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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The adolescence is the moment when arises the need to construct an identity that allows the person a productive relationship with the world (Erikson, 1968; Habermas & Bluck, 2000; McAdams, 2001). McAdams refers to the process of identity construction as the development of a sense of unity and purpose given the demands of the world and society. It is a process in which young people reorganize and reconstruct their life story to produce a coherent autobiographical narrative. This work investigates, through a case study, the construction of a life narrative in a young adult that have been adopted in childhood. The aim of the study is searching for the narrative construction of the identity in an adopted person. We want to know how the motive of the adoption appears in the narrative of a life story and its function on the construction of the narrative self. We have been interviewing a man in 22 years old with the Life Story Elicitation Interview Protocol (Gonçalves, Henriques, & Vieira, 2010). The interview was submitted to a structure process and content descriptive analysis, based on the systems of Gonçalves and col. (Gonçalves, Henriques, Alves, & Soares, 2002; Gonçalves, Henriques, & Cardoso, 2006; Gonçalves, Henriques, Alves, & Rocha, 2006; Gonçalves, Henriques, Soares, & Monteiro, 2006) on the tridimensional system of global coherence of life narratives (Habermas & Diel, 2005; Habermas & de Silveira, 2008; Habermas, Ehlert-Lerche, de Silveira, 2009) and in the analysis of the multiplicity of imagoes, characters and voices of the narrative speech (Hermans, 2008; Hermans & Kampen, 1993; McAdams, 1993).]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <P   ><B>A constru&ccedil;&atilde;o narrativa da identidade em jovens adotados: O caso Beno</B> </P >     <p><b>Andr&eacute; Guirland Vieira<Sup>*</Sup>; Margarida Rangel Henriques<Sup>* </Sup></b></P >     <p><Sup>* </Sup>FPCE, Universidade do Porto </P >    <p><a name="top0"></a><a href="#0">Correspond&ecirc;ncia</a></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><b>RESUMO</b></P>     <p>A adolesc&ecirc;ncia &eacute; o momento em que surge a necessidade de constru&ccedil;&atilde;o de uma identidade que permita &agrave; pessoa uma rela&ccedil;&atilde;o produtiva com o mundo (Erikson, 1968; Habermas &amp; Bluck, 2000; McAdams, 2001). McAdams refere-se ao processo de constru&ccedil;&atilde;o da identidade como o de desenvolvimento de um sentido de unidade e de prop&oacute;sito diante das demandas do mundo e da sociedade, no qual os jovens organizam sua hist&oacute;ria de vida a fim de produzir uma narrativa autobiogr&aacute;fica coerente. O presente trabalho investiga, atrav&eacute;s de um estudo de caso, a elabora&ccedil;&atilde;o de uma narrativa de vida com a finalidade de buscar ali a constru&ccedil;&atilde;o narrativa da identidade da pessoa adotada. Interessa-nos investigar como aparece a quest&atilde;o da ado&ccedil;&atilde;o na narrativa de vida e qual seu papel na constru&ccedil;&atilde;o do self narrativo. Foi entrevistado um jovem de 22 anos de idade com a Entrevista de Elicita&ccedil;&atilde;o de Hist&oacute;rias de Vida (Gon&ccedil;alves, Henriques, &amp; Vieira, 2010). A narrativa foi submetida a uma an&aacute;lise descritiva de estrutura, processo e conte&uacute;do, baseada nos sistemas de Gon&ccedil;alves e colaboradores (Gon&ccedil;alves, Henriques, Alves, &amp; Soares, 2002; Gon&ccedil;alves, Henriques, &amp; Cardoso, 2006; Gon&ccedil;alves, Henriques, Alves, &amp; Rocha, 2006; Gon&ccedil;alves, Henriques, Soares, &amp; Monteiro, 2006); no modelo tridimensional de coer&ecirc;ncia global de narrativas de vida (Habermas &amp; Diel, 2005; Habermas &amp; de Silveira, 2008; Habermas, Ehlert-Lerche, de Silveira, 2009); e na an&aacute;lise da multiplicidade de imagos, caracteres e vozes do discurso narrativo (Hermans, 2008; Hermans &amp; Kampen, 1993; McAdams, 1993). </P >    <p><B>Palavras-chave: </B>Adolesc&ecirc;ncia, Ado&ccedil;&atilde;o, Hist&oacute;rias de vida; Identidade, Narrativa. </P >     <p>&nbsp;</P >     <p><b>ABSTRACT</b></P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>The adolescence is the moment when arises the need to construct an identity that allows the person a productive relationship with the world (Erikson, 1968; Habermas &amp; Bluck, 2000; McAdams, 2001). McAdams refers to the process of identity construction as the development of a sense of unity and purpose given the demands of the world and society. It is a process in which young people reorganize and reconstruct their life story to produce a coherent autobiographical narrative. This work investigates, through a case study, the construction of a life narrative in a young adult that have been adopted in childhood. The aim of the study is searching for the narrative construction of the identity in an adopted person. We want to know how the motive of the adoption appears in the narrative of a life story and its function on the construction of the narrative self. We have been interviewing a man in 22 years old with the Life Story Elicitation Interview Protocol (Gon&ccedil;alves, Henriques, &amp; Vieira, 2010). The interview was submitted to a structure process and content descriptive analysis, based on the systems of Gon&ccedil;alves and col. (Gon&ccedil;alves, Henriques, Alves, &amp; Soares, 2002; Gon&ccedil;alves, Henriques, &amp; Cardoso, 2006; Gon&ccedil;alves, Henriques, Alves, &amp; Rocha, 2006; Gon&ccedil;alves, Henriques, Soares, &amp; Monteiro, 2006) on the tridimensional system of global coherence of life narratives (Habermas &amp; Diel, 2005; Habermas &amp; de Silveira, 2008; Habermas, Ehlert-Lerche, de Silveira, 2009) and in the analysis of the multiplicity of imagoes, characters and voices of the narrative speech (Hermans, 2008; Hermans &amp; Kampen, 1993; McAdams, 1993). </P >     <p><B>Key-words: </B>Adolescence, Adoption, Identity, Life stories, Narrative. </P >     <p>&nbsp;</P >     <p>ADOLESC&Ecirc;NCIA, ADO&Ccedil;&Atilde;O E IDENTIDADE </P >    <p>A adolesc&ecirc;ncia &eacute; o momento em que surge a necessidade de constru&ccedil;&atilde;o de uma identidade que permita &agrave; pessoa uma rela&ccedil;&atilde;o produtiva com o mundo (Erikson, 1968; McAdams, 2001; Habermas &amp; Bluck, 2000). &Eacute; tamb&eacute;m o momento em que as pessoas re&uacute;nem condi&ccedil;&otilde;es sociocognitivas para a constru&ccedil;&atilde;o de narrativas autobiogr&aacute;ficas coerentes (Fivush &amp; Buckner, 1998; Fivush &amp; Haden, 2003; Fivush &amp; Baker-Ward, 2005; Fivush, 2008; McAdams, 1985; Habermas &amp; Bluck, 2000). McAdams (2001) refere-se ao processo de constru&ccedil;&atilde;o da identidade como o de desenvolvimento de um sentido de unidade e de prop&oacute;sito diante das demandas do mundo e da sociedade. Um processo no qual os jovens reorganizam e reconstroem sua hist&oacute;ria de vida a fim de produzir uma narrativa autobiogr&aacute;fica. A forma&ccedil;&atilde;o de uma identidade narrativa envolve a constru&ccedil;&atilde;o de hist&oacute;rias coerentes, com a finalidade de criar e comunicar um sentido de identidade e de significado (Reese, Yan, Jack, &amp; Hayne, 2010). </P >     <p>Na adolesc&ecirc;ncia as pessoas, em nossa sociedade moderna, iniciam um processo de revis&atilde;o do passado, compreens&atilde;o do presente e planifica&ccedil;&atilde;o do futuro a partir da elabora&ccedil;&atilde;o de narrativas acerca de si mesmas, as quais t&ecirc;m uma fun&ccedil;&atilde;o de construir um m&iacute;nimo de unidade e de prop&oacute;sito a suas pr&oacute;prias vidas e ao mundo. As hist&oacute;rias de vida s&atilde;o co constru&iacute;das com as outras pessoas que vivem com aquela que as elaborou, bem como com o contexto sociocultural no qual elas vivem. Essas hist&oacute;rias situadas, para utilizar o termo cunhado por McLean, Pasupathi e Pals (2007), s&atilde;o, segundo McAdams (2001), n&atilde;o apenas o que constroem e mant&eacute;m, mas tamb&eacute;m a pr&oacute;pria forma da identidade de seu autor. Tais narrativas t&ecirc;m a fun&ccedil;&atilde;o de construir uma configura&ccedil;&atilde;o integrativa do self no mundo adulto. Elas t&ecirc;m a capacidade de integrar diacronicamente os diferentes epis&oacute;dios e situa&ccedil;&otilde;es de vida ao longo dos anos em hist&oacute;rias carregadas de sentido. Elas t&ecirc;m tamb&eacute;m a capacidade de organizar as cren&ccedil;as e posicionamentos diante da vida em termos de um processo de mudan&ccedil;a e