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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O &#8216;problema da droga&#8217;: Sua construção, desconstrução e reconstrução]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Negative representations regarding the use of psychoactive substances have long been prevailing, because this practice continues to be analyzed from a problematic standpoint. Alternative forms of illicit drug use persist, therefore, doomed to relative ignorance. It continues to be avoided the debate about the hedonistic dimensions of illicit drug use and about the patterns of illicit drug use that are effectively conciliated with the &#8216;conventional&#8217; life. However, in the last years there has been an increase of academic work (mainly anthropological and sociological) that focus on experiences of illicit drug use that do not fit in &#8216;problematic&#8217; patterns and that provide a more proper understanding about this practice and about its protagonists. Such studies have shown that the use of illicit drugs, just as it was constructed as a problem, can be deconstructed and reconstructed in alternative ways, thus defying the dominant discourses. This exercise of constructing and deconstructing the &#8216;drug problem&#8217;, as well as reconstructing this phenomenon in alternative ways is the main purpose of the present article.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Consumos &#8216;não problemáticos&#8217;]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p><B>O &lsquo;problema da droga&rsquo;: Sua constru&ccedil;&atilde;o, desconstru&ccedil;&atilde;o e reconstru&ccedil;&atilde;o </B></p>     <p><b>Olga Souza Cruz*; Carla Machado** e Lu&iacute;s Fernandes*** </b></P >     <p>*Instituto Superior da Maia; </P >     <p>**Escola de Psicologia, Universidade do Minho; </P >     <p>***FPCE, Universidade do Porto </P >     <p><a name="top0"></a><a href="#0">Correspond&ecirc;ncia</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>      <p>Representa&ccedil;&otilde;es negativas sobre a utiliza&ccedil;&atilde;o de subst&acirc;ncias psicoactivas predominam desde h&aacute; muito, em grande medida, pelo facto de esta pr&aacute;tica continuar a ser analisada a partir de uma perspectiva problem&aacute;tica. Manifesta&ccedil;&otilde;es alternativas persistem, portanto, votadas a uma relativa ignor&acirc;ncia, continuando a evitar-se o debate acerca das suas dimens&otilde;es hedon&iacute;sticas e dos padr&otilde;es de consumo que s&atilde;o eficazmente conciliados com a vida convencional. Nos &uacute;ltimos anos tem-se assistido, todavia, a um aumento dos trabalhos acad&eacute;micos (sobretudo antropol&oacute;gicos e sociol&oacute;gicos) centrados em experi&ecirc;ncias que n&atilde;o se enquadram em padr&otilde;es &lsquo;problem&aacute;ticos&rsquo; e que promovem um entendimento mais adequado sobre esta pr&aacute;tica e os seus protagonistas. Tais trabalhos t&ecirc;m mostrado que, tal como foi constru&iacute;do como um problema, este fen&oacute;meno pode ser desconstru&iacute;do e reconstru&iacute;do em moldes alternativos, desafiando, assim, os discursos dominantes. &Eacute; a este exerc&iacute;cio de constru&ccedil;&atilde;o e desconstru&ccedil;&atilde;o do &lsquo;problema da droga&rsquo;, assim como de reconstru&ccedil;&atilde;o do fen&oacute;meno em moldes alternativos, que dedicamos o presente artigo. </P >    <p><B>Palavras-chave: </B>Consumos &lsquo;n&atilde;o problem&aacute;ticos&rsquo;, Consumos &lsquo;problem&aacute;ticos&rsquo;, Utiliza&ccedil;&atilde;o de drogas il&iacute;citas. </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>Negative representations regarding the use of psychoactive substances have long been prevailing, because this practice continues to be analyzed from a problematic standpoint. Alternative forms of illicit drug use persist, therefore, doomed to relative ignorance. It continues to be avoided the debate about the hedonistic dimensions of illicit drug use and about the patterns of illicit drug use that are effectively conciliated with the &lsquo;conventional&rsquo; life. However, in the last years there has been an increase of academic work (mainly anthropological and sociological) that focus on experiences of illicit drug use that do not fit in &lsquo;problematic&rsquo; patterns and that provide a more proper understanding about this practice and about its protagonists. Such studies have shown that the use of illicit drugs, just as it was constructed as a problem, can be deconstructed and reconstructed in alternative ways, thus defying the dominant discourses. This exercise of constructing and deconstructing the &lsquo;drug problem&rsquo;, as well as reconstructing this phenomenon in alternative ways is the main purpose of the present article. </p>     <p><B>Key-words: </B>Illicit drug use, &lsquo;Non problematic&rsquo; use of illicit drugs, &lsquo;Problematic&rsquo; use of illicit drugs. </P >     <p>&nbsp;</P >     <p>A CONSTRU&Ccedil;&Atilde;O DO &lsquo;PROBLEMA DA DROGA&rsquo; </P >    <p>Compreender o processo de constru&ccedil;&atilde;o social da droga como um problema (de delinqu&ecirc;ncia ou de doen&ccedil;a) implica recuar ao s&eacute;culo XIX para rever a emerg&ecirc;ncia, na Am&eacute;rica do Norte, dos primeiros modelos de entendimento e controlo do seu uso, o pol&iacute;tico-jur&iacute;dico e o m&eacute;dico-psicol&oacute;gico, que a partir da&iacute; se estenderam &agrave; globalidade do mundo ocidental (Barbosa, 2006; Roman&iacute;, 2003). De facto, at&eacute; &agrave; segunda metade do s&eacute;culo XIX o uso de subst&acirc;ncias psicoactivas era tido apenas como uma das muitas pr&aacute;ticas sociais/culturais, n&atilde;o sendo encarado como um problema nem como um alvo de preocupa&ccedil;&atilde;o ou mediatiza&ccedil;&atilde;o sociais e n&atilde;o sendo controlado pelos governos (Escohotado, 1996/2004; Ribeiro, 1995; Roman&iacute;, 2008; Szasz, 1992). </P >     <p>Apesar das suas particularidades, os referidos entendimentos evidenciam v&aacute;rios pontos de contacto, desde logo pelos seus intentos de erradicar as drogas/promover a abstin&ecirc;ncia e de operar como meios de controlo social (Barbosa, 2006; Roman&iacute;, 2003). Estes s&atilde;o, ali&aacute;s, frequentemente criticados, por se considerar que resultam de uma constru&ccedil;&atilde;o social operada por grupos sociais poderosos, associados sobretudo &agrave; religi&atilde;o, &agrave; pol&iacute;tica e &agrave; ind&uacute;stria, em especial a que produz substitutos legais para as subst&acirc;ncias il&iacute;citas (Becker, 1963/1973; Szasz, 1992; Thornton &amp; Bowmaker, s/d). A &ecirc;nfase, comum aos dois modelos, das limita&ccedil;&otilde;es dos sujeitos, em detrimento de factores externos, para explicar o &lsquo;problema das drogas&rsquo; (Humphreys &amp; Rappaport, 1993) tem permitido identificar &lsquo;bodes expiat&oacute;rios&rsquo;, nos quais se depositam temores e problemas sociais, e que legitimam o aumento do controlo estatal, social e m&eacute;dico. Ambos os entendimentos encaram o consumo como um afastamento em rela&ccedil;&atilde;o a uma norma (criminal, patol&oacute;gica ou uma combina&ccedil;&atilde;o de ambas) e, apesar de usarem argumentos envoltos numa linguagem cient&iacute;fica, s&atilde;o perpassados por conceptualiza&ccedil;&otilde;es morais (Roman&iacute;, 2003). Al&eacute;m disso, &eacute; frequente o cruzamento dos modelos politico-jur&iacute;dico e medico-psicol&oacute;gico, quer pela sua altern&acirc;ncia quer pela sua combina&ccedil;&atilde;o, enquanto explica&ccedil;&atilde;o dominante para as drogas (Barbosa, 2006; Szasz, 1992; Thornton &amp; Bowmaker, s/d). </P >     <p><I>Discursos &lsquo;tradicionais&rsquo;: Modelo pol&iacute;tico-jur&iacute;dico </I></P >    <p>O modelo politico-jur&iacute;dico foi amplamente impulsionado pelo movimento social de &lsquo;cruzada&rsquo; contra as drogas, dinamizado na Am&eacute;rica do Norte em finais do s&eacute;culo XIX, onde, sensivelmente na mesma altura, se inaugurou a implementa&ccedil;&atilde;o de estrat&eacute;gias proibicionistas, a criminaliza&ccedil;&atilde;o dos consumidores e a aprova&ccedil;&atilde;o de diversas legisla&ccedil;&otilde;es que vieram alterar o seu perfil, passando a represent&aacute;-lo como delinquente (Barbosa, 2006; Escohotado, 1996/2004; Roman&iacute;, 2003; Szasz, 1992). Norteada por uma apologia do puritanismo e da temperan&ccedil;a, e por uma propens&atilde;o para o etnocentrismo, a Am&eacute;rica do Norte impulsionou v&aacute;rias discuss&otilde;es sobre as drogas