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<journal-title><![CDATA[Análise Psicológica]]></journal-title>
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<article-id pub-id-type="doi">10.14417/ap.991</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Descodificação dos comportamentos autolesivos sem intenção suicida: Estudo qualitativo das funções e significados na adolescência]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Centro Hospitalar do Porto Departamento de Psiquiatria da Infância e da Adolescência ]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[“Decoding” “non suicidal self-injury” - a qualitative study of its functions and meanings in adolescence Non suicidal self-injury should be seen as a way of expression of a conflict or experiential difficulty of adolescents and therefore they require a close “decoding”. This qualitative study intends to understand the meanings and functions underlying these behaviors in a clinical sample of adolescents. The sample consisted of 25 participants, recruited from the adolescence outpatient clinic of the Department of Child and Adolescent Psychiatry, at the Oporto Medical Centre. The content analysis revealed the existence of intrapsychic and interpersonal functions and the behaviors service more than one function in most cases. These may be framed in different theoretical explanatory models, and it is possible to identify the prevalence of relief functions of emotional tension and attempted escape/removal, both belonging to the emotional adjustment model, and interpersonal functions, framed in Environmental model. Although exploratory, these findings tend to support existing research, pointing out, however, at some specifications. It shows also the importance of careful and comprehensive assessment of these behaviors in order to improve their treatment.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Comportamentos autolesivos]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Adolescência]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>Descodifica&ccedil;&atilde;o dos comportamentos autolesivos sem inten&ccedil;&atilde;o suicida &ndash; Estudo qualitativo das  fun&ccedil;&otilde;es e significados na adolesc&ecirc;ncia</b></p>     <p><b>Joana Calejo Jorge<sup>1</sup>, Ot&iacute;lia Queir&oacute;s<sup>1</sup>, Joana Saraiva<sup>1</sup></b></p>     <p><sup>1</sup>Departamento de Psiquiatria da Inf&acirc;ncia e da Adolesc&ecirc;ncia do Centro Hospitalar do Porto</p>     <p><a name="topc0"></a><a href="#c0">Correspondência</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Os comportamentos autolesivos sem inten&ccedil;&atilde;o suicida devem ser vistos como um modo de express&atilde;o de um conflito ou  dificuldade vivencial do adolescente e, por isso, carecem de uma &ldquo;descodifica&ccedil;&atilde;o&rdquo; atenta. O presente estudo qualitativo  teve como principal objetivo conhecer os significados e fun&ccedil;&otilde;es subjacentes a estes comportamentos numa amostra cl&iacute;nica de  adolescentes. A amostra foi constitu&iacute;da por 25 participantes, recrutados na consulta externa do Servi&ccedil;o de Adolesc&ecirc;ncia do  Departamento de Psiquiatria da inf&acirc;ncia e da adolesc&ecirc;ncia do Centro Hospitalar do Porto. A an&aacute;lise de conte&uacute;do revelou a  exist&ecirc;ncia de fun&ccedil;&otilde;es intraps&iacute;quicas e interpessoais, estando os comportamentos ao servi&ccedil;o de mais do que uma  fun&ccedil;&atilde;o, na maioria dos casos. Estas enquadraram-se em diferentes modelos explicativos te&oacute;ricos, sendo poss&iacute;vel  identificar o predom&iacute;nio de fun&ccedil;&otilde;es de al&iacute;vio da tens&atilde;o emocional e tentativa de fuga/retirada, ambas  pertencentes ao modelo de Regula&ccedil;&atilde;o emocional, e de fun&ccedil;&otilde;es interpessoais, enquadradas no modelo Ambiental. Embora  explorat&oacute;rios, estes resultados tendem a apoiar a investiga&ccedil;&atilde;o existente, apontando, contudo, para algumas especificidades.  Evidenciam, ainda, a import&acirc;ncia da avalia&ccedil;&atilde;o atenta e compreensiva destes comportamentos de forma a aprimorar o seu  tratamento. </p>     <p><b>Palavras-chave: </b>Comportamentos autolesivos, Adolesc&ecirc;ncia, Fun&ccedil;&otilde;es, Significados. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&ldquo;Decoding&rdquo; &ldquo;non suicidal self-injury&rdquo; &ndash; a qualitative study of its functions and meanings in adolescence Non  suicidal self-injury should be seen as a way of expression of a conflict or experiential difficulty of adolescents and therefore they require a  close &ldquo;decoding&rdquo;. This qualitative study intends to understand the meanings and functions underlying these behaviors in a clinical  sample of adolescents. The sample consisted of 25 participants, recruited from the adolescence outpatient clinic of the Department of Child and  Adolescent Psychiatry, at the Oporto Medical Centre. The content analysis revealed the existence of intrapsychic and interpersonal functions and  the behaviors service more than one function in most cases. These may be framed in different theoretical explanatory models, and it is possible to  identify the prevalence of relief functions of emotional tension and attempted escape/removal, both belonging to the emotional adjustment model,  and interpersonal functions, framed in Environmental model. Although exploratory, these findings tend to support existing research, pointing out,  however, at some specifications. It shows also the importance of careful and comprehensive assessment of these behaviors in order to improve their  treatment. </p>     <p><b>Key-words: </b>Non suicidal self-injury, Adolescence, Functions, Meanings. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>Diante das mudan&ccedil;as que se operam no seu corpo, o adolescente vive um per&iacute;odo particularmente vulner&aacute;vel, no qual existe  uma potencialidade acentuada de mudan&ccedil;a mas tamb&eacute;m de desequil&iacute;brio. Carecendo de possibilidades de simboliza&ccedil;&atilde;o  e de representatividade do caos interno, numa tend&ecirc;ncia &agrave; passagem ao ato como forma de dispensar a mentaliza&ccedil;&atilde;o, a  autoles&atilde;o surge como uma alternativa em situa&ccedil;&atilde;o de conflito. </p>     <p>Existem algumas diverg&ecirc;ncias na comunidade cient&iacute;fica relativas &agrave; defini&ccedil;&atilde;o dos comportamentos autolesivos. No  presente trabalho, utilizamos a defini&ccedil;&atilde;o correspondente &agrave; defini&ccedil;&atilde;o anglo-sax&oacute;nica de &ldquo;non  suicidal self-injury&rdquo; para nos referirmos aos comportamentos autolesivos sem inten&ccedil;&atilde;o suicida na adolesc&ecirc;ncia como os  atos de autodestrui&ccedil;&atilde;o