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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Grooming online em Portugal: Um estudo exploratório]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The online grooming - grooming of children and teenagers over the internet - has been the subject of concern among international studies. However, the portuguese context is characterized by the relative lack of knowledge about the phenomenon. This study aims to learn the experiences, perceptions and insecurities of young people about online grooming, as well as to reveal numbers of victimization. We intend also to analyze gender and age differences, both in terms of victimization both in terms of perception of the severity of online grooming and feeling of insecurity regarding the phenomenon. We opted for an exploratory quantitative study and data was collected through a questionnaire prepared for that purpose. The sample consisted of 151 participants, 76 (50.3%) were male and 75 (49.7%) were female. The results of this study, especially a percentage of 20.5% of victimization by online grooming, reveal a disturbing reality in Portugal, so this phenomenon should be given more attention and discussion in our country, including through legislative changes so you can act on it.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Grooming online]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p><b><i>Grooming online</i> em Portugal: Um estudo explorat&oacute;rio</b></p>     <p><b>Cl&aacute;udia Miura Casa Branca<sup>1</sup>, Helena Grangeia<sup>1</sup>, Olga Cruz<sup>1</sup></b></p>     <p><sup>1</sup>ISMAI &ndash; Instituto Universit&aacute;rio da Maia</p>     <p><a name="topc0"></a><a href="#c0">Correspondência</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>O <i>grooming online</i> &ndash; aliciamento de crian&ccedil;as e jovens atrav&eacute;s da internet &ndash; tem sido alvo de  preocupa&ccedil;&atilde;o e estudos a n&iacute;vel internacional. No entanto, o contexto portugu&ecirc;s caracteriza-se pelo relativo  desconhecimento sobre o fen&oacute;meno. O presente estudo tem como objetivos conhecer as experi&ecirc;ncias, perce&ccedil;&otilde;es e  inseguran&ccedil;as dos/as jovens acerca do <i>grooming online</i>, bem como revelar n&uacute;meros de vitima&ccedil;&atilde;o. Pretende-se, ainda,  analisar as diferen&ccedil;as de g&eacute;nero e et&aacute;rias, quer ao n&iacute;vel da vitima&ccedil;&atilde;o quer ao n&iacute;vel da  perce&ccedil;&atilde;o da gravidade do <i>grooming online</i> e do sentimento de inseguran&ccedil;a relativamente ao fen&oacute;meno. Optou-se por  um estudo explorat&oacute;rio de natureza quantitativa e os dados foram recolhidos atrav&eacute;s de um question&aacute;rio constru&iacute;do para  o efeito. A amostra foi constitu&iacute;da por 151 participantes, 76 (50,3%) do sexo masculino e 75 (49,7%) do sexo feminino. Os resultados  encontrados neste estudo, nomeadamente uma percentagem de 20,5% de vitima&ccedil;&atilde;o por <i>grooming online</i>, revelam uma realidade  preocupante em Portugal, pelo que este fen&oacute;meno deve ser alvo de maior aten&ccedil;&atilde;o e discuss&atilde;o no nosso pa&iacute;s,  inclusive atrav&eacute;s de modifica&ccedil;&otilde;es legislativas para que se possa atuar sobre o mesmo.    <p>     <p><b>Palavras-chave</b>: <i>Grooming online</i>, Vitima&ccedil;&atilde;o, Sentimento de (in)seguran&ccedil;a.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>The online grooming &ndash; grooming of children and teenagers over the internet &ndash; has been the subject of concern among international  studies. However, the portuguese context is characterized by the relative lack of knowledge about the phenomenon. This study aims to learn the  experiences, perceptions and insecurities of young people about online grooming, as well as to reveal numbers of victimization. We intend also to  analyze gender and age differences, both in terms of victimization both in terms of perception of the severity of online grooming and feeling of  insecurity regarding the phenomenon. We opted for an exploratory quantitative study and data was collected through a questionnaire prepared for  that purpose. The sample consisted of 151 participants, 76 (50.3%) were male and 75 (49.7%) were female. The results of this study, especially a  percentage of 20.5% of victimization by online grooming, reveal a disturbing reality in Portugal, so this phenomenon should be given more attention  and discussion in our country, including through legislative changes so you can act on it.</p>     <p><b>Key words</b>: Online grooming, Victimization, (In)security feelings.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>O aliciamento de crian&ccedil;as e jovens atrav&eacute;s da internet, essencialmente pelo recurso a redes sociais ou <i>chats</i>, tem vindo a  ser cada vez mais discutido, sob a designa&ccedil;&atilde;o de <i>grooming online</i>. Este fen&oacute;meno tem sido alvo de  preocupa&ccedil;&atilde;o e estudos a n&iacute;vel internacional (cf. Finkelhor, Mitchell, &amp; Wolak, 2000; Jones, Mitchell, &amp; Finkelhor,  2011; Wachs, Wolf, &amp; Pan, 2012; Wolak, Mitchell, &amp; Finkelhor, 2006), tendo levado a modifica&ccedil;&otilde;es legislativas de forma a  proteger as crian&ccedil;as e jovens deste tipo de vitima&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>A primeira refer&ecirc;ncia ao termo <i>grooming</i> surgiu em 1985, feita por Wolf (1985, como citado por Craven, 2009), o qual sugeriu um  ciclo de ofensa sexual que inclu&iacute;a o aliciamento. Apesar da falta de evid&ecirc;ncia emp&iacute;rica para apoiar o uso do termo, a  publica&ccedil;&atilde;o de Wolf debatia o <i>grooming</i> como um termo normalmente utilizado e compreendido (Craven, 2009).</p>     <p>O conceito de <i>grooming</i> &eacute; definido como uma etapa preparat&oacute;ria para o abuso sexual, onde o praticante de <i>grooming</i>  conquista a confian&ccedil;a de uma crian&ccedil;a, de forma a facilitar o abuso (McAlinden, 2013), tendo comunicado com ela pelo menos numa  ocasi&atilde;o anterior, pessoalmente, atrav&eacute;s de internet ou de outras tecnologias (Davidson, 2007).</P>     <p>Alguns praticantes de <i>grooming</i> podem ser considerados ped&oacute;filos, uma vez que, segundo a defini&ccedil;&atilde;o de pedofilia  presente no Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM-5) (American Psychiatric Association, 2013), podem apresentar comportamentos  envolvendo atividade sexual com crian&ccedil;as na pr&eacute;-puberdade. Segundo Howitt (1995, como citado por Craven, Brown, &amp; Gilchrist,  2006), o <i>grooming</i> pode ser entendido como as estrat&eacute;gias utilizadas pelos ped&oacute;filos para seduzirem as suas v&iacute;timas,  assemelhando-se ao aliciamento adulto.</p>     <p>No entanto, nem todos os praticantes de <i>grooming</i> t&ecirc;m perturba&ccedil;&atilde;o psicol&oacute;gica e a maioria destes ofensores  n&atilde;o parece ser motivado pela pedofilia, uma vez que t&ecirc;m principalmente como alvo jovens adolescentes do sexo feminino e/ou masculino  (Wolak, Finkelhor, Mitchell, &amp; Ybarra, 2008).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O <i>grooming online</i> pode ser definido como um processo de manipula&ccedil;&atilde;o, uma forma de aliciamento <i>online</i> de  crian&ccedil;as e jovens. Inicia-se geralmente atrav&eacute;s de uma abordagem n&atilde;o-sexual, de forma a convencer a v&iacute;tima a  encontrar-se pessoalmente com o indiv&iacute;duo, para que este possa consumar o abuso sexual (Brown, 2001, como citado por Berson, 2003), ou  procurando incentivar os menores a produzir e enviar fotografias deles pr&oacute;prios (Bryce, 2009, como citado por Davidson et al., 2011).</p>     <p>Apesar de o aliciamento sempre ter existido, a sua vers&atilde;o <i>online</i>, atrav&eacute;s de redes sociais, salas de <i>chat</i>, sites de  perfil, entre outros, &eacute; relativamente nova (Kool, 2011). A internet tem facilitado o processo de <i>grooming</i> em termos, quer de  velocidade, quer de n&uacute;mero de contactos (Davidson et al., 2011).