entre a comunidade internacional, para persuadir da necessidade de pol&iacute;ticas proibicionistas (Fernandes, 2009; Roman&iacute;, 2003; Szasz, 1992; Thornton &amp; Bowmaker, s/d). </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A partir destes esfor&ccedil;os, o entendimento pol&iacute;tico-jur&iacute;dico, que enfatiza o bin&oacute;mio droga-delin qu&ecirc;ncia e a relev&acirc;ncia de medidas proibicionistas e de controlo e repress&atilde;o sociais, manteve-se hegem&oacute;nico, no mundo ocidental, durante todo o s&eacute;culo XX (Barbosa, 2006; Roman&iacute;, 2003; Szasz, 1992; Thornton &amp; Bowmaker, s/d). </P >    <p>Em Portugal o &lsquo;problema da droga&rsquo; conta com cerca de trinta anos, n&atilde;o havendo, at&eacute; ent&atilde;o, preocupa&ccedil;&otilde;es de aniquilar as drogas, de diminuir o seu uso ou de intervir nas suas consequ&ecirc;ncias sociais e sanit&aacute;rias. At&eacute; por volta de 1980 as poucas legisla&ccedil;&otilde;es que existiam a este n&iacute;vel, decorrentes das conven&ccedil;&otilde;es internacionais, visavam regular e inspeccionar o uso destas subst&acirc;ncias, e s&oacute; com o Decreto-Lei n&ordm; 420/70 &eacute; que se inaugurou uma pol&iacute;tica criminalizadora (Barbosa, 2006). As duas primeiras campanhas p&uacute;blicas contra as drogas exemplificam o alarmismo social fomentado pelo governo portugu&ecirc;s na aus&ecirc;ncia de dados justificativos. A utiliza&ccedil;&atilde;o de tais campanhas pelo poder pol&iacute;tico pode, assim, ser entendida como uma forma de construir estas subst&acirc;ncias enquanto amea&ccedil;a externa para, desse modo, condicionar os indiv&iacute;duos em fun&ccedil;&atilde;o dos interesses a defender e afastar responsabilidades pelo problema. </P >    <p>De facto, a preocupa&ccedil;&atilde;o social e o medo sobre as drogas, fomentado por certos grupos com poder, inclusive pela sua mediatiza&ccedil;&atilde;o e pela potencia&ccedil;&atilde;o de um sentimento de p&acirc;nico moral, tem vindo a desempenhar um papel central na constru&ccedil;&atilde;o do &lsquo;problema da droga&rsquo;. Em per&iacute;odos de poder pol&iacute;tico conservador, e em particular de tens&atilde;o social, estas subst&acirc;ncias tendem a ser reprovadas e encaradas como um problema individual motivado por defeitos dos sujeitos (Humphreys &amp; Rappaport, 1993). Todavia, &eacute; de notar que os mesmos grupos com poder que em certas ocasi&otilde;es protagonizam ac&eacute;rrimas apologias do proibicionismo, noutras alturas promovem o consumo, como ocorreu em diversas situa&ccedil;&otilde;es de guerra nas quais os governos forneciam drogas aos soldados. </P >    <p>Globalmente, o esp&iacute;rito proibicionista de que temos vindo a dar conta persiste em todo o ocidente, sendo revitalizado mesmo depois de fases de perda de influ&ecirc;ncia a favor de outros entendimentos. </P >    <p><I>Discursos &lsquo;tradicionais&rsquo;: Modelo m&eacute;dico-psicol&oacute;gico </I></P >    <p>As origens do modelo m&eacute;dico remontam ao final do s&eacute;culo XIX, quando m&eacute;dicos ingleses e americanos principiaram o debate sobre a &ldquo;&lsquo;doen&ccedil;a&rsquo; da adi&ccedil;&atilde;o de droga&rdquo; (Wilbanks, 1989, p. 409). </P >    <p>Este entendimento encara o consumo como um problema m&eacute;dico, o consumidor como um doente necessitado de ajuda externa e o recurso a estrat&eacute;gias terap&ecirc;uticas, implementadas por profissionais de sa&uacute;de especializados e destinadas a promover a abstin&ecirc;ncia, como a interven&ccedil;&atilde;o adequada. Esta explica&ccedil;&atilde;o contribuiu para que, por volta de 1910, surgisse um modelo amadurecido da &lsquo;doen&ccedil;a da adi&ccedil;&atilde;o&rsquo; (Wilbanks, 1989) acompanhado de uma linguagem pr&oacute;pria, com no&ccedil;&otilde;es como depend&ecirc;ncia, <I>craving</I>, s&iacute;ndroma de abstin&ecirc;ncia e toler&acirc;ncia (Keene, 2001). Tais conceitos, ainda hoje amplamente usados, apontam para uma compuls&atilde;o (psicol&oacute;gica e fisiol&oacute;gica) de consumo irrefre&aacute;vel, que ultrapassa a for&ccedil;a de vontade do sujeito (Wilbanks, 1989). Adopta-se, assim, uma vis&atilde;o incapacitante dos consumidores, que s&atilde;o patologizados (Barbosa, 2006; Roman&iacute;, 2003), desresponsabilizados pelo seu consumo, tidos como pouco esclarecidos sobre o mesmo, como incapazes de o resolver sozinhos (Wilbanks, 1989) e como pouco aptos para tomar decis&otilde;es, o que permite legitimar os tratamentos coercivos (Fernandes, 2009; Roman&iacute;, 2003). </P >    <p>A relev&acirc;ncia deste modelo consagrou-se sobretudo a partir de 1956, quando a Associa&ccedil;&atilde;o M&eacute;dica Americana come&ccedil;ou a equiparar o alcoolismo &agrave; doen&ccedil;a (Wilbanks, 1989), e o seu auge ocorreu durante a epidemia do VIH/SIDA, quando se constatou a inefic&aacute;cia do modelo pol&iacute;tico-jur&iacute;dico para lidar com tal problema (Roman&iacute;, 2003; Stevens, 2007). No &acirc;mbito desta conceptualiza&ccedil;&atilde;o m&eacute;dico-psicol&oacute;gica e tradicional das drogas &eacute; poss&iacute;vel englobar v&aacute;rias abordagens que, genericamente, agrupamos em neurofisiol&oacute;gicas e em psicopatol&oacute;gicas e psicol&oacute;gicas. </P >     <p>Neurofisiologicamente cr&ecirc;-se que as v&aacute;rias subst&acirc;ncias psicoactivas interferem com a troca de neurotransmissores, como a serotonina e a dopamina, largamente respons&aacute;veis pela regula&ccedil;&atilde;o do prazer e dos estados de humor, sendo capazes de potenciar um estado refor&ccedil;ador de euforia e prazer, de um modo relativamente independente das circunst&acirc;ncias psicol&oacute;gicas e sociais em que o consumo ocorre (Weinberg, 2002). Considera-se, assim, que um uso continuado pode provocar uma adapta&ccedil;&atilde;o neurofisiol&oacute;gica refor&ccedil;adora, que contribui para a toler&acirc;ncia das drogas e, consequentemente, para estados de anedonia e de sintomas de abstin&ecirc;ncia na sua aus&ecirc;ncia (ibidem). </P >     <p>Quanto &agrave;s abordagens psicopatol&oacute;gicas e psicol&oacute;gicas, a psican&aacute;lise &eacute; comummente reconhecida como o ber&ccedil;o das conceptualiza&ccedil;&otilde;es sobre a depend&ecirc;ncia, remontando ao final do s&eacute;culo XIX as primeiras formula&ccedil;&otilde;es sobre a mesma (Ribeiro, 1995). Apesar dos diferentes quadros de refer&ecirc;ncia integrados nesta corrente, h&aacute; certas dimens&otilde;es que as perpassam, como a valoriza&ccedil;&atilde;o de modelos compreensivos, que enfatizam o papel dos significados, das no&ccedil;&otilde;es de regress&atilde;o e identifica&ccedil;&atilde;o, e de aspectos relacionados com a biografia do consumidor (Agra &amp; Fernandes, 1993). A perspectiva dos quadros cl&iacute;nicos destaca-se pelas suas preocupa&ccedil;&otilde;es nosogr&aacute;ficas, procurando classificar os consumos em fun&ccedil;&atilde;o de desordens ps&iacute;quicas. A toxicodepend&ecirc;ncia &eacute;, neste sentido, equiparada a perturba&ccedil;&atilde;o mental, associada a quadros psicopatol&oacute;gicos e compreendida atrav&eacute;s de no&ccedil;&otilde;es como depend&ecirc;ncia e escalada (Agra &amp; Fernandes, 1993). Outra abordagem &eacute; a que procura reconhecer personalidades que predisp&otilde;e para o uso de subst&acirc;ncias psicoactivas, e que se desdobra em tr&ecirc;s grandes vertentes: a das personalidades toxicof&iacute;licas (que tenta identificar uma estrutura da personalidade t&iacute;pica do consumidor e respons&aacute;vel pelo seu uso/abuso das drogas), a dos perfis <I>border-line </I>(que inaugura a valoriza&ccedil;&atilde;o de diferentes perfis de personalidade, concretamente os dos estados-limite, e da compreens&atilde;o do funcionamento din&acirc;mico do sujeito e das suas especificidades psicol&oacute;gicas), e a da &ldquo;investiga&ccedil;&atilde;o descritiva da personalidade&rdquo; (que enceta o recurso a no&ccedil;&otilde;es como autoconceito, auto-estima, autocontrolo e resist&ecirc;ncia &agrave; frustra&ccedil;&atilde;o para explicar o consumo e a depend&ecirc;ncia) (Agra &amp; Fernandes, 1993, p. 59). A perspectiva comportamental, por sua vez, atribui o uso de drogas a um h&aacute;bito do sujeito, que se tende a manter por ser mais refor&ccedil;ador do que outros (Wilbanks, 1989), tanto de forma positiva (e.g., para usufruir do prazer) como negativa (e.g., para terminar os sintomas de abstin&ecirc;ncia) (Skinner, 1953/1981). Por fim, as explica&ccedil;&otilde;es cognitivistas enfatizam o papel das cogni&ccedil;&otilde;es, sobretudo