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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A elaboração da psicologia sócio histórica cultural: As cartas vigotskianas]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The article is intended to analyze the letters of Lev Semenovich Vygotsky, written during the period from 1926 to 1934 and published in the Journal of Russian and East European Psychology. This is an opportunity to know a little more about the times in which he lived, and to access his intellectual itinerary, identifying their circles and their relationships; their theoretical academic concerns and their reflections about the construction of the socio cultural and historical theory. This task took place in two stages, first, in the translation and systematization of letters and, subsequently, in the analysis of these, based on theoretical referential vygotskian theory scholars. After a brief introduction of the historic moment of Soviet psychology, draw three perspectives which we helped to analyze the letters: (1) the situation of his health and the impediments to accomplish its work; (2) a critical reflection on the psychology, with a view to creating the conditions for the emergence of a new psychology; (3) working group consolidation, departures and ruptures, around issues of psychology and its theoretical and methodological developments. We emphasize the humanist way with that experienced these moments Vigotski.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><B>A elabora&ccedil;&atilde;o da psicologia s&oacute;cio hist&oacute;rica cultural: As cartas vigotskianas </B></p>     <p><b>Jo&atilde;o Batista Martins<Sup>* </Sup>e Nara Akemi H. P. Alves<Sup>* </Sup></b></P >     <p><Sup>* </Sup>Departamento de Psicologia Social e Institucional, Universidade Estadual de Londrina, Brasil </P >     <p><a name="top0"></a><a href="#0">Correspond&ecirc;ncia</a></P >     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>O artigo tem como objetivo analisar as cartas de Lev Semenovich Vigotski, escritas no per&iacute;odo de 1926 &agrave; 1934 e publicadas no Journal of Russian and East European Psychology. Esta &eacute; uma oportunidade de conhecermos um pouco mais sobre a realidade em que Vigotski viveu, e acessarmos seu itiner&aacute;rio intelectual, identificando os c&iacute;rculos de suas rela&ccedil;&otilde;es, suas preocupa&ccedil;&otilde;es acad&ecirc;micas e suas reflex&otilde;es te&oacute;ricas acerca da constru&ccedil;&atilde;o da teoria s&oacute;cio hist&oacute;rica cultural. Tal tarefa ocorreu em dois momentos, primeiramente, na tradu&ccedil;&atilde;o e sistematiza&ccedil;&atilde;o das cartas e, posteriormente, na an&aacute;lise dessas, embasada no referencial te&oacute;rico de estudiosos da teoria vigotskiana. Ap&oacute;s breve introdu&ccedil;&atilde;o do momento hist&oacute;rico da psicologia sovi&eacute;tica, tra&ccedil;amos tr&ecirc;s perspectivas que nos auxiliaram a analisar as cartas: (1) a situa&ccedil;&atilde;o de sua sa&uacute;de e os impedimentos para realizar seu trabalho; (2) uma reflex&atilde;o cr&iacute;tica sobre a psicologia, com vistas a criar as condi&ccedil;&otilde;es para a emerg&ecirc;ncia de uma nova psicologia; (3) a consolida&ccedil;&atilde;o do grupo de trabalho, afastamentos e rupturas, em torno de quest&otilde;es relativas a psicologia e seus desdobramentos te&oacute;ricos e metodol&oacute;gicos. Enfatizamos a maneira humanista com que Vigotski vivenciou esses momentos. </P >     <p><B>Palavras-chave: </B>Cartas, Psicologia s&oacute;cio hist&oacute;rica cultural, Vigotski. </P >     <p>&nbsp;</P >     <p><b>ABSTRACT</b></P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>The article is intended to analyze the letters of Lev Semenovich Vygotsky, written during the period from 1926 to 1934 and published in the Journal of Russian and East European Psychology. This is an opportunity to know a little more about the times in which he lived, and to access his intellectual itinerary, identifying their circles and their relationships; their theoretical academic concerns and their reflections about the construction of the socio cultural and historical theory. This task took place in two stages, first, in the translation and systematization of letters and, subsequently, in the analysis of these, based on theoretical referential vygotskian theory scholars. After a brief introduction of the historic moment of Soviet psychology, draw three perspectives which we helped to analyze the letters: (1) the situation of his health and the impediments to accomplish its work; (2) a critical reflection on the psychology, with a view to creating the conditions for the emergence of a new psychology; (3) working group consolidation, departures and ruptures, around issues of psychology and its theoretical and methodological developments. We emphasize the humanist way with that experienced these moments Vigotski. </P >     <p><B>Key-words: </B>Letters, Socio cultural historical psychology, Vigotski. </P >     <p>&nbsp;</P >     <p>Este trabalho se inscreve num projeto mais amplo que tem como objetivo compreender a trajet&oacute;ria que Vigotski percorreu para construir a teoria s&oacute;cio hist&oacute;rica cultural. Nossos esfor&ccedil;os t&ecirc;m-se concentrado na leitura dos trabalhos do autor de uma forma cronol&oacute;gica, tentando abarcar toda a obra, e, acompanhando essa leitura, temos procurado identificar os momentos de constru&ccedil;&atilde;o e desconstru&ccedil;&atilde;o da teoria, assim como as situa&ccedil;&otilde;es vividas por Vigotski, articulando-o com o seu tempo. </P >    <p>Tal perspectiva te&oacute;rica se aproxima de uma proposta indicada pelo pr&oacute;prio Vigotski, quando ele afirma que as explica&ccedil;&otilde;es sobre as mudan&ccedil;as e o desenvolvimento de novas ideias num determinado campo cient&iacute;fico deveriam estar relacionadas: </P >     <blockquote>       <p>(1) com o substrato s&oacute;cio-cultural da &eacute;poca, (2) com as leis e condi&ccedil;&otilde;es gerais do conhecimento cient&iacute;fico, (3) com as exig&ecirc;ncias objetivas que a natureza dos fen&ocirc;menos objetos de estudo coloca para o conhecimento cient&iacute;fico no est&aacute;gio atual da investiga&ccedil;&atilde;o. Ou seja, em &uacute;ltima inst&acirc;ncia, com as exig&ecirc;ncias da realidade objetiva que a ci&ecirc;ncia em quest&atilde;o estuda. (Vigotski, 1927/2004:219) </p> </blockquote>     <p>Esta perspectiva, por sua vez, tamb&eacute;m se articula com um movimento que tem apontado para novas formas de fazer hist&oacute;ria, seja do ponto de vista interpretativo, seja do ponto de vista metodol&oacute;gico. Nesse sentido, nos identificamos com a posi&ccedil;&atilde;o de Farr (2002) que, ao explicitar a hist&oacute;ria da psicologia social, recorre para hist&oacute;ria dos fatos, das institui&ccedil;&otilde;es e das pesquisas publicadas; situa&ccedil;&otilde;es que, cada uma, a seu modo, circunscreveram o aparecimento e a evolu&ccedil;&atilde;o deste campo de pesquisa. O autor observa que tal op&ccedil;&atilde;o deixa de lado &ldquo;um fazer hist&oacute;ria&rdquo; que se pauta na identifica&ccedil;&atilde;o de nomes de autores ou de fundadores. </P >     <p>Tamb&eacute;m temos nos identificado, no que tange aos trabalhos desenvolvidos em torno da obra de Vigotski, com os trabalhos de Anton Yasnitsky e Elena Iu. Zavershneva. O primeiro, superando a &ldquo;hist&oacute;ria oficial&rdquo; da psicologia sovi&eacute;tica do in&iacute;cio do s&eacute;culo passado, que localiza nas figuras de Vigotski, Luria e Leontiev &ndash; a &ldquo;tr&oacute;ica&rdquo; &ndash; os fundadores da psicologia s&oacute;cio hist&oacute;rica cultural, nos remete para uma outra din&acirc;mica denominada por ele de &ldquo;C&iacute;rculos Vigotskianos&rdquo; (Yasnitsky, 2009, 2011). Yasnitsky focaliza seu estudo nos grupos de pesquisadores que mantiveram algum tipo de contato com Vigotski e que o influenciaram na constru&ccedil;&atilde;o de suas proposi&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas. </P >    <p>Os trabalhos de Zavershneva, por sua vez, nos fazem olhar para os contextos em que a obra de Vigotski foi constru&iacute;da, uma vez que ela organiza suas pesquisas em torno dos arquivos de Vigotski que ainda n&atilde;o foram publicados, tais como notas, blocos de anota&ccedil;&otilde;es, di&aacute;rios, etc. (Zavershneva, 2010a,b,c)<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a>. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A partir dessas considera&ccedil;&otilde;es iniciais, objetivamos em nosso trabalho analisar um conjunto de cartas escritas por Vigotski, no per&iacute;odo de 1926 a 1934 &ndash; articulando-as com suas proposi&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas. Este per&iacute;odo corresponde &agrave;quele em que ele trabalhou no Instituto de Psicologia de Moscou. Estas cartas foram publicadas em 2004 na revista Vestnik Moskovskogo Universiteta, Series 14, Psychology, na l&iacute;ngua nativa de Vigotski &ndash; o russo; e em 2007, no Journal of Russian and East European Psychology, traduzidas para o ingl&ecirc;s, material este que utilizamos para elaborar estas reflex&otilde;es (Vygotsky, 2007). </P >    <p>A import&acirc;ncia da an&aacute;lise dessas cartas est&aacute; na possibilidade de um melhor entendimento do momento hist&oacute;rico ao qual esse autor estava inserido, do universo de rela&ccedil;&otilde;es que estabeleceu, o que nos permite ampliar nosso conhecimento acerca do contexto em que ele construiu sua obra. Entendemos tamb&eacute;m que este trabalho nos permite uma interpreta&ccedil;&atilde;o mais segura acerca da teoria de Vigotski. Cabe lembrar que ele n&atilde;o conseguiu concluir seu projeto e que grande parte de sua obra foi reeditada ap&oacute;s sua morte, tal situa&ccedil;&atilde;o tem possibilitado v&aacute;rias interpreta&ccedil;&otilde;es acerca de sua teoria, o que, em alguns casos, trouxe muitas distor&ccedil;&otilde;es na compreens&atilde;o da mesma (Koshmanova, 2007)<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a>. </P >    <p>Antes de discutirmos as cartas, traremos algumas informa&ccedil;&otilde;es acerca do momento hist&oacute;rico em que Vigotski estava vivendo, e suas possibilidades para a constru&ccedil;&atilde;o de uma nova psicologia. </P >    <p>DA PSICOLOGIA SOVI&Eacute;TICA &ndash; OS ANOS 1920 E 1930 </P >    <p>Tendo em vista as demandas sociais vivenciadas pelo povo russo, observa-se um r&aacute;pido desenvolvimento das ci&ecirc;ncias na Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica ap&oacute;s a Revolu&ccedil;&atilde;o de 1917, trazendo o <I>Zeitgeist </I>da transforma&ccedil;&atilde;o revolucion&aacute;ria as pr&oacute;ximas gera&ccedil;&otilde;es. Esse per&iacute;odo foi caracterizado pelo crescimento da produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica, pautada em um ide&aacute;rio marxista e, motivada pela necessidade da constru&ccedil;&atilde;o de uma nova sociedade e de um novo homem, tema recorrente em algumas obras de Vigotski (Vigotski, 1926/2004; Vygotsky, 1930/1994). </P >    <p>No &acirc;mbito doutrina filos&oacute;fica marxista &ndash; doutrina oficial encampada pelos dirigentes da Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica &ndash; segundo Bakhurst (1991), a quest&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o entre o ser e o pensamento &ndash; a quest&atilde;o da consci&ecirc;ncia &ndash; era respondida a partir de duas formas: a idealista e a materialista. Enquanto o materialismo afirmava que o ser &eacute; anterior para e prim&aacute;rio em rela&ccedil;&atilde;o ao pensar, o idealismo assegurava o oposto e argumentava que o mundo &eacute; (em algum sentido) id&ecirc;ntico para, ou