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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Intertemporal choice has a direct relation with phenomena that pertain to every-day life, such as saving, consumption, and investment behavior. This study advances our understanding of intertemporal choice, in that it considers triadic choice contexts (three options) and not only dyadic ones (two options), to which most empirical studies are limited. For the first time, this study tries to understand how the preference between options is influenced by other options in the choice context. Current models of intertemporal choice, the so-called discounting models, do not consider such influences, because each option is evaluated independently from the others. We focus on polarization effects, induced by the introduction of a third option to the choice set and the framing of the third option as the default option. The results confirmed these effects. We discuss how discounting models must be replaced by other models, in which people make direct comparisons between the options. The results also confirmed phenomena that until today have been accommodated by discounting models: The delay, magnitude, and sign effects.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><B>Efeitos contextuais na escolha intertemporal: Evid&ecirc;ncia contra modelos de desconto </B></p>     <p><b>Duarte Pimentel<Sup>*</Sup>; Gui Gon&ccedil;alves<Sup>*</Sup>; Marc Scholten<Sup>*</Sup>; Pedro Le Mattre de Carvalho<Sup>*</Sup>; Manuela Faia Correia<Sup>** </Sup></b></P >    <p><Sup>* </Sup>ISPA &ndash; Instituto Universit&aacute;rio; </P >     <p><Sup>** </Sup>Universidade Lus&iacute;ada </P >     <p><a name="top0"></a><a href="#0">Correspond&ecirc;ncia</a></P >     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>A escolha intertemporal tem estreita liga&ccedil;&atilde;o com fen&oacute;menos que est&atilde;o na ordem do dia, tais como comportamentos de poupan&ccedil;a, consumo e investimento. Este estudo constituir-se-&aacute; como um avan&ccedil;o na compreens&atilde;o da escolha intertemporal, na medida em que contempla contextos de escolha tri&aacute;dica (tr&ecirc;s op&ccedil;&otilde;es) e n&atilde;o apenas de escolha di&aacute;dica (duas op&ccedil;&otilde;es), &agrave; qual se limitam a maior parte de estudos emp&iacute;ricos. Pela primeira vez, este estudo vem tentar compreender como a prefer&ecirc;ncia entre op&ccedil;&otilde;es &eacute; influenciada por outras op&ccedil;&otilde;es no contexto de escolha. Os actuais modelos de escolha intertemporal, chamados modelos de desconto, n&atilde;o contemplam tais influ&ecirc;ncias, uma vez que cada op&ccedil;&atilde;o &eacute; avaliada independentemente das outras. Focamo-nos em efeitos de polariza&ccedil;&atilde;o, induzidos pela introdu&ccedil;&atilde;o de uma terceira op&ccedil;&atilde;o ao leque de escolha e o enquadramento da terceira op&ccedil;&atilde;o como a op&ccedil;&atilde;o default. Os resultados confirmaram estes efeitos. Discutimos ainda como os modelos de desconto devem ser substitu&iacute;dos por outros modelos, em que as pessoas fazem compara&ccedil;&otilde;es directas entre as op&ccedil;&otilde;es. Os resultados tamb&eacute;m confirmaram fen&oacute;menos que at&eacute; hoje t&ecirc;m sido acomodados pelos modelos de desconto: Os efeitos de diferimento, de magnitude e de sinal. </P >    <p><B>Palavras-chave: </B>Escolha di&aacute;dica, Escolha intertemporal, Escolha tri&aacute;dica, Polariza&ccedil;&atilde;o. </P >     <p>&nbsp;</P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>ABSTRACT</b></P >     <p>Intertemporal choice has a direct relation with phenomena that pertain to every-day life, such as saving, consumption, and investment behavior. This study advances our understanding of intertemporal choice, in that it considers triadic choice contexts (three options) and not only dyadic ones (two options), to which most empirical studies are limited. For the first time, this study tries to understand how the preference between options is influenced by other options in the choice context. Current models of intertemporal choice, the so-called discounting models, do not consider such influences, because each option is evaluated independently from the others. We focus on polarization effects, induced by the introduction of a third option to the choice set and the framing of the third option as the default option. The results confirmed these effects. We discuss how discounting models must be replaced by other models, in which people make direct comparisons between the options. The results also confirmed phenomena that until today have been accommodated by discounting models: The delay, magnitude, and sign effects. </P >     <p><B>Key-words: </B>Dyadic choice, Intertemporal choice, Polarization, Triadic choice. </P >     <p>&nbsp;</P >     <p>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O </P >    <p>Escolhas intertemporais definem-se como escolhas que envolvem trocas entre custos e benef&iacute;cios que ocorrem em diferentes pontos temporais (Loewenstein, Read, &amp; Baumeister, 2003). A investiga&ccedil;&atilde;o sobre a escolha intertemporal apresenta-se em franco crescimento nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas. Cada vez mais &eacute; reconhecido o seu contributo e devida import&acirc;ncia na vida econ&oacute;mica, pois a grande maioria das decis&otilde;es tomadas em contexto econ&oacute;mico abrange v&aacute;rios per&iacute;odos de tempo, o que faz com que seja indispens&aacute;vel o recurso a an&aacute;lises intertemporais (e.g., comportamentos de poupan&ccedil;a, de consumo, de investimento). </P >     <p>Nos estudos psicol&oacute;gicos sobre a escolha intertemporal, os participantes s&atilde;o normalmente confrontados com escolhas di&aacute;dicas entre resultados menores mais cedo e resultados maiores mais tarde. Exemplos do terreno s&atilde;o consumir agora ou poupar para o futuro, e fumar agora ou viver em melhor sa&uacute;de no futuro. Um exemplo de estudos laboratoriais &eacute; a escolha entre receber &euro;100 agora ou &euro;150 daqui a 1 ano. Neste trabalho, pretende-se contribuir para o estudo da escolha intertemporal, analisando as prefer&ecirc;ncias dos indiv&iacute;duos quando confrontados com escolhas tri&aacute;dicas. Exemplos do terreno s&atilde;o investir poupan&ccedil;as em aplica&ccedil;&otilde;es de curto, m&eacute;dio ou longo prazo, e deixar de fumar agora, no dia de ano novo, ou nunca Um exemplo de estudos laboratoriais &eacute; a escolha entre receber &euro;100 agora, &euro;125 daqui a &frac12; ano, ou &euro;150 daqui a 1 ano. </P >     <p>Em modelos convencionais de escolha intertemporal, os <I>modelos de desconto</I>, o decisor atribui um <I>valor presente</I>, ou um <I>valor descontado</I>, a cada op&ccedil;&atilde;o, independentemente das outras op&ccedil;&otilde;es dispon&iacute;veis, e escolhe a op&ccedil;&atilde;o com maior valor presente. Estes modelos de desconto predizem que a terceira op&ccedil;&atilde;o, a de &ldquo;compromisso,&rdquo; n&atilde;o afecta a prefer&ecirc;ncia entre o resultado menor mais cedo e o resultado maior mais tarde. Isto &eacute; o postulado da <I>independ&ecirc;ncia de alternativas irrelevantes</I>. No entanto, pretende-se demonstrar neste artigo que de facto tem influ&ecirc;ncia, e que os modelos convencionais devem ser revistos ou at&eacute; substitu&iacute;dos por outros. </P >    <p>O plano deste artigo &eacute; o seguinte. Primeiro discutimos diversos padr&otilde;es de prefer&ecirc;ncia na escolha intertemporal que os modelos convencionais conseguem acomodar. De seguida, apresentamos um modelo alternativo, que permite acomodar viola&ccedil;&otilde;es &agrave; independ&ecirc;ncia de alternativas irrelevantes. Este desenvolvimento fornece a base para estabelecer as hip&oacute;teses de investiga&ccedil;&atilde;o. Apresentamos um estudo experimental em que testamos e confirmamos estas hip&oacute;teses. Concluimos com uma discuss&atilde;o mais abrangente da nossa investiga&ccedil;&atilde;o. </P >    <p>QUATRO PADR&Otilde;ES DE PREFER&Ecirc;NCIA NA ESCOLHA INTERTEMPORAL </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>S&atilde;o diversos os padr&otilde;es de prefer&ecirc;ncia na escolha intertemporal. Para este estudo em particular considerou-se pertinente focar a aten&ccedil;&atilde;o em quatro deles, reportados pela primeira vez pelo Thaler (1981): O efeito de diferimento, o efeito de magnitude, o efeito de sinal, ou a assimetria ganhos</B>-perdas, e a assimetria adiamento-adiantamento. Todos este padr&otilde;es revelam varia&ccedil;&otilde;es nas taxas de desconto observadas, onde uma maior taxa de desconto se refere a maior impaci&ecirc;ncia em ganhos e uma maior procastina&ccedil;&atilde;o em perdas. </P >    <p>O <I>efeito de diferimento </I>&eacute; que as taxas de desconto tendem a ser maiores para per&iacute;odos de espera mais curtos do que para per&iacute;odos de espera mais longos. O exemplo das ma&ccedil;as fornecido pelo Thaler (1981) &eacute; elucidativo: um indiv&iacute;duo tanto pode preferir uma ma&ccedil;&atilde; hoje a duas amanh&atilde;, como, em simult&acirc;neo, preferir duas ma&ccedil;&atilde;s daqui a 51 dias a uma ma&ccedil;&atilde; daqui a 50 dias. Desde Strotz (1955-1956), passando por Ainslie (1975) at&eacute; Loewenstein e Prelec (1992), este efeito foi apontado como um propulsionador de comportamentos dinamicamente inconsistentes, ou <I>impulsivos</I>, pois est&aacute; relacionado com uma impaci&ecirc;ncia decrescente por parte dos indiv&iacute;duos (Benzion, Rapoport, &amp; Yagil, 1989; Chapman &amp; Elstein, 1995; Thaler, 1981). Esta impaci&ecirc;ncia decrescente &eacute; uma propriedade fundamental que retrata o comportamento de sensibilidade decrescente relativa ao tempo (a diferen&ccedil;a entre hoje e amanh&atilde; parece maior do que a diferen&ccedil;a entre 50 e 51 dias). </P >    <p>O <I>efeito de magnitude </I>&eacute; que as taxas de desconto tendem a ser maiores para consequ&ecirc;ncias menores do que para consequ&ecirc;ncias maiores (Benzion et al., 1989; Chapman &amp; Elstein, 1995; Holcomb &amp; Nelson, 1992; Thaler, 1981). Uma das principais explica&ccedil;&otilde;es para a ocorr&ecirc;ncia deste efeito an&oacute;malo reside, de acordo com Loewenstein e Thaler (1989), no facto das pessoas serem sens&iacute;veis, n&atilde;o apenas &agrave;s diferen&ccedil;as relativas (contempladas pela <I>taxa </I>de desconto), mas tamb&eacute;m &agrave;s diferen&ccedil;as absolutas (Loewenstein &amp; Prelec, 1992). Receber &euro;100 agora ou &euro;150 daqui a 1 ano envolve uma diferen&ccedil;a maior do que receber &euro;10 agora ou &euro;15 daqui a 1 ano, embora a taxa de desconto seja igual em ambas as escolhas (1/3). Pela maior diferen&ccedil;a entre as consequ&ecirc;ncias, as pessoas tendem a ser mais pacientes, i.e., tendem a inclinar mais para a consequ&ecirc;ncia maior mais tarde. Em perdas, as pessoas tendem a ser menos procrastinadores, i.e., tendem a inclinar mais para a consequ&ecirc;ncias menor mais cedo. </P >    <p>O <I>efeito de sinal </I>este remete para uma premissa fundamental: o comportamento dos indiv&iacute;duos &eacute; qualitativamente diferente para enquadramentos de ganhos e enquadramentos de perdas. A preocupa&ccedil;&atilde;o por esta anomalia foi despoletada pela avalia&ccedil;&atilde;o dos resultados de diversos estudos emp&iacute;ricos, onde se verificou a tend&ecirc;ncia das taxas de desconto serem mais baixas em situa&ccedil;&otilde;es de perdas do que em situa&ccedil;&otilde;es de ganhos (Benzion et al., 1989; Loewenstein, 1988; Thaler, 1981). Por exemplo, uma pessoa que prefere receber &euro;100 agora a receber &euro;150 daqui a 1 ano (revelando-se impaciente) pode preferir pagar &euro;100 agora a pagar &euro;150 daqui a 1 ano (<I>n&atilde;o </I>se revelando procrastinador). O fen&oacute;meno da avers&atilde;o &agrave;s perdas, primeiramente conceptualizado por Kahneman e Tversky (1979), torna-se pertinente para explicar estas diferen&ccedil;as comportamentais dos indiv&iacute;duos entre ganhos e perdas. Esta avers&atilde;o &eacute; caracterizada por Thaler e Benartzi (1995) como sendo um comportamento do indiv&iacute;duo direccionado para evitar redu&ccedil;&otilde;es do bem-estar actuais, pois o desprazer associado a uma perda pesa mais que o prazer associado a um ganho. Pode-se concluir ent&atilde;o que os indiv&iacute;duos ser&atilde;o mais pacientes num enquadramento de perdas e mais impacientes num enquadramento de situa&ccedil;&otilde;es de ganhos. O efeito de sinal estar&aacute; central na nossa investiga&ccedil;&atilde;o. </P >    <p>O efeito do sinal normalmente interage com o efeito de magnitude, no sentido do efeito do sinal ser maior para consequ&ecirc;ncias pequenas do que para consequ&ecirc;ncias grandes (Loewenstein &amp; Prelec, 1992). Por exemplo, o efeito de sinal ser&aacute; mais pronunciado na escolha entre &euro;100 e &euro;150 do que na escolha entre &euro;1,000 e &euro;1,500. </P >    <p>Por fim, a <I>assimetria adiamento-adiantamento</I>, primeiramente documentada por Loewenstein (1988), consiste numa prefer&ecirc;ncia assim&eacute;trica entre adiantar e adiar o consumo. De um modo geral, este autor tentou perceber como seria a varia&ccedil;&atilde;o das taxas de desconto para diferentes tipos de enquadramento, e verificou que a quantia necess&aacute;ria para as pessoas adiarem um recebimento num dado intervalo de tempo era consideravelmente maior do que a quantia que as pessoas estavam dispostas a sacrificar para adiantar o consumo no mesmo intervalo. Por exemplo, uma pessoa, quando adiar um recebimento de $100 por um ano, pode exigir receber pelo menos $150, mas esta mesma pessoa, quando adiantar o recebimento de $150, pode exigir receber mais do que $100 hoje. Uma vez que os dois pares de escolhas s&atilde;o, na realidade, diferentes representa&ccedil;&otilde;es do mesmo par de op&ccedil;&otilde;es subjacente, os resultados constituem um efeito de enquadramento cl&aacute;ssico que assim &eacute; inconsistente com qualquer teoria normativa, como o modelo de utilidade descontada (Samuelson, 1937). </P >    <p>Os quatro padr&otilde;es de prefer&ecirc;ncia acima discutidos s&atilde;o, em grande parte, an&oacute;malos ao modelo normativo da escolha intertemporal proveniente da economia, o Modelo de Utilidade Descontada (Samuelson, 1937). De seguida, discutimos brevemente este modelo. </P >    <p>MODELO DE UTILIDADE DESCONTADA </P >    <p>Samuelson (1937) prop&ocirc;s o modelo de utilidade descontada com o intuito de apresentar um modelo generalizado para a escolha intertemporal que fosse aplic&aacute;vel em m&uacute;ltiplos per&iacute;odos de tempo e que servisse para ordenar as diferentes op&ccedil;&otilde;es em termos de utilidade. Desde a sua introdu&ccedil;&atilde;o este modelo tem dominado as an&aacute;lises econ&oacute;micas da escolha intertemporal (Loewenstein &amp; Prelec, 1992). </P >    <p>O modelo de Samuelson defende que os indiv&iacute;duos atribuem uma utilidade a uma consequ&ecirc;ncia futura, integrando-a no n&iacute;vel de consumo base, e descontam a utilidade da consequ&ecirc;ncia por uma taxa constante por unidade de tempo (Strotz, 1955). Por exemplo, um indiv&iacute;duo que acredite que a utilidade resultante de receber &euro;1 decresce 5% do tempo <I>t </I>para <I>t+1</I>, ent&atilde;o essa mesma utilidade seria tamb&eacute;m 5% inferior de <I>t+1 </I>para <I>t+2 </I>e assim sucessivamente. Isto &eacute; desconto exponencial. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O desconto exponencial garante a consist&ecirc;ncia no tratamento do tempo de forma que as prefer&ecirc;ncias temporais n&atilde;o se alterem apenas porque o tempo passou (Strotz, 1955-1956). A prefer&ecirc;ncia entre uma consequ&ecirc;ncia menor mais cedo (<I>Smaller-but-Sooner</I>, designado por <I>SS) </I>e uma consequ&ecirc;ncia maior mais tarde (<I>Larger-but-Later</I>, designado por <I>LL</I>) quando separados por 3 meses de intervalo, ser&aacute; a mesma independentemente se o intervalo tem in&iacute;cio daqui a 1 ou 9 meses. </P >     <p>As anomalias cl&aacute;ssicas n&atilde;o s&atilde;o acomodadas pelo Modelo de Utilidade Descontada. Por exemplo, o efeito de diferimento mostra que a taxa de desconto n&atilde;o &eacute; constante ao longo do horizonte temporal. Outra implica&ccedil;&atilde;o do modelo &eacute; que o efeito de sinal ser&aacute;, pela atribui&ccedil;&atilde;o de utilidade a consequ&ecirc;ncias integradas no n&iacute;vel de consumo base, maior para consequ&ecirc;ncias maiores, mas a interac&ccedil;&atilde;o entre a magnitude e o sinal das consequ&ecirc;ncias mostra exactamente o contr&aacute;rio (Loewenstein &amp; Prelec, 1992). Por fim, efeitos de enquadramento, como a assimetria adiamento-adiantamento, n&atilde;o est&atilde;o contemplados pelo Modelo de Utilidade Descontada. Portanto, tornou-se necess&aacute;rio a cria&ccedil;&atilde;o e desenvolvimento de novos modelos te&oacute;ricos explicativos que acomodem as anomalias. O Modelo de Desconto Hiperb&oacute;lico, proposto por Loewenstein e Prelec (1992), resulta desta preocupa&ccedil;&atilde;o. </P >     <p>MODELO DE DESCONTO HIPERB&Oacute;LICO </P >    <p>O Modelo de Desconto Hiperb&oacute;lico foi proposto por Loewenstein e Prelec (1992), pois s&atilde;o v&aacute;rios os estudos emp&iacute;ricos que sugerem que as pessoas s&atilde;o, tendencialmente, extremamente impacientes para consequ&ecirc;ncias num futuro pr&oacute;ximo, mas muito mais pacientes para conse qu&ecirc;ncias que ocorrem num futuro mais long&iacute;nquo (Benzion et al., 1989; Thaler, 1981), isto &eacute;, os indiv&iacute;duos tendem, de um modo geral, a descontar o futuro hiperbolicamente. Os modelos que apoiavam a ideia da exist&ecirc;ncia de desconto exponencial (e.g., Modelo da Utilidade Descontada) foram sendo progressivamente abandonados, verificando-se, por isso, um foco crescente de aten&ccedil;&atilde;o nos modelos descritivos de desconto hiperb&oacute;lico que, por sua vez, incorporam a diminui&ccedil;&atilde;o das taxas de desconto com a progress&atilde;o do tempo, como os de Ainslie (1975) ou de Loewenstein e Prelec (1992). A no&ccedil;&atilde;o de impaci&ecirc;ncia decrescente tem vindo a tornar-se cada vez mais popular, na medida em que se constitui como uma alternativa explicativa para comportamentos dos indiv&iacute;duos na tomada de decis&atilde;o temporal (Thaler &amp; Benartzi, 2004). </P >    <p>As prefer&ecirc;ncias temporais, segundo este modelo, s&atilde;o governadas pelos valores descontados das op&ccedil;&otilde;es. Estes valores descontados s&atilde;o definidos, em primeiro lugar, pela atribui&ccedil;&atilde;o de valores a mudan&ccedil;as face ao n&iacute;vel de consumo base e, de seguida, pelo desconto hiperb&oacute;lico destes valores em fun&ccedil;&atilde;o do adiamento das consequ&ecirc;ncias. O desconto hiperb&oacute;lico &eacute; que as taxas de desconto diminuem com o afastamento temporal das consequ&ecirc;ncias. Por exemplo, um indiv&iacute;duo que acredite que o valor resultante de receber &euro;1 decresce 5% do tempo <I>t </I>para <I>t+1</I>, ent&atilde;o esse mesmo valor poderia ser 2.5% inferior de <I>t+1 </I>para <I>t+2</I>. O desconto hiperb&oacute;lico &eacute; motivado pelo efeito de diferimento (Loewenstein &amp; Prelec, 1992), o que demonstra que, existe mais desconto num intervalo que come&ccedil;a mais cedo do que num que come&ccedil;a mais tarde. De um modo geral, o modelo de desconto hiperb&oacute;lico &eacute; capaz de acomodar diversas anomalias do modelo de utilidade descontada, anteriormente mencionadas. </P >    <p>As consequ&ecirc;ncias s&atilde;o submetidas a uma fun&ccedil;&atilde;o de valor, definida para mudan&ccedil;as positivas (ganhos) e mudan&ccedil;as negativas (perdas) face a um ponto de refer&ecirc;ncia neutro, que normalmente &eacute; o n&iacute;vel de consumo base. A fun&ccedil;&atilde;o de valor &eacute; c&ocirc;ncava sobre ganhos e convexa sobre perdas. O efeito de magnitude e o efeito de sinal s&atilde;o atribu&iacute;dos &agrave; <I>elasticidade </I>da fun&ccedil;&atilde;o de valor. Especificamente, a elasticidade cresce, ou seja, a fun&ccedil;&atilde;o de valor fica progressivamente mais linear, com o aumento da magnitude das consequ&ecirc;ncias, explicando assim o efeito de magnitude. Por outro lado, a elasticidade &eacute; maior, ou seja, a fun&ccedil;&atilde;o de valor &eacute; mais linear, no dom&iacute;nio de perdas do que no dom&iacute;nio de ganhos, explicando assim o efeito de sinal. </P >    <p>Para a assimetria adiamento-adiantamento, Loewenstein e Prelec (1992) avan&ccedil;am com uma explica&ccedil;&atilde;o que reside no facto de os indiv&iacute;duos se adaptarem a resultados esperados, de modo que o ponto de refer&ecirc;ncia para um determinado momento inclua tudo aquilo que estes indiv&iacute;duos esperam ganhar ou perder naquele mesmo momento. Receber uma quantia quando esperada, tem ent&atilde;o um valor neutro, pois os indiv&iacute;duos j&aacute; se adaptaram a essa situa&ccedil;&atilde;o. Pela mesma raz&atilde;o o n&atilde;o receber a quantia &eacute; encarado como uma perda, que deve ser compensada por um ganho num outro momento. Ao adiar um recebimento, a perda inicialmente tem de ser compensada por um ganho mais tarde. A avers&atilde;o &agrave; perda inicial conduz ao aumento da magnitude do ganho compensat&oacute;rio, levando a um maior desconto. O contr&aacute;rio acontece quando se adianta o recebimento no mesmo intervalo, a perda tardia tem de ser compensada por um ganho mais cedo. A avers&atilde;o &agrave; perda tardia leva ent&atilde;o ao aumento da magnitude do ganho compensat&oacute;rio, resultando assim num desconto menor. </P >    <p>Embora o Modelo de Desconto Hiperb&oacute;lico seja um avan&ccedil;o significativo no pensamento sobre a escolha intertemporal, tamb&eacute;m tem as suas anomalias. Uma anomalia importante &eacute; a <I>intransitividade </I>da escolha intertemporal (Roelofsma &amp; Read, 2000; Scholten &amp; Read, 2010). Considere, para al&eacute;m das op&ccedil;&otilde;es <I>SS </I>e <I>LL</I>, uma op&ccedil;&atilde;o <I>MM</I>, com uma consequ&ecirc;ncia interm&eacute;dia e um diferimento interm&eacute;dio. Um sujeito pode preferir <I>SS </I>a <I>MM </I>e preferir <I>MM </I>a <I>LL</I>, mas preferir <I>LL </I>a <I>SS</I>. Outra anomalia, uma nova explorada neste artigo, &eacute; que a prefer&ecirc;ncia de <I>SS </I>em rela&ccedil;&atilde;o a <I>LL </I>pode depender de <I>MM</I>. Um modelo que tem potencial para incorporar estas anomalias &eacute; o Modelo de Troca, apresentado de seguida. </P >    <p>MODELO DE TROCA </P >    <p>No Modelo de Troca, ou <I>Tradeoff Model </I>(Scholten &amp; Read, 2010), as escolhas intertemporais t&ecirc;m por base uma compara&ccedil;&atilde;o directa das op&ccedil;&otilde;es (<I>SS </I>e <I>LL</I>) ao longo dos dois atributos, o atributo tempo e o atributo valor monet&aacute;rio. Imagine-se ent&atilde;o que <I>f </I>representa a vantagem temporal de <I>SS </I>em ganhos e de <I>LL </I>em perdas, e que <I>g </I>representa a vantagem monet&aacute;ria de <I>LL </I>em ganhos e de <I>SS </I>em perdas. Desta forma, quando <I>f&lt;g</I>, o indiv&iacute;duo ter&aacute; como prefer&ecirc;ncias, no caso particular de ganhos a op&ccedil;&atilde;o representativa de <I>LL </I>e no caso de perdas a op&ccedil;&atilde;o <I>SS</I>. Em contraste, quando se verifica <I>f&gt;g</I>, o indiv&iacute;duo optar&aacute; <I>SS </I>em situa&ccedil;&otilde;es de ganho e pela op&ccedil;&atilde;o <I>LL </I>em situa&ccedil;&otilde;es de perda. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As vantagens <I>f </I>e <I>g </I>constituem-se como diferen&ccedil;as do tempo e diferen&ccedil;as do valor monet&aacute;rio ponderadas, sendo esta pondera&ccedil;&atilde;o efectuada atrav&eacute;s de fun&ccedil;&otilde;es de pondera&ccedil;&atilde;o intra-atributo e inter-atributos. As fun&ccedil;&otilde;es de pondera&ccedil;&atilde;o intra-atributo s&atilde;o: a fun&ccedil;&atilde;o de pondera&ccedil;&atilde;o do tempo (<I>w</I>), atrav&eacute;s da qual s&atilde;o avaliados os diferimentos temporais e, a fun&ccedil;&atilde;o valor (<I>v</I>), que avalia as consequ&ecirc;ncias monet&aacute;rias. As fun&ccedil;&otilde;es de pondera&ccedil;&atilde;o inter-atributos s&atilde;o as fun&ccedil;&otilde;es de troca <I>Q</I><Sub><I>T|X </I></Sub>e <I>Q</I><Sub><I>X|T</I></Sub>, que avaliam a diferen&ccedil;a absoluta entre os diferimentos ponderados, que &eacute; designada por intervalo efectivo e dada por <I>T</I>, em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; diferen&ccedil;a absoluta entre as consequ&ecirc;ncias monet&aacute;rias, designada por compensa&ccedil;&atilde;o efectiva e dada por <I>X</I>. As diferen&ccedil;as efectivas s&atilde;o pondera&ccedil;&otilde;es atribu&iacute;das &agrave;s diferen&ccedil;as de tempo e dinheiro no processo de tomada de decis&atilde;o. Descrito em termos de <I>v</I>, <I>w</I>, <I>Q</I><Sub><I>T|X</I></Sub>, e <I>Q</I><Sub><I>X|T</I></Sub>, o indiv&iacute;duo ser&aacute; indiferente entre <I>SS </I>e <I>LL </I>quando, </P > <img src="/img/revistas/aps/v30n3/30n3a02e1.jpg">     
<p>Este &eacute; um modelo pioneiro pois contempla pela primeira vez a tomada de decis&atilde;o na escolha intertemporal a partir de compara&ccedil;&otilde;es directas entre as op&ccedil;&otilde;es em considera&ccedil;&atilde;o. A intransitividade da escolha intertemporal &eacute; explicada pelas fun&ccedil;&otilde;es de troca, <I>Q</I><Sub><I>T|X </I></Sub>e <I>Q</I><Sub><I>X|T</I></Sub>. Estas fun&ccedil;&otilde;es incluem um limiar, e diferen&ccedil;as abaixo do limiar s&atilde;o sobponderadas em rela&ccedil;&atilde;o a diferen&ccedil;as acima do limiar. Agora, assume que, num determinado contexto, todos as diferen&ccedil;as monet&aacute;rias est&atilde;o acima do limiar, e recebem um peso constante, mas que pequenas diferen&ccedil;as temporais (entre <I>SS </I>e <I>MM </I>e entre <I>MM </I>e <I>LL</I>) est&atilde;o abaixo do limiar, recebendo um peso pequeno, enquanto que diferen&ccedil;as temporais maiores (entre <I>SS </I>e <I>LL</I>) est&atilde;o acima do limiar, recebendo um peso maior. Assim, pode acontecer que <I>MM </I>&eacute; preferido a <I>SS </I>e <I>LL </I>&eacute; preferido a <I>MM </I>(por causa da sobpondera&ccedil;&atilde;o das pequenas desvantagens temporais), mas que <I>SS </I>&eacute; preferida a <I>LL </I>(por causa da sobrepondera&ccedil;&atilde;o da maior vantagem temporal). </P >    <p>Actualmente, o Modelo de Troca contempla apenas escolhas di&aacute;dicas, como as tr&ecirc;s escolhas entre <I>SS </I>e <I>MM</I>, <I>MM </I>e <I>LL</I>, e <I>SS </I>e <I>LL</I>. Ainda n&atilde;o contempla escolhas tri&aacute;dicas, como a escolha entre <I>SS</I>, <I>MM</I>, e <I>LL</I>. Neste artigo, queremos explorar se a escolha tri&aacute;dica tr&aacute;z igualmente sinais de um processo de avalia&ccedil;&atilde;o por atributos. Se for assim, ent&atilde;o o Modelo de Troca ter&aacute; que ser devidamente generalizado. </P >    <p>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O DA TERCEIRA OP&Ccedil;&Atilde;O </P >    <p>Shafir, Simonson e Tversky (1993) postulam que as prefer&ecirc;ncias dos indiv&iacute;duos podem ser influenciadas pela adi&ccedil;&atilde;o de op&ccedil;&otilde;es &agrave; configura&ccedil;&atilde;o inicial. Esta ideia &eacute; corroborada pelos estudos de Huber e Puto (1983) onde &eacute; sugerido que a passagem de uma configura&ccedil;&atilde;o de escolha di&aacute;dica para uma configura&ccedil;&atilde;o de escolha tri&aacute;dica pode, de facto, alterar as prefer&ecirc;ncias e utilidades que cada indiv&iacute;duo atribui a cada uma das op&ccedil;&otilde;es. Esta influ&ecirc;ncia contraria o princ&iacute;pio da maximiza&ccedil;&atilde;o da utilidade e do valor, onde &eacute; defendido que uma op&ccedil;&atilde;o preferida n&atilde;o poder&aacute; passar a ser n&atilde;o preferida apenas pela adi&ccedil;&atilde;o de novas op&ccedil;&otilde;es. </P >    <p>Uma das maiores e mais importantes descobertas resultantes da investiga&ccedil;&atilde;o da escolha sob risco &eacute; o fen&oacute;meno da avers&atilde;o &agrave;s perdas. Este fen&oacute;meno vem explicar uma variedade de manifesta&ccedil;&otilde;es do comportamento dos indiv&iacute;duos, como &eacute; o caso do <I>status quo bias</I>, ou do efeito de dota&ccedil;&atilde;o (Tversky &amp; Kahneman, 1991). Conforme exposto, uma das principais implica&ccedil;&otilde;es da avers&atilde;o &agrave;s perdas traduz-se na no&ccedil;&atilde;o de que os indiv&iacute;duos apresentam uma forte tend&ecirc;ncia para permanecer no estado actual, status quo, isto porque as desvantagens de abandonar esse estado s&atilde;o mais avultadas do que vantagens correspondentes (Samuelson &amp; Zeckhauser, 1988), o que contribui