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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Conciliação família-trabalho vivida a dois: Um estudo qualitativo com casais com filhos pequenos]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This exploratory study aims to understand the balance between work and family domains in dual earner couples, with toddlers and preschoolers, using a qualitative method. The sample was composed by 8 couples, 16 participants. Each was individually interviewed using a semi-structured interview, designed by the authors. Results suggested that participants experience compensation, segmentation and specially spillover in their attempt to balance work and family. Some conciliation strategies emerged associated with intimacy dimensions beyond the more functional ones, such as care and respect, authenticity and self-disclosure with the romantic partner. The spouse is referred as a secure base and a safe haven, suggesting that attachment and intimacy have a role in the couple’s work-family conciliation process.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Conciliação trabalho-família]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>Concilia&ccedil;&atilde;o fam&iacute;lia-trabalho vivida a dois: Um estudo qualitativo com casais com filhos pequenos</b></p>     <p><b>Mariana Mendon&ccedil;a<sup>1</sup>, Paula Mena Matos<sup>1</sup></b></p>     <p><sup>1</sup>Faculdade de Psicologia e de Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o da Universidade do Porto</p>     <p><a name="topc0"></a><a href="#c0">Correspondência</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>O presente estudo, de car&aacute;ter explorat&oacute;rio, pretende conhecer o modo como casais com crian&ccedil;as pequenas conciliam a  vida profissional e familiar, recorrendo a uma metodologia qualitativa. A amostra foi constitu&iacute;da por 8 casais de duplo emprego, 16  participantes, com filhos na primeira inf&acirc;ncia ou em idade pr&eacute;-escolar, com os quais foi realizada individualmente uma entrevista  semiestruturada, constru&iacute;da para o efeito. Na an&aacute;lise de conte&uacute;do utilizou-se o QSR NVivo 8. Os resultados apontam para a  exist&ecirc;ncia de experi&ecirc;ncias de compensa&ccedil;&atilde;o, segmenta&ccedil;&atilde;o e sobretudo de interfer&ecirc;ncia na  concilia&ccedil;&atilde;o entre o trabalho e a fam&iacute;lia. Para al&eacute;m das estrat&eacute;gias mais funcionais, emergiram nos discursos  outras do dom&iacute;nio da intimidade, nomeadamente, a import&acirc;ncia da aten&ccedil;&atilde;o e respeito pelo outro, da autenticidade e do  <i>self-disclosure </i>para um equil&iacute;brio positivo do envolvimento familiar e profissional. O parceiro rom&acirc;ntico &eacute; descrito  como base segura e porto seguro, sugerindo que a vincula&ccedil;&atilde;o ao companheiro amoroso e a intimidade t&ecirc;m um papel relevante no  processo de concilia&ccedil;&atilde;o trabalho-fam&iacute;lia.     <p>     <p><b>Palavras-chave: </b>Concilia&ccedil;&atilde;o trabalho-fam&iacute;lia, Intimidade, Casal. </p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>This exploratory study aims to understand the balance between work and family domains in dual earner couples, with toddlers and  preschoolers, using a qualitative method. The sample was composed by 8 couples, 16 participants. Each was individually interviewed using a  semi-structured interview, designed by the authors. Results suggested that participants experience compensation, segmentation and specially  spillover in their attempt to balance work and family. Some conciliation strategies emerged associated with intimacy dimensions beyond the more  functional ones, such as care and respect, authenticity and self-disclosure with the romantic partner. The spouse is referred as a secure base and  a safe haven, suggesting that attachment and intimacy have a role in the couple&rsquo;s work-family conciliation process. </p>     <p><b>Key-words: </b>Work-family conciliation, Intimacy, Couple. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>Ao longo do ciclo vital, o indiv&iacute;duo &eacute; confrontado com diferentes desafios e tarefas desenvolvi mentais. As necessidades de  concilia&ccedil;&atilde;o dos v&aacute;rios contextos de vida assumem, tamb&eacute;m, diferentes caracter&iacute;sticas ao longo do  desenvolvimento. No presente trabalho centramo-nos na segunda etapa do ciclo familiar (Relvas, 2006), associada ao nascimento dos filhos,  transi&ccedil;&atilde;o especialmente desafiante para o indiv&iacute;duo e para o casal. Aprender a ser pai ou m&atilde;e &eacute; um processo  particularmente exigente e envolve uma necessidade de reorganiza&ccedil;&atilde;o familiar, pela defini&ccedil;&atilde;o de pap&eacute;is parentais  e pela redefini&ccedil;&atilde;o das fronteiras em rela&ccedil;&atilde;o ao casal e ao exterior (Relvas, 2006). Devido &agrave; elevada  sali&ecirc;ncia atribu&iacute;da ao papel parental, por vezes, os casais sentem dificuldades em delimit&aacute;-lo no tempo e no espa&ccedil;o,  correndo o risco de desinvestir noutras &aacute;reas igualmente importantes, das quais se destaca a viv&ecirc;ncia da conjugalidade em pleno  (Alarc&atilde;o, 2006). Por outro lado, e porque as necessidades desenvolvimentais dos filhos tamb&eacute;m imprimem exig&ecirc;ncias  espec&iacute;ficas aos cuidados dos pais e &agrave; din&acirc;mica familiar (Carter &amp; McGoldrick, 2005), opt&aacute;mos por centrar este estudo  em casais com filhos na primeira inf&acirc;ncia ou em idade pr&eacute;-escolar. Nesta etapa da vida das fam&iacute;lias, a necessidade de  disponibilidade f&iacute;sica e psicol&oacute;gica para o exerc&iacute;cio da parentalidade coloca desafios particulares &agrave;  concilia&ccedil;&atilde;o trabalho-fam&iacute;lia. </p>     <p>As exig&ecirc;ncias colocadas aos casais t&ecirc;m vindo a ser alteradas ao longo do tempo, nomeadamente devido a mudan&ccedil;as  socioculturais. De facto, nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, temos assistido a um elevado n&uacute;mero das fam&iacute;lias em que ambos os  c&ocirc;njuges desempenham fun&ccedil;&otilde;es laborais remuneradas (Matias, Fontaine, Sim&atilde;o, Oliveira, &amp; Mendon&ccedil;a, 2010).  No caso portugu&ecirc;s, a d&eacute;cada de 60 marcou uma mudan&ccedil;a no paradigma vigente, com a mulher a encetar um movimento de  participa&ccedil;&atilde;o ativa nas esferas at&eacute; ent&atilde;o tradicionalmente masculinas (Aboim, 2007) e, por conseguinte, a  inser&ccedil;&atilde;o da mulher no mercado de trabalho no nosso pa&iacute;s &eacute; hoje evidente. Os dados mostram que, ao n&iacute;vel  nacional, a popula&ccedil;&atilde;o empregada &eacute; constitu&iacute;da por 52% e 48% de homens e mulheres, respetivamente (INE, 2012). As  motiva&ccedil;&otilde;es econ&oacute;micas s&atilde;o importantes, mas n&atilde;o explicam todo o fen&oacute;meno, uma vez que podemos identificar  quest&otilde;es de realiza&ccedil;&atilde;o profissional e pessoal, bem como de manuten&ccedil;&atilde;o da autoestima (Rice, 1979). </p>     <p>Na atualidade, tanto homens como mulheres desempenham fun&ccedil;&otilde;es laborais exigentes, nomeadamente em termos do n&uacute;mero de horas  de trabalho. Ainda assim, parecem permanecer algumas diferen&ccedil;as ao n&iacute;vel do que &eacute; socialmente expect&aacute;vel na vida  familiar para cada um dos g&eacute;neros. Por exemplo, encontram-se diferen&ccedil;as no trabalho dom&eacute;stico, sendo que, apesar do crescente  envolvi -mento do homem neste dom&iacute;nio, a responsabilidade continua a ser predominantemente feminina (Aboim, 2007). Relativamente &agrave;s  tarefas do &acirc;mbito da parentalidade, alguns casais procuram dividir responsabilidades de forma igualit&aacute;ria (Deutsch, 2001). Contudo, as  tarefas concretizadas pelos pais e pelas m&atilde;es parecem ser qualitativamente diferentes: se as m&atilde;es tendem a assumir uma maior  responsabilidade pelos cuidados diretos e indiretos, os pais revelam-se mais ativos nas &aacute;reas da disciplina e da brincadeira e lazer no  exterior (Deutsch, 2001; Pimenta, Ver&iacute;ssimo, Monteiro, &amp; Costa, 2010). Estas especificidades levam-nos a refletir sobre o conceito de  identidade de g&eacute;nero. Nesta &eacute;poca de mudan&ccedil;a, em que se espera um crescente envolvimento do homem no cuidado dos filhos, bem  como a sua participa&ccedil;&atilde;o nas tarefas dom&eacute;sticas, persiste a associa&ccedil;&atilde;o destas mesmas tarefas a valores  tendencialmente percecionados como femininos (nomeadamente, a afetividade e a passividade), contrapondo-se &agrave; masculinidade frequentemente  associada ao meio laboral (Aboim, 2007). </p>     <p>Por tudo isto, as fam&iacute;lias em que ambos trabalham deparam-se com um conjunto de exig&ecirc;ncias que implicam uma  articula&ccedil;&atilde;o dos diferentes contextos em que se inserem e dos diferentes pap&eacute;is (conjugal, parental, profissional) que assumem.  N&atilde;o obstante, apesar das m&uacute;ltiplas responsabilidades e dificuldades, estes casais parecem ser geralmente saud&aacute;veis e  bem-sucedidos (Haddock, Zimmerman, Current, &amp; Harvey, 2008; Haddock, Zimmerman, Ziemba, &amp; Current, 2001). Mais, alguma  investiga&ccedil;&atilde;o aponta para o facto de os benef&iacute;cios que retiram da concilia&ccedil;&atilde;o dos v&aacute;rios pap&eacute;is  parecerem sobrepor-se &agrave;s dificuldades existentes (Matias et al., 2010; Ver&iacute;ssimo, Pimenta, Borges, Costa, Monteiro, Torres, &amp;  Martins, 2013). </p>     <p>Ao longo do tempo, as rela&ccedil;&otilde;es entre trabalho e fam&iacute;lia t&ecirc;m vindo a ser alvo de diferentes modelos explicativos na  literatura. O <i>modelo da compensa&ccedil;&atilde;o </i>define as experi&ecirc;ncias dos dois dom&iacute;nios como antit&eacute;ticas, ou seja,  pressup&otilde;e que estes se relacionam inversamente (Evans &amp; Bartolome, 1984). Assim, &eacute; esperado que, perante condi&ccedil;&otilde;es  insatisfat&oacute;rias numa das esferas, os indiv&iacute;duos respondam com um maior envolvimento no outro contexto. Um segundo modelo assenta na  <i>hip&oacute;tese da segmenta&ccedil;&atilde;o</i>, que enfatiza a separa&ccedil;&atilde;o do trabalho e da fam&iacute;lia na vida individual,  assumindo que s&atilde;o dom&iacute;nios distintos, psicol&oacute;gica e fisicamente e, portanto, independentes (Elizur, 1986). Por fim,  encontramos o modelo da <i>interfer&ecirc;ncia </i>(ou <i>spillover</i>), que assume que as experi&ecirc;ncias num dom&iacute;nio influenciam as  experi&ecirc;ncias do(s) outro(s) em que o indiv&iacute;duo est&aacute; envolvido (Sumer &amp; Knight, 2001). </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Sumer e Knight (2001) sugerem que estes tr&ecirc;s processos (compensa&ccedil;&atilde;o, segmenta&ccedil;&atilde;o e interfer&ecirc;ncia)  n&atilde;o s&atilde;o mutuamente exclusivos, pelo que &eacute; poss&iacute;vel que alguns aspetos da vida familiar e profissional sejam mais  sujeitos &agrave; interfer&ecirc;ncia, enquanto outros sejam mais propensos &agrave; segmenta&ccedil;&atilde;o ou &agrave;  compensa&ccedil;&atilde;o. Os autores sugerem, ainda, que estas din&acirc;micas podem diferir entre indiv&iacute;duos, bem como no mesmo  indiv&iacute;duo ao longo do tempo, estando associadas a dimens&otilde;es distintas, quer da personalidade, quer do contexto (Sumer &amp; Knight,  2001). </p>     <p>A fam&iacute;lia e o trabalho s&atilde;o dois contextos que exigem um elevado envolvimento pessoal e, como tal, podem ser respons&aacute;veis  pela viv&ecirc;ncia de alguma tens&atilde;o por parte daqueles que os conjugam. O <i>stress</i>, os constrangimentos de tempo e o aumento da  press&atilde;o experienciada podem contribuir para a experi&ecirc;ncia de emo&ccedil;&otilde;es negativas que s&atilde;o, por sua vez,  transportadas para os contextos de intera&ccedil;&atilde;o do indiv&iacute;duo (Rothbard, 2001). Ainda que o estudo do conflito tenha vindo a  prevalecer na literatura, outros autores falam de uma <i>interfer&ecirc;ncia positiva, facilita&ccedil;&atilde;o </i>ou <i>enriquecimento</i>  (Carlson, Kacmar, Wayne, &amp; Grzywacz, 