uma consequ&ecirc;ncia do, pensamento, consci&ecirc;ncia, ou ideia. Os fil&oacute;sofos sovi&eacute;ticos foram un&acirc;nimes ao endossar o ponto de vista materialista. </P >     <p>Tal forma de pensar tamb&eacute;m ressoava nos meandros da psicologia sovi&eacute;tica. Os psic&oacute;logos viviam em constante tens&atilde;o entre as ambas as correntes: a idealista e a materialista, tens&atilde;o esta evidenciada nos debates ocorridos durante o I Congresso Pan-Russo de Psiconeurologia, realizado em Leningrado no ano de 1923. Os psic&oacute;logos que se identificavam com o ide&aacute;rio da revolu&ccedil;&atilde;o de outubro entendiam que nem a psicologia subjetiva proposta por Tchelpanov, nem as tentativas muito simplificadas para reduzir a complexidade da atividade consciente a simples esquemas reflexos, proporcionavam um modelo satisfat&oacute;rio da psicologia humana (Teixeira, 2004). </P >    <p>Tchelpanov foi substitu&iacute;do no cargo de diretor do Instituto por Kornilov que, ao assumir o cargo, apresenta uma posi&ccedil;&atilde;o diferente da institu&iacute;da at&eacute; ent&atilde;o, identificando-se com a filosofia marxista. Foi nesse Instituto que os jovens Alexander Romanovich Luria e Alexis Nicolaievich Leontiev come&ccedil;aram realizar seus estudos e, posteriormente em 1924, Lev Semenovich Vigotski integrou a equipe. No que tange a esse momento hist&oacute;rico, Luria comenta: </P >     <blockquote>       <p>Encontrei em Moscou uma cidade que, como Kazan, estava entusiasticamente engajada no trabalho de reconstru&ccedil;&atilde;o. Mas, &agrave; diferen&ccedil;a de minhas condi&ccedil;&otilde;es de trabalho em Kazan, os psic&oacute;logos moscovitas tinham metas bem estabelecidas e meios adequados &agrave; pesquisa especializada. Reuni-me a um pequeno grupo acad&ecirc;mico, cuja tarefa era reconstruir a psicologia russa, a fim de aproxim&aacute;-la das metas revolucion&aacute;rias. (Luria, 1979:28) </p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Com a chegada de Vigotski, outras perspectivas se abriram para os pesquisadores: </P >     <blockquote>       <p>Quando Vygotsky chegou a Moscou, eu ainda estava realizando estudos pelo m&eacute;todo motor combinado com Leontiev, que havia sido disc&iacute;pulo de Tchelpanov, a quem me associei desde ent&atilde;o. Reconhecendo as habilidades pouco comuns de Vygotsky, Leontiev e eu ficamos encantados quando se tornou poss&iacute;vel inclu&iacute;</B>lo em nosso grupo de trabalho, que cham&aacute;vamos de &ldquo;tr&oacute;ica&rdquo;<sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a>. Com Vygotsky como l&iacute;der reconhecido, empreendemos uma revis&atilde;o cr&iacute;tica da hist&oacute;ria e da situa&ccedil;&atilde;o da psicologia na R&uacute;ssia e no resto do mundo. Nosso prop&oacute;sito, superambicioso como tudo na &eacute;poca, era criar um novo modo, mais abrangente, de estudar os processos psicol&oacute;gicos humanos. (Luria, 1979:39-40) </p> </blockquote>     <p>Nesse mesmo ano, ap&oacute;s a morte de Lenin (Vladimir Ilitch Ulianov), Josef St&aacute;lin (Josef Vissarionovitch Djugashvili) assume o cargo de Secret&aacute;rio Geral do Partido Comunista da Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica (PCUS). Seu governo foi marcado pela viol&ecirc;ncia, como ele mesmo alegava, em defesa do socialismo. Os que discordaram de suas posi&ccedil;&otilde;es foram presos, torturados ou assassinados e ainda obrigados a confessar, publicamente, seus &ldquo;crimes&rdquo; contra o povo sovi&eacute;tico. Por&eacute;m, foi a partir de 1929, com a consolida&ccedil;&atilde;o de seu governo, que a liberdade cient&iacute;fica na Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica sofrera grande ataque. O intuito era eliminar da ci&ecirc;ncia socialista influ&ecirc;ncias pequeno burguesas do ocidente, como as escolas psicol&oacute;gicas ocidentais: da Gestalt e do Behaviorismo (Teixeira, 2004). </P >     <p>Vigotski nunca deixou de reconhecer a import&acirc;ncia dessas escolas para a psicologia, seus trabalhos tiverem grande influ&ecirc;ncia de ambas &agrave;s tend&ecirc;ncias, por&eacute;m, n&atilde;o h&aacute; como negar o cunho marxista de suas obras, no plano ontol&oacute;gico sua tese sobre o desenvolvimento da consci&ecirc;ncia humana encontra resson&acirc;ncia com a tese criada por Marx e Engels em <I>Ideologia alem&atilde;, </I>no plano filos&oacute;fico seu trabalho se enra&iacute;za no materialismo hist&oacute;rico e dial&eacute;tico, na medida em que operacionaliza as leis da dial&eacute;tica no entendimento do desenvolvimento humano. </P >     <p>DAS CARTAS VIGOTSKIANAS </P >    <p>As cartas de Vigotski que utilizamos para realizar este trabalho foram escritas no per&iacute;odo de 1924 a 1934. Este material &eacute; extremamente importante pois, com ele, acessamos os meandros do labora t&oacute;rio criativo de Vigotski, suas preocupa&ccedil;&otilde;es intelectuais, seu cotidiano profissional, suas tarefas, etc. </P >     <p>Quando nos propusemos a analisar estas cartas &ndash; ap&oacute;s sua publica&ccedil;&atilde;o em 2007 na l&iacute;ngua inglesa &ndash; tivemos como primeira tarefa fazer uma tradu&ccedil;&atilde;o do texto, e, ap&oacute;s uma leitura mais refinada, elencamos alguns temas que percorrem todo seu conte&uacute;do. </P >     <p>Assim, identificamos algumas preocupa&ccedil;&otilde;es com (1) sua situa&ccedil;&atilde;o de sua sa&uacute;de e os impedimentos para realizar seu trabalho; (2) uma reflex&atilde;o cr&iacute;tica sobre a psicologia, com vistas a criar as condi&ccedil;&otilde;es para a emerg&ecirc;ncia de novos par&acirc;metros para a cria&ccedil;&atilde;o de uma psicologia geral; (3) a consolida&ccedil;&atilde;o do grupo de trabalho em torno de quest&otilde;es relativas a psicologia e seus desdobramentos te&oacute;ricos e metodol&oacute;gicos. </P >     <p><I>A sa&uacute;de e os comprometimentos para com o trabalho </I></P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Segundo alguns dados biogr&aacute;ficos dispon&iacute;veis sobre Vigotski (Leontiev, 1991; Luria, 1976, 1979; Shuare, 1990), ele contraiu tuberculose em 1920 e, durante toda vida ele esteve submetido a um tratamento da doen&ccedil;a, vindo a falecer em 1934. </P >    <p>Na vis&atilde;o de Puzyrei (2007), sua doen&ccedil;a era vivenciada por de uma maneira bastante promissora. Segundo ele </P >     <blockquote>       <p>A integridade com que Vygotsky controlou sua pr&oacute;pria vida e a subordinou ao seu trabalho e percurso era tal que ele ainda foi capaz, at&eacute; mesmo, de colocar sua pr&oacute;pria doen&ccedil;a (tuberculose cr&ocirc;nica e progressiva) a &ldquo;servi&ccedil;o&rdquo; de seus objetivos gerais de sua vida e de seus valores, os quais se mantiveram inabal&aacute;veis durante toda sua vida adulta. Talvez n&atilde;o seja acidental que a escrita das obras mais importantes de Vygotsky [...] coincidiu as vezes com a exacerba&ccedil;&atilde;o de sua doen&ccedil;a, mas parece que, para Vygotsky, esta doen&ccedil;a foi uma constante reflex&atilde;o de sua percep&ccedil;&atilde;o da vida, seu &ldquo;memento mori&rdquo; n&atilde;o tanto como uma esp&eacute;cie de &ldquo;doping&rdquo; que o ajudou constantemente &ldquo;sublimar&rdquo; seus poderes intelectuais e o for&ccedil;ou a se apressar e a n&atilde;o esperar pelo depois, mas tamb&eacute;m como uma maneira existencial de &ldquo;aumentar a perspectiva da situa&ccedil;&atilde;o&rdquo;. Diante de uma morte inevit&aacute;vel, [...], Vygotsky adquiriu uma capacidade de &ldquo;ver a situa&ccedil;&atilde;o corretamente&rdquo; e avaliar os eventos e situa&ccedil;&otilde;es de forma adequada, e, assim, adquiriu a habilidade de &ldquo;super&aacute;-los&rdquo;, para alcan&ccedil;ar uma liberdade em rela&ccedil;&atilde;o a eles [...]. A doen&ccedil;a de Vygotsky serviu-lhe como um meio de controlar sua mente e afi&aacute;-la, &ldquo;ajudando-o&rdquo; a se manter firme em situa&ccedil;&otilde;es cr&iacute;ticas, n&atilde;o apenas como um cientista, mas tamb&eacute;m como um ser humano. (Puzyrei 2007:13) </p> </blockquote>     <p>Ap&oacute;s sua primeira e &uacute;nica viagem ao exterior, para uma confer&ecirc;ncia em Londres (ver alguns detalhes dessa viagem em van der Veer &amp; Zavershneva, 2011), Vigotski teve que ficar hospitalizado, durante v&aacute;rios meses entre 1925 a 1926, por causa de uma crise de tuberculose. Na carta &agrave; Sakharov, de 15 de fevereiro de 1926, ele relata ao amigo o dif&iacute;cil momento em que estava passando: </P >     <blockquote>       <p>Eu tenho estado [no hospital] h&aacute; uma semana em grandes enfermarias, com seis pacientes gravemente doentes cada, com barulho e gritos, sem qualquer mesa, e assim por diante. As camas s&atilde;o dispostas lado a lado sem espa&ccedil;o entre elas, como em um quartel. Al&eacute;m disso, eu me sinto terr&iacute;vel fisicamente e estou deprimido e desmotivado psicologicamente. (Vygotsky, 2007:15) </p> </blockquote>     <p>Por causa de sua situa&ccedil;&atilde;o, ele encontrava-se desanimado em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; perspectiva de seu futuro e trabalho e, principalmente com a psicologia da &eacute;poca. No entanto, continua produzindo e incentivando os amigos e colaboradores em pr&oacute; ao projeto comum maior: reformular a teoria psicol&oacute;gica, atrav&eacute;s de um vi&eacute;s marxista (como veremos mais a frente). </P >    <p><I>Os destinos da psicologia </I></P >    <p>Em um desabafo &agrave; A. R. Luria, na carta de 5 de mar&ccedil;o de 1926, enquanto ainda estava no sanat&oacute;rio, ou seja, em pleno processo de recupera&ccedil;&atilde;o, ele demostra preocupa&ccedil;&atilde;o com o destino cient&iacute;fico da psicologia e com os seus interlocutores: </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>       <p>Caro Alexander Romanovich, eu queria escrever-te h&aacute; algum tempo, mas a situa&ccedil;&atilde;o em torno de mim, nesses tempos, tem sido de tal forma que &eacute; estranho e dif&iacute;cil pegar uma caneta e eu n&atilde;o tenho sido capaz de pensar com calma. Fiquei muito feliz em receber seu artigo alem&atilde;o. Eu estou orgulhoso por voc&ecirc; ter ido al&eacute;m dos limites estreitos do profundo provincialismo em que nossa literatura psicol&oacute;gica se encontra. Claro, isso &eacute; apenas um &ldquo;sintoma&rdquo;, eu n&atilde;o estou superestimando a import&acirc;ncia do trabalho, mas isto &eacute; muito, um sintoma muito impor tante, uma tentativa de encontrar um leitor realmente interessado no problema cient&iacute;fico. Quem nos l&ecirc; aqui? Chelpanov, a fim de contar os erros e, em seguida, gritar de alegria; Frankfurt, a fim de avaliar a confiabilidade e definir um &iacute;ndice sobre essas bases. [...] Qu&atilde;o seriamente precisamos pensar em nosso destino (cient&iacute;fico) e sobre o destino da causa, que temos empreendido se K. N. [Kornilov] e outros &ldquo;l&iacute;deres&rdquo; n&atilde;o est&atilde;o dispostos a pensar nisso. Sinto-me em algum lugar fora da vida, ou, mais precisamente entre a vida e a morte; eu n&atilde;o estou desesperado ainda, mas eu abandonei &agrave; esperan&ccedil;a. Por esta raz&atilde;o, meus pensamentos de alguma forma n&atilde;o conseguem se concentrar em quest&otilde;es relacionadas com a minha vida futura e trabalho...