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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Casamento, casamentos? Representações sociais do casamento heterossexual e do casamento homossexual]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[On the basis of the observation that, nowadays, the attractive power of marriage seems to diminish among heterosexual individuals whereas it increases among homosexual people, we examined the representations of heterosexual marriage and of homosexual marriage of 240 heterosexual adults from Portugal, who answered a questionnaire that was composed of open and close questions. Results suggest that both types of marriage are considered to have the main aim of sealing spouses’ love, but that constituting family is a better justification for heterosexual marriage than for homosexual marriage. Respondents’ discourses about the two types of marriage present only one common dimension, which refers to sharing and companionship. Whereas the representation of heterosexual marriage includes references to family, to romantic relationships and to commitments, the representation of homosexual marriage comes down to the question of rights and prejudice. In line with the findings usually presented in the literature, female participants and respondents with higher educational level have a more positive representation of homosexual marriage, but, contrary to what was expected, this is not the case for the younger respondents.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>Casamento, casamentos? Representa&ccedil;&otilde;es sociais do casamento heterossexual e do casamento homossexual</b></p>     <p><b>Gabrielle Poeschl<sup>1</sup>, Bruno Pereira da Silva<sup>2</sup>, Filipa Tenreiro Cardoso<sup>2</sup></b></p>     <p><sup>1</sup>Centro de Psicologia, Universidade do Porto</p>     <p><sup>2</sup>Faculdade de Psicologia e de Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o, Universidade do Porto</p>     <p><a name="topc0"></a><a href="#c0">Correspondência</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Partindo da constata&ccedil;&atilde;o de que, na actualidade, o poder atractivo do casamento parece diminuir por parte das pessoas  heterossexuais enquanto aumenta por parte das pessoas homossexuais, examinaram-se as representa&ccedil;&otilde;es do casamento heterossexual e do  casamento homossexual de 240 adultos heterossexuais portugueses, que responderam a um question&aacute;rio constitu&iacute;do por quest&otilde;es  abertas e quest&otilde;es fechadas. Os resultados sugerem que ambas as formas de casamento s&atilde;o consideradas como tendo por finalidade  principal cimentar o amor, mas que constituir fam&iacute;lia ser&aacute; uma melhor justifica&ccedil;&atilde;o para o casamento heterossexual do  que para o casamento homossexual. Os discursos acerca das duas formas de casamento apresentam apenas uma dimens&atilde;o comum, que remete para a  partilha e o companheirismo. Enquanto a representa&ccedil;&atilde;o do casamento heterossexual engloba refer&ecirc;ncias &agrave; fam&iacute;lia,  &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es amorosas e aos compromissos, a representa&ccedil;&atilde;o do casamento homossexual esvazia-se na  problem&aacute;tica dos direitos e dos preconceitos. De acordo com os resultados habitualmente encontrados na literatura, as mulheres e as pessoas  com n&iacute;vel de educa&ccedil;&atilde;o mais elevado apresentam uma representa&ccedil;&atilde;o do casamento homossexual mais positiva mas,  contrariamente ao esperado, este n&atilde;o &eacute; o caso das pessoas mais jovens. </p>     <p><b>Palavras-chave: </b>Representa&ccedil;&otilde;es sociais, Casamento heterossexual, Casamento homossexual, Preconceito. </p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>On the basis of the observation that, nowadays, the attractive power of marriage seems to diminish among heterosexual individuals whereas it  increases among homosexual people, we examined the representations of heterosexual marriage and of homosexual marriage of 240 heterosexual adults  from Portugal, who answered a questionnaire that was composed of open and close questions. Results suggest that both types of marriage are  considered to have the main aim of sealing spouses&rsquo; love, but that constituting family is a better justification for heterosexual marriage  than for homosexual marriage. Respondents&rsquo; discourses about the two types of marriage present only one common dimension, which refers to  sharing and companionship. Whereas the representation of heterosexual marriage includes references to family, to romantic relationships and to  commitments, the representation of homosexual marriage comes down to the question of rights and prejudice. In line with the findings usually  presented in the literature, female participants and respondents with higher educational level have a more positive representation of homosexual  marriage, but, contrary to what was expected, this is not the case for the younger respondents. </p>     <p><b>Key-words: </b>Social representations, Heterosexual marriage, Homosexual marriage, Prejudice. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p>O casamento coloca-nos perante um paradoxo: enquanto, por um lado, parece ter perdido o seu poder atractivo na popula&ccedil;&atilde;o  heterossexual, por outro lado, o seu interesse parece ter aumentado por parte da popula&ccedil;&atilde;o homossexual (Casper &amp; Bianchi, 2002;  INE, 2013). Com efeito, ao mesmo tempo que, nas sociedades ocidentais modernas, observamos a luta dos homossexuais pelo direito ao casamento,  assistimos a mudan&ccedil;as sociais que v&atilde;o no sentido de desvalorizar a import&acirc;ncia do casamento. Em Portugal, por exemplo, a lei  que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo foi aprovada em 2010. No entanto, as estat&iacute;sticas demogr&aacute;ficas publicadas no  mesmo ano revelam uma diminui&ccedil;&atilde;o do n&uacute;mero de casamentos entre pessoas de sexo diferente e um aumento do n&uacute;mero de  div&oacute;rcios (INE, 2010). </p>     <p>Parece-nos, assim, importante perceber melhor os significados associados ao casamento no sentido de compreender as tomadas de  posi&ccedil;&atilde;o actuais sobre esta institui&ccedil;&atilde;o. Casar &eacute;, para todos os efeitos, um comportamento normativo, associado a  valores, cren&ccedil;as e pr&aacute;ticas diferentemente valorizados ou reprovados segundo as &eacute;pocas e as culturas (H&eacute;ritier, 2005).  Por exemplo, a import&acirc;ncia do amor, o direito das mulheres a escolher o parceiro ou, ainda, a organiza&ccedil;&atilde;o conjugal em que o  homem desempenha o papel de ganha-p&atilde;o e a mulher o papel de dom&eacute;stica, s&atilde;o caracter&iacute;sticas recentes do casamento nas  nossas sociedades (Saraceno, 1997). </p>     <p>Este modelo moderno de casamento, que vigorou a partir da Revolu&ccedil;&atilde;o Industrial, tornou-se, por sua vez, gradualmente menos  normativo em consequ&ecirc;ncia do acesso &agrave; contracep&ccedil;&atilde;o, da elevada escolariza&ccedil;&atilde;o das mulheres, e do seu  regresso &agrave; actividade profissional que lhes proporciona a independ&ecirc;ncia econ&oacute;mica e o estatuto social (Saraceno, 1997). Assim,  em meados do S&eacute;culo XX constatou-se que a coabita&ccedil;&atilde;o ia aumentando, que muitos parceiros n&atilde;o queriam ter filhos e,  quando os queriam, as crian&ccedil;as nascidas fora do casamento usufru&iacute;am dos mesmos direitos do que as outras (Casper &amp; Bianchi,  2002). </p>     <p>Estas alternativas ao casamento tradicional s&atilde;o vistas por alguns como uma crise do casamento, como se o modelo burgu&ecirc;s tenha  sempre sido o &uacute;nico modelo de casamento poss&iacute;vel. Esquece-se que, para al&eacute;m das transforma&ccedil;&otilde;es que o casamento  tem sofrido ao longo da hist&oacute;ria das sociedades ocidentais, existem tamb&eacute;m, na actualidade, m&uacute;ltiplas varia&ccedil;&otilde;es  interculturais (H&eacute;ritier, 2005). </p>     <p>Numa altura em que se fala muito do casamento e da fam&iacute;lia, entre outros por causa da quebra da nupcialidade e da natalidade que  amea&ccedil;a a economia nacional (cf. Barreto, 2004) e do debate sobre a (co)adop&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;as por casais do mesmo sexo  (ver, por exemplo, Tribunal Constitucional, 2014), pode perguntar-se quais s&atilde;o as raz&otilde;es que justificam a vontade das pessoas em  casar e se as finalidades atribu&iacute;das ao casamento heterossexual s&atilde;o estendidas ao casamento homossexual. </p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Porqu&ecirc; casar? </i></p>     <p>Em meados do S&eacute;culo XX, face &agrave; diversifica&ccedil;&atilde;o