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<article-id pub-id-type="doi">10.14417/ap.1325</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Ser ou não ouvida: Perceções de crianças expostas à violência doméstica]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This qualitative study, with exploratory and descriptive character, was conducted among children who were victims of domestic violence and aimed to understand how they see the fact of being or not being heard in the proceedings in which they were involved. The sample was composed of ten Portuguese children, aged between seven and seventeen years, of both sexes, who were accommodated with their mothers in a shelter for victims of domestic violence for at least a month. Data were collected through a semi-structured interview, previously tested. Analyzing the content of the answers, the emergence of two categories is highlighted: “auscultation of children by adults” and “court participation” based on which the importance of listening to the child’s opinion, helping to understand how the child thinks and feels regarding certain issues and how they can contribute to solving certain problems are discussed. Most children want to express some of their needs to the magistrate, one of them being the warranty of security, namely through the removal of the aggressor. The importance of the participation of children in court decisions are discussed based on these qualitative results.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>&ldquo;Ser ou n&atilde;o ouvida&rdquo;: Perce&ccedil;&otilde;es de crian&ccedil;as expostas &agrave; viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica</b></p>     <p><b>Vera Azevedo<sup>1</sup>, Ana Isabel Sani<sup>1</sup></b></p>     <p><sup>1</sup>Universidade Fernando Pessoa, Porto</p>     <p><a name="topc0"></a><a href="#c0">Correspondência</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Este estudo qualitativo, de car&aacute;ter explorat&oacute;rio e descritivo, foi realizado junto de crian&ccedil;as v&iacute;timas de  viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica e teve como objetivo geral compreender como aquelas percecionam o facto de serem ou n&atilde;o ouvidas no  &acirc;mbito dos processos em que est&atilde;o envolvidas. A amostra intencional foi composta por dez crian&ccedil;as portuguesas, com idades entre  os sete e os 17 anos, de ambos os sexos, que se encontravam acolhidas com as suas m&atilde;es em casa de abrigo para v&iacute;timas de  viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica h&aacute; pelo menos um m&ecirc;s. Os dados foram recolhidos atrav&eacute;s de entrevista semiestruturada,  previamente testada. Da an&aacute;lise do conte&uacute;do das respostas salienta-se a emerg&ecirc;ncia de duas categorias,  &lsquo;ausculta&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a pelos adultos&rsquo; e &lsquo;participa&ccedil;&atilde;o em tribunal&rsquo;, com base nas quais  se discute a import&acirc;ncia da escuta da opini&atilde;o da crian&ccedil;a, ajudando na compreens&atilde;o de como esta pensa e sente  determinadas quest&otilde;es e como pode contribuir para a resolu&ccedil;&atilde;o de certos problemas. A maioria das crian&ccedil;as deseja poder  expressar perante o magistrado algumas das suas necessidades, sendo uma delas a garantia de seguran&ccedil;a, atrav&eacute;s do afastamento do  agressor. Discute-se com base nestes resultados qualitativos a relev&acirc;ncia da participa&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a em decis&otilde;es  da justi&ccedil;a.    <p>     <p><b>Palavras-chave</b>: Crian&ccedil;as, Viol&ecirc;ncia, Justi&ccedil;a, Direitos, Participa&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>This qualitative study, with exploratory and descriptive character, was conducted among children who were victims of domestic violence and aimed  to understand how they see the fact of being or not being heard in the proceedings in which they were involved. The sample was composed of ten  Portuguese children, aged between seven and seventeen years, of both sexes, who were accommodated with their mothers in a shelter for victims of  domestic violence for at least a month. Data were collected through a semi-structured interview, previously tested. Analyzing the content of the  answers, the emergence of two categories is highlighted: &ldquo;auscultation of children by adults&rdquo; and &ldquo;court participation&rdquo;  based on which the importance of listening to the child&rsquo;s opinion, helping to understand how the child thinks and feels regarding certain  issues and how they can contribute to solving certain problems are discussed. Most children want to express some of their needs to the magistrate,  one of them being the warranty of security, namely through the removal of the aggressor. The importance of the participation of children in court  decisions are discussed based on these qualitative results.</p>     <p><b>Key words</b>: Children, Violence, Justice, Rights, Participation.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>O reconhecimento social da crian&ccedil;a como sujeito de direitos est&aacute; contemplado em diversos diplomas legais internacionais (Anderson,  2000), que alguns Estados foram ratificando. Em Portugal, as altera&ccedil;&otilde;es legislativas ocorridas nos &uacute;ltimos anos (cf.  Gon&ccedil;alves &amp; Sani, 2013) foram permitindo o debate p&uacute;blico e acad&eacute;mico a respeito da participa&ccedil;&atilde;o da  crian&ccedil;a em v&aacute;rios dom&iacute;nios, sendo particularmente acesa a discuss&atilde;o sobre a posi&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a  perante o sistema de justi&ccedil;a. A este n&iacute;vel, o acesso da crian&ccedil;a &agrave; justi&ccedil;a e, em particular, o direito de ser  ouvida em assuntos de particular import&acirc;ncia na sua vida, decorre, em muito, do modo com cada sociedade perceciona a inf&acirc;ncia (Sani,  2013), podendo em algumas situa&ccedil;&otilde;es complexas (e.g., ado&ccedil;&atilde;o, div&oacute;rcio, separa&ccedil;&atilde;o, viol&ecirc;ncia)  ser ou n&atilde;o ouvida. Todavia, altera&ccedil;&otilde;es na legisla&ccedil;&atilde;o portuguesa no regime geral do processo tutelar c&iacute;vel  (Lei n.&ordm; 141/2015, de 08 de Setembro) veio estabelecer que as autoridades judici&aacute;rias t&ecirc;m de realizar a audi&ccedil;&atilde;o da  crian&ccedil;a, devendo a sua opini&atilde;o ser tida em considera&ccedil;&atilde;o na determina&ccedil;&atilde;o do seu interesse. V&aacute;rios  outros documentos (e.g., Conven&ccedil;&atilde;o dos Direitos da Crian&ccedil;as; Diretrizes do Comit&eacute; de Ministros do Conselho da Europa  sobre a justi&ccedil;a) t&ecirc;m firmado que a crian&ccedil;a tem o direito de exprimir a sua opini&atilde;o, devendo ser assegurada a  oportunidade de ser ouvida em processos judiciais e administrativos que lhe dizem respeito (Conselho da Europa, 2013; UNICEF, 2004).