</p>     <p>O <i>grooming online</i> permite aos ofensores serem seletivos quanto ao tipo de v&iacute;tima que pretendem, podendo escolher especificamente  pela idade ou pela apar&ecirc;ncia f&iacute;sica e, ainda, aliciar um grande n&uacute;mero de v&iacute;timas ao mesmo tempo. Al&eacute;m disso, se  a v&iacute;tima recusar ou ignorar os avan&ccedil;os do ofensor, ele pode desaparecer, mudando a sua identidade, e reaparecer com outra identidade,  de forma a aproximar-se da mesma v&iacute;tima, sabendo, desta vez, os limites e prefer&ecirc;ncias da crian&ccedil;a ou jovem (Griffith &amp;  Roth, 2007).</p>     <p>Segundo Kool (2011), o processo de <i>grooming online</i> inicia-se com a cria&ccedil;&atilde;o de um perfil online pelo ofensor, que pode ou  n&atilde;o revelar a sua verdadeira identidade, seguido de um primeiro contacto <i>online</i> com uma crian&ccedil;a ou jovem.</p>     <p>Relativamente &agrave;s salas de <i>chat</i>, o processo de iniciar o contacto com uma crian&ccedil;a pode simplesmente passar pela  cria&ccedil;&atilde;o de um perfil, no qual o agressor refere ter determinada idade, que n&atilde;o corresponde &agrave; verdadeira, de forma a  atrair uma crian&ccedil;a com idade equivalente. Desta forma, o ofensor simplesmente aguarda que alguma crian&ccedil;a responda e inicie um  contacto atrav&eacute;s do <i>chat</i> (O&rsquo;Connell, 2003).</p>     <p>O processo de aliciamento pode durar entre semanas a meses, quer para que a crian&ccedil;a se sinta confort&aacute;vel na rela&ccedil;&atilde;o  com o indiv&iacute;duo, quer pelo facto de a maioria destes criminosos aliciar v&aacute;rias crian&ccedil;as ao mesmo tempo, para o caso de alguma  se sentir desconfort&aacute;vel e cessar o contacto (Childnet International, 2002).</p>     <p>O <i>grooming online</i> possibilita aos praticantes de <i>grooming</i> manterem um contacto di&aacute;rio e privado com as crian&ccedil;as, o  que seria praticamente imposs&iacute;vel no mundo real, a n&atilde;o ser que o indiv&iacute;duo fosse um familiar ou cuidador da crian&ccedil;a.  Desta forma, o aliciamento atrav&eacute;s da internet permite trabalhar as emo&ccedil;&otilde;es do/a menor por um per&iacute;odo de tempo  suficiente at&eacute; que este/a se sinta seguro/a para um encontro na vida real (Childnet International, 2002).</p>     <p>No presente estudo, &agrave; semelhan&ccedil;a de trabalhos anteriores (Finkelhor et al., 2000; Jones et al., 2011; Wachs et al., 2012; Wolak et  al., 2006), entende-se por v&iacute;tima de <i>grooming online</i> um/a menor que tenha experienciado pelo menos uma situa&ccedil;&atilde;o de  vitima&ccedil;&atilde;o que configura o <i>grooming online</i>, nomeadamente, algum/a desconhecido/a iniciar conversas sobre sexo, sugerir um  encontro na vida real, pedir informa&ccedil;&otilde;es sexuais sobre o/a jovem, enviar fotografias ou v&iacute;deos com conte&uacute;do sexual,  pedir ao/&agrave; jovem para mostrar partes &iacute;ntimas na webcam ou para fazer algo relacionado com sexo, enviar presentes de cariz sexual ou  pedir que envie fotografias despido/a.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Enquadramento legal</i></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O <i>grooming online</i> n&atilde;o &eacute;, na maioria dos pa&iacute;ses, abrangido pelas disposi&ccedil;&otilde;es que criminalizam o abuso  sexual de crian&ccedil;as, uma vez que o aliciamento &eacute; considerado um ato preparat&oacute;rio. No entanto, dado o crescente debate acerca do  <i>grooming online</i>, a Conven&ccedil;&atilde;o de Lanzarote decidiu incluir o artigo 23&ordm; &ndash; Abordagem de crian&ccedil;as para fins  sexuais &ndash; que criminaliza tais atos preparat&oacute;rios (International Telecommunication Union, 2012).</p>     <p>Uma vez que as leis apenas criminalizavam o abuso sexual de crian&ccedil;as, s&oacute; se podendo intervir ap&oacute;s a agress&atilde;o sexual,  pensou-se numa evolu&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica que pudesse combater a amea&ccedil;a do <i>grooming online</i>. Assim, o primeiro pa&iacute;s  a considerar a quest&atilde;o e a introduzir medidas legislativas foram os Estados Unidos da Am&eacute;rica. Entretanto, nos &uacute;ltimos anos,  aumentou o n&uacute;mero de pa&iacute;ses que adotaram legisla&ccedil;&atilde;o para combater o aliciamento <i>online</i> (Eneman, Gillespie, &amp;  Bernd, 2010).</p>     <p>No entanto, v&aacute;rios pa&iacute;ses europeus, como Portugal, n&atilde;o apresentam qualquer lei espec&iacute;fica que criminalize o  <i>grooming online</i> (Davidson et al., 2011).</p>     <p>A lei penal portuguesa prev&ecirc;, no entanto, a criminaliza&ccedil;&atilde;o de diversos comportamentos que violam os direitos e interesses  das crian&ccedil;as, quer nas redes de comunica&ccedil;&otilde;es, quer fora delas. Desta forma, est&atilde;o previstos no C&oacute;digo Penal  Portugu&ecirc;s os crimes de amea&ccedil;a (artigo 153&ordm;), coa&ccedil;&atilde;o (artigo 154&ordm;), abuso sexual de crian&ccedil;as (artigo  171&ordm;), pornografia de menores (artigo 176&ordm;), devassa da vida privada (artigo 192&ordm;) e grava&ccedil;&otilde;es e fotografias  il&iacute;citas (artigo 199&ordm;) (Procuradoria-Geral da Rep&uacute;blica, 2013).</p>     <p>Al&eacute;m disso, Portugal ratificou a Conven&ccedil;&atilde;o do Conselho da Europa para a Prote&ccedil;&atilde;o das Crian&ccedil;as contra a  Explora&ccedil;&atilde;o Sexual e os Abusos Sexuais (Conven&ccedil;&atilde;o de Lanzarote, em vigor relativamente a Portugal desde Dezembro de  2012), como j&aacute; anteriormente tinha ratificado a Conven&ccedil;&atilde;o sobre Cibercrime do Conselho da Europa (Conven&ccedil;&atilde;o de  Budapeste, em vigor relativamente a Portugal desde 2010) (Procuradoria-Geral da Rep&uacute;blica, 2013).</p>     <p>Finalmente, Portugal aderiu &agrave; Alian&ccedil;a Global contra o Abuso Sexual de Crian&ccedil;as <i>online</i>, lan&ccedil;ada em Bruxelas em  2012, tendo por esta via aceite o compromisso de empreender a&ccedil;&otilde;es neste dom&iacute;nio (Procuradoria-Geral da Rep&uacute;blica,  2013).</p>     <p>No entanto, assiste-se ainda a uma necessidade legislativa em territ&oacute;rio nacional, uma vez que existem disposi&ccedil;&otilde;es que  n&atilde;o foram transpostas para o direito portugu&ecirc;s. Assim, embora as obriga&ccedil;&otilde;es decorrentes da Conven&ccedil;&atilde;o  estejam j&aacute; consagradas na ordem jur&iacute;dica interna, o <i>grooming</i>, em particular, n&atilde;o foi transposto como  qualifica&ccedil;&atilde;o criminal (Procuradoria-Geral da Rep&uacute;blica, 2013).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Estudos internacionais acerca da vitima&ccedil;&atilde;o online</i></p>     <p>Entre 1999 e 2000, foi realizado nos Estados Unidos o Youth Internet Safety Survey (YISS-1), um estudo acerca da vitimiza&ccedil;&atilde;o  <i>online</i> de jovens, com uma amostra de 1501 jovens, com idades compreendidas entre os 10 e os 17 anos. O YISS-1 revelou que um/a em cada cinco  jovens (19%) j&aacute; tinha sido aliciado/a sexualmente atrav&eacute;s da internet e um/a em cada quatro jovens foi exposto/a indesejadamente a  fotografias de pessoas nuas ou a praticar sexo (Finkelhor et al., 2000; Wolak et al., 2006).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Verificou-se que 3% dos/as jovens foram solicitados/as de uma forma que os autores consideraram como agressiva, ou seja, foram aliciados/as para  encontros na vida real ou receberam presentes ou dinheiro.</p>     <p>Constatou-se tamb&eacute;m que apenas cerca de 25% dos/as jovens aliciados/as contou aos pais, 77% das v&iacute;timas tinham 14 ou mais anos e a  maioria dos/as jovens (75%) que foram v&iacute;timas de aliciamento n&atilde;o ficou muito perturbado/a com o acontecimento (Finkelhor et al.,  2000; Wolak et al., 2006).</p>     <p>O segundo Youth Internet Safety Survey (YISS-2), realizado no ano de 2005, com uma amostra de 1500 jovens entre os 10 e os 17 anos, revelou que  um/a em cada sete jovens (13%) j&aacute; tinha sido aliciado/a sexualmente atrav&eacute;s da internet, e 4% dos/as jovens recebeu  solicita&ccedil;&otilde;es agressivas (Wolak et al., 2006).