na escolha dos estilos de vida, v&aacute;rios autores interrogaram-se  sobre os motivos que ainda levam as pessoas a querer casar. Nos inqu&eacute;ritos realizados na altura, as raz&otilde;es evocadas foram  principalmente de quatro tipos (cf. Bawin-Legros, 1998): (a) social &ndash; responder &agrave; press&atilde;o social ou da fam&iacute;lia, obter  estatuto social, corresponder a convic&ccedil;&otilde;es morais ou religiosas; (b) emocional &ndash; favorecer um melhor relacionamento, assegurar  a estabilidade do casal&cedil; ser a consequ&ecirc;ncia normal de amar algu&eacute;m; (c) econ&oacute;mico-pragm&aacute;tico &ndash; facilitar a  vida quotidiana, ou (d) familiar &ndash; ter filhos ou ter filhos leg&iacute;timos. </p>     <p>Uma compara&ccedil;&atilde;o das raz&otilde;es para casar evocadas pelas pessoas que tinham ou que n&atilde;o tinham uma experi&ecirc;ncia de  coabita&ccedil;&atilde;o pr&eacute;-matrimonial revelou que as primeiras sentiam-se menos compelidas a declarar que o casamento &eacute; uma prova  de amor e mostravam-se mais suscept&iacute;veis de evocar raz&otilde;es administrativas e financeiras, ou ainda a gravidez (Bozon, 1992). Na  aus&ecirc;ncia de coabita&ccedil;&atilde;o pr&eacute;via, respeitava-se mais as tradi&ccedil;&otilde;es do casamento (noivado, casamento religioso,  mais convidados e maior festa, etc.). </p>     <p>Por sua vez, v&aacute;rios estudos realizados nos Estados-Unidos na d&eacute;cada de 1990 procuraram comparar as pessoas que escolhem a  coabita&ccedil;&atilde;o com as que escolhem o casamento (cf. Casper &amp; Bianchi, 2002). Estes estudos evidenciaram que as pessoas que optam pela  coabita&ccedil;&atilde;o t&ecirc;m valores mais igualitaristas, s&atilde;o mais individualistas e mais materialistas. S&atilde;o pessoas que  atribuem menos import&acirc;ncia aos padr&otilde;es normativos (em termos de ra&ccedil;a, idade ou n&iacute;vel de forma&ccedil;&atilde;o) e que se  mostram mais sens&iacute;veis &agrave; motiva&ccedil;&atilde;o das mulheres para investir na carreira. </p>     <p>A procura de benef&iacute;cios pr&oacute;prios surge em estudos mais recentes (cf. Zordan, Falcke &amp; Wagner, 2009) nos quais se verifica que  as pessoas casam para &ldquo;satisfazer as suas necessidades sexuais, serem reconhecidas e admiradas, n&atilde;o envelhecerem sozinhas, fugirem  &agrave; solid&atilde;o&rdquo; (p. 61), ou para se libertarem de uma situa&ccedil;&atilde;o familiar inc&oacute;moda. Encontram-se ainda  raz&otilde;es econ&oacute;micas e sociais como a obten&ccedil;&atilde;o de valores materiais e de prest&iacute;gio social. </p>     <p>Constata-se tamb&eacute;m que, embora seja ainda visto de forma positiva pelos jovens que afirmam querer casar &ldquo;um dia&rdquo;, o  casamento j&aacute; n&atilde;o faz parte das prioridades dos seus projectos de vida, para os quais est&aacute; posicionada em primeiro lugar a  procura de felicidade e de realiza&ccedil;&atilde;o pessoal e profissional (cf. Zordan, Falcke, &amp; Wagner, 2009). O casamento parece, portanto,  ser considerado n&atilde;o como uma obriga&ccedil;&atilde;o mas antes como uma escolha e, independentemente do sexo de perten&ccedil;a, ocorre  preferencialmente quando as pessoas se sentem profissionalmente realizadas. </p>     <p>Do ponto de vista legal, contudo, o casamento proporciona uma s&eacute;rie de benef&iacute;cios, nomeadamente financeiros, como o usufruto de  uma renda de viuvez, ou o direito &agrave; heran&ccedil;a, o que faz com que as pessoas que casam tenham uma melhor situa&ccedil;&atilde;o  econ&oacute;mica comparativamente &agrave; das que apenas coabitam. A maior seguran&ccedil;a econ&oacute;mica est&aacute; associada a uma melhor  sa&uacute;de f&iacute;sica e mental nos casamentos felizes (Herek, 2011). As pessoas casadas gozam ainda de direitos que as outras n&atilde;o  t&ecirc;m, como o direito de visita em hospitais e pris&otilde;es, o direito de n&atilde;o testemunhar contra o c&ocirc;njuge, de n&atilde;o ver o  seu parceiro ser expulso do pa&iacute;s, ou de partilhar as responsabilidades educativas. Por &uacute;ltimo, as pessoas casadas recebem mais apoio  por parte da comunidade para manter a sua rela&ccedil;&atilde;o em caso de dificuldades, o que contribui para dar maior seguran&ccedil;a aos  parceiros e mais estabilidade &agrave; rela&ccedil;&atilde;o (Herek, 2006). </p>     <p>Parece, pois, que o casamento oferece vantagens concretas que motivam as pessoas para o realizarem. &Eacute; talvez por causa destas vantagens  que a representa&ccedil;&atilde;o positiva do casamento sobrevive &agrave;s mudan&ccedil;as sociais que levam alguns a preferir a  coabita&ccedil;&atilde;o, a n&atilde;o ter filhos ou, ainda, a divorciar-se (cf. Gillis, 2004). </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>O casamento entre pessoas do mesmo sexo </i></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As transforma&ccedil;&otilde;es do casamento ao longo da hist&oacute;ria e as m&uacute;ltiplas formas nas quais se reveste em diferentes  sociedades salientam que se trata de uma institui&ccedil;&atilde;o culturalmente constru&iacute;da, com regras destinadas a responder a  necessidades econ&oacute;micas ou sociais espec&iacute;ficas que delineiam as pr&aacute;ticas normativas (H&eacute;ritier, 2005). Esta  constata&ccedil;&atilde;o deveria relativizar o problema que o casamento entre pessoas do mesmo sexo coloca &agrave;s nossas sociedades modernas.  Por&eacute;m, a aceita&ccedil;&atilde;o do casamento homossexual requer duas transforma&ccedil;&otilde;es radicais no sistema de pensamento: por  um lado, torna-se necess&aacute;rio rejeitar a cren&ccedil;a de que a homossexualidade &eacute; um crime ou uma doen&ccedil;a que deve ser curada  (cf. Poeschl, 2011) e, por outro, torna-se necess&aacute;rio renunciar &agrave; ideia comum de que o casamento se baseia nas diferen&ccedil;as  entre os sexos e na sua subsequente complementaridade (Rees, 2002). Admitir a legitimidade do casamento homossexual implica, portanto, repensar a  natureza atribu&iacute;da ao masculino e ao feminino e questionar as rela&ccedil;&otilde;es assim&eacute;tricas entre homens e mulheres. </p>     <p>Sendo assim, n&atilde;o &eacute; de estranhar que, na actualidade, sejam ainda poucos os pa&iacute;ses que acederam &agrave;  reivindica&ccedil;&atilde;o da minoria homossexual de legalizar a uni&atilde;o entre pessoas do mesmo sexo. Os Pa&iacute;ses-Baixos foram os  primeiros a conceder este direito em 2001 e, em Portugal, a altera&ccedil;&atilde;o da lei do casamento de pessoas n&atilde;o heterossexuais foi  aprovada na Assembleia da Rep&uacute;blica no dia 8 de Janeiro de 2010 e promulgada pelo Presidente da Rep&uacute;blica no dia 17 de Maio de 2010,  Dia Internacional da luta contra a homofobia. </p>     <p>&Eacute; tamb&eacute;m for&ccedil;oso constatar que o debate entre apoiantes e oponentes ao casamento entre pessoas do mesmo sexo continua  acalorado. Os apoiantes do casamento entre pessoas do mesmo sexo argumentam que a concess&atilde;o do direito ao casamento &agrave;s pessoas  homossexuais &eacute; garantia do usufruto dos benef&iacute;cios e regalias conferidos pela institui&ccedil;&atilde;o e comprova que todos,  independentemente da sua orienta&ccedil;&atilde;o sexual, s&atilde;o iguais, significando a igualdade no casamento a igualdade de estatuto.  Fundamentalmente, para os apoiantes do casamento homossexual, casar constitui um direito humano b&aacute;sico (Gillis, 2004). Al&eacute;m disso,  os apoiantes salientam que, embora seja escassa, a investiga&ccedil;&atilde;o sobre a organiza&ccedil;&atilde;o familiar dos casais do mesmo sexo  revela que existem mais semelhan&ccedil;as do que diferen&ccedil;as entre fam&iacute;lias homossexuais e heterossexuais (cf. Casper &amp; Bianchi,  2002). </p>     <p>Pelo contr&aacute;rio, os oponentes ao casamento homossexual defendem a complementaridade dos dois sexos que assegura a estabilidade do  casamento e a fidelidade entre c&ocirc;njuges (Rosik &amp; Byrd, 2007) e criticam os resultados da investiga&ccedil;&atilde;o que, supostamente no  intuito de apoiar os direitos dos casais homossexuais, refuta a ideia de que a orienta&ccedil;&atilde;o sexual dos pais tem consequ&ecirc;ncias  para os filhos (ver, a este respeito, Stacey &amp; Biblarz, 2001). Para os oponentes, a aceita&ccedil;&atilde;o de tipos alternativos de  uni&atilde;o amea&ccedil;a a institui&ccedil;&atilde;o do casamento, a fam&iacute;lia e, em &uacute;ltima an&aacute;lise, a sociedade no seu todo  (Rosik &amp; Byrd, 2007). </p>     <p>Em suma, para muitas pessoas, o casamento entre pessoas do mesmo sexo n&atilde;o pode ter a mesma raz&atilde;o de ser que o casamento entre  pessoas de sexo diferente. Quando consideramos, por exemplo, a oposi&ccedil;&atilde;o &agrave; adop&ccedil;&atilde;o por casais do mesmo sexo, fica  claro que as finalidades dos dois tipos de casamento n&atilde;o s&atilde;o vistas como equivalentes. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>O casamento em Portugal </i></p>     <p>Durante o S&eacute;culo XX, o casamento em Portugal mostrou uma tend&ecirc;ncia crescente at&eacute; 1975, ano a partir do qual se verificou uma  descida da taxa de nupcialidade, acompanhada por outras tend&ecirc;ncias comuns nas sociedades ocidentais: um aumento do n&uacute;mero de  div&oacute;rcios, uma subida da m&eacute;dia de idade dos c&ocirc;njuges no primeiro casamento e no nascimento do primeiro filho e uma  diminui&ccedil;&atilde;o do n&uacute;mero m&eacute;dio de filhos por mulher (Torres, 2002). A propor&ccedil;&atilde;o de casamentos pela igreja  cat&oacute;lica tamb&eacute;m registou uma descida regular entre 1960 e 2000 (Torres, 2002). As estat&iacute;sticas demogr&aacute;ficas de 2012  confirmam estas tend&ecirc;ncias: elas assinalam uma taxa de nupcialidade de 3.3 casamentos por mil habitantes e uma m&eacute;dia baixa de 1.28  filhos por mulher (INE, 2013). </p>     <p>Embora a coabita&ccedil;&atilde;o ou a coabita&ccedil;&atilde;o pr&eacute;via ao casamento sejam menos frequentes do que nos pa&iacute;ses do  Norte da Europa, esta pr&aacute;tica tamb&eacute;m aumentou (Santos, 2010). Apesar de atrair a simpatia dos jovens solteiros, a uni&atilde;o de  facto pr&eacute;via ao casamento revela-se, ainda, uma pr&aacute;tica minorit&aacute;ria (Santos, 2010) e o aumento da coabita&ccedil;&atilde;o  parece dever-se sobretudo aos casais recompostos (INE, 2013). </p>     <p>Um inqu&eacute;rito sobre as raz&otilde;es que podem explicar a prefer&ecirc;ncia pelo casamento em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; uni&atilde;o  de facto destacou quatro tipos de raz&otilde;es, que correspondem &agrave;s que foram avan&ccedil;adas nos outros pa&iacute;ses (Torres, 2002):  pragm&aacute;ticas (n&atilde;o levantar problemas com a fam&iacute;lia ou marcar o seu territ&oacute;rio), estatut&aacute;rias (ganhar estatuto e  respeitabilidade), ritualistas (conformar-se &agrave;s normas sociais) e espiritualistas (ser cat&oacute;lico praticante). Contudo, os respondentes  sublinham que o importante n&atilde;o &eacute; casar, mas ter um bom relacionamento entre os parceiros: a rela&ccedil;&atilde;o conjugal &eacute;  vista como fonte de realiza&ccedil;&atilde;o pessoal, baseando-se a felicidade no respeito m&uacute;tuo, na compreens&atilde;o e na fidelidade mais  do que na possibilidade de constituir fam&iacute;lia e ter filhos (Torres, 2002). </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Relativamente ao casamento homossexual, &eacute; necess&aacute;rio ter-se presente que o percurso para a altera&ccedil;&atilde;o das atitudes e  das leis relativas &agrave;s pessoas homossexuais teve um in&iacute;cio tardio em Portugal, ou seja, ap&oacute;s a Revolu&ccedil;&atilde;o de 25 de  Abril de 1974. Diversos movimentos participaram na luta para os direitos dos homossexuais, exigindo a descriminaliza&ccedil;&atilde;o  jur&iacute;dica da pr&aacute;tica homossexual que era ainda pun&iacute;vel com pris&atilde;o. Este objectivo foi atingido em 1982 (Ven&acirc;ncio,  2010). A lei que reconhece as uni&otilde;es de facto para casais do mesmo sexo foi aprovada em 2001 e a discrimina&ccedil;&atilde;o com base na  orienta&ccedil;&atilde;o sexual foi proibida na revis&atilde;o de 2004 da Constitui&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica Portuguesa. Actualmente,  Portugal faz parte do c&iacute;rculo dos poucos pa&iacute;ses europeus que aprovaram o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. Em  consequ&ecirc;ncia da altera&ccedil;&atilde;o da lei do casamento foram celebrados, em 2012, 324 casamentos entre pessoas do mesmo sexo (INE,  2013). </p>     <p>Resumidamente, as finalidades atribu&iacute;das ao casamento como as expectativas que lhe est&atilde;o associadas sofrem  altera&ccedil;&otilde;es no tempo e varia&ccedil;&otilde;es interculturais. Neste sentido, podemos considerar que a institui&ccedil;&atilde;o do  casamento &eacute; um objecto de representa&ccedil;&otilde;es sociais, definidas como &ldquo;uma modalidade de conhecimento, socialmente elaborada  e partilhada, que tem um objectivo pr&aacute;tico e concorre para a constru&ccedil;&atilde;o de uma realidade comum a um conjunto social&rdquo;  (Jodelet, 1989, p. 36). </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Objectivos e hip&oacute;teses</b></p>     <p>O nosso estudo partiu da observa&ccedil;&atilde;o da exist&ecirc;ncia de alguma ambival&ecirc;ncia acerca do casamento que, parecendo  negligenciado pelas pessoas heterossexuais, &eacute; negado &agrave;s pessoas homossexuais. Baseando-nos nesta constata&ccedil;&atilde;o,  procur&aacute;mos captar as representa&ccedil;&otilde;es actuais desta institui&ccedil;&atilde;o e, nomeadamente, examinar em que medida as  diferentes finalidades que lhe foram sendo atribu&iacute;das ao longo do tempo (prova de amor, pacto econ&oacute;mico, procria&ccedil;&atilde;o  leg&iacute;tima, integra&ccedil;&atilde;o social) ainda lhe s&atilde;o aplicadas. </p>     <p>Procur&aacute;mos tamb&eacute;m perceber em que medida a promulga&ccedil;&atilde;o, em Portugal, da lei que autoriza o casamento entre pessoas  do mesmo sexo levou a conceber o casamento homossexual como fundado nas mesmas raz&otilde;es que justificam o casamento entre pessoas de sexo  diferente ou se existem representa&ccedil;&otilde;es diferenciadas dos dois tipos de casamento que apenas partilham alguns elementos comuns. </p>     <p>Inferindo que existem representa&ccedil;&otilde;es diferenciadas dos dois tipos de casamento, procur&aacute;mos observar se, de acordo com a  tipologia introduzida por Moscovici (1988), a representa&ccedil;&atilde;o do casamento heterossexual &eacute; uma  &ldquo;representa&ccedil;&atilde;o hegem&oacute;nica&rdquo;, largamente partilhada na nossa sociedade, e a representa&ccedil;&atilde;o do  casamento homossexual uma &ldquo;representa&ccedil;&atilde;o pol&eacute;mica&rdquo;, reflectindo grandes discord&acirc;ncias entre grupos sociais.  Neste intuito, examin&aacute;mos em que medida diversas vari&aacute;veis sociodemogr&aacute;ficas, como o sexo ou o estado marital, introduziam  varia&ccedil;&otilde;es nas representa&ccedil;&otilde;es captadas. </p>     <p>Constitu&iacute;mos tr&ecirc;s conjuntos de hip&oacute;teses: </p>     <p>1) Apesar da sua introdu&ccedil;&atilde;o na legisla&ccedil;&atilde;o portuguesa, o casamento entre pessoas do mesmo sexo n&atilde;o &eacute;  ainda aceite de forma t&atilde;o natural como o casamento entre pessoas de sexo diferente. Por isso, as caracter&iacute;sticas associadas ao  casamento homossexual ser&atilde;o parcialmente diferentes e globalmente menos positivas do que as caracter&iacute;sticas associadas ao casamento  heterossexual (Hip&oacute;tese 1). </p>     <p>2) Dado o consenso existente entre autores relativamente &agrave; import&acirc;ncia atribu&iacute;da ao amor nas concep&ccedil;&otilde;es  actuais do casamento (por exemplo, Saraceno, 1997), prevemos que ser&aacute; o amor a finalidade que recolhe mais acordo relativamente ao casamento  heterossexual (Hip&oacute;tese 2a). Por sua vez, dado que os argumentos econ&oacute;micos s&atilde;o muitas vezes avan&ccedil;ados em prol do  casamento entre pessoas do mesmo sexo (Herek, 2011), esperamos que os aspectos econ&oacute;micos constituam a finalidade mais aceite nas  concep&ccedil;&otilde;es do casamento homossexual (Hip&oacute;tese 2b). Pelo contr&aacute;rio, e dado que a impossibilidade de  procria&ccedil;&atilde;o justifica muitas vezes a oposi&ccedil;&atilde;o ao casamento entre pessoas do mesmo sexo (Pickett, 2011), prevemos que  constituir fam&iacute;lia seja a finalidade menos reconhecida deste tipo de casamento (Hip&oacute;tese 2c). </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>3) Tendo em conta as conclus&otilde;es relativamente consensuais no que respeita &agrave;s atitudes mais tolerantes das mulheres do que dos  homens em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s pessoas homossexuais e aos direitos dos homossexuais (Herek, 2002), esperamos que as mulheres apresentem  uma representa&ccedil;&atilde;o mais positiva do casamento homossexual do que os homens (Hip&oacute;tese 3a). Al&eacute;m disso, dada a  rela&ccedil;&atilde;o positiva entre a idade e o preconceito sexual e a rela&ccedil;&atilde;o negativa entre o n&iacute;vel de escolaridade e o  preconceito sexual encontradas em v&aacute;rios estudos (Herek, 2002), prevemos que os jovens e as pessoas com maior n&iacute;vel educacional  tenham uma representa&ccedil;&atilde;o mais positiva do casamento homossexual do que as pessoas mais velhas (Hip&oacute;tese 3b) e com