para que as pessoas n&atilde;o alterem os seus comportamentos pr&eacute;-estabelecidos, a menos que os incentivos para a mudan&ccedil;a sejam irresist&iacute;veis. </P >    <p>De acordo com o efeito de dota&ccedil;&atilde;o, primeiramente introduzido por Thaler (1980), as pessoas avaliam um bem como mais valioso a partir do momento em que este se torna propriedade sua, ou seja, as pessoas tendem a atribuir mais valor a objectos que possuem do que a objectos que n&atilde;o possuem (Carmon &amp; Ariely, 2000; Kahneman, Knetsch, &amp; Thaler, 1990, 1991; Thaler, 1980). Um exemplo claro deste efeito &eacute; apresentado no estudo realizado por Heberlein e Bishop (1986) que mostra que, em m&eacute;dia, as pessoas estavam dispostas a pagar $31 por uma licen&ccedil;a de ca&ccedil;a, no entanto, n&atilde;o estavam dispostas a vender essa mesma licen&ccedil;a por menos de $143. </P >    <p>Carmon e Ariely (2000) sugerem que este efeito n&atilde;o se verifica apenas com objectos que s&atilde;o efectivamente propriedade dos indiv&iacute;duos, mas tamb&eacute;m em situa&ccedil;&otilde;es em que estes indiv&iacute;duos apenas &ldquo;sentem&rdquo; os objectos como sendo propriedade sua, ou aquilo a que t&ecirc;m direito. O efeito de dota&ccedil;&atilde;o &eacute; claramente inconsistente com a teoria econ&oacute;mica cl&aacute;ssica, pois o valor que os indiv&iacute;duos consideram que &eacute; justo pagar por um objecto, dever&aacute; ser o mesmo para o venderem. </P >    <p>Simonson e Tversky (1992) tentam dar sentido &agrave; influ&ecirc;ncia dos efeitos de contexto nas escolhas dos indiv&iacute;duos e para tal estenderam a no&ccedil;&atilde;o de avers&atilde;o &agrave;s perdas, focalizando a sua aten&ccedil;&atilde;o no tratamento das vantagens e das desvantagens das op&ccedil;&otilde;es em considera&ccedil;&atilde;o. Tal como acontece com os ganhos e as perdas, as vantagens e desvantagens pesam, tamb&eacute;m elas, com diferentes intensidades, na medida em que as desvantagens avaliadas de uma op&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s op&ccedil;&otilde;es alternativas pesam mais que as respectivas vantagens. De acordo com estes autores, o facto de as desvantagens pesam mais que as respectivas vantagens faz com que, numa condi&ccedil;&atilde;o de escolha tri&aacute;dica, haja uma tend&ecirc;ncia para que a op&ccedil;&atilde;o interm&eacute;dia seja mais popular, na medida em que s&oacute; apresenta ligeiras desvantagens. </P >    <p>Quando um indiv&iacute;duo est&aacute; perante uma escolha entre duas op&ccedil;&otilde;es (<I>SS </I>e <I>LL</I>), cada op&ccedil;&atilde;o tem uma vantagem, e depende da pondera&ccedil;&atilde;o das vantagens qual op&ccedil;&atilde;o ser&aacute; mais popular. Se for introduzida uma terceira op&ccedil;&atilde;o (<I>MM</I>), que ocupa uma posi&ccedil;&atilde;o interm&eacute;dia (op&ccedil;&atilde;o de compromisso) e apresenta, por isso, menores desvantagens e menores vantagens em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s op&ccedil;&otilde;es extremadas (<I>SS </I>e <I>LL</I>), a escolha dos indiv&iacute;duos recair&aacute; tendencialmente para esta op&ccedil;&atilde;o mais equilibrada em ambos os atributos (efeito de compromisso), porque a avers&atilde;o &agrave;s perdas penaliza desproporcional mente grandes desvantagens. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Contudo, a avalia&ccedil;&atilde;o das vantagens e desvantagens depende da import&acirc;ncia relativa dos atributos. Quando os atributos s&atilde;o de igual import&acirc;ncia, verifica-se o padr&atilde;o descrito acima (efeito de compromisso). Quando os atributos s&atilde;o de import&acirc;ncia desigual, a avers&atilde;o &agrave;s perdas ir&aacute; funcionar apenas ao longo do atributo mais importante, dando origem a um efeito de compromisso assim&eacute;trico, chamado um efeito de polariza&ccedil;&atilde;o. Considere o dom&iacute;nio de ganhos e uma situa&ccedil;&atilde;o em que dinheiro &eacute; mais importante do que tempo. Se for introduzida a op&ccedil;&atilde;o <I>MM</I>, <I>SS </I>tem uma desvantagem ao longo do atributo mais importante, mas <I>LL </I>n&atilde;o tem. Logo, a introdu&ccedil;&atilde;o da terceira op&ccedil;&atilde;o ir&aacute; favorecer <I>LL </I>em rela&ccedil;&atilde;o a <I>SS</I>, provocando assim um efeito de polariza&ccedil;&atilde;o. Neste artigo, exploramos o efeito de polariza&ccedil;&atilde;o na escolha intertemporal, para saber se o processo de tomada de decis&atilde;o em contexto tri&aacute;dico &eacute; um processo por atributo (como contemplado pelo Modelo de Trocas) e saber qual dos atributos &eacute; mais importante, quer no dom&iacute;nio de ganhos, quer no dom&iacute;nio de perdas. </P >    <p>Exploramos como a prefer&ecirc;ncia entre <I>SS </I>e <I>LL </I>se altera n&atilde;o apenas com a entrada de <I>MM </I>no conjunto de escolha, mas tamb&eacute;m com a descri&ccedil;&atilde;o de <I>MM </I>como a op&ccedil;&atilde;o incumbente, relativamente &agrave; qual <I>SS </I>&eacute; uma op&ccedil;&atilde;o de adiantamento e <I>LL </I>&eacute; uma op&ccedil;&atilde;o de adiamento. Pelo status quo bias, acima referido, <I>MM </I>ir&aacute; ganhar em rela&ccedil;&atilde;o a <I>SS </I>e <I>LL</I>, mas tamb&eacute;m queremos saber qual op&ccedil;&atilde;o, <I>SS </I>ou <I>LL</I>, ir&aacute; ganhar em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; outra. </P >    <p>PROBLEMA E HIP&Oacute;TESES </P >    <p>Criamos tr&ecirc;s condi&ccedil;&otilde;es. Uma condi&ccedil;&atilde;o di&aacute;dica neutra, onde a escolha &eacute; simplesmente entre <I>SS </I>e <I>LL</I>; uma condi&ccedil;&atilde;o tri&aacute;dica neutra, em que <I>MM </I>&eacute; introduzida, e uma condi&ccedil;&atilde;o tri&aacute;dica enviezada, em que <I>MM </I>&eacute; descrita como a op&ccedil;&atilde;o incumbente, relativamente &agrave; qual <I>SS </I>&eacute; uma op&ccedil;&atilde;o de adiantamento e <I>LL </I>&eacute; uma op&ccedil;&atilde;o de adiamento. Assim, consideramos pertinente: </P >    <p>1) 	Quer em ganhos quer em perdas, verificar qual dos atributos, tempo ou valor monet&aacute;rio, assume um papel mais preponderante na escolha intertemporal. Em ganhos, se tempo for mais importante do que dinheiro, haver&aacute;, na passagem de escolha di&aacute;dica neutra para escolha tri&aacute;dica neutra, uma polariza&ccedil;&atilde;o para <I>SS</I>, e se o dinheiro for mais importante do que tempo, haver&aacute; uma polariza&ccedil;&atilde;o para <I>LL</I>. Em perdas, haver&aacute; polariza&ccedil;&atilde;o para <I>LL </I>e <I>SS</I>, respectivamente. </P >    <p>2) 	Quer em ganhos quer em perdas, verificar se a import&acirc;ncia relativa dos atributos se altera com a descri&ccedil;&atilde;o da <I>MM </I>como op&ccedil;&atilde;o incumbente, relativamente &agrave; qual <I>SS </I>&eacute; uma op&ccedil;&atilde;o de adiantamento e <I>LL </I>&eacute; uma op&ccedil;&atilde;o de adiamento. Assim, verificar se h&aacute;, na passagem de escolha tri&aacute;dica neutra para escolha tri&aacute;dica enviezada, uma polariza&ccedil;&atilde;o para <I>SS </I>(tempo torna-se mais importante em ganhos; dinheiro torna-se mais importante em perdas) ou para <I>LL </I>(dinheiro torna-se mais importante em ganhos; tempo torna-se mais importante em perdas). </P >    <p>3) 	<I>H1</I>: Quer em ganhos quer em perdas, verificar se a descri&ccedil;&atilde;o da <I>MM </I>como op&ccedil;&atilde;o incumbente faz com que esta op&ccedil;&atilde;o ganha em rela&ccedil;&atilde;o a <I>SS </I>e <I>LL </I>(<I>status quo bias</I>). </P >    <p>A presen&ccedil;a de anomalias tem sido claramente evidenciada nos estudos emp&iacute;ricos desta tem&aacute;tica. Deste modo, e acrescentando a necessidade de averiguar esta presen&ccedil;a numa configura&ccedil;&atilde;o de escolha tri&aacute;dica, torna-se pertinente: </P >     <p>4) 	Confirmar a presen&ccedil;a dos efeitos de diferimento, magnitude e sinal em todas as condi&ccedil;&otilde;es experimentais.  <I>H2</I>: Efeito de diferimento. Quanto maior for o intervalo de tempo, e mantendo a taxa de  juros constante, maior ser&aacute; a probabilidade de escolha de <I>LL </I>para situa&ccedil;&otilde;es de ganhos e de  <I>SS </I>para situa&ccedil;&otilde;es de perdas.  </P >     <p><I>H3</I>: Efeito de magnitude. Quanto maior for o valor monet&aacute;rio, e mantendo a taxa de juros constante, maior ser&aacute; a probabilidade de escolha de <I>LL </I>para situa&ccedil;&otilde;es de ganhos e de <I>SS </I>para situa&ccedil;&otilde;es de perdas. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><I>H4</I>: Efeito de sinal. Mantendo a taxa de juros constante, a probabilidade de escolha de <I>SS </I>em perdas &eacute; maior do que a probabilidade de escolha de <I>LL </I>em ganhos. </P >    <p>M&Eacute;TODO </P >    <p><I>Delineamento </I></P >    <p>Os est&iacute;mulos foram constru&iacute;dos de acordo com um design 3 (Condi&ccedil;&atilde;o Di&aacute;dica Neutra, Tri&aacute;dica Neutra, Tri&aacute;dica Enviesada) x 2 (Diferimento) x 2 (Magnitude) x 2 (Sinal), onde o primeiro factor foi manipulado entre sujeitos e os restantes factores intra sujeitos. Os est&iacute;mulos do design intra sujeitos s&atilde;o apresentados na <a href="#t1">Tabela 1</a>. A condi&ccedil;&atilde;o de escolha atribu&iacute;da variou entre participantes, 104 foram submetidos &agrave; condi&ccedil;&atilde;o di&aacute;dica neutra, 274 responderam &agrave; condi&ccedil;&atilde;o representativa de escolha tri&aacute;dica neutra, e os restantes 239 participaram na condi&ccedil;&atilde;o tri&aacute;dica enviesada. </P >    <p>&nbsp;</P >     <p><a name="t1"><img src="/img/revistas/aps/v30n3/30n3a02t1.jpg"></P >     
