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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A experiência do bebé na creche: Perceções de mães e de educadoras no período de transição do contexto familiar para a creche]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Infants’ transition to day-care center is a critical and complex process for professionals working in the day-care centers, families and children who experience parental separation and adaptation to a new space, new routines and new people with whom they have to interact (Datler, ErekyStevens, HoverReisner, & LarsErik Malmberg, 2012). As such, a carefully planned transition must be part of the day-care center global functioning, which shall try to identify factors that influence infant adaptation to the new context and factors that promote the continuity of practices and routines between both day-care center and family contexts (Peixoto, Coelho, Pinto, Cadima, Barros, & Pessanha, 2014). This study aims to contribute to the understanding of infant experience during the transition period from the family environment to the day-care center, analyzing mothers’ and teachers’ perception of the infant’s emotional state, the maintenance of routines between settings and the frequency of parent-daycare center communication during this period. Mothers and teachers of 90 infants of the Great Metropolitan Area of Oporto replied to the Questionnaire of Experience in the Day-care center (Skouteris & Dissanayake, 2001), in the first and in the fourth week of the day-care center attendance. Mothers’ and teachers’ perception of infants’ emotional state and frequency of communication between family and day care was positive, with teachers showing a more positive perception regarding both their emotional state and communication. From the first to the fourth week (a) a more positive evaluation regarding the emotional state of the infants was reported by the mothers and the teachers, as well as (b) a decrease in frequency of communication. Additionally, results indicate that more positive emotional state of the infants seems to be associated with higher communication frequency between the family and day-care center personnel, reported by the teachers. It was also verified that children who remain less time in the day-care center during the first week are those who show a more positive emotional state in the fourth week, according to teachers’ perceptions. This study seems to highlight the care of both families and teachers during infants’ transition to day-care center and to emphasize the importance of the involvement of both families and professionals in order to allow for a better adjustment of the infant.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Transição]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Comunicação família-creche]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Adaptação]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>A experi&ecirc;ncia do beb&eacute; na creche: Perce&ccedil;&otilde;es de m&atilde;es e de educadoras no per&iacute;odo de  transi&ccedil;&atilde;o do contexto familiar para a creche</b></p>     <p><b>Catarina Rodrigues Grande<sup>1</sup>, In&ecirc;s Brand&atilde;o Nunes<sup>1</sup>, Vera Coelho<sup>1</sup>, Joana Cadima<sup>1</sup>,  S&iacute;lvia Barros<sup>2</sup></b></p>     <p><sup>1</sup>Faculdade de Psicologia e de Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o da Universidade do Porto</p>     <p><sup>2</sup>Escola Superior de Educa&ccedil;&atilde;o, Instituto Polit&eacute;cnico do Porto</p>     <p><a name="topc0"></a><a href="#c0">Correspondência</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>A transi&ccedil;&atilde;o do beb&eacute; para a creche constitui um processo cr&iacute;tico e complexo para os profissionais das creches, as  fam&iacute;lias e as crian&ccedil;as, que experienciam a separa&ccedil;&atilde;o dos pais e a adapta&ccedil;&atilde;o a um novo espa&ccedil;o, a  novas rotinas e a novas pessoas com quem passam a interagir (Datler, Ereky-Stevens, Hover-Reisner, &amp; LarsErik Malmberg, 2012). Assim, uma  transi&ccedil;&atilde;o cuidadosamente planificada deve ser integrada no funcionamento global da creche procurando identificar fatores que  influenciam a adapta&ccedil;&atilde;o do beb&eacute; ao novo contexto e fatores que promovam a continuidade de pr&aacute;ticas e rotinas entre  o contexto de creche e o contexto familiar (Peixoto, Coelho, Pinto, Cadima, Barros, &amp; Pessanha, 2014).</p>     <p>Este estudo visa contribuir para a compreens&atilde;o da experi&ecirc;ncia do beb&eacute; no per&iacute;odo de transi&ccedil;&atilde;o do  ambiente familiar para a creche, analisando a perce&ccedil;&atilde;o das m&atilde;es e das educadoras acerca do estado emocional do beb&eacute;, da  manuten&ccedil;&atilde;o das rotinas e da comunica&ccedil;&atilde;o fam&iacute;lia-creche nesse per&iacute;odo. M&atilde;es e educadoras de 90  beb&eacute;s da Grande &Aacute;rea Metropolitana do Porto responderam ao Question&aacute;rio de Experi&ecirc;ncia na Creche (Skouteris &amp;  Dissanayake, 2001), na primeira e na quarta semana de frequ&ecirc;ncia da creche.</p>     <p>A perce&ccedil;&atilde;o das m&atilde;es e educadoras acerca do estado emocional dos beb&eacute;s, da manuten&ccedil;&atilde;o das rotinas e  comunica&ccedil;&atilde;o fam&iacute;lia-creche foi positiva, verificando-se perce&ccedil;&otilde;es mais positivas das educadoras relativamente ao  estado emocional e &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o fam&iacute;lia-creche. Da primeira para a quarta semana registou-se (a) uma  avalia&ccedil;&atilde;o mais positiva do estado emocional dos beb&eacute;s, percebido pelas m&atilde;es e educadoras; e (b) uma  diminui&ccedil;&atilde;o da frequ&ecirc;ncia da comunica&ccedil;&atilde;o. Adicionalmente, os resultados indicam que um estado emocional dos  beb&eacute;s mais positivo parece estar associado a uma maior frequ&ecirc;ncia de comunica&ccedil;&atilde;o entre a fam&iacute;lia e creche,  relatada pelas educadoras. Foi ainda verificado que as crian&ccedil;as que permanecem menos tempo na creche na primeira semana s&atilde;o as que  apresentam um estado emocional mais positivo na quarta semana, de acordo com a perce&ccedil;&atilde;o das educadoras.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Este estudo parece sublinhar o cuidado das fam&iacute;lias e educadores na transi&ccedil;&atilde;o dos beb&eacute;s para a creche e destacar a  import&acirc;ncia do envolvimento das fam&iacute;lias e profissionais para um melhor ajustamento do beb&eacute;.    <p>     <p><b>Palavras-chave</b>: Transi&ccedil;&atilde;o, Comunica&ccedil;&atilde;o fam&iacute;lia-creche, Adapta&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>Infants&rsquo; transition to day-care center is a critical and complex process for professionals working in the day-care centers, families and  children who experience parental separation and adaptation to a new space, new routines and new people with whom they have to interact (Datler,  ErekyStevens, HoverReisner, &amp; LarsErik Malmberg, 2012). As such, a carefully planned transition must be part of the day-care center global  functioning, which shall try to identify factors that influence infant adaptation to the new context and factors that promote the continuity of  practices and routines between both day-care center and family contexts (Peixoto, Coelho, Pinto, Cadima, Barros, &amp; Pessanha, 2014).</p>     <p>This study aims to contribute to the understanding of infant experience during the transition period from the family environment to the day-care  center, analyzing mothers&rsquo; and teachers&rsquo; perception of the infant&rsquo;s emotional state, the maintenance of routines between settings  and the frequency of parent-daycare center communication during this period. Mothers and teachers of 90 infants of the Great Metropolitan Area of  Oporto replied to the Questionnaire of Experience in the Day-care center (Skouteris &amp; Dissanayake, 2001), in the first and in the fourth week  of the day-care center attendance.</p>     <p>Mothers&rsquo; and teachers&rsquo; perception of infants&rsquo; emotional state and frequency of communication between family and day care was  positive, with teachers showing a more positive perception regarding both their emotional state and communication. From the first to the fourth  week (a) a more positive evaluation regarding the emotional state of the infants was reported by the mothers and the teachers, as well as (b) a  decrease in frequency of communication. Additionally, results indicate that more positive emotional state of the infants seems to be associated  with higher communication frequency between the family and day-care center personnel, reported by the teachers. It was also verified that children  who remain less time in the day-care center during the first week are those who show a more positive emotional state in the fourth week, according  to teachers&rsquo; perceptions.</p>     <p>This study seems to highlight the care of both families and teachers during infants&rsquo; transition to day-care center and to emphasize the  importance of the involvement of both families and professionals in order to allow for a better adjustment of the infant.</p>     <p><b>Key words</b>: Transition, Parent-caregiver communication, Adjustment.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>Nos &uacute;ltimos anos, como resultado de mudan&ccedil;as culturais e socioecon&oacute;micas, das quais pode ser destacado o facto de ambos os  pais partilharem, cada vez mais, a tarefa de assegurar o rendimento econ&oacute;mico familiar, Portugal tem assistido a uma progressiva  expans&atilde;o dos servi&ccedil;os de creche. Efetivamente, dadas estas recentes altera&ccedil;&otilde;es na sociedade, a tarefa de cuidar e  educar as crian&ccedil;as mais pequenas n&atilde;o &eacute; exclusivamente assegurada pela fam&iacute;lia, como tradicionalmente acontecia, pelo  que &eacute; necess&aacute;rio recorrer a outros contextos de educa&ccedil;&atilde;o e cuidados (Seguran&ccedil;a Social, 2010). Esta  situa&ccedil;&atilde;o tem levado ao aumento da preocupa&ccedil;&atilde;o acerca da qualidade desses servi&ccedil;os (Azevedo, 2011). Al&eacute;m  disso, o facto de cada vez mais crian&ccedil;as permanecerem uma parte significativa do seu dia no contexto extrafamiliar e, muitas vezes, logo nos  primeiros meses de vida, justifica um maior interesse no estudo sobre o impacte da qualidade destes servi&ccedil;os no desenvolvimento e bem-estar  da crian&ccedil;a. Especificamente, estudar o processo de transi&ccedil;&atilde;o e adapta&ccedil;&atilde;o a este novo contexto revela-se  importante para o desenvolvimento de pr&aacute;ticas adequadas de acolhimento e acompanhamento da crian&ccedil;a no contexto de creche, de modo a  que se proceda a uma transi&ccedil;&atilde;o cuidadosamente planificada baseada em fatores que influenciam a adapta&ccedil;&atilde;o do beb&eacute;  ao novo contexto e que promovam a adequada continuidade entre o contexto de creche e o contexto familiar (Peixoto et al., 2014). Considerando que a  investiga&ccedil;&atilde;o neste dom&iacute;nio, especialmente no primeiro ano de vida, &eacute; ainda escassa, em particular em Portugal, o  presente estudo visa contribuir para o estudo da experi&ecirc;ncia do beb&eacute; no per&iacute;odo de transi&ccedil;&atilde;o do ambiente familiar  para a creche. Especificamente, neste estudo descreve-se a perce&ccedil;&atilde;o das m&atilde;es e das educadoras em rela&ccedil;&atilde;o a  v&aacute;rios aspetos relacionados com a adapta&ccedil;&atilde;o do beb&eacute; &agrave; creche, com particular enfoque no estado emocional do  beb&eacute; e na frequ&ecirc;ncia da comunica&ccedil;&atilde;o entre a fam&iacute;lia e os profissionais da creche no primeiro m&ecirc;s de  frequ&ecirc;ncia da creche.