</p>     <p>Dos/as jovens que receberam solicita&ccedil;&otilde;es sexuais 70% eram do sexo feminino e 30% eram do sexo masculino, tendo a maioria (81%) 14  ou mais anos de idade. Neste inqu&eacute;rito foi poss&iacute;vel concluir que a maioria (73%) dos indiv&iacute;duos que aliciou ou abordou  sexualmente os/as jovens era do sexo masculino, sendo que 39% dos/as jovens relatou que o ofensor tinha idade superior a 18 anos.</p>     <p>Ao n&iacute;vel das din&acirc;micas nos casos de aliciamento relatados neste estudo, destaca-se o pedido por parte dos ofensores para que os/as  jovens enviassem fotografias deles/as pr&oacute;prios/as, em mais de metade dos casos (56%).</p>     <p>Relativamente &agrave; rea&ccedil;&atilde;o dos/as jovens, a maioria (66%) lidou com a situa&ccedil;&atilde;o bloqueando o ofensor, saindo da  sala de <i>chat,</i> ou desligando o computador. A este prop&oacute;sito encontrou-se ainda que 16% dos/as jovens pediram &agrave; pessoa que  parasse, confrontando-a ou amea&ccedil;ando-a, enquanto 11% optaram por ignorar o indiv&iacute;duo (Wolak et al., 2006). Apenas 5% dos casos foram  denunciados &agrave; pol&iacute;cia ou a outras autoridades e em mais de metade (56%) dos casos os/as jovens n&atilde;o contaram a ningu&eacute;m a  situa&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>No ano de 2010 foi realizado o terceiro Youth Internet Safety Survey (YISS-3), com uma amostra de 1500 jovens entre os 10 e os 17 anos.  Verificou-se que um/a em cada 10 jovens tinha sido alvo de aliciamento sexual e 4% foram aliciados/as de forma agressiva. Concluiu-se, ainda, que  23% dos/as inquiridos/as foram expostos/as a fotografias com conte&uacute;do sexual (Jones et al., 2011).</p>     <p>Em 2011, foi realizado um estudo na Alemanha com uma amostra de 518 estudantes de quatro escolas, tendo como um dos objetivos investigar os  fatores de risco para a vitima&ccedil;&atilde;o por <i>grooming online</i> (Wachs et al., 2012). Neste estudo foi poss&iacute;vel constatar que  21,4% dos/as participantes tiveram contacto com um praticante de <i>grooming</i>, sendo que 41,1% foi contactado/a atrav&eacute;s de salas de  <i>chat</i>, 35,3% atrav&eacute;s de redes sociais, 14,7% no <i>messenger</i> e 8,8% em <i>blogs</i> (Wachs et al., 2012).</p>     <p>Concluiu-se que ser rapariga, ter sido v&iacute;tima de <i>ciberbullying</i> e estar disposto/a a conversar com estranhos seriam fatores de  risco para este fen&oacute;meno, n&atilde;o se tendo encontrado diferen&ccedil;as significativas em termos de idades das v&iacute;timas (Wachs et  al., 2012).</p>     <p>Importa real&ccedil;ar que, devido &agrave; falta de estudos realizados com amostras representativas e &agrave; estimativa de um grande  n&uacute;mero de casos n&atilde;o registados, se considera que a taxa de preval&ecirc;ncia exata do aliciamento <i>online</i> &eacute; ainda  desconhecida (Wachs et al., 2012). Tal constata&ccedil;&atilde;o &eacute; particularmente v&aacute;lida para Portugal, onde, at&eacute; &agrave;  data, n&atilde;o se encontraram estudos acerca do fen&oacute;meno do <i>grooming online</i>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>M&eacute;todo</b></p>     <p>Atendendo aos nossos objetivos, optou-se por um <i>design</i> de estudo explorat&oacute;rio, transversal e de natureza quantitativa, uma vez que  permite explorar a dimens&atilde;o do fen&oacute;meno. A t&eacute;cnica escolhida para a recolha de dados foi o question&aacute;rio  constitu&iacute;do por quest&otilde;es fechadas.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Amostra</i></p>     <p>Optou-se pelo m&eacute;todo de amostragem por conveni&ecirc;ncia, ou seja, foram selecionados os casos facilmente dispon&iacute;veis (Hill &amp;  Hill, 2002), em conson&acirc;ncia com a natureza explorat&oacute;ria do estudo. Desta forma, a amostra foi proveniente de duas escolas e de um  centro de estudos localizados em Vila Nova de Gaia que se mostraram dispon&iacute;veis para a aplica&ccedil;&atilde;o dos question&aacute;rios.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Instrumento</i></p>     <p>Uma vez que n&atilde;o se encontraram na literatura instrumentos adequados para a recolha de dados, procedeu-se &agrave;  elabora&ccedil;&atilde;o de um question&aacute;rio baseado em diferentes estudos realizados internacionalmente (cf. Finkelhor et al., 2000; Jones  et al., 2011; Wolak et al., 2006) e em fun&ccedil;&atilde;o dos objetivos da presente investiga&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Neste question&aacute;rio, apresentou-se aos/&agrave;s participantes uma defini&ccedil;&atilde;o de g<i>rooming online</i>, de forma a que os/as  mesmos/as pudessem ter conhecimento do significado do termo. Assim, descreveu-se o <i>grooming online</i> a partir da descri&ccedil;&atilde;o de  diversas situa&ccedil;&otilde;es que poder&atilde;o configurar o fen&oacute;meno, definindo-o como situa&ccedil;&otilde;es &ldquo;de aliciamento de  jovens por parte de adultos desconhecidos em <i>chats</i> ou redes sociais&rdquo;. Esta defini&ccedil;&atilde;o foi criada com base em estudos  realizados anteriormente (cf. Finkelhor et al., 2000; Jones et al., 2011; Wachs et al., 2012; Wolak et al., 2006), os quais descreviam  tamb&eacute;m situa&ccedil;&otilde;es que constitu&iacute;am o fen&oacute;meno do <i>grooming online</i>, &agrave; semelhan&ccedil;a do presente  question&aacute;rio.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O question&aacute;rio acerca do fen&oacute;meno do <i>grooming online</i> &eacute; constitu&iacute;do por 17 itens, distribu&iacute;dos em  quatro partes. Inicialmente, solicita-se a identifica&ccedil;&atilde;o do/a jovem, pelo preenchimento dos campos referentes &agrave;  &ldquo;idade&rdquo; e &ldquo;sexo&rdquo;.</p>     <p>Na primeira parte do question&aacute;rio, que n&atilde;o ser&aacute; alvo de discuss&atilde;o neste artigo, abordam-se quest&otilde;es como a  posse de computador e a utiliza&ccedil;&atilde;o da internet. A segunda parte refere-se &agrave; experi&ecirc;ncia de vitima&ccedil;&atilde;o e,  por fim, a terceira parte questiona acerca do fen&oacute;meno do <i>grooming online</i> e caracter&iacute;sticas associadas, nomeadamente  sentimentos de inseguran&ccedil;a relacionados com a internet, bem como perce&ccedil;&otilde;es acerca do  fen&oacute;meno<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a>.</p>     <p>Em termos de op&ccedil;&otilde;es de resposta, o question&aacute;rio contempla, na primeira parte, quest&otilde;es de escolha m&uacute;ltipla  (e.g., &ldquo;Tens computador em casa? Sim/N&atilde;o&rdquo;). Na segunda parte, o question&aacute;rio apresenta tamb&eacute;m quest&otilde;es de  escolha m&uacute;ltipla (e.g., &ldquo;Qual o sexo dessa pessoa? Homem/Mulher/N&atilde;o sei&rdquo;), bem como quest&otilde;es a serem respondidas  numa escala de <i>Likert</i> (e.g., &ldquo;Algu&eacute;m iniciou conversas sobre sexo: Nunca/Uma vez/Mais do que uma vez&rdquo;). Na &uacute;ltima  parte do question&aacute;rio, s&atilde;o igualmente apresentadas quest&otilde;es de escolha m&uacute;ltipla (e.g., &ldquo;J&aacute; tinhas ouvido  falar deste termo? Sim/N&atilde;o&rdquo;) e outras a serem respondidas numa escala de <i>Likert</i> (e.g., &ldquo;Qu&atilde;o grave pensas ser este  fen&oacute;meno? Nada grave/Pouco grave/Grave/Muito grave&rdquo;).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Procedimentos</i></p>     <p>Para obter acesso &agrave; amostra contactaram-se duas escolas EB 2/3 e um centro de estudos localizados no concelho de Vila Nova de Gaia. Uma  vez que a aplica&ccedil;&atilde;o nas escolas assim o exigia, pediu-se autoriza&ccedil;&atilde;o &agrave; Dire&ccedil;&atilde;o-Geral da  Educa&ccedil;&atilde;o do Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o e Ci&ecirc;ncia para aplicar o question&aacute;rio aos/&agrave;s jovens.  Ainda, e uma vez que a amostra &eacute; constitu&iacute;da por menores de idade, elaborou-se um consentimento informado para que os/as  encarregados/as de educa&ccedil;&atilde;o pudessem autorizar o preenchimento dos question&aacute;rios por parte dos/as menores.</p>     <p>Os dados foram recolhidos entre Fevereiro e Maio de 2014. Ap&oacute;s a recolha de dados foram realizadas a&ccedil;&otilde;es de  sensibiliza&ccedil;&atilde;o sobre o fen&oacute;meno nas escolas e no centro de estudos, de forma a alertar os/as jovens para os perigos  decorrentes da utiliza&ccedil;&atilde;o da internet.