<p>&nbsp;</P >     <p>A distribui&ccedil;&atilde;o de participantes por condi&ccedil;&otilde;es realizou-se deste modo, porque a dispers&atilde;o dos participantes seria maior quanto confrontados com tr&ecirc;s op&ccedil;&otilde;es (escolhas tri&aacute;dicas) do que quando confrontados com duas op&ccedil;&otilde;es (escolha di&aacute;dica neutra), uma vez que de acordo com a literatura a op&ccedil;&atilde;o do meio normalmente &eacute; mais popular (Simonson &amp; Tversky, 1992). </P >     <p><I>Participantes </I></P >     <p>A amostra deste estudo &eacute; constitu&iacute;da por 617 elementos de ambos os g&eacute;neros 41% do g&eacute;nero masculino, com idades compreendidas entre os 17 e os 66 anos, sendo que a m&eacute;dia &eacute; de 31 anos. No que diz respeito &agrave;s habilita&ccedil;&otilde;es acad&eacute;micas dos participantes a grande maioria (73%) tem o ensino superior, 24% completou o ensino secund&aacute;rio e os restantes tem como habilita&ccedil;&otilde;es o ensino prim&aacute;rio ou preparat&oacute;rio. Em rela&ccedil;&atilde;o ao estatuto profissional, esta amostra foi constitu&iacute;da por 55% de indiv&iacute;duos que est&atilde;o empregados, 35% s&atilde;o estudantes e os restantes encontram-se em situa&ccedil;&atilde;o de desemprego ou reforma. O question&aacute;rio foi aplicado a indiv&iacute;duos residentes em Portugal continental e nas regi&otilde;es aut&oacute;nomas dos A&ccedil;ores e da Madeira. O tipo de amostragem utilizado foi a amostragem por conveni&ecirc;ncia, uma vez que o recrutamento foi efectuado atrav&eacute;s da metodologia de bola de neve. Os elementos da amostra participaram de acordo com a sua disponibilidade para responder ao question&aacute;rio on-line e n&atilde;o receberam qualquer renumera&ccedil;&atilde;o pela sua participa&ccedil;&atilde;o. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><I>Procedimento </I></P >     <p>Num primeiro momento procedeu-se &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o de um pr&eacute;-teste para a condi&ccedil;&atilde;o di&aacute;dica neutra com o intuito de averiguar quais os valores, entre os quais os indiv&iacute;duos seriam indiferentes. Foram ent&atilde;o constru&iacute;dos, de forma intuitiva, conjuntos de dois valores apresentados posteriormente a uma amostra de cerca de 30 participantes para cada conjunto de valores. Conclu&iacute;do este processo o conjunto de valores que os participantes consideraram como mais indiferente foi o de 400&euro; agora ou 610&euro; daqui &frac12; ano, servindo de base para a constru&ccedil;&atilde;o da condi&ccedil;&atilde;o di&aacute;dica neutra. Num segundo momento avan&ccedil;ou-se para a cria&ccedil;&atilde;o e consequente disponibiliza&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s da aplica&ccedil;&atilde;o on-line Web Survey Software Qualtrics dos tr&ecirc;s question&aacute;rios representativos de cada condi&ccedil;&atilde;o. Foram utilizados meios de comunica&ccedil;&atilde;o inform&aacute;ticos (correio electr&oacute;nico e redes sociais) para contactar os participantes. Aos participantes que mostraram disponibilidade para o preenchimento dos question&aacute;rios, foi enviado um e-mail onde constavam as instru&ccedil;&otilde;es gerais para a sua realiza&ccedil;&atilde;o, a hiperliga&ccedil;&atilde;o de acesso ao question&aacute;rio, o contacto para esclarecimento de d&uacute;vidas ou para eventuais coment&aacute;rios, um agradecimento antecipado pela disponibilidade, uma solicita&ccedil;&atilde;o de confirma&ccedil;&atilde;o ap&oacute;s a conclus&atilde;o do preenchimento do question&aacute;rio, bem como um pedido para reen caminhamento do e-mail para os contactos mais pr&oacute;ximos, recorrendo para tal &agrave; funcionalidade BCC de forma a garantir a privacidade. </P >     <p>Relativamente &agrave;s tarefas pedidas aos participantes, para a condi&ccedil;&atilde;o di&aacute;dica neutra, foi primeira mente dito aos participantes que tinham o direito a receber dinheiro, e de seguida foi pedido para escolherem qual das op&ccedil;&otilde;es apresentadas preferiam. Uma das op&ccedil;&otilde;es reflectia a op&ccedil;&atilde;o representativa de <I>Smaller-but-Sooner </I>(<I>SS</I>), &ldquo;Receber &euro;85 hoje&rdquo;, e a outra op&ccedil;&atilde;o era representativa de <I>Larger-but-Later </I>(<I>LL</I>), &ldquo;Receber &euro;115 daqui a &frac12; ano&rdquo;. Na condi&ccedil;&atilde;o tri&aacute;dica neutra, foi introduzida uma terceira op&ccedil;&atilde;o na configura&ccedil;&atilde;o de op&ccedil;&otilde;es em avalia&ccedil;&atilde;o, esta op&ccedil;&atilde;o foi a de &ldquo;Receber &euro;100 daqui a &frac14; ano&rdquo; que &eacute; representativa da op&ccedil;&atilde;o <I>MM</I>. Finalmente para a condi&ccedil;&atilde;o tri&aacute;dica enviesada, foi dito aos participantes que tinham direito a receber &euro;100 daqui a &frac14; ano, no entanto poderiam escolher adiantar o recebimento e receber um valor monet&aacute;rio menor, ou por outro lado, adiar o recebimento e receber mais dinheiro. A primeira op&ccedil;&atilde;o foi a de &ldquo;Adiantar o recebimento, e receber &euro;85 hoje&rdquo; a outra foi a de &ldquo;Adiar o recebimento, e receber &euro;115 daqui a &frac12; ano&rdquo;. Tanto nesta &uacute;ltima condi&ccedil;&atilde;o experimental como na condi&ccedil;&atilde;o tri&aacute;dica neutra, a op&ccedil;&atilde;o <I>MM </I>foi sempre apresentada em primeiro lugar. Quando o n&uacute;mero de participantes atingiu o valor previamente estipulado, procedeu-se ao encerramento do acesso on-line aos question&aacute;rios. </P >    <p><I>Instrumento </I></P >    <p>Como instrumentos deste estudo foram utilizados tr&ecirc;s question&aacute;rios de auto-preenchimento. Para cada question&aacute;rio foram criadas duas vers&otilde;es de forma a garantir o contra balanceamento dos itens. Cada question&aacute;rio &eacute; constitu&iacute;do por duas partes, na primeira parte s&atilde;o dadas as instru&ccedil;&otilde;es de preenchimento e de seguida s&atilde;o apresentadas aos participantes 8 quest&otilde;es/problemas onde &eacute; pedido que estes realizem uma escolha, a segunda parte &eacute; composta por um conjunto de indicadores s&oacute;cio-demogr&aacute;ficos. </P >    <p>RESULTADOS </P >    <p>Os resultados obtidos foram analisados com recurso ao Teste do Qui-quadrado de independ&ecirc;ncia. Para avaliar os efeitos de polariza&ccedil;&atilde;o, considera-se a probabilidade de escolher <I>LL </I>em rela&ccedil;&atilde;o <I>SS</I>, ignorando <I>MM</I>. Assim, a popularidade relativa de <I>LL </I>em rela&ccedil;&atilde;o a <I>SS </I>em escolha tri&aacute;dica pode ser comparada com a sua popularidade relative em escolha di&aacute;dica. </P >    <p>Os resultados relativos &agrave; quest&atilde;o explorat&oacute;ria demonstram a presen&ccedil;a de um efeito de polariza&ccedil;&atilde;o em direc&ccedil;&atilde;o a ganhar mais cedo, no entanto, este efeito n&atilde;o &eacute; verificado em situa&ccedil;&otilde;es de perdas. Na situa&ccedil;&atilde;o de ganhos, a escolha da op&ccedil;&atilde;o <I>LL </I>na escolha tri&aacute;dica neutra (.41) foi menos comum do que na escolha di&aacute;dica neutra (.55), &chi;<Sup><I>2</I></Sup>(4)=32.42, <I>p </I>&lt;.05, no entanto, em caso de perdas, a escolha da op&ccedil;&atilde;o <I>SS </I>na escolha tri&aacute;dica neutra (.80) foi t&atilde;o comum como na escolha di&aacute;dica neutra (.81), &chi;<Sup><I>2</I></Sup>(4)=2.03, <I>p</I>=.73. </P >    <p>Na compara&ccedil;&atilde;o entre a escolha tri&aacute;dica neutra e tri&aacute;dica enviesada verificou-se uma polariza&ccedil;&atilde;o em direc&ccedil;&atilde;o a ganhar mais, mais tarde, e perder menos, mais cedo. Em situa&ccedil;&otilde;es de ganhos a escolha da op&ccedil;&atilde;o <I>LL </I>foi mais observada na escolha tri&aacute;dica enviesada (.65) do que na escolha tri&aacute;dica neutra (.41) &chi;<Sup><I>2</I></Sup>(4)=87.34, <I>p</I>&lt;.05, por outro lado, em perdas a escolha da op&ccedil;&atilde;o <I>SS </I>foi mais popular na escolha tri&aacute;dica enviesada (.86) do que na escolha tri&aacute;dica neutra (.80), &chi;<Sup><I>2</I></Sup>(4)=11.08, <I>p</I>&lt;.05. </P >    <p>A escolha da op&ccedil;&atilde;o interm&eacute;dia (<I>MM</I>), foi mais frequente na escolha tri&aacute;dica enviesada (.28) do que na escolha tri&aacute;dica neutra (.14), &chi;<Sup><I>2</I></Sup>(8)=158.40, <I>p</I>&lt;.05, confirmando <I>H1</I>. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O efeito de diferimento (<I>H2</I>) foi observado nesta investiga&ccedil;&atilde;o, uma vez que a escolha da op&ccedil;&atilde;o representativa de <I>LL </I>(em ganhos) e de <I>SS </I>(em perdas) foi mais comum para per&iacute;odos de tempo maiores (.73) do que para per&iacute;odos menores (.64), &chi;<Sup><I>2</I></Sup>(4)=84.85, <I>p</I>&lt;.05. Os resultados confirmam, de igual modo, a presen&ccedil;a do efeito de magnitude (<I>H3</I>), no qual a escolha da op&ccedil;&atilde;o representativa de <I>LL </I>(em ganhos) e de <I>SS </I>(em perdas) &eacute; maior para quantias maiores (.70) do que para quantias mais pequenas (.66), &chi;<Sup><I>2</I></Sup>(4)=42.23, <I>p</I>&lt;.05. Finalmente, foi observada a presen&ccedil;a do efeito de sinal (<I>H4</I>), uma vez que a escolha da op&ccedil;&atilde;o <I>SS </I>em perdas (.81) foi mais popular do que a escolha da op&ccedil;&atilde;o representativa de <I>LL </I>em ganhos (.51), &chi;<Sup><I>2</I></Sup>(4)=337.49, <I>p</I>&lt;.05. Os resultados referentes &agrave;s tr&ecirc;s anomalias cl&aacute;ssicas contemplam as escolhas de <I>SS </I>ou <I>LL </I>das tr&ecirc;s condi&ccedil;&otilde;es experimentais. </P >    <p>DISCUSS&Atilde;O </P >     <p>A conclus&atilde;o principal &eacute; que existem efeitos de polariza&ccedil;&atilde;o na escolha intertemporal, o que vem invalidar mais uma vez os modelos convencionais de escolha intertemporal, em que cada op&ccedil;&atilde;o recebe o seu valor descontado, independentemente das outras op&ccedil;&otilde;es dispon&iacute;veis, e a op&ccedil;&atilde;o com o maior valor descontado &eacute; escolhido. O Modelo de Trocas ser&aacute; capaz de incorporar os efeitos de polariza&ccedil;&atilde;o, mas, para o efeito, ter&aacute; que ser generalizado para al&eacute;m da exist&ecirc;ncia de apenas duas op&ccedil;&otilde;es. </P >     <p>Os resultados encontrados mostram uma polariza&ccedil;&atilde;o das escolhas a favor da op&ccedil;&atilde;o <I>SS </I>em perdas, ou seja, perder menos, e a favor da op&ccedil;&atilde;o <I>LL</I>, em ganhos ou seja, ganhar mais. Portanto, logo &agrave; partida &eacute; poss&iacute;vel afirmar que a presen&ccedil;a de um enquadramento de adiamento e adiantamento alterou as prefer&ecirc;ncias dos indiv&iacute;duos. Mais precisamente, ganhar mais e perder menos tornou-se mais importante do que ganhar mais cedo e perder mais tarde. Nas situa&ccedil;&otilde;es de ganho, a interpreta&ccedil;&atilde;o do enquadramento efectuada, por parte dos indiv&iacute;duos, &eacute; diferente da interpreta&ccedil;&atilde;o do mesmo enquadramento nas situa&ccedil;&otilde;es de perda. Em ganhos os termos que reivindicam o atributo temporal j&aacute; est&atilde;o ponderados expl&iacute;cita e implicitamente, o que pode fazer com que o indiv&iacute;duo se foque no outro atributo &ndash; valor monet&aacute;rio, refor&ccedil;ando as escolhas da op&ccedil;&atilde;o <I>LL </I>&ndash; ganhar mais, mais tarde. Esta explica&ccedil;&atilde;o torna-se mais simples ao recorrer-se ao seguinte exemplo, quando os indiv&iacute;duos est&atilde;o perante uma escolha entre adiantar e receber <I>x </I>ou adiar e receber <I>x+1</I>, v&atilde;o focalizar a sua aten&ccedil;&atilde;o nos atributos que correspondem &agrave;s consequ&ecirc;ncias finais dessa escolha, neste caso <I>x </I>ou <I>x+1</I>, pois &eacute; plaus&iacute;vel que a partir do momento em que s&atilde;o manipulados os atributos estritamente relacionados com o tempo, como &eacute; o caso da utiliza&ccedil;&atilde;o das palavras adiar e adiantar, as pessoas n&atilde;o encaram estes atributos como consequ&ecirc;ncias finais que se podem traduzir verdadeiramente numa altera&ccedil;&atilde;o do seu bem-estar, contribuindo para que as escolhas sejam realizadas tendo por base, simplesmente, as consequ&ecirc;ncias finais (valor monet&aacute;rio) de cada op&ccedil;&atilde;o. &Eacute; ainda interessante discutir a presen&ccedil;a &oacute;bvia de um dos efeitos cl&aacute;ssicos da escolha intertemporal, o efeito de sinal, pois nos resultados obtidos verificou-se que a escolha de <I>SS </I>em situa&ccedil;&atilde;o de perdas foi maior do que a escolha de <I>LL </I>em situa&ccedil;&otilde;es de ganhos o que demonstra, tal como &eacute; referido na literatura, que o comportamento dos indiv&iacute;duos &eacute; qualitativamente diferente quando estes est&atilde;o perante situa&ccedil;&otilde;es de perdas ou de ganhos, o que vai de encontro as investiga&ccedil;&otilde;es de Thaler (1981). </P >    <p>No caso particular de perdas estes resultados podem ser debatidos &agrave; luz do princ&iacute;pio da avers&atilde;o &agrave;s perdas proposto por Kahneman e Tversky (1979), de acordo com este princ&iacute;pio a &ldquo;dor&rdquo; resultante de uma perda &eacute; maior do que do prazer associado a um ganho. O que &eacute; consistente com a no&ccedil;&atilde;o de que os indiv&iacute;duos escolheriam a op&ccedil;&atilde;o que traduzisse uma menor perda, o que na realidade foi o que se observou pois verificou-se uma prefer&ecirc;ncia por <I>SS </I>que &eacute; exactamente a op&ccedil;&atilde;o que representa a menor perda. </P >    <p>Relativamente &agrave; passagem da escolha di&aacute;dica neutra para tri&aacute;dica neutra, a polariza&ccedil;&atilde;o revela que ganhar mais cedo &eacute; mais importante do que perder mais tarde, ou ganhar mais &eacute; menos importante do que perder menos, esta confirma-se, uma vez que no caso de situa&ccedil;&otilde;es de ganhos observou-se uma polariza&ccedil;&atilde;o a favor de <I>SS</I>, op&ccedil;&atilde;o que representa receber menos dinheiro mas mais cedo, propondo que neste caso o tempo assumiu o papel de atributo preponderante na escolha. No que concerne &agrave;s situa&ccedil;&otilde;es de ganhos, verificou-se uma altera&ccedil;&atilde;o de uma prefer&ecirc;ncia pelo atributo monet&aacute;rio para o atributo temporal, que passou a ser proeminente (Tversky, Sattath, &amp; Slovic, 1988). Este fen&oacute;meno indica que os indiv&iacute;duos demonstraram n&iacute;veis elevados de impaci&ecirc;ncia quando confrontados com uma configura&ccedil;&atilde;o tri&aacute;dica o que poder&aacute; indicar que os indiv&iacute;duos tenham sido afectados pelo contexto tri&aacute;dico, na medida em que, pela adi&ccedil;&atilde;o de uma nova op&ccedil;&atilde;o, tenha existido uma influ&ecirc;ncia na percep&ccedil;&atilde;o da utilidade e do valor dos atributos das op&ccedil;&otilde;es que integravam a configura&ccedil;&atilde;o inicial, preferindo ganhar menos, mais cedo. O que corrobora os resultados dos estudos de Huber e Puto (1983) e de Shafir, Simonson e Tversky (1993). No entanto, este fen&oacute;meno n&atilde;o &eacute; congruente com o princ&iacute;pio da maximiza&ccedil;&atilde;o da utilidade do valor que postula que uma op&ccedil;&atilde;o n&atilde;o preferida n&atilde;o poder&aacute; passar a ser preferida no caso de uma adi&ccedil;&atilde;o de novas op&ccedil;&otilde;es. </P >    <p>A polariza&ccedil;&atilde;o observada pode ficar a dever-se ao facto de os indiv&iacute;duos serem impacientes quando est&atilde;o perante ganhos, isto porque podem encarar a op&ccedil;&atilde;o <I>MM </I>como algo garantido &agrave; partida e assim preferem alterar sua escolha para a op&ccedil;&atilde;o <I>SS</I>, uma vez que ainda que recebam um valor monet&aacute;rio menor recebem-no mais cedo, aumentado rapidamente o seu n&iacute;vel de bem-estar actual, contribuindo para uma sensa&ccedil;&atilde;o de prazer imediato. Numa abordagem psicof&iacute;sica, a adi&ccedil;&atilde;o de uma nova op&ccedil;&atilde;o &agrave; configura&ccedil;&atilde;o inicial poder&aacute; ter influenciado a percep&ccedil;&atilde;o da op&ccedil;&atilde;o <I>LL</I>, enviesando-a, uma vez que a introdu&ccedil;&atilde;o de uma nova op&ccedil;&atilde;o &agrave; configura&ccedil;&atilde;o inicial pode dificultar ainda mais a percep&ccedil;&atilde;o dos indiv&iacute;duos, na medida em que j&aacute; n&atilde;o se trata de <I>SS </I>ou <I>LL</I>, mas sim <I>SS</I>, <I>MM </I>e <I>LL</I>. A forma como os indiv&iacute;duos tratam a informa&ccedil;&atilde;o com mais uma op&ccedil;&atilde;o em jogo pode, em jeito de especula&ccedil;&atilde;o, influenciar a dist&acirc;ncia percepcionada entre <I>SS </I>e <I>LL</I>, assim, a op&ccedil;&atilde;o <I>MM </I>pode influenciar a percep&ccedil;&atilde;o dos indiv&iacute;duos tanto a favor de uma diminui&ccedil;&atilde;o da dist&acirc;ncia da op&ccedil;&atilde;o <I>LL</I>, pois esta passa a ser percepcionada de <I>MM </I>a <I>LL</I>, como a favor de um aumento da dist&acirc;ncia de <I>LL</I>. A op&ccedil;&atilde;o <I>MM </I>&eacute; ent&atilde;o encarada como mais um &ldquo;obst&aacute;culo&rdquo;, mais uma &ldquo;data&rdquo; para chegar &agrave; op&ccedil;&atilde;o <I>LL</I>. Relativamente &agrave;s situa&ccedil;&otilde;es de perdas, &eacute; not&oacute;rio o elevado peso e &ldquo;dor&rdquo; que estas representam para os indiv&iacute;duos (princ&iacute;pio da avers&atilde;o &agrave;s perdas), sendo portanto natural a assun&ccedil;&atilde;o de que, mesmo quando &eacute; adicionada uma alternativa &agrave; configura&ccedil;&atilde;o inicial de op&ccedil;&otilde;es, os indiv&iacute;duos continuem a preferir perder menos, admitindo, a prefer&ecirc;ncia pelo atributo monet&aacute;rio. </P >    <p>A primeira hip&oacute;tese deste estudo, que prop&otilde;e que a op&ccedil;&atilde;o interm&eacute;dia (<I>MM</I>) &eacute; mais popular na escolha tri&aacute;dica enviesada do que na escolha tri&aacute;dica neutra, &eacute; confirmada. Este fen&oacute;meno sugere que o enquadramento que &eacute; dado aos indiv&iacute;duos na condi&ccedil;&atilde;o enviesada seja um potenciador para a assun&ccedil;&atilde;o, por parte dos indiv&iacute;duos, da op&ccedil;&atilde;o interm&eacute;dia, como a op&ccedil;&atilde;o &ldquo;a que t&ecirc;m direito&rdquo;, como algo que j&aacute; &eacute; da sua propriedade, algo que, segundo Kahneman, Knetsch e Thaler (1990), &eacute; interpretado como um efeito de dota&ccedil;&atilde;o. Tendo o indiv&iacute;duo a op&ccedil;&atilde;o incumbente como a op&ccedil;&atilde;o garantida, haver&aacute;, no caso do adiantamento, uma sensa&ccedil;&atilde;o de perda (Kahneman &amp; Tversky 1979), pois est&aacute; a retirar de algo que j&aacute; tem, e, no caso de adiamento, o indiv&iacute;duo torna-se impaciente, pois n&atilde;o estar&aacute; disposto a esperar mais para receber mais tarde. Esta dificuldade que o indiv&iacute;duo sente em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s escolhas alternativas &agrave; op&ccedil;&atilde;o incumbente &eacute; refor&ccedil;ada pelo facto do indiv&iacute;duo atribuir um valor exacerbado ao bem que considera que j&aacute; lhe pertence. O indiv&iacute;duo ter&aacute;, ent&atilde;o, uma grande