direta do corpo sem inten&ccedil;&atilde;o suicida associada que se refere apenas &agrave;  destrui&ccedil;&atilde;o do tecido corporal do pr&oacute;prio na aus&ecirc;ncia de intencionalidade de morrer, incluindo apenas cortes  (self-cutting) e comportamentos associados (p. ex., queimaduras, arranh&otilde;es, etc.) (Nock, Joiner Jr., Gordon, Lloyd-Richardson, &amp;  Prinstein, 2006). </p>     <p>A preval&ecirc;ncia destes comportamentos &eacute; dif&iacute;cil de determinar, contudo, a maioria dos estudos existentes revelam taxas  elevadas na adolesc&ecirc;ncia. Dados recentes de amostras comunit&aacute;rias apontam para que 10% dos adolescentes apresente comportamentos  autolesivos pelo menos uma vez ao longo da vida, sendo consistentemente mais frequentes em raparigas (Hawton, Saunders, &amp; O&rsquo;Connor,  2012). Entre popula&ccedil;&otilde;es cl&iacute;nicas de adolescentes, a preval&ecirc;ncia destes comportamentos &eacute; ainda superior, com taxas  atingindo os 82% (Washburn et al., 2012). </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>&ldquo;Descodifica&ccedil;&atilde;o&rdquo; dos comportamentos autolesivos </i></p>     <p>Os comportamentos autolesivos sem inten&ccedil;&atilde;o suicida na adolesc&ecirc;ncia surgem como um modo de express&atilde;o do corpo, pelo  corpo e que devem ser &ldquo;descodificados&rdquo;. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Encontram-se evid&ecirc;ncias na literatura de que os comportamentos autolesivos desempenham variadas fun&ccedil;&otilde;es e est&atilde;o ao  servi&ccedil;o de diferentes finalidades em diferentes pessoas e em diferentes fases da vida (Suyemoto, 1998; Klonsky, 2007, 2011). N&atilde;o  desprezando a unicidade de cada indiv&iacute;duo e de cada comportamento autolesivo, parecem existir semelhan&ccedil;as, encontrando-se  v&aacute;rias tentativas de conceptualiza&ccedil;&atilde;o dos comportamentos baseadas em diferentes correntes te&oacute;ricas e que est&atilde;o  na origem de diferentes modelos explicativos (Nock, 2010). Nenhum destes modelos diferencia a adolesc&ecirc;ncia da idade adulta, contudo, tendo a  maioria dos casos in&iacute;cio na adolesc&ecirc;ncia (Hamza, Stewart, &amp; Willoughby, 2012) e persist&ecirc;ncia na idade adulta,  pressup&otilde;e-se que os modelos se aplicam &agrave;s duas faixas et&aacute;rias. </p>     <p>Entre os v&aacute;rios modelos explicativos dos comportamentos autolesivos sem inten&ccedil;&atilde;o suicida na adolesc&ecirc;ncia, destaca-se  a sistematiza&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica realizada por Suyemoto (1998) que, com base na revis&atilde;o da literatura, definiu seis modelos  explicativos distintos: modelo ambiental, modelo de regula&ccedil;&atilde;o emocional, modelo anti-dissociativo, modelo sexual, modelo anti  suic&iacute;dio e modelo interpessoal. </p>     <p>O modelo ambiental focaliza-se na intera&ccedil;&atilde;o entre o adolescente e o ambiente, atribuindo aos fatores externos importante papel no  aparecimento e manuten&ccedil;&atilde;o dos comportamentos autolesivos. Est&atilde;o implicados processos de refor&ccedil;o comportamental e  fen&oacute;menos de cont&aacute;gio, imita&ccedil;&atilde;o, socializa&ccedil;&atilde;o e sele&ccedil;&atilde;o entre os pares (Favazza &amp;  Rosenthal, 1990). Alguns autores acrescentam que os comportamentos autolesivos desempenham um papel de sinaliza&ccedil;&atilde;o social, sendo  utilizados como meio de comunica&ccedil;&atilde;o quando as estrat&eacute;gias de comunica&ccedil;&atilde;o falham devido a um d&eacute;fice  comunicacional ou &agrave; m&aacute; qualidade ou clareza do sinal emitido (Wedig &amp; Nock, 2007). </p>     <p>O modelo de regula&ccedil;&atilde;o emocional conceptualiza os comportamentos autolesivos como uma forma de expressar e externalizar  emo&ccedil;&otilde;es intensas e avassaladoras e uma forma de apreens&atilde;o do controlo das suas emo&ccedil;&otilde;es (Suyemoto, 1998).  &Eacute; um dos modelos dos comportamentos autolesivos mais proeminentes e com mais evid&ecirc;ncias recentes (Klonsky, 2007; Messer &amp; Fremouw,  2008). </p>     <p>Segundo o modelo anti-dissociativo, os comportamentos autolesivos representam uma forma de terminar um estado de despersonaliza&ccedil;&atilde;o  ou dissocia&ccedil;&atilde;o, permitindo abandonar uma sensa&ccedil;&atilde;o de irrealidade e entorpecimento emocional e retomar a sua  exist&ecirc;ncia pela dor f&iacute;sica que o faz sentir vivo (Gunderson,1984, citado em Klonsky, 2007; Suyemoto &amp; MacDonald, 1995). </p>     <p>Tendo por base a teoria psicanal&iacute;tica, o modelo sexual postula que estes comportamentos desempenham um papel de puni&ccedil;&atilde;o de  puls&otilde;es sexuais ou de controlo do desejo ou da matura&ccedil;&atilde;o sexuais (Suyemoto &amp; MacDonald, 1995). Woods (1988, citado em  Messer &amp; Fremouw, 2008) sugeriu que a autoles&atilde;o pode ser uma forma de gratifica&ccedil;&atilde;o sexual, &agrave; semelhan&ccedil;a da  masturba&ccedil;&atilde;o. </p>     <p>Atendendo aos conceitos de puls&atilde;o de vida e de puls&atilde;o de morte, tamb&eacute;m numa vis&atilde;o psicanal&iacute;tica, os  comportamentos autolesivos constituem uma solu&ccedil;&atilde;o de compromisso de uma luta entre os impulsos agressivos e o instinto de  sobreviv&ecirc;ncia (Suyemoto &amp; MacDonald, 1995). Esta vis&atilde;o constitui o modelo anti suic&iacute;dio, segundo o qual os adolescentes que  realizam comportamentos autolesivos n&atilde;o procuram morrer, mas sim o retorno a um estado de normalidade, sendo uma forma de apaziguar  conflitos internos (Favazza, 1990). </p>     <p>Finalmente, o modelo interpessoal associa os comportamentos autolesivos &agrave; tentativa de demarca&ccedil;&atilde;o de limites do  pr&oacute;prio self dos outros como forma de manter o sentido de identidade (Suyemoto, 1998). Atendendo ao papel de barreira protetora do self  desempenhado pela pele, o ato de cortar a pele pode ser visto como uma forma de delimitar as fronteiras do corpo e de reintegrar o sentimento de  um self fragmentado ao reativar a experi&ecirc;ncia t&aacute;til do ego corporal (Favazza, 1990). </p>     <p>Numa tentativa de descodifica&ccedil;&atilde;o destes comportamentos, foi desenvolvido o presente trabalho com vista a uma abordagem  compreensiva das fun&ccedil;&otilde;es e significados subjacentes aos comportamentos autolesivos sem inten&ccedil;&atilde;o suicida na  adolesc&ecirc;ncia. </p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Objetivos </i></p>     <p>O presente estudo qualitativo teve como principal objetivo conhecer os significados e fun&ccedil;&otilde;es subjacentes aos comportamentos  autolesivos numa amostra cl&iacute;nica de adolescentes. </p>     <p>De forma espec&iacute;fica, este estudo procurou (1) descrever as fun&ccedil;&otilde;es dos comportamentos e (2) identificar a frequ&ecirc;ncia  com que estas fun&ccedil;&otilde;es s&atilde;o expressas. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>M&eacute;todos </b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Participantes </i></p>     <p>A amostra foi constitu&iacute;da por 25 adolescentes, com idades compreendidas entre os 12 e os 17 anos (<i>M</i>=15.08, <i>DP</i>=1.38), na sua  maioria do sexo feminino (92%) e n&iacute;vel socioecon&oacute;mico m&eacute;dio (60%) (de acordo com a Classifica&ccedil;&atilde;o Social de  Graffar). </p>     <p>Os participantes foram recrutados na consulta externa do Servi&ccedil;o de Adolesc&ecirc;ncia do Departamento de Psiquiatria da inf&acirc;ncia e  da adolesc&ecirc;ncia do Centro Hospitalar do Porto. </p>     <p>Foram inclu&iacute;dos os adolescentes que apresentavam antecedentes de comportamentos autolesivos nos &uacute;ltimos 6 meses, de forma repetida  (dura&ccedil;&atilde;o superior a um m&ecirc;s), excluindo aqueles que evidenciavam d&eacute;fice cognitivo ou uma perturba&ccedil;&atilde;o do  espetro do autismo. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O estudo foi autorizado pela Comiss&atilde;o de &Eacute;tica e pelo Gabinete Coordenador de Investiga&ccedil;&atilde;o do Centro Hospitalar do  Porto. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Carateriza&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica </i></p>     <p>Considerando o eixo I da Classifica&ccedil;&atilde;o multiaxial DSM IV-TR (2000), 44% dos adolescentes preenchiam crit&eacute;rios para o  diagn&oacute;stico de perturba&ccedil;&atilde;o de adapta&ccedil;&atilde;o (<i>n</i>=11), 36% para o diagn&oacute;stico de  perturba&ccedil;&atilde;o de humor (<i>n</i>=9), 16% para o diagn&oacute;stico de perturba&ccedil;&atilde;o de ansiedade (<i>n</i>=4) e 4% para o  diagn&oacute;stico de perturba&ccedil;&atilde;o de hiperatividade e d&eacute;fice de aten&ccedil;&atilde;o (<i>n</i>=1). </p>     <p>Apenas 20% dos adolescentes preenchiam crit&eacute;rios para um diagn&oacute;stico no eixo II (DSM-IV-TR). Entre estes, 60% para  perturba&ccedil;&atilde;o borderline da personalidade (<i>n</i>=3) e 40% para perturba&ccedil;&atilde;o histri&oacute;nica da personalidade  (<i>n</i>=2). </p>     <p>32% dos adolescentes referiram consumos de t&oacute;xicos (canabin&oacute;ides): 20% de uma forma regular e 12% de uma forma espor&aacute;dica. </p>     <p>No que respeita &agrave; exist&ecirc;ncia atual de idea&ccedil;&atilde;o suicida, em 44% dos casos, esta foi verbalizada quando diretamente  inquirida (<i>n</i>=11), existindo antecedentes de tentativas de suic&iacute;dio em 52% da amostra (<i>n</i>=13). Quando presente, a idea&ccedil;&atilde;o suicida n&atilde;o era associada pelos adolescentes aos seus comportamentos autolesivos. </p>     <p>A idade m&eacute;dia de in&iacute;cio dos comportamentos autolesivos foi de 13.6 anos (<i>DP</i>=1.44). </p>     <p>40% dos adolescentes referem ter efetuado os comportamentos autolesivos no ultimo m&ecirc;s (<i>n</i>=10). </p>     <p>Relativamente &agrave; localiza&ccedil;&atilde;o das autoles&otilde;es, todos os adolescentes as fazem nos antebra&ccedil;os, seguindo-se os  pulsos e as coxas como as zonas do corpo mais vezes escolhidas. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As l&acirc;minas de giletes e de afias s&atilde;o os instrumentos mais utilizados, sendo frequentemente verbalizado o livre acesso aos objetos  como a raz&atilde;o para esta escolha. </p>     <p>A maioria dos adolescentes realizam os comportamentos de forma impulsiva e n&atilde;o ritualizada, identificando-se em apenas dois casos uma  ritualiza&ccedil;&atilde;o e exalta&ccedil;&atilde;o do comportamento. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Instrumentos </i></p>     <p>Al&eacute;m de um question&aacute;rio de carateriza&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica e sociodemogr&aacute;fica, foi utilizado um gui&atilde;o de  entrevista semiestruturado constru&iacute;do com base na revis&atilde;o da literatura e nos objetivos delineados e composto por duas partes: </p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&ndash; primeira parte: perguntas fechadas para identificar as condi&ccedil;&otilde;es temporais e espaciais em que &eacute; realizada a  autoles&atilde;o, os rituais e os instrumentos utilizados, as zonas do corpo lesadas; </p>     <p>&ndash; segunda parte: perguntas abertas e semiabertas que, por um lado, permitem a identifica&ccedil;&atilde;o de experi&ecirc;ncias e  viv&ecirc;ncias pessoais e, por outro lado, d&atilde;o lugar a quest&otilde;es adicionais n&atilde;o planeadas. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Procedimentos </i></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os participantes foram convidados a participar no estudo durante uma consulta de seguimento. Antes do in&iacute;cio da entrevista, era  apresentado ao participante e ao seu respons&aacute;vel legal o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, onde constavam os objetivos e  procedimentos do estudo e, por fim, se convidava o participante. As entrevistas foram realizadas pela mesma investigadora e com o adolescente  sozinho, tendo uma dura&ccedil;&atilde;o aproximada de 45 minutos. Todas as entrevistas foram transcritas forma integral e o mais fiel  poss&iacute;vel ao que foi dito e o seu conjunto constituiu o &ldquo;corpus&rdquo; de estudo deste trabalho. De seguida, foram tratadas no programa  de an&aacute;lise de dados qualitativos NVivo vers&atilde;o dez. </p>     <p>Partindo da revis&atilde;o da literatura, especificamente dos modelos explicativos de Suyemoto (1998), foram constru&iacute;das categorias de  an&aacute;lise com o objetivo de identificar as principais fun&ccedil;&otilde;es associadas. Foram definidas como categorias de an&aacute;lise os  seis modelos funcionais: modelo ambiental, modelo de regula&ccedil;&atilde;o emocional, modelo anti-dissociativo, modelo sexual, modelo anti  suic&iacute;dio e modelo interpessoal. </p>     <p>A an&aacute;lise do &ldquo;corpus&rdquo; de estudo serviu para confirmar, ou n&atilde;o, a exist&ecirc;ncia das categorias, nas narrativas dos  adolescentes. No entanto, n&atilde;o se colocou de parte a possibilidade de novas categorias surgirem, atrav&eacute;s da explora&ccedil;&atilde;o  das entrevistas. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Resultados </b></p>     <p>Foi constru&iacute;da uma grelha de an&aacute;lise categorial que serviu de base para a an&aacute;lise e interpreta&ccedil;&atilde;o dos dados  (<a href="#f1">Figura 1</a>). </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="f1"></a></p>     <p><img src="/img/revistas/aps/v33n2/33n2a06f1.jpg" width="577" height="444"></p>     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>De seguida, apresentamos excertos das entrevistas dos adolescentes, codificadas em cada subcategoria, de forma a melhor ilustrar a  elabora&ccedil;&atilde;o da nossa grelha de an&aacute;lise categorial. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Fun&ccedil;&otilde;es ambientais </i></p>     <p>Esta categoria constituiu-se a partir do modelo ambiental (Suyemoto, 1998). </p>     <p>Entre a nossa amostra, n&atilde;o se identificaram significativos fen&oacute;menos de cont&aacute;gio, predominando antes as  fun&ccedil;&otilde;es relacionadas com a necessidade de expressar um estado emocional, transmitir uma mensagem ou de apelo. Foram codificadas as  seguintes subcategorias: sinaliza&ccedil;&atilde;o de mal--estar, agress&atilde;o do outro (manifesta&ccedil;&atilde;o de raiva e desejo de atingir  os limites do outro) e, em menor n&uacute;mero, valida&ccedil;&atilde;o social. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Sinaliza&ccedil;&atilde;o de mal-estar </i></p>     <p>&ldquo;N&atilde;o estava bem, sentia-me sozinha, precisava de ajuda, mas n&atilde;o sabia como o fazer, estava sem sa&iacute;das e sem conseguir  respirar... ca&iacute;a tudo sobre mim e n&atilde;o aguentava mais&rdquo; (g&eacute;nero feminino, 15 anos). </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Agress&atilde;o do outro </i></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&ldquo;Para me vingar de mim mesma e dos meus pais, n&atilde;o sei. Acho que as coisas est&atilde;o mal por minha causa, j&aacute; toda a gente  espera isto de mim, eu sei, desiludi os meus pais. Sinto-me zangada e... sozinha, como se precisasse de me castigar, ou os meus pais, n&atilde;o  sei&rdquo; (g&eacute;nero feminino, 13 anos). </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Valida&ccedil;&atilde;o social </i></p>     <p>&ldquo;N&atilde;o estava bem, lembrei-me de os fazer. A Demi Lovato fazia-o, n&atilde;o foi para imitar, mas queria experimentar, tinha amigas  que tamb&eacute;m os faziam, queria saber se realmente acalmava como ela dizia&rdquo; (g&eacute;nero feminino, 14 anos). </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Fun&ccedil;&otilde;es de regula&ccedil;&atilde;o emocional </i></p>     <p>Na nossa amostra, as fun&ccedil;&otilde;es de regula&ccedil;&atilde;o emocional, enquadradas no modelo de regula&ccedil;&atilde;o emocional  (Suyemoto, 1998), foram amplamente representadas, sendo identificadas em espec&iacute;fico as fun&ccedil;&otilde;es de al&iacute;vio emocional,  fuga a emo&ccedil;&otilde;es intensas ou retirada para um estado de conforto, controlo emocional e substitui&ccedil;&atilde;o de dor emocional por  dor f&iacute;sica. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Al&iacute;vio de tens&atilde;o emocional </i></p>     <p>&ldquo;Fa&ccedil;o-os quando j&aacute; n&atilde;o aguento mais, quando estou pior (...)</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>N&atilde;o consigo explicar porque os fa&ccedil;o, sinto-me mal com tudo, que valho pouco, que tudo me corre mal... Naqueles momentos em que  sinto &oacute;dio de tudo, at&eacute; de mim (...) com vontade de gritar mas sem conseguir. E enquanto os fa&ccedil;o &eacute; bom pois fico  relaxada&rdquo; (g&eacute;nero feminino, 16 anos). </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Retirada/fuga </i></p>     <p>&ldquo;&Eacute; dif&iacute;cil explicar, porque n&atilde;o faz sentido, mas &eacute; como se conseguisse esquecer tudo, dou descanso &agrave;  minha cabe&ccedil;a, como se desaparecesse por uns minutos... depois? Volta tudo ao normal, volto a estar mal com as coisas, mas sinto que valeu a  pena&rdquo; (g&eacute;nero feminino, 16 anos). </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Controlo emocional </i></p>     <p>&ldquo;Fa&ccedil;o-os porque preciso, &agrave;s vezes &eacute; demais e n&atilde;o consigo controlar tudo o que se passa &agrave; minha volta e  na minha cabe&ccedil;a. Quando os fa&ccedil;o, sinto-me bem porque sou eu que mando no que sinto, ponho um ponto final&rdquo; (g&eacute;nero  feminino, 17 anos). </p>     <p>Subjacente a esta fun&ccedil;&atilde;o de controlo emocional, est&aacute; frequentemente presente a fun&ccedil;&atilde;o de  transforma&ccedil;&atilde;o de uma dor passiva numa dor ativa, pass&iacute;vel de ser controlada, dando origem &agrave; subcategoria  &ldquo;Substitui&ccedil;&atilde;o de dor emocional pela dor f&iacute;sica&rdquo;. </p>     <p>&ldquo;&Eacute; uma forma de sentir outro tipo de sofrimento, como se a dor que sinto, quando arde, por exemplo, conseguisse apagar a dor que  tenho dentro de mim&rdquo; (g&eacute;nero feminino, 15 anos). </p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Fun&ccedil;&otilde;es de interrup&ccedil;&atilde;o de estados dissociativos </i></p>     <p>Tendo por base o modelo anti-dissociativo (Suyemoto, 1998), identific&aacute;mos na nossa amostra a fun&ccedil;&atilde;o de  interrup&ccedil;&atilde;o de estados dissociativos. </p>     <p>&ldquo;Parece que fico desesperada, fico branca, tenho os olhos como se estivessem mortos, fico a tremer e fico muito fixa a fazer for&ccedil;a  nas m&atilde;os, parece que deixo de existir, que paro no tempo. E nem me lembro muito bem como acontece, sei que fico aliviada, como se o  sofrimento sa&iacute;sse pelo sangue e voltasse a existir. No fim, &eacute; que percebo o que est&aacute; a acontecer, s&oacute; depois consigo  controlar, como se entrasse em mim, o que &eacute; que eu estou a fazer? Sinto raiva por n&atilde;o ter parado, sinto-me ainda pior, sinto-me muito  cansada, de rastos, como se a for&ccedil;a tivesse acabado&rdquo; (g&eacute;nero feminino, 17 anos). </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Fun&ccedil;&otilde;es de origem sexual </i></p>     <p>A partir do modelo sexual (Suyemoto, 1998), identific&aacute;mos na nossa amostra duas fun&ccedil;&otilde;es: a de auto puni&ccedil;&atilde;o,  como forma de &ldquo;purifica&ccedil;&atilde;o&rdquo; do excesso pulsional que assola o aparelho ps&iacute;quico revelando-se o retorno da  agressividade como a &uacute;nica possibilidade de conten&ccedil;&atilde;o, e a de obten&ccedil;&atilde;o de prazer. Nesta &uacute;ltima  subcategoria, destaca-se a dimens&atilde;o prazerosa que adv&eacute;m da substitui&ccedil;&atilde;o da tens&atilde;o psicol&oacute;gica por uma  tens&atilde;o biol&oacute;gica. Com efeito, associado ao ato de cortar a pele, alguns adolescentes descrevem excita&ccedil;&atilde;o ao ver a pele  ser rasgada pela l&acirc;mina e o aparecimento de prazer. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Auto puni&ccedil;&atilde;o </i></p>     <p>&ldquo;(...) acho que mere&ccedil;o sofrer, tenho sentimentos estranhos... Depois, sinto-me melhor, porque sinto que deixei para tr&aacute;s  aquilo que me fez sofrer, como se arrumasse tudo, sinto-me limpo&rdquo; (g&eacute;nero masculino, 17 anos). </p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Obten&ccedil;&atilde;o de prazer </i></p>     <p>&ldquo;Sentia ansiedade no meu corpo, mal-estar, como se n&atilde;o o controlasse. Enquanto me corto, n&atilde;o sinto dor,  sinto-me anestesiado, tranquilo e com prazer. Sentia-me satisfeito quando o fazia e pensava nela&rdquo; (g&eacute;nero masculino, 17 anos). </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Fun&ccedil;&otilde;es de preven&ccedil;&atilde;o de condutas suicidas </i></p>     <p>&Agrave; luz do modelo anti suic&iacute;dio (Suyemoto, 1998), os comportamentos autolesivos s&atilde;o considerados uma estrat&eacute;gia para  evitar o suic&iacute;dio, tendo sido encontrada a representa&ccedil;&atilde;o desta fun&ccedil;&atilde;o em alguns adolescentes da nossa amostra. </p>     <p>&ldquo;Sinto que &eacute; a &uacute;nica forma de me controlar, n&atilde;o consigo deixar de pensar em faz&ecirc;-lo (suic&iacute;dio) e sei que  fazendo os cortes tamb&eacute;m pode sempre acontecer alguma coisa, uma fantasia, eu sei, mas pode acontecer&rdquo; (g&eacute;nero feminino, 17  anos). </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Fun&ccedil;&otilde;es de demarca&ccedil;&atilde;o do sentido de identidade </i></p>     <p>Tendo por base o modelo interpessoal (Suyemoto, 1998), a an&aacute;lise de conte&uacute;do das entrevistas revelou na nossa amostra  fun&ccedil;&otilde;es de demarca&ccedil;&atilde;o do sentido de identidade. </p>     <p>&ldquo;N&atilde;o quero morrer nem estou deprimida... Eu simplesmente gosto de sentir. Por exemplo, &agrave; noite, gosto de me deitar na terra  ou na cal&ccedil;ada pois faz-me sentir parte da terra. Sinto-me, muitas vezes, desconectada, sinto que n&atilde;o fa&ccedil;o parte de nada e  n&atilde;o sinto nada. Depois, tamb&eacute;m &eacute; bom, porque fica a cicatriz (...) Acho que ficam bem no meu corpo, d&atilde;o-me  sentido&rdquo; (g&eacute;nero feminino, 16 anos). </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Enquadrada na fun&ccedil;&atilde;o acima apresentada, identific&aacute;mos a relevante carga simb&oacute;lica atribu&iacute;da pelos  adolescentes &agrave;s suas cicatrizes. Quando abordadas, depar&aacute;mo-nos, na sua maioria, com &ldquo;cortes escondidos&rdquo; dos olhares do  outro, em especial do adulto que os v&ecirc; com hostilidade, cr&iacute;tica e incompreens&atilde;o. O car&aacute;ter irrevers&iacute;vel do ato de  cortar, pela cria&ccedil;&atilde;o da cicatriz, representa para muitos adolescentes da nossa amostra fonte de desagrado e de ang&uacute;stia por  &ldquo;reviverem&rdquo; aquilo que procuraram esquecer ou apaziguar. Para outros, representam uma tentativa de alcan&ccedil;ar a estabilidade na  identidade subjetiva, marcando a separa&ccedil;&atilde;o entre ele e o outro (Mieli, 2002) e assegurando a marca permanente dessa mesma  separa&ccedil;&atilde;o, se quisermos, individua&ccedil;&atilde;o. </p>     <p>Tal como mencionado previamente, partindo da explora&ccedil;&atilde;o das entrevistas, outros conte&uacute;dos emergiram como significativos,  tendo sido identificadas outras categorias, tais como a exist&ecirc;ncia da dimens&atilde;o aditiva atribu&iacute;da pelos adolescentes e de  fen&oacute;menos de sensibiliza&ccedil;&atilde;o comportamental. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Dimens&atilde;o aditiva atribu&iacute;da pelos adolescentes </i></p>     <p>Partindo da quest&atilde;o &ldquo;J&aacute; tentaste alguma vez parar de os fazer?&rdquo;, constat&aacute;mos a exist&ecirc;ncia do desejo  transversal a quase todos os adolescentes de abandonar estes comportamentos, sendo descritas tentativas sem sucesso. Espontaneamente, alguns  adolescentes verbalizaram um estado de depend&ecirc;ncia psicol&oacute;gica. Noutros, em que foi necess&aacute;rio colocar a quest&atilde;o:  &ldquo;Sentes-te viciado nos cortes?&rdquo;, encontr&aacute;mos rea&ccedil;&otilde;es diferentes. N&atilde;o obstante as atitudes iniciais de  nega&ccedil;&atilde;o, a maioria dos adolescentes da nossa amostra verbalizaram a perce&ccedil;&atilde;o subjetiva da compuls&atilde;o  irresist&iacute;vel para se autolesionarem. &Agrave; semelhan&ccedil;a da adi&ccedil;&atilde;o de uma subst&acirc;ncia, os adolescentes descrevem  uma depend&ecirc;ncia psicol&oacute;gica evidente na incapacidade de assumirem outro comportamento face &agrave; intoler&acirc;ncia &agrave;  frustra&ccedil;&atilde;o e &agrave; incapacidade de lidar com afetos negativos. </p>     <p>&ldquo;Viciada? N&atilde;o! Eu sei que n&atilde;o o devia fazer mas n&atilde;o consigo parar... nesse sentido, sim, talvez esteja viciada.  &Eacute; como se n&atilde;o encontrasse outra sa&iacute;da para aquele momento, parece um v&iacute;cio calmante, sei que me faz mal mas  fa&ccedil;o-o novamente e quanto mais fa&ccedil;o mais quero fazer&rdquo; (g&eacute;nero feminino, 16 anos). </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Fen&oacute;menos de sensibiliza&ccedil;&atilde;o comportamental </i></p>     <p>Associada a esta depend&ecirc;ncia psicol&oacute;gica e irresistibilidade pelo ato de se autolesionarem, identific&aacute;mos, em alguns  adolescentes, a progressiva diminui&ccedil;&atilde;o da intensidade dos stressores desencadeantes dos comportamentos autolesivos, sugerindo a  exist&ecirc;ncia de um fen&ocirc;meno de sensibiliza&ccedil;&atilde;o comportamental. </p>     <p>&ldquo;... e parece que fica pior, isto &eacute;, se antes precisava de uma coisa muito m&aacute; para os fazer, agora, parece que os  fa&ccedil;o por coisas m&iacute;nimas, como se n&atilde;o fosse preciso quase nada para ter vontade de os fazer&rdquo; (g&eacute;nero feminino, 17  anos). </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><i>Frequ&ecirc;ncias das fun&ccedil;&otilde;es identificadas </i></p>     <p>O <a href="#q1">Quadro 1</a> sumaria a frequ&ecirc;ncia e a extens&atilde;o das categorias e subcategorias das fun&ccedil;&otilde;es dos  comportamentos autolesivos sem inten&ccedil;&atilde;o suicida. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="q1"></a></p>     <p><img src="/img/revistas/aps/v33n2/33n2a06q1.jpg" width="578" height="313"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>A fun&ccedil;&atilde;o nomeada pelo maior n&uacute;mero de participantes foi a de Al&iacute;vio de tens&atilde;o emocional, seguida da  Fuga/retirada. Logo de seguida, identificou-se a fun&ccedil;&atilde;o de Sinaliza&ccedil;&atilde;o de mal-estar, a Preven&ccedil;&atilde;o de  condutas suicidas, a Agress&atilde;o do outro e a Interrup&ccedil;&atilde;o de estados dissociativos. Em menor n&uacute;mero, foram identificadas  as fun&ccedil;&otilde;es de Controlo emocional, Valida&ccedil;&atilde;o social, Autopuni&ccedil;&atilde;o, Obten&ccedil;&atilde;o de prazer e  Demarca&ccedil;&atilde;o do sentido de identidade. </p>     <p>Na maioria dos casos, 72% da amostra, os comportamentos autolesivos desempenham mais do que uma fun&ccedil;&atilde;o. </p>     <p>Entre os casos em que apenas se identificou uma fun&ccedil;&atilde;o, 28% da amostra, as fun&ccedil;&otilde;es de Regula&ccedil;&atilde;o  Emocional foram as dominantes (<i>n</i>=4), seguidas das fun&ccedil;&otilde;es Ambientais (<i>n</i>=2) e das fun&ccedil;&otilde;es de  Preven&ccedil;&atilde;o de condutas suicidas (<i>n</i>=1). </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A dimens&atilde;o aditiva dos comportamentos autolesivos atribu&iacute;da pelos adolescentes foi identificada em 68% da amostra (<i>n</i>=17),  identificando-se, em 36% da amostra (<i>n</i>=9), fen&oacute;menos de sensibiliza&ccedil;&atilde;o comportamental (<a href="#q2">Quadro 2</a>). </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="q2"></a></p>     <p><img src="/img/revistas/aps/v33n2/33n2a06q2.jpg" width="577" height="159"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Discuss&atilde;o </b></p>     <p>O presente estudo teve como objetivo compreender as fun&ccedil;&otilde;es e significados dos comportamentos autolesivos sem  inten&ccedil;&atilde;o suicida numa amostra cl&iacute;nica de adolescentes. Os nossos resultados foram, de um modo geral, consistentes com a  investiga&ccedil;&atilde;o existente, quanto ao seu conte&uacute;do e frequ&ecirc;ncia. </p>     <p>Na sua maioria, os adolescentes realizam-nos de forma impulsiva em resposta a estados emocionais de elevada intensidade, o que est&aacute; de  acordo com outros estudos (Klonsky &amp; Olino, 2008, 2011). N&atilde;o obstante o car&aacute;ter impulsivo do ato, este reveste-se de  m&uacute;ltiplos significados, tal como revelou a an&aacute;lise de conte&uacute;do das entrevistas. </p>     <p>Identificaram-se fun&ccedil;&otilde;es intraps&iacute;quicas e fun&ccedil;&otilde;es interpessoais, estando os comportamentos autolesivos ao  servi&ccedil;o de mais do que uma fun&ccedil;&atilde;o, na maioria dos casos. Esta evid&ecirc;ncia tem sido descrita na literatura, ilustrando a  complexidade e multifatoriedade destes comportamentos (Klonsky, 2011; Messer &amp; Fremouw, 2008). O fato de se tratar de uma amostra  cl&iacute;nica poder&aacute; ter acentuado esta tend&ecirc;ncia. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No que respeita &agrave;s frequ&ecirc;ncias encontradas, os resultados foram consistentes com a literatura (Klonsky, 2011; Messer &amp; Fremouw,  2008; Suyemoto, 1998), ilustrando o predom&iacute;nio de fun&ccedil;&otilde;es de regula&ccedil;&atilde;o emocional, especificamente, o  al&iacute;vio da tens&atilde;o emocional e a tentativa de fuga/retirada, e de fun&ccedil;&otilde;es ambientais de sinaliza&ccedil;&atilde;o de  mal-estar. </p>     <p>A reduzida frequ&ecirc;ncia identificada na nossa amostra de fen&oacute;menos de cont&aacute;gio, melhor ilustrados na subcategoria de  valida&ccedil;&atilde;o social, n&atilde;o &eacute; consistente com a literatura (Whitlock, Muehlenkamp, &amp; Eckenrode, 2008) e poder&aacute; ser  explicada pelo fato de se tratar de uma amostra cl&iacute;nica de adolescentes com comportamentos autolesivos de repeti&ccedil;&atilde;o,  maioritariamente secretos, em que predominam fun&ccedil;&otilde;es de apelo e de regula&ccedil;&atilde;o emocional. </p>     <p>J&aacute; a reduzida frequ&ecirc;ncia encontrada das fun&ccedil;&otilde;es de demarca&ccedil;&atilde;o de limites e sentido de identidade,  enquadradas no modelo Interpessoal, est&aacute; de acordo com a literatura (Klonsky, 2007). Com efeito, existem poucas evid&ecirc;ncias  emp&iacute;ricas desta fun&ccedil;&atilde;o, defendendo estes autores tratar-se antes de um desejo de controlo e dom&iacute;nio do corpo. </p>     <p>Na literatura, est&aacute; descrita a fun&ccedil;&atilde;o de indu&ccedil;&atilde;o de um estado dissociativo como forma de fuga a sentimentos e  emo&ccedil;&otilde;es negativas, sendo inclu&iacute;da no modelo da regula&ccedil;&atilde;o emocional (Suyemoto, 1998). No universo da nossa  amostra, n&atilde;o foi identificada esta fun&ccedil;&atilde;o. </p>     <p>Ainda no presente estudo, destacamos a dimens&atilde;o aditiva verbalizada pelos adolescentes o que, embora pouco referida na literatura (Selby,  Bender, Gordon, Nock, &amp; Joiner, 2011), se destacou como predominante e parece ilustrar a importante fun&ccedil;&atilde;o de  conten&ccedil;&atilde;o e/ou amortecimento de ang&uacute;stias que estes comportamentos desempenham, afigurando-se como uma forma quase exclusiva  de autoajuda. </p>     <p>Realizando-os de uma forma repetida, alguns participantes descrevem a progressiva diminui&ccedil;&atilde;o da intensidade dos stressores  desencadeantes dos comportamentos autolesivos, sugerindo, numa vis&atilde;o mais biol&oacute;gica, a exist&ecirc;ncia de um fen&oacute;meno  sensibiliza&ccedil;&atilde;o comportamental algo semelhante ao fen&ocirc;meno de <i>kindling </i>identificado na perturba&ccedil;&atilde;o bipolar  e nunca relatado nestes comportamentos (Post, 2007). </p>     <p>&Agrave; semelhan&ccedil;a de outros estudos, verificou-se a frequente associa&ccedil;&atilde;o dos comportamentos autolesivos &agrave;  idea&ccedil;&atilde;o suicida e tentativas de suic&iacute;dio (Nock et al., 2006). Alguns autores defendem a sua inscri&ccedil;&atilde;o numa mesma  trajet&oacute;ria de risco, incluindo os comportamentos autolesivos no <i>continuum </i>do espetro suicid&aacute;rio (Wilkinson et al., 2011), os  quais constituem um dos fatores de risco mais preditivos de tentativas de suic&iacute;dio futuras (Hawton &amp; Harriss, 2007; Wilkinson, Kelvin,  Roberts, Dubicka, &amp; Goodyer, 2011). </p>     <p>Contudo, existem tamb&eacute;m evid&ecirc;ncias de que nem todos os adolescentes exibem comportamentos autolesivos associados a  idea&ccedil;&atilde;o ou tentativas de suic&iacute;dio, sendo a associa&ccedil;&atilde;o mais frequente em amostras cl&iacute;nicas (In-Albon,  Rufa, &amp; Schmidt, 2013; Nock et al., 2006) do que na comunidade (Guerreiro, Sampaio, Rihmer, Gondar, &amp; Figueira, 2013), &agrave;  semelhan&ccedil;a do que se verificou na nossa amostra cl&iacute;nica. S&atilde;o necess&aacute;rios mais estudos da evolu&ccedil;&atilde;o  longitudinal dos comportamentos autolesivos de modo a explorar quais os fatores se associam a um maior risco de tentativas de suic&iacute;dio no  futuro. </p>     <p>A elevada preval&ecirc;ncia de psicopatologia encontrada na nossa amostra est&aacute; de acordo com outros estudos com amostras cl&iacute;nicas,  comprovando o risco elevado de psicopatologia geral evidenciado nesta popula&ccedil;&atilde;o, tal como ansiedade, depress&atilde;o, impulsividade  e agressividade (Hawton, Saunders, &amp; O&rsquo;Connor, 2012). Nock et al. (2006) numa amostra de adolescentes com comportamentos autolesivos sem  inten&ccedil;&atilde;o suicida, verificaram que 87,6% apresentava crit&eacute;rios diagn&oacute;sticos para patologia do eixo I da DSM-IV, sendo as  perturba&ccedil;&otilde;es mais frequentes: perturba&ccedil;&atilde;o de conduta, perturba&ccedil;&atilde;o de oposi&ccedil;&atilde;o e desafio,  depress&atilde;o major, perturba&ccedil;&atilde;o p&oacute;s stresse traum&aacute;tico, abuso ou depend&ecirc;ncia de cannabis (Nock et al., 2006).  