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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Studies on spirituality have increased in recent years in the scientific field. Researchers try to understand to what extent spirituality affects human behavior, individually or collectively. The controversy lies, however, around the construct of spirituality and whether, or not, this is (in)separable of two other ones dating back to its conceptual origins: the constructs of religion and religiosity. This paper aims pointing out the possible paths of generating consensus that can encompass different sensibilities and overcome the dispersion of definitions that studies suffer, in order to bring more consistency to the constructs, on behalf of the scientificity of the studies in this area.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>Espiritualidade: Contributos para uma clarifica&ccedil;&atilde;o do conceitos</b></p>     <p><b>Maria Nazarete Costa Catr&eacute;<sup>1</sup>, Joaquim Armando Ferreira<sup>2</sup>, Teresa Pessoa<sup>2</sup>,  Ac&aacute;cio Catr&eacute;<sup>2</sup>, Maria Costa Catr&eacute;<sup>3</sup></b></p>     <p><sup>1</sup>Faculdade de Psicologia e de Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o da Universidade de Coimbra / Faculdade de Psicologia da  Universidade de Lisboa</p>     <p><sup>2</sup>Faculdade de Psicologia e de Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o da Universidade de Coimbra</p>     <p><sup>3</sup>Faculdade de Ci&ecirc;ncias e Tecnologia da Universidade de Coimbra</p>     <p><a name="topc0"></a><a href="#c0">Correspondência</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Os estudos sobre espiritualidade t&ecirc;m proliferado, nestes &uacute;ltimos anos, no campo cient&iacute;fico. Os investigadores tentam  perceber em que medida &eacute; que ela afeta o comportamento humano, quer individual, quer coletivamente. A controv&eacute;rsia reside, no  entanto, em torno do constructo da espiritualidade e se este &eacute;, ou, n&atilde;o (in)dissoci&aacute;vel de dois outros que remontam &agrave;s  suas origens conceptuais: os constructos da religi&atilde;o e da religiosidade. Com este artigo, pretendemos contribuir para uma  clarifica&ccedil;&atilde;o daquele conceito, apontando os caminhos geradores de poss&iacute;veis <i>consensus</i> capazes de abarcar distintas  sensibilidades e ultrapassar a dispers&atilde;o das defini&ccedil;&otilde;es que grassam os estudos, por forma a tornar os constructos mais  consistentes, em prol da cientificidade das investiga&ccedil;&otilde;es nesta &aacute;rea.    <p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Palavras-chave</b>: Espiritualidade, Religi&atilde;o, Religiosidade.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>Studies on spirituality have increased in recent years in the scientific field. Researchers try to understand to what extent spirituality  affects human behavior, individually or collectively. The controversy lies, however, around the construct of spirituality and whether, or not, this  is (in)separable of two other ones dating back to its conceptual origins: the constructs of religion and religiosity. This paper aims pointing out  the possible paths of generating consensus that can encompass different sensibilities and overcome the dispersion of definitions that studies  suffer, in order to bring more consistency to the constructs, on behalf of the scientificity of the studies in this area.</p>     <p><b>Key words</b>: Spirituality, Religion, Religiousness.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>Se &eacute; um facto que a espiritualidade come&ccedil;ou a ser um dos t&oacute;picos abordados a partir da d&eacute;cada de 60 do s&eacute;culo  XX (Barros Oliveira, 2007), certo &eacute; que, atualmente, com a Psicologia Positiva (Seligman, 2008), assiste-se a um <i>boom</i> de estudos  nessa &aacute;rea, por aquela incluir (nas vinte e quatro for&ccedil;as e virtudes, cujo exerc&iacute;cio regular produz a emo&ccedil;&atilde;o  positiva e tornam a pessoa virtuosa), a Transcend&ecirc;ncia, da qual fazem parte a espiritualidade, o sentido de vida, a f&eacute; e a  religiosidade.</p>     <p>&Eacute; not&oacute;rio que o mundo secularizado em que vivemos em muito contribuiu para que houvesse uma reestrutura&ccedil;&atilde;o do papel  e da fun&ccedil;&atilde;o que a espiritualidade desempenhou durante s&eacute;culos, imbricada que estava, anteriormente, na religi&atilde;o e na  religiosidade.</p>     <p>Embora sob uma nova vestidura, a espiritualidade continua, ainda assim, a influenciar o comportamento humano, n&atilde;o s&oacute; individual,  mas tamb&eacute;m coletivamente. E, por isso, as Ci&ecirc;ncias Humanas e Sociais n&atilde;o podem ficar alheias a esta situa&ccedil;&atilde;o,  ademais quando proliferam, cada vez mais, os estudos nesta &aacute;rea.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O enunciar de &ldquo;novas&rdquo; espiritualidades, ou de v&aacute;rias formas de viver a espiritualidade, torna imperioso, todavia, que o  constructo seja objeto de uma clarifica&ccedil;&atilde;o. Importa, antes de mais, que saibamos do que falamos, quando nos referimos &agrave;  espiritualidade. Para isso, iniciaremos este nosso trabalho com uma incurs&atilde;o que vai desde as origens mais remotas da espiritualidade, da  sua conceptualiza&ccedil;&atilde;o, at&eacute; &agrave; atualidade, para que possamos compreend&ecirc;-la enquanto constructo, assim como as  dificuldades que foram surgindo em torno do mesmo. Sendo a maioria desses estudos oriundos dos Estados Unidos da Am&eacute;rica, e havendo uma  grande dispers&atilde;o dos mesmos, utiliz&aacute;mos como crit&eacute;rio para apresentar a literatura atual, os estudos que, de forma  sint&eacute;tica, agrupam os v&aacute;rios &ldquo;tipos&rdquo; de espiritualidade. Para abordar as j&aacute; referidas dificuldades,  reportar-nos-emos aos autores que t&ecirc;m vindo, de forma mais sistem&aacute;tica, a suscitar essa problem&aacute;tica.</p>     <p>Constitui nosso objetivo, no entanto, ir mais al&eacute;m do que a controv&eacute;rsia que existe sobre os constructos da religi&atilde;o e da  espiritualidade. Por isso, da leitura das publica&ccedil;&otilde;es daqueles autores e, ainda, de outros que, mais recentemente, partem da  an&aacute;lise dos estudos sobre a espiritualidade (para tentar encontrar referenciais comuns), apresentaremos as propostas que v&atilde;o surgindo  no meio acad&eacute;mico para tentar ultrapassar aquela controv&eacute;rsia. Conforme teremos oportunidade de constatar, essas propostas anseiam  tornar-se geradoras de um, h&aacute; muito, almejado consenso que dote os constructos de uma maior consist&ecirc;ncia, em prol da cientificidade  dos estudos, sobretudo na &aacute;rea da espiritualidade.</p>     <p>Debru&ccedil;ar-nos-emos, igualmente, sobre a quest&atilde;o, apresentando uma an&aacute;lise cr&iacute;tica sobre a mesma, dando, assim, o  nosso contributo para que se alcance esse consenso.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Evolu&ccedil;&atilde;o do conceito de espiritualidade</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>As origens</i></p>     <p>Ainda que sem qualquer possibilidade de se poder precisar a origem e o desenvolvimento das cren&ccedil;as e pr&aacute;ticas religiosas do ser  humano, porque n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel fossilizar as cren&ccedil;as e as ideias (Eliade, 1978), precisando o momento exato do seu  surgimento, verificamos que h&aacute; uma unidade profunda e indivis&iacute;vel na hist&oacute;ria espiritual e religiosa da humanidade. Ao  recuarmos no tempo, encontramos dois marcos que assinalam uma viragem na Hist&oacute;ria da Humanidade e que est&atilde;o diretamente relacionados  com a espiritualidade e a religiosidade do ser humano.</p>     <p>O primeiro marco situa-se no per&iacute;odo pr&eacute;-hist&oacute;rico: quando o ser humano se ergueu nas duas pernas, adotando a postura  ereta, passou a relacionar-se significativamente com o mundo: o espa&ccedil;o passou a estar organizado em torno de um centro &ndash; o corpo  &ndash; que lhe permitiu distanciar-se em rela&ccedil;&atilde;o ao que o rodeava, observando o que estava &agrave; sua frente, atr&aacute;s,  &agrave; direita, &agrave; esquerda, em cima, em baixo. Tal conduziu-o ao questionamento, tornando-o capaz de transcender a situa&ccedil;&atilde;o  concreta. S&oacute; essa dist&acirc;ncia, em rela&ccedil;&atilde;o ao que o rodeia, &eacute; que permitiu, segundo May (1977), que o ser humano  indagasse, que se questionasse e, uma vez impulsionado por este questionar-se, &eacute; que o mesmo partiu &agrave; descoberta. Consequentemente,  colocou ao seu servi&ccedil;o o que o rodeava, fabricando objetos e ferramentas. Ao fabricar essas ferramentas, o ser humano construiu um mundo  mais humano, inaugurando a sua identidade enquanto ser dotado de humanidade (Arendt, 1995). Ainda que a constru&ccedil;&atilde;o de ferramentas  pudesse ter, inicialmente, um valor utilit&aacute;rio, assegurando, juntamente com o dom&iacute;nio do fogo, a sobreviv&ecirc;ncia e o  desenvolvimento da esp&eacute;cie humana, n&atilde;o deixou de produzir, tamb&eacute;m, um universo de valores m&iacute;tico-religiosos, o qual  aparece expresso nas cren&ccedil;as e mitologias que encontramos em torno daquelas mesmas ferramentas, existindo s&eacute;rias probabilidades de o  <i>Homo faber</i> ser, simultaneamente, <i>homo religiosus</i> (Eliade, 1978).