</p>     <p>Numa an&aacute;lise &agrave; opini&atilde;o de crian&ccedil;as sobre o sistema de justi&ccedil;a, realizada pelo Conselho de Europa, chegou-se  &agrave; conclus&atilde;o de que existem v&aacute;rias fragilidades (e.g., ambientes intimidat&oacute;rios; falta de informa&ccedil;&atilde;o e de  explica&ccedil;&otilde;es ajustadas &agrave;s idades; parca abordagem da fam&iacute;lia; dura&ccedil;&atilde;o inadequada dos processos) que  originam representa&ccedil;&otilde;es negativas sobre este sistema (Conselho da Europa, 2013). Nesse sentido, o pr&oacute;prio Conselho da Europa  (2013) adotou diretrizes para a defini&ccedil;&atilde;o de uma justi&ccedil;a adaptada &agrave;s crian&ccedil;as, com o prop&oacute;sito de  garantir que todas elas tenham acesso &agrave; justi&ccedil;a e sejam tratadas com respeito e de forma adequada. A adapta&ccedil;&atilde;o da  justi&ccedil;a &agrave;s crian&ccedil;as deve acontecer antes do in&iacute;cio do processo judicial e deve prolongar-se e ser assegurada em todas  as fases do mesmo (Sacau, J&oacute;lluskin, Toldy, Oliveira, &amp; Morais, 2013). As crian&ccedil;as devem ter a oportunidade de serem ouvidas com  recurso a uma abordagem adequada ao seu n&iacute;vel de desenvolvimento e de acordo com o tipo de situa&ccedil;&otilde;es de que foram  v&iacute;timas (Bernardi, 2010).</p>     <p>A participa&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a em assuntos que a envolvam de forma especial e impliquem a determina&ccedil;&atilde;o da sua  seguran&ccedil;a, prote&ccedil;&atilde;o, bem-estar e desenvolvimento integral, como s&atilde;o por exemplo, as situa&ccedil;&otilde;es de risco  (e.g., conflitos familiares; viol&ecirc;ncia) ou os casos de separa&ccedil;&atilde;o/div&oacute;rcio dos pais (e.g., regula&ccedil;&atilde;o do  exerc&iacute;cio das responsabilidades parentais, processos de guarda, defini&ccedil;&atilde;o das visitas), deveriam, por norma, implicar a  oportunidade de audi&ccedil;&atilde;o da mesma, pois poder&aacute; esta querer contribuir para a decis&atilde;o final (Santos &amp; Costa, 2015).</p>     <p>Cashmore e Parkinson (2009) realizaram um estudo que pretendeu explorar quest&otilde;es relacionadas com o envolvimento das crian&ccedil;as no  tribunal, nomeadamente em casos de div&oacute;rcio. Para tal foram realizadas entrevistas com pais, crian&ccedil;as e profissionais, tendo havido a  participa&ccedil;&atilde;o de 47 crian&ccedil;as com idades compreendidas entre os seis e os 18 anos. No que se refere em espec&iacute;fico aos  resultados relativamente &agrave;s crian&ccedil;as verificou-se que 60% destas teria algo para referir, nomeadamente sobre onde iria viver ou  quando poderia ver os seus pais, mencionando ainda que devem estar envolvidas nos processos, mas n&atilde;o necessariamente na tomada de  decis&atilde;o. Algumas das raz&otilde;es avan&ccedil;adas pelas crian&ccedil;as prendiam-se com a necessidade de serem reconhecidas, a  cren&ccedil;a de que desta forma poderiam existir decis&otilde;es mais informadas e com melhores resultados e a no&ccedil;&atilde;o de que  t&ecirc;m direito a ter uma palavra relativamente ao regime que mais as afetaria (Cashmore, 2010; Cashmore &amp; Parkinson, 2008, 2009; Parkinson,  Cashmore, &amp; Single, 2007). Escutar as crian&ccedil;as com sensibilidade e consci&ecirc;ncia relativamente ao &acirc;mbito da sua  participa&ccedil;&atilde;o, &eacute; a chave para resolver a tens&atilde;o entre a participa&ccedil;&atilde;o e a prote&ccedil;&atilde;o (Cashmore  &amp; Parkinson, 2009).</p>     <p>Num estudo de Santos e Costa (2015) que analisou a perce&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a quanto &agrave; sua participa&ccedil;&atilde;o em  processos de disputa de guarda e regulamenta&ccedil;&atilde;o das visitas, concluiu-se que as crian&ccedil;as possuem capacidade para prestar  informa&ccedil;&otilde;es importantes e expressarem o seu ponto de vista, n&atilde;o obstante dependerem dos adultos para se sentirem protegidas e  seguras. Todavia, segundo Brito, Ayres e Amendola (2006) a validade da palavra da crian&ccedil;a n&atilde;o &eacute; aplic&aacute;vel a todos os  casos, servindo por vezes, para investigar alguns aspetos (e.g., com quem a crian&ccedil;a deseja residir, como se relacionam os seus pais e a  exist&ecirc;ncia ou n&atilde;o maus tratos), mas se a crian&ccedil;a est&aacute; &agrave; guarda do Estado, como &eacute; o caso das que  est&atilde;o acolhidas em institui&ccedil;&otilde;es, esta pode n&atilde;o ver considerada a sua opini&atilde;o. Por isso, &eacute; fundamental que  a justi&ccedil;a atenda aos pontos de vista da crian&ccedil;a, de modo a compreender os seus medos, expectativas e desejos, favorecendo a  aceita&ccedil;&atilde;o de mudan&ccedil;as que contribuam para um desenvolvimento saud&aacute;vel da mesma, salvaguardando-se o direito da  crian&ccedil;a de ser considerada e respeitada durante todo o processo (Santos &amp; Costa, 2015).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Outros estudos centrados na audi&ccedil;&atilde;o judicial de crian&ccedil;as, em particular v&iacute;timas de maus tratos (e.g., Block, Oran,  Oran, Baumrind, &amp; Goodman, 2010; Quas, Wallin, Horwitz, Davis, &amp; Lyon, 2009) sublinham a import&acirc;ncia da crian&ccedil;a ser ouvida e  de dar, assim, voz aos seus desejos e necessidades. No estudo de Block e colaboradores (2010) com uma amostra de crian&ccedil;as v&iacute;timas de  maus tratos, com idades dos 7 aos 10 anos e que frequentavam com regularidade audi&ecirc;ncias em tribunal, concluiu-se que a falta de  compreens&atilde;o sobre os procedimentos judiciais e as atitudes negativas face aos tribunais eram comuns. Os resultados mostraram tamb&eacute;m  que uma minoria substancial das crian&ccedil;as n&atilde;o se sentia acreditada e escutada, havendo uma maioria de crian&ccedil;as que desejava  voltar para casa (Block et al., 2010). Estas conclus&otilde;es acendem o debate sobre at&eacute; que ponto devem as crian&ccedil;as estar ou  n&atilde;o envolvidas nas decis&otilde;es legais ou, pelo menos, as suas vozes serem escutadas para uma tomada de decis&atilde;o mais justa.