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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Violência nas relações íntimas ocasionais de uma amostra estudantil]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This paper presents the results of a research project on the prevalence of violence in the casual intimate involvements of a sample of 600 university and college students. 72.3% of the participants reported to have been involved in such relationships. They answered a violence inventory (IVC-4, Antunes & Machado, 2007), and 43.2% of them admitted to have perpetrated at least one abusive act towards a casual partner along their lives (30.1% report acts of physical violence) and 37.3% admit to have been victimized by a casual partner (20.4% describe acts of physical violence). Violence is more common among younger subjects, those that attend to lower educational levels and students from secondary schools. It is also more common among participants that have had a higher number of casual relationships. These results corroborate the notion that violence in juvenile intimate relationships is a serious social problem. They also suggest, because the levels of violence found are quite higher than those reported for juvenile dating relationships (Machado, Caridade, & Martins, 2009), that casual intimate involvements may imply specific dynamics that enhance the risk of violence and that should be addressed by future studies.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><B>Viol&ecirc;ncia nas rela&ccedil;&otilde;es &iacute;ntimas ocasionais de uma amostra estudantil</B> </p>     <p><b>Joana Antunes* e Carla Machado*</b></P >     <p>*Escola de Psicologia, Universidade do Minho </P >     <p><a name="top0"></a><a href="#0">Correspond&ecirc;ncia</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Este artigo apresenta os resultados de uma investiga&ccedil;&atilde;o sobre a preval&ecirc;ncia da viol&ecirc;ncia nas rela&ccedil;&otilde;es afectivas ocasionais de uma amostra de estudantes, composta por 600 alunos do ensino secund&aacute;rio e superior. 72.3% dos elementos desta amostra relataram j&aacute; ter estado envolvidos em rela&ccedil;&otilde;es afectivas ocasionais. Nas suas respostas a um invent&aacute;rio de viol&ecirc;ncia (IVC-4, Antunes &amp; Machado, 2007), 43.2% dos participantes admitem ter perpetrado pelo menos um acto abusivo contra um parceiro(a) ocasional ao longo das suas vidas (30.1% de natureza f&iacute;sica) e 37.3% reconhecem ter sido alvo de viol&ecirc;ncia por um parceiro ocasional ao longo da vida (20.4% de agress&atilde;o f&iacute;sica). Esta viol&ecirc;ncia aparece essencialmente associada aos sujeitos mais novos, que frequentam anos inferiores de escolaridade e do ensino secund&aacute;rio. Ocorre tamb&eacute;m mais frequentemente entre os jovens com um maior n&uacute;mero de envolvimentos ocasionais. Estes resultados corroboram a relev&acirc;ncia do problema da viol&ecirc;ncia na intimidade juvenil e, sendo bastante superiores aos n&iacute;veis de preval&ecirc;ncia da viol&ecirc;ncia nas rela&ccedil;&otilde;es de namoro (Machado, Caridade, &amp; Martins, 2009), sugerem que poder&aacute; haver din&acirc;micas relacionais espec&iacute;ficas das rela&ccedil;&otilde;es ocasionais que aumentam o risco nestes envolvimentos e que a investiga&ccedil;&atilde;o futura dever&aacute; aprofundar. </P >    <p><B>Palavras-chave: </B>Estudantes, Intimidade, Rela&ccedil;&otilde;es ocasionais, Viol&ecirc;ncia. </P >     <p>&nbsp;</P >     <p><b>ABSTRACT</b></P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>This paper presents the results of a research project on the prevalence of violence in the casual intimate involvements of a sample of 600 university and college students. 72.3% of the participants reported to have been involved in such relationships. They answered a violence inventory (IVC-4, Antunes &amp; Machado, 2007), and 43.2% of them admitted to have perpetrated at least one abusive act towards a casual partner along their lives (30.1% report acts of physical violence) and 37.3% admit to have been victimized by a casual partner (20.4% describe acts of physical violence). Violence is more common among younger subjects, those that attend to lower educational levels and students from secondary schools. It is also more common among participants that have had a higher number of casual relationships. These results corroborate the notion that violence in juvenile intimate relationships is a serious social problem. They also suggest, because the levels of violence found are quite higher than those reported for juvenile dating relationships (Machado, Caridade, &amp; Martins, 2009), that casual intimate involvements may imply specific dynamics that enhance the risk of violence and that should be addressed by future studies. </P >     <p><B>Key-words: </B>Causal dates, Intimacy, Students, Violence. </P >     <p>&nbsp;</P >     <p>A d&eacute;cada de 60 ficou marcada pelo desenvolvimento de in&uacute;meros estudos no &acirc;mbito da viol&ecirc;ncia conjugal (Heritage, Carlton, &amp; West, 1996), sendo, contudo, hoje evidente que a viol&ecirc;ncia na intimidade n&atilde;o se restringe a este contexto relacional. S&atilde;o v&aacute;rias as evid&ecirc;ncias de que a viol&ecirc;ncia tamb&eacute;m ocorre e n&atilde;o &eacute; menos prevalente nas uni&otilde;es de facto, nos per&iacute;odos p&oacute;s-separa&ccedil;&atilde;o, nas rela&ccedil;&otilde;es homossexuais e tamb&eacute;m nas rela&ccedil;&otilde;es de namoro juvenis (e.g., Machado, Caridade, &amp; Martins, 2009; Nunan, 2004). </P >    <p>No que diz respeito especificamente &agrave; viol&ecirc;ncia na intimidade juvenil, os estudos iniciaram-se em 1981, com a investiga&ccedil;&atilde;o de Makepeace (citado por Lewis &amp; Fremouw, 2001), que veio apresentar ind&iacute;cios de viol&ecirc;ncia em uma de cada cinco rela&ccedil;&otilde;es amorosas estabelecidas por estudantes universit&aacute;rios. Mais recentemente, uma revis&atilde;o de tr&ecirc;s estudos de grande dimens&atilde;o, conduzida por Magdol, Moffit, Caspi, Newman, Fagan e Silva (1997), indicou dados de preval&ecirc;ncia na popula&ccedil;&atilde;o jovem adulta situados entre os 21.8% e os 55.8%. Sublinhando a variabilidade mas tamb&eacute;m a elevada dimens&atilde;o deste problema, um estudo intercultural conduzido por Straus (2004) em dezasseis pa&iacute;ses e em trinta e um contextos universit&aacute;rios, encontrou taxas de viol&ecirc;ncia f&iacute;sica nas rela&ccedil;&otilde;es de namoro que variavam entre os 17% e os 45% nos 12 meses pr&eacute;vios &agrave; investiga&ccedil;&atilde;o. </P >    <p>Por sua vez, os estudos conduzidos em Portugal tamb&eacute;m sugerem indicadores preocupantes de viol&ecirc;ncia nas rela&ccedil;&otilde;es juvenis de intimidade. Paiva e Figueiredo (2005), numa amostra de estudantes universit&aacute;rios, encontraram 53.5% dos participantes que admitiram actos de viol&ecirc;ncia verbal, 18.9% de coer&ccedil;&atilde;o sexual e 16.7% de viol&ecirc;ncia f&iacute;sica de gravidade moderada a baixa. Mais recentemente, Machado, Caridade e Martins (2009), num estudo a n&iacute;vel nacional, com uma amostra em larga escala e que envolvia jovens de diferentes n&iacute;veis de ensino, verificaram que 30.6% dos participantes envolvidos numa rela&ccedil;&atilde;o amorosa (<I>N</I>=2,642) admitiam ter perpetrado actos abusivos contra os seus parceiros durante o &uacute;ltimo ano, 22.4% a n&iacute;vel emocional e 18.1% de agress&atilde;o f&iacute;sica. A perpetra&ccedil;&atilde;o de ambas as formas de viol&ecirc;ncia era reconhecida por 10.6% dos participantes e a comiss&atilde;o de agress&otilde;es f&iacute;sicas severas era admitida por 7.3%. </P >     <p>Apesar de ser, assim, claro que a intimidade juvenil &eacute; um contexto prop&iacute;cio para a viol&ecirc;ncia, uma das quest&otilde;es usualmente omissas na investiga&ccedil;&atilde;o relatada diz respeito ao contexto afectivo espec&iacute;fico em que tal viol&ecirc;ncia se desenrola. S&atilde;o, por exemplo, raros os estudos que referem a dura&ccedil;&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o afectiva em causa, o grau de compromisso entre os parceiros ou se a rela&ccedil;&atilde;o era hetero ou homossexual. Por outro lado, nem sempre alguns conceitos utilizados nestes estudos para descrever o contexto relacional em causa t&ecirc;m correspond&ecirc;ncia directa com conceitos e viv&ecirc;ncias da popula&ccedil;&atilde;o portuguesa. Um exemplo &oacute;bvio desta falta de tradu&ccedil;&atilde;o &eacute; o conceito de &ldquo;dating&rdquo;, sendo pouco claro se este se deve entender como sin&oacute;nimo de &ldquo;namoro&rdquo; ou se abarca tamb&eacute;m quadros relacionais que envolvem menor comprometimento emocional ou menor estabilidade. </P >    <p>O estudo emp&iacute;rico que aqui apresentamos surgiu, assim, pelo reconhecimento da necessidade de explorar de forma mais pormenorizada o contexto afectivo em que a viol&ecirc;ncia na intimidade juvenil se desenrola, bem como pela evid&ecirc;ncia de que a intimidade juvenil assume hoje m&uacute;ltiplas configura&ccedil;&otilde;es, que frequentemente n&atilde;o se conformam ao padr&atilde;o &ldquo;tradicional&rdquo; do namoro, caracterizado por um certo grau de compromisso, v&iacute;nculo emocional e expectativa de continuidade temporal. </P >    <p>Efectivamente, hoje em dia, as rela&ccedil;&otilde;es amorosas dos jovens (e n&atilde;o s&oacute;) assumem diversos padr&otilde;es interactivos, que podem ir desde um comprometimento emocional absoluto at&eacute; ao n&atilde;o envolvimento afectivo. &Eacute; neste contexto que surgem as rela&ccedil;&otilde;es afectivas ocasionais, que se caracterizam por relacionamentos ausentes ou m&iacute;nimos em termos de vincula&ccedil;&atilde;o afectiva (Matos, F&eacute;res-Carneiro, &amp; Jablonski, 2005). Mais concretamente, s&atilde;o rela&ccedil;&otilde;es de curta dura&ccedil;&atilde;o que, embora impliquem um envolvimento f&iacute;sico e/ou sexual, n&atilde;o envolvem um comprometimento emocional entre os dois parceiros, nem assumem que haver&aacute; continuidade nesse envolvimento. Este tipo de relacionamento &eacute; denominado, na g&iacute;ria juvenil, por &ldquo;amizade colorida&rdquo;, &ldquo;caso amoroso&rdquo;, &ldquo;andamento&rdquo;, &ldquo;curti&ccedil;&atilde;o&rdquo; ou &ldquo;flirt&rdquo;, entre outros termos. </P >    <p>Este recente modo de manter uma rela&ccedil;&atilde;o tem-se tornado cada vez mais comum entre os jovens, caracterizando-se pelo estabelecimento de regras pr&oacute;prias que as distinguem das rela&ccedil;&otilde;es &iacute;ntimas convencionais (e.g., quanto &agrave; fidelidade, independ&ecirc;ncia, desejo, entre outros), conferindo uma maior liberdade e autonomia aos parceiros. &Eacute; uma experi&ecirc;ncia relacional fugaz, que se encontra intimamente associada ao prazer moment&acirc;neo, n&atilde;o exigindo, por isso, sequer conhecimento pr&eacute;vio dos parceiros envolvidos. Podem ser v&aacute;rias as motiva&ccedil;&otilde;es para o envolvimento nestas rela&ccedil;&otilde;es, como sejam a obten&ccedil;&atilde;o