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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This study analyses the representations of old age from a sample of elderly and formal caregivers. The instruments used in the collection of data were the Survey Questionnaire and the Free Association Test words. The working hypothesis formulated is that the representation of elderly, being a social construction, reflects a negative conceptualization induced by the collective consciousness of society significantly characterized by a negative perception of old age while figuring the end of active life. Consistent with our hypothesis, the results reveal the prevalence of negative stereotyping of ageism associating old age, in both groups investigated, to the attributes of negative evaluative nature including loneliness, illness and dependence. The verified social representations will not be foreign to the corporate model that is harmful to old age, which rejects what is old (Bosi, 1983). However, it is our belief that the improvements in quality of life, along with the new ageing discursive narrative (productive, healthy, successful, positive, active), are likely to metamorphose the representational field of “old age” easing the its negative charge.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>Representa&ccedil;&otilde;es sociais da velhice</b></p>     <p><b>Fernanda Daniel<sup>1</sup>, Anna Antunes<sup>2</sup>, In&ecirc;s Amaral<sup>3</sup></b></p>     <p><sup>1</sup>CEISUC, Universidade de Coimbra / Instituto Superior Miguel Torga</p>     <p><sup>2</sup>Instituto Superior Miguel Torga</p>     <p><sup>3</sup>Universidade Aut&oacute;noma de Lisboa / Centro de Estudos de Comunica&ccedil;&atilde;o e Sociedade, Universidade do Minho /  Instituto Superior Miguel Torga</p>     <p><a name="topc0"></a><a href="#c0">Correspondência</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>O estudo analisa as representa&ccedil;&otilde;es da velhice a partir de uma amostra de pessoas idosas e de cuidadores/as formais. Os  instrumentos utilizados na recolha dos dados foram o Inqu&eacute;rito por Question&aacute;rio e o Teste de Associa&ccedil;&atilde;o Livre de  Palavras. A hip&oacute;tese de trabalho que formul&aacute;mos &eacute; a de que a representa&ccedil;&atilde;o da velhice, sendo uma  constru&ccedil;&atilde;o social, traduz uma conceptualiza&ccedil;&atilde;o negativa induzida pela consci&ecirc;ncia coletiva da sociedade  marcadamente caracterizada por uma ideia negativa da velhice enquanto figura&ccedil;&atilde;o do fim da vida ativa. Em concord&acirc;ncia com a  nossa hip&oacute;tese de trabalho, os resultados revelam a preval&ecirc;ncia de estereotipia <i>idadista </i>associando-se a velhice, em ambos os  grupos investigados, a atributos de cariz negativo nomeadamente solid&atilde;o, doen&ccedil;a e depend&ecirc;ncia. As representa&ccedil;&otilde;es  aferidas n&atilde;o ser&atilde;o alheias ao modelo societ&aacute;rio que &eacute; <i>mal&eacute;fico para a velhice</i>, onde se <i>rejeita o que  &eacute; velho </i>(Bosi, 1983). &Eacute;, contudo, nossa convic&ccedil;&atilde;o que as melhorias verificadas na qualidade de vida, a par da nova  narrativa discursiva do envelhecimento (produtivo, saud&aacute;vel, bem-sucedido, positivo e ativo), poder&atilde;o vir a metamorfosear o campo  representacional da &ldquo;velhice&rdquo; aligeirando a sua carga negativa.     <p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Palavras-chave: </b>Socializa&ccedil;&atilde;o, Representa&ccedil;&otilde;es sociais, Velhice, Idadismo. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>This study analyses the representations of old age from a sample of elderly and formal caregivers. The instruments used in the collection  of data were the Survey Questionnaire and the Free Association Test words. The working hypothesis formulated is that the representation of  elderly, being a social construction, reflects a negative conceptualization induced by the collective consciousness of society significantly  characterized by a negative perception of old age while figuring the end of active life. Consistent with our hypothesis, the results reveal the  prevalence of negative stereotyping of ageism associating old age, in both groups investigated, to the attributes of negative evaluative nature  including loneliness, illness and dependence. The verified social representations will not be foreign to the corporate model that is harmful to  old age, which rejects what is old (Bosi, 1983). However, it is our belief that the improvements in quality of life, along with the new ageing  discursive narrative (productive, healthy, successful, positive, active), are likely to metamorphose the representational field of &ldquo;old  age&rdquo; easing the its negative charge. </p>     <p><b>Key-words: </b>Socialization, Social representations, Elderly, Ageism. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>As representa&ccedil;&otilde;es sociais decorrem do processo de socializa&ccedil;&atilde;o e est&atilde;o diretamente associadas &agrave;  identidade coletiva. Os factos sociais correspondem a modos de agir e a representa&ccedil;&otilde;es que s&atilde;o exteriores ao indiv&iacute;duo.  No pensamento de Durkheim (1964), a sociedade e a consci&ecirc;ncia coletiva s&atilde;o entidades morais. Logo, o que as pessoas sentem, pensam ou  fazem &eacute; independente da sua vontade individual e traduz um comportamento estabelecido pela sociedade. Nesta leitura, os factos sociais  exercem um poder coercitivo. &Eacute; algo que existe e que permanece para al&eacute;m do indiv&iacute;duo. Neste sentido, a  constru&ccedil;&atilde;o de representa&ccedil;&otilde;es simb&oacute;licas partilhadas pelos membros dos sistemas sociais habitam um universo de  sociabiliza&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fico. </p>     <p>Sobre o tempo que vivemos, v&aacute;rios registos nos d&atilde;o conta que estes s&atilde;o marcados por grandes transforma&ccedil;&otilde;es  que interferem tanto nos nossos modos de vida como na forma como nos representamos e representamos os outros. V&aacute;rios te&oacute;ricos que  refletem estas transforma&ccedil;&otilde;es societ&aacute;rias denominam o per&iacute;odo que vivemos de &ldquo;modernidade reflexiva&rdquo; (Beck,  Giddens, &amp; Lash, 1997), &ldquo;p&oacute;s-modernidade&rdquo; (Hall, 1998), &ldquo;modernidade tardia&rdquo; (Chouliaraki &amp; Fairclough,  1999; Giddens, 1997) ou &ldquo;modernidade l&iacute;quida&rdquo; (Bauman, 2000). Com esta pan&oacute;plia, pretende-se equacionar um novo  per&iacute;odo onde ressalta a incerteza, a fluidez, o individualismo e a precaridade. Apesar da heterogeneidade