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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Scaffolding verbal materno no âmbito de uma tarefa de elicitação narrativa em crianças de idade pré-escolar]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Scaffolding has been mostly studied during problem solving tasks. Research in the context of narrative elicitation is still scarce. The present investigation analyzes maternal verbal scaffolding aimed at promoting preschoolers&#8217; narrative construction using a picture book. The narratives of 41 four-year-olds (58.5% boys) and their mothers&#8217; were videotaped, transcribed and analyzed according to the Coding System of Verbal Behaviors that Promote Preschoolers&#8217; Narratives. Mothers used different verbal behaviors to promote and support their children&#8217;s narrative construction. Specifically, mothers direct children&#8217;s attention and interest to the book; use specific questions to orient children&#8217;s discourse; make use of examples and confirmation requests; and provide open and closed questions with encouragements in order to promote children&#8217;s discourse. Similar values of intrusiveness, sensitivity and change levels were found. These results suggest that mothers tend to participate as co-authors or principal narrators in order to support children&#8217;s narrative construction.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><B><I>Scaffolding </I>verbal materno no &acirc;mbito de uma tarefa de elicita&ccedil;&atilde;o narrativa em crian&ccedil;as de idade pr&eacute;-escolar </B></P >     <p><b>Joana Carvalho<Sup>*</Sup>; Carla Martins<Sup>*</Sup>; Eva Costa Martins<Sup>**</Sup>; Ana Os&oacute;rio<Sup>***</Sup>; Maria Jo&atilde;o Carvalho<Sup>*</Sup>; Isabel Soares<Sup>**** </Sup></b></P >     <p><Sup>*</Sup>Departamento de Psicologia B&aacute;sica, Escola de Psicologia, Universidade do Minho; </P >     <p><Sup>**</Sup>Departamento de Psicologia e Comunica&ccedil;&atilde;o/UNIDEP-CINEICC, Instituto Superior da Maia; </P >     <p><Sup>***</Sup>Laborat&oacute;rio de Neuropsicofisiologia, CIPsi, Escola de Psicologia, Universidade do Minho;</P >     <p> <Sup>****</Sup>Departamento de Psicologia Aplicada, Escola de Psicologia, Universidade do Minho </P >     <p><a name="top0"></a><a href="#0">Correspond&ecirc;ncia</a></P >     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>O <I>scaffolding </I>tem sido estudado no &acirc;mbito de tarefas de resolu&ccedil;&atilde;o de problemas, sendo escassas as investiga&ccedil;&otilde;es em contexto de elicita&ccedil;&atilde;o narrativa. Este trabalho analisa o <I>scaffolding </I>verbal materno na promo&ccedil;&atilde;o da constru&ccedil;&atilde;o narrativa de crian&ccedil;as em idade pr&eacute;-escolar, atrav&eacute;s da utiliza&ccedil;&atilde;o de um livro de imagens. As narrativas de 41 crian&ccedil;as (58.5% rapazes) de 4 anos foram v&iacute;deo-gravadas, transcritas e analisadas segundo a <I>Grelha de Cota&ccedil;&atilde;o de Comportamentos Verbais Promotores da Narrativa nas Crian&ccedil;as em Idade Pr&eacute;-escolar</I>. Verificou-se que as m&atilde;es dirigem a aten&ccedil;&atilde;o e o interesse da crian&ccedil;a para o livro, utilizam quest&otilde;es espec&iacute;ficas para direcionar o discurso da crian&ccedil;a, recorrem a exemplos e solicitam a comprova&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a e utilizam quest&otilde;es com incentivos de forma a promover o seu discurso. Relativamente ao modo como orientam a narrativa dos seus filhos, registaram-se valores semelhantes ao n&iacute;vel da intrusividade, sensibilidade e mudan&ccedil;a. Os resultados sugerem que a m&atilde;e tende a desempenhar a fun&ccedil;&atilde;o de coautora ou mesmo de narradora principal como forma de auxiliar a crian&ccedil;a na constru&ccedil;&atilde;o da narrativa. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><B>Palavras-chave: </B>Idade pr&eacute;-escolar, Livro de imagens, Narrativa, <I>Scaffolding</I>. </P >     <p>&nbsp;</P >     <p><b>ABSTRACT</b></P >     <p>Scaffolding has been mostly studied during problem solving tasks. Research in the context of narrative elicitation is still scarce. The present investigation analyzes maternal verbal scaffolding aimed at promoting preschoolers&rsquo; narrative construction using a picture book. The narratives of 41 four-year-olds (58.5% boys) and their mothers&rsquo; were videotaped, transcribed and analyzed according to the <I>Coding System of Verbal Behaviors that Promote Preschoolers&rsquo; Narratives</I>. Mothers used different verbal behaviors to promote and support their children&rsquo;s narrative construction. Specifically, mothers direct children&rsquo;s attention and interest to the book; use specific questions to orient children&rsquo;s discourse; make use of examples and confirmation requests; and provide open and closed questions with encouragements in order to promote children&rsquo;s discourse. Similar values of intrusiveness, sensitivity and change levels were found. These results suggest that mothers tend to participate as co-authors or principal narrators in order to