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<journal-title><![CDATA[Análise Psicológica]]></journal-title>
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<article-id pub-id-type="doi">10.14417/ap.868</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Transformações da relação afetiva entre o bebê e a educadora na creche]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The present study was conducted from the perspective of Network of Meanings (Rossetti-Ferreira et al., 2004). It aimed identifying the moments in which adults report and distinguish as expressing new meanings in infant-caregiver attachment relationship along the first three months of the babies’ attendance at day care centre. The participants were two caregivers and four mothers with their babies 4 to 9 months old. A total of 60 interviews were carried out with the adults. The data also included field notes and photographs. In the first two weeks, adults reported that babies have observed the social environment in general. At the end of the first month of attendance, it was reported that babies gazed and focused their caregivers. In the second month, there were reports of focused behaviour between each baby and his caregiver. Adults’ reports were constructed under the criterion of presence or absence of certain behaviour that denotes a baby’s preference for a specific caregiver (CAPES).]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Relação afetiva]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>Transforma&ccedil;&otilde;es da rela&ccedil;&atilde;o afetiva entre o beb&ecirc; e a educadora na creche</b>  </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Leila Sanches de Almeida*; Maria Clotilde Rossetti-Ferreira**</b></p>     <p>* UFRJ – Instituto de Psicologia</p>     <p>** USP – Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto</p>     <p><a name="topc0"></a><a href="#c0">Correspond&ecirc;ncia</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>O presente estudo, conduzido na perspectiva da Rede de Significa&ccedil;&otilde;es (Rossetti-Ferreira et al., 2004), teve como objetivo identificar os momentos referidos por educadoras e m&atilde;es como apresentando novos significados na forma do beb&ecirc; e da educadora relacionarem-se nos tr&ecirc;s primeiros meses de inser&ccedil;&atilde;o &agrave; creche. Os sujeitos focais foram quatro beb&ecirc;s (04-09 meses de idade), suas educadoras e m&atilde;es. Realizou-se 60 entrevistas, utilizou-se um di&aacute;rio de campo e fotografias. Nas duas primeiras semanas, os adultos relataram que os beb&ecirc;s observavam indiscriminadamente o meio social. Na terceira e quarta semanas, o comportamento de observa&ccedil;&atilde;o do beb&ecirc; passou a ser interpretado como focalizado para sua educadora. No segundo m&ecirc;s, foram mencionados comportamentos significados como preferenciais ou exclusivos &agrave; d&iacute;ade. Os relatos foram constru&iacute;dos sob o crit&eacute;rio de o beb&ecirc; manifestar, ou n&atilde;o, prefer&ecirc;ncia pelos cuidados de uma educadora espec&iacute;fica (CAPES).</p>     <p><b>Palavras-chave</b>: Rela&ccedil;&atilde;o afetiva, Significa&ccedil;&otilde;es, Inser&ccedil;&atilde;o em creche,    Apego. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>The present study was conducted from the perspective of Network of Meanings    (Rossetti-Ferreira et al., 2004). It aimed identifying the moments in which    adults report and distinguish as expressing new meanings in infant-caregiver    attachment relationship along the first three months of the babies’ attendance    at day care centre. The participants were two caregivers and four mothers with    their babies 4 to 9 months old. A total of 60 interviews were carried out with    the adults. The data also included field notes and photographs. In the first    two weeks, adults reported that babies have observed the social environment    in general. At the end of the first month of attendance, it was reported that    babies gazed and focused their caregivers. In the second month, there were reports    of focused behaviour between each baby and his caregiver. Adults’ reports were constructed under the criterion    of presence or absence of certain behaviour that denotes a baby’s preference    for a specific caregiver (CAPES).</p>     <p><b>Key-words</b>: Affective relationship, Meanings, Attendance at day care    centre, Attachment. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</p>     <p>Nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, continua crescendo a participa&ccedil;&atilde;o das mulheres brasileiras    no mercado de trabalho. &Eacute; prov&aacute;vel que muitas tenham tido dificuldade de encontrar    uma solu&ccedil;&atilde;o apropriada para assegurar os cuidados di&aacute;rios de seus filhos, durante    o seu hor&aacute;rio de trabalho. Neste panorama, a creche tem assumido um papel de    apoio, enquanto uma das op&ccedil;&otilde;es das mulheres trabalhadoras ou estudantes. Essas    mudan&ccedil;as na organiza&ccedil;&atilde;o familiar e social v&ecirc;m demandando estudos na esfera da    Psicologia do Desenvolvimento e Educa&ccedil;&atilde;o Infantil sobre os cuidados di&aacute;rios    de crian&ccedil;as pequenas fora do lar, tendo em vista garantir condi&ccedil;&otilde;es adequadas    ao seu desenvolvimento, em especial das mais novinhas em seu primeiro ano de    vida (CRESAS, 1991; Melhuish, 2001; NICHD, 1997; Shanahan, Sulloway, &amp; Hofer,    2000). Para que se possa estabelecer ou sugerir crit&eacute;rios qualitativos para    esse tipo de atendimento, &eacute; necess&aacute;rio que se investigue como ocorre o desenvolvimento    da crian&ccedil;a nesse contexto extra familiar. Seguindo esta tend&ecirc;ncia, Eltink (1999)    e Averbuch (1999) investigaram o processo de adapta&ccedil;&atilde;o m&uacute;tua entre os beb&ecirc;s    (e suas fam&iacute;lias) e a creche e constataram que, para as educadoras, a constru&ccedil;&atilde;o    da rela&ccedil;&atilde;o educador-beb&ecirc; &eacute; um dos principais indicadores para a avalia&ccedil;&atilde;o da    adapta&ccedil;&atilde;o &agrave; creche.</p>     <p>As mudan&ccedil;as sociais recentes instauraram a necessidade de novos paradigmas    para se refletir sobre as quest&otilde;es contempor&acirc;neas. A consulta &agrave; literatura sobre    estudos que enfoquem a constitui&ccedil;&atilde;o de rela&ccedil;&otilde;es mostra que, concomitante &agrave;s    investiga&ccedil;&otilde;es que tradicionalmente se fundamentam na teoria do apego, formulada    por Bowlby (1969/1984) em colabora&ccedil;&atilde;o com Ainsworth (Ainsworth, Blehar, Waters,    &amp; Wall, 1978), encontramos estudos que se baseiam em outros paradigmas,    tal como o da complexidade. Consideramos, aqui, que as rela&ccedil;&otilde;es afetivas constituem    um sistema complexo, dial&oacute;gico e caracterizado pela recursividade. Como tal,    devem ser pensadas em contexto. Sendo assim, o presente trabalho investiga a    constru&ccedil;&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o crian&ccedil;a-educadora atrav&eacute;s de uma vis&atilde;o que abre espa&ccedil;o    para a constru&ccedil;&atilde;o de rela&ccedil;&otilde;es afetivas pela crian&ccedil;a em contextos diversos com    pessoas dentro e fora da fam&iacute;lia: a perspectiva da Rede de Significa&ccedil;&otilde;es (Rossetti-Ferreira,    Amorim, Silva, &amp; Carvalho, 2004).</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>O processo de significa&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es afetivas</i></p>     <p>A perspectiva da Rede de Significa&ccedil;&otilde;es (REDSIG) considera que o estabelecimento    de uma rela&ccedil;&atilde;o entre o adulto e a crian&ccedil;a &eacute; fundamental &agrave; sobreviv&ecirc;ncia do beb&ecirc;.    O beb&ecirc; humano &eacute; biologicamente social (Werebe &amp; Nadel-Brulfert, 1986). Sua    imaturidade motora ao nascer n&atilde;o lhe permite que sobreviva de forma aut&ocirc;noma,    o que cria um espa&ccedil;o para a media&ccedil;&atilde;o de um parceiro adulto no cotidiano. &Eacute; ele    quem vai inseri-lo em determinados contextos, vai interpretar o mundo para a    crian&ccedil;a e interpret&aacute;-la para o mundo.