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<journal-title><![CDATA[Análise Psicológica]]></journal-title>
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<article-id>S0870-82312018000300001</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.14417/ap.1293</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Modelo instrutivo 4C/ID: Efeitos sobre as abordagens à aprendizagem de alunos do 9º ano]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[4C/ID instructional design model: Effects on the students approaches to learning on 9th grade]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade de Lisboa Instituto de Educação ]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The main purpose of this paper is to present the research results of the use of a digital learning environment, built with the four components instructional design model (4C/ID-model), on the students’ approach to learning. We used the digital environment to teach the subject of electrical circuits to 9th grade students. We formed two groups: the experimental group (nE=76) in which electrical circuits were taught with the digital learning environment (student-centered strategy) and a control group (nC=49) in which a conventional method (teacher-centered strategy) was used to teach the subject of electrical circuits. To assess the students approach to learning we used the “Inventário de Processos de Estudo” validated to several samples of the Portuguese student population. The results revealed that: (1) the two groups were equivalent on the surface and deep variables in the pre-test; (2) on the post-test, for the experimental group, there was a decrease of the surface learning approach and an increase of the deep learning approach, and there were no significant changes in the control group. The analysis of the qualitative data derived from the experimental process, based on the classes’ observation and in interviews with the teachers, allowed us to explain some characteristics of the digital learning environment, which allowed us to interpret the results more accurately. The multidimensional nature of the “approach to learning” construct was evident by the low effect sizes.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Abordagem à aprendizagem]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Abordagem profunda]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Abordagem superficial]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Modelo 4C/D]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Students approach to learning]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Deep approach]]></kwd>
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<kwd lng="en"><![CDATA[4C/ID-model]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>Modelo instrutivo 4C/ID: Efeitos sobre as abordagens &agrave; aprendizagem de alunos do 9&ordm; ano</b></p>     <p><b>4C/ID instructional design model: Effects on the students approaches to learning on 9<Sup>th</Sup> grade</b></p>     <p><b>M&aacute;rio Marcelino Lu&iacute;s de Melo<sup>1</sup>, Guilhermina Lobato Miranda<sup>1</sup></b></p>     <p><sup>1</sup>Instituto de Educa&ccedil;&atilde;o da Universidade de Lisboa, Lisboa, Portugal</p>     <p><a name="topc0"></a><a href="#c0">Correspondência</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Este artigo tem como principal objetivo apresentar os resultados de uma investiga&ccedil;&atilde;o sobre o efeito da utiliza&ccedil;&atilde;o de  um ambiente de aprendizagem digital, destinado ao ensino dos circuitos el&eacute;tricos e constru&iacute;do com base no modelo de Desenho  Instrutivo de Quatro Componentes (4C/ID), sobre o tipo de abordagem &agrave; aprendizagem adotada por alunos do 9&ordm;ano.</p>     <p>Constitu&iacute;mos dois grupos: um experimental (<i>n<sub>E</i></sub>=76), no qual o tema circuitos el&eacute;tricos foi ensinado com o  ambiente digital (estrat&eacute;gia centrada no aluno) e um grupo de controlo (<i>n<sub>C</i></sub>=49), no qual o tema circuitos el&eacute;tricos  foi ensinado com base num m&eacute;todo convencional (estrat&eacute;gia centrada no professor). Para caracterizar o tipo de abordagem &agrave;  aprendizagem adotado pelos alunos us&aacute;mos o Invent&aacute;rio de Processos de Estudo (IPE) validado para v&aacute;rias amostras da  popula&ccedil;&atilde;o estudantil portuguesa.</p>     <p>Os resultados revelaram: (1) equival&ecirc;ncia no pr&eacute;-teste entre os dois grupos ao n&iacute;vel das vari&aacute;veis abordagens  superficial e profunda; (2) no p&oacute;s-teste, para o grupo experimental, ocorreu uma diminui&ccedil;&atilde;o do uso da abordagem superficial e  um aumento da pontua&ccedil;&atilde;o para a vari&aacute;vel abordagem profunda, n&atilde;o havendo altera&ccedil;&otilde;es significativas nestas  vari&aacute;veis no grupo de controlo. A an&aacute;lise dos dados qualitativos da descri&ccedil;&atilde;o do processo experimental, feita com base  em observa&ccedil;&atilde;o das aulas e em entrevistas aos professores, permitiu-nos explicitar algumas caracter&iacute;sticas do ambiente de  aprendizagem digital, tornando mais clara a interpreta&ccedil;&atilde;o dos resultados. O car&aacute;cter multidimensional do constructo  &ldquo;abordagem &agrave; aprendizagem&rdquo; evidenciou-se pelos valores de magnitude de efeito, que se mostraram globalmente baixos.    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>     <p><b>Palavras-chave</b>: Abordagem &agrave; aprendizagem, Abordagem profunda, Abordagem superficial, Modelo 4C/D.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>The main purpose of this paper is to present the research results of the use of a digital learning environment, built with the four components  instructional design model (4C/ID-model), on the students&rsquo; approach to learning. We used the digital environment to teach the subject of  electrical circuits to 9<Sup>th</Sup> grade students.</p>     <p>We formed two groups: the experimental group (<i>n<sub>E</i></sub>=76) in which electrical circuits were taught with the digital learning  environment (student-centered strategy) and a control group (<i>n<sub>C</i></sub>=49) in which a conventional method (teacher-centered strategy)  was used to teach the subject of electrical circuits. To assess the students approach to learning we used the &ldquo;Invent&aacute;rio de  Processos de Estudo&rdquo; validated to several samples of the Portuguese student population.</p>     <p>The results revealed that: (1) the two groups were equivalent on the surface and deep variables in the pre-test; (2) on the post-test, for the  experimental group, there was a decrease of the surface learning approach and an increase of the deep learning approach, and there were no  significant changes in the control group. The analysis of the qualitative data derived from the experimental process, based on the classes&rsquo;  observation and in interviews with the teachers, allowed us to explain some characteristics of the digital learning environment, which allowed us  to interpret the results more accurately. The multidimensional nature of the &ldquo;approach to learning&rdquo; construct was evident by the low  effect sizes.</p>     <p><b>Key words</b>: Students approach to learning, Deep approach, Surface approach, 4C/ID-model.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A investiga&ccedil;&atilde;o sobre as abordagens &agrave; aprendizagem iniciou-se na d&eacute;cada de 70 com os trabalhos de Marton e  S&auml;lj&ouml; (1976a,b) sobre o processo de aprendizagem. Estes autores recolheram um conjunto de dados que lhes permitiu analisar a forma como  os alunos entendiam e abordavam a leitura de um texto. Surgiu o conceito de &ldquo;abordagem &agrave; aprendizagem&rdquo; que deu origem ao quadro  te&oacute;rico de Abordagem &agrave; Aprendizagem (<i>Student Approaches to Learning</i> &ndash; SAL). Desde essa &eacute;poca, o conceito foi  sendo usado por outros investigadores que, a par da metodologia qualitativa usada por estes primeiros investigadores, desenvolveram m&eacute;todos  quantitativos e instrumentos que permitem medir o constructo recorrendo a question&aacute;rios (escala e invent&aacute;rios). Os autores que mais  se salientam neste dom&iacute;nio s&atilde;o Biggs (1988) e Entwistle (1990).</p>     <p>O objetivo deste estudo &eacute; investigar o efeito da utiliza&ccedil;&atilde;o de um ambiente de aprendizagem digital concebido com o modelo  de desenho educacional de quatro componentes (<i>Four Componentes Instructional Design Model</i> &ndash; 4C/ID) sobre as abordagens &agrave;  aprendizagem adotadas por um conjunto de alunos do 9&ordm; ano do terceiro ciclo do ensino b&aacute;sico.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Revis&atilde;o da literatura</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>O modelo instrutivo de quatro componentes (4C-ID)</i></p>     <p>O modelo instrutivo de quatro componentes (4C/ID) preconiza que, para a aquisi&ccedil;&atilde;o de aprendizagens complexas (aprendizagens que  envolvem a integra&ccedil;&atilde;o de conhecimentos, compet&ecirc;ncias e atitudes), s&atilde;o necess&aacute;rios quatro componentes: (1)  <i>tarefas de aprendizagem</i>, que exigem que os alunos integrem e coordenem muitos, sen&atilde;o todos, os aspetos do desempenho relacionados com  a resolu&ccedil;&atilde;o de problemas e os racioc&iacute;nios que lhes subjazem; (2) <i>informa&ccedil;&atilde;o de apoio</i>, que serve de  aux&iacute;lio &agrave; aprendizagem e &agrave; resolu&ccedil;&atilde;o das tarefas de aprendizagem e onde &eacute; apresentada a melhor abordagem  &agrave; resolu&ccedil;&atilde;o dos problemas, fazendo a ponte entre os novos conhecimentos e os conhecimentos pr&eacute;vios dos alunos; (3)  <i>informa&ccedil;&atilde;o processual</i>, que constitui um requisito para a realiza&ccedil;&atilde;o das tarefas, por exemplo, atrav&eacute;s de  um algoritmo para explicitar os aspetos rotineiros que devem ser executados; esta informa&ccedil;&atilde;o s&oacute; surge no momento exato em que  o aluno necessita dela, diminuindo desta forma a sobrecarga cognitiva; um exemplo deste tipo de informa&ccedil;&atilde;o corresponde &agrave;s  mensagens que surgem do sistema de <i>feedback</i> corretivo e cognitivo durante a realiza&ccedil;&atilde;o das tarefas de aprendizagem; e (4)  <i>pr&aacute;tica nas tarefas</i>, que s&atilde;o exerc&iacute;cios adicionais centrados em aspetos rotineiros das tarefas e que necessitam de  maior treino; este componente s&oacute; &eacute; usado quando as tarefas de aprendizagem n&atilde;o suscitam uma repeti&ccedil;&atilde;o suficiente  para se atingir o n&iacute;vel de automaticidade pretendido (van Merri&euml;nboer &amp; Kester, 2014).