</p>     <p>Os question&aacute;rios foram aplicados em duas escolas EB 2/3 de Vila Nova de Gaia, perfazendo um total de nove turmas de 6&ordm; ano e de  turmas vocacionais, com idades variadas. A aplica&ccedil;&atilde;o dos question&aacute;rios, juntamente com a a&ccedil;&atilde;o de  sensibiliza&ccedil;&atilde;o, teve a dura&ccedil;&atilde;o de cerca de 60 minutos, contando, por vezes, com a presen&ccedil;a do/a professor/a da  disciplina na sala de aula.</p>     <p>Apresentados os objetivos do estudo por uma das investigadoras e recolhidos os consentimentos informados, os/as alunos/as preencheram  individualmente os question&aacute;rios em sala de aula. No centro de estudos, a a&ccedil;&atilde;o de sensibiliza&ccedil;&atilde;o e a  aplica&ccedil;&atilde;o dos question&aacute;rios contou com a presen&ccedil;a da respons&aacute;vel e decorreu dentro dos mesmos  par&acirc;metros.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>An&aacute;lise de dados</i></p>     <p>Os dados foram analisados estatisticamente atrav&eacute;s do <i>software</i> IBM SPSS, vers&atilde;o 20, recorrendo-se &agrave;  estat&iacute;stica descritiva e inferencial.</p>     <p>Numa primeira fase, a an&aacute;lise dos dados pretendeu-se meramente descritiva, de forma a descrever as experi&ecirc;ncias,  perce&ccedil;&otilde;es e inseguran&ccedil;as dos/as jovens quanto ao fen&oacute;meno do <i>grooming online</i>.</p>     <p>Na segunda fase de an&aacute;lise, recorreu-se a testes estat&iacute;sticos de associa&ccedil;&atilde;o e de diferen&ccedil;as, nomeadamente o  teste de Qui-Quadrado e o teste de Mann-Whitney, para testar hip&oacute;teses quanto &agrave;s diferen&ccedil;as entre sexo, idades e sentimentos  de inseguran&ccedil;a.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Resultados</b></p>     <p>A amostra foi constitu&iacute;da por 151 participantes, 76 (50,3%) do sexo masculino e 75 (49,7%) do sexo feminino. A idade dos/as jovens variou  entre os 11 e os 16 anos, tendo uma m&eacute;dia de 12,99 e um desvio-padr&atilde;o de 1,87, dos quais 97 (64,2%) t&ecirc;m idade inferior a 14  anos e 54 (35,8%) t&ecirc;m idade igual ou superior a 14 anos.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Experi&ecirc;ncia de vitima&ccedil;&atilde;o</i></p>     <p>Quanto &agrave;s situa&ccedil;&otilde;es que j&aacute; aconteceram nas conversas <i>online</i> com desconhecidos/as, os comportamentos mais  referidos foram algu&eacute;m iniciar conversas sobre sexo com os/as participantes e algu&eacute;m sugerir um encontro na vida real  (cf. <a href="#t1">Tabela 1</a>).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><a name="t1"></a></p>     <p><img src="/img/revistas/aps/v34n3/34n3a04t1.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Desta forma, podemos verificar que 31 (20,5%) participantes foram alvo de pelo menos uma situa&ccedil;&atilde;o de vitima&ccedil;&atilde;o que  configura o <i>grooming online</i>, enquanto 120 (79,5%) nunca foram alvo de nenhuma situa&ccedil;&atilde;o de vitima&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Entre os/as participantes que experienciaram vitima&ccedil;&atilde;o, a maioria &eacute; do sexo masculino (<i>n</i>=18; 58,1%) e tem idade  igual ou superior a 14 anos (<i>n</i>=20; 64,5%). Relativamente &agrave;s caracter&iacute;sticas da experi&ecirc;ncia de vitima&ccedil;&atilde;o, a  maioria foi alvo de apenas uma pessoa (<i>n</i>=20; 64,5%), tendo a situa&ccedil;&atilde;o durado maioritariamente menos de uma semana  (<i>n</i>=16; 51,6%). Quanto ao sexo do/a ofensor/a, a maioria dos/as participantes (<i>n</i>=15; 48,4%) refere ter sido alvo de um ofensor do sexo  masculino. Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; idade do/a ofensor/a, a maioria dos/as participantes (<i>n</i>=11; 35,5%) referiu n&atilde;o saber a  idade do/a mesmo/a (cf. <a href="#t2">Tabela 2</a>).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="t2"></a></p>     <p><img src="/img/revistas/aps/v34n3/34n3a04t2.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No que respeita &agrave; forma como os/as participantes agiram perante a situa&ccedil;&atilde;o, destacaram-se os comportamentos de ignorar a  pessoa (<i>n</i>=20; 64,5%), bem como de contar a situa&ccedil;&atilde;o a algu&eacute;m (<i>n</i>=11; 35,5%). Apenas um participante (3,2%)  referiu ter amea&ccedil;ado a pessoa (cf. <a href="#t3">Tabela 3</a>).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="t3"></a></p>     <p><img src="/img/revistas/aps/v34n3/34n3a04t3.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Perce&ccedil;&otilde;es e sentimentos de (in)seguran&ccedil;a</i></p>     <p>Na terceira parte do question&aacute;rio, dirigida a todos/as os/as participantes (<i>N</i>=151), quando questionados/as sobre se j&aacute;  tinham ouvido falar no termo <i>grooming online</i>, a maioria (<i>n</i>=106; 70,2%) respondeu negativamente.</p>     <p>Questionados/as acerca da sua perce&ccedil;&atilde;o sobre a gravidade do fen&oacute;meno do <i>grooming online</i>, a maioria (<i>n</i>=89;  59,3%) dos/as participantes respondeu &ldquo;muito grave&rdquo;, 52 (34,7%) responderam &ldquo;grave&rdquo;, 5 (3,3%) responderam &ldquo;nada  grave&rdquo; e 4 (2,7%) responderam &ldquo;pouco grave&rdquo;.</p>     <p>Relativamente ao n&iacute;vel de (in)seguran&ccedil;a no contexto geral da internet, a maioria dos/as participantes (<i>n</i>=95; 62,9%)  sente-se seguro/a a navegar na internet. No que se refere a conversar com amigos <i>online</i>, destaca-se que os/as participantes se sentem  seguros/as (<i>n</i>=86; 57%). No entanto, quando questionados/as acerca de conversar com desconhecidos/as <i>online</i>, a maioria dos/as  participantes sente-se muito inseguro/a (<i>n</i>=94; 62,3%) (cf. <a href="#f1">Figura 1</a>).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><a name="f1"></a></p>     <p><img src="/img/revistas/aps/v34n3/34n3a04f1.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>No que respeita ao n&iacute;vel de (in)seguran&ccedil;a em rela&ccedil;&atilde;o ao <i>grooming online</i>, a maior parte (<i>n</i>=56, 37,1%)  dos/as participantes revelou sentir-se inseguro/a e/ou assustado/a, 44 (29,1%) participantes responderam &ldquo;seguro/a&rdquo;, 38 (25,2%)  responderam &ldquo;muito inseguro/a e/ou muito assustado/a&rdquo; e 13 (8,6%) participantes responderam &ldquo;muito seguro/a&rdquo;.</p>     <p>Relativamente &agrave; perce&ccedil;&atilde;o dos/as participantes quanto &agrave; frequ&ecirc;ncia com que acontece o <i>grooming online</i>,  destaca-se que 77 (51,3%) participantes responderam &ldquo;muitas vezes&rdquo;, enquanto 48 (32%) responderam &ldquo;algumas vezes&rdquo;, 14  (9,3%) responderam &ldquo;nunca&rdquo; e 11 (7,3%) responderam &ldquo;raramente&rdquo;.</p>     <p>Relativamente &agrave; associa&ccedil;&atilde;o entre o sexo dos/as jovens e a experi&ecirc;ncia de vitima&ccedil;&atilde;o por <i>grooming  online</i>, atrav&eacute;s do teste Qui-Quadrado n&atilde;o se encontrou associa&ccedil;&atilde;o significativa entre o sexo dos/as participantes e  ser ou n&atilde;o v&iacute;tima de <i>grooming online</i>, <i>&chi;&sup2;</i>(1)=0.933, <i>p</i>=0.334.</p>     <p>No entanto, foi poss&iacute;vel verificar que h&aacute; uma associa&ccedil;&atilde;o significativa entre a idade dos/as participantes e ser ou  n&atilde;o v&iacute;tima de <i>grooming online</i>, <i>&chi;&sup2;</i>(1)=14.040, <i>p</i>&lt;0.001. Enquanto no grupo dos/as participantes que  afirmaram ter sido v&iacute;tima de <i>grooming online</i> a maioria tinha idade igual ou superior a 14 anos (<i>n</i>=20; 64,5%), no grupo dos/as  participantes que afirma nunca ter sido v&iacute;tima de <i>grooming online</i>, a maioria tinha idade inferior a 14 anos (<i>n</i>=86; 71,7%).</p>     <p>Encontraram-se tamb&eacute;m diferen&ccedil;as significativas entre os jovens do sexo masculino e as jovens do sexo feminino ao n&iacute;vel da  perce&ccedil;&atilde;o da gravidade do <i>grooming online</i>, <i>U</i>=1963.00, <i>p</i>&lt;0.001. As jovens do sexo feminino relataram uma  perce&ccedil;&atilde;o de maior gravidade do fen&oacute;meno (Ordem M&eacute;dia=86,83) relativamente aos rapazes (Ordem M&eacute;dia=64,17).