</p>     <p>O segundo marco hist&oacute;rico tem lugar ao longo do primeiro mil&eacute;nio a.C. com o surgimento de uma nova matriz civilizacional, entre os  anos 800-200 a.C. Jaspers (2003) designa esse tempo como &ldquo;tempo-axial&rdquo;. Na China com Conf&uacute;cio e Lao-Tse, no Ir&atilde;o com  Zaratustra, na Gr&eacute;cia com v&aacute;rios fil&oacute;sofos (dos quais ganha particular destaque S&oacute;crates), na &Iacute;ndia inicialmente  com a Tradi&ccedil;&atilde;o V&eacute;dica e depois com Buda, na Palestina primeiramente com os profetas e depois com Jesus Cristo, acentua-se uma  viragem na Hist&oacute;ria da Humanidade: do cosmol&oacute;gico para o antropol&oacute;gico; do <i>mythos</i> para o <i>logos</i>. Surgem, neste  <i>tempo do eixo</i>, dois novos paradigmas: (1) o da Transcend&ecirc;ncia como raz&atilde;o ou <i>logos</i>, presente no pensamento  filos&oacute;fico grego, que se manifesta como <i>Sophia</i> ou <i>Sapientia</i> (e que est&aacute; associada &agrave; Contempla&ccedil;&atilde;o,  considerada a forma mais elevada do conhecimento); (2) o da Revela&ccedil;&atilde;o ou F&eacute; do Povo de Israel (que se encontra plasmada na  Palavra B&iacute;blica, que &eacute; Palavra de Salva&ccedil;&atilde;o). Trata-se, em suma, de duas formas de conhecimento da Transcend&ecirc;ncia,  uma, a raz&atilde;o, proveniente da filosofia grega e outra, a revela&ccedil;&atilde;o, oriunda da tradi&ccedil;&atilde;o judaico-crist&atilde;,  cuja estrutura &eacute; teoc&ecirc;ntrica.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Destinados, aparentemente, a percorrer caminhos paralelos, afastando-se um do outro, aqueles dois paradigmas ir&atilde;o, no entanto,  aproximar-se, direcionando um novo rumo na Hist&oacute;ria da Humanidade. &Eacute; do encontro, intera&ccedil;&atilde;o e  interpenetra&ccedil;&atilde;o entre um e outro paradigma que nascer&aacute;, na Idade M&eacute;dia, o discurso filos&oacute;fico-teol&oacute;gico  crist&atilde;o. que Este ir&aacute; influenciar profundamente a cultura ocidental e, consequentemente, a conce&ccedil;&atilde;o de espiritualidade,  at&eacute; ao advento da modernidade (Lima Vaz, 2002). Partindo do pressuposto de que a f&eacute; e a raz&atilde;o s&atilde;o elementos que fazem  parte da sabedoria e que a f&eacute; ilumina a raz&atilde;o, a filosofia passa a ser conduzida em fun&ccedil;&atilde;o da teologia e a verdade  racional subordina-se &agrave; verdade revelada. Santo Agostinho (354-430 d.C.) e S. Tom&aacute;s de Aquino (1227-1274 d.C.), arautos,  respetivamente, da patr&iacute;stica e da escol&aacute;stica, s&atilde;o dois nomes que influenciar&atilde;o a conce&ccedil;&atilde;o da  espiritualidade medieval, destacando-se pelas linhas de pensamento filos&oacute;ficas com que se identificam. Santo Agostinho, inspirado pelos  &ldquo;livros dos plat&oacute;nicos e depois de por eles ter sido levado a procurar a verdade incorp&oacute;rea&rdquo; (Santo Agostinho, trad.  2001), distingue duas formas de conhecimento: uma <i>mut&aacute;vel e temporal</i> &ndash; a que ocorre atrav&eacute;s dos sentidos (estes  apreendem os objetos exteriores) &ndash; outra que &eacute; <i>imut&aacute;vel e verdadeira</i> e que ocorre atrav&eacute;s da  ilumina&ccedil;&atilde;o divina (sendo, neste caso, o conhecimento alcan&ccedil;ado atrav&eacute;s da alma). Esta, sendo superior ao corpo,  n&atilde;o s&oacute; o anima, o vivifica, como procura a verdade, que &eacute; o pr&oacute;prio Deus. S. Tom&aacute;s de Aquino, por sua vez,  orientando-se mais para o mundo natural como cria&ccedil;&atilde;o de Deus, distingue a natureza da alma humana, das almas dos outros seres (da  <i>alma vegetativa</i>, pr&oacute;pria dos seres vegetais e da <i>alma sensitiva </i>inerente aos animais), por ser uma <i>alma imaterial</i>. S.  Tom&aacute;s de Aquino, inspirado em Arist&oacute;teles, vem afirmar que aquela se encontra unida ao corpo: este n&atilde;o pode existir nem viver  sem a alma e, ainda que imortal, esta &uacute;ltima, n&atilde;o tem uma vida plena sem o corpo. E, porque espiritual, a alma humana &eacute;  imortal, contrariamente &agrave;s almas dos outros seres (Freitas, 2004).</p>     <p>&Eacute; neste contexto filos&oacute;fico-teol&oacute;gico medieval que a palavra espiritualidade ganhar&aacute; visibilidade. Como  voc&aacute;bulo, remonta, assim, ao per&iacute;odo da patr&iacute;stica, e podemos encontr&aacute;-lo num texto de Pel&aacute;gio (pp. 423-429)  <i>De scientia divinae</i>: &ldquo;<i>Age, ut in spiritualitate proficias</i>&rdquo; que significa &ldquo;Comporta-te do modo a progredir na  espiritualidade&rdquo; (Secondin, 2002, p. 28).</p>     <p>O Bispo de Avit, Viena, ainda no s&eacute;culo V, por sua vez, endere&ccedil;ando uma carta ao seu irm&atilde;o Apolin&aacute;rio, utiliza  igualmente aquela express&atilde;o, <i>spiritualitate</i> e, no s&eacute;culo VI, Dion&iacute;sio, o Pequeno, ao traduzir o tratado <i>De opificio  hominis</i> (Sobre a cria&ccedil;&atilde;o do homem), de Greg&oacute;rio de Nissa, &ldquo;exprimiu o termo grego <i>pneumatik&eacute;</i> pelo  latino <i>spiritualem viam</i> (alguns manuscritos, por&eacute;m, registam <i>spiritualitatem</i>), explicando-o da seguinte forma &ldquo;Consiste  na perfei&ccedil;&atilde;o da vida segundo Deus&rdquo; (Secondin, 2002, p. 29).</p>     <p>&Eacute; entre os s&eacute;culos IX e XI que o termo <i>spiritualitas</i> se propaga, associado a uma vida segundo o Esp&iacute;rito de Deus, ou  seja, tendo presente uma vida &agrave; luz da f&eacute;, dependente da gra&ccedil;a divina. Nos prim&oacute;rdios do s&eacute;culo XII o uso  daquele voc&aacute;bulo torna-se mais frequente, ganhando outros sentidos: (1) como algo imaterial que est&aacute; em oposi&ccedil;&atilde;o  &agrave; mat&eacute;ria, a realidades temporais, tang&iacute;veis; (2) &ldquo;no &acirc;mbito da administra&ccedil;&atilde;o dos bens da Igreja  (<i>vicarius in spiritualitate</i>), com significado, portanto, mais especificamente jur&iacute;dico, em oposi&ccedil;&atilde;o a  <i>materialitas</i>, que designa os bens temporais comuns.&rdquo; (Secondin, 2002, p. 31); (3) em sentido filos&oacute;fico, em  contraposi&ccedil;&atilde;o a <i>corporeitas/corporalitas</i>.</p>     <p>&Eacute;, todavia, o sentido origin&aacute;rio &ndash; religioso e eminentemente crist&atilde;o &ndash; que predominar&aacute;: a  espiritualidade como dependente da Gra&ccedil;a divina encontra-se presente no ser humano atrav&eacute;s do Esp&iacute;rito (Sopro) de Deus. Para  compreendermos melhor esta conce&ccedil;&atilde;o, temos que trazer &agrave; cola&ccedil;&atilde;o o significado que foi atribu&iacute;do <i>ad  initio</i>, pela tradi&ccedil;&atilde;o judaico-crist&atilde;, &agrave; palavra <i>spiritus</i>, na qual repousa etimologicamente a palavra  espiritualidade. Esse significado origin&aacute;rio &eacute; o mesmo das palavras <i>ruah</i> (do hebraico) e <i>pneuma</i> (do grego). A palavra  <i>ruah</i> aparece, na B&iacute;blia, no Antigo Testamento, como o vento, isto &eacute;, o ar em movimento, que possibilita a vida; como o ar da  respira&ccedil;&atilde;o, que sustenta e anima o corpo sendo, sobretudo, sin&oacute;nimo do h&aacute;lito de <i>Iahweh</i> (Deus), atrav&eacute;s  do qual o ser humano se torna um ser vivente, ou seja, ganha vida. No Novo Testamento, a palavra <i>pneuma</i> aparece com o mesmo significado de  <i>ruah</i>, ou seja, como vento, ar, respira&ccedil;&atilde;o, Esp&iacute;rito de Deus. Estes tr&ecirc;s conceitos &ndash; <i>spiritus</i>,  <i>ruah</i> e <i>pneuma</i> &ndash; s&atilde;o distintos de outros tr&ecirc;s: <i>anima</i> (do latim) <i>nefesh</i> (do hebraico) e  <i>psiqu&ecirc;</i> (do grego), que significam <i>alma</i> e que correspondem &agrave; dimens&atilde;o ps&iacute;quica, afetiva, intelectiva,  relacional do ser humano. Trata-se do centro vital da pessoa, uma realidade viva, que se constr&oacute;i na rela&ccedil;&atilde;o com Deus, que  &eacute; o princ&iacute;pio, o fundamento e a sustenta&ccedil;&atilde;o da vida. Distinguem-se, igualmente, dos termos <i>caro</i> (do latim),  <i>basar</i> (do hebraico) e <i>s&aacute;rx</i> (do grego) &ndash; que correspondem &agrave; <i>carne</i>, ou seja &agrave; nossa realidade  f&iacute;sica, biol&oacute;gica e, como tal, exprimem a precariedade, debilidade e fragilidade do ser humano, numa palavra, a sua finitude &ndash;  apartando-se, ainda, da palavra <i>s&ocirc;ma</i>, que significa a corporeidade do ser humano atrav&eacute;s da qual este se relaciona com os  demais e com o mundo que o rodeia.</p>     <p>De acordo com a antropologia judaico-crist&atilde;, o ser humano &eacute; um s&oacute;, ainda que possa ser visto nesta tr&iacute;plice  dimens&atilde;o: <i>corpo</i>, <i>alma</i> e <i>esp&iacute;rito</i>. Como <i>corpo</i> que &eacute;, o ser humano relaciona-se, num plano  horizontal, com os outros e com o mundo. Enquanto <i>alma</i>, o ser humano &eacute; uma identidade na medida em que constitui o centro individual  de consci&ecirc;ncia, aberto a uma rela&ccedil;&atilde;o, em sentido vertical, com Deus, que &eacute; <i>esp&iacute;rito</i>.</p>     <p>De todas as dimens&otilde;es apresentadas, a que se revela fundamental &eacute; a dimens&atilde;o espiritual, uma vez que pressup&otilde;e a  rela&ccedil;&atilde;o com Deus, e o que qualifica, em &uacute;ltima inst&acirc;ncia, a vida humana, na sua interioridade  (<i>anima/nefesh/psiqu&ecirc;</i>) e na sua fragilidade e finitude (<i>caro/basar/s&aacute;rx</i>), &eacute; o sopro divino  (<i>spiritus/ruah/pneuma</i>) que, para a tradi&ccedil;&atilde;o judaico-crist&atilde;, constitui o selo da imagem de Deus no ser humano. Esta  vis&atilde;o tem como consequ&ecirc;ncia o apelo &agrave; santidade e &agrave; perfei&ccedil;&atilde;o, na medida em que o ser humano &eacute;  portador do sopro de Deus, que &eacute; santo e perfeito. S. Paulo, na 1&ordf; Carta aos Cor&iacute;ntios 6, 19, expressa metaforicamente esta  conce&ccedil;&atilde;o: &ldquo;N&atilde;o sabeis que o vosso corpo &eacute; o templo do Esp&iacute;rito Santo, que habita em v&oacute;s, porque o  recebestes de Deus, e que v&oacute;s j&aacute; n&atilde;o vos pertenceis?&rdquo;.</p>     <p>A busca de Deus e a procura da santidade acentuar-se-&atilde;o, por isso, e segundo esta conce&ccedil;&atilde;o, ao longo de toda a Idade  M&eacute;dia, tendo como mediadora a Igreja e a Religi&atilde;o. A sem&acirc;ntica deste &uacute;ltimo voc&aacute;bulo aponta, <i>de per si</i>,  caminhos para a compreens&atilde;o da espiritualidade que &eacute; herdeira dessa &eacute;poca hist&oacute;rica. De entre as ace&ccedil;&otilde;es  poss&iacute;veis para a palavra <i>religio</i>, prevaleceu a de <i>re-ligare</i> que, significando unir, tornar a ligar, sublinha a  rela&ccedil;&atilde;o entre o ser humano e Deus, sendo esta a etimologia adotada por S. Tom&aacute;s de Aquino nos seus escritos. Representando o  pecado original a priva&ccedil;&atilde;o da santidade e da justi&ccedil;a originais, a natureza humana, segundo S. Tom&aacute;s de Aquino,  encontra-se enfraquecida nas suas for&ccedil;as, apesar de estar destinada a um fim mais alto mesmo depois do pecado, este sim, contr&aacute;rio  &agrave; Lei eterna. Por isso, torna-se necess&aacute;rio que a mesma se volte a ligar (<i>re-ligare</i>) a Deus, o que acontece atrav&eacute;s da  <i>religio</i> (religi&atilde;o). Esta aparece definida como o conjunto de la&ccedil;os que unem o ser humano a Deus, por meio da sua atividade  simb&oacute;lica, da qual fazem parte a linguagem, os ritos e os gestos que lhe s&atilde;o pr&oacute;prios.