das cren&ccedil;as irracionais dos consumidores que facilitam o uso de drogas, como a da baixa toler&acirc;ncia &agrave; frustra&ccedil;&atilde;o e a da depend&ecirc;ncia como forma de afastamento face aos problemas (Ellis, McInerney, DiGiuseppe, &amp; Yeager, 1988). </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A DESCONSTRU&Ccedil;&Atilde;O DO &lsquo;PROBLEMA DA DROGA&rsquo; </P >    <p>Al&eacute;m dos discursos &lsquo;tradicionais&rsquo;, anteriormente analisados, t&ecirc;m vindo a ser desenvolvidos entendimentos alternativos que permitem um olhar mais abrangente sobre o consumo e a desconstru&ccedil;&atilde;o do &lsquo;problema da droga&rsquo;, e que organizamos em dois grandes grupos, o dos discursos &lsquo;alternativos&rsquo; e o dos discursos &lsquo;cr&iacute;ticos&rsquo;. </P >    <p><I>Discursos &lsquo;alternativos&rsquo;: Antropologia e sociologia </I></P >    <p>Sob a designa&ccedil;&atilde;o de &lsquo;alternativos&rsquo; agrupamos entendimentos sobre as drogas, provenientes da antropologia e da sociologia desenvolvida a partir da segunda metade do s&eacute;culo XX, que real&ccedil;am as limita&ccedil;&otilde;es dos modelos politico-jur&iacute;dico e medico-psicol&oacute;gico e que se afastam deles, quer pelos objectos e m&eacute;todos de estudo que privilegiam quer pela sua tentativa de &lsquo;normalizar&rsquo; o comportamento transgressivo. </P >    <p>Estas conceptualiza&ccedil;&otilde;es introduzem novidades para a compreens&atilde;o das drogas, desde logo, ao considerarem que os seus usos e abusos n&atilde;o resultam directamente das dimens&otilde;es farmacol&oacute;gicas das subst&acirc;ncias nem de caracter&iacute;sticas dos consumidores, dependendo de diversos condicionalismos, inclusive sociais, culturais, e pessoais, como os significados que lhe s&atilde;o outorgados e que s&atilde;o socialmente influenciados (Pallar&eacute;s, 1995/1996; Roman&iacute;, 2008; Tinoco, 1999). Real&ccedil;am, tamb&eacute;m, que os consumos se revestem de m&uacute;ltiplos significados e que t&ecirc;m de ser compreendidos no contexto temporal, espacial e social em que emergem (Young, 1971). Recusam, assim, explica&ccedil;&otilde;es que o reduzem a um problema de delinqu&ecirc;ncia ou de doen&ccedil;a, encarando-o a partir da tr&iacute;ade subst&acirc;ncia-sujeito-meio. Deste modo, ao inv&eacute;s de uma postura reducionista, que olha somente para as dimens&otilde;es negativas, tais abordagens admitem a exist&ecirc;ncia de m&uacute;ltiplos tipos de utiliza&ccedil;&otilde;es e utilizadores, e consideram que o percurso do consumo &eacute; amplamente influenciado pela reac&ccedil;&atilde;o social, que, por seu turno, &eacute; condicionada pelo p&acirc;nico moral que sobre ele se foi construindo. O desvio &eacute; tido, portanto, como o produto de um processo de interac&ccedil;&atilde;o social, e n&atilde;o como um atributo inerente ao comportamento, e, ao inv&eacute;s do foco causal e correlacional, privilegia-se a compreens&atilde;o das especificidades do sujeito que usa as drogas, assim como um interesse naturalista, contextualizado, participante, descritivo e centrado nos significados que os pr&oacute;prios atribuem &agrave;s suas ac&ccedil;&otilde;es (Agra &amp; Fernandes, 1993; Moore, 2002). </P >    <p>Englobamos os contributos antropol&oacute;gicos nos discursos &lsquo;alternativos&rsquo;, desde logo, pela sua preocupa&ccedil;&atilde;o de partir das perspectivas dos pr&oacute;prios actores, mas sem descurar a an&aacute;lise das dimens&otilde;es simb&oacute;licas das sociedades e culturas, recorrendo amplamente &agrave; compara&ccedil;&atilde;o e ao m&eacute;todo etnogr&aacute;fico. Estes ensinamentos removem o pendor problem&aacute;tico outorgado &agrave;s drogas (Agra &amp; Fernandes, 1993), inclusive ao mostrar que, do ponto de vista hist&oacute;rico, admitir-se a exist&ecirc;ncia de consumos &lsquo;n&atilde;o problem&aacute;ticos&rsquo; n&atilde;o constitui grande novidade. Alertam, tamb&eacute;m, para a transversalidade do uso de v&aacute;rias subst&acirc;ncias psicoactivas ao longo da hist&oacute;ria da humanidade numa busca de estados alterados de consci&ecirc;ncia, assim como para os in&uacute;meros significados e funcionalidades que o caracterizam, desde as mais instrumentais (e.g., auto-cuidado) &agrave;s mais expressivas (e.g., pr&aacute;ticas religiosas, prazer) (Escohotado, 1996/2004; Pallar&eacute;s, 1995/1996; Ribeiro, 1995; Roman&iacute;, 2008). Outro contributo antropol&oacute;gico relevante prende-se com a conceptualiza&ccedil;&atilde;o do consumo como fruto de um processo de aprendizagem que ao focar, entre outros, a sua perigosidade e necessidade de pondera&ccedil;&atilde;o, potencia o seu car&aacute;cter funcional e evita a sua disrup&ccedil;&atilde;o. &Eacute;, portanto, enfatizado o controlo informal, exercido tanto pela colectividade como pelos utilizadores, embora muitas vezes de forma inconsciente (Pallar&eacute;s, 1995/1996; Ribeiro, 1995; Roman&iacute;, 2008). </P >    <p>Quanto aos ensinamentos sociol&oacute;gicos que ajudam a desconstruir o &lsquo;problema da droga&rsquo; &eacute; de sublinhar, desde logo, o interaccionismo simb&oacute;lico, por considerar que a sociedade &eacute; constitu&iacute;da por agentes sociais activos, o que exige atender ao n&iacute;vel micro, dos significados, s&iacute;mbolos e interac&ccedil;&otilde;es (Blumer, 1969/1982). De salientar, tamb&eacute;m, o car&aacute;cter significante que reconhecem ao comportamento humano e &agrave; vida social, assim como a valoriza&ccedil;&atilde;o de metodologias que d&atilde;o voz aos pr&oacute;prios actores e que permitem perceber o enquadramento situacional em que se inserem (ibidem). Neste sentido, considera-se que o consumo depende do sentido que este faz para o sujeito, dos significados que este lhe atribui e do modo como tal experi&ecirc;ncia &eacute; integrada na sua hist&oacute;ria (ibidem). </P >    <p>Real&ccedil;a-se, tamb&eacute;m, a <I>new deviance theory</I>, pela relev&acirc;ncia que assaca aos modelos processuais da desvi&acirc;ncia, ao interaccionismo simb&oacute;lico e &agrave; teoria da rotulagem, caracterizando o sujeito como activo, com capacidade reflexiva e respons&aacute;vel pelas suas escolhas, e a sociedade como fruto de uma pluralidade de valores, por integrar v&aacute;rios grupos com interesses distintos, que por vezes concordam e cooperam e por outras discordam e entram em conflito (Becker, 1963/1973; Young, 1971). Igualmente relevantes s&atilde;o as suas no&ccedil;&otilde;es de que os consumos podem ocorrer por prazer e de que a desvi&acirc;ncia n&atilde;o &eacute; uma caracter&iacute;stica intr&iacute;nseca ao comportamento (Becker, 1963/1973; Matza, 1969; Young, 1971). &Eacute;, portanto, reconhecido o papel determinante da rotulagem, por se crer que uma conduta s&oacute; &eacute; definida como desviante quando algu&eacute;m, com certos valores, actua de certa forma e esta ac&ccedil;&atilde;o &eacute; rotulada como tal por grupos com valores distintos, poderosos e capazes de impor os seus valores, inclusive pelo controlo que det&ecirc;m sobre mecanismos ideol&oacute;gicos e repressivos (Becker, 1963/1973; Young, 1971). A teoria da rotulagem afigura-se-nos igualmente central ao alertar para a possibilidade de a rotula&ccedil;&atilde;o social actuar como uma profecia que se autocumpre, por constranger as poss&iacute;veis escolhas futuras do sujeito. Isto porque o r&oacute;tulo tende a reunir a aten&ccedil;&atilde;o de terceiros no estatuto que promove e a dificultar a aprecia&ccedil;&atilde;o de outros estatutos e pap&eacute;is sociais, facilitando a interioriza&ccedil;&atilde;o da ideia de incapacidade para se desvincular de tal etiqueta e da percep&ccedil;&atilde;o de que a &uacute;nica op&ccedil;&atilde;o &eacute; manter o comportamento, assim como a altera&ccedil;&atilde;o na auto-percep&ccedil;&atilde;o da desvi&acirc;ncia, pela sobrevaloriza&ccedil;&atilde;o desta caracter&iacute;stica em detrimento de outras (Lemert, 1972, citado por Moore, 2002; Young, 1971). De acordo com a teoria da rotulagem, as imagens veiculadas sobre as drogas s&atilde;o distorcidas nos seus conte&uacute;dos e amplitude, em grande medida pela fun&ccedil;&atilde;o amplificadora da comunica&ccedil;&atilde;o social, promotora do p&acirc;nico moral que, por seu turno, contribui para o incremento das estat&iacute;sticas sobre o fen&oacute;meno (Becker, 1963/1973; Young, 1971). </P >    <p>No &acirc;mbito destes discursos &lsquo;alternativos&rsquo; valorizamos particularmente as obras de Becker (1963/1973), Matza (1964, 