&rdquo; (Vygotsky, 2007:17). </p> </blockquote>     <p>Este trecho da carta dirigida a Luria deixa claro que Vigotski considerava o seu trabalho em psicologia como uma &ldquo;causa&rdquo;, ele via a necessidade de reestruturar radicalmente a psicologia, o que se desdobraria, mais tarde no programa metodol&oacute;gico que se esbo&ccedil;ou em &ldquo;O significado hist&oacute;rico da crise da psicologia: uma investiga&ccedil;&atilde;o metodol&oacute;gica&rdquo; (terminado em 1927 e publicado somente em 1982). </P >    <p>Um ponto que nos chamou aten&ccedil;&atilde;o neste trecho &eacute; aquele em que ele avalia que a psicologia russa est&aacute; enraizada num &ldquo;profundo provincialismo&rdquo;. Duas quest&otilde;es podem estar subsidiando esta afirma&ccedil;&atilde;o. A primeira &eacute; sua considera&ccedil;&atilde;o de que a supera&ccedil;&atilde;o da crise da psicologia n&atilde;o poder&aacute; ser solucionada exclusivamente nos limites da psicologia sovi&eacute;tica. Isto fica explicito no artigo: &ldquo;Sobre el art&iacute;culo de K. Koffka &lsquo;La introspecci&oacute;n y el m&eacute;todo de la psicologia&rsquo; &ndash; A modo de introducci&oacute;n&rdquo;, publicado em 1926, material que foi publicado como uma introdu&ccedil;&atilde;o a um artigo de Kofka, inserido no livro de Kornilov intitulado: &ldquo;Problemas de psicologia atual&rdquo;. </P >    <p>Vigotski assim se expressa: </P >     <blockquote>       <p>Cuando los compiladores de esta obra seleccionaron el art&iacute;culo de K. Koffka &ldquo;La introspecci&oacute;n y el m&eacute;todo de la psicolog&iacute;a&raquo;, les estaba guiando la consideraci&oacute;n de que para construir un sistema psicol&oacute;gico marxista es necesario orientarse correctamente entre las actuales corrientes psicol&oacute;gicas. Hace mucho ya que la ciencia y su desarrollo han salido del estado en que cada pa&iacute;s pod&iacute;a elaborar sus problemas por separado, de forma aislada y relativamente independiente. No puede haber mayor error para comprender la actual crisis de la psicolog&iacute;a que reducirla a los l&iacute;mites y fronteras del pensamiento cient&iacute;fico ruso. Y &eacute;se es el modo en que reflejan la cuesti&oacute;n los representantes de nuestra psicolog&iacute;a emp&iacute;rica: si les di&eacute;ramos cr&eacute;dito, en la psicolog&iacute;a de Occidente todo permanecer&iacute;a tan inmutable y tranquilo como &ldquo;la mineralog&iacute;a, la f&iacute;sica y la qu&iacute;mica&rdquo;, mientras que nosotros los marxistas hemos emprendido nada menos que la reforma de la ciencia. Volvemos a repetir: no se puede presentar el estado real de las cosas bajo un aspecto m&aacute;s falso y tergiversado. (Vygotski, 1926/1997:61) </p> </blockquote>     <p>A outra quest&atilde;o que pode estar sendo vinculada a essa afirma&ccedil;&atilde;o de Vigotski, diz respeito a maneira pela qual os estudiosos de seu tempo estavam articulando a psicologia com o marxismo, qual seja, introduzindo em suas teorias conceitos marxistas, sem uma reflex&atilde;o epistemol&oacute;gica e metodol&oacute;gica mais profunda<sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a>. Vigotski, opondo-se a esses autores, assinala que a psicologia marxista, aquela que se subsidia no materialismo dial&eacute;tico ainda est&aacute; para ser constru&iacute;da, mas </P >     <blockquote>       <p>&Eacute; preciso, antes, criar a teoria do materialismo psicol&oacute;gico, e no entretempo ainda n&atilde;o se pode escrever manuais de psicologia dial&eacute;tica. Mas, em nosso caso, tamb&eacute;m no n&iacute;vel do racioc&iacute;nio cr&iacute;tico carecemos de um crit&eacute;rio fundamental. A forma com que hoje se estabelece, como se se tratasse do escrit&oacute;rio de marcas e patentes, se determinada doutrina concorda com o marxismo, n&atilde;o vai al&eacute;m do m&eacute;todo da &ldquo;superposi&ccedil;&atilde;o l&oacute;gica&rdquo; ou seja, de contrastar a coincid&ecirc;ncia de formas, de tra&ccedil;os l&oacute;gicos (monismo etc.). Mas &eacute; preciso saber o que se pode e o que se deve buscar no marxismo. N&atilde;o se trata de adaptar o indiv&iacute;duo ao s&aacute;bado, mas o s&aacute;bado ao indiv&iacute;duo; o que precisamos encontrar em nossos autores &eacute; uma teoria que ajude a conhecer a psique, mas de modo algum a solu&ccedil;&atilde;o do problema da psique, a f&oacute;rmula que contenha e resuma a totalidade da verdade cient&iacute;fica. (...) O que sim <I>pode ser buscado </I>previamente <I>nos mestres </I>do marxismo n&atilde;o &eacute; a solu&ccedil;&atilde;o da quest&atilde;o, e nem mesmo uma hip&oacute;tese de trabalho (porque estas s&atilde;o obtidas sobre a base da pr&oacute;pria ci&ecirc;ncia), mas o m&eacute;todo de constru&ccedil;&atilde;o [da hip&oacute;tese &ndash; R.R]. N&atilde;o quero receber de lambuja, pescando aqui e ali algumas cita&ccedil;&otilde;es, o que &eacute; a psique, o que desejo &eacute; aprender <I>na globalidade </I>do m&eacute;todo de Marx como se constr&oacute;i a ci&ecirc;ncia, como enfocar a an&aacute;lise da psique. (Vigotski, 1927/2004:395) </p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As quest&otilde;es que Vigotski apresenta nessa carta, que se referem ao processo de constru&ccedil;&atilde;o de uma psicologia que se subsidie no materialismo dial&eacute;tico e no materialismo hist&oacute;rico, podem tamb&eacute;m ser vislumbradas em outras duas cartas. Ambas foram dirigidas a Leontiev uma em 15 de abril de 1929 e a outra em 23 de julho do mesmo ano. </P >    <p>Na primeira carta Vigotki escreve a Leontiev assinalando a necessidade de se considerar teoricamente as rela&ccedil;&otilde;es entre as fun&ccedil;&otilde;es psicol&oacute;gicas superiores, tarefa ainda a ser feita: </P >     <blockquote>       <p>Caro Aleksei Nikolaevich, muito obrigado pela carta. Primeiro e mais importante, n&oacute;s devemos conquistar a percep&ccedil;&atilde;o, devemos conceituar e compreender <I>a natureza da percep&ccedil;&atilde;o dos homens cultos, de percep&ccedil;&atilde;o volunt&aacute;ria intencional </I>(compare com o excelente artigo de Jaensch sobre por que os verbos ver, ouvir, e outros s&atilde;o seguidos de acusativo, ou seja, como acontece com verbos de movimento). Na maior parte, o caminho que voc&ecirc; escreve sobre isso est&aacute; correto, mas 1,001 por cento questiona e uma falta de clareza reina nas considera&ccedil;&otilde;es at&eacute; o momento presente, embora isto seja basicamente o que n&oacute;s teremos que esclarecer te&oacute;rica e heuristicamente no ver&atilde;o. Mais importante, n&oacute;s ainda n&atilde;o temos a conex&atilde;o; a integra&ccedil;&atilde;o de fun&ccedil;&otilde;es no sentido cultural, n&atilde;o &eacute; a mesma como no sentido natural: aten&ccedil;&atilde;o + mem&oacute;ria + percep&ccedil;&atilde;o, e assim por diante. O caminho em si, repito, est&aacute; correto e a ideia est&aacute; correta, tanto em teoria e pr&aacute;tica: <I>ou </I>Montessori <I>ou cultura </I>S [enso] M[otor sistema] no sentido pr&oacute;prio da palavra (c-u-l-t-u-r-a). (Vygotsky, 2007:22) </p> </blockquote>     <p>A solu&ccedil;&atilde;o para a quest&atilde;o levantada nesta carta junto &agrave; Leontiev &ndash; a da conex&atilde;o e a integra&ccedil;&atilde;o das fun&ccedil;&otilde;es psicol&oacute;gicas superiores &ndash; foi dada por Vigotski no trabalho &ldquo;Sobre os sistemas psicol&oacute;gicos&rdquo;, apresentado em 1930 na Cl&iacute;nica de Doen&ccedil;as Neurol&oacute;gicas (publicado somente em 1982). Neste trabalho Vigotski articula a ideia de uma estrutura sist&ecirc;mica das fun&ccedil;&otilde;es mentais superiores e uma g&ecirc;nese social dessas fun&ccedil;&otilde;es e coloca a tarefa de estudar sistemas funcionais e seus resultados (ver Vigotski, 1930/2004). </P >    <p>Em carta dirigida a Luria em 11 de julho de 1931, Vigotski retoma essa quest&atilde;o indicando, para seu interlocutor, o avan&ccedil;o significativo que tal proposta representa para a compreens&atilde;o dos fen&ocirc;menos psicol&oacute;gicos. </P >     <blockquote>       <p>Caro Alexander Romanovich, estou lhe escrevendo, literalmente, [no] emphasia, em uma esp&eacute;cie de fervor que eu raramente experiencio. Eu recebi o relat&oacute;rio n&ordm; 3 e os registros dos experimentos. N&atilde;o me lembro da &uacute;ltima vez em que tive um dia t&atilde;o brilhante e alegre. Isto &eacute;, literalmente, como uma chave que abre as fechaduras de uma s&eacute;rie de problemas psicol&oacute;gicos. Essa &eacute; a minha impress&atilde;o. Para mim, a import&acirc;ncia do primeiro ranking dos experimentos &eacute;, fora de d&uacute;vida, a nossa nova dire&ccedil;&atilde;o que foi agora conquistada (por voc&ecirc;) n&atilde;o apenas na teoria, mas na pr&aacute;tica, experimentalmente. (...) Um novo cap&iacute;tulo na psicologia est&aacute; agora aberto para n&oacute;s, um cap&iacute;tulo concreto; as opera&ccedil;&otilde;es em si mesmas, respectivamente, as fun&ccedil;&otilde;es individuais agora surgem sob uma nova luz no contexto do todo compreendido. Eu tenho um sentimento de gratid&atilde;o, alegria e orgulho. (...) N&atilde;o &eacute; psicologia de opera&ccedil;&otilde;es individuais, mas a psicologia dos sistemas. (Vygotsky, 2007:41-42) </p> </blockquote>     <p>A euforia de Vigotski tamb&eacute;m &eacute; expressa na carta de 01 de agosto de 1931: </P >     <blockquote>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Caro Alexander Romanovich, estou escrevendo um cart&atilde;o postal, porque &eacute; imposs&iacute;vel obter um envelope aqui ou goma ar&aacute;bica, a fim de fazer um. Anteriormente eu enviei cartas para Samarkand e Fergana sobre a <I>enorme impress&atilde;o, totalmente incompar&aacute;vel </I>que seus relat&oacute;rios e registros deixaram em mim. Este &eacute; um enorme passo decisivo, <I>fundamental </I>em nossa pesquisa em dire&ccedil;&atilde;o a um novo ponto de vista. Mas mesmo <I>em qualquer </I>contexto da investiga&ccedil;&atilde;o europeia, uma pesquisa dessa natureza seria um <I>evento</I>. Este estudo ser&aacute; a viagem para Tenerife. Estou experimentando uma sensa&ccedil;&atilde;o de euforia, no sentido literal da palavra, de estar &agrave; beira de um grande sucesso interno. Eu recebi o relat&oacute;rio n&ordm; 5, e tamb&eacute;m, como todo o resto (fiquei menos entusiasmado com o Relat&oacute;rio n&ordm; 1), marca um evento: um estudo sistem&aacute;tico das rela&ccedil;&otilde;es sist&ecirc;micas em psicologia hist&oacute;rica, na filog&ecirc;nese da vida, algo que ningu&eacute;m nunca fez antes, a partir de qualquer ponto de vista. Para nossa cl&iacute;nica e nossas experi&ecirc;ncias com crian&ccedil;as, este &eacute; um novo e inesperado (para mim, eu admito) cap&iacute;tulo alegre e brilhante. (Vygotsky, 2007:42) </p> </blockquote>     <p>Na carta de 23 de julho de 1929, escrita para Leontiev, Vigotski aborda algumas quest&otilde;es metodol&oacute;gicas que afetam, de certa forma, o encaminhamento de suas pesquisas no &acirc;mbito do grupo de pesquisadores que coordena. </P >     <blockquote>       <p>Caro Aleksei Nikolaevich, obrigado pela carta. Eu estou plenamente de acordo com seus sentimentos. H&aacute; algum benef&iacute;cio para uma situa&ccedil;&atilde;o na qual p[sicologia] i[nstrumental] acaba nas categoria de atividades n&atilde;o rent&aacute;veis. Em particular, n&atilde;o posso dizer com for&ccedil;a suficiente como valorizo (em termos &eacute;ticos tamb&eacute;m) o pensamento de que a ideia deve ser t&atilde;o pura e rigorosa quanto poss&iacute;vel. Esta &eacute; a nossa principal tarefa &ndash; lutar contra as ideias confusas e &ldquo;nos tornar confort&aacute;veis&rdquo;. Eu estou revisando a s[egunda] parte de &ldquo;macaco&rdquo;. Ai! O p[rimeiro] capitulo foi escrito <I>inteiramente </I>de acordo com os freudianos (e nem mesmo de acordo com Freud, mas de acordo com V. F. Schmidt (seus materiais), M. Klein e ou[tras] estrelas de segunda magnitude); ent&atilde;o o Piaget impenetr&aacute;vel &eacute; transformado em algo absoluto al&eacute;m de qualquer medida; instrumento e sinal s&atilde;o misturados ainda mais, e assim por diante. Isso n&atilde;o &eacute; culpa de A. R. [Luria], pessoalmente, mas