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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Discursos políticos e retórica em torno da Lei da Unicidade Sindical na revolução portuguesa de 1974]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The main objective of the present work is to understand how the different opposing parties have formed different conceptions of the models of labour organisation through the analysis of political discourses around the Law on Union Uniqueness in the revolutionary context post-25th April 1974 in Portugal. On the one hand, the analysis is based on the proposed analysis of dialogical discourses by Marková (2006), as well as the analysis models on the rhetorical discourse by Billig (1991) and Castro (2002). On the other hand, it is based on the notions of argumentative dichotomy or ideological polarities by Van Dijk (2006). The discourses conveyed were reconstructed and it was verified that certain terms - like Union or Freedom - assume different meanings depending on the contending party. It was also found that certain rhetoric mechanisms listed by Castro (2002) and Amaral and Pereira (2014) tend to be used by each of the sides. Additionally, the analysis of the corpus of political discourses enables the identification of the persuasive unidirectional communications’ own mechanism (such as propaganda). Although this is not typical in dialogical discourses, it enables the access to the argumentative dichotomies/ideological polarities that sustain the different conceptions on the modalities of labour organisation proposed at the time.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>Discursos pol&iacute;ticos e ret&oacute;rica em torno da Lei da Unicidade Sindical na revolu&ccedil;&atilde;o portuguesa de 1974</b></p>     <p><b>Virg&iacute;lio Amaral<sup>1</sup></b></p>     <p><sup>1</sup>Centro de Estudos Sociais, Universidade de Coimbra</p>     <p><a name="topc0"></a><a href="#c0">Correspondência</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>O presente trabalho tem como objectivo principal entender, atrav&eacute;s da an&aacute;lise dos discursos pol&iacute;ticos em torno da Lei da  Unicidade Sindical que ocorreu no contexto revolucion&aacute;rio do p&oacute;s 25 de Abril de 1974 em Portugal, de que forma as partes em contenda  constru&iacute;ram diferentes concep&ccedil;&otilde;es sobre as modalidades de organiza&ccedil;&atilde;o laboral. Baseados, por um lado, nas  propostas de an&aacute;lise de discursos dial&oacute;gicos de Markov&aacute; (2006), assim como nos modelos de an&aacute;lise de discurso  ret&oacute;rico de Billig (1991) e Castro (2002), e, por outro lado, nas no&ccedil;&otilde;es de dicotomias argumentativas ou polaridades  ideol&oacute;gicas de Van Dijk (2006), procedeu-se &agrave; reconstru&ccedil;&atilde;o dos discursos veiculados nos argument&aacute;rios, tendo-se  verificado que determinados termos &ndash; como Sindicatos ou Liberdade &ndash; assumem diferentes sentidos para cada das partes em contenda.  Verificou-se tamb&eacute;m que determinados mecanismos ret&oacute;ricos elencados por Castro (2002) e Amaral e Pereira (2014) s&atilde;o  tendencialmente usados por cada um dos lados. Adicionalmente, a an&aacute;lise do corpus de discursos pol&iacute;ticos permitiu relevar um  mecanismo pr&oacute;prio das comunica&ccedil;&otilde;es unidireccionais persuasivas (como a propaganda), que n&atilde;o sendo caracter&iacute;stico  dos discursos dial&oacute;gicos, permite aceder &agrave;s dicotomias argumentativas/polaridades ideol&oacute;gicas que sustentam as diferentes  concep&ccedil;&otilde;es sobre as modalidades de organiza&ccedil;&atilde;o laboral propostas &agrave; &eacute;poca.    <p>     <p><b>Palavras-chave</b>: Discursos pol&iacute;ticos, Ret&oacute;rica, Propaganda, Revolu&ccedil;&atilde;o portuguesa de 25 de Abril de 1974, Lei  da Unicidade Sindical.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>The main objective of the present work is to understand how the different opposing parties have formed different conceptions of the models  of labour organisation through the analysis of political discourses around the Law on Union Uniqueness in the revolutionary context  post-25<sup>th</sup> April 1974 in Portugal. On the one hand, the analysis is based on the proposed analysis of dialogical discourses by  Markov&aacute; (2006), as well as the analysis models on the rhetorical discourse by Billig (1991) and Castro (2002). On the other hand, it is  based on the notions of argumentative dichotomy or ideological polarities by Van Dijk (2006). The discourses conveyed were reconstructed and it was  verified that certain terms &ndash; like Union or Freedom &ndash; assume different meanings depending on the contending party. It was also found  that certain rhetoric mechanisms listed by Castro (2002) and Amaral and Pereira (2014) tend to be used by each of the sides. Additionally, the  analysis of the <i>corpus</i> of political discourses enables the identification of the persuasive unidirectional communications&rsquo; own  mechanism (such as propaganda). Although this is not typical in dialogical discourses, it enables the access to the argumentative  dichotomies/ideological polarities that sustain the different conceptions on the modalities of labour organisation proposed at the time.</p>     <p><b>Key words</b>: Political discourses, Rhetoric, Propaganda, Portuguese revolution, 25<sup>th</sup> April 1974, Single Union Law.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>Neste trabalho apresentam-se alguns aspectos dos g&eacute;neros discursivos e comunicativos em torno da controv&eacute;rsia pol&iacute;tica  sobre a proposta de inscri&ccedil;&atilde;o na Lei do Princ&iacute;pio da Unicidade Sindical, ocorrida no per&iacute;odo revolucion&aacute;rio do  p&oacute;s 25 de Abril.</p>     <p>Uma revis&atilde;o hist&oacute;rica desta pol&eacute;mica na Imprensa, que op&ocirc;s por um lado o Partido Socialista (PS) e o Partido Popular  Democr&aacute;tico (PPD), e por outro lado o Partido Comunista Portugu&ecirc;s (PCP) e a Intersindical, encontra-se j&aacute; reportada em Amaral  (2015a).</p>     <p>Os conflitos pol&iacute;ticos na esfera p&uacute;blica s&atilde;o acompanhados por processos de legitima&ccedil;&atilde;o de cada uma das partes  e deslegitimiza&ccedil;&atilde;o das posi&ccedil;&otilde;es contr&aacute;rias (Bar-Tal, 2000).</p>     <p>A este prop&oacute;sito as abordagens discursivas, na esteira das propostas de Perelman (1997) e Perelman e Olbrechts-Tyteca (2006) sobre  ret&oacute;rica e argumenta&ccedil;&atilde;o, permitem compreender a natureza da argumenta&ccedil;&atilde;o e do pensamento pol&iacute;tico.</p>     <p>Assim, de acordo com Billig (1991), o pensamento pol&iacute;tico &eacute; essencialmente argumentativo, visando a persuas&atilde;o. Todo o  discurso pol&iacute;tico tem uma inten&ccedil;&atilde;o persuasiva, pelo que os conte&uacute;dos e as suas fun&ccedil;&otilde;es persuasivas se  articulam. Por outro lado, segundo o mesmo autor, a apresenta&ccedil;&atilde;o de uma vers&atilde;o de um acontecimento existe sempre em  oposi&ccedil;&atilde;o a outra vers&atilde;o ou tema contr&aacute;rio. Ou seja, os discursos pol&iacute;ticos s&atilde;o dilem&aacute;ticos,  corporizam-se em dicotomias argumentativas ou, para usar express&atilde;o de Van Dijk (2006), em polaridades ideol&oacute;gicas apresentadas por  cada uma das partes em contenda &agrave; audi&ecirc;ncia das mensagens pol&iacute;ticas.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Este tipo de abordagem &agrave; ret&oacute;rica pol&iacute;tica pode articular-se com o modelo dial&oacute;gico proposto por Markov&aacute;  (2006), relativo &agrave; an&aacute;lise conversacional. Mas este modelo pode adaptar-se &agrave; an&aacute;lise das trocas argumentativas em  geral, e aqui, em particular, no dom&iacute;nio dos debates pol&iacute;ticos</p>     <p>Segundo este modelo os discursos (pol&iacute;ticos ou n&atilde;o) ocorrem numa tr&iacute;ade formada pelo emissor &ndash; &ldquo;Ego&rdquo;  &ndash;, o receptor com quem aquele dialoga &ndash; &ldquo;Alter&rdquo; &ndash; com vista &agrave; persuas&atilde;o e &agrave;  produ&ccedil;&atilde;o de conhecimento social sobre o assunto da audi&ecirc;ncia (&ldquo;Objecto&rdquo; do di&aacute;logo argumentativo).</p>     <p>Na <a href="#f1">Figura 1</a> apresenta-se um esquema adaptado a partir do modelo dial&oacute;gico de Markov&aacute; (2006) sobre os discursos  dial&oacute;gicos.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="f1"></a></p>     <p><img src="/img/revistas/aps/v35n3/35n3a02f1.jpg" width="578" height="189"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>De acordo com este modelo, as pr&aacute;ticas discursivas correspondem portanto a um di&aacute;logo de trocas comunicativas reciprocas, em que  Ego convoca Alter para o di&aacute;logo e vice-versa.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Objectivos do estudo</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Com base nas propostas de Potter (1996) sobre a constru&ccedil;&atilde;o de mecanismos argumentativos, j&aacute; enunciados em Castro (2002),  num estudo sobre a constru&ccedil;&atilde;o da ideia de Ambiente, e estudados tamb&eacute;m por Amaral e Pereira (2014) e Amaral (2015b) no que  respeita a controv&eacute;rsias pol&iacute;ticas, o primeiro objectivo deste trabalho &eacute; o de sistematizar as polaridades ideol&oacute;gicas  produzidas pelas partes em contenda. Alguns resultados encontram-se j&aacute; expostos por n&oacute;s em estudo precedente (Amaral, 2015b),  n&atilde;o se tendo contudo procedido &agrave; sistematiza&ccedil;&atilde;o daquelas polaridades ideol&oacute;gicas, objectivo que agora nos  propomos</p>     <p>A an&aacute;lise explorat&oacute;ria do corpus noticioso evidenciou um mecanismo que n&atilde;o &eacute; pr&oacute;prio do modelo  dial&oacute;gico atr&aacute;s referido, ou seja que n&atilde;o corresponde a um mecanismo ret&oacute;rico que sustente a comunica&ccedil;&atilde;o  em forma de di&aacute;logo. Trata-se de um mecanismo caracter&iacute;stico das comunica&ccedil;&otilde;es unidireccionais que visam apenas a  persuas&atilde;o da audi&ecirc;ncia, n&atilde;o convocando a parte oposta ao di&aacute;logo; &eacute; um mecanismo utilizado na propaganda  pol&iacute;tica e na publicidade, tradicionalmente denominado de &ldquo;Inocula&ccedil;&atilde;o&rdquo; (McGuire &amp; Papageorgis, 1961).