de prazer, a car&ecirc;ncia afectiva, o desejo de consolida&ccedil;&atilde;o de uma amizade (cf. Matos, F&eacute;res-Carneiro, &amp; Jablonski, 2005), evitar o afastamento entre ex-namorados ou procurar a proximidade de algu&eacute;m de quem se gosta, tentando construir uma ponte para um futuro relacionamento (Manning, Giordano, &amp; Longmore, 2006). Desta forma, as investiga&ccedil;&otilde;es que envolvem os jovens e a sua sexualidade centram-se, cada vez mais, nas rela&ccedil;&otilde;es afectivas ocasionais (ibidem), associando-as a encontros sexuais e, por vezes, &agrave; exist&ecirc;ncia de viol&ecirc;ncia sexual (Brown &amp; Amatea, 2000). </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Contudo, a literatura dispon&iacute;vel sobre a quest&atilde;o mais lata da viol&ecirc;ncia nestas rela&ccedil;&otilde;es &eacute; escassa, dir&iacute;amos mesmo quase inexistente, al&eacute;m de que a variedade dos termos que definem este tipo de rela&ccedil;&otilde;es &iacute;ntimas juvenis na literatura <I>(casual date, spontaneous date, one-night-stand, hooking up, friends with benefits, hanging out) </I>e, mais uma vez, a inexist&ecirc;ncia de uma tradu&ccedil;&atilde;o clara destes conceitos para o portugu&ecirc;s e para a nossa realidade relacional, torna dif&iacute;cil estabelecer uma corres pond&ecirc;ncia directa entre o que a literatura documenta e o fen&oacute;meno que procuramos estudar. A relev&acirc;ncia deste projecto de investiga&ccedil;&atilde;o prende-se, pois, com a sua novidade, procurando desocultar a realidade da viol&ecirc;ncia em rela&ccedil;&otilde;es menos tradicionais e muito menos investigadas do que o namoro, sendo &ndash; ao que &eacute; do nosso conhecimento &ndash; o primeiro estudo nacional que incide sobre a viol&ecirc;ncia neste contexto relacional espec&iacute;fico, mas de crescente relevo nas viv&ecirc;ncias amorosas juvenis. </P >    <p>OBJECTIVOS </P >    <p>O objectivo geral desta investiga&ccedil;&atilde;o consistiu em avaliar a preval&ecirc;ncia da viol&ecirc;ncia nas rela&ccedil;&otilde;es afectivas ocasionais dos jovens. A partir deste tema geral, este projecto de investiga&ccedil;&atilde;o integrou os seguintes objectivos espec&iacute;ficos: </P >     <blockquote>       <p>a) analisar os indicadores de preval&ecirc;ncia da viol&ecirc;ncia f&iacute;sica, emocional e sexual, em termos de vitima&ccedil;&atilde;o e perpetra&ccedil;&atilde;o nas rela&ccedil;&otilde;es ocasionais, abrangendo estudantes do ensino secund&aacute;rio e universit&aacute;rio; </p>       <p>b) identificar associa&ccedil;&otilde;es entre os v&aacute;rios tipos de viol&ecirc;ncia recebidos e sofridos, como tamb&eacute;m se existe uma associa&ccedil;&atilde;o entre vitima&ccedil;&atilde;o e perpetra&ccedil;&atilde;o de diferentes actos abusivos; </p>       <p>c) encontrar associa&ccedil;&otilde;es entre caracter&iacute;sticas sociodemogr&aacute;ficas (e.g., g&eacute;nero, idade, grau acad&eacute;mico, n&iacute;vel socioecon&oacute;mico) e os v&aacute;rios tipos de viol&ecirc;ncia perpetrada ou recebida. </p> </blockquote>     <p>M&Eacute;TODO </P >    <p><I>Amostra e procedimentos </I></P >    <p>As universidades constituem o contexto de excel&ecirc;ncia para o estudo da viol&ecirc;ncia nas rela&ccedil;&otilde;es &iacute;ntimas juvenis (Hickman, Jaycox, &amp; Aronoff, 2004), n&atilde;o s&oacute; porque o &ldquo;pico&rdquo; da viol&ecirc;ncia ocorre no in&iacute;cio da idade adulta (por volta dos 24 anos) (Paiva &amp; Figueiredo, 2005), mas tamb&eacute;m porque este contexto apresenta in&uacute;meras vantagens para a prossecu&ccedil;&atilde;o de um estudo emp&iacute;rico (e.g., facilidade na distribui&ccedil;&atilde;o dos instrumentos de avalia&ccedil;&atilde;o) (Straus, 2004). Urge, contudo, contemplar outros grupos et&aacute;rios dentro da popula&ccedil;&atilde;o juvenil. O estudo da viol&ecirc;ncia nas rela&ccedil;&otilde;es &iacute;ntimas de jovens mais novos, por exemplo frequentando o ensino secund&aacute;rio tem sido, de certo modo, descurado, apesar de a evid&ecirc;ncia emp&iacute;rica demonstrar tamb&eacute;m n&iacute;veis elevados de viol&ecirc;ncia por parte destes estudantes (Connolly &amp; Josephson, 2007). </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A partir desta preocupa&ccedil;&atilde;o, a amostra deste projecto de investiga&ccedil;&atilde;o englobou tanto alunos do ensino universit&aacute;rio, como do ensino secund&aacute;rio. Os dados do ensino universit&aacute;rio foram recolhidos na Universidade do Minho, em aulas ou em locais que reunissem diversos estudantes (e.g., biblioteca e salas de estudo) e os referentes ao ensino secund&aacute;rio foram recolhidos em duas escolas do distrito de Braga. Pelo tipo de acordo obtido com cada institui&ccedil;&atilde;o escolar, numa destas escolas os instrumentos foram administrados na sala de aula, enquanto na outra se procedeu &agrave; sua adminis tra&ccedil;&atilde;o em espa&ccedil;os que aglomeram v&aacute;rios alunos (e.g., o bar, a sala do aluno, espa&ccedil;os exteriores). </P >    <p>O consentimento informado foi obtido individualmente junto dos alunos de maior idade, bem como junto do Conselho Executivo de cada escola e dos professores (no caso da recolha nas salas de aula), para os alunos do ensino secund&aacute;rio. Somente cerca de 2% dos indiv&iacute;duos se recusaram a colaborar no estudo. Todos os question&aacute;rios foram respondidos de forma an&oacute;nima e confidencial. Foram distribu&iacute;dos durante o ano lectivo de 2007/2008, sendo a amostra constitu&iacute;da por 600 participantes (cf. <a href="#t1">Tabela 1</a>). </P >     <p>&nbsp;</P ><a name="t1">     <p><img src="/img/revistas/aps/v30n1-2/30n1-2a09t1.jpg" width="553" height="380"></P >     
<p>&nbsp;</P >     <p><I>Instrumentos </I></P >    <p>O abuso nas rela&ccedil;&otilde;es afectivas ocasionais foi avaliado a partir de um question&aacute;rio de autorelato que incidia sobre a dimens&atilde;o comportamental da viol&ecirc;ncia, ou seja, avaliava a frequ&ecirc;ncia dos comportamentos violentos sofridos e perpetrados pelo sujeito. Este instrumento foi adaptado a partir de um outro question&aacute;rio utilizado numa investiga&ccedil;&atilde;o sobre preval&ecirc;ncia da viol&ecirc;ncia conjugal: IVC &ndash; Invent&aacute;rio de Viol&ecirc;ncia Conjugal (Matos, Machado, &amp; Gon&ccedil;alves, 2000), tamb&eacute;m j&aacute; alvo de uma adapta&ccedil;&atilde;o pr&eacute;via para a identifica&ccedil;&atilde;o da viol&ecirc;ncia no contexto do namoro (Machado, Caridade, &amp; Martins, 2009). </P >    <p>O IVC-4 (Antunes &amp; Machado, 2007, adaptado de Matos, Machado, &amp; Gon&ccedil;alves, 2000) avalia, assim, os comportamentos violentos nas rela&ccedil;&otilde;es afectivas ocasionais. Para minimizar a subjectividade deste conceito, este instrumento inclui no cabe&ccedil;alho uma defini&ccedil;&atilde;o deste tipo de relacionamento: &ldquo;rela&ccedil;&atilde;o de curta dura&ccedil;&atilde;o que, embora implique um envolvimento f&iacute;sico e/ou sexual, n&atilde;o envolve um comprometimento emocional entre os dois parceiros, nem assume que haver&aacute; continuidade da rela&ccedil;&atilde;o. Na g&iacute;ria dos jovens &eacute; denominada por amizade colorida/caso amoroso/curtir/ flirt&rdquo;. De modo a contemplar os tr&ecirc;s tipos de viol&ecirc;ncia (f&iacute;sica, emocional e sexual), este question&aacute;rio inclui vinte e uma quest&otilde;es sobre diversos comportamentos violentos potencialmente ocorridos numa rela&ccedil;&atilde;o afectiva ocasional ao longo da vida dos sujeitos. Em cada item, o participante responde em termos de perpetra&ccedil;&atilde;o e/ou vitima&ccedil;&atilde;o. Assim, tem a possibilidade de responder: &ldquo;Nunca fiz a um parceiro(a) ocasional&rdquo; ou &ldquo;J&aacute; fiz a um parceiro(a) ocasional&rdquo; (para a vitima&ccedil;&atilde;o &ldquo;Um meu parceiro(a) ocasional nunca me fez&rdquo; ou &ldquo;Um meu parceiro(a) ocasional j&aacute; me fez&rdquo;), especificando, no caso de resposta afirmativa, a frequ&ecirc;ncia com que estes comportamentos ocorreram (&ldquo;Uma &uacute;nica vez&rdquo; ou &ldquo;Mais do que uma vez&rdquo;). </P >    <p>RESULTADOS </P >    <p>Todas as an&aacute;lises foram realizadas usando o SPSS para o Windows (vers&atilde;o 16). No tratamento estat&iacute;stico dos dados recorreu-se &agrave; estat&iacute;stica descritiva e aos testes de associa&ccedil;&atilde;o e diferen&ccedil;as. Apesar de as vari&aacute;veis referentes aos valores totais e parciais de vitima&ccedil;&atilde;o e perpetra&ccedil;&atilde;o serem intervalares, n&atilde;o foi cumprido o crit&eacute;rio da normalidade, implicando que a an&aacute;lise estat&iacute;stica destes dados fosse realizada, quando necess&aacute;rio, atrav&eacute;s de testes n&atilde;o param&eacute;tricos. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><I>Caracteriza&ccedil;&atilde;o da sub-amostra com envolvimentos afectivos ocasionais </I></P >    <p>Da amostra total de 600 sujeitos, 442 indiv&iacute;duos, ou seja, 72.3% da amostra, relataram j&aacute; ter estado envolvidos em rela&ccedil;&otilde;es afectivas ocasionais. Apenas estes sujeitos foram considerados para as an&aacute;lises estat&iacute;sticas que apresentaremos de seguida. Sendo assim, torna-se pertinente caracterizar esta sub-amostra (cf. <a href="#t1">Tabela 1</a>). </P >    <p>Os participantes do estudo tinham idades compreendidas entre os 14 e 39 anos, sendo a m&eacute;dia de idades de 18.6 anos (<I>DP</I>=3.06). A sua forma&ccedil;&atilde;o acad&eacute;mica ia desde o 10&ordm; ano at&eacute; &agrave; frequ&ecirc;ncia de Mestrado, situando-se a m&eacute;dia nos 12.4 anos escolares. </P >     <p>Os participantes da amostra admitiram j&aacute; se ter envolvido entre 1 a 9 rela&ccedil;&otilde;es afectivas ocasionais, apresentando uma m&eacute;dia de 2.9 rela&ccedil;&otilde;es por sujeito. As rela&ccedil;&otilde;es ocasionais tendem a durar cerca de um m&ecirc;s (13.3%) ou mesmo per&iacute;odos inferiores, at&eacute; uma semana (7.7%). 