de toda uma &ldquo;&eacute;poca&rdquo; de nossa mentalidade. (...) Coisas que, do nosso ponto de vista, ainda n&atilde;o est&atilde;o claras em termos de <I>como elas </I>devem ser refinadas em vista a tornar-se uma parte org&acirc;nica de nossa teoria, n&atilde;o devem ser inclu&iacute;das no sistema. Vamos adiar. Que haja o mais rigoroso, mon&aacute;stico regime de pensamento; reclus&atilde;o ideol&oacute;gica, se necess&aacute;rio. E vamos exigir o mesmo dos outros. Vamos explicar que estudar psicologia cultural n&atilde;o &eacute; brincadeira e n&atilde;o &eacute; algo a fazer em momentos &iacute;mpares ou, entre outras coisas, e n&atilde;o &eacute; terreno para conjecturas pr&oacute;prias de cada pessoa nova. Da mesma forma o mesmo esquema de organiza&ccedil;&atilde;o externamente. Temos de abordar as coisas de tal forma que os erros de &ldquo;macaco&rdquo;, do artigo de A. R. [Luria], do paralelismo Zankov, e assim por diante se tornem imposs&iacute;veis. Eu vou ficar feliz se conseguirmos alcan&ccedil;ar a m&aacute;xima clareza e precis&atilde;o sobre este assunto. Estou contando firmemente com sua iniciativa e papel em evitar isso. (Vygotsky, 2007:25-27) </p> </blockquote>     <p>Neste trecho da carta, mais uma vez Vigotski expressa suas preocupa&ccedil;&otilde;es com os destinos da psicologia. Uma diz respeito aos aspectos te&oacute;ricos e metodol&oacute;gicos utilizados pelos membros do grupo coordenado por Vigotski, que demandam mais refinamento e uma elabora&ccedil;&atilde;o menos confusa. &Eacute; o caso do &ldquo;macaco&rdquo;, livro que Vigotski escreveu com Luria, intitulado &ldquo;Estudos sobre a hist&oacute;ria do comportamento: o macaco, o primitivo e a crian&ccedil;a&rdquo; (Vygotsky &amp; Luria, 1930/1996). Na carta, Vigotski reconhece o car&aacute;ter contradit&oacute;rio de sua pr&oacute;pria teoria, assim como a interpreta&ccedil;&atilde;o dada por Luria e indica o caminho da pesquisa e da reflex&atilde;o para superar as dificuldades te&oacute;ricas na compreens&atilde;o dos fen&ocirc;menos psicol&oacute;gicos (ver tamb&eacute;m Akhutina, 2003). </P >    <p>Ele expressa tamb&eacute;m a seriedade necess&aacute;ria com que os membros do grupo devem enfrentar a tarefa que lhe cabe, qual seja: a de construir uma nova psicologia. Assim, ele sugere que os membros do grupo se envolvam com as atividades em regime mon&aacute;stico, e em reclus&atilde;o ideol&oacute;gica, se necess&aacute;rio. </P >    <p>Como temos assinalado em outro lugar (Martins, 2010), a teoria de Vigotski &eacute; uma teoria em devir. Nas cartas que estamos analisando, podemos perceber esse movimento, tanto no que tange a elabora&ccedil;&atilde;o de sua teoria, que vai se consolidando ao longo do tempo, como nos seus interesses de pesquisa. </P >    <p>At&eacute; agora, temos vislumbrado nas cartas analisadas preocupa&ccedil;&otilde;es de Vigotski referente a aspectos te&oacute;ricos e metodol&oacute;gicos da psicologia em devir. Mas as cartas tamb&eacute;m nos dizem sobre a emerg&ecirc;ncia de novos interesses, novas perspectivas de pesquisa, que ser&atilde;o cruciais para o desenvolvimento de sua teoria. &Eacute; o que se evidencia na carta escrita para Leontiev, de 23 de julho de 1929. Aqui, Vigotski, se referindo &agrave;s possibilidades de trabalho com Leontiev, comenta: &ldquo;Se voc&ecirc; vai se candidatar para se tornar um assistente, eu faria isso. Falaremos sobre isso no outono. Eu tenho o meu <I>pr&oacute;prio </I>interesse, aqui (por exemplo, del&iacute;rios da fala com rela&ccedil;&atilde;o ao problema do significado)&rdquo; (Vygotsky, 2007:27). </P >    <p>Em carta &agrave; Luria, datada em 12 de junho de 1931, ele se apresenta apreensivo com rela&ccedil;&atilde;o aos estudos sobre o significado das palavras, especialmente com rela&ccedil;&atilde;o aos aspectos metodol&oacute;gicos: </P >     <blockquote>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Todo mundo estava feliz em ver que voc&ecirc; est&aacute; novamente de volta ao trabalho na mente e no cora&ccedil;&atilde;o e fazendo pesquisa. Esse &eacute; o aspecto mais importante, e isso &eacute; tudo. Contra a minha vontade, meu conselho a respeito do estudo do significado das palavras &eacute; muito seco e pobre: o que posso dizer, antes de ter pensado sobre as coisas? No entanto: (1) um teste seletivo algo chama-se tal e tal, porque (1)... (2)... (3)... (4)... &ndash; Pode ser <I>bastante </I>interessante, e (1), (2), (3) e (4) deve incluir men&ccedil;&otilde;es... </p>       <p>(Estou sentado para continuar esta carta, pela terceira vez, em 16 de junho, com a firme inten&ccedil;&atilde;o de concluir, ainda que de forma um pouco abreviado)... &ndash; as causas da similaridade do som &ndash; os atributos, as conex&otilde;es com outras coisas, os motivos aleat&oacute;rios, talvez, &ldquo;isto que &eacute; o que as pessoas chamam.&rdquo; (2) conversas cl&iacute;nicas &agrave; la Piaget, a fim de esclarecer o <I>quadro cl&iacute;nico </I>de pensar sobre as palavras e os nomes dos objetos. (3) mudan&ccedil;as de nome e uma discuss&atilde;o com estes significados alterados. (4) Finalmente, os significados &ndash; um jogo, como acontece com [NG] Morozova. Isso &eacute; tudo que posso dizer sobre isso agora. (Vygotsky, 2007:35) </p> </blockquote>     <p>Em outra carta, tamb&eacute;m dirigia &agrave; Luria, datada de 20 de junho de 1931, ele retoma as possibilidades dos estudos referentes aos significados das palavras: </P >     <blockquote>       <p>Eu lhe escrevi anteriormente sobre os significados das palavras: Isto &eacute; imensamente valioso, o mesmo &eacute; verdadeiro para as met&aacute;foras. Consegui <I>exatamente a mesma coisa </I>com surdos mudos h&aacute; alguns dias: eles podem compreender frases e prov&eacute;rbios conhecidos, mas n&atilde;o podem entend&ecirc;-los na tradu&ccedil;&atilde;o. (Vygotsky, 2007:41) </p> </blockquote>     <p>O interesse de Vigotski pela quest&atilde;o do significado &eacute; compreendido, por alguns autores (Minick, 1987; Rey, 2007), como a etapa final de seu trabalho, onde a no&ccedil;&atilde;o de media&ccedil;&atilde;o semi&oacute;tica &eacute; consolidada. </P >    <p>As cartas consideradas at&eacute; aqui nos revelam os movimentos de Vigotski em torno da constru&ccedil;&atilde;o da psicologia s&oacute;cio hist&oacute;rica cultural. Nesse sentido, concordamos com Zavershneva, que identifica, a partir de seus estudos sobre os arquivos n&atilde;o publicados pertencentes a fam&iacute;lia de Vigotski, a seguinte organiza&ccedil;&atilde;o da obra vigotskiana: </P >     <blockquote>       <p>As premissas da abordagem, &eacute; claro, est&atilde;o contidas em todos os primeiros trabalhos de Vygotsky, mas foi somente em 1926 que elas foram reunidas e um n&uacute;cleo s&oacute;lido, assim, criadas para a teoria, ou seja, uma s&eacute;rie de postulados sobre em que todo o programa de pesquisa repousa, e que foram posteriormente clarificadas e dadas novas formula&ccedil;&otilde;es. Em 1930, elas foram suplementadas com o princ&iacute;pio sist&ecirc;mico, e em 1932, com o princ&iacute;pio da estrutura sem&acirc;ntica da consci&ecirc;ncia. Propomos precisamente este crit&eacute;rio para o in&iacute;cio da teoria hist&oacute;rico-cultural, no sentido estrito da palavra: a s&iacute;ntese de duas ideias, que at&eacute; 1926 estavam sendo elaboradas sem uma liga&ccedil;&atilde;o clara entre elas (o princ&iacute;pio de media&ccedil;&atilde;o semi&oacute;tica, que posteriormente sofreu altera&ccedil;&otilde;es significativas e diminuiu para o fundo da teoria, e a ideia do desenvolvimento cultural da psique). Foi previamente assumido que a fase cr&iacute;tica, o ano de transi&ccedil;&atilde;o, foi 1927; a correspond&ecirc;ncia de Vygotsky com seus colegas sugeriu que a pesquisa experimental na nova metodologia de estimula&ccedil;&atilde;o dupla j&aacute; estava em curso, no Ver&atilde;o de 1927<sup><a href="#5">5</a></sup><a name="top5"></a>, mas n&atilde;o estava sendo publicada. Agora n&oacute;s sabemos que os princ&iacute;pios te&oacute;ricos desta pesquisa foram formulados um ano antes. (Zavershneva, 2010c:27) </p> </blockquote>     <p><I>A consolida&ccedil;&atilde;o dos grupos de pesquisa &ndash; Os C&iacute;rculos Vigotskianos </I></P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Anton Yasnitsky, abordando a hist&oacute;ria da psicologia sovi&eacute;tica no in&iacute;cio do s&eacute;culo XX &ndash; durante o per&iacute;odo de 1924 a 1941, identifica v&aacute;rios grupos que participaram da vida de Vigotski &ndash; o que foi denominado por ele de C&iacute;rculos Vigotskianos. Esse autor organizou tais C&iacute;rculos tendo como suporte alguns autores que participaram das redes informais de pessoas que conviveram com Vigotski. Ele entende que tal abordagem traz novos elementos para compreendermos os processos de desenvolvimento da ci&ecirc;ncia. Nesse sentido, Mark B. Adams, que introduziu a no&ccedil;&atilde;o de redes informais na historiografia do discurso de ci&ecirc;ncia, esclarece: </P >     <blockquote>       <p>Aqui, n&atilde;o estou me referindo a qualquer coisa arcana ou t&eacute;cnica (...) mas o significado mais flex&iacute;vel, mais evocativo que a palavra chegou a ter na linguagem cotidiana, algo familiar para todo tipo de historiador: redes pessoais. Uma rede pessoal &eacute; mais flex&iacute;vel, uma &lsquo;estrutura&rsquo; menos coerente do que uma institui&ccedil;&atilde;o ou uma disciplina. Desenvolvidas fora da fam&iacute;lia ampliada, la&ccedil;&otilde;es escolares antigos, experi&ecirc;ncia m&uacute;tua, hobbies, paix&otilde;es particulares e interesses compartilhados, tais redes envolvem ramifica&ccedil;&otilde;es de contatos que s&atilde;o m&uacute;ltiplos e complexos &ndash; como s&atilde;o todas as associa&ccedil;&otilde;es livres que perpassam a sociedade c&iacute;vica. Eles tamb&eacute;m podem formar &lsquo;n&oacute;s&rsquo; ou &lsquo;g&acirc;nglios&rsquo; onde s&atilde;o feitas v&aacute;rias novas conex&otilde;es e interfaces de redes &ndash; por vezes sob a forma de c&iacute;rculos informais, sociedades privadas, clubes, sal&otilde;es, noitadas e assim por diante, &agrave;s vezes em formas, mais organizadas que v&atilde;o desde coisas que poder&iacute;amos chamar de &lsquo;movimentos&rsquo; para grupos de interesses, organiza&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas e at&eacute; mesmo &lsquo;m&aacute;fias&rsquo;. E alguns destes, por sua vez, podem eventualmente ganhar ainda mais estrutura como potenciais disciplinas ou proto-institui&ccedil;&otilde;es. (Adams citado por Yasnitsky, 2011:426) </p> </blockquote>     <p>A partir das redes pessoais, Yasnitsky identificou quatro fases na inser&ccedil;&atilde;o de Vigotski no campo da psicologia sovi&eacute;tica no per&iacute;odo de 1924 a 1934 (Yasnitsky, 2009, 2011). </P >    <p>A primeira fase (1924-1927) come&ccedil;a com a mudan&ccedil;a de Vigotski de Gomel para Moscou, onde inicia suas atividades no Instituto de Psicologia e em v&aacute;rios institutos de defectologia e, come&ccedil;a a trabalhar com Luria e Leontiev. Ela &eacute; caracterizada pela procura de uma nova defini&ccedil;&atilde;o de programa e tema de pesquisa. A maioria dos participantes de seu c&iacute;rculo social e profissional, nesse per&iacute;odo, foram seus primeiros estudantes de gradua&ccedil;&atilde;o: Zankov, Solov&rsquo;ev, Sakharov, Varshava e colaboradores do Instituto de Psicologia de Moscou: Artemov, Dobrynin, Bernstein, Gellersein e Luria. </P >    <p>Ao propor a segunda fase dessa trajet&oacute;ria (1927-1931), o autor questiona a narrativa hist&oacute;rica tradicional onde se afirma que a psicologia de s&oacute;cio hist&oacute;rica cultural foi desenvolvida primeiramente pela tr&oacute;ica (o trio: Vigotski, Leontiev e Luria). Yasnitsky questiona tal hist&oacute;ria assinalando que, do ponto de vista da articula&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica e da produ&ccedil;&atilde;o conjunta, observa-se uma maior aproxima&ccedil;&atilde;o entre Vigotski e Luria, e n&atilde;o entre Vigotski e Leontiev. </P >     <p>A terceira fase (1931-1934) &eacute; caracterizada pela variedade de grupos de pesquisa envolvidos com a teoria vigotskiana, grupos que trabalhavam, paralelamente, em v&aacute;rias institui&ccedil;&otilde;es nas cidades de Moscou, Karkov e Leningrado. Vigotski e Luria faziam o papel de mediadores desses grupos, coordenando as pesquisas cl&iacute;nicas, de patologia e de desenvolvimento. A fase quarto (1934-1936) &eacute; identificada como um momento de desintegra&ccedil;&atilde;o dos grupos, bem como do programa original de pesquisa proposto por Vigotski. </P >     <p>Nas cartas que estamos considerando, vamos observar um esfor&ccedil;o muito grande de Vigostski na constitui&ccedil;&atilde;o destes grupos, estimulando um trabalho coletivo e colaborativo entre as pessoas que compartilhavam seus interesses. </P >    <p>Como rela&ccedil;&atilde;o a isso, na introdu&ccedil;&atilde;o do texto &ldquo;Tool and sign&rdquo; &ndash; publicado por Vigotski e Luria em 1930 (ver Vygotsky &amp; Luria, 1930/1994) &ndash; Anna Stetsenko, afirma: </P >     <blockquote>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Vygotsky escreveu &ldquo;Tool and Sign&rdquo; em estreita colabora&ccedil;&atilde;o e em discuss&otilde;es v&iacute;vidas com um n&uacute;mero de pessoas... Eles formaram o chamado C&iacute;rculo de Vygotsky, que incluiu v&aacute;rias mulheres brilhantes, e eles realizaram projetos de investiga&ccedil;&atilde;o coletivamente. Isto &eacute; bastante revelador, a esse respeito, que at&eacute; mesmo a autoria de &ldquo;Tool and Sign&rdquo; &eacute; contestada; h&aacute; raz&otilde;es para acreditar que Vygotsky o escreveu juntamente com Luria... Qualquer que seja o caso da autoria deste trabalho espec&iacute;fico, a natureza onipresentemente colaborativa do projeto Vygotsky em geral deve ser enfatizada, especialmente porque tal fato tem sido, muitas vezes, subestimado ou at&eacute; mesmo ignorado nas considera&ccedil;&otilde;es anteriores do seu patrim&ocirc;nio. (Stetsenko, 2004:502-503) </p> </blockquote>     <p>Isto significa dizer que a abordagem de Vigotski para com as quest&otilde;es da psicologia encarna, &ldquo;em sua hist&oacute;ria de vida real, os pr&oacute;prios princ&iacute;pios te&oacute;ricos centrais, tais como, a indissociabilidade do conhecimento e a&ccedil;&atilde;o, teoria e pr&aacute;tica e a natureza colaborativa da cogni&ccedil;&atilde;o&rdquo; (Stetsenko &amp; Arievitch, 2004:58). </P >    <p>A carta de Vigotski, de 5 de abril de 1929, para o grupo intitulado &ldquo;os cinco&rdquo;, demonstra esse car&aacute;ter colaborativo de seu trabalho: </P >     <blockquote>       <p>Meus caros amigos perdoem-me por escrever em prosa a resposta a seu verso e por ser demasiado s&eacute;rio e profundo em resposta a sua brincadeira: afinal, cada brincadeira contem um fundo de seriedade. [...] Eu li o encarte de voc&ecirc;s [...] com enorme satisfa&ccedil;&atilde;o, espero que minha Cole&ccedil;&atilde;o de Trabalhos traga um dia, a cada um de voc&ecirc;s, a mesma satisfa&ccedil;&atilde;o. Em uma nota s&eacute;ria, deixe-me dizer resumidamente que a sua &uacute;ltima linha diz algo que para mim &eacute; agora o lema principal do meu estado completo de sa&uacute;de e &ldquo;estado de vida&rdquo;: A estrada &eacute; longa ... [...] Eu nunca me permitiria falar com tanta franqueza (eu tenho mantido esse lema para mim mesmo) se eu n&atilde;o sentisse que voc&ecirc;s tamb&eacute;m est&atilde;o come&ccedil;ando, de um &acirc;ngulo, apreciar a enormidade do caminho abrindo-se diante do psic&oacute;logo que procura reconstruir os passos da hist&oacute;ria da psique mental. Este &eacute; um novo territ&oacute;rio. Quando eu percebi isso em voc&ecirc;s, eu fiquei muito surpreso: esse dia pareceu-me surpreendente que, nas circunst&acirc;ncias e tendo em conta que muitos esbo&ccedil;oes s&atilde;o ainda pouco claros, pessoas que est&atilde;o apenas escolhendo o seu caminho se lan&ccedil;aram nesta jornada especial. Eu experimentei um sentimento de surpresa enorme quando A. R. [Luria] foi o primeiro a sair nesta jornada, quando A. N. [Leontiev] o seguiu, e assim por diante. Agora, para minha surpresa, h&aacute; a alegria acrescentada que, baseada nas faixas que foram descobertas, n&atilde;o apenas eu sozinho e n&atilde;o apenas n&oacute;s tr&ecirc;s, mas cinco outras pessoas veem a grande avenida. (Vygotsky, 2007:21-22) </p> </blockquote>     <p>Mais uma vez fica evidente a posi&ccedil;&atilde;o de Vigotski frente &agrave; psicologia. Ele se v&ecirc; diante de um longo caminho que dever&aacute; ser percorrido na constru&ccedil;&atilde;o de uma nova psicologia, com a perspectiva de superar o cataclismo em que se encontrava a disciplina no in&iacute;cio do s&eacute;culo XX. Em sua carta, fica tamb&eacute;m evidente sua surpresa com rela&ccedil;&atilde;o ao grupo que come&ccedil;a a se ocupar das tarefas que se apresentavam na constru&ccedil;&atilde;o de uma nova psicologia; surpresa essa acompanhada de um certo otimismo na consolida&ccedil;&atilde;o deste trabalho. </P >    <p>Sobre a relev&acirc;ncia do trabalho coletivo, Vigotski a expressa em carta dirigida a Nataliia Grigor&rsquo;evna, datada de 29 de julho de 1930. Essa correspond&ecirc;ncia faz refer&ecirc;ncia a uma situa&ccedil;&atilde;o de afastamento de Nataliia, em fun&ccedil;&atilde;o de um estado de impot&ecirc;ncia e de tristeza. Em resposta a maneira com Nataliia se coloca diante do grupo, Vigotski diz: </P >    <p>Acho que foi neste tipo de estado que voc&ecirc; escreveu a carta. E eu tamb&eacute;m acho que voc&ecirc; sabe que voc&ecirc; tem que lutar contra esses estados e que voc&ecirc; pode super&aacute;-los. Um homem vence a natureza fora de si, mas tamb&eacute;m dentro de si mesmo, nisso reside a nossa psicologia e &eacute;tica, n&atilde;o &eacute;? Assim voc&ecirc; pode ver que eu n&atilde;o me oponho &agrave; sua carta, embora talvez eu tenha uma obje&ccedil;&atilde;o. Tem a ver com o coletivo. Como voc&ecirc; pode dizer que &ldquo;vamos nos ajeitar&rdquo; sem voc&ecirc;, que o coletivo &ldquo;vai se ajeitar&rdquo; tamb&eacute;m, que voc&ecirc; &eacute; uma individualista no coletivo e assim por diante. Tudo isso &eacute; fundamentalmente falso. N&oacute;s n&atilde;o vamos levar a vida sem voc&ecirc;, n&atilde;o podemos passar sem voc&ecirc;, o coletivo n&atilde;o vai passar sem voc&ecirc;. Nosso coletivo, como qualquer coletivo, no verdadeiro sentido da palavra, n&atilde;o nega o individualismo, mas depende disso para apoio. Assim como um organismo depende da coopera&ccedil;&atilde;o organizada de &oacute;rg&atilde;os especializados e diferenciados (isto &eacute;, individualizadas). De fato, o coletivo consiste na coopera&ccedil;&atilde;o das individualidades. Quanto maior o n&uacute;mero dessas individualidades e quanto mais marcantes elas forem, mais elas est&atilde;o repletas de auto-conhecimento, em outras palavras, quanto mais elas est&atilde;o conscientes de si mesmos, como personalidades (e isso &eacute; o individualismo, bem entendido), maior &eacute; a coletividade. Portanto, n&atilde;o importa o quanto voc&ecirc; pode estar perturbada, n&atilde;o importa o quanto isso possa ser &ldquo;uma coisa depois da outra&rdquo;, sempre saiba e lembre-se disso: firmeza e inflexibilidade s&atilde;o coisas que todo mundo deve ter nessa empreitada, uma conex&atilde;o com os outros e com a causa. Aqui eu estou, como disse Lutero. Todo ser humano deve saber onde ele est&aacute;. Voc&ecirc; e eu tamb&eacute;m sabemos disso, e devemos permanecer firmes. (Vygotsky, 2007:27) </P >    <p>Em um tom quase paternal, ele finaliza esta carta dizendo: </P >     <blockquote>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>[...] E agora, se voc&ecirc; concorda comigo, pe&ccedil;o-lhe para escrever concretamente, na &iacute;ntegra, em detalhes, sem medo e sem constrangimento, sobre o que voc&ecirc; est&aacute; enfrentando, o que incomoda voc&ecirc;, o que n&atilde;o est&aacute; indo bem, o que aconteceu e como, o que te traz desespero. Espero muito isso e voc&ecirc; tem a minha total aten&ccedil;&atilde;o. (Vygotsky, 2007:27) </p> </blockquote>     <p>Nesta carta &ndash; assim como em v&aacute;rias outras &ndash; um aspecto das rela&ccedil;&otilde;es que Vigotski estabelece com seus parceiros fica bastante enfatizado: a do acolhimento, a do respeito, a do companheirismo. </P >    <p>Entre as cartas destacam-se duas que nos apontam para o rompimento te&oacute;rico entre Vigotski e Leontiev. Sabemos que essa quest&atilde;o &eacute; bastante pol&ecirc;mica<sup><a href="#6">6</a></sup><a name="top6"></a> no campo da hist&oacute;ria da psicologia s&oacute;cio hist&oacute;rica cultural, mas documentos recentemente publicados nos apontam para tal situa&ccedil;&atilde;o (ver Yasnitsky, 2009, 2011; Zavershneva, 2010a,b,c). </P >    <p>A primeira &eacute; datada de 13 de julho de 1932, e &eacute; dirigida &agrave; Luria. A carta diz respeito &agrave; abordagem sist&ecirc;mica e &agrave; necessidade da investiga&ccedil;&atilde;o experimental que se desdobra com esta abordagem. Vigotski analisando o envolvimento de Luria e de Leontiev com tal perspectiva afirma: </P >     <blockquote>       <p>Estou esperando bastante de voc&ecirc; (n&atilde;o importa o qu&atilde;o cegamente, por assim dizer, os experimentos procedam), porque pensar na experimenta&ccedil;&atilde;o &eacute; pensar de forma mais produtiva, mesmo quando errar. E voc&ecirc; est&aacute; no caminho certo, como eu estou e como est&aacute; A. N. [Leontiev], ele n&atilde;o entende, em parte, at&eacute; de forma deliberada, a nova distin&ccedil;&atilde;o nos experimentos, mas ele est&aacute; desenhando essa distin&ccedil;&atilde;o em sua pesquisa sobre o intelecto pr&aacute;tico a partir de conex&otilde;es com a fala e suas mudan&ccedil;as, sobre mudan&ccedil;as a partir do fim para o come&ccedil;o &ndash; que &eacute; uma din&acirc;mica sist&ecirc;mica. (Vygotsky, 2007:44) </p> </blockquote>     <p>Com esta carta podemos perceber, talvez, o in&iacute;cio das diverg&ecirc;ncias te&oacute;ricas que se estabele ceram entre estes autores, uma vez que aqui Vigotski avalia o afastamento deliberado de Leontiev quanto ao seu engajamento dos procedimentos experimentais subsidiados pela vis&atilde;o sist&ecirc;mica que se estabelecia. A ruptura entre eles fica expl&iacute;cita na carta de 2 de agosto de 1933: </P >     <blockquote>       <p>Caro Aleksei Nikolaevich! Eu mantive a inten&ccedil;&atilde;o de enviar uma carta atrav&eacute;s do A. R. [Luria], mas nunca vimos um ao outro antes de sua partida. Da&iacute; o atraso. Eu me senti em mais de uma ocasi&atilde;o em que nos encontramos, por assim dizer, &agrave; beira de algum tipo de discuss&atilde;o muito importante para n&oacute;s dois e que, ao que parece, ainda estamos despreparados e, portanto, temos uma m&aacute; compreens&atilde;o em que ela deveria consistir. Mas agora temos visto o raio de ver&atilde;o disto muitas vezes, inclusive em sua &uacute;ltima carta. Por esta raz&atilde;o, n&atilde;o posso deixar de lhe responder com o mesmo tipo de raio de ver&atilde;o, algo semelhante a uma premoni&ccedil;&atilde;o (vaga) de uma conversa futura. Seu destino externo aparentemente vai ser decidido no outono &ndash; por alguns anos. E ao mesmo tempo &ndash; o nosso (e meu pr&oacute;prio) destino, e em parte o destino da nossa causa. No entanto, subjetivamente voc&ecirc; deve suportar o seu &ldquo;ex&iacute;lio&rdquo; para