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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Repertórios interpretativos sobre o amor e as relações de intimidade de mulheres vítimas de violência: Amar e ser amado violentamente?]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The present study focus both women&#8217;s victimization experience and on women&#8217;s violence against partner. We aim at addressing their discourse about love and intimacy and at understanding how women conceptualize and experience violence. The study involved 12 women with whom we conducted an individual interview about their lives&#8217; love story. We conclude that both the reports of victimization and perpetration fall on broader socio-cultural discourses about love and intimate relationships that support female victimization and restrict female aggressiveness. We conclude that female violence had idiosyncratic characteristics and different practical implications, related to gender inequalities and asymmetry, differentiating male and female intimate violence. Female aggression emerges as a strategy to deal with adversity in order to gain some control over the relationship and some sense of themselves, revealing the capacity to struggle, survival and resilience of these women.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Agressividade feminina]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p><B>Repert&oacute;rios interpretativos sobre o amor e as rela&ccedil;&otilde;es de intimidade de mulheres v&iacute;timas de viol&ecirc;ncia: Amar e ser amado violentamente? </B></p>     <p><b>Ana Rita Dias*; Carla Machado*; Rui Abrunhosa Gon&ccedil;alves* e Celina Manita** </b></P >     <p>*Escola de Psicologia, Universidade do Minho; </P >     <p>**Faculdade de Psicologia e Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o, Universidade do Porto </P >     <p><a name="top0"></a><a href="#0">Correspond&ecirc;ncia</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>O presente estudo procura compreender como as mulheres v&iacute;timas de viol&ecirc;ncia falam sobre o amor e as rela&ccedil;&otilde;es de intimidade e como experienciam e significam o fen&oacute;meno da viol&ecirc;ncia sofrida. Explora-se tamb&eacute;m o recurso &agrave; viol&ecirc;ncia por parte destas mulheres, em que contextos o fazem e como significam a viol&ecirc;ncia perpetrada. O estudo envolve 12 mulheres v&iacute;timas de viol&ecirc;ncia, de diferentes grupos et&aacute;rios e com diferentes traject&oacute;rias de vida, com as quais se conduziu uma entrevista individual acerca da hist&oacute;ria de amor da sua vida. Conclui-se que tanto os relatos de vitima&ccedil;&atilde;o como os de perpetra&ccedil;&atilde;o se inscrevem em discursos socioculturais mais amplos sobre o amor e as rela&ccedil;&otilde;es de intimidade &ndash; que sustentam a vitima&ccedil;&atilde;o sofrida no feminino e limitam a agressividade feminina. Conclu&iacute;mos que a viol&ecirc;ncia feminina assume caracter&iacute;sticas idiossincr&aacute;ticas e tem implica&ccedil;&otilde;es pr&aacute;ticas diferentes, relacionadas com as desigualdades e assimetria de g&eacute;nero, n&atilde;o havendo similaridade na viol&ecirc;ncia entre homens e mulheres na intimidade. A agressividade feminina surge como estrat&eacute;gia para lidar com a adversidade, no sentido de conseguir algum controlo sobre a rela&ccedil;&atilde;o e o sentido de si pr&oacute;prias, revelando a capacidade de luta, sobreviv&ecirc;ncia e resili&ecirc;ncia destas mulheres. </P >    <p><B>Palavras-chave: </B>Agressividade feminina, Amor, Discursos socio-culturais, Viol&ecirc;ncia na intimidade, Vitima&ccedil;&atilde;o feminina. </P >     <p>&nbsp;</P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>ABSTRACT</b></P >     <p>The present study focus both women&rsquo;s victimization experience and on women&rsquo;s violence against partner. We aim at addressing their discourse about love and intimacy and at understanding how women conceptualize and experience violence. The study involved 12 women with whom we conducted an individual interview about their lives&rsquo; love story. We conclude that both the reports of victimization and perpetration fall on broader socio-cultural discourses about love and intimate relationships that support female victimization and restrict female aggressiveness. We conclude that female violence had idiosyncratic characteristics and different practical implications, related to gender inequalities and asymmetry, differentiating male and female intimate violence. Female aggression emerges as a strategy to deal with adversity in order to gain some control over the relationship and some sense of themselves, revealing the capacity to struggle, survival and resilience of these women. </P >     <p><B>Key-words: </B>Female aggressiveness, Female victimization, Intimate violence, Love, Sociocultural discourses. </P >     <p>&nbsp;</P >     <p>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O </P >     <p>O amor e a viol&ecirc;ncia na intimidade t&ecirc;m sido maioritariamente abordados &ndash; &agrave; excep&ccedil;&atilde;o dos trabalhos desenvolvidos no &acirc;mbito das teorias da vincula&ccedil;&atilde;o (e.g., Allison, Bartholomew, Mayseless, &amp; Dutton, 2008) &ndash; como fen&oacute;menos distintos ou reduzidos a uma mera associa&ccedil;&atilde;o contingente. Usualmente, a viol&ecirc;ncia surge como conting&ecirc;ncia/consequ&ecirc;ncia associada a determinadas caracter&iacute;sticas, processos ou din&acirc;micas subjacentes ao fen&oacute;meno do amor (e.g., Riggs &amp; O&rsquo;Leary, 1989) ou, quando muito, o amor surge como mais uma vari&aacute;vel que pode ter influ&ecirc;ncia na viol&ecirc;ncia (e.g., Black, Tolman, Callahan, Saunders, &amp; Weisz, 2008). Por exemplo, o amor tem sido referido como um factor de risco para o <I>stalking </I>(Spitzberg &amp; Cupach, 2007) e para a viol&ecirc;ncia no namoro, embora com resultados emp&iacute;ricos inconsistentes no que se refere a este &uacute;ltimo dom&iacute;nio (Riggs &amp; O&rsquo;Leary, 1989). Por outro lado, o amor tem tamb&eacute;m sido analisado como factor explicativo das reac&ccedil;&otilde;es das v&iacute;timas ap&oacute;s a ocorr&ecirc;ncia de viol&ecirc;ncia, nomeadamente a sua manuten&ccedil;&atilde;o na rela&ccedil;&atilde;o ou n&atilde;o den&uacute;ncia do problema (Black e cols., 2008). </P >     <p>Numa leitura construcionista, s&atilde;o os estudos culturais &ndash; que analisam os discursos e pr&aacute;ticas sobre o amor em contextos culturais/&eacute;tnicos espec&iacute;ficos &ndash; e as abordagens narrativas &ndash; sobretudo estudos qualitativos com v&iacute;timas ou agressores, centrados nas suas viv&ecirc;ncias e no significado que lhes atribuem &ndash; que mais t&ecirc;m procurado analisar a rela&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica entre a viol&ecirc;ncia e a forma como cada sociedade nos diz o que &ldquo;&eacute;&rdquo; ou &ldquo;deve ser&rdquo; o amor. </P >     <p>No &acirc;mbito dos estudos culturais, destacamos Hatfiel e Rapson (2005) que procederam a uma revis&atilde;o dos estudos que analisam o amor e as suas express&otilde;es mais intensas e/ou violentas (ci&uacute;me, rejei&ccedil;&atilde;o, amor n&atilde;o correspondido) em v&aacute;rias culturas, concluindo que &eacute; a cultura que determina o que &eacute; ou n&atilde;o perturbador numa rela&ccedil;&atilde;o e o que desencadeia reac&ccedil;&otilde;es negativas mais intensas, veiculando e modelando a adop&ccedil;&atilde;o de pr&aacute;ticas relacionais abusivas ou violentas. </P >     <p>Por outro lado, apesar dos contributos dos estudos culturais, s&atilde;o sobretudo as abordagens narrativas (nesta &aacute;rea, maioritariamente de enfoque feminista) as que t&ecirc;m explorado a dimens&atilde;o constru&iacute;da e cultural da articula&ccedil;&atilde;o do amor e da viol&ecirc;ncia, atrav&eacute;s de um conjunto de estudos que sugerem que as representa&ccedil;&otilde;es acerca do amor e das rela&ccedil;&otilde;es amorosas podem influenciar a perpetra&ccedil;&atilde;o da viol&ecirc;ncia e constituir um factor que mant&eacute;m as v&iacute;timas nas rela&ccedil;&otilde;es abusivas (Towns &amp; Adams, 2000). </P >    <p>Por exemplo, Wood (2001), num estudo com mulheres v&iacute;timas, identifica duas narrativas rom&acirc;nticas: (i) o conto de fadas do pr&iacute;ncipe encantado que &ldquo;venera&rdquo; a princesa, sustentando cren&ccedil;as que legitimam a viol&ecirc;ncia (e.g., que o melhor da rela&ccedil;&atilde;o supera o pior, que a mulher pode parar a viol&ecirc;ncia se se aproximar do estere&oacute;tipo da mulher ideal); e (ii) o romance negro, que retrata o homem como naturalmente controlador e descreve as rela&ccedil;&otilde;es como tipicamente dolorosas para a mulher, naturalizando o seu sofrimento. Estas hist&oacute;rias protot&iacute;picas prescrevem <I>scripts </I>genderizados que sustentam a viol&ecirc;ncia do homem e a toler&acirc;ncia/passividade da mulher, contribuindo para que as mulheres considerem as rela&ccedil;&otilde;es violentas como toler&aacute;veis ou prefer&iacute;veis a n&atilde;o ter qualquer rela&ccedil;&atilde;o. Num estudo an&aacute;logo, Towns e Adams (2000) identificaram constru&ccedil;&otilde;es culturalmente enraizadas do &ldquo;amor-perfeito&rdquo; (por exemplo, o amor como forma de alcan&ccedil;ar a felicidade, o poder do amor da mulher transformar o marido violento) que contribuem significativamente para manter e silenciar as mulheres em situa&ccedil;&otilde;es abusivas. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No entanto, &eacute; nosso entendimento que estas abordagens apresentam algum reducionismo anal&iacute;tico, ao utilizarem na an&aacute;lise amor/viol&ecirc;ncia como grelha te&oacute;rica quase exclusiva o discurso genderizado tradicional, posicionando a mulher como v&iacute;tima quer do seu parceiro, quer da sociedade em geral. Embora esta descri&ccedil;&atilde;o represente, certamente, uma das faces do problema, o desafio &eacute;, a nosso ver, reconhecer a variabilidade do fen&oacute;meno da experi&ecirc;ncia da vitima&ccedil;&atilde;o, de modo a n&atilde;o negligenciar na v&iacute;tima a sua capacidade de ag&ecirc;ncia, resili&ecirc;ncia e auto-supera&ccedil;&atilde;o. Assim, procuramos no presente estudo explorar outras perspectivas, nomeadamente, a agressividade feminina e o recurso &agrave; viol&ecirc;ncia por parte da mulher no contexto da intimidade. </P >    <p>A investiga&ccedil;&atilde;o sobre a viol&ecirc;ncia perpetrada pela mulher na intimidade &eacute; ainda diminuta mas, atrav&eacute;s da revis&atilde;o da literatura (cf. Dasgupta, 2002), verifica-se que a an&aacute;lise do fen&oacute;meno tem incidido bastante no debate e discuss&atilde;o da simetria <I>versus </I>neutralidade de g&eacute;nero no fen&oacute;meno. Procedemos a uma breve descri&ccedil;&atilde;o das linhas de investiga&ccedil;&atilde;o sobre o fen&oacute;meno, defendendo, uma vez mais, a necessidade de assumir, tamb&eacute;m aqui, uma perspectiva sociocultural, sem cair no reducionismo anal&iacute;tico j&aacute; referido. </P >    <p>Atrav&eacute;s da an&aacute;lise da literatura e dos v&aacute;rios estudos desenvolvidos, podemos