</p>     <p>&lsquo;Ser ou n&atilde;o ouvida&rsquo; pressupor&aacute; tamb&eacute;m que se discuta a prepara&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a para ir a  tribunal e sobre como funciona o sistema jur&iacute;dico, devendo essa informa&ccedil;&atilde;o ser dada de forma ajustada &agrave; sua idade (Quas  et al., 2009). De acordo com Quas e colaboradores (2009), num estudo com crian&ccedil;as v&iacute;timas de maus tratos, as mais velhas possuem  conhecimentos gerais mais s&oacute;lidos sobre o tribunal comparativamente com as crian&ccedil;as mais novas. Por&eacute;m as crian&ccedil;as mais  velhas nem sempre conseguem captar completamente os termos jur&iacute;dicos, e por vezes n&atilde;o compreendem o processo em que est&atilde;o  envolvidas, apesar de serem informadas sobre a sua situa&ccedil;&atilde;o. Portanto, independentemente das idades, as crian&ccedil;as necessitam de  ajuda para entender o sistema jur&iacute;dico, bem como aux&iacute;lio para interpretar o que est&aacute; a acontecer nas suas vidas, nomeadamente  sobre as decis&otilde;es tomadas em que as mesmas est&atilde;o envolvidas (Quas et al., 2009). Segundo Bessell (2011) a crian&ccedil;a deve  usufruir de informa&ccedil;&atilde;o apropriada e necess&aacute;ria para ser capaz de fazer parte do processo de tomada de decis&atilde;o, deve ter  a oportunidade de expressar, sem preju&iacute;zo para si, os seus pontos de vista e estes devem afetar a decis&atilde;o.</p>     <p>Alguns estudos com profissionais (e.g., Gon&ccedil;alves &amp; Sani, 2015; Melo &amp; Sani, 2015; Parkinson &amp; Cashmore, 2007) reafirmam a  import&acirc;ncia e o direito da crian&ccedil;a ser ouvida, participando na realiza&ccedil;&atilde;o da justi&ccedil;a, nomeadamente em casos que a  envolvam a ela e aos seus familiares em processos judiciais. Embora a justi&ccedil;a atualmente atue de forma positiva, orientada para a  crian&ccedil;a e promovendo a sua participa&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s da sua escuta, dentro ou fora do registo processual, existe ainda  alguma retic&ecirc;ncia na generaliza&ccedil;&atilde;o deste procedimento por se temer a vitima&ccedil;&atilde;o secund&aacute;ria, ao considerar  que o depoimento desta pode n&atilde;o contribuir de facto para a fundamenta&ccedil;&atilde;o da decis&atilde;o ou mesmo, pela  inadequa&ccedil;&atilde;o log&iacute;stica para a realiza&ccedil;&atilde;o desta mesma audi&ccedil;&atilde;o (Gon&ccedil;alves &amp; Sani, 2015).  Tais argumentos devem evidentemente ser ponderados e em nenhum momento se deve deixar de acautelar poss&iacute;veis riscos (e.g., dano na  crian&ccedil;a; ausculta&ccedil;&otilde;es repetidas por diversos profissionais; pr&aacute;ticas insens&iacute;veis no contacto com a  crian&ccedil;a). N&atilde;o ouvir simplesmente, n&atilde;o pode ser tamb&eacute;m a regra de uma pr&aacute;tica, que ponha em causa direitos e  necessidades da crian&ccedil;a, que obrigatoriamente devem ser tidos em considera&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o apenas porque a  legisla&ccedil;&atilde;o assim o exige, mas porque a crian&ccedil;a enquanto sujeito de direitos pode querer manifestar essa pretens&atilde;o.</p>     <p>Mesmo em casos da audi&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;as visar o seu depoimento formal, poder&aacute; a mesma decorrer sem qualquer  preju&iacute;zo para estas. Weisz, Wingrove, Beal e Faith-Slaker (2011) realizaram um estudo comparativo de car&aacute;cter qualitativo com um  grupo de crian&ccedil;as ouvidas (<i>n</i>= 43) e outro de crian&ccedil;as n&atilde;o ouvidas (<i>n</i>=50) em processo judicial, reportando-se as  conclus&otilde;es &agrave;s observa&ccedil;&otilde;es feitas em audi&ecirc;ncia e ao autorrelato e perce&ccedil;&otilde;es das crian&ccedil;as  posteriormente, durante uma semana de acompanhamento. Os autores conclu&iacute;ram que a participa&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a n&atilde;o  &eacute; prejudicial, podendo inclusive essa audi&ccedil;&atilde;o contribuir para tornar a experi&ecirc;ncia de cada uma menos stressante e mais  confort&aacute;vel, tomando um sentido quase terap&ecirc;utico (cf. Herber, 2016). Ainda nesse estudo foram reconhecidos n&iacute;veis de  satisfa&ccedil;&atilde;o e conforto resultante dessa audi&ccedil;&atilde;o, raz&atilde;o pela qual as crian&ccedil;as desejavam e sentiam ser  capazes de participar. Observou-se neste estudo que as crian&ccedil;as que participavam no processo relatavam sentimentos positivos (e.g.,  confian&ccedil;a no juiz, mais avalia&ccedil;&otilde;es positivas de imparcialidade da decis&atilde;o do juiz e mais conhecimento e  compreens&atilde;o do caso). Considerando import&acirc;ncia da forma&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica dos magistrados, que deveria incluir o  conhecimento e treino espec&iacute;ficos sobre psicologia, concordamos com a asser&ccedil;&atilde;o de Jenkins (2008) de que a  participa&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a na justi&ccedil;a ajudar&aacute; os magistrados a observar diretamente os seus comportamentos e  atitudes, bem como o seu estado emocional e f&iacute;sico.</p>     <p>Parkinson e Cashmore (2007) analisaram as opini&otilde;es de magistrados relativamente &agrave; participa&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as  no sistema de justi&ccedil;a, procurando explorar as raz&otilde;es que levam os ju&iacute;zes a serem a favor ou contra a conversar com os menores  antes e depois da tomada da decis&atilde;o. Os resultados re&uacute;nem os pontos de vistas dos diferentes intervenientes no processo  (crian&ccedil;as, pais e ju&iacute;zes), os quais salientam que ouvir primeiro a opini&atilde;o da crian&ccedil;a, por vezes, &eacute; &uacute;til  para as pr&oacute;prias crian&ccedil;as e suas fam&iacute;lias. De facto, os estudos com magistrados (e.g., Melo &amp; Sani, 2015; Parkinson &amp;  Cashmore, 2007) t&ecirc;m revelado que em processos judiciais, a audi&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a &eacute; uma forma destes compreenderem os  pontos de vista e encontrarem solu&ccedil;&otilde;es que v&atilde;o ao encontro dos desejos e necessidades da crian&ccedil;a, apoiando a sua tomada  de decis&atilde;o e, quem sabe, encontrar outras solu&ccedil;&otilde;es que n&atilde;o est&atilde;o a ser pensadas pelos adultos (Vis, Strandbu,  Holtan, &amp; Thomas, 2011). De acordo com Pichal (2008), se as crian&ccedil;as tiverem oportunidade de serem ouvidas pelos magistrados, seja fora  da audi&ecirc;ncia ou para efeito de recolha do seu depoimento, estes ter&atilde;o mais informa&ccedil;&otilde;es e ser&atilde;o capazes de tomar  melhores decis&otilde;es, com consequentes vantagens para as crian&ccedil;as e suas fam&iacute;lias.