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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Modelos sociais de maternidade difundidos em páginas e grupos do Facebook em Portugal]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade do Porto Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação ]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Nowadays, online social networks are important sources of informal support for mothers due to their accessibility and extensive information on childrearing and motherhood performance. This study aims to identify the current motherhood model prevalent in Portuguese Facebook, namely through its groups and pages concerning motherhood. In October 2015, a search was performed by using the words mother and motherhood, followed by other “snowballed” found sites, allowing the identification of 132 Public Pages, 47 Closed Groups and 5 Public Groups (N=184). Their descriptions were submitted to a content analysis in which goals, attitudes, feelings and practices attributed to mothers and spread by Facebook were identified. Results show that the conveyed motherhood model assumes the centrality of the child, and of its needs and interests, and assigns high levels of demand to the mother. Women’s needs are not mentioned, seeming to disappear behind the maternal role. The study confirms the predominance of an intensive motherhood model in Portuguese Facebook.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>Modelos sociais de maternidade difundidos em p&aacute;ginas e grupos do <i>Facebook</i> em Portugal</b></p>     <p><b>Filipa C&eacute;sar<sup>1</sup>, Alexandra Oliveira<sup>1</sup>, Anne-Marie Fontaine<sup>1</sup></b></p>     <p><sup>1</sup>Faculdade de Psicologia e de Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o da Universidade do Porto, Porto, Portugal</p>     <p><a name="topc0"></a><a href="#c0">Correspondência</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>As redes sociais <i>online</i> s&atilde;o atualmente fontes de apoio informal importantes para as m&atilde;es dada a sua acessibilidade e vasta  informa&ccedil;&atilde;o sobre o cuidado da crian&ccedil;a e o desempenho da maternidade. Este estudo pretendeu identificar o modelo de maternidade  dominante atualmente em Portugal atrav&eacute;s da an&aacute;lise dos objetivos, das atitudes, dos sentimentos e das pr&aacute;ticas  atribu&iacute;das &agrave;s m&atilde;es e difundidos por grupos e p&aacute;ginas do <i>Facebook</i> dedicadas &agrave; maternidade. Uma pesquisa  pelas palavras-chave <i>m&atilde;e</i> e <i>maternidade</i>, seguida da t&eacute;cnica &ldquo;bola de neve&rdquo;, em outubro de 2015, permitiu  identificar 132 P&aacute;ginas P&uacute;blicas, 47 Grupos Fechados e 5 Grupos P&uacute;blicos (<i>N</i>=184) portugueses, tendo sido as respetivas  descri&ccedil;&otilde;es alvo de an&aacute;lise de conte&uacute;do. Esta an&aacute;lise evidenciou que o modelo de maternidade veiculado  pressup&otilde;e a centralidade da crian&ccedil;a e das suas necessidades e interesses, e atribui elevados n&iacute;veis de exig&ecirc;ncia ao  papel de m&atilde;e. As necessidades da mulher n&atilde;o s&atilde;o mencionadas, desaparecendo atr&aacute;s do papel materno. O estudo parece  assim confirmar a predomin&acirc;ncia de um modelo de maternidade <i>intensivo</i> nos grupos e p&aacute;ginas do <i>Facebook</i> em Portugal.    <p>     <p><b>Palavras-chave</b>: Maternidade, <i>Facebook</i>, Modelos sociais.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>Nowadays, online social networks are important sources of informal support for mothers due to their accessibility and extensive information on  childrearing and motherhood performance. This study aims to identify the current motherhood model prevalent in Portuguese Facebook, namely through  its groups and pages concerning motherhood. In October 2015, a search was performed by using the words mother and motherhood, followed by other  &ldquo;snowballed&rdquo; found sites, allowing the identification of 132 Public Pages, 47 Closed Groups and 5 Public Groups (<i>N</i>=184). Their  descriptions were submitted to a content analysis in which goals, attitudes, feelings and practices attributed to mothers and spread by Facebook  were identified. Results show that the conveyed motherhood model assumes the centrality of the child, and of its needs and interests, and assigns  high levels of demand to the mother. Women&rsquo;s needs are not mentioned, seeming to disappear behind the maternal role. The study confirms the  predominance of an intensive motherhood model in Portuguese Facebook.</p>     <p><b>Key words</b>: Motherhood, Facebook, Social models.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>As redes sociais <i>online</i>, enquanto redes de apoio informal, t&ecirc;m-se revelado um apoio importante para as m&atilde;es, quer pela sua  acessibilidade e ades&atilde;o f&aacute;cil e generalizada, quer pela quantidade de informa&ccedil;&atilde;o de que disp&otilde;em acerca do  desempenho da maternidade em fun&ccedil;&atilde;o da idade da crian&ccedil;a e das suas caracter&iacute;sticas (Holtz, Smock, &amp; Reyes-Gastelum,  2015). Atualmente, o <i>Facebook</i> &eacute; a rede social <i>online</i> com maior n&uacute;mero de aderentes em Portugal: 98% dos cibernautas  portugueses t&ecirc;m perfil criado no <i>Facebook</i> (OBERCOM, 2014). De acordo com Neubaum e Kraemer (2015), o sentimento de &ldquo;proximidade  social [nas comunica&ccedil;&otilde;es <i>online</i> &eacute;] social e psicologicamente ben&eacute;fico para os indiv&iacute;duos&rdquo; (p. 443),  sobretudo para as m&atilde;es recentes, que ainda se encontram socialmente isoladas. A intera&ccedil;&atilde;o online contribui para aumentar o seu  capital social, nomeadamente atrav&eacute;s do apoio emocional e da troca de informa&ccedil;&atilde;o (Drentea &amp; Moren-Cross, 2005). Nas  p&aacute;ginas e grupos sobre maternidade do <i>Facebook</i>, as m&atilde;es procuram tamb&eacute;m partilhar experi&ecirc;ncias e d&uacute;vidas,  obter apoio e conselhos sobre parentalidade, sa&uacute;de, amamenta&ccedil;&atilde;o, alimenta&ccedil;&atilde;o e educa&ccedil;&atilde;o, para  al&eacute;m de entretenimento e intera&ccedil;&atilde;o com outras m&atilde;es (Kaufmann &amp; Buckner, 2014; Neubaum &amp; Kraemer, 2015), o que  contribui para o seu empoderamento neste papel. N&atilde;o obstante, a internet n&atilde;o &eacute; um ambiente ideologicamente neutro e nela  s&atilde;o veiculados diversos valores, modelos e estere&oacute;tipos, nomeadamente sobre maternidade e pap&eacute;is sociais de g&eacute;nero  (Madge &amp; Connor, 2006).</p>     <p>Ao longo da Hist&oacute;ria, a maternidade tem sido culturalmente apropriada e prescrita, embora cada mulher possa experienci&aacute;-la de  forma diferente, tendo em conta a sua hist&oacute;ria de vida, a sua posi&ccedil;&atilde;o social e a sua permeabilidade aos ditames culturais da  sociedade em que vive (Birns &amp; Hay, 1988). A maternidade tem sido culturalizada ao ponto de se considerar <i>natural</i> uma determinada forma  de ser m&atilde;e e <i>desviantes</i> formas diferentes de o ser (Monteiro, 2005).