</p>     <p>Em Portugal, de acordo com o relat&oacute;rio de 2011 da Organiza&ccedil;&atilde;o para a Coopera&ccedil;&atilde;o e Desenvolvimento  Econ&oacute;mico (Organization for Economic Co-operation and Development [OECD], 2011) mais de 60% dos pais de crian&ccedil;as em idades precoces  trabalham a tempo inteiro. As creches t&ecirc;m emergido como forma de dar resposta &agrave;s necessidades das fam&iacute;lias que, frequentemente,  n&atilde;o t&ecirc;m possibilidade de assegurar os cuidados e educa&ccedil;&atilde;o das suas crian&ccedil;as, sem recorrer a este contexto  (Portugal, 1998). De facto, em 2012, as creches e amas dos centros urbanos do pa&iacute;s mantinham uma taxa de ocupa&ccedil;&atilde;o superior a  80% (Equipa de Estudos e Pol&iacute;ticas, 2013), sendo a procura acompanhada pelo aumento da taxa de cobertura das respostas sociais para a  primeira inf&acirc;ncia, como creches e amas (Equipa de Estudos e Pol&iacute;ticas, 2014), que se situa nos 46%. Adicionalmente, a oferta de  hor&aacute;rios mais alargados tem correspondido tamb&eacute;m &agrave;s necessidades das fam&iacute;lias. Em 2013, o n&uacute;mero m&eacute;dio de  horas de funcionamento das creches foi de 11.8 horas e a perman&ecirc;ncia di&aacute;ria de cada crian&ccedil;a na creche foi, em m&eacute;dia, de  cerca de 7 horas (Equipa de Estudos e Pol&iacute;ticas, 2013). Os dados relativos &agrave;s taxas de cobertura e ocupa&ccedil;&atilde;o, assim como  aos hor&aacute;rios de funcionamento das creches e n&uacute;mero m&eacute;dio que as crian&ccedil;as passam nas creches, s&atilde;o muito  relevantes mas n&atilde;o suficientes para a compreens&atilde;o da experi&ecirc;ncia das crian&ccedil;as, com idades t&atilde;o precoces, no  contexto de creche. Como v&aacute;rios estudos t&ecirc;m salientado, a qualidade da educa&ccedil;&atilde;o e dos cuidados que s&atilde;o  providenciados assumem um papel imprescind&iacute;vel. Neste sentido, a National Association for the Education of Young Children (NAEYC, 1997)  define que um contexto educativo de elevada qualidade consiste naquele que garante um ambiente seguro, que promove o desenvolvimento f&iacute;sico,  social, intelectual, emocional e da linguagem das crian&ccedil;as, ao mesmo tempo que &eacute; sens&iacute;vel &agrave;s necessidades e  prefer&ecirc;ncias das suas fam&iacute;lias. &Eacute;, assim, importante estudar a qualidade desses ambientes educativos, pois existe uma  rela&ccedil;&atilde;o consistente entre a elevada qualidade dos contextos de creche e o desenvolvimento das crian&ccedil;as, ao longo dos primeiros  anos de vida (Vandell &amp; Wolfe, 2000).</p>     <p>Nos pa&iacute;ses da Organiza&ccedil;&atilde;o para a Coopera&ccedil;&atilde;o e Desenvolvimento Econ&oacute;micos &ndash; OCDE, tem-se  assumido que os conceitos de &ldquo;cuidados&rdquo; e &ldquo;educa&ccedil;&atilde;o&rdquo; s&atilde;o insepar&aacute;veis e que servi&ccedil;os de  boa qualidade devem fornecer ambos. No entanto, as defini&ccedil;&otilde;es de qualidade variam entre pa&iacute;ses e entre diferentes grupos,  dependendo dos valores, cren&ccedil;as, contexto socioecon&oacute;mico e necessidades da comunidade em quest&atilde;o (OCDE, 2011). Deste modo, a  OCDE adotou uma abordagem com dois planos, a qualidade estrutural e a qualidade de processo, considerando o desenvolvimento da crian&ccedil;a como  objetivo/meta da exist&ecirc;ncia de qualidade (Aguiar, Bairr&atilde;o, &amp; Barros, 2002).</p>     <p>As caracter&iacute;sticas estruturais incluem as especificidades do ambiente de cuidados da crian&ccedil;a e as particularidades dos cuidadores  habitualmente legisladas, como por exemplo, o n&uacute;mero de crian&ccedil;as por grupo, o r&aacute;cio adulto-crian&ccedil;a, a  forma&ccedil;&atilde;o e a experi&ecirc;ncia do pessoal e caracter&iacute;sticas das instala &ccedil;&otilde;es e do espa&ccedil;o f&iacute;sico,  como a &aacute;rea da sala (Vandell &amp; Wolfe, 2000). Por sua vez, a qualidade de processo refere-se &agrave;s caracter&iacute;sticas do ambiente  e &agrave;s intera&ccedil;&otilde;es sociais que s&atilde;o de natureza mais din&acirc;mica e que se referem &agrave;s experi&ecirc;ncias que  ocorrem mais diretamente com as crian&ccedil;as, incluindo as intera&ccedil;&otilde;es com os adultos e com os pares, bem como a sua  participa&ccedil;&atilde;o em diversas atividades (Vandell &amp; Wolfe, 2000). Ainda que os objetivos que surgem predominantemente nas creches  sejam os de prote&ccedil;&atilde;o, guarda e presta&ccedil;&atilde;o de cuidados b&aacute;sicos &agrave; crian&ccedil;a, coloca-se a quest&atilde;o  relativamente ao benef&iacute;cio que a crian&ccedil;a obt&eacute;m, ou n&atilde;o, ao frequentar esse contexto desde os primeiros meses de vida  (Portugal, 1998). A investiga&ccedil;&atilde;o tem procurado dar resposta a esta quest&atilde;o, sendo que os estudos mais recentes frequentemente  incluem o estudo dos n&iacute;veis de cortisol. Esses estudos t&ecirc;m evidenciado que a frequ&ecirc;ncia da creche tem efeito nos n&iacute;veis  de cortisol, particularmente em crian&ccedil;as com menos de 36 meses de idade. Vermeer e Van IJzendoorn (2006) sugerem que o n&iacute;vel elevado  de cortisol encontrado poder&aacute; ser explicado por intera&ccedil;&otilde;es stressantes que as crian&ccedil;as estabelecem no novo contexto,  correspondendo a uma resposta &agrave;s tens&otilde;es da vida em grupo na creche e que, ao mesmo tempo, pode tornar a crian&ccedil;a mais  vulner&aacute;vel. Datler e colaboradores (2012) verificaram igualmente que nos beb&eacute;s que frequentam pela primeira vez contextos de cuidados  para a inf&acirc;ncia, os n&iacute;veis de desconforto comportamental aumentam e o seu comportamento &eacute; inibido. Por outro lado, os mesmos  autores relatam que, com o aumento do tempo de perman&ecirc;ncia nos contextos de cuidados para a inf&acirc;ncia, as crian&ccedil;as mostram-se  gradualmente mais envolvidas, apresentam mais afetos positivos e menos afetos negativos, maior atividade e interesses e maior contacto com os  pares, mesmo quando o contacto e conforto dos adultos &eacute; menor comparativamente ao contacto que tinham antes da entrada na creche.</p>     <p>Os beb&eacute;s que frequentam pela primeira vez o contexto de creche experimentam um conjunto de altera&ccedil;&otilde;es que requerem a sua  adapta&ccedil;&atilde;o: n&atilde;o s&oacute; a separa&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia, mas tamb&eacute;m adapta&ccedil;&atilde;o ao  espa&ccedil;o, organiza&ccedil;&atilde;o, rotinas e pessoas com quem interagem (Datler et al., 2012; Fernandez, 2004). Esta adapta&ccedil;&atilde;o  que ocorre no processo de transi&ccedil;&atilde;o implica que a crian&ccedil;a enfrente novos constrangimentos: o seu sistema de desafios e de  recursos ficam num est&aacute;dio de desequil&iacute;brio, obrigando-a a rearranjar os seus recursos para dar resposta a esse desafio  espec&iacute;fico (Dodge, Daly, Huyton, &amp; Sanders, 2012). Estes processos de reorganiza&ccedil;&atilde;o e, portanto, o alcance de bem-estar  podem surgir como indicadores da adapta&ccedil;&atilde;o. Ara&uacute;jo e Costa (2010) definem que o conceito de bem-estar da crian&ccedil;a se  pode traduzir na forma como o ambiente educacional a pode fazer sentir-se confort&aacute;vel ou desconfort&aacute;vel consigo mesma e, ainda, como  o ambiente demonstra respeito relativamente &agrave;s necessidades b&aacute;sicas da crian&ccedil;a. De acordo com esta perspetiva, o bem-estar da  crian&ccedil;a &eacute; considerado uma das principais condi&ccedil;&otilde;es da sua aprendizagem, pelo que &eacute; n&atilde;o s&oacute;  fundamental garantir experi&ecirc;ncias de aprendizagem significativas que criem sentimentos de bem-estar, como tamb&eacute;m promover sentimentos  de bem-estar que lhe forne&ccedil;am condi&ccedil;&otilde;es para aprender de forma significativa (Machado, 2014). No mesmo sentido, Dodge et al.  (2012), na sua defini&ccedil;&atilde;o de bem-estar, consideram o equil&iacute;brio entre os desafios e os recursos psicol&oacute;gicos, sociais e  f&iacute;sicos do indiv&iacute;duo. Assim, deve existir uma reflex&atilde;o cuidadosa por parte do educador para proporcionar  condi&ccedil;&otilde;es de bem-estar &agrave;s crian&ccedil;as, para que cres&ccedil;am e aprendam em harmonia (Machado, 2014), pois se a  crian&ccedil;a se sentir apoiada, num ambiente acolhedor e seguro, estar&aacute; mais feliz, mais dispon&iacute;vel para explorar o seu contexto e  aprender. De facto, &eacute; fundamental considerar que todas as crian&ccedil;as possuem o seu pr&oacute;prio padr&atilde;o de desenvolvimento e  que, em idades precoces, necessitam que lhes seja dado espa&ccedil;o, tempo e apoio de forma a permitir a promo&ccedil;&atilde;o do  desenvolvimento, respeitando principalmente o seu ritmo e as suas necessidades (Seguran&ccedil;a Social, 2010). Estes cuidados s&atilde;o  particularmente relevantes no per&iacute;odo de transi&ccedil;&atilde;o entre contextos.</p>     <p>Assim, afigura-se pertinente procurar compreender os processos de transi&ccedil;&atilde;o, visto que estes podem influenciar a  adapta&ccedil;&atilde;o do beb&eacute; ao novo contexto. Segundo o modelo bioecol&oacute;gico de Bronfenbrenner (2005; Bronfenbrenner &amp; Morris,  2006), pode definir-se transi&ccedil;&atilde;o como sendo um processo din&acirc;mico, no qual ocorrem importantes mudan&ccedil;as ao n&iacute;vel  das rela&ccedil;&otilde;es entre as crian&ccedil;as, o seu contexto familiar e os cuidados que lhes s&atilde;o prestados, assumindo-se que este  processo tem implica&ccedil;&otilde;es no desenvolvimento das mesmas. Para al&eacute;m disso, as intera&ccedil;&otilde;es que ocorrem v&atilde;o  sendo alteradas ao longo deste processo, pelo que o fator tempo assume uma dimens&atilde;o a considerar. A transi&ccedil;&atilde;o deve sempre ser  um processo no qual se identificam e se devem considerar as dimens&otilde;es relativas a (a) cuidados prestados, (b) contexto familiar, (c)  comunica&ccedil;&atilde;o cuidadores-pais e (d) ajustamento e adapta&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a (Portugal, 1998).