</p>     <p>O modelo 4C/ID foi desenvolvido com base na Teoria da Carga Cognitiva de Sweller (Sweller, Ayres, &amp; Kalyuga, 2011) e na Teoria da  Aprendizagem Multim&eacute;dia de Mayer (Mayer, 2014), ambas integradas na Abordagem do Processamento de Informa&ccedil;&atilde;o, que preconiza  que a arquitetura cognitiva humana consiste numa mem&oacute;ria de trabalho com capacidade limitada que interage com a mem&oacute;ria de longo  prazo que tem capacidade ilimitada (Paas, Tuovinen, Tabbers, &amp; Gerven 2003).</p>     <p>A Teoria da Carga Cognitiva contribui para este modelo instrutivo com um conjunto de procedimentos empiricamente validados, aos quais devem  obedecer as mensagens educativas, de modo a gerir de forma eficiente a carga cognitiva imposta pelos materiais instrutivos, libertando a capacidade  da mem&oacute;ria de trabalho e promovendo a constru&ccedil;&atilde;o e reconstru&ccedil;&atilde;o de esquemas mentais na mem&oacute;ria de longo  prazo (Kirschner, 2002).</p>     <p>A Teoria da Aprendizagem Multim&eacute;dia tem a particularidade de ser muito &uacute;til para quem concebe recursos educativos digitais, como  &eacute; o nosso caso, pois parte do princ&iacute;pio que as pessoas aprendem melhor quando se associam palavras e imagens do que quando se usam  apenas palavras (Princ&iacute;pio da Aprendizagem Multim&eacute;dia). Esta associa&ccedil;&atilde;o deve ser feita tendo em  considera&ccedil;&atilde;o o sistema cognitivo de processamento de informa&ccedil;&atilde;o, nomeadamente as suas potencialidades e  limita&ccedil;&otilde;es (Mayer, 2014). A Teoria da Aprendizagem Multim&eacute;dia tem em considera&ccedil;&atilde;o tr&ecirc;s pressupostos: (1) a  capacidade limitada do sistema mnem&oacute;nico humano; (2) o fato de o sistema de mem&oacute;ria humano possuir dois canais distintos para o  processamento da informa&ccedil;&atilde;o visual e verbal, cada um com capacidade limitada; e (3) o pressuposto de que a aprendizagem  &ldquo;ativa&rdquo; corresponde a um conjunto coordenado de processos cognitivos que s&atilde;o condi&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria para que a  aprendizagem ocorra. A partir desta teoria foi desenvolvido um conjunto de princ&iacute;pios, empiricamente validados, que ajudam a construir  recursos educativos digitais que promovem mais e melhor aprendizagem (Mayer &amp; Moreno, 2002).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><i>Tipos de abordagens &agrave; aprendizagem</i></p>     <p>O constructo &ldquo;abordagens &agrave; aprendizagem&rdquo; procura representar o modo como os alunos se relacionam com as tarefas de  aprendizagem, contribuindo para a compreens&atilde;o das diferen&ccedil;as entre os alunos quando estes se envolvem na resolu&ccedil;&atilde;o de  uma tarefa de aprendizagem.</p>     <p>As abordagens &agrave; aprendizagem s&atilde;o caracterizadas por Biggs como &ldquo;o processo de aprendizagem que emerge da  perce&ccedil;&atilde;o dos alunos sobre a tarefa acad&eacute;mica, influenciado pelas caracter&iacute;sticas pessoais&rdquo; (Biggs, 1988, p. 185)  e por fatores relacionados com o contexto (natureza das tarefas de aprendizagem, m&eacute;todo de ensino, avalia&ccedil;&atilde;o, etc.). Segundo  este autor estes fatores podem influenciar a qualidade da aprendizagem atrav&eacute;s do tipo de abordagem &agrave; aprendizagem que os alunos  adotam. V&aacute;rios autores (Cowman, 1998; Lorillard, 1979; Marton, 1983; Ramsden, 1988; Thomas, 1986; citados por Snelgrove, 2004) consideram  que o tipo de abordagem &agrave; aprendizagem adotado pelos alunos pode ser uma resposta aos est&iacute;mulos gerados pelo ambiente/contexto de  aprendizagem. Portanto, o tipo de abordagem &agrave; aprendizagem n&atilde;o se apresenta apenas como uma caracter&iacute;stica est&aacute;vel do  aluno, descreve antes a rela&ccedil;&atilde;o entre a sua perce&ccedil;&atilde;o sobre as tarefas de aprendizagem (inseridas num determinado  contexto) e a sua forma t&iacute;pica de as abordar.</p>     <p>Marton e S&auml;lj&ouml; (1976a,b) identificaram duas abordagens contrastantes (uma &ldquo;abordagem profunda&rsquo;&rsquo; e uma  &ldquo;abordagem superficial&rdquo;) na forma como os alunos escandinavos liam e usavam a informa&ccedil;&atilde;o de textos. A abordagem profunda  &eacute; caracterizada por uma inten&ccedil;&atilde;o do aluno de procurar compreender os conceitos, de estabelecer rela&ccedil;&otilde;es entre  estes e de os aplicar a novas situa&ccedil;&otilde;es. A abordagem superficial insere-se numa aprendizagem mais mec&acirc;nica, com recurso  &agrave; memoriza&ccedil;&atilde;o de forma isolada.</p>     <p>Ramsden (1979) identificou uma terceira abordagem, a &lsquo;&lsquo;abordagem estrat&eacute;gica ou de alto-rendimento&rsquo;&rsquo;, que  &eacute; caracterizada por uma motiva&ccedil;&atilde;o centrada na competi&ccedil;&atilde;o e na autoestima. Este tipo de abordagem apresenta um  motivo semelhante ao da abordagem superficial, com a diferen&ccedil;a que o aluno tem a inten&ccedil;&atilde;o de obter  classifica&ccedil;&otilde;es elevadas, enquanto que na abordagem superficial o aluno pretende apenas obter as classifica&ccedil;&otilde;es  necess&aacute;rias para transitar de n&iacute;vel.</p>     <p>Em suma, a SAL suporta a exist&ecirc;ncia de duas abordagens &agrave; aprendizagem: (1) uma abordagem profunda centrada em estrat&eacute;gias e  motiva&ccedil;&otilde;es profundas que correspondem a atitudes eficazes e desej&aacute;veis face &agrave; aprendizagem; e (2) uma abordagem  superficial que implica estrat&eacute;gias e motiva&ccedil;&otilde;es superficiais, associadas a atitudes ineficazes e indesej&aacute;veis na  aprendizagem (ver <a href="#q1">Quadro 1</a>).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="q1"></a></p>     <p><img src="/img/revistas/aps/v36n3/36n3a01q1.jpg"></p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>O tipo de abordagem &agrave; aprendizagem adotada pelos alunos tamb&eacute;m pode ser fruto do contexto de aprendizagem. O  <a href="#q2">Quadro 2</a> ilustra a forma como algumas dimens&otilde;es do contexto de aprendizagem podem influenciar as abordagens superficial e  profunda.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="q2"></a></p>     <p><img src="/img/revistas/aps/v36n3/36n3a01q2.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Como avaliar o tipo de abordagem &agrave; aprendizagem adotada por um sujeito? Biggs (1987b) prop&ocirc;s um instrumento para avaliar as  abordagens adotadas pelos alunos &ndash; R &ndash; SPQ &ndash; 2F (<i>Revised Student Process Questionnaire 2 Factors</i>). Este instrumento mede  apenas dois fatores, que s&atilde;o a abordagem superficial e profunda, contendo cada uma duas subescalas de estrat&eacute;gia e  motiva&ccedil;&atilde;o, o que confirma a perspetiva inicialmente proposta por Marton e S&auml;lj&ouml; (1976a). Segundo esta estrutura de dois  fatores, a abordagem estrat&eacute;gica ou de alto rendimento n&atilde;o surge como um terceiro fator, mas sim como uma resposta sofisticada de  alguns alunos extrinsecamente motivados para adotarem tanto uma abordagem superficial como uma abordagem profunda. Existem v&aacute;rias  vers&otilde;es deste instrumento cuja caracteriza&ccedil;&atilde;o pode ser consultada em Duff e McKinstry (2007).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Estudos emp&iacute;ricos sobre as abordagens &agrave; aprendizagem</i></p>     <p>Na investiga&ccedil;&atilde;o da SAL destacamos os trabalhos de natureza qualitativa de Sharma (1997), Lucas (2000, 2001), Lord e Robertson  (2006) e Jackling (2005) (citados por Duff &amp; McKinstry, 2007) com alunos do ensino secund&aacute;rio e dos primeiros anos do ensino superior  sobre as suas perce&ccedil;&otilde;es acerca do conceito aprendizagem e dos aspetos mais relevantes deste processo, visando a  caracteriza&ccedil;&atilde;o do conceito de aprendizagem do ponto de vista dos alunos. Contudo, a maioria das investiga&ccedil;&otilde;es sobre a  SAL s&atilde;o de natureza quantitativa e t&ecirc;m sido desenvolvidos essencialmente em tr&ecirc;s vertentes: (i) estudos transversais para  analisar as diferen&ccedil;as entre grupos, (ii) avalia&ccedil;&atilde;o das qualidades psicom&eacute;tricas dos instrumentos de medida dos  diferentes tipos de abordagem &agrave; aprendizagem, (iii) e determina&ccedil;&atilde;o de fatores contextuais que possam afetar o tipo de  abordagem &agrave; aprendizagem adotada pelos alunos. &Eacute; sobre a &uacute;ltima vertente de investiga&ccedil;&atilde;o que vamos fazer uma  descri&ccedil;&atilde;o dos resultados de investiga&ccedil;&atilde;o mais importantes, pois &eacute; nesta categoria que se insere o nosso estudo.