1969) e Goffman (1963/1975), desde logo, por proporem modos alternativos aos tradicionais para analisar a conduta de indiv&iacute;duos etiquetados como desviantes, tanto em termos conceptuais (ao alertar para o car&aacute;cter constru&iacute;do da norma e do desvio), como metodol&oacute;gicos (pelo recurso &agrave; investiga&ccedil;&atilde;o etnogr&aacute;fica). Igualmente central parece-nos ser a sua perspectiva de que sujeitos normais e estigmatizados partilham valores id&ecirc;nticos, o que aponta para a aus&ecirc;ncia de uma ruptura abrupta entre eles, bem como de que o consumo tem de ser entendido como um processo, com fases distintas nas quais operam condicionalismos espec&iacute;ficos (Becker, 1963/1973; Goffman, 1963/1975; Matza, 1964, 1969). Prop&otilde;e, portanto, teorias processuais, que afastam preocupa&ccedil;&otilde;es causalistas e real&ccedil;am as aprendizagens que o sujeito realiza na interac&ccedil;&atilde;o com outros grupos (ibidem). Defendem, tamb&eacute;m, s&oacute; haver uma carreira nas drogas quando o indiv&iacute;duo progride nas v&aacute;rias fases do processo, realiza as aprendizagens necess&aacute;rias e modifica a sua auto-imagem, interiorizando uma significa&ccedil;&atilde;o das subst&acirc;ncias como parte fundamental da sua vida, assim como uma identidade desviante (ibidem). Igualmente centrais parecem-nos ser os contributos de Matza (1964), ao enfatizar que o processo de se tornar desviante envolve algum determinismo e influ&ecirc;ncia externa mas tamb&eacute;m a ag&ecirc;ncia e capacidade de tomada de decis&atilde;o dos indiv&iacute;duos, e que a conduta transgressiva se reveste de alguma racionalidade, que capacita os indiv&iacute;duos a adaptarem os seus valores convencionais para justificar a ac&ccedil;&atilde;o desviante e para facilitar o envolvimento na mesma. </P >    <p><I>Discursos &lsquo;cr&iacute;ticos&rsquo;: Consumidores e outros defensores do direito ao consumo </I></P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Designamos de &lsquo;cr&iacute;tico&rsquo; um discurso actual sobre as drogas que nos parece mais arrojado face ao estado da arte, tanto pelas ideias que veicula como pelos apoiantes que envolve. Trata-se, em geral, de colectividades constitu&iacute;das por consumidores e n&atilde;o consumidores (inclusive pessoas que trabalham na &aacute;rea das drogas), que t&ecirc;m ganho algum poder e relevo social nos &uacute;ltimos anos, e que defendem que o consumo n&atilde;o &eacute; necessariamente problem&aacute;tico e que se inscreve no direito ao prazer, quando n&atilde;o acarreta preju&iacute;zos significativos (Fernandes, 2009; Stevens, 2007). Apoiam, portanto, a adop&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas de redu&ccedil;&atilde;o de riscos, o fim do proibicionismo, a descriminaliza&ccedil;&atilde;o do consumo (sobretudo de canabin&oacute;ides) e a sua regula&ccedil;&atilde;o (ENCOD, 2010; Farr; 1990; Fernandes, 2009; Transform Drug Policy Foundation, 2009). Igualmente relevantes s&atilde;o os movimentos de apoio a popula&ccedil;&otilde;es ind&iacute;genas, que reclamam o seu direito de liberdade religiosa, no qual enquadram o uso imemorial de certas subst&acirc;ncias alucinog&eacute;neas, considerando que as pol&iacute;ticas proibicionistas o violam (Farr, 1990). </P >    <p>A RECONSTRU&Ccedil;&Atilde;O DO FEN&Oacute;MENO DA DROGA </P >    <p>V&aacute;rios trabalhos recentes sobre as drogas, desenvolvidos quer pela comunidade cient&iacute;fica (em especial nas &aacute;reas da psicologia e sociologia) quer por organismos oficiais (tratando-se, sobretudo, de estudos epidemiol&oacute;gicos), permitem reconstruir este fen&oacute;meno em moldes alternativos e mais adequados. Isto porque, desde logo, criticam a tend&ecirc;ncia generalizada de sobrevaloriza&ccedil;&atilde;o dos aspectos problem&aacute;ticos das drogas e de neglig&ecirc;ncia das suas dimens&otilde;es hedon&iacute;sticas e do prazer enquanto motivo para o consumo (Agra &amp; Fernandes, 1993; Fernandes &amp; Carvalho, 2003; Rovira &amp; Hidalgo, 2003; Smith &amp; Smith, 2005; Stevens, 2007). Reconhecem, portanto, dimens&otilde;es positivas nesta pr&aacute;tica, mas n&atilde;o negam os riscos de todas as drogas, l&iacute;citas ou il&iacute;citas (Carvalho, 2007; Gamella &amp; Rold&aacute;n, 1999; Pallar&eacute;s, 1995/1996; Roman&iacute;, 2008; Rovira &amp; Hidalgo, 2003; Szasz, 1992). Globalmente, estes trabalhos sublinham a necessidade de uma compreens&atilde;o hol&iacute;stica e multidisciplinar do uso e abuso das drogas, que atenda a todos os seus condicionantes, inclusive farmacol&oacute;gicos, biol&oacute;gicos, psicol&oacute;gicos, socioecon&oacute;micos, culturais e relacionados com o tipo de consumo (e.g., subst&acirc;ncias usadas, quantidade, regularidade e modo de ingest&atilde;o) (Agra &amp; Fernandes, 1993; Figueiredo, 2002; Pallar&eacute;s, 1995/1996; Torres, Lito, Sousa, &amp; Maciel, 2008). Declinam-se, assim, concep&ccedil;&otilde;es reducionistas, como as que atribuem os problemas com as drogas &agrave;s suas propriedades farmacol&oacute;gicas (Gamella &amp; Rold&aacute;n, 1999; Roman&iacute;, 2008; San Juli&aacute;n &amp; Valenzuela, 2009), ou as que veiculam uma ideia de escalada inevit&aacute;vel, tanto nas drogas usadas como no car&aacute;cter problem&aacute;tico do consumo (Agra &amp; Fernandes, 1993; Figueiredo, 2002; Pallar&eacute;s, 1995/1996). </P >     <p>Tais trabalhos alertam para a exist&ecirc;ncia de v&aacute;rios tipos de consumos e consumidores, inclusive os que n&atilde;o se enquadram nas tradicionais representa&ccedil;&otilde;es problem&aacute;ticas (Calado, 2006; Galhardo, Cardoso, &amp; Marques, 2006; Gourley, 2004; Hser, Longshore, &amp; Anglin, 2007; Keene, 2001; OEDT, 2009; Pallar&eacute;s, 1995/1996; Pilkington, 2006; Stevens, 2007; Taylor, 2008). Nesta l&oacute;gica, os consumos costumam ser diferenciados a partir da sua regularidade (e perigosidade associada) &ndash; nomeadamente em experimentais, espor&aacute;dicos, habituais, abusivos e dependentes &ndash;, embora se defenda que n&atilde;o h&aacute; uma progress&atilde;o inevit&aacute;vel (rejeitando-se a ideia de escalada) e que &eacute; poss&iacute;vel permanecer num qualquer n&iacute;vel precoce e nunca experienciar depend&ecirc;ncia nem preju&iacute;zos significativos (Figueiredo, 2002; Pallar&eacute;s, 1995/1996). Alguns estudos destacam que grande parte dos consumidores nunca desenvolve usos abusivos ou dependentes (Figueiredo, 2002; Frisher &amp; Beckett, 2006; Keene, 2001; Pallar&eacute;s, 1995/1996; Pilkington, 2006; Taylor, 2008), e que, para a sua maioria, esta pr&aacute;tica n&atilde;o se mant&eacute;m perenemente, caracterizando somente uma fase de experimenta&ccedil;&atilde;o ou de uso circunscrito &agrave; juventude (Hartnoll, 2002; Soellner, 2005). O fim dos consumos tende a ser associado &agrave; evolu&ccedil;&atilde;o do ciclo vital, nomeadamente a motivos laborais e familiares (Hartnoll, 2002), e o uso de <I>cannabis </I>emerge como o que mais costuma persistir at&eacute; &agrave; idade adulta (Wadsworth, Moss, Simpson, &amp; Smith, 2006). Al&eacute;m disso, v&aacute;rios trabalhos apontam para um n&uacute;mero relativamente reduzido de utiliza&ccedil;&otilde;es regulares ou intensivas, que tendem a ser facilitadas por circunst&acirc;ncias sociais como a oportunidade e a acessibilidade das drogas (Calafat, Fern&aacute;ndez, Juan, &amp; Beco&ntilde;a, 2005; Hartnoll, 2002; Pallar&eacute;s, 1995/1996). Os usos juvenis, experimentais ou descont&iacute;nuos s&atilde;o, tamb&eacute;m, frequentemente atribu&iacute;dos &agrave; curiosidade sobre as drogas e a motiva&ccedil;&otilde;es l&uacute;dicas, sobretudo pelo prazer que proporcionam (Balsa, Farinha, Urbano, &amp; Francisco, 2004; Becker, 1963/1973; Calafat et al., 2005; Pallar&eacute;s, 1995/1996). </P >     <p>Portugal &eacute; o pa&iacute;s europeu que mant&eacute;m as mais baixas preval&ecirc;ncias de consumo, excepto de hero&iacute;na (IDT, 2010) e, &agrave; semelhan&ccedil;a do que se verifica internacionalmente, s&atilde;o amplamente documentados padr&otilde;es de policonsumo (Galhardo et al., 2006; Levy, O&rsquo;Grady, Wish, &amp; Arria, 2005; OEDT, 2009; Parker, Williams, &amp; Aldridge, 2002). </P >    <p><I>Padr&otilde;es de consumo &lsquo;problem&aacute;ticos&rsquo; </I></P >    <p>&lsquo;Toxicodependente&rsquo; ou &lsquo;<I>junkie</I>&rsquo; s&atilde;o algumas das denomina&ccedil;&otilde;es que se costuma aplicar a consumidores com uma falha na autonomia individual (Frisher &amp; Beckett, 2006), que n&atilde;o se mostram