support children&rsquo;s narrative construction. </P >     <p><B>Key-words: </B>Narrative, Picture book, Preschool age, Scaffolding. </P >     <p>&nbsp;</P >     <p>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O </P >    <p>A teoria sociocultural do desenvolvimento cognitivo de Vygotsky (1978) enfatiza a import&acirc;ncia da intera&ccedil;&atilde;o social na aprendizagem e desenvolvimento das crian&ccedil;as. Neste processo, os adultos desempenham um papel fundamental, na medida em que auxiliam e dirigem de forma mais eficaz a aprendizagem das crian&ccedil;as quando estas est&atilde;o quase, mas n&atilde;o totalmente, capazes de realizar a tarefa por si pr&oacute;prias. Vygotsky (1978) define assim o conceito de <I>zona de desenvolvimento proximal </I>enquanto a dist&acirc;ncia entre o <I>n&iacute;vel de desenvolvimento real </I>da crian&ccedil;a, determinado pela sua capacidade para realizar uma tarefa de modo independente, e o seu <I>n&iacute;vel de desenvolvimento potencial</I>, determinado atrav&eacute;s da resolu&ccedil;&atilde;o de uma tarefa sob a orienta&ccedil;&atilde;o e o suporte de um adulto (ou em colabora&ccedil;&atilde;o com pares mais competentes). </P >     <p>Na mesma linha, surge o conceito de <I>scaffolding </I>introduzido por Wood, Bruner e Ross (1976) que aplica a met&aacute;fora dos andaimes &ndash; plataformas tempor&aacute;rias utilizadas pelos trabalhadores da constru&ccedil;&atilde;o civil &ndash; no &acirc;mbito de uma intera&ccedil;&atilde;o de tutoria. <I>Andaime </I>(<I>scaffold</I>), neste contexto, pode ser, ent&atilde;o, entendido como o suporte tempor&aacute;rio que pais, professores ou outros adultos ou pares mais competentes, proporcionam &agrave; crian&ccedil;a numa dada tarefa, at&eacute; que esta a consiga executar sozinha com alguma mestria. </P >     <p>Segundo Otto (2006), o <I>scaffolding </I>verbal &eacute; um tipo espec&iacute;fico de <I>scaffolding </I>que o adulto utiliza para auxiliar e promover verbalmente o discurso da crian&ccedil;a. Neste caso particular, os adultos funcionar&atilde;o como <I>andaimes </I>lingu&iacute;sticos que auxiliam a crian&ccedil;a na constru&ccedil;&atilde;o narrativa e, consequentemente, na organiza&ccedil;&atilde;o das suas experi&ecirc;ncias. O <I>scaffolding </I>verbal tem sido amplamente estudado no &acirc;mbito das tarefas de resolu&ccedil;&atilde;o de problemas (e.g., Smith, Landry, &amp; Swank, 2000). Apesar de alguns estudos abordarem esta tem&aacute;tica no contexto da intera&ccedil;&atilde;o narrativa, nomeadamente durante conversas familiares acerca de experi&ecirc;ncias passadas (e.g., Eisenberg, 1985) ou aquando a leitura de livros (e.g., Haden, Reese, &amp; Fivush, 1996), s&atilde;o escassos aqueles que se debru&ccedil;am sobre o contexto de uma tarefa de elicita&ccedil;&atilde;o narrativa, na qual o papel de narrador principal &eacute; atribu&iacute;do &agrave; crian&ccedil;a, e que, por outro lado, apresentam um esquema de cota&ccedil;&atilde;o que permita n&atilde;o s&oacute; discriminar as estrat&eacute;gias de <I>scaffolding</I>, mas tamb&eacute;m avaliar como s&atilde;o empregues. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>S&atilde;o, portanto, necess&aacute;rios estudos que possibilitem compreender de que forma os pais auxiliam e promovem verbalmente a constru&ccedil;&atilde;o narrativa da crian&ccedil;a durante os anos pr&eacute;-escolares, uma vez que &eacute; durante esse per&iacute;odo que as crian&ccedil;as mais desenvolvem as suas capacidades narrativas. De facto, &eacute; atrav&eacute;s do <I>scaffolding </I>que a crian&ccedil;a se torna um narrador cada vez mais competente (Melzi, Schick, &amp; Kennedy, 2011). </P >    <p>O objetivo da presente investiga&ccedil;&atilde;o foi caracterizar o <I>scaffolding </I>verbal materno, analisando, para tal, quais os comportamentos verbais utilizados pela m&atilde;e e de que forma esta os introduz no &acirc;mbito de uma tarefa de elicita&ccedil;&atilde;o narrativa. </P >    <p>M&Eacute;TODO </P >    <p><I>Participantes </I></P >    <p>Participaram no estudo 41 crian&ccedil;as, 24 (58.5%) do sexo masculino, com idades compreendidas entre os 52 e os 55 meses (<I>M</I>=54.84, <I>DP</I>=.96), e suas m&atilde;es. Os participantes foram selecionados por amostragem ocasional aos 10 meses de idade, momento em que foram recrutados para um estudo longitudinal mais vasto e atualmente em curso. A maioria da amostra (65.9%) pertence a um n&iacute;vel sociocultural m&eacute;dio a m&eacute;dio-elevado. </P >    <p><I>Instrumentos </I></P >    <p><I>Ficha socio-demogr&aacute;fica. </I>Trata-se de uma ficha elaborada pela equipa de investiga&ccedil;&atilde;o do estudo longitudinal que permite recolher informa&ccedil;&otilde;es pessoais dos participantes, nomeadamente a idade da crian&ccedil;a bem como o n&iacute;vel de escolaridade e profiss&atilde;o da m&atilde;e. </P >    <p><I>Livro de Imagens &ldquo;Frog where are you?&rdquo; </I>(Mayer, 1969). Para a tarefa de elicita&ccedil;&atilde;o de narrativas foi utilizado o livro intitulado &ldquo;<I>Frog, where are you</I>?