das nomenclaturas utilizadas na  carateriza&ccedil;&atilde;o do atual momento s&oacute;cio-hist&oacute;rico, &eacute; consensual aceitar que a linearidade <i>etapista </i>associada  ao ciclo de vida j&aacute; n&atilde;o reflete as mudan&ccedil;as rumo &agrave; individualiza&ccedil;&atilde;o e pluraliza&ccedil;&atilde;o que  atualmente se verificam (Aboim, 2010). Ser&aacute; que as caracter&iacute;sticas deste novo per&iacute;odo se refletem nas  representa&ccedil;&otilde;es sociais da velhice? </p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Idade como crit&eacute;rio e representa&ccedil;&atilde;o social </b></p>     <p>A evid&ecirc;ncia cient&iacute;fica tem destacado a enorme heterogeneidade inter-individual que distingue as pessoas &agrave; medida que  envelhecem. Novos voc&aacute;bulos ou express&otilde;es eufem&iacute;sticas s&atilde;o utilizadas para designar as pessoas que chegam &agrave;s  idades avan&ccedil;adas. Apesar da utiliza&ccedil;&atilde;o de um voc&aacute;bulo ou express&atilde;o para denominar um grupo pressupor sempre um  processo de homogeneiza&ccedil;&atilde;o, a literatura n&atilde;o utiliza comummente terminologias pluralizadas para dar conta da heterogeneidade  das velhices. &ldquo;Terceira idade&rdquo;, &ldquo;idade madura&rdquo; e &ldquo;velhice&rdquo; s&atilde;o formas empregues. Importa, contudo,  referir que o aparente paralelismo sem&acirc;ntico dos termos n&atilde;o significa uma utiliza&ccedil;&atilde;o igualit&aacute;ria ao n&iacute;vel  discursivo. O voc&aacute;bulo &ldquo;velhice&rdquo; e a express&atilde;o &ldquo;terceira idade&rdquo; s&atilde;o disso exemplo, segundo Annamaria  Palacios (2004). O t&iacute;tulo que esta investigadora deu a uma das suas comunica&ccedil;&otilde;es &eacute; paradigm&aacute;tico:  &ldquo;Velhice, palavra quase proibida; terceira idade, express&atilde;o quase hegem&ocirc;nica: apontamentos sobre o conceito de mudan&ccedil;a  discursiva na publicidade contempor&acirc;nea&rdquo;. </p>     <p>A velhice al&eacute;m de categoria social &eacute;, segundo Minois, &ldquo;um termo que quase sempre nos causa calafrios, uma palavra carregada  de inquietude, de fraqueza e por vezes de ang&uacute;stia&rdquo; (1999, p. 11). Por outro lado &ldquo;[a]inda que aponte para a etapa final da  vida, a nomenclatura terceira idade faz desaparecer a alus&atilde;o direta a voc&aacute;bulos t&atilde;o semanticamente marcados, como velhice,  senilidade e envelhecimento&rdquo; (Palacios, 2004, p. 4). </p>     <p>&Eacute; consabido que o significado social dos grupos sociais depende do palco s&oacute;cio-hist&oacute;rico em que vivemos. Se recuarmos uns  s&eacute;culos, podemos verificar que &ldquo;[o]s velhos eram poucos e, por isso, valorizados por seus semelhantes mais jovens; para chegar a uma  idade avan&ccedil;ada era necess&aacute;rio possuir certo status ou poder que permitisse uma alimenta&ccedil;&atilde;o e forma de vida sem as  car&ecirc;ncias e trabalhos exaustivos da maioria da popula&ccedil;&atilde;o&rdquo; (Moragas, 2003, p. 5). Ainda segundo Moragas, ter idade  avan&ccedil;ada simbolizava perten&ccedil;a a uma elite. &ldquo;Envelheciam os sacerdotes, os reis, os nobres e privilegiados que desfrutavam de  poder sobre a maioria e que n&atilde;o tinham que se preocupar em obter seu sustento b&aacute;sico; controlavam os recursos materiais e espirituais  nas sociedades hist&oacute;ricas&rdquo; (Moragas, 2003, p. 5). Na contemporaneidade, a idade tem sido o marcador utilizado para a passagem para a  categoria social denominada de &ldquo;velhice&rdquo; que &ldquo;[f]icou institucionalmente fechada nas fronteiras de um limiar de idade fixo, cujo  acesso &eacute; refor&ccedil;ado pela deten&ccedil;&atilde;o de uma pens&atilde;o de reforma&rdquo; (Fernandes, 2001, pp. 43-44). Contudo a  utiliza&ccedil;&atilde;o da idade cronol&oacute;gica, como crit&eacute;rio para a constitui&ccedil;&atilde;o de grupos socialmente reconhecidos,  &eacute; contestada na literatura h&aacute; quase um s&eacute;culo, na pena do soci&oacute;logo franc&ecirc;s Maurice Halbwachs, ao afirmar que o  uso da idade n&atilde;o &eacute;, em &uacute;ltima inst&acirc;ncia, um dado natural, mesmo quando utilizado para medir a evolu&ccedil;&atilde;o  biol&oacute;gica dos indiv&iacute;duos. A literatura reporta em m&uacute;ltiplas reda&ccedil;&otilde;es que &eacute; em resultado de  pr&aacute;ticas sociais, sobretudo por necessidades organizativas, que os agrupamentos et&aacute;rios, constitu&iacute;dos a partir da  vari&aacute;vel idade, podem ser considerados &ldquo;no&ccedil;&otilde;es sociais&rdquo; (Halbwachs, 1935; Lenoir, 1998). </p>     <p>&Eacute; com a entrada na reforma que o indiv&iacute;duo adquire &ldquo;as propriedades que s&atilde;o socialmente imputadas &agrave; velhice.  Perde o estatuto social atribu&iacute;do a partir do trabalho profissional &ndash; a reforma &eacute; tamb&eacute;m uma forma de exclus&atilde;o  social &ndash; e adquire o estatuto desvalorizado de &lsquo;reformado&rsquo;&rdquo; (Fernandes, 2001, p. 44) e mimeticamente entra na categoria dos  &ldquo;velhos/idosos&rdquo; j&aacute; que usufrui uma pens&atilde;o de velhice. Segundo o portal portugu&ecirc;s da Seguran&ccedil;a Social, a  pens&atilde;o de velhice &eacute; definida como &ldquo;um valor pago mensalmente, destinado a proteger os benefici&aacute;rios do regime geral de  Seguran&ccedil;a Social, na situa&ccedil;&atilde;o de velhice, substituindo as remunera&ccedil;&otilde;es de trabalho&rdquo;. No mesmo site  informa-se que tem direito &agrave; pens&atilde;o de velhice o benefici&aacute;rio que tenha completado 65 anos de idade em 2013 e 66 anos em 2014  e 2015. A idade &eacute; um marcador ideal, para quem pretende classificar, apresentando concomitantemente garantia, estabelecida a  classifica&ccedil;&atilde;o, de neutralidade e de igualdade. &Eacute; tamb&eacute;m &ldquo;flex&iacute;vel como ilustra o novo limite, de 66 anos,  estabelecido na Portaria 378-G/2013 de 31 de dezembro&rdquo;. Segundo Marc Bessin, na senda de Percheron, o crit&eacute;rio da idade, enquanto  n&uacute;mero, parece ser neutro e objetivo j&aacute; que &eacute; aplic&aacute;vel a todos e aceite por todos, &ldquo;[n]&atilde;o discutimos  esta vari&aacute;vel, n&atilde;o podemos mud&aacute;-la. Neste sentido, porque a idade cronol&oacute;gica p&otilde;e o conjunto de  indiv&iacute;duos iguais uns aos outros perante as v&aacute;rias institui&ccedil;&otilde;es que operam de acordo com este crit&eacute;rio,  a utiliza&ccedil;&atilde;o deste m&eacute;todo encontra-se naturalmente justificada&rdquo; (1994, p. 8). No entanto, como bem demonstrou Halbwachs  (1935), um sistema de classifica&ccedil;&atilde;o baseado na idade &eacute; revers&iacute;vel atrav&eacute;s de manipula&ccedil;&atilde;o social:  utilizam-se diferentes valores da escala de medida, refletindo t&atilde;o s&oacute; a composi&ccedil;&atilde;o das popula&ccedil;&otilde;es e os  enredos que decorrem nos palcos hist&oacute;rico-geogr&aacute;ficos. O &ldquo;jogo&rdquo; de manipula&ccedil;&atilde;o, com base na  &ldquo;idade&rdquo; cronol&oacute;gica, implica, intrinsecamente, uma redefini&ccedil;&atilde;o das capacidades e do poder social atribu&iacute;dos  aos diferentes momentos do <i>curso de vida</i>. &ldquo;Nesta classifica&ccedil;&atilde;o identit&aacute;ria, a velhice &eacute;, na verdade,  desnaturalizada como realidade biol&oacute;gica intrat&aacute;vel, para se tornar, simultaneamente, o meio e o fim de uma constru&ccedil;&atilde;o  social&rdquo;, afirma Daniel (2006, p. 115). </p>     <p>Uma quest&atilde;o teoricamente importante consiste em analisar as idades a que correspondem os grupos que, no in&iacute;cio do s&eacute;culo  XXI, s&atilde;o considerados &ldquo;velhos/idosos&rdquo;, ao n&iacute;vel da &ldquo;linguagem demogr&aacute;fica&rdquo;. Se analisarmos o  &uacute;ltimo agrupamento de idades &ndash; o designado eufemisticamente como sendo o dos &ldquo;idosos&rdquo;, verificamos que este &eacute;  constitu&iacute;do pelas pessoas com 65 e mais anos de idade. Idade at&eacute; h&aacute; pouco tempo coincidente com a idade normal de acesso  &agrave; pens&atilde;o de velhice. No entanto, se recuarmos 100 anos at&eacute; ao V Censo de 1 de dezembro de 1911, verificamos a exist&ecirc;ncia  de tr&ecirc;s grandes agrupamentos, sendo que o &uacute;ltimo era composto pelas pessoas de mais de 60 anos. No Censo de 1911, o agrupamento  constitu&iacute;do pelos &ldquo;menores de 15 anos&rdquo; era denominado como o das crian&ccedil;as. O agrupamento constitu&iacute;do pelos  indiv&iacute;duos dos 15 aos 60 anos denominava-se de &ldquo;elemento produtivo&rdquo;. Por fim, o &uacute;ltimo agrupamento era denominado como  os de mais de 60 anos. A rotulagem de idosos/velhos n&atilde;o figurava no censo. Nas palavras de Ana Alexandra Fernandes, e na senda de Anne-Marie  Guillemard, no in&iacute;cio do s&eacute;culo XX a velhice permanece invis&iacute;vel &ldquo;sem forma definida, com contornos contrastados,  caracter&iacute;stica de uma sociedade em que a condi&ccedil;&atilde;o de velho era fun&ccedil;&atilde;o do patrim&oacute;nio familiar (...).  (1997, p. 23)&rdquo;. Ainda segundo Fernandes, esta velhice era invis&iacute;vel porque a solidariedade para com estes &ldquo;idosos &eacute;  praticamente uma solidariedade familiar, privada, remetida para o interior do espa&ccedil;o dom&eacute;stico. Na aus&ecirc;ncia desta, a velhice  desprotegida era atirada para o espa&ccedil;o p&uacute;blico, identificada com a mendicidade e recebia ent&atilde;o algum consolo das  institui&ccedil;&otilde;es de caridade&rdquo; (1997, p. 23). Muitas transforma&ccedil;&otilde;es ocorreram na nossa sociedade desde esse  per&iacute;odo e novas transforma&ccedil;&otilde;es s&atilde;o perspetivadas. </p>     <p>Nos nossos dias, a idade de reforma coincidia, at&eacute; &agrave; entrada em vigor da Portaria 378-G/2013 de 31 de dezembro, com a idade de  entrada para o &ldquo;grupo&rdquo; dos &ldquo;velhos/idosos&rdquo;. Verificamos contudo na agenda pol&iacute;tica de v&aacute;rios pa&iacute;ses o  t&oacute;pico do alongamento dos per&iacute;odos contributivos, com consequ&ecirc;ncias nas idades de reforma, em debate. O elixir da juventude  parece estar a ser fornecido, em Portugal, por uma m&atilde;o &ldquo;titereira&rdquo; comandada por uma Troika. Como consequ&ecirc;ncia desta  manipula&ccedil;&atilde;o alongam-se os per&iacute;odos contributivos e tornando-nos mais velhos cada vez mais tarde (Daniel, 2011). </p>     <p>&Eacute; consensual afirmar a exist&ecirc;ncia de discrimina&ccedil;&atilde;o et&aacute;ria. O termo <i>idadismo</i>, que aglutina a palavra  &ldquo;idade&rdquo; com o sufixo &ldquo;ismo&rdquo;, &eacute; utilizado para dar conta desse fen&oacute;meno. Importa aqui referir que o termo  <i>idadismo </i>hifenizado surge num artigo cient&iacute;fico na pena de Robert Butler, em 1969. No seu artigo <i>&ldquo;Age-Ism</i>: another form  of bigatry&rdquo; Robert Butler define <i>age discrimantion or age-ism </i>como &ldquo;o preconceito por um grupo et&aacute;rio em  rela&ccedil;&atilde;o a outras faixas et&aacute;rias&rdquo; (1969, p. 243). Nesse artigo, Butler foca as rea&ccedil;&otilde;es negativas de uma  comunidade relativamente &agrave; constru&ccedil;&atilde;o de apartamentos para pessoas idosas na sua &aacute;rea geogr&aacute;fica. O autor  caracteriza esse tipo de preconceito como uma outra forma de fanatismo, semelhante ao racismo e sexismo. Nos artigos subsequentes, Butler assume a  paternidade do termo e escreve-o de forma n&atilde;o-hifenizada. </p>     <p>O termo <i>ageism, idadismo </i>em portugu&ecirc;s, refere-se tanto &agrave; discrimina&ccedil;&atilde;o et&aacute;ria que os jovens como os  mais velhos podem ser objeto. Quantas vezes ouviram jovens a verbalizar que s&atilde;o atendidos de forma diferente dos seus cong&eacute;neres de  idades mais avan&ccedil;adas nos locais de com&eacute;rcio? Quantas vezes presenciaram atitudes de incompreens&atilde;o relativas a  cong&eacute;neres com gestos lentificados em filas do com&eacute;rcio? Por esse motivo, Ribeiro e Sousa (2008) optaram por utilizar o termo  <i>velhismo </i>para especificar a discrimina&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o aos mais velhos enquanto outros autores utilizam, em  portugu&ecirc;s, o termo gerontismo. </p>     <p>De acordo com Lima, &ldquo;o <i>ageism </i>tem uma componente afetiva (sentimentos face &agrave; pessoa idosa), uma componente cognitiva  (pensamentos, cren&ccedil;as e estere&oacute;tipos face &agrave; pessoa idosa) e uma componente comportamental  (atitudes para com a pessoa idosa)&rdquo; (2010, p. 23). Segundo a autora, as atitudes negativas relativamente ao envelhecimento t&ecirc;m uma  proemin&ecirc;ncia nas sociedades contempor&acirc;neas. Esta relev&acirc;ncia reflete-se na qualidade de vida das pessoas, &ldquo;a  discrimina&ccedil;&atilde;o afeta econ&oacute;mica, social e psicologicamente o bem-estar das pessoas idosas, excluindo-as e denegrindo-as&rdquo;  (Lima, 2010, p. 25). </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Nas sociedades contempor&acirc;neas, a idade cronol&oacute;gica serve de marcador para dividir o ciclo de vida das pessoas em tr&ecirc;s tempos.  