</p>     <p>Este mecanismo consiste numa mensagem unidireccional dirigida &agrave; audi&ecirc;ncia, em que se evoca explicitamente e previamente o argumento  que se procura rebater, seguida de um contra-argumento que expressa a posi&ccedil;&atilde;o que o emissor da mensagem pretende defender. Trata-se  de uma mensagem unidireccional biun&iacute;voca que visa produzir na audi&ecirc;ncia uma resist&ecirc;ncia &agrave; persuas&atilde;o dos argumentos  contr&aacute;rios &agrave; posi&ccedil;&atilde;o que se procura defender. &Eacute; um dispositivo de condicionamento das atitudes da  audi&ecirc;ncia sob a forma de comunica&ccedil;&otilde;es unidireccionais, que funciona um pouco como a l&oacute;gica das vacinas: a  exposi&ccedil;&atilde;o pr&eacute;via a uma pequena quantidade de v&iacute;rus (leia-se, o argumento contr&aacute;rio) &ldquo;imuniza&rdquo; a  audi&ecirc;ncia a um ataque em larga escala desse mesmo v&iacute;rus. Dito de outra forma, atrav&eacute;s da exposi&ccedil;&atilde;o pr&eacute;via  a um argumento que ataca as posi&ccedil;&otilde;es ou atitudes que o emissor defende, produz no receptor (a audi&ecirc;ncia) uma resist&ecirc;ncia  a essa mensagem contra-atitudinal, quando seguida de um argumento consonante com a atitude que o emissor defende.</p>     <p>Denominaremos neste trabalho tal mecanismo, n&atilde;o dial&oacute;gico nem pr&oacute;prio da ret&oacute;rica argumentativa, de  &ldquo;Inocula&ccedil;&atilde;o Propagand&iacute;stica&rdquo;, para o distinguir do mecanismo de Inocula&ccedil;&atilde;o de  constru&ccedil;&atilde;o argumentativa apresentado no modelo de Potter (1996), que denominaremos de Inocula&ccedil;&atilde;o Ret&oacute;rica.</p>     <p>Um segundo objectivo do trabalho ser&aacute; o de sistematizar os mecanismos comunicativos utilizados pelas partes a prop&oacute;sito da  quest&atilde;o da Unicidade Sindical.</p>     <p>Decorrente desta considera&ccedil;&atilde;o, procuraremos analisar o uso dos mecanismos ret&oacute;ricos, ligando a fun&ccedil;&atilde;o dos  mesmo &agrave; constru&ccedil;&atilde;o de argumentos, &agrave; luz do modelo dial&oacute;gico de Markov&aacute; (2006). Considerando o modelo  triangular proposto por Markov&aacute; (2006), procuraremos analisar como se articula a Inocula&ccedil;&atilde;o Propagand&iacute;stica quer com a  Audi&ecirc;ncia quer na sua rela&ccedil;&atilde;o com os mecanismos ret&oacute;ricos enunciados nos referidos trabalhos (Amaral, 2015b; Amaral  &amp; Pereira, 2014; Castro, 2002; Potter, 1996).</p>     <p>Finalmente, tal como nos trabalhos anteriores referidos sobre os discursos pol&iacute;ticos (Amaral, 2015b; Amaral &amp; Pereira, 2014) teremos  em conta, ao longo do trabalho assim como na discuss&atilde;o, a rela&ccedil;&atilde;o entre fun&ccedil;&otilde;es e conte&uacute;dos  argumentativos dos mecanismos ret&oacute;ricos.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>M&eacute;todo</b></p>     <p>Tendo em conta os objectivos propostos e baseados em pesquisa de cariz hist&oacute;rico, relativamente aos principais discursos pol&iacute;ticos  em torno da quest&atilde;o da inscri&ccedil;&atilde;o na Lei do Princ&iacute;pio da Unicidade Sindical (Amaral, 2015a), retivemos os discursos  noticiosos produzidos pela Intersindical (no seu &oacute;rg&atilde;o oficial <i>Alavanca</i>), assim como pelos &oacute;rg&atilde;os oficiais do  PS, do PPD e do PCP, ou de discursos de protagonistas nesta pol&eacute;mica ligadas &agrave;quelas forma&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas,  reproduzidos em jornais de refer&ecirc;ncia da altura.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>N&atilde;o foi retido para an&aacute;lise o artigo de Gomes Canotilho, devido &agrave;s especificidades jur&iacute;dicas do mesmo.</p>     <p>O <i>corpus</i> &eacute; constitu&iacute;do por 14 not&iacute;cias, sendo: cinco discursos noticiosos do PS, tr&ecirc;s discursos noticiosos do  PPD, tr&ecirc;s discursos noticiosos (incluindo um comunicado do respectivo Comit&eacute; Central) do PCP e dois da Intersindical.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Resultados</b></p>     <p>Seguidamente apresentam-se os discursos elencados, analisando-se os argumentos, os mecanismos ret&oacute;ricos dial&oacute;gicos e o mecanismo  de Inocula&ccedil;&atilde;o Propagand&iacute;stica.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Entrevista a Marcelo Curto &ndash; Rep&uacute;blica, 02/10/1974</i></p>     <p>O discurso deste dirigente do Partido Socialista come&ccedil;a por denotar um certo distanciamento em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;  quest&atilde;o da organiza&ccedil;&atilde;o sindical, mas &eacute; tamb&eacute;m um discurso de confiss&atilde;o no que respeita &agrave;  representatividade dos &oacute;rg&atilde;os sindicais:</p>     <p>A representatividade &eacute; indispens&aacute;vel na medida em que uma confedera&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o viva em permanente contacto e  consulta &agrave;s bases a curto prazo cometer&aacute; erros monumentais de direc&ccedil;&atilde;o de massas e ser&aacute; mais tarde ou mais cedo  apeada e contestada por essas mesmas massas.</p>     <p>A mensagem do dirigente do PS &eacute; constru&iacute;da sob a forma de confiss&atilde;o de uma tomada de posi&ccedil;&atilde;o: associa a  quest&atilde;o da lei enunciada &agrave; quest&atilde;o da liberdade sindical.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A quest&atilde;o dilem&aacute;tica &ndash; que ser&aacute; recorrente nos discursos do PS e PPD &ndash; da liberdade sindical <i>versus</i>  &agrave; imposi&ccedil;&atilde;o, por Lei, de uma confedera&ccedil;&atilde;o sindical &uacute;nica, expressa-se no extracto discursivo seguinte,  tamb&eacute;m ele de confiss&atilde;o:</p>     <p>&ldquo;Sem preju&iacute;zo de mais amplas considera&ccedil;&otilde;es e pelas informa&ccedil;&otilde;es que eu tenho &eacute; inaceit&aacute;vel  que seja uma lei a impor uma confedera&ccedil;&atilde;o &uacute;nica.&rdquo;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Povo livre, 08/10/1974 &ndash; &ldquo;O PPD contra os sindicatos &uacute;nicos&rdquo;</i></p>     <p>Sob o t&iacute;tulo &ldquo;Os Sindicatos &uacute;nicos s&atilde;o o caminho mais certo para o regresso da Opress&atilde;o&rdquo;, o PPD exprime  neste comunicado, acerca da Lei da Unicidade Sindical, as suas preocupa&ccedil;&otilde;es relativamente ao tema da &ldquo;Liberdade  Sindical&rdquo;:</p>     <p>A prop&oacute;sito de tomadas de posi&ccedil;&atilde;o recentes acerca da unidade sindical, o PPD n&atilde;o pode deixar de insistir na  necessidade de ela nunca sacrificar a liberdade sindical.</p>     <p>Evocando aquela Liberdade, o extracto acima parece ter a finalidade de prevenir, por inocula&ccedil;&atilde;o ret&oacute;rica, a audi&ecirc;ncia  relativamente &agrave;s consequ&ecirc;ncias da Lei da Unicidade Sindical (mecanismo de inocula&ccedil;&atilde;o ret&oacute;rica).</p>     <p>De facto, &eacute; o que patenteia o seguinte trecho redigido sob a forma de confiss&atilde;o de uma tomada de posi&ccedil;&atilde;o  pol&iacute;tica:</p >&ldquo;A unidade sindical [...] n&atilde;o &eacute; o resultado do imp&eacute;rio da lei ou de quaisquer limita&ccedil;&otilde;es ao direito de  liberdade sindical.&rdquo;</p>     <p>Nessa mesma posi&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, pretende-se destrin&ccedil;ar a quest&atilde;o da unidade da quest&atilde;o da unicidade,  identificando esta no&ccedil;&atilde;o com regimes de ditadura, numa mensagem que procura transmitir descri&ccedil;&otilde;es factuais:</p>     <p>Quando &eacute; a lei [...] (que) imp&otilde;e sindicatos &uacute;nicos [...], o regime que se instala n&atilde;o &eacute; de unidade sindical  mas sim de unicidade sindical de que tivemos exemplo entre n&oacute;s, antes do 25 de Abril, e de que ainda existem nas ditaduras de esquerda e  direita.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O problema da organiza&ccedil;&atilde;o sindical &eacute; ligado de novo &agrave; quest&atilde;o da &ldquo;liberdade sindical&rdquo; na frase  seguinte, em que s&atilde;o apresentadas as Credenciais da Organiza&ccedil;&atilde;o Internacional do Trabalho:</p>     <p>&ldquo;Um sindicalismo unit&aacute;rio s&oacute; &eacute; correcto em regime de liberdade sindical, de acordo com a Conven&ccedil;&atilde;o  n&ordm; 87 da OIT.&rdquo;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>&ldquo;O Movimento Sindical Portugu&ecirc;s&rdquo;, Fernanda Lopes Cardoso e Marcelo Curto &ndash; Rep&uacute;blica, 04/01/1975</i></p>     <p>Este artigo &eacute; um artigo de opini&atilde;o dos autores (ambos militantes do PS), em que se elaboram considerandos sobre a hist&oacute;ria  do sindicalismo e se real&ccedil;a de novo uma posi&ccedil;&atilde;o a favor de um Sindicalismo de Base (mecanismo da confiss&atilde;o).</p>     <p>O Sindicalismo de Base <i>versus</i> o de &ldquo;C&uacute;pula&rdquo; corresponde ao n&uacute;cleo dilem&aacute;tico que se enuncia  posteriormente no discurso de Fernanda Lopes Cardoso e Marcelo Curto, relativo ao contexto hist&oacute;rico de ent&atilde;o:</p>     <p>Daqui decorrem desde logo duas formas de organiza&ccedil;&atilde;o, duas linhas de ac&ccedil;&atilde;o sindical: os sindicatos fortemente  estruturados &ldquo;cujas direc&ccedil;&otilde;es enquadrem os trabalhadores&rdquo;, fornecendo-lhes directrizes ou palavras de ordem, ou os  sindicatos em que o poder dos delegados &eacute; grande e &ldquo;cujas direc&ccedil;&otilde;es executam as decis&otilde;es dos trabalhadores  respondendo perante eles&rdquo;. Em suma, como j&aacute; entrou na linguagem corrente depois do 25 de Abril, como &ldquo;Sindicatos de  c&uacute;pula&rdquo; e &ldquo;Sindicatos de base&rdquo;.