O nosso estudo revelou resultados concordantes no que respeita ao predom&iacute;nio das perturba&ccedil;&otilde;es de humor e de ansiedade.  Curiosamente, as perturba&ccedil;&otilde;es da conduta e de oposi&ccedil;&atilde;o-desafio, frequentemente associadas aos comportamentos  autolesivos, foram muito pouco frequentes. A inexist&ecirc;ncia de perturba&ccedil;&otilde;es de abuso ou depend&ecirc;ncia de cannabis na nossa  amostra, patologias tamb&eacute;m frequentemente associadas a estes comportamentos, atribui-se, por um lado, a uma prov&aacute;vel  subestima&ccedil;&atilde;o por oculta&ccedil;&atilde;o por parte dos adolescentes, por outro lado, &agrave; atual referencia&ccedil;&atilde;o dos  adolescentes com esta problem&aacute;tica para servi&ccedil;os de sa&uacute;de especializados (PIAC &ndash; Projeto Integrado de Apoio &agrave;  Comunidade). </p>     <p>Salientamos a heterogeneidade diagn&oacute;stica subjacente a estes comportamentos o que eventualmente refor&ccedil;a a necessidade de  autonomizar este tipo de fen&oacute;menos (Wilkinson et al., 2011), retirando-os do cl&aacute;ssico confinamento nosogr&aacute;fico &agrave;  perturba&ccedil;&atilde;o borderline da personalidade (APA, 1994, 2000). Recentemente, foi inclu&iacute;da na DSM-5 uma nova entidade  diagn&oacute;stica nomeada de &ldquo;non-suicidal self-injury disorder&rdquo;, que corresponde aos comportamentos autolesivos sem  inten&ccedil;&atilde;o suicida que ocorrem de forma repetida e na forma de apenas destrui&ccedil;&atilde;o do tecido corporal (APA, 2013).  N&atilde;o obstante a sua utilidade cl&iacute;nica de diferencia&ccedil;&atilde;o destes fen&oacute;menos, esta nova categoria diagn&oacute;stica  levanta elevada controv&eacute;rsia para esta &aacute;rea de dif&iacute;cil consensualiza&ccedil;&atilde;o. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O nosso estudo apresenta algumas limita&ccedil;&otilde;es. Foi utilizada uma amostra de conveni&ecirc;ncia e de reduzida dimens&atilde;o o que a  constitui uma amostra n&atilde;o-representativa. Al&eacute;m disso, foi maioritariamente constitu&iacute;da por adolescentes do g&eacute;nero  feminino, o que, embora reproduzindo a distribui&ccedil;&atilde;o de g&eacute;nero destes comportamentos (Hawton, Saunders, &amp; O&rsquo;Connor,  2012), poder&aacute; ter condicionado os resultados obtidos. </p>     <p>Acima no texto, foram sendo apresentadas as limita&ccedil;&otilde;es associadas ao fato de ter sido utilizada uma amostra cl&iacute;nica.  Estudos com amostras n&atilde;o-cl&iacute;nicas seriam &uacute;teis para melhor aprofundar o conhecimento dos comportamentos autolesivos na  adolesc&ecirc;ncia. </p>     <p>Por &uacute;ltimo, n&atilde;o foi considerada a codifica&ccedil;&atilde;o por outros observadores o que possibilitaria averiguar a  converg&ecirc;ncia dos resultados (Bloomberg &amp; Volpe, 2008). </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Considera&ccedil;&otilde;es finais </b></p>     <p>Embora qualitativos, estes resultados tendem a apoiar a investiga&ccedil;&atilde;o existente, apontando, contudo, para algumas especificidades  que importa aprofundar em investiga&ccedil;&otilde;es futuras. </p>     <p>Atendendo &agrave; sua complexidade, os comportamentos autolesivos revestem-se de m&uacute;ltiplos significados na adolesc&ecirc;ncia,  impondo-se como fundamental a avalia&ccedil;&atilde;o atenta das motiva&ccedil;&otilde;es e significados subjacentes. Apesar de dif&iacute;cil  operacionaliza&ccedil;&atilde;o, os diferentes modelos explicativos complementam-se, permitindo uma melhor compreens&atilde;o dos comportamentos  autolesivos na adolesc&ecirc;ncia e servindo de base na sua avalia&ccedil;&atilde;o e tratamento. </p>     <p>Por fim, as autoras acreditam que a realiza&ccedil;&atilde;o da entrevista acerca dos comportamentos autolesivos permitiu a cada adolescente a  possibilidade de mentaliza&ccedil;&atilde;o do seu sintoma e, deste modo, a melhor discrimina&ccedil;&atilde;o e tradu&ccedil;&atilde;o em palavras  do que sentem. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias </b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>American Psychiatric Association. (1994). <i>Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders </i>(4<Sup>th </Sup>ed.). Washington, DC:  Author.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000173&pid=S0870-8231201500020000600001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>American Psychiatric Association. (2000). <i>Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders </i>(4<Sup>th </Sup>ed., text revision).  Washington, DC: Author.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000175&pid=S0870-8231201500020000600002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>American Psychiatric Association. (2013). <i>Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders </i>(5<Sup>th </Sup>ed.). Arlington, VA:  American Psychiatric Publishing.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000177&pid=S0870-8231201500020000600003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p>Bloomberg, L. D., &amp; Volpe, M. (2008). <i>Completing your qualitative dissertation: A roadmap from beginning to end</i>. Thousand Oaks,  California: Sage Publications. </p>     <!-- ref --><p>Favazza, A., &amp; Rosenthal, R. J. (1990). Varieties of pathological self-mutilation. <i>Clinical Behavioural Neurology, 3</i>, 77-85.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000180&pid=S0870-8231201500020000600005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Guerreiro, D. F., Sampaio, D., Rihmer, Z., Gondar, X., &amp; Figueira, M. L. (2013). Affective temperaments and self-harm in adolescents: A  cross-sectional study from a community sample. <i>Journal of Affective Disorders, 151</i>, 891-898.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000182&pid=S0870-8231201500020000600006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Hamza, C. A., Stewart, S. L., &amp; Willoughby, T. (2012). Examining the link between nonsuicidal self-injury and suicidal behavior: A review of  the literature and an integrated model. <i>Clinical Psychology Review, 32</i>, 482-495.