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Biggs (1988) e Entwistle (1990) foram pioneiros no uso de diferentes instrumentos para avaliar as altera&ccedil;&otilde;es sofridas pelos alunos  ao n&iacute;vel das abordagens &agrave; aprendizagem, como consequ&ecirc;ncia do contexto de aprendizagem (estabelecimento de ensino e a sua  estrutura curricular). Este constructo tem-se mostrado muito frut&iacute;fero em termos de investiga&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>At&eacute; ao momento foram desenvolvidos muitos trabalhos de investiga&ccedil;&atilde;o neste dom&iacute;nio, nos quais os autores tentaram  perceber como variavam, em simult&acirc;neo, as pontua&ccedil;&otilde;es obtidas pelos sujeitos ao n&iacute;vel das vari&aacute;veis  &ldquo;abordagem superficial&rdquo; e &ldquo;abordagem profunda&rdquo;. Os resultados n&atilde;o s&atilde;o concordantes. Gow, Kember e Cooper  (1994) verificaram que quando h&aacute; um aumento da pontua&ccedil;&atilde;o associada &agrave; abordagem superficial, h&aacute; uma  diminui&ccedil;&atilde;o simult&acirc;nea da pontua&ccedil;&atilde;o associada &agrave; abordagem profunda. Jackling (2005) verificou que quando  h&aacute; um aumento da pontua&ccedil;&atilde;o na abordagem profunda, as vari&aacute;veis abordagem superficial e de alto rendimento ficam  praticamente inalteradas. Uma an&aacute;lise posterior a estes dois estudos permitiu concluir que as diferen&ccedil;as entre os dois estudos foram  influenciadas pelo contexto cultural no qual as investiga&ccedil;&otilde;es foram realizadas: o primeiro em Hong Kong e o segundo na  Austr&aacute;lia. Contudo, quando se trata de investiga&ccedil;&otilde;es nas quais s&atilde;o concebidos ambientes de aprendizagem que estimulem  uma abordagem mais profunda, os resultados da investiga&ccedil;&atilde;o revelam que h&aacute; uma tend&ecirc;ncia para um aumento da  pontua&ccedil;&atilde;o da abordagem profunda em detrimento da superficial.</p>     <p>Conclu&iacute;mos que existe um denominador comum a todas as investiga&ccedil;&otilde;es: apesar de apresentarem resultados com  diferen&ccedil;as estatisticamente significativas, h&aacute; uma tend&ecirc;ncia para se registarem magnitudes de efeito (<i>effect size</i>)  pequenas (Duff et al<i>.</i>, 2007), o que dificulta a generaliza&ccedil;&atilde;o dos resultados, ficando as conclus&otilde;es confinadas aos  contextos nas quais foram realizadas as investiga&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>O problema da generaliza&ccedil;&atilde;o dos efeitos de um contexto/ambiente de aprendizagem sobre as abordagens &agrave; aprendizagem foi  estudado com mais pormenor por Lucas e Mayer em 2005, tendo estes autores conclu&iacute;do que o constructo &ldquo;abordagens &agrave;  aprendizagem&rdquo;, sendo multidimensional, depende de outras vari&aacute;veis, para al&eacute;m do contexto/ambiente de aprendizagem. Entre elas  o n&iacute;vel de motiva&ccedil;&atilde;o dos alunos, as suas inten&ccedil;&otilde;es acad&eacute;micas, as cren&ccedil;as epistemol&oacute;gicas e  at&eacute; o g&eacute;nero (fatores considerados intr&iacute;nsecos aos sujeitos).</p>     <p>A perce&ccedil;&atilde;o que os sujeitos t&ecirc;m do curr&iacute;culo com o qual est&atilde;o a trabalhar &eacute; outra vari&aacute;vel que  influencia o tipo de abordagem &agrave; aprendizagem. Snelgrove (2004) efetuou uma investiga&ccedil;&atilde;o com 300 estudantes de enfermagem na  Austr&aacute;lia para avaliar o tipo de abordagem &agrave; aprendizagem adotada por estes. Os resultados mostraram que a maioria dos estudantes  adota uma abordagem superficial em detrimento da abordagem profunda, havendo uma correla&ccedil;&atilde;o moderada entre os desempenhos  acad&eacute;micos e a abordagem profunda. O autor tentou perceber este posicionamento dos estudantes e concluiu que a op&ccedil;&atilde;o pela  abordagem superficial era condicionada pela perce&ccedil;&atilde;o que os alunos tinham do curso (estrutura curricular do curso baseada na  memoriza&ccedil;&atilde;o e reprodu&ccedil;&atilde;o de conhecimentos com uma grande sobrecarga de testes de avalia&ccedil;&atilde;o).</p>     <p>Os fatores intr&iacute;nsecos e extr&iacute;nsecos associados ao contexto/ambiente de aprendizagem podem afetar o tipo de abordagem adotada  pelos alunos. Mosca, Makkink e Stein (2015) investigaram o tipo de abordagem adotada pelos alunos (<i>n</i>=70) de um curso de quatro anos de  emerg&ecirc;ncia m&eacute;dica na Universidade de Joanesburgo em fun&ccedil;&atilde;o do ano e fizeram uma an&aacute;lise dos fatores  intr&iacute;nsecos e extr&iacute;nsecos que poderiam influenciar os dois tipos de abordagem. Os resultados revelaram que a maior parte dos alunos  nos quatro anos adotaram uma abordagem profunda e que este resultado &eacute; essencialmente afetado por fatores extr&iacute;nsecos aos alunos,  tais como as caracter&iacute;sticas do contexto de aprendizagem.</p>     <p>Em suma, no que diz respeito &agrave; rela&ccedil;&atilde;o entre o contexto/ambiente de aprendizagem e o tipo de abordagem &agrave;  aprendizagem, os dados n&atilde;o permitem efetuar generaliza&ccedil;&otilde;es, dando apenas a possibilidade de concluir que o tipo de abordagem  adotado pelos alunos pode ser influenciado por fatores intr&iacute;nsecos ao aluno (que consistem em caracter&iacute;sticas pessoais e inatas de um  sujeito face ao processo de aprendizagem), e por fatores extr&iacute;nsecos, que correspondem ao contexto/ambiente de aprendizagem e que incluem a  estrutura do programa educacional, a carga de trabalho a desenvolver, o m&eacute;todo de ensino e a forma de avalia&ccedil;&atilde;o da  aprendizagem.</p>     <p>Salientamos que o car&aacute;cter multidimensional do constructo nos impede de perceber de forma clara e objetiva a verdadeira magnitude de  efeito do contexto/ambiente de aprendizagem na abordagem &agrave; aprendizagem adotada pelos alunos.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Objetivos</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O objetivo deste trabalho &eacute; avaliar o efeito da utiliza&ccedil;&atilde;o de um ambiente de aprendizagem digital concebido com base no  modelo 4C/ID, para o ensino dos circuitos el&eacute;tricos no 9&ordm; ano, sobre as abordagens &agrave; aprendizagem dos alunos. Investigou-se  ainda a intera&ccedil;&atilde;o da vari&aacute;vel classifica&ccedil;&atilde;o dos alunos na disciplina de F&iacute;sico-Qu&iacute;mica nos 7&ordm;  e 8&ordm; anos (denominada por &ldquo;classifica&ccedil;&atilde;o m&eacute;dia F&iacute;sico-Qu&iacute;mica&rdquo;) sobre as abordagens &agrave;  aprendizagem adotadas pelos dois grupos. Assim, como vari&aacute;vel independente temos o tipo de abordagem instrutiva (4C/ID versus convencional),  com vari&aacute;veis dependentes os tipos de abordagens &agrave; aprendizagem adotado pelos alunos (superficial e profunda) e como  covari&aacute;vel a classifica&ccedil;&atilde;o m&eacute;dia obtida na disciplina de F&iacute;sico-Qu&iacute;mica nos 7&ordm; e 8&ordm; anos.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>M&eacute;todo</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Participantes</i></p>     <p>A investiga&ccedil;&atilde;o foi realizada numa escola do ensino particular da regi&atilde;o de Lisboa, numa amostra de 125 alunos do 9&ordm;ano  do 3&ordm; ciclo do ensino b&aacute;sico (idade: <i>M</i>=14,3 anos; <i>SD</i>=0,54), distribu&iacute;dos por cinco turmas. Apesar de cada turma  constituir um grupo natural (sem sele&ccedil;&atilde;o aleat&oacute;ria), o processo de sele&ccedil;&atilde;o das turmas para os grupos  experimental (<i>n<sub>E</i></sub>=76) e de controlo (<i>n<sub>C</i></sub>=49) foi aleat&oacute;rio, correspondendo ao procedimento mais usual em  investiga&ccedil;&atilde;o educacional.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Instrumentos de recolha de dados</i></p>     <p>Para a avalia&ccedil;&atilde;o das abordagens &agrave; aprendizagem us&aacute;mos o Invent&aacute;rio de Processos de Estudo (IPE) validado para  a popula&ccedil;&atilde;o portuguesa por Ros&aacute;rio, Ferreira e Cunha (Gon&ccedil;alves, Sim&otilde;es, Almeida, &amp; Machado, 2006) para os  alunos dos 2&ordm; e 3&ordm; ciclos do ensino b&aacute;sico.</p>     <p>O IPE &eacute; constitu&iacute;do por 12 itens representativos de duas dimens&otilde;es: superficial e profunda. Os itens do question&aacute;rio  s&atilde;o apresentados em formato <i>Likert</i> numa escala de 5 pontos (1 &ndash; nunca ... 5 &ndash; sempre). A an&aacute;lise fatorial dos  resultados realizada por Ros&aacute;rio, Ferreira e Cunha (Gon&ccedil;alves et al., 2006) revela a exist&ecirc;ncia de dois fatores referentes  &agrave;s duas abordagens &agrave; aprendizagem que, por sua vez, integra duas subescalas. A primeira dimens&atilde;o est&aacute; relacionada com a  abordagem profunda, incluindo as subescalas de motiva&ccedil;&atilde;o profunda (itens 2, 6 e 10) e de estrat&eacute;gia profunda (itens 4, 8 e  12); a segunda dimens&atilde;o relaciona-se com a abordagem superficial, que engloba as subescalas de motiva&ccedil;&atilde;o superficial (itens 1,  5 e 9) e de estrat&eacute;gia superficial (itens 3, 7 e 11).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Opt&aacute;mos pela utiliza&ccedil;&atilde;o do IPE por ser um instrumento adaptado para a l&iacute;ngua portuguesa e por ter sido validado numa  amostra semelhante &agrave; usada neste estudo (Gon&ccedil;alves et al., 2006). Os autores no estudo original trabalharam com uma amostra 858  alunos de oito escolas p&uacute;blicas do 2&ordm; e do 3&ordm; ciclo do ensino b&aacute;sico, no norte do pa&iacute;s. A an&aacute;lise  estat&iacute;stica ao IPE revelou um &iacute;ndice de Kaiser-Meyer-Olkin (<i>KMO</i>) de 0.83 com teste de esfericidade de Bartlett com valores  adequados [&chi;<Sup><i>2</i></Sup>(66)=2106.08; <i>p</i>&lt;0.001]. Os resultados da an&aacute;lise fatorial explorat&oacute;ria revelaram a  exist&ecirc;ncia de duas dimens&otilde;es com duas subescalas, cada uma com valores de consist&ecirc;ncia interna de 0.47 e 0.49 para a  motiva&ccedil;&atilde;o superficial e para a estrat&eacute;gia superficial, respetivamente e de 0.68 e 0.69 para as subescalas de  motiva&ccedil;&atilde;o profunda e estrat&eacute;gia profunda. Apesar da consist&ecirc;ncia interna apresentar valores moderadamente baixos, em  particular para a dimens&atilde;o abordagem superficial, os autores referem que os valores de consist&ecirc;ncia interna &ldquo;se aproximam aos  obtidos noutros estudos realizados em diferentes pa&iacute;ses, atrav&eacute;s da aplica&ccedil;&atilde;o de question&aacute;rios similares,  nomeadamente o SPQ e o LPQ de Biggs&rdquo; (Biggs, 1987a; Gon&ccedil;alves et al., 2006, p. 144; Lozano, Uzquiano, Fern&aacute;ndez, &amp; Blanco,  2001). Paiva (2008) validou o IPE para uma amostra de 360 alunos do 10&ordm; ano, tendo obtido um KMO de 0.73 com teste de esfericidade adequado  [<i>&chi;<Sup>2</i></Sup>(66)=4057.486; <i>p</i>&lt;0.001] e com consist&ecirc;ncias internas de 0.75 (estrat&eacute;gia superficial), 0.62  (estrat&eacute;gia profunda), 0.72 (motiva&ccedil;&atilde;o profunda) e 0.47 (motiva&ccedil;&atilde;o superficial), verificando-se tamb&eacute;m  menor valor de consist&ecirc;ncia interna ao n&iacute;vel da dimens&atilde;o superficial.