</p>     <p>Quanto aos cuidados prestados e ao contexto familiar, &eacute; importante que exista uma manuten&ccedil;&atilde;o das rotinas entre os dois  contextos, para assegurar a estabilidade da crian&ccedil;a, um sentido de seguran&ccedil;a e confian&ccedil;a relacionado com o sentimento de que  as pessoas e o mundo s&atilde;o previs&iacute;veis e lhe oferecem experi&ecirc;ncias interessantes. O impacte do tempo de perman&ecirc;ncia na  creche n&atilde;o &eacute; consensual na literatura. Com a crescente necessidade das fam&iacute;lias prolongarem a perman&ecirc;ncia da  crian&ccedil;a em contexto de educa&ccedil;&atilde;o de inf&acirc;ncia, &eacute; de extrema import&acirc;ncia garantir que estes contextos sejam de  elevada qualidade, garantindo &agrave; crian&ccedil;a e sua fam&iacute;lia um ambiente f&iacute;sico e social promotor do desenvolvimento, como foi  referido. Os profissionais de educa&ccedil;&atilde;o de inf&acirc;ncia t&ecirc;m, neste &acirc;mbito, um papel crucial, sendo que Portugal (2011)  real&ccedil;a a import&acirc;ncia de o adulto aprender e adaptar-se aos ritmos de sono e alimentares do beb&eacute;, compreender o seu  comportamento perante novos objetos e pessoas, bem como ter conhecimento das suas prefer&ecirc;ncias na forma de ser alimentado, adormecido ou  confortado. De facto, como o dia-a-dia dos beb&eacute;s se organiza em fun&ccedil;&atilde;o de experi&ecirc;ncias de cuidados, esses cuidados  constituem oportunidades &uacute;nicas para intera&ccedil;&otilde;es adulto-crian&ccedil;a pr&oacute;ximas e individualizadas e para aprendizagens  visuais e t&aacute;teis relevantes. Assim, quando as rotinas s&atilde;o experi&ecirc;ncias agrad&aacute;veis, as crian&ccedil;as t&ecirc;m  oportunidade de aprender que as suas necessidades s&atilde;o atendidas e que os adultos est&atilde;o dispon&iacute;veis (Portugal, 2011). Importa  tamb&eacute;m real&ccedil;ar que a partir do momento em que &eacute; entregue a algum cuidador do contexto educativo extrafamiliar, o beb&eacute;  n&atilde;o tem os seus habituais pontos de refer&ecirc;ncia naquele contexto, pelo que se pode desenrolar uma certa desorganiza&ccedil;&atilde;o  (Portugal, 2011). Desta forma, em idades precoces, pr&aacute;ticas adequadas ao desenvolvimento, como tem sido amplamente trabalhado pela NAEYC  (2009), implicam que os adultos revelem capacidades de adapta&ccedil;&atilde;o flex&iacute;vel perante a modifica&ccedil;&atilde;o r&aacute;pida  das necessidades das crian&ccedil;as. De modo a fornecer oportunidades de desenvolvimento a cada crian&ccedil;a, o papel do adulto passa por manter  observa&ccedil;&otilde;es cuidadosas e por recorrer &agrave; imagina&ccedil;&atilde;o na utiliza&ccedil;&atilde;o dos diferentes recursos  dispon&iacute;veis, visto que, principalmente durante os tr&ecirc;s primeiros anos de vida, as capacidades das crian&ccedil;as alteram-se  rapidamente (Portugal, 2011).</p>     <p>A transi&ccedil;&atilde;o do beb&eacute; do contexto familiar para a creche pode ser facilitada quando a comunica&ccedil;&atilde;o cuidador-pais  &eacute; promovida. Neste sentido, Peixoto e colaboradores (2014) referem que os m&uacute;ltiplos constrangimentos decorrentes dos desafios deste  per&iacute;odo de transi&ccedil;&atilde;o podem ser minimizados atrav&eacute;s da implementa&ccedil;&atilde;o de pr&aacute;ticas de  comunica&ccedil;&atilde;o adequadas. A este respeito, Oliveira-Formosinho (2007) afirma que a intera&ccedil;&atilde;o, comunica&ccedil;&atilde;o e  colabora&ccedil;&atilde;o entre estes promovem ganhos desenvolvimentais mais significativos nas crian&ccedil;as, contribuindo tamb&eacute;m para  diminuir o n&iacute;vel de stresse familiar e para o desenvolvimento profissional dos educadores. Num estudo recente, Coelho e colaboradores (2015)  sublinham a import&acirc;ncia da exist&ecirc;ncia de comunica&ccedil;&atilde;o entre pais e os prestadores de cuidados como uma  caracter&iacute;stica dos contextos de educa&ccedil;&atilde;o e cuidados de elevada qualidade para beb&eacute;s. No mesmo sentido, Ghazvini e  Readdick (1994) relataram uma associa&ccedil;&atilde;o positiva entre a qualidade da creche e a quantidade de comunica&ccedil;&atilde;o  bidirecional entre as fam&iacute;lias e os prestadores de cuidados. Uma comunica&ccedil;&atilde;o frequente e aberta entre pais e educadores parece  ser valorizada por ambos (Coelho et al., 2015; Leavitt, 1995) e contribuir para o bem-estar e desenvolvimento das crian&ccedil;as (Coelho et al.,  2015; Oliveira-Formosinho, 2007). O aumento da comunica&ccedil;&atilde;o entre pais e educadores, relatada por ambos, especialmente acerca do  comportamento e das experi&ecirc;ncias da crian&ccedil;a, foi significativamente relacionado com a intera&ccedil;&atilde;o: favorece, n&atilde;o  s&oacute;, a liga&ccedil;&atilde;o entre os contextos, tornando-os mais estimulantes, mas tamb&eacute;m potencia a capacidade dos cuidadores  fornecerem suporte e serem mais responsivos com a crian&ccedil;a (Owen, Ware, &amp; Barfoot, 2000). No estudo destes autores, verificou-se, ainda,  a exist&ecirc;ncia de maior qualidade na intera&ccedil;&atilde;o com a crian&ccedil;a por parte da m&atilde;e quando esta estabelece maior parceria  com o educador. Assim, Owen e colaboradores (2000) indicam que a qualidade da experi&ecirc;ncia da crian&ccedil;a em cada ambiente pode ser  melhorada quando a liga&ccedil;&atilde;o entre a fam&iacute;lia e o contexto educativo &eacute; pr&oacute;xima, existindo coopera&ccedil;&atilde;o  entre os cuidadores no processo de desenvolvimento da crian&ccedil;a.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Relativamente &agrave; dimens&atilde;o ajustamento e adapta&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a, Portugal (1998) afirma que em creches onde os  educadores n&atilde;o d&atilde;o import&acirc;ncia &agrave;s especificidades de cada crian&ccedil;a e acreditam que todas devem realizar a mesma  atividade, e ao mesmo tempo, a sua adapta&ccedil;&atilde;o &eacute; dificultada. Desta forma, compreende-se que o processo de  transi&ccedil;&atilde;o de uma crian&ccedil;a para a creche deve implicar a compreens&atilde;o de cada crian&ccedil;a <i>per se</i>.</p>     <p>Um outro aspeto a considerar &eacute; a dimens&atilde;o temporal nas pr&aacute;ticas de transi&ccedil;&atilde;o para a creche. Fuertes (2010)  sublinha que o efeito do tempo di&aacute;rio em creche pode depender da qualidade desse contexto e que a investiga&ccedil;&atilde;o tem encontrado  resultados contradit&oacute;rios a este n&iacute;vel. De qualquer modo, refere alguns estudos (e.g., NICHD ECCRN, 2004, 2005), que parecem apontar  as sete horas como m&aacute;ximo de tempo indicado para perman&ecirc;ncia da crian&ccedil;a em creche.</p>     <p>Em suma, Portugal (1998) afirma que para se desenvolverem pr&aacute;ticas adequadas de acolhimento da crian&ccedil;a e, assim, facilitar o seu  processo de separa&ccedil;&atilde;o, transi&ccedil;&atilde;o e adapta&ccedil;&atilde;o &agrave; creche, importa considerar n&atilde;o s&oacute;  todo o conjunto complexo de rela&ccedil;&otilde;es que ocorrem naquele novo contexto, mas tamb&eacute;m a crian&ccedil;a e os pais. Al&eacute;m  disso, importa tamb&eacute;m que os educadores na creche sejam respons&aacute;veis e capazes de investir e evoluir as suas pr&aacute;ticas  profissionais. Esta quest&atilde;o da separa&ccedil;&atilde;o/transi&ccedil;&atilde;o n&atilde;o deve ser vista unicamente com foco na  crian&ccedil;a, mas integrada no funcionamento global de uma creche de qualidade: adultos sens&iacute;veis e informados, competentes e implicados  em de intera&ccedil;&otilde;es de qualidade, capazes de organizar espa&ccedil;os estimulantes, responsivos, confort&aacute;veis e promotores de  autonomia (Portugal, 2011).</p>     <p>A necessidade de compreender os processos de adapta&ccedil;&atilde;o do beb&eacute;, bem como as pr&aacute;ticas de transi&ccedil;&atilde;o  justifica a crescente preocupa&ccedil;&atilde;o e o estudo sobre esta tem&aacute;tica. Neste sentido, &eacute; urgente compreender as  pr&aacute;ticas de transi&ccedil;&atilde;o e consequente adapta&ccedil;&atilde;o do beb&eacute; e da fam&iacute;lia ao contexto de creche, de forma  a identificar fatores que influenciam estes processos. Assim, o presente estudo enquadra-se no projeto de investiga&ccedil;&atilde;o  &ldquo;Transi&ccedil;&atilde;o dos beb&eacute;s para a creche: Comunica&ccedil;&atilde;o fam&iacute;lia-creche, qualidade dos contextos e  adapta&ccedil;&atilde;o do beb&eacute;&rdquo; [FCOMP-01-0124-FEDER-029509; FCT PTDC/MHC-CED/4007/2012], que se centrou no estudo dos contextos de  educa&ccedil;&atilde;o em idades precoces e apresentou como principal objetivo investigar a transi&ccedil;&atilde;o do beb&eacute; para a creche,  examinando em que medida vari&aacute;veis da fam&iacute;lia, da creche e a comunica&ccedil;&atilde;o pais-cuidadores influenciam a  adapta&ccedil;&atilde;o do beb&eacute; ao longo dos primeiros 6 meses.</p>     <p>Especificamente, neste estudo, pretende-se compreender as perce&ccedil;&otilde;es de m&atilde;es e educadoras relativamente ao processo de  transi&ccedil;&atilde;o e &agrave; adapta&ccedil;&atilde;o do beb&eacute; ao contexto de creche, assumindo que frequentemente s&atilde;o as  m&atilde;es e as educadoras que permanecem mais tempo com a crian&ccedil;a e que, por isso, acompanham de forma mais direta as rotinas e o seu  processo de adapta&ccedil;&atilde;o e transi&ccedil;&atilde;o. Estas perce&ccedil;&otilde;es foram recolhidas em dois momentos distintos, na  primeira e na quarta semana de frequ&ecirc;ncia da creche. A escolha destes dois momentos teve em considera&ccedil;&atilde;o que (a) a primeira  semana tem sido indicada como aquela em que deve haver um maior cuidado no acolhimento da crian&ccedil;a, existindo inclusivamente um grande  consenso na literatura de que o n&uacute;mero de horas de perman&ecirc;ncia na creche v&aacute; aumentando gradualmente ao longo desse  per&iacute;odo inicial (e.g., Fein, 1995; Peixoto et al., 2014), e que (b) em Portugal, a entidade que tutela as creches, a Seguran&ccedil;a  Social, ao explicitar as diversas pr&aacute;ticas de transi&ccedil;&atilde;o, indica que o per&iacute;odo de adapta&ccedil;&atilde;o n&atilde;o  deve ser superior a quatro semanas (2010). O estudo tem como objetivos espec&iacute;ficos: (a) descrever diferentes aspetos da experi&ecirc;ncia do  beb&eacute; na creche, particularmente o estado emocional do beb&eacute; e a frequ&ecirc;ncia da comunica&ccedil;&atilde;o fam&iacute;lia-creche  percebidos por m&atilde;es e educadoras; (b) explorar as rela&ccedil;&otilde;es entre as perce&ccedil;&otilde;es das m&atilde;es e das educadoras  na primeira e na quarta semana de frequ&ecirc;ncia da creche, nas dimens&otilde;es estado emocional do beb&eacute; e frequ&ecirc;ncia da  comunica&ccedil;&atilde;o fam&iacute;lia-creche; e (c) explorar as rela&ccedil;&otilde;es entre as horas de perman&ecirc;ncia do beb&eacute; na  creche na primeira semana e na quarta semana e as dimens&otilde;es estado emocional do beb&eacute; e frequ&ecirc;ncia da comunica&ccedil;&atilde;o  fam&iacute;lia-creche.