</p>     <p>Nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, um modelo de maternidade <i>intensivo</i> (Elliott, Powell, &amp; Brenton, 2015) prevaleceu nas sociedades  ocidentais. Neste, uma <i>boa m&atilde;e</i> &eacute; abnegada e cabe-lhe, quer antes quer depois do nascimento, dedicar grande parte do seu tempo,  energia, afeto e recursos ao cuidado, educa&ccedil;&atilde;o e estimula&ccedil;&atilde;o cognitiva e intelectual dos filhos. De igual modo,  &eacute; associado ao conceito de maternidade um intenso envolvimento afetivo entre m&atilde;e e filho justificado pelo <i>amor maternal</i>,  sentimento considerado <i>natural</i> e necess&aacute;rio ao desenvolvimento n&atilde;o s&oacute; da crian&ccedil;a como da sociedade, dado que  incentiva a mulher &ldquo;a assumir diretamente os cuidados com a prole&rdquo; (Badinter, 1986, p. 46).</p>     <p>Noutra perspetiva, estudos recentes questionam a imprescindibilidade da presen&ccedil;a constante da m&atilde;e junto da crian&ccedil;a (Milkie,  Nomaguchi, &amp; Denny, 2015) ou demonstram como e porqu&ecirc; as mulheres que exercem diversos pap&eacute;is sociais procuram articular os seus  pap&eacute;is maternal e profissional de forma funcional (Alstveit, Severinsson, &amp; Karlsen, 2011; Christopher, 2012). Tais estudos permitem  admitir o surgimento, nas sociedades ocidentais, de novas formas de encarar a maternidade que se integram na chamada <i>maternidade extensiva</i>  (Christopher, 2012) ou <i>negociada</i> (Badinter, 2010). Estes s&atilde;o modelos em que a mulher procura conciliar mais vetores de  realiza&ccedil;&atilde;o pessoal para al&eacute;m do da maternidade.</p>     <p>Atualmente, al&eacute;m do recurso cl&aacute;ssico a especialistas (pediatras, psic&oacute;logos, educadores), as m&atilde;es recorrem  tamb&eacute;m a redes de apoio informal para a recolha de informa&ccedil;&atilde;o e conselhos, a fim de reduzir os seus n&iacute;veis de  <i>stress</i> e promover a sua qualidade de vida e bem-estar geral (Holtz et al., 2015).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A an&aacute;lise destes modelos &eacute; particularmente pertinente em Portugal, onde a maioria das fam&iacute;lias se caracteriza pelo duplo  emprego, o que exige das m&atilde;es a concilia&ccedil;&atilde;o de m&uacute;ltiplos pap&eacute;is, e, simultaneamente, pela defesa de valores  extremamente tradicionais em termos familiares (Matias, Andrade, &amp; Fontaine, 2011). As mulheres trabalhadoras sentem que o seu papel na  fam&iacute;lia conflitua com o seu papel profissional, mas consideram necess&aacute;ria a manuten&ccedil;&atilde;o da responsabilidade das tarefas  dom&eacute;sticas que a divis&atilde;o de pap&eacute;is de g&eacute;nero lhes atribui como forma de amenizar esse mesmo conflito (Matias et al.,  2011). Num modelo <i>intensivo</i> de maternidade, associado a pap&eacute;is tradicionais de g&eacute;nero, o nascimento de uma crian&ccedil;a pode  p&ocirc;r em causa o equil&iacute;brio j&aacute; alcan&ccedil;ado pelas mulheres que exercem uma atividade profissional e lev&aacute;-las a adiar  os projetos de maternidade. Al&eacute;m disso, na experi&ecirc;ncia da maternidade pode ter efeitos nefastos no bem-estar f&iacute;sico e emocional  das m&atilde;es e no seu sentimento de autoefic&aacute;cia. J&aacute; um modelo <i>extensivo</i> de maternidade, mais concili&aacute;vel com outros  projetos, pode libertar as m&atilde;es deste excesso de atividades, tarefas e responsabilidades e ser mais recompensador a v&aacute;rios  n&iacute;veis.</p>     <p>&Eacute; de real&ccedil;ar que o <i>Facebook</i> tem vindo a ganhar protagonismo no meio acad&eacute;mico internacional, multiplicando-se os  estudos sobre causas e efeitos da sua utiliza&ccedil;&atilde;o e sobre a privacidade dos seus utilizadores, mas poucos s&atilde;o os que incidem o  seu olhar na tem&aacute;tica da maternidade. A t&iacute;tulo de exemplo, Bartholomew, Schoppe-Sullivan, Glassman, Kamp Dush e Sullivan (2012)  analisaram o uso da rede social <i>Facebook</i> por m&atilde;es e pais recentes numa perspetiva de aferi&ccedil;&atilde;o do seu capital social e  conclu&iacute;ram que as m&atilde;es a utilizavam mais e de forma mais intensa na transi&ccedil;&atilde;o para a maternidade; que denotavam melhor  adapta&ccedil;&atilde;o &agrave; maternidade quando os/as seus amigos/as nessa rede eram seus familiares; que a quantidade de visitas e de  gest&atilde;o de conte&uacute;dos no <i>Facebook</i> por parte das m&atilde;es estava diretamente relacionado com os seus n&iacute;veis de stress  parental.</p>     <p>Menos ainda s&atilde;o os que se dedicam a analisar os seus conte&uacute;dos de modo a evidenciar modelos sociais por estes veiculados. Kaufmann  e Buckner (2014) realizaram um estudo explorat&oacute;rio em que compararam as descri&ccedil;&otilde;es de 12 p&aacute;ginas de <i>Facebook</i>  seguidas por m&atilde;es com as 526 publica&ccedil;&otilde;es efetuadas pelos administradores dessas mesmas p&aacute;ginas, concluindo que, embora  nas descri&ccedil;&otilde;es se apresentem as p&aacute;ginas como tendo objetivos de permitir conversa&ccedil;&otilde;es e discuss&atilde;o de  temas, as publica&ccedil;&otilde;es eram maioritariamente de cariz informativo e promocional.</p>     <p>Nenhum destes estudos incidiu sobre o tipo dos conte&uacute;dos nem sobre o modelo de maternidade veiculado. O car&aacute;ter inovador da  abordagem deste estudo est&aacute; precisamente na an&aacute;lise de conte&uacute;do das descri&ccedil;&otilde;es de p&aacute;ginas e grupos  portugueses na rede social <i>Facebook</i> criados por e para m&atilde;es portuguesas com vista &agrave; identifica&ccedil;&atilde;o do modelo de  maternidade nela atualmente veiculado de forma predominante. Na medida em que este modelo traduz um conjunto de expectativas sociais relativamente  ao papel das m&atilde;es, ele refletir&aacute; constru&ccedil;&otilde;es sociais que s&atilde;o amplamente partilhadas e promovidas,  suscet&iacute;veis de condicionar as m&atilde;es portuguesas na viv&ecirc;ncia do seu papel.</p>     <p>Neste sentido, o objetivo deste estudo &eacute; identificar o modelo de maternidade dominante nos discursos sobre maternidade difundidos no  <i>Facebook</i>, concretamente nas descri&ccedil;&otilde;es e publica&ccedil;&otilde;es marcadas de p&aacute;ginas p&uacute;blicas e de grupos  fechados, que poder&atilde;o influenciar as expectativas das pr&oacute;prias, bem como a perce&ccedil;&atilde;o da sua efic&aacute;cia no  desempenho da fun&ccedil;&atilde;o maternal.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>M&eacute;todo</b></p>     <p>Este estudo incidiu sobre as p&aacute;ginas e grupos administrados por ou dirigidos a m&atilde;es portuguesas encontrados no <i>Facebook</i> e  procurou cumprir os seguintes objetivos espec&iacute;ficos: (i) identificar o modelo de maternidade predominantemente veiculado nesta rede social  (<i>intensivo</i> ou <i>extensivo</i>); (ii) elencar as caracter&iacute;sticas do modelo identificado; (iii) identificar outros modelos de  maternidade n&atilde;o prevalecentes e as suas caracter&iacute;sticas.