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<journal-title><![CDATA[Análise Psicológica]]></journal-title>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Literacia Familiar: Crenças de pais de crianças em idade pré-escolar e características das práticas de literacia na família]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Instituto Superior de Psicologia Aplicada Unidade de Investigação em Psicologia Cognitiva, do Desenvolvimento e da Educação ]]></institution>
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<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0870-82312013000300001&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0870-82312013000300001&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0870-82312013000300001&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[Na realização deste trabalho tivemos presentes dois grandes objectivos: compreender e caracterizar as crenças dos pais sobre o processo de aprendizagem da linguagem escrita e sobre o seu papel nesse processo; analisar as relações entre os vários tipos de crenças dos pais e também entre estas e as práticas e ambientes de literacia familiar. Para isso trabalhámos com 198 pais de crianças a frequentar o último ano do pré-escolar. Para a recolha de dados utilizámos um questionário que contemplava a caracterização de quatro componentes diferentes: (1) práticas de literacia familiar; (2) crenças sobre a aprendizagem da literacia; (3) crenças sobre o papel dos pais nesta aprendizagem; (4) ambientes de literacia. Os resultados permitiram-nos a identificar diferentes frequências de ocorrência consoante os tipos de actividades: as práticas de Ensino e Treino foram as referidas como mais regulares, seguidas das práticas de Entretenimento e, por último, as do Dia-a-dia. No que se refere às crenças, constatámos que os pais valorizavam bastante o seu papel em várias vertentes (leitura de histórias, práticas contextualizadas e ensino). Uma análise de clusters permitiu a identificação de três grupos de pais, com características distintas quer nas práticas de literacia quer nas suas crenças. Pudemos concluir sobre a não existência de uma associação linear entre crenças e práticas pois, pais em grupos distintos, em alguns aspectos apresentavam concepções semelhantes. Contudo, cada grupo apresentava algumas particularidades que nos permitiram uma compreensão mais aprofundada das relações entre crenças sobre a aprendizagem e de papel e também destas com as práticas de literacia familiar. No que diz respeito às implicações deste estudo, elas são discutidas no âmbito da parceria escola/família e das práticas pedagógicas desenvolvidas em contexto de educação pré-escolar.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[In this research we have two main aims: to understand and characterize the parents&#8217; beliefs about literacy learning and about their role in this process; to analyze the relationships between different beliefs and also between beliefs and family literacy practices and literacy home environments. In this study participated 198 parents of children attending the last year of preschool. For data collection we used a questionnaire that included the characterization of four different components: (1) family literacy practices, (2) beliefs about literacy learning process, (3) beliefs about the role of parents in literacy learning; (4) literacy environments. The results allowed us to identify different frequencies for different kinds of literacy practices: teaching and training practices were the most frequent, followed by entertainment practices and, lastly, the day-to-day. In what concerns beliefs, we found that parents value their role in various aspects (reading stories, teaching practices and contextualized). A cluster analysis allowed the identification of three groups of parents with different characteristics both in literacy practices and in beliefs. We could not conclude on the existence of a linear association between beliefs and practices because parents into distinct groups had similar conceptions in certain aspects. However, each group had some peculiarities that allowed us a deeper understanding of the relationships between beliefs and family literacy practices. Regarding the implications of this study, they are discussed concerning the school-family partnership and the pre-school education literacy practices.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><B>Literacia Familiar &ndash; Cren&ccedil;as de pais de crian&ccedil;as em idade pr&eacute;-escolar e caracter&iacute;sticas das pr&aacute;ticas de literacia na fam&iacute;lia </B></P >     <p><b>Patr&iacute;cia Pacheco<Sup>*</Sup> e Lourdes Mata<Sup>** </Sup></b></P >     <p><Sup>* </Sup>ESE, Torres Novas / UIPCDE; </P >     <p><Sup>** </Sup>ISPA &ndash; Instituto Universit&aacute;rio / UIPCDE </P >     <p><a name="top0"></a><a href="#0">Correspond&ecirc;ncia</a></P >     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Na realiza&ccedil;&atilde;o deste trabalho tivemos presentes dois grandes objectivos: compreender e caracterizar as cren&ccedil;as dos pais sobre o processo de aprendizagem da linguagem escrita e sobre o seu papel nesse processo; analisar as rela&ccedil;&otilde;es entre os v&aacute;rios tipos de cren&ccedil;as dos pais e tamb&eacute;m entre estas e as pr&aacute;ticas e ambientes de literacia familiar. Para isso trabalh&aacute;mos com 198 pais de crian&ccedil;as a frequentar o &uacute;ltimo ano do pr&eacute;-escolar. Para a recolha de dados utiliz&aacute;mos um question&aacute;rio que contemplava a caracteriza&ccedil;&atilde;o de quatro componentes diferentes: (1) pr&aacute;ticas de literacia familiar; (2) cren&ccedil;as sobre a aprendizagem da literacia; (3) cren&ccedil;as sobre o papel dos pais nesta aprendizagem; (4) ambientes de literacia. Os resultados permitiram-nos a identificar diferentes frequ&ecirc;ncias de ocorr&ecirc;ncia consoante os tipos de actividades: as pr&aacute;ticas de Ensino e Treino foram as referidas como mais regulares, seguidas das pr&aacute;ticas de Entretenimento e, por &uacute;ltimo, as do Dia-a-dia. No que se refere &agrave;s cren&ccedil;as, constat&aacute;mos que os pais valorizavam bastante o seu papel em v&aacute;rias vertentes (leitura de hist&oacute;rias, pr&aacute;ticas contextualizadas e ensino). Uma an&aacute;lise de clusters permitiu a identifica&ccedil;&atilde;o de tr&ecirc;s grupos de pais, com caracter&iacute;sticas distintas quer nas pr&aacute;ticas de literacia quer nas suas cren&ccedil;as. Pudemos concluir sobre a n&atilde;o exist&ecirc;ncia de uma associa&ccedil;&atilde;o linear entre cren&ccedil;as e pr&aacute;ticas pois, pais em grupos distintos, em alguns aspectos apresentavam concep&ccedil;&otilde;es semelhantes. Contudo, cada grupo apresentava algumas particularidades que nos permitiram uma compreens&atilde;o mais aprofundada das rela&ccedil;&otilde;es entre cren&ccedil;as sobre a aprendizagem e de papel e tamb&eacute;m destas com as pr&aacute;ticas de literacia familiar. No que diz respeito &agrave;s implica&ccedil;&otilde;es deste estudo, elas s&atilde;o discutidas no &acirc;mbito da parceria escola/fam&iacute;lia e das pr&aacute;ticas pedag&oacute;gicas desenvolvidas em contexto de educa&ccedil;&atilde;o pr&eacute;-escolar. </P >     <p><B>Palavras-chave: </B>Cren&ccedil;as dos pais, Literacia familiar, Pr&eacute;-escolar. </P >     <p>&nbsp;</P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>ABSTRACT</b></P >     <p>In this research we have two main aims: to understand and characterize the parents&rsquo; beliefs about literacy learning and about their role in this process; to analyze the relationships between different beliefs and also between beliefs and family literacy practices and literacy home environments. In this study participated 198 parents of children attending the last year of preschool. For data collection we used a questionnaire that included the characterization of four different components: (1) family literacy practices, (2) beliefs about literacy learning process, (3) beliefs about the role of parents in literacy learning; (4) literacy environments. The results allowed us to identify different frequencies for different kinds of literacy practices: teaching and training practices were the most frequent, followed by entertainment practices and, lastly, the day-to-day. In what concerns beliefs, we found that parents value their role in various aspects (reading stories, teaching practices and contextualized). A cluster analysis allowed the identification of three groups of parents with different characteristics both in literacy practices and in beliefs. We could not conclude on the existence of a linear association between beliefs and practices because parents into distinct groups had similar conceptions in certain aspects. However, each group had some peculiarities that allowed us a deeper understanding of the relationships between beliefs and family literacy practices. Regarding the implications of this study, they are discussed concerning the school-family partnership and the pre-school education literacy practices. </P >     <p><B>Key-words: </B>Family literacy, Parents&rsquo; beliefs, Pre-school. </P >     <p>&nbsp;</P >     <p>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O </P >     <p>As investiga&ccedil;&otilde;es no &acirc;mbito da literacia familiar s&atilde;o un&acirc;nimes ao considerarem o meio familiar como um contexto relevante e que proporciona oportunidades &agrave; crian&ccedil;a de ter um contacto com artefactos de literacia (<I>literacy artifacts</I>), observar actividades desenvolvidas por outros, explorar comportamentos de literacia, envolver-se em actividades de prazer com a leitura e escrita com os outros e beneficiar de estrat&eacute;gias de aprendizagem orientadas por outros membros da fam&iacute;lia quando est&atilde;o envolvidos em actividades de literacia (DeBaryshe, Binder, &amp; Buell, 2000; Mata 1999, 2006). As perspectivas da literacia familiar refor&ccedil;am a ideia de que pr&aacute;ticas educativas das fam&iacute;lias n&atilde;o ocorrem num vazio, mas est&atilde;o imbu&iacute;das dos valores socioculturais da comunidade de refer&ecirc;ncia (Moreira &amp; Ribeiro, 2009). Desta forma, parece ser relevante compreender as caracter&iacute;sticas familiares e como estas podem influenciar as cren&ccedil;as dos pais, as suas pr&aacute;ticas e, consequentemente, o desenvolvimento da literacia emergente. </P >     <p>Segundo Evans, Fox, Cremaso e McKinnon (2004) as cren&ccedil;as podem ser definidas como ideias que s&atilde;o aceites e tomadas como verdadeiras pelos