O primeiro relaciona-se com a prepara&ccedil;&atilde;o para o trabalho, o segundo tempo com a atividade profissional e, por &uacute;ltimo, o  terceiro relaciona-se com a reforma. A atividade profissional na contemporaneidade continua a ser um referencial que influi decisivamente tanto na  constru&ccedil;&atilde;o de identidades, como nas formas de sociabilidade. Se revisitarmos te&oacute;ricos que refletem a contemporaneidade,  verificamos que existe consenso sobre as implica&ccedil;&otilde;es na vida e no agir dos sujeitos em consequ&ecirc;ncia das  transforma&ccedil;&otilde;es socioecon&oacute;micas e tecnol&oacute;gicas que atualmente experienciamos. Tais transforma&ccedil;&otilde;es,  segundo Maria Coutinho, Edite Krawulski e Dulce Soares, &ldquo;ao produzirem um contexto marcado por caracter&iacute;sticas como transitoriedade,  efemeridade, descontinuidade e caos, atingem algumas categorias te&oacute;ricas-chave na &aacute;rea das ci&ecirc;ncias humanas e sociais, dentre  as quais identidade e trabalho&rdquo; (2007, p. 29). Apesar de perpassarem pelo debate sobre a quest&atilde;o te&oacute;rica da identidade  diferentes conce&ccedil;&otilde;es ora acentuando o sujeito em transforma&ccedil;&atilde;o, mantendo contudo uma unidade identit&aacute;ria, ora  acentuando a fragmenta&ccedil;&atilde;o na trajet&oacute;ria identit&aacute;ria a partir do posicionamento ocupado pelo sujeito, acreditamos que  os atuais reformados aos quais o Estado e as Empresas garantiram um emprego para a vida forjaram identidades, a par das suas sociabilidades a  partir do trabalho. Experienciam a reforma como um corte para um novo modo de vida onde n&atilde;o existem hor&aacute;rios nem rotinas  pr&eacute;-estabelecidas. Esta transi&ccedil;&atilde;o, para um tempo onde o tempo &eacute; gerido largamente pelo pr&oacute;prio, &eacute;  experienciada para muitos como algo doloroso, n&atilde;o sendo alheia a posi&ccedil;&atilde;o na hierarquia do trabalho detida no pret&eacute;rito.  S&atilde;o sintom&aacute;ticas as palavras de uma enfermeira entrevistada pelo psic&oacute;logo Ant&oacute;nio Fonseca: &ldquo;Senhor Doutor, eu,  durante os seis ou sete meses seguintes, todos os dias continuei a ir almo&ccedil;ar ao bar do Hospital de S&atilde;o Jo&atilde;o porque eu  n&atilde;o tinha mais ningu&eacute;m com quem almo&ccedil;ar, aquela era a minha fam&iacute;lia efetiva e, portanto, para mim ter-me reformado  significava n&atilde;o s&oacute; ter deixado o emprego, mas significava tamb&eacute;m ter deixado tudo resto, porque era ali que eu fazia a minha  vida toda, de manh&atilde; &agrave; noite&rdquo; (2009, p. 159). Relativamente &agrave; reflex&atilde;o feita por Ant&oacute;nio Fonseca,  nomeadamente quando se reporta &agrave;s perdas &ndash; as perdas das rotinas, a perda dos amigos, a perda dos colegas de trabalho, as perdas dos  h&aacute;bitos &ndash;, n&oacute;s, que compartilhamos desta reflex&atilde;o, acrescentamos o seguinte: este acontecimento do <i>curso de  vida </i>&eacute; acompanhado por uma metamorfose identit&aacute;ria, onde o poder do pret&eacute;rito, o poder advindo da profiss&atilde;o  anteriormente exercida se esvai, obviamente nos limites da respetiva biografia. &Eacute; no olhar do outro que refletimos a nossa  inser&ccedil;&atilde;o no mundo e, quando esse olhar nos desvaloriza, reescrevemos dolorosamente a nossa identidade. &Eacute; dif&iacute;cil  envelhecer numa sociedade onde a esfera visual &eacute; proeminente, numa sociedade onde se ocultam as rugas, os cabelos brancos, numa sociedade  <i>idadista </i>relativamente aos mais velhos. O <i>idadismo </i>s&oacute; pode florescer quando existe uma auto-categoriza&ccedil;&atilde;o e uma  hetero-categoriza&ccedil;&atilde;o das pessoas de idade avan&ccedil;ada como sendo aquelas que det&ecirc;m um estatuto social mais baixo na  &ldquo;hierarquia&rdquo; das segmenta&ccedil;&otilde;es pela idade. </p>     <p>&Eacute; vis&iacute;vel uma permanente tens&atilde;o e at&eacute; mesmo uma certa dislexia p&uacute;blica em torno do fen&oacute;meno do  envelhecimento e da velhice. Evidenciamos a preval&ecirc;ncia de estere&oacute;tipos <i>idadistas </i>que associam a velhice a depend&ecirc;ncia,  falta de autonomia, doen&ccedil;a, institucionaliza&ccedil;&atilde;o e uma desconsidera&ccedil;&atilde;o da sua heterogeneidade (de g&eacute;nero,  por exemplo). Por outro lado, notamos um discurso pol&iacute;tico internacional e nacional veiculado pelos <i>media </i>que induz a estereotipia  positiva, plasmada no conceito de Envelhecimento Ativo que quer manter os idosos na participa&ccedil;&atilde;o c&iacute;vica, pol&iacute;tica e  econ&oacute;mica o mais poss&iacute;vel. Exemplo dessa tens&atilde;o s&atilde;o as incongru&ecirc;ncias nos pr&oacute;prios discursos no  &acirc;mbito do Ano Europeu do Envelhecimento Ativo e da Solidariedade entre as Gera&ccedil;&otilde;es (AEEASG). </p>     <p>Existem diferentes formas de envelhecer, individualmente, e, principalmente, diferentes formas de encarar a velhice. No entanto, vemos  frequentemente correlacionado na hist&oacute;ria a vis&atilde;o da velhice associada ao desgaste, &agrave;s perdas e &agrave;s doen&ccedil;as. Essa  correla&ccedil;&atilde;o tem sido questionada, na atualidade, uma vez que diversas experi&ecirc;ncias de envelhecimento &ldquo;bem-sucedido&rdquo;  t&ecirc;m sido retratadas como, por exemplo, nos grupos de conviv&ecirc;ncia e universidades da terceira idade. </p>     <p>Parece-nos, assim, teoricamente relevante compreender como &eacute; representada a velhice, j&aacute; que a auto e a  hetero-categoriza&ccedil;&atilde;o se refletem na identidade induzindo o agir. A representa&ccedil;&atilde;o da velhice &eacute; uma  concep&ccedil;&atilde;o que se plasma na identidade das pessoas idosas enquanto elementos da sociedade e na sua pr&oacute;pria  percep&ccedil;&atilde;o enquanto grupo. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Estudo: &ldquo;Para si a velhice faz-lhe lembrar&rdquo; </b></p>     <p>Objetiv&aacute;mos mapear as representa&ccedil;&otilde;es da velhice a partir de uma amostra de utentes e de cuidadores/as formais de uma  Institui&ccedil;&atilde;o Particular de Solidariedade Social (IPSS) &ndash; Centro Paroquial de Bem-Estar Social de Almalagu&ecirc;s. Este centro  fornece duas respostas sociais dirigidas &agrave; popula&ccedil;&atilde;o idosa: o &ldquo;Centro de Dia&rdquo; e o &ldquo;Servi&ccedil;o de Apoio  Domicili&aacute;rio&rdquo;. A presente investiga&ccedil;&atilde;o focou-se nos utentes do &ldquo;Centro de Dia&rdquo;, resposta no &acirc;mbito do  apoio social desenvolvida em equipamento que consiste, segundo o Despacho conjunto n.