<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0870-8231</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Análise Psicológica]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Aná. Psicológica]]></abbrev-journal-title>
<issn>0870-8231</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[ISPA-Instituto Universitário]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0870-82312015000300002</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.14417/ap.967</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A confiança em testemunhas: O papel das diferenças individuais]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Fundinho]]></surname>
<given-names><![CDATA[João]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Luna]]></surname>
<given-names><![CDATA[Karlos]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A02"/>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Albuquerque]]></surname>
<given-names><![CDATA[Pedro B.]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,Universidade do Minho Escola de Psicologia ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[Braga ]]></addr-line>
<country>Portugal</country>
</aff>
<aff id="A02">
<institution><![CDATA[,Suleyman Sah University Department of Psychology ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[Istanbul ]]></addr-line>
<country>Turkey</country>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>09</month>
<year>2015</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>09</month>
<year>2015</year>
</pub-date>
<volume>33</volume>
<numero>3</numero>
<fpage>265</fpage>
<lpage>277</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0870-82312015000300002&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0870-82312015000300002&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0870-82312015000300002&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[Por vezes, a confiança com que uma testemunha recorda um crime relaciona-se com a exatidão da recordação. A investigação sugere que esta relação é complexa e pode ser influenciada por diferenças individuais. Neste estudo procurou-se perceber qual a influência da autoestima, impulsividade e tipo de tomada de decisão nesta relação. No procedimento apresentou-se um vídeo de um assalto, questões sobre este, e pediu-se a atribuição de julgamentos de confiança sobre as respostas. Os participantes responderam e julgaram também questões de conhecimento geral e responderam a escalas de autoestima (Rosemberg Self-esteem Scale), impulsividade (Barratt Impulsiveness Scale) e tipo de tomada de decisão (Cognitive Reflection Test). Os resultados revelam não haver influência das variáveis estudadas na calibração, sobreconfiança e exatidão das respostas, e também mostram maior subconfiança em questões de conhecimento geral comparativamente com as questões de testemunho. Os resultados indicam também que os participantes que utilizam um processo mais racional nas suas tomadas de decisão (sistema 2) apresentam maior exatidão e confiança do que os participantes que utilizam um processo mais intuitivo (sistema 1).]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Sometimes, the confidence with which a witness recalls a crime relates to the accuracy of the recall. Research suggests that this relationship is complex and may be influenced by individual differences. In this study we sought to understand the influence of self-esteem, impulsivity, and processing mode in the confidence-accuracy. In the procedure, we presented a video of a bank robbery, and then the participants answered questions about it, and assigned confidence judgments about the answers. Participants also answered and judged questions of general knowledge and answered to scales that measured the variables self-esteem (Rosemberg Self-esteem Scale), impulsivity (Barratt Impulsiveness Scale) and processing mode (Cognitive Reflection Test). The results show that there is no influence of the selected variables in the calibration and overconfidence of the responses. Also, participants show greater underconfidence when answering to general knowledge questions when compared with eyewitness questions. The results also indicate that participants that use system 2 show greater accuracy and confidence than participants using system 1.]]></p></abstract>
<kwd-group>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Confiança]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Calibração]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Sub/Sobreconfiança]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Testemunho]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Conhecimento geral]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Confidence]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Calibration]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Under/overconfidence]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Eyewitness]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[General knowledge]]></kwd>
</kwd-group>
</article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p><b>A confian&ccedil;a em testemunhas: O papel das diferen&ccedil;as individuais</b></p>     <p><b>Jo&atilde;o Fundinho<sup>1</sup>, Karlos Luna<sup>2</sup>, Pedro B. Albuquerque<sup>1</sup></b></p>     <p><sup>1</sup>Escola de Psicologia, Universidade do Minho, Braga, Portugal</p>     <p><sup>2</sup>Department of Psychology, Suleyman Sah University, Istanbul, Turkey</p>     <p><a name="topc0"></a><a href="#c0">Correspondência</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Por vezes, a confian&ccedil;a com que uma testemunha recorda um crime relaciona-se com a exatid&atilde;o da recorda&ccedil;&atilde;o. A  investiga&ccedil;&atilde;o sugere que esta rela&ccedil;&atilde;o &eacute; complexa e pode ser influenciada por diferen&ccedil;as individuais. Neste  estudo procurou-se perceber qual a influ&ecirc;ncia da autoestima, impulsividade e tipo de tomada de decis&atilde;o nesta rela&ccedil;&atilde;o. No  procedimento apresentou-se um v&iacute;deo de um assalto, quest&otilde;es sobre este, e pediu-se a atribui&ccedil;&atilde;o de julgamentos de  confian&ccedil;a sobre as respostas. Os participantes responderam e julgaram tamb&eacute;m quest&otilde;es de conhecimento geral e responderam a  escalas de autoestima (Rosemberg Self-esteem Scale), impulsividade (Barratt Impulsiveness Scale) e tipo de tomada de decis&atilde;o (Cognitive  Reflection Test). Os resultados revelam n&atilde;o haver influ&ecirc;ncia das vari&aacute;veis estudadas na calibra&ccedil;&atilde;o,  sobreconfian&ccedil;a e exatid&atilde;o das respostas, e tamb&eacute;m mostram maior subconfian&ccedil;a em quest&otilde;es de conhecimento geral  comparativamente com as quest&otilde;es de testemunho. Os resultados indicam tamb&eacute;m que os participantes que utilizam um processo mais  racional nas suas tomadas de decis&atilde;o (sistema 2) apresentam maior exatid&atilde;o e confian&ccedil;a do que os participantes que utilizam um  processo mais intuitivo (sistema 1).     <p>     <p><b>Palavras-chave: </b>Confian&ccedil;a, Calibra&ccedil;&atilde;o, Sub/Sobreconfian&ccedil;a, Testemunho, Conhecimento geral. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>Sometimes, the confidence with which a witness recalls a crime relates to the accuracy of the recall. Research suggests that this relationship is  complex and may be influenced by individual differences. In this study we sought to understand the influence of self-esteem, impulsivity, and  processing mode in the confidence-accuracy. In the procedure, we presented a video of a bank robbery, and then the participants answered questions  about it, and assigned confidence judgments about the answers. Participants also answered and judged questions of general knowledge and answered to  scales that measured the variables self-esteem (Rosemberg Self-esteem Scale), impulsivity (Barratt Impulsiveness Scale) and processing mode  (Cognitive Reflection Test). The results show that there is no influence of the selected variables in the calibration and overconfidence of the  responses. Also, participants show greater underconfidence when answering to general knowledge questions when compared with eyewitness questions.  The results also indicate that participants that use system 2 show greater accuracy and confidence than participants using system 1. </p>     <p><b>Key-words: </b>Confidence, Calibration, Under/overconfidence, Eyewitness, General knowledge. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>Intuitivamente, entende-se que a confian&ccedil;a (C) com que uma testemunha &eacute; capaz de recordar detalhes de um crime est&aacute;  relacionada com a exatid&atilde;o (E) da recorda&ccedil;&atilde;o desses detalhes (Wells, Linday, &amp; Ferguson, 1979). No entanto, a  investiga&ccedil;&atilde;o revela que esta rela&ccedil;&atilde;o &eacute; complexa (Bornstein &amp; Zickafoose, 1999). Neste estudo procurou-se  investigar o papel das diferen&ccedil;as individuais na rela&ccedil;&atilde;o confian&ccedil;a-exatid&atilde;o (C-E) na mem&oacute;ria de  testemunhas e com quest&otilde;es de conhecimento geral. Na primeira parte deste artigo come&ccedil;aremos por referir-nos aos estudos j&aacute;  existentes sobre a rela&ccedil;&atilde;o entre confian&ccedil;a e exatid&atilde;o, depois abordaremos as diferen&ccedil;as entre quest&otilde;es de  conhecimento geral e testemunho e terminaremos referindo o efeito das vari&aacute;veis individuais na rela&ccedil;&atilde;o C-E. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Rela&ccedil;&atilde;o entre a confian&ccedil;a e a exatid&atilde;o das respostas </i></p>     <p>A literatura tem apresentado resultados contradit&oacute;rios na procura da rela&ccedil;&atilde;o confian&ccedil;a-exatid&atilde;o no  testemunho. Os dados da investiga&ccedil;&atilde;o s&atilde;o d&iacute;spares e v&atilde;o desde afirmar que a rela&ccedil;&atilde;o C-E &eacute;  baixa ou inexistente (Brown, 2003; Perfect, 2004, Exp. 1; Wells &amp; Murray, 1984) at&eacute; forte e positiva (Luna &amp; Martin-Luengo, 2012).  