transforma&ccedil;&atilde;o: antes pensava e agia de tal modo, enquanto hoje penso e ajo diferente. As hist&oacute;rias de vida t&ecirc;m tamb&eacute;m uma fun&ccedil;&atilde;o de integra&ccedil;&atilde;o sincr&ocirc;nica, organizando os diferentes pap&eacute;is sociais, as diversas formas de relacionamento e os sentimentos e pensamentos associados, de maneira que eles possam ser vistos e entendidos como partes da mesma configura&ccedil;&atilde;o do pr&oacute;prio self. </P >    <p>Os jovens que foram adotados defrontam-se com o desafio de desenvolver um sentido de self como pessoas adotadas (Grotevant, 1997; Von Korff, 2008; Von Korff &amp; Grotevant, 2011). Von Korff e Grotevant (2011) referem-se a esse processo de desenvolvimento como o da forma&ccedil;&atilde;o de uma identidade de (ser) adotado. Durante a adolesc&ecirc;ncia os jovens come&ccedil;am a refletir sobre o significado de ser adotado e a integrar suas reflex&otilde;es e experi&ecirc;ncias em uma identidade narrativa significativa e coerente. Segundo Von Korff e Grotevant, a identidade narrativa de ser adotado &eacute; constru&iacute;da quando os jovens come&ccedil;am a refletir sobre o significado de terem crescido cuidados por fam&iacute;lias adotivas, enquanto permanecem geneticamente relacionados &agrave;s fam&iacute;lias biol&oacute;gicas. Ela surge no momento em que esses jovens conseguem lidar com essas quest&otilde;es, organizando lealdades em rela&ccedil;&atilde;o a suas fam&iacute;lias e respondendo &agrave;s demandas sociais, atrav&eacute;s da perce&ccedil;&atilde;o dos outros em rela&ccedil;&atilde;o a terem sido adotados. </P >    <p>Carsten (2000) e Yngvesson (2007) mostram, a partir de estudos etnogr&aacute;ficos, que a identidade narrativa de jovens adultos adotados &eacute; marcada pelo sentimento de uma rutura com o passado. Esta rutura provoca nessas pessoas o movimento de busca que Carsten chamou de &lsquo;knowing where you&rsquo;ve come from&rsquo;. Atrav&eacute;s da procura dos pais biol&oacute;gicos os adotados procuram recuperar um sentido perdido de continuidade entre o passado, o presente e o futuro. Yngvesson mostra o car&aacute;ter cultural desta rutura, sedimentada tanto na legisla&ccedil;&atilde;o sobre ado&ccedil;&atilde;o internacional, como nas nacionais, nas quais o processo de ado&ccedil;&atilde;o envolve simultaneamente a integra&ccedil;&atilde;o total na fam&iacute;lia adotiva e o corte de la&ccedil;os com a fam&iacute;lia biol&oacute;gica. O apagamento do parentesco biogen&eacute;tico e a constru&ccedil;&atilde;o de uma fam&iacute;lia adotiva em seu lugar produzem uma fam&iacute;lia &lsquo;as-if&rsquo;, como se fosse biogen&eacute;tica. No caso do grupo estudado por Yngvesson, que envolve pessoas de origem latina e africana adotadas quando crian&ccedil;as por fam&iacute;lias suecas, a quest&atilde;o da constru&ccedil;&atilde;o da identidade radicaliza-se, tornando-se um fen&ocirc;meno sociocultural. </P >     <p>Estes estudos poderiam sugerir que haveria uma dificuldade na constru&ccedil;&atilde;o de uma identidade narrativa em jovens adotados, j&aacute; que parece haver uma rutura que impede a constru&ccedil;&atilde;o de uma narrativa autobiogr&aacute;fica que integre os elementos hist&oacute;ricos desde o nascimento at&eacute; a atualidade. Entretanto, Ramalho, Henriques, Baptista e Martins (2010) em um estudo da produ&ccedil;&atilde;o autobiogr&aacute;fica de adolescentes adotados e n&atilde;o adotados, mostram uma maior compet&ecirc;ncia narrativa em adolescentes adotados, quando comparados a n&atilde;o adotados, no que se refere &agrave; coer&ecirc;ncia da narrativa autobiogr&aacute;fica. Sendo a coer&ecirc;ncia narrativa um elemento chave na defini&ccedil;&atilde;o da identidade narrativa, tal estudo lan&ccedil;a uma d&uacute;vida em rela&ccedil;&atilde;o a proposi&ccedil;&atilde;o da dificuldade. Talvez o que tenhamos aqui sejam duas formas ou modelos diferentes de constru&ccedil;&atilde;o narrativa da identidade e de si mesmo. </P >     <p>OBJETIVO</B>S  </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O presente trabalho tem como objetivo investigar a elabora&ccedil;&atilde;o de uma narrativa de vida por um jovem adulto, buscando ali a constru&ccedil;&atilde;o narrativa da identidade. Interessa-nos investigar como aparece a quest&atilde;o da ado&ccedil;&atilde;o na narrativa de vida e qual seu papel na constru&ccedil;&atilde;o do self narrativo. Como segundo objetivo, temos a experimenta&ccedil;&atilde;o do Sistema de Avalia&ccedil;&atilde;o da Matriz Narrativa de Gon&ccedil;alves et al. (Gon&ccedil;alves, Henriques, &amp; Cardoso, 2006; Gon&ccedil;alves, Henriques, Alves, &amp; Rocha, 2006; Gon&ccedil;alves, Henriques, Soares, &amp; Monteiro, 2006) como metodologia de an&aacute;lise descritiva da narrativa, na qual os elementos da Estrutura, Processo e Conte&uacute;do narrativo sejam trabalhados no sentido de obtermos uma compreens&atilde;o n&atilde;o apenas da organiza&ccedil;&atilde;o narrativa da autobiografia, como tamb&eacute;m de seu conte&uacute;do sem&acirc;ntico. </P >    <p>M&Eacute;TODO </P >    <p><I>Desenho do estudo </I></P >    <p>Foi constru&iacute;do um estudo de caso (Yin, 2001) a partir de uma entrevista individual com um jovem de 22 anos do sexo masculino com hist&oacute;ria de ter sido adotado na inf&acirc;ncia. O sujeito foi entrevistado a partir da Entrevista de Elicia&ccedil;&atilde;o de Narrativas de Vida (Gon&ccedil;alves, Henriques, &amp; Vieira, 2010). A fam&iacute;lia foi contatada pelo investigador e convidada a participar do estudo. O projeto de investiga&ccedil;&atilde;o foi apresentado e s&oacute; ent&atilde;o o sujeito foi convidado a participar de uma entrevista individual, na qual foi aplicado o protocolo de Entrevista de Elicia&ccedil;&atilde;o de Narrativa de Vida. As entrevistas foram gravadas para uma posterior transcri&ccedil;&atilde;o. </P >    <p><I>An&aacute;lise dos dados </I></P >    <p>Ap&oacute;s a transcri&ccedil;&atilde;o, a narrativa de vida foi dividida em sequ&ecirc;ncias narrativas, segundo o modelo de Adam (1985). Em cada sequ&ecirc;ncia narrativa foi identificado e descrito o tema organizador da sequ&ecirc;ncia; os personagens; o car&aacute;ter dos personagens; o(s) cen&aacute;rio(s); a a&ccedil;&atilde;o em seus elementos de orienta&ccedil;&atilde;o, a&ccedil;&atilde;o propriamente dita e avalia&ccedil;&atilde;o; e, por fim, os elementos do processo narrativo. Em seguida foram estabelecidos os percursos narrativos dos temas, dos personagens, dos cen&aacute;rios, da orienta&ccedil;&atilde;o, a&ccedil;&atilde;o, avalia&ccedil;&atilde;o e dos elementos do processo narrativo ao longo das sequ&ecirc;ncias narrativas. </P >    <p>O passo seguinte foi o estabelecimento da organiza&ccedil;&atilde;o l&oacute;gico cronol&oacute;gica da narrativa e a identifica&ccedil;&atilde;o dos epis&oacute;dios definidos ao longo da hist&oacute;ria. A narrativa de vida foi, ent&atilde;o, submetida a uma an&aacute;lise descritiva da estrutura, processo e conte&uacute;do, baseada nos sistemas de Gon&ccedil;alves, Henriques e Cardoso (2006); Gon&ccedil;alves, Henriques, Alves e Rocha (2006); Gon&ccedil;alves, Henriques, Soares e Monteiro (2006); e Gon&ccedil;alves, Henriques, Alves e Soares (2002). </P >    <p>A narrativa foi tamb&eacute;m analisada segundo o modelo tridimensional de coer&ecirc;ncia global de narrativas de vida de Habermas e Diel (2005); Habermas e de Silveira (2008); e Habermas, Ehlert-Lerche e de Silveira (2009). Foi tamb&eacute;m observada a rela&ccedil;&atilde;o dial&oacute;gica entre as posi&ccedil;&otilde;es do eu e dos outros tal como o proposto por Fivush (2008). Foram consideradas na an&aacute;lise da identidade narrativa as rela&ccedil;&otilde;es do eu narrador com os modelos culturais, tanto por identifica&ccedil;&atilde;o como por oposi&ccedil;&atilde;o (Adler &amp; McAdams, 2007; Fivush, 2008; Habermas, 2007). </P >    <p>A multiplicidade de caracteres, imagos ou vozes do discurso narrativo foi analisada descritivamente segundo os constructos de McAdams (1993); Hermans e Kampen (1993); Salgado (2003); Salgado e Hermans (2005); e Hermans (2008). Entendemos a partir destes que a multivocalidade &eacute; constru&iacute;da na rela&ccedil;&atilde;o com o outro. Isto quer dizer que qualquer ato lingu&iacute;stico cont&eacute;m uma dupla voz: a do sujeito que fala e a do sujeito a quem se fala (interlocutor), de maneira que uma enuncia&ccedil;&atilde;o do eu &eacute; sempre uma resposta &agrave; indaga&ccedil;&atilde;o de outro. Assim, o eu se define em rela&ccedil;&atilde;o a esse outro, seja por