6.8% dos participantes relataram que a rela&ccedil;&atilde;o se manteve durante 6 meses, enquanto outros 5.7% se envolveram durante apenas um dia. Somente uma pequena percentagem (1.1%) de sujeitos referiu ter mantido esse relacionamento durante mais de 6 meses. Salienta-se, no entanto, que apesar de algumas destas rela&ccedil;&otilde;es envolverem alguma extens&atilde;o temporal, continuam a ser percebidas pelos participantes como tendo uma natureza ocasional, isto &eacute;, sem compromisso e vivida (mesmo quando dura algum tempo) de forma intermitente. </P >    <p>Um n&uacute;mero significativo de participantes que se envolveu numa rela&ccedil;&atilde;o ocasional relatou que sentia atrac&ccedil;&atilde;o pelo parceiro(a) (18.8%), seguindo-se a paix&atilde;o (7.2%) e o amor (6.3%). Apenas 2% dos indiv&iacute;duos admitiram n&atilde;o nutrir qualquer sentimento pelo parceiro, enquanto 1.4% relataram sentimentos de amizade. </P >    <p><I>Preval&ecirc;ncia da viol&ecirc;ncia nas rela&ccedil;&otilde;es afectivas ocasionais </I></P >    <p>Os dados resultantes do IVC-4 (Antunes &amp; Machado, 2007) revelam que 43.2% dos sujeitos relataram ter cometido pelo menos um acto violento numa rela&ccedil;&atilde;o afectiva ocasional ao longo da sua vida. Por sua vez, 37.3% dos indiv&iacute;duos referiram ter sido v&iacute;timas de pelo menos um acto abusivo durante uma rela&ccedil;&atilde;o afectiva ocasional ocorrida em dada altura das suas vidas. </P >     <p>&nbsp;</P ><a name="t2"> <TABLE   align="center" border=0 cellspacing=0 cellpadding=2 ><TR    ><TH   colspan=5 align="left" width="521"  valign="top" height="16"  >TABELA 2 </TH ></TR ><TR    ><TH   colspan=5 align="left" width="521"  valign="middle" height="22"  ><I>Preval&ecirc;ncia dos v&aacute;rios tipos de viol&ecirc;ncia nas rela&ccedil;&otilde;es ocasionais </I></TH ></TR ><TR    ><TH   colspan=2 align="left" width="239"  valign="middle" height="16"  >    <div align="right">Viol&ecirc;ncia &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</div></TH ><TD    align="center" width="93"  valign="middle" height="16"  ><I>n </I></TD ><TD    align="center" width="141"  valign="middle" height="16"  >Frequ&ecirc;ncia </TD ><TD    align="center" width="48"  valign="middle" height="16"  >% </TD ></TR ><TR    ><TH   align="left" width="72"  valign="top" height="26"  ><I>Perpetra&ccedil;&atilde;o </I></TH ><TD    align="center" width="167"  valign="top" height="26"  >Global F&iacute;sica </TD ><TD    align="center" width="93"  valign="top" height="26"  >412 413 </TD ><TD    align="center" width="141"  valign="top" height="26"  >191 133 </TD ><TD    align="right" width="48"  valign="top" height="26"  >43.2 30.1 </TD ></TR ><TR    ><TH   align="left" width="72"  valign="top" height="12"  ></TH><TD    align="center" width="167"  valign="middle" height="12"  >Emocional </TD ><TD    align="center" width="93"  valign="middle" height="12"  >417 </TD ><TD    align="center" width="141"  valign="middle" height="12"  >121 </TD ><TD    align="right" width="48"  valign="middle" height="12"  >27.4 </TD ></TR ><TR    ><TH   align="left" width="72"  valign="top" height="14"  ></TH><TD    align="center" width="167"  valign="middle" height="14"  >Sexual </TD ><TD    align="center" width="93"  valign="middle" height="14"  >412 </TD ><TD    align="center" width="141"  valign="middle" height="14"  >55 </TD ><TD    align="right" width="48"  valign="middle" height="14"  >12.4 </TD ></TR ><TR    ><TH   align="left" width="72"  valign="top" height="27"  ><I>Vitima&ccedil;&atilde;o </I></TH ><TD    align="center" width="167"  valign="bottom" height="27"  >Global F&iacute;sica </TD ><TD    align="center" width="93"  valign="bottom" height="27"  >352 339 </TD ><TD    align="center" width="141"  valign="bottom" height="27"  >165 90 </TD ><TD    align="right" width="48"  valign="bottom" height="27"  >37.3 20.4 </TD ></TR ><TR    ><TH   align="left" width="72"  valign="top" height="12"  ></TH><TD    align="center" width="167"  valign="middle" height="12"  >Emocional </TD ><TD    align="center" width="93"  valign="middle" height="12"  >349 </TD ><TD    align="center" width="141"  valign="middle" height="12"  >102 </TD ><TD    align="right" width="48"  valign="middle" height="12"  >23.1 </TD ></TR ><TR    ><TH   align="left" width="72"  valign="top" height="10"  ></TH><TD    align="center" width="167"  valign="bottom" height="10"  >Sexual </TD ><TD    align="center" width="93"  valign="bottom" height="10"  >349 </TD ><TD    align="center" width="141"  valign="bottom" height="10"  >73 </TD ><TD    align="right" width="48"  valign="bottom" height="10"  >16.5 </TD ></TR ></TABLE >    <p>&nbsp;</P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><I>Preval&ecirc;ncia da perpetra&ccedil;&atilde;o de viol&ecirc;ncia </I></P >     <p>A viol&ecirc;ncia f&iacute;sica no contexto de uma rela&ccedil;&atilde;o ocasional foi relatada por 30.1% dos indiv&iacute;duos. Por sua vez, 27.4% dos sujeitos da amostra revelou ter j&aacute; perpetrado ao longo da sua vida pelo menos um acto emocionalmente violento em rela&ccedil;&atilde;o a um parceiro ocasional. No que concerne &agrave; viol&ecirc;ncia sexual, 12.4% dos estudantes indicaram ter violentado sexualmente um seu parceiro ocasional. A <a href="#t3">tabela 3</a> apresenta uma descri&ccedil;&atilde;o detalhada dos diferentes comportamentos violentos perpetrados pelos sujeitos da amostra e respectiva percentagem. </P >     <p>&nbsp;</P ><a name="t3">     <p><img src="/img/revistas/aps/v30n1-2/30n1-2a09t3.jpg" width="557" height="469"></P >     
<p>&nbsp;</P >     <p>A tabela demonstra que os actos mais frequentes s&atilde;o insultar, difamar e humilhar (17.9%), dar uma bofetada (15.8%), perseguir a outra pessoa (12.7%), puxar os cabelos com for&ccedil;a (10.2%), atirar com objectos (9.7%) e gritar ou amea&ccedil;ar para meter medo (8.4%). </P >     <p><I>Preval&ecirc;ncia da vitima&ccedil;&atilde;o </I></P >    <p>Contrariamente ao que ocorre quanto &agrave; perpetra&ccedil;&atilde;o, a vitima&ccedil;&atilde;o emocional surge como o tipo de viol&ecirc;ncia mais sofrido nas rela&ccedil;&otilde;es ocasionais, j&aacute; que 23.1% dos sujeitos relatou ter sido v&iacute;tima de pelo menos um acto desta natureza ao longo das rela&ccedil;&otilde;es ocasionais em que esteve envolvido. Por sua vez, 20.4% dos indiv&iacute;duos relataram ter sido v&iacute;timas de pelo menos um comportamento fisicamente violento por parte de um parceiro ocasional. A vitima&ccedil;&atilde;o sexual foi revelada por 16.5% dos estudantes. A <a href="#t4">tabela 4</a> apresenta, de forma mais detalhada, os diferentes tipos de viol&ecirc;ncia recebida e a percentagem de sujeitos que os sofreu. </P >     <p>&nbsp;</P ><a name="t4">     <p align="center">TABELA 4 </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><I>Descri&ccedil;&atilde;o dos actos de viol&ecirc;ncia sofridos </I></P > <TABLE   align="center" border=0 cellspacing=0 cellpadding=2 ><TR    ><TH   colspan=3 align="left"  valign="top" height="12"  >    <div align="right">Um parceiro </div></TH > <TH   colspan=4 align="center"  valign="top" height="12"  >Um parceiro </TH > <TH   colspan=4 align="center"  valign="top" height="12"  >Um parceiro </TH > </TR ><TR    ><TH   colspan=3 align="left"  valign="top" height="13"  >    <div align="right">ocasional </div></TH > <TH   colspan=4 align="center"  valign="top" height="13"  >ocasional j&aacute; me fez, </TH > <TH   colspan=4 align="center"  valign="top" height="13"  >ocasional j&aacute; me fez, </TH > </TR ><TR    ><TH   colspan=3 align="left"  valign="top" height="14"  >    <div align="right">nunca me fez </div></TH > <TH   colspan=4 align="center"  valign="top" height="14"  >uma &uacute;nica vez </TH > <TH   colspan=4 align="center"  valign="top" height="14"  >mais do que uma vez </TH > </TR ><TR    ><TH   align="left" width="262"  valign="middle" height="16"  >Vitima&ccedil;&atilde;o </TH > <TH   align="center" width="44"  valign="middle" height="16"  ><I>N </I></TH > <TH   align="center" width="68"  valign="middle" height="16"  >% </TH > <TH   align="right" width="36"  valign="middle" height="16"  >    <div align="center"><I>N </I></div></TH ><TH   colspan=3 align="center"  valign="middle" height="16"  >    <div align="center">% </div></TH > <TH   align="right" width="33"  valign="middle" height="16"  >    <div align="center"><I>N </I></div></TH ><TH   colspan=3 align="center"  valign="middle" height="16"  >    <div align="center">% </div></TH > </TR ><TR    ><TH   align="left" width="262"  valign="middle" height="14"  ><I>Viol&ecirc;ncia f&iacute;sica </I></TH > <TH   colspan=2 align="center"  valign="top" height="14"  ></TH> <TH   colspan=4 align="center"  valign="top" height="14"  >    <div align="center"></div></TH> <TH   colspan=4 align="right"  valign="top" height="14"  >    <div align="center"></div></TH> </TR ><TR    ><TH   align="left" width="262"  valign="middle" height="14"  >Puxar cabelos com for&ccedil;a </TH > <TD    align="center" width="44"  valign="middle" height="14"  >320 </TD > <TD    align="center" width="68"  valign="middle" height="14"  >72.4 </TD ><TD    colspan=2 align="right"  valign="middle" height="14"  >    ]]></body>
<body><![CDATA[<div align="center">18 </div></TD > <TD    colspan=2 align="center"  valign="middle" height="14"  >4.1 </TD > <TD    colspan=2 align="right"  valign="middle" height="14"  >    <div align="center">20 </div></TD > <TD    colspan=2 align="center"  valign="middle" height="14"  >4.5 </TD > </TR ><TR    ><TH   align="left" width="262"  valign="middle" height="12"  >Dar uma bofetada </TH > <TD    align="center" width="44"  valign="middle" height="12"  >323 </TD > <TD    align="center" width="68"  valign="middle" height="12"  >73.1 </TD ><TD    colspan=2 align="right"  valign="middle" height="12"  >    <div align="center">22 </div></TD > <TD    colspan=2 align="center"  valign="middle" height="12"  >5 </TD > <TD    colspan=2 align="right"  valign="middle" height="12"  >    <div align="center">14 </div></TD > <TD    colspan=2 align="center"  valign="middle" height="12"  >3.2 </TD > </TR ><TR    ><TH   align="left" width="262"  valign="middle" height="14"  >Apertar o pesco&ccedil;o </TH > <TD    align="center" width="44"  valign="middle" height="14"  >337 </TD > <TD    align="center" width="68"  valign="middle" height="14"  >76.2 </TD ><TD    colspan=2 align="right"  valign="middle" height="14"  >    <div align="center">12 </div></TD > <TD    colspan=2 align="center"  valign="middle" height="14"  >2.7 </TD > <TD    colspan=2 align="right"  valign="middle" height="14"  >    <div align="center">9 </div></TD > <TD    colspan=2 align="center"  valign="middle" height="14"  >2 </TD > </TR ><TR    ><TH   align="left" width="262"  valign="top" height="12"  >Amea&ccedil;ar com armas </TH > <TD    align="center" width="44"  valign="top" height="12"  >353 </TD > <TD    align="center" width="68"  valign="top" height="12"  >79.9 </TD ><TD    colspan=2 align="right"  valign="top" height="12"  >    <div align="center">9 </div></TD > <TD    colspan=2 align="center"  valign="top" height="12"  >2 </TD > <TD    colspan=2 align="right"  valign="top" height="12"  >    <div align="center">3 </div></TD > <TD    colspan=2 align="center"  valign="top" height="12"  >.7 </TD > </TR ><TR    ><TH   align="left" width="262"  valign="middle" height="12"  >Dar um murro </TH > <TD    align="center" width="44"  valign="middle" height="12"  >345 </TD > <TD    align="center" width="68"  valign="middle" height="12"  >78.1 </TD ><TD    colspan=2 align="right"  valign="middle" height="12"  >    <div align="center">12 </div></TD > <TD    colspan=2 align="center"  valign="middle" height="12"  >2.7 </TD > <TD    colspan=2 align="right"  valign="middle" height="12"  >    <div align="center">7 </div></TD > <TD    colspan=2 align="center"  valign="middle" height="12"  >1.6 </TD > </TR ><TR    ><TH   align="left" width="262"  valign="middle" height="14"  >Atirar com objectos </TH > <TD    align="center" width="44"  valign="middle" height="14"  >332 </TD > <TD    align="center" width="68"  valign="middle" height="14"  >75.1 </TD ><TD    colspan=2 align="right"  valign="middle" height="14"  >    ]]></body>
