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<journal-title><![CDATA[Análise Psicológica]]></journal-title>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Desenvolvimento da Escala de Regulação da Satisfação de Necessidades Psicológicas de Proximidade e Autonomia: Relação com o bem-estar e mal-estar psicológicos]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Irmãs Hospitaleiras  ]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Psychological Needs have played a key role in Psychological Well-being research. The Paradigmatic Complementarity Model suggests that Well-being results from the regulation of seven pairs of dialectical Psychological Needs, including Relatedness and Autonomy. In turn, this regulation is accomplished through a continuous process of negotiation and balancing of each dialectical pair. This study intended to create a Needs Satisfaction Regulation Scale - Relatedness/Autonomy (NSRS-R/A) that assessed both needs’ regulation degree and to understand its association with Psychological Well-Being and Distress, who were both measured by the Portuguese version of the Mental Health Inventory. Both instruments were applied to 237 subjects through a web platform. As expected, results suggest good reliability for the NSRS-R/A. Furthermore, results indicate a significant positive association between Psychological Well-being and both needs’ regulation degree. Psychological Distress, on the other hand, presents a significant negative association with both needs. By comparing four groups with different needs’ regulation levels, significant differences were found concerning Psychological Well-being and Distress. Study constraints as well as clinical and psychotherapeutic implications and further research suggestions are presented.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Bem-estar psicológico]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>Desenvolvimento da Escala de Regula&ccedil;&atilde;o da Satisfa&ccedil;&atilde;o de Necessidades Psicol&oacute;gicas de Proximidade e  Autonomia: Rela&ccedil;&atilde;o com o bem-estar e mal-estar psicol&oacute;gicos</b></p>     <p><b>Filipe Bernardo<sup>1</sup>, Ant&oacute;nio Branco Vasco<sup>2</sup></b></p>     <p><sup>1</sup>Irm&atilde;s Hospitaleiras</p>     <p><sup>2</sup>Faculdade de Psicologia, Universidade de Lisboa</p>     <p><a name="topc0"></a><a href="#c0">Correspondência</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>As Necessidades Psicol&oacute;gicas t&ecirc;m tido um papel chave no estudo do Bem-estar Psicol&oacute;gico. O Modelo da Complementaridade  Paradigm&aacute;tica prop&ocirc;s que este Bem-estar resulta da regula&ccedil;&atilde;o da satisfa&ccedil;&atilde;o de sete pares de Necessidades  dial&eacute;cticas, entre as quais a Proximidade e Autonomia. Por sua vez, esta regula&ccedil;&atilde;o &eacute; realizada atrav&eacute;s de um  processo cont&iacute;nuo de negocia&ccedil;&atilde;o e balanceamento de cada par dial&eacute;ctico. Pretendeu-se criar a Escala de  Regula&ccedil;&atilde;o de Satisfa&ccedil;&atilde;o de Necessidades &ndash; Proximidade/Autonomia, ERSN-P/A, que avaliasse o grau de  regula&ccedil;&atilde;o destas necessidades e compreender a sua rela&ccedil;&atilde;o com o Bem-estar e Mal-estar Psicol&oacute;gicos, medidos  pelo Invent&aacute;rio de Sa&uacute;de Mental (ISM). Ambos os instrumentos foram aplicados a 237 participantes atrav&eacute;s de uma plataforma  digital online. Os resultados, tal como esperado, revelam uma boa consist&ecirc;ncia interna da ERSN-P/A. Outrossim, verifica-se uma  rela&ccedil;&atilde;o positiva e significativa entre o Bem-estar Psicol&oacute;gico e as regula&ccedil;&otilde;es de Proximidade e Autonomia.  Para estas necessidades, o Mal-estar Psicol&oacute;gico apresenta associa&ccedil;&otilde;es negativas e significativas. Na compara&ccedil;&atilde;o  de quatro grupos com regula&ccedil;&atilde;o de necessidades distintas, registam-se diferen&ccedil;as significativas em termos de Bem-estar e  Mal-estar Psicol&oacute;gicos. Discutem-se as limita&ccedil;&otilde;es do estudo, as suas implica&ccedil;&otilde;es para a pr&aacute;tica  cl&iacute;nica e propostas para investiga&ccedil;&otilde;es futuras. </p>     <p><b>Palavras-chave: </b>Bem-estar psicol&oacute;gico, Mal-estar psicol&oacute;gico, Necessidade psicol&oacute;gica, Proximidade, Autonomia,  Modelo de complementaridade paradigm&aacute;tica. </p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>Psychological Needs have played a key role in Psychological Well-being research. The Paradigmatic Complementarity Model suggests that  Well-being results from the regulation of seven pairs of dialectical Psychological Needs, including Relatedness and Autonomy. In turn, this  regulation is accomplished through a continuous process of negotiation and balancing of each dialectical pair. This study intended to create a  Needs Satisfaction Regulation Scale &ndash; Relatedness/Autonomy (NSRS-R/A) that assessed both needs&rsquo; regulation degree and to understand  its association with Psychological Well-Being and Distress, who were both measured by the Portuguese version of the Mental Health Inventory. Both  instruments were applied to 237 subjects through a web platform. As expected, results suggest good reliability for the NSRS-R/A. Furthermore,  results indicate a significant positive association between Psychological Well-being and both needs&rsquo; regulation degree. Psychological  Distress, on the other hand, presents a significant negative association with both needs. By comparing four groups with different needs&rsquo;  regulation levels, significant differences were found concerning Psychological Well-being and Distress. Study constraints as well as clinical and  psychotherapeutic implications and further research suggestions are presented. </p>     <p><b>Key-words: </b>Psychological well-being, Psychological distress, Psychological need, Relatedness, Autonomy, Paradigmatic Complementarity  Model. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p>A investiga&ccedil;&atilde;o sobre o bem-estar psicol&oacute;gico tem tentado explicitar os seus correlatos ou determinantes, tais como idade,  g&eacute;nero, etnia, educa&ccedil;&atilde;o, estado conjugal, cren&ccedil;as religiosas, intelig&ecirc;ncia, contacto social e vari&aacute;veis de  personalidade (Diener, 1984; Diener, Suh, Lucas, &amp; Smith, 1999). Entre as &uacute;ltimas, encontram-se as <i>necessidades  psicol&oacute;gicas</i>. </p>     <p>O interesse actual por este constructo originou v&aacute;rias listas de necessidades candidatas a for&ccedil;as motivadoras do comportamento  (e.g., Murray, 1938/2008) ou nutrientes psicol&oacute;gicos essenciais ao bem-estar psicol&oacute;gico (e.g., Deci &amp; Ryan, 2000). Contudo,  apesar da multiplicidade, diversidade e abrang&ecirc;ncia de propostas, as necessidades de <i>proximidade </i>(i.e., estabelecimento e  manuten&ccedil;&atilde;o de rela&ccedil;&otilde;es &iacute;ntimas) e <i>autonomia </i>(i.e., auto-determina&ccedil;&atilde;o e  diferencia&ccedil;&atilde;o) s&atilde;o frequentemente referidas como precursoras de um funcionamento adaptativo (e.g., Baumeister &amp; Leary,  1995; Deci &amp; Ryan, 2000; Epstein, 1993; Sheldon, Elliot, Kim, &amp; Kasser, 2001). </p>     <p>Contudo, a rela&ccedil;&atilde;o entre estas necessidades n&atilde;o tem sido descrita de forma suficientemente clara, encontrando uma  formula&ccedil;&atilde;o expl&iacute;cita no Modelo de Complementaridade Paradigm&aacute;tica (Vasco, 2009). Este modelo prop&ocirc;s sete pares  de necessidades dial&eacute;cticas, entre as quais se incluem as necessidades supracitadas, cuja regula&ccedil;&atilde;o teria efeitos nos  n&iacute;veis de <i>bem </i>e <i>mal-estar psicol&oacute;gicos</i>. Concretizando, pressup&otilde;e-se que o Bem-estar Psicol&oacute;gico resulta  de um processo cont&iacute;nuo de negocia&ccedil;&atilde;o e balanceamento das polaridades dial&eacute;cticas, o qual &eacute; respons&aacute;vel  por uma regula&ccedil;&atilde;o satisfat&oacute;ria das necessidades de Proximidade e Autonomia. Deste modo, o Bem-estar e Mal-estar  Psicol&oacute;gicos resultam da capacidade do indiv&iacute;duo em atender, simbolizar e negociar os requisitos experienciais inerentes ao  estabelecimento/manuten&ccedil;&atilde;o de rela&ccedil;&otilde;es pr&oacute;ximas e &agrave; auto-determina&ccedil;&atilde;o. </p>     <p>O presente artigo pretende contribuir para o desenvolvimento de um instrumento de avalia&ccedil;&atilde;o do grau de regula&ccedil;&atilde;o  destas necessidades, bem como explorar a natureza da rela&ccedil;&atilde;o entre as mesmas. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Necessidades psicol&oacute;gicas e bem-estar psicol&oacute;gico </i></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O interesse pela natureza das necessidades psicol&oacute;gicas e o seu impacto no funcionamento humano iniciou-se nos princ&iacute;pios do  s&eacute;culo XX, tendo sido estudadas por diversos autores, os quais propuseram listas de necessidades universais (e.g., Deci &amp; Ryan, 1985;  Epstein, 1993; Freud, 1920; Maslow, 1943; McDougall 1908; Murray, 1938/2008; Sheldon et al., 2001). </p>     <p>No princ&iacute;pio dos anos 80, e ap&oacute;s algumas d&eacute;cadas de escassa investiga&ccedil;&atilde;o, com o desenvolvimento da Teoria da  Auto-Determina&ccedil;&atilde;o (TAD), resumiu-se o estudo das necessidades psicol&oacute;gicas e o seu impacto em v&aacute;rios dom&iacute;nios do  comportamento humano (e.g., trabalho, rela&ccedil;&otilde;es interpessoais, educa&ccedil;&atilde;o, parentalidade, sa&uacute;de f&iacute;sica e  mental, Deci &amp; Ryan, 2008). Neste per&iacute;odo, a TAD foi aplicada e investigada num dom&iacute;nio que mereceu um destaque consistente: o  Bem-estar Psicol&oacute;gico. </p>     <p>Para estes autores, as Necessidades s&atilde;o requisitos experienciais ou nutrientes psicol&oacute;gicos essenciais &agrave;  regula&ccedil;&atilde;o de n&iacute;veis de bem-estar e mal-estar psicol&oacute;gico. De uma forma mais espec&iacute;fica, propuseram tr&ecirc;s  necessidades psicol&oacute;gicas (Autonomia, Proximidade e Compet&ecirc;ncia) cuja satisfa&ccedil;&atilde;o &eacute; essencial para que seja  experienciado Bem-estar. A Autonomia refere-se &agrave; experi&ecirc;ncia de escolha, autoria e apoio ao mais alto n&iacute;vel de  consci&ecirc;ncia de um determinado comportamento. A Proximidade &eacute; a experi&ecirc;ncia de ser compreendido, de <i>estar em  liga&ccedil;&atilde;o com </i>e de ser apreciado pelos outros. J&aacute; a no&ccedil;&atilde;o de <i>compet&ecirc;ncia </i>respeita ao sentido de  auto-efic&aacute;cia na obten&ccedil;&atilde;o de resultados em tarefas exigentes. </p>     <p>A investiga&ccedil;&atilde;o emp&iacute;rica realizada tem sustentado os pressupostos te&oacute;ricos apresentados pela Teoria da  Auto-Determina&ccedil;&atilde;o, na medida em que a satisfa&ccedil;&atilde;o destas necessidades associa-se positivamente a medidas de Bem-estar  Psicol&oacute;gico (e.g., Reis, Sheldon, Gable, Roscoe, &amp; Ryan, 2000S; heldon, Ryan, &amp; Reis, 1996) e a sua priva&ccedil;&atilde;o ao longo  do ciclo vital constitui uma condi&ccedil;&atilde;o facilitadora para o desenvolvimento de perturba&ccedil;&otilde;es mentais, como a anorexia e  bulimia nervosa, a t&iacute;tulo de exemplo (Strauss &amp; Ryan, 1987). </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Proximidade e autonomia: Necessidades dial&eacute;cticas </i></p>     <p>A rela&ccedil;&atilde;o dial&eacute;ctica entre estas necessidades implica afirmar que existe um elemento de contraste e de s&iacute;ntese nas  estruturas psicol&oacute;gicas envolvidas na regula&ccedil;&atilde;o da satisfa&ccedil;&atilde;o das necessidades de Proximidade e Autonomia. Ou  seja, por um lado, &eacute;-lhe inerente um elemento de <i>oposi&ccedil;&atilde;o </i>e <i>tens&atilde;o</i>, na medida em que, em algumas  circunst&acirc;ncias, os requisitos necess&aacute;rios para a satisfa&ccedil;&atilde;o conjunta e simult&acirc;nea s&atilde;o incompat&iacute;veis.  Este cen&aacute;rio ocorre quando, por exemplo, numa rela&ccedil;&atilde;o interpessoal abdicamos de certas actividades preferidas a favor de outras,  de maneira a satisfazer os interesses do outro, permitindo a manuten&ccedil;&atilde;o do la&ccedil;o relacional (Deci &amp; Ryan, 2000). Por outro  lado, a rela&ccedil;&atilde;o entre necessidades poder&aacute; caracterizar-se por ser <i>sin&eacute;rgica </i>e <i>mutualista</i>, no sentido em  que o desenvolvimento da capacidade de regula&ccedil;&atilde;o de Proximidade com qualidade (n&atilde;o dependente) influi e beneficia a  regula&ccedil;&atilde;o da necessidade de Autonomia com qualidade (n&atilde;o evitante) e vice-versa. </p>     <p>Esta rela&ccedil;&atilde;o dial&eacute;ctica foi posta em evid&ecirc;ncia por Blatt (2008). Baseando-se na Teoria de Desenvolvimento  Psicossocial de Erikson (1982), o autor defendeu que o desenvolvimento saud&aacute;vel da personalidade envolve a matura&ccedil;&atilde;o ao longo  de duas linhas de desenvolvimento &ndash; <i>individua&ccedil;&atilde;o </i>e <i>relacionamento</i>. Contudo, o desenvolvimento ao longo destas  n&atilde;o &eacute; serial e estanque, mas sim, sin&eacute;rgico e dial&eacute;ctico. Assim, o desenvolvimento de uma personalidade organizada e  madura implica a progress&atilde;o emparelhada entre estas linhas, sendo que a diferencia&ccedil;&atilde;o ao n&iacute;vel da  Individua&ccedil;&atilde;o potencia o desenvolvimento de estruturas e processos psicol&oacute;gicos mais capazes de estabelecer e manter  rela&ccedil;&otilde;es interpessoais; e estes, por sua vez, potenciam n&iacute;veis superiores de Individua&ccedil;&atilde;o e  defini&ccedil;&atilde;o do <i>Self. </i>Deste modo, o desenvolvimento psicol&oacute;gico do indiv&iacute;duo, ao longo do ciclo vital, requer uma  s&eacute;rie de transac&ccedil;&otilde;es mutualistas e dial&eacute;cticas entre estes dois eixos de organiza&ccedil;&atilde;o da personalidade. </p>     <p>Blatt (2008) relacionou o desenvolvimento destas duas dimens&otilde;es de personalidade com a regula&ccedil;&atilde;o de necessidades de  Proximidade e Autonomia. Para tal, fez a correspond&ecirc;ncia entre individua&ccedil;&atilde;o e necessidades de Autonomia e Compet&ecirc;ncia,  bem como entre relacionamento e necessidade de Proximidade. Assim, tendo em conta esta associa&ccedil;&atilde;o entre o modelo de Blatt e a TAD,  foi poss&iacute;vel retirar duas conclus&otilde;es. Em primeiro lugar, a diferencia&ccedil;&atilde;o progressiva destes <i>selves </i>(i.e.,  <i>self </i>relacional e <i>self </i>individuado) permite n&iacute;veis progressivamente superiores de regula&ccedil;&atilde;o da  satisfa&ccedil;&atilde;o de necessidades de Proximidade e Autonomia<i>. </i>Isto &eacute;, quanto mais <i>relacionais </i>e <i>individuados</i>  formos, mais capazes seremos de regular a satisfa&ccedil;&atilde;o de necessidades de Proximidade e Autonomia. Em segundo lugar, o desenvolvimento  dos processos psicol&oacute;gicos respons&aacute;veis pela regula&ccedil;&atilde;o de necessidades tem o mesmo car&aacute;cter sin&eacute;rgico e  dial&eacute;ctico da perspectiva desenvolvimentista de Blatt, no sentido em que se influenciam m&uacute;tua e reciprocamente. </p>     <p>Nesse sentido, a investiga&ccedil;&atilde;o emp&iacute;rica realizada sobre este tema tem apresentado dados que apoiam a rela&ccedil;&atilde;o  dial&eacute;ctica entre estas necessidades, existindo associa&ccedil;&otilde;es positivas entre a <i>autonomia </i>e estilos de  vincula&ccedil;&atilde;o seguros (Leak &amp; Cooney, 2001, citado em LaGuardia &amp; Patrick, 2008) e satisfa&ccedil;&atilde;o relacional (Hodgins,  Koestner, &amp; Duncan, 1996; Patrick, 2007, citado em LaGuardia &amp; Patrick, 2008). </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><i>Modelo de complementaridade paradigm&aacute;tica </i></p>     <p>O Modelo de Complementaridade Paradigm&aacute;tica (Vasco, 2009) hipotetizou sobre a natureza e rela&ccedil;&atilde;o entre necessidades  psicol&oacute;gicas. Para esse efeito, prop&ocirc;s sete pares de necessidades dial&eacute;cticas cuja regula&ccedil;&atilde;o teria efeitos nos  n&iacute;veis de bem e mal-estar psicol&oacute;gico obtidos pelas pessoas. Estas necessidades s&atilde;o: (1) <i>Prazer &ndash; Dor</i>  (capacidade de obten&ccedil;&atilde;o e apre&ccedil;o de prazer f&iacute;sico e psicol&oacute;gico; capacidade de suportar dores inevit&aacute;veis  e de atribuir significado &agrave; dor); (2) <i>Proximidade &ndash; Autonomia </i>(capacidade de estabelecer e manter rela&ccedil;&otilde;es  &iacute;ntimas; capacidade de auto-determina&ccedil;&atilde;o e diferencia&ccedil;&atilde;o); (3) <i>Produtividade &ndash; Lazer </i>(capacidade  para concretizar feitos valorizados pelo pr&oacute;prio; capacidade para se envolver e desfrutar em actividades n&atilde;o-produtivas); (4)  <i>Controlo &ndash; Ced&ecirc;ncia </i>(capacidade de influenciar o ambiente; capacidade de delegar e abdicar de controlo); (5)  <i>Actualiza&ccedil;&atilde;o/Explora&ccedil;&atilde;o &ndash; Tranquilidade </i>(capacidade para explorar e expor-se &agrave; novidade; capacidade  para apreciar o que se possui); (6) <i>Coer&ecirc;ncia do </i>Self <i>&ndash; Incoer&ecirc;ncia do </i>Self (congru&ecirc;ncia entre o Eu real