&rdquo; (Mayer, 1969). Trata-se de um livro de 24 p&aacute;ginas composto exclusivamente por imagens e que retrata a hist&oacute;ria de um menino e de um c&atilde;o em busca do seu sapo. A hist&oacute;ria come&ccedil;a no quarto do menino, onde este e o seu c&atilde;o est&atilde;o a olhar para o sapo que est&aacute; dentro do frasco. No dia seguinte, ao acordar, descobrem que o sapo fugiu. Segue-se um conjunto de aventuras pela floresta &agrave; procura do sapo, at&eacute; que finalmente o encontram, rodeado por uma companheira e v&aacute;rios sapinhos. A hist&oacute;ria termina com o menino e o c&atilde;o a levarem um dos sapinhos para casa. A forma como o livro est&aacute; estruturado permite ao leitor inferir as rela&ccedil;&otilde;es que se estabelecem entre as personagens bem como os seus pensamentos, sentimentos e motiva&ccedil;&otilde;es, de forma a integrar os diferentes elementos epis&oacute;dicos no sentido global da hist&oacute;ria (Reilly, Losh, Bellugi, &amp; Wulfeckd, 2004). </P >    <p>Este livro foi utilizado, pela primeira vez, no estudo emp&iacute;rico de Bamberg (1986) centrado na aquisi&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es anaf&oacute;ricas. Desde ent&atilde;o, tem sido usado em in&uacute;meros estudos nacionais (e.g., Gon&ccedil;alves et al., 2004) e internacionais (e.g., Reilly, Bates, &amp; Marchman, 1998), predomi nantemente na &aacute;rea da compet&ecirc;ncia lingu&iacute;stica, dada a diversidade de processos, conte&uacute;dos e elementos estruturais que as imagens sugerem. De salientar que o n&uacute;mero de p&aacute;ginas possibilita que o participante se envolva com a hist&oacute;ria, n&atilde;o sendo, no entanto, demasiado extenso ao ponto de causar cansa&ccedil;o ou aborrecimento (Wigglesworth, 1997). </P >    <p><I>Grelha de Cota&ccedil;&atilde;o de Comportamentos Verbais Maternos Promotores da Narrativa em Crian&ccedil;as em Idade Pr&eacute;-escolar </I>(Carvalho, Martins, &amp; Martins, 2011). Esta grelha de cota&ccedil;&atilde;o foi especificamente concebida para o estudo de verbaliza&ccedil;&otilde;es exibidas pelas m&atilde;es durante a produ&ccedil;&atilde;o de narrativas orais por parte de crian&ccedil;as em idade pr&eacute;-escolar com recurso ao livro &ldquo;<I>Frog, where are you?</I>&rdquo; (Mayer, 1969). Tendo sido desenvolvida com base na literatura referente aos conceitos de <I>zona de desenvolvimento proximal </I>(Vygotsky, 1978) e <I>scaffolding </I>(Wood, Bruner, &amp; Ross, 1976), o seu objectivo &eacute; identificar e descrever os comportamentos maternos que incentivam, promovem ou apoiam a constru&ccedil;&atilde;o da narrativa por parte dos seus filhos. </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A grelha tem duas partes. A primeira parte &eacute; constitu&iacute;da pela descri&ccedil;&atilde;o de 38 comportamentos verbais que, de acordo com a literatura, promovem a constru&ccedil;&atilde;o da narrativa oral por parte da crian&ccedil;a. Estes comportamentos verbais est&atilde;o organizados em duas grandes categorias: (i) <I>comportamentos que dirigem a aten&ccedil;&atilde;o e o interesse da crian&ccedil;a para o livro</I>, constitu&iacute;da por 7 itens e (ii) <I>comportamentos que estimulam o discurso e apoiam a compreens&atilde;o da hist&oacute;ria por parte da crian&ccedil;a</I>, composta por 31 itens (cf., <a href ="/img/revistas/aps/v30n4/30n4a01a1.jpg">Anexo 1</a>). Perante a transcri&ccedil;&atilde;o, o investigador tem de analisar quantas vezes cada um dos comportamentos verbais ocorre no discurso da m&atilde;e. A segunda parte da grelha permite capturar a qualidade dos comportamentos maternos ao longo de toda a intera&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s da an&aacute;lise de tr&ecirc;s dimens&otilde;es &ndash; <I>Intrusividade</I>, <I>Sensibilidade </I>e <I>Mudan&ccedil;a </I>&ndash; com recurso a uma escala de <I>Likert </I>de 3 pontos, variando entre &ldquo;Pouca&rdquo; (1), &ldquo;Alguma&rdquo; (2) e &ldquo;Elevada&rdquo; (3). A dimens&atilde;o <I>Intrusividade </I>permite avaliar at&eacute; que ponto os comportamentos utilizados pela m&atilde;e interrompem e/ou prejudicam o discurso livre da crian&ccedil;a sobre a hist&oacute;ria com o intuito de que esta a construa de acordo com a perspetiva materna. A dimens&atilde;o <I>Sensibilidade </I>avalia at&eacute; que ponto a m&atilde;e interpreta corretamente os comportamentos verbais e n&atilde;o verbais da crian&ccedil;a, de forma a responder-lhes adequada e prontamente. A dimens&atilde;o <I>Mudan&ccedil;a </I>permite avaliar a capacidade materna para modificar e ajustar o seu comportamento ao longo da realiza&ccedil;&atilde;o da tarefa, na tentativa de auxiliar a crian&ccedil;a na constru&ccedil;&atilde;o da narrativa (cf., <a href ="/img/revistas/aps/v30n4/30n4a01a1.jpg">Anexo 1</a>). </P >     