identifica&ccedil;&atilde;o, oposi&ccedil;&atilde;o ou por uma rela&ccedil;&atilde;o dial&eacute;tica, na qual identidade e oposi&ccedil;&atilde;o s&atilde;o transformadas em rela&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica. A an&aacute;lise da identidade narrativa nas autobiografias seguiu, portanto, uma perspetiva temporal e uma espacial (Hermans, 2001). A perspetiva espacial construiu-se na an&aacute;lise das vozes, caracteres/imagos, personagens e cen&aacute;rios nos quais a hist&oacute;ria desenrolou-se. Na perspetiva temporal, tivemos a organiza&ccedil;&atilde;o estrutural e sua coer&ecirc;ncia e a evolu&ccedil;&atilde;o ao longo da hist&oacute;ria do conte&uacute;do narrativo (personagens, cen&aacute;rios, a&ccedil;&otilde;es e temas) e dos elementos do processo narrativo (objetiva&ccedil;&otilde;es, subjetiva&ccedil;&otilde;es e metaforiza&ccedil;&otilde;es). </P >    <p>Seguindo a proposi&ccedil;&atilde;o de Baerger e McAdams (1999) e Adler, Wagner e McAdams (2007), segundo a qual uma narrativa autobiogr&aacute;fica coerente est&aacute; relacionada tanto ao bem-estar como a uma abertura a novas experi&ecirc;ncias e &agrave; capacidade pessoal para desenvolver-se, Gon&ccedil;alves et al. (Gon&ccedil;alves, Henriques, &amp; Cardoso, 2006; Gon&ccedil;alves, Henriques, Alves, &amp; Rocha, 2006; Gon&ccedil;alves, Henriques, Soares, &amp; Monteiro, 2006) e Habermas, Ehlert-Lerche e de Silveira (2009) tamb&eacute;m apontam para um paralelismo entre a organiza&ccedil;&atilde;o das narrativas de vida e os processos cognitivos e emocionais envolvidos em sua constru&ccedil;&atilde;o. Deste modo, uma coer&ecirc;ncia temporal &eacute; capaz de localizar um determinado evento no contexto de uma vida individual, assim como uma coer&ecirc;ncia causal situa o indiv&iacute;duo ao longo de seu desenvolvimento, construindo uma tomada de consci&ecirc;ncia acerca das causas e consequ&ecirc;ncias de suas a&ccedil;&otilde;es. Uma consci&ecirc;ncia causal dos motivos que o levaram a agir tamb&eacute;m &eacute; capaz de produzir um sentido de continuidade nas mudan&ccedil;as ocorridas ao longo da vida. Uma coer&ecirc;ncia tem&aacute;tica &eacute; criada a partir de uma clareza sobre o que permanece est&aacute;vel ao longo da trajet&oacute;ria de vida, proporcionando um sentido do que diferencia um indiv&iacute;duo dos outros. Por outro lado, uma coer&ecirc;ncia cultural situa o indiv&iacute;duo em rela&ccedil;&atilde;o ao conjunto de situa&ccedil;&otilde;es culturalmente convencionadas para cada per&iacute;odo do desenvolvimento humano (Habermas, Ehlert-Lerche, &amp; de Silveira, 2009). </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Gon&ccedil;alves, Henriques e Cardoso (2006) apontam que a Coer&ecirc;ncia Estrutural da Narrativa de vida envolve um esfor&ccedil;o para a organiza&ccedil;&atilde;o da mem&oacute;ria e da experi&ecirc;ncia passada em termos da constru&ccedil;&atilde;o de uma hist&oacute;ria capaz de articular diferentes epis&oacute;dios narrativos de vida atribuindolhes um fio condutor. Em uma estrutura narrativa coerente, os eventos devem possuir um encadeamento l&oacute;gico e cronol&oacute;gico, de maneira que possam ser compreens&iacute;veis tanto em rela&ccedil;&atilde;o ao momento de vida em que ocorreram como em seu encadeamento l&oacute;gico. Uma estrutura narrativa desorganizada produz uma hist&oacute;ria confusa. Tal hist&oacute;ria pode estar ligada a uma falta de clareza ou &agrave; presen&ccedil;a de afetos muito fortes e dif&iacute;ceis de serem confrontados. Uma presen&ccedil;a de sentimentos desse tipo faz com que o narrador v&aacute; circunscrevendo os eventos, produzindo assim uma narrativa circular ou espiral. Enquanto em uma narrativa circular os eventos s&atilde;o contados e recontados sem que seja acrescentado algo novo ou significativo, a narrativa em espiral retoma as mesmas situa&ccedil;&otilde;es j&aacute; contadas, mas com um grau de emocionalidade e riqueza de detalhes crescente. </P >    <p>O Processo Narrativo (Gon&ccedil;alves, Henriques, Alves, &amp; Rocha, 2006) est&aacute; relacionado ao modo como o narrador vivencia a experi&ecirc;ncia narrada. A Objetiva&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o aos detalhes sensoriais da experi&ecirc;ncia, a Subjetiva&ccedil;&atilde;o Cognitiva em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s ideias, pensamentos e ao discurso interior do narrador, a Subjetiva&ccedil;&atilde;o Emocional em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; riqueza e diversidade de emo&ccedil;&otilde;es vividas e a Metaforiza&ccedil;&atilde;o/Significa&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; capacidade do narrador em construir sentido a partir da experi&ecirc;ncia. Um &iacute;ndice alto de Subjetiva&ccedil;&atilde;o Emocional est&aacute; ligado &agrave; varia&ccedil;&atilde;o e riqueza de sentimentos narrados, enquanto uma narrativa dominada por uma &uacute;nica tonalidade afetiva, por&eacute;m cheia de sentimentos ter&aacute;, deste modo, um baixo &iacute;ndice de Subjetiva&ccedil;&atilde;o Emocional. Um baixo &iacute;ndice de Processos Narrativos est&aacute; relacionado a uma experi&ecirc;ncia pobre em termos de significa&ccedil;&atilde;o ou a uma experi&ecirc;ncia t&atilde;o saturada por uma determinada tonalidade afetiva, que torna a narrativa mon&oacute;tona embora afetivamente carregada. Um afeto muito intenso e dominante parece produzir uma vis&atilde;o limitada e limitadora da experi&ecirc;ncia, impedindo o indiv&iacute;duo de enxerg&aacute;-la a partir de outros horizontes ou pontos de vista, consequentemente restringindo a capacidade de a&ccedil;&atilde;o e de reflex&atilde;o do protagonista. </P >    <p>O Conte&uacute;do Narrativo (Gon&ccedil;alves, Henriques, Soares, &amp; Monteiro, 2006) aglutina em si tanto elementos emocionais, como os organizadores da experi&ecirc;ncia, n&atilde;o apenas em termos do Conte&uacute;do, como da Estrutura Narrativa. Os elementos do Conte&uacute;do s&atilde;o fundamentalmente os mesmos do drama aristot&eacute;lico (Arist&oacute;teles, 1992), sem eles a narrativa simplesmente n&atilde;o existiria. A constru&ccedil;&atilde;o e a organiza&ccedil;&atilde;o desses elementos &eacute; mais claramente projetiva, formando um retrato vivo da situa&ccedil;&atilde;o do narrador e da a&ccedil;&atilde;o narrada. Eles apresentam um Personagem que Age em um determinado Cen&aacute;rio, configurando, portanto uma determinada hist&oacute;ria ou Tema. Esses elementos b&aacute;sicos organizam-se em uma Estrutura Narrativa com in&iacute;cio, meio e fim, apresentando elementos que orientem o narrador e o ouvinte em termos de tempo e espa&ccedil;o (Orienta&ccedil;&atilde;o), do desenrolar da narrativa (Sequ&ecirc;ncia Estrutural) atrav&eacute;s da a&ccedil;&atilde;o e seu desenvolvimento em uma ordena&ccedil;&atilde;o l&oacute;gica e cronol&oacute;gica capaz de construir n&atilde;o apenas uma sequencialidade, mas tamb&eacute;m uma verossimilhan&ccedil;a (Integra&ccedil;&atilde;o), gerando um significado emocional e intelectual para o narrador (Comprometimento Avaliativo) e tamb&eacute;m para o ouvinte. </P >    <p>Uma maior diversidade de Conte&uacute;do Narrativo est&aacute; relacionada a uma narra&ccedil;&atilde;o mais complexa da experi&ecirc;ncia, n&atilde;o apenas em maior riqueza de detalhes, como a partir de uma diversidade de pontos de vista, situa&ccedil;&otilde;es e cen&aacute;rios. Uma narrativa muito pobre no seu Conte&uacute;do apresenta uma vis&atilde;o monoc&oacute;rdica do mundo, com restritas possibilidades de cria&ccedil;&atilde;o e vislumbres de novos caminhos, que permitam um enriquecimento da experi&ecirc;ncia e uma transforma&ccedil;&atilde;o das situa&ccedil;&otilde;es em que seus protagonistas se encontram. Tal narrativa tende a retratar uma situa&ccedil;&atilde;o est&aacute;tica, congelada, por assim dizer e, portanto sem resolu&ccedil;&atilde;o, sa&iacute;da ou escapat&oacute;ria. </P >    <p>RESULTADOS E DISCUSS&Atilde;O </P >    <p><I>Caso Beno </I></P >    <p>Beno &eacute; um jovem de vinte e dois anos. Foi abandonado pelos pais aos tr&ecirc;s anos de idade no momento em que partiu a anca, quando foi encaminhado para uma fam&iacute;lia de acolhimento com quem viveu at&eacute; os doze anos. A partir de ent&atilde;o foi adotado pela fam&iacute;lia com quem vive agora. </P >    <p>A narrativa de vida de Beno apresenta-se subdividida em dezanove sequ&ecirc;ncias narrativas, as quais se organizam de forma n&atilde;o linear, mas c&iacute;clica. Nas tr&ecirc;s primeiras sequ&ecirc;ncias ele percorre o