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Amostra e procedimentos</i></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em outubro de 2015 realiz&aacute;mos uma pesquisa de p&aacute;ginas e grupos no <i>Facebook</i> pelas palavras-chave <i>m&atilde;e</i> e  <i>maternidade</i>. De seguida, recorrendo &agrave;s &ldquo;P&aacute;ginas sugeridas&rdquo; e &ldquo;Gostos desta p&aacute;gina&rdquo; que surgiram  nas p&aacute;ginas encontradas na primeira pesquisa, cheg&aacute;mos, atrav&eacute;s do m&eacute;todo &ldquo;bola de neve&rdquo;, a um conjunto de  outros s&iacute;tios. Os crit&eacute;rios de inclus&atilde;o dos s&iacute;tios no universo de an&aacute;lise foram tratar-se de p&aacute;ginas ou  grupos criados e geridos por m&atilde;es portuguesas e/ou para m&atilde;es portuguesas. Dentro destas, foram exclu&iacute;dos os que tinham o  prop&oacute;sito exclusivo de divulga&ccedil;&atilde;o ou comercializa&ccedil;&atilde;o de eventos, produtos e/ou servi&ccedil;os para beb&eacute;s  e crian&ccedil;as, ou tinham um p&uacute;blico-alvo demasiado restrito (por exemplo, grupos de m&atilde;es de uma escola espec&iacute;fica). Como  o acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o contida nos grupos fechados s&oacute; &eacute; permitido aos seus membros, foi explicitamente solicitada  a ades&atilde;o em todos os grupos que, nesta primeira triagem, pareciam cumprir os crit&eacute;rios descritos. Cinco p&aacute;ginas foram  eliminadas por terem estado inativas em 2015. Dois dos grupos questionaram a investigadora sobre o motivo do seu pedido de ades&atilde;o e, depois  de este ter sido explicitado, apenas um deles a aceitou. Com este processo cheg&aacute;mos a 137 P&aacute;ginas P&uacute;blicas (PP), cinco Grupos  P&uacute;blicos (GP) e 52 Grupos Fechados (GF) que cumpriam os crit&eacute;rios observados e que, no que concerne a estes &uacute;ltimos, aceitaram  a ades&atilde;o da investigadora, num total de 194 s&iacute;tios.</p>     <p>Deste universo, foram recolhidas todas as descri&ccedil;&otilde;es (um campo dedicado &agrave; explicita&ccedil;&atilde;o da  popula&ccedil;&atilde;o a que o s&iacute;tio se destina, das motiva&ccedil;&otilde;es que levaram &agrave; sua cria&ccedil;&atilde;o e dos  objetivos pretendidos pela p&aacute;gina ou grupo); e, no caso dos GF, tamb&eacute;m as publica&ccedil;&otilde;es  marcadas<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a> sempre que estas existiam. Cinco PP e cinco GF n&atilde;o continham qualquer  descri&ccedil;&atilde;o, o que reduziu o &acirc;mbito da recolha a 184 s&iacute;tios (132 PP, 5 GP e 47 GF).</p>     <p>Uma vez obtido o corpus de an&aacute;lise, realiz&aacute;mos uma primeira leitura, &ldquo;flutuante&rdquo;, que nos ajudou a familiarizar com o  texto, isto &eacute;, visou &ldquo;estabelecer contacto com os documentos a analisar e (...) conhecer o texto deixando-se invadir por  impress&otilde;es e orienta&ccedil;&otilde;es&rdquo; (Bardin, 1979, p. 96). Depois desta leitura, os dados foram sujeitos a uma an&aacute;lise da  qual emergiram as categorias que viriam a organizar a informa&ccedil;&atilde;o recolhida. Desta forma, as categorias surgiram durante a  an&aacute;lise, num processo dedutivo, no que Bardin (1979) designa de procedimento por &ldquo;milha&rdquo;. Assim, tendo em conta os objetivos  referidos e as caracter&iacute;sticas do modelo <i>intensivo</i> acima descritas (Elliott et al., 2015), as categorias emergentes foram as  seguintes quatro:</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&ndash; <i>Objetivos</i>, referentes aos prop&oacute;sitos &uacute;ltimos do desempenho da maternidade;</p>     <p>&ndash; <i>Atitudes</i>, referentes &agrave; forma como a maternidade &eacute; ou deve ser desempenhada;</p>     <p>&ndash; <i>Sentimentos</i>, referentes &agrave; forma como a maternidade &eacute; ou deve ser experienciada emocionalmente;</p>     <p>&ndash; <i>Pr&aacute;ticas</i>, referentes &agrave;s tarefas comummente inclu&iacute;das no ato de cuidar para suprir necessidades  b&aacute;sicas.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>A sele&ccedil;&atilde;o destas dimens&otilde;es prendeu-se com o prop&oacute;sito de pretendermos abranger a viv&ecirc;ncia da maternidade nos  seus aspetos mais globais (<i>Objetivos</i>) e ideol&oacute;gicos (<i>Atitudes</i>), na sua vertente mais operacional (<i>Pr&aacute;ticas</i>) e,  paralelamente, na sua vertente emocional (<i>Sentimentos</i>).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><i>Instrumentos</i></p>     <p>A operacionaliza&ccedil;&atilde;o dos modelos de maternidade <i>intensivo</i> e <i>extensivo</i> diferir&aacute; em cada uma destas  dimens&otilde;es (<a href="#t1">Tabela 1</a>). O modelo <i>intensivo</i> sugere <i>Objetivos</i> da maternidade centrados apenas na crian&ccedil;a;  <i>Atitudes</i> de dedica&ccedil;&atilde;o quase exclusiva da m&atilde;e &agrave; crian&ccedil;a, da sua prioriza&ccedil;&atilde;o e de procura de  informa&ccedil;&atilde;o no sentido de promover o seu melhor desenvolvimento e estimula&ccedil;&atilde;o cognitiva; <i>Sentimentos</i> de amor  incondicional pela crian&ccedil;a e de realiza&ccedil;&atilde;o pessoal atrav&eacute;s do desempenho da maternidade; grande afeta&ccedil;&atilde;o  de recursos no que toca &agrave;s <i>Pr&aacute;ticas</i> de cuidado como a alimenta&ccedil;&atilde;o, a sa&uacute;de e a seguran&ccedil;a da  crian&ccedil;a.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="t1"></a></p>     <p><img src="/img/revistas/aps/v36n1/36n1a04t1.jpg" width="580" height="176"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>O modelo <i>extensivo</i> sugere <i>Objetivos</i> repartidos entre a crian&ccedil;a e a m&atilde;e; <i>Atitudes</i> que consideram igualmente a  integra&ccedil;&atilde;o social da m&atilde;e, na qual ela desempenha outros pap&eacute;is, nomeadamente o profissional, e a sua  concilia&ccedil;&atilde;o com a maternidade; a presun&ccedil;&atilde;o de haver outros adultos cuidadores, para al&eacute;m da m&atilde;e, que  s&atilde;o parcialmente respons&aacute;veis pela crian&ccedil;a; a consci&ecirc;ncia da import&acirc;ncia do bem-estar da m&atilde;e na  rela&ccedil;&atilde;o desta com a crian&ccedil;a; a presen&ccedil;a de realiza&ccedil;&atilde;o pessoal para al&eacute;m do amor materno no que  concerne os <i>Sentimentos</i> mencionados; afeta&ccedil;&atilde;o de recursos &agrave;s necessidades b&aacute;sicas da crian&ccedil;a e da  m&atilde;e, cuja alimenta&ccedil;&atilde;o, sa&uacute;de e bem-estar tamb&eacute;m s&atilde;o valorizados enquanto <i>Pr&aacute;ticas</i>.</p>     <p>Os textos constituintes do corpus de an&aacute;lise foram copiados do <i>Facebook</i> e transcritos para documentos <i>Word</i> e,  posteriormente, tratados com o <i>software</i> NVivo 10 em fun&ccedil;&atilde;o das dimens&otilde;es de maternidade j&aacute; referidas  (<i>Objetivos</i>, <i>Atitudes</i>, <i>Sentimentos</i> e <i>Pr&aacute;ticas</i>) e respetiva operacionaliza&ccedil;&atilde;o. Cada s&iacute;tio foi  codificado de acordo com a sua designa&ccedil;&atilde;o (GF, GP e PP) e numerado.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>An&aacute;lise de dados</i></p>     <p>A unidade de an&aacute;lise considerada foi a frase ou parte de frase enquanto unidade significante, ou seja, portadora de sentido (Bardin,  1979), no caso dos <i>Objetivos</i>, <i>Atitudes</i> e <i>Pr&aacute;ticas</i>. J&aacute; para os <i>Sentimentos</i> foi considerada a palavra como  unidade de an&aacute;lise ou, na falta desta, a express&atilde;o sua equivalente.</p>     <p>Inicialmente, todas os indicadores emergentes foram elencados. A riqueza e diversidade dos resultados da an&aacute;lise sugeriram a  organiza&ccedil;&atilde;o dos indicadores para al&eacute;m do gui&atilde;o inicialmente proposto, em categorias e subcategorias.