Kharkov, quaisquer alegrias que ele possa oferecer em compensa&ccedil;&atilde;o (no passado e ainda mais no futuro), sua partida final &ndash; objetivamente, em termos do seu real significado interno &ndash; &eacute; como interno, grave, e talvez um irrepar&aacute;vel rev&eacute;s para n&oacute;s, um rev&eacute;s decorrente de nossas ilus&otilde;es e neglig&ecirc;ncia pura e simples da tarefa que nos foi confiada. Parece que o que ocorreu uma vez nunca mais se repetir&aacute;, quer na sua biografia ou minha, ou na hist&oacute;ria da nossa psicologia. Ainda assim, estou tentando entender tudo isso de um modo como Spinoza, com tristeza, mas como algo necess&aacute;rio. Em meus pr&oacute;prios pensamentos, eu parto disso como de um fato existente. O destino interno de uma pessoa s&oacute; pode ser decidido em associa&ccedil;&atilde;o com o destino externo, mas ele n&atilde;o &eacute;, naturalmente, decidido por ele completamente. Por essa raz&atilde;o, n&atilde;o &eacute; claro para mim, &eacute; confuso, a minha vis&atilde;o &eacute; obscurecida, e preocupa-me com a maior preocupa&ccedil;&atilde;o que tenho experimentado nos &uacute;ltimos anos. Mas dado que a sua posi&ccedil;&atilde;o interna, como voc&ecirc; escreve, j&aacute; est&aacute; cristalizada num sentido pessoal e cient&iacute;fico, a decis&atilde;o externa tamb&eacute;m est&aacute; pr&eacute;-determinada at&eacute; um certo ponto. Voc&ecirc; est&aacute; certo em dizer que primeiro voc&ecirc; deve se livrar da necessidade de agir enganosamente. Seria poss&iacute;vel fazer isso por meio de &ldquo;abstrair&rdquo; (&agrave; la Kharkov) ou &ldquo;fissionar&rdquo; (&agrave; la Moscou), independentemente das condi&ccedil;&otilde;es externas de qualquer um de n&oacute;s. Penso, portanto, ele est&aacute; certo, apesar do fato de eu avaliar tudo o que aconteceu com A. R. [Luria] de forma diferente (e n&atilde;o em um sentido favor&aacute;vel). Mas vamos falar sobre isso separadamente em algum momento. </p>       <p>Eu sei e considero apropriado que interiormente voc&ecirc; atravessou a estrada (final) at&eacute; o amadurecimento nos &uacute;ltimos dois anos. Do fundo do meu cora&ccedil;&atilde;o, como eu desejo boa sorte a um amigo muito &iacute;ntimo em momentos decisivos, desejo-lhe for&ccedil;a, coragem e clareza de pensamento agora que voc&ecirc; est&aacute; diante de uma decis&atilde;o no que diz respeito ao seu caminho na vida. O mais importante, tome essa decis&atilde;o livremente. Sua carta se rompe naquela nota, e assim vou romper a minha naquela nota tamb&eacute;m &ndash; embora sem qualquer motivo externo. Eu firmemente, aperto sua m&atilde;o. Com todo meu cora&ccedil;&atilde;o, teu, L. Vygotsky. (Vygotsky, 2007:46-47) </p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As cartas nos indicam que o rompimento entre Vigotski e Leontiev, se efetivou em torno dos desdobramentos da vis&atilde;o sist&ecirc;mica (como nos referimos anteriormente e como ele prop&otilde;e no texto <I>Sobre os sistemas psicol&oacute;gicos </I>de 1930). Tal indica&ccedil;&atilde;o pode ser confirmada a partir do texto de Zavershneva onde, foram identificadas duras cr&iacute;ticas &agrave;s proposi&ccedil;&otilde;es de Leontiev uma vez que as an&aacute;lises de seus estudos implicavam numa redu&ccedil;&atilde;o do n&iacute;vel de generaliza&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica, e por n&atilde;o levar plenamente em considera&ccedil;&atilde;o os processos psicol&oacute;gicos superiores. Para Zavershneva </P >     <blockquote>       <p>Vygotsky criticou Leontiev por perder o centro da investiga&ccedil;&atilde;o e por ter adotado uma abordagem espont&acirc;nea. O passo para o lado que Leontiev estava fazendo era para ele n&atilde;o apenas um desvio do objetivo geral &ndash; a teoria da consci&ecirc;ncia &ndash;, mas tamb&eacute;m um passo para tr&aacute;s, em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; an&aacute;lise das fun&ccedil;&otilde;es psicol&oacute;gicas, que foi dominante no C&iacute;rculo Vygotsky entre 1928 e 1931. Cada componente da consci&ecirc;ncia naquele momento foi investigado separadamente, sem uma abordagem sist&ecirc;mica: A. N. Leontiev estudou mem&oacute;ria; L. S. Sakharov, Iu. V. Kotelova e E. I. Pashkovskaia estudou pensamento, e assim por diante. Vygotsky pode ter visto a investiga&ccedil;&atilde;o de Leontiev apenas como uma tentativa de estudar a din&acirc;mica da a&ccedil;&atilde;o como apenas uma outra fun&ccedil;&atilde;o psicol&oacute;gica. O tempo tinha chegado, no entanto, de trazer todos os resultados em conjunto, sintetiz&aacute;los e reinterpret&aacute;-los. (Zavershneva, 2010b:83) </p> </blockquote>     <p>Zavershneva indica tal ruptura apoiando-se em notas de Vigotski escritas em 1934, notas que foram escritas em fun&ccedil;&atilde;o da apresenta&ccedil;&atilde;o do trabalho de Leontiev no grupo de pesquisa. Em uma das notas ele diz: </P >     <blockquote>       <p>H&aacute; duas unidades de <I>atividade din&acirc;mica</I>: o pensamento e a atividade real. Ambos t&ecirc;m seu <I>aspecto din&acirc;mico</I>, isto &eacute;, existe um sistema din&acirc;mico <I>sui generis</I>, de um certo tipo e variedade. <I>Os dois tipos de din&acirc;mica n&atilde;o existem in abstracto, sem atividade. Este &eacute; o ponto mais importante e fundamental</I>... </p>       <p>Na verdade, <I>o papel do pensamento na atividade consiste na introdu&ccedil;&atilde;o de novas possibilidades din&acirc;micas para a atividade</I>. Dizer que o pensamento est&aacute; prejudicado &eacute; o mesmo que dizer que os processos din&acirc;micos sutis e complexos da atividade est&atilde;o prejudicados. (Entrada &ldquo;<I>Sehr wichtig. </I>A unidade do afeto e intelecto&rdquo; [<I>Sehr wichtig. </I>Edinstvo affektai intellekta], Arquivo familiar) (Vygotsky citado por Zavershneva, 2010b:83) </p> </blockquote>     <p>Complementando essa entrada do arquivo, a autora apresenta outras duas notas: </P >     <blockquote>       <p>&ldquo;NB! AN&rdquo;, Vygotsky escreve sobre Leontiev (o item est&aacute; marcado &ldquo;!!!!!!&rdquo;) que ele &ldquo;olha para tr&aacute;s e n&atilde;o toma um passo decisivo para um novo n&iacute;vel de trabalho &ndash; an&aacute;lise semi&oacute;tica. &ndash; <I>Qual o significado </I>de uma a&ccedil;&atilde;o <I>significante</I>?&rdquo; (Vygotsky citado por Zavershneva, 2010b:89, n. 35) </p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&ldquo;Como inspirar o camarada Leontiev com a luz do problema de consci&ecirc;ncia!&rdquo; (Vygotsky citado por Zavershneva, 2010b:89, n. 37) </p> </blockquote>     <p>A partir das refer&ecirc;ncias acima podemos dizer que a diverg&ecirc;ncia entre os autores se pauta fundamentalmente sob uma dimens&atilde;o metodol&oacute;gica, entretanto, assevera Zavershneva: </P >     <blockquote>       <p>Os argumentos contra Leontiev n&atilde;o iam al&eacute;m do debate cient&iacute;fico. Em nenhum lugar, nem mesmo em notas para si mesmo, n&oacute;s encontramos ataques pessoais sobre Leontiev, embora Vygotsky estivesse definitivamente a come&ccedil;ar a perder a paci&ecirc;ncia. &ldquo;Cada pessoa d&aacute; <I>seu passo </I>independentemente ap&oacute;s partir de um ponto de partida comum. Mas <I>onde </I>&eacute; que ele colocou o p&eacute;?&rdquo; (Zavershneva, 2010b:83) </p> </blockquote>     <p>Mais a frente ela continua </P >     <blockquote>       <p>&Eacute; dif&iacute;cil n&atilde;o perceber que eles estavam falando l&iacute;nguas diferentes. Vygotsky n&atilde;o parecia perceber que, al&eacute;m de argumentos cient&iacute;ficos, o que estava por tr&aacute;s da decis&atilde;o de Leontiev de dissociar-se da investiga&ccedil;&atilde;o sobre a consci&ecirc;ncia foram fatores aparentemente ideol&oacute;gicos. Ao concentrar-se na teoria ideologicamente mais complacente da atividade, A. N. Leontiev sobreviveu no ambiente complexo da &ldquo;ci&ecirc;ncia reprimida&rdquo; (termo de M. G. Yaroshevskii), e mais tarde tornou-se n&atilde;o apenas o criador de um grande movimento, mas tamb&eacute;m o fundador do departamento de psicologia na Universidade Estadual de Moscou. Devemos notar, no entanto, que a psicologia foi principalmente privada de seus trabalhos [de Vigotski] at&eacute; a d&eacute;cada de 1980, enquanto Leontiev assumiu cargos de lideran&ccedil;a na ci&ecirc;ncia sovi&eacute;tica. (Zavershneva, 2010b:83-84) </p> </blockquote>     <p>As cartas nos revelam tamb&eacute;m que, durante as d&eacute;cadas de 1920 e 1930, Vigotski passou por dif&iacute;ceis momentos, que fizeram com que o direcionamento de suas pesquisas ficasse sob influ&ecirc;ncia de v&aacute;rios fatores: as press&otilde;es pol&iacute;ticas do regime ditatorial Stalinista; sua doen&ccedil;a, a tuberculose, a sobrecarga extra de compromissos que se estabelecia (tradu&ccedil;&otilde;es, publica&ccedil;&otilde;es de artigos, pr&oacute;logos de livros, participa&ccedil;&otilde;es em congressos, discuss&otilde;es acad&ecirc;micas entre os grupos etc.). </P >    <p>O trecho da carta para Luria, de 12 de junho de 1931, demonstra bem esse momento o qual Vigotski estava vivendo. Luria e Leontiev haviam se mudado para Karkov, enquanto ele se manteve em Moscou. Ele comenta como a sobrecarga de trabalhos extras estava afetando suas pesquisas cient&iacute;ficas: </P >     <blockquote>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Nosso trabalho vai nem bem, nem mal, &eacute; med&iacute;ocre. Tem sido muito dif&iacute;cil se concentrar depois do que aconteceu (desde a dissolu&ccedil;&atilde;o). Mas estamos trabalhando e vamos completar nossas pequenas tarefas. Levina se contenta em Kursk. Eu ainda estou envolvido com milhares de tarefas mesquinhas. A inutilidade do que fa&ccedil;o muito me aflige. Meu pensamento cient&iacute;fico est&aacute; saindo para o reino da fantasia, e eu n&atilde;o posso pensar nas coisas de uma forma realista at&eacute; o fim. Nada est&aacute; dando certo: eu estou fazendo as coisas erradas, escrevendo as coisas erradas, dizendo que as coisas erradas. Uma reorganiza&ccedil;&atilde;o &eacute; fundamental e desta vez eu irei realiz&aacute;-la. (Vygotsky, 2007:35-36). </p> </blockquote>     <p>Nesta carta, Vigotski vivencia os desdobramentos da dissolu&ccedil;&atilde;o do grupo de seguidores que inclu&iacute;a uma parte do <I>troika </I>(Luria e Leontiev) e uma parte da <I>pyaterka </I>(os cinco) (Zaporozhets e Bozhovich) que foram para Kharkov, ent&atilde;o capital do Ucrania sovi&eacute;tica, para iniciar os trabalhos em uma nova unidade organizacional, o setor de psicologia a Academia de Psiconeurol&oacute;gica Ucraniana (UPNA). </P >     <p>Al&eacute;m disso, a situa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica vivida por Vigotski &eacute; extremamente complexa, conforme podemos observar no seguinte coment&aacute;rio de van der Veer: </P >     <blockquote>       <p>Para ser e permanecer um psic&oacute;logo profissional na Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica dos anos 1920 e 1930 era necess&aacute;ria sorte, flexibilidade e habilidades consider&aacute;veis. Em todos os livros sobre a hist&oacute;ria da psicologia sovi&eacute;tica [...] podemos ler sobre os debates orquestrados que dominou a agenda cient&iacute;fica (por exemplo, no reducionismo, dial&eacute;tica, dualismo, pr&aacute;tica). Psic&oacute;logos individualmente tinham de tomar a posi&ccedil;&atilde;o correta sobre estas quest&otilde;es ou tinha riscos a sofrer as consequ&ecirc;ncias. Em 1930, em particular, a press&atilde;o ideol&oacute;gica se transformou em terror de Estado genu&iacute;no e nenhum estudioso poderia estar certo de que ele ou ela tinha manifestado o e apenas o ponto de vista &ldquo;correto&rdquo; sobre um determinado t&oacute;pico. Infelizmente, os pontos de