</p>     <p>A rela&ccedil;&atilde;o afetiva &eacute; constru&iacute;da atrav&eacute;s de intera&ccedil;&otilde;es sociais desenvolvidas em ambientes variados e, segundo Valsiner (1987), culturalmente organizados e socialmente regulados. A intera&ccedil;&atilde;o &eacute; um espa&ccedil;o para trocas comunicativas, onde certos comportamentos, de ambos os parceiros, s&atilde;o destacados e assumem significados constru&iacute;dos em conjunto. O beb&ecirc; humano participa de rela&ccedil;&otilde;es dial&oacute;gicas, de trocas, de negocia&ccedil;&otilde;es, que possibilitam a constru&ccedil;&atilde;o gradativa de significados e conhecimentos sobre o mundo exterior e o pr&oacute;prio “eu”, desde o nascimento (Lyra &amp; Rossetti-Ferreira, 1995; Rossetti-Ferreira et al., 2004; Schaffer, 1977; Trevarthen, 1977). Ele &eacute; capaz de estabelecer uma rela&ccedil;&atilde;o dial&oacute;gica anterior a qualquer linguagem (Fogel, 1993; Lyra &amp; Rossetti-Ferreira, 1995; Trevarthen, 1977). Isto implica em conferir &agrave;s crian&ccedil;as um papel ativo na constru&ccedil;&atilde;o de rela&ccedil;&otilde;es. Independentemente de seu grau de autonomia ou idade, elas podem alterar ou promover o desenvolvimento do processo de intera&ccedil;&atilde;o (Schaffer, 1977). Entretanto, o conjunto de a&ccedil;&otilde;es poss&iacute;veis de serem realizadas e o fluxo dos comportamentos s&atilde;o delimitados, estruturados, recortados pelo outro. Segundo Valsiner (1987), esses limites pertencem a um repert&oacute;rio coletivo compartilhado por determinada sociedade ou grupo social. Os limites canalizam e dirigem os comportamentos, sentimentos, conhecimentos e motiva&ccedil;&otilde;es, em certas dire&ccedil;&otilde;es e n&atilde;o em outras. Entretanto, os limites podem sofrer modifica&ccedil;&otilde;es, seja ao longo do tempo, seja em diferentes contextos sociais, levando &agrave; constru&ccedil;&atilde;o de novos limites.</p>     <p>V&ecirc;-se que uma rela&ccedil;&atilde;o &eacute; co-constru&iacute;da durante as intera&ccedil;&otilde;es entre os parceiros, podendo seguir diversos caminhos, mas n&atilde;o qualquer um. Ela se desenvolve considerando as expectativas da dupla, ligada ao tempo futuro e dentro de limites e possibilidades culturalmente constru&iacute;dos e que foram impostos de forma concreta pelo meio no aqui-e-agora. Atrav&eacute;s da intera&ccedil;&atilde;o social, constr&oacute;i-se a no&ccedil;&atilde;o de si mesmo e participa-se da constru&ccedil;&atilde;o da individualidade do outro.</p>     <p>A refer&ecirc;ncia a um <i>outro </i>requer que se elucide quem &eacute; este outro e aonde ele se encontra. Na Rede de Significa&ccedil;&otilde;es, a reflex&atilde;o sobre o <i>outro </i>passa a ser uma reflex&atilde;o sobre outros, j&aacute; que se considera que h&aacute; v&aacute;rias pessoas envolvidas no processo de constru&ccedil;&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o afetiva entre a crian&ccedil;a e sua figura de cuidados (por exemplo: pais, av&oacute;s, irm&atilde;os, bab&aacute;s, vizinhos, educadoras, ...). A m&atilde;e &eacute; colocada como uma figura privilegiada, mas n&atilde;o a &uacute;nica, a se posicionar como mediadora na constru&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es da crian&ccedil;a. Tem-se, ainda, que a escolha ou prefer&ecirc;ncia por estar com uma determinada pessoa, em um momento ou local espec&iacute;fico, &eacute; mediada por fatores e significados que coexistem, a despeito de suas naturezas diversas (sejam constru&iacute;dos ao longo do relaciona- mento entre ambos em contextos variados, sejam trazidos de outras rela&ccedil;&otilde;es). Assim, colocam-se as possibilidades de conviv&ecirc;ncia continuada com m&uacute;ltiplas figuras e de freq&uuml;&ecirc;ncia a contextos variados, sem necessariamente haver risco de preju&iacute;zo para o desenvolvimento afetivo-social da crian&ccedil;a. Atrav&eacute;s das intera&ccedil;&otilde;es, de a&ccedil;&otilde;es partilhadas e interdependentes, a rela&ccedil;&atilde;o afetiva com o(s) outro(s) vai sendo co-constru&iacute;da. Ela parece n&atilde;o se restringir inicialmente &agrave; d&iacute;ade m&atilde;e-beb&ecirc;, nem ao ambiente do lar. A creche &eacute; outro contexto poss&iacute;vel para o desenvolvimento infantil.</p>     <p>O presente estudo, portanto, parte da id&eacute;ia de que a rela&ccedil;&atilde;o afetiva na creche entre a educadora e o beb&ecirc; caracteriza-se como um processo cont&iacute;nuo, constru&iacute;do mutuamente. Temos como objetivo descrever este processo a partir de relatos de educadoras e m&atilde;es.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>M&Eacute;TODO</p>     <p><i>Contexto</i></p>     <p>O estudo foi realizado no ber&ccedil;&aacute;rio de uma creche universit&aacute;ria, ao longo de    tr&ecirc;s meses (Almeida, 2001). O ber&ccedil;&aacute;rio, para crian&ccedil;as entre quatro meses e um    ano, tinha capacidade para 17 beb&ecirc;s. O espa&ccedil;o f&iacute;sico do ber&ccedil;&aacute;rio era composto    de: um amplo sol&aacute;rio, sala de ber&ccedil;os anexa &agrave; sala de atividades, um banheiro    e uma sala de refei&ccedil;&otilde;es ligada ao lact&aacute;rio. Durante a realiza&ccedil;&atilde;o do estudo,    foram recebidos 15 beb&ecirc;s, divididos em dois subgrupos: um formado por sete crian&ccedil;as    que ingressaram entre o quarto e o quinto m&ecirc;s de vida e o outro por oito crian&ccedil;as    que ingressaram entre o sexto e o nono m&ecirc;s. Cada subgrupo ficava sob a responsabilidade    de duas educadoras, as quais trabalhavam em turnos alternados (manh&atilde; e tarde).    Uma educadora volante auxiliava-lhes nos hor&aacute;rios de pico. O trabalho das educadoras    era apoiado pela equipe t&eacute;cnica (uma diretora, com forma&ccedil;&atilde;o em psicologia, uma    pedagoga e uma psic&oacute;loga). A creche enfatiza a forma&ccedil;&atilde;o em servi&ccedil;o das educadoras,    de modo que o planejamento anual inclu&iacute;a atividades que visavam o seu aprimoramento    profissional. Tais atividades davam uma &ecirc;nfase especial ao processo de adapta&ccedil;&atilde;o    dos beb&ecirc;s e suas fam&iacute;lias, e as caracter&iacute;sticas infantis que devem ser respeitadas    neste per&iacute;odo. O ingresso das crian&ccedil;as no ber&ccedil;&aacute;rio era feito de forma gradual,    crian&ccedil;a por crian&ccedil;a, ao longo de um m&ecirc;s. Cada beb&ecirc; participou, junto &agrave; m&atilde;e ou    a um familiar, de um programa de inser&ccedil;&atilde;o que durava em m&eacute;dia uma semana. Nos    dois primeiros dias, a crian&ccedil;a era apresentada a apenas uma das educadoras,    s&oacute; vindo a entrar em contato com a educadora do outro turno com o aumento do    seu tempo de perman&ecirc;ncia. &Agrave; medida que este tempo era aumentado, o familiar    que a acompanhava ia diminuindo sua perman&ecirc;ncia no ber&ccedil;&aacute;rio. Contudo, durante    todo o ano era permitido, e mesmo incentivado, que os pais visitassem seus filhos    no hor&aacute;rio de almo&ccedil;o.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><i>Participantes</i></p>     <p>A partir de uma consulta &agrave; pasta dos beb&ecirc;s que come&ccedil;ariam a freq&uuml;entar a creche    em sua primeira semana de funcionamento, selecionaram-se quatro crian&ccedil;as que    permaneceriam na creche em hor&aacute;rio integral, duas de cada subgrupo do ber&ccedil;&aacute;rio.    Todos os beb&ecirc;s selecionados tinham entre quatro e nove meses de idade (quatro    meses e 22 dias; quatro meses e 25 dias; seis meses e 29 dias; e nove meses    e cinco dias), ocupavam a posi&ccedil;&atilde;o de primeiro ou segundo filho e tinham sido    matriculados na creche para que suas m&atilde;es (docentes, funcion&aacute;rias ou estudantes)    pudessem continuar a trabalhar ou concluir seus estudos. Antes de seu ingresso    &agrave; creche, eram cuidados em seus lares por suas m&atilde;es ou membros da pr&oacute;pria fam&iacute;lia.    As m&atilde;es, as outras crian&ccedil;as e adultos presentes nos momentos de coleta de dados    (inclusive a pesquisadora) tamb&eacute;m foram considerados sujeitos (n&atilde;o focais) do    estudo, j&aacute; que participavam da rede de rela&ccedil;&otilde;es do ber&ccedil;&aacute;rio. Foram atribu&iacute;dos    nomes fict&iacute;cios aos participantes do estudo.