</p>     <p>No caso dos <i>Objetivos</i>, salientou-se a dimens&atilde;o temporal dos mesmos: centrados no <i>Curto prazo</i> da inf&acirc;ncia [&ldquo;o  que a crian&ccedil;a pensa, sente, aprende e decide sobre ela pr&oacute;pria&rdquo; (GF 8)], no desenvolvimento a <i>M&eacute;dio prazo</i> da  crian&ccedil;a e no fortalecimento da fam&iacute;lia [&ldquo;com vista ao desenvolvimento de crian&ccedil;as seguras, alegres e  emp&aacute;ticas&rdquo; (GF 10); &ldquo;favorecendo a forma&ccedil;&atilde;o e a preserva&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia&rdquo; (PP 50)] ou, a  <i>Longo prazo</i>, <i>Objetivos</i> quer coletivos [&ldquo;Para um futuro de sustentabilidade.&rdquo; (GF 14)] quer individuais [&ldquo;o que (a  crian&ccedil;a) quer fazer no futuro para sobreviver e desenvolver-se.&rdquo; (GF 8)].</p>     <p>As <i>Atitudes</i> foram a dimens&atilde;o mais referida e, por isso, mais diversificada em termos de indicadores. As <i>Viv&ecirc;ncias da  maternidade</i> foram agrupadas e divididas em subcategorias onde se inclu&iacute;ram a <i>Intera&ccedil;&atilde;o com a crian&ccedil;a</i>  [&ldquo;o respeito m&uacute;tuo e a educa&ccedil;&atilde;o emocional s&atilde;o a melhor abordagem para orientar e viver com as  crian&ccedil;as&rdquo; (GF 10)], o <i>Desempenho</i> da maternidade [&ldquo;Para todas as mam&atilde;s que querem dar tudo aos filhos&rdquo; (GF  50)], o seu <i>Significado</i> [&ldquo;criar um filho &eacute; uma aventura&rdquo; (PP 25)] e as <i>Preocupa&ccedil;&otilde;es</i> associadas  [&ldquo;tudo o que envolve a vida escolar dos nossos filhos.&rdquo; (GF 40)].</p>     <p>Para al&eacute;m das <i>Viv&ecirc;ncias da maternidade</i> e em alternativa &agrave; valoriza&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a, foram  identificadas <i>Outras</i> subcategorias de <i>Valoriza&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia</i> [&ldquo;Procurar o equil&iacute;brio na vida  familiar&rdquo; (GF 42)] e da mulher para al&eacute;m da m&atilde;e [&ldquo;Como m&atilde;es, n&atilde;o nos podemos esquecer que tamb&eacute;m  somos mulheres, e como tal aqui tamb&eacute;m se destina a trocar ideias, dicas de beleza &amp; moda.&rdquo; (GF 12)]. A maternidade a tempo  inteiro [&ldquo;M&atilde;e de dois a tempo inteiro, dona de casa desenrascada nas horas vagas&rdquo; (PP 10)] e a sua conjuga&ccedil;&atilde;o com  o emprego [&ldquo;ser as duas coisas pode ser simplesmente alucinante.&rdquo; (PP 24)] foram tamb&eacute;m identificadas e consideradas como  indicadores de <i>Tipos de maternidade</i>.</p>     <p>Os <i>Sentimentos</i> identificados foram divididos em <i>Positivos</i> e <i>Negativos</i>. A unidade de an&aacute;lise aqui utilizada foi  preferencialmente a palavra, com algumas exce&ccedil;&otilde;es em que foi necess&aacute;rio recorrer a conjuntos de palavras ou frases. No  &acirc;mbito dos <i>Sentimentos Positivos</i>, no indicador Confian&ccedil;a foi tamb&eacute;m inclu&iacute;da a palavra &ldquo;certeza&rdquo;,  assim como as frases &ldquo;N&atilde;o sou a melhor m&atilde;e do mundo. Mas sou a melhor m&atilde;e que a minha filha pode ter!&rdquo; (PP 76). No  indicador Carinho foi inclu&iacute;da a express&atilde;o &ldquo;contacto afetivo&rdquo;, e no indicador Compreens&atilde;o foi considerada a frase  &ldquo;Porque s&oacute; quem est&aacute; &eacute; que percebe o que se passa dentro de n&oacute;s.&rdquo; (GF 31). De igual modo, nos  <i>Sentimentos Negativos</i> o indicador Medo incluiu a palavra &ldquo;receio&rdquo;.</p>     <p>No caso das <i>Pr&aacute;ticas</i>, n&atilde;o se procedeu a qualquer categoriza&ccedil;&atilde;o para al&eacute;m da oferecida pelos  indicadores.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Resultados</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Analisadas as descri&ccedil;&otilde;es e publica&ccedil;&otilde;es marcadas no respeitante &agrave;s dimens&otilde;es referidas, foram  identificadas no total 273 refer&ecirc;ncias aos v&aacute;rios indicadores no <i>corpus</i> de an&aacute;lise. As <i>Atitudes</i> face &agrave;  maternidade est&atilde;o maioritariamente presentes nos textos recolhidos (55% do total das 273 refer&ecirc;ncias), seguidas dos  <i>Sentimentos</i> (19%), das <i>Pr&aacute;ticas</i> (18%) e, de forma quase residual, dos <i>Objetivos</i> da mesma (8%)  (<a href="#f1">Figura 1</a>).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="f1"></a></p>     <p><img src="/img/revistas/aps/v36n1/36n1a04f1.jpg" width="503" height="611"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>A an&aacute;lise dos resultados foi realizada tendo em conta a frequ&ecirc;ncia dos indicadores, por um lado, e a constru&ccedil;&atilde;o das  categorias e subcategorias em fun&ccedil;&atilde;o da caracteriza&ccedil;&atilde;o dos indicadores, por outro.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>An&aacute;lise das frequ&ecirc;ncias</i></p>     <p>A dimens&atilde;o <i>Objetivos</i> da maternidade foi a menos referenciada, apenas com 22 ocorr&ecirc;ncias no total das 273 identificadas (8%).  Ainda assim, foi poss&iacute;vel identificar as categorias emergentes de <i>Curto</i>, <i>M&eacute;dio</i> e <i>Longo prazo</i> para estes  <i>Objetivos</i>.</p>     <p>Os <i>Objetivos</i> de <i>Curto prazo</i> s&atilde;o os mais referidos e dirigem-se essencialmente &agrave; crian&ccedil;a: a  promo&ccedil;&atilde;o da sua <i>Autonomia</i> e <i>Felicidade</i> (<i>n</i>=3) e da sua tomada de <i>Consci&ecirc;ncia</i> do seu papel e da sua  responsabilidade (<i>n</i>=2). A <i>M&eacute;dio prazo</i> a maternidade visa promover o harmonioso <i>Desenvolvimento emocional e social da  crian&ccedil;a</i>, por um lado, com tr&ecirc;s refer&ecirc;ncias cada, mas tamb&eacute;m contribuir para o <i>Fortalecimento da fam&iacute;lia</i>  (<i>n</i>=2). Por fim, e com menor relev&acirc;ncia, a <i>Longo prazo</i> os <i>Objetivos</i> s&atilde;o colocados quer em termos  <i>Individuais</i>, de forma&ccedil;&atilde;o do futuro adulto, quer em termos <i>Coletivos</i>, na constru&ccedil;&atilde;o de um mundo melhor  (<i>n</i>=2).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A dimens&atilde;o <i>Atitudes</i> face &agrave; maternidade foi a mais observada, com 150 refer&ecirc;ncias no total (55%). Aqui, a categoria  mais frequente, <i>Viv&ecirc;ncias da maternidade</i>, alcan&ccedil;ou as 113 refer&ecirc;ncias e foi por sua vez subdividida nas subcategorias  <i>Intera&ccedil;&atilde;o com a crian&ccedil;a</i> (<i>n</i>=58), <i>Desempenho</i> (<i>n</i>=22), <i>Significado</i> (<i>n</i>=17) e  <i>Preocupa&ccedil;&otilde;es</i> (<i>n</i>=16).</p>     <p>No &acirc;mbito dos indicadores que integram a subcategoria <i>Intera&ccedil;&atilde;o com a crian&ccedil;a</i>, que se revelou a mais  frequente, destacam-se as 15 propostas de <i>Modelos de parentalidade</i> espec&iacute;ficos, como por exemplo a Parentalidade com Apego ou a  Disciplina Positiva. O <i>Respeito</i> pela crian&ccedil;a foi identificado 11 vezes, seguindo-se a <i>Promo&ccedil;&atilde;o da</i> sua  <i>seguran&ccedil;a e bem-estar</i> (<i>n</i>=7), a <i>Participa&ccedil;&atilde;o</i> na sua vida e a cria&ccedil;&atilde;o de la&ccedil;os de  <i>Vincula&ccedil;&atilde;o</i> (<i>n</i>=6). A defesa da <i>Igualdade do pai e da m&atilde;e</i> na parentalidade apresenta resultados residuais  (<i>n</i>=1).