</p>     <p>Dada a multiplicidade, complexidade e dificuldade que caracteriza o contacto da crian&ccedil;a com as autoridades judici&aacute;rias em Portugal  e a import&acirc;ncia de lhe ser dada voz em assuntos de particular import&acirc;ncia para as suas vidas, procuraremos neste artigo compreender, a  partir de um estudo emp&iacute;rico, as perce&ccedil;&otilde;es das crian&ccedil;as expostas &agrave; viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica dos pais  (artigo 152&ordm; do c&oacute;digo penal portugu&ecirc;s) sobre a possibilidade de serem ou n&atilde;o ouvidas na sequ&ecirc;ncia dessa  experi&ecirc;ncia. Assim, ap&oacute;s uma revis&atilde;o breve de investiga&ccedil;&atilde;o neste &acirc;mbito, avan&ccedil;aremos para a  apresenta&ccedil;&atilde;o do estudo emp&iacute;rico e, posteriormente, para uma discuss&atilde;o dos dados obtidos.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>M&eacute;todo</b></p>     <p>O estudo qualitativo realizado foi de car&aacute;cter descritivo e explorat&oacute;rio e teve como objetivo principal compreender como &eacute;  que as crian&ccedil;as que experienciam viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica percecionam o facto de serem ou n&atilde;o ouvidas no &acirc;mbito dos  processos relativos &agrave; situa&ccedil;&atilde;o que motivou o acolhimento do agregado familiar. Assim, consideramos que a pesquisa qualitativa  de car&aacute;cter descritivo seria o m&eacute;todo mais adequado para compreender a natureza do fen&oacute;meno social que pretend&iacute;amos  investigar (Richardson, Peres, Wanderley, Correia, &amp; Peres, 2008) e dar resposta &agrave; quest&atilde;o de partida de como &eacute; que as  crian&ccedil;as percecionam o facto de poderem ser, ou n&atilde;o, ouvidas sobre a experi&ecirc;ncia de vitima&ccedil;&atilde;o por viol&ecirc;ncia  dom&eacute;stica?</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Participantes</i></p>     <p>Para este estudo constituiu-se uma amostra n&atilde;o probabil&iacute;stica por conveni&ecirc;ncia com 10 crian&ccedil;as portuguesas  (identificadas de E1 a E10), que se encontravam, pelo menos h&aacute; um m&ecirc;s, acolhidas numa casa de abrigo para v&iacute;timas de  viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica. Assim, participaram no estudo seis crian&ccedil;as do sexo feminino e quatro do sexo masculino, com idades  compreendidas entre os sete e os 17 anos. Todas as crian&ccedil;as foram expostas &agrave; viol&ecirc;ncia entre os seus progenitores, na maioria  dos casos (&agrave; exce&ccedil;&atilde;o de uma) toda a sua vida, havendo registo no processo da institui&ccedil;&atilde;o de serem tamb&eacute;m  elas v&iacute;timas de viol&ecirc;ncia f&iacute;sica e/ou psicol&oacute;gica (cf. <a href="#q1">Quadro 1</a>). O acolhimento em casa de abrigo  deveu-se &agrave; escalada da viol&ecirc;ncia, existindo em 70% dos casos refer&ecirc;ncia nos processos a problemas de consumos de  subst&acirc;ncias (&aacute;lcool e estupefacientes).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="q1"></a></p>     <p><img src="/img/revistas/aps/v35n4/35n4a06q1.jpg" width="580" height="255"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Instrumento</i></p>     <p>A partir da revis&atilde;o de materiais, artigos cient&iacute;ficos e relat&oacute;rios de investiga&ccedil;&atilde;o avan&ccedil;amos para a  constru&ccedil;&atilde;o de um gui&atilde;o de entrevista semiestruturado, o qual foi depois comentado e revisto por um especialista no tema.  Ap&oacute;s revis&atilde;o do gui&atilde;o, o mesmo foi pr&eacute;-testado junto de tr&ecirc;s crian&ccedil;as com idades entre os sete e os 13  anos, de modo a aferir-se a adequa&ccedil;&atilde;o do mesmo para ser aplicado a crian&ccedil;as de idades distintas.</p>     <p>O gui&atilde;o apresentava tr&ecirc;s se&ccedil;&otilde;es, que agregam um total de nove quest&otilde;es, sendo a maioria de resposta aberta.  A primeira se&ccedil;&atilde;o visava a apresenta&ccedil;&atilde;o do entrevistador /entrevistado e o estabelecimento da rela&ccedil;&atilde;o de  confian&ccedil;a e empatia com a crian&ccedil;a, sem abordagem ao tema da viol&ecirc;ncia e que, de resto, motivou o seu acolhimento e da  m&atilde;e em casa de abrigo. A segunda se&ccedil;&atilde;o inclui quest&otilde;es relacionadas com a situa&ccedil;&atilde;o de viol&ecirc;ncia e a  sua viv&ecirc;ncia (e.g., <i>Achas importante que os adultos ou&ccedil;am a tua opini&atilde;o? Porqu&ecirc;?</i>), a possibilidade de ser ouvida  por um magistrado sobre as circunst&acirc;ncias para esse acolhimento (e.g., <i>Se o magistrado do tribunal quisesse ouvir a tua opini&atilde;o o  que lhe dirias?</i>) e a partilha da sua opini&atilde;o sobre a situa&ccedil;&atilde;o em que se encontra (e.g., <i>Podes deixar algum conselho  para os magistrados que v&atilde;o decidir sobre o teu caso?</i>). A &uacute;ltima se&ccedil;&atilde;o refere-se &agrave; conclus&atilde;o da  entrevista, na qual podemos clarificar algum conte&uacute;do da entrevista, regressar a temas neutros e dar a possibilidade &agrave; crian&ccedil;a  de nos colocar alguma quest&atilde;o.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p><i>Procedimentos</i></p>     <p>Para a realiza&ccedil;&atilde;o deste estudo foi elaborado um protocolo de investiga&ccedil;&atilde;o, no qual se exp&ocirc;s os objetivos e  procedimentos metodol&oacute;gicos a serem adotados, bem como as quest&otilde;es &eacute;ticas e deontol&oacute;gicas salvaguardadas pelo estudo.  Este protocolo foi enviado juntamente com um pedido de autoriza&ccedil;&atilde;o e de colabora&ccedil;&atilde;o &agrave; presidente da  delega&ccedil;&atilde;o da Cruz Vermelha Portuguesa que geria a referida casa de abrigo. Obtida essa autoriza&ccedil;&atilde;o, o referido  protocolo foi posteriormente enviado &agrave; Comiss&atilde;o de &Eacute;tica da Universidade dos investigadores, com vista a  obten&ccedil;&atilde;o de parecer e eventuais recomenda&ccedil;&otilde;es para a realiza&ccedil;&atilde;o do estudo.</p>     <p>Uma vez reunidas as autoriza&ccedil;&otilde;es e pareceres institucionais, procedeu-se &agrave; marca&ccedil;&atilde;o e  realiza&ccedil;&atilde;o de uma reuni&atilde;o com as m&atilde;es das crian&ccedil;as, com o prop&oacute;sito de dar informa&ccedil;&otilde;es  sobre os objetivos e o m&eacute;todo, bem como sobre as quest&otilde;es relacionadas com a confidencialidade e anonimato dos dados pessoais.  Ap&oacute;s a explica&ccedil;&atilde;o, cada progenitora deu o seu consentimento, n&atilde;o tendo havido recusas quanto &agrave;  participa&ccedil;&atilde;o do seu/sua filho/a, podendo assim solicitar-se o pedido de participa&ccedil;&atilde;o &agrave; crian&ccedil;a.