<body><![CDATA[<div align="center">20 </div></TD > <TD    colspan=2 align="center"  valign="middle" height="14"  >4.5 </TD > <TD    colspan=2 align="right"  valign="middle" height="14"  >    <div align="center">8 </div></TD > <TD    colspan=2 align="center"  valign="middle" height="14"  >1.8 </TD > </TR ><TR    ><TH   align="left" width="262"  valign="top" height="11"  >Dar uma sova </TH > <TD    align="center" width="44"  valign="top" height="11"  >351 </TD > <TD    align="center" width="68"  valign="top" height="11"  >79.4 </TD ><TD    colspan=2 align="right"  valign="top" height="11"  >    <div align="center">6 </div></TD > <TD    colspan=2 align="center"  valign="top" height="11"  >1.4 </TD > <TD    colspan=2 align="right"  valign="top" height="11"  >    <div align="center">4 </div></TD > <TD    colspan=2 align="center"  valign="top" height="11"  >.9 </TD > </TR ><TR    ><TH   align="left" width="262"  valign="middle" height="14"  >Dar pontap&eacute;s ou cabe&ccedil;adas </TH > <TD    align="center" width="44"  valign="middle" height="14"  >343 </TD > <TD    align="center" width="68"  valign="middle" height="14"  >77.6 </TD ><TD    colspan=2 align="right"  valign="middle" height="14"  >    <div align="center">9 </div></TD > <TD    colspan=2 align="center"  valign="middle" height="14"  >2 </TD > <TD    colspan=2 align="right"  valign="middle" height="14"  >    <div align="center">10 </div></TD > <TD    colspan=2 align="center"  valign="middle" height="14"  >2.3 </TD > </TR ><TR    ><TH   align="left" width="262"  valign="top" height="13"  >Dar empurr&otilde;es violentos </TH > <TD    align="center" width="44"  valign="top" height="13"  >332 </TD > <TD    align="center" width="68"  valign="top" height="13"  >75.1 </TD ><TD    colspan=2 align="right"  valign="top" height="13"  >    <div align="center">12 </div></TD > <TD    colspan=2 align="center"  valign="top" height="13"  >2.7 </TD > <TD    colspan=2 align="right"  valign="top" height="13"  >    <div align="center">9 </div></TD > <TD    colspan=2 align="center"  valign="top" height="13"  >2 </TD > </TR ><TR    ><TH   align="left" width="262"  valign="top" height="13"  >Bater com a cabe&ccedil;a contra a parede </TH > <TD    align="center" width="44"  valign="top" height="13"  >341 </TD > <TD    align="center" width="68"  valign="top" height="13"  >77.1 </TD ><TD    colspan=2 align="right"  valign="top" height="13"  >    <div align="center">10 </div></TD > <TD    colspan=2 align="center"  valign="top" height="13"  >2.3 </TD > <TD    colspan=2 align="right"  valign="top" height="13"  >    <div align="center">2 </div></TD     ]]></body>
<body><![CDATA[>     <TD        colspan=2 align="center"  valign="top" height="13"      >.5 </TD     >     </TR     ><TR       ><TH       align="left" width="262"  valign="top" height="13"      >Causar ferimentos que n&atilde;o precisaram de </TH     ]]></body>
<body><![CDATA[>     <TD        colspan=2 align="center"  valign="top" height="13"      ></TD>     <TD        colspan=4 align="center"  valign="top" height="13"      ></TD>     <TD        colspan=4 align="right"  valign="top" height="13"      ></TD>     ]]></body>
<body><![CDATA[</TR     ><TR       ><TH       align="left" width="262"  valign="top" height="11"      >assist&ecirc;ncia m&eacute;dica </TH     >     <TD        align="center" width="44"  valign="top" height="11"      >337 </TD     >     ]]></body>
<body><![CDATA[<TD        align="center" width="68"  valign="top" height="11"      >76.2 </TD     ><TD        colspan=3 align="right"  valign="top" height="11"      >4 </TD     >     <TD        align="center" width="135"  valign="top" height="11"      >.9 </TD     ]]></body>
<body><![CDATA[><TD        colspan=2 align="right"  valign="top" height="11"      >7 </TD     >     <TD        colspan=2 align="center"  valign="top" height="11"      >1.6 </TD     >     </TR     ><TR       ]]></body>
<body><![CDATA[><TH       align="left" width="262"  valign="middle" height="14"      >Causar ferimentos que precisaram de </TH     >     <TD        colspan=2 align="center"  valign="top" height="14"      ></TD>     <TD        colspan=4 align="center"  valign="top" height="14"      ></TD>     ]]></body>
<body><![CDATA[<TD        colspan=4 align="right"  valign="top" height="14"      ></TD>     </TR     ><TR       ><TH       align="left" width="262"  valign="top" height="13"      >assist&ecirc;ncia m&eacute;dica </TH     >     <TD       ]]></body>
<body><![CDATA[ align="center" width="44"  valign="top" height="13"      >345 </TD     >     <TD        align="center" width="68"  valign="top" height="13"      >78.1 </TD     ><TD        colspan=3 align="right"  valign="top" height="13"      >4 </TD     >     ]]></body>
<body><![CDATA[<TD        align="center" width="135"  valign="top" height="13"      >.9 </TD     ><TD        colspan=3 align="right"  valign="top" height="13"      >1 </TD     >     <TD        align="center" width="94"  valign="top" height="13"      >.2 </TD     ]]></body>
<body><![CDATA[>     </TR     ><TR       ><TH       align="left" width="262"  valign="middle" height="15"      ><I>Viol&ecirc;ncia emocional </I></TH     >     <TD        colspan=2 align="center"  valign="top" height="15"      ></TD>     ]]></body>
<body><![CDATA[<TD        colspan=4 align="center"  valign="top" height="15"      ></TD>     <TD        colspan=4 align="right"  valign="top" height="15"      ></TD>     </TR     ><TR       ><TH       align="left" width="262"  valign="middle" height="13"      ]]></body>
<body><![CDATA[>Insultar, difamar e humilhar </TH     >     <TD        align="center" width="44"  valign="middle" height="13"      >294 </TD     >     <TD        align="center" width="68"  valign="middle" height="13"      >66.5 </TD     ><TD       ]]></body>
<body><![CDATA[ colspan=2 align="right"  valign="middle" height="13"      >36 </TD     >     <TD        colspan=2 align="center"  valign="middle" height="13"      >8.1 </TD     >     <TD        colspan=2 align="right"  valign="middle" height="13"      >27 </TD     ]]></body>
<body><![CDATA[>     <TD        colspan=2 align="center"  valign="middle" height="13"      >6.1 </TD     >     </TR     ><TR       ><TH       align="left" width="262"  valign="top" height="13"      >Perseguir a outra pessoa </TH     ]]></body>
<body><![CDATA[>     <TD        align="center" width="44"  valign="top" height="13"      >323 </TD     >     <TD        align="center" width="68"  valign="top" height="13"      >73.1 </TD     ><TD        colspan=2 align="right"  valign="top" height="13"      ]]></body>
<body><![CDATA[>14 </TD     >     <TD        colspan=2 align="center"  valign="top" height="13"      >3.2 </TD     >     <TD        colspan=2 align="right"  valign="top" height="13"      >20 </TD     >     ]]></body>
<body><![CDATA[<TD        colspan=2 align="center"  valign="top" height="13"      >4.5 </TD     >     </TR     ><TR       ><TH       align="left" width="262"  valign="top" height="14"      >Gritar ou amea&ccedil;ar, para meter medo </TH     >     ]]></body>
<body><![CDATA[<TD        align="center" width="44"  valign="top" height="14"      >322 </TD     >     <TD        align="center" width="68"  valign="top" height="14"      >72.9 </TD     ><TD        colspan=2 align="right"  valign="top" height="14"      >24 </TD     ]]></body>
<body><![CDATA[>     <TD        colspan=2 align="center"  valign="top" height="14"      >5.4 </TD     >     <TD        colspan=2 align="right"  valign="top" height="14"      >10 </TD     >     <TD       ]]></body>
<body><![CDATA[ colspan=2 align="center"  valign="top" height="14"      >2.3 </TD     >     </TR     ><TR       ><TH       align="left" width="262"  valign="middle" height="14"      ><I>Viol&ecirc;ncia sexual </I></TH     >     <TD       ]]></body>
<body><![CDATA[ colspan=2 align="center"  valign="top" height="14"      ></TD>     <TD        colspan=4 align="center"  valign="top" height="14"      ></TD>     <TD        colspan=4 align="right"  valign="top" height="14"      ></TD>     </TR     ><TR       ]]></body>
<body><![CDATA[><TH       align="left" width="262"  valign="middle" height="14"      >For&ccedil;ar a realizar o acto sexual sem preservativo </TH     >     <TD        align="center" width="44"  valign="middle" height="14"      >339 </TD     >     <TD        align="center" width="68"  valign="middle" height="14"      ]]></body>
<body><![CDATA[>76.7 </TD     ><TD        colspan=2 align="right"  valign="middle" height="14"      >7 </TD     >     <TD        colspan=2 align="center"  valign="middle" height="14"      >1.6 </TD     >     <TD       ]]></body>
<body><![CDATA[ colspan=3 align="right"  valign="middle" height="14"      >4 </TD     >     <TD        align="center" width="94"  valign="middle" height="14"      >.9 </TD     >     </TR     ><TR       ><TH      ]]></body>
<body><![CDATA[ align="left" width="262"  valign="top" height="13"      >For&ccedil;ar a outra pessoa a manter rela&ccedil;&otilde;es </TH     >     <TD        colspan=2 align="center"  valign="top" height="13"      ></TD>     <TD        colspan=4 align="center"  valign="top" height="13"      ></TD>     <TD       ]]></body>
<body><![CDATA[ colspan=4 align="right"  valign="top" height="13"      ></TD>     </TR     ><TR       ><TH       align="left" width="262"  valign="top" height="11"      >sexuais contra a sua vontade </TH     >     <TD        align="center" width="44"  valign="top" height="11"      ]]></body>
<body><![CDATA[>340 </TD     >     <TD        align="center" width="68"  valign="top" height="11"      >76.9 </TD     ><TD        colspan=2 align="right"  valign="top" height="11"      >12 </TD     >     <TD       ]]></body>
<body><![CDATA[ colspan=2 align="center"  valign="top" height="11"      >2.7 </TD     >     <TD        colspan=3 align="right"  valign="top" height="11"      >3 </TD     >     <TD        align="center" width="94"  valign="top" height="11"      >.7 </TD     ]]></body>
<body><![CDATA[>     </TR     ><TR       ><TH       align="left" width="262"  valign="middle" height="14"      >Fazer com que o outro consuma subst&acirc;ncias </TH     >     <TD        colspan=2 align="center"  valign="top" height="14"      ></TD>     ]]></body>
<body><![CDATA[<TD        colspan=4 align="center"  valign="top" height="14"      ></TD>     <TD        colspan=4 align="right"  valign="top" height="14"      ></TD>     </TR     ><TR       ><TH       align="left" width="262"  valign="top" height="13"      ]]></body>
<body><![CDATA[>para conseguir actos sexuais </TH     >     <TD        align="center" width="44"  valign="top" height="13"      >346 </TD     >     <TD        align="center" width="68"  valign="top" height="13"      >78.3 </TD     ><TD       ]]></body>
<body><![CDATA[ colspan=2 align="right"  valign="top" height="13"      >6 </TD     >     <TD        colspan=2 align="center"  valign="top" height="13"      >1.4 </TD     >     <TD        colspan=2 align="right"  valign="top" height="13"      >10 </TD     ]]></body>
<body><![CDATA[>     <TD        colspan=2 align="center"  valign="top" height="13"      >2.3 </TD     >     </TR     ><TR       ><TH       align="left" width="262"  valign="top" height="13"      >For&ccedil;ar beijos, car&iacute;cias ou toques &iacute;ntimos </TH     ]]></body>