pais e que regulam a interac&ccedil;&atilde;o que estabelecem com os seus filhos. As cren&ccedil;as s&atilde;o constru&iacute;das a partir das hist&oacute;rias individuais e das normas culturais de cada uma das fam&iacute;lias e manifestam-se nas caracter&iacute;sticas do meio familiar, nas pr&aacute;ticas parentais, nos comportamentos e na natureza das interac&ccedil;&otilde;es (Lynch, Anderson, Anderson, &amp; Shapiro, 2006; Norman, 2007; Weigel, Martin, &amp; Bennett, 2006). Neste sentido, as cren&ccedil;as sobre literacia referem-se &agrave;s ideias que os pais consideram verdadeiras sobre o que &eacute; literacia e sobre o conhecimento liter&aacute;cito (Norman, 2007). Weigel et al. (2006) referem ainda que alguns pais sentem que o seu papel pode ser importante e ter algum impacto no desenvolvimento da literacia emergente dos filhos, enquanto outros pais n&atilde;o t&ecirc;m o mesmo tipo de cren&ccedil;a, subvalorizando o seu papel, atribuindo maior responsabilidade &agrave; Escola. </P >    <p>Relativamente ao tipo de cren&ccedil;as, Evans et al. (2004) prop&otilde;em duas perspectivas: <I>top-down </I>e <I>bottom-up</I>. Na perspectiva <I>top-down </I>ou construtivista &eacute; inclu&iacute;da uma orienta&ccedil;&atilde;o para a aquisi&ccedil;&atilde;o da literacia e onde &eacute; real&ccedil;ado o contexto da informa&ccedil;&atilde;o, decorrendo da&iacute; o conhecimento acerca do texto e das estruturas lingu&iacute;sticas. &Eacute; dada &ecirc;nfase ao significado da informa&ccedil;&atilde;o. De forma global, &eacute; uma perspectiva que envolve o uso das estruturas lingu&iacute;sticas, imagem e conhecimento geral, aspectos importantes no desenvolvimento da literacia. </P >    <p>Na abordagem <I>bottom-up </I>&eacute; salientada a import&acirc;ncia da efici&ecirc;ncia e automatismo da descodifica&ccedil;&atilde;o das palavras. &Eacute; uma abordagem que enfatiza as compet&ecirc;ncias t&eacute;cnicas para a aprendizagem da literacia, tal como o conhecimento do alfabeto e da cadeia f&oacute;nica. Para os autores as cren&ccedil;as dos pais, quer numa ou noutra abordagem, proporcionam diferentes tipos de ambientes de literacia &agrave;s crian&ccedil;as que, por sua vez, influenciar&atilde;o o desenvolvimento das compet&ecirc;ncias de literacia (Evans et al., 2004). </P >    <p>No seguimento destas ideias, as investiga&ccedil;&otilde;es (e.g., Bingham, 2007; Debaryshe, 1995; Lynch et al., 2006; Norman, 2007; Phillips &amp; Lonigan, 2009; Weigel et al., 2006) t&ecirc;m apontado para uma rela&ccedil;&atilde;o entre as cren&ccedil;as dos pais, as pr&aacute;ticas e o ambiente de literacia familiar. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><I>Cren&ccedil;as dos pais e pr&aacute;ticas de literacia familiar </I></P >    <p>Debaryshe (1995) refere que m&atilde;es com cren&ccedil;as facilitadoras, consonantes com a perspectiva <I>top-down</I>, desenvolvem pr&aacute;ticas educacionais que promovem nas crian&ccedil;as experi&ecirc;ncias frequentes de leitura. S&atilde;o m&atilde;es que durante a leitura utilizam estrat&eacute;gias orientadas para a discuss&atilde;o com a crian&ccedil;a. No seguimento deste estudo, as investiga&ccedil;&otilde;es de Weigel et al. (2006) e Serpell, Sonnenschein, Baker e Ganapathy (2002) refor&ccedil;am a exist&ecirc;ncia de estilos parentais diferenciados. Um estilo parental, onde est&atilde;o subjacentes cren&ccedil;as ditas facilitadoras, em que os pais acreditam na import&acirc;ncia do seu papel no desenvolvimento da crian&ccedil;a e, por isso, tendem a envolver o seu filho em actividades ligadas &agrave; literacia e linguagem. Al&eacute;m disso, s&atilde;o pais que orientam as suas pr&aacute;ticas com base no entretenimento, cultivam mais os aspectos l&uacute;dicos ligados &agrave; escrita e apresentam uma motiva&ccedil;&atilde;o intr&iacute;nseca para a leitura. Parece ainda existir um outro estilo parental, dito convencional (consonante com a perspectiva <I>bottom-up</I>), em que os pais apresentam uma atitude menos positiva acerca da leitura, n&atilde;o proporcionando uma atmosfera de interesse e entusiasmo pela literacia, criando menos envolvimento nestas actividades. </P >    <p>No decorrer destas perspectivas (DeBaryshe, 1995; Serpell et al., 2002; Weigel et al., 2006) t&ecirc;m surgido outros estudos (Bingham, 2007; Lynch et al., 2006; Norman, 2007) que tamb&eacute;m evidenciam a relev&acirc;ncia das cren&ccedil;as dos pais na compreens&atilde;o da literacia familiar. Os estudos de Bingham (2007) e de Norman (2007) apontam para uma rela&ccedil;&atilde;o entre cren&ccedil;as, pr&aacute;ticas de literacia familiar, desenvolvimento da literacia emergente e compet&ecirc;ncias inicias de leitura. Por exemplo, Bingham (2007) refere que as cren&ccedil;as sobre o desenvolvimento das crian&ccedil;as parecem estar positivamente relacionados com a qualidade do ambiente de literacia familiar e com a qualidade das interac&ccedil;&otilde;es nas situa&ccedil;&otilde;es de leitura de hist&oacute;rias. </P >    <p>O estudo de Norman (2007) vem desafiar a dicotomia das perspectivas <I>top-down e bottom-up </I>e aponta para o facto de os pais apresentarem, de forma alternada, cren&ccedil;as acerca da literacia que incluem elementos e estrat&eacute;gias de ambas as perspectivas. A autora adianta como poss&iacute;vel explica&ccedil;&atilde;o que os pais acreditam que a literacia n&atilde;o &eacute; aprendida de forma isolada, mas mediada atrav&eacute;s de v&aacute;rias actividades. Segundo Norman (2007, p. 44) &ldquo;<I>specific literacy activities may be defined by previous researchers as top-down or bottom-up perspectives, but parents&rsquo; beliefs may not be mutually exclusive. Further research is needed to explore this possibility</I>&rdquo;. </P >    <p>Um outro estudo de Phillips e Lonigan (2009), e na linha da investiga&ccedil;&atilde;o de Norman (2007) refere alguma diversidade nos perfis dos pais no que diz respeito &agrave; sua refer&ecirc;ncia conceptual e &agrave;s suas pr&aacute;ticas. Assim, o referido estudo real&ccedil;ou a exist&ecirc;ncia de um grupo de pais designado &ldquo;<I>low-low</I>&rdquo; que apresentava valores baixos e moderados em dois tipos processos, <I>outside-in </I>(vari&aacute;veis mais relacionadas com o livro e leitura partilhada de hist&oacute;rias) e <I>inside-out </I>(vari&aacute;veis mais relacionadas com o ensino). Um outro perfil de pais designado de &ldquo;<I>high-high</I>&rdquo; que revelava valores elevados nos dois tipos de processos referidos. Por &uacute;ltimo, verificou-se um grupo de pais &ldquo;<I>low-high</I>&rdquo; com valores baixos a n&iacute;vel dos processos <I>outside-in</I>, mas muito elevado a n&iacute;vel de vari&aacute;veis mais tecnicistas (<I>inside-out</I>). Estes resultados evidenciam, por exemplo, que a diversidade de pr&aacute;ticas dos pais n&atilde;o deve ser associada de forma linear a um tipo de cren&ccedil;as, mas sim a ideias que se fundamentam em perspectivas conceptuais que se complementam. </P >    <p><I>Cren&ccedil;as dos pais e ambiente de literacia familiar </I></P >    <p>Segundo Kassow (2006) o ambiente de literacia familiar inclui n&atilde;o s&oacute; as actividades de literacia que envolvem pais e filhos, mas tamb&eacute;m a exposi&ccedil;&atilde;o e o contacto com materiais ligados &agrave; leitura e escrita (e.g., livro) ou recursos que facilitam e promovam esse contacto (e.g., computador). A diversidade e acessibilidade desses materiais existentes em casa podem constituir um bom indicador para caracterizar o(s) ambiente(s) familiar(es). Neste sentido, de forma global, parece existir alguma consist&ecirc;ncia para que os pais com cren&ccedil;as mais hol&iacute;sticas ou facilitadoras desenvolvam n&atilde;o s&oacute; mais pr&aacute;ticas de literacia familiar, como iniciem a leitura mais cedo junto dos filhos, despendam mais tempo a leitura e escrita e apresentem um ambiente mais rico em termos do contacto com o livro (e.g., Bingham, 2007; DeBaryshe, 1995; Lynch et al., 2006; Mata, 2006; Norman, 2007; Weigel et al<I>.</I>, 2006). Por exemplo, DeBaryshe (1995) encontrou uma associa&ccedil;&atilde;o entre m&atilde;es com cren&ccedil;as facilitadoras, maior frequ&ecirc;ncia a n&iacute;vel da leitura junto dos filhos e um ambiente mais rico em termos do contacto com o livro. </P >    <p>Com resultados semelhantes, Weigel et al. (2006) referem tamb&eacute;m que as m&atilde;es com cren&ccedil;as facilitadoras revelaram ter gosto em ler aos filhos, proporcionando mais situa&ccedil;&otilde;es de observa&ccedil;&atilde;o de actividades de escrita, assim como mais tempo dedicado &agrave; leitura. Este estudo constata ainda que as m&atilde;es com cren&ccedil;as convencionais parecem envolver-se menos com os filhos em actividades de literacia e partilhar menos tempo de leitura de hist&oacute;rias. Os autores acrescentam que a variabilidade do(s) ambiente(s) de literacia familiar poder&aacute; ter a ver com as experi&ecirc;ncias educacionais mais positivas ou menos positivas das m&atilde;es, uma vez que as m&atilde;es com cren&ccedil;as convencionais foram as que indicaram ter experi&ecirc;ncias educacionais menos positivas, bem como a exist&ecirc;ncia de barreiras nas situa&ccedil;&otilde;es de partilha de hist&oacute;rias (e.g., pouco espa&ccedil;o em casa) e poucas oportunidades de envolvimento com os filhos noutras actividades (e.g., cantar, desenhar, jogar jogos). Parece tamb&eacute;m ser consensual que os pais com cren&ccedil;as mais hol&iacute;sticas entendem a leitura como uma situa&ccedil;&atilde;o de entretenimento, cultivando o aspecto mais cultural e l&uacute;dico e que acreditam que as actividades de literacia s&atilde;o importantes para desenvolver junto dos filhos, apresentam um ambiente mais facilitador da acessibilidade e do contacto com o livro (e.g., DeBaryshe, 1995; Norman, 2007; Serpell et al<I>.