per&iacute;odo do abandono &agrave; ado&ccedil;&atilde;o. Inicia a primeira sequencia perguntando-se sobre o motivo do abandono e fecha a terceira com o encontro com a fam&iacute;lia adotiva. Nas quatro sequ&ecirc;ncias seguintes, ele repete este movimento. Reinicia com uma lembran&ccedil;a dos pais biol&oacute;gicos e com um questionamento sobre o motivo do abandono, desenvolve com a experi&ecirc;ncia junto &agrave; fam&iacute;lia de acolhimento e conclui com o batismo pela fam&iacute;lia adotiva. Inicia um novo ciclo com a sa&iacute;da da casa dos pais biol&oacute;gicos para a casa da fam&iacute;lia de acolhimento, continua com a rela&ccedil;&atilde;o com os pais biol&oacute;gicos e vai at&eacute; a ado&ccedil;&atilde;o e a faculdade. Por fim retoma o momento da ado&ccedil;&atilde;o e desenvolve a hist&oacute;ria at&eacute; a faculdade. Tal falta de linearidade n&atilde;o implica em uma aus&ecirc;ncia de coer&ecirc;ncia. Embora a narrativa de Beno n&atilde;o organize os eventos de sua hist&oacute;ria em termos cronol&oacute;gicos, ela os organiza em termos l&oacute;gicos. Existe assim uma cad&ecirc;ncia entre os acontecimentos narrados e um fio condutor entre o in&iacute;cio e o fim da hist&oacute;ria em torno da quest&atilde;o do porque do abandono e da ado&ccedil;&atilde;o. </P >     <p>A narrativa de Beno &eacute; repleta de elementos de subjetiva&ccedil;&atilde;o cognitiva, emocional e de metaforiza&ccedil;&otilde;es. &Eacute; uma narrativa fundamentalmente reflexiva em torno da experi&ecirc;ncia do abandono, do motivo de ter sido abandonado, da dor, das marcas e da tentativa de viver uma vida normal apesar disso. Sua hist&oacute;ria de vida inicia com a reflex&atilde;o sobre o porqu&ecirc; de os pais o terem abandonado. Tal reflex&atilde;o vem junto ao epis&oacute;dio da anca quebrada, o qual Beno identifica ao momento de abandono por parte dos pais. Dos tr&ecirc;s aos sete anos teve problemas para caminhar e ser como uma crian&ccedil;a normal. Tinha de andar em cadeiras de rodas e ter mesas e lugares especiais, adaptados a seu estado. N&atilde;o podia ser como as outras crian&ccedil;as, n&atilde;o podia frequentar a escola ou jogar &agrave; bola, era tratado de forma diferente, o que o incomodava muito. Aos sete anos fez, ent&atilde;o, uma cirurgia que lhe restituiu os movimentos. Come&ccedil;ou a correr e a ser como as outras crian&ccedil;as, o que o fez sentir-se muito bem. </P >     <p>Beno n&atilde;o se lembra de como foi sua ida para a fam&iacute;lia de acolhimento, mas recorda um epis&oacute;dio marcante neste sentido. Conta que seus pais biol&oacute;gicos o iam buscar aos fins de semana na fam&iacute;lia de acolhimento e que certa vez teriam recusado a lev&aacute;-lo de volta. A pol&iacute;cia ent&atilde;o apareceu e o levou. Do per&iacute;odo em que esteve na fam&iacute;lia de acolhimento, Beno contou como um epis&oacute;dio marcante a tentativa frustrada de ado&ccedil;&atilde;o por parte de uma fam&iacute;lia. Conta que estava passando uma temporada na fam&iacute;lia candidata a adot&aacute;-lo, ou como ele a nomeia: &ldquo;os pais que queriam me adotar&rdquo;. Quando esses &ldquo;pais&rdquo; o impediram de telefonar para a fam&iacute;lia de acolhimento, Beno roubou dinheiro para a liga&ccedil;&atilde;o. Os &ldquo;pais&rdquo; descobriram o roubo e o enviaram de volta &agrave; fam&iacute;lia de acolhimento. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Beno conta que n&atilde;o queria afastar-se da fam&iacute;lia de acolhimento e revela seus sentimentos acerca dela: &eacute; a sua fam&iacute;lia. Da integra&ccedil;&atilde;o nesta fam&iacute;lia nos conta que auxiliava nos trabalhos e tarefas, tanto no campo, como no cuidado com as outras crian&ccedil;as que a fam&iacute;lia acolhia, e no como tudo isso foi importante afetivamente para ele. A figura central na fam&iacute;lia de acolhimento era uma senhora que ap&oacute;s a reforma come&ccedil;ou a ajudar (&ldquo;adotar&rdquo;) crian&ccedil;as abandonadas. Beno criou uma grande afinidade com eles, chamando-os at&eacute; hoje de tios. Ap&oacute;s a ado&ccedil;&atilde;o os &ldquo;tios&rdquo; tornaram-se seus padrinhos de batismo, o que assegurou a continuidade desta rela&ccedil;&atilde;o. </P >     <p>Enquanto estava na fam&iacute;lia de acolhimento, Beno recebia mensalmente a visita dos pais biol&oacute;gicos. A visita conjunta do pai e da m&atilde;e cessou no momento em que a m&atilde;e envolveu-se com o uso de drogas. Isso provocou uma separa&ccedil;&atilde;o entre os pais, a partir da&iacute; apenas o pai continuou a visit&aacute;-lo. Beno fala com muito sentimento dessa situa&ccedil;&atilde;o. Conta que ela o marcou muito profundamente, pois viu no pai um desejo de ficar com ele e mesmo um desejo de mudar sua vida para ficar com ele, o que acabou n&atilde;o acontecendo. Um ou dois anos mais tarde, no momento em que estava para ser adotado, o pai biol&oacute;gico deu-lhe o n&uacute;mero de seu telefone, para o qual ele nunca ligou. Sabe atrav&eacute;s dos padrinhos que o pai ainda procura obter not&iacute;cias dele. Beno gostaria de saber o motivo pelo qual foi abandonado e encaminhado para a ado&ccedil;&atilde;o, o motivo pelo qual os seus pais biol&oacute;gicos n&atilde;o o criaram, mas tem uma m&aacute;goa que o faz querer manter dist&acirc;ncia deles. Lembra-se com saudades apenas do irm&atilde;o que foi criado pela av&oacute; biol&oacute;gica. </P >     <p>O encontro com a fam&iacute;lia adotiva foi um marco hist&oacute;rico e afetivo muito significativo na vida de Beno. A ado&ccedil;&atilde;o foi vivenciada por Beno como um apaixonamento e uma escolha sua, a qual n&atilde;o foi f&aacute;cil nem sem conflitos, pois implicou em uma separa&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia de acolhimento com a qual j&aacute; estava vinculado. O momento dessa separa&ccedil;&atilde;o foi marcado atrav&eacute;s de um ato jur&iacute;dico que teve como cen&aacute;rio o tribunal. Beno conta o como foi posto entre as duas fam&iacute;lias diante de um juiz, para quem tinha de expressar sua escolha e decis&atilde;o, e de como isso lhe foi doloroso. </P >    <p>Apesar da ado&ccedil;&atilde;o, construiu-se uma continuidade na rela&ccedil;&atilde;o com a fam&iacute;lia de acolhimento atrav&eacute;s do estabelecimento de um elo de parentesco: os membros da fam&iacute;lia de acolhimento passaram a ser padrinhos de batismo de Beno. Beno nos conta que a nova fam&iacute;lia o quis batizar. Para isso convidou algumas pessoas para serem os seus padrinhos de batismo. Entretanto, essas pessoas n&atilde;o puderam ou n&atilde;o quiseram comparecer &agrave; cerim&ocirc;nia, de maneira que a fam&iacute;lia de acolhimento acabou assumindo o papel de padrinhos. A liga&ccedil;&atilde;o com os padrinhos atualiza-se principalmente atrav&eacute;s de contatos telef&ocirc;nicos. Para al&eacute;m de uma rela&ccedil;&atilde;o afetiva com os padrinhos/fam&iacute;lia de acolhimento, h&aacute; uma rela&ccedil;&atilde;o de identifica&ccedil;&atilde;o e de pertencimento a essa fam&iacute;lia, a qual aparece tamb&eacute;m no papel que ele pr&oacute;prio teve como um cuidador de crian&ccedil;as abandonadas enquanto morava com ela. </P >    <p>Beno fala da ado&ccedil;&atilde;o em termos de uma mudan&ccedil;a da aldeia para a cidade. A vida na nova fam&iacute;lia possui facilidades que n&atilde;o existiam na vida com a fam&iacute;lia de acolhimento, tanto devido ao n&iacute;vel socioecon&ocirc;mico mais elevado da primeira, como pelas diferen&ccedil;as entre a vida na aldeia e a vida na cidade. Na nova fam&iacute;lia tem uma empregada a fazer coisas por ele, enquanto na aldeia tinha de fazer tudo sozinho. A cidade oferece-lhe a possibilidade de cursar uma faculdade, enquanto na aldeia isso seria imposs&iacute;vel. Na nova fam&iacute;lia conheceu um irm&atilde;o adotivo que se tornou seu companheiro de brincadeiras. Beno tamb&eacute;m nos conta que atrav&eacute;s de sua m&atilde;e adotiva tomou contato com o que veio a ser sua futura op&ccedil;&atilde;o profissional, o teatro. Atrav&eacute;s do trabalho, sua m&atilde;e adotiva conheceu pessoas que faziam teatro amador. Por influ&ecirc;ncia dela, Beno inseriu-se no grupo e gostou muito da experi&ecirc;ncia. Os colegas de teatro o incentivaram, dizendo que ele tinha talento e ele resolveu ingressar em um curso superior de teatro. </P >    <p>A entrada para a faculdade, Beno credita a seu talento, pois de oitenta candidatos entraram apenas vinte, mas tamb&eacute;m &agrave; sua nova fam&iacute;lia, pois &eacute; devido a seu apoio tanto emocional como financeiro que ele