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Procedimentos</i></p>     <p>A pesquisadora entrou em contato por telefone com as m&atilde;es dos beb&ecirc;s selecionados,    algumas semanas antes do in&iacute;cio de sua freq&uuml;&ecirc;ncia &agrave; creche. Foi-lhes dito, assim    como &agrave;s educadoras, que o estudo de um modo geral objetivava acompanhar durante    tr&ecirc;s meses o processo de adapta&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as &agrave; creche, atrav&eacute;s de entrevistas    e filmagens. Todas as fam&iacute;lias e educadoras consultadas aceitaram participar    do estudo. Ap&oacute;s serem amplamente esclarecidas, as fam&iacute;lias assinaram um formul&aacute;rio    de consentimento informado. Todos os beb&ecirc;s come&ccedil;aram a freq&uuml;entar a creche no    mesmo dia, sendo que dois foram inicialmente apenas no hor&aacute;rio da manh&atilde; e outros    dois &agrave; tarde. Ao longo da coleta de dados, foram conduzidas sete entrevistas    com cada uma das quatro m&atilde;es e 14 entrevistas com cada educadora respons&aacute;vel    por essas crian&ccedil;as no ber&ccedil;&aacute;rio, perfazendo um total de 56 entrevistas. A maior    parte das entrevistas foi realizada na creche. Pouco menos da metade foi feita    em locais de trabalho das m&atilde;es. As entrevistas eram semi-estruturadas e versavam    sobre a percep&ccedil;&atilde;o que o entrevistado tinha do beb&ecirc; e de seu processo de adapta&ccedil;&atilde;o,    incluindo necessariamente a percep&ccedil;&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o educadora-beb&ecirc;. Cerca de seis    meses ap&oacute;s a entrada dos beb&ecirc;s, foi feita uma entrevista complementar com cada    m&atilde;e, focalizando a hist&oacute;ria do beb&ecirc; anterior &agrave; sua ida para a creche. Obteve,    assim, um total de 60 entrevistas.</p>     <p>As entrevistas foram conduzidas e transcritas pela primeira autora do estudo em quest&atilde;o. Na transcri&ccedil;&atilde;o foram consideradas, al&eacute;m dos relatos verbais e suas caracter&iacute;sticas (tais como as entona&ccedil;&otilde;es), manifesta&ccedil;&otilde;es n&atilde;o verbais (riso, choro, etc.). Ap&oacute;s v&aacute;rias leituras das entrevistas transcritas, foi feito o recorte de todos os trechos que continham relatos de epis&oacute;dios, comportamentos, reflex&otilde;es e an&aacute;lises sobre o processo de intera&ccedil;&atilde;o entre educadora-beb&ecirc; e fam&iacute;lia-educadora, totalizando 176 recortes. Os indicadores afetivos levantados por Eltink (1999) e Averbuch (1999) em seus trabalhos sobre o processo de adapta&ccedil;&atilde;o do beb&ecirc; &agrave; creche auxiliaram a orientar esses recortes.</p>     <p>Conduziu-se uma an&aacute;lise sobre os recortes com o objetivo de apreender o significado dado pelo adulto ao processo de intera&ccedil;&atilde;o. As anota&ccedil;&otilde;es do di&aacute;rio de campo da pesquisadora, elaborado ao longo dos dias de entrevista, foram utilizadas como apoio para as an&aacute;lises.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>RESULTADOS</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As educadoras e as m&atilde;es relataram transforma&ccedil;&otilde;es, mudan&ccedil;as estruturais, no    processo de constitui&ccedil;&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o afetiva entre a educadora e o beb&ecirc;, as quais    foram interpretadas como diferentes momentos do processo. O crit&eacute;rio por elas    utilizado para demarcar essas mudan&ccedil;as foi a crian&ccedil;a manifestar comportamentos    significados, no contexto da creche, como prefer&ecirc;ncia por ser cuidada por uma    figura espec&iacute;fica.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Caso 1: D&eacute;bora</i></p>     <p>D&eacute;bora &eacute; um beb&ecirc; de quatro meses e 18 dias. &Eacute; filha de um casal formado por    uma estudante de gradua&ccedil;&atilde;o do campus onde se encontra a creche do estudo e por    um professor do ensino secund&aacute;rio. Seu irm&atilde;o, cerca de dois anos mais velho,    tamb&eacute;m freq&uuml;enta a mesma creche. Seus pais n&atilde;o t&ecirc;m parentes que residam na cidade.    Na semana anterior &agrave; sua entrada na creche, a crian&ccedil;a passara dois dias internada    com pneumonia. Quando chegou &agrave; creche no dia &agrave; princ&iacute;pio agendado, no in&iacute;cio    da tarde, as educadoras se surpreenderam, pois achavam que sua entrada havia    sido adiada por duas semanas. A crian&ccedil;a e sua m&atilde;e foram recepcionadas pelas    educadoras que, n&atilde;o sabendo dizer-lhes de imediato se poderiam continuar l&aacute;,    deixaram-nas sozinhas. Esta situa&ccedil;&atilde;o se manteve por cerca de 20 minutos, quando    as educadoras foram convocadas para uma reuni&atilde;o de emerg&ecirc;ncia com parte da equipe    da creche para resolver a quest&atilde;o. Simultaneamente, a diretora da creche entrou    e deu as boas vindas &agrave; m&atilde;e e &agrave; crian&ccedil;a. Ap&oacute;s retornarem da reuni&atilde;o, as educadoras    acolheram a m&atilde;e e a crian&ccedil;a, dando-lhes mais aten&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>No quinto dia de freq&uuml;&ecirc;ncia do beb&ecirc; &agrave; creche, foi realizada a primeira entrevista    com a educadora (Vera) e com a m&atilde;e de D&eacute;bora, separadamente. Vera falou que    estava surpresa com a tranq&uuml;ilidade da crian&ccedil;a e sua receptividade em rela&ccedil;&atilde;o    aos cuidados oferecidos, como revelam os trechos abaixo:</p>     <p>&nbsp;</p>     <blockquote>        <blockquote>          <p>(Como &eacute; que voc&ecirc; acha que t&aacute; sendo a adapta&ccedil;&atilde;o dela e como voc&ecirc; esperava        que fosse?) </p>         <p>EDUCADORA: <i>Olha a da D&eacute;bora &eacute;&eacute;&eacute;, eu to achando que, muito tranq&uuml;ila.        N&atilde;o imaginei que fosse ser assim. N&atilde;o imaginei por contaaaa, n&atilde;o da crian&ccedil;a.        Daaa... &eacute;, tamb&eacute;m, n&eacute;. Da fam&iacute;lia, da, da m&atilde;e. Ela teve uma intercorr&ecirc;ncia        (...) Ent&atilde;o a crian&ccedil;a vem bem mais fragilizada, n&eacute;? A m&atilde;e tamb&eacute;m. (...)        porque ela tamb&eacute;m tem outro filho, n&eacute;, na creche. (...) Tava tendo at&eacute; alguns        problemas assim com o menino maior.</i></p>   </blockquote>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>       <blockquote>          <p>(E como &eacute; que ela t&aacute; com voc&ecirc; e com as outras?)</p>         <p>EDUCADORA: <i>Ah, ela &eacute; muito simp&aacute;tica </i>(...) <i>E ela, ela parece        que num tem prefer&ecirc;ncia n&atilde;o. Com todas as pessoas que pega ela, conversa        com ela, ela sorri.</i></p>   </blockquote>       <p>&nbsp;</p>       <p>J&aacute; a m&atilde;e de D&eacute;bora n&atilde;o se surpreendeu com o comportamento do beb&ecirc;:</p>       <p>&nbsp;</p>       <blockquote>         <p>(E como que voc&ecirc; acha que t&aacute; sendo a integra&ccedil;&atilde;o dela aqui na creche com        as educadoras?) </p>         <p>M&Atilde;E: <i>Bom, eu acho quee t&aacute; sendo uma boa integra&ccedil;&atilde;o. Ela &eacute; uma crian&ccedil;a        assim... dada, n&eacute;? Nuuum costuma estranhar. (...) Eu to percebendo que ela t&aacute; bem, com as        duas, com a Vera e com a... e com a educadora da tarde. Ela fica bem.</i></p>       </blockquote> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Tem-se, assim, que o processo de constru&ccedil;&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o entre D&eacute;bora e sua educadora, em sua primeira semana na creche, foi atravessado por fatos e cren&ccedil;as que englobavam outros contextos (o hospital) e outras pessoas (o irm&atilde;o de D&eacute;bora e as demais educadoras).</p>     <p>Nas demais entrevistas realizadas, o processo de constru&ccedil;&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o afetiva entre D&eacute;bora e sua educadora foi visto como tendo evolu&iacute;do gradativamente, sem passar por mudan&ccedil;as interpretadas como comportamentos exclusivos &agrave; dupla. Vera e a m&atilde;e de D&eacute;bora continuaram a significar a crian&ccedil;a como tranq&uuml;ila, risonha, receptiva aos cuidados oferecidos por qualquer educadora do ber&ccedil;&aacute;rio e aparentando bem-estar. Na &uacute;ltima entrevista realizada com a educadora e com a m&atilde;e, na semana em que D&eacute;bora faria sete meses e meio de idade e completaria tr&ecirc;s meses de freq&uuml;&ecirc;ncia &agrave; creche, houve relatos de pequenas mudan&ccedil;as no comportamento do beb&ecirc;. Apenas a m&atilde;e as explicitou:</p>     <p>&nbsp;</p>     <blockquote>        <blockquote>         <p>(E a rela&ccedil;&atilde;o dela com voc&ecirc; e as educadoras, como &eacute; que est&aacute; neste &uacute;ltimo        m&ecirc;s?) </p>         <p>EDUCADORA: <i>Ela ainda, Ahnnn... N&atilde;o, num vou falar que num teve mudan&ccedil;a        nenhuma. Teve uma mu, um pou, uma pequena mudan&ccedil;a, entendeu? Ela nummm,        ela num &eacute; uma crian&ccedil;a ainda de escolher (...) Ela n&atilde;o tem prefer&ecirc;ncia ainda        n&atilde;o. N&atilde;o. O v&iacute;nculo dela num t&aacute; muito assim... pra uma pessoa s&oacute;, n&atilde;o. Ent&atilde;o,        eu acho que n&atilde;o teve tanta mudan&ccedil;a quanto ao, &eacute;&eacute;&eacute;&eacute;, do, n&eacute;, do m&ecirc;s passado.