capazes de controlar e gerir os consumos (Fernandes &amp; Ribeiro, 2002; Quintas, 2006), tornando-se dependentes e experienciando preju&iacute;zos diversos (Pallar&eacute;s, 1995/1996). Este padr&atilde;o &eacute; tipicamente associado ao uso prolongado de hero&iacute;na e ao consumo injectado, sendo outras subst&acirc;ncias, sobretudo <I>cannabis </I>e <I>crack</I>, relegadas para segundo plano (Fernandes &amp; Carvalho, 2003; Keene, 2001; Pallar&eacute;s, 1995/1996). O traficante &eacute;, em geral, a principal fonte de acesso &agrave;s drogas (Balsa et al., 2004; Carvalho, 2007), e os consumos tendem a ocorrer em zonas urbanas degradadas e marginalizadas (Pallar&eacute;s, 1995/1996). </P >    <p>Um relat&oacute;rio recente do IDT (2010) aponta para taxas de utiliza&ccedil;&otilde;es problem&aacute;ticas, na popula&ccedil;&atilde;o portuguesa em geral dos 15 aos 64 anos, entre 6,2-7,4 por mil habitantes, para uma maior procura de apoio formal pelos consumidores de opi&aacute;ceos e para um intervalo de aproximadamente oito anos entre o in&iacute;cio de tal consumo e o primeiro contacto com o tratamento (OEDT, 2009). </P >    <p>Este tipo de utiliza&ccedil;&otilde;es surge intimamente associado a reca&iacute;das (Figueiredo, 2002; Hser et al., 2007; Keene, 2001; Pallar&eacute;s, 1995/1996), cuja compreens&atilde;o se considera implicar a aten&ccedil;&atilde;o a factores dos sujeitos e a outros externos, como os est&iacute;mulos relacionados com as drogas (Torres et al., 2008). Os consumidores com experi&ecirc;ncias de tratamento tendem a justificar o fracasso das tentativas de deixar os consumos pela sua falta de motiva&ccedil;&atilde;o e pelo prazer que estes proporcionam, assim como a atribuir o seu sucesso &agrave; vontade pessoal e ao suporte familiar e terap&ecirc;utico (Pallar&eacute;s, 1995/1996; Torres et al., 2008). Al&eacute;m disso, usos mais intensivos ou problem&aacute;ticos costumam ser associados a circunst&acirc;ncias socioecon&oacute;micas desfavor&aacute;veis e a dificuldades pessoais, familiares e profissionais (Torres et al., 2008). </P >    <p>O consumo problem&aacute;tico &eacute; conceptualizado, em v&aacute;rios estudos, como um processo longo, que envolve v&aacute;rias fases, factores condicionantes e mudan&ccedil;as, e cujo auge se atinge com a consolida&ccedil;&atilde;o de uma identidade e/ou de um estilo de vida em que a droga &eacute; o elemento central (Pallar&eacute;s, 1995/1996; Roman&iacute;, 2008; Tinoco, 1999). As referidas mudan&ccedil;as verificam-se, entre outros, nos significados dos consumidores (sendo comum a atribui&ccedil;&atilde;o de uma crescente centralidade &agrave;s subst&acirc;ncias e ao papel de dependente), na sua percep&ccedil;&atilde;o e gest&atilde;o do tempo (que costumam tornarse dependentes do uso das drogas), nas suas interac&ccedil;&otilde;es com os outros e com os pr&oacute;prios espa&ccedil;os (sendo habitual o seu progressivo estreitamento), na auto-gest&atilde;o da sa&uacute;de e nas suas rela&ccedil;&otilde;es laborais e condi&ccedil;&otilde;es econ&oacute;micas (em geral, cada vez mais deterioradas), nos relacionamentos com os sistemas de controlo formal (pois, habitualmente, aumenta a probabilidade de entrarem em contacto com sistemas terap&ecirc;uticos e/ou legais) e na regularidade do consumo e quantidades usadas (que tendem a aumentar) (Pallar&eacute;s, 1995/1996; Roman&iacute;, 2008). </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><I>Padr&otilde;es de consumo alternativos aos &lsquo;problem&aacute;ticos&rsquo; </I></P >    <p>Consumos alternativos aos &lsquo;problem&aacute;ticos&rsquo; s&atilde;o cada vez mais documentados, nacional e internacionalmente (Percy, 2008; Pilkington, 2006), sendo inclusive real&ccedil;ado o aumento da sua preval&ecirc;ncia (Parker et al., 2002). A caracteriza&ccedil;&atilde;o destes consumidores costuma real&ccedil;ar a sua capacidade de conciliar o uso das drogas com um estilo de vida convencional e de manter o ajustamento global, sendo frequentemente descritos como estudantes universit&aacute;rios ou como sujeitos inseridos no mercado de trabalho (Frone, 2006; Galhardo et al., 2006; Gourley, 2004; Parker et al., 2002; Smith &amp; Smith, 2005). V&aacute;rios trabalhos debru&ccedil;am-se, ainda, sobre frequentadores de contextos de recrea&ccedil;&atilde;o nocturna, real&ccedil;ando a sua preval&ecirc;ncia de consumo particularmente expressiva (Calafat et al., 2005; Deehan &amp; Saville, 2003; OEDT, 2009; Parker et al., 2002). </P >    <p>Nestes padr&otilde;es s&atilde;o comuns policonsumos, que tendem a envolver um uso regular de <I>cannabis </I>esporadicamente acompanhado pelo de outras subst&acirc;ncias, sobretudo coca&iacute;na inalada (Galhardo et al., 2006; Levy et al., 2005). </P >    <p>O autocontrolo dos consumidores &eacute; amplamente valorizado para a manuten&ccedil;&atilde;o de consumos &lsquo;n&atilde;o problem&aacute;ticos&rsquo; (Carvalho, 2007; Kelly, 2005; Parker et al., 2002; Percy, 2008; Quintas, 2006; Rovira &amp; Hidalgo, 2003; Whiteacre &amp; Pepinsky, 2002), uma vez que estas regras e condutas autoimpostas, destinadas a regular v&aacute;rias dimens&otilde;es do consumo (e.g., contextos, quantidades), promovem a minimiza&ccedil;&atilde;o e gest&atilde;o dos seus riscos (Cohen, 1999). Segundo alguns trabalhos, a maioria dos consumidores imp&otilde;e diversos autocontrolos a esta sua pr&aacute;tica, para a manter conciliada com as actividades convencionais, como se manifesta pelos ajustamentos que lhe v&atilde;o fazendo em fun&ccedil;&atilde;o da qualidade das suas experi&ecirc;ncias de consumo (Carvalho, 2007; Cohen, 1999), assim como pelos casos de remiss&otilde;es espont&acirc;neas (Soellner, 2005). </P >     <p>Igualmente valorizadas s&atilde;o as concep&ccedil;&otilde;es de risco dos sujeitos, pelo seu papel central na minimiza&ccedil;&atilde;o e evitamento dos potenciais preju&iacute;zos das drogas, e por orientarem as decis&otilde;es sobre o consumo (Kelly, 2005; Parker et al., 2002). Em investiga&ccedil;&otilde;es recentes &eacute; comummente destacada a consci&ecirc;ncia dos utilizadores destas subst&acirc;ncias quanto aos riscos e danos que estas podem envolver (Deehan &amp; Saville, 2003; Kelly, 2005; Levy et al., 2005; Parker et al., 2002; Roman&iacute;, 2008; San Juli&aacute;n &amp; Valenzuela, 2009), assim como a dimens&atilde;o social e cultural de tais concep&ccedil;&otilde;es, cuja constru&ccedil;&atilde;o depende largamente de processos sociais que s&atilde;o condicionados pelos ambientes culturais (Gamella &amp; Rold&aacute;n, 1999; Kelly, 2005). Alguns estudos sugerem que s&atilde;o v&aacute;rios os sujeitos que, apesar de conscientes dos seus riscos, optam por usar drogas, o que aponta para a import&acirc;ncia dos benef&iacute;cios que lhes atribuem e para a probabilidade de estes serem mais valorizados do que os preju&iacute;zos antecipados (Kelly, 2005; San Juli&aacute;n &amp; Valenzuela, 2009). </P >     <p>Para a manuten&ccedil;&atilde;o de consumos &lsquo;n&atilde;o problem&aacute;ticos&rsquo; costumam ser, tamb&eacute;m, valorizados os cuidados de gest&atilde;o desta pr&aacute;tica, adoptados pelos indiv&iacute;duos que, ponderando os riscos e benef&iacute;cios das drogas, optam por as utilizar (Carvalho, 2007; Deehan &amp; Saville, 2003; Fernandes &amp; Ribeiro, 2002; Kelly, 2005; Parker et al., 2002; San Juli&aacute;n &amp; Valenzuela, 2009; Whiteacre &amp; Pepinsky, 2002). Um desses cuidados prende-se com a diferencia&ccedil;&atilde;o das drogas que os consumidores tendem a estabelecer em fun&ccedil;&atilde;o da distinta perigosidade que lhes associam e que os leva a optar pelas que consideram mais concili&aacute;veis com a manuten&ccedil;&atilde;o de uma vida convencional (sobretudo os canabin&oacute;ides) e a rejeitar as que julgam ser mais danosas (em especial a hero&iacute;na e o <I>crack</I>) (Calado, 2006; Carvalho, 2007; Figueiredo, 2002; Parker et al., 2002). Igualmente enfatizada &eacute; a import&acirc;ncia de adquirir conhecimentos sobre as drogas, inclusive para desenvolver concep&ccedil;&otilde;es de risco e para gerir estrategicamente o consumo, de modo a governar os seus potenciais perigos (Deehan &amp; Saville, 2003; Kelly, 2005). As experi&ecirc;ncias com outros consumidores s&atilde;o tamb&eacute;m valorizadas, j&aacute; que os sujeitos tendem a decidir sobre a experimenta&ccedil;&atilde;o destas subst&acirc;ncias e sobre o modo de as usar com base nos mecanismos de controlo social e nas suas aprendizagens em grupos de consumidores, onde se difundem