</p>     <p>Assim, o IPE denota consist&ecirc;ncia interna adequada na dimens&atilde;o profunda, verificando-se valores mais baixos na dimens&atilde;o  superficial, o que de acordo com seus autores est&aacute; relacionado com a natureza deste question&aacute;rio, uma vez que se avaliam  perce&ccedil;&otilde;es e n&atilde;o realiza&ccedil;&otilde;es, portanto todos os dados emergentes devem ser confrontados com dados de natureza  qualitativa, tal como fazemos nesta investiga&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Para os dados de natureza qualitativa desenvolvemos uma ficha de observa&ccedil;&atilde;o na qual foram registadas as observa&ccedil;&otilde;es  das aulas em tr&ecirc;s instantes (no in&iacute;cio, durante a aula e no final da aula), cujos aspetos observados se encontram no  <a href="#q3">Quadro 3</a> e um gui&atilde;o de entrevista semi-diretiva &agrave;s professoras de ambos os grupos com o intuito de: (1) recolher as  suas opini&otilde;es sobre aspetos relacionados com a utiliza&ccedil;&atilde;o e funcionalidade do recurso educativo digital; (2) obter as suas  perce&ccedil;&otilde;es acerca das dificuldades sentidas pelos alunos na realiza&ccedil;&atilde;o das tarefas de aprendizagem; e (3) de recolher  sugest&otilde;es de altera&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="q3"></a></p>     <p><img src="/img/revistas/aps/v36n3/36n3a01q3.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Procedimento</i></p>     <p>Constitu&iacute;mos dois grupos. Um grupo experimental (<i>n</i><sub><i>E</i></sub>=76) com tr&ecirc;s turmas, no qual o tema &ldquo;Circuitos  El&eacute;tricos&rdquo; foi ensinado atrav&eacute;s de um ambiente de aprendizagem digital concebido com base no modelo 4C/ID. Este ambiente era  constitu&iacute;do por tr&ecirc;s classes de tarefas de aprendizagem com objetivos distintos: Classe 1 &ndash; explora&ccedil;&atilde;o dos  conceitos de corrente el&eacute;trica e de tens&atilde;o com o intuito de promover o primeiro contacto com o ambiente de aprendizagem; Classe 2  &ndash; aprender a esquematizar um circuito el&eacute;trico simples; e Classe 3 &ndash; aprender as caracter&iacute;sticas de uma  associa&ccedil;&atilde;o em s&eacute;rie e em paralelo. Um grupo de controlo (<i>n<sub>C</i></sub>=49), constitu&iacute;do por duas turmas, no qual  o mesmo tema foi ensinado com base num m&eacute;todo convencional (mais centrado no professor com recurso ao caderno di&aacute;rio, manual do aluno  e calculadora simples). Estiveram envolvidos tr&ecirc;s professores: um professor (investigador) com uma turma do grupo experimental e duas  professoras, cada uma com uma turma do grupo experimental e uma do grupo de controlo. Os dois grupos realizaram atividades de aprendizagem  similares.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O IPE foi aplicado a ambos os grupos em dois momentos: pr&eacute;-teste na aula antes do ensino do tema e no p&oacute;s-teste na &uacute;ltima  aula de ensino do tema.</p>     <p>As aulas dos dois grupos foram observadas por um dos autores deste artigo tendo sido elaboradas notas de campo sobre a forma como os alunos  trabalhavam. Para a caracteriza&ccedil;&atilde;o das estrat&eacute;gias de trabalho usadas pelos alunos e pelas professoras nos dois grupos  entrevistaram-se as duas professoras.</p>     <p>A experi&ecirc;ncia foi conduzida do seguinte modo: as turmas dos dois grupos iniciaram o estudo dos circuitos el&eacute;tricos no mesmo dia  usando m&eacute;todos instrutivos diferentes. As turmas do grupo experimental usaram uma sala de inform&aacute;tica com um computador por aluno e  com sistema de &aacute;udio individual para a realiza&ccedil;&atilde;o das tarefas de aprendizagem propostas no recurso educativo digital. As  turmas do grupo de controlo tiveram as aulas na sua sala de aula e usaram os recursos disponibilizados pelas professoras  (apresenta&ccedil;&otilde;es em <i>PowerPoint</i>, simula&ccedil;&otilde;es exploradas pelas professoras, manual, caderno, l&aacute;pis e  calculadora). A experi&ecirc;ncia foi realizada em duas aulas de 90 minutos, ao longo de duas semanas.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Valida&ccedil;&atilde;o do IPE na amostra em estudo</i></p>     <p>O IPE foi validado com a amostra em estudo atrav&eacute;s de uma an&aacute;lise fatorial explorat&oacute;ria cuja an&aacute;lise  estat&iacute;stica revelou valores do &iacute;ndice KMO igual a 0.77 e teste de esfericidade de Bartlett adequado  [<i>&chi;<Sup>2</i></Sup>(66)=291.86; <i>p</i>=0.000]. Os resultados revelaram exist&ecirc;ncia das duas dimens&otilde;es e subescalas do estudo  original. A dimens&atilde;o profunda evidenciou dois fatores (motiva&ccedil;&atilde;o e estrat&eacute;gia) que n&atilde;o levantaram problemas em  rela&ccedil;&atilde;o ao estudo original. Todavia, na dimens&atilde;o superficial os itens do IPE n&atilde;o se reconfiguraram com a mesma  estrutura do estudo original. Na an&aacute;lise fatorial efetuada os itens organizaram-se em quatro fatores: o fator 1 que corresponde &agrave;  subescala estrat&eacute;gia profunda que integrou os tr&ecirc;s itens do estudo original (4, 8 e 12); o fator 2 reproduz na &iacute;ntegra o estudo  original referente &agrave; subescala motiva&ccedil;&atilde;o profunda (itens 2, 6 e 10); a dimens&atilde;o superficial levantou alguns problemas,  organizando-se em duas subescalas com uma configura&ccedil;&atilde;o diferente do estudo original, ou seja, o fator 3 com os itens 1, 3 e 7 e o  fator 4 apenas com os itens 9 e 11.</p>     <p>Ap&oacute;s v&aacute;rias modula&ccedil;&otilde;es da an&aacute;lise fatorial conclu&iacute;mos que, para a amostra usada, os itens do IPE se  organizaram em duas subescalas na dimens&atilde;o profunda, tal como previsto no estudo original e para a dimens&atilde;o superficial  organizaram-se tamb&eacute;m em duas subescalas com configura&ccedil;&atilde;o diferente do estudo original. Da an&aacute;lise fatorial  explorat&oacute;ria surgiu a necessidade de eliminar o item 5. Assim, os valores de consist&ecirc;ncia interna (Alpha de Cronbach) para a nossa  amostra foram 0.57, 0.69, 0.63 e 0.45, para os fatores 1, 2, 3 e 4, respetivamente. As implica&ccedil;&otilde;es destes valores s&atilde;o  discutidas na sec&ccedil;&atilde;o &ldquo;Discuss&atilde;o dos resultados&rdquo;.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>An&aacute;lise de dados</i></p>     <p>Os valores m&eacute;dios para as dimens&otilde;es &ldquo;abordagem superficial&rdquo; e &ldquo;abordagem profunda&rdquo; e respetivas subescalas  foram obtidos somando as pontua&ccedil;&otilde;es das respostas aos itens do IPE para cada aluno dos dois grupos. Este procedimento permitiu  distribuir os sujeitos dos dois grupos pelo tipo de abordagem &agrave; aprendizagem e respetivas subescalas no pr&eacute;-teste e no  p&oacute;s-teste.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Para a compara&ccedil;&atilde;o dos dois grupos ao n&iacute;vel das vari&aacute;veis &ldquo;abordagem superficial&rdquo; e &ldquo;abordagem  profunda&rdquo; nos pr&eacute; e p&oacute;s-teste us&aacute;mos o teste <i>t-</i>Student para duas amostras independentes e para a an&aacute;lise  da evolu&ccedil;&atilde;o de cada um dos grupos do pr&eacute;-teste para o p&oacute;s-teste empreg&aacute;mos o teste <i>t</i>-Student para  amostras emparelhadas. Estes resultados s&atilde;o acompanhados pelos respetivos valores das magnitudes de efeito. Os testes estat&iacute;sticos  foram realizados com o SPSS 20 e com <i>MS Excel</i> 2015 para MacOS.</p>     <p>Para o estudo do efeito da vari&aacute;vel &ldquo;classifica&ccedil;&atilde;o m&eacute;dia de F&iacute;sico-Qu&iacute;mica&rdquo; sobre as  aborda -gens &agrave; aprendizagem, em cada grupo, opt&aacute;mos pela realiza&ccedil;&atilde;o de uma ANCOVA, na qual se considera como  vari&aacute;vel independente a &ldquo;abordagem instrutiva&rdquo; (4C/ID <i>versus</i> abordagem convencional), com vari&aacute;veis dependentes a  &ldquo;abordagem superficial&rdquo; e a &ldquo;abordagem profunda&rdquo; e como covari&aacute;vel a &ldquo;classifica&ccedil;&atilde;o m&eacute;dia  de F&iacute;sico-Qu&iacute;mica&rdquo; nos 7&ordm; e 8&ordm; anos&rdquo;.</p>     <p>A an&aacute;lise dos dados de natureza qualitativa procurou responder &agrave;s seguintes quest&otilde;es: &ldquo;Que efeito tem um ambiente de  aprendizagem digital concebido com o modelo 4C/ID na forma como os alunos se relacionam com as tarefas de aprendizagem?&rdquo; e &ldquo;Quais  s&atilde;o as diferen&ccedil;as entre as duas abordagens instrutivas?&rdquo;.</p>     <p>Os dados foram sujeitos a uma an&aacute;lise de conte&uacute;do com um procedimento explorat&oacute;rio, que corresponde ao mais usado em  investiga&ccedil;&atilde;o educacional, do qual emergiram categorias que nos permitiram caracterizar o efeito do ambiente de aprendizagem digital  sobre as forma como os alunos se relacionaram com as tarefas de aprendizagem: (A) ritmo de trabalho dos alunos (relacionado com a gest&atilde;o do  ritmo de trabalho na resolu&ccedil;&atilde;o das tarefas de aprendizagem), (B) n&iacute;vel de concentra&ccedil;&atilde;o durante a  audi&ccedil;&atilde;o e an&aacute;lise das informa&ccedil;&otilde;es de apoio e na realiza&ccedil;&atilde;o das tarefas, (C) n&iacute;vel de  aprofundamento na realiza&ccedil;&atilde;o das tarefas de aprendizagem, relacionado com a reten&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o e com  a leitura das mensagens do sistema de <i>feedback,</i> e (D) m&eacute;todo/estrat&eacute;gia de ensino centrado totalmente no aluno. Este  procedimento permitiu categorizar as v&aacute;rias unidades de registo dos dados originais e determinar as respetivas frequ&ecirc;ncias  relativas.