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Verificaram-se diferen&ccedil;as significativas entre os/as jovens com idade inferior a 14 anos e os/as jovens com idade igual ou superior a 14  anos ao n&iacute;vel da perce&ccedil;&atilde;o da gravidade do <i>grooming online</i>. Os/as jovens com idade inferior a 14 anos apresentaram uma  perce&ccedil;&atilde;o de maior gravidade do fen&oacute;meno (Ordem M&eacute;dia=80,81) relativamente aos/&agrave;s jovens com idade igual ou  superior a 14 anos (Ordem M&eacute;dia=65,77).</p>     <p>Foi ainda poss&iacute;vel verificar que n&atilde;o existem diferen&ccedil;as significativas entre os jovens do sexo masculino e as jovens do  sexo feminino ao n&iacute;vel do sentimento de inseguran&ccedil;a em rela&ccedil;&atilde;o ao <i>grooming online</i>, <i>U</i>=2461.50,  <i>p</i>=.129.</p>     <p>Por outro lado, encontraram-se diferen&ccedil;as significativas entre os/as jovens com idade inferior a 14 anos e os/as jovens com idade igual  ou superior a 14 anos ao n&iacute;vel do sentimento de inseguran&ccedil;a em rela&ccedil;&atilde;o ao <i>grooming online</i>. Os/as jovens com  idade inferior a 14 anos relataram n&iacute;veis de inseguran&ccedil;a superiores em rela&ccedil;&atilde;o ao fen&oacute;meno (Ordem  M&eacute;dia=65,09) relativamente aos/&agrave;s jovens com idade igual ou superior a 14 anos (Ordem M&eacute;dia=95,60).</p>     <p>Verificou-se que h&aacute; diferen&ccedil;as entre os/as jovens que experienciaram vitima&ccedil;&atilde;o e os/as jovens que n&atilde;o  experienciaram vitima&ccedil;&atilde;o ao n&iacute;vel do sentimento de inseguran&ccedil;a em rela&ccedil;&atilde;o ao <i>grooming online</i>,  <i>U</i>=1425.50, <i>p</i>=0.035. Os/as jovens que n&atilde;o experienciaram vitima&ccedil;&atilde;o relataram um sentimento de maior  inseguran&ccedil;a face ao <i>grooming online</i> (Ordem M&eacute;dia=72,37) do que os/as jovens que experienciaram vitima&ccedil;&atilde;o (Ordem  M&eacute;dia=90,05).</p>     <p>Ainda, encontraram-se diferen&ccedil;as entre os/as jovens que experienciaram vitima&ccedil;&atilde;o e os/as jovens que n&atilde;o  experienciaram vitima&ccedil;&atilde;o ao n&iacute;vel da perce&ccedil;&atilde;o da gravidade do <i>grooming online</i>, <i>U</i>=1348.50,  <i>p</i>=0.014. Os/as jovens que n&atilde;o experienciaram vitima&ccedil;&atilde;o relataram uma perce&ccedil;&atilde;o de maior gravidade do  fen&oacute;meno (Ordem M&eacute;dia=79,26) do que os/as jovens que experienciaram vitima&ccedil;&atilde;o (Ordem M&eacute;dia=60,45).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Discuss&atilde;o</b></p>     <p>Neste estudo pretendia-se explorar a dimens&atilde;o do <i>grooming online</i> no contexto nacional. Assim, foi poss&iacute;vel concluir que  20,5% dos/as participantes foram v&iacute;timas de pelo menos uma situa&ccedil;&atilde;o que configura o fen&oacute;meno do <i>grooming online</i>.  No entanto, estes resultados v&ecirc;m contrariar um pouco a taxa de vitima&ccedil;&atilde;o encontrada no YISS-3, em que &ldquo;apenas&rdquo; um/a  em cada dez jovens foi alvo de aliciamento sexual (Jones et al., 2011), bem como os resultados encontrados nos tr&ecirc;s estudos Youth Internet  Safety Survey, que sugerem que o aliciamento sexual <i>online</i> diminuiu num total de 50% entre os anos de 2000 e 2010.</p>     <p>No entanto, a percentagem de vitima&ccedil;&atilde;o encontrada neste estudo vai ao encontro do estudo realizado na Alemanha, no ano 2011 (Wachs  et al., 2012). N&atilde;o obstante, uma vez que os instrumentos utilizados s&atilde;o semelhantes, a explica&ccedil;&atilde;o das  discrep&acirc;ncias encontradas poder&aacute; residir na visibilidade e desaprova&ccedil;&atilde;o social que este fen&oacute;meno augura nestes  pa&iacute;ses, ao contr&aacute;rio do contexto nacional. Por outro lado, esta diferen&ccedil;a ao n&iacute;vel da taxa de vitima&ccedil;&atilde;o  pode dever-se &agrave; legisla&ccedil;&atilde;o aplicada em cada um destes pa&iacute;ses, uma vez que os Estados Unidos foram o primeiro  pa&iacute;s a introduzir o <i>grooming online</i> na legisla&ccedil;&atilde;o, podendo contar com o poss&iacute;vel efeito dissuasor da lei. Pelo  contr&aacute;rio, no caso de Portugal, a figura do <i>grooming online</i> n&atilde;o encontra ainda enquadramento jur&iacute;dico, o que  refor&ccedil;a a legitima&ccedil;&atilde;o social do fen&oacute;meno.</p>     <p>Na nossa amostra, entre os/as participantes que experienciaram vitima&ccedil;&atilde;o, 18 s&atilde;o do sexo masculino e 13 do sexo feminino.  Al&eacute;m disso, n&atilde;o se encontrou uma associa&ccedil;&atilde;o significativa entre o sexo dos/as participantes e a experi&ecirc;ncia de  vitima&ccedil;&atilde;o por <i>grooming online</i>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Este resultado &eacute; contrariado pela literatura, que refere que as raparigas t&ecirc;m maior probabilidade de serem v&iacute;timas de  <i>grooming online</i> (Kool, 2011), bem como pelos resultados do YISS-2, realizado no ano de 2005, em que 70% das v&iacute;timas eram do sexo  feminino. Consideramos que o resultado encontrado no nosso estudo pode ser explicado por termos recorrido a uma amostra pouco significativa da  popula&ccedil;&atilde;o, o que pode n&atilde;o ter permitido a confirma&ccedil;&atilde;o de uma associa&ccedil;&atilde;o entre o sexo e a  vitima&ccedil;&atilde;o. Ainda, segundo o &uacute;ltimo Relat&oacute;rio Anual de Seguran&ccedil;a Interna (RASI), a elevada incid&ecirc;ncia de  v&iacute;timas do sexo feminino &eacute; particularmente evidente nos casos de abuso sexual em Portugal (Minist&eacute;rio da  Administra&ccedil;&atilde;o Interna, 2013).</p>     <p>Quanto &agrave;s situa&ccedil;&otilde;es de vitima&ccedil;&atilde;o por <i>grooming online</i>, o segundo comportamento mais experienciado  refere-se a algu&eacute;m sugerir um encontro na vida real, enquanto um dos comportamentos menos experienciados pelos/as participantes diz respeito  a algu&eacute;m ter enviado presentes sexuais, como preservativos, filmes, entre outros. Estes resultados n&atilde;o v&atilde;o ao encontro dos  dados do YISS-1, YISS-2 e YISS-3, pelo que revelam um padr&atilde;o distinto entre os contextos, sugerindo poss&iacute;veis especificidades  culturais. Por exemplo, estes estudos revelaram que o aliciamento agressivo, em que os/as jovens foram aliciados/as para encontros na vida real ou  receberam presentes ou dinheiro, n&atilde;o se alterou significativamente ao longo dos anos.</p>     <p>Quanto ao sexo do/a ofensor/a, a maioria (48,4%) dos/as participantes refere ter sido alvo de um ofensor do sexo masculino, o que vem confirmar  aquilo que &eacute; referido na literatura, nomeadamente por Bryce (2010) e corroborar os resultados do YISS-1.</p>     <p>Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; idade do/a ofensor/a, a maioria dos/as participantes (35,5%) referiu n&atilde;o saber a idade do/a mesmo/a,  sendo a idade &ldquo;menor de 18 anos&rdquo; a mais apontada logo de seguida (32,3%). Esta informa&ccedil;&atilde;o vai ao encontro dos resultados  encontrados no YISS-1. Este resultado pode ser explicado pelo facto de alguns ofensores n&atilde;o revelarem a sua verdadeira identidade ou  apresentarem uma idade falsa, de forma a atrair uma crian&ccedil;a ou jovem com idade semelhante (Kool, 2011; O&rsquo;Connell, 2003).</p>     <p>Neste estudo, no que respeita &agrave; forma como os/as participantes agiram perante a situa&ccedil;&atilde;o, destaca-se o comportamento de  ignorar o/a ofensor/a (64,5%), contrariando os resultados do YISS-2, no qual apenas 11% optaram por ignorar a pessoa, tendo a maioria (66%) das  v&iacute;timas optado por bloquear o/a ofensor/a, sair da sala de <i>chat</i> ou desligar o computador.</p>     <p>Foi ainda poss&iacute;vel apurar que menos de metade (35,5%) dos/as jovens contou a situa&ccedil;&atilde;o a algu&eacute;m, resultado  tamb&eacute;m verificado no YISS-2. Assim, a forma de agir perante a situa&ccedil;&atilde;o de <i>grooming online</i> pode ser uma causa de  preocupa&ccedil;&atilde;o, uma vez que a maioria dos/as jovens opta por ignorar o/a ofensor/a e apenas uma pequena percentagem conta a  situa&ccedil;&atilde;o a algu&eacute;m. Isto pode dever-se &agrave; vergonha ou medo de repreens&atilde;o por parte dos pais ou, por outro lado, ao  facto de n&atilde;o considerarem a situa&ccedil;&atilde;o suficientemente grave para ser denunciada. Ainda, &eacute; poss&iacute;vel que os/as  jovens considerem que a pol&iacute;cia n&atilde;o poderia fazer nada para cessar a situa&ccedil;&atilde;o ou identificar o/a ofensor/a.