&ordm; 407/98, na presta&ccedil;&atilde;o de um conjunto de  servi&ccedil;os que contribuem para a manuten&ccedil;&atilde;o das pessoas idosas no seu meio sociofamiliar. Este equipamento est&aacute; sediado  numa freguesia rural do Concelho de Coimbra com uma popula&ccedil;&atilde;o residente, &agrave; data dos censos 2011, de 3111 habitantes dos quais  760 (24%) s&atilde;o pessoas idosas ([65-74]=438; [&ge;75]=322). Utilizou-se como crit&eacute;rio para inclus&atilde;o dos utentes no estudo a  aus&ecirc;ncia de deteriora&ccedil;&atilde;o cognitiva e a idade (&ge;65 anos). Relativamente aos cuidadores/as formais, o crit&eacute;rio foi a  sua proximidade funcional &agrave; popula&ccedil;&atilde;o idosa. Ap&oacute;s a obten&ccedil;&atilde;o da autoriza&ccedil;&atilde;o para a  administra&ccedil;&atilde;o dos instrumentos de inquiri&ccedil;&atilde;o na institui&ccedil;&atilde;o, foram efetuados procedimentos diferentes  para inquirir as pessoas idosas e os cuidadores/as formais. As pessoas idosas foram inquiridos individualmente. Esta op&ccedil;&atilde;o  metodol&oacute;gica deveu-se ao facto dos utentes da resposta social de centro de dia apresentarem baixo n&iacute;vel de escolaridade. Em  rela&ccedil;&atilde;o aos t&eacute;cnicos opt&aacute;mos pela autoadministra&ccedil;&atilde;o. Utiliz&aacute;mos como est&iacute;mulo indutor  &ldquo;Para si velhice faz-lhe lembrar...&rdquo;. Os instrumentos utilizados para a recolha dos dados foram o Teste de Associa&ccedil;&atilde;o  Livre de Palavras (TALP) e o Question&aacute;rio. A hip&oacute;tese que formul&aacute;mos &eacute; a de que a representa&ccedil;&atilde;o da  velhice, sendo uma constru&ccedil;&atilde;o social, traduz uma conceptualiza&ccedil;&atilde;o negativa induzida pela consci&ecirc;ncia coletiva da  sociedade marcadamente caracterizada por uma ideia do envelhecimento enquanto figura&ccedil;&atilde;o do fim da vida ativa. </p>     <p>Ap&oacute;s a recolha dos dados organiz&aacute;mos as evoca&ccedil;&otilde;es que emergiram a partir do est&iacute;mulo indutor &ldquo;Para si  velhice faz-lhe lembrar...&rdquo; em dois dicion&aacute;rios: um para os utentes e um outro para os cuidadores formais. As evoca&ccedil;&otilde;es  referidas livremente pelos participantes foram submetidas a alguns agrupamentos, tendo-se optado por organizar todas as evoca&ccedil;&otilde;es por  campos sem&acirc;nticos. Convertemos todas as evoca&ccedil;&otilde;es que emergiram sob a forma de express&atilde;o verbal ou substantivo a uma  forma adjetiva singular, sempre que esse procedimento se mostrou exequ&iacute;vel. Elimin&aacute;mos as evoca&ccedil;&otilde;es que, apesar de  n&atilde;o serem por n&oacute;s consider&aacute;mos idiossincrasias, evidenciaram reduzida frequ&ecirc;ncia. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Resultados </b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No que concerne &agrave;s caracter&iacute;sticas sociodemogr&aacute;ficas dos utentes da IPSS investigada, constata-se que a sua m&eacute;dia  de idades &eacute; de 76 anos (<i>DP</i>=10,4) aproximando-se esta idade da esperan&ccedil;a de vida &agrave; nascen&ccedil;a do ano de 2011 que  &eacute; de 79,8. </p>     <p>As pessoas idosas inquiridas s&atilde;o predominantemente do sexo feminino (76% <i>versus </i>24%). Estes resultados v&atilde;o ao encontro das  estat&iacute;sticas nacionais que referem uma feminiza&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o idosa. &Eacute; nas idades mais avan&ccedil;adas  que as rela&ccedil;&otilde;es de masculinidade desequilibradas se acentuam com vantagem num&eacute;rica para as mulheres (Daniel, 2010). A  diferen&ccedil;a entre sexos, como expect&aacute;vel, &eacute; estatisticamente significativa (<i>&chi;<Sup>2</i></Sup>=6,76; <i>p</i>=0,009). </p>     <p>Constat&aacute;mos que a maioria da popula&ccedil;&atilde;o inquirida (60%) &eacute; vi&uacute;va, predominando a viuvez feminina. Estes  resultados eram expect&aacute;veis na medida em que o Instituto Nacional de Estat&iacute;stica (INE) ao longo dos tempos, nas suas  publica&ccedil;&otilde;es &ldquo;Estat&iacute;sticas Demogr&aacute;ficas&rdquo;, tem dado conta deste fen&oacute;meno. Segundo o INE, no ano de  2011 em Portugal foram contabilizados 45 592 casamentos dissolvidos por morte do c&ocirc;njuge, originando 13 442 vi&uacute;vos e 32 150  vi&uacute;vas. &ldquo;A viuvez afeta sobretudo as mulheres devido &agrave; sobremortalidade masculina. A taxa bruta de viuvez das mulheres, naquele  ano, foi mais do dobro da dos homens (2,7 por mil homens e 5,8 por mil mulheres)&rdquo; (INE, 2013, p. 117). Existe, nos dados recolhidos,  diferen&ccedil;a estaticamente significativa entre as categorias que comp&otilde;e o estado civil (<i>&chi;<Sup>2</i></Sup>=18,36;  <i>p</i>&lt;0,001). </p>     <p>No que diz respeito &agrave;s habilita&ccedil;&otilde;es liter&aacute;rias, o grau m&aacute;ximo de ensino obtido pelos inquiridos que  frequentam o centro de dia foi o ensino b&aacute;sico prim&aacute;rio com 56%; os restantes inquiridos n&atilde;o possuem grau de ensino (44%).  Desta forma, n&atilde;o s&atilde;o detetadas diferen&ccedil;as estaticamente significativa entre estas duas categorias que comp&otilde;em as  habilita&ccedil;&otilde;es liter&aacute;rias (<i>&chi;<Sup>2</i></Sup>=0,36; <i>p</i>&lt;0,549). Se analisarmos os resultados definitivos do  XV Recenseamento Geral da Popula&ccedil;&atilde;o, Censos de 2011, verificamos que, relativamente &agrave; popula&ccedil;&atilde;o sem n&iacute;vel  de escolaridade, o peso das pessoas com 65 anos ou mais anos de idade &eacute; de 46%. Se analisarmos essa mesma percentagem a partir do  g&eacute;nero, dir&iacute;amos que o analfabetismo tanto na nossa amostra como na popula&ccedil;&atilde;o portuguesa tem g&eacute;nero e &eacute;  feminino (71,9% <i>versus </i>28,1%). </p>     <p>Quando questionados sobre o motivo que os levou a inscreverem-se nesta resposta social, a depend&ecirc;ncia/doen&ccedil;a surge como o motivo  reportado com maior frequ&ecirc;ncia (48,6%), seguido da solid&atilde;o (37,8%). S&atilde;o, contudo, assinaladas diferen&ccedil;as estaticamente  significativas entre as categorias que comp&otilde;e esta vari&aacute;vel (<i>&chi;<Sup>2</i></Sup>=34,8; <i>p</i>&lt;0,001). Estes resultados  podem ser compreendidos se se analisarem os objetivos para que esta resposta social foi criada nos finais dos anos 60 do s&eacute;culo passado.  Considerada a meio caminho entre o domic&iacute;lio e o internamento, esta resposta desenvolvida em equipamento aberto assegura &ldquo;a  presta&ccedil;&atilde;o de um conjunto de servi&ccedil;os que contribuem para a manuten&ccedil;&atilde;o dos idosos no meio s&oacute;cio-familiar.  Esta resposta social (...) presta apoio psicossocial e fomenta as rela&ccedil;&otilde;es interpessoais a fim de evitar o isolamento&rdquo; (MTSS,  2009, p. 12). </p>     <p>Relativamente aos funcion&aacute;rios constata-se que a sua m&eacute;dia de idades se situa nos 42 anos (<i>DP</i>=10,4). Destacamos que a  presente investiga&ccedil;&atilde;o permitiu ainda apurar que os funcion&aacute;rios do Centro de Dia s&atilde;o maioritariamente do sexo feminino.  &Eacute; interessante verificar que a presen&ccedil;a feminina na pr&aacute;tica e na assist&ecirc;ncia do cuidar tem ra&iacute;zes  hist&oacute;ricas que se perpetuam nas profiss&otilde;es (92,6% <i>versus </i>7,4%). Os funcion&aacute;rios/as s&atilde;o maioritariamente  casados/as (77,8%), existindo diferen&ccedil;as estat&iacute;sticas entre as categorias (<i>&chi;<Sup>2</i></Sup>=18,36; <i>p</i>&lt;0,001). </p>     <p>Constata-se que a categoria modal das habilita&ccedil;&otilde;es dos funcion&aacute;rios &eacute; o ensino superior (33,%) e que n&atilde;o  existem diferen&ccedil;as entre as categorias habilitacionais (<i>&chi;<Sup>2</i></Sup>=1,296; <i>p</i>=0,730). </p>     <p>No que concerne &agrave; an&aacute;lise dos resultados provenientes do dicion&aacute;rio &ldquo;Para si Velhice faz-lhe lembrar...&rdquo; as  evoca&ccedil;&otilde;es modais, nos funcion&aacute;rios, s&atilde;o a &ldquo;solid&atilde;o&rdquo; (24%), uma evoca&ccedil;&atilde;o negativa com  uma identidade social ligada &agrave; aus&ecirc;ncia de rede. Segue-se a &ldquo;doen&ccedil;a&rdquo; uma evoca&ccedil;&atilde;o negativa ligada  &agrave; perda de sa&uacute;de e a &ldquo;plenitude de vida&rdquo; evoca&ccedil;&atilde;o ambivalente se a sua significa&ccedil;&atilde;o se situar  na &ldquo;vida plena&rdquo; ou em &ldquo;plena de vida&rdquo;. Ambas as evoca&ccedil;&otilde;es registam 12% (<a href="#f1">Figura 1</a>). </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="f1"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><img src="/img/revistas/aps/v33n3/33n3a04f1.jpg" width="578" height="298"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>A an&aacute;lise do mesmo est&iacute;mulo indutor no dicion&aacute;rio dos utentes/clientes da IPSS permite-nos afirmar que a  evoca&ccedil;&atilde;o modal &eacute;, tamb&eacute;m, a &ldquo;solid&atilde;o&rdquo; logo de seguida de &ldquo;doen&ccedil;a&rdquo;,  &ldquo;depend&ecirc;ncia&rdquo; e &ldquo;morte&rdquo; &ndash; evoca&ccedil;&otilde;es de claro conte&uacute;do negativo. </p>     <p>Nas evoca&ccedil;&otilde;es comuns a ambos os dicion&aacute;rios surgem &ldquo;solid&atilde;o&rdquo;, &ldquo;doen&ccedil;a&rdquo;,  &ldquo;depend&ecirc;ncia&rdquo; e &ldquo;tristeza&rdquo;. Destas evoca&ccedil;&otilde;es, a mais partilhada &eacute; a solid&atilde;o que &eacute;  modal a ambos os dicion&aacute;rios. &Eacute; consabido que os indiv&iacute;duos tendem a vivenciar maior n&uacute;mero de perdas &agrave; medida  que a idade avan&ccedil;a. As perdas geracionais, a par da menor energia tanto para ativar como para manter ativos os v&iacute;nculos da rede,  diminuem nas idades avan&ccedil;adas verificando-se, normalmente, uma contra&ccedil;&atilde;o da rede. Estes fatores com efeito cumulativos podem  predizer maiores n&iacute;veis de solid&atilde;o (<a href="#f2">Figura 2</a>). </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="f2"></a></p>     <p><img src="/img/revistas/aps/v33n3/33n3a04f2.jpg" width="579" height="286"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Al&eacute;m da &ldquo;solid&atilde;o&rdquo;, as evoca&ccedil;&otilde;es que aparecem com maior frequ&ecirc;ncia s&atilde;o  &ldquo;depend&ecirc;ncia&rdquo; e &ldquo;doen&ccedil;a&rdquo;, surgindo contudo em ordem inversa nos dicion&aacute;rios. N&atilde;o obstante os  progressos da evolu&ccedil;&atilde;o na ci&ecirc;ncia, verifica-se que existe uma grande probabilidade que o aumento da esperan&ccedil;a  m&eacute;dia de vida acarrete per&iacute;odos mais longos de incapacidade e depend&ecirc;ncia para a popula&ccedil;&atilde;o de idade  avan&ccedil;ada. Segundo o relat&oacute;rio &ldquo;Global Health and Aging&rdquo;, chancelado pela World Health Organization, &agrave; medida que  se envelhece as doen&ccedil;as n&atilde;o-transmiss&iacute;veis assumem preponder&acirc;ncia nos pa&iacute;ses com maior rendimento: &ldquo;In  2008, noncommunicable diseases accounted for an estimated 86 percent of the burden of disease in high-income countries, 65 percent in middle-income  countries, and a surprising 37 percent in low-income countries&rdquo; (2011, p. 10). Ainda segundo mesmo relat&oacute;rio, &ldquo;[O]ver the next  10 to 15 years, people in every world region will suffer more death and disability from such noncommunicable diseases as heart disease, cancer, and  diabetes than from infectious and parasitic diseases&rdquo; (2011, pp. 9-10). </p>     <p>A pluripatologia inerente &agrave; velhice &eacute; tamb&eacute;m um dos problemas associados &agrave;s idades avan&ccedil;adas: &ldquo;o idoso  portugu&ecirc;s tem em m&eacute;dia 5,6 patologias e consome sete medicamentes por dia entre prescritos, naturais ou n&atilde;o convencionais  (Machado, 2009, p. 128). A quarta e &uacute;ltima evoca&ccedil;&atilde;o &eacute; &ldquo;tristeza&rdquo; que surge como correlato prov&aacute;vel  da pr&oacute;pria quotidianidade. &ldquo;O velho sente-se um indiv&iacute;duo diminu&iacute;do, que luta para continuar a ser homem. O coeficiente  de adversidade das coisas cresce: as escadas ficam mais duras de subir, as dist&acirc;ncias mais longas a percorrer. O mundo fica eri&ccedil;ado de  amea&ccedil;as, de ciladas&rdquo; (Bosi, 1983, p. 37). Al&eacute;m de perder a sua for&ccedil;a de trabalho, sente-se um p&aacute;ria (Bosi,  1983). Constatamos que todos os atributos comuns a ambos os dicion&aacute;rios apresentam conota&ccedil;&atilde;o negativa. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>J&aacute; no que concerne aos atributos exclusivos nos dicion&aacute;rios das pessoas idosas e dos cuidadores/as formais, verificamos que  h&aacute; um maior campo sem&acirc;ntico quando comparamos os atributos exclusivos dos funcion&aacute;rios (oito palavras diferentes) com o dos  idosos (cinco palavras diferentes). Facto que n&atilde;o ser&aacute; alheio &agrave;s habilita&ccedil;&otilde;es liter&aacute;rias destas duas  amostras (<a href="#f3">Figura 3</a>). </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="f3"></a></p>     <p><img src="/img/revistas/aps/v33n3/33n3a04f3.jpg" width="579" height="276"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Os inquiridos fazem refer&ecirc;ncia a dois atributos: &ldquo;plenitude da vida&rdquo; e &ldquo;morte&rdquo;. Os cuidadores/as formais  representam a velhice como a plenitude da vida, enquanto as pessoas idosas como morte. Duas evoca&ccedil;&otilde;es que poder&atilde;o remeter ao  mesmo campo representacional se a significa&ccedil;&atilde;o da plenitude de vida se associar &agrave; vida completa. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conclus&otilde;es </b></p>     <p>Os resultados do estudo desenvolvido revelam que as palavras mais evocadas por ambos os grupos foram solid&atilde;o, doen&ccedil;a e  depend&ecirc;ncia. O trabalho emp&iacute;rico permite-nos afirmar que a velhice &eacute; associada a atributos de cariz avaliativo negativo que se  encontram cristalizados no tempo. &ldquo;A sociedade industrial &eacute; mal&eacute;fica para a velhice&rdquo; (Bosi, 1983, p. 36). Consideramos,  no entanto, que as mudan&ccedil;as sociais que est&atilde;o a ocorrer na sociedade, com consequ&ecirc;ncias na esfera individual, ainda n&atilde;o  se repercutem na representa&ccedil;&atilde;o das velhices. Os resultados encontrados levam-nos a afirmar que as caracter&iacute;sticas das pessoas  idosas sob resposta social poder&atilde;o ter um efeito homogeneizante na representa&ccedil;&atilde;o estereotipada do envelhecimento. </p>     <p>Se analisarmos as caracter&iacute;sticas do sistema (in)formal portugu&ecirc;s, verificamos que o Centro de Dia &eacute; uma resposta de  interse&ccedil;&atilde;o, desenhada para potenciar o relacionamento, entre a rede de suporte informal e formal, retardando a  institucionaliza&ccedil;&atilde;o permanente. &Eacute;, assim, uma &ldquo;alternativa&rdquo; vi&aacute;vel para quem apesar dos limites ou  n&atilde;o da sua rede social pessoal n&atilde;o quer, ou n&atilde;o pode, recorrer &agrave; institucionaliza&ccedil;&atilde;o. Os motivos  elencados pelos nossos inquiridos para recorrerem a esta resposta s&atilde;o ilustrativos. A depend&ecirc;ncia/doen&ccedil;a surge como primeira  op&ccedil;&atilde;o. Por este facto, este <i>locus </i>poder&aacute; ser representado como antec&acirc;maras da institucionaliza&ccedil;&atilde;o  principalmente quando os utentes que os frequentam apresentam r&aacute;cios de depend&ecirc;ncia elevados, mimetizando a  representa&ccedil;&atilde;o das pessoas idosas de institui&ccedil;&otilde;es de longa perman&ecirc;ncia (Ara&uacute;jo, Coutinho, &amp; Santos,  2006). Recordemos que quase 50% dos inquiridos invocaram a depend&ecirc;ncia/doen&ccedil;a como motivo para recorrem a esta resposta. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A idade da reforma &eacute;, geralmente, um r&oacute;tulo que se traduz numa diminui&ccedil;&atilde;o da atividade e, consequentemente, no  abandono de um conjunto de direitos que atualmente assistem os cidad&atilde;os da sociedade contempor&acirc;nea. Neste sentido, &eacute; urgente o  estudo das pr&aacute;ticas da vida quotidiana para perspetivar subsequentemente os recursos que devem ser ativados para desmontar as  representa&ccedil;&otilde;es sociais das velhices. &Eacute; nossa convic&ccedil;&atilde;o que as altera&ccedil;&otilde;es socioculturais e as  melhorias verificadas na qualidade de vida, a par da nova narrativa discursiva do envelhecimento (produtivo, saud&aacute;vel, bem-sucedido,  positivo e ativo), podem vir a metamorfosear o campo representacional da palavra &ldquo;velhice&rdquo;. </p>     <p>Nas sociedades contempor&acirc;neas, a idade da reforma tem coincidido com o o in&iacute;cio da velhice. Esta nova fase traduz-se pela  diminui&ccedil;&atilde;o da atividade e, consequentemente, no abandono de um conjunto de pap&eacute;is socialmente valorizados. &ldquo;Reposicionar  o idoso no conjunto do sistema de rela&ccedil;&otilde;es intergeracionais constitui um imperativo democr&aacute;tico e um desafio pol&iacute;tico  que as sociedades envelhecidas enfrentam&rdquo; (Cabral, Ferreira, Silva, Jer&oacute;nimo, &amp; Marques, 2013, p. 12). &Eacute; urgente, por isso,  refletir nas idades da vida que est&atilde;o permeadas por normatiza&ccedil;&otilde;es que limitam a promo&ccedil;&atilde;o do bem-estar dos mais  velhos para que desta forma alteremos conjuntamente o campo representacional das velhices. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias </b></p>     <!-- ref --><p>Aboim, S. (2010). Cronologias da vida privada. In J. Machado &amp; V. Ferreira (Orgs.), <i>Tempos e transi&ccedil;&otilde;es da vida: Portugal  ao espelho da Europa</i> (pp. 107-148). Lisboa: Imprensa de Ci&ecirc;ncias Sociais.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000077&pid=S0870-8231201500030000400001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Ara&uacute;jo, L., Coutinho, M., &amp; Santos, M. (2006). O idoso nas institui&ccedil;&otilde;es gerontol&oacute;gicas: Um estudo na perspectiva  das representa&ccedil;&otilde;es sociais. <i>Psicologia &amp; Sociedade, 18</i>, 89-98.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000079&pid=S0870-8231201500030000400002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Bauman, Z. (2000). <i>Modernidade l&iacute;quida</i>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000081&pid=S0870-8231201500030000400003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Beck, U., Giddens, A., &amp; Lash, S. (1997). <i>Moderniza&ccedil;&atilde;o reflexiva: Pol&iacute;tica, tradi&ccedil;&atilde;o e est&eacute;tica  na ordem social moderna</i>. S&atilde;o Paulo: Editora da Universidade Estadual Paulista.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000083&pid=S0870-8231201500030000400004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p>Bessin, M. (1994). La police des &acirc;ges entre rigidite et flexibilite temporelles &ndash; Premi&egrave;re partie: La  &ldquo;chronologisation&rdquo; du cours de vie. <i>Temporalistes, 27</i>, 8-13. </p>     <!-- ref --><p>Bosi, E. (1983). <i>Mem&oacute;ria e sociedade: Lembran&ccedil;as de velhos </i>(2&ordf; ed.). S&atilde;o Paulo: T. A. Queiroz, Editor.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000086&pid=S0870-8231201500030000400006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Butler, R. (1969). Ageism: Another form of Bigotry. <i>The Gerontologist, 9</i>, 243-245.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000088&pid=S0870-8231201500030000400007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Cabral, M. V., Ferreira, P. M., Silva, P. A., Jer&oacute;nimo, P., &amp; Marques, T. (2013). <i>Processos de envelhecimento em Portugal: Usos do  tempo, redes sociais e condi&ccedil;&otilde;es de vida</i>. Lisboa: Funda&ccedil;&atilde;o Francisco Manuel dos Santos.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000090&pid=S0870-8231201500030000400008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Chouliaraki, L., &amp; Fairclough, N. (1999). <i>Discourse in late modernity: Rethinking critical discourse analysis</i>. Edinburgh: Edinburgh  University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000092&pid=S0870-8231201500030000400009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Coutinho, M., Krawulski, E., &amp; Soares, D. (2007). Identidade e trabalho na contemporaneidade: Repensando articula&ccedil;&otilde;es  poss&iacute;veis. <i>Psicologia &amp; Sociedade, 19</i>, 29-37.