</i></p>   </blockquote> </blockquote>     <p>&nbsp;</p>     <blockquote>        ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>         <p>(... teve alguma mudan&ccedil;a na rela&ccedil;&atilde;o dela com a Vera, com as educadoras?)</p>         <p>M&Atilde;E: <i>Eu percebo assim, cada vez mais ela vai reconhecendo assim as educadoras.        Quando elas chegam, chamam, at&eacute; que, at&eacute; que ela vai, joga os bracinhos,        vai pro colo, essas coisas, n&eacute;? </i>(...) <i>n&atilde;o percebo muita mudan&ccedil;a</i>.</p>   </blockquote> </blockquote>     <p>&nbsp;</p>     <p>A pesquisadora, por sua vez, fez uma outra constru&ccedil;&atilde;o sobre a rela&ccedil;&atilde;o entre    D&eacute;bora e Vera. Na primeira quinzena de freq&uuml;&ecirc;ncia &agrave; creche, ela tamb&eacute;m significou    o comportamento de D&eacute;bora como consistindo principalmente em observar com aten&ccedil;&atilde;o    as educadoras. Entretanto, uma semana depois, a pesquisadora percebe que D&eacute;bora    passa a observar e acompanhar visualmente os deslocamentos de Vera. Em um determinado    dia da semana seguinte, novos comportamentos s&atilde;o dirigidos &agrave; educadora. D&eacute;bora    chegou &agrave; creche quando os beb&ecirc;s j&aacute; estavam em um colchonete no sol&aacute;rio para    o banho de sol. Sua m&atilde;e a colocou sentada ao lado de Vera, que tinha outra crian&ccedil;a    no colo. D&eacute;bora estendeu seu bracinho e muito sutilmente segurou com sua m&atilde;o    a roupa da educadora. Parecia querer ir para o seu colo tamb&eacute;m. Vera respondeu-lhe    dando um de seus dedos para ela segurar. Quando Vera mudou-se de lugar, ela    rolou e rodou para poder observ&aacute;-la. A pesquisadora significou esses comportamentos    como ind&iacute;cios de que Vera estava se tornando uma figura de refer&ecirc;ncia para D&eacute;bora    no ber&ccedil;&aacute;rio.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Caso 2: Juliana</i></p>     <p>Juliana &eacute; um beb&ecirc; de quatro meses e 23 dias de idade. &Eacute; a primeira filha de    um casal formado por uma professora da universidade e por um engenheiro. Seu    pai trabalha em uma cidade pr&oacute;xima. Em geral, s&oacute; costuma estar em casa com a    fam&iacute;lia aos finais de semana. O casal n&atilde;o tem parentes que residam na mesma    cidade.</p>     <p>Juliana e sua m&atilde;e, no primeiro dia de freq&uuml;&ecirc;ncia &agrave; creche, foram recebidas por Vera, educadora do beb&ecirc;. De um modo geral, na primeira semana de freq&uuml;&ecirc;ncia &agrave; creche, Juliana observava as pessoas &agrave; sua frente e ocasionalmente sorria. Gradativamente, ao longo da semana, foi aceitando os cuidados oferecidos por Vera.</p>     <p>Duas semanas depois, Vera relata que percebe que Juliana acompanha os seus    deslocamentos: </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <blockquote>        <blockquote>         <p>(Como &eacute; que ela t&aacute; com voc&ecirc;?)</p>         <p>EDUCADORA: <i>Ela &eacute; muito... t&aacute; bem. Ela j&aacute; conhe, parece, ela j&aacute; &eacute; diferente,        ela j&aacute; conhece, parece que me conhece mais, n&eacute;? (...) Ela observa muito.</i></p>   </blockquote> </blockquote>     <p>&nbsp;</p>     <p>Vera diz que, nestas ocasi&otilde;es, lhe respondia de forma prazerosa atrav&eacute;s de brincadeiras ou falando com ela.</p>     <p>Essa percep&ccedil;&atilde;o sobre o comportamento de Juliana em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; Vera, tamb&eacute;m foi contada pela m&atilde;e de Juliana em uma entrevista realizada nessa mesma &eacute;poca. Em uma de suas visitas &agrave; filha no hor&aacute;rio de almo&ccedil;o, ela percebeu que a crian&ccedil;a acompanhava os deslocamentos da educadora no ber&ccedil;&aacute;rio:</p>     <blockquote>        <blockquote>         ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>         <p>(E voc&ecirc; sente que ela tem alguma prefer&ecirc;ncia ao n&iacute;vel das educadoras?)</p>         <p>M&Atilde;E: ... <i>Eu peguei </i>(Juliana no colo), <i>continuei dando </i>(a        comida), <i>mas ela virava, olhava pra Vera. Ela pegava a colher, olhava        pra ela</i>. (...) <i>Isso quer dizer que ela j&aacute; sabe, n&eacute;, acho que j&aacute; conhece        quem t&aacute;... Quem t&aacute; cuidando dela tamb&eacute;m, n&eacute;?</i></p>   </blockquote> </blockquote>     <p>&nbsp;</p>     <p>A educadora e a m&atilde;e mostravam-se satisfeitas com a evolu&ccedil;&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o educadora-beb&ecirc; e interpretavam esses comportamentos da crian&ccedil;a como discrimina&ccedil;&atilde;o da figura de cuidados. Relatos semelhantes persistiram at&eacute; a sexta semana de freq&uuml;&ecirc;ncia.</p>     <p>Na &uacute;ltima quinzena do segundo m&ecirc;s de freq&uuml;&ecirc;ncia, a educadora e a m&atilde;e de Juliana narraram em entrevista que o beb&ecirc; passara a sorrir e a manifestar um comportamento de excita&ccedil;&atilde;o corporal quando era recebido no ber&ccedil;&aacute;rio da creche. Este comportamento foi significado pela m&atilde;e como sinal de contentamento por chegar &agrave; creche. Vera o interpretava como satisfa&ccedil;&atilde;o por reencontr&aacute;-la. Ela lhe correspondia acolhendo-a com um abra&ccedil;o e com um grande sorriso. Para a pesquisadora parecia mais um comportamento focalizado em Vera.</p>     <p>Na semana em que Juliana, com sete meses e 17 dias de idade, completaria tr&ecirc;s    meses de entrada na creche, foi realizada a &uacute;ltima entrevista com Vera e com    sua m&atilde;e. A educadora significou os comportamentos do beb&ecirc; dirigidos a ela como    claramente preferenciais:</p>     <p>&nbsp;</p>     <blockquote>        <blockquote>         ]]></body>
<body><![CDATA[<p>(E como &eacute; que voc&ecirc; tem visto a rela&ccedil;&atilde;o dela com voc&ecirc; e com as outras educadoras?)      </p>         <p>EDUCADORA: <i>Agora j&aacute; t&aacute; bem n&iacute;tido que ela tem essa, tem prefer&ecirc;ncia, n&eacute;? (...) &Agrave;s vezes, com    a outra educadora ela, ela mama ou come menos, a&iacute; eu tenho que pegar. Ela        tem prefer&ecirc;ncia j&aacute;. (...)     Na hora da chegada, ela se abre. Ela sorri. &Eacute; muito, &eacute;, faz bastante gestos.        Ela j&aacute; tem prefer&ecirc;ncia.</i></p>   </blockquote> </blockquote>     <p>&nbsp;</p>     <p>J&aacute; a m&atilde;e de Juliana, em sua entrevista, refere-se ao seu crescente sentimento    de tranq&uuml;ilidade e seguran&ccedil;a, ao perceber o bem-estar da crian&ccedil;a na creche durante    o conv&iacute;vio com as educadoras – por ela referidas como ‘profissionais’, eficientes:</p>     <p>&nbsp;</p>     <blockquote>        <blockquote>         <p>(... voc&ecirc; notou alguma mudan&ccedil;a no relacionamento dela com as educadoras?)</p>         <p>M&Atilde;E: <i>N&atilde;o, mudan&ccedil;a acho que n&atilde;o. Eu acho que t&aacute;&aacute;&aacute;, t&aacute; tudo bem. Acho        que quanto, quanto mais o tempo vai passando, a gente vai ficando cada vez        mais tranq&uuml;ila. Pelo menos, isso t&aacute; acontecendo comigo, n&eacute;? E segura de        que ela t&aacute; bem. E isso me deixa muito aliviada de que eu to fazendo a coisa        certa com ela, n&eacute;? </i>(...) <i>Elas s&atilde;o profissionais</i>.</p>   </blockquote> </blockquote>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A refer&ecirc;ncia &agrave;s educadoras como profissionais indica que a m&atilde;e de Juliana est&aacute; conseguindo sentir-se confort&aacute;vel ao deixar a crian&ccedil;a na creche, lugar de pessoas especializadas em cuidados infantis. Sua filha est&aacute; sendo bem tratada.</p>     <p>O processo de constru&ccedil;&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o afetiva entre Juliana e Vera foi mediado pela rela&ccedil;&atilde;o m&atilde;e- educadora, cuja evolu&ccedil;&atilde;o parece ter tido como caracter&iacute;stica b&aacute;sica um crescente sentimento de seguran&ccedil;a. A pesquisadora destacou dois momentos desse processo nos quais ela identificou mudan&ccedil;as. Quando Juliana come&ccedil;ou a freq&uuml;entar a creche, observava com aten&ccedil;&atilde;o todas as pessoas do ber&ccedil;&aacute;rio. Na segunda e na terceira semana, Vera, a pr&oacute;pria pesquisadora e a m&atilde;e de Juliana perceberam que ela passou a dirigir o seu olhar com mais freq&uuml;&ecirc;ncia para a educadora, acompanhando os seus deslocamentos. Elas interpretaram esse comportamento de Juliana como discrimina&ccedil;&atilde;o da figura de cuidados. Por fim, no segundo m&ecirc;s de freq&uuml;&ecirc;ncia, a educadora e a m&atilde;e de Juliana relataram que a crian&ccedil;a sorria e manifestava um comportamento de excita&ccedil;&atilde;o corporal ao chegar no ber&ccedil;&aacute;rio da creche – o que tamb&eacute;m constava como observa&ccedil;&atilde;o de campo da pesquisadora. Vera lhe respondia, acolhendo-a com um abra&ccedil;o e com um grande sorriso. Ela e a pesquisadora significaram esse comportamento como preferencial e focalizado nela mesma. J&aacute; a m&atilde;e de Juliana o interpretava como sinal de contentamento por chegar &agrave; creche. De um modo geral, pode-se considerar que a rela&ccedil;&atilde;o afetiva entre D&eacute;bora e Vera foi se consolidando e se tornando focalizada entre a dupla, ao longo dos tr&ecirc;s meses de realiza&ccedil;&atilde;o do estudo.