</p>     <p>A este par&aacute;grafo, que se pretende como &ldquo;descri&ccedil;&atilde;o de factos&rdquo;, seguir-se-&atilde;o unidades discursivas que  relevam a import&acirc;ncia do sindicalismo de base e das Comiss&otilde;es de Trabalhadores no panorama laboral do p&oacute;s 25 de Abril.</p>     <p>Na seguinte frase, com um argumento constru&iacute;do sob a forma de confiss&atilde;o (sublinhando a &ldquo;import&acirc;ncia  incontest&aacute;vel&rdquo; daquelas Comiss&otilde;es), e nas posteriores unidades de discurso deste artigo, pronuncia-se um verdadeiro projecto  basista para as formas desej&aacute;veis da organiza&ccedil;&atilde;o laboral no pa&iacute;s:</p>     <p>&ldquo;As Comiss&otilde;es de Trabalhadores adquiriram uma import&acirc;ncia incontest&aacute;vel no movimento oper&aacute;rio portugu&ecirc;s,  constituindo a express&atilde;o da democracia sonhada e um meio de ac&ccedil;&atilde;o directo e eficaz.&rdquo;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A t&oacute;nica dilem&aacute;tica &ldquo;bases&rdquo; <i>versus</i> &ldquo;&Oacute;rg&atilde;os de C&uacute;pula&rdquo; &eacute; de novo  repetida, numa argumenta&ccedil;&atilde;o constru&iacute;da de novo sob a forma de confiss&atilde;o (as Comiss&otilde;es de Trabalhadores  &ldquo;deveriam constituir os pontos de partida&rdquo; para as formas de organiza&ccedil;&atilde;o laboral) ligada ao mecanismo ret&oacute;rico de  descri&ccedil;&atilde;o de factos:</p>     <p>Incontest&aacute;veis mas contestadas pelas organiza&ccedil;&otilde;es sindicais que v&ecirc;em fugir-lhes os meios de controlo sobre a classe  oper&aacute;ria, as Comiss&otilde;es de Trabalhadores que, logicamente, deveriam constituir os pontos de partida para as novas formas de  organiza&ccedil;&atilde;o s&atilde;o, onde os sindicatos t&ecirc;m for&ccedil;a para tal, destru&iacute;das por todos os meios e preteridas em  favor de &ldquo;Comiss&otilde;es de Delegados&rdquo;, contestadas em muitos casos pelos pr&oacute;prios trabalhadores.</p>     <p>Ao longo do artigo ser&atilde;o apresentadas algumas considera&ccedil;&otilde;es opinativas sobre o projecto de lei da Unicidade Sindical.  Trata-se de um texto program&aacute;tico que salienta, como dissemos, uma perspectiva basista, em que o argument&aacute;rio, que releva o dilema  &ldquo;bases&rdquo; (leia-se &ldquo;Comiss&otilde;es de Trabalhadores&rdquo;) <i>versus </i>&Oacute;rg&atilde;os de C&uacute;pula, se socorre  dos mecanismos da Inocula&ccedil;&atilde;o Ret&oacute;rica e da Descri&ccedil;&atilde;o Factual para obstar &agrave; possibilidade de a Lei da  Unicidade Sindical vir a ser aprovada.</p>     <p>Assim, pretende-se prevenir &ndash; inocula&ccedil;&atilde;o ret&oacute;rica &ndash; os leitores para as consequ&ecirc;ncias da  imposi&ccedil;&atilde;o por Lei das formas de organiza&ccedil;&atilde;o sindical que n&atilde;o tenham sido &ldquo;aceites&rdquo; pelos  trabalhadores, com uma argumenta&ccedil;&atilde;o que apresenta algum distanciamento (&ldquo;parece-nos certo que n&atilde;o ser&aacute;  poss&iacute;vel&rdquo;):</p>     <p>Qualquer que seja a decis&atilde;o final sobre o projecto de lei das associa&ccedil;&otilde;es sindicais, parece-nos certo que n&atilde;o  ser&aacute; poss&iacute;vel impor aos trabalhadores formas que eles pr&oacute;prios n&atilde;o tenham aceite e que n&atilde;o resultando da  an&aacute;lise das condi&ccedil;&otilde;es actuais do movimento oper&aacute;rio em Portugal, mas sim duma constru&ccedil;&atilde;o  esquem&aacute;tica a partir de experi&ecirc;ncias que lhe s&atilde;o exteriores, parecem destinadas, necessariamente, ao abandono.</p>     <p>O papel das bases (Comiss&otilde;es de Trabalhadores) &eacute; sucessivamente real&ccedil;ado, recorrendo-se a uma argumenta&ccedil;&atilde;o  descritiva, mas tamb&eacute;m prevenindo &ndash; Inocula&ccedil;&atilde;o ret&oacute;rica &ndash; a audi&ecirc;ncia relativamente aos Sindicatos  que patenteiam, na luta laboral, &ldquo;orienta&ccedil;&otilde;es oportunistas&rdquo;:</p>     <p>Depois do 25 de Abril, as massas trabalhadoras portuguesas criaram em cada f&aacute;brica, em cada empresa, as suas &ldquo;Comiss&otilde;es de  Trabalhadores&rdquo; constitu&iacute;das por delegados eleitos segundo diversos crit&eacute;rios (por sec&ccedil;&otilde;es, por locais de  trabalho, por profiss&otilde;es, proporcionalmente a um certo n&uacute;mero de trabalhadores).</p>     <p>Essas Comiss&otilde;es desempenharam e continuam a desempenhar um papel fundamental na luta dos trabalhadores e n&atilde;o s&oacute; por  melhores condi&ccedil;&otilde;es econ&oacute;micas [...] mas tamb&eacute;m como afirma&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica independente dos  trabalhadores para a sua participa&ccedil;&atilde;o directa na constru&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica do Estado em todos os seus aspectos  [...]. Mas [...] nenhuma organiza&ccedil;&atilde;o sindical ou pol&iacute;tica [...] obteve &ecirc;xito nas tentativas de travar as lutas das  Comiss&otilde;es [...] nas orienta&ccedil;&otilde;es oportunistas que ensaiaram e levaram &agrave; pr&aacute;tica, a substitui&ccedil;&atilde;o de  Comiss&otilde;es de Trabalhadores por Comiss&otilde;es Sindicais, escolhidas pelos sindicatos e n&atilde;o pelos trabalhadores.</p>     <p>Denota-se tamb&eacute;m uma argumenta&ccedil;&atilde;o que recorre &agrave; maximiza&ccedil;&atilde;o/extremiza&ccedil;&atilde;o quer, pela  positiva, das conquistas das Comiss&otilde;es de Trabalhadores, quer, pela negativa, das &ldquo;orienta&ccedil;&otilde;es oportunistas&rdquo; por  parte de uma denominada &ldquo;burocracia sindical&rdquo;:</p>     <p>&ldquo;As Comiss&otilde;es de trabalhadores resistiram sempre, avan&ccedil;aram na sua luta, ganharam for&ccedil;a em todas as empresas, e  nenhuma burocracia sindical as pode hoje desconhecer.&rdquo;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><i>Artigo de Salgado Zenha &ldquo;Unidade Sindical ou Medo &agrave; Liberdade?&rdquo; &ndash; Di&aacute;rio de Not&iacute;cias, 07/01/1975</i></p>     <p>Referenciando as quest&otilde;es das liberdades &ldquo;sindical&rdquo; e de &ldquo;associa&ccedil;&atilde;o&rdquo;, constantes do Programa do  MFA, ataca, como &ldquo;inconstitucional&rdquo;, a Lei da Unicidade Sindical. A argumenta&ccedil;&atilde;o denota aspectos de  descri&ccedil;&atilde;o de factos (Programa do Movimento das For&ccedil;as Armadas, que prev&ecirc; a liberdade de associa&ccedil;&atilde;o  sindical), mas &eacute; tamb&eacute;m constru&iacute;da sob a forma de confiss&atilde;o de uma tomada de posi&ccedil;&atilde;o relativamente a essa  Lei:</p>     <p>No projecto de lei sindical imp&otilde;e-se uma confedera&ccedil;&atilde;o sindical &uacute;nica. Ora, e salvo respeito pela opini&atilde;o  contr&aacute;ria, considero essa disposi&ccedil;&atilde;o inconstitucional.</p>     <p>Como se sabe, o Programa do Movimento das For&ccedil;as Armadas &eacute; hoje uma verdadeira carta constitucional. E a liberdade de  associa&ccedil;&atilde;o e a liberdade sindical (aspecto particular da liberdade de associa&ccedil;&atilde;o) s&atilde;o violadas se se  imp&otilde;e a unicidade da confedera&ccedil;&atilde;o sindical. Liberdade implica liberdade de escolha e de caminhos. Sem ela, n&atilde;o  h&aacute; liberdade.</p>     <p>Previne-se a audi&ecirc;ncia relativamente &agrave; promulga&ccedil;&atilde;o da Lei (mecanismo de &ldquo;inocula&ccedil;&atilde;o  ret&oacute;rica&rdquo;) relativamente &agrave; imposi&ccedil;&atilde;o pelo Governo de uma Confedera&ccedil;&atilde;o Sindical, evocando o  sindicalismo e a g&eacute;nese da Confedera&ccedil;&atilde;o Sindical existente no per&iacute;odo da Primeira Rep&uacute;blica:</p>     <p>Em Portugal, durante a Rep&uacute;blica, houve apenas uma confedera&ccedil;&atilde;o sindical &ndash; a C.G.T. &ndash; de  inspira&ccedil;&atilde;o fundamentalmente anarco-sindicalista. Ora essa unidade sindical confederativa n&atilde;o foi imposta por [...] decreto.  Resultou da vontade dos trabalhadores.</p>     <p>A quest&atilde;o da &ldquo;liberdade sindical&rdquo; &eacute; repetida recorrendo &agrave;s credenciais de uma Conven&ccedil;&atilde;o da  Organiza&ccedil;&atilde;o Internacional do Trabalho sobre a mesma:</p>     <p>Por iniciativa do Conselho Econ&oacute;mico e Social da O.N.U., a O.I.T. elaborou uma Conven&ccedil;&atilde;o [...] relativa &agrave; liberdade  sindical. [...] Essa conven&ccedil;&atilde;o assegura a liberdade sindical a todos os n&iacute;veis, inclusive o confederal. N&atilde;o podemos  aceitar que em Portugal se negue a liberdade sindical.</p>     <p>Recorre-se tamb&eacute;m ao mecanismo ret&oacute;rico de maximiza&ccedil;&atilde;o/extremiza&ccedil;&atilde;o (&ldquo;atestado de menoridade  passado aos trabalhadores portugueses&rdquo;) para contestar a Lei da Unicidade Sindical, e posteriormente Zenha finda o seu artigo enfatizando de  novo o problema da &ldquo;liberdade sindical&rdquo;, com constru&ccedil;&atilde;o argumentativa sob a forma de confiss&atilde;o:</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A imposi&ccedil;&atilde;o por via administrativa de uma confedera&ccedil;&atilde;o sindical &uacute;nica [...] &eacute; [...] um atestado  de menoridade passado aos trabalhadores portugueses [...].</p>     <p>Por isso eu voto na liberdade sindical. N&atilde;o tenhamos medo da liberdade.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Povo Livre &ndash; 16 de Janeiro de 1975</i></p>     <p>Esta edi&ccedil;&atilde;o especial do &oacute;rg&atilde;o oficial do PPD &eacute; dedicada &agrave; Lei da Unicidade Sindical.</p>     <p>Para efeitos de explana&ccedil;&atilde;o dos conte&uacute;dos argumentativos &ldquo;liberdade sindical&rdquo; <i>versus</i> &ldquo;unicidade  sindical&rdquo;, consideraremos o comunicado do PPD relativamente ao Projecto-Lei da Unicidade Sindical.