</p>     <p>O <i>Desempenho</i> da maternidade, ou seja, a forma como a m&atilde;e desempenha ou deve desempenhar o seu papel, foi considerado como  envolvendo <i>Dedica&ccedil;&atilde;o</i> (<i>n</i>=6), <i>Emotividade</i> (envolvimento emocional com a crian&ccedil;a), <i>Instinto</i> materno  (<i>n</i>=5) e <i>Responsabilidade</i> (<i>n</i>=4).</p>     <p>O <i>Significado</i> da maternidade foi descrito como sendo uma <i>Aventura</i> (<i>n</i>=7), um <i>Momento &uacute;nico</i> e  <i>M&aacute;gico</i> (<i>n</i>=3), uma <i>Aprendizagem</i> (<i>n</i>=2) e, por fim, um <i>Presente</i> da vida ou uma  <i>Voca&ccedil;&atilde;o</i>.</p>     <p>A subcategoria menos referida na categoria das <i>Viv&ecirc;ncias</i> prende-se com as <i>Preocupa&ccedil;&otilde;es</i> inerentes &agrave;  maternidade (<i>n</i>=16) e, aqui, a <i>Escolaridade</i> das crian&ccedil;as &eacute; evidenciada em metade dos casos, seguida de perto pela  necessidade de <i>Procura de informa&ccedil;&atilde;o</i> (<i>n</i>=7) por parte da m&atilde;e.</p>     <p>Ainda na dimens&atilde;o <i>Atitudes</i>, a categoria <i>Tipos de Maternidade</i> tem um total de 6 refer&ecirc;ncias. Os indicadores  <i>M&atilde;e trabalhadora</i> e <i>M&atilde;e a tempo inteiro</i> foram referidos equitativamente, com 3 ocorr&ecirc;ncias cada.</p>     <p>Por fim, a dimens&atilde;o <i>Atitudes</i> incluiu a categoria <i>Outras</i> (<i>n</i>=31), que se reportam, por um lado, &agrave;  <i>Valoriza&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia</i> (<i>n</i>=16) e, por outro, &agrave; <i>Valoriza&ccedil;&atilde;o da mulher</i> para al&eacute;m  da maternidade (<i>n</i>=15).</p>     <p>A men&ccedil;&atilde;o a <i>Sentimentos</i> foi observada 53 vezes (19%) e, destas, a grande maioria correspondeu a <i>Sentimentos</i>  considerados <i>Positivos</i> (<i>n</i>=36). A diversidade desses sentimentos &eacute; de 10 no total. Os mais referidos s&atilde;o o <i>Amor</i>  (<i>n</i>=10) e a <i>Felicidade</i> (<i>n</i>=9) dos v&aacute;rios agentes envolvidos, seguidos da <i>Alegria</i> da m&atilde;e (<i>n</i>=5), da  <i>Confian&ccedil;a</i> tamb&eacute;m da m&atilde;e (<i>n</i>=4) e do <i>Carinho</i> desta pela crian&ccedil;a (<i>n</i>=3).</p>     <p>A variedade dos <i>Sentimentos</i> considerados <i>Negativos</i> associados &agrave; maternidade n&atilde;o &eacute; menor, mas o n&uacute;mero  de refer&ecirc;ncias (<i>n</i>=17) &eacute; inferior ao dos <i>Sentimentos Positivos</i> e mais dispersa. O <i>Medo</i>, a <i>D&uacute;vida</i> e o  <i>Anseio</i> da m&atilde;e, s&atilde;o os mais representados, com quatro, tr&ecirc;s e duas refer&ecirc;ncias, respetivamente.</p>     <p>Foram encontradas 48 refer&ecirc;ncias a <i>Pr&aacute;ticas</i> da maternidade (18%), ou seja, comportamentos concretos que envolvem os cuidados  e satisfa&ccedil;&atilde;o das necessidades b&aacute;sicas da crian&ccedil;a. A an&aacute;lise evidencia a preval&ecirc;ncia das tem&aacute;ticas  da <i>Alimenta&ccedil;&atilde;o</i> e <i>Amamenta&ccedil;&atilde;o</i> (<i>n</i>=13), seguidas da <i>Sa&uacute;de/Doen&ccedil;a</i> (<i>n</i>=11).  Os temas <i>Sono</i>, <i>Choro</i> do beb&eacute;, <i>Vestu&aacute;rio</i>, <i>Higiene</i> e <i>Transporte</i> foram referidos mais  residualmente.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><i>An&aacute;lise dos significados</i></p>     <p>Uma primeira abordagem dos resultados permite perceber que os textos<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a> enquadram maioritariamente  a dimens&atilde;o <i>Atitudes</i>, que se refere ao modo como a maternidade &eacute; ou deve ser desempenhada:</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Um grupo de partilha para pais que acreditam na Parentalidade com Apego. Uma forma natural de educar que assenta em oito princ&iacute;pios  importantes (...) 2. Alimentar com amor e respeito. 3. Responder com sensibilidade 4. Usar um toque carinhoso 5. Assegurar um sono seguro do ponto  de vista f&iacute;sico e emocional 6. Providenciar um cuidado amoroso consistente 7. Praticar a disciplina positiva 8. Procurar o equil&iacute;brio  na vida familiar e pessoal. (GF 42)</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Uma an&aacute;lise mais fina das <i>Atitudes</i> permite verificar que os indicadores que estiveram na base da cria&ccedil;&atilde;o da  subcategoria <i>Intera&ccedil;&atilde;o com a crian&ccedil;a</i>, na categoria <i>Viv&ecirc;ncias da maternidade</i>, parecem valorizar sobretudo a  crian&ccedil;a nesta intera&ccedil;&atilde;o, j&aacute; que ela surge sempre como a principal benefici&aacute;ria da mesma, e cabe &agrave;  m&atilde;e seguir bons modelos, respeitando-a, promovendo o seu bem-estar e envolvendo-se nos assuntos que lhe dizem respeito: &ldquo;Acreditamos  que o desmame &eacute; um processo tamb&eacute;m natural, visto como uma etapa no desenvolvimento do beb&eacute;/crian&ccedil;a, que deve ocorrer  natural e gradualmente, guiado sobretudo pelas necessidades do beb&eacute;/crian&ccedil;a sem press&otilde;es de cariz social.&rdquo; (GF 13)</p>     <p>No sentido inverso, mas com o mesmo pressuposto de valoriza&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a, est&aacute; a subcategoria <i>Desempenho</i> da  maternidade, que enfatiza a <i>Dedica&ccedil;&atilde;o</i> da m&atilde;e (&ldquo;m&atilde;e-escrava&rdquo; (PP 19)), a sua <i>Emotividade</i>  [&ldquo;A minha historinha cheia de aventura, emo&ccedil;&atilde;o e muito amor.&rdquo;(PP 71)] e o seu <i>Instinto</i>, que remete para uma  naturaliza&ccedil;&atilde;o de um fazer ou saber fazer [&ldquo;educar e tratar dos nossos filhos usando o nosso instinto primitivo&rdquo; (GF 4)],  e um desempenho do papel pautado pela <i>Responsabilidade</i> [&ldquo;Vamos viver a nossa parentalidade de uma forma respons&aacute;vel&rdquo; (GF  20)].</p>     <p>Na subcategoria <i>Significado</i> da maternidade, a preval&ecirc;ncia do indicador <i>Aventura</i> (&ldquo;acreditamos que criar um filho  &eacute; uma aventura e n&atilde;o vem com manual.&rdquo; (PP 25) pode indiciar este papel como algo que inclui elementos de dificuldade e de  imprevisto, mas tamb&eacute;m de desafio positivo que, associados aos restantes indicadores, remetem para uma atribui&ccedil;&atilde;o de valor  forte e positivo, ou seja, algo <i>M&aacute;gico</i> e <i>&Uacute;nico</i> [&ldquo;A Magia de ser M&atilde;e&rdquo; (PP 17)].</p>     <p>As <i>Preocupa&ccedil;&otilde;es</i> inerentes &agrave; maternidade dividem-se quanto ao sujeito, mas convergem no interesse final. O indicador  <i>Escolaridade</i> da crian&ccedil;a reflete uma preocupa&ccedil;&atilde;o que tem in&iacute;cio no ber&ccedil;&aacute;rio e termina no apoio e  motiva&ccedil;&atilde;o para o estudo (&ldquo;tudo o que envolve a vida escolar dos nossos filhos.&rdquo; (GF 40)). J&aacute; o outro indicador tem  como sujeito a mulher enquanto m&atilde;e, que tem como dever aceder a recursos, neste caso <i>Informa&ccedil;&atilde;o</i>, para garantir o bom  desempenho do seu papel e conseguir cuidar e educar melhor os seus filhos:</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>No nosso website ir&aacute; ter &agrave; sua disposi&ccedil;&atilde;o um conjunto de informa&ccedil;&otilde;es, orienta&ccedil;&otilde;es e  at&eacute; alguns conselhos para as mam&atilde;s durante a gravidez e para todos os pais relativamente ao desenvolvimento do beb&eacute; e da  crian&ccedil;a desde o nascimento at&eacute; aos 12 anos. (PP 49)</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Por fim, <i>Outras</i> categorias afirmam a <i>Valoriza&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia</i> [&ldquo;Porque a FAM&Iacute;LIA &eacute; o mais  importante!