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Caso 3: Ivana</i></p>     <p>Ivana &eacute; um beb&ecirc; de seis meses e 27 dias de idade. &Eacute; a segunda filha de uma    estudante solteira de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o da universidade. Ivana mora com a m&atilde;e, um    tio e uma irm&atilde; de 15 anos. Eles n&atilde;o t&ecirc;m parentes na cidade.</p>     <p>Na primeira semana de freq&uuml;&ecirc;ncia &agrave; creche, Ivana observava muito o ber&ccedil;&aacute;rio e procurava interagir com as pessoas, dirigindo-lhes balbucios e rindo para elas. Nesta semana, foi realizada ainda uma entrevista com sua educadora, Eliana, e com sua m&atilde;e:</p>     <p>&nbsp;</p>     <blockquote>        <blockquote>         <p>(Como &eacute; que voc&ecirc; est&aacute; achando que a Ivana est&aacute;?)</p>         ]]></body>
<body><![CDATA[<p>EDUCADORA: (...) <i>Apesar dela j&aacute; ter sete meses, ela n&atilde;o estranha. Ent&atilde;o        ela aceitou ficar bem comigo </i>(...) <i>Parece ela ser uma crian&ccedil;a muito        carinhosa. (...) S&oacute; da presen&ccedil;a, n&eacute;, ela j&aacute;... acompanha, me acompanha</i>.        (...) <i>Quando eu saio da sala, ela j&aacute; fica meio desconfiada.</i></p>   </blockquote> </blockquote>     <p>&nbsp;</p>     <p>A educadora expressa a expectativa de que beb&ecirc;s com sete meses tendem a demonstrar    medo de estranhos, comportamento bastante difundido na literatura psicol&oacute;gica    sobre desenvolvimento (Rossetti-Ferreira, 1984). Provavelmente, isto se deve    &agrave;s reuni&otilde;es na creche que objetivam a forma&ccedil;&atilde;o em servi&ccedil;o. Como Ivana n&atilde;o a    estranhou, ela sentiu-se aceita pela crian&ccedil;a. Considerou ainda que Ivana seja    capaz de discriminar visualmente a sua figura.</p>     <p>Quanto &agrave; m&atilde;e de Ivana, sua expectativa era de que ela aceitasse bem a creche:</p>     <p>&nbsp;</p>     <blockquote>        <blockquote>         <p> (Como &eacute; que voc&ecirc; acha que ela est&aacute;? [<i>Em que sentido?</i>] Aqui, na        creche)</p>         <p>M&Atilde;E: <i>Ah, na creche! Olha, eu... eu... eu j&aacute; tinha essa expectativa,        n&eacute;? De... de que ela se adaptasse bem. Porque ela sempre foi uma crian&ccedil;a        assim, nunca foi de estranhar ningu&eacute;m (...) eu tinha em mente que ela iria        se adaptar f&aacute;cil, n&eacute;? Que ela iria aceitar bem as... as mo&ccedil;as, e at&eacute; o ambiente.</i></p>         <p>&nbsp;</p>   </blockquote> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Esse significado atribu&iacute;do ao comportamento da crian&ccedil;a por sua m&atilde;e e pela educadora, de aceita&ccedil;&atilde;o da rotina da creche e dos cuidados das educadoras, permaneceu nas duas primeiras semanas.</p>     <p>No in&iacute;cio da terceira semana de freq&uuml;&ecirc;ncia &agrave; creche por Ivana, surgem relatos na entrevista com a educadora de mudan&ccedil;as que ela percebera na sua rela&ccedil;&atilde;o com Ivana. Ela conta que Ivana passou a chorar quando ela sai do seu campo visual. Eliana parece significar-se como figura de refer&ecirc;ncia de Ivana, transmitindo-lhe seguran&ccedil;a no ber&ccedil;&aacute;rio.</p>     <p>Na semana seguinte, a m&atilde;e de Ivana, em sua entrevista, conta que a crian&ccedil;a se joga inteira para Eliana ao reencontr&aacute;-la na creche. Ela acredita que Eliana seja a educadora preferida da filha.</p>     <p>Em sua entrevista, tamb&eacute;m nesta semana, Eliana menciona v&aacute;rias novidades que surgiram no seu relacionamento com o beb&ecirc;: Ivana lhe ‘joga beijo, gruda apertadinho a boquinha’ em seu rosto quando ela a pega no colo, cantam juntas na hora de Ivana dormir e trocam olhares quando uma outra educadora pega o beb&ecirc;.</p>     <p>Seu relato sugere que ela mostra-se dispon&iacute;vel e receptiva &agrave;s solicita&ccedil;&otilde;es de Ivana, estabele- cendo prazerosamente trocas comunicativas com a crian&ccedil;a. Ela interpreta os comportamentos do beb&ecirc; como focalizados em sua figura.</p>     <p>Duas semanas depois a m&atilde;e de Ivana, em sua entrevista, descreve as educadoras como atenciosas, carinhosas e indiscutivelmente profissionais. Ao atribuir-lhes esta &uacute;ltima caracter&iacute;stica, parece querer garantir o seu papel de figura principal de afeto da crian&ccedil;a. Nas duas semanas seguintes, Ivana n&atilde;o foi &agrave; creche porque ficou doente. Retornou um dia antes de completar nove meses de idade. Segue o relato de sua m&atilde;e sobre o seu comportamento ao chegar &agrave; creche, extra&iacute;do de sua sexta entrevista:</p>     <p>&nbsp;</p>     <blockquote>        <blockquote>         <p>(... ent&atilde;o vamos conversar sobre a Ivana. Como &eacute; que a Ivana t&aacute; nesse um        m&ecirc;s...?)</p>         ]]></body>
<body><![CDATA[<p>M&Atilde;E: ... <i>A gente passou aqui mais de uma semana, quase duas semanas        em casa</i>. (...) <i>vim preparada para chegar na creche, ficar um pouco        na creche, n&eacute;? Achando que ela fosse estranhar esse tempo todo. E para minha        surpresa, n&eacute;, j&aacute; foi dando o bra&ccedil;o para Eliana e j&aacute; ficou.</i></p>   </blockquote> </blockquote>     <p>&nbsp;</p>     <p>A m&atilde;e mostrou-se surpresa com o fato de n&atilde;o ter precisado ficar na creche para readaptar Ivana e com a receptividade desta ao reencontrar Eliana. A emo&ccedil;&atilde;o que passou ao relatar esse acontecimento &eacute; indicativa de que ela poderia estar se sentindo enciumada da rela&ccedil;&atilde;o entre a crian&ccedil;a e sua educadora.</p>     <p>Cerca de um m&ecirc;s depois, quando Ivana estava para completar tr&ecirc;s meses de entrada na creche, sua m&atilde;e, em sua &uacute;ltima entrevista, diz que considerava que Ivana gostava igualmente de estar na companhia de Eliana ou da educadora da tarde. Parecia precisar de novo garantir o seu papel de figura preferencial de afeto.</p>     <p>A pesquisadora destacou dois momentos do processo de constru&ccedil;&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o    afetiva entre Ivana e Eliana, nos quais identificou mudan&ccedil;as. Ao come&ccedil;ar a freq&uuml;entar    a creche, Ivana observava todos indiscriminadamente. Uma primeira mudan&ccedil;a pareceu    ocorrer ao final da primeira semana, quando a educadora relatou que ela passou    a acompanh&aacute;-la com o olhar, o que lhe causava satisfa&ccedil;&atilde;o por se sentir aceita    pela crian&ccedil;a. Relatos de Eliana com esse conte&uacute;do persistiram nas duas semanas    seguintes. At&eacute; que na quarta semana, a educadora em sua entrevista refere-se    &agrave; troca de olhares, beijos e a uma m&uacute;sica que ela e Ivana entoavam juntas quando    a beb&ecirc; ia dormir. Significava esses comportamentos como focalizados e restritos,    no ber&ccedil;&aacute;rio, a ela e a Ivana. Este parecia ser o segundo momento de vis&iacute;veis    mudan&ccedil;as na rela&ccedil;&atilde;o afetiva entre elas, sendo interpretado pela pesquisadora    como um estreitamento de v&iacute;nculo afetivo entre as duas.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Caso 4: Patr&iacute;cia</i></p>     <p>Patr&iacute;cia &eacute; um beb&ecirc; de nove meses e dois dias. &Eacute; a primeira filha de um casal    formado por uma funcion&aacute;ria da universidade e um vendedor, que ao longo da realiza&ccedil;&atilde;o    do estudo estava procurando emprego. A maioria de seus parentes reside na mesma    cidade.