<body><![CDATA[>     <TD        align="center" width="44"  valign="top" height="13"      >310 </TD     >     <TD        align="center" width="68"  valign="top" height="13"      >70.1 </TD     ><TD        colspan=2 align="right"  valign="top" height="13"      ]]></body>
<body><![CDATA[>33 </TD     >     <TD        colspan=2 align="center"  valign="top" height="13"      >7.5 </TD     >     <TD        colspan=2 align="right"  valign="top" height="13"      >13 </TD     >     ]]></body>
<body><![CDATA[<TD        colspan=2 align="center"  valign="top" height="13"      >2.9 </TD     >     </TR     ><TR       ><TH       align="left" width="262"  valign="top" height="14"      >For&ccedil;ar a pr&aacute;tica de actos sexuais indesejados </TH     >     ]]></body>
<body><![CDATA[<TD        align="center" width="44"  valign="top" height="14"      >339 </TD     >     <TD        align="center" width="68"  valign="top" height="14"      >76.7 </TD     ><TD        colspan=2 align="right"  valign="top" height="14"      >10 </TD     ]]></body>
<body><![CDATA[>     <TD        colspan=2 align="center"  valign="top" height="14"      >2.3 </TD     >     <TD        colspan=2 align="right"  valign="top" height="14"      >4 </TD     >     <TD       ]]></body>
<body><![CDATA[ colspan=2 align="center"  valign="top" height="14"      >.9 </TD     >     </TR     ><TR       ><TH       align="left" width="262"  valign="bottom" height="12"      ><I>Outros actos </I></TH     >     <TD       ]]></body>
<body><![CDATA[ align="center" width="44"  valign="bottom" height="12"      >142 </TD     >     <TD        align="center" width="68"  valign="bottom" height="12"      >32.1 </TD     ><TD        colspan=2 align="right"  valign="bottom" height="12"      >2 </TD     >     ]]></body>
<body><![CDATA[<TD        colspan=2 align="center"  valign="bottom" height="12"      >.5 </TD     >     <TD        colspan=2 align="right"  valign="top" height="12"      ></TD>     <TD        colspan=2 align="center"  valign="top" height="12"      ></TD>     ]]></body>
<body><![CDATA[</TR     ></TABLE     >    <p>&nbsp;</P >     <p>Atrav&eacute;s da tabela, podemos constatar que entre os actos mais frequentemente relatados destaca-se o ter sido insultado, difamado e humilhado (14.2%). De seguida, os actos: for&ccedil;ar beijos, car&iacute;cias e toques &iacute;ntimos (10.4%), puxar os cabelos com for&ccedil;a (8.6%), dar uma bofetada (8.2%) e gritar ou amea&ccedil;ar para meter medo (7.7%) foram os mais relatados pelas v&iacute;timas. </P >     <p><I>Associa&ccedil;&atilde;o entre diferentes formas de viol&ecirc;ncia </I></P >    <p><I>Associa&ccedil;&atilde;o entre as v&aacute;rias formas de perpetra&ccedil;&atilde;o de viol&ecirc;ncia </I></P >    <p>Existe uma associa&ccedil;&atilde;o estatisticamente significativa entre as v&aacute;rias formas de viol&ecirc;ncia praticadas pelos participantes. Esta associa&ccedil;&atilde;o verifica-se entre a perpetra&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica e a perpetra&ccedil;&atilde;o emocional [&chi;<Sup><I>2</I></Sup>(1)=72.093; <I>p</I>&lt;.001], constatando-se que 31.5% dos sujeitos relata ter perpetrado simultaneamente comportamentos f&iacute;sica e emocionalmente violentos. Quando a viol&ecirc;ncia f&iacute;sica foi associada com a viol&ecirc;ncia sexual, encontra-se tamb&eacute;m uma associa&ccedil;&atilde;o estatisticamente significativa [&chi;<Sup><I>2</I></Sup>(1)=34.577; <I>p</I>&lt;.001], verificando-se que 12.8% da popula&ccedil;&atilde;o adoptou actos f&iacute;sicos e sexualmente abusivos contra um parceiro ocasional. Ocorre tamb&eacute;m uma associa&ccedil;&atilde;o estatisticamente significativa entre a perpetra&ccedil;&atilde;o emocional e a perpetra&ccedil;&atilde;o sexual [&chi;<Sup><I>2</I></Sup>(1)=44.694; <I>p</I>&lt;.001], sendo que 13.1% dos indiv&iacute;duos relataram ter perpetrado ambos tipos de viol&ecirc;ncia no contexto de uma rela&ccedil;&atilde;o afectiva ocasional. </P >    <p><I>Associa&ccedil;&atilde;o entre as v&aacute;rias formas de vitima&ccedil;&atilde;o </I></P >    <p>Existe, igualmente, uma associa&ccedil;&atilde;o estatisticamente significativa entre as v&aacute;rias formas de vitima&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o s&oacute; se encontra uma associa&ccedil;&atilde;o significativa entre a vitima&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica e a vitima&ccedil;&atilde;o emocional [&chi;<Sup><I>2</I></Sup>(1)=67.958; <I>p</I>&lt;.001], como tamb&eacute;m entre a vitima&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica e a vitima&ccedil;&atilde;o sexual [&chi;<Sup><I>2</I></Sup>(1)=33.788; <I>p</I>&lt;.001]. Deste modo, 27.6% da popula&ccedil;&atilde;o da amostra referiu ter sido v&iacute;tima tanto de viol&ecirc;ncia f&iacute;sica, como emocional por um parceiro ocasional, enquanto 19.8% relatou ter sofrido tanto viol&ecirc;ncia f&iacute;sica, como sexual num relacionamento &iacute;ntimo. Por &uacute;ltimo, regista-se, igualmente, uma associa&ccedil;&atilde;o significativa entre a viol&ecirc;ncia emocional e a viol&ecirc;ncia sexual [&chi;<Sup><I>2</I></Sup>(1)=55.146; <I>p</I>&lt;.001], verificando-se que 19% dos indiv&iacute;duos relatou ter sofrido ambos tipos de viol&ecirc;ncia numa rela&ccedil;&atilde;o ocasional. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><I>Associa&ccedil;&atilde;o entre a perpetra&ccedil;&atilde;o e a vitima&ccedil;&atilde;o das v&aacute;rias formas de viol&ecirc;ncia </I></P >    <p>Quando associada a perpetra&ccedil;&atilde;o global com a vitima&ccedil;&atilde;o global, encontra-se uma forte associa&ccedil;&atilde;o entre ambas as vari&aacute;veis [&chi;<Sup><I>2</I></Sup>(1)=1.635; <I>p</I>&lt;.001], verificando-se que 45.9% dos sujeitos da amostra referiu ter experienciado ambas as situa&ccedil;&otilde;es num relacionamento ocasional. </P >    <p>Numa an&aacute;lise mais detalhada, verifica-se uma associa&ccedil;&atilde;o estatisticamente significativa entre a perpetra&ccedil;&atilde;o e a vitima&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica [&chi;<Sup><I>2</I></Sup>(1)=1.239; <I>p</I>&lt;.001], observando-se, igualmente, uma associa&ccedil;&atilde;o estatisticamente significativa entre a perpetra&ccedil;&atilde;o e a vitima&ccedil;&atilde;o emocional [&chi;<Sup><I>2</I></Sup>(1)=1.673; <I>p</I>&lt;.001]. Deste modo, 29.1% dos sujeitos revelou envolvimento na viol&ecirc;ncia f&iacute;sica, quer enquanto v&iacute;tima, quer enquanto ofensor; por outro lado, 28.3% dos participantes reportaram tanto ter cometido, como ter sofrido viol&ecirc;ncia emocional numa rela&ccedil;&atilde;o ocasional. Por fim, verifica-se uma associa&ccedil;&atilde;o estatisticamente significativa entre a perpetra&ccedil;&atilde;o e vitima&ccedil;&atilde;o sexual [&chi;<Sup><I>2</I></Sup>(1)=1.153; <I>p</I>&lt;.001], tendo 19.4% da amostra relatado ter cometido mas tamb&eacute;m sofrido este tipo de abuso. </P >    <p><I>Diferen&ccedil;as nos comportamentos violentos em fun&ccedil;&atilde;o de vari&aacute;veis socio-demogr&aacute;ficas </I></P >    <p><I>G&eacute;nero </I></P >     <p>N&atilde;o foram encontradas associa&ccedil;&otilde;es significativas entre g&eacute;nero e perpetra&ccedil;&atilde;o [&chi;<Sup><I>2</I></Sup>(1)=2.653; <I>n.s.</I>] ou vitima&ccedil;&atilde;o geral [&chi;<Sup><I>2</I></Sup>(1)=3.616; <I>n.s.</I>]. Por&eacute;m, na an&aacute;lise espec&iacute;fica dos v&aacute;rios tipos de viol&ecirc;ncia, encontraram-se associa&ccedil;&otilde;es significativas entre o g&eacute;nero e a vitima&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica [&chi;<Sup><I>2</I></Sup>(1)=16.621; <I>p</I>&lt;.001], perpetra&ccedil;&atilde;o emocional [&chi;<Sup><I>2</I></Sup>(1)=4.036; <I>p</I>&lt;.05] e a perpetra&ccedil;&atilde;o sexual [&chi;<Sup><I>2</I></Sup>(1)=13.001; <I>p</I>&lt;.001]. Os rapazes tendem a relatar mais frequentemente vitima&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica (66.3%), perpetra&ccedil;&atilde;o emocional (58.3%) e perpetra&ccedil;&atilde;o sexual (74.1%), comparativamente com as raparigas. Em oposi&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o encontramos associa&ccedil;&atilde;o entre g&eacute;nero e perpetra&ccedil;&atilde;o de viol&ecirc;ncia f&iacute;sica [&chi;<Sup><I>2</I></Sup>(1)=.457; <I>n.s.</I>], nem entre g&eacute;nero e vitima&ccedil;&atilde;o emocional [&chi;<Sup><I>2</I></Sup>(1)=2.167; <I>n.s.</I>] ou vitima&ccedil;&atilde;o sexual [&chi;<Sup><I>2</I></Sup>(1)=.066; <I>n.s.</I>]. </P >     <p><I>Idade </I></P >    <p>Quando comparamos perpetradores e n&atilde;o perpetradores, encontram-se diferen&ccedil;as et&aacute;rias significativas (<I>Z</I>=-2.898; <I>p</I>&lt;.01), o mesmo sucedendo ao n&iacute;vel da vitima&ccedil;&atilde;o (<I>Z</I>=-2.580; <I>p</I>&lt;.05), sendo que tanto ofensores como v&iacute;timas se inserem em grupos et&aacute;rios mais novos. Numa an&aacute;lise mais pormenorizada, encontram-se diferen&ccedil;as et&aacute;rias ao n&iacute;vel da vitima&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica (<I>Z</I>=-2.315; <I>p</I>&lt;.05) e tamb&eacute;m da perpetra&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica (<I>Z</I>=-4.215; <I>p</I>&lt;.001): quanto mais novos s&atilde;o os sujeitos, maior tend&ecirc;ncia apresentam para perpetrar e ser v&iacute;timas de actos fisicamente violentos. Contudo, n&atilde;o h&aacute; diferen&ccedil;as et&aacute;rias ao n&iacute;vel da perpetra&ccedil;&atilde;o (<I>Z</I>=-1.095; <I>n.s.</I>) e vitima&ccedil;&atilde;o (<I>Z</I>=-1.126; <I>n.s.</I>) emocional, nem no que concerne &agrave; perpetra&ccedil;&atilde;o (<I>Z</I>=-.016; <I>n.s.</I>) e vitima&ccedil;&atilde;o sexual (<I>Z</I>=-1.352; <I>n.s.</I>). </P >    <p><I>Ano escolar </I></P >    <p>Quando comparamos perpetradores com n&atilde;o perpetradores, verificamos que os perpetradores tendem a frequentar anos escolares inferiores (<I>Z</I>=-5.580; <I>p</I>&lt;.001), o mesmo sucedendo ao n&iacute;vel da vitima&ccedil;&atilde;o (<I>Z</I>=-4.216; <I>p</I>&lt;.001). Quando analisada especificamente a viol&ecirc;ncia f&iacute;sica, constatamse diferen&ccedil;as no mesmo sentido, com os perpetradores da viol&ecirc;ncia a integrarem anos escolares inferiores (<I>Z</I>=-6.782; <I>p</I>&lt;.001). No mesmo sentido, as v&iacute;timas de viol&ecirc;ncia f&iacute;sica (<I>Z</I>=-3.790; <I>p</I>&lt;.001), tamb&eacute;m prevalecem entre os alunos menos escolarizados. No que se refere &agrave; viol&ecirc;ncia emocional, verificam-se diferen&ccedil;as significativas no mesmo sentido, ao n&iacute;vel da perpetra&ccedil;&atilde;o (<I>Z</I>=3.767; <I>p</I>&lt;.001) e vitima&ccedil;&atilde;o (<I>Z</I>=-2.838; <I>p</I>&lt;.01). Finalmente, embora n&atilde;o existam diferen&ccedil;as de ano escolar entre perpetradores e n&atilde;o perpetradores de viol&ecirc;ncia sexual (Z=-1.543; n.s.), essas diferen&ccedil;as est&atilde;o presentes ao n&iacute;vel da vitima&ccedil;&atilde;o (Z=-2.310; p&lt;.05), tamb&eacute;m no sentido j&aacute; descrito. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><I>N&iacute;vel de ensino </I></P >    <p>Existem associa&ccedil;&otilde;es significativas entre n&iacute;vel de ensino e vitima&ccedil;&atilde;o [&chi;<Sup><I>2</I></Sup>(1)=18.310; <I>p</I>&lt;.001], assim como perpetra&ccedil;&atilde;o de viol&ecirc;ncia [&chi;<Sup><I>2</I></Sup>(1)=26.118; <I>p</I>&lt;.001]. Os estudantes do ensino secund&aacute;rio experienciam (62%), bem como utilizam (66.5%), mais comportamentos violentos, comparativamente com os estudantes do ensino universit&aacute;rio. Especificamente, encontram-se estas associa&ccedil;&otilde;es ao n&iacute;vel da perpetra&ccedil;&atilde;o [&chi;<Sup><I>2</I></Sup>(1)=36.733; <I>p</I>&lt;.001] e da vitima&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica [&chi;<Sup><I>2</I></Sup>(1)=16.637; <I>p</I>&lt;.001], sendo a viol&ecirc;ncia f&iacute;sica mais comummente relatada pelos jovens do ensino secund&aacute;rio (74.6% &ndash; perpetra&ccedil;&atilde;o / 67% &ndash; vitima&ccedil;&atilde;o), comparativamente com os do ensino universit&aacute;rio (25.4% &ndash; perpetra&ccedil;&atilde;o / 33% &ndash; vitima&ccedil;&atilde;o). De igual modo, os estudantes do ensino secund&aacute;rio prevalecem no relato da perpetra&ccedil;&atilde;o da viol&ecirc;ncia emocional [&chi;<Sup><I>2</I></Sup>(1)=13.081; <I>p</I>&lt;.001] &ndash; 65.8% &ndash;, assim como da vitima&ccedil;&atilde;o emocional [&chi;<Sup><I>2</I></Sup>(1)=8.188; <I>p</I>&lt;.01] &ndash; 60.4%. N&atilde;o encontr&aacute;mos, contudo, associa&ccedil;&otilde;es entre n&iacute;vel de ensino e viol&ecirc;ncia sexual, nem termos da perpetra&ccedil;&atilde;o [&chi;<Sup><I>2</I></Sup>(1)=3.401; <I>n.s.</I>] nem de vitima&ccedil;&atilde;o [&chi;<Sup><I>2</I></Sup>(1)=3.078; <I>n.s.</I>]. </P >    <p><I>N&iacute;vel socioecon&oacute;mico </I></P >    <p>N&atilde;o se verificam diferen&ccedil;as significativas quanto ao estatuto socioecon&oacute;mico, ao n&iacute;vel da perpetra&ccedil;&atilde;o (<I>Z</I>=-.083; <I>n.s.</I>) e da vitima&ccedil;&atilde;o (<I>Z</I>=-1.333; <I>n.s.</I>) global. Numa an&aacute;lise mais espec&iacute;fica, verifica-se que os ofensores (<I>Z</I>=-.368; <I>n.s.</I>) e v&iacute;timas (<I>Z</I>=-.082; <I>n.s.</I>) n&atilde;o se diferenciam, ao n&iacute;vel da condi&ccedil;&atilde;o socioecon&oacute;mica, dos sujeitos que relataram nunca ter recorrido, nem sofrido viol&ecirc;ncia f&iacute;sica no contexto de uma rela&ccedil;&atilde;o ocasional. O mesmo sucede quando considerada a viol&ecirc;ncia emocional, ao n&iacute;vel da perpetra&ccedil;&atilde;o (<I>Z</I>=-.416; <I>n.s.</I>) e da vitima&ccedil;&atilde;o (<I>Z</I>=-1.292; <I>n.s.</I>). Por fim, quando analisada a viol&ecirc;ncia sexual, tamb&eacute;m n&atilde;o h&aacute; diferen&ccedil;as socioecon&oacute;micas entre perpetradores e n&atilde;o perpetradores (<I>Z</I>=-.364; <I>n.s.</I>), nem entre v&iacute;timas e n&atilde;o v&iacute;timas (<I>Z</I>=-.684; <I>n.s.</I>). </P >    <p><I>Diferen&ccedil;as nos comportamentos violentos em fun&ccedil;&atilde;o de vari&aacute;veis relacionais </I></P >    <p><I>Dura&ccedil;&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o </I></P >    <p>Quando comparamos a dura&ccedil;&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o amorosa relatada por perpetradores e n&atilde;o perpetradores n&atilde;o se encontram diferen&ccedil;as estatisticamente significativas (<I>Z</I>=.875; <I>n.s.</I>). O mesmo sucede em termos da vitima&ccedil;&atilde;o (<I>Z</I>=-.870; <I>n.s.</I>). Numa an&aacute;lise mais detalhada das diversas formas de viol&ecirc;ncia, obtiveram-se resultados semelhantes. N&atilde;o h&aacute; diferen&ccedil;as significativas na dura&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es em que &eacute; relatada perpetra&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica, quando comparadas com aquelas onde tal n&atilde;o &eacute; reportado (<I>Z</I>=-.356; <I>n.s.</I>), o mesmo acontecendo ao n&iacute;vel da vitima&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica (<I>Z</I>=-1.227; <I>n.s.</I>), da perpetra&ccedil;&atilde;o emocional (<I>Z</I>=-.252; <I>n.s.</I>), da vitima&ccedil;&atilde;o emocional (<I>Z</I>=-.339; <I>n.s.</I>), da perpetra&ccedil;&atilde;o sexual (<I>Z</I>=-1.473; <I>n.s.</I>) e da vitima&ccedil;&atilde;o sexual (<I>Z</I>=-.928; <I>n.s.</I>). </P >    <p><I>N&uacute;mero de rela&ccedil;&otilde;es afectivas ocasionais </I></P >    <p>Perpetradores e n&atilde;o perpetradores apresentam diferen&ccedil;as muito significativas ao n&iacute;vel da quantidade de rela&ccedil;&otilde;es afectivas ocasionais em que se envolveram (<I>Z</I>=-3.909; <I>p</I>&lt;.001), o mesmo acontecendo ao n&iacute;vel da vitima&ccedil;&atilde;o (<I>Z</I>=-2.674; <I>p</I>&lt;.01), sendo este n&uacute;mero de envolvimentos superior tanto nos ofensores como nas v&iacute;timas. O n&uacute;mero de rela&ccedil;&otilde;es mantidas diferencia tamb&eacute;m v&iacute;timas f&iacute;sicas de n&atilde;o v&iacute;timas f&iacute;sicas (<I>Z</I>=-2.254; <I>p</I>&lt;.05), o mesmo sucedendo ao n&iacute;vel da perpetra&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica (<I>Z</I>=-3.402; <I>p</I>&lt;.01). Registam-se tamb&eacute;m diferen&ccedil;as significativas na quantidade de rela&ccedil;&otilde;es ocasionais mantidas por ofensores emocionais quando comparados com n&atilde;o ofensores (<I>Z</I>=-3.657; <I>p</I>&lt;.001) e por v&iacute;timas comparadas com n&atilde;o v&iacute;timas emocionais (<I>Z</I>=-2.907; <I>p</I>&lt;.01). As diferen&ccedil;as ocorrem no mesmo sentido, quando analisada a viol&ecirc;ncia sexual, quer ao n&iacute;vel da perpetra&ccedil;&atilde;o (<I>Z</I>=-2.101; <I>p</I>&lt;.05) quer da vitima&ccedil;&atilde;o (<I>Z</I>=-2.136; <I>p</I>&lt;.05). </P >    <p><I>Envolvimento emocional na rela&ccedil;&atilde;o </I></P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Finalmente, analisamos a associa&ccedil;&atilde;o entre perpetra&ccedil;&atilde;o/vitima&ccedil;&atilde;o e o sentimento descrito pelos jovens em rela&ccedil;&atilde;o ao seu parceiro ocasional (amor vs. atrac&ccedil;&atilde;o). N&atilde;o encontr&aacute;mos associa&ccedil;&otilde;es entre esta vari&aacute;vel e a perpetra&ccedil;&atilde;o [&chi;<Sup><I>2</I></Sup>(1)=.800; <I>n.s.</I>], nem entre aquela e a vitima&ccedil;&atilde;o [&chi;<Sup><I>2</I></Sup>(1)=.008; <I>n.s.</I>]. N&atilde;o h&aacute; tamb&eacute;m associa&ccedil;&otilde;es entre o n&iacute;vel de envolvimento emocional e a perpetra&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica [&chi;<Sup><I>2</I></Sup>(1)=1.013; <I>n.s.</I>], embora a vitima&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica surja associada ao envolvimento emocional na rela&ccedil;&atilde;o [&chi;<Sup><I>2</I></Sup>(1)=4.606; <I>p</I>&lt;.05]. Assim, 70% das v&iacute;timas afirmaram ter sentido paix&atilde;o pelo companheiro, enquanto 30% apontaram o amor como o sentimento dominante na rela&ccedil;&atilde;o. Por sua vez, n&atilde;o se encontram associa&ccedil;&otilde;es significativas entre envolvimento emocional e perpetra&ccedil;&atilde;o de abuso emocional [&chi;<Sup><I>2</I></Sup>(1)=2.030; <I>n.s.</I>] ou vitima&ccedil;&atilde;o emocional [&chi;<Sup><I>2</I></Sup>(1)=.852; <I>n.s.</I>]. O mesmo sucede quando analisada a viol&ecirc;ncia sexual, ao n&iacute;vel da perpetra&ccedil;&atilde;o [&chi;<Sup><I>2</I></Sup>(1)=1.817; <I>n.s.</I>] e da vitima&ccedil;&atilde;o [&chi;<Sup><I>2</I></Sup>(1)=.207; <I>n.s.</I>]. </P >    <p>DISCUSS&Atilde;O DOS RESULTADOS </P >    <p>Este estudo permite, antes de mais, salientar o qu&atilde;o frequentes s&atilde;o as rela&ccedil;&otilde;es afectivas ocasionais entre os jovens, j&aacute; que 72.3% dos participantes da amostra relatou j&aacute; se ter envolvido neste tipo de relacionamentos. Estes dados replicam os do estudo de Manning, Giordano e Longmore (2006), que referem que mais de metade dos jovens (64%) j&aacute; se envolveu numa rela&ccedil;&atilde;o afectiva ocasional. </P >    <p>Em segundo lugar, os nossos resultados alertam para a relev&acirc;ncia do problema da viol&ecirc;ncia nas rela&ccedil;&otilde;es de intimidade juvenil. Os &iacute;ndices significativos de viol&ecirc;ncia encontrados neste estudo, quer ao n&iacute;vel da perpetra&ccedil;&atilde;o (43.2% dos estudantes perpetrou pelo menos um acto abusivo contra um parceiro(a) ocasional, 30.1% de natureza f&iacute;sica), quer ao n&iacute;vel da vitima&ccedil;&atilde;o (37.3% foram alvo de viol&ecirc;ncia, 20.4% de agress&atilde;o f&iacute;sica) corroboram os dados de outros estudos nacionais de preval&ecirc;ncia (e.g., Machado, Caridade, &amp; Martins, 2009), ainda que tais estudos se remetam &agrave; an&aacute;lise das rela&ccedil;&otilde;es de intimidade juvenil em geral e n&atilde;o existam outros estudos espec&iacute;ficos sobre as rela&ccedil;&otilde;es ocasionais. Salientamos, no entanto, que os n&iacute;veis de viol&ecirc;ncia por n&oacute;s encontrados nas rela&ccedil;&otilde;es ocasionais excedem bastante os identificados neste outro estudo de alcance mais geral (30.6% de perpetra&ccedil;&atilde;o, 18.1% de natureza f&iacute;sica e 25.4% de vitima&ccedil;&atilde;o, 13.4% de natureza f&iacute;sica). Estes dados s&atilde;o, a nosso ver, bastante preocupantes e indiciam a necessidade de estudar melhor o fen&oacute;meno da viol&ecirc;ncia no contexto das rela&ccedil;&otilde;es ocasionais, bem como os factores espec&iacute;ficos que potenciam a mesma nestes contextos (e.g., falta de envolvimento afectivo, aus&ecirc;ncia de expectativas de continuidade da rela&ccedil;&atilde;o, discrep&acirc;ncias entre o n&iacute;vel de envolvimento e expectativas dos parceiros, comunica&ccedil;&atilde;o pobre). </P >    <p>Por outro lado, ainda que seja o tipo de viol&ecirc;ncia menos prevalente nas rela&ccedil;&otilde;es ocasionais, a viol&ecirc;ncia sexual nestes envolvimentos atinge tamb&eacute;m n&iacute;veis elevados (perpetra&ccedil;&atilde;o &ndash; 12.4%; vitima&ccedil;&atilde;o &ndash; 16.5%), bastante superiores aos encontrados num estudo explorat&oacute;rio sobre a viol&ecirc;ncia sexual em jovens universit&aacute;rios que abrangia diferentes tipos de relacionamentos (Martins &amp; Machado, no prelo &ndash; 11% de vitima&ccedil;&atilde;o e 3.9% de perpetra&ccedil;&atilde;o). A literatura corrobora que este tipo de viol&ecirc;ncia tende a ocorrer em rela&ccedil;&otilde;es afectivas ocasionais (Flack, Daubman, Caron, Asadorian, D&rsquo;Aureli, Gigliotti, Hall, Kiser, et al., 2007; Muehlenhard &amp; Linton, 1987), uma vez que a pr&oacute;pria falta de conhecimento e envolvimento dos parceiros dificulta a sua comunica&ccedil;&atilde;o sobre os limites do envolvimento f&iacute;sico e sexual mutuamente desejados e potencia erros de interpreta&ccedil;&atilde;o sobre as inten&ccedil;&otilde;es do outro. </P >    <p>Em s&iacute;ntese, quer quanto aos n&iacute;veis de agress&atilde;o, quer quanto aos seus tipos, os dados sobre a viol&ecirc;ncia nos relacionamentos ocasionais refor&ccedil;am a preocupa&ccedil;&atilde;o que deve existir com a quest&atilde;o da viol&ecirc;ncia na intimidade juvenil e sugerem que as rela&ccedil;&otilde;es ocasionais poder&atilde;o conter factores que contribuem para um risco