</p>     <p>Este resultado pode tamb&eacute;m ser explicado pelo desconhecimento do fen&oacute;meno no nosso pa&iacute;s, uma vez que, quando  questionados/as sobre se j&aacute; tinham ouvido falar no termo <i>grooming online</i>, destaca-se que a maioria (70,2%) nunca ouviu falar no  fen&oacute;meno, n&atilde;o obstante a taxa de vitima&ccedil;&atilde;o encontrada. Ainda que possa existir uma tradu&ccedil;&atilde;o do termo para  portugu&ecirc;s, como aliciamento, este resultado vem comprovar que o <i>grooming online</i> n&atilde;o est&aacute; ainda concetualizado como uma  ofensa ou fen&oacute;meno de vitima&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fico. Apesar de j&aacute; existir no nosso pa&iacute;s, n&atilde;o &eacute; ainda  divulgado nem se encontram campanhas de preven&ccedil;&atilde;o que alertem para a gravidade deste fen&oacute;meno. No entanto, sabe-se que uma das  formas mais eficazes de prevenir esta problem&aacute;tica passa pela consciencializa&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o s&oacute; dos/as menores, como  tamb&eacute;m dos pr&oacute;prios pais e da popula&ccedil;&atilde;o em geral.</p>     <p>De acordo com Craven, Brown e Gilchrist (2007), as campanhas de preven&ccedil;&atilde;o devem permitir &agrave; comunidade identificar os  aspetos essenciais do <i>grooming online</i> e intervir de forma segura para impedir a vitima&ccedil;&atilde;o. Igualmente, uma melhor  compreens&atilde;o da motiva&ccedil;&atilde;o e da evolu&ccedil;&atilde;o para o abuso sexual seria importante para os/as potenciais ofensores/as,  para que pudessem reconhecer e procurar ajuda ainda num estado inicial da problem&aacute;tica. Assim, quanto mais cedo a interven&ccedil;&atilde;o  com os/as ofensores/as for iniciada, maior &eacute; a probabilidade de sucesso (Craven et al., 2007).</p>     <p>O <i>grooming online</i> parece permanecer um fen&oacute;meno desconhecido no nosso pa&iacute;s devido, em parte, &agrave; falta de  transmiss&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o sobre o mesmo, situa&ccedil;&atilde;o que urge inverter para se garantir a seguran&ccedil;a das  crian&ccedil;as e jovens.</p>     <p>Relativamente &agrave; idade das v&iacute;timas, verificou-se existir uma associa&ccedil;&atilde;o significativa entre a idade dos/as  participantes e a experi&ecirc;ncia de vitima&ccedil;&atilde;o por <i>grooming online</i>, sendo que a maioria das v&iacute;timas tem idade igual  ou superior a 14 anos. Tais resultados est&atilde;o de acordo com os do YISS-1, bem como do YISS-2 (Finkelhor et al., 2000; Wolak et al., 2006). Do  nosso ponto de vista, este resultado pode ser explicado pelo facto de os/as jovens com idade inferior a 14 anos n&atilde;o utilizarem a internet  com tanta frequ&ecirc;ncia (Taborda, 2010; Wolak et al., 2008), nem se interessarem tanto por relacionamentos, ignorando os avan&ccedil;os de  poss&iacute;veis praticantes de <i>grooming</i>, ao contr&aacute;rio dos/as jovens com idades superiores, que j&aacute; se encontram mais  dispon&iacute;veis para relacionamentos e quest&otilde;es sexuais <i>online</i> (Wolak et al., 2008).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Neste estudo, foi poss&iacute;vel concluir que os/as jovens com idade inferior a 14 anos apresentam um sentimento de maior inseguran&ccedil;a  face ao <i>grooming online</i>, bem como uma perce&ccedil;&atilde;o de maior gravidade do fen&oacute;meno. De acordo com a literatura, o sentimento  de inseguran&ccedil;a nos/as jovens tende a diminuir regularmente com o aumento da idade (Sanavio, 1998). Consideramos que tal se pode dever ao  facto de os/as jovens com idade inferior a 14 anos, apesar de apresentarem uma menor percentagem de vitima&ccedil;&atilde;o, demonstrarem maiores  n&iacute;veis de inseguran&ccedil;a e, consequentemente, uma perce&ccedil;&atilde;o de maior gravidade do <i>grooming online</i>. Al&eacute;m  disso, este resultado pode ser explicado por um dos paradoxos da inseguran&ccedil;a referidos por Fernandes e R&ecirc;go (2011) bem como por  Tulloch et al. (1998), em que as pessoas que j&aacute; experienciaram vitima&ccedil;&atilde;o apresentam menos medo do crime do que aquelas que  nunca foram v&iacute;timas.</p>     <p>A mesma justifica&ccedil;&atilde;o pode aplicar-se ao sentimento de (in)seguran&ccedil;a em rela&ccedil;&atilde;o ao <i>grooming online</i>. Na  sua maioria, os/as participantes revelam sentir-se inseguros/as e/ou assustados/as, no entanto, foi poss&iacute;vel concluir que os/as jovens que  nunca experienciaram vitima&ccedil;&atilde;o relatam um sentimento de maior inseguran&ccedil;a face ao <i>grooming online</i> do que os/as jovens  que experienciaram vitima&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Da mesma forma, foi poss&iacute;vel concluir que os/as jovens que experienciaram vitima&ccedil;&atilde;o relatam uma perce&ccedil;&atilde;o de  menor gravidade do <i>grooming online</i> do que os/as jovens que n&atilde;o experienciaram vitima&ccedil;&atilde;o. Este resultado vai ao encontro  dos do YISS-1 e YISS-2, em que a maioria dos/as jovens (<i>n</i>=1126; 75% e <i>n</i>=990; 66%, respetivamente) que experienciou  vitima&ccedil;&atilde;o por <i>grooming online</i> n&atilde;o ficou particularmente perturbado/a ou angustiado/a com a situa&ccedil;&atilde;o. Em  rela&ccedil;&atilde;o ao sentimento de inseguran&ccedil;a, este resultado vem contrariar o que &eacute; descrito na literatura (Lab, 2014; Sanavio,  1998). Pelo contr&aacute;rio, a perce&ccedil;&atilde;o da gravidade do fen&oacute;meno encontrada no nosso estudo &eacute; consistente com o que  &eacute; relatado na literatura (Fetchenhauer &amp; Buunk, 2005). Na nossa perspetiva, o facto de as raparigas relatarem uma perce&ccedil;&atilde;o  de maior gravidade do fen&oacute;meno mas n&atilde;o se sentirem particularmente inseguras relativamente ao <i>grooming online</i>, quando  comparadas com os rapazes, pode ser explicado pelo contexto <i>online</i> deste fen&oacute;meno. Assim, as raparigas podem sentir-se mais  protegidas do que seria de esperar, uma vez que, conforme Aftab (2000, como citado por Stanley, 2001), as comunica&ccedil;&otilde;es atrav&eacute;s  da internet n&atilde;o s&atilde;o percecionadas como um potencial risco pelo facto de a conversa n&atilde;o se desenrolar presencialmente mas antes  <i>online</i>. Desta forma, a internet parece proporcionar uma falsa sensa&ccedil;&atilde;o de seguran&ccedil;a e apesar de a literatura referir  que geralmente as mulheres se sentem mais inseguras, tal constata&ccedil;&atilde;o pode n&atilde;o se aplicar ao contexto <i>online</i>. Neste  sentido, estes resultados sugerem que o g&eacute;nero ter&aacute; influ&ecirc;ncia na perce&ccedil;&atilde;o de gravidade do fen&oacute;meno, tal  como esperado. Contudo, este efeito parece ser anulado por uma suposta invulnerabilidade conferida pelos contextos <i>online</i>.</p>     <p>No que se refere &agrave; perce&ccedil;&atilde;o dos/as participantes quanto &agrave; frequ&ecirc;ncia com que acontece o <i>grooming online</i>, a maioria (51%) respondeu &ldquo;muitas vezes&rdquo;. Desta forma, apesar de a grande maioria dos/as jovens n&atilde;o identificar o termo, pensam que o fen&oacute;meno acontece muitas vezes, podendo significar que t&ecirc;m conhecimento de casos de outras pessoas que experienciaram vitima&ccedil;&atilde;o por <i>grooming online</i>.</p>     <p>N&atilde;o obstante os contributos que reconhecemos a este estudo, sobretudo por come&ccedil;ar a explorar um fen&oacute;meno relativamente  desconhecido e ignorado em Portugal, admitimos que tem tamb&eacute;m algumas limita&ccedil;&otilde;es, nomeadamente no que se refere ao tamanho da  amostra. Tal limita&ccedil;&atilde;o deveu-se &agrave;s dificuldades, quer de recolha de dados em todas as escolas previstas, quer de  obten&ccedil;&atilde;o de alguns consentimentos informados. Para al&eacute;m do mais, inquirir sobre um fen&oacute;meno que carece de  reconhecimento social, implica que a constru&ccedil;&atilde;o do instrumento apresente limita&ccedil;&otilde;es por se ter de definir &agrave;  partida o construto em an&aacute;lise, que por si s&oacute; &eacute; de dif&iacute;cil operacionaliza&ccedil;&atilde;o. A par de se tratar de  contextos altamente diferenciados ao n&iacute;vel do reconhecimento social e legal do fen&oacute;meno, a falta de instrumentos estandardizados e  v&aacute;lidos, dificultou a compara&ccedil;&atilde;o de resultados com os estudos internacionais existentes.