2006; Greenhaus &amp; Powell, 2006; Rothbard, 2001). Assim, o conceito de enriquecimento aplica-se a toda  a extens&atilde;o de experi&ecirc;ncias de um papel que melhoram a qualidade de vida noutro papel e insere-se numa l&oacute;gica da  <i>expans&atilde;o de energia </i>(Marks, 1977)<i>. </i>Esta perspetiva defende que o ser humano n&atilde;o disp&otilde;e de uma quantidade fixa de  tempo e energia e que, pelo contr&aacute;rio, esta poder&aacute; ser expandida com o envolvimento do mesmo em diferentes dom&iacute;nios (Greenhaus  &amp; Powell, 2006). </p>     <p>Greenhaus e Powell (2006) prop&otilde;em que o enriquecimento pode ocorrer por duas vias: a instrumental e a afetiva. A primeira acontece quando  um recurso gerado no papel A &eacute; diretamente aplicado no papel B, isto &eacute;, quando as capacidades, habilidades e os valores desenvolvidos  num dos dom&iacute;nios (trabalho ou fam&iacute;lia) s&atilde;o aplicados diretamente e com sucesso noutro papel (fam&iacute;lia ou trabalho). O  enriquecimento afetivo, por sua vez, baseia-se na transfer&ecirc;ncia do afeto ou emo&ccedil;&atilde;o positivos de um papel para o outro. Neste  caso, um recurso gerado num dos pap&eacute;is pode produzir no indiv&iacute;duo afeto positivo, o que, por sua vez, contribuir&aacute; para o  elevado desempenho e afeto positivo no outro papel. </p>     <p>Importante referir que as rela&ccedil;&otilde;es entre trabalho e fam&iacute;lia se fazem pautar por bidirecionalidade, independentemente de nos  centrarmos numa l&oacute;gica de conflito ou de enriquecimento (Greenhaus &amp; Powell, 2006). Por outro lado, dada a complexidade das  din&acirc;micas inerentes ao envolvimento no trabalho e na fam&iacute;lia, o enriquecimento e o conflito surgem como construtos independentes,  podendo coocorrer. Assim, &eacute; poss&iacute;vel que um indiv&iacute;duo experiencie simultaneamente interfer&ecirc;ncias negativas e positivas  entre as duas esferas (Rothbard, 2001). </p>     <p>Tendo em conta a elevada preval&ecirc;ncia de fam&iacute;lias em que ambos trabalham, seria importante o estudo mais aprofundado das  quest&otilde;es da concilia&ccedil;&atilde;o trabalho-fam&iacute;lia, nomeadamente no que diz respeito a condi&ccedil;&otilde;es que favorecem a  viv&ecirc;ncia positiva da articula&ccedil;&atilde;o entre os contextos familiar e profissional. Alguns autores ressaltam esta lacuna na  literatura, concluindo que muitas das estrat&eacute;gias propostas para a concilia&ccedil;&atilde;o eficaz dos dom&iacute;nios do trabalho e da  fam&iacute;lia parecem pouco adaptadas &agrave;s necessidades reais das fam&iacute;lias (Matias et al., 2010; Vieira, &Aacute;vila, &amp; Matos,  2012). </p>     <p>Neste contexto, o presente trabalho assume-se como explorat&oacute;rio e teve como ponto de partida as seguintes quest&otilde;es de  investiga&ccedil;&atilde;o: </p>     <p>&nbsp;</p>     <p>1) Como vivem os casais participantes do estudo a articula&ccedil;&atilde;o das exig&ecirc;ncias do trabalho e da fam&iacute;lia? </p>     <p>2) Que estrat&eacute;gias usam estes casais na articula&ccedil;&atilde;o das esferas do trabalho e da fam&iacute;lia? </p>     <p>3) Como mant&ecirc;m os casais em estudo a proximidade emocional no dia-a-dia? </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>4) Qual o papel da intimidade no casal, na articula&ccedil;&atilde;o das esferas do trabalho e da fam&iacute;lia? </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>M&eacute;todo </b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Participantes </i></p>     <p>A amostra foi constitu&iacute;da por 8 casais heterossexuais (16 participantes), em que ambos os c&ocirc;njuges desempenhavam uma atividade  profissional remunerada a tempo inteiro. Todas as fam&iacute;lias tinham pelo menos um filho com idade inferior a 6 anos. Pretend&iacute;amos  conhecer a realidade de fam&iacute;lias que n&atilde;o tivessem iniciado a transi&ccedil;&atilde;o para o ensino formal do primeiro ciclo, pela  consci&ecirc;ncia de que, nesta fase, surgem diferentes dimens&otilde;es do cuidar (e.g., o apoio nas tarefas escolares) e uma marcada abertura ao  sistema extrafamiliar (Relvas, 2006). </p>     <p>A idade dos homens compreendia-se entre os 33 e os 40 anos, com uma m&eacute;dia de 36,25 anos (<i>DP</i>=2,19), e a das mulheres entre os 31 e  os 41 anos, com uma m&eacute;dia de 35,13 (<i>DP</i>=3,3). O tempo m&eacute;dio de rela&ccedil;&atilde;o amorosa era de 11,8 anos (<i>DP</i>=4,9) e  o tempo m&eacute;dio de coabita&ccedil;&atilde;o com o parceiro amoroso de 8,4 anos (<i>DP</i>=3,3). Quatro casais tinham apenas um filho, 2 casais  tinham 2 filhos e 2 casais tinham 3 filhos. As idades dos filhos variam entre 6 meses e 17 anos, tendo todos os casais filhos na primeira  inf&acirc;ncia ou em idade pr&eacute;-escolar, sendo que dois casais tinham ainda um filho adolescente. </p>     <p>A escolaridade dos participantes distribu&iacute;a-se em 9&ordm; ano (<i>M</i>=3; <i>F</i>=1)<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a>,  12&ordm; ano (<i>M</i>=2; F=0), licenciatura (<i>M</i>=2; <i>F</i>=7) e p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o (<i>M</i>=1; <i>F</i>=0). De acordo com  a Classifica&ccedil;&atilde;o Internacional de Ocupa&ccedil;&otilde;es (<i>International Standard Classification of Occupations</i>), a amostra  inclui 7 profissionais de ensino, 4 trabalhadores de servi&ccedil;os e de vendas, 2 profissionais administrativos de servi&ccedil;o p&uacute;blico,  2 art&iacute;fices e trabalhadores similares, e 1 profissional de sa&uacute;de. Os participantes eram da zona do Porto e de Leiria. </p>     <p>O procedimento de sele&ccedil;&atilde;o da amostra foi realizado por conveni&ecirc;ncia, na medida em que os participantes foram selecionados  por cumprirem os crit&eacute;rios definidos, recorrendo-se tamb&eacute;m ao m&eacute;todo de &ldquo;bola de neve&rdquo;. Assim, os crit&eacute;rios  de inclus&atilde;o englobavam: (1) coabitar com o companheiro amoroso, independentemente de serem casados ou de viverem em uni&atilde;o de facto,  (2) ter pelo menos um/a filho/a na primeira inf&acirc;ncia ou em idade pr&eacute;-escolar, (3) ambos os c&ocirc;njuges exercerem uma atividade  profissional remunerada a tempo inteiro. </p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Instrumento </i></p>     <p>Tendo como objetivo principal estudar o <i>modo como vivem estes casais a articula&ccedil;&atilde;o trabalho-fam&iacute;lia</i>, optou-se por  uma metodologia qualitativa, de modo a aceder ao relato das experi&ecirc;ncias vividas pelos casais e os significados constru&iacute;dos em torno  delas. Esta op&ccedil;&atilde;o metodol&oacute;gica prende-se com o objetivo de alargar o conhecimento sobre o tema, validando a multiplicidade de  experi&ecirc;ncias poss&iacute;veis, por contraste com a necessidade de testagem de hip&oacute;teses concretas. A an&aacute;lise n&atilde;o se  centrou na quantifica&ccedil;&atilde;o dos dados qualitativos, mas no recurso a m&eacute;todos n&atilde;o matem&aacute;ticos de  interpreta&ccedil;&atilde;o, com o objetivo de explora&ccedil;&atilde;o de conceitos e rela&ccedil;&otilde;es nos dados, posteriormente organizados  num esquema de interpreta&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica (Strauss &amp; Corbin, 1998). </p>     <p>Recorreu-se, deste modo, a uma entrevista semiestruturada, constru&iacute;da para o presente estudo (Mendon&ccedil;a &amp; Matos,  2015)<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a>. Para al&eacute;m de recolher alguns dados demogr&aacute;ficos (idade dos participantes,  escolaridade, profiss&atilde;o, n&uacute;mero e idades dos filhos, dura&ccedil;&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o amorosa e tempo de  coabita&ccedil;&atilde;o), a entrevista encontrava-se dividida em diferentes &aacute;reas. A primeira estava relacionada com o trabalho, com  quest&otilde;es que procuravam explorar o enquadramento do mesmo na vida do participante (e.g., <i>&ldquo;H&aacute; quanto tempo tem este  trabalho?&rdquo;; &ldquo;Gostaria de me descrever um pouco o seu trabalho? Fale-me do que faz.&rdquo;</i>), bem como os significados  atribu&iacute;dos ao mesmo (e.g., <i>&ldquo;O que significa o trabalho para si? O que lhe traz?&rdquo;; &ldquo;Em que medida est&aacute; satisfeito  com a sua vida profissional? Porqu&ecirc;?&rdquo;</i>). Exploraram-se, ainda, quest&otilde;es associadas &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o e  satisfa&ccedil;&atilde;o profissionais e a perce&ccedil;&atilde;o sobre o trabalho do companheiro rom&acirc;ntico (e.g., <i>&ldquo;Como &eacute; o  trabalho do seu marido? Costumam falar do trabalho?&rdquo;</i>). </p>     <p>A segunda tem&aacute;tica da entrevista debru&ccedil;ou-se sobre a vida familiar, na qual se procurava compreender as satisfa&ccedil;&otilde;es  e exig&ecirc;ncias associadas ao papel parental e as especificidades das pr&oacute;prias crian&ccedil;as (e.g., <i>&ldquo;Fale-me um pouco dos seus  filhos.&rdquo;</i>; <i>&ldquo;Em que medida est&aacute; satisfeito enquanto pai/m&atilde;e? Gostaria que algo fosse diferente?&rdquo;</i>).  Exploraram-se aspetos da transi&ccedil;&atilde;o para a parentalidade e da rotina familiar (e.g., &ldquo;<i>Sente que a sua vida familiar tem  mudado ao longo do tempo? Em que medida?</i>&rdquo;). Algumas quest&otilde;es procuravam compreender a hist&oacute;ria da rela&ccedil;&atilde;o  conjugal (e.g., <i>&ldquo;Como &eacute; o seu marido/mulher?&rdquo;; &ldquo;Costuma conversar sobre as dificuldades com o seu companheiro? Costumam  conversar sobre o modo como se sentem?&rdquo;</i>), bem como eventuais mudan&ccedil;as sentidas ao longo do tempo (e.g., <i>&ldquo;Fale-me do seu  casamento. Identifica mudan&ccedil;as na rela&ccedil;&atilde;o desde o in&iacute;cio?&rdquo;</i>). </p>     <p>Por fim, era abordada a tem&aacute;tica da concilia&ccedil;&atilde;o quer diretamente (e.g. <i>&ldquo;Como &eacute; que os dois equilibram as  exig&ecirc;ncias do trabalho e da fam&iacute;lia? O que faz cada um?&rdquo;</i>) quer atrav&eacute;s da apresenta&ccedil;&atilde;o de  cen&aacute;rios da vida quotidiana (e.g.<i>, &ldquo;Imagine o fim de um dia normal de trabalho. Gostava de me descrever como &eacute; quando chega  a casa?&rdquo;; &ldquo;Que </i>receitas <i>daria a outros casais para lidarem com as responsabilidades?&rdquo;</i>). </p>     <p>A entrevista qualitativa pressup&otilde;e o entrevistado como construtor de significados, ativo na cria&ccedil;&atilde;o do conhecimento  (Gubrium &amp; Holstein, 2001). Deste modo, pretendeu-se uma abordagem aberta e flex&iacute;vel, com o objetivo de fazer emergir  informa&ccedil;&atilde;o da experi&ecirc;ncia dos casais, libertando as quest&otilde;es de qualquer car&aacute;ter prescritivo. A an&aacute;lise de  conte&uacute;do foi realizada com apoio do programa QSR NVivo 8. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Procedimento </i></p>     <p>Realizou-se um primeiro contacto telef&oacute;nico, no qual se apresentavam os objetivos do estudo e se esclareciam eventuais d&uacute;vidas.  Caso o casal concordasse participar, agendava-se uma data para a entrevista, num hor&aacute;rio conveniente para ambos os c&ocirc;njuges. Os  participantes eram informados acerca da possibilidade de realiza&ccedil;&atilde;o da entrevista nas instala&ccedil;&otilde;es da Faculdade de  Psicologia e de Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o da Universidade do Porto (FPCEUP), mas o local era, em &uacute;ltima inst&acirc;ncia,  definido pelos mesmos. Assim, as entrevistas de dois casais foram realizadas num gabinete de consultas do Servi&ccedil;o de Consultas de Psicologia  da FPCEUP, enquanto outras tr&ecirc;s tiveram lugar na casa dos participantes. Um dos casais solicitou, ainda, a realiza&ccedil;&atilde;o das  entrevistas numa sala do seu local de trabalho e outros dois em espa&ccedil;os p&uacute;blicos. </p>     <p>As entrevistas foram administradas aos elementos do casal individualmente e uma imediatamente a seguir &agrave; outra, controlando-se assim a  possibilidade de partilha de informa&ccedil;&otilde;es antes do segundo elemento ser entrevistado. Pretendia-se, desta forma, garantir uma maior  genuinidade das respostas e uma posterior an&aacute;lise di&aacute;dica menos contaminada. Realizaram-se grava&ccedil;&otilde;es &aacute;udio das  entrevistas para uma maior fidelidade no processo de an&aacute;lise dos dados. Antes de se iniciar a entrevista, apresentou-se, oralmente e por  escrito, o objetivo do estudo, afirmando o car&aacute;ter confidencial e volunt&aacute;rio da participa&ccedil;&atilde;o, e a possibilidade de  desist&ecirc;ncia a qualquer momento da entrevista. Os participantes tiveram igualmente a informa&ccedil;&atilde;o de que os dados iriam ser  unicamente utilizados para fins de investiga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica. Os participantes preencheram um consentimento informado  relativamente &agrave; sua participa&ccedil;&atilde;o no estudo e &agrave; autoriza&ccedil;&atilde;o para registo &aacute;udio das entrevistas. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As entrevistas tiveram uma dura&ccedil;&atilde;o de aproximadamente 90 minutos e procuraram abordar v&aacute;rias quest&otilde;es da vida  profissional e familiar. Numa tentativa de adequar as entrevistas, o gui&atilde;o inicial da entrevista foi testado com um casal e reformulado, com  o objetivo de tornar as quest&otilde;es mais claras. </p>     <p>As dezasseis entrevistas foram integralmente transcritas e um primeiro juiz realizou a an&aacute;lise de conte&uacute;do, criando um sistema  hierarquizado de categorias e suas componentes, com recurso ao QSR NVivo 8. O n&iacute;vel de an&aacute;lise do presente estudo foi o tema enquanto  unidade sem&acirc;ntica. A unidade de contexto tamb&eacute;m foi considerada nas codifica&ccedil;&otilde;es realizadas. Deste modo, a  sele&ccedil;&atilde;o dos excertos das entrevistas procurou captar a mensagem subjacente ao discurso global sobre a tem&aacute;tica (Bardin, 1977).  As transcri&ccedil;&otilde;es integrais das entrevistas foram lidas por um segundo juiz e o sistema de categorias inicialmente constru&iacute;do  foi discutido e reformulado, em conjunto, para uma maior aproxima&ccedil;&atilde;o aos discursos dos participantes. Ainda que, numa primeira fase,  a codifica&ccedil;&atilde;o para a cria&ccedil;&atilde;o das categorias tenha sido realizada ao n&iacute;vel de cada participante individualmente,  num segundo momento cruzou-se a informa&ccedil;&atilde;o dos dois elementos do casal, contemplando-se uma perspetiva di&aacute;dica na  an&aacute;lise. Embora se fa&ccedil;a refer&ecirc;ncia &agrave; frequ&ecirc;ncia das categorias ao longo da apresenta&ccedil;&atilde;o dos  resultados, a preocupa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; a da quantifica&ccedil;&atilde;o per si como indicadora de representatividade, mas  antes da identifica&ccedil;&atilde;o da diversidade de experi&ecirc;ncias de concilia&ccedil;&atilde;o fam&iacute;lia-trabalho de alguns casais  que s&atilde;o, naturalmente, qualitativamente diferentes, mas que tamb&eacute;m t&ecirc;m pontos em comum. Importante referir que o sistema de  categorias emergente dos discursos inclu&iacute;a conceitos que transcendem o campo da concilia&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o obstante, no presente  trabalho ser&atilde;o apenas apresentados os resultados relativos a esta tem&aacute;tica. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Resultados </b></p>     <p>A apresenta&ccedil;&atilde;o dos resultados ser&aacute; realizada de acordo com o sistema de categorias emergente dos discursos. Este &eacute;  constitu&iacute;do por duas dimens&otilde;es principais: <i>Rela&ccedil;&atilde;o entre trabalho e fam&iacute;lia </i>e as <i>Estrat&eacute;gias de  concilia&ccedil;&atilde;o</i>. A primeira divide-se em tr&ecirc;s subcategorias, designadamente: <i>Compensa&ccedil;&atilde;o,  Segmenta&ccedil;&atilde;o, Interfer&ecirc;ncia</i>. Por sua vez, a categoria <i>Estrat&eacute;gias de  concilia&ccedil;&atilde;o </i>divide-se em quatro subcategorias: <i>Intimidade, Coping cognitivo, Coping emocional </i>e <i>Coping  comportamental. </i>Cada uma destas subcategorias apresenta diferentes componentes, como &eacute; poss&iacute;vel observar no esquema em  &aacute;rvore apresentado (cf. <a href="#f1">Figura 1</a>). </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="f1"></a></p>     <p><img src="/img/revistas/aps/v33n3/33n3a06f1.jpg" width="576" height="416"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Rela&ccedil;&atilde;o entre trabalho e fam&iacute;lia </i></p>     <p>No &acirc;mbito da rela&ccedil;&atilde;o entre as duas esferas, os participantes fizeram refer&ecirc;ncias que permitem identificar os  diferentes modelos apresentados na literatura: compensa&ccedil;&atilde;o, segmenta&ccedil;&atilde;o e interfer&ecirc;ncia. </p>     <p>A <i>compensa&ccedil;&atilde;o </i>foi mencionada por alguns participantes (<i>N</i>=7), mas sempre na dire&ccedil;&atilde;o do trabalho para a  fam&iacute;lia. A satisfa&ccedil;&atilde;o encontrada na fam&iacute;lia, nomeadamente na intera&ccedil;&atilde;o com os filhos, parece contribuir  para o bem-estar dos indiv&iacute;duos, atenuando o humor negativo decorrente das adversidades encontradas no trabalho. No que diz respeito  &agrave; rela&ccedil;&atilde;o conjugal, esta parece desempenhar a fun&ccedil;&atilde;o de porto seguro, no qual os indiv&iacute;duos procuram o  conforto em momentos de fragilidade, nomeadamente quando vivenciam experi&ecirc;ncias percebidas como desagrad&aacute;veis no trabalho  (<i>&ldquo;A minha mulher &eacute; o meu porto de abrigo.&rdquo;, </i>6M<sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a>). </p>     <p>Para muitos participantes (<i>N</i>=13), a <i>segmenta&ccedil;&atilde;o </i>&eacute; vista como um objetivo (componente <i>ideal</i>)  (&ldquo;<i>Isso... trabalho &eacute; trabalho e casa &eacute; casa.&rdquo;</i>, 8F). Com recurso a verbos como <i>tentar </i>e <i>evitar</i>, os  indiv&iacute;duos demonstram o esfor&ccedil;o consciente que lhes exige esta procura da separa&ccedil;&atilde;o das duas esferas. Quando  est&atilde;o em casa, a maioria dos entrevistados <i>tenta </i>n&atilde;o falar nem pensar no trabalho (&ldquo;<i>Fa&ccedil;o mesmo o  esfor&ccedil;o para desligar o bot&atilde;o e, mesmo que esteja a pensar, fa&ccedil;o esfor&ccedil;o e digo: acabou!&rdquo;</i>, 7M). Por outro  lado, alguns participantes demonstraram a preocupa&ccedil;&atilde;o de n&atilde;o levar as &ldquo;<i>coisas de casa para o trabalho</i>&rdquo;  (5F), ainda que admitam que nem sempre &eacute; poss&iacute;vel (componente <i>realidade</i>). Como percebemos, para alguns participantes esta  segmenta&ccedil;&atilde;o &eacute; um ideal dif&iacute;cil de atingir (<i>&ldquo;A gente n&atilde;o devia levar a casa para o trabalho, nem o  trabalho para casa. Mas, &agrave;s vezes, se calhar passa um bocadinho...&rdquo;</i>, 8M), mas esta n&atilde;o &eacute; a posi&ccedil;&atilde;o  generalizada. Uma das entrevistadas, cujo envolvimento no trabalho &eacute; elevado (e.g., tem v&aacute;rios cargos de responsabilidade no local de  trabalho, prop&otilde;e v&aacute;rias iniciativas para al&eacute;m do trabalho estipulado) afirma ter facilidade na separa&ccedil;&atilde;o das  duas esferas, referindo: &ldquo;<i>Consigo chegar bem ao emprego, mesmo depois de ter tido uma chatice muito grande, com o maior dos sorrisos, e  ningu&eacute;m repara.&rdquo; </i>(2F). Importa salientar que esta participante parece descrever uma tend&ecirc;ncia para o evitamento do parceiro  amoroso (<i>&ldquo;adoro o meu marido... pronto, mas n&atilde;o &eacute; o: n&atilde;o conseguia viver sem ti!&rdquo;; </i>&ldquo;<i>Eu, se puder  evitar por qualquer coisa esses confrontos, fujo.&rdquo;; &ldquo;Um afastamento muito grande. Criado por mim, tenho que admitir. (...) E como  n&atilde;o estava bem fisicamente e detestava, detestava-me... apesar de ele dizer que me adorava de todas as formas e feitios,  afastei-me.&rdquo;</i>), sendo que a literatura sugere que adultos com caracter&iacute;sticas evitantes t&ecirc;m uma maior  predisposi&ccedil;&atilde;o para o investimento no trabalho enquanto fuga das quest&otilde;es relacionais (Hazan &amp; Shaver, 1990). Por  contraponto, o c&ocirc;njuge exp&otilde;e a import&acirc;ncia que atribui ao <i>self-disclosure</i>, na medida em que procura que a companheira  partilhe o modo como se sente em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s diferentes &aacute;reas da vida (<i>&ldquo;Ela &eacute; uma pessoa mais fechada  em rela&ccedil;&atilde;o a mim, e tento expressar-me mais a n&iacute;vel sentimental e... claro que sinto mais do que ela. Ela n&atilde;o se abre  assim tanto, e eu tento puxar por ela para conversarmos ao m&aacute;ximo, no que for poss&iacute;vel.&rdquo;</i>, 2M). Estes resultados parecem ser  consonantes com os obtidos por Brunell, Pilkington e Webster (2007), que pressup&otilde;em que uma menor autorrevela&ccedil;&atilde;o das mulheres  contribui para uma menor satisfa&ccedil;&atilde;o com a rela&ccedil;&atilde;o amorosa nos homens. </p>     <p>Por&eacute;m, n&atilde;o s&atilde;o todos os participantes que procuram a segmenta&ccedil;&atilde;o, sendo que, num dos casais, parece  verificar-se uma certa fus&atilde;o dos contextos profissional e pessoal. Por trabalharem juntos, ambos os c&ocirc;njuges referem haver um  <i>&ldquo;complemento</i>&rdquo; do casal nas duas esferas. Parece existir uma perce&ccedil;&atilde;o de disponibilidade do outro, que &eacute;  visto como companheiro de trabalho e de vida (<i>&ldquo;Companheiro, no sentido de companhia! &Eacute; a companhia que eu tenho, &eacute; a ele que  eu tenho! E ele tem-me a mim. E estamos aqui para o que der e vier.&rdquo;</i>, 3F). </p>     <p>Para al&eacute;m dos diferentes posicionamentos relativamente &agrave; separa&ccedil;&atilde;o do trabalho e da fam&iacute;lia, tamb&eacute;m o  pr&oacute;prio conceito de segmenta&ccedil;&atilde;o difere de casal para casal. Se, para alguns, separar pap&eacute;is passa por tentar n&atilde;o  trazer tarefas laborais para realizar em casa, sem que isso impe&ccedil;a a partilha de assuntos profissionais com o c&ocirc;njuge (<i>&ldquo;Se  tiver que falar com o meu marido sobre o meu trabalho, falo&rdquo;</i>, 1F), outros percecionam este mesmo di&aacute;logo como prejudicial e,  portanto, evit&aacute;vel (<i>&ldquo;E depois falo dos problemas [do trabalho] com o meu marido, porque no emprego n&atilde;o sou de falar. Tenho  consci&ecirc;ncia que fa&ccedil;o mal, que n&atilde;o devo fazer isso, porque ele fica cansado e chateado&rdquo;</i>, 7F). As perspetivas sobre a  segmenta&ccedil;&atilde;o parecem, ainda, ser influenciadas pelas caracter&iacute;sticas da profiss&atilde;o e pelos significados atribu&iacute;dos  &agrave; mesma. Por exemplo, um dos participantes tem uma profiss&atilde;o de risco e, neste caso, a segmenta&ccedil;&atilde;o parece surgir como  estrat&eacute;gia de controlo da ansiedade, tanto para o pr&oacute;prio (<i>&ldquo;S&oacute; me lembro </i>[do trabalho] <i>quando tenho outro dia.  Ter que me levantar [risos], e chegar a tempo (...) A qualquer altura podemos ser chamados para uma situa&ccedil;&atilde;o em que podemos p&ocirc;r  a nossa vida em risco.&rdquo;</i>, 4M), como para a companheira (<i>&ldquo;Quando ele chega a casa, pergunto sempre se correu tudo bem, porque  &eacute; um trabalho de risco e..., mas n&atilde;o &eacute; uma coisa que nos ocupe muito tempo familiar. Falamos, algumas coisas, de  algumas situa&ccedil;&otilde;es, mas n&atilde;o muito.&rdquo;</i>, 4F). Por outro lado, os participantes que atribuem ao trabalho significados  maioritariamente funcionais (<i>&ldquo;O que &eacute; o trabalho que me traz? Um ordenado ao fim do m&ecirc;s, que &eacute; muito bom!&rdquo;</i>,  8F; <i>&ldquo;Com o trabalho pagamos a casa, damos de comer &agrave; pequenita...e pronto. &Eacute; assim, acho que o trabalho, para mim, significa  estabilidade.&rdquo;</i>, 8M) desvalorizando quest&otilde;es mais associadas &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o profissional (<i>N</i>=2) descrevem  uma maior facilidade na segmenta&ccedil;&atilde;o (<i>&ldquo;Trabalho &eacute; no trabalho, mais nada.