</p>     <p>As vicissitudes hist&oacute;ricas posteriores, trazidas pelo alvorecer da proclama&ccedil;&atilde;o da racionalidade do indiv&iacute;duo, levam  &agrave; consequente afirma&ccedil;&atilde;o, em Psicologia, do <i>Homo Psychologicus</i> que conduz &agrave; &ldquo;morte de Deus&rdquo;  (Angerami-Camon, 2002), fruto de uma modernidade dessacralizadora e secularizante.</p>     <p>E, se &eacute; um facto que, ao longo da Hist&oacute;ria, homens e mulheres se destacaram dos demais por uma vida m&iacute;stica, que  influenciou gera&ccedil;&otilde;es at&eacute; aos nossos dias, certo &eacute; que, como afirma Secondin (2002, p. 32), &ldquo;a crise do  &lsquo;quietismo&rsquo; (fins do s&eacute;culo XVII) acarretou o descr&eacute;dito do tema e, especialmente, de todo o sector da m&iacute;stica.  Durante muitos anos, &lsquo;espiritualidade&rsquo; ser&aacute; sin&oacute;nimo de esquisitice&rdquo;.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Como consequ&ecirc;ncia, o espiritual parte em busca de outras modalidades, ainda que revestidas de alguma laicidade (V&aacute;squez, 2005),  desembocando, nos finais do s&eacute;culo XX e in&iacute;cio deste s&eacute;culo, numa recupera&ccedil;&atilde;o da espiritualidade e do  fen&oacute;meno religioso. Estes expandem-se e expressam-se das mais variadas formas, a ponto de se poder designar este fen&oacute;meno de <i>nova  onda m&iacute;stica</i> ou uma <i>neom&iacute;stica</i> (Angerami-Camon, 2002; Secondin, 2002) que respeita, n&atilde;o apenas &agrave;s pessoas  individualmente consideradas mas, igualmente, a coletividades.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>A atualidade</i></p>     <p>Forcades (2005) apresenta-nos tr&ecirc;s exemplos de espiritualidades contempor&acirc;neas: (1) espiritualidades terap&ecirc;uticas; (2)  feministas; (3) mon&aacute;sticas. As primeiras formas de espiritualidade, partem do sujeito individualmente considerado e da viv&ecirc;ncia do  momento presente. In&uacute;meras ofertas inundam o mundo ocidental para propor &agrave; pessoa a reconcilia&ccedil;&atilde;o consigo mesmo,  sanando as suas d&uacute;vidas, os seus medos, as suas ang&uacute;stias, as suas ambiguidades. Num primeiro momento, a medicamenta&ccedil;&atilde;o  substitui a espiritualidade, sendo que, a partir dos anos oitenta, no s&eacute;culo passado, aumenta a procura das medicinas alternativas, as quais  ir&atilde;o redundar nas espiritualidades <i>New Age</i>. Estas ir&atilde;o mesclar-se, entre outras, com algumas das premissas do budismo  ocidental. Incluem, assim, uma variedade de pr&aacute;ticas esot&eacute;ricas e de cren&ccedil;as, fundindo tradi&ccedil;&otilde;es,  religi&otilde;es e culturas diferentes (Forcades, 2005; Secodin, 2002; Stucliffe &amp; Gilhus, 2014). Se bem que a designa&ccedil;&atilde;o <i>New  Age</i> tenha ca&iacute;do atualmente em desuso e o fen&oacute;meno n&atilde;o tenha muita visibilidade nas sociedades atuais, o mesmo vem  proliferando, paulatina e silenciosamente, captando a aten&ccedil;&atilde;o dos investigadores (Stucliffe &amp; Gilhus, 2014). As segundas formas  de espiritualidade, subdividem-se em espiritualidades feministas para a igualdade e em espiritualidades para a diferen&ccedil;a. No primeiro caso,  situam-se numa linha de &ldquo;combate&rdquo; aos estere&oacute;tipos entre o masculino e o feminino como naturezas distintas do ser humano e, no  segundo caso, apesar de reconhecerem as diferen&ccedil;as entre feminilidade e masculinidade, aquela n&atilde;o assume uma posi&ccedil;&atilde;o de  subordina&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o a esta. As espiritualidades ditas feministas s&atilde;o vividas, sobretudo, valorizando a  experi&ecirc;ncia pessoal e colocam uma s&eacute;rie de quest&otilde;es pondo em causa, por exemplo, a linguagem, no masculino, que &eacute;  utilizada no seio da religi&atilde;o, bem como a forma como a mesma se estrutura institucionalmente, uma vez que os cargos investidos com poder  sagrado ou com representatividade se encontram destinados exclusivamente aos homens (Forcades, 2005; Villiers, 1999). Por fim, as terceiras formas  de espiritualidade &ndash; mon&aacute;sticas &ndash; s&atilde;o oriundas das religi&otilde;es existentes e pressup&otilde;em a viv&ecirc;ncia  comunit&aacute;ria, a ora&ccedil;&atilde;o silenciosa, a vida de interioridade. No presente, encontram-se dois movimentos antag&oacute;nicos ao  n&iacute;vel das chamadas espiritualidades mon&aacute;sticas: h&aacute; mosteiros que est&atilde;o abertos a receber jovens que, dentro de uma  espiritualidade mais na linha <i>New Age</i>, a eles recorrem (como meio de encontrar a paz interior que buscam) e aqueles que, num movimento  oposto, cerram fileiras, mantendo-se numa linha mais conservadora (Forcades, 2005).</p>     <p>Hill et al. (2000), por sua vez, partindo da revis&atilde;o de literatura feita por Spilka, em 1993, apresentam sinteticamente, as tr&ecirc;s  categorias em que os v&aacute;rios entendimentos contempor&acirc;neos sobre a espiritualidade se agrupam: (1) uma espiritualidade orientada para  Deus onde o pensamento e a pr&aacute;tica se baseiam em teologias, ampla ou restritamente concebidas; (2) uma espiritualidade orientada para o  mundo, salientando uma rela&ccedil;&atilde;o &uacute;nica com a ecologia e a natureza; (3) uma espiritualidade humanista (ou  orienta&ccedil;&atilde;o para as pessoas), acentuando o potencial e a realiza&ccedil;&atilde;o humanos.</p>     <p>Davis, Hook e Worthington (2008), Worthington e Aten (2009), Worthington, Hook, Davis e McDaniel (2011), para al&eacute;m de defenderem aqueles  tr&ecirc;s tipos de espiritualidade que designam, respetivamente, por (1) espiritualidade religiosa; (2) espiritualidade ligada &agrave; natureza;  (3) espiritualidade humanista, defendem um quarto tipo de espiritualidade: <i>a espiritualidade c&oacute;smica</i>. A primeira, segundo aqueles  autores, envolve um sentido de proximidade e liga&ccedil;&atilde;o ao sagrado, tal como &eacute; descrito por uma qualquer religi&atilde;o (e.g.,  Cristianismo, Islamismo, Budismo), sendo um tipo de espiritualidade que promove uma aproxima&ccedil;&atilde;o a um Deus particular ou a um Poder  Superior. A segunda, envolve um sentido de proximidade e liga&ccedil;&atilde;o ao meio ambiente e &agrave; natureza. A terceira, est&aacute;  direcionada para a humanidade, desenvolvendo um sentido de liga&ccedil;&atilde;o a um grupo geral de pessoas e envolvendo, normalmente, sentimentos  de amor, altru&iacute;smo ou reflex&atilde;o. Por &uacute;ltimo, a quarta, a espiritualidade c&oacute;smica, reporta-se &agrave;  liga&ccedil;&atilde;o com toda a Cria&ccedil;&atilde;o. Este &eacute; um tipo de espiritualidade que &eacute; experienciada n&atilde;o s&oacute;  atrav&eacute;s da medita&ccedil;&atilde;o, mas tamb&eacute;m atrav&eacute;s da contempla&ccedil;&atilde;o da magnific&ecirc;ncia da  Cria&ccedil;&atilde;o (Worthington et al., 2011).</p>     <p>No que respeita &agrave; liga&ccedil;&atilde;o com a Natureza, Ashley (2007) denomina-a de <i>wilderness spirituality</i>, real&ccedil;ando o  facto de as paisagens naturais serem geradoras de profundas conota&ccedil;&otilde;es afetivas e espirituais, ainda que reconhe&ccedil;a a  complexidade e a multidimensionalidade da rela&ccedil;&atilde;o entre as pessoas e os lugares, a Natureza, na sua <i>wilderness</i>, ou seja, na  sua imensid&atilde;o, na sua infinidade.</p>     <p>Perante este enunciar de espiritualidades, torna-se pertinente indagar se estaremos face a distintas espiritualidades ou apenas perante diversas  formas ou modalidades de espiritualidade. V&aacute;squez (2005) responde a esta quest&atilde;o dizendo que, sendo apenas uma, a espiritualidade  est&aacute; dependente da atitude do sujeito, pelo que assume diferentes formas traduzidas numa pluralidade de express&otilde;es e modalidades  socioculturais, a que n&atilde;o s&atilde;o estranhos outros fatores contextuais (V&aacute;squez, 2005). Hill et al. (2000) afirmam que a  espiritualidade deve ser olhada como um constructo multidimensional, sendo reiterado por Meezenbroek et al. (2012).</p>     <p>Para Angerami-Camon (2002), o que est&aacute; aqui presente &eacute; a pr&oacute;pria dimens&atilde;o espiritual do ser humano e a  pr&oacute;pria condi&ccedil;&atilde;o humana, uma vez que aquela est&aacute; imbricada nessa condi&ccedil;&atilde;o. Piedmont e Leach (2002)  assumem uma posi&ccedil;&atilde;o similar quando defendem que a espiritualidade &eacute; uma qualidade dos indiv&iacute;duos que transcende a  cultura e o contexto. Trata-se, assim, de um aspeto universal da experi&ecirc;ncia humana j&aacute; que atravessa diferentes sociedades e culturas,  ao longo dos tempos, fazendo parte da experi&ecirc;ncia vital do ser humano (Fisher, 2011; Piedmont &amp; Leach, 2002).</p>     <p>Definindo a espiritualidade de uma pessoa como o seu car&aacute;ter ou forma de ser espiritual, Casald&aacute;liga e Vigil (1992) afirmam que a  mesma &eacute; suscet&iacute;vel de ser medida, avaliada. Esta &uacute;ltima afirma&ccedil;&atilde;o ganhou sustenta&ccedil;&atilde;o no campo  cient&iacute;fico a partir do momento em que as Ci&ecirc;ncias Humanas canalizaram o seu interesse para o t&oacute;pico da espiritualidade, numa  tentativa de perceber em que medida &eacute; que aquela afeta o comportamento humano, quer individual, quer coletivamente.