</I>, 2002; Weigel et al., 2006). Uma outra vari&aacute;vel relevante na caracteriza&ccedil;&atilde;o do ambiente de literacia familiar, e que constitui uma medida indirecta do contacto com o livro e das pr&aacute;ticas desenvolvidas pelos pais, &eacute; o conhecimento de literatura infantil (e.g., Mata, 2006; Norman, 2007; S&eacute;n&eacute;chal &amp; LeFevre, 2002). Mata (2006) encontrou associa&ccedil;&otilde;es significativas entre esta medida e as concep&ccedil;&otilde;es dos pais, j&aacute; que pais com concep&ccedil;&otilde;es mais funcionais/hol&iacute;sticas demonstravam mais conhecimentos sobre a literatura para a inf&acirc;ncia. Por outro lado, tamb&eacute;m se identificaram associa&ccedil;&otilde;es entre estes conhecimentos dos pais tanto com outros aspectos dos ambientes de literacia familiar (e.g., quantidade de livros infantis, tempo e frequ&ecirc;ncia de leitura de hist&oacute;rias) como tamb&eacute;m com os conhecimentos emergentes de literacia das crian&ccedil;as. </P >    <p>Face ao apresentado, sobressaem dois aspectos relevantes. Por um lado, a import&acirc;ncia das cren&ccedil;as dos pais e a forma como estas podem condicionar a sua actua&ccedil;&atilde;o e interac&ccedil;&otilde;es estabelecidas com os filhos em torno da leitura e escrita. Por outro lado, parece tamb&eacute;m transparecer destes resultados alguma diversidade n&atilde;o s&oacute; ao n&iacute;vel das cren&ccedil;as mas tamb&eacute;m na forma como se podem articular entre si e at&eacute; condicionar as pr&aacute;ticas de literacia familiar. Ficam em aberto algumas quest&otilde;es relativas &agrave; linearidade das rela&ccedil;&otilde;es entre cren&ccedil;as e pr&aacute;ticas, ou mesmo sobre a coer&ecirc;ncia das cren&ccedil;as que os pais desenvolvem sobre o seu papel e a forma como concebem a aprendizagem da linguagem escrita. Ser&atilde;o ent&atilde;o estas quest&otilde;es que est&atilde;o subjacentes &agrave; investiga&ccedil;&atilde;o que desenvolvemos. Na realiza&ccedil;&atilde;o deste trabalho tivemos ent&atilde;o dois grandes objectivos principais: Compreender e caracterizar as cren&ccedil;as dos pais sobre o Processo de Aprendizagem da Linguagem Escrita e sobre o seu Papel nas interac&ccedil;&otilde;es e actividades que consideram importantes desenvolverem com os filhos; Analisar as rela&ccedil;&otilde;es entre os v&aacute;rios tipos de cren&ccedil;as dos pais e tamb&eacute;m entre estas e as pr&aacute;ticas e ambientes de literacia familiar. </P >    <p>M&Eacute;TODO </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><I>Participantes </I></P >    <p>O estudo foi desenvolvido com 198 pais de crian&ccedil;as a frequentar o &uacute;ltimo ano do pr&eacute;-escolar. Os n&iacute;veis de escolaridade destes pais variavam, embora 42,6% tivessem uma licenciatura. </P >    <p><I>Instrumentos </I></P >    <p><I>Pr&aacute;ticas de Literacia familiar </I>&ndash; Para a caracteriza&ccedil;&atilde;o das pr&aacute;ticas de literacia familiar tivemos como refer&ecirc;ncia o instrumento de Mata e Pacheco (2009). Este instrumento considera tr&ecirc;s tipos de actividades de leitura e de escrita, partilhadas entre pais e filhos: pr&aacute;ticas realizadas no <I>Dia-a-Dia</I>, que englobam actividades que s&atilde;o desenvolvidas e integradas nas rotinas familiares; pr&aacute;ticas de <I>Entretimento</I>, que englobam actividades desenvolvidas nos momentos de lazer e na ocupa&ccedil;&atilde;o dos tempos livres; pr&aacute;ticas de <I>Treino</I>, que englobam actividades direccionadas para o ensino e o treino de compet&ecirc;ncias e conven&ccedil;&otilde;es. </P >    <p>Para as pr&aacute;ticas do <I>Dia-a-Dia </I>o question&aacute;rio contemplava 10 itens [e.g., <I>Costumam </I><B><I>ler </I></B><I>r&oacute;tulos de embalagens ou etiquetas com ou para o vosso filho(a)?</I>], para as de <I>Entretimento </I>9 itens [e.g., <I>Costumam </I><B><I>ler </I></B><I>as legendas dos filmes ou de outros programas de TV com e para o seu filho(a)?</I>] e para as de Treino tamb&eacute;m 9 itens [e.g., <I>Costumam </I><B><I>ler </I></B><I>as legendas dos filmes ou de outros programas de TV com e para o seu filho(a)?</I>]. No seu total o question&aacute;rio ficou constitu&iacute;do por 28 quest&otilde;es em que os pais tinham que se posicionar numa escala de cinco pontos (<I>nunca</I>/<I>poucas vezes</I>/<I>algumas vezes</I>/<I>com frequ&ecirc;ncia</I>/<I>com muita frequ&ecirc;ncia</I>). As pontua&ccedil;&otilde;es atribu&iacute;das variaram entre 0 e 4, e para cada dimens&atilde;o calculou-se a m&eacute;dia dos itens que a constitu&iacute;am. No que respeita as caracter&iacute;sticas psicom&eacute;tricas analis&aacute;mos a consist&ecirc;ncia interna para cada uma das dimens&otilde;es atrav&eacute;s do Alpha-Cronbach onde se obtiveram valores adequados (Dia-a-dia: .86; Entretimento: .75; Treino: .91). </P >    <p><I>Cren&ccedil;as dos Pais </I>&ndash; Com o intuito de caracterizar as cren&ccedil;as dos pais sobre a aprendizagem da leitura e escrita elabor&aacute;mos duas escalas integrando os contributos das investiga&ccedil;&otilde;es de Bingham (2007) e Lynch et al. (2006). Assim, organiz&aacute;mos uma escala para caracterizar as cren&ccedil;as dos pais sobre o <I>Processo de Aprendizagem da Leitura e Escrita </I>e outra para as cren&ccedil;as sobre a import&acirc;ncia do <I>Papel dos Pais </I>na aprendizagem da leitura e escrita. </P >    <p>O instrumento sobre as cren&ccedil;as dos pais relativas ao <I>Processo de Aprendizagem da Leitura e Escrita </I>ficou constitu&iacute;do por 17 afirma&ccedil;&otilde;es que reenviavam para 3 tipos diferentes de cren&ccedil;as: (1) <I>Aprend. Hol&iacute;sticas </I>&ndash; 9 itens relacionados com a valoriza&ccedil;&atilde;o tanto das aprendizagens feitas antes do in&iacute;cio do ensino formal como de actividades diversificadas de utiliza&ccedil;&atilde;o da linguagem escrita (e.g., <I>&Eacute; importante que a crian&ccedil;a contacte com diferentes suportes de escrita, como por exemplo: revistas, jornais, livros de diversos assuntos, cartas</I>.); (2) <I>Aprend. Tecnicistas-Pr&aacute;ticas </I>&ndash; 4 itens relacionados com actividades estruturadas exclusivamente direccionadas para o ensino e treino de conven&ccedil;&otilde;es e compet&ecirc;ncias (e.g., <I>&Eacute; necess&aacute;rio para a crian&ccedil;a saber as letras do alfabeto e dos seus sons antes de come&ccedil;ar a escrever</I>.); (3) <I>Aprend. Tecnicistas-Escola </I>&ndash; 4 itens onde a escola &eacute; a principal promotora da aprendizagem da leitura e escrita podendo assumir a exclusividade neste processo (e.g., <I>As crian&ccedil;as s&oacute; est&atilde;o preparadas para aprender a ler e escrever quando entram na escola do 1&ordm; ciclo</I>). </P >     <p>O instrumento relativo &agrave;s cren&ccedil;as sobre a import&acirc;ncia do <I>Papel dos Pais </I>na aprendizagem da leitura e escrita continha 15 itens distribu&iacute;dos por 3 dimens&otilde;es distintas: (1) <I>Papel-Pr&aacute;ticas Hol&iacute;s</I><I>ticas </I>&ndash; 5 itens que se referiam &agrave; import&acirc;ncia dos pais desenvolverem actividades diversificadas com os filhos, mesmo antes de eles saberem ler e escrever (e.g. <I>&Eacute; importante que os pais leiam e escrevam coisas diversificadas com os filhos</I>.); (2) <I>Papel-Pr&aacute;ticas-Leitura de Hist&oacute;rias </I>&ndash; 5 itens que se relacionavam todos com a import&acirc;ncia dos pais lerem hist&oacute;rias e explorarem esses momentos (e.g., <I>&Eacute; importante que os pais encorajem os filhos a ajuda-los a contar as hist&oacute;rias</I>.); (3) <I>Papel-Pr&aacute;ticas Ensino </I>&ndash; 5 itens reenviando para a import&acirc;ncia dos pais desenvolverem actividades onde ensinem os filhos algumas das conven&ccedil;&otilde;es da escrita (e.g., &Eacute; importante que os pais ajudem os filhos a saber o alfabeto.). </P >     <p>Para os dois instrumentos o processo de cota&ccedil;&atilde;o era semelhante. Face a cada uma das afirma&ccedil;&otilde;es os pais tinham que manifestar o seu grau de concord&acirc;ncia numa escala de 6 pontos (desde o &ldquo;<I>Discordo Completamente</I>&rdquo; ao &ldquo;<I>Concordo Completamente</I>&rdquo;). A cota&ccedil;&atilde;o para cada item variava ent&atilde;o de 1 a 6 e para cada dimens&atilde;o calculou-se a m&eacute;dia dos itens que a constitu&iacute;am. </P >    <p>Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s propriedades psicom&eacute;tricas, constat&aacute;mos que os valores de consist&ecirc;ncia interna foram bastante bons. No que se refere &agrave;s cren&ccedil;as sobre o Processo de Aprendizagem para a dimens&atilde;o <I>Aprend. Hol&iacute;stica </I>o valor <I>Alpha-Cronbach </I>foi de .82, para a dimens&atilde;o <I>Aprend. Tecnicista-Pr&aacute;ticas </I>de .76, e para a dimens&atilde;o <I>Aprend. Tecnicista-Escola </I>de 0.72. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No que diz respeito &agrave;s dimens&otilde;es da escala da import&acirc;ncia do Papel dos Pais, os valores de consist&ecirc;ncia interna tamb&eacute;m foram satisfat&oacute;rios obtendo-se os seguintes valores de <I>Alpha-Cronbach: Papel-Pr&aacute;ticas Hol&iacute;sticas </I>0.83, <I>Papel-Pr&aacute;ticas Ensino </I>0.86 e <I>Papel-Leitura de hist&oacute;rias </I>0.77. </P >    <p>RESULTADOS </P >    <p>Na apresenta&ccedil;&atilde;o dos resultados come&ccedil;amos com uma an&aacute;lise mais descritiva das caracter&iacute;sticas dos participantes tanto no que se refere &agrave;s pr&aacute;ticas de literacia familiar desenvolvidas, como quanto &agrave;s suas cren&ccedil;as sobre a aprendizagem da linguagem escrita e o papel dos pais nesse processo. Em seguida apresentaremos alguns dados sobre as rela&ccedil;&otilde;es destas vari&aacute;veis e a diversidade das fam&iacute;lias nas suas concep&ccedil;&otilde;es e pr&aacute;ticas de literacia familiar. </P >    <p><I>Pr&aacute;ticas de literacia familiar </I></P >    <p>A caracteriza&ccedil;&atilde;o das pr&aacute;ticas de literacia familiar contemplou tr&ecirc;s tipos de actividades, Entreti mento, Treino e Dia-a-dia. Consoante a frequ&ecirc;ncia de ocorr&ecirc;ncia assinalada pelos pais a cada um dos itens, e que podia variar do &lsquo;Nunca&rsquo; a &lsquo;Com Muita Frequ&ecirc;ncia&rsquo;, a pontua&ccedil;&atilde;o atribu&iacute;da variava entre 0 e 4, sendo o ponto m&eacute;dio da escala &eacute; o 2. </P >    <p>Tal como podemos observar pelo gr&aacute;fico da <a href="#f1">Figura 1</a> as pr&aacute;ticas de literacia familiar referidas pelos pais, como mais regulares, s&atilde;o as <I>pr&aacute;ticas de Treino </I>(<I>M</I>=2.43) seguindo-se as pr&aacute;ticas de <I>Entretimento </I>e, por &uacute;ltimo, as pr&aacute;ticas do <I>Dia-a-dia, </I>ambas com valores abaixo do ponto m&eacute;dio, indicando uma frequ&ecirc;ncia relativamente reduzida. </P >    <p>&nbsp;</P >     <p><a name="f1"></a></P >     <p><img src="/img/revistas/aps/v31n3/31n3a01f1.jpg" width="371" height="215"></P >     