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>M&eacute;todo</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Participantes</i></p>     <p>As institui&ccedil;&otilde;es participantes neste estudo foram selecionadas com base na listagem de creches da grande &aacute;rea metropolitana  do Porto, dispon&iacute;vel no Website do Minist&eacute;rio da Solidariedade, Emprego e Seguran&ccedil;a Social. Todas as creches foram ordenadas  segundo uma listagem de n&uacute;meros aleat&oacute;rios e todas foram contactadas e convidadas a participar no estudo, tendo-lhes sido  apresentados os objetivos, bem como os crit&eacute;rios que a institui&ccedil;&atilde;o deveria cumprir para integrar o projeto: apenas poderiam  participar institui&ccedil;&otilde;es que possu&iacute;am pelo menos uma sala de ber&ccedil;&aacute;rio e que tinham beb&eacute;s inscritos para  iniciar a frequ&ecirc;ncia da creche entre setembro de 2013 e fevereiro de 2014. Integraram o projeto as primeiras 90 creches que cumpriam esses  crit&eacute;rios e que aceitaram colaborar.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Participaram no presente estudo as m&atilde;es de 90 beb&eacute;s que frequentavam a creche, assim como as profissionais de  educa&ccedil;&atilde;o (<i>N</i>=90) indicadas pelas creches como respons&aacute;veis pelas salas frequentadas pelos beb&eacute;s (i.e., educadora  de inf&acirc;ncia ou auxiliar de educa&ccedil;&atilde;o). Todas as crian&ccedil;as eram de nacionalidade portuguesa, 45 eram do sexo feminino e 45  do sexo masculino, com idades compreendidas entre os 3 e os 8 meses (<i>M</i>=4.20, <i>DP</i>=1.25), na primeira observa&ccedil;&atilde;o.  Recolheram-se ainda informa&ccedil;&otilde;es acerca do n&uacute;mero m&eacute;dio de horas que estas crian&ccedil;as passavam na creche, por dia,  durante a primeira semana (<i>M</i>=6.54, <i>DP</i>=2.08), tendo sido verificado que o tempo m&iacute;nimo foi de 2.10 horas e o m&aacute;ximo de  11 horas. Na quarta semana, o m&iacute;nimo de horas que estas crian&ccedil;as passaram na creche, por dia, foi de 3.30 horas e o m&aacute;ximo de  10.70 (<i>M</i>=7.71, <i>DP</i>=1.51).</p>     <p>Relativamente &agrave;s caracter&iacute;sticas das fam&iacute;lias dos beb&eacute;s, as m&atilde;es tinham idades compreendidas entre os 23 e  os 42 anos (<i>M</i>=31.99, <i>DP</i>=3.97) e tinham completado entre 4 e 22 anos de escolaridade (<i>M</i>=14.37, <i>DP</i>=3.57). Antes da  licen&ccedil;a parental, 77 encontravam-se empregadas e 12 em situa&ccedil;&atilde;o de desemprego. O rendimento econ&oacute;mico do agregado  familiar variou entre 356 euros e 3750 euros (<i>M</i>=1626.94, <i>DP</i>=668.54).</p>     <p>Fizeram parte da amostra 90 profissionais, com idades compreendidas entre os 20 e os 64 anos (<i>M=</i>42.53, <i>DP</i>=9.97). Destes, 21 eram  educadoras de inf&acirc;ncia com forma&ccedil;&atilde;o superior em educa&ccedil;&atilde;o e 69 eram auxiliares de a&ccedil;&atilde;o educativa.  Destas profissionais, 55 afirmaram ter tido forma&ccedil;&atilde;o na &aacute;rea nos &uacute;ltimos 12 meses e 35 n&atilde;o referiram ter  qualquer forma&ccedil;&atilde;o no &uacute;ltimo ano. Neste trabalho, utilizaremos a palavra &ldquo;educadoras&rdquo; como termo que abrange todas  as profissionais que participaram no estudo.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Instrumentos</i></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Question&aacute;rio de Experi&ecirc;ncia na Creche</i> (QEC; Skouteris &amp; Dissanayake, 2001). O Daycare Experience Questionnaire foi  utilizado neste estudo para avaliar o processo de adapta&ccedil;&atilde;o do beb&eacute; &agrave; creche no per&iacute;odo de  transi&ccedil;&atilde;o do ambiente familiar para este contexto de educa&ccedil;&atilde;o extrafamiliar. Foi utilizada a vers&atilde;o portuguesa,  traduzida e adaptada. Este processo incluiu tradu&ccedil;&atilde;o inicial, revis&atilde;o da tradu&ccedil;&atilde;o, retrovers&atilde;o e estudo  piloto com um grupo de auxiliares de educa&ccedil;&atilde;o, educadoras de inf&acirc;ncia e m&atilde;es de crian&ccedil;as que n&atilde;o  participaram no projeto de investiga&ccedil;&atilde;o. O estudo piloto permitiu efetuar ajustes de modo a tornar a formula&ccedil;&atilde;o dos  itens mais clara e adequada ao contexto portugu&ecirc;s. Estas fases s&atilde;o as recomendadas na literatura (e.g., Sireci, Yang, Harter, &amp;  Ehrlich, 2006; Skouteris &amp; Dissanayake, 2001).</p>     <p>O QEC tem duas vers&otilde;es, uma para pais e uma para educadores, que podem ser preenchidas em momentos diferentes de frequ&ecirc;ncia da  creche (primeira semana, semanas subsequentes e preenchimento retrospetivo, ap&oacute;s um per&iacute;odo longo de frequ&ecirc;ncia da creche).  Neste estudo, foram utilizadas as vers&otilde;es para m&atilde;es e para educadores para preenchimento na primeira semana (S1) e para preenchimento  nas semanas subsequentes, neste caso na quarta semana (S4).</p>     <p>A vers&atilde;o do QEC a ser preenchida pelas m&atilde;es na primeira semana &eacute; constitu&iacute;da por 28 itens. Quatro itens  correspondem a perguntas abertas ou semiabertas relativas: &agrave; perce&ccedil;&atilde;o da m&atilde;e de que o beb&eacute; esteve feliz e  adaptado &agrave; creche (item 1), ao facto de a m&atilde;e amamentar ou n&atilde;o na creche (item 10) e &agrave; desloca&ccedil;&atilde;o entre a  casa e a creche (itens 19, 20, 21). Seis itens s&atilde;o respondidos em escalas de Likert, referindo-se &agrave; forma como a creche lidou com a  transi&ccedil;&atilde;o do beb&eacute;, &agrave; satisfa&ccedil;&atilde;o da m&atilde;e relativamente &agrave; creche e &agrave;  perce&ccedil;&atilde;o global relativamente &agrave; adapta&ccedil;&atilde;o do beb&eacute; (itens 11 a 15, 18). Os restantes 18 itens s&atilde;o  respondidos numa escala de Likert (1=<i>quase nunca</i>), 2=<i>rarament</i>e, 3=<i>vari&aacute;vel, geralmente n&atilde;o</i>,  4=<i>vari&aacute;vel, geralmente sim</i>, 5=<i>frequentement</i>e, 6=<i>quase sempre</i>), tendo alguns a op&ccedil;&atilde;o &ldquo;N&atilde;o  Aplic&aacute;vel&rdquo; (NA), e foram organizados pelos seus autores em quatro dimens&otilde;es: (a) estado emocional do beb&eacute; na creche (5  itens), (b) manuten&ccedil;&atilde;o das rotinas di&aacute;rias do beb&eacute; na creche (3 itens), (c) manuten&ccedil;&atilde;o das rotinas  di&aacute;rias do beb&eacute; em casa (3 itens), e (d) comunica&ccedil;&atilde;o fam&iacute;lia-creche (7 itens). Os itens acerca da  perce&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o fam&iacute;lia-creche foram inclu&iacute;dos pela equipa do projeto, com base na literatura  sobre transi&ccedil;&atilde;o e adapta&ccedil;&atilde;o do beb&eacute; ao contexto educativo (por exemplo, Owen, Ware, &amp; Barfoot, 2000), com  parecer favor&aacute;vel das autoras do instrumento original.</p>     <p>A vers&atilde;o para as m&atilde;es relativa &agrave; quarta semana &eacute; constitu&iacute;da por 26 itens. Inclui essencialmente as mesmas  quest&otilde;es da vers&atilde;o da primeira semana, com as seguintes diferen&ccedil;as: acrescenta um item que procura compreender se ocorreram  altera&ccedil;&otilde;es significativas quanto ao n&uacute;mero de horas que o beb&eacute; passa na creche e n&atilde;o inclui os itens relativos  &agrave; desloca&ccedil;&atilde;o entre creche/trabalho/casa.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As vers&otilde;es preenchidas pelas educadoras s&atilde;o semelhantes &agrave;s das m&atilde;es, embora sejam exclu&iacute;das as  quest&otilde;es acerca das rotinas de amamenta&ccedil;&atilde;o, manuten&ccedil;&atilde;o das rotinas do beb&eacute; em casa,  desloca&ccedil;&atilde;o para a creche, e quest&otilde;es acerca da forma como foi feita a gest&atilde;o da transi&ccedil;&atilde;o e  adapta&ccedil;&atilde;o do beb&eacute; por parte dos profissionais.</p>     <p>Neste estudo, procedeu-se &agrave; an&aacute;lise fatorial explorat&oacute;ria, com rota&ccedil;&atilde;o Varimax, para analisar a estrutura  dimensional do QEC na vers&atilde;o para as m&atilde;es e para as educadoras, para a primeira e para a quarta semana de perman&ecirc;ncia do  beb&eacute; na creche. Foi aplicado o teste de Kaiser-Meyer-Olkin (KMO) para verificar a adequabilidade dos dados (Pestana &amp; Gageiro, 2008) e  verificou-se uma boa rela&ccedil;&atilde;o entre os itens, confirmada pelo crit&eacute;rio KMO entre .66 e .73 para as quatro vers&otilde;es do  question&aacute;rio e por um teste de <i>Bartlett </i>com um n&iacute;vel de signific&acirc;ncia &lt;.001, permitindo proceder &agrave;  an&aacute;lise fatorial de extra&ccedil;&atilde;o das componentes principais. Foi encontrada uma solu&ccedil;&atilde;o a dois fatores para todas as  vers&otilde;es do QEC, por ser a solu&ccedil;&atilde;o mais aceit&aacute;vel. Os itens relacionados com as rotinas (itens 7, 8 e 9) foram retirados  porque n&atilde;o saturaram em nenhum dos fatores encontrados. Foram encontrados os valores de satura&ccedil;&atilde;o entre .38 e .90. A  consist&ecirc;ncia interna dos fatores encontrados em cada vers&atilde;o do question&aacute;rio variou entre .64 e.88. Com base na an&aacute;lise  fatorial descrita, os dois fatores encontrados foram denominados Estado Emocional e Comunica&ccedil;&atilde;o Fam&iacute;lia-creche  (ver <a href="#q1">Quadro 1</a>).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="q1"></a></p>     <p><img src="/img/revistas/aps/v35n3/35n3a01q1.jpg" width="580" height="526"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Question&aacute;rio de caracter&iacute;sticas sociodemogr&aacute;ficas da fam&iacute;lia </i>(Pessanha, Barros, Pinto, &amp; Cadima, 2013).  