mais baixo  n&iacute;vel educacional (Hip&oacute;tese 3c). </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>M&eacute;todo</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Amostra </i></p>     <p>Foram inquiridos 240 respondentes, metade sobre o casamento heterossexual e outra metade sobre o casamento homossexual. Os respondentes,  distribu&iacute;dos equitativamente por sexo, s&atilde;o quase todos (98.3%) de nacionalidade portuguesa, sendo 115 solteiros, 91 casados, 18 a  viver em uni&atilde;o de facto, e 16 divorciados ou vi&uacute;vos. As suas idades est&atilde;o compreendidas entre os 15 e os 65 anos (36 anos em  m&eacute;dia) e eles pertencem a duas faixas et&aacute;rias previamente definidas, os jovens (com idades compreendidas entre os 15 e os 35 anos:  <i>n</i>=121) e os &ldquo;adultos&rdquo; (com idades compreendidas entre os 36 e os 65 anos: <i>n</i>=119). Relativamente &agrave;s  habilita&ccedil;&otilde;es liter&aacute;rias, 31 respondentes conclu&iacute;ram o 9&ordm; ano de escolaridade, 49 o ensino secund&aacute;rio, e  159 frequentaram o ensino superior. No que respeita &agrave; actividade profissional, 64 respondentes s&atilde;o empres&aacute;rios ou quadros  superiores, 50 s&atilde;o quadros m&eacute;dios, 38 s&atilde;o empregados ou oper&aacute;rios, 82 n&atilde;o t&ecirc;m emprego (de entre os quais  64 estudantes). Tr&ecirc;s respondentes n&atilde;o indicaram profiss&atilde;o. </p>     <p>Na sua maioria os respondentes declararam professar a religi&atilde;o cat&oacute;lica (72.9%) mas, em m&eacute;dia, n&atilde;o ser muito  praticantes (3.41 numa escala de 7 pontos em que 1=nada praticante e 7=muito praticante). Por &uacute;ltimo, 40% dos respondentes referiram  n&atilde;o ter qualquer tend&ecirc;ncia pol&iacute;tica, situando-se os restantes, em m&eacute;dia, no centro (3.86 numa escala de 7 pontos em  que 1=extrema esquerda e 7=extrema direita). </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Question&aacute;rio</i></p>     <p>No in&iacute;cio do question&aacute;rio, um breve texto introduzia a problem&aacute;tica do casamento. Mais precisamente, no caso do casamento  heterossexual, apresentava-se aos respondentes os seguintes dados estat&iacute;sticos que denotam mudan&ccedil;as no casamento em Portugal (Leite,  2003): &ldquo;Segundo as estat&iacute;sticas nacionais de 2008, publicadas em Janeiro de 2010, observa-se uma mudan&ccedil;a dos comportamentos  sociais, nomeadamente em rela&ccedil;&atilde;o ao casamento. Esta mudan&ccedil;a &eacute; revelada por v&aacute;rios indicadores. Assim, o  n&uacute;mero de casamentos tende a diminuir, e representa em 2008 cerca de 2/3 dos casamentos celebrados em 2000; o n&uacute;mero de  div&oacute;rcios, pelo contr&aacute;rio, duplicou entre 1990 e 2000 e continua a crescer. O n&uacute;mero de fam&iacute;lias monoparentais,  constitu&iacute;das na maioria por mulheres, est&aacute; a crescer, como o n&uacute;mero de nascimentos fora do casamento que representam 36.2% do  total dos nascimentos em 2008&rdquo;. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No caso do casamento homossexual, referia-se o ac&oacute;rd&atilde;o do Tribunal Constitucional autorizando o casamento civil entre pessoas do  mesmo sexo (Ilga-Portugal, 2010): &ldquo;Segundo o Ac&oacute;rd&atilde;o n.&ordm; 121/2010 do Tribunal Constitucional, publicado no Di&aacute;rio  da Rep&uacute;blica de Abril de 2010, o Tribunal Constitucional considera que a extens&atilde;o do casamento a pessoas do mesmo sexo n&atilde;o  colide com o reconhecimento e protec&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia como elemento fundamental da sociedade, sublinhando que o casamento  &eacute; um conceito aberto, que admite diversas concep&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas. Observa-se deste modo uma mudan&ccedil;a dos  comportamentos sociais, nomeadamente em rela&ccedil;&atilde;o ao casamento, que poderia traduzir uma mudan&ccedil;a das opini&otilde;es acerca da  import&acirc;ncia do casamento&rdquo;. </p>     <p>Seguiam-se tr&ecirc;s partes id&ecirc;nticas para todos os respondentes. Na primeira parte propunha-se aos respondentes que enunciassem &ldquo;5  palavras ou express&otilde;es&rdquo; que associam ao casamento entre indiv&iacute;duos de sexo diferente (<i>vs. </i>do mesmo sexo), pedindo-lhes  que classificassem, em seguida, as suas respostas (1=muito negativa; 5=muito positiva). Na segunda parte os respondentes deviam indicar o seu grau  de acordo (1=discordo totalmente; 7=concordo totalmente) com cada uma de 20 afirma&ccedil;&otilde;es suscept&iacute;veis de justificar o casamento  entre indiv&iacute;duos de sexo diferente (vs. do mesmo sexo). Estas afirma&ccedil;&otilde;es dividiam-se em quatro grupos de cinco itens que  esper&aacute;vamos estarem associados &agrave;s quatro finalidades do casamento, de acordo com a perspectiva hist&oacute;rica do casamento e da sua  evolu&ccedil;&atilde;o apresentada por Zordan, Falcke e Wagner (2005): (1) pacto econ&oacute;mico, (2) prova de amor, (3) filhos leg&iacute;timos  (4) integra&ccedil;&atilde;o social. A &uacute;ltima parte continha algumas quest&otilde;es de natureza sociodemogr&aacute;fica. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Procedimento</i></p>     <p>Come&ccedil;ou-se por realizar um pr&eacute;-teste, com oito respondentes para cada uma das duas vers&otilde;es do question&aacute;rio. Sendo  introduzidas as altera&ccedil;&otilde;es sugeridas, os question&aacute;rios foram administrados pelos investigadores a homens e mulheres  pertencendo &agrave;s duas faixas et&aacute;rias previamente definidas. Os respondentes foram abordados em locais p&uacute;blicos como  caf&eacute;s, escolas, ou faculdades, entre Dezembro de 2010 e Fevereiro de 2011, e preencheram os question&aacute;rios individualmente ou em  pequenos grupos nos locais onde eram abordados. O tempo de resposta n&atilde;o excedeu os 15 minutos. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>An&aacute;lise dos dados</i></p>     <p>Come&ccedil;&aacute;mos por aplicar as regras de redu&ccedil;&atilde;o habitualmente utilizadas nas tarefas de associa&ccedil;&atilde;o livre de  palavras (Rosenberg &amp; Jones, 1972) ao conjunto de respostas recolhidas acerca do casamento. Foram calculados diversos &iacute;ndices para  conhecer a extens&atilde;o e a natureza da informa&ccedil;&atilde;o contida nas representa&ccedil;&otilde;es do casamento. Assim, a  informa&ccedil;&atilde;o (ou &ldquo;campo sem&acirc;ntico&rdquo;) associada aos dois tipos de casamento foi descrita por meio de tr&ecirc;s  &iacute;ndices (cf. Deconchy, 1971): (1) o &iacute;ndice de fluidez, ou seja, o n&uacute;mero total de palavras evocadas, que traduz a facilidade  com que as pessoas se exprimem acerca de um objecto; (2) o &iacute;ndice de amplitude, ou seja, o n&uacute;mero de palavras diferentes evocadas,  que traduz o n&uacute;mero de elementos que se tornam acess&iacute;veis quando as pessoas se exprimem acerca do objecto; (3) o &iacute;ndice de  riqueza, que &eacute; a raz&atilde;o entre a amplitude e a fluidez, e fornece uma medida da integra&ccedil;&atilde;o da informa&ccedil;&atilde;o  acerca do objecto. </p>     <p>Procedemos tamb&eacute;m a dois tipos de compara&ccedil;&atilde;o entre campos sem&acirc;nticos. Em primeiro lugar, calcul&aacute;mos uma medida  global de semelhan&ccedil;a entre os campos sem&acirc;nticos atrav&eacute;s do &iacute;ndice <i>Rn </i>de Ellegard (cf. Di Giacomo, 1981). Este  &iacute;ndice, que varia entre 0 e 1, &eacute; obtido pelo n&uacute;mero de palavras comuns aos campos sem&acirc;nticos dividido pela raiz quadrada  do produto da amplitude dos dois campos. Em segundo lugar, analis&aacute;mos em mais pormenor o conte&uacute;do dos dois campos sem&acirc;nticos e  compar&aacute;mos, por meio do teste do qui-quadrado, a frequ&ecirc;ncia de evoca&ccedil;&atilde;o das palavras mais acess&iacute;veis,  provavelmente as mais importantes nas representa&ccedil;&otilde;es formadas. </p>     <p>De seguida, procur&aacute;mos verificar a percep&ccedil;&atilde;o da exist&ecirc;ncia das quatro finalidades distintas do casamento, realizando  uma an&aacute;lise factorial em componentes principais sobre os vinte itens referentes a este assunto inclu&iacute;dos no question&aacute;rio, e  avali&aacute;mos em que medida os respondentes concordam com a ideia de que o casamento actual preenche cada uma destas finalidades. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Por &uacute;ltimo, procur&aacute;mos sintetizar a informa&ccedil;&atilde;o recolhida, recorrendo ao programa de an&aacute;lise de dados textuais  <i>Alceste</i>. Este programa permite estudar a estrutura formal da co-ocorr&ecirc;ncia das palavras num determinado <i>corpus</i>, extraindo  classes a partir de uma classifica&ccedil;&atilde;o hier&aacute;rquica descendente baseada na dist&acirc;ncia do qui-quadrado. O <i>Alceste</i>  permite ainda associar &agrave;s classes extra&iacute;das vari&aacute;veis ilustrativas, correspondentes &agrave;s informa&ccedil;&otilde;es sobre  os respondentes, n&atilde;o inclu&iacute;das no c&aacute;lculo das classes mas acrescentadas posteriormente como vari&aacute;veis suplementares  (ver, por exemplo, Poeschl, M&uacute;rias, &amp; Costa, 2004). </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Resultados e discuss&atilde;o</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Caracter&iacute;sticas associadas ao casamento</i></p>     <p>Os respondentes evocaram um total de 1182 palavras, das quais 226 s&atilde;o diferentes. As frequ&ecirc;ncias de evoca&ccedil;&atilde;o variam  entre 1 (102 palavras &uacute;nicas) e 118 (amor). Como se pode constatar pela leitura do <a href="#q1">Quadro 1</a>, os &iacute;ndices de fluidez  dos campos sem&acirc;nticos associados ao casamento heterossexual e ao casamento homossexual s&atilde;o semelhantes,  <i>&chi;<Sup>2</i></Sup>(1)=.27, <i>ns</i>, ao contr&aacute;rio dos &iacute;ndices de amplitude, significativamente diferentes,  <i>&chi;<Sup>2</i></Sup>(1)=34.32, <i>p</i>&lt;.001. Esta diferen&ccedil;a reflecte-se nos &iacute;ndices de riqueza: o casamento heterossexual  surge como um conceito estereotipado, cujo significado &eacute; largamente partilhado, ao passo que o casamento homossexual aparece como um  conceito pouco estruturado. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="q1"></a></p>     <p><img src="/img/revistas/aps/v33n1/33n1a05q1.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Por sua vez, e dado que existem apenas 37 palavras comuns aos dois tipos de casamento, o c&aacute;lculo do &iacute;ndice de Ellegard evidenciou  uma fraca semelhan&ccedil;a entre campos sem&acirc;nticos, <i>Rn=</i>.30. Uma compara&ccedil;&atilde;o das palavras mais frequentes, ou seja, das  palavras evocadas por pelo menos 10% do conjunto dos respondentes, ou por 10% dos respondentes que preencheram cada uma das vers&otilde;es do  question&aacute;rio, confirma as diferen&ccedil;as que caracterizam o pensamento acerca do casamento heterossexual e do casamento homossexual  (ver <a href="#q2">Quadro 2</a>). </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="q2"></a></p>     <p><img src="/img/revistas/aps/v33n1/33n1a05q2.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>As palavras registadas no <a href="#q2">Quadro 2</a> revelam a import&acirc;ncia do amor no casamento: &ldquo;amor&rdquo; foi a palavra mais  frequentemente evocada, relativamente quer ao casamento heterossexual, <i>f</i>=78, quer ao casamento homossexual, <i>f</i>=40. Todavia, esta  palavra foi mais associada ao casamento entre pessoas de sexo diferente do que ao casamento entre pessoas do mesmo sexo,  <i>&chi;<Sup>2</i></Sup>(1)=12.24, <i>p</i>&lt;.001. Observa-se ainda que, de entre as respostas mais frequentes, existem apenas duas palavras,  &ldquo;uni&atilde;o&rdquo; e &ldquo;respeito&rdquo;, que foram produzidas com a mesma frequ&ecirc;ncia em rela&ccedil;&atilde;o aos dois tipos de  casamento. Muitas palavras evocadas por um tipo de casamento n&atilde;o surgiram uma &uacute;nica vez em associa&ccedil;&atilde;o com o outro tipo  de casamento. Assim, ao contr&aacute;rio do casamento homossexual, o casa mento heterossexual foi associado a &ldquo;parentalidade&rdquo;,  &ldquo;amizade&rdquo;, &ldquo;fidelidade&rdquo;, &ldquo;sustentabilidade&rdquo; e &ldquo;div&oacute;rcio&rdquo;, enquanto que, ao contr&aacute;rio  do casamento heterossexual, o casamento homossexual levou a pensar em &ldquo;liberdade&rdquo;, &ldquo;direitos&rdquo;, &ldquo;exibicionismo&rdquo;,  &ldquo;anormalidade&rdquo;, &ldquo;paneleiros&rdquo;, &ldquo;discrimina&ccedil;&atilde;o&rdquo; e &ldquo;doen&ccedil;a&rdquo;. </p>     <p>No seu conjunto, as respostas foram avaliadas pelos respondentes como sendo ligeiramente positivas, obtendo uma m&eacute;dia de 3.54 (numa  escala em que &ldquo;5&rdquo; corresponde a &ldquo;muito positivo&rdquo;). Contudo, as palavras associadas ao casamento homossexual s&atilde;o  globalmente menos positivas (<i>M</i>=3.06) do que as palavras associadas ao casamento heterossexual (<i>M</i>=4.02), <i>t</i>(236)=7.56,  <i>p</i>&lt;.001. Assim, e como previa a nossa Hip&oacute;tese 1, as caracter&iacute;sticas associadas ao casamento homossexual s&atilde;o  parcialmente diferentes e globalmente menos positivas do que as caracter&iacute;sticas associadas ao casamento heterossexual. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Finalidades atribu&iacute;das ao casamento </i></p>     <p>No que respeita &agrave;s finalidades atribu&iacute;das ao casamento, a an&aacute;lise factorial em componentes principais realizada sobre as 20  afirma&ccedil;&otilde;es apresentadas extraiu quatro factores com um valor pr&oacute;prio superior a 1, que explicam, no seu conjunto, 57.91% da  vari&acirc;ncia total. Como se pode ver no <a href="#q3">Quadro 3</a>, os factores n&atilde;o agrupam os itens exactamente da forma prevista, mas  remetem, apesar disso, para as quatro finalidades contempladas. Assim, o casamento poder&aacute; permitir &ldquo;cimentar o amor, &ldquo;constituir  fam&iacute;lia&rdquo;, &ldquo;ter um estatuto na sociedade&rdquo;, e &ldquo;obter benef&iacute;cios econ&oacute;micos&rdquo;. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><a name="q3"></a></p>     <p><img src="/img/revistas/aps/v33n1/33n1a05q3.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>O grau de acordo dos respondentes quanto &agrave;s quatro finalidades do casamento contempladas est&aacute; patente no  <a href="#q4">Quadro 4</a>. A an&aacute;lise de vari&acirc;ncia que cruza as quatro finalidades do casamento (cimentar o amor, constituir  fam&iacute;lia, ter um estatuto na sociedade, obter benef&iacute;cios econ&oacute;micos) com os dois tipos de casamento (heterossexual e  homossexual) revelou um efeito significativo de Finalidades, <i>F</i>(3,714)=92.14, <i>p&lt;</i>.001, e uma interac&ccedil;&atilde;o significativa  entre Finalidades e Tipo de casamento, <i>F</i>(3,714)=16.72, <i>p&lt;</i>.001. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="q4"></a></p>     <p><img src="/img/revistas/aps/v33n1/33n1a05q4.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>O efeito significativo de Finalidades indica que os respondentes t&ecirc;m opini&otilde;es diferentes relativamente &agrave; import&acirc;ncia  das quatro finalidades propostas. Eles pensam que o casamento permite, em primeiro lugar, cimentar o amor (<i>M</i>=5.17), depois constituir  fam&iacute;lia (<i>M</i>=4.42), obter benef&iacute;cios econ&oacute;micos (<i>M</i>=4.33), e discordam ligeiramente que permita ter um estatuto na  sociedade (<i>M</i>=3.81). Contudo, a interac&ccedil;&atilde;o significativa entre Finalidades e Tipo de casamento qualifica a  ordena&ccedil;&atilde;o geral, revelando que este padr&atilde;o difere em fun&ccedil;&atilde;o dos tipos de casamento, &agrave;  excep&ccedil;&atilde;o de cimentar o amor, que &eacute; visto, em ambos os casos, como a finalidade principal. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Assim, no casamento heterossexual, os respondentes avaliam todas as finalidades de forma significativamente diferente, sendo elas, por ordem de  import&acirc;ncia, constituir fam&iacute;lia, obter benef&iacute;cios econ&oacute;micos e ter um estatuto na sociedade. Por sua vez, eles acreditam  que, no casamento homossexual, obter benef&iacute;cios econ&oacute;micos &eacute; mais importante do que constituir fam&iacute;lia ou ter um  estatuto na sociedade, cujas m&eacute;dias n&atilde;o s&atilde;o significativamente diferentes. Apesar da ordena&ccedil;&atilde;o das finalidades  ser diferente em fun&ccedil;&atilde;o dos tipos de casamento, apenas constituir fam&iacute;lia parece ser uma melhor justifica&ccedil;&atilde;o  para o casamento heterossexual do que para o casamento homossexual, <i>t</i>(238)=5.63, <i>p&lt;</i>.001. </p>     <p>Assim, em concord&acirc;ncia com a nossa Hip&oacute;tese 2a, o amor &eacute; a finalidade que recolhe mais acordo no que respeita ao casamento  heterossexual. Contudo, o amor &eacute; tamb&eacute;m a finalidade mais aceite no que respeita ao casamento homossexual, o que infirma a nossa  Hip&oacute;tese 2b, que previa que a finalidade mais aceite seria a econ&oacute;mica. A semelhan&ccedil;a entre os dois tipos de casamento, no que  concerne a sua finalidade principal, constitui, na nossa opini&atilde;o, um argumento forte a favor do casamento homossexual. </p>     <p>Os benef&iacute;cios econ&oacute;micos s&atilde;o vistos como a segunda finalidade do casamento entre pessoas do mesmo sexo e recolhem mais  acordo do que constituir fam&iacute;lia ou ter um estatuto na sociedade, o