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Resultados</b></p>     <p>Iniciamos a apresenta&ccedil;&atilde;o dos resultados pela distribui&ccedil;&atilde;o dos sujeitos dos dois grupos pelo tipo de abordagem  &agrave; aprendizagem que estes adotaram no pr&eacute;-teste e no p&oacute;s-teste, cujos valores foram obtidos pela soma das  pontua&ccedil;&otilde;es nos itens de cada um dos fatores e respetivas subescalas. Seguem-se as compara&ccedil;&otilde;es dos grupos no  pr&eacute;-teste e no p&oacute;s-teste ao n&iacute;vel das vari&aacute;veis &ldquo;abordagem superficial&rdquo; e &ldquo;abordagem profunda&rdquo;.  Estud&aacute;mos tamb&eacute;m a evolu&ccedil;&atilde;o dos dois grupos do pr&eacute;-teste para o p&oacute;s-teste ao n&iacute;vel das  vari&aacute;veis &ldquo;abordagem superficial&rdquo; e &ldquo;abordagem profunda&rdquo;. Por &uacute;ltimo, referimos o efeito da covari&aacute;vel  &ldquo;classifica&ccedil;&atilde;o m&eacute;dia da F&iacute;sico-Qu&iacute;mica&rdquo; sobre o tipo de abordagem &agrave; aprendizagem adotado  pelos alunos de ambos os grupos.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Distribui&ccedil;&atilde;o dos grupos em fun&ccedil;&atilde;o da abordagem &agrave; aprendizagem</i></p>     <p>Os Quadros <a href="#q4">4</a> e <a href="#q5">5</a> apresentam a distribui&ccedil;&atilde;o dos sujeitos dos grupos pelo tipo de abordagem  &agrave; aprendizagem e pelas respetivas subescalas. As medidas foram efetuadas no pr&eacute; e no p&oacute;s-teste.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><a name="q4"></a></p>     <p><img src="/img/revistas/aps/v36n3/36n3a01q4.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="q5"></a></p>     <p><img src="/img/revistas/aps/v36n3/36n3a01q5.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Compara&ccedil;&atilde;o dos grupos no pr&eacute; e no p&oacute;s-teste</i></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A signific&acirc;ncia da diferen&ccedil;a entre a pontua&ccedil;&atilde;o obtida pelos sujeitos dos dois grupos no pr&eacute;-teste e no  p&oacute;s-teste foi avaliada com o teste <i>t</i>-Student para amostras independentes. Os pressupostos deste m&eacute;todo estat&iacute;stico,  nomeadamente as normalidades das distribui&ccedil;&otilde;es e a homogeneidade de vari&acirc;ncias nos dois grupos foram avaliadas, respetivamente  com o teste de Kolmogorov-Smirnov [&ldquo;abordagem superficial&rdquo; no grupo experimental: <i>KS</i>(76)<sub>pr&eacute;</sub>=0.097;  <i>p</i>=0.076; <i>KS</i>(76)<sub>p&oacute;s</sub>=0.075; <i>p</i>=0.200; &ldquo;abordagem superficial&rdquo; no grupo de controlo:  <i>KS</i>(49)<sub>pr&eacute;</sub>=0.097; <i>p</i>=0.200; <i>KS</i>(49)<sub>p&oacute;s</sub>=0.123; <i>p=</i>0.059; &ldquo;abordagem  profunda&rdquo; no grupo experimental: <i>KS</i>(76)<sub>pr&eacute;</sub>=0.092; <i>p</i>=0.178; <i>KS</i>(76)<sub>p&oacute;s</sub>=0.102;  <i>p</i>=0.047; &ldquo;abordagem profunda&rdquo; no grupo de controlo: <i>KS</i>(49)<sub>pr&eacute;</sub>=0.093; <i>p</i>=0.200;  <i>KS</i>(49)<sub>p&oacute;s</sub>=0.085; <i>p</i>=0.200] e com o teste de Levene baseado na mediana [<i>F</i>(1,123)=0.007; <i>p</i>=0.936 e  <i>F</i>(1,123)=0.150; <i>p</i>=0.699 para a &ldquo;abordagem superficial&rdquo; nos pr&eacute; e no p&oacute;s-teste; <i>F</i>(1,123)=1.852;  <i>p</i>=0.176 e <i>F</i>(1,123)=2.740; <i>p</i>=0.100 para a &ldquo;abordagem profunda&rdquo; nos pr&eacute; e no p&oacute;s-teste]. Verifica-se  que h&aacute; homogeneidade de vari&acirc;ncias em todas as situa&ccedil;&otilde;es (<i>p</i>&gt;0.05). Apesar das vari&aacute;veis  &ldquo;abordagem superficial&rdquo; e &ldquo;abordagem profunda&rdquo; n&atilde;o apresentarem um teste KS significativo, pode-se analisar o  ajustamento &agrave; distribui&ccedil;&atilde;o normal atrav&eacute;s da assimetria (Skewness) e da curtose (Kurtose) pois, segundo Coelho, Cunha e  Martins (2008), se os valores dos quocientes assimetria/erro padr&atilde;o da assimetria e curtose/erro padr&atilde;o da curtose estiverem contidos  no intervalo [-2; +2], o pressuposto da normalidade &eacute; considerado satisfat&oacute;rio. Neste caso estes quocientes est&atilde;o todos  contidos no intervalo considerado, pelo que podemos inferir que existe um ajustamento satisfat&oacute;rio &agrave; distribui&ccedil;&atilde;o  normal (os valores do quociente para a assimetria est&atilde;o contidos no intervalo [-1.36; +0,59] e os valores do quociente para a curtose  est&atilde;o contidos no intervalo [-1,39; +1,03]). O n&iacute;vel de signific&acirc;ncia usado foi de 5%, sendo apresentadas as respetivas medidas  de magnitudes de efeito (<i>d</i>-Cohen). Os valores m&eacute;dios (m&eacute;dia &plusmn; erro-padr&atilde;o da m&eacute;dia) das  pontua&ccedil;&otilde;es para as vari&aacute;veis abordagem superficial e abordagem profunda s&atilde;o apresentados no  <a href="#q6">Quadro 6</a>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="q6"></a></p>     <p><img src="/img/revistas/aps/v36n3/36n3a01q6.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>An&aacute;lise do uso da abordagem superficial &agrave; aprendizagem</i></p>     <p>Compar&aacute;mos as pontua&ccedil;&otilde;es m&eacute;dias obtidas pelos sujeitos dos grupos experimental e de controlo na vari&aacute;vel  &ldquo;abordagem superficial&rdquo;. Os resultados revelaram que no pr&eacute;-teste os dois grupos apresentaram pontua&ccedil;&otilde;es  m&eacute;dias estatisticamente id&ecirc;nticas para esta vari&aacute;vel [<i>t</i>(123)=-1.326; <i>p</i>=0.187; <i>d</i>=-0.062]. No que respeita  ao p&oacute;s-teste, os resultados indicam que as pontua&ccedil;&otilde;es m&eacute;dias s&atilde;o significativamente diferentes  [<i>t</i>(123)=-4.648; <i>p</i>=0.000; <i>d</i>=-0.199], a favor do grupo de controlo, ou seja, os sujeitos do grupo experimental obtiveram menores  pontua&ccedil;&otilde;es face aos do grupo de controlo.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>An&aacute;lise do uso da abordagem profunda &agrave; aprendizagem</i></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os resultados obtidos para esta an&aacute;lise revelaram que, em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; vari&aacute;vel &ldquo;abordagem  profunda&rdquo;, h&aacute; diferen&ccedil;as significativas entre os valores m&eacute;dios das pontua&ccedil;&otilde;es obtidas pelos sujeitos nos  dois momentos de medi&ccedil;&atilde;o [pr&eacute;-teste: <i>t</i>(123)=2.546; <i>p</i>=0.012; <i>d</i>=+0.061 e no p&oacute;s-teste:  <i>t</i>(123)=7.238; <i>p</i>=0.000; <i>d</i>=+0.323], a favor do grupo experimental.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Evolu&ccedil;&atilde;o dos grupos do pr&eacute;-teste para o p&oacute;s-teste</i></p>     <p>A an&aacute;lise da evolu&ccedil;&atilde;o dos dois grupos do pr&eacute;-teste para o p&oacute;s-teste nas vari&aacute;veis &ldquo;abordagem  superficial&rdquo; e &ldquo;abordagem profunda&rdquo; foi feita com o teste <i>t</i>-Student para amostras emparelhadas. O pressuposto da  normalidade foi validado com o teste de Kolmogorov-Smirnov para os dois instantes (cf. sec&ccedil;&atilde;o anterior). Assim, para o grupo  experimental nas vari&aacute;veis &ldquo;abordagem superficial&rdquo; e &ldquo;abordagem profunda&rdquo; os resultados revelaram que os valores  m&eacute;dios das pontua&ccedil;&otilde;es para cada uma das vari&aacute;veis no p&oacute;s-teste &eacute; estatisticamente superior ao valor  m&eacute;dio das pontua&ccedil;&otilde;es no pr&eacute;-teste [vari&aacute;vel &ldquo;abordagem superficial&rdquo;: <i>t</i>(75)=5.139;  <i>p</i>=0.000; <i>d</i>=-0.136 e na vari&aacute;vel &ldquo;abordagem profunda&rdquo;: <i>t</i>(75)=-8.337; <i>p</i>=0.000; <i>d</i>=+0.269].  Quanto ao grupo de controlo, os resultados mostram que, em m&eacute;dia e para as duas vari&aacute;veis, as pontua&ccedil;&otilde;es obtidas no  p&oacute;s-teste s&atilde;o menores ou iguais do que as pontua&ccedil;&otilde;es obtidas no pr&eacute;-teste [vari&aacute;vel &ldquo;abordagem  superficial&rdquo;: <i>t</i>(48)=-0.901; <i>p</i>=0.372; <i>d=</i>+0.021 e na vari&aacute;vel &ldquo;abordagem profunda&rdquo;:  <i>t</i>(48)=-0.743; <i>p</i>=0.461; <i>d</i>=+0.016]. Isto significa que os alunos do grupo experimental do pr&eacute;-teste para o  p&oacute;s-teste adotaram uma abordagem mais profunda em detrimento da abordagem superficial, enquanto que os alunos do grupo controlo adotaram o  mesmo tipo de abordagem nos dois momentos.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Efeito da vari&aacute;vel &ldquo;classifica&ccedil;&atilde;o m&eacute;dia de f&iacute;sico-qu&iacute;mica&rdquo;</i></p>     <p>Com o objetivo de estudar o efeito da vari&aacute;vel &ldquo;classifica&ccedil;&atilde;o m&eacute;dia de F&iacute;sico-Qu&iacute;mica&rdquo;  sobre as vari&aacute;veis &ldquo;abordagem superficial&rdquo; e &ldquo;abordagem profunda&rdquo;, para os dois grupos (abordagem instrutiva 4C/ID  <i>versus</i> abordagem convencional), efetu&aacute;mos em primeiro lugar uma compara&ccedil;&atilde;o entre os dois grupos ao n&iacute;vel da  vari&aacute;vel &ldquo;classifica&ccedil;&atilde;o m&eacute;dia de F&iacute;sico-Qu&iacute;mica&rdquo; com o teste <i>t</i>-Student para amostras  independentes e, em segundo lugar, uma an&aacute;lise de covari&acirc;ncia (ANCOVA) usando como covari&aacute;vel a  &ldquo;classifica&ccedil;&atilde;o m&eacute;dia de F&iacute;sico-Qu&iacute;mica&rdquo;.</p>     <p>Os resultados da compara&ccedil;&atilde;o dos dois grupos ao n&iacute;vel da vari&aacute;vel &ldquo;classifica&ccedil;&atilde;o m&eacute;dia de  F&iacute;sico-Qu&iacute;mica&rdquo; revelaram n&atilde;o haver diferen&ccedil;as significativas entre os grupos [<i>t</i>(125)=-0.839;  <i>p</i>=0.403].</p>     <p>No <a href="#q7">Quadro 7</a> encontram-se os valores da estat&iacute;stica associada &agrave; intera&ccedil;&atilde;o entre as vari&aacute;veis  &ldquo;abordagem instrutiva&rdquo; e &ldquo;classifica&ccedil;&atilde;o m&eacute;dia de F&iacute;sico-Qu&iacute;mica&rdquo; (abordagem  instrutiva*classifica&ccedil;&atilde;o m&eacute;dia de F&iacute;sico-Qu&iacute;mica) para a valida&ccedil;&atilde;o do pressuposto da homogeneidade  de declives (Mar&ocirc;co, 2014).</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="q7"></a></p>     <p><img src="/img/revistas/aps/v36n3/36n3a01q7.