<p>&nbsp;</P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Estas m&eacute;dias de frequ&ecirc;ncia mostraram-se como significativamente diferentes entre si (dia-a-dia/ /entretimento <I>t</I>(198)=-10,38, <I>p</I>&lt;.001; dia-a-dia/treino <I>t</I>(198)=-16.63, <I>p</I>&lt;.001; entretimento/treino <I>t</I>(198)=-9,89, <I>p</I>&lt;.001). Podemos ent&atilde;o afirmar que as actividades de ensino e Treino de compe t&ecirc;ncias da leitura e escrita s&atilde;o mais frequentes, quando os pais interagem com os filhos em situa&ccedil;&otilde;es com utiliza&ccedil;&atilde;o de leitura ou da escrita. Com menor regularidade, os pais utilizam com os seus filhos a leitura e escrita em situa&ccedil;&otilde;es mais l&uacute;dicas e de lazer (Entretimento). Ainda com menos frequ&ecirc;ncias as crian&ccedil;as s&atilde;o envolvidas em ambiente familiar em actividades integradas nas rotinas familiares do Dia-a-Dia. </P >     <p>Ao explorarmos as rela&ccedil;&otilde;es entre estes tipos de pr&aacute;ticas pudemos constatar sempre associa&ccedil;&otilde;es positivas e significativas variando entre .45 e .58. Este parece-nos ser um indicador de que pr&aacute;ticas de leitura e escrita de Treino, s&atilde;o desenvolvidas em paralelo a pr&aacute;ticas mais l&uacute;dicas ou utilit&aacute;rias do quotidiano destas fam&iacute;lias. </P >    <p><I>Cren&ccedil;as dos pais sobre o processo de aprendizagem da leitura e da escrita </I></P >    <p>Os resultados sobre as cren&ccedil;as dos pais relativas ao Processo de Aprendizagem da linguagem escrita ser&atilde;o apresentados considerando as tr&ecirc;s dimens&otilde;es que o constituem. Tal como referimos anteriormente este instrumento permite identificar dois grandes tipos de cren&ccedil;as: <I>Hol&iacute;sticas e Tecnicistas</I>. Por outro lado, dentro das cren&ccedil;as Tecnicista diferenciavam-se as relacionadas com pr&aacute;ticas e actividades de ensino (<I>Aprend. Tecnicistas-Pr&aacute;ticas</I>) e as relacionadas com a responsabilidade da escola no processo de aprendizagem da crian&ccedil;a (<I>Aprend. Tecnicistas-Escola</I>). </P >    <p>Relativamente &agrave; caracteriza&ccedil;&atilde;o das cren&ccedil;as dos pais podemos constatar pela an&aacute;lise dos dados da <a href="#t1">Tabela 1</a>, valores muito diferenciados para os v&aacute;rios tipos considerados. Claramente a m&eacute;dia para a dimens&atilde;o <I>Aprend. Hol&iacute;stica </I>(<I>M</I>=5.35) indica que os pais se identificaram bastante com as afirma&ccedil;&otilde;es referentes a este tipo de abordagem para a aprendizagem (o valor m&aacute;ximo era de 6). As afirma&ccedil;&otilde;es referiam-se a actividades de leitura e escrita integradas em situa&ccedil;&otilde;es funcionais e l&uacute;dicas, e tamb&eacute;m associadas &agrave; valoriza&ccedil;&atilde;o das utiliza&ccedil;&otilde;es informais da leitura e da escrita. </P >     <p>&nbsp;</P >     <p><a name="t1"></a></P >     <p><img src="/img/revistas/aps/v31n3/31n3a01t1.jpg" width="514" height="127"></P >     
<p>&nbsp;</P >     <p>Seguidamente, com uma m&eacute;dia mais baixa (<I>M</I>=3.67), ligeiramente acima do ponto m&eacute;dio da escala (3.5), surgem as cren&ccedil;as <I>Aprend. Tecnicistas-Pr&aacute;ticas</I>, onde s&atilde;o inclu&iacute;dos itens que remetem para a import&acirc;ncia de estrat&eacute;gias mais formais de ensino da leitura e escrita, como o copiar as letras, saber as letras do alfabeto. </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Por &uacute;ltimo, com uma m&eacute;dia mais baixa (<I>M</I>=2.12) surgem as cren&ccedil;as <I>Tecnicista-Escola</I>, cren&ccedil;as que d&atilde;o &agrave; escola um papel de responsabilidade exclusiva e de contexto primordial da aprendizagem da leitura e escrita, n&atilde;o valorizando nem incentivando outro tipo de abordagens. Estatisticamente foram confirmadas as diferen&ccedil;as entre estas m&eacute;dias, real&ccedil;ando a vertente mais <I>Hol&iacute;stica </I>como dominante, nas concep&ccedil;&otilde;es dos pais sobre o processo de aprendizagem da leitura e da escrita [<I>Aprend. Hol&iacute;stica/Aprend. Tecnicista-Pr&aacute;ticas t</I>(191)=15.73 <I>p</I>&lt;.001; <I>Aprend. Hol&iacute;sticas/Aprend. Tecnicistas-Escola t</I>(191)=33.68, <I>p</I>&lt;.001, <I>Aprend. Tecnicistas-Pr&aacute;ticas/Aprend. Tecnicistas-Escola t</I>(191)=16.14, <I>p</I>&lt;.001]. </P >    <p><I>Cren&ccedil;as dos pais sobre o seu papel na aprendizagem da leitura e da escrita </I></P >    <p>Novamente para a caracteriza&ccedil;&atilde;o das cren&ccedil;as dos pais sobre o seu Papel no apoio aos filhos em actividades de leitura e de escrita, o instrumento utilizado permite identificar dois grandes tipos de cren&ccedil;as: as de <I>Papel-Ensino </I>muito associadas ao papel dos pais em actividades de ensino das conven&ccedil;&otilde;es e treino das per&iacute;cias, e as Hol&iacute;sticas associadas ao papel que os pais podem desempenhar em actividades mais funcionais e l&uacute;dicas. Dentro das cren&ccedil;as Hol&iacute;sticas o instrumento permite caracterizar duas vertentes. Por um lado, a import&acirc;ncia do seu papel como modelos e tamb&eacute;m como mediadores na utiliza&ccedil;&atilde;o da linguagem escrita em actividades contextualizadas (<I>Papel-Pr&aacute;ticas Hol&iacute;sticas</I>); por outro lado, o seu papel na leitura de hist&oacute;rias e na dinamiza&ccedil;&atilde;o desses momentos (<I>Papel-Leitura de Hist&oacute;rias</I>). Como podemos constatar pela leitura da <a href="#t2">Tabela 2</a>, em todas as dimens&otilde;es a m&eacute;dia est&aacute; acima do valor m&eacute;dio (3.5), real&ccedil;ando uma posi&ccedil;&atilde;o clara, assumindo que &eacute; papel dos pais desenvolver ac&ccedil;&otilde;es e proporcionar oportunidades nestas diferentes &aacute;reas. </P >     <p>&nbsp;</P >     <p><a name="t2"></a></P >     <p><img src="/img/revistas/aps/v31n3/31n3a01t2.jpg" width="514" height="127"></P >     
<p>&nbsp;</P >     <p>Podemos verificar ainda que s&atilde;o as dimens&otilde;es que remetem para cren&ccedil;as de papel globalmente <I>Hol&iacute;sticas </I>quer no que se refere a diversas actividades (<I>Pr&aacute;ticas Hol&iacute;sticas) quer &agrave; Leitura de hist&oacute;rias </I>que apresentam m&eacute;dias mais elevadas, pr&oacute;ximas do valor m&aacute;ximo (6). Embora surja com uma m&eacute;dia inferior (<I>Papel-Pr&aacute;ticas Ensino, M</I>=4,81), n&atilde;o &eacute; de desvalorizar o facto de estes pais acharem que tamb&eacute;m devem ensinar e treinar, de forma mais estruturada, alguns dos aspectos mais formais da linguagem escrita (e.g., identifica&ccedil;&atilde;o e escrita de letras). Nas compara&ccedil;&otilde;es destas m&eacute;dias, &agrave; semelhan&ccedil;a do verificado para as an&aacute;lises anteriores, todas elas se mostraram significativamente diferentes (<I>Papel-Pr&aacute;ticas Hol&iacute;sticas/Papel-Leitura de Hist&oacute;rias t</I>(194)=-9,12, <I>p</I>&lt;.001; <I>Papel-Leitura de Hist&oacute;rias/Papel-Pr&aacute;ticas Ensino t</I>(197)=-12.57, <I>p</I>&lt;.001; <I>Papel-Pr&aacute;ticas Hol&iacute;sticas/Papel-Pr&aacute;ticas Ensino t</I>(197)=-6.29, <I>p</I>&lt;.001). Estas diferen&ccedil;as apontam ent&atilde;o no sentido, de que apesar de todos os valores serem elevados, estes pais atribuem prioridades diferentes &agrave; sua actua&ccedil;&atilde;o nas actividades e oportunidades de explora&ccedil;&atilde;o da literacia que podem e devem proporcionar aos seus filhos. </P >     <p>Ao analisarmos as rela&ccedil;&otilde;es entre as concep&ccedil;&otilde;es de Papel e as relativas ao Processo de Aprendi zagem pudemos constatar alguma coer&ecirc;ncia, como se pode observar nos valores da <a href="#t3">Tabela 3</a>. </P >     <p>&nbsp;</P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="t3"></a></P >     <p><img src="/img/revistas/aps/v31n3/31n3a01t3.jpg" width="514" height="213"></P >     
<p>&nbsp;</P >     <p>Quando os pais t&ecirc;m concep&ccedil;&otilde;es mais Hol&iacute;sticas sobre o processo de aprendizagem da linguagem escrita, t&ecirc;m tend&ecirc;ncia para considerarem o seu papel importante no desenvolvimento de todo o tipo de pr&aacute;ticas, inclusivamente as de ensino e treino (<I>Papel-Pr&aacute;ticas Ensino</I>), apesar de, neste caso, a correla&ccedil;&atilde;o ser mais fraca. Por outro lado, quanto mais acreditam que a aprendizagem &eacute; responsabilidade da escola, maior a tend&ecirc;ncia para atribu&iacute;rem menos import&acirc;ncia ao seu papel. No que se refere &agrave;s concep&ccedil;&otilde;es <I>Tecnicistas-Pr&aacute;ticas </I>sobre a aprendizagem da linguagem escrita, estas surgiram significativamente relacionadas com a import&acirc;ncia atribu&iacute;da pelos pais ao seu papel no desenvolvimento das actividades de treino e ensino (<I>Papel-Pr&aacute;ticas Ensino</I>). </P >     <p><I>Pr&aacute;ticas de Literacia e Cren&ccedil;as dos Pais </I></P >    <p>Os dados relativos &agrave;s cren&ccedil;as apontam para alguma diversidade dos pais, onde parece n&atilde;o existir uma clivagem clara entre concep&ccedil;&otilde;es mais hol&iacute;sticas por um lado e tecnicistas por outro. Esta diversidade tamb&eacute;m transparece ao n&iacute;vel das pr&aacute;ticas que os pais referem desenvolver, parecendo coexistir pr&aacute;ticas de literacia, com o envolvimento dos filhos, claramente diferenciadas. Com o intuito de explorar melhor estes aspectos e compreender eventuais rela&ccedil;&otilde;es entre pr&aacute;ticas de literacia familiar e concep&ccedil;&otilde;es dos pais utiliz&aacute;mos uma <I>an&aacute;lise de clusters </I>tendo em conta as vari&aacute;veis parentais (cren&ccedil;as aprendizagem, cren&ccedil;as papel e pr&aacute;ticas de literacia). Dessa an&aacute;lise resultaram tr&ecirc;s <I>clusters </I>cujas caracter&iacute;sticas passaremos a apresentar quer no que se refere &agrave;s pr&aacute;ticas desenvolvidas quer &agrave;s suas cren&ccedil;as e tamb&eacute;m a alguns indicadores dos ambientes de literacia. </P >    <p>No que se refere &agrave;s pr&aacute;ticas de literacia familiar com envolvimento dos filhos, a caracteriza&ccedil;&atilde;o para os 3 <I>clusters </I>est&aacute; apresentada no gr&aacute;fico da <a href="#f2">Figura 2</a>. Uma leitura global dos dados permite-nos constatar diferen&ccedil;as entre os grupos para os v&aacute;rios tipos de pr&aacute;ticas, sendo estas confirmadas estatisticamente pelo teste <I>Kruskal-Wallis </I>[Dia-a-dia: &chi;<Sup><I>2</I></Sup>(2, <I>n</I>=159)=267.7, <I>p</I>&lt;.001; Entretimento: &chi;<Sup><I>2</I></Sup>(2, <I>n</I>=159)=74.7, <I>p</I>&lt;.001); Treino: &chi;<Sup><I>2</I></Sup>(2, <I>n</I>=159)=55.5, <I>p</I>&lt;.001]. </P >    <p>&nbsp;</P >     <p><a name="f2"></a></P >     <p><img src="/img/revistas/aps/v31n3/31n3a01f2.jpg" width="426" height="228"></P >     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</P >     <p>Uma an&aacute;lise comparativa dos perfis dos grupos permite-nos verificar que para os pais inclu&iacute;dos nos <I>clusters </I>1 e 3 estes perfis s&atilde;o muito semelhantes evidenciando baixa frequ&ecirc;ncia de pr&aacute;ticas do Dia-a-Dia e