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><i>Dificuldades na defini&ccedil;&atilde;o do conceito</i></p>     <p>Apesar de a religi&atilde;o continuar a ser a fonte onde muita gente busca o sentido para a sua vida (Hood, Hill, &amp; Spilka, 2009), a verdade  &eacute; que o mundo secularizado em que vivemos contribuiu, seguramente, n&atilde;o s&oacute; para uma reestrutura&ccedil;&atilde;o do papel e da  fun&ccedil;&atilde;o que a mesma desempenhou durante s&eacute;culos, mas tamb&eacute;m para que emergissem as novas formas de viv&ecirc;ncia da  espiritualidade de que demos conta. A quest&atilde;o que se coloca &eacute; a de saber quais as consequ&ecirc;ncias que tal acarreta para a  consist&ecirc;ncia dos constructos e se os mesmos s&atilde;o (in) separ&aacute;veis, o que, no seio acad&eacute;mico, tem suscitado uma  reflex&atilde;o e algumas cr&iacute;ticas, revelando que a quest&atilde;o n&atilde;o &eacute; pac&iacute;fica. Hood et al. (2009), entendem que o  Ocidente, deixando-se cativar, nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, pelo voc&aacute;bulo espiritualidade, vulgarizou a utiliza&ccedil;&atilde;o do  mesmo, em substitui&ccedil;&atilde;o do termo &ldquo;religi&atilde;o&rdquo;, o que &eacute; perfilhado por Paloutzian e Park (2005), os quais  referem que foi a preocupa&ccedil;&atilde;o em separar o constructo da espiritualidade dos restantes &ndash; religi&atilde;o e religiosidade  &ndash; que, nos &uacute;ltimos anos, teve como consequ&ecirc;ncia um proliferar de defini&ccedil;&otilde;es de uns e de outros. Hill et al. (2000)  atribuem essa situa&ccedil;&atilde;o ao que apelidam de recente cisma causado pelo fen&oacute;meno da seculariza&ccedil;&atilde;o que afetou a  perce&ccedil;&atilde;o do divino, opondo os dois constructos: o da religi&atilde;o e o da espiritualidade.</p>     <p>Real&ccedil;ando a oposi&ccedil;&atilde;o que tem sido feita entre os constructos, Zinnbauer e Pargament (2005, p. 27) afirmam que &ldquo;os  exemplos mais flagrantes s&atilde;o os que colocam a religiosidade como substantiva, est&aacute;tica, institucional, objetiva, baseada em  cren&ccedil;as, &lsquo;m&aacute;&rsquo;, em oposi&ccedil;&atilde;o a uma espiritualidade funcional, din&acirc;mica, pessoal, subjetiva, baseada na  experi&ecirc;ncia, &lsquo;boa&rsquo;&rdquo;. No mesmo sentido, Smith (2007, p. 17), salienta o facto de a espiritualidade aparecer caracterizada  com uma &ldquo;linguagem din&acirc;mica, ampla e de conv&iacute;vio&rdquo; e a religi&atilde;o com &ldquo;uma linguagem estreita, axiom&aacute;tica  e restritiva&rdquo;.</p>     <p>A investiga&ccedil;&atilde;o conduzida por Hyman e Handal (2006) levou &agrave; conclus&atilde;o de que a rela&ccedil;&atilde;o exata entre  religi&atilde;o e espiritualidade parece ser ainda pouco clara, tendo aqueles investigadores inferido que poderemos, ou n&atilde;o, estar perante o  mesmo constructo, constructos diferentes, ou que um e outro poder&atilde;o estar relacionados. No mesmo sentido, Koening (2008a) d&aacute; conta do  resultado do estudo feito a 838 pacientes a quem foi pedido que se autocaracterizassem como sendo religiosos, espirituais, ambos ou nenhum. Cerca  de 90% dos respondentes assinalaram como sendo ambos &ndash; religiosos e espirituais. Koening (2008a) alerta, por isso, para os perigos que se  corre ao ter-se alargado, nos &uacute;ltimos anos, o significado do termo espiritualidade de forma a incluir-se naquele os conceitos  pr&oacute;prios da psicologia positiva como <i>meaning</i> e <i>purpose</i>, <i>connectedness</i>, <i>peacefulness</i>, <i>personal well-being</i>  e <i>hapiness</i>. Segundo aquele autor, passou, n&atilde;o s&oacute; a incluir-se, na espiritualidade, aspetos seculares que n&atilde;o t&ecirc;m  nada que ver com a religi&atilde;o, mas tamb&eacute;m se arredou esta, completamente, daquele outro conceito (Koening, 2008a).</p>     <p>Zinnbauer et al. (1997), por sua vez, chamando a aten&ccedil;&atilde;o para o facto de se estar a colocar em causa a compreens&atilde;o dos  conceitos e a sua consist&ecirc;ncia, alertam para as consequ&ecirc;ncias dessa variedade de conceptualiza&ccedil;&otilde;es: (1) a dificuldade em  saber o significado que investigadores e participantes atribuem aos mesmos; (2) o preju&iacute;zo que a falta de consist&ecirc;ncia acarreta para  os estudos cient&iacute;ficos, designadamente o facto de n&atilde;o se poderem retirar conclus&otilde;es gerais a partir das  investiga&ccedil;&otilde;es que se realizam.</p>     <p>Analogamente, outros autores (Hyman &amp; Handal, 2006; Smith, 2007; Smith &amp; Louw, 2007; Zinnbauer &amp; Pargament, 2005) chamam a  aten&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o s&oacute; para o facto de a religi&atilde;o e de a espiritualidade serem conceptualizadas, definidas e usadas das  mais variadas formas, mas tamb&eacute;m para a circunst&acirc;ncia de existir um n&uacute;mero infind&aacute;vel de instrumentos para as medir,  instrumentos esses que se fundamentam nas mais diversas teorias e <i>designs</i>, e cujas escalas n&atilde;o t&ecirc;m, na sua maioria, o seu  conte&uacute;do validado.</p>     <p>Mais recentemente, Oman (2013) alerta-nos para esta problem&aacute;tica, apresentando-nos uma s&iacute;ntese do conjunto de  defini&ccedil;&otilde;es, passadas e presentes, dos constructos da religi&atilde;o e da espiritualidade, utilizadas em diferentes contextos  acad&eacute;micos (que v&atilde;o desde a Teologia, passando pela Psicologia, Psiquiatria, Medicina, Enfermagem e Sa&uacute;de), desde o  in&iacute;cio do s&eacute;culo XX at&eacute; ao ano 2008/2009, apelando para a necessidade de tornar o constructo da espiritualidade mais  consistente, em prol da sua cientificidade.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Em busca de consensus</i></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Concordando os investigadores que &eacute; premente um consenso em torno dos constructos da espiritualidade, da religi&atilde;o e da  religiosidade, v&atilde;o surgindo alguns referenciais comuns, sobretudo ao n&iacute;vel dos constructos da religi&atilde;o e da religiosidade.</p>     <p>Quanto ao primeiro, podemos sintetizar como aspetos mais comummente aceites, qualquer que seja a religi&atilde;o e ainda que esta varie de  cultura para cultura, os seguintes: a sua organiza&ccedil;&atilde;o/institui&ccedil;&atilde;o, as cren&ccedil;as, a doutrina, os rituais, a  tradi&ccedil;&atilde;o, os aspetos sociais e comunit&aacute;rios, a sua exterioriza&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, o c&oacute;digo de conduta  moral (pessoal e social). O constructo pode abranger o sobrenatural, o n&atilde;o-natural, o te&iacute;smo, o de&iacute;smo, o ate&iacute;smo, o  monote&iacute;smo, o polite&iacute;smo e, em ambos os casos, divindades finitas e infinitas, caracterizando-se como a procura do sagrado que ocorre  objetivamente (Hill et al., 2000; Hinde, 1999; Hood et al., 2009; Hyman &amp; Handal, 2006; Koening, 2008a,b; Koening, King, &amp; Carson, 2012;  Pargament &amp; Mahoney, 2002; Smith, 2007; Zinnbauer &amp; Pargament, 2005; Zinnbauer et al., 1997).</p>     <p>Relativamente &agrave; religiosidade, a mesma apresenta-se como p&uacute;blica, social e institucional mas pode, igualmente, assumir uma  vertente mais privada e individual, sendo que est&aacute; associada, num e noutro caso, a pr&aacute;ticas religiosas, podendo essas pr&aacute;ticas  valerem como um fim em si mesmo ou para outros fins, distinguindo-se, respetivamente, entre religiosidade &ldquo;intr&iacute;nseca&rdquo; e  &ldquo;extr&iacute;nseca&rdquo;, quando, no primeiro caso, a pessoa <i>vive</i> a religi&atilde;o e, no segundo caso, a pessoa <i>usa</i> (serve-se)  da religi&atilde;o para os seus pr&oacute;prios fins (Alport &amp; Ross, 1967; Koening, 2008a).</p>     <p>J&aacute; quanto ao constructo da espiritualidade, a quest&atilde;o n&atilde;o se revela t&atilde;o pac&iacute;fica no que respeita &agrave; sua  defini&ccedil;&atilde;o, nem t&atilde;o pouco quanto ao seu enquadramento.</p>     <p>De entre os autores que defendem que a espiritualidade tem um campo espec&iacute;fico que &eacute; o da religi&atilde;o, encontra-se Zinnbauer  et al. (1997). Embora reconhe&ccedil;am que os constructos sejam distintos, aqueles autores entendem que eles est&atilde;o relacionados. Incluir a  espiritualidade na religi&atilde;o justifica-se, no entender de Zinnbauer et al. (1997), por dois motivos: (1) d&aacute;-se continuidade a uma  longa tradi&ccedil;&atilde;o de estudos; (2) evita-se a dicotomia entre a religi&atilde;o e a espiritualidade. Para aqueles autores, a  religi&atilde;o inclui ambos os aspetos: o pessoal e o institucional; o tradicional e o progressista, pelo que a sua amplitude permite a  inclus&atilde;o das v&aacute;rias mudan&ccedil;as culturais, muitas delas ef&eacute;meras.</p>     <p>Num sentido pr&oacute;ximo ao referido, Koening (2008a), perfilhando a defini&ccedil;&atilde;o de espiritualidade de Hufford, &ldquo;como uma  rela&ccedil;&atilde;o pessoal com o transcendente&rdquo; e a de religi&atilde;o como &ldquo;os aspetos comunit&aacute;rios da  espiritualidade&rdquo; (Hufford citado por Koening 2008a, p. 16), entende que devemos trazer novamente a defini&ccedil;&atilde;o para as suas  origens, na religi&atilde;o, seja ela tradicional ou n&atilde;o tradicional, porquanto (1) torna-se mais f&aacute;cil medir um conceito s&oacute;;  (2) as ra&iacute;zes hist&oacute;ricas da espiritualidade est&atilde;o associadas &agrave; religi&atilde;o ou ao sobrenatural (pressupondo, por  isso, sempre, uma linguagem religiosa e, como tal, uma liga&ccedil;&atilde;o &agrave; religi&atilde;o); (3) o conceito de religi&atilde;o, tal como  &eacute; por si defendido, &eacute; um conceito suficientemente abrangente pois inclui, n&atilde;o s&oacute; express&otilde;es tradicionais e  n&atilde;o tradicionais, cren&ccedil;as pessoais e privadas (atividades que n&atilde;o est&atilde;o condicionadas a aspetos organizacionais e  institucionais), mas tamb&eacute;m a procura ou busca do Sagrado ou Transcendente (Koening, 2008a). Segundo este autor, toda e qualquer atividade  que n&atilde;o tenha nenhuma liga&ccedil;&atilde;o &agrave; religi&atilde;o ou ao sobrenatural, quando muito, poder&aacute; ser intitulada de  &ldquo;humanista&rdquo; e n&atilde;o de espiritualidade <i>stricto sensu </i>uma vez que, no seu entender, h&aacute; que distinguir a  espiritualidade propriamente dita, das suas consequ&ecirc;ncias (e.g., quando as pessoas falam, entre outros aspetos, em paz interior,  liga&ccedil;&atilde;o com os outros, conforto, est&atilde;o a falar, n&atilde;o da espiritualidade em si, mas sim do resultado da pr&aacute;tica  espiritual).