e o  Eu ideal, congru&ecirc;ncia entre o que se pensa, sente e faz; capacidade para tolerar conflitos e incongru&ecirc;ncias ocasionais); (7)  <i>Auto-estima &ndash; Auto-Cr&iacute;tica </i>(capacidade para sentir-se satisfeito consigo pr&oacute;prio; capacidade para identificar, tolerar  e aprender com insatisfa&ccedil;&otilde;es pessoais). </p>     <p>A par de sugerir estas necessidades, este modelo vincou a rela&ccedil;&atilde;o dial&eacute;ctica entre as mesmas, explicitando os processos  psicol&oacute;gicos subjacentes &agrave; regula&ccedil;&atilde;o cont&iacute;nua das mesmas. Assim, pressup&otilde;e-se que o Bem-estar  Psicol&oacute;gico resulta de um processo cont&iacute;nuo de negocia&ccedil;&atilde;o e balanceamento das polaridades dial&eacute;cticas, o qual  &eacute; respons&aacute;vel por uma regula&ccedil;&atilde;o satisfat&oacute;ria das mesmas. Aplicando este processo ao caso espec&iacute;fico das  necessidades destacadas no presente estudo, o Bem-estar e Mal-estar psicol&oacute;gicos ser&atilde;o consequ&ecirc;ncias da capacidade do  indiv&iacute;duo em atender, simbolizar e negociar os requisitos experienciais de Proximidade e Autonomia. </p>     <p>Assim e em jeito de resumo, a investiga&ccedil;&atilde;o feita nesta &aacute;rea tem vindo a demonstrar a exist&ecirc;ncia de uma  associa&ccedil;&atilde;o positiva entre a satisfa&ccedil;&atilde;o de necessidades de Proximidade e Autonomia e o Bem-estar psicol&oacute;gico e  uma associa&ccedil;&atilde;o negativa ao Mal-estar Psicol&oacute;gico. Simultaneamente, tem havido um aumento de conhecimento em termos conceptuais  relativamente &agrave; rela&ccedil;&atilde;o dial&eacute;ctica e sin&eacute;rgica entre o funcionamento aut&oacute;nomo e a capacidade de  estabelecer e manter rela&ccedil;&otilde;es pr&oacute;ximas. Contudo, esta conceptualiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o reconhece, de forma  suficientemente expl&iacute;cita, a liga&ccedil;&atilde;o entre os diferentes n&iacute;veis de funcionamento em ambas as dimens&otilde;es  (Proximidade e Individua&ccedil;&atilde;o, nos termos usados por Blatt, 2008) e a regula&ccedil;&atilde;o da satisfa&ccedil;&atilde;o de  necessidades propostas no presente estudo. </p>     <p>Tendo em conta esta limita&ccedil;&atilde;o, achou-se pertinente a constru&ccedil;&atilde;o de um novo instrumento de avalia&ccedil;&atilde;o do  grau de regula&ccedil;&atilde;o destas necessidades, o qual tivesse em considera&ccedil;&atilde;o a conceptualiza&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica  proposta pelo Modelo de Complementaridade Paradigm&aacute;tica. Apesar de existirem instru mentos aptos a medir a satisfa&ccedil;&atilde;o da  necessidade de Proximidade e de Autonomia (e.g., Reis et al., 2000; Sheldon et al., 1996), a estrutura dos mesmos n&atilde;o contempla de forma  suficientemente expl&iacute;cita a natureza dial&eacute;ctica e sin&eacute;rgica destas necessidades. Noutras palavras, n&atilde;o incorporam o  conceito de influ&ecirc;ncia m&uacute;tua e rec&iacute;proca entre estas necessidades, no sentido de que o desenvolvimento da capacidade de regular  a necessidade de Proximidade requer e beneficia do desenvolvimento da capacidade de regular a necessidade de Autonomia e vice-versa. </p>     <p>A par disso, a constru&ccedil;&atilde;o da Escala de Regula&ccedil;&atilde;o da Satisfa&ccedil;&atilde;o das Necessidades de Proximidade e  Autonomia (ERSN-P/A) disponibilizaria um instrumento que avalie, num determinado momento, o estado da capacidade das pessoas em regular as duas  necessidades tidas como fundamentais a um funcionamento &oacute;ptimo. Como tal, este instrumento poder&aacute; constituir uma ferramenta  &uacute;til a terapeutas de v&aacute;rias forma&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas, permitindo uma monitoriza&ccedil;&atilde;o da progress&atilde;o  do paciente ao longo da terapia no que diz respeito &agrave; capacidade de estabelecer e manter rela&ccedil;&otilde;es &iacute;ntimas e de ser  aut&oacute;nomo. </p>     <p>A par desta lacuna, n&atilde;o foi feito nenhum estudo que tivesse como objectivo fundamental a determina&ccedil;&atilde;o do funcionamento  conjunto da capacidade de regula&ccedil;&atilde;o da satisfa&ccedil;&atilde;o de necessidades de Proximidade e Autonomia no Bem-estar e Mal-estar  Psicol&oacute;gico. Considerando o Modelo de Complementaridade Paradigm&aacute;tica, seria expect&aacute;vel que os indiv&iacute;duos mais capazes  de negociar e balancear as polaridades dial&eacute;cticas de Proximidade e Autonomia obtivessem n&iacute;veis elevados de regula&ccedil;&atilde;o  da satisfa&ccedil;&atilde;o de ambas as necessidades e, consequentemente n&iacute;veis elevados de Bem-estar Psicol&oacute;gico e reduzidos de  Mal-estar Psicol&oacute;gico. Este desempenho diferencial em termos de bem-estar seria v&aacute;lido para este grupo de indiv&iacute;duos quando  comparados com outros que n&atilde;o fossem t&atilde;o capazes de tal equil&iacute;brio, pois este &uacute;ltimo grupo, pelas dificuldades  inerentes a este processo, teria um desempenho inferior. </p>     <p>Em suma, o processo de negocia&ccedil;&atilde;o e balanceamento de necessidades (vari&aacute;vel que n&atilde;o &eacute; medida directamente no  nosso estudo) tem efeito na regula&ccedil;&atilde;o da satisfa&ccedil;&atilde;o das mesmas e consequentemente nos n&iacute;veis de bem-estar. Ou  seja, em teoria, quanto mais capazes forem os indiv&iacute;duos a negociar e balancear as necessidades, melhores ser&atilde;o os seus n&iacute;veis  de regula&ccedil;&atilde;o de necessidades e, consequentemente, de bem-estar. Como tal, esperou-se demonstrar a <i>prov&aacute;vel</i>  import&acirc;ncia do processo dial&eacute;ctico de regula&ccedil;&atilde;o indirectamente, atrav&eacute;s da compara&ccedil;&atilde;o do grupo com  n&iacute;veis elevados de regula&ccedil;&atilde;o em <i>proximidade </i>e <i>autonomia </i>com os restantes grupos. </p>     <p>Assim, este estudo prop&ocirc;s-se a desenvolver um instrumento de medida de regula&ccedil;&atilde;o da satisfa&ccedil;&atilde;o de necessidades  de Proximidade e Autonomia, bem como a clarificar a rela&ccedil;&atilde;o entre estas medidas e resultados de Bem-estar e Mal-estar  Psicol&oacute;gicos. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>De uma forma mais concreta, hipotetiza-se que: </p>     <p>1) A regula&ccedil;&atilde;o da satisfa&ccedil;&atilde;o da necessidade de Proximidade e Autonomia influencie, individualmente, o Bem-estar  Psicol&oacute;gico. Isto &eacute;, os valores mais elevados em cada uma destas vari&aacute;veis corresponder&atilde;o a valores mais elevados de  Bem-estar Psicol&oacute;gico. </p>     <p>2) A regula&ccedil;&atilde;o da satisfa&ccedil;&atilde;o da necessidade de Proximidade e Autonomia influencie, individualmente, o Mal-estar  Psicol&oacute;gico. Isto &eacute;, os valores mais reduzidos em cada uma destas vari&aacute;veis corresponder&atilde;o a valores mais elevados de  Mal-estar Psicol&oacute;gico. </p>     <p>3) O grupo de indiv&iacute;duos com n&iacute;veis mais elevados de regula&ccedil;&atilde;o simult&acirc;nea de Proximidade e Autonomia  apresentem resultados superiores de Bem-estar e inferiores de Mal-estar Psicol&oacute;gico, quando comparados com o grupo de indiv&iacute;duos com  n&iacute;veis mais reduzidos em ambas as vari&aacute;veis e com o grupo de indiv&iacute;duos com n&iacute;veis elevados em apenas uma delas  (Proximidade ou Autonomia). </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>M&eacute;todo </b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Procedimento e participantes </i></p>     <p>De maneira a concretizar os objectivos propostos, foram colocados dois instrumentos (i.e., <i>Invent&aacute;rio de Sa&uacute;de Mental </i>e  <i>Escala de Regula&ccedil;&atilde;o da Satisfa&ccedil;&atilde;o de Necessidades </i>&ndash; <i>Proximidade/Autonomia</i>) numa plataforma  inform&aacute;tica <i>online </i>privada (i.e., cujo acesso aos dados dos participantes era exclusiva aos investigadores), durante um  per&iacute;odo de dois meses. Por motivos de conveni&ecirc;ncia, a par da ERSN-P/A foram apresentados aos sujeitos duas outras escalas integrantes  da Escala de Regula&ccedil;&atilde;o da Satisfa&ccedil;&atilde;o de Necessidades, correspondentes a outros pares dial&eacute;cticos de  necessidades: a Escala de Regula&ccedil;&atilde;o da Satisfa&ccedil;&atilde;o de Necessidades &ndash; Prazer/Dor e a Escala de  Regula&ccedil;&atilde;o da Satisfa&ccedil;&atilde;o de Necessidades &ndash; Coer&ecirc;ncia/Incoer&ecirc;ncia. </p>     <p>A p&aacute;gina de apresenta&ccedil;&atilde;o da plataforma inform&aacute;tica consistiu