</p>     <p>Considerada no comunicado do partido sobre a sua posi&ccedil;&atilde;o relativamente ao assunto, est&aacute; considerada logo no pr&oacute;prio  t&iacute;tulo como uma Lei Opressiva &ndash; &ldquo;Unicidade Sindical &eacute; opress&atilde;o quando imposta por Lei&rdquo; &ndash;. O PPD, evoca  de novo o problema das liberdades de Associa&ccedil;&atilde;o e Sindical para contestar essa mesma Lei, sendo os argumentos expostos quer de forma  descritiva quer por confiss&atilde;o da posi&ccedil;&atilde;o do PPD ou, de novo, recorrendo a Credenciais (a Declara&ccedil;&atilde;o Universal  dos Direitos do Homem), tal como se constata na seguinte cita&ccedil;&atilde;o do tal comunicado:</p>     <p>O Programa do MFA n&atilde;o admite duas interpreta&ccedil;&otilde;es quanto ao exacto alcance da express&atilde;o LIBERDADE SINDICAL que nele  cont&eacute;m.</p>     <p>Na verdade, o n&ordm; 5-b) da Divis&atilde;o B disp&otilde;e textualmente: &ldquo;Liberdade de reuni&atilde;o e associa&ccedil;&atilde;o [...].  Em aplica&ccedil;&atilde;o deste princ&iacute;pio [...] ser&aacute; garantida a liberdade sindical [...] &eacute; portanto em  aplica&ccedil;&atilde;o do princ&iacute;pio de liberdade de reuni&atilde;o e asso cia&ccedil;&atilde;o que se afirma garantida a liberdade  sindical, como resulta ali&aacute;s da Declara&ccedil;&atilde;o Universal dos Direitos do Homem [...] sendo a liberdade sindical a express&atilde;o  da liberdade de associa&ccedil;&atilde;o, e sendo esta [...] constante da declara&ccedil;&atilde;o universal dos Direitos do homem (artigos  20&ordm; e 23&ordm;, n&ordm; 4), &eacute; for&ccedil;oso concluir que defender esta liberdade n&atilde;o &eacute; ser  &lsquo;liberalista&rsquo;&rdquo;.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Portugal Socialista &ndash; &ldquo;O Partido Socialista n&atilde;o se deixar&aacute; satelizar&rdquo; &ndash; 17 de Janeiro de 1975</i></p>     <p>Este n&uacute;mero especial do <i>Portugal Socialista</i> relata os discursos proferidos numa manifesta&ccedil;&atilde;o do PS no  Pavilh&atilde;o dos Desportos contra a Lei da Unicidade Sindical no dia 16 de Janeiro de 1975.</p>     <p>Incidiremos a nossa an&aacute;lise sobre os discursos de Ant&oacute;nio Lopes Cardoso e de Salgado Zenha, o primeiro por de novo relevar a  linha sindical &ldquo;basista&rdquo; do PS, o segundo pela import&acirc;ncia do personagem na contra-argumenta&ccedil;&atilde;o &agrave;s  posi&ccedil;&otilde;es defendidas pelo PCP e pela Intersindical.</p>     <p>Lopes Cardoso inicia o seu discurso levantando o problema da &ldquo;liberdade&rdquo;, com um argumento constru&iacute;do sob a forma de  inocula&ccedil;&atilde;o ret&oacute;rica relativamente ao que &ldquo;est&aacute; em causa&rdquo;:</p>     <p>&ldquo;O que est&aacute; em causa neste momento n&atilde;o &eacute; apenas a liberdade e s&oacute; isso bastaria para mobilizarmos todos os  nossos esfor&ccedil;os.&rdquo;</p>     <p>Real&ccedil;ando tamb&eacute;m a causa socialista, o discurso constr&oacute;i-se de novo sob a forma de Inocula&ccedil;&atilde;o  Propagand&iacute;stica explicitando uma dicotomia argumentativa &ndash; trabalhadores como &ldquo;instrumento ao servi&ccedil;o do aparelho do  Estado&rdquo; <i>versus </i>&ldquo;trabalhadores participantes&rdquo; (deduz-se, aut&oacute;nomos) &ndash; &ldquo;na constru&ccedil;&atilde;o do  seu futuro&rdquo;:</p>     <p>O que est&aacute; em causa &eacute; a constru&ccedil;&atilde;o da sociedade socialista em Portugal, &eacute; a edifica&ccedil;&atilde;o de uma  sociedade sem classes em que os trabalhadores n&atilde;o sejam meros instrumentos ao servi&ccedil;o do aparelho do Estado, mas aut&ecirc;nticos  participantes na constru&ccedil;&atilde;o da sua vida e do seu futuro.</p>     <p>A Liberdade aqui explicitada diz respeito ao &ldquo;controlo da classe trabalhadora por uma minoria burocratizada&rdquo; ou por uma  &ldquo;vanguarda&rdquo; dessa mesma classe:</p>     <p>Por isso seremos intransigentes na defesa da liberdade. N&atilde;o da &ldquo;liberdade&rdquo; que perpetua a explora&ccedil;&atilde;o do homem  pelo homem, nem da &ldquo;liberdade&rdquo; que permite o controlo da classe trabalhadora por uma minoria burocratizada que, arvorada em vanguarda  dessa classe a manipula, controla e dirige como entende.</p>     <p>Todo o argumento relativo &agrave; quest&atilde;o da Liberdade &eacute; pois constru&iacute;do sob a forma da confiss&atilde;o de uma tomada de  posi&ccedil;&atilde;o. Como se verifica no par&aacute;grafo seguinte, deseja-se (argumento constru&iacute;do sob a forma de confiss&atilde;o) uma  &ldquo;liberdade&rdquo; em que todos os trabalhadores participem &ldquo;na organiza&ccedil;&atilde;o, direc&ccedil;&atilde;o e funcionamento&rdquo;  dos seus &oacute;rg&atilde;os, e n&atilde;o controlada (subentende-se) pelas referidas &ldquo;minoria burocratizada&rdquo; ou  &ldquo;vanguarda&rdquo;:</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Somos e seremos pela liberdade aut&ecirc;ntica, a liberdade que &eacute; a express&atilde;o de uma sociedade sem classes, a liberdade de todos  os trabalhadores, de todos os cidad&atilde;os participarem, real, efectivamente, na organiza&ccedil;&atilde;o, direc&ccedil;&atilde;o e  funcionamento da colectividade a que pertencem.</p>     <p>Denunciando &ldquo;uma campanha de intoxica&ccedil;&atilde;o&rdquo;, invocam-se as posi&ccedil;&otilde;es que se refutam (unicidade sindical,  pluralismo sindical) e aquelas que se defendem (unidade e liberdades sindicais), numa argumenta&ccedil;&atilde;o que denota uma estrat&eacute;gia  de inocula&ccedil;&atilde;o propagand&iacute;stica: &ldquo;[...] temos assistido, camaradas, nos &uacute;ltimos tempos, a uma verdadeira campanha  de intoxica&ccedil;&atilde;o em que se confunde unicidade sindical com unidade sindical e pluralismo sindical com liberdade sindical.&rdquo;</p>     <p>Lopes Cardoso exp&otilde;e a sua posi&ccedil;&atilde;o sobre o socialismo e a unidade &ndash; que n&atilde;o &ldquo;se imp&otilde;em por  decreto&rdquo; &ndash;, e maximiza/extrema o discurso (&ldquo;aqueles que pretendem impor por decreto&rdquo; a unidade &agrave;s classes  trabalhadoras &ldquo;manifestam por elas um soberano desprezo&rdquo;, questionando &ldquo;quem tem medo do povo&rdquo;, &ldquo;quem tem medo da  classe trabalhadora&rdquo;):</p>     <p>[...] nem o socialismo nem a unidade se imp&otilde;em por decreto e aqueles que pretendem por decreto impor &agrave;s classes trabalhadoras a  &ldquo;unidade&rdquo; manifestam por elas um soberano desprezo, uma profunda desconfian&ccedil;a [...].</p>     <p>Quem tem medo do povo?</p>     <p>Quem tem medo da classe trabalhadora?</p>     <p>N&oacute;s que exigimos que lhe seja reconhecido o direito de livremente decidirem do seu destino? Ou aqueles que tutelarmente pretendem  legislar sobre o futuro?</p>     <p>Responde &agrave; pergunta que enuncia e, atrav&eacute;s do mecanismo de confiss&atilde;o, expressa a posi&ccedil;&atilde;o do seu Partido:</p>     <p>&ldquo;A classe trabalhadora n&atilde;o necessita de tutelas, nem do Estado, nem de qualquer partido.&rdquo;</p>     <p>Justifica a sua afirma&ccedil;&atilde;o, recorrendo de novo a uma vers&atilde;o e a uma vis&atilde;o basistas que enaltece as comiss&otilde;es  de trabalhadores, contra as c&uacute;pulas sindicais (mecanismo da confiss&atilde;o):</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A classe trabalhadora demonstrou-o j&aacute; claramente e a comprov&aacute;-lo est&atilde;o as comiss&otilde;es de trabalhadores livremente  eleitas nas f&aacute;bricas, a comprov&aacute;-lo est&atilde;o as lutas conduzidas pela classe trabalhadora, tantas elas sem o apoio ou contra a  vontade das organiza&ccedil;&otilde;es sindicais existentes, sempre que se t&ecirc;m divorciado das bases ou n&atilde;o t&ecirc;m pretendido  interpretar a vontade dessas bases.</p>     <p>A unidade dos trabalhadores &eacute; real&ccedil;ada em fun&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rias exig&ecirc;ncias, incluindo a  constru&ccedil;&atilde;o do socialismo, mas de novo refuta-se a posi&ccedil;&atilde;o contr&aacute;ria que identifica a unidade com a Lei da  Unicidade Sindical (de novo mecanismo de confiss&atilde;o):</p>     <p>A luta contra os grandes monop&oacute;lios, a luta contra a carestia da vida, a luta contra a sabotagem econ&oacute;mica, s&atilde;o tarefas  inadi&aacute;veis impostas pela pr&oacute;pria consolida&ccedil;&atilde;o da democracia e pela constru&ccedil;&atilde;o do socialismo e essa luta  exige a unidade das classes trabalhadoras, mas &eacute; incompat&iacute;vel com o sindicato &uacute;nico imposto pelo Estado. A menos que se queira  fazer dos sindicatos simples correias de transmiss&atilde;o entre um partido pol&iacute;tico e as massas trabalhadoras, e das lutas nas  f&aacute;bricas, nos campos, nas empresas, meros instrumentos t&aacute;cticos ao servi&ccedil;o da estrat&eacute;gia de um partido  pol&iacute;tico.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Discurso de Salgado Zenha</i></p>     <p>O discurso de Zenha, constru&iacute;do sob a forma de confiss&atilde;o &ndash; &ldquo;fiquei [...] estupefacto&rdquo; &ndash; levanta o  problema da liberdade sindical e de uma unidade dos trabalhadores que, como se ver&aacute; mais &agrave; frente, se pretende de uma &ldquo;unidade  em liberdade&rdquo;:</p>     <p>Eu fiquei, digo-vos, completamente estupefacto com a aud&aacute;cia daquele projecto, tornava-se evidente que era uma trai&ccedil;&atilde;o  &agrave; liberdade sindical, uma trai&ccedil;&atilde;o &agrave; unidade dos trabalhadores, tal como ela &eacute; entendida pelos verdadeiros  democratas e pelos verdadeiros socialistas.</p>     <p>O seguinte trecho do discurso de Zenha, embora se apresente sob a forma de confiss&atilde;o, com a express&atilde;o &ldquo;manietamento da  classe oper&aacute;ria&rdquo;, articula-se com os argumentos do &ldquo;dirigismo&rdquo; das &ldquo;c&uacute;pulas&rdquo; sindicais e da liberdade  dos trabalhadores: &ldquo;Esse projecto espantou-me, n&atilde;o s&oacute; porque nele se imp&otilde;e uma Confedera&ccedil;&atilde;o Sindical  &uacute;nica, como tamb&eacute;m &eacute; imposto um Sindicato &uacute;nico e todo um complexo de disposi&ccedil;&otilde;es que s&atilde;o um  verdadeiro manietamento da classe oper&aacute;ria.