Este question&aacute;rio &eacute; constitu&iacute;do por 13 itens e permite recolher informa&ccedil;&atilde;o sociodemogr&aacute;fica das  fam&iacute;lias dos beb&eacute;s, como: caracter&iacute;sticas dos elementos do agregado familiar (sexo, idade, nacionalidade, etnia, n&iacute;vel  de escolaridade, entre outros), rendimento econ&oacute;mico do agregado familiar, acontecimentos relevantes na vida da crian&ccedil;a (morte de  familiares, desemprego, div&oacute;rcio, entre outros) e informa&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de de familiares pr&oacute;ximos (internamento,  depress&atilde;o, doen&ccedil;as cr&oacute;nicas, entre outros).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Question&aacute;rio de caracter&iacute;sticas estruturais da creche</i> (Barros, Pessanha, Pinto, &amp; Cadima, 2013). Este  question&aacute;rio foi utilizado para se recolher informa&ccedil;&atilde;o de car&aacute;ter estrutural sobre as salas de ber&ccedil;&aacute;rio e  os profissionais que nelas trabalham. Preferencialmente, o preenchimento do question&aacute;rio era feito pelo profissional que passava mais tempo  na sala com o grupo de beb&eacute;s. Este instrumento cont&eacute;m 18 itens e permite obter informa&ccedil;&otilde;es acerca das  caracter&iacute;sticas dos profissionais (idade, habilita&ccedil;&otilde;es acad&eacute;micas, forma&ccedil;&atilde;o na &aacute;rea, n&uacute;mero  de horas do profissional na creche, entre outros), bem como informa&ccedil;&otilde;es acerca do funcionamento da sala (descri&ccedil;&atilde;o das  rotinas, espa&ccedil;os utilizados na sala, exist&ecirc;ncia de planos escritos, entre outros). O n&uacute;mero de horas de perman&ecirc;ncia do  beb&eacute; na creche foi recolhido atrav&eacute;s de um registo di&aacute;rio da hora de entrada e sa&iacute;do do beb&eacute; na creche na  primeira e quarta semana de frequ&ecirc;ncia.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><i>Procedimentos</i></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Recolha de dados</i>. Antes da entrada do beb&eacute; na creche, em contexto familiar, foi pedido aos pais que respondessem a quest&otilde;es  acerca das carater&iacute;sticas sociodemogr&aacute;ficas da fam&iacute;lia, para caracteriza&ccedil;&atilde;o dos participantes e outros objetivos  do projeto mais amplo. O QEC, na vers&atilde;o para m&atilde;es e para educadores, foi preenchido em contexto de creche, por m&atilde;es e por  educadoras, separadamente, na primeira e quarta semanas ap&oacute;s a entrada do beb&eacute; neste contexto. A recolha de dados decorreu entre  junho de 2013 e mar&ccedil;o de 2014.</p>     <p>&nbsp;</p>     <P><i>An&aacute;lise de dados</i>. De modo a responder aos objetivos do presente estudo, recorreu-se &agrave; estat&iacute;stica descritiva e  inferencial (an&aacute;lises de correla&ccedil;&atilde;o e de diferen&ccedil;as de m&eacute;dias para medidas repetidas). Utilizaram-se as  conven&ccedil;&otilde;es propostas por Cohen (1992), considerando-se pequeno um <i>r</i> de .10 (associa&ccedil;&atilde;o fraca), m&eacute;dio um  <i>r</i> de .30 (associa&ccedil;&atilde;o moderada) e grande um <i>r</i> de .50 (associa&ccedil;&atilde;o forte). Teve-se ainda como  refer&ecirc;ncia o n&iacute;vel de signific&acirc;ncia de .05 (cf. Field, 2005).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Resultados</b></p>     <p>Num primeiro momento, s&atilde;o descritas as vari&aacute;veis que correspondem &agrave; perce&ccedil;&atilde;o das m&atilde;es e, de seguida,  as que dizem respeito &agrave; perce&ccedil;&atilde;o dos educadores, ambas relativamente ao estado emocional do beb&eacute; e &agrave;  comunica&ccedil;&atilde;o fam&iacute;lia-creche (<a href="#q1">Quadro 1</a>). O valor global relativo ao Estado Emocional dos beb&eacute;s  percebido pelas m&atilde;es apresentava uma grande amplitude (com valores m&iacute;nimos de 2.5 e m&aacute;ximos de 6), sendo o valor m&eacute;dio  bastante elevado (<i>M</i>=5.00, <i>DP</i>=0.95). Este valor aumentava para 5.32 (<i>DP</i>=0.76) na semana 4. O valor m&eacute;dio relativo  &agrave; perce&ccedil;&atilde;o das educadoras acerca do Estado Emocional dos beb&eacute;s foi tamb&eacute;m elevado, variando entre 5.01 na  primeira semana e 5.53 na quarta semana. No que diz respeito &agrave; perce&ccedil;&atilde;o das m&atilde;es acerca da comunica&ccedil;&atilde;o, o  valor m&eacute;dio na primeira semana foi 3.51 (<i>DP</i>=0.52), diminuindo na quarta semana (<i>M</i>=3.35, <i>DP</i>=0.72). Os resultados  m&eacute;dios relativos &agrave; perce&ccedil;&atilde;o das educadoras acerca da comunica&ccedil;&atilde;o eram um pouco mais elevados  (<i>M</i>=3.75, <i>DP</i>=0.48 na S1 e <i>M</i>=3.76, <i>DP</i>=0.45 na S4).</p>     <p>Como foi referido, o QEC inclui v&aacute;rios itens, respondidos em escalas de resposta vari&aacute;veis, que permitem descrever a  experi&ecirc;ncia do beb&eacute; na creche, mas que, pelas suas caracter&iacute;sticas, n&atilde;o foram considerados na an&aacute;lise fatorial.  Verificamos que 92% das m&atilde;es afirmaram que o seu beb&eacute; esteve feliz e adaptado &agrave; creche durante a primeira semana e 91% a  quarta semana. Quando questionadas acerca da forma como a institui&ccedil;&atilde;o geriu a transi&ccedil;&atilde;o do beb&eacute;, 85% das  m&atilde;es na primeira semana e 84% das m&atilde;es na quarta semana afirmaram que a mesma a geriu &ldquo;muito bem&rdquo;. Ainda acerca do  contexto de creche, 94% das m&atilde;es afirmava, na primeira semana, estar &ldquo;muito satisfeita&rdquo; com a sua rela&ccedil;&atilde;o com os  colaboradores da institui&ccedil;&atilde;o, e 89.2% na quarta semana. Por sua vez, 70.5% das m&atilde;es afirmavam, na primeira semana, que estavam  muito satisfeitas com a presta&ccedil;&atilde;o de cuidados que o beb&eacute; recebeu por parte da creche, sendo que 69.5% tinha essa  opini&atilde;o na quarta semana.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No que diz respeito ao processo de adapta&ccedil;&atilde;o do beb&eacute; &agrave; creche na primeira semana, 38.6% das m&atilde;es afirmavam  que foi um processo f&aacute;cil e 39.8% muito f&aacute;cil. Na quarta semana, o processo de adapta&ccedil;&atilde;o foi classificado como  &ldquo;muito f&aacute;cil&rdquo; por 58.5% das m&atilde;es.</p>     <p>Relativamente &agrave; rotina do sono, 47.7% das m&atilde;es afirma que esta se manteve &ldquo;quase sempre&rdquo; em casa, durante a primeira  semana, e 56.1% na quarta semana. Na primeira semana, 72.7% das m&atilde;es referem ainda que a rotina dos alimentos l&iacute;quidos se manteve  &ldquo;quase sempre&rdquo; em casa, ao longo dessa semana. Na quarta semana esta percentagem apresentava-se id&ecirc;ntica: 72%. Na primeira semana  73.4% afirma que se manteve tamb&eacute;m &ldquo;quase sempre&rdquo; a rotina dos alimentos s&oacute;lidos. Na quarta semana este valor &eacute;  76.6%. Para al&eacute;m disso, na primeira semana, 67% das m&atilde;es afirma que &ldquo;quase sempre&rdquo; o seu beb&eacute; esteve bem ao fim da  tarde, depois de sair da creche. Na quarta semana esta percentagem sobe para 72%. Quanto &agrave; amamenta&ccedil;&atilde;o, na primeira semana,  67% das m&atilde;es refere que o beb&eacute; era amamentado na creche, n&atilde;o havendo altera&ccedil;&atilde;o a este n&iacute;vel na quarta  semana em 93.6% dos casos.</p>     <p>Relativamente aos resultados dos itens relacionados com a manuten&ccedil;&atilde;o das rotinas &ndash; itens que n&atilde;o saturaram na  an&aacute;lise fatorial do question&aacute;rio mas cuja informa&ccedil;&atilde;o consideramos pertinente para descrever a experi&ecirc;ncia dos  beb&eacute;s durante o primeiro m&ecirc;s na creche &ndash; , 40.9% das m&atilde;es referiu que a rotina do sono foi mantida na creche na primeira  semana &ldquo;quase sempre&rdquo; e 50.6% na quarta semana. De acordo com a perce&ccedil;&atilde;o das educadoras esta rotina foi mantida na creche  &ldquo;quase sempre&rdquo; em 43.0% dos casos na primeira semana e em 69.4% na quarta semana.</p>     <p>De acordo com perce&ccedil;&atilde;o das m&atilde;es relativamente &agrave; manuten&ccedil;&atilde;o da rotina dos alimentos l&iacute;quidos  (mama/biber&atilde;o) na creche, 62.8% refere que esta rotina foi mantida &ldquo;quase sempre&rdquo; na primeira semana. Na quarta semana, 30.0%  referiu que esta rotina era &ldquo;frequentemente &ldquo;mantida e 52.5% &ldquo;quase sempre&rdquo; mantida na creche. As educadoras referiram que  na primeira semana em 62.4% dos casos a rotina dos alimentos l&iacute;quidos (mama/biber&atilde;o) era mantida na creche e que na quarta semana  esta rotina era &ldquo;frequentemente &ldquo;mantida em 16.0% e 54.3% &ldquo;quase sempre&rdquo; mantida na creche.</p>     <p>Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; rotina dos alimentos s&oacute;lidos do meu beb&eacute; as m&atilde;es referiram que era 74.2% &ldquo;quase  sempre&rdquo; mantida na creche na primeira semana. J&aacute; na quarta semana 31.3% das m&atilde;es referiram que &ldquo;frequentemente&rdquo; a  rotina dos alimentos s&oacute;lidos era mantida na creche e 64.1% que era &ldquo;quase sempre&rdquo; mantida. Quando questionadas acerca desta  rotina, 71.2% das educadoras referiu que esta rotina da alimenta&ccedil;&atilde;o s&oacute;lida foi mantida &rdquo;quase sempre&rdquo; na primeira  semana e 77.8% na quarta semana.</p>     <p>Verificamos ainda que 90.9% das educadoras referiu que os beb&eacute;s estiveram felizes e adaptados &agrave; creche na primeira semana e 78.9%  refere que o mesmo ocorreu na quarta semana. No que diz respeito ao processo de adapta&ccedil;&atilde;o do beb&eacute; &agrave; creche, na primeira  semana, 44.8% das educadoras classifica-o como &ldquo;f&aacute;cil&rdquo; e 41.4% como &ldquo;muito f&aacute;cil&rdquo;. Na quarta semana, 62.4%  das educadoras classificam este processo de adapta&ccedil;&atilde;o como &ldquo;muito f&aacute;cil&rdquo;.</p>     <p>Relativamente ao n&uacute;mero de horas que os beb&eacute;s permaneciam na creche, os valores encontrados indicam que na primeira semana os  beb&eacute;s estiveram em m&eacute;dia 6.5 horas neste contexto, sendo o valor m&iacute;nimo de 2 horas e o m&aacute;ximo de 11 horas  di&aacute;rias. Na quarta semana o valor m&eacute;dio de tempo de perman&ecirc;ncia na creche aumentou para 7.7 horas apresentando valores entre  3.3 horas e 10.70 horas.</p>     <p>Comparando os dados relativos &agrave;s perce&ccedil;&otilde;es das m&atilde;es nas duas dimens&otilde;es (Estado Emocional e  Comunica&ccedil;&atilde;o), na primeira e na quarta semana, verific&aacute;mos: uma avalia&ccedil;&atilde;o significativamente mais positiva do  estado emocional na quarta <i>t</i>(81)=-3.159, <i>p</i>=.002, <i>d</i>=-.33; e uma diminui&ccedil;&atilde;o da perce&ccedil;&atilde;o da  frequ&ecirc;ncia da comunica&ccedil;&atilde;o fam&iacute;lia-creche, <i>t</i>(80)=2.369, <i>p</i>=.020, <i>d</i>=.26. De modo semelhante,  verificou-se que o estado emocional do beb&eacute; percebido pelas educadoras, na quarta semana, &eacute; significativamente mais positivo do que o  estado emocional percebido na primeira semana, <i>t</i>(82)=-5. 