probabilidade de agir segundo o princ&iacute;pio da in&eacute;rcia (<I>status quo</I>) &ndash; n&atilde;o querer abdicar do que j&aacute; tem. A in&eacute;rcia pode at&eacute; surgir, simplesmente, pelo facto do indiv&iacute;duo preferir poupar recursos cognitivos que seriam necess&aacute;rios para uma avalia&ccedil;&atilde;o do que seria justo receberem se adiantassem ou adiassem essa consequ&ecirc;ncia. </P >    <p>Com o suporte da bibliografia, nomeadamente, de Simonson e Tversky (1992), &eacute; poss&iacute;vel avan&ccedil;ar com uma segunda explica&ccedil;&atilde;o: as escolhas dos indiv&iacute;duos estarem associadas &agrave;s no&ccedil;&otilde;es de avers&atilde;o &agrave;s perdas e avers&atilde;o aos extremos. Em vez da op&ccedil;&atilde;o incumbente (op&ccedil;&atilde;o <I>MM </I>na condi&ccedil;&atilde;o de escolha tri&aacute;dica enviesada) ser encarada como um ponto de refer&ecirc;ncia neutro, passa a ser encarada como uma op&ccedil;&atilde;o interm&eacute;dia que apresenta apenas ligeiras vantagens e desvantagens, em ambos os atributos, em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s op&ccedil;&otilde;es extremadas. A no&ccedil;&atilde;o de que as desvantagens t&ecirc;m um maior peso que as respectivas vantagens e pelo princ&iacute;pio de avers&atilde;o &agrave;s perdas, existir&aacute; uma tend&ecirc;ncia a favor da escolha da op&ccedil;&atilde;o interm&eacute;dia </P >    <p>Relativamente &agrave; segunda hip&oacute;tese deste estudo, o efeito de diferimento, observou-se, de facto, uma exig&ecirc;ncia de maiores taxas de desconto para per&iacute;odos de espera mais curtos, o que vem corroborar as investiga&ccedil;&otilde;es de Thaler (1981) que conclu&iacute;ram que as taxas de desconto tendem a ser maiores para per&iacute;odos de espera mais curtos do que per&iacute;odos de espera mais longos. A op&ccedil;&atilde;o <I>LL </I>foi, ent&atilde;o, mais popular em situa&ccedil;&otilde;es de ganhos o que pode ser explicado atrav&eacute;s da propriedade da sensibilidade decrescente relativa ao tempo (e.g., diferen&ccedil;a entre 0 e 2 anos parece maior do que a diferen&ccedil;a entre 6 e 8 anos). De um modo geral os indiv&iacute;duos parecem, ent&atilde;o, descontar o futuro hiperbolicamente, isto &eacute;, apresentam maiores n&iacute;veis de impaci&ecirc;ncia para um futuro mais pr&oacute;ximo, mas menores n&iacute;veis de impaci&ecirc;ncia para futuros mais long&iacute;nquos (Benzion et al., 1989; Thaler, 1981). </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A terceira hip&oacute;tese ilustra o efeito de magnitude e que sugere que quanto maior for o valor monet&aacute;rio, e mantendo a taxa de juros constante, maior ser&aacute; a probabilidade de escolha de <I>LL </I>para situa&ccedil;&otilde;es de ganhos, e de <I>SS </I>para situa&ccedil;&otilde;es de perdas. De acordo com os resultados obtidos neste estudo, esta hip&oacute;tese confirma-se, refor&ccedil;ando o que &eacute; proposto na literatura sobre este fen&oacute;meno, pois diversos s&atilde;o os estudos emp&iacute;ricos que comprovam que para grandes quantias de dinheiro o desconto proporcional &eacute; menor do que para pequenas quantias. Um desses estudos &eacute; o de Thaler (1981), onde foi verificado que em m&eacute;dia, os participantes, eram indiferentes entre receber $15 agora e $60 dali a 1 ano, eram de igual modo indiferentes entre receber $250 no momento imediato e $350 no espa&ccedil;o de 1 ano, bem como $3000 agora e $4000 dentro de 1 ano. A literatura acerca deste efeito cl&aacute;ssico oferece duas explica&ccedil;&otilde;es comportamentais plaus&iacute;veis para a sua ocorr&ecirc;ncia. A primeira tem a sua base na psicologia da percep&ccedil;&atilde;o (psicof&iacute;sica), e de acordo com esta explica&ccedil;&atilde;o as pessoas s&atilde;o sens&iacute;veis, n&atilde;o apenas, a diferen&ccedil;as relativas nas quantias de dinheiro, mas tamb&eacute;m a diferen&ccedil;as absolutas (Loewenstein &amp; Prelec, 1992), por exemplo, a diferen&ccedil;a perceptual entre &euro;100 agora e &euro;150 daqui a 1 ano, parece maior do que a diferen&ccedil;a entre &euro;10 agora e &euro;15 daqui a 1 ano, deste modo a maioria das pessoas est&atilde;o dispostas a esperar pelos &euro;50 no primeiro caso, mas n&atilde;o pelos &euro;5 no segundo. A segunda explica&ccedil;&atilde;o adv&eacute;m da no&ccedil;&atilde;o de contabilidade mental proposta por Shefrin e Thaler (1988), por exemplo se ganhos pequenos s&atilde;o inscritos &ldquo;conta corrente&rdquo;, o que contribu&iacute; para que estes sejam amplamente consumidos, por sua vez j&aacute; os ganhos de quantias maiores s&atilde;o inscritos numa &ldquo;conta de poupan&ccedil;a&rdquo;, onde a propens&atilde;o para o consumo &eacute; muito menor. Deste modo o custo de esperar por um ganho pequeno pode ser entendido como uma ren&uacute;ncia ao consumo, em contraste, o custo de oportunidade de esperar por um ganho maior &eacute; simplesmente percepcionado como um interesse renunciado. De acordo com esta explica&ccedil;&atilde;o se a ren&uacute;ncia ao consumo for mais tentador do que uma ren&uacute;ncia ao interesse, ent&atilde;o o efeito de magnitude ser&aacute; observado. </P >    <p>Finalmente para a quarta e &uacute;ltima hip&oacute;tese proposta neste estudo, segundo a qual ao manter-se a taxa de juros constante, a probabilidade de escolha de <I>SS </I>em perdas &eacute; maior do que a probabilidade de escolha de <I>LL </I>em ganhos, hip&oacute;tese esta que &eacute; constru&iacute;da com o objectivo de verificar a presen&ccedil;a do efeito de sinal, esta confirma-se como se pode constatar nos resultados obtidos, pois tal como previsto foram observadas mais escolhas da op&ccedil;&atilde;o representativa de <I>SS </I>em situa&ccedil;&otilde;es de perdas do que da escolha da op&ccedil;&atilde;o de <I>LL </I>em situa&ccedil;&otilde;es de ganhos. O que &eacute; consistente com o estudo de Loewenstein e Thaler (1989) onde foi verificado a taxa de desconto para situa&ccedil;&otilde;es de ganho &eacute; muito maior do que para situa&ccedil;&otilde;es de perda. A presen&ccedil;a deste efeito nos resultados pode mais uma vez ser explicada recorrendo ao princ&iacute;pio de avers&atilde;o &agrave;s perdas proposto por Kahneman e Tversky (1979) e que se refere ao facto, como j&aacute; debatido anteriormente, de os indiv&iacute;duos sentirem mais a redu&ccedil;&atilde;o dos seus n&iacute;veis de bem-estar actuais do que as melhorias, ou seja, a dor associada a uma perda &eacute; maior do que o prazer associado a um ganho. </P >    <p>Como referido anteriormente, a exist&ecirc;ncia de polariza&ccedil;&atilde;o na escolha intertemporal revela que convencionais modelos de desconto n&atilde;o est&atilde;o adequados. De forma mais fundamental, viola&ccedil;&otilde;es de independ&ecirc;ncia de alternativas irrelevantes podem revelar <I>indecis&atilde;o</I>, em oposi&ccedil;&atilde;o &agrave; <I>indiferen&ccedil;a </I>(Eliaz &amp; Ok, 2006). As pessoas n&atilde;o sabem ao certo o que querem e usam as caracter&iacute;sticas do conjunto de escolha como um apoio &agrave; decis&atilde;o. &ldquo;Escolhe o compromisso&rdquo; &eacute; uma maneira de resolver a indecis&atilde;o. &ldquo;Escolhe a op&ccedil;&atilde;o melhor no atributo mais importante&rdquo; &eacute; outra. A nossa an&aacute;lise pressup&otilde;e que indecis&atilde;o est&aacute; subjacente &agrave;s viola&ccedil;&otilde;es da independ&ecirc;ncia de alternativas irrelevantes. No entanto, Eliaz e Ok (2006) mostram que, a partir de viola&ccedil;&otilde;es da independ&ecirc;ncia de alternativas irrelevantes, &eacute; poss&iacute;vel distinguir entre situa&ccedil;&otilde;es de indiferen&ccedil;a e situa&ccedil;&otilde;es de indecis&atilde;o. </P >    <p>LIMITA&Ccedil;&Otilde;ES DO ESTUDO E FUTURAS INVESTIGA&Ccedil;&Otilde;ES </P >    <p>A principal limita&ccedil;&atilde;o desta investiga&ccedil;&atilde;o prende-se com o facto do design experimental utilizado sido entre sujeitos, ou seja, n&atilde;o foi utilizada a mesma amostra para estudar os padr&otilde;es de escolha apresentados pelos indiv&iacute;duos, no entanto. Logicamente, com a entrada de <I>MM</I>, a prefer&ecirc;ncia entre <I>SS </I>and <I>LL </I>pode mudar devido a duas coisas: (1) a frequ&ecirc;ncia de trocar <I>SS </I>por <I>LL </I>difere da frequ&ecirc;ncia de trocar <I>LL </I>por <I>SS </I>e (2) a probabilidade de trocar <I>SS </I>por <I>MM </I>difere da probabilidade de trocar <I>LL </I>por <I>MM</I>. S&oacute; um design intra sujeitos consegue distinguir estas duas hip&oacute;teses, das quais apenas a primeira revela uma verdadeira mudan&ccedil;a de prefer&ecirc;ncia entre <I>SS </I>e <I>LL</I>. Sugerimos para futura investiga&ccedil;&atilde;o a replica&ccedil;&atilde;o dos nossos resultados com um design intra sujeitos. </P >    <p>Sendo este um estudo puramente experimental e laboratorial, surge a quest&atilde;o em que medida os seus resultados dizem alguma coisa sobre o &ldquo;mundo real&rdquo;. A escolha entre <I>SS </I>e <I>LL </I>pode ser enquadrada de muitas maneiras, mas um exemplo concreto referido muito frequentemente na literatura &eacute; a escolha entre &ldquo;consumo hoje&rdquo; e &ldquo;maior consumo no futuro&rdquo;. Em princ&iacute;pio, as pessoas que tendem a escolher <I>SS </I>no laborat&oacute;rio deviam ser aquelas mais envolvidas em sobreconsumo e subpoupan&ccedil;a. As pessoas que tendem a escolher <I>LL</I>, deviam ser mais prudentes na &ldquo;vida real&rdquo;. A polariza&ccedil;&atilde;o em direc&ccedil;&atilde;o a <I>SS </I>em ganhos, como observada na nossa experi&ecirc;ncia, &eacute; interessante deste ponto de vista. Uma perspectiva que a pessoa pode adoptar &eacute; de &ldquo;consumir hoje&rdquo; ou &ldquo;consumir mais na reforma&rdquo;. Os nossos dados sugerem que, se esta pessoa mudasse de perspectiva e contemplasse mais oportunidades de consumo entre hoje e a altura da reforma, ela tornar-se-ia mais impaciente e inclinava mais para o consumo imediato. Procurar estabelecer a validade externa dos nosso resultados parece um interessante caminho para futura investiga&ccedil;&atilde;o. </P >     <p>&nbsp;</P >     <p>REFER&Ecirc;NCIAS </P >    <!