</p>     <p>Outros autores, por&eacute;m, procuram enquadrar os constructos, sobretudo o da espiritualidade, de uma forma mais abrangente. Smith (2007),  entendendo que se deve conceptualizar os constructos da espiritualidade e da religi&atilde;o/religiosidade dentro de um quadro que possa evitar os  obst&aacute;culos emp&iacute;ricos com que os investigadores se t&ecirc;m debatido, faz uma proposta que, no seu entender, nos conduz a um caminho  de converg&ecirc;ncia e congru&ecirc;ncia, a partir dos escritos de Wilber, datados de 1999, 2005, e dos seus constructos de <i>translation</i> e  de <i>transformation</i>. Aquele autor advoga, a favor da sua tese, que o primeiro constructo de Wilber, <i>translation</i>, pressupondo um  movimento horizontal do <i>self</i> pelo qual &ldquo;a cren&ccedil;a nos mitos e nos rituais fortifica e defende a pessoa da ang&uacute;stia que  lhe &eacute; inerente e das d&uacute;vidas existenciais da condi&ccedil;&atilde;o humana&rdquo; (Smith, 2007, p. 15), confere a necess&aacute;ria  legitimidade &agrave;s cren&ccedil;as de cada pessoa e &agrave; sua vis&atilde;o do mundo, enquanto o segundo constructo, <i>transformation</i>,  como movimento vertical que pressup&otilde;e uma abordagem hol&iacute;stica atrav&eacute;s da qual &ldquo;a pessoa &eacute; unificada e integrada  numa experi&ecirc;ncia fenomenol&oacute;gica profundamente aberta e transcendentemente compassiva e presente&rdquo; (Smith, 2007, p. 15), confere a  verdadeira autenticidade a essas mesmas cren&ccedil;as pessoais e &agrave; vis&atilde;o do mundo que cada um tem.</p>     <p>Uma outra proposta surge de Rovers e Kocum (2010) e vai no sentido de ser desenvolvido um modelo hol&iacute;stico de espiritualidade, a partir  dos aspetos que os autores consideram serem os mais similares nas v&aacute;rias defini&ccedil;&otilde;es que existem no constructo. Concebendo a  espiritualidade &ldquo;como a for&ccedil;a motriz que d&aacute; sentido, a estabilidade e prop&oacute;sito/sentido &agrave; vida atrav&eacute;s do  parentesco com dimens&otilde;es que transcendem a pessoa&rdquo; (Rovers &amp; Kocum, 2010, p. 17), salientam que essas dimens&otilde;es s&atilde;o  tr&ecirc;s: (1) <i>a f&eacute;</i> (aqui inclui-se a espiritualidade te&iacute;sta ou a cren&ccedil;a num Deus/deuses ou num ser transcendente);  (2) <i>a Esperan&ccedil;a</i> (situa-se ao n&iacute;vel de uma espiritualidade existencial e de sentido/preenchimento/prop&oacute;sito de vida);  (3) <i>o Amor</i> (como a vertente comunit&aacute;ria da espiritualidade englobando, ainda, a liga&ccedil;&atilde;o, a rela&ccedil;&atilde;o e o  amor ao pr&oacute;prio, aos outros e ao mundo). Estas tr&ecirc;s dimens&otilde;es t&ecirc;m-se revelado convergentes nos v&aacute;rios estudos,  sendo as que, segundo aqueles autores, nos apontam o caminho, n&atilde;o s&oacute; na dire&ccedil;&atilde;o de uma defini&ccedil;&atilde;o comum de  espiritualidade mas, igualmente, no sentido da cria&ccedil;&atilde;o de um instrumento de medida mais englobante para a mesma. E, por isso,  prop&otilde;em um modelo concebido a partir destas tr&ecirc;s dimens&otilde;es, em cuja avalia&ccedil;&atilde;o o mesmo assenta o qual, segundo  aqueles autores, tem a vantagem de apresentar uma defini&ccedil;&atilde;o ampla de espiritualidade, permitindo a sua aplicabilidade em  investiga&ccedil;&otilde;es grandes e heterog&eacute;neas (Rovers &amp; Kocum, 2010). Muito pr&oacute;ximo deste modelo hol&iacute;stico,  encontra-se Ross (1995), que perfilha a defini&ccedil;&atilde;o de dimens&atilde;o espiritual apresentada por Renetzky, em 1979, a partir de  tr&ecirc;s grandes componentes: (1) a necessidade de encontrar sentido, raz&atilde;o e preenchimento na vida; (2) a esperan&ccedil;a/vontade para  viver; (3) a f&eacute; em si mesmo, nos outros ou em Deus.</p>     <p>Na tentativa de encontrar um prot&oacute;tipo amplo, dentro do qual a espiritualidade possa ser conceptualizada, Piedmont (1999a,b, 2001, 2004,  2007) v&ecirc;-a como uma fonte intr&iacute;nseca de motiva&ccedil;&atilde;o o que, no seu entender, a torna num constructo est&aacute;vel ao longo  do tempo. Apresenta como argumentos para que assim seja, entre outros, os que, sumariamente, apresentamos:</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&ndash; A espiritualidade n&atilde;o surge de quaisquer pr&aacute;ticas religiosas espec&iacute;ficas, ao inv&eacute;s, representa a  mat&eacute;ria-prima a partir da qual surge a religiosidade e, como tal, os comportamentos religiosos;</p>     <p>&ndash; &Eacute; uma qualidade singular que transcende a cultura e o contexto, sendo, por isso, uma fei&ccedil;&atilde;o caracter&iacute;stica  universal do ser humano;</p>     <p>&ndash; Apresenta-se como um tra&ccedil;o id&ecirc;ntico a um dos fatores da personalidade mas n&atilde;o se encontra mediatizado por esta,  representando antes um aspeto do funcionamento psicol&oacute;gico que se tem vindo a revelar independente dos restantes cinco fatores da  personalidade;</p>     <p>&ndash; Tem o seu suporte em v&aacute;rios estudos emp&iacute;ricos levados a efeito, designadamente os de Piedmont (1999a,b, 2001, 2004), entre  outros, assumindo, esses estudos, uma vertente transcultural (Dy-Liacco, Kennedy, Parker, &amp; Piedmont, 2005; Piedmont, Ciarrochi, Dy-Liacco,  &amp; Williams, 2009; Piedmont &amp; Leach, 2002).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Meezenbroek et al. (2012), a partir da an&aacute;lise que fizeram a mais de oitocentos artigos que recolheram, prop&otilde;em uma  defini&ccedil;&atilde;o de espiritualidade (que consideram ser suficientemente abrangente para cobrir as v&aacute;rias dimens&otilde;es encontradas  nos estudos, que foram objeto daqueles artigos) que refletisse as experi&ecirc;ncias, quer das pessoas de diferentes origens religiosas ou  seculares, quer das muitas pessoas que, na cultura atual ocidental, buscam &ldquo;a profundidade e o sentido da vida, a partir de  experi&ecirc;ncias pessoais e <i>insight</i>, ao inv&eacute;s de o fazerem com base em regras externas, normas e expectativas&rdquo; (Meezenbroek  et al., 2012, p. 338). Assim, definem espiritualidade como &ldquo;o esfor&ccedil;o e a experi&ecirc;ncia de liga&ccedil;&atilde;o que cada pessoa  tem consigo pr&oacute;pria, com os outros, com a natureza e com o transcendente&rdquo; (Meezenbroek et al., 2012, p. 338), sendo que, neste  &uacute;ltimo caso, se inclui tudo o que est&aacute; para al&eacute;m do que &eacute; humano, tal como o Universo, a realidade transcendente, o  Poder Supremo e Deus. O termo <i>Connectedness</i>, aqui traduzido por &ldquo;liga&ccedil;&atilde;o&rdquo; parece ser, no entender dos autores, o  que melhor engloba os v&aacute;rios aspetos que aparecem evidenciados nas quest&otilde;es da espiritualidade para cada ser humano. Assim, na  <i>liga&ccedil;&atilde;o consigo pr&oacute;prio</i> incluem a autenticidade, a harmonia e a paz interiores, a consci&ecirc;ncia, o  autoconhecimento, a procura do sentido para a vida; na <i>liga&ccedil;&atilde;o aos outros e &agrave; natureza</i> abrangem a compaix&atilde;o, o  cuidar, a gratid&atilde;o, o espanto/deslumbramento e, por &uacute;ltimo, na <i>liga&ccedil;&atilde;o ao Transcendente</i>a barcam a  contempla&ccedil;&atilde;o, a esperan&ccedil;a, a sacralidade e a adora&ccedil;&atilde;o do Transcendente ou, ainda, as experi&ecirc;ncias  transcendentais (Meezenbroek et al., 2012).</p>     <p>Mais recentemente, Oman (2013), defendendo que, quer a religi&atilde;o, quer a espiritualidade, devem ser consideradas como conceitos que  s&atilde;o da mesma fam&iacute;lia e, por isso, s&atilde;o semelhantes, aponta-nos caminhos no sentido defendido por Molendjick, em 1999. Advogando  que cada um dos constructos pode ser definido por <i>clusters of features</i>, e que ambos se apresentam como fortes candidatos a serem  <i>prototype concepts</i>, defende que a defini&ccedil;&atilde;o a adotar est&aacute; dependente e encontra-se ao servi&ccedil;o de cada  investiga&ccedil;&atilde;o. Segundo aquele autor, a quest&atilde;o a colocar &ldquo;n&atilde;o deve ser &lsquo;qual &eacute; a  defini&ccedil;&atilde;o correta?&rsquo; mas antes &lsquo;qual &eacute; a melhor e mais adequada defini&ccedil;&atilde;o para aqueles dados e  t&oacute;picos espec&iacute;ficos, para aquele contexto?&rsquo;&rdquo; (Oman, 2013, p. 25).</p>     <p>Torna-se, por isso, necess&aacute;rio que cada investigador opte pela defini&ccedil;&atilde;o que seja apropriada ao seu estudo, a partir de  tr&ecirc;s amplas abordagens que Oman (2013) considera serem as orientadoras para qualquer principiante nestas lides: (1) a religi&atilde;o e a  espiritualidade como um processo de procura (na linha do preconizado por Hill et al., em 2000; Pargament, em 1997, 2007; Zinnbauer &amp; Pargament,  em 2005); (2) o desenvolvimento espiritual como uma capacidade inerente de autotranscend&ecirc;ncia (defendida por Roehlkepartian et al., em 2006);  (3) uma religi&atilde;o, m&uacute;ltiplas espiritualidades (abordagem de Koening, 2008a e Koening et al., 2012) (para mais pormenores, veja-se  Oman (2013).</p>     <p>Paloutzian e Park (2013), por seu turno, prop&otilde;em um paradigma multidisciplinar (MIP &ndash; <i>The Multilevel Interdisciplinary  Paradigm</i>) que envolva distintas &aacute;reas cient&iacute;ficas para al&eacute;m da Psicologia, como sejam a Antropologia, a Hist&oacute;ria, a  Neuroci&ecirc;ncia, a Biologia, a Sociologia, a Lingu&iacute;stica, a Religi&atilde;o. Justificam este seu modelo em virtude de estas &aacute;reas  cient&iacute;ficas estudarem, tal como a Psicologia, a religi&atilde;o, a religiosidade e a espiritualidade, ainda que o fa&ccedil;am sob o seu  prisma. Como tal, poder&atilde;o dar um contributo v&aacute;lido para a compreens&atilde;o do fen&oacute;meno religioso e espiritual; distintas  formas de ver as quest&otilde;es convergiriam, de acordo com o modelo apresentado por Paloutzian e Park (2013), para que se pudesse encontrar  conceitos te&oacute;ricos que sejam mais integradores do que os que existem atualmente.