&rdquo;</p>     <p>No par&aacute;grafo em baixo, os argumentos apresentam-se sob a forma de inocula&ccedil;&atilde;o propagand&iacute;stica, com a  apresenta&ccedil;&atilde;o expl&iacute;cita pr&eacute;via do ponto de vista oposto &ndash; o Sindicalismo de Estado &ndash; prevenindo-se para  eventuais consequ&ecirc;ncias relativamente &agrave; &ldquo;dignidade da classe trabalhadora&rdquo;:</p>     <p>Por outro lado, a vingar o ponto de vista do sindicalismo de Estado, eu n&atilde;o sei quais as consequ&ecirc;ncias que da&iacute; podem advir  para a dignidade da classe trabalhadora.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No trecho discursivo seguinte &eacute; patente, de novo, o mecanismo de inocula&ccedil;&atilde;o propagand&iacute;stica, com  apresenta&ccedil;&atilde;o expl&iacute;cita pr&eacute;via do poder da Intersindical <i>versus</i> as consequ&ecirc;ncias para os trabalhadores:</p>     <p>Neste momento a Secretaria de Estado est&aacute; nas m&atilde;os da Intersindical. Por outro lado, o Fundo de Desemprego [...] passou para o  Minist&eacute;rio do trabalho [...] Eu pergunto se amanh&atilde; ser&aacute; exigido a um trabalhador que, para beneficiar do Fundo de Desemprego,  se filie na Intersindical!</p>     <p>Patenteando a necessidade de serenidade &ndash; mecanismo de distanciamento &ndash;, Zenha &ldquo;confessa&rdquo; que contudo &ldquo;a  paci&ecirc;ncia esgotou-se&rdquo;, procede seguidamente por inocula&ccedil;&atilde;o ret&oacute;rica invocando o &ldquo;futuro do Povo  Portugu&ecirc;s&rdquo; e das esquerdas que n&atilde;o estar&atilde;o dispostas a serem &ldquo;tuteladas pelos salvadores da classe  oper&aacute;ria&rdquo; (numa refer&ecirc;ncia ao PCP e &agrave; Intersindical, e respectivos aliados), prevenindo implicitamente para os efeitos da  promulga&ccedil;&atilde;o da Lei da Unicidade Sindical:</p>     <p>Fa&ccedil;o aqui uma paragem. Eu pe&ccedil;o aos camaradas para me ouvirem com serenidade. N&oacute;s n&atilde;o estamos aqui para atacar  ningu&eacute;m [...] mas a paci&ecirc;ncia esgotou-se e n&oacute;s resolvemos sair do sil&ecirc;ncio porque entendemos que neste momento n&atilde;o  &eacute; o futuro do Partido Socialista que est&aacute; em jogo, &eacute; o futuro do Povo Portugu&ecirc;s. &Eacute; o futuro de todas as correntes  pol&iacute;ticas de esquerda ou de todas as correntes sindicais de esquerda que n&atilde;o est&atilde;o na disposi&ccedil;&atilde;o de serem  tuteladas pelos salvadores da classe oper&aacute;ria e do Povo Portugu&ecirc;s.</p>     <p>O discurso de Zenha repete o argumento que os trabalhadores n&atilde;o ser&atilde;o propriedade de uma &ldquo;corrente salvadora&rdquo;, de um  partido, do Estado, enfim de &ldquo;c&uacute;pulas&rdquo; dirigistas:</p>     <p>A classe oper&aacute;ria n&atilde;o &eacute; propriedade de nenhum partido, n&atilde;o &eacute; propriedade de nenhum Estado, n&atilde;o  &eacute; propriedade de qualquer corrente salvadora, ela sabe governar-se e dirigir-se a si pr&oacute;pria e n&atilde;o precisa de ser manipulada  nem por elite nem por c&uacute;pulas neodirigistas.</p>     <p>Recorre-se a credenciais &ndash; &ldquo;os fascistas n&atilde;o nos partiram os dentes&rdquo; &ndash; para prevenir implicitamente para uma  Liberdade que come&ccedil;a a estar em causa (mecanismo de inocula&ccedil;&atilde;o ret&oacute;rica):</p>     <p>Os fascistas n&atilde;o nos partiram os dentes e em democracia muito menos ser&aacute; f&aacute;cil chegar-se a esse objectivo. Mas isso mostra  que o problema da liberdade em Portugal come&ccedil;a a ser um problema. A liberdade n&atilde;o &eacute; para alguns &eacute; para todos os  portugueses.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Entrevista a S&aacute;-Carneiro &ndash; &ldquo;Social-democracia n&atilde;o mant&eacute;m sistema capitalista&rdquo; &ndash; A Capital, 21 de  Janeiro de 1975</i></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Referindo-se especificamente &agrave; Lei da Unicidade Sindical, recorre ao mecanismo confessional quanto &agrave; quest&atilde;o da  representatividade dos trabalhadores pelos partidos pol&iacute;ticos, seguido do mecanismo de Inocula&ccedil;&atilde;o Propagand&iacute;stica  relativamente a posi&ccedil;&otilde;es vanguardistas relativamente &agrave; &ldquo;classe trabalhadora&rdquo;:</p>     <p>&ldquo;[...] rejeito totalmente a ideia do partido de &lsquo;elite&rsquo;, condutor de massas pouco esclarecidas ou manipuladas [...] O PPD  ali&aacute;s nunca se arvorou em vanguarda de quem quer.&rdquo;</p>     <p>A &ldquo;liberdade&rdquo; e a &ldquo;democracia&rdquo; <i>versus</i> a Lei da Unicidade Sindical, &eacute; relevada sob a forma ret&oacute;rica  da confiss&atilde;o:</p>     <p>A imposi&ccedil;&atilde;o por via legal da unicidade sindical j&aacute; mereceu in&uacute;meros comunicados nossos [...] a unicidade imposta  n&atilde;o foi escolhida por todos os trabalhadores [...] as manifesta&ccedil;&otilde;es de massa [...] p&otilde;em sempre em causa a realidade dos  processos democr&aacute;ticos. O PPD continua e continuar&aacute; a defender a unidade na liberdade; a democracia e os direitos do homem.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Alavanca, 9 de Dezembro de 1974 &ndash; &ldquo;Unidade, a vontade dos trabalhadores&rdquo;</i></p>     <p>Reproduzindo um texto da Intersindical, de 30 de Novembro de 1974, toma-se partido de um sindicalismo de classe:</p>     <p>A unidade do movimento sindical portugu&ecirc;s n&atilde;o &eacute; apenas uma tradi&ccedil;&atilde;o. &Eacute; uma necessidade  hist&oacute;rica. Para a defesa e fortalecimento da unidade sindical a consagra&ccedil;&atilde;o legal da unicidade ser&aacute; um contributo  apreci&aacute;vel. Para a defesa e fortalecimento da liberdade democr&aacute;tica &ndash; a &uacute;nica que pode servir os interesses dos  trabalhadores &ndash; a consagra&ccedil;&atilde;o da unicidade, juntamente com os princ&iacute;pios da independ&ecirc;ncia, autonomia e  democraticidade da organiza&ccedil;&atilde;o e com a consagra&ccedil;&atilde;o do direito de ac&ccedil;&atilde;o sindical na empresa e a  protec&ccedil;&atilde;o legal de dirigentes e delegados sindicais, permitir&aacute; construir um movimento sindical possante ao servi&ccedil;o da  Classe Trabalhadora, do Povo Portugu&ecirc;s e do Pa&iacute;s.</p>     <p>Recorrendo ao mecanismo de inocula&ccedil;&atilde;o propagand&iacute;stica, com apresenta&ccedil;&atilde;o pr&eacute;via do argumento que se  pretende refutar &ndash; o &ldquo;pluralismo sindical&rdquo; aqui identificado com poss&iacute;veis &ldquo;divis&otilde;es&rdquo; entre os  trabalhadores &ndash;, conclui-se pela desej&aacute;vel &ldquo;unidade de classe&rdquo;, associando-a &agrave; &ldquo;unicidade&rdquo; sindical:  &ldquo;[...] os trabalhadores portugueses, independentemente da sua actividade profissional, n&atilde;o querem divis&otilde;es e desejam defender  uma das maiores aquisi&ccedil;&otilde;es da luta sob o fascismo &ndash; a sua unidade de classe, a unicidade do seu movimento sindical.&rdquo;</p>     <p>Com a apresenta&ccedil;&atilde;o expl&iacute;cita de dois argumentos opostos, sendo o primeiro o que se pretende refutar  (Inocula&ccedil;&atilde;o Propagand&iacute;stica) &ndash; &ldquo;brechas na unidade&rdquo;, &ldquo;sindicatos paralelos&rdquo; que se  &ldquo;combateram e combatem&rdquo; &ndash; e com extremiza&ccedil;&atilde;o de argumentos (&ldquo;tentativas oportunistas de fazer dos sindicatos  um meio de influ&ecirc;ncia ao servi&ccedil;o de valores alheios&rdquo;), apela-se ao sindicalismo unit&aacute;rio:</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Impedindo a abertura de brechas na unidade, os trabalhadores portugueses n&atilde;o constitu&iacute;ram um &uacute;nico sindicato paralelo,  antes combateram e combatem quaisquer tentativas oportunistas de fazer dos Sindicatos um meio de influ&ecirc;ncia ao servi&ccedil;o de valores  alheios, sen&atilde;o contr&aacute;rios aos interesses dos trabalhadores.</p>     <p>Inocula-se a audi&ecirc;ncia (inocula&ccedil;&atilde;o propagand&iacute;stica), relativamente ao pluralismo sindical ser consagrado na Lei  &ldquo;a coberto de um conceito abstracto de liberdade&rdquo; &ndash; o argumento pr&oacute;prio &eacute; que se n&atilde;o deseja uma liberdade  &ldquo;em abstracto&rdquo;, mas como se ver&aacute; uma &ldquo;liberdade real&rdquo; da classe trabalhadora: &ldquo;O Secretariado da  Intersindical, no documento aprovado no Plen&aacute;rio de s&aacute;bado passado aponta tamb&eacute;m para os perigos reais, para o movimento dos  trabalhadores portugueses, da hip&oacute;tese do direito ao pluralismo vir a ser reconhecido na Lei, a coberto de um conceito abstracto de  liberdade.&rdquo;</p>     <p>O pluralismo sindical &eacute; identificado com &ldquo;divis&atilde;o&rdquo;, num argumento constru&iacute;do sob a forma de confiss&atilde;o da  posi&ccedil;&atilde;o da Intersindical:</p>     <p>O decurso do tempo veio a provar que os trabalhadores n&atilde;o podiam confiar apenas na sua vontade de unidade. Pelos interesses de uns e a  incompreens&atilde;o de outros, come&ccedil;aram a surgir posi&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas de for&ccedil;as externas aos trabalhadores  procurando dividir o movimento sindical difundindo o pluralismo da organiza&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>&Eacute; face &agrave;quela divis&atilde;o, que &eacute; identificada com o pluralismo sindical, que se justifica (argumento sob a forma de  confiss&atilde;o) a proposta da Lei da unicidade Sindical, tendo em conta um sindicalismo de classe e no seio da luta de classes, contra o  &ldquo;pluralismo sindical&rdquo;, denunciado como &ldquo;contrafac&ccedil;&atilde;o de Sindicatos&rdquo;:</p>     <p>Ora foi em face dessas tentativas de divis&atilde;o do seu movimento sindical por for&ccedil;as que lhe s&atilde;o estranhas que os  trabalhadores, atrav&eacute;s dos seus Sindicatos, federa&ccedil;&otilde;es e da Intersindical, puseram claramente o problema da  consagra&ccedil;&atilde;o legal do princ&iacute;pio da unicidade. Porque compreenderam que os trabalhadores n&atilde;o se encontram s&oacute;s,  antes enfrentam os seus pr&oacute;prios inimigos de classe &ndash; aqueles que os t&ecirc;m explorado e continuam a explorar [...]