608, <i>p</i>&lt;.001, <i>d</i>=-.68. N&atilde;o foram verificadas  diferen&ccedil;as significativas na perce&ccedil;&atilde;o da frequ&ecirc;ncia da comunica&ccedil;&atilde;o fam&iacute;lia-creche entre a primeira  e a quarta semana.</p>     <p>Foram comparadas ainda as perce&ccedil;&otilde;es das m&atilde;es e das educadoras relativamente ao estado emocional e &agrave;  comunica&ccedil;&atilde;o. Foi poss&iacute;vel verificar que: na quarta semana, os educadores relatam o estado emocional das crian&ccedil;as mais  positivo comparativamente &agrave;s m&atilde;es, <i>t</i>(82)=-2.75, <i>p</i>=.007, <i>d</i>=-.31; e que os educadores relatam uma maior  frequ&ecirc;ncia de comunica&ccedil;&atilde;o, comparativamente &agrave;s m&atilde;es, quer na primeira semana <i>t</i>(86)=-3.81,  <i>p</i>&lt;.001, <i>d</i>=-.50, quer na quarta semana, <i>t</i>(81)=-4.70, <i>p</i>&lt;.001, <i>d</i>=-.68.</p>     <p>Foram calculados coeficientes de correla&ccedil;&atilde;o de Pearson de modo a analisar as associa&ccedil;&otilde;es entre as vari&aacute;veis  em estudo (Quadros <a href="#q2">2</a>, <a href="#q3">3</a> e <a href="#q4">4</a>). Como se pode verificar nos Quadros <a href="#q2">2</a> e  <a href="#q3">3</a>, encontraram-se associa&ccedil;&otilde;es estatisticamente significativas, de magnitude pequena a forte, entre as  perce&ccedil;&otilde;es das m&atilde;es e das educadoras nos dois per&iacute;odos em causa. Estes resultados indicam que, apesar das  diferen&ccedil;as descritas, h&aacute; uma estabilidade relativa nos relatos das m&atilde;es e das educadoras, ou seja, quanto mais elevados os  valores relativos ao estado emocional e &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o fam&iacute;lia-creche na primeira semana mais elevados tamb&eacute;m os  valores relativos a cada dimens&atilde;o na quarta semana.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Do <a href="#q3">Quadro 3</a>, &eacute; importante salientar tamb&eacute;m a associa&ccedil;&atilde;o positiva entre o estado emocional e a  comunica&ccedil;&atilde;o fam&iacute;lia creche na semana 4, na perce&ccedil;&atilde;o das educadoras.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="q2"></a></p>     <p><img src="/img/revistas/aps/v35n3/35n3a01q2.jpg" width="579" height="161"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="q3"></a></p>     <p><img src="/img/revistas/aps/v35n3/35n3a01q3.jpg" width="580" height="160"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="q4"></a></p>     <p><img src="/img/revistas/aps/v35n3/35n3a01q4.jpg" width="576" height="170"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Verificou-se ainda uma associa&ccedil;&atilde;o negativa de efeito pequeno entre o n&uacute;mero de horas de perman&ecirc;ncia do beb&eacute; na  creche na primeira semana e o estado emocional do beb&eacute; percecionado pelas educadoras na quarta semana.</p>     <p>No <a href="#q4">Quadro 4</a>, s&atilde;o apresentados os coeficientes de correla&ccedil;&atilde;o entre as perce&ccedil;&otilde;es das educadoras  e m&atilde;es, na primeira semana e na quarta semana, respetivamente. Podemos verificar a exist&ecirc;ncia de associa&ccedil;&otilde;es com  magnitude pequena, moderada e grande e estatisticamente significativa. O estado emocional percecionado pelas m&atilde;es est&aacute; positivamente  associado, e com magnitude grande, &agrave; perce&ccedil;&atilde;o do estado emocional por parte dos educadores na primeira e na quarta semana,  indicando que h&aacute; uma consist&ecirc;ncia relativa na perce&ccedil;&atilde;o entre pais e educadores. Verificou-se a exist&ecirc;ncia de  associa&ccedil;&atilde;o positiva e de efeito moderado entre o n&iacute;vel de comunica&ccedil;&atilde;o percecionada pelas m&atilde;es e pelos  educadores na primeira semana, assim como na quarta semana. Estes resultados indicam que as crian&ccedil;as cujas m&atilde;es percecionam a  comunica&ccedil;&atilde;o entre contextos como mais frequente s&atilde;o aquelas cujos educadores tamb&eacute;m a consideram desse modo.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Discuss&atilde;o</b></p>     <p>Este trabalho assenta numa investiga&ccedil;&atilde;o realizada em contexto de creche, no per&iacute;odo de transi&ccedil;&atilde;o das  crian&ccedil;as do contexto familiar para este contexto de educa&ccedil;&atilde;o de inf&acirc;ncia, considerando-se o per&iacute;odo de  adapta&ccedil;&atilde;o, as quatro primeiras semanas da sua frequ&ecirc;ncia. Estes resultados foram obtidos atrav&eacute;s do Question&aacute;rio  de Experi&ecirc;ncia na Creche (QEC), traduzindo, neste estudo, as perce&ccedil;&otilde;es das m&atilde;es e de educadores acerca da  comunica&ccedil;&atilde;o estabelecida entre os contextos familiar e de creche, e do estado emocional do beb&eacute;, na primeira e na quarta  semana. Assim, a discuss&atilde;o destas vari&aacute;veis apoia-se na interpreta&ccedil;&atilde;o desses cuidadores e n&atilde;o em dados  resultantes da observa&ccedil;&atilde;o. De acordo com o modelo bioecol&oacute;gico (Bronfenbrenner, 2005) a participa&ccedil;&atilde;o da  fam&iacute;lia no contexto educativo &ndash; mesossistema &ndash; pode ser considerada uma extens&atilde;o da qualidade do ambiente familiar e da  qualidade da creche. Na educa&ccedil;&atilde;o em idades precoces, a rela&ccedil;&atilde;o crian&ccedil;a/rotina/bem-estar surge como um aspeto  fundamental a ser considerado pelos cuidadores do contexto de creche, sendo esta rela&ccedil;&atilde;o ainda mais relevante quando conhecida a  influ&ecirc;ncia que as rotinas apresentam no bem-estar das crian&ccedil;as e na forma como promovem o seu desenvolvimento e aprendizagem  (Eichmann, 2014).</p>     <p>No presente estudo, avaliaram-se as perce&ccedil;&otilde;es acerca do estado emocional (o beb&eacute; sorriu na chegada &agrave; creche;  manteve-se feliz durante o dia; sorriu quando o foram buscar &agrave; creche), dimens&atilde;o que est&aacute; relacionada com o bem-estar, pois  cada vez mais se reconhece que a alegria e o bem-estar devem ser parte integrante do processo de crescimento de cada crian&ccedil;a  (Eichmann, 2014) e, por isso, devem manter-se ao longo do tempo. Os nossos resultados v&atilde;o ao encontro do referido por Eichmann (2014) dado  que as m&atilde;es e as educadoras se mostraram muito positivas relativamente ao estado emocional dos beb&eacute;s na primeira e na quarta semana  na creche. Nos itens adicionais presentes nos question&aacute;rios das m&atilde;es, as respostas indicam que para mais de metade das m&atilde;es a  adapta&ccedil;&atilde;o dos seus beb&eacute;s foi f&aacute;cil ou muito f&aacute;cil. &Eacute; importante que as creches estejam atentas de modo a  garantir que os beb&eacute;s com processos de adapta&ccedil;&atilde;o mais complicados tenham condi&ccedil;&otilde;es que facilitem essa  transi&ccedil;&atilde;o. &Eacute; bom salientar que as m&atilde;es referiram ter havido bastantes altera&ccedil;&otilde;es nas rotinas dos  beb&eacute;s, o que se pode constituir como um desfio neste per&iacute;odo (e.g., Datler et al., 2012). Adicionalmente, m&atilde;es e educadoras  apresentaram uma perce&ccedil;&atilde;o mais positiva do estado emocional do beb&eacute; na quarta semana, comparativamente &agrave;  avalia&ccedil;&atilde;o relativa &agrave; primeira semana, o que representa uma evolu&ccedil;&atilde;o favor&aacute;vel, indicando uma melhor  adapta&ccedil;&atilde;o &agrave; creche ao longo do tempo. &Eacute; importante destacar que, na quarta semana, os educadores relatam um estado  emocional das crian&ccedil;as mais positivo, comparativamente aos relatos das m&atilde;es. Este resultado pode dever-se a alguma inseguran&ccedil;a  por parte das m&atilde;es durante este per&iacute;odo de separa&ccedil;&atilde;o, que as leva a serem mais exigentes na sua avalia&ccedil;&atilde;o  do estado emocional dos seus beb&eacute;s, ou ao facto de as educadoras poderem considerar todo o per&iacute;odo de perman&ecirc;ncia do  beb&eacute; na creche e as m&atilde;es apenas terem indicadores no momento da chegada e da sa&iacute;da da creche.</p>     <p>Relativamente &agrave; perce&ccedil;&atilde;o da frequ&ecirc;ncia da comunica&ccedil;&atilde;o fam&iacute;lia-creche h&aacute; uma  diminui&ccedil;&atilde;o na quarta semana, quando comparada com o relatado da comunica&ccedil;&atilde;o na primeira semana do beb&eacute; na  creche, na perce&ccedil;&atilde;o das m&atilde;es e de educadoras. Todavia, quando comparados entre si, as educadoras relatam maior  frequ&ecirc;ncia de comunica&ccedil;&atilde;o, comparativamente &agrave;s m&atilde;es, quer na primeira semana, quer na quarta semana. Este  fen&oacute;meno pode dever-se ao facto de, nos primeiros dias de frequ&ecirc;ncia na creche, por um lado, os pais terem mais necessidade de  comunicar com os profissionais, de forma a facilitar o processo de transi&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a para a creche, bem como de promover a  confian&ccedil;a entre os cuidadores de ambos contextos. Ap&oacute;s estabelecida esta confian&ccedil;a e o conhecimento m&uacute;tuo entre os  contextos, a necessidade de comunica&ccedil;&atilde;o diminui, embora seja importante que continue a existir. Segundo Bronfenbrenner (1979), a  qualidade da rela&ccedil;&atilde;o fam&iacute;lia-creche influencia o comportamento da crian&ccedil;a, que, por sua vez, influencia a  rela&ccedil;&atilde;o com os cuidadores. Estes dois s&atilde;o os contextos de vida mais relevantes para as crian&ccedil;as destas idades, devendo,  assim, estar em constante sintonia, pois a confian&ccedil;a rec&iacute;proca entre cuidadores proporciona &agrave;s crian&ccedil;as recursos  importantes para o seu desenvolvimento e bem-estar. De acordo com Barros e Cruz (2012) a continuidade entre a fam&iacute;lia e os contextos  extrafamiliares de educa&ccedil;&atilde;o &eacute; de extrema import&acirc;ncia desde os primeiros anos de vida, pois as experi&ecirc;ncias  precoces constituem pilares de desenvolvimento e de aprendizagem. De facto, esta partilha parece ser favor&aacute;vel, pois a  intera&ccedil;&atilde;o positiva fam&iacute;lia-creche, bem como o envolvimento parental significativo, promovem a compreens&atilde;o m&uacute;tua,  o respeito e a colabora&ccedil;&atilde;o nas aprendizagens das crian&ccedil;as (Portugal, 1998), permitindo, segundo Eichmann (2014), melhores  n&iacute;veis de adapta&ccedil;&atilde;o e de desenvolvimentos das mesmas.