acrescido da mesma. </P >    <p>Por outro lado, &agrave; semelhan&ccedil;a do verificado no namoro, em Portugal e em v&aacute;rios estudos interna cionais (e.g., Gidycz, Warkentin, &amp; Orchowski, 2007; Lavoie, H&eacute;bert, Tremblay, Vitaro, V&eacute;zina, &amp; McDuff, 2002), as diferentes formas de viol&ecirc;ncia tendem a estar relacionadas entre si, assim como tendem a estar associados os estatutos de perpetrador e v&iacute;tima. Esta associa&ccedil;&atilde;o parece sugerir (ainda que n&atilde;o permita comprovar) um padr&atilde;o de bi-direccionalidade na agress&atilde;o, em que o mesmo indiv&iacute;duo simultaneamente agride e &eacute; agredido. Tamb&eacute;m num estudo levado a cabo por Gray e Foshee (1997, citados por Cyr, McDuff, &amp; Wright, 2006) os &iacute;ndices de viol&ecirc;ncia m&uacute;tua se situavam entre os 45% e os 72%, conferindo credibilidade &agrave; hip&oacute;tese de a viol&ecirc;ncia ser bidireccional (Harned, 2002). Sendo assim, os dados encontrados no presente estudo permitem estabelecer uma analogia com um dos padr&otilde;es de viol&ecirc;ncia descritos por Johnson e Ferraro (2000), mais concretamente o tipo <I>common couple violence</I>. Por&eacute;m, torna-se necess&aacute;rio ressalvar que n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel certificar esta correspond&ecirc;ncia, j&aacute; que n&atilde;o se consegue discriminar, no nosso estudo, a pessoa que reage em auto-defesa daquela que iniciou a viol&ecirc;ncia, tendo sido ambas codificadas como agressoras. </P >    <p>No que concerne ao impacto das diferentes vari&aacute;veis sociodemogr&aacute;ficas consideradas, o g&eacute;nero parece ter influ&ecirc;ncia na viol&ecirc;ncia f&iacute;sica, emocional e sexual, com os rapazes a relatarem mais ser alvo de vitima&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica, ao mesmo tempo que relatam mais perpetra&ccedil;&atilde;o de viol&ecirc;ncia emocional e sexual. Estes dados sugerem, assim, um padr&atilde;o de maior ambiguidade do que os dos estudos levados a cabo por Paiva e Figueiredo (2005) e Machado, Caridade e Martins (2009) que associavam claramente n&iacute;veis superiores de perpetra&ccedil;&atilde;o &agrave;s raparigas. No que concerne, contudo, especificamente &agrave; viol&ecirc;ncia sexual, os dados do nosso estudo s&atilde;o congruentes com a investiga&ccedil;&atilde;o emp&iacute;rica internacional (e.g., O&rsquo;Sullivan, Byers, &amp; Finkelman, 1998) e nacional (Martins &amp; Machado, no prelo; Paiva &amp; Figueiredo, 2005), que atribui maior perpetra&ccedil;&atilde;o sexual aos rapazes. Alguns autores (Flack et al., 2007; Muehlenhard &amp; Linton, 1987) afirmam, ali&aacute;s, que este tipo de viol&ecirc;ncia tende a ser frequente nas rela&ccedil;&otilde;es ocasionais precisamente devido a disparidades de g&eacute;nero existentes nestes relacionamentos, que surgem, desde logo, quanto ao n&iacute;vel de intimidade f&iacute;sica desejado (Flack et al., 2007), usualmente maior pelos rapazes. Subjacente a este facto estar&atilde;o as diferen&ccedil;as de socializa&ccedil;&atilde;o entre rapazes e raparigas em mat&eacute;ria de sexualidade, nomeadamente o duplo padr&atilde;o sexual e o facto de, apesar de se envolverem em rela&ccedil;&otilde;es ocasionais, este tipo de rela&ccedil;&atilde;o ser menos bem vista e aceite entre as raparigas (Daubman &amp; Schatten, 2005, citados por ibidem). </P >    <p>Tal como constataram Stets e Pirog-Good (2002, citados por Cyr, McDuff, &amp; Wright, 2006) &ndash; mas ao contr&aacute;rio do que encontraram Machado, Caridade e Martins (2009) &ndash; a idade, ano escolar e grau de forma&ccedil;&atilde;o encontram-se negativamente associadas &agrave; vitima&ccedil;&atilde;o e perpetra&ccedil;&atilde;o de viol&ecirc;ncia. Do nosso ponto de vista, tal poder&aacute; acontecer porque os adolescentes evidenciam uma menor matura&ccedil;&atilde;o relacional e, consequentemente, uma menor capacidade de negocia&ccedil;&atilde;o de conflitos e resolu&ccedil;&atilde;o de problemas, o que favorece a viol&ecirc;ncia. </P >    <p>No que concerne &agrave; influ&ecirc;ncia do n&iacute;vel socioecon&oacute;mico, os resultados por n&oacute;s encontrados reproduzem os de alguns estudos nacionais (Machado, Caridade, &amp; Martins, 2009) e internacionais (e.g., Cyr, McDuff, &amp; Wright, 2006; Flisher, Myer, M&egrave;rais, Lombard &amp; Reddy, 2007; O&rsquo;Keefe, 1997), no sentido da falta de impacto desta vari&aacute;vel, pelo menos no que diz respeito &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es juvenis (j&aacute; que no contexto conjugal v&aacute;rios estudos &ndash; e.g., Machado, Gon&ccedil;alves, Matos, &amp; Dias, 2007 &ndash; indicam a maior preval&ecirc;ncia da viol&ecirc;ncia nos sectores sociais mais desfavorecidos). </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Quando passamos destas vari&aacute;veis sociodemogr&aacute;ficas para a an&aacute;lise de factores mais especificamente relacionais, n&atilde;o verificamos impacto significativo da dura&ccedil;&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o quanto &agrave; ocorr&ecirc;ncia de viol&ecirc;ncia. Embora esta associa&ccedil;&atilde;o tenha sido encontrada noutras investiga&ccedil;&otilde;es (e.g., Gagn&eacute;, Lavoie, &amp; H&eacute;bert, 2005; Harned, 2002; Marcus &amp; Swett, 2002), salientamos a natureza espec&iacute;fica das liga&ccedil;&otilde;es afectivas estudadas neste trabalho, na sua maioria de muito curta dura&ccedil;&atilde;o quando comparadas com as rela&ccedil;&otilde;es de namoro analisadas naqueles estudos. </P >    <p>N&atilde;o encontr&aacute;mos tamb&eacute;m um impacto significativo do sentimento relatado face ao parceiro ocasional, excepto para a paix&atilde;o associada &agrave; vitima&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica. Este &eacute; um resultado que merece mais explora&ccedil;&atilde;o, na medida em que existem autores (Neufeld, McNamara, &amp; Ertl, 1999) que, num estudo sobre a viol&ecirc;ncia no namoro, conclu&iacute;ram que o comprometimento emocional contribu&iacute;a para o aumento de viol&ecirc;ncia. No entanto, mais uma vez, a especificidade destas rela&ccedil;&otilde;es pode explicar estes resultados, j&aacute; que &ndash; independentemente do sentimento verbalizado aquando do inqu&eacute;rito &ndash; o grau de compromisso e envolvimento dos participantes &eacute;, em princ&iacute;pio, menor do que o presente nas rela&ccedil;&otilde;es de namoro. Da&iacute;, eventualmente, o seu menor impacto em termos de viol&ecirc;ncia. </P >    <p>Finalmente, os nossos dados corroboram os estudos que afirmam que a conduta violenta nas rela&ccedil;&otilde;es de intimidade tende a aumentar conforme o n&uacute;mero de relacionamentos mantidos (cf. Cyr, McDuff, &amp; Wright, 2006; Neufeld<I>, </I>McNamara, &amp; Ertl, 1999; O&rsquo;Keefe, 1997). Uma hip&oacute;tese explicativa para este dado poder&aacute; ser o facto de o envolvimento mais frequente em rela&ccedil;&otilde;es ocasionais poder levar o sujeito a desvaloriz&aacute;-las no plano emocional, percepcionando-as como liga&ccedil;&otilde;es puramente f&iacute;sicas e sexuais, sendo que este desinvestimento emocional pode facilitar o envolvimento em comportamentos violentos. No entanto, O&rsquo;Keefe (1997) aconselha prud&ecirc;ncia na interpreta&ccedil;&atilde;o destes dados, uma vez que este resultado pode decorrer simplesmente das oportunidades para a viol&ecirc;ncia, ou seja, quanto mais parceiros teve um indiv&iacute;duo, mais probabilidades teve de enfrentar conflitos nessas rela&ccedil;&otilde;es e mais oportunidades teve para perpetrar ou sofrer viol&ecirc;ncia. </P >    <p>O presente estudo apresenta v&aacute;rias limita&ccedil;&otilde;es, entre as quais se destacam as quest&otilde;es metodol&oacute;gicas. Em primeiro lugar, esta foi uma amostra de conveni&ecirc;ncia, limitada a uma Universidade e duas escolas secund&aacute;rias, de uma regi&atilde;o espec&iacute;fica do pa&iacute;s. O alargamento desta amostra &eacute;, pois, fundamental, se pretendermos confirmar os resultados e algumas hip&oacute;teses explicativas dos mesmos aqui avan&ccedil;adas. </P >    <p>Paralelamente, este estudo enfrenta as limita&ccedil;&otilde;es t&iacute;picas das investiga&ccedil;&otilde;es feitas atrav&eacute;s de instrumentos de auto-relato, muito particularmente a impossibilidade de recolher informa&ccedil;&otilde;es mais detalhadas sobre o incidente (e.g., quem iniciou a interac&ccedil;&atilde;o abusiva, grau de for&ccedil;a aplicada, danos causados, intencionalidade). Este instrumento n&atilde;o permitia, tamb&eacute;m, discriminar em quantas rela&ccedil;&otilde;es ocasionais ocorreu o comportamento abusivo. </P >    <p>Finalmente, o facto de a recolha dos dados ter sido efectuada, maioritariamente, em contextos que reuniam v&aacute;rios jovens apresenta aspectos potencialmente negativos: a veracidade do seu relato pode ter ficado comprometida quando o jovem se encontrava acompanhado, apesar dos esfor&ccedil;os desenvolvidos para minimizar este efeito. </P >    <p>CONCLUS&Atilde;O </P >    <p>No c&ocirc;mputo geral, este estudo demonstra que o fen&oacute;meno da viol&ecirc;ncia nas rela&ccedil;&otilde;es &iacute;ntimas juvenis se alarga a outros relacionamentos, que n&atilde;o apenas o contexto do namoro. Segundo alguns autores, as rela&ccedil;&otilde;es afectivas ocasionais est&atilde;o, de certo modo, a substituir essas rela&ccedil;&otilde;es &iacute;ntimas tradicionais (Manning, Giordano, &amp; Logmore, 2006), o que parece, em certa medida, ser sugerido pelo nosso estudo, j&aacute; que a maioria dos jovens est&aacute; envolvido ou j&aacute; se envolveu num relacionamento ocasional (72.3%). Dada a frequ&ecirc;ncia destes relacionamentos, torna-se fundamental estudar a preval&ecirc;ncia da viol&ecirc;ncia nesta nova realidade relacional, algo, contudo, que ainda foi muito pouco explorado pela investiga&ccedil;&atilde;o na &aacute;rea. </P >    <p>Este estudo sugere, ainda, que as rela&ccedil;&otilde;es ocasionais podem ser contextos de particular risco para a viol&ecirc;ncia, se aceitarmos que os n&iacute;veis de preval&ecirc;ncia encontrados s&atilde;o superiores aos verificados nas rela&ccedil;&otilde;es de namoro. Quais s&atilde;o as especificidades das rela&ccedil;&otilde;es ocasionais que contribuem para essa vulnerabilidade? O que se modifica nos processos de transi&ccedil;&atilde;o entre as rela&ccedil;&otilde;es ocasionais e o namoro? Ser&atilde;o os programas de preven&ccedil;&atilde;o da viol&ecirc;ncia concebidos no contexto das rela&ccedil;&otilde;es de namoro tamb&eacute;m eficazes para diminuir a agress&atilde;o nestes contextos relacionais mais fluidos e inst&aacute;veis? </P >    <p>Uma vez que as rela&ccedil;&otilde;es afectivas ocasionais constituem uma &aacute;rea de investiga&ccedil;&atilde;o recente na comunidade cient&iacute;fica, &eacute; pertinente avan&ccedil;ar com propostas de investiga&ccedil;&atilde;o que esclare&ccedil;am estas e outras quest&otilde;es. Do nosso ponto de vista, os resultados encontrados neste estudo explorat&oacute;rio sugerem que este fen&oacute;meno deve continuar a ser estudado, em duas vertentes: por um lado, surge a necessidade de avaliar a preval&ecirc;ncia da viol&ecirc;ncia nas rela&ccedil;&otilde;es ocasionais atrav&eacute;s de estudos representativos alargados ao contexto nacional; por outro, torna-se necess&aacute;rio compreender a fenomenologia da viol&ecirc;ncia nestas novas formas de intimidade juvenil. Ou seja, seria relevante conhecer os significados atribu&iacute;dos pelos jovens &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es ocasionais e &agrave; viol&ecirc;ncia que nelas ocorre, conhecer os contextos em que estas rela&ccedil;&otilde;es predominam e perceber as din&acirc;micas relacionais que as caracterizam e que facilitam a viol&ecirc;ncia. </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</P >     <p>REFER&Ecirc;NCIAS </P >    <!