que apoia apenas parcialmente a nossa Hip&oacute;tese 2c, que previa um  maior desacordo com a finalidade de constituir fam&iacute;lia. Note-se, ainda, que ter um estatuto social encontra-se no &uacute;ltimo lugar das  finalidades dos dois tipos de casamento, o que apoia a observa&ccedil;&atilde;o de alguns autores relativamente &agrave;  desvaloriza&ccedil;&atilde;o do casamento enquanto institui&ccedil;&atilde;o social (Zordan, Falcke, &amp; Wagner, 2009) ou enquanto norma de vida  socialmente aprovada (Casper &amp; Bianchi, 2002). </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Varia&ccedil;&otilde;es e fontes de varia&ccedil;&otilde;es nas representa&ccedil;&otilde;es do casamento </i></p>     <p>Para sintetizar a informa&ccedil;&atilde;o recolhida, recorremos ao programa de an&aacute;lise de dados textuais <i>Alceste</i>, procurando  evidenciar a exist&ecirc;ncia de dimens&otilde;es representacionais do casamento e examinar a sua rela&ccedil;&atilde;o com as finalidades  atribu&iacute;das ao casamento e as diferentes vari&aacute;veis sociodemogr&aacute;ficas contempladas. </p>     <p>A an&aacute;lise incidiu sobre 240 unidades de contexto, correspondentes &agrave;s respostas que os 240 respondentes forneceram para descrever  um dos dois tipos de casamento. Os respondentes foram descritos pelo seu sexo (masculino ou feminino), faixa et&aacute;ria (&ldquo;jovem&rdquo; ou  &ldquo;adulto&rdquo;), estado marital (solteiro, uni&atilde;o de facto, casado ou vi&uacute;vo/divorciado), n&iacute;vel de educa&ccedil;&atilde;o  (b&aacute;sico, secund&aacute;rio ou superior), pr&aacute;tica religiosa (&ldquo;sem religi&atilde;o&rdquo;, ou na escala proposta  &ldquo;n&atilde;o praticante&rdquo;, de 1 a 3, &ldquo;mediamente praticante&rdquo;, 4, &ldquo;praticante&rdquo;, de 5 a 7), tend&ecirc;ncia  pol&iacute;tica (&ldquo;sem&rdquo;, ou de &ldquo;esquerda&rdquo;, 1 a 3, &ldquo;centro&rdquo;, 4, &ldquo;direita&rdquo;, de 5 a 7). Foram  tamb&eacute;m descritos pelas respostas que forneceram relativamente &agrave; positividade das palavras evocadas (&ldquo;negativas&rdquo;, de 1 a  2.50, &ldquo;neutras&rdquo;, de 2.51 a 3.50, &ldquo;positivas&rdquo; de 3.51 a 5) e ao grau de acordo com as quatro finalidades do casamento  (&ldquo;desacordo&rdquo;, de 1 a 3.50, &ldquo;sem opini&atilde;o&rdquo;, de 3.51 a 4.50, ou &ldquo;acordo&rdquo;, de 4.51 a 7). </p>     <p>A an&aacute;lise considerou todas as palavras com frequ&ecirc;ncia m&iacute;nima de 4 ocorr&ecirc;ncias. O programa classificou 85.83% das  respostas em 7 classes de palavras, cuja rela&ccedil;&atilde;o &eacute; ilustrada no dendograma da <a href="#f1">Figura 1</a>. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="f1"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><img src="/img/revistas/aps/v33n1/33n1a05f1.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Como se pode observar nessa figura existe, por um lado, um grupo de 4 classes dividido em dois subgrupos compreendendo, o primeiro, as classes 2  e 4 e, o segundo, as classes 5 e 7. Este primeiro grupo aparece mais relacionado com o casamento heterossexual, &agrave; excep&ccedil;&atilde;o da  classe 2, comum aos dois tipos de casamento. Por outro lado, encontram-se tr&ecirc;s classes mais relacionadas com o casamento homossexual, um  subgrupo constitu&iacute;do por duas classes, as classes 3 e 6, e uma classe relativamente independente das outras, a classe 1. Come&ccedil;amos  por apresentar o primeiro grupo de quatro classes. </p>     <p>A classe 2, a &uacute;nica que caracteriza tanto o casamento heterossexual como o casamento homossexual, agrupa respostas como  &ldquo;partilha&rdquo; (<i>&chi;<Sup>2</i></Sup><i>=</i>54), &ldquo;companheirismo&rdquo; (<i>&chi;<Sup>2</i></Sup>=27),  &ldquo;confian&ccedil;a&rdquo;, &ldquo;uni&atilde;o&rdquo;, &ldquo;cumplicidade&rdquo;, &ldquo;respeito&rdquo; (<i>&chi;<Sup>2</i></Sup>&gt;10).  Estas palavras, que sublinham a rela&ccedil;&atilde;o de proximidade entre parceiros, traduzem expectativas largamente partilhadas acerca do  casamento actual (cf. Zordan, Falcke, &amp; Wagner, 2009). Trata-se de palavras evocadas por pessoas que exprimem ideias positivas em  rela&ccedil;&atilde;o ao casamento (<i>&chi;<Sup>2</i></Sup>=7) e que t&ecirc;m uma opini&atilde;o neutra relativamente &agrave;s finalidades do  casamento de ter estatuto na sociedade e de constituir fam&iacute;lia (<i>&chi;<Sup>2</i></Sup>=2). Esta classe &eacute; mais representativa dos  respondentes do sexo feminino (<i>&chi;<Sup>2</i></Sup>=3), que pertencem &agrave; faixa et&aacute;ria com mais idade (<i>&chi;<Sup>2</i></Sup>=2),  e com forma&ccedil;&atilde;o universit&aacute;ria (<i>&chi;<Sup>2</i></Sup>=2). </p>     <p>A classe 4, que lhe fica pr&oacute;xima, estrutura-se em torno de &ldquo;carinho&rdquo; (<i>&chi;<Sup>2</i></Sup>=40), &ldquo;amizade&rdquo;,  &ldquo;cumplicidade&rdquo; (<i>&chi;<Sup>2</i></Sup>&gt;30), &ldquo;sexo&rdquo;, &ldquo;fidelidade&rdquo; (<i>&chi;<Sup>2</i></Sup>&gt;20),  &ldquo;amor&rdquo; e &ldquo;respeito&rdquo; (<i>&chi;<Sup>2</i></Sup>&gt;10), respostas mais associadas ao casamento heterossexual  (<i>&chi;<Sup>2</i></Sup>=25). Estas palavras, que evocam rela&ccedil;&otilde;es de intimidade amorosa, s&atilde;o mais frequentemente produzidas  por pessoas que atribuem &agrave;s suas respostas uma conota&ccedil;&atilde;o positiva (<i>&chi;<Sup>2</i></Sup>=9), que acreditam que as  finalidades do casamento s&atilde;o constituir fam&iacute;lia (<i>&chi;<Sup>2</i></Sup>=3) e cimentar o amor (<i>&chi;<Sup>2</i></Sup>=3). A  classe 4 &eacute; mais representativa dos respondentes que vivem em uni&atilde;o de facto (<i>&chi;<Sup>2</i></Sup>=4) ou s&atilde;o vi&uacute;vos  ou divorciados (<i>&chi;<Sup>2</i></Sup>=2), t&ecirc;m uma forma&ccedil;&atilde;o universit&aacute;ria (<i>&chi;<Sup>2</i></Sup>=3), situam-se  politicamente &agrave; esquerda (<i>&chi;<Sup>2</i></Sup>=3), e s&atilde;o do sexo feminino (<i>&chi;<Sup>2</i></Sup>=2). </p>     <p>Na classe 5, encontram-se palavras como &ldquo;sustentabilidade&rdquo; (<i>&chi;<Sup>2</i></Sup>=77), &ldquo;coabita&ccedil;&atilde;o&rdquo;  (<i>&chi;<Sup>2</i></Sup>=73), &ldquo;maturidade&rdquo; (<i>&chi;<Sup>2</i></Sup>=38), &ldquo;sexo&rdquo; (<i>&chi;<Sup>2</i></Sup>=27) e  &ldquo;responsabilidade&rdquo; (<i>&chi;<Sup>2</i></Sup>=14), que apontam para os compromissos resultantes do casamento. Esta classe, associada  sobretudo ao casamento heterossexual (<i>&chi;<Sup>2</i></Sup>=26), &eacute; mais t&iacute;pica dos respondentes que exprimem palavras positivas  relativamente ao casamento (<i>&chi;<Sup>2</i></Sup>=10) e que discordam da ideia de que a finalidade do casamento &eacute; simplesmente ter um  estatuto na sociedade (<i>&chi;<Sup>2</i></Sup>=3). Esta classe &eacute; mais representativa dos respondentes do sexo masculino  (<i>&chi;<Sup>2</i></Sup>=11), com uma educa&ccedil;&atilde;o secund&aacute;ria (<i>&chi;<Sup>2</i></Sup>=5) e que se situam politicamente ao  centro (<i>&chi;<Sup>2</i></Sup>=2). </p>     <p>A &uacute;ltima classe do primeiro grupo, a classe 7, inclui as palavras &ldquo;fam&iacute;lia&rdquo; (<i>&chi;<Sup>2</i></Sup>=47),  &ldquo;parentalidade&rdquo; (<i>&chi;<Sup>2</i></Sup>=31), &ldquo;felicidade&rdquo; (<i>&chi;<Sup>2</i></Sup>=28), &ldquo;div&oacute;rcio,  &ldquo;amor&rdquo;, &ldquo;bem-estar&rdquo;, &ldquo;celebra&ccedil;&atilde;o&rdquo;, &ldquo;compromisso&rdquo; (<i>&chi;<Sup>2</i></Sup>&gt;10).  Esta classe, associada ao casamento heterossexual (<i>&chi;<Sup>2</i></Sup>=23), est&aacute; centrada na fam&iacute;lia e na felicidade que  proporciona. &Eacute; mais particularmente evocada por respondentes que fornecem respostas positivas (<i>&chi;<Sup>2</i></Sup>=4), acreditam que a  finalidade do casamento &eacute; constituir fam&iacute;lia (<i>&chi;<Sup>2</i></Sup>=5) e se declaram neutros relativamente &agrave; finalidade de  ter um estatuto na sociedade (<i>&chi;<Sup>2</i></Sup>=3). &Eacute; a classe de maior peso e tamb&eacute;m a mais comum ao conjunto dos  respondentes. Parece assim que, tal como foi observado por outros autores, as mulheres j&aacute; n&atilde;o associam mais estreitamente a  fam&iacute;lia ao casamento do que os homens (Zordan, Falcke, &amp; Wagner, 2009). </p>     <p>No terceiro grupo de duas classes, a classe 3, organizada em torno de &ldquo;liberdade&rdquo; (<i>&chi;<Sup>2</i></Sup>=81), agrupa  &ldquo;vontade&rdquo;, &ldquo;diferen&ccedil;a&rdquo; (<i>&chi;<Sup>2</i></Sup>&gt;40), &ldquo;mudan&ccedil;a&rdquo;  (<i>&chi;<Sup>2</i></Sup>&gt;20), &ldquo;coragem&rdquo;, &ldquo;direitos&rdquo;, &ldquo;aceita&ccedil;&atilde;o&rdquo;, &ldquo;luta&rdquo;  (<i>&chi;<Sup>2</i></Sup>&gt;10), ou seja, palavras que evocam o esfor&ccedil;o para o reconhecimento dos direitos e a aceita&ccedil;&atilde;o da  diferen&ccedil;a. Estas respostas, mais frequentemente