. Compreendendo  isto, os trabalhadores tinham o direito, e os dirigentes sindicais o dever, de reclamar que a Lei negasse o pluralismo sindical &ndash; pluralismo  esse que &eacute; hoje a &uacute;nica forma de esses advers&aacute;rios da classe trabalhadora fazerem surgir a sua contrafac&ccedil;&atilde;o de  Sindicatos.</p>     <p>A liberdade entendida como &ldquo;liberdade de classe&rdquo; (contra uma &ldquo;liberdade em abstracto&rdquo; e o &ldquo;liberalismo&rdquo;) e o  sindicalismo de classe s&atilde;o explicitados na seguinte tomada de posi&ccedil;&atilde;o da Intersindical (mecanismo da confiss&atilde;o):</p>     <p>A liberdade n&atilde;o &eacute; um conceito abstracto. A liberdade tem um conte&uacute;do de classe [...]. Temos de distinguir a liberdade do  liberalismo [...]. Temos de escolher [...] contra a opress&atilde;o e pela liberdade: Entre as liberdades fundamentais dos trabalhadores conta-se a  liberdade sindical [...]. O direito ao sindicato &eacute; um direito de raiz colectiva, um direito de classe. Um direito que a classe deve dispor  no seu conjunto.</p>     <p>Construindo o argument&aacute;rio, de novo, sob a forma de inocula&ccedil;&atilde;o propagand&iacute;stica, refuta-se, com base na vis&atilde;o  classicista do sindicalismo e dos partidos pol&iacute;ticos, o pluralismo sindical: &ldquo;Alguns defendem o pluralismo sindical por  semelhan&ccedil;a ao pluralismo pol&iacute;tico [...] o pluripartidarismo tem como justifica&ccedil;&atilde;o, exactamente a exist&ecirc;ncia de  classes sociais [...] ao movimento sindical n&atilde;o corresponde [...] o pluralismo organizacional.&rdquo;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Nota da Comiss&atilde;o Pol&iacute;tica do Comit&eacute; Central do PCP (14/01/75)</i></p>     <p>Recorrendo &agrave; descri&ccedil;&atilde;o de factos, previne-se implicitamente (inocula&ccedil;&atilde;o ret&oacute;rica) a audi&ecirc;ncia  contra posi&ccedil;&otilde;es contr&aacute;rias &agrave; Lei da unicidade sindical: &ldquo;A unicidade sindical foi amplamente discutida pelas  massas trabalhadoras. Ningu&eacute;m de boa f&eacute; pode contestar a esmagadora aprova&ccedil;&atilde;o que lhe foi dada.&rdquo;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Carlos Carvalhas &ndash; &ldquo;Deve respeitar-se a vontade dos trabalhadores&rdquo; &ndash; Di&aacute;rio de Not&iacute;cias, 13 de Janeiro  de 1975</i></p>     <p>Ainda recorrendo &agrave; descri&ccedil;&atilde;o do articulado da Lei, previne-se a audi&ecirc;ncia, posteriormente, contra o pluralismo  sindical, denunciado como divis&atilde;o dos trabalhadores em prole do grande capital, ou sindicalismo partid&aacute;rio (inocula&ccedil;&atilde;o  Ret&oacute;rica):</p>     <p>Pretende-se tamb&eacute;m sindicatos independentes das organiza&ccedil;&otilde;es patronais e dos partidos pol&iacute;ticos e talvez seja aqui  que se ponha o dedo na ferida. O grande capital est&aacute; interessado na divis&atilde;o dos trabalhadores e certos partidos pol&iacute;ticos com  pouca inser&ccedil;&atilde;o na classe trabalhadora est&atilde;o tamb&eacute;m interessados no pluralismo sindical para formarem os seus  pr&oacute;prios sindicatos partid&aacute;rios.</p>     <p>Procedendo por inocula&ccedil;&atilde;o ret&oacute;rica &ndash; &ldquo;os trabalhadores portugueses sabem&rdquo; &ndash;, justifica a lei (com  argumenta&ccedil;&atilde;o por confiss&atilde;o) da unicidade sindical face ao perigo do divisionismo. Previne a audi&ecirc;ncia para uma certa  &ldquo;liberdade abstracta&rdquo;, liberdade essa pressupostamente evocada pelo discurso da parte opositora:</p>     <p>Os trabalhadores portugueses sabem que, para al&eacute;m da cor, da religi&atilde;o e do partido pol&iacute;tico de cada um, h&aacute; um elo  fundamental que os une &ndash; o viverem principalmente da sua for&ccedil;a de trabalho [...]. Sabem tamb&eacute;m que [...] sem uma lei que  consubstancie a unicidade [...] seriam presa f&aacute;cil das organiza&ccedil;&otilde;es patronais ou dos partidarismos pol&iacute;ticos que [...]  arranjariam pretextos para a divis&atilde;o ou os enfraqueceriam na sua luta principal [...] lutam pela liberdade real e n&atilde;o pela liberdade  abstracta [...] n&atilde;o esqueceram dos preju&iacute;zos causados &agrave; luta oper&aacute;ria pelas divis&otilde;es de que foram  v&iacute;timas.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Avante, 16 de Janeiro de 1975 &ndash; &ldquo;A Li&ccedil;&atilde;o de 14 de Janeiro&rdquo; (Editorial)</i></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Uma manifesta&ccedil;&atilde;o da Intersindical a 14 de Janeiro &eacute; retoricamente maximizada e apresentada como o &ldquo;argumento mais  poderoso e significativo&rdquo; do referido &ldquo;movimento popular&rdquo;:</p>     <p>A grandiosa manifesta&ccedil;&atilde;o popular organizada pela Intersindical, apoiada pelo PCP, o MDP e o MES e ainda pelo MDM, o MJT e a UEC e  sectores de outros quadrantes pol&iacute;ticos &eacute; o argumento mais poderoso e significativo contra aqueles que n&atilde;o est&atilde;o  verdadeiramente interessados no refor&ccedil;o e dinamiza&ccedil;&atilde;o da componente popular do nosso processo democr&aacute;tico.</p>     <p>Os argumentos da posi&ccedil;&atilde;o opositora &ndash; que referenciavam os sindicatos como c&uacute;pulas, ou apelavam para liberdade em  causa &ndash; s&atilde;o rebatidos com os resultados da consulta aos trabalhadores (Inocula&ccedil;&atilde;o propagand&iacute;stica),  apresentando-se a Intersindical como um &oacute;rg&atilde;o de classe, defendendo-se um sindicalismo de classe:</p>     <p>Procura-se instilar aos olhos de observadores externos a ideia de que o princ&iacute;pio da unicidade sindical&eacute; uma iniciativa de  c&uacute;pula, alheia [...] &agrave; decis&atilde;o das massas.</p>     <p>A resposta dos trabalhadores &eacute; elucidativa [...] A unicidade sindical n&atilde;o &eacute; contr&aacute;ria [...] &agrave;s  liberdadesdemocr&aacute;ticas fundamentais nem ao princ&iacute;pio b&aacute;sico da unidade sindical. Quer dizer: uma  s&oacute;Confedera&ccedil;&atilde;o Sindical, que exprima a unidade e liberdade da organiza&ccedil;&atilde;o de classe.</p>     <p>H&aacute; for&ccedil;as e pessoas que continuam arreigadas a conceitos e legalidades cuja raiz de classe n&atilde;o &eacute; dos  trabalhadores.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Alavanca, 17 de Janeiro 1975 &ndash; &ldquo;A grande Manifesta&ccedil;&atilde;o da Intersindical: Quem tem medo do Povo?&rdquo;</i></p>     <p>Not&iacute;cia relativa &agrave; manifesta&ccedil;&atilde;o de 14 de Janeiro de 1975 convocada pela Intersindical, em apoio &agrave; Lei da  Unicidade Sindical, que viria a ser promulgada pelo Governo Provis&oacute;rio no dia 21 subsequente.</p>     <p>Noticia a manifesta&ccedil;&atilde;o de novo maximizando o acontecimento. Aborda o problema da liberdade de novo &ndash; a &ldquo;liberdade  aut&ecirc;ntica&rdquo; por que lutavam os trabalhadores &ndash; por contraponto &agrave; liberdade e democracia &ldquo;formais&rdquo;:</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>[...] trabalhadores portugueses que lutam pela democracia aut&ecirc;ntica e pela liberdade aut&ecirc;ntica &ndash; n&atilde;o pela liberdade e  democracia formais que d&atilde;o aos exploradores, directa ou indirectamente, o poder econ&oacute;mico, isto &eacute; a liberdade de continuarem  explorando e de se apoderarem novamente do poder pol&iacute;tico.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Discurso de Carlos Carvalho (Dirigente Sindical, Secretariado da Intersindical)</i></p>     <p>O dirigente da Intersindical inicia o seu discurso destrin&ccedil;ando o que entende a Intersindical por liberdade sindical &ndash; associada a  um sindicalismo de classe &ndash; por oposi&ccedil;&atilde;o ao pluralismo sindical.</p>     <p>Sob a forma de confiss&atilde;o, explana de novo o que entende a intersindical por &ldquo;liberdade sindical&rdquo; &ndash; associada a um  sindicalismo de classe &ndash; por oposi&ccedil;&atilde;o ao &ldquo;pluralismo sindical&rdquo;:</p>     <p>[...] todos n&oacute;s j&aacute; nos pronunci&aacute;mos de forma decisiva e firme sobre o que entendemos por liberdade sindical,  princ&iacute;pio que desejamos consagrado na Lei. Para n&oacute;s, trabalhadores, por liberdade sindical &eacute; uma express&atilde;o que, por  natureza, se op&otilde;e ao pluralismo sindical. Para n&oacute;s [...] liberdade sindical significa a possibilidade de constituirmos os nossos  pr&oacute;prios e aut&oacute;nomos organismos de classe que defendam os nossos interesses colectivos. [...] significa impossibilidade de  divis&atilde;o do movimento sindical porque n&oacute;s trabalhadores n&atilde;o queremos.</p>     <p>Identifica aquele pluralismo sindical com &ldquo;divis&atilde;o sindical&rdquo;, que interessar&aacute; ao &ldquo;grande capital  monopolista&rdquo;:</p>     <p>N&atilde;o queremos a divis&atilde;o sindical porque sabemos muito bem quem est&aacute; por tr&aacute;s destas manobras. Sabemos que &eacute; ao  patronato, principalmente o grande capital monopolista e latifundista, que interessa o enfraquecimento do movimento sindical atrav&eacute;s da sua  divis&atilde;o. Como manifestaram atrav&eacute;s das suas tomadas de posi&ccedil;&atilde;o p&uacute;blicas, os benefici&aacute;rios e privilegiados  da sociedade burguesa est&atilde;o contra n&oacute;s: querem desrespeitar a nossa vontade, menosprezam os nossos interesses, querem ser eles a  decidir nas nossas costas e contra a nossa vontade.