</p>     <p>No primeiro dia de freq&uuml;&ecirc;ncia &agrave; creche, Patr&iacute;cia chegou ao ber&ccedil;&aacute;rio no in&iacute;cio da tarde acompanhada de sua m&atilde;e. A m&atilde;e explorou a sala de atividades com a crian&ccedil;a em seu colo. Ali tamb&eacute;m estavam outra m&atilde;e com seu beb&ecirc; e duas educadoras. Ao chegar na porta da sala de ber&ccedil;os, entrou, dirigiu-se para o ber&ccedil;o de Patr&iacute;cia e lhe apoiou l&aacute; para tirar-lhe a blusa. Permaneceu nesse c&ocirc;modo isolada com ela por alguns minutos, at&eacute; que a educadora a chamou de volta para a sala de atividades. Eliana, a educadora, parecia querer integrar socialmente &agrave; m&atilde;e. A partir do segundo dia, a crian&ccedil;a come&ccedil;ou a interagir com a educadora (aceitava suas cuidados e suas brincadeiras) e acompanhava sua movimenta&ccedil;&atilde;o pelo ber&ccedil;&aacute;rio com o olhar. Tamb&eacute;m j&aacute; interagia com os outros beb&ecirc;s, principalmente voltando-se para eles e sorrindo. De um modo geral, na primeira semana, aparentava bem-estar.</p>     <p>Na primeira entrevista realizada com Eliana, ela relata que a m&atilde;e de Patr&iacute;cia n&atilde;o estava mais sendo liberada no trabalho para vir fazer a adapta&ccedil;&atilde;o. Assim, segundo seu relato, ‘de repente precisou entrar o pai no circuito’<i>. </i>Quanto &agrave; sua intera&ccedil;&atilde;o com a crian&ccedil;a:</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <blockquote>        <blockquote>         <p>(... como &eacute; que voc&ecirc; acha que t&aacute; a Patr&iacute;cia?)</p>         <p>EDUCADORA: ... <i>Pelo primeiro contato assim, eu acho que t&eacute; que foi,        me, me aceitou, n&eacute;? Ela aceitou ficar comigo, n&atilde;o me estranhou</i>. (...)        <i>Ela, interessante que ela, ela joga os bracinhos pra vim, n&eacute;? ... pra        vir no colo </i>(...) [as outras educadoras] <i>ela aceita bem </i>(...)        <i>Ela joga at&eacute; os bracinhos tamb&eacute;m</i>.</p>   </blockquote> </blockquote>     <p>&nbsp;</p>     <p>A educadora parecia aliviada por considerar-se aceita pela crian&ccedil;a, uma vez que ela havia dito na entrevista que ‘&eacute; dif&iacute;cil’ quando a crian&ccedil;a n&atilde;o aceita a educadora.</p>     <p>J&aacute; a m&atilde;e de Patr&iacute;cia, em sua primeira entrevista, tentou diversas vezes usar o espa&ccedil;o da entrevista sobre a crian&ccedil;a para falar de seus pr&oacute;prios sentimentos, ang&uacute;stias e conflitos relacionados &agrave; entrada da crian&ccedil;a na creche:</p>     <p>&nbsp;</p>     <blockquote>        ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>         <p>(Ent&atilde;o, como &eacute; que voc&ecirc; acha que ela est&aacute;... no n&iacute;vel da adapta&ccedil;&atilde;o, n&eacute;?)</p>         <p>M&Atilde;E: ... <i>Eu acho assim, que, que a expectativa, pra, pre, pela&iacute;, eh,        digamos assim, pra ingenuidade dela, ela t&aacute; encarando melhor. A gente cria        muito fantasma. Fantasma que a minha m&atilde;e v&ecirc; de creche. Assim, de crian&ccedil;a        suja, crian&ccedil;a que t&aacute; presa, crian&ccedil;a que berra e chora de, tipo assim, das        tias que ficam judiando das crian&ccedil;as </i>(...) <i>Ela, ela sempre foi uma        criancinha assim, eh, ela n&atilde;o foi de estranhar muito as pessoas, n&eacute;? Agora,        hoje, por exemplo </i>(...) <i>Terceiro, quarto dia que ela t&aacute; l&aacute;? Que ela        j&aacute;, j&aacute; se joga pra educadora da tarde.</i></p>   </blockquote> </blockquote>     <p>&nbsp;</p>     <p>A m&atilde;e de Patr&iacute;cia parecia sentir-se culpada por t&ecirc;-la colocado na creche, em    fun&ccedil;&atilde;o do significado que construiu sobre creche e do qual participam outras    vozes presentes em sua hist&oacute;ria pessoal. Ao longo da entrevista, tamb&eacute;m falara    de sua dificuldade em separar-se da crian&ccedil;a, temendo perder o seu amor. Mostrou-se,    ainda, enciumada com o comportamento de Patr&iacute;cia dirigido a sua educadora, ao    chegar na creche. Parecia estar em conflito, por desejar ‘uma rela&ccedil;&atilde;o exclusiva    com a crian&ccedil;a’, conforme suas pr&oacute;prias palavras.</p>     <p>Nas duas semanas seguintes, Patr&iacute;cia s&oacute; ficava tranq&uuml;ila, sem chorar, se fosse levada para fora do ber&ccedil;&aacute;rio, independente de quem a acompanhasse. Parecia querer ficar passeando no p&aacute;tio da creche. Na quarta semana, Patr&iacute;cia come&ccedil;a a aceitar o espa&ccedil;o do ber&ccedil;&aacute;rio, passando a observar e acompanhar visualmente os deslocamentos de Eliana no espa&ccedil;o. Observava de forma tranq&uuml;ila Eliana quando ela a ninava para dormir. Eliana, por sua vez, come&ccedil;a a sentir-se aceita pela crian&ccedil;a. Na sexta semana ap&oacute;s a entrada de Patr&iacute;cia &agrave; creche, Eliana relata que Patr&iacute;cia lhe d&aacute; sinais de que sente ci&uacute;mes quando ela est&aacute; com outra crian&ccedil;a. Atrav&eacute;s do choro ou de balbucios tenta trazer-lhe de volta para o seu lado. Conta tamb&eacute;m, sorrindo satisfeita, que Patr&iacute;cia lhe chama tentando pronunciar o seu nome. Ela considera que o beb&ecirc; a diferencia das outras educadoras do ber&ccedil;&aacute;rio, tendo um v&iacute;nculo maior com ela. Parece significar a rela&ccedil;&atilde;o entre elas como focalizada.</p>     <p>Em sua &uacute;ltima entrevista, Eliana conta que Patr&iacute;cia ficara longo tempo afastada da creche por motivo de doen&ccedil;a. Ela relata o comportamento de Patr&iacute;cia no dia de seu retorno:</p>     <p>&nbsp;</p>     <blockquote>        <blockquote>         ]]></body>
<body><![CDATA[<p>(Ent&atilde;o eu gostaria que voc&ecirc; me falasse como &eacute; que foi essa semana dela...)</p>         <p>EDUCADORA: ... <i>Ap&oacute;s tr&ecirc;s semanas afastada </i>(...) <i>foi uma surpresa        muito grande. Porque ela j&aacute; chegou, j&aacute; jogou os bracinhos, j&aacute;, como que        reconhecendo, n&eacute;, onde ela tava, parece que com saudade mesmo. </i>(...)        <i>agora eu num sei como &eacute; que vai ficar ainda, n&eacute;, mais pra frente essa        situa&ccedil;&atilde;o. Que que os pais v&atilde;o decidir, n&eacute;? </i>(...)    <br> <i>Ela deu, demo, demonstrava assim que j&aacute; tinha um la&ccedil;o, um v&iacute;nculo, n&eacute;,        constru&iacute;do com a gente, mas que ela j&aacute; diferenciava comigo, n&eacute;.</i></p>   </blockquote> </blockquote>     <p>&nbsp;</p>     <p>Eliana sentia-se insegura quanto &agrave; continuidade e o desenvolvimento da rela&ccedil;&atilde;o, j&aacute; que n&atilde;o sabia se os pais de Patr&iacute;cia passariam a levar a crian&ccedil;a regularmente para a creche.</p>     <p>A m&atilde;e de Patr&iacute;cia, em sua &uacute;ltima entrevista, ao ser perguntada sobre sua expectativa quanto ao retorno do beb&ecirc;, se limita a narrar o comportamento manifesto pela crian&ccedil;a:</p>     <p>&nbsp;</p>     <blockquote>        <blockquote>         <p>(E qual foi ent&atilde;o a sua expectativa com o retorno dela hoje?)</p>         ]]></body>
<body><![CDATA[<p>M&Atilde;E: <i>Gra&ccedil;as a Deus, disse que ela se jogou no colo </i>(rindo) <i>da        Eliana e deu tchau pro pai.</i></p>   </blockquote> </blockquote>     <p>&nbsp;</p>     <p>A express&atilde;o de al&iacute;vio presente no relato da m&atilde;e de Patr&iacute;cia parecia ser uma forma de amenizar sua culpa pelas v&aacute;rias interrup&ccedil;&otilde;es que provocara no processo de inser&ccedil;&atilde;o da filha &agrave; creche, atrav&eacute;s das repetidas aus&ecirc;ncias da crian&ccedil;a, motivadas pela preven&ccedil;&atilde;o de poss&iacute;veis crises de rinite decorrentes de mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas.</p>     <p>A partir destes dados, a pesquisadora destacou dois momentos do processo de constru&ccedil;&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o afetiva entre Patr&iacute;cia e Eliana, nos quais identificou mudan&ccedil;as: quando a crian&ccedil;a come&ccedil;a a aceitar o ber&ccedil;&aacute;rio e passa a observar e acompanhar visualmente os deslocamentos de Eliana no espa&ccedil;o; e quando Patr&iacute;cia manifesta uma s&eacute;rie de comportamentos dirigidos a Eliana, significados por ela como comportamentos focalizados.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>DISCUSS&Atilde;O</p>     <p>O estudo do processo de constru&ccedil;&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o afetiva entre a educadora e o    beb&ecirc;, a partir de relatos de entrevistas e de anota&ccedil;&otilde;es de campo da pesquisadora,    tendeu a resultar mais na apresenta&ccedil;&atilde;o dos comportamentos sinalizadores dessa    constru&ccedil;&atilde;o. Tornou-se necess&aacute;rio um grande esfor&ccedil;o por parte da pesquisadora    para que alcan&ccedil;asse e explicitasse a din&acirc;mica do processo, a partir do <i>corpus    </i>que constru&iacute;ra. Como, em uma situa&ccedil;&atilde;o de entrevista, o entrevistador tamb&eacute;m    participa da constru&ccedil;&atilde;o do entrevistado (Davies &amp; Harr&eacute;, 1990), &eacute; prov&aacute;vel    que a pesquisadora tenha conduzido os entrevistados a identificarem as transforma&ccedil;&otilde;es    dos significados que iam sendo atribu&iacute;dos &agrave; rela&ccedil;&atilde;o afetiva entre as educadoras    e os beb&ecirc;s. Da&iacute;, a maior parte das falas constitu&iacute;rem-se em torno de refer&ecirc;ncias    a novos comportamentos.