de Entretimento. Contudo, diferenciam-se nas pr&aacute;ticas de Treino j&aacute; que os pais do <I>cluster </I>1 desenvolvem significativamente mais pr&aacute;ticas deste tipo, em ambiente familiar com os seus filhos (<I>p</I>&lt;0.001). Por outro lado, os pais integrados no <I>cluster </I>2, diferenciam-se significativamente (<I>p</I>&lt;0.001) dos pais dos outros dois <I>clusters </I>por desenvolverem com mais frequ&ecirc;ncia actividades de qualquer um dos tr&ecirc;s tipos. Com base nestas caracter&iacute;sticas opt&aacute;mos por denominar o <I>cluster </I>1 por <I>Pr&aacute;ticas de Treino </I>uma vez que estas s&atilde;o as &uacute;nicas actividades desenvolvidas por estes pais com os seus filhos com alguma regularidade. Quanto ao <I>cluster </I>2, uma vez que os pais que o integram s&atilde;o os que em m&eacute;dia desenvolvem mais frequentemente qualquer tipo de pr&aacute;ticas, denomin&aacute;mos por <I>Altas Pr&aacute;ticas. </I>Por &uacute;ltimo o <I>cluster </I>3, onde todos os tipos de pr&aacute;ticas surgem com pouca frequ&ecirc;ncia, ser&aacute; o de <I>Baixas Pr&aacute;ticas</I>. </P >     <p>A compara&ccedil;&atilde;o das cren&ccedil;as dos pais destes tr&ecirc;s grupos encontra-se apresentada no gr&aacute;fico da <a href="#f3">Figura 3</a>. Nesse gr&aacute;fico est&atilde;o apresentados os seus perfis relativos aos dois tipos de cren&ccedil;as analisadas neste estudo: Cren&ccedil;as sobre a Aprendizagem e Cren&ccedil;as sobre o Papel dos pais. </P >    <p>&nbsp;</P >     <p><a name="f3"></a></P >     <p><img src="/img/revistas/aps/v31n3/31n3a01f3.jpg" width="429" height="301"></P >     
<p>&nbsp;</P >     <p>A an&aacute;lise da diferencia&ccedil;&atilde;o dos perfis mostrou-se globalmente significativa n&atilde;o s&oacute; para cren&ccedil;as sobre a Aprendizagem nas suas tr&ecirc;s vertentes [Aprend. Hol&iacute;stica: &chi;<Sup><I>2</I></Sup>(2, <I>n</I>=194)=26.79, <I>p</I>&lt;.001; Aprend. Tecnicista-Pr&aacute;ticas: &chi;<Sup><I>2</I></Sup>(2, <I>n</I>=191)=6.61, <I>p</I>&lt;.05; Aprend. Tecnicista-Escola: &chi;<Sup><I>2</I></Sup>(2, <I>n</I>=191)=25.7, <I>p</I>&lt;.001] como tamb&eacute;m para as v&aacute;rias vertentes das cren&ccedil;as de Papel [<I>Papel-Pr&aacute;ticas Hol&iacute;sticas</I>: &chi;<Sup><I>2</I></Sup>(2, <I>n</I>=195)=19.7, <I>p</I>&lt;.001; <I>Papel-Leitura Hist&oacute;rias: </I>&chi;<Sup><I>2</I></Sup>(2, <I>n</I>=195)=24.3, <I>p</I>&lt;.001; <I>Papel Pr&aacute;ticas Ensino: </I>&chi;<Sup><I>2</I></Sup>(2, <I>n</I>=195)=32.5, <I>p</I>&lt;.001]. </P >     <p>Os <I>clusters </I>1 e 2 (<I>Pr&aacute;ticasTreino e Altas Pr&aacute;ticas</I>) apresentam perfis muito semelhantes diferenciando-se somente nas suas concep&ccedil;&otilde;es tecnicistas quer sobre a Aprendizagem quer sobre o Papel dos pais no Ensino (<I>p</I>&lt;0.001). Coerentemente os pais do grupo <I>Pr&aacute;ticas Treino </I>apresentam concep&ccedil;&otilde;es mais tecnicistas do que os pais do grupo <I>Altas Pr&aacute;ticas</I>. O cluster 3 (<I>Baixas Pr&aacute;ticas</I>) &eacute; o que apresenta o perfil mais diferenciado pois nas concep&ccedil;&otilde;es sobre a aprendizagem &eacute; o que tem cren&ccedil;as menos Hol&iacute;sticas (<I>p</I>&lt;0.001) e o que atribui um papel mais exclusivo &agrave; Escola neste processo (<I>p</I>&lt;0.001). Por outro lado evidencia valores significativamente mais baixos do que os outros, sobre o Papel dos Pais no envolvimento dos seus filhos nas v&aacute;rias actividades consideradas (<I>p</I>&lt;0.001). De notar que para os pais do <I>cluster 3 </I>(Baixas Pr&aacute;ticas), s&atilde;o consistentes as suas cren&ccedil;as sobre o Papel dos Pais e sobre o Papel da Escola na aprendizagem, e a forma como referem envolver os seus filhos em actividades de literacia em casa. Uma vez que consideram elevado o papel exclusivo da Escola, atribuem menos import&acirc;ncia &agrave; participa&ccedil;&atilde;o dos pais e tamb&eacute;m desenvolvem menos actividades de leitura e escrita. O grupo das <I>Altas Pr&aacute;ticas</I>, que refere desenvolver com mais frequ&ecirc;ncia todo o tipo de pr&aacute;ticas, atribui bastante import&acirc;ncia ao papel dos pais nas v&aacute;rias vertentes, embora um pouco menos na do Ensino. Coerentemente &eacute; este grupo que atribui menos responsabilidade exclusiva &agrave; escola para a aprendizagem. Surgem no seio deste grupo as concep&ccedil;&otilde;es mais hol&iacute;sticas sobre a aprendizagem da linguagem escrita. </P >     <p><I>Ambientes de Literacia </I></P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Para al&eacute;m da caracteriza&ccedil;&atilde;o das pr&aacute;ticas de literacia familiar e das concep&ccedil;&otilde;es dos pais dos tr&ecirc;s <I>clusters </I>procur&aacute;mos tamb&eacute;m verificar se as particularidades de cada um destes grupos estariam associadas a eventuais diferen&ccedil;as noutros aspectos dos ambientes de literacia na fam&iacute;lia: idade de in&iacute;cio de actividades partilhadas de leitura e de escrita; tempo utilizado nessas actividades; quantidade de livros existentes em casa. </P >    <p>Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; <I>idade de in&iacute;cio de leitura e da escrita </I>verific&aacute;mos, num primeiro momento, que existem diferen&ccedil;as entre os tr&ecirc;s grupos de pais tanto na idade de in&iacute;cio da leitura [&chi;<Sup><I>2</I></Sup>(2, <I>n</I>=197)=11.5, <I>p</I>&lt;.003] como na da escrita [&chi;<Sup><I>2</I></Sup>(2, <I>n</I>=196)=15.5, <I>p</I>&lt;.001]. S&atilde;o os pais do grupo A<I>ltas Pr&aacute;ticas </I>(<I>cluster 2) </I>que iniciam mais cedo actividades partilhadas com os seus filhos, diferenciando-se significativamente na idade da leitura do grupo de <I>Pr&aacute;ticas de Treino </I>(<I>p</I>=0.005) e na de escrita do grupo de <I>Baixas Pr&aacute;ticas </I>(<I>p</I>&lt;0.001). </P >    <p>No que diz respeito ao <I>tempo dedicado &agrave; leitura e escrita </I>junto dos filhos os tr&ecirc;s grupos de pais tamb&eacute;m diferem significativamente neste indicador [Tempo leitura, &chi;<Sup><I>2</I></Sup>(2, <I>n</I>=196)=18.079, <I>p</I>&lt;.001; Tempo escrita, &chi;<Sup><I>2</I></Sup>(2, <I>n</I>=195)=40.282, <I>p</I>&lt;.001). Os pais do grupo A<I>ltas Pr&aacute;ticas </I>diferencia-se significativamente dos outros dois grupos disponibilizando mais tempo de leitura e de escrita com os seus filhos (<I>p</I>&lt;.01). De assinalar que n&atilde;o foram significativas as diferen&ccedil;as de tempo de leitura nem de escrita entre os grupos <I>Baixas Pr&aacute;ticas </I>e <I>Pr&aacute;ticas de Treino, </I>embora os pais do grupo <I>Pr&aacute;ticas de Treino </I>referissem disponibilizar mais tempo com os seus filhos a ler e escrever. </P >    <p>Para a quantidade de livros existentes em casa constat&aacute;mos existirem diferen&ccedil;as significativas entre os tr&ecirc;s grupos na quantidade de livros infantis [&chi;<Sup><I>2</I></Sup>(2, <I>n</I>=198)=9.982, <I>p</I>=.007] e na quantidade de livros para adultos [&chi;<Sup><I>2</I></Sup>(2, <I>n</I>=197)=11.220, <I>p</I>=.004]. Novamente os pais do grupo A<I>ltas Pr&aacute;ticas </I>referem possuir mais livros que os outros dois grupos de pais sendo essas diferen&ccedil;as na quantidade estatisticamente significativa na compara&ccedil;&atilde;o com qualquer um desses grupos (<I>p</I>&lt;0.05). </P >    <p>DISCUSS&Atilde;O DOS RESULTADOS </P >    <p>A caracteriza&ccedil;&atilde;o das pr&aacute;ticas de literacia permitiu real&ccedil;ar alguma diversidade nas interac&ccedil;&otilde;es dos pais com os filhos em torno da literacia. Como pudemos constatar, os pais desenvolvem mais pr&aacute;ticas de treino/ensino ou pr&aacute;ticas formais que se sustentam em crit&eacute;rios mais convencionais e tecnicistas da linguagem escrita e que j&aacute; tinham tamb&eacute;m sido identificadas em outras investiga&ccedil;&otilde;es (e.g., Hanney &amp; Hill, 2004; Norman, 2007; S&eacute;n&eacute;chal &amp; LeFevre, 2002; S&eacute;n&eacute;chal, LeFevre, Smith-Chant, &amp; Colton, 2001). Entre estas pr&aacute;ticas, os pais salientam, sobretudo as ligadas ao nome da crian&ccedil;a e as relacionadas com o conhecimento e identifica&ccedil;&atilde;o das letras (e.g., dizer nome das letras, escrever letras). Parece assim que, tal como afirmam Haney e Hill (2004) os pais se sentem familiarizados e &agrave; vontade com as actividades que a aprendizagem das letras e portanto tendem a desenvolv&ecirc;-las com mais regularidade. </P >    <p>&Agrave; semelhan&ccedil;a do verificado em outras investiga&ccedil;&otilde;es (e.g., Kassow, 2006; Korat, Klein, &amp; Segal-Drori, 2007; Mata, 2006; S&eacute;n&eacute;chal &amp; Young, 2008) tamb&eacute;m constat&aacute;mos que nestas fam&iacute;lias se desenvolviam com regularidade pr&aacute;ticas l&uacute;dicas e de entretenimento, destacando-se entre estas a actividade de leitura de hist&oacute;rias. A import&acirc;ncia das hist&oacute;rias e o papel da fam&iacute;lia nesta actividade tem sido amplamente documentados na literatura considerando-se que pode ter um impacto importante no processo de desenvolvimento e aprendizagem da literacia (e.g., Kassow, 2006; Korat et al., 2007; Mata, 2006; Reese, Sparks &amp; Leyva, 2010; S&eacute;n&eacute;chal &amp; Young, 2008). </P >    <p>Um outro tipo de pr&aacute;ticas de literacia, menos abordado na literatura, tamb&eacute;m foi identificado como fazendo parte da literacia destas fam&iacute;lias, n&atilde;o ocorrendo t&atilde;o frequentemente como os mencionados anteriormente. Embora na sua globalidade estas fam&iacute;lias referissem integrar menos os seus filhos em situa&ccedil;&otilde;es de leitura e escrita enquadradas nas suas rotinas di&aacute;rias (dia-a-dia), isso acontece com alguma regularidade em v&aacute;rias fam&iacute;lias e em actividades diversificadas como o ler receitas, as listas de compras ou a leitura de r&oacute;tulos de embalagens. No entanto, parece-nos importante real&ccedil;ar que a pouca regularidade de actividades ligadas ao quotidiano aponta no sentido de que o envolvimento das crian&ccedil;as se faz pouco em actividades utilit&aacute;rias e funcionais, podendo n&atilde;o facilitar a compreens&atilde;o dos objectivos e funcionalidade da linguagem escrita. Ora esta compreens&atilde;o tem sido apontada por muitos autores como um aspecto importante no desempenho e na facilita&ccedil;&atilde;o da aprendizagem da leitura e da escrita (e.g., Alves Martins, 1994, 1996; Chauveau &amp; Rogovas-Chauveau, 2001). </P >    <p>Por &uacute;ltimo, parece-nos que &eacute; de real&ccedil;ar a import&acirc;ncia de se caracterizarem os diferentes tipos de pr&aacute;ticas, pois s&oacute; assim se consegue