</p>     <p>Todas as crian&ccedil;as e jovens abordados aceitaram participar, tendo as entrevistais sido realizadas na casa de abrigo onde as mesmas estavam  acolhidas, numa sala reservada que garantisse privacidade, sem a presen&ccedil;a da m&atilde;e. As entrevistas foram realizadas &agrave; medida que  iam entrando novos utentes, tendo decorrido entre Fevereiro e Novembro de 2014 e tido uma dura&ccedil;&atilde;o aproximada de 20 minutos. Todas as  entrevistas foram gravadas em formato de &aacute;udio, com a devida autoriza&ccedil;&atilde;o das &uacute;nicas respons&aacute;veis legais &agrave;  data pelas crian&ccedil;as (as m&atilde;es). Posteriormente, as entrevistas foram transcritas na &iacute;ntegra para a posterior an&aacute;lise de  conte&uacute;do.</p>     <p>As transcri&ccedil;&otilde;es foram analisadas duas vezes para que se pudesse corrigir eventuais falhas, de modo a ter uma  reprodu&ccedil;&atilde;o completa e correta do discurso dos participantes. De referir que n&atilde;o se recorreu a nenhum programa  inform&aacute;tico para analisar os dados recolhidos. Adotou-se um processo de cria&ccedil;&atilde;o de categorias considerando as quest&otilde;es  de partida (Bardin, 2009) e as subcategorias emergiram da an&aacute;lise de conte&uacute;do &agrave;s respostas dos participantes (Strauss &amp;  Corbin, 1997).</p>     <p>Foi realizada a triangula&ccedil;&atilde;o da an&aacute;lise com a colabora&ccedil;&atilde;o de outro codificador at&eacute; &agrave;  apresenta&ccedil;&atilde;o de grelha final de categorias. O sistema de categorias foi apenas definido no final da opera&ccedil;&atilde;o (Bardin,  2009).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Resultados</b></p>     <p>A primeira categoria refere-se &agrave; &ldquo;ausculta&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a pelos adultos&rdquo;, tendo como subcategoria a  &ldquo;audi&ccedil;&atilde;o e voz &agrave; crian&ccedil;a&rdquo;. Esta subcategoria refere-se &agrave; indica&ccedil;&atilde;o sobre se os  adultos (e.g., t&eacute;cnicos e pais) escutam as opini&otilde;es das crian&ccedil;as. A segunda categoria &eacute; referente &agrave;  &ldquo;participa&ccedil;&atilde;o em tribunal&rdquo; e inclui duas subcategorias. A primeira designada de &ldquo;opini&atilde;o sobre a  situa&ccedil;&atilde;o vivida&rdquo; revela a expetativa da crian&ccedil;a sobre a possibilidade ou n&atilde;o de audi&ccedil;&atilde;o por um  magistrado e a informa&ccedil;&atilde;o que possivelmente partilharia sobre a experi&ecirc;ncia de viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica que  experienciou. A segunda subcategoria, nomeada por &ldquo;conselhos ao magistrado&rdquo;, refere-se a recomenda&ccedil;&otilde;es que a  crian&ccedil;a entrevistada daria ao magistrado respons&aacute;vel pelo caso.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A apresenta&ccedil;&atilde;o dos dados seguir&aacute; a ordem de apresenta&ccedil;&atilde;o das categorias e subcategorias, acompanhadas de  breve descri&ccedil;&atilde;o, clarificada com alguns excertos das respostas dadas pelos entrevistados, identificados pela letra E. A  numera&ccedil;&atilde;o pretende indicar a ordem de realiza&ccedil;&atilde;o das entrevistas.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Ausculta&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a pelos adultos</i></p>     <p>Esta categoria refere-se &agrave; perce&ccedil;&atilde;o que as crian&ccedil;as t&ecirc;m sobre a ausculta&ccedil;&atilde;o que os adultos fazem  ou n&atilde;o da sua opini&atilde;o. Tendo sobretudo como refer&ecirc;ncia de adultos, os pais e os t&eacute;cnicos da institui&ccedil;&atilde;o de  acolhimento, pretendeu-se compreender se a crian&ccedil;a tinha alguma experi&ecirc;ncia de audi&ccedil;&atilde;o da sua opini&atilde;o ou se lhes  era dada, por norma, a oportunidade de terem uma voz em assuntos do seu interesse.</p>     <p>Todos os participantes referem que &eacute; importante que os adultos ou&ccedil;am as suas opini&otilde;es, uma vez que lhes permitiria  perceberem o que eles pensam e sentem relativamente a determinadas quest&otilde;es, podendo ajud&aacute;-los na resolu&ccedil;&atilde;o de  eventuais problemas.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Ah sim, sim [que os adultos ou&ccedil;am a opini&atilde;o], gosto quando partilho as coisas com as pessoas, gosto de dar as minhas  opini&otilde;es. (&hellip;) Porque tipo, quando algu&eacute;m d&aacute; uma opini&atilde;o, tamb&eacute;m pode ajudar em algumas coisas, pode  ajudar a ultrapassar problemas e pode dar solu&ccedil;&otilde;es &agrave;s vezes. (E1)</p>     <p>Acho. (&hellip;) Porque assim eles [os adultos] tamb&eacute;m n&atilde;o est&atilde;o a ver s&oacute; o lado da m&atilde;e, tamb&eacute;m  t&ecirc;m que ouvir o lado dos menores. (&hellip;) &Eacute; para saber se, &eacute; &oacute;bvio que eles v&atilde;o decidir mais para o lado da  m&atilde;e, mas tamb&eacute;m &eacute; para pensarem tamb&eacute;m na opini&atilde;o dos menores. (E9)</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Participa&ccedil;&atilde;o em tribunal</i></p>     <p>Esta categoria pretende centrar-se nas perce&ccedil;&otilde;es que as crian&ccedil;as t&ecirc;m sobre a situa&ccedil;&atilde;o de contacto com o  tribunal, emergindo duas subcategorias: uma que designamos de &ldquo;Opini&atilde;o sobre a situa&ccedil;&atilde;o vivida&rdquo; e outra que  nomeamos de &ldquo;conselhos ao magistrado&rdquo;.</p>     <p>A primeira subcategoria resultou da reuni&atilde;o de narrativas dos participantes quanto &agrave; audi&ccedil;&atilde;o ou n&atilde;o da  crian&ccedil;a em tribunal sobre a experi&ecirc;ncia de viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica. Todos os participantes revelaram desejar ter a  oportunidade de exteriorizar perante o magistrado o que se passava na sua fam&iacute;lia. No geral, as crian&ccedil;as mencionam que falariam da  viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica a que assistiam e pediriam o afastamento do agressor.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Que n&atilde;o queria mais o meu pai &agrave; minha beira, por causa da situa&ccedil;&atilde;o que aconteceu, porque ele era alco&oacute;lico  e estava sempre a bater-nos, a chamar-nos nomes. (E3)</p>     <p>Diria que n&atilde;o queria ficar com o meu pai, que ele amea&ccedil;ou-me de morte, que ele n&atilde;o tem condi&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>Acho que ele n&atilde;o cuidava bem de mim. De mim &eacute; uma coisa, do meu irm&atilde;o n&atilde;o. Eu j&aacute; sei o que &eacute; a vida,  o meu irm&atilde;o n&atilde;o. (E5)</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Embora estes participantes pudessem ter sido ouvidos antes da sua inser&ccedil;&atilde;o na casa de abrigo por outros profissionais, que devem  eventualmente ter determinado a urg&ecirc;ncia desta inser&ccedil;&atilde;o institucional, uma das jovens diz que exporia ao magistrado  (independentemente do tipo de processo), n&atilde;o apenas a sua situa&ccedil;&atilde;o, mas uma opini&atilde;o sobre o fen&oacute;meno da  viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Dizia-lhe que h&aacute; homens que t&ecirc;m uma grande cobardia em bater nas mulheres, que n&atilde;o s&oacute; s&atilde;o mulheres deles, mas  como tamb&eacute;m s&atilde;o m&atilde;es dos filhos deles pr&oacute;prios e que tamb&eacute;m t&ecirc;m car&aacute;cter para bater nos filhos.  