identificar 4 principais linhas de investiga&ccedil;&atilde;o: (i) a que defende a neutralidade ou a simetria de g&eacute;nero; (ii) a que postula a viol&ecirc;ncia da mulher como auto-defesa ou ac&ccedil;&atilde;o de retalia&ccedil;&atilde;o; (iii) a ecol&oacute;gica, que destaca o enquadramento geral e as m&uacute;ltiplas causas da viol&ecirc;ncia da mulher; (iv) e a cultural, que analisa a forma como os discursos socioculturais constrangem a identidade da mulher e a viol&ecirc;ncia feminina no contexto da intimidade (e.g., Gilbert, 2002). </P >     <blockquote>       <p>(<b>i</B>) 	&nbsp;&nbsp;&nbsp;A linha que defende a neutralidade ou a simetria de g&eacute;nero assenta essencialmente em metodologias quantitativas que indicam n&iacute;veis similares de viol&ecirc;ncia entre homens e mulheres na intimidade. Os defensores desta perspectiva desafiam as teorias feministas, destacando, que tanto a mulher como o homem, recorrem de forma similar &agrave; viol&ecirc;ncia, propondo uma an&aacute;lise neutra de g&eacute;nero na an&aacute;lise da viol&ecirc;ncia na intimidade. (e.g., see Cook, 1997; Dutton, 1994). No entanto, estes estudos t&ecirc;m sido alvo de cr&iacute;ticas, nomeadamente ao n&iacute;vel metodol&oacute;gico, dado que a maioria se baseia no <I>Conflict Tactics Scale </I>(CTS) (Currie, 1998). A discuss&atilde;o centrou-se na validade desta escala, tendo-lhe sido apontadas v&aacute;rias limita&ccedil;&otilde;es, nomeadamente a de que, ao basear-se num <I>ranking </I>ordenado de tipos de abuso, negligencia o contexto, a interpreta&ccedil;&atilde;o e o impacto dos actos abusivos. Assim, a principal cr&iacute;tica reside no facto de a CTS se basear numa abordagem empirista que se limita a contabilizar a frequ&ecirc;ncia do abuso, mas que nada nos refere acerca da etiologia ou natureza da viol&ecirc;ncia conjugal (Anderson, 2005; Breines &amp; Gordon, 1983, citados por Currie, 1998). </p>       <p>     (<b>ii</b>) &nbsp;&nbsp;&nbsp;A linha de investiga&ccedil;&atilde;o que remete para a viol&ecirc;ncia feminina como auto-defesa e comportamento de retalia&ccedil;&atilde;o tem como base os pressupostos das teorias feministas, que salientam que a viol&ecirc;ncia &eacute; mais sofrida no feminino, tanto em termos de preval&ecirc;ncia como em termos de impacto e amplitude. Defendem que a viol&ecirc;ncia na intimidade tem por base diferen&ccedil;as genderizadas de poder e de estatuto no contexto das quais as din&acirc;micas violentas t&ecirc;m como objectivo dominar a mulher atrav&eacute;s do uso de v&aacute;rias ac&ccedil;&otilde;es de controlo e de coer&ccedil;&atilde;o, tanto na esfera p&uacute;blica como na esfera privada, para manter o sistema patriarcal actual (Dasgupta, 1999). Nesta linha, v&aacute;rios estudos indicam que as mulheres que usam viol&ecirc;ncia f&iacute;sica contra o parceiro s&atilde;o, elas pr&oacute;prias, v&iacute;timas de viol&ecirc;ncia e que agridem para parar ou escapar &agrave; viol&ecirc;ncia dos parceiros (e.g., Barnett, Lee, &amp; Thelen, 1997; Dasgupta, 1999; Miller, 2001; Straus, 1999), defendendo que o fen&oacute;meno est&aacute; relacionado com a vitima&ccedil;&atilde;o continuada de que as mulheres s&atilde;o alvo. </p>       <p>(<b>iii</b>) 	&nbsp;&nbsp;&nbsp;A linha de investiga&ccedil;&atilde;o ecol&oacute;gica e da multicausalidade &ndash; os autores que se situam nesta linha (e.g., Dasgupta, 2002) referem que limitar a compreens&atilde;o da viol&ecirc;ncia feminina &agrave; an&aacute;lise dos seus motivos &ndash; como a auto-defesa ou a retalia&ccedil;&atilde;o &ndash; &eacute; negligenciar a complexidade do fen&oacute;meno e da vida da mulher. Assim, defendem a necessidade de compreender o enquadramento geral e de proceder &agrave; an&aacute;lise interactiva dos m&uacute;ltiplos factores que podem concorrer para que a mulher adopte comportamentos violentos no contexto da intimidade, desde um n&iacute;vel mais macro (que inclui valores e cren&ccedil;as culturais, estruturas sociais formais e informais, institui&ccedil;&otilde;es, etc.), at&eacute; a um n&iacute;vel mais micro (caracter&iacute;sticas mais imediatas do contexto onde a viol&ecirc;ncia ocorre, din&acirc;mica da rela&ccedil;&atilde;o) e individual (hist&oacute;ria desenvolvimental, caracter&iacute;sticas psicol&oacute;gicas da mulher).     <br>  Por exemplo, o estudo de Dasgupta (1999) apresenta uma grande variedade de factores que podem levar a mulher a ser violenta na intimidade: reivindicar a perda de respeito pr&oacute;prio, proteger os membros da fam&iacute;lia, manter a imagem de uma mulher forte, o historial das experi&ecirc;ncias de abuso (que pode ter influ&ecirc;ncia na forma como a mulher percepciona o perigo), a aus&ecirc;ncia de respostas adequadas por parte dos sistemas e institui&ccedil;&otilde;es sociais (que cria o sentimento de impot&ecirc;ncia e desamparo, criando a percep&ccedil;&atilde;o de que n&atilde;o h&aacute; outra forma de parar o abuso que n&atilde;o seja o recurso &agrave; viol&ecirc;ncia). Conside ramos, no entanto, que, apesar de esta linha j&aacute; reconhecer o papel dos factores culturais e procurar integr&aacute;-los na sua an&aacute;lise, postula modelos causais bastante complexos e de dif&iacute;cil operacionaliza&ccedil;&atilde;o.</p>       <p>(<b>iv</b>) 	As abordagens culturais e narrativas &ndash; destacam a dimens&atilde;o sociocultural e enfatizam a an&aacute;lise cr&iacute;tica da dimens&atilde;o hist&oacute;rica, cultural, social, econ&oacute;mica e pol&iacute;tica do fen&oacute;meno da viol&ecirc;ncia feminina. Ao introduzirem estas dimens&otilde;es, conduziram tamb&eacute;m &agrave; adop&ccedil;&atilde;o de novas e diversificadas metodologias de an&aacute;lise, nomeadamente, o recurso &agrave;s metodo logias qualitativas. Assim, v&aacute;rios estudos procuram analisar a forma como os discursos socioculturais constrangem a identidade da mulher e a viol&ecirc;ncia feminina no contexto da intimidade (e.g., Gilbert, 2002; Miller &amp; Meloy, 2006; Pearson, 1997). De uma forma global, os resultados indicam que grande parte das mulheres agressoras &eacute; ou foi tamb&eacute;m v&iacute;tima (Miller, 2001; Saunders, 2002) e enfatizam que a agress&atilde;o feminina &eacute; vivenciada e experienciada de uma forma distinta da agress&atilde;o masculina, com implica&ccedil;&otilde;es pr&aacute;ticas diferentes (Gilbert, 2002; Miller &amp; Meloy, 2006). Neste contexto, concluem que o fen&oacute;meno da viol&ecirc;ncia feminina na intimidade tem um enquadramento social completa mente diferente da agress&atilde;o masculina, sendo desaprovada social e culturalmente porque colide com as prescri&ccedil;&otilde;es, expectativas e pap&eacute;is historicamente atribu&iacute;dos &agrave; mulher (passiva, submissa, n&atilde;o violenta) (idem).     <br>  Com base nesta an&aacute;lise, consideramos que a an&aacute;lise sociocultural do fen&oacute;meno da viol&ecirc;ncia na intimidade n&atilde;o pode ser negligenciada. Os discursos socioculturais sobre as rela&ccedil;&otilde;es de intimidade, os seus actores e a viol&ecirc;ncia t&ecirc;m implica&ccedil;&otilde;es nas pr&aacute;ticas relacio nais, na medida em que constrangem o posicionamento e ac&ccedil;&otilde;es na rela&ccedil;&atilde;o. Assim, n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel compreender a viol&ecirc;ncia na intimidade sem proceder &agrave; an&aacute;lise cr&iacute;tica do enquadramento sociocultural da viol&ecirc;ncia e, mais especificamente, sem considerar as rela&ccedil;&otilde;es no contexto das quais a viol&ecirc;ncia ocorre. Para uma melhor compreens&atilde;o do fen&oacute;meno &eacute; necess&aacute;rio atender &agrave;s hist&oacute;rias das mulheres que o vivenciam, analisando criticamente a forma como constroem discursivamente a sua experi&ecirc;ncia e ac&ccedil;&otilde;es. </P ></blockquote>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>METODOLOGIA </P >    <p><I>Objectivos e quest&otilde;es de investiga&ccedil;&atilde;o </I></P >    <p>O presente estudo procura compreender a forma como as mulheres v&iacute;timas de viol&ecirc;ncia falam sobre o amor e as rela&ccedil;&otilde;es de intimidade e como experienciam e significam o fen&oacute;meno da viol&ecirc;ncia &ndash; a sofrida e a perpetrada. Neste sentido, procuramos explorar como &eacute; que d&atilde;o sentido &agrave; viol&ecirc;ncia no contexto da intimidade &ndash; identificar os repert&oacute;rios interpretativos culturais sobre o amor e a intimidade que utilizam e de que forma tais repert&oacute;rios constrangem a experi&ecirc;ncia da viol&ecirc;ncia nas rela&ccedil;&otilde;es de intimidade &ndash; nomeadamente, a experi&ecirc;ncia de vitima&ccedil;&atilde;o e o uso de viol&ecirc;ncia por parte das pr&oacute;prias. A partir daqui, e numa perspectiva construcionista social, discutimos a necessidade da transforma&ccedil;&atilde;o social, analisando criticamente as grelhas interpretativas sobre o amor e a viol&ecirc;ncia em que as mulheres s&atilde;o socializadas, permitindo a sua desconstru&ccedil;&atilde;o e a possibilidade de tomarem posi&ccedil;&otilde;es alternativas &agrave;quelas que as mant&ecirc;m na experi&ecirc;ncia de &ldquo;ser amadas/amar violentamente&rdquo;. </P >    <p>Para tal, procuramos dar resposta a tr&ecirc;s quest&otilde;es de investiga&ccedil;&atilde;o: (a) que repert&oacute;rios interpre tativos sobre o amor e as rela&ccedil;&otilde;es de intimidade s&atilde;o utilizados pelas mulheres v&iacute;timas de viol&ecirc;ncia quando nos relatam a sua hist&oacute;ria? (b) a experi&ecirc;ncia da vitima&ccedil;&atilde;o surge no seu discurso? Se sim, como &eacute; significada e de que forma os seus discursos sobre o amor e a intimidade constrangem a sua viv&ecirc;ncia?; e (c) o uso da viol&ecirc;ncia por parte destas mulheres surge no seu discurso? Se sim, como &eacute; significada e de que forma os seus discursos sobre o amor e a intimidade constrangem a sua viv&ecirc;ncia? </P >    <p>Por fim, discutem-se os discursos socioculturais mais alargados veiculados nas narrativas destas mulheres, as poss&iacute;veis implica&ccedil;&otilde;es destes discursos nas pr&aacute;ticas relacionais e no posicionamento das mulheres na rela&ccedil;&atilde;o e os poss&iacute;veis constrangimentos &agrave; experi&ecirc;ncia da vitima&ccedil;&atilde;o e da perpetra&ccedil;&atilde;o femininas que os discursos acarretam. </P >    <p>PARTICIPANTES </P >    <p>O grupo &eacute; constitu&iacute;do por doze mulheres v&iacute;timas de viol&ecirc;ncia, relatada pelas pr&oacute;prias ou sinalizadas pelo sistema judicial, cuja hist&oacute;ria relacional se caracteriza pela conflitualidade constante e vitima&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica. Com o objectivo de obter uma amostra teoricamente relevante, procurou-se seleccionar mulheres com backgrounds diferentes, pelo que consider&aacute;mos a variedade ao n&iacute;vel da faixa et&aacute;ria (jovens <I>vs </I>adultas), n&iacute;vel educacional e social, estado civil e perman&ecirc;ncia/ /sa&iacute;da da rela&ccedil;&atilde;o (ver <a href="#q1">Quadro 1</a>). Nenhuma das participantes apresenta diagn&oacute;stico de psico patologia ou defici&ecirc;ncia mental, nem foi alvo de interven&ccedil;&atilde;o psicoterap&ecirc;utica. </P >     <p>&nbsp;</P ><a name="q1">     <p align="center">QUADRO 1 </P >    <p align="center"><I>Participantes </I></P > <TABLE   align="center" border=0 cellspacing=0 cellpadding=2 ><TR    ><TH   colspan=6 align="left"  valign="top" height="11"  >&nbsp;</TH > </TR ><TR    ><hr><TH   align="left" width="45"  valign="top" height="17"  >Casos </TH > <TD    align="center" width="115"  valign="top" height="17"  >Escolaridade </TD ><TD    align="center" width="99"  valign="top" height="17"  >Classe social </TD ><TD    align="center" width="112"  valign="top" height="17"  >Estado civil </TD ><TD    align="center" width="64"  valign="top" height="17"  >Idade </TD ><TD    align="center" width="136"  valign="top" height="17"  >Perman&ecirc;ncia na rela&ccedil;&atilde;o violenta   </TD > </TR ><TR    ><TH   align="left" width="45"  valign="middle" height="19"  >1 </TH > <TD    align="center" width="115"  valign="middle" height="19"  >12.