est&aacute; conseguindo frequentar a faculdade. A faculdade &eacute;, para ele, um mundo aparte. L&aacute; &eacute; como se seus problemas n&atilde;o existissem. Mas o epis&oacute;dio da faculdade como um espa&ccedil;o onde Beno pode esquecer seus problemas n&atilde;o durou muito tempo, o conhecimento por parte dos colegas de que ele &eacute; adotado provocou uma perturba&ccedil;&atilde;o que por pouco n&atilde;o o fez desistir do curso. O epis&oacute;dio da revela&ccedil;&atilde;o do estado de ser adotado no &acirc;mbito da faculdade o obrigou a confrontarse novamente com a experi&ecirc;ncia de abandono. O fato de ter sido adotado aos doze anos fez com que Beno tivesse uma mem&oacute;ria muito viva de tudo o que aconteceu, do que passou e do que sofreu. Toda essa experi&ecirc;ncia o fez sentir-se demasiadamente fr&aacute;gil diante dos outros. Embora a fragilidade diminua &agrave; medida que vai amadurecendo, ainda &eacute;, para ele, dif&iacute;cil lidar com isso. </P >    <p>A dificuldade que passou com o abandono faz Beno refletir sobre a vida. Algumas vezes seus pensamentos t&ecirc;m uma forma positiva e otimista. Outras vezes suas reflex&otilde;es ganham uma tonalidade afetiva sombria e pessimista, a qual ele consegue sobrepujar pensando no amadurecimento que o sofrimento lhe trouxe e na nova oportunidade que a vida lhe deu atrav&eacute;s da ado&ccedil;&atilde;o. De qualquer modo, a situa&ccedil;&atilde;o de ser abandonado e depois adotado gera sentimentos intensos e amb&iacute;guos. Foi justamente devido &agrave; dificuldade de lidar com esses sentimentos que Beno, em uma tentativa de distanciar-se deles, quis afastar-se da faculdade e de tudo o que envolvesse qualquer confronta&ccedil;&atilde;o com eles. A possibilidade de ser uma pessoa diferente dos outros em fun&ccedil;&atilde;o da hist&oacute;ria de ado&ccedil;&atilde;o aparece como um desses sentimentos e como um problema particularmente dif&iacute;cil de lidar. </P >    <p>Concluindo sua narrativa de vida, Beno faz planos para o futuro em que inclui o desejo de terminar o curso universit&aacute;rio, trabalhar, ter um filho, adotar uma crian&ccedil;a ou at&eacute; de abrir uma institui&ccedil;&atilde;o para crian&ccedil;as abandonadas. </P >    <p><I>An&aacute;lise do caso </I></P >    <p>As cota&ccedil;&otilde;es da entrevista de Beno segundo o modelo tridimensional de Coer&ecirc;ncia Global de Habermas e Diel (2005) tiveram um &iacute;ndice tr&ecirc;s, em uma escala de um a sete pontos. Ao n&iacute;vel da coer&ecirc;ncia causal e motivacional, Beno pouco mostrou situa&ccedil;&otilde;es de transforma&ccedil;&atilde;o da personalidade. Sob uma perspetiva do desenvolvimento da personalidade, sua narrativa mostrouse, portanto, pobre. Em termos da coer&ecirc;ncia temporal, sua narrativa mostrou-se um tanto confusa, sendo poucas vezes reconhec&iacute;vel quando as sequ&ecirc;ncias narrativas ocorreram. A essa dificuldade de situar os eventos aos momentos de vida em que ocorreram, somou-se uma dificuldade em organizar as sequ&ecirc;ncias narrativas em termos l&oacute;gico-cronol&oacute;gicos. Tal dificuldade em relacionar os eventos uns com os outros foi a caracter&iacute;stica da baixa pontua&ccedil;&atilde;o no item coer&ecirc;ncia tem&aacute;tica. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A baixa cota&ccedil;&atilde;o na escala de Coer&ecirc;ncia Global de Habermas e Diel (2005) foi correspondida por uma baixa cota&ccedil;&atilde;o nas escalas de Coer&ecirc;ncia Estrutural Narrativa, Complexidade do Processo Narrativo e Diversidade de Conte&uacute;do Narrativo de Gon&ccedil;alves et al. (Gon&ccedil;alves, Henriques, &amp; Cardoso, 2006; Gon&ccedil;alves, Henriques, Alves, &amp; Rocha, 2006; Gon&ccedil;alves, Henriques, Soares, &amp; Monteiro, 2006). A narrativa de Beno apresenta uma Coer&ecirc;ncia Estrutural confusa, com poucos elementos que orientem o leitor na compreens&atilde;o do encadeamento dos eventos narrados ao longo da narrativa de vida. A sequ&ecirc;ncia estrutural apresenta-se igualmente confusa, sendo que &eacute; quebrada a orienta&ccedil;&atilde;o cronol&oacute;gica da hist&oacute;ria. H&aacute; um fio condutor na narrativa, embora ele tenha de ser explicitado para que a hist&oacute;ria seja compreens&iacute;vel. H&aacute;, entretanto um intenso comprometimento avaliativo do narrador com sua hist&oacute;ria, sendo a presen&ccedil;a de afetos muito intensa. </P >    <p>Em termos do Processo Narrativo, a narrativa &eacute; pobre em termos da presen&ccedil;a de elementos sensoriais (Objetiva&ccedil;&atilde;o). Embora repleta de emo&ccedil;&otilde;es, a hist&oacute;ria &eacute; mon&oacute;tona em termos de sua diversidade, predominando um conte&uacute;do afetivo de tristeza em rela&ccedil;&atilde;o ao abandono. &Eacute; baixa, portanto a cota&ccedil;&atilde;o da subjetiva&ccedil;&atilde;o emocional. H&aacute; uma presen&ccedil;a muito grande de reflex&otilde;es e pensamentos (Subjetiva&ccedil;&atilde;o Cognitiva), entretanto, devido &agrave; monotonia dessas reflex&otilde;es em torno da quest&atilde;o nunca respondida do porque ter sido abandonado, h&aacute; um &iacute;ndice baixo de constru&ccedil;&atilde;o de sentido a partir da hist&oacute;ria (Metaforiza&ccedil;&atilde;o/Significa&ccedil;&atilde;o). Tal concentra&ccedil;&atilde;o tem&aacute;tica produziu um baixo &iacute;ndice de Diversidade de personagens, cen&aacute;rios a&ccedil;&otilde;es e temas e, portanto, da Diversidade de Conte&uacute;do Narrativo. </P >     <p>Tanto em Habermas, Ehlert-Lerche e de Silveira (2009) como em Gon&ccedil;alves, Henriques e Cardoso (2006) a coer&ecirc;ncia est&aacute; relacionada &agrave; tomada de consci&ecirc;ncia da trajet&oacute;ria de vida em termos dos eventos que ocorreram ou que foram vivenciados, do quando e como ocorreram, que situa&ccedil;&otilde;es ou inten&ccedil;&otilde;es os motivaram. Assim como a coer&ecirc;ncia tem&aacute;tica est&aacute; relacionada a uma integra&ccedil;&atilde;o desses epis&oacute;dios em temas caracter&iacute;sticos ao longo de sua vida e a coer&ecirc;ncia cultural &agrave; consci&ecirc;ncia de como o indiv&iacute;duo posiciona-se em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s demandas culturais e como se relaciona com elas. O baixo &iacute;ndice obtido por Beno nos quesitos globais de coer&ecirc;ncia est&aacute; de acordo com a forte presen&ccedil;a de ambiguidades e de afetos na narra&ccedil;&atilde;o de sua hist&oacute;ria de vida. Parece que tanto um como o outro interferem, dificultando tanto o ato de narrar como o de construir um sentido a partir da pr&oacute;pria hist&oacute;ria. Sua experi&ecirc;ncia, embora plena de sentimentos, torna-se mon&oacute;tona e pouco rica em termos de um aprendizado que lhe remeta a uma vis&atilde;o multifacetada do presente e &agrave; capacidade de planifica&ccedil;&atilde;o do futuro. A presen&ccedil;a de tal afeto aparece no baixo &iacute;ndice obtido no item &lsquo;Processos Narrativos&rsquo;, particularmente em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; subjetiva&ccedil;&atilde;o emocional. Assim como a limita&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; riqueza de pontos de vista aparece no baixo &iacute;ndice de &lsquo;Conte&uacute;dos Narrativos&rsquo;. Deste modo, embora sua hist&oacute;ria seja dram&aacute;tica e carregada de afetos, &eacute; pobre em termos dos elementos que proporciona &agrave; constru&ccedil;&atilde;o de uma riqueza de experi&ecirc;ncia pessoal. </P >     <p>Olhando mais detidamente para os elementos da identidade narrativa de Beno, uma an&aacute;lise do percurso narrativo dos temas mostra que a quase totalidade deles gira em torno da ado&ccedil;&atilde;o. Tanto o percurso tem&aacute;tico como o das a&ccedil;&otilde;es &eacute; c&iacute;clico, uma vez que principia com a quest&atilde;o do motivo do abandono e conclui com o mesmo motivo. A an&aacute;lise dos cen&aacute;rios mostra que grande parte de sua hist&oacute;ria transcorre no cen&aacute;rio da fam&iacute;lia de acolhimento. H&aacute; cen&aacute;rios como os da casa da primeira fam&iacute;lia que o quis adotar, do hospital, da casa dos pais biol&oacute;gicos e o da mudan&ccedil;a da aldeia para a cidade que, embora n&atilde;o referindo-se diretamente ao ambiente da fam&iacute;lia de acolhimento est&atilde;o relacionados a ela, quer atrav&eacute;s de uma refer&ecirc;ncia como na sa&iacute;da da casa dos pais biol&oacute;gicos para a da fam&iacute;lia de acolhimento, ou em uma rela&ccedil;&atilde;o espacial como a aldeia ou em uma rela&ccedil;&atilde;o temporal como no caso do hospital (momento