</p>     <p>Concordando que &eacute; necess&aacute;ria uma vis&atilde;o global e integrada do fen&oacute;meno da espiritualidade, entendemos fazer todo o  sentido que essa vis&atilde;o se alcance apenas com o contributo de todas as &aacute;reas cient&iacute;ficas. Isto porque, o que est&aacute;  verdadeiramente em causa &eacute; a compreens&atilde;o do ser humano, enquanto ser complexo que &eacute;, dotado de uma dimens&atilde;o  biopsicosocial mas, tamb&eacute;m, espiritual.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&Eacute; nosso entendimento, ainda, que, apesar de o fen&oacute;meno da globaliza&ccedil;&atilde;o propender a que se esbatam as fronteiras  culturais, a culturalidade, n&atilde;o &eacute;, por enquanto, uma quest&atilde;o despicienda, quando se fala em espiritualidade, para distingui-la  ou desenraiz&aacute;-la da religi&atilde;o e da religiosidade. Num pa&iacute;s maioritariamente cat&oacute;lico como Portugal (Censos 2011;  Teixeira, 2012), as dificuldades para definir a espiritualidade fora da religi&atilde;o ou da religiosidade revelam-se maiores (Caldeira, Castelo  Branco, &amp; Vieira, 2011; Costa Catr&eacute; et al., 2014), criando obst&aacute;culos para se dar resposta e apoio (e.g., no campo da  s&aacute;ude), &agrave;s pessoas que vivem a espiritualidade desligada da religi&atilde;o (Caldeira, Castelo Branco, &amp; Vieira, 2011). No estudo  de Costa Catr&eacute; et al. (2014), com grupos focais (constitu&iacute;dos por elementos da religi&atilde;o predominante, de algumas  relig&otilde;es minorit&aacute;rias e, ainda, por sujeitos heterog&eacute;neros), pudemos constatar, justamente, que existiu uma dificuldade  inicial na defini&ccedil;&atilde;o do conceito, pelos intervenientes nesse estudo. Verific&aacute;mos que tal ficou a dever-se ao facto de o mesmo  ter sido considerado, pelos grupos focais, como sendo &ldquo;um termo vago e abstrato&rdquo; (Costa Catr&eacute; et al., 2014, p. 407). Somente na  intera&ccedil;&atilde;o dos sujeitos, e socorrendo-se de indicadores <i>a contrario</i> (a espiritualidade surge por oposi&ccedil;&atilde;o  &agrave; materialidade) ou o pr&oacute;prio recurso &agrave; estimologia da palavra &ndash; &ldquo;esp&iacute;rito&rdquo; &ndash;, &eacute; que  foram surgindo aspetos que permitiram destacar a espiritualidade da religi&atilde;o e da religiosidade. Torna-se interessante verificar que, da  discuss&atilde;o desses grupos focais, resulta, <i>a posteriori</i>, que a espiritualidade se encontra associada &agrave; f&eacute;, &agrave;s  cren&ccedil;as espirituais, &agrave; sa&uacute;de (surgindo relacionada com o <i>coping</i>, &ldquo;como base de sustenta&ccedil;&atilde;o da  doen&ccedil;a&rdquo;) e ao bem-estar; compreende um componente espiritual, mas tamb&eacute;m elementos culturais e ambientais; &eacute; algo que  anima o ser humano e o distingue dos animais irracionais, sendo, ainda, a capacidade de o indiv&iacute;duo se transcender; surge como algo que  &eacute; inerente ao ser humano, que &eacute; intr&iacute;nseco ao mesmo, que tem a ver com a sua interioridade. Todavia, os outros/o grupo/a  comunidade surgem, igualmente, como aspetos importantes para a viv&ecirc;ncia da espiritualidade.</p>     <p>A nosso ver, a quest&atilde;o tem sido mal colocada, quando se afirma que h&aacute; m&uacute;ltiplas espiritualidades. Concordando com  Angerami-Camon (2002), Fisher (2011), Piedmont e Leach (2002) e V&aacute;squez (2005), defendemos que estamos perante um aspeto vital e universal  do ser humano que atravessa os tempos, distintos povos e culturas, aspeto esse que n&atilde;o resulta de quaisquer pr&aacute;ticas religiosas,  antes conduz a essas pr&aacute;ticas ou a outras, revestidas de laicidade.</p>     <p>Parafraseando Pargament e Mahoney (2002, p. 647) &ldquo;spirituality is a process that speaks to the greatest of our potencials (&hellip;) may  be what makes us uniquely human&rdquo;, entendemos que a espiritualidade &eacute; o que nos faz ser mais pessoas, o que nos humaniza. Sob este  prisma, defendemos uma posi&ccedil;&atilde;o ecl&eacute;tica. Sem d&uacute;vida que a espiritualidade n&atilde;o pode estar arredada do conceito de  <i>transcend&ecirc;ncia</i>, mas esta n&atilde;o se reduz apenas &agrave; liga&ccedil;&atilde;o com o Transcendente <i>stricto sensu</i>, ao  inv&eacute;s, acarreta, a nosso ver, quatro componentes fundamentais: (1) a capacidade que existe no ser humano de se autotranscender, a qual se  encontra associada &agrave;s quest&otilde;es existenciais (entre outras, &agrave;s quest&otilde;es do sentido para a vida e para a morte); (2) a  abertura ao Transcendente (tenha ele a designa&ccedil;&atilde;o de Deus, Poder Supremo ou outra, algo que &eacute;, reconhecidamente, Superior ao  ser humano porque este, na sua finitude, na sua &ldquo;auto-insufici&ecirc;ncia&rdquo;, descobre e abre-se ao infinito, ao que o transcende, ao  Sobrenatural); (3) a liga&ccedil;&atilde;o ao mundo e &agrave; grandiosidade da natureza; (4) a liga&ccedil;&atilde;o aos outros j&aacute; que  &ldquo;&eacute; o reconhecimento do eu pelo tu que possibilita a um indiv&iacute;duo tornar-se propriamente (e equilibradamente) um <i>sujeito</i>  concreto. <i>Algu&eacute;m</i>&rdquo; (Formosinho &amp; Oliveira Branco, 1997, p. 274), numa rela&ccedil;&atilde;o verdadeiramente  dial&oacute;gica.</p>     <p>Concordamos com Koening (2008a,b) e com Koening et al. (2012), quando estes defendem que o esp&iacute;rito n&atilde;o &eacute; o mesmo do que os  seus <i>frutos</i>, citando a passagem b&iacute;blica da Carta de S. Paulo aos G&aacute;latas 5, 22-23: &ldquo;&eacute; este o fruto do  Esp&iacute;rito: amor, alegria, paz, paci&ecirc;ncia, benignidade, bondade, fidelidade, mansid&atilde;o, auto-dom&iacute;nio&rdquo;. Ainda que numa  vis&atilde;o eminentemente crist&atilde;, a mesma, parece-nos, poder ser extens&iacute;vel &agrave; espiritualidade como a entendemos, ligada ou  n&atilde;o &agrave; religi&atilde;o. Naturalmente que as pessoas que abra&ccedil;am uma religi&atilde;o, como a crist&atilde;, n&atilde;o dissociam  esses <i>frutos </i>sem a liga&ccedil;&atilde;o a Deus, especificamente ao Esp&iacute;rito Santo, sendo esse, inclusive, o contexto em que se  insere aquela mesma passagem b&iacute;blica.</p>     <p>Nada impede, todavia, a nosso ver, que a espiritualidade, mesmo que n&atilde;o enquadrada na religi&atilde;o, tal como a descrevemos, a partir  daqueles quatro componentes, d&ecirc; aqueles <i>frutos</i>. Claro que avaliar esses <i>frutos</i>, &eacute; avaliar, como defendem Koening  (2008a,b) e Koening et al. (2012), o resultado da espiritualidade, da pr&aacute;tica espiritual, e n&atilde;o a espiritualidade em si mesma. Desta  forma, entende-se a posi&ccedil;&atilde;o de Oman (2013): primeiramente, devemos enquadrar muito bem o objeto do nosso estudo e, sobretudo,  clarificar os constructos que utilizamos, para saber o que estamos a avaliar.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Considera&ccedil;&otilde;es finais</b></p>     <p>Por mais que queiramos negar, a espiritualidade faz parte da nossa condi&ccedil;&atilde;o humana (Angerami-Camon, 2002; Fisher, 2011; Piedmont  &amp; Leach, 2002; V&aacute;squez, 2005). E, de facto, conforme vimos, desde os mais arcaicos n&iacute;veis de cultura que o ser humano tem  revelado ter presente uma dimens&atilde;o religiosa e espiritual.</p>     <p>Enquanto ser pensante que &eacute;, capaz de compreender-se a si pr&oacute;prio, fruto de existir nele uma dualidade, que o distingue dos outros  animais e da natureza em geral, o ser humano, est&aacute; em permanente desloca&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o a si pr&oacute;prio,  sendo nessa desloca&ccedil;&atilde;o de si, que, logo cedo, descobriu a espiritualidade como algo que lhe &eacute; pr&oacute;prio e que o  identifica.</p>     <p>Embora historicamente, a experi&ecirc;ncia da Transcend&ecirc;ncia possa remontar ao <i>homo faber</i>, a sua conceptualiza&ccedil;&atilde;o  data, todavia, do designado &ldquo;tempo-eixo ou tempo axial&rdquo; (situado entre os anos 800-200 a.C.), per&iacute;odo crucial em que se  constitu&iacute;ram as categorias fundamentais com que at&eacute; hoje pensamos, e tiveram in&iacute;cio as religi&otilde;es mundiais que os seres  humanos ainda hoje praticam, as quais t&ecirc;m vindo a perpetuar-se, desde ent&atilde;o, ao longo de toda a Hist&oacute;ria da Humanidade.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Apesar da proclama&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica da racionalidade e da dessacraliza&ccedil;&atilde;o das sociedades modernas, o espiritual  buscou sempre, ainda que silenciosamente, novas formas para se manter vivo, acabando por ganhar um novo f&ocirc;lego e uma maior visibilidade a  partir do s&eacute;culo passado, mas irrompendo fortemente no in&iacute;cio deste s&eacute;culo.</p>     <p>As Ci&ecirc;ncias Humanas e Sociais n&atilde;o ficaram alheias a esta realidade, pelo que foram, paulatinamente, canalizando o seu interesse  para o t&oacute;pico da espiritualidade, sobretudo na tentativa de perceber em que medida &eacute; que ela afeta o comportamento humano, quer  individual, quer coletivamente. Todavia, n&atilde;o o fizeram sem alguma controv&eacute;rsia, dada a ambiguidade do constructo da espiritualidade  porquanto existem dois outros constructos &ndash; o da religi&atilde;o e o da religiosidade &ndash; que, remontando &agrave;s suas origens  conceptuais, dificultam a sua defini&ccedil;&atilde;o, conforme tivemos oportunidade de evidenciar, resultado da investiga&ccedil;&atilde;o que  fizemos. Pudemos, tamb&eacute;m, constatar que, alguns autores (e.g., Hood et al., 2009; Koening, 2008a,b; Koening et al., 2012; Paloutzian &amp;  Park, 2005) entendem que foi a separa&ccedil;&atilde;o do constructo da espiritualidade daqueles &uacute;ltimos conceitos que conduziu a um  proliferar de defini&ccedil;&otilde;es de uns e de outros, desembocando numa aus&ecirc;ncia de consenso em torno dos mesmos.</p>     <p>Se, como vimos, relativamente aos constructos da religi&atilde;o e da religiosidade, os autores sejam mais concordantes entre si, o mesmo  n&atilde;o se passa, por enquanto, em rela&ccedil;&atilde;o ao conceito da espiritualidade.