</p>     <p>Sob a forma de argumenta&ccedil;&atilde;o por confiss&atilde;o, refuta o &ldquo;pluralismo sindical&rdquo;, de novo identificado com  divisionismo: &ldquo;Estamos aqui mais uma vez para afirmarmos que s&oacute; a proibi&ccedil;&atilde;o do pluralismo sindical defende os nossos  interesses, porque impede que entre n&oacute;s outros venham semear divis&otilde;es&rdquo;.</p>     <p>A &ldquo;liberdade sindical&rdquo; &eacute; evocada, para, seguidamente se apresentar um contra-argumento pr&oacute;prio com uma unidade  discursiva constru&iacute;da sob a forma de apresenta&ccedil;&atilde;o expl&iacute;cita do argumento oposto e do argumento pr&oacute;prio &ndash;  Inocula&ccedil;&atilde;o Propagand&iacute;stica:</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A experi&ecirc;ncia hist&oacute;rica demonstra claramente que onde a liberdade sindical &eacute; interpretada como consecu&ccedil;&atilde;o da  faculdade de criar sindicatos paralelos, isso sucede por interesses estranhos a n&oacute;s trabalhadores e &eacute; contra n&oacute;s utilizado.</p>     <p>De novo sob a forma de inocula&ccedil;&atilde;o propagand&iacute;stica, associa-se o pluralismo sindical &agrave; &ldquo;divis&atilde;o&rdquo;,  para se exigir a Lei da Unicidade Sindical:</p>     <p>N&atilde;o temos d&uacute;vidas de que aqueles que entre n&oacute;s defendem o pluralismo sindical, se a sua tese vencesse, tentariam  amanh&atilde; aproveitar-se desse facto para nos dividir, e melhor nos explorar. E &eacute; porque temos consci&ecirc;ncia disso que aqui vimos  refor&ccedil;ar a posi&ccedil;&atilde;o por n&oacute;s j&aacute; assumida, de exig&ecirc;ncia, de que a unidade e a unicidade sindical venham  expressamente consagradas na lei.</p>     <p>Carlos Carvalho termina o seu discurso de forma confessional associando a Lei da Unicidade Sindical com uma forma de sindicalismo de classe:  &ldquo;S&oacute; a unidade sindical na lei permite a defesa consequente dos interesses de classe dos trabalhadores.&rdquo;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Avante &ndash; &ldquo;Pol&iacute;tica clara e transparente&rdquo; &ndash; 23 de Janeiro de 1975</i></p>     <p>Referenciando argumentos do PS relativos &agrave; quest&atilde;o da liberdade, procede por inocula&ccedil;&atilde;o com  apresenta&ccedil;&atilde;o expl&iacute;cita de dois argumentos (Inocula&ccedil;&atilde;o Propagand&iacute;stica):</p>     <p>Este problema das elei&ccedil;&otilde;es entronca num outro que mais uma vez tem sido insidiosamente avan&ccedil;ado pelo PS &ndash; o do  &ldquo;partido &uacute;nico&rdquo;... Insinua-se que o PCP prepara um &ldquo;golpe&rdquo; para impedir as elei&ccedil;&otilde;es e instaurar um  regime de &ldquo;partido &uacute;nico&rdquo;. N&atilde;o ser&aacute; um pouco a t&eacute;cnica do &ldquo;agarra, que &eacute; ladr&atilde;o&rdquo;?  Todos o sabem &ndash; e o PS sabe-o muito bem &ndash; que o PCP sempre defendeu um Estado democr&aacute;tico com amplas liberdades, com livre  actua&ccedil;&atilde;o dos partidos, que sempre defendeu a unidade n&atilde;o s&oacute; para hoje como para amanh&atilde;, o que resulta afinal de  uma situa&ccedil;&atilde;o social objectiva.</p>     <p>Com um argumento apresentado como confiss&atilde;o de tomada de posi&ccedil;&atilde;o, refuta-se o &ldquo;pluralismo sindical&rdquo;,  referenciando-se de novo o enquadramento dos Sindicatos no &acirc;mbito classicista:</p>     <p>O pluralismo sindical levar&aacute; &agrave; cria&ccedil;&atilde;o de sindicatos concorrentes, cada qual com uma vida interna subordinada a uma  tend&ecirc;ncia partid&aacute;ria [...] onde o verdadeiro esp&iacute;rito de classe seria abafado pelo esp&iacute;rito de seita animadora do  pr&oacute;prio sindicato.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Evoca-se o argumento a que o PS e o PPD aludem &ndash; a &ldquo;liberdade sindical&rdquo; &ndash; para reafirmar o argumento do PCP e da  Intersindical &ndash; a Unicidade. Trata-se portanto do recurso ao mecanismo de inocula&ccedil;&atilde;o com apresenta&ccedil;&atilde;o  expl&iacute;cita do argumento contr&aacute;rio e do contra-argumento &ndash; Inocula&ccedil;&atilde;o Propagand&iacute;stica. Reafirma-se que o que  est&aacute; em causa &eacute; a independ&ecirc;ncia &ldquo;de classe&rdquo; para refutar de novo o &ldquo;pluralismo sindical&rdquo;:</p>     <p>A liberdade sindical s&oacute; pode ser assegurada pela unicidade. O essencial da independ&ecirc;ncia sindical &eacute; a independ&ecirc;ncia de  classe, a independ&ecirc;ncia na luta contra a explora&ccedil;&atilde;o e em defesa dos interesses dos trabalhadores. O pluralismo sindical  significaria o dom&iacute;nio absoluto dos sindicatos por partidos, por grupos de caciques profissionais ou pelo pr&oacute;prio patronato.</p>     <p>Adopta-se a posi&ccedil;&atilde;o a favor da unicidade, ligando-a a uma perspectiva de sindicalismo classicista, e, recorrendo &agrave;  inocula&ccedil;&atilde;o com apresenta&ccedil;&atilde;o de argumento e contra-argumento expl&iacute;citos, de novo se refuta o &ldquo;pluralismo  sindical&rdquo;:</p>     <p>Nas condi&ccedil;&otilde;es concretas existentes em Portugal a independ&ecirc;ncia dos sindicatos s&oacute; pode ser assegurada pela  unicidade.</p>     <p>A unidade sindical &eacute; uma das mais fortes express&otilde;es da unidade da classe oper&aacute;ria, condi&ccedil;&atilde;o de defesa  efectiva dos seus interesses vitais.</p>     <p>Por outro lado, o pluralismo sindical seria um obst&aacute;culo real ao processo democr&aacute;tico (confiss&atilde;o).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Discuss&atilde;o</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Polaridades ideol&oacute;gicas</i></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Quanto aos conte&uacute;dos argumentativos, a t&oacute;nica dilem&aacute;tica do discurso PS (ver <a href="#q1">Quadro 1</a>) coloca-se entre  uma concep&ccedil;&atilde;o da organiza&ccedil;&atilde;o laboral basista (com &ecirc;nfase nas Comiss&otilde;es de Trabalhadores) &ndash; uma  posi&ccedil;&atilde;o &ldquo;conselhista&rdquo; quanto &agrave;s formas de organiza&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores, que ali&aacute;s teve  express&atilde;o forte logo em 1974, ap&oacute;s o derrube da ditadura, de acordo com Varela (2014) &ndash; <i>versus</i> o  &ldquo;autoritarismo&rdquo; das &ldquo;c&uacute;pulas sindicais&rdquo; (&ldquo;alheadas&rdquo; dos interesses das bases):</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="q1"></a></p>     <p><img src="/img/revistas/aps/v35n3/35n3a02q1.jpg" width="575" height="78"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>No discurso do PPD (ver <a href="#q2">Quadro 2</a>), a t&oacute;nica dilem&aacute;tica coloca-se entre a liberdade sindical e a  imposi&ccedil;&atilde;o vertical (por Lei) da unicidade sindical, que se repudia em favor do pluralismo sindical, recorrendo para refor&ccedil;o  deste &uacute;ltimo argumento &agrave;s credenciais de organiza&ccedil;&otilde;es Internacionais e &agrave; letra do programa do MFA:</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="q2"></a></p>     <p><img src="/img/revistas/aps/v35n3/35n3a02q2.jpg" width="580" height="81"></p>     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Finalmente, as polaridades ideol&oacute;gicas que se expressam no discurso da Intersindical e do PCP (ver <a href="#q3">Quadro 3</a>) colocam-se  entre, por um lado, um pluralismo sindical que se repudia, pois corresponderia &agrave; divis&atilde;o da classe trabalhadora, bem como uma  &ldquo;liberdade em abstracto&rdquo; e, por outro lado, a unicidade sindical como express&atilde;o da unidade da classe trabalhadora, da sua  &ldquo;liberdade real&rdquo;, e uma vis&atilde;o classicista das organiza&ccedil;&otilde;es sindicais:</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="q3"></a></p>     <p><img src="/img/revistas/aps/v35n3/35n3a02q3.jpg" width="580" height="112"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Examinando estas polaridades ideol&oacute;gicas ou dicotomias argumentativas, bem como os conte&uacute;dos dos discursos analisados, pode  concluir-se que o PCP e a Intersindical defendiam uma concep&ccedil;&atilde;o de Sindicalismo de Classe no que respeita &agrave;  organiza&ccedil;&atilde;o laboral em Portugal. O PS valorizava uma posi&ccedil;&atilde;o basista relativamente &agrave;s formas de  organiza&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores, salientando o papel das comiss&otilde;es de trabalhadores, conceptualizando a constru&ccedil;&atilde;o  de sindicatos &ldquo;de acordo com o estado das rela&ccedil;&otilde;es de produ&ccedil;&atilde;o&rdquo; (<i>vide</i> entrevista a Marcelo Curto).  Finalmente o PPD, recorrendo a credenciais, prop&otilde;e &agrave; &eacute;poca o pluralismo sindical, que associa ao tema da liberdade  sindical.</p>     <p>N&atilde;o menosprezando a pertin&ecirc;ncia temporal e intr&iacute;nseca destas posi&ccedil;&otilde;es pol&iacute;tico-ideol&oacute;gicas sobre  as formas de organiza&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores, e &agrave; luz das interpreta&ccedil;&otilde;es de v&aacute;rios historiadores que  resumimos em trabalho precedente (cf. Amaral, 2014), &eacute; poss&iacute;vel hipotetizar que estas posi&ccedil;&otilde;es se prendam tamb&eacute;m  com as rela&ccedil;&otilde;es de for&ccedil;a e o peso pol&iacute;tico dos partidos do Governo Provis&oacute;rio, em v&eacute;speras das  elei&ccedil;&otilde;es para a assembleia constituinte, que se realizariam a 25 de Abril de 1975. Ao peso do PCP (e da Intersindical) no seio da  classe trabalhadora (que n&atilde;o teria correspond&ecirc;ncia ao seu peso eleitoral, como se verificou nas elei&ccedil;&otilde;es),  contrapunha-se a fraca penetra&ccedil;&atilde;o do PS no meio oper&aacute;rio e nas organiza&ccedil;&otilde;es sindicais &ndash; que o ter&aacute;  levado a enfatizar desde cedo o papel das Comiss&otilde;es de trabalhadores &ndash; assim como do PPD, que preconizava desde 1974 o pluralismo a  todos os n&iacute;veis sindicais, incluindo o confederal.