<p>O acordo inter-observadores foi calculado com base na cota&ccedil;&atilde;o de 39% da amostra por um segundo juiz previamente treinado, tendo-se obtido excelentes n&iacute;veis de acordo tanto para a primeira parte da grelha (.98&lt;<I>ric</I>&lt;1.0) como para a segunda parte da mesma (.86&lt;<I>ric</I>&lt;.91). </P >    <p>Com o objetivo de reduzir o n&uacute;mero de vari&aacute;veis cotadas para posterior an&aacute;lise estat&iacute;stica dos dados, procedeu-se a An&aacute;lises de Componentes Principais seguidas de rota&ccedil;&atilde;o <I>Varimax </I>para cada uma das partes constituintes da grelha. </P >    <p>Previamente foram eliminados 10 itens, pelo facto de apresentarem reduzida variabilidade na amostra (cf. <a href ="/img/revistas/aps/v30n4/30n4a01a1.jpg">Anexo 1</a>). </P >    
<p>A An&aacute;lise de Componentes Principais, seguida de rota&ccedil;&atilde;o <I>Varimax</I>, dos itens que descrevem os <I>Comportamentos que dirigem a aten&ccedil;&atilde;o e o interesse da crian&ccedil;a para o livro</I>, extraiu dois fatores. Dado que um dos fatores obtidos englobou apenas um item optou-se por for&ccedil;ar a extra&ccedil;&atilde;o de um &uacute;nico fator. Este explica 71.68% da vari&acirc;ncia, apresentando elevada consist&ecirc;ncia interna (&alpha;=.87). De referir que o item 4 obteve uma satura&ccedil;&atilde;o de -.15, pelo que foi exclu&iacute;do do fator final, designado por <I>A m&atilde;e dirige a aten&ccedil;&atilde;o e o interesse da crian&ccedil;a para o livro </I>(cf. <a href ="/img/revistas/aps/v30n4/30n4a01a1.jpg">Anexo 1</a>). </P >     
<p>De igual modo, procedeu-se a uma An&aacute;lise de Componentes Principais seguida de rota&ccedil;&atilde;o <I>Varimax </I>dos itens que descrevem <I>Comportamentos que estimulam o discurso e apoiam a compreens&atilde;o da hist&oacute;ria por parte da crian&ccedil;a</I>, a qual extraiu 6 fatores. Por raz&otilde;es metodol&oacute;gicas e te&oacute;ricas, optou-se, no entanto, por for&ccedil;ar a extra&ccedil;&atilde;o de 3 fatores, os quais explicam 51.21% da vari&acirc;ncia. O fator 1, explicativo de 21.01% da vari&acirc;ncia, foi denominado de <I>A m&atilde;e coloca quest&otilde;es espec&iacute;ficas e direciona o discurso da crian&ccedil;a </I>(&alpha;=.80), incluindo 9 itens (cf. <a href ="/img/revistas/aps/v30n4/30n4a01a1.jpg">Anexo 1</a>). Foi exclu&iacute;do o item 28 (<I>A m&atilde;e refor&ccedil;a a crian&ccedil;a</I>) do fator em an&aacute;lise, dado ter obtido uma satura&ccedil;&atilde;o muito baixa (.13) e assim sendo n&atilde;o se considerou o item em quest&atilde;o em an&aacute;lises posteriores. O segundo fator obtido explica 15.22% da vari&acirc;ncia e integra 7 itens e foi designado por <I>A m&atilde;e exemplifica e solicita a comprova&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a </I>(&alpha;=.64)<I>. </I>O &uacute;ltimo fator explica 14.98% da vari&acirc;ncia e agregou 5 itens. A este fator atribuiu-se a seguinte designa&ccedil;&atilde;o <I>A m&atilde;e coloca quest&otilde;es abertas e fechadas e incentiva o discurso da crian&ccedil;a </I>(&alpha;=.77)<I>. </I></P >     
<p><I>Procedimentos de recolha e an&aacute;lise de dados </I></P >    <p>Dada a natureza longitudinal do estudo mais vasto onde a presente investiga&ccedil;&atilde;o se inscreve, a amostra inicialmente recrutada aos 10 meses de idade dos beb&eacute;s, foi recontactada aos 4 anos e meio de idade das crian&ccedil;as no sentido de as convidar para vir de novo ao laborat&oacute;rio. Nessa visita, entre v&aacute;rios procedimentos, realizou-se a tarefa de elicita&ccedil;&atilde;o de narrativas orais com recurso ao livro &ldquo;<I>Frog, where are you</I>?&rdquo; (Mayer, 1969). Foi ent&atilde;o pedido &agrave; crian&ccedil;a que contasse a hist&oacute;ria do livro &agrave; m&atilde;e, a qual poderia ajudar se assim o entendesse. A tarefa foi v&iacute;deo-gravada e, posteriormente, todas as narrativas foram transcritas e analisadas usando a <I>Grelha de Cota&ccedil;&atilde;o de Comportamentos Verbais Maternos Promotores da Narrativa em Crian&ccedil;as em Idade Pr&eacute;-escolar </I>(Carvalho, Martins, &amp; Martins, 2011), especificamente desenvolvida para o efeito. </P >    <p>A an&aacute;lise estat&iacute;stica dos dados foi realizada com recurso ao programa IBM SPSS (Vers&atilde;o 19.0). </P >    <p>RESULTADOS </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A <a href="#t1">Tabela 1</a> apresenta a caracteriza&ccedil;&atilde;o dos comportamentos verbais utilizados pela m&atilde;e durante a constru&ccedil;&atilde;o narrativa da crian&ccedil;a. As m&atilde;es utilizam, em m&eacute;dia, mais quest&otilde;es espec&iacute;ficas com tend&ecirc;ncia a direcionar o discurso da crian&ccedil;a para determinados pontos-chave da hist&oacute;ria, <I>M=</I>37.63, <I>DP=</I>35.19. O segundo tipo de comportamentos que obteve a m&eacute;dia mais elevada foi o recurso a exemplos e a solicita&ccedil;&atilde;o de comprova&ccedil;&atilde;o por parte da crian&ccedil;a, <I>M=</I>26.56, <I>DP=</I>17.33. Segue-se as quest&otilde;es abertas e fechadas e o incentivo do discurso da crian&ccedil;a, <I>M=</I>25.29, <I>DP=</I>18.21. Por &uacute;ltimo, os comportamentos utilizados na tentativa de dirigir a aten&ccedil;&atilde;o e o interesse da crian&ccedil;a para o livro, <I>M=</I>18.98, <I>DP=</I>22.96. </P >     <p>&nbsp;</P >     <p><a name="t1"><img src="/img/revistas/aps/v30n4/30n4a01t1.jpg" width="494" height="228"></P >     