</p>     <p>Outra limita&ccedil;&atilde;o prende-se com a &aacute;rea geogr&aacute;fica do estudo, que se circunscreveu ao concelho de Vila Nova de Gaia,  pelo que seria importante estender a investiga&ccedil;&atilde;o a outras &aacute;reas do pa&iacute;s, contemplando idealmente uma amostra  representativa.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conclus&atilde;o</b></p>     <p>Este estudo pretende fornecer informa&ccedil;&otilde;es &uacute;teis acerca do <i>grooming online</i>, nomeadamente atrav&eacute;s da  descri&ccedil;&atilde;o da preval&ecirc;ncia e das caracter&iacute;sticas das situa&ccedil;&otilde;es de vitima&ccedil;&atilde;o de uma amostra de  jovens portugueses/as. Apesar de algumas limita&ccedil;&otilde;es, este estudo explorat&oacute;rio revelou-se inovador no contexto portugu&ecirc;s  com resultados que devem ser considerados indicadores relevantes para uma atua&ccedil;&atilde;o eficaz e o mais precoce poss&iacute;vel face a este  fen&oacute;meno.</p>     <p>Os principais resultados a apontar referem-se &agrave; percentagem de vitima&ccedil;&atilde;o encontrada na nossa amostra (20,5%), bem como ao  desconhecimento do fen&oacute;meno pela maioria dos/as participantes (70,2%).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Uma vez que, em Portugal, o <i>grooming online</i> &eacute; ainda uma inc&oacute;gnita para a maioria dos/as jovens e um fen&oacute;meno  relativamente ignorado pela comunidade acad&eacute;mica, pelo poder pol&iacute;tico, pela comunica&ccedil;&atilde;o social e pela sociedade em  geral, espera-se que este estudo traga mais visibilidade a uma problem&aacute;tica que afeta atualmente um n&uacute;mero significativo de  crian&ccedil;as e jovens.</p>     <p>Desta forma, espera-se com este trabalho promover o conhecimento acerca da problem&aacute;tica abordada, alertar para a sua preval&ecirc;ncia no  nosso pa&iacute;s e estimular o interesse pela investiga&ccedil;&atilde;o da mesma. Al&eacute;m disso, uma vez que foi poss&iacute;vel verificar a  exist&ecirc;ncia de situa&ccedil;&otilde;es de vitima&ccedil;&atilde;o por <i>grooming online</i> em Portugal, espera-se contribuir para  poss&iacute;veis mudan&ccedil;as legislativas, nomeadamente pela transposi&ccedil;&atilde;o do artigo 23&ordm; da Conven&ccedil;&atilde;o de  Lanzarote para a legisla&ccedil;&atilde;o portuguesa.</p>     <p>Sugere-se tamb&eacute;m que sejam realizadas campanhas de preven&ccedil;&atilde;o e a&ccedil;&otilde;es de sensibiliza&ccedil;&atilde;o acerca  desta problem&aacute;tica, n&atilde;o s&oacute; nas escolas mas tamb&eacute;m recorrendo aos meios de comunica&ccedil;&atilde;o social, de forma a  abranger o maior n&uacute;mero poss&iacute;vel de pessoas.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>     <!-- ref --><p>American Psychiatric Association. (2013). <i>Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders</i> (5<sup>th </sup>ed.). Arlington: American  Psychiatric Association.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=022435&pid=S0870-8231201600030000400001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Berson, I. (2003). Grooming cybervictims: The psychosocial effects of online exploitation for youth. <i>Journal of School Violence, 1</i>(2),  5-18. doi: 10.1300/J202v02n01_02&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=022437&pid=S0870-8231201600030000400002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Bryce, J. (2010). Online sexual exploitation of children and young people. In Y. Jewkes &amp; M. Yar (Eds.), <i>Handbook of internet crime</i>  (pp. 320-342). Devon, UK: Willan.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=022438&pid=S0870-8231201600030000400003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Childnet International. (2002). <i>Online grooming and UK law</i>. Retirado de <a href="http://www.childnet.com/ufiles/online-grooming.pdf"  target="_blank">http://www.childnet.com/ufiles/online-grooming.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=022440&pid=S0870-8231201600030000400004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Craven, S. (2009). <i>Deconstructing perspectives of sexual grooming: Implications for theory and practice</i>. Retirado de  <a href="https://curve.coventry.ac.uk/open/file/fa74d106-b7a5-2d5f-8feb-0b10440e2791/1/cravencomb.pdf"  target="_blank">https://curve.coventry.ac.uk/open/file/fa74d106-b7a5-2d5f-8feb-0b10440e2791/1/cravencomb.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=022441&pid=S0870-8231201600030000400005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Craven, S., Brown, S., &amp; Gilchrist, E. (2006). Sexual grooming of children: Review of literature and theoretical considerations. <i>Journal  of Sexual Agression, 12</i>, 287-299. doi: 10.1080/13552600601069414&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=022442&pid=S0870-8231201600030000400006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Craven, S., Brown, S., &amp; Gilchrist, E. (2007). Current responses to sexual grooming: Implication for prevention. <i>The Howard Journal,  46</i>, 60-71. doi: 10.1111/j.1468-2311.2007.00454.x&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=022443&pid=S0870-8231201600030000400007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Davidson, J. (2007). Current practice and research into internet sex offending. <i>Risk Management Authority Research</i>. Retirado de  <a href="http://www.rmascotland.gov.uk/files/7612/7263/5791/Current%20Practice%20and%20Research%20into%20Internet%20Sex%20Offending.pdf"  target="_blank">http://www.rmascotland.gov.uk/files/7612/7263/5791/Current%20Practice%20and%20Research%20into%20Internet%20Sex%20Offending.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=022444&pid=S0870-8231201600030000400008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Davidson, J., Grove-Hills, J., Bifulco, A., Gottschalk, P., Caretti, V., Pham, T., &amp; Webster, S. (2011). Online abuse: Literature review  and policy context. <i>(Project Report) European online grooming project</i>. Retirado de  <a href="http://www.scotcen.org.uk/media/22523/european-online-grooming-projectliteraturereview.pdf"  target="_blank">http://www.scotcen.org.uk/media/22523/european-online-grooming-projectliteraturereview.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=022445&pid=S0870-8231201600030000400009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Eneman, M., Gillespie, A., &amp; Bernd, S. (2010). Technology and sexual abuse: A critical review of an internet grooming case. <i>Icis 2010  Proceedings</i>. Retirado de <a href="http://www.cse.dmu.ac.uk/~bstahl/index_html_files/2010_grooming_ICIS.pdf"  target="_blank">http://www.cse.dmu.ac.uk/~bstahl/index_html_files/2010_grooming_ICIS.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=022446&pid=S0870-8231201600030000400010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Fernandes, L., &amp; R&ecirc;go, X. (2011). Por onde anda o sentimento de inseguran&ccedil;a?. Problematiza&ccedil;&otilde;es sociais e  cient&iacute;ficas do medo &agrave; cidade. <i>Etnogr&aacute;fica, 15</i>, 167-181. Retirado de  <a href="http://www.scielo.oces.mctes.pt/scielo.php?pid=S0873-65612011000100009&amp;script=sci_arttext"  target="_blank">http://www.scielo.oces.mctes.pt/scielo.php?pid=S0873-65612011000100009&amp;script=sci_arttext</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=022447&pid=S0870-8231201600030000400011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Fetchenhauer, D., &amp; Buunk, B. (2005). How to explain gender differences in fear of crime: Towards an evolutionary approach. <i>Sexualities,  evolution and gender, 7</i>, 95-113. Retirado de  <a href="http://ics.uda.ub.rug.nl/FILES/root/Articles/2005/FetchenhauerD-Howto/FetchenhauerD-Howto-2005.pdf"  target="_blank">http://ics.uda.ub.rug.nl/FILES/root/Articles/2005/FetchenhauerD-Howto/FetchenhauerD-Howto-2005.