Acho que isso &eacute; uma grave falta de respeito para com ele e para com a pr&oacute;pria fam&iacute;lia. E acho que pessoas assim n&atilde;o  deviam existir no mundo, que deviam de ser julgadas e deviam ter o que mereciam. (&hellip;) N&atilde;o, acho que em alguns casos os homens saem  numa boa e depois as mulheres andam preocupadas com se podem sair ou se n&atilde;o podem. (&hellip;). (E2)</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Outro dos participantes, desejando igualmente essa audi&ccedil;&atilde;o pelo magistrado daquilo que foi a sua experi&ecirc;ncia de  vitima&ccedil;&atilde;o, acrescenta o desejo de, ap&oacute;s ter sido ouvido sobre o seu passado, obter uma resposta para o seu futuro.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Contava-lhe tudo o que se passou na minha vida antes e a ver se havia alguma solu&ccedil;&atilde;o agora, e se podia ter uma vida boa no  futuro. (E1)</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Quanto &agrave; subcategoria &ldquo;conselhos ao magistrado&rdquo;, esta re&uacute;ne um conjunto de recomenda&ccedil;&otilde;es que os  participantes deixariam em concreto ao magistrado respons&aacute;vel pela decis&atilde;o sobre o processo de viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica dos  seus pais. Todos os participantes responderam que n&atilde;o queriam viver ou estabelecer qualquer contacto com o progenitor, fazendo pedidos  espec&iacute;ficos que remetem para op&ccedil;&otilde;es de seguran&ccedil;a e prote&ccedil;&atilde;o. Os amigos e familiares surgem entre as  figuras de suporte percebido.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>[O que diria] Para darem uma carta minha m&atilde;e para ser proibido o meu pai aparecer. Sim. E para n&atilde;o me fazerem visitas l&aacute;, e  se ele quisesse visitar-me que viesse a V.R., mas com seguran&ccedil;a, com uma pessoa ao lado. (E1)</p>     <p>Ah, que separasse o nosso pai de n&oacute;s, que n&atilde;o queria que estiv&eacute;ssemos juntos, porque assim n&atilde;o havia mais problemas  por ele estar a bater. (E3)</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Para n&atilde;o viver mais com o meu pai. E n&atilde;o, e n&atilde;o gosto do meu pai porque ele estava sempre a bater na minha m&atilde;e.  (E7)</p>     <p>Pedia que&hellip; que me deixasse com a minha m&atilde;e e n&atilde;o com o meu pai. (E10)</p>     <p>Para ir para a beira dos meus primos. (E4)</p>     <p>Se podia, se podia passar assim uns dias com a minha irm&atilde; que ela tamb&eacute;m vive l&aacute; na minha terra, se podia passar assim no  fim-de-semana ou no Ver&atilde;o, se podia estar com ela. (&hellip;) E se quando quisesse ir brincar com os colegas ou ir dar voltas com os colegas  no Ver&atilde;o, tamb&eacute;m ia. (E6)</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Discuss&atilde;o</b></p>     <p>O presente estudo partiu da seguinte quest&atilde;o de investiga&ccedil;&atilde;o: como percecionam as crian&ccedil;as v&iacute;timas de  viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica o facto de poderem ser, ou n&atilde;o, ouvidas sobre a experi&ecirc;ncia de vitima&ccedil;&atilde;o por  viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica?</p>     <p>Neste sentido foi poss&iacute;vel verificar que a maioria das crian&ccedil;as manifesta o desejo de que as suas opini&otilde;es sejam ouvidas  pelos adultos com os quais contacta (Cashmore &amp; Parkinson, 2009; Santos &amp; Costa, 2015), havendo um particular desejo de expor a sua  experi&ecirc;ncia de viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica perante o magistrado, at&eacute; como forma de poderem ajud&aacute;-la a perspetivar o futuro  sem viol&ecirc;ncia. Deste modo, os adultos, ao escutarem as suas opini&otilde;es poderiam conhecer o que crian&ccedil;as e jovens sentem e pensam  relativamente a determinados assuntos, auxiliando na resolu&ccedil;&atilde;o de problemas. Os estudos com magistrados confirmam tamb&eacute;m essa  necessidade de se escutarem as crian&ccedil;as, para que seja poss&iacute;vel compreender o seu ponto de vista, de modo a atender aos seus anseios  e auxili&aacute;-las a aceitar as mudan&ccedil;as no seio familiar resultantes na tomada de decis&atilde;o (Melo &amp; Sani, 2015; Parkinson &amp;  Cashmore, 2007).</p>     <p>No que respeita em concreto &agrave; experi&ecirc;ncia de viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica entre os seus pais, a men&ccedil;&atilde;o &agrave;  necessidade de poderem exprimir-se foi un&acirc;nime e contraria a pr&aacute;tica comum neste tipo de casos (Bernardi, 2010), pelo receio de  vitima&ccedil;&atilde;o secund&aacute;ria, por&eacute;m se forem adotados todos os cuidados necess&aacute;rios e a audi&ccedil;&atilde;o for  adaptada ao seu n&iacute;vel desenvolvimental, esta experi&ecirc;ncia poder&aacute; contribuir para o processo de ajustamento da crian&ccedil;a  (Gon&ccedil;alves &amp; Sani, 2015). Weisz e colaboradores (2011) referem que a intera&ccedil;&atilde;o e audi&ccedil;&atilde;o pelo juiz pode ser  uma experi&ecirc;ncia capaz de fazer diminuir o <i>stress </i>sentido pela crian&ccedil;a e traduzir-se numa situa&ccedil;&atilde;o  confort&aacute;vel e positiva que o magistrado pode diretamente observar (Jenkins, 2008). A avalia&ccedil;&atilde;o feita pelos magistrados pode  ser determinante para a decis&atilde;o final. Para al&eacute;m disso, o facto de a crian&ccedil;a poder participar, pode ajudar os ju&iacute;zes a  recordar detalhes do processo, sendo portanto uma fonte suplementar e de apoio no processo de tomada de decis&atilde;o. Contudo, &eacute;  importante salientar que as crian&ccedil;as necessitam de ajuda para entender o sistema jur&iacute;dico, bem como aux&iacute;lio para interpretar o  que esta acontecer nas suas vidas, nomeadamente sobre as decis&otilde;es tomadas em que a mesma esta envolvida (Quas et al., 2009).