&rdquo;</i>, 8M). </p>     <p>Ainda que, como referido, encontremos relatos de compensa&ccedil;&atilde;o e de segmenta&ccedil;&atilde;o, na maior parte das vezes, as duas  &aacute;reas tendem a interpor-se no dia-a-dia dos casais, que identificam uma elevada <i>interfer&ecirc;ncia. </i>O estudo deste mecanismo  &eacute; complexo e, para uma compreens&atilde;o mais completa das v&aacute;rias formas que assume, apresentaremos a an&aacute;lise diferenciada  das mesmas. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Interfer&ecirc;ncia positiva na dire&ccedil;&atilde;o trabalho-fam&iacute;lia</i>. Este aspeto &eacute; apenas referido pelos elementos de um  dos casais (casal 3), assumindo, para estes, uma relev&acirc;ncia significativa. Reportam-se &agrave; estabilidade profissional enquanto requisito  da pr&oacute;pria estabilidade familiar. Assim, a estabilidade profissional parece contribuir para uma maior tranquilidade, que se associa &agrave;  predisposi&ccedil;&atilde;o para experi&ecirc;ncias mais positivas na intera&ccedil;&atilde;o familiar (<i>&ldquo;A vida amorosa s&oacute; &eacute;  perfeita se o resto estiver bem alicer&ccedil;ado. E, neste momento, com a nossa profiss&atilde;o estabilizada, &eacute; muito  positivo.&rdquo;</i>, 3M). </p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Interfer&ecirc;ncia positiva na dire&ccedil;&atilde;o fam&iacute;lia-trabalho</i>. Esta interfer&ecirc;ncia esteve presente em grande parte  das entrevistas (<i>N</i>=9). Os indiv&iacute;duos referem-se &agrave; fam&iacute;lia como &ldquo;<i>estrutura-base</i>&rdquo; (5F), &ldquo;<i>a  estrutura da minha vida</i>&rdquo;, &ldquo;<i>centro da nossa vida</i>&rdquo; (7M). Este sentimento de perten&ccedil;a encontrado no n&uacute;cleo  familiar transmite for&ccedil;a e &ldquo;<i>uma tranquilidade</i>&rdquo; (1M) que parecem ajudar a encarar os desafios do quotidiano e, em  concreto, da vida profissional (&ldquo;<i>O facto de ter um bom n&uacute;cleo familiar ajuda na vida profissional.&rdquo;</i>, 5F). </p>     <p>Os discursos podem ser lidos &agrave; luz da teoria da vincula&ccedil;&atilde;o, nomeadamente a partir do conceito de base segura, aplicado  &agrave; rela&ccedil;&atilde;o conjugal (Waters &amp; Cummings, 2000). Assiste-se ao apoio e encorajamento de um parceiro &agrave;  explora&ccedil;&atilde;o e prossecu&ccedil;&atilde;o de objetivos pessoais do outro e, designadamente, ao investimento em contextos diversos, como  &eacute; o caso do contexto laboral (Hazan &amp; Shaver, 1990; Vasquez, Durik &amp; Hyde, 2002). Este aspeto &eacute; ilustrado no seguinte  excerto: </p>     <p><i>&ldquo;Se eu me sentir realizado a n&iacute;vel conjugal com a minha esposa, vou-me sentir mais forte, porque vou sentir que h&aacute; ali um  amor pr&oacute;ximo, um amor &uacute;nico, que nos une e que nos ajuda a levar a vida para a frente. Isso vai-me fortalecer muito mais por dentro.  E, portanto, quando eu for falar com... ou ter qualquer relacionamento profissional, ou que seja pessoal, eu vou muito mais fortalecido. </i>(...)  <i>A minha mulher n&atilde;o nos deixa ficar parados. Est&aacute; sempre... Leva-me sempre para a frente. Porque, &agrave;s vezes, temos  tend&ecirc;ncia a esmorecer, de nos deitar, etc., mas ela est&aacute; sempre ali! Parece que vai buscar energia, est&aacute; sempre pronta a levar  as coisas para a frente! Isso &eacute; muito bom para quem est&aacute; ao lado dela, porque apanhamos boleia dela e vamos com ela.&rdquo; </i>(7M).  Por sua vez, o sistema familiar (c&ocirc;njuge e filhos) &eacute; referido como fonte de satisfa&ccedil;&atilde;o. Deste modo, identificamos a  transfer&ecirc;ncia de humor positivo em casa para o trabalho (<i>&ldquo;Sa&iacute;mos de casa com mais energia, com um sorriso nos l&aacute;bios,  e &eacute; mais f&aacute;cil encarar os problemas do dia-a-dia.&rdquo;</i>, 4F). </p>     <p>&Eacute; ainda poss&iacute;vel que exista a transfer&ecirc;ncia de compet&ecirc;ncias desenvolvidas no seio familiar para o desempenho no  trabalho. Um dos participantes refere a sua perspetiva acerca do trabalho desenvolvido pela companheira, cujo desempenho avalia como  &ldquo;<i>fant&aacute;stico</i>&rdquo; (3M), associando as suas compet&ecirc;ncias &agrave;s desenvolvidas no &acirc;mbito da parentalidade. Esta,  por&eacute;m, n&atilde;o estabelece espontaneamente esta rela&ccedil;&atilde;o em nenhum momento da entrevista (<i>&ldquo;Enquanto mulher,  [ser m&atilde;e] &eacute; uma realiza&ccedil;&atilde;o muito grande. E eu gosto imenso de crian&ccedil;as, n&atilde;o &eacute;? Mas uma coisa  s&atilde;o os meus alunos e outra coisa s&atilde;o as minhas filhas.&rdquo;</i>, 3F). </p>     <p>A interfer&ecirc;ncia positiva da fam&iacute;lia para o trabalho surge com maior predomin&acirc;ncia nos discursos das mulheres (<i>N</i>=6)  comparativamente com os dos homens (<i>N</i>=3), algo que poder&aacute; estar associado a uma eventual maior sali&ecirc;ncia do envolvimento  familiar para as mesmas. Por outro lado, n&atilde;o podemos esquecer que este &eacute; um estudo de perce&ccedil;&otilde;es e um estudo  explorat&oacute;rio do discurso verbal dos sujeitos. Deste modo, a express&atilde;o emocional, tendencialmente maior nas mulheres (Blier &amp;  Blier-Wilson, 1989; Fiorentini, 2013), poder&aacute; ter uma influ&ecirc;ncia nesta quest&atilde;o. &Eacute; poss&iacute;vel que as mulheres  apresentem uma maior facilidade na express&atilde;o dos aspetos relacionais e emocionais que, emergentes da vida familiar, influenciam  positivamente a vida profissional. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Interfer&ecirc;ncia negativa na dire&ccedil;&atilde;o trabalho-fam&iacute;lia</i>. No que diz respeito ao mecanismo de  <i>interfer&ecirc;ncia</i>, esta &eacute; a dire&ccedil;&atilde;o mais enfatizada pelos participantes, tendo sido, ali&aacute;s, mencionada por  todos os entrevistados. O trabalho surge como modelador da vida familiar, n&atilde;o s&oacute; ao n&iacute;vel das din&acirc;micas, dos  hor&aacute;rios e das rotinas mas, tamb&eacute;m, da pr&oacute;pria estrutura familiar. Por exemplo, a decis&atilde;o de ter mais um filho &eacute;  seriamente ponderada de acordo com as especificidades da vida profissional, nomeadamente a estabilidade profissional e as quest&otilde;es  econ&oacute;micas (<i>&ldquo;Era precisoque as condi&ccedil;&otilde;es a n&iacute;vel financeiro e a estabilidade que existe agora se modificassem.  (...) &Eacute; caro ter um filho!&rdquo;</i>, 8M). </p>     <p>Novamente, a interfer&ecirc;ncia manifesta-se de diferentes formas. A mais &oacute;bvia prende-se com hor&aacute;rios de trabalho exigentes, que  &ldquo;<i>tiram tempo</i>&rdquo; (6F) &agrave; vida familiar e contribuem para a perce&ccedil;&atilde;o de &ldquo;<i>sobrecarga muito  maior</i>&rdquo; (6F) do pr&oacute;prio e do c&ocirc;njuge. Esta quest&atilde;o &eacute; agravada pelo facto de, muitas vezes, os participantes  terem necessidade de trazer trabalho para casa. De referir ainda que, de acordo com alguns estudos, o investimento da mulher no trabalho tem  influ&ecirc;ncia nos n&iacute;veis de <i>stress </i>experienciados pelo companheiro (Karambayya &amp; Reilly, 1992). Resultados semelhantes foram  encontrados por Ten Brummelhuis, Haar e van der Lippe (2010), que referem que os &iacute;ndices de exaust&atilde;o, irritabilidade e  ang&uacute;stia (<i>distress</i>) da mulher t&ecirc;m influ&ecirc;ncia nos n&iacute;veis de exaust&atilde;o, irritabilidade e ang&uacute;stia  (<i>distress</i>) do companheiro, mas n&atilde;o o contr&aacute;rio. Esta quest&atilde;o parece verificar-se no casal 2, em que a mulher refere  investir fortemente na sua carreira, desempenhando um cargo de gest&atilde;o (<i>&ldquo;Sempre tive um bom reconhecimento da minha vida  profissional.&rdquo;, </i>2F). Por sua vez, o marido explica que as exig&ecirc;ncias do trabalho da companheira t&ecirc;m uma influ&ecirc;ncia  negativa em si, sendo indutoras de <i>stress </i>(<i>&ldquo;H&aacute; certas alturas em que fico stressado, porque ela por vezes n&atilde;o tem  horas para chegar a casa. Reuni&otilde;es a altas horas, &agrave;s vezes ao s&aacute;bado...&rdquo;</i>, 2M), e dificultam a gest&atilde;o da  din&acirc;mica familiar (&ldquo;<i>A n&iacute;vel familiar, tamb&eacute;m... por vezes o mi&uacute;do quer a m&atilde;e, e a m&atilde;e ao  s&aacute;bado n&atilde;o est&aacute;, est&aacute; em reuni&otilde;es, ou porque tem exames para corrigir.&rdquo;</i>, 2M). </p>     <p>No casal 5, por sua vez, &eacute; o homem quem tem um trabalho especialmente exigente, que implica inclusivamente passar algumas noites fora de  casa. Ao longo da entrevista, descreve-nos elevados n&iacute;veis de <i>stress </i>(<i>&ldquo;nunca estou 100% tranquilo... teoricamente estou de  f&eacute;rias, mas estou a atender o telefone, estou a responder a e-mails, etc.&rdquo;</i>, 5M). Por&eacute;m, este <i>stress </i>n&atilde;o  emerge no discurso da companheira, que parece valorizar o investimento do marido na vida profissional. Ao descrever o companheiro, destaca:  &ldquo;<i>O meu marido &eacute; uma pessoa honesta, trabalhadora, de bom cora&ccedil;&atilde;o, sincero, um &oacute;timo pai e um &oacute;timo  marido.&rdquo;</i>, (5F). Por outro lado, a participante parece adotar uma atitude flex&iacute;vel, funcionando como apoio na  articula&ccedil;&atilde;o das necessidades da fam&iacute;lia e das exig&ecirc;ncias do trabalho do marido, algo reportado pelo parceiro. De referir  que as caracter&iacute;sticas do trabalho da mesma (e.g., n&atilde;o tem necessidade de levar trabalho para casa) parecem facilitar esta atitude  colaborativa. </p>     <p>Verifica-se muitas vezes uma elevada dificuldade em esquecer o trabalho, o que se traduz numa menor disponibilidade para o envolvimento na vida  familiar (<i>&ldquo;nunca estou 100% tranquilo&rdquo;</i>, 5M). Parece, ainda, ser comum (<i>N</i>=9) a transfer&ecirc;ncia para a fam&iacute;lia  do humor negativo gerado no trabalho (<i>&ldquo;Ela nota que eu ando um pouco em baixo, devido ao trabalho. Interage um pouco com a  fam&iacute;lia&rdquo;</i>, 2M), bem como do <i>stress </i>profissional (<i>&ldquo;O stress do dia-a-dia e depois chegar a casa e eles </i>[as  crian&ccedil;as] <i>pegarem-se... eles &agrave;s vezes exageram e por tabela exagero eu tamb&eacute;m.&rdquo;</i>, 6M). </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>De forma expressa ou impl&iacute;cita, surgem, repetidamente, relatos de cansa&ccedil;o f&iacute;sico e, sobretudo, psicol&oacute;gico que se  traduzem frequentemente na indisponibilidade para interagir de forma positiva com os filhos (<i>&ldquo;Chego extremamente cansado. Nesses  dias &eacute; dif&iacute;cil para me concentrar para conseguir brincar com eles como gostaria.&rdquo;</i>, 7M). Dada a elevada sali&ecirc;ncia que  o papel parental assume na vida dos indiv&iacute;duos (<i>&ldquo;</i>[Os meus filhos] <i>s&atilde;o parte de mim. Eu sem eles n&atilde;o sou eu,  j&aacute;. (...). Acho que, se me faltasse algum, morria parte de mim, mesmo. N&atilde;o sei imaginar a minha vida sem eles.&rdquo;</i>, 6F;  <i>&ldquo;A minha filha &eacute; tudo. (...) Se tivesse que dar tudo o que tenho por uma ou outra </i>[filha e esposa], <i>desfazia-me das coisas  sem problema nenhum.&rdquo;</i>, 8M), todas estas quest&otilde;es contribuem para a emerg&ecirc;ncia de marcados sentimentos de culpabilidade. </p>     <p>Para al&eacute;m da parentalidade, tamb&eacute;m a conjugalidade parece ser influenciada negativamente pelas quest&otilde;es profissionais.  Deste modo, o desinvestimento da rela&ccedil;&atilde;o conjugal parece ser acentuado pelo cansa&ccedil;o para v&aacute;rios participantes  (<i>N</i>=8), associando-se a uma perce&ccedil;&atilde;o de afastamento do casal (<i>&ldquo;Tamb&eacute;m o cansa&ccedil;o, o trabalho...  Tenho consci&ecirc;ncia que &eacute; da minha parte...&Agrave;s vezes n&atilde;o nos deixa estarmos t&atilde;o juntos, t&atilde;o  pr&oacute;ximos&rdquo;</i>, 7F). </p>     <p>A tens&atilde;o experienciada no trabalho reflete-se, em alguns casos (<i>N</i>=2), na sa&uacute;de dos participantes (<i>&ldquo;Eu quase todos  os dias chego com dores de cabe&ccedil;a, por isso o trabalho d&aacute;-me muita dor de cabe&ccedil;a&rdquo;</i>, 2M), o que interfere igualmente  com a vida em casa. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Interfer&ecirc;ncia negativa na dire&ccedil;&atilde;o fam&iacute;lia-trabalho</i>. A interfer&ecirc;ncia negativa nesta dire&ccedil;&atilde;o  parece surgir pontualmente na eventualidade de algum problema familiar que, segundo os participantes, tende a dificultar a capacidade de  concentra&ccedil;&atilde;o e de investimento no trabalho (<i>&ldquo;E, se a pessoa n&atilde;o estiver bem em casa, vai andar no trabalho e vai  andar a pensar nisso... n&atilde;o est&aacute; concentrado no trabalho&rdquo;</i>, 1M). Verifica-se ainda a transfer&ecirc;ncia do humor negativo  gerado no contexto familiar para o trabalho e os indiv&iacute;duos descrevem uma tend&ecirc;ncia para desencadear intera&ccedil;&otilde;es  negativas (<i>&ldquo;Se a pessoa tiver uma discuss&atilde;o em casa chega ao trabalho irritado... e, se calhar, come&ccedil;a tamb&eacute;m uma  chatice no trabalho.&rdquo;</i>, 8M). Ainda, o cansa&ccedil;o decorrente do cuidado dos filhos pequenos acaba por dificultar algumas vezes o  desempenho profissional (<i>&ldquo;Basta-me ter uma noite mal dormida, quando a minha filha era mais pequena, que tinha o dia logo a correr-me  muito mal!&rdquo;</i>, 5F). </p>     <p>Por outro lado, alguns participantes (<i>N</i>=4) manifestam a ren&uacute;ncia &agrave; persecu&ccedil;&atilde;o de determinados objetivos  profissionais por anteciparem dificuldades familiares e por recearem comprometer o desempenho do seu papel parental e conjugal (<i>&ldquo;Fui  pensando </i>[num projeto profissional diferente]<i>, mas nunca quis porque sabia o tempo que isso me ia tomar e o que ia perder em  casa.&rdquo;</i>, 6M). </p>     <p>A interfer&ecirc;ncia assume, por&eacute;m, outras formas, associando-se &agrave; idiossincrasia da experi&ecirc;ncia dos indiv&iacute;duos.  Numa das entrevistas, talvez pelo facto de o participante desempenhar uma profiss&atilde;o de risco, &eacute; relatada a dificuldade de  concentra&ccedil;&atilde;o no trabalho em alguns momentos, por se recordar do filho, experi&ecirc;ncia que parece ser vivida com ansiedade  (<i>&ldquo;Fico sempre muito ansioso porque vem-me sempre ao pensamento o meu filho, e fico ansioso para chegar a casa e v&ecirc;-lo c&aacute; em  casa.&rdquo;</i>, 4M). </p>     <p>A interfer&ecirc;ncia negativa da fam&iacute;lia para o trabalho &eacute; mais vezes referida pelos homens (<i>N</i>=7), ainda que as mulheres  tamb&eacute;m o abordem (<i>N</i>=5), resultado que parece diferir dos encontrados em estudos anteriores (Byron, 2005; Heraty, Morley, &amp;  Cleveland, 2008). Tendo em conta a maior quantidade de exig&ecirc;ncias familiares das mulheres comparativamente aos homens, poderia esperar-se que  estas relatassem com maior frequ&ecirc;ncia a perce&ccedil;&atilde;o de interfer&ecirc;ncia negativa da fam&iacute;lia para o trabalho. Contudo,  esta quest&atilde;o poder&aacute; estar relacionada com a eventual perce&ccedil;&atilde;o do trabalho familiar enquanto responsabilidade da mulher,  pelo que a realiza&ccedil;&atilde;o do mesmo contribuir&aacute; para a manuten&ccedil;&atilde;o e refor&ccedil;o da identidade de g&eacute;nero  (Fontaine, Andrade, Matias, Gato, &amp; Mendon&ccedil;a, 2007). </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Estrat&eacute;gias de concilia&ccedil;&atilde;o </i></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Quando questionados acerca das <i>&ldquo;receitas&rdquo; </i>que consideram importantes para <i>lidar com as exig&ecirc;ncias do dia-a-dia</i>,  os participantes identificaram diferentes estrat&eacute;gias de concilia&ccedil;&atilde;o das esferas do trabalho e da fam&iacute;lia, sendo que  algumas destas surgem associadas &agrave; <i>intimidade</i>. </p>     <p>A intimidade &eacute; um processo interpessoal, no qual dois parceiros se tornam f&iacute;sica e emocionalmente pr&oacute;ximos, permitindo-se  conhecer o outro e explorar-se na rela&ccedil;&atilde;o (Reis &amp; Shaver, 1988). Caracteriza-se pela capacidade de investir em  rela&ccedil;&otilde;es onde imperam a partilha e a mutualidade, sem que este envolvimento implique a perda do sentido de individualidade (Costa,  2005). A constru&ccedil;&atilde;o da intimidade sofre a influ&ecirc;ncia dos modelos internos din&acirc;micos do sujeito face a si pr&oacute;prio  (modelo de si) e face aos outros (modelo dos outros), que surgem como linhas orientadoras do investimento do indiv&iacute;duo nas  rela&ccedil;&otilde;es de proximidade (Bartholomew &amp; Horowitz, 1991). Estes modelos s&atilde;o (re)constru&iacute;dos ao longo do tempo, e a  forma como evoluem &eacute; complexa. Podemos dizer que s&atilde;o pautados por <i>continuidade </i>desde a inf&acirc;ncia at&eacute; &agrave;  idade adulta, visto que as experi&ecirc;ncias precoces com as figuras de vincula&ccedil;&atilde;o prim&aacute;rias t&ecirc;m influ&ecirc;ncia na  qualidade das rela&ccedil;&otilde;es futuras e no modo como o comportamento dos outros &eacute; interpretado. S&atilde;o tamb&eacute;m marcados por  <i>descontinuidade</i>, na medida em que as experi&ecirc;ncias das novas rela&ccedil;&otilde;es, numa fase mais tardia da vida, poder&atilde;o  contribuir para a reformula&ccedil;&atilde;o dos modelos iniciais. Deste modo, um indiv&iacute;duo com uma vincula&ccedil;&atilde;o insegura na  inf&acirc;ncia poder&aacute; estabelecer uma rela&ccedil;&atilde;o de seguran&ccedil;a na idade adulta, com um parceiro apoiante e atento &agrave;s  suas necessidades (Cassidy, 2000; Matos, 2002). </p>     <p>No que concerne &agrave; intimidade, Costa (2005) fala da import&acirc;ncia do respeito pelo outro e do investimento na resolu&ccedil;&atilde;o  construtiva de diferen&ccedil;as para a intimidade, quest&otilde;es frequentemente trazidas pelos participantes. </p>     <p>Assim, na subcategoria relativa ao <i>respeito pelo outro, </i>encontramos relatos de intimidade (<i>&ldquo;Respeitar e tentar compreender. Ser  compreensiva com a pessoa que est&aacute; ao nosso lado. Mas principalmente respeitar a pessoa.&rdquo;</i>, 4F). Alguns participantes falam, ainda,  da import&acirc;ncia da <i>aten&ccedil;&atilde;o ao outro </i>para a articula&ccedil;&atilde;o satisfat&oacute;ria das diferentes esferas  (<i>&ldquo;estar dispon&iacute;vel para estar atento ao outro, e ver se o outro est&aacute; a ser feliz.&rdquo;</i>, 7M). Por sua vez, a  <i>autenticidade </i>caracteriza-se pela capacidade da autorrevela&ccedil;&atilde;o, pela partilha genu&iacute;na de aspetos da individualidade, no  sentido de <i>&ldquo;ser verdadeiro, dizer aquilo que se sente&rdquo;</i>, (3F) e &eacute; uma das caracter&iacute;sticas destacadas pelos  participantes, enquanto aspeto importante na gest&atilde;o dos v&aacute;rios dom&iacute;nios da vida. Os participantes definem ainda, como  estrat&eacute;gias de concilia&ccedil;&atilde;o, aspetos que favorecem a proximidade do casal. Esta quest&atilde;o parece estar associada &agrave;  cren&ccedil;a de que &eacute; <i>&ldquo;preciso trabalhar para que a rela&ccedil;&atilde;o funcione.&rdquo;</i>, (4F). &Eacute; o caso dos  <i>momentos para o casal </i>(<i>&ldquo;Tenho que voltar a namorar a s&eacute;rio com a minha esposa, tenho que lhe prestar mais  aten&ccedil;&atilde;o...&rdquo;</i>, 7M). Por&eacute;m, mais do que a simples exist&ecirc;ncia de momentos a dois, ter tempo de qualidade com o  companheiro parece ser importante para a maioria dos entrevistados (<i>&ldquo;Ir tentando reinventar as coisas, e tentar aproveitar o tempo que  temos.&rdquo;</i>, 6M). Ainda que identifiquem como uma poss&iacute;vel estrat&eacute;gia, os casais referem que nem sempre &eacute;  poss&iacute;vel ter este espa&ccedil;o para a d&iacute;ade, n&atilde;o apenas pelas circunst&acirc;ncias do quotidiano mas tamb&eacute;m porque,  por vezes, o subsistema conjugal &eacute; intersetado pelo parental. </p>     <p>Por fim, o <i>di&aacute;logo </i>&eacute; identificado como estrat&eacute;gia pela maioria dos participantes. Parecem recorrer-lhe enquanto  estrat&eacute;gia de resolu&ccedil;&atilde;o construtiva do conflito (<i>&ldquo;Se temos um ponto de vista diferente, nunca o mostramos &agrave;  frente dela </i>[da filha]<i>. E conversamos depois &agrave; parte.&rdquo;</i>, 5F), mas tamb&eacute;m enquanto meio de <i>self-disclosure</i>  (&ldquo;<i>N&atilde;o vou discutir esse tipo de coisas com a minha m&atilde;e ou com o meu irm&atilde;o, porque &eacute; com o meu marido que eu  vivo, &eacute; com ele que eu partilho tudo e mais alguma coisa.&rdquo;</i>, 3F) e de presta&ccedil;&atilde;o de apoio ao companheiro  (&ldquo;<i>Vejo logo que h&aacute; preocupa&ccedil;&atilde;o a n&iacute;vel profissional ou a n&iacute;vel sentimental, dou logo conta disso.  Tentamos conversar um pouco, a ver se resolvemos a situa&ccedil;&atilde;o.&rdquo;</i>, 2M). A integra&ccedil;&atilde;o do <i>self-disclosure </i>na  categoria da intimidade surge na sequ&ecirc;ncia de resultados da literatura que mostram que a capacidade e o desejo para realizar o mesmo, bem  como a sua adequa&ccedil;&atilde;o ao contexto, parecem estar associados a dimens&otilde;es da vincula&ccedil;&atilde;o ao parceiro amoroso  (Mikulincer &amp; Shaver, 2007). Deste modo, sujeitos seguros apresentam uma maior capacidade de <i>self-disclosure </i>do que indiv&iacute;duos  com padr&otilde;es de vincula&ccedil;&atilde;o mais inseguros, uma vez que criam expectativas positivas acerca da disponibilidade e responsividade  do outro, pelo que valorizam e s&atilde;o capazes de autorrevela&ccedil;&atilde;o, numa frequ&ecirc;ncia e adapta&ccedil;&atilde;o ao contexto  adequadas (Mikulincer &amp; Shaver, 2007). Nas rela&ccedil;&otilde;es de intimidade, &eacute; esperado um equil&iacute;brio entre as  dimens&otilde;es da proximidade e da solitude. Assim, o indiv&iacute;duo que mant&eacute;m uma vincula&ccedil;&atilde;o segura &eacute; capaz de  autonomia e de estar sozinho, investindo em &aacute;reas importantes para si como o trabalho e, simultaneamente, de <i>ser </i>na  rela&ccedil;&atilde;o, numa l&oacute;gica de investimento e de interdepend&ecirc;ncia m&uacute;tua (Costa, 2005; Vasquez et al., 2002). A  rela&ccedil;&atilde;o de proximidade que mant&eacute;m com o parceiro transmite um sentimento de seguran&ccedil;a que inclusivamente incentiva o  comporta mento de explora&ccedil;&atilde;o de contextos externos ao casal, como &eacute; o caso do meio laboral (Fonseca, Soares &amp; Martins,  2006; Matias, Vieira, &amp; Matos, in press; Vasquez et al., 2002). O comporta mento de vincula&ccedil;&atilde;o, por sua vez, caracteriza-se pela  procura do outro, especialmente em situa&ccedil;&otilde;es percecionadas como de amea&ccedil;a, numa tentativa de restabelecimento do sentido de  seguran&ccedil;a percebida (Ainsworth, 1989; Bowlby, 1969). Neste processo, tem um papel fundamental a ativa&ccedil;&atilde;o do sistema  comportamental de presta&ccedil;&atilde;o de cuidados do parceiro, que alerta o parceiro para as necessidades do outro e o motiva a providenciar  apoio e conforto (Collins &amp; Feeney, 2000; Collins &amp; Ford, 2010). </p>     <p>Por&eacute;m, em momentos de crise ou de ativa&ccedil;&atilde;o emocional, nem sempre os sujeitos procuram o apoio do companheiro. Pelo  contr&aacute;rio, em alguns casos verifica-se o recurso ao <i>evitamento </i>(<i>&ldquo;Eu, se puder guardar sempre tudo para mim, guardo.  S&oacute; que, depois, manifesto pela minha forma de reagir. Afasto-me muito, e... pronto.