&ordm; Ano </TD ><TD    align="center" width="99"  valign="middle" height="19"  >M&eacute;dia/baixa </TD ><TD    align="center" width="112"  valign="middle" height="19"  >Uni&atilde;o de facto </TD ><TD    align="center" width="64"  valign="middle" height="19"  >45 </TD ><TD    align="center" width="136"  valign="middle" height="19"  >Sim </TD > </TR ><TR    ><TH   align="left" width="45"  valign="top" height="14"  >2 </TH > <TD    align="center" width="115"  valign="top" height="14"  >4.&ordm; Ano </TD ><TD    align="center" width="99"  valign="top" height="14"  >M&eacute;dia/baixa </TD ><TD    align="center" width="112"  valign="top" height="14"  >Divorciada </TD ><TD    align="center" width="64"  valign="top" height="14"  >43 </TD ><TD    align="center" width="136"  valign="top" height="14"  >N&atilde;o </TD > </TR ><TR    ><TH   align="left" width="45"  valign="top" height="12"  >3 </TH > <TD    align="center" width="115"  valign="top" height="12"  >4.&ordm; Ano </TD ><TD    align="center" width="99"  valign="top" height="12"  >M&eacute;dia </TD ><TD    align="center" width="112"  valign="top" height="12"  >Divorciada </TD ><TD    align="center" width="64"  valign="top" height="12"  >29 </TD ><TD    align="center" width="136"  valign="top" height="12"  >N&atilde;o </TD > </TR ><TR    ><TH   align="left" width="45"  valign="middle" height="13"  >4 </TH > <TD    align="center" width="115"  valign="middle" height="13"  >4.&ordm; Ano </TD ><TD    align="center" width="99"  valign="middle" height="13"  >Baixa </TD ><TD    align="center" width="112"  valign="middle" height="13"  >Divorciada </TD ><TD    align="center" width="64"  valign="middle" height="13"  >40 </TD ><TD    align="center" width="136"  valign="middle" height="13"  >N&atilde;o </TD > </TR ><TR    ><TH   align="left" width="45"  valign="middle" height="14"  >5 </TH > <TD    align="center" width="115"  valign="middle" height="14"  >12.&ordm; Ano </TD ><TD    align="center" width="99"  valign="middle" height="14"  >M&eacute;dia </TD ><TD    align="center" width="112"  valign="middle" height="14"  >Divorciada </TD ><TD    align="center" width="64"  valign="middle" height="14"  >32 </TD ><TD    align="center" width="136"  valign="middle" height="14"  >Sim </TD > </TR ><TR    ><TH   align="left" width="45"  valign="middle" height="15"  >6 </TH > <TD    align="center" width="115"  valign="middle" height="15"  >4.&ordm; Ano </TD ><TD    align="center" width="99"  valign="middle" height="15"  >M&eacute;dia/Baixa </TD ><TD    align="center" width="112"  valign="middle" height="15"  >Casada </TD ><TD    align="center" width="64"  valign="middle" height="15"  >52 </TD ><TD    align="center" width="136"  valign="middle" height="15"  >Sim </TD > </TR ><TR    ><TH   align="left" width="45"  valign="middle" height="12"  >7 </TH > <TD    align="center" width="115"  valign="middle" height="12"  >4.&ordm; Ano </TD ><TD    align="center" width="99"  valign="middle" height="12"  >M&eacute;dia </TD ><TD    align="center" width="112"  valign="middle" height="12"  >Divorciada </TD ><TD    align="center" width="64"  valign="middle" height="12"  >45 </TD ><TD    align="center" width="136"  valign="middle" height="12"  >N&atilde;o </TD > </TR ><TR    ><TH   align="left" width="45"  valign="middle" height="15"  >8 </TH > <TD    align="center" width="115"  valign="middle" height="15"  >Doutoramento </TD ><TD    align="center" width="99"  valign="middle" height="15"  >M&eacute;dia/Alta </TD ><TD    align="center" width="112"  valign="middle" height="15"  >Solteira </TD ><TD    align="center" width="64"  valign="middle" height="15"  >30 </TD ><TD    align="center" width="136"  valign="middle" height="15"  >N&atilde;o </TD > </TR ><TR    ><TH   align="left" width="45"  valign="top" height="14"  >9 </TH > <TD    align="center" width="115"  valign="top" height="14"  >12.&ordm; Ano </TD ><TD    align="center" width="99"  valign="top" height="14"  >M&eacute;dia/Baixa </TD ><TD    align="center" width="112"  valign="top" height="14"  >Uni&atilde;o de Facto </TD ><TD    align="center" width="64"  valign="top" height="14"  >30 </TD ><TD    align="center" width="136"  valign="top" height="14"  >Sim </TD > </TR ><TR    ><TH   align="left" width="45"  valign="top" height="13"  >10 </TH > <TD    align="center" width="115"  valign="top" height="13"  >1.&ordm; Ano (Univers.) </TD ><TD    align="center" width="99"  valign="top" height="13"  >M&eacute;dia/Alta </TD ><TD    align="center" width="112"  valign="top" height="13"  >Solteira </TD ><TD    align="center" width="64"  valign="top" height="13"  >20 </TD ><TD    align="center" width="136"  valign="top" height="13"  >Sim </TD > </TR ><TR    ><TH   align="left" width="45"  valign="top" height="14"  >11 </TH > <TD    align="center" width="115"  valign="top" height="14"  >2.&ordm; Ano (Univers.) </TD ><TD    align="center" width="99"  valign="top" height="14"  >M&eacute;dia </TD ><TD    align="center" width="112"  valign="top" height="14"  >Solteira </TD ><TD    align="center" width="64"  valign="top" height="14"  >20 </TD ><TD    align="center" width="136"  valign="top" height="14"  >Sim </TD > </TR ><TR    ><TH   align="left" width="45"  valign="middle" height="12"  >12 </TH > <TD    align="center" width="115"  valign="middle" height="12"  >11.&ordm; Ano </TD ><TD    align="center" width="99"  valign="middle" height="12"  >M&eacute;dia/Baixa </TD ><TD    align="center" width="112"  valign="middle" height="12"  >Solteira </TD ><TD    align="center" width="64"  valign="middle" height="12"  >17 </TD ><TD    align="center" width="136"  valign="middle" height="12"  >N&atilde;o </TD > </TR ></TABLE >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</P >     <p>PROCEDIMENTOS </P >     <p>No presente estudo foram analisadas narrativas de mulheres sobre o amor, procurando compreender como conceptualizam e atribuem sentido &acirc; conflitualidade e &agrave; viol&ecirc;ncia no contexto da intimidade e das rela&ccedil;&otilde;es amorosas. </P >     <p>Com cada participante foi realizada uma entrevista semi-estruturada (&ldquo;a hist&oacute;ria de amor da sua vida&rdquo;), adaptada do gui&atilde;o da entrevista de McAdams (1995), <I>The Life Story Interview</I>. Ap&oacute;s o consentimento informado, advertindo para as poss&iacute;veis consequ&ecirc;ncias emocionais da situa&ccedil;&atilde;o de entrevista, foi pedido que identificassem e contassem a hist&oacute;ria de amor da sua vida, focando todos os t&oacute;picos do gui&atilde;o (resumo e fases da hist&oacute;ria, momentos importantes, desafios, futuros poss&iacute;veis, valores e cren&ccedil;as pessoais). Apesar desta estrutura pr&eacute;via, as quest&otilde;es foram formuladas de forma a permitir que a narrativa flu&iacute;sse de acordo com os interesses das participantes (e.g., &ldquo; <I>e </I><I>o que &eacute; que pensa sobre o que acabou de me contar?&rdquo;</I>; <I>&ldquo;como se sentiu face a isso?&rdquo;</I>), explorandose os pensamentos, comportamentos, emo&ccedil;&otilde;es e contextos situacionais dos relatos. Assim, apesar de se inquirirem todas as participantes sobre todos os t&oacute;picos do gui&atilde;o, a ordem e organiza&ccedil;&atilde;o do material do material variou de entrevista para entrevista. </P > </P > </P >     <p>&Eacute; de referir ainda que a tem&aacute;tica da viol&ecirc;ncia n&atilde;o foi inquirida directamente, de forma a podermos perceber se a viol&ecirc;ncia era ou n&atilde;o espontaneamente abordada nas hist&oacute;rias. Nos casos em que a viol&ecirc;ncia foi abordada, analis&aacute;mos se referiam ou n&atilde;o o uso da viol&ecirc;ncia por parte das pr&oacute;prias contra os parceiros e, neste caso, como &eacute; que esta era significada e contextualizada. O objectivo foi o de compreender como &eacute; que as mulheres experienciavam, recordavam e falavam sobre a viol&ecirc;ncia. </P >    <p>Todas as entrevistas foram conduzidas pela investigadora respons&aacute;vel do estudo, variando o tempo de dura&ccedil;&atilde;o entre os quarenta e cinco minutos e as duas horas e meia. Foram gravadas e transcritas na &iacute;ntegra, no sentido de preservar a integridade dos relatos, e todas as entrevistas foram analisadas separadamente, codificando-se todo o seu conte&uacute;do. Posteriormente, identificaram-se os diferentes temas abordados pelas participantes e foc&aacute;mos a nossa an&aacute;lise nos relatos referentes ao amor e &agrave; viol&ecirc;ncia (sofrida e/ou perpetrada) nas rela&ccedil;&otilde;es de intimidade. </P >    <p>Utilizou-se o <I>NVivo 9.0 software </I>(QSR, 2010) para organizar, codificar e analisar os dados, aplicando a abordagem da an&aacute;lise do discurso, como indicada por Potter e Wetherell (1987): </P >     <blockquote>       <p><b   >(i) 	</b > &nbsp;&nbsp;&nbsp;O processo inicial de codifica&ccedil;&atilde;o foi feito indutivamente e a constru&ccedil;&atilde;o das categorias foi definida e redefinida sistematicamente em cada entrevista, ao longo de todo o processo de categoriza&ccedil;&atilde;o; <br   >     <b  >(ii) 	</b >&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ap&oacute;s a codifica&ccedil;&atilde;o inicial de todas as entrevistas, organizaram-se e agruparam-se as codifica&ccedil;&otilde;es em &ldquo;unidade de significado&rdquo; que constituem os repert&oacute;rios interpretativos, considerando como as participantes usam padr&otilde;es partilhados de compreens&atilde;o sobre o amor e a intimidade; <br >     <b>(iii)</b > &nbsp;&nbsp;&nbsp; Paralelamente &agrave; identifica&ccedil;&atilde;o e descri&ccedil;&atilde;o dos repert&oacute;rios, procurou-se mostrar como os repert&oacute;rios s&atilde;o utilizados para fazer sentido e compreender a viol&ecirc;ncia; <br >     <b>(iv)</b> &nbsp;&nbsp;&nbsp;Recorreu-se a extractos dos relatos das participantes para ilustrar a an&aacute;lise e discuss&atilde;o, atendo aos padr&otilde;es de significados usados nesses exemplos. </p> </blockquote>     <p>Dada a natureza e caracter&iacute;sticas do estudo, assume-me a natureza local e espec&iacute;fica dos seus resultados, sem a ambi&ccedil;&atilde;o de os generalizar. Apesar de identificarmos a utiliza&ccedil;&atilde;o de repert&oacute;rios interpretativos espec&iacute;ficos, sob determinadas formas e por determinadas participantes, tal n&atilde;o significa que estes resultados sejam partilhados por todas as mulheres que possuam caracter&iacute;sticas id&ecirc;nticas. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>AN&Aacute;LISE </P >    <p>A partir da an&aacute;lise das hist&oacute;rias narradas por cada participante, procuramos dar resposta &agrave;s nossas quest&otilde;es de investiga&ccedil;&atilde;o. Assim, para facilitar a leitura dos resultados, procederemos &agrave; sua descri&ccedil;&atilde;o e discuss&atilde;o tendo por base as quest&otilde;es de partida. </P >    <p><I>Que repert&oacute;rios interpretativos sobre o amor e as rela&ccedil;&otilde;es de intimidade s&atilde;o utilizados pelas mulheres v&iacute;timas de viol&ecirc;ncia quando nos relatam a sua hist&oacute;ria? </I></P >    <p>Nas entrevistas seleccionou-se todo o discurso das v&iacute;timas referente ao amor e &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es de intimidade, identificando-se cinco Repert&oacute;rios Interpretativos: 45.89%<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a>do discurso sobre o amor remete para o Amor Rom&acirc;ntico, 18.3% para o Amor Apaixonado, 18.39% para o Amor Companheiro, 16.3% para o Amor Pragm&aacute;tico e 0.59% para o amor <I>Game-Playing</I>. Procedendo a uma an&aacute;lise global, verificamos que o repert&oacute;rio amor rom&acirc;ntico &eacute; o mais utilizado pelas v&iacute;timas. </P >    <p><I>Repert&oacute;rio amor rom&acirc;ntico. </I>O Repert&oacute;rio amor rom&acirc;ntico tende a surgir no in&iacute;cio das narrativas, sendo o ponto de partida das hist&oacute;rias que as participantes nos relatam. Remete para o &ldquo;script&rdquo; tradicional, que associa o amor a uma rela&ccedil;&atilde;o duradoira e de compromisso (namoro e casamento) e destaca-se a no&ccedil;&atilde;o do amor eterno/verdadeiro ou a exist&ecirc;ncia da pessoa certa (<I>Caso </I><I>7: </I><I>... eu s&oacute; tive um amor na vida... para mim s&oacute; h&aacute; um amor na vida</I>). &Eacute; de notar que neste script se veicula a no&ccedil;&atilde;o da turbul&ecirc;ncia/zangas iniciais e, ainda assim, existe uma extrema idealiza&ccedil;&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o e do parceiro (<I>Caso 11: foi um namor</I><I>o que no in&iacute;cio foi um bocado atribulado &ndash; come&ccedil;&aacute;vamos, acab&aacute;vamos. Agora estamos h&aacute; 3 anos juntos e a coisa at&eacute; agora tem corrido bem. Caso 12: ... foi aquele tempo em que n&atilde;o havia problemas, em que tudo era cor-de-rosa, tudo estava muito bonito, risinhos para ali, risinhos para aqui, risinhos para ali e ia sendo assim</I>). </P >     <p>Este repert&oacute;rio inclui ainda duas met&aacute;foras: </P >     <blockquote>       <p><b   >(i) 	</b >A <I>met&aacute;fora do amor vencedor</I>, aquele que &eacute; proibido ou n&atilde;o aceite socialmente mas cujos obst&aacute;culos, enfrentados em conjunto e com amor, ser&atilde;o ultrapassados (<I>Caso 2: At&eacute; &eacute; interessante haver problemas e ultrapassarmos juntos, unidos, ultrapassar os problemas e a rela&ccedil;&atilde;o ficar mais forte... De poder dizer que houve problemas, que houve crises no casamento e conseguir ultrapassar</I>). </p>       <p><b   >(ii) </b >A <I>met&aacute;fora do amor sacrif&iacute;cio</I>, nomeadamente, a no&ccedil;&atilde;o de abdicar e ceder por amor, em prol do companheiro e da rela&ccedil;&atilde;o (<I>Caso 2: ... eu pensar mais nos outros do que em mim, aguentar tudo por pensar mais nele, no nosso casamento, do que em mim. Isso fez a rela&ccedil;&atilde;o durar... aguentar tudo). </I></p> </blockquote>     <p>Paralelamente, uma constru&ccedil;&atilde;o discursiva presente no amor rom&acirc;ntico e que constitui um sub-repert&oacute;rio deste &eacute; o <I>amor desencantado</I>, surgindo em todas as participantes (&agrave; excep&ccedil;&atilde;o das participantes jovens). Esta constru&ccedil;&atilde;o veicula a imagem do desencanto/desilus&atilde;o dos ideais e sonhos rom&acirc;nticos, em que surge a no&ccedil;&atilde;o do sofrimento e mal-estar psicol&oacute;gico face &agrave; frustra&ccedil;&atilde;o dos sonhos rom&acirc;nticos (<I>Caso 2: Mal-estar... uma ansiedade, um mal-estar que n&atilde;o conseguimos explicar...</I>) e a descren&ccedil;a no amor e nas rela&ccedil;&otilde;es (<I>Caso 6: A gente casa, faz um sonho mas nada acontece como nos sonhos. Tudo o que eu sonhei foi tudo por &aacute;gua abaixo, nada se realizou. O amor da minha vida... olhe, morreu!</I>). Como veremos na an&aacute;lise da experi&ecirc;ncia da viol&ecirc;ncia, as participantes recorrem bastante a este sub-repert&oacute;rio para darem sentido &agrave; conflitualidade e &agrave; viol&ecirc;ncia. </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><I>Repert&oacute;rio amor companheiro. </I>O repert&oacute;rio amor companheiro veicula a associa&ccedil;&atilde;o entre o amor e a amizade/companheirismo, defendendo como valores essenciais a sinceridade, a honesti dade e a confian&ccedil;a (<I>Caso 5: amor &eacute; o companheirismo, amizade, inter-ajuda; Caso 12: O amor &eacute; isso: compreens&atilde;o, sinceridade, amizade, carinho.</I>). O respeito m&uacute;tuo e a tomada de decis&atilde;o a dois surgem enfatizados, assentes no di&aacute;logo e na comunica&ccedil;&atilde;o (<I>Caso 1: Para mim o verdadeiro amor &eacute; haver respeito, essencialmente. Haver di&aacute;logo com a pessoa e respeitar. Quando se tomar </I><I>uma decis&atilde;o, acho que se deve tomar a dois</I>), bem como a necessidade da adequa&ccedil;&atilde;o dos parceiros, da aceita&ccedil;&atilde;o, compreens&atilde;o e entendimento entre ambos (<I>Caso 2: N&atilde;o h&aacute; dois seres iguais. Aceito que as pessoas tenham de se moldar um ao outro, tamb&eacute;m temos de ceder, aceitar que temos de mudar. Caso 5: As ced&ecirc;ncias, compreendermo-nos um ao outro</I>). </P >     <p>&Eacute; no notar que este repert&oacute;rio tende a ser mais utilizado no final das narrativas, quando as participantes s&atilde;o questionadas sobre os valores que defendem numa rela&ccedil;&atilde;o, fazendo uso prescritivo deste repert&oacute;rio para conseguir manter uma rela&ccedil;&atilde;o de amor funcional e feliz ao longo do tempo. </P >    <p><I>Repert&oacute;rio amor apaixonado. </I>O repert&oacute;rio amor apaixonado surge quase de forma equitativa ao amor companheiro. Veicula a no&ccedil;&atilde;o de que o amor constitui uma altera&ccedil;&atilde;o do estado normal dos indiv&iacute;duos, em termos cognitivos, emocionais e f&iacute;sicos (<I>Caso 3: Eu naquela altura fiquei sem palavra. Senti-me muito feliz, assim por dentro! Ah... n&atilde;o sei explicar (suspiro)! O meu cora&ccedil;&atilde;o batia, batia, batia! Ali n&atilde;o lhe sei explicar o que &eacute; que foi!</I>), associando-se a esta altera&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m a sua express&atilde;o mais violenta e o ci&uacute;me como manifesta&ccedil;&otilde;es de amor (<I>Caso 5: Eu sentia-me bem. Ele gostava de mim porque eu sabia que ele tinha ci&uacute;mes... ele ficava muito zangado, muito bravo!</I>). </P >    <p>Dois aspectos espec&iacute;ficos presentes neste repert&oacute;rio s&atilde;o a no&ccedil;&atilde;o ambivalente do amor/&oacute;dio (<I>Caso 8: aquilo foi uma rela&ccedil;&atilde;o muito complexa, muito dif&iacute;cil de gerir e de amor</I><I>-&oacute;dio. N&atilde;o &eacute; propriamente uma hist&oacute;ria de amor, &eacute; uma hist&oacute;ria de amor-&oacute;dio</I>) e a conceptualiza&ccedil;&atilde;o do amor como pris&atilde;o &ndash; de n&atilde;o poder viver sem a pessoa amada, de n&atilde;o conseguir libertar-se devido &agrave; intensidade e profundidade do amor (<I>Caso 2: Eu querer libertar-me e n&atilde;o conseguir. Eu pensava que n&atilde;o conseguia viver sem ele, que a vida n&atilde;o era poss&iacute;vel sem ele</I>). </P >    <p><I>Repert&oacute;rio amor pragm&aacute;tico. </I>O repert&oacute;rio amor pragm&aacute;tico surge habitualmente no final das narrativas, como balan&ccedil;o da hist&oacute;ria relacional das v&iacute;timas. Remete para uma perspectiva mais racional e ponderada do amor, com uma no&ccedil;&atilde;o da finitude, temporalidade e conting&ecirc;ncias das rela&ccedil;&otilde;es (<I>Caso 9: Tamb&eacute;m n&atilde;o acho que o amor tem de durar a vida inteira, n&atilde;o, n&atilde;o tem. Que </I><I>o amor seja para sempre, n&atilde;o! Caso 12: quando chegar ao ponto em que vir que a coisa n&atilde;o d&aacute; ou que o amor est&aacute; a acabar, seja da parte dela ou seja da parte dele, que &eacute; desnecess&aacute;rio lutar quando o outro n&atilde;o quer</I>). </P >     <p>Integra a imagem de aprendizagem, <I>insight </I>e amadurecimento resultantes das m&aacute;s experi&ecirc;ncias amorosas (<I>Caso 2: Porque agora estar a criar uma rela&ccedil;&atilde;o de fazer vida, para mim &eacute; dif&iacute;cil, j&aacute; fui burra uma vez. Caso 11: teve impacto na forma como eu vejo as rela&ccedil;&otilde;es, deixei-as de ver, se calhar, de uma forma t&atilde;o inocente...</I>). </P >    <p><I>Repert&oacute;rio amor game-playing. </I>O repert&oacute;rio amor <I>game-playing </I>surge numa reduzida percen tagem na nossa amostra (0,59%), sendo o que concebe as rela&ccedil;&otilde;es como um jogo, envolvendo menor investimento emocional e compromisso. Sendo mais utilizada no passado, esta forma relacional &eacute; associada, essencialmente, &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es fugazes e passageiras e &eacute; conceptualizada como &ldquo;n&atilde;o amor&rdquo; (<I>Caso 10: E foi s&oacute; esse namoro que foi mesmo um namor</I><I>o a s&eacute;rio. Os outros foi mais curtes, mas namoro a s&eacute;rio foi s&oacute; esse</I>). &Eacute; de notar que apenas uma participante o utiliza no presente, associando-o &agrave; no&ccedil;&atilde;o de aproveitar o momento e &agrave; prescri&ccedil;&atilde;o de evitar o compromisso (<I>Caso 2: Neste momento da minha vida, preferia ter uma amizade colorida, n&atilde;o sei se me entendes... Porque agora estar a criar uma rela&ccedil;&atilde;o de fazer vida, para mim &eacute; dif&iacute;cil, j&aacute; fui burra uma vez, agora vai-se vivendo</I>). </P >     <blockquote>       <p><I>A experi&ecirc;ncia da vitima&ccedil;&atilde;o surge no discurso? Se sim, como &eacute; significada e de que forma os discursos sobre o amor e a intimidade constrangem a sua viv&ecirc;ncia? </I></p> </blockquote>     <p>Considerando todo o discurso presente nas entrevistas, apenas 19% se refere &agrave; viol&ecirc;ncia no con texto da intimidade e, considerando especificamente o discurso sobre a viol&ecirc;ncia, 68% deste discurso refere-se &agrave; experi&ecirc;ncia de vitima&ccedil;&atilde;o e 32% ao relato da perpetra&ccedil;&atilde;o de viol&ecirc;ncia sobre os parceiros. O tema da viol&ecirc;ncia, tanto a sofrida como a perpetrada, surge no contexto dos diferentes repert&oacute;rios &ndash; &agrave; excep&ccedil;&atilde;o do <I>&ldquo;game-playing&rdquo; </I>um repert&oacute;rio que, como j&aacute; foi referido, surge com reduzida frequ&ecirc;ncia. Vejamos ent&atilde;o como &eacute; abordada a viol&ecirc;ncia no contexto dos dife rentes repert&oacute;rios sobre o amor e as rela&ccedil;&otilde;es de intimidade, apresentando os repert&oacute;rios