A investiga&ccedil;&atilde;o sobre a rela&ccedil;&atilde;o C-E em testemunhas tem-se focado no reconhecimento de faces e apresenta resultados  fortes (Sauer, Brewer, Zweck, &amp; Weber, 2010), modestos (Brewer &amp; Wells, 2006) ou fracos (Perfect, 2004). N&atilde;o obstante, em tarefas  mais complexas e mais pr&oacute;ximas do procedimento de entrevista policial &ndash; evoca&ccedil;&atilde;o guiada &ndash; os resultados s&atilde;o  consistentes e a confian&ccedil;a &eacute; um bom preditor da exatid&atilde;o da resposta (Luna &amp; Martin-Luengo, 2012). Os mesmos  m&eacute;todos aplicados ao conhecimento geral tem demonstrado consistentemente uma rela&ccedil;&atilde;o C-E muito forte (Bornstein &amp;  Zickafoose, 1999; Luna &amp; Martin-Luengo, 2012; Pallier et al., 2002; Perfect, 2004). Nos &uacute;ltimos anos, a maioria dos estudos que  investigam a rela&ccedil;&atilde;o C-E tem utilizado calibra&ccedil;&otilde;es (Bornstein &amp; Zickafoose, 1999; Brewer &amp; Wells, 2006; Luna  &amp; Martin-Luengo, 2012; Sauer et al., 2010). A calibra&ccedil;&atilde;o refere-se &agrave; medida na qual os julgamentos de confian&ccedil;a  correspondem &agrave; probabilidade objetiva de uma resposta ser correta, por exemplo, um indiv&iacute;duo que responda corretamente a 70% de um  conjunto de quest&otilde;es dever&aacute; ter uma confian&ccedil;a m&eacute;dia nas suas respostas de 70% (Lichtenstein, Fischhoff, &amp; Phillips,  1982). A calibra&ccedil;&atilde;o apresenta v&aacute;rias vantagens sobre a correla&ccedil;&atilde;o, na medida em que &eacute; mais  sens&iacute;vel &agrave; dete&ccedil;&atilde;o da sobreconfian&ccedil;a (maior confian&ccedil;a na resposta do que probabilidade de acerto) e da  subconfian&ccedil;a (menor confian&ccedil;a na resposta do que probabilidade de acerto), assim como &eacute; mais informativa ao poder ser  representada de forma gr&aacute;fica, o que leva a uma f&aacute;cil compreens&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o entre confian&ccedil;a e  exatid&atilde;o (Luna &amp; Martin-Luengo, 2012). Ao analisar a calibra&ccedil;&atilde;o pode-se ainda verificar quanto um dado n&iacute;vel de  confian&ccedil;a &eacute; bom preditor da exatid&atilde;o da resposta. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><i>Respostas a perguntas de conhecimento geral vs. testemunho </i></p>     <p>Por que raz&atilde;o h&aacute; diferen&ccedil;as entre a confian&ccedil;a nas respostas a quest&otilde;es de testemunho e a confian&ccedil;a nas  respostas a perguntas de conhecimento geral? Alguns autores afirmam que a diferen&ccedil;a de confian&ccedil;a na resposta a quest&otilde;es de  conhecimento geral e de testemunho adv&eacute;m da falta de conhecimento dos participantes sobre a sua capacidade de testemunhar (Perfect, 2004).  Assim, pode-se argumentar que dado que o testemunho n&atilde;o &eacute; acompanhado de feedback, n&atilde;o permite o ajuste dos n&iacute;veis de  confian&ccedil;a da testemunha, limitando a maior parte das pessoas de conhecerem a sua pr&oacute;pria mem&oacute;ria (Perfect, 2004). Assim,  toa-se compreens&iacute;vel que n&atilde;o haja um conhecimento aprofundado sobre a capacidade para testemunhar, o que dificulta a  atribui&ccedil;&atilde;o de julgamentos de confian&ccedil;a. Em contrapartida, conversas na nossa vida di&aacute;ria oferecem muitas  ocasi&otilde;es para trocar informa&ccedil;&otilde;es de tem&aacute;tica geral e saber quando uma determinada resposta &eacute; correta ou  n&atilde;o. Noutras palavras, as conversas di&aacute;rias tornam-se fontes de aprendizagem e treino, fornecendo autoavalia&ccedil;&atilde;o acerca  do n&iacute;vel de conhecimento geral (Perfect, 2004). </p>     <p>Para al&eacute;m das diferen&ccedil;as na avalia&ccedil;&atilde;o da confian&ccedil;a referidas, ainda h&aacute; uma outra pergunta relevante  sobre a rela&ccedil;&atilde;o C-E: existe variabilidade intraindividual na rela&ccedil;&atilde;o C-E? Nesta linha, a investiga&ccedil;&atilde;o  sugere a exist&ecirc;ncia de um tra&ccedil;o de confian&ccedil;a pelo qual os julgamentos de confian&ccedil;a resultariam da  utiliza&ccedil;&atilde;o do mesmo mecanismo (Kleitman &amp; Stankov, 2001). Desta forma, prev&ecirc;-se que o mecanismo subjacente aos julgamentos  de confian&ccedil;a seja o mesmo para qualquer contexto ou tarefa, esperando-se estabilidade nos julgamentos de confian&ccedil;a no tempo e no  contexto. De facto, Jonsson e Allwood (2003) apoiaram a perspectiva da estabilidade individual dos julgamentos de confian&ccedil;a, uma vez que,  das tr&ecirc;s vari&aacute;veis utilizadas nos seus estudos (conhecimento para palavras, intelig&ecirc;ncia cristalizada e a aptid&atilde;o  espacial), apenas a primeira n&atilde;o mostrou estabilidade nos julgamentos de confian&ccedil;a. Da mesma forma, Bornstein e Zickafoose (1999)  mostraram que participantes capazes de monitorizar os seus julgamentos de confian&ccedil;a em tarefas de mem&oacute;ria do testemunho s&atilde;o  tamb&eacute;m capazes de o fazer em tarefas de conhecimento geral. Da mesma forma, a investiga&ccedil;&atilde;o tem indicado que o vi&eacute;s de  atribui&ccedil;&atilde;o de confian&ccedil;a a uma resposta &eacute; est&aacute;vel e influenciado por algumas caracter&iacute;sticas do  participante (e.g., Kleitman &amp; Stankov, 2001; Pallier et al., 2002), ou seja, h&aacute; participantes com maior tend&ecirc;ncia para apresentar  sobreconfian&ccedil;a e outros com tend&ecirc;ncia para a subconfian&ccedil;a (Crawford &amp; Stankov, 1996). Estas investiga&ccedil;&otilde;es  suportam a ideia de que a confian&ccedil;a pode ser definida em termos de um tra&ccedil;o psicol&oacute;gico. Assim, torna-se relevante verificar  que vari&aacute;veis individuais se encontram relacionadas com este tra&ccedil;o da confian&ccedil;a para poder identificar testemunhas com uma  rela&ccedil;&atilde;o C-E alta ou baixa. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Vari&aacute;veis individuais na rela&ccedil;&atilde;o C-E </i></p>     <p>A influ&ecirc;ncia de algumas vari&aacute;veis individuais na rela&ccedil;&atilde;o C-E tem vindo a ser estudada com diversas vari&aacute;veis.  A rela&ccedil;&atilde;o C-E tem sido estudada em rela&ccedil;&atilde;o a dois grandes constructos psicol&oacute;gicos: a intelig&ecirc;ncia e a  personalidade. Quanto &agrave; personalidade a investiga&ccedil;&atilde;o revela que esta n&atilde;o prediz os julgamentos de confian&ccedil;a  (Pallier et al., 2002). No que diz respeito &agrave; intelig&ecirc;ncia, a investiga&ccedil;&atilde;o mostra que a rela&ccedil;&atilde;o &eacute;  muito fraca. Pallier e colaboradores (2002) verificaram que a intelig&ecirc;ncia parece estar relacionada com a metamem&oacute;ria ao encontrarem  uma rela&ccedil;&atilde;o positiva entre os julgamentos de confian&ccedil;a e a intelig&ecirc;ncia. Na mesma linha de investiga&ccedil;&atilde;o,  Jonsson e Allwood (2003) oferecem suporte &agrave; rela&ccedil;&atilde;o entre intelig&ecirc;ncia e metamem&oacute;ria. Apesar de a  rela&ccedil;&atilde;o ser fraca, os autores verificaram que h&aacute; uma melhor calibra&ccedil;&atilde;o para a intelig&ecirc;ncia cristalizada do  que para a flu&iacute;da. </p>     <p>A idade &eacute; outra das vari&aacute;veis estudadas e os resultados mostram que participantes mais velhos tendem a ser mais sobreconfiantes  (Crawford &amp; Stankov, 1996). Tamb&eacute;m foram estudadas diferen&ccedil;as de sexo e quanto a estas parece que indiv&iacute;duos do sexo  masculino t&ecirc;m maior tend&ecirc;ncia para a sobreconfian&ccedil;a (Stankov &amp; Lee, 2008). Concluindo, nem a intelig&ecirc;ncia, nem a  personalidade afetam os julgamentos de confian&ccedil;a, pelo que a chave para os compreender encontra-se na zona que Stankov (1999, p. 316)  enominou como a &ldquo;terra de ningu&eacute;m entre a personalidade e as habilidades&rdquo;. &Eacute; deste mote que parte esta  investiga&ccedil;&atilde;o ao procurar o efeito de tr&ecirc;s diferen&ccedil;as individuais que n&atilde;o foram ainda testadas &ndash; autoestima,  tipo de tomada de decis&atilde;o e impulsividade &ndash;, nos julgamentos de confian&ccedil;a atribu&iacute;dos a quest&otilde;es de conhecimento  geral e de testemunho. </p>     <p>A autoestima foi escolhida por ser uma vari&aacute;vel individual abrangente e de elevado impacto na defini&ccedil;&atilde;o da pessoa enquanto  indiv&iacute;duo (Santos &amp; Maia, 2003). A autoestima implica o recurso a capacidades metacognitivas, uma vez que requer que o indiv&iacute;duo  conhe&ccedil;a as suas pr&oacute;prias capacidades e fraquezas (Borkowski, Carr, Rellinger, &amp; Pressley, 2013). A autoestima &eacute;  considerada uma autoavalia&ccedil;&atilde;o com uma componente predominantemente afetiva, manifestada numa atitude de  aprova&ccedil;&atilde;o/desaprova&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o ao pr&oacute;prio (Rosenberg, 1965). Como tal, colocamos a  hip&oacute;tese que os indiv&iacute;duos com elevada autoestima apresentam maior sobreconfian&ccedil;a, ou seja, apresentam mais confian&ccedil;a  do que exatid&atilde;o. Uma vez que uma elevada autoestima se encontra tamb&eacute;m associada a um sentimento de aprova&ccedil;&atilde;o do  pr&oacute;prio, espera-se que indiv&iacute;duos com elevada autoestima sejam mais confiantes na generalidade. </p>     <p>Outra das diferen&ccedil;as individuais investigadas neste estudo &eacute; o tipo de tomada de decis&atilde;o. O tipo de tomada de  decis&atilde;o envolve a ativa&ccedil;&atilde;o de um conjunto de mecanismos durante uma decis&atilde;o (Kahneman, 2003). Assim, torna-se  interessante verificar se esta vari&aacute;vel influencia a rela&ccedil;&atilde;o C-E. De acordo com a teoria do processamento dual (Kahneman,  2003), existem dois tipos de processamento cognitivo: o sistema 1 e o sistema 2. O sistema 1 &eacute; intuitivo, autom&aacute;tico e dirigido  emocionalmente e, por isso, dif&iacute;cil de modificar. O sistema 2 &eacute; mais lento e monitorizado de forma deliberada, considerando-se as  respostas providenciadas pela utiliza&ccedil;&atilde;o do sistema 2 como mais racionais (Kahneman, 2003). Segundo a investiga&ccedil;&atilde;o,  participantes que utilizam predominante -mente o sistema 2 tem uma predisposi&ccedil;&atilde;o para estabelecer julgamentos de confian&ccedil;a  mais realistas do que os participantes que utilizam o sistema 1 (Mata, Ferreira, &amp; Sherman, 2013). Esta ideia vai ao encontro do efeito de  Dunning-Kruger, onde indiv&iacute;duos com mais compet&ecirc;ncias numa dada tarefa desenvolvem mais compet&ecirc;ncias metacognitivas o que ajuda  no reconhecimento das suas capacidades/limita&ccedil;&otilde;es (Kruger &amp; Dunning, 1999). Assim, espera-se que os participantes que utilizem o  sistema 2, e, por conseguinte indiv&iacute;duos mais racionais, apresentem uma calibra&ccedil;&atilde;o muito pr&oacute;xima da te&oacute;rica e  melhor, ou seja, mais pr&oacute;xima de zero, do que os que utilizam o sistema 1. Da mesma forma, esperamos que indiv&iacute;duos que utilizam o  sistema 1 apresentem uma maior tend&ecirc;ncia para a sobreconfian&ccedil;a. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A &uacute;ltima caracter&iacute;stica individual que decidimos estudar na rela&ccedil;&atilde;o C-E foi a impulsividade. A impulsividade  &eacute; um constructo multifacetado que pode ser definido como uma inibi&ccedil;&atilde;o comportamental deficit&aacute;ria ou uma debilidade no  processo de tomada de decis&atilde;o (Moeller, Barratt, Dougherty, Schmitz, &amp; Swann, 2001). Pode tamb&eacute;m ser descrita em termos de  tend&ecirc;ncia para agir sem delibera&ccedil;&atilde;o adequada ou como predisposi&ccedil;&atilde;o para agir rapidamente, sem planeamento,  n&atilde;o tendo em conta as poss&iacute;veis consequ&ecirc;ncias (Moeller et al., 2001). Desta forma, a impulsividade pode afectar na  rela&ccedil;&atilde;o C-E ao limitar a mobiliza&ccedil;&atilde;o de recursos metacognitivos. Assim, hipotetizamos que indiv&iacute;duos com elevada  impulsividade reflitam menos sobre as suas respostas, apresentando uma pior calibra&ccedil;&atilde;o do que o grupo de baixa impulsividade. </p>     <p>Resumindo, este estudo procurou perceber qual a influ&ecirc;ncia vari&aacute;veis acima mencionadas na rela&ccedil;&atilde;o C-E. Para  alcan&ccedil;ar este objetivo, apresentou-se um v&iacute;deo de um assalto. Depois os participantes responderam a quest&otilde;es sobre o  v&iacute;deo e julgaram a sua confian&ccedil;a nas respostas. Os participantes realizaram o mesmo procedimento em quest&otilde;es de conhecimento  geral e responderam ainda &agrave;s escalas das vari&aacute;veis referidas. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>M&eacute;todo </b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Amostra </i></p>     <p>Setenta e seis estudantes (13 do sexo masculino e 63 do sexo feminino) da Escola de Psicologia da Universidade do Minho, com idades  compreendidas entre os 17 e os 46 anos (<i>M</i>=21,54; <i>DP</i>=4,69) participaram na experi&ecirc;ncia. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Materiais </i></p>     <p>Nesta experi&ecirc;ncia foram utilizadas quest&otilde;es de conhecimento geral, selecionadas a partir de um estudo piloto, e quest&otilde;es  sobre um v&iacute;deo de um crime. Foram tamb&eacute;m utilizados tr&ecirc;s instrumentos: a Rosenberg Self-Esteem Scale (RSES; Rosenberg, 1965), a  Barratt Impulssiveness Scale (BIS; Patton, Stanford, &amp; Barratt, 1995) e o Cognitive Reflection Test (CRT; Frederick, 2005). </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As quest&otilde;es de conhecimento geral foram criadas com base numa vers&atilde;o online do jogo Trivial Pursuit, pesquisa na internet e no  conhecimento geral dos investigadores (e.g., &ldquo;Que descobridor introduziu o porco na Am&eacute;rica?&rdquo; Resposta: Colombo). Assim, foram  selecionadas 40 quest&otilde;es com diferentes n&iacute;veis de dificuldade distribu&iacute;dos de forma o mais equilibrada poss&iacute;vel. </p>     <p>As quest&otilde;es de testemunho foram as adotadas no estudo de Luna e Martin-Luengo (2012), tendo sido feita a adapta&ccedil;&atilde;o e  tradu&ccedil;&atilde;o das mesmas para Portugu&ecirc;s Europeu. Estas quest&otilde;es foram desenvolvidas a partir de um excerto de 3 minutos do  filme &lsquo;The Stick-Up&rsquo; (Herrington, 2002). Este excerto mostra como dois seguran&ccedil;as retiram dinheiro de uma carrinha de valores e  o depositam no cofre de um banco. Entretanto, um ladr&atilde;o que se encontra dentro de um carro, corta a eletricidade do banco, entra no banco  disfar&ccedil;ado e, ap&oacute;s amea&ccedil;ar as pessoas que se encontram no local, foge com o dinheiro. </p>     <p>A autoestima foi avaliada com recurso &agrave; Rosenberg Self-Esteem Scale (RSES; Rosenberg, 1965) adaptada para a popula&ccedil;&atilde;o  portuguesa por Santos e Maia (2003). Esta escala inclui 10 itens e foi desenhada para obter uma medida unidimensional de autoestima global e  permite o c&aacute;lculo de um valor de autoestima total. Quanto mais elevada a pontua&ccedil;&atilde;o na escala, maior o n&iacute;vel de  autoestima global do indiv&iacute;duo. </p>     <p>O tipo de resolu&ccedil;&atilde;o de problemas foi avaliado atrav&eacute;s do Cognitive Reflection Test (CRT; Frederick, 2005), adaptado para  portugu&ecirc;s por Mendon&ccedil;a (2012). O CRT mede a capacidade ou disposi&ccedil;&atilde;o para evitar emitir uma resposta intuitiva mas  errada em detrimento de uma resposta racional e correta. Este teste consiste em tr&ecirc;s quest&otilde;es de racioc&iacute;nio l&oacute;gico, sem  apresenta&ccedil;&atilde;o de alternativas, desenhadas para induzir uma resposta intuitiva e permite-nos distinguir entre os dois tipos de  processamento cognitivo: o sistema 1 e o sistema 2 (e.g., &ldquo;Um taco e uma bola juntos custam 110 c&ecirc;ntimos. O taco custa 100  c&ecirc;ntimos mais que a bola. Quanto custa a bola?&rdquo;; Resposta intuitiva mas incorreta: 10 c&ecirc;ntimos; Resposta correta: 5  c&ecirc;ntimos). A cota&ccedil;&atilde;o do CRT prev&ecirc; um ponto para cada resposta correta. A investiga&ccedil;&atilde;o mostra que responder  corretamente a pelo menos uma quest&atilde;o do CRT ativa os processos do sistema 2 nas tarefas subsequentes (Pinillos et al., 2011). </p>     <p>A impulsividade foi medida atrav&eacute;s da Barrat Impulsiveness Scale (BIS; Patton, Stanford, &amp; Barratt, 1995) adaptada &agrave;  popula&ccedil;&atilde;o portuguesa por Cruz e Barbosa (2012). A BIS inclui 30 itens &eacute; uma medida muito utilizada para a  quantifica&ccedil;&atilde;o da impulsividade (e.g., Giorgetta et al., 2014; Gullo &amp; Potenza, 2014). Quanto mais elevada a  pontua&ccedil;&atilde;o na escala, maior impulsividade. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Planeamento </i></p>     <p>Neste estudo, foram manipuladas as vari&aacute;veis autoestima (baixa <i>vs. </i>elevada), impulsividade (baixa <i>vs. </i>elevada) e a tomada  de decis&atilde;o (sistema 1 <i>vs. </i>sistema 2) sob um plano intersujeitos. A vari&aacute;vel independente conte&uacute;do das quest&otilde;es  (conhecimento geral <i>vs. </i>testemunho) foi manipulada a partir de um plano intrasujeitos. Os grupos de baixa e elevada autoestima foram  definidos a partir do m&eacute;todo de grupos contrastantes. Assim, foram colocados no grupo de baixa autoestima os 25 participantes (um  ter&ccedil;o da amostra) com menor pontua&ccedil;&atilde;o na escala de autoestima e no grupo de elevada autoestima os 25 participantes com a  pontua&ccedil;&atilde;o mais elevada. A defini&ccedil;&atilde;o dos grupos de impulsividade foi feita seguindo o mesmo m&eacute;todo. Quanto  &agrave; vari&aacute;vel tipo de tomada de decis&atilde;o, consideraram-se como utilizadores do sistema 1 os participantes que responderam  erradamente a todas as quest&otilde;es do CRT e como utilizadores do sistema 2 os participantes que responderam corretamente a pelo menos uma das  quest&otilde;es de CRT (Pinillos, Smith, Nair, Marchetto, &amp; Mun, 2011). </p>     <p>As vari&aacute;veis dependentes analisadas foram a exatid&atilde;o das respostas, a confian&ccedil;a m&eacute;dia, a calibra&ccedil;&atilde;o e  a sobreconfian&ccedil;a. Definiu-se como exatid&atilde;o a propor&ccedil;&atilde;o de respostas corretas dadas por cada participante. A  confian&ccedil;a m&eacute;dia foi definida como a m&eacute;dia aritm&eacute;tica da confian&ccedil;a dos participantes nas suas respostas. A  calibra&ccedil;&atilde;o pode ser analisada graficamente, atrav&eacute;s de curvas de calibra&ccedil;&atilde;o, mas tamb&eacute;m atrav&eacute;s do  &iacute;ndice de calibra&ccedil;&atilde;o (C). O &iacute;ndice de calibra&ccedil;&atilde;o consiste numa f&oacute;rmula matem&aacute;tica  desenvolvida por Lichtenstein, Fischhoff e Phillips (1982) que permite quantificar a diferen&ccedil;a entre a curva de calibra&ccedil;&atilde;o de  cada participante e a curva de calibra&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica. Dado que o &iacute;ndice de calibra&ccedil;&atilde;o n&atilde;o permite  distinguir os participantes quanto &agrave; sobreconfian&ccedil;a e subconfian&ccedil;a, recorreu-se a outra medida, o &iacute;ndice  O/U<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a>, que consiste na diferen&ccedil;a entre a m&eacute;dia de confian&ccedil;a e a  propor&ccedil;&atilde;o de respostas corretas, para cada participante. Assim, um valor de O/U positivo indica a presen&ccedil;a de  sobreconfian&ccedil;a e um valor negativo indica a exist&ecirc;ncia de subconfian&ccedil;a. Um resultado de 0, que &eacute; o valor ideal, indica  que n&atilde;o existe tend&ecirc;ncia nem para a sobreconfian&ccedil;a, nem para a subconfian&ccedil;a (Brewer &amp; Wells, 2006). </p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Procedimento </i></p>     <p>O procedimento foi administrado individualmente, apresentado num computador com recurso &agrave; funcionalidade formul&aacute;rio do Googledocs.  Os participantes eram volunt&aacute;rios e receberam cr&eacute;ditos escolares pela sua participa&ccedil;&atilde;o. </p>     <p>O procedimento iniciou-se pela apresenta&ccedil;&atilde;o do v&iacute;deo sobre o qual incidiram as quest&otilde;es do testemunho. Ap&oacute;s a  visualiza&ccedil;&atilde;o do v&iacute;deo, foi apresentado aos participantes uma tarefa distratora, neste caso um exerc&iacute;cio de sudoku, com  a dura&ccedil;&atilde;o de quatro minutos. O intuito desta tarefa foi permitir a consolida&ccedil;&atilde;o das mem&oacute;rias para que a resposta  &agrave;s perguntas sobre o v&iacute;deo seja feita com recurso &agrave; mem&oacute;ria de longo prazo. Em seguida os participantes responderam  &agrave;s quarenta quest&otilde;es de evoca&ccedil;&atilde;o guiada sobre o v&iacute;deo (e.g., &ldquo;Qual a cor do casaco dos  pol&iacute;cias?&rdquo;), sendo que para cada uma destas avaliaram a sua confian&ccedil;a na resposta, utilizando para isso uma escala tipo Likert  de 11 pontos, de zero (&ldquo;nenhuma confian&ccedil;a&rdquo;) a dez (&ldquo;confian&ccedil;a total&rdquo;). O julgamento de confian&ccedil;a foi  feito imediatamente ap&oacute;s a resposta a cada quest&atilde;o. Posteriormente, os participantes responderam &agrave;s quest&otilde;es de  conhecimento geral, nos mesmos termos das quest&otilde;es anteriores. Ap&oacute;s a resposta a estes dois grupos de quest&otilde;es, foram  administradas aos participantes as escalas de autoestima e de impulsividade, sendo estas contrabalanceadas. Uma vez que a literatura indica que o  CRT pode provocar altera&ccedil;&otilde;es no padr&atilde;o de resposta dos participantes, foi necess&aacute;rio controlar esta vari&aacute;vel  atrav&eacute;s de contrabalanceamento. Para tal optamos por dividir a amostra e metade respondeu ao CRT no in&iacute;cio do procedimento, enquanto  que a outra metade respondeu ao CRT no final do procedimento. No total, o procedimento teve uma dura&ccedil;&atilde;o aproximada de 45 minutos. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Resultados </b></p>     <p>Foram conduzidas v&aacute;rias an&aacute;lises com o intuito de compreender a rela&ccedil;&atilde;o entre as vari&aacute;veis estudadas e a  rela&ccedil;&atilde;o C-E. Come&ccedil;amos por apresentar as an&aacute;lises da exatid&atilde;o para todas as vari&aacute;veis e depois  apresentamos as an&aacute;lises para cada uma das vari&aacute;veis individuais estudadas. N&atilde;o foi realizada uma ANOVA com todas as  vari&aacute;veis consideradas porque os grupos contrastantes n&atilde;o se sobrep&otilde;em, ou seja, os participantes do grupo com baixa  autoestima s&atilde;o diferentes dos participantes do grupo com baixa impulsividade e do grupo identificado como utilizador do Sistema 2. Esta  n&atilde;o sobreposi&ccedil;&atilde;o faz com que a ANOVA n&atilde;o pudesse recorrer a um efetivo amostral suficiente em cada uma das  c&eacute;lulas (2 x 2 x 2) e, como consequ&ecirc;ncia, seria pouco informativa. Todas as an&aacute;lises foram efetuadas com o apoio do programa  IBM SPSS (vers&atilde;o 20). N&atilde;o foi encontrada qualquer influ&ecirc;ncia da ordem do procedimento (contrabalanceamentos do CRT e das  escalas de autoestima e impulsividade) nos dados recolhidos e, assim sendo, decidimos agrupar os dados. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Exatid&atilde;o </i></p>     <p>Para ser leg&iacute;timo levar a cabo a compara&ccedil;&atilde;o entre as m&eacute;dias de confian&ccedil;a das quest&otilde;es de testemunho e  de conhecimento geral &eacute; necess&aacute;rio que os dois tipos de quest&atilde;o tenham o mesmo grau de exatid&atilde;o, uma vez que  diferen&ccedil;as na dificuldade se encontram associadas a diferen&ccedil;as metacognitivas (Bornstein &amp; Zickafoose, 1999). Uma an&aacute;lise  pr&eacute;via mostrou diferen&ccedil;as na exatid&atilde;o dos dois tipos de quest&otilde;es, tendo as quest&otilde;es de testemunho uma  exatid&atilde;o maior (<i>M<Sub>T</i></Sub>=0,56; <i>DP<Sub>T</i></Sub>=0,11) do que as quest&otilde;es de conhecimento geral  (<i>M<Sub>CG</i></Sub>=0,40; <i>DP<Sub>CG</i></Sub>=0,10), <i>t</i><Sub>(75)</Sub>=10,03, <i>p</i>&lt;0,001, <i>d=</i>1,12. Para igualar a  exatid&atilde;o, foram retiradas 9 quest&otilde;es de conhecimento geral e 4 sobre o testemunho. Para selecionar as quest&otilde;es a eliminar  aplicou-se a seguinte regra: eliminar as quest&otilde;es de conhecimento geral com exatid&atilde;o inferior a 0,11 e as quest&otilde;es de  testemunho com exatid&atilde;o superior a (1 &ndash; 0,11). Esta regra foi aplicada por permitir a equival&ecirc;ncia da exatid&atilde;o nos dois  tipos respostas eliminando o menor n&uacute;mero de quest&otilde;es poss&iacute;vel. Ap&oacute;s esta elimina&ccedil;&atilde;o n&atilde;o foram  encontradas diferen&ccedil;as entre a exatid&atilde;o da resposta &agrave;s quest&otilde;es de testemunho e de conhecimento geral  (<i>M<Sub>T</i></Sub>=0,52; <i>DP<Sub>T</i></Sub>=0,12; e <i>M<Sub>CG</i></Sub>=0,51; <i>DP<Sub>CG</i></Sub>=0,12), <i>t</i><Sub>(75)</Sub>=1,07,  <i>p=</i>0,29, <i>d</i>=0,07. Tamb&eacute;m n&atilde;o foram encontradas diferen&ccedil;as na exatid&atilde;o em fun&ccedil;&atilde;o da autoestima  ou da impulsividade. No entanto, os participantes que utilizam o sistema 2 apresentam uma exatid&atilde;o superior do que os participantes que  utilizam o sistema 1, <i>F</i>(1,74)=5,21, <i>p=</i>0,03, <i>&eta;&sup2;</i>=0,07. </p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Conte&uacute;do das quest&otilde;es </i></p>     <p>Nas pr&oacute;ximas sec&ccedil;&otilde;es apresentamos os valores de confian&ccedil;a como propor&ccedil;&otilde;es entre 0 e 1 para facilitar a  sua interpreta&ccedil;&atilde;o. Os participantes mostraram-se mais confiantes a responder &agrave;s quest&otilde;es do testemunho (<i>M</i>=0,55;  <i>DP</i>=0,17) do que &agrave;s quest&otilde;es do conhecimento geral (<i>M</i>=0,40; <i>DP</i>=0,16), <i>t</i><Sub>(75)</Sub>=9,13,  <i>p</i>&lt;0,001, <i>d</i>=1,00. Ao n&iacute;vel da calibra&ccedil;&atilde;o, segundo o material utilizado, n&atilde;o foram encontradas  diferen&ccedil;as estatisticamente significativas no &iacute;ndice C entre as quest&otilde;es de testemunho e as quest&otilde;es de conhecimento  geral, <i>t</i><Sub>(75)</Sub>=0,79, <i>p</i>=0,43, <i>d</i>=0,08. </p>     <p>Ao n&iacute;vel da sobreconfian&ccedil;a (O/U), os participantes apresentam uma maior tend&ecirc;ncia para a subconfian&ccedil;a nas  quest&otilde;es de conhecimento geral (<i>M=</i>-0,11; <i>DP=</i>0,14) do que nas respostas &agrave;s quest&otilde;es de testemunho (<i>M</i>=0,03;  <i>DP=</i>0,14), <i>t</i><Sub>(75)</Sub>=9,82, <i>p</i>&lt;0,001, <i>d</i>=1,13. De salientar que o valor de sobreconfian&ccedil;a apresentado nas  quest&otilde;es de testemunho n&atilde;o &eacute; diferente de 0, <i>t</i><Sub>(75)</Sub>=1,83, <i>p</i>=0,07, <i>d</i>=0,21. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Autoestima </i></p>     <p>No geral, os participantes mostraram valores similares em todas as vari&aacute;veis dependentes consideradas (cf. <a href="#t1">Tabela 1</a>). A  n&atilde;o ser que seja de outra forma indicado, as an&aacute;lises desta sec&ccedil;&atilde;o s&atilde;o ANOVAs 2 conte&uacute;do das  quest&otilde;es (testemunho <i>vs. </i>conhecimento geral) x 2 autoestima (baixa <i>vs. </i>elevada). </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="t1"></a></p>     <p><img src="/img/revistas/aps/v33n3/33n3a02t1.jpg" width="579" height="173"></p>     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Ao n&iacute;vel da confian&ccedil;a m&eacute;dia, foram encontradas diferen&ccedil;as significativas em fun&ccedil;&atilde;o do conte&uacute;do,  sendo a confian&ccedil;a nas respostas &agrave;s quest&otilde;es do testemunho significativamente maior do que nas quest&otilde;es de conhecimento  geral, <i>F</i>(1,48)=40,59, <i>p&lt;</i>0,001, <i>&eta;&sup2;</i>=0,46. No entanto, n&atilde;o foram encontradas diferen&ccedil;as significativas  em fun&ccedil;&atilde;o da autoestima (baixa <i>vs. </i>elevada), <i>F</i>(1,48)=0,45, <i>p=</i>0,51, <i>&eta;&sup2;</i>=0,01, nem na  intera&ccedil;&atilde;o entre material e autoestima, <i>F</i>(1,48)=1,71, <i>p=</i>0,20, <i>&eta;&sup2;</i>=0,03. Este resultado refuta a  hip&oacute;tese de que os indiv&iacute;duos com elevada autoestima s&atilde;o mais confiantes nas suas respostas do que indiv&iacute;duos com baixa  autoestima. </p>     <p>Ao n&iacute;vel da calibra&ccedil;&atilde;o n&atilde;o foram encontradas diferen&ccedil;as significativas em fun&ccedil;&atilde;o do material  utilizado, <i>F</i>(1,48)=0,001, <i>p=</i>0,98, <i>&eta;&sup2;</i>&lt;0,001, nem em fun&ccedil;&atilde;o do grupo de autoestima,  <i>F</i>(1,48)=0,001, <i>p=</i>0,98, <i>&eta;&sup2;</i>&lt;0,001. A intera&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m n&atilde;o revelou diferen&ccedil;as  significativas, <i>F</i>(1,48)=0,01, <i>p=</i>0,92, <i>&eta;&sup2;</i>&lt;0,001. </p>     <p>Ao n&iacute;vel da sobreconfian&ccedil;a (O/U) os participantes mostraram mais subconfian&ccedil;a nas quest&otilde;es de conhecimento geral do  que nas quest&otilde;es de testemunho, <i>F</i>(1,48)=68,76, <i>p&lt;</i>0,001, <i>&eta;&sup2;</i>=0,59. N&atilde;o foram encontradas  diferen&ccedil;as significativas em fun&ccedil;&atilde;o da autoestima, <i>F</i>(1,48)=0,79, <i>p=</i>0,38, <i>&eta;&sup2;</i>=0,02, refutando a  nossa hip&oacute;tese de que os indiv&iacute;duos com elevada autoestima apresentam uma maior sobreconfian&ccedil;a. Na intera&ccedil;&atilde;o  entre o conte&uacute;do das quest&otilde;es e a autoestima verificaram-se diferen&ccedil;as marginalmente significativas, <i>F</i>(1,48)=3,51,  <i>p=</i>0,07, <i>&eta;&sup2;</i>=0,07. A intera&ccedil;&atilde;o entre conte&uacute;do das quest&otilde;es e autoestima indica que h&aacute; uma  tend&ecirc;ncia para a sobreconfian&ccedil;a quando ao grupo de elevada autoestima se encontram associadas as respostas a quest&otilde;es de  testemunho. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Tipo de tomada de decis&atilde;o </i></p>     <p>Os participantes mostraram dados descritivos semelhantes em todas as vari&aacute;veis dependentes estudadas (cf. <a href="#t2">Tabela 2</a>). As  an&aacute;lises que se apresentam em seguida s&atilde;o ANOVAs 2 conte&uacute;do das quest&otilde;es (testemunho <i>vs. </i>conhecimento geral) x 2  tomada de decis&atilde;o (sistema 1 <i>vs. </i>sistema 2). </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="t2"></a></p>     <p><img src="/img/revistas/aps/v33n3/33n3a02t2.jpg" width="577" height="172"></p>     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Ao n&iacute;vel da confian&ccedil;a m&eacute;dia, o seu valor foi maior nas quest&otilde;es de testemunho do que nas quest&otilde;es de  conhecimento geral, <i>F</i>(1,74)=59,03, <i>p&lt;</i>0,001, <i>&eta;&sup2;</i>=0,44, e tamb&eacute;m maior nos participantes que utilizam o  sistema 2 do que nos participantes que utilizam o sistema 1, <i>F</i>(1,74)=4,16, <i>p=</i>0,05, <i>&eta;&sup2;</i>=0,05. A intera&ccedil;&atilde;o  n&atilde;o revelou diferen&ccedil;as significativas, <i>F</i>(1,74)=0,48, <i>p=</i>0,49, <i>&eta;&sup2;</i>=0,006. </p>     <p>Quanto &agrave; calibra&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o foram encontradas diferen&ccedil;as significativas em fun&ccedil;&atilde;o do material  utilizado, <i>F</i>(1,74)=0,13, <i>p=</i>0,72, <i>&eta;&sup2;</i>=0,002, nem em fun&ccedil;&atilde;o da tomada de decis&atilde;o,  <i>F</i>(1,74)=0,935, <i>p=</i>0,34, <i>&eta;&sup2;</i>=0,01. A intera&ccedil;&atilde;o n&atilde;o revelou diferen&ccedil;as significativas,  <i>F</i>(1,74)=0,52, <i>p=</i>0,47, <i>&eta;&sup2;</i>=0,01. Desta forma, refuta-se a hip&oacute;tese de que a calibra&ccedil;&atilde;o de  participantes que utilizam o sistema 2 &eacute; melhor do que a de participantes que utilizam o sistema 1. Relativamente &agrave; hip&oacute;tese  de que indiv&iacute;duos que utilizam predominantemente o sistema 2 apresentam uma calibra&ccedil;&atilde;o da C-E pr&oacute;xima da  te&oacute;rica, esta foi tamb&eacute;m refutada, uma vez que os valores da calibra&ccedil;&atilde;o (C) do grupo que utiliza o sistema 2 s&atilde;o  significativamente diferentes de 0 tanto para as quest&otilde;es do testemunho, <i>t</i><Sub>(19)</Sub>=5,36, <i>p&lt;</i>0,001, <i>d</i>=1,20,  como para o conhecimento geral, <i>t</i><Sub>(19)</Sub>=5,86, <i>p</i>&lt;0,001, <i>d</i>=1,25. </p>     <p>Quanto &agrave; sobreconfian&ccedil;a, as quest&otilde;es do testemunho s&atilde;o enviesadas no sentido da sobreconfian&ccedil;a, enquanto que  as quest&otilde;es do conhecimento geral s&atilde;o enviesadas no sentido da subconfian&ccedil;a, <i>F</i>(1,74)=85,50, <i>p&lt;</i>0,001,  <i>&eta;&sup2;</i>=0,54. N&atilde;o foram encontradas diferen&ccedil;as significativas em fun&ccedil;&atilde;o da tomada de decis&atilde;o,  <i>F</i>(1,74)=0,41, <i>p=</i>0,52, <i>&eta;&sup2;</i>=0,01. Tamb&eacute;m n&atilde;o foram encontradas diferen&ccedil;as na  intera&ccedil;&atilde;o, <i>F</i>(1,74)=1,48, <i>p=</i>0,23, <i>&eta;&sup2;</i>=0,02. Refuta-se, assim, a hip&oacute;tese de que indiv&iacute;duos  que utilizam o sistema 1 apresentam uma maior tend&ecirc;ncia para a sobreconfian&ccedil;a. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Impulsividade </i></p>     <p>Os participantes evidenciaram similaridades em todas as vari&aacute;veis dependentes, estudadas (cf. <a href="#t3">Tabela 3</a>). As  an&aacute;lises que se apresentam em seguida s&atilde;o ANOVAs 2 conte&uacute;do das quest&otilde;es (testemunho <i>vs. </i>conhecimento geral) x 2  impulsividade (baixa <i>vs. </i>elevada). </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="t3"></a></p>     <p><img src="/img/revistas/aps/v33n3/33n3a02t3.jpg" width="577" height="171"></p>     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Ao n&iacute;vel da confian&ccedil;a m&eacute;dia, a confian&ccedil;a nas quest&otilde;es do testemunho foi significativamente maior do que no  conhecimento geral, <i>F</i>(1,48)=63,85, <i>p&lt;</i>0,001, <i>&eta;&sup2;</i>=0,57. No entanto, n&atilde;o foram encontradas diferen&ccedil;as  significativas em fun&ccedil;&atilde;o da impulsividade (baixa <i>vs. </i>elevada), <i>F</i>(1,48)=0,00, <i>p=</i>0,99,  <i>&eta;&sup2;</i>&lt;0,001, nem na intera&ccedil;&atilde;o entre material e impulsividade, <i>F</i>(1,48)=1,55, <i>p=</i>0,22,  <i>&eta;&sup2;</i>=0,03. </p>     <p>Quanto &agrave; calibra&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o foram encontradas diferen&ccedil;as significativas em fun&ccedil;&atilde;o do  conte&uacute;do das quest&otilde;es, <i>F</i>(1,48)=0,19, <i>p=</i>0,66, <i>&eta;&sup2;</i>=0,004, nem em fun&ccedil;&atilde;o da impulsividade,  <i>F</i>(1,48)=0,10, <i>p=</i>0,76, <i>&eta;&sup2;</i>=0,002. A intera&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m n&atilde;o revelou diferen&ccedil;as  significativas, <i>F</i>(1,48)=0,44, <i>p=</i>0,51, <i>&eta;&sup2;</i>=0,01. Refuta-se, assim, a hip&oacute;tese de que os participantes do grupo  de elevada impulsividade mostrariam pior calibra&ccedil;&atilde;o do que os participantes do grupo de baixa impulsividade. </p>     <p>A an&aacute;lise da sobreconfian&ccedil;a revelou que h&aacute; diferen&ccedil;as significativas em fun&ccedil;&atilde;o do conte&uacute;do das  quest&otilde;es, sendo que as quest&otilde;es do conhecimento geral tendem a ser enviesadas no sentido da subconfian&ccedil;a,  <i>F</i>(1,48)=59,63, <i>p&lt;</i>0,001, <i>&eta;&sup2;</i>=0,55. No entanto, n&atilde;o foram encontradas diferen&ccedil;as significativas em  fun&ccedil;&atilde;o da impulsividade, <i>F</i>(1,48)=0,57, <i>p=</i>0,46, <i>&eta;&sup2;</i>=0,01, nem ao n&iacute;vel da  intera&ccedil;&atilde;o, <i>F</i>(1,48)=3,10, <i>p=</i>0,09, <i>&eta;&sup2;</i>=0,06. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Discuss&atilde;o </b></p>     <p>Neste estudo procurou-se verificar se a autoestima, a tomada de decis&atilde;o e a impulsividade influenciam a rela&ccedil;&atilde;o C-E em  perguntas de conhecimento geral ou sobre um crime. Neste estudo foram identificados tr&ecirc;s resultados principais. Em primeiro lugar, foram  encontradas diferen&ccedil;as em fun&ccedil;&atilde;o do conte&uacute;do das quest&otilde;es, sendo evidente uma maior confian&ccedil;a na resposta  a quest&otilde;es de testemunho, bem como uma maior tend&ecirc;ncia para a subconfian&ccedil;a nas quest&otilde;es de conhecimento geral. Em  segundo lugar, indiv&iacute;duos que utilizam predominantemente o sistema 2 para tomar as suas decis&otilde;es, e, por isso, mais racionais,  apresentam uma maior exatid&atilde;o e confian&ccedil;a nas respostas tanto nas quest&otilde;es de testemunho, como nas quest&otilde;es de  conhecimento geral. Assim, os resultados sugerem que o estilo de tomada de decis&atilde;o influencia a exatid&atilde;o e a confian&ccedil;a sem  afetar a rela&ccedil;&atilde;o entre estas duas vari&aacute;veis. Em terceiro lugar, n&atilde;o h&aacute; diferen&ccedil;as na  calibra&ccedil;&atilde;o, nem na sobreconfian&ccedil;a, em fun&ccedil;&atilde;o da autoestima, impulsividade ou sistema de tomada de  decis&atilde;o, pelo que se conclui que estas diferen&ccedil;as individuais n&atilde;o influenciam a rela&ccedil;&atilde;o C-E. </p>     <p>A investiga&ccedil;&atilde;o tem mostrado de forma repetida que na resposta a quest&otilde;es de conhecimento geral os participantes evidenciam  uma calibra&ccedil;&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o C-E melhor do que na resposta a quest&otilde;es de testemunho (Bornstein &amp; Zickafoose,  1999; Luna &amp; Martin-Luengo, 2012; Pallier et al., 2002; Perfect, 2004). Da mesma forma, a exist&ecirc;ncia de uma tend&ecirc;ncia para a  sobreconfian&ccedil;a na resposta a quest&otilde;es de testemunho tem sido descrita de forma recorrente na literatura (Bornstein &amp; Zickafoose,  1999; Luna &amp; Martin-Luengo, 2012). Ao contr&aacute;rio destes estudos, na presente investiga&ccedil;&atilde;o n&atilde;o foram encontradas  diferen&ccedil;as na calibra&ccedil;&atilde;o dos participantes em fun&ccedil;&atilde;o do conte&uacute;do das quest&otilde;es. Tamb&eacute;m  n&atilde;o foi verificada a tend&ecirc;ncia para a sobreconfian&ccedil;a (O/U) no testemunho, tal como vem descrita na literatura. Mais  concretamente, no presente estudo n&atilde;o foi identificada qualquer tend&ecirc;ncia de julgamento de confian&ccedil;a no testemunho, mas sim uma  tend&ecirc;ncia para a subconfian&ccedil;a na resposta a quest&otilde;es de conhecimento geral. </p>     <p>Segundo a abordagem do tra&ccedil;o de confian&ccedil;a, onde se afirma que a confian&ccedil;a &eacute; um tra&ccedil;o metacognitivo  est&aacute;vel e guiado por vi&eacute;s pessoal (Kleitman &amp; Stankov, 2001), os participantes deveriam julgar a confian&ccedil;a de forma  consistente e independentemente do conte&uacute;do das quest&otilde;es, utilizando um mesmo mecanismo para tecer todos os julgamentos de  confian&ccedil;a. Assim, participantes que s&atilde;o capazes de monitorizar as suas respostas na atribui&ccedil;&atilde;o de julgamentos de  confian&ccedil;a em quest&otilde;es de conhecimento geral, deveriam ser igualmente capazes de o fazer ao julgar a confian&ccedil;a em  quest&otilde;es de testemunho (Bornstein &amp; Zickafoose, 1999). Da mesma forma, seria expect&aacute;vel uma consist&ecirc;ncia na  sobreconfian&ccedil;a e subconfian&ccedil;a, independentemente do conte&uacute;do das quest&otilde;es, o que n&atilde;o foi observado, uma vez que  apenas na resposta a quest&otilde;es de conhecimento geral se verificou subconfian&ccedil;a. </p>     <p>V&aacute;rios estudos t&ecirc;m seguido a hip&oacute;tese do tra&ccedil;o de confian&ccedil;a, tentando identificar uma ou mais  diferen&ccedil;as individuais que possam interferir com a rela&ccedil;&atilde;o C-E (e.g., Crawford &amp; Stankov, 1996; Jonsson &amp; Allwood,  2003; Pallier et al., 2002; Stankov &amp; Lee, 2008). No entanto, a investiga&ccedil;&atilde;o tem mostrado dificuldades em encontrar  diferen&ccedil;as individuais que influenciem aquela rela&ccedil;&atilde;o e t&ecirc;m sido mais frequentes os estudos que se referem a  vari&aacute;veis que n&atilde;o tem influ&ecirc;ncia na rela&ccedil;&atilde;o do que o contr&aacute;rio. O presente estudo vai no mesmo sentido  j&aacute; que tamb&eacute;m permitiu verificar que as diferen&ccedil;as individuais ao n&iacute;vel da autoestima, impulsividade e tomada de  decis&atilde;o n&atilde;o influenciam a complexa rela&ccedil;&atilde;o C-E. </p>     <p>Importa, contudo, salientar que, ao n&iacute;vel da tomada de decis&atilde;o, os dados mostram que participantes que utilizam o sistema 2  mostram maior exatid&atilde;o e confian&ccedil;a do que os participantes que utilizam o sistema 1. Segundo Mata, Ferreira e Sherman (2013), os  participantes que utilizam o sistema 2 tecem julgamentos de confian&ccedil;a mais realistas do que os participantes que utilizam o sistema 1. No  entanto, e uma vez que n&atilde;o foram encontradas diferen&ccedil;as na calibra&ccedil;&atilde;o e sobreconfian&ccedil;a, n&atilde;o nos &eacute;  permitido chegar a esta mesma conclus&atilde;o. Embora o tipo de tomada de decis&atilde;o n&atilde;o influencie a rela&ccedil;&atilde;o C-E, este  resultado n&atilde;o deixa de ser relevante, na medida em que permite verificar que os participantes que utilizam o sistema 2 recordam mais  informa&ccedil;&atilde;o correta do que os participantes que utilizam o sistema 1. Desta forma, os resultados deste estudo s&atilde;o congruentes  com o modelo de processamento dual (Kahneman, 2003), uma vez que os participantes que utilizam predominantemente o sistema 2, ao serem racionais,  recordam mais informa&ccedil;&atilde;o correta. &Eacute;, tamb&eacute;m, relevante verificar que participantes racionais, embora apresentam uma  maior exatid&atilde;o e uma maior confian&ccedil;a, estas s&atilde;o maiores na mesma propor&ccedil;&atilde;o, continuando a verificar-se os mesmos  vieses de confian&ccedil;a encontrados nos participantes mais intuitivos. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Comparando os resultados dos estudos que evidenciam o papel da intelig&ecirc;ncia na rela&ccedil;&atilde;o C-E (Jonsson &amp; Allwood, 2003;  Pallier et al., 2002), este estudo contraria resultados anteriores que mostram que participantes com compet&ecirc;ncia numa tarefa desenvolvem  compet&ecirc;ncias meta -cognitivas sobre a mesma, permitindo-lhes identificar com maior facilidade as suas capacidades e limita&ccedil;&otilde;es,  fen&oacute;meno conhecido como efeito de Dunning-Kruger (Kruger &amp; Dunning, 1999). Ainda assim, devemos salientar a relev&acirc;ncia deste  efeito no estudo da metamem&oacute;ria, pelo que talvez fosse relevante em futura investiga&ccedil;&atilde;o sobre julgamentos de confian&ccedil;a  controlar a habilidade dos participantes nas tarefas. </p>     <p>O resultado evidenciado de que a exatid&atilde;o e confian&ccedil;a dos participantes que utilizam predominantemente o sistema 2 &eacute;  superior &agrave; exatid&atilde;o e confian&ccedil;a dos participantes que utilizam o sistema 1 reveste-se ainda de uma relev&acirc;ncia  pr&aacute;tica. Verificando-se as referidas diferen&ccedil;as de exatid&atilde;o, esta informa&ccedil;&atilde;o &eacute; relevante para os  t&eacute;cnicos envolvidos no processo de inquiri&ccedil;&atilde;o de testemunhas, uma vez que permite distinguir testemunhas com maior  probabilidade de evocar informa&ccedil;&atilde;o correta, de testemunhas com menor probabilidade de o conseguir. Assim, uma das formas de  distinguir informa&ccedil;&atilde;o correta de incorreta num depoimento pode passar pelo tipo de tomada de decis&atilde;o adotado pela testemunha,  pelo que a investiga&ccedil;&atilde;o desta tem&aacute;tica &eacute; relevante. A identifica&ccedil;&atilde;o do tipo de tomada de decis&atilde;o  &eacute; de f&aacute;cil acesso quando se recorre ao CRT. Este teste apresenta vantagens de cariz pr&aacute;tico, tais como a rapidez de  aplica&ccedil;&atilde;o e simplicidade da sua cota&ccedil;&atilde;o. Assim, com 3 quest&otilde;es apenas &eacute; poss&iacute;vel aceder ao tipo de  tomada de decis&atilde;o de uma testemunha e auxiliar os t&eacute;cnicos na identifica&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o correta. </p>     <p>Uma limita&ccedil;&atilde;o deste estudo prende-se com as diferen&ccedil;as entre sistema 1 e sistema 2. Foram encontradas diferen&ccedil;as  entre os dois sistemas na exatid&atilde;o e na confian&ccedil;a, mas n&atilde;o na calibra&ccedil;&atilde;o e sobreconfian&ccedil;a. O  &iacute;ndice de calibra&ccedil;&atilde;o e a sobreconfian&ccedil;a s&atilde;o medidas muito utilizadas na investiga&ccedil;&atilde;o como forma de  aferir a rela&ccedil;&atilde;o C-E. No entanto, e devido a uma condi&ccedil;&atilde;o inerente ao pr&oacute;prio c&aacute;lculo dos &iacute;ndices  (que se baseiam na diferen&ccedil;a entre confian&ccedil;a e exatid&atilde;o), estes tornam-se pouco sens&iacute;veis &agrave;  varia&ccedil;&atilde;o de exatid&atilde;o, quando acompanhada por uma varia&ccedil;&atilde;o em igual propor&ccedil;&atilde;o de confian&ccedil;a.  Assim, embora o &iacute;ndice de calibra&ccedil;&atilde;o e a sobreconfian&ccedil;a indiciem que o sistema utilizado n&atilde;o provoca  diferen&ccedil;as na confian&ccedil;a e exatid&atilde;o, estas diferen&ccedil;as s&atilde;o encontradas ao analisar as m&eacute;dias de  confian&ccedil;a e exatid&atilde;o, o que indica que o tipo de tomada de decis&atilde;o pode alterar a confian&ccedil;a e a exatid&atilde;o na  mesma medida, n&atilde;o interferindo na rela&ccedil;&atilde;o. </p>     <p>Em suma, a investiga&ccedil;&atilde;o evidencia a complexidade da rela&ccedil;&atilde;o C-E, n&atilde;o sendo evidente que diferen&ccedil;as  individuais influenciem esta rela&ccedil;&atilde;o. A compreens&atilde;o desta rela&ccedil;&atilde;o &eacute; fundamental para auxiliar os  profissionais que trabalham em contexto judicial a utilizar a confian&ccedil;a das testemunhas com precis&atilde;o, minimizando a probabilidade de  erros decorrentes de testemunhos com elevada confian&ccedil;a e baixa exatid&atilde;o. Tamb&eacute;m relevante para o contexto judicial seria  identificar diferen&ccedil;as individuais que tornam as testemunhas mais exatas, permitindo desta forma distinguir testemunhos com maior  probabilidade de estarem corretos de testemunhos que podem evidenciar mais erros. Assim, &eacute; importante a investiga&ccedil;&atilde;o que se  centre na procura destas diferen&ccedil;as individuais, prestando assim um aux&iacute;lio fulcral &agrave; maior efic&aacute;cia do sistema  judicial. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias </b></p>     <p>Borkowski, J., Carr, M., Rellinger, E., &amp; Pressley, M. (2013). Self-regulated cognition: Interdependence of metacognition, attributions, and  self-esteem. In B. Jones &amp; L. Idol (Eds.), <i>Dimensions of thinking and cognitive instruction </i>(pp. 53-92). Hillsdale, NJ: Erlbaum. </p>     <p>Bornstein, B. H., &amp; Zickafoose, D. J. (1999). &ldquo;I know I know it, I know I saw it&rdquo;: The stability of the confidence-accuracy  relationship across domains. <i>Journal of Experimental Psychology: Applied, 5</i>, 76-88. doi: 10.1037/1076-898x.5.1.76 </p>     <!-- ref --><p>Brewer, N., &amp; Wells, G. L. (2006). The confidence-accuracy relationship in eyewitness identification: Effects of lineup instructions, foil  similarity, and target-absent base rates. <i>Journal of Experimental Psychology: Applied, 12</i>, 11-30. doi: 10.1037/1076-898x.12.1.11 &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000111&pid=S0870-8231201500030000200002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Brown, J. M. (2003). Eyewitness memory for arousing events: Putting things into context. <i>Applied Cognitive Psychology, 17</i>, 93-106. doi:  10.1002/acp.848 &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000112&pid=S0870-8231201500030000200003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Crawford, J., &amp; Stankov, L. (1996). Age differences in the realism of confidence judgements: A calibration study using tests of fluid and  crystallized intelligence. <i>Learning and Individual Differences, 2</i>, 83-103. doi: 10.1016/S1041-6080(96)90027-8 &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000113&pid=S0870-8231201500030000200004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Cruz, A., &amp; Barbosa, F. (2012). <i>BIS: Escala de Impulsividade de Barratt</i>. Unpublished instrument. Retrieved from  <a href="http://www.impulsivity.org/measurement/BIS-11%20PT_Euro.pdf"  target="_blank">http://www.impulsivity.org/measurement/BIS-11%20PT_Euro.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000114&pid=S0870-8231201500030000200005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Frederick, S. (2005). Cognitive reflection and decision making. <i>The Journal of Economic Perspectives, 19</i>, 25-42. doi:  10.1257/089533005775196732 &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000115&pid=S0870-8231201500030000200006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Giorgetta, C., Grecucci, A., Rattin, A., Guerreschi, C., Sanfey, A., &amp; Bonini, N. (2014). To play or not to play: a personal dilemma in  pathological gambling. <i>Psychiatry Research, 219</i>, 562-569. doi: 10.1016/j.psychres.2014.06.042 &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000116&pid=S0870-8231201500030000200007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Gullo, M., &amp; Potenza, M. (2014). Impulsivity: Mechanisms, moderators and implications for addictive behaviors. <i>Addictive Behaviors, 39,  </i>1543-1546. doi: 10.1016/j.addbeh.2014.06.005 &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000117&pid=S0870-8231201500030000200008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Herrington, R. (Writer/Director). (2002). <i>The stick-up [Motion picture]</i>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000118&pid=S0870-8231201500030000200009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> United States: Universal Pictures Video. </p>     <!-- ref --><p>Jonsson, A. C., &amp; Allwood, C. M. (2003). Stability and variability in the realism of confidence judgments over time, content domain, and  gender. <i>Personality and Individual Differences, 34</i>, 559-574. doi: 10.1016/s0191-8869(02)00028-4 &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000120&pid=S0870-8231201500030000200010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Kahneman, D. (2003). A perspective on judgment and choice: Mapping bounded rationality. <i>American Psychologist, 9</i>, 697-720. doi:  10.1037/0003-066X.58.9.697 &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000121&pid=S0870-8231201500030000200011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Kleitman, S., &amp; Stankov, L. (2001). Ecological and person-oriented aspects of metacognitive processes in test-taking. <i>Applied Cognitive  Psychology, 15</i>, 321-341. doi: 10.1002/acp.705 &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000122&pid=S0870-8231201500030000200012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Kruger, J., &amp; Dunning, D. (1999). Unskilled and unaware of it: How difficulties on recognizing one&rsquo;s own incompetence lead to inflated  self-assessments. <i>Journal of Personality and Social Psychology, 77</i>, 1121-1134. doi: 10.1037/0022-3514.77.6.1121 </p>     <!-- ref --><p>Lichtenstein, S., Fischhoff, B., &amp; Phillips, L. D. (1982). Calibration of probabilities: The state of the art to 1980. In D. Kahneman, P.  Slovic, &amp; A. Tversky (Eds.), <i>Judgment under uncertainty: Heuristics and biases </i>(pp. 306-334). Cambridge, UK: Cambridge University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000124&pid=S0870-8231201500030000200014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Luna, K., &amp; Martin-Luengo, B. (2012). Confidence-accuracy calibration with general knowledge and eyewitness memory cued recall questions.  <i>Applied Cognitive Psychology, 26</i>, 289-295. doi: 10.1002/acp.1822 &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000126&pid=S0870-8231201500030000200015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Mata, A., Ferreira, M., &amp; Sherman, S. (2013). The metacognitive advantage of deliberative thinkers: A dual process perspective on  overconfidence. <i>Journal of Personality and Social Psychology</i>, <i>105</i>, 353-373. doi: 10.1037/a0033640 &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000127&pid=S0870-8231201500030000200016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Mendon&ccedil;a, C. S. P. (2012). <i>Cognitive Reflection Test e teorias dualistas no racioc&iacute;nio e nas atitudes </i>(Master&rsquo;s  thesis). Retrieved from <a href="http://repositorio.ul.pt/" target="_blank">http://repositorio.ul.pt/</a></p>     <!