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Observando o <a href="#q7">Quadro 7</a> verifica-se que, para o n&iacute;vel de signific&acirc;ncia utilizado, n&atilde;o h&aacute;  evid&ecirc;ncia de uma intera&ccedil;&atilde;o estatisticamente significativa entre a vari&aacute;vel &ldquo;abordagem instrutiva&rdquo; e a  covari&aacute;vel (vari&aacute;vel &ldquo;classifica&ccedil;&atilde;o m&eacute;dia de F&iacute;sico-Qu&iacute;mica&rdquo;). Portanto, podemos  afirmar que os declives da regress&atilde;o da pontua&ccedil;&atilde;o obtida pelos alunos nos diferentes tipos de abordagem &agrave; aprendizagem  para a classifica&ccedil;&atilde;o m&eacute;dia de F&iacute;sico-Qu&iacute;mica dos 7&ordm; e 8&ordm; anos, n&atilde;o diferem significativamente  entre si para as duas abordagens instrutivas. Logo, o pressuposto da homogeneidade dos declives &eacute; v&aacute;lido. Os restantes pressupostos  de aplica&ccedil;&atilde;o da ANCOVA tamb&eacute;m foram validados para as vari&aacute;veis dependentes ao n&iacute;vel dos dois fatores, i.e., os  pressupostos da normalidade e de homocedasticidade (cf. sec&ccedil;&atilde;o &ldquo;Compara&ccedil;&atilde;o dos Grupos no Pr&eacute; e no  P&oacute;s-teste&rdquo;) e de homogeneidade de declives (cf. <a href="#q7">Quadro 7</a>). A normalidade da covari&aacute;vel para os dois grupos  (<i>KS</i><sub>experimental</sub>=0.204; <i>p</i>=0.000 e <i>KS</i><sub>controlo</sub>=0.251; <i>p</i>=0.000) e homogeneidade ao n&iacute;vel dos  dois fatores foi avaliada com o teste de Levene [<i>F</i>(1,123)=0.351; <i>p</i>=0.555]. Desta forma, re&uacute;nem-se todas as  condi&ccedil;&otilde;es para a realiza&ccedil;&atilde;o da ANCOVA, cujos resultados se encontram no <a href="#q8">Quadro 8</a>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="q8"></a></p>     <p><img src="/img/revistas/aps/v36n3/36n3a01q8.jpg" width="579" height="205"></p>     
<p>&nbsp;</p>    <p>Analisado os resultados do <a href="#q8">Quadro 8</a> verifica-se que no pr&eacute;-teste a vari&aacute;vel &ldquo;abordagem  superficial&rdquo; n&atilde;o &eacute; afetada pelo fator &ldquo;abordagem instrutiva&rdquo; e pela covari&aacute;vel  &ldquo;classifica&ccedil;&atilde;o m&eacute;dia de F&iacute;sico-Qu&iacute;mica&rdquo; (<i>p</i>&gt;0.05). Estas intera&ccedil;&otilde;es revelaram  ainda baixa magnitude de efeito (<i>&eta;<sub>p</sub><sup>2</i></sup>&le;0.05, cf. Mar&ocirc;co, 2014) e baixa pot&ecirc;ncia (&pi;&lt;0.80).  Quanto &agrave; vari&aacute;vel &ldquo;abordagem profunda&rdquo; (no pr&eacute;-teste), os resultados mostram que n&atilde;o h&aacute;  intera&ccedil;&atilde;o significativa com a covari&aacute;vel &ldquo;classifica&ccedil;&atilde;o m&eacute;dia de  F&iacute;sico-Qu&iacute;mica&rdquo;, sendo baixas as magnitudes de efeito e a pot&ecirc;ncia de teste (<i>p</i>&gt;0.05;  <i>&eta;<sub>p</sub><sup>2</i></sup>&le;0.05; &pi;&lt;0.80); no entanto, em rela&ccedil;&atilde;o ao fator &ldquo;abordagem instrutiva&rdquo; os  resultados exprimem uma intera&ccedil;&atilde;o significativa entre as vari&aacute;veis (<i>p</i>&lt;0.05), com magnitude de efeito baixa  (0.25&lt;<i>&eta;<sub>p</sub><sup>2</i></sup>&le;0.50) e com uma pot&ecirc;ncia de teste baixa (&pi;&lt;0.80 ), o que nos leva a inferir que sendo  para a magnitude de efeito e a pot&ecirc;ncia do teste baixas, a intera&ccedil;&atilde;o entre as vari&aacute;veis &ldquo;abordagem profunda&rdquo;  no pr&eacute;-teste e &ldquo;abordagem instrutiva&rdquo; pode n&atilde;o ser significativa.</p>     <p>No que respeita ao p&oacute;s-teste os resultados revelaram que a intera&ccedil;&atilde;o entre a covari&aacute;vel e as vari&aacute;veis  &ldquo;abordagem superficial&rdquo; e &ldquo;abordagem profunda&rdquo; n&atilde;o s&atilde;o significativas (<i>p</i>&gt;0.05), sendo colocadas na  classe de magnitudes de efeito reduzidas (<i>&eta;<sub>p</sub><sup>2</i></sup>&le;0.05) e com pot&ecirc;ncia observada muito reduzida  (&pi;&lt;0.80). Contudo, relativamente &agrave; intera&ccedil;&atilde;o entre a vari&aacute;vel independente &ldquo;abordagem instrutiva&rdquo; e  as vari&aacute;veis dependentes &ldquo;abordagem superficial&rdquo; e &ldquo;abordagem profunda&rdquo;, os resultados mostram que esta  intera&ccedil;&atilde;o &eacute; significativa (<i>p</i>&lt;0.05), sendo inserida na classe de magnitudes de efeito elevadas  (0.25&lt;<i>&eta;<sub>p</sub><sup>2</i></sup>&le;0.50), com pot&ecirc;ncias observadas elevadas (&pi;&ge;0.80) corroborando desta forma a  signific&acirc;ncia desta intera&ccedil;&atilde;o (cf. sec&ccedil;&atilde;o &ldquo;Evolu&ccedil;&atilde;o dos grupos do pr&eacute;-teste para o  p&oacute;s-teste&rdquo;).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><i>Descri&ccedil;&atilde;o do processo &ndash; Dados de natureza qualitativa</i></p>     <p>Analis&aacute;mos o conte&uacute;do das entrevistas realizadas &agrave;s professoras (A e B) e as notas de campo recolhidas nas aulas dos dois  grupos. Depois de reunido o corpus documental, fizemos uma an&aacute;lise de conte&uacute;do explorat&oacute;ria aos dados de natureza qualitativa  procurando encontrar aspetos que pudessem caracterizar o efeito do ambiente de aprendizagem digital usado pelos alunos do grupo experimental sobre  a forma como estes se relacionam com as tarefas de aprendizagem. As unidades de registo do corpus documental foram inclu&iacute;das em quatro  categorias, o que permitiu determinar as frequ&ecirc;ncias relativas para cada categoria. Os resultados obtidos foram os seguintes: categoria A  (ritmo de trabalho dos alunos): 19.4%; categoria B (n&iacute;vel de concentra&ccedil;&atilde;o dos alunos na realiza&ccedil;&atilde;o das tarefas):  22,6%; categoria C (n&iacute;vel de aprofundamento na realiza&ccedil;&atilde;o das tarefas): 48,6% e categoria D (estrat&eacute;gia de ensino):  9,7%.</p>     <p>Nas turmas do grupo de controlo as professoras usaram o m&eacute;todo convencional ou habitual no ensino dos circuitos el&eacute;tricos, onde se  privilegia uma estrat&eacute;gia centrada no professor: no in&iacute;cio havia um momento de exposi&ccedil;&atilde;o dos temas com recurso a  apresenta&ccedil;&otilde;es em MS PowerPoint e programas de simula&ccedil;&atilde;o manipulados pelas professoras, seguido de um momento no qual os  alunos tinham algum tempo para resolver um conjunto de tarefas do caderno de atividades e do manual. Nesta abordagem foi referido que  &ldquo;durante a realiza&ccedil;&atilde;o das tarefas e at&eacute; das minhas exposi&ccedil;&otilde;es de mat&eacute;ria havia mais  dispers&atilde;o dos alunos&rdquo; (Professora A), o que leva a que &ldquo;os alunos tenham tido um ritmo mais lento na realiza&ccedil;&atilde;o  das tarefas&rdquo; (Professora A). Globalmente, as duas professoras referiram que o facto de no grupo de controlo ter sido usada uma  estrat&eacute;gia centrada no professor levou a que nem todos os alunos conseguissem acompanhar da mesma forma os temas, &ldquo;por terem ritmos de  trabalho e de aprendizagem diferentes&rdquo; (Professora A), pois &ldquo;numa estrat&eacute;gia mais expositiva e centrada no professor, todos os  alunos s&atilde;o obrigados a seguir o ritmo de aula imposto pelo professor e nem todos os alunos t&ecirc;m facilidade em acompanhar esse  ritmo&rdquo; (Professora B). Foi ainda referido pelas duas professoras que os alunos do grupo de controlo, desde a primeira aula, manifestaram  &ldquo;alguma preocupa&ccedil;&atilde;o com o teste de avalia&ccedil;&atilde;o&rdquo; (Professora B) de conhecimentos que teriam de realizar no  final do ensino dos circuitos el&eacute;tricos.</p>     <p>Em suma, as professoras real&ccedil;aram que a abordagem usada com o ambiente de aprendizagem digital tem alguns ingredientes, dos quais se  salientam o ensino centrado na aprendizagem e o ritmo de cada aluno, que levou a que os alunos realizassem as tarefas de aprendizagem de um modo  mais profundo e com maior n&iacute;vel de concentra&ccedil;&atilde;o quando comparados com os alunos do grupo de controlo. Os n&iacute;veis de  concentra&ccedil;&atilde;o e a gest&atilde;o do ritmo de trabalho foram apontados pelas professoras com as principais diferen&ccedil;as entre os  grupos.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Discuss&atilde;o dos resultados</b></p>     <p>Relativamente &agrave; distribui&ccedil;&atilde;o das pontua&ccedil;&otilde;es obtidas pelos alunos dos dois grupos nas vari&aacute;veis  abordagem profunda e superficial, observou-se um aumento da pontua&ccedil;&atilde;o na &ldquo;abordagem profunda&rdquo; do pr&eacute; para o  p&oacute;s-teste no grupo experimental, acompanhado por uma diminui&ccedil;&atilde;o da pontua&ccedil;&atilde;o da &ldquo;abordagem  superficial&rdquo;. Esta tend&ecirc;ncia tamb&eacute;m foi observada nas respetivas subescalas de motiva&ccedil;&atilde;o e estrat&eacute;gia.  Quanto ao grupo de controlo n&atilde;o se verificaram grandes altera&ccedil;&otilde;es nestas vari&aacute;veis. A compara&ccedil;&atilde;o dos dois  grupos no pr&eacute;-teste e no p&oacute;s-teste revelou equival&ecirc;ncia dos grupos na vari&aacute;vel &ldquo;abordagem superficial&rdquo;; ao  n&iacute;vel da vari&aacute;vel &ldquo;abordagem profunda&rdquo; verificou-se que os dois grupos n&atilde;o s&atilde;o equivalentes, todavia  atendendo &agrave;s diferen&ccedil;as das magnitudes de efeito (<i>d</i>=+0.061 para o pr&eacute;-teste e <i>d</i>=+0.323 para o p&oacute;s-teste)  nos dois momentos, podemos considerar os dois grupos equivalentes em termos da vari&aacute;vel &ldquo;abordagem profunda&rdquo; no  pr&eacute;-teste.</p>     <p>Quanto &agrave; evolu&ccedil;&atilde;o dos grupos, os resultados mostram que as pontua&ccedil;&otilde;es m&eacute;dias das vari&aacute;veis  abordagem profunda e superficial foram significativamente diferentes do pr&eacute;-teste para o p&oacute;s-teste no grupo experimental, n&atilde;o  havendo diferen&ccedil;as significativas nas mesmas vari&aacute;veis para o grupo de controlo.</p>     <p>Tamb&eacute;m n&atilde;o houve intera&ccedil;&atilde;o significativa da covari&aacute;vel &ldquo;classifica&ccedil;&atilde;o da disciplina de  F&iacute;sico-Qu&iacute;mica&rdquo; nos 7&ordm; e 8&ordm; anos com as vari&aacute;veis &ldquo;abordagem profunda&rdquo; e &ldquo;superficial&rdquo;  nos dois grupos.