ter uma compreens&atilde;o mais alargada da literacia nas fam&iacute;lias e compreender eventuais dificuldades na sua implementa&ccedil;&atilde;o. A utiliza&ccedil;&atilde;o de uma medida &uacute;nica de pr&aacute;ticas poderia anular a compreens&atilde;o da diversidade e das particularidades de cada um destes tipos de pr&aacute;ticas. Esta diferencia&ccedil;&atilde;o poder&aacute; tamb&eacute;m ser importante pois permite analisar o papel diferenciado que cada tipo de pr&aacute;ticas poder&aacute; ter na facilita&ccedil;&atilde;o do processo de descoberta e apropria&ccedil;&atilde;o da linguagem escrita por parte das crian&ccedil;as tal como alguns estudos t&ecirc;m procurado real&ccedil;ar (Hood, Conlon, &amp; Andrews, 2008; Mata &amp; Pacheco, 2009; S&eacute;n&egrave;chal, 2006). </P >    <p>As cren&ccedil;as dos pais foram analisadas em duas vertentes, aprendizagem da linguagem escrita e papel dos pais. A necessidade de uma an&aacute;lise separada de v&aacute;rias vertentes associadas &agrave;s cren&ccedil;as, j&aacute; tinha sido real&ccedil;ada por Bingham (2007) quando alertou para o facto de que muitos dos instrumentos usados inclu&iacute;am aspectos muito diferenciados como a auto-efic&aacute;cia, ideias sobre pr&aacute;ticas de literacia, atitudes, processo de aprendizagem, papel dos pais e dos professores, etc. Mantendo esta multiplicidade de aspectos num instrumento, sem os analisar em separado n&atilde;o permitiria compreender como as cren&ccedil;as dos pais est&atilde;o relacionadas com os comportamentos e as pr&aacute;ticas que desenvolvem (Bingham, 2007). Por outro lado, alguns trabalhos no &acirc;mbito do envolvimento parental na escolaridade dos filhos t&ecirc;m mostrado que as concep&ccedil;&otilde;es de papel s&atilde;o importantes para a compreens&atilde;o do tipo e formas de envolvimento dos pais (Green, Walker, Hoover-Dempsey, &amp; Sandler, 2007; Pedro, 2010). Assim, a an&aacute;lise que fizemos separando duas vertentes de cren&ccedil;as sobre a literacia (aprendizagem e papel dos pais) mostrou-se importante e evidenciou a complementaridade destas vari&aacute;veis e a sua import&acirc;ncia para uma compreens&atilde;o abrangente da literacia familiar. </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No que se refere &agrave;s cren&ccedil;as sobre a aprendizagem da leitura e escrita, os resultados evidenciaram, &agrave; semelhan&ccedil;a do estudo de Lynch et al. (2006) que os pais revelavam predominante mente ideias hol&iacute;sticas sobre a aprendizagem da leitura e escrita, valorizando abordagens assentes em actividades contextualizadas e funcionais. Contudo, o facto de n&atilde;o utilizarmos uma medida &uacute;nica de concep&ccedil;&otilde;es, mas v&aacute;rias dimens&otilde;es diferentes, permitiu-nos analisar em simult&acirc;neo tamb&eacute;m a vertente mais tecnicista das suas concep&ccedil;&otilde;es. Assim, constat&aacute;mos que actividades mais mecanicistas, somente direccionadas para o treino (Aprend. Tecnicista-Pr&aacute;ticas) foram globalmente consideradas como menos importantes por parte destes pais, embora seja evidente a sua valoriza&ccedil;&atilde;o. De certa forma, parece-nos que os resultados v&atilde;o ao encontro de algumas investiga&ccedil;&otilde;es que j&aacute; apontavam para o facto de poderem coexistir nas concep&ccedil;&otilde;es dos pais os dois tipos de cren&ccedil;as, incluindo elementos de uma perspectiva <I>top-down </I>(Aprend. Hol&iacute;sticas) e outros de uma perspectiva <I>bottom-up </I>(Aprend. Tecnicistas) (e.g., DeBaryshe et al., 2000; Norman, 2007). Assim, os pais parecem percepcionar o desenvolvimento da literacia n&atilde;o de modo isolado nem extremado, mas na complementaridade das dimens&otilde;es referidas. Segundo DeBaryshe et al. (2000, p. 129) &ldquo;<I>most parents held eclectic views on early literacy instruction... thus, parents endorse what many reading educators see as optimal practice &ndash; the simultaneous focus on top-down and bottom-up strategies</I>&rdquo;. De real&ccedil;ar tamb&eacute;m que os pais n&atilde;o valorizaram a vertente que considerava que a aprendizagem da leitura e escrita deveria ser feita exclusivamente na escola, com actividades espec&iacute;ficas deste contexto (Aprend. Tecnicistas-Escola). Estes dados relativos &agrave;s cren&ccedil;as sobre a aprendizagem s&atilde;o coerentes com os das cren&ccedil;as de papel, uma vez que os pais, de um modo geral consideram que &eacute; seu papel e responsabilidade, envolver os filhos em diversas actividades e situa&ccedil;&otilde;es de leitura e escrita. Os nossos resultados mostraram que os pais valorizaram bastante o seu papel tanto na leitura de hist&oacute;rias aos filhos (<I>Papel-Leitura de Hist&oacute;rias</I>) como no envolvi mento dos filhos em actividades de literacia integradas nas suas vidas e funcionais (<I>Papel-Pr&aacute;ticas Hol&iacute;sticas</I>). Por &uacute;ltimo, embora com menor import&acirc;ncia, estes pais consideraram seu papel ensinarem os filhos de um modo mais estruturado e at&eacute; formal (<I>Papel-Pr&aacute;ticas Ensino</I>). O facto de valorizarem o seu papel nestas tr&ecirc;s &aacute;reas distintas poder&aacute; ser importante pois Bingham (2007) real&ccedil;a que as rela&ccedil;&otilde;es das cren&ccedil;as com as pr&aacute;ticas s&atilde;o espec&iacute;ficas a cada dom&iacute;nio e n&atilde;o s&atilde;o generaliz&aacute;veis entre dom&iacute;nios. Assim, ao conhecerem-se as diferentes cren&ccedil;as, poder-se-&aacute; compreender melhor a actua&ccedil;&atilde;o dos pais e eventualmente at&eacute; as raz&otilde;es de maior ou menor frequ&ecirc;ncia de determinadas actividades e a presen&ccedil;a ou aus&ecirc;ncia de caracter&iacute;sticas espec&iacute;ficas dos ambientes de literacia familiar. </P >     <p>Ao procurarmos analisar as rela&ccedil;&otilde;es entre cren&ccedil;as sobre a aprendizagem e cren&ccedil;as de papel pudemos constatar associa&ccedil;&otilde;es positivas e significativas entre as cren&ccedil;as de aprendizagem hol&iacute;sticas e as tr&ecirc;s vertentes de cren&ccedil;as sobre o papel dos pais. Assim, quanto mais os pais acreditavam numa abordagem funcional e l&uacute;dica da aprendizagem (Aprend. Hol&iacute;sticas) mais consideravam ser seu papel desenvolver actividades de leitura de hist&oacute;rias (Papel-Hist&oacute;rias), pr&aacute;ticas contextualizadas e funcionais (Papel-Hol&iacute;sticas) e at&eacute; mesmo pr&aacute;ticas de ensino e treino (Papel-Ensino), embora neste caso a associa&ccedil;&atilde;o fosse mais fraca. Este facto parece evidenciar uma responsabilidade pessoal na integra&ccedil;&atilde;o dos filhos em actividades diversificadas em casa, com m&uacute;ltiplas fun&ccedil;&otilde;es e mobilizando diferentes estrat&eacute;gias para a sua execu&ccedil;&atilde;o. De real&ccedil;ar a semelhan&ccedil;a entre estas associa&ccedil;&otilde;es e as caracter&iacute;sticas apontadas por Weigel et al. (2006) das m&atilde;es com cren&ccedil;as chamadas de facilitadoras. Para os autores, estas eram m&atilde;es que por um lado acreditavam que as crian&ccedil;as poderiam aprender atrav&eacute;s de diferentes actividades incluindo a leitura de livros; por outro lado acreditavam no seu papel em proporcionar oportunidades de aprendizagem e em ensinar os seus filhos. Embora Weigel et al. (2006) n&atilde;o tenham considerado diferentes tipos de cren&ccedil;as, os indicadores que referem na descri&ccedil;&atilde;o dos dois grupos de m&atilde;es identificados no seu estudo claramente reenviam para aspectos relacionados quer com cren&ccedil;as sobre a aprendizagem e quer com cren&ccedil;as de papel. </P >    <p>No nosso estudo verific&aacute;mos ainda que os pais quanto mais acreditam que a aprendizagem &eacute; da responsabilidade da escola (Aprend. Tecnicistas-Escola), maior a tend&ecirc;ncia para atribu&iacute;rem menos import&acirc;ncia ao seu papel, reflectindo-se isso em associa&ccedil;&otilde;es significativas negativas com as tr&ecirc;s vertentes de cren&ccedil;as sobre o papel dos pais. Estes dados corroboram tamb&eacute;m uma das conclus&otilde;es do estudo de Weigel et al. (2006) onde as m&atilde;es que apresentavam um estilo parental mais convencional, orientado para o ensino, tendiam a atribuir um papel primordial &agrave; escola, acreditando que pouco podiam fazer para contribuir para a aprendizagem dos filhos e relatando dificuldades para o fazerem. </P >    <p>Considerando em simult&acirc;neo as vari&aacute;veis relativas &agrave;s pr&aacute;ticas de literacia familiar e &agrave;s cren&ccedil;as dos pais, a an&aacute;lise de <I>clusters </I>efectuada permitiu-nos compreender de modo mais aprofundado as rela&ccedil;&otilde;es entre estas vari&aacute;veis. Desta an&aacute;lise pudemos isolar tr&ecirc;s grupos de pais, com algumas particularidades relativamente &agrave;s pr&aacute;ticas de literacia familiar e &agrave;s suas concep&ccedil;&otilde;es sobre a aprendizagem da literacia e o seu papel e responsabilidade nesse processo. No que se refere &agrave;s pr&aacute;ticas de literacia familiar estes tr&ecirc;s <I>clusters </I>apresentavam caracter&iacute;sticas distintas e com algum paralelismo com os grupos identificados por Phillips e Lonigan (2009), apesar de estes autores terem utilizado instrumentos claramente diferentes dos nossos. Assim, o grupo Altas Pr&aacute;ticas (<I>cluster </I>2) que no nosso caso desenvolvia com mais frequ&ecirc;ncia actividades do dia-a-dia, de entretimento e de treino, pode ser considerado semelhante ao que os autores denominaram de &lsquo;high-high&rsquo; onde se integravam pais que se focavam quer em actividades de ensino quer em leitura e partilha de actividades de literacia (Phillips &amp; Lonigan, 2009). O grupo que denomin&aacute;mos de Pr&aacute;ticas de Treino (cluster 1) tamb&eacute;m apresenta algum paralelismo com o que os autores referiram como &lsquo;low-high&rsquo; e que se centravam mais em actividades de ensino e menos em pr&aacute;ticas integradas. Por fim o nosso grupo Baixas Pr&aacute;ticas (<I>cluster </I>3) semelhante ao &lsquo;low-low&rsquo; de Phillips e Lonigam (2009) e que, em ambos os estudos, desenvolviam menos qualquer tipo de abordagem, directa ou indirecta, &agrave; literacia, quer na sua forma mais integrada ou centrada no treino e ensino. Tamb&eacute;m Mata e Pacheco (2009), utilizando uma metodologia diferente, identificaram tr&ecirc;s grupos com caracter&iacute;sticas semelhantes aos referidos anteriormente, no que se refere &agrave;s pr&aacute;ticas. Contudo, nesse estudo as autoras procuraram identificar eventuais rela&ccedil;&otilde;es entre as pr&aacute;ticas e as compet&ecirc;ncias