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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O envolvimento na luta armada política em Portugal: A perspectiva dos seus actores]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The purpose of this article is to study the involvement in armed political fight in Portugal. Thus, we have taken the perspective of individual participants. This may point to future ways of dealing with the phenomenon. In order to access such perspectives we aimed to explore (a) the initiation/entry into the group (b) the interpersonal dynamics within the group, (c) life within the group versus everyday life, (d) the management of underground life (e) the role of women in the movement, (f) the ethical, moral, psychological, ideological, etc., justifications for their actions, (g) the management of moments and actions perceived to be undesirable, (h) the management of the doubt and self-questioning, (i) popular support, and (j) the meaning of actions and involvement in the past and present. We used a qualitative methodology that gave preference to the method of semi-structured interviews with participants in movements of armed political fight in Portugal in the past. The presentation and discussion of the results mirror the position of participants throughout the topics mentioned above compared, when possible, with data collected from literature on the subject.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><B>O envolvimento na luta armada pol&iacute;tica em Portugal: A perspectiva dos seus actores</B> </p>     <p><b>Raquel Beleza Pereira da Silva* e Carla Machado*</b></P >     <p> *Escola de Psicologia, Universidade do Minho </P >     <p><a name="top0"></a><a href="#0">Correspond&ecirc;ncia</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>    <P   >Este estudo analisa o envolvimento em movimentos de luta armada pol&iacute;tica em Portugal, atrav&eacute;s da perspectiva dos seus participantes. Assim, explorou-se a inicia&ccedil;&atilde;o/entrada no grupo; as din&acirc;micas interpessoais dentro do grupo; a vida dentro do grupo <I>versus </I>vida quotidiana; a gest&atilde;o da clandestinidade; o papel das mulheres no movimento; as justifica&ccedil;&otilde;es de ordem &eacute;tica, moral, psicol&oacute;gica, ideol&oacute;gica para as ac&ccedil;&otilde;es empreendidas; a gest&atilde;o de momentos e ac&ccedil;&otilde;es percebidos como desconfort&aacute;veis; a gest&atilde;o da d&uacute;vida e questionamento; o suporte popular; e o sentido das ac&ccedil;&otilde;es e do envolvimento, no passado e no presente. Recorreu-se a uma metodologia de natureza qualitativa, realizaram-se entrevistas semiestruturadas a participantes em movimentos de luta armada pol&iacute;tica em Portugal no passado, permitindo, deste modo, uma apresenta&ccedil;&atilde;o e discuss&atilde;o dos resultados que espelham o posicionamento e a opini&atilde;o daqueles aos t&oacute;picos supracitados, comparados, quando poss&iacute;vel, com os dados recolhidos na literatura. </P >    <P   ><B>Palavras-chave: </B>Clandestinidade, Luta armada, Terrorismo. </P >     <P   >&nbsp;</P >     <P   ><b>ABSTRACT</b></P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P   >The purpose of this article is to study the involvement in armed political fight in Portugal. Thus, we have taken the perspective of individual participants. This may point to future ways of dealing with the phenomenon. In order to access such perspectives we aimed to explore (a) the initiation/entry into the group (b) the interpersonal dynamics within the group, (c) life within the group versus everyday life, (d) the management of underground life (e) the role of women in the movement, (f) the ethical, moral, psychological, ideological, etc., justifications for their actions, (g) the management of moments and actions perceived to be undesirable, (h) the management of the doubt and self-questioning, (i) popular support, and (j) the meaning of actions and involvement in the past and present. We used a qualitative methodology that gave preference to the method of semi-structured interviews with participants in movements of armed political fight in Portugal in the past. The presentation and discussion of the results mirror the position of participants throughout the topics mentioned above compared, when possible, with data collected from literature on the subject. </P >     <p><B>Key-words</B>: Armed fight, Terrorism, Underground life. </P >     <P   >&nbsp;</P >     <p>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O </P >    <P   >A defini&ccedil;&atilde;o do termo terrorismo n&atilde;o &eacute; un&acirc;nime e acarreta in&uacute;meras discuss&otilde;es e controv&eacute;rsias, sendo que algumas das principais quest&otilde;es geradoras de falta de consenso nesta mat&eacute;ria prendem</B>-se, essencialmente, com que contextos considerar de actua&ccedil;&atilde;o terrorista, a partir de que princ&iacute;pios morais avaliar uma ac&ccedil;&atilde;o como terrorista, como separar o terrorismo da actua&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica e manipuladora de alguns Estados e como apelidar de terroristas organiza&ccedil;&otilde;es que n&atilde;o se identificam como tal (Ventura &amp; Nascimento, 2001). </P >    <P   >Assim, de acordo com Weinberg e Eubank (2006), na origem do terrorismo est&atilde;o motiva&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas e n&atilde;o particulares, expressas atrav&eacute;s de um formato violento de comunica&ccedil;&atilde;o que, tendo como aliados principais os <I>mass media, </I>procura influenciar as emo&ccedil;&otilde;es e promover a altera&ccedil;&atilde;o comportamental de um p&uacute;blico espec&iacute;fico. Tais motiva&ccedil;&otilde;es est&atilde;o, muitas vezes, confinadas a um lugar espec&iacute;fico e t&ecirc;m por base conflitos &eacute;tnicos, culturais ou religiosos (Henderson, 2004). </P >     <P   >A organiza&ccedil;&atilde;o de um grupo terrorista, de acordo com Fraser e Fulton (1984, citados por Henderson, 2004), apresenta a seguinte forma piramidal: no topo encontra-se o <I>L&iacute;der &ndash; </I>reconhe cido internacionalmente &ndash;, seguido pelo <I>Comando </I>&ndash; grupo reduzido de l&iacute;deres respons&aacute;veis por toda a planifica&ccedil;&atilde;o e manuten&ccedil;&atilde;o da disciplina &ndash;, secundado pelo <I>Quadro Activo </I>&ndash; grupo mais alargado constitu&iacute;do por indiv&iacute;duos aptos em &aacute;reas espec&iacute;ficas, que levam a cabo as ac&ccedil;&otilde;es terroristas &ndash;, coadjuvado pelos <I>Sustentadores Activos </I>&ndash; respons&aacute;veis pelo suporte material da actividade terrorista &ndash; e por &uacute;ltimo pelos <I>Sustentadores Passivos </I>&ndash; concordantes e cooperantes com o prop&oacute;sito da actividade terrorista. Os autores supracitados salvaguardam o facto de grande parte dos grupos terroristas apresentarem um reduzido n&uacute;mero de efectivos, o que leva uma mesma pessoa a desempenhar v&aacute;rios pap&eacute;is e o que &eacute;, ainda, agravado pelo fraco suporte popular, dificultante do acesso a recursos materiais. </P >     <p>No sentido em que os desafios da actividade terrorista se relacionam, essencialmente, com a necessidade da manuten&ccedil;&atilde;o do segredo acerca da verdadeira identidade de cada um dos seus membros, o <I>Quadro Activo </I>daquela divide-se em c&eacute;lulas, ou seja, pequenos grupos de mais ou menos cinco elementos, organizados para uma tarefa particular e desconhecedores da actividade das restantes c&eacute;lulas. A comunica&ccedil;&atilde;o &eacute; feita atrav&eacute;s do l&iacute;der de cada c&eacute;lula e a organiza&ccedil;&atilde;o de uma ac&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica coloca em marcha uma coluna, isto &eacute;, o trabalho conjunto de v&aacute;rias c&eacute;lulas. Por um lado, este sistema permite a preserva&ccedil;&atilde;o da informa&ccedil;&atilde;o em situa&ccedil;&otilde;es flagrantes, no entanto, por outro lado, dificulta a comunica&ccedil;&atilde;o e coordena&ccedil;&atilde;o das actividades (Costa, 2008; Fraser &amp; Fulton, 1984, citados por Henderson, 2004). </P >    <p>A recruta de elementos para esta actividade &eacute; realizada de forma muito prudente e tem em conta diversos aspectos citados por Costa (2008), entre os quais: &ldquo;grau de confian&ccedil;a, a combatividade demonstrada anteriormente, ou at&eacute; mesmo a antiguidade em outros sectores do grupo, maturidade pol&iacute;tica... percurso por outros sectores do grupo terrorista&rdquo; (p. 519). Este autor chama ainda a aten&ccedil;&atilde;o para a necessidade do &ldquo;processo de comprometimento&rdquo;, ou seja, a comiss&atilde;o de delitos por parte dos elementos mais recentes, que os vincula ao grupo e os constrange &agrave;s suas condi&ccedil;&otilde;es. </P >    <p>No que respeita ao lugar ocupado por homens e mulheres em termos do funcionamento da actividade terrorista a literatura &eacute; bastante omissa, no entanto salienta que, por vezes, as mulheres praticam elevados graus de viol&ecirc;ncia no sentido de n&atilde;o se sentirem inferiores aos homens e de sentirem aprova&ccedil;&atilde;o (Cameron, 2005). </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em termos de abordagens explicativas do fen&oacute;meno em an&aacute;lise consideramos a import&acirc;ncia das abordagens sociocultural, marxista e psicol&oacute;gica. No &acirc;mbito da abordagem sociocultural avan&ccedil;ase a hip&oacute;tese de que as origens do terrorismo est&atilde;o nas influ&ecirc;ncias que o indiv&iacute;duo recebe do meio que o envolve e n&atilde;o nos tra&ccedil;os da sua personalidade (Hudson, 1999). Assim, o terrorismo &eacute; incentivado pela presen&ccedil;a de determinadas condi&ccedil;&otilde;es no meio envolvente, tais como o tipo de urbaniza&ccedil;&atilde;o, o sistema de transportes nacionais e internacionais, a publicita&ccedil;&atilde;o levada a cabo pelos <I>mass media</I>, a facilidade de acesso a armas e a aus&ecirc;ncia ou falibilidade das medidas de seguran&ccedil;a (Crenshaw, 1981, citado por Hudson, 1999). </P >    <p>Neste &acirc;mbito, Merton (1938, citado por Lilly, Cullen, &amp; Ball, 1995) sugere a teoria das oportunidades diferenciais, que apresenta a exist&ecirc;ncia de uma clara disjun&ccedil;&atilde;o entre os objectivos individuais incutidos culturalmente e os meios efectivos conferidos pela estrutura social para os alcan&ccedil;ar. Tal disjun&ccedil;&atilde;o provoca um aumento dos sentimentos de injusti&ccedil;a e ressentimento face &agrave; ordem social, alimentados pela percep&ccedil;&atilde;o da arbitrariedade com que as circunst&acirc;ncias ocorrem na mesma, o que conduz &agrave; desvaloriza&ccedil;&atilde;o das normas sociais e &agrave; maior facilidade de rompimento com as mesmas (ibidem). No sentido da teoria apresentada por Merton (ibidem), Lea e Young (1984) consideram n&atilde;o bastar a exist&ecirc;ncia de explora&ccedil;&atilde;o no seio da ordem social para esta ser perturbada, sendo que o essencial &eacute; a percep&ccedil;&atilde;o da injusti&ccedil;a, ou seja, n&atilde;o se trata da priva&ccedil;&atilde;o em si, mas de uma priva&ccedil;&atilde;o relativa. Assim, estes autores sugerem que a explica&ccedil;&atilde;o para o aparecimento de organiza&ccedil;&otilde;es praticantes de viol&ecirc;ncia jaz na rela&ccedil;&atilde;o entre a priva&ccedil;&atilde;o relativa e a marginalidade pol&iacute;tica e econ&oacute;mica (ibidem). </P >     <p>Uma abordagem marxista do terrorismo remete para uma leitura da sociedade organizada sob o ponto de vista econ&oacute;mico, ou seja, acerca da forma como as pessoas se relacionam com os meios de produ&ccedil;&atilde;o, se os possuem ou se trabalham para aqueles que os possuem (Chambliss, 1975). Nas sociedades capitalistas, onde os meios de produ&ccedil;&atilde;o s&atilde;o privatizados e onde se verifica uma clara divis&atilde;o entre a classe dominante e a classe dominada as taxas criminais s&atilde;o elevadas, bem como o conflito de classes, lan&ccedil;ando os alicerces para o desenvolvimento de actividade terrorista entre os elementos da classe dominada (Chambliss, 1975). &Eacute; ainda acrescentado o facto de muitas vezes os elementos da classe dominante actuarem fora da lei e sa&iacute;rem impunes, ao contr&aacute;rio dos elementos da classe dominada, bem como o facto de a lei ser cada vez mais coerciva para estes &uacute;ltimos, o que acicata, muitas vezes, a pr&aacute;tica de ac&ccedil;&otilde;es terroristas (Chambliss, 1975). </P ></P > </P >     <p>No que respeita &agrave; abordagem psicol&oacute;gica s&atilde;o considerados dois factores fundamentais para a compreens&atilde;o do como &eacute; que indiv&iacute;duos, num determinado contexto, se envolvem na actividade terrorista, que s&atilde;o a motiva&ccedil;&atilde;o e a vulnerabilidade (Borum, 2004; Crenshaw, 1986; Horgan &amp; Taylor, 2001). Crenshaw (1985) apresenta quatro tipos de motiva&ccedil;&otilde;es para o ingresso na actividade terrorista, que s&atilde;o: a oportunidade para a ac&ccedil;&atilde;o, a necessidade de perten&ccedil;a, o desejo de estatuto social e o ganho de recompensas materiais. Ao que se acrescenta uma revis&atilde;o da literatura que apresenta tr&ecirc;s temas fundamentais relacionados com a motiva&ccedil;&atilde;o para a actividade terrorista: a injusti&ccedil;a &ndash; tida como uma motiva&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica para o processo de entrada na actividade terrorista, muitas vezes acompanhada por sentimentos de vingan&ccedil;a (Borum, 2004) &ndash;, a identidade &ndash; tanto a n&iacute;vel pessoal, como social, podendo esta ser firmada e at&eacute; adoptada no interior de organiza&ccedil;&otilde;es praticantes de viol&ecirc;ncia, sem qualquer exame pr&eacute;vio (Arena &amp; Arriago, 2005) ou at&eacute; mesmo ser definida pelo simples factor membrazia (Johnson &amp; Feldman, 1992; Post, 1987) &ndash; e a perten&ccedil;a &ndash; que passa por um sentimento de conex&atilde;o e afilia&ccedil;&atilde;o a um grupo, que se pode tornar na fam&iacute;lia que alguns sujeitos nunca tiveram, conferindo-lhes seguran&ccedil;a atrav&eacute;s da subjuga&ccedil;&atilde;o &agrave; identidade grupal (Post, 1984). Estas quest&otilde;es