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Estes resultados sugerem que a utiliza&ccedil;&atilde;o de um ambiente de aprendizagem digital concebido com o modelo 4C/ID contribuiu para  diminuir significativamente a pontua&ccedil;&atilde;o da abordagem superficial dos alunos e que estes, quando confrontados com determinadas  tarefas, adotaram com maior frequ&ecirc;ncia uma abordagem profunda, o que est&aacute; relacionado com o facto de as abordagens &agrave;  aprendizagem tenderem a estar associadas &agrave;s diferentes perce&ccedil;&otilde;es que os alunos t&ecirc;m do ambiente de aprendizagem (Kirby,  Knapper, Maki, Egnatoff, &amp; Melle, 2002). Nesta investiga&ccedil;&atilde;o os alunos do grupo experimental nunca tinham vivenciado uma  situa&ccedil;&atilde;o de aprendizagem semelhante a esta, com um ambiente de aprendizagem que, por um lado, &eacute; rico em conte&uacute;dos da  f&iacute;sica (em particular sobre circuitos el&eacute;tricos) e por outro lado, que permite uma forte intera&ccedil;&atilde;o entre os alunos e as  tarefas de aprendizagem, tornando a aprendizagem um processo mais estimulante. Este contexto/ambiente de aprendizagem pode ter incutido nos alunos  uma maior motiva&ccedil;&atilde;o para o estudo da disciplina de F&iacute;sico-Qu&iacute;mica. As pontua&ccedil;&otilde;es obtidas com o IPE  indicam que os alunos do grupo experimental tenderam a adotar uma abordagem mais profunda (no p&oacute;s-teste), o que pode ter sido influenciado  pelas suas perce&ccedil;&otilde;es sobre o ambiente de aprendizagem; este fato &eacute; corroborado pela evolu&ccedil;&atilde;o das  pontua&ccedil;&otilde;es referentes &agrave;s subescalas de motiva&ccedil;&atilde;o e estrat&eacute;gia. Podemos concluir que esta forma de  trabalho pode ter contribu&iacute;do para produzir nos alunos uma inten&ccedil;&atilde;o de compreender mais profundamente a mat&eacute;ria  relacionada com os circuitos el&eacute;tricos.</p>     <p>Outro aspeto importante nestes resultados &eacute; o fato de os alunos do grupo experimental terem diminuido a sua pontua&ccedil;&atilde;o na  vari&aacute;vel &ldquo;abordagem superficial&rdquo;, mostrando que, neste caso, esta vari&aacute;vel foi sens&iacute;vel ao contexto de  aprendizagem. Estes resultados podem ser explicados pela obrigatoriedade de os alunos terem de realizar todas tarefas de aprendizagem de forma  individual e pelo n&iacute;vel de concentra&ccedil;&atilde;o que estes demonstraram durante a realiza&ccedil;&atilde;o das tarefas. Outra  vari&aacute;vel que poder&aacute; ter influenciado a altera&ccedil;&atilde;o na abordagem superficial foi a gest&atilde;o aut&oacute;noma do ritmo  de trabalho e de aprendizagem, pois os alunos tinham a possibilidade de ler e ouvir com aten&ccedil;&atilde;o todas as informa&ccedil;&otilde;es  fornecidas ao longo da realiza&ccedil;&atilde;o das tarefas de aprendizagem, a que estava associado um sistema de <i>feedback</i> eficiente.</p>     <p>Segundo Biggs (1987a) e Zeegers (2001), as raz&otilde;es que levam os alunos a seguirem um determinado tipo de abordagem &agrave; aprendizagem  s&atilde;o diversas, mas existem alguns dados de investiga&ccedil;&atilde;o que mostram que os alunos adaptam as suas estrat&eacute;gias em  fun&ccedil;&atilde;o das perce&ccedil;&otilde;es que desenvolvem sobre o contexto de aprendizagem. No nosso caso a intera&ccedil;&atilde;o positiva  entre o tipo de abordagem &agrave; aprendizagem e o ambiente de aprendizagem torna-se mais evidente quando comparamos os resultados dos dois  grupos. Conv&eacute;m recordar que no grupo de controlo a estrat&eacute;gia seguida pelas professoras foi mais tradicional, ou seja, estes alunos  acabaram por adotar o tipo de abordagem que j&aacute; tinham, provavelmente influenciada pelo m&eacute;todo de ensino ao qual estavam habituados.</p>     <p>Apesar dos resultados referentes &agrave;s diferen&ccedil;as e evolu&ccedil;&atilde;o das pontua&ccedil;&otilde;es dos grupos serem  estatisticamente significativos, a ordem de grandeza das magnitudes de efeito dificulta a generaliza&ccedil;&atilde;o destes resultados. Portanto,  a &uacute;nica conclus&atilde;o que podemos tirar &eacute; que o ambiente com a abordagem instrutiva 4C/ID influenciou positivamente o tipo de  abordagem &agrave; aprendizagem dos alunos da nossa amostra.</p>     <p>Importa ainda fazer uma refer&ecirc;ncia ao estudo do efeito deste ambiente de aprendizagem sobre os desempenhos (reprodu&ccedil;&atilde;o e  transfer&ecirc;ncia) dos alunos realizado por Melo e Miranda (2015). Estes autores conclu&iacute;ram que o grupo experimental apresentou  efici&ecirc;ncia (vari&aacute;vel que resulta da combina&ccedil;&atilde;o dos dados de desempenhos com o esfor&ccedil;o mental despendido pelos  alunos) significativamente melhor ao n&iacute;vel da transfer&ecirc;ncia da aprendizagem, explicando que os alunos tiveram necessidade de analisar  os problemas sobre circuitos el&eacute;tricos de uma forma mais profunda e mais significativa, o que corrobora a mudan&ccedil;a de abordagem  &agrave; aprendizagem adotadas pelos alunos.</p>     <p>No que respeita ao instrumento de recolha de dados usado, o IPE, apesar deste surgir em Gon&ccedil;alves, et al. (2006) como validado para a  popula&ccedil;&atilde;o portuguesa do 3&ordm;ciclo do ensino b&aacute;sico, evidenciou uma configura&ccedil;&atilde;o diferente da do estudo  original. Na dimens&atilde;o profunda os resultados desta investiga&ccedil;&atilde;o seguem a configura&ccedil;&atilde;o prevista no estudo  original, no que respeita &agrave; dimens&atilde;o superficial os resultados apontam para uma organiza&ccedil;&atilde;o diferente do estudo  original. Como um instrumento deve ser sempre validado para a amostra a que se aplica, podemos avan&ccedil;ar com alguns argumentos para explicar  esta configura&ccedil;&atilde;o diferente dos itens entre o estudo original e o nosso estudo na dimens&atilde;o &lsquo;abordagem  superficial&rsquo;. O nosso estudo desenvolveu-se numa escola particular na regi&atilde;o de Lisboa, colocada nos n&iacute;veis superiores dos  rankings das escolas e maioritariamente frequentada por alunos da classe m&eacute;dia e m&eacute;dia-alta. Al&eacute;m disso, os alunos t&ecirc;m,  na sua maioria, h&aacute;bitos de estudo e de disciplina &lsquo;intelectual&rsquo;, o que nem sempre acontece em outras escolas, frequentadas por  todos os grupos sociais e com uma maior variedade de h&aacute;bitos de estudo e trabalho &lsquo;intelectual&rsquo;. Pensamos que no grupo de alunos  com que trabalhamos a abordagem superficial &eacute; menos usada o que pode explicar os problemas de validade ao n&iacute;vel da dimens&atilde;o  superficial. Contudo, este instrumento &ndash; IPE deve continuar a ser validado para outras amostras.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conclus&otilde;es e implica&ccedil;&otilde;es do estudo</b></p>     <p>Podemos concluir que, em geral, o ambiente de aprendizagem digital concebido com o modelo 4C/ID gerou magnitudes de efeito globalmente baixas,  acompanhadas por diferen&ccedil;as significativas ao n&iacute;vel das pontua&ccedil;&otilde;es referentes &agrave; vari&aacute;vel abordagem  profunda. Este facto confina estes resultados a esta experi&ecirc;ncia em particular.</p>     <p>A abordagem instrutiva com o modelo 4C/ID gerou um ambiente de aprendizagem mais estimulante e centrado no aluno, encorajando a capacidade de  gest&atilde;o do seu ritmo de trabalho e de aprendizagem. Outro aspeto importante desta abordagem instrutiva &eacute; o sistema de <i>feedback</i>  &agrave; aprendizagem, que permite que o aluno estabele&ccedil;a rela&ccedil;&otilde;es entre o tema que est&aacute; a aprender e os seus  conhecimentos pr&eacute;vios, estimulando a transfer&ecirc;ncia de aprendizagem a novas situa&ccedil;&otilde;es. Assim, podemos concluir que este  trabalho d&aacute; mais um contributo para se perceber que o contexto de aprendizagem influencia o tipo de abordagem &agrave; aprendizagem adotada  pelos alunos.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Resta saber se este efeito ter&aacute; consequ&ecirc;ncias sobre as abordagens &agrave; aprendizagem a m&eacute;dio prazo. Neste sentido seria  interessante e relevante fazer uma replica&ccedil;&atilde;o deste estudo com <i>follow-up</i> ao grupo experimental e uma  caracteriza&ccedil;&atilde;o das estrat&eacute;gias de ensino usadas nos anos anteriores nos dois grupos, para que se possa atribuir com maior  confian&ccedil;a as diferen&ccedil;as &agrave; altera&ccedil;&atilde;o no tipo de ambiente de aprendizagem usado.</p>     <p>Esta investiga&ccedil;&atilde;o levanta ainda outras quest&otilde;es para futuras investiga&ccedil;&otilde;es relacionadas com as  dimens&otilde;es do constructo abordagens &agrave; aprendizagem, tais como: de que forma o n&iacute;vel de concentra&ccedil;&atilde;o dos alunos, a  sua motiva&ccedil;&atilde;o para a aprendizagem e a gest&atilde;o aut&oacute;noma do ritmo de aprendizagem podem alterar o tipo de abordagem  &agrave; aprendizagem adotado pelos alunos? Desta forma, sugere-se a utiliza&ccedil;&atilde;o ou constru&ccedil;&atilde;o de instrumentos que  possam avaliar estas vari&aacute;veis, tal como foi sugerido por Lucas e Mayer em 2005.</p>     <p>No que respeita ao instrumento de avalia&ccedil;&atilde;o, importa ainda referir que: (1) a vers&atilde;o IPE usado neste estudo, que foi  originalmente validada para uma amostra da popula&ccedil;&atilde;o portuguesa do 3&ordm; ciclo do ensino b&aacute;sico e do ensino  secund&aacute;rio, e foi posteriormente utilizada por outros autores, tem revelado alguns problemas ao n&iacute;vel da validade do constructo.  Assim, sugere-se que a sua valida&ccedil;&atilde;o seja efetuada em novas amostras de alunos do 3&ordm; ciclo do ensino b&aacute;sico e  secund&aacute;rio, que sejam significativas e representativas tanto dos diferentes estratos socioecon&oacute;micos como do tipo de estabelecimento  de ensino; (2) em v&aacute;rios estudos a dimens&atilde;o superficial levanta alguns problemas de consist&ecirc;ncia interna, pelo que se sugere um  maior cuidado na constru&ccedil;&atilde;o dos itens que constituem esta dimens&atilde;o, nomeadamente a utiliza&ccedil;&atilde;o de metodologias  mistas, que permitam obter dados para interpretar os resultados de investiga&ccedil;&atilde;o, &agrave; luz das teorias subjacentes ao constructo  &ldquo;abordagens &agrave; aprendizagem&rdquo;.