associadas ao casamento homossexual (<i>&chi;<Sup>2</i></Sup>=28), s&atilde;o mais  representativas de pessoas que concordam que a finalidade deste tipo de casamento &eacute; cimentar o amor (<i>&chi;<Sup>2</i></Sup>=4), ter um  estatuto social (<i>&chi;<Sup>2</i></Sup>=3) e constituir fam&iacute;lia (<i>&chi;<Sup>2</i></Sup>=2), assim como dos respondentes do sexo feminino  (<i>&chi;<Sup>2</i></Sup>=3) e solteiros (<i>&chi;<Sup>2</i></Sup>=2). </p>     <p>A pequena classe 6, que lhe est&aacute; pr&oacute;xima, inclui &ldquo;preconceito&rdquo; (<i>&chi;<Sup>2</i></Sup>=71), &ldquo;direitos&rdquo;,  &ldquo;normal&rdquo; (<i>&chi;<Sup>2</i></Sup>&gt;50), &ldquo;vergonha&rdquo; (<i>&chi;<Sup>2</i></Sup>&gt;30),  &ldquo;discrimina&ccedil;&atilde;o&rdquo; (<i>&chi;<Sup>2</i></Sup>&gt;10). Estas palavras, mais particularmente produzidas em  associa&ccedil;&atilde;o com o casamento homossexual (<i>&chi;<Sup>2</i></Sup>=13), apontam para a falta de reconhecimento dos direitos que  deveriam ser concedidos a todas as pessoas. Trata-se de uma classe representativa do conjunto de pessoas que exprimem ideias de  conota&ccedil;&atilde;o neutra (<i>&chi;<Sup>2</i></Sup>=24) e que partilham a opini&atilde;o de que o casamento tem uma finalidade  econ&oacute;mica (<i>&chi;<Sup>2</i></Sup>=5). </p>     <p>Por &uacute;ltimo, na classe 1 encontramos &ldquo;anormalidade&rdquo; (<i>&chi;<Sup>2</i></Sup>=62), &ldquo;paneleiros&rdquo;  (<i>&chi;<Sup>2</i></Sup>=53), &ldquo;contranatura&rdquo;, &ldquo;indiferen&ccedil;a (<i>&chi;<Sup>2</i></Sup>&gt;40), &ldquo;doen&ccedil;a&rdquo;,  &ldquo;aberra&ccedil;&atilde;o&rdquo; (<i>&chi;<Sup>2</i></Sup>&gt;30). Estas palavras, sobretudo associadas ao casamento homossexual  (<i>&chi;<Sup>2</i></Sup>=45), remetem para os protagonistas do casamento e n&atilde;o para o casamento em si mesmo. Elas s&atilde;o evocadas por  respondentes que exprimem palavras predominante -mente negativas (<i>&chi;<Sup>2</i></Sup>=103), e que discordam que o casamento homossexual seja  inspirado pelo desejo de constituir fam&iacute;lia (<i>&chi;<Sup>2</i></Sup>=38), o amor (<i>&chi;<Sup>2</i></Sup>=27), a procura de estatuto  social (<i>&chi;<Sup>2</i></Sup>=8) ou at&eacute; raz&otilde;es econ&oacute;micas (<i>&chi;<Sup>2</i></Sup>=3). Esta classe &eacute; tamb&eacute;m  mais representativa dos respondentes que t&ecirc;m uma educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica (<i>&chi;<Sup>2</i></Sup>=14), casados  (<i>&chi;<Sup>2</i></Sup>=7), n&atilde;o praticantes (<i>&chi;<Sup>2</i></Sup>=5) e do sexo masculino (<i>&chi;<Sup>2</i></Sup>=2). </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em suma, a an&aacute;lise textual evidencia grandes diferen&ccedil;as nas representa&ccedil;&otilde;es do casamento heterossexual e do casamento  homossexual: as palavras evocadas foram positivas para todas as dimens&otilde;es do casamento heterossexual, remetendo para a partilha, o carinho,  os compromissos e a fam&iacute;lia, e neutras ou negativas para o casamento homossexual, quase reduzido (com excep&ccedil;&atilde;o da ideia de  partilha) a um direito contrariado por um preconceito contra pessoas &ldquo;anormais&rdquo;. Os respondentes que consideram o casamento homossexual  como um direito, tal como os respondentes que t&ecirc;m uma vis&atilde;o do casamento heterossexual como uma rela&ccedil;&atilde;o de carinho,  concordam que as finalidades do casamento s&atilde;o cimentar o amor e constituir fam&iacute;lia ao passo que os respondentes sens&iacute;veis ao  preconceito associado ao casamento homossexual salientam a finalidade econ&oacute;mica do casamento. </p>     <p>As associa&ccedil;&otilde;es real&ccedil;adas pela an&aacute;lise entre vari&aacute;veis ilustrativas e classes de palavras n&atilde;o  s&atilde;o muito fortes. Estas sugerem que, de acordo com a nossa Hip&oacute;tese 3a, as mulheres t&ecirc;m uma representa&ccedil;&atilde;o mais  positiva do casamento homossexual do que os homens: as mulheres percepcionam mais do que os homens que o casamento entre pessoas do mesmo sexo  traduz um bom relacionamento entre parceiros, parecem mais emp&aacute;ticas para com a luta das pessoas homossexuais para a igualdade de direitos,  e denigrem menos as pessoas com base na sua orienta&ccedil;&atilde;o sexual. Contudo, a nossa Hip&oacute;tese 3b, que previa que os jovens  t&ecirc;m uma representa&ccedil;&atilde;o mais positiva do casamento homossexual do que as pessoas com mais idade n&atilde;o foi confirmada. Pelo  contr&aacute;rio, a &uacute;nica diferen&ccedil;a entre as duas faixas et&aacute;rias reside no facto de os respondentes com mais idade conceberem  melhor que exista partilha e companheirismo no casamento entre pessoas do mesmo sexo tal como no casamento entre pessoas de sexo diferente. O facto  de os jovens portugueses desaprovarem menos, globalmente, o casamento homossexual (Poeschl, 2011) n&atilde;o parece portanto impedir que  estabele&ccedil;am diferen&ccedil;as entre as vidas privadas das pessoas homossexuais e heterossexuais. Por &uacute;ltimo, a nossa Hip&oacute;tese  3c que predizia uma representa&ccedil;&atilde;o mais positiva por parte das pessoas com maior n&iacute;vel educacional &eacute; apoiada pelo  reconhecimento da exist&ecirc;ncia de uma rela&ccedil;&atilde;o de proximidade entre c&ocirc;njuges do mesmo sexo e pela menor  associa&ccedil;&atilde;o de palavras depreciavas &agrave;s pessoas homossexuais. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conclus&atilde;o</b></p>     <p>Apesar das mudan&ccedil;as observadas nos comportamentos sociais na actualidade, o casamento ainda &eacute; visto de forma positiva e permanece  como uma forma de uni&atilde;o privilegiada para as pessoas de sexo diferente que querem oficializar o seu amor e constituir fam&iacute;lia. Como  evidenciaram outros estudos (por exemplo, Torres, 2002; Zordan, Falcke, &amp; Wagner 2009), casar j&aacute; n&atilde;o tem tanto as finalidades  econ&oacute;micas ou sociais que tivera no passado, antes visando assegurar a realiza&ccedil;&atilde;o pessoal de cada um dos c&ocirc;njuges e  contribuir para o seu bem-estar e felicidade. A procura de benef&iacute;cios pr&oacute;prios parece assim constituir o ponto de  intersec&ccedil;&atilde;o entre o casamento heterossexual e o casamento homossexual, ou seja, &eacute; o argumento que permite compreender a  raz&atilde;o pela qual duas pessoas do mesmo sexo poderiam querer casar e, logo, que permite aceitar esta possibilidade. </p>     <p>Isto n&atilde;o significa que, quando pensam no casamento entre pessoas do mesmo sexo, as pessoas tenham uma representa&ccedil;&atilde;o  semelhante &agrave; situa&ccedil;&atilde;o em que se encontram os c&ocirc;njuges de sexo diferente. Pelo contr&aacute;rio, os nossos resultados  evidenciam grandes diferen&ccedil;as nas representa&ccedil;&otilde;es dos dois tipos de casamento, que se reflectem tanto na  informa&ccedil;&atilde;o que lhes est&aacute; associada, como na avalia&ccedil;&atilde;o dessa informa&ccedil;&atilde;o ou, ainda, nas finalidades  que lhes s&atilde;o atribu&iacute;das. </p>     <p>Se o casamento heterossexual parece ainda constituir uma representa&ccedil;&atilde;o largamente partilhada, o casamento homossexual aparece,  como previsto, como uma representa&ccedil;&atilde;o pol&eacute;mica que reflecte as discord&acirc;ncias entre as pessoas que o consideram um  direito e as que o consideram uma aberra&ccedil;&atilde;o. De facto, os nossos resultados demonstram que ainda h&aacute; muitas pessoas que  percepcionam as pessoas homossexuais &ndash; e, sobretudo, os homens homossexuais &ndash; como &ldquo;anormais&rdquo;. </p>     <p>Os nossos resultados sugerem tamb&eacute;m que uma percep&ccedil;&atilde;o menos negativa das pessoas homossexuais n&atilde;o est&aacute;  associada a uma representa&ccedil;&atilde;o muito elaborada do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Para al&eacute;m da no&ccedil;&atilde;o de  companheirismo, que partilha com o casamento heterossexual, o conceito remete apenas para as no&ccedil;&otilde;es de direito (ou de liberdade de  casar) ou para o preconceito que impede que todos possam igualmente beneficiar deste direito. Parece, portanto, existir uma resist&ecirc;ncia por  parte dos heterossexuais em considerar que o casamento entre duas pessoas do mesmo sexo pode oferecer todas as vantagens proporcionadas pelo  casamento entre pessoas de sexo diferente como, por exemplo, o desejo de constituir fam&iacute;lia. </p>     <p>Por&eacute;m, &eacute; necess&aacute;rio sublinhar as limita&ccedil;&otilde;es do nosso estudo, em particular o facto de a amostra n&atilde;o  ser representativa da popula&ccedil;&atilde;o adulta portuguesa e a impossibilidade de avaliar o impacto dos textos introdutores dos  question&aacute;rios sobre as respostas dos inquiridos. Futuros estudos poder&atilde;o tamb&eacute;m incluir dimens&otilde;es do casamento que  n&atilde;o foram aqui contempladas e poder&atilde;o, em particular, examinar a rela&ccedil;&atilde;o entre as representa&ccedil;&otilde;es da  parentalidade e as representa&ccedil;&otilde;es do casamento, de modo a perceber melhor as raz&otilde;es que sustentam a oposi&ccedil;&atilde;o  &agrave; adop&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;as por casais homossexuais. </p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>     <p>Barreto, A. (2004). <i>Sociedade, demografia e pol&iacute;ticas de popula&ccedil;&atilde;o. </i>Comunica&ccedil;&atilde;o apresentada no II  Congresso Portugu&ecirc;s de Demografia da Associa&ccedil;&atilde;o Portuguesa de Demografia. Acedido em Setembro 2014 de  <a href="http://www.apdemografia.pt/ficheiros_comunicacoes/1417468115.pdf"  target="_blank">http://www.apdemografia.pt/ficheiros_comunicacoes/1417468115.pdf </a></p>     <!