</p>     <p>Nos quatro casos estudados, p&ocirc;de-se observar um elemento comum nos relatos dos entrevistados e observa&ccedil;&otilde;es de campo da pesquisadora: a maioria das falas (das educadoras, da m&atilde;e de D&eacute;bora e da m&atilde;e de Ivana, por exemplo) e algumas das observa&ccedil;&otilde;es de campo foram constru&iacute;das sob o crit&eacute;rio do beb&ecirc; manifestar, ou n&atilde;o, comportamentos que pudessem ser significados como prefer&ecirc;ncia pela figura de cuidados. Os comportamentos preferenciais (sorrisos, balbucios, pedidos de aux&iacute;lio, etc., dirigidos para uma figura espec&iacute;fica) s&atilde;o culturalmente valorizados, significando uma boa rela&ccedil;&atilde;o entre o beb&ecirc; e a figura para o qual est&aacute; direcionado. Sua presen&ccedil;a nas narrativas retrata a expectativa dos adultos sobre o processo de inser&ccedil;&atilde;o. De fato, uma das metas de trabalho do pessoal de ber&ccedil;&aacute;rio da creche onde este estudo foi desenvolvido &eacute; o estabelecimento de v&iacute;nculos entre a fam&iacute;lia e as educadoras. Contudo, n&atilde;o se pode desconsiderar que o processo de forma&ccedil;&atilde;o de rela&ccedil;&otilde;es entre a fam&iacute;lia e a creche &eacute; intr&iacute;nseco a uma situa&ccedil;&atilde;o de grande mudan&ccedil;a na vida das fam&iacute;lias envolvidas: a freq&uuml;&ecirc;ncia da crian&ccedil;a (e da fam&iacute;lia) a um contexto extra-familiar. Conseq&uuml;entemente, foi um processo em que surgiram diferentes ang&uacute;stias, crises, doen&ccedil;as e conflitos. Alguns destes, muitas vezes colocavam-se como sendo o fio condutor da intera&ccedil;&atilde;o crian&ccedil;a-fam&iacute;lia-educadora. Isso ocorreu com as quest&otilde;es de ‘sa&uacute;de’ (v&ocirc;mitos, resfriados) que D&eacute;bora apresentou no decorrer do estudo; com a preocupa&ccedil;&atilde;o da m&atilde;e de Juliana acerca de sua ‘alimenta&ccedil;&atilde;o’; e com os conflitos (por diferentes motivos) das m&atilde;es de Ivana e Patr&iacute;cia, ao deixarem suas filhas na creche. Em contrapartida, as educadoras passavam por crises e conflitos ao interagirem com esses novos beb&ecirc;s e suas fam&iacute;lias. Eliana carregava para suas novas rela&ccedil;&otilde;es uma necessidade de sentir-se aceita pelo outro. Assim, diante de Patr&iacute;cia – um beb&ecirc; de nove meses de idade que, em certa medida, apresentava medo de estranhos e ansiedade de separa&ccedil;&atilde;o da figura materna – e da dificuldade da fam&iacute;lia da crian&ccedil;a em permitir que elas estabelecessem um v&iacute;nculo afetivo, viu-se um laborioso processo de constru&ccedil;&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o educadora-beb&ecirc;.</p>     <p>As an&aacute;lises efetuadas nas rela&ccedil;&otilde;es em curso permitem que se fa&ccedil;am algumas considera&ccedil;&otilde;es    gerais sobre o processo de constru&ccedil;&atilde;o de rela&ccedil;&otilde;es. As duas primeiras semanas    de inser&ccedil;&atilde;o &agrave; creche, se caracterizaram por uma intensa troca entre os componentes    da rede educadora-fam&iacute;lia-crian&ccedil;a. As educadoras apresentavam a creche &agrave;s m&atilde;es,    mediando o processo de inser&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia &agrave; rotina da institui&ccedil;&atilde;o (Almeida,    2006). Eliana, por exemplo, convidou a m&atilde;e de Patr&iacute;cia a participar da sala    de atividades, quando percebeu seu isolamento com a crian&ccedil;a na sala de ber&ccedil;os.    Por sua vez, as m&atilde;es apresentavam aos seus filhos as suas educadoras e, igualmente,    apresentavam &agrave;s educadoras os seus filhos, mediando o processo de constru&ccedil;&atilde;o    da rela&ccedil;&atilde;o educadora-beb&ecirc;. Nesse per&iacute;odo, as educadoras significaram os beb&ecirc;s    como estando voltados para a observa&ccedil;&atilde;o dos fatos, das pessoas e das atividades    do ber&ccedil;&aacute;rio. Tem-se, ent&atilde;o, que as crian&ccedil;as participavam da constru&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es    que estavam sendo constitu&iacute;das. Cerca de duas semanas depois, ainda no primeiro    m&ecirc;s de freq&uuml;&ecirc;ncia &agrave; creche, o comportamento de observa&ccedil;&atilde;o dos beb&ecirc;s come&ccedil;ou    a ser significado por alguns adultos como focalizado para as suas educadoras    – lhe sendo, portanto, atribu&iacute;da uma dire&ccedil;&atilde;o. Provavelmente, o direcionamento    do processo para a sua educadora (e n&atilde;o outra pessoa qualquer) deveu-se ao fato    dela ser a figura que mais interagia com a fam&iacute;lia e a crian&ccedil;a (n&atilde;o s&oacute; lhe cuidando,    mas respondendo &agrave;s suas solicita&ccedil;&otilde;es e brincando com ela). Por fim, estas intera&ccedil;&otilde;es,    que levaram &agrave; constru&ccedil;&atilde;o do beb&ecirc;-observador pela educadora-observadora ou pela    fam&iacute;lia-observadora, criaram um espa&ccedil;o prop&iacute;cio &agrave; ocorr&ecirc;ncia de novos comportamentos.    Assim, em tr&ecirc;s dos quatro casos estudados, os relatos que descreviam a rela&ccedil;&atilde;o    educadora-beb&ecirc; entre o final do primeiro e in&iacute;cio do segundo m&ecirc;s de freq&uuml;&ecirc;ncia,    faziam men&ccedil;&atilde;o a diversos comportamentos que eram significados como exclusivos    &agrave; d&iacute;ade ou preferenciais, tais como: a crian&ccedil;a compartilhar com a educadora    uma can&ccedil;&atilde;o na hora de dormir; comer mais quando a refei&ccedil;&atilde;o &eacute; oferecida pela    figura significada como preferencial; exibir claros sinais de excita&ccedil;&atilde;o ao ser    recebida pela educadora na creche; etc. Esta an&aacute;lise do processo, pautada em    comportamentos do tipo descrito, permaneceu at&eacute; o final do estudo.</p>     <p>Apenas D&eacute;bora parecia ainda estar construindo a no&ccedil;&atilde;o de sua educadora como figura de refer&ecirc;ncia no ber&ccedil;&aacute;rio no t&eacute;rmino da pesquisa. Contudo, na medida em que s&oacute; foi acompanhado o processo de constru&ccedil;&atilde;o de sua rela&ccedil;&atilde;o com Vera, isto n&atilde;o significava que ela n&atilde;o pudesse estar construindo outras rela&ccedil;&otilde;es na creche.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Cabe ainda uma refer&ecirc;ncia sobre a amplitude do contexto e da rede de rela&ccedil;&otilde;es envolvidos na constru&ccedil;&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o afetiva entre beb&ecirc; e educadora de creche. O caso de Patr&iacute;cia ilustra bem esta quest&atilde;o. A ang&uacute;stia de sua m&atilde;e, que carregava dentro de si as palavras de sua pr&oacute;pria m&atilde;e (av&oacute; de Patr&iacute;cia), que considerava creche como um lugar onde ‘as tias ficam judiando das crian&ccedil;as’, n&atilde;o lhe permitia ficar com o beb&ecirc; dentro do ber&ccedil;&aacute;rio. Nos primeiros dias de freq&uuml;&ecirc;ncia, quando ia visitar Patr&iacute;cia no hor&aacute;rio do almo&ccedil;o, a retirava do ber&ccedil;&aacute;rio e ficava passeando com ela pelo p&aacute;tio da creche. Chegou at&eacute; mesmo um dia a lev&aacute;-la para ser amamentada fora da creche. Patr&iacute;cia parece ter se contaminado com a ang&uacute;stia da fam&iacute;lia e passou a se recusar a permanecer no ber&ccedil;&aacute;rio. Chorava muito at&eacute; conseguir ir passear no p&aacute;tio com alguma educadora. S&oacute; come&ccedil;ou a sentir o ber&ccedil;&aacute;rio como um contexto seguro e desej&aacute;vel, ap&oacute;s sua m&atilde;e (aconselhada pela educadora) ter passado a freq&uuml;ent&aacute;-lo com ela. V&ecirc;-se, portanto, que o contexto de desenvolvimento de rela&ccedil;&otilde;es inclui o local onde se passa a intera&ccedil;&atilde;o (ONDE), os m&uacute;ltiplos personagens presentes sob diversas formas (QUEM), o que se desenrola nesse contexto (COMO) e as situa&ccedil;&otilde;es atreladas &agrave;quele momento hist&oacute;rico (QUANDO), tudo isto imerso em uma matriz s&oacute;cio-hist&oacute;rica, marcada principalmente pela cultura (Rossetti-Ferreira et al., 2004).