num enunciado do tema, objectivo e m&eacute;todo da  investiga&ccedil;&atilde;o, bem como das condi&ccedil;&otilde;es de participa&ccedil;&atilde;o no mesmo, incluindo a garantia de confidencialidade  e anonimato. De forma mais espec&iacute;fica, e elaborando sobre o procedimento de selec&ccedil;&atilde;o da amostra, estabeleceram-se as seguintes  condi&ccedil;&otilde;es de participa&ccedil;&atilde;o necess&aacute;rias: idade igual ou superior a 18 anos; n&iacute;vel de escolaridade  m&iacute;nimo equivalente ao 9&ordm; ano; Portugu&ecirc;s como l&iacute;ngua materna; e por &uacute;ltimo, o n&atilde;o-acompanhamento  psicoterap&ecirc;utico ou psiqui&aacute;trico no momento da participa&ccedil;&atilde;o no estudo. Esta &uacute;ltima condi&ccedil;&atilde;o foi  inserida com o prop&oacute;sito expl&iacute;cito de obter uma amostra n&atilde;o-cl&iacute;nica. A recolha destes dados identificativos (i.e.,  idade, g&eacute;nero, estado civil e habilita&ccedil;&otilde;es liter&aacute;rias) limitou-se ao estritamente necess&aacute;rio, pretendendo-se  garantir a confidencialidade da informa&ccedil;&atilde;o prestada pelos participantes. Ap&oacute;s a leitura desta p&aacute;gina de  apresenta&ccedil;&atilde;o do estudo, os participantes tinham a possibilidade de avan&ccedil;ar para o preenchimento dos question&aacute;rios. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Com a aplica&ccedil;&atilde;o deste procedimento obteve-se uma amostra de 237 participantes. Esta amostra foi constitu&iacute;da pelos  participantes que acederam &agrave; plataforma inform&aacute;tica e completaram todos os itens propostos, tendo sido exclu&iacute;dos 10  participantes os quais iniciaram os question&aacute;rios, mas n&atilde;o os conclu&iacute;ram. Na sua maioria, os participantes eram do sexo  feminino (72.57%), com uma idade m&eacute;dia de 30.2 anos (<i>DP</i>=9.97), variando entre os 18 e os 64 anos e habilita&ccedil;&otilde;es  liter&aacute;rias predominantemente de n&iacute;vel superior (84.81%). Na sua maioria, tinham uma rela&ccedil;&atilde;o amorosa est&aacute;vel  (62.45%). </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Medidas </i></p>     <p>A Escala de Regula&ccedil;&atilde;o da Satisfa&ccedil;&atilde;o de Necessidades &ndash; Proximidade/Autonomia (ERSN-P/A) foi elaborada como  medida da regula&ccedil;&atilde;o de necessidades de Proximidade e Autonomia. </p>     <p>A ERSN-P/A consiste num instrumento de auto-relato composto por 2 subescalas (Proximidade; Autonomia) e 16 itens. Para cada item, os  participantes indicam o seu grau de acordo. A sua resposta &eacute; classificada numa escala de tipo <i>Likert</i>, com oito pontos, a qual varia  entre o valor 1 (discordo completamente) e 8 (concordo completamente). Ambas as sub-escalas basearam-se na revis&atilde;o de literatura existente  (e.g., Blatt, 2008) e na experi&ecirc;ncia cl&iacute;nica, a partir da qual formulou-se 16 itens alinhados conceptualmente com os modelos  te&oacute;ricos relevantes. Tendo em conta esta formula&ccedil;&atilde;o conceptual, a vers&atilde;o disponibilizada aos participantes foi  id&ecirc;ntica &agrave; vers&atilde;o inicialmente concebida pelos autores. </p>     <p>A sub-escala Proximidade &eacute; constitu&iacute;da por 8 itens, 2 dos quais invertidos e implica o desenvolvimento e manuten&ccedil;&atilde;o  de rela&ccedil;&otilde;es interpessoais significativas. Estas rela&ccedil;&otilde;es s&atilde;o caracterizadas por interac&ccedil;&otilde;es  agrad&aacute;veis e frequentes (exemplificado no item <i>&ldquo;Tenho prazer em estar com os outros&rdquo;</i>). Simultaneamente, as  interac&ccedil;&otilde;es indicadoras de Proximidade implicam que as pessoas envolvidas nas mesmas experienciem afectos ou estados emocionais  sens&iacute;veis ao bem-estar do outro (por exemplo, <i>&ldquo;Sinto-me preocupado(a) quando sei que pessoas pr&oacute;ximas est&atilde;o a  sofrer&rdquo;</i>). Por &uacute;ltimo, incluiu-se na sub-escala de Proximidade o item <i>&ldquo;&Eacute; inevit&aacute;vel que, por vezes, me  sinta s&oacute;&rdquo; </i>reflectindo um componente distinto associado &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es interpessoais: a experi&ecirc;ncia de  conforto com a solid&atilde;o. Esta caracter&iacute;stica deriva da conceptualiza&ccedil;&atilde;o de Winnicott (1958), o qual defendeu que a  capacidade de estar s&oacute; deriva da experi&ecirc;ncia de rela&ccedil;&otilde;es interpessoais suficientemente boas. </p>     <p>A sub-escala de Autonomia &eacute; composta igualmente por 8 itens, 3 dos quais invertidos. Considerou-se que esta cont&eacute;m tr&ecirc;s  componentes: ag&ecirc;ncia, concord&acirc;ncia com o <i>self </i>e diferencia&ccedil;&atilde;o do <i>self</i>. A <i>ag&ecirc;ncia </i>consiste num  <i>locus </i>de causalidade interna ou de auto-determina&ccedil;&atilde;o, em que a escolha subjacente a um acto resulta de caracter&iacute;sticas  do pr&oacute;prio (i.e., cren&ccedil;as, desejos e valores). Em resultado da percep&ccedil;&atilde;o da determina&ccedil;&atilde;o causal interna,  um indiv&iacute;duo aut&oacute;nomo experiencia-se como a origem e causa das suas escolhas e comportamentos (por exemplo, <i>&ldquo;Sinto-me livre  para escolher a maneira como vivo a minha vida&rdquo;</i>). O segundo componente de Autonomia define-se pela concord&acirc;ncia com o <i>self</i>  de decis&otilde;es, objectivos e comportamentos, os quais podem variar no grau em que s&atilde;o aceites, apoiados e congruentes com valores  pessoais (por exemplo, <i>&ldquo;Sinto-me confort&aacute;vel e bem comigo pr&oacute;prio(a) quando tomo uma decis&atilde;o, mesmo que esta seja  contr&aacute;ria &agrave; dos outros&rdquo;</i>). O terceiro e &uacute;ltimo componente consiste na diferencia&ccedil;&atilde;o do <i>self</i>,  conceito defendido por Brewer (1991, citado em Sheldon &amp; Bettencourt, 2002), sendo medido pelo item <i>&ldquo;Ainda que possa preferir  estar acompanhado(a), sou capaz de me sentir bem quando estou sozinho(a)&rdquo;</i>. </p>     <p>O <i>Invent&aacute;rio de Sa&uacute;de Mental </i>(ISM) foi utilizado para avaliar os n&iacute;veis de Bem-estar Psicol&oacute;gico e Mal-estar  Psicol&oacute;gico (vers&atilde;o portuguesa de Jos&eacute; L. Pais-Ribeiro, 2001; adapta&ccedil;&atilde;o por M. Eug&eacute;nia Duarte-Silva e  Rosa Novo, 2001. FPCE &ndash; Universidade de Lisboa), vers&atilde;o portuguesa do <i>Mental Health Inventory (MHI) </i>(Ware, Johnston,  Davies-Avery, &amp; Brook, 1979, citado em Ribeiro, 2001). </p>     <p>Tal como o MHI, a vers&atilde;o portuguesa deste instrumento, o ISM, caracteriza-se por ser um invent&aacute;rio de auto-relato, com resposta  de tipo ordinal de cinco ou seis categorias, que visa avaliar a Sa&uacute;de Mental em dimens&otilde;es positivas e negativas. Os 38 itens que  comp&otilde;em este Invent&aacute;rio agrupam-se em cinco destas dimens&otilde;es. A subescala de <i>Distress </i>Psicol&oacute;gico &eacute;  composta por tr&ecirc;s dimens&otilde;es negativas (Ansiedade &ndash; 10 itens, Depress&atilde;o &ndash; cinco itens, Perda de Controlo  Emocional/Comportamental &ndash; nove itens). Por sua vez, a subescala de Bem-estar Psicol&oacute;gico &eacute; constitu&iacute;do pelas restantes  duas dimens&otilde;es, de val&ecirc;ncia positiva (Afecto Positivo &ndash; 11 itens, La&ccedil;os Emocionais &ndash; tr&ecirc;s itens). As duas  subescalas resultam do somat&oacute;rio dos resultados brutos de cada item, podendo variar entre 24 e 142 pontos para a subescala de  <i>Distress </i>Psicol&oacute;gico e entre 14 e 84 pontos para a subescala Bem-estar Psicol&oacute;gico. </p>     <p>A vers&atilde;o portuguesa (ISM) apresenta valores de consist&ecirc;ncia interna que variam entre o satisfat&oacute;rio a elevado, sendo  compar&aacute;veis ao instrumento original (Ribeiro, 2001). No presente estudo, a consist&ecirc;ncia interna oscilou entre .67 (sub-escala  Depress&atilde;o) e .95 (Escala Total). O <a href="#q1">Quadro 1</a> apresenta as medidas de consist&ecirc;ncia do MHI, do ISM, bem como as  referentes ao presente estudo. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><a name="q1"></a></p>     <p><img src="/img/revistas/aps/v33n1/33n1a01q1.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Resultados </b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Estudo I. Avalia&ccedil;&atilde;o das qualidades psicom&eacute;tricas da ERSN-P/A </i></p>     <p>O <a href="#q2">Quadro 2</a> mostra os resultados (m&eacute;dia e desvio-padr&atilde;o) por item e por sub-escala. </p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="q2"></a></p>     <p><img src="/img/revistas/aps/v33n1/33n1a01q2.