motivacionais relacionam-se com o papel ocupado pelo factor vulnerabilidade, que se prende com a maior abertura demonstrado por alguns indiv&iacute;duos para a ades&atilde;o a este g&eacute;nero de grupos do que outros (Borum, 2004). </P >    <p>No que respeita &agrave; pr&aacute;tica de ac&ccedil;&otilde;es violentas Crenshaw (1986) considera que esta &eacute; um resultado da pr&oacute;pria perten&ccedil;a ao grupo, que a um determinado momento coloca o sujeito em uma posi&ccedil;&atilde;o em que ou comete as ac&ccedil;&otilde;es estipuladas ou sai do grupo, sendo esta sa&iacute;da bastante dif&iacute;cil, pois n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel simplesmente voltar para casa. O que, de acordo com Ventura e Nascimento (2001), conduz a que, no seio deste tipo de organiza&ccedil;&otilde;es, a obedi&ecirc;ncia e o conformismo caracterizem o estilo relacional. As abordagens referidas pelos autores supracitados podem relacionar-se com os crimes de obedi&ecirc;ncia explorados por Beu e Buckley (2004), nos quais h&aacute; um conflito entre as orienta&ccedil;&otilde;es de uma autoridade e a legalidade e, por vezes, com as pr&oacute;prias prefer&ecirc;ncias da pessoa, sendo que esta age, mesmo assim, de acordo com as orienta&ccedil;&otilde;es recebidas. Este processo &eacute; bastante complexo e envolve diversas componentes, dos quais se salienta a exist&ecirc;ncia de uma lideran&ccedil;a carism&aacute;tica, que cria as condi&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias para o desprendimento moral (<I>moral disengagement</I>) dos seus militantes, avocando o sentido de uma miss&atilde;o a levar a cabo (Beu &amp; Buckley, 2004). De acordo com Bandura (1990), o desprendimento moral &eacute; um aspecto chave para a comiss&atilde;o de ac&ccedil;&otilde;es ilegais e tem origem no enfraquecimento da auto-censura pela demiss&atilde;o do racioc&iacute;nio moral e pelo estado das circunst&acirc;ncias sociais. A demiss&atilde;o do racioc&iacute;nio moral &eacute; levada a cabo pela produ&ccedil;&atilde;o de justifica&ccedil;&otilde;es morais, de uma linguagem eufem&iacute;stica e paliativa e de compara&ccedil;&otilde;es vantajosas; pela difus&atilde;o e desloca&ccedil;&atilde;o da responsabilidade e pela minimiza&ccedil;&atilde;o das consequ&ecirc;ncias das ac&ccedil;&otilde;es, o que confere ao indiv&iacute;duo um sentimento de que se alguma coisa correr mal n&atilde;o lhe pedir&atilde;o contas s&oacute; a ele; e, por &uacute;ltimo, pela desumaniza&ccedil;&atilde;o e culpabiliza&ccedil;&atilde;o da v&iacute;tima (Bandura, 1990, 1999). </P >    <p>No que respeita &agrave; rela&ccedil;&atilde;o entre terrorismo e doen&ccedil;as mentais n&atilde;o &eacute; apontada qualquer correspond&ecirc;ncia directa, sendo apenas caracterizados como indiv&iacute;duos mais inst&aacute;veis e com um marcado anseio de afilia&ccedil;&atilde;o a um grupo (Costa, 2008). </P >     <p>Em Portugal, o processo de luta armada integra-se numa pol&iacute;tica global antifascista, anticapi talista e anti-imperialista, exacerbada pelo decorrer e condu&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica da guerra colonial (Leit&atilde;o &amp; Pina, 1975), pelo aumento da instabilidade interna e das informa&ccedil;&otilde;es vindas do exterior acerca dos movimentos revolucion&aacute;rios e pelo crescimento da oposi&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica (Bebiano, 2005). O que originou um &ldquo;clima de guerra revolucion&aacute;ria&rdquo;, no intuito de, principalmente, conduzir as massas &agrave; liberta&ccedil;&atilde;o (Leit&atilde;o &amp; Pina, 1975). </P >     <p>Neste contexto, encontramos quatro organiza&ccedil;&otilde;es praticantes de luta armada revolucion&aacute;ria no nosso pa&iacute;s, antes e depois do 25 de Abril de 1974 &ndash; a ARA (Ac&ccedil;&atilde;o Revolucion&aacute;ria Armada), a LUAR (Liga de Unidade e Ac&ccedil;&atilde;o Revolucion&aacute;ria), as BR (Brigadas Revolucion&aacute;rias) e as FP-25 (For&ccedil;as Populares 25 de Abril). As quatro organiza&ccedil;&otilde;es em an&aacute;lise possuem pontos de converg&ecirc;ncia e diverg&ecirc;ncia em diversos planos &ndash; ideol&oacute;gico, operacional, organizacional. Costa (2004) considera que &eacute; poss&iacute;vel colocar a ARA, a LUAR e as BR ao mesmo n&iacute;vel em termos de for&ccedil;a motriz, que seria a luta pelo fim do colonialismo e o derrube do regime fascista. J&aacute; as FP-25, ao surgirem ap&oacute;s o 25 de Abril de 1974, s&atilde;o o reflexo do descontentamento de alguns sectores da sociedade com o caminho tomado ap&oacute;s a revolu&ccedil;&atilde;o (Costa, 2004). </P >    <p>Cada uma destas organiza&ccedil;&otilde;es estabeleceu rela&ccedil;&otilde;es particulares com os organismos partid&aacute;rios da sua &eacute;poca de actua&ccedil;&atilde;o. A ARA constituiu-se como o bra&ccedil;o armado do Partido Comunista Portugu&ecirc;s (PCP), apesar de o seu arranque ter despoletado alguma controv&eacute;rsia no seio do mesmo e de se ter mantido como uma organiza&ccedil;&atilde;o semiaut&oacute;noma, ou seja, por um lado seguidora das directivas do partido, mas, por outro lado, independente aquando da tomada de decis&atilde;o (Narciso, 2000; Serra, 1999). A LUAR foi, por vezes, apontada como o bra&ccedil;o armado do PS (Partido Socialista), o que sempre recusou veementemente, por considerar que nas suas fileiras conviviam elementos provenientes de diferentes contextos partid&aacute;rios (Brinca, 2000). A cria&ccedil;&atilde;o das BR assenta desde logo na ruptura com o PCP e com a sua forma de luta (Antunes, 1974; Carmo, 1974; J&uacute;nior, 1999). No entanto, ap&oacute;s o 25 de Abril de 1974 esta organiza&ccedil;&atilde;o tenta ingressar no Partido Revolucion&aacute;rio do Proletariado (PRP), partido do qual a mesma esteve na origem, mas rapidamente regressa &agrave; clandestinidade por considerar necess&aacute;ria a continua&ccedil;&atilde;o da luta (Manifesto contra a guerra civil: insurrei&ccedil;&atilde;o armada, PRP, 1975). Por &uacute;ltimo, as FP-25 s&atilde;o consideradas uma organiza&ccedil;&atilde;o posicionada na extrema-esquerda radical, pertencentes a um Projecto Global, o qual integrava inicialmente a OUT (Organiza&ccedil;&atilde;o Unit&aacute;ria de Trabalhadores) e posteriormente a FUP (Frente de Uni&atilde;o Popular) (Costa, 2004; Pereira, 1992; Ventura, 1999). </P >    <p>Em termos organizacionais, a ARA apresentava um comando central composto por tr&ecirc;s elementos e possu&iacute;a quatro tipos de infra-estruturas principais &ndash; o Paiol Central, o laborat&oacute;rio, garagens e arrecada&ccedil;&otilde;es (Narciso, 2000). No que respeita &agrave; LUAR e &agrave;s BR n&atilde;o s&atilde;o encontrados, nas fontes bibliogr&aacute;ficas, dados que permitam concluir da sua estrutura e composi&ccedil;&atilde;o. J&aacute; as FP25 eram constitu&iacute;das por 152 membros, dos quais 46 eram operacionais, aquelas estavam integradas no Projecto Global, no qual pertenciam &agrave; Estrutura Civil Armada (ECA), constitu&iacute;da por diversos grupos territoriais, que possu&iacute;am l&iacute;deres locais (Costa, 2004). </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em termos operacionais, as quatro organiza&ccedil;&otilde;es em an&aacute;lise procederam a assaltos para o financiamento da luta armada, dos quais resultava tanto dinheiro como materiais necess&aacute;rios &agrave; consecu&ccedil;&atilde;o das diferentes ac&ccedil;&otilde;es (Costa, 2004; Rosas &amp; Brito, 1996; Narciso, 2000). No entanto, tanto na ARA como na LUAR e nas BR s&oacute; eram levadas a cabo ac&ccedil;&otilde;es que cumprissem determinados crit&eacute;rios, entre os quais a garantia total ou quase total da aus&ecirc;ncia de v&iacute;timas humanas e o ataque a estruturas pol&iacute;ticas e militares relacionadas com o regime ditatorial e com a guerra colonial (Narciso, 2000). J&aacute; as FP-25 recorreram a ac&ccedil;&otilde;es de maior viol&ecirc;ncia, dirigindose, frequentemente, a vidas humanas, contando com dezoito mortes no seu historial (Costa, 2004). </P >    <p>De seguida, passaremos para a explana&ccedil;&atilde;o dos aspectos relacionados com a metodologia utilizada neste estudo, no sentido de conferir rigor e aplicabilidade aos dados recolhidos e de responder &agrave;s quest&otilde;es orientadoras daquele. </P >     <p>METODOLOGIA  </P >    <p><I>Participantes </I></P >    <p>A selec&ccedil;&atilde;o dos participantes foi efectuada de acordo com o processo de amostragem te&oacute;rica, sendo que era apenas colocado como crit&eacute;rio necess&aacute;rio o envolvimento, no passado, em algum movimento de luta armada. O acesso aos participantes foi tentado, a princ&iacute;pio, atrav&eacute;s da utiliza&ccedil;&atilde;o de intermedi&aacute;rios, contudo esta estrat&eacute;gia n&atilde;o resultou e o primeiro contacto foi feito directamente, por e-mail e de seguida por telefone, com o primeiro participante. Ap&oacute;s a primeira entrevista recorreu-se &agrave; estrat&eacute;gia de <I>snowball sampling</I>, devido ao facto de a popula&ccedil;&atilde;o em an&aacute;lise ser de dif&iacute;cil acesso. </P >    <p>Assim, a presente investiga&ccedil;&atilde;o envolveu um grupo de sete participantes, cinco homens e duas mulheres, sendo que a sua maioria (<I>n</I>=5) n&atilde;o exigiu anonimato, apenas o acesso aos resultados finais do estudo. </P >    <p><I>Instrumentos </I></P >    <p>De modo a facilitar o acesso &agrave;s experi&ecirc;ncias e perspectivas pessoais de casa participante nesta investiga&ccedil;&atilde;o optou-se pela realiza&ccedil;&atilde;o de entrevistas qualitativas semi-estruturadas. </P >    <p>De uma forma global, o gui&atilde;o semi-estruturado tra&ccedil;ado especificamente para a presente investi ga&ccedil;&atilde;o, compreendia quest&otilde;es acerca: (a) inicia&ccedil;&atilde;o/entrada no grupo; (b) din&acirc;micas interpessoais dentro do grupo; (c) vida dentro do grupo <I>versus </I>vida quotidiana; (d) gest&atilde;o da clandestinidade; (e) papel das mulheres no movimento; (f) justifica&ccedil;&otilde;es de ordem &eacute;tica, moral, psicol&oacute;gica, ideol&oacute;gica, etc., para as ac&ccedil;&otilde;es empreendidas; (g) gest&atilde;o de momentos e ac&ccedil;&otilde;es percebidos como desconfor t&aacute;veis; (h) gest&atilde;o da d&uacute;vida e questionamento; (i) suporte popular; e (j) sentido das ac&ccedil;&otilde;es e do envolvimento, no passado e no presente. A entrevista decorreu em um &uacute;nico momento de avalia&ccedil;&atilde;o. </P >    <p><I>Procedimentos </I></P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os participantes foram contactados telefonicamente e foi-lhes solicitada a participa&ccedil;&atilde;o num estudo acerca da sua perspectiva pessoal sobre o envolvimento passado na luta armada pol&iacute;tica em Portugal. Todos os sujeitos contactados aceitaram participar e consentiram, oralmente, a realiza&ccedil;&atilde;o da entrevista, bem como a sua audio-grava&ccedil;&atilde;o. </P >     <p>Os dados analisados e discutidos foram entregues aos participantes, no sentido da realiza&ccedil;&atilde;o de uma valida&ccedil;&atilde;o comunicativa (Flick, 2002), na qual lhes foi dada a oportunidade de considerarem numa escala de 1 a 5 (sendo que 1 correspondia a concordo muit&iacute;ssimo; 2 a concordo; 3 a concordo razoavelmente; 4 a n&atilde;o concordo e 5 a n&atilde;o concordo de todo) se a presente an&aacute;lise correspondia &agrave; realidade tal com eles a percebem e se a sua opini&atilde;o/perspectiva estava presente na mesma. Esta devolu&ccedil;&atilde;o contemplou, ainda, duas quest&otilde;es de resposta aberta, de modo a perceber se existia alguma afirma&ccedil;&atilde;o no estudo que n&atilde;o correspondesse &agrave; realidade e se os participantes tinham algum coment&aacute;rio a acrescentar. Dos sete participantes neste estudo apenas cinco avaliaram os resultados que lhes foram entregues, sendo que um participante concordou muit&iacute;ssimo que a presente an&aacute;lise corresponde &agrave; &lsquo;sua&rsquo; realidade, dois concordam e um concorda razoavelmente; os cinco participantes referem que concordam com o facto de a sua perspectiva estar presente nesta disserta&ccedil;&atilde;o. No que refere &agrave;s quest&otilde;es de car&aacute;cter aberto, os participantes em geral consideram que este &eacute; um tema muito complexo, que precisaria de um maior aprofundamento. Os participantes que praticaram luta armada antes do 25 de Abril consideram, tamb&eacute;m, que na an&aacute;lise desta quest&atilde;o deve ser feita uma distin&ccedil;&atilde;o clara entre a luta armada em contexto de ditadura (o que eles consideram ter praticado) e o terrorismo em contexto de democracia (que consideram ter sido praticado pelas FP-25). </P >     <p><I>An&aacute;lise dos dados </I></P >    <p>As entrevistas foram transcritas e analisadas de acordo com os princ&iacute;pios da <I>grounded analysis </I>(Glaser &amp; Strauss, 1967; Strauss &amp; Corbin, 1998) e com a assist&ecirc;ncia do software QSR NVivo 8. A aplica&ccedil;&atilde;o da <I>grounded analysis </I>decorreu em tr&ecirc;s fases: a determina&ccedil;&atilde;o das quest&otilde;es orientadoras do estudo, a constru&ccedil;&atilde;o da amostra te&oacute;rica relevante para o fen&oacute;meno em estudo e a aplica&ccedil;&atilde;o de procedimentos de codifica&ccedil;&atilde;o. Neste estudo procedeu-se &agrave; codifica&ccedil;&atilde;o aberta das entrevistas realizadas, tendo sido o primeiro passo dado a selec&ccedil;&atilde;o da frase como unidade de an&aacute;lise, ao que se seguiu o agrupamento das mesmas em categorias e subcategorias, que descrevem a viv&ecirc;ncia dos participantes e o seu posicionamento. </P >    <p>APRESENTA&Ccedil;&Atilde;O E DISCUSS&Atilde;O DOS RESULTADOS </P >    <p>Neste t&oacute;pico ser&atilde;o apresentados e discutidos os resultados da an&aacute;lise do discurso dos participantes, mediante os aspectos abordados com relevo para este estudo. Os n&uacute;meros entre par&ecirc;ntesis significam o efectivo de sujeitos que evidenciou as asser&ccedil;&otilde;es apresentadas. </P >    <p>Antes do 25 de Abril em Portugal a luta armada tinha por objectivo a queda do regime ditatorial (<I>n</I>=4), sendo o PCP considerado como o &uacute;nico partido