&rdquo; (PP 6); &ldquo;Procura apoiar fam&iacute;lias na busca de harmonia e equil&iacute;brio&rdquo; (PP 27)] e a  <i>Valoriza&ccedil;&atilde;o da mulher</i> para al&eacute;m da m&atilde;e [&ldquo;Blogzine de reflex&otilde;es, tend&ecirc;ncias e lifestyle da  mulher trendy e urbana, que &eacute; m&atilde;e.&rdquo; (PP 16); &ldquo;m&atilde;es que conciliam a sua actividade profissional, os seus filhos e  ainda t&ecirc;m projectos criativos e empreendedores.&rdquo; (PP 23)].</p>     <p>Na categoria <i>Sentimentos positivos</i>, a preval&ecirc;ncia do <i>Amor</i> e da <i>Felicidade</i> parecem apresentar a maternidade como  proporcionando emo&ccedil;&otilde;es maioritariamente positivas, n&atilde;o s&oacute; &agrave; crian&ccedil;a como &agrave; m&atilde;e e, de um  modo geral, &agrave; fam&iacute;lia: &ldquo;SOMOS FAM&Iacute;LIA | Onde a vida come&ccedil;a e o Amor nunca acaba!!!&rdquo; (PP 28); &ldquo;Somos a  semente de um projeto inovador que pretende conjugar os conceitos de Crescimento, Familia e Parentalidade Positiva em torno de quem todos os dias  nos apaixona e que consideramos o melhor do mundo&hellip;as (nossas) Crian&ccedil;as.&rdquo; (PP 79).</p>     <p>Os <i>Sentimentos Negativos</i> mais referidos (<i>Medo</i>, <i>D&uacute;vida</i> e <i>Anseio</i>) parecem caracterizar as pessoas que querem  responder &agrave;s expectativas associadas a uma boa m&atilde;e, mas t&ecirc;m receio de n&atilde;o conseguir: &ldquo;Aventuras,  experi&ecirc;ncias, alegrias e medos, de uma mam&atilde; em aprendizagem,&rdquo; (PP 56); &ldquo;Sou uma m&atilde;e como todas as outras, de carne  e osso, com as minhas d&uacute;vidas, com os meus receios e com os meus anseios mas com uma grande certeza, a de querer fazer escolhas conscientes  e informadas.&rdquo; (PP 76). J&aacute; os restantes, referidos apenas uma vez cada (<i>Ang&uacute;stia</i>, <i>Depress&atilde;o</i>,  <i>Desventura</i>, <i>Dor</i>, <i>Esmagamento</i>, <i>Isolamento</i>, <i>Trauma</i>, <i>Tristeza</i>) parecem ser indicadores de des&acirc;nimo na  experi&ecirc;ncia de maternidade: &ldquo;Tudo passa... Mas enquanto n&atilde;o passa d&oacute;i e aqui pode ser que doa menos!&rdquo; (GF 48);  &ldquo;&Eacute; uma grande alegria sim mas muitas vezes tamb&eacute;m tem per&iacute;odos, por vezes longos, de muita tristeza e  ang&uacute;stia.&rdquo; (GF 48).</p>     <p>Noutra perspetiva, verifica-se que as dimens&otilde;es <i>Sentimentos</i> e <i>Pr&aacute;ticas</i> apresentam ocorr&ecirc;ncias bastante  equivalentes, o que coloca praticamente a par a incid&ecirc;ncia dos discursos acerca dos sentimentos das m&atilde;es e as tarefas associadas ao  cuidar e criar. Estes resultados parecem evidenciar um modelo de maternidade em que as <i>Pr&aacute;ticas</i> e os <i>Sentimentos</i>, o cuidar e o  sentir, assumem igual valor: &ldquo;Alimentar [a crian&ccedil;a] com amor e respeito&rdquo; (GF 42).</p>     <p>Os <i>Objetivos</i> da maternidade apresentam-se comparativamente pouco representados, como se fossem evidentes ou de partilha menos relevante:  &ldquo;solu&ccedil;&otilde;es para uma maternidade e inf&acirc;ncia felizes.&rdquo; (PP 55). Al&eacute;m disso, a dimens&atilde;o <i>Objetivos</i>  surge maioritariamente associada &agrave; crian&ccedil;a ou &agrave; pessoa em que ela se tornar&aacute; e mais residualmente se foca em  quest&otilde;es mais coletivas, como a fam&iacute;lia ou a sociedade:</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Este &eacute; um espa&ccedil;o de partilha, de apoio e de encontro para todas as M&atilde;es e todos os Pais em Transi&ccedil;&atilde;o que  querem viver e dar aos filhos uma vida melhor, com valores e princ&iacute;pios distintos dos que est&atilde;o, infelizmente, institu&iacute;dos na  nossa sociedade. (GF 14)</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Discuss&atilde;o</b></p>     <p>&Agrave; luz dos objetivos deste estudo, que pretendiam identificar o modelo de maternidade dominante nas descri&ccedil;&otilde;es e  publica&ccedil;&otilde;es marcadas dos v&aacute;rios s&iacute;tios portugueses do <i>Facebook</i> (PP, GF e GP) feitos por ou para m&atilde;es e,  de igual modo, identificar as caracter&iacute;sticas desse e de outro(s) modelo(s) relativamente aos <i>Objetivos</i>, <i>Atitudes</i>,  <i>Sentimentos</i> e <i>Pr&aacute;ticas</i> atribu&iacute;dos &agrave; maternidade, os resultados encontrados podem ser considerados interessantes  na medida em que parecem ir ao encontro da predomin&acirc;ncia do modelo <i>intensivo</i> de maternidade tal como descrito por Elliott et al.  (2015), segundo o qual a m&atilde;e deve dedicar-se &agrave; crian&ccedil;a de forma abnegada e significativa em termos de cuidados, sentimentos,  educa&ccedil;&atilde;o, escolaridade e procura de informa&ccedil;&atilde;o, e que este &eacute; o padr&atilde;o para a felicidade da m&atilde;e e o  bem-estar da crian&ccedil;a.</p>     <p>Indicadores do modelo de maternidade <i>intensivo</i> operacionalizados na <a href="#t1">Tabela 1</a> foram identificados em todas as  dimens&otilde;es observadas. Os <i>Objetivos</i> da maternidade, independentemente da temporalidade associada, s&atilde;o maioritariamente focados  na crian&ccedil;a, no seu bem-estar e no seu desenvolvimento.</p>     <p>A preval&ecirc;ncia da dimens&atilde;o <i>Atitudes</i> sobre as restantes pode indiciar alguma normatividade nos discursos e, portanto, refletir  um conjunto de expectativas sociais e frequentemente assumidas pelas pr&oacute;prias m&atilde;es relativamente &agrave; forma de desempenhar este  papel: preconizam-se modelos de parentalidade &ldquo;Positiva&rdquo;, de elevado respeito e considera&ccedil;&atilde;o pela crian&ccedil;a na  intera&ccedil;&atilde;o e de grande envolvimento na sua educa&ccedil;&atilde;o, forma&ccedil;&atilde;o e estimula&ccedil;&atilde;o; no conjunto, os  indicadores do <i>Significado</i> da maternidade parecem apresent&aacute;-la como uma experi&ecirc;ncia intensa, desafiante e positiva para as  m&atilde;es; espera-se tamb&eacute;m do seu <i>Desempenho</i> que a m&atilde;e seja dedicada, emotiva, respons&aacute;vel, que siga o seu instinto,  que se preocupe com a <i>Escolaridade</i> da crian&ccedil;a e que procure manter-se informada no que a ela concerne.</p>     <p>De igual modo, a preval&ecirc;ncia dos <i>Sentimentos Positivos</i> enquadra-se no modelo <i>intensivo</i> de maternidade, na medida em que  estes se pautam, essencialmente, pelo <i>Amor</i> e <i>Carinho</i> pela crian&ccedil;a, por um lado, e pela <i>Alegria</i>, <i>Felicidade</i> e  <i>Confian&ccedil;a</i> quer da m&atilde;e quer da crian&ccedil;a, por outro. J&aacute; os <i>Sentimentos Negativos</i> s&atilde;o  atribu&iacute;dos apenas &agrave; m&atilde;e e os mais referenciados &ndash; <i>Medo</i>, <i>D&uacute;vidas</i> e <i>Anseios</i> &ndash; podem  traduzir a ansiedade de desempenho face &agrave;s exig&ecirc;ncias do modelo <i>intensivo</i>. Esta aparente inseguran&ccedil;a &eacute;  compat&iacute;vel com outros resultados (cf. <i>Pr&aacute;ticas</i>, <i>Intera&ccedil;&atilde;o com a crian&ccedil;a</i>, <i>Desempenho</i> e  <i>Preocupa&ccedil;&otilde;es</i>) que atribuem &agrave; m&atilde;e responsabilidades significativas. Este modelo ideal est&aacute; associado ao  sofrimento e inadequa&ccedil;&atilde;o pessoal transmitidos pelos indicadores <i>Ang&uacute;stia</i>, <i>Depress&atilde;o</i>, <i>Dor</i>,  <i>Esmagamento</i>, <i>Isolamento</i>, <i>Trauma</i> e <i>Tristeza</i>, sentidos pelas m&atilde;es, que indiciam a sensa&ccedil;&atilde;o de  fracasso pessoal face &agrave;s expectativas sociais e pessoais. O modelo <i>intensivo</i> (aqui constatado como dominante) pode assim gerar estes  sentimentos de inadequa&ccedil;&atilde;o quando as m&atilde;es n&atilde;o encontram, nesta forma de maternidade, o bem-estar e a  realiza&ccedil;&atilde;o que lhe associavam.