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000184&pid=S0870-8231201500020000600007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p>Hawton, K., Saunders, K. E., &amp; O&rsquo;Connor, R. C. (2012). Self-harm and suicide in adolescents. <i>Lancet, 379</i>, 2373-2382. </p>     <!-- ref --><p>Hawton, K., &amp; Harriss, L. (2007). Deliberate self-harm in young people: Characteristics and subsequent mortality in a 20-year cohort of  patients presenting to hospital<i>. Journal of Clinical Psychiatry, 68</i>, 1574-1583.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000187&pid=S0870-8231201500020000600009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>In-Albon, T., Rufa, C., &amp; Schmidt, M. (2013). Proposed diagnostic criteria for the DSM-5 of non suicidal self-injury in female adolescents:  Diagnostic and clinical correlates. <i>Psychiatry Journal, 2013</i>, 159-208.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000189&pid=S0870-8231201500020000600010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Klonsky, E. D. (2007). The functions of deliberate self-injury: A review of the evidence. <i>Clinical Psychology Review, 27</i>, 226-239.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000191&pid=S0870-8231201500020000600011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Klonsky, E. D. (2011). Non-suicidal self-injury in United States adults: Prevalence, sociodemographics, topography and functions.  <i>Psychological Medicine, 41</i>, 1981-1986.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000193&pid=S0870-8231201500020000600012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Klonsky, E. D., &amp; Olino, T. M. (2008). Identifying clinically distinct subgroups of self-injurers among young adults: A latent class  analysis. <i>Journal of Consulting and Clinical Psychology, 76</i>, 22-27.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000195&pid=S0870-8231201500020000600013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Messer, J. M., &amp; Fremouw, W. J. (2008). A critical review of explanatory models for self-mutilating behaviors in adolescents. <i>Clinical  Psychology Review, 28</i>, 162-178.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000197&pid=S0870-8231201500020000600014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Mieli, P. (2002). <i>Sobre as manipula&ccedil;&otilde;es irrevers&iacute;veis do corpo e outros textos psicanal&iacute;ticos</i>. Rio de  Janeiro: Contra Capa/Corpo Freudiano do Rio de Janeiro.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000199&pid=S0870-8231201500020000600015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Nock, M. K. (2010). Self-injury. <i>Annual Review of Clinical Psychology, 6</i>, 339-363.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000201&pid=S0870-8231201500020000600016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Nock, M. K., Joiner Jr., T. E., Gordon, K. H., Lloyd-Richardson, E., &amp; Prinstein, M. J. (2006). Non-suicidal self-injury among adolescents:  Diagnostic correlates and relation to suicide attempts. <i>Psychiatry Research, 144</i>, 65-72.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000203&pid=S0870-8231201500020000600017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Post, R. (2007). Kindling and sensitization as models for affective episode recurrence, cyclicity, and tolerance phenomena. <i>Neuroscience and  Biobehavioral Reviews, 31</i>, 858-873.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000205&pid=S0870-8231201500020000600018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Selby, E. A., Bender, T. W., Gordon, K. H., Nock, M. K., &amp; Joiner, T. E. (2011). Non-Suicidal Self-Injury (NSSI) Disorder: A preliminary  study. <i>Personality Disorders: Theory, Research, and Treatment, 3</i>, 167-175.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000207&pid=S0870-8231201500020000600019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Suyemoto, K. L. (1998). The functions of self-mutilation. <i>Clinical Psychology Review, 18</i>, 531-554.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000209&pid=S0870-8231201500020000600020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Suyemoto, K. L., &amp; MacDonald, M. L. (1995). Self-cutting in female adolescents. <i>Psychotherapy, 32</i>, 162-171.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000211&pid=S0870-8231201500020000600021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Washburn, J. J., Richardt, S. L., Styer, D. M., Gebhardt, M., Juzwin, K. R., Yourek, A., &amp; Aldridge, D. (2012). Psychotherapeutic approaches  to non-suicidal self-injury in adolescents. <i>Adolescent Psychiatry and Mental Health, 6</i>, 14.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000213&pid=S0870-8231201500020000600022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Wedig, M. M., &amp; Nock, M. K. (2007). Parental expressed emotion and adolescent self-injury. <i>Journal of the American Academy of Child and  Adolescent Psychiatry, 46</i>, 1171-1178.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000215&pid=S0870-8231201500020000600023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Whitlock, J., Muehlenkamp, J., &amp; Eckenrode, J. (2008). Variation in nonsuicidal self-injury: Identification and features of latent classes  in a college population of emerging adults. <i>Journal of Clinical Child &amp; Adolescent Psychology, 37</i>, 725-735.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000217&pid=S0870-8231201500020000600024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Wilkinson, P., Kelvin, R., Roberts, C., Dubicka, B., &amp; Goodyer, I. (2011). Clinical and psychosocial predictors of suicide attempts and  nonsuicidal self-injury in the Adolescent Depression Antidepressants and Psychotherapy Trial (ADAPT). <i>American Journal of Psychiatry, 168</i>,  495-501.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000219&pid=S0870-8231201500020000600025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><a name="c0" id="c0"></a><a href="#topc0">CORRESPONDÊNCIA</a></b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A correspond&ecirc;ncia relativa a este artigo dever&aacute; ser enviada para: Joana Calejo Jorge, Departamento de Psiquiatria da inf&acirc;ncia  e da adolesc&ecirc;ncia do Centro Hospitalar do Porto, Largo Prof. Abel Salazar 4099-001 Porto. E-mail:  <a href="mailto:joanajg@gmail.com">joanajg@gmail.com</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Submiss&atilde;o: 12/12/2014 Aceita&ccedil;&atilde;o: 05/01/2015 </p>      ]]></body><back>
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