vista oficiais infal&iacute;veis sobre esses t&oacute;picos se deslocavam repetidamente. &Eacute; por isso que muitos intelectuais estavam preparados para o pior e sempre tinham uma mala pronta, caso da pol&iacute;cia secreta viesse prend&ecirc;-los (eles invariavelmente vinham durante a noite). (van der Veer, 2000:3) </p> </blockquote>     <p>Podemos imaginar que sua situa&ccedil;&atilde;o fica mais tensa na medida em que levamos em considera&ccedil;&atilde;o que, a partir de 1930, os debates em torno das ideias vigotskianas come&ccedil;aram a se tornar p&uacute;blicos, especialmente pela sua vincula&ccedil;&atilde;o com a pedologia<sup><a href="#7">7</a></sup><a name="top7"></a>, motivo de cr&iacute;ticas e questionamentos (algumas destas cr&iacute;ticas foram efetivadas por Abel&rsquo;Skaaiand &amp; Opikhonova, 1932/2000; Feofanov, 1932/2000; Talankin, 1930/2000). </P >    <p>Em 1936, ap&oacute;s a sua morte, sua obra foi recha&ccedil;ada pela intelig&ecirc;ncia sovi&eacute;tica por conta desta vincula&ccedil;&atilde;o, uma vez que os estudos dos ped&oacute;logos se tornaram ideologicamente suspeitos, considerados como uma pseudoci&ecirc;ncia reacion&aacute;ria e burguesa (van der Veer &amp; Valsiner, 1991). O decreto do Comit&ecirc; Central do Partido Comunista da Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica (PCUS), o &ldquo;Decreto da Pedologia&rdquo; de 1936, determinava aboli&ccedil;&atilde;o do ensino da pedologia como ci&ecirc;ncia das academias sovi&eacute;ticas e a censura das obras sobre essa &aacute;rea publicadas at&eacute; julho de 1936 (Teixeira, 2004). </P >    <p>Por&eacute;m, isso n&atilde;o impediu que as pesquisas sobre a psicologia da crian&ccedil;a continuassem avan&ccedil;ando, os cientistas tiveram que criar subterf&uacute;gios de linguagem ou a n&atilde;o divulga&ccedil;&atilde;o, para que pudessem continuar seus trabalhos (cf. Golder citado por Teixeira, 2004). </P >    <p>As obras de Vigotski foram censuradas, em 1936, juntamente aos materiais relacionados &agrave; pedologia. Durante 20 anos suas ideias foram transmitidas oralmente pelos seus disc&iacute;pulos, que as faziam circular clandestinamente. Em 1956, seus textos come&ccedil;aram a ser recuperados, e foram relan&ccedil;ados. </P >    <p>CONSIDERA&Ccedil;&Otilde;ES FINAIS </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Ao longo deste trabalho pudemos confirmar a import&acirc;ncia em levarmos em considera&ccedil;&atilde;o o contexto social e pessoal de Vigotski que termos uma compreens&atilde;o um pouco melhor de seu trabalho na constru&ccedil;&atilde;o de sua teoria. </P >    <p>As informa&ccedil;&otilde;es disponibilizadas em suas cartas nos permitiu retratar Vigotski n&atilde;o como um g&ecirc;nio solit&aacute;rio &agrave; frente de seu tempo e distante da realidade social, n&atilde;o acad&ecirc;mica, mas inscrito em um projeto, pautado no ide&aacute;rio pol&iacute;tico da igualdade, justi&ccedil;a e mudan&ccedil;a social e principalmente, na pr&aacute;tica coletiva do mesmo (Stetsenko, 2004; Stetsenko &amp; Arievitch, 2004). </P >     <p>Elas nos possibilitaram tamb&eacute;m enxergar as v&aacute;rias dimens&otilde;es da vida intelectual de Vigotski, mas, mais ainda, pudemos vislumbrar como essas dimens&otilde;es se mesclam e se movimentam no interior das rela&ccedil;&otilde;es e de sua vida. H&aacute; uma aproxima&ccedil;&atilde;o da dimens&atilde;o profissional e particular; intelectual e emocional, privado e p&uacute;blico; onde podemos perceber que ele estabelecia uma rela&ccedil;&atilde;o de amizade com seus colaboradores de trabalho, eles cresciam juntos, preocupavam-se e incentivavam-se uns aos outros, um grupo articulado em torno de um ide&aacute;rio comum. </P >     <p>Conforme alguns trabalhos nos indicam (Stetsenko 2004; Stetsenko &amp; Arievitch, 2004), podemos considerar que, a pr&aacute;tica profissional desenvolvida pelo grupo de Vigotski, era compat&iacute;vel com ide&aacute;rio marxista: eles viviam e inspiravam-se no esp&iacute;rito comunista em seu cotidiano. Procuravam solu&ccedil;&otilde;es que respondessem as demandas do processo revolucion&aacute;rio, ao mesmo tempo em que se articulavam na cria&ccedil;&atilde;o de uma nova psicologia &ndash; essa era a causa do grupo. </P >    <p>Vigotski demonstra em sua obra ser um homem de imenso conhecimento cultural envolvendose com quest&otilde;es vinculadas &agrave; literatura, ao drama, &agrave;s artes, &agrave; m&uacute;sica etc. Recita passagens de poemas, romances e pe&ccedil;as aos amigos e colaboradores. Tal vincula&ccedil;&atilde;o se apresenta na carta dirigida &agrave; N. G. Morozova, de 07 de abril de 1930, onde ele demonstra solidariedade &agrave; amiga, recitando um trecho de um poema de F. I. Tiutchev, que condiz com o momento dif&iacute;cil ao qual essa est&aacute; passando: </P >     <blockquote>       <p>No pior dos casos, envie um sinal de socorro de r&aacute;dio, como o SOS (Salvem nossas almas) dos navios afundando, e n&oacute;s iremos salvar as vossas almas.&rdquo; </p>       <blockquote>         <p>N&atilde;o importa o qu&atilde;o opressivo</p>         <p>&Eacute; a m&atilde;o do destino,</p>         ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O que pode resistir ao sopro  </p>         <p>E esse primeiro encontro com a primavera... Tiutchev </p>         <p>(Vygotsky, 2007:26-27) </p>   </blockquote> </blockquote>     <p>A an&aacute;lise das cartas nos permitiu vislumbrar uma dimens&atilde;o da vida de Vigotski muito afirmada entre seus comentadores, mas pouco explorada, que est&aacute; relacionada com sua posi&ccedil;&atilde;o humanista diante do mundo. Tal posi&ccedil;&atilde;o &eacute; inerente &agrave; forma como enxergava a vida e na maneira como se relacionava profissional e pessoalmente. Apesar de todas as dificuldades do contexto ao qual estava vivendo, mostrava-se sempre atencioso e preocupado com pessoas em sua volta. Tal forma de ver a vida est&aacute; presente na carta enviada &agrave; R. E. Levina, de 16 de junho de 1931, onde ele aconselha a amiga a enxergar a vida de uma forma mais profunda do que &eacute; expressa no exterior; em continua evolu&ccedil;&atilde;o, dando import&acirc;ncia e a aten&ccedil;&atilde;o &agrave; essa e a obten&ccedil;&atilde;o de uma filosofia para sustent&aacute;-la e base&aacute;-la: </P >     <blockquote>       <p>[...] Voc&ecirc; queria tanto ir a algum lugar onde a pr&oacute;pria vida, n&atilde;o apenas o seu trabalho, seria novo, educacional e revigorante. Mas Kursk n&atilde;o &eacute; ruim. Voc&ecirc; vai em breve ser capaz de abandonar o local, tendo conclu&iacute;do a sua tarefa de trabalho institucional. As coisas que voc&ecirc; escreve sobre o seu trabalho me deram pensamentos tristes sobre o que est&aacute; sendo feito atualmente, onde voc&ecirc; est&aacute;, em nome do desenvolvimento infantil. O problema n&atilde;o &eacute; o afastamento ou o primitivismo, o problema reside na falsidade, na mentira, na obra fraudulenta. Mas isso n&atilde;o &eacute; tudo, &eacute; claro. H&aacute; n&uacute;cleos de honestidade e verdade em qualquer trabalho, e temos de olhar para eles acima de tudo. Esses n&uacute;cleos tamb&eacute;m est&atilde;o, sem d&uacute;vida, presentes em seu trabalho em Kursk. Al&eacute;m disso, &eacute;, naturalmente, necess&aacute;rio prosseguir a pesquisa que ir&aacute; nutri-l&aacute; e instru&iacute;-la, e dar-lhe alguma coisa para viver e respirar, e que seria necess&aacute;rio objectivamente, isto &eacute;, que levar&aacute; a verdade. </p>       <p>[...] Sobre os problemas internos e dificuldades da vida. Acabei de reler (quase que por acidente) &ldquo;Tri goda&rdquo; [ThreeYears] do Chekhov. Voc&ecirc; deve l&ecirc;-lo tamb&eacute;m. Essa &eacute; a vida. Ela &eacute; mais profunda e mais ampla do que sua express&atilde;o exterior. Tudo sobre ela est&aacute; em evolu&ccedil;&atilde;o. Tudo evolui. A coisa mais importante, agora e sempre, n&atilde;o &eacute; equacionar a vida com a sua express&atilde;o externa, ponto final. Ent&atilde;o, quando voc&ecirc; presta aten&ccedil;&atilde;o a vida (e esta &eacute; a virtude mais importante, uma atitude um tanto passiva em primeiro lugar), voc&ecirc; ir&aacute; encontrar dentro de si mesmo, fora de si mesmo e em todas as coisas de tal maneira que nenhum de n&oacute;s poderia cont&ecirc;lo dentro de n&oacute;s mesmos. &Eacute;, naturalmente, imposs&iacute;vel viver sem ter um conceito de vida em um sentido intelectual. Sem a filosofia (uma filosofia pessoal de vida) pode haver o niilismo, o cinismo, o suic&iacute;dio, mas n&atilde;o a vida. Mas o fato &eacute; que todo mundo tem uma filosofia. (Vygotsky, 2007:37-38) </p> </blockquote>     <p>A tarefa de reconstruir o escopo da hist&oacute;ria da psicologia s&oacute;cio hist&oacute;rica cultural ainda est&aacute; aberta. O artigo que aqui se encerra nos proporcionou um vislumbre sobre essa hist&oacute;ria, que nos mostrou que sua teoria est&aacute; estreitamente relacionada com o trabalho colaborativo que Vigotski exercitou com seus companheiros &ndash; pessoas com grandes qualidades, que juntas compartilhavam um caminho comum, seja no campo profissional como no campo pessoal &ndash; projeto que se refletia tanto no modo como compreendiam a psicologia como em suas vidas. </P >    <p>Nesse sentido, concordamos com Souza Jr., Cirino e Gomes (2010) quando enfatizam a necessidade de aprofundarmos a an&aacute;lise hist&oacute;rica do processo de constru&ccedil;&atilde;o da obra do autor bielo-russo, o que pode competir para o incremento da compreens&atilde;o atual do seu pensamento, al&eacute;m de auxiliar no desenvolvimento de aplica&ccedil;&otilde;es mais alinhadas com os significados originais da produ&ccedil;&atilde;o intelectual vigotskiana. </P >     <p>&nbsp;</P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>REFER&Ecirc;NCIAS </P >     <p>Abel&rsquo;Skaaiand, R., &amp; Opikhonova, I. S. (1932/2000). The problem of development in german psychology and its influence on soviet pedology and psychology. <I>Journal of Russian and East European Psychology, 38</I>(6), 31-44. </P >     <!-- ref --><p>Akhutina, T. V. (2003). L. S. Vygotsky and A. R. Luria: Foundations of neuropsychology. <I>Journal of Russian and East European</I>, <I>41</I>(3/4), 159-190.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000175&pid=S0870-8231201300010000500002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Bakhurst, D. (1991). <I>Consciousness and revolution in soviet philosophy: From the bolsheviks to Evald Ilyenkov</I>. Cambridge: Cambridge University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000177&pid=S0870-8231201300010000500003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Farr, R. M. (2002). <I>As ra&iacute;zes da psicologia social moderna (1872-1954) </I>(5&ordf; ed.). Petr&oacute;polis: Vozes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000179&pid=S0870-8231201300010000500004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Feofanov, M. P. (1932/2000). The theory of cultural development in pedology as an eclectic conception with basically idealist roots. <I>Journal of Russian and East European Psychology</I><I>, 38</I>(6), 12-30.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000181&pid=S0870-8231201300010000500005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Koshmanova, T. S. (2007). Vygotskian scholars: Visions and implementation of cultural-historical theory. <I>Journal of Russian and East European Psychology</I>, <I>45</I>(2), 61-95.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000183&pid=S0870-8231201300010000500006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <p>Leontiev, A. N. (1991). Art&iacute;culo de introducci&oacute;n sobre la labor creadora de L. S. Vygotski. In Lev S. Vygotski (Ed.), <I>Obras escogidas &ndash; Tomo I </I>(pp. 417-449). Madrid: Visor Aprendizaje/Ministerio de Educaci&oacute;n y Ciencia. </P >     <!