&rdquo;</i>, 2F), que implica um movimento inverso  &agrave; procura de proximidade, atrav&eacute;s do afastamento do parceiro. A utiliza&ccedil;&atilde;o desta estrat&eacute;gia associa-se, por  vezes, &agrave; perce&ccedil;&atilde;o negativa do conflito. Por&eacute;m, sabemos que a intimidade tamb&eacute;m se desenvolve no conflito, que  surge como meio para a afirma&ccedil;&atilde;o e valida&ccedil;&atilde;o do pr&oacute;prio <i>self </i>enquanto diferente do outro (Costa, 2005). </p>     <p>A influ&ecirc;ncia da conjugalidade nas din&acirc;micas trabalho-fam&iacute;lia surgiu, ainda, no estudo de Vieira e colaboradores (2012), no  qual a vincula&ccedil;&atilde;o ao parceiro rom&acirc;ntico caracterizada por n&iacute;veis de ansiedade elevados se associava a elevados  &iacute;ndices de conflito trabalho-fam&iacute;lia que, por sua vez, prediziam elevados n&iacute;veis de <i>stress </i>parental. Por sua vez, os  resultados de Matias et al. (in press) indicaram que a orienta&ccedil;&atilde;o para a carreira parece operar a liga&ccedil;&atilde;o entre a  vincula&ccedil;&atilde;o evitante e o conflito trabalho-fam&iacute;lia. Deste modo, indiv&iacute;duos mais evitantes na rela&ccedil;&atilde;o com o  parceiro amoroso tendem a investir mais na carreira e a experienciar n&iacute;veis mais elevados de conflito trabalho-fam&iacute;lia, e no caso das  mulheres, tamb&eacute;m n&iacute;veis inferiores de enriquecimento fam&iacute;lia-trabalho. Num outro estudo, Fonseca e colaboradores (2006)  encontraram uma rela&ccedil;&atilde;o significativa entre o estilo de vincula&ccedil;&atilde;o e a orienta&ccedil;&atilde;o para o trabalho. Deste  modo, indiv&iacute;duos com estilos de vincula&ccedil;&atilde;o segura e evitante apresentam, na maioria, uma orienta&ccedil;&atilde;o segura para  o trabalho. Por outro lado, os autores encontraram que indiv&iacute;duos com uma vincula&ccedil;&atilde;o insegura-ansiosa/ambivalente t&ecirc;m  tend&ecirc;ncia para apresentar uma orienta&ccedil;&atilde;o insegura-ansiosa/ambivalente no trabalho. </p>     <p>Como esperado, para al&eacute;m destas estrat&eacute;gias mais associadas &agrave; rela&ccedil;&atilde;o, surgem as relativas &agrave;  funcionalidade, associada a caracter&iacute;sticas como a estabilidade, a harmonia e a avalia&ccedil;&atilde;o positiva da rela&ccedil;&atilde;o  (Costa, 2005; Narciso &amp; Costa, 1996). A no&ccedil;&atilde;o de <i>equipa, </i>referida pela maioria dos casais (<i>N</i>=12), parece englobar  estas duas dimens&otilde;es: a intimidade e a funcionalidade. Estes participantes relatam uma complementaridade dos elementos do casal ao  n&iacute;vel da realiza&ccedil;&atilde;o das tarefas. Assim, segundo os entrevistados, a divis&atilde;o destas tem por base as exig&ecirc;ncias da  esfera profissional de cada elemento do casal: <i>&ldquo;Cada um tem que dar o m&aacute;ximo que pode, n&atilde;o &eacute;? &Eacute; o bem comum e  o objetivo comum&rdquo; </i>(6M). &Eacute; interessante perceber que, embora em alguns casos se mantenha uma divis&atilde;o mais definida das  tarefas por cada c&ocirc;njuge (<i>&ldquo;Normalmente, a parte do exterior &eacute; dele&rdquo;</i>, 5F), muitas vezes esta divis&atilde;o  n&atilde;o &eacute; r&iacute;gida (<i>&ldquo;n&atilde;o &eacute; que seja rigoroso&rdquo;</i>, 6M). N&atilde;o obstante, apesar desta aparente  flexibilidade na gest&atilde;o das tarefas familiares, parece existir, nos casais que dividem tarefas de forma equitativa, uma tend&ecirc;ncia para  cobrar ao outro a sua participa&ccedil;&atilde;o ativa, sendo que <i>&ldquo;se um tiver que limpar a casa, o outro tem que fazer outra  coisa&rdquo; </i>(3M). A &ecirc;nfase dada a esta quest&atilde;o da justi&ccedil;a na divis&atilde;o do trabalho dom&eacute;stico por v&aacute;rios  participantes (<i>&ldquo;Nunca h&aacute; aquela situa&ccedil;&atilde;o de eu estar muito atrapalhada e estar o meu marido no sof&aacute; sem fazer  nada.&rdquo;</i>, 4F) leva-nos a refletir acerca dos motivos subjacentes a esta regra impl&iacute;cita de que, quando um dos elementos do casal  desempenha uma tarefa dom&eacute;stica, o outro n&atilde;o dever&aacute; estar num momento de lazer. Por vezes, parece estar associada ao receio de  manuten&ccedil;&atilde;o dos modelos de rela&ccedil;&atilde;o mais tradicionais: <i>&ldquo;Mete-me bastante impress&atilde;o aqueles casais...  &agrave; moda antiga, n&atilde;o &eacute;? O pai sentado no sof&aacute; sem fazer nenhum, e a m&atilde;e ali &agrave; volta com os filhos e com o  trabalho&rdquo; </i>(6F). &Eacute; poss&iacute;vel que os indiv&iacute;duos procurem, deste modo, a contradi&ccedil;&atilde;o dos mesmos,  contabilizando o desempenho de cada um nas tarefas dom&eacute;sticas. </p>     <p>Ainda que, por vezes, os pap&eacute;is n&atilde;o se distanciem de forma marcada dos tradicionais, continuando a responsabilidade pelas tarefas  dom&eacute;sticas a ser atribu&iacute;da &agrave; mulher (<i>&ldquo;Eu praticamente fa&ccedil;o tudo! N&atilde;o &eacute;? J&aacute; &eacute; o que  uma mulher faz sempre.&rdquo;</i>, 8F), &eacute; percet&iacute;vel, no discurso dos homens, uma preocupa&ccedil;&atilde;o relativamente &agrave;  sobrecarga das companheiras: &ldquo;<i>Principalmente ao fim-de-semana, tento alivi&aacute;-la disso.&rdquo; </i>(8M). Esta aten&ccedil;&atilde;o  &eacute; confirmada nos discursos das mulheres (<i>&ldquo;Se ele &agrave;s vezes me v&ecirc; um bocadinho mais atrapalhada, ele inicia o jantar;  ou, se eu estou a fazer o jantar, e ele v&ecirc; que as camas est&atilde;o por fazer, ele faz-me as camas...&rdquo;</i>, 3F). Ainda que assumam a  responsabilidade pela realiza&ccedil;&atilde;o das tarefas dom&eacute;sticas, algo identific&aacute;vel nomeadamente na formula&ccedil;&atilde;o  &ldquo;faz-<i>me </i>as camas&rdquo;, de um modo geral, as mulheres confirmam a manifesta&ccedil;&atilde;o do cuidado descrito pelos maridos. </p>     <p>No exerc&iacute;cio da parentalidade, esta quest&atilde;o de g&eacute;nero parece n&atilde;o se colocar do mesmo modo (Byron, 2005). Como  sugerido por Relvas (2006), verifica-se um esbatimento das diferen&ccedil;as dos pap&eacute;is paterno e materno (<i>&ldquo;Agora, a n&iacute;vel  do nosso filho, dividimos todas as tarefas: desde o banhinho, mudar a fralda, dar de comer.&rdquo;</i>, 4M). A divis&atilde;o das tarefas inerentes  &agrave;s responsabilidades parentais parece, por&eacute;m, ser influenciada pelos hor&aacute;rios laborais de cada um dos c&ocirc;njuges,  diferindo as quest&otilde;es da complementaridade de casal para casal. A literatura mostra que, muitas vezes, embora ambos os pais se envolvam  ativamente no exerc&iacute;cio da parentalidade, as tarefas desempenhadas por mulheres e homens no que diz respeito aos filhos s&atilde;o  qualitativamente diferentes (Haddock et al., 2002; Pimenta et al., 2010). Contudo, esta diferencia&ccedil;&atilde;o n&atilde;o emerge dos relatos  dos entrevistados, no que diz respeito ao cuidado dos filhos. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Com base no discurso dos participantes, organizaram-se as restantes estrat&eacute;gias em subcate gorias de <i>coping</i>, que coincidem com as  identificadas por Neal e Hammer (2009) no &acirc;mbito do seu estudo com casais em que ambos trabalham, inseridos na gera&ccedil;&atilde;o  &ldquo;<i>sandwich</i>&rdquo;. Ainda que os participantes do presente estudo se encontrem numa fase desenvolvimental distinta, as categorias  emergentes da an&aacute;lise de conte&uacute;do dos discursos pareceram enquadrar-se nas propostas pelos autores. Assim, na subcategoria <i>coping  cognitivo</i>, inserimos o recurso ao <i>planeamento e organiza&ccedil;&atilde;o </i>(<i>&ldquo;Podemos na mesma fazer tudo! S&oacute; que tem  &eacute; uma log&iacute;stica diferente, n&atilde;o &eacute;?&rdquo;</i>, 6F), aspeto que, por vezes, se cruza com o estabelecimento de rotinas  (<i>&ldquo;Porque &eacute; uma vida com muitas rotinas&rdquo; [risos]</i>, 1M). </p>     <p>Os indiv&iacute;duos referem que procuram ainda <i>desdramatizar</i>, aspeto que se associa a um esfor&ccedil;o consciente para instituir uma  postura de flexibilidade em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s quest&otilde;es do quotidiano (<i>&ldquo;N&atilde;o nos preocupamos muito com a casa  durante a semana. Ao fim-de-semana h&aacute; de se arranjar tempo para dar um jeitinho.&rdquo;</i>, 5F) e &agrave;s pr&oacute;prias  diverg&ecirc;ncias familiares (<i>&ldquo;Tento conversar de forma a n&atilde;o dar muita import&acirc;ncia &agrave;s coisas, relativizar o  problema...&rdquo;</i>, 4F). Em alguns momentos, os participantes dizem recorrer a <i>pensamentos positivos </i>e &agrave;  <i>centra&ccedil;&atilde;o no presente</i>. Ainda no que diz respeito &agrave;s estrat&eacute;gias de <i>coping </i>cognitivo, emerge a  <i>focaliza&ccedil;&atilde;o no trabalho</i>, que se traduz no estar &ldquo;<i>l&aacute; intensivamente</i>&rdquo; (7M), num esfor&ccedil;o de  concentra&ccedil;&atilde;o para um bom desempenho que, &agrave; partida, permitir&aacute; uma maior estabilidade profissional (<i>&ldquo;Resta-nos  a n&oacute;s, no dia-a-dia, no nosso trabalho, fazermos o melhor para n&atilde;o termos nenhum motivo onde possam agarrar.&rdquo;</i>, 5F). Por  outro lado, focalizar no trabalho permite, em alguns casos, n&atilde;o passar tanto tempo longe da fam&iacute;lia (<i>&ldquo;Eu vou tentar ser o  mais objetiva poss&iacute;vel, n&atilde;o perder tempo, para que possa sair mais cedo, para mais cedo ir buscar o meu filho e estar com  ele.&rdquo;</i>, 4F), o que facilita a concilia&ccedil;&atilde;o das duas esferas. </p>     <p>Paralelamente &agrave;s quest&otilde;es cognitivas, encontram-se as relativas ao <i>coping emocional, </i>no qual surgem estrat&eacute;gias como  a <i>f&eacute; </i>e a ado&ccedil;&atilde;o de uma atitude de <i>persist&ecirc;ncia</i>. Para articular as v&aacute;rias dimens&otilde;es da vida  de forma adaptativa, os entrevistados destacam, ainda, que procuram ter <i>calma e paci&ecirc;ncia</i>. Por &uacute;ltimo, os participantes referem  a <i>focaliza&ccedil;&atilde;o na fam&iacute;lia</i>, muitas vezes relacionada com a disponibilidade emocional para a mesma (<i>&ldquo;S&oacute;  passo a pensar nos problemas no dia seguinte. Enquanto estou com eles, pronto...&rdquo;</i>, 1M) e com o tempo de qualidade passado com os  familiares, em especial com os filhos (<i>&ldquo;Sempre que estou com eles, tento estar com eles mesmo, e brincar com eles...&rdquo;</i>, 7M).  Neste &acirc;mbito, podemos refletir acerca da import&acirc;ncia dos rituais familiares. Os rituais s&atilde;o pr&aacute;ticas que encerram em si  conjuntos de significados co-constru&iacute;dos e partilhados pelos membros da fam&iacute;lia (Crespo, 2011). &Eacute; o caso do ritual do momento  da refei&ccedil;&atilde;o em conjunto (<i>&ldquo;O sagrado da mesa. O estar &agrave; mesa para comer. Tentar preservar isso.&rdquo;</i>, 3M) e de  outros, espec&iacute;ficos de cada fam&iacute;lia (<i>&ldquo;Depois vamos dar banho ao nosso filho, os dois. Tamb&eacute;m &eacute; um momento de  brincadeira e de estarmos os tr&ecirc;s, que &eacute; sempre divertido, a hora do banho!&rdquo;</i>, 4F). &Eacute; esperado pelos v&aacute;rios  elementos da fam&iacute;lia que o padr&atilde;o de intera&ccedil;&otilde;es se repita. Esta expectativa aproxima os indiv&iacute;duos e  transmite-lhes um sentido de seguran&ccedil;a, j&aacute; que os rituais contribuem para o estabelecimento de uma estrutura previs&iacute;vel e  est&aacute;vel ao longo do tempo (Spagnola &amp; Fiese, 2007). Assim, os pais assumem um papel de ritualizadores, o que progressivamente contribui  para a integra&ccedil;&atilde;o de um sentimento de perten&ccedil;a e de modelos de socializa&ccedil;&atilde;o nas crian&ccedil;as (Crespo, 2011). </p>     <p>Por fim, o <i>coping comportamental </i>engloba as estrat&eacute;gias de promo&ccedil;&atilde;o de envolvimento social (Neal &amp; Hammer,  2009). De facto, os casais referem o apoio informal, nomeadamente da <i>fam&iacute;lia alargada</i>. Neste aspeto, surge a import&acirc;ncia da  dist&acirc;ncia geogr&aacute;fica como facilitador ou barreira &agrave; participa&ccedil;&atilde;o das fam&iacute;lias de origem neste quotidiano  (<i>&ldquo;Os meus pais tamb&eacute;m moram l&aacute; perto, e isso ajuda bastante.&rdquo;, </i>5F). Os amigos raramente s&atilde;o identificados  como um apoio e, por vezes, &eacute; apontada a falta de disponibilidade dos mesmos (<i>&ldquo;Eu costumo dizer que os amigos s&oacute; s&atilde;o  para a parte boa. Para a parte de conv&iacute;vio e assim.