pela ordem decrescente: rom&acirc;ntico (53,85%), companheiro (20,4%), apaixonado (17.88%) e pragm&aacute;tico (7,87%). </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O <I>repert&oacute;rio amor rom&acirc;ntico </I>&eacute; o mais utilizado pelas v&iacute;timas adultas para dar sentido &agrave; experi &ecirc;ncia da vitima&ccedil;&atilde;o, mais precisamente o amor desencantado, em que descrevem a conflitualidade/ /viol&ecirc;ncia para justificar a frustra&ccedil;&atilde;o das idealiza&ccedil;&otilde;es/expectativas rom&acirc;nticas e o desencanto para com as rela&ccedil;&otilde;es e o amor. Assim, como motivos para o &ldquo;desencanto&rdquo; face &agrave;s expectativas rom&acirc;n ticas surge principalmente a infidelidade por parte do companheiro (<I>Caso 2: O mais infeliz foi quando tive a certeza de que existia outra pessoa</I>), o investimento unidireccional da mulher na rela&ccedil;&atilde;o (<I>Caso 7: A maior dificuldade foi quando ele deixou de trabalhar porque eu tive de criar os filhos e ainda mant&ecirc;-lo a ele, dar-lhe de comer... Foi muito dif&iacute;cil, que eu trabalhava mas tinha que pagar casa, tinha que pagar tudo e o dinheiro n&atilde;o chegava</I>) e a desilus&atilde;o do dia-a-dia associada &agrave; viol&ecirc;ncia f&iacute;sica e verbal (<I>Caso 7: foi tudo muito bom, nos primeiros tempos, era muito meu amigo, ele n&atilde;o tinha mais que me fazer! Depois ele come&ccedil;ou-me a tratar mal, a encher-me de nomes, e depois veio a viol&ecirc;ncia. Batia-me, chamava-me todos os nomes, dizia-me que eu andava metida com todos os homens</I>). </P >     <p>Na consequ&ecirc;ncia deste &ldquo;desencanto&rdquo;, relatam a descren&ccedil;a no amor e nas rela&ccedil;&otilde;es, bem como o extremo sofrimento e trauma psicol&oacute;gico que as faz rejeitar novas rela&ccedil;&otilde;es (<I>Caso 4: Eu n&atilde;o confio em mais homem nenhum. Ficar sozinha, &eacute; a melhor solu&ccedil;&atilde;o. Caso 7: Para mim os homens s&atilde;o todos iguais. Eu estou cansada... Para mim, um homem chegou</I>). Verifica-se tamb&eacute;m a tentativa de justificarem o comportamento violento por parte do parceiro, usando factores externos que o &ldquo;transformaram&rdquo; e o levaram ao uso da viol&ecirc;ncia: o consumo de &aacute;lcool (<I>Caso 1: Come&ccedil;ou a beber, ele tem um muito mau beber. Quando chegava b&ecirc;bado a casa, desancava-me e chamava-me do piorio. At&eacute; que me bateu, deu-me um biqueiro...</I>), as dificuldades do dia-a-dia (<I>Caso 9: Ele tornar-se violento foi, sem d&uacute;vida, toda a situa&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica porque n&oacute;s pass&aacute;mos</I>) e a infide lidade (<I>Caso 4: Sempre que a gente se zangava ele batia-me, tinha a ver com as amantes dele</I>). </P >     <p>De salientar que as v&iacute;timas jovens n&atilde;o recorrem a este repert&oacute;rio para significar a experi&ecirc;ncia de vitima&ccedil;&atilde;o &ndash; no nosso entender porque os seus relatos rom&acirc;nticos se centram na idealiza&ccedil;&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o e na expectativa da viv&ecirc;ncia de um grande amor no futuro e de um final feliz, que n&atilde;o lhes permite o &ldquo;desencanto&rdquo; dos sonhos rom&acirc;nticos, apesar da experi&ecirc;ncia de vitima&ccedil;&atilde;o. </P >    <p>As mulheres recorrerem tamb&eacute;m ao <I>repert&oacute;rio amor companheiro </I>para dar sentido &agrave; viol&ecirc;ncia sofrida, conceptualizando-a como consequ&ecirc;ncia da falta de entendimento/desacordo e da incompatibilidade do modo de ser/estilos de vida entre os parceiros (<I>Caso 8: ... e foram dias de manipula&ccedil;&atilde;o, de amea&ccedil;a... eu na altura compreendia que ele n&atilde;o se identificava com o meu estilo de vida e contextos. E apesar dele saber que eu me identificava, ele... nunca houve toler&acirc;ncia por essas pr&aacute;ticas</I>). </P >     <p>H&aacute; que destacar que s&atilde;o as mulheres que se mant&ecirc;m na rela&ccedil;&atilde;o violenta as que mais utilizam o repert&oacute;rio amor companheiro, como forma de justificar a sua perman&ecirc;ncia na rela&ccedil;&atilde;o, nomeadamente atrav&eacute;s da cren&ccedil;a da consciencializa&ccedil;&atilde;o, arrependimento e mudan&ccedil;a por parte do parceiro, que ocorrer&aacute; do entendimento futuro entre ambos, adiando, dessa forma, a ruptura (<I>Caso </I><I>6:</I><I> O que eu gostava &eacute; que ele compreendesse. Eu estou a tentar... Se ele dizer &ldquo;Eu realmente falhei, eu realmente reconhe&ccedil;o que errei&rdquo;, se houver este reconhecimento, eu ainda lhe dou uma chance</I>). </P >     <p>No caso das mulheres jovens, a expectativa de conseguir o entendimento, a cren&ccedil;a de que ocorreu uma mudan&ccedil;a e, principalmente, a percep&ccedil;&atilde;o de uma imagem de &ldquo;paridade&rdquo; entre ambos no que respeita a restri&ccedil;&otilde;es m&uacute;tuas, permite-lhes justificar a toler&acirc;ncia e a perman&ecirc;ncia na rela&ccedil;&atilde;o abusiva (<I>Caso 11: Houve ali uma mudan&ccedil;a porque eu ali consegui perceber que estava a ser repressiva com ele e ele tamb&eacute;m conseguiu perceber aquilo que estava a fazer mais mal. Houve mudan&ccedil;a</I>). </P >    <p>O <I>repert&oacute;rio amor apaixonado </I>&eacute; maioritariamente utilizado pelas v&iacute;timas juvenis, em rela&ccedil;&otilde;es em que a viol&ecirc;ncia surge associada &agrave; no&ccedil;&atilde;o de ci&uacute;mes, possess&atilde;o e dificuldades de controlo por parte do companheiro. Neste repert&oacute;rio, a viol&ecirc;ncia do companheiro &eacute; significada como manifesta&ccedil;&atilde;o de ci&uacute;mes, prova do seu amor e &ldquo;querer&rdquo;/obsess&atilde;o, n&atilde;o conseguindo controlar a intensidade do afecto (<I>Caso 10: come&ccedil;ou a ser possessivo ele queria-me ter &agrave; for&ccedil;a toda, entre aspas. (...) Ci&uacute;mes, era muito possessivo. Tinha medo de me perder... Caso 12: Come&ccedil;ou a sofrer um bocado daquela obsess&atilde;o. Ele come&ccedil;ou a ser um bocadito agressivo por amar de mais, acho eu... violento</I>)<I>. </I></P >    <p>Neste contexto, a viol&ecirc;ncia surge como sin&oacute;nimo de amor e tende a ser minimizada ou a n&atilde;o ser conceptualizada como tal, responsabilizando-se a si pr&oacute;prias por provocarem o parceiro (<I>Caso </I><I>10:</I><I> Ele come&ccedil;ou a tornar-se possessivo e, por vezes, tamb&eacute;m agressivo. E eu entrava tamb&eacute;m mais ou menos no jogo dele, porque tamb&eacute;m o &ldquo;picava&rdquo; e ele... A primeira vez que ele me agrediu... n&atilde;o &eacute; bem agredir...</I>). </P >     <p>De notar, ainda, que s&atilde;o tamb&eacute;m as mulheres mais jovens que mais recorrem a este repert&oacute;rio para justificar a sua toler&acirc;ncia &agrave; viol&ecirc;ncia &ndash; &agrave; no&ccedil;&atilde;o de que o amor &ldquo;cega&rdquo; ou interfere na percep&ccedil;&atilde;o que fazem do parceiro e da rela&ccedil;&atilde;o (<I>Caso 10: O primeiro amor</I><I>, a primeira paix&atilde;o, n&atilde;o &eacute;! Assim, aquela magia... Porque eu s&oacute; o via a ele. Ele era a minha vida e n&atilde;o via mais nada!</I>). </P >    <p>A experi&ecirc;ncia da vitima&ccedil;&atilde;o parece ser menos compat&iacute;vel com o <I>repert&oacute;rio amor pragm&aacute;tico </I>&ndash; pelas pr&oacute;prias caracter&iacute;sticas deste repert&oacute;rio &ndash; sendo este utilizado essencialmente na descri&ccedil;&atilde;o do processo de tomada de decis&atilde;o acerca da perman&ecirc;ncia <I>vs. </I>abandono da rela&ccedil;&atilde;o violenta. Este repert&oacute;rio inclui um modelo racional (quase economicista) da rela&ccedil;&atilde;o, em que s&atilde;o ponderadas as suas vantagens e desvantagens, pelo que lhes permite equacionar os ganhos e as perdas de permanecer ou abandonar a rela&ccedil;&atilde;o. Aqui, identificamos diferen&ccedil;as na forma como a pondera&ccedil;&atilde;o &eacute; feita pelas mulheres que se mant&ecirc;m na rela&ccedil;&atilde;o e pelas que sa&iacute;ram, identificando-se tamb&eacute;m caracter&iacute;sticas espec&iacute;ficas nas v&iacute;timas juvenis. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Verifica-se que a maioria das mulheres adultas (tanto as que sa&iacute;ram como as que est&atilde;o na rela&ccedil;&atilde;o) partilha o desejo de sair da rela&ccedil;&atilde;o (<I>Caso 1: O melhor futuro poss&iacute;vel era eu separar</I><I>-me dele, completamente. E ficar sozinha com os meus filhos</I>) e que s&atilde;o os constrangimentos econ&oacute;micos, sociais e familiares que dificultam ou dificultaram a ruptura, nomeadamente: a falta de recursos econ&oacute;micos e habitacionais, a aus&ecirc;ncia de respostas judiciais e sociais adequadas, a cr&iacute;tica social e a aus&ecirc;ncia de uma rede de suporte e apoio familiar (<I>Caso 1: Neste momento n&atilde;o tenho situa&ccedil;&atilde;o financeira est&aacute;vel que possa sair de casa, s&oacute; tenho o meu trabalho, e n&atilde;o tenho fam&iacute;lia nenhuma que me d&ecirc; apoio. Estou com ele por causa do mi&uacute;do, o caso foi parar a tribunal! Caso 6: O meu medo &eacute; a falta de dinheiro para criar os meus dois filhos. Porque eu n&atilde;o trabalho. E eu sujeito-me &eacute; por causa disso, porque &eacute; o dinheiro dele que entra em casa.... E eu sujeito-me). </I></P >    <p>O que se verifica no caso das mulheres que sa&iacute;ram da rela&ccedil;&atilde;o &eacute; que a ruptura se efectivou quando sentiram o bem-estar e/ou a vida dos filhos em causa (<I>Caso 2: Senti que era um basta quando ele come&ccedil;ou tamb&eacute;m a ser mau com a filha...&rdquo;</I>) em concomit&acirc;ncia com a obten&ccedil;&atilde;o de suporte e apoio externos (<I>Caso 2: Foi bom perceber que o m&eacute;dico entendeu e dizer-me que j&aacute; tinha ouvido hist&oacute;rias como a minha. Ajudou-me muito</I>). </P >    <p>No caso das v&iacute;timas juvenis, verifica-se que a ambiguidade entre sair e permanecer &eacute; maior, sendo a falta de liberdade pessoal e a restri&ccedil;&atilde;o das suas actividades/rela&ccedil;&otilde;es um factor essencial na sua pondera&ccedil;&atilde;o (<I>Caso 11: porque me sentia sem liberdade. E fiquei a pensar &ldquo;como &eacute; que vou aturar assim uma pessoa para o resto da minha vida?&rdquo;</I>), ao contr&aacute;rio das v&iacute;timas adultas, onde a integridade f&iacute;sica e psicol&oacute;gica recebe maior relevo. </P >     <blockquote>       <p><I>O uso da viol&ecirc;ncia por parte destas mulheres surge no seu discurso? Se sim, como &eacute; significada e de que forma os seus discursos sobre o amor e a intimidade constrangem a sua viv&ecirc;ncia? </I></p> </blockquote>     <p>O recurso &agrave; viol&ecirc;ncia por parte destas mulheres tamb&eacute;m surge no seu discurso mas, como j&aacute; foi referido, assume menor relev&acirc;ncia (no &acirc;mbito da viol&ecirc;ncia, apenas 32% do relato se refere &agrave; perpetra&ccedil;&atilde;o de actos violentos sobre os parceiros). &Agrave; semelhan&ccedil;a do que sucede na experi&ecirc;ncia da vitima&ccedil;&atilde;o, tamb&eacute;m a perpetra&ccedil;&atilde;o &eacute; abordada no contexto dos diferentes repert&oacute;rios: rom&acirc;ntico (47,28%), apaixonado (28,76%), companheiro (14,93%) e pragm&aacute;tico (9,03%). </P >    <p>O <I>repert&oacute;rio amor rom&acirc;ntico-desencantado </I>continua a ser o mais utilizado pelas v&iacute;timas adultas, num discurso em que o recurso &agrave; viol&ecirc;ncia emerge da frustra&ccedil;&atilde;o extrema de determinados ideais rom&acirc;nticos: a fidelidade e a expectativa de &ldquo;cuidado/protec&ccedil;&atilde;o&rdquo;. Assim, o uso da agress&atilde;o verbal e f&iacute;sica &eacute; justificado principalmente pela infidelidade do parceiro, numa tentativa de salvaguardar uma auto-imagem positiva e recuperar respeito pr&oacute;prio (<I>Caso 4: mas depois andava com outra. Eu andava sempre a ver onde &eacute; que ele andava e discutia com ele porque sabia que andava com outra. Dizia-lhe: &ldquo;Ouve l&aacute; seu Cxxxx, tiveste com a Pxxx?