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>An&aacute;lise factorial. </i>Os 16 itens da ERSN-P/A foram submetidos a uma an&aacute;lise de componentes principais. Contudo, apesar de ser  revelada uma estrutura factorial, esta n&atilde;o fez sentido do ponto de vista te&oacute;rico, podendo ser o resultado da correla&ccedil;&atilde;o  forte entre as vari&aacute;veis de Proximidade e Autonomia. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Consist&ecirc;ncia interna. </i>A consist&ecirc;ncia interna foi analisada atrav&eacute;s do coeficiente alfa de Cronbach, em termos de  escala global e de cada uma das subescalas (Proximidade e Autonomia). Considerou-se um resultado alfa superior a .7 como um bom indicador de  consist&ecirc;ncia interna. Assim, a escala global obteve uma medida de consist&ecirc;ncia interna boa (&alpha;=.761). Por outro lado, as duas  subescalas obtiveram n&iacute;veis inferiores ao esperado (Proximidade, &alpha;=.697; Autonomia, &alpha;=.647). De forma a melhorar a  precis&atilde;o das sub-escalas, procedeu-se a uma an&aacute;lise &agrave;s correla&ccedil;&otilde;es entre itens, da qual resultou a  decis&atilde;o de retirar itens a cada uma das subescalas de maneira a torn&aacute;-la mais precisa: (1) na subescala de Proximidade, procedeu-se  &agrave; retirada do item <i>&ldquo;&Eacute; inevit&aacute;vel que, por vezes, me sinta s&oacute;&rdquo; </i>devido &agrave;  correla&ccedil;&atilde;o negativa com a restante subescala (<i>r</i>=-.211); (2) na subescala de Autonomia, decidiu-se retirar o item com a  correla&ccedil;&atilde;o mais baixa com os restantes itens da sub-escala (<i>&ldquo;&Eacute;-me muito dif&iacute;cil tomar uma decis&atilde;o sem  ouvir a opini&atilde;o dos outros&rdquo;</i>, <i>r</i>=.257). </p>     <p>Fundamentando estas escolhas, decidiu-se retirar apenas um item da sub-escala de Autonomia porque a sua aus&ecirc;ncia permitiu aumentar a  m&eacute;dia da correla&ccedil;&atilde;o entre itens, tornando a precis&atilde;o da escala mais aceit&aacute;vel. Optou-se por afastar apenas um  item pois um n&uacute;mero reduzido de itens numa escala influencia negativamente as medidas de precis&atilde;o (Pallant, 2007). Por outro lado,  com a exclus&atilde;o destes itens, a consist&ecirc;ncia interna do instrumento global (ERSN-P/A) &eacute; de &alpha;=.836. </p>     <p>Ap&oacute;s estas altera&ccedil;&otilde;es, a consist&ecirc;ncia interna da Proximidade &eacute; de &alpha;=.833 e da subescala de Autonomia  &eacute; de &alpha;=.641. Ou seja, o alfa de Cronbach da subescala de Autonomia manteve-se inferior ao desej&aacute;vel. Contudo, com base em  Pallant (2007), &eacute; poss&iacute;vel argumentar que os resultados inferiores a .7 s&atilde;o aceit&aacute;veis em escalas com um n&uacute;mero  de itens inferior a 10. Ali&aacute;s, nestes casos, &eacute; poss&iacute;vel utilizar uma medida de consist&ecirc;ncia interna alternativa, a  m&eacute;dia da correla&ccedil;&atilde;o entre itens, a qual, para ser aceit&aacute;vel, dever&aacute; encontrar-se entre .2 e .4 (Briggs &amp;  Cheek, 1986). Para esta subescala, este valor &eacute; de <i>r</i>=.206, encontrando-se, desta forma, dentro de par&acirc;metros  aceit&aacute;veis. </p>     <p>O <a href="#q2">Quadro 2</a> apresenta os dados de consist&ecirc;ncia das subescalas de Proximidade e Autonomia. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><i>Validade dos itens. </i>A validade dos itens foi analisada com base na correla&ccedil;&atilde;o de cada item com a subescala a que pertence  (validade convergente). Considerou-se como correla&ccedil;&atilde;o adequada um valor superior a .3. Apenas 2 itens da subescala de Autonomia  n&atilde;o cumpriram com estes crit&eacute;rios, apresentando um valor inferior a .3 (ver <a href="#q2">Quadro 2</a>). </p>     <p>Em termos de validade divergente, decidiu-se que a diferen&ccedil;a entre a correla&ccedil;&atilde;o do item com a sub-escala a que pertence  deveria ser superior em .1 relativamente &agrave; correla&ccedil;&atilde;o com a subescalas a que n&atilde;o pertence (Ribeiro, 2001). Quanto a  este crit&eacute;rio, verificou-se que dos 14 itens, apenas 3 n&atilde;o cumpriram os crit&eacute;rios especificados (A1, A3 e A8). </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Estudo II &ndash; An&aacute;lise da rela&ccedil;&atilde;o entre as vari&aacute;veis </i></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Correla&ccedil;&otilde;es entre vari&aacute;veis. </i>Analisaram-se as correla&ccedil;&otilde;es entre as quatro vari&aacute;veis, usando o  coeficiente de Pearson. Os resultados encontram-se no <a href="#q3">Quadro 3</a>. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="q3"></a></p>     <p><img src="/img/revistas/aps/v33n1/33n1a01q3.jpg"></p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Regress&atilde;o linear m&uacute;ltipla. </i>Foi realizada uma Regress&atilde;o Linear M&uacute;ltipla <i>standard </i>de maneira a estudar a  capacidade explicativa das vari&aacute;veis Proximidade e Autonomia no Bem-estar e Mal-estar Psicol&oacute;gico. </p>     <p>Os resultados apresentados no <a href="#q4">Quadro 4</a> demonstram que as vari&aacute;veis Proximidade e Autonomia t&ecirc;m, no seu conjunto,  um valor explicativo do Bem-estar Psicol&oacute;gico [<i>r&sup2;</i>=.34, <i>F</i>(2,234)=58.86, <i>p</i>=.000]. A mesma constata&ccedil;&atilde;o  verifica-se para cada uma das vari&aacute;veis, de forma individual [Proximidade, <i>&beta;</i>=.47, <i>t</i>(236)=7.42, <i>p</i>&lt;.001]  [Autonomia, <i>&beta;</i>=.16, <i>t</i>(236)=2.54, <i>p</i>=.01]. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="q4"></a></p>     <p><img src="/img/revistas/aps/v33n1/33n1a01q4.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Quanto ao Mal-estar Psicol&oacute;gico, os resultados indicam que existe pelo menos uma vari&aacute;vel com influ&ecirc;ncia nos valores de  Mal-estar, j&aacute; que o conjunto destas vari&aacute;veis explicam 32.8% da vari&acirc;ncia dos resultados de Mal-estar Psicol&oacute;gico  [<i>r&sup2;</i>=.33), <i>F</i>(2,234)=57.21, <i>p</i>&lt;.001]. Concretizando, quer a Proximidade [<i>&beta;</i>=-.38, <i>t</i>(236)=-5.90,  <i>p</i>&lt;.001], quer a Autonomia [<i>&beta;</i>=-.27, <i>t</i>(236)=-4.21, <i>p</i>&lt;.001], explicam significativamente o Mal-estar  Psicol&oacute;gico. </p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>An&aacute;lise de vari&acirc;ncias Multivariada &ndash; MANOVA. </i>Utilizou-se uma An&aacute;lise de Vari&acirc;ncias Multivariada (MANOVA)  para verificar as diferen&ccedil;as de vari&acirc;ncias de grupos com diferentes valores em Proximidade e Autonomia. Para tal, os grupos foram  divididos pelas medianas dos resultados nestas vari&aacute;veis. Como vari&aacute;veis dependentes foram considerados o Bem-estar e o Mal-estar.  O grupo 1 &eacute; composto pelos participantes com resultados inferiores &agrave; mediana em Proximidade e Autonomia (P-A-; <i>N</i>=89). O grupo  2, os participantes com resultados inferiores em Proximidade e superiores em Autonomia (P-A+; <i>N</i>=40). O grupo 3 re&uacute;ne os participantes  com resultados superiores em Proximidade e inferiores em Autonomia (P+A-; <i>N</i>=72). E por &uacute;ltimo, o grupo 4 cont&eacute;m os  participantes com resultados superiores em Proximidade e Autonomia (P+A+; <i>N</i>=72). </p>     <p>Atrav&eacute;s da MANOVA pretendeu-se comparar os v&aacute;rios grupos em termos de Proximidade e Autonomia. Para tal, realizaram-se duas  compara&ccedil;&otilde;es: o grupo 4 (P+A+) com o conjunto dos outros grupos (P+A-; P-A+; P-A-) e entre todos os grupos. Esta an&aacute;lise  permitiu, por um lado, testar a hip&oacute;tese de que os indiv&iacute;duos com elevados n&iacute;veis de regula&ccedil;&atilde;o de ambas as  necessidades (Grupo 4, P+A+) teriam resultados superiores de Bem-estar Psicol&oacute;gico e inferiores de Mal-estar Psicol&oacute;gico, quando  comparados com o conjunto dos restantes grupos (Grupos 1, 2 e 3). Por outro, ao comparar cada grupo individualmente, almejou-se avaliar o impacto  de diferentes n&iacute;veis de regula&ccedil;&atilde;o de Proximidade e Autonomia no Bem-estar e Mal-Estar Psicol&oacute;gico. Recorde-se que o  presente estudo prop&ocirc;s que os indiv&iacute;duos com n&iacute;veis elevados de regula&ccedil;&atilde;o de Proximidade e Autonomia (grupo 4)  teriam resultados superiores de Bem-estar e inferiores de Mal-estar Psicol&oacute;gico, quando comparados com os grupos com apenas uma necessidade  com n&iacute;vel elevado (grupo 2, P-A+; grupo 3, P+A-). Estes grupos, por sua vez, deveriam ter resultados superiores em Bem-estar e inferiores em  Mal-estar Psicol&oacute;gico, quando comparados com o grupo com resultados inferiores em ambas as necessidades (grupo 1, P-A-). </p>     <p>No que diz respeito ao Mal-estar, obteve-se um resultado <i>F</i>(1,235)=35.64, <i>p</i>&lt;.001, partial eta squared=.13. Atrav&eacute;s dos  resultados m&eacute;dios, verifica-se que o grupo 4 (Grupo 4: <i>M</i>=50.97; <i>DP</i>=1.17) tem uma m&eacute;dia significativamente inferior ao  conjunto dos grupos 1, 2 e 3 (Grupo 123: <i>M</i>=63.67; <i>DP</i>=1.17). </p>     <p>No que diz respeito &agrave; compara&ccedil;&atilde;o entre cada grupo, os resultados indicam que existe uma diferen&ccedil;a significativa  entre os 4 grupos, quer para a vari&aacute;vel Bem-estar [<i>F</i>(3,23)=31.26; <i>p</i>&lt;.001; partial eta squared=.29], quer para a  vari&aacute;vel Mal-estar Psicol&oacute;gico [<i>F</i>(3,23)=29.89; <i>p</i>&lt;.001; partial eta squared=.27]. </p>     <p>Comparando as diferen&ccedil;as entre os 4 grupos, verificaram-se diferen&ccedil;as significativas entre estes. O <a href="#q5">Quadro 5</a>  resume as compara&ccedil;&otilde;es entre grupos nas vari&aacute;veis Bem-estar e Mal-estar Psicol&oacute;gico. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="q5"></a></p>     <p><img src="/img/revistas/aps/v33n1/33n1a01q5.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Relativamente &agrave; vari&aacute;vel Bem-estar Psicol&oacute;gico, observam-se os seguintes resultados: o grupo 4 (P+A+) obt&eacute;m  n&iacute;veis de Bem-estar significativamente superiores ao grupo 1 (P-A-) (<i>p</i>&lt;.001) e ao grupo 2 (P-A+) (<i>p</i>=.002); o grupo 3 (P+A-)  obt&eacute;m n&iacute;veis de Bem-estar significativamente superiores ao grupo 1 (P-A-) (<i>p</i>&lt;.001); e o grupo 2 (P-A+) obt&eacute;m  n&iacute;veis de Bem-estar significativamente superiores ao grupo 1 (P-A-) (<i>p</i>=.012). </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Relativamente &agrave; vari&aacute;vel Mal-estar Psicol&oacute;gico, verifica-se que: o grupo 4 (P+A+) obt&eacute;m n&iacute;veis de Mal-estar  significativamente inferiores ao grupo 1 (P-A-) (<i>p</i>&lt;.001); o grupo 3 (P+A-) obt&eacute;m n&iacute;veis de Mal-estar significativamente  inferiores ao grupo 1 (P-A-) (<i>p</i>&lt;.001); o grupo 2 (P-A+) obt&eacute;m n&iacute;veis de Mal-estar significativamente inferiores ao grupo 1  (P-A-). Ainda no que diz respeito &agrave; vari&aacute;vel Mal-estar Psicol&oacute;gico, os resultados indicam que o grupo 1 (P-A-) tem resultados  significativamente superiores ao grupo 2 (P-A+) (<i>p</i>&lt;.001), grupo 3 (P+A-) (<i>p</i>&lt;.001) e grupo 4 (P+A+) (<i>p</i>&lt;.001). </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Discuss&atilde;o de resultados </b></p>     <p>O presente estudo teve como objectivos a elabora&ccedil;&atilde;o de um instrumento de avalia&ccedil;&atilde;o do grau de  regula&ccedil;&atilde;o da satisfa&ccedil;&atilde;o das necessidades de Proximidade e Autonomia e a explora&ccedil;&atilde;o da  rela&ccedil;&atilde;o entre o grau de regula&ccedil;&atilde;o das mesmas em medidas de Bem-estar e Mal-estar Psicol&oacute;gico. </p>     <p>Quanto ao referido instrumento (ERSN-P/A), ap&oacute;s a remo&ccedil;&atilde;o de dois itens, este mostrou ser preciso, apresentando um  n&iacute;vel bom de consist&ecirc;ncia interna. Por sua vez, as subescalas de Proximidade e Autonomia revelaram uma consist&ecirc;ncia interna boa  e aceit&aacute;vel, respectivamente, de acordo com Briggs e Cheeks, 1986. </p>     <p>Em termos de validade, a sub-escala de Proximidade apresentou boas medidas de validade convergente e divergente, enquanto a sub-escala de  Autonomia revelou algumas limita&ccedil;&otilde;es com tr&ecirc;s itens. N&atilde;o obstante estas limita&ccedil;&otilde;es, este incumprimento do  crit&eacute;rio de validade divergente (i.e., correla&ccedil;&atilde;o superior a .1 com a sub-escala a que pertence relativamente &agrave;  restante sub-escala) pode ser explicado pela formula&ccedil;&atilde;o dos itens em causa [<i>Sinto-me livre para escolher como vivo a minha vida;  Consigo sentir-me eu pr&oacute;prio(a) durante a maior parte do tempo; Ainda que possa preferir estar acompanhado(a), sou capaz de me sentir bem  quando estou sozinho(a)</i>]. De forma mais concreta, estes poder&atilde;o distinguir-se dos restantes por reflectirem, n&atilde;o s&oacute; os  componentes de car&aacute;cter experiencial da necessidade de Autonomia (i.e., <i>locus </i>de causalidade interna, concord&acirc;ncia com o  <i>self </i>e diferencia&ccedil;&atilde;o do <i>self</i>), mas tamb&eacute;m as caracter&iacute;sticas de um <i>self </i>aut&oacute;nomo e  diferenciado. Como tal, numa eventual reformula&ccedil;&atilde;o desta sub-escala, estes itens poder&atilde;o ser constru&iacute;dos de forma a  reflectir a experi&ecirc;ncia &ldquo;directa&rdquo; da necessidade de autonomia. Apesar destas limita&ccedil;&otilde;es, tendo em conta as  qualidades psicom&eacute;tricas globais verificadas na ERSN-P/A, esta revelou-se uma escala de avalia&ccedil;&atilde;o suficientemente precisa e  adequada ao seu prop&oacute;sito. Consequentemente, poder&aacute; ser considerada na inclus&atilde;o de uma futura Escala de  Regula&ccedil;&atilde;o da Satisfa&ccedil;&atilde;o de Necessidades (ERSN), destinada a medir a regula&ccedil;&atilde;o da satisfa&ccedil;&atilde;o  dos sete pares de necessidades dial&eacute;cticas propostos pelo Modelo de Complementaridade Paradigm&aacute;tica (Vasco, 2009). Esta escala, por  sua vez, poderia ser &uacute;til quando utilizada num contexto psicoterap&ecirc;utico, considerando os efeitos que a regula&ccedil;&atilde;o de  necessidades tem ao n&iacute;vel de Bem-estar e Mal-estar Psicol&oacute;gicos. </p>     <p>Este car&aacute;cter &uacute;til da Escala prov&eacute;m da relev&acirc;ncia do pr&oacute;prio conceito de Necessidade Psicol&oacute;gica.  Concei&ccedil;&atilde;o e Vasco (2005) propuseram que as Necessidades Psicol&oacute;gicas poderiam ser conceitos relevantes a v&aacute;rios modelos  psicoterap&ecirc;uticos de diferentes orienta&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas. De facto, alguns modelos inclu&iacute;ram o conceito de  Necessidades nas suas teorias de perturba&ccedil;&atilde;o, de funcionamento adaptativo e de mudan&ccedil;a. Numa tradi&ccedil;&atilde;o mais  cognitivista, por exemplo, Young, Klosko e Weishar (2003) associaram a origem de esquemas desadaptativos &agrave;  n&atilde;o-satisfa&ccedil;&atilde;o de necessidades. Dentro de uma linha mais humanista e experiencial, Greenberg, Rice e Elliot (1993)  identificaram o mesmo motivo (i.e., a n&atilde;o-satisfa&ccedil;&atilde;o de necessidades) como tendo uma rela&ccedil;&atilde;o causal com alguns  tipos de dificuldades de processamento emocional, nomeadamente <i>assuntos inacabados</i>. Acrescentaram tamb&eacute;m que a  resolu&ccedil;&atilde;o deste tipo de queixas implica a utiliza&ccedil;&atilde;o de tarefas terap&ecirc;uticas que envolvem, por exemplo, o  contacto experiencial e simboliza&ccedil;&atilde;o de necessidades. </p>     <p>Assim, tendo em conta a relev&acirc;ncia potencial do constructo Necessidade Psicol&oacute;gica (e sua regula&ccedil;&atilde;o) para o  funcionamento adaptativo e &oacute;ptimo, g&eacute;nese e manuten&ccedil;&atilde;o de sofrimento mental e mudan&ccedil;a, considera-se oportuna  esta proposta de 7 pares de Necessidades dial&eacute;cticas, bem como de uma escala que permita avali&aacute;-las. </p>     <p>No que respeita &agrave; rela&ccedil;&atilde;o entre as vari&aacute;veis, os resultados obtidos apoiaram uma das hip&oacute;teses propostas: a  regula&ccedil;&atilde;o das necessidades de Proximidade e Autonomia previu, individualmente, os n&iacute;veis de Bem-estar e Mal-estar  Psicol&oacute;gico. De uma forma resumida, quanto maior foi a capacidade de regula&ccedil;&atilde;o da Proximidade ou de Autonomia, maior foi o  Bem-estar e menor o Mal-estar e sofrimento psicol&oacute;gico. </p>     <p>Este resultado vem confirmar aquilo que tem sido colocado em evid&ecirc;ncia pela Teoria da Auto-Determina&ccedil;&atilde;o (e.g., Deci &amp;  Ryan, 2000) sobre a influ&ecirc;ncia de cada uma destas necessidades no Bem-estar Psicol&oacute;gico. Simultaneamente, vem salientar um ponto que  tem sido menos explorado pela literatura at&eacute; ao momento: as dificuldades na regula&ccedil;&atilde;o da satisfa&ccedil;&atilde;o de  necessidades de Proximidade ou Autonomia poder&atilde;o ter influ&ecirc;ncias ao n&iacute;vel de Mal-estar Psicol&oacute;gico e da probabilidade de  ocorr&ecirc;ncia de algum tipo de perturba&ccedil;&atilde;o mental. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A confirma&ccedil;&atilde;o destas hip&oacute;teses acrescenta validade &agrave; proposta apresentada anteriormente relativamente &agrave;  relev&acirc;ncia do trabalho terap&ecirc;utico que incida sobre necessidades psicol&oacute;gicas, nomeadamente a Proximidade e Autonomia. De forma  mais concreta, os resultados apresentados neste estudo relativamente &agrave; regula&ccedil;&atilde;o individual das necessidades de Proximidade e  de Autonomia parecem confirmar o valor de interven&ccedil;&otilde;es terap&ecirc;uticas promotoras de mudan&ccedil;a ao n&iacute;vel de estruturas  e processos psicol&oacute;gicos respons&aacute;veis pela regula&ccedil;&atilde;o destas necessidades. </p>     <p>Em seguida, reflicta-se sobre as compara&ccedil;&otilde;es entre grupos de participantes. A compara&ccedil;&atilde;o do grupo de participantes  com n&iacute;veis mais elevados em ambas as vari&aacute;veis, Proximidade e Autonomia (grupo 4), com o conjunto dos outros (grupo 1+2+3) revela,  tal como esperado, diferen&ccedil;as significativas nos n&iacute;veis de Bem-estar e Mal-estar Psicol&oacute;gico. Este resultado parece indicar  que os indiv&iacute;duos com capacidades elevadas de regula&ccedil;&atilde;o de ambas necessidades obt&ecirc;m n&iacute;veis superiores de  Bem-estar e inferiores de Mal-estar Psicol&oacute;gico, quando comparados com os restantes indiv&iacute;duos. </p>     <p>Este padr&atilde;o de resultados obtidos por indiv&iacute;duos com elevadas capacidades de regula&ccedil;&atilde;o de ambas as necessidades  encontra suporte parcial noutras compara&ccedil;&otilde;es efectuadas. A t&iacute;tulo de exemplo, o grupo de participantes com resultados elevados  em Proximidade e Autonomia (Grupo 4, P+A+) est&aacute; significativamente melhor em termos de Bem-estar e Mal-estar Psicol&oacute;gicos  relativamente ao grupo com resultados inferiores em ambas as vari&aacute;veis (Grupo 1, P-A-). </p>     <p>Contudo, este padr&atilde;o de resultados significativos &eacute; quebrado ao comparar os grupos 3 (P+A-) com o grupo 4 (P+A+) na  vari&aacute;vel Bem-estar Psicol&oacute;gico e entre os grupos 2 (P-A+), 3 (P+A-) e 4 (P+A+) em termos de Mal-estar Psicol&oacute;gico. Em todas  estas compara&ccedil;&otilde;es, a diferen&ccedil;a entre os grupos n&atilde;o &eacute; significativa. N&atilde;o obstante, e apesar da  n&atilde;o-signific&acirc;ncia obtida na compara&ccedil;&atilde;o entre estes dois grupos, os resultados comprovam a estrutura global do modelo  como foi anteriormente referido, na medida em que o grupo 1 (P-A-) obt&eacute;m os piores resultados em termos de Bem-estar e Mal-estar  Psicol&oacute;gicos, o grupo 4 (P+A+), os melhores resultados, e os grupos 2 (P-A+) e 3 (P+A-) colocam-se numa posi&ccedil;&atilde;o  interm&eacute;dia. </p>     <p>A aus&ecirc;ncia de uma diferen&ccedil;a significativa entre os grupos 3 (P+A-) e 4 (P+A+) poder&aacute; ter uma interpreta&ccedil;&atilde;o  adicional. Aparentemente, a partir do momento em que a regula&ccedil;&atilde;o de Proximidade &eacute; elevada, o aumento da  regula&ccedil;&atilde;o de Autonomia parece acrescentar pouco em termos de Bem-estar. Simultaneamente, o grupo 3 (P+A-) apresenta um n&iacute;vel  de Bem-estar superior ao grupo 2 (P-A+). Um padr&atilde;o semelhante ocorre quando se analisa os resultados em termos de Mal-estar  Psicol&oacute;gico<i>. </i>Ou seja, quando s&atilde;o comparados os resultados entre grupos com n&iacute;veis elevados em <i>apenas </i>uma  necessidade, a regula&ccedil;&atilde;o de Proximidade sobressai-se. </p>     <p>Estas diferen&ccedil;as obtidas nas compara&ccedil;&otilde;es de grupos, juntamente com o facto de a regula&ccedil;&atilde;o de Proximidade ter  um maior poder explicativo sobre o Bem-estar Psicol&oacute;gico quando comparado com a Autonomia, sugerem um padr&atilde;o. Este padr&atilde;o  remete-nos para a possibilidade de que a regula&ccedil;&atilde;o da necessidade de Proximidade poder&aacute; ter um peso superior no que diz  respeito &agrave; influ&ecirc;ncia em n&iacute;veis de n&iacute;veis de Bem-estar. Estes dados parecem estar em linha com a literatura  dispon&iacute;vel, a qual sublinha a o papel fundamental da necessidade de Proximidade em termos de Bem-estar Psicol&oacute;gico (e.g., Baumeister  &amp; Leary, 1995). </p>     <p>Estas diferen&ccedil;as sugerem que bastar&aacute; sermos capazes de regular uma destas necessidades para ter uma diminui&ccedil;&atilde;o  significativa em termos de Mal-estar e sofrimento mental. Apesar de n&atilde;o existirem diferen&ccedil;as significativas entre os  indiv&iacute;duos capazes de regular apenas uma necessidade, a capacidade de regular a Proximidade parece estar associada a menores n&iacute;veis  de Mal-estar. </p>     <p>Em suma, apesar de nem sempre significativos, os resultados apontam no sentido de a regula&ccedil;&atilde;o conjunta das duas vari&aacute;veis  (Proximidade e Autonomia) influenciar decisivamente o funcionamento adaptativo das pessoas, tendo um impacto relevante nas experi&ecirc;ncias de  Bem e Mal-estar Psicol&oacute;gico. </p>     <p>Uma poss&iacute;vel limita&ccedil;&atilde;o do presente estudo diz respeito aos mecanismos causais subjacentes (i.e., processos  dial&eacute;cticos de regula&ccedil;&atilde;o de necessidades) &agrave; oscila&ccedil;&atilde;o de n&iacute;veis de Proximidade e Autonomia,  limita&ccedil;&atilde;o a qual deriva, pelo menos em parte, do m&eacute;todo utilizado. Embora seja poss&iacute;vel concluir que os  indiv&iacute;duos com resultados elevados em ambas as vari&aacute;veis tenham um funcionamento <i>pr&oacute;ximo </i>e <i>aut&oacute;nomo</i>,  n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel determinar se o mesmo se deve ao balan&ccedil;o dial&eacute;ctico inerente &agrave; regula&ccedil;&atilde;o  destas necessidades ou a outras causas. A par desta limita&ccedil;&atilde;o, salientamos tamb&eacute;m as limita&ccedil;&otilde;es inerentes  &agrave; investiga&ccedil;&atilde;o mediada pela <i>internet</i>, a qual implica levantar d&uacute;vidas sobre a representatividade da amostra  utilizada e o controlo de vari&aacute;veis pass&iacute;veis de influenciar o comportamento dos participantes durante o preenchimento dos  question&aacute;rios. Por &uacute;ltimo, a precis&atilde;o (apenas) aceit&aacute;vel da sub-escala de Autonomia constitui um factor a ter em conta  na an&aacute;lise de resultados. Em termos de investiga&ccedil;&otilde;es futuras, olhando para al&eacute;m do par de necessidades Proximidade  &ndash; Autonomia deste estudo e com base no modelo da complementaridade paradigm&aacute;tica, seria interessante estudar quais das polaridades  dial&eacute;cticas t&ecirc;m um maior impacto no Bem e Mal-estar Psicol&oacute;gicos, bem como a rela&ccedil;&atilde;o entre cada par. Esse  hipot&eacute;tico estudo poderia responder a algumas perguntas, tais como: (1) Haver&aacute; pares de necessidades cuja regula&ccedil;&atilde;o  seja mais influente que outros?; (2) ser&aacute; que a regula&ccedil;&atilde;o de algum par dial&eacute;ctico funciona como vari&aacute;vel  moderadora de outro par? Fica a sugest&atilde;o para nova investiga&ccedil;&atilde;o. </p>     <p>Adiantando, o estudo das necessidades psicol&oacute;gicas poderia beneficiar da inclus&atilde;o de vari&aacute;veis relativas a processos de  negocia&ccedil;&atilde;o e balanceamento de regula&ccedil;&atilde;o de necessidades. Nesse sentido, Concei&ccedil;&atilde;o e Vasco (2005)  esbo&ccedil;aram aquilo que entenderam ser o funcionamento patol&oacute;gico dos processos reguladores implicados na regula&ccedil;&atilde;o de  necessidades. Este funcionamento &eacute; caracterizado por: (1) Aus&ecirc;ncia ou insufici&ecirc;ncia de conhecimento e valida&ccedil;&atilde;o  de necessidades pr&oacute;prias; (2) indiferencia&ccedil;&atilde;o de tipos e rela&ccedil;&otilde;es entre necessidades pr&oacute;prias; (3)  aus&ecirc;ncia ou insufici&ecirc;ncia de escolha e/ou compromisso com necessidades pr&oacute;prias; (4) n&atilde;o permitir a  satisfa&ccedil;&atilde;o e/ou frustra&ccedil;&atilde;o de necessidades pr&oacute;prias; (5) n&atilde;o-actualiza&ccedil;&atilde;o de necessidades  pr&oacute;prias. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Estas cinco dimens&otilde;es poderiam constituir um ponto de partida para o qual seria elaborado um instrumento de medida v&aacute;lido e  preciso quanto ao grau de salubridade ou patologia dos processos dial&eacute;cticos respons&aacute;veis pela regula&ccedil;&atilde;o da  satisfa&ccedil;&atilde;o de necessidades. Com base neste instrumento, seria poss&iacute;vel estudar as rela&ccedil;&otilde;es rec&iacute;procas  entre essa vari&aacute;vel, a regula&ccedil;&atilde;o de necessidades e os n&iacute;veis de bem-estar e mal-estar psicol&oacute;gicos. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias </b></p>     <!-- ref --><p>Baumeister, R., &amp; Leary, M. (1995). The need to belong: Desire for interpersonal attachments as a fundamental human motivation.  <i>Psychological Bulletin, 117</i>, 497-529.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000136&pid=S0870-8231201500010000100001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Blatt, S. (2008). <i>Polarities of experience: Relatedness and self-definition in personality development, psychopathology and the therapeutic  process</i>. Washington, DC: American Psychological Association.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000138&pid=S0870-8231201500010000100002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Briggs, S., &amp; Cheek, J. (1986). The role of factor analysis in the development and evaluation of personality scales. <i>Journal of  Personality, 54</i>, 106-148.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000140&pid=S0870-8231201500010000100003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Concei&ccedil;&atilde;o, N., &amp; Vasco, A. (2005). Olhar para as necessidades do self como um boi para um pal&aacute;cio: Perplexidades e  fasc&iacute;nio. <i>Psychologica, 40</i>, 55-73.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000142&pid=S0870-8231201500010000100004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Deci, E., &amp; Ryan, R. (1985). <i>Intrinsic motivation and self-determination in human behavior</i>. New York: Plenum.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000144&pid=S0870-8231201500010000100005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p>Deci, E., &amp; Ryan, R. (2000). The &ldquo;what&rdquo; and &ldquo;why&rdquo; of goal pursuits: Human needs and the self-determination of  behavior. <i>Psychological Inquiry, 11</i>, 227-268. </p>     <!-- ref --><p>Deci, E., &amp; Ryan, R. (2008). Self-determination theory: A macrotheory of human motivation, development, and health. <i>Canadian Psychology,  49</i>, 182-185.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000147&pid=S0870-8231201500010000100007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Diener, E. (1984). Subjective well-being. <i>Psychological Bulletin, 95</i>, 542-575.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000149&pid=S0870-8231201500010000100008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Diener, E., Suh, E. M., Lucas, R. E., &amp; Smith, H. L. (1999). Subjective well-being: Three decades of progress. <i>Psychological Bulletin,  125</i>, 276-302.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000151&pid=S0870-8231201500010000100009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Epstein, S. (1993). Emotion and self-theory. In M. Lewis &amp; J. M. Haviland (Eds.), <i>Handbook of emotions </i>(pp. 313-326). New York:  Guilford.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000153&pid=S0870-8231201500010000100010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Erikson, E. H. (1982). <i>The life cycle completed</i>. New York: Norton.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000155&pid=S0870-8231201500010000100011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Freud, S. (1920). <i>Beyond the pleasure principle</i>. London: Hogarth.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000157&pid=S0870-8231201500010000100012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Greenberg, L., Rice, L., &amp; Elliott, R. (1993). <i>Facilitating emotional change: The moment-by-moment process</i>. New York: Guilford.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000159&pid=S0870-8231201500010000100013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Hodgins, H., Koestner, R., &amp; Duncan, N. (1996). On the compatibility of autonomy and relatedness. <i>Personality and Social Psychology  Bulletin, 22</i>, 227-237.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000161&pid=S0870-8231201500010000100014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>LaGuardia, J., &amp; Patrick, H. (2008). Self-determination theory as a fundamental theory of close relationships. <i>Canadian Psychology,  49</i>, 201-209.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000163&pid=S0870-8231201500010000100015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Maslow, A. (1943). A theory of human motivation. <i>Psychological Review, 50</i>, 370-396.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000165&pid=S0870-8231201500010000100016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>McDougall, W. (1908). <i>Introduction to social psychology</i>. London: Methuen.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000167&pid=S0870-8231201500010000100017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Murray, H. (2008). <i>Explorations in personality</i>. New York: Oxford University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000169&pid=S0870-8231201500010000100018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> (Original work published in 1938) </p>     <!-- ref --><p>Pallant, J. (2007). <i>SPSS survival manual: A step by step guide to data analysis using SPSS</i>. Crows Nest, Australia: Allen &amp; Unwin.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000171&pid=S0870-8231201500010000100019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Reis, H., Sheldon, K., Gable, S., Roscoe, J., &amp; Ryan, R. (2000). Daily well-being: The role of autonomy, competence, and relatedness.  <i>Personality and Social Psychology Bulletin, 26</i>, 419-435.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000173&pid=S0870-8231201500010000100020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Ribeiro, J. (2001). Mental Health Inventory: Um estudo de adapta&ccedil;&atilde;o &agrave; popula&ccedil;&atilde;o portuguesa. <i>Psicologia,  Sa&uacute;de &amp; Doen&ccedil;as, 2</i>, 77-99.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000175&pid=S0870-8231201500010000100021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Sheldon, K., &amp; Bettencourt, B. (2002). Psychological need-satisfaction and subjective well-being within social groups. <i>British Journal  of Social Psychology, 41</i>, 25-38.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000177&pid=S0870-8231201500010000100022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Sheldon, K., Elliot, A., Kim, Y., &amp; Kasser, T. (2001). What is satisfying about satisfying events? Testing 10 candidate psychological needs.  <i>Journal of Personality and Social Psychology, 80</i>, 325-339.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000179&pid=S0870-8231201500010000100023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Sheldon, K., Ryan, R., &amp; Reis, H. (1996). What makes for a good day? Competence and autonomy in the day, and in the person. <i>Personality  and Social Psychology Bulletin, 22</i>, 1270-1279.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000181&pid=S0870-8231201500010000100024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Strauss, J., &amp; Ryan, R. (1987). Autonomy disturbances in subtypes of anorexia nervosa. <i>Journal of Abnormal Psychology, 96</i>, 254-258.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000183&pid=S0870-8231201500010000100025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Vasco, A. B. (2009). <i>Regulation of needs satisfaction as the touchstone of happiness</i>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000185&pid=S0870-8231201500010000100026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> Comunica&ccedil;&atilde;o apresentada na 16&ordf;  Confer&ecirc;ncia da European Association for Psychotherapy: Meanings of Happiness and Psychotherapy, Lisboa. </p>     <!-- ref --><p>Winnicott, D. (1958). The capacity to be alone. <i>International Journal of Psychoanalysis, 39</i>, 416-420.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000187&pid=S0870-8231201500010000100027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p>Young, J., Klosko, J., &amp; Weishar, M. (2003). <i>Schema therapy: A practitioner&rsquo;s guide</i>. New York: Guilford. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><a name="c0" id="c0"></a><a href="#topc0">CORRESPONDÊNCIA</a></b></p>     <p>A correspond&ecirc;ncia relativa a este artigo dever&aacute; ser enviada para: Filipe Bernardo, Irm&atilde;s Hospitaleiras, Rua do Lazareto,  n&ordm; 125, 9060-021 Funchal. E-mail: <a href="mailto:filipejlbernardo@gmail.com">filipejlbernardo@gmail.com</a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Submiss&atilde;o: 17/01/2014 Aceita&ccedil;&atilde;o: 01/11/2014 </p>      ]]></body><back>
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