-- ref --><p>Luria, A. R. (1976). <I>Cognitive development its cultural and social foundations</I>. Cambridge (MA): Harvard University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000186&pid=S0870-8231201300010000500008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Luria, A. R. (1979). <I>The making of mind</I>. Cambridge (MA): Harvard University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000188&pid=S0870-8231201300010000500009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Mainardes, J., &amp; Pino, A. (2000). Publica&ccedil;&otilde;es brasileiras na perspectiva vigotskiana. <I>Educa&ccedil;&atilde;o &amp; Sociedade</I>, <I>XXI</I>(71), 255-269.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000190&pid=S0870-8231201300010000500010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Martins, J. B. (2010). A import&acirc;ncia do livro Psicologia Pedag&oacute;gica para a teoria hist&oacute;rico-cultural de Vigotski. <I>An&aacute;lise Psicol&oacute;gica, 28</I>(2), 343-357.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000192&pid=S0870-8231201300010000500011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <p>Minick, N. (1987). The development of Vygotsky&rsquo;s thought: An introduction. In R. W. Rieber &amp; A. S. Carton (Eds.), <I>The collected works of L. S. Vygotsky &ndash; Vol. 1 </I>(pp. 17-36). New York: Plenun. </P >    <p>Puzyrei, A. A. (2007). Compiler&rsquo;s Notes. <I>Journal of Russian and East European</I>, <I>45</I>(2), 12-15. </P >    <!-- ref --><p>Rey, F. L. G. (2007). Social and individual subjectivity from an historical cultural stanpoint. <I>Outlines. Critical Practice Studies</I>, <I>2</I>, 3-14.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000196&pid=S0870-8231201300010000500014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <p>Schneuwly, B., &amp; Leopoldoff-Martin, I. (2011). Vygotsky&rsquo;s &ldquo;Lectures and articles on pedology&rdquo; &ndash; An interpretative adventure. <I>T&auml;tigkeitstheorie, 4, </I>37-52. </P >    <!-- ref --><p>Shuare, M. (1990). La psicolog&iacute;a sovi&eacute;tica tal como yo la veo. Moscou: Progress.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000199&pid=S0870-8231201300010000500016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Souza Jr., E. J., Cirino, S. D., &amp; Gomes, M. F. C. (2010). A constru&ccedil;&atilde;o do legado de Lev Vigotski: A necessidade de discuss&otilde;es hist&oacute;ricas. <I>Memorandum, 18</I>, 118-129.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000201&pid=S0870-8231201300010000500017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Stetsenko, A. (2004). Introduction to &ldquo;Tool and sign in the development of the child.&rdquo; In R. Rieber &amp; D. Robinson (Eds.), <I>The essential Vygotsky </I>(pp. 501-512). New York: Kluwer Academic/Plenum. </P >     <!-- ref --><p>Stetsenko, A., &amp; Arievitch, I. M. (2004). Vygotskian collaborative project of social transformation History, politics, and practice in knowledge construction. <I>International Journal of Critical Psychology</I>, <I>12</I>(4), 58-80.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000204&pid=S0870-8231201300010000500019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <p>Talankin, A. A. (1930/2000). III &ndash; On the Vygotsky and Luria group. <I>Journal of Russian and East European </I><I>Psychology, 38</I>(6), 10-11. </P >     <!-- ref --><p>Teixeira, E. S. (2004). Censura imposta a Vigotski e seus colegas na Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica entre 1936 e 1956: O decreto da pedologia. <I>Revista Cient&iacute;fica in Pauta</I>, <I>II</I>, 222-244.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000207&pid=S0870-8231201300010000500021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <!-- ref --><p>Tunes, E., &amp; Prestes, Z. (2009). Vigotski e Leontiev: Resson&acirc;ncias de um passado. <I>Cadernos de Pesquisa</I>, <I>39</I>(136), 285-314 </P >     &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000209&pid=S0870-8231201300010000500022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>van der Veer, R. (2000). Editor&rsquo;s introduction &ndash; Criticizing Vygotsky. <I>Journal of Russian and East European </I><I>Psychology</I>, <I>38</I>(6), 3-9. </P >     <!-- ref --><p>van der Veer, R., &amp; Valsiner, J. (1991). <I>Understanding Vygotsky: A quest for synthesis</I>. Cambridge: Blackwell.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000211&pid=S0870-8231201300010000500024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>van der Veer, R., &amp; Zavershneva, E. I. (2011). To Moscow with love: Partial reconstruction of Vygotsky&rsquo;s trip to London. <I>Integrative Psychological and Behavioral Science</I>, <I>45</I>(4),458-474. </P >     <p>Vygotski, L. S. (1926/1997). Sobre el art&iacute;culo de K. Koffka &ldquo;La introspecci&oacute;n y el m&eacute;todo de la psicolog&iacute;a&rdquo;. A modo de introducci&oacute;n. In L. S. Vygotski. <I>Obras Escogidas. Vol. 1. </I>(pp. 61-64). Madrid: Visor Aprendizaje/Ministerio de Educaci&oacute;n y Ciencia. </P >     <!-- ref --><p>Vigotski, L. S. (1926/2004). <I>Psicologia pedag&oacute;gica</I>. S&atilde;o Paulo: Martins Fontes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000215&pid=S0870-8231201300010000500027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <!-- ref --><p>Vigotski, L. S. (1927/2004). O significado hist&oacute;rico da crise da psicologia. Uma investiga&ccedil;&atilde;o metodol&oacute;gica. <I>Teoria e m&eacute;todo em psicologia </I>(3rd ed., pp. 201-417). S&atilde;o Paulo: Martins Fontes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000217&pid=S0870-8231201300010000500028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <!-- ref --><p>Vigotski, L. S. (1930/2004). Sobre os sistema psicol&oacute;gicos. <I>Teoria e m&eacute;todo em psicologia </I>(pp. 103-135). S&atilde;o Paulo: Martins Fontes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000219&pid=S0870-8231201300010000500029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Vygotsky, L. S. (1930/1994). The socialist alteration of man. In R. van der Veer &amp; J. Valsiner (Eds). <I>Vygotsky </I><I>Reader </I>(pp. 175-184). New York: Blackwell.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000221&pid=S0870-8231201300010000500030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Vygotsky, L. S. (2007). In memory of L. S. Vygotsky (1896-1934) &ndash; L. S. Vygotsky: Letters to students and colleagues. <I>Journal of Russian and East European Psychology</I>, <I>45</I>(2), 11-60. </P >    <!-- ref --><p>Vygotsky, L. S., &amp; Luria, A. R. (1930/1994). Tool and symbol in child development. In R. van der Veer &amp; J. Valsiner (Eds). <I>Vygotsky Reader </I>(pp. 99-175). Oxford: Blackwell.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000224&pid=S0870-8231201300010000500032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Vygotsky, L. S., &amp; Luria, A. R. (1930/1996). <I>Estudos sobre a hist&oacute;ria do comportamento: O macaco, o primitivo </I><I>e a crian&ccedil;a</I>. Porto Alegre: Artmed.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000226&pid=S0870-8231201300010000500033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <!-- ref --><p>Wertsch, J. V. (1988). <I>Vygotsky y la formaci&oacute;n social de la mente</I>. Barcelona: Paid&oacute;s.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000228&pid=S0870-8231201300010000500034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Yasnitsky, A. (2009). <I>Vygotsky cir</I><I>cle during the decade of 1931-1941: Toward an integrative science of mind, </I><I>brain, and education</I>. <I>Learning</I>. University of Toronto.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000230&pid=S0870-8231201300010000500035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <p>Yasnitsky, A. (2010). Guest Editor&rsquo;s Introduction &ndash; &ldquo;Archival Revolution&rdquo; in vygotskian studies? Uncovering Vygotsky&rsquo;s archives. <I>Journal of Russian and East European Psychology</I>, <I>48</I>(1), 3-13. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Yasnitsky, A. (2011). Vygotsky circle as a personal network of scholars: Restoring connections between people and ideas. <I>Integrative Psychological &amp; Behavioral Science</I>, <I>45</I>(4), 422-57.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000233&pid=S0870-8231201300010000500037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Zavershneva, E. I. (2010a). The Vygotsky family archive: New findings notebooks, notes and scientific journals of L. S. Vygotsky (1912-1934). <I>Journal of Russian and East European Psychology</I>, <I>48</I>(1), 34-60.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000235&pid=S0870-8231201300010000500038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <p>Zavershneva, E. I. (2010b). &ldquo;The Way to Freedom&rdquo; (on the publication of documents from the family archive of Lev Vygotsky). <I>Journal of Russian and East European Psychology</I>, <I>48</I>(1), 61-90. </P >    <!-- ref --><p>Zavershneva, E. I. (2010c). The Vygotsky family archive (1912-1934) new findings. <I>Journal of Russian and East European Psychology</I>, <I>48</I>(1), 14-33.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000238&pid=S0870-8231201300010000500040&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <p>&nbsp;</P >     <p><a name="0"></a><a href="#top0">Correspond&ecirc;ncia</a></P >     <p>A correspond&ecirc;ncia relativa a este artigo dever&aacute; ser enviada para: Jo&atilde;o Batista Martins. Departamento de Psicologia Social e Institucional, Universidade Estadual de Londrina, Caixa Postal 6001, Campus Universit&aacute;rio, Londrina, Paran&aacute;, Brasil, CEP 86000-000. E-mail: <a href="mailto:jbmartin@sercomtel.com.br">jbmartin@sercomtel.com.br</a></P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</P >     <p>NOTAS</P >     <p><Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup> Yasnitsky (2010) localiza os trabalho de Zavershneva em torno da discuss&atilde;o do que tem sido denominada de &ldquo;Archival Revolution&rdquo;. </P >     <p><sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></sup> Ver tamb&eacute;m Mainardes e Pino (2000) para uma an&aacute;lise da situa&ccedil;&atilde;o das apropria&ccedil;&otilde;es brasileiras da obra de Vigotski. </P >     <p><sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></sup> Yasnitsky (2009), problematiza a organiza&ccedil;&atilde;o do grupo Vygotsky-Luria-Leontiev, descontruindo essa articula&ccedil;&atilde;o. </p>     <p><Sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></Sup> Esta mesma avalia&ccedil;&atilde;o encontramos em Leontiev, 1991. </P >     <p><Sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></Sup> Na carta de Vigotski para Luria de 26 de julho de 1927 ele afirma: &ldquo;O &uacute;nico coment&aacute;rio s&eacute;rio &eacute; que todos devem trabalhar em seu campo de acordo com o m&eacute;todo instrumental. Estou investindo todo o resto de minha vida e toda minha energia nisso&rdquo; (Vygotsky, 2007:20) </P >     <p><Sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></Sup> Ver o texto de Tunes e Prestes (2009), onde defendem a ideia de que n&atilde;o houve uma ruptura entre as ideias de Vigotski e Leontiev. </P >     <p><Sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></Sup> Sobre o envolvimento de Vigotski com este campo de pesquisa, ver Schneuwly e Leopoldoff-Martin (2011).</P >      ]]></body><back>
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