em que estava com a fam&iacute;lia de acolhimento). Al&eacute;m disso, a apresenta&ccedil;&atilde;o dos temas e cen&aacute;rios na ordem como foram narrados por Beno mostra que ele frequentemente retorna ao tema e ao ambiente da fam&iacute;lia de acolhimento, de modo que estes aparecem realmente como uma refer&ecirc;ncia central e um tema centralizador em sua narrativa de vida. Uma an&aacute;lise dos personagens mostra que os mais significativos na hist&oacute;ria de Beno s&atilde;o os pais biol&oacute;gicos, a fam&iacute;lia de acolhimento e a fam&iacute;lia adotiva. </P >      <p>A organiza&ccedil;&atilde;o l&oacute;gico-cronol&oacute;gica da narrativa de vida de Beno disp&otilde;e as sequ&ecirc;ncias narrativas em grandes epis&oacute;dios, podendo eles ser nomeados como os pais biol&oacute;gicos, a ida para a fam&iacute;lia de acolhimento, a estadia na fam&iacute;lia de acolhimento, a sa&iacute;da da fam&iacute;lia de acolhimento e a nova fam&iacute;lia (ado&ccedil;&atilde;o). O ponto de partida, em torno da reflex&atilde;o sobre o porqu&ecirc; os pais o terem abandonado marca toda a narrativa. Ele configura-se como o motivo central em torno do qual a hist&oacute;ria de Beno &eacute; constru&iacute;da. Ele tamb&eacute;m define os principais personagens com os quais Beno interage e dialoga na hist&oacute;ria: seus pais biol&oacute;gicos que o abandonam; a fam&iacute;lia de acolhimento que o recebe, cuida e proporciona a possibilidade de crescimento e desenvolvimento, incluindo o tratamento e a cura da anca quebrada que por tantos anos o impediu de ser como as outras pessoas e que foi eleita por ele como um marco em seu desenvolvimento e como um momento de reden&ccedil;&atilde;o; e n&atilde;o menos importante, a fam&iacute;lia adotiva, que lhe proporcionou uma nova oportunidade de vida, abrindo novos horizontes nunca dantes contemplados, como o mundo universit&aacute;rio e o teatro. </P >     <p>Em rela&ccedil;&atilde;o ao car&aacute;ter dos pais biol&oacute;gicos, ele &eacute; essencialmente amb&iacute;guo. Se por um lado abandonaram o pr&oacute;prio filho, por outro, talvez n&atilde;o o quisessem abandonar. Tal car&aacute;ter aparece tanto no epis&oacute;dio em que a pol&iacute;cia obriga os pais biol&oacute;gicos a enviar Beno &agrave; fam&iacute;lia de acolhimento, como no epis&oacute;dio em que o pai biol&oacute;gico continua a visit&aacute;-lo, dando a Beno a impress&atilde;o de querer cuidar dele. Aparece tamb&eacute;m quando o pai biol&oacute;gico d&aacute; a Beno o n&uacute;mero de seu telefone, no momento em que ele est&aacute; para ser adotado pela nova fam&iacute;lia. Este car&aacute;ter atualizase ainda hoje, quando Beno relata que o pai biol&oacute;gico continua a buscar not&iacute;cias suas atrav&eacute;s da antiga fam&iacute;lia de acolhimento. </P >     <p>Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; fam&iacute;lia de acolhimento, o epis&oacute;dio da tentativa frustrada de ado&ccedil;&atilde;o define bem o seu papel e seu car&aacute;ter. Ela &eacute; a verdadeira fam&iacute;lia de Beno. Ela n&atilde;o foi simplesmente uma casa/fam&iacute;lia de passagem, mas foi seu &ldquo;ber&ccedil;o&rdquo;, mais do que isso, h&aacute; entre ele e essa fam&iacute;lia um &ldquo;n&oacute;s&rdquo;, um sentimento de unidade que n&atilde;o aparece nas refer&ecirc;ncias nem aos pais biol&oacute;gicos nem aos pais adotivos. &Agrave;s pessoas da fam&iacute;lia de acolhimento ele chama de &ldquo;tios&rdquo;, chegando a referirse &agrave; senhora em torno da qual essa fam&iacute;lia se organiza como aquela que &ldquo;adota&rdquo; as crian&ccedil;as abandonadas. Beno talvez se considerasse adotado por essa fam&iacute;lia, embora isso n&atilde;o fosse algo que pudesse ser assumido ou oficializado, ficando a quest&atilde;o da parentalidade como n&atilde;o resolvida. Uma identifica&ccedil;&atilde;o e uma a&ccedil;&atilde;o de pertencimento a essa fam&iacute;lia aparece tamb&eacute;m no epis&oacute;dio em que conta como a partir de certa idade come&ccedil;ou a cuidar das crian&ccedil;as mais novas que chegavam para serem acolhidas. Este &eacute; o momento em que Beno deixa de representar o papel da crian&ccedil;a a ser cuidada para assumir o do membro da fam&iacute;lia de acolhimento que cuida de crian&ccedil;as. Segundo o que nos conta em sua hist&oacute;ria, tal sentimento era rec&iacute;proco, o que aparece na tristeza e no choro de sua &ldquo;tia&rdquo; no momento em que saiu da fam&iacute;lia de acolhimento para a fam&iacute;lia adotiva e tamb&eacute;m quando os &ldquo;tios&rdquo; aceitaram o papel de padrinhos de batismo. Toda a complexidade dessa rela&ccedil;&atilde;o fez com que Beno sinta ter abandonado sua &ldquo;fam&iacute;lia de ber&ccedil;o&rdquo; no momento da ado&ccedil;&atilde;o. </P >     <p>Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; fam&iacute;lia adotiva, Beno refere-se a ela como uma escolha e como um apaixonamento. Ap&oacute;s ter estado com ela um fim de semana, adorou ficar com eles e n&atilde;o quis mais voltar &agrave; fam&iacute;lia de acolhimento, &ldquo;n&atilde;o pensou duas vezes&rdquo;. As demais refer&ecirc;ncias &agrave; fam&iacute;lia adotiva s&atilde;o relacionadas ao papel da mudan&ccedil;a no modo de vida de Beno. Assim o car&aacute;ter da nova fam&iacute;lia est&aacute; ligado &agrave; mudan&ccedil;a da aldeia para a cidade, o que lhe trouxe novas experi&ecirc;ncias e possibilidades de vida, com destaque para o teatro. Na nova fam&iacute;lia passou tamb&eacute;m a contar com uma empregada que faz tarefas que ele antes tinha de fazer. A transi&ccedil;&atilde;o para um novo modo de vida ocorre no momento do encontro de Beno com o teatro. Ele nos conta que sua m&atilde;e adotiva mostrou-lhe essa nova possibilidade, que veio a tornar-se o objeto de sua escolha profissional. O encontro com o teatro foi uma descoberta de si mesmo, do que gosta de fazer e do que quer fazer como uma profiss&atilde;o. Beno deixa claro que o acesso ao mundo do teatro &eacute; algo que pertence &agrave; nova forma de viver, e que seria invi&aacute;vel na vida na aldeia e na fam&iacute;lia de acolhimento. N&atilde;o fosse a proximidade da cidade, o apoio financeiro e emocional da fam&iacute;lia adotiva ele n&atilde;o estaria cursando uma faculdade de teatro. </P >    <p>Mesmo mudando de vida, a ado&ccedil;&atilde;o continua sendo um problema que incomoda e atrapalha a Beno. Neste sentido a faculdade tornou-se para ele um espa&ccedil;o de fuga dos problemas, um mundo no qual entra, deixando os pensamentos e sentimentos que o incomodam de fora. Tanto &eacute; que a penetra&ccedil;&atilde;o do tema ado&ccedil;&atilde;o neste mundo perturbou-o de tal modo que Beno viu-se impelido a ter que deix&aacute;-lo. No afastamento, mesmo que tempor&aacute;rio da faculdade, Beno procurou divertir-se e levar uma vida sem compromissos para esquecer seus problemas, em uma tentativa de &ldquo;estragar&rdquo; a sua vida. As a&ccedil;&otilde;es no sentido de fugir do problema do abandono e de destruir o que est&aacute; construindo de bom e de criativo parecem ser os modos caracter&iacute;sticos de Beno reagir em rela&ccedil;&atilde;o ao que aparece como o problema central de sua vida: o abandono. S&atilde;o elementos destacados do car&aacute;ter de seu personagem enquanto protagonista da hist&oacute;ria (McAdams, 1993) e, portanto, elementos importantes de sua identidade narrativa. </P >    <p>Outro elemento importante do car&aacute;ter de Beno enquanto protagonista &eacute; o sentimento de fragilidade, que aparece como um sentir-se desprotegido, exposto e sem defesas diante dos outros. Como um sofrimento demasiadamente prolongado que acompanha sua hist&oacute;ria de pessoa abandonada, com os sentimentos decorrentes desse abandono. Entre estes, destaca-se o sentimento de ser diferente dos outros. Essa diferen&ccedil;a aparece no receio de ser mais fr&aacute;gil do que os outros, de ser uma v&iacute;tima e, portanto, incapaz de lidar com as situa&ccedil;&otilde;es que o mundo lhe imp&otilde;e. Este sentimento aparece no epis&oacute;dio em que Beno tenta &ldquo;estragar&rdquo; sua vida, quase como em uma profecia autocumprida. Concluindo sua hist&oacute;ria de vida, Beno faz planos para o futuro, nos quais deseja terminar o curso universit&aacute;rio e trabalhar. Planeja tamb&eacute;m ter um filho e adotar uma crian&ccedil;a, a fim de ajudar algu&eacute;m da mesma maneira que ele pr&oacute;prio foi ajudado. Se tiver dinheiro, quem sabe abrir uma institui&ccedil;&atilde;o e ajudar muitas outras crian&ccedil;as. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O car&aacute;ter de Beno como protagonista de sua pr&oacute;pria hist&oacute;ria aparece como algo complexo, revelando-se tanto na ambiguidade de sua origem quanto na complexidade contradit&oacute;ria de sentimentos, ideias, a&ccedil;&otilde;es e rea&ccedil;&otilde;es que nutre em rela&ccedil;&atilde;o a ela. Beno narra sua vida como uma luta para n&atilde;o se tornar uma v&iacute;tima do abandono, mas uma pessoa normal. Ser ou n&atilde;o ser uma v&iacute;tima parece ser a grande quest&atilde;o na narrativa biogr&aacute;fica de Beno. </P >    <p>Nessa hist&oacute;ria e nessa luta, os outros aparecem como Imagos/caracteres, personagens ou vozes com quem ele dialoga e que o definem (Hermans, 2008; Hermans &amp; Kempen, 1993). S&atilde;o eles os pais biol&oacute;gicos a quem ele est&aacute; frequentemente perguntando o porqu&ecirc; de ter sido abandonado, particularmente o pai, pois este sempre procurou manter contato e saber not&iacute;cias de Beno. A fam&iacute;lia de acolhimento que o criou at&eacute; quase a adolesc&ecirc;ncia, de quem conheceu o amor, de quem aprendeu a ser um cuidador de crian&ccedil;as abandonadas e o viver na aldeia. A fam&iacute;lia adotiva que foi seu suporte para o conhecimento de um novo mundo e a quem esse mundo apresenta-se ligado. Os colegas de faculdade que o interrogam sobre o ser adotado, n&atilde;o deixando que isso permane&ccedil;a uma quest&atilde;o que possa ser simplesmente ignorada. Finalmente, o filho que ele pretende ter e a crian&ccedil;a que ele pretende adotar, que prop&otilde;e um sentido para sua vida na retribui&ccedil;&atilde;o do aux&iacute;lio que teve. </P >     <p>&Eacute; na intera&ccedil;&atilde;o com essas Imagos/caracteres, personagens ou vozes e nos diversos cen&aacute;rios onde elas est&atilde;o situadas que Beno constr&oacute;i sua narrativa de vida. Elas s&atilde;o os principais interlocutores atrav&eacute;s dos quais Beno constr&oacute;i o seu car&aacute;ter e sua identidade narrativa. Pois, como diria Arist&oacute;teles (1992), o car&aacute;ter de um personagem/pessoa &eacute; constru&iacute;do somente na a&ccedil;&atilde;o e na intera&ccedil;&atilde;o com os outros personagens. Enquanto agentes co construtores de sua narrativa de vida, o s&atilde;o tamb&eacute;m de sua identidade. Uma vez internalizados enquanto personagens de sua narrativa biogr&aacute;fica passam a atuar como vozes, no sentido de parcelas ou elementos constitutivos de sua pr&oacute;pria personalidade. </P >     <p>No caso de Beno, a ambiguidade do car&aacute;ter e dos pap&eacute;is que as vozes/personagens/caracteres atuam em sua narrativa biogr&aacute;fica e a dificuldade do protagonista em lidar com essas ambiguidades pode ser entendida como a express&atilde;o da confus&atilde;o de seus sentimentos. N&atilde;o &eacute; necessariamente um problema os personagens terem diversas facetas e serem amb&iacute;guos, problema est&aacute; na falta de organiza&ccedil;&atilde;o dessas diferentes facetas dentro da narrativa, o que aparece principalmente na forma como o protagonista relaciona-se com elas na hist&oacute;ria. A atitude do protagonista, no caso, &eacute; a da fuga, da nega&ccedil;&atilde;o, da busca de uma coer&ecirc;ncia que n&atilde;o existe e, portanto, de um n&atilde;o saber se posicionar frente a tudo isso. A ambiguidade dos outros personagens encontra um espelhamento na ambiguidade do protagonista: afinal qual &eacute; a sua fam&iacute;lia? A fam&iacute;lia de acolhimento, na qual ele viveu quase toda sua inf&acirc;ncia, ou a fam&iacute;lia adotiva? E em rela&ccedil;&atilde;o ao pai biol&oacute;gico e &agrave; fam&iacute;lia biol&oacute;gica, Beno deve perdo&aacute;-los ou simplesmente afastar-se definitivamente deles? Estas n&atilde;o s&atilde;o quest&otilde;es f&aacute;ceis de responder e talvez n&atilde;o haja uma resposta un&iacute;voca a elas. </P >    <p>A identidade narrativa de Beno est&aacute; constru&iacute;da nas ambiguidades relacionais entre esses personagens. No &acirc;mbito da fam&iacute;lia biol&oacute;gica entre o ter sido abandonado e a perce&ccedil;&atilde;o do desejo do pai em n&atilde;o abandon&aacute;-lo. Na fam&iacute;lia de acolhimento entre o ser e o n&atilde;o ser adotado por essa fam&iacute;lia. Na fam&iacute;lia adotiva, o ser parte dessa fam&iacute;lia ao mesmo tempo em que se sente parte da fam&iacute;lia de acolhimento e, portanto o sentimento de ter abandonado a sua fam&iacute;lia. E toda a confus&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o ao sentimento de pertencimento a todas essas fam&iacute;lias e qui&ccedil;&aacute; a nenhuma. Beno caracteriza-se como uma pessoa profundamente magoada pelo abandono, que o faz sentir-se diferente, diminu&iacute;do e fr&aacute;gil diante dos outros. O conflito e a ambiguidade de sentimento em rela&ccedil;&atilde;o a si pr&oacute;prio e ao mundo tornaram-se marcas em sua identidade narrativa. A ambiguidade entre ter-se fortalecido com a viv&ecirc;ncia do abandono e a fragilidade da dor, da exposi&ccedil;&atilde;o e o de n&atilde;o saber como se posicionar frente aos outros. A ambiguidade entre ver a vida como um desafio que &eacute; capaz de vencer ou como uma injusti&ccedil;a para consigo pr&oacute;prio e como algo sem sentido que o arrasta e o faz v&iacute;tima de um destino inexor&aacute;vel. A ambiguidade entre o amor e o bem de ter sido adotado e o desamor e o mal de ter sido abandonado. A ambiguidade entre ser v&iacute;tima do abandono ou autor de seu pr&oacute;prio destino. </P >     <p>&nbsp;</P >     <p>REFER&Ecirc;NCIAS </P >    <!-- ref --><p>Adam, J.-M. (1985). <I>Le texte narratif. </I>Paris: Nathan.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000070&pid=S0870-8231201300020000300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <!-- ref --><p>Adler, J. M., &amp; McAdams, D. P. (2007). Time, culture, and stories of the self. <I>Psychological Inquiry, 18</I>(2), 97-128.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000072&pid=S0870-8231201300020000300002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <!-- ref --><p>Adler, J. M., Wagner, J. W., &amp; McAdams, D. P. (2007). Personality and the coherence of psychotherapy narratives. <I>Journal of Research in Personality</I><I>, 41</I>, 1179-1198.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000074&pid=S0870-8231201300020000300003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Arist&oacute;teteles. (1992). <I>Po&eacute;tica</I>. S&atilde;o Paulo: Ars Po&eacute;tica.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000076&pid=S0870-8231201300020000300004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Baerger, D. R., &amp; McAdams, D. P. (1999). Life story coherence and its relation to psychological well-being. <I>Narrative Inquiry, 9</I>, 69-96.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000078&pid=S0870-8231201300020000300005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <p>Carsten, J. (2000). Knowing where you&rsquo;ve come from: Rupture and continuities of time and kinship in narratives of adoption reunions. <I>Journal of Royal Anthropological Institute, 6</I>, 687-703. </P >    <!-- ref --><p>Erikson, E. H. (1968). <I>Youth and identity</I>. New York: Norton.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000081&pid=S0870-8231201300020000300007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Fivush, R. (2008). Remembering and reminiscing: How individual lives are constructed in family narratives. <I>Memory Studies, 1</I>(1), 49-58.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000083&pid=S0870-8231201300020000300008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Fivush, R., &amp; Baker-Ward, L. (2005). The search for meaning: Developmental perspectives on internal state language in autobiographical memory. <I>Journal of Cognition and Development, 6</I>(4), 455-462.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000085&pid=S0870-8231201300020000300009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <p>Fivush, R., &amp; Buckner, J. P. (1998). Gender and self in children&rsquo;s autobiographical narratives. <I>Applied Cognitive Psychology, 12, </I>407-429. </P >    <!-- ref --><p>Fivush, R., &amp; Haden, C. A. (2003). <I>Autobiographical memory and the construction of a narrative self: Developmental and cultural perspectives</I>. Mahwah, NJ: Lawrence Erlbaum Associates.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000088&pid=S0870-8231201300020000300011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Gon&ccedil;alves, O. F., Henriques, M. R., &amp; Cardoso, G. (2006). <I>Sistema de avalia&ccedil;&atilde;o da matriz narrativa: Coer&ecirc;ncia estrutural narrativa. </I>Braga: Departamento de Psicologia da Universidade do Minho.