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>CONSIDERA&Ccedil;&Otilde;ES  FINAIS</p>     <p>As rela&ccedil;&otilde;es interpessoais devem ser consideradas como sistemas de comunica&ccedil;&atilde;o    em desenvolvimento que geram para os participantes significados, alguns com    uma base claramente s&oacute;cio-hist&oacute;rica, que s&atilde;o negociados e produzidos no processo    de intera&ccedil;&atilde;o social.</p>     <p>A partir desta perspectiva, a Rede de Significa&ccedil;&otilde;es (Rossetti-Ferreira et al., 2004) vem surgindo como um terreno f&eacute;rtil para a an&aacute;lise dos processos do desenvolvimento humano. Ao se deslocar o enfoque das fun&ccedil;&otilde;es e processos psicol&oacute;gicos do plano individual para o social, trazem-se &agrave; tona significados e valores constru&iacute;dos, ou transmitidos, no plano social e hist&oacute;rico, situando-os entre os elementos b&aacute;sicos que constroem as rela&ccedil;&otilde;es, o conhecimento de si mesmo, do outro e dos fen&ocirc;menos do mundo. A an&aacute;lise do processo de constru&ccedil;&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o entre o beb&ecirc; e a educadora na creche sob esta &oacute;tica, coloca uma tarefa para o psic&oacute;logo: cabe a ele acompanhar/(re)significar esse processo. A partir dos relatos que s&atilde;o constru&iacute;dos em suas reuni&otilde;es com as educadoras e com as fam&iacute;lias, e, respeitando os limites que definem a sua atua&ccedil;&atilde;o na creche, o psic&oacute;logo deve explicitar as ang&uacute;stias, valores e conflitos que os adultos apresentam nas rela&ccedil;&otilde;es em desenvolvimento, muitas vezes sem se darem conta, com o prop&oacute;sito de facilitar a constru&ccedil;&atilde;o de rela&ccedil;&otilde;es saud&aacute;veis.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>REFER&Ecirc;NCIAS</p>     <!-- ref --><p>Ainsworth, M., Blehar, M., Waters, E., &amp; Wall, S. (1978). <i>Patterns of    Attachment</i>. Hillsdale, NJ: Erlbaum.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000200&pid=S0870-8231201400020000400001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> Almeida, L. S. (2001). <i>As transforma&ccedil;&otilde;es    da rela&ccedil;&atilde;o afetiva entre o beb&ecirc; e a educadora de creche nos relatos de educadoras    e m&atilde;es. </i>Tese de Doutorado n&atilde;o publicada. Doutorado em Ci&ecirc;ncias M&eacute;dicas. Universidade    de S&atilde;o Paulo, Ribeir&atilde;o Preto, S&atilde;o Paulo, Brasil.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000201&pid=S0870-8231201400020000400002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Almeida, L. S. (2006). A cogni&ccedil;&atilde;o social e a constru&ccedil;&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o educador-beb&ecirc; na creche<i>. Ci&ecirc;ncias &amp; Cogni&ccedil;&atilde;o</i>, <i>07</i>, 42-48. Acessado em 10/06/2011. Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.cienciasecognicao.org/" target="_blank">http://www.cienciasecognicao.org</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000203&pid=S0870-8231201400020000400003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Averbuch, A. R. (1999). <i>Adapta&ccedil;&atilde;o de beb&ecirc;s &agrave; creche: O ingresso no primeiro    ou segundo semestre de vida</i>. Disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado n&atilde;o publicada. Mestrado    em Psicologia. Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, Rio    Grande do Sul, Brasil.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000205&pid=S0870-8231201400020000400004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Bowlby, J. (1969/1984). <i>Apego. </i>S&atilde;o Paulo: Martins Fontes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000207&pid=S0870-8231201400020000400005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>CRESAS. (1991). <i>Accueiller &agrave; la cr&eacute;che, &agrave; l’&eacute;cole</i>. Paris: INPR, L’Harmattan.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000209&pid=S0870-8231201400020000400006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Davies, B., &amp; Harr&eacute;, R. (1990). Positioning: The discursive production    of selves. <i>Journal for the Theory of Social Behaviour, 20</i>(1), 43-63.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000211&pid=S0870-8231201400020000400007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Eltink, C. F. (1999). <i>Ind&iacute;cios utilizados para avaliar o processo de integra&ccedil;&atilde;o    de beb&ecirc;s em uma creche. </i>Disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado n&atilde;o publicada. Mestrado    em Psicologia. Universidade de S&atilde;o Paulo, Ribeir&atilde;o Preto, S&atilde;o Paulo, Brasil.</p>     <!-- ref --><p>Fogel, A. (1993). <i>Developing through relationships: Origins of communication,    self and culture</i>. Chicago: University of Chicago Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000214&pid=S0870-8231201400020000400009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Lyra, M., &amp; Rossetti-Ferreira, M. C. (1995). Transformation and construction    in social interaction: A new perspective on analysis of the mother-infant dyad.    In J. Valsiner (Org.), <i>Child development within cultural environments. Comparative.    Cultural and constructivist perspective </i>(vol. 3, pp. 51-77). Norwood, NJ:    Ablex Publishing.</p>     <!-- ref --><p>Melhuish, E. C. (2001). The quest for quality in early day care and preschool    experience continues. <i>International Journal of Behavioral Development</i>,    <i>25</i>(1), 1-6.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000217&pid=S0870-8231201400020000400011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>NICHD Early Child Care Research Network. (1997). The effects of infant child    care on infant-mother attachment security: Results of the NICHD study of early    child care. <i>Child Development</i>, <i>68</i>(5), 860-879.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000219&pid=S0870-8231201400020000400012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Rossetti-Ferreira, M. C. (1984). <i>Aumento da intera&ccedil;&atilde;o adulto-crian&ccedil;a e crian&ccedil;a-crian&ccedil;a    durante a separa&ccedil;&atilde;o e ap&oacute;s o reencontro com a m&atilde;e. </i>Tese n&atilde;o publicada. Concurso    de Livre Doc&ecirc;ncia em Psicologia do Desenvolvimento. Universidade de S&atilde;o Paulo,    Ribeir&atilde;o Preto, S&atilde;o Paulo, Brasil.</p>     <!-- ref --><p>Rossetti-Ferreira, M., Amorim, K., Silva, A., &amp; Carvalho, A. (2004). <i>Rede    de significa&ccedil;&otilde;es e o estudo do desenvolvimento humano. </i>Porto Alegre: Artmed.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000222&pid=S0870-8231201400020000400014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Schaffer, H. R. (1977). <i>Studies in Infant-Mother Interaction. </i>New York:    Plenum Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000224&pid=S0870-8231201400020000400015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Shanahan, M., Sulloway, F., &amp; Hofer, S. (2000). Change and constancy in    developmental contexts. <i>International Journal of Behavioral Development</i>,    <i>24</i>(4), 421-427.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000226&pid=S0870-8231201400020000400016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Trevarthen, C. (1977). Descriptive analysis of infant communicative behavior.    In H. Schaffer (Ed.), <i>Studies in mother infant interaction </i>(pp. 227-270)<i>.    </i>New York: Plenum Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000228&pid=S0870-8231201400020000400017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Valsiner, J. (1987). <i>Culture and development of children’s actions </i>(2nd    ed). New York: Wiley.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000230&pid=S0870-8231201400020000400018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Werebe, W., &amp; Nadel-Brulfert, J. (1986). <i>Henri Wallon</i><b>. </b>S&atilde;o    Paulo: &Aacute;tica.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000232&pid=S0870-8231201400020000400019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="c0"></a><a href="#topc0">Correspond&ecirc;ncia</a></p>     <p>A correspond&ecirc;ncia relativa a este artigo    dever&aacute; ser enviada para: Leila Sanches de Almeida, UFRJ – Instituto de Psicologia,    Rua Sorocaba, 691/205, Botafogo. Rio de Janeiro (RJ), 22271-110, Brasil. E-mail:    <a href="mailto:leilasanches@ufrj.br">leilasanches@ufrj.br</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Submiss&atilde;o: 01/03/2013                                                                                                      Aceita&ccedil;&atilde;o: 21/03/2014</p>      ]]></body><back>
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