-- ref --><p>Ainslie, G. (1975). Specious reward: A behavioral theory on impulsiveness and impulse control. <I>Psychological Bulletin, 82</I>(4)<I>, </I>463-509.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000101&pid=S0870-8231201200020000200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Benzion, U., Rapoport, A., &amp; Yagil, J. (1989). Discount rates inferred from decisions: An experimental study. <I>Management Science, 35, </I>270-284.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000103&pid=S0870-8231201200020000200002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Carmon, Z., &amp; Ariely, D. (2000). Focusing on the forgone: How value can appear so different to buyers and sellers. <I>Journal of Consumer Research</I>, <I>27</I>, 360-370.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000105&pid=S0870-8231201200020000200003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Chapman, G., &amp; Elstein, A. (1995). Valuing the future: Discounting health and money. <I>Medical Decision Making, 15, </I>373-386.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000107&pid=S0870-8231201200020000200004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><P   >Eliaz, K., &amp; Ok, E. A. (2006). Indifference or indecisiveness? Choice-theoretic foundations of incomplete preferences. <I>Games and Economic Behavior, 56, </I>61-86.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000109&pid=S0870-8231201200020000200005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><P   >Heberlein, T., &amp; Bishop, R. (1986). Assessing the validity of contingent valuation: Three field experiments. <I>The Science of the Total Environment</I>, <I>56</I>, 99-107.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000111&pid=S0870-8231201200020000200006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><P   >Holcomb, J., &amp; Nelson, P. (1992). Another experimental look at individual time preference. <I>Rationality and Society, 4</I>(2), 199-220.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000113&pid=S0870-8231201200020000200007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><P   >Huber, J., &amp; Puto, C. (1983). Market boundaries and product choice: Illustrating attraction and substitution effects. <I>Journal of Consumer Research, 10, </I>31-44.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000115&pid=S0870-8231201200020000200008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <!-- ref --><P   >Kahneman, D., &amp; Tversky, A. (1979). Prospect theory: an analysis of decision under risk. <I>Econometrica, 47, </I>263-291.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000117&pid=S0870-8231201200020000200009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <!-- ref --><P   >Kahneman, D., Knetsch, J. L., &amp; Thaler, R. (1990). Experimental tests of the endowment effect and the coase theorem. <I>Journal of Political Economy, 98</I>(6), 1325-1348.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000119&pid=S0870-8231201200020000200010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <!-- ref --><P   >Kahneman, D., Knetsch, J. L., &amp; Thaler, R. (1991). The endowment effect, loss aversion, and status quo bias: Anomalies. <I>Journal of Economic Perspectives</I>, <I>5</I>(1), 193-206.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000121&pid=S0870-8231201200020000200011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><P   >Loewenstein, G. (1988). Frames of mind in intertemporal choice. <I>Management Science, 34, </I>200-214.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000123&pid=S0870-8231201200020000200012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <!-- ref --><P   >Loewenstein, G., &amp; Prelec, D. (1992). Anomalies in intertemporal choice: Evidence and an interpretation. <I>Quarterly Journal of Economics, 107, </I>573-597.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000125&pid=S0870-8231201200020000200013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <!-- ref --><P   >Loewenstein, G., &amp; Thaler, R. (1989). Intertemporal choice. <I>Journal of Economic Perspectives</I>, <I>3</I>(4), 181-193.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000127&pid=S0870-8231201200020000200014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <!-- ref --><P   >Loewenstein, G., Read, D., &amp; Baumeister, R. F. (Eds.). (2003). <I>Time and decision. </I>New York, Russell Sage </P >     &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000129&pid=S0870-8231201200020000200015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P   >Foundation. Roelofsma, P., &amp; Read, D. (2000). Intransitive intertemporal choice. <I>Journal of Behavioral Decision Making, </I><I>13</I>(2), 161-177.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000130&pid=S0870-8231201200020000200016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <!-- ref --><P   >Samuelson, P. (1937). A note on measurement of utility. <I>Review of Economic Studies</I>, <I>4</I>, 155-161.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000132&pid=S0870-8231201200020000200017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <!-- ref --><P   >Samuelson, W., &amp; Zeckhauser, R. (1988). Status quo bias in decision making. <I>Journal of Risk and Uncertainty</I>, <I>1</I>, 7-59.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000134&pid=S0870-8231201200020000200018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <!-- ref --><P   >Scholten, M., &amp; Read, D. (2010). The psychology of intertemporal tradeoffs. <I>Psychological Review</I>, <I>117</I>(3), 925-944.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000136&pid=S0870-8231201200020000200019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <!-- ref --><P   >Shafir, E., Simonson, I., &amp; Tversky, A. (1993). Reason-based choice. <I>Cognition</I>, <I>49</I>, 11-36.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000138&pid=S0870-8231201200020000200020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <!-- ref --><P   >Shefrin, H., &amp; Thaler, R. (1988). The behavioral life-cycle hypothesis. <I>Economic Inquiry</I>, <I>26</I>(4), 609-643.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000140&pid=S0870-8231201200020000200021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <!-- ref --><P   >Simonson, I., &amp; Tversky, A. (1992). Choice in context: Tradeoff contrast and extremeness aversion. <I>Journal of </I><I>Marketing Research</I>, <I>29</I>(3), 281-295.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000142&pid=S0870-8231201200020000200022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <P   >Strotz, R. H. (1955&ndash;1956). Myopia and inconsistency in dynamic utility maximization. <I>Review of Economic Studies</I>, <I>23</I>, 165-180. </P >     <!-- ref --><P   >Thaler, R. (1980). Toward a positive theory of consumer choice. <I>Journal of Economic Behavior and </I><I>Organization</I>, <I>1</I>, 39-60.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000145&pid=S0870-8231201200020000200024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <!-- ref --><P   >Thaler, R. (1981). Some empirical evidence on dynamic inconsistency. <I>Economics Letters</I>, <I>8</I>, 201-207.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000147&pid=S0870-8231201200020000200025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <!-- ref --><P   >Thaler, R., &amp; Benartzi, S. (1995). Myopic loss aversion and the equity premium puzzle. <I>The Quarterly Journal </I><I>of Economics</I>, <I>11</I>, 73-92.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000149&pid=S0870-8231201200020000200026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <!-- ref --><P   >Thaler, R., &amp; Benartzi S. (2004). Save more tomorrow: Using behavioral economics to increase employee saving. <I>Journal of Political Economy</I>, <I>112</I>, 164-187.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000151&pid=S0870-8231201200020000200027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><P   > Tversky, A., &amp; Kahneman, D. (1991). Loss aversion in riskless choice: A reference-dependent model. <I>Quarterly Journal Economics</I>, <I>107</I>, 1039-1061.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000153&pid=S0870-8231201200020000200028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <!-- ref --><p>Tversky, A., Sattath, S., &amp; Slovic, P. (1988). Contingent weighting in judgment and choice. <I>Psychological Review</I>, <I>95</I>, 371-384.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000155&pid=S0870-8231201200020000200029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <p>&nbsp;</P >     <p><a name="0"></a><a href="#top0">Correspond&ecirc;ncia</a></P >     <p>A correspond&ecirc;ncia relativa a este artigo dever&aacute; ser enviada para: Marc Scholten. ISPA &ndash; Instituto Universit&aacute;rio, Rua Jardim do Tabaco, 34, 1149-041 Lisboa, Portugal. E-mail: <a href="mailto:scholten@ispa.pt">scholten@ispa.pt</a></P >      ]]></body><back>
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