emergentes de literacia das crian&ccedil;as. Constataram que as crian&ccedil;as, cujos pais integravam o grupo que desenvolvia mais pr&aacute;ticas dos v&aacute;rios tipos, se diferenciavam positivamente das outras em v&aacute;rios indicadores de apropria&ccedil;&atilde;o da linguagem escrita, real&ccedil;ando-se assim a import&acirc;ncia das pr&aacute;ticas de literacia familiar no desenvolvimento da literacia emergente das crian&ccedil;as, e a necessidade de se proceder &agrave; sua an&aacute;lise considerando os diferentes tipos. </P >    <p>Para uma melhor compreens&atilde;o sobre o que leva os pais a desenvolverem mais um ou outro tipo de actividades de literacia com os seus filhos, procedemos &agrave; an&aacute;lise das suas concep&ccedil;&otilde;es. Esta an&aacute;lise permitiu-nos uma compreens&atilde;o mais abrangente das caracter&iacute;sticas dos pais integrados em cada um dos tr&ecirc;s <I>clusters </I>identificados neste estudo. O primeiro aspecto a real&ccedil;ar parece-nos ser, que, apesar de algumas diferen&ccedil;as significativas entre os grupos, n&atilde;o parece existir uma associa&ccedil;&atilde;o linear entre cren&ccedil;as e pr&aacute;ticas. Por exemplo, os pais do grupo de Pr&aacute;ticas de Treino para al&eacute;m de possu&iacute;rem elevadas cren&ccedil;as tecnicistas, tamb&eacute;m possuem altas cren&ccedil;as hol&iacute;sticas quer sobre a aprendizagem quer sobre o seu papel. Um fen&oacute;meno semelhante se verifica com os pais de Altas Pr&aacute;ticas que possuem elevadas concep&ccedil;&otilde;es hol&iacute;sticas, mas tamb&eacute;m tecnicistas. Estes dados parecem assim apontar para o facto que Norman (2007) j&aacute; tinha alertado, de as cren&ccedil;as dos pais n&atilde;o terem que ser necessariamente de um tipo ou de outro e poderem coexistir cren&ccedil;as que reenviam para actividades e processos com caracter&iacute;sticas distintas. </P >    <p>Apesar de se verificar esta coexist&ecirc;ncia n&atilde;o podemos afirmar que entre os tr&ecirc;s grupos se verificou homogeneidade quanto &agrave;s suas cren&ccedil;as. Claramente o grupo de Baixas Pr&aacute;ticas (<I>cluster </I>3) valoriza menos o papel dos pais nas v&aacute;rias vertentes das pr&aacute;ticas, tanto de hist&oacute;rias, como hol&iacute;sticas ou mesmo de ensino. Coerentemente este grupo de pais &eacute; o que atribui mais responsabilidade exclusiva &agrave; escola (Aprend. Tecnicista Escola) no processo de aprendizagem da linguagem escrita. Os pais dos grupos Altas Pr&aacute;ticas e Pr&aacute;ticas Treino, apresentam concep&ccedil;&otilde;es muito semelhantes sobre a aprendizagem e sobre o seu papel, diferenciando-se somente em dois par&acirc;metros. Os pais do grupo Pr&aacute;ticas de Treino valorizam mais o seu Papel no Ensino e consideram mais importantes as abordagens tecnicistas (Aprend. Tecnicista Pr&aacute;ticas) no processo de aprendizagem. De real&ccedil;ar que, apesar desta maior valoriza&ccedil;&atilde;o, isto n&atilde;o significa que os outros pais desvalorizem estes aspectos. Estas particularidades nas associa&ccedil;&otilde;es entre os diferentes tipos de cren&ccedil;as e as pr&aacute;ticas de literacia s&atilde;o importantes e permitem uma compreens&atilde;o mais aprofundada e complementar &agrave; de outros trabalhos (DeBaryshe, 1995; Lynch et al., 2006; Weigel et al., 2006) que j&aacute; tinham apontado para algumas rela&ccedil;&otilde;es entre cren&ccedil;as e pr&aacute;ticas. Atrav&eacute;s de uma an&aacute;lise de diferentes tipos e vertentes de cren&ccedil;as, conseguimos diferenciar padr&otilde;es que nos permitiram uma melhor compreens&atilde;o do que os pais pensam sobre o seu papel na aprendizagem da literacia e sobre o que fazem com os seus filhos. </P >    <p>Contudo, para al&eacute;m das actividades concretas, existem outros indicadores dos ambientes de literacia que s&atilde;o importantes, pois poder&atilde;o reflectir a riqueza dos mesmos, e dar informa&ccedil;&otilde;es adicionais sobre as caracter&iacute;sticas dos ambientes familiares. Por outro lado poder&atilde;o estar associados &agrave;s cren&ccedil;as, tal como Phillips e Lonigan (2009, p. 166) real&ccedil;am ao afirmar &ldquo;<I>caregiver beliefs, stylistic characteristics, and motivations for their own behavioral choices related to how they structure the home literacy environment</I>&rdquo;. Tom&aacute;mos ent&atilde;o como indicadores do ambiente de literacia, a idade de in&iacute;cio de actividades de leitura e escrita partilhadas com os filhos, o tempo despendido nessas actividades e a quantidade de livros existentes em casa e fomos analisar se os tr&ecirc;s <I>clusters </I>se diferenciavam. De referir que os pais de Altas Pr&aacute;ticas se diferenciaram significativamente dos outros, n&atilde;o s&oacute; por iniciarem mais precocemente, como por usarem mais tempo e possu&iacute;rem mais livros. A import&acirc;ncia destes dados pode ser sustentada, entre outros aspectos, pelos trabalhos sobre leitura de hist&oacute;rias pois, estes indicadores, em grande parte, s&atilde;o medidas indirectas do contacto com o livro e com as hist&oacute;rias. Por exemplo, a quantidade de livros infantis existentes em casa tem sido considerado como um indicador poss&iacute;vel n&atilde;o s&oacute; para caracterizar o ambiente de literacia familiar, mas importante para perceber a rela&ccedil;&atilde;o com as pr&aacute;ticas desenvolvidas pelos pais (e.g., Hood et al., 2008; Mata, 2004; S&eacute;n&eacute;chal &amp; LeF&eacute;vre, 2002). Neste sentido, o Livro parece constituir um recurso e mediador relevante, sobretudo, para os pais que apresentam um perfil de Altas Pr&aacute;ticas. Estes resultados v&ecirc;m ent&atilde;o confirmar uma tend&ecirc;ncia j&aacute; verificada antes, de que os pais do grupo de Altas Pr&aacute;ticas, parecem envolver os filhos mais frequentemente em actividades de entretimento, nomeadamente a leitura de hist&oacute;rias. Esta actividade tem sido considerada como uma experi&ecirc;ncia de literacia informal que promove o desenvolvimento da literacia emergente, desenvolvimento da linguagem e as compet&ecirc;ncias iniciais de leitura, atitudes (e.g., Mata, 2006; Saracho, 2000; S&eacute;n&eacute;chal &amp; Young, 2008). A leitura de hist&oacute;rias poder&aacute; assim, ter um impacto em diferentes aspectos quer de &acirc;mbito mais cognitivo e aprendizagem quer de &acirc;mbito mais afectivo e que se prende com componentes mais motivacionais. Assim, mais uma vez a compreens&atilde;o quer das pr&aacute;ticas dos pais quer das suas cren&ccedil;as, poder&aacute; permitir a facilita&ccedil;&atilde;o deste processo proporcionando oportunidades de ajustamento das suas cren&ccedil;as e expectativas e gradualmente conduzindo a uma diversifica&ccedil;&atilde;o de estrat&eacute;gias e actividades desenvolvidas em ambiente familiar e que reflictam as viv&ecirc;ncias das fam&iacute;lias. </P >    <p>CONSIDERA&Ccedil;&Otilde;ES FINAIS </P >    <p>Sobre os contributos deste estudo salientamos o facto de os nossos resultados real&ccedil;arem a import&acirc;ncias das vari&aacute;veis parentais e as suas rela&ccedil;&otilde;es. Parece-nos importante continuar a considerar as cren&ccedil;as e as pr&aacute;ticas dos pais para melhor compreender a literacia familiar, uma vez que as pr&aacute;ticas de literacia se fundamentam nas ideias impl&iacute;citas que os pais t&ecirc;m sobre a leitura e escrita. Tal como Lynch et al<I>. </I>(2006, p. 2) afirmam &ldquo;<I>parents&rsquo; beliefs may shed light on the types of literacy activities parents engage in with their pre-school age children, and hence our knowledge about the literacy young children bring to school</I>&rdquo;. </P >    <p>Outro contributo do nosso estudo, relativo &agrave; caracteriza&ccedil;&atilde;o das cren&ccedil;as dos pais sobre a aprendizagem da leitura e escrita, prende-se com a elabora&ccedil;&atilde;o de instrumentos que nos permitiram complexificar a sua an&aacute;lise ao considerarmos de forma diferenciada tantos as cren&ccedil;as sobre a aprendizagem da leitura e escrita como sobre a import&acirc;ncia do papel dos pais neste processo de aprendizagem. Parece-nos que esta foi uma mais-valia, pois a clarifica&ccedil;&atilde;o do que os pais pensam ser o seu papel poder&aacute; ajudar na escolha de estrat&eacute;gias e ac&ccedil;&otilde;es mais adequadas de modo a potenciar a sua participa&ccedil;&atilde;o. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Contudo a caracteriza&ccedil;&atilde;o quer das pr&aacute;ticas quer das cren&ccedil;as atrav&eacute;s da utiliza&ccedil;&atilde;o de question&aacute;rios e medidas de auto-relato, como &eacute; usualmente feita, poder&aacute; n&atilde;o permitir uma vis&atilde;o muito clara do que se faz pois este tipo de instrumentos al&eacute;m de serem muito sens&iacute;veis a respostas no sentido da desejabilidade social n&atilde;o permitem uma observa&ccedil;&atilde;o directa do que se passa na realidade. Desta forma, ser&aacute; importante, em estudos futuros, usar em paralelo outro tipo de instrumentos que permitam caracterizar a realidade das fam&iacute;lias (e.g., observa&ccedil;&atilde;o directa do ambiente familiar, das interac&ccedil;&otilde;es entre pais e filhos; recolhas com outros intervenientes). </P >    <p>No que diz respeito &agrave;s implica&ccedil;&otilde;es deste estudo, parece-nos pertinente real&ccedil;ar a sua import&acirc;ncia no &acirc;mbito da parceria escola/fam&iacute;lia e nas pr&aacute;ticas pedag&oacute;gicas desenvolvidas nos jardins de inf&acirc;ncia. </P >    <p>Sobre a relev&acirc;ncia da colabora&ccedil;&atilde;o entre Escola-Fam&iacute;lia, Lynch (2007) real&ccedil;a n&atilde;o s&oacute; a import&acirc;ncia dos educadores conhecerem as pr&aacute;ticas de literacia familiar como tamb&eacute;m as cren&ccedil;as dos pais, de modo a poderem usar estrat&eacute;gias e ac&ccedil;&otilde;es sustentadas nas caracter&iacute;sticas espec&iacute;ficas dos seus ambientes culturais e sociais e se tornarem mais eficazes na sua ac&ccedil;&atilde;o. Neste sentido, a comunica&ccedil;&atilde;o entre pais e educadores torna-se um factor muito importante na aquisi&ccedil;&atilde;o e desenvolvimento da literacia das crian&ccedil;as pois &eacute; uma via fundamental para se conseguir estabelecer uma liga&ccedil;&atilde;o entre a literacia familiar e o trabalho desenvolvido na escola. Segundo Bingham (2007) os pais devem ser percepcionados pela escola como parceiros da educa&ccedil;&atilde;o e os professores deveriam criar uma rela&ccedil;&atilde;o com os pais de forma a dar continuidade e promover o desenvolvimento da literacia das crian&ccedil;as. Sobre este aspecto, Mata (2010) refere que o desafio que se coloca aos t&eacute;cnicos passa por incluir a participa&ccedil;&atilde;o e colabora&ccedil;&atilde;o dos pais de uma forma integrada, valorizando as pr&aacute;ticas de literacia familiar reais e promovendo a intencionalidade dos pais na explora&ccedil;&atilde;o, em conjunto com os filhos, dessas pr&aacute;ticas. </P >    <p>A compreens&atilde;o das formas de pensar e de fazer das fam&iacute;lias permitir&aacute; a valoriza&ccedil;&atilde;o e respeito pela(s) literacia(s) familiar(es), bem como pelas especificidades de cada fam&iacute;lia no processo de utiliza&ccedil;&atilde;o da linguagem escrita. Deste modo, as interven&ccedil;&otilde;es poder&atilde;o centrar-se nas for&ccedil;as de cada fam&iacute;lia e n&atilde;o na uniformiza&ccedil;&atilde;o de pr&aacute;ticas de literacia, que muitas vezes n&atilde;o fazem sentido ou introduzem desconforto nas interac&ccedil;&otilde;es dos pais com os filhos em torno da literacia. </P >     <p>&nbsp;</P >     <p>REFER&Ecirc;NCIAS </P >    <!