<p>&nbsp;</P >     <p>Relativamente ao modo como as m&atilde;es guiam a constru&ccedil;&atilde;o narrativa, verificou-se que 70.8% das m&atilde;es apresentam entre pouca ou alguma intrusividade (<I>Mdn=</I>2; <I>IIQ=</I>1), 73.2% demonstram pouca ou alguma sensibilidade (<I>Mdn=</I>2; <I>IIQ=</I>1) e 68.3% mostram pouca ou alguma mudan&ccedil;a (<I>Mdn=</I>2; <I>IIQ=</I>1). </P >     <p>Em termos de correla&ccedil;&otilde;es entre os fatores da primeira parte da grelha de cota&ccedil;&atilde;o (cf. <a href="#t2">Tabela 2</a>), verificou-se que os comportamentos verbais que dirigem a aten&ccedil;&atilde;o e o interesse da crian&ccedil;a para o livro n&atilde;o est&atilde;o associados ao uso de quest&otilde;es especificas que direcionam o discurso da crian&ccedil;a, <I>r=</I>.16, <I>p=</I>.32, nem &agrave; utiliza&ccedil;&atilde;o de exemplos e de pedidos de confirma&ccedil;&atilde;o, <I>r=</I>-.04, <I>p=</I>.83. No entanto, encontram-se positivamente correlacionados com a utiliza&ccedil;&atilde;o de quest&otilde;es abertas e fechadas e com o incentivo ao discurso, <I>r=</I>.34, <I>p=</I>.029. Por seu turno, observou-se uma correla&ccedil;&atilde;o positiva significativa entre a utiliza&ccedil;&atilde;o de quest&otilde;es espec&iacute;ficas que direccionam o discurso da crian&ccedil;a e o uso de exemplica&ccedil;&otilde;es e solicita&ccedil;&otilde;es de comprova&ccedil;&atilde;o, <I>r=</I>.44, <I>p=</I>.004, e entre a primeira e a utiliza&ccedil;&atilde;o de quest&otilde;es abertas e fechadas e o incentivo ao discurso, <I>r=</I>.34, <I>p=</I>.028. Finalmente, existe uma correla&ccedil;&atilde;o positiva significativa entre o uso de exemplica&ccedil;&otilde;es e solicita&ccedil;&otilde;es de comprova&ccedil;&atilde;o e a utiliza&ccedil;&atilde;o de quest&otilde;es abertas e fechadas e o incentivo ao discurso, <I>r=</I>.48, <I>p&lt;</I>.001. </P >     <p>&nbsp;</P >     <p><a name="t2"><img src="/img/revistas/aps/v30n4/30n4a01t2.jpg" width="494" height="256"></P >     
<p>&nbsp;</P >     <p>Verificou-se que m&atilde;es mais intrusivas s&atilde;o menos sens&iacute;veis, <I>rs=</I>-.44, <I>p</I>=.004, e menos capazes de mudar e ajustar os seus comportamentos ao longo da realiza&ccedil;&atilde;o da tarefa, <I>rs=</I>-.40, <I>p</I>=.009. Por outro lado, m&atilde;es com maior sensibilidade t&ecirc;m maior capacidade de mudar e ajustar os seus comportamentos no decorrer da realiza&ccedil;&atilde;o da tarefa, <I>rs=</I>.64, <I>p&lt;</I>.001. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Encontrou-se uma correla&ccedil;&atilde;o positiva significativa entre a intrusividade e os seguintes comportamentos verbais: dirigir a aten&ccedil;&atilde;o e o interesse da crian&ccedil;a para o livro, <I>rs</I>=.35, <I>p</I>=.026; utiliza&ccedil;&atilde;o de quest&otilde;es espec&iacute;ficas, <I>rs</I>=.55, <I>p</I>&lt;.001; e o uso de exemplifica&ccedil;&otilde;es e pedidos de confirma&ccedil;&atilde;o, <I>rs</I>=.39, <I>p</I>=.011. Assim, as m&atilde;es que s&atilde;o mais intrusivas dirigem mais a aten&ccedil;&atilde;o e o interesse da crian&ccedil;a para o livro, colocam mais quest&otilde;es espec&iacute;ficas e direcionam o discurso da crian&ccedil;a para determinados pontos a reter da hist&oacute;ria e recorrem mais ao uso de exemplifica&ccedil;&otilde;es e pedidos de comprova&ccedil;&atilde;o. </P >    <p>Por seu turno, a sensibilidade n&atilde;o est&aacute; associada a nenhum dos comportamentos analisados. </P >    <p>Finalmente, verifica-se uma associa&ccedil;&atilde;o negativa significativa entre a capacidade de mudar e ajustar o comportamento no decorrer da tarefa e o modo como o adulto dirige a aten&ccedil;&atilde;o e o interesse da crian&ccedil;a para o livro, <I>rs</I>=-.50, <I>p</I>=.001. Obteve-se ainda uma associa&ccedil;&atilde;o marginalmente significativa com a utiliza&ccedil;&atilde;o de quest&otilde;es espec&iacute;ficas, <I>rs</I>=-.27, <I>p</I>=.082. Por outras palavras, as m&atilde;es que apresentam menor capacidade de modificar e ajustar o seu comportamento no decorrer da realiza&ccedil;&atilde;o da tarefa s&atilde;o m&atilde;es que direcionam muito a aten&ccedil;&atilde;o e o interesse da crian&ccedil;a para a mesma e tendem a utilizar um maior n&uacute;mero de quest&otilde;es espec&iacute;ficas. </P >    <p>DISCUSS&Atilde;O </P >     <p>As m&atilde;es recorrem a diferentes comportamentos verbais de forma a promover e auxiliar na constru&ccedil;&atilde;o narrativa da crian&ccedil;a. Especificamente, dirigem a aten&ccedil;&atilde;o e o interesse da crian&ccedil;a para o livro, utilizam quest&otilde;es espec&iacute;ficas com tend&ecirc;ncia a direcionar o discurso da crian&ccedil;a para determinados pontos-chave da hist&oacute;ria, recorrem a exemplos e solicitam a comprova&ccedil;&atilde;o por parte da crian&ccedil;a e utilizam quest&otilde;es abertas e fechadas com incentivos de forma a promover o seu discurso. De notar que quanto mais a m&atilde;e dirige a aten&ccedil;&atilde;o e o interesse da crian&ccedil;a para o livro, mais coloca quest&otilde;es abertas e fechadas com incentivo ao discurso, de forma a encorajar a crian&ccedil;a a contar a hist&oacute;ria do livro. </P >     <p>Verificou-se que m&atilde;es mais intrusivas s&atilde;o menos