da oposi&ccedil;&atilde;o que resistia, apesar de no seu seio nem todos concordarem com a insurrei&ccedil;&atilde;o armada (<I>n</I>=3). Deste modo surge a ARA, que se empenha na sensibiliza&ccedil;&atilde;o e &ldquo;anima&ccedil;&atilde;o&rdquo; da popula&ccedil;&atilde;o para a luta contra o regime ditatorial, bem como na sabotagem de materiais, cujo fim seria servir a Guerra Colonial (<I>n</I>=1). Enquanto a ARA era apoiada pelo PCP, as BR surgem a partir de uma ruptura com este e empenham-se, igualmente, na consecu&ccedil;&atilde;o de ac&ccedil;&otilde;es armadas para queda do regime, sendo que a referida ruptura preconizouse pelo facto de o PCP at&eacute; aos anos 60 n&atilde;o apoiar a luta armada (<I>n</I>=2). Por seu lado, a LUAR n&atilde;o se encontrava ligada a nenhuma corrente espec&iacute;fica e, por isso, n&atilde;o fazia a defesa de uma ideologia claramente delimitada, considerando que o ponto de partida que ligava todas as coisas era o princ&iacute;pio de &ldquo;derrubar o regime de Salazar&rdquo; atrav&eacute;s da ac&ccedil;&atilde;o armada (<I>n</I>=1). Aqui se denota um vincado posicionamento pol&iacute;tico e ideol&oacute;gico (<I>n</I>=6) que caracteriza as diferentes organiza&ccedil;&otilde;es estudadas em geral e os seus militantes em particular, sendo expresso que &ldquo;o enquadramento era pol&iacute;tico&rdquo; e &ldquo;as motiva&ccedil;&otilde;es eram &uacute;nica e exclusivamente pol&iacute;ticas&rdquo;, tendo sempre como perspectiva uma luta ideol&oacute;gica que levava a cabo ac&ccedil;&otilde;es armadas com fins, igualmente, ideol&oacute;gicos. Tal posicionamento e motiva&ccedil;&otilde;es estritamente pol&iacute;ticos concordam com as assun&ccedil;&otilde;es de Weinberg e Eubank (2006), que os consideram o motor principal da ac&ccedil;&atilde;o armada. </P >    <p>As ac&ccedil;&otilde;es no sentido da sabotagem da Guerra Colonial (<I>n</I>=2) passam pela an&aacute;lise de que Portugal n&atilde;o estava em condi&ccedil;&otilde;es de suportar a mesma, o que posteriormente, segundo a opini&atilde;o dos pr&oacute;prios, se vem realmente a verificar, pois para aquela foi canalizado metade do or&ccedil;amento de Estado, o que acarretou um agravar das condi&ccedil;&otilde;es sociais no pa&iacute;s e provocou a fuga de milh&otilde;es de pessoas. </P >     <p>As tr&ecirc;s organiza&ccedil;&otilde;es actuantes antes do 25 de Abril ocupavam um posicionamento pol&iacute;tico e ideol&oacute;gico antiterrorista (<I>n</I>=3), no sentido em que recusavam veementemente a morte propositada de pessoas, procurando apenas &ldquo;criar as condi&ccedil;&otilde;es que permitissem que outros sectores resistissem e desenvolvessem a sua pr&oacute;pria oposi&ccedil;&atilde;o&rdquo; e a sabotagem da Guerra Colonial (<I>n</I>=3). Ainda, de acordo com um elemento da LUAR, &ldquo;o problema n&atilde;o era a pessoa, o problema era social e pol&iacute;tico&rdquo;, logo matando a pessoa n&atilde;o se resolveria o problema. Aqui &eacute; de notar um dos aspectos geradores de controv&eacute;rsia no que refere &agrave; defini&ccedil;&atilde;o de terrorismo, no sentido em que estes actores apesar de terem praticado luta armada n&atilde;o se v&ecirc;em como terroristas e s&atilde;o mesmo, veementemente, contra este tipo de actividade. Aquando do retorno dos dados aos participantes, um dos aspectos mais sublinhados por aqueles que praticaram luta armada durante o regime ditatorial &eacute; que a sua actividade nada teve a ver com actividade terrorista. Deste modo, como apontaram Ventura e Nascimento (2001), s&atilde;o encontradas diverg&ecirc;ncias de opini&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o a que contextos considerar de actua&ccedil;&atilde;o terrorista (e.g., contexto de regime ditatorial <I>vs. </I>contexto de regime democr&aacute;tico), bem como a partir de que princ&iacute;pios morais avaliar uma ac&ccedil;&atilde;o como terrorista (e.g., uma ac&ccedil;&atilde;o &eacute; tida como terrorista apenas quando mata algu&eacute;m?). No entanto, cremos que, por vezes, o considerar, ou n&atilde;o, uma organiza&ccedil;&atilde;o como terrorista parte de valora&ccedil;&otilde;es subjectivas e est&aacute; dependente do facto de as pessoas que emitem o ju&iacute;zo se identificarem, ou n&atilde;o, com as causas defendidas. </P >     <p>O aparecimento das FP-25 (<I>n</I>=3) acontece num per&iacute;odo ap&oacute;s o 25 de Abril de 1974, no qual a an&aacute;lise pol&iacute;tica e social dos intervenientes era de que existiam condi&ccedil;&otilde;es para continuar a lutar. No entanto, uma cis&atilde;o nas BR d&aacute; origem ao movimento FP-25, que se constituiu como &ldquo;uma componente de um Projecto Global com uma estrutura pr&oacute;pria&rdquo;, sendo que neste Projecto Global existiam outras componentes que partilhavam a mesma concep&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica, mas que intervinham em &aacute;reas distintas (<I>n</I>=2). O principal objectivo desta organiza&ccedil;&atilde;o era a tomada do poder, no entanto, os entrevistados s&atilde;o un&acirc;nimes em afirmar que &ldquo;ningu&eacute;m nas FP-25 achava que aquele caminho ia levar ao derrube do poder&rdquo;, sendo &ldquo;a luta armada que se praticou (...) uma atitude de press&atilde;o&rdquo;, que tinha por objectivo levar as pessoas a n&atilde;o recuar (<I>n</I>=3). Assim, realiza-se que os fundadores das FP25 foram mais influenciados pelos aspectos presentes no meio envolvente, do que pelas suas pr&oacute;prias caracter&iacute;sticas de personalidade (Hudson, 1999), justificando as suas ac&ccedil;&otilde;es pela urgente necessidade de fazer alguma coisa pelo estado no qual a na&ccedil;&atilde;o estava a tombar (Costa, 2008). </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Quando questionados acerca de qual a melhor t&aacute;ctica de luta armada a utilizar, os elementos pertencentes &agrave;s FP-25 (<I>n</I>=3) consideravam que, ao terem como alvo a tomada do poder no contexto das condicionantes sociopol&iacute;ticas vividas em Portugal naquela &eacute;poca, a melhor t&aacute;ctica seria a luta contra o capitalismo, sob a forma de ataques directos ao capital (e.g., coloca&ccedil;&atilde;o de explosivos sobre o patrim&oacute;nio), mas tamb&eacute;m sob a forma de &ldquo;baleamento&rdquo; de patr&otilde;es. Por seu turno, as BR davam prefer&ecirc;ncia &agrave; coloca&ccedil;&atilde;o de petardos, que evitavam o ferimento de pessoas, chamavam a aten&ccedil;&atilde;o e permitiam a divulga&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o; ou &agrave; coloca&ccedil;&atilde;o de explosivos, de f&aacute;cil prepara&ccedil;&atilde;o e aplica&ccedil;&atilde;o, permitindo controlar, igualmente, a n&atilde;o vitima&ccedil;&atilde;o de pessoas. J&aacute; a LUAR considerava que &ldquo;da luta armada a melhor t&aacute;ctica &eacute; desarm&aacute;-la&rdquo; e substituir as armas por uma raz&atilde;o colectivamente consensual. </P >     <p>Assim, as ac&ccedil;&otilde;es das FP-25 situam-se em &ldquo;um momento em que as injusti&ccedil;as eram demasiado eminentes&rdquo;, sob a forma de sal&aacute;rios em atraso, despedimentos em massa, hipotecas de habita&ccedil;&otilde;es, fam&iacute;lias a passar fome, e eram praticadas em fun&ccedil;&atilde;o das queixas e motivos reivindicativos apresentados, essencialmente, pela classe oper&aacute;ria. O que vai de encontro a uma &ldquo;preocupa&ccedil;&atilde;o social&rdquo; desta organiza&ccedil;&atilde;o, que dirigia as suas ac&ccedil;&otilde;es &ldquo;sobretudo numa perspectiva de justi&ccedil;a social&rdquo;, procurando apoiar os trabalhadores v&iacute;timas das situa&ccedil;&otilde;es supra citadas, que em alguns casos optaram pelo suic&iacute;dio. Este apoio era realizado atrav&eacute;s de ac&ccedil;&otilde;es que visavam interesses econ&oacute;micos ou que visavam directamente o patronato, de modo a mostrar &ldquo;&agrave;s popula&ccedil;&otilde;es que havia outro caminho e que n&atilde;o se deviam baixar os bra&ccedil;os&rdquo;, mas pelo contr&aacute;rio deviam resistir. Na maior parte dos casos, as estruturas do Estado n&atilde;o eram atingidas<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a>, salvo em alguns casos muito espec&iacute;ficos (e.g., o Director Geral dos Servi&ccedil;os Prisionais). Neste sentido, e de acordo com a abordagem marxista de Chambliss (1975), fica claro que as ac&ccedil;&otilde;es praticadas pelas FP-25 foram motivadas pelo conflito existente entre patr&otilde;es e trabalhadores, sentindo-se estes explorados por aqueles e sentindo que os patr&otilde;es eram impunes perante o Estado. Assim, pelo facto de o Estado n&atilde;o exercer a justi&ccedil;a social e ainda proteger os donos dos meios de produ&ccedil;&atilde;o, as FP-25 procuraram faz&ecirc;-lo &agrave; revelia daquele, pretendendo demonstrar que &eacute; obrigat&oacute;rio agir, legal ou ilegalmente (Crenshaw, 1990). Neste ponto h&aacute;, ainda, a referir a aplica&ccedil;&atilde;o da teoria da anomia de Merton (1938, citado por Lilly, Cullen, &amp; Ball, 1995), que considera as respostas violentas desta &iacute;ndole como consequ&ecirc;ncia da desigualdade de oportunidades presente na ordem social, quando o que &eacute; incutido nos indiv&iacute;duos s&atilde;o princ&iacute;pios de igualdade. Neste sentido, come&ccedil;am-se a gerar os tais sentimentos de injusti&ccedil;a relatados pelos elementos entrevistados, e &eacute; esta percep&ccedil;&atilde;o das injusti&ccedil;as sociais que aliada &agrave; marginaliza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e econ&oacute;mica d&aacute; origem a que indiv&iacute;duos se organizem em um colectivo praticante de ac&ccedil;&otilde;es violentas (Lea &amp; Young, 1984). Ao que se acrescenta, como apontado por Chambliss (1975), o claro entendimento da arbitrariedade da ordem social vigente, dando origem a sentimentos de injusti&ccedil;a e levando &agrave; desvaloriza&ccedil;&atilde;o e quebra das normas sociais (Merton, 1938, citado por Lilly, Cullen, &amp; Ball, 1995). Assim, e de acordo com Merton (ibidem), a pr&oacute;pria ordem social incita a exist&ecirc;ncia de conflito, que neste caso toma a forma de movimentos de luta armada. Outra forte condicionante apontada para o nascimento desta organiza&ccedil;&atilde;o foi a necessidade de resistir aos &ldquo;avan&ccedil;os da extrema-direita&rdquo; e de n&atilde;o perder o passado, ou seja, tudo o que foi conquistado com a revolu&ccedil;&atilde;o. Dois elementos desta organiza&ccedil;&atilde;o referem, ainda, a desilus&atilde;o com a maneira tradicional de fazer pol&iacute;tica, considerando as elei&ccedil;&otilde;es e o direito ao voto como insuficientes. Prova disto &eacute; que enquanto o Estado, do ponto de vista destes militantes, n&atilde;o fazia nada relativamente &agrave;s injusti&ccedil;as sociais do p&oacute;s 25 de Abril, as FP-25 mantinham o patronato em sobressalto e fizeram-no recuar em fun&ccedil;&atilde;o das suas ac&ccedil;&otilde;es (<I>n</I>=2). No entanto, a an&aacute;lise posterior de um dos elementos da organiza&ccedil;&atilde;o &eacute; de que &ldquo;matar patr&otilde;es&rdquo; n&atilde;o chega para resolver o conflito social e que naquela &eacute;poca os militantes da organiza&ccedil;&atilde;o eram muito &ldquo;naives&rdquo; e n&atilde;o tinham uma vis&atilde;o da complexidade da realidade social, que necessita de muitas outras componentes para ser transformada. </P >     <p>As FP-25 organizavam-se em c&eacute;lulas (<I>n</I>=2), que planeavam e levavam a cabo as ac&ccedil;&otilde;es, formando, por vezes, uma coluna, quando necess&aacute;ria a jun&ccedil;&atilde;o do trabalho de duas ou mais equipas, de acordo com a dimens&atilde;o da ac&ccedil;&atilde;o. Assim, como medida de seguran&ccedil;a, as pessoas eram reconhecidas como fazendo parte da organiza&ccedil;&atilde;o apenas no interior da c&eacute;lula a que pertenciam. Existiam, ainda, as c&eacute;lulas de apoio, constitu&iacute;das por pessoas que n&atilde;o eram obrigatoriamente clandestinas, mas que davam suporte &agrave;s ac&ccedil;&otilde;es e &agrave;s pessoas na clandestinidade. Os desafios da actividade terrorista relacionam-se, essencialmente, com a necessidade da manuten&ccedil;&atilde;o do segredo acerca da verdadeira identidade de cada um dos seus membros, sendo referido por dois elementos de duas organiza&ccedil;&otilde;es diferentes (BR e FP-25) a compartimenta&ccedil;&atilde;o entre &ldquo;o sector da informa&ccedil;&atilde;o e o sector da ac&ccedil;&atilde;o&rdquo;, no sentido em que quem realizava a ac&ccedil;&atilde;o n&atilde;o tinha realizado a busca de informa&ccedil;&atilde;o. Deste modo, as ac&ccedil;&otilde;es eram debatidas de uma forma geral, sem que os operacionais conhecessem exactamente o alvo, de modo a n&atilde;o depreenderem o local onde se realizaria a ac&ccedil;&atilde;o at&eacute; ao dia da mesma, em que eram inteirados de tudo em uma reuni&atilde;o que a antecedia (<I>n</I>=4). Estes procedimentos tinham como objectivo a preserva&ccedil;&atilde;o da informa&ccedil;&atilde;o caso alguma coisa corresse mal e algum elemento fosse preso e submetido a tortura (no que refere &agrave;s organiza&ccedil;&otilde;es actuantes antes do 25 de Abril) (<I>n</I>=3). Este tipo de organiza&ccedil;&atilde;o est&aacute; de acordo com o modelo piramidal apresentado por Fraser e Fulton (1984, citados por Henderson, 2004), onde o quadro activo se encontra dividido em c&eacute;lulas, no sentido da protec&ccedil;&atilde;o dos conhecimentos e instru&ccedil;&otilde;es relacionados com cada ac&ccedil;&atilde;o, no sentido em que cada c&eacute;lula desconhece o trabalho das restantes. </P >     <p>Nas FP-25, a uma determinada altura, verifica-se uma escalada no grau das ac&ccedil;&otilde;es realizadas (n=2), que podia em alguns casos &ldquo;chegar ao ponto da morte da pessoa&rdquo;, sendo que este n&atilde;o era apontado como o caminho preferido por todos os participantes. Alguns preferiam &ldquo;manter o n&iacute;vel das bombas e eventualmente o baleamento nas pernas em casos muito particulares&rdquo;, enquanto outros &ldquo;defendiam que se devia dar o passo para o enfrentamento&rdquo; (<I>n</I>=2). De acordo com os participantes esta foi uma discuss&atilde;o recorrente, que nunca chegou a um consenso. No entanto, a decis&atilde;o pol&iacute;tica de matar foi tomada, apesar de ser apontada como uma decis&atilde;o que n&atilde;o era tomada de &ldquo;&acirc;nimo leve&rdquo; e envolvia muito debate e procura de consenso (<I>n</I>=3). Segundo os participantes, algumas decis&otilde;es de matar foram de natureza retaliat&oacute;ria &ndash; justificadas por se tratar de patr&otilde;es &ldquo;tiranos e salazaristas&rdquo;, que causaram o suic&iacute;dio de alguns trabalhadores &ndash;, enquanto outras nem se podem considerar decis&otilde;es, pois foram fruto de trocas de tiros aquando de confrontos com a pol&iacute;cia (<I>n</I>=2). Em rela&ccedil;&atilde;o aos homic&iacute;dios cometidos pelas FP-25 &eacute; expressa alegria em alguns casos e &eacute;, igualmente, reiterada a justifica&ccedil;&atilde;o que muitos operacionais foram, igualmente, mortos no mesmo combate (<I>n</I>=3). Neste sentido, os elementos pertencentes &agrave;s FP-25 legitimam a viol&ecirc;ncia no seio do combate pol&iacute;tico (<I>n</I>=2) como um meio de demonstra&ccedil;&atilde;o de revolta, quando n&atilde;o se t&ecirc;m outros meios, impelido pela &ldquo;sensa&ccedil;&atilde;o de estar numa sociedade injusta&rdquo;, sendo a confronta&ccedil;&atilde;o violenta o motor das transforma&ccedil;&otilde;es sociais (<I>n</I>=3). Assim, &eacute; dado a entender que elementos mais radicais pertencentes a movimentos de luta armada actuam motivados por um sentido de justi&ccedil;a t&atilde;o extremo e exacerbado que n&atilde;o olham a meios para atingir os fins, ou seja, consideram o homic&iacute;dio como uma conting&ecirc;ncia &agrave; consecu&ccedil;&atilde;o da luta pol&iacute;tica (S. Cohen, 1971). &Eacute; ainda de notar a utiliza&ccedil;&atilde;o de express&otilde;es paliativas (Bandura, 1990) &ndash; &ldquo;... baleamento nas pernas...