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Mecanismos comunicativos sobre a quest&atilde;o da Unicidade Sindical e hip&oacute;teses das rela&ccedil;&otilde;es no &acirc;mbito do modelo  dial&oacute;gico de Markov&aacute;</i></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Articula&ccedil;&atilde;o entre fun&ccedil;&otilde;es e conte&uacute;dos dos mecanismo comunicativos</i></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>PS: O PS recorre ao mecanismo da confiss&atilde;o da tomada de posi&ccedil;&atilde;o que reivindica um sindicalismo de bases e a liberdade  sindical. Tamb&eacute;m se serve da Inocula&ccedil;&atilde;o Ret&oacute;rica para prevenir n&atilde;o s&oacute; para a vontade das bases  &ldquo;divorciadas das c&uacute;pulas&rdquo;, para, exactamente, a relev&acirc;ncia &agrave; &eacute;poca das comiss&otilde;es de trabalhadores,  bem como para o problema da liberdade sindical posta em causa com a promulga&ccedil;&atilde;o da Lei, ou no caso dos discursos de Zenha para o  problema da Liberdade em geral.</p>     <p>Os conte&uacute;dos veiculados por este tipo de inocula&ccedil;&atilde;o ret&oacute;rica, s&atilde;o tamb&eacute;m evocados, das poucas vezes  que o PS recorre Propagand&iacute;stica, precisamente para Inocular a Audi&ecirc;ncia para um Sindicalismo de Aparelho <i>versus</i> um  sindicalismo de bases.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>PPD: Procede por inocula&ccedil;&atilde;o ret&oacute;rica para prevenir a amputa&ccedil;&atilde;o da Liberdade Sindical, com a  promulga&ccedil;&atilde;o da Lei. Recorre a credenciais (Programa do MFA, OIT, Declara&ccedil;&atilde;o dos Direitos Humanos) para enfatizar a  necessidade de liberdade sindical. Utiliza a confiss&atilde;o a favor da liberdade de associa&ccedil;&atilde;o sindical. A &uacute;nica vez em que  a inocula&ccedil;&atilde;o propagand&iacute;stica &eacute; utilizada &eacute;-o por S&aacute;-Carneiro na entrevista ao jornal <i>A Capital</i>,  inoculando para uma pseudo-superioridade &ldquo;de vanguardas esclarecidas&rdquo;.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>PCP e Intersindical: Recorre &agrave; maximiza&ccedil;&atilde;o e ao mecanismo de descri&ccedil;&atilde;o dos resultados da consulta aos  trabalhadores, cuja &ldquo;esmagadora maioria&rdquo; tinha aprovado o princ&iacute;pio da Unicidade Sindical. Ocorre tamb&eacute;m &agrave;  maximiza&ccedil;&atilde;o da manifesta&ccedil;&atilde;o da Intersindical de 14 de Janeiro (do n&uacute;mero de manifestantes e das  organiza&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas e sindicais envolvidas) (<a href="#f2">Figura 2</a>).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="f2"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><img src="/img/revistas/aps/v35n3/35n3a02f2.jpg" width="579" height="273"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>O mecanismo de Inocula&ccedil;&atilde;o Propagand&iacute;stica &eacute; muito evidente nestas duas forma&ccedil;&otilde;es: h&aacute; uma  repeti&ccedil;&atilde;o comunicativa muito consistente assim como homogeneidade de conte&uacute;dos discursivas pr&oacute;-Lei Unicidade Sindical  nos &oacute;rg&atilde;os oficiais das duas organiza&ccedil;&otilde;es (<i>Avante</i> e <i>Alavanca</i>): o argumento contr&aacute;rio que se  pretende denunciar, que &eacute; explicitamente enunciado &eacute; o da liberdade sindical entendida como pluralismo sindical, sendo enfatizado o  contra-argumento classicista quanto &agrave; perspectiva que se prop&otilde;e para a forma de organiza&ccedil;&atilde;o sindical desej&aacute;vel  (&ldquo;unidade da classe trabalhadora&rdquo;, &ldquo;independ&ecirc;ncia da classe trabalhadora&rdquo;, legalidade sindical de  &ldquo;classe&rdquo;).</p>     <p>Apenas quando o PCP ou o seu dirigente Carlos Carvalhas argumentam em bases de comunica&ccedil;&atilde;o com fun&ccedil;&atilde;o n&atilde;o  partid&aacute;ria ou n&atilde;o sindical (Nota da Comiss&atilde;o Pol&iacute;tica do Comit&eacute; Central do PCP, artigo de Carlos Carvalhas no  <i>Di&aacute;rio de Noticias</i>) relevam mecanismos ret&oacute;ricos com vista a uma resposta dial&oacute;gica ao argumento da liberdade  sindical.</p>     <p>Assim, como se poder&aacute; verificar na <a href="#f3">Figura 3</a>, o PCP na sua nota previne &ndash; inocula&ccedil;&atilde;o ret&oacute;rica  &ndash; contra posi&ccedil;&otilde;es contr&aacute;rias &agrave; Lei quer os advers&aacute;rios quer a audi&ecirc;ncia, e maximiza a consulta aos  trabalhadores (a lei foi &ldquo;amplamente discutida&rdquo; e teve uma &ldquo;esmagadora aprova&ccedil;&atilde;o&rdquo;).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="f3"></a></p>     <p><img src="/img/revistas/aps/v35n3/35n3a02f3.jpg" width="580" height="324"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Por sua vez, Carvalhas usa a inocula&ccedil;&atilde;o ret&oacute;rica para prevenir contra o pluralismo sindical que corresponder&aacute;  &agrave; divis&atilde;o da classe trabalhadora assim como para uma liberdade em abstracto que n&atilde;o ser&aacute; a liberdade real desejada para  os trabalhadores.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>     <!-- ref --><p>Amaral, V. (2015a). Pluralism, unity or uniqueness in Labour Unions? A historical digression through the political discourses around the Single  Union Law. <i>Academic Journal of Interdisciplinary Studies, 3</i>, 242-247. doi: 10.5901/ajis.2015.v4n3s1p242&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=030283&pid=S0870-8231201700030000200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Amaral, V. (2015b). Political discourses around the Single Union Law and conceptions about the organization of World of Labour: From historical  to current dilemmas. <i>Academic Journal of Interdisciplinary Studies, 3</i>, 262-268. doi: 10.5901/ajis.2015.v4n3s1p262&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=030284&pid=S0870-8231201700030000200002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Amaral, V., &amp; Pereira, S. (2014). O caso rep&uacute;blica e a ret&oacute;rica nos discursos pol&iacute;ticos: Um estudo descritivo.  <i>An&aacute;lise Psicol&oacute;gica, XXXII</i>, 105-126. Dispon&iacute;vel em  <a href="http://dx.doi.org/10.14417/ap.1002" target="_blank">http://dx.doi.org/10.14417/ap.768</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=030285&pid=S0870-8231201700030000200003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Bar-Tal, D. (2000). <i>Sharing beliefs in a society: Social psychological analysis</i>. Thousand Oaks: Age.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=030286&pid=S0870-8231201700030000200004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Billig, M. (1991). <i>Ideology and opinions. Studies in rhetorical psychology</i>. London: Sage.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=030288&pid=S0870-8231201700030000200005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Castro, P. (2002). <i>Natureza, ci&ecirc;ncia e ret&oacute;rica na constru&ccedil;&atilde;o social da ideia de ambiente</i>. Lisboa:  Funda&ccedil;&atilde;o Calouste Gulbenkian/Funda&ccedil;&atilde;o para a Ci&ecirc;ncia e Tecnologia.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=030290&pid=S0870-8231201700030000200006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Markov&aacute;, I. (2006). <i>Dialogicidade e representa&ccedil;&otilde;es sociais: As din&acirc;micas da mente</i>. Petr&oacute;polis: Vozes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=030292&pid=S0870-8231201700030000200007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>McGuire, W., &amp; Papageorgis, D. (1961). The relative efficacy of various types of prior belief-defense in producing immunity against  persuasion. <i>Journal of Abnormal and Social Psychology, 2</i>, 327-337.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=030294&pid=S0870-8231201700030000200008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Perelman, Ch. (1997). <i>O imp&eacute;rio ret&oacute;rico: Ret&oacute;rica e argumenta&ccedil;&atilde;o</i>. Lisboa: ASA.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=030296&pid=S0870-8231201700030000200009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Perelman, Ch., &amp; Olbrechts-Tyteca, L. (2006). <i>Tratado de argumenta&ccedil;&atilde;o</i>. Lisboa: Instituto Piaget.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=030298&pid=S0870-8231201700030000200010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Potter, J. (1996). <i>Representing reality: Discourse, rhetoric and social construction</i>. London: Sage.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=030300&pid=S0870-8231201700030000200011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Van Dijk, T. (2006). Ideology and discourse analysis. <i>Journal of Political Ideologies, 11</i>, 115-140.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=030302&pid=S0870-8231201700030000200012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><a name="c0" id="c0"></a><a href="#topc0">CORRESPONDÊNCIA</a></b></p>     <p>A correspond&ecirc;ncia relativa a este artigo dever&aacute; ser enviada para: Virg&iacute;lio Amaral, Centro de Estudos Sociais da Universidade  de Coimbra, Col&eacute;gio de S. Jer&oacute;nimo, Apartado 3087, 3000-995, Coimbra, Portugal. E-mail:  <a href="mailto:virgilio.amaral@gmail.com">virgilio.amaral@gmail.com</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Trabalho financiado pela Funda&ccedil;&atilde;o para a Ci&ecirc;ncia e Tecnologia, com a bolsa de Investiga&ccedil;&atilde;o SFRH/BPD/79663/2011.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Submiss&atilde;o: 11/07/2016 Aceita&ccedil;&atilde;o: 17/11/2016</p>     ]]></body>
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