sens&iacute;veis e menos capazes de mudar e ajustar os seus comportamentos ao longo da realiza&ccedil;&atilde;o da tarefa. Um elevado n&iacute;vel de intrusividade pode indiciar uma certa dificuldade por parte da m&atilde;e para ser sens&iacute;vel e recetiva &agrave; interpreta&ccedil;&atilde;o que a crian&ccedil;a tem da hist&oacute;ria do livro e &agrave;s suas dificuldades para a comunicar. Deste modo, a m&atilde;e tenta auxiliar com base no seu pr&oacute;prio entendimento da hist&oacute;ria e no modo como considera que a narrativa deveria prosseguir, servindo como modelo de aprendizagem. Hobson, Patrick, Crandell, Garcia P&eacute;rez e Lee (2004), no seu estudo sobre sensibilidade materna e a capacidade da crian&ccedil;a partilhar experi&ecirc;ncias, tamb&eacute;m encontraram uma elevada correla&ccedil;&atilde;o negativa entre intrusividade e sensibilidade. Os autores reconhecem que a intrusividade e a sensibilidade n&atilde;o s&atilde;o conceitos totalmente independentes. Por outro lado, as m&atilde;es que apresentam maior sensibilidade s&atilde;o m&atilde;es que apresentam maior capacidade para mudar e ajustar os seus comportamentos no decorrer da realiza&ccedil;&atilde;o da tarefa. Dado que a sensibilidade se refere &agrave; capacidade que o adulto tem de responder aos sinais da crian&ccedil;a, esta pressup&otilde;e que o adulto adapte o seu comportamento ao longo da realiza&ccedil;&atilde;o da tarefa na tentativa de conseguir responder &agrave;s necessidades sentidas pela crian&ccedil;a. Assim uma elevada sensibilidade parece implicar um certo ajustamento e mudan&ccedil;a comportamental por parte do adulto de modo a auxiliar a crian&ccedil;a no decorrer da constru&ccedil;&atilde;o narrativa. Instru&ccedil;&otilde;es sens&iacute;veis requerem, portanto, que a m&atilde;e modifique as suas interven&ccedil;&otilde;es em resposta ao desempenho demonstrado pela crian&ccedil;a (Baker &amp; Gilat, 1996). </P >    <p>Verificou-se, tamb&eacute;m, que algumas vari&aacute;veis &ndash; intrusividade, sensibilidade e mudan&ccedil;a &ndash; se encontram correlacionadas com determinados comportamentos verbais. Concretamente, a intrusividade est&aacute; fortemente associada &agrave; maioria dos comportamentos verbais utilizados pela m&atilde;e. De facto, as interven&ccedil;&otilde;es maternas, sejam sob a forma de quest&otilde;es espec&iacute;ficas ou pedidos de aten&ccedil;&atilde;o, podem interromper e/ou prejudicar a constru&ccedil;&atilde;o narrativa da crian&ccedil;a, ao n&iacute;vel do discurso livre e da atribui&ccedil;&atilde;o de significados. Por outro lado, a sensibilidade n&atilde;o se encontra associada aos comportamentos verbais analisados. Os resultados indicam, ainda, que as m&atilde;es que apresentam menor capacidade de modificar e ajustar o seu comportamento ao longo da realiza&ccedil;&atilde;o da tarefa, s&atilde;o aquelas que recorrem com maior frequ&ecirc;ncia a comportamentos que dirigem a aten&ccedil;&atilde;o e o interesse da crian&ccedil;a para o livro e que tendem a elaborar um maior n&uacute;mero de quest&otilde;es espec&iacute;ficas. Possivelmente, as m&atilde;es que persistem no mesmo tipo de comportamentos poder&atilde;o percecionar as crian&ccedil;as como desinteressadas ou com muita dificuldade na realiza&ccedil;&atilde;o da tarefa. Assim, poder&atilde;o ter maior dificuldade em introduzir novos comportamentos verbais, dada a pouca recetividade da crian&ccedil;a a outras formas de aux&iacute;lio e promo&ccedil;&atilde;o da narrativa. </P >    <p>Hausendorf e Quasthoff (1992) afirmam que os adultos, enquanto ouvintes das hist&oacute;rias das crian&ccedil;as, assumem atividades sistem&aacute;ticas que influenciam a produ&ccedil;&atilde;o narrativa destas &uacute;ltimas. Tais atividades consistem em, por exemplo, substituir o papel do narrador (o adulto serve de modelo, demonstrando como a narrativa deveria proceder), apoiar a produ&ccedil;&atilde;o narrativa (o adulto &eacute; um ouvinte participativo) e indagar (o adulto assume o papel de interlocutor). Os mesmos autores afirmam, tamb&eacute;m, que as interven&ccedil;&otilde;es do adulto est&atilde;o relacionadas com a idade da crian&ccedil;a e o contexto da tarefa. Quanto mais nova a crian&ccedil;a e menor a sua capacidade narrativa, mais o adulto necessita de utilizar estrat&eacute;gias de compensa&ccedil;&atilde;o para a manter empenhada na tarefa de construir uma hist&oacute;ria e, por isso, maior a sua responsabilidade na realiza&ccedil;&atilde;o da tarefa. Essa responsabilidade pela tarefa pode implicar que o adulto chegue a assumir o papel de coautor ou que substitua, por completo, o papel de narrador que, nesta tarefa, &eacute; atribu&iacute;do &agrave; crian&ccedil;a. O estilo discursivo dos pais e, consequentemente, a sua participa&ccedil;&atilde;o na narrativa da crian&ccedil;a pode ser, ent&atilde;o, influenciado pelo modo como encaram a tarefa (Melzi et al., 2011) e pelas expectativas que t&ecirc;m acerca do potencial lingu&iacute;stico da crian&ccedil;a (Cross, Johnson-Morris, &amp; Nienhuys, 1980). Se alguns pais podem percecionar as intera&ccedil;&otilde;es narrativas como