-- ref --><p>Antunes, J., &amp; Machado, C. (2007). <I>IVC-4 </I>(vers&atilde;o adaptada do invent&aacute;rio de viol&ecirc;ncia para as rela&ccedil;&otilde;es ocasionais). Braga: Universidade do Minho.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000555&pid=S0870-8231201200010000900001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Brown, N. M., &amp; Amatea, E. S. (2000). <I>Love and intimate relationships: Journeys of the heart</I>. USA: Taylor &amp; Francis.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000557&pid=S0870-8231201200010000900002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Connolly, J., &amp; Josephson, W. (2007). Aggression in adolescent dating relationships: Predictors and prevention. <I>The Prevention Researcher, 14</I>, 3-5.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000559&pid=S0870-8231201200010000900003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Cyr, M., McDuff, P., &amp; Wright, J. (2006). Prevalence and predictors of dating violence among adolescent female victims of child sexual abuse. <I>Journal of Interpersonal Violence, 21</I>, 1000-1017.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000561&pid=S0870-8231201200010000900004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Flack, W. F., Daubman, K. A., Caron, M. L., Asadorian, J. A., D&rsquo;Aureli, N. R., Gigliotti, S. N., Hall, A.T., Kiser, S., et al. (2007). Risk factors and consequences of unwanted sex among university students: Hooking up, alcohol and stress response. <I>Journal of Interpersonal Violence, 22, </I>139-157. </P >    <!-- ref --><p>Flisher, A. J., Myer, L., M&egrave;rais, A., Lombard, C., &amp; Reddy, P. (2007). Prevalence and correlates of partner violence among South African adolescents. <I>Journal of Child Psychology, 48</I>, 619-627.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000564&pid=S0870-8231201200010000900006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Gagn&eacute;, M., Lavoie, F., &amp; H&eacute;bert, M. (2005). Victimization during childhood and revictimization in dating relationships in adolescent girls. <I>Child Abuse &amp; Neglect</I>, <I>29</I>, 1155-1172.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000566&pid=S0870-8231201200010000900007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Gidycz, C. A., Warkentin, J. B., &amp; Orchowski, L. M. (2007). Predictors of perpetration of verbal, physical and sexual violence: A prospective analysis of college men<I>. Psychology of Men &amp; Masculinity, 8</I>, 79-94.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000568&pid=S0870-8231201200010000900008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Harned, M. S. (2002). A multivariate analysis of risk markers for dating violence victimization. <I>Journal of Interpersonal Violence, 17</I>, 1179-1197.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000570&pid=S0870-8231201200010000900009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Heritage, J., Carlton, C. C., West, B. (1996). Dating and physical violence. <I>Reports-research, 43</I>, 1-22.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000572&pid=S0870-8231201200010000900010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Hickman, L. J., Jaycox, L. H., &amp; Aronoff, J. (2004). Dating violence among adolescents. Prevalence, gender distribution, and prevention program effectiveness. <I>Trauma, Violence, &amp; Abuse, 5</I>, 123-142.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000574&pid=S0870-8231201200010000900011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Johnson, M. P., &amp; Ferraro, K. J. (2000). Research on domestic violence in the 1990s: Making distinctions. <I>Journal of Marriage and the Family, 62</I>, 948-963.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000576&pid=S0870-8231201200010000900012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Lavoie, F., H&eacute;bert, M., Tremblay, R., Vitaro, F., V&eacute;zina, L., &amp; McDuff, P. (2002). History of family dysfunction and perpetration of dating violence by adolescent boys: A longitudinal study. <I>Journal of Adolescent Health</I>, <I>30</I>, 375-383.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000578&pid=S0870-8231201200010000900013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Lewis, S. F., &amp; Fremouw (2001). Dating violence: Critical review of the literature. <I>Clinical Psychology Review, 21</I>(1), 105-127.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000580&pid=S0870-8231201200010000900014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Machado, C., Caridade, S., &amp; Martins, C. (2009). Violence in juvenile dating relationships: Self-reported prevalence and attitudes in a Portuguese sample. <I>Journal of Family Violence, 25</I>, 43-52.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000582&pid=S0870-8231201200010000900015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Machado, C., Gon&ccedil;alves, M. M., Matos, M., &amp; Dias, A. R. (2007). Child and partner maltreatment: Self-reported prevalence and attitudes in the North of Portugal. <I>Child Abuse and Neglect, 31, </I>657-670.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000584&pid=S0870-8231201200010000900016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Magdol, L., Moffit, T. E., Caspi, A., Newman, D. L., Fagan, J., &amp; Silva, P. A. (1997). Gender differences in partner violence in a birth cohort of 21-years-old: Bridging the gap between clinical and epidemiological approaches. <I>Journal of Consulting and Clinical Psychology, 65</I>, 68-78.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000586&pid=S0870-8231201200010000900017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <p>Manning, W. D., Giordano, P. C., &amp; Longmore, M.A. (2006). Hooking up: The relationship contexts of &ldquo;nonrelationship&rdquo; sex. <I>Journal of Adolescent Research</I>, <I>21</I>, 459-483. </P >     <!-- ref --><p>Marcus, R. F., &amp; Swett, B. (2002). Violence in close relationships. <I>Journal of Interpersonal Violence</I>, <I>17</I>, 570-586.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000589&pid=S0870-8231201200010000900019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <!-- ref --><p>Martins, S., &amp; Machado, C. (no prelo). Perpetraci&oacute;n y victimaci&oacute;n sexual: Estudio con j&oacute;venes universitarios portugueses sobre creencias y prevalencia. In R. Arce, F. Fari&ntilde;a, et al. (Eds.), <I>Colecci&oacute;n Psicolog&iacute;a y Ley, </I><I>5. </I>M&uacute;rcia: Sociedad Espa&ntilde;ola de Psicol&oacute;g&iacute;a Jur&iacute;dica y Forense.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000591&pid=S0870-8231201200010000900020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Matos, M., F&eacute;res-Carneiro, T., &amp; Jablonski, B. (2005). Adolesc&ecirc;ncia e rela&ccedil;&otilde;es amorosas: Um estudo sobre jovens das camadas populares cariocas. <I>Intera&ccedil;&atilde;o em Psicologia</I>, <I>9</I>, 21-33.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000593&pid=S0870-8231201200010000900021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Matos, M., Machado, C., &amp; Gon&ccedil;alves, M. (2000). <I>Invent&aacute;rio de Viol&ecirc;ncia Conjugal (IVC)</I>. Universidade do Minho.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000595&pid=S0870-8231201200010000900022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Muehlenhard, C. L. &amp; Linton, M. A. (1987). Date rape and sexual aggression in dating situations: Incidence and risk factors. <I>Journal of Counseling Psychology</I>, <I>34</I>, 186-196.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000597&pid=S0870-8231201200010000900023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Neufeld, J., McNamara, J. R., &amp; Ertl, M. (1999). Incidence and prevalence of dating partner abuse and its relationship to dating practices. <I>Journal of Interpersonal Violence</I>, <I>14</I>, 125-137.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000599&pid=S0870-8231201200010000900024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Nunan, A. (2004). Viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica entre casais homossexuais: O segundo arm&aacute;rio? <I>PSICO, 35, </I>69-78.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000601&pid=S0870-8231201200010000900025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>O&rsquo;Keefe, L. (1997). Predictors of dating violence among high school students. <I>Journal of Interpersonal Violence</I>, <I>12</I>, 546-568.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000603&pid=S0870-8231201200010000900026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <p>O&rsquo;Sullivan, L. F., Byers, E. S., &amp; Finkelman, L. (1998). A comparison of male and female college students&rsquo; experiences of sexual coercion. <I>Psychology of Women Quaterly, 22</I>, 177-195. </P >    <!-- ref --><p>Paiva, C., &amp; Figueiredo, B. (2005). Abuso no relacionamento &iacute;ntimo e estado de sa&uacute;de em jovens adultos portugueses. <I>International Journal of Clinical and Health Psychology</I>, <I>5</I>, 243-272.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000606&pid=S0870-8231201200010000900028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Straus, M. A. (2004). Prevalence of violence against dating partners by male and female university students worldwide. <I>Violence Against Women, 10</I>, 790-811.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000608&pid=S0870-8231201200010000900029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <p>&nbsp;</P >     <p><a name="0"></a><a href="#top0">Correspond&ecirc;ncia</a></P >     <p>A correspond&ecirc;ncia relativa a este artigo dever&aacute; ser enviada para: Joana Antunes, Servi&ccedil;o de Psicologia, Escola de Psicologia, Universidade do Minho, Campus de Gualtar. 4710-057 Braga. E-mail: <a href="mailto:joanantuns@gmail.com">joanantuns@gmail.com</a> </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</P >     <p>Este texto foi elaborado no &acirc;mbito do Projecto &ldquo;Viol&ecirc;ncia nas Rela&ccedil;&otilde;es Juvenis de Intimidade&rdquo; (PTDC/PSI/65852/2006), financiado pela FCT e coordenado por Carla Machado.</P >      ]]></body><back>
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