</p>     <p>Concordando os investigadores, no entanto, que &eacute; premente um consenso, em prol da garantia da cientificidade dos estudos, e apesar das  propostas concretas que se v&atilde;o fazendo para alcan&ccedil;ar esse consenso, h&aacute;, todavia, um longo caminho a percorrer at&eacute; que o  mesmo se torne realidade.</p>     <p>Numa radicaliza&ccedil;&atilde;o do discurso, Koening (2008b) defende que, ou se define a espiritualidade da forma tradicional, dentro da  religi&atilde;o (evitando-se, desse modo, a sua &ldquo;contamina&ccedil;&atilde;o&rdquo;), ou a mesma deve ser banida das  investiga&ccedil;&otilde;es acad&eacute;micas.</p>     <p>Entendemos n&atilde;o ser a solu&ccedil;&atilde;o, uma vez que o fen&oacute;meno manter-se-&aacute; associado, ou n&atilde;o, &agrave;  Religi&atilde;o, porque &eacute; uma das dimens&otilde;es do ser humano, a par das dimens&otilde;es f&iacute;sica, psicol&oacute;gica e social. A  n&atilde;o liga&ccedil;&atilde;o &agrave; religi&atilde;o &eacute; uma realidade &agrave; qual n&atilde;o podemos fugir (veja-se Costa Catr&eacute;  et al., 2014; Teixeira, 2012 sobre a situa&ccedil;&atilde;o, em Portugal, dos designados &ldquo;crentes sem religi&atilde;o&rdquo;; &ldquo;crentes  sem pr&aacute;tica religiosa regular e ass&iacute;dua/Cat&oacute;licos n&atilde;o praticantes&rdquo;). Para essa realidade, em muito tem  contribu&iacute;do a carga prejorativa que alguns atribuem aos termos &ldquo;religi&atilde;o&rdquo; ou &ldquo;religiosidade&rdquo; [note-se que  j&aacute; nos anos 60 do s&eacute;culo passado, a Igreja, reunida no Conc&iacute;lio Ecum&eacute;nico Vaticano II, alertava para o seguinte:  &ldquo;ao contr&aacute;rio do que sucedia no s&eacute;culo passado, negar Deus ou a religi&atilde;o, ou prescindir deles, j&aacute; n&atilde;o  &eacute; um facto individual e ins&oacute;lito&rdquo; (Gaudium et Spes, n&ordm; 7). Mais adiante, assume um <i>mea culpa</i>, quando  responsabiliza, em parte, os crentes que, &ldquo;pela neglig&ecirc;ncia na educa&ccedil;&atilde;o da f&eacute;, ou por exposi&ccedil;&otilde;es  falaciosas da doutrina, ou ainda pelas defici&ecirc;ncias da sua vida religiosa, moral e social (...), antes esconderam do que revelaram o  aut&ecirc;ntico rosto de Deus e da religi&atilde;o&rdquo; (Gaudium et Spes, n&ordm; 19)].</p>     <p>Em suma, defendemos, portanto, que, ao inv&eacute;s de se eliminar a espiritualidade, como constructo, do meio cient&iacute;fico, devemos  continuar a fazer caminho, sendo da discuss&atilde;o acad&eacute;mica sobre a problem&aacute;tica, e das propostas que se t&ecirc;m vindo a fazer,  que poder&aacute; alcan&ccedil;ar-se um consenso. &Eacute; nosso entendimento que a quest&atilde;o deve ser recolocada: <i>o que faz com que o ser  humano tenha uma pr&aacute;tica espiritual e/ou religiosa, que, como vimos, &eacute; ancestral, atravessa os povos e as diferentes culturas?</i></p>     <p>A resposta a esta quest&atilde;o, por certo, permitir&aacute; que se ultrapasse, futuramente, a dispers&atilde;o das defini&ccedil;&otilde;es  (que conduzem &agrave; inconsist&ecirc;ncia dos constructos e &agrave; &ldquo;contamina&ccedil;&atilde;o&rdquo; dos estudos), evitando, al&eacute;m  do mais, o risco de virmos a estar, como referem Zinnbauer et al. (1997), perante o estudo social cient&iacute;fico da religi&atilde;o demasiado  &ldquo;estreita&rdquo; e da espiritualidade &ldquo;difusa&rdquo;. Com a an&aacute;lise cr&iacute;tica que fizemos, &agrave; problem&aacute;tica,  pensamos ter dado um contributo v&aacute;lido, nesse sentido.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Alport, G., &amp; Ross, M. (1967). Personal religious orientation and prejudice. <i>Journal of Personality and Social Psychology, 5</i>,  432-443.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=018975&pid=S0870-8231201600010000300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Angerrami-Camon, V. (2002). O papel da espiritualidade na pr&aacute;tica cl&iacute;nica. In V. Angerrami-Camon (Org.), <i>Novos rumos na  psicologia da sa&uacute;de</i>. S&atilde;o Paulo: Pioneira Thomson Learning.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=018977&pid=S0870-8231201600010000300002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Arendt, H. (1995). <i>A condi&ccedil;&atilde;o humana</i>. Rio de Janeiro: Forense Universit&aacute;ria.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=018979&pid=S0870-8231201600010000300003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Ashley, P. (2007). Toward an understanding and definition of wilderness spirituality. <i>Australian Geographer, 38</i>, 53-69. doi:  10.1080/00049180601175865&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=018981&pid=S0870-8231201600010000300004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Barros Oliveira, J. (2007). Espiritualidade e religi&atilde;o: T&oacute;picos de psicologia positiva. <i>Psicologia, Educa&ccedil;&atilde;o e  Cultura, XI</i>, 265-287.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=018982&pid=S0870-8231201600010000300005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Caldeira, S., Castelo Branco, Z., &amp; Vieira, M. (2011). A espiritualidade nos cuidados de enfermagem: Revis&atilde;o da  divulga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica em Portugal. <i>Revista de Enfermagem Refer&ecirc;ncia, 5</i> (III S&eacute;rie), 145-152.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=018984&pid=S0870-8231201600010000300006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Casald&aacute;liga, P., &amp; Vigil, J. M. (1992). <i>Espiritualidad de la liberaci&oacute;n</i>. Cole&ccedil;&atilde;o Presencia  Teol&oacute;gica, 71. Santander: Editorial Sal Terrae.</p>     <!-- ref --><p>Censos. (2011). Instituto Nacional de Estat&iacute;stica. Retirado de <a href="http://goo.gl/ReyyRV" target="_blank">http://goo.gl/ReyyRV</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=018987&pid=S0870-8231201600010000300008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Costa Catr&eacute;, M. N., Ferreira, J. A., Pessoa, T., Pereira, M., Canavarro, M. C., &amp; Catr&eacute;, A. (2014). O dom&iacute;nio SRPB  (Spirituality, Religiousness and Personal Beliefs) do WHOQOL: O estudo com grupos focais para valida&ccedil;&atilde;o da vers&atilde;o em  Portugu&ecirc;s europeu do WHOQOL-SRPB. <i>An&aacute;lise Psicol&oacute;gica, XXXII</i>, 401-417. doi: 10.14417/ap.872&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=018988&pid=S0870-8231201600010000300009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Davis, D., Hook, J., &amp; Worthington, E., Jr. (2008). Relational spirituality and forgiveness: The roles of attachment to God, religious  coping, and viewing the transgression as a desecration. <i>Journal of Psychology and Christianity, 27</i>, 293-301.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=018989&pid=S0870-8231201600010000300010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Dy-Liacco, G., Kennedy, C., Parker, D., &amp; Piedmont, R. (2005). Spiritual transcendence as an unmediated causal predictor of psychological  growth and worldview among Filipinos. <i>Social Scientific Study of Religion, 16</i>, 261-285.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=018991&pid=S0870-8231201600010000300011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Eliade, M. (1978). <i>Hist&oacute;ria das ideias e das cren&ccedil;as religiosas</i> (Tomo I, Vol. I). Rio de Janeiro: Zahar Editores.</p>     <!-- ref --><p>Fisher, J. (2011). The four domains model: Connecting spirituality, health and well-being. <i>Religions, 2</i>, 17-28.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=018994&pid=S0870-8231201600010000300013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> doi:  10.3390/rel2010017</p>     <p>Forcades, T. (2005). Hacia una espiritualidad postreligiosa?. <i>Iglesia Viva &ndash; Revista de Pensiamento Cristiano, 222</i>, 41-52.</p>     <p>Formosinho, S., &amp; Oliveira Branco, J. (1997). <i>O brotar da cria&ccedil;&atilde;o &ndash; Um olhar pela ci&ecirc;ncia, a filosofia e a  teologia. </i>Lisboa: Universidade Cat&oacute;lica Portuguesa.</p>     <!-- ref --><p>Freitas, M. (2004). <i>O Ser e os seres. Itiner&aacute;rios filos&oacute;ficos</i>. Lisboa: Editorial Verbo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=018998&pid=S0870-8231201600010000300016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Hill, P., Pargament, K., Hood, R., Jr., Mccullough, M., Swyers, J., Larson, D., &amp; Zinnbauer, B. (2000). Conceptualizing religion and  spirituality: Points of commonality, points of departure. <i>Journal of the Theory of Social Behavior, 30</i>, 51-77.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=019000&pid=S0870-8231201600010000300017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Hinde, R. (1999). <i>Why Gods persist &ndash; A scientific approach to religion</i>. New York: Routledge.</p>     <!-- ref --><p>Hyman, C., &amp; Handal, P. (2006). Definitions and evaluation of religion and spirituality items by religious professionals: A pilot study.  <i>Journal of Religion and Health, 45</i>, 264-282.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=019003&pid=S0870-8231201600010000300019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Hood, R., Jr., Hill, P., &amp; Spilka, B. (2009). <i>The psychology of religion, an empirical approach</i> (4<Sup>th</Sup> ed.). New York:  The Guilford Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=019005&pid=S0870-8231201600010000300020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Jaspers, K. (2003). <i>Os mestres da humanidade</i>. Coimbra: Livraria Almedina.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=019007&pid=S0870-8231201600010000300021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Koening, H. (2008a). <i>Medicine, religion and health: Where science and spirituality meet</i>. West Conshohocken, PA: Templeton Foundation  Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=019009&pid=S0870-8231201600010000300022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Koening, H. (2008b). Concerns about measuring &ldquo;spiruality&rdquo; in research. <i>Journal of Nervous and Mental Disease, 196</i>,  349-355. doi: 10.1097/NMD.ob013e3186ff796</p>     <!