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A totalidade das crian&ccedil;as e jovens desta amostra refere que, caso tivesse que ser presente a um magistrado, optaria por contar toda a  situa&ccedil;&atilde;o que vivera e pediria o afastamento do agressor. Ao exprimirem a sua viv&ecirc;ncia sobre os acontecimentos de  viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica, os adultos podem conhecer as perce&ccedil;&otilde;es e sentimentos que estas det&ecirc;m sobre o fen&oacute;meno  e sobre as decis&otilde;es que s&atilde;o tomadas a respeito das situa&ccedil;&otilde;es de viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica em que est&atilde;o  envolvidas e que nem sempre t&ecirc;m oportunidade de expor aos magistrados (Gon&ccedil;alves &amp; Sani, 2015). Existe uma necessidade por parte  das crian&ccedil;as em expor a sua hist&oacute;ria, por&eacute;m estas algumas delas que tamb&eacute;m s&atilde;o v&iacute;timas e que testemunham  a viol&ecirc;ncia entre os seus progenitores podem ser ou n&atilde;o ouvidas pelos magistrados (fora do &acirc;mbito processual) ou ser ou  n&atilde;o chamadas para prestar o seu depoimento (no &acirc;mbito processual). O direito da crian&ccedil;a a ser ouvida, tal como proclamam os  documentos legislativos internacionais como a Conven&ccedil;&atilde;o dos Direitos da Crian&ccedil;a, passa tamb&eacute;m por aceitarmos a ideia de  satisfazermos as necessidades desta (Anderson, 2000). &Eacute; certo que as mudan&ccedil;as mais recentes ao n&iacute;vel legislativo (e.g., Lei  n.&ordm; 141/2015, de 08 de Setembro) tendem a incorporar alguns dos princ&iacute;pios que visam claramente a garantia do direito da crian&ccedil;a  ser ouvida, constituindo tal um passo fundamental para a comunica&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a com o justi&ccedil;a, mas essencialmente para  uma justi&ccedil;a mais amiga da crian&ccedil;a (Conselho da Europa, 2013). As altera&ccedil;&otilde;es que visam a maior  participa&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a em assuntos fundamentais para a sua vida, favorecem outras mudan&ccedil;as no modo como dever&aacute;  processar-se essa escuta, no contexto onde deve ser realizada ou nos cuidados necess&aacute;rios para que a sua participa&ccedil;&atilde;o possa  ser o mais espont&acirc;nea e agrad&aacute;vel, se poss&iacute;vel acompanhada por t&eacute;cnicos especializados.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conclus&atilde;o</b></p>     <p>O estudo permitiu aceder &agrave;s perce&ccedil;&otilde;es que as crian&ccedil;as t&ecirc;m sobre ser ou n&atilde;o ouvida relativa mente  &agrave; situa&ccedil;&atilde;o de viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica que motivou o acolhimento em casa de abrigo. A an&aacute;lise aos discursos de  10 crian&ccedil;as v&iacute;timas de viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica reconhece e sublinha, o que alguns estudos concluem, sobre a  pertin&ecirc;ncia dos adultos ouvirem as suas opini&otilde;es, entre estes os magistrados, que tomar&atilde;o decis&otilde;es sobre a  situa&ccedil;&atilde;o vivida por elas e por familiares. Nesta amostra em particular, foi igualmente poss&iacute;vel conhecer que conselhos dariam  estas crian&ccedil;as, caso tivessem a oportunidade de estar com o magistrado respons&aacute;vel pelo caso de viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica da  sua fam&iacute;lia. Depreende-se do discurso de todas elas que a preocupa&ccedil;&atilde;o est&aacute; na seguran&ccedil;a, pois o conselho mais  sugerido passaria pelo afastamento do agressor. Embora tendo por base um estudo de car&aacute;cter transversal, com uma amostra espec&iacute;fica e  com um n&uacute;mero ainda que reduzido de crian&ccedil;as, em faixas et&aacute;rias muito alargadas, sublinhamos a partir deste debate  emp&iacute;rico, o interesse em contribuir para refor&ccedil;ar o entendimento quanto &agrave; import&acirc;ncia da crian&ccedil;a ser ouvida em  assuntos e sobre circunst&acirc;ncias que afetam as suas vidas. Reconhecemos, ainda, dado o car&aacute;cter n&atilde;o generaliz&aacute;vel deste  estudo, a necessidade de haver outras investiga&ccedil;&otilde;es, com particular destaque para as de natureza qualitativa, que permitam aceder  &agrave;s perce&ccedil;&otilde;es das crian&ccedil;as sobre as principais dificuldades na audi&ccedil;&atilde;o para depoimento em tribunal. Neste  sentido, como este, mais estudos que considerem outras situa&ccedil;&otilde;es de vida das crian&ccedil;as poder&atilde;o contribuir, tamb&eacute;m  para a constru&ccedil;&atilde;o de uma justi&ccedil;a mais amiga da crian&ccedil;a.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>     <!-- ref --><p>Anderson, P. (2000). <i>Young children rights: Exploring beliefs, attitudes, principles and practice</i>. London: Jessica Kingsley  Publishers.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=033732&pid=S0870-8231201700040000600001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Bardin, L. (2009). <i>An&aacute;lise do conte&uacute;do. </i>Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es 70.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=033734&pid=S0870-8231201700040000600002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Bernardi, D. C. F. (2010). <i>Cada caso &eacute; um caso &ndash; A voz das crian&ccedil;as e dos adolescentes em acolhimento institucional</i>.  Brasil: Cole&ccedil;&atilde;o Abrigos em Movimento.</p>     <!-- ref --><p>Bessell, S. (2011). Participation in decision-making in out-of-home care in Australia: What do young people say?. <i>Children and Youth  Services Review, 33</i>, 496-501. doi: 10.1016/j.childyouth.2010.05.006&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=033737&pid=S0870-8231201700040000600004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Block, S. D., Oran H., Oran, D., Baumrind, N., &amp; Goodman, G. S. (2010). Abused and neglected children in court: Knowledge and attitudes.  <i>Child Abuse &amp; Neglect, 34</i>, 659-670. doi: 10.1016/j.chiabu.2010.02.003&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=033738&pid=S0870-8231201700040000600005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Brito, L., Ayres, L., &amp; Amendola, M. (2006). A escuta de crian&ccedil;as no sistema de justi&ccedil;a. <i>Psicologia &amp; Sociedade,  18</i>, 68-73. doi: 10.1590/S0102-71822006000300010&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=033739&pid=S0870-8231201700040000600006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Cashmore, J. (2010). Children&rsquo;s participation in family law decision-making: Theoretical approaches to under standing children&rsquo;s  views. <i>Children and Youth Services Review, 33</i>, 515-520. doi: 10.1016/j.childyouth.2010.05.008</p>     <p>Cashmore, J., &amp; Parkinson, P. (2008). Children&rsquo;s and parents perceptions on children&rsquo;s participation in decision making after  parental separation and divorce. <i>Family Court Review, 46</i>, 91-104. doi: 10.1111/j.1744-1617.2007.00185.x</p>     <p>Cashmore, J., &amp; Parkinson, P. (2009). Children&rsquo;s participation in family law disputes &ndash; The views of children, parents, lawyers  and counsellors. <i>Familly Matters, 82</i>, 14-21.