&rdquo;, express&atilde;o utilizada aquando da decis&atilde;o de &ldquo;ajuste de contas&rdquo; com um patr&atilde;o ou outra pessoa que cometia diversas injusti&ccedil;as e sa&iacute;a sempre impune, quando o que na realidade e na maior parte dos casos acabava por acontecer era a morte da pessoa; de eufemismos (ibidem) &ndash; &ldquo;... dar o passo para o <I>enfrentamento</I>&rdquo;, no sentido de proceder &agrave; morte de algu&eacute;m; de refer&ecirc;ncias despersonalizadas (ibidem), ocultando a responsabilidade pessoal (e.g., &ldquo;... chegar ao ponto da morte da <I>pessoa</I>&rdquo;); de difus&atilde;o e desloca&ccedil;&atilde;o da responsabilidade (Bandura, 1990), no sentido em que a decis&atilde;o de matar n&atilde;o era tomada por A ou B, mas era tida como uma decis&atilde;o pol&iacute;tica, tomada por um movimento armado pol&iacute;tico (e.g., &ldquo;Quer dizer n&atilde;o te vou dizer agora que aquele e o outro foram um acidente (...) houve efectivamente uma decis&atilde;o pol&iacute;tica&rdquo;), havendo mesmo, por vezes, a nega&ccedil;&atilde;o da actua&ccedil;&atilde;o da organiza&ccedil;&atilde;o, no sentido da exist&ecirc;ncia de certas decis&otilde;es que &ldquo;nem se podem considerar decis&otilde;es&rdquo; pelo facto de serem de natureza retaliat&oacute;ria. Ainda neste t&oacute;pico importa salientar que, muitas vezes, a responsabilidade era deslocada da organiza&ccedil;&atilde;o para as v&iacute;timas, pois eram estas que contribu&iacute;am &ldquo;para que alguns trabalhadores se suicidassem&rdquo;, bem como para a morte de &ldquo;operacionais (...) no mesmo combate&rdquo;, tornando assim a retalia&ccedil;&atilde;o justa, uma morte para justificar outra morte; e de desumaniza&ccedil;&atilde;o e culpabiliza&ccedil;&atilde;o das v&iacute;timas (Bandura, 1990), tidas como monstruosas e dignas de morrer, pelo sofrimento provocado a outros, que, na maior parte dos casos, s&atilde;o mais fracos e est&atilde;o numa posi&ccedil;&atilde;o de maior vulnerabilidade (e.g., &ldquo;Nas lou&ccedil;as de Sacav&eacute;m houve v&aacute;rios suic&iacute;dios, o caso do Delmar foi um homem que fechou v&aacute;rias f&aacute;bricas, era um pe&atilde;o de brega nesse contexto, no caso do Castelo Branco houve pessoal que adoeceu, era um tirano, era um salazarista&rdquo;). </P >     <p>A desarticula&ccedil;&atilde;o das FP-25 (<I>n</I>=3) acaba por acontecer muito rapidamente, sendo que a organiza&ccedil;&atilde;o tem o seu in&iacute;cio formal na d&eacute;cada de 80, mas j&aacute; com muitas limita&ccedil;&otilde;es, essencialmente, no que respeita &agrave; capacidade de resposta dos seus integrantes, que na sua maioria n&atilde;o tinham muita experi&ecirc;ncia e nem foram treinados para o efeito. As pris&otilde;es foram-se sucedendo, fruto da incapacidade operacional dos militantes, mas tamb&eacute;m da resposta do Estado aos &ldquo;clamores&rdquo; da popula&ccedil;&atilde;o<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a>e &agrave; pr&oacute;pria escalada das ac&ccedil;&otilde;es das FP-25 (<I>n</I>=2), bem como a morte de militantes (<I>n</I>=2). Assim, apesar de o n&uacute;cleo operacional ser desmantelado apenas em 1985, a organiza&ccedil;&atilde;o j&aacute; estava muito desarticulada, devido ao facto de ter perdido grande parte da sua rede de apoios e de gastar muitas das suas energias a fugir &agrave; pol&iacute;cia (<I>n</I>=2). </P >     <p>A morte de camaradas no combate pol&iacute;tico (<I>n</I>=4) est&aacute; bastante presente em duas das organiza&ccedil;&otilde;es em estudo, nas BR e nas FP-25. S&atilde;o momentos vividos como &ldquo;um murro no est&ocirc;mago&rdquo;, que nas FP-25 acompanham a organiza&ccedil;&atilde;o desde o seu in&iacute;cio e que nas BR acontecem apenas uma vez com a morte de duas militantes, devido a um erro t&eacute;cnico. Um elemento das BR considera que apesar de a morte de camaradas ser uma perda &ldquo;horr&iacute;vel&rdquo;, n&atilde;o foram sentidas culpabiliza&ccedil;&otilde;es nem feitas acusa&ccedil;&otilde;es, por se ter tratado de um erro dos pr&oacute;prios e pelo facto de os militantes terem sentido &ldquo;que aquelas pessoas tinham morrido pelo seu ideal&rdquo;. No entanto, tais ocorr&ecirc;ncias criaram abertura para que tenha havido alguma desmotiva&ccedil;&atilde;o e at&eacute; pessoas que ficaram menos dispon&iacute;veis para a organiza&ccedil;&atilde;o. J&aacute; as FP-25 viveram a morte de camaradas como &ldquo;um grande embate para a organiza&ccedil;&atilde;o&rdquo;, que provocou &ldquo;uma culpabiliza&ccedil;&atilde;o fort&iacute;ssima&rdquo; e que, por um lado, &ldquo;gerou muitos conflitos que se traduziram, na maior parte das situa&ccedil;&otilde;es, em sa&iacute;das para o estrangeiro&rdquo;, mas que, por outro lado, manteve algumas pessoas na organiza&ccedil;&atilde;o como uma forma de honrarem a mem&oacute;ria dos companheiros que ca&iacute;ram em luta. Contudo, os elementos das FP-25 consideram que a morte na luta armada &ldquo;faz parte das regras do jogo&rdquo;, chegando mesmo um deles a afirmar que houve m&aacute;goa pelos camaradas que morreram, mas que &ldquo;pronto foi uma op&ccedil;&atilde;o deles, aconteceu como podia ter acontecido a outros companheiros&rdquo;. </P >    <p>No que concerne aos delatores dentro destes movimentos, dois elementos das FP-25 consideram que o que os motivou foi o facto de n&atilde;o estarem nem muito convictos, nem muito comprometidos com as op&ccedil;&otilde;es da organiza&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o conseguindo lidar com a ideia de que iriam presos. Tal varia&ccedil;&atilde;o no grau de compromisso e convic&ccedil;&atilde;o individuais no seio de uma organiza&ccedil;&atilde;o &eacute;, segundo Crenshaw (1990), natural, pois, muitas vezes, &eacute; a decis&atilde;o colectiva que dita o que h&aacute; a fazer, mas nem sempre espelha a vontade e consci&ecirc;ncia de cada militante. Nesta &aacute;rea, as organiza&ccedil;&otilde;es presentes antes do 25 de Abril sofriam de uma agravante, que era o facto da exist&ecirc;ncia da tortura quando as pessoas eram presas (Pimentel, Madeira, &amp; Farinha, 2007), &agrave; qual era muito dif&iacute;cil resistir (<I>n</I>=2). As consequ&ecirc;ncias para os delatores nas FP-25 passaram, segundo os entrevistados, pelo assassinato de um deles, de modo a veicular uma mensagem (<I>n</I>=2). Nas restantes organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o foi levado a cabo nenhum tipo de castigo ou puni&ccedil;&atilde;o para os elementos delatores, devido ao facto de n&atilde;o ser uma pr&aacute;tica que encontrava unanimidade no seio daquelas, por ir contra o princ&iacute;pio de evitar a morte ou ferimento de pessoas (<I>n</I>=4). </P >    <p>J&aacute; a exist&ecirc;ncia expressa de uma dissocia&ccedil;&atilde;o entre aquilo que s&atilde;o os operacionais e aquilo que s&atilde;o os ide&oacute;logos do movimento &eacute; negada pelos participantes das v&aacute;rias organiza&ccedil;&otilde;es em estudo (<I>n</I>=7). Isto porque a concep&ccedil;&atilde;o de que &ldquo;se podiam instrumentalizar pessoas para fazer a ac&ccedil;&atilde;o armada&rdquo; sem implica&ccedil;&atilde;o pessoal n&atilde;o agradava a estes militantes, pois isso seria &ldquo;abrir caminho a um conjunto de pessoas que se podiam tornar aventureiras (...) mas que n&atilde;o t&ecirc;m estrutura pol&iacute;tica, nem psicol&oacute;gica para aguentar esses processos&rdquo; (<I>n</I>=2). No entanto, n&atilde;o se deixa de expressar que alguns militantes tinham mais &ldquo;habilidade&rdquo; para umas &aacute;reas do que para outras, aceitando-se que uns tinham mais &ldquo;an&aacute;lise pol&iacute;tica, capacidade de lidar com as ideias&rdquo;, enquanto outros tinham mais &ldquo;capacidade de puxar o gatilho com frieza&rdquo; (<I>n</I>=2). Tal n&atilde;o significa que uns fossem apenas ide&oacute;logos e outros apenas operacionais, pois todos estavam envolvidos, tanto no dom&iacute;nio do planeamento estratega das ac&ccedil;&otilde;es, como na realiza&ccedil;&atilde;o &ldquo;de tarefas pr&aacute;ticas que n&atilde;o exigem nenhuma ideologia&rdquo; (<I>n</I>=3). </P >    <p>O processo de recrutamento (<I>n</I>=6) nas organiza&ccedil;&otilde;es em an&aacute;lise tomava diversas formas: o convite a pessoas que expressavam a defesa de ideais semelhantes aos do movimento (<I>n</I>=3); a indica&ccedil;&atilde;o do partido ao qual as organiza&ccedil;&otilde;es estavam vinculadas (no caso da ARA e das FP-25) (<I>n</I>=2); a recruta de amigos ou pessoas conhecidas e a chegada &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o de pessoas que a procuravam por partilhavam os mesmos ideais e quererem participar na luta de uma forma organizada (sendo esta uma das quatro motiva&ccedil;&otilde;es apresentadas por Crenshaw (1985) para o ingresso na actividade terrorista &ndash; a oportunidade para a ac&ccedil;&atilde;o conferida por este tipo de movimentos). </P >    <p>As dificuldades referidas (<I>n</I>=2) neste processo de recrutamento prendiam-se, essencialmente, com a avalia&ccedil;&atilde;o das verdadeiras motiva&ccedil;&otilde;es das pessoas para a entrada na organiza&ccedil;&atilde;o e com a avalia&ccedil;&atilde;o de se a pessoa teria estrutura para resistir a uma vida de clandestinidade e, se caso fosse presa, conseguiria guardar segredo de tudo o que sabia. Assim, verifica-se que independentemente da forma de chegada &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o os novos elementos ficavam sujeitos a um processo de entrada progressiva, no qual tinham de demonstrar serem dignos de confian&ccedil;a, bem como terem capacidade de aguentar as dificuldades inerentes &agrave; vida no seio da organiza&ccedil;&atilde;o (Costa, 2008). </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No que respeita ao exerc&iacute;cio da tomada de decis&atilde;o (<I>n</I>=6), &eacute; comum a todas as organiza&ccedil;&otilde;es a procura do consenso e o recurso ao voto, sendo que este processo &eacute; encabe&ccedil;ado por uma direc&ccedil;&atilde;o restrita, a qual indica a decis&atilde;o final, de modo a preservar o m&aacute;ximo poss&iacute;vel o cariz pol&iacute;tico desta, n&atilde;o obrigando ningu&eacute;m &agrave; sua consecu&ccedil;&atilde;o. No caso espec&iacute;fico da ARA, por vezes, as decis&otilde;es eram indicadas pela direc&ccedil;&atilde;o do PCP (<I>n</I>=1). Nas FP-25 as ac&ccedil;&otilde;es violentas concretas eram decididas apenas pela direc&ccedil;&atilde;o da estrutura clandestina, enquanto ao n&iacute;vel da avalia&ccedil;&atilde;o da situa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e das estrat&eacute;gias em colocar em pr&aacute;tica em sentido gen&eacute;rico havia um encontro entre a direc&ccedil;&atilde;o da estrutura clandestina e a direc&ccedil;&atilde;o da estrutura legal da FUP. Como j&aacute; foi referido, em todas as organiza&ccedil;&otilde;es em an&aacute;lise os participantes referem (<I>n</I>=4) que era dada margem para recusa &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o de ac&ccedil;&otilde;es com as quais n&atilde;o se estava de acordo ou para as quais o militante n&atilde;o se sentia preparado. </P >     <p>No que concerne ao papel das mulheres, &eacute; considerado que nas BR houve um &ldquo;salto qualitativo, porque as mulheres estavam em p&eacute; de igualdade com os homens&rdquo;, havendo mulheres que n&atilde;o s&oacute; faziam ac&ccedil;&otilde;es, mas tamb&eacute;m ocupavam cargos directivos (<I>n</I>=2). As BR encaravam como fundamental aparecerem mulheres nas suas ac&ccedil;&otilde;es, de modo a incentivar o p&uacute;blico feminino para a actividade, passando assim &ldquo;uma mensagem em condi&ccedil;&otilde;es de censura&rdquo; e tamb&eacute;m aproveitando o facto de as mulheres serem, na sua opini&atilde;o, menos violentas, sabendo resistir em dif&iacute;ceis circunst&acirc;ncias da luta armada (<I>n</I>=1). Na LUAR negava-se, igualmente, a relev&acirc;ncia das quest&otilde;es de g&eacute;nero (<I>n</I>=1). No entanto, era reconhecido (<I>n</I>=1) que, apesar de serem poucas, as mulheres marcavam a diferen&ccedil;a pela positiva ao demonstrarem que eram t&atilde;o operacionais como um homem. Na ARA, o papel atribu&iacute;do &agrave;s mulheres era o mesmo que o PCP atribu&iacute;a, ou seja, na maior parte dos casos estas mantinham &ldquo;o teatro da vida normal&rdquo;, acabando por ocupar o papel feminino tradicional, deixando para os homens o protagonismo das ac&ccedil;&otilde;es, das reuni&otilde;es e da milit&acirc;ncia (<I>n</I>=2). As mulheres podiam ainda contribuir em termos de an&aacute;lise pol&iacute;tica com a escrita de artigos para diversos jornais do partido ou revistas femininas (<I>n</I>=1), sendo consideradas indispens&aacute;veis (<I>n</I>=1). Por &uacute;ltimo, nas FP-25 as mulheres eram consideradas &ldquo;iguais aos homens&rdquo; (<I>n</I>=2), contudo desempenhavam, essencialmente, um papel de apoio log&iacute;stico que permitia o funcionamento de toda a estrutura, sendo que algumas n&atilde;o pertenciam directamente &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o, mas tinham rela&ccedil;&otilde;es ocasionais ou continuadas com militantes da mesma (<I>n</I>=2). No entanto, as mulheres envolvidas organicamente na organiza&ccedil;&atilde;o constitu&iacute;am um grupo muito reduzido ao qual nada era vedado, mas que tamb&eacute;m n&atilde;o tinha um papel determinante naquela, mas a quem eram, muitas vezes, exigidos esfor&ccedil;os como comprovativo de capacidade para praticar luta armada, que n&atilde;o eram aos homens (<I>n</I>=1). Cameron (2005) aponta que, por vezes, as mulheres que praticam luta armada exercem elevados n&iacute;veis de viol&ecirc;ncia, no sentido de n&atilde;o se sentirem inferiores aos homens e de sentirem aprova&ccedil;&atilde;o. Em s&iacute;ntese, da perspectiva feminina (<I>n</I>=1) as FP-25 eram uma organi za&ccedil;&atilde;o &ldquo;profundamente machista&rdquo;, enquanto da perspectiva masculina (<I>n</I>=2) tanto &ldquo;havia pessoas que consideravam a mulher de uma forma machista, como havia companheiros mais liberais que tratavam as mulheres reaccionariamente&rdquo;, havendo, ainda, uma postura, por vezes paternalista em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s mulheres. </P >     <p>Em termos da passagem &agrave; clandestinidade (<I>n</I>=6), tanto nas BR como nas FP-25, esta era uma situa&ccedil;&atilde;o evitada ao m&aacute;ximo, pois o militante n&atilde;o clandestino resiste mais facilmente &agrave; pol&iacute;cia e ao manter o seu emprego legal, n&atilde;o &eacute; um peso financeiro para a organiza&ccedil;&atilde;o. Assim, a passagem &agrave; clandestinidade na generalidade das organiza&ccedil;&otilde;es acaba por ser feita apenas quando os militantes legais s&atilde;o detectados. Os membros de todas as organiza&ccedil;&otilde;es estudadas caracterizam as circuns t&acirc;ncias de passagem &agrave; clandestinidade como dif&iacute;ceis, &agrave;s quais est&atilde;o inerentes diversas perdas. &Eacute; tamb&eacute;m relatado que para viver na clandestinidade &eacute; preciso adoptar uma dupla personalidade (<I>n</I>=2), no sentido em que se cria uma personagem, o mais diferente poss&iacute;vel da original, mas ao mesmo tempo o mais simples e restrita poss&iacute;vel, de modo a n&atilde;o acarretar problemas nem levantar suspeitas. Tudo isto &ldquo;deixa marcas&rdquo;, que se mant&eacute;m mesmo depois da clandestinidade, sendo mesmo descrito que chegavam a existir pessoas que continuavam a agir como se ainda fossem clandestinos, assumindo apenas a sua identidade clandestina, j&aacute; na vida legal. A vida na clandesti nidade est&aacute; tamb&eacute;m na origem, segundo alguns participantes (<I>n</I>=3), de alguns problemas do foro psicol&oacute;gico, pelo facto de ser uma vida muito dura e desgastante, em que as pessoas vivem muito sozinhas. Os sintomas mais frequentemente relatados de mau estar psicol&oacute;gico s&atilde;o ins&oacute;nias, del&iacute;rios e sentimento exagerado e irrealista de estar a ser perseguido (<I>n</I>=3). Neste sentido, os entrevistados pertencentes &agrave;s FP-25 (<I>n</I>=3) apontaram uma s&eacute;rie de cuidados a ter na clandestinidade que n&atilde;o s&oacute; contribu&iacute;am para a seguran&ccedil;a f&iacute;sica dos militantes, mas tamb&eacute;m para o seu equil&iacute;brio psicol&oacute;gico &ndash; evitar sair durante a noite, fugindo assim a opera&ccedil;&otilde;es stop e a rondas policiais em estabelecimentos p&uacute;blicos; estar atento ao que est&aacute; ao redor, nunca ir directamente para casa, nunca fazer o mesmo percurso, trocar de casa com frequ&ecirc;ncia, etc. Um entrevistado pertencente &agrave; ARA considerou o inverso, ou seja, que a clandestinidade na &eacute;poca da ditadura impedia as pessoas de sair durante o dia e levava-as a evitar de todo o frequentar de estabeleci mentos p&uacute;blicos e as mudan&ccedil;as de casa, consideradas como momentos de grande perigo, pois era um trabalho que s&oacute; o pr&oacute;prio clandestino podia realizar e no qual poderia ser facilmente reconhecido. No entanto, quando os referidos cuidados n&atilde;o eram suficientes e a pessoa continuava a temer pela sua seguran&ccedil;a f&iacute;sica ou dava mostras de claro mau estar psicol&oacute;gico havia sempre a hip&oacute;tese de ir para um outro pa&iacute;s onde se poderia sentir segura, sendo que todas as organiza&ccedil;&otilde;es tinham este aspecto em aten&ccedil;&atilde;o e tinham pa&iacute;ses espec&iacute;ficos aos quais davam prefer&ecirc;ncia (e.g., as BR privilegiavam Argel) (<I>n</I>=4). No que respeita &agrave;s dificuldades sentidas na clandestinidade, estas prendiam-se essencialmente com condi&ccedil;&otilde;es de vida muito prec&aacute;rias, que se faziam sentir na falta de dinheiro para preparar a ac&ccedil;&atilde;o e numa log&iacute;stica com muitas falhas que n&atilde;o conferia os meios necess&aacute;rios aos objectivos a alcan&ccedil;ar (<I>n</I>=4); com a percep&ccedil;&atilde;o de enfrentar situa&ccedil;&otilde;es de elevado risco diariamente, com a incerteza cons tante acerca da seguran&ccedil;a individual (<I>n</I>=4), o que tinha como consequ&ecirc;ncia a mudan&ccedil;a frequente de casa, tida, igualmente, como uma dificuldade (<I>n</I>=2); com o corte relacional com a fam&iacute;lia e amigos (<I>n</I>=5) e, essencialmente, com a separa&ccedil;&atilde;o dos filhos (<I>n</I>=4); um participante refere tamb&eacute;m que uma das maiores dificuldades que teve foi a limita&ccedil;&atilde;o &ldquo;de car&aacute;cter cient&iacute;fico ou cultural&rdquo;, no sentido em que na clandestinidade os meios eram muito restritos. Os sentimentos vividos na clandestinidade passavam por uma &ldquo;sensa&ccedil;&atilde;o de vulnerabili dade muito grande&rdquo;, no sentido em que nunca se sabia o que &eacute; que aconteceria a seguir e tudo era muito provis&oacute;rio, havendo alturas com mais actividade, consideradas mais &ldquo;suport&aacute;veis&rdquo; e outras mais &ldquo;desagrad&aacute;veis&rdquo; por n&atilde;o se ver as coisas avan&ccedil;ar (<I>n</I>=2). Na clandestinidade detecta-se, tamb&eacute;m, uma enorme necessidade de sentir confian&ccedil;a nos parceiros com quem se realizam ac&ccedil;&otilde;es (<I>n</I>=4), o que conduz a um sentimento de protec&ccedil;&atilde;o por parte daquelas pessoas em quem se confia, tidas como operacionais exemplares, &ldquo;que sabiam disparar, sabiam comandar uma retirada&rdquo; (<I>n</I>=1). A vida na clandestinidade &eacute; relatada por tr&ecirc;s participantes como uma vida de muita solid&atilde;o, sendo que dois deles apontam para o facto que esta solid&atilde;o &eacute; amainada quando a clandestinidade &eacute; partilhada com outra pessoa com quem se tem um relacionamento de intimidade. Todos os partici pantes (<I>n</I>=7) relatam ter sentido medo na sua vida de clandestinos, sendo que dois deles consideram mesmo que &eacute; necess&aacute;rio ter medo, pois n&atilde;o ter medo significa estar demasiado confiante e descorar aspectos importantes. Este medo era &ldquo;o medo da pol&iacute;cia, o medo de ser apanhado&rdquo;, o medo pela fam&iacute;lia que n&atilde;o estava na clandestinidade e que podia ser prejudicada, o medo de ser detectado na rua ou em casa, o medo aquando dos confrontos directos com a pol&iacute;cia (<I>n</I>=4). </P >     <p>Em termos da retirada de dividendos da actividade armada (<I>n</I>=3), os elementos das FP-25 consideram que &ldquo;de maneira geral n&atilde;o houve ningu&eacute;m que ficasse com o dinheiro&rdquo;, apesar de essa ser a ideia passada pelos numerosos assaltos a bancos, mas que serviriam a subsist&ecirc;ncia da pr&oacute;pria organiza&ccedil;&atilde;o. Um dos elementos considera mesmo que financeiramente s&oacute; foi prejudicado, sendo que afirma que quando saiu da pris&atilde;o &ldquo;ainda sa&iacute; mais pobre financeiramente&rdquo;. No que respeita &agrave; aquisi&ccedil;&atilde;o de estatuto social atrav&eacute;s da participa&ccedil;&atilde;o em ac&ccedil;&otilde;es armadas, dois elementos das BR consideram que n&atilde;o houve ningu&eacute;m que tenha estado na clandestinidade por este motivo. No entanto, um elemento da LUAR considera que sempre se pode passar &agrave; clandestinidade &ldquo;um bocado por diletantismo&rdquo; e porque &ldquo;se era visto&rdquo;. Deste modo, as assun&ccedil;&otilde;es de Crenshaw (1985) acerca de duas das quatro motiva&ccedil;&otilde;es apresentadas para o ingresso na actividade terrorista &ndash; desejo de estatuto social e ganho de recompensas materiais &ndash; n&atilde;o se verificam nas organiza&ccedil;&otilde;es em estudo, segundo os seus participantes. </P >    <p>O suporte popular era granjeado por todas as organiza&ccedil;&otilde;es (<I>n</I>=5), no sentido em que todas procuravam que a popula&ccedil;&atilde;o se revisse nas suas ac&ccedil;&otilde;es. Todas as organiza&ccedil;&otilde;es relatam situa&ccedil;&otilde;es do pr&eacute; 25 de Abril nas quais as suas ac&ccedil;&otilde;es foram &ldquo;saudadas com largas dezenas de palmas&rdquo;, pois tratava-se de uma luta pela liberdade e pelo regime democr&aacute;tico. Por outro lado, depois daquela data a altura em que &eacute; percebido mais suporte popular &eacute; durante o processo do Processo Revolucion&aacute;rio em Curso &ndash; PREC &ndash; em que as ac&ccedil;&otilde;es eram muito praticadas &ldquo;em fun&ccedil;&atilde;o de ecos de luta&rdquo;, ou seja, sobre casos espec&iacute;ficos de patr&otilde;es ou empresas que estavam de algum modo a reprimir e a prejudicar os trabalhadores. As FP-25 v&atilde;o ainda mais longe, tendo uma rede de apoios constitu&iacute;da por pessoas que n&atilde;o estavam na clandestinidade e nem estavam directamente relacionadas com a organiza&ccedil;&atilde;o, mas que, por exemplo, tratavam de aspectos log&iacute;sticos (e.g., aluguer de casa, autom&oacute;vel) e de documentos para os militantes na clandestinidade ou cediam a sua casa para alojar algu&eacute;m, apenas com a justifica&ccedil;&atilde;o que estava envolvido com assuntos pol&iacute;ticos, sendo que naquela altura &ldquo;as pessoas assumiam isso com uma certa naturalidade sem perguntar grande coisa&rdquo;. Desta forma, os participantes n&atilde;o corroboram as afirma&ccedil;&otilde;es de Fraser e Fulton (1984, citados por Henderson, 2004) que caracterizam o suporte popular &agrave; luta armada como bastante reduzido e dificultante do acesso a materiais. Por&eacute;m, segundo os participantes pertencentes &agrave;s FP-25 a desaprova&ccedil;&atilde;o popular acaba por chegar e prende-se com o car&aacute;cter extremado &ndash; mortes &ndash; das ac&ccedil;&otilde;es desenvolvidas, n&atilde;o sendo assim atingidos os resultados esperados por esta organiza&ccedil;&atilde;o, pois ao inv&eacute;s de animarem os trabalhadores para a luta, refor&ccedil;aram a repress&atilde;o que j&aacute; antes existia sobre eles e assustaram-nos, no sentido em que estes n&atilde;o se queriam comprometer com o tipo de viol&ecirc;ncia praticada pelas FP-25. O que vai de encontro &agrave;s afirma&ccedil;&otilde;es de Crenshaw (1990), relativas ao facto de a popula&ccedil;&atilde;o n&atilde;o se querer identificar com a vitimiza&ccedil;&atilde;o de inocentes e come&ccedil;ar a temer a repress&atilde;o do Estado. </P >    <p>A publicidade que se faz &agrave;s ac&ccedil;&otilde;es levadas a cabo (<I>n</I>=3) aparece como um elemento central para os movimentos de luta armada, sendo que um elemento da ARA relata que &ldquo;o objectivo central das ac&ccedil;&otilde;es era ganhar, digamos assim, pelo efeito espectacular e propagand&iacute;stico, pois naquela altura a televis&atilde;o n&atilde;o falava da oposi&ccedil;&atilde;o nem os jornais&rdquo;. Ao que dois elementos das FP25 acrescentam que o mais importante n&atilde;o era a organiza&ccedil;&atilde;o ter muitos operacionais, mas o impacto das suas ac&ccedil;&otilde;es na opini&atilde;o p&uacute;blica, sendo que havia um sentimento de reconhecimento que percorria os militantes da organiza&ccedil;&atilde;o, que se constitu&iacute;a sempre como &ldquo;um factor de contentamento&rdquo;. O que corrobora a teoria de Weinberg e Eubank (2006) que afirma serem os <I>mass media </I>os aliados principais da actividade terrorista. Os <I>mass media </I>veiculam as mensagens provocat&oacute;rias enviadas pelos terroristas e concedem-lhes notoriedade p&uacute;blica e consequentemente credibilidade, contribuindo assim para a difus&atilde;o de um clima de terror. No fundo, os <I>mass media </I>d&atilde;o consecu&ccedil;&atilde;o ao objectivo terrorista de fractura social e reproduzem a sua propaganda. </P >     <p>No que respeita ao relacionamento interpessoal (<I>n</I>=5), todos os participantes relatam a exist&ecirc;ncia de uma boa camaradagem, de la&ccedil;os afectivos muito fortes e significativos e de um profundo respeito cumplicidade entre os militantes. Tudo isto muito alicer&ccedil;ado na confian&ccedil;a que tinham necessariamente uns pelos outros. No entanto, mesmo que n&atilde;o existissem la&ccedil;os afectivos entre os militantes, existiam em todos os casos la&ccedil;os ideol&oacute;gicos, respons&aacute;veis pela coes&atilde;o do grupo. Contudo, dois elementos das FP-25 relatam algum mau estar a n&iacute;vel interpessoal na organiza&ccedil;&atilde;o, relacionado com o facto de ser uma organiza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica onde est&aacute; sempre presente o &ldquo;factor do poder&rdquo; e de quem manda em qu&ecirc; e em quem, o que pode sempre gerar alguns conflitos. Segundo dois participantes pertencentes &agrave;s FP-25, o relacionamento interpessoal tamb&eacute;m passava muito pelo aspecto de viv&ecirc;ncia conjunta, sendo este, talvez, um dos aspectos mais relevantes para o equil&iacute;brio dos sujeitos na clandestinidade. Assim, ou