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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Conhecimentos e perceções públicas acerca do acolhimento familiar: Contributos para o desenvolvimento da medida]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade Católica Portuguesa Faculdade de Educação em Psicologia Centro de Investigação para o Desenvolvimento Humano]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Family foster care is a child protection measure that gained representation throughout Europe in the last decades. Parallel, research underlines the better fit of family foster care to the developmental needs of at risk children and youth. However, in Portugal, this is still an underrepresented measure in the Child Protection System. Beyond many complex political, legal and financial aspects, the ability to promote family foster care, may be also dependent on the knowledge and perceptions that general public might have on the subject. This study analyses public (n=270) knowledge and perceptions about family foster care. Results show little knowledge about the out of home care system, but a favourable attitude towards family foster care and a high availability to become foster carer. Results are discussed taking into account its implications towards the promotion of a culture of family foster care and towards the strengthening of conditions that foster the development of the measure.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Acolhimento familiar]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>Conhecimentos e perce&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas acerca do acolhimento familiar: Contributos para o desenvolvimento da medida</b></p>     <p><b>Public knowledge and perceptions on family foster care: Contributes to it&rsquo;s development</b></p>     <p><b>Mariana Negr&atilde;o<sup>1</sup>, Marina Moreira<sup>1</sup>, Lurdes Ver&iacute;ssimo<sup>1</sup>, Elisa Veiga<sup>1</sup></b></p>     <p><sup>1</sup>Centro de Investiga&ccedil;&atilde;o para o Desenvolvimento Humano, Faculdade de Educa&ccedil;&atilde;o em Psicologia,  Universidade Cat&oacute;lica Portuguesa, Porto, Portugal</p>     <p><a name="topc0"></a><a href="#c0">Correspondência</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>O acolhimento familiar &eacute; uma medida de promo&ccedil;&atilde;o e prote&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;as e jovens que tem ganho  crescente expressividade na Europa nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas. Paralelamente, a investiga&ccedil;&atilde;o tem evidenciado um maior  ajustamento desta resposta face &agrave;s necessidades desenvolvimentais das crian&ccedil;as em perigo. N&atilde;o obstante, em Portugal, esta  &eacute; ainda uma medida com muito pouca representa&ccedil;&atilde;o. A capacidade de promover o Acolhimento Familiar, para al&eacute;m de  muitos e complexos fatores de ordem pol&iacute;tica, legislativa e financeira, estar&aacute; tamb&eacute;m dependente dos conhecimentos e  perce&ccedil;&otilde;es que a popula&ccedil;&atilde;o em geral possa ter sobre a problem&aacute;tica. Assim, este estudo analisa os conhecimentos  e perce&ccedil;&otilde;es de uma amostra da popula&ccedil;&atilde;o portuguesa (<i>n</i>=270) acerca do acolhimento familiar. Os resultados  demonstram poucos conhecimentos acerca da realidade do acolhimento, mas uma atitude favor&aacute;vel face ao acolhimento familiar e uma elevada  disponibilidade dos inquiridos para se tornarem fam&iacute;lia de acolhimento. A discuss&atilde;o dos resultados &eacute; feita tendo em conta as  suas implica&ccedil;&otilde;es para a promo&ccedil;&atilde;o de uma cultura de acolhimento familiar e para a cria&ccedil;&atilde;o de  condi&ccedil;&otilde;es que viabilizem a ades&atilde;o &agrave; medida em Portugal.    <p>     <p><b>Palavras-chave</b>: Acolhimento familiar, Crian&ccedil;as em perigo, Conhecimentos e perce&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>Family foster care is a child protection measure that gained representation throughout Europe in the last decades. Parallel, research  underlines the better fit of family foster care to the developmental needs of at risk children and youth. However, in Portugal, this is still an  underrepresented measure in the Child Protection System. Beyond many complex political, legal and financial aspects, the ability to promote  family foster care, may be also dependent on the knowledge and perceptions that general public might have on the subject. This study analyses  public (<i>n</i>=270) knowledge and perceptions about family foster care. Results show little knowledge about the out of home care system, but a  favourable attitude towards family foster care and a high availability to become foster carer. Results are discussed taking into account its  implications towards the promotion of a culture of family foster care and towards the strengthening of conditions that foster the development of  the measure.</p>     <p><b>Key words</b>: Family foster care, At risk children, Public perceptions, Public knowledge.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>O direito da crian&ccedil;a a crescer num contexto est&aacute;vel, seguro e promotor do seu desenvolvimento est&aacute; consagrado na  Conven&ccedil;&atilde;o dos Direitos da Crian&ccedil;a (UNICEF, 1989). No entanto, as fam&iacute;lias biol&oacute;gicas nem sempre conseguem  garantir um ambiente apropriado ao desenvolvimento infantil, pelo que muitas crian&ccedil;as se encontram ao abrigo de medidas de  promo&ccedil;&atilde;o e prote&ccedil;&atilde;o, que visam garantir a sua seguran&ccedil;a e desenvolvimento integral. Uma destas medidas &ndash;  o acolhimento familiar &ndash; tem como objetivo proporcionar &agrave; crian&ccedil;a um ambiente familiar alternativo que, de forma  tempor&aacute;ria, garanta a presta&ccedil;&atilde;o de cuidados adequados &agrave;s necessidades, bem-estar e a educa&ccedil;&atilde;o  necess&aacute;ria ao desenvolvimento integral da crian&ccedil;a, enquanto se redefine o seu projeto de vida (Decreto-Lei 142/2015, artigo  46.&ordm;).