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>     <!-- ref --><p>Biggs, J. B. (1987a). <i>Student approaches to learning and studying</i>. Melbourne: Australian Council for Educational Research.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=039936&pid=S0870-8231201800030000100001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Biggs, J. B. (1987b). <i>The Study Process Questionaire (SPQ): Manual</i>. Hawthorn, Vic: Australian Council for Education Research.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=039938&pid=S0870-8231201800030000100002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Biggs, J. B. (1988). Approaches to learning and to essay writing. In R. R. Schmeck (Ed.), <i>Learning strategies and learning styles</i> (pp.  185-228). New York: Plenum.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=039940&pid=S0870-8231201800030000100003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Biggs, J. B. (2003). <i>Teaching for quality learning at university</i>. Maidenhead: Open University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=039942&pid=S0870-8231201800030000100004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Coelho, J. P., Cunha, L. M., &amp; Martins, I. L. (2008). <i>Infer&ecirc;ncia estat&iacute;stica com utiliza&ccedil;&atilde;o do SPSS e  G*power</i>. Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es S&iacute;labo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=039944&pid=S0870-8231201800030000100005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Duff, A., &amp; McKinstry, S. (2007). Students&rsquo; approaches to learning. <i>Issues in Accounting Education, 22</i>, 183-214. doi:  10.2308/iace.2007.22.2.183</p>     <!-- ref --><p>Entwistle, N. (1990). Approaches to learning and perceptions of the learning environment. <i>Higher Education, 33</i>, 213-204.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=039947&pid=S0870-8231201800030000100007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Entwistle, N. (1997). Reconstituting approaches to learning: A response to Webb. <i>Higher Education, 33</i>, 213-218.  <a href="https://doi.org/10.1023/A:1002930608372" target="_blank">https://doi.org/10.1023/A:1002930608372</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=039949&pid=S0870-8231201800030000100008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Gon&ccedil;alves, M. M., Sim&otilde;es, M. R., Almeida, L. S., &amp; Machado, C. (Coords.). (2006). <i>Avalia&ccedil;&atilde;o  psicol&oacute;gica: Instrumentos validados para a popula&ccedil;&atilde;o portuguesa</i> (Vol. I, 2&ordf; ed.). Coimbra: Quarteto.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=039950&pid=S0870-8231201800030000100009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Gow, L., Kember D., &amp; Cooper, B. (1994). The teaching context and approaches to study of accounting students. <i>Issues in Accounting  Education, 9</i>, 118-130.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=039952&pid=S0870-8231201800030000100010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Jackling, B. (2005). Perceptions of the learning context and learning approaches: Implications for quality learning outcomes in accounting.  <i>Accounting Education: An International Journal, 14</i>, 271-291. doi: 10.1080/06939280500036364&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=039954&pid=S0870-8231201800030000100011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Kirby, J., Knapper, C., Maki, S., Egnatoff, W., &amp; Melle, E. (2002). Computers and students&rsquo; conceptions of learning: The transition  from post-secondary education to the workplace. <i>Educational Technology &amp; Society, 5</i>, 42-53.</p>     <!-- ref --><p>Kirshner, P. A. (2002). Cognitive load theory: Implications of cognitive load theory on the design of learning. <i>Learning and Instruction,  12</i>, 1-10.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=039956&pid=S0870-8231201800030000100013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Lozano, A., Uzquiano, M., Fern&aacute;ndez, M., &amp; Blanco, J. (2001). Procesos y estrategias de aprendizaje: Propuesta de nuevo modelo de  evaluacion de los enfoques de aprendizaje para el alunado de educacion secundaria. In B. D. Silva & L. S. Almeida (Orgs.), <i>Actas do VI Congresso  Galaico-Portugu&ecirc;s de Psicopedagogia</i> (pp. 23-42). Braga: Universidade do Minho.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=039958&pid=S0870-8231201800030000100014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Lucas, U., &amp; Mayer, H. F. (2005). Towards a mapping of the student world: The identification of variation in students&rsquo; conceptions of  and motivation to learn, introductory accounting. <i>British Accounting Review, 37</i>, 177-204.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Mar&ocirc;co, J. (2014). <i>An&aacute;lise estat&iacute;stica com o SPSS Statistics</i>. P&ecirc;ro Pinheiro: Report Number.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=039961&pid=S0870-8231201800030000100016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Marton, F., &amp; S&auml;lj&ouml;, R. (1976a). On qualitative differences in learning: I &ndash; Outcomes &amp; process. <i>British Journal of  Educational Psychology, 46</i>, 4-11.</p>     <p>Marton, F., &amp; S&auml;lj&ouml;, R. (1976b). On qualitative differences in learning: II &ndash; Outcome as an function of the learners  conception of the task. <i>British Journal of Educational Psychology, 46</i>, 115-127.</p>     <!-- ref --><p>Mayer, R. (Ed.). (2014). <i>The Cambridge handbook of multimedia learning</i> (2<sup>nd</sup> ed.). New York: Cambridge University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=039965&pid=S0870-8231201800030000100019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Mayer, R. E., &amp; Moreno, R. (2002). Aids to computer-based multimedia learning. <i>Learning and Instruction, 12</i>, 107-119.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=039967&pid=S0870-8231201800030000100020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Melo, M., &amp; Miranda, G. L. (2015). Learning electrical circuits: The effects of the 4C-ID instructional approach in the acquisition and  transfer of knowledge. <i>Journal of Information Technology Education: Research, 14</i>, 313-337.  <a href="http://www.jite.org/documents/Vol14/JITEv14ResearchP313-337Melo1752.pdf"  target="_blank">http://www.jite.org/documents/Vol14/JITEv14ResearchP313-337Melo1752.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=039969&pid=S0870-8231201800030000100021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Mosca, C., Makkink, A., &amp; Stein, C. (2015). Learning approaches used by students in an undergraduate emergency medical care programme.  <i>Afr J Health Professions Educ, 7</i>, 55-57. doi: 10.7196/AJHPE.393&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=039970&pid=S0870-8231201800030000100022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Paas, F. G., Tuovinen, J. E., Tabbers, H., &amp; Gerven, P. W. (2003). Cognitive load measurement as a mean to advance cognitive load theory.  <i>Educational Psychologist, 38</i>, 63-71.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=039971&pid=S0870-8231201800030000100023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Paiva, M. O. (2008). <i>Abordagens &agrave; aprendizagem e abordagens ao ensino: Uma aproxima&ccedil;&atilde;o &agrave; din&acirc;mica do  aprender no secund&aacute;rio</i>. Tese de doutoramento (manuscrito n&atilde;o pulicado), Universidade do Minho, Braga.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=039973&pid=S0870-8231201800030000100024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Ramsden, P. (1979). Student learning and perceptions of the academic environment. <i>Higher Education, 8</i>, 411-427.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=039975&pid=S0870-8231201800030000100025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Ramsden, P. (2003). <i>Learning to teach higher education</i> (2<sup>nd</sup> ed.). London: Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=039977&pid=S0870-8231201800030000100026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Snelgeove, S. R. (2004). Approaches to learning of student nurses. <i>Nurse Education Today, 24</i>, 605-614.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=039979&pid=S0870-8231201800030000100027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Sweller, J., Ayres, P., &amp; Kalyuga, S. (2011). <i>Cognitive load theory</i>. New York: Springer.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=039981&pid=S0870-8231201800030000100028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>van Merri&euml;nboer, J., &amp; Kester, L. (2014). The four-components instructional design model: multimedia principles in environments for  complex learning. In R. Mayer (Ed.), <i>The Cambridge handbook of multimedia learning</i> (2<sup>nd</sup> ed., pp. 104-149). New York:  Cambridge University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=039983&pid=S0870-8231201800030000100029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Zeegers, P. (2001). Approaches to learning in science: A longitudinal study. <i>British Journal of Educational Psychology, 71</i>, 115-132.  doi: 10.1348/000709901158424&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=039985&pid=S0870-8231201800030000100030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     <p><b><a name="c0" id="c0"></a><a href="#topc0">CORRESPONDÊNCIA</a></b></p>     <p>A correspond&ecirc;ncia relativa a este artigo dever&aacute; ser enviada para: M&aacute;rio Marcelino Lu&iacute;s de Melo, Instituto de  Educa&ccedil;&atilde;o da Universidade de Lisboa, Alameda da Universidade, 1649-013 Lisboa, Portugal. E-mail:  <a href="mailto:mmlmelo@hotmail.com">mmlmelo@hotmail.com</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Submiss&atilde;o: 29/06/2016 Aceita&ccedil;&atilde;o: 10/06/2017</p>     ]]></body>
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