-- ref --><p>Moeller, F., Barratt, E., Dougherty, D., Schmitz, J., &amp; Swann, A. (2001). Psychiatric aspects of impulsivity. <i>American Journal of  Psychiatry, 158</i>, 1783-1793. doi: 10.1176/appi.ajp.158.11.1783 &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000129&pid=S0870-8231201500030000200018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Pallier, G., Wilkinson, R., Danthiir, V., Kleitman, S., Knezevic, G., Stankov, L., &amp; Roberts, R. D. (2002). The role of individual  differences in the accuracy of confidence judgments. <i>Journal of General Psychology, 129</i>, 257-299. doi: 10.1080/00221300209602099 &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000130&pid=S0870-8231201500030000200019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Patton, J. H., Stanford, M. S., &amp; Barratt, E. S. (1995). Factor structure of the Barratt Impulsiveness Scale. <i>Journal of Clinical  Psychology, 51</i>, 768-774. doi: 10.1002/1097-4679(199511)51:6&lt;768::AID-JCLP2270510607&gt;3.0.CO;2-1 &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000131&pid=S0870-8231201500030000200020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Perfect, T. J. (2004). The role of self-rated ability in the accuracy of confidence judgements in eyewitness memory and general knowledge.  <i>Applied Cognitive Psychology, 18</i>, 157-168. doi: 10.1002/acp.952 &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000132&pid=S0870-8231201500030000200021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Pinillos, N., Smith, N., Nair, G., Marchetto, P., &amp; Mun, C. (2011). Philosophy&rsquo;s new challenge: Experiments and intentional action.  <i>Mind and Language</i>, <i>26</i>, 115-139. doi: 10.1111/j.1468-0017.2010.01412.x </p>     <!-- ref --><p>Rosenberg, M. (1965). <i>Society and the adolescent self-image. </i>Princeton, NJ: Princeton University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000134&pid=S0870-8231201500030000200023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Santos, P. J., &amp; Maia, J. (2003). An&aacute;lise factorial confirmat&oacute;ria e valida&ccedil;&atilde;o preliminar de uma vers&atilde;o  portuguesa da escala de auto-estima de Rosenberg. <i>Psicologia: Teoria, Investiga&ccedil;&atilde;o e Pr&aacute;tica, 2</i>, 253-268. Retrieved from  <a href="http://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/16170/2/SantoseMaia2003000077930.pdf"  target="_blank">http://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/16170/2/SantoseMaia2003000077930.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000136&pid=S0870-8231201500030000200024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Sauer, J., Brewer, N., Zweck, T., &amp; Weber, N. (2010). The effect of retention interval on the confidence-accuracy relationship for  eyewitness identification. <i>Law and Human Behavior, 34</i>, 337-347. doi: 10.1007/s10979-009-9192-x &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000137&pid=S0870-8231201500030000200025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Stankov, L. (1999). Mining on the &ldquo;no man&rsquo;s land&rdquo; between intelligence and personality. In P. L. Ackerman, P. C. Kyllonen,  &amp; R. D. Roberts (Eds.), <i>Learning and individual differences: Process, trait, and content determinants </i>(pp. 315-337). Washington, DC:  American Psychological Association. </p>     <!-- ref --><p>Stankov, L., &amp; Lee, J. H. (2008). Confidence and cognitive test performance. <i>Journal of Educational Psychology, 100</i>, 961-976. doi:  10.1037/a0012546 &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000139&pid=S0870-8231201500030000200027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Wells, G. L., Lindsay, R. C., &amp; Ferguson, T. J. (1979). Accuracy, confidence, and juror perceptions in eyewitness identification. <i>Journal  of Applied Psychology, 64</i>, 440-448. doi: 10.1037/0021-9010.64.4.440 &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000140&pid=S0870-8231201500030000200028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Wells, G. L., &amp; Murray, D. M. (1984). Eyewitness confidence. In Gary L. Wells &amp; E. F. Loftus (Eds.), <i>Eyewitness testimony:  Psychological perspectives </i>(pp. 155-170). New York: Cambridge University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000141&pid=S0870-8231201500030000200029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b><a name="c0" id="c0"></a><a href="#topc0">CORRESPONDÊNCIA</a></b></p>     <p>A correspond&ecirc;ncia relativa a este artigo dever&aacute; ser enviada para: Jo&atilde;o Fundinho, Escola de Psicologia, Universidade do  Minho, Campus de Gualtar, 4710-057 Braga. E-mail: <a href="mailto:jfmfundinho@gmail.com">jfmfundinho@gmail.com</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Submiss&atilde;o: 31/10/2014 Aceita&ccedil;&atilde;o: 15/04/2015 </p>     <p>&nbsp;</p>     <p>NOTAS</p>     <p><Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup> O/U &eacute; um acr&oacute;nimo das express&otilde;es inglesas &ldquo;overconfidence&rdquo; e  &ldquo;underconfidence&rdquo;. </p>      ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Bornstein]]></surname>
<given-names><![CDATA[B. H.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Zickafoose]]></surname>
<given-names><![CDATA[D. J.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[“I know I know it, I know I saw it”: The stability of the confidence-accuracy relationship across domains]]></article-title>
<source><![CDATA[Journal of Experimental Psychology: Applied]]></source>
<year>1999</year>
<volume>5</volume>
<page-range>76-88</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Brewer]]></surname>
<given-names><![CDATA[N.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Wells]]></surname>
<given-names><![CDATA[G. L.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The confidence-accuracy relationship in eyewitness identification: Effects of lineup instructions, foil similarity, and target-absent base rates]]></article-title>
<source><![CDATA[Journal of Experimental Psychology: Applied]]></source>
<year>2006</year>
<volume>12</volume>
<page-range>11-30</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Brown]]></surname>
<given-names><![CDATA[J. M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Eyewitness memory for arousing events: Putting things into context]]></article-title>
<source><![CDATA[Applied Cognitive Psychology]]></source>
<year>2003</year>
<volume>17</volume>
<page-range>93-106</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B4">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Crawford]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Stankov]]></surname>
<given-names><![CDATA[L.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Age differences in the realism of confidence judgements: A calibration study using tests of fluid and crystallized intelligence]]></article-title>
<source><![CDATA[Learning and Individual Differences]]></source>
<year>1996</year>
<volume>2</volume>
<page-range>83-103</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B5">
<nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Cruz]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Barbosa]]></surname>
<given-names><![CDATA[F.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[BIS: Escala de Impulsividade de Barratt]]></source>
<year>2012</year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B6">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Frederick]]></surname>
<given-names><![CDATA[S.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Cognitive reflection and decision making]]></article-title>
<source><![CDATA[The Journal of Economic Perspectives]]></source>
<year>2005</year>
<volume>19</volume>
<page-range>25-42</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B7">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Giorgetta]]></surname>
<given-names><![CDATA[C.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Grecucci]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Rattin]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Guerreschi]]></surname>
<given-names><![CDATA[C.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Sanfey]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Bonini]]></surname>
<given-names><![CDATA[N.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[To play or not to play: a personal dilemma in pathological gambling]]></article-title>
<source><![CDATA[Psychiatry Research]]></source>
<year>2014</year>
<volume>219</volume>
<page-range>562-569</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B8">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Gullo]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Potenza]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Impulsivity: Mechanisms, moderators and implications for addictive behaviors]]></article-title>
<source><![CDATA[Addictive Behaviors]]></source>
<year>2014</year>
<volume>39</volume>
<page-range>1543-1546</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B9">
<nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Herrington]]></surname>
<given-names><![CDATA[R.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[The stick-up [Motion picture]]]></source>
<year>2002</year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B10">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Jonsson]]></surname>
<given-names><![CDATA[A. C.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Allwood]]></surname>
<given-names><![CDATA[C. M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Stability and variability in the realism of confidence judgments over time, content domain, and gender]]></article-title>
<source><![CDATA[Personality and Individual Differences]]></source>
<year>2003</year>
<volume>34</volume>
<page-range>559-574</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B11">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Kahneman]]></surname>
<given-names><![CDATA[D.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[A perspective on judgment and choice: Mapping bounded rationality]]></article-title>
<source><![CDATA[American Psychologist]]></source>
<year>2003</year>
<volume>9</volume>
<page-range>697-720</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B12">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Kleitman]]></surname>
<given-names><![CDATA[S.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Stankov]]></surname>
<given-names><![CDATA[L.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Ecological and person-oriented aspects of metacognitive processes in test-taking]]></article-title>
<source><![CDATA[Applied Cognitive Psychology]]></source>
<year>2001</year>
<volume>15</volume>
<page-range>321-341</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B13">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Kruger]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Dunning]]></surname>
<given-names><![CDATA[D.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Unskilled and unaware of it: How difficulties on recognizing one’s own incompetence lead to inflated self-assessments]]></article-title>