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000090&pid=S0870-8231201300020000300012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Gon&ccedil;alves, O. F., Henriques, M. R., &amp; Vieira, A. G. (2010). <I>Entrevista Elicia&ccedil;&atilde;o de Hist&oacute;ria de Vida. </I>Porto: Faculdade de Psicologia e Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o da Universidade do Porto.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000092&pid=S0870-8231201300020000300013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Gon&ccedil;alves, O. F., Henriques, M. R., Alves, A., &amp; Rocha, C. (2006). <I>Sistema de avalia&ccedil;&atilde;o da matriz narrativa: Complexidade do processo narrativo. </I>Braga: Departamento de Psicologia da Universidade do Minho.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000094&pid=S0870-8231201300020000300014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <!-- ref --><p>Gon&ccedil;alves, O. F., Henriques, M. R., Alves, A., &amp; Soares, L. (2002). Analyzing structure, process and content in narratives of patients diagnosed with agoraphobia. <I>Revista Internacional de Psicologia Cl&iacute;nica y de la </I><I>Salud, 2</I>(3), 389-406.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000096&pid=S0870-8231201300020000300015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <!-- ref --><p>Gon&ccedil;alves, O. F., Henriques, M. R., Soares, L., &amp; Monteiro, A. (2006). <I>Sistema de avalia&ccedil;&atilde;o da matriz narrativa: Diversidade de conte&uacute;do narrativo. </I>Braga: Departamento de Psicologia da Universidade do Minho.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000098&pid=S0870-8231201300020000300016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Grotevant, H. D. (1997). Coming to terms with adoption: The construction of identity from adolescence into adulthood. <I>Adoption Quarterly, 1</I>, 3-27.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000100&pid=S0870-8231201300020000300017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <!-- ref --><p>Grotevant, H. D., &amp; Von Korff, L. (2011). Adoptive identity (pp. 585-601). In S. J. Schwartz, K. Luyckx, &amp; V. L. Vignoles (Eds.), <I>Handbook of identity theory and research. </I>New York: Springer.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000102&pid=S0870-8231201300020000300018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P >     <!-- ref --><p>Habermas, T. (2007). How to tell a life: The development of the cultural concept of biography. <I>Journal of Cognition and Development, 8</I>(1), 1-31.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000104&pid=S0870-8231201300020000300019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <!-- ref --><p>Habermas, T., &amp; Bluck, S. (2000). Getting a life: The emergence of the life story in adolescence. <I>Psychological Bulletin, 126</I>(5), 748-769.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000106&pid=S0870-8231201300020000300020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Habermas, T., &amp; Diel, V. (2005). <I>Three dimensions of global coherence: Global rating scales. </I>Frankfurt: Goethe University.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000108&pid=S0870-8231201300020000300021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Habermas, T., &amp; de Silveira, C. (2008). The development of global coherence in life narratives across adolescence: Temporal, causal and thematic aspects. <I>Developmental Psychology, 44</I>, 707-721.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000110&pid=S0870-8231201300020000300022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <!-- ref --><p>Habermas, T., Ehlert-Lerche, S., &amp; de Silveira, C. (2009). The development of the temporal macroestructure of life narratives across adolescence: Beginnings, linear narrative form, and endings. <I>Journal of Personality, </I><I>77</I>(2), 527-559.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000112&pid=S0870-8231201300020000300023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <!-- ref --><p>Hermans, H. (2001). The dialogical self: Toward a theory of personal and cultural positioning. <I>Culture &amp; </I><I>Psychology, 7</I>(3), 243-281.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000114&pid=S0870-8231201300020000300024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Hermans, H. J. M. (2008). How to perform research on the basis of dialogical self theory? Introduction to special issue. <I>Journal of Constructivist Psychology, 21</I>, 185-199.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000116&pid=S0870-8231201300020000300025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Hermans, H. J. M., &amp; Kempen, H. J. G. (1993). Imaginal dialogues in the self: Theory and method. <I>Journal of Personality, 61</I>(2), 207-236.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000118&pid=S0870-8231201300020000300026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>McAdams, D. P. (1985). <I>Power, intimacy and the life story: Personological inquiries into identity</I>. New York: Guilford Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000120&pid=S0870-8231201300020000300027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>McAdams, D. P. (1993). <I>The stories we live by: Personal myths and the making of the self</I>. New York: The Guilford Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000122&pid=S0870-8231201300020000300028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>McAdams, D. P. (2001). The psychology of life stories. <I>Review of General Psychology, 5</I>(2), 100-122.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000124&pid=S0870-8231201300020000300029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>McLean, K. C., Pasupathi, M., &amp; Pals, J. L. (2007). Selves creating stories creating selves: A process model of self-development. <I>Personality and Social Review, 11</I>, 262-278.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000126&pid=S0870-8231201300020000300030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <!-- ref --><p>Ramalho, S., Henriques, M. R., Baptista, J., &amp; Martins, C. (2010). <I>Narrative competence in adopted adolescentes. </I>Poster session presented at the International Conference on Adoption Research, Leiden.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000128&pid=S0870-8231201300020000300031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P >     <!-- ref --><p>Reese, E., Yan, C., Jack, F., &amp; Hayne, H. (2010). Emerging identities: Narrative and self from early childhood to early adolescence (pp. 23-43). In K. C. McLean &amp; M. Pasupathi (Eds.), <I>Narrative development in adolescence</I>. 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The return of subjectivity: From a multiplicity of selves to the dialogical self. <I>E-Journal for applied psychology: Clinical section, 1</I>(1), 3-13.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000134&pid=S0870-8231201300020000300034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <!-- ref --><p>Von Korff, L. A. (2008). <I>Pathways to narrative adoptive identity formation in adolescence and emerging adulthood</I>. Unpublished doctoral dissertation, Faculty of the Graduate School of the University of Minnesota, Minneapolis.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000136&pid=S0870-8231201300020000300035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Yngvesson, B. (2007). Parentesco reconfigurado no espa&ccedil;o da ado&ccedil;&atilde;o. <I>Cadernos Pagu, 29, </I>111-138.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000138&pid=S0870-8231201300020000300036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Yin, R. (2001). <I>Estudo de caso: Planejamento e m&eacute;todos. </I>Porto Alegre: Bookman.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000140&pid=S0870-8231201300020000300037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <p>&nbsp;</P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="0"></a><a href="#top0">Correspond&ecirc;ncia</a></P>     <p>A correspond&ecirc;ncia relativa a este artigo dever&aacute; ser enviada para: Andr&eacute; Guirland Vieira, Rua Jo&atilde;o L&uacute;cio de Azevedo, 53, 6-Esquerdo. 4200-339 Porto. E-mail: <a href="mailto:agvieira2010@gmail.com">agvieira2010@gmail.com</a></P >      ]]></body><back>
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