per&iacute;odos de entretenimento e oportunidades para criar e fortalecer la&ccedil;os com a crian&ccedil;a, outros podem entender que estas constituem ocasi&otilde;es para estimular cognitivamente a crian&ccedil;a, o que a preparar&aacute; para a escola (Meagher, Arnold, Doctoroff, &amp; Baker, 2008), sendo por isso mais r&iacute;gidos em rela&ccedil;&atilde;o ao modo como a narrativa deve proceder. Em suma, a perce&ccedil;&atilde;o que as m&atilde;es t&ecirc;m do grau de exig&ecirc;ncia da tarefa e das poss&iacute;veis dificuldades da crian&ccedil;a em contar a hist&oacute;ria, bem como as suas expectativas relativamente ao desempenho que a crian&ccedil;a deveria ter na realiza&ccedil;&atilde;o da tarefa, podem influenciar o modo como participam na constru&ccedil;&atilde;o narrativa da crian&ccedil;a e, consequentemente no desenvolvimento da hist&oacute;ria da crian&ccedil;a. </P >    <p>CONCLUS&Atilde;O </P >    <p>O objectivo desta investiga&ccedil;&atilde;o foi desenvolver uma grelha que permita avaliar, de forma detalhada, os comportamentos verbais maternos que orientam a constru&ccedil;&atilde;o da narrativa por parte de crian&ccedil;as em idade pr&eacute;-escolar. Os resultados sugerem que as m&atilde;es tendem a assumir a responsabilidade da tarefa ao participarem como coautoras ou narradoras principais, como forma de promover e auxiliar a constru&ccedil;&atilde;o narrativa das crian&ccedil;as em idade pr&eacute;-escolar, as quais est&atilde;o num per&iacute;odo de desenvolvimento importante no que toca &agrave;s suas capacidades narrativas. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O pr&oacute;ximo passo desta investiga&ccedil;&atilde;o ser&aacute; olhar para a qualidade das narrativas produzidas pelas crian&ccedil;as e analisar de que forma o <I>scaffolding </I>materno contribuiu para o desempenho destas. Apesar das crian&ccedil;as com menos de 6 anos disporem j&aacute; de conhecimentos e compet&ecirc;ncias necess&aacute;rios &agrave; produ&ccedil;&atilde;o de narrativas coerentes, exibem ainda bastantes dificuldades aquando do ato narrativo, sobretudo quando este acontece sem suporte externo (Freitas, 2005). Seria, ent&atilde;o, relevante estudar se as narrativas, produzidas em contexto di&aacute;dico, beneficiam, de facto, do suporte prestado pela m&atilde;e. </P >    <p>Para al&eacute;m disso, torna-se pertinente, em estudos posteriores, incluir os comportamentos n&atilde;overbais da m&atilde;e, como, por exemplo, a utiliza&ccedil;&atilde;o de gestos, a proximidade f&iacute;sica com a crian&ccedil;a, o controle do comportamento da crian&ccedil;a durante a tarefa. </P >    <p>De ressalvar que a <I>Grelha de Cota&ccedil;&atilde;o de Comportamentos Verbais Promotores da Narrativa nas Crian&ccedil;as em Idade Pr&eacute;-escolar </I>n&atilde;o est&aacute; limitada ao estudo dos comportamentos verbais da m&atilde;e. No futuro, esta grelha poder&aacute; vir a ser testada e adaptada para outros contextos de intera&ccedil;&atilde;o nos quais outros adultos, por exemplo, o pai, o professor ou at&eacute; outros pares mais competentes, possam funcionar como promotores da constru&ccedil;&atilde;o da narrativa da crian&ccedil;a. </P >     <p>&nbsp;</P >     <p>REFER&Ecirc;NCIAS </P >    <p>Baker, L., &amp; Gilat, M. (1996). Mothers&rsquo; sensitivity to the competencies of their preschoolers on a concept learning task. <I>Early Childhood Research Quarterly, 11, </I>405-424. doi:10.1016/S0885-2006(96)90014-9 </P >     <!-- ref --><p>Bamberg, M. (1986). A functional approach to the acquisition of anaphoric relationships. <I>Linguistics, 24</I>, 84-227. doi:10.1177/014272379001002902 </P >     &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000069&pid=S0870-8231201200030000100002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Carvalho, J., Martins, C., &amp; Martins, E. C. (2011). Guia de aplica&ccedil;&atilde;o &ndash; Grelha de Cota&ccedil;&atilde;o de Comportamentos Verbais Promotores da Narrativa nas Crian&ccedil;as em Idade Pr&eacute;-escolar. Manuscrito n&atilde;o publicado. Braga. Universidade do Minho. </P >    <!-- ref --><p>Cross T. G., Johnson-Morris J. E., &amp; Nienhuys T. G. (1980). Linguistic feedback and maternal speech: Comparisons of mothers addressing hearing and hearing-impaired children. <I>First Language</I>, <I>1</I>, 163-189. doi: 10.1177/014272378000100301 </P >     &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000071&pid=S0870-8231201200030000100004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Eisenberg, A. R. (1985). Learning to describe past experiences in conversation. <I>Discourse Processes, 8, </I>177-204. doi:10.1080/01638538509544613 </P >     &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000072&pid=S0870-8231201200030000100005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Freitas, A. (2005). <I>O Desenvolvimento Narrativo na Inf&acirc;ncia. </I>Disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado n&atilde;o publicada, Instituto de Psicologia e Educa&ccedil;&atilde;o da Universidade do Minho, Braga.