<source><![CDATA[Journal of Personality and Social Psychology]]></source>
<year>1999</year>
<volume>77</volume>
<page-range>1121-1134</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B14">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Lichtenstein]]></surname>
<given-names><![CDATA[S.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Fischhoff]]></surname>
<given-names><![CDATA[B.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Phillips]]></surname>
<given-names><![CDATA[L. D.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Calibration of probabilities: The state of the art to 1980]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Kahneman]]></surname>
<given-names><![CDATA[D.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Slovic]]></surname>
<given-names><![CDATA[P.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Tversky]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Judgment under uncertainty: Heuristics and biases]]></source>
<year>1982</year>
<page-range>306-334</page-range><publisher-loc><![CDATA[Cambridge ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Cambridge University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B15">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Luna]]></surname>
<given-names><![CDATA[K.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Martin-Luengo]]></surname>
<given-names><![CDATA[B.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Confidence-accuracy calibration with general knowledge and eyewitness memory cued recall questions]]></article-title>
<source><![CDATA[Applied Cognitive Psychology]]></source>
<year>2012</year>
<volume>26</volume>
<page-range>289-295</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B16">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Mata]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Ferreira]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Sherman]]></surname>
<given-names><![CDATA[S.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The metacognitive advantage of deliberative thinkers: A dual process perspective on overconfidence]]></article-title>
<source><![CDATA[Journal of Personality and Social Psychology]]></source>
<year>2013</year>
<volume>105</volume>
<page-range>353-373</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B17">
<nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Mendonça]]></surname>
<given-names><![CDATA[C. S. P.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Cognitive Reflection Test e teorias dualistas no raciocínio e nas atitudes]]></source>
<year>2012</year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B18">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Moeller]]></surname>
<given-names><![CDATA[F.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Barratt]]></surname>
<given-names><![CDATA[E.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Dougherty]]></surname>
<given-names><![CDATA[D.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Schmitz]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Swann]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Psychiatric aspects of impulsivity]]></article-title>
<source><![CDATA[American Journal of Psychiatry]]></source>
<year>2001</year>
<volume>158</volume>
<page-range>1783-1793</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B19">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Pallier]]></surname>
<given-names><![CDATA[G.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Wilkinson]]></surname>
<given-names><![CDATA[R.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Danthiir]]></surname>
<given-names><![CDATA[V.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Kleitman]]></surname>
<given-names><![CDATA[S.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Knezevic]]></surname>
<given-names><![CDATA[G.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Stankov]]></surname>
<given-names><![CDATA[L.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Roberts]]></surname>
<given-names><![CDATA[R. D.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The role of individual differences in the accuracy of confidence judgments]]></article-title>
<source><![CDATA[Journal of General Psychology]]></source>
<year>2002</year>
<volume>129</volume>
<page-range>257-299</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B20">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Patton]]></surname>
<given-names><![CDATA[J. H.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Stanford]]></surname>
<given-names><![CDATA[M. S.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Barratt]]></surname>
<given-names><![CDATA[E. S.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Factor structure of the Barratt Impulsiveness Scale]]></article-title>
<source><![CDATA[Journal of Clinical Psychology]]></source>
<year>1995</year>
<volume>51</volume>
<page-range>768-774</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B21">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Perfect]]></surname>
<given-names><![CDATA[T. J.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The role of self-rated ability in the accuracy of confidence judgements in eyewitness memory and general knowledge]]></article-title>
<source><![CDATA[Applied Cognitive Psychology]]></source>
<year>2004</year>
<volume>18</volume>
<page-range>157-168</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B22">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Pinillos]]></surname>
<given-names><![CDATA[N.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Smith]]></surname>
<given-names><![CDATA[N.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Nair]]></surname>
<given-names><![CDATA[G.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Marchetto]]></surname>
<given-names><![CDATA[P.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Mun]]></surname>
<given-names><![CDATA[C.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Philosophy’s new challenge: Experiments and intentional action]]></article-title>
<source><![CDATA[Mind and Language]]></source>
<year>2011</year>
<volume>26</volume>
<page-range>115-139</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B23">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Rosenberg]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Society and the adolescent self-image]]></source>
<year>1965</year>
<publisher-loc><![CDATA[Princeton ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Princeton University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B24">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Santos]]></surname>
<given-names><![CDATA[P. J.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Maia]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Análise factorial confirmatória e validação preliminar de uma versão portuguesa da escala de auto-estima de Rosenberg]]></article-title>
<source><![CDATA[Psicologia: Teoria, Investigação e Prática]]></source>
<year>2003</year>
<volume>2</volume>
<page-range>253-268</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B25">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Sauer]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Brewer]]></surname>
<given-names><![CDATA[N.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Zweck]]></surname>
<given-names><![CDATA[T.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Weber]]></surname>
<given-names><![CDATA[N.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The effect of retention interval on the confidence-accuracy relationship for eyewitness identification]]></article-title>
<source><![CDATA[Law and Human Behavior]]></source>
<year>2010</year>
<volume>34</volume>
<page-range>337-347</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B26">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Stankov]]></surname>
<given-names><![CDATA[L.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Mining on the “no man’s land” between intelligence and personality]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Ackerman]]></surname>
<given-names><![CDATA[P. L.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Kyllonen]]></surname>
<given-names><![CDATA[P. C.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Roberts]]></surname>
<given-names><![CDATA[R. D.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Learning and individual differences: Process, trait, and content determinants]]></source>
<year>1999</year>
<page-range>315-337</page-range><publisher-loc><![CDATA[Washington ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[American Psychological Association]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B27">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Stankov]]></surname>
<given-names><![CDATA[L.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Lee]]></surname>
<given-names><![CDATA[J. H.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Confidence and cognitive test performance]]></article-title>
<source><![CDATA[Journal of Educational Psychology]]></source>
<year>2008</year>
<volume>100</volume>
<page-range>961-976</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B28">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Wells]]></surname>
<given-names><![CDATA[G. L.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Lindsay]]></surname>
<given-names><![CDATA[R. C.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Ferguson]]></surname>
<given-names><![CDATA[T. J.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Accuracy, confidence, and juror perceptions in eyewitness identification]]></article-title>
<source><![CDATA[Journal of Applied Psychology]]></source>
<year>1979</year>
<volume>64</volume>
<page-range>440-448</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B29">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Wells]]></surname>
<given-names><![CDATA[G. L.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Murray]]></surname>
<given-names><![CDATA[D. M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Eyewitness confidence]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Wells]]></surname>
<given-names><![CDATA[Gary L.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Loftus]]></surname>
<given-names><![CDATA[E. F.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Eyewitness testimony: Psychological perspectives]]></source>
<year>1984</year>
<page-range>155-170</page-range><publisher-loc><![CDATA[New York ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Cambridge University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