&rdquo;</i>, 2F). S&atilde;o ainda referidos apoios formais, obtidos atrav&eacute;s da  <i>contrata&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os</i>, como &eacute; o caso de empregadas dom&eacute;sticas e de amas. Importa referir que n&atilde;o  se espera que a procura de apoio, nomeadamente no seio da fam&iacute;lia alargada, tenha sempre um valor instrumental. Por vezes, este apoio  tamb&eacute;m poder&aacute; ser emocional. Na verdade, n&atilde;o esperamos que as categorias identificadas sejam mutuamente exclusivas, uma vez  que os aspetos que estas encerram s&atilde;o interdependentes. Por&eacute;m, a organiza&ccedil;&atilde;o das mesmas emerge do discurso dos  entrevistados e, no caso espec&iacute;fico do apoio social, a perspetiva de <i>coping </i>comporta -mental surgiu, em detrimento das  quest&otilde;es emocionais. </p>     <p>De destacar que muitos participantes fizeram quest&atilde;o de frisar que, apesar do apoio recebido por estas entidades, o principal recurso de  que disp&otilde;em &eacute;, em &uacute;ltima inst&acirc;ncia, o do casal, enfatizando a postura ativa que assumem nestas quest&otilde;es  (<i>&ldquo;Todo os apoios, n&oacute;s &eacute; que os procuramos&rdquo;</i>, 3M). Este resultado &eacute; concordante com as conclus&otilde;es de  Matias e colaboradores (2010) relativamente &agrave; proatividade das fam&iacute;lias portuguesas no processo de concilia&ccedil;&atilde;o. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conclus&atilde;o </b></p>     <p>O presente estudo teve como objetivo explorar o modo como vivem os casais com filhos pequenos a concilia&ccedil;&atilde;o entre a vida familiar  e o investimento profissional. Ainda que os resultados tenham vindo a ser integrados com a literatura na sec&ccedil;&atilde;o anterior, parece  importante sintetizar algumas quest&otilde;es emergentes dos discursos, nomeadamente as relativas ao papel da rela&ccedil;&atilde;o conjugal na  experi&ecirc;ncia da concilia&ccedil;&atilde;o. </p>     <p>Os resultados sugerem que a intimidade assume uma dupla fun&ccedil;&atilde;o. Em primeiro lugar, enquanto <i>fim </i>em si mesmo, para o  bem-estar individual e para a satisfa&ccedil;&atilde;o com a rela&ccedil;&atilde;o conjugal. Por outro lado, enquanto <i>meio </i>para atingir uma  articula&ccedil;&atilde;o funcional e satisfat&oacute;ria da rela&ccedil;&atilde;o entre trabalho e fam&iacute;lia. Se a rela&ccedil;&atilde;o  conjugal &eacute; encarada como base segura (Collins &amp; Feeney, 2000; Waters &amp; Cummings, 2000), faz sentido que a promo&ccedil;&atilde;o da  intimidade contribua para uma maior capacidade de explora&ccedil;&atilde;o de diferentes &aacute;reas, nomeadamente no que diz respeito &agrave;s  possibilidades de concilia&ccedil;&atilde;o dos v&aacute;rios pap&eacute;is exercidos (Matias et al., in press; Vasquez et al., 2002). </p>     <p>Ainda que seja necess&aacute;ria alguma precau&ccedil;&atilde;o na an&aacute;lise dos resultados, estes parecem trazer pistas importantes para a  pr&aacute;tica cl&iacute;nica, refor&ccedil;ando nomeadamente a pertin&ecirc;ncia da interven&ccedil;&atilde;o ao n&iacute;vel das dimens&otilde;es  mais relacionais e da intimidade, para al&eacute;m das mais funcionais, para as quest&otilde;es da concilia&ccedil;&atilde;o. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A interven&ccedil;&atilde;o n&atilde;o dever&aacute;, contudo, resumir-se ao n&iacute;vel microssist&eacute;mico. Numa perspetiva  sociopol&iacute;tica, advoga-se a import&acirc;ncia da cria&ccedil;&atilde;o de apoios institucionais &agrave;s fam&iacute;lias, que permitam uma  articula&ccedil;&atilde;o mais eficaz, sem preju&iacute;zo de dimens&otilde;es essenciais como o tempo familiar, aspeto tantas vezes referido pelos  participantes. Torna-se, assim, importante o desenho de investiga&ccedil;&otilde;es que procurem estudar quais as medidas de apoio &agrave;  fam&iacute;lia mais eficazes para a concilia&ccedil;&atilde;o fam&iacute;lia-trabalho (Brough &amp; O&rsquo;Driscoll, 2010) e, deste modo,  contribuir para que os casais vivam a multiplicidade de pap&eacute;is em pleno e sem experi&ecirc;ncias de culpabilidade. </p>     <p>Este trabalho apresenta algumas limita&ccedil;&otilde;es que dever&atilde;o ser referidas. Ao contr&aacute;rio do que seria desej&aacute;vel num  estudo qualitativo, a satura&ccedil;&atilde;o dos dados n&atilde;o foi garantida. Assim, acreditamos que as hist&oacute;rias descritas n&atilde;o  descrevem a totalidade de viv&ecirc;ncias poss&iacute;veis e estamos conscientes de que uma recolha de dados mais exaustiva permitiria aceder a  experi&ecirc;ncias qualitativamente diferentes das que aqui s&atilde;o apresentadas. </p>     <p>Por outro lado, o processo de tratamento dos dados n&atilde;o &eacute; imparcial. Apesar do esfor&ccedil;o efetuado no sentido do rigor na  representa&ccedil;&atilde;o fi&aacute;vel das perce&ccedil;&otilde;es dos entrevistados, os esquemas interpretativos n&atilde;o s&atilde;o livres  de influ&ecirc;ncias das grelhas de leitura pr&eacute;vias dos investigadores. Esta &eacute; uma interpreta&ccedil;&atilde;o poss&iacute;vel das  hist&oacute;rias recolhidas, que n&atilde;o pretende reunir todas as leituras poss&iacute;veis, e que n&atilde;o &eacute; pass&iacute;vel de ser  generalizada. </p>     <p>N&atilde;o obstante, a informa&ccedil;&atilde;o recolhida poder&aacute; contribuir para o desenho de novas investiga&ccedil;&otilde;es sobre o  tema. A t&iacute;tulo de exemplo, se assumirmos que a qualidade da rela&ccedil;&atilde;o conjugal poder&aacute; ter um papel facilitador na  articula&ccedil;&atilde;o das esferas familiar e profissional e, tendo em conta o crescente n&uacute;mero de n&uacute;cleos familiares  monoparentais no atual contexto portugu&ecirc;s, poderia ser importante investigar as din&acirc;micas de concilia&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m  nestas fam&iacute;lias. Tornar-se-ia, ainda, interessante perceber quais os desafios da concilia&ccedil;&atilde;o fam&iacute;lia-trabalho vividos  pelos casais sem filhos. </p>     <p>Por outro lado, nesta amostra, todos os participantes se encontravam a desempenhar uma atividade profissional. Considerando a elevada taxa de  desemprego ao n&iacute;vel nacional, seria necess&aacute;rio perceber que din&acirc;micas assumem as fam&iacute;lias quando um dos elementos do  casal enfrenta uma situa&ccedil;&atilde;o de desemprego, ou quando ambos se encontram em situa&ccedil;&otilde;es laborais prec&aacute;rias. </p>     <p>Em suma, apesar das limita&ccedil;&otilde;es, consideramos que o presente estudo contribui para a compreens&atilde;o do fen&oacute;meno complexo  da concilia&ccedil;&atilde;o fam&iacute;lia-trabalho, alertando para a import&acirc;ncia da proximidade e da seguran&ccedil;a emocionais vividas na  rela&ccedil;&atilde;o rom&acirc;ntica para uma viv&ecirc;ncia mais positiva dos dois dom&iacute;nios. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias </b></p>     <!-- ref --><p>Aboim, S. (2007). Clivagens e continuidades de g&eacute;nero face aos valores da vida familiar em Portugal e noutros pa&iacute;ses europeus. In  K. Wall &amp; L. Am&acirc;ncio (Eds.), <i>Fam&iacute;lia e g&eacute;nero em Portugal e na Europa. </i>Lisboa: ICS.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000121&pid=S0870-8231201500030000600001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Ainsworth, M. D. S. (1989). Attachments beyond infancy. <i>American Psychologist, 44</i>, 709-716.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000123&pid=S0870-8231201500030000600002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p>Alarc&atilde;o, M. (2006). <i>(Des)equil&iacute;brios familiares &ndash; Uma vis&atilde;o sist&eacute;mica </i>(3&ordf; ed.). Coimbra: Quarteto  Ed. </p>     <!-- ref --><p>Bardin, L. (1977). <i>An&aacute;lise de conte&uacute;do</i>. Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es 70, Lda.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000126&pid=S0870-8231201500030000600004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Bartholomew, K., &amp; Horowitz, L. M. (1991). Attachment styles among young adults: A test of a four category model. <i>Journal of Personality  and Social Psychology, 61</i>, 226-244.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000128&pid=S0870-8231201500030000600005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Blier, M. J., &amp; Blier-Wilson, L. A. (1989). Gender differences in self-rated emotional expressiveness. <i>Sex Roles, 21</i>, 287-295.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000130&pid=S0870-8231201500030000600006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p>Bowlby, J. (1969). <i>Attachment and loss. Vol. 1: Attachment. </i>London: Hogarth Press. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Brough, P., &amp; O&rsquo;Driscoll, M. P. (2010). Organizational interventions for balancing work and home demands: An overview. <i>Work &amp;  Stress, 24</i>, 280-297. </p>     <!-- ref --><p>Brunell, A. B., Pilkington, C. J., &amp; Webster, G. D. (2007). Perceptions of risk in intimacy in dating couples: Conversation and relationship  quality. <i>Journal of Social and Clinical Psychology, 26</i>, 92-119.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000134&pid=S0870-8231201500030000600009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Byron, K. (2005). A meta-analytic review of work-family conflict and its antecedents. <i>Journal of Vocational Behavior, 67</i>, 169-198.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000136&pid=S0870-8231201500030000600010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Carlson, D. S., Kacmar, K. M., Wayne, J. H., &amp; Grzywacz, J. G. (2006). Measuring the positive side of the work-family interface: Development  and validation of a work-family enrichment scale. <i>Journal of Vocational Behaviour, 68</i>, 131-164.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000138&pid=S0870-8231201500030000600011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Carter, B. L., &amp; McGoldrick, M. (2005). <i>The expanded family lifecycle: Individual, family, and social perspectives</i>  (3<Sup>rd </Sup>ed.). New York: Allyn and Bacon.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000140&pid=S0870-8231201500030000600012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Cassidy, J. (2000). Adult romantic attachments: A developmental perspective on individual differences. <i>Review of General Psychology, 4</i>,  111-131.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000142&pid=S0870-8231201500030000600013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Costa, M. E. (2005). <i>&Agrave; procura da intimidade</i>. Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es Asa.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000144&pid=S0870-8231201500030000600014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Collins, N. L., &amp; Feeney, B. C. (2000). A safe haven: An attachment theory perspective on support seeking and caregiving in intimate  relationships. <i>Journal of Personality and Social Psychology, 78</i>, 1053-1073.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000146&pid=S0870-8231201500030000600015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Collins, N. L., &amp; Ford, M. B. (2010). Responding to the needs of others: The caregiving behavioral system in intimate relationships.  <i>Journal of Social and Personal Relationships, 27</i>, 235-244.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000148&pid=S0870-8231201500030000600016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p>Crespo, C. (2011). &ldquo;&Agrave; mesa com a fam&iacute;lia&rdquo;: Rituais familiares ao longo do ciclo de vida. In P. M. Matos, C. Duarte,  &amp; M. E. Costa (Eds.), <i>Fam&iacute;lias: Quest&otilde;es de desenvolvimento e interven&ccedil;&atilde;o. </i>Porto: Livpsic. </p>     <!-- ref --><p>Deutsch, F. M. (2001). Equally shared parenting. <i>American Psychological Society, 10</i>, 25-28.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000151&pid=S0870-8231201500030000600018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Elizur, D. (1986). Work and nonwork relations: A facet analysis. <i>Journal of General Psychology, 114</i>, 47-55.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000153&pid=S0870-8231201500030000600019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Evans, P., &amp; Bartolome, F. (1984). The changing pictures of relationships between career and family. <i>Journal of Occupational Behavior,  5</i>, 9-21.