-89</page-range><publisher-loc><![CDATA[London ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Routledge]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B8">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Cain]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Towards transgression: New directions in feminist criminology]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Muncie]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[McLaughlin]]></surname>
<given-names><![CDATA[E.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Langlan]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Criminological perspectives: A reader]]></source>
<year>1990</year>
<month>/1</month>
<day>99</day>
<page-range>466-474</page-range><publisher-loc><![CDATA[London ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Sage Publications]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B9">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Carlen]]></surname>
<given-names><![CDATA[P.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Women&#8217;s imprisonment: A study in social control]]></source>
<year>1983</year>
<publisher-loc><![CDATA[London ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Routledge & Kegan Paul]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B10">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Carlen]]></surname>
<given-names><![CDATA[P.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Out of care, into custody: Dimensions and deconstructions of the state&#8217;s regulation of twenty-two young working-class women]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Carlen]]></surname>
<given-names><![CDATA[P.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Worrall]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Gender, crime and justice]]></source>
<year>1987</year>
<page-range>126-160</page-range><publisher-loc><![CDATA[Buckingham ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Open University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B11">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Carlen]]></surname>
<given-names><![CDATA[P.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Women, crime and poverty]]></source>
<year>1988</year>
<publisher-loc><![CDATA[Milton Keynes ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Open University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B12">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Carlen]]></surname>
<given-names><![CDATA[P.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Introduction: Women and punishment]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Carlen]]></surname>
<given-names><![CDATA[P.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Women and punishment: The struggle for justice]]></source>
<year>2002</year>
<page-range>3-20</page-range><publisher-loc><![CDATA[Devon ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Willan Publishing]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B13">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Carlen]]></surname>
<given-names><![CDATA[P.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Hicks]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[O&#8217;Dwyer]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Christina]]></surname>
<given-names><![CDATA[D.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Tchaikovsky]]></surname>
<given-names><![CDATA[C.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Criminal women: Autobiographical accounts]]></source>
<year>1985</year>
<publisher-loc><![CDATA[Cambridge ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Polity Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B14">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Chesney-Lind]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[The female offender: Girls, women and crime]]></source>
<year>1997</year>
<publisher-loc><![CDATA[Thousand Oaks ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Sage Publications]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B15">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Cunha]]></surname>
<given-names><![CDATA[M. I.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Malhas que a reclusão tece: Questões de identidade numa prisão feminina]]></source>
<year>1994</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Gabinete de Estudos Jurídico-Sociais do Centro de Estudos Judiciários]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B16">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Cunha]]></surname>
<given-names><![CDATA[M. I.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Entre o bairro e a prisão: Tráfico e trajectos]]></source>
<year>2002</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Fim de Século]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B17">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Gelsthorpe]]></surname>
<given-names><![CDATA[L.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Feminism and criminology]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Maguire]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Morgan]]></surname>
<given-names><![CDATA[R.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Reiner]]></surname>
<given-names><![CDATA[R.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[The Oxford handbook of criminology]]></source>
<year>1997</year>
<page-range>511-534</page-range><publisher-loc><![CDATA[Oxford ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Clarendon Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B18">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Heidensohn]]></surname>
<given-names><![CDATA[F.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Women and crime]]></source>
<year>1985</year>
<publisher-loc><![CDATA[London ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Macmillan Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B19">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Heidensohn]]></surname>
<given-names><![CDATA[F.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Women and crime: Questions for criminology]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Carlen]]></surname>
<given-names><![CDATA[P.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Worrall]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Gender, crime and justice]]></source>
<year>1987</year>
<page-range>16-27</page-range><publisher-loc><![CDATA[Buckingham ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Open University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B20">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Heidensohn]]></surname>
<given-names><![CDATA[F.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Gender and crime]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Maguire]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Morgan]]></surname>
<given-names><![CDATA[R.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Reiner]]></surname>
<given-names><![CDATA[R.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[The Oxford handbook of criminology]]></source>
<year>1997</year>
<page-range>761-796</page-range><publisher-loc><![CDATA[Oxford ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Clarendon Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B21">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Henning]]></surname>
<given-names><![CDATA[K.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Jones]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Holdford]]></surname>
<given-names><![CDATA[R.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Treatment needs of women arrested for domestic violence: A comparison with male offenders]]></article-title>
<source><![CDATA[Journal of Interpersonal Violence]]></source>
<year>2003</year>
<volume>18</volume>
<numero>8</numero>
<issue>8</issue>
<page-range>839-856</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B22">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Holdaway]]></surname>
<given-names><![CDATA[S.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Parker]]></surname>
<given-names><![CDATA[S.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Policing women police: Uniform patrol, promotion and representation in the CID]]></article-title>
<source><![CDATA[The British Journal of Criminology]]></source>
<year>1998</year>
<volume>38</volume>
<page-range>40-60</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B23">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Horn]]></surname>
<given-names><![CDATA[R.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Hollin]]></surname>
<given-names><![CDATA[C.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Police beliefs about women who offend]]></article-title>
<source><![CDATA[Legal and Criminological Psychology]]></source>
<year>1997</year>
<volume>2</volume>
<page-range>193-204</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B24">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Lombroso]]></surname>
<given-names><![CDATA[C.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Ferrero]]></surname>
<given-names><![CDATA[G.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The criminal type in women and its atavistic origin]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Muncie]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[McLaughlin]]></surname>