o sujeito tinha uma/um companheira/o na clandestinidade, que n&atilde;o tinha que fazer obrigatoriamente parte da organiza&ccedil;&atilde;o, ou vivia com parceiros, que na maior parte dos casos n&atilde;o escolhia, mas com quem realizava ac&ccedil;&otilde;es, sendo que de maneira geral o relacionamento nas casas era conflituoso (<I>n</I>=2), pois na maior parte das vezes n&atilde;o havia dinheiro suficiente, as condi&ccedil;&otilde;es de habitabilidade eram m&aacute;s e havia sempre a tens&atilde;o de nunca se ter a certeza se a casa tinha sido detectada ou n&atilde;o e, caso tivesse, para onde era a mudan&ccedil;a. Por&eacute;m, tal situa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o causava conflitos de maior, porque as pessoas andavam sempre a trocar de casa e, logo, a trocar de parceiros. Em termos de relacionamentos amorosos no contexto da luta armada (<I>n</I>=4), verificam-se duas din&acirc;micas distintas, uma primeira que era o relacionamento ocasional, fruto da rota&ccedil;&atilde;o das pessoas e &ldquo;de uma &eacute;poca em que havia ainda os restos do amor livre&rdquo;, que n&atilde;o impunha uma ideia de casal muito restrita nem formalizada. Esta din&acirc;mica, por vezes, trazia alguns problemas, no sentido em que alguns companheiros tinham v&aacute;rias companheiras em v&aacute;rios s&iacute;tios. Neste sentido, o relacionamento amoroso dentro da organiza&ccedil;&atilde;o &eacute; descrito como &ldquo;n&atilde;o muito saud&aacute;vel&rdquo; (<I>n</I>=3), pois na maior parte dos casos circunscrevia-se &agrave;s pessoas da organiza&ccedil;&atilde;o, sendo relatado que &ldquo;as poucas companheiras que estiveram nunca lhes faltou companhia&rdquo;, o que nem sempre significou uma &ldquo;afectividade resolvida&rdquo;. No entanto, &eacute; referido que alguns casos &ldquo;que come&ccedil;aram com rela&ccedil;&otilde;es de cama, passaram a rela&ccedil;&otilde;es de amor, tiveram filhos e mant&ecirc;m hoje essa rela&ccedil;&atilde;o&rdquo;. &Eacute; de notar que aquando do retorno dos dados aos participantes, um elemento da ARA n&atilde;o identifica a presen&ccedil;a destes aspectos nesta organiza&ccedil;&atilde;o. A segunda din&acirc;mica passa pelos relacionamentos amorosos que j&aacute; existiam antes do envolvimento no movimento e que s&atilde;o mantidos ou por aqueles que acontecem depois de estar na organiza&ccedil;&atilde;o, mas com pessoas que nada tinham a ver com esta, que podiam ou n&atilde;o habitar com os militantes (<I>n</I>=3). Segundo os participantes (<I>n</I>=4), a retoma dos relacionamentos ap&oacute;s o t&eacute;rmino da organiza&ccedil;&atilde;o e de todas as consequ&ecirc;ncias que o envolvimento nesta acarretou depende em grande parte do facto de ter havido um relacionamento afectivo forte anteriormente ou n&atilde;o e se h&aacute; uma continuidade ideol&oacute;gica entre o passado e o presente. </P >     <p>Os conflitos interpessoais no seio das organiza&ccedil;&otilde;es em estudo (<I>n</I>=6) s&atilde;o descritos como fruto de diverg&ecirc;ncias na maneira de pensar as ac&ccedil;&otilde;es a praticar e tamb&eacute;m como fruto de diverg&ecirc;ncias ideol&oacute;gicas sobre aspectos espec&iacute;ficos, mas sobretudo como fruto dos diferentes tipos de personalidade individuais, que, por vezes, entravam em colis&atilde;o. A morte de camaradas &eacute; um outro aspecto que os participantes (<I>n</I>=2) apontam como acarretando conflitualidade no seio das organiza&ccedil;&otilde;es, pois provoca o questionamento da organiza&ccedil;&atilde;o e da ac&ccedil;&atilde;o pessoal, bem como recuos. Os pormenores log&iacute;sticos do dia-a-dia, agravados e aumentados pelas condicionantes da clandestinidade, essencialmente a falta de dinheiro, a actua&ccedil;&atilde;o de cada um para a seguran&ccedil;a da casa e os envolvimentos amorosos que n&atilde;o corriam bem ou as disputas por companheiras (essencialmente no feminino), s&atilde;o tamb&eacute;m apontados (<I>n</I>=3) como motivos de conflitos interpessoais. A gest&atilde;o de conflitos interpessoais era, segundo os participantes (<I>n</I>=4), feita em reuni&otilde;es de direc&ccedil;&atilde;o, e podia resultar no afastamento das pessoas em causa entre si, ou seja, continuavam na organiza&ccedil;&atilde;o, mas n&atilde;o trabalhavam juntas. Podia tamb&eacute;m resultar no recuo dos militantes, tanto em Portugal como no estrangeiro, para reflex&atilde;o ou afastamento permanente, pois podia estar em causa a seguran&ccedil;a do pr&oacute;prio militante, assim como do grupo. </P >    <p>Quando questionadas acerca da exist&ecirc;ncia de alguma ac&ccedil;&atilde;o que tenha causado desconforto pessoal, todos os participantes das FP-25 (<I>n</I>=3) apontam a morte n&atilde;o intencional de um beb&eacute;. No entanto, apesar de um dos participantes considerar esse dia como &ldquo;um atentado&rdquo;, considera, igualmente, que faz parte da luta pol&iacute;tica e que &ldquo;se tratou de um acidente ou de um mau levantamento&rdquo;. Contudo, tal desconforto leva os participantes a questionar as ac&ccedil;&otilde;es, a organiza&ccedil;&atilde;o e at&eacute; a actua&ccedil;&atilde;o pessoal (<I>n</I>=3), de modo a compreenderem o porqu&ecirc; de algumas ac&ccedil;&otilde;es, que provocam a vitima&ccedil;&atilde;o n&atilde;o intencional de pessoas. Um participante da LUAR questionava-se, fruto das &ldquo;d&uacute;vidas permanentes&rdquo;, se o que faziam e os sacrif&iacute;cios pessoais se justificavam ou n&atilde;o. E um elemento das FP-25 parou mesmo de fazer ac&ccedil;&otilde;es concretas, passando para uma componente onde tinha fun&ccedil;&otilde;es mais de log&iacute;stica, devido ao questionamento constante que fazia ao funcionamento da organiza&ccedil;&atilde;o. &Eacute; de levar em considera&ccedil;&atilde;o que apesar de algumas ac&ccedil;&otilde;es terem sido desconfort&aacute;veis para alguns participantes e de existir algum questionamento da organiza&ccedil;&atilde;o, nenhum deles a abandonou ou deixou de fazer ac&ccedil;&otilde;es, o que pode est&aacute; relacionado com o facto de, em primeiro lugar, ser muito complicado um militante desvincular-se da luta, pois &eacute; imposs&iacute;vel retornar ao seu dia-a-dia habitual (Crenshaw, 1990) e, em segundo lugar, o facto de estes poderem ser vistos como crimes de obedi&ecirc;ncia, crimes cometidos por pessoas que n&atilde;o apresentam qualquer perturba&ccedil;&atilde;o e que podem escolher agir de acordo com a lei, mas escolhem agir de acordo com as orienta&ccedil;&otilde;es da organiza&ccedil;&atilde;o armada (Beu &amp; Buckley, 2004). </P >    <p>No que respeita &agrave; utiliza&ccedil;&atilde;o de armas (<I>n</I>=5) &eacute; comum aos participantes, tanto do antes como do p&oacute;s 25 de Abril, o facto de n&atilde;o terem uma prefer&ecirc;ncia especial pela utiliza&ccedil;&atilde;o de armas. Ao ponto de um deles afirmar que nunca disparou uma arma, outro dizer que nunca andava armada no dia-a-dia, devido ao facto de acreditar que seria &ldquo;uma tenta&ccedil;&atilde;o para um acto qualquer de desespero&rdquo; e outro referir que tinha uma p&eacute;ssima capacidade de tiro, o que causava alguma inseguran&ccedil;a aquando da realiza&ccedil;&atilde;o das ac&ccedil;&otilde;es onde poderia ser necess&aacute;rio disparar. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No que refere &agrave;s caracter&iacute;sticas dos sujeitos envolvidos nos movimentos de luta armada &eacute; apontado por dois dos participantes que &ldquo;n&atilde;o h&aacute; uma personalidade do guerrilheiro ou da pessoa que se envolve na luta armada, h&aacute; v&aacute;rias personalidades como em todo o lado&rdquo;, logo quem pratica lutar armada n&atilde;o &eacute; obrigatoriamente algu&eacute;m &ldquo;desiludido, frustrado ou enganado&rdquo;, nem o faz por ser &ldquo; de esquerda revolucion&aacute;ria&rdquo; ou porque &eacute; &ldquo;traumatizado ou malquerido&rdquo;, sendo a grande maioria dos participantes considerada como estruturada e equilibrada. Deste modo, tal como referido na literatura (Crenshaw, 1990; Costa, 2008), n&atilde;o se verifica a presen&ccedil;a de qualquer tipo de perturba&ccedil;&atilde;o ou doen&ccedil;a mental, pelo menos nos discursos dos participantes, em indiv&iacute;duos que praticam luta armada. </P >    <p>A faixa et&aacute;ria dos participantes na luta armada em Portugal encontrava-se, maioritariamente, entre os 20 e os 30 anos (<I>n</I>=3), eram pessoas que estavam no &ldquo;come&ccedil;o da idade adulta&rdquo; e que consideram que o que fizeram resultou fundamentalmente da idade que tinham, sendo esta &ldquo;uma experi&ecirc;ncia de jovem&rdquo;. No entanto, uma experi&ecirc;ncia que marca &ldquo;um per&iacute;odo tremendo&rdquo; em todas as &aacute;reas da vida dos sujeitos que por ela passaram, com consequ&ecirc;ncias nas formas de pensar, agir e estar no presente. O que realmente corrobora as afirma&ccedil;&otilde;es presentes na literatura que v&atilde;o no sentido das idades jovens dos indiv&iacute;duos praticantes de luta armada (Cohen, 1955; Hudson, 1999; Post, 1986, citado por Nascimento, 2002) e do facto de a sua identidade ser formada e afirmada pela sua perten&ccedil;a ao movimento (Ventura &amp; Nascimento, 2001). </P >    <p>Em termos do posicionamento individual antes de uma ac&ccedil;&atilde;o (<I>n</I>=4), s&atilde;o encontradas algumas diferen&ccedil;as entre os participantes. Alguns afirmam que n&atilde;o tinham medo, nem se sentiam stressados, nunca pondo em causa a realiza&ccedil;&atilde;o da ac&ccedil;&atilde;o ou pensando em voltar atr&aacute;s, enquanto outros referem que nunca conseguiram aprender a lidar com o stress, indo para as ac&ccedil;&otilde;es muito tensos e inseguros pelo facto de n&atilde;o saberem se conseguiriam responder da forma acertada &agrave;s circunst&acirc;ncias ou at&eacute; mesmo n&atilde;o dando consecu&ccedil;&atilde;o &agrave; ac&ccedil;&atilde;o (<I>n</I>=4). No entanto, aquando da realiza&ccedil;&atilde;o das ac&ccedil;&otilde;es propriamente dita os participantes relatam diversos estados internos (<I>n</I>=3) &ndash; alguns, movidos pela &ldquo;adrenalina&rdquo;, procuravam sair o mais r&aacute;pido poss&iacute;vel das situa&ccedil;&otilde;es; outros relatam momentos em que &ldquo;as pernas estavam a tremer&rdquo;, mas em que tinham que dar continuidade &agrave; ac&ccedil;&atilde;o, pois caso contr&aacute;rio prejudicariam outros camaradas; outros, ainda, perdiam completamente a calma; por fim, alguns demonstravam possuir &ldquo;nervos de a&ccedil;o&rdquo;, &ldquo;muito sangue frio e muito destemor&rdquo;, provocados por uma &ldquo;calma excessiva&rdquo; que os invadia no decorrer da ac&ccedil;&atilde;o. </P >    <p>No presente os elementos pertencentes &agrave;s FP-25 apontam para uma necessidade de contextua liza&ccedil;&atilde;o do passado (<I>n</I>=2), no sentido em que a &ldquo;organiza&ccedil;&atilde;o correspondeu a um momento hist&oacute;rico e a um grupo de pessoas (...) que tinha uma grande disponibilidade para o todo social e que olhavam a realidade social no sentido de a transformar&rdquo;. Deste modo, os participantes t&ecirc;m dificuldades em realizar an&aacute;lises <I>&agrave; posteriori </I>por considerarem que houveram motiva&ccedil;&otilde;es sociais, econ&oacute;micas e pol&iacute;ticas referenciadas &agrave; &eacute;poca. Contudo, &eacute; admitida uma certa falta de maturidade e uma &ldquo;tremenda ilus&atilde;o&rdquo; que a igualdade poderia ser imposta &ldquo;na ponta das espingardas&rdquo;. &Eacute;, ainda, admitido que houve ac&ccedil;&otilde;es que n&atilde;o foram bem-feitas, apesar de na altura o terem parecido, mas os seus efeitos colaterais vieram provar o contr&aacute;rio (e.g., o facto de quase todos terem acabado por ser presos). No entanto, as recorda&ccedil;&otilde;es do passado (<I>n</I>=3), tanto nas organiza&ccedil;&otilde;es do antes, como do p&oacute;s 25 de Abril s&atilde;o sobretudo positivas, afectivamente muito fortes, apesar das muitas dificuldades passadas e do medo constante de serem descobertos. Tais recorda&ccedil;&otilde;es permitem ainda dar sentido ao passado e &ldquo;ajustar as coisas&rdquo;. Os participantes de movimentos existentes antes do 25 de Abril sublinham, ainda, a sua elevada import&acirc;ncia no passado sob o ponto de vista pol&iacute;tico por terem agido de forma diferente e por terem contribu&iacute;do para a revolu&ccedil;&atilde;o (<I>n</I>=2). </P >    <p>&Eacute; de notar uma marcada aus&ecirc;ncia de arrependimento (<I>n</I>=5), estendido tanto aos grupos do antes como do p&oacute;s 25 de Abril, sendo que dois sujeitos pertencentes a organiza&ccedil;&otilde;es que estiveram no activo antes dessa data expressam mesmo &ldquo;um sentimento de orgulho&rdquo; pelo percurso na luta armada no passado, que de acordo com aqueles trouxe ganhos incompar&aacute;veis para a sociedade portuguesa. No que respeita &agrave;s FP-25 os envolvidos consideram que &ldquo;em termos de conceito e de maneira de ver o mundo&rdquo; n&atilde;o h&aacute; como se arrependerem, nem se descomprometerem das ac&ccedil;&otilde;es de decis&otilde;es levadas a cabo (<I>n</I>=2), sentindo-se ainda motivados para a continuidade na luta pol&iacute;tica. Tal aus&ecirc;ncia de arrependimento pode ser produto de uma inibi&ccedil;&atilde;o das regras morais convencionais empreendida por estes elementos, que ao darem grande relev&acirc;ncia &agrave;s circunst&acirc;ncias sociais, produzem justifica&ccedil;&otilde;es para as ac&ccedil;&otilde;es praticadas (e.g., &ldquo;... foi uma boa traject&oacute;ria, foi importante na sociedade portuguesa, importante na hist&oacute;ria e foi uma formula&ccedil;&atilde;o em si como objecto...&rdquo;; &ldquo;... n&atilde;o se podia ficar parado &agrave; espera que tudo que se tinha ganho em 74 e 75 se fosse perdendo e, portanto, havia que fazer alguma coisa de extremo&rdquo;), deslocam a responsabilidade das consequ&ecirc;ncias para as v&iacute;timas (e.g., &ldquo;se o arrependido das FP-25 n&atilde;o tivesse colaborado com a pol&iacute;cia n&atilde;o tinha sido morto&rdquo;) ou minimizam-nas e percepcionam a v&iacute;tima como culpada e indigna de viver (e.g., &ldquo;... um gajo que mandava mais que os outros, um gajo que as pessoas estavam a morrer de fome, os m&eacute;dicos mandavam as pessoas ir para o hospital e ele dizia n&atilde;o v&atilde;o nada, quem manda sou eu...