</p>     <p>Tem sido reunido um substancial consenso em torno da primazia do acolhimento familiar sobre o residencial para a maioria das crian&ccedil;as  cuja hist&oacute;ria de vida &eacute; marcada pela vulnerabilidade, disfuncionalidade familiar, neglig&ecirc;ncia e maltrato, que ocasionam a  retirada familiar. A justifica&ccedil;&atilde;o desta posi&ccedil;&atilde;o baseia-se em argumentos tais como a semelhan&ccedil;a com o ambiente  natural, ou a facilita&ccedil;&atilde;o da cria&ccedil;&atilde;o de uma rela&ccedil;&atilde;o investida, particular e est&aacute;vel com os  acolhedores (McCall, 2011; Zenah, Shauffer, &amp; Dozier, 2011), t&atilde;o mais dif&iacute;cil nas institui&ccedil;&otilde;es de acolhimento,  tantas vezes ainda caracterizadas por um elevado r&aacute;cio crian&ccedil;a/cuidador, parca forma&ccedil;&atilde;o dos cuidadores, e consequente  baixa qualidade do cuidado prestado (Soares et al., 2014).</p>     <p>De facto, a investiga&ccedil;&atilde;o tem documentado o impacto positivo do acolhimento familiar nas crian&ccedil;as acolhidas. Estudos de  refer&ecirc;ncia como o <i>Bucharest Early Intervention Project</i> (Nelson, Fox, &amp; Zeanah, 2014) evidenciam os efeitos positivos do  acolhimento familiar na recupera&ccedil;&atilde;o de dimens&otilde;es cognitivas, de linguagem, de express&atilde;o emocional, de  seguran&ccedil;a e organiza&ccedil;&atilde;o da vincula&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as abrangidas por esta resposta. Resultados de outros  estudos demonstram tamb&eacute;m efeitos positivos no ajustamento psicol&oacute;gico, na melhor recupera&ccedil;&atilde;o de problemas  comportamentais e de sintomas de stress p&oacute;s traum&aacute;tico, no maior aproveitamento escolar e taxa de empregabilidade,  refor&ccedil;ando as mais-valias do acolhimento familiar comparativamente ao residencial (e.g., Ahmad et al., 2005; Barber &amp; Delfabbro, 2005;  Dregan &amp; Guilliford, 2012; Nowacki &amp; Schoelwerich, 2010).</p>     <p>Em linha com estas evid&ecirc;ncias, a Europa tem aderido de forma progressiva a uma pol&iacute;tica de desinstitucionaliza&ccedil;&atilde;o  das crian&ccedil;as e jovens em perigo, j&aacute; consolidada em muitos pa&iacute;ses. Destaca-se a recomenda&ccedil;&atilde;o da  Comiss&atilde;o Europeia no sentido da progressiva elimina&ccedil;&atilde;o de institui&ccedil;&otilde;es destinadas a crian&ccedil;as que  se encontram privadas de cuidados parentais, privilegiando solu&ccedil;&otilde;es de qualidade no &acirc;mbito de estruturas de proximidade e  junto de fam&iacute;lias de acolhimento (Recomenda&ccedil;&atilde;o da Comiss&atilde;o Europeia 112/2013).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Espelhando a tend&ecirc;ncia europeia, em setembro de 2015, Portugal altera a Lei de Prote&ccedil;&atilde;o de Crian&ccedil;as e Jovens em  Perigo, passando a consignar o privil&eacute;gio do acolhimento familiar em detrimento do residencial, especialmente para crian&ccedil;as  at&eacute; aos seis anos (Decreto-Lei 142/2015, artigo 46.&ordm;). Apesar de formalizado legalmente em 1979, o acolhimento familiar em Portugal  &eacute; uma medida de promo&ccedil;&atilde;o e prote&ccedil;&atilde;o cuja implementa&ccedil;&atilde;o se caracteriza ainda por muitas  debilidades. Desde logo, o acolhimento familiar em Portugal representa atualmente apenas 3,5% do acolhimento (Instituto de Seguran&ccedil;a  Social [ISS], 2016), o que se encontra em clara clivagem com a maioria dos pa&iacute;ses europeus, nomeadamente alguns com quem se partilham  semelhan&ccedil;as culturais e/ou religiosas. A t&iacute;tulo de exemplo refere-se o caso de Espanha, em que 60.4% das crian&ccedil;as acolhidas  est&atilde;o em acolhimento familiar, e o caso da Irlanda em que esta percentagem ascende aos 90,5% (Del Valle &amp; Bravo, 2013). Al&eacute;m da  diminuta expressividade da percentagem de crian&ccedil;as em acolhimento familiar, no nosso pa&iacute;s, esta medida caracteriza-se ainda pela  aus&ecirc;ncia de campanhas regulares de divulga&ccedil;&atilde;o, recrutamento e sele&ccedil;&atilde;o de potenciais acolhedores, consequente  baixo n&uacute;mero de fam&iacute;lias constantes na bolsa de acolhedores, bem como por entraves ao acompanhamento dos processos motivados pelos  limitados meios humanos e materiais disponibilizados pelos servi&ccedil;os (Delgado, Lopez, Carvalho, &amp; Del Valle, 2015).</p>     <p>A mudan&ccedil;a legislativa exige, por isso, profundas transforma&ccedil;&otilde;es na forma de promover esta medida. Contudo, a aparente  insufici&ecirc;ncia de uma cultura de acolhimento familiar em Portugal pode constituir-se como uma amea&ccedil;a ao seu necess&aacute;rio  desenvolvimento. Neste contexto, assume particular relev&acirc;ncia explorar quais os conhecimentos e perce&ccedil;&otilde;es que atualmente a  popula&ccedil;&atilde;o portuguesa tem acerca do acolhimento familiar, como ponto de partida de todo um processo que perspetive potenciar esta  medida, e assim dar resposta mais ajustada &agrave;s crian&ccedil;as e jovens em perigo.</p>     <p>A perce&ccedil;&atilde;o do p&uacute;blico sobre o acolhimento familiar, sendo, tanto quanto sabemos, um tema ausente da literatura no nosso  pa&iacute;s, &eacute; tamb&eacute;m escassamente tratado na literatura internacional. Enquanto alguns estudos abordam as perce&ccedil;&otilde;es  acerca do acolhimento na perspetiva dos acolhedores, e (menos comummente) na perspetiva das crian&ccedil;as acolhidas, muito poucos estudos  exploram as perce&ccedil;&otilde;es da popula&ccedil;&atilde;o em geral. Uma exce&ccedil;&atilde;o &eacute; o estudo de Leber e Lecroy (2012) que  investiga os conhecimentos e perce&ccedil;&otilde;es da popula&ccedil;&atilde;o norte americana sobre o acolhimento familiar. Os seus resultados  revelam que a popula&ccedil;&atilde;o det&eacute;m um conhecimento relativamente amplo sobre o assunto e uma vis&atilde;o positiva das  motiva&ccedil;&otilde;es das fam&iacute;lias de acolhimento, essencialmente centradas no apoio &agrave;s crian&ccedil;as. Simultaneamente, o  estudo enfatiza o desconhecimento acerca dos motivos pelos quais as crian&ccedil;as entram no sistema de prote&ccedil;&atilde;o, e a  controv&eacute;rsia de algumas quest&otilde;es, como por exemplo, a remunera&ccedil;&atilde;o a atribuir &agrave;s fam&iacute;lias de  acolhimento.