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A associa&ccedil;&atilde;o entre a perce&ccedil;&atilde;o da frequ&ecirc;ncia de comunica&ccedil;&atilde;o das m&atilde;es na primeira e na  quarta semana, pode dever-se (a) ao facto de serem os mesmos sujeitos a percecionar esses processos de comunica&ccedil;&atilde;o, considerando da  mesma forma quais s&atilde;o as pr&aacute;ticas mais adequadas para que esta comunica&ccedil;&atilde;o se mantenha e (b) ao facto de ser a primeira  perce&ccedil;&atilde;o aquela que se mant&eacute;m no tempo, caso n&atilde;o haja acontecimentos relevantes que a alterem. Deste modo, as  fam&iacute;lias e os profissionais que percecionam estabelecer uma boa comunica&ccedil;&atilde;o entre si, na primeira semana, mant&ecirc;m este  canal de intera&ccedil;&atilde;o que poder&aacute; ser muito relevante para o processo de adapta&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a e para o  bem-estar das fam&iacute;lias.</p>     <p>Parece-nos ainda importante destacar o elevado n&uacute;mero de horas que o beb&eacute; permanece na creche na primeira e na quarta semana,  sublinhando o facto que algumas destas crian&ccedil;as frequentam este contexto educativo 11 horas diariamente logo na primeira semana. Para  al&eacute;m disto, a associa&ccedil;&atilde;o negativa encontrada entre o n&uacute;mero de horas na primeira semana e o estado emocional  percecionado pelas educadoras na quarta semana indica que as crian&ccedil;as que permanecem menos tempo na primeira semana na creche s&atilde;o as  que apresentam um estado emocional mais adequado na quarta semana. Este resultado parece refor&ccedil;ar a import&acirc;ncia de se implementarem  pr&aacute;ticas de transi&ccedil;&atilde;o aquando da entrada dos beb&eacute;s na creche, nomeadamente o planeamento de aumento progressivo do  n&uacute;mero de horas que o beb&eacute; passa na creche nas primeiras semanas de frequ&ecirc;ncia (Peixoto et al., 2014). Refor&ccedil;a ainda o  descrito por Fuertes (2010), que refere resultados de investiga&ccedil;&atilde;o que apontam as sete horas como m&aacute;ximo de tempo indicado  para perman&ecirc;ncia da crian&ccedil;a em creche.</p>     <p>Em suma, a quest&atilde;o da transi&ccedil;&atilde;o deve ser integrada em todo o funcionamento global da creche, sendo importante  real&ccedil;ar que, em idades precoces, os beb&eacute;s necessitam de aten&ccedil;&atilde;o &agrave;s suas necessidades (f&iacute;sicas e  psicol&oacute;gicas), pressupondo, como j&aacute; foi referido, uma rela&ccedil;&atilde;o com um adulto responsivo em quem os pais depositam total  confian&ccedil;a, bem como a oportunidade de experienciarem um ambiente seguro e saud&aacute;vel. De facto, o respeito e aten&ccedil;&atilde;o ao  beb&eacute; e o foco na qualidade das rela&ccedil;&otilde;es que se estabelecem com este devem ser o fundamento de um programa educativo de  qualidade (Portugal, 2000, 2011). No presente estudo, a maioria das m&atilde;es revelava-se satisfeita com a forma como a creche geriu a  transi&ccedil;&atilde;o, com a rela&ccedil;&atilde;o com os profissionais da creche e com os cuidados prestados. Note-se que se trata da recolha de  perce&ccedil;&otilde;es das m&atilde;es, sendo importante salientar que estudos anteriores mostraram que as pr&aacute;ticas de  educa&ccedil;&atilde;o e cuidados s&atilde;o avaliadas mais positivamente pelas m&atilde;es do que por observadores externos (e.g., Barros &amp;  Leal, 2011).</p>     <p>Por fim, &eacute; importante referir algumas limita&ccedil;&otilde;es deste estudo e propor reflex&otilde;es para estudos futuros. Como  limita&ccedil;&otilde;es salientamos a quest&atilde;o da representatividade da amostra. Apesar dos participantes terem sido selecionados de forma  aleat&oacute;ria de um conjunto alargado, as fam&iacute;lias que participaram apresentam condi&ccedil;&otilde;es sociodemogr&aacute;ficas bastante  homog&eacute;neas. Salientamos o elevado n&iacute;vel educativo das m&atilde;es, o que poder&aacute; indicar algum enviesamento da mesma. Este  facto pode ser explicado por se requerer, como crit&eacute;rio de sele&ccedil;&atilde;o, que as fam&iacute;lias tivessem planeado com  anteced&ecirc;ncia a entrada dos seus beb&eacute;s para a creche. Relativamente &agrave;s institui&ccedil;&otilde;es participantes, estas  s&atilde;o na sua maioria creches particulares sem fins lucrativos pelo que n&atilde;o s&atilde;o representativas da popula&ccedil;&atilde;o de  creches da grande &aacute;rea metropolitana do Porto. Assim, em estudos futuros ser&aacute; importante incluir fam&iacute;lias com um n&iacute;vel  sociocultural mais diversificado, assim como mais creches particulares com fins lucrativos.</p>     <p>No presente estudo, abordaram-se as perce&ccedil;&otilde;es de m&atilde;es e educadoras relativamente ao estado emocional do beb&eacute; e  &agrave; frequ&ecirc;ncia da comunica&ccedil;&atilde;o. Desta forma, &eacute; importante ter sempre em considera&ccedil;&atilde;o que os nossos  resultados s&atilde;o baseados nessas perce&ccedil;&otilde;es e interpreta&ccedil;&otilde;es dos participantes. Para al&eacute;m disso,  ser&aacute; importante em estudos futuros, considerar essas perce&ccedil;&otilde;es a par de observa&ccedil;&otilde;es em contexto. Assim  ser&aacute; importante observar como se mant&eacute;m o estado emocional do beb&eacute; ao longo do dia, bem como enriquecer as  informa&ccedil;&otilde;es acerca da manuten&ccedil;&atilde;o das rotinas, observando-se como interagem os educadores com as crian&ccedil;as nestes  momentos di&aacute;rios e como enquadram esses cuidados nas restantes atividades do contexto educativo. Seria ainda relevante explorar como  &eacute; assegurada a comunica&ccedil;&atilde;o com o contexto de creche, atrav&eacute;s de que meios e em que situa&ccedil;&otilde;es como, por  exemplo, se os pais s&atilde;o encorajados a levar as crian&ccedil;as &agrave; sala, se &eacute; nesse momento que se estabelece a  comunica&ccedil;&atilde;o, entre outros aspetos.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>     <!-- ref --><p>Aguiar, C., Bairr&atilde;o, J., &amp; Barros, S. (2002). Contributos para o estudo da qualidade em contexto de creche na &aacute;rea  metropolitana do Porto. <i>Inf&acirc;ncia e Educa&ccedil;&atilde;o: Investiga&ccedil;&atilde;o e Pr&aacute;ticas, 5</i>, 7-28.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=029922&pid=S0870-8231201700030000100001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Ara&uacute;jo, S. B., &amp; Costa, H. (2010). Pedagogia-em-participa&ccedil;&atilde;o em creche: Concretizando o respeito pela  compet&ecirc;ncia da crian&ccedil;a. <i>Cadernos de Educa&ccedil;&atilde;o de Inf&acirc;ncia: Revista da Associa&ccedil;&atilde;o de Profissionais  de Educa&ccedil;&atilde;o de Inf&acirc;ncia, 91</i>, 8-10.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=029924&pid=S0870-8231201700030000100002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Azevedo, S. (2011). <i>O papel da creche na adapta&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a ao contexto do jardim-de-inf&acirc;ncia</i>  (Relat&oacute;rio de est&aacute;gio n&atilde;o publicado). Instituto Polit&eacute;cnico de Castelo Branco, Castelo Branco, Portugal.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=029926&pid=S0870-8231201700030000100003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Barros, S., &amp; Cruz, O. (2012). Participa&ccedil;&atilde;o das m&atilde;es na creche e no jardim de inf&acirc;ncia em Portugal. <i>Revista  AMAz&ocirc;nica, 8</i>, 8-32.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=029928&pid=S0870-8231201700030000100004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Barros, S., &amp; Leal, T. (2011). Dimens&otilde;es da qualidade das salas de creche do distrito do Porto (Quality dimensions of day care  classrooms in the district of Porto). <i>Revista Galego-Portuguesa de Psicolox&iacute;a e Educaci&oacute;n, 19</i>, 117-133.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=029930&pid=S0870-8231201700030000100005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Barros, S., Pessanha, M., Pinto, A., &amp; Cadima, J. (2013). <i>Question&aacute;rio de caracter&iacute;sticas estruturais:  Ber&ccedil;&aacute;rio</i> (Vers&atilde;o n&atilde;o publicada). Porto: Instituto Polit&eacute;cnico do Porto, Universidade do Porto, Portugal.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=029932&pid=S0870-8231201700030000100006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Bronfenbrenner, U. (1979). <i>The ecology of human development: Experiments by design and nature</i>. Cambridge: Harvard University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=029934&pid=S0870-8231201700030000100007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Bronfenbrenner, U. (2005). <i>Making human beings human: Bioecological perspectives on human development</i>. Thousand Oaks: Sage.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=029936&pid=S0870-8231201700030000100008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Bronfenbrenner, U., &amp; Morris, P. A. (2006). The bioecological model of human development. In R. M. Lerner &amp; W. Damon (Eds.),  <i>Handbook of child psychology: Vol. 1 &ndash; Theoretical models of human development</i> (6<Sup>th</Sup> ed., pp. 793-828). New York: Wiley.  doi: 10.1002/9780470147658.chpsy0114</p>     <!-- ref --><p>Coelho, V., Barros, S., Pessanha, M., Peixoto, C., Cadima, J., &amp; Pinto, A. I. (2015). Parceria fam&iacute;lia-creche na  transi&ccedil;&atilde;o do beb&eacute; para a creche. <i>An&aacute;lise Psicol&oacute;gica, XXXIII</i>, 373-389. Dispon&iacute;vel em  <a href="http://dx.doi.org/10.14417/ap.1002" target="_blank">http://dx.doi.org/10.14417/ap.1002</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=029939&pid=S0870-8231201700030000100010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Cohen, J. (1992). Quantitative methods in psychology: A power primer. <i>Psychological Bulletin, 112</i>, 155-159. doi:  10.1037/0033-2909.112.1.155&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=029940&pid=S0870-8231201700030000100011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Datler, W., Ereky-Stevens, K., Hover-Reisner, N., &amp; Malmberg, L.-E. (2012). Toddler&rsquo;s transition to out-of-home day care: Settling  into a new care environment. <i>Infant Behavior and Development, 35</i>, 439-451.</p>     <!-- ref --><p>Dodge, R., Daly, A., Huyton, J., &amp; Sanders, L. (2012). The challenge of defining wellbeing. <i>International Journal of Wellbeing, 2</i>,  222-235. doi: 10.5502/ijw.v2i3.4&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=029942&pid=S0870-8231201700030000100013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Eichmann, L. (2014). <i>As rotinas na creche: A sua import&acirc;ncia no desenvolvimento integral da crian&ccedil;a dos 0 aos 3 anos</i>  (Relat&oacute;rio final de pr&aacute;tica de ensino supervisionada). Mestrado em Educa&ccedil;&atilde;o Pr&eacute;-escolar, Escola Superior de  Educa&ccedil;&atilde;o de Portalegre, Portalegre, Portugal.