</p>     <p>As <i>Pr&aacute;ticas</i> associadas &agrave; maternidade refor&ccedil;am os restantes resultados no que diz respeito &agrave;  afeta&ccedil;&atilde;o de recursos &agrave; crian&ccedil;a e aos temas do quotidiano associados ao provimento das necessidades b&aacute;sicas da  crian&ccedil;a: a promo&ccedil;&atilde;o da <i>Amamenta&ccedil;&atilde;o</i>, a <i>Alimenta&ccedil;&atilde;o</i> e os cuidados de  <i>Sa&uacute;de</i>. Simultaneamente, os objetivos das <i>Pr&aacute;ticas</i> surgem associados ao bem-estar n&atilde;o s&oacute; da  crian&ccedil;a, mas tamb&eacute;m da m&atilde;e e, mais genericamente, da fam&iacute;lia. Assim, esta dimens&atilde;o n&atilde;o &eacute;  enquadr&aacute;vel apenas num modelo de maternidade.</p>     <p>S&atilde;o claramente minorit&aacute;rios, embora presentes, os indicadores associ&aacute;veis a um modelo <i>extensivo</i> (Christopher, 2012)  ou <i>negociado</i> (Badinter, 2010) de maternidade, embora estes se apresentem em menor diversidade. &Eacute; o caso dos <i>Objetivos</i>  familiares e sociais, em que a crian&ccedil;a partilha o protagonismo com outros agentes e &eacute; encarada como integrando uma comunidade. O  mesmo acontece na dimens&atilde;o <i>Atitudes</i> quando &eacute; valorizada a <i>Fam&iacute;lia</i> como um todo e tamb&eacute;m a <i>Mulher</i>  para al&eacute;m da m&atilde;e. A men&ccedil;&atilde;o &agrave; <i>Igualdade na parentalidade</i>, outro indicador do modelo <i>extensivo</i>, foi  referida de forma expl&iacute;cita apenas uma vez. O facto de diversas p&aacute;ginas e grupos se dirigirem aos &ldquo;pais&rdquo; e n&atilde;o  apenas &agrave; m&atilde;e enquanto p&uacute;blico-alvo n&atilde;o nos permite aferir qual a sua posi&ccedil;&atilde;o relativamente a essa mesma  igualdade.</p>     <p>O modelo <i>intensivo</i> prevalece quer se fale de m&atilde;es trabalhadoras ou de m&atilde;es a tempo inteiro, j&aacute; que esta  vari&aacute;vel, presente de forma equitativa em termos de ocorr&ecirc;ncias na categoria <i>Tipos de Maternidade</i>, n&atilde;o &eacute;  considerada determinante. Nos textos em an&aacute;lise, os n&iacute;veis de exig&ecirc;ncia relativamente ao desempenho maternal mant&ecirc;m-se e  todas s&atilde;o consideradas &ldquo;Super M&atilde;es&rdquo; (GF 21) cuja acumula&ccedil;&atilde;o de responsabilidades &eacute; vista como  &ldquo;alucinante&rdquo; (PP 24) independentemente da sua posi&ccedil;&atilde;o face ao trabalho, o que vai ao encontro da proposta de Matias et  al. (2011) de manuten&ccedil;&atilde;o de valores tradicionais na divis&atilde;o de pap&eacute;is em fun&ccedil;&atilde;o do g&eacute;nero no  quotidiano familiar portugu&ecirc;s e a sua aceita&ccedil;&atilde;o e reprodu&ccedil;&atilde;o por parte da pr&oacute;pria mulher. Neste sentido, o  modelo <i>extensivo</i> de articula&ccedil;&atilde;o equilibrada ou negociada pela mulher dos seus v&aacute;rios pap&eacute;is n&atilde;o parece  ser reconhecido pelos s&iacute;tios ou utilizado pelas m&atilde;es que integraram este <i>corpus</i> de an&aacute;lise.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A an&aacute;lise realizada parece confirmar o recurso &agrave; rede social <i>Facebook</i> quer por parte das m&atilde;es (Neubaum &amp;  Kraemer, 2015) para partilha de experi&ecirc;ncias pessoais e procura de informa&ccedil;&atilde;o, quer por parte de agentes que, por esta via,  tentam promover boas pr&aacute;ticas, modelos de parentalidade e apoio emocional a m&atilde;es e/ou a pais. No mesmo sentido, a  veicula&ccedil;&atilde;o predominante do modelo de maternidade <i>intensivo</i> vai ao encontro da proposta de Madge e Connor (2006) de que  estere&oacute;tipos, modelos e valores est&atilde;o presentes em diversos s&iacute;tios da internet. O car&aacute;ter inovador deste estudo reside,  precisamente, na tentativa de identificar e caracterizar alguns desses estere&oacute;tipos, modelos e valores.</p>     <p>N&atilde;o obstante o car&aacute;ter inovador deste trabalho e a aparente consist&ecirc;ncia dos resultados obtidos, algumas  limita&ccedil;&otilde;es devem ser reportadas. Por um lado, os conte&uacute;dos foram analisados de forma qualitativa pelos autores e a respetiva  categoriza&ccedil;&atilde;o foi acordada entre eles sem preocupa&ccedil;&atilde;o de quantifica&ccedil;&atilde;o. Por outro lado, n&atilde;o foi  considerada a caracteriza&ccedil;&atilde;o socioecon&oacute;mica e profissional dos autores e administradores dos s&iacute;tios e, portanto,  n&atilde;o foi poss&iacute;vel aferir a sua influ&ecirc;ncia nos resultados obtidos. Aquela informa&ccedil;&atilde;o raramente estava  dispon&iacute;vel <i>on-line</i> e o seu pedido expresso poderia colidir com os objetivos previstos para a etapa seguinte do nosso estudo: a  an&aacute;lise das publica&ccedil;&otilde;es e coment&aacute;rios de alguns destes s&iacute;tios ao longo de 2015. Com esta segunda abordagem  pretendemos aprofundar o estudo agora realizado, o que permitir&aacute; afinar a caracteriza&ccedil;&atilde;o do modelo de maternidade normativo e  as suas implica&ccedil;&otilde;es no quotidiano e bem-estar das m&atilde;es portuguesas utilizadoras do <i>Facebook</i>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conclus&atilde;o</b></p>     <p>Os resultados parecem indicar claramente uma preval&ecirc;ncia do modelo de maternidade <i>intensivo</i> e a sua promo&ccedil;&atilde;o nas  p&aacute;ginas e grupos do <i>Facebook</i> dedicadas ao tema, o que espelha expectativas sociais quanto ao papel materno e pode ter efeitos nas  expectativas das pr&oacute;prias mulheres que querem ser ou s&atilde;o m&atilde;es, ou mesmo sobre as suas decis&otilde;es de maternidade. Trata-se  de um modelo que est&aacute; associado a uma vis&atilde;o tradicional do papel da mulher, de um modelo que prioriza a crian&ccedil;a e a  inf&acirc;ncia face &agrave;s necessidades e interesses das m&atilde;es enquanto mulheres e que pode ser dif&iacute;cil de cumprir por m&atilde;es  que n&atilde;o se dediquem aos seus filhos a tempo inteiro, como &eacute; o caso da maioria das m&atilde;es portuguesas, que exercem uma atividade  profissional. M&atilde;es que, por conting&ecirc;ncias diversas, n&atilde;o adotem no quotidiano as <i>Pr&aacute;ticas</i> e <i>Atitudes</i> ou  n&atilde;o sintam os <i>Sentimentos</i> prescritos por este modelo (nomeadamente o <i>amor maternal</i> a que Badinter (1986) se refere) podem ver  comprometido o seu bem-estar, o seu sentimento de autoefic&aacute;cia e a sua autoestima. Alguns dos <i>Sentimentos negativos</i> detetados podem  ser disso express&atilde;o. O modelo de maternidade <i>extensivo</i> ou <i>negociado</i>, tamb&eacute;m identificado nestes s&iacute;tios mas  claramente minorit&aacute;rio, sendo mais igualit&aacute;rio em termos de g&eacute;nero j&aacute; que considera que a m&atilde;e n&atilde;o tem que  ser a &uacute;nica cuidadora da crian&ccedil;a, apresenta-se como mais concili&aacute;vel com a vida profissional das m&atilde;es portuguesas.