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000155&pid=S0870-8231201500030000600020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Fiorentini, C. (2013). Gender and emotion expression, experience, physiology and well being: A psychological perspective. In I. M. Latu, M. S.  Mast, &amp; S. Kaiser (Eds.), <i>Gender and emotion. An interdisciplinary perspective</i> (pp. 15-42). Bern: Peter Lang.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000157&pid=S0870-8231201500030000600021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Fonseca, M., Soares, I., &amp; Martins, C. (2006). Estilos de vincula&ccedil;&atilde;o, orienta&ccedil;&atilde;o para o trabalho e  rela&ccedil;&otilde;es profissionais. <i>Psicologia, 20</i>, 187-208.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000159&pid=S0870-8231201500030000600022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Fontaine, A. M., Andrade, C., Matias, M., Gato, J., &amp; Mendon&ccedil;a, M. (2007). Family and work division in portuguese dual earner  families. In I. Crespi (Ed.), <i>Gender mainstreaming and family policy in Europe: Perspectives, research and debates</i> (pp. 167-198).  Macerata: EUM.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000161&pid=S0870-8231201500030000600023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Greenhaus, J., &amp; Powell, G. (2006). When work and family are allies: A theory of work-family enrichment. <i>Academy of Management Review,  31</i>, 72-92.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000163&pid=S0870-8231201500030000600024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Gubrium, J. F., &amp; Holstein, J. A. (2001). <i>Handbook of interview research: Context &amp; method</i>. Thoudand Oaks: Sage Publications.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000165&pid=S0870-8231201500030000600025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Haddock, S. A., Zimmerman, T. S., Current, L. R., &amp; Harvey, A. (2008). The parenting practices of dual-earner couples who successfully  balance family and work<i>. Journal of Feminist Family Therapy, 14, </i>37-55.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000167&pid=S0870-8231201500030000600026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Haddock, S. A., Zimmerman, T. S., Ziemba, S. J., &amp; Current, L. R. (2001). Ten adaptive strategies for family and work balance: Advice from  successful families. <i>Journal of Marital and Family Therapy, 27</i>, 445-458.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000169&pid=S0870-8231201500030000600027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Hazan, C., &amp; Shaver, P. (1990). Love and work: An attachment-theoretical perspective. <i>Journal of Personality and Social Psychology,  59</i>, 270-280.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000171&pid=S0870-8231201500030000600028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Heraty, N., Morley, M., &amp; Cleveland, J. (2008). The work-family dyad: Multi-level perspectives. <i>Journal of Managerial Psychology, 23</i>,  447-483.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000173&pid=S0870-8231201500030000600029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p>Instituto Nacional de Estat&iacute;stica (INE). (2012). <i>Censos 2011 &ndash; An&aacute;lise dos principais resultados</i>. Obtido em 10 de setembro  2013 em <a href="http://censos.ine.pt/" target="_blank">http://censos.ine.pt/</a> </p>     <!-- ref --><p>Karambayya, R., &amp; Reilly, A. H. (1992). Dual earner couples: Attitudes and actions in restructuring work for family. <i>Journal of  Organizational Behavior, 12</i>, 585-601.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000176&pid=S0870-8231201500030000600031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Matias, M., Fontaine, A. M., Sim&atilde;o, C., Oliveira, E., &amp; Mendon&ccedil;a, M. (2010). A concilia&ccedil;&atilde;o  trabalho-fam&iacute;lia em casais de duplo-emprego. In C. Nogueira et al. (Eds.), <i>Actas do VII Simp&oacute;sio Nacional de  Investiga&ccedil;&atilde;o em Psicologia </i>(pp. 963-977). Braga: Universidade do Minho.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000178&pid=S0870-8231201500030000600032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Matias, M., Vieira, J., &amp; Matos, P. M. (in press). Attachment and work-family dynamics in dual-earner couples: A dyadic approach. In S.  Walper, E.-V. Wendt, &amp; F. Schmahl (Eds.), <i>Development of partnership relations from adolescence to adulthood - Psychological and sociological  perspectives</i>. Berlin: Springer.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000180&pid=S0870-8231201500030000600033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Matos, P. M. (2002). <i>(Des)continuidades na vincula&ccedil;&atilde;o aos pais e ao par amoroso em adolescentes. </i>Tese de doutoramento  apresentada &agrave; Faculdade de Psicologia e de Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o da Universidade do Porto.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000182&pid=S0870-8231201500030000600034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Marks, S. R. (1977). Multiple roles and role strain: Some notes on human energy, time and commitment. <i>American Sociological Review, 42</i>,  921-936.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000184&pid=S0870-8231201500030000600035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Mikulincer, M., &amp; Shaver, P. R. (2007). <i>Attachment in adulthood: Structure, dynamics, and change. </i>New York: Guilford Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000186&pid=S0870-8231201500030000600036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Narciso, I., &amp; Costa, E. (1996). Amores satisfeitos, mas n&atilde;o perfeitos. <i>Cadernos de Consulta Psicol&oacute;gica, 12</i>, 115-130.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000188&pid=S0870-8231201500030000600037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Neal, M. B., &amp; Hammer, L. B. (2009). Dual-earner couples in the sandwiched generation: Effects of coping strategies over time. <i>The  Psychologist-Manager Journal, 12</i>, 205-234.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000190&pid=S0870-8231201500030000600038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Pimenta, M., Ver&iacute;ssimo, M., Monteiro, L., &amp; Costa, I. P. (2010). O envolvimento paterno de crian&ccedil;as a frequentar o  jardim-de-inf&acirc;ncia. <i>An&aacute;lise Psicol&oacute;gica, 4</i>, 565-580.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000192&pid=S0870-8231201500030000600039&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Relvas, A. P. (2006). <i>O ciclo vital da fam&iacute;lia. Perspectiva sist&eacute;mica </i>(4&ordf; ed.). Porto: Edi&ccedil;&otilde;es  Afrontamento.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000194&pid=S0870-8231201500030000600040&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Reis, H. T., &amp; Shaver, P. (1988). Intimacy as an interpersonal process. In S. Duck (Ed.), <i>Handbook of personal relationships:  Theory, research and interventions</i>. Chichester: John Wiley &amp; Sons.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000196&pid=S0870-8231201500030000600041&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Rice, D. G. (1979). <i>Dual-career marriage</i>. New York: The Free Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000198&pid=S0870-8231201500030000600042&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Rothbard, N. (2001). Enriching or depleting?. The dynamics of engagement in work and family roles. <i>Administrative Science Quarterly, 46</i>,  655-684.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000200&pid=S0870-8231201500030000600043&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Spagnola, M., &amp; Fiese, B. H. (2007). Family routines and rituals: A context for development in the lives of young children. <i>Infants and  Young Children, 20</i>, 284-299.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000202&pid=S0870-8231201500030000600044&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Strauss, A., &amp; Corbin, J. (1998). <i>Basics of qualitative research: Techniques and procedures for developing grounded  theory </i>(2<Sup>nd </Sup>ed.)<i>. </i>Thousand Oaks: Sage Publications.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000204&pid=S0870-8231201500030000600045&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Sumer, H., &amp; Knight, P. (2001). How do people with different attachments styles balance work and family?. A personality on work-family  linkage. <i>Journal of Applied Psychology, 86</i>, 653-663.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000206&pid=S0870-8231201500030000600046&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Ten Brummelhuis, L., Haar, J. M., &amp; van der Lippe, T. (2010). Crossover of distress due to work and family demands in dual-earner couples:  A dyadic analysis. <i>Work &amp; Stress, 24</i>, 324-341.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000208&pid=S0870-8231201500030000600047&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Vasquez, K., Durik, A., &amp; Hyde, J. (2002). Family and work: Implications of adult attachment styles. <i>Personality and Social Psychology  Bulletin, 28</i>, 874-886.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000210&pid=S0870-8231201500030000600048&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Ver&iacute;ssimo, M., Pimenta, M., Borges, P., Costa, I. P., Monteiro, L., Torres, N., &amp; Martins, C. (2013). Percep&ccedil;&otilde;es  parentais acerca dos conflitos e benef&iacute;cios associados com a gest&atilde;o da fam&iacute;lia e do trabalho. <i>Diaphora, 13</i>, 1-8.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000212&pid=S0870-8231201500030000600049&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Vieira, J. M., &Aacute;vila, M., &amp; Matos, P. M. (2012). Attachment and parenting: The mediating role of work-family balance in Portuguese  parents of preschool children. <i>Family Relations, 61</i>, 31-50.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000214&pid=S0870-8231201500030000600050&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Waters, E., &amp; Cummings, E. M. (2000). A secure base from which to explore close relationships. <i>Child Development, 71</i>, 164-72.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000216&pid=S0870-8231201500030000600051&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><a name="c0" id="c0"></a><a href="#topc0">CORRESPONDÊNCIA</a></b></p>     <p>A correspond&ecirc;ncia relativa a este artigo dever&aacute; ser enviada para: Mariana Mendon&ccedil;a, Faculdade de Psicologia e de  Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o da Universidade do Porto, Rua Alfredo Allen, 4200-135 Porto. E-mail:  <a href="mailto:mariana.olival.mendonca@gmail.com">mariana.olival.mendonca@gmail.com</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Este estudo integra-se no projeto PTDC/MHC-CED/5218/2012, financiado pelo FEDER, atrav&eacute;s do programa COMPETE e por  fundos nacionais atrav&eacute;s da FCT.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Submiss&atilde;o: 27/05/2014 Aceita&ccedil;&atilde;o: 24/03/2015 </p>     <p>&nbsp;</p>     <p>NOTAS</p>     <p><Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup> <i>M</i>=N&uacute;mero de participantes do sexo masculino; <i>F</i>=N&uacute;mero de  participantes do sexo feminino. </p>     <p><Sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></Sup> O gui&atilde;o da entrevista pode ser consultado, mediante solicita&ccedil;&atilde;o &agrave;s  autoras. </p>     <p><Sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></Sup> Por quest&otilde;es de confidencialidade, a identifica&ccedil;&atilde;o dos sujeitos &eacute;  realizada atrav&eacute;s de um c&oacute;digo, no qual se atribui o primeiro algarismo ao n&uacute;mero do casal segundo a ordem em que foi  entrevistado. A letra diz respeito ao g&eacute;nero, sendo que a letra M significa &ldquo;masculino&rdquo; e a letra F &ldquo;feminino&rdquo;. </p>      ]]></body><back>
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