<given-names><![CDATA[E.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Langlan]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Criminological perspectives: A reader]]></source>
<year>1895</year>
<month>/1</month>
<day>99</day>
<page-range>29-33</page-range><publisher-loc><![CDATA[London ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Sage Publications]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B25">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[MacDonald]]></surname>
<given-names><![CDATA[E.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Matem as mulheres primeiro]]></source>
<year>1998</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Fenda Edições]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B26">
<nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Machado]]></surname>
<given-names><![CDATA[C.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Discursos do medo, imagens do outro: Estudo sobre a insegurança urbana na cidade do Porto]]></source>
<year>2000</year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B27">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Mack]]></surname>
<given-names><![CDATA[K.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Leiber]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Race, gender, single-mother households, and delinquency: A further test of power-control theory]]></article-title>
<source><![CDATA[Youth and Society]]></source>
<year>2005</year>
<volume>37</volume>
<numero>2</numero>
<issue>2</issue>
<page-range>115-144</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B28">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Maher]]></surname>
<given-names><![CDATA[L.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Sexed work: Gender, race and resistance in a Brooklyn drug market]]></source>
<year>1997</year>
<publisher-loc><![CDATA[New York ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Oxford University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B29">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Matos]]></surname>
<given-names><![CDATA[R.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Vidas raras de mulheres comuns: Percursos de vida, significações do crime e construção da identidade em jovens reclusas]]></source>
<year>2008</year>
<publisher-loc><![CDATA[Coimbra ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Almedina Editora]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B30">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[McDermott]]></surname>
<given-names><![CDATA[M. J.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[On moral enterprises, pragmatism and feminist criminology]]></article-title>
<source><![CDATA[Crime and Delinquency]]></source>
<year>2002</year>
<volume>48</volume>
<numero>2</numero>
<issue>2</issue>
<page-range>283-299</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B31">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Messerschmidt]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[From patriarchy to gender: Feminist theory, criminology and the challenge of diversity]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Rafter]]></surname>
<given-names><![CDATA[N.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Heidensohn]]></surname>
<given-names><![CDATA[F.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[International feminist perspectives in criminology: Engendering a discipline]]></source>
<year>1995</year>
<page-range>167-188</page-range><publisher-loc><![CDATA[Buckingham ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Open University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B32">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Miller]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[One of the guys: Girls, gangs and gender]]></source>
<year>2001</year>
<publisher-loc><![CDATA[New York ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Oxford University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B33">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Motz]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[The psychology of female violence: Crimes against the body]]></source>
<year>2001</year>
<publisher-loc><![CDATA[Hove ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Brunner-Routledge]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B34">
<nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Oliveira]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Da prostituição ao trabalho sexual: Actrizes, práticas e contextos]]></source>
<year>2002</year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B35">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Phoenix]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Prostitute identities: Men, money and violence]]></article-title>
<source><![CDATA[British Journal of Criminology]]></source>
<year>2000</year>
<volume>40</volume>
<page-range>37-55</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B36">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Phoenix]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Paradoxical stories of prostitution]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Backett-Milburn]]></surname>
<given-names><![CDATA[K.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[McKie]]></surname>
<given-names><![CDATA[L.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Constructing gendered bodies]]></source>
<year>2001</year>
<page-range>56-79</page-range><publisher-loc><![CDATA[London ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Palgrave]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B37">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Rafter]]></surname>
<given-names><![CDATA[N.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Heidensohn]]></surname>
<given-names><![CDATA[F.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[International feminist perspectives in criminology: Engendering a discipline]]></source>
<year>1995</year>
<publisher-loc><![CDATA[Buckingham ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Open University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B38">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Smart]]></surname>
<given-names><![CDATA[C.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Feminist approaches to criminology or postmodern woman meets atavistic man]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Muncie]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[McLaughlin]]></surname>
<given-names><![CDATA[E.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Langlan]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Criminological perspectives: A reader]]></source>
<year>1990</year>
<month>/1</month>
<day>99</day>
<page-range>453-465</page-range><publisher-loc><![CDATA[London ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Sage Publications]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B39">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Snider]]></surname>
<given-names><![CDATA[L.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Constituting the punishable woman: Atavistic man incarcerates postmodern woman]]></article-title>
<source><![CDATA[British Journal of Criminology]]></source>
<year>2003</year>
<volume>43</volume>
<page-range>354-378</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B40">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Sommers]]></surname>
<given-names><![CDATA[I.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Baskin]]></surname>
<given-names><![CDATA[D.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Situational or generalized violence in drug dealing networks]]></article-title>
<source><![CDATA[Journal of Drug Issues]]></source>
<year>1997</year>
<volume>27</volume>
<numero>4</numero>
<issue>4</issue>
<page-range>833-851</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B41">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Swan]]></surname>
<given-names><![CDATA[S.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Snow]]></surname>
<given-names><![CDATA[D.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[A typology of women&#8217;s use of violence in intimate relationships]]></article-title>
<source><![CDATA[Violence Against Women]]></source>
<year>2002</year>
<volume>8</volume>
<numero>3</numero>
<issue>3</issue>
<page-range>286-319</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B42">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Wilczynski]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Mad or bad?: Child-killers, gender and the courts]]></article-title>
<source><![CDATA[British Journal of Criminology]]></source>
<year>1997</year>
<volume>37</volume>
<numero>3</numero>
<issue>3</issue>
<page-range>419-436</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B43">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Worcester]]></surname>
<given-names><![CDATA[N.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Women&#8217;s use of force]]></article-title>
<source><![CDATA[Violence Against Women]]></source>
<year>2002</year>
<volume>8</volume>
<numero>11</numero>
<issue>11</issue>
<page-range>1390-1415</page-range></nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