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=029943&pid=S0870-8231201700030000100014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Equipa de Estudos e Pol&iacute;ticas. (junho, 2013). <i>Carta social &ndash; Folha informativa n&ordm; 11</i>. Gabinete de Estrat&eacute;gia e  Planeamento. Retirado de <a href="http://www.cartasocial.pt/pdf/FI112013.pdf" target="_blank">http://www.cartasocial.pt/pdf/FI112013.pdf</a></p>     <!-- ref --><P>Fein, G. G. (1995). Infants in group care: Patterns of despair and detachment. <i>Early Childhood Research Quarterly, 10</i>, 261-275.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=029946&pid=S0870-8231201700030000100016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Fernandez, M. E. P. (2004). <i>A survey study of entry transition practices used by teachers of infants and toddlers</i>. Thesis of Master of  Science, University of North Texas. Retirado de <a href="http://digital.library.unt.edu/ark:/67531/metadc4710"  target="_blank">http://digital.library.unt.edu/ark:/67531/metadc4710</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=029948&pid=S0870-8231201700030000100017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Field, A. (2005). <i>Discovering statistics using SPSS</i> 2<Sup>nd</Sup> ed.). London: Sage.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=029949&pid=S0870-8231201700030000100018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Fuertes, M. (2010). Se n&atilde;o pergunta como sabe? D&uacute;vidas dos pais sobre a educa&ccedil;&atilde;o de inf&acirc;ncia. <i>Estudos  educacionais: Da investiga&ccedil;&atilde;o &agrave; forma&ccedil;&atilde;o &ndash; CIED</i>. Lisboa: Escola Superior de Educa&ccedil;&atilde;o de  Lisboa/Instituto Polit&eacute;cnico de Lisboa.</p>     <!-- ref --><p>Ghazvini, A., &amp; Readdick, C. (1994). Parent-caregiver communication and quality of care in diverse child care settings. <i>Early Childhood  Research Quarterly, 9</i>, 207-222. doi: 10.1016/0885-2006(94)90006&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=029952&pid=S0870-8231201700030000100020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Leavitt, R. L. (1995). Parent-provider communication in family day care homes. <i>Child and Youth Care Forum, 24</i>, 231-245. doi:  10.1007/BF02128590&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=029953&pid=S0870-8231201700030000100021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Machado, I. (2014). A avalia&ccedil;&atilde;o da qualidade em creche: <i>Um estudo de caso sobre o bem-estar das crian&ccedil;as</i>.  Disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado n&atilde;o publicada, Universidade do Minho, Braga, Portugal.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=029954&pid=S0870-8231201700030000100022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>National Association for the Education of Young Children [NAYEC]. (2009). <i>Developmentally appropriate practice in early childhood programs  serving children from birth through age 8 </i>(Position statement). Washington: NAEYC. Retrieved from  <a href="http://www.naeyc.org/positionstatements" target="_blank">http://www.naeyc.org/positionstatements</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=029956&pid=S0870-8231201700030000100023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><P>NICHD Early Child Care Research Network. (2004). Type of child care and children&rsquo;s development at 54 months. <i>Early Childhood Research  Quarterly, 19</i>, 203-230.</p>     <!-- ref --><p>NICHD Early Child Care Research Network. (2005). <i>Child care and child development: Results of the NICHD study of early child care and youth  development</i>. New York: Guildford Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=029958&pid=S0870-8231201700030000100025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>National Association for the Education of Young Children [NAYEC]. (1997). <i>Developmentally appropriate practice in early childhood programs  serving children from birth through age 8: A position statement of the National Association for the Education of the Young Children</i>. Washington,  DC: NAEYC.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=029960&pid=S0870-8231201700030000100026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Oliveira-Formosinho, J. (2007). Pedagogia(s) da inf&acirc;ncia: Reconstruindo uma praxis de participa&ccedil;&atilde;o. In J.  Oliveira-Formosinho, T. Kishimoto, &amp; M. Pinazza (Eds.), <i>Pedagogia(s) da inf&acirc;ncia &ndash; Dialogando com o passado, construindo o  futuro</i> (pp. 13-36). Porto Alegre: Artmed Ed.</p>     <!-- ref --><p>Organization for Economic Co-Operation and Development [OECD]. (2011). <i>Doing better for families</i>. Portugal. Retirado de  <a href="http://www.oecd.org/portugal/47704295.pdf" target="_blank">http://www.oecd.org/portugal/47704295.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=029963&pid=S0870-8231201700030000100028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Owen, M. T., Ware, A. M., &amp; Barfoot, B. (2000). Caregiver-mother partnership behavior and the quality of caregiver-child and mother-child  interactions. <i>Early Childhood Research Quarterly, 15</i>, 413-428. doi: 10.1016/S0885-2006(00)00073-9&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=029964&pid=S0870-8231201700030000100029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Peixoto, C., Coelho, V., Pinto, A. I., Cadima, J., Barros, S., &amp; Pessanha, M. (2014). Transi&ccedil;&atilde;o de beb&eacute;s do contexto  familiar para a creche: Pr&aacute;ticas e ideias dos profissionais. <i>Sensos-e, 1</i>. Dispon&iacute;vel em  <a href="http://sensos-e.ese.ipp.pt/?p=6599" target="_blank">http://sensos-e.ese.ipp.pt/?p=6599</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=029965&pid=S0870-8231201700030000100030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Pessanha, M., Barros, S., Pinto, A. I., &amp; Cadima, J. (2013). <i>Question&aacute;rio sobre caracter&iacute;sticas sociodemogr&aacute;ficas da  fam&iacute;lia </i>(Question&aacute;rio n&atilde;o publicado). Porto: Instituto Polit&eacute;cnico do Porto, Universidade do Porto, Portugal.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=029966&pid=S0870-8231201700030000100031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Pestana, M. J., &amp; Gageiro, J. N. (2008). <i>An&aacute;lise de dados para ci&ecirc;ncias sociais. A complementaridade do SPSS</i> (5&ordf;  ed.). Lisboa: S&iacute;labo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=029968&pid=S0870-8231201700030000100032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Portugal, G. (1998). <i>Crian&ccedil;as, fam&iacute;lias e creches: Uma abordagem ecol&oacute;gica da adapta&ccedil;&atilde;o do beb&eacute;  &agrave; creche</i>. Porto: Porto Editora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=029970&pid=S0870-8231201700030000100033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Portugal, G. (2011). No &acirc;mago da educa&ccedil;&atilde;o em creche &ndash; O primado das rela&ccedil;&otilde;es e a import&acirc;ncia dos  espa&ccedil;os. In Conselho Nacional de Educa&ccedil;&atilde;o, <i>Educa&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a dos 0 aos 3 anos</i> (pp. 47-60).  Lisboa: CNE.</p>     <!-- ref --><p>Seguran&ccedil;a Social. (Ed.). (2010). <i>Manual de processos-chave para a creche</i> (2&ordf; ed.). Dispon&iacute;vel em  <a href="http://www.seg-social.pt/documents/10152/13337/gqrs_creche_processos-chave"  target="_blank">http://www.seg-social.pt/documents/10152/13337/gqrs_creche_processos-chave</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=029973&pid=S0870-8231201700030000100035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Sireci, S. G., Yang, Y., Harter, J., &amp; Ehrlich, E. J. (2006). Evaluating guidelines for test adaptations: A methodological analysis of  translation quality. <i>Journal of Cross-Cultural Psychology, 37</i>, 557-567. doi: 10.1177/0022022106290478&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=029974&pid=S0870-8231201700030000100036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Skouteris, H., &amp; Dissanayake, C. (2001). <i>Daycare experience questionnaire</i>. Manuscrito n&atilde;o publicado, La Trobe University,  Bundoora, Australia (Traduzido e adaptado para portugu&ecirc;s por J. Cadima, A. Pinto, V. Coelho, &amp; S. Barros, 2013).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=029975&pid=S0870-8231201700030000100037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Vandell, D., &amp; Wolfe, B. (2000, may). <i>Child care quality: Does it matter and does it need to be improved?</i>. Report prepared for the  U.S. Department of Health and Human Services, Office of Planning and Evaluation, Washington DC.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=029977&pid=S0870-8231201700030000100038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Vermeer, H. J., &amp; van IJzendoorn, M. H. (2006). Children&rsquo;s elevated cortisol levels at daycare: A review and meta-analysis. <i>Early  Childhood Research Quarterly, 21</i>, 390-401. doi: 10.1016/j.ecresq.2006.07.004</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><a name="c0" id="c0"></a><a href="#topc0">CORRESPONDÊNCIA</a></b></p>     <p>A correspond&ecirc;ncia relativa a este artigo dever&aacute; ser enviada para: Catarina Grande, Faculdade de Psicologia e Ci&ecirc;ncias da  Educa&ccedil;&atilde;o da Universidade do Porto, Rua Alfredo Allen, 4200-135 Porto, Portugal. E-mail:  <a href="mailto:cgrande@fpce.up.pt">cgrande@fpce.up.pt</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Este trabalho &eacute; financiado por Fundos FEDER atrav&eacute;s do Programa Operacional Factores de Competitividade &ndash; COMPETE e por  Fundos Nacionais atrav&eacute;s da FCT &ndash; Funda&ccedil;&atilde;o para a Ci&ecirc;ncia e a Tecnologia no &acirc;mbito do projeto  FCOMP-01-0124-FEDER-029509; FCT-PTDC/MHC-CED/4007/2012.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Parte dos dados deste artigo foi inclu&iacute;da na disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado Integrado em Psicologia na Faculdade de Psicologia e de  Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o da Universidade do Porto. Nunes, I. (2015). A Adapta&ccedil;&atilde;o do beb&eacute; ao contexto de creche:  Rela&ccedil;&atilde;o fam&iacute;lia-creche, envolvimento da crian&ccedil;a e qualidade das intera&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Submiss&atilde;o: 30/09/2015 Aceita&ccedil;&atilde;o: 25/05/2016</p>      ]]></body><back>
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