-- ref --><p>Koening, H., King, D., &amp; Carson, V. (2012). <i>Handbook of religion and health</i> (2<Sup>nd</Sup> ed.). New York: Oxford University  Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=019012&pid=S0870-8231201600010000300024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Lima Vaz, H. (2002). <i>Filosofia e cultura. Escritos de filosofia III</i>. S&atilde;o Paulo: Edi&ccedil;&otilde;es Loyola.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=019014&pid=S0870-8231201600010000300025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>May, R. (1977). <i>Psicologia e dilema humano</i> (3&ordf; ed.). Rio de Janeiro: Zahar Editores.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=019016&pid=S0870-8231201600010000300026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Meezenbroek, E., Garssen, B., Van Den Berg, M., Van Dierendonck, D., Visser, A., &amp; Schaufeli, W. (2012). Measuring spirituality as a  universal human experience: A review of spirituality questionnaires. <i>Journal of Religion and Health, 51</i>, 336-354. doi:  10.1007/s10943-010-9376-1&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=019018&pid=S0870-8231201600010000300027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Oman, D. (2013). Defining religion and spirituality. In R. Paloutzian &amp; C. Park (Eds.), <i>Handbook of the psychology of religion and  spirituality</i> (2<Sup>nd</Sup> ed., pp. 23-47). New York: The Guilford Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=019019&pid=S0870-8231201600010000300028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Paloutzian, R., &amp; Park, C. (2005). Integrative themes in the current science of the psychology of religion. In R. Paloutzian &amp; C. Park  (Eds.), <i>Handbook of the psychology of religion and spirituality</i> (1<Sup>st</Sup> ed., pp. 3-20). New York: The Guilford Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=019021&pid=S0870-8231201600010000300029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Paloutzian, R., &amp; Park, C. (2013). Recent progress and core issues in the science of the psychollogy of religion and sipirituality. In R.  Paloutzian &amp; C. Park (Eds.), <i>Handbook of the psychology of religion and spirituality</i> (2<Sup>nd</Sup> ed., pp. 2-23). New York: The  Guilford Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=019023&pid=S0870-8231201600010000300030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Pargament, K., &amp; Mahoney, A. (2002). Spirituality: The discovery and conserving of the sacred. In C. Snyder &amp; S. Lopez (Eds.),  <i>Handbook of positive psychology</i> (pp. 646-659). New York: Oxford University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=019025&pid=S0870-8231201600010000300031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Piedmont, R. (1999a). Does spirituality represent the sixth factor of personality spiritual transcendence and the five-factor model&rdquo;.  <i>Journal of Personality, 67</i>, 985-1013.</p>     <!-- ref --><p>Piedmont, R. (1999b). Strategies for using the five-factor model of personality in religious research. <i>Journal of Psychology and Theology,  27</i>, 338-350.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=019028&pid=S0870-8231201600010000300033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Piedmont, R. (2001). Spiritual transcendence and the scientific study of spirituality. <i>Journal of Rehabilitation, 67</i>, 4-14.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=019030&pid=S0870-8231201600010000300034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Piedmont, R. (2004). Spiritual transcendence as a predictor of psychosocial outcome from an outpatient substance abuse program. <i>Psychology of  Addictive Behaviors, 18</i>, 213-222.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=019032&pid=S0870-8231201600010000300035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Piedmont, R. (2007). Spirituality as a robust empirical predictor of psychosocial outcomes: A cross-cultural analysis. In R. J. Estes (Ed.),  <i>Advancing quality of life in a turbulent social indicators research series</i> (Vol. 29, Part II, pp. 117-134). New York: Springer.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Piedmont, R., Ciarrochi, J., Dy-Liacco, G., &amp; Williams, J. (2009). The empirical and conceptual value of the spiritual transcendence and  religious involvement scales for personality research. <i>Psychology of Religion and Spirituality, 1</i>, 162-179.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=019035&pid=S0870-8231201600010000300037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Piedmont, R., &amp; Leach, M. (2002). Cross-cultural generalizability of the spiritual transcendence scale in India. Spirituality as a universal  aspect of human experience. <i>American Behavioral Scientist, 45</i>, 1888-1901.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=019037&pid=S0870-8231201600010000300038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Ross, L. (1995). The spiritual dimension: Its importance to patients&rsquo; health, well-being and quality of life and its implications for  nursing practice. <i>International Journal of Nursing Studies, 32</i>, 457-468.</p>     <!-- ref --><p>Rovers, M., &amp; Kocum, L. (2010). Development a holistic model of spirituality. <i>Journal of Spirituality in Mental Health, 12</i>, 2-24.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=019040&pid=S0870-8231201600010000300040&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Santo Agostinho. (2001). <i>Confiss&otilde;es</i>. Lisboa: Imprensa Nacional Casa da Moeda.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=019042&pid=S0870-8231201600010000300041&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Secondin, B. (2002). <i>Espiritualidade em di&aacute;logo</i>. S. Paulo: Edi&ccedil;&otilde;es Paulinas.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=019044&pid=S0870-8231201600010000300042&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Seligman, M. (2008). <i>Felicidade aut&ecirc;ntica: Os princ&iacute;pios da psicologia positiva</i>. Cascais: Editora Pergaminho SA.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=019046&pid=S0870-8231201600010000300043&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Smith, D., &amp; Louw, M. (2007). Conceptualization of the spiritual life dimension: A personal and professional leadership perspective.  <i>Journal of Human Resource Management, 5</i>, 19-27.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=019048&pid=S0870-8231201600010000300044&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Smith, L. (2007). Conceptualizing spirituality and religion: Where we&rsquo;ve come from, where we are, and where we are going. <i>The Journal  of Pastoral Counseling, XLII</i>, 4-21.</p>     <p>Stucliffe, S., &amp; Gilhus, I. (2014). &ldquo;All-mixed up&rdquo; &ndash; Thinking about religion in relation to new age spiritualities. In S.  Stucliffe &amp; I. Gilhus (Eds.), <i>New age spirituality &ndash; Rethinking religion</i> [E-reader version]. Retirado de  <a href="https://goo.gl/IEKOjf" target="_blank">https://goo.gl/IEKOjf</a></p>     <!-- ref --><p>Teixeira, A. (2012). <i>Identidades religiosas em Portugal: Representa&ccedil;&otilde;es, valores e pr&aacute;ticas</i>. Universidade  Cat&oacute;lica Portuguesa. Retirado de <a href="https://www.agencia.ecclesia.pt/dlds/bo/Inquerito2011_Resumo.pdf"  target="_blank">https://www.agencia.ecclesia.pt/dlds/bo/Inquerito2011_Resumo.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=019052&pid=S0870-8231201600010000300047&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>V&aacute;squez, A. (2005). De las religiones a la espiritualidade. <i>Iglesia Viva-Revista de Pensiamento Cristiano, 222</i>, 7-40.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=019053&pid=S0870-8231201600010000300048&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Villiers, P. (1999). The rise and the nature of feminist spirituality. <i>HTS &ndash; Theologiese Studies/Theological Studies, 55</i>, 883-908.</p>     <!-- ref --><p>Worthington, E., Jr., &amp; Aten, J. (2009). Psychotherapy with religious and spiritual clients: An introduction. <i>Journal of Clinical  Psychology, 65</i>, 123-130.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=019056&pid=S0870-8231201600010000300050&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Worthington, E., Jr., Hook, J., Davis, D., &amp; McDaniel, M. (2011). Religion and spirituality. <i>Journal of Clinical Psychology, 67</i>,  204-214.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=019058&pid=S0870-8231201600010000300051&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Zinnbauer, B., &amp; Pargament, K. (2005). Religiouness and spirituality. In R. Paloutzian &amp; C. Park (Eds.), <i>Handbook of the psychology  of religion and spirituality </i>(pp. 21-42). New York: The Guilford Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=019060&pid=S0870-8231201600010000300052&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Zinnbauer, B., Pargament, K., Cole, B., Rye, M., Butter, E., Belavich, T., . . . Kadar, J. (1997). Religion and spirituality: Unfuzzing the  fuzzy. <i>Journal for the Scientific Study of Religion, 36</i>, 549-564.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=019062&pid=S0870-8231201600010000300053&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b><a name="c0" id="c0"></a><a href="#topc0">CORRESPONDÊNCIA</a></b></p>     <p>A correspond&ecirc;ncia relativa a este artigo dever&aacute; ser enviada para: Maria Nazarete Costa Catr&eacute;, Faculdade de Psicologia e de  Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o da Universidade de Coimbra, Rua do Col&eacute;gio Novo, 3000-115 Coimbra. E-mail:  <a href="mailto:ncatre@gmail.com">ncatre@gmail.com</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Submiss&atilde;o: 11/04/2015 Aceita&ccedil;&atilde;o: 31/08/2015</p>      ]]></body><back>
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<person-group person-group-type="author">
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<surname><![CDATA[Alport]]></surname>
<given-names><![CDATA[G.]]></given-names>
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