&rdquo;) (Bandura, 1990, 1999). </P >    <p>No que respeita &agrave; continuidade da luta ap&oacute;s a revolu&ccedil;&atilde;o de Abril, as organiza&ccedil;&otilde;es que actuaram antes do 25 de Abril demonstram total desacordo com a mesma (<I>n</I>=2), por considerarem que no presente &eacute;-se livre para praticar formas de luta legais. J&aacute; os elementos das FP-25 consideram alguns motivos para a n&atilde;o continua&ccedil;&atilde;o na luta armada no presente (<I>n</I>=2) &ndash; limita&ccedil;&otilde;es puramente f&iacute;sicas, bem como a exist&ecirc;ncia de sentimentos de desilus&atilde;o e frustra&ccedil;&atilde;o, devidos ao fraco cumprimento dos objectivos da organiza&ccedil;&atilde;o e ao facto de a maioria dos seus militantes ter sido preso (<I>n</I>=2). Contudo, tanto os grupos do antes como do p&oacute;s 25 de Abril apresentam uma manuten&ccedil;&atilde;o no presente da ideologia e postura defendidas no passado (<I>n</I>=4). O que, em alguns casos, n&atilde;o poderia acontecer de outro modo devido &agrave; tenra idade de ades&atilde;o a organiza&ccedil;&otilde;es praticantes de luta armada, o que contribui para a moldagem das identidades pessoal e social dos indiv&iacute;duos (Ventura &amp; Nascimento, 2001). No entanto, s&atilde;o referidos numerosos camaradas que n&atilde;o mantiveram qualquer continuidade entre o passado e o presente (<I>n</I>=4), que recusam qualquer tipo de proposta relacionada com algum tipo de luta e at&eacute; mesmo alteraram as suas convic&ccedil;&otilde;es ideol&oacute;gicas. </P >    <p>No sentido da manuten&ccedil;&atilde;o no presente de formas de luta legais dos sete participantes entrevistados, tr&ecirc;s relatam continuarem na defesa dos seus ideais, mediante uma necessidade de contribui&ccedil;&atilde;o para a transforma&ccedil;&atilde;o social e de luta contra as injusti&ccedil;as. Por&eacute;m, &eacute; relatado que a maioria dos restantes militantes dos movimentos em geral n&atilde;o teve a mesma atitude de envolvimento pol&iacute;tico e social, optando por &ldquo;uma postura de tratar da vida no sentido do quotidiano&rdquo;. </P >    <p>S&Iacute;NTESE CR&Iacute;TICA E CONCLUS&Atilde;O </P >    <p>Em s&iacute;ntese, a inicia&ccedil;&atilde;o no grupo acontecia, na maior parte dos casos, atrav&eacute;s de um processo de recrutamento, que podia ser levado a cabo pela pr&oacute;pria organiza&ccedil;&atilde;o, pelo partido pol&iacute;tico que estava na sua retaguarda ou por iniciativa de sujeitos que procuravam aquela a t&iacute;tulo individual, no intuito de concluir se a pessoa tinha ou n&atilde;o capacidade de ajuste &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o clandestina e aos seus prop&oacute;sitos. A entrada no grupo n&atilde;o parece ser levada a cabo por nenhum tipo de fasc&iacute;nio por armas ou pelo exerc&iacute;cio da viol&ecirc;ncia, mas antes pela oportunidade de agir, no sentido de derrubar o regime ditatorial (no respeitante &agrave;s organiza&ccedil;&otilde;es actuantes antes do 25 de Abril) e no sentido de combater injusti&ccedil;as sociais e um poss&iacute;vel retorno ao fascismo (no respeitante &agrave;s FP25). </P >    <p>As din&acirc;micas interpessoais no seio das organiza&ccedil;&otilde;es abordadas eram caracterizadas por uma clara afectividade e, na aus&ecirc;ncia desta, existiam, pelo menos, la&ccedil;os ideol&oacute;gicos, sendo que os relacionamentos tinham por base a necessidade de confiar no outro, devido aos riscos corridos durante a consecu&ccedil;&atilde;o das ac&ccedil;&otilde;es. Os relacionamentos amorosos eram marcados por um car&aacute;cter ocasional, entre militantes ou n&atilde;o, ou diziam respeito a relacionamentos que j&aacute; existiam antes da organiza&ccedil;&atilde;o ou que se iniciaram ap&oacute;s entrada na mesma, mas com pessoas do exterior. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os conflitos decorriam essencialmente das necessidades do quotidiano e da conviv&ecirc;ncia nas habita&ccedil;&otilde;es, sendo tamb&eacute;m motivados por diverg&ecirc;ncias na forma de pensar e executar as ac&ccedil;&otilde;es. A gest&atilde;o dos mesmos poderia significar tanto o afastamento dos militantes entre si, como o recuo para o estrangeiro, no sentido da sua protec&ccedil;&atilde;o pessoal e da organiza&ccedil;&atilde;o. A morte de camaradas exercia um peso substancial no que concerne &agrave;s din&acirc;micas interpessoais, pois esta era sempre tida como uma perda arrasadora, que trazia consigo sentimentos de culpa e desmotiva&ccedil;&atilde;o. O modo de lidar com os delatores difere entre as organiza&ccedil;&otilde;es actuantes antes do 25 de Abril &ndash; que n&atilde;o exerciam qualquer tipo de castigo relativamente aos mesmos &ndash; para a organiza&ccedil;&atilde;o actuante no p&oacute;s 25 de Abril &ndash; que optou pelo assassinato de um deles, como meio de veicular uma mensagem. Ressaltam-se, ainda, relatos de algum mal-estar em termos de din&acirc;micas interpessoais, provocado pela procura de poder por parte de alguns militantes, negando-se, contudo, a exist&ecirc;ncia de uma dissocia&ccedil;&atilde;o entre militantes puramente ide&oacute;logos e militantes puramente operacionais. </P >    <p>A vida dentro do grupo diferia totalmente da vida quotidiana, pois todos os participantes a referem como muito limitada e muito marcada por dificuldades e saudades da fam&iacute;lia, dos amigos e dos pr&oacute;prios h&aacute;bitos da vida fora do grupo. A gest&atilde;o da clandestinidade revela-se uma das &aacute;reas mais complicadas da milit&acirc;ncia armada, sendo que nenhum participante encontra nela alguma vantagem, pois &eacute; caracterizada como uma vida muito dura, repleta de perdas e dificuldades, que chega mesmo a provocar perturba&ccedil;&otilde;es psicol&oacute;gicas. Neste sentido, foram referidos diversos procedimentos de seguran&ccedil;a colocados em pr&aacute;tica, bem como oportunidades de ref&uacute;gio no estrangeiro. Os sentimentos mais relatados foram a sensa&ccedil;&atilde;o de vulnerabilidade constante, a solid&atilde;o, as saudades e o medo. &Eacute; ainda apontada a n&atilde;o retirada de dividendos (financeiros ou de estatuto social) pelo facto de se estar na clandestinidade. </P >    <p>O papel das mulheres no movimento &eacute; considerado em todas as organiza&ccedil;&otilde;es, &agrave; excep&ccedil;&atilde;o da ARA, igual ao dos homens. &Eacute; descrito que um reduzido n&uacute;mero de mulheres praticava luta armada, contudo ocupavam cargos directivos, ocupavam-se do apoio log&iacute;stico e participavam nas ac&ccedil;&otilde;es. Na ARA as mulheres estavam mais encarregues de manter a apar&ecirc;ncia de normalidade na vida quotidiana, perante a sociedade, participando, por vezes, em quest&otilde;es de an&aacute;lise pol&iacute;tica. Deste modo, o grau de aceita&ccedil;&atilde;o das mulheres nas diferentes organiza&ccedil;&otilde;es era elevado, apesar de estas sentirem, por vezes, que n&atilde;o eram fundamentais e que tinham que se esfor&ccedil;ar mais do que os homens para serem aceites. </P >    <p>No que refere &agrave;s justifica&ccedil;&otilde;es atribu&iacute;das &agrave;s ac&ccedil;&otilde;es empreendidas, estas s&atilde;o de teor essencial mente pol&iacute;tico e ideol&oacute;gico, no sentido da liberta&ccedil;&atilde;o da repress&atilde;o do regime fascista e do peso da Guerra Colonial antes do 25 de Abril de 1974, e no sentido da luta contra as injusti&ccedil;as sociais e o regresso da ditadura ap&oacute;s aquela data. A gest&atilde;o de momentos e ac&ccedil;&otilde;es percebidos como desconfort&aacute;veis &eacute; realizada atrav&eacute;s de processos de tomada de decis&atilde;o, a qual, de acordo com os participantes, se caracterizava pelo recurso ao voto e pela procura de consenso, deixando sempre margem de recusa individual. A d&uacute;vida e o questionamento surgiam, particularmente, ap&oacute;s ac&ccedil;&otilde;es que provocavam vitimiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o intencional ou a morte de camaradas, e quando os militantes reflectiam acerca de os ganhos e perdas compensarem, ou n&atilde;o, todo o sacrif&iacute;cio pessoal. </P >    <p>O suporte popular era procurado por todas as organiza&ccedil;&otilde;es e todas elas procuravam despertar as popula&ccedil;&otilde;es no sentido de uma revolu&ccedil;&atilde;o popular, umas com mais sucesso do que outras, pois ao colocarem em pr&aacute;tica o ataque contra pessoas as FP-25 atemorizaram as popula&ccedil;&otilde;es, que &ndash; segundo os participantes &ndash; n&atilde;o se queriam comprometer com este g&eacute;nero de ac&ccedil;&otilde;es. </P >     <p>O sentido que actualmente os participantes dizem atribuir &agrave;s suas ac&ccedil;&otilde;es e envolvimento no passado &eacute; descrito como a percep&ccedil;&atilde;o de um momento que n&atilde;o se podia deixar passar, e no qual era necess&aacute;rio agir. No presente, os participantes contextualizam a sua actua&ccedil;&atilde;o de acordo com a conjuntura pol&iacute;tica, econ&oacute;mica e social da &eacute;poca e a refer&ecirc;ncia &agrave; exist&ecirc;ncia de recorda&ccedil;&otilde;es mormente positivas e &agrave; aus&ecirc;ncia de arrependimento s&atilde;o un&acirc;nimes entre aqueles. Estes participantes mant&ecirc;m hoje a ideologia do passado. Est&atilde;o, na sua maioria, envolvidos em formas de luta legais por aquilo que defendem; no entanto n&atilde;o aderem novamente a movimentos de luta armada, uns por n&atilde;o o acharem necess&aacute;rio, outros por considerarem que a idade j&aacute; n&atilde;o o permite. Referem, contudo, que diversos camaradas alteraram totalmente a sua postura e preferem ignorar e ocultar o passado. </P >     <p>Finalmente, em jeito de conclus&atilde;o e de aproxima&ccedil;&atilde;o a uma explica&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica do porqu&ecirc; da entrada e participa&ccedil;&atilde;o em organiza&ccedil;&otilde;es armadas por parte deste grupo de participantes, consideramos que neste estudo se distinguem claramente os actores que participaram em organiza&ccedil;&otilde;es de antes do 25 de Abril e os actores praticantes de luta armada ap&oacute;s esta data. </P >     <p>No primeiro caso, parece-nos tratarem-se, essencialmente, de indiv&iacute;duos pertencentes a um estrato social composto por intelectuais, com carreiras pol&iacute;ticas s&oacute;lidas, ideologicamente organizados e, muitas vezes, com experi&ecirc;ncia de forma&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e operacional no estrangeiro. Indiv&iacute;duos estes que aspiravam apenas &agrave; queda do regime ditatorial e ao fim da Guerra Colonial, repudiando de todo a vitimiza&ccedil;&atilde;o humana como meio para o alcance dos seus objectivos. No segundo caso, parece-nos tratarem-se de indiv&iacute;duos mais jovens e menos intelectualizados, na sua maioria, que experienciaram a euforia da revolu&ccedil;&atilde;o de Abril, a reconquista da democracia e que a um dado momento se come&ccedil;am a aperceber, muitas vezes por experi&ecirc;ncia pr&oacute;pria (no caso daqueles que eram oper&aacute;rios), de injusti&ccedil;as no seio do tecido social, que afectavam principalmente os mais desfavorecidos. Estes indiv&iacute;duos come&ccedil;am, igualmente, a temer o retorno &agrave; ditadura devido a avan&ccedil;os da extrema-direita e aos fracassos eleitorais dos partidos da esquerda. &Eacute; neste sentido que se organizaram, mas a nosso ver de uma forma bastante emocional e pouco ponderada, o que justifica a r&aacute;pida desarticula&ccedil;&atilde;o da organiza&ccedil;&atilde;o, a pris&atilde;o da maioria dos seus elementos, bem como a realiza&ccedil;&atilde;o de ac&ccedil;&otilde;es com as quais nem todos os participantes se identificaram. </P >     <p>Deste modo, acreditamos que este estudo deixa o seu contributo para o melhor conhecimento das viv&ecirc;ncias e perspectivas individuais daqueles que dedicaram um per&iacute;odo da sua vida &agrave; luta armada no nosso pa&iacute;s, bem como das din&acirc;micas das organiza&ccedil;&otilde;es que integraram. Acedemos a &aacute;reas muito pouco perscrutadas pela literatura, tanto a n&iacute;vel nacional, como internacional, pois procur&aacute;mos centrar a an&aacute;lise a um n&iacute;vel mais micro do que macro, ou seja, ao n&iacute;vel do individuo e das suas experi&ecirc;ncias subjectivas (quando a maioria das an&aacute;lises sobre o terrorismo se situa num plano mais macro, de orienta&ccedil;&atilde;o sociol&oacute;gica). </P >    <p>No entanto, consideramos ser poss&iacute;vel ir mais al&eacute;m e explorar melhor aspectos relacionados com a hist&oacute;ria de vida dos sujeitos, com as suas justifica&ccedil;&otilde;es de car&aacute;cter &eacute;tico, moral e psicol&oacute;gico para a comiss&atilde;o de ac&ccedil;&otilde;es ilegais e acerca da pr&oacute;pria estrutura e <I>modus operandis </I>das organiza&ccedil;&otilde;es. Contudo, estas s&atilde;o &aacute;reas de dif&iacute;cil aproxima&ccedil;&atilde;o, &agrave;s quais, por vezes, os pr&oacute;prios entrevistados t&ecirc;m dificuldade em aceder, pois n&atilde;o nos podemos esquecer que muitos deles viveram anos a fio na clandestinidade e determinadas formas de estar e agir, e mesmo algumas limita&ccedil;&otilde;es de express&atilde;o, s&atilde;o ainda fruto dessa experi&ecirc;ncia. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Este estudo procurou, ainda, relacionar diversas abordagens com o fen&oacute;meno da luta armada, no sentido de lhe dar um enquadramento te&oacute;rico e de corroborar ou n&atilde;o, atrav&eacute;s dos dados recolhidos, a parca teoria pr&eacute;via. Contudo, a literatura nesta &aacute;rea est&aacute; muito voltada para os movimentos de luta armada de cariz religioso, ou para os movimentos de guerrilha da Am&eacute;rica Latina, o que nem sempre permite a adop&ccedil;&atilde;o de uma abordagem metodol&oacute;gica no sentido da prova. Assim sendo, acab&aacute;mos por optar por uma postura metodol&oacute;gica orientada sobretudo no sentido da descoberta, congruente com a pobre teoria dispon&iacute;vel na &aacute;rea e com a pr&oacute;pria metodologia qualitativa adoptada. </P >    <p>No futuro, consideramos relevante a abordagem de formas de preven&ccedil;&atilde;o da viol&ecirc;ncia armada e das suas consequ&ecirc;ncias, atrav&eacute;s da an&aacute;lise das condi&ccedil;&otilde;es sociopol&iacute;ticas que originam movimentos de luta armada, de como estas podem ser alteradas, de como o pr&oacute;prio Estado pode prevenir e controlar o terrorismo e os seus efeitos e de como o terrorismo se relaciona com os meios de comunica&ccedil;&atilde;o. Ser&aacute;, igualmente, relevante analisar as consequ&ecirc;ncias da participa&ccedil;&atilde;o na luta armada para os militantes, mas tamb&eacute;m as consequ&ecirc;ncias das ac&ccedil;&otilde;es violentas nas sociedades, nos Estados e nas pr&oacute;prias v&iacute;timas ou familiares e amigos destas, sendo ainda interessante a an&aacute;lise da rela&ccedil;&atilde;o destes com as redes de suporte existentes, bem como com os &oacute;rg&atilde;os de comunica&ccedil;&atilde;o social. </P >     <p>&nbsp;</P >     <p>REFER&Ecirc;NCIAS </P >    <!-- ref --><p>Antunes, C. (1974). <I>Dossier Brigadas Revolucion&aacute;rias</I>. Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es Revolu&ccedil;&atilde;o.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000097&pid=S0870-8231201200010001500001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Arena, M., &amp; Arriago, B. (2005). Social psychology, terrorism and identity: A preliminary reexamination of theory, culture, self, and society. <I>Behavioral Sciences and the Law, 23</I>, 485-506.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000099&pid=S0870-8231201200010001500002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Bandura, A. (1990). Mechanisms of moral disengagement. In W. Reich (Ed.), <I>Origins of terrorism: Psychologies, ideologies, theologies, states of mind </I>(pp. 7-24)<I>. </I>Washington DC: Woodrow Wilson Center Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000101&pid=S0870-8231201200010001500003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Bandura, A. (1999). Moral disengagement in the perpretation of inhumanities. <I>Personality and Social Psychology Review, 3</I>(3), 193-209.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000103&pid=S0870-8231201200010001500004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Bebiano, R. (2005). Contesta&ccedil;&atilde;o do regime e tenta&ccedil;&atilde;o da luta armada sob o marcelismo. <I>Revista Portuguesa de Hist&oacute;ria</I>, <I>XXXVII</I>, 65-104.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000105&pid=S0870-8231201200010001500005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Beu, D., &amp; Buckley, M. (2004). This is war: how the politically astute achieve crimes of obedience through the use of moral disengagement. <I>The Leadership Quarterly</I>, <I>15</I>, 551-568.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000107&pid=S0870-8231201200010001500006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Borum, R. (2004). <I>Psychology of terrorism</I>. Tampa: University of South Florida.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000109&pid=S0870-8231201200010001500007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <!-- ref --><p>Brinca, P. (2000). <I>Ocupa&ccedil;&atilde;o de panifica&ccedil;&atilde;o mostra for&ccedil;a popular: LUAR assume-se como bra&ccedil;o armado do povo</I>. Consultado em 02 de Mar&ccedil;o de 2010: <a href="http://www.setubalnarede.pt/content/index.php?action=articlesDetailFo&rec=5124" target="_blank">http://www.setubalnarede.pt/content/index.php?action=articlesDetailFo&amp;rec=5124</a> </P >     &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000111&pid=S0870-8231201200010001500008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Cameron, G. (2005). Nuclear <I>terrorism: a threat assessment for the 21st century. </I>California: Monterey Institute of International Studies.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000112&pid=S0870-8231201200010001500009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Carmo, I. (1974). A viol&ecirc;ncia no processo revolucion&aacute;rio. <I>Revolu&ccedil;&atilde;o, 1</I>, 6.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000114&pid=S0870-8231201200010001500010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Chambliss, W. (1975). Toward a political economy of crime. In J. Muncie, E. McLaughlin, &amp; M. Langan (Eds., 1996), <I>Criminological perspectives: A reader </I>(pp. 249-256)<I>. </I>London: Sage.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000116&pid=S0870-8231201200010001500011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Cohen, S. (1971). <I>Images of deviance. </I>Harmondsworth: Penguin.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000118&pid=S0870-8231201200010001500012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Costa, J. (2004). <I>O terrorismo e as FP 25 anos depois</I>. Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es Colibri.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000120&pid=S0870-8231201200010001500013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Costa, J. (2008). O crime de terrorismo: Aspectos psico-antropol&oacute;gicos. <I>Revista Portuguesa de Ci&ecirc;ncia Criminal</I>, <I>4</I>, 509-528.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000122&pid=S0870-8231201200010001500014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Crenshaw, M. (1985). An organizational approach to the analysis of political terrorism. <I>Orbis</I>, <I>29</I>, 465-489.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000124&pid=S0870-8231201200010001500015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Crenshaw, M. (1986). The psychology of political terrorism. In M. G. Hermann (Ed.), <I>Political psychology: Contemporary problems and issues </I>(pp. 379-413). London: Josey-Bass.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000126&pid=S0870-8231201200010001500016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Crenshaw, M. (1990). The logic of terrorism: Terrorist behavior as a product of strategic choice. In W. Reich (Ed.), <I>Origins of terrorism: Psychologies, ideologies, theologies, states of mind </I>(pp. 7-24)<I>. </I>Washington DC: Woodrow Wilson Center Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000128&pid=S0870-8231201200010001500017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <!-- ref --><P   >Flick, U. (2002). <I>An introduction to qualitative research</I>. London: Sage Publications.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000130&pid=S0870-8231201200010001500018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P >     <!-- ref --><P   >Glaser, B., &amp; Strauss, A. (1967). <I>The discovery of grounded theory:strategies for qualitative research</I>. Chicago:    Aldine Publishing Company.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000132&pid=S0870-8231201200010001500019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <!-- ref --><p>Henderson, H. (2004). <I>Global terrorism</I>. New York: Facts on File, Inc.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000134&pid=S0870-8231201200010001500020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <p>Horgan, J., &amp; Taylor, M. (2001). The making of a terrorist. <I>Jane&rsquo;s Intelligence Review</I>, <I>13</I>(12), 16-18. </P >     <!-- ref --><p>Hudson, R. (1999). <I>The sociology and psychology of terrorism: Who becomes a terrorist and why? </I>Washington, DC: The Library of Congress.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000137&pid=S0870-8231201200010001500022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <!-- ref --><p>Johnson, P., &amp; Feldman, T. (1992). Personality types and terrorism: Self-psychology perspectives. <I>Forensic </I><I>Reports</I>, <I>5</I>, 293-303.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000139&pid=S0870-8231201200010001500023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <!-- ref --><p>J&uacute;nior, J. (1999). Bombas contra a guerra colonial. <I>Vis&atilde;o</I>, <I>313</I>, 50-54.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000141&pid=S0870-8231201200010001500024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Lea, J., &amp; Young, J. (1984). Relative deprivation. In J. Muncie, E. McLaughlin, &amp; M. Langan (Eds., 1996), <I>Criminological perspectives: A reader </I>(pp. 142-150)<I>. </I>London: Sage.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000143&pid=S0870-8231201200010001500025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <!-- ref --><p>Leit&atilde;o, F., &amp; Pina, C. (1975). <I>LUAR: O que &eacute;? </I>Lisboa: Ag&ecirc;ncia Portuguesa de Revistas.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000145&pid=S0870-8231201200010001500026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Lilly, J., Cullen, F., &amp; Ball, R. (1995). <I>Criminological theory</I>. Thousand Oaks: Sage.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000147&pid=S0870-8231201200010001500027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <!-- ref --><p>Nascimento, J. (2002). <I>O terrorismo e seus int&eacute;rpretes: Uma abordagem psicossocial</I>. Lisboa: Hugin Editores, Lda.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000149&pid=S0870-8231201200010001500028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <p>Narciso, R. (2000). <I>ARA &ndash; Ac&ccedil;&atilde;o Revolucion&aacute;ria Armada: A hist&oacute;ria secreta do bra&ccedil;o armado do PCP</I>. Lisboa: Dom Quixote. </P >    <!-- ref --><p>Partido Revolucion&aacute;rio do Proletariado. (1975). <I>Manifesto contra a guerra civil: Insurrei&ccedil;&atilde;o armada/PRP</I>. Lisboa: PRP.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000152&pid=S0870-8231201200010001500030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Pimentel, I., Madeira, J., &amp; Farinha, L. (2007). <I>V&iacute;timas de Salazar: Estado Novo e viol&ecirc;ncia pol&iacute;tica</I>. Lisboa: Esfera dos Livros.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000154&pid=S0870-8231201200010001500031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Pereira, A. (1992). <I>O terrorismo e a democracia</I>. Monografia n&atilde;o publicada, Policia Judici&aacute;ria, Portugal.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000156&pid=S0870-8231201200010001500032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Post, J. (1984). Notes on a psychodynamic theory of terrorist behavior. <I>Terrorism, 7</I>, 241-256.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000158&pid=S0870-8231201200010001500033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <p>Post, J. (1987). It&rsquo;s us against them: The group dynamics of political terrorism. <I>Terrorism, 10</I>, 23-35. </P >    <!-- ref --><p>Serra, J. (1999). <I>As explos&otilde;es que abalaram o fascismo: O que foi a ARA</I>. Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es Avante.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000161&pid=S0870-8231201200010001500035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Strauss, A., &amp; Corbin, J. (1998). <I>Basics of qualitative research </I>(1st ed. 1990). London: Sage.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000163&pid=S0870-8231201200010001500036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Ventura, J. (1999). Motiva&ccedil;&atilde;o e identidade psicossocial na afilia&ccedil;&atilde;o terrorista: Da viol&ecirc;ncia pol&iacute;tica &agrave; guerra psicol&oacute;gica. In R. A. Gon&ccedil;alves (Ed.), <I>Crimes, pr&aacute;ticas e testemunhos</I>. Braga: Universidade do Minho.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000165&pid=S0870-8231201200010001500037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Ventura, J., &amp; Nascimento, J. (2001). Viol&ecirc;ncia, terrorismo e psicologia: Uma abordagem explorat&oacute;ria. <I>Revista Portuguesa de Ci&ecirc;ncia Criminal</I>, <I>4</I>, 633-698.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000167&pid=S0870-8231201200010001500038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Weinberg, L., &amp; Eubank, W. (2006). <I>What is terrorism? </I>New York: Chelsea House.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000169&pid=S0870-8231201200010001500039&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <p>&nbsp;</P >     <p><a name="0"></a><a href="#top0">Correspond&ecirc;ncia</a></P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P   >A correspond&ecirc;ncia relativa a este artigo dever&aacute; ser enviada para: Raquel Beleza, Bairro do Vale, Lote 29, 1&ordm; Dto., Fte., 3515-156 Abraveses, Viseu. E-mail: <a href="mailto:beleza.raquel@gmail.com">beleza.raquel@gmail.com</a> </P >     <P   >&nbsp;</P >     <P   >Este texto foi elaborado no &acirc;mbito do Projecto &ldquo;Viol&ecirc;ncia nas Rela&ccedil;&otilde;es Juvenis de Intimidade&rdquo; financiado pela Funda&ccedil;&atilde;o para a Ci&ecirc;ncia e a Tecnologia (PTDC/PSI/65852/2006), coordenado por Carla Machado. </P >     <P   >&nbsp;</P >     <P   >NOTAS</P >     <p><Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup> AS FP 25 consideravam o Estado inapto para a resolu&ccedil;&atilde;o dos problemas sociais provocados pelos interesses capitalistas e por isso eles agiam para &ldquo;punir&rdquo; directamente os capitalistas, devido &agrave; inoper&acirc;ncia do Estado. A estrat&eacute;gia n&atilde;o era como antes do 25 de Abril, ou seja, atacar as estruturas do Estado para as derrubar, mas sim conseguir o apoio popular para chegar ao poder. </P >     <p><sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></sup>A falta de apoio popular, paradoxal para os membros das FP-25, que descrevem a sua ac&ccedil;&atilde;o como tendo a melhoria das condi&ccedil;&otilde;es do povo por objectivo, foi um dos motivos apontados para o desmembramento daquela organiza&ccedil;&atilde;o. Tal &eacute; explicado por Crenshaw (1990) mediante o facto de a popula&ccedil;&atilde;o n&atilde;o se querer identificar com a vitimiza&ccedil;&atilde;o de inocentes e come&ccedil;ar a temer a repress&atilde;o do Estado, essencialmente no que respeita &agrave; pris&atilde;o de todos e quaisquer indiv&iacute;duos suspeitos de colaborar com a organiza&ccedil;&atilde;o.</P >      ]]></body><back>
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