&rdquo; e peg&aacute;vamo-nos...</I>). </P >    <p>Quando n&atilde;o conseguem encontrar um motivo para a viol&ecirc;ncia do parceiro, o que aumenta a disson&acirc;ncia face &agrave; expectativa de receber cuidados e protec&ccedil;&atilde;o do companheiro, as mulheres relatam reagir de forma agressiva. A viol&ecirc;ncia surge como estrat&eacute;gia de expressar a sua frustra&ccedil;&atilde;o e desencanto dos sonhos/ideais rom&acirc;nticos que as levaram &agrave; rela&ccedil;&atilde;o (<I>Caso 7: J&aacute; n&atilde;o acredito em nada, desiludida &eacute; o que estou. Batia-me constantemente, rasgava-me a roupa e enchia-me de nomes. E sem explica&ccedil;&atilde;o! Mas eu, agora, j&aacute; n&atilde;o me deixava ficar. Ele insultava-me e eu respondia-lhe. Quando vinha para me bater desviava-me e defendia-me</I>). </P >    <p>O <I>repert&oacute;rio amor apaixonado </I>&eacute; usado quase exclusivamente pelas v&iacute;timas juvenis e principalmente no &acirc;mbito da viol&ecirc;ncia f&iacute;sica. A viol&ecirc;ncia &eacute; conceptualizada como fazendo parte da din&acirc;mica dos ci&uacute;mes excessivos e do amor extremo e como manifesta&ccedil;&atilde;o da ambiguidade amor-&oacute;dio decorrente da intensidade do afecto e da rela&ccedil;&atilde;o. Surge no sentido de restaurar alguma simetria/paridade na rela&ccedil;&atilde;o, ainda que violenta, e como forma de &ldquo;provar&rdquo; a sua &ldquo;integridade&rdquo; e fidelidade face aos ci&uacute;mes excessivos do namorado (<I>Caso 11: Discutimos. Ele acusou-me de dar trela a outros, de andar com outros e eu, como j&aacute; estava farta, respondi-lhe mal. Senti-me insultada e tamb&eacute;m o insultei... Caso 12: Tivemos uma pequena discuss&atilde;o. Ele ficou agressivo e eu dei-lhe uma bofetada... porque ele me insultou... chamou-me... que era uma &ldquo;vai com todos&rdquo;</I>). </P >    <p>A agressividade feminina, ainda que com menor frequ&ecirc;ncia, &eacute; conceptualizada tamb&eacute;m no contexto do <I>amor companheiro</I>, surgindo como estrat&eacute;gia de resolu&ccedil;&atilde;o de desentendimentos/ /desacordo, havendo um discurso de &ldquo;normaliza&ccedil;&atilde;o&rdquo; da viol&ecirc;ncia verbal na resolu&ccedil;&atilde;o de conflitos (<I>Caso 9: Ou enervo-me e expludo, come&ccedil;o a discutir com ele. Mas acho que eu tenho o direito de ter um dia de m&aacute; disposi&ccedil;&atilde;o</I>). </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Por fim, a viol&ecirc;ncia feminina surge tamb&eacute;m conceptualizada no contexto do <I>repert&oacute;rio amor pragm&aacute;tico</I>, em que, na pondera&ccedil;&atilde;o de ganhos e perdas face &agrave; vitima&ccedil;&atilde;o reiterada, as mulheres postulam a defesa da sua integridade f&iacute;sica e a dos filhos como priorit&aacute;ria, reagindo violentamente como &uacute;ltimo recurso (<I>Caso 2: Foi quando ele me agrediu... eu andei marcada na rua e isso eu n&atilde;o </I><I>aceitei. E depois ele come&ccedil;ou a tratar mal a minha filha. E a&iacute; tive de me impor... tive de me defender a mim e a ela</I>). </P >     <p>Da an&aacute;lise dos relatos sobre a viol&ecirc;ncia e a agressividade destas mulheres, resulta que, em todos os repert&oacute;rios, a viol&ecirc;ncia surge essencialmente num contexto de defesa face &agrave; viol&ecirc;ncia continuada e reiterada que sofreram por parte dos parceiros. No caso das mulheres adultas, todas fazem refer&ecirc;ncia ao uso de viol&ecirc;ncia (tanto verbal como f&iacute;sica) num contexto de defesa da sua integridade f&iacute;sica e/ou psicol&oacute;gica e/ou quando percepcionam perigo para os filhos. </P >    <p>No caso das mulheres jovens, a viol&ecirc;ncia surge em todas como uma resposta pontual e isolada face &agrave; manifesta&ccedil;&atilde;o violenta e extrema de ci&uacute;mes por parte dos namorados (como vimos no repert&oacute;rio amor apaixonado) &ndash; o que nos leva a concluir que se procede a uma &ldquo;normaliza&ccedil;&atilde;o&rdquo; da viol&ecirc;ncia (tanto a masculina como a feminina) no contexto do namoro, n&atilde;o sendo esta concebida como viol&ecirc;ncia (<I>Caso 10: A primeira vez que ele me agrediu... n&atilde;o &eacute; agredir, pronto... Eu cheguei a um ponto que respondia, mas claro que um murro meu, ou uma bofetada, n&atilde;o tem nada a ver com os dele. Caso 11: N&atilde;o foi bem viol&ecirc;ncia... agarrou-me e deu-me um safan&atilde;o. E dei-lhe outro e empurrei-o</I>). </P >    <p>No caso das participantes adultas, &eacute; de notar que, mesmo no caso das que agridem por ci&uacute;mes ou devido &agrave; infidelidade dos companheiros, j&aacute; existia um historial de vitima&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica e verbal anterior. Parece-nos que as mulheres, nesta situa&ccedil;&atilde;o, tomam a iniciativa de agir violentamente porque existe um enquadramento sociocultural que lhes &ldquo;permite&rdquo; faz&ecirc;-lo em determinadas situa&ccedil;&otilde;es (usando formas de &ldquo;viol&ecirc;ncia menor&rdquo;, como a bofetada), sendo a infidelidade uma delas. Por outro lado, consideramos que a manifesta&ccedil;&atilde;o de viol&ecirc;ncia neste contexto de ci&uacute;me pode funcionar como estrat&eacute;gia protectora face a eventuais retalia&ccedil;&otilde;es dos parceiros &ndash; neste contexto a agress&atilde;o tender&aacute; a n&atilde;o ser percepcionada pelo companheiro como uma afronta &agrave; sua autoridade/poder mas como manifesta&ccedil;&atilde;o de afecto e de amor. Ali&aacute;s, verifica-se pelo relato das v&iacute;timas adultas que, quando a agress&atilde;o ocorre neste contexto, as reac&ccedil;&otilde;es do parceiro s&atilde;o menos violentas, comparativamente &agrave;s que ocorrem no contexto da defesa da integridade f&iacute;sica ou de uma discuss&atilde;o motivada por outras raz&otilde;es. Um bom exemplo disto ocorre no caso 6. </P >    <p><I>Caso 6: Eu segui-o e vi-o l&aacute; com ela, ao fundo de umas escadas, aos beijos e aos abra&ccedil;os. E eu agarrei-me a ela aos cabelos! E ele ficou a ver, ficou a ver. Tentou separar... mas tamb&eacute;m levou... Ele tamb&eacute;m j&aacute; me batia... Mas agarrei-me a ele tamb&eacute;m </I>(<I>contexto infidelidade</I>); <I>Eu j&aacute; estava assim habituada com a vizinhan&ccedil;a e conversava e ele veio um dia e bateu-me! E eu assim &ldquo;Ah, seu cabr&atilde;o!&rdquo; Ai o que eu disse! Foi a primeira vez e a &uacute;ltima, ele tratou-me logo da sa&uacute;de! Levou-me para dentro de casa e bateu-me </I>(<I>contexto de defesa da integridade f&iacute;sica e afronta &agrave; autoridade masculina</I>)<I>. </I></P >    <p>CONCLUS&Atilde;O </P >    <p>A partir do exerc&iacute;cio de integra&ccedil;&atilde;o das respostas &agrave;s nossas quest&otilde;es de investiga&ccedil;&atilde;o e procedendo a uma leitura transversal dos resultados obtidos, h&aacute; tr&ecirc;s ideias centrais que consideramos importantes destacar: </P >     <blockquote>       <p>(i) 	<I>Os discursos socioculturais sobre o amor e a intimidade veiculam uma associa&ccedil;&atilde;o entre amor e viol&ecirc;ncia </I></p> </blockquote>     <p>&Eacute; not&oacute;ria nos relatos das nossas participantes a associa&ccedil;&atilde;o entre a viol&ecirc;ncia e as din&acirc;micas relacionais amorosas, havendo um discurso &ldquo;romantizado&rdquo;, &ldquo;passional&rdquo; e de &ldquo;companheirismo&rdquo; sobre as rela&ccedil;&otilde;es de amor/conjugais que acaba por &ldquo;normalizar&rdquo; a viol&ecirc;ncia, sustentar uma posi&ccedil;&atilde;o de toler&acirc;ncia face a esta e manter a v&iacute;tima na rela&ccedil;&atilde;o violenta (ou retardar a sua sa&iacute;da). </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Verifica-se, no relato destas mulheres, no que diz respeito &agrave; experi&ecirc;ncia de vitima&ccedil;&atilde;o, uma tentativa de encontrar uma justifica&ccedil;&atilde;o para a viol&ecirc;ncia do parceiro, recorrendo a factores externos (problemas do dia-a-dia, &aacute;lcool, infidelidade), &agrave; intensidade dos afectos ou a desentendimentos conjugais, permitindo-lhes, dessa forma, desresponsabilizar o parceiro e dissociar o parceiro &ldquo;violento&rdquo; do &ldquo;verdadeiro&rdquo; parceiro. </P >    <p>Os repert&oacute;rios que sustentam a perman&ecirc;ncia numa rela&ccedil;&atilde;o onde sofreram vitima&ccedil;&atilde;o continuada (rom&acirc;ntico e companheiro) reflectem, em nosso entender, os discursos socioculturais mais alargados que veiculam a associa&ccedil;&atilde;o da felicidade/realiza&ccedil;&atilde;o feminina ao contexto da conjugali dade e, simultaneamente, responsabilizam a mulher pelo &ecirc;xito das rela&ccedil;&otilde;es (Dias &amp; Machado, 2007). Tal constrange a actua&ccedil;&atilde;o da v&iacute;tima, na medida em que a faz manter-se na rela&ccedil;&atilde;o abusiva, sujeitando-se aos maus-tratos, n&atilde;o s&oacute; para sustentar a rela&ccedil;&atilde;o mas tamb&eacute;m pela responsa bilidade social que recai sobre si quando uma rela&ccedil;&atilde;o fracassa. Um estudo sobre a representa&ccedil;&atilde;o da mulher nos <I>media </I>em Portugal (Dias &amp; Machado, 2007) revela a prescri&ccedil;&atilde;o da necessidade da mulher ter uma rela&ccedil;&atilde;o est&aacute;vel e de compromisso, no sentido de constituir fam&iacute;lia e conseguir alcan&ccedil;ar a felicidade/bem-estar emocional. Tais discursos refor&ccedil;am a cren&ccedil;a de que a mulher ter&aacute; como principal objectivo ter uma rela&ccedil;&atilde;o est&aacute;vel e veiculam a expectativa de que a mulher adopte uma atitude de submiss&atilde;o quando o consegue (mesmo que isso implique suportar ou tolerar situa&ccedil;&otilde;es de viol&ecirc;ncia e de assimetria). No nosso entender os repert&oacute;rios que promovem a perman&ecirc;ncia das mulheres nas rela&ccedil;&otilde;es insatisfat&oacute;rias relacionam-se com uma representa&ccedil;&atilde;o sociocultural ideali zada do amor prescrita no feminino &ndash; encontrar o verdadeiro amor e, encontrando-o, cuidar e manter a rela&ccedil;&atilde;o. </P >    <p>No que diz respeito ao recurso &agrave; viol&ecirc;ncia por parte das mulheres, no caso das participantes adultas &eacute; essencialmente o <I>sub-repert&oacute;rio </I>&ldquo;desencantado&rdquo; que associa o amor &agrave; viol&ecirc;ncia feminina (frustra&ccedil;&atilde;o das expectativas rom&acirc;nticas &ndash; fidelidade, cuidado) e, no caso das jovens, &eacute; exclusiva mente o repert&oacute;rio amor apaixonado