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=022448&pid=S0870-8231201600030000400012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Finkelhor, D., Mitchell, K., &amp; Wolak, J. (2000). <i>Online victimization: A report on the nation&rsquo;s youth.</i> USA: University of New  Hampshire. Retirado de <a href="http://www.unh.edu/ccrc/pdf/jvq/CV38.pdf"  target="_blank">http://www.unh.edu/ccrc/pdf/jvq/CV38.pdf</a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Griffith, G., &amp; Roth, L. (2007). <i>Protecting children from online sexual predators</i>. Retirado de  <a href="http://www.parliament.nsw.gov.au/prod/parlment/publications.nsf/0/3043e49ab3f4abf9ca2573530006f989/$file/dealing%20with%20online%20predatorsfinal&amp;index.pdf"  target="_blank">http://www.parliament.nsw.gov.au/prod/parlment/publications.nsf/0/3043e49ab3f4abf9ca2573530006f989/$file/dealing%20with%20online%20predatorsfinal&amp;index.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=022450&pid=S0870-8231201600030000400014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Hill, M., &amp; Hill, A. (2002). <i>Investiga&ccedil;&atilde;o por question&aacute;rio</i> (2&ordf; ed.). Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es  S&iacute;labo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=022451&pid=S0870-8231201600030000400015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>International Telecommunication Union. (2012). <i>Understanding cybercrime: Phenomena, challenges and legal response</i>. Retirado de  <a href="http://www.itu.int/ITU-D/cyb/cybersecurity/docs/Cybercrime%20legislation%20EV6.pdf"  target="_blank">http://www.itu.int/ITU-D/cyb/cybersecurity/docs/Cybercrime%20legislation%20EV6.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=022453&pid=S0870-8231201600030000400016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Jones, L., Mitchell, K., &amp; Finkelhor, D. (2011). Trends in youth internet victimization: Findings from three youth internet safety surveys  2000-2010. <i>Journal of Adolescent Health, 50</i>, 179-86. doi: 10.1016/j.jadohealth.2011.09.015&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=022454&pid=S0870-8231201600030000400017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Kool, R. (2011). Prevention by all means?. A legal comparison of the criminalization of online grooming and its enforcement. <i>Utrecht Law  Review, 7</i>, 46-69. Retirado de <a href="http://www.utrechtlawreview.org/index.php/ulr/article/view/171/0"  target="_blank">http://www.utrechtlawreview.org/index.php/ulr/article/view/171/0</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=022455&pid=S0870-8231201600030000400018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Lab, S. (2014). <i>Crime Prevention: Approaches, practices, and evaluations</i> (8<sup>th</sup> ed.). Waltham: Anderson Publishing.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=022456&pid=S0870-8231201600030000400019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>McAlinden, A. (2013). Grooming and the sexual abuse of children: Implications for sex offender assessment, treatment and management. <i>Sexual  Offender Treatment, 8</i>(1). Retirado de <a href="http://www.sexual-offender-treatment.org/118.html"  target="_blank">http://www.sexual-offender-treatment.org/118.html</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=022458&pid=S0870-8231201600030000400020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Minist&eacute;rio da Administra&ccedil;&atilde;o Interna. (2013). <i>Relat&oacute;rio anual de seguran&ccedil;a interna</i>. Retirado de  <a href="http://www.portugal.gov.pt/media/1391220/RASI%202013.pdf" target="_blank">http://www.portugal.gov.pt/media/1391220/RASI%202013.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=022459&pid=S0870-8231201600030000400021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>O&rsquo;Connell, R. (2003). <i>A typology of chcybersexploitation and on-line grooming practices</i>. Preston: University of Central Lancashire.  Retirado de <a href="http://www.jisc.ac.uk/uploaded_documents/lis_PaperJPrice.pdf"  target="_blank">http://www.jisc.ac.uk/uploaded_documents/lis_PaperJPrice.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=022460&pid=S0870-8231201600030000400022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Procuradoria-Geral da Rep&uacute;blica. (2013). <i>Col&oacute;quio: As crian&ccedil;as e a internet. Uso seguro, abuso e den&uacute;ncia</i>.  Retirado de <a href="http://cibercrime.pgr.pt/documentos/conclusoes_coloquio.pdf"  target="_blank">http://cibercrime.pgr.pt/documentos/conclusoes_coloquio.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=022461&pid=S0870-8231201600030000400023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Sanavio, E. (1998). The fears of Italian children and adolescents. In D. Saklofske &amp; S. Eysenck (Eds.), <i>Individual differences in  children and adolescents</i> (pp. 108-118). New Jersey: Transaction Publishers.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=022462&pid=S0870-8231201600030000400024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Stanley, J. (2001). Child abuse and the internet. <i>Child abuse prevention issues, 15.</i> Retirado de  <a href="http://aifs.org.au/nch/pubs/issues/issues15/issues15.pdf" target="_blank">http://aifs.org.au/nch/pubs/issues/issues15/issues15.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=022464&pid=S0870-8231201600030000400025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Taborda, M. (2010). Nativos Digitais portugueses: Idade, experi&ecirc;ncia e esferas de utiliza&ccedil;&atilde;o das TIC. <i>OberCom:  Observat&oacute;rio da Comunica&ccedil;&atilde;o</i>. Retirado de <a href="http://www.obercom.pt/client/?newsId=373&amp;fileName=fr_julho_2010.pdf"  target="_blank">http://www.obercom.pt/client/?newsId=373&amp;fileName=fr_julho_2010.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=022465&pid=S0870-8231201600030000400026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Tulloch, J., Lupton, D., Blood, W., Tulloch, M., Jennett, C., &amp; Enders, M. (1998). Fear of crime project team. <i>Fear of crime, 2</i>. 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Retirado de <a href="http://www.psicothema.com/pdf/4064.pdf"  target="_blank">http://www.psicothema.com/pdf/4064.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=022467&pid=S0870-8231201600030000400028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Wolak, J., Finkelhor, D., Mitchell, K., &amp; Ybarra, M. (2008). Online &ldquo;predators&rdquo; and their victims: Myths, realities, and  implication for prevention and treatment. <i>American Psychological Association, 63</i>, 111-128. doi: 10.1037/0003.066x.2.111</p>     <!-- ref --><p>Wolak, J., Mitchell, K., &amp; Finkelhor, D. (2006). Online victimization of youth: Five years later. <i>National Center for Missing and  Exploited Children</i>. USA: University of New Hampshire. Retirado de <a href="http://www.unh.edu/ccrc/pdf/CV138.pdf"  target="_blank">http://www.unh.edu/ccrc/pdf/CV138.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=022469&pid=S0870-8231201600030000400030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     <p><b><a name="c0" id="c0"></a><a href="#topc0">CORRESPONDÊNCIA</a></b></p>     <p>A correspond&ecirc;ncia relativa a este artigo dever&aacute; ser enviada para: Cl&aacute;udia Miura Casa Branca, ISMAI &ndash; Instituto  Universit&aacute;rio da Maia, Av. Carlos Oliveira Campos, Castelo da Maia, 4475-690 Maia, Portugal. E-mail:  <a href="mailto:claudia_casabranca@hotmail.com">claudia_casabranca@hotmail.com</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Submiss&atilde;o: 18/11/2014 Aceita&ccedil;&atilde;o: 22/11/2015</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>NOTAS</p>     <p><sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></sup> O instrumento estar&aacute; dispon&iacute;vel para consulta / utiliza&ccedil;&atilde;o mediante  solicita&ccedil;&atilde;o &agrave; autora de contacto.</p>      ]]></body><back>
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