</p>     <!-- ref --><p>Conselho da Europa. (2013). <i>Directrizes do comit&eacute; de ministros do conselho da Europa sobre a justi&ccedil;a adaptada &agrave;s  crian&ccedil;as</i>. Strasbourg: Council of Europe Publishing.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=033743&pid=S0870-8231201700040000600010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Gon&ccedil;alves, M., &amp; Sani, A. (2013). Instrumentos jur&iacute;dicos de prote&ccedil;&atilde;o &agrave;s crian&ccedil;as: Do passado ao  presente. <i>E-Cadernos-CES, 20</i>, 186-200. doi: 10.4000/eces.1728&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=033745&pid=S0870-8231201700040000600011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Gon&ccedil;alves, M. J., &amp; Sani, A. (2015). A participa&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a na justi&ccedil;a: Estudo explorat&oacute;rio  com crian&ccedil;as expostas &agrave; viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica. <i>Revista de Psicologia da Crian&ccedil;a e do Adolescente, 6</i>,  157-169.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=033746&pid=S0870-8231201700040000600012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Herber, E. (2016). Victim participation in Japan: When therapeutic jurisprudence meets prosecutor justice. <i>Asian Journal of Law and Society,  3</i>, 135-157. doi: 10.1017/als.2016.6&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=033748&pid=S0870-8231201700040000600013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Jenkins, J. J. (2008). Listen to me! Empowering youth and courts through increased youth participation in dependency hearings. <i>Family Court  Review, 46</i>, 163-179. doi: 10.1111/j.1744-1617.2007.00190.x&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=033749&pid=S0870-8231201700040000600014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Lei n.&ordm; 141/2015, de 08 de Setembro. Aprova o Regime Geral do Processo Tutelar C&iacute;vel.</p>     <!-- ref --><p>Melo, M. F., &amp; Sani, A. I. (2015). A audi&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a na tomada de decis&atilde;o dos magistrados. <i>Revista de  Psicologia, 24</i>, 1-19. doi: 10.5354/0719-0581.2015.37067&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=033751&pid=S0870-8231201700040000600015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Parkinson, P., &amp; Cashmore, J. (2007). Judicial conversations with in parenting disputes: The views of Australian judges. <i>Oxford  University Press IJLP&amp;F, 21</i>(160), 1-22. doi: 10.2139/ssrn.961997&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=033752&pid=S0870-8231201700040000600016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Parkinson, P., Cashmore, J., &amp; Single, J. (2007). Parents&rsquo; and children&rsquo;s views on talking to judges in parenting disputes in  Australia. <i>Legal studies research, 7</i>(8), 1-37. doi: 10.2139/ssrn.961998</p>     <!-- ref --><p>Pitchal, E. (2008). Where are all the children? Increasing youth participation in dependency proceedings. 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<body><![CDATA[<p>Quas, J. A., Wallin, A. R., Horwitz, B., Davis, E., &amp; Lyon, T. D. (2009). Maltreated children&rsquo;s understanding of and emotional  reactions to dependency court involvement. <i>Behavior Sciences &amp; The Law, 27</i>, 97-117. doi: 10.1002/bsl.836</p>     <!-- ref --><p>Richardson, R. J., Peres, J. A. S., Wanderley, J. C. V., Correia, L. M., &amp; Peres, M. H. M. (2008). <i>Pesquisa social: M&eacute;todos e  t&eacute;cnicas</i>. S&atilde;o Paulo: Editora Atlas.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=033757&pid=S0870-8231201700040000600020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Sacau, A., J&oacute;lluskin, G., Toldy, T., Oliveira, A., &amp; Morais, J. (2013). A compreens&atilde;o da terminologia legal e dos processos  judiciais pelas crian&ccedil;as. <i>E-Cadernos-CES, 20</i>, 90-104.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=033759&pid=S0870-8231201700040000600021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Sani, A. I. (2013). Reflex&otilde;es sobre inf&acirc;ncia e os direitos da participa&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a no contexto da  justi&ccedil;a. <i>E-Cadernos-CES, 20</i>, 75-89. doi: 10.4000/eces.1668&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=033761&pid=S0870-8231201700040000600022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Santos, M. R., &amp; Costa, L. F. (2015). Da invisibilidade &agrave; participa&ccedil;&atilde;o: A express&atilde;o da crian&ccedil;a em  disputas de guarda. <i>Revista de Psicologia, 24</i>(2), 1-15.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=033762&pid=S0870-8231201700040000600023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Strauss, A., &amp; Corbin, J. (1997). <i>Grounded theory in practice</i>. Thousand Oaks: Sage.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=033764&pid=S0870-8231201700040000600024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>UNICEF. (2004). <i>A conven&ccedil;&atilde;o sobre os direitos da crian&ccedil;a</i>. UNICEF. Retirado de  <a href="http://www.unicef.pt/docs/pdf_publicacoes/convencao_direitos_crianca2004.pdf"  target="_blank">http://www.unicef.pt/docs/pdf_publicacoes/convencao_direitos_crianca2004.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=033766&pid=S0870-8231201700040000600025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Vis, S. A., Strandbu, A., Holtan, A., &amp; Thomas, N. (2011). Participation and health &ndash; A research review of child participation in  planning and decision-making. <i>Child and Family Social Work, 16</i>, 325-335. doi: 10.1111/j.1365-2206.2010.00743.x</p>     <p>Weisz, V., Wingrove, T., Beal, S. J., &amp; Faith-Slaker, A. (2011). Children&rsquo;s participation in foster care hearings. <i>Child Abuse  &amp; Neglect, 35</i>, 267-272. doi: 10.1016/j.chiabu.2010.12.007</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><a name="c0" id="c0"></a><a href="#topc0">CORRESPONDÊNCIA</a></b></p>     <p>A correspond&ecirc;ncia relativa a este artigo dever&aacute; ser enviada para: Vera Azevedo, Universidade Fernando Pessoa, Pra&ccedil;a 9 de  Abril, 349, 4249-004 Porto, Portugal. E-mail <a href="mailto:21518@ufp.edu.pt">21518@ufp.edu.pt</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Submiss&atilde;o: 02/09/2016 Aceita&ccedil;&atilde;o: 01/01/2017</p>      ]]></body><back>
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