normas que ajudam a gerir os consumos e a evitar m&aacute;s experi&ecirc;ncias (Becker, 1963/1973; Gourley, 2004; San Juli&aacute;n &amp; Valenzuela, 2009). Salientam-se, do mesmo modo, cuidados de gest&atilde;o da aquisi&ccedil;&atilde;o das drogas e a prefer&ecirc;ncia, da maioria dos consumidores, de o fazer atrav&eacute;s das suas redes de interconhecimento, para tentar assegurar a sua qualidade (j&aacute; que acreditam haver uma maior adultera&ccedil;&atilde;o das subst&acirc;ncias quando s&atilde;o compradas a desconhecidos) e evitar problemas legais (pois consideram que, deste modo, se conseguem manter afastados de vendedores e locais de transac&ccedil;&atilde;o que julgam mais prop&iacute;cios &agrave; ocorr&ecirc;ncia de problemas) (Carvalho, 2007; Deehan &amp; Saville, 2003; Parker et al., 2002). Igualmente comuns s&atilde;o as refer&ecirc;ncias a cuidados com a regularidade do consumo (Gourley, 2004; Parker et al., 2002; Pilkington, 2006), sendo enfatizada a relev&acirc;ncia de ir interrompendo os usos regulares das subst&acirc;ncias quando se antecipam problemas a eles associados (Carvalho, 2007; Kelly, 2005). S&atilde;o tamb&eacute;m descritos cuidados referentes &agrave;s quantidades usadas, real&ccedil;ando-se a necessidade de as moderar (Cohen, 1999; Gourley, 2004; Kelly, 2005; Parker et al., 2002) e de aprender quais as dosagens mais adequadas para o pr&oacute;prio (Carvalho, 2007; Figueiredo, 2002; Pilkington, 2006). As circunst&acirc;ncias e os contextos do consumo s&atilde;o outras dimens&otilde;es usualmente cuidadas pelos consumidores, que valorizam a import&acirc;ncia de s&oacute; usar as drogas (sobretudo outras al&eacute;m dos canabin&oacute;ides) quando est&atilde;o num estado psicol&oacute;gico favor&aacute;vel, acompanhados por pessoas de confian&ccedil;a e em locais apropriados (Calado, 2006; Carvalho, 2007; Cohen, 1999; Gourley, 2004). Espa&ccedil;os de recrea&ccedil;&atilde;o nocturna (Galhardo et al., 2006; OEDT, 2009; Parker et al., 2002) e resid&ecirc;ncias privadas (Balsa et al., 2004) surgem, assim, como relevantes contextos de consumo. Por fim, encontram-se algumas refer&ecirc;ncias a cuidados de oculta&ccedil;&atilde;o do uso das drogas (Fernandes &amp; Carvalho, 2003; Goffman, 1963/1975; Smith &amp; Smith, 2005), o que ajuda a compreender a caracteriza&ccedil;&atilde;o destes sujeitos como &lsquo;popula&ccedil;&otilde;es ocultas&rsquo; (Calado, 2006). </P >    <p>REFLEX&Otilde;ES FINAIS </P >    <p>Com este artigo procurou argumentar-se que o uso de subst&acirc;ncias psicoactivas n&atilde;o &eacute; um problema <I>per si</I>, mas uma pr&aacute;tica transversal &agrave; hist&oacute;ria da humanidade, que assume diversas manifesta&ccedil;&otilde;es e funcionalidades. Defendemos que o consumo nem sempre foi encarado como um problema e que, da mesma forma como foi constru&iacute;do enquanto tal, pode ser desconstru&iacute;do e reconstru&iacute;do em moldes alternativos, se for encarado de um modo mais amplo, que n&atilde;o se detenha nas suas dimens&otilde;es negativas. </P >    <p>Cremos, tamb&eacute;m, que o uso e o abuso de drogas dependem de v&aacute;rios condicionalismos, n&atilde;o resultando directamente das propriedades qu&iacute;micas das subst&acirc;ncias, e que a sua compreens&atilde;o exige a an&aacute;lise do indiv&iacute;duo e sua ag&ecirc;ncia, da sociedade e sua estrutura, e das v&aacute;rias formas pelas quais se inter-influenciam. Acreditamos que um entendimento adequado implica, ainda, que o consumo seja encarado como um processo, e como um cont&iacute;nuo entre um p&oacute;lo &lsquo;n&atilde;o problem&aacute;tico&rsquo; e outro &lsquo;problem&aacute;tico&rsquo;, reconhecendo-se a multiplicidade de utiliza&ccedil;&otilde;es e utilizadores. O padr&atilde;o &lsquo;problem&aacute;tico&rsquo; costuma ser associado a preju&iacute;zos no ajustamento geral dos sujeitos decorrentes do consumo e, consequentemente, a mais pedidos de apoio formal. Tende, do mesmo modo, a ser relacionado com a falta de autocontrolo dos sujeitos e com situa&ccedil;&otilde;es em que as subst&acirc;ncias e o papel de consumidor se tornam hegem&oacute;nicos, dificultando a concilia&ccedil;&atilde;o do consumo com as actividades normativas. No extremo &lsquo;n&atilde;o problem&aacute;tico&rsquo; encontram-se consumidores conscientes dos riscos das drogas e capazes de conciliar o seu uso com a preserva&ccedil;&atilde;o de um estilo de vida convencional, sobretudo pela adop&ccedil;&atilde;o de cuidados de gest&atilde;o dos consumos (ainda que muitas vezes de forma n&atilde;o consciente nem reflexiva). </P >    <p>Para terminar, interessa ressalvar que, na nossa opini&atilde;o, o extremo que apelid&aacute;mos de &lsquo;n&atilde;o problem&aacute;tico&rsquo; deve ser entendido, mais precisamente, como &lsquo;praticamente n&atilde;o problem&aacute;tico&rsquo;, por crermos que o uso de qualquer subst&acirc;ncia psicoactiva, legal ou ilegal, acarreta sempre algum preju&iacute;zo, pelo menos para a sa&uacute;de dos consumidores. Consideramos, ainda, que se se avan&ccedil;ar ao longo do cont&iacute;nuo dos consumos proposto neste artigo, desde o p&oacute;lo &lsquo;praticamente n&atilde;o problem&aacute;tico&rsquo; para o &lsquo;problem&aacute;tico&rsquo;, v&atilde;o aumentando os danos desta pr&aacute;tica. </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</P >     <p>REFER&Ecirc;NCIAS </P >     <!-- ref --><p>Agra, C., &amp; Fernandes, L. (1993). Droga enigma, droga novo paradigma. In C. da Agra (Dir.), <I>Dizer a droga, </I><I>ouvir as drogas. Estudos te&oacute;ricos e emp&iacute;ricos para uma ci&ecirc;ncia do comportamento adictivo </I>(pp. 55-86). Porto: Radic&aacute;rio.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000065&pid=S0870-8231201200010000600001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <p>Balsa, C., Farinha, T., Urbano, C., &amp; Francisco, A. (2004). <I>Inqu&eacute;rito nacional ao consumo de subst&acirc;ncias psicoactivas na popula&ccedil;&atilde;o portuguesa &ndash; 2001. </I>Lisboa: CEOS, Investiga&ccedil;&otilde;es Sociol&oacute;gicas, FCSH, UNL. </P >     <p>Barbosa, J. (2006). <I>Entre a regula&ccedil;&atilde;o dos &lsquo;riscos psicoactivos&rsquo; e a defesa dos direitos de cidadania. O servi&ccedil;o </I><I>social no seio das pol&iacute;ticas de redu&ccedil;&atilde;o de danos. </I>Disserta&ccedil;&atilde;o de candidatura ao grau de mestre. Lisboa: Universidade Cat&oacute;lica Portuguesa. </P >     <!-- ref --><p>Becker, H. (1963/1973). <I>Outsiders: Studies in the sociology of deviance. </I>New York: The Free Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000069&pid=S0870-8231201200010000600004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Blumer, H. (1969/1982). <I>El interaccionismo simb&oacute;lico: Perspectiva y m&eacute;todo. </I>Barcelona: Hora S.A.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000071&pid=S0870-8231201200010000600005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Calado, V. (2006). <I>Drogas sint&eacute;ticas: Mundos culturais, m&uacute;sica trance e ciberespa&ccedil;o. </I>Lisboa: Instituto da Droga e da Toxicodepend&ecirc;ncia.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000073&pid=S0870-8231201200010000600006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Calafat, A., Fern&aacute;ndez, C., Juan, M., &amp; Beco&ntilde;a, E. (2005). Como el propio consumo de drogas de los mediadores recreativos tiene implicaciones preventivas. <I>Adicciones</I>, <I>17</I>, 145-155.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000075&pid=S0870-8231201200010000600007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Carvalho, M. (2007). <I>Culturas juvenis e novos usos de drogas em meio festivo: O trance psicad&eacute;lico como analisador. </I>Porto: Campo das Letras.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000077&pid=S0870-8231201200010000600008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <!-- ref --><p>Cohen, P. (1999). Shifting the main purposes of drug control: From suppression to regulation of use. Reduction of risks as the new focus for drug policy. <I>International Journal of Drug Policy</I>, <I>10</I>, 223-234. URL: <a href="http://www.cedro-uva.org/lib/cohen.shifting.html" target="_blank">http://www.cedro-uva.org/lib/cohen.shifting.html</a> (recuperado em 04-03-2008).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000079&pid=S0870-8231201200010000600009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <!-- ref --><p>Deehan, A., &amp; Saville, E. (2003). <I>Calculating the risk: recreational drug use among clubbers in the South East of England. </I>London: Home Office Online Report. URL: <a href="http://www.homeoffice.gov.uk/rds/pdfs2/rdsolr4303.pdf" target="_blank">http://www.homeoffice.gov.uk/rds/pdfs2/rdsolr4303.pdf</a> (recuperado em 18-04-2008) </P >     &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000081&pid=S0870-8231201200010000600010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Ellis, A., McInerney, J., Di Giuseppe, R., &amp; Yeager, R. (1988). <I>Rational-emotive therapy with alcoholics and substances abusers. </I>New York: Pergamon Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000082&pid=S0870-8231201200010000600011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <!-- ref --><p>ENCOD. (2010). <I>Manifesto por uma pol&iacute;tica de drogas justa e eficaz. </I>URL: <a href="http://www.encod.org/info/MANIFESTO-POR-UMA-POLITICA-DE.html" target="_blank">http://www.encod.org/info/MANIFESTO-POR-UMA-POLITICA-DE.html</a> (recuperado em 21-11-2010).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000084&pid=S0870-8231201200010000600012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <!-- ref --><p>Escohotado, A. (1996/2004). <I>Hist&oacute;ria elementar das drogas</I>. Lisboa: Ant&iacute;gona.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000086&pid=S0870-8231201200010000600013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Farr, K. (1990). Revitalizing the drug decriminalization debate. <I>Crime &amp; Delinquency, 36</I>, 223-237.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000088&pid=S0870-8231201200010000600014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Fernandes, L. (2009). O que a droga faz &agrave; norma. <I>Toxicodepend&ecirc;ncias, 15</I>, 3-18.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000090&pid=S0870-8231201200010000600015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Fernandes, L., &amp; Carvalho, M. (2003). <I>Consumos problem&aacute;ticos de dr</I><I>ogas em popula&ccedil;&otilde;es ocultas. </I>Lisboa: Instituto da Droga e da Toxicodepend&ecirc;ncia.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000092&pid=S0870-8231201200010000600016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Fernandes, L., &amp; Ribeiro, C. (2002). Redu&ccedil;&atilde;o de riscos, estilos de vida <I>junkie </I>e controlo social. <I>Sociologia, Problemas e Pr&aacute;ticas</I>, <I>39</I>, 57-68.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000094&pid=S0870-8231201200010000600017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Figueiredo, R. (2002). Abordagem de redu&ccedil;&atilde;o de danos para uso e abuso de drogas. In R. Figueiredo (Ed.), <I>Preven&ccedil;&atilde;o ao abuso de dr</I><I>ogas em ac&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de e educa&ccedil;&atilde;o </I>(pp. 5-6). Diadema: Nepaids.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000096&pid=S0870-8231201200010000600018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Frisher, M., &amp; Beckett, H. (2006). Drug use desistance. <I>Criminology and Criminal Justice, 6</I>, 127-145.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000098&pid=S0870-8231201200010000600019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Frone, M. (2006). Prevalence and distribution of illicit drug use in the workforce and in the workplace: Findings and implications from a U.S. National Survey. <I>Journal of Applied Psychology, 91</I>, 856-869.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000100&pid=S0870-8231201200010000600020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Galhardo, A., Cardoso, I. M., &amp; Marques, P. (2006). Consumo de subst&acirc;ncias em estudantes do ensino superior de Coimbra. <I>Toxicodepend&ecirc;ncias</I>, <I>12</I>, 71-77.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000102&pid=S0870-8231201200010000600021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Gamella, J., &amp; Rold&aacute;n, A. (1999). <I>Las rutas del &eacute;xtasis. Drogas de s&iacute;ntesis y nuevas culturas juveniles. </I>Barcelona: Ariel.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000104&pid=S0870-8231201200010000600022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Goffman, E. (1963/1975). <I>Estigma: Notas sobre a manipula&ccedil;&atilde;o da identidade deteriorada. </I>Rio de Janeiro: Zahar.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000106&pid=S0870-8231201200010000600023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Gourley, M. (2004). A subcultural study of recreational ecstasy use. <I>Journal of Sociology</I>, <I>40</I>, 59-73.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000108&pid=S0870-8231201200010000600024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Hartnoll, R. (2002). <I>As drogas em destaque. Medir a pr</I><I>eval&ecirc;ncia e incid&ecirc;ncia do consumo de droga: Indicadores sobre as medidas de preven&ccedil;&atilde;o na UE. Observat&oacute;rio Europeu da Droga e da Toxicodepend&ecirc;ncia, nota 3</I>. Luxemburgo: Servi&ccedil;o das Publica&ccedil;&otilde;es Oficiais das Comunidades Europeias.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000110&pid=S0870-8231201200010000600025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Hser, Y., Longshore, D., &amp; Anglin, M. (2007). The life course perspective on drug use: A conceptual framework for understanding drug use trajectories. <I>Evaluation Review, 31</I>, 515-547.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000112&pid=S0870-8231201200010000600026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Humphreys, K., &amp; Rappaport, J. (1993). From the community mental health movement to the war on drugs. A study in the definition of social problems. <I>American Psychologist, 48</I>, 892-901.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000114&pid=S0870-8231201200010000600027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Instituto da Droga e da Toxicodepend&ecirc;ncia (IDT). (2010). <I>Relat&oacute;rio anual 2009. A</I><I> situa&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s em mat&eacute;ria de drogas e toxicodepend&ecirc;ncias. </I>Lisboa: IDT.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000116&pid=S0870-8231201200010000600028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Keene, J. (2001). An international social work perspective on drug misuse problems and solutions: Reviewing implications for practice. <I>Journal of Social Work, 1</I>, 187-199.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000118&pid=S0870-8231201200010000600029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <!-- ref --><p>Kelly, B. (2005). Conceptions of risk in the lives of club drug-using youth. <I>Substance Use &amp; Misuse</I>, <I>40</I>, 1443-1459.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000120&pid=S0870-8231201200010000600030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <p>Levy, K., O&rsquo;Grady, K., Wish, E., &amp; Arria, A. (2005). An in-depth qualitative examination of the ecstasy experience: Results of a focus group with ecstasy-using colleges students. <I>Substance Use &amp; Misuse</I>, <I>40</I>, 1427-1441. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><P   >Matza, D. (1964). <I>Delinquency and drift. </I>New York: John Wiley &amp; Sons.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000123&pid=S0870-8231201200010000600032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->  </P >     <!-- ref --><P   >Matza, D. (1969). <I>El proceso de desviaci&oacute;n. </I>Madrid: Taurus.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000125&pid=S0870-8231201200010000600033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <!-- ref --><P   >Moore, S. (2002). <I>Sociologia. </I>Mem Martins: Europa Am&eacute;rica.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000127&pid=S0870-8231201200010000600034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P >     <!-- ref --><P   >Observat&oacute;rio Europeu da Droga e da Toxicodepend&ecirc;ncia (OEDT). (2009). <I>Relat&oacute;rio anual 2009: A</I><I> evolu&ccedil;&atilde;</I><I>o  </I><I>do fen&oacute;meno da droga na Europa. </I>Luxemburgo: Servi&ccedil;o das Publica&ccedil;&otilde;es da Uni&atilde;o Europeia.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000129&pid=S0870-8231201200010000600035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <!-- ref --><p>Pallar&eacute;s, J. (1995/1996). <I>El placer del scorpion. Antr</I><I>opolog&iacute;a de la hero&iacute;na y los yonquis (1970-1990). </I>Lleida: Editorial Milenio.