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000094&pid=S0870-8231201500030000400010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Daniel, F. (2006). O conceito de velhice em transforma&ccedil;&atilde;o. <i>Revista Intera&ccedil;&otilde;es, 10</i>, 113-121.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000096&pid=S0870-8231201500030000400011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Daniel, F. (2010). Sete mulheres para cada homem: Uma an&aacute;lise de rela&ccedil;&otilde;es de masculinidade. <i>Popula&ccedil;&atilde;o e  Sociedade, 19</i>, 157-167. Porto: Edi&ccedil;&otilde;es Afrontamento.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000098&pid=S0870-8231201500030000400012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p>Daniel, F. (2011). <i>A reforma &ndash; Ora&ccedil;&atilde;o de sapi&ecirc;ncia</i>. Coimbra: Instituto Superior Miguel Torga. </p>     <!-- ref --><p>Durkheim, &Eacute;. (1964). <i>The rules of sociological method</i>. New York: The Free Press of Glenco.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000101&pid=S0870-8231201500030000400014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Fernandes, A. A. (1997). <i>Velhice e sociedade</i>. Oeiras: Celta Editora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000103&pid=S0870-8231201500030000400015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Fernandes, A. A. (2001). Velhice, solidariedades familiares e pol&iacute;tica social. <i>Sociologia: Problemas e Pr&aacute;ticas, 36</i>, 39-50.  Lisboa: CIES e Oeiras: Celta Editora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000105&pid=S0870-8231201500030000400016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Giddens, A. (1997). <i>Modernidade e identidade pessoal. </i>Oeiras: Celta Editora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000107&pid=S0870-8231201500030000400017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Hall, S. (1998). <i>A identidade cultural na p&oacute;s-modernidade</i>. Rio de Janeiro: DP&amp;A.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000109&pid=S0870-8231201500030000400018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Halbwachs, M. (1935). La nuptialit&eacute; en France depuis la guerre. <i>Annales Sociologiques, E</i>(1), 1-45. Acedido mar&ccedil;o 5, 2015, em  <a href="http://classiques.uqac.ca/classiques/Halbwachs_maurice/classes_morphologie/partie_3/texte_3_4/nuptialite_france.pdf"  target="_blank">http://classiques.uqac.ca/classiques/Halbwachs_maurice/classes_morphologie/partie_3/texte_3_4/nuptialite_france.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000111&pid=S0870-8231201500030000400019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Instituto Nacional de Estat&iacute;stica (INE). (2013). <i>Estat&iacute;sticas demogr&aacute;ficas 2011</i>. Lisboa: Instituto Nacional de  Estat&iacute;stica, IP.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000112&pid=S0870-8231201500030000400020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Lenoir, R. (1998). Objecto social e problema social. In P. Champagne, R. Lenoir, D. Merlli&eacute;, &amp; L. Pinto (Orgs.),  <i>Inicia&ccedil;&atilde;o &agrave; pr&aacute;tica sociol&oacute;gica </i>(pp. 59-106). Petr&oacute;polis: Vozes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000114&pid=S0870-8231201500030000400021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Lima, M. (2010). <i>Envelhecimento(s)</i>. Coimbra: Imprensa da Universidade de Coimbra.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000116&pid=S0870-8231201500030000400022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Machado, M. C. (2009). Envelhecimento e pol&iacute;ticas de sa&uacute;de. In Funda&ccedil;&atilde;o Calouste Gulbenkian (Org.), <i>O tempo da  vida </i>(pp. 125-133). Cascais: Princ&iacute;pia.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000118&pid=S0870-8231201500030000400023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Minois, G. (1999). <i>Hist&oacute;ria da velhice no ocidente</i>. Lisboa: Editorial Teorema.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000120&pid=S0870-8231201500030000400024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p>Moragas, R. M. (2003, outubro). <i>Rela&ccedil;&otilde;es intergera&ccedil;&otilde;es nas sociedades contempor&acirc;neas. </i>Congresso  Internacional Coeduca&ccedil;&atilde;o de Gera&ccedil;&otilde;es (SESC), S&atilde;o Paulo. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>MTSS. (2009). <i>A depend&ecirc;ncia: O apoio informal, a rede de servi&ccedil;os e equipamentos e os cuidados continuados integrados</i>.  Lisboa: GEP-CID.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000123&pid=S0870-8231201500030000400026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p>Palacios, A. (2004, outubro). <i>Velhice, palavra quase proibida; terceira idade, express&atilde;o quase hegem&ocirc;nica: Apontamentos sobre o  conceito de mudan&ccedil;a discursiva na publicidade brasileira</i>. Comunica&ccedil;&atilde;o apresentada no XX Encontro da  Associa&ccedil;&atilde;o Portuguesa de Lingu&iacute;stica (APL), Lisboa. </p>     <!-- ref --><p>Ribeiro, A., &amp; Sousa, L. (2008). Imagens da velhice e do envelhecimento em m&eacute;dicos, enfermeiros e t&eacute;cnicos de servi&ccedil;o  social. <i>Revista Transdisciplinar de Gerontologia, 2</i>, 22-38.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000126&pid=S0870-8231201500030000400028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>World Health Organization. (2011). <i>Global health and aging</i>. Acedido mar&ccedil;o 5, 2015, em  <a href="http://www.who.int/ageing/publications/global_health" target="_blank">http://www.who.int/ageing/publications/global_health</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000128&pid=S0870-8231201500030000400029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     <p><b><a name="c0" id="c0"></a><a href="#topc0">CORRESPONDÊNCIA</a></b></p>     <p>A correspond&ecirc;ncia relativa a este artigo dever&aacute; ser enviada para: Fernanda Daniel, Instituto Superior Miguel Torga, Largo da Cruz  de Celas, 1, 3000-132 Coimbra. E-mail: <a href="mailto:fernanda-daniel@ismt.pt">fernanda-daniel@ismt.pt</a></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Submiss&atilde;o: 03/11/2014 Aceita&ccedil;&atilde;o: 10/03/2015 </p>      ]]></body><back>
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