-- ref --><p>Alves Martins, M (1994). Conceptualiza&ccedil;&otilde;es infantis sobre a linguagem escrita e aprendizagem da leitura. <I>Discursos</I>, <I>8</I>, 53-70.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000119&pid=S0870-8231201300030000100001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Alves Martins, M. (1996). <I>Pr&eacute;-hist&oacute;ria da aprendizagem da leitura</I>. Lisboa: Instituto Superior de Psicologia Aplicada.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000121&pid=S0870-8231201300030000100002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Bingham, G. (2007). Maternal literacy beliefs and de quality of mother-child book-reading interactions: Associations with children&rsquo;s early literacy development. <I>Early Education and Development</I>, <I>18</I>(1), 23-49. </P >     <p>Chauveau, G., Rogovas-Chaveau, E. (2001). Des apprentis lecteurs en difficult&eacute; avant six ans. In G. Chauveau (Ed.), <I>Comprendre l&rsquo;enfant apprenti lecture</I>. <I>Recherches actuelles an psychologie de l&rsquo;&eacute;crit </I>(pp. 32-43). Paris: RETZ. </P >     <!-- ref --><p>DeBaryshe, B. (1995). Maternal beliefs system: Linchpin in the home reading process. <I>Journal Applied Development Psychology</I>, <I>16</I>, 1-20.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000125&pid=S0870-8231201300030000100005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <p>DeBaryshe, B., Binder, J., &amp; Buell, M. (2000). Mother&rsquo;s implicit theories of early literacy instruction: Implications for children&rsquo;s reading and writing. <I>Early Child Development and Care</I>, <I>160</I>, 119-131. </P >    <p>Evans, A., Fox, M.; Cremaso, L., &amp; McKinnon, L. (2004). Beginning reading: The views of parents and teachers of young Children&rsquo;s. <I>Journal of Educational Psychology, 96</I>(1), 130-141. </P >     <p>Green, C., Walker, J., Hoover-Dempsey, K. &amp; Sandler, J. (2007). Parents&rsquo; motivations for involvement and children&rsquo;s education: An empirical test of a theoretical model of parent involvement. <I>Journal of Educational </I><I>Psychology, 99</I>(3), 532-544. </P >     <!-- ref --><p>Haney, M., &amp; Hill, J. (2004). Relationships between parent-teaching activities and emergent literacy in preschool children. <I>Early Child Development and Care</I>, <I>174</I>(3), 215-228.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000130&pid=S0870-8231201300030000100009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <p>Hood, M., Conlon, E., &amp; Andrews, G. (2008). Preschool home literacy practices and children&rsquo;s literacy development: A longitudinal analysis. <I>Journal of Educational Psychology</I>, <I>100</I>(2), 252-271. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Kassow, D. (2006). Parent-child shared book reading &ndash; Quality <I>versus </I>quantity of reading interactions between parents and young children. <I>Talaris Research Institute</I>, <I>1</I>(1), 1-9. </P >     <p>Korat, O., Klein, P., &amp; Segal-Drori, O. (2007). Maternal mediation in book reading, home literacy environment, and children&rsquo;s emergent literacy: A comparison between two social groups. <I>Reading and Writing</I>, <I>20</I>, 361-398. </P >     <!-- ref --><p>Lynch, J. (2007). Learning about literacy: Social factors and reading acquisition. <I>Encyclopedia of language and literacy development </I>(pp. 1-9). London, ON: Canadian Language and Literacy Research Network.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000135&pid=S0870-8231201300030000100013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <p>Lynch, J., Anderson, J., Anderson, A., &amp; Shapiro, J. (2006). Parent&rsquo;s beliefs about young children&rsquo;s literacy development and parents&rsquo; literacy behaviors. <I>Reading Psychology</I>, <I>27</I>, 1-20. </P >    <p>Mata, L. (1999). Literacia &ndash; O papel da fam&iacute;lia na sua apreens&atilde;o. <I>An&aacute;lise Psicol&oacute;gica</I>, <I>17</I>(1), 65-77. </P >    <!-- ref --><p>Mata, L. (2004). Era uma vez... <I>An&aacute;lise Psicol&oacute;gica</I>, <I>22</I>(1), 95-108.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000139&pid=S0870-8231201300030000100016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <p>Mata, L. (2006). <I>Literacia familiar &ndash; Ambiente e descoberta da linguagem escrita</I>. Porto: Porto Editora. </P >    <!-- ref --><p>Mata, L. (2010). Literacia familiar: Diversidade, desafios e pr&iacute;ncipios orientadores. In. L. Salgado (Coord.), <I>A educa&ccedil;&atilde;o de adultos: Uma dupla oportunidade na fam&iacute;lia </I>(pp. 51-58). Lisboa: Ag&ecirc;ncia Nacional para a Qualifica&ccedil;&atilde;o.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000142&pid=S0870-8231201300030000100018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <p>Mata, L., &amp; Pacheco, P. (2009). Caracteriza&ccedil;&atilde;o das pr&aacute;ticas de literacia familiar. In. B. Silva, L. Almeida, A. Lozano, &amp; Uzquiano (Eds.), <I>Actas do X Congresso Galaico-Portugu&ecirc;s de Psicopedagogia </I>(pp.1741-1753), Centro de Investiga&ccedil;&atilde;o em Educa&ccedil;&atilde;o &ndash; CIE, Universidade do Minho, Braga. </P >    <!-- ref --><p>Moreira, M., &amp; Ribeiro, I. (2009). Envolvimento parental na g&eacute;nese do desenvolvimento da literacia. In I. Ribeiro &amp; L. Viana (Orgs.), <I>Dos leitores que temos aos leitores que queremos </I>(pp. 43-74). Coimbra: Almedina.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000145&pid=S0870-8231201300030000100020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <p>Norman, R. (2007<I>). Do parents&rsquo; literacy beliefs and home literacy experiences relate to children&rsquo;s literacy skills? </I>Dissertation for Master of Education. Brigham Young University: Department of Teacher Education. </P >    <!-- ref --><p>Pedro, I. (2010). <I>Fun&ccedil;&otilde;es parentais no processo educativo e de escolariza&ccedil;&atilde;o dos filhos</I>. Disserta&ccedil;&atilde;o apresentada na Faculdade de Psicologia e de Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o da Universidade do Porto para a obten&ccedil;&atilde;o do Grau de Doutor em Psicologia.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000148&pid=S0870-8231201300030000100022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <!-- ref --><p>Phillips, B., &amp; Lonigan, C. (2009). Variations in home literacy environment of preschool children: A cluster analytic approach, <I>Scientific Studies of Reading</I>, <I>13</I>(2), 146-174.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000150&pid=S0870-8231201300030000100023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <p>Reese, E., Sparks, A., &amp; Leyva, D. (2010). A review of parent interventions for preschool children&rsquo;s language and emergent literacy. <I>Journal of Early Childhood Literacy</I>, <I>10</I>(1), 97-117. </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Saracho, O. (2000). Literacy development in the family context. <I>Early Child Development and Care, 165</I>, 107-114.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000153&pid=S0870-8231201300030000100025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >     <!-- ref --><p>S&eacute;n&eacute;chal, M. (2006). Testing the home literacy model: Parent involvment in kindergarten is differentially related to grade 4 reading comprehension, fluency, spelling, and reading for pleasure. <I>Scientific studies of reading</I>, <I>10</I>(1), 59-87.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000155&pid=S0870-8231201300030000100026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <p>S&eacute;n&eacute;chal, M., &amp; LeFevre, J.-A. (2002). Parental involvement in the development of children&rsquo;s reading skill: A five-year longitudinal study. <I>Child Development</I>, <I>73</I>(2), 445-446. </P >    <p>S&eacute;n&eacute;chal, M., &amp; Young, L. (2008). The effect on family literacy interventions on children&rsquo;s acquisition of reading from Kindergarten to grade 3: A meta-analytic review. <I>Review of Educational Research</I>, <I>20</I>(10), 1-28. </P >    <p>S&eacute;n&eacute;chal, M., LeFevre, J.-A., Smith-Chant, B., &amp; Colton, K. (2001). On refining theoretical models of emergent literacy &ndash; The role of empirical evidence. <I>Journal of School Psychology</I>, <I>39</I>(5), 439-460. </P >    <!-- ref --><p>Serpel, R., Sonnenschein, S., Baker, L., &amp; Ganapathy, H. (2002). Intimate culture of families in the early socialization of literacy. <I>Journal of Family Psychology</I>, <I>16</I>(4), 391-405.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000160&pid=S0870-8231201300030000100030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P >    <p>Weigel, D., Martin, S., &amp; Bennett, K. (2006). Mothers&rsquo; literacy beliefs: Connections with the home literacy environment and pres-school children&rsquo;s literacy development. <I>Journal of Early Childhood Literacy</I>, <I>6</I>(2), 191-211. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</P >     <p><a name="0"></a><a href="#top0">Correspond&ecirc;ncia</a></P >     <p>A correspond&ecirc;ncia relativa a este artigo dever&aacute; ser enviada para: Lourdes Mata, ISPA &ndash; Instituto Universit&aacute;rio, Rua Jardim do Tabaco, 34, 1149-041 Lisboa. E-mail: <a href="mailto:lmata@ispa.pt">lmata@ispa.pt</a></P >     <p>&nbsp;</P >     <p>NOTA</P >     <p>Esta investiga&ccedil;&atilde;o foi financiada pela FCT no &acirc;mbito do PEst-OE/PSI/UI0332/2011.</P >      ]]></body><back>
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