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000131&pid=S0870-8231201200010000600036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Parker, H., Williams, L., &amp; Aldridge, J. (2002). The normalization of &lsquo;sensible&rsquo; recreational drug use: Further evidence from the North West England longitudinal study. <I>Sociology</I>, <I>36</I>, 941-964. </P >    <!-- ref --><p>Percy, A. (2008). Moderate adolescent drug use and the development of substance use self-regulation. <I>International Journal of Behavioral Development, 32</I>, 451-458.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000134&pid=S0870-8231201200010000600038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <p>Pilkington, H. (2006). &lsquo;For us it is normal&rsquo;: Exploring the &lsquo;recreational&rsquo; use of heroin in Russian youth cultural practice. <I>Journal of Communist Studies and Transition Politics</I>, <I>22</I>, 24-53. </P >    <!-- ref --><p>Quintas, J. (2006). <I>Regula&ccedil;&atilde;o legal do consumo de drogas: Impactos da experi&ecirc;ncia portuguesa da descrimina </I><I></I><I>liza&ccedil;&atilde;o. </I>Disserta&ccedil;&atilde;o de candidatura ao grau de doutor. Porto: Universidade do Porto.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000137&pid=S0870-8231201200010000600040&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Ribeiro, J. (1995). Depend&ecirc;ncia ou depend&ecirc;ncias? Incid&ecirc;ncias hist&oacute;ricas na formaliza&ccedil;&atilde;o dos conceitos. <I>Toxicodepend&ecirc;ncias, 3</I>, 5-13.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000139&pid=S0870-8231201200010000600041&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Roman&iacute;, O. (2003). Prohibicionismo y drogas: &iquest;Un modelo de gesti&oacute;n social agotado? In R. Bergalli (Coord.), <I>Sistema penal y problemas sociales </I>(pp. 429-450). Valencia: Ed. Tirant lo Blanch.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000141&pid=S0870-8231201200010000600042&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Roman&iacute;, O. (2008). Placeres, dolores y controles: El peso de la cultura. In A. Torres &amp; A. M. Lito (Orgs.), <I>Consumos de drogas. Dor, prazer e depend&ecirc;ncias </I>(pp. 79-104). Lisboa: Fim de S&eacute;culo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000143&pid=S0870-8231201200010000600043&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Rovira, J., &amp; Hidalgo, E. (2003). <I>Gesti&oacute;n del placer y del riesgo o como ense&ntilde;ar a disfrutar la noche y no morir en el intento</I>. VIII Jornadas Sobre Prevenci&oacute;n de Drogodependencias de Alcorc&oacute;n. URL: <a href="http://www.energycontrol.org/articlesEnergy/doc13.html" target="_blank">http://www.energycontrol.org/articlesEnergy/doc13.html</a> (recuperado em 14-07-2009).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000145&pid=S0870-8231201200010000600044&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <!-- ref --><p>San Juli&aacute;n, E., &amp; Valenzuela, E. (2009). El riesgo de las drogas: La percepci&oacute;n de los j&oacute;venes. <I>Toxicodepen</I><I>d&ecirc;ncias</I>, <I>15</I>, 43-57.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000147&pid=S0870-8231201200010000600045&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <!-- ref --><p>Skinner, B. (1953/1981). <I>Ci&ecirc;ncia e comportamento humano. </I>S&atilde;o Paulo: Livraria Martins Fonseca Editora Ltda.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000149&pid=S0870-8231201200010000600046&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <!-- ref --><p>Smith, M., &amp; Smith, P. (2005). The problem of drug prohibition for drug users: a Mertonian analysis of everyday experience. <I>Electronic Journal of Sociology, 7. </I>URL: <a href="http://www.sociology.org/content/2005/tier1/smith.html" target="_blank">http://www.sociology.org/content/2005/tier1/smith.html</a> (recuperado em 05-11-2009).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000151&pid=S0870-8231201200010000600047&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Soellner, R. (2005). Club drug use in Germany. <I>Substance use &amp; misuse, 40</I>, 1279-1293.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000153&pid=S0870-8231201200010000600048&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Stevens, A. (2007). When two dark figures collide: Evidence and discourse on drug-related crime. <I>Critical Social Policy, 27</I>, 77-99.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000155&pid=S0870-8231201200010000600049&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Szasz, T. (1992). <I>Nuestro derecho a las drogas. En defensa de un mercado libre. </I>Barcelona: Anagrama.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000157&pid=S0870-8231201200010000600050&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Taylor, S. (2008). Outside the outsiders: Media representations of drug use. <I>Probation Journal</I>, <I>55</I>, 369-387.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000159&pid=S0870-8231201200010000600051&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <!-- ref --><p>Thornton, M., &amp; Bowmaker, S. (s/d). Recreational drug prohibitions. URL: <a href="http://mises.org/journals/scholar/thornton15.pdf" target="_blank">http://mises.org/journals/scholar/thornton15.pdf</a> (recuperado em 12-07-2007).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000161&pid=S0870-8231201200010000600052&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Tinoco, R. (1999). Notas sobre a constru&ccedil;&atilde;o psico-social da identidade desviante em toxicodepend&ecirc;ncia. <I>Toxicodepend&ecirc;ncias, 5, </I>11-23.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000163&pid=S0870-8231201200010000600053&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <!-- ref --><p>Torres, A., Lito, A., Sousa, I., &amp; Maciel, D. (2008). Toxicodependentes: Traject&oacute;rias sociopsicol&oacute;gicas e n&oacute;s problem&aacute;ticos. In A. Torres &amp; A. Lito (Orgs.), <I>Consumos de drogas: Dor, prazer e depend&ecirc;ncias </I>(pp. 17-68). Lisboa: Fim de S&eacute;culo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000165&pid=S0870-8231201200010000600054&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <!-- ref --><p>Transform Drug Policy Foundation. (2009). <I>After the war on drugs: Blueprint for regulation</I>. United Kingdom: Adam Shaw Associates. URL: <a href="http://www.tdpf.org.uk" target="_blank">http://www.tdpf.org.uk</a> (recuperado em 22-11-2010).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000167&pid=S0870-8231201200010000600055&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <!-- ref --><p>Wadsworth, E., Moss, S., Simpson, S., &amp; Smith, A. (2006). Cannabis use, cognitive performance and mood in a sample of workers. <I>Journal of Psychopharmacology, 20</I>, 14-23.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000169&pid=S0870-8231201200010000600056&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Weinberg, D. (2002). On the embodiment of addiction. <I>Body &amp; Society, 8</I>, 1-19.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000171&pid=S0870-8231201200010000600057&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Whiteacre, K., &amp; Pepinsky, H. (2002). Controlling drug use. <I>Criminal Justice Policy Review, 13, </I>21-31.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000173&pid=S0870-8231201200010000600058&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Wilbanks, W. (1989). The danger in viewing addicts as victims: A critique of the disease model of addiction. <I>Criminal Justice Policy Review</I>, <I>3</I>, 407-422.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000175&pid=S0870-8231201200010000600059&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Young, J. (1971). <I>The drugtakers. The social meaning of drug use. </I>London: Palladin.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000177&pid=S0870-8231201200010000600060&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <p>&nbsp;</P >     <p><a name="0"></a><a href="#top0">Correspond&ecirc;ncia</a></P >     <p>A correspond&ecirc;ncia relativa a este artigo dever&aacute; ser enviada para: Olga Sousa Cruz, ISMAI, Av. Carlos Oliveira Campos, Castelo da Maia, 4475-690 Avioso, S. Pedro. E-mail: <a href="mailto:D011379@ismai.pt">D011379@ismai.pt</a> / <a href="mailto:olgasouzacruz@gmail.com">olgasouzacruz@gmail.com</a></P >      ]]></body><back>
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