-- ref --><p>Bawin-Legros, B. (1998). <i>Familles, mariage, divorce</i>. Li&egrave;ge: Pierre Margada.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000135&pid=S0870-8231201500010000500002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Bozon, M. (1992). Sociologie du rituel du mariage. <i>Population, 47</i>, 409-433.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000137&pid=S0870-8231201500010000500003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Casper, L. M., &amp; Bianchi, S. M. (2002). <i>Continuity and change in the American family</i>. Thousand Oaks, CA: Sage.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000139&pid=S0870-8231201500010000500004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p>Deconchy, J. P. (1971). <i>L&rsquo;orthodoxie religieuse. </i>Paris: Les Editions Ouvri&egrave;res. </p>     <!-- ref --><p>Di Giacomo, J. P. (1981). <i>Repr&eacute;sentations sociales et comportements collectifs</i>. Tese de doutoramento. Universit&eacute; Catholique  de Louvain, Louvain-la-Neuve.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000142&pid=S0870-8231201500010000500006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Gillis, J. R. (2004). Marriages on the mind. <i>Journal of Marriage and Family, 66</i>, 988-991.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000144&pid=S0870-8231201500010000500007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Herek, G. M. (2002). Gender gaps in public opinion about lesbians and gay men. <i>Public Opinion Quarterly, 66</i>, 40-66.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000146&pid=S0870-8231201500010000500008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Herek, G. M. (2006). Legal recognition of same-sex relationships in the United States: A social science perspective. <i>American Psychologist,  61</i>, 607-621.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000148&pid=S0870-8231201500010000500009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Herek, G. M. (2011). Anti-equality marriage amendments and sexual stigma. <i>Journal of Social Issues, 67</i>, 413-426.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000150&pid=S0870-8231201500010000500010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p>H&eacute;ritier, F. (2005). Quel sens donner aux notions de couple et de mariage? A la lumi&egrave;re de l&rsquo;anthropologie. <i>Informations  sociales, 122</i>, 6-15. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Ilga-Portugal. (2010). <i>Tribunal Constitucional: Ac&oacute;rd&atilde;o 2010-05-03</i>. Acedido em Outubro 2010 de  <a href="http://ilga-portugal.pt/noticias/66.php" target="_blank">http://ilga-portugal.pt/noticias/66.php </a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000153&pid=S0870-8231201500010000500012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>INE. (2010). <i>Estat&iacute;sticas demogr&aacute;ficas 2009</i>. Lisboa: Instituto Nacional de Estat&iacute;stica.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000154&pid=S0870-8231201500010000500013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>INE. (2013). <i>Anu&aacute;rio estat&iacute;stico de Portugal 2012</i>. Lisboa: Instituto Nacional de Estat&iacute;stica.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000156&pid=S0870-8231201500010000500014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Jodelet, D. (1989). Repr&eacute;sentations sociales: Un domaine en expansion. In D. Jodelet (Ed.), <i>Les repr&eacute;sentations sociales</i>  (pp. 31-61). Paris: Presses Universitaires de France.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000158&pid=S0870-8231201500010000500015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Leite, S. (2003). A uni&atilde;o de facto em Portugal. <i>Revista de Estudos Demogr&aacute;ficos, 33</i>, 95-140.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000160&pid=S0870-8231201500010000500016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Moscovici, S. (1988). Notes towards a description of social representations<i>. European Journal of Social Psychology, 18</i>, 211-250.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000162&pid=S0870-8231201500010000500017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Pickett, B. (2011). Homosexuality. In E. N. Zalta (Ed.), <i>The Stanford Encyclopedia of Philosophy </i>(Spring 2011 Edition). Acedido Janeiro  2011 de <a href="http://plato.stanford.edu/archives/spr2011/entries/homosexuality"  target="_blank">http://plato.stanford.edu/archives/spr2011/entries/homosexuality </a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000164&pid=S0870-8231201500010000500018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Poeschl, G. (2011). Homophobie, sexisme et justification de l&rsquo;ordre social &eacute;tabli. In C. Fra&iuml;ss&eacute; (Ed.),  <i>L&rsquo;homophobie et les expressions de l&rsquo;ordre h&eacute;t&eacute;rosexiste </i>(pp. 67-84). Rennes: Presses Universitaires de Rennes. </p>     <!-- ref --><p>Poeschl, G., M&uacute;rias, C., &amp; Costa, E. (2004). 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(1997). <i>Sociologia da fam&iacute;lia</i>. Lisboa: Editorial Estampa.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000174&pid=S0870-8231201500010000500025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Stacey, J., &amp; Biblarz, T. (2001). (How) Does the sexual orientation of parents matter?. <i>American Sociological Review, 66</i>, 159-183.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000176&pid=S0870-8231201500010000500026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Torres, A. C. (2002). <i>Casamento em Portugal</i>. Oeiras: Celta Editora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000178&pid=S0870-8231201500010000500027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Tribunal Constitucional. (2014). <i>Acord&atilde;o n&ordm; 176/2014</i>. Acedido em Novembro 2014 de  <a href="http://www.tribunalconstitucional.pt/tc/acordaos/20140176.htm"  target="_blank">http://www.tribunalconstitucional.pt/tc/acordaos/20140176.htm </a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000180&pid=S0870-8231201500010000500028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Ven&acirc;ncio, J. (2010). <i>Homofobia e consequ&ecirc;ncias da (n&atilde;o) assump&ccedil;&atilde;o da homossexualidade: Um estudo sobre a  vis&atilde;o LGBT</i>. Tese de Mestrado. Faculdade de Psicologia e de Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o, Universidade do Porto.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000181&pid=S0870-8231201500010000500029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Zordan, E. P., Falcke, D., &amp; Wagner, A. (2005). Copiar ou (re)criar?. Perspectivas hist&oacute;rico-contextuais do casamento. In A. Wagner  (Ed.), <i>Como se perpetua a fam&iacute;lia </i>(pp. 47-66). Porto Alegre: EDIPUCRS.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000183&pid=S0870-8231201500010000500030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Zordan, E. P., Falcke, D., &amp; Wagner, A. (2009). Casar ou n&atilde;o casar?. Motivos e expectativas com rela&ccedil;&atilde;o ao casamento.  <i>Psicologia em Revista, 15</i>, 56-76.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000185&pid=S0870-8231201500010000500031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><a name="c0" id="c0"></a><a href="#topc0">CORRESPONDÊNCIA</a></b></p>     <p>A correspond&ecirc;ncia relativa a este artigo dever&aacute; ser enviada para: Gabrielle Poeschl, FPCE, Universidade do Porto, Rua Alfredo  Allen, 4200-135 Porto. E-mail: <a href="mailto:gpoeschl@fpce.up.pt">gpoeschl@fpce.up.pt</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Submiss&atilde;o: 21/04/2014 Aceita&ccedil;&atilde;o: 05/12/2014 </p>      ]]></body><back>
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