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000073&pid=S0870-8231201200030000100006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Gon&ccedil;alves, O. F., Perez, A., Henriques, M., Prieto, M., Lima, M., Siebert, M., &amp; Sousa, N. (2004). Funcionamento Cognitivo e Produ&ccedil;&atilde;o Narrativa no S&iacute;ndrome de Williams: Congru&ecirc;ncia ou Dissocia&ccedil;&atilde;o Neurocognitiva? <I>International Journal of Clinical and Health Psychology, 4</I>, 623-638. Retrieved from <a href="http://hdl.handle.net/1822/3024" target="_blank">http://hdl.handle.net/1822/3024</a> </P >     &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000075&pid=S0870-8231201200030000100007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Haden, C. A., Reese, E., &amp; Fivush, R. (1996). Mothers&rsquo; extratextual comments during storybook reading: Stylistic differences over time and across texts. <I>Discourse Processes, 21, </I>135-169. doi:10.1080/01638539609544953 </P >    <!-- ref --><p>Hausendorf, H., &amp; Quasthoff, U. (1992). Pattern of adult-child interaction as a mechanism of discourse acquisition. <I>Journal of Pragmatics</I>, <I>17</I>, 241-259. doi:10.1016/0378-2166(92)90004-U </P >    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000077&pid=S0870-8231201200030000100009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Hobson, R. P., Patrick, M. P. H., Crandell, L. E., Garcia P&eacute;rez, R. M., &amp; Lee, A. (2004). Maternal sensitivity and infant triadic communication. <I>Journal of Child Psychology and Psychiatry</I>, <I>45</I>, 470-480. doi: 10.1111/ j.1469-7610.2004.00238.x </P >    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000078&pid=S0870-8231201200030000100010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Mayer, M. (1969). <I>Frog, where are you? </I>New York: Dial Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000079&pid=S0870-8231201200030000100011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Meagher, S. M., Arnold, D. H., Doctoroff, G. L., &amp; Baker, C. N. (2008). The relationship between maternal beliefs and behavior during shared book reading. <I>Early Education and Development, 19</I>, 138-169. doi:10.1080/10409280701839221 </P >    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000081&pid=S0870-8231201200030000100012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Melzi, G., Schick, A., &amp; Kennedy, J. (2011). Narrative elaboration and participation: Two dimensions of maternal elicitation style. <I>Child Development, 82</I>(4), 1282-1296. doi: 10.1111/j.1467-8624.2011.01600.x </P >    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000082&pid=S0870-8231201200030000100013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Otto, B. (2006). <I>Language development in early childhood </I>(2nd ed.). Upper Saddle River, NJ: Pearson Merrill Prentice Hall.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000083&pid=S0870-8231201200030000100014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Reilly, J. S., Bates, E. A., &amp; Marchman, V. A. (1998). Narrative discourse in children with early focal brain injury. <I>Brain and Language, 61, </I>335-375. doi:10.1006/brln.1997.1882 </P >    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000085&pid=S0870-8231201200030000100015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Reilly, J., Losh, M., Bellugi, U., &amp; Wulfeckd, B. (2004). &ldquo;Frog, Where Are You?&rdquo; Narratives in Children with Specific Language Impairment, Early Focal Brain Injury, and Williams Syndrome. <I>Brain and Language, 88, </I>229-247. doi:10.1016/S0093-934X(03)00101-9 </P >    <p>Smith, K. E., Landry, S. H., &amp; Swank, P. R. (2000). Does the content of mothers&rsquo; verbal stimulation explain differences in children&rsquo;s development of verbal and nonverbal skills? <I>Journal of School Psychology, 38, </I>27-49. doi:10.1016/S0022-4405(99)00035-7 </P >    <!-- ref --><p>Vygotsky, L. S. (1978). <I>Mind in society: The development of higher psychological processes. </I>Cambridge, MA: Harvard University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000088&pid=S0870-8231201200030000100018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <p>Wigglesworth, G. (1997). Children&rsquo;s individual approaches to the organization of narrative. <I>Journal of Child Language, 24</I>, 279-309. doi:10.1017/S0305000997003048 </P >    <!-- ref --><p>Wood, D., Bruner, J., &amp; Ross, G. (1976). The role of tutoring in problem solving. <I>Journal of Child Psychology and Psychiatry, 17, </I>89-100. doi:10.1111/j.1469-7610.1976.tb00381.x </P >    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000091&pid=S0870-8231201200030000100020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="0"></a><a href="#top0">Correspond&ecirc;ncia</a></P >     <p>A correspond&ecirc;ncia relativa a este artigo dever&aacute; ser enviada para: Carla Martins, Escola de Psicologia, Univer</B>sidade do Minho, Campus de Gualtar, 4710-057 Braga. E-mail: <a href="mailto:cmartins@psi.uminho.pt">cmartins@psi.uminho.pt</a> </P >     <p>&nbsp;</P >     <p><a href ="/img/revistas/aps/v30n4/30n4a01a1.jpg">ANEXO 1</a></P  >    
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