</p>     <p>Este estudo integra um projeto de investiga&ccedil;&atilde;o mais vasto que pretende conhecer de forma aprofundada o modelo de maternidade  social e culturalmente dominante em Portugal e, posteriormente, abordar os efeitos nas m&atilde;es de eventuais desvios a este modelo e identificar  estrat&eacute;gias quotidianas de adapta&ccedil;&atilde;o e negocia&ccedil;&atilde;o a que elas recorrem no sentido de conciliar de forma funcional  os seus pap&eacute;is profissional, social e familiar.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>     <p>Alstveit, M., Severinsson, E., &amp; Karlsen, B. (2011). Readjusting one&rsquo;s life in the tension inherent in work and motherhood. <i>Journal  of Advanced Nursing, 67</i>, 2151-2160. doi: 10.1111/j.1365-2648.2011.05660.x</p>     <p>Badinter, E. (1986). <i>O amor incerto &ndash; Hist&oacute;ria do amor maternal do s&eacute;c. XVII ao s&eacute;c. XX</i>. Lisboa:  Rel&oacute;gio D&rsquo;&Aacute;gua.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Badinter, E. (2010). <i>O conflito: A mulher e a m&atilde;e</i>. Lisboa: Rel&oacute;gio D&rsquo;&Aacute;gua Editores.</p>     <!-- ref --><p>Bardin, L. (1979). <i>An&aacute;lise de conte&uacute;do</i>. Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es 70.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=036824&pid=S0870-8231201800010000400003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Bartholomew, M. K., Schoppe-Sullivan, S. J., Glassman, M., Kamp Dush, C. M., &amp; Sullivan, J. M. (2012). New parents&rsquo; Facebook use at  the transition to parenthood. <i>Family Relations, 61</i>, 455-469. doi: 10.1111/j.1741-3729.2012.00708.x</p>     <!-- ref --><p>Birns, B., &amp; Hay, D. F. (Eds.). (1988). <i>The different faces of motherhood</i>. New York: Plenum Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=036827&pid=S0870-8231201800010000400005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Christopher, K. (2012). Extensive mothering: Employed mothers&rsquo; constructions of the good mother. <i>Gender &amp; Society, 26</i>,  73-96.</p>     <!-- ref --><p>Drentea, P., &amp; Moren-Cross, J. L. (2005). Social capital and social support on the web: The case of an internet mother site. <i>Sociology of  Health &amp; Illness, 27</i>, 920-943. doi: 10.1111/j.1467-9566.2005.00464.x&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=036830&pid=S0870-8231201800010000400007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Elliott, S., Powell, R., &amp; Brenton, J. (2015). Being a good mom: Low-income, black single mothers negotiate intensive mothering. <i>Journal  of Family Issues, 36</i>, 351-370. doi: 10.1177/0192513X13490279&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=036831&pid=S0870-8231201800010000400008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Holtz, B., Smock, A., &amp; Reyes-Gastelum, D. (2015). Connected motherhood: Social support for moms and moms-to-be on Facebook. <i>Telemedicine  and E-Health, 21</i>, 415-421. doi: 10.1089/tmj.2014.0118&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=036832&pid=S0870-8231201800010000400009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Kaufmann, R., &amp; Buckner, M. M. (2014). To connect or promote?: An exploratory examination of facebook pages dedicated to moms. <i>Computers  in Human Behaviour, 35</i>, 479-482. doi: 10.1016/j.chb.2014.02.030&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=036833&pid=S0870-8231201800010000400010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Madge, C., &amp; O&rsquo;Connor, H. (2006). Parenting gone wired: Empowerment of new mothers on the internet?. <i>Social &amp; Cultural  Geography, 7</i>, 199-220. doi: 10.1080/14649360600600528</p>     <!-- ref --><p>Matias, M., Andrade, C., &amp; Fontaine, A. M. (2011). Diferen&ccedil;as de g&eacute;nero no conflito trabalho-fam&iacute;lia: Um estudo com  fam&iacute;lias portuguesas de duplo-emprego com filhos em idade pr&eacute;-escolar. <i>Psicologia, 25</i>, 9-32. Dispon&iacute;vel em  <a href="http://dx.doi.org/10.17575/rpsicol.v25i1.277" target="_blank">http://dx.doi.org/10.17575/rpsicol.v25i1.277</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=036835&pid=S0870-8231201800010000400012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Milkie, M. A., Nomaguchi, K. M., &amp; Denny, K. E. (2015). Does the amount of time mothers spend with children or adolescents matter?.  <i>Journal of Marriage and Family, 77</i>, 355-372. doi: 10.1111/jomf.12170&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=036836&pid=S0870-8231201800010000400013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Monteiro, R. (2005). <i>O que dizem as m&atilde;es: Mulheres trabalhadoras e suas experi&ecirc;ncias</i>. Coimbra: Quarteto.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=036837&pid=S0870-8231201800010000400014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Neubaum, G., &amp; Kraemer, N. C. (2015). My friends right next to me: A laboratory investigation on predictors and consequences of experiencing  social closeness on social networking sites. <i>Cyberpsychology Behavior and Social Networking, 18</i>, 443-449. doi: 10.1089/cyber.2014.0613&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=036839&pid=S0870-8231201800010000400015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>OBERCOM. (2014). <i>A internet em Portugal. Sociedade em rede 2014</i>. Obercom.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=036840&pid=S0870-8231201800010000400016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b><a name="c0" id="c0"></a><a href="#topc0">CORRESPONDÊNCIA</a></b></p>     <p>A correspond&ecirc;ncia relativa a este artigo dever&aacute; ser enviada para: Filipa C&eacute;sar, Faculdade de Psicologia e deCi&ecirc;ncias da  Educa&ccedil;&atilde;o da Universidade do Porto, Rua Alfredo Allen, 4200-135 Porto, Portugal. E-mail:  <a href="mailto:filipa.cesar@gmail.com">filipa.cesar@gmail.com</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Trabalho financiado pela FCT &ndash; Funda&ccedil;&atilde;o para a Ci&ecirc;ncia e Tecnologia, atrav&eacute;s da atribui&ccedil;&atilde;o de  uma Bolsa de Doutoramento (SFRH/BD/110262/2015) &agrave; primeira autora.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Submiss&atilde;o: 24/09/2016 Aceita&ccedil;&atilde;o: 26/02/2017</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>NOTES</p>     <p><sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></sup> <i>Publica&ccedil;&otilde;es marcadas</i> s&atilde;o mensagens colocadas por um dos  administradores do s&iacute;tio e que surgem sempre no topo das publica&ccedil;&otilde;es, descrevendo, principalmente, os princ&iacute;pios do  grupo, as regras de funcionamento ou evidenciando temas em destaque.</p>     <p><sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></sup> No caso dos GF, s&oacute; s&atilde;o apresentados excertos de frases completas dos grupos cuja  divulga&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do foi expressamente autorizada pelos administradores dos mesmos, ou seja, de 13 GF.</p>     ]]></body>
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