que associa a viol&ecirc;ncia feminina &agrave; defesa da &ldquo; integridade moral&rdquo; da jovem e como forma de enfatizar o seu amor e fidelidade perante os ci&uacute;mes e a desconfian&ccedil;a do namorado. </P >     <blockquote>       <p>(ii) 	<I>Os discursos socioculturais sobre o amor e a intimidade sustentam a &ldquo;toler&acirc;ncia&rdquo; &agrave; vitima&ccedil;&atilde;o feminina e restringem amplamente a agress&atilde;o feminina </I></p> </blockquote>     <p>O facto do discurso das mulheres incidir maioritariamente na experi&ecirc;ncia de vitima&ccedil;&atilde;o, com descri&ccedil;&otilde;es longas e pormenorizadas, comparativamente com a experi&ecirc;ncia da perpetra&ccedil;&atilde;o de viol&ecirc;ncia contra os parceiros (descri&ccedil;&otilde;es breves e vagas), leva-nos a concluir a exist&ecirc;ncia de um enquadramento sociocultural que, por um lado, &ldquo;compreende&rdquo; melhor a vitima&ccedil;&atilde;o feminina/ /viol&ecirc;ncia masculina e, por outro, que restringe amplamente a agressividade feminina/vitima&ccedil;&atilde;o masculina. </P >    <p>V&aacute;rios estudos indicam a exist&ecirc;ncia de normas, expectativas e padr&otilde;es de conduta <I>genderizados</I>, no contexto dos quais a mulher &eacute; socializada para ser d&oacute;cil e n&atilde;o agressiva, para prestar cuidados, para ser gentil, carinhosa e compreensiva, preparando-a, assim, para o seu papel de m&atilde;e e companheira, suporte do lar e do marido (Cancian &amp; Gordon, 1988; Williams, 2002). Pelo contr&aacute;rio, o homem &eacute; socializado para ser activo, agressivo, competitivo e l&iacute;der/chefe (Boonzaier &amp; De La Rey, 2003; Totten, 2003). </P >    <p>Outros estudos indicam ainda um tratamento diferencial, em fun&ccedil;&atilde;o do g&eacute;nero, das situa&ccedil;&otilde;es de viol&ecirc;ncia (Carll, 2003; Dias &amp; Machado, 2007). Carll (2003), por exemplo, refere a exist&ecirc;ncia de estere&oacute;tipos de g&eacute;nero na representa&ccedil;&atilde;o medi&aacute;tica da viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica &ndash; quando a mulher &eacute; a v&iacute;tima, os casos s&atilde;o tratados como crimes menores, mas quando a mulher &eacute; a agressora, s&atilde;o tratados como crimes hediondos &ndash; sendo a mulher descrita de forma muito negativa. Um estudo desenvolvido em Portugal (Dias &amp; Machado, 2007) revela que os <I>media </I>tendem tamb&eacute;m a desresponsabilizar o agressor masculino, perspectivando a viol&ecirc;ncia como um acto emocional e de descontrolo, e a sobre-responsabilizar a mulher agressora, descrita como maquiav&eacute;lica/perversa. Assim, &agrave; semelhan&ccedil;a do panorama internacional (Carll, 2003), tamb&eacute;m em Portugal existem, no discurso medi&aacute;tico, diferen&ccedil;as <I>genderizadas </I>relativamente &agrave; viol&ecirc;ncia na conjugalidade (Dias &amp; Machado, 2007) &ndash; uma maior toler&acirc;ncia da agress&atilde;o masculina e uma clara desaprova&ccedil;&atilde;o da agress&atilde;o feminina, tamb&eacute;m presentes no discurso das participantes do presente estudo. </P >    <p>As narrativas das nossas participantes revelam que estas fazem uso da viol&ecirc;ncia mas n&atilde;o recorrem a ela de forma similar aos companheiros. Remetem para os <I>standard</I>s em que a viol&ecirc;ncia feminina no contexto conjugal &eacute; permitida, revelando-se em situa&ccedil;&otilde;es muito espec&iacute;ficas e com contornos muito limitados: surge contextualizada em situa&ccedil;&otilde;es de defesa, como &uacute;ltimo recurso e s&oacute; depois de se terem esgotado todas as outras possibilidades; e tende a ser discursivamente constru&iacute;da dentro dos limites considerados socialmente razo&aacute;veis (viol&ecirc;ncia f&iacute;sica menor e viol&ecirc;ncia verbal). </P >    <p>Assim, o nosso estudo parece indicar que a viol&ecirc;ncia feminina assume caracter&iacute;sticas e tem implica&ccedil;&otilde;es pr&aacute;ticas diferentes, relacionadas com diferen&ccedil;as de g&eacute;nero. Enquanto a viol&ecirc;ncia masculina vai ao encontro dos pap&eacute;is de g&eacute;nero masculinos, que postulam a ag&ecirc;ncia, a supremacia e a autoridade (Barnett et al., 1997; Dasgupta, 2002), a viol&ecirc;ncia feminina vai contra o que &eacute; socialmente esperado da mulher (passiva, d&oacute;cil, prestadora de cuidadosos) (Dasgupta, 1999; Straus, 1999). Implicitamente, as mulheres parecem reconhecer o seu comportamento agressivo (principalmente a viol&ecirc;ncia f&iacute;sica) como uma viola&ccedil;&atilde;o ou transgress&atilde;o dos pap&eacute;is de g&eacute;nero prescritos, pelo que tendem a construir a sua &ldquo;transgress&atilde;o&rdquo; dentro dos limites que o contexto sociocultural postula como aceit&aacute;veis e/ou razo&aacute;veis: contexto de defesa, situa&ccedil;&otilde;es de infidelidade, viol&ecirc;ncia f&iacute;sica menor e viol&ecirc;ncia verbal. </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>       <p>(iii) <I>Os relatos da viol&ecirc;ncia perpetrada no feminino veiculam um discurso genderizado tradicional mas, simultaneamente, revelam a capacidade de ag&ecirc;ncia, resili&ecirc;ncia e auto</I><I></I><I>supera&ccedil;&atilde;o da mulher </I></p> </blockquote>     <p>Verifica-se que as nossas participantes s&atilde;o mulheres que, na sua maioria, foram v&iacute;timas de viol&ecirc;ncia continuada e, num processo de escalada em termos de severidade e frequ&ecirc;ncia, acabam por agredir os parceiros para parar ou escapar &agrave; sua viol&ecirc;ncia (corroborando o que v&aacute;rios estudos indicam &ndash; e.g., Barnett, Lee, &amp; Thelen, 1997; Dasgupta, 1999, 2002; Miller, 2001; Miller &amp; Melloy, 2006). </P >    <p>Numa primeira an&aacute;lise, o discurso das nossas participantes indica que a sua viol&ecirc;ncia tem por base a assimetria de poder e estatuto que, no contexto da vitima&ccedil;&atilde;o continuada, tem como objectivo diminuir a sua posi&ccedil;&atilde;o de vulnerabilidade e a sua impot&ecirc;ncia face &agrave;s ac&ccedil;&otilde;es de controlo e de coer&ccedil;&atilde;o do companheiro. Assim, a viol&ecirc;ncia feminina surge com caracter&iacute;sticas espec&iacute;ficas e diferentes da viol&ecirc;ncia masculina: al&eacute;m de se tratar maioritariamente de viol&ecirc;ncia menor (&ldquo;bofetada&rdquo;, &ldquo;agarrei-me a ele&rdquo;), surge em epis&oacute;dios isolados e/ou &uacute;nicos, com reduzido impacto no parceiro, quer em termos psicol&oacute;gicos quer em termos f&iacute;sicos. Al&eacute;m disto, verificamos que a viol&ecirc;ncia das nossas participantes tem tamb&eacute;m implica&ccedil;&otilde;es pr&aacute;ticas diferentes: em vez de lhes possibilitar algum controlo ou domin&acirc;ncia na rela&ccedil;&atilde;o (como ocorre na viol&ecirc;ncia masculina) acaba por desencadear retalia&ccedil;&otilde;es severas por parte do parceiro e com maior viol&ecirc;ncia &ndash; remetendo para a tentativa do parceiro restabelecer e refor&ccedil;ar a sua autoridade e domin&acirc;ncia. Como vimos, a viol&ecirc;ncia das participantes em situa&ccedil;&otilde;es de ci&uacute;me constitui a &uacute;nica excep&ccedil;&atilde;o, sendo, provavelmente, significada pelo parceiro como manifesta&ccedil;&atilde;o de amor e n&atilde;o como desafio &agrave; sua autoridade ou poder. </P >     <p>No entanto, consideramos que o uso da viol&ecirc;ncia por parte das mulheres surge tamb&eacute;m como estrat&eacute;gia para lidar com a adversidade, no sentido de conseguir algum controlo sobre a rela&ccedil;&atilde;o e o sentido de si pr&oacute;prias &ndash; revelando a capacidade de luta, sobreviv&ecirc;ncia e resili&ecirc;ncia destas mulheres. Alguns autores (e.g., Werner-Wilson, Zimmerman, &amp; Whalen, 2000) referem como elementos da resili&ecirc;ncia a capacidade de mudar ou se adaptar a circunst&acirc;ncias de vida negativas, a capacidade de &ldquo;lutar&rdquo; e ser bem-sucedido face a expectativas negativas e a capacidade de lidar activamente com os problemas, em vez de utilizar estrat&eacute;gias de evitamento ou de fuga. </P >     <p>CONSIDERA&Ccedil;&Otilde;ES FINAIS </P >    <p>No nosso estudo verificamos que, de facto, tanto as narrativas de vitima&ccedil;&atilde;o como as de perpetra&ccedil;&atilde;o produzidas pelas mulheres se inscrevem em discursos socioculturais mais amplos sobre o amor e as rela&ccedil;&otilde;es de intimidade &ndash; discursos que promovem a vitima&ccedil;&atilde;o sofrida no feminino e limitam a agressividade feminina. </P >    <p>Os discursos &ldquo;romantizados&rdquo; ocultam da percep&ccedil;&atilde;o das v&iacute;timas a dimens&atilde;o intencional e instrumental da viol&ecirc;ncia masculina, obscurecem o exerc&iacute;cio de poder e controlo da viol&ecirc;ncia e perpetuam as desigualdades de g&eacute;nero que persistem na nossa sociedade e cultura. Todos os repert&oacute;rios, &agrave; excep&ccedil;&atilde;o do pragm&aacute;tico, que &eacute; utilizado para enquadrar a ruptura (quando todos os outros recursos j&aacute; se esgotaram), veiculam claramente esta associa&ccedil;&atilde;o entre viol&ecirc;ncia e rela&ccedil;&otilde;es de &ldquo;amor&rdquo;, desresponsabilizam o agressor e mant&ecirc;m as v&iacute;timas na rela&ccedil;&atilde;o &ndash; seja por conting&ecirc;ncias externas que concorrem para o &ldquo;desencanto&rdquo; da imagem do amor rom&acirc;ntico, seja pela dimens&atilde;o &ldquo;passional&rdquo; no repert&oacute;rio amor apaixonado, seja pela &ldquo;incompatibilidade&rdquo;/desentendimento e desacordo no repert&oacute;rio amor companheiro. </P >    <p>No caso espec&iacute;fico da perpetra&ccedil;&atilde;o/viol&ecirc;ncia das nossas participantes, constata-se que a viol&ecirc;ncia feminina emerge da express&atilde;o da frustra&ccedil;&atilde;o e da dor pela vitima&ccedil;&atilde;o continuada (amor desencantado), para expressar a sua frustra&ccedil;&atilde;o e obter respeito emocional (amor apaixonado), para lidar com os desentendimentos e problemas da rela&ccedil;&atilde;o (amor companheiro) e, por fim, como recurso &uacute;ltimo para escapar &agrave; viol&ecirc;ncia e sair da rela&ccedil;&atilde;o, quando n&atilde;o percepcionam apoio externo nem possibilidade de mudan&ccedil;a (amor pragm&aacute;tico). </P >    <p>Alguns autores (e.g., Holtzworth-Munroe, 2005) t&ecirc;m procurado estudar a viol&ecirc;ncia feminina e chamar a aten&ccedil;&atilde;o para a necessidade de clarificar os modelos de explica&ccedil;&atilde;o para o fen&oacute;meno &ndash; compreender se a viol&ecirc;ncia feminina e masculina podem partilhar modelos te&oacute;ricos ou se requerem modelos diferentes de explica&ccedil;&atilde;o (dado que tal ter&aacute; implica&ccedil;&otilde;es pr&aacute;ticas em termos de ac&ccedil;&otilde;es de preven&ccedil;&atilde;o e tratamento). Al&eacute;m disto, alertam tamb&eacute;m para a distor&ccedil;&atilde;o ou enviesamento da leitura de alguns resultados sobre a viol&ecirc;ncia feminina em fun&ccedil;&atilde;o dos interesses &ldquo;pol&iacute;ticos&rdquo; de diferentes grupos (Holtzworth-Munroe, 2005), tanto no sentido da desvaloriza&ccedil;&atilde;o como da sobrevaloriza&ccedil;&atilde;o. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Neste contexto, h&aacute; que referir que n&atilde;o &eacute; objectivo do presente estudo proceder &agrave; compara&ccedil;&atilde;o da viol&ecirc;ncia masculina com a feminina, ou procurar explicar a viol&ecirc;ncia feminina em si. Numa perspectiva construccionista social, procur&aacute;mos compreender como as pr&aacute;ticas e discursos socioculturais d&atilde;o forma &agrave; viv&ecirc;ncia da viol&ecirc;ncia (tanto a sofrida como a perpetrada) e como constrangem as pr&aacute;ticas relacionais. No entanto, ao concluirmos que as narrativas das mulheres veiculam discursos socioculturais mais alargados que sustentam a vitima&ccedil;&atilde;o sofrida no feminino e limitam a agressividade feminina, entendemos que &ndash; existindo um enquadramento sociocultural <I>genderizado </I>e assim&eacute;trico da viol&ecirc;ncia e das rela&ccedil;&otilde;es onde esta ocorre &ndash; a grelha de leitura ou da compreens&atilde;o/explica&ccedil;&atilde;o da viol&ecirc;ncia masculina <I>vs. </I>feminina n&atilde;o pode ser a mesma. </P >     <p>&nbsp;</P >     <p>REFER&Ecirc;NCIAS  </P >     <!-- ref --><p>Allison, C. J., Bartholomew, K., Mayseless, O., &amp; Dutton, D. G. (2008). Love as a battlefield: Attachment and relationship dynamics in couples identified for male partner violence. <I>Journal of Family Issues</I>, <I>29</I>, 125-150.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000126&pid=S0870-8231201200010001200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <!-- ref --><p>Anderson, K. L. (2005). Theorizing gender in intimate partner violence research. <I>Sex Roles</I>, <I>52</I>, 853-865.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000128&pid=S0870-8231201200010001200002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <!-- ref --><p>Barnett, O.W., Lee, C. Y., &amp; Thelen, R. E. (1997). Gender differences in attributions of selfdefense and control in interpartner aggression. <I>Violence </I><I>Against Women, 3</I>, 462-481.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000130&pid=S0870-8231201200010001200003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <!-- ref --><p>Black, B., Tolman, R., Callahan, M., Saunders, D., &amp; Weisz, A. (2008). When will adolescents tell someone about dating violence victimization? <I>Violence Against Women</I>, <I>14</I>, 541-558.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000132&pid=S0870-8231201200010001200004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <p>Boonzaier. F., &amp; De La Rey, C. (2003). &ldquo;He&rsquo;s a man, and I&rsquo;m a woman&rdquo;: Cultural constructions of masculinity and femininity in South African women&rsquo;s narratives of violence. <I>Violence Against Women</I>, <I>9</I>, 1003-1029. </P >    <p>Cancian, F. M., &amp; Gordon, S. L. (1988). Changing emotion norms in marriage: Love and anger in U. S. women&rsquo;s magazines since 1900. <I>Gender &amp; Society</I>, <I>2</I>, 308-342. </P >    <!-- ref --><p>Carll, E. K. (2003). Introduction. Psychology, news media, and public policy: Promoting social change. <I>American </I><I>Behavioral Scientist</I>, <I>46</I>, 1591-1593.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000136&pid=S0870-8231201200010001200007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <!-- ref --><p>Cook, P. W. (1997). <I>Abused men: The hidden side of domestic violence</I>. New York: Praeger.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000138&pid=S0870-8231201200010001200008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Currie, D. H. (1998). Violent men or violent women? Whose definition counts? In R. K. Bergen (Ed.), <I>Issues in </I><I>intimate violence </I>(pp. 97-111). London: Sage Publications.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000140&pid=S0870-8231201200010001200009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <!-- ref --><p>Dasgupta, S. D. (1999). Just like men? A critical view of violence by women. In M. F. Shepard &amp; E. L. Pence (Eds.), <I>Coordinating community response to domestic violence: Lessons from Duluth and beyond </I>(pp. 195-222). Thousand Oaks, CA: Sage.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000142&pid=S0870-8231201200010001200010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <p>Dasgupta, D. S. (2002). A framework for understanding women&rsquo;s use of nonlethal violence in intimate heterosexual relationships. <I>Violence Against Women, 8</I>, 1364-1389. </P >     <!-- ref --><p>Dias, A. R., &amp; Machado, C. (2007). Representa&ccedil;&otilde;es da mulher no discurso medi&aacute;tico, de 1965 &agrave; actualidade. <I>Psicologia: Teoria, Investiga&ccedil;&atilde;o e Pr&aacute;tica</I>, <I>12</I>(2), 193-216.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000145&pid=S0870-8231201200010001200012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <!-- ref --><p>Dutton, D. G. (1994). Patriarchy and wife assault: The ecological fallacy. <i>Violence and Victims</i>, <I>9</I>, 167-182.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000147&pid=S0870-8231201200010001200013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <!-- ref --><p>Gilbert, P. R. (2002). Discourses of female violence and societal gender stereotypes. <I>Violence Against Women</I>, <I>8</I>, 1275-1304.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000149&pid=S0870-8231201200010001200014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <!-- ref --><p>Hatfield, E., &amp; Rapson, B. L. (2005). <I>Love and sex: Cross cultural perspectives</I>. Oxford: University Press of America, Inc.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000151&pid=S0870-8231201200010001200015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Holtzworth-Munroe, A. (2005). Female perpetration of physical aggression against an intimate partner: A controversial new topic of study. <I>Violence and Victims</I>, <I>20</I>, 253-261.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000153&pid=S0870-8231201200010001200016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <!-- ref --><p>McAdams. A. (1995) <I>The life story interview. </I>Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.sesp.northwestern.edu/docs/LifeStoryInterview.pdf" target="_blank">http://www.sesp.northwestern.edu/docs/LifeStoryInterview.pdf</a> </P >     &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000155&pid=S0870-8231201200010001200017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Miller, S. L. (2001). The paradox of women arrested for domestic violence. <I>Violence Against </I><I>Women</I>, <I>7</I>, 1339-1376.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000156&pid=S0870-8231201200010001200018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <p>Miller, S. L., &amp; Meloy, M. L (2006). Women&rsquo;s use of force: Voices of women arrested for domestic violence. <I>Violence Against Women</I>, <I>12</I>, 89-115. </P >     <!-- ref --><p>Pearson, P. (1997). <I>When she was bad: Violent women and the myth of innocence</I>. New York: Viking.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000159&pid=S0870-8231201200010001200020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <!-- ref --><p>Potter, J., &amp; Wetherell, M. (1987). <I>Discourse and social psychology: Beyond attitudes and behaviour</I>. London: Sage.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000161&pid=S0870-8231201200010001200021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>QSR International (2010). <I>NVivo9</I>. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.qsrinternational.com/nvivo9" target="_blank">www.qsrinternational.com/nvivo9</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000163&pid=S0870-8231201200010001200022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <p>Riggs, D. S., &amp; O&rsquo;Leary, K. D. (1989). A theoretical model of courship aggression. In M. A. Pirog-Good &amp; J. E. Stets (Eds.), <I>Violence in dating relationships: Emerging social issues </I>(pp. 53-71). New York: Praeger. </P >     <!-- ref --><p>Saunders, D. G. (2002). Are physical assaults by wives and girlfriends a major social problem? A review of the literature. <I>Violence Against Women</I>, <I>8</I>, 1424-1448.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000166&pid=S0870-8231201200010001200024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Spitzberg, B., &amp; Cupach, W. (2007). The state of the art of stalking: Taking stock of the emerging literature. <I>Agression and Violennt Behavior</I>, <I>12</I>, 64-86.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000168&pid=S0870-8231201200010001200025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Straus, M. A. (1999). The controversy over domestic violence by women: A methodology, theory, and sociology of science analysis. In X. B. Arriaga &amp; S. Oskamp (Eds.), <I>Violence intimate relationships </I>(pp. 17-43). London: Sage Publications.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000170&pid=S0870-8231201200010001200026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Totten, M. (2003). Girlfriend abuse as a form of masculinity construction among violent, marginal male youth. <I>Men and Masculinities</I>, <I>6</I>, 70-92.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000172&pid=S0870-8231201200010001200027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <p>Towns, A., &amp; Adams, P. (2000). &ldquo;If I really loved him enough, he would be okay&rdquo;: Women&rsquo;s accounts of male partner violence. <I>Violence Against Women</I>, <I>6</I>, 558-585. </P >    <!-- ref --><p>Werner-Wilson, R. J., Zimmerman, T. S., &amp; Whalen, D. (2000). Resilient response to battering. <I>Contemporary Family Therapy</I>, <I>22</I>, 161-188.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000175&pid=S0870-8231201200010001200029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Williams, L. S. (2002). Trying on gender, gender regimes, and the process of becoming women. <I>Gender &amp; Society, 16</I>, 29-52.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000177&pid=S0870-8231201200010001200030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <p>Wood, J. T. (2001). The normalization of violence in heterosexual romantic relationships: Women&rsquo;s narratives of love and violence. <I>Journal of Social and Personal Relationships</I>, <I>18</I>, 239-261. </P >     <p>&nbsp;</P >     <p><a name="0"></a><a href="#top0">Correspond&ecirc;ncia</a></P >     <p>A correspond&ecirc;ncia relativa a este artigo dever&aacute; ser enviada para: Ana Rita Dias, Escola de Psicologia, Campus de Gualtar, 4710-057 Braga. E-mail: <a href="mailto:ritacondedias@psi.uminho.pt">ritacondedias@psi.uminho.pt</a> </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</P >     <p>Este texto foi elaborado no &acirc;mbito do Projecto &ldquo;Viol&ecirc;ncia nas Rela&ccedil;&otilde;es Juvenis de Intimidade&rdquo; financiado pela Funda&ccedil;&atilde;o para a Ci&ecirc;ncia e a Tecnologia (PTDC/PSI/65852/2006), coordenado por Carla Machado. </P >     <p>&nbsp;</P >     <p>NOTA</P >     <p><Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup>Valores calculados automaticamente no Nvivo, utilizando as matrizes que comparam as codifica&ccedil;&otilde;es.</P >      ]]></body><back>
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