</p>     <p>O presente estudo visa assim contribuir para a explora&ccedil;&atilde;o dos conhecimentos e perce&ccedil;&otilde;es de uma amostra da  popula&ccedil;&atilde;o portuguesa sobre a medida de acolhimento familiar. Mais concretamente, este estudo pretende: (a) avaliar conhecimentos  acerca das medidas de acolhimento; (b) identificar efeitos positivos e riscos percebidos como inerentes ao acolhimento familiar; (c) descrever  motiva&ccedil;&otilde;es, condi&ccedil;&otilde;es e obst&aacute;culos ao acolhimento familiar; (d) explorar a disponibilidade/indisponibilidade  dos participantes para se tornarem fam&iacute;lias de acolhimento.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>M&eacute;todo</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Amostra</i></p>     <p>A amostra &eacute; constitu&iacute;da por 270 indiv&iacute;duos com idades compreendidas entre os 19 e os 65 anos de idade (<i>M</i>=37.81;  <i>DP</i>=13.01), sendo que a maioria pertence ao sexo feminino (67%). A maior parte dos participantes s&atilde;o casados (51.9%). Mais de metade  dos participantes t&ecirc;m filhos (53.3%) e uma expressiva maioria afirma ser cat&oacute;lico (<i>n</i>=197). Em termos de  habilita&ccedil;&otilde;es liter&aacute;rias, a amostra &eacute; heterog&eacute;nea: 49.6% das pessoas det&ecirc;m uma licenciatura, 21.9%  completaram o ensino secund&aacute;rio e 15.9% o ensino b&aacute;sico (cf. <a href="#t1">Tabela 1</a>).</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="t1"></a></p>     <p><img src="/img/revistas/aps/v37n1/37n1a07t1.jpg" width="579" height="312"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>No que diz respeito &agrave; profiss&atilde;o, a amostra &eacute; tamb&eacute;m diversificada, havendo participantes da &aacute;rea da  economia, sa&uacute;de, educa&ccedil;&atilde;o, direito, ind&uacute;stria, entre outros.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Instrumentos</i></p>     <p>A escassez de estudos neste dom&iacute;nio, e a necessidade de um instrumento de recolha de dados ajustado &agrave; delimita&ccedil;&atilde;o  do acolhimento familiar no contexto da realidade portuguesa e do seu enquadramento legal, deram origem &agrave; constru&ccedil;&atilde;o de um  instrumento que pudesse responder aos objetivos deste estudo. O <i>Question&aacute;rio sobre Perce&ccedil;&otilde;es acerca do Acolhimento  Familiar</i> (Negr&atilde;o, Veiga, Ver&iacute;ssimo, &amp; Moreira, 2017) inspirou-se no trabalho de Leber e LeCroy (2012), bem como na  investiga&ccedil;&atilde;o de Tyebjee (2003) sobre as atitudes, interesses e motiva&ccedil;&otilde;es para ado&ccedil;&atilde;o e acolhimento  familiar. Paralelamente foi tamb&eacute;m realizada uma revis&atilde;o de literatura aos contributos de especialistas na &aacute;rea.</p>     <p>Uma vez constru&iacute;do o question&aacute;rio, foi realizada uma <i>reflex&atilde;o falada</i> junto de sete indiv&iacute;duos de diferentes  faixas et&aacute;rias, profiss&otilde;es e habilita&ccedil;&otilde;es liter&aacute;rias. Este processo permitiu fazer ajustes ligeiros na  formula&ccedil;&atilde;o de alguns itens, no sentido da sua simplifica&ccedil;&atilde;o e clara compreens&atilde;o. A vers&atilde;o de  investiga&ccedil;&atilde;o do instrumento &eacute; constitu&iacute;da por cinco grandes partes, a primeira parte diz respeito &agrave;  informa&ccedil;&atilde;o sociodemogr&aacute;fica dos participantes. A segunda &ndash; <i>Conhecimentos acerca do acolhimento</i> &ndash; &eacute;  constitu&iacute;da por cinco perguntas de escolha m&uacute;ltipla e procura avaliar os conhecimentos gerais sobre o sistema de acolhimento (e.g.,  <i>Em 2015, quantas crian&ccedil;as e jovens estavam em acolhimento familiar</i>?), de acordo com a legisla&ccedil;&atilde;o e dados  dispon&iacute;veis acerca da medida no nosso pa&iacute;s. A terceira parte &ndash; <i>Perce&ccedil;&atilde;o acerca de efeitos positivos e riscos  do acolhimento</i> &ndash; Inclui 12 itens avaliados atrav&eacute;s de uma escala <i>likert</i> de cinco pontos e analisa as  perce&ccedil;&otilde;es de efeitos positivos e riscos que podem resultar da medida de acolhimento familiar. Uma an&aacute;lise fatorial  explorat&oacute;ria verificou a exist&ecirc;ncia de duas dimens&otilde;es &ndash; <i>perce&ccedil;&atilde;o de efeitos positivos</i> com um  <i>alfa de Cronbach</i> de .74 (e.g., <i>O Acolhimento Familiar d&aacute; oportunidade &agrave; crian&ccedil;a de criar rela&ccedil;&otilde;es  familiares saud&aacute;veis</i>), e <i>perce&ccedil;&atilde;o de riscos</i> com um <i>alfa de Cronbach</i> de .68 (e.g., <i>O Acolhimento  Familiar &eacute; emocionalmente desgastante para o casal acolhedor)</i>, explicando 42.43% da vari&acirc;ncia. Esta dimens&atilde;o inclui  tamb&eacute;m uma pergunta dicot&oacute;mica sobre a melhor op&ccedil;&atilde;o de acolhimento em situa&ccedil;&otilde;es de perigo  (<i>acolhimento residencial ou acolhimento familiar</i>), seguindo-se de um conjunto de op&ccedil;&otilde;es que permitem justificar a resposta  anterior. A quarta parte &ndash; <i>Perce&ccedil;&atilde;o das condi&ccedil;&otilde;es, motiva&ccedil;&otilde;es e obst&aacute;culos face ao  acolhimento</i> &ndash; &eacute; constitu&iacute;da por 11 afirma&ccedil;&otilde;es avaliadas em escala <i>likert</i> de cinco pontos para  verificar o grau de concord&acirc;ncia relativamente a condi&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias ao acolhimento (e.g., <i>N&atilde;o &eacute;  importante que as fam&iacute;lias de acolhimento recebam forma&ccedil;&atilde;o</i>) e tamb&eacute;m quest&otilde;es acerca das  motiva&ccedil;&otilde;es/obst&aacute;culos ao acolhimento, com diversas alternativas de resposta. Por fim, a &uacute;ltima parte do  question&aacute;rio &ndash; <i>Disponibilidade para o Acolhimento Familiar</i> &ndash; aborda a disponibilidade/indisponibilidade para o  acolhimento familiar atrav&eacute;s de uma quest&atilde;o dicot&oacute;mica, seguida de uma pergunta aberta que explora a  fundamenta&ccedil;&atilde;o desta op&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Procedimentos de recolha de dados</i></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A recolha de dados foi realizada na comunidade pelos investigadores da equipa, tendo sido cumpridos os princ&iacute;pios &eacute;ticos e  deontol&oacute;gicos de uma participa&ccedil;&atilde;o volunt&aacute;ria e informada dos objetivos e procedimentos do estudo, garantindo as  quest&otilde;es inerentes ao anonimato e confidencialidade dos dados.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Resultados</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Conhecimentos acerca das medidas de acolhimento</i></p>     <p>Os resultados demonstram que, de uma forma geral, os participantes t&ecirc;m poucos conhecimentos sobre o tema (cf.  <a href="#t2">Tabela 2</a>): todas as quest&otilde;es tiveram menos de 50% de acertos. Os dados demonstram que os participantes tendem a  considerar que s&atilde;o crian&ccedil;as mais novas que est&atilde;o em situa&ccedil;&atilde;o de acolhimento, hipervalorizam a  exposi&ccedil;&atilde;o ao mau trato f&iacute;sico como causa do acolhimento, subestimam o n&uacute;mero de crian&ccedil;as e jovens em  acolhimento residencial e, pelo contr&aacute;rio, sobrestimam o n&uacute;mero de crian&ccedil;as e jovens em acolhimento familiar. A  quest&atilde;o que reuniu maior n&uacute;mero de respostas corretas dizia respeito ao tempo m&eacute;dio de perman&ecirc;ncia em acolhimento.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="t2"></a></p>     <p><img src="/img/revistas/aps/v37n1/37n1a07t2.jpg" width="575" height="377"></p>     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><i>Perce&ccedil;&otilde;es acerca de efeitos positivos e de riscos do acolhimento familiar</i></p>     <p>Quando uma crian&ccedil;a est&aacute; em situa&ccedil;&atilde;o de perigo e tem de ser temporariamente retirada &agrave; fam&iacute;lia  biol&oacute;gica, os participantes identificam o acolhimento familiar como a melhor op&ccedil;&atilde;o (74.1%), justificando-o com o facto da  din&acirc;mica familiar ser mais ajustada &agrave;s necessidades da crian&ccedil;a (72.5%) &ndash; cf. <a href="#t3">Tabela 3</a>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="t3"></a></p>     <p><img src="/img/revistas/aps/v37n1/37n1a07t3.jpg" width="575" height="134"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Das 68 pessoas que identificaram o acolhimento residencial como a melhor op&ccedil;&atilde;o, a maioria justifica-o com o argumento de este  n&atilde;o sujeitar as crian&ccedil;as a novas perdas/descontinuidades das rela&ccedil;&otilde;es (70.6%) &ndash; cf.  <a href="#t4">Tabela 4</a>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="t4"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><img src="/img/revistas/aps/v37n1/37n1a07t4.jpg" width="575" height="133"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>A an&aacute;lise descritiva demonstra que a popula&ccedil;&atilde;o em geral parece percecionar mais efeitos positivos (<i>M</i>=3.90;  <i>DP</i>=.47) do que riscos (<i>M</i>=3.30; <i>DP</i>=.52), no acolhimento familiar (cf. <a href="#t5">Tabela 5</a>). Os efeitos positivos mais  valorizados centram-se no bem estar da crian&ccedil;a acolhida (e.g., <i>Oportunidade da crian&ccedil;a criar de rela&ccedil;&otilde;es  familiares saud&aacute;veis</i>, <i>M</i>=4.19; <i>DP</i>=.70), e o risco mais evidenciado diz respeito &agrave; preocupa&ccedil;&atilde;o de que  as crian&ccedil;as mais velhas e adolescentes n&atilde;o consigam estabelecer rela&ccedil;&otilde;es significativas com as fam&iacute;lias de  acolhimento (<i>M</i>=3.83; <i>DP</i>=.76).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="t5"></a></p>     <p><img src="/img/revistas/aps/v37n1/37n1a07t5.jpg" width="575" height="233"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Motiva&ccedil;&otilde;es, condi&ccedil;&otilde;es e obst&aacute;culos para o acolhimento familiar</i></p>     <p>Na <a href="#t6">Tabela 6</a> s&atilde;o apresentadas as motiva&ccedil;&otilde;es dos participantes para o acolhimento. No topo da tabela,  como sendo as motiva&ccedil;&otilde;es mais prevalentes, destaca-se a <i>experi&ecirc;ncia familiar positiva para a crian&ccedil;a</i>  (assinalada por 82.6% dos participantes) e <i>fazer a diferen&ccedil;a na vida</i> da mesma (79.6%).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><a name="t6"></a></p>     <p><img src="/img/revistas/aps/v37n1/37n1a07t6.jpg" width="575" height="175"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Relativamente &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias para o acolhimento familiar (cf. <a href="#t7">Tabela 7</a>), a maioria dos  participantes mostrou concord&acirc;ncia com os itens relacionados com a <i>import&acirc;ncia do acompanhamento dos servi&ccedil;os</i> sociais e  da <i>maior aten&ccedil;&atilde;o do governo</i> a esta quest&atilde;o. As <i>qualidades afetivas e relacionais</i> da fam&iacute;lia de  acolhimento s&atilde;o tamb&eacute;m valorizadas como condi&ccedil;&otilde;es importantes para o acolhimento, assim como a <i>possibilidade em  adotar</i> a crian&ccedil;a. Os dados permitem ainda verificar que o p&uacute;blico est&aacute; mais dividido quanto ao papel fundamental da  <i>manuten&ccedil;&atilde;o do contacto entre a fam&iacute;lia de acolhimento e a fam&iacute;lia biol&oacute;gica</i>, e &agrave; necessidade de  uma <i>retribui&ccedil;&atilde;o monet&aacute;ria</i> pelo acolhimento.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="t7"></a></p>     <p><img src="/img/revistas/aps/v37n1/37n1a07t7.jpg" width="579" height="372"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>J&aacute; relativamente aos obst&aacute;culos para o acolhimento (<a href="#t8">Tabela 8</a>) verifica-se que os participantes assinalam  maioritariamente as <i>limita&ccedil;&otilde;es de tempo</i> devido a motivos profissionais (76.7%) seguindo-se os <i>recursos financeiros</i>  que consideram insuficientes (63%).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><a name="t8"></a></p>     <p><img src="/img/revistas/aps/v37n1/37n1a07t8.jpg" width="579" height="210"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Disponibilidade/indisponibilidade para se tornar fam&iacute;lia de acolhimento e respetiva fundamenta&ccedil;&atilde;o</i></p>     <p>Quando questionados sobre a possibilidade de, em algum momento da sua vida, virem a acolher uma crian&ccedil;a, a maioria dos participantes  afirmam ter essa disponibilidade (63.3%). A fundamenta&ccedil;&atilde;o da resposta anterior, recolhida atrav&eacute;s de uma quest&atilde;o  aberta, foi analisada por dois dos autores, que regularmente discutiam e analisavam as propriedades das categorias emergentes dos dados,  resolvendo diverg&ecirc;ncias e alcan&ccedil;ando consensos, que orientavam a an&aacute;lise subsequente. Este processo de  compara&ccedil;&atilde;o constante (Strauss &amp; Corbin, 1998) permitiu desenvolver um sistema de categorias e de subcategorias relacionadas  (Dey, 1993; Saldanha, 2011) que descreve de forma exaustiva os argumentos apresentados pelos participantes na fundamenta&ccedil;&atilde;o da sua  resposta (ter ou n&atilde;o ter disponibilidade para acolher uma crian&ccedil;a).</p>     <p>Assim, a disponibilidade em acolher uma crian&ccedil;a foi baseada em v&aacute;rios tipos de argumentos, assinalados por ordem decrescente  considerando o n&uacute;mero de indiv&iacute;duos que os apontam: (1) <i>Benef&iacute;cios para a crian&ccedil;a</i> (e.g., <i>contribuir para o  desenvolvimento, ajudar a crian&ccedil;a, fazer a diferen&ccedil;a, ter impacto positivo</i>); (2) <i>Direitos da Crian&ccedil;a</i> (e.g.,  <i>dar carinho e amor, valorizar a crian&ccedil;a, educar a crian&ccedil;a, dar uma fam&iacute;lia</i>); (3) <i>Benef&iacute;cios para o  pr&oacute;prio acolhedor</i> (e.g., <i>dar significado &agrave; pr&oacute;pria vida, gostar de crian&ccedil;as, por n&atilde;o poder ter  filhos</i>); (4) <i>Recursos</i> (e.g., <i>ter recursos habitacionais, financeiros, disponibilidade de tempo</i>); (5) <i>Solidariedade</i>  (e.g., <i>ajudar o pr&oacute;ximo, por que tamb&eacute;m gostava que o ajudassem</i>); ou (6) <i>Condi&ccedil;&otilde;es do pr&oacute;prio  sujeito</i> (e.g., <i>ter perfil indicado, conviv&ecirc;ncia com os filhos biol&oacute;gicos; possibilidade de adotar</i>).</p>     <p>As 75 pessoas que responderam que n&atilde;o estavam dispon&iacute;veis para acolher crian&ccedil;as e jovens, justificam-no, maioritariamente  com: (1) <i>Quest&otilde;es pessoais/emocionais</i> (e.g., <i>falta de vontade e disponibilidade, personalidade n&atilde;o ser adequada, idade  avan&ccedil;ada</i>); (2) <i>Falta de recursos</i> (e.g., <i>condi&ccedil;&otilde;es financeiras e habitacionais insuficientes</i>); (3)  <i>Quest&otilde;es Familiares</i> (e.g., <i>j&aacute; ter filhos, provocar instabilidade familiar</i>); (4) <i>Problemas relativos &agrave;  crian&ccedil;a</i> (e.g., <i>a crian&ccedil;a retornar &agrave; fam&iacute;lia de origem, problemas comportamentais</i>); ou (5)  <i>Quest&otilde;es Profissionais</i> (e.g., <i>fazer muitas viagens, ser muito ocupada profissionalmente</i>).</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Discuss&atilde;o</b></p>     <p>A capacidade de promover o acolhimento familiar, para al&eacute;m de muitos e complexos fatores de ordem pol&iacute;tica, legislativa e  financeira, estar&aacute; tamb&eacute;m dependente do conhecimento mais ou menos limitado ou da perce&ccedil;&atilde;o mais ou menos realista ou  positiva que a popula&ccedil;&atilde;o possa ter sobre a problem&aacute;tica. Tal como outros autores (Leber &amp; Lecroi, 2012), defende-se que  a descri&ccedil;&atilde;o dos conhecimentos e perce&ccedil;&otilde;es em torno do acolhimento familiar poder&aacute; ser de extrema  relev&acirc;ncia, quer para efeitos de sensibiliza&ccedil;&atilde;o social, quer para informar as estrat&eacute;gias de recrutamento de  fam&iacute;lias qualificadas, para mapear as suas necessidades de forma&ccedil;&atilde;o e acompanhamento, ou ainda para responder a tantas  outras quest&otilde;es relevantes implicadas nas pol&iacute;ticas de acolhimento de crian&ccedil;as e jovens. &Eacute; pois neste enquadramento  da potencial pertin&ecirc;ncia e utilidade que este retrato possa ter para o (melhor e mais amplo) funcionamento do acolhimento familiar como  medida de prote&ccedil;&atilde;o &agrave; inf&acirc;ncia em Portugal, que estes resultados s&atilde;o discutidos.</p>     <p>Uma primeira conclus&atilde;o relevante &eacute; que os participantes apresentam uma perce&ccedil;&atilde;o bastante favor&aacute;vel do  acolhimento familiar, como &eacute; poss&iacute;vel constatar a partir dos resultados relacionados com a elevada disponibilidade para acolher,  com o privil&eacute;gio do acolhimento familiar face ao acolhimento residencial na resposta a situa&ccedil;&otilde;es de perigo, e com a  valoriza&ccedil;&atilde;o dos efeitos positivos do acolhimento familiar em compara&ccedil;&atilde;o aos riscos. Este cen&aacute;rio, que parece  ser favor&aacute;vel ao desenvolvimento da medida no nosso pa&iacute;s, tem naturalmente que ser contrastado, quer com o efeito de alguma  desejabilidade social que possa subjazer a esta elevada disponibilidade para o acolhimento, quer com os dados que demonstram um desconhecimento  consider&aacute;vel da realidade do acolhimento por parte da popula&ccedil;&atilde;o. Neste &acirc;mbito, sobressai a  subvaloriza&ccedil;&atilde;o do n&uacute;mero de crian&ccedil;as em acolhimento residencial e a sobrevaloriza&ccedil;&atilde;o do n&uacute;mero  de crian&ccedil;as em acolhimento familiar. Estes resultados parecem indicar que o acolhimento familiar &eacute; percecionado socialmente como  mais desenvolvido e consolidado do que o &eacute; na realidade.</p>     <p>Diferentes indicadores recolhidos neste estudo apontam para o primado das rela&ccedil;&otilde;es enquanto fator de pondera&ccedil;&atilde;o  fulcral para tomadas de decis&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o ao acolhimento familiar. De facto, os participantes s&atilde;o quase  un&acirc;nimes em reconhecer que as fam&iacute;lias de acolhimento devem ser selecionadas com base nas suas qualidades afetivas e relacionais, e  destacam a possibilidade de criar rela&ccedil;&otilde;es familiares saud&aacute;veis como um dos fatores que valoriza o acolhimento familiar  sobre o residencial. Estas vis&otilde;es s&atilde;o congruentes com o que tem sido defendido pelos especialistas como central para potenciar o  efeito reparador do acolhimento (Dozier et al., 2014; Zenah et al., 2011). N&atilde;o obstante, nesta mesma linha do primado das  rela&ccedil;&otilde;es, vemos que &eacute; o receio do impacto de nova descontinuidade relacional na vida da crian&ccedil;a que se afigura como o  maior justificativo para quem valoriza o acolhimento residencial como melhor op&ccedil;&atilde;o para as crian&ccedil;as e jovens retirados  &agrave;s fam&iacute;lias biol&oacute;gicas. A teoria da vincula&ccedil;&atilde;o reivindica a capacidade do ser humano formar m&uacute;ltiplos  v&iacute;nculos ao longo do ciclo de vida e as propriedades reparadoras destes mesmos v&iacute;nculos, quando seguros, face a anteriores  rela&ccedil;&otilde;es perturbadas (Bowlby, 1979; Soares, 2007). Com isto, n&atilde;o se quer negligenciar a dificuldade da viv&ecirc;ncia de uma  descontinuidade relacional aquando do fim do acolhimento familiar, mas antes focar o cariz reparador que esta rela&ccedil;&atilde;o, se de  qualidade, ter&aacute; para crian&ccedil;as e jovens acolhidos. Este facto assume ainda maior relev&acirc;ncia quando lembramos que o acolhimento  residencial &ndash; que frequentemente n&atilde;o consegue transpor quest&otilde;es como, por exemplo, a rotatividade nos hor&aacute;rios dos  cuidadores, ou organiza&ccedil;&atilde;o em torno de cuidadores de refer&ecirc;ncia &ndash; confina as crian&ccedil;as e jovens a viv&ecirc;ncias  relacionais tantas vezes mais pobres e com menor sentido de perten&ccedil;a.</p>     <p>A an&aacute;lise das motiva&ccedil;&otilde;es para acolher evidencia que, de forma relativamente consensual, s&atilde;o invocadas  motiva&ccedil;&otilde;es altru&iacute;stas, centradas na crian&ccedil;a (e.g., <i>fazer a diferen&ccedil;a na vida da crian&ccedil;a;  proporcionar uma experi&ecirc;ncia familiar positiva &agrave; crian&ccedil;a</i>), para o acolhimento familiar. Esta tend&ecirc;ncia parece  seguir a literatura (e.g., Leber &amp; LeCroy, 2012; L&oacute;pez &amp; Del Valle, 2016; Rhodes, Cox, Ohrme, Coakley, 2006; Tyebjee, 2003)  constituindo-se um aspeto importante para a sensibiliza&ccedil;&atilde;o do p&uacute;blico para esta tem&aacute;tica (L&oacute;pez, Del Valle,  &amp; Bravo Arteaga, 2010). Contudo, relativamente &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es para o acolhimento familiar, os resultados revelam algumas  quest&otilde;es controversas, que dividem de forma evidente a opini&atilde;o dos participantes, designadamente, a centralidade do contacto entre  a fam&iacute;lia de acolhimento e a fam&iacute;lia biol&oacute;gica, e a necessidade de uma retribui&ccedil;&atilde;o monet&aacute;ria pelo  acolhimento. Relativamente ao contacto com as fam&iacute;lias biol&oacute;gicas, os resultados deste estudo s&atilde;o consistentes com os  resultados de outras investiga&ccedil;&otilde;es em que as fam&iacute;lias de acolhimento consideram a rela&ccedil;&atilde;o com a fam&iacute;lia  biol&oacute;gica como o aspeto mais stressante do processo de acolhimento (Delgado et al., 2015; Lop&eacute;z &amp; Del Valle, 2016; Megahead  &amp; Lee, 2012). No entanto, h&aacute; que considerar que uma das condi&ccedil;&otilde;es para a implementa&ccedil;&atilde;o da medida de  acolhimento familiar &eacute; a previsibilidade de regresso &agrave; fam&iacute;lia biol&oacute;gica, e que a investiga&ccedil;&atilde;o reporta  que a qualidade das rela&ccedil;&otilde;es familiares entre a crian&ccedil;a, a fam&iacute;lia biol&oacute;gica e a fam&iacute;lia de acolhimento  s&atilde;o uma dimens&atilde;o importante para o sucesso do acolhimento familiar (e.g., Berrick &amp; Skivenes, 2012). Assim, &eacute; vital  clarificar a import&acirc;ncia da rela&ccedil;&atilde;o entre ambas as fam&iacute;lias e apoiar todos os intervenientes no processo, na  gest&atilde;o de uma rela&ccedil;&atilde;o cooperativa. J&aacute; no que diz respeito &agrave; retribui&ccedil;&atilde;o monet&aacute;ria, os  resultados parecem indiciar o receio de que esta se possa constituir como motiva&ccedil;&atilde;o principal, desvirtuando, por isso, a  genuinidade do acolhimento. Estes resultados corroboram os resultados de outros estudos na mesma tem&aacute;tica (e.g., Leber &amp; Lecroi,  2012). H&aacute; no entanto, quest&otilde;es relacionadas com as condi&ccedil;&otilde;es socioecon&oacute;micas vividas pela maioria das  fam&iacute;lias portuguesas, potenciais fam&iacute;lias acolhedoras, que n&atilde;o podem ser descuradas nesta discuss&atilde;o. De facto, a  perce&ccedil;&atilde;o de insufici&ecirc;ncia de recursos financeiros &eacute; tamb&eacute;m apontada pelos participantes deste estudo como um  dos principais obst&aacute;culos ao acolhimento. Um trabalho recente de Delgado et al. (2015), que compara a satisfa&ccedil;&atilde;o dos  acolhedores em Portugal e Espanha, reporta que 56,9% de acolhedores portugueses est&aacute; insatisfeito com o apoio econ&oacute;mico recebido,  ao inverso do que acontece em Espanha, em que a totalidade est&aacute; muito satisfeita. Todos estes dados devem ser conjuntamente refletidos na  considera&ccedil;&atilde;o da import&acirc;ncia da retribui&ccedil;&atilde;o monet&aacute;ria para o suporte da fun&ccedil;&atilde;o de  acolhedor.</p>     <p>As principais limita&ccedil;&otilde;es deste estudo dizem respeito &agrave; aus&ecirc;ncia de uma amostra representativa da  popula&ccedil;&atilde;o portuguesa, que imp&otilde;e barreiras &agrave; leitura dos resultados, e &agrave; poss&iacute;vel desejabilidade social  presente aquando da resposta ao question&aacute;rio, como j&aacute; referido acima. Considera-se pertinente dar continuidade a esta linha de  investiga&ccedil;&atilde;o, com uma amostra representativa. Tamb&eacute;m o recurso a outros informadores como fam&iacute;lias de acolhimento  portuguesas e crian&ccedil;as e jovens portugueses acolhidos ser&aacute; um contributo importante para o aprofundamento da  investiga&ccedil;&atilde;o nesta &aacute;rea.</p>     <p>N&atilde;o obstante as suas limita&ccedil;&otilde;es, este estudo traz como principal mais-valia a ausculta&ccedil;&atilde;o das  perce&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas sobre o acolhimento familiar, um tema escassamente representado na literatura mas revestido de  relev&acirc;ncia e atualidade no panorama sociopol&iacute;tico Portugu&ecirc;s. Esta caracteriza&ccedil;&atilde;o da vis&atilde;o do  p&uacute;blico acerca do acolhimento familiar evidencia duas mensagens-chave: por um lado, o baixo conhecimento que a popula&ccedil;&atilde;o  det&eacute;m sobre esta mat&eacute;ria, por outro, a sua elevada disponibilidade manifesta para o acolhimento familiar. Embora em certa medida  opostos, ambos os argumentos compelem &agrave; necessidade de um investimento profundo na sensibiliza&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o  sobre estes temas. E os resultados indicam-nos algumas linhas a considerar nas campanhas de sensibiliza&ccedil;&atilde;o ou nas pol&iacute;ticas  de fortalecimento da medida. De acordo com os resultados deste estudo, urge apelar &agrave;s implica&ccedil;&otilde;es positivas que o  acolhimento familiar acarreta para as trajet&oacute;rias de vida das crian&ccedil;a e jovens, bem como desmistificar quest&otilde;es relacionadas  com as possibilidades e oportunidades de forma&ccedil;&atilde;o de v&iacute;nculos. Por outro lado, os resultados indicam que a  forma&ccedil;&atilde;o e acompanhamento dos servi&ccedil;os sociais s&atilde;o condi&ccedil;&otilde;es valorizadas pelo p&uacute;blico, que  devem ser, por isso, consideradas consistentemente nas pol&iacute;ticas de fortalecimento da medida. Da mesma forma, tamb&eacute;m as  quest&otilde;es econ&oacute;micas devem ser seriamente refletidas e contempladas na operacionaliza&ccedil;&atilde;o da medida. Numa altura em a  press&atilde;o pol&iacute;tica para a desinstitucionaliza&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;as e jovens &eacute; grande, resultado j&aacute; do  progresso cient&iacute;fico que coloca em evid&ecirc;ncia melhores formas de responder &agrave;s necessidades das crian&ccedil;as e jovens em  perigo, este estudo constitui um contributo para o repensar de pol&iacute;ticas que visem a promo&ccedil;&atilde;o de uma cultura de acolhimento  familiar e a cria&ccedil;&atilde;o de condi&ccedil;&otilde;es que viabilizem o seu desenvolvimento em Portugal.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>     <p>Ahmad, A., Qahar, J., Siddiq, A., Majeed, A., Rasheed, J., Jabar, F., &amp; von Knorring, A. I. (2005). A 2-year follow-up of orphans&rsquo;  competence, socioemotional problems and post-traumatic stress sympetoms in traditional foster care and orphanages in Iraqi Kurdistan. <i>Child  Care Health and Development, 31</i>, 203-215.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Barber, J. G., &amp; Delfabbro, P. H. (2005). Children&rsquo;s adjustment to long-term foster care. <i>Children and Youth Services Review,  27</i>, 329-340.</p>     <!-- ref --><p>Berrick, J. D., &amp; Skivenes, M. (2012). Dimensions of high quality foster care: Parenting plus. <i>Children and Youth Services Review,  34</i>, 1956-1965.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=045151&pid=S0870-8231201900010000700003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Bowlby, J. (1979). <i>The making and breaking of affectional bonds</i>. London: Tavistock.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=045153&pid=S0870-8231201900010000700004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p><i>Decreto Lei n&ordm; 142/2015 de 8 de Setembro do Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a</i>. Di&aacute;rio da Rep&uacute;blica: I  s&eacute;rie, N&ordm; 175(2015). Acedido a 19 mar&ccedil;o 2018 em <a href="https://dre.pt" target="_blank">https://dre.pt</a></p>     <!-- ref --><p>Del Valle, J. F., &amp; Bravo, A. (2013). Current trends, figures and challenges in out of home child care: An international comparative  analysis. <i>Psychosocial Intervention, 22</i>, 251-257.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=045156&pid=S0870-8231201900010000700005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Delgado, P., Lopez, M., Carvalho, J., &amp; Del Valle, J. (2015). Acolhimento familiar em Portugal e Espanha: Uma investiga&ccedil;&atilde;o  comparada sobre a satisfa&ccedil;&atilde;o dos acolhedores. <i>Psicologia: Reflex&atilde;o e Cr&iacute;tica, 28</i>, 840-849. doi:  10.1590/1678-7153.201528423&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=045158&pid=S0870-8231201900010000700006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Dey, I. (1993). <i>Qualitative data analysis. A user-friendly guide for social scientists</i>. London: Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=045159&pid=S0870-8231201900010000700007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Dozier, M., Kaufman, J., Kobak, R., O&rsquo;Connor, T. G., Sagi-Schwartz, A., Scott, S., . . . Zeanah, C. (2014). Consensus statement on  group care for children and adolescents: A statement of policy of the American orthopsychiatric association. <i>American Journal of  Orthopsychiatry, 84</i>, 219-225. doi: 10.1037/ort0000005</p>     <!-- ref --><p>Dregan, A., &amp; Guilliford, M. C. (2012). Foster care, residential care and public care placement patterns are associated with adult life  trajectories: Population-based cohort study. <i>Social Psychiatry and Psychiatric Epidemiology, 47</i>, 1517-1526. doi:  10.1007/s00127-011-0458-5&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=045162&pid=S0870-8231201900010000700009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Instituto de Seguran&ccedil;a Social [ISS]. (2016). <i>CASA &ndash; Relat&oacute;rio de caracteriza&ccedil;&atilde;o anual da  situa&ccedil;&atilde;o de acolhimento das crian&ccedil;as e jovens</i>. Lisboa: Instituto de Seguran&ccedil;a Social.</p>     <!-- ref --><p>Leber, C., &amp; LeCroy, C. (2012). Public perception of the foster care system: A national study. <i>Children and Youth Services Review,  34</i>, 1633-1638. doi: 10.1016/j.childyouth.2012.04.027&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=045164&pid=S0870-8231201900010000700011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>L&oacute;pez, M., &amp; Del Valle, J. (2016). Foster carer experience in Spain: Analysis of the vulnerabilities of a permanent model.  <i>Psicothema, 28</i>, 122-129. doi: 10.7334/psicothema2015.168&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=045165&pid=S0870-8231201900010000700012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>L&oacute;pez, M., Del Valle, J., &amp; Bravo Arteaga, A. (2010). Estrategias para la captaci&oacute;n de familias acogedoras. <i>Papeles del  Psic&oacute;logo, 31</i>, 289-295.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=045166&pid=S0870-8231201900010000700013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>McCall, R. B. (2011). Research, practice, and policy perspectives on issues of children without permanent parental care. <i>Monographs of the  Society for Research in Child Development, 76</i>(4), 223-272.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=045168&pid=S0870-8231201900010000700014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Megahead, H., &amp; Lee, R. (2012). Adaptation to stress: A common model and method to facilitate within-and cross-cultural evaluation of  foster families. <i>Journal of Comparative Family Studies, 43</i>, 773-781.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=045170&pid=S0870-8231201900010000700015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Negr&atilde;o, M., Veiga, E., Ver&iacute;ssimo, L., &amp; Moreira, M. (2017). <i>Question&aacute;rio sobre perce&ccedil;&otilde;es acerca do  acolhimento familiar</i>. Manuscrito n&atilde;o publicado.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=045172&pid=S0870-8231201900010000700016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Nelson, C., Fox, N., &amp; Zeanah, C. (2014). <i>Romania&rsquo;s abandoned children: Deprivation, brain development and struggle for  recovery</i>. Cambridge: Harvard University Press.</p>     <!-- ref --><p>Nowacki, K., &amp; Schoelmerich, A. (2010). Growing up in foster families or institutions: And psychological adjustment of young adults.  <i>Attachment &amp; Human Development, 12</i>, 551-566. doi: 10.1080/14616734.2010.504547&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=045175&pid=S0870-8231201900010000700018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Recomenda&ccedil;&atilde;o da Comiss&atilde;o Europeia, n&ordm; 2013/112/EU de 20 de fevereiro de 2013. <i>Jornal Oficial da Uni&atilde;o  Europeia</i>. Acedido a 19 mar&ccedil;o 2018. Dispon&iacute;vel em <a href="http://eur-lex.europa.eu" target="_blank">http://eur-lex.europa.eu</a></p>     <p>Rhodes, K., Cox, M. E., Ohrme, J. G., &amp; Coakley, T. (2006). Foster Parents&rsquo; reasons for fostering and foster family utilization.  <i>The Journal of Sociology and Social Welfare, 33</i>, 105-126.</p>     <!-- ref --><p>Saldanha, J. (2011). <i>Fundamentals of qualitative research</i>. New York: Oxford University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=045178&pid=S0870-8231201900010000700020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Soares, I. (Coord.). (2007). <i>Rela&ccedil;&otilde;es de vincula&ccedil;&atilde;o ao longo do desenvolvimento: Teoria e  avalia&ccedil;&atilde;o</i>. Braga: Psiquilibrios.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=045180&pid=S0870-8231201900010000700021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Soares, I., Belsky, J., Oliveira, P., Silva, J., Marques, S., Baptista, J., &amp; Martins, C. (2014). Does early family risk and current  quality of care predict indiscriminate social behavior in institutionalized Portuguese children?. <i>Attachment &amp; Human Development, 16</i>,  137-148. doi: 10.1080/14616734.2013.869237&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=045182&pid=S0870-8231201900010000700022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Strauss, A., &amp; Corbin, J. (1998). <i>Basics of qualitative research: Techniques and procedures for developing grounded theory</i>  (2<sup>nd</sup> ed.). Thousand Oaks, CA: Sage.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=045183&pid=S0870-8231201900010000700023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Tyebjee, T. (2003). Attitude, interest, and motivation for adoption and foster care. <i>Child Welfare, 82</i>, 685-706.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=045185&pid=S0870-8231201900010000700024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>UNICEF. (1989). <i>A conven&ccedil;&atilde;o sobre os direitos da crian&ccedil;a</i>. Acedido a 19 mar&ccedil;o 2018. Dispon&iacute;vel em  <a href="http://www.unicef.pt/docs/pdf_publicacoes/convencao_direitos_crianca2004.pdf"  target="_blank">http://www.unicef.pt/docs/pdf_publicacoes/convencao_direitos_crianca2004.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=045187&pid=S0870-8231201900010000700025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Zenah, C., Shauffer, C., &amp; Dozier, M. (2011). Foster care for young children: Why it must be developmentally informed. <i>Journal of the  American Academy of Child and Adolescent Psychiatry, 50</i>, 1199-1201. doi: 10.1016/j.jaac.2011.08.00&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=045188&pid=S0870-8231201900010000700026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b><a name="c0" id="c0"></a><a href="#topc0">CORRESPONDÊNCIA</a></b></p>     <p>A correspond&ecirc;ncia relativa a este artigo dever&aacute; ser enviada para: Mariana Negr&atilde;o, Centro de Investiga&ccedil;&atilde;o  para o Desenvolvimento Humano, Faculdade de Educa&ccedil;&atilde;o e Psicologia, Universidade Cat&oacute;lica Portuguesa, R. de Diogo